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Relações sociais, trabalho e o serviço
social
O Serviço Social inserido nas relações de produção e reprodução social das relações sociais. A dinâmica
capitalista pensada a partir da discussão acerca do trabalho, como processo dialético.
Prof.ª Gutierrez Alves Lobo
1. Itens iniciais
Propósito
Subsidiar aportes teóricos que permitam a reflexão sobre como o assistente social pode inteirar-se das
relações sociais no desenvolvimento das relações capitalistas é fundamental no seu processo de formação.
Objetivos
Identificar algumas perspectivas teóricas como precursores das ciências sociais.
Analisar as contribuições do materialismo histórico na centralidade do trabalho na dinâmica capitalista.
Reconhecer os elementos que fundamentam a intervenção do Serviço Social no contexto da produção 
e reprodução social na ordem do capital.
Introdução
É bastante comum que os seres humanos tentem estabelecer distância de qualquer semelhança com outros
seres vivos. Por quais razões isso acontece? Quais aspectos nos aproximam ou nos distanciam de outros
seres vivos? Essas questões que soam, em um primeiro momento, como óbvias carregam consigo níveis de
complexidades que precisam ser discutidas. Para tais questionamentos, com certeza temos uma resposta
bastante aligeirada a ser dada: somos seres humanos. 
Pensar que somos seres humanos implica dizer que somos seres sociáveis, dotados de interações sociais,
somos pensantes e mantemos redes de relacionamentos – com amigos, família, vizinhos, colegas de trabalho
etc. Além de mantermos e (re)produzirmos relações sociais dos mais variados níveis, o trabalho também nos
atravessa e se soma a essa primeira característica. Enquanto o trabalho de outros seres vivos é movido
apenas pelo aspecto biológico, como, por exemplo, as formigas e abelhas, para nós o trabalho é uma
atividade teleológica, pensante, projetada e idealizada. Justamente por isso somos seres sociais. 
O trabalho é a força motriz da civilização, sendo por meio dele que os homens conseguem (re)criações
constantes. Na esteira desse pensamento, o trabalho ganha centralidade na nossa vida cotidiana. Por todos
os lados – nos jornais, na internet, nos noticiários de televisão –, sempre falamos sobre trabalho, mesmo sem
um rigor ou aprofundamento teórico. É a partir dessas primeiras reflexões que centraremos o nosso debate
sobre o Serviço Social inserido na produção e reprodução social na ordem do capital. 
• 
• 
• 
1. Os precursores das ciências sociais no Brasil
Nascimento das ciências sociais 
A reprodução da vida humana não é um ato individual, sendo permeada por acontecimentos a partir de um
espaço-tempo onde os indivíduos se constituem em sociedade. O indivíduo dotado de consciência sobre as
transformações que acontecem busca a todo momento compreender o mundo ao seu redor e a si mesmo, isso
é o que o diferencia dos animais. Nessa busca incessante, se gestam as bases para a criação de uma ciência
que possa lhes dar respostas.
É assim que, no século XIX, na desintegração da sociedade feudal e na consolidação da sociedade
capitalista, surge a Sociologia, a “ciência da sociedade”, que veio mudar completamente o modo
como os indivíduos se percebiam até aquele momento.
As ciências sociais, assim como a vida em sociedade, têm suas contradições, portanto a Sociologia constitui
um projeto intelectual tenso e contraditório. Segundo Martins (1994), a Sociologia:
A Sociologia nasceu (BRESSAN, 2008) no contexto de afirmação da Modernidade, na nascente sociedade
industrial capitalista. Todas as teorias sociológicas que conhecemos foram elaboradas sobre essa sociedade e
não explicam apenas os problemas sociais, mas também constroem, de forma aberta e algumas vezes velada,
propostas de ação. Ou seja, as suas formulações e explicações sempre contiveram intenções práticas, um
desejo enorme de interferir no rumo da civilização. Os interesses das classes sociais (MARTINS, 1994) que
são divergentes na sociedade capitalista influenciam sobremaneira na elaboração do pensamento sociológico.
E você sabe o que são classes sociais?
As classes sociais se diferenciam por critérios amplos. No entanto, compartilham algumas características
econômicas, sociais, culturais e políticas. Torna-se mais difícil pensar sobre o compartilhamento dessas
características, pois os indivíduos, durante as suas trajetórias, experimentam situações cada vez mais fluídas
no que tange aos seus aspectos sociais, repertórios culturais etc. 
Como estamos falando da relação das classes sociais no contexto da sociedade capitalista, tomaremos por
base, neste texto, a localização das classes sociais propostas por Marx (2014). Segundo Marx, essas classes
surgem a partir da divisão social do trabalho em dois lados: 
Para alguns… 
Representa uma poderosa arma a serviço
dos interesses dominantes.
Para outros… 
É a expressão teórica dos
movimentos revolucionários.
O modo de produção é impactado pelo processo
industrial.
É importante entender as classes a partir do modo de produção capitalista para compreender a sua relação
com o surgimento e desenvolvimento da Sociologia. Dois eventos importantes (MARTINS, 1994) demarcam a
instalação da sociedade capitalista: a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Esses eventos acarretaram
em transformações econômicas, políticas e culturais importantes, as quais se aceleraram a partir do século
XVIII e apresentaram problemas inéditos para os homens que vivenciavam as mudanças que ocorriam no
ocidente europeu. 
A Sociologia surgiu quase um século depois, mas os acontecimentos desencadeados por essas duas
revoluções foram importantes para acelerar e tornar possível o surgimento das ciências sociais.
O exemplo da Primeira Revolução Industrial
(fins do século XVIII) nos mostra a
desintegração da estrutura de um modo de
produção e a consolidação de outro. Esse novo
modelo também afeta todos os aspectos da
vida social, cultural e política dos indivíduos,
instalando novas formas de organização da
vida social e produzindo novas realidades para
os homens dessa época. 
Quando pensamos na instalação de um sistema
capitalista de produção, nos referimos à
desintegração do sistema feudal (ao menos
formalmente, mesmo que permaneçam algumas
relações estabelecidas e formas veladas de estrutura). Dessa desintegração, abriu-se espaço para outra
sociedade, que se industrializa e urbaniza em ritmo crescente. Aqui se observam alguns importantes aspectos
sociais e culturais, tais como: 
Burguesia (os capitalistas) 
De um lado, encontram-se os donos dos
meios de produção.
Proletários (os trabalhadores) 
De outro, estão aqueles indivíduos que
só possuem a sua força de trabalho.
Reordenação da sociedade ruralizada. Emigração da zona rural para zona
urbana.
Transformação da atividade artesanal
pela manufatureira.
Crescimento demográfico sem
planejamento urbano.
Adesão de mulheres e crianças no
espaço das fábricas nascentes.
No aspecto político, o surgimento do proletariado urbano que começa a se incomodar com as condições de
exploração do seu trabalho é um marco importante para se pensar o seu papel histórico na sociedade
capitalista. 
A origem das ciências sociais
Vamos compreender o contexto em que se deu o nascimento das ciências sociais, apoiando-nos em
elementos históricos, assistindo ao vídeo a seguir?
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Antecedentes teóricos das ciências sociais
Na Inglaterra (MARTINS, 1994), a partir da Revolução Industrial, os pensadores que experimentaram essas
transformações desejavam, naquele momento, produzir conhecimento sobre as novas condições de vida,
visando extrair orientações tanto para manter como para reformar ou mudar radicalmente a sociedade de seu
tempo. 
Nesse momento histórico, alguns pensadores merecem destaque, tais como:
(1771-1858)
Robert Owen
(1775-1833)
William Thompson
(1748-1832)
Jeremy Bentham
Apesar de esses pensadores discordarem em alguns pontos, tinham outros em comum, como, por exemplo,
ao concordarem quea sociedade industrial produzira fenômenos inteiramente novos que eram dignos de
análises.
Entre os pensadores franceses do século XVIII, os iluministas, enquanto ideólogos da burguesia,
posicionavam-se contra os fundamentos da sociedade feudal e as restrições que a classe dominante dessa
sociedade impunha aos interesses econômicos e políticos da burguesia. A junção entre a razão e a
observação fez com que os iluministas analisassem quase todos os aspectos da sociedade. Os trabalhos de
Montesquieu (1689-1755), por exemplo, demonstram uma série de considerações sobre a população, o
comércio, a religião, a moral, a família etc. A concepção do homem era de um ser dotado de razão (MARTINS,
1994), que possuía uma perfeição inata e estava destinado à liberdade e à igualdade social, onde a sua plena
realização passava pela eliminação das instituições, a exemplo da autoridade feudal.
Esses pensadores colocam como urgente a emergência de uma ciência para racionalizar a nova ordem social
que se impôs naquele momento. Essa burguesia emergente, uma vez instalada no poder, se assusta com a
própria revolução que causou. A partir de então, conduz o pensamento para a “reorganização” da sociedade, e
não mais para a “revolução”. Portanto, a tarefa que os fundadores da Sociologia assumem é a de estabilização
da nova ordem.
Para Auguste Comte (1798 – 1857), a nova teoria da sociedade, que ele denominou de “positiva”,
deveria ensinar os homens a aceitar a ordem existente, daí se gestam as bases do que conhecemos
como Positivismo. 
Já na terceira década do século XIX, intensificam-se na sociedade francesa as crises econômicas e as lutas
de classes. Os movimentos de 1848, que partiram da classe trabalhadora, contestadora da ordem capitalista,
passaram a ser reprimidos pelos aparatos do Estado comandados pela burguesia, que, naquele momento
histórico, desejou desmobilizar as pressões populares para criar uma “ordem social estável”. Para refazer uma
consciência nas sociedades, como assim pensavam, o primeiro passo seria conhecê-las, depois fundar uma
ciência capaz de intervir no direcionamento dessa consciência. A Sociologia surge com interesses práticos
nesse direcionamento. Em larga escala, a oficialização da Sociologia foi, portanto, uma criação do Positivismo;
e uma vez assim constituída, legitima intelectualmente o novo regime:
Auguste Comte.
Émile Durkheim.
A Sociologia constitui a base e o fundamento das Ciências Sociais contemporâneas, como a
Antropologia, a Ciência Política, a Economia, a Geografia, a História, o Serviço Social, a Comunicação
Social, etc. Foi por meio da Sociologia que a pesquisa de temáticas diversas foi possível, estabelecendo
várias especialidades: rural, urbana, do trabalho, de Direito, da religião, da cultura, da política, da
economia, etc. O desenvolvimento da divisão do trabalho científico, contudo, estabeleceu uma outra
divisão, compondo o que hoje denominamos de Ciências Sociais particulares. Além da Sociologia,
também a Antropologia, a Ciência Política, a Economia, a Geografia, a História, o Serviço Social, a
Comunicação Social, etc. fazem parte desse campo teórico. Mesmo que cada ciência tenha um campo
particular, elas possuem uma identidade e um fundamento comuns: a existência social do homem. 
(BRESSAN, 2008, p. 9)
Fundamentação teórica: de Comte a Marx
Para o nosso estudo, vamos focar em três grandes autores que apontaram caminhos diferentes em suas
discussões e que fundaram três grandes teorias sobre a sociedade. Estamos falando de Comte e Durkheim,
Marx e Engels e Weber, autores amplamente estudados e considerados fundadores das teorias sociológicas
clássicas.
Saint Simon e Auguste Comte são considerados os fundadores do Positivismo.
Comte foi secretário particular de Simon, mas
ambos divergiram intelectualmente. Comte foi
sem dúvida um pensador e grande entusiasta
da nova sociedade emergente. Acreditava que
a teoria deveria proceder a realidade de forma
“positiva”, e para tanto a ordem deveria ser
estabelecida para a efetivação dessa nova
sociedade.
Essa nova sociedade emergente era a burguesa
capitalista, portanto, fica claro que ele se opôs
às ideias iluministas do século XVIII. Sem querer
destacar essa ideia de origem, nosso objetivo é dar mais ênfase às ideias desses autores e à sua influência na
percepção da sociedade na difusão de suas ideias.
Comte e sua Sociologia positivista consideravam que a ordem existente seria o ponto de partida para a
construção e consolidação dessa nova sociedade. As mudanças que porventura viessem a acontecer
poderiam ser gestadas e executadas pelos cientistas e industriais da época. Como resultado, o progresso
surgiria de forma lenta e gradual a partir do estabelecimento dessa ordem.
Émile Durkheim (1858-1917) se aproxima das
ideias de Comte, pois também tem a ordem
social como objeto de preocupação constante
de suas formulações. Durkheim (MARTINS,
1994) é considerado o pai da Sociologia uma
vez que os seus estudos foram os primeiros a
serem aceitos no rol acadêmico.
Curiosidade
Foi inclusive por intermédio de Durkheim que a Sociologia ingressou nas universidades, sendo
reconhecida academicamente como ciência. 
Suas preocupações em estabelecer um objeto de estudo e um método para a Sociologia passavam pela
indicação de que a Sociologia deveria se ocupar com o estudo dos “fatos sociais”, definidos da seguinte
maneira: 
É um fato social toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma
coação exterior” ou ainda “que é geral no conjunto de uma dada sociedade tendo, ao mesmo tempo,
uma existência própria, independente das suas manifestações individuais. 
(DURKHEIM, 1978, p. 92-93)
Durkheim não acreditava que a raiz dos problemas da sociedade seria de ordem econômica, e sim de certa
fragilidade moral do período que não adequava os indivíduos à ordem social vigente. Por isso, para esse
pensador, os fatos sociais já existiam antes de os indivíduos nascerem, sendo “exteriores” e “coercitivos” a
estes. Os fatos sociais se impunham e os sujeitos eram passivos, incapazes de transformar a realidade em que
viviam. A solução seria criar novos hábitos para o bom funcionamento da sociedade. Nesse sentido, a
Sociologia se encarregaria de buscar soluções para o que considerava “problemas sociais” a fim de controlar a
sociedade e reforçar a manutenção do poder vigente. Fica claro que a perspectiva durkheimiana se baseava
em um certo controle social e de manutenção e preservação da ordem capitalista. 
Contrária a essa manutenção da ordem capitalista, a tradição do pensamento crítico se encontra em Karl Marx
(1818- 1883) e Friedrich Engels.
O método era materialista, pois considerava as questões colocadas pela economia política e
histórica e percebia o movimento temporal e não linear da sociedade. Portanto, o capitalismo não
era considerado como um sistema único e insuperável, mas um sistema transitório, que poderia ser
ultrapassado por outro regime. 
A dialética materialista situa o estudo da sociedade a partir da sua base material. A investigação deveria,
portanto, partir da estrutura econômica da sociedade. Além disso, não se limita a interpretar os fenômenos
sociais, mas também propõe a transformação da realidade. É a classe proletária, a revolucionária na
sociedade, que a partir de sua condição, da exploração de sua força de trabalho, reivindica mudanças tanto
no aspecto político, como a igualdade dos cidadãos, quanto nas condições sociais de vida. A consciência de
classe proletária permitia aos indivíduos perceber que as suas condições materiais e de vida se diferenciavam
bastante dos detentores dos meios de produção, dos burgueses. Para tanto, era necessário superar o modo
de produção capitalista, sistema que provoca exploração e desigualdade. 
A teoria social crítica de inspiração marxista (MARTINS, 1994) não se limitou a ligar política, filosofia e
economia, mas também estabeleceu uma associação entre teoria e prática, ciência e interesse de classe. O
conhecimento da realidade deveria instrumentalizaros indivíduos para a transformação da sociedade, e a
Sociologia deveria contribuir para a realização das mudanças radicais na sociedade.
Karl Marx.
Marx afirmava que os indivíduos não
modificariam a sociedade de maneira
espontânea, mas sob condições históricas
existentes. Portanto, seria necessário todo um
empreendimento crítico, contestador das
relações de exploração entre as classes, e
militante, no qual se empreenderiam esforços
para a construção de uma ordem social justa e
igualitária.
 
A proposta se encontrava no modelo socialista,
comunista.
Fundamentação teórica:
o pensamento de Max Weber
Max Weber (1864-1920) também era crítico do Positivismo, no entanto, afirmava que os indivíduos agem no
mundo movidos por valores escolhidos por eles. Seu intuito teórico foi o de buscar os sentidos que direcionam
os indivíduos dentro do modo de produção capitalista. Para ele, o cientista deveria separar as questões
cientificas das políticas, propondo uma neutralidade científica para estudar a sociedade, se diferenciando do
homem de ação.
Para Weber, a tarefa da ciência social é compreender a ação social, entendida como o ato humano dotado de
sentido para o outro. O ponto de partida da Sociologia seria a compreensão da ação dos indivíduos, mas nem
todos os atos dos sujeitos eram considerados ações sociais.
A ação social, como toda a ação, pode ser determinada: 1) de modo racional referente a fins: por
expectativas quanto ao comportamento de objetos do mundo exterior e de outras pessoas, utilizando
essas expectativas como “condições” ou “meios” para alcançar fins próprios, ponderados e perseguidos
racionalmente, como sucesso; 2) de modo racional referente a valores: pela crença consciente no valor –
ético, estético, religioso ou qualquer que seja sua interpretação – absoluto e inerente a determinado
comportamento como tal, independente do resultado; 3) de modo afetivo, especialmente emocional: por
afetos ou estados emocionais atuais; 4) de modo tradicional: por costume arraigado. 
(WEBER, 1994, p. 15)
Weber, ao contrário de Marx, não considerava o capitalismo injusto, mas a demonstração clara de uma
organização racional que desenvolvia seus intentos dentro de um padrão de eficiência, eficácia e efetividade.
A recepção das tradições sociológicas europeias e norte-americanas no Brasil na cena contemporânea teve
sua institucionalização acadêmica nos meados dos anos de 1930, com a criação da Escola Livre de Sociologia
e Política de São Paulo (1933) e da Seção de Sociologia e Ciência Política da Faculdade de Filosofia da
Universidade de São Paulo (1934). Porém, nesse período, ainda havia um grande obstáculo para a formulação
das atividades de ensino e pesquisa em Sociologia. Somente por volta de 1945 e da mobilização político-
ideológica nos anos 50 e 60 que foram criadas condições favoráveis para a expansão dessas atividades.
Para o Serviço Social, a teoria crítica marxista e o seu método constituem o seu principal campo teórico e de
investigação, já que a questão social é compreensível a partir da contradição existente no modo de produção
capitalista. Então, é a dimensão de totalidade que leva à compreensão da questão social e de suas
expressões, permitindo, assim, que esses profissionais possam realizar de forma mais contundente as suas
intervenções. Além disso, a partir do projeto ético-político da profissão que se adota o materialismo histórico-
crítico para a superação dessa forma de sociabilidade capitalista. A profissão também contempla esse
direcionamento social já que se insere na divisão sociotécnica do trabalho, categoria central nas formulações
marxianas. Na contemporaneidade, o capital buscou na reestruturação produtiva a solução para superar a sua
crise, ficando mais clara a falência desse sistema e a urgência de sua superação.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
A sociedade sob a ótica de A. Comte
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A sociedade sob a ótica de E. Durkheim
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Verificando o aprendizado
Questão 1
1) Corrente do pensamento filosófico, sociológico e político segundo a qual a nova ciência das sociedades
deveria igualar-se às demais ciências da natureza que se pautavam em fenômenos observáveis e mensuráveis
para que assim fosse possível aprender as regras gerais que regem o mundo social do indivíduo. A principal
ideia era a de que o conhecimento científico devia ser reconhecido como único conhecimento válido e
verdadeiro. Essa perspectiva ideológica é chamada de:
A
Materialismo histórico
B
Iluminismo
C
Positivismo
D
Darwinismo
E
Crítica dialética
A alternativa C está correta.
O positivismo, como o próprio nome denuncia, parte de uma perspectiva de uma ciência positiva, portanto
essa centralidade na ciência discute a sociedade a partir da sua existência concreta.
Questão 2
“A concepção dos roteiros da história universal que vê a causa propulsora decisiva de todos os
acontecimentos históricos importantes do modo de produção e de troca, na consequente divisão da
sociedade em diferentes classes e nas lutas dessas classes entre si”, o excerto se refere ao:
A
Darwinismo
B
Iluminismo
C
Fato social
D
Positivismo
E
Materialismo histórico
A alternativa E está correta.
A concepção materialista da história considera que a produção e seus aspectos, como a troca de produtos,
as relações sociais de produção, o assalariamento, a divisão de classes, são a base de toda a organização
social, e esta pode ser analisada pelo método materialista histórico crítico.
2. Trabalho e capitalismo na ótica do materialismo histórico
O nascimento do capitalismo
Segundo Marx, o trabalho é o elemento que torna possível a relação ou a integração entre o natural e o social.
Dessa integração, origina-se o que Marx chama de ser social:
Pode-se distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião ou
por tudo que se queira. Mas eles próprios começam a se diferenciar dos
animais tão logo começam a produzir seus meios de vida.
(MARX, 1986, p. 27)
Só o homem é produtor e sujeito de sua própria atividade. Por meio de sua consciência, estabelece seus
próprios fins e orienta-se no sentido de alcançar seus objetivos. 
Nessa perspectiva, o capitalismo não surgiu como uma evolução da sociedade feudal, mas como resposta ao
modelo feudal conflitivo. Esse sistema, já em seu cerne, apresentava um enfrentamento de classes a partir
das relações nos estamentos, onde os servos resistiam à servidão imposta. Uma vez que a escravidão nunca
fora completamente superada, desenvolveu-se uma “nova” relação de classe que uniformizou as condições
dos antigos escravos e dos trabalhadores livres:
Do ponto de vista das mudanças introduzidas na relação senhor-servo, o aspecto mais importante da
servidão foi a concessão aos servos do acesso direto aos meios de sua reprodução. Em troca do
trabalho que estavam obrigados a realizar na terra do senhor, os servos recebiam uma parcela de terra
que podiam utilizar para manter-se e deixar a seus filhos ‘como uma verdadeira herança, simplesmente
pagando uma dívida de sucessão’. É verdade que o senhor podia expulsar da terra os servos rebeldes,
mas isso raramente ocorria, dadas as dificuldades para recrutar novos trabalhadores em uma economia
bastante fechada e devido à natureza coletiva das lutas camponesas. É por isso que, no feudo, como
apontou Marx, a exploração do trabalho sempre dependia do uso direto da força. 
(DOCKES apud FEDERICI, 2017, p.48-49)
Nesse cenário em que a crise do poder feudal era uma realidade, o desenvolvimento do capitalismo se deu
não só pelo processo de acumulação primitiva, mas também pela concentração de vários fatores, tais como:
A expropriação dos meios de subsistência dos trabalhadores europeus e a escravização dos povos
originários da América e da África demandou a transformação do corpo em uma máquina [o corpo-
máquina] de trabalhoe a sujeição das mulheres para a reprodução da força de trabalho. Principalmente,
exigiu a destruição do poder das mulheres, que, tanto na Europa como na América, foi alcançada por
meio do extermínio das ‘bruxas’. A acumulação primitiva foi, então, uma acumulação de diferenças e
divisões dentro da classe trabalhadora, em que as hierarquias construídas sobre o gênero, assim como
sobre a ‘raça’ e a idade, se tornaram constitutivas da dominação de classe e da formação do proletariado
moderno; Não podemos, portanto, identificar acumulação capitalista com libertação do trabalhador,
mulher ou homem (...) pelo contrário, o capitalismo criou formas de escravidão mais brutais e traiçoeiras,
na medida em que implantou no corpo do proletariado divisões profundas que servem para intensificar e
para ocultar a exploração. 
(FEDERICI, 2017, p.119)
As estratégias desse novo modo de produção e suas investidas foram de dimensões estratosféricas, a criação
de uma mão de obra disciplinada e uma mentalidade capitalista se tornam objetivos no que tange aos
aspectos mais arraigados do indivíduo. Nesse sentido, os corpos são fundamentais na luta burguesa pela
apropriação e exploração profunda dos trabalhadores. A alienação dos corpos dos trabalhadores, sua
subordinação e seu controle são aspectos essenciais na relação entre capitalista e trabalhador.
O corpo-máquina
O processo de mecanização dos corpos no modelo capitalista de produção foi uma realidade na época.
Acompanhe a repercussão desse fato assistindo ao vídeo a seguir.
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A primeira máquina do capitalismo
A mecanização dos corpos, enquanto filosofia
capitalista do trabalho, aponta (FEDERICI, 2017)
não apenas para a intensificação da sujeição
dos corpos dos trabalhadores, mas também
para a maximização da sua utilidade social.
 
Uma vez reduzidos a uma ferramenta, os
corpos devem ser abertos à manipulação
ilimitada, fazendo com que a classe dominante
tenha o total controle da natureza individual em
um verdadeiro “sistema de sujeição”.
Desse modo, o comportamento do indivíduo
pode ser calculado, organizado, pensado
tecnicamente e “investido de relações de poder”, transformando todos os aspectos corporais em força de
trabalho. 
O corpo-máquina era a condição necessária para a racionalização capitalista do trabalho. Nesse sentido,
houve uma verdadeira campanha para a maximização da força de trabalho, investindo nessa construção do
novo indivíduo, homogeneizado em seu comportamento. 
Também é possível observar que, desde o
ponto de vista do processo de abstração pelo
qual passa o indivíduo na transição ao
capitalismo, o aprimoramento da “máquina
humana” foi o principal salto tecnológico.
 
Esse foi o passo mais importante no
desenvolvimento das forças produtivas que
teve lugar no período de acumulação primitiva.
Desse modo, pode-se afirmar que a primeira
máquina desenvolvida pelo capitalismo foi o
corpo humano, e não a máquina a vapor,
tampouco o relógio.
O corpo ideológico protelatizado tornou-se também o corpo fiscalizado, controlado de suas paixões e vícios.
A conversão desses corpos para que tenham “bons modos” e “boas maneiras”, além da conquista de seus
mais íntimos segredos, fez parte de um grande processo de “colonização” do proletariado por parte da
burguesia e de uma administração do que era considerado “vadiagem” e excessos.
Exemplo
O controle das horas de lazer e do uso do álcool. Para a burguesia, isso desvirtuava o proletariado da
disciplina necessária ao trabalho. 
Progressivamente, o corpo foi sendo dominado, desnaturalizado, oprimido e explorado em um enfrentamento
constante. Esse corpo “rebelde” precisava ser domesticado, passando a ser reconduzido e subordinado à
racionalização e à sociabilidade do capital. Não se trata de uma relação mecânica entre indivíduos e processo
de produção, ou entre indivíduos e classes sociais, pois esses como seres moventes e movidos de cada
momento histórico podem alterar também as relações de produção.
Para Marx, o trabalho é o ato fundante do ser social, sendo
considerado um dever humano. Os atos de trabalho
(TONET, 2013) impulsionam sempre e necessariamente os
indivíduos para além deles mesmos.
Portanto, o trabalho tem em sua natureza a possibilidade de
produzir mais do que o necessário para a reprodução
daquele que o realizou, sendo isso a complexificação da
divisão do trabalho e a base de sustentação e manutenção
do sistema capitalista de produção.
Essa produção do “mais do que é necessário”, ou o
excedente, denominada por Marx como mais-valia, é também a base de sustentação do sistema de produção
do capital. É importante problematizar que essa forma de trabalho se tornou “comum”, “natural” e “normal” a
partir do capitalismo industrial, mas se percebe que não são tão “normais” assim. 
O indivíduo acorda cedo para “bater o ponto” e desempenhar um trabalho em troca de um salário que
lhe dá apenas as condições de subsistência.
 
1. 
O proletário não controla o seu próprio trabalho, não é o sujeito definidor do produto nem comanda o
processo de produção.
 
O indivíduo encontra-se segmentado e dividido em relação aos outros trabalhadores, com os quais
deve competir em termos de produtividade para se manter no posto.
 
Esse modo de produção apresenta outras características, tais como: a obediência sem questionamento, o
disciplinamento de trabalho, o respeito a hierarquias e aos horários rígidos definidos, o reforço ao
individualismo e a extinção sutil da solidariedade entre seus pares. Toda essa descrição tomada como
“normal” e que deve ser aceita como tal são estratégias que tornam o trabalho cada vez mais alienado.
O trabalho no modo de produção capitalista
Essa forma de trabalho se difere da sociedade feudal. Na sociedade capitalista, especialmente a partir do final
do século XVIII, os trabalhadores vendem sua força de trabalho em troca de um pagamento. O tempo de
trabalho e o espaço para o trabalho são outros. 
1
Disciplina no ambiente de trabalho
O espaço físico da fábrica, e não mais o lar, vai condicionar esse trabalhador a um disciplinamento
constante.
2
Tarefas repetitivas e o trabalhador assalariado
A própria atividade laboral desenvolvida exigirá desse indivíduo – agora trabalhador assalariado –
disciplina na execução de tarefas que são mecanicamente repetitivas.
3
Trabalho de mulheres e crianças na indústria
Outros membros da família, principalmente mulheres e crianças, também são vistos como potenciais
trabalhadores, submetidos sem distinção aos mesmos trabalhos a um custo mais baixo ainda.
4
Custo do trabalho feminino e infantil
Na emergência dessa sociedade, a grande procura pelo trabalho feminino era garantia de trabalho
por um custo menor, e as crianças ainda ganhavam menos do que as mulheres.
5
Objetivo dos proprietários burgueses
Como a produção de mais mercadorias foi o objetivo central dos proprietários burgueses também
foram apresentadas novas formas de aumentar o lucro com a diminuição das despesas, fosse pela
incrementação tecnológica das unidades produtivas fosse pela máxima exploração dos
trabalhadores.
2. 
3. 
6Impacto da tecnologia na produção
A introdução de tecnologia na produção passou a ter rebatimentos para os trabalhadores, pois cada
nova tecnologia representava, na maioria das vezes, a redução dos postos de trabalho em nome do
aumento da produtividade.
Claro que há toda uma trajetória nesse processo, seja de desenvolvimento do próprio capitalismo, também a
ser conhecido como liberalismo econômico, seja de organização dos trabalhadores. Mas é sem dúvida a
tomada de consciência pelo trabalhador que mudará a percepção das suas condições de trabalho. Por
questões de objetivo de nosso estudo, daremos agora um salto para o século XX.
Desde a década de 1970, a fase próspera do capitalismo (ANTUNES, 2002) começou a declinar. Os principais
fatores que motivaram essa derrocada do capital foram: a queda da taxa de lucros, o esgotamento do padrão
Taylorista e Fordista de produção, a hipertrofiado setor financeiro, a crise do estado de bem-estar social
(Welfare State), dentre outros. 
Essa crise estrutural reorganiza as formas de produção, que passa a aderir ao Toyotismo.
No Toyotismo, um modelo mais flexível de produção, o trabalhador se torna mais polivalente e
criativo. 
Há uma exigência a uma maior qualificação profissional e a um maior gerenciamento das funções
desempenhadas pelo trabalhador, para que ele se torne cada dia mais eficiente. Nesse período, houve uma
reorganização do modelo liberal para o modelo neoliberal, que prevê o retraimento das funções do Estado,
além de ajustes no mercado.
No Brasil, esse fenômeno é percebido na década de 1990, onde esse processo de reestruturação produtiva se
articulou com a adesão das ideias neoliberais e com a abertura comercial, o que não se mostrou favorável ao
emprego nacional. Essa conjuntura (LEAL; RÊGO, 2011) veio a combinar crescimentos acentuados das taxas
de desemprego e aumento da informalidade, incluindo pessoas trabalhando sem carteira assinada, autônomos
sem remuneração e os que trabalham para o próprio consumo.
Nos dias atuais, é perceptível como o sistema capitalista foi
incapaz de produzir mais postos de trabalho e de acabar
com as desigualdades sociais. Por outro lado, houve
aumento do desemprego e subempregos, perda de direitos
trabalhistas e a redução de contratos formais de trabalho,
como vemos pelo processo de “uberização do trabalho”. 
Há uma incerteza no mundo do trabalho e na vida em
sociedade, que se apresenta cada vez mais desigual e
desumana com o crescimento de grandes expressões da
questão social, como a fome, a miséria, a falta de moradia, e tantos outros problemas sociais que só se
avolumam.
Trabalho e contemporaneidade 
Trabalho e contemporaneidade na ótica marxista
Chegamos aos dias atuais, onde o sistema capitalista está no seu ápice de crescimento da sua capacidade de
se reproduzir. Em seus tempos áureos, esse sistema produzia e acumulava riqueza, pois tinha a capacidade de
esgotamento dessa produção com uma grande demanda de consumo. 
Hoje, o próprio sistema é provedor de desigualdade, não
criando mais capacidade de consumo entre a população,
que já está empobrecida e desempregada. As crises do
capital se gestam de forma mais recorrente enquanto o
sistema está colapsando. Estamos vivendo uma crise de
decadência do capitalismo, da sua capacidade de
exploração do trabalho. 
A quantidade de trabalhadores “expulsos” do mercado é
maior do que a capacidade do capitalismo de absorver mão
de obra.
Conforme estudamos no módulo anterior, as discussões das ciências sociais afetam sobremaneira a
percepção dos indivíduos sobre a sociedade, reforçando ora uma situação de maior conformidade, se
adensando às ideias de ordem e à manutenção do sistema, ora um entendimento do sistema capitalista de
exploração. Não estamos dizendo que é uma forma linear, uma passagem de alienação para conscientização,
ambas podem conviver simultaneamente. Apenas queremos dizer que as teorias sociais críticas também
possibilitam um engajamento em uma busca de uma transformação dessas condições.
O materialismo histórico, na análise dialética do trabalho no capitalismo, surge como uma
perspectiva para desvelar o modo de produção e as condições da sociabilidade capitalista, os
problemas do sistema e a sua produção de crises, levando ao entendimento de que esse sistema
deve ser combatido e superado. 
Podemos citar (FERNANDES, 2020) ao menos seis razões para encontrar no marxismo ferramentas para
mudar essa realidade desigual, mas já destacamos que não existe fórmula de aplicação do método. A melhor
maneira de aprender é se expondo ao método marxista. É preciso estudar esse método para enxergar a
realidade. Por meio desse viés, são feitas algumas análises, tais como:
Método marxista
O viés teórico de nosso estudo é a análise marxista da realidade, especialmente do capitalismo. Mas
você já deve saber que essa não é única possibilidade de análise. A chamada Escola Austríaca, por
exemplo, tem um viés diametralmente oposto àquele criado por Karl Marx. Você encontrará material
completar sobre isso em nosso Explore +.
1
Análise da realidade
A negação da realidade opressora do sistema capitalista para uma alternativa de maior liberdade.
Para isso, são feitas análises muitas vezes duras da realidade, mas necessárias para entender o
mundo que se busca transformar.
2 Práxis
O fato de o marxismo não trabalhar apenas com teoria, mas também com prática, ou práxis, que
conecta o indivíduo ao que fazer, e não a abstrações vazias.
3
Vida cotidiana
A teoria marxiana, mesmo sendo estudada na academia, extrapola esse ambiente, estando presente
nos espaços de trabalho, nos debates dos movimentos sociais, nas leituras autônomas do dia a dia,
nas manifestações e em todos os aspectos da vida prática do sujeito.
4
Compreensão sistêmica
O método crítico dialético considera a totalidade da realidade, onde é possível compreender o micro
a partir de suas conexões. A sociedade é complexa, e para mudá-la é preciso compreendê-la de
forma sistêmica.
5
Materialidade
A materialidade é um ponto essencial porque faz com que os sujeitos tenham ideais, o foco em
práxis garante que a parte da construção material das condições necessárias para mudar a
realidade esteja sempre presente.
6
Historicidade
A questão da historicidade é muito importante para localizar e compreender todas as
circunstâncias, como foram criadas, e como se sustentam.
Nosso cenário pode ser entendido sob o ponto de vista do método marxista: o capital não se reproduz mais
pela esfera do valor e o desemprego estrutural já é uma realidade, apesar de o capitalismo, durante muito
tempo, desenvolver habilidades de sobreviver ao seu mau funcionamento.
Nessa perspectiva, devemos derrotar as ideias fatalistas de que só o sistema capitalista é o modelo possível,
isso requer de nós uma politização para alcançarmos a consciência dos acontecimentos. As condições postas
e a luta por sobrevivência recaem sobre todo o planeta ao mesmo tempo, com desafios mais comuns que
antes, onde a força da resistência só virá a partir do engajamento coletivo e questionamento dessa estrutura.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Liberalismo econômico e organização dos trabalhadores
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A análise “materialista”, “histórica”, “dialética”
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Conhecer as características do capitalismo, especialmente em sua fase de liberalismo econômico, é
fundamental na compreensão de nosso estudo. Analise as características abaixo no contexto do liberalismo:
 
I - Defesa da propriedade coletiva
II - Livre mercado
III - Estado mínimo
IV - Defesa da igualdade e fraternidade
 
Das características acima, pertencem ao liberalismo:
A
Somente II e III.
B
Somente I e II.
C
Somente I e IV.
D
Somente III e IV.
E
Somente II.
A alternativa A está correta.
O liberalismo econômico começou a ser proposto em meados do século XVIII, sugerindo que o mercado, e
não o Estado, regulasse a economia. Nas crises do modo de produção capitalista, o liberalismo é reeditado
como novo, neoliberalismo, o argumento de que a única forma de se alcançar o bem-estar geral de uma
sociedade seria assegurar aos indivíduos e às empresas plena liberdade de iniciativa e a intervenção do
Estado deveria ser limitada ao mínimo indispensável.
Questão 2
Sistema discutido pelas teorias sociais críticas que dá às classes trabalhadoras o direito de organizar a
sociedade. Nessa perspectiva, o Estado deve propor que todos os membros da sociedade sejam, ao mesmo
tempo, trabalhadores beneficiados pelo resultado coletivo da produção. Estamos falando da forma de
sociabilidade proposta pelo:
A
Capitalismo
B
Socialismo
C
Estado de bem-estar social
D
Estado coletivo
E
Welfare State
A alternativa B está correta.No socialismo, os trabalhadores assumem o controle do Estado, de modo que este e a economia funcionam
tendo em vista os interesses da classe trabalhadora.
3. Produção e reprodução das relações sociais
Produção e reprodução das relações sociais
Ao longo da formação em Serviço Social, é comum ouvir que a profissão se encontra inserida no processo de
produção e reprodução das relações sociais. Mas o que isso significa? É a partir dessa reflexão que
começamos nosso estudo deste módulo. As práticas sociais dos seres humanos são dotadas de significados
sociais. É na dinâmica social, ou seja, na vida em sociedade, através das relações sociais com as coisas e
pessoas, que isso se concretiza. Portanto, as ações humanas são cheias de intencionalidade. 
Inicialmente, é preciso que seja dito que a sociedade é o movimento estabelecido entre as suas
esferas política, econômica e social, nas quais se estabelecem relações e interações na perspectiva
da totalidade.
Mais que a interação entre as estruturas sociais, a sociedade é o conjunto de relações sociais, uma vez que
somos seres sociais por natureza, mesmo quando nos fechamos em nossos mundos, classes e relações. 
Ao mesmo tempo, também somos sujeitos com muitas
necessidades, tais como comer, beber, vestir, de locomoção
e lazer. Algumas dessas necessidades precisam ser
supridas a curto ou longo prazo.
Essas necessidades vêm cada vez mais se dinamizando
com o passar da história e, para a sua saciedade, os
homens estabelecem relação direta com a natureza,
transformando-a em coisas que atendam às suas
demandas. No modo de produção capitalista (na sociedade
burguesa), ao invés de coisas, tudo se transforma em
mercadorias.
É justamente na busca pela produção dos meios de sobrevivência e satisfação das suas necessidades,
mediadas pelo trabalho (enquanto atividade teleológica, pensante, projetada), que os homens passam a se
constituir enquanto seres sociais. Esse aspecto é o que nos diferencia dos demais seres vivos, como os
insetos, que também “trabalham” no mundo natural, mas sem tanto requinte e complexidade. Os homens
utilizam-se da sua consciência e do aspecto social para o trabalho para fabricar os seus próprios
instrumentos; já para os demais seres vivos, o trabalho é apenas uma atividade biológica.
Trata-se de uma relação dialética, pois o homem e a natureza transformam-se mutuamente. Em síntese,
estamos falando do processo de produção e reprodução da vida.
A compreensão do trabalho enquanto eixo fundador da sociabilidade humana pressupõe o reconhecimento de
que as relações sociais construídas ao longo do processo histórico pela humanidade, desde as mais antigas,
estiveram calçadas no trabalho como o fundamento da reprodução da vida, uma vez que é através dessa
atividade que são produzidos os bens socialmente indispensáveis a cada período histórico da vida humana.
Desse modo, o trabalho significa criação, representa-se como a força motriz da civilização, porque é por meio
dele que se materializa a natureza do ser social dos homens.
A produção (IAMAMOTO; CARVALHO, 2006) acontece na vida em sociedade, sendo, portanto, uma atividade
eminentemente social. Na intenção de produzir e reproduzir os meios de vida e de produção, são
estabelecidas relações entre os homens, sendo intermediadas pela transformação da natureza. Vale salientar
que essa relação se complexifica historicamente, pois depende do grau de desenvolvimento das forças
produtivas e do nível de desenvolvimento dos meios de produção, nos dados contextos históricos. Desse
modo, são relações historicamente determinadas. Portanto, a produção é social e histórica.
As relações sociais na lógica capitalista
Em outros contextos históricos, a produção social voltava-se para a subsistência humana, por exemplo, na
relação direta entre os homens e a natureza. No modo de produção capitalista, essa relação fica mais
complexa. A produção social é feita em larga escala e incide nesse processo aspectos como o investimento
tecnológico, a internet, a exploração da força de trabalho e a apropriação da riqueza socialmente produzida.
Isso porque, enquanto determinação histórica, o capitalismo não está voltado para a subsistência humana
apenas, mas também para a acumulação e apropriação privada da riqueza. Diante disso, chamamos atenção
para o fato de que as circunstâncias históricas são determinantes no processo de produção e reprodução das
relações sociais. 
Nesse modelo de sociedade em que vivemos, o capital é uma relação social determinante de todo o
conjunto da vida social. Desse modo, a existência do capital implica a necessidade do trabalho
assalariado, ou seja, um presume o outro.
Exemplo
Pensemos em um indivíduo que herda uma grande herança. Para que ocorra a continuidade e
manutenção da sua riqueza, faz-se necessário que inúmeros sujeitos sejam explorados através da sua
força de trabalho. 
A produção por meio do trabalho nos diferentes estágios das sociedades sempre esteve subjugada às
relações sociais construídas, tecidas pelos próprios seres sociais, muito embora as justificativas para a
manutenção do poder utilizadas pelas classes dominantes colocassem a ordem social como aspecto natural e
inquestionável. Se em outros contextos históricos prevalecia as relações de sangue, de hereditariedade e até
o poder de divindades para a organização das relações, no desenvolvimento do modo de produção capitalista
e sua lógica de produção de bens necessários aos homens, as relações sociais, com seu caráter social e
mediadas pelo trabalho, passaram a ser a obra de contrato acordado entre os homens de forma “livre”, sem
outros aspectos mediadores, como a herança genética e as divindades tão presentes em outros arranjos
histórico-sociais. 
Exemplo
É comum escutarmos dos nossos antepassados que o poder era passado de pai para filho. Ainda
encontramos resquícios dessa tradição, sobretudo em cidades de pequeno porte, em que o prestígio
social e o reconhecimento das pessoas ocorrem pelo sobrenome que possuem. 
No capitalismo, por sua vez, é estabelecida uma relação entre o próprio capitalista e o sujeito que vende a sua
força de trabalho, em uma relação social:
(...) as relações sociais, de acordo com as quais os indivíduos produzem, as relações sociais de
produção alteram-se, transformam-se com a modificação e o desenvolvimento dos meios materiais de
produção, das forças produtivas. Em sua totalidade as relações de produção formam o que se chama
relações sociais: a sociedade e, particularmente, uma sociedade num determinado estágio de
desenvolvimento histórico, uma sociedade com um caráter distintivo e particular (...) O Capital também é
uma relação social de produção. É uma relação burguesa de produção, relação de produção da
sociedade burguesa. 
(IAMAMOTO; CARVALHO, 2006, p. 30)
A expropriação da força de trabalho
Ainda se tratando da relação social estabelecida no capitalismo, ocorre um confronto de interesses entre as
classes, tendo como fio condutor uma mercadoria, aquele que compra e aquele que vende a sua força de
trabalho. 
A partir disso, pode-se tecer a seguinte constatação específica da dinâmica capitalista: as relações sociais
são transformadas em relações econômicas. A problemática reside no fato de que não apenas a força de
trabalho, como também os produtos feitos pelos trabalhadores, no momento em que estão sob os ditames do
capital, pertencem ao capitalista.
Resumindo
Tudo o que se produz ao longo da jornada de trabalho pelos trabalhadores pertence ao capitalista que
detém, inclusive, os lucros obtidos com a mercantilização dos produtos. 
Outra questão pertinente de ser destacada é que a lógica de produção de mercadorias para trocas não
permite que o trabalho se configure como atividade de desenvolvimento das potencialidades humanas, pois
as relações sociais capitalistas se contornam como relações entre coisas e trocas, e não enquanto relações
entre homens livres que, por meio da sua produção, podem acessar e partilhar de forma coletiva a riqueza
social. Observe:
1Produção SocialA priori, quando se fala em produção, somos levados a resumir esse processo apenas à produção de
coisas, de mercadorias, ou seja, objetos palpáveis que tenham funcionalidade na vida cotidiana.
Apesar disso, a produção social encontra-se para além da produção de coisas e objetos, trata-se de
uma relação social, ou seja, entre pessoas e, posteriormente, entre classes sociais.
2
Relações sociais
À medida que o capital se expressa enquanto mercadoria, agregando os meios de produção, ou seja,
matérias-primas e objetos de trabalho, e os meios de vida, que são os aspectos indispensáveis para
a reprodução da força de trabalho, as relações sociais que operam nesse processo são coisificadas,
mistificadas, fetichizadas e mascaradas, pois são antagônicas e desiguais entre classes sociais que
ficam obscurecidas.
3
Reprodução social
A reprodução social, por sua vez, também se encontra para além do aspecto econômico, sendo a
reprodução da totalidade da vida. Desse modo, são reproduzidos valores, crenças, cultura, práticas
políticas, modos de vida que se expressam no cotidiano, trabalho, expressões da “questão social”.
Conforme vimos ao longo de nosso estudo, o homem – enquanto ser social – produz instrumentos como forma
de saciar as suas necessidades no contato que estabelece com a natureza, em um processo dialético, em que
ambos se transformam. Nesse contato, o homem transforma e manipula a natureza, em um processo que lhe
permite relativa autonomia. No entanto, por maior que seja o controle do ser social sobre a natureza, um não
se sobrepõe ao outro. É preciso que exista a vida natural, caso contrário o ser social não existe. Outra reflexão
pertinente a se fazer em torno dessa discussão é sobre a exploração demasiada da natureza, na órbita do
capital, na produção e no consumo de mercadorias em larga escala, destruindo cada vez mais a vida natural e
o planeta. 
Se a produção e reprodução social são mercantilizadas no capitalismo, as relações sociais e de trabalho
também são regidas pelos ditames do capital.
É bastante comum ouvir as pessoas agradecerem a seus
patrões por seus empregos, isso porque as relações sociais
tornam-se tão alienadas que os trabalhadores perdem de
vista a sua condição de produtores da riqueza socialmente
produzida.
Portanto, se não ocorre a venda da força de trabalho, não
existe a produção de mercadoria e riqueza, e é esse
aspecto que merece destaque para nós nesse momento. Se
não existisse força de trabalho, não existiria produção de
mercadorias e riqueza social.
A priori, quando se fala em produção, somos levados a
resumir esse processo apenas à produção de coisas, de mercadorias, ou seja, objetos palpáveis que tenham
funcionalidade na vida cotidiana. Apesar disso, a produção social encontra-se para além da produção de
coisas e objetos, trata-se de uma relação social, ou seja, entre pessoas e, posteriormente, entre classes
sociais.
 
O Serviço Social na dinâmica das relações sociais
O Serviço Social insere-se na dinâmica e na vida social nas suas diversas formas de expressão. É comum que
se diga que a profissão se encontra no campo da produção e reprodução das relações sociais, isso porque, ao
passo que contribui para a reprodução dos interesses e da preservação do capital, também, pelo resultado da
sua intervenção profissional, oferece respostas às demandas e necessidades da classe trabalhadora.
Como já aprendemos, o capital é uma relação social em que participam apenas o capital e o trabalho,
tratando-se, portanto, de uma relação social antagônica e contraditória. Assim, é no fluxo desses
antagonismos entre as classes sociais que se realiza o trabalho profissional dos assistentes sociais.
É no seio dessa polarização entre as classes que se gesta a atuação profissional, em um movimento que,
enquanto permite a continuação dessa sociedade de classes, oferece subsídios e possibilidades de sua
transformação. Portanto, o exercício reflexivo sobre o Serviço Social situa a profissão para além de si mesma,
compreendendo-a na trama dessas relações sociais complexas e contraditórias próprias do capitalismo:
Poder-se-ia afirmar que o Serviço Social, como profissão inscrita na divisão social do trabalho, situa-se
no processo da reprodução das relações sociais, fundamentalmente como uma atividade auxiliar e
subsidiária no exercício do controle social e na difusão da ideologia da classe dominante junto à classe
trabalhadora (...). Porém, como o processo de reprodução das relações sociais é, também, o processo de
reprodução das contradições fundamentais que as conformam, estas se recriam e se expressam na
totalidade das manifestações do cotidiano da vida em sociedade. A instituição Serviço Social, sendo ela
própria polarizada por interesses de classes contrapostas, participa, também, do processo social,
reproduzindo e reforçando as contradições básicas que conformam a sociedade do capital, ao mesmo
tempo e pelas mesmas atividades em que é mobilizado para reforçar as condições de dominação, como
dois polos inseparáveis de uma mesma unidade. 
(IAMAMOTO; CARVALHO, 2006, p. 93-94)
Não é demais lembrar que a profissão do Serviço Social é mobilizada pela burguesia, inserindo-se nos
aparelhos burocrático e institucionais da esfera estatal e de empresas e órgãos de setores privados,
favorecendo a reprodução da força de trabalho. Ao mesmo tempo, participa da legitimação do exercício do
poder existente na contradição entre as classes sociais. 
Então essa profissão exerce apenas a funcionalidade de preservar os interesses da burguesia e do
grande capital? 
Não!
É justamente no movimento contraditório entre as classes que o profissional do Serviço Social encontra
alternativas para se contrapor ao projeto burguês de sociedade. Para isso, precisa ter uma visão crítica e
dialética dessas contradições próprias do capitalismo.
É inegável que existe uma disputa por projetos de sociedade: burguesia versus classe trabalhadora. E isso
reverbera no Serviço Social. No entanto, ao se reconhecer e se comprometer com a classe trabalhadora, junto
aos movimentos sociais, por exemplo, o assistente social insere-se no campo de luta pela sobrevivência dessa
classe, através da garantia de direitos conquistados por meio de lutas no cenário político. 
Pensemos que existe uma rede de serviços e equipamentos, no campo das políticas sociais – saúde,
assistência social, habitação, entre outros – que atuam no enfrentamento das demandas da classe
trabalhadora. São serviços imprescindíveis, porém as respostas dadas por eles como enfrentamento são
mediadas pela classe dominante, estando subordinadas aos interesses político-econômicos dessa esfera.
Desse modo, as respostas dadas pela sociedade e pelo Estado no tocante às expressões da “questão social”
possuem nítida intenção de classe.
A dinâmica das relações sociais
A seguir, entenderemos como a força de trabalho se apresenta no contexto das relações sociais, na sociedade
capitalista.
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A intervenção do Serviço Social na trama das relações
sociais
Como você já deve ter ouvido falar, o Serviço Social tem seu reconhecimento e sua institucionalização na
sociedade capitalista, na sua fase monopolista, o que implicou uma gama de transformações sociais, políticas
e econômicas. Desse modo, à medida que o Estado passa a intervir no processo de regulação da vida social e
dos conflitos entre as classes, sente-se a necessidade de uma profissão que venha a atuar nesse cenário. 
Saiba mais
No Brasil, a profissão legitima-se na década de 1930, como uma estratégia do grande capital e da esfera
estatal, aliados à Igreja Católica, como um mecanismo para regular as manifestações da “questão social”,
que ganhavam cada vez mais o cenário político, exigindo intervenção e trato social. 
A questão social nas múltiplas formas como se expressa, em especial, nas condições objetivas das parcelas
mais empobrecidas da população, torna-se a “matéria-prima” e, portanto, a justificativa para que se constitua
o Serviço Socialna divisão social e técnica do trabalho. A década de 30 marca a regulação do Estado nas
tensões sociais entre as classes que estavam em curso através de medidas, tais como: Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT), o salário mínimo e outras estratégias com caráter controlador, assistencial e paternalista. 
Os problemas sociais eram tidos como individualistas,
moralizadores, conservadores e acreditava-se que, por
meio de uma ação psicossocial, poderiam ser enfrentados.
É nesse quadro que se vislumbra no Serviço Social uma
fértil possibilidade de desenvolvimento nessas relações
sociais. Desse modo, as exigências que são postas à
reprodução social dos trabalhadores empobrecidos se
manifestam em demandas por bens e serviços, cujo
enfrentamento, nesse contexto histórico, exige do Estado
uma ação de cunho assistencial. 
O conservadorismo católico é uma marca histórica presente
na profissionalização do Serviço Social. A partir da década
de 1940, se inicia um gradativo avanço profissional do ponto
de vista técnico ao manter articulação com o Serviço Social norte-americano, por sua vez, orientado pela
teoria social positivista, também conservadora. É a partir dessas questões que se pode dizer que a forma
como o Estado mantém a regulação no campo social produz desdobramentos nas ações da profissão nesse
âmbito. Com isso, é no fluxo da correlação das forças sociais que são dadas condições para modificação.
As abordagens do Serviço Social vêm se transformando com o desenvolvimento do modo de produção
capitalista e nas formas de trato e enfrentamento da questão social. As condições e os determinantes
histórico-sociais se modificam, e isso reverbera na profissão que lida diretamente com as relações sociais, os
sujeitos e demandas das mais variadas ordens. Pensar a profissão implica analisá-la na trama do
desenvolvimento histórico do capital. No contexto histórico de profissionalização do Serviço Social, havia um
traço marcante do conservadorismo na profissão, entre outros aspectos, pela orientação da Igreja Católica.
Nos dias atuais, a profissão tem um claro direcionamento de superar o atual modo de produção a partir da
perspectiva crítica e dialética sobre a realidade social.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Natureza, trabalho e modo de produção capitalista
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O “poder do capital” no modo de produção capitalista
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Verificando o aprendizado
Questão 1
1. Leia o seguinte fragmento: “O processo capitalista de produção expressa, portanto, uma maneira
historicamente determinada de os homens produzirem e reproduzirem as condições materiais da existência
humana e as relações sociais através das quais levam a efeito a produção” (IAMAMOTO, M.; CARVALHO, R.
Relações sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação teórico-metodológica. São Paulo:
Cortez; CELATS, 2006, p. 75).
 
Com base na análise dos autores e a partir das suas compreensões, julgue os itens a seguir:
 
I – A produção social está para além da produção de objetos materiais, tratando-se de uma relação social
entre pessoas e classes sociais.
II – Na sociedade capitalista, o capital se configura enquanto uma relação social, em que o trabalho
assalariado é imprescindível. Desse modo, capital e trabalho assalariado formam uma unidade, em que um se
expressa no outro.
III – A relação que os homens estabelecem no processo de produção e na troca das suas atividades é
invariável conforme o nível de desenvolvimento dos meios de produção.
IV – O capital se manifesta através de mercadorias, que são apenas os meios de produção (matérias-primas e
auxiliares e instrumentos de trabalho).
 
É verdade o que se expressa em:
A
Apenas no item I.
B
Nos itens I e II.
C
Nos itens I, II e III.
D
Nos itens III e IV.
E
Nos itens I, II, III e IV.
A alternativa B está correta.
A produção social é expressivamente histórica e varia de acordo com o nível de desenvolvimento das
forças produtivas nos dados contextos históricos. Trata-se, portanto, de relações históricas determinadas.
Nesse processo, são necessários não apenas os meios de produção, como matérias-primas e instrumentos
de trabalho, mas também os meios de vida, que são imprescindíveis para a reprodução da força de
trabalho.
Questão 2
Leia o fragmento a seguir e responda a questão que se segue:
 
“O assistente social atua no campo social a partir de aspectos particulares da situação de vida da classe
trabalhadora, relativas à saúde, moradia, educação, relações familiares, infraestrutura urbana etc. É a partir
dessas expressões concretas das relações sociais no cotidiano da vida dos indivíduos e grupos que o
profissional efetiva sua intervenção” (IAMAMOTO, M.; 
CARVALHO, R. Relações sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação teórico-metodológica.
São Paulo: Cortez; CELATS, 2006, p. 114).
 
Com base nas suas reflexões feitas até aqui, julgue as alternativas abaixo e marque o item verdadeiro.
A
Por ser contratado por entidades privadas ou por instituições sociais do Estado, o assistente social atua
apenas na preservação e reprodução do capital.
B
Por atender aos ditames e interesses do capital, a profissão se reproduz de forma monolítica e unilateral.
C
As contradições e os antagonismos próprios da dinâmica capitalista gestam a atuação profissional
comprometida com a manutenção da ordem vigente apenas.
D
Por estar inserida no conflito entre as classes sociais, a profissão atua tanto na preservação dos interesses do
capital quanto nas respostas dadas à sobrevivência da classe trabalhadora, diante das suas condições de
vida, historicamente dadas.
E
A(s) forma(s) de intervenção nas expressões da “questão social” não se alteram com as mudanças no
capitalismo e no desenvolvimento das forças produtivas. Assim, as condições concretas de vida dos
trabalhadores são imutáveis.
A alternativa D está correta.
O solo que gesta a atuação do Serviço Social é o conflito entre capital e trabalho. A institucionalização
profissional, por exemplo, é fruto da ação do empresariado e do Estado para controlar as lutas e tensões
sociais. No entanto, ao passo que atende aos interesses do grande capital, também atua dando respostas
às necessidades de sobrevivência dos trabalhadores, criando ainda outras possibilidades diante das
determinações capitalistas. As desigualdades e os antagonismos entre as classes só podem ser superados
com a superação do modo de produção capitalista.
4. Conclusão
Considerações finais
O Serviço Social é um campo de saber dentro das Ciências Sociais que possui natureza eminentemente
interventiva na produção e reprodução das relações sociais, mas não se configura enquanto uma ciência.
Como um ramo de conhecimento, é inegável a vasta produção da categoria sobre temas que envolvem a
sociabilidade burguesa (capitalista), e as dinâmicas de classes – contraditórias e antagônicas– que lhes são
constituintes. É na trama dessas relações na sociedade de classes que a intervenção profissional se
materializa, requerendo condições objetivas e subjetivas para a realização de sua prática, e onde é possível
compreender o real sentido da questão social.
A intervenção e o projeto societário defendido pelo Serviço Social nos dias atuais possuem um
direcionamento marcadamente político, de compromisso com a classe trabalhadora. Para isso, calçada na
tradição marxista, o método crítico-dialético substancia as análises da profissão sobre a totalidade social e os
diversos aspectos e determinantes que envolvem a vida social na sociabilidade capitalista. Por tratar-se de
uma realidade sempre em movimento, compromete-se com a superação da atual ordem social capitalista, por
compreender seus antagonismos, suas desigualdades e a incapacidade de condições civilizatórias entre as
pessoas.
Podcast
Nosso especialista convidado fornecerá agora uma entrevistaacerca do que abordamos ao longo do
conteúdo.
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Para complementar os seus conhecimentos no assunto estudado:
 
Leia o livro Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade no mundo do trabalho,
de Ricardo Antunes, uma ótima opção para aprofundar o viés teórico aqui abordado.
 
Leia o artigo Acumulação, trabalho e desigualdades sociais, de Maria Augusta Tavares, disponível no
site da ABEPSS (Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social).
 
Assista ao vídeo Introdução ao Método de Marx, com José Paulo Netto, disponível (em duas partes) na
Plataforma YouTube. Esse vídeo pode ajudar a compreender ainda mais a proposta apresentada aqui.
 
Leia o artigo que apresenta um viés em forma de contraponto ao tema estudado: A ironia da
consciência de classe marxista: no fim, a tese de Marx é comicamente contraditória, de Antony
Sammeroff.
Referências
ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2002.
 
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PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL. ABEPSS. Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais.
Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009.
	Relações sociais, trabalho e o serviço social
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Os precursores das ciências sociais no Brasil
	Nascimento das ciências sociais
	Reordenação da sociedade ruralizada.
	Emigração da zona rural para zona urbana.
	Transformação da atividade artesanal pela manufatureira.
	Crescimento demográfico sem planejamento urbano.
	Adesão de mulheres e crianças no espaço das fábricas nascentes.
	A origem das ciências sociais
	Conteúdo interativo
	Antecedentes teóricos das ciências sociais
	Robert Owen
	William Thompson
	Jeremy Bentham
	Fundamentação teórica: de Comte a Marx
	Curiosidade
	Fundamentação teórica: o pensamento de Max Weber
	Vem que eu te explico!
	A sociedade sob a ótica de A. Comte
	Conteúdo interativo
	A sociedade sob a ótica de E. Durkheim
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Trabalho e capitalismo na ótica do materialismo histórico
	O nascimento do capitalismo
	O corpo-máquina
	Conteúdo interativo
	A primeira máquina do capitalismo
	Exemplo
	O trabalho no modo de produção capitalista
	Disciplina no ambiente de trabalho
	Tarefas repetitivas e o trabalhador assalariado
	Trabalho de mulheres e crianças na indústria
	Custo do trabalho feminino e infantil
	Objetivo dos proprietários burgueses
	Impacto da tecnologia na produção
	Trabalho e contemporaneidade
	Trabalho e contemporaneidade na ótica marxista
	Análise da realidade
	Práxis
	Vida cotidiana
	Compreensão sistêmica
	Materialidade
	Historicidade
	Vem que eu te explico!
	Liberalismo econômico e organização dos trabalhadores
	Conteúdo interativo
	A análise “materialista”, “histórica”, “dialética”
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Produção e reprodução das relações sociais
	Produção e reprodução das relações sociais
	As relações sociais na lógica capitalista
	Exemplo
	Exemplo
	A expropriação da força de trabalho
	Resumindo
	Produção Social
	Relações sociais
	Reprodução social
	O Serviço Social na dinâmica das relações sociais
	A dinâmica das relações sociais
	Conteúdo interativo
	A intervenção do Serviço Social na trama das relações sociais
	Saiba mais
	Vem que eu te explico!
	Natureza, trabalho e modo de produção capitalista
	Conteúdo interativo
	O “poder do capital” no modo de produção capitalista
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências