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UNEMAT
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MATO GROSSO
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE PONTES E LACERDA-MT
FOCOS PRINCIPAIS: DO OBJETO DA LINGUÍSTICA À REPRESENTAÇÃO DA LÍNGUA PELA ESCRITA
Docente:
Jefferson Genesio
Discente(s):
Elizangela Batista Silva Severino
Graduanda em Licenciatura Plena em Letras pela UNEMAT (Universidade Estadual de Mato Grosso, Campus de Pontes e Lacerda-MT. 2º Semestre: Linguística Geral.
Gabriela Miranda
Graduanda em Licenciatura Plena em Letras pela UNEMAT (Universidade Estadual de Mato Grosso, Campus de Pontes e Lacerda-MT. 2º Semestre: Linguística Geral.
RESUMO: Neste trabalho, objetiva-se o desenvolvimento de uma análise conceitual dos principais pontos de relevância a respeito dos pressupostos saussurianos contidos na obra Curso de Linguística Geral e das principais críticas tecidas por Ferdinand Saussure. Adota-se, para isso, o estudo da obra dos capítulos 03 ao 06 para a construção deste trabalho. Desta feita, tenciona-se representar apenas uma visão teórica de parte da obra saussuriana, que se situa dentro da ampla área da Linguística. Ao fim, percebe-se que a obra de Saussure tem especial relevância no cenário linguístico não só porque inaugurou a Linguística moderna tal como hoje se conhece, mas também porque serviu de base para a renovação dos estudos da linguagem, seja por aderência ou reafirmação das noções propostas seja pela contraposição e crítica teóricas.
Palavras-chave: Linguística Moderna; Saussure; Dicotomia; Linguagem; Fala; Escrita; Estruturalimo;
1. INTRODUÇÃO
Todo o conhecimento sobre linguagem produzido no século XX teve sua origem em um ponto comum, a obra Curso de lingüística Geral surgida em 1916, na França. É possível fazer essa afirmação, não porque tal conhecimento se baseou no Curso, mas porque aquela obra deu início aos estudos científicos da linguagem proporcionando aos estudiosos tanto a definição do objeto, quanto um método. 
Fruto da dedicação dos discípulos de Ferdinand de Saussure, o Curso de Linguística Geral é uma das obras mais importantes da história relacionada aos estudos da linguagem. Embasada por Ferdinand de Saussure, um dos maiores estudiosos nessa área, este livro foi lançado em 1916, postumamente pelos alunos de Saussure. Esses aprendizes fizeram uma compilação das obras do mestre a fim de construir uma obra que internalizasse as ideias geniais desse que foi um dos maiores responsáveis pela estruturação da linguística como ciência. Os temas e conceitos abordados por esse livro dizem respeito ao trabalho realizado por Ferdinand em estudar a língua como elemento fundamental da comunicação humana. Ele, por sua vez, faz uma divisão no seu campo de estudo, popularmente conhecida como dicotomias. Esse desmembramento serviu para clarificar os conceitos que ele tinha com relação à função exercida pela linguagem. Nesta obra as dicotomias são: língua x fala; significante x significado; sincronia x diacronia; sintagma x paradigma.
2. DESENVOLVIMENTO
Ferdinand de Saussure (1857-1913), considerado o pai da linguística moderna, definiu que o verdadeiro objeto da linguística é a língua. Ele distinguiu três conceitos fundamentais: linguagem, língua e fala. A linguagem é a capacidade humana geral de se comunicar por meio de signos, mas é ampla demais para ser o foco da linguística. A fala é o uso individual da língua, pessoal e imprevisível, por isso não pode ser o foco principal da linguística científica. Já a língua é um sistema de signos compartilhado socialmente, regido por regras estáveis, e por isso pode ser analisada cientificamente. Para Saussure, a língua é o que permite compreender como os signos funcionam, sendo composta por elementos que se relacionam dentro de um sistema. Por essas razões, ele estabelece que a língua é o objeto central da linguística, pois esse é o verdadeiro objeto da linguística na tríade - social, pertencente ao coletivo, estável (estruturada e sistemática), sendo o suficiente para ser analisado e independente do indivíduo, ou seja, não depende da fala particular de alguém.
No terceiro capítulo do livro, aparecem os questionamentos sobre o objeto de estudo da linguística. No desenrolar do texto fica cada vez mais evidente o interesse de Saussure pelo estudo da língua, pois, para ele, a linguagem é social e individual, enfim, a fusão da língua e da fala, conforme destacado no trecho: “a linguagem tem um lado individual e um lado social, sendo possível, conceber um sem o outro.” (SAUSSURE, Pág. 16)
Ferdinand escolhe o estudo sistemático da língua, por esta ser a matéria indissociável da linguagem. Para reforçar esse argumento o autor coloca: “Para atribuir à língua o primeiro lugar do estudo da linguagem pode-se, enfim, fazer valer o argumento de que a faculdade - natural ou não – de articular palavras não se exerce senão com ajuda de instrumento criado e fornecido pela coletividade.” (SAUSSURE, Pág. 18). 
Ainda nesse capítulo, mais precisamente no segundo subtópico, inicia-se o estudo da língua no meio da linguagem. É nos exemplificado, fisiologicamente, como ocorre o fenômeno da interação da língua no ato da comunicação, tanto no aspecto físico quanto no psíquico. É interessante observar nesta parte da obra como os mecanismos que compõe a linguagem funcionam no dado momento da comunicação, fazendo com que a interação entre indivíduos efetivamente ocorra. Além disso, Saussure, continua traçando paralelos entre língua e fala, sempre dando ênfase na primeira. Conforme o autor temos:
a) numa parte exterior (vibração dos sons indo da boca ao ouvido) e uma parte interior, que compreende todo o resto;
b) uma parte psíquica e outra não-psiquica, incluindo a segunda também os fator fisiológicos, dos quais os órgãos são a sede, e os fatos físicos exteriores ao indivíduo; (SAUSSURE, pág. 20)
Na última parte desse capítulo surgi o debate em torno do signo linguístico, denominado como Semiologia. Essa parte da obra é crucial, pois, nos próximos capítulos, Saussure começa a fazer as distinções sobre as suas famosas dicotomias. Por isso, o entendimento do signo linguístico como uma entidade do conjunto que forma a linguagem é fundamental. Ainda sobre a semiologia cabe ilustrar a diferença existente entre ela e a linguística. Enquanto a linguística limita-se em estudar apenas a linguagem humana, a semiologia vai além, estudando a dos animais e de toda e qualquer sistema de comunicação, seja natural ou convencional. Logo, o objetivo da semiologia:
(...) nos ensinará em que consistem os signos, que leis os regem. Como tal ciência não existe ainda, não se p de dizer o que será; ela tem direito, porém, à existencia; seu lugar está determinado de antemão. A Lingüística não é senão uma parte dessa ciencia geral ; as leis que a Semiologia descobrir serão aplicáveis à Lingüística e esta se achará dessarte vinculada a um domínio bem definido no ciinjunto dos fatos humanos.
Como meramente exposto, Saussure estabelece uma distinção fundamental para o estudo da linguagem: a dicotomia entre língua e fala. Essa distinção é crucial para delimitar o objeto de estudo da linguística e permitir uma análise científica da linguagem.
Para Saussure, a linguagem é uma faculdade humana complexa, multifacetada e heterogênea. Ela engloba tanto o aspecto individual quanto o social, o físico, o fisiológico e o psíquico. Por ser tão abrangente e sem uma unidade clara, a linguagem, em sua totalidade, não pode ser o objeto direto da linguística, pois como o autor afirma: 
Sem dúvida, esses dois objetos estão estreitamente ligados e se implicam mutuamente; a língua é necessária para que a fala seja inteligível e produza todos os seus efeitos, mas esta é necessária para que a lingua se estabeleça; historicamente, o fato da fala vem sempre antes. (SAUSSURE, pág. 27)
É nesse ponto que Saussure introduz a distinção entre língua e fala para isolar um objeto de estudo mais homogêneo e manejável:
2. 1 Língua (Langue)
A língua é o sistema abstrato e social da linguagem. Ela é:
Social e Coletiva: A língua é um conjunto de convenções,regras e signos compartilhados por uma comunidade de falantes. Ninguém a cria ou modifica individualmente; ela é um produto coletivo, depositado na mente de cada indivíduo da comunidade. Pense na gramática, no vocabulário e na fonologia de um idioma – eles existem antes do uso individual.
Abstrata e Potencial: A língua é um sistema em potencial, um tesouro de imagens acústicas e conceitos associados (os signos linguísticos) que reside na mente dos falantes. Ela é a norma, o arcabouço que possibilita a comunicação.
Homogênea: Por ser um sistema de valores puros e relacionais, a língua apresenta uma unidade que permite seu estudo sistemático. Ela é a parte essencial da linguagem que pode ser estudada de forma autônoma pela linguística.
2. 2 Fala (Parole)
A fala é a manifestação individual e concreta da língua. Ela é:
Individual: A fala é o ato concreto de cada indivíduo ao usar a língua em uma situação específica. Inclui as particularidades de pronúncia, as escolhas lexicais, as frases que são construídas e a entonação de cada falante.
Concreta e Acidental: A fala é o uso real e momentâneo do sistema da língua. Nela, encontramos as variações, os erros, as hesitações e as criatrizes de cada indivíduo. É a materialização do sistema da língua.
Heterogênea: A fala é diversificada e efêmera, sendo influenciada por fatores como o contexto, o estado emocional do falante e sua individualidade.
Apesar de distintas, língua e fala são interdependentes. A língua é necessária para que a fala seja inteligível, fornecendo o sistema e as regras. Por outro lado, a fala é necessária para que a língua se estabeleça e evolua, pois é através dos atos individuais de fala que o sistema da língua é atualizado e pode sofrer modificações ao longo do tempo.
Em suma, Saussure propôs que a linguística deveria se concentrar no estudo da língua como sistema social e abstrato, por ser a parte homogênea e passível de análise científica. A fala, por sua vez, seria a manifestação individual e heterogênea desse sistema. Essa dicotomia revolucionou o campo da linguística, permitindo o desenvolvimento do estruturalismo e abrindo caminho para novas abordagens no estudo da linguagem.
Finalizando essa parte, no quarto capítulo, o autor começa a separar a língua da fala, dividindo-as como duas partes particulares da linguística. Mesmo sabendo que ambas são indissociáveis na formação da linguagem, percebemos a ênfase, na leitura desse capítulo, em que Saussure, em várias situações, coloca a língua no patamar superior ao da fala. Ele chega a afirmar categoricamente que a língua seria a parte essencial no estudo da linguagem, e a fala, portanto, seria a parte secundária. Toda essa valorização da língua como objeto de estudo perdura também nos próximos capítulos do texto, sobretudo na parte seguinte em que começa a ser conceituada as famosas dicotomias de Saussure.
A autor argumenta que a linguística deve ter como seu principal foco a linguística interna, ou seja, o estudo do sistema da língua em si. Para ele, tudo o que modifica o sistema da língua é interno, e o que não modifica é externo. Essa distinção é fundamental para a delimitação do objeto da linguística e para a sua autonomia como ciência.
2. 3 Elementos Internos da Língua
Os elementos internos são aqueles que pertencem ao sistema da língua e que, quando alterados, causam uma modificação na própria estrutura e funcionamento desse sistema. Em outras palavras, são os componentes essenciais para a organização e o valor dos signos dentro da língua. Assim temos:
O sistema em si: A língua, para Saussure, é um sistema de valores puros, onde cada elemento se define por suas relações de oposição com os outros elementos. As regras gramaticais, a fonologia (o sistema de sons que distinguem significados) e o léxico (vocabulário como um conjunto de signos) são exemplos de elementos internos.
A arbitrariedade do signo: A relação entre o significante (imagem acústica) e o significado (conceito) é arbitrária e convencional dentro de uma dada língua. Essa arbitrariedade é um elemento interno, pois é o que permite que o sistema funcione e que os signos adquiram valor.
A linearidade do significante: O significante (a sequência de sons ou letras) se desdobra no tempo, linearmente. Essa linearidade é uma propriedade interna que organiza a forma como as palavras e frases são produzidas e percebidas.
As relações sintagmáticas e associativas (paradigmáticas): As relações que os signos estabelecem entre si, seja na sequência (sintagmáticas) ou em potencial de substituição (associativas), são intrínsecas ao funcionamento do sistema.
A analogia do jogo de xadrez é muito útil para entender essa distinção:
 Interno: As regras do jogo de xadrez, o número e o movimento de cada peça. Se você muda a regra de como o cavalo se move, por exemplo, o jogo de xadrez deixa de ser o mesmo. Essa é uma mudança interna.
2. 4 Elementos Externos da Língua
Os elementos externos são aqueles que, embora possam ter alguma relação com a língua, não fazem parte do seu sistema intrínseco e não afetam diretamente a sua estrutura interna. Eles são geralmente de ordem histórica, social, geográfica ou extralinguística. Assim temos:
A história da língua: Fatores como a origem de uma língua, suas migrações, a influência de outras línguas (empréstimos), ou as mudanças históricas que levaram a uma determinada forma da língua. Saussure os considera externos porque, para o linguista que estuda a língua em um dado momento (sincronia), essas questões históricas não alteram o funcionamento atual do sistema.
A geografia da língua: A distribuição geográfica de uma língua, seus dialetos e variações regionais. Embora existam, essas variações são manifestações da língua, mas a língua como sistema (a langue) permanece a mesma em sua essência.
As relações da língua com outras instituições sociais: A língua é uma instituição social, mas suas relações com o direito, a política, a religião, etc., são consideradas externas, pois não modificam o sistema linguístico em si, mas sim o seu uso e contexto social.
Fatores psicológicos ou fisiológicos da fala: Os aspectos individuais da produção da fala (sotaques, vícios de linguagem, etc.) ou os mecanismos físicos da fala (aparelho fonador) são externos à língua como sistema, pois pertencem à esfera da fala (parole) e não à língua (langue).
Continuando com a analogia do xadrez:
 	Externo: O material das peças (madeira, marfim), a cor do tabuleiro, o fato de o xadrez ter se originado na Pérsia e chegado à Europa. Esses são fatores externos ao jogo de xadrez em si. Eles não mudam as regras ou o funcionamento do jogo.
Mediante o exposto acima, a distinção entre elementos internos e externos é de suma importância para Saussure porque: Delimita o objeto da linguística, permitindo que a linguística se concentre no que é essencialmente linguístico, ou seja, no sistema da língua, e não em fenômenos que podem ser estudados por outras ciências (história, sociologia, psicologia); Garante a autonomia da linguística, ao focar nos elementos internos, pois estabelece a linguística como uma ciência autônoma, com seu próprio objeto e método de estudo e; Possibilita o estudo sincrônico, sendo que, a distinção é crucial para a proposta saussuriana de priorizar o estudo sincrônico da língua (em um dado momento), separando-o do estudo diacrônico (as mudanças ao longo do tempo). Os elementos externos são frequentemente relacionados a aspectos diacrônicos.
Em resumo, Saussure defende que a verdadeira linguística, a linguística interna, deve se dedicar ao estudo da língua como um sistema homogêneo e autônomo de signos, deixando de lado os fatores externos que, embora possam influenciá-la, não alteram sua essência sistemática.
2.5 A Primazia da Língua Oral
Saussure inicia o capítulo reforçando seu ponto central: a língua verdadeira é a língua oral. Ele argumenta que a fala precede historicamente a escrita, e que todas as línguas, mesmo aquelas sem um sistema de escrita desenvolvido, são línguas em sua plenitude. A escrita, por outro lado,é uma invenção artificial, criada para fixar e visualizar a língua falada.
Primeiramente, a imagem gráfica das palavras nos impressiona como um objeto permanente e sólido, mais adequado do que o som para constituir a unidade da língua através dos tempos. Pouco importa que esse liame seja supedicial e crie uma unidade puramente factícia: é muito mais fácil de apreender que o liame natural, o único verdadeiro, o do som. (SAUSSURE, pág. 35)
Ele critica a tendência de se considerar a escrita como a forma mais perfeita ou "correta" da língua, uma visão que ele atribui à influência e à persistência da escrita na nossa sociedade. Para Saussure, essa concepção é um erro metodológico grave, pois inverte a ordem natural das coisas e confunde o objeto de estudo da linguística.
Saussure descreve a escrita como uma imagem da língua, não a língua em si. Ela é um meio visual de representar os sons e as sequências da fala. Essa representação, no entanto, é muitas vezes imperfeita e enganosa. 
Ele aponta que há duas formas principais de representação escrita:
Sistemas ideográficos: Onde cada signo representa uma ideia ou um objeto diretamente (como alguns caracteres chineses). Saussure os vê como menos diretamente ligados à língua oral, pois representam conceitos e não sons.
Sistemas fonéticos: Onde cada signo (letra ou combinação de letras) tenta representar um som ou um grupo de sons. Estes são os sistemas mais comuns nas línguas ocidentais (como o alfabeto latino).
O grande problema, segundo Saussure, reside na não correspondência perfeita entre som e grafia nos sistemas fonéticos. Ele observa que:
Uma mesma letra pode representar sons diferentes: Por exemplo, a letra "c" em português em "casa" e em "cidade".
Sons diferentes podem ser representados pela mesma letra: Em algumas línguas, variações de um mesmo som podem ser escritas da mesma forma.
Um mesmo som pode ser representado por diferentes letras ou combinações: Em português, o som de "s" pode ser grafado como "s", "ss", "ç", "c" ou "x".
Existem letras mudas: Letras que não correspondem a nenhum som na pronúncia.
Essas inconsistências demonstram que a escrita não é um reflexo fiel da língua oral. A escrita, uma vez estabelecida, tende a se tornar conservadora e resistir às mudanças fonéticas da língua falada, criando uma lacuna entre a forma escrita e a forma oral.
Outro ponto de vista difundido por Ferdinand de Saussure baseia-se na crítica do que ele chama de "tirania da escrita". Isso se refere à ideia de que a escrita exerce uma influência indevida sobre a percepção da língua. As pessoas tendem a pensar nas palavras a partir de sua grafia, em vez de sua pronúncia. Isso pode levar a erros de julgamento linguístico, onde a forma escrita é considerada a "certa" e a pronúncia que se desvia dela é vista como um "erro".
Ele argumenta que essa tirania da escrita pode:
Mascarar a verdadeira natureza da língua: A escrita obscurece o fato de que a língua é um sistema de signos sonoros.
Dificultar a análise linguística: Ao focar na escrita, o linguista pode ser levado a analisar fenômenos que são meramente gráficos, e não linguísticos em sua essência.
Influenciar as mudanças linguísticas: Embora a escrita seja secundária, ela pode, em alguns casos, retroagir sobre a pronúncia, fazendo com que as pessoas modifiquem sua fala para se alinhar à grafia, o que se pode entender como ditado pela escrita.
Para Saussure, a conclusão é clara: a linguística deve se libertar da influência da escrita e focar seu estudo na língua oral. A escrita é um objeto de estudo válido, mas pertence a um campo diferente – a ortografia, e não à linguística, que se ocupa do sistema da língua e da sua manifestação sonora.
Ao fazer essa distinção, Saussure estabelece um princípio fundamental para a linguística moderna: o objeto primário de estudo é a língua como fenômeno oral e social, e não sua representação visual. Essa perspectiva foi crucial para o desenvolvimento de metodologias que priorizam a fala e a análise fonológica e fonética.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por fim, não há uma forma única e pré-estabelecida de linguagem. Ela surge da necessidade de comunicação entre os humanos e desenvolve-se a partir dessa necessidade. Mas subjazem a essa necessidade outras necessidades humanas. Então, o domínio da linguagem carrega em si a possibilidade do domínio de outrem. O discurso não é vazio de intenções, pois, além de comunicar, pretende-se algo mais. Ele objetiva ir além da simples comunicação, pois comunica para alguma coisa. Em todo ato comunicativo observa-se um jogo de intenções, não há uma relação única e evidente entre significante e significado, sempre pode haver uma relação subjacente, que desvia o significado para outro significante. A língua não possui apenas o valor linguístico. Ela carrega em si valor cultural, social e econômico, para ficar apenas nesses três. Daí se dizer que a força simbólica da língua não se constitui apenas em seu valor linguístico, mas a partir de sua representação sociocultural e econômica.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. Organizado por Charles Bally, Albert Sechehaye, com colaboração de Albert Riedlinger, prefácio da edição brasileira Isaac Nicolau Salum, tradução de Antônio Chelini, José Paulo Paes, Izidoro Blikstein. Ed. 27. São Paulo: Cultrix, 2006.

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