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DIREITO PROCESSUAL PENAL - TEORIA EM QUESTÕES - LIBERDADE PROVISÓRIA E PRISÃO

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Prof. Mateus Tenório 
 
1. PRISÃO EM FLAGRANTE 
 
• Natureza: Administrativa, não depende de ordem judicial, mas só é permitida nas hipóteses legais (art. 302, CPP). 
 
• Modalidades: 
o Flagrante Próprio: Pessoa é pega cometendo o crime ou logo após (art. 302, I e II, CPP). 
o Flagrante Impróprio: Pessoa é perseguida logo após o crime, em situação que presume sua autoria (art. 302, 
III, CPP). 
o Flagrante Presumido: Pessoa é encontrada logo após, com objetos ou armas que indiquem autoria (art. 302, 
IV, CPP). 
 
• Sujeitos: 
o Ativo: Qualquer pessoa (facultativo) ou autoridade policial/agentes (obrigatório). 
o Passivo: Em regra, qualquer pessoa, salvo exceções (e.g., menores de 18 anos são apreendidos; juízes, só em 
crimes inafiançáveis). 
 
• Etapas: 
 
1. Captura 
2. Condução coercitiva 
3. Lavratura do Auto de Prisão em Flagrante (APF) 
4. Recolhimento ao cárcere. 
 
Procedimento: Autoridade ouve condutor, testemunhas, vítima (se possível) e o preso, lavrando o APF (art. 304, CPP). Se não 
houver testemunhas do fato, duas pessoas que viram a apresentação assinam (art. 304, § 2º, CPP). 
 
Comunicação: Prisão e local devem ser informados imediatamente ao juiz, MP, família ou pessoa indicada (art. 306, CPP). Em 
24h, APF é enviado ao juiz e uma nota de culpa é entregue ao preso. 
 
2. PRISÃO PREVENTIVA 
 
• Natureza: Cautelar, decretada pelo juiz durante investigação ou processo para evitar prejuízos (art. 311, CPP). 
• Quem Decreta: Juiz, a pedido do MP, querelante, assistente ou por representação da autoridade policial. Não cabe ex 
officio (Súmula 676, STJ). 
 
• Pressupostos: 
o Prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria (fumus comissi delicti). 
o Perigo gerado pela liberdade do imputado (periculum libertatis). 
 
• Fundamentos (art. 312, CPP): 
o Garantia da ordem pública 
o Garantia da ordem econômica 
o Conveniência da instrução criminal 
o Assegurar a aplicação da lei penal. 
 
• Hipóteses de Cabimento (art. 313, CPP): 
o Crimes dolosos com pena máxima superior a 4 anos. 
o Réu reincidente em crime doloso (ressalvado art. 64, I, CP). 
o Crimes com violência doméstica contra mulher, criança, idoso, etc., para garantir medidas protetivas. 
o Dúvida sobre identidade civil do acusado. 
LIBERDADE PROVISÓRIA E PRISÃO 
Prof. Mateus Tenório 
 
• Vedação: Não cabe se o fato for acobertado por excludente de ilicitude (art. 314, CPP). 
• Fundamentação: Deve ser motivada, com fatos novos ou contemporâneos (art. 315, CPP). 
• Revisão: Necessidade reavaliada a cada 90 dias, de ofício, sob pena de ilegalidade (art. 316, CPP), mas atraso não 
implica liberação automática (jurisprudência do STJ). 
 
3. PRISÃO TEMPORÁRIA 
 
• Natureza: Cautelar, regulada pela Lei 7.960/89, aplicável só na fase de investigação. 
• Requisitos Cumulativos (jurisprudência do STF, ADIs 3360 e 4109): 
o Imprescindível para o inquérito policial. 
o Fundadas razões de autoria ou participação em crimes listados (e.g., homicídio doloso, roubo, estupro, etc.). 
o Justificada por fatos novos ou contemporâneos. 
o Adequada à gravidade do crime e condições do indiciado. 
o Insuficiência de medidas cautelares alternativas. 
• Prazos: 
o Regra: 5 dias, prorrogáveis por mais 5 (art. 2º, Lei 7.960/89). 
o Crimes hediondos, tortura, tráfico e terrorismo: 30 dias, prorrogáveis por mais 30 (art. 2º, § 4º, Lei 8.072/90). 
• Procedimento: Requerida por MP ou autoridade policial, decidida em 24h pelo juiz, com fundamentação. Mandado 
inclui prazo e data de liberação (art. 2º, § 4º-A, Lei 7.960/89). 
 
4. LIBERDADE PROVISÓRIA 
 
• Conceito: Medida que permite ao preso responder ao processo em liberdade, com ou sem fiança, se inadequada a 
prisão preventiva. 
 
• Audiência de Custódia (art. 310, CPP): 
o Realizada em 24h após prisão em flagrante, para avaliar legalidade e necessidade da prisão. 
o Juiz pode: 
1. Relaxar prisão ilegal. 
2. Converter em preventiva, se presentes requisitos do art. 312, CPP, e insuficientes outras medidas. 
3. Conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. 
 
• Condições: 
o Liberdade provisória pode ser concedida se o agente atuou sob excludente de ilicitude (art. 310, § 1º, CPP). 
o Vedada se réu for reincidente, integrar organização criminosa armada, milícia ou portar arma de uso restrito 
(art. 310, § 2º, CPP). 
 
• Ilegalidade: Prisão em flagrante ilegal deve ser relaxada, não confundir com liberdade provisória. Audiência de custódia 
por videoconferência é admitida (STF, ADIs 6298-6305). 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
• Prisões cautelares (preventiva e temporária) exigem fundamentação concreta, respeitando a contemporaneidade e a 
inadequação de medidas alternativas. 
 
• Liberdade provisória visa equilibrar a presunção de inocência e a necessidade de cautela, sendo analisada na audiência 
de custódia, alinhada ao Pacto de San José da Costa Rica. 
 
 
Prof. Mateus Tenório 
QUESTÕES 
 
1. João é empresário e atua no setor de construção civil. Em 2018, ele 
foi investigado e acusado pelo Ministério Público de participar de um 
esquema de corrupção envolvendo obras públicas em um município da 
Baixada Fluminense. Durante a investigação, foram levantadas provas, 
como documentos e depoimentos de testemunhas, que apontavam 
para a participação de João em um esquema de desvio de verbas 
públicas. Em 2020, João foi condenado, em primeira instância, a uma 
pena de 12 anos de reclusão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro, 
tendo sido determinante para a sua condenação a não comprovação de 
origem lícita para recursos encontrados na sede da empresa na ocasião 
de cumprimento de mandado de busca e apreensão. O advogado de 
João recorreu da decisão, e o processo foi levado à segunda instância. 
No final de 2022, o Tribunal de Justiça confirmou a condenação de João, 
reduzindo a pena para 10 anos, mas mantendo os demais itens da 
condenação, como o reconhecimento da responsabilidade de João 
pelos fatos narrados na peça acusatória e a proibição de João atuar 
como administrador de empresa pelo período de cumprimento da 
condenação. Após essa decisão, o advogado de defesa de João entrou 
com recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e com 
recurso extraordinário no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando a 
necessidade de revisão das provas e que João deveria aguardar esses 
recursos em liberdade, como manda o princípio da presunção de 
inocência até o trânsito em julgado. 
 
Com base na situação hipotética, na Constituição de 1988, nos 
tratados de direitos humanos de que o Brasil é signatário e na 
jurisprudência dos tribunais superiores, é correto afirmar: 
 
A) o tratado internacional de direitos humanos conhecido por Pacto de 
San José da Costa Rica contém expressa exigência normativa que 
condiciona o início do cumprimento da pena ao trânsito em julgado da 
sentença condenatória. 
B) o esquema organizatório-funcional estabelecido pelo legislador 
constituinte no tocante à persecução penal estatal garante aos juízes e 
tribunais de segundo grau, além dos tribunais superiores, a 
competência para analisar o conjunto probatório e decidir o mérito das 
causas penais. 
C) o princípio da presunção de inocência não veda a alocação dinâmica 
do ônus da prova sobre a defesa quando se tratar de prova de difícil 
constituição pela acusação em virtude do seu caráter negativo (prova 
diabólica), sendo, porém, garantida a inviolabilidade do escritório da 
empresa, por ser este equiparado ao domicílio. 
D) não há incompatibilidade entre o princípio da presunção de 
inocência e a possibilidade de execução provisória da pena após 
julgamento em segunda instância, sendo afastada, porém, a aplicação 
de outros efeitos da condenação, tais como a perda de cargo ou função 
pública e a perda da primariedade. 
E) é constitucional a regra prevista no artigo 283 do Código de Processo 
Penal, no sentido de condicionar o início do cumprimento da pena ao 
trânsito em julgado do título condenatório, o que não afasta a supressão 
cautelar da liberdade,desde que presentes os pressupostos legais. 
 
2. Considere as seguintes situações hipotéticas de pessoas que estão 
presas preventivamente: 
- Marilda, gestante, cometeu crime de roubo juntamente com outros 
três indivíduos e mediante emprego de arma de fogo. 
- Ricardo, único responsável pelos cuidados do seu filho Mateus, de 10 
anos de idade, cometeu crime de estelionato. 
- Rodolfo, 75 anos de idade, cometeu crime de concussão. 
- Giselda, mãe de dois filhos (Renato de 13 anos e Gael de 14 anos) 
cometeu crime de “lavagem” de bens, previsto na Lei nº 9.613/1998. 
 
Nos termos preconizados pelo Código de Processo Penal, presentes 05 
demais requisitos legais, o juiz poderá, em tese, substituir a prisão 
preventiva pela prisão domiciliar APENAS para: 
 
A) Marilda e Giselda. 
B) Marilda, Rodolfo e Giselda. 
C) Ricardo, Rodolfo e Giselda. 
D) Ricardo e Rodolfo. 
E) Ricardo. 
 
3. Sobre o tema “prisão em flagrante”, previsto no Código de Processo 
Penal, assinale a alternativa correta. 
 
A) Qualquer pessoa do povo tem o dever legal de prender aquele que 
for encontrado em flagrante delito. 
B) A prisão em flagrante não será possível na hipótese de infrações 
permanentes. 
C) A falta de testemunhas da infração obstará a lavratura do auto de 
prisão em flagrante. 
D) O auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas 
instrumentárias, caso o preso se recuse a assiná-lo. 
 
4. Sobre a matéria de prisão cautelar e medidas diversas da prisão, 
assinale a alternativa correta. 
 
A) A audiência de custódia é ato que deve ocorrer apenas em casos de 
prisão em flagrante delito, considerando que se trata de prisão pré-
cautelar. 
B) A reincidência, por si só, é circunstância que autoriza a decretação 
de prisão preventiva. 
C) A prisão preventiva pode ser decretada nos crimes dolosos e 
culposos, apenados com pena máxima superior a 4 anos. 
D) É possível a substituição da prisão preventiva pela domiciliar à 
mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou 
pessoas com deficiência, salvo quando cometido o crime contra o seu 
filho ou dependente ou na hipótese de o crime ter sido cometido com 
violência ou grave ameaça à pessoa. 
E) Na fase de inquérito, não é necessário pedido prévio da parte 
interessada pela decretação de cautelares, que podem ser instituídas 
de ofício. 
 
5. Nos termos do quanto determina o artigo 290 do CPP, se o 
investigado, sendo perseguido, passar ao território de outro município 
ou comarca, o executor 
 
Prof. Mateus Tenório 
A) deverá imediatamente comunicar-se com a autoridade do território 
do outro município ou comarca para que, juntos, sigam na diligência, 
apresentando o preso imediatamente à autoridade local. 
B) poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar, apresentando-
o imediatamente à autoridade local. 
C) não poderá seguir na diligência, sendo obrigatório, contudo, em 
atenção ao princípio da continuidade, comunicar a autoridade local. 
D) deverá imediatamente comunicar-se com a autoridade do território 
do outro município ou comarca para que, juntos, sigam na diligência, 
apresentando-o imediatamente à autoridade de onde a perseguição se 
iniciou. 
E) poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar, apresentando-
o imediatamente à autoridade de onde a perseguição se iniciou. 
 
6. Nos termos do Código de Processo Penal, é correto afirmar, com 
relação à fiança, que: 
 
A) a autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de 
infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 2 
(dois) anos. 
B) o réu afiançado não poderá, sob pena de quebramento da fiança, 
mudar de residência, sem prévia permissão da autoridade processante, 
ou ausentar-se por mais de 10 (dez) dias de sua residência, sem 
comunicar àquela autoridade o lugar onde será encontrado. 
C) em caso de prisão em flagrante, será competente para conceder a 
fiança, exclusivamente, o juiz na audiência de custódia. 
D) a fiança, que será sempre definitiva, consistirá em depósito de 
dinheiro, pedras, objetos ou metais preciosos, títulos da dívida pública, 
federal, estadual ou municipal, ou em hipoteca inscrita em primeiro 
lugar. 
E) depois de prestada a fiança, que será concedida após a 
manifestação do Ministério Público, o processo seguirá para instrução, 
sendo os autos conclusos ao juiz competente. 
 
7. A prisão temporária é cabível quando houver fundadas razões de 
autoria ou participação do indiciado em 
 
A) lesão corporal de natureza grave. 
B) qualquer forma de homicídio doloso. 
C) furto. 
D) estelionato. 
E) peculato. 
 
8. Assinale a alternativa correta. 
A) O representante diplomático não pode figurar no polo passivo da 
prisão em flagrante, exceto pela prática de crime considerado grave. 
B) Ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir 
liberdade provisória com ou sem fiança. Com base nessa afirmação, é 
lícito concluir que a prisão, antes do trânsito em julgado de sentença 
penal condenatória, não é admitida no direito brasileiro, por violar o 
princípio do estado de inocência. 
C) O flagrante não terá força prisional nas hipóteses em que o réu se 
livrar solto. 
D) O advogado pode ser preso em flagrante pela prática de crime 
inafiançável, exceto quando o fato estiver relacionado ao exercício da 
função. 
E) O juiz poderá, de ofício, em qualquer fase do processo, decretar a 
prisão preventiva do acusado, desde que devidamente fundamentada, 
revisando-a a cada 90 (noventa) dias. 
 
9. Sobre as medidas cautelares previstas no Código de Processo Penal, 
assinale a alternativa correta. 
 
A) Podem ser decretadas de ofício pelo Juiz na fase processual e a 
requerimento das partes ou representação da autoridade policial na 
fase investigativa. 
B) Em hipótese de descumprimento de qualquer medida cautelar 
imposta, o Juiz poderá, de ofício ou a requerimento, substituir a medida, 
impor outra em cumulação ou mesmo decretar a prisão preventiva. 
C) Constatada a falta de motivo para que subsista, o Juiz poderá, de 
ofício ou a pedido das partes, revogar a medida cautelar decretada ou 
substituí-la por outra, podendo voltar a decretá-la, se sobrevier razões 
que a justifiquem. 
D) Somente serão aplicadas a crimes que sejam apenados com pena 
privativa de liberdade máxima superior a 4 anos. 
E) Somente serão aplicadas a crimes dolosos que sejam apenados 
com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 anos 
 
10. Sobre prisão, medidas cautelares, liberdade provisória e prisão 
temporária, o ordenamento jurídico brasileiro dispõe: 
 
A) Será possível a concessão de fiança, ainda que o agente tenha 
praticado crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, 
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. 
B) A prisão temporária, prevista na Lei nº 7.960/1989, será decretada 
pelo Juiz, em face da representação da autoridade policial ou de 
requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de 10 dias, 
prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada 
necessidade. 
C) As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz a requerimento 
das partes ou, quando no curso da investigação criminal, por 
representação da autoridade policial ou mediante requerimento do 
Ministério Público. 
D) Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem 
escrita e fundamentada da autoridade policial competente, em 
decorrência de prisão cautelar ou em virtude de condenação criminal 
transitada em julgado. 
E) Salvo decisão segundo o critério da autoridade policial, é 
desaconselhado o uso de algemas em mulheres grávidas durante os 
atos médico hospitalares preparatórios para a realização do parto e 
durante o trabalho de parto, bem com
o em mulheres durante o período de puerpério imediato.

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