Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

FABIANO CAXITO
FA
B
IA
N
O
 C
A
X
ITO
D
IR
E
ITO
S
 H
U
M
A
N
O
S
 E
 R
E
LA
Ç
Õ
ES
 SO
C
IA
IS
Código Logístico
I000128
ISBN 978-65-5821-053-5
9 7 8 6 5 5 8 2 1 0 5 3 5
Direitos humanos e 
relações sociais 
Fabiano Caxito
IESDE BRASIL
2021
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
© 2021 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do 
detentor dos direitos autorais.
Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: melitas/Shutterstock
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
C377d
Caxito, Fabiano
Direitos humanos e relações sociais / Fabiano Caxito. - 1. ed. - Curiti-
ba [PR] : IESDE, 2021.
124 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-65-5821-053-5
1. Direitos humanos. 2. Direitos sociais. I. Título.
21-71941 CDU: 342.57
Fabiano Caxito Mestre em Administração Estratégica pela Universidade 
Nove de Julho (Uninove). MBA em Recursos Humanos 
pela Fundação Instituto de Administração (FIA). 
Pós-graduado em Business Intelligence, Big Data 
e Analytics, pela Universidade Anhanguera; Língua 
Portuguesa: redação e oratória, pela Universidade 
São Francisco; Filosofia, pela Universidade Estácio 
de Sá; e Educação Corporativa, Educação Financeira, 
Tecnologias e Educação a Distância, Antropologia, 
Sociologia Política e Urbana e Coaching, pela União 
Brasileira de Faculdades (Faculdade UniBF). Licenciado 
em Filosofia pela Faculdade Mozarteum de São 
Paulo. Graduado em Administração Financeira pela 
Universidade Cidade de São Paulo (Unicid). Atuou nas 
áreas comerciais, de logística e de recrutamento e 
seleção e na área de treinamento e desenvolvimento 
em diversas empresas de distribuição e venda de 
bebidas. Foi coordenador de cursos de pós-graduação 
lato sensu. Atualmente, é professor universitário e 
influenciador digital. 
Agora é possível acessar os vídeos do livro por 
meio de QR codes (códigos de barras) presentes 
no início de cada seção de capítulo.
Acesse os vídeos automaticamente, direcionando 
a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet 
para o QR code.
Em alguns dispositivos é necessário ter instalado 
um leitor de QR code, que pode ser adquirido 
gratuitamente em lojas de aplicativos.
Vídeos
em QR code!
SUMÁRIO
1 Bases históricas dos direitos humanos 9
1.1 Origens filosóficas dos direitos humanos 10
1.2 Origens jurídicas dos direitos humanos 16
1.3 Origens políticas dos direitos humanos 18
1.4 Direitos humanos: contextualização histórica 21
1.5 Direitos humanos no Brasil 25
2 Relações étnico-raciais 32
2.1 Raça e etnia 33
2.2 Preconceito e discriminação 41
2.3 Cultura afro-brasileira e indígena 49
2.4 Políticas de ações afirmativas 51
2.5 Trabalho, produtividade e diversidade cultural 56
3 Gênero e sexualidade 63
3.1 Sexualidade e diversidade sexual 64
3.2 Identidade de gênero e orientação sexual 67
3.3 Movimentos feministas 70
3.4 Movimentos LGBTQIA+ 76
4 Alteridade, diversidade e multiculturalismo 83
4.1 Sujeito, identidade e alteridade 84
4.2 Diversidade e reconhecimento 89
4.3 Multiculturalismo e direitos humanos 91
4.4 Alteridade na sociedade contemporânea 95
5 Direitos humanos e inclusão 101
5.1 Participação social e inclusão 102
5.2 Movimentos sociais e sujeitos coletivos 107
5.3 Lutas sociais e direitos humanos 110
5.4 Direitos humanos: presente e futuro 114
Resolução das atividades 121
Embora a luta pelos direitos humanos esteja presente em 
grandes marcos da história da civilização, como na Revolução 
Francesa e na Declaração de Independência dos Estados 
Unidos, somente em meados do século XX, com a formação 
da Organização das Nações Unidas (ONU), é que o tema 
ganhou projeção global. Após mais de 70 anos, o que se 
observa na prática são parcelas cada vez mais significativas da 
população mundial tendo seus direitos mais básicos negados. 
Mesmo que legislações e tratados supranacionais definam 
os direitos humanos como base da relação entre os povos, o 
que observamos é uma grande distância entre o que as leis 
defendem e o que de fato acontece. 
O primeiro capítulo deste livro aborda o desenvolvimento 
histórico da discussão sobre os direitos humanos, desde as 
primeiras civilizações até a atualidade, traçando um paralelo 
entre direitos individuais e filosofia, política, legislações nacionais 
e tratados internacionais. No segundo capítulo é discutida a 
miscigenação étnico-racial do povo brasileiro, que se por um 
lado traz benefícios para o país, por outro alimenta o racismo, 
a discriminação, o preconceito e a xenofobia, temas que são 
abordados em seus contextos social, cultural, profissional e 
educacional, bem como os conceitos de raça e etnia.
Os direitos humanos, as discriminações e os preconceitos 
relacionados ao gênero, à sexualidade e à diversidade 
sexual são debatidos no terceiro capítulo. Trata-se de temas 
urgentes e importantes na contemporaneidade, em especial 
em um país no qual as questões de gênero ainda causam 
perseguições, violência e mortes. Os movimentos LGBTQIA+ 
e feminista também são apresentados, bem como suas 
conquistas e seus desafios. 
O quarto capítulo tem como foco a discussão sobre 
identidade, alteridade e cultura. O reconhecimento das 
diferenças e da alteridade é fundamental para que os 
direitos humanos de todos que fazem parte da sociedade 
sejam respeitados. Também são examinados os aspectos 
APRESENTAÇÃOVídeo
8 Direitos humanos e relações sociais
relacionados ao multiculturalismo, em um mundo no qual as fronteiras 
entre países e culturas são cada vez mais tênues. 
Por fim, no quinto capítulo trata da desigualdade social no Brasil, da 
cidadania, da inclusão social e das relações entre estas e os direitos humanos. A 
história do país é marcada por questões étnico-raciais, econômicas e culturais 
que resultaram em uma sociedade desigual, em que uma parte significativa 
da população ainda não tem seus direitos humanos plenamente garantidos. 
Altos níveis de desemprego e subemprego, falta de qualidade de estruturas e 
serviços públicos, dificuldade de acesso à educação e carência de espaços de 
lazer e acesso à cultura são apenas alguns dos exemplos que mostram como 
a inclusão social ainda não é uma realidade para toda a população brasileira. 
Ao final desta obra, esperamos que você passe por um despertar de 
sua consciência quanto à realidade dos direitos humanos tanto no Brasil 
como no mundo. 
Bases históricas dos direitos humanos 9
1
Bases históricas dos 
direitos humanos
A discussão sobre os direitos humanos apresenta uma dicotomia ao 
mesmo tempo que todos os seres humanos têm os mesmos direitos com 
relação aos diversos fatores que compõem a vida em sociedade (direito 
à vida, à saúde, à educação e a oportunidades iguais). Por outro lado, na 
prática, o que se observa é que parcelas cada vez mais significativas da 
população têm seus direitos mais básicos negados.
A pobreza, as guerras e as pandemias globais mostram que a socieda-
de se divide entre um grupo que tem acesso a seus direitos e outro que 
se vê marginalizado e não é beneficiado pelo aumento da riqueza ou pelo 
desenvolvimento da humanidade. Apesar de as legislações globais e na-
cionais definirem nitidamente os direitos humanos, colocá-los em prática 
requer mudanças profundas na organização política, econômica, jurídica 
e social. Ainda há uma grande distância entre o que as leis pregam e o que 
acontece no mundo.
Neste capítulo, vamos abordar o desenvolvimento da discussão sobre 
os direitos humanos, desde as primeiras civilizações até o momento atual, 
traçando um paralelo entre direitos individuais e filosofia; esta discute a 
igualdade entre os seres humanos. Ainda, trataremos da relação entre os 
direitos humanos e a política, pois asAcesso em: 21 maio 2021.
URI, A. P. T. P.; URI, L. T. P. Grupos minoritários, cultura e educação: desafios à formação 
docente na Educação Básica. Revista Recorte, v. 16, n. 2, 2019. Disponível em: http://
periodicos.unincor.br/index.php/recorte/article/view/5950. Acesso em: 21 maio 2021.
http://revistas.ufpi.br/index.php/raj/article/view/1085
http://revistas.ufpi.br/index.php/raj/article/view/1085
https://news.un.org/pt/story/2019/12/1696261
https://www.scielosp.org/article/csc/2017.v22n12/3841-3848/pt/
https://anistia.org.br/informe/relatorio-anual-pena-de-morte-em-2019/
https://anistia.org.br/informe/relatorio-anual-pena-de-morte-em-2019/
https://www.ufrgs.br/sicp/wp-content/uploads/2015/09/1.-ROSA-Aruan%C3%A3-Emiliano-Martins-Pinheiro-A-Declara%C3%A7%C3%A3o-Universal-dos-Direitos-Humanos-de-1948-e-a-liberdade-de-orienta%C3%A7%C3%A3o-sexual-interpreta%C3%A7%C3%A3o-do-caso-brasileiro.pdf
https://www.ufrgs.br/sicp/wp-content/uploads/2015/09/1.-ROSA-Aruan%C3%A3-Emiliano-Martins-Pinheiro-A-Declara%C3%A7%C3%A3o-Universal-dos-Direitos-Humanos-de-1948-e-a-liberdade-de-orienta%C3%A7%C3%A3o-sexual-interpreta%C3%A7%C3%A3o-do-caso-brasileiro.pdf
https://www.ufrgs.br/sicp/wp-content/uploads/2015/09/1.-ROSA-Aruan%C3%A3-Emiliano-Martins-Pinheiro-A-Declara%C3%A7%C3%A3o-Universal-dos-Direitos-Humanos-de-1948-e-a-liberdade-de-orienta%C3%A7%C3%A3o-sexual-interpreta%C3%A7%C3%A3o-do-caso-brasileiro.pdf
https://www.ufrgs.br/sicp/wp-content/uploads/2015/09/1.-ROSA-Aruan%C3%A3-Emiliano-Martins-Pinheiro-A-Declara%C3%A7%C3%A3o-Universal-dos-Direitos-Humanos-de-1948-e-a-liberdade-de-orienta%C3%A7%C3%A3o-sexual-interpreta%C3%A7%C3%A3o-do-caso-brasileiro.pdf
https://www.ufrgs.br/sicp/wp-content/uploads/2015/09/1.-ROSA-Aruan%C3%A3-Emiliano-Martins-Pinheiro-A-Declara%C3%A7%C3%A3o-Universal-dos-Direitos-Humanos-de-1948-e-a-liberdade-de-orienta%C3%A7%C3%A3o-sexual-interpreta%C3%A7%C3%A3o-do-caso-brasileiro.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292015000200347&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292015000200347&lng=en&nrm=iso
https://www.scielo.br/pdf/soc/n16/a03n16.pdf
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/tosi/tosi_dudh_siginificado_1948.pdf
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/tosi/tosi_dudh_siginificado_1948.pdf
http://periodicos.unincor.br/index.php/recorte/article/view/5950
http://periodicos.unincor.br/index.php/recorte/article/view/5950
32 Direitos humanos e relações sociais
2
Relações étnico-raciais
A população brasileira é marcada pela miscigenação étnico-racial 
desde o início da formação da nação. Indígenas, portugueses e africanos 
formaram a base da constituição do povo brasileiro. Migrações de po-
pulações europeias e asiáticas, no decorrer do século XX, além de, mais 
recentemente, povos latino-americanos, contribuíram ainda mais para a 
formação de um povo diverso e miscigenado. Se por um lado essa carac-
terística traz benefícios para o país, por outro alimenta ações de racismo, 
discriminação e xenofobia.
Neste capítulo, vamos estudar os conceitos de raça e etnia. Estes 
termos estão na base dos preconceitos e discriminações que impac-
tam a vida de milhões de brasileiros, tirando deles direitos e opor-
tunidades. A importância da cultura afro-brasileira e indígena para a 
formação cultural brasileira também é nosso objeto de estudo deste 
capítulo. Discutiremos, ainda, as ações afirmativas que buscam incluir 
as minorias raciais, dos pontos de vista cultural, educacional, econô-
mico e profissional. Por fim, vamos abordar a diversidade étnica, racial 
e cultural no mercado de trabalho e o impacto do racismo sobre as 
oportunidades profissionais das minorias.
Com o estudo deste capítulo você será capaz de:
• compreender os conceitos de raça, etnia, racismo, precon-
ceito e discriminação racial;
• reconhecer a importância das culturas afro-brasileira e indí-
gena na formação cultural do país;
• conhecer as políticas de ação afirmativa no Brasil e no 
mundo;
• compreender o impacto do racismo no trabalho, na cultura 
e na sociedade.
Objetivos de aprendizagem
Relações étnico-raciais 33
2.1 Raça e etnia 
Vídeo O discurso de Mano Brown, vocalista do grupo musical Racionais 
MC’s, durante show realizado em 2006, toca no ponto central da discri-
minação racial no Brasil. Vejamos:
“Tem que acreditar. Desde cedo, a mãe da gente fala assim: 
‘Filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor’.
Aí, passados alguns anos, eu pensei: ‘como fazer duas vezes 
melhor, se você está pelo menos cem vezes atrasado? Pela es-
cravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas, pelas 
psicoses, por tudo que aconteceu’.
Duas vezes melhor como? Ou você é o melhor ou pior de uma 
vez. Sempre foi assim. Se você vai escolher o que estiver mais 
perto de você, o que estiver dentro de sua realidade, você vai ser 
duas vezes melhor como?” (BROWN, 2006).
As minorias raciais, notadamente os negros e indígenas, sofrem com 
o preconceito que está inserido profundamente nas estruturas sociais, 
culturais e econômicas brasileiras. A discussão sobre racismo parte de 
uma ideia ultrapassada e cientificamente provada como incorreta: a de 
que existem diversas raças humanas. Biologicamente, a humanidade é 
composta de uma só raça: a humana (CAMPOS, 2017).
Segundo Santos (2010), a ideia de que os seres humanos são divi-
didos em raças surgiu por volta do século XVII, com as publicações de 
François Bernier e, principalmente, Carolus Linnaeus, que desenvolveu 
a estrutura de classificação das espécies vegetais e animais com base 
em uma hierarquia de reinos, classes, ordens, gêneros e espécies.
Foi ele também o responsável pela criação da forma de se nomear 
as espécies, com dois termos em latim: o primeiro referente a gênero 
e o segundo, à espécie (FERNANDES; SANCHES; DIAS, 2018). O gêne-
ro Homo, por exemplo, que nomeia todos os hominídeos, é dividido 
em diversas espécies, como Homo habilis, Homo erectus e Homo sapiens 
(CASETTA et al., 2018). Em sua classificação, Linnaeus (2018) divide o 
Homo sapiens em quatro variedades, de acordo com as origens geográ-
ficas das populações (Quadro 1).
34 Direitos humanos e relações sociais
Quadro 1
Classificação Homo sapiens
Denominação Localização Características
Homo sapiens americanus Habitante das Américas
Indivíduo de mau temperamen-
to, facilmente subjugável
Homo sapiens asiaticus
Proveniente dos países asiá-
ticos
Ganancioso
Homo sapiens afer Originário da África Preguiçoso e impassível
Homo sapiens europaeus Originário da Europa
Considerado sério, inteligente 
leal e forte
Fonte: Adaptado de Linnaeus, 2018.
Linnaeus (2018) ainda relacionou essas classificações com a cor 
da pele. Os americanos foram nomeados vermelhos; os asiáticos, 
amarelos; os europeus, brancos; e os africanos, pretos (CASETTA et 
al., 2018; SANTOS et al., 2010).
A classificação de Linnaeus foi desenvolvida por outros autores, 
como Blumenbach (SANTOS et al., 2010), que classificava a espécie 
humana em quatro variedades: a primeira incluía os europeus, a po-
pulação branca da América do Norte e da parte leste da Ásia; a se-
gunda, os indígenas australianos; a terceira, os negros africanos; e a 
quarta englobava os humanos de todas as demais áreas do chama-
do novo mundo (SANTOS et al., 2010; FERNANDES, SANCHES, DIAS, 
2018).
Segundo Santos et al. (2010), a divisão da população em preten-
sas raças passou a ser usada oficialmente depois do censo realizado 
nos Estados Unidos, em 1790. Este separou a população em brancos 
livres e outros indivíduos, classificação que incluía desde as popula-
ções nativas até os escravos de origem africana. Um século depois, 
no censo de 1890, o governo americano já usava uma classificação 
mais ampla, separando os indivíduos em brancos, pretos, indígenas 
(nativos americanos), chineses e japoneses.
Essa visão da divisão da espécie humana em raças, com base em 
uma visão científica, teve grande divulgação no Brasil, principalmen-
te durante o século XIX e iníciodo século XX (SANTOS; SILVA, 2018). 
A ideia de classificar os seres humanos de acordo com o conceito de 
raça (usando para isso uma taxonomia com base em conceitos cien-
Relações étnico-raciais 35
tíficos) foi usada para justificar e explicar a situação social brasileira 
após a abolição da escravatura (SKIDMORE, 2012).
Nesse conceito, as raças eram classificadas hierarquicamente, de 
acordo com suas habilidades e sua inteligência; os brancos eram 
considerados superiores às demais raças, enquanto os indígenas 
e os negros ocupavam a mais baixa posição hierárquica (COELHO; 
COELHO, 2008; GUIMARÃES, 2002; SCHWARCZ, 2020).
Um dos pontos centrais da discussão sobre racismo no Brasil es-
tava relacionado à miscigenação, isto é, à mistura entre as raças. À 
época, alguns autores defendiam que a população brasileira pas-
sava por um processo de embranquecimento, ou seja, a miscige-
nação levaria a uma melhoria racial pela suposta superioridade da 
raça branca sobre as demais, segundo Skidmore (2012). Já outros 
autores e estudiosos acreditavam que a mistura racial levaria a uma 
degeneração, o que impediria o desenvolvimento do Brasil como 
uma nação civilizada (ORTIZ, 2003; SANTOS et al., 2010; FERNANDES, 
SANCHES, DIAS, 2018).
A simples menção a essa divisão em raças e à ideia de que uma seja 
superior à outra, bem como a sugestão da possibilidade de melhoria 
racial ou, ao contrário, da degeneração, por meio da miscigenação, 
é hoje totalmente inconcebível. Contudo, é importante mostrar que 
essas ideias não só foram aceitas, como também defendidas por 
cientistas, sociólogos, políticos e intelectuais durante centenas de 
anos. Além disso, infelizmente, esse pensamento ainda está presente 
na sociedade atual e em processo de desconstrução.
Viktoriia2696/Shutterstock
A ideia de miscigenação ganhou destaque com o trabalho de 
Marvin Harris, no início do século XX. Para o autor, a criança nascida 
de um casal miscigenado pertenceria à raça considerada inferior, 
seja do ponto de vista biológico ou social. Com base nessa teoria, 
diversos países desenvolveram legislações para classificar a popu-
lação de acordo com a porcentagem de miscigenação do indivíduo 
(VALENTINI, IJUIM, 2018; SOUZA, MELO, BEIERSDORF, 2017).
36 Direitos humanos e relações sociais
A ideia de um povo puro, que representaria os mais nobres ideais 
da nação, ganhou ainda mais força com a publicação, em 1859, do 
trabalho de Charles Darwin. Em A origem das espécies, Darwin (2014) 
mostra que o processo evolutivo das espécies ocorre pelo cruzamen-
to de indivíduos com determinadas características, o que poderia le-
var a alterações profundas na espécie em apenas poucas gerações.
Francis Galton, sobrinho de Darwin, parte da ideia da evolução 
das espécies para concluir que a espécie humana poderia também 
ser alterada ou, em sua visão, melhorada pela seleção das carac-
terísticas dos indivíduos. Galton (apud BLACK, 2003), ao cunhar o 
termo eugenia, que significa “bem-nascido”, vai além: defende que 
é papel do Estado, por meio de políticas públicas, e da ciência, por 
meio de estudo e experimentos, acelerar o processo evolutivo da 
espécie humana, impedindo que indivíduos com características in-
desejáveis se reproduzam.
As ideias eugenistas obtiveram grande repercussão no momento 
político pelo qual passava o mundo, com o fortalecimento do nacio-
nalismo e a consolidação dos estados (CENTURIÃO, 2009). A eugenia 
influenciou programas de governo em diversos países do mundo e 
foi uma das principais bases teóricas do nazismo.
Os estudos de Harris se relacionam com o conceito da eugenia, 
corrente de pensamento que surgiu no século XIX, em um contexto 
político de formação dos modernos Estados-nações ocidentais, que 
buscavam fortalecer a ideia de que a nação deveria ser representa-
da por um povo unido (SILVA, 2013).
A pseudociência eugenista também encontrou espaço no Brasil, 
nas primeiras décadas do século XX. Porém, a intensa miscigenação 
da população brasileira fez com que a visão eugenista, que defendia 
a promoção de uma raça pura, se tornasse uma realidade inviável. 
Segundo Pereira (2001), no Brasil, a eugenia se difundiu mais como 
um conceito defendido por elites intelectuais do que como um pro-
jeto institucionalizado pelo governo, como aconteceu em diversos 
países europeus. A visão mais difundida acabou sendo a de que as 
misturas raciais faziam parte da construção do país como nação e 
eram indissociáveis da história brasileira (SCHWARCZ, 2011).
O documentário Homo 
sapiens 1900 mostra o 
conceito da eugenia, ideia 
desenvolvida por Francis 
Galton. Esta defendia que 
as capacidades humanas 
eram hereditárias e que 
determinadas raças, 
como os brancos, eram 
superiores a outras. O 
documentário mostra 
imagens de experimentos 
científicos realizados, 
com o objetivo de provar 
a superioridade racial, a 
qual influenciou as ideias 
nazistas da superioridade 
branca.
Direção: Peter Cohen. Suécia, 1998. 
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=TPSjjElIIZM.
Acesso em: 26 abr. 2021.
Documentário
https://www.youtube.com/watch?v=TPSjjElIIZM
https://www.youtube.com/watch?v=TPSjjElIIZM
Relações étnico-raciais 37
Entender o desenvolvimento histórico do racismo e da eugenia, 
bem como sua intrínseca relação com movimentos políticos que in-
fluenciaram tanto as legislações quanto a cultura e a sociedade, em 
especial nos países ocidentais, é fundamental para entender como 
o racismo se encontra profundamente arraigado nas estruturas so-
ciais contemporâneas.
Mesmo quase um século após a compreensão de que as ideias 
eugenistas têm base em premissas falsas – como a existência de 
raças na espécie humana – e cerca de 70 anos após a ONU afirmar, 
no primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 
que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e 
direitos” (ONU, 1948), a desigualdade racial ainda está presente em 
diversos países, especialmente no Brasil.
Segundo o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS, 2016), en-
quanto no discurso público e nas legislações as ações e as atitudes 
de discriminação racial são condenadas, na prática, as populações 
negra e de origem indígena sofrem com o preconceito nas mais di-
versas áreas da vida cotidiana. Como mostra a música Negro Drama, 
do grupo Racionais MC’s:
Cabelo crespo e a pele escura
A ferida, a chaga, à procura da cura [...]
Tenta ver e não vê nada
A não ser uma estrela longe, meio ofuscada
Sente o drama, o preço, a cobrança
(NEGRO..., 2002)
As desvantagens das populações discriminadas podem ser obser-
vadas no âmbito econômico e no acesso a oportunidades de trabalho, 
no nível de escolaridade e nas taxas de evasão escolar, bem como no 
acesso à saúde e na representatividade em espaços de poder.
Segundo dados da Câmara de Deputados (2018), dos 513 repre-
sentantes eleitos no ano de 2018, 75% dos deputados se autodecla-
raram brancos, menos de 5% se declararam pretos e apenas uma 
deputada se declarou indígena. O Gráfico 1 mostra a divisão dos 
deputados federais de acordo com sua autodeclaração.
38 Direitos humanos e relações sociais
O uso do termo raça para dividir ou segregar os indivíduos da espé-
cie humana se baseia na dificuldade de se compreender que as aparen-
tes diferenças entre dois indivíduos, como a cor da pele, não significam 
que existem diferenças entre as características que definem a espécie.
O conceito de raça, dentro do estudo das espécies, está relacionado 
com características físicas associadas a uma determinada origem geo-
gráfica (SANTOS; BRAGA; MAESTRI, 2007). A dificuldade em se utilizar 
esse conceito para se definir a raça de um indivíduo reside na com-
plexidade de se determinar quais são essas diferenças e qual é a real 
importância delas.
Segundo Santos, Braga e Maestri (2007), as diferenças aparentes ou 
externas, como cor da pele ou do cabelo, são meramente físicas, não 
tendo necessariamente relação com uma diferença genética.
As diferenças das características externaspodem ocorrer mesmo 
dentro de uma mesma família. O caso das irmãs gêmeas inglesas, 
Marcia e Millie Biggs, tornou-se conhecido com a publicação da revis-
ta National Geographic, que mostra como diferentes fenótipos podem 
ser gerados por meio da carga genética dos mesmos pais, já que as 
gêmeas são filhas de um casal birracial – mãe inglesa e pai jamaicano 
– e possuem traços semelhantes e tons de pele distintos (EDMONDS, 
2018).
Para Santos, Braga e Maestri (2007), o genótipo é o material here-
ditário que cada indivíduo carrega em suas células, formado pela carga 
genética de seus ancestrais. Já o fenótipo são as características físicas 
que podem ser observadas externamente e que podem sofrer influên-
cia de fatores externos, por exemplo o meio ambiente, como mostra o 
caso das irmãs inglesas.
As diferenças fenotípicas, do ponto de vista fisiológico, não repre-
sentam, segundo os autores, nenhuma vantagem, superioridade ou 
inferioridade. Contudo, do ponto de vista social, dão origem a discri-
minações e preconceitos. Se a falta de entendimento sobre o conceito 
de raça na espécie humana causa debates que dificultam a tomada de 
ações efetivas para combater os impactos que a discriminação racial 
traz para o cotidiano de uma parcela significativa da população brasi-
leira, o conceito de etnia é ainda menos compreendido.
O termo negro é utilizado 
em documentos oficiais. 
O estatuto da igualdade 
racial (Lei n. 12.288/2010) 
usa o termo negro ou 
população negra 68 vezes 
em seu texto; já o termo 
preto, apenas uma. 
A filósofa Djamila Ribeiro 
defende o uso da palavra 
negro, por considerar que 
o termo inclui pessoas 
afrodescendentes, inde-
pendentemente da cor 
da pele, uma caracterís-
tica fenotípica. No vídeo 
Negro ou preto? É preto, 
publicado pelo canal 
Portal Raízes, o músico 
e ativista Nabby Clifford 
explica a diferença entre 
os termos e defende o 
uso de preto.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=3ccWLl0m4QA. Acesso 
em: 26 abr. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=3ccWLl0m4QA
https://www.youtube.com/watch?v=3ccWLl0m4QA
https://www.youtube.com/watch?v=3ccWLl0m4QA
Relações étnico-raciais 39
Santos, Braga e Maestri (2007) afirmam que a etnia está ligada à 
origem de um determinado grupo social e se relaciona com a cultura, a 
religiosidade, a língua ou o dialeto e as práticas culturais e sociais. Essa 
ligação cultural entre os membros de uma etnia, segundo Rex (1988, 
apud SANTOS, BRAGA e MAESTRI, 2007, p. 16), “possui um poder de 
coação indescritível e por vezes esmagador de e em si própria”. Para 
Gomes (2005), enquanto o conceito de raça está relacionado às carac-
terísticas genéticas e biológicas transmitidas por ligações de parentes-
co e ancestralidade, a etnia se forma pelos processos de agrupamento 
históricos e pela formação de grupos sociais e culturais.
Um exemplo prático da diferença entre os conceitos de raça e et-
nia é dado por Santos et al. (2010), apontando que os povos indígenas 
brasileiros representam uma identidade racial própria que os difere 
dos demais grupos raciais que compõem a população brasileira. To-
davia, os povos indígenas são compostos de diversas etnias diferentes, 
com culturas, ligações tribais, religiões, crenças, mitologias, tradições e 
línguas diversas. Segundo os autores, apenas no estado do Amazonas 
existem cerca de 65 etnias diferentes.
Cashmore (2000) acredita que os conceitos de raça e etnia não são 
sinônimos, mas se reforçam, pois a discriminação racial e o preconceito 
atingem, de modo semelhante, tanto grupos raciais quanto étnicos. Já 
Munanga (2003) destaca a inter-relação entre raça e etnia e mostra que 
dentro de um mesmo grupo identificado como pertencente a uma raça 
pode haver diversas etnias diferentes. A etnia, para o autor, é definida 
pelo grupo social que compartilha a mesma origem histórica e mitoló-
gica, a mesma língua ou o mesmo dialeto e divide a mesma cultura. Em 
geral, as etnias têm origem em uma mesma região ou território, mas 
mantêm sua ligação mesmo que se espalhem por outras regiões.
Pela intrínseca relação entre os conceitos, é comum que se utilize, 
nas discussões acadêmicas, políticas, sociais e legais, o termo relações 
étnico-raciais. Em um país marcado pela miscigenação, como o Brasil, 
a inclusão social dos grupos étnico-raciais é um dos maiores desafios 
para o Estado e para a sociedade brasileira.
A formação da população brasileira é marcada pela miscigenação 
desde o início da colonização. Para Bento e Santos (2019), a identidade 
brasileira como nação surge da miscigenação entre os povos indígenas 
O vídeo Kabengele 
Munanga – raça, racismo 
e etnia, publicado pelo 
canal Sociologia Animada, 
mostra resumidamente o 
conteúdo da palestra pro-
ferida pelo cientista social 
Kabengele Munanga, que 
tem como foco de seus 
estudos as relações so-
ciais na história e na so-
ciedade contemporânea 
brasileira. A palestra foi 
proferida no 3º Seminário 
Nacional Relações Raciais 
e Educação, no Rio de 
Janeiro, em 2003.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=JTySjC1aQF4. Acesso em: 
26 abr. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=JTySjC1aQF4
https://www.youtube.com/watch?v=JTySjC1aQF4
https://www.youtube.com/watch?v=JTySjC1aQF4
40 Direitos humanos e relações sociais
e o português colonizador. O mameluco, nascido da mistura do euro-
peu branco e do nativo, para os autores, é o primeiro representante do 
povo brasileiro.
A mistura entre indivíduos de diferentes origens genéticas se inten-
sifica com a escravidão. O mulato, fruto da miscigenação entre brancos 
e negros, surge, segundo Munanga (2019), com a transformação das 
mulheres negras escravizadas em objetos sexuais pelos senhores de 
escravos. Para o autor, a miscigenação racial que ocorreu nos primei-
ros séculos da formação da nação brasileira não pode ser romantizada, 
pois tem um caráter violento e de dominação racial e étnica.
No fim do século XIX e, principalmente, nas primeiras décadas 
do século XX, os fluxos migratórios oriundos de países europeus, es-
pecialmente Itália e Alemanha, bem como Japão, trouxeram para o 
Brasil milhões de imigrantes. Segundo Frutuoso (2018), foram regis-
tradas migrações de mais de 70 diferentes nacionalidades no perío-
do. Esse movimento de migração também contribuiu para aumentar 
a miscigenação, característica do povo brasileiro. Mais recentemente, 
migrações oriundas de países latino-americanos, especialmente de 
Bolívia, Haiti e Venezuela se intensificaram, o que levará, ainda segun-
do Frutuoso (2018), ao aumento da miscigenação étnico-racial na po-
pulação brasileira.
O grande e diverso caldeirão étnico-racial da população faz com que 
questões de discriminação, racismo, preconceito e xenofobia estejam 
presentes no cotidiano da sociedade brasileira. Mesmo sendo cientifi-
camente comprovado que as características fenotípicas não represen-
tam diferenças raciais, é por essas características externas, como cor 
de pele, tipo de cabelo e traços faciais, que acontecem e se institucio-
nalizam o racismo e o preconceito.
Os órgãos oficiais de Estado desenvolvem políticas públicas de acor-
do com a divisão étnico-racial da população, em especial as políticas 
direcionadas para o enfrentamento das desigualdades e para a repa-
ração histórica dos impactos trazidos pela discriminação étnico-racial.
O principal órgão de informações estatísticas do Brasil, o Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utiliza o conceito de cor, de-
finido pelo próprio respondente em forma de autodeclaração. Entre as 
categorias consideradas pelo instituto estão indígenas, pretos, pardos, 
amarelos e brancos.
Relações étnico-raciais 41
Gráfico 1
Composição da Câmara por raça
20,27%
75%
4,09%
0,38%
0,19%
Pardos
Pretos
Amarelos
Brancos
Indígena
Fonte: Agência Câmara de Notícias, 2018.
Em uma sociedade na qual a cor ainda é usada como elemento 
de segregação e em que os direitos fundamentais são negados aos 
membros das minorias étnico-raciais, aautodeclaração gera cons-
trangimento no respondente, criando um viés nas respostas; isso 
pode dificultar ou até mesmo inviabilizar a correta aplicação das po-
líticas públicas.
No ano de 2007, o caso dos irmãos gêmeos univitelinos Alan e Alex 
Teixeira da Cunha ganhou repercussão nacional. Os irmãos se candida-
taram ao vestibular da Universidade de Brasília (UnB) pleiteando uma 
vaga na cota de 20% de alunos pretos e pardos oferecida pela insti-
tuição, em dois cursos diferentes. Apesar de serem gêmeos idênticos 
e apresentarem o mesmo fenótipo, um dos irmãos foi aprovado para 
obter a bolsa como cotista, enquanto o outro foi reprovado por não se 
enquadrar na classificação de negro, de acordo com a banca examina-
dora. Segundo Ferenz e Petry (2018, p. 665),
candidatos ao sistema de cotas para negros da instituição – que 
define por meio de uma foto quem se encaixa ou não no critério 
de raça – Alan foi considerado negro. Alex, não [...]. A foto é anali-
sada por uma banca, que decide quem é ou não negro.
O caso trouxe à tona a discussão sobre como a avaliação sobre 
cor e raça pode dificultar a aplicação de uma política de inclusão ét-
nico-racial, no caso, as bolsas de estudo oferecidas para indivíduos 
de grupos de minorias étnico-raciais. O fato de características feno-
típicas ainda originarem ações e manifestações de racismo mostra 
42 Direitos humanos e relações sociais
como, mesmo com toda a miscigenação étnico-racial da população 
brasileira, ainda persistem o preconceito e a discriminação na socie-
dade brasileira.
2.2 Preconceito e discriminação 
Vídeo Uma leitura atenta da palavra preconceito já mostra seu significa-
do: preconceito é formado pela junção dos termos pré (com o senti-
do de antes) e conceito. É, portanto, um conceito criado com base em 
julgamentos antecipados, sem se conhecer os fatos ou sem levar em 
consideração as características individuais de um sujeito. Segundo o 
dicionário Houaiss (2009), preconceito é definido como “1. qualquer 
opinião ou sentimento concebido sem exame crítico; 2. sentimento 
hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma 
experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância”.
No contexto da diversidade étnico-racial, o preconceito pode ser 
entendido como o julgamento ou a opinião sobre um determinado in-
divíduo, um grupo ou povo, tendo como base características físicas e 
fenotípicas, ou origem, cultura, crenças, religiosidade e mitologias.
Apesar de se concretizar nas ações individuais, o preconceito não é 
apenas fruto da desinformação, da falta de conhecimento sobre quem 
é diferente. Para Munanga (2005), o preconceito étnico-racial vai além 
da simples ignorância dos indivíduos, é institucionalizado nas relações 
políticas, econômicas, legais e nos comportamentos socialmente acei-
tos. Para o autor, relacionar o preconceito ao desconhecimento é colo-
car nos indivíduos a culpa de um problema que é da sociedade.
Em seu Pequeno Manual Antirracista, Djamila Ribeiro afirma que o 
preconceito étnico-racial é um sistema institucionalizado de opressão 
e de negação de direitos humanos que vai além da vontade, do conhe-
cimento ou da interpretação de um único indivíduo (RIBEIRO, 2019).
O lugar do negro (e do indígena) na sociedade, segundo a música, 
é um lugar de exclusão, marginalidade, sofrimento, criminalidade e 
pobreza. O preconceito e a discriminação étnico-raciais estão incor-
porados tanto nas relações pessoais e familiares quanto nos discur-
sos políticos, nos critérios de seleção das instituições de ensino e das 
empresas; isso muitas vezes de maneira velada e despercebida, o que 
dificulta a identificação das ações e dos impactos sobre a vida dos indi-
víduos discriminados.
Analise suas experiências na 
escola, no trabalho ou em outros 
grupos sociais dos quais faz par-
te e responda: quantos negros, 
indígenas ou representantes 
de quaisquer outras minorias 
étnico-raciais ocupam posições 
como professores, profissionais 
em cargos de chefia, gerência e 
direção de empresas e organiza-
ções ou são profissionais liberais, 
como médicos, advogados, 
engenheiros, líderes religiosos, 
comunitários ou políticos 
na sociedade? Analise suas 
conclusões dentro do contexto 
social brasileiro e descreva, em 
um texto de 15 linhas, suas 
considerações.
Desafio
Relações étnico-raciais 43
O Estatuto da Igualdade Racial, promulgado no ano de 2010 (BRASIL, 
2010), instrumento normativo que reúne legislações que abordam 
questões étnico-raciais, define a discriminação, no item I do parágrafo 
único do artigo 1º, como:
toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em 
raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha 
por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exer-
cício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liber-
dades fundamentais nos campos político, econômico, social, 
cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada.
A necessidade de se criar leis e instrumentos legais, especialmente 
desenvolvidos para proteger os direitos individuais básicos, mostram 
que a discriminação e a desigualdade étnico-raciais são realidades pre-
sentes na sociedade brasileira. Discriminação e preconceito estão inti-
mamente ligados. A discriminação étnico-racial é a materialização, na 
prática cotidiana, dos preconceitos que estão enraizados na cultura, na 
sociedade e nas instituições.
Bento e Carone (2002) ampliam o conceito e defendem que, para 
entender a discriminação contra um determinado grupo étnico-racial, 
não basta entender as origens do preconceito, mas sim entender o seu 
contraponto: os privilégios de que outro grupo étnico-racial goza na 
mesma sociedade.
Ribeiro (2019) chama a atenção para essa dicotomia, para essa di-
ferença entre a discriminação sofrida por um dos grupos e os privi-
légios de que outro grupo goza. Em seu Pequeno Manual Antirracista, 
dedica um dos capítulos a demonstrar os preconceitos sofridos pelos 
negros do Brasil, destacando que são vistos como inferiores ou desti-
nados a ocupar lugares subalternos na estrutura social. Segundo relata 
a autora,
como muitas pessoas negras que circulam em espaços de poder, 
já fui confundida com copeira, faxineira ou, no caso de hotéis de 
luxo, prostituta. Obviamente não estou questionando a dignida-
de dessas profissões, mas o porquê de pessoas negras se verem 
reduzidas a determinados estereótipos. (RIBEIRO, 2019, p. 12)
Da mesma forma que destaca as características e os desafios do 
que chama negritude, a autora também destaca, no capítulo seguinte 
de sua obra, os privilégios do grupo étnico-racial dominante no Brasil. 
O capítulo tem o sugestivo nome Reconheça os privilégios da branquitu-
44 Direitos humanos e relações sociais
de (RIBEIRO, 2019, p. 15-18). Assim, a autora mostra que, para entender 
os desafios da negritude, é preciso entender os privilégios da branqui-
tude, corroborando a afirmação de Bento e Carone (2002).
Já o item II do parágrafo único do artigo 1º do Estatuto da Igualdade 
Racial define a desigualdade racial como:
toda situação injustificada de diferenciação de acesso e fruição 
de bens, serviços e oportunidades, nas esferas pública e priva-
da, em virtude de raça, cor, descendência ou origem nacional ou 
étnica. (BRASIL, 2010)
O texto legal mostra que a discriminação étnico-racial leva à viola-
ção dos direitos humanos dos grupos minoritários, dificulta o acesso a 
oportunidades de desenvolvimento social, a bens e serviços públicos, 
além de expor os indivíduos do grupo minoritário a situações de humi-
lhação, risco, violência e isolamento. Como mostra a profunda letra da 
música Negro Drama, do grupo Racionais MC’s:
Uma negra e uma criança nos braços [...]
Veja, olha outra vez o rosto na multidão
A multidão é um monstro sem rosto e coração [...]
[...] Família brasileira, dois contra o mundo
Mãe solteira de um promissor vagabundo [...] 
Um bastardo, mais um filho pardo sem pai
(NEGRO..., 2002)
O trecho da música exemplifica de maneiradireta os impactos da 
discriminação racial no cotidiano dos indivíduos dos grupos minoritá-
rios: a desagregação familiar, as expectativas traçadas desde o nasci-
mento de que o indivíduo não terá oportunidades sociais por sua cor 
e origem. Ela mostra, também, como a sociedade trata as demandas e 
os direitos das populações minoritárias. A multidão, que representa a 
sociedade, é um monstro sem rosto, pois é formada tanto pelas faces 
dos sujeitos quanto pelas instituições e sem coração, pois não acolhe 
nem apoia aqueles que considera inferiores, a quem nega os direitos 
humanos.
Nogueira (2007) afirma que existiu, no Brasil, durante muitos sé-
culos, uma tendência, nas pesquisas acadêmicas e na sociedade, de 
subestimar ou até mesmo negar completamente a existência da dis-
criminação étnico-racial, muitas vezes comparando a situação brasi-
Branquitude, para Jesus 
(2021), são “as práticas 
daqueles indivíduos 
brancos que assumem 
e reafirmam a condição 
ideal e única de ser 
humano, portanto, o 
direito pela manutenção 
do privilégio perpetuado 
socialmente”.
Negritude, segundo Do-
mingues (2005, p. 25-26), 
no terreno político “serve 
de subsídio para a ação 
do movimento negro 
organizado. No campo 
ideológico, negritude 
pode ser entendida como 
processo de aquisição de 
uma consciência racial. 
Já na esfera cultural, 
negritude é a tendência 
de valorização de toda 
manifestação cultural de 
matriz africana”.
Importante
Relações étnico-raciais 45
leira com a realidade observada nos Estados Unidos, país que passou 
por marcos históricos semelhantes, como a colonização europeia dos 
povos nativos e a escravatura dos povos africanos. Nesse contexto, 
enquanto a miscigenação característica da formação da população bra-
sileira dificulta a definição clara do grupo étnico-racial do indivíduo, a 
segregação racial ocorrida nos Estados Unidos fortaleceu e aprofundou 
a discriminação racial.
Para Nogueira (2007), entretanto, negar a existência da discrimina-
ção racial no Brasil é fechar os olhos para a realidade social do país. 
Na visão do autor, o que diferencia a questão racial nos dois países é 
que, nos Estados Unidos, a discriminação étnico-racial está ligada às 
origens genéticas e à ancestralidade do indivíduo (a qual o autor dá o 
nome de preconceito de origem); no Brasil, a discriminação está mais 
relacionada a características físicas fenotípicas, ou seja, os indivíduos 
são discriminados por sua aparência e seu fenótipo (que o autor chama 
de preconceito de marca).
Essa diferença, apesar de parecer sutil e pouco importante, para o 
autor é fundamental na compreensão de como se institucionaliza o pre-
conceito no país. O preconceito de marca, como ocorre no Brasil, tem 
como característica a subjetividade. Como os critérios de definição dos 
grupos étnico-raciais dependem de características fenotípicas não clara-
mente estabelecidas, a definição de quem faz parte do grupo pode variar 
de acordo com quem faz o julgamento, podendo divergir da própria per-
cepção que o indivíduo tem sobre si. Para Nogueira (2007), a distinção 
entre brancos, negros, mestiços e indígenas depende da região e do es-
tado, do grau de miscigenação do indivíduo e de sua classe social, como 
mostram Gilberto Gil e Caetano Veloso na letra da música Haiti (1993).
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos
E outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
E são quase todos pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos, quase pretos de tão pobres são tratados
(GIL; VELOSO, 1993)
46 Direitos humanos e relações sociais
Na concepção de Nogueira (2007), o indivíduo é julgado e classifica-
do por seus traços. Assim, mesmo o indivíduo de ascendência negra ou 
indígena pode ser considerado branco, desde que seu fenótipo apre-
sente as características relacionadas ao grupo étnico-racial europeu. 
O preconceito de marca é, segundo o autor, ligado a questões intelec-
tuais e estéticas; o branco é considerado inteligente e belo, enquanto o 
negro e o indígena são considerados, mesmo que de maneira velada, 
incompetentes e feios. Ribeiro (2019, p. 13), com base em suas expe-
riências pessoais, relata o seguinte:
quando eu cursava filosofia, um colega se mostrou muito surpreso 
por eu ter tirado uma nota maior que a dele num trabalho e sugeriu 
que era porque o professor gostava de mim. Outro colega insinuou 
que me daria a parte mais fácil de um trabalho “para me ajudar”.
Outra característica do preconceito de marca é que, quando se 
estabelecem relações interpessoais entre indivíduos de diferentes 
grupos étnico-raciais, as manifestações de preconceito se tornam me-
nos evidentes. Em muitos casos, essa relação é usada como exemplo 
ou prova de que o indivíduo do grupo étnico-racial dominante não é 
racista.
O vídeo Amiguinho, do grupo de humor Porta dos Fundos, mostra 
essa realidade diretamente, apresentando um casal branco que luta 
contra a expulsão de um aluno da escola pelo simples fato de ele ser 
negro. O texto do vídeo é composto de uma série de frases que podem 
parecer absurdas, mas que são proferidas cotidianamente no Brasil 
(AMIGUINHO, 2015). Observe o exemplo.
— Sempre que alguém fala para mim que sou racista, digo: Não 
sou! Inclusive meu filho tem amigo preto, eu recebo preto na 
minha casa, ele almoça na nossa mesa.
— Se você tira o João da minha vida, eu passo a ser racista agora?
— Ele era nosso preto ostentação (PORTA DOS FUNDOS, 2015).
O vídeo mostra que o sujeito pode manter relações de amizade, ad-
miração e respeito para com um indivíduo particular de um grupo mi-
noritário e mesmo assim ser preconceituoso contra as demais pessoas 
desse grupo étnico-racial.
Relações étnico-raciais 47
Outra característica do racismo de marca, apontada por 
Nogueira (2007), é a valorização da miscigenação como forma de aper-
feiçoamento da população, mostrando que as ideias eugênicas ainda 
se encontram na cultura e na sociedade. Para o autor, existe uma ideo-
logia de branqueamento da população que perpassa as relações ét-
nico-raciais, com base na expectativa de que os grupos minoritários, 
especialmente os negros e indígenas, poderão desaparecer da popula-
ção com a miscigenação.
Essa ideologia não diz respeito apenas às características físicas dos 
indivíduos, mas também pode ser identificada na assimilação de ele-
mentos da cultura dos grupos minoritários. Enquanto alguns desses 
elementos são aceitos, assimilados e incorporados à cultura geral da 
sociedade, por serem considerados positivos (como a música, a dança 
e a estética), outros elementos são considerados negativos e são extir-
pados até mesmo da cultura do grupo minoritário, tidos como margi-
nais e não aceitos socialmente (como elementos da religiosidade e da 
língua). Mais uma vez, a música Negro Drama, do grupo Racionais MC’s, 
pode ser usada como exemplo. Vejamos:
Inacreditável, mas seu filho me imita
No meio de vocês ele é o mais esperto
Ginga e fala gíria; gíria não, dialeto
[...] Entrei pelo seu rádio, tomei, cê nem viu
[...] Seu filho quer ser preto, ah, que ironia
Cola o pôster do Tupac aí, que tal? Que cê diz?
Sente o negro drama, vai, tenta ser feliz
(NEGRO..., 2002)
De maneira irônica e desafiadora, a música mostra como elementos 
da cultura negra, como o ritmo, a música e as gírias, passaram a ser 
usados pelos indivíduos de outros grupos sociais, sendo dominantes 
na cultura popular. Exatamente por serem dissimulados e não serem 
discutidos abertamente, a discriminação racial e o preconceito não são 
combatidos de modo intermitente no Brasil. A percepção sobre as ma-
nifestações de racismo é episódica, em momentos em que situações 
de conflito ou de ações deliberadas de discriminação e humilhação são 
expostas. Essa realidade dificulta a percepção sobre o impacto do racis-
mo estrutural que marca a sociedade brasileira.
48 Direitos humanos e relações sociais
Almeida (2019) explica que o racismoestá impregnado na estrutu-
ra da sociedade brasileira. Mesmo que não se manifeste abertamen-
te, por atos ou palavras, a sociedade brasileira é racista. O silêncio ou 
a inação do indivíduo de qualquer grupo étnico-racial com relação ao 
racismo estrutural o torna conivente, do ponto de vista ético e moral, 
com a manutenção do racismo. Para o autor, “a mudança da sociedade 
não se faz apenas com denúncias ou com o repúdio moral do racismo: 
depende, antes de tudo, da tomada de posturas e da adoção de práti-
cas antirracistas” (ALMEIDA, 2019, p. 52).
Da mesma forma que a sociedade reage a episódios racistas sem 
agir de maneira contundente, para que o racismo estrutural deixe de 
existir, a reação dos sujeitos discriminados também tende a ser indi-
vidual, de acordo com Nogueira (2007). Assim, a ascensão social dos 
indivíduos dos grupos minoritários possibilita que ele deixe de sofrer 
com a discriminação e o preconceito. O grupo Racionais MC’s também 
aborda essa característica do racismo brasileiro:
[... ] Sou exemplo de vitórias, trajetos e glórias
O dinheiro tira um homem da miséria
Mas não pode arrancar de dentro dele a favela
São poucos que entram em campo pra vencer
A alma guarda o que a mente tenta esquecer [...]
[...] Crime, futebol, música,
Eu também não consegui fugir disso aí
Eu sou mais um
(NEGRO..., 2002)
Como a discriminação racial impede o acesso aos direitos humanos, 
inclusive o direito à educação (MUNANGA, 2005), muitas vezes o único 
caminho para a ascensão social é por meio de competências físicas, 
como no caso dos esportes, ou culturais, como no caso da música, des-
tacados na letra. Porém, como apresentado na música, “a alma guarda 
o que a mente tenta esquecer”. Mesmo com a ascensão na estrutura 
das classes sociais, o indivíduo carrega consigo as marcas das discrimi-
nações e dos preconceitos que sofreu.
Relações étnico-raciais 49
2.3 Cultura afro-brasileira e indígena 
Vídeo Durante a construção da história brasileira como nação, indígenas 
e negros foram fundamentais para o desenvolvimento econômico do 
país. Todavia, do ponto de vista cultural, a contribuição desses grupos 
étnico-raciais não é devidamente reconhecida, apesar de importantíssi-
ma para a formação da cultura brasileira. Para Colares, Gomes e Colares 
(2010), tanto os povos indígenas quanto as pessoas negras escravizadas 
foram destituídos dos símbolos de sua cultura e de sua civilização, sen-
do obrigados a assimilar e seguir a religião e a cultura do grupo domi-
nante, colonizados pela cultura portuguesa e pelo catolicismo.
Sena e Souza (2020) apontam que as representações culturais dos 
grupos dominados, sejam elas representadas pela linguagem, culiná-
ria, música, dança e principalmente religiões e mitologias, sobrevive-
ram de maneira clandestina, escondidas e disfarçadas em símbolos, 
ritos e manifestações adaptados à cultura dominante. A sociedade bra-
sileira guarda uma relação dicotômica com a cultura negra, pois, ao 
mesmo tempo em que a discrimina, também a reconhece e a celebra 
como parte fundamental da cultura brasileira, como bem traduz a mú-
sica Olhos Coloridos. Observe.
Você ri da minha roupa
Você ri do meu cabelo
Você ri da minha pele
Você ri do meu sorriso
A verdade é que você
(E todo brasileiro)
Tem sangue crioulo
(OLHOS..., 1982)
A exclusão da produção cultural indígena e negra durante séculos 
do desenvolvimento cultural brasileiro representa uma grande perda 
para a sociedade brasileira, pois, de acordo com Sena e Souza (2020), 
as manifestações artísticas e culturais possibilitam compreender as 
emoções, as histórias, as vivências e os aprendizados de um povo. As-
sim, uma parte significativa da história cultural brasileira foi esquecida 
e abandonada pela ação opressiva dos grupos sociais dominantes.
O extermínio da cultura 
do grupo étnico formado 
pelos indígenas da tribo 
Pater Saruí é o foco do 
documentário Ex-pajé. 
As desigualdades sociais, 
a discriminação racial, 
o preconceito contra o 
indígena e sua cultura 
são exemplificados pela 
perda da identidade 
cultural da tribo, dizimada 
pela invasão de suas 
terras.
Direção: Luiz Bolognesi. Brasil: Buriti 
Filmes, 2018.
Documentário
50 Direitos humanos e relações sociais
Mesmo no Brasil contemporâneo, a produção artística das popula-
ções negras e indígenas ainda ocupam espaços periféricos e não rece-
bem o devido reconhecimento e a valorização como representações 
legítimas da cultura dos grupos minoritários. Nesse sentido, a letra da 
música Sr. Tempo Bom, dos rappers Thaíde e DJ Hum, destaca a impor-
tância das expressões culturais dos grupos negros.
E fui crescendo rodeado pela cultura afro-brasileira
Também sei que já fiz muita besteira
Mas nunca me desliguei das minhas raízes
Estou sempre junto dos blacks que ainda existem
[...] Percebi o direito que temos como cidadãos
De dar importância à situação
Protestando para que achemos uma solução
Por isso, o black power permanece vivo
Só que de um jeito bem mais ofensivo
Seja dançando break ou um DJ no scratch
Mesmo fazendo graffiti ou cantando RAP
(SR. TEMPO..., 1996)
A arte e a cultura dos grupos minoritários têm se fortalecido nas úl-
timas décadas, por meio da ocupação de espaços periféricos, especial-
mente nas grandes metrópoles. A produção cultural indígena e negra 
ainda sofre com a invisibilidade, é pouco divulgada pela grande mídia e 
enfrenta dificuldades para ocupar os espaços oficiais e socialmente re-
conhecidos, como teatros e museus. Assim, para se fortalecer, a cultura 
dos grupos minoritários busca ocupar novos espaços e se posicionar 
política e socialmente.
Nesse sentido, a cultura negra se destaca pela ocupação de espa-
ços, a partir das décadas de 1970 e 1980, com o crescimento da cultura 
do Hip Hop, composta de representações culturais ligadas à música, 
à dança e às artes visuais, principalmente o graffiti (FOCCHI, 2007). O 
desenvolvimento da internet e das redes sociais também representa 
um importante espaço para a divulgação da cultura negra e indígena. 
Segundo Bueno (2013, p. 14),
muitos povos indígenas têm usado a rede para atingir um públi-
co grande, dentro e fora do país. Os recursos on-line são usados 
para romper o isolamento em que muitas comunidades vivem 
e também para vencer a barreira da falta de espaço que esses 
povos têm nas mídias tradicionais. A internet possibilita aos in-
dígenas divulgar suas culturas e potencialidades de forma mais 
A importância da internet 
e dos celulares para a 
defesa dos direitos e 
da cultura indígena é o 
tema do documentário 
Indígenas Digitais, filmado 
em grande parte pelos 
próprios indígenas, de 
diferentes etnias, prove-
nientes de diversos es-
tados das regiões Norte, 
Nordeste e Centro-Oeste 
brasileiras.
Direção: Sebastian Gerlic. Brasil, 2010. 
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=T2I7ovB6E7k. Acesso em: 
26 abr. 2021.
Documentário
https://www.youtube.com/watch?v=T2I7ovB6E7k
https://www.youtube.com/watch?v=T2I7ovB6E7k
https://www.youtube.com/watch?v=T2I7ovB6E7k
Relações étnico-raciais 51
independente e autônoma, se fazendo conhecer e dialogando 
diretamente com a população nacional.
Uma parte fundamental da cultura indígena e negra está relaciona-
da à rica mitologia e às diversas manifestações religiosas dos diversos 
grupos étnicos que compõem essas minorias. Segundo Pereira (2019), 
as religiões de matriz africana e indígena foram e ainda são discrimi-
nadas. Por não serem conhecidas, são mal interpretadas, confundidas 
e percebidas, pela maioria da população, de maneira estereotipada 
e preconceituosa. Essa visão deturpada gera repulsa, aversão, medo 
e até mesmo violência contra as manifestações culturais e religiosas 
das minorias étnico-raciais. Além disso, muitas vezes é alimentada e 
incentivada pelas instituições que representam os interesses dos gru-
pos sociais dominantes, como a mídia, a escola, os partidos políticos, 
as igrejas cristãs e até mesmo as legislações, reafirmando o racismo 
estrutural e institucionalizado no Brasil.A religião tem um papel fundamental para a preservação da cultura de 
povos colonizados e escravizados, pois contribui para a manutenção e a 
transmissão de seus conhecimentos, histórias, mitologias, língua e repre-
sentações culturais. A música, a dança, os termos, as palavras, as deidades e 
os mitos do povo estão presentes nas manifestações religiosas (LIMA, 2010).
No caso dos indígenas, a catequização imposta pelos religiosos 
católicos ocorreu desde o início da colonização brasileira pelos portu-
gueses. Para Sena e Souza (2020), as práticas culturais e religiosas dos 
povos indígenas foram demonizadas pelo grupo racial dominador. De 
modo semelhante, as religiões de matriz africana foram perseguidas e 
proibidas; seus seguidores sofreram e ainda sofrem com a intolerância 
religiosa (CAMPOS; RUBERT, 2014).
Para reparar séculos de exclusão cultural e religiosa dos grupos mi-
noritários, Estado e sociedade precisam desenvolver políticas e ações 
que reconheçam tanto a inclusão econômica e social quanto a aceita-
ção e a valorização das culturas negra e indígena.
2.4 Políticas de ações afirmativas 
Vídeo
A música Negro drama, do grupo Racionais Mc’s, retrata o que os 
séculos de discriminação, negação de direitos e falta de oportunidades 
causaram nas populações das minorias étnico-raciais.
52 Direitos humanos e relações sociais
Periferias, vielas, cortiços
Você deve tá pensando
O que você tem a ver com isso?
Desde o início, por ouro e prata
Olha quem morre, então
Veja você quem mata
Recebe o mérito a farda que pratica o mal
Me ver pobre, preso ou morto já é cultural
Histórias, registros e escritos
Não é conto nem fábula, lenda ou mito
(NEGRO..., 2002)
Ribeiro (2019, p. 4) aponta que, mesmo garantido por lei, o acesso à 
educação da população negra escravizada não era uma realidade:
É importante lembrar que, apesar de a Constituição do Império 
de 1824 determinar que a educação era um direito de todos os 
cidadãos, a escola estava vetada para pessoas negras escraviza-
das. A cidadania se estendia a portugueses e aos nascidos em 
solo brasileiro, inclusive a negros libertos. Mas esses direitos es-
tavam condicionados a posses e rendimentos, justamente para 
dificultar aos libertos o acesso à educação.
Reparar todo esse tempo de opressão é algo que demanda tempo 
e ação, pois gerações e gerações sofreram por toda a sua vida sem ter 
seus direitos humanos garantidos pela sociedade e pelo Estado. As ações 
afirmativas são uma importante ferramenta para garantir que os direitos 
das minorias étnico-raciais do presente e do futuro sejam respeitados.
Dias e Freire (2002) explicam que as ações afirmativas incluem tanto 
políticas públicas desenvolvidas pelo Estado quanto ações de institui-
ções privadas, que tem por objetivos combater a discriminação étnico-
-racial e promover a garantia dos direitos das populações minoritárias 
que tenham sido historicamente discriminadas.
Como as políticas públicas têm um papel fundamental na imple-
mentação das ações afirmativas, mesmo as que são desenvolvidas por 
instituições privadas, é fundamental, também, definir o que são políti-
cas públicas. Segundo Caxito (2020, p. 42), as políticas públicas “mos-
tram como o governo enfrenta as questões públicas, quais ações serão 
tomadas para alcançar objetivos específicos e a forma como essas po-
líticas influenciam a vida dos cidadãos”.
Ainda segundo o autor, as políticas públicas podem ser classificadas 
em quatro diferentes formas, conforme mostra a figura a seguir.
Relações étnico-raciais 53
Figura 1
Tipos de políticas públicas
Políticas distributivas 
são ações ou decisões 
do governo com um 
escopo mais individual, 
buscando oferecer 
condições privilegiadas 
para determinados grupos 
ou mesmo regiões do país, 
sem, contudo, serem ações 
que atingem a totalidade da 
população.
Essa limitação do alcance da política pode advir de uma limitação de 
recursos ou pode ter o objetivo de oferecer condições especiais para 
um determinado grupo que precise de incentivos. Podemos citar como 
exemplos de políticas distributivas os programas de crédito barato para 
pequenos empreendedores, os incentivos fiscais para alguns tipos de 
negócios que precisam se desenvolver, ou a realização de obras públicas 
em comunidades pouco desenvolvidas.
Políticas regulatórias são 
aquelas ligadas a legislações 
que determinam limites ou 
obrigações e que envolvem 
os processos burocráticos, 
as organizações econômicas 
e as políticas e os grupos 
de interesse.
Secchi (2012) explica que as políticas regulatórias são aquelas que definem 
padrões de comportamento, como as leis que obrigam o uso de capacetes 
por motociclistas, ou as que proíbem o fumo em locais fechados.
Políticas redistributivas 
são aquelas que atingem 
a população como um 
todo e que têm aspecto 
universal. O sistema 
tributário, as mudanças na 
previdência e os programas 
de redistribuição de renda 
são exemplos dessa 
forma política.
O programa Bolsa Família é um exemplo de política desse tipo, 
fundamentado no conceito de redistribuir renda usando os impostos 
cobrados sobre os rendimentos e sobre o consumo das parcelas 
mais ricas da população a fim de garantir uma renda mínima 
para as parcelas mais pobres.
Políticas constitutivas 
são as normas e os 
procedimentos necessários 
para que as outras políticas 
públicas sejam colocadas 
em prática pelo governo. As 
políticas constitutivas orientam 
e organizam a formulação e a 
implementação do programa 
do governo.
Secchi (2012) as chama de meta-policies e explica que 
esse tipo de política está acima das outras. São exemplos 
de políticas constitutivas a definição das competências de 
cada um dos três poderes, o sistema eleitoral e as formas de participação 
da sociedade civil nas decisões políticas.
Fonte: Adaptado de Caxito, 2020, p. 42-43.
54 Direitos humanos e relações sociais
As políticas públicas de ação afirmativa são classificadas como uma 
política distributiva, pois estão direcionadas a um determinado grupo 
específico, no caso as minorias étnico-raciais, e têm um caráter compen-
satório ao incentivar a igualdade de tratamento e de oportunidades, nos 
âmbitos educacional, profissional e social, para os grupos étnico-raciais 
que, por motivos históricos, têm sua ascensão social dificultada ou im-
pedida (BENTO, 2000). O caráter compensatório das políticas públicas de 
ação afirmativa, segundo Munanga (2007, p. 1):
 as chamadas políticas de ação afirmativa são muito recentes na 
história da ideologia antirracista. Nos países onde já foram im-
plantadas (Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Índia, Alemanha, 
Austrália, Nova Zelândia e Malásia, entre outros), elas visam ofe-
recer aos grupos discriminados e excluídos um tratamento dife-
renciado para compensar as desvantagens devidas à sua situação 
de vítimas do racismo e de outras formas de discriminação.
Uma das mais conhecidas ações afirmativas são as cotas raciais que 
garantem um percentual de vagas nas universidades públicas. Ribeiro 
(2019) explica que as cotas raciais são necessárias, pois as populações 
minoritárias têm maior dificuldade de acesso a uma educação de qua-
lidade, devido ao racismo estrutural que perpassa toda a sociedade 
brasileira. Segundo a autora, o alto nível de exigência e a grande quan-
tidade de candidatos nos vestibulares das universidades públicas fa-
zem com que alunos de alto poder aquisitivo e das classes econômicas 
superiores (que estudaram em boas escolas nos anos iniciais e tiveram 
acesso a cursos complementares e experiências, como intercâmbios) 
tenham vantagens competitivas frente aos indivíduos dos grupos étni-
co-raciais historicamente discriminados, o que conclui que essa reali-
dade reforça ainda mais o racismo estrutural da sociedade.
Dias e Freire (2002), contudo, explicam que as ações afirmativas são 
muito mais amplas do que o sistema de cotas e incluem ações que 
visam oferecer condições que proporcionem tanto a inclusão quanto 
o incentivo ao desenvolvimento pessoal,educacional, profissional e so-
cial dos grupos étnico-raciais discriminados. Por outro lado, as ações 
afirmativas não buscam culpar, prejudicar ou tirar direitos de outros 
grupos. Como afirma Ribeiro (2019, p. 17),
não se trata de se sentir culpado por ser branco: a questão é 
se responsabilizar. Diferente da culpa, que leva à inércia, a res-
ponsabilidade leva à ação. Dessa forma, se o primeiro passo é 
desnaturalizar o olhar condicionado pelo racismo, o segundo é 
Relações étnico-raciais 55
criar espaços, sobretudo em lugares que pessoas negras não 
costumam acessar.
As políticas públicas de ação afirmativa também são chamadas de 
discriminação positiva, segundo Silva Jr. (apud MUNANGA, 1996). O autor 
explica que o Estado tem o dever constitucional de reduzir as desigual-
dades e abolir a marginalização. São também deveres do Estado pro-
mover o bem de todos os cidadãos de modo igual, independentemente 
de origem, raça, credo ou gênero; além disso, deve garantir a integra-
ção social dos grupos discriminados. Uma das formas que o Estado 
usa para cumprir esses deveres são as políticas públicas. Vinagre (2009) 
afirma que as políticas e as ações afirmativas discriminam positivamen-
te, pois possibilitam que dívidas históricas possam ser reparadas.
Myers (2003) aponta que as políticas públicas de ação afirmativa cor-
rigem as desvantagens concretas, como a falta de acesso à educação, 
e as desvantagens simbólicas, como a discriminação que profissionais 
de grupos étnico-raciais minoritários sofrem em processos seletivos de 
empregos. As ações afirmativas, ainda segundo o autor, também têm 
o objetivo de promover a equidade de oportunidades. Ribeiro (2019, p. 
21) distingue a questão da equidade e a meritocracia:
Esse debate não é sobre capacidade, mas sobre oportunidades – 
e essa é a distinção que os defensores da meritocracia parecem 
não fazer. Um garoto que precisa vender pastel para ajudar na 
renda da família e outro que passa as tardes em aulas de idiomas 
e de natação não partem do mesmo ponto.
O artigo Gestão na prática: meritocracia na sociedade é diferente de meritocracia 
dentro da empresa, do professor Fabiano Caxito, discute o conceito de me-
ritocracia e mostra como, na sociedade, garantir a equidade é fundamental 
para que se possa proporcionar oportunidades a indivíduos que não tiveram 
as mesmas experiências.
Acesso em: 26 abr. 2021. 
https://www.linkedin.com/pulsemeritocracia-na-sociedade-%C3%A9-diferente-de-dentro-da-
empresa-caxito/?originalSubdomain=pt
Artigo
As políticas públicas de ação afirmativa são um importante instru-
mento para diminuir o impacto dos séculos de discriminação e precon-
ceito que os grupos étnico-raciais minoritários sofreram e não devem 
se restringir apenas a ações relacionadas à educação e a questões so-
56 Direitos humanos e relações sociais
ciais. Tanto as ações do Estado quanto de instituições privadas são fun-
damentais para gerar oportunidades de trabalho e de carreira para os 
indivíduos que sofrem com o preconceito racial.
2.5 Trabalho, produtividade e 
diversidade cultural Vídeo
Durante os séculos iniciais do desenvolvimento da nação brasilei-
ra, a economia teve base na extração de minérios, na agricultura e na 
pecuária, atividades que dependiam fortemente da mão de obra es-
cravizada, inicialmente formada pelas populações nativas e, posterior-
mente, por povos escravizados oriundos da África. Depois, durante a 
transição da economia brasileira para o modelo capitalista, principal-
mente com a abolição da escravatura, foi construída uma imagem na 
sociedade de que o negro e o índio eram indivíduos inferiores e com 
baixa capacidade de aprendizagem, sendo, portanto, incompatíveis 
com o trabalho no novo modelo econômico do capitalismo industrial 
(HASENBALG, 2005; MARTINS, 2014).
Martins (2013) aponta que um dos reflexos dessa visão discrimina-
tória e preconceituosa foi o incentivo da imigração de europeus, espe-
cialmente alemães e italianos, durante as primeiras décadas do século 
XX, como forma de atração de uma mão de obra vista como mais pre-
parada para os desafios da industrialização. Segundo Theodoro (2008), 
na década de 1920 cerca de 52% dos operários contratados pelas in-
dústrias nacionais eram estrangeiros, e uma parcela significativa dos 
demais operários eram descendentes diretos desses imigrantes euro-
peus. A intensa imigração europeia empurrou a população das mino-
rias étnico-raciais para o desemprego ou para a atuação em profissões 
menos valorizadas e mal remuneradas (HASENBALG, 2005).
Os reflexos e as consequências dessa política de incentivo à imigra-
ção podem ser identificados na sociedade e no mercado de trabalho 
contemporâneo. A discriminação e o preconceito, presentes nas rela-
ções que ocorrem entre empregadores e trabalhadores, remontam ao 
período da escravidão, e a sua substituição pela mão de obra imigrante 
dificultou a inserção dos grupos étnico-raciais minoritários no mercado 
de trabalho e consequentemente na sociedade (OLIVEIRA; PICCININI, 
2011; NEGRO; GOMES, 2006).
Relações étnico-raciais 57
Diversos estudos mostram como a questão racial está presente no 
mercado de trabalho contemporâneo. Melo, Araújo e Marques (2003) 
mostram que tanto as oportunidades de ser escolhido para uma vaga 
de trabalho quanto a remuneração oferecida são diferentes, de acordo 
com o grupo étnico-racial do trabalhador. Brancos têm mais chance de 
serem contratados e recebem salários maiores do que negros, pardos 
e indígenas. Campante, Crespo e Leite (2004) chegam a conclusões se-
melhantes e apontam que a diferença é causada pelo preconceito e 
pela discriminação, enraizados profundamente no mercado de traba-
lho, que enxergam as minorias étnico-raciais como incapazes, incom-
petentes e inferiores.
Santos e Scopinho (2011) mostram que, mesmo séculos após a 
abolição da escravatura, os profissionais negros, especialmente os 
mais jovens, enfrentam grande dificuldade de inserção no mercado 
de trabalho. Assim, muitos desses profissionais acabam atuando em 
trabalhos precários. Segundo estudo desenvolvido por Proni e Gomes 
(2015), na primeira metade da década de 2010, dois terços dos traba-
lhadores informais faziam parte de grupos étnico-raciais minoritários.
Já Oliveira (2013) faz uma relação entre raça e gênero e mostra que, 
se o mercado de trabalho discrimina as minorias étnico-raciais, as mu-
lheres negras sofrem ainda mais com o preconceito. Além de sofrerem 
mais com o desemprego, o trabalho da mulher negra é ainda mais pre-
cário e mal remunerado. A pesquisa é corroborada pelos dados coleta-
dos por Guimarães (2004), que chega a outra importante conclusão: a 
quantidade de anos de estudo e a qualificação escolar dos indivíduos 
de grupos minoritários é menor, e a baixa escolaridade é diretamente 
relacionada à precariedade do trabalho e ao menor nível salarial.
De modo complementar, Vilela e Monsma (2015) concluem que pro-
fissionais brancos são mais bem remunerados do que profissionais 
negros com o mesmo nível educacional e com experiência profissional 
semelhante. De modo complementar, Cacciamali e Hirata (2005) mos-
tram que as mulheres negras, entre profissionais com o mesmo nível 
educacional, são as que mais são discriminadas no mercado de trabalho.
Os dados mostram que a grande maioria dos profissionais que 
ocupam cargos de gestão e liderança são brancos, enquanto os car-
gos operacionais e básicos da estrutura hierárquica são predominante-
mente ocupados por minorias étnico-raciais.
O canal do YouTube 
Somos Mais que 1 (#+Q1) 
conta com palestras cur-
tas sobre diversos temas 
relacionados ao mercado 
de trabalho. O pales-
trante João Diamante, 
na palestra realizada em 
outubro de 2017, no Rio 
de Janeiro, conta a sua 
história de vida e mostra 
as dificuldades que um 
jovem negro enfrenta 
para se afirmar no merca-
do de trabalho.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=oCpGjAZeMSI. Acesso em: 
26 abr. 2021.
Palestra
No site Hypeness, é 
possível encontrara 
história em quadrinhos 
On the plate (De bandeja 
em português), do 
australiano Toby Morris. 
A obra ilustra como a 
falta de equidade impacta 
as oportunidades pro-
fissionais de dois jovens 
de diferentes origens 
étnico-raciais e sociais.
Disponível em: https://www.
hypeness.com.br/2015/05/
quadrinho-resume-o-porque-de-a-
historia-de-que-todo-mundo-tem-
as-mesmas-chances-nao-e-tao-
verdadeira-assim-2/. Acesso em: 
26 abr. 2021.
Leitura
https://www.youtube.com/watch?v=oCpGjAZeMSI
https://www.youtube.com/watch?v=oCpGjAZeMSI
https://www.youtube.com/watch?v=oCpGjAZeMSI
https://www.hypeness.com.br/2015/05/quadrinho-resume-o-porque-de-a-historia-de-que-todo-mundo-tem-as-mesmas-chances-nao-e-tao-verdadeira-assim-2/
https://www.hypeness.com.br/2015/05/quadrinho-resume-o-porque-de-a-historia-de-que-todo-mundo-tem-as-mesmas-chances-nao-e-tao-verdadeira-assim-2/
https://www.hypeness.com.br/2015/05/quadrinho-resume-o-porque-de-a-historia-de-que-todo-mundo-tem-as-mesmas-chances-nao-e-tao-verdadeira-assim-2/
https://www.hypeness.com.br/2015/05/quadrinho-resume-o-porque-de-a-historia-de-que-todo-mundo-tem-as-mesmas-chances-nao-e-tao-verdadeira-assim-2/
https://www.hypeness.com.br/2015/05/quadrinho-resume-o-porque-de-a-historia-de-que-todo-mundo-tem-as-mesmas-chances-nao-e-tao-verdadeira-assim-2/
https://www.hypeness.com.br/2015/05/quadrinho-resume-o-porque-de-a-historia-de-que-todo-mundo-tem-as-mesmas-chances-nao-e-tao-verdadeira-assim-2/
58 Direitos humanos e relações sociais
Os resultados dos estudos citados mostram a importância das ações 
afirmativas, tanto as relacionadas à educação quanto as relacionadas 
à inserção de negros e indígenas no mercado de trabalho. Segundo 
Ribeiro (2019, p. 24),
a lei de cotas para universidades federais, promulgada em 2012, 
representou uma grande vitória. Uma pesquisa da Associação 
Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Su-
perior (Andifes), com base em dados de 2018, mostrou que, nes-
sas instituições, a maioria dos estudantes é negra (51,2%); 64,7% 
cursaram o ensino médio em escolas públicas e 70,2% vêm de 
famílias com renda mensal per capita de até um salário mínimo 
e meio.
Para a autora, essa mudança ainda não se reflete de maneira sig-
nificativa no mercado de trabalho. Porém, a crescente conscientização 
da sociedade quanto à questão racial e os resultados da implantação 
das políticas públicas de ação afirmativa, que, apesar de ainda tímidos, 
já são sentidos na sociedade, têm feito as empresas entenderem que a 
diversidade étnico-racial da equipe de colaboradores pode se transfor-
mar em uma vantagem competitiva.
Para Dias e Freire (2002), a diversidade traz muitos benefícios para 
as empresas, no ponto de vista econômico e na imagem. Segundo os 
autores, empresas com maior diversidade racial e de gênero têm me-
nor rotatividade de colaboradores, além de equipes mais produtivas e 
satisfeitas; têm sua imagem fortalecida frente ao mercado e à opinião 
pública e sofrem menos ações trabalhistas.
Segundo estudo realizado pelo extinto Ministério do Trabalho e 
Emprego (BRASIL, 2003), em um mercado cada vez mais globalizado, 
empresas com maior diversidade étnico-racial estão mais preparadas 
para compreender as diferentes demandas, bem como os hábitos e 
comportamentos de consumidores de diferentes culturas e países.
As empresas investem para construir uma marca valorizada e re-
conhecida pelos clientes que aumente o valor percebido de seus pro-
dutos e serviços e fidelize os consumidores (KOTLER; KELLER, 2019). A 
diversidade étnico-racial mostra para o mercado que a empresa não 
adota práticas preconceituosas e que atua de maneira consciente, pro-
movendo ações afirmativas contra a discriminação. Para Dias e Freire 
(2002), a promoção da diversidade étnico-racial pelas empresas traz 
uma série de benefícios, tanto para a empresa quanto para os indiví-
duos e para a sociedade.
A edição de 2020 do 
evento #+Q1, realizada 
em plataforma on-line, 
em junho de 2020, bus-
cou apontar os caminhos 
para diminuir o desem-
prego no Brasil após a 
pandemia de Covid-19. 
A palestra, realizada 
pelo psicólogo Gustavo 
Borges, teve como título 
Diversidade étnico–racial: 
como aproveitar as oportu-
nidades.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=0r-
0pT4hDqk. Acesso em: 26 abr. 2021.
Palestra
https://www.youtube.com/watch?v=0r-0pT4hDqk
https://www.youtube.com/watch?v=0r-0pT4hDqk
https://www.youtube.com/watch?v=0r-0pT4hDqk
Relações étnico-raciais 59
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em pleno século XXI, pode parecer absurdo que ainda seja necessário 
discutir temas como preconceito e discriminação com base em raça ou et-
nia, porém, os reflexos de séculos de negação dos direitos humanos dos 
grupos étnico-raciais minoritários ainda estão profundamente arraigados 
na sociedade brasileira, diminuindo as oportunidades de inserção social, 
educacional e profissional de indivíduos desses grupos.
As ações afirmativas, sejam elas públicas ou de organizações privadas, 
têm um papel fundamental para incentivar uma mudança na cultura e na 
sociedade brasileira. A crescente conscientização da população quanto 
às questões raciais também colabora para que seja possível, em breve, 
construirmos uma sociedade fundamentada na igualdade e na equidade.
ATIVIDADES
1. Explique o conceito de eugenia.
2. Explique as diferenças entre os termos raça e etnia.
3. Aponte quais ações podem ser tomadas para diminuir a desigualdade 
racial.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, S. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019. 
AMIGUINHO. 2015. 1 vídeo (4 min.). Publicado pelo canal Porta dos Fundos. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=NxzUU-cZD1o. Acesso em: 26 abr. 2021.
BENTO, M. A. Silva (Org.). Ação afirmativa e diversidade no trabalho: desafios e 
possibilidades. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
BENTO, M. A. S.; CARONE, I. (org.). Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude 
e branqueamento no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2002.
BENTO, L. C.; SANTOS, L. D. Miscigenação, arianismo e nacionalismo. Fato & Versões-Revista 
de História, v. 11, n. 22, p. 112-125, 2019. Disponível em: https://trilhasdahistoria.ufms.br/
index.php/fatver/article/view/11408. Acesso em: 26 abr. 2021.
BLACK, E. A guerra contra os fracos. São Paulo: A Girafa, 2003.
BRASIL. Lei n. 12.288, de 20 de julho de 2010. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 jul. 
2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12288.
htms. Acesso em: 26 abr. 2021.
BRASIL. Ministério de Trabalho e do Emprego. Núcleos de promoção da igualdade de 
oportunidade e de combate à discriminação no trabalho. Brasília, DF: MTE, Assessoria 
Internacional, 2003.
BUENO, C. Comunidades indígenas usam internet e redes sociais para divulgar sua cultura. 
Revista Ciência e Cultura, v. 65, n. 2, p. 14-15, 2013. Disponível em: http://cienciaecultura.
bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252013000200006&script=sci_arttext&tlng=en. Acesso 
em: 26 abr. 2021.
CACCIAMALI, M.; HIRATA, G. I. A influência da raça e do gênero nas oportunidades de 
obtenção de renda – uma análise da discriminação em mercados de trabalho distintos: 
Bahia e São Paulo. Estud. Econ., v. 35, n. 4, p. 767-795, 2005. Disponível em: https://doi.
org/10.1590/S0101-41612005000400007. Acesso em: 28 abr. 2021.
Vídeo
https://trilhasdahistoria.ufms.br/index.php/fatver/article/view/11408
https://trilhasdahistoria.ufms.br/index.php/fatver/article/view/11408
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12288.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12288.htm
http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252013000200006&script=sci_arttext&tlng=en
http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252013000200006&script=sci_arttext&tlng=en
60 Direitos humanos e relações sociais
CAMPANTE, F. R.; CRESPO, A. R. V.; LEITE, P. G. P. G. Desigualdade salarial entre raças no 
mercado de trabalho urbano brasileiro: aspectos regionais. Rev. Bras. Econ., Rio de Janeiro, 
v. 58, n. 2, p. 185-210,2004. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0034-71402004000200003&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 26 abr. 2021.
CAMPOS, I. S.; RUBERT, R. A. Religiões de matriz africana e a intolerância religiosa. Cadernos 
do LEPAARQ (UFPEL), v. 11, n. 22, p. 293-307, 2014. Disponível em: http://periodicos.ufpel.
edu.br/ojs2/index.php/lepaarq/article/view/3390. Acesso em: 26 abr. 2021.
CAMPOS, L. A. Racismo em três dimensões: uma abordagem realista-crítica. Revista 
brasileira de ciências sociais, v. 32, n. 95, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S0102-69092017000300503&script=sci_arttext. Acesso em: 26 abr. 2021.
CASETTA, E. et al. Biodiversidade: o que é e porque é importante. Lisboa: Gradiva Publicações, 
2018. Disponível em: https://iris.unito.it/retrieve/handle/2318/1667590/411972/2018_
InventarioDaVida.pdf. Acesso em: 26 abr. 2021.
CASHMORE, E. Dicionário de relações étnicas e raciais. São Paulo: Summus, 2000.
CENTURIÃO, L. R. M. Racismo e nacional-socialismo. In: SILVA, M. L. da S. (org.). Ciência, raça 
e racismo na modernidade. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2009.
CFESS. Caderno 3: racismo. Brasília, DF: Gestão Tecendo na Luta a Manhã Desejada, 2016. 
(Série Assistente Social no Combate ao Preconceito). Disponível em: http://www.cfess.org.
br/arquivos/CFESS-Caderno03-Racismo-Site.pdf. Acesso em: 26 abr. 2021.
COELHO, W. de N.; COELHO, M. C. (org.). Raça, cor e diferença. Belo Horizonte: Mazza, 2008.
COLARES, A. A.; GOMES, M. A. de O.; COLARES, M. L. I. S. História e cultura afro-brasileira 
e indígena nas escolas: uma reflexão necessária.  Revista HISTEDBR On-line, v. 10, n. 38, 
p. 197-213, 2010. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/
histedbr/article/view/8639699. Acesso em: 26 abr. 2021.
DARWIN, C. A origem das espécies: a origem das espécies por meio da seleção natural ou a 
preservação das raças favorecidas na luta pela vida. São Paulo: Martin Claret, 2014.
DIAS, J.; FREIRE, L. (org.). Diversidade: avanço conceitual para a educação profissional e o 
trabalho – ensaios e reflexões. Brasília, DF: OIT, 2002. Disponível em: http://wcmsq3.ilo.
org/wcmsp5/groups/public/---americas/---ro-lima/---ilo-brasilia/documents/publication/
wcms_224250.pdf. Acesso em: 26 abr. 2021.
DOMINGUES, P. Movimento da negritude: uma breve reconstrução histórica. Mediações – 
Revista de Ciências Sociais, Londrina, v. 10, n.1, p. 25-40, jan.-jun. 2005.
DVD Mil trutas, mil tretas – a vida é desafio. 2014. 1 vídeo (6 min.). Publicado pelo canal 
Racionais TV. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4PNmrGkiXUE Acesso 
em: 26 abr. 2021.
EDMONDS, P. Estas gêmeas – uma negra, outra branca – provam que cor não é raça. National 
Geographic, Brasil, abr. 2018. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/
cultura/2018/03/estas-gemeas-uma-negra-outra-branca-provam-que-cor-nao-e-raca. 
Acesso em: 14 jul. 2021.
FERNANDES, C. M.; SANCHES, R. R.; DIAS, M. V. S. A eficácia das penalidades nos crimes 
de racismo e injúria racial. Perfiles de las Ciencias Sociales, v. 6, n. 11, 2018. Disponível em: 
https://revistas.ujat.mx/index.php/perfiles/article/view/3116. Acesso em: 26 abr. 2021.
FERENZ, G. M.; PETRY, A. T. Racismo: o sistema de cotas seria uma alternativa de inclusão 
social viável para a promoção da igualdade racial educacional no sistema brasileiro? Revista 
Justiça & Sociedade, v. 3, n. 1, 2018. Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/
revistas-ipa/index.php/direito/article/view/694. Acesso em: 26 abr. 2021.
FRUTUOSO, S. C. G. Fluxos migratórios no Brasil: cenários e reflexos comportamentais 
despertando a xenofobia. Revista FECAF, v. 1, n. 1, p. 161, 2018. Disponível em: https://fecaf.
com.br/emkt/faculdade/Revista/01.pdf#page=161. Acesso em: 26 abr. 2021.
GOMES, N. L. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no 
Brasil: uma breve discussão. In: Educação anti-racista: caminhos abertos pela Lei Federal 
n. 10.639/03. Brasília, DF: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, 
Alfabetização e Diversidade, 2005. (Coleção Educação para Todos). Disponível em: http://
www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000376.pdf. Acesso em: 26 abr. 2021.
GUIMARÃES, A. S. A. Classes, raças e democracia. São Paulo: Editora 34, 2002.
GUIMARÃES, N. A. Quando a indústria se transforma: atores locais e políticas subnacionais 
de equidade de gênero e raça. São Paulo Perspec., São Paulo, v. 18, n. 4, p. 83-92, 
2004. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
88392004000400010&lng=en&nrm=iso . Acesso em: 7 abr. 2021.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402004000200003&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402004000200003&lng=en&nrm=iso
https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-69092017000300503&script=sci_arttext
https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-69092017000300503&script=sci_arttext
https://iris.unito.it/retrieve/handle/2318/1667590/411972/2018_InventarioDaVida.pdf
https://iris.unito.it/retrieve/handle/2318/1667590/411972/2018_InventarioDaVida.pdf
https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8639699
https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8639699
http://wcmsq3.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---americas/---ro-lima/---ilo-brasilia/documents/publication/wcms_224250.pdf
http://wcmsq3.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---americas/---ro-lima/---ilo-brasilia/documents/publication/wcms_224250.pdf
http://wcmsq3.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---americas/---ro-lima/---ilo-brasilia/documents/publication/wcms_224250.pdf
https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2018/03/estas-gemeas-uma-negra-outra-branca-provam-que-cor-nao-e-raca
https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2018/03/estas-gemeas-uma-negra-outra-branca-provam-que-cor-nao-e-raca
https://www.metodista.br/revistas/revistas-ipa/index.php/direito/article/view/694
https://www.metodista.br/revistas/revistas-ipa/index.php/direito/article/view/694
Relações étnico-raciais 61
HASENBALG, C. Discriminação e desigualdades raciais no Brasil. 2. ed. Belo Horizonte: UFMG; 
Rio de Janeiro: IUPERJ, 2005.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
HAITI. Compositores: Gilberto Gil e Caetano Veloso. Intérprete: Gilberto Gil e Caetano 
Veloso. Rio de Janeiro: Gravadora Phonogram, 1993. (3 min.).
JESUS, C. M. de. Branquitude x branquidade: uma análise conceitual do ser branco. III 
encontro baiano de estudos em cultura. Anais [...]. Salvador, 2012.
KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. São Paulo: Pearson Universidades, 2019.
LINNAEUS, C. Systema Naturae. 13. ed. Franklin Classics, 2018.
LIMA, M. A trajetória do negro no Brasil e a importância da cultura afro. Curitiba: Educadores 
dia a dia, 2010. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/
File/2010/artigos_teses/2010/Historia/monografia/3lima_miguel_nonografia.pdf. Acesso 
em: 26 abr. 2021.
MARTINS, T. C. S. Racismo, questão social e serviço social: elementos para pensar a violação 
de direitos no Brasil. Revista Inscrital, Brasília, v. 10, n. 14, p. 10-17, dez. 2013.
MARTINS, T. C. S. Determinações do racismo no mercado de trabalho: implicações 
na “questão social” brasileira. Revista Temporalis, Brasília, v. 14, n. 28, p. 113-132, 2014. 
Disponível em: https://periodicos.ufes.br/temporalis/article/view/7077#:~:text=Ao%20
determinar%20o%20%E2%80%9Clugar%E2%80%9D%20do,pol%C3%ADtica%20da%20
%E2%80%9Cquest%C3%A3o%20social%E2%80%9D. Acesso em: 26 abr. 2021.
MELO, H. P.; ARAÚJO, J. L.; MARQUES, T. C. N. Raça e nacionalidade no mercado de trabalho 
carioca na Primeira República: o caso da cervejaria Brahma. Rev. Bras. Econ., Rio de Janeiro, 
v. 57, n. 3, p. 535-569, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0034-71402003000300003&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 26 abr. 2021.
MUNANGA, K. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade eduas áreas guardam uma profunda 
relação, visto que é papel do Estado garantir que os direitos das parcelas 
mais pobres e marginalizadas da população sejam garantidos.
Portanto, discutiremos também as origens das legislações que abor-
dam os direitos humanos e como elas evoluíram ao longo do tempo, 
mostrando como se organizam as declarações globais que orientam as 
legislações nacionais sobre o tema, especialmente no Brasil.
10 Direitos humanos e relações sociais
Com o estudo deste capítulo você será capaz de:
• conhecer a evolução do conceito de direitos humanos;
• compreender a relação entre filosofia, política, legislação e 
direitos humanos;
• acompanhar a evolução do debate sobre direitos humanos 
no Brasil.
Objetivos de aprendizagem
1.1 Origens filosóficas dos direitos humanos 
Vídeo A discussão sobre os direitos humanos é central em nossa socieda-
de contemporânea, marcada por grandes diferenças entre as parcelas 
mais ricas e as mais marginalizadas da população global. Questões po-
líticas, econômicas, raciais, étnicas e sociais dividem os grupos huma-
nos a ponto de impedir que uma parcela significativa da humanidade 
não tenha acesso aos seus direitos mais básicos.
No entanto, os debates sobre os direitos individuais não são recen-
tes. Na verdade, estão presentes desde os pensamentos dos primeiros 
filósofos clássicos. Logo, as bases dos conceitos que norteiam as legis-
lações quanto aos direitos humanos podem ser rastreadas nas ideias 
da lei natural e do direito natural.
Platão discute a lei natural em alguns de seus diálogos, como em 
Timeu, no qual o filósofo aponta o indivíduo como um ser social que 
deve agir de modo justo com os outros indivíduos (MATSUURA, 2019). 
A lei natural também é discutida por Platão em Górgias, outro de seus 
diálogos, publicado originalmente por volta do ano 403 a.C. Em uma 
discussão entre Sócrates e Cálicles a respeito da justiça, Platão (2006, 
p. 167) define: “não é, portanto, apenas em virtude da lei que é mais 
feio praticar algum ato injusto do que ser vítima de injustiça, e que a 
justiça consiste na igualdade, mas também por natureza”.
Em uma de suas obras mais importantes, A República, o filósofo 
aprofunda as discussões sobre a justiça e sobre o que chama de direito 
natural, utilizando o termo physei dikaion (justo por natureza) para ex-
plicar como esse direito é diferente do direito fundado nas leis escritas 
pelos seres humanos. Segundo Platão (2006), as ações humanas são 
O vídeo ‘Eu tenho um 
sonho’, publicado no canal 
O Tempo, apresenta o 
discurso realizado por 
Martin Luther King – líder 
da luta pelos direitos 
humanos – no ano de 
1963, em Washington, 
DC, capital dos Estados 
Unidos, que contou com 
um público de mais de 
250 mil pessoas. Conheci-
do como “I have a dream”, 
o discurso é tido como 
um dos mais importantes 
já realizados, tanto pelo 
momento pelo qual pas-
sava a luta pelos direitos 
dos negros americanos 
quanto pelo impacto que 
causou às discussões 
sobre a legislação segre-
gacionista.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=aWlhPFHOl-Y. Acesso em: 
21 maio 2021.
Vídeo
Bases históricas dos direitos humanos 11
mutáveis e individuais, portanto o direito humano é diferente do di-
reito natural, que é sempre igual e imutável para todos (NEIVA, 2011).
A discussão sobre o physei dikaion está presente também na obra 
Ética a Nicômaco (ARISTÓTELES, 2009), em que Aristóteles discute os 
conceitos de justiça e equidade. Para o filósofo, equidade e justiça es-
tão interligadas. Contudo, não é possível afirmarmos que tudo o que é 
lei seja totalmente pleno e justo, pois não abarca todas as possibilida-
des e realidades de todos os indivíduos. Mesmo que as leis desenvol-
vidas pelo grupo social sejam justas, nem tudo que é justo, do ponto 
de vista da natureza humana e das relações sociais, é abarcado pela 
lei. Dessa forma, o direito natural deve estar acima dos códigos legais 
desenvolvidos pela sociedade (MIRANDA FILHO, 2013).
São Tomás de Aquino (2005), um dos principais filósofos católicos, 
retoma o tema dos direitos naturais em Suma Teológica, obra na qual 
discute as diversas modalidades da lei e as classifica em quatro diferen-
tes tipos – lei eterna, lei natural, lei humana e lei divina positiva. 
A lei eterna é aquela que está relacionada a Deus e dirige os atos 
dos indivíduos. Já a lei natural, segundo Aquino (2005), surge da relação 
entre a lei eterna e a ação moral do ser humano racional. Enquanto a 
lei eterna é infinita, a lei natural é finita e temporal, por se relacionar à 
humanidade e ao grupo social. A lei natural é, para o filósofo, a mani-
festação da lei eterna no indivíduo, que possibilita a ele poder distin-
guir entre o bem e o mal. Para que os princípios e as normas éticas da 
lei eterna e da lei natural possam ser colocados em prática no cotidiano 
das relações humanas, é necessário que sejam transcritos e traduzidos 
para regras específicas e normas explícitas. Essa é a origem da terceira 
lei, a lei humana, um ordenamento jurídico que possibilita a convivên-
cia em sociedade.
Como filósofo católico, Aquino (2005) desenvolve um quarto tipo de 
lei, a denominada lei divina positiva. Para ele, essa lei é necessária para 
que o ser humano seja virtuoso e possa agir tanto de acordo com a lei 
eterna quanto com a lei natural, e isso depende de ele receber ou não a 
revelação divina. O ser humano é falho e para ter a certeza de que suas 
ações não sejam fundamentadas em juízos equivocados, deve seguir 
a lei divina. As leis humanas dizem respeito apenas aos atos externos 
que ocorrem nas relações humanas. Entretanto, para ser virtuoso, o 
ser humano precisa seguir internamente os ensinamentos e as regras 
12 Direitos humanos e relações sociais
divinas. De acordo com o filósofo cristão, a lei humana não consegue 
controlar e castigar todos os males realizados pelo indivíduo. Assim, a 
lei divina pune aqueles que não são julgados pela lei humana.
Aquino – assim como outro importante filósofo católico da idade 
medieval, Santo Agostinho – estabelece uma relação entre o direito na-
tural, discutido pelos filósofos gregos, e a fé cristã, mostrando que a lei 
divina e a lei eterna são a base sobre a qual se estabelece a lei natural, 
que coloca todos os seres humanos como iguais.
A lei humana, por ser imperfeita e incompleta, não garante que 
essa igualdade seja colocada em prática. Por isso, os direitos hu-
manos, apesar de serem um direito de todos os indivíduos, não são 
totalmente garantidos pela lei humana.
Martin Luther King Jr., um dos mais proeminentes líderes na luta 
pelos direitos humanos no século XX, apoiou algumas de suas ideias 
nessa visão da filosofia católica da era medieval, tanto nas ideias de 
Santo Agostinho quanto nas de São Tomás de Aquino. Conforme King: 
“todos os estatutos da segregação são injustos porque a segregação 
distorce a alma, prejudica a personalidade, dá ao segregacionista um 
sentido falso de superioridade e ao segregado um sentido falso de in-
ferioridade” (KING, 1970 apud MIRANDA FILHO, 2013, p. 18).
Para Miranda Filho (2013), estão presentes nas ideias e na luta de 
King aspectos relacionados à lei eterna e à lei natural. A lei humana, no 
momento histórico no qual se dá a luta de King, não garante a igual-
dade, pois é segregacionista. Para o líder, só com o total respeito ao 
direito de todos os indivíduos, com equidade e justiça, a lei humana se 
aproximaria da justiça divina e natural.
Durante a evolução da história humana, a ideia de igualdade entre 
os indivíduos não era comum. A existência da escravidão e a separação 
da sociedade em cidadãos que gozavam de plenos direitos e classes 
inferiores ou escravizadas era comum na sociedade grega, no desen-
volvimento do Império Romano, assim como no Oriente.
Nos estados absolutistas europeus, o poder econômico e político 
estava centralizado nas mãos dos nobres. Essa segregação entre os 
que tinham acesso aos direitos e aqueles a quem esses direitos eram 
negadosetnia. 
In: 3º SEMINÁRIO NACIONAL RELAÇÕES RACIAIS E EDUCAÇÃO PENESB-RJ. Anais [...]. Rio de 
Janeiro, 2003.
MUNANGA, K. Superando o racismo na escola. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria 
de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.
MUNANGA, K. Políticas de ação afirmativa em benefício da população negra no Brasil: 
um ponto de vista em defesa de cotas. Sociedade e cultura, v. 4, n. 2, 2007. Disponível em: 
https://www.revistas.ufg.br/fchf/article/download/515/464. Acesso em: 26 abr. 2021.
MUNANGA, K. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade 
negra. 5. ed. São Paulo: Editora Autêntica, 2019.
MYERS, A. O valor da diversidade racial nas empresas. Estud. afro-asiát., Rio de Janeiro, 
v. 25, n. 3, p. 483-515, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0101-546X2003000300005&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 26 abr. 2021.
NEGRO, A. L.; GOMES, F. Além de senzalas e fábricas uma história social do trabalho. 
Tempo Social, Revista de Sociologia da USP, v. 18, n. 1, 2006.
NEGRO drama. Compositores: Mano Brown e Edi Rock. Intérprete: Mano Brown e Edi Rock. 
São Paulo: Gravadora Cosa Nostra, 2002. 1 CD (6 min.). 
NOGUEIRA, O. Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem: sugestão de 
um quadro de referência para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil. 
Tempo soc., São Paulo, v. 19, n. 1, p. 287-308, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-20702007000100015&lng=en&nrm=iso. Acesso 
em: 26 abr. 2021.
OLHOS coloridos. Compositor: Macau. Intérprete: Sandra de Sá. São Paulo: RGE Discos. 
1982. 1 CD (4 min.).
OLIVEIRA, S. R.; PICCININI, V. C. Mercado de trabalho: múltiplos (des)entendimentos. 
Revista de Administração Pública, v. 45, n. 5, p. 1517-1538, 2011.
OLIVEIRA, R. Educação, pobreza e emprego: uma análise a partir das categorias 
escolaridade, gênero e cor. Perspectiva, Florianópolis, v. 31, n. 2, 687-719, 2013. 
Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/2175-
795X.2013v31n2p687. Acesso em: 26 abr. 2021.
ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Paris, 1948. Disponível em: http://www.
mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pdf. 
Acesso em: 26 abr. 2021.
ORTIZ, R. A sociologia de Pierre Bourdieu. São Paulo: Olho d’Água, 2003.
http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/2010/Historia/monografia/3lima_miguel_nonografia.pdf
http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/2010/Historia/monografia/3lima_miguel_nonografia.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402003000300003&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402003000300003&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-546X2003000300005&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-546X2003000300005&lng=en&nrm=iso
http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pdf
http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pdf
62 Direitos humanos e relações sociais
PEREIRA, B. C. S. Intolerância religiosa e as relações étnico-raciais: o caso das religiões de 
matriz africana no Brasil. Revista de estudos africanos e afro-brasileiro, v. 2, n. 4, p. 59-76, 
jul./dez., 2019. Disponível em: http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/
kwanissa/article/view/11434/7561. Acesso em: 28 abr. 2021.
PRONI, M. W.; GOMES, D. C. Precariedade ocupacional: uma questão de gênero e raça. 
Estud. av., São Paulo , v. 29, n. 85, p. 137-151, dez. 2015. Disponível em: http://www.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142015000300010&lng=en&nrm=iso. 
Acesso em: 26 abr. 2021.
RIBEIRO, D. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
SANTOS, C. P. dos; BRAGA, L.; MAESTRI, M.; VIANA, N. Capitalismo e questão racial. Rio de 
Janeiro: Editora Corifeu, 2007.
SANTOS, D. J. da S. et al. Raça versus etnia: diferenciar para melhor aplicar. Dental press 
j. orthod., v. 15, n. 3, p. 121-124, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S2176-94512010000300015. Acesso em: 26 abr. 2021.
SANTOS, E. F.; SCOPINHO, R. A. Fora do jogo? Jovens negros no mercado de trabalho. 
Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 63, p. 1-104, 2011. Disponível em: http://
www.redalyc.org/html/2290/229049716004/. Acesso em: 26 abr. 2021.
SANTOS, R. A. dos; SILVA, R. M. de N. B. Racismo científico no Brasil: um retrato racial do 
Brasil pós-escravatura. Educ. rev., Curitiba, v. 34, n. 68, p. 253-268, 2018. Disponível em: 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602018000200253&lng=
en&nrm=is. Acesso em: 26 abr. 2021.
SCHWARCZ, L. M. Previsões são sempre traiçoeiras: João Baptista de Lacerda e seu Brasil 
branco. História, Ciências, Saúde: Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 225-242, 2011. 
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v18n1/13.pdf. Acesso em: 26 abr. 2021.
SCHWARCZ, L. M. Retrato em branco e negro: jornais, escravos e cidadãos em São Paulo no 
final do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
SECCHI, L. Políticas públicas: conceitos, esquemas de análises, casos práticos. São Paulo: 
Cengage Learning, 2012.
SENA, N. F.; SOUZA, T. M. As novas perspectivas nas artes visuais: religiões afro-brasileiras 
e afro-indígenas e suas representações no Recife e região metropolitana. Revista Caboré, 
v. 1, n. 2, p. 43-53, 2020. Disponível em: http://www.ead.codai.ufrpe.br/index.php/
revistacabore/article/view/4033. Acesso em: 26 abr. 2021.
SILVA JR., H. Uma possibilidade de implementação da Convenção 111: o caso de Belo 
Horizonte. In: MUNANGA, K. (org.). Estratégias e políticas de combate à discriminação racial. 
São Paulo: Edusp, 1996, p. 223-230.
SILVA, M. L. Biopolítica, educação e eugenia no Brasil (1911-1945). Revista Ibero-americana 
de estudos em educação, v. 8, n. 4, p. 900-922, 2013. Disponível em: https://periodicos.fclar.
unesp.br/iberoamericana/article/view/5070. Acesso em: 26 abr. 2021.
SKIDMORE, T.  Preto no branco: raça e nacionalidade no pensamento brasileiro. Rio de 
Janeiro: Paz e Terra, 2012.
SOUZA, M. T. de; MELO, S. M. de; BEIERSDORF, C. R. Caipira, não! Sou Pomitafro, sim senhor! 
Revista do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, v. 1, n. 1, p. 65-79, 2017. Disponível 
em: https://www.periodicos.ufes.br/revapees/article/view/32194. Acesso em: 26 abr. 2021.
SR. tempo bom. Compositores: Thaíde e Dj Hum. Intérpretes: Thaíde e Dj Hum. São Paulo: 
Humbatuque Records, 1996. 1 CD (4 min.).
THEODORO, M. A formação do mercado de trabalho e a questão racial no Brasil. In: 
THEODORO, M. (org.). As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil: 120 anos após a 
abolição. Brasília, DF: IPEA, 2008.
VALENTINI, G. G.; IJUIM, J. K. Ser humano ou desumano e os reflexos no jornalismo. In: 
41º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Anais [...]. Joinville, 2018. Disponível 
em: http://www.intercom.org.br/sis/eventos/2018/resumos/R13-2423-1.pdf. Acesso em: 
26 abr. 2021.
VILELA, E. M.; MONSMA, K. Migração interestadual e desigualdade racial: evidência do 
Estado de São Paulo. Sociologias, Porto Alegre, v. 17, n. 40, set./dez. 2015, p. 256-291. 
Disponível em: http://www.redalyc.org/html/868/86843200008/. Acesso em: 26 abr. 2021.
VINAGRE, M. Liberdade, democracia e intolerância religiosa. In: SANTOS, I.; FILHO, A. E. 
(org.). Intolerância Religiosa X Democracia. 1. ed. Rio de Janeiro: CEAP, 2009.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602018000200253&lng=en&nrm=is
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602018000200253&lng=en&nrm=is
http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v18n1/13.pdf
http://www.ead.codai.ufrpe.br/index.php/revistacabore/article/view/4033
http://www.ead.codai.ufrpe.br/index.php/revistacabore/article/view/4033
http://www.intercom.org.br/sis/eventos/2018/resumos/R13-2423-1.pdfGênero e sexualidade 63
3
Gênero e sexualidade
As discussões sobre gênero, sexualidade e diversidade social apre-
sentam um papel central na busca pela garantia dos direitos huma-
nos de grupos sociais minoritários, como as mulheres e as pessoas 
LGBTQIA+. Os próprios conceitos sobre gênero e sexualidade passam, 
na sociedade contemporânea, por uma constante evolução.
Os reflexos dos preconceitos e da discriminação baseados tanto 
no gênero quanto na sexualidade se fazem sentir nos mais diversos 
aspectos da vida social, como no mercado de trabalho, no acesso à 
saúde e à educação, na segurança contra a violência e na participação 
política e social.
Na primeira parte deste capítulo vamos apresentar conceitos de 
sexualidade e de diversidade sexual, abordando as construções histó-
rico-sociais da estrutura patriarcal centrada na heteronormatividade 
que caracteriza nossa sociedade. 
A segunda parte do capítulo vai aprofundar a discussão sobre iden-
tidade de gênero e orientação sexual, discutindo os aspectos biológi-
cos, psicológicos e sociais das classificações utilizadas nas discussões 
sobre os direitos humanos dos grupos minoritários.
A terceira parte vai tratar do movimento feminista e sua busca pelos 
direitos da mulher em uma sociedade centrada na figura do homem 
como detentor dos poderes político, econômico e social. Também será 
mostrada a trajetória do movimento feminista e as lutas atuais pelos 
direitos femininos. 
A parte final discutirá o movimento LGBTQIA+ e as conquistas obti-
das na luta pelos seus direitos. Em um dos países em que mais se mata 
pessoas LGBTQIA+, o mais básico dos direitos humanos – o direito à 
vida – ainda é negado a essas pessoas. 
64 Direitos humanos e relações sociais
Com o estudo deste capítulo você será capaz de:
• compreender os conceitos de sexualidade e diversidade sexual;
• reconhecer as diversidades sexual e de gênero;
• refletir sobre as relações de normatividades de gênero e 
sexo na sociedade e no Judiciário em especial;
• conhecer o papel dos movimentos feministas e LGBTQIA+ 
nas conquistas dos direitos humanos.
Objetivos de aprendizagem
3.1 Sexualidade e diversidade sexual 
Vídeo
Para que se possa discutir os direitos humanos dos grupos sociais mi-
noritários relacionados ao gênero e à sexualidade, é fundamental apresen-
tar alguns conceitos básicos que serão utilizados no decorrer do capítulo.
O conceito de gênero, segundo Heilborn e Rodrigues (2018), evoluiu 
a partir do ponto de vista biológico, baseado na divisão dos indivíduos de 
uma determinada espécie em machos e fêmeas, para uma visão cultural 
e social. Nesse sentido, os indivíduos de um grupo social são ensinados 
a agir e se comportar de certo modo no grupo social, de acordo com um 
roteiro e um papel preestabelecido e considerado cultural e socialmente 
aceito pelo grupo. 
Assim, ao nascer com determinadas características anatômicas e bio-
lógicas, o individuo é educado, desde o início da sua socialização, para 
cumprir determinados papéis e se portar de determinada forma. Des-
vios quanto a essa conduta esperada são considerados transgressões 
ao arranjo social. 
Essa visão biológica do gênero do indivíduo pode ser demonstrada, 
segundo Preciado (2015), pelo trabalho do psicólogo John Money, desen-
volvido durante a década de 1950, nos Estados Unidos, com crianças in-
tersexo, ou seja, crianças nascidas sem a formação dos órgãos genitais. 
Para John Money, o sexo da criança deveria ser definido com base 
em uma análise genética e na aparência dos órgãos sexuais. A teoria de 
atribuição do sexo desenvolvida por Money orientou a prática médica 
durante décadas. Para Preciado (2015), a forma de definição de sexo es-
tabelecida por Money é heteronormativa e baseada na visão de que só 
existem dois gêneros, definidos pelos órgãos sexuais do indivíduo. 
heteronormativo: que 
estabelece como norma 
a heterossexualidade e a 
instituição de categorias 
distintas, rígidas e comple-
mentares de masculino e 
feminino, ou que é relati-
vo a heteronormatividade.
Glossário
Gênero e sexualidade 65
Porém, essa divisão biológica entre homens e mulheres não é capaz 
de refletir toda a diversidade que envolve a sexualidade humana. Para 
Finco, Souza e Oliveira (2017), o conceito da sexualidade inclui aspectos 
biológicos, questões psicológicas do indivíduo, representações culturais, 
históricas e comportamentais do grupo social do qual ele faz parte; esses 
aspectos influenciam os aprendizados formais e informais sobre os com-
portamentos tidos como aceitos ou esperados pelo grupo. 
Weeks (2018) corrobora essa visão sobre o conceito de gênero ao 
afirmar que as expressões da sexualidade são produtos da cultura de 
cada grupo social. O autor destaca, porém, que os papéis sociais espera-
dos dos indivíduos de cada gênero não são fixos ou iguais em todos os 
grupos sociais e divergem de acordo com as circunstâncias, a cultura e o 
momento histórico de cada grupo social. 
Um exemplo dessa diversidade dos papéis sociais de gêneros em di-
ferentes sociedades são os hijras, que, segundo Corrêa (2020), são uma 
comunidade presente em diversos países do subcontinente indiano, 
como a Índia e o Paquistão. O autor explica: “Vestidas comumente em 
trajes femininos, as hijras são indivíduos que nasceram com o sexo bio-
lógico masculino – ou também mulheres que não possuem a capacidade 
de menstruar e, logo, de reproduzir” (CORRÊA, 2020, p. 278).
A existência de grupos sociais como as hijras mostra que a divisão en-
tre gêneros e os papéis sociais de cada um deles dependem de aspectos 
culturais e históricos de cada grupo social, como aponta Weeks (2018). 
Para Foucault (2017), as expectativas sobre papéis, posturas e comporta-
mentos que homens e mulheres devem ocupar na sociedade reafirmam 
as relações e as estruturas de poder do grupo social. 
A visão da sexualidade heteronormativa, para Foucault (2017), é uma 
ferramenta construída pela sociedade ocidental nos últimos séculos 
como forma de controle e poder dos grupos sociais dominantes. Ela está 
presente tanto nos discursos, normas e comportamentos quanto nas 
práticas legais e sociais que orientam a sociedade. Finco, Souza e Oliveira 
(2017, p. 110) afirmam:
a sexualidade é mais que uma questão pessoal, é social e é po-
lítica, resultante de um processo de aprendizagem que se dá 
ao longo do processo de socialização e está intimamente rela-
cionada ao modo como as relações de gênero estão organiza-
das em um determinado contexto, servindo para constituir os 
sujeitos subjetivamente.
O documentário Shabnam 
Mousi é baseado na bio-
grafia da política indiana 
Shabnam Mousi, que 
lutou pelos direitos dos 
hijras, considerados, tanto 
social quanto legalmente, 
como um terceiro sexo 
na sociedade indiana. 
Apesar de serem aceitos, 
cumprirem um papel na 
estrutura social e terem 
parte de seus direitos 
garantidos pela legislação, 
principalmente a partir da 
luta de Shabnam, os hijras 
ainda sofrem preconcei-
tos e discriminação. 
Direção: Yogesh Bhardwaj. India: 
Bollywood Films & Entertainments, 
2005.
Documentário
66 Direitos humanos e relações sociais
Os discursos heteronormativos apontados por Foucault (2017) estão 
presentes nos mais variados grupos e ambientes sociais, a começar pela 
própria família, que muitas vezes critica e pune comportamentos por es-
tarem em desacordo com as atitudes que são esperadas para o gênero 
daquele indivíduo. 
Esse julgamento se dá também em outros ambientes nos quais o in-
divíduo está inserido em seu cotidiano, como a escola, o grupo de amigos 
e os ambientes profissionais. Em um ambiente mais geral, os discursos 
heteronormativos estão presentes também na mídia, nas comunidades 
religiosas e nos serviços públicos que negam atendimento ou discrimi-
nam aqueles que não se enquadram na dualidade sexual homem/mu-
lher, como na área de saúde e nos serviços de apoio social. 
Como instrumento de dominação social, a heteronormatividade tem 
o papel de definir não apenas como os indivíduosde cada gênero devem 
se comportar, mas também como deve ser a prática sexual de cada gê-
nero. Não se trata de negar que a dimensão biológica tem uma influên-
cia profunda sobre a sexualidade, mas a prática da vida sexual envolve 
também aprendizados, experiências, vivências e emoções do histórico 
de vida de cada indivíduo.
3.1.1 Questões de gênero
Os conceitos de gênero e sexualidade não se refletem apenas na dis-
criminação e no preconceito social contra indivíduos que não seguem os 
papéis heteronormativos esperados. Segundo Louro (2013), os papéis 
sociais masculinos e femininos são definidos de acordo com as caracte-
rísticas de cada cultura e sociedade. 
Para a autora, a ideia de que o gênero masculino é mais forte, inteli-
gente e poderoso do que o gênero feminino está embutida nesses con-
ceitos, de gênero e sexualidade, realizando-se na prática do machismo 
e na estruturação de uma sociedade patriarcal. As mulheres, na grande 
maioria das sociedades e culturas contemporâneas – notadamente nas 
culturas ocidentais patriarcais e machistas –, são socialmente colocadas 
em uma posição de inferioridade, subordinação e dependência em rela-
ção aos papéis masculinos. Essa estrutura social reflete uma ideologia de 
poder masculino passada de geração em geração.
Para Amaral et al. (2016), os padrões culturais, nessas sociedades, 
definem o homem como provedor do núcleo familiar e atribui caracte-
A letra da música Flutua, 
cantada por Johnny 
Hooker, mostra como 
o discurso heteronor-
mativo está presente na 
sociedade. Ao relatar 
um romance entre dois 
homens, a letra diz:
O que vão dizer de nós?
Seus pais, Deus e coisas tais
Quando ouvirem rumores 
do nosso amor?
Baby, eu já cansei de me 
esconder
Entre olhares, sussurros 
com você
Somos dois homens e nada 
mais
Eles não vão vencer
Ao mostrar um casal 
homossexual sendo 
agredido, o clipe mostra 
a discriminação pala além 
das palavras.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=mYQd7HsvVtI. Acesso 
em: 25 jun. 2021.
Música
https://www.youtube.com/watch?v=mYQd7HsvVtI
https://www.youtube.com/watch?v=mYQd7HsvVtI
https://www.youtube.com/watch?v=mYQd7HsvVtI
Gênero e sexualidade 67
rísticas como virilidade, inteligência, liderança, força física e capacidade 
de tomada de decisão como ligadas intrinsecamente à masculinidade. 
Já a mulher deve apresentar características como beleza, sensualidade, 
amabilidade e submissão. O papel social da mulher nesses contextos, 
segundo os autores, é de subordinação ao homem, a quem deve ser fiel 
e dedicada, e seu principal objetivo de vida deve ser a maternidade.
Os papéis sociais definidos pela heteronormatividade estão, portan-
to, ligados tanto a questões de sexualidade e gênero quanto a questões 
de poder e controle social. Para Miskolci (2009, p. 156-157): 
a heteronormatividade é um conjunto de prescrições que funda-
menta processos sociais de regulação e controle, até mesmo aque-
les que não se relacionam com pessoas do sexo oposto. Assim, ela 
não se refere apenas aos sujeitos legítimos e normalizados, mas é 
uma denominação contemporânea para o dispositivo histórico da 
sexualidade que evidencia seu objetivo: formar todos para serem 
heterossexuais ou organizarem suas vidas a partir do modelo su-
postamente coerente, superior e “natural” da heterossexualidade.
Segundo Butler (2003), os indivíduos que não se enquadram na nor-
ma heterossexual são marginalizados e tidos como transgressores pelo 
grupo social, assim como as mulheres são oprimidas e têm seus direitos 
diminuídos ou negados. A organização da sociedade, com base na visão 
heteronormativa, abre espaço para que surjam discriminações e precon-
ceitos baseados no gênero e nas identidades de gênero, na sexualidade, 
na diversidade sexual e na orientação social.
3.2 Identidade de gênero e orientação sexual 
Vídeo Corresponder às expectativas que são criadas com base nos papéis 
sociais definidos pela heteronormatividade traz desafios para os indi-
víduos cuja sexualidade corresponde ao seu gênero biológico. Nessa 
visão idealizada dos gêneros, homens não choram, devem ser viris, não 
podem usar determinados tipos de roupas nem ter preocupações es-
téticas. Por outro lado, mulheres precisam ser femininas, precisam se 
vestir de maneira recatada, devem ter como principal objetivo se casar 
e ter filhos e não podem exercer determinadas profissões. Simões e 
Facchini (2009) chamam de estratégia de diferenças essa determinação 
de papéis de acordo com o gênero. 
68 Direitos humanos e relações sociais
Se para os indivíduos cisgênero 1 a heteronormatividade já traz 
desafios, para aqueles cujo gênero biológico não corresponde à sua 
identidade de gênero, ou seja, os transgêneros, os desafios são infini-
tamente maiores e mais amplos. 
Para entender os conceitos de cisgênero e transgênero, é neces-
sário conhecer o conceito de identidade de gênero. Para Jesus (2012), a 
representação social dos gêneros masculino e feminino é carregada 
de convenções e comportamentos reconhecidos pelo grupo social, 
com base no sexo biológico e na genitália do indivíduo. Porém, não 
necessariamente a construção e a percepção do próprio indivíduo 
sobre sua identidade estão alinhadas a essas características físicas e 
biológicas. 
Para Simões e Facchini (2009), as identidades de gênero são cons-
truídas por meio das experiências, vivências e emoções de cada in-
divíduo. Apesar de estarem relacionadas, a identidade de gênero e a 
orientação sexual nem sempre estão alinhadas. 
As orientações sexuais, segundo Souza Filho (2018), são plurais e 
estão relacionadas a expressões dos desejos emocionais e sexuais do 
indivíduo. Para o autor, as orientações sexuais não são necessaria-
mente fixas: o indivíduo, independentemente de se identificar como 
cisgênero ou transgênero, pode ter diferentes orientações sexuais, e 
estas podem se modificar durante a vida. 
Simões e Facchini (2009) destacam que, da mesma forma que os 
gêneros e a sexualidade socialmente aceitos são definidos histórica e 
culturalmente em cada grupo social, as identidades de gênero e orien-
tações sexuais também são construídas socialmente. Assim, o que se 
espera com base na cultura heteronormativa e cisnormativa é que os 
indivíduos desejem sexualmente e se relacionem apenas com indi-
víduos do sexo e do gênero oposto. Porém, segundo os autores, no 
plano do indivíduo, nem sempre esses elementos caminham juntos. 
As normas sociais e os comportamentos socialmente aceitos e va-
lorizados buscam disciplinar e controlar as expressões de identidade 
de gênero e orientação sexual por meio de constrangimentos, discri-
minações e preconceitos. A busca pelo espaço de expressão e pela 
aceitação social de indivíduos de diferentes identidades de gênero e 
orientações sexuais se torna, assim, instrumento político e social im-
portante para que os direitos humanos sejam respeitados. 
Segundo Jesus (2012), o 
conceito de cisgênero foi 
desenvolvido na década 
de 1990 para designar 
indivíduos que se identifi-
cam com o sexo biológico 
e gênero que lhes foram 
atribuídos no nascimento. 
1
O documentário Disclosure: 
ser trans em Hollywood foi 
produzido por pessoas 
trans e apresenta um 
olhar profundo sobre a 
importância da represen-
tatividade transgênera em 
filmes e na televisão. Tam-
bém é discutido como a 
versão hollywoodiana tem 
impactado a vida dessas 
pessoas. 
Direção: Sam Feder. USA: Netflix, 
2020.
Filme
Gênero e sexualidade 69
Para Louro (2013), a afirmação e o posicionamento público da 
identidade sexual dos indivíduos não heterossexuais e cisnormativos 
são fundamentais para que se construa uma sociedade mais justa e 
inclusiva, tanto no que diz respeito à diversidade de gênero quanto 
aos direitos das mulheres. 
O trabalho de Judith Butler é fundamental para a discussão sobre 
os conceitos de sexualidade, gênero, identidade de gênero e orien-
tação sexual e sua relação com a sociedade, a cultura, a política e 
os direitos humanos. Para a filósofa, os movimentosque lutam pe-
los direitos humanos relacionados ao gênero e à sexualidade, ao não 
aceitarem se ajustar à heteronormatividade e aos papéis sociais de-
terminados para os gêneros, rompem as estruturas de poder e de do-
minação social fazendo com que mulheres e pessoas com diferentes 
identidades de gênero e orientações sexuais tenham voz e espaço na 
sociedade (BUTLER, 2013). 
Para Louro (2013), ao criarem regras e comportamentos que de-
vem ser seguidos, a heteronormatividade e a cisnormatividade geram 
as condições para que surjam indivíduos e movimentos que descons-
truam e enfrentem essas regras. A conexão entre política, poder, 
gênero e sexualidade, apontada por Butler (2013), originou os movi-
mentos feministas e LGBTQIA+ (conforme box a seguir), que buscam 
estabelecer mudanças na estrutura social – na qual a heteronormati-
vidade é considerada não apenas como padrão, mas também como 
fonte de privilégios para os que nela se enquadram.
A sigla LGBTQIA+ é formada pelas letras iniciais das palavras lésbicas, gays, bissexuais, 
transsexuais, queer, intersexuais e assexuais, além do símbolo “+”, que busca incluir todas 
as demais orientações sexuais e identidades de gênero. Ela é usada pelos movimentos de 
defesa e luta pelos direitos e pela inclusão social de indivíduos que não se enquadram 
nos conceitos de heterossexualidade e cisgeneralidade. O movimento LGBTQIA+ será 
estudado na quarta parte deste capítulo.
Jackson (2006) aponta que as regras e normas relacionadas às 
questões de gênero definem um estilo de vida e comportamento ti-
dos como normais, que incluem a submissão feminina e a exclusão 
social de indivíduos não heterossexuais, que sofrem discriminação, 
exploração, preconceito e desigualdade social e de direitos. Já Rich 
(2010) explica que a centralidade do papel do homem heterossexual 
na sociedade diminui os espaços e a representatividade social, cultu-
ral e política de mulheres e de indivíduos LGBTQIA+. 
O documentário Questão 
de Gênero mostra o 
cotidiano de pessoas que 
não se identificam com 
seu gênero de nascimen-
to. Durante um ano, a 
produção acompanhou a 
vida, as lutas, os conflitos, 
os preconceitos e as dis-
criminações pelas quais 
passam sete pessoas que 
buscam apenas viver de 
acordo com sua própria 
identidade. 
Direção: Rodrigo Najar. Produção: 
Coletivo Catarse. Disponível em: 
https://www.youtube.com/
watch?v=_0fv4VZ5aiM. Acesso 
em: 28 jun. 2021.
Documentário
O documentário Os tabus 
sociais na percepção de 
gêneros e papéis sexuais 
mostra como os conceitos 
de gênero, sexualidade, 
identidade sexual e orien-
tação sexual são pouco 
compreendidos pela 
maioria das pessoas, além 
de discutir, com base em 
conceitos psicológicos, 
filosóficos e legais, as vi-
sões e normas presentes 
na sociedade.
Direção: Julia Balthazar. Bra-
sília: CEUB, 2017. Disponível 
em: https://www.youtube.
com/watch?v=8wDzXSlrs-
5Q&t=317s. Acesso em: 25 
jun. 2021.
Documentário
https://www.youtube.com/watch?v=_0fv4VZ5aiM
https://www.youtube.com/watch?v=_0fv4VZ5aiM
70 Direitos humanos e relações sociais
3.3 Movimentos feministas 
Vídeo
Para que se possa entender e discutir o surgimento e o desenvolvi-
mento dos movimentos feministas, é necessário entender o conceito 
de patriarcado, pois é com base na estrutura da sociedade em que o 
homem está no centro do poder político, econômico e social que a luta 
pelos direitos da mulher se faz necessária. Segundo Costa (2017, p. 3):
o termo “patriarca” é primeiramente encontrado no Antigo Tes-
tamento, como governo paternal de uma família, tribo ou igreja; 
“patriarcado” é uma categoria sociológica ou antropológica (mas 
poderíamos também dizer filosófica e política) a partir da qual se 
concebe um modo específico de organização social, a saber, uma or-
ganização em que o homem mais velho tem a autoridade máxima.
A origem histórica do termo, destacada por Costa (2017), mostra 
que o patriarcado se estabeleceu desde os primeiros momentos do de-
senvolvimento das sociedades humanas. 
O poder e ascensão do homem sobre a mulher, os filhos e os fami-
liares, como explica a autora, passou a ser replicado para a sociedade 
em geral. As mulheres, nessa organização familiar, deviam adotar uma 
postura de submissão e obediência, assim como também deviam ser 
submissas na estrutura da sociedade como um todo. 
Como afirma Saffioti (2015, p. 33), o poder social, econômico e po-
lítico é “macho, branco e, de preferência, heterossexual”. Apesar de a 
autora incluir em sua definição questões relativas à orientação sexual 
e à raça, o uso do termo patriarcado para definir a centralização do 
poder social na figura do homem surgiu dos movimentos de defesa 
e luta pelos direitos das mulheres, que compreendem o patriarcado 
como a forma de organização social baseada na dominação masculina 
de modo sistemático, impedindo que as mulheres ocupem posições 
sociais, profissionais e políticas (COSTA, 2017).
A organização da sociedade com base no patriarcado coloca as mu-
lheres em uma posição em que seus direitos são negados ou diminuídos 
e abre espaço para que sofram preconceito, discriminação e violência. A 
dominação do homem sobre a mulher se dá não apenas no plano polí-
tico e social, mas também econômico. Durante séculos, as mulheres fo-
ram excluídas do mercado de trabalho, sendo totalmente dependentes 
financeiramente da figura do patriarca da família, seja o pai ou o marido. 
A frase “que comece o 
matriarcado” se tornou 
mundialmente conhecida 
depois de uma fala da 
personagem Nairobi, da 
série La Casa de Papel, 
produzida pela Netflix. 
Essas palavras represen-
tam o anúncio do início da 
liderança da personagem 
na trama e também foram 
vistas como uma espécie 
de representação do 
poder feminino. 
Saiba mais
Gênero e sexualidade 71
Essa posição histórica de submissão social e política e de dependên-
cia econômica, para Saffioti (2015), serve aos interesses das classes e 
do gênero dominantes. Assim, o poder e o controle sobre as mulheres 
– base do patriarcado – são expressos no cotidiano das relações sociais 
por meio do machismo e do sexismo, ou seja, pelo preconceito e pela 
discriminação em relação à mulher, bem como pela perpetuação dos 
privilégios masculinos. 
O feminismo surge exatamente como uma resposta à centralidade 
da figura masculina na sociedade. Tiburi (2018, p. 5) define o feminis-
mo como “o desejo por democracia radical voltada à luta por direitos 
daqueles que padecem sob injustiças que foram armadas sistematica-
mente pelo patriarcado”. 
Já Alves e Pitanguy (2017) apresentam uma definição mais filosófica 
do que é o feminismo. Para as autoras, o feminismo está relacionado 
à construção de uma sociedade que não seja hierarquizada por gêne-
ro ou sexo, na qual as estruturas e relações de poder, os espaços de 
participação social, econômica e política sejam igualmente distribuídos 
entre todos.
Silva, Mata e Silva (2017) explicam que a luta pelos direitos da mulher 
sempre esteve presente no desenvolvimento histórico da sociedade, 
mas alguns marcos históricos são fundamentais para que se entenda 
o movimento feminista. Para as autoras, as origens do feminismo re-
montam ao Iluminismo e a momentos históricos, como a Revolução 
Francesa e a Independência americana. 
Porém, para Pinto (2010), o movimento feminista como uma força 
organizada surgiu no fim do século XIX, com as lutas das mulheres in-
glesas pelo direito ao voto. As sufragistas – mulheres que organizavam 
manifestações pedindo o direito de participar das decisões políticas da 
sociedade – representaram o primeiro movimento organizado pelos 
direitos da mulher. Apesar de ser uma luta por um direito específico, 
o movimento sufragista expôs a situação de negação dos direitos das 
mulheres, dando origem aos movimentos feministas. 
No Brasil, o direito ao voto foi conquistado pelas mulheres na dé-
cada de 1930, o que colocou o país à frente dos direitos femininos, 
pois a grande maioria das nações ainda não garantia o direito ao 
voto femininonaquele momento (PINTO, 2010). 
O matriarcado, que pode 
ser entendido como a 
estrutura social na qual as 
mulheres se encontram 
em posição de poder, é 
tema do filme Eu não sou 
um homem fácil, produzi-
do pela Netflix. Nele, um 
homem criado em uma 
sociedade patriarcal se 
muda para uma local em 
que o poder é exercido 
pelas mulheres. Diversas 
situações aparentemente 
cômicas mostram de 
modo contundente como 
a sociedade é machista e 
sexista. 
Direção: Éléonore Pourriat. França: 
Autopilot Entertainment, 2018.
Filme
72 Direitos humanos e relações sociais
Segundo Miguel e Biroli (2014), a partir da década de 1950, após a 
Segunda Guerra Mundial, as mulheres passam a ter, nos países ociden-
tais, uma participação maior na sociedade, conquistando espaços na 
política e na economia. 
A luta dos movimentos feministas, antes direcionada à questão do 
voto, passou a incluir novas demandas por direitos relacionados à in-
serção no mercado de trabalho, à garantia de direitos relacionados à 
saúde e à maternidade, assim como a uma nova posição da mulher 
na sociedade. 
Ainda segundo Miguel e Biroli (2014), a partir da década de 1980, 
o feminismo passou, globalmente, por uma profunda transformação, 
que envolvia tanto o desenvolvimento de uma base teórica e conceitual 
quanto a organização de entidades internacionais com o objetivo de 
lutar pela universalização dos direitos da mulher. 
No Brasil, a luta do movimento feminista, segundo Saffioti (2015), 
estava centrada na regulamentação legal dos direitos da mulher, nas 
mais variadas esferas da vida, como a economia, a educação, a saú-
de, o mercado de trabalho, a política e a sociedade. A autora destaca, 
também, a luta pela criação de leis de proteção à mulher em relação à 
violência, principalmente aquela cometida dentro das próprias famílias 
por parentes e cônjuges.
Nesse sentido, segundo Pitanguy (2017), a Constituição brasileira, 
promulgada em 1988, representa uma mudança de paradigma em re-
lação aos direitos femininos. A autora destaca, no texto da Constitui-
ção, dois artigos fundamentais, sendo um deles o artigo 5º, inciso I, 
que estabelece a igualdade entre homens e mulheres como um direito 
fundamental:
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros resi-
dentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à 
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos 
termos desta Constituição. (BRASIL, 1988)
Já o artigo 226, parágrafo 5º, estabelece que a igualdade entre ho-
mens e mulheres também deve ocorrer no âmbito familiar: “Art. 226º. 
A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 5º - Os 
Inspirado na luta das 
mulheres inglesas pelo 
direito ao voto, o filme As 
sufragistas, baseado em 
fatos e personagens reais, 
mostra as ações e as 
manifestações que deram 
origem aos movimentos 
feministas na transição 
entre os séculos XIX e 
XX. As manifestações, a 
princípio pacíficas, não 
foram suficientes para 
que as mulheres obtives-
sem os direitos políticos 
pelos quais lutavam. 
O movimento passa a 
adotar ações mais radicais 
com o objetivo de atrair 
a atenção da sociedade 
para a causa.
Direção: Sarah Gavron. Reino Unido: 
Pathé; Film 4, 2015.
Filme
Gênero e sexualidade 73
direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igual-
mente pelo homem e pela mulher” (BRASIL, 1988).
Para Pitanguy (2017), as conquistas relacionadas aos direitos da mu-
lher na Constituição brasileira de 1988 foram resultado direto da luta 
de grupos relacionados ao movimento feminista, dentre eles o Conse-
lho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM). 
Os avanços na legislação brasileira, segundo Amâncio (2013), con-
tribuíram para que as mulheres ocupassem cada vez mais espaços na 
política, na sociedade e na economia, bem como fortaleceram a atua-
ção dos movimentos feministas. 
Saffioti (2015) também destaca a importância dos movimentos fe-
ministas na conscientização das mulheres em relação aos seus direitos. 
Para a autora, mais do que apenas garantir os direitos femininos, os 
movimentos feministas construíram uma nova postura da mulher na 
sociedade brasileira: aquela que busca ocupar seus espaços em todas 
as dimensões da sociedade, assumindo papéis sociais que antes eram 
desempenhados apenas por homens. 
Apesar de todas as conquistas legais obtidas pelas mulheres nas úl-
timas décadas, a colocação desses direitos na prática ainda está longe 
de ser uma realidade na sociedade brasileira. Um exemplo significativo 
dessa realidade pode ser observado no mercado de trabalho. Os dados 
sobre atuação profissional, níveis salariais e cargos ocupados no merca-
do de trabalho mostram que as mulheres ainda sofrem com o precon-
ceito, a discriminação e a negação de direitos – até quando ocupam as 
mesmas posições profissionais as mulheres acabam sendo subordina-
das a cargos ocupados por homens, além de serem mal remuneradas. 
Algumas profissões são percebidas como exclusivamente masculi-
nas, enquanto outras são vistas como essencialmente femininas. Em 
geral, as profissões tidas como femininas são remuneradas em níveis 
menores do que aqueles registrados entre as profissões masculinas.
Um exemplo dessa divisão entre profissões masculinas e femininas 
é dado por Iamamoto (2017) ao discutir a profissão de assistente social. 
Para a autora, a profissão é vista como feminina desde seus primór-
dios, ligada às ações de caridade desenvolvidas pelas esposas e filhas 
de homens em posição de poder político e econômico. 
74 Direitos humanos e relações sociais
A prática daquilo que a autora chama de primeiro-damismo, ou seja, 
a atuação da primeira-dama (esposa do político que detém o Poder 
Executivo) em ações sociais, mostra como a profissão é ligada à figura 
da mulher. 
Um estudo desenvolvido por Madalozzo e Artes (2017) sobre a se-
gregação profissional de acordo com o gênero mostra que, na socie-
dade brasileira, existem profissões que são consideradas masculinas e 
outras, femininas. A escolha profissional tem um impacto direto sobre 
o nível salarial do trabalhador. 
O quadro a seguir mostra a classificação proposta pelos autores, de 
acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar, 
realiza no ano de 2013.
Quadro 1
Classificação dos segmentos de indústria com relação às categorias ocupacionais feminina, 
integrada ou masculina 
Fonte: Adaptado de Madalozzo; Artes, 2017, p. 2.
SEGMENTOS CLASSIFICAÇÃO
construção masculina
comércio integrada
alojamento integrada
transporte masculina
administração masculina
educação feminina
doméstica feminina
social feminina
outras indústrias masculina
outras atividades integrada
Para definir a classificação de cada profissão, os autores levaram 
em consideração a porcentagem de profissionais de cada sexo. Assim, 
profissões em que mais de 60% dos profissionais são de um determi-
nado sexo foram classificadas como masculinas ou femininas. Já as 
profissões em que há um equilíbrio entre a porcentagem de profissio-
nais foram consideradas integradas. 
Madalozzo e Artes (2017) relacionaram essas classificações e con-
cluíram que as profissões predominantemente masculinas são melhor 
remuneradas do que as profissões associadas às mulheres. No entan-
to, os autores encontraram diferenças significativas no nível salarial 
Gênero e sexualidade 75
mesmo entre aqueles que atuam na mesma profissão. Essa diferença 
chega a 37% nas profissões integradas, e nas predominantemente mas-
culinas os homens recebem cerca de 16% a mais do que as mulheres.
A violência contra a mulher é outra realidade que mostra como os 
direitos femininos ainda não são plenamente respeitados no Brasil. So-
mente no ano de 2006 foi promulgada uma lei específica para coibir a 
violência contra a mulher. 
A Lei n. 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha (BRASIL, 
2006), cria juizados especiaispara lidar com a violência contra a mulher 
e estabelece diversas alterações no ordenamento jurídico brasileiro. O 
fato de uma lei dessa relevância para a garantia dos direitos da mulher 
ter sido promulgada somente no século XXI mostra como, na prática, 
os direitos femininos ainda não estão garantidos no Brasil. 
Cisne e Oliveira (2018) chamam a atenção para o fato de que a vio-
lência contra a mulher é frequentemente associada apenas ao âmbito 
familiar. Apesar de ser no próprio lar que a mulher mais sofre com 
a violência e com a negação dos seus direitos, muitas vezes devido à 
dependência financeira e emocional quanto à figura patriarcal desem-
penhada pelo pai ou pelo cônjuge, as autoras destacam que a mulher 
também sofre com a violência e a violação dos seus direitos na socieda-
de e nos espaços de trabalho. 
Saffioti (2015) destaca que a luta pelos direitos da mulher ainda é 
um esforço cotidiano e contínuo, que passa pela análise dos novos pa-
péis ocupados pela mulher na sociedade, considerando até que ponto 
os preconceitos e a discriminação são reproduzidos e mantidos de ma-
neira sistêmica nos vários espaços sociais. 
Para Madalena (2016), embora existam divergências dentro dos mo-
vimentos feministas quanto à forma de exercer a luta pelos direitos da 
mulher, tanto do ponto de vista conceitual quanto na prática política e 
nos tipos de manifestações e ações realizadas, as reivindicações e os 
princípios básicos funcionam como pontos de convergência entre as 
diversas vertentes do feminismo. 
Os movimentos feministas, no mundo contemporâneo, buscam assu-
mir uma nova postura, na qual a luta por direitos específicos e pela cria-
ção de legislações é substituída pela busca da construção de uma nova 
estrutura social, uma em que as relações não sejam estabelecidas com 
base em sexo ou gênero (MADALENA, 2016). Para a autora, essa nova 
76 Direitos humanos e relações sociais
forma de lutar pelos direitos da mulher traz resultados mais amplos, 
pois os direitos de outras minorias, como as étnico-raciais e LGBTQIA+, 
também fazem parte de uma sociedade mais justa e harmônica. 
3.4 Movimentos LGBTQIA+ 
Vídeo
Para que se possa discutir e conhecer o movimento LGBTQIA+, é 
preciso, antes, entender a sigla e compreender por que ela está em 
constante evolução. As letras que formam a sigla representam diversos 
tipos de identidades de gênero e orientações sexuais. As três primeiras 
letras estão relacionadas às orientações sexuais: o “L” representa as 
lésbicas e o “G”, os gays, indivíduos que sentem atração afetiva, amoro-
sa ou sexual por pessoas do mesmo sexo e gênero. Já o “B” representa 
os bissexuais, indivíduos que se sentem atraídas por pessoas de ambos 
os sexos. 
As demais letras se relacionam às identidades de gênero e à diversi-
dade sexual. O “T” refere-se às pessoas trans, ou transgêneros, ou seja, 
pessoas que não se identificam com o gênero de nascimento. O conceito 
de transgênero é, portanto, contrário ao termo cisgênero, mas abarca 
diversos conceitos diferentes – como os transexuais, que, por se identifi-
carem com um gênero diferente do de nascimento, realizam mudanças 
corporais, utilizam símbolos, vestimentas e assumem comportamentos, 
estipulados pela sociedade, do gênero com o qual se identificam. 
Já as travestis, no caso das pessoas que se identificam com o gênero 
feminino, apesar de utilizarem vestimentas e adotarem comportamen-
tos característicos do gênero oposto, não necessariamente se sentem 
desconectadas do seu gênero de nascimento. O termo transvestigênere 1 
foi criado para reunir os conceitos relacionados à transgeneralidade. 
A letra “Q”, por sua vez, representa a palavra queer. O termo surgiu, 
originalmente, como algo pejorativo ou ofensivo, uma injúria direciona-
da aos indivíduos que não seguem os padrões da heteronormativida-
de. Sem tradução literal do inglês para o português, o termo queer pode 
ser entendido, segundo Bandeira (2020, p. 56), como: 
um insulto que tem paralelo com termos pejorativos ouvidos 
cotidianamente por aquelas e aqueles que transgridem as nor-
mas no Brasil, e são taxadas como pessoas esquisitas, estranhas, 
anormais, bichas, boiolas, baitolas, quaquá, pocs, sapatões, ca-
minhoneiras, pocheteiras, traveco etc.
O termo transvestigênere, 
criado por Érika Hilton 
e pela ativista Indianara 
Siqueira, une as identifi-
cações trans, travesti e 
transgênero.
1
Gênero e sexualidade 77
Apesar da origem ofensiva, o termo foi incorporado pelos movimen-
tos LGBTQIA+ como forma de confronto. Ao assumir a própria trans-
gressão, segundo Bandeira (2020), o movimento queer se posicionou 
contra o que é considerado normal pela heteronorma e pela cisnorma. 
A teoria queer ganhou força no Brasil a partir da década de 2000, com 
a publicação de estudos, artigos e livros de Foucalt (2017) e, principal-
mente, Butler (2003). 
A letra “I” representa a palavra intersexual, que se refere aos indi-
víduos que, por motivos genéticos ou biológicos, nascem com uma 
anatomia reprodutiva e sexual que não pode ser definida como tipica-
mente masculina ou feminina. Segundo Santos (2013, p. 4): 
existem pessoas cujas características sexuais primárias ou secun-
dárias não preenchem os requisitos médicos ou/e sociais passí-
veis de integração num desses dois grupos. Por vezes, quando 
do nascimento, o sexo genital pode suscitar dúvidas [...]. Mas não 
só no nascimento se encontram ambiguidades. O que no início 
parecia ser “normal” pode revelar posteriormente discrepâncias 
nos órgãos genitais e/ou nas características sexuais secundárias.
Em muitos casos, a definição do sexo da criança nascida com ca-
racterísticas intersexuais é realizada pela própria equipe médica que 
realiza o parto, utilizando-se parâmetros físicos como o tamanho ou 
a forma do órgão sexual com o objetivo de encaixar o recém-nascido 
em um dos gêneros sexuais. Santos (2013) acredita que essa prática 
pode ser entendida como uma forma de normalização baseada em 
uma visão heteronormativa e sexista. Em muitos casos, o sexo desig-
nado pela equipe médica não coincide com a identidade de gênero da 
criança, mas essa divergência só será percebida muitos anos depois, o 
que pode gerar sérios problemas de aceitação da identidade de gênero 
pelo indivíduo, pela família e pela sociedade. 
Os assexuais são representados, na sigla LGBTQIA+, pela letra “A”. A 
assexualidade é um termo pouco discutido e frequentemente confun-
dido com uma escolha pessoal, como no caso do celibato seguido por 
religiosos, ou com uma disfunção sexual, seja de origem psicológica 
ou fisiológica. Porém, ela é mais complexa. Segundo Santos e Carvalho 
(2019, p. 2.711): 
o indivíduo assexual é aquele que não vivencia a atração sexual, 
algo que lhe é intrínseco e, portanto, difere do celibato que con-
siste em uma escolha, o que faz da assexualidade uma orienta-
ção sexual. Porém, esse conceito vai de encontro ao pressuposto 
78 Direitos humanos e relações sociais
de que todo ser humano sente desejo sexual, sendo que a falta 
dele implicaria prejuízos na saúde mental da pessoa e no surgi-
mento de disfunções sexuais.
A vivência de cada indivíduo assexual pode ser diferente, mas um 
ponto em comum é que o impulso sexual não está reprimido ou contro-
lado pela vontade ou por uma decisão consciente. De acordo com San-
tos e Carvalho (2019), a falta de interesse sexual não está ligada ao medo 
ou à aversão à experiência do ato sexual. A falta de interesse pelo sexo 
não impede que o indivíduo desenvolva relações afetivas ou amorosas.
Por fim, a sigla termina no símbolo “+”, que representa a diversidade 
das identidades de gênero e orientações sexuais, incluindo pansexuais, 
polissexuais, pessoas não binárias e gender fluid (gênero fluido). A sigla 
está em constante atualização e modificação. Originalmente, eram usa-
das apenas as letras GLS, significando gays, lésbicas e simpatizantes; à 
medida que se organizou, o movimento foi incorporando à sigla outras 
identidades e orientações, com ainclusão dos bissexuais e transgêne-
ros (momento em que a sigla utilizada passou a ser LGBT) e, posterior-
mente, as demais letras. 
Apesar de a sigla LGBTQIA+ ser a mais utilizada e aceita nos meios 
acadêmicos, políticos e no próprio movimento, existem versões que 
incluem outras identidades, como LGBTQIAP+, com a letra “P” repre-
sentando os pansexuais, e LGBTQQICAPF2K+, significando lésbicas, 
gays, bissexuais, transexuais e travestis, queer, questionando, interse-
xo, curioso, assexuais, pan e polissexuais, aliados, two-spirit 2 e kink 3 . 
 A constante evolução da sigla mostra a intenção de abarcar toda a di-
versidade de identidades e orientações sexuais. Independentemente 
da maneira de se referir ao movimento, as lutas das pessoas que não 
se enquadram nos padrões da heteronormatividade e da cisnormativi-
dade são semelhantes. 
O movimento de luta pelos direitos desse grupo minoritário teve 
como primeiro grande evento um conflito entre a polícia da cidade de 
Nova York e os frequentadores de um bar, em 28 de junho de 1969. 
Nessa época, as pessoas LGBTQIA+ sofriam coerção e eram proibidas 
de ter relacionamentos homoafetivos, usar certas peças de roupas con-
sideradas do gênero oposto e frequentar ou beber em alguns lugares. 
O bar Stonewall Inn era voltado para o público LGBTQIA+, sendo 
um local em que as pessoas podiam se sentir seguras e se expressar 
two-spirit: é uma identi-
dade indígena americana 
antiga, que não possui 
o padrão de gênero da 
sociedade como homem 
e mulher.
2
kink: significa fetiche, 
ou seja, pessoas com 
fetiches.
3
Gênero e sexualidade 79
como desejassem, por isso foi muito importante para essas pessoas. 
A violenta abordagem policial ao local gerou uma grande reação dos 
frequentadores e esse episódio ficou conhecido como Rebelião de Sto-
newall. Desde então a data é conhecida como o Dia Internacional do 
Orgulho LGBTQIA+.
Silva (2020) afirma que as conquistas sociais e legais, relacionadas 
à plena garantia dos direitos humanos dos indivíduos LGBTQIA+, fo-
ram fragmentadas, mas significativas. Dentre essas conquistas, o autor 
cita a organização dos movimentos sociais, não só do ponto de vista 
da participação dos indivíduos como na forma de institucionalização e 
organização legal de associações, organizações não governamentais, 
órgãos públicos e entidades locais e globais que lutam pelos direitos 
desse grupo. 
A Parada do Orgulho LGBTQIA+, que surgiu da Rebelião de Stone-
wall, tornou-se um evento anual organizado ao redor do mundo, além 
ter trazido maior conhecimento e exposição das demandas da comu-
nidade para a sociedade, o que contribuiu para que alguns símbolos e 
comportamentos dos indivíduos LGBTQIA+ se tornassem parte da cul-
tura da sociedade, diminuindo o preconceito e a discriminação. 
Algumas conquistas bastante relevantes estão relacionadas à for-
ma como a homossexualidade é vista pela ciência e pelos órgãos 
oficiais ligados à saúde. Dentre essas mudanças, Silva (2020) destaca 
que a homossexualidade deixou de ser considerada como doença 
no ano de 1995, e a transidentidade foi incluída como condição re-
lacionada à saúde sexual, em 2018, pela Organização Mundial de 
Saúde (OMS).
As conquistas legais também são bastante relevantes, segundo Silva 
(2020). Entre elas, incluem-se o reconhecimento dos direitos humanos 
dos indivíduos LGBTQIA+; a união civil de casais de mesmo sexo; no 
Brasil, o direito à alteração do nome e do sexo em documentos oficiais 
e a inclusão dos crimes contra esses indivíduos como crime de racismo. 
Isso mostra que tanto globalmente como no contexto do ordenamento 
jurídico brasileiro as lutas dos movimentos pela garantia dos direitos 
humanos têm obtido avanços relevantes. 
Porém, mesmo após meio século da Rebelião de Stonewall, os di-
reitos humanos mais básicos ainda são negados a uma grande parcela 
dos indivíduos LGBTQIA+. Para Santos (2019, p. 1): 
O documentário Stonewall 
Uprising retrata o ocorrido 
em 28 de julho de 1969 
quando a polícia invadiu o 
Stonewall Inn, um bar gay 
no bairro de Greenwi-
ch Village, Nova York. 
Os protestos violentos 
duraram seis dias e foram 
o grande marco para uma 
importante virada no mo-
vimento moderno pelos 
direitos civis dos gays nos 
Estados Unidos e em todo 
o mundo.
Direção: David Heilbroner, Kate 
Davis. USA: First Run Features, 2010.
Documentário
A luta pelos direitos da 
comunidade LGBTQIA+ é 
o tema do documentário 
Os Tempos de Harvey Milk, 
baseado na história real 
de Harvey Milk. Ao se 
deparar, no ano de 1972, 
com o preconceito à ho-
mossexualidade na cidade 
de São Francisco, nos 
Estados Unidos, ele se 
torna um líder político da 
comunidade LGBTQIA+, 
e se transforma em uma 
das mais importantes vo-
zes da luta pelos direitos 
humanos. 
Direção: Rob Eptein. Portugal: Midas 
Filmes, 1984.
Documentário
80 Direitos humanos e relações sociais
a garantia de direitos da população LGBTQIA+ ao longo dos últi-
mos anos tem se tornado uma construção política adquirida em 
conquistas fragmentadas e por meio de lutas dia após dia, onde 
se esbarra diretamente na crescente linha de movimentos e ata-
ques homofóbicos que se apresentam na sociedade brasileira.
Diversos países do mundo ainda criminalizam a homossexualidade 
e, em alguns deles, a punição é a pena de morte. A ascensão da extre-
ma direita ao poder em diversos países ocidentais na segunda metade 
da década de 2010 trouxe diversos retrocessos na luta pelos direitos da 
comunidade LGBTQIA+. 
Segundo Silva (2020), mesmo que o aumento do conservadorismo 
não tenha, do ponto de vista legal, extinguido nenhum avanço jurídico, 
no que diz respeito à prática e ao cotidiano da sociedade, preconceitos 
e discriminações com relação aos indivíduos LGBTQIA+ voltaram a ser 
observados. Santos (2019) aponta que políticas públicas afirmativas e 
de inclusão social e econômica foram abandonadas ou paralisadas, o 
que representa um perigoso retrocesso nas conquistas dos direitos hu-
manos dessa comunidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
As conquistas obtidas no passado pelos grupos minoritários relacio-
nados a questões de gênero e sexualidade, como as mulheres e a co-
munidade LGBTQIA+, e baseadas em uma dura e contínua luta cotidiana 
tanto dos indivíduos quanto dos movimentos organizados, apesar de re-
presentarem grandes avanços, mostram como cada passo em direção à 
garantia dos direitos humanos é fundamental para a construção de uma 
sociedade mais inclusiva e justa. 
No mundo contemporâneo, grupos políticos ligados a uma visão con-
servadora da sociedade defendem a manutenção da estrutura patriarcal, 
heteronormativa e cisnormativa, o que representa um grande risco para 
as recentes conquistas obtidas pelos movimentos feministas e LGBTQIA+.
Além de garantir os direitos humanos por meio de legislações ade-
quadas, é necessária uma mudança cultural na estrutura da sociedade 
para que todos sejam vistos como iguais, independentemente de gênero, 
identidade e orientação sexual. A educação, tanto dos adultos quanto – e 
principalmente – das crianças, desempenha um papel fundamental nessa 
mudança devido ao seu potencial de transformação cultural e social. 
O jornal El País veiculou, 
em março de 2019, a 
matéria Morrer por ser gay: 
o mapa-múndi da homo-
fobia, apresentando as 
estatísticas de 70 países 
que condenam pessoas 
que não são heterosse-
xuais e 123 nações em 
que relacionamentos 
homoafetivos são aceitos 
e não são punidos por lei. 
Essa matéria escancara a 
necessidade de mudanças 
na cultura desses países 
e reforça a importância 
da luta pelos direitos das 
pessoas LGBTQIA+. Leia a 
matéria completa no link 
a seguir.
Disponível em: https://brasil.elpais.
com/brasil/2019/03/19/interna-
cional/1553026147_774690.html. 
Acesso em: 28 jun. 2021.
Leitura
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/19/internacional/1553026147_774690.html
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/19/internacional/1553026147_774690.html
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/19/internacional/1553026147_774690.htmlGênero e sexualidade 81
ATIVIDADES
1. Explique a diferença entre os conceitos de gênero e sexualidade.
2. Explique o conceito de heteronormatividade.
3. Explique o que é identidade de gênero.
REFERÊNCIAS
ALVES, B. M.; PITANGUY, J. O que é feminismo. Brasília: Brasiliense, 2017.
AMÂNCIO, K. C. B. “Lobby do Batom”: uma mobilização por direitos das mulheres. Revista 
Trilhas da História, Três Lagoas, v. 3, n. 5, p. 72-85, jul./dez. 2013. Disponível em: https://
periodicos.ufms.br/index.php/RevTH/article/view/444. Acesso em: 28 jun. 2021.
AMARAL, A. M. S. et al. Adolescência, gênero e sexualidade: uma revisão integrativa. Revista 
Enfermagem Contemporânea, Salvador, v. 6, n. 1, p. 62-67, 2016. Disponível em: http://www.
saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/1225. Acesso em: 28 jun. 2021.
BANDEIRA, A. M. Derrubando os muros para construir pontes: a arqueologia brasileira e a 
Teoria Queer. Poliética. Revista de Ética e Filosofia Política, v. 8, n. 2, p. 53-81, 2020. Disponível 
em: https://revistas.pucsp.br/PoliEtica/article/view/51064. Acesso em: 28 jun. 2021.
BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 
1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. 
Acesso em: 28 jun. 2021.
BRASIL. Lei n. 11.340, de 7 de agosto de 2006. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, 
DF, 8 ago. 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/
l11340.htm. Acesso em: 28 jun. 2021.
BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 2003.
CARVALHO, R. O corpo transvestigênere. Revista Docência e Cibercultura. v. 3, n. 1, p. 213-216, 
jan./abr.2019.
CISNE, M.; OLIVEIRA, G. M. J. C. Violência contra a mulher e a lei Maria da Penha: desafios na 
sociedade patriarcal-racista-capitalista do Estado brasileiro. Serviço Social em Revista, v. 20, n. 
1, p. 77-96, 2018. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/ssrevista/article/
view/32465. Acesso em: 28 jun. 2021.
CORRÊA, O. A. S. A Transexualidade como Terceiro Sexo e a Divindade às hijras: religião, 
violência e Estado. Revista Brasileira de Estudos da Homocultura, v. 3, n. 10, p. 276-294, 2020. 
Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/rebeh/article/view/10704. 
Acesso em: 28 jun. 2021.
COSTA, M. R. A. N. Patriarcado, violência, injustiça: sobre as (im)possibilidades da 
democracia.  Debate Feminista, v. 54, p. 1-16, set. 2017. Disponível em: https://www.
sciencedirect.com/science/article/pii/S0188947817300300. Acesso em: 28 jun. 2021.
DE LIMA, Marcelo Rodrigues; GOMES, M. C. A. Representações sociodiscursivas do corpo 
político travestigênere em práticas midiáticas digitais brasileiras. Polifonia, v. 27, n. 49, 2020.
FINCO, D.; SOUZA, A.; dos S. OLIVEIRA, N. R. C. Educação e resistência escolar: gênero e diversidade 
na formação docente. São Paulo: Alameda, 2017.
FOUCAULT, M. História da sexualidade: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2017. v. 1.
HEILBORN, M. L.; RODRIGUES, C. Gênero: breve história de um conceito. Aprender–Cadernos 
de Filosofia e Psicologia da Educação, Ano XII, n. 20, jul./dez. 2018. Disponível em: https://pdfs.
semanticscholar.org/b1a4/585eaacb40070a2e27faad0e5271d442bab5.pdf. Acesso em: 28 
jun. 2021.
IAMAMOTO, M. V. 80 anos do Serviço Social no Brasil: a certeza na frente, a história na mão. 
Serviço Social & Sociedade, n. 128, p. 13-38, jan./abr. 2017. https://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S0101-66282017000100013&script=sci_arttext. Acesso em: 28 jun. 2021.
JACKSON, S. Interchanges: Gender, sexuality and heterosexuality: The complexity (and limits) of 
heteronormativity. Feminist theory, v. 7, n. 1, p. 105-121, 2006. Disponível em: https://journals.
sagepub.com/doi/abs/10.1177/1464700106061462. Acesso em: 28 jun. 2021.
Vídeo
http://www.saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/1225
http://www.saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/1225
82 Direitos humanos e relações sociais
JESUS, J. G. Orientações sobre identidade de gênero: conceitos e termos. Guia técnico sobre 
pessoas transexuais, travestis e demais transgêneros, para formadores de opinião. Brasília: 
FBN, 2012.
LOURO, G. L. Gênero, sexualidade e educação. Petrópolis: vozes, 1997.
LOURO, G. L. (org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. 3. ed. Belo Horizonte: 
Autêntica, 2013.
MADALENA, S. R. T. O feminismo no século XXI: crise, perspectivas e desafios jurídico-sociais 
para as mulheres brasileiras. In: GOSTINSKI, A.; MATINS, F. (org.). Estudos feministas: por um 
direito menos machista. Florianópolis: Empório do Direito, 2016. p. 123-146.
MADALOZZO, R.; ARTES, R. Escolhas profissionais e impactos no diferencial salarial entre 
homens e mulheres. Cadernos de Pesquisa, v. 47, n. 163, p. 202-221, jan./mar. 2017. Disponível 
em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-15742017000100202&script=sci_arttext. 
Acesso em: 28 jun. 2021.
MIGUEL, L. F.; BIROLI, F. Feminismo e política. São Paulo: Boitempo, 2014.
MISKOLCI, R. A Teoria Queer e a Sociologia: o desafio de uma analítica da normalização. 
Sociologias, n. 21, p. 150-182, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-
45222009000100008&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 28 jun. 2021.
PINTO, C. R. J. Feminismo, história e poder. Revista de Sociologia Política, v. 18, n. 36, 
p. 15-23, jun. 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-
44782010000200003&script=sci_abstract&tlng=fr. Acesso em: 28 jun. 2021.
PITANGUY, J. Os direitos humanos das mulheres. Fundo Brasil de Direitos Humanos, 2017. 
Disponível em: https://fundobrasil.org.br/downloads/artigo_mulheres_jacpit.pdf. Acesso em: 
28 jun. 2021.
PRECIADO, P. B. Manifesto Contrassexual. Políticas subversivas de identidade sexual. São 
Paulo: n-1 edições, 2014. Cadernos de Campo, São Paulo, n. 24, p. 591-597, 2015. Disponível 
em: www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/download/103447/114143+&cd=1&hl=pt-
BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em: 28 jun. 2021.
RICH, A. Heterossexualidade compulsória e existência lésbica. Bagoas – Estudos gays: gêneros 
e sexualidades, v. 4, n. 5, 2010. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/bagoas/article/
view/2309. Acesso em: 28 jun. 2021.
SAFFIOTI, H. Gênero, patriarcado, violência. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular; Fundação 
Perseu Abramo, 2015.
SANTOS, A. L. Para lá do binarismo? O intersexo como desafio epistemológico e político. Revista 
Crítica de Ciências Sociais, n. 102, p. 3-20, 2013. Disponível em: https://journals.openedition.org/
rccs/5421. Acesso em: 28 jun. 2021.
SANTOS, M. E. S. A origem psíquica do ódio que resulta em violência física e morte contra a 
população LGBTQIA+ na sociedade brasileira. In: IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DESFAZENDO 
GENERO, 2019, Recife. Anais [...]. Campina Grande: Realize, 2019. Disponivel em: https://www.
editorarealize.com.br/editora/anais/desfazendo-genero/2018/TRABALHO_EV129_MD4_SA31_
ID1313_01112019215749.pdf. Acesso em: 28 jun. 2021. 
SANTOS, T. P.; CARVALHO, G. M. Assexualidade: orientação ou disfunção sexual?. Brazilian 
Journal of Health Review, v. 2, n. 4, p. 2709-2728, jul./ago. 2019. Disponível em: http://www.
brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/1976. Acesso em: 28 jun. 2021.
SILVA, S. G. Da invisibilidade à pavimentação dos direitos humanos LGBTQIA+: um diálogo 
entre as conquistas históricas e a consolidação de direitos: Revista Brasileira de Pesquisas 
Jurídicas (Brazilian Journal of Law Research), v. 1, n. 2, p. 27-44, 2020. Disponível em: https://ojs.
eduvaleavare.com.br/index.php/rbpj/article/view/8/8. Acesso em: 28 jun. 2021.
SILVA, T. C.; MATA, L.; SILVA, V. N. Movimento feminista e violência contra mulher: conjunturas 
históricas e sociais. In: IV CONGRESSO NACIONAL DA EDUCAÇÃO CONEDU, 2017, João Pessoa. 
Anais [...]. Campina Grande: Realize, 2017. Disponível em: https://www.editorarealize.com.
br/editora/anais/conedu/2017/TRABALHO_EV073_MD1_SA7_ID4178_16102017202413.pdf. 
Acesso em:24 abr. 2021.
SIMÕES, J. A.; FACCHINI, R. Na trilha do arco-íris: do homossexual ao movimento LGBT. São 
Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2009.
SOUZA FILHO, R. O controle social como instrumento político na gestão do orçamento público. 
Organizações e Sustentabilidade, Londrina, v. 6, p. 62-73, 2018. Disponível em: http://www.uel.
br/revistas/uel/index.php/ros/article/view/32411. Acesso em: 28 jun. 2021.
TIBURI, M. Feminismo em comum. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2018.
WEEKS. J. O corpo e a sexualidade. In: LOURO, G. O corpo educado: pedagogias da sexualidade. 
Belo Horizonte: Autêntica, 2018.
https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-45222009000100008&script=sci_arttext&tlng=pt
https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-45222009000100008&script=sci_arttext&tlng=pt
https://journals.openedition.org/rccs/5421
https://journals.openedition.org/rccs/5421
https://www.editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2017/TRABALHO_EV073_MD1_SA7_ID4178_16102017202413.pdf
https://www.editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2017/TRABALHO_EV073_MD1_SA7_ID4178_16102017202413.pdf
Alteridade, diversidade e multiculturalismo 83
4
Alteridade, diversidade 
e multiculturalismo
Cada indivíduo é diferente e carrega consigo a sua história e a dos 
seus ancestrais. Sua identidade é formada tanto pelas suas origens 
quanto pelas suas experiências de vida, oportunidades e vivências. 
Entender que cada um traz em si um universo particular possibilita 
entender que a alteridade e as diferenças constroem a sociedade.
Na primeira parte deste capítulo discutiremos os conceitos de su-
jeito e identidade e a importância de uma postura de alteridade nas 
relações que se estabelecem entre os indivíduos de uma comunidade 
e entre diferentes grupos sociais. Na segunda parte trataremos dos 
conceitos da diversidade e do reconhecimento. Por meio do reconheci-
mento das diferenças e da alteridade, é possível integrar e incluir todos 
os grupos e indivíduos, garantindo o que há de mais básico: os direitos 
humanos de todos os que fazem parte da sociedade
Em um mundo em que a informação é instantânea, em que po-
demos viajar para qualquer lugar em menos de um dia, em que as 
redes sociais e a internet possibilitam conhecer outras culturas, o mul-
ticulturalismo pode ser enxergado como uma grande oportunidade de 
aprender com as experiências milenares de sociedades que se desen-
volveram a partir de diferentes contextos e histórias.
Porém, o choque entre culturas diferentes tem sido a causa da gran-
de maioria dos conflitos que ocorrem no mundo atual. Abordaremos 
esse choque de culturas na terceira e na quarta parte do capítulo.
Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:
• compreender a relação entre direitos humanos, multicultura-
lismo e alteridade;
• refletir sobre a questão da diversidade e do reconhecimento 
das diferenças;
• entender os conceitos de multiculturalismo, diversidade e alteridade;
• refletir sobre a diversidade na sociedade contemporânea.
Objetivos de aprendizagem
84 Direitos humanos e relações sociais
4.1 Sujeito, identidade e alteridade 
Vídeo
A discussão sobre a necessidade de inclusão de grupos sociais está 
presente no cotidiano da sociedade, seja na mídia, nos projetos educa-
cionais, nos discursos políticos ou nas discussões que se estabelecem 
em meio à sociedade.
Porém, nem sempre o conceito de inclusão é completamente com-
preendido. Para Duschatzky et al. (2001), é comum que se pregue o res-
peito às diferenças, que podem incluir questões de gênero, de origem 
étnico-racial, de orientação sexual, de educação, de religião ou de cul-
tura, mas as transformações necessárias para que haja uma mudança 
profunda na sociedade com relação à inclusão dos grupos minoritários 
são complexas e de longo prazo. Por isso, é comum que ações pontuais 
ou eufemismos sejam utilizados para que se crie a ilusão de que a so-
ciedade se tornou mais inclusiva.
4.1.1 Sujeito e identidade
Identidade e diferença surgem a partir das interações entre os indi-
víduos que fazem parte de um grupo social. Oliveira e Rodrigues (2020, 
p. 191) usam um interessante exemplo para ilustrar os conceitos:
entre as sociedades de KwaZulu-Natal, província costeira da Áfri-
ca do Sul, a saudação mais significativa é Sawubona, que signifi-
ca “eu vejo você, tu és importante para mim e te valorizo”. Essa 
expressão nos propõe fazer alcançar nosso autêntico desejo de 
compreendê-lo, ver suas necessidades, desejos, medos, triste-
zas, belezas e virtudes.
Afinal, quem não gostaria de ser visto dessa maneira? Poucas 
coisas são tão enriquecedoras quanto tornar o outro visível, 
como lhes dar um espaço, presença, relevância em nossos cora-
ções e importância dentro do grupo, do lar, da comunidade ou 
da organização.
Quando um indivíduo se relaciona com outro, nasce a percepção de 
diferenças e o reconhecimento da própria identidade. A postura toma-
da ao se perceber as diferenças pode ser de aceitação, como nos casos 
das tribos sul-africanas, ou de não aceitação, o que pode levar à exclu-
são do indivíduo do grupo caso ele não tenha as características, não 
adote os comportamentos ou a obrigatoriedade de seguir as normas 
que são socialmente aceitas.
Alteridade, diversidade e multiculturalismo 85
Segundo Bagatini e Schuck (2019), identidade e diferença estão 
ligadas às relações de poder no grupo social. Ao definir normas e pa-
drões do que é aceito, que separam e classificam os sujeitos, o grupo 
estabelece fronteiras que são utilizadas para incluir ou excluir quem 
é diferente, para definir quem pertence ou não ao grupo.
Para os autores, além de diferenciar, as normas e os padrões 
socialmente estabelecidos possibilitam classificar e hierarquizar os 
indivíduos dentro do grupo social. Os indivíduos que detêm o poder 
definem as normas e os padrões a serem seguidos. Aqueles cuja 
identidade não se adequa a esse padrão são marginalizados ou so-
cialmente invisibilizados.
Se a identidade de cada indivíduo é única e diversa, a imposição 
social de uma identidade padronizada e normatizada se torna uma 
ferramenta de poder e coerção (CUCHE, 2002). Castells (2013) acre-
dita que a individualidade é a base da cultura do grupo social, pois é 
com as interações entre os diversos indivíduos nas redes de relacio-
namento que se formam e evoluem a cultura e a sociedade.
Segundo o autor, os indivíduos não se enxergam com base em 
sua posição social, seu gênero ou sua ocupação, mas se veem como 
sujeitos, como pessoas que podem tomar a decisão de aceitar ou 
não as imposições sociais do grupo, bem como agir em prol dele.
Para isso, os indivíduos se conectam com as demais pessoas por 
meio dos relacionamentos sociais que seguem os padrões estabe-
lecidos pelo grupo. Castells (2013) afirma que a base da sociedade 
são os indivíduos interconectados. Essas conexões são realizadas 
por meio das decisões de cada indivíduo e podem ser baseadas em 
alinhamentos de crenças e valores, sejam eles pessoais, políticos, 
econômicos ou sociais.
É nesse contexto de grupos sociais formados por indivíduos diferen-
tes – que criam uma identidade cultural compartilhada – que as dife-
renças são muitas vezes usadas de maneira negativa para hierarquizar, 
dividir e segregar. Assim, o conceito de alteridade se faz necessário 
para que os direitos de todos os indivíduos sejam respeitados.
Na música AmarElo, o rapper Emicida mostra que a exclusão so-
cial causa cicatrizes profundas nos indivíduos, e eles passam a usar 
essas cicatrizes para se definirem como indivíduos excluídos:
O curta-metragem 
 Sawubona mostra a histó-
ria de Mbali, uma menina 
de sete anos que desafia 
as normas sociais ao fazer 
amizade com um garoto 
da mesma idade. O filme, 
que recebeu diversos 
prêmios em festivais de 
cinema, mostra como a 
diversidade e a aceitação 
são importantes para a 
sociedade atual.
Direção: Lungelo Kuzwayo. EUA: 
Columbia College Chicago Film & 
Video Department, 2015.
Filme
Manuel Castells, renoma-
do sociólogo espanhol, 
aborda as questões daindividualidade e da 
coletividade em seus 
estudos. Na entrevista 
para o Canal Fronteiras 
do Pensamento, intitulada 
Manuel Castells – Indivíduo 
e coletividade, o sociólogo 
explica os conceitos de 
individualidade, indivi-
dualismo e sociedade no 
mundo contemporâneo.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=rgmCjuNVLSg. 
Acesso em: 2 jul. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=rgmCjuNVLSg
https://www.youtube.com/watch?v=rgmCjuNVLSg
https://www.youtube.com/watch?v=rgmCjuNVLSg
86 Direitos humanos e relações sociais
Permita que eu fale, e não as minhas cicatrizes. Tanta dor rouba nossa voz, sabe o 
que resta de nós? Alvos passeando por aí
Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes. Se isso é sobre vivência, me resumir 
à sobrevivência é roubar um pouco de bom que vivi
Por fim, permita que eu fale, não as minhas cicatrizes. Achar que essas mazelas 
me definem é o pior dos crimes. É dar o troféu pro nosso algoz e fazer nós sumir
(AMARELO, 2019).
Definir os indivíduos pelas cicatrizes psicológicas e sociais causadas 
pelas próprias imposições do grupo social, na visão dos compositores, 
significa fortalecer ainda mais os grupos dominantes por calar as vozes 
dissonantes e tornar os indivíduos marginalizados invisíveis.
É importante entender a distinção entre diversos conceitos utiliza-
dos para definir como se organizam as relações estabelecidas na so-
ciedade. A exclusão é definida por Ribeiro (1999 apud NEVES; FREIRE; 
SUAIDEN, 2018, p. 12-13) como:
o sentido, a imagem e realidade dos excluídos mostram contin-
gentes humanos colocados ao lado de fora de uma sociedade 
cujos mecanismos de impermeabilização de suas fronteiras não 
permitem o retorno ou a possibilidade de estabelecer relações 
com os que estão dentro, os incluídos [...]. A categoria exclusão, 
nesse caso, não somente perde a perspectiva da relação e do 
movimento, como também designa aos excluídos um papel de 
meros objetos, seres amorfos que aceitam a inexorabilidade de 
sua exclusão.
Um conceito relacionado à exclusão é a segregação, que, para 
 Santos (2017), pode ser entendido como o fenômeno social no qual os 
indivíduos são marginalizados, separados ou isolados do grupo social. 
A segregação, do ponto de vista da sociologia, envolve a separação não 
apenas social e econômica, mas também espacial de grupos minoritá-
rios, seja por suas origens étnico-raciais – como por questões religio-
sas, educacionais, profissionais, de saúde –, seja por qualquer outro 
tipo de preconceito.
Um exemplo da segregação social foram as políticas raciais coloca-
das em prática durante séculos nos Estados Unidos da América, devido 
às quais negros eram proibidos de frequentar e utilizar os mesmos es-
paços físicos que indivíduos brancos (MORRIS; TREITLER, 2019).
O conceito da integração está relacionado à ideia de que os indiví-
duos deixam de estar marginalizados e apartados da sociedade, mas 
A música AmarElo, do 
rapper Emicida, com a 
participação das cantoras 
Majur e Pabllo Vittar, que 
são trans e drag queen, 
respectivamente, recebeu 
o prêmio Grammy no ano 
de 2020. O videoclipe da 
música mostra histórias 
de indivíduos marginali-
zados que buscaram a in-
clusão social por meio de 
seus esforços pessoais.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=PTDgP3BDPIU. Acesso 
em: 9 jul. 2021.
Música
https://www.youtube.com/watch?v=PTDgP3BDPIU
https://www.youtube.com/watch?v=PTDgP3BDPIU
https://www.youtube.com/watch?v=PTDgP3BDPIU
Alteridade, diversidade e multiculturalismo 87
ainda não estão totalmente incluídos na estrutura social. Para Neves, 
Freire e Suaiden (2018, p. 21), a integração pode ser entendida como:
uma ação ou política que visa integrar em um grupo as minorias, 
sejam estas de origem racial, religiosa, social etc., constituindo 
um todo quando estas são afiliadas às partes que faltavam [...]. 
O maior sentido do conceito de integração social está na possi-
bilidade de transitoriedade, se opondo e ao mesmo tempo so-
bressaindo à perspectiva dialética, por ser um estado em que 
todas as partes envolvidas estão, simultaneamente, incluídas e 
excluídas em algo.
Já a inclusão é definida por Camargo (2017) como a situação social 
na qual os indivíduos têm a sua identidade e a sua diversidade reconhe-
cidas, aceitas e valorizadas, participando de modo efetivo e integral do 
grupo social. A figura a seguir mostra a relação dos diversos conceitos.
Figura 1
Os conceitos de inclusão social
Fo
ur
le
afl
ov
er
/Z
oa
rt 
St
ud
io
/D
ia
na
_K
ar
ch
/
Vo
od
oo
Do
t/
Sh
ut
te
rs
to
ck
Exclusão
Integração
Segregação
Inclusão
Fonte: Adaptada de Rezende, 2017, p. 3.
88 Direitos humanos e relações sociais
Como você pode ser visto na figura, na exclusão e na segrega-
ção os indivíduos e grupos minoritários se encontram à margem da 
sociedade, sem dela participar ou sem ter seus direitos garantidos. 
Na integração, apesar de fazerem parte da sociedade, os indivíduos 
e os grupos minoritários são tratados de maneira diferenciada, não 
estando plenamente incorporados ao tecido social. É somente na 
inclusão que os indivíduos têm os seus direitos plenamente garan-
tidos, sendo totalmente incorporados à sociedade.
4.1.2 Alteridade
Para Farinon (2018), a alteridade pode ser definida como a ca-
pacidade de enxergar o outro e entender que os direitos huma-
nos de cada indivíduo devem ser respeitados, apesar de qualquer 
tipo de diferença. As diferenças devem ser vistas como uma forma 
de enriquecimento do grupo social, não como uma ferramenta de 
exclusão.
O autor destaca que, no contexto social, muitas vezes identida-
de e diferença dão origem à exclusão. O que é diverso é enxergado 
pelo grupo como contrário, rival e perigoso e, por isso, deve ser 
tratado com indiferença, exclusão ou até mesmo violência.
Segundo Rosa e Lazzari (2017), a alteridade se realiza por meio 
do contato com o outro, com identificação, escuta, compreensão, 
valorização e aceitação das diferenças, sem julgamento ou juízos 
de valor. Já para Farinon (2018), a alteridade pode ser entendida 
como a capacidade de entender que o sujeito com o qual se esta-
belece uma relação de contraste ou diferença é distinto.
Do ponto de vista filosófico, Abbagnano (2007) explica que a al-
teridade está relacionada à construção do sujeito e da sua identi-
dade, que se contrapõe ou se diferencia dos demais indivíduos. Ao 
constituir-se como indivíduo, o sujeito passa a enxergar o outro e 
nele identificar semelhanças e diferenças
Para Hildebrando (2017) a alteridade está relacionada à empa-
tia: é se colocar no lugar do outro e ver o mundo sob o ponto de 
vista dele. Somente é possível entender as demandas, as necessi-
dades, os valores e as visões do outro quando o indivíduo enxerga 
a sociedade a partir do lugar do outro no mundo.
O filme X-men traz discus-
sões sobre a diversidade 
e a representatividade 
de pessoas que não se 
enquadram nos padrões 
da sociedade. Indivíduos 
com mutações genéticas 
e poderes especiais são 
discriminados, margina-
lizados e segregados da 
sociedade. O filme mostra 
que a luta pela aceitação 
das diferenças passa por 
avanços e retrocessos, 
além de envolver batalhas 
políticas e a busca legal 
por direitos humanos. 
Direção: Brian Singer. Estados 
Unidos: 20th Century FoX; Marvel 
Enterprises, 2000.
Filme
Recomenda-se a leitura 
do artigo A mutação como 
metáfora para o discurso 
das diferenças: representa-
ções práticas de racismo e 
de homofobia no discurso 
literário dos X-men? que 
aborda a temática do pre-
conceito de modo muito 
claro e interessante.
Disponível em: https://
periodicos. ufsc.br/index.php/ 
interthesis/article/view/1807- 
1384.2019v16n1p56. Acesso em: 
23 jul. 2021.
Leitura
Alteridade, diversidade e multiculturalismo 89
A alteridade ganha importância central em um mundo no qual, 
com os processos de globalização econômica e cultural, que são ace-
lerados pelo desenvolvimento das tecnologias da comunicação, diver-
sos povos com diferentes culturas e valores passaramera ainda mais evidente nessa época (DONNELLY, 2007).
As intensas mudanças culturais e sociais pelas quais a Europa 
passou durante a Renascença, desde o século XIV, foram incentiva-
O filme Lutero mostra a 
vida de Martinho Lutero, 
monge católico que, ao 
discordar da forma como 
a Igreja se organizava, 
desenvolveu um trabalho 
composto de 95 teses, 
nas quais discutia pontos 
importantes da fé 
católica. Excomungado 
pela Igreja, passou a 
defender suas ideias, que 
deram origem à Reforma 
Protestante, que acabou 
por impactar não apenas 
a Igreja, mas a própria 
organização política, so-
cial e jurídica da Europa 
durante a transição da 
Idade Média para a Idade 
Moderna.
Direção: Eric Till. EUA; Alemanha: 
MGM, 2003.
Filme
Bases históricas dos direitos humanos 13
das pelas mudanças econômicas e sociais trazidas pelo capitalismo 
e pelo fim gradativo do modelo feudal, seguidas pela Reforma Pro-
testante a partir do século XVI, que diminuíram o poder da Igreja, 
trazendo mudanças religiosas e políticas.
Apesar de os direitos humanos estarem presentes nas discussões 
filosóficas desde os escritos dos primeiros filósofos e tenham evoluído 
paralelamente ao desenvolvimento da filosofia ocidental, bem como 
possam ser identificados em outras tradições filosóficas, como afri-
cana, islâmica e, principalmente, na filosofia oriental, passaram a ter 
um papel central no pensamento global com base nos ensaios dos 
filósofos chamados de contratualistas, entre eles Thomas Hobbes, John 
Locke e Jean-Jacques Rousseau (CAXITO, 2020).
A Renascença, segundo Jerónimo (2019), traz de volta a visão 
do humanismo da filosofia clássica, na qual o ser humano está no 
centro da sociedade. Já a Reforma Protestante diminuiu o poder 
da Igreja e reaproximou o indivíduo ao conhecimento religioso. O 
declínio do poder dos nobres e dos Estados absolutistas, somados 
ao crescimento do capitalismo, criou uma classe economicamente 
dominante. Todas essas mudanças têm em comum a importância 
da liberdade individual, da liberdade de opinião, de propriedade 
privada e apontam para a centralidade do indivíduo na sociedade.
Para Jerónimo (2019), os filósofos contratualistas europeus, es-
pecialmente da França e da Inglaterra, que desenvolveram suas 
ideias no decorrer dos séculos XVII e XVIII, foram os responsá-
veis por introduzir no campo da política e, posteriormente, nas 
discussões jurídicas e legais as ideias sobre os direitos naturais e, 
consequentemente, sobre os direitos humanos. Para a autora, os 
direitos humanos, dentro do conceito de que é aceito, são um pro-
duto das transformações políticas, econômicas, jurídicas, sociais e 
filosóficas da Europa Iluminista.
O conceito do contrato social, que fundamenta a filosofia contratua-
lista, tem como princípio a ideia de que os indivíduos nascem iguais e 
com o mesmo potencial de desenvolvimento de suas competências. 
Por isso, todos têm o direito de usufruir os resultados econômicos, po-
líticos e sociais de seus esforços (CAXITO, 2020). Por outro lado, o ser 
humano é antissocial e, para que possa conviver em sociedade, precisa 
seguir regras e normas que garantam o respeito mútuo à proprieda-
de e à posição social do outro. Quando mais de uma pessoa deseja 
O nome da rosa é um livro 
escrito pelo filósofo Um-
berto Eco, um dos mais 
importantes do século XX. 
O livro foi transformado 
em um filme no ano de 
1986 e é considerado um 
clássico do cinema.
O enredo se passa duran-
te a Idade Média e segue 
a história de um monge 
beneditino, Guilherme 
de Baskerville, que atua 
como investigador em 
uma série de assas-
sinatos ocorridos em 
uma abadia, retratando 
o ambiente social da 
Idade Média, em que as 
liberdades e os direitos 
individuais são poucos 
e o Estado e a Igreja 
desempenham um papel 
controlador.
Direção: Jean-Jacques Annaud. EUA: 
Warner Filmes, 1986. 
Filme
14 Direitos humanos e relações sociais
a mesma propriedade ou a mesma posição política ou social, surgem 
discórdias que podem gerar conflitos sociais.
De acordo com Caxito (2020, p. 16):
para garantir a segurança de todos, surgiu um ente maior e 
imparcial: o Estado. Para conviver em sociedade, o ser huma-
no aceita abrir mão de alguns aspectos de sua liberdade e se 
submete às normas que regem a relação entre cada cidadão 
e o Estado, que tem o papel de defender seus participantes, 
garantindo o bem comum, além de criar e garantir as condi-
ções para que cada cidadão se desenvolva.
De acordo com Hobbes (2014), o Estado, a que chama de Leviatã, 
é responsável por garantir que as normas e regras sejam seguidas 
pelos membros da sociedade. Todavia o indivíduo precisa aceitar 
as regras e normas impostas pelo Estado para garantir a convivên-
cia social. Hobbes (2014) chama de contrato social essa aceitação 
tácita das normas que garantem a convivência em grupo.
O filósofo dá o nome de estado de natureza à condição em que 
o ser humano é totalmente livre para exercer suas vontades, sem 
nenhuma forma de controle ou cerceamento. Já o denominado es-
tado social, que é atingido por meio da aceitação do contrato social, 
possibilita aos indivíduos poderem conviver em grupo sem entrar 
em lutas, conflitos e guerras.
A visão do homem antissocial é oposta à defendida pela filosofia 
clássica. Para Aristóteles (2009), o ser humano é um ser social, que 
busca conviver em grupo para se proteger e para conseguir atingir 
seus objetivos. Em um momento histórico de transição do mode-
lo de poder do absolutismo para as democracias, Hobbes (2014) 
era um defensor da centralização do poder político do Estado na 
mão dos soberanos, uma vez que somente com o poder absoluto é 
possível garantir que o contrato social seja respeitado.
Locke (2018) parte da mesma base filosófica sobre o contrato social 
que Hobbes, mas os filósofos divergem sobre qual é o papel do Estado 
com relação aos direitos individuais e à centralização do poder. Se para 
Hobbes o poder do soberano deve ser absoluto, para Locke a aceitação 
dos cidadãos ao contrato social é consensual.
Assim, o poder do governante não pode estar acima dos direitos 
individuais, principalmente aqueles ligados à justiça e ao direito à 
O filme Zootopia – essa ci-
dade é o bicho foi lançado 
em 2016. Além do enredo 
divertido, a animação 
também retrata alguns 
pensamentos do filósofo 
Hobbes, presentes na 
obra Leviatã, mostrando 
os efeitos iniciais e poste-
riores do contrato social 
causados na população.
Direção: Byron Howard; Rich Moore. 
EUA: Walt Disney, 2016.
Filme
Bases históricas dos direitos humanos 15
propriedade privada, pois os direitos naturais de cada indivíduo 
existem mesmo no estado natural.
Para Locke (2018), se o Estado e os governantes no poder não 
garantirem os direitos naturais dos indivíduos, devem ser questio-
nados e, em último caso, devem ser retirados da posição de poder.
Locke (2018) também propõe a divisão dos poderes em:
PODER EXECUTIVO
Governantes que têm 
o poder de comandar a 
população e administrar 
interesses públicos.
PODER LEGISLATIVO
Papel do Estado em 
criar leis que garantam 
os direitos naturais dos 
indivíduos e possibilitem 
que o contrato social e a 
vida em sociedade sejam 
respeitados.
Kuliperko/Shuterstock
Essa divisão de poderes é a base da estrutura de poderes dos gover-
nos democráticos atuais, com o estabelecimento de um terceiro poder, 
denominado Judiciário.
O terceiro filósofo contratualista que foi fundamental para que as 
discussões sobre os direitos naturais e, consequentemente, para os 
direitos humanos se tornassem um tema central na filosofia e na polí-
tica é Jean-Jacques Rousseau. Em sua obra Do contrato social, publicada 
originalmente em 1762, ele afirma que o contrato social que possibilita 
a vida em sociedade só é válido se os direitos individuais e os bens de 
cada pessoa forem protegidos, respeitados e preservados.
De acordo com Rousseau (2013), o papel do Estado é garantir que 
os direitos naturais dos indivíduos sejam preservados. Se os governan-
tesa se relacionar 
intensamente.
Vivas et al. (2018) afirmam que a alteridade tem se tornado rara no 
contexto das relações que se estabelecem entre os povos e os países, 
pois, muitas vezes, a cultura e os valores que marcam a identidade de 
um povo ou de uma nação e que estão impregnados na individualidade 
dos sujeitos que fazem parte desse grupo se chocam com outras iden-
tidades culturais.
4.2 Diversidade e reconhecimento 
Vídeo As primeiras décadas do século XXI foram marcadas por rápidas 
e intensas transformações sociais, aceleradas tanto pelo desenvolvi-
mento de tecnologias de informação e de comunicação quanto por 
mudanças demográficas (como o aumento da expectativa de vida na 
maioria dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento), por mu-
danças econômicas (como a intensificação da globalização e da cria-
ção de blocos econômicos supranacionais), por movimentos políticos 
(como o crescimento do neonacionalismo e do conservadorismo) e, 
principalmente, por mudanças sociais construídas por meio da ação 
de grupos de defesa dos direitos humanos de grupos minoritários 
que, em ritmos e intensidades diferentes em cada país, têm conse-
guido, globalmente, amplificar a voz dos indivíduos marginalizados e 
mudar legislações, hábitos, costumes e comportamentos na socieda-
de (BAUMAN, 1998; BERGMANN, 2020; ROSA; LAZZARI, 2017; GOMES, 
2017; OLIVEIRA, 2017).
Gomes (2017) destaca que, se por um lado podem ser observa-
dos grandes avanços relacionados à garantia dos direitos humanos 
de grupos minoritários, por outro, a intensificação da globalização e, 
principalmente, das migrações causadas por crises econômicas e por 
conflitos entre povos e países tem como resultado o aumento da xe-
nofobia, da intolerância religiosa, do racismo e, por consequência, de 
outros preconceitos como o machismo e a discriminação baseada em 
gênero e orientação sexual.
90 Direitos humanos e relações sociais
A diversidade dos sujeitos e dos indivíduos que buscam o direito de 
exercer sua individualidade e sua identidade, se já está presente den-
tro dos grupos sociais e étnicos-raciais que formam um povo, é ainda 
mais ampla e profunda quando diferentes culturas, histórias, crenças e 
visões de mundo de povos diversos se encontram e se chocam.
Para Oliveira (2017), a alteridade, fundamental para que os indiví-
duos do grupo social possam entender e aceitar o outro, torna-se ainda 
mais importante na relação entre diferentes povos, pois se faz necessá-
rio o reconhecimento das diferenças culturais, de crenças e de valores.
Leal (2017) aponta que o reconhecimento, como uma necessidade 
tanto dos indivíduos marginalizados quanto dos grupos minoritários, 
tem como origem diversos fatores, dentre eles as desigualdades de 
renda e de oportunidades causadas pelo preconceito e pela discrimi-
nação social, a intolerância às diferenças culturais e de valores e a fra-
gilidade da coesão social, tanto dentro dos países quanto na relação 
entre povos diversos.
As manifestações culturais dos grupos minoritários, sejam eles de-
finidos por questões étnico-raciais, de gênero, de identidade sexual, de 
crença ou de cultura, não encontram espaço nos canais culturais ofi-
ciais e de amplo alcance, sejam eles públicos ou privados. Dessa forma, 
a cultura dessas minorias não é representada ou valorizada, tornando-
-as ainda mais marginalizadas e invisíveis.
A negação da participação, a falta de reconhecimento e a represen-
tatividade não se resumem apenas à cultura: estende-se a todos os 
demais locais e esferas da cidadania, como na participação política, edu-
cacional, nos espaços profissionais e sociais. Assim, o reconhecimento 
da diversidade que existe na sociedade está intimamente relacionado 
à garantia dos direitos humanos de todos os indivíduos (YÚDICE, 2015).
Para Leal (2017), a institucionalização de modelos, valores, crenças, 
padrões e normas dos grupos dominantes gera injustiças sociais que 
só podem ser combatidas com o reconhecimento e a valorização da 
diversidade e das identidades dos indivíduos e dos grupos sociais mi-
noritários, sejam eles integrantes do povo ou oriundos de migrações 
de outros povos.
O reconhecimento possibilita a representação desses indivíduos 
nos espaços políticos, na vida cultural, econômica e social. Para a au-
tora, além das políticas públicas e das ações afirmativas que busquem 
O documentário I am 
mostra as entrevistas 
realizadas pelo diretor 
de cinema Tom Shadyac, 
que percorreu o mundo 
conversando com filóso-
fos, pensadores, líderes 
políticos e religiosos, 
como o cientista político 
Howard Zinn, a ativista 
Lynne McTaggart, o 
bispo Desmond Tutu, o 
poeta Coleman Barks e o 
linguista e filósofo Noam 
Chomsky, buscando 
respostas para questões 
fundamentais sobre a so-
ciedade contemporânea 
e quais ações podem ser 
tomadas por indivíduos, 
grupos e nações para 
mudar os destinos da 
humanidade.
Direção: Tom Shadyac. Estados 
Unidos: Flying Eye Production, 2011.
Documentário
Alteridade, diversidade e multiculturalismo 91
incluir esses indivíduos, é necessário desenvolver ações e políticas de 
reconhecimento que garantam a paridade de representação social em 
relação aos indivíduos e grupos dominantes.
Para ser reconhecido, é preciso primeiro ser visível. Assim, reconhe-
cimento e alteridade são conceitos interligados, como afirma a sau-
dação Sawubona que vimos no início desta seção. Leal (2017, p. 102) 
corrobora essa visão ao comentar: “Em todas essas experiências so-
ciais, para ser considerado é preciso estar visível para ser reconhecido 
pelo outro; assim, o indivíduo deve se ‘mediatizarʼ através de comuni-
cações diretas a partir de relações simbólicas”.
Gomes (2017) destaca que o reconhecimento significa, para o 
indivíduo, ser aceito pela sociedade, mesmo que não se enqua-
dre nos padrões e nas normas estabelecidas. Porém, mais do que 
apenas a aceitação das diferenças, as lutas sociais dos grupos mi-
noritários têm como objetivo modificar ou mesmo abolir a norma-
tividade, pois, para que os direitos humanos sejam garantidos a 
todos, é preciso que a identidade de cada indivíduo seja vista, res-
peitada e reconhecida.
A série documental 100 
humanos, produzida pela 
Netflix, mostra diversos 
experimentos sociais 
com a participação de 
100 pessoas das mais 
variadas idades, níveis 
educacionais, condições 
sociais, histórias e crenças 
religiosas. Cada capítulo 
tem um tema central, e 
os participantes precisam 
tomar decisões baseadas 
em suas experiências. Os 
resultados mostram como 
a diversidade é muito 
mais complexa e profun-
da do que se costuma 
imaginar. 
Direção: Neil DeGroot; Tom Kramer; 
David Wechter. Estados Unidos: 
Netflix, 2020.
Documentário
4.3 Multiculturalismo e direitos humanos 
Vídeo No mundo contemporâneo, marcado pela integração econômica e 
cultural, a garantia dos direitos humanos e da plena cidadania está di-
retamente relacionada à convivência entre as diferentes culturas que 
compõem a sociedade. O multiculturalismo é definido por Oliveira 
(2017, p. 13) como “reconhecimento de diferenças grupais em arenas 
públicas tais como a lei, políticas, discurso estatal, cidadania partilhada 
e identidade nacional”.
Para o autor, o multiculturalismo tem uma dimensão coletiva e co-
munitária, por meio da qual se acredita que a integração das diver-
sas culturas que convivem na sociedade ocorre de modo natural, com 
a aceitação das diferenças e o reconhecimento das contribuições de 
cada cultura para a formação da sociedade.
Porém, se nas discussões filosóficas, políticas e legais os direitos das 
minorias étnicos-raciais e as culturas marginalizadas estão presentes, 
na prática cotidiana da sociedade ainda se observa a exclusão e a se-
gregação de indivíduos e grupos sociais.
92 Direitos humanos e relações sociais
A identidade cultural de um grupo social é estabelecida historica-
mente, e o indivíduo, ao nascer ou se integrar ao grupo, tem sua iden-
tidade influenciada pela cultura. Por outro lado, ele também pode 
influenciare alterar a cultura do grupo, já que, para Castells (2013), a 
identidade cultural não é estática: ela passa por constantes evoluções 
e transformações por meio da influência dos indivíduos dominantes.
Para Rosa e Lazzari (2017), as fronteiras são cada vez mais tê-
nues no mundo contemporâneo, mas as relações entre os indiví-
duos de diferentes culturas ainda são marcadas pela percepção da 
diferença e da diversidade. Mesmo que se busque o entendimen-
to e a alteridade, crescem os confrontos e as reações de aversão e 
distanciamento.
Há uma dicotomia na contemporaneidade: se, por um lado, o 
contato com diferentes culturas e indivíduos diversos faz com que o 
sujeito experimente e conheça novas formas de pensar, o que pos-
sibilita a alteridade, por outro, fortalece o sentimento de pertenci-
mento à sua cultura de origem e à identidade cultural do seu povo, 
o que leva ao estranhamento e a conflitos entre diferentes culturas.
Para Takeuti (2004), a dicotomia está presente no próprio con-
ceito da alteridade, que envolve tanto a construção do outro, por 
meio da aceitação e do respeito, quanto a sua destruição, por meio 
do ódio e da violência. O etnocentrismo 1 , segundo a autora, traduz 
o choque sentido pelo grupo social ao descobrir que outros grupos 
têm valores e culturas diferentes, levando à dificuldade de ele lidar 
com a diversidade
Cuche (2002) acredita que, nas sociedades atuais, a identidade 
é mais ampla do que o próprio sujeito, pois está relacionada aos 
conceitos de povos e nações. O sentimento de pertencimento a um 
grupo é reforçado pela ideia de um povo, seja ela definida politica-
mente, seja relacionada a origens étnico-raciais.
É nesse contexto que, no século XXI, observamos uma crescen-
te valorização do nacionalismo, a que Bergmann (2020) chama de 
neonacionalismo.
O autor lista diversas características relacionadas ao neonacio-
nalismo, como o surgimento de lideranças nacionais carismáticas, 
O site Playing For Change 
apresenta o movimento 
de mesmo nome que 
surgiu em 2002, quando 
os produtores Mark John-
son e Whitney Kroenke 
viajaram por diversos 
países do mundo gra-
vando a performance de 
artistas de rua dos mais 
variados estilos musicais, 
mostrando a diversida-
de das manifestações 
culturais dos povos do 
mundo. Segundo Johnson, 
“através da música eles 
falam o mesmo idioma”. 
O movimento mostra que 
há muito o que se apren-
der e construir quando se 
está disposto a conhecer 
e aceitar culturas diversas.
Disponível em: https://
playingforchange.com/home-pt/. 
Acesso em: 2 jul. 2021.
Site
É uma visão de mundo 
de quem considera o seu 
grupo étnico, nação ou 
nacionalidade socialmen-
te mais importante do 
que os demais.
1
https://playingforchange.com/home-pt/
https://playingforchange.com/home-pt/
Alteridade, diversidade e multiculturalismo 93
apoiadas por partidos conservadores e com um discurso que pre-
ga o protecionismo da economia e da cultura nacional, tendo uma 
atuação internacional menos multilateral, colocando outros países e 
povos como inimigos da nação.
O discurso neonacionalista é falsamente antielitista e usa a sim-
plificação da realidade e o apelo emocional para convencer, bem 
como incita a divisão tanto dentro da própria população quanto da 
nação em relação aos outros países e povos.
Dentre as diversas características citadas por Bergmann (2020), 
duas merecem especial destaque por estarem intimamente relacio-
nadas à violação dos direitos humanos de indivíduos marginalizados.
O nativismo é a primeira dessas características. O neonacionalis-
mo é marcado por uma visão etnocêntrica e nativista, em que a his-
tória é usada para criar uma visão ufanista que visa unificar o povo e 
diferenciá-lo dos demais grupos étnico-raciais. As origens históricas 
e mitológicas da nação são exacerbadas e destacadas. Se o povo é 
unido por sua história e origem, todo aquele que não faz parte disso 
deve ser visto com desconfiança e afastado do convívio social.
A segunda característica é a exclusão, que está intimamente rela-
cionada à primeira característica, o nativismo. A exclusão dá origem 
à discriminação em relação a imigrantes e minorias e, principalmen-
te, à xenofobia, que faz com que os direitos humanos dos indivíduos 
marginalizados não sejam respeitados.
O Conselho Federal de Serviço Social, em seu Caderno 5 – Xeno-
fobia, da série Assistente Social no Combate ao Preconceito (CFESS, 
2016, p. 7-8), afirma que a xenofobia é:
o preconceito de classe que atinge a maioria dos/as imigran-
tes, especialmente os/as que saem dos países mais pobres ou 
buscam refúgio, devido a guerras, conflitos, pobreza e outras 
mazelas provocadas pela geopolítica do capitalismo. Esse pre-
conceito de classe se expressa em comportamentos que bei-
ram o fascismo, destilando discursos de ódio e de repulsa ao 
“diferente”, ao/à estrangeiro/a, ao não familiar, vistos como 
ameaça a uma pretensa estabilidade da “ordem” e da econo-
mia mundiais. Tais preconceitos dificultam a inserção e a per-
manência dos/as migrantes [...].
94 Direitos humanos e relações sociais
Bauman (1998) aponta que o surgimento da identidade nacional é 
tanto um processo espontâneo, que ocorre pela ligação social e cultu-
ral dos indivíduos de um grupo quanto um processo estratégico incen-
tivado pelos grupos que detêm o poder político, econômico e social 
e buscam desenvolver uma consciência coletiva nacional, que traga a 
ideia de pertencimento e identificação.
Para o autor, esse processo consciente é colocado em prática por 
meio da imposição do uso da língua oficial do país, pela definição da 
história nacional que é contada nos currículos escolares e pelas insti-
tuições jurídicas e legais que regram as ações e os comportamentos 
dos indivíduos.
Para que exista a ideia de uma nação homogênea e única, é preciso, 
ainda segundo Bauman (1998), erradicar, oprimir e excluir os diferen-
tes, aqueles que não fazem parte dessa unidade nacional. Hall (2005) 
explica que ao separar, excluir e segregar o outro, aquele que não faz 
parte do povo e da nação, é possível bani-lo ou colocá-lo em seu devido 
lugar: de exclusão, de submissão, de segregação e de marginalização.
Os conceitos de multiculturalismo e pluralismo estão relacionados. 
Uma sociedade multicultural é aquela que entende, respeita e aceita a 
pluralidade e as diferenças entre os indivíduos que a compõem. Cren-
ças, línguas, hábitos, costumes, tradições e manifestações culturais de 
diferentes povos e grupos sociais não apenas devem coexistir, mas ter 
mais espaço, representatividade e reconhecimento.
O respeito ao indivíduo está no centro das discussões sobre os di-
reitos humanos. No entanto, os indivíduos não vivem sozinhos: eles 
interagem em grupos sociais formados nas mais diversas esferas da 
vida: na família, na comunidade, na educação, no trabalho, na cultura e 
na política. Assim, para garantir os direitos humanos dos indivíduos, é 
necessário também garantir os direitos dos grupos sociais, em especial 
dos minoritários e marginalizados.
A cidadania só é plenamente possível quando o indivíduo é reco-
nhecido, aceito e protegido pela sociedade. Reconhecer as diferenças 
individuais, o multiculturalismo, o pluralismo e adotar uma ética da al-
teridade são os primeiros passos para a construção de uma sociedade 
mais justa.
No livro Entre nós: ensaios 
sobre a alteridade, o filó-
sofo Emmanuel Lévinas 
apresenta seu pensamen-
to sobre a alteridade, a 
capacidade de identificar, 
entender, pensar e aceitar 
o outro. Lévinas mostra a 
fragilidade dos indivíduos 
frente aos demais sujeitos 
e ao grupo social. É uma 
leitura fundamental 
para entender como a 
alteridade é importante 
para estabelecer rela-
ções sociais no mundo 
contemporâneo.
LÉVINAS, E. 5. ed. São Paulo: Editora 
Vozes, 2010.
Livro
Alteridade, diversidade e multiculturalismo 95
4.4 Alteridade na sociedade 
contemporânea Vídeo
No desenvolvimento histórico de povos e nações, a homo-
geneidade do grupo étnico-racial é um dos pilares da forma-ção da identidade nacional. Para Flickinger (2018), no mundo 
contemporâneo, a diversidade substituiu a homogeneidade.
A diversidade que observamos na sociedade atual tem 
várias origens. Surge como efeito do modelo econômico ca-
pitalista – adotado por grande parte dos países do mundo –, 
que, ao concentrar riqueza em indivíduos e em países desen-
volvidos, faz com que a cultura dos detentores do poder eco-
nômico, político e social influencie e seja imposta aos demais 
indivíduos, povos e nações.
Um dos fenômenos que mais impactam o aumento da 
diversidade social em muitos países é o crescimento dos 
movimentos de migração, sejam eles causados por ques-
tões econômicos, sociais, religiosos e, principalmente, po-
líticos. Para Flickinger (2011), os movimentos migratórios 
têm trazido rápidas mudanças culturais e sociais e repre-
sentam um dos maiores riscos aos direitos humanos na 
atualidade.
Para Hermann (2014), os conflitos, que ocorrem cada vez 
com mais frequência, têm como origem a falta de respeito 
aos direitos humanos e a intolerância quanto à cultura e 
aos costumes dos indivíduos que fazem parte dos grupos 
migrantes.
O conceito da alteridade, discutido na primeira parte 
deste capítulo, é fundamental para que se possa buscar es-
tratégias para lidar com o crescimento acelerado da diversi-
dade trazida pelos movimentos migratórios. Para Flickinger 
(2018), a alteridade pode ser entendida com base em três 
diferentes pontos de vista:
Dirigido por um dos mais 
influentes artistas e ativis-
ta pelos direitos humanos, 
o chinês Ai Weiwei, o do-
cumentário mostra crises 
e guerras que levaram a 
movimentos migratórios 
de refugiados em mais 
de 20 países. Além de 
abandonar casa, família 
e cultura, os migrantes 
passam por grandes 
privações e riscos durante 
os movimentos de migra-
ção e são recebidos, na 
maioria das vezes, com 
preconceito e descon-
fiança nos países em que 
buscam refúgio, ou são 
deportados e tratados 
como criminosos, ou, até 
mesmo, assassinados.
Direção: Ai WeiWei. Alemanha: AC 
Films, 2017.
Documentário
96 Direitos humanos e relações sociais
0101
0303
0202
No primeiro deles, a que o autor chama de relações pessoais 
desinteressadas, não há a criação de um laço ou relacionamento social, 
pois não há o interesse genuíno de um indivíduo em reconhecer a 
identidade do outro, ou seja, não há alteridade. ve
to
r s
to
ck
/S
hu
tte
rs
to
ck
O segundo são as relações pessoais intencionais, em que o indivíduo 
busca estabelecer relações com o outro, mas apenas para atingir seus 
próprios objetivos pessoais. O outro é apenas uma ponte para que esses 
interesses sejam alcançados. Esse tipo de relação é muito comum nos meios 
empresariais e nas relações econômicas. Nesse contexto, há alteridade, mas 
ela é parcial. Se o outro não corresponde às expectativas ou às necessidades 
do sujeito, a relação é abandonada. Não há a intenção de entender e aceitar 
o outro em toda a complexidade da sua identidade.
O terceiro baseia-se em uma relação interpessoal aberta, na qual o 
interesse pelo outro é genuíno e verdadeiro. O indivíduo exercita a 
alteridade ao perceber, compreender e aceitar o outro com todas as suas 
idiossincrasias e características individuais e de identidade cultural.
idiossincrasia: caracte-
rística comportamental 
própria a um grupo ou a 
uma pessoa.
Glossário
Lévinas (2005) afirma que as relações de alteridade, da mesma for-
ma que acontecem nas relações interpessoais, também ocorrem na 
relação entre diferentes culturas. Para o autor, o primeiro contato com 
uma cultura diversa é marcado pelo estranhamento e pelo não enten-
dimento das diferenças. Quanto mais distante da cultura do indivíduo, 
mais difícil é exercer a alteridade. Se o outro e sua cultura não apresen-
tam nenhum ponto de acesso, referência ou interligação com a cultura 
do sujeito, mais difícil fica estabelecer relações.
Língua, costumes, formas de se vestir, valores, crenças religiosas 
e comportamentos tidos como estranhos são, na verdade, apenas 
diferentes formas de entender o mundo. O que é incomum para um 
indivíduo é o natural para o outro, e vice-versa. Ao se deparar com 
uma cultura diversa, é necessário questionar suas próprias crenças e 
preconceitos.
Alteridade, diversidade e multiculturalismo 97
A intensificação dos movimentos migratórios faz com que os indi-
víduos sejam colocados em situações nas quais necessitam lidar com 
o diferente, com o outro, seja porque precisam migrar para outras re-
giões em busca de segurança ou oportunidades, seja porque sua nação 
recebe os migrantes e refugiados.
Mesmo que não deseje, o indivíduo precisa interagir com o outro 
e se sente em uma situação sobre a qual não tem controle. Flickinger 
(2018) cita como exemplo a situação do mercado de trabalho e sua 
relação com os imigrantes.
A migração de trabalhadores tem trazido grandes questões sociais e 
políticas ao redor do mundo. Os imigrantes são acusados de roubar os 
empregos dos cidadãos do país (PEREIRA; ESTEVES, 2017; CASTORINO; 
BICALHO, 2021). Pereira e Esteves (2017) correlacionam o aumento do 
desemprego dos cidadãos portugueses entre os anos de 2010 e 2015 
ao crescimento da quantidade de imigrantes, especialmente brasilei-
ros, durante esse período.
Flickinger (2011) mostra que há três formas utilizadas pelas nações 
para lidar com a força de trabalho formada por imigrantes. Na primei-
ra forma, os trabalhadores são vistos apenas como mão de obra, ge-
ralmente não remunerada e com poucas competências, ocupados em 
atividades e funções que não são desejadas pelos cidadãos.
Porém, como o próprio autor destaca, é impossível desassociar a 
força de trabalho do ser humano que a realiza. Por mais que se busque 
segregar esses trabalhadores, eles trazem consigo suas crenças, lingua-
gem e hábitos culturais, muitas vezes incompatíveis com a cultura local.
Nesse contexto, os trabalhadores são, em geral, afastados do con-
vívio social e vivem de maneira apartada, em guetos. As duas culturas 
não entram em contato e, por isso, os choques são menores e mais 
controlados.
A segunda forma de lidar com a cultura dos imigrantes que fazem 
parte da força de trabalho é tentar fazê-los assimilar a cultura local, 
abandonando suas manifestações culturais, incluindo sua língua e suas 
crenças. A cultura do imigrante é subordinada à cultura local e, se pos-
sível, totalmente suprimida por meio da repressão.
Por fim, a integração é a forma mais adequada de se lidar com a cul-
tura dos trabalhadores imigrantes. Nessa política, as duas culturas são 
No filme Distrito 9 seres 
alienígenas chegam ao 
planeta Terra em uma 
nave sucateada, em 
condições precárias de 
saúde, e são segregados 
e discriminados pelos 
humanos. Eles passam 
a viver em um gueto, 
alimentando-se de restos 
e dependendo da ajuda 
de órgãos governamen-
tais que os escravizam e 
utilizam para experimen-
tos e testes. O filme faz 
referência ao apartheid 
sul-africano: o Distrito 
Seis, na Cidade do Cabo, 
foi palco de intensos 
conflitos raciais na década 
de 1960.
Direção: Neill Blomkamp. EUA: 
TriStar Pictures; Block / Hanson, 
2009.
Filme
98 Direitos humanos e relações sociais
reconhecidas e as diferenças, respeitadas, colaborando para a constru-
ção de uma nova cultura marcada pela ética da alteridade. A integra-
ção também possibilita que os direitos humanos dos imigrantes sejam 
respeitados e garantidos.
O exemplo da força de trabalho dado por Flickinger (2011) mostra 
apenas uma das áreas nas quais a questão da convivência entre po-
vos e culturas traz grandes desafios para a garantia dos direitos huma-
nos no mundo contemporâneo. Assim como no contexto profissional, 
áreas como educação, saúde, segurança pública, atendimento jurídico 
e manifestações culturais também apresentam riscos às garantias dos 
direitos humanos dos indivíduos e grupos minoritários.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Se é necessário discutir a inclusão social de grupos e de indivíduos que 
foram marginalizados pela sociedadee que se encontram em situação de 
vulnerabilidade quanto aos seus direitos humanos, é preciso entender os 
motivos pelos quais a exclusão acontece.
Porém, tanto o conceito da inclusão quanto o da exclusão estão rela-
cionados a outras realidades que precisam ser conhecidas para que pos-
samos abordar a construção de uma sociedade em que os indivíduos não 
sejam julgados ou avaliados por seu gênero, por sua origem étnico-racial, 
identidade de gênero ou orientação social, imagem, condição financeira, 
escolaridade, condição de saúde ou posição social.
Em um mundo cada vez mais diverso e multicultural, a alteridade se 
torna cada vez mais importante para o futuro da civilização humana. Para 
lidar com esse futuro incerto e cheio de desafios, a humanidade precisa 
aprender com a história e a cultura de cada povo e nação. Como ensinam 
as tribos sul-africanas: “Sawubona!”.
ATIVIDADES
1. Explique os conceitos de exclusão, segregação, integração e inclusão.
2. Defina o conceito de alteridade.
3. Explique as características do neonacionalismo relacionadas ao 
nativismo e à exclusão.
Vídeo
Alteridade, diversidade e multiculturalismo 99
REFERÊNCIAS
ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
AMARELO. Intérpretes: Emicida, Belchior, Majur e Pabllo Vittar. Compositores: Antônio 
Carlos Belchior, Leandro Roque de Oliveira, Felipe Adorno Vassão e Eduardo dos Santos 
Balbino. In: AmarElo. Intéprete: Emicida. São Paulo: Laboratório Fantasma, 2019. (8:53 min)
BAGATINI, F. A.; SCHUCK, R. J. O eu e o outro: as semelhanças e diferenças de uma 
identidade. Educere et Educare, v. 15, n. 33, p. 1-18, 2019. Disponível em: http://e-revista.
unioeste.br/index.php/educereeteducare/article/view/19595. Acesso em: 2 jul. 2021.
BAUMAN, Z. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,1998.
BERGMANN, E. Neo-Nationalism: the rise of nativist populism. Cham, Suíça: Springer 
Nature, 2020.
CAMARGO, E. P. Inclusão social, educação inclusiva e educação especial: enlaces e 
desenlaces. Ciência & Educação, Bauru, v. 23, n. 1, p. 1-6, 2017. Disponível em: http://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132017000100001&lng=en&nrm=i
so. Acesso em: 2 jul. 2021.
CASTELLS, M. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Rio 
de Janeiro: Zahar, 2013.
CASTORINO, M. S.; BICALHO, F. S. P. Direito fundamental ao trabalho: análise 
das dificuldades dos imigrantes se inserirem no mercado de trabalho brasileiro 
enfoque no atual cenário de pandemia do coronavírus. Revista Trabalhista: Direito 
e Processo, Justiça do Trabalho e Proteção Social: Contemporaneidade e Futuro, 
ano  19, n.  63, p. 216, 2021. Disponível em: https://books.google.com.br/books?hl=pt-
BR&lr=&id=EoUiEAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA216&dq=%E2%80%A2%09CASTORIN
O,+Marina+de+S.%3B+BICALHO,+Filipy+Salvador+Pereira.+Direito+fundamental 
+ao+trabalho%E2%80%94an%C3%A1lise+das+dificuldades+dos+imigrantes+se+ 
inserirem+no+mercado+de+trabalho+brasileiro+enfoque+no+atual+cen%C3%A1rio+de+
pandemia+do+coronav%C3%ADrus.+&ots=QHbDsh1ElZ&sig=7UgncJyx-8awTfp_10RDDi7-
g8n0. Acesso em: 2 jul. 2021.
CFESS. Caderno 3: racismo. Brasília, DF: Gestão Tecendo na Luta a Manhã Desejada, 2016. 
(Série Assistente Social no Combate ao Preconceito). Disponível em: http://www.cfess.org.
br/arquivos/CFESS-Caderno03-Racismo-Site.pdf. Acesso em: 9 jul. 2021.
CUCHE, D. A noção de cultura nas ciências sociais. 2. ed. Bauru: EDUSC, 2002.
DUSCHATZKY, S. et al. Narrando a alteridade na cultura e na educação. In: LARROSA, J.; 
SKLIAR, C. Habitantes de Babel: políticas e poéticas da diferença. Belo Horizonte: Autêntica, 
2001. p. 119-138.
FARINON, M. J. Apresentação: alteridade e educação. Cadernos de Pesquisa, São 
Paulo, v. 48, n. 167, p. 130-135, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cp/a/
gPzBhk8NrBGh4ZczmV8MtYf/?lang=pt. Acesso em: 2 jul. 2021.
FLICKINGER, H.-G. Autonomia e reconhecimento: dois conceitos-chave na formação. Revista 
Educação, Porto Alegre, v. 34, n. 1, p. 7-12, 2011. Disponível em: https://revistaseletronicas.
pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/8663. Acesso em: 2 jul. 2021.
FLICKINGER, H.-G. Educação e alteridade em contexto de sociedade multicultural. Cadernos 
de Pesquisa, v. 48, n. 167, p. 136-149, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S0100-15742018000100136&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 2 jul. 2021.
GOMES, N. L. Políticas públicas para a diversidade. Sapere aude, Belo Horizonte, v. 8, 
n. 15, p. 7-22, 2017. Disponível em: http://periodicos.pucminas.br/index.php/SapereAude/
article/download/P.2177-6342.2017v8n15p7/12023/0. Acesso em: 2 jul. 2021.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. 10. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.
HERMANN, N. A educação e a questão multicultural: aproximações na perspectiva de 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132017000100001&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132017000100001&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132017000100001&lng=en&nrm=iso
https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=EoUiEAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA216&dq=%E2%80%A2%09CASTORINO,+Marina+de+S.%3B+BICALHO,+Filipy+Salvador+Pereira.+Direito+fundamental+ao+trabalho%E2%80%94an%C3%A1lise+das+dificuldades+dos+imigrantes+se+inserirem+no+mercado+de+trabalho+brasileiro+enfoque+no+atual+cen%C3%A1rio+de+pandemia+do+coronav%C3%ADrus.+&ots=QHbDsh1ElZ&sig=7UgncJyx-8awTfp_10RDDi7g8n0
https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=EoUiEAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA216&dq=%E2%80%A2%09CASTORINO,+Marina+de+S.%3B+BICALHO,+Filipy+Salvador+Pereira.+Direito+fundamental+ao+trabalho%E2%80%94an%C3%A1lise+das+dificuldades+dos+imigrantes+se+inserirem+no+mercado+de+trabalho+brasileiro+enfoque+no+atual+cen%C3%A1rio+de+pandemia+do+coronav%C3%ADrus.+&ots=QHbDsh1ElZ&sig=7UgncJyx-8awTfp_10RDDi7g8n0
https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=EoUiEAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA216&dq=%E2%80%A2%09CASTORINO,+Marina+de+S.%3B+BICALHO,+Filipy+Salvador+Pereira.+Direito+fundamental+ao+trabalho%E2%80%94an%C3%A1lise+das+dificuldades+dos+imigrantes+se+inserirem+no+mercado+de+trabalho+brasileiro+enfoque+no+atual+cen%C3%A1rio+de+pandemia+do+coronav%C3%ADrus.+&ots=QHbDsh1ElZ&sig=7UgncJyx-8awTfp_10RDDi7g8n0
https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=EoUiEAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA216&dq=%E2%80%A2%09CASTORINO,+Marina+de+S.%3B+BICALHO,+Filipy+Salvador+Pereira.+Direito+fundamental+ao+trabalho%E2%80%94an%C3%A1lise+das+dificuldades+dos+imigrantes+se+inserirem+no+mercado+de+trabalho+brasileiro+enfoque+no+atual+cen%C3%A1rio+de+pandemia+do+coronav%C3%ADrus.+&ots=QHbDsh1ElZ&sig=7UgncJyx-8awTfp_10RDDi7g8n0
https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=EoUiEAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA216&dq=%E2%80%A2%09CASTORINO,+Marina+de+S.%3B+BICALHO,+Filipy+Salvador+Pereira.+Direito+fundamental+ao+trabalho%E2%80%94an%C3%A1lise+das+dificuldades+dos+imigrantes+se+inserirem+no+mercado+de+trabalho+brasileiro+enfoque+no+atual+cen%C3%A1rio+de+pandemia+do+coronav%C3%ADrus.+&ots=QHbDsh1ElZ&sig=7UgncJyx-8awTfp_10RDDi7g8n0
https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=EoUiEAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA216&dq=%E2%80%A2%09CASTORINO,+Marina+de+S.%3B+BICALHO,+Filipy+Salvador+Pereira.+Direito+fundamental+ao+trabalho%E2%80%94an%C3%A1lise+das+dificuldades+dos+imigrantes+se+inserirem+no+mercado+de+trabalho+brasileiro+enfoque+no+atual+cen%C3%A1rio+de+pandemia+do+coronav%C3%ADrus.+&ots=QHbDsh1ElZ&sig=7UgncJyx-8awTfp_10RDDi7g8n0
https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=EoUiEAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA216&dq=%E2%80%A2%09CASTORINO,+Marina+de+S.%3B+BICALHO,+Filipy+Salvador+Pereira.+Direito+fundamental+ao+trabalho%E2%80%94an%C3%A1lise+das+dificuldades+dos+imigrantes+se+inserirem+no+mercado+de+trabalho+brasileiro+enfoque+no+atual+cen%C3%A1rio+de+pandemia+do+coronav%C3%ADrus.+&ots=QHbDsh1ElZ&sig=7UgncJyx-8awTfp_10RDDi7g8n0
https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/8663
https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/8663http://periodicos.pucminas.br/index.php/SapereAude/article/download/P.2177-6342.2017v8n15p7/12023/0
http://periodicos.pucminas.br/index.php/SapereAude/article/download/P.2177-6342.2017v8n15p7/12023/0
100 Direitos humanos e relações sociais
Habermas. In: MÜHL, E. H.; GOMES, L. R.; ZUIN, A. A. S. (org.). Teoria crítica, filosofia e 
educação: homenagem a Pedro L. Goergen. Passo Fundo: EDUPF, 2014.
HILDEBRANDO, M. Direitos humanos: considerar e tolerar. Gazeta Valeparaibana, ano X, 
ed. 119, p. 13, out. 2017. Disponível em: http://www.gazetavaleparaibana.com/119.pdf. 
Acesso em: 2 jul. 2021.
LEAL, S. Diversidade cultural e reconhecimento no quadro de políticas de comunicação e 
cultura no Brasil: desafios e perspectivas para concretização da Convenção da Unesco de 
2005. Política & Sociedade, Florianópolis, v. 16, n. 35, p. 94-131, 2017. Disponível em: https://
periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/50815. Acesso em: 2 jul. 2021.
LÉVINAS, E. Entre nós: ensaios sobre a alteridade. Petrópolis: Vozes, 2005.
MORRIS, A.; TREITLER, V. B. O estado racial da união: compreendendo raça e desigualdade 
racial nos Estados Unidos da América. Caderno CRH, Salvador, v. 32, n. 85, p. 15-31, 
2019. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
49792019000100015&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 2 jul. 2021.
NEVES, B. C.; FREIRE, I. M.; SUAIDEN, E. J. Conscientização da metamorfose: discussão sobre 
os conceitos de inclusão e integração no âmbito da inclusão sociodigital. Comunicações, 
v.  25, n. 2, p. 3-27, 2018. Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas-
unimep/index.php/comunicacoes/article/view/3333. Acesso em: 2 jul. 2021.
OLIVEIRA, N. Do multiculturalismo ao interculturalismo. Um novo modo de incorporação 
da diversidade cultural?. Do multiculturalismo ao interculturalismo. Um novo modo de 
incorporação da diversidade cultural?. Revista Ambivalências, v. 5, n. 9, p. 10-35, 2017. 
Disponível em: https://repositorio.iscte-iul.pt/handle/10071/14909. Acesso em: 2 jul. 2021.
OLIVEIRA, L. A.; RODRIGUES, J. S. Sawubona: aplicabilidade da Lei 10639/03 e a religiosidade 
africana no ensino de história. Kwanissa – Revista de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, v. 3, 
n. 6, p. 190-209, 2020. Disponível em: http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.
php/kwanissa/article/view/14419. Acesso em: 2 jul. 2021.
PEREIRA, S.; ESTEVES, A. Os efeitos da crise económica na situação laboral dos imigrantes: 
o caso dos brasileiros em Portugal. 
REMHU: Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, v. 25, n. 49, p. 135-
152, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1980-
85852017000100135&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 2 jul. 2021.
REZENDE, J. R. S. Inclusão social: Libras – Língua Falada Com As Mãos. Revista Eletrônica da 
Faculdade de Ceres, v. 6, n. 1, 2017. Disponível em: http://periodicos.unievangelica.edu.br/
index.php/refacer/article/view/3340. Acesso em: 2 jul. 2021.
ROSA, D. W.; LAZZARI, I. Alteridade e Identidade Cultural na Pós-Modernidade. Anuário 
Pesquisa e Extensão Universidade do Oeste de Santa Catarina UNOESC Joaçaba, 2017. 
Disponível em: https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/apeuj/article/view/13065/6949. 
Acesso em: 9 jul. 2021.
SANTOS, C. S. Da marginalidade à segregação: contribuições de uma teoria urbana crítica. 
Economía, sociedad y territorio, Toluca, v. 17, n. 55, p. 619-646, 2017. Disponível em: http://
www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1405-84212017000300619&lng=es
&nrm=iso. Acesso em: 2 jul. 2021.
SANTOS, J. R. Desemprego e migrações em Portugal, que relação?. In: II ENCONTRO 
INTERNACIONAL DE SOCIOLOGIA (SIOT), Caparica, 2016. Proceedings... Monte da Caparica: 
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 2017. p. 91-102. 
Disponível em: http://comum.rcaap.pt/handle/10400.26/20105. Acesso em: 2 jul. 2021.
TAKEUTI, N. M. O difícil exercício da alteridade. Revista Cronos, v. 5/6, n. 1/2, p. 35-46, 2004. 
Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/cronos/article/view/3231. Acesso em: 2 jul. 2021.
VIVAS, E. et al. Alteridade, música e espiritualidade: cultura ética de respeito e valorização 
das diferenças. In: XXXI SEMOC – Direitos Fundamentais e Educação, 2018. Anais [...]. 
Salvador: UCSAL, 2018. Disponível em: http://ri.ucsal.br:8080/jspui/handle/prefix/1251. 
Acesso em: 2 jul. 2021.
YÚDICE, G. Os desafios da diversidade cultural no novo milênio. In: MIGUEZ, P. P. (org.). 
Diversidade cultural: políticas, visibilidades midiáticas e redes. Salvador: EDUFBA, 2015.
http://www.gazetavaleparaibana.com/119.pdf
https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/50815
https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/50815
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-49792019000100015&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-49792019000100015&lng=en&nrm=iso
https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/comunicacoes/article/view/3333
https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/comunicacoes/article/view/3333
https://repositorio.iscte-iul.pt/handle/10071/14909
http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/kwanissa/article/view/14419
http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/kwanissa/article/view/14419
http://periodicos.unievangelica.edu.br/index.php/refacer/article/view/3340
http://periodicos.unievangelica.edu.br/index.php/refacer/article/view/3340
https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/apeuj/article/view/13065/6949
http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1405-84212017000300619&lng=es&nrm=iso 
http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1405-84212017000300619&lng=es&nrm=iso 
http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1405-84212017000300619&lng=es&nrm=iso 
http://comum.rcaap.pt/handle/10400.26/20105
http://ri.ucsal.br:8080/jspui/handle/prefix/1251
Direitos humanos e inclusão 101
5
Direitos humanos e inclusão
A desigualdade social no Brasil tem diversas origens e facetas, como as 
questões históricas étnico-raciais, econômicas – caso dos altos níveis de de-
semprego e subemprego – e, principalmente, a insuficiência da oferta e da 
qualidade de estruturas e serviços públicos em diversas áreas, a dificuldade 
de acesso à educação pelas camadas mais pobres da sociedade – a exemplo 
do ensino público – e a falta de espaços de lazer e de acesso à cultura. Além 
disso, faltam infraestruturas básicas para a garantia da qualidade de vida de 
indivíduos e grupos em situação de risco, como moradias e estruturas de 
saneamento, saúde, transporte e segurança pública.
Neste capítulo, será discutida a relação entre a cidadania, os direitos hu-
manos e a inclusão social. Na primeira parte, serão vistos os conceitos de par-
ticipação, inclusão e exclusão social. É por meio da participação do indivíduo 
e dos grupos nos espaços políticos, econômicos, culturais e sociais que se 
criam as condições para a inclusão social de todos os cidadãos.
Na segunda parte, serão abordados os movimentos sociais organi-
zados e os sujeitos coletivos, fundamentais para que a participação dos 
cidadãos seja possível no relacionamento com as instituições públicas e 
privadas da sociedade. Na terceira parte, serão debatidas as lutas sociais 
pela garantia dos direitos humanos de indivíduos e grupos minoritários 
defendidos pelos movimentos, bem como de sujeitos coletivos.
Por fim, na quarta parte, serão apresentadas considerações sobre a 
situação atual dos direitos humanos e da cidadania tanto no Brasil quanto 
no mundo e as tendências para o futuro dos direitos humanos em uma 
sociedade que passa por profundas e intensas transformações sociais.
Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:
• analisar a relação entre inclusão e direitos humanos;
• compreender o papel dos movimentos sociais nas discussões 
sobre os direitos humanos;
• analisar as principais áreas de conflito social;
• conhecer o cenário atual e refletir sobre os futurospossíveis 
para a discussão dos direitos humanos.
Objetivos de aprendizagem
102 Direitos humanos e relações sociais
5.1 Participação social e inclusão 
Vídeo A luta pelos direitos humanos das populações marginalizadas e das 
minorias sociais é marcada por momentos de mobilização social e pela 
criação de movimentos organizados ligados tanto a demandas espe-
cíficas de determinados grupos quanto ao seu aspecto mais amplo e 
generalizado (IVO, 2008).
Para Gohn (2019), muitas das conquistas com relação à criação de 
legislações, ao desenvolvimento de políticas públicas e às mudanças 
efetivas na cultura da sociedade são resultado da participação dos mo-
vimentos sociais nos campos jurídico, político, econômico e social.
Na atualidade, tanto no âmbito global quanto no nacional, a par-
ticipação social de grupos e movimentos organizados torna-se cada 
vez mais fundamental, pois possibilita um contraponto essencial à 
visão dominante na economia e na política, áreas que aumentaram 
ainda mais a concentração de riqueza e acentuaram as disparidades 
sociais, as quais representam retrocessos de conquistas sociais du-
ramente obtidas.
O filósofo e linguista Noam Chomsky, um dos mais respeitados 
pensadores da atualidade, em seu livro Réquiem para um sonho ame-
ricano, aborda a questão das desigualdades sociais e sua relação 
com a política, os movimentos sociais e, principalmente, a concen-
tração de poder e riquezas em uma parcela cada vez menor da so-
ciedade. O autor aponta dez princípios que levam ao crescimento da 
desigualdade social (CHOMSKY, 2017).
O primeiro é a redução da democracia. A concentração de poder 
em partidos ou figuras políticas, os quais diminuem a amplitude da 
democracia, leva a uma dualidade da sociedade, criando uma cultura 
de eles x nós. Como exemplo, o filósofo cita o bipartidarismo america-
no (republicanos x democratas), mas essa característica é observada 
em diversos outros países, inclusive no Brasil (MIGUEL, 2019).
Para concentrar poder político, a população deve ser, na visão de 
Chomsky (2017), passiva e despolitizada. Esse é o segundo princípio, o 
qual nomeamos de moldar a ideologia. De acordo com o filósofo, com 
o crescimento dos movimentos sociais que ocorreram nas décadas de 
1960 e 1970 em diversos países do mundo, inclusive no Brasil, as elites 
políticas e econômicas repensaram a educação e o controle de infor-
Direitos humanos e inclusão 103
mações com o objetivo de criar uma população menos consciente de 
seus direitos e moldar a forma de pensar dos indivíduos, com base 
em normas e modelos socialmente aceitos. Para Toynbee (2014 apud 
SILVA, 2014b, p. 37), “o maior castigo para aqueles que não se interes-
sam por política é que serão governados pelos que se interessam”.
O redesenho da economia, com a mudança da geração de valor 
da produção para o conhecimento, é o terceiro princípio. A gradati-
va migração dos empregos industriais para os países em desenvol-
vimento, em especial China, Índia e alguns do Oriente, mudou de 
modo profundo a matriz econômica dos países europeus e do conti-
nente americano, inclusive o Brasil (CAXITO, 2021). Para o autor, no 
modelo econômico neoliberal e capitalista, o capital é livre para ser 
transferido entre países em um mundo sem fronteiras.
De acordo com Piketty (2014), a especulação financeira e a desre-
gulamentação das economias nacionais fazem com que grande parte 
dos resultados financeiros seja proveniente da especulação financeira, 
concentrando ainda mais a riqueza.
No entanto, o trabalho e a mão de obra não têm a mesma liber-
dade. Ao transferir a produção de um produto para outro país, uma 
empresa gera desemprego em seu país de origem. A diminuição dos 
postos de trabalho braçal aumenta a insegurança dos trabalhadores e 
diminui tanto a média de remuneração quanto os direitos trabalhistas, 
impactando diretamente a desigualdade social (CAXITO, 2021).
Nas últimas décadas, houve uma gradativa concentração da co-
brança de impostos sobre as parcelas mais pobres da população, sen-
do esse o quarto princípio da concentração de riqueza. Os complexos 
sistemas tributários de diversos países causam uma situação na qual 
grande parte da carga tributária é paga pelos mais pobres.
Empresas e indivíduos de alto poder aquisitivo têm acesso a me-
canismos legais e financeiros, como os paraísos fiscais, que possi-
bilitam o pagamento cada vez menor de impostos proporcionais 
ao patrimônio e à renda. De acordo com o Instituto Brasileiro de 
Planejamento e Tributação (POPULAÇÃO..., 2021), dados da econo-
mia brasileira mostram que mais da metade dos impostos é paga 
pela parcela mais pobre da população, enquanto cerca de 18% da ar-
recadação é proveniente de impostos pagos pela parcela mais rica, 
como mostram os dados do Quadro 1.
O documentário Indústria 
americana, ganhador 
do Oscar de melhor 
documentário em 2020, 
mostra a realidade 
das pequenas cidades 
americanas que tiveram 
sua economia dizimada 
com o fechamento das 
indústrias responsáveis 
por grande parte dos 
empregos. A produção 
acompanha a compra de 
uma instalação industrial 
americana por uma em-
presa chinesa e o choque 
cultural entre os modelos 
de gestão da nova insti-
tuição com a forma de 
trabalho dos operários 
americanos. Além disso, 
aborda a precarização do 
trabalho e dos direitos 
dos trabalhadores.
Direção: Julia Reichert. EUA: 
Higher Ground Productions; 
Participant Media, 2019.
Documentário
104 Direitos humanos e relações sociais
Tabela 1
Peso percentual da arrecadação de impostos por faixa salarial
Faixas salariais População % sobre 
população
% sobre 
arrecadação
Até 3 salários mínimos 159.620.400 79,0% 53,8%
De 3 a 5 salários mínimos 20.482.800 10,1% 12,7%
De 5 a 10 salários mínimos 15.352.000 7,6% 16,6%
De 10 a 20 salários mínimos 4.848.000 2,4% 9,6%
Mais de 20 salários mínimos 1.696.800 0,8% 7,3%
Totais 202.000.000 100,0% 100,0%
Fonte: POPULAÇÃO..., 2021.
Diminuir o sentimento de solidariedade entre os grupos sociais é 
o quinto princípio apontado pelo autor. Políticas públicas de divisão 
de renda e incentivo ao desenvolvimento social e de educação de 
parcelas mais pobres da população são, muitas vezes, vistas com 
desconfiança pelas parcelas mais ricas e recebem críticas quanto à 
sua eficiência e adequação.
No Brasil, programas como o Bolsa Família, as cotas raciais de 
acesso à educação superior e o crescimento das vagas em universi-
dades públicas direcionadas a indivíduos de baixa renda são exem-
plos de políticas sociais combatidas e criticadas pelos grupos que 
detêm os poderes político e econômico (FERES JÚNIOR; DAFLON, 
2015; SILVA, 2014a).
A criação e a institucionalização de agências reguladoras de se-
tores econômicos são o sexto princípio. Apesar de serem apresen-
tadas como uma forma de controle do governo sobre as empresas 
privadas, o filósofo defende que, na prática, elas atuam de modo a 
defender os interesses privados e a aumentar o poder de empresas 
que se relacionam com os governos, seja por meio da corrupção, 
seja por legislações que socorrem empresas nos momentos de 
crise econômica (CABEZA; CAL, 2009; SALVADOR, 2010). Assim, para 
Chomsky (2017), essas organizações aumentam ainda mais a concentra-
ção de riquezas.
Um dos temas mais discutidos nos últimos anos, tanto nos Estados 
Unidos quanto na Europa e no Brasil, é o controle sobre os processos 
eleitorais, sétimo princípio da concentração de riqueza. Os poderes po-
O impacto das fake news 
sobre os processos eleito-
rais de diversos países é 
o tema do documentário 
Fake news: baseado em 
fatos reais. Apesar de ser 
uma produção brasileira, 
o documentário tem 
como foco as eleições 
americanas em que 
Donald Trump foi eleito 
presidente dos Estados 
Unidos e o referendo 
popular sobre a saída do 
Reino Unido da União 
Europeia, conhecido 
como Brexit. Discutir o 
tema das fake news é cada 
vez mais importante nos 
processos eleitorais dos 
países democráticos.
Direção: André Fran; Rodrigo 
Cebrian; FelipeUfo. Brasil: 
GloboNews, 2017.
Documentário
Direitos humanos e inclusão 105
lítico e econômico das elites que concentram as riquezas apresentam 
uma relação íntima. Os modelos eleitorais, fundamentados em doações 
a partidos e candidatos, trazem os interesses dos mais ricos em detri-
mento das parcelas mais pobres da população (BATAGLIA; FARRANHA, 
2018; SAAD-DINIZ; MARCANTONIO, 2015).
Como forma de diminuir o poder da sociedade civil organizada, o oita-
vo princípio é a desmobilização dos movimentos sociais. Sindicatos e ou-
tros movimentos de defesa dos direitos de trabalhadores e outros grupos 
sociais têm perdido força e impacto nas últimas décadas (RIBEIRO, 2019).
A tendência, identificada pelo filósofo na Europa e nos Estados 
Unidos, também pode ser observada no Brasil, em especial após as 
mudanças na legislação do trabalho e no financiamento dos sindica-
tos, promulgadas na segunda metade da década de 2010 (OLIVEIRA; 
GALVÃO; CAMPOS, 2019). Com a diminuição da influência dos sin-
dicatos, os trabalhadores perdem força nas negociações salariais e 
na defesa dos direitos adquiridos, o que traz impactos sobre a desi-
gualdade social.
A criação de modelos e padrões de consumo é o nono princípio, 
responsável pelo aumento das diferenças sociais. A mídia e, em es-
pecial, as redes sociais são um importante instrumento de intensifi-
cação das diferenças sociais.
Ao definir e divulgar padrões de comportamento, beleza e con-
sumo, os grupos minoritários são impactados de duas formas: os 
indivíduos que não se encaixam nos padrões são excluídos e colo-
cados à margem da sociedade e as parcelas mais pobres se sentem 
pressionadas a consumir objetos que simbolizam o status dos gru-
pos sociais dos quais almejam participar (MAGALHÃES; BERNARDES; 
TIENGO, 2017). O crescimento acelerado dos influenciadores digitais 
que vendem uma vida de sonho é um exemplo do poder da mídia 
como intensificadora das diferenças sociais (ALMEIDA, 2018).
Por fim, o décimo e último princípio é a marginalização de grupos 
minoritários, especialmente daqueles ligados a questões étnico-raciais, 
de gênero e de sexualidade. Essa marginalização, para o filósofo, é re-
flexo dos demais princípios e representa, na prática, os impactos da 
concentração de riqueza e poder sobre os direitos humanos das popu-
lações minoritárias.
106 Direitos humanos e relações sociais
Apesar de discutir as desigualdades sociais com base na realidade 
dos Estados Unidos, as conclusões a que Chomsky (2017) chega com 
suas análises podem ser identificadas também no Brasil. As ligações 
entre questões econômicas, políticas e culturais e a desigualdade 
social são analisadas e mostram que, para garantir que os direitos 
humanos dos grupos minoritários e indivíduos marginalizados sejam 
respeitados, é preciso uma solução integrada, que inclui mudanças 
nas mais diversas áreas da sociedade.
Entre os princípios apontados por Chomsky (2017), dois são parti-
cularmente importantes para a discussão a que este capítulo se pro-
põe: a desmobilização dos movimentos sociais e a marginalização 
de grupos minoritários.
A participação dos movimentos sociais organizados é fundamental 
para a luta pela garantia dos direitos humanos. Segundo Milani (2008), 
os processos participativos são parte integrante das relações sociais 
que se constroem na sociedade e refletem o contexto no qual ocorrem, 
tanto do ponto de vista histórico quanto do social. Para o autor, a par-
ticipação social surge com a própria democracia.
Entretanto, na atualidade, dada a cobrança por eficiência na solução 
de problemas sociais e a necessidade de agir com rapidez, os governos, 
muitas vezes, não abrem espaço ou não levam em consideração a par-
ticipação da sociedade e dos grupos sociais organizados nas decisões e 
na definição de políticas públicas (GOHN, 2019).
Para Lavalle (2011), a participação social está relacionada à demo-
cracia, pois significa que os indivíduos e os grupos estão representados 
nas discussões sobre a organização da sociedade e as ações políticas 
em benefício dos cidadãos. Assim, para o autor, a participação social é 
a expressão maior da cidadania.
Segundo Gohn (2016), a participação social é o instrumento que 
viabiliza a garantia dos direitos do cidadão nos âmbitos político, so-
cial e econômico. Por outro lado, o oposto da participação é a ex-
clusão: grupos e indivíduos não representados nas discussões que 
desenham as estruturas e definem o futuro da sociedade não têm 
sua identidade e suas demandas consideradas ou respeitadas e são 
excluídos da vida social.
O livro Réquiem para 
o sonho americano, de 
Noam Chomsky, foi 
transformado em um 
documentário no ano de 
2015, que apresenta as 
análises desenvolvidas 
pelo filósofo na tentativa 
de entender as desigual-
dades sociais em uma 
das mais ricas economias 
do mundo. A produção 
é fundamental para se 
entender as relações 
entre economia, política e 
direitos humanos.
Direção: Kelly Niks; Jared O. Scott. EUA: 
PF Pictures; Naked City Films, 2015.
Documentário
Com base no poema 
Ismália, de Alphonsus de 
Guimaraens, o qual narra 
a vida de uma mulher 
que, ao tentar alcançar 
o céu, morre quando se 
joga no mar, pois viu o 
reflexo da lua nele, o com-
positor Emicida escreveu 
a música homônima, que 
mostra como ocorre a 
marginalização dos gru-
pos sociais minoritários:
Primeiro cê sequestra eles, 
rouba eles, mente sobre eles
Nega o deus deles, ofende, 
separa eles
Se algum sonho ousa correr, 
cê para ele
E manda eles debater com a 
bala que vara eles, mano
Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=4pBp8hRmynI. Acesso 
em: 8 jul. 2021.
Música
Direitos humanos e inclusão 107
Ainda segundo Gohn (2016), a participação da população nos des-
tinos da sociedade se dá em diversos níveis, sendo o voto um exem-
plo. Ao escolher seus representantes, em teoria, o cidadão tem sua 
representação garantida. Porém, como mostra Chomsky (2017), um 
dos princípios da concentração de riqueza e poder é controlar os 
processos eleitorais por meio da influência do capital investido nas 
campanhas políticas e a manipulação da informação como uma ferra-
menta de controle dos eleitores.
A participação político-partidária em associações de classe e gru-
pos comunitários e os movimentos que representam grupos específi-
cos são exemplos de algumas formas de organização social, as quais 
Gohn (2016) chama de sujeitos sociais.
Milani (2008) define a participação social cidadã como toda e 
qualquer forma de organização ou ação desenvolvida por meio da 
criação de redes de relacionamento em que os cidadãos, de maneira 
individual ou coletiva, relacionam-se com o objetivo de intervir e agir 
sobre a realidade social. A participação social é fundamental para o 
pleno exercício da cidadania por todos os indivíduos que fazem par-
te da sociedade, independentemente de classe econômica, grupo 
étnico-racial, gênero ou identidade sexual.
5.2 Movimentos sociais e sujeitos coletivos 
Vídeo O conceito de movimentos sociais passou a ser discutido de modo 
mais intenso após a ocorrência de diversos protestos sociais que marca-
ram a segunda metade da década de 1960 (STAMPA, 2010).
O mundo passava por grandes transformações sociais, políticas e 
culturais, as quais deram origem a lutas pelos direitos de minorias, 
como os movimentos Black Power, intensificados com o assassinato do 
líder Martin Luther King Jr. em abril de 1968; Gay Power, com os even-
tos de Stonewall em 1969; contra a Guerra do Vietnã, nos Estados Uni-
dos, em 1968; feminista que cresceu de modo acelerado durante toda a 
década de 1960, em vários países europeus e americano; e estudantis, 
ocorridos a partir de maio de 1968 na França, que se espalharam por 
diversos países do mundo, inclusive no Brasil, em que a luta contra 
108 Direitos humanos e relações sociais
o regime militar, instaurado em 1964, chegou às ruas (PEREIRA, 2019; 
WOODS, 2016; SILVA, 2019; PERRONI et al., 2019; SILVA, 2018).
Com base nesses intensos movimentos ocorridosnos últimos anos 
da década de 1960, foi a partir da década de 1970 que os movimentos 
sociais passaram a se organizar para agir de maneira coletiva na busca 
de direitos humanos e mudanças sociais.
Segundo Stampa (2010), os estudos dos movimentos sociais na socio-
logia seguem dois diferentes focos: a linha de pesquisa americana e a eu-
ropeia. A primeira busca entender a forma de organização e composição 
dos movimentos sociais. Já a segunda busca estudar o contexto social 
no qual nascem esses movimentos, a identidade dos sujeitos coletivos 
que se formam por meio dos movimentos, as relações com a sociedade 
e as instituições econômicas, políticas e de governo. Essa linha de estu-
do, que influenciou os sociólogos brasileiros, tem também o objetivo de 
entender a forma de ação dos movimentos sociais e como as manifesta-
ções impactam a sociedade.
Os movimentos sociais são, muitas vezes, confundidos com mani-
festações de cunho essencialmente político e econômico, relacionadas 
aos movimentos socialistas ou comunistas. Essa visão simplista acaba 
por prejudicar o entendimento profundo da importância dos movimen-
tos sociais na luta pelos direitos humanos e pela plena cidadania.
Para Stampa (2010), a ligação dos movimentos sociais com o 
ambiente político é ainda mais forte no Brasil, pois, além de terem 
nascido na década de 1960, com os movimentos estudantis que luta-
vam contra o regime militar, renasceram na década de 1970 e 1980, 
com o crescimento dos movimentos trabalhistas comandados pelos 
sindicatos de metalúrgicos de São Paulo, em especial na região de 
São Bernardo do Campo.
Porém, os movimentos sociais não se restringem apenas aos es-
forços políticos e trabalhistas. A luta pela moradia nas cidades, pela 
Reforma Agrária e por terra no campo, a defesa de minorias, como 
negros e indígenas, os direitos da mulher e dos grupos LGBTQIA+, a 
proteção do meio ambiente, o apoio a pessoas em situação de rua 
e a pessoas com dependência química, a inclusão de pessoas com 
deficiência e a defesa da cultura e das crenças religiosas são apenas 
alguns exemplos de movimentos sociais atuantes na sociedade bra-
No vídeo Bom para todos: 
o que são os movimentos 
sociais?, publicado pelo 
canal TVT, são abordados 
movimentos sociais que 
lutam por diversas pautas, 
como acesso a creches 
públicas, defesa do meio 
ambiente e direitos de 
grupos minoritários e de 
categorias profissionais. 
Também é discutida a 
repressão do direito à ma-
nifestação dos movimentos 
e à resiliência dos sujeitos 
coletivos na luta por suas 
demandas.
Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=4WjWDmCEL4E. 
Acesso em: 8 jul. 2021.
Vídeo
O documentário 
Paradoxos: 30 anos de 
democracia e direitos 
humanos no Brasil apre-
senta uma visão histórica 
do desenvolvimento da 
democracia brasileira nas 
últimas décadas, após o 
processo de redemocrati-
zação na década de 1980. 
O desenvolvimento dos 
movimentos sociais e a luta 
pelos direitos humanos 
são abordados com base 
na visão de alguns líderes 
desses movimentos.
Direção: Vitor Blotta; Fabrício Bonni. 
Brasil: Núcleo de Estudos da Violência 
da Universidade de São Paulo, 2020. 
Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=Wu2a7exfkus. Acesso 
em: 8 jul. 2021.
Documentário
https://www.youtube.com/watch?v=Wu2a7exfkus
https://www.youtube.com/watch?v=Wu2a7exfkus
Direitos humanos e inclusão 109
sileira, que representam os interesses e as demandas de indivíduos, 
grupos sociais e sujeitos coletivos.
Os sujeitos coletivos são definidos por Leal et al. (2015) como grupos 
ou outras formas de associação estruturados entre pessoas que compar-
tilham crenças, pontos de vista, formas de pensar e demandas comuns 
e que agem de modo organizado e em conjunto na mediação entre os 
interesses dos indivíduos e das instituições nos espaços de discussão 
sobre as questões sociais. Segundo Lúcio (2015, p. 491), “reconhecer os 
sujeitos coletivos é dar materialidade política – voz e capacidade delibe-
rativa – às pessoas inseridas na situação e no contexto em que ocorrem 
as disputas. Significa ir além da democracia representativa, chegando a 
uma forma mais direta de intervenção, debate e deliberação”.
Ainda para Leal et al. (2015), muitas das conquistas legais, sociais 
e políticas alcançadas pelas minorias sociais e econômicas no Brasil, 
especialmente nas últimas décadas do século XX e nos primeiros 
anos do século XXI, estão relacionadas à atuação dos movimentos 
sociais, tanto aqueles organizados e institucionalizados na figura de 
sindicatos e instituições quanto aqueles que nascerem de maneira 
desestruturada por meio de demandas gerais da população, mas 
que se transformaram em grandes manifestações sociais que resul-
taram em grandes mudanças.
É importante salientar que nem todos os movimentos sociais e 
sujeitos coletivos buscam propor e implementar mudanças na socie-
dade. Existem movimentos que almejam não apenas a manutenção 
das estruturas, das leis, das políticas e dos comportamentos como 
também defendem o retrocesso em questões de direitos humanos 
conquistados por outros movimentos e sujeitos coletivos, caso de 
grupos conservadores que lutam contra leis como a que legaliza o 
casamento homoafetivo e que protegem os indivíduos LGBTQIA+ 
(ROMANCINI, 2018).
É nessa disputa entre as demandas, os interesses, as crenças e as 
ideias de diferentes movimentos, sujeitos coletivos e demais atores 
sociais que a sociedade se modifica e evolui. A participação social é 
fundamental, pois dá espaço para diferentes visões e demandas dos 
variados grupos sociais no processo de planejamento das políticas pú-
blicas dos governos e na própria concepção de qual deve ser o papel do 
Estado e das organizações privadas na sociedade.
Renato Janine, um 
dos mais destacados 
filósofos contemporâ-
neos brasileiros, que 
atua como professor 
da Universidade de São 
Paulo, no documentário 
O Novo nas Ruas, faz 
uma profunda análise 
filosófica, sociológica e 
social das manifestações 
públicas ocorridas em 
todo o mundo durante o 
ano de 2013. No vídeo, 
ele comenta que as 
manifestações parecem 
acontecer por acaso e 
explodem de repente. O 
filósofo aponta que as 
redes sociais apresentam 
um importante papel na 
criação e na divulga-
ção de movimentos ao 
facilitar o encontro de 
pessoas e grupos que 
lutam por seus direitos. 
O filósofo compara as 
manifestações com os 
movimentos estudantis 
de 1968.
Disponível em: https://vimeo.
com/74203386. Acesso em: 12 
jul. 2021.
Documentário
110 Direitos humanos e relações sociais
Ao criar espaços e processos organizados que possibilitam a par-
ticipação de movimentos e atores sociais nas discussões de interesse 
público, em especial no planejamento das ações de governo e políti-
cas públicas, o Estado empodera os sujeitos coletivos, principalmente 
aqueles que representam as demandas de grupos marginalizados e 
indivíduos em situação de risco.
5.3 Lutas sociais e direitos humanos 
Vídeo As relações que se estabelecem na sociedade entre indivíduos, 
sujeitos coletivos e grupos sociais são mediadas por estruturas le-
gais e instituições estatais que regulam e definem os direitos e de-
veres dos indivíduos.
Do ponto de vista histórico, a definição e a implementação dos di-
reitos humanos nas sociedades não se deram de maneira natural e 
organizada, já que foram fruto de lutas políticas, étnico-raciais e sociais 
de indivíduos, grupos e movimentos sociais. Os direitos humanos po-
dem ser entendidos, de acordo com Poker (2018), como um produto, 
uma construção que surge por meio da própria existência da civilização 
humana e da vida em sociedade.
Para o autor, os direitos humanos não devem ser estudados apenas 
conceitualmente, mas sim compreendidos na realidade das sociedades 
e no contexto histórico no qual ocorreu cada luta e cada conquista de 
direitos. Segundo Salatini e Dias (2018), os movimentos sociais repre-
sentam os indivíduos e os sujeitos coletivos na busca – ora pacífica, ora 
conflituosa – do equilíbrio entreos conflitos de interesses e as tensões 
sociais que se estabelecem dentro dos grupos e das sociedades. De 
acordo com os autores, os movimentos sociais testam os limites entre 
a inclusão e a exclusão social e as lutas podem ser mais pacíficas ou 
mais conflituosas, conforme a flexibilidade e a permeabilidade dos li-
mites sociais.
O rapper americano Tupac Shakur usa uma metáfora para explicar 
o que Salatini e Dias (2018 apud CANDOTTI, 2012, p. 132) afirmam:
Se eu souber que nesse quarto de hotel tem comida boa todo 
dia e bato todo dia na porta pra comer e eles abrem a porta, 
me deixam ver a festa, me deixam vê-los jogando salame pra 
todo lado, isto é, simplesmente jogando comida pra todo lado, 
mas eles dizem que não tem comida. Todos os dias, saio e 
Um dos mais importan-
tes rappers americanos, 
Tupac, foi assassinado 
no ano de 1996. O artigo 
1992 – A via gangsta, 
de Fábio M. Candotti, 
discute a importância da 
música do cantor para 
a discussão social e a 
influência dele sobre os 
movimentos negros ame-
ricanos e brasileiros.
Disponível em: https://
www.researchgate.net/
publication/348707415_1992_-
_a_via_gangsta. Acesso em: 8 
jul. 2021.
Saiba mais
https://www.researchgate.net/publication/348707415_1992_-_a_via_gangsta
https://www.researchgate.net/publication/348707415_1992_-_a_via_gangsta
https://www.researchgate.net/publication/348707415_1992_-_a_via_gangsta
https://www.researchgate.net/publication/348707415_1992_-_a_via_gangsta
Direitos humanos e inclusão 111
tento passar minhas ideias através da música: “Temos fome, 
por favor, deixe-nos entrar. Temos fome, por favor, deixe-nos 
entrar”. Depois de uma semana, a música vai mudar para: 
“Temos fome, precisamos de comida!”. Depois de duas, três 
semanas, vai ser: “Me dê comida ou vou arrombar a porta!”. 
Depois de um ano, vai ser: “Estou forçando a fechadura, en-
trando pela porta voando...”. Tipo assim: você tem fome, che-
gou ao seu limite. Pedíamos há dez anos. Pedíamos com os 
Panteras. Pedíamos com eles, o movimento dos direitos civis. 
Essas pessoas que pediam morreram ou estão na cadeia. 
Então, agora, o que acha que vamos fazer? Pedir?
Os movimentos sociais, além de lutarem para que os direitos 
humanos sejam garantidos aos indivíduos e aos grupos por eles 
representados, ajudam no entendimento das demandas e no de-
senvolvimento de uma visão mais profunda do que são os direitos 
humanos e de como eles devem ser colocados em prática, tanto por 
meio de legislações quanto pela mudança de comportamentos e 
práticas morais da sociedade.
Para Poker (2018), as lutas dos movimentos sociais expandem as 
fronteiras do que definimos como direitos humanos, ao traduzir as ne-
cessidades, as demandas e as reivindicações dos indivíduos e dos gru-
pos sociais por eles representados.
A luta pelos direitos humanos tem um caráter político, no sentido 
de que se dá nos espaços públicos de discussão dos interesses en-
tre grupos sociais dominantes, dominados e excluídos. Como afirma 
Alonso (2009), os movimentos sociais são a expressão da própria di-
nâmica dos grupos sociais, marcada por tensões e conflitos entre os 
diversos indivíduos e sujeitos coletivos que os compõem.
Essas tensões podem surgir por meio de lutas por inclusão, por no-
vos direitos, pelo espaço de representação, pela defesa de direitos já 
conquistados ou pelo desejo de impedir que mudanças ocorram na 
estrutura da sociedade, como no caso dos grupos conservadores que 
buscam a manutenção das condições sociais a que estão habituados.
A promulgação de novas leis e as mudanças no comportamen-
to, nos padrões e nas normas socialmente aceitas são reflexo da 
atuação dos movimentos sociais, segundo Poker e Arbarotti (2015). 
Já Alonso (2009) acredita que os movimentos sociais representam a 
insatisfação dos grupos sociais e sujeitos coletivos com a atuação 
Criado em 1966, o parti-
do dos Panteras Negras 
surgiu como um grupo 
que buscava denunciar 
o racismo, a perseguição 
policial e a exclusão social 
dos negros nos Estados 
Unidos. Ao denunciar 
questões relacionadas 
não só ao racismo, mas 
também à pobreza, à 
desigualdade social e à 
brutalidade policial con-
tra negros, o movimento, 
nascido em um contexto 
de luta pelos direitos ci-
vis, se tornou importante 
e conseguiu conquistar 
grandes avanços contra a 
segregação racial.
Saiba mais
O vídeo Reportagem 
especial: movimentos 
sociais – 16/05/14, 
produzido pelo canal da 
Assembleia Legislativa de 
Santa Catarina, apesar de 
mostrar especificamente 
a história do desenvolvi-
mento dos movimentos 
sociais no estado catari-
nense, exemplifica como 
as lutas sociais estão na 
origem do surgimento 
de movimentos sociais 
organizados.
Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=N0MZKJxhszQ.
Acesso em: 8 jul. 2021.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=N0MZKJxhszQ
https://www.youtube.com/watch?v=N0MZKJxhszQ
112 Direitos humanos e relações sociais
do governo e com a postura do Estado, das instituições e do orde-
namento jurídico diante dos problemas sociais, como preconceitos, 
marginalização e exclusão social.
Para Alves, Pocker e Ferreira (2015), os documentos históricos que 
discutem e definem os direitos humanos, como a Declaração Francesa 
dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 (FRANÇA, 2015), 
a Constituição dos Estados Unidos da América, 1787, a Bill of 
Rights, 1791 (EUA, 2015) e a Declaração Universal de Direitos Huma-
nos da Organização das Nações Unidas de 1948 (ONU, 1948), são a 
base conceitual sobre a qual os movimentos sociais definem e orga-
nizam suas demandas e desenvolvem seus projetos e planos de mo-
bilização e manifestação política a serem discutidos com os demais 
atores sociais e instituições.
Todavia, como destaca Milani (2008), a prática dos direitos humanos 
discutidos conceitualmente nesses e em outros documentos que abor-
dam os direitos humanos nem sempre é tão simples. Cada sociedade 
apresenta especificidades quanto às crenças, aos valores, à ética e à 
moral, bem como à sua história e à composição de seu povo.
Assim, mesmo para garantir os direitos humanos mais básicos, 
como o direito à vida, diversos conflitos podem surgir entre os grupos 
sociais e sujeitos coletivos representados por esses movimentos, que 
muitas vezes podem até impedir a garantia dos direitos humanos.
Essa diferença entre a discussão conceitual e a prática sobre os 
direitos humanos pode ser exemplificada por um tema constante-
mente presente na sociedade contemporânea: o direito das mulhe-
res ao aborto.
Para Luna (2014), esse tema contrapõe dois movimentos sociais or-
ganizados e atuantes: de um lado, os grupos pró-vida, os quais defen-
dem que, mesmo antes de nascer, o feto representa uma vida humana 
e, portanto, deve ter seus direitos garantidos; de outro lado, os movi-
mentos feministas, os quais defendem o direito de a mulher definir se 
deve dar continuidade à gestação.
Klock e Lixa (2017) apontam que a criminalização do aborto no orde-
namento jurídico brasileiro se encontra em desacordo com as legislações 
internacionais que regulam os direitos humanos, como a Convenção 
Interamericana de Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário.
Direitos humanos e inclusão 113
O tema da legalização do aborto torna-se ainda mais comple-
xo quando se trata de gravidez decorrente de crime de estupro ou 
quando há a constatação de que o feto sofre de graves doenças ou 
má-formação. No ano de 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) brasi-
leiro discutiu o aborto de crianças anencéfalas. A legalização do aborto 
nessas condições, autorizada pelo STF, causou diversas manifestações 
de movimentos pró-vida.
Esse exemplo mostra como a realização prática do mais bá-
sico dos direitos humanos, o direito à vida, pode gerar profundas 
discussões na sociedade e como cada grupo e movimento social de-
fende suas próprias convicções a respeito de como os direitos hu-
manos devem ser implementados.
Habermas (2002) destaca que a luta pela inclusão social dos grupos 
excluídos e marginalizadosé a força motriz dos movimentos que bus-
cam a igualdade de direitos e o fim da discriminação e do preconceito 
étnico-racial, de gênero, de identidade sexual, de crença ou de qual-
quer outra característica social que possa resultar em exclusão.
As ações e manifestações dos movimentos sociais na busca pela 
efetivação dos direitos humanos para os indivíduos e grupos sociais 
por eles representados muitas vezes acabam gerando conflitos, es-
pecialmente em uma sociedade marcada pelo multiculturalismo e 
pelas diferentes crenças e visões de mundo de cada grupo social, 
como mostra o exemplo das discussões a respeito do direito ao 
aborto e à vida.
Segundo Habermas (2002), essa diversidade social e cultural traz uma 
grande complexidade para a efetivação dos direitos humanos, e a única 
forma de a sociedade evoluir é por meio da participação e da represen-
tatividade dos movimentos e dos sujeitos coletivos nas discussões e nos 
espaços políticos, econômicos, legais, culturais e sociais.
A efetiva prática dos direitos humanos que garantem a inclusão so-
cial só é possível em uma sociedade na qual as diferenças são perce-
bidas, entendidas e respeitadas e os sujeitos são aceitos com todas as 
suas características, individualidades, desejos e demandas.
O cotidiano da sociedade é diverso e mutável. Novas realidades, cul-
turas, formas de interação e demandas sociais surgem com a própria 
dinâmica de uma sociedade que se torna cada vez mais global, interco-
nectada e multicultural. O passado das discussões sobre os direitos hu-
Segundo Gomes (2018, p. 
121), anencefalia é “uma 
má-formação rara do 
tubo neural, caracteri-
zada pela ausência total 
ou parcial do encéfalo 
e da calota craniana, 
proveniente de defeito 
de fechamento do tubo 
neural nas primeiras 
semanas da formação 
embrionária. Ela traz 
como consequências pro-
blemas como cegueira, 
surdez, inconsciência e 
incapacidade de sentir 
dor; grande parte dessas 
gestações evoluem para 
aborto espontâneo [...]”.
Saiba mais
O documentário Uma 
história Severina mostra 
a luta de uma mãe 
recifense que, em 2004, 
teve a autorização para 
realizar o aborto de um 
feto anencéfalo negada 
pelo Supremo Tribunal 
Federal. A batalha pelo di-
reito ao aborto levou mais 
de 3 meses e, mesmo 
autorizado legalmente, 
a mulher teve que lutar 
contra o sistema de saú-
de, entrando em trabalho 
de parto de uma criança 
natimorta. O caso de 
Severina levantou novas 
discussões sobre o aborto 
de fetos anencéfalos e, 
em 2012, o STF decretou 
decisão favorável ao 
procedimento.
Direção: Debora Diniz; Eliane Brum. 
Brasil, 2010.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=65Ab38kWFhE. Acesso 
em: 8 jul. 2021.
Documentário
114 Direitos humanos e relações sociais
manos possibilita que, na atualidade, a sociedade possa implementar 
novas formas de garantir a inclusão social. Os desafios do presente dão 
a direção que orienta essas discussões no futuro.
5.4 Direitos humanos: presente e futuro 
Vídeo O mundo contemporâneo traz grandes desafios para a garantia dos 
direitos humanos. As crises econômicas, sociais e políticas que marca-
ram a segunda metade da década de 2010 e o início da década de 2020, 
aprofundadas pelos efeitos da pandemia global causada pela Covid-19, 
trazem novos desafios para os movimentos sociais que buscam a inclu-
são social de grupos marginalizados (SIQUEIRA et al., 2020).
5.4.1 Os direitos humanos no presente
Para Poker (2018), a ascensão de grupos políticos conservadores, 
em diversos países do mundo, durante a década de 2010, trouxe à 
discussão os direitos humanos de grupos marginalizados que pare-
ciam já ter sido totalmente institucionalizados.
Legislações que protegem os direitos de minorias étnico-raciais, 
como as leis de cotas e a demarcação de terras indígenas, ou de po-
pulações LGBTQIA+, como o direito ao casamento homoafetivo, volta-
ram a ser objeto de discussão, com projetos de grupos e movimentos 
sociais conservadores que ganharam espaço e força na nova organi-
zação política, tanto em países europeus e americanos, com a eleição 
de políticos conservadores, quanto em países asiáticos com governos 
ditatoriais. Para Marques (2020, p. 693):
dificilmente deixaríamos de reconhecer que nos dias e mundo 
de hoje os chamados direitos civis são violados mais frequente-
mente quando seus detentores são os mais vulnerabilizados pela 
estrutura social: trabalhadores, negros, integrantes de minorias, 
mulheres, moradores de periferias, politicamente minoritários, 
somando-se este fato como elemento a distinguir origem de 
significado concreto de tais direitos. A compreensão deste último 
só pode ser realizada na inserção do direito, em suas múltiplas 
dimensões, no contexto da realidade atravessada por conflitos e 
forças na qual toma parte.
Salatini e Dias (2018) citam o Relatório da Anistia Internacional de 
2017, que indica o Brasil como o país do continente americano em que 
O livro Direitos humanos 
no Brasil de 2020 aborda 
o impacto das mudanças 
políticas ocorridas devido 
à pandemia de Covid-19 
e, principalmente, os seus 
reflexos nas discussões e 
na defesa dos direitos hu-
manos no Brasil. Além dis-
so, discute as tendências 
para os próximos anos 
com relação à garantia 
dos direitos humanos, em 
especial para os grupos 
marginalizados. A obra 
é escrita por diversos 
autores e organizada pela 
Rede Social de Justiça e 
Direitos Humanos.
STEFANO, D.; MENDONÇA, M. 
L. (org.). Brasília, DF: Expressão 
Popular; Rede Social de Justiça e 
Direitos Humanos, 2020.
Livro
Direitos humanos e inclusão 115
líderes de movimentos de defesa aos direitos humanos mais correm 
risco de serem assassinados, com mais de três quartos das mortes 
ocorridas no ano de 2017.
O grande desafio contemporâneo da luta pelos direitos humanos é 
equilibrar a proteção e a defesa das tradições culturais e os processos 
de desenvolvimento da sociedade, os quais são influenciados tanto pe-
las mudanças tecnológicas que aproximam diferentes culturas que se 
chocam, influenciam-se e dão origem a mudanças sociais quanto pela 
ação dos movimentos sociais que precisam ser mediados pela inter-
venção do Estado e pelas legislações nacionais e supranacionais. Um 
exemplo desse desafio é a questão indígena.
Toma-se ainda como exemplo a controvérsia criada em torno das 
demarcações de terras indígenas e quilombolas no Brasil, em que 
de um lado, há o reconhecimento do direito ao território tradicio-
nal concedido aos povos indígenas e quilombolas, versus o direito 
à propriedade de agricultores empresariais, também um direito 
presente na Declaração de 1948, como ficou claro nos conflitos 
pela demarcação da reserva Raposa Serra do Sol em Roraima, 
na argumentação constante da ação judicial envolvendo Estado 
e produtores agrícolas, que começou em 2005 e foi concluída no 
Supremo Tribunal Federal em 2007. (POKER, 2018, p. 225)
Concatenar a tradição e a modernidade é desafiador, pois algu-
mas tradições culturais são baseadas em diferenças de direitos en-
tre grupos sociais que causam a exclusão social de indivíduos, como 
observamos nas questões relacionadas às relações étnico-raciais. O 
que é considerado tradição e um direito adquirido historicamente 
por determinado grupo social pode representar a exclusão social de 
outro. A superação desse tipo de conflito é complexa e pode ser ob-
servada em vários contextos sociais no mundo contemporâneo, como 
pode ser exemplificado pelos conflitos entre palestinos e israelenses 
na Faixa de Gaza (GORGA, 2019).
Marques (2020) chama a atenção para o fato de que o conceito da 
defesa dos direitos humanos pelos Estados e governos, apesar de ter 
suas origens na Revolução Francesa no século XVIII, só passou a ser efe-
tivamente colocada em prática após o fim da Segunda Guerra Mundial, 
principalmente devido à Declaração Universal dos Direitos Humanos 
da ONU em 1948. O autor considera que a política e o papel do Estado 
contemporâneo têm os direitos individuais como um de seus pilares.
A premiadafalham nessa missão, devem ser trocados. Para o filósofo, a única 
forma possível de se estruturar o Estado é a república.
Ao resgatar as discussões sobre o direito natural no contexto da 
filosofia e relacioná-lo ao papel do Estado, em um momento histórico 
16 Direitos humanos e relações sociais
de grandes transformações sociais, os filósofos contratualistas pavi-
mentaram o caminho para que os direitos humanos passassem a ser 
discutidos nos âmbitos políticos e legais, em especial nos países que 
estabeleceram governos democráticos nas décadas seguintes, como os 
Estados Unidos e a França.
1.2 Origens jurídicas dos direitos humanos 
Vídeo Com base nas discussões desenvolvidas pelos filósofos contratualis-
tas, os direitos humanos passaram a ser incluídos nas legislações e nas 
constituições dos países democráticos com base em dois importantes 
documentos: a Constituição dos Estados Unidos da América, promulga-
da em 1787, e a Constituição Francesa, de 1791.
Após a Revolução Francesa, em 1789, foi instituída a Assembleia 
Nacional Constituinte, que votou e promulgou, no mesmo ano, os Ar-
tigos da Constituição, que serviram de base para o desenvolvimento da 
Constituição Francesa, promulgada em 1791. O documento central da 
Assembleia é a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 
1789. O artigo 1º da Declaração define que: “os homens nascem e são 
livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundar-se na 
utilidade comum” (DECLARAÇÃO..., 2021).
No mesmo período, os Estados Unidos da América, recém-funda-
dos no ano de 1776, após a independência do jugo político da Ingla-
terra, também passavam pelo processo de criação de sua constituição. 
Assinada em 1787, a Constituição Americana foi complementada, no 
ano de 1791, pelo documento conhecido como Bill of Rights (Carta de 
Direitos, em tradução livre), que define a garantia dos direitos humanos 
como um ponto central da legislação americana.
A Constituição Francesa e a Americana eram inovadoras e repre-
sentaram uma ruptura nos modelos de legislação característicos dos 
Estados absolutistas que dominaram a Europa e suas colônias durante 
grande parte da Idade Média e no início da Idade Moderna.
A inclusão dos direitos humanos como base conceitual e ponto cen-
tral das constituições dos dois países influenciou a criação e a altera-
ção de constituições e do arcabouço jurídico de diversos outros países, 
tanto aqueles que realizaram a transição para formas democráticas de 
governo quanto os que mantiveram a forma de governo monárquico.
No site da Biblioteca Vir-
tual de Direitos Humanos 
da Universidade de São 
Paulo, há um dos mais 
importantes documentos 
da história dos direitos 
humanos, a Constitui-
ção Americana que é a 
constituição mais antiga 
ainda em uso, mantendo 
a escrita original de 1787.
Disponível em: http://www.
direitoshumanos.usp.br/index.php/
Documentos-anteriores-%C3%A0-
cria%C3%A7%C3%A3o-
da-Sociedade-das-
Na%C3%A7%C3%B5es-
at%C3%A9-1919/
constituicao-dos-estados-unidos-
da-america-1787.html. Acesso em: 
21 maio 2021.
Site
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
Bases históricas dos direitos humanos 17
Um exemplo de como a preocupação com os direitos humanos 
passou a ser presente nas legislações de diversos países pode ser ob-
servado nas mudanças implementadas na Constituição de Portugal, 
realizada em 1822, que incluiu, em um de seus artigos, o objetivo de 
garantir a liberdade, os direitos individuais, a segurança e o direito à 
propriedade privada a todos os cidadãos portugueses.
A crescente constitucionalização tornou os direitos humanos 
ainda mais importantes nas discussões políticas e jurídicas, com 
a promulgação, em diversos países, de leis positivas com o obje-
tivo de garantir o acesso de todos os cidadãos aos seus direitos 
individuais.
Apesar de ter como base filosófica a ideia do contrato social e 
dos direitos naturais, de acordo com as pressões políticas, caracte-
rísticas culturais e influência de forças econômicas sobre o governo 
em cada país, as legislações dos direitos humanos foram adotadas e 
promulgadas com velocidades e intensidades diferentes.
Um exemplo é a abolição da escravidão. Enquanto a Dinamarca 
promulgou a lei da abolição da escravatura no ano de 1792, nos Es-
tados Unidos, um dos berços dos direitos humanos, somente no ano 
de 1863 os negros foram libertados da escravidão por Abraham Lin-
coln, após a guerra civil conhecida como Guerra da Secessão, durante 
os anos de 1861 e 1865.
Já no Brasil, a escravidão só foi abolida em 1888, mais de um sé-
culo depois da promulgação das constituições francesa e americana 
que colocaram os direitos humanos no centro da discussão jurídica 
das constituições nacionais.
Com o rápido crescimento econômico trazido pela industriali-
zação e pela adoção do modelo capitalista de produção e o conse-
quente crescimento das cidades, com a migração de trabalhadores 
em busca dos empregos nas indústrias, surgiram novas demandas 
sociais, notadamente entre os membros das classes proletárias 
(MARX; ENGELS, 2008).
Entre as diversas demandas surgidas com a nova realidade so-
cial, destacam-se o direito a um salário justo com relação ao traba-
lho desenvolvido, o direito à saúde, à habitação digna e à educação 
(JERÓNIMO, 2019).
A série Amend: The Fight 
For America apresenta e 
discute a 14ª emenda da 
Constituição Americana 
e a luta pela igualdade 
de direitos e o racismo 
estrutural e institucional 
nos Estados Unidos. 
Lançada em fevereiro de 
2021, a série apresentada 
por Will Smith está dispo-
nível na Netflix.
Direção: Will Smith. Estados Unidos: 
Netflix, 2021.
Série
O livro 1º de Maio: cem 
anos de Luta – 1886-1996 
mostra a luta pelos direitos 
trabalhistas, iniciada com 
uma greve na cidade 
americana de Chicago, em 
1886, e relata as lutas dos 
trabalhadores brasileiros 
desde o início do processo 
de industrialização da eco-
nomia brasileira, no início 
do século XX. Lançado no 
ano de 1986, o livro foi 
relançado em 2016 para 
comemorar os 130 anos 
da data.
DEL ROIO, J. L. 2. ed. São Paulo: 
Centro de Memória Sindical, 2016.
Livro
18 Direitos humanos e relações sociais
Esses direitos sociais, que não estavam incluídos na visão filo-
sófica dos direitos naturais, seguem a lógica de individualidade dos 
direitos. Da mesma forma que os direitosanimação 
brasileira Uma história de 
amor e fúria é composta 
de quatro partes e tem 
como tema central a vio-
lência contra os grupos 
étnico-raciais minoritários 
e os movimentos sociais 
e políticos, abordando 
também a questão 
ambiental e o futuro dos 
direitos humanos.
Direção: Luiz Bolognesi. Brasil: 
Buriti Filmes; Gullane; Lightstar 
Studios, 2013.
Filme
116 Direitos humanos e relações sociais
Nesse contexto, o Estado tem o papel de ser o garantidor dos direitos 
dos indivíduos. Essa configuração de poder, ainda segundo o estudioso, 
embute uma dicotomia: se por um lado o governo concentra todo o poder 
político, por outro ele é limitado pelos direitos dos indivíduos.
5.4.2 O futuro dos direitos humanos
A ascensão de movimentos sociais e grupos políticos e econômicos 
conservadores, principalmente a partir da década de 1990, representa, 
para Marques (2020), uma nova realidade social, em que a centralidade 
dos direitos individuais, como base do poder do Estado, é questionada.
Na visão dos grupos conservadores, os direitos dos indivíduos 
não se sobrepõem aos direitos e aos valores dos grupos sociais, es-
pecialmente daqueles que historicamente detêm o poder econômi-
co, político e social. Essa realidade aponta, na visão do autor, para 
um futuro no qual os direitos humanos não estarão no centro das 
decisões do Estado.
Ao analisar o discurso das forças políticas conservadoras, Marques 
(2020) identifica algumas características marcantes, as quais podem ser 
encontradas em movimentos conservadores de diferentes países, como:
 • a denúncia contra um pretenso sistema de dominação social pe-
las forças políticas liberais, para as quais o movimento conserva-
dor se apresenta como uma alternativa antissistema;
 • a postura nacionalista e a idealização de um povo marcado por 
um passado glorioso, conceito que é usado para excluir os indi-
víduos e os grupos que não fazem parte dessa história e cultura;
 • a desconfiança com relação aos movimentos sociais organiza-
dos ou a qualquer instituição ou organização que represente 
interesses diferentes daqueles defendidos pelo grupo;
 • a deslegitimação das lutas e conquistas de direitos pelas minorias 
étnico-raciais, de gênero, de identidade e de crença.
Os indivíduos que fazem parte de grupos sociais minoritários 
são vistos pelos movimentos conservadores como “ameaçado-
res de degeneração social, nacional e buscadores de privilégios” 
(MARQUES, 2020, p. 695).
O livro O fim dos direitos 
humanos aborda os cami-
nhos que as discussões 
sobre os direitos huma-
nos têm seguido nos 
últimos anos. De maneira 
crítica, o autor discute a 
visão a respeito da ideo-
logia e dos paradoxos ló-
gicos e humanísticos que 
baseiam essas discussões 
políticas e sociais.
DOUZINAS, C. São Leopoldo: 
Unisinos, 2009.
Livro
https://www.amazon.com.br/s/ref=dp_byline_sr_book_1?ie=UTF8&field-author=Costas+Douzinas&text=Costas+Douzinas&sort=relevancerank&search-alias=stripbooks
Direitos humanos e inclusão 117
O crescimento dos movimentos conservadores e nacionalistas coin-
cide com o aumento dos processos migratórios motivados por ques-
tões econômicas e, principalmente, pelos conflitos políticos e religiosos 
que marcam as primeiras décadas do século XXI.
Para Gomes (2017), o aumento dos preconceitos relacionados a 
questões étnico-raciais, à xenofobia e à intolerância religiosa é reflexo 
palpável do choque de culturas causado pelas migrações, tendo como 
resultado o fortalecimento do conservadorismo e do nacionalismo. 
Nesse cenário, o papel dos movimentos sociais que defendem os direi-
tos dos indivíduos marginalizados torna-se cada vez mais crucial para 
que se garantam os direitos humanos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em um país marcado pelas desigualdades sociais como o Brasil, discu-
tir e lutar pela efetivação dos direitos humanos e pela plena cidadania é 
cada vez mais importante. No Brasil contemporâneo, violência, exclusão 
social, racismo, sexismo, preconceito contra a população LGBTQIA+, falta 
de oportunidades de educação e trabalho, exclusão econômica e margi-
nalização estão não só presentes, como se aprofundam.
Nesse contexto, o futuro da defesa dos direitos humanos tende a ser 
marcado pela intensificação dos conflitos e pelo aumento da importân-
cia dos movimentos sociais como legítimos representantes dos grupos 
sociais e sujeitos coletivos. Nenhuma conquista e nenhum avanço em di-
reção à inclusão total e à plena cidadania podem ser considerados con-
solidados. A necessidade da luta pelos direitos humanos é cotidiana e 
contínua, seja hoje, seja no futuro!
ATIVIDADES
1. Explique a relação entre a participação social e a democracia.
2. Qual é a importância do ano de 1968 para o surgimento e a 
organização dos movimentos sociais?
3. O que são sujeitos coletivos?
Vídeo
118 Direitos humanos e relações sociais
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, M. I. S. de. et al. Quem lidera sua opinião? Influência dos formadores de opinião 
digitais no engajamento. Revista de Administração Contemporânea, Curitiba, v. 22, n. 1, 
p. 115-137, jan./fev. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-
65552018000100115&script=sci_arttext. Acesso em: 8 jul. 2021.
ALONSO, A. As teorias dos movimentos sociais: um balanço do debate. Lua Nova, 
São Paulo, n. 76, p. 49–86, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ln/a/
HNDFYgPPP8sWZfPRqnWFXXz/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 8 jul. 2021.
ALVES, B. S. F.; POCKER, J. G. A. B.; FERREIRA, V. C. Reconstrução racional e direitos humanos: 
uma proposta de produção de conhecimento crítico das relações internacionais baseada 
em Habermas. Revista Interdisciplinar de Direitos Humanos, Bauru, v. 3, n. 1, p. 105–132, jun. 
2015. Disponível em: https://www3.faac.unesp.br/ridh/index.php/ridh/article/view/265. 
Acesso em: 8 jul. 2021.
BATAGLIA, M. B.; FARRANHA, A. C. Controle social e acesso à informação: o papel da 
transparência passiva no enfrentamento à corrupção. Interfaces Científicas – Direito, v. 6, 
n. 3, p. 27-42, 2018. Disponível em: https://periodicos.set.edu.br/direito/article/view/5865. 
Acesso em: 8 jul. 2021.
CABEZA, E. R. de. la. O.; CAL, A. B. R. O risco de captura nas agências de regulação dos 
serviços públicos: uma abordagem à luz da teoria econômica. In: 6º CONGRESSO 
BRASILEIRO DE REGULAÇÃO. Anais [...]. Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: http://www.
workoutenergy.com.br/abar/cbr/Trab0204.pdf. Acesso em: 8 jul. 2021.
CANDOTTI, F. 1992 – a via gangsta. Áskesis: Revista dos Discentes do Programa de Pós-graduação 
em Sociologia da UFSCar, Buri, v. 1, n. 1, p. 126-141, jan./jul. 2012. Disponível em: https://www.
researchgate.net/publication/348707415_1992_-_a_via_gangsta. Acesso em: 8 jul. 2021.
CAXITO, F. Processos de trabalho em Serviço Social II. Curitiba: Iesde, 2021.
CHOMSKY, N. Réquiem para o sonho americano. 3. ed. São Paulo: Bertrand Brasil, 2017.
EUA. Constituição dos Estados Unidos da América (1787). Biblioteca Virtual de  Direitos 
Humanos, Universidade de São Paulo, 2015. Disponível em: http://www.direitoshumanos.
usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-
das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-
america-1787.html. Acesso em: 8 jul. 2021.
FERES JÚNIOR, J.; DAFLON, V. T. A nata e as cotas raciais: genealogia de um argumento 
público. Opinião Pública, Campinas, v. 21, n. 2, p. 238-267, 2015. Disponível em: https://
www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-62762015000200238&script=sci_abstract&tlng=pt. 
Acesso em: 8 jul. 2021.
FRANÇA. Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789). Biblioteca Virtual de Direitos 
Humanos, Universidade de São Paulo, 2015. Disponível em: http://www.direitoshumanos.
usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-
das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-
cidadao-1789.html. Acesso em: 8 jul. 2021.
GOHN, M. da. G. Teorias sobre a participação social: desafios para a compreensão 
das desigualdades sociais. Caderno CRH,Salvador, v. 32, n. 85, p. 63-81, jan./abr. 2019. 
Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ccrh/v32n85/0103-4979-ccrh-32-85-0063.pdf. 
Acesso em: 8 jul. 2021.
GOHN, M. da. G. M. Conselhos gestores e participação sociopolítica. 9. ed. São Paulo: 
Cortez, 2016.
GOMES, L. M. O processo de descriminalização do aborto de anencéfalos no Brasil. Revista 
Juris UniToledo, v. 3, n. 1, 2018. Disponível em: http://ojs.toledo.br/index.php/direito/
article/view/2681. Acesso em: 8 jul. 2021.
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html
Direitos humanos e inclusão 119
GOMES, N. L. Políticas públicas para a diversidade. Sapere aude, Belo Horizonte, v. 8, 
n. 15, p. 7-22, jan./jun. 2017. Disponível em: http://periodicos.pucminas.br/index.php/
SapereAude/article/download/P.2177-6342.2017v8n15p7/12023/0. Acesso em: 8 jul. 2021.
GORGA, E. F. A intervenção do direito internacional humanitário nos conflitos armados 
praticados por Israel, ocorridos na Faixa de Gaza. In: 7º CONGRESSO BRASILEIRO DE 
PROCESSO COLETIVO E CIDADANIA. Anais [...]. Ribeirão Preto: Unaerp, 2019. Disponível 
em: https://revistas.unaerp.br/cbpcc/article/view/1573. Acesso em: 8 jul. 2021.
HABERMAS, J. A inclusão do outro. São Paulo: Loyola, 2002.
IVO, A. B. L. Viver por um fio: pobreza e política social. São Paulo: Annablume, 2008.
KLOCK, G. K.; LIXA, I. F. M. Criminalização do aborto no Brasil como violação à Convenção 
Interamericana de Direitos Humanos: possibilidades jurisprudenciais. Revista da Faculdade 
de Direito da UFRGS, Porto Alegre, v. 1, n. 37, 2017. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/
revfacdir/article/view/76766. Acesso em: 8 jul. 2021.
LAVALLE, A. G. Participação: valor, utilidade, efeitos e causa. In: PIRES, R. R. C. (org.). Efetividade 
das instituições participativas no Brasil: estratégias de avaliação. Brasília, DF: Ipea, 2011. 
LEAL, C. F. C. et al. Um olhar territorial para o desenvolvimento: Sudeste. Rio de 
Janeiro: BNDES, 2015. [e-book]. Disponível em: https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/
handle/1408/4321?&locale=es. Acesso em: 8 jul. 2021.
LÚCIO, C. G. Desenvolvimento, sujeito coletivo e participação social: notas para 
debate. In: LEAL, C. F. C. et al. Um olhar territorial para o desenvolvimento: Sudeste. Rio 
de Janeiro: BNDES, 2015. [e-book]. Disponível em: https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/
handle/1408/4321?&locale=es. Acesso em: 8 jul. 2021.
LUNA, N. A polêmica do aborto e o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos. 
Dados: Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v. 57, n. 1, p. 237-275, mar. 2014. 
Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52582014000100008&script=sci_
abstract&tlng=pt. Acesso em: 8 jul. 2021.
MAGALHÃES, L. M.; BERNARDES, A. C. B.; TIENGO, A. A influência de blogueiras fitness 
no consumo alimentar da população. RBONE: Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e 
Emagrecimento, v. 11, n. 68, p. 685-692, 2017. Disponível em: http://www.rbone.com.br/
index.php/rbone/article/view/629. Acesso em: 8 jul. 2021.
MARQUES, E. A. B. Crise das democracias liberais: um futuro sem direitos? Elementos para 
uma perspectiva internacional acerca do projeto da extrema direita. Vértices, Campos dos 
Goytacazes, v. 22, n. especial, p. 687-705, 2020. Disponível em: http://www.essentiaeditora.
iff.edu.br/index.php/vertices/article/view/15804. Acesso em: 8 jul. 2021.
MIGUEL, L. F. Jornalismo, polarização política e a querela das fake news. Estudos em 
Jornalismo e Mídia, v. 16, n. 2, p. 46-58, 2019. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/
index.php/jornalismo/article/view/1984-6924.2019v16n2p46. Acesso em: 8 jul. 2021.
MILANI, C. R. S. O princípio da participação social na gestão de políticas públicas locais: uma 
análise de experiências latino-americanas e europeias. Revista de Administração Pública, Rio 
de Janeiro, v. 42, n. 3, p. 551-579, jun. 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S0034-76122008000300006&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 8 jul. 2021.
OLIVEIRA, R. V. de.; GALVÃO, A.; CAMPOS, A. Reforma Trabalhista: impactos imediatos 
sobre os sindicatos e primeiras reações. Cadernos do Ceas: Revista Crítica de Humanidades, 
n. 248, p. 668-689, 2019. Disponível em: https://cadernosdoceas.ucsal.br/index.php/
cadernosdoceas/article/view/545/0. Acesso em: 8 jul. 2021.
ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Paris: ONU, 1948. Disponível em: 
http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_
do_homem.pdf. Acesso em: 8 jul. 2021.
PEREIRA, M. M. O movimento negro e as Revoluções de 1968: uma análise da relação e 
ressignificação do negro e o histórico do movimento no Brasil. Revista Movimentos Sociais e 
Dinâmicas Espaciais, Recife, v. 8, n. 1, p. 34-57, 2019. Disponível em: https://periodicos.ufpe.
br/revistas/revistamseu/article/view/240135. Acesso em: 8 jul. 2021.
http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pdf
http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pdf
120 Direitos humanos e relações sociais
PERRONI, T. C. et al. As representações do movimento de Stonewall nos Estados Unidos 
(1969). Epígrafe, São Paulo, v. 7, n. 7, p. 97-108, 2019. Disponível em: https://www.revistas.
usp.br/epigrafe/article/view/154048. Acesso em: 9 jun. 2021.
PIKETTY, T. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014.
POKER, J. G. A. B. Direitos culturais, universalismo e movimentos sociais: o futuro dos 
direitos humanos. In: SALATINI, R.; DIAS, L. F. (org.). Reflexões sobre a paz: paz e tolerância. 
São Paulo: Cultura Acadêmica, 2018. (v. 2) [e-book]. Disponível em: https://ebooks.marilia.
unesp.br/index.php/lab_editorial/catalog/book/117. Acesso em: 8 jul. 2021.
POKER, J. G. A. B.; ARBAROTTI, A. E. Movimentos sociais: o que há de novo? In: SIMONETTI, 
M. C. L. Territórios, movimentos sociais e políticas de Reforma Agrária no Brasil. Marília: 
Oficina Universitária; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2015. [e-book]. Disponível em: https://
ebooks.marilia.unesp.br/index.php/lab_editorial/catalog/book/82. Acesso em: 8 jul. 2021.
POPULAÇÃO que recebe até três salários mínimos é a que mais gera arrecadação de 
tributos no país. Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, 2021. Disponível em: 
https://ibpt.com.br/populacao-que-recebe-ate-tres-salarios-minimos-e-a-que-mais-gera-
arrecadacao-de-tributos-no-pais. Acesso em: 8 jul. 2021. 
RIBEIRO, F. F. O impacto da Reforma Trabalhista sobre o movimento sindical em 
transformação. In: COLÓQUIO INTERNACIONAL MARX E O MARXISMO.Anais [...], 
Niterói, 2019. Disponível em: https://www.niepmarx.blog.br/MManteriores/MM2019/
Trabalhos%20aprovados/MC37/MC373.pdf. Acesso em: 8 jul. 2021.
ROMANCINI, R. Do “kit gay” ao “monitor da doutrinação”: a reação conservadora no 
Brasil. Contracampo, v. 37, n. 2, p. 87-108, 2018. Disponível em: https://periodicos.uff.br/
contracampo/article/view/17628. Acesso em: 8 jul. 2021.
SAAD-DINIZ, E.; MARCANTONIO, J. H. Financiamento corporativo de campanha eleitoral: 
controle, transparência e integridade. Boletim IBCCRIM, v. 266, p. 4-5, 2015. Disponível 
em: https://www.researchgate.net/publication/315787957_SAAD-DINIZ_Eduardo_
MARCANTONIO_Jonathan_Hernandes_Financiamento_corporativo_de_campanha_
eleitoral_controle_transparencia_e_integridade_Boletim_IBCCRIM_v_266_p_4-5_2015. 
Acesso em: 8 jul. 2021.
SALATINI, R.; DIAS, L. F. (org.). Reflexões sobre a paz: paz e tolerância. São Paulo: Cultura 
Acadêmica, 2018. (v. 2) [e-book]. Disponível em: https://ebooks.marilia.unesp.br/index.
php/lab_editorial/catalog/book/117. Acesso em: 8 jul. 2021.
SALVADOR, E. Fundo público e políticas sociais na crise do capitalismo. Serviço Social 
& Sociedade, n. 104, p. 605-631, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282010000400002. Acesso em: 8 jul. 2021.
SILVA, F. A. A Guerra do Vietnã na música: um estudo a partir da canção Era um garoto que 
como eu amava os Beatles e os Rolling Stones. Revista Eletrônica História em Reflexão, v. 13, 
n. 26, p. 23-41, 2019. 
SILVA, J. M. da. “Quem tem a ver com pobreza e desigualdade?”: percepções de elites sobre 
o programa Bolsa Família e sobre o programa de cotas raciais de acesso ao ensino superior. 
In: 17º CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA. Anais [...]. Porto Alegre, 2014a. Disponível 
em: http://automacaodeeventos.com.br/sociologia/sis/inscricao/resumos/0001/R2392-1.
PDF. Acesso em: 8 jul. 2021.
SILVA, M. P. Aprendendo a votar: noções básicas sobre o funcionamento das eleições no 
Brasil. [s.l.]: Vestnik, 2014b.
SILVA, R. V. da. O Movimento Estudantil Libertário (MEL) e o Maio de 1968 brasileiro. Revista 
Espaço Acadêmico, v. 18, n. 210, p. 76-88, 2018. Disponível em: https://periodicos.uem.br/
ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/44840. Acesso em: 8 jul. 2021.
SIQUEIRA, E. C. V. de. et al. A Pandemia de Covid-19, direitos humanos e refúgio no Brasil. 
Cadernos de Pesquisa Direito Internacional sem Fronteiras, Juiz de Fora, v. 2, n. 1, p. 1-32, jul. 
2020. Disponível em: https://zenodo.org/record/3961879. Acesso em: 8 jul. 2021.
STAMPA, I. T. Trabalho e movimentos sociais: diálogo possível? Argumentum, Vitória, v. 2, 
n. 2, p. 149-162, 2010. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/4755/475549125010.
pdf. Acesso em: 8 jul. 2021.
WOODS, A. A Revolução Francesa de maio de 1968. Marxismo e Autogestão, v. 3, n. 5, 
2016. Disponível em: http://redelp.net/revistas/index.php/rma/article/view/650. Acesso 
em: 8 jul. 2021.
Resolução das atividades 121
Resolução das atividades 
1 Bases históricas dos direitos humanos
1. Explique os conceitos filosóficos de estado de natureza e estado 
social.
Estado de natureza é a condição em que o ser humano é totalmente 
livre para exercer suas vontades, sem nenhuma forma de controle ou 
cerceamento. Já o estado social, que é atingido por meio da aceitação 
do contrato social, possibilita aos indivíduos poderem conviver em 
grupo sem entrar em lutas, conflitos e guerras.
2. Conceitue os direitos humanos de primeira, segunda, terceira e 
quarta gerações.
A primeira geração de direitos humanos está relacionada à conquista 
dos direitos civis ou naturais e aos direitos políticos. Os direitos de 
segunda geração estão ligados principalmente a aspectos econômicos 
e à garantia de igualdade e bem-estar social. Os direitos de terceira 
geração se referem a questões supranacionais, como o direito à paz, 
a garantia da preservação do meio ambiente para que haja condições 
de vida para a humanidade. Os direitos de quarta geração são aqueles 
ligados aos direitos das próximas gerações.
3. Explique a importância da Constituição Francesa de 1791 e da 
Constituição Americana de 1787 para os direitos humanos.
A Constituição Francesa e a Americana eram inovadoras 
e representaram uma ruptura nos modelos de legislação 
característicos dos Estados absolutistas que dominaram a Europa 
e suas colônias durante grande parte da Idade Média e no início 
da Idade Moderna. A inclusão dos direitos humanos como base 
conceitual e ponto central das constituições dos dois países 
influenciou a criação e a alteração de constituições e do arcabouço 
jurídico de diversos outros países, tanto aqueles que realizaram 
a transição para formas democráticas de governo quanto os que 
mantiveram a forma de governo monárquico.
122 Direitos humanos e relações sociais
2 Relações étnico-raciais
1. Explique o conceito de eugenia.
O termo eugenia, que significa “bem-nascido”, criado por Francis Galton, 
parte da ideia da evolução das espécies para concluir que a espécie 
humana poderia também ser alterada ou, em sua visão, melhorada, 
com base na seleção das características dos indivíduos.
2. Explique as diferenças entre os termos raça e etnia.
O conceito de raça, dentro do estudo das espécies, está relacionado 
às características físicas que estão ligadas a uma determinada origem 
geográfica. A dificuldade em se utilizar esse conceito para definir a 
raça de um indivíduo reside na complexidade de se determinar quais 
são essas diferenças e qual é a real importância delas. Já a etnia está 
ligada à origem de um determinado grupo social e se relaciona com a 
cultura, a religiosidade, a língua ou o dialeto e as práticas culturais e 
sociais. Enquanto o conceito de raça está relacionado às características 
genéticas e biológicas transmitidas por ligações de parentesco e 
ancestralidade, a etnia se forma a partir de processos de agrupamento 
históricos e a formação de grupos sociais e culturais.
3. Aponte quais ações podem ser tomadas para diminuir a 
desigualdade racial.
Ações como o sistema de cotas em universidades, maior promoção de 
oferta de emprego para facilitar a capacitação e entrada no mercado 
de trabalho, investimentos em educação e saúde ajudam a minimizar 
e combater os efeitos da desigualdade racial.
3 Gênero e sexualidade
1. Explique a diferença entre os conceitos de gênero e sexualidade.
O conceito de gênero, segundo Heilborn e Rodrigues (2018), evoluiu 
a partir do ponto de vista biológico, de uma visão baseada na divisão 
dos indivíduos de uma determinada espécie em machos e fêmeas 
para uma visão cultural e social. Já o conceito da sexualidade envolve, 
além dos aspectos biológicos, questões psicológicas, que vão além 
das representações culturais, históricas e comportamentais do grupo 
social do qual o indivíduo faz parte.
Resolução das atividades 123
2. Explique o conceito de heteronormatividade.
A heteronormatividade se relaciona à visão de que as posturas e os 
comportamentos heterossexuais são considerados como corretos 
e normais na sociedade, estando ligada aos papéis sociais que se 
esperam de cada gênero na sociedade e que estabelecem como 
norma a heterossexualidade e a instituição de categorias distintas, 
rígidas e complementares de masculino e feminino
3. Explique o que é identidade de gênero.
A identidade de gênero pode ser entendida como a representação 
social dos gêneros masculino e feminino, com base nas convenções e 
nos comportamentos reconhecidos pelo grupo social, fundamentada 
no sexo biológico e na genitália do indivíduo. Porém, não 
necessariamente a construção e a percepção do próprio indivíduo 
sobre sua identidade estão de acordo com essas características 
físicas e biológicas. As identidades de gênero são construídas a partir 
das experiências, vivências e emoções de cada indivíduo. Apesar 
de estarem relacionadas, identidade de gênero e orientação sexual 
nem sempre estão alinhadas e isso não deve ser encarado como um 
problema pela sociedade.
4 Alteridade,diversidade e multiculturalismo
1. Explique os conceitos de exclusão, segregação, integração e 
inclusão.
Na exclusão, os indivíduos são colocados do lado de fora de uma 
sociedade cujos mecanismos de impermeabilização de fronteiras não 
permitem o retorno ou a possibilidade de estabelecer relações com 
os que estão dentro. Na segregação, os indivíduos são marginalizados, 
separados ou isolados do grupo social. A integração está relacionada à 
ideia de que os indivíduos deixam de estar marginalizados e apartados 
da sociedade, mas ainda não estão totalmente incluídos na estrutura 
social. Já a inclusão é a situação social na qual os indivíduos têm 
sua identidade e diversidade reconhecidas, aceitas e valorizadas, 
participando de maneira efetiva e integral do grupo social.
2. Defina o conceito de alteridade.
A alteridade pode ser definida como a capacidade de enxergar o 
outro e entender que os direitos humanos de cada indivíduo devem 
ser respeitados, independentemente de qualquer tipo de diferença. 
A alteridade se realiza no contato com o outro, com a identificação, a 
124 Direitos humanos e relações sociais
escuta, a compreensão, a valorização e aceitação das diferenças, sem 
julgamento ou juízos de valor.
3. Explique as características do neonacionalismo relacionadas ao 
nativismo e à exclusão.
Dentre as diversas características do neonacionalismo, o nativismo 
está relacionado à visão etnocêntrica, em que a história é usada 
para criar uma visão ufanista que tem por objetivo unificar o povo e 
diferenciá-lo dos demais grupos étnico-raciais. As origens históricas e 
mitológicas da nação são exacerbadas e destacadas. Já a exclusão dá 
origem à discriminação aos imigrantes e às minorias e, principalmente, 
à xenofobia, que faz com que os direitos humanos dos indivíduos 
marginalizados não sejam respeitados.
5 Direitos humanos e inclusão
1. Explique a relação entre a participação social e a democracia.
A participação social está relacionada à democracia, pois significa que 
os indivíduos e os grupos estão representados nas discussões sobre a 
organização da sociedade e as ações políticas em benefício do cidadão. 
A participação social é a expressão maior da cidadania.
2. Qual é a importância do ano de 1968 para o surgimento e a 
organização dos movimentos sociais?
Na segunda metade da década de 1960, o mundo passou por grandes 
transformações sociais, políticas e culturais que deram origem a 
lutas pelos direitos de minorias, como os movimentos Black Power, 
intensificados com o assassinato do líder Martin Luther King Jr. em 
abril de 1968; Gay Power, com os eventos de Stonewall em 1969; 
contra a Guerra do Vietnã, nos Estados Unidos; feminista, em vários 
países ocidentais; e estudantis, ocorridos a partir de maio de 1968 na 
França, que se espalharam por diversos países do mundo, inclusive 
no Brasil, em que a luta contra o regime militar instaurado em 1964 
chegou às ruas.
3. O que são sujeitos coletivos?
Sujeitos coletivos são grupos ou outras formas de associação 
estruturais entre pessoas que compartilham crenças, pontos de 
vista, formas de pensar e demandas comuns e que agem de maneira 
organizada e conjunta na mediação entre os interesses dos indivíduos 
e das instituições nos espaços de discussão de questões sociais.
FABIANO CAXITO
FA
B
IA
N
O
 C
A
X
ITO
D
IR
E
ITO
S
 H
U
M
A
N
O
S
 E
 R
E
LA
Ç
Õ
ES
 SO
C
IA
IS
Código Logístico
I000128
ISBN 978-65-5821-053-5
9 7 8 6 5 5 8 2 1 0 5 3 5
	Página em branco
	Página em brancohumanos e os direitos na-
turais foram incluídos na maioria das constituições de diversos paí-
ses, os direitos sociais também passaram a fazer parte do arcabouço 
jurídico de diversos países a partir da última década do século XIX e 
início do século XX.
1.3 Origens políticas dos direitos humanos 
Vídeo Antes de apontarmos as origens políticas das discussões sobre os 
direitos humanos, é necessário definirmos o termo política. A palavra é 
bastante utilizada no cotidiano e está presente na mídia diariamente. 
Afinal, as decisões tomadas pelos políticos, sejam eles do Poder Exe-
cutivo, sejam do Poder Legislativo, impactam diretamente a vida dos 
indivíduos de uma sociedade.
O termo política pode ser usado em diversos contextos diferentes 
e com significados diversos. Pode estar relacionado às políticas públi-
cas, isto é, aos programas e às ações coordenadas pelo governo ou 
pelo Estado. Para Souza (2006), ao analisarmos as políticas públicas de 
determinado governo, é possível compreendermos as motivações, os 
valores e os objetivos do grupo político que está no poder.
Na sua acepção mais conhecida e utilizada, política está relacionada 
à organização do Estado em poderes que se equilibram e ao processo 
eleitoral pelo qual os representantes do povo são escolhidos para exer-
cer cargos nesses poderes. Segundo Caxito (2020, p. 39):
assim, o governo é composto por um grupo de indivíduos elei-
tos, que assumem posições nas quais têm alto poder de decisão 
sobre os rumos da sociedade. Porém, essas decisões são contra-
balanceadas pelo sistema de freios, pelos contrapesos dos três 
poderes, pela atuação política, pelas estratégias dos partidos po-
líticos, pelos interesses de grupos econômicos e, também, pelas 
ideologias que cada um desses grupos representa.
É possível observarmos, na definição apresentada, que a palavra 
política aparece em vários contextos diferentes. Ela está relacionada ao 
próprio modelo de divisão de poderes, aos grupos de interesse que se 
organizam na cena pública, às ideologias defendidas e representadas 
por esses grupos e ao processo de negociação e mediação dos conflitos 
e interesses das diversas parcelas da sociedade.
Bases históricas dos direitos humanos 19
Hannah Arendt, uma das principais filósofas a abordar o conceito 
de política apresenta em sua obra O que é política? (2002) diversos con-
ceitos sobre o termo. Para ela, a política surge por meio da pluralidade 
dos indivíduos que fazem parte de um grupo social. Como as pessoas 
não são iguais e têm interesses, crenças e valores diferentes, é neces-
sário haver uma forma de mediar essas divergências, e é por meio da 
política que a convivência entre diferentes é possível.
Uma das definições dadas por Arendt (2002) de política é especial-
mente importante no contexto das discussões no que diz respeito aos 
direitos humanos:
o homem, tal como a filosofia e a teologia o conhecem, existe — 
ou se realiza — na política apenas no tocante aos direitos iguais 
que os mais diferentes garantem a si próprios. Exatamente na 
garantia e concessão voluntária de uma reivindicação juridica-
mente equânime reconhece-se que a pluralidade dos homens, 
os quais devem a si mesmos sua pluralidade, atribui sua existên-
cia à criação do homem. (ARENDT, 2002, p. 2)
Já Rancière (2018) define a política tanto como um processo que 
agrega ao grupo social pela aceitação e pelo consentimento das dife-
renças quanto como a organização do Estado em diferentes poderes 
equilibrados, formados por lugares, cargos e funções que são ocupados 
e distribuídos entre os grupos de interesse, de acordo com processos 
definidos – processos eleitorais, por exemplo.
No contexto político, mesmo com as discussões referentes aos di-
reitos humanos tendo iniciado nos séculos XVII e XVIII, como aborda-
mos na primeira parte deste capítulo, houve a transição dos regimes 
absolutistas para o modelo democrático do Estado graças às ideias dos 
filósofos contratualistas. Foi somente após a Segunda Guerra Mundial 
(1939-1945) que o tema passou a fazer parte das articulações políticas 
globais, com a publicação da Declaração Universal de Direitos Huma-
nos pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948.
De acordo com Salles (2015), a ONU foi criada no ano de 1945, logo 
após o final da Segunda Guerra Mundial, como resultado de um esfor-
ço de diversos países para promover a paz, a reorganização econômica 
e a reconstrução das relações entre as nações. Além da preocupação 
imediata com a reconstrução da Europa, em grande parte destruída 
pela guerra, a ONU nasceu também com a preocupação de promover o 
desenvolvimento social nos países em desenvolvimento.
O documentário Nações 
Unidas: soluções urgentes 
para tempos urgentes foi 
realizado para comemo-
rar o aniversário de 75 
anos de criação da ONU 
e mostra o potencial de 
transformação do mundo 
na próxima década, abor-
dando diversos aspectos 
relacionados aos direitos 
humanos, incluindo o 
impacto da pandemia de 
Covid-19 nas questões 
sociais globais. Além 
de atores, ativistas e 
embaixadores da Boa 
Vontade, a produção tem 
participação especial da 
Mensageira da Paz da 
ONU e Prêmio Nobel 
da Paz de 2014, Malala 
Yousafzai.
Direção: Richard Curtis. EUA: ONU; 
Projeto Todos; 72 Filmes, 2020.
Disponível em: https://www.youtu-
be.com/watch?v=KucGm-5mOQ8. 
Acesso em: 14 jul. 2021.
Documentário
20 Direitos humanos e relações sociais
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, segundo Rosa 
(2015), foi um dos principais documentos publicados pela ONU nos 
primeiros anos após sua formação. Conforme a autora, 50 países fo-
ram signatários da Declaração que buscava garantir a proteção social 
e os direitos individuais que haviam sido sistematicamente desres-
peitados durante a sequência de conflitos que marcaram a primeira 
metade do século.
O contexto político no qual a Declaração foi publicada é fundamen-
tal para entendermos cada um de seus artigos. Em seu preâmbulo, o 
documento destaca, entre outras considerações que fundamentam o 
documento, que:
considerando que o desconhecimento e o desprezo dos Direitos 
Humanos conduziram a atos de barbárie que revoltam a cons-
ciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os 
seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e 
da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração humanos; 
Considerando que é essencial a proteção dos Direitos Humanos 
através de um regime de direito, para que o homem não seja com-
pelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão. 
(ONU, 1948, p. 1)
As duas considerações estão relacionadas ao momento político glo-
bal do pós-guerra, no qual o documento foi escrito. A primeira mostra 
que os motivos políticos que causaram as duas guerras mundiais leva-
ram a situações de total desrespeito aos direitos humanos. O que se 
pretende, com a declaração, é lançar as bases para um mundo no qual 
as divergências políticas não ocasionem perdas de direitos individuais.
A segunda consideração mostra o receio dos países signatários 
com o desenvolvimento de ditaduras nas quais os direitos humanos 
não sejam respeitados. No contexto político do momento, o mundo 
assistia ao início da divisão política entre o mundo ocidental, capita-
neado pelos Estados Unidos, e os países comunistas, liderados pela 
União Soviética.
Mesmo tendo sido aprovado pela esmagadora maioria dos paí-
ses que compunham a ONU naquele momento, profundas divergên-
cias marcaram a definição dos direitos que constam no documento. 
Essas divergências prenunciavam a divisão do mundo em duas di-
ferentes visões econômicas e políticas que marcaram o período da 
Guerra Fria.
Apesar de ter sido escrita 
há mais de 70 anos, a 
Declaração Universal dos 
Direitos Humanos ainda 
é atual, pois muitos dos 
direitos básicos nela des-
critos ainda não foram 
totalmente garantidos 
por diversos países. O 
documento, disponível 
no site do Ministério 
Público de Goiás, mostra 
como direitos funda-
mentais dos indivíduos 
sãocomplexos de serem 
garantidos, mesmo que 
haja vontade política dos 
Estados e governos, pois 
envolvem aspectos cul-
turais, religiosos e sociais 
arraigados nos diversos 
grupos sociais humanos. 
Disponível em: http://www.
mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/
docs/declaracao_universal_dos_
direitos_do_homem.pdf. Acesso 
em: 21 maio 2021.
Site
http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pd
http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pd
http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pd
http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/7/docs/declaracao_universal_dos_direitos_do_homem.pd
Bases históricas dos direitos humanos 21
Divergências sobre aspectos culturais e religiosos também mar-
caram as discussões que deram origem à Declaração, em especial 
com relação às nações da África e Oriente Médio, como África do Sul 
e Arábia Saudita, para as quais a declaração apresentava uma visão 
ocidentalizada.
Já para as nações socialistas do Leste Europeu e da Ásia, a Declara-
ção apresentava uma visão capitalista e individualista, em contrapo-
sição à visão da economia centralizada do comunismo. Assim, países 
como União Soviética, Iugoslávia, Bielorrússia, Polônia, Tchecoslováquia 
e Ucrânia se abstiveram durante a votação do documento.
Para Alves (1994), o documento só foi aprovado por ter um caráter 
de declaração e orientação, não sendo nenhum país signatário obriga-
do a implantar nenhuma de suas determinações. O autor aponta que 
foram necessários quase 20 anos para que a declaração passasse a ter 
peso de obrigatoriedade, com a aprovação no ano de 1966, do Pacto 
Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e do Pacto In-
ternacional de Direitos Civis e Políticos.
Com base na Declaração da ONU, cada país passou a realizar al-
terações jurídicas e foram criadas legislações específicas para orien-
tar as políticas públicas com o objetivo de garantir a proteção dos 
direitos humanos.
A obra Guerra e Paz, disponível 
no site da produtora cultural 
SP-Arte, do pintor brasileiro 
Candido Portinari, foi encomen-
dada pelo governo brasileiro 
como um presente do país para 
a sede da Nações Unidas. A 
obra é composta de dois painéis 
em que são representados, 
separadamente, os horrores da 
guerra (pintada em tons sóbrios 
e carregados, com figuras que 
demonstram medo e desespero) 
e a esperança da paz (que usa 
tons alegres e tranquilos). 
Disponível em: https://www.
sp-arte.com/editorial/conheca-
o-painel-de-portinari-que-fez-
historia-na-onu/. Acesso em: 21 
maio 2021.
Curiosidade
1.4 Direitos humanos: contextualização histórica 
Vídeo Segundo Tosi (2009), a discussão a respeito dos direitos humanos 
evoluiu à medida que o entendimento sobre o tema foi se tornando 
mais global, aprofundado e diversificado. 
Se em sua primeira versão, em 1948, a Declaração Universal dos 
Direitos Humanos da ONU foi assinada por 48 países, nas décadas ini-
ciais do século XX, o número de Estados participantes da organização e 
signatários da declaração se aproximou de 200 nações, mostrando que 
o tema é uma preocupação global.
No decorrer da segunda metade do século XX e nas primeiras déca-
das dos séculos XXI, a ONU e diversos outros organismos internacionais 
desenvolveram estudos, conferências, documentos e legislações sobre 
os direitos humanos, o que trouxe um conhecimento cada vez mais pro-
fundo e extenso de diversos temas relacionados aos direitos humanos.
https://www.sp-arte.com/editorial/conheca-o-painel-de-portinari-que-fez-historia-na-onu/
https://www.sp-arte.com/editorial/conheca-o-painel-de-portinari-que-fez-historia-na-onu/
https://www.sp-arte.com/editorial/conheca-o-painel-de-portinari-que-fez-historia-na-onu/
https://www.sp-arte.com/editorial/conheca-o-painel-de-portinari-que-fez-historia-na-onu/
22 Direitos humanos e relações sociais
À medida que as discussões se aprofundaram, também se diver-
sificaram e especializaram. Se nos primeiros documentos os direitos 
humanos eram pensados para um indivíduo genérico, gradativamente 
se passou a enxergar a diversidade cultural, religiosa, etária, étnica e de 
gênero. Desse modo, as legislações passaram a ser desenvolvidas para 
garantir os direitos específicos dos diversos grupos sociais.
Analisando essa evolução dentro do contexto histórico das 
discussões sobre os direitos humanos, Tosi (2009) classifica os direitos 
humanos em quatro gerações.
A primeira geração está relacionada à conquista dos direitos ci-
vis ou naturais, a que o autor chama de direitos negativos, uma vez 
que têm o objetivo de proibir os excessos do Estado. Esses direi-
tos foram o foco das primeiras legislações que abordam os direitos 
humanos, como a Declaração dos Direitos Humanos e do Cidadão, 
publicada na França, e a Carta de Declaração dos Direitos, publicada 
nos Estados Unidos, no fim do século XVIII.
Apesar de serem objeto tanto de legislações e declarações de orga-
nismos globais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos da 
ONU, os direitos civis ainda não são plenamente garantidos. Segundo 
dados da ONU (2019), o trabalho infantil ainda é uma realidade que 
afeta mais de 150 milhões de crianças, cerca de 25 milhões de pessoas 
vivem em situação análoga à escravidão e quase 5 milhões de pessoas 
em todo o mundo sofrem exploração sexual.
A Anistia Internacional (RELATÓRIO..., 2021), organização não gover-
namental que luta pelos direitos humanos, calcula que, em 2019, cerca 
de 652 pessoas foram executadas em cumprimento a penas de morte. 
O número não considera as penas de morte na China, pois não exis-
tem dados oficiais. A Anistia Internacional calcula que tenham ocorrido 
mais de mil execuções no país durante o ano.
Apesar de a maioria dessas penas de morte e execuções te-
rem ocorrido em países com governos não democráticos, como a 
China, o Irã, a Arábia Saudita, o Vietnã e o Iraque, mesmo a maior 
democracia do mundo em termos populacionais e econômicos, 
os Estados Unidos, executou 22 pessoas durante o ano de 2019 
(RELATÓRIO..., 2021). A figura a seguir mostra a distribuição de exe-
cuções no mundo em 2019.
Bases históricas dos direitos humanos 23
Figura 1
Execuções pelo mundo em 2019
400
350
300
250
200
150
100
50
0
1,000s
251+
184
100+
32+
22
14+ 12+ 11+ 7 4 3 3 2+ 2 1 1 + + +
CH
IN
A
IRAN
 
SAU
D
I ARABIA
IRAQ
 
EG
YPT 
U
SA
PAKISTAN
 
SO
M
ALIA
SO
U
TH
 SU
D
AN
 
YEM
EN
SIN
G
APO
RE
BAH
RAIN
JAPAN
BELARU
S 
BAN
G
LAD
ESH
BO
TSW
AN
A
SU
D
AN
N
O
RTH
 KO
REA 
SYRIA 
VIET N
AM
 
4. Iraque
2. Irã 1. China
5. Egito
6. EUA
9. Sudão 
do Sul
3. Arábia 
Saudita
8. Somália
7. Paquistão
13. Vietnã
10. Singapura
12. Coreia do 
Norte
11. Japão
CH
IN
A
IRÃ
ARÁBIA SAU
D
ITA
IRAQ
U
E
EG
ITO
EU
A
PAQ
U
ISTÃO
SO
M
ÁLIA
SU
D
ÃO
 D
O
 SU
L
IÊM
EN
SIN
G
APU
RA
BARÉM
JAPÃO
BIELO
RRÚ
SSIA
BAN
G
LAD
ESH
BO
TSU
AN
A
SU
D
ÃO
CO
REIA D
O
 N
O
RTE
SÍRIA
VIETN
Ã
Fonte: Relatório..., 2021, p. 4.
Os direitos da primeira geração também estão relacionados 
aos direitos políticos, que foram conquistados gradativamente, no 
decorrer dos séculos XVIII, XIX e XX, à medida que países, em especial 
os ocidentais, alteraram suas formas de governo de monarquia para 
democracia.
A luta pelos direitos políticos ainda se faz presente no mundo 
contemporâneo, seja nos países que adotam regimes ditatoriais, 
seja em países nos quais a democracia ainda não está plenamen-
te estabelecida. A existência de presos e exilados políticos mostra 
como o tema é ainda bastante atual. Os direitos políticos são con-
siderados por Tosi (2009) como direitos positivos, visto que buscam 
garantir a liberdade de expressão e a participação do indivíduo nas 
decisões e ações do grupo social.
Já os direitos de segunda geração, estão ligados principalmente 
a aspectos econômicos e surgiram com as lutas da classe trabalha-
24 Direitos humanos e relações sociais
dora pela garantiade condições dignas de trabalho e remuneração, 
as quais são asseguradas pelo Estado pelas legislações específicas 
que regulam as relações trabalhistas, como a Consolidação das Leis 
do Trabalho (CLT) brasileira (FERREIRA FILHO, 2005).
Incluem-se também nos direitos dessa geração a garantia de 
igualdade e bem-estar social, como o direito à educação gratuita, à 
proteção de crianças e adolescentes (como a proibição do trabalho 
infantil) e às manifestações culturais. Segundo Tosi (2009), a maioria 
desses direitos de segunda geração ainda não estão totalmente ga-
rantidos legalmente na maioria dos países.
Bonavides (2003) e Ferreira Filho (2005) explicam que os direi-
tos de segunda geração, mesmo quando garantidos pela legislação, 
eram vistos em muitos países, inclusive no Brasil, mais como normas 
e ideias a serem buscadas pelo governo, e não como regras de exe-
cução imediata. Como exemplo, as legislações que versam sobre o 
direito à educação gratuita e de qualidade apontam os objetivos de 
médio e longo prazos a serem alcançados por meio do desenvolvi-
mento de políticas sociais e programas de governo.
Os direitos de terceira geração estão relacionados a questões 
supranacionais, que impactam diversos países ou a totalidade da 
humanidade. Entre eles, podemos citar o direito à paz, à garantia 
da preservação do meio ambiente – para que as condições de vida 
da humanidade sejam protegidas –, ao desenvolvimento social e à 
preservação da cultura de que o indivíduo faz parte.
Para Bonavides (2003), esses direitos estão ligados à ideia de so-
lidariedade entre as diversas nações que formam o mundo. A ga-
rantia desses direitos é complexa, pois depende da colaboração de 
Estados e governos com ideologias e visões políticas e econômicas 
diferentes.
Negociações e acordos globais, como o Acordo de Paris – com-
promisso assumido por diversos países para diminuir as emissões 
globais de poluição –, são exemplos de ações desenvolvidas por ins-
tituições e organizações globais com o objetivo de garantir os direi-
tos de terceira geração. Contudo, como esses organismos não têm 
poder de obrigar que os países signatários cumpram as condições 
acordadas, os resultados dependem de aspectos políticos e econô-
micos que podem ser alterados a qualquer momento.
Bases históricas dos direitos humanos 25
Os direitos das três primeiras gerações podem ser identificados, 
com maior ou menor intensidade, nas constituições da maioria dos 
países democráticos, inclusive na constituição brasileira. Segundo 
Ferreira Filho (2005, p. 57), as três gerações dos direitos humanos 
podem ser assim entendidas: “a primeira geração seria a dos direi-
tos de liberdade, a segunda, dos direitos de igualdade, a terceira, 
assim, complementaria o lema da Revolução Francesa: liberdade, 
igualdade e fraternidade”.
Os direitos de quarta geração, como explica Tosi (2009), são 
aqueles ligados às próximas gerações. Cada geração tem um dever 
de garantir que as condições naturais, sociais, econômicas e tecnoló-
gicas das gerações futuras sejam preservadas. Bonavides (2003) afir-
ma que o Estado social estará totalmente institucionalizado assim 
que os direitos de quarta geração estiverem devidamente garanti-
dos na constituição do país.
Apesar de a classificação proposta pelo autor possibilitar enten-
der de maneira organizada os diferentes tipos de direitos humanos, 
eles se entrelaçam e se interligam. Para que o indivíduo possa alcan-
çar plenamente todo o seu potencial como ser humano, precisa ter 
acesso pleno a todos os seus direitos.
O vídeo Acordo de Paris 
para as mudanças climáti-
cas, publicado pelo World 
Wildlife Fund – WWF, 
explica de modo simples 
e direto a Conferência 
de Clima (COP) da ONU, 
realizada em 2015, com 
a participação de 195 
países com o objetivo 
de negociar um acordo 
global para diminuir as 
emissões de gases preju-
diciais ao meio ambiente.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=DMGmfforM3g.
 Acesso em: 21 maio 2021.
Vídeo
1.5 Direitos humanos no Brasil 
Vídeo Existe uma relação intrínseca entre as legislações sobre os direitos 
humanos e os estados democráticos, pois respeitar os direitos dos in-
divíduos é um dos principais valores da República e da democracia. 
Moraes (2003) estabelece uma relação entre os direitos humanos, a 
justiça e o arcabouço jurídico do país. Para o autor, sem respeito aos 
direitos individuais, não é possível garantir a justiça social.
Conforme as Diretrizes Nacionais de Ensino em Direitos Humanos 
(BRASIL, 2013, p. 38), os valores que direcionam as legislações e os 
programas do governo brasileiro quanto aos direitos humanos como:
por valores democráticos entendem-se: (a) O amor à igualdade 
e consequente horror aos privilégios; (b) A aceitação da vonta-
de da maioria legitimamente formada, decorrente de eleições 
ou de outro processo democrático, porém com constante res-
peito aos direitos das minorias; e (c) Em consequência dos tópi-
cos acima, configura-se como conclusivo o respeito integral aos 
Direitos Humanos.
26 Direitos humanos e relações sociais
No entanto, mesmo que as legislações existam e sejam adequa-
das, garantir que os direitos humanos sejam respeitados no cotidiano 
da sociedade é uma tarefa complexa e ainda difícil de ser implemen-
tada. Nogueira (2001) afirma que a democracia, na prática da política 
brasileira, ainda está mais ligada ao rito eleitoral do que à garantia 
real dos direitos humanos de todas as parcelas da população.
Após mais de duas décadas sob regime militar, foi promulgada 
em 1988 uma nova constituição brasileira, que ficou conhecida como 
Constituição Cidadã. Foi o primeiro documento a determinar os direi-
tos e os deveres dos cidadãos, também sendo reconhecido por insti-
tucionalizar os direitos humanos no país. No artigo 5º da Constituição 
de 1988: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes 
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade” (BRASIL, 1988).
Ao institucionalizar os direitos humanos no país, a Constituição 
representou um grande avanço para a proteção dos direitos indivi-
duais. Entretanto, mesmo depois de três décadas de sua promulgação, 
a garantia plena dos direitos dos cidadãos brasileiros ainda não foi 
alcançada.
Por sua grande extensão territorial e grande diversidade cultural 
e étnica, com um povo composto de ondas migratórias provindas de 
diversas origens diferentes e sua história econômica fundada na ex-
ploração das riquezas naturais e dos povos escravizados, o Brasil é um 
país com um grande débito com relação aos direitos humanos de uma 
parcela significativa de sua população (SANTOS; CHAUÍ, 2016).
Mesmo nas grandes capitais brasileiras, o Estado não consegue ga-
rantir a aplicação da lei que protege os direitos naturais do cidadão, 
nem mesmo o direito à vida – o mais básico deles. Situação ainda 
mais grave se observa quanto aos direitos de segunda e terceira ge-
ração, que dependem, em alguns casos, de altos investimentos em 
programas e políticas sociais de longo prazo, que devem estar ligadas 
a um projeto de Estado, mas que muitas vezes sofrem alterações ou 
são abandonadas a cada troca de governo.
Bases históricas dos direitos humanos 27
No Brasil, a garantia dos direitos humanos passa por outro gran-
de desafio: reparar séculos de atraso no que diz respeito à defesa 
dos direitos das minorias, especialmente as minorias étnicas e de 
gênero. Para Paula, Silva e Bittar (2017, p. 3842) as minorias podem 
ser definidas como:
um grupo humano ou social que esteja em uma situação de 
inferioridade ou subordinação em relação a outro, considerado 
majoritário ou dominante. Essa posição de inferioridade pode 
ter como fundamento diversos fatores, como socioeconômico, 
legislativo, psíquico, etário, físico, linguístico, de gênero, étnico 
ou religioso.
A inclusão social dos grupos minoritários é uma das grandes dívi-
das sociaisda sociedade brasileira (URI; URI, 2019), porém é um pro-
cesso lento que não depende apenas da promulgação de leis positivas 
e ações afirmativas. A inclusão envolve mudanças conjuntas em po-
líticas macroeconômicas e sociais que diminuam a concentração de 
riqueza e de renda, pois a distribuição de riqueza entre a população 
se torna cada vez mais desigual, o que aprofunda ainda mais as dívi-
das históricas do Estado brasileiro para com os grupos minoritários.
Segundo Martins e Siqueira (2017), o Brasil é signatário de gran-
de parte dos instrumentos internacionais que abordam os direitos 
humanos, mas, mesmo assim, ainda apresenta grande desigualdade 
social e enfrenta dificuldades para garantir o acesso das populações 
mais pobres a seus direitos.
Dornelles (1998) aponta a falta de conhecimento do cidadão quan-
to a seus direitos e alerta que esse fato pode ser um empecilho para 
que se exija que o governo cumpra seu papel na garantia dos direitos 
humanos da população. Uma das formas de aumentar a percepção 
dos indivíduos vulneráveis a respeito de seus direitos é a educa-
ção (SACAVINO, 2007). Com esse objetivo, em 2013, a Secretaria de 
Direitos Humanos da Presidência da República publicou o Caderno de 
Educação em Direitos Humanos, no qual define as diretrizes nacionais 
de educação sobre os direitos humanos (BRASIL, 2013).
O Caderno de Educação em Direitos Humanos: Diretrizes Nacionais foi 
publicado com o objetivo de definir as diretrizes que norteiam o ensino 
no que se refere aos direitos humanos em cinco eixos da educação:
28 Direitos humanos e relações sociais
Educação 
básica
Educação dos 
profissionais 
de Justiça e 
Segurança
Educação 
e mídia
Educação 
superior
Educação 
não formal
Vyacheslavikus/Shutterstock
Com o objetivo de consolidar na realidade a garantia dos direitos 
humanos presentes na Constituição, o Estado brasileiro lançou em 
1996 o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). O progra-
ma tinha como objetivo garantir tanto os direitos de primeira geração 
quanto os direitos políticos e civis, a proteção da vida, da liberdade 
e a promoção da igualdade de todos os cidadãos, além dos direitos 
de segunda geração, como a educação e a cidadania, e estava alinha-
do com políticas e documentos internacionais de direitos humanos 
(FAISTING; GUIDOTTI, 2019).
O programa foi ampliado e revisto em 2002, passando a ser conhe-
cido como PNDH II. Nessa versão, incluiu-se direitos de segunda gera-
ção, relacionados a questões de proteção econômica, como trabalho, 
moradia e alimentação, bem como questões relacionadas à cultura, 
ao lazer, à educação e à saúde. Foi novamente revisto no ano de 2009 
e a versão conhecida como PNDH III trouxe avanços consideráveis 
para a concretização das leis de proteção dos direitos humanos.
Para Dallari (2004), no que diz respeito aos direitos humanos, o 
texto da Constituição brasileira é rígido e descritivo, incluindo eviden-
temente e de maneira inequívoca diversos direitos humanos da pri-
meira, segunda e terceira gerações. Por outro lado, a Constituição é 
também aberta a mudanças e a novas demandas por direitos e neces-
sidades sociais que surjam com o desenvolvimento da humanidade.
Novas leis são promulgadas à medida que ocorrem mudanças 
sociais, econômicas, naturais e tecnológicas. São exemplos dessa 
constante renovação a Lei n. 12.965, conhecida como Marco Civil da 
Para saber mais sobre 
as Diretrizes Nacionais 
de Educação em Direitos 
Humanos, acesse o site 
da Secretaria em Direitos 
Humanos e leia Educação 
em Direitos Humanos: 
Diretrizes Nacionais. Esse 
documento apresenta os 
princípios da dignidade 
humana, considerando 
que todos os cidadãos 
têm igualdade de direitos, 
visando à aceitação das 
diferenças entre os indiví-
duos, à diversidade social 
e buscando a sustentabi-
lidade socioambiental.
Disponível em: https://www.gov.
br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/
educacao-em-direitos-humanos/
DiretrizesNacionaisEDH.pdf. Acesso 
em: 25 mar. 2021.
Site
https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/educacao-em-direitos-humanos/DiretrizesNacionaisEDH.pdf
https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/educacao-em-direitos-humanos/DiretrizesNacionaisEDH.pdf
https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/educacao-em-direitos-humanos/DiretrizesNacionaisEDH.pdf
https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/educacao-em-direitos-humanos/DiretrizesNacionaisEDH.pdf
Bases históricas dos direitos humanos 29
Internet (BRASIL, 2014), e a Lei n. 13.709, chamada de Lei Geral da Pro-
teção de Dados (BRASIL, 2018), promulgadas para garantir o direito à 
privacidade dos dados pessoais dos indivíduos no contexto do de-
senvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação, uma 
realidade que não existia no ano de 1988, quando a Constituição foi 
promulgada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A busca pela garantia dos direitos humanos pode ser identificada em 
diversos momentos da história humana e tem raízes na filosofia, na polí-
tica e na evolução das legislações nacionais. O tema ganhou centralidade 
por meio das grandes mudanças econômicas, sociais e políticas que mar-
caram a transição da Idade Média para a Idade Moderna e, posteriormen-
te, para a Idade Contemporânea.
A partir da segunda metade do século XX, após a Segunda Guerra 
Mundial, o surgimento de organizações internacionais, como a ONU, fez 
com que a busca pela garantia dos direitos humanos se tornasse uma 
preocupação global.
No Brasil, apesar de a Constituição de 1988 ter como um de seus prin-
cípios a proteção dos direitos humanos, na prática cotidiana de nossa 
sociedade, uma grande parcela da população ainda não goza plenamente 
de seus direitos.
ATIVIDADES
1. Explique os conceitos filosóficos de estado de natureza e estado social.
2. Conceitue os direitos humanos de primeira, segunda, terceira e quarta 
gerações.
3. Explique a importância da Constituição Francesa de 1791 e da 
Constituição Americana de 1787 para os direitos humanos.
REFERÊNCIAS
ALVES, J. A. L. A ONU e a proteção aos direitos humanos. Revista Brasileira de Política. Internacional, 
Brasília, v. 37, n. 1, p. 134-145, 1994. Disponível em: http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/
lindgrenalves/lindgren_alves_onu_protecao_dh.pdf. Acesso em: 21 maio 2021.
AQUINO, T. de. Suma teológica VI. São Paulo: Edições Loyola, 2005.
ARENDT, H. O que é política? 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Trad. de António de Castro Caeiro. São Paulo: Atlas, 2009.
Vídeo
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/lindgrenalves/lindgren_alves_onu_protecao_dh.pdf
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/lindgrenalves/lindgren_alves_onu_protecao_dh.pdf
30 Direitos humanos e relações sociais
BONAVIDES, P. Curso de direito constitucional. 13. ed. São Paulo: Malheiros, 2003.
BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 
5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.
htm. Acesso em: 21 maio 2021.
BRASIL. Lei n. 12.965, de 23 de abril de 2014. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 24 abr. 2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2014/lei/l12965.htm. Acesso em: 21 maio 2021.
BRASIL. Lei n. 13.709, de 14 de agosto de 2018. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 15 ago. 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2018/lei/L13709.htm. Acesso em: 21 maio 2021.
BRASIL. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Educação em 
Direitos Humanos: Diretrizes Nacionais. Brasília, DF: Coordenação Geral de Educação 
em SDH/PR, 2013. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_
docman&view=download&al ias=32131-educacao-dh-d i retr i zesnac iona is -
pdf&Itemid=30192. Acesso em: 21maio 2021.
CAXITO, F. Desafios contemporâneos e inovação na gestão pública. Curitiba: IESDE, 2020.
DALLARI, D. de. A. Direitos e cidadania. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2004.DECLARAÇÃO de direitos do homem e do cidadão – 1789. USP, Biblioteca Virtual de 
Direitos Humanos, 2021. Disponível em: http://www.direitoshumanos.usp.br/index.
php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-
Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-
cidadao-1789.html. Acesso em: 21 maio 2021.
DONNELLY, J. The relative universality of human rights. Human Rights Quarterly, v. 29, p. 281-306, 
2007. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/20072800?seq=1. Acesso em: 21 maio 2021.
DORNELLES, J. R. W. O desafio da educação em direitos humanos. Cadernos Nuevamérica, 
Rio de Janeiro, n. 78, p. 10-13, 1998.
FAISTING, A. L.; GUIDOTTI, V. H. R. Desenvolvimento e direitos humanos: um balanço dos 
10 anos do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Pracs: Revista Eletrônica de 
Humanidades do Curso de Ciências Sociais da UNIFAP, v. 12, n. 3, p. 33-50, 2019. Disponível em: 
https://periodicos.unifap.br/index.php/pracs/article/view/5470. Acesso em: 21 maio 2021.
FERREIRA FILHO, M. G. Direitos humanos fundamentais. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
JERÓNIMO, P. Dos tratados filosóficos aos tratados internacionais: uma breve história dos direitos 
humanos. In: SERRA, C. (org.). O que são direitos humanos? Lisboa: Escolar, 2019. Disponível em: 
http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/61257. Acesso em: 21 maio 2021.
HOBBES, T. Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. São Paulo: 
Martin Claret, 2014.
LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Lebooks, 2018.
MARTINS, P. H.; SIQUEIRA, D. P. Desenvolvimento humano, convenções internacionais 
e a concretização de direitos: o impacto dos compromissos internacionais na 
implementação das políticas públicas brasileiras. Revista Direitos Humanos e Democracia, 
v. 5, n. 10, p. 264-305, 2017. Disponível em: https://revistas.unijui.edu.br/index.php/
direitoshumanosedemocracia/article/view/6790. Acesso em: 21 maio. 2021.
MATSUURA, O. T. Timeu: a cosmologia de Platão. São Paulo: Edição do Autor, 2019. Disponível 
em: https://www.iag.usp.br/sites/default/files/Timeu.pdf. Acesso em: 21 maio 2021.
MARX, K.; ENGELS, F. O manifesto comunista. São Paulo: Paz & Terra, 2008.
MIRANDA FILHO, M. A tradição filosófica dos direitos humanos e da tolerância. Revista 
Interdisciplinar de Direitos Humanos, v. 1, n. 1, p. 17-30, 2013. Disponível em: https://www3.
faac.unesp.br/ridh/index.php/ridh/article/view/152. Acesso em: 21 maio 2021.
MORAES, A. de. Direitos humanos fundamentais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm
 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=32131-educacao-dh-diretrizesnacionais-pdf&Itemid=30192
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=32131-educacao-dh-diretrizesnacionais-pdf&Itemid=30192
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=32131-educacao-dh-diretrizesnacionais-pdf&Itemid=30192
http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.direitoshumanos.usp.br%2Findex.php%2FDocumentos-anteriores-%25C3%25A0-cria%25C3%25A7%25C3%25A3o-da-Sociedade-das-Na%25C3%25A7%25C3%25B5es-at%25C3%25A9-1919%2Fdeclaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html&sa=D&sntz=1&usg=AFQjCNE_8pxd6m3PnuUBzbGjy47qK-QaQw
http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.direitoshumanos.usp.br%2Findex.php%2FDocumentos-anteriores-%25C3%25A0-cria%25C3%25A7%25C3%25A3o-da-Sociedade-das-Na%25C3%25A7%25C3%25B5es-at%25C3%25A9-1919%2Fdeclaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html&sa=D&sntz=1&usg=AFQjCNE_8pxd6m3PnuUBzbGjy47qK-QaQw
http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.direitoshumanos.usp.br%2Findex.php%2FDocumentos-anteriores-%25C3%25A0-cria%25C3%25A7%25C3%25A3o-da-Sociedade-das-Na%25C3%25A7%25C3%25B5es-at%25C3%25A9-1919%2Fdeclaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html&sa=D&sntz=1&usg=AFQjCNE_8pxd6m3PnuUBzbGjy47qK-QaQw
http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.direitoshumanos.usp.br%2Findex.php%2FDocumentos-anteriores-%25C3%25A0-cria%25C3%25A7%25C3%25A3o-da-Sociedade-das-Na%25C3%25A7%25C3%25B5es-at%25C3%25A9-1919%2Fdeclaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html&sa=D&sntz=1&usg=AFQjCNE_8pxd6m3PnuUBzbGjy47qK-QaQw
https://www.jstor.org/stable/20072800?seq=1
https://periodicos.unifap.br/index.php/pracs/article/view/5470
http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/61257
https://revistas.unijui.edu.br/index.php/direitoshumanosedemocracia/article/view/6790
https://revistas.unijui.edu.br/index.php/direitoshumanosedemocracia/article/view/6790
https://www.iag.usp.br/sites/default/files/Timeu.pdf
https://www3.faac.unesp.br/ridh/index.php/ridh/article/view/152
https://www3.faac.unesp.br/ridh/index.php/ridh/article/view/152
Bases históricas dos direitos humanos 31
NEIVA, H. L. M. Nas profundezas do physei dikaion: o direito natural à luz do símbolo. 
Revista Jurídica Eletrônica da UFPI, v. 1, n. 1, 2011. Disponível em: http://revistas.ufpi.br/
index.php/raj/article/view/1085. Acesso em: 21 maio 2021.
NOGUEIRA, M. A. Em defesa da política. São Paulo: Senac, 2001.
ONU: mundo tem mais de 40 milhões de vítimas da escravidão moderna. ONU News, 2019. 
Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2019/12/1696261. Acesso em: 21 maio 2021.
PAULA, C. E. A.; SILVA, A. P. da.; BITTAR, C. M. L. Vulnerabilidade legislativa de grupos 
minoritários. Ciência e saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 22, n. 12, p. 3841-3848, dez. 2017. 
Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csc/2017.v22n12/3841-3848/pt/. Acesso 
em: 21 maio 2021.
PLATÃO. Górgias: coleção clássicos gregos e latinos. 6. ed. Lisboa: Edições 70, 2006.
RANCIÈRE, J. O desentendimento: política e filosofia. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2018.
RELATÓRIO anual: pena de morte em 2019. Anistia Internacional, 2021. Disponível em: https://
anistia.org.br/informe/relatorio-anual-pena-de-morte-em-2019/. Acesso em: 21 maio 2021.
ROSA, A. E. M. P. A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e a liberdade de 
orientação sexual: interpretação do caso brasileiro. In: 1º SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE 
CIÊNCIA POLÍTICA. Anais [...]. Porto Alegre: UFRGS, 9-11 set. 2015. Disponível em: https://
www.ufrgs.br/sicp/wp-content/uploads/2015/09/1.-ROSA-Aruan%C3%A3-Emiliano-
Martins-Pinheiro-A-Declara%C3%A7%C3%A3o-Universal-dos-Direitos-Humanos-de-1948-
e-a-liberdade-de-orienta%C3%A7%C3%A3o-sexual-interpreta%C3%A7%C3%A3o-do-caso-
brasileiro.pdf. Acesso em: 21 maio 2021.
ROUSSEAU, J. J. Do contrato social. São Paulo: Martin Claret, 2013.
SACAVINO, S. Direitos humanos à educação no Brasil: uma conquista para todos/as?. In: 
SILVEIRA, R. M. G. et al. (org.). Educação em direitos humanos: fundamentos metodológicos. 
João Pessoa: Universária, 2007.
SALLES, F. C. O papel da ONU e do Banco Mundial na consolidação do campo 
internacional de desenvolvimento. Contexto internacional, Rio de Janeiro, v. 37, n. 2, 
p. 347-373, maio/ago. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0102-85292015000200347&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 21 maio 2021.
SANTOS, B. de. S.; CHAUÍ, M. Direitos humanos, democracia e desenvolvimento. São Paulo: 
Cortez, 2016.
SOUZA, C. Políticas públicas: uma revisão de literatura. Sociologias, Porto Alegre, v. 8, n. 16, 
p. 20-45, jul./dez. 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/soc/n16/a03n16.pdf. 
Acesso em: 21 maio 2021.
TOSI, G. O significado histórico e o alcance da declaração universal de 1948. João Pessoa: 
Escola Judicial e de Administração Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho – 13ª 
Região, 2009. Disponível em: http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/tosi/tosi_dudh_
siginificado_1948.pdf.

Mais conteúdos dessa disciplina