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ebook-1-sociologia-e-etica-profissional.pdf
Unidade 1
Livro Didático 
Digital
Silvia Cristina da Silva e Stephanie Freire 
Brito
Sociologia e Ética 
Profissional
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autor 
SILVIA CRISTINA DA SILVA E
STEPHANIE FREIRE BRITO
Silvia Cristina da Silva 
Eu, Silvia, sou mestre interdisciplinar em Educação, Ambiente 
e Sociedade – Unifae, participante docente e discente no mestrado 
em Análise do Discurso – Universidade Federal de Buenos Aires. Sou 
especialista em Docência do Ensino Superior e Direito e Educação – 
Faculdade Campos Elíseos. Pós-graduanda em EAD – Faculdade Campos 
Elíseos. Graduada em Ciências Jurídicas e Sociais – Unifeob. Vice-diretora 
acadêmica na Agência Nacional de Estudos em Direito ao Desenvolvimento 
– Anedd. Especialista em investigação de antecedentes em instituições 
públicas e privadas. Docente e conteudista em diversas instituições 
educacionais para cursos de graduação e pós-graduação. Elaboradora de 
questões para concursos públicos em várias organizadoras. Gravadora, 
redatora, tradutora e intérprete da língua espanhola. 
Stephanie Freire Brito
Eu, Stephanie, sou mestranda em Administração – PPGA/UFCG, 
com MBA em Marketing e Inteligência de Mercado. Desenvolvo a escrita 
de materiais didáticos na área de Ciências Sociais, Educação, Tecnologias, 
Administração e Ambiente. 
Somos apaixonadas pelo que fazemos e gostamos muito de 
transmitir nossas experiências de vida àqueles que estão se iniciando em 
suas profissões. Por isso, fomos convidadas pela Editora Telesapiens para 
integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em 
poder ajudar vocês nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco!
AS AUTORAS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda 
vez que:
ICONOGRÁFICOS
INTRODUÇÃO: 
para o início do 
desenvolvimento 
de uma nova com-
petência;
DEFINIÇÃO: 
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA: 
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE: 
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA? 
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA: 
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou 
discutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO: 
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO: 
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
A construção do campo da Sociologia.......................................10
Preparação para o nascimento da Sociologia......................................10
Como e por que a Sociologia surge?..........................................................12
Conceitos básicos e conhecimentos em Sociologia............19
O que é de fato a Sociologia?............................................................................19
Como surgiu a Sociologia no Brasil?............................................................24
Percurso de ética sociológica e atribuições práticas..........28
Ética sociológica............................................................................................................28
O que é sociologia moral?.....................................................................................33
A Sociologia no campo científico relacionada ao contexto 
prático.......................................................................................................36
Conhecimento em Sociologia: da ciência à prática social.......36
Técnicas de pesquisa em Sociologia.........................................................40
Sociologia e Ética Profissional 7
UNIDADE
01
Sociologia e Ética Profissional8
Você sabia que o campo da Sociologia é importante para todas 
as profissões e que o conhecimento sobre sua construção nos faz 
compreender claramente a estrutura de sociedade que temos hoje? Isso 
mesmo, sem falar que a compreensão da Sociologia e de seus temas 
vinculados nos transformam em profissionais cada vez mais capazes de 
beneficiar o mundo e agregar boas práticas a partir de nossos ofícios. 
Elementos de estudo, como a ética relacionada aos fatores sociais, fazem-
nos compreender como contribuir para o bem-estar de uma sociedade 
e é possível vincular esse tipo de prática a qualquer que seja nosso 
ambiente profissional. Conhecer os tipos, as dificuldades e os exemplos 
de práticas com embasamento sociológico pode fazer toda a diferença na 
sua carreira. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você mergulhará 
nesse universo!
INTRODUÇÃO
Sociologia e Ética Profissional 9
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso propósito é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o 
término desta etapa de estudos:
1. Compreender os fundamentos do processo de construção da 
Sociologia.
2. Conhecer os conceitos básicos e fundamentais da Sociologia e 
como ocorreu o seu surgimento no Brasil.
3. Inteirar-se sobre a ética no âmbito da Sociologia e as práticas da 
sociologia moral.
4. Compreender as formas de produção de conhecimento em 
Sociologia e os referentes métodos de pesquisa.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho! 
OBJETIVOS
Sociologia e Ética Profissional10
A construção do campo da Sociologia
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
os fundamentos básicos que propiciaram o surgimento 
da Sociologia e o que embasará os estudos sociológicos. 
Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E 
aí, motivado para desenvolver essa competência? Então, 
vamos lá. Avante!
Preparação para o nascimento da 
Sociologia
Antes de iniciarmos com maior afinco sobre a construção da 
Sociologia, convém compreender a evolução dos estudos relacionados 
aos homens, a sua organização em grupos e como eles construíram a 
sociedade.
O conhecimento a respeito das relações entre os homens e o seu 
convívio social começou a ser desenvolvido muito antes do século XIX. 
No entanto, o enfoque utilizado era predominantemente apoiado nos 
requisitos religiosos ou fundamentados nas leis e regras definidas a fim 
de manter uma ordem de comportamento entre os homens.
EXPLICANDO MELHOR:
Na verdade, o pensamento social tem seus primeiros 
registros na Grécia Antiga, partindo de pensadores clássicos 
e helênicos, como Platão e Aristóteles. Na ocasião, o 
pensador já desenvolvia teses e hipóteses sobre uma 
preocupação com a sociedade. Alguns questionamentos, 
como “Que modelo de sociedade deveria ser constituído?” 
ou “Que formas de relação social são válidas?”, são exemplos 
dos pensamentos com foco social daquele período.
Sociologia e Ética Profissional 11
No mesmo sentido, setores de estudos, como a república, a 
política e as jurisdições, foram aspectos que separaram os modelos de 
comportamento e os problemas sociais do tempo de uma perspectiva 
puramente religiosa, para uma visão mais sistemática.
Adiante, após percorrer períodos do pensamento medieval, ainda 
mais durante a Renascença, autores como Thomas Morus, Maquiavel, 
Hobbes, Locke e Rousseau trabalhavam formas sobre como as questões 
sociais eram pensadas. 
Ao passo que os processos de produção e os modelos econômicos 
foram crescendo, obras comentando fatores sociais
passaram a incluir as 
suas relações no campo da Economia, da Política e da Democracia.
A partir desse contexto econômico e social, surgiu, no século XVIII, 
a “doutrina socialista”, que tinha como foco questionar as injustiças de 
distribuição de renda e exploração de trabalhadores e exigir mudanças 
mais equitativas em relação à sociedade.
Tabela 1 – Evolução do pensamento social
Período
Principais 
pensadores
Principais ideias 
sociais
Helenístico e Clássico 
(civilização grega) – 
entre 338 e 146 a.C.
Platão (429-341 a.C.), 
Aristóteles (384-322 
a.C.). 
Pensamentos 
sociais baseados em 
questionamentos 
sobre modelos ideais 
de sociedade.
Idade Média – entre 
476 e 1453.
Ibn Khaldun (1332-
1406), São Tomás de 
Aquino (1332-1406).
Ideias sociais 
baseadas no 
cristianismo.
Renascença – entre 
1300 e 1600.
Thomas Morus (1478-
1535), Maquiavel 
(1469-1527), Hobbes 
(1588-1679), Locke 
(1632-1704).
Pensamentos sobre 
os problemas sociais 
se relacionavam com 
questões comerciais 
e econômicas.
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Rectangle
User
Rectangle
Sociologia e Ética Profissional12
Século XVIII – entre 
1701 e 1800.
Montesquieu (1689-
1755), Hume (1711-
1776), Adam Smith 
(1723-1790), Jean 
Jacques Rousseau 
(1712-1778), Malthus 
(1766-1834).
Questionamentos 
sobre realidade social 
de desigualdade e 
exploração e debates 
sobre relações 
equitativas entre os 
homens.
Fonte: Elaborado pelas autoras.
IMPORTANTE:
É importante pontuar que esses pensamentos, construídos 
até o século XVIII, caracterizavam uma filosofia social, e não 
um pensamento sociológico científico ou institucionalizado 
de fato. Sobre essa etapa, falaremos a seguir. 
Como e por que a Sociologia surge?
A Sociologia procura estudar sociedades, instituições que a nossa 
sociedade desenvolve, relações de poder entre os seres humanos e 
diversas culturas que o homem em sociedade vai formando. O problema 
é que tudo isso já existia na época da criação da Sociologia. Na verdade, 
sempre existiu, desde que o homem desenvolveu a cultura e fez relações 
sociais com os outros. 
O ser humano formou sociedades, estabeleceu instituições, 
relacionou-se com poderes e desenvolveu culturas diferentes. Mas por 
que a Sociologia surge apenas no século XIX, sendo que todos esses 
elementos já existiam? Esta é uma questão que responderemos ao longo 
deste capítulo.
Para surgir um pensamento sobre alguma área de conhecimento 
humano, são necessárias condições históricas. Nenhum pensamento ou 
ciência surge do nada. Para que isso ocorra, é necessário algum motivo 
histórico concreto que propicie seu surgimento, e com a Sociologia 
aconteceu justamente dessa forma.
User
Rectangle
User
Rectangle
Sociologia e Ética Profissional 13
Não bastam as sociedades, instituições e relações de poder e 
cultura para ter algum estudo sistemático sobre o tema. É necessária 
alguma ou várias condições históricas. Vejamos os principais motivos na 
ocasião da Sociologia, na figura a seguir:
Figura 1 – Efeitos modificados pelas revoluções
 Fonte: Elaborado pelas autoras.
A Revolução Industrial e a Revolução Francesa geraram muitas 
mudanças. Com elas, vieram outras muito maiores, mudanças de valores, 
por exemplo. Os valores morais, as normas ou regras em relação à maneira 
de agir sofreram modificações.
Os hábitos também mudaram, uma vez que até o local de moradia 
também se alterou. Anteriormente, as pessoas estavam em um ambiente 
rural, a partir das Revoluções, ocorreu um processo de urbanização e 
modificaram seus hábitos. Isto é, toda a maneira de viver também mudou, 
e, por sua vez, a própria relação política encadeando o sistema econômico.
Ou seja, houve mudança em relação a toda a estrutura de vida das 
pessoas, de todas as classes sociais. Inclusive, novas classes surgiram 
e classes antigas deixaram de existir. A vida das pessoas mudou por 
completo e, consequentemente, isso gerou certa insegurança, e uma 
instabilidade se instaurou na sociedade a partir desses acontecimentos. 
Observe a figura a seguir: 
Sociologia e Ética Profissional14
Figura 2 – Os comedores de batatas 
 Fonte: Wikimedia Commons. 
Em sua obra, Os comedores de batatas, Van Gogh retrata 
trabalhadores de minas de carvão, que vivem na miséria, conseguindo 
finalmente comer alguma coisa, que no caso são batatas. A pintura 
representa pessoas que estão em estado calamitoso, passando por 
transformações sociais oriundas das Revoluções Industrial e Francesa. 
Essas pessoas vivem o momento de instabilidade e insegurança em 
relação à sobrevivência. 
A urbanização, que viria para melhorar esse tipo de situação, não 
apresentou resultados bons como se esperava. Dessa forma, surgiram 
situações de total desigualdade social, causando o sofrimento de 
grande parcela da sociedade, na qual não é possível comparar política 
e economicamente ricos e pobres, devido ao gigantesco contraste da 
situação social. 
Sociologia e Ética Profissional 15
Figura 3 – Efeitos da urbanização: nativos indianos esperando alívio da fome, em 1877
EXPLICANDO MELHOR:
Com base nos exemplos expostos, a compreensão sobre 
o motivo pelo qual a Sociologia surge no século XIX fica 
mais facilitada: seu surgimento veio para tentar responder 
questões voltadas à insegurança e à desigualdade, 
provocadas pelas mudanças acarretadas pelas Revoluções, 
além de buscar alguma solução que pudesse modificar 
esse cenário problemático. 
Fonte: Wikimedia Commons. 
De modo geral, a Sociologia ganha espaço ao dedicar como objeto 
de seus estudos o homem e a sua situação social, em uma época em que 
os estudos primordiais tinham maior foco em questões transcendentais, 
filosóficas e religiosas. 
Atualmente, as questões sociais se ampliaram e podem se dedicar 
com maior ênfase a trabalhar problemas que abordam as seguintes 
questões: 
Sociologia e Ética Profissional16
 • Movimentos pela igualdade racial.
 • Movimentos pela igualdade de gênero.
 • Movimento em defesa dos LGBTs.
 • Movimento social em defesa das pessoas xportadoras de 
necessidades especiais.
 • Movimentos indígenas.
 • Questões socioambientais.
 • Empoderamento e inclusão social.
Figura 4 – Movimento pela igualdade de gênero
Fonte: Freepik. 
A sociedade é ampla e assume um caráter de intensa diversidade, 
as questões sociais são adaptáveis e modificam-se de acordo com a 
evolução de todos os aspectos que envolvem as transformações e os 
direitos individuais e coletivos.
Sociologia e Ética Profissional 17
ACESSE:
O artigo “Movimentos sociais, educação e emancipação: 
o caso do movimento negro brasileiro” (GOMES, 2017) faz 
uma reflexão sobre como o movimento negro brasileiro é 
responsável por sistematizar e produzir saberes por meio 
de suas lutas por emancipação. Esses saberes reeducam 
a população brasileira, sobretudo no que diz respeito 
às relações étnico-raciais, e sustentam a demanda e a 
implementação de uma série de políticas públicas que 
visam à promoção da igualdade étnico-racial. Disponível 
em: https://bit.ly/34gahRu . Acesso em: 08/02/2020.
RESUMINDO:
E, então, gostou dessa primeira competência? Agora, só 
para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste primeiro capítulo, vamos resumir tudo 
o que vimos. Você deve ter aprendido que os contextos dos 
estudos da Sociologia não são nem um pouco recentes. 
Vimos que, antes mesmo de ser institucionalizada como 
ciência, os grandes sábios, filósofos e pensadores já 
iniciavam a filosofia social, que prestava atenção aos 
aspectos comportamentais, morais e filosóficos a respeito 
da vida do homem em sociedade. Também podemos nos 
lembrar de como as etapas da modificação dos processos 
de produção industrial provocaram o surgimento de 
novas classes sociais e mudaram
completamente a 
vida das pessoas, contribuindo, assim, para o incômodo 
dos pensadores, que passaram a questionar certos 
comportamentos coletivos em relação ao modo de vida 
das pessoas. Dessa forma, surgiu a Sociologia. 
É importante pontuar que os efeitos decorrentes dessas 
mudanças explicam muito bem a estrutura social de hoje. 
Por meio de observação de como ocorreu o processo 
de urbanização na época e como isso foi útil para a 
marginalização de grande parcela da sociedade, devido à 
concentração de riqueza ser distribuída na mão de poucos 
burgueses, compreendemos que a nossa sociedade atual 
Sociologia e Ética Profissional18
RESUMINDO:
arrasta alguns efeitos desse fenômeno. É importante 
relembrar que a sociedade é ampla e mutável e que, 
apesar da passagem do tempo, os seus problemas não 
se extinguiram por completo, mas se adaptaram a uma 
nova realidade, desencadeando novas intervenções 
sociais na luta por direitos dos grupos. Tomando por base 
esses aprendizados, o profissional, em qualquer que seja 
a sua área de atuação, estará preparado para entender as 
responsabilidades das ações e promover em seu ofício as 
melhores decisões possíveis.
Sociologia e Ética Profissional 19
Conceitos básicos e conhecimentos em 
Sociologia
INTRODUÇÃO:
Nesta unidade, discutiremos sobre os conceitos basilares 
da Sociologia, os seus efeitos e os desafios históricos. 
Além disso, estudaremos o surgimento dessa ciência no 
Brasil, os seus campos mais abordados e os seus principais 
pensadores.
O que é de fato a Sociologia?
Já estudamos anteriormente o surgimento da Sociologia e como 
ocorreu a construção do seu campo de estudo. Convém conhecermos 
de fato qual a definição do termo, antes de estudarmos os seus outros 
aspectos.
DEFINIÇÃO:
A Sociologia é uma ciência em constante aprimoramento, 
que procura compreender e estudar as estruturas sociais, 
políticas, econômicas e culturais que estão relacionadas 
com a sociedade moderna.
A Sociologia foi constituída como ciência, efetivamente, a partir da 
consolidação da burguesia, como forma de questionamento de situações 
de exploração e discrepante desigualdade de classes. Pode-se afirmar 
que sua constituição é decorrente do regime capitalista e sua interferência 
na sociedade moderna.
Sociologia e Ética Profissional20
DEFINIÇÃO:
A sociedade é o objeto de estudo da Sociologia. O termo 
é utilizado para traduzir um grupo de pessoas organizadas, 
compartilhando uma mesma cultura e território. Vejamos a 
seguir algumas características de sociedade: 
• Composta de uma rede de relações sociais.
• As relações entre as pessoas são um requisito da 
sociedade.
• Esse relacionamento por vezes é indireto ou inconsciente.
• Não há delimitação geográfica.
• Universal, generalizada, ampla e abstrata.
• Comunidades com interesses comuns estão presentes na 
sociedade.
NOTA:
As grandes rupturas no modo de viver da sociedade, 
como vimos na seção anterior, foram motivadas pela 
industrialização, pelas novas formas de economia, pelo 
processo de urbanização, pela desigualdade de classes 
e pela exploração trabalhista. Esse cenário favoreceu o 
desencadeamento de revoltas populares nos centros 
urbanos industriais, no momento em que nascia também 
a Sociologia. 
Sociologia e Ética Profissional 21
Figura 5 – Revolta popular em 1877 
Fonte: Wikimedia Commons.
É possível afirmar que a Sociologia nasceu no mundo moderno 
e nessa dinâmica podemos visualizar a participação de alguns entes 
importantes para a construção da sociedade, que são as organizações. 
Em um contexto social, vamos entender a definição de organizações: 
DEFINIÇÃO:
Podemos defini-las de duas formas: sob um enfoque 
social, que demonstra que a organização é uma junção de 
vários esforços individuais com propósito coletivo único; e 
sob uma perspectiva administrativa, as organizações são 
empresas, fundações, instituições, órgãos públicos etc. 
Sociologicamente, é possível estudar as duas.
A respeito do cenário social que se constrói no período do mundo 
moderno, em relação à economia e à sociedade, Ferreira comenta: 
Sociologia e Ética Profissional22
Trata-se de uma época em que a originalidade e as contradições 
do Estado burguês se encarregam de construir e fortalecer 
os alicerces da atual sociedade. De lá para cá, se aprimora 
a construção das estruturas da economia e do Estado, das 
tecnologias, dos atores e dos sujeitos sociais que assegurarão 
a originalidade do capitalismo. Se estrutura uma sociedade 
que produz mais-valia ou trabalho não pago. Uma sociedade 
que vai se tornando cada vez mais complexa; uma sociedade 
que concentra, de um lado, os meios de produção e a riqueza 
nas mãos de poucos e, de outro lado, cria uma imensa massa 
original e diferenciada de trabalhadores. Estes deverão vender 
sua própria força de trabalho para se manterem vivos, para 
reproduzirem trabalhadores novos que continuarão a produzir, 
de forma cada vez mais sofisticada, a magia da mercadoria. 
(FERREIRA, 2014, p. 14)
IMPORTANTE:
É importante pontuar que o produto desse cenário 
descrito pelo autor é a sociedade que conhecemos 
atualmente, baseada em um processo histórico que inclui 
fatores produtores de fenômenos sociais extremamente 
complexos e diversificados.
A diversificação dos fenômenos sociais justifica a situação de 
constante ajuste e construção que a Sociologia apresenta como ciência. 
O objetivo dos estudos e das investigações da Sociologia é adaptável, 
dependendo sempre de contextos específicos para desvendar o 
comportamento da sociedade nessas diferentes situações.
REFLITA:
De acordo com o exposto até aqui, você consegue 
identificar qual o ofício de um profissional de análise social? 
De que maneira ele executa o seu trabalho? 
Sociologia e Ética Profissional 23
O sociólogo ou profissional de áreas afins trabalha construindo o 
objeto de estudo, delineando o método para análise do objeto e a forma 
de como explicar as estruturas e os diversos fenômenos sociais que 
permeiam esse ambiente. O ofício consiste, verdadeiramente, em ver, 
analisar e explicar as relações entre as classes, os seus interesses e as 
suas lutas.
Figura 6 – Profissional realizando análise social
Fonte: Freepik. 
Além disso, faz parte do seu escopo de observação fatores políticos, 
como a organização do Estado, da sociedade civil, as relações e os efeitos 
dos serviços e as instituições públicas e privadas, o capital, os níveis de 
concentração de poder e riquezas, os fenômenos de inclusão e exclusão 
social e as causas e efeitos, além de aspectos de globalização. 
A atividade advinda desse ofício e do estudo da sociedade refere-
se a um requisito útil, que é necessário para melhor compreensão dos 
movimentos da vida em sociedade. Essa compreensão é indispensável 
no que se refere à competência técnica em qualquer âmbito profissional, 
uma vez que não existe nenhuma área técnica que não se relacione com 
a política e que não sirva à sociedade.
Sociologia e Ética Profissional24
Como surgiu a Sociologia no Brasil?
VOCÊ SABIA?
Você já sabe que o surgimento e a institucionalização 
da Sociologia aconteceram na Europa, mas sabe como 
ocorreu no Brasil e o que estava acontecendo por aqui? 
Bem, existe certa semelhança entre os dois casos. No Brasil, 
a Sociologia também aparece motivada pelo desenvolvimento 
do capitalismo e, um pouco mais tarde, das formas de produção 
industrializadas, a partir de 1930, depois de a Sociologia, como ciência, 
estar mais sólida.
Basicamente, houve três movimentos que trouxeram 
transformações em muitos fatores da sociedade. Devido ao caráter de 
avanço da Sociologia no que se refere à ciência, os estudos desse ramo 
se vincularam à literatura e à arte, no entanto, ela só se firma como ciência 
no Brasil no século XX.
Assim como ocorreu na Europa em meados da década de
1870, 
as mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais acabaram por 
incomodar alguns pensadores e despertaram interesse em aprofundarem-
se mais na ciência social diante desse contexto.
O desenvolvimento da Sociologia no Brasil pode ser dividido em 
três momentos, descritos a seguir: 
 • 1ª geração – Conhecida como geração pré-científica, é 
muito vinculada à literatura nacional e os seus grandes 
expoentes, como Machado de Assis, Lima Barreto e 
Luiz de Azevedo, e também dos autores da ciência, 
principalmente, da área de Biologia, que vieram para 
explicar a realidade brasileira. Em datas, essa geração vai 
de 1860 a 1920.
 • 2ª geração – Conhecida como geração científica, é a mais 
intelectualizada da Sociologia, com obras mais densas e 
profundamente científicas, surge por volta de 1925 a 1930 
Sociologia e Ética Profissional 25
e transcorre até o final da década de 1950. Nessa fase, 
temos autores universitários que fazem discussões em 
campo acadêmico.
 • 3ª geração – Uma geração mais próxima do nosso tempo 
atual, em que muitos de seus intelectuais ainda estão 
vivos. Essa geração traz maiores discussões sobre poder, 
política, economia e o subdesenvolvimento do Brasil.
IMPORTANTE:
A consolidação da Sociologia no Brasil contou com a 
contribuição de intelectuais extremamente importantes, 
inicialmente sob influência do positivismo de Augusto 
Comte e posteriormente de Marx Weber e Karl Marx. Entre 
esses pensadores temos: 
Na primeira geração, Gilberto Freyre, com a obra Casa-
grande e senzala, e também o autor Sílvio Romero discutem 
o racismo e o papel social do negro. No mesmo contexto, 
trabalhou Sérgio Buarque de Holanda, introduzindo no 
Brasil as leituras de Weber.
Sociologia e Ética Profissional26
Figura 7 – Gilberto Freyre, autor da obra Casa-grande e senzala
 Fonte: Wikimédia Commons. 
Na segunda geração, contamos com o autor e sociólogo Caio Prado 
Júnior, com influência marxista, muito conhecido por separar o percurso 
econômico em ciclos, dividindo os períodos em ciclo do ouro, ciclo do 
café, ciclo da colonização e extração do pau-brasil.
Na terceira geração, há autores muito influentes internacionalmente, 
como Fernando Henrique Cardoso, que posteriormente se tornou 
presidente do Brasil, Maurício Tragtenberg, demonstrando posturas 
desvinculadas dos parâmetros religiosos, e Darcy Ribeiro, que discute em 
suas obras questões indígenas.
A Sociologia no Brasil ainda produz obras importantíssimas de cunho 
internacional, mas nós estamos falando dos autores clássicos, renomados 
no passado, como autores obrigatórios de leitura com produções muito 
atualizadas, que facilitam a compreensão dos fenômenos sociais atuais.
Sociologia e Ética Profissional 27
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar nesse tema? Leia o artigo “A herança 
oculta da migração no Brasil: uma discussão acerca do 
combate ao trabalho escravo” (MARÇAL, et al., 2019). A 
questão tratada nesse artigo é a problemática na qual 
o Brasil é envolvido historicamente, no que se refere ao 
fluxo de migração para trabalho e moradia, abordando as 
repercussões jurídicas contemporâneas. Disponível em: 
https://bit.ly/3gjkYoC. Acesso em 06/02/2020.
RESUMINDO:
Chegamos ao final de mais uma seção desta unidade, na 
qual tratamos inicialmente dos aspectos conceituais e 
introdutórios sobre os conceitos basilares que circundam 
o ambiente do campo da Sociologia, de modo que se 
inicia a sua familiarização com aspectos do tema que 
estão relacionados aos principais escopos de observação 
da ciência em sua composição. Você deve ter aprendido 
que é de extrema importância para o profissional que atua 
nas mais diversas áreas reconhecer os componentes e 
processos da ciência que estuda a sociedade, bem como 
os elementos que contribuíram para a sua construção 
em seu país de origem e como esses estudos explicam 
a realidade atual da sociedade em que você está 
inserido. Também podemos relembrar que as fases de 
aprimoramento da Sociologia no Brasil passaram por três 
gerações, sendo elas: a primeira geração, pré-científica, 
com estudos mais dedicados à situação de escravidão, 
que ainda acontecia na época; a segunda geração, com 
maior produção no ambiente acadêmico, trazendo para as 
produções um caráter mais científico; e, posteriormente, a 
terceira geração, que ainda é muito semelhante ao nosso 
contexto atual, trabalhando com maior afinco fatores 
políticos, econômicos e de subdesenvolvimento do país. 
Por fim, conhecemos os principais pensadores, autores 
brasileiros, internacionalmente conhecidos e suas clássicas 
obras sobre a Sociologia, contextualizando problemas reais 
totalmente aplicáveis aos dias atuais.
Sociologia e Ética Profissional28
Percurso de ética sociológica e atribuições 
práticas
INTRODUÇÃO:
Nesta competência, vamos aprender sobre um 
embasamento teórico e prático acerca da ética sociológica, 
com maior dedicação, assim como os principais modos 
de aplicação e a transição do estudo da ética da Filosofia 
para a Sociologia, por meio da utilização dos métodos mais 
eficazes.
Ética sociológica
Antes de iniciarmos os estudos sobre a ética e os seus vínculos com 
a ciência da sociedade, convém conhecer a conceituação do seu termo. 
Vejamos a seguir:
DEFINIÇÃO:
O conceito de ética é de extrema complexidade e pode ter 
diversas aplicações, dependendo do contexto. É referente 
a um princípio filosófico relacionado ao estudo dos valores 
morais. Sua aplicação é realizada individual e coletivamente, 
que impacta na vida cotidiana, nas empresas, nas políticas, 
entre outros.
Onde a ética e a sociedade se encontram? A ética, como teoria 
sobre o comportamento humano, subdivide-se em duas partes, são elas: 
a moral e os valores. A ideia de como se dá o comportamento humano 
permite a compreensão dessa teoria, baseando-se na moral e nos valores.
Desde as origens da Sociologia, seus “pais fundadores”, ao 
debaterem exaustivamente questões metodológicas, traziam 
junto com o debate princípios éticos que indicavam condutas 
a serem observadas nas pesquisas. Principalmente, o respeito 
às populações vulneráveis, desde sempre, seu foco de 
Sociologia e Ética Profissional 29
investigação. Como estudar as populações vulneráveis, como 
os trabalhadores e seus espaços de trabalho; os imigrantes 
em processo de reorganização social; camponeses; as formas 
de segregação social, racial, espacial; como entrar no campo 
e fazer um trabalho etnográfico em áreas urbanas, e outras 
temáticas afins. Embora a formalização dos procedimentos 
éticos tenha sido gradativa, acompanhando a crescente 
formação e profissionalização da área, ela é constituinte da 
própria disciplina. (LIMA, 2015, p. 220)
Figura 8 – Composição básica da ética
Valores → Ética ← Moral
 Fonte: Elaborado pelas autoras.
A moral é um conceito coletivo, é algo que todos têm e concordam 
que está correto por meio de um acordo implícito na própria sociedade, 
e todo o grupo social que fazemos parte aceita esses comportamentos 
como absolutamente naturais. 
EXPLICANDO MELHOR:
Contudo, não podemos deixar de pontuar que a moral não 
é fixa e rígida, está sujeita a mudanças com o decorrer do 
tempo e com o contexto cultural em que estiver inserida. 
Por exemplo, no século XIX, no Brasil, era moralmente aceita a 
posse de humanos escravizados prestando serviço a qualquer indivíduo 
sem qualquer dignidade oferecida em troca, e a sociedade tratava 
isso com muita naturalidade. Porém, atualmente, isso é crime e está 
constantemente em pauta na luta por direitos humanos e individuais.
A figura a seguir demonstra a naturalidade como a escravidão 
era vista no século XIX no Brasil. Na ocasião, a fuga de um escravo é 
anunciada nos jornais e oferece-se recompensa financeira por seu resgate. 
Casos como anúncios de compra e venda de escravos nos veículos de 
comunicação
também eram normais na época.
Sociologia e Ética Profissional30
Figura 9 – Anúncio em jornal de recompensa para escravo fugido
Fonte: Wikimedia Commons. 
Entretanto, é natural que dentro desse grupo social sempre existam 
pessoas que discordem do que é moralmente aceito em sociedade, pois, 
nesse sentido, entra a questão dos valores. 
O já comentado acordo socialmente aceito é modificado ao longo 
do tempo, devido à manifestação dos valores. Um exemplo disso são as 
manifestações sociais que mobilizam um número de pessoas, por vezes 
é comunicada na mídia, e realizam um papel de educação, orientando a 
sociedade para a valorização de algum direito e modificando a percepção 
e os comportamentos moralmente aceitos, porém danosos, nessa 
sociedade.
Os valores são individuais e imutáveis, ou seja, fatores como o 
passar do tempo e o contexto cultural não os modificam. Por exemplo, 
Sociologia e Ética Profissional 31
honestidade, no ano de 2020, tem o mesmo sentido de honestidade no 
ano 300 a.C. e no ano de 1800.
IMPORTANTE:
Integridade e solidariedade são valores pessoais imutáveis 
carregados pelo, indivíduo, independentemente do que a 
sociedade acha que deve ser feito ou não. Um exemplo 
disso é a seguinte situação: “O ano é 1800, é moralmente 
permitido ter escravos servindo à sociedade, no entanto, 
você não concorda e opta por ter alguém trabalhando para 
você de forma justa e recompensada e, além de não ter 
nenhum escravo, lutará contra quem tem”.
Sempre que a crença coletiva bater de frente com o que o indivíduo 
acredita impessoalmente, surgem novos comportamentos. Estes, 
dependendo de como a sociedade está organizada, são entendidos como 
subversivos ou contrários. Vemos cada vez mais isso nas manifestações 
sociais, nos protestos, entre outros.
A atual comunicação, veloz e efetiva por meio das redes sociais 
e acesso facilitado à Internet, permite às pessoas de se inteirar e obter 
informações sobre o que acontece no conjunto inteiro, que é a nossa 
sociedade. Cada vez que temos uma visão sobre como a sociedade está 
se comportando, individualmente nos adequamos a como iremos nos 
comportar.
Exemplo: Um exemplo bem prático disso é o que diz respeito 
à política nos dias atuais. Independentemente do que dizem as 
propagandas, por meio dos meios de comunicação, incluindo a Internet 
e as redes sociais, cada pessoa tem acesso a vários pontos de vista e, 
no entanto, constrói a sua opinião a partir disso, de acordo com os seus 
valores e preferências. 
Sociologia e Ética Profissional32
Figura 10 – Formação de opiniões por meio de redes sociais
Fonte: Freepik.
Ou seja, mesmo que haja uma tendência publicitária indicando que 
99% das pessoas concordam com o posicionamento X, existirá 1% que 
discorda, por isso existem as discussões.
RESUMINDO:
Em suma, a ética é composta por essas duas questões, que se 
referem ao que o coletivo está pensando organizadamente, 
no entanto, considerando também as ações e a opinião do 
que cada um pensa individualmente. Dessas partes, então, 
surge a sociedade que é um sistema complexo, ou seja, um 
sistema composto de muitas partes, como uma teia ou uma 
rede, e essa sociedade precisa do contexto de ética para 
estabelecer as suas regras. Em uma visão sociológica, a ética 
nada mais é do que um mecanismo para garantir as relações 
benéficas e saudáveis entre os indivíduos do mesmo 
coletivo. Como seria algo saudável? Podemos exemplificar 
como: saber ouvir, pensar antes de falar, respeitar ideias e 
opiniões diferentes das suas, ser solidário, generoso etc.
Sociologia e Ética Profissional 33
O que é sociologia moral?
DEFINIÇÃO:
A sociologia moral se refere a um ponto de vista sobre a 
vida em sociedade, na qual a moral se manifesta, apesar 
de sua revelação ocorrer nas entrelinhas dessa rotina social.
A sociologia moral busca responder três questionamentos sobre a 
complexa teoria social. São elas: 
 • O que é ação social? 
 • Como é possível a ordem social?
 • Quais são as condições para a mudança social?
NOTA:
Essas perguntas buscam pelas respostas que envolvem 
aspectos éticos e esclarecedores a respeito da dimensão 
moral do cotidiano da sociedade.
O seu propósito é afirmar que os princípios, normas e valores 
preestabelecidos em um acordo social, não são apenas mecanismos de 
regulação comportamental, mas também fatores que desencadeiam a 
sua constituição.
Como a moralidade é parte da cultura, a sociologia moral 
é, por definição, uma sociologia cultural. Como a cultura, 
a moralidade constitui um sistema referencial de ação 
relativamente autônomo. O que distingue moralidade de 
cultura é sua relação intrínseca com padrões normativos 
de avaliação, julgamento e justificação em termos de 
entendimentos sobre o que é certo e errado, bom e mau, com 
valor e sem valor, justo e injusto. (SMITH, 2003, p. 8)
Sociologia e Ética Profissional34
É interessante pontuar que, apesar de as questões éticas e morais 
que estudamos serem de natureza filosófica, quando aplicadas ao 
contexto de sociedade para investigar os atores sociais, torna a aplicação 
dos princípios éticos mais sociológicos.
No entanto, para realizar a transferência de contexto da filosofia 
moral para a sociologia moral é necessário que as pesquisas sejam 
realizadas por meio de técnicas e métodos adequados de investigação 
moral. 
O que é necessário aqui é uma boa articulação entre i) 
descritivo e prescritivo, ii) externo e interno, iii) posições de 
observador e de ator: (i) A partir dessa perspectiva dialógica, 
é preciso, primeiro, estudar as prescrições normativas de 
filósofos, para melhor descrever a dimensão normativa da vida 
social. (VANDENBERGHE, 2015)
Nesse caso, as pesquisas em torno do objeto social devem realizar 
métodos empíricos e científicos, de modo a coletar dados e informações 
sobre a percepção dos indivíduos e como os atores sociais ponderam, 
pensam, avaliam, justificam e atuam moralmente em situações rotineiras 
e casuais do cotidiano social.
Denominamos construção de conhecimento a operacionalização 
desse tipo de pesquisa. Para garantir que esse conhecimento em torno 
da moral sociológica seja bem estruturado e eficiente, trabalharemos no 
capítulo seguinte as formas de construção de conhecimento, bem como 
os métodos adequados de pesquisa.
SAIBA MAIS:
Quer saber mais sobre a ética e a moralidade no âmbito 
da Sociologia? Recomendamos a leitura do artigo “A 
Sociologia como uma filosofia prática e moral (e vice versa)” 
(VANDENBERGHE, 2015) . Embora boa parte da Sociologia 
contemporânea tenha um caráter político e moralizante, 
a sociologia da moral como tal permanece pouco 
desenvolvida. Diferentemente da sociologia da religião, do 
conhecimento ou das artes, a sociologia da moral não 
Sociologia e Ética Profissional 35
Também podemos relembrar os obstáculos que os estudos sobre 
a sociologia ética enfrentam para caracterizarem-se como tal, por a ética 
ser um campo do estudo filosófico, mas, diante do comportamento da 
sociedade, existem meios de integrá-la para a possibilidade de uma 
melhor compreensão sobre os comportamentos éticos em uma esfera 
social.
SAIBA MAIS:
possui uma verdadeira tradição, ainda que os pais 
fundadores da disciplina tivessem, é claro, grande interesse 
sobre os temas da moral e da ética. Disponível em: 
https://bit.ly/3hjksID Acesso em 11/02/2020.
IMPORTANTE:
É importante relembrar que a moral é algo mais amplo 
e aceitável socialmente, no entanto os valores são 
características essencialmente individuais e imutáveis com 
o tempo e a situação. No debate, também foram expostas 
as formas de aplicação dos princípios da ética social nos dias 
atuais, por meio dos diferentes meios de comunicação e 
como os valores se comportam diante de tudo isso, inclusive 
como os impactos do
comportamento em sociedade por 
meio das redes sociais impactam todo o setor público.
RESUMINDO:
 Até agora está gostando do que tem estudado? Para garantir 
que você realmente entendeu o tema de estudo deste 
capítulo, vamos resumir mais uma vez todo o assunto que 
trabalhamos. Iniciamos a seção 3 com um embasamento 
teórico e contextualizado acerca da ética no contexto 
da Sociologia, bem como o seu crescimento, aplicação 
prática e relação com o contexto social até os dias atuais. É 
interessante relembrar a variedade de aplicações possíveis 
para a ética e os conceitos relativos aos elementos de sua 
composição, que são: a moral e os valores. 
Sociologia e Ética Profissional36
A Sociologia no campo científico 
relacionada ao contexto prático
INTRODUÇÃO:
Nesse encontro, vamos trabalhar brevemente as formas 
de produção do conhecimento em Sociologia, bem como 
suas aplicações práticas após a concepção científica. 
Além disso, conheceremos os diferentes tipos de técnicas 
e métodos adequados para a área de conhecimento em 
Sociologia.
Conhecimento em Sociologia: da ciência à 
prática social
Os estudos e as investigações para compreender os fenômenos sociais 
são delineados por vários tipos de metodologias que auxiliam a construção de 
conhecimento em sociologia. Esses conhecimentos podem ser produzidos, na 
maioria das vezes, pelo senso comum ou adotando meios científicos. A seguir 
iremos distinguir e exemplificar esses dois tipos de conhecimento.
O primeiro deles é o senso comum. A sua criação acontece por meio 
do conhecimento empírico ou do conhecimento popular, que é baseado 
na observação, na vivência. Na maioria das vezes, é um conhecimento que 
pode ser desenvolvido individualmente e/ou coletivamente, por meio de uma 
percepção sobre alguma situação ou fenômeno. 
Normalmente, esse conhecimento é transmitido de uma pessoa para 
outra ou de geração em geração, informalmente, sem qualquer comprovação 
científica, vindo a se tornar senso comum.
EXPLICANDO MELHOR:
O senso comum é um conhecimento popular, difundido 
boca a boca por meio de uma identificação cultural. Ao 
passo que as pessoas dividem um mesmo costume e um 
mesmo ambiente e vivem coincidentemente as mesmas 
situações, as ideias combinam e se tornam uma espécie de 
sabedoria popular.
Sociologia e Ética Profissional 37
Figura 11 – Senso comum: combinação de ideias e experiências
Fonte: Freepik. 
Exemplo: Em um contexto mais generalizado, um exemplo de 
conhecimento empírico e de senso comum é a afirmação bem conhecida 
que diz: “leite com manga faz mal”, ou que o noivo não pode ver a noiva 
usando o vestido de casamento antes da cerimônia. Essas afirmações 
ultrapassaram horizontes temporais e geográficos, mesmo não tendo 
nenhum respaldo científico. 
Esse tipo de conhecimento requer alguns cuidados, pois 
provavelmente o que pode acontecer é a nivelação do todo, com base 
em um caso individual, que não foi comprovado e transformou-se em 
uma informação falível e inexata. No entanto, como é um acontecimento 
ligado ao dia a dia, existe a possibilidade de investigação por meio de 
métodos científicos, a fim de confirmar sua veracidade.
De toda forma, o senso comum não deve ser totalmente subestimado, 
uma vez que é fruto de observação popular e admite os fatos sociais, além 
de orientar as pessoas sobre questões importantes do cenário social, por 
exemplo: desemprego, prostituição, decomposição das famílias, fome, 
baixos salários, doenças, exclusão social, racismo, preconceitos e outras 
situações que envolvem o contexto de comportamento das pessoas 
sobre uma visão coletiva.
Sociologia e Ética Profissional38
Profissionalmente, o senso comum possibilita uma riqueza de 
detalhes, uma vez que informações podem ser coletadas na fonte, com 
quem vive o problema, que são pessoas, e essas informações favorecem 
o direcionamento de trabalhos e projetos maiores, principalmente, os que 
se situam em uma esfera política superior. 
Além da imprescindível participação dos poderes públicos 
municipais, estaduais e/ou federais, as empresas como atores sociais têm 
o papel de direcionar bem seus esforços em prol dos problemas sociais, 
e também a organização e a luta dos trabalhadores são extremamente 
importantes para a regulação de deficiências que permeiam a sociedade. 
Figura 12 – Luta social
NOTA:
Essas situações são problemas sociais que necessitam de 
soluções, mas, para isso, precisam antes ser percebidos, 
compreendidos e explicados. A rápida comunicação por 
identificação cultural educa e orienta as pessoas sobre os 
fenômenos sociais de uma maneira natural, prática e de 
fácil entendimento.
Fonte: Freepik. 
Sociologia e Ética Profissional 39
Para garantir a confiabilidade, os fatos devem ser testados e 
comprovados em prol de uma maior assertividade de ações. Desse modo, 
a produção de conhecimento sobre a sociedade deve adotar bases 
científicas. 
Outro tipo de conhecimento que iremos tratar nesta seção é o 
científico. Trata-se de um conhecimento baseado em fatos, que passou 
por análises e comprovações e é afirmado com convicção, evidências 
e provas. Esse conhecimento pode ser transmitido por intermédio e 
ambiente formais por meio de treinamentos, metodologias e técnicas 
específicas e apropriadas. É adquirido racionalmente por meio da 
utilização de procedimentos científicos.
O conhecimento científico tem como finalidade trazer evidências e 
responder aos questionamentos “por que”, “de que maneira”, “em quais 
circunstâncias” os fenômenos acontecem, ou não acontecem – caso não 
seja comprovado a veracidade sobre algum fato.
No entanto, o conhecimento empírico e o científico não são 
concorrentes nem se opõem completamente. Por muitas vezes, eles 
podem ser complementares, pois o caminho para o saber e a verdade não 
depende ou é limitado exclusivamente aos métodos científicos. A respeito 
da correlação entre os dois, Marconi e Lakatos afirmam:
[...] O conhecimento vulgar ou popular, às vezes denominado 
senso comum, não se distingue do conhecimento científico 
nem pela veracidade nem pela natureza do objeto conhecido: 
o que os diferencia é a forma, o modo ou o método e os 
instrumentos do “conhecer”. Saber que determinada planta 
necessita de uma quantidade “X” de água e que, se não a 
receber de forma “natural”, deve ser irrigada pode ser um 
conhecimento verdadeiro e comprovável, mas, nem por isso, 
científico. Dessa forma, patenteiam-se dois aspectos: 
a) A ciência não é o único caminho de acesso ao 
conhecimento e à verdade.
b) Um mesmo objeto ou fenômeno – uma planta, um 
mineral, uma comunidade ou as relações entre chefes e 
Sociologia e Ética Profissional40
subordinados – pode ser matéria de observação tanto para 
o cientista quanto para o homem comum; o que leva um ao 
conhecimento científico e outro ao vulgar ou popular é a forma 
de observação. (MARCONI; LAKATOS, 2003, p. 75)
Para compreender a dinâmica de funcionamento da sociedade, 
são dedicados esforços intelectuais, e todo processo de análise requer 
também um processo de interpretação. O estudo na prática social requer 
um compromisso de classe, com foco na população, que é o principal 
alvo da formulação das políticas públicas.
Técnicas de pesquisa em Sociologia
A produção de conhecimento científico é realizada por meio da 
orientação dos métodos de pesquisa científica. Vale destacar que as 
técnicas de pesquisa garantem a confiabilidade dos resultados que serão 
apresentados pelo estudo, além disso, o cuidado na utilização de meios 
adequados determina a ética da pesquisa e do produtor de conhecimento 
que está a realizando.
De acordo com Lakatos (1990), as principais técnicas de pesquisa 
em Sociologia são: 
Pesquisa documental – Fontes primárias de coleta de dados: 
 • Arquivos públicos e particulares.
 •
Estatísticas oficiais.
 • Censos.
 • Livro do tombo etc. 
Fontes secundárias 
 • Obras e trabalhos elaborados.
 • Jornais.
 • Revistas e outros.
Sociologia e Ética Profissional 41
Figura 13 – Profissional realizando pesquisa documental
 Fonte: Freepik. 
Pesquisa de sociometria – A coleta e a interpretação dos dados 
acontecem por meio da descrição quantitativa das relações interpessoais 
com o objetivo de descobrir, principalmente, os padrões de liderança 
de um determinado grupo. Por esse motivo, esse tipo de pesquisa tem 
relação com a estrutura interna dos grupos sociais e investiga as formas 
mais complexas que despontam das forças de atração e repulsão entre 
os membros de um determinado grupo.
História de vida – O objeto de pesquisa nesse caso é um 
determinado indivíduo que representa um grupo, a técnica consiste em 
obter todos os dados referentes a uma ou mais pessoas, em todas as 
fases de sua vida, de modo que os dados e as informações permitam 
o mapeamento do comportamento de um grupo social por meio dessa 
amostragem, determinada pelo próprio pesquisador.
Entrevista – Essa técnica consiste em obter informações sobre 
a percepção do entrevistado, por meio de um contato direto entre o 
pesquisador e o respondente, por meio da conversação com perguntas e 
Sociologia e Ética Profissional42
respostas, o pesquisador obtém dados pertinentes. Esse tipo de técnica 
pode ocorrer de duas formas: 
 • Dirigida – por meio de um roteiro pré-estruturado.
 • Não dirigida – o entrevistado tem total liberdade para expor 
suas ideias e percepções sobre o assunto mencionado 
pelo pesquisador.
Pesquisa com questionário – O objetivo é coletar dados por meio 
de uma série de perguntas e/ou afirmações escritas, nesse caso as 
respostas fornecidas pelo respondente não têm qualquer contato direto 
com o pesquisador.
Formulário – Essa técnica é bastante semelhante à técnica anterior, 
porém, nesse caso, o pesquisador realiza as perguntas e registra as 
respostas incluindo observações complementares. Essa observação 
pode ser de dois tipos: 
 • Sistemática – Neste tipo de observação o pesquisador 
observa de forma sistematizada os fenômenos do grupo 
que podem ser interessantes para a sua pesquisa. Essa 
observação pode ser feita de forma direta, quando observa 
os fatos pessoalmente no local de trabalho, ou de forma 
indireta, feita por meio de outras pessoas.
 • Participante – O pesquisador, nesse caso, tenta vivenciar 
as experiências de determinado grupo, incorporando-se a 
ele, usando técnicas de ganho de confiança e participando 
de todas as vivências costumeiras do grupo, podendo 
revelar a sua condição de pesquisador ou não.
Sociologia e Ética Profissional 43
Figura 14 – Pesquisa com questionário
Fonte: Freepik. 
Pesquisa cartográfica – Essa técnica consiste no uso de 
instrumentos de mapeamento geográfico, o pesquisador faz uso de 
mapas, cartas, desenhos, gráficos, tabelas, entre outros. O objetivo é 
tornar expressivos os dados complexos.
NOTA:
Cada um dos métodos supramencionados exige o 
emprego de várias outras técnicas que serão definidas 
pelo pesquisador e dependem do tipo de estudo que está 
sendo realizado. 
A produção do conhecimento científico é feita por meio de 
instrumentos, ainda mais nesse contexto sociológico, no qual o cenário 
desfruta de extensa complexidade para garantir um bom resultado do 
conhecimento que está sendo produzido, é necessário que as técnicas e 
os métodos adequados sejam cuidadosamente escolhidos.
Sociologia e Ética Profissional44
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar sobre o senso comum nos estudos 
em Sociologia? Recomendamos a leitura do texto “A 
formação docente na universidade e a ressignificação 
do senso comum” (CUNHA, 2019), disponível em: https://
bit.ly/3gcFXJX. O texto se insere no campo da formação 
para a docência da educação superior e procura avançar 
na discussão fundamentada em teorias do conhecimento 
que valorizam o senso comum e a sua relação com o 
cotidiano. Registra os desafios para esse campo e quer 
ampliar a compreensão e a construção de algumas teses 
que possam fazer avançar os estudos sobre a docência nas 
universidades. 
RESUMINDO:
E, então, gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que os estudos e as investigações sobre os fenômenos 
sociais são realizados por meio de diferentes técnicas e 
métodos de construção do conhecimento. Explicamos o 
senso comum, suas práticas e aplicações nos mais diversos 
contextos, bem como as vantagens e desvantagens de 
sua utilização para a compreensão dos fenômenos sociais 
e como esse modelo orienta e se comunica com maior 
facilidade com a sociedade em geral. Também podemos 
relembrar como o conhecimento científico colabora com 
a construção confiável e técnica dos conhecimentos na 
área, por meio da utilização das técnicas adequadas pelo 
pesquisador. Depois disso, finalizamos a unidade com a 
exposição das diferentes técnicas de pesquisa, aplicáveis 
ao estudo sociológico. Ao compreender toda essa dinâmica 
que envolve a sociedade, esperamos que você entenda que 
está caminhando os passos certos profissionalmente rumo 
ao que o mercado, a sociedade e o mundo necessitam. 
Sucesso e parabéns por finalizar a unidade com êxito!
Sociologia e Ética Profissional 45
REFERÊNCIAS
CUNHA, M. I. da. A formação docente na universidade e a 
ressignificação do senso comum. Curitiba, 28 de maio de 2019. 
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-
40602019000300121&script=sci_arttext. Acesso em: 11 fev. 2020.
FERREIRA, E. de C. Introdução à Sociologia. CNTE/ESFORCE. Brasília, 
DF. 2014. Disponível em: https://www.cnte.org.br/images/stories/esforce/
pdf/programaformacao_eixo01_fasciculo01_introducaosociologia.pdf. 
Acesso em: 09 fev. 2020.
GOMES, N. L. O movimento negro educador: saberes construídos 
nas lutas por emancipação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017, 149p. Disponível 
em: https://revistacafecomsociologia.com/revista/index.php/revista/
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LAKATOS, E. M. Sociologia geral. São Paulo: Atlas, 1990.
LIMA, J. Ética da pesquisa e ética profissional em Sociologia: 
um começo de conversa. (2015). Revista Brasileira de Sociologia. 3. 
215-239. 10.20336/rbs.101. Disponível em: https://www.researchgate.
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PROFISSIONAL_EM_SOCIOLOGIA_UM_COMECO_DE_CONVERSA/
citation/download. Acesso em: 10 fev. 2020.
MARÇAL, M. V.; BEZERRA NETO, F. das C.; CAIANA, C. R. A., 
NÓBREGA, M. P.; LIMA, C. J. de. A herança oculta da migração no Brasil: 
uma discussão acerca do combate ao trabalho escravo. Revista Brasileira 
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MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia 
científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
SMITH, C. Moral, Believing Animals: Human Personhood and Culture. 
Oxford: Oxford University Press, 2003.
Sociologia e Ética Profissional46
VANDENBERGHE, F. A Sociologia como uma Filosofia Prática 
e Moral (e vice versa). Sociologias, Porto Alegre, v. 17, n. 39, p. 60-109, 
ago. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1517-45222015000200060&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 11 
fev. 2020. 
Silvia Cristina da Silva e Stephanie Freire Brito
Sociologia e Ética 
Profissional
		A construção do campo da Sociologia
		Preparação para o nascimento da Sociologia
		Como e por que a Sociologia surge?
		Conceitos básicos e conhecimentos em Sociologia
		O que é de fato a Sociologia?
		Como surgiu a Sociologia
no Brasil?
		Percurso de ética sociológica e atribuições práticas
		Ética sociológica
		O que é sociologia moral?
		A Sociologia no campo científico relacionada ao contexto prático
		Conhecimento em Sociologia: da ciência à prática social
		Técnicas de pesquisa em Sociologia
ebook-2-sociologia-e-etica-profissional.pdf
Unidade 2
Livro Didático 
Digital
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Diretora Editorial 
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Autor 
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STEPHANIE FREIRE BRITO
Silvia Cristina da Silva
Eu, Silvia, sou mestre interdisciplinar em Educação, Ambiente 
e Sociedade – Unifae, participante docente e discente no mestrado 
em Análise do Discurso – Universidade Federal de Buenos Aires. Sou 
especialista em Docência do Ensino Superior e Direito e Educação – 
Faculdade Campos Elíseos. Pós-graduanda em EAD – Faculdade Campos 
Elíseos. Graduada em Ciências Jurídicas e Sociais – Unifeob. Vice-diretora 
acadêmica na Agência Nacional de Estudos em Direito ao Desenvolvimento 
– Anedd. Especialista em investigação de antecedentes em instituições 
públicas e privadas. Docente e conteudista em diversas instituições 
educacionais para cursos de graduação e pós-graduação. Elaboradora de 
questões para concursos públicos em várias organizadoras. Gravadora, 
redatora, tradutora e intérprete da língua espanhola. 
Stephanie Freire Brito
Eu, Stephanie, sou mestranda em Administração – PPGA/UFCG, 
com MBA em Marketing e Inteligência de Mercado. Desenvolvo a escrita 
de materiais didáticos na área de Ciências Sociais, Educação, Tecnologias, 
Administração e Ambiente. 
Somos apaixonadas pelo que fazemos e gostamos muito de 
transmitir nossas experiências de vida àqueles que estão se iniciando em 
suas profissões. Por isso, fomos convidadas pela Editora Telesapiens para 
integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em 
poder ajudar vocês nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco!
AS AUTORAS
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vez que:
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INTRODUÇÃO: 
para o início do 
desenvolvimento 
de uma nova com-
petência;
DEFINIÇÃO: 
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA: 
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE: 
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA? 
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA: 
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou 
discutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO: 
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO: 
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Positivismo de Augusto Comte e o crescimento moral.....10
Preparação para o nascimento da Sociologia....................................10
O Positivismo para o crescimento moral da sociedade na 
prática......................................................................................................................................13
O materialismo de Karl Marx e os rumos do 
desenvolvimento..................................................................................19
Quem foi Karl Marx e qual sua contribuição na Sociologia?....19
O capitalismo e suas implicações rumo ao desenvolvimento 
.......................................................................................................................................................22
Os impactos concretos do funcionalismo de Émile 
Durkheim..................................................................................................28
Princípios de Durkheim............................................................................................28
O que é sociologia moral?....................................................................................33
Weber e ação social na prática.....................................................37
Quem foi Max Weber e como ele trabalhou a ética social?....37
Teoria da ação social de Weber.......................................................................41
Sociologia e Ética Profissional 7
UNIDADE
02
Sociologia e Ética Profissional8
Você sabia que o campo da Sociologia é importante para todas 
as profissões e que o conhecimento sobre sua construção nos faz 
compreender claramente a estrutura de sociedade que temos hoje? Isso 
mesmo, sem falar que a compreensão da Sociologia e de seus temas 
vinculados nos transformam em profissionais cada vez mais capazes de 
beneficiar o mundo e agregar boas práticas a partir de nossos ofícios.
Os principais pensadores que trabalharam com afinco na construção 
e no desenvolvimento da Sociologia têm importantes teorias para 
nos apresentar e suas contribuições derrubam as barreiras do tempo, 
aplicando-se a uma imensa diversidade de contextos. 
Obter o conhecimento sobre as diferentes vertentes que constroem 
esse campo tão amplo e tão importante para qualquer que seja a área 
profissional, que é a Sociologia, pode fazer toda a diferença na sua 
carreira. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar 
nesse universo!
INTRODUÇÃO
Sociologia e Ética Profissional 9
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso propósito é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o 
término desta etapa de estudos:
1. Compreender a perspectiva teórica positivista instituída 
por Augusto Comte e seus reflexos práticos para o crescimento e o 
desenvolvimento moral.
2. Conhecer os conceitos básicos e fundamentais sobre a teoria 
materialista de Karl Marx e suas implicações para o desenvolvimento.
3. Inteirar-se sobre os impactos e a contribuição de Durkheim para 
a Sociologia.
4. Conhecer os tipos de ação social estabelecidos por Max Weber e 
as aplicações na prática.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho! 
OBJETIVOS
Sociologia e Ética Profissional10
Positivismo de Augusto Comte e o 
crescimento moral
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
os fundamentos básicos que propiciaram o surgimento do 
Positivismo como método para criação de conhecimento 
aplicado aos estudos sociológicos. Isso será fundamental 
para o exercício de sua profissão. E aí, motivado para 
desenvolver essa competência? Então, vamos lá. Avante!
Preparação para o nascimento da 
Sociologia
A área dos estudos das ciências sociais conta com importantes 
pensadores da Sociologia, que proporcionaram grande contribuição para 
o surgimento e o desenvolvimento desse conhecimento como ciência, 
e que não podemos deixar de conhecer para compreender melhor a 
dinâmica da sociedade e da ética nas nossas vidas pessoais e profissionais.
Vamos começar pela virada do século XVIII para o século XIX, 
quando estava imperando o cientificismo. Mas o que é o cientificismo? 
Convém conhecer melhor a definição desse termo para que possamos 
prosseguir em nossos estudos.
DEFINIÇÃO:
O termo “cientificismo” se refere a uma vertente do 
pensamento humano que coloca a razão como poder 
absoluto. Ou seja, o pensamento construído pela razão tem 
maior poder de explicar o mundo (tanto o físico como o 
social) por meio de sua união com a ciência.
Para a época, tanto
no mundo físico como no social, havia 
predomínio das ciências naturais, como as ciências exatas existiam com 
muita força nesse momento. Por meio desse contexto, surge Augusto 
Sociologia e Ética Profissional 11
Comte, trazendo um grande avanço para o conhecimento, foi o principal 
responsável por desenvolver o Positivismo.
Figura 1 – Auguste Comte
 Fonte: Wikimedia Commons. 
O pensador positivista Auguste Comte nasceu em Montpellier, 
na França (1798-1857), e foi o responsável pelas primeiras delimitações 
no campo de estudo da Sociologia. A origem do Positivismo é atribuída 
ao francês, que foi bastante influenciado pelos grandes eventos de sua 
época, como a Revolução Francesa e a próspera Revolução Industrial.
O Positivismo determina os princípios reguladores para o mundo, 
foi o primeiro pensamento sociológico sistemático. O trabalho de 
Comte com o positivismo merece tanto destaque, pois foi a primeira 
área do conhecimento que tratou a Sociologia de forma sistemática, 
institucionalizando-a como ciência. A ideia de que o conhecimento 
genuíno só pode ser obtido por meio da experimentação e da conferência 
científica.
Assim, a ciência deve se fundamentar apenas em observações 
meticulosas feitas a partir da experimentação sensorial. Para Comte, essa 
Sociologia e Ética Profissional12
seria a única forma possível de inferir leis que explicariam a relação entre 
os acontecimentos sociais observados. 
Não podemos deixar de mencionar o grande progresso científico 
durante a Revolução Industrial, que permitiu o avanço tecnológico durante 
esse período, dessa forma, essas vantagens permitiram modificações 
profundas na sociedade europeia. 
O pensamento sociológico sistemático incluído nesse contexto 
envolve o conceito de sistema. Mas o que isso quer dizer? Sistema, 
nesse caso, significa que o roteiro do estudo científico obedecerá a 
uma sequência que começa pela definição de um objeto, seguido pelo 
estabelecimento de conceitos e, depois disso, adotará um método para 
gerar conhecimento. 
Figura 2 – Estrutura do pensamento sociológico sistemático
Fonte: Elaborado pelas autoras.
Comte, ao observar os fenômenos sociais decorrentes da Revolução 
Industrial e da Revolução Francesa, classificou-os como “novos problemas”, 
como sintomas de uma doença a ser tratada e curada. Ele acreditava que 
os problemas sociais e as sociedades, em geral, deveriam ser estudados 
com o mesmo rigor científico que as demais ciências naturais tratavam 
seus respectivos objetos de estudo. Os fenômenos sociais, por exemplo, 
deveriam ser observados da mesma forma que um biólogo observa os 
espécimes de seus estudos. 
Sociologia e Ética Profissional 13
Comte propunha uma ciência da sociedade, capaz de explicar e 
compreender todos esses fenômenos da mesma forma que as ciências 
naturais buscavam interpelar seus objetos de estudo. 
O Positivismo para o crescimento moral 
da sociedade na prática
Uma vez que o Positivismo defende que a ciência deve estar 
preocupada com as experiências reais da sociedade, esse campo ganha 
enorme contribuição na inferência de leis que expliquem com maior 
assertividade e lógica as relações entre os fenômenos sociais observados 
na prática.
Compreendendo o relacionamento causal entre 
acontecimentos, os cientistas podem então prever o 
modo como futuros acontecimentos poderão ocorrer. A 
abordagem positivista da Sociologia acredita na produção 
de conhecimento acerca da sociedade com base em provas 
empíricas retiradas da observação, da comparação e da 
experimentação. (GIDDENS, 2008, p. 8)
Comte entendia que a história do pensamento humano se 
desenvolvia em estágios. Nessa filosofia da história, ele elaborou a Lei dos 
Três Estádios, na qual afirmava que o pensamento e o espírito humano 
progrediam por meio de três fases diferentes: a teológica, a metafísica e 
a positiva. 
Sociologia e Ética Profissional14
Quadro 1 - Lei dos Três Estádios
Estádio Principais ideias 
Teológico
A religião e as crenças levavam a 
concluir que tudo que acontecia 
na sociedade era uma expressão 
da vontade de Deus, ou seja, 
as ideias baseadas em Deus 
guiavam o pensamento e todo o 
conhecimento que se tinha sobre 
a sociedade.
Metafísico
As visões de pensamentos 
relacionavam os acontecimentos 
com as leis naturais, e não 
mais as sobrenaturais, como 
predominavam no estádio 
teológico.
Positivo
As ideias positivistas contaram 
com grandes contribuições 
das descobertas e feitos de 
Copérnico, Galileu e Newton, 
que inseriram no contexto dos 
estudos e das pesquisas sociais a 
aplicação de técnicas científicas. 
Este foi o método adotado por 
Comte no contexto da Sociologia.
Fonte: Elaborado pelas autoras.
Na prática, o Positivismo veio a se estender com maior afinco nos 
termos da educação em que o conhecimento ensinado por meios não 
comprováveis passou a ser visto com descredibilidade, por não haver 
confiabilidade ou evidências comprovadas. 
Dessa forma, o crescimento, o desenvolvimento, a ordem e o 
progresso da sociedade são pavimentados com base no Positivismo. 
Sociologia e Ética Profissional 15
Desse modo, o aperfeiçoamento da sociedade, a evolução dos indivíduos 
e o processo de educação em massa dependem muito dos instrumentos 
operacionais que forem utilizados.
Enfaticamente, Augusto Comte quer erradicar a anarquia 
mental tanto das classes ilustradas como dos ágrafos. Por 
isso, a política popular sempre social “deve ser acima de 
tudo moral”. A escola constitui, pois, o espaço privilegiado 
de ordem e progresso da razão natural. O discurso sobre o 
espírito positivo culmina com a ordem necessária dos estudos 
positivos [...]. (MEDINA, 2014)
No Brasil, o Positivismo teve sua maior aplicabilidade no contexto 
militar, sendo conduzido com mais ênfase por muitos oficiais do exército. 
No ambiente acadêmico, inicialmente, houve maior aceitação nas ciências 
exatas e áreas de educação. 
VOCÊ SABIA?
As palavras “ordem e progresso”, escritas no centro da 
bandeira brasileira, evidenciam a influência positiva 
instaurada por Augusto Comte no âmbito da Sociologia, 
que passou a ser praticada e valorizada no Brasil nas áreas 
educacionais e políticas.
Figura 3 – Bandeira do Brasil com influência positivista
 Fonte: Wikimedia Commons. 
Sociologia e Ética Profissional16
A partir da década de 1970, aumentou a presença de escolas 
utilizando os meios tecnicistas de ensino, valorizou-se mais a ciência como 
um conhecimento objetivo, uma vez que as informações transmitidas 
eram obtidas por meio desse método.
EXPLICANDO MELHOR:
Reconhecendo que o processo de educação alcança uma 
dimensão em massa, aplica-se ao contexto de todas as 
formações profissionais e acontece permanentemente 
em todas as dimensões, seja por meio de um ambiente 
escolar, acadêmico, de transmissão de informações pela 
mídia e até mesmo pela comunicação informal e cotidiana 
entre as pessoas.
Por meio da educação, uma geração pode construir seus aspectos 
políticos, éticos, morais e seus valores, além de transmitir para as 
gerações futuras tanto esses elementos quanto o seu aspecto físico, 
social e espiritual. 
Figura 4 – Processos de educação
Fonte: Freepik. 
Sociologia e Ética Profissional 17
É inegável reconhecer a importância e o valor do Positivismo no 
processo de construção do conhecimento, no ambiente educacional e sua 
utilização no meio sociológico. No entanto, deve-se entender que existem 
outros meios também importantes que atuam nessas mesmas esferas e 
que contribuem para a construção da educação e do conhecimento.
A educação tem o poder de mudar o homem e, 
consequentemente, toda uma sociedade. Como, então, 
considerar apenas uma dimensão da realidade, ou seja, a 
dimensão do que é concreto? Negar o que transcende
o fato, 
o real, o concreto, não seria perder a chance de refletir sobre 
suas causas últimas? Há coisas que não podem ser explicadas 
ou verificadas pela experiência. As matérias de formação geral 
são fundamentais para as matérias profissionalizantes. Não 
seria exagero dizer que aquelas podem servir de substrato 
para estas. A ciência não é fonte soberana de conhecimento, 
como queria o Positivismo. (ISKANDAR; LEAL, 2002, p. 5)
Assim, concluímos que a perspectiva teórica do Positivismo de 
Augusto Comte impactou a sociedade por todos os tempos à frente, no 
que diz respeito a educação, formação de conhecimento, jurisdições, 
condutas morais, formas de comunicação e estruturas técnicas e políticas, 
entre outros. E como os reflexos do Positivismo impactaram na prática na 
construção ética e moral de toda a sociedade.
ACESSE:
O artigo “O Positivismo percebido nas etapas de 
desenvolvimento do DNA da marca” (BRAUN et al., 2014) 
faz uma reflexão sobre os questionamentos que sofre a 
base científica, valida os processos e métodos e busca 
conceituar uma metodologia para criação de marcas com 
base no positivismo. Disponível em: https://bit.ly/2K9BeLk 
(Acesso em: 16/02/2020).
Sociologia e Ética Profissional18
RESUMINDO:
E então, gostou dessa primeira competência? Agora, só 
para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste primeiro capítulo, vamos resumir tudo 
o que vimos. Você deve ter aprendido que a construção 
da Sociologia conta com a contribuição de grandes 
pensadores para promover a criação do conhecimento 
e de teorias a respeito do seu objeto de estudo, que 
é a sociedade. Também podemos relembrar como o 
cientificismo modifica a história do conhecimento em todas 
as perspectivas, mas em especial o conhecimento social, 
que conta com importante participação do francês Augusto 
Comte, que influenciado pelas Revoluções promove a 
ideia do conhecimento genuíno, por meio do Positivismo. 
É importante pontuar que a estrutura do pensamento 
sistemático na Sociologia é constituída por três elementos: 
definição de um objeto, estabelecimento de conceitos 
e adoção de um método para gerar conhecimento. É 
importante, também, relembrar que a contribuição do 
método positivista de Augusto Comte auxilia fortemente na 
constituição moral das políticas sociais e sua aplicabilidade 
na construção do conhecimento e fomento da educação 
em todos os níveis. Tomando por base os aprendizados 
em torno da teoria positivista de Comte, o profissional, em 
qualquer que seja a sua área de atuação, estará preparado 
para agregar com maior confiança e responsabilidade as 
suas ações e contribuições, beneficiando assertivamente 
toda a sociedade.
Sociologia e Ética Profissional 19
O materialismo de Karl Marx e os rumos 
do desenvolvimento
INTRODUÇÃO:
Nesta unidade, discutiremos Karl Marx, sua história e 
principais obras. Além disso, estudaremos as contribuições 
dessa vertente de pensamento para o entendimento de 
fenômenos sociais e como o sistema econômico capitalista 
interfere no desenvolvimento ou no não desenvolvimento 
da sociedade.
Quem foi Karl Marx e qual sua 
contribuição na Sociologia?
Considerado no campo de estudo das ciências sociais um dos mais 
influentes sociólogos, Karl Marx nasceu na Prússia, em 5 de maio de 1818, 
região localizada na atual Polônia, e morreu em Londres, em 14 de março 
de 1883. 
Ele não tem uma classificação única, a verdade é que Marx foi 
um grande estudioso do seu tempo. Foi filósofo, economista, jornalista, 
sociólogo e historiador. Publicou vários livros durante sua vida, sendo O 
manifesto comunista (1848) e O capital (1867-1894) os mais famosos.
Figura 5 – Karl Marx
 Fonte: Wikimedia Commons. 
Sociologia e Ética Profissional20
Marx estudou nas universidades de Bonn e Berlim, lá se interessou 
pelas ideias filosóficas dos jovens hegelianos. Depois dos estudos, 
começou a trabalhar em um jornal radical, no qual deu início aos estudos 
da teoria da concepção materialista da história. 
Sofreu perseguições e, em 1843, mudou-se para Paris com sua 
família, onde conheceu o jovem alemão Friedrich Engels, seu amigo e 
colaborador dos seus escritos. Mesmo em Paris, Marx não deixou de 
fazer duras críticas ao governo prussiano e por essa razão, exilado da 
França, foi viver em Londres, onde continuou a escrever sobre a atividade 
econômica e social. Também fez campanha para o socialismo e tornou-
se um personagem importante para a Associação Internacional dos 
Trabalhadores. 
Mas o que essas características pessoais têm a ver com a sua 
importante participação na construção da Sociologia? Ora, o ponto alto 
de Marx acontece quando ele estabelece o vínculo de seus pensamentos 
a um elemento importante: a prática. Para ele, “os filósofos limitaram-se 
a interpretar o mundo de diversas formas; o que importa é modificá-lo” 
(Karl Marx).
As contribuições de Karl Marx ao pensamento universal podem 
ser separadas em três terrenos: filosofia, economia e política. Seu 
pensamento filosófico se manifesta no materialismo dialético e no 
materialismo histórico. Toda coisa, todo fenômeno da natureza, incluída a 
sociedade, vê-se submetido a um processo ininterrupto de nascimento, 
desenvolvimento e morte. 
Karl Marx e seu amigo e colaborador, Friedrich Engels, criaram 
uma mudança de paradigmas no pensamento da história humana. Deram 
respostas às questões sobre a maneira pela qual, durante o transcurso 
histórico, passa-se de uma forma de sociedade à outra; como nascem, 
crescem e morrem os grandes impérios da humanidade.
Sociologia e Ética Profissional 21
Figura 6 – Karl Marx e Friedrich Engels
Fonte: Wikimedia Commmons. 
A exemplo disso, podemos citar do Egito dos faraós ao império 
britânico, passando por Alexandre, o Grande, Felipe da Macedônia, o 
império romano de Júlio César etc. O motor dessas transformações 
sucessivas, para Marx, é a luta de classes. 
O segundo grande descobrimento de Marx foi em relação ao 
pensamento econômico, que é sua obra exclusiva, a teoria da mais-valia. 
Essa teoria se desenvolveu na obra O capital: “O objetivo final desta obra 
é descobrir a lei econômica do movimento da sociedade moderna”, aqui 
“sociedade moderna” é uma analogia à sociedade capitalista, diz Marx no 
prólogo do livro. 
Com a elaboração da teoria da mais-valia, Marx explica o mecanismo 
de exploração do operário pelo capitalista, além de demonstrar o processo 
inevitável do enriquecimento dos empresários e, de outro lado, a pobreza 
Sociologia e Ética Profissional22
dos trabalhadores e sua progressiva exclusão do processo de produção 
pelas máquinas, o que leva ao desemprego e às crises do sistema capitalista. 
Nesse sentido, Marx previu também os desastres que seriam provocados 
no meio ambiente pela exploração selvagem e descontrolada das riquezas da 
Terra. 
 Em relação ao terreno político, Marx e Engels concluíram sobre 
a necessidade da luta dos produtores e dos oprimidos contra o sistema, 
demonstram ao proletariado e aos povos do mundo a natureza de sua luta pela 
libertação, tanto da exploração do capital quanto da dominação imperialista. 
Sobretudo, demonstraram que essa luta conduz, necessariamente, 
em um primeiro momento, à vitória do proletariado sobre a burguesia e, mais 
tarde, a suspensão das classes, com o desaparecimento da exploração do 
homem pelo homem.
O capitalismo e suas implicações rumo ao 
desenvolvimento
No campo das ciências sociais, do conhecimento da filosofia, da 
política e da economia, Marx formulou a concepção materialista da história, 
na qual identificou as relações sociais de produção, aquela que os homens 
estabelecem entre si e com a natureza na produção social de sua existência, 
com a estrutura econômica da sociedade, sobre a qual se ergue a ordem 
política e jurídica, bem como as formas pelas quais os
indivíduos representam 
a realidade e a consciência social. 
Nessa concepção, fica clara a dialética da evolução do ser finito à 
essência, que Marx retoma da filosofia clássica alemã, despojando-a do mato 
idealista que então era coberta.
EXPLICANDO MELHOR:
Ao identificar a estrutura econômica como determinante 
central de uma formação social, concentrou sua atenção no 
estudo das relações sociais de produção, que definem o modo 
de produção capitalista, sendo esse o trabalho que desenvolve 
com profundidade em seu livro intitulado O capital.
Sociologia e Ética Profissional 23
Figura 7 – A obra O capital, de Marx e Engels
 Fonte: Pixabay. 
Essa obra se inicia a partir da análise do trabalho como mercadoria. 
Produto do trabalho humano destinado à produção e a riqueza privada 
pode considerar-se como trabalho concreto. O ciclo do capital funciona 
exitosamente quando este, em forma de dinheiro, compra matérias-
primas, força de trabalho e máquinas para executar o processo produtivo. 
NOTA:
O verdadeiro limite da produção capitalista é o próprio 
capital, e nele está sua valorização. O que constituem 
o ponto de partida e de chegada, o motivo e o fim da 
produção; o fato de que aqui a produção só é produção 
para o capital, e não o contrário, os meios de produção são 
simples meios para ampliar cada vez mais a estrutura do 
processo de vida da sociedade dos produtores. 
O conceito de crise, em referência ao capitalismo, indica que se 
produziu uma ruptura no ciclo de funcionamento normal do capital, que é 
um ciclo de expansão contínua. Essa crise, na qual o sistema não funciona 
Sociologia e Ética Profissional24
com normalidade, é uma crise de realização do capital, equivalente a um 
estancamento. 
O capital se encontra em crise, entre outros cenários, quando: o 
capitalista prefere manter o capital em forma de dinheiro sem investir 
porque entende que a perspectiva da economia não lhe garante o nível 
de lucro esperado. Ele para de circular em forma de dinheiro quando não 
consegue as matérias-primas necessárias para sua materialização. 
Na fase de capital produtivo, pode haver estancamento se não forem 
usadas as máquinas em seu pleno potencial produtivo – por exemplo, 
quando há parada forçosa –, quando não circulam as mercadorias porque 
não encontram compradores a um determinado nível de preços etc.
Para Marx, as crises do sistema capitalista são inerentes, formam 
parte da lógica do seu funcionamento. As crises surgem às contradições 
internas do sistema, daí por que, quando não estamos diante de um 
evento de crise e o sistema se encontra funcionando “normalmente”, os 
fatores de contradição em seu interior estão gerando permanentemente 
as condições que induzem às crises. 
Figura 8 – Crise econômica do sistema capitalista
 Fonte: Pixabay. 
Sociologia e Ética Profissional 25
As condições nas quais se realizam os processos de acumulação 
levam à redução em forma progressiva. O que expressa uma tremenda 
contradição no interior do próprio capital: o mesmo processo que 
possibilita o seu crescimento se torna, em longo prazo, seu próprio freio: 
é o que Marx chama de tendência decrescente da quota ou taxa de lucro. 
Segundo Marx, a taxa de exploração é o resultado da relação 
entre mais-valia e valor de trabalho. A redução do trabalho necessário à 
reprodução da força de trabalho é obtida mediante duas alternativas: com 
a redução dos salários reais dos trabalhadores ou com o aumento da sua 
produtividade (menos tempo de trabalho com a mesma quantidade de 
produtos). 
A principal consequência da baixa taxa de lucro é que dá lugar à 
força de trabalho barata. Nessa situação, os capitalistas insistirão, por 
necessidade, em resolver sua crise, apelando para a baixa dos salários 
diretamente ou por meio de tecnologia, importando mão de obra barata 
e/ou exportando capital para onde considerar que sua rentabilidade será 
maior. 
Entre as sequelas das crises, além da tendência aos monopólios, 
deve-se adicionar que o decréscimo da economia aumenta o desemprego, 
o qual induzirá, por sua vez, os trabalhadores a aceitarem piores condições 
de exploração, a fim de manter o posto de trabalho. 
VOCÊ SABIA?
O capitalismo é uma estrutura de classes em que a 
existência e a permanência da classe capitalista requer a 
existência e a permanência da classe trabalhadora, e essas 
classes acabam entrando em conflito entre si, promovendo 
o que Marx chama de “luta de classes”.
Sociologia e Ética Profissional26
Figura 9 – Desigualdade social
 Fonte: Pixabay. 
Essas piores condições de exploração implicam menor poder 
aquisitivo e menor demanda no mercado, que, por sua vez, deprime os 
preços das mercadorias e, portanto, é como retornássemos a um ponto 
morto. Pois é sabido que, se produz e não vende, não há circulação no 
mercado. Sem isto, não há realização efetiva da mercadoria, uma das 
formas de existência do capital. 
Marx se concentra em fazer esse tipo de análise por uma visão que 
defende primordialmente o lado negativo que a mecânica do capitalismo 
promove diante de uma grande parcela da sociedade. As dificuldades e 
as crises que o autor debate se arrastam ao longo do tempo e os fatores 
que as provocaram por muitas vezes é responsabilidade do sistema 
macroeconômico capitalista.
Sociologia e Ética Profissional 27
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar nesse tema? Leia o artigo “Há duzentos 
anos do seu nascimento, o que Karl Marx tem a oferecer 
ao século XXI?” (COSTA, 2018). Nele, o autor comenta os 
elementos centrais do debate imposto por Marx e faz uma 
relação sobre a aplicação dessa teoria nos dias atuais, 
além de tratar sobre as possibilidades de alternativas ao 
capitalismo. Disponível em: https://bit.ly/2RNo62H. Acesso 
em: 18/02/2020.
RESUMINDO:
Chegamos ao final de mais uma seção desta unidade, 
na qual tratamos inicialmente dos aspectos conceituais 
e introdutórios sobre as teorias desenvolvidas por 
Karl Marx e como a sua trajetória pessoal contribuiu 
para o desenvolvimento da Sociologia, aliando vários 
conhecimentos para obter um importante elemento tanto 
para o ambiente acadêmico quanto para a sociedade em 
geral: a prática. Você deve ter aprendido que os estudos de 
Karl Marx e Friedrich Engels chamam atenção para a luta 
de classes como fator principal em relação ao nascimento, 
crescimento e morte dos grandes impérios da sociedade, 
permitindo, assim, entendermos que a maior parcela da 
população pode ter o maior poder em mudar os cenários 
existentes, se assim quiser. Também podemos relembrar 
que Marx formulou a teoria materialista, identificando 
as relações de produção entre os atores da sociedade, 
e a sua dinâmica interfere provocando as maiores 
dificuldades sociais existentes ao longo da história. Mais 
adiante, comentamos que as dificuldades decorrentes 
do capitalismo afetam profundamente os atores mais 
vulneráveis da sociedade, como as crises econômicas que 
provocam menor margem de lucro para os empresários e 
maior exploração de trabalho.
Sociologia e Ética Profissional28
Os impactos concretos do funcionalismo 
de Émile Durkheim
INTRODUÇÃO:
Nesta competência, vamos aprender sobre um 
embasamento teórico e prático acerca do funcionalismo de 
Durkheim, com ênfase nas características, nos tipos e nos 
impactos dos fatos sociais!
Princípios de Durkheim
Também considerado um dos maiores sociólogos de todos os 
tempos, ele é conhecido por ser um dos pais da Sociologia. Mas o que quer 
isso? Quer dizer que ele foi um dos fundadores e principais pensadores da 
Sociologia. Vamos conhecê-lo um pouco melhor a partir de agora.
Émile Durkheim nasceu em 15 de abril de 1858, na França, e morreu 
em 15 de novembro de 1917. Sociólogo, cientista político, antropólogo, 
psicólogo social e filósofo, fez da Sociologia uma ciência, por isso é 
frequentemente chamado de pai da
Sociologia, o que fez sua obra ter um 
impacto mais duradouro. 
Figura 10 – Émile Durkheim
 Fonte: Wikimedia Commons. 
Sociologia e Ética Profissional 29
Durkheim foi estudante de Direito e Economia e usou esses 
conhecimentos de jurisprudência e elementos econômicos para 
interpretar a sociedade. Feito isso, foi estudar na Universidade de 
Sorbonne, em Paris, onde ele fundou a Escola Sociológica Francesa.
A partir desse momento, o estudo de Sociologia começa a ganhar 
um novo panorama. Embora, em determinados aspectos, se apoiasse 
nas obras de Comte, Durkheim pensava que muitas das ideias do seu 
antecessor positivista eram demasiadamente especulativas e vagas e que 
Comte não realizara com sucesso o seu programa – dar à Sociologia um 
caráter científico. 
Apesar de assumir essa profunda influência positivista, ao pensar 
na vida social, concluiu que a vida pode ser regida por leis e cabe à 
Sociologia encontrar, descobrir ou estabelecê-las. Seus trabalhos são 
caracterizados como positivistas, pois inserem os métodos científicos 
aplicados à sociedade. Esta foi uma influência que Durkheim teve de 
Comte, por exemplo.
Com essa vertente, a Sociologia, que estava surgindo com o 
Durkheim, observa os fenômenos sociológicos, porém com um olhar um 
pouco diferente do que estava sendo feito até então. De acordo com o 
senso comum, a vida em sociedade é feita por experimentos, experiências 
e vivências individuais.
A sociedade é composta pela vida privada e individual de cada 
um, e esses fenômenos sociais são os objetos de estudo da Sociologia. 
Apesar disso, Durkheim olha para essa hipótese e a nega, começa, então, 
a pensar algo diferente, trazer uma nova perspectiva para a Sociologia e 
destaca dentro desse estudo com diversas obras, por exemplo, uma das 
primeiras e mais significativas, Da divisão do trabalho social (1893) e As 
regras do método sociológico (1895). 
Sociologia e Ética Profissional30
Figura 11 – Obra de Durkheim, Da divisão do trabalho social
 Fonte: Wikimedia Commons.
 Uma de suas maiores e mais conhecidas obras, publicada em 1897, 
trata-se de sua monografia, intitulada O suicídio, um estudo sobre as taxas 
de suicídio em populações católicas e protestantes, uma investigação 
pioneira e moderna. 
O seu trabalho científico era voltado para forma como as sociedades 
poderiam manter sua integridade e coerência na modernidade. Durkheim 
via a Sociologia como uma nova ciência, que podia ser usada para elucidar 
questões filosóficas tradicionais, examinando-as de modo empírico. 
Ele acreditava que deveríamos estudar a vida social com a mesma 
objetividade com que cientistas estudavam o mundo natural. 
Seu princípio básico era estudar os fatos sociais como coisas 
exteriores pelo investigador, porém ele não pretendia que uma organização 
social fosse encarada como objeto da mesma natureza que os fenômenos 
naturais, ao contrário, insistiu que a sociedade consistia essencialmente 
de “representações” de crenças e sentimentos. Sociedades tradicionais 
com laços sociais e religiosos não são mais assumidas e têm surgido em 
que novas instituições sociais. 
Sociologia e Ética Profissional 31
A principal preocupação intelectual da Sociologia, para o autor, 
reside no estudo dos fatos sociais. Ele defendia que os sociólogos deviam 
primeiro analisar os fatos sociais, ou seja, os aspectos da vida social que 
determinam a sua ação enquanto indivíduos, tais como o estado da 
economia ou a influência da religião. 
Durkheim acreditava que as sociedades tinham uma realidade 
própria e que os fatos sociais eram formas de agir, pensar ou sentir, 
externas aos indivíduos, tendo uma realidade própria à vida e percepções 
individuais. Outra característica relevante dos fatos sociais é eles 
exercerem um poder coercitivo sobre os indivíduos. 
A obra do sociólogo abrange uma vasta gama de assuntos, entre 
eles:
 • A importância da Sociologia como ciência empírica. 
 • A emergência do indivíduo e a formação de uma ordem 
social.
 • As origens e o caráter da autoridade moral na sociedade.
Assuntos estes abordados em temas como religião, teoria do desvio 
e o crime, do trabalho e da vida econômica. 
Contudo, a natureza coercitiva dos fatos sociais raramente é vista 
como constrangedora, pois, de forma abrangente, atuam de livre vontade 
de acordo com os fatos sociais. Assim, no livro As regras do método 
sociológico, Durkheim trata do conceito de representações coletivas em 
estreita conexão com o conceito mais abrangente de fatos sociais. 
Assim, esclarece que fatos sociais são todas as maneiras de fazer, 
fixa ou não, suscetíveis de realizar sobre o indivíduo uma coação exterior, 
ou, ainda, que é geral no conjunto de cada sociedade tendo, ao mesmo 
tempo, existência própria, independentemente de suas manifestações 
individuais.
Sociologia e Ética Profissional32
Figura 12 – Fatos sociais
MANEIRA 
DE FAZER
=
MANEIRA 
DE AGIR
=
MANEIRA 
DE PENSAR
=
MANEIRA 
DE SENTIR
Fonte: Elaborado pelas autoras.
Características dos fatos sociais: 
 • São exteriores à consciência individual.
 • Possuem capacidade de coação sobre indivíduos.
 • São ao mesmo tempo gerais em uma dada sociedade e 
independentes de suas expressões individuais.
Dessa forma, destaca Durkheim (1999): “para que exista fato social 
é preciso que pelo menos vários indivíduos tenham misturado suas 
ações, e que dessa combinação se tenha desprendido um produto novo”. 
Seu efeito é necessariamente fixar, instituir certas maneiras de agir e 
determinados julgamentos que existem fora de nós e que não dependem 
da vontade particular. 
Como os fatos sociais existem fora de nós e não somos capazes de 
suprimir ou modificá-los à vontade, não temos outro remédio senão nos 
conformar com sua existência. Isto, porém, não significa que ele considere 
a capacidade de coação dos fatos sociais em tudo semelhante à coação 
física. O estudioso afirma que a coação social “é devida não à rigidez de 
certos arranjos moleculares, e sim ao prestígio de que estão investidas 
certas representações: nisto está o que apresentam de inteiramente 
especial”.
Sob a noção de coercitividade, a teoria durkheimiana engloba, na 
verdade, diferentes aspectos da relação indivíduo/sociedade. Em alguns 
contextos, a teoria se refere à existência de normas sociais apoiadas em 
sanções que obrigam os indivíduos a obedecê-las. Em outros, à existência 
de condições; ou à existência de condições sociais que o indivíduo deve 
obrigatoriamente considerar como meios necessários para alcançar os 
fins que se propõem. 
De outra forma, enquanto normas, os fatos sociais são pensados 
como aquilo que governa a conduta do indivíduo, mas não se confunde 
Sociologia e Ética Profissional 33
com ela. Dessa forma, conclui Durkheim, existe um tempo que exprime 
razoavelmente essa maneira de ser muito especial, uma vez ampliado um 
pouco seu significado habitual, é o tempo instituição.
Com efeito, pode-se chamar instituição toda crença, todo 
comportamento pela coletividade, sem desnaturalizar o sentimento 
da expressão. A Sociologia seria, então, definida como a ciência das 
instituições, de sua gênese e de seu funcionamento.
O que é sociologia moral?
Durkheim trata de separar o social do individual, como duas 
esferas independentes da realidade humana, e insiste que a sociedade 
não é mera soma de indivíduos, ao contrário. Ele se preocupava com as 
mudanças que transformavam a sociedade. Entre a solidariedade social e 
moral, naquilo que mantém a sociedade unida e impede a sua destruição 
no caos. 
A solidariedade é mantida quando os indivíduos se integram com 
sucesso em grupos sociais e seguem um conjunto de valores e costumes 
partilhados. No seu livro Da divisão social do trabalho, Durkheim expressa 
uma análise
da mudança social, defendendo que o advento da era 
industrial representava a emergência de um novo tipo de solidariedade. 
Figura 13 – Sociedade
 Fonte: Pixabay.
O sociólogo comparou dois tipos de solidariedade, a mecânica e 
a orgânica. Para ele, as culturas tradicionais com um nível reduzido de 
divisão do trabalho caracterizam-se pela solidariedade mecânica. A 
Sociologia e Ética Profissional34
maior parte dos indivíduos dessa sociedade deve estar envolvida em 
ocupações similares, unidos em torno de uma experiência comum e de 
crenças partilhadas. 
As sociedades de culturas tradicionais são de natureza repressiva, 
ou seja, a comunidade castiga prontamente quem colocar em causa 
os modos de vida convencionais, não sobra espaço para desarmonia 
individuais. 
Já na solidariedade orgânica, as forças da industrialização e da 
urbanização conduzem a uma maior divisão do trabalho, a especialização 
de tarefas e a cada vez maior diferenciação social nas sociedades 
desenvolvidas haveria de conduzir a uma nova ordem caracterizada por 
ela. 
SAIBA MAIS:
Esse tipo de sociedade está unido pelos laços da 
interdependência econômica entre as pessoas e pelo 
reconhecimento da importância da contribuição dos outros, 
visto que cada indivíduo necessita dos bens e serviços 
que só outras pessoas com ocupações diferentes podem 
fornecer.
As causas do aumento da divisão do trabalho, para Durkheim, o 
Direito Repressivo compreende tudo aquilo que em linguagem jurídica 
se denomina Direito Penal, e o que ele classifica como Direito Restitutivo 
é o englobado pelo Direito Processual, Comercial, Civil, Administrativo e 
Constitucional. 
Comparando esses dois Direitos, Repressivo e Restitutivo, em 
diferentes situações históricas, Durkheim conclui pelo aumento progressivo 
da importância do Direito Restitutivo nas sociedades modernas. Isso prova 
a influência da divisão do trabalho como fator de integração social.
O progresso da divisão social do trabalho lhe parece como o fio 
de ligação do processo evolutivo das formas de sociedade mais simples 
às mais complexas, isso se deve ao fato de que os segmentos sociais 
Sociologia e Ética Profissional 35
perdem sua individualidade, e as barreiras que os separam se tornam 
permeáveis. 
Assim, ele busca explicar um processo relevante observado ao 
nível da fisiologia social por mudanças concomitantes da estrutura social, 
a progressiva aderência dos segmentos ou grupos secundários que 
compõem a sociedade. 
EXPLICANDO MELHOR:
Durkheim afirma que o sentido geral da evolução das 
sociedades conduz de uma “estrutura segmentar” a uma 
“estrutura organizada”. Na estrutura segmentar, a debilidade 
dos laços entre os segmentos sociais se traduz na 
existência de vazios morais que os separam. A vida social se 
generaliza quando tais vazios se somam e desaparecem, 
assim, a sociedade se torna madura para o aparecimento 
de formas mais complexas de cooperação entre indivíduos 
e grupos. 
Portanto, a divisão do trabalho progride tanto quanto mais existem 
indivíduos que estejam suficientemente em contato para poder agir e 
reagir uns sobre os outros, o sociólogo chama de densidade dinâmica 
ou moral. Podemos dizer que os progressos da divisão estão em relação 
direta com a densidade moral ou dinâmica da sociedade.
SAIBA MAIS:
Quer saber mais sobre os estudos provocados por 
Durkheim? Recomendamos a leitura do artigo “100 anos sem 
Durkheim. 100 anos com Durkheim” (WEISS; BENTHIEN, 
2017). O artigo debate os principais aspectos da teoria de 
Émile Durkheim, que caracterizam as ciências sociais, bem 
como a construção de um dossiê comentando a aplicação 
da teoria na sociologia dos tempos atuais. Disponível em: 
https://bit.ly/2VfUrkJ. Acesso em: 19/02/2020.
Sociologia e Ética Profissional36
RESUMINDO:
Até agora está gostando do que tem estudado? Neste 
momento, para garantir que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir mais uma 
vez todo o assunto que nele foi trabalhado. Iniciamos a 
seção 3.1 com um embasamento teórico e contextualizado 
acerca da caracterização e dos princípios de Durkheim e 
explicamos os motivos pelos quais ele é conhecido como 
“pai da Sociologia”. É interessante relembrar que Durkheim 
utilizou os seus conhecimentos de Direito e Economia para 
realizar a análise e a interpretação da sociedade, o sociólogo 
conta com o método positivista para conceber suas teorias, 
sendo fortemente influenciado por Augusto Comte. É 
importante relembrar que Durkheim nega a opinião de 
que a sociedade é feita por experimentos, experiências e 
vivências individuais e passa a expor em suas obras novas 
formas e métodos científicos de analisar o objeto de estudo 
da Sociologia, que é a sociedade. No debate, também 
foi exposto algumas das obras de Durkheim e como ele 
defendia o fato de não utilizar os métodos de estudo 
naturalistas, uma vez que seu foco era investigar os fatos 
sociais, levando em consideração as representações de 
suas crenças e sentimentos em cada um de seus contextos. 
Também podemos relembrar como os fatos sociais, 
intrinsecamente, exercerem um poder coercitivo sobre os 
indivíduos. Entre os principais temas tratados pelas obras 
de Émile Durkheim estão: a importância da Sociologia como 
ciência empírica, a emergência do indivíduo e a formação 
de uma ordem social e as origens e caráter da autoridade 
moral na sociedade.
Sociologia e Ética Profissional 37
Weber e ação social na prática
INTRODUÇÃO:
Nessa competência, trabalharemos brevemente sobre 
quem foi Max Weber e as formas de contribuição para 
a Sociologia do século XIX. Além disso, conheceremos 
os diferentes modelos de ação social na perspectiva 
weberiana.
Quem foi Max Weber e como ele trabalhou 
a ética social?
A literatura afirma que considerar o alemão Max Weber (1864-1920) 
apenas como um sociólogo é uma maneira limitada e, de certa forma, 
equivocada de defini-lo, uma vez que os seus principais instrumentos de 
estudo envolviam uma diversidade de áreas. 
As obras de Weber, da virada do século XIX para o século XX, cobriam 
campos de estudos como História, Direito, Filosofia e Economia. Caminhar 
por esses campos permitiu que Weber adquirisse uma diversidade 
de conhecimento que seria útil para os estudos e entendimentos 
da sociedade, o que o auxilia no processo de desenvolvimento do 
conhecimento do campo da Sociologia.
Figura 14 – Retrato de Max Weber
Fonte: Wikimedia Commons 
Sociologia e Ética Profissional38
Weber foi professor em Heildeberg, cidade alemã onde aplicou o 
seu conhecimento, suas ideias e teorias na prática, durante o período da 
Primeira Guerra Mundial. Após esse período, foi conselheiro do Tratado 
de Versalhes – a negociação da rendição alemã –, e o seu papel foi tentar 
amenizar os prejuízos que a Alemanha sofreu após a derrota na guerra. 
Com o fim da Primeira Guerra, a Alemanha modifica o seu sistema 
político e surge, então, a República de Weimer, que precisou de uma nova 
constituição, e um dos responsáveis por elaborá-la foi Weber. 
EXPLICANDO MELHOR:
Diante disso, é possível reparar que o sociólogo foi, além de 
um grande pensador, um grande político, que desenvolveu 
suas ideias, teorias e produção intelectual por meio da 
universidade e da sua experiência prática.
Dessa forma, é possível destacar uma importante obra do autor 
denominada A ética protestante e o “espírito” do capitalismo. Dessa obra, Weber 
vincula assuntos pertinentes à religião e à política, buscando entender qual a 
função da religião na política, dentro das práticas da sociedade. Pensando 
esses dois temas, percebe e diagnostica quais são os valores que ordenam o 
capitalismo. 
A estrutura do sistema macroeconômico que nós vivemos, o capitalismo, 
é apoiada em valores e princípios, os quais o pensador vincula de acordo com 
a abordagem da religião e da política. Além
disso, o autor afirma que, com a 
mudança de tempo, a maneira como os seres humanos vivem vai mudar.
IMPORTANTE:
Outro importante fator considerado, nesse mesmo 
sentido, por Weber é a racionalidade. O pensador faz 
relações práticas entre o desenvolvimento do capitalismo, 
da ciência, das técnicas e da tecnologia, enfatizando a 
ocorrência dos fatos do modelo macroeconômico, em sua 
produção intelectual, por meio desses elementos. Aliando 
esses pensamentos, ele chama atenção para uma extrema 
racionalidade existente em nosso mundo. 
Sociologia e Ética Profissional 39
Figura 15 – Racionalidade
Fonte: Pixabay.
Para ilustrar um pouquinho do trabalho que Weber desenvolveu e 
como ele relaciona a ética nesse contexto, a seguir um fragmento de seu 
livro: 
Na verdade, esta ideia peculiar do dever profissional, tão 
familiar a nós hoje, mas, na realidade, tão pouco evidente, é 
a maior característica da “ética social” da cultura capitalista e, 
em certo sentido, sua base fundamental. (WEBER, 1967, p. 38)
Mas o que Weber está dizendo nesse pequeno trecho transcrito? De 
certa forma, a mensagem se retrata sobre algo muito comum atualmente, 
como um dever profissional, tem sua base na religião. O autor traz para 
análise como a igreja protestante influenciou no dever profissional, na ética 
profissional e no modo de lidar com o trabalho e o mundo do trabalho.
Isso determina os valores que nos orientam, a maneira como 
lidamos com o tempo e interfere sobre uma maneira mais racional de 
ações e pensamentos do ser humano. Ou seja, o ser humano se torna 
mais racional, uma vez que a sociedade capitalista se racionaliza, com o 
objetivo de colocar esse sistema em movimento.
Sociologia e Ética Profissional40
Você muito provavelmente vai seguir uma carreira profissional 
e, embora nós saibamos disso, infelizmente a influência dessa ética 
colocada por Weber não é tão evidente assim. Por esse motivo, as ideias 
e o conhecimento produzidos por Weber são tão importantes de serem 
estudados no processo de formação profissional.
No entanto, questionamos os meios pelos quais Weber produziu 
esse tipo de conhecimento com toda assertividade e confiabilidade de 
suas ideias. Vale relembrar que, antes de Weber chegar às suas teorias, foi 
preciso utilizar algum método. 
O método utilizado por ele inclui estatística, que é fundamental 
para se entender a sociedade. Além disso, os métodos de comparação 
e interpretação são aplicados nessa produção de conhecimento para 
entender a sociedade, comparando casos e interpretando dados 
coletados. 
Figura 16 – Métodos estatísticos
 Fonte: Freepik. 
Sociologia e Ética Profissional 41
Por fim, o entendimento da história é um recurso fundamental e 
inovador que o Weber traz para a Sociologia, e muitos autores consideram 
esta a maior inovação que o pensador aplica aos estudos desenvolvidos 
por ele, sobre a sociedade. 
Teoria da ação social de Weber
Para Weber, uma das funções da Sociologia é compreender a ação 
social, interpretando-a, para explicar os seus desenvolvimentos e efeitos. 
Em sua metodologia, a compreensão consiste na absorção do sentido 
subjetivo da ação. Ele distingue a Sociologia das disciplinas “dogmáticas”, 
como a jurisprudência, a Ética e a Lógica, que se preocupam em definir o 
sentido exato de seus objetos. 
Compreender a ação humana, para Weber, é assimilar seu sentido 
subjetivo, a compreensão não é um processo exclusivo do conhecimento 
científico. Qualquer pessoa passa boa parte do seu tempo tentando 
compreender a ação de outras pessoas do seu grupo social. Ele buscava 
compreender as bases do entendimento humano e quais operações 
mentais as pessoas realizavam para entender os atos do outro. 
Figura 17 – Ação social
 Fonte: Pixabay. 
Sociologia e Ética Profissional42
Existem ações que passam despercebidas pelo nosso entendimento, 
pois ganharam o status de “hábito”. Por exemplo, imagine chegar à casa 
dos seus avós no fim do dia, você vai até a cozinha e encontra sua avó 
lidando com panelas no fogão, como costuma fazer todas as tardes. Você 
não precisa perguntar-lhe para saber que ela está preparando o jantar, 
que é com essa habitualidade que ela mexe nas panelas e no fogão a 
essa hora. Desse modo, Weber denomina de compreensão atual esse tipo 
de percepção de sentido que decorre diretamente do curso observável 
da ação. 
Continuando com o mesmo exemplo, suponha que ao chegar à casa 
da sua avó você não a encontre cozinhando, mas arrumando as malas. 
Nesse caso, não bastaria olhar para entender, seria preciso perguntar a 
ela para saber que sua tia está passando mal em outra cidade e que sua 
avó foi chamada às pressas. Weber denominou isso de compreensão 
explicativa, pois estas não se contêm ao sentido da ação, mas chama 
seus motivos velados. 
No entanto, para ele, a ação que liga racionalmente meio a fins 
permanece como a mais importante para interpretação significativa, 
sendo as várias formas de conduta irracionais interpretadas, o mais das 
vezes, como graus de afastamento em relação a uma hipotética conduta 
irracional. 
Porém, essa forma de estabelecer um tipo ideal racional e evidente 
da atividade social, com base na compreensão, e dar ao seu método 
compreensivo a maior validade objetiva possível são criticados por outros 
estudiosos, apresentam alguns problemas, mas devemos compreender o 
que é “tipo ideal” na perspectiva weberiana. 
Sociologia e Ética Profissional 43
Quadro 2 – Tipos de ação social
Ação social racional com relação 
a fins
Determinada por expectativas no 
comportamento tanto de objetos 
do mundo exterior como de 
outros homens, utilizando essas 
experiências como condições e 
meios para alcançar fins próprios.
Ação social com relação aos 
valores
Determinada pela crença 
consciente no valor, ético, 
estético, religioso ou de 
qualquer outra forma como seja 
interpretado.
Ação social afetiva
Principalmente emotiva, 
determinada pelos afetos e 
estado sentimental.
Ação social tradicional
Determinada por um costume 
arraigado.
Fonte: Elaborado pelas autoras.
Para Weber, a noção de tipo ideal decorre da concepção acerca da 
infinita complexidade do real diante do alcance limitado dos conceitos 
elaborados pela mente humana. 
Todo conceito selecionado é orientado por valores. O sociólogo 
seleciona aspectos da ação humana que considera culturalmente 
relevantes para o estudo e o faz segundo seus próprios valores. Ao mesmo 
tempo que busca encontrar consciência lógica para esses aspectos 
relacionados à realidade. 
Ele indica que a seleção do objeto de estudo não termina na escolha 
do problema. Uma vez que a problemática foi definida, o pesquisador 
se verá diante de numerosas possibilidades de respostas e situações, 
Sociologia e Ética Profissional44
contudo, cabe a ele mesmo encontrar explicação diante de algumas 
possibilidades, delimitando suas hipóteses.
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar nos estudos de Weber e a ação 
social? Recomendamos a leitura do texto “O paradigma 
weberiano da ação social: um ensaio sobre a compreensão 
do sentido, a criação de tipos ideais e suas aplicações na 
teoria organizacional” (MORAES; MAESTRO FILHO; DIAS, 
2003). O trabalho resgata a relação da teoria de Weber nas 
organizações, além de abordar a compreensão da ação 
social burocrática e a interferência do capitalismo nos 
programas de treinamento e desenvolvimento empresarial. 
Disponível em: https://bit.ly/34Hgcxc
RESUMINDO:
E, então, gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido que a participação de Max Weber no 
processo de desenvolvimento da Sociologia como ciência foi de 
extrema relevância, devido,
principalmente, à sua diversidade 
de conhecimento para entender melhor a sociedade. Iniciamos 
explicando sobre sua história, o contexto de seus estudos e suas 
principais obras. Seguimos comentando sobre a visão do mundo 
sociológico que Weber tinha em relação, principalmente, à 
mudança do tempo. Também podemos relembrar um fator muito 
importante tratado por Weber, que é a racionalidade, inserindo 
assuntos como a ética e a religião no dever profissional e na ética 
profissional. Outro pronto importante tratado por Weber é a teoria 
da ação social e seus tipos ideais na perspectiva weberiana. 
Os tipos de ação são: a ação social racional com relação a fins; 
a ação social com relação aos valores; a ação social afetiva; e a 
ação social tradicional. Ao compreender toda essa dinâmica que 
envolve a sociedade, esperamos que você entenda que está 
caminhando pelos passos certos profissionalmente, rumo ao 
que o mercado, a sociedade e o mundo necessitam. Sucesso e 
parabéns por finalizar esta unidade com êxito!
Sociologia e Ética Profissional 45
REFERÊNCIAS
BRAUN, J. R. R.; LOPES, D.; WERNE,R L.; PERASSI, R.; GOMEZ, L. 
S. R. O Positivismo percebido nas etapas de desenvolvimento do DNA 
da marca. Arcos Design, v. 8, n. 1 (2014): jun. 2014. Disponível em: https://
www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/arcosdesign/article/view/13020. 
Acesso em: 16 fev. 2020.
COSTA, F. J. F. Há duzentos anos do seu nascimento, o que Karl 
Marx tem a oferecer ao século XXI?. Repositório, 2018. Disponível em: 
http://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/39629/1/2018_art_fjfcosta.pdf. 
Acesso em: 18 fev. 2020.
DURKHEIM, E. As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martins 
Fontes, 1999.
GIDDENS, A. Sociologia. 6. ed. Lisboa: Fundação Calouste 
Gulbenkian, 2008.
ISKANDAR, J. I.; LEAL, M. R. Sobre positivismo e educação. Revista 
Diálogo Educacional, v. 3, n. 7, p. 89-94, 2002.
MORAES, L.; MAESTRO FILHO, A.; DIAS, D. O paradigma weberiano da 
ação social: um ensaio sobre a compreensão do sentido, a criação de tipos 
ideais e suas aplicações na teoria organizacional. Revista de Administração 
Conteporânea. vol. 7. n. 2. Curitiba. abr.-jun. 2003. Disponível em: http://
www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-65552003000200004&script=sci_
arttext&tlng=pt. Acesso em: 20 fev. 2020.
MEDINA, C. A. Ciência e jornalismo [Recurso Eletrônico]: da herança 
positiva ao diálogo dos afetos. 1. ed. São Paulo: Summus, 2014.
WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. Tradução: 
MIQF Szmrecsáyi; TJMK Szmrecsáyi. São Paulo: Livraria Pioneira, 1904.
WEISS, R.; BENTHIEN, R. 100 anos sem Durkheim. 100 anos 
com Durkheim. Sociologias. vol. 19, n. 44. Porto Alegre, jan.-abr. 
2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-
45222017000100016&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 19 fev. 2020.
Silvia Cristina da Silva e Stephanie Freire Brito
Sociologia e Ética 
Profissional
		Positivismo de Augusto Comte e o crescimento moral
		Preparação para o nascimento da Sociologia
		O Positivismo para o crescimento moral da sociedade na prática
		O materialismo de Karl Marx e os rumos do desenvolvimento
		Quem foi Karl Marx e qual sua contribuição na Sociologia?
		O capitalismo e suas implicações rumo ao desenvolvimento
		Os impactos concretos do funcionalismo de Émile Durkheim
		Princípios de Durkheim
		O que é sociologia moral?
		Weber e ação social na prática
		Quem foi Max Weber e como ele trabalhou a ética social?
		Teoria da ação social de Weber
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Livro Didático 
Digital
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Diretora Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autor 
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STEPHANIE FREIRE BRITO
Silvia Cristina da Silva
Eu, Silvia, sou mestre interdisciplinar em Educação, Ambiente 
e Sociedade – Unifae, participante docente e discente no mestrado 
em Análise do Discurso – Universidade Federal de Buenos Aires. Sou 
especialista em Docência do Ensino Superior e Direito e Educação – 
Faculdade Campos Elíseos. Pós-graduanda em EAD – Faculdade Campos 
Elíseos. Graduada em Ciências Jurídicas e Sociais – Unifeob. Vice-diretora 
acadêmica na Agência Nacional de Estudos em Direito ao Desenvolvimento 
– Anedd. Especialista em investigação de antecedentes em instituições 
públicas e privadas. Docente e conteudista em diversas instituições 
educacionais para cursos de graduação e pós-graduação. Elaboradora de 
questões para concursos públicos em várias organizadoras. Gravadora, 
redatora, tradutora e intérprete da língua espanhola. 
Stephanie Freire Brito
Eu, Stephanie, sou mestranda em Administração – PPGA/UFCG, 
com MBA em Marketing e Inteligência de Mercado. Desenvolvo a escrita 
de materiais didáticos na área de Ciências Sociais, Educação, Tecnologias, 
Administração e Ambiente. 
Somos apaixonadas pelo que fazemos e gostamos muito de 
transmitir nossas experiências de vida àqueles que estão se iniciando em 
suas profissões. Por isso, fomos convidadas pela Editora Telesapiens para 
integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em 
poder ajudar vocês nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco!
AS AUTORAS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda 
vez que:
ICONOGRÁFICOS
INTRODUÇÃO: 
para o início do 
desenvolvimento 
de uma nova com-
petência;
DEFINIÇÃO: 
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA: 
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE: 
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA? 
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA: 
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou 
discutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO: 
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO: 
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
O design da sociedade......................................................................10
Estrutura social...............................................................................................................10
Como a estratificação social funciona nos dias atuais?..............15
Organização e mudança social.....................................................20
O que é organização social?..............................................................................20
Como ocorre a mudança social?....................................................................24
Dimensões da sociedade.................................................................29
Indivíduos e grupos....................................................................................................29
Comunidade e sociedade.....................................................................................34
Pré-capitalismo e capitalismo.......................................................39
O capitalismo e suas fases..................................................................................39
Sociologia e Ética Profissional 7
UNIDADE
03
Sociologia e Ética Profissional8
Você sabia que somos produtos da Sociologia e que o nosso 
comportamento, assim como o nosso papel nessa existência são reflexos 
de uma estrutura social histórica?
Isso mesmo, sem falar que o estudo sobre os elementos que 
compõem a Sociologia pode nos tornar profissionais cada vez mais 
capacitados e bem-sucedidos em qualquer que seja a nossa área de 
atuação, pois trabalhamos para pessoas e somos servidos por pessoas, 
que constituem grupos e instituições alimentando uma teia econômica.
A oportunidade de acesso a uma compreensão crítica e 
esclarecedora desse universo social nos possibilita sermos profissionais 
com maior valor moral e ético, e isso pode fazer toda a diferença na sua 
carreira e no tipo de competência que você desenvolverá. Entendeu? Ao 
longo desta unidade letiva, você vai mergulhar nesse universo!
INTRODUÇÃO
Sociologia e Ética Profissional 9
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3 Nosso propósito é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o 
término desta etapa de estudos:
1. Compreender os fundamentos da estrutura social e suas funções 
no fenômeno de estratificação na sociedade atual.
2. Conhecer os modos de organização social e como ocorrem as 
mudanças sociais.
3. Inteirar-se sobre as dimensões da sociedade em níveis de 
indivíduo, grupos, comunidades e sociedade.
4. Aprender detalhadamente as teorias que circundam o 
capitalismo, suas fases e conceitos fundamentais.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho! 
OBJETIVOS
Sociologia e Ética Profissional10
O design da sociedade
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capitulo, você será capaz de entender 
os fundamentos básicos que detalharão a estrutura da 
sociedade e como sua divisão é explicada ao longo 
da história. Isto será fundamental para o exercício de 
sua profissão. E aí, motivado para desenvolver essa 
competência? Então, vamos lá. Avante!
Estrutura social
Antes de iniciarmos com maior afinco os estudos sobre a 
estrutura social, convém compreender o contexto histórico pelo qual 
essa configuração acontece, com o objetivo de compreender melhor a 
dinâmica do cenário atual e os fenômenos desse contexto, que podem 
ocorrer futuramente.
Vimos que historicamente a Sociologia como ciência surge em 
um momento de desenvolvimento econômico e impulsionamento do 
capitalismo, em que ocorre a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, 
possibilitando as principais observações em torno de suas consequências 
negativas para grande parcela da sociedade.
Atravessando uma fronteira temporal mais significativa, chega-se 
a um debate sobre a questão estrutural. Essa questão demonstra como 
a sociedade tem sido organizada e como cada uma de suas partes se 
complementam, por possuírem vínculos entre si, que dão origem às 
causas e consequências.
O estudo sobre a estrutura social tem o principal objetivo de 
possibilitar melhor entendimento sobre a composição das relações 
sociais e suas complexidades. Dessa forma, surge uma vertente teórica 
de pensamento, fortemente ligada a esse contexto, denominada por 
estruturalismo.
Sociologia e Ética Profissional 11
A definição dessa arquitetura, que é desenhada pela própria 
sociedade, é construída pelas diversas interações entre os indivíduos 
por meio de um longo processo que percorre a história da humanidade. 
Devido a isso, a estrutura social pode ser considerada como o design que 
a sociedade constrói por meio das relações entre seus atores, os quais 
podem ser exemplificados por indivíduos, instituições etc.
Figura 1 – Relações sociais
IMPORTANTE:
É importante pontuar que a estrutura da sociedade é 
constituída por meio de elementos humanos e, dessa 
forma, envolve diversos outros fatores que estão ligados à 
sua existência. A esse respeito, é importante notar que essa 
construção humana da estrutura da sociedade é, por vezes, 
permanente e estável, trilhando caminhos em direção à sua 
perpetuação.
Fonte: Freepik. 
Entendendo que o conceito de estrutura social está ligado à 
maneira como a sociedade se organiza por meio de relações diferentes, 
complexas que se complementam e integram, é importante ressaltar o 
fato de que as relações construídas pelos próprios indivíduos por meio 
dos seus papéis diante da sociedade, que cada um deles assume.
Sociologia e Ética Profissional12
A ideia de estrutura da sociedade, para ser considerada 
em conformidade com o conceito geral de estrutura, deve 
preencher certos requisitos. Considera as relações das 
partes com o todo, o arranjo no qual os elementos da vida 
social estão ligado. Estas relações devem ser vistas como 
construídas umas sobre as outras, pois são séries de ordens 
diversas de complexidade. Precisam ser de significado 
não simplesmente momentâneo uma vez que fatores de 
constância ou continuidade devem estar envolvidos nelas. 
(FIRTH, 1971, p. 35)
A concepção de estruturas sociais como uma organização de um 
sistema reificado em que as suas partes estão inter-relacionadas de forma 
padronizadas, separadas por limites, é uma representação recorrente nas 
definições que encontramos na literatura de Sociologia.
Ao se considerar algumas das perspectivas teóricas clássicas da 
Sociologia, estudadas na unidade 02, veremos que cada uma delas destaca 
aquilo que lhe parece os pontos mais importantes para a compreensão 
das estruturas sociais. Podemos começar citando, por exemplo, que as 
teorias funcionalistas de Durkheim enfatizam os diferentes papéis que 
cada uma das partes assume, tendo em vista a integração, o equilíbrio e 
a estabilidade do sistema.
Já para o pensamento marxista, a estrutura de uma sociedade 
pode ser pensada em função de uma infraestrutura e da superestrutura 
que a compõem, sendo esta uma dimensão que diz respeito às forças 
produtivas e relações de produção em certo estágio do desenvolvimento 
histórico. Como exemplo, podemos citar o escravismo, o feudalismo e até 
o próprio capitalismo. 
Sociologia e Ética Profissional 13
Figura 2 – O jantar 
Fonte: Wikimedia Commons. 
Na obra de Debret, temos uma ilustração da estrutura da sociedade 
nos tempos da escravidão, vemos claramente a divisão entre duas 
classes em um cenário social familiar, no qual os brancos ricos estão 
sentados à mesa, enquanto os negros escravizados os servem. Esse tipo 
de situação configura uma estrutura social que perdura ao decorrer dos 
anos marcando a história da humanidade.
As contribuições de Marx e Weber no sentido das estruturas sociais 
se referem a instituições jurídicas, políticas e formas de consciência 
social. O sentido que se reveste dos conteúdos das relações sociais é 
aquele estabelecido pela vontade dominante, seja na família, na igreja, na 
escola, no casamento, no Estado, entre outros sistemas. A estrutura social 
também pode ser entendida como um processo, nesse caso, a interação 
simbólica tem um importante papel.
Sociologia e Ética Profissional14
A nossa estrutura social compreende várias ordens: políticas, 
econômicas, de democracia, capitalismo, religiosidade e aspectos 
culturais. Essas ordens são mecanismos de relação entre indivíduos, e é 
a dinâmica que ocorre entre elas e os indivíduos que determina como a 
sociedade se moldará.
Devido a isto, convém chamar maior atenção para o fato de que 
o capitalismo e suas mecânicas de funcionamento têm uma das mais 
importantes participações no processo de construção da estrutura social, 
uma vez que ela provoca igualdades entre alguns e desigualdades entre 
outros grupos.
Não é nenhuma novidade que existem em nossa sociedade os 
grupos da elite, uma burguesia, uma camada mais rica e abastada. Esses 
grupos possuem certo tipo de igualdade entre eles em relação a um grau 
de consumo, acesso a educação e estudo, de certa forma, padronizados, 
e assumem funções sociais semelhantes. 
Nesses casos, há uma relação de desigualdade com outros grupos 
de uma classe menos abastada, chegando ao nível de
pessoas que são 
extremamente pobres, sem acesso a quase nenhum recurso social, 
nenhum poder de consumo etc.
SAIBA MAIS:
Com base no pensamento dos teóricos liberais clássicos, a 
explicação sobre o funcionamento do mundo social deve 
considerar que os indivíduos, a partir de escolhas racionais, 
buscam minimizar as perdas e maximizar os ganhos. Ou 
seja, realizar trocas orientadas pela relação existente 
entre os custos e os benefícios de suas ações. Algo quase 
consciente. 
Sociologia e Ética Profissional 15
Figura 3 – Relações sociais por desigualdade econômica
Fonte: Pixabay. 
Além desses aspectos econômicos já mencionados, é importante 
pontuar que a divisão social, historicamente, é dada por outros fatores, 
como: diferenças raciais, religiosas, culturais, geográficas, entre outros. 
Sendo assim, o preconceito e a discriminação também são pensados 
dentro dessa questão estrutural por fenômenos de exclusão, distinção, 
inferioridade e exploração, por exemplo, executados por indivíduos dos 
grupos “superiores”.
Como a estratificação social funciona nos 
dias atuais?
A Sociologia dedica parte dos seus estudos ao tema da estratificação 
social. Desde os clássicos, o assunto é debatido, no entanto, nesse ponto 
definiremos o que é a estratificação para estudar sua origem, ocorrência 
e impacto diante da sociedade ao longo de todo o seu processo histórico.
Antes de entrar com um pouco mais de profundidade no tema, 
convém conhecer melhor a definição do termo.
Sociologia e Ética Profissional16
Ou seja, grosso modo, podemos entender que a estratificação é a 
separação entre indivíduos e grupos a partir de uma distribuição desigual 
de dinheiro, de poder e de prestígio. Logo, quando mencionamos uma 
sociedade estratificada economicamente, nos referimos a uma sociedade 
de ricos e pobres. 
Boa parte da estratificação e mobilidade sociais tem ocorrido por 
meio das ocupações. Sabe-se que o emprego é um fenômeno 
moderno, consolidado com o avanço da industrialização no 
mundo, a partir da existência da administração burocrático-
racional. Assim, para se tratar da estratificação social na 
sociedade moderna, faz-se necessário abordar inicialmente o 
processo de industrialização e as organizações burocráticas. 
(HELAL, 2008, p. 19-20)
Na dinâmica da sociedade em que vivemos, a riqueza pode, em 
muitos casos, garantir o poder. Esse fato em relação à posse do recurso 
econômico e, consequentemente, do poder, além de possibilitar, facilita a 
influência do indivíduo que está inserido nesse contexto, na vida política.
Esse fato explica o motivo pelo qual a sociedade, além de ser 
dividida entre grupos com maior e menor posse econômica, é segregada 
de maneira fortalecida pelo fato de que a classe com maior posse 
econômica tem mais chance de ter também poder, possibilitando a 
construção de relação entre dominantes e dominados.
Com base nessa análise, podemos entender que a estratificação 
social, além de ser baseada em uma estratificação econômica, também 
pode adotar um caráter político, que por sua vez alimenta a estratificação 
econômica, considerando que a tomada de decisões vai atingir 
DEFINIÇÃO:
O conceito de “estratificação social” está ligado à 
desigualdade decorrente de uma distribuição diferenciada 
de riquezas, poder, honras e privilégios dentro de uma 
sociedade, a partir de uma combinação variada de 
elementos diferenciadores, ainda que haja predominância 
de um ou alguns deles.
Sociologia e Ética Profissional 17
diretamente e positivamente aqueles grupos que estão no topo da nossa 
escala de distribuição de poder e dinheiro. 
Figura 4 – Legitimação da estratificação social
Fonte: Elaborado pelas autoras.
Essa lógica tende a configurar um movimento cíclico e retroalimentar, 
no qual a ordem é legitimada pela estratificação social, pois a distribuição 
de prestígio estará ligada diretamente à possibilidade de um indivíduo 
comprar ou ter determinados bens, morar em determinados lugares. 
Nessa situação, percebemos que todos os elementos estão ligados um 
ao outro, assumindo uma cadeia constante.
Exemplo: Vamos tomar como exemplo a estrutura social do 
Brasil escravista colonial. Nesse contexto, verificamos que vários 
elementos diferenciadores combinados entre si corriam para produzir 
as desigualdades, tais como o acesso à terra e aos mercados, as 
prerrogativas de ser homem ou mulher, o fato de ser branco, negro ou 
mestiço, as condições de ser livre ou escravo, a assimilação ou não do 
credo cristão, entre outros.
Sociologia e Ética Profissional18
O tema da estratificação social tem sido um dos principais objetivos 
de reflexão da Sociologia desde seus primórdios. Os tipos de sociedade 
estratificada são divididos em classe social, status, castas, de alguma 
forma condicionaram a conversão do nosso olhar sobre as distinções 
sociais. 
Em suma, os estudos em torno da estrutura social servem para que 
possamos compreender melhor de que forma e os motivos pelos quais 
os homens se comportam socialmente. As relações sociais precisam ser 
compreendidas, uma vez que a forma da sociedade de explica por meio 
delas. Além disso, esse conceito nos permite compreender outro, o de 
organização social.
ACESSE:
O artigo “Tendências da desigualdade de 
oportunidades no Brasil: mobilidade social e estratificação 
educacional” (RIBEIRO, 2017) trabalha uma perspectiva 
sociológica para os estudos em relação a desigualdade 
e oportunidades no Brasil a partir da estratificação e 
mobilidade social. Disponível em: https://bit.ly/31ezlGD 
(Acesso em: 26/02/2020).
RESUMINDO:
E, então, gostou dessa primeira competência? Agora, só para 
termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste primeiro capítulo, vamos resumir tudo o 
que vimos. Você deve ter aprendido que a estrutura social é 
construída a partir das relações sociais e suas complexidades, 
e que essa estrutura vem de um longo processo que percorre 
a história da humanidade. No entanto, a estrutura para se 
consolidar deve preencher alguns requisitos, como considerar 
as relações como um todo, além de considerar a constância 
e a continuidade das relações. Também podemos relembrar 
que acontecimentos históricos, como a escravidão, deixaram 
como herança um formato social que perdura ao decorrer dos 
anos, marcando a história da humanidade perpetuamente.
Sociologia e Ética Profissional 19
RESUMINDO:
É importante pontuar que a estrutura social compreende 
ordens políticas, econômicas, democráticas e culturais 
entre os indivíduos, além de ser fortemente impactada 
pelos efeitos do capitalismo, que provocaram um 
efeito de estratificação social desde os tempos de 
sua institucionalização até os dias atuais. É importante 
relembrar que a estratificação da sociedade tem como 
base outros tipos de estratificação, seja econômica, política 
ou de prestígio. No Brasil, o escravismo colonial provocou 
uma estratificação por diferença racial que se arrasta ao 
longo dos anos. Tomando por base esses aprendizados, o 
profissional, em qualquer que seja a sua área de atuação, 
estará preparado para entender como a sociedade está 
desenhada e como as suas ações, junto às ações das 
instituições nas quais está inserido, podem interferir no 
destino da sociedade atual e futura, proporcionando senso 
crítico para melhores tomadas de decisões pessoais e 
profissionais. 
Sociologia e Ética Profissional20
Organização e mudança social
INTRODUÇÃO:
Nesta unidade, discutiremos sobre os conceitos em relação 
à organização social e à mudança social, o vínculo com a 
estrutura social e como o capitalismo participa de todo o 
processo de divisão da sociedade ao longo da história.
O que é organização social?
É de suma importância conhecer com maior dedicação do que 
se trata a organização social para que entendamos melhor os pontos
referentes ao funcionamento da sociedade. Para isso, vamos entender 
melhor a sua definição.
DEFINIÇÃO:
A definição do construto “organização social” em Sociologia 
se refere ao formato pelo qual a sociedade está estruturada, 
além dos papéis que cada um dos elementos dessa 
sociedade recebe e desempenha para seu funcionamento.
Sobre esse tema, Karl Marx tem como ponto de partida a abordagem 
sobre as condições materiais de sobrevivência ou, como pode-se dizer: 
o que é necessário para o ser humano sobreviver? A resposta é simples, 
podemos citar: alimento, água, moradia, entre outros. Visto isso, surge 
outra questão: “Como o ser humano obtém esses recursos?”.
O homem precisa fazer algo para obter esses recursos essenciais 
para sua sobrevivência. Nesse caso, Marx nos diz que os seres humanos 
se organizam para extrair da natureza o necessário à sua sobrevivência. 
Nesse processo, estabelece com outros seres humanos relações sociais 
ou relações produtivas. 
Um exemplo disso é quando agricultores se organizam em uma 
cooperativa para produzir alimentos, eles não só produzem alimentos para 
Sociologia e Ética Profissional 21
si mesmos, como podem produzir para comercializar a um comprador 
externo e, nessa dinâmica, criam uma relação entre si. 
Figura 5 – Relações produtivas na agricultura
Fonte: Freepik. 
REFLITA:
Imagine que, supostamente, essa cooperativa dos 
produtores de agricultura venha a repassar os seus 
produtos para um feirante, que também precisa garantir 
as suas condições materiais de sobrevivência, então ele 
vende esses alimentos por um determinado preço pra 
conseguir certo lucro que garanta a conquista desses 
recursos essenciais dos quais ele necessita. 
Caso a cooperativa consiga que uma grande empresa compre 
esses alimentos para comercializar de forma industrializada, também 
precisa garantir os seus custos de operação, assegurando as condições 
materiais para sua existência. 
Ou seja, nesse processo de construir relações sociais com os seres 
humanos, de compra, venda, produção etc., a sociedade como um todo 
Sociologia e Ética Profissional22
surge, em resumo, a partir da busca do ser humanos pelas condições 
materiais de sobrevivência.
Para Marx, as relações produtivas é que estão na base da sociedade, 
pois são elas que constituirão o que chamamos de economia, e a produção 
de bens e serviços é que vai determinar todo o resto da organização da 
sociedade como um todo. Vamos entender isto um pouco melhor.
De que forma isso vai acontecer? Como os seres humanos se 
organizam para produzir? É possível compreender que essas formas, que 
os seres humanos encontram para produzir as condições materiais para 
sua sobrevivência, variam de acordo com a época, e a elas Karl Marx dá 
o nome de “modos de produção”, porém estes necessitam de meios de 
produção, que são todos aqueles recursos necessários para se produzir.
Na pré-história, o modo de produção é o que Marx chama de 
“comunismo primitivo”, pois não havia desigualdade entre os seres 
humanos, os meios de produção e as ferramentas utilizadas para caça e 
coleta não eram de ninguém, não havia a ideia de propriedade privada e 
por isso dava-se o nome de comunismo primitivo.
Figura 6 – Comunismo primitivo
Fonte: Pixabay. 
Sociologia e Ética Profissional 23
Na antiguidade, na Grécia e no Império Romano, o modo de 
produção é denominado por “escravismo”, pois os meios de produção 
eram os próprios escravos, que trabalhavam, e os cidadãos romanos e 
gregos se serviam do produto do trabalho desses escravos. 
Seguindo na história, chegamos ao feudalismo, que já utiliza outro 
modo de produção: as terras, nas quais os servos de um feudo cultivavam 
as terras e parte ficava para o servo e parte para o senhor feudal.
 Chegando aos dias atuais, a sociedade capitalista tem como meios 
de produção: maquinário, equipamentos, robôs, computadores etc. Dessa 
forma, entendemos que os meios de produção são característicos de 
cada modo de produção.
Com base nisso, como podemos entender a organização da 
sociedade? É necessário ter em mente dois elementos básicos referentes 
aos meios e aos modos de produção.
Para Marx, a posse dos meios de produção e a posse do poder 
dentro da sociedade são coisas que sempre estão juntas. Quem controla 
as empresas e as indústrias no capitalismo controla o poder dentro da 
sociedade capitalista.
Outra ideia que Marx coloca é que “somente o trabalho gera 
riqueza”, quando só o trabalho é capaz de produzir. Então, ao longo da 
história das sociedades, tem-se uma tensão entre aqueles que trabalham 
e geram riqueza e aqueles que possuem a posse dos meios de produção, 
bem como a posse do poder dentro da sociedade. 
Em resumo, ao possuir os meios de produção, a classe dominante 
tem o poder sob a geração das condições materiais de sobrevivência. 
Como todas as pessoas precisam sobreviver, essa estrutura dá poder 
à classe dominante sob a sociedade e resta, então, aos demais seres 
humanos trabalharem para a classe dominante, que se apropria da riqueza 
gerada pelos trabalhadores, uma vez que apenas o trabalho gera riqueza.
 Dessa forma, Marx explica como a sociedade está organizada 
e como acontece a desigualdade social no capitalismo. Em relação 
à sobrevivência da sociedade, é necessário que a organização esteja 
Sociologia e Ética Profissional24
nivelada em várias esferas, como a cultural, a econômica, a familiar e a 
política. 
Como ocorre a mudança social?
A estrutura e a organização da sociedade consideram várias esferas 
que contribuem com a necessidade de mudança da sociedade ao longo 
do tempo. 
DEFINIÇÃO:
Nesse contexto, a definição para “mudança social” é 
referente à transformação da sociedade e da maneira como 
ela está organizada. Ou seja, os hábitos e os costumes 
habitualmente praticados pelas pessoas deixam de existir 
e dão espaço às novas práticas, configurando, assim, uma 
mudança social.
Organização social implica algum grau de unificação, a união 
de diversos elementos numa relação comum. Para isto, pode 
ser conveniente supor a existência de princípios estruturais, ou 
vários processos podem ser adotados. Isto envolve o exercício 
da escolha, o tomar decisões. Estas, como tais, dependem 
de avaliações pessoais, que são a transformação dos fins ou 
valores grupais em termos que adquiram significado para o 
indivíduo. [...] Implica o reconhecimento do fator tempo na 
ordenação das relações sociais. [...] O conceito de organização 
social, também, leva em conta as magnitudes. [...] pressupõe 
também elementos de representação e responsabilidade. [...] 
O conceito de organização social é importante também para a 
compreensão da mudança social. (FIRTH, 1973, p. 41-43)
O tempo é um fator que interfere diretamente no reajuste e na 
modificação das relações sociais. Além disso, existem outros elementos 
que constituem o design ou o formato de uma sociedade, determinado 
pela repetição de comportamentos. 
Como sugeria Durkheim nos estudos sobre o fato social em relação 
aos modos de ação da sociedade predeterminados, outra ótica sobre 
Sociologia e Ética Profissional 25
o tema possibilita entender que esses mecanismos reguladores do 
comportamento são um manual que assegura a ação dos indivíduos e a 
estrutura da sociedade os fornece isto por meio da família, das relações 
entre as diferentes classes, da distribuição de tarefas, que estabelecem 
obediências e regras em cima de hierarquias, por exemplo.
Figura 7 – Divisão de papéis na sociedade
Fonte: Freepik. 
As formas de comunicação, a moda, as relações de trabalho, os 
meios de transporte, a composição familiar, as formas de comercialização 
e as maneiras de fazer educação são somente alguns exemplos de 
elementos que se transformaram e trouxeram mudanças significantes na 
vida e no formato
da sociedade. Podemos denominar esses exemplos de 
ocorrências de mudanças sociais.
A mudança da sociedade deve ser observada com a devida 
contextualização histórica. A mudança social não é reversível tampouco 
interrupta, é um acontecimento constante e provoca impactos diretos na 
maneira como a sociedade se desenvolve.
Outra importante característica da mudança social é o ritmo com o 
qual ela varia, dependendo do contexto ao qual se observa. Um exemplo 
disso é a comparação entre a mudança social na zona rural e na zona 
Sociologia e Ética Profissional26
urbana, é possível inferir que o meio urbano absorve e adota com maior 
velocidade as mudanças do que o meio rural.
Além disso, a mudança social de fato ocorre individualmente, mas 
provoca efeitos coletivos que não são breves, por muitas vezes, são 
permanentes e modificam perpetuamente o modo de vida da sociedade 
ao longo da história.
A mudança alcança níveis políticos e culturais que impactam 
fortemente a sociedade, como exemplo é possível detalhar melhor os 
seguintes:
Tabela 1 – Exemplos de mudanças sociais
Direitos femininos
Direitos como o voto e trabalhar 
fora de casa foram conquistados 
apenas a partir da década de 
1930. No século XXI, leis contra 
violência da mulher, políticas de 
empoderamento e equiparação 
salarial são exemplos de novas 
conquistas.
Meios de comunicação
Diminuição da comunicação 
por carta, criação do telefone 
e posteriormente utilização da 
Internet facilitaram o contato 
entre pessoas de qualquer lugar 
do mundo, com alta velocidade 
e baixo custo, além de favorecer 
atividades comerciais e 
produtivas.
Modelo familiar
Menor número de filhos, 
instituição do divórcio, casamento 
entre pessoas do mesmo sexo, 
bem como a adoção por esses 
novos casais modificam o modelo 
familiar.
Sociologia e Ética Profissional 27
Formas de trabalho
Profissões foram extintas e 
novas profissões surgiram, além 
da possibilidade de executar 
o trabalho por meios digitais, 
sem necessariamente estar em 
um ambiente físico já é uma 
realidade.
Meios de transporte
Transportes como carros, 
ônibus e aviões democratizaram 
e agilizaram o processo de 
deslocamento das pessoas, 
além de favorecer atividades 
produtivas. 
Fonte: Elaborado pelas autoras.
Vimos que os exemplos de mudança social são bastante variados 
e estão relacionados a vários contextos da vida do ser humano. Em 
praticamente todos os casos há interferência dos fatores tecnológicos 
como a causa maior dessas mudanças. 
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar neste tema? Leia o artigo “Um novo 
pensamento da comunicação para a mudança social” 
(AYRES, 2019). O estudo comenta como a utilização da mídia 
digital, associada aos movimentos sociais, tem configurado 
novíssimas possibilidades para a evolução da disciplina 
e prática da comunicação para o desenvolvimento e 
mudanças sociais em diversos contextos culturais, vindo 
a romper com estruturas consolidadas. Disponível em: 
https://bit.ly/3aWIF5n. Acesso em: 27/02/2020.
Sociologia e Ética Profissional28
RESUMINDO:
Chegamos ao final de mais uma seção desta unidade, 
na qual tratamos inicialmente dos aspectos conceituais 
e introdutórios sobre os conceitos que complementam o 
que vimos em relação à estrutura e estratificação social, 
detalhando e exemplificando melhor a organização social 
e as mudanças em torno desse modelo organizado. Você 
deve ter aprendido que a organização social se refere aos 
papéis que cada um dos elementos da sociedade recebe 
e desempenha para contribuir com o seu funcionamento, 
principalmente no que se trata de condições materiais de 
sobrevivência humana, como as condutas desempenhadas 
para conquistar os recursos, as relações sociais e 
produtivas. Também podemos relembrar que toda a 
estrutura e a organização da sociedade são baseadas nas 
relações produtivas, pelas quais se constitui o sistema 
econômico, uma vez que a produção de bens e serviços 
é que vai determinar todo o resto da organização da 
sociedade como um todo. As relações produtivas ocorrem 
entre os detentores dos modos e meios de produção e dos 
indivíduos que precisam vender sua força de trabalho de 
modo que a produção realmente ocorra e eles consigam 
os recursos necessários para sua sobrevivência. Nessa 
dinâmica de relações sociais em torno da produção, 
desencadeiam certos progressos nos modos de produção, 
que, por sua vez, implicam em mudanças sociais. Os 
hábitos e os costumes habitualmente praticados pelas 
pessoas deixam de existir e dão espaço às novas práticas. A 
mudança alcança níveis políticos e culturais que impactam 
fortemente a sociedade, de maneira irreversível, como os 
meios de comunicação e as atividades econômicas. Por 
fim, entendemos que os exemplos de mudança social 
são bastante variados e que estão relacionados a vários 
contextos da vida do ser humano, ao longo da história e 
também nos dias atuais.
Sociologia e Ética Profissional 29
Dimensões da sociedade
INTRODUÇÃO:
Nesta competência, vamos aprender sobre as dimensões 
das divisões estruturais da sociedade, bem como cada um 
de seus níveis, com o objetivo de entender que as decisões 
e as políticas instituídas devem ter alcances diferentes e 
que a complexidade das relações depende de cada nível 
social.
Indivíduos e grupos 
Na Sociologia, há estudos que compreendem também diversas 
dimensões de organização social, que facilitam o entendimento sobre a 
conduta dos indivíduos em vários níveis. 
Nesta unidade, conheceremos melhor a conceituação e a 
aplicação dos níveis divididos em quatro tipos: o indivíduo, os grupos, 
as comunidades e a sociedade. Neste contexto de estudo, iremos nos 
dedicar a identificar o funcionamento e as características de cada um 
desses quatro níveis.
Iniciaremos pelo nível individual, que na Sociologia é estudado 
e analisado, basicamente, por meio de um contexto em conjunto com 
grupos e instituições. Sobre isso, Andery comenta: 
O indivíduo, na sua relação com o ambiente social, interioriza 
o mundo como realidade concreta, subjetiva, na medida em 
que é pertinente ao indivíduo em questão, e que por sua vez 
se exterioriza em seus comportamentos. Assim, a capacidade 
de resposta do homem decorre de sua adaptação ao meio 
no qual ele se insere, sendo que as atividades tendem a se 
repetir quando os resultados são positivos para o indivíduo, 
fazendo com que estas atividades se tornem habituais. 
Todos os processos de formação de hábitos antecedem a 
institucionalização dos membros, ocorrendo sempre quando 
as atividades tornadas hábitos se amoldam em tipos de ações 
Sociologia e Ética Profissional30
que são executadas por determinados indivíduos. (ANDERY, 
1984, p. 83)
Uma visão clássica da Sociologia, como Marx, defende que os 
indivíduos devem ser analisados de acordo que o contexto e suas 
condições e situações sociais, já que produzem sua existência em grupos.
Os indivíduos construíram sua história de existência alocando-
se, mesmo que de forma inconsciente, em um grupo social. Portanto, a 
relação entre trabalhador e empresário não é apenas entre indivíduos, 
mas também entre classes sociais.
O Estado aparece para tentar reduzir o conflito entre essas duas 
classes, principalmente, mesmo tendo leis que normalmente são a favor 
dos capitalistas. 
Embora o foco dos estudos de Marx esteja nas classes sociais, 
o indivíduo está presente nessa discussão, isso fica claro quando Marx 
afirma que os seres humanos constroem sua história, mas não da maneira 
que querem, pois existem situações anteriores que condicionam o modo 
como ocorre essa construção. 
De fato, existem condicionantes estruturais que levam o indivíduo, 
os grupos e as classes a determinado caminho. No entanto, há quem 
afirme que todos têm a capacidade de reagir a esse condicionamento 
e até
mesmo transformá-lo e o princípio dessa reação começa pela 
consciência de uma luta de classes.
Para Durkheim, o indivíduo está sujeito a regras impostas pela 
sociedade, para assegurar sua perpetuação. Weber tem a preocupação 
de compreender o indivíduo e suas ações e saber o motivo pelo qual as 
pessoas tomam determinadas decisões, quais são as razões para os seus 
atos para, então, compreender a sociedade como um todo.
Em suma, os indivíduos constituem a sociedade, e as particularidades 
inerentes a cada um deles constituem seu caráter dinâmico e diverso. 
Contudo, não é correto se prender apenas a essa ideia, pois a sociedade 
não se constitui por indivíduos apenas, mas também pelas suas ligações 
Sociologia e Ética Profissional 31
pessoais, motivadas tanto pelas afinidades quanto pelas necessidades 
mútuas. Dessa forma, originam-se os grupos. 
Figura 8 – Grupos sociais
Fonte: Freepik. 
O conhecimento de si é dado pelo reconhecimento recíproco 
dos indivíduos identificados através de um determinado 
grupo social que existe objetivamente, com sua história, suas 
tradições, suas normas, seus interesses, etc. Mas, se é verdade 
que minha identidade é constituída pelos diversos grupos de 
que faço parte, esta constatação pode nos levar a um erro, 
qual seja o de pensar que os substantivos com os quais nos 
descrevemos que nos tornaria um sujeito imutável, idêntico a 
si mesmo, manifestação daquela substância. (ANDERY, 1984, 
p. 83)
Os grupos sociais são indivíduos que estão mutuamente em 
interação, e essa interação pode assumir, normalmente, dois tipos 
de contato social que podem se estabelecer entre os indivíduos da 
sociedade: o contato social primário e o secundário.
Sociologia e Ética Profissional32
O contato social primário é embasado com intimidade, identificação, 
conhecimento mútuo e informalidade entre os indivíduos que interagem. Já 
o contato social secundário é aquele permeado com certo distanciamento 
e formalidade entre as pessoas que precisam manter uma relação social. 
A partir desses tipos de contatos, podemos citar os grupos sociais 
que se estabelecerão com base neles, ou seja, agrupamentos sociais que 
primam por um contato mais íntimo, informal entre os indivíduos, seriam 
os grupos sociais primários, por exemplo, a família, os vizinhos, os grupos 
de amigos. 
NOTA:
Os grupos sociais secundários se estabelecem quando 
precisamos interagir com um grau de formalidade 
maior, como um ambiente de trabalho, um sindicato, um 
estabelecimento de serviço, um órgão público, entre 
outros ambientes nos quais interagimos com certo nível de 
formalidade.
Entre esses dois tipos de grupos sociais, baseados nos dois tipos de 
contato que os indivíduos conseguem manter, podemos citar um terceiro: 
o grupo social intermediário, que é uma mescla dos grupos sociais 
primário e secundário.
No caso do grupo social intermediário, podemos citar o ambiente 
escolar como exemplo, onde o aluno desenvolve uma interação de modo 
primário entre os colegas de classe, que acontece por identificação, 
afinidade e menor grau de formalidade. 
Sociologia e Ética Profissional 33
Figura 9 – Interação social do tipo secundária
Fonte: Freepik.
Entretanto, no mesmo ambiente, é possível utilizar outro tipo de 
contato, o secundário, uma vez que o aluno utiliza uma postura mais 
formal com professores, inspetores, diretores etc. Ou seja, no mesmo 
grupo social é possível ter dois tipos de comportamento.
Os grupos sociais se caracterizam por preencherem os seguintes 
requisitos:
 • Pluralidade de indivíduos – Sempre mais de um indivíduo 
produzindo interação.
 • Interação social – Seja do tipo primário ou secundário.
 • Organização – Por vezes organizado por uma hierarquia.
 • Objetivo comum – Estão unidos por afinidade ou propósito 
comum.
 • Continuidade – A inserção de um indivíduo em um grupo 
contribui com a sua perpetuação.
Sociologia e Ética Profissional34
 • Consciência grupal – O pensamento de um grupo social 
deverá considerar o contexto coletivo.
Comunidade e sociedade 
O conceito de comunidade na Sociologia tende a conflitar com as 
características dos grupos sociais e com a definição de sociedade. Para 
melhor entendimento, vejamos a conceituação do termo:
DEFINIÇÃO:
O termo “comunidade” em Sociologia corresponde a um 
conjunto de pessoas que estão organizadas por normas 
e regras em comum. Normalmente, essas pessoas estão 
situadas em uma delimitação geográfica próxima e 
compartilham a mesma cultura, história, estrutura política e 
econômica, entre outros.
A localização geográfica é uma característica predominante para 
a comunidade, que reúne pessoas com vidas em comum. Dessa forma, 
tanto um povoado pode ser considerado uma comunidade, quanto uma 
nação de extensão maior.
Figura 10 – Comunidade
Fonte: Freepik. 
Sociologia e Ética Profissional 35
Outro ponto a destacar é que a comunidade dispõe de certa 
proximidade entre seus integrantes, em que eles compartilham os 
mesmos interesses e recursos de infraestrutura em sua delimitação 
geográfica, como escolas, postos de saúde, pavimentação das ruas etc.
É interessante pontuar que as relações estabelecidas em uma 
comunidade são baseadas em uma necessidade individual de segurança, 
conforto, familiaridade e do sentimento de pertencimento, é justamente 
nesse ponto que ocorre a delimitação entre o que é familiar (nós) e o que 
é estranho (outros). 
Pertencer a uma comunidade significa renegar parte de nossa 
individualidade em nome de uma estrutura montada para 
satisfazer nossas necessidades de intimidade e da construção 
de uma “identidade”. (BAUMAN, 2003, p. 10)
A delimitação do espaço entre o familiar (nós) e o estranho (outros) 
é o que estabelece de fato uma comunidade. Um exemplo bem prático 
disso acontece no esporte, por exemplo. 
VOCÊ SABIA?
As comunidades reúnem algumas outras características 
em sua definição. É importante ressaltar que se trata de um 
agrupamento humano que envolve uma delimitação de 
elementos comportamentais, culturais, religiosos, morais 
etc.
REFLITA:
Quando um time ou um atleta de nossa região, cidade, 
estado ou país está concorrendo a uma disputa de grande 
importância em seu segmento, é provável que a maioria 
das pessoas torça pela vitória do time de sua região nesse 
evento, mesmo que este não seja o seu time de coração. 
Isto acontece devido à sensação de pertencimento, ao que 
é familiar a seu espaço, especificamente.
Sociologia e Ética Profissional36
Enquanto a comunidade assume essa forma de relacionamento 
caracterizado por um elevado grau de intimidade pessoal, profundeza 
emocional, engajamento moral, coesão social e continuidade no tempo, 
as relações na sociedade acontecem de modo racional motivadas por 
interesses exteriores e são de domínio público.
Historicamente, houve uma transição de comunidade para 
sociedade (embora a comunidade nunca tenha sido extinta). Após 
haver uma mudança no padrão de vida das pessoas com o advento do 
capitalismo, a organização dos grupos em comunidades, que possuíam 
aquela intimidade e força entre a sensação familiar, tornou-se mais frágil 
e impessoal, devido ao desenvolvimento das cidades e aos efeitos da 
urbanização.
Figura 11 – Sociedade
Fonte: Freepik. 
As relações passaram a incluir aspectos utilitaristas e a partir desse 
momento os indivíduos estabeleciam entre si relações comerciais e 
mercadológicas. Dessa forma, a sociedade se liga diretamente ao Estado, 
utilizando seus mecanismos regulatórios como a legislação e a ciência, 
por exemplo.
Sociologia e Ética Profissional 37
É possível identificar que no meio da sociedade existem também 
culturas de comunidade muito fortes, um exemplo disso são as iniciativas 
cooperativistas de movimento dos trabalhadores. Os elementos 
característicos
de comunidade não deixaram de existir definitivamente 
com o processo de urbanização, no entanto, sofreram grande redução 
na maioria dos casos. A comunidade é um elemento que constitui a 
sociedade, integrando grupos e indivíduos.
SAIBA MAIS:
Quer saber mais sobre os estudos em relação à comunidade 
e à sociedade? Então, leia o artigo “Comunidade e 
sociedade: norteadoras das relações sociais” (TRINDADE, 
2001). O estudo comenta algumas considerações acerca de 
dois conceitos que na tradição sociológica são relevantes 
como base de explicação das dicotomias existentes nas 
relações sociais: a comunidade e a sociedade. Disponível 
em: https://bit.ly/31fOMyc. Acesso em: 28/02/2020.
RESUMINDO:
Até agora está gostando do que tem estudado? Para 
garantir que você realmente entendeu o tema de estudo 
deste capítulo, vamos resumir mais uma vez todo o assunto 
que trabalhamos neste capítulo. Iniciamos a seção 3.1 com 
um embasamento teórico e contextualizado acerca dos 
estudos sobre as diversas dimensões da organização social 
com o objetivo de compreender melhor a complexidade 
do comportamento em cada nível. É interessante relembrar 
que o estudo acerca do nível individual, na Sociologia, está 
sempre relacionado à sua interação com as instituições, 
além da história de existência do indivíduo construída 
devido a sua participação na formação do grupo social. É 
importante relembrar que a sociedade não é constituída 
apenas por indivíduos, mas também por suas aglomerações, 
que ocorrem devido às ligações pessoais motivadas tanto 
pelas afinidades quanto pelas necessidades mútuas, dando 
origem aos grupos. 
Sociologia e Ética Profissional38
RESUMINDO:
Essa origem decorre dos contatos primário e secundário, 
que podem ser divididos entre grupos sociais primários, 
intermediários e secundários. No debate, também foram 
expostos os conceitos em torno das dimensões sociais 
de comunidade e sociedade, definidos por características 
delimitadas, como contexto cultural, geográfico, histórico, 
político e econômico. Também podemos relembrar que 
houve uma transição de comunidade para sociedade 
depois da mudança no padrão de vida da sociedade com 
o advento do capitalismo. O processo de urbanização 
tornou as pessoas mais distantes e as relações mais vazias, 
predominando os aspectos utilitaristas por motivações 
comerciais, que podem ser vistas facilmente no decorrer 
da história das relações humanas, e mantendo-se presente 
até os dias de hoje.
Sociologia e Ética Profissional 39
Pré-capitalismo e capitalismo
INTRODUÇÃO:
Nesta competência, vamos trabalhar mais detalhadamente 
os conceitos do capitalismo, suas formas de aplicação e a 
maneira como esse sistema econômico interferiu e interfere 
na vida de cada indivíduo da sociedade ao longo de toda a 
sua existência.
O capitalismo e suas fases
Até aqui é possível reconhecer que em todas as pautas vistas 
sobre a Sociologia, o capitalismo estava envolvido. Em torno dessa teoria 
econômica, circunda todos os debates sociológicos, e por esse motivo 
detalharemos melhor as fases do capitalismo e sua importância para a 
compreensão dos fenômenos da nossa sociedade.
O conhecimento acerca do capitalismo é baseado em 
contextualização histórica, que possibilita o entendimento de suas razões, 
conceitos e movimentos. Dessa forma, conseguimos ver os caminhos 
percorridos ao longo da evolução da sociedade, compreender a sua 
dinâmica e impactos na sociedade atual e levantar hipóteses sobre seus 
acontecimentos futuros.
O Capitalismo é um sistema econômico no qual o principal 
objetivo se dá pela obtenção do lucro e da proteção da 
propriedade privada. O acúmulo de capital, tanto pelos 
governos quanto pelos indivíduos, é representado na forma 
de bens e dinheiro. Apesar de ser considerado, na teoria, um 
sistema econômico, o Capitalismo expande sua influência em 
praticamente todos os campos da organização social, como 
na política, nas práticas sociais e culturais, nos limites éticos 
e em vários outros aspectos. Dessa forma, o Capitalismo 
ocupa o espaço geográfico em, basicamente, todas as suas 
vertentes. As bases do Capitalismo estão consolidadas na 
divisão da sociedade em classes, de maneira semelhante a 
Sociologia e Ética Profissional40
outros sistemas experimentados pela humanidade ao longo 
da História. (CELI, 2019, s.p.)
O capitalismo é o sistema que organiza a sociedade em que vivemos 
atualmente, e conhecê-lo na sua origem com todos os seus detalhes 
significa compreender por que e de que forma estamos vivenciando os 
dias de hoje a nossa atuação como ser humano.
Inicia-se como um processo na fase do mercantilismo, as grandes 
potências da época, Portugal, França, Espanha, Holanda, entre outras, 
comercializavam escravos e metais preciosos a partir da exploração de 
riquezas com o único objetivo: lucro.
Figura 12 – Capitalismo comercial
Fonte: Wikimedia Commons. 
No declínio do feudalismo, quando as terras começaram a ser 
arrendadas e a mão de obra passa a ser remunerada, surge uma nova 
classe ou nova categoria, os artesãos. Esses profissionais começaram a 
comercializar os seus produtos e também o excedente de produtos de 
outros produtores. 
Sociologia e Ética Profissional 41
Os artesãos habitavam uma região externa às terras dos nobres, e 
os nobres denominavam a comunidade da região externa de “burgos”. Daí 
surge a denominação de burgueses como sinônimo de comerciantes. Os 
burgueses se instituem e se organizam com a busca do lucro e o incentivo 
ao consumo. 
Com o crescimento do consumo e o aumento da demanda pelos 
produtos que os artesãos vendiam, foi preciso escalar a produção. Nesse 
caso, o indivíduo que detém os meios de produção, emprega pessoas que 
não têm qualquer meio de produção para que ganhem uma remuneração 
auxiliando os burgueses em sua atividade de produtiva. Assim surge a 
classe operária, que fica conhecida como proletários.
Esse período tem como característica a doutrina econômica 
mercantilista. O capitalismo como sistema complexo caracteriza-se como 
um sistema socioeconômico, e quando observamos a partícula “sócio” 
podemos entender que não dita só as regras da questão econômica, mas 
também dita as regras do comportamento da sociedade. 
Até aqui definimos o pré-capitalismo, ou a primeira fase do 
capitalismo, denominada capitalismo comercial, que ocorre entre os 
séculos XV e XVIII, e a sua migração para a segunda fase, denominada 
capitalismo industrial, entre os séculos XVIII e XIX.
A evolução desse capitalismo ocorre na Europa, a partir do século 
XVIII, quando foi criada a máquina a vapor, que utilizava como combustível 
o carvão mineral. Nesse contexto, também surge a Revolução Industrial, 
o que significa que o lucro passa a ser obtido pela produção da indústria, 
configurando a segunda fase do capitalismo.
Sociologia e Ética Profissional42
Figura 13 – Capitalismo industrial
 Fonte: Wikimedia Commons.
Essa primeira Revolução Industrial muda não só a forma de 
produção como também todo o espaço geográfico, por meio dos 
processos de urbanização. Nesse período, o lucro passa a ser obtido pela 
comercialização dos produtos e pela exploração da mão de obra. 
Os donos dos meios de produção e os trabalhadores são as classes 
sociais desse momento. Essa Revolução Industrial representa uma 
necessidade muito maior para os mercados consumidores e as matérias-
primas, surgindo a divisão internacional do trabalho – DIT. 
Cada país do mundo se especializa na produção de um determinado 
tipo de produto, como há países não industrializados, por exemplo, os 
situados no continente americano, estes são os fornecedores de matéria-
prima para os países industrializados, que fornecem produtos finais.
A doutrina econômica característica do período do capitalismo 
industrial é o liberalismo econômico, bem diferente do mercantilismo.
Nesse momento, o Estado não deveria mais interferir na economia, 
deixando as empresas livres para fazerem os seus negócios. Na verdade, 
Sociologia e Ética Profissional 43
os preços seriam regulamentados pela mão invisível do mercado, ou seja, 
baseado na lei de oferta e procura.
O capitalismo industrial mudou bastante a vida das pessoas, no 
entanto, mais uma fase se aproxima: o capitalismo financeiro.
Ele surge, pois, após a Revolução Industrial, as tecnologias 
continuaram a evoluir e grandes mudanças aconteceram. A partir daí, 
constitui-se a Segunda Revolução Industrial, na qual há, como grandes 
inovações, o uso do motor de combustão interna, a utilização do petróleo 
como fonte de energia e a eletricidade.
Essa fase do capitalismo vai do século XIX até meados do século 
XX. Mas por que capitalismo financeiro? Porque, nesse momento, as 
indústrias, que já ganhavam muito dinheiro, vão se associar a grandes 
instituições financeiras – entenda com isso os bancos –, que acumulavam 
também muito dinheiro durante o capitalismo industrial, e a partir de 
então fornecerão empréstimos a empresas e também a pessoas, para 
que estas possam comprar ainda mais produtos e aquelas possam fazer 
investimentos, aumentando ainda mais a sua produção. 
Uma outra forma que as indústrias passam a utilizar para ganhar 
mais dinheiro é a venda de ações nas bolsas de valores, ou seja, as 
empresas são divididas em milhares de ações em papéis que serão 
negociados nas bolsas.
Figura 14 – Capitalismo financeiro: bolsa de valores
 Fonte: Pixabay. 
Sociologia e Ética Profissional44
Ou seja, é a associação do setor produtivo com o setor financeiro 
que vai dar origem a esse capitalismo financeiro. Esse modelo também é 
denominado capitalismo monopolista, pois é justamente nessa fase que 
surgem os grandes monopólios.
As empresas, nessa época, tinham alcançado grandes dimensões, 
mas ainda assim queriam dominar todo o mercado. Elas pretendiam 
fazer isso, basicamente, de duas formas: a primeira delas era comprando 
as empresas menores, com o objetivo de tornarem-se as únicas em 
determinados segmentos.
A segunda forma acontecia quando essa empresa não pudesse ser 
comprada, elas eram levadas a falência, com uma concorrência muitas 
vezes desleal por parte das maiores, com o intuito de falir as menores, e 
assim obter sua predominância no mercado.
Exemplo: Um grande exemplo disso aconteceu nos Estados 
Unidos com as empresas de petróleo, em específico o caso da Standard 
Oil Company, fundada por Jonh Davison Rockefeller, que se beneficiou 
das economias de escala e se tornou a maior empresa do mundo em seu 
tempo.
A Standard Oil tornou-se líder do mercado, fazendo que seus 
concorrentes fossem engolidos, dessa forma, tinham controle sobre 
aproximadamente 90% das refinarias de petróleo na América. 
No entanto, em 1911, o poder jurídico americano julgou a empresa 
como monopólio e ordenou a criação de mais de 30 empresas menores, 
com o intuito de que a prática de monopólio fosse desfeita e mais 
empresas pudessem atuar no setor.
Quando existe o monopólio, a sociedade não tem escolha para 
consumo, torna-se obrigada a consumir do único fornecedor. Assim, a 
empresa se aproveita para controlar e impor os seus preços, uma vez que 
ela não tem concorrência. O monopólio provoca uma situação que torna a 
sociedade refém de uma única empresa, e a opção entre oferta e procura 
acaba sendo ignorada e deixada para segundo plano.
Sociologia e Ética Profissional 45
Nessa fase do capitalismo financeiro, outros países de fora da Europa 
começaram a ganhar importância no processo produtivo, por exemplo, 
o Japão, no continente asiático, e os Estados Unidos, na América. Este, 
inclusive, torna-se o grande precursor da Segunda Revolução Industrial.
EXPLICANDO MELHOR:
É justamente nesse período que há o fortalecimento 
do processo imperialista. Mas o que é o imperialismo? 
O imperialismo ocorre quando os países buscam, em 
outros continentes, fontes de matéria-prima e mercados 
consumidores, mas, muitas vezes, para que isso ocorresse, 
os países mais ricos tinham que entrar à força. Exércitos e 
marinha, por exemplo, eram enviados aos territórios para 
dominar a população e garantir que os territórios fossem 
conquistados. 
Mas o capitalismo não parou de evoluir, atualmente alguns autores 
afirmam que o capitalismo financeiro já evoluiu para uma quarta fase do 
processo, a qual chamamos de capitalismo informacional. Esse modelo de 
capitalismo tem origem depois da Segunda Guerra Mundial e é marcado 
pela Terceira Revolução Industrial, também chamada de revolução de 
técnico-científica. 
Figura 15 – Capitalismo informacional – startups
 Fonte: Freepik. 
Sociologia e Ética Profissional46
Agora surge um novo tipo de empresa que ganha espaço, 
as multinacionais, principalmente aquelas ligadas à tecnologia de 
informação. Empresas como Google, Facebook, Apple, IBM, Microsoft e 
startups, que causam disrupção na forma como a sociedade passa a se 
comportar, assim como as formas de comercialização tomam posturas 
completamente digitais.
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar na evolução do capitalismo nos dias 
atuais? Recomendamos a leitura do texto “Os impactos da 
Quarta Revolução Industrial” (MAGALHÃES; VENDRAMINI, 
2018). A matéria expõe debate em torno da seguinte 
problemática: “O Brasil será uma potência sustentável 
com condições de capturar as oportunidades que surgem 
com as mudanças econômicas, ambientais, sociais e 
éticas provocadas pelas novas tecnologias?”. A publicação 
está disponível em: https://bit.ly/3lgWlge. Acesso em: 
01/03/2020.
RESUMINDO:
E, então, gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que trabalhamos. Você deve ter 
entendido que é impossível compreender qualquer lógica 
do sistema capitalista sem que antes seja realizada uma 
contextualização histórica para obter melhor entendimento 
sobre seu nascimento, conceitos e cadeias de evolução. 
Iniciamos explicando que o capitalismo é o sistema que 
organiza a sociedade que nós vivemos hoje, no entanto, 
o seu funcionamento impactou o padrão de vida das 
pessoas historicamente desde o mercantilismo no século 
XV, passando por revoluções industriais, sendo a primeira 
no continente europeu, no século XVIII, e a segunda em 
outros continentes, entre os séculos XIX e XX, finalizando o 
debate do capítulo com a Quarta Revolução, denominada 
revolução industrial técnico-científica. Também podemos
Sociologia e Ética Profissional 47
RESUMINDO:
relembrar como o capitalismo adotou novas formas 
de acordo com cada uma dessas revoluções, suas 
denominações sugerem a descrição, sendo a primeira 
fase do capitalismo chamada de capitalismo mercantil, 
a segunda fase é conhecida como capitalismo industrial, 
a terceira fase leva o nome de capitalismo financeiro e a 
quarta fase, que é a atual, conhecida como capitalismo 
informacional. Ao compreender toda essa dinâmica do 
sistema capitalista que envolve a sociedade, esperamos 
que você possa desenvolver habilidades de pensamento 
crítico acerca da composição e da estrutura da sociedade 
e consiga aplicar os conhecimentos em torno do universo 
social que compreende além de apenas as pessoas e 
relações, como também as instituições formadas a partir 
delas. Sucesso e parabéns por finalizar mais uma unidade 
com êxito!
Sociologia e Ética Profissional48
REFERÊNCIAS
ANDERY, A. A. Psicologia na comunidade. Psicologia social: o 
homem em movimento, p. 203-220, 1984.
AYRES, C. Um novo pensamento da comunicação para a mudança 
social. Intercom, Revista Brasileira de Ciências da Comunicação. vol. 42, 
n. 3. São Paulo, set.-dez. 2019. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S1809-58442019000300241&script=sci_arttext.
Acesso em: 27 
fev. 2020.
BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. 
Zahar, 2003.
CELI, R. Capitalismo: o que é, fases e características. STOODI. 2019.
FIRTH, R. Organização social e estrutura social. Homem e sociedade. 
São Paulo: Nacional, 1972.
MAGALHÃES, R; VENDRAMINI, A. Os impactos da Quarta Revolução 
Industrial. GVExecutivo, v. 17, n. 1, jan.-fev. 2018, p. 40-43. São Paulo, 2018. 
Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/gvexecutivo/
article/viewFile/74
093/71080> Acesso em: 01 mar. 2020. 
RIBEIRO, C. A. C. Tendências da desigualdade de oportunidades 
no Brasil: mobilidade social e estratificação educacional. Repositório 
Ipea, v. 62, abr. 2017. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/
bitstream/11058/7807/1/bmt_62_tend%c3%aancias.pdf. Acesso em: 26 
fev. 2020.
TRINDADE, M. A. da S. F. Comunidade e sociedade: norteadoras 
das relações sociais. Revista UNIRN, Natal, v. 1, n. 1, p. 165-174, jul.-dez. 
2001. Disponível em: http://revistas.unirn.edu.br/index.php/revistaunirn/
article/view/30/33. Acesso em: 28 fev. 2020.
Silvia Cristina da Silva e Stephanie Freire Brito
Sociologia e Ética 
Profissional
		O design da sociedade
		Estrutura social
		Como a estratificação social funciona nos dias atuais?
		Organização e mudança social
		O que é organização social?
		Como ocorre a mudança social?
		Dimensões da sociedade
		Indivíduos e grupos 
		Comunidade e sociedade 
		Pré-capitalismo e capitalismo
		O capitalismo e suas fases
ebook-4-sociologia-e-etica-profissional.pdf
Unidade 4
Livro Didático 
Digital
Silvia Cristina da Silva e Stephanie Brito 
Freire
Sociologia e Ética 
Profissional
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autor 
SILVIA CRISTINA DA SILVA 
E STEPHANIE BRITO FREIRE
Silvia Cristina da Silva 
Eu, Silvia, sou mestre interdisciplinar em Educação, Ambiente 
e Sociedade – Unifae, participante docente e discente no mestrado 
em Análise do Discurso – Universidade Federal de Buenos Aires. Sou 
especialista em Docência do Ensino Superior e Direito e Educação – 
Faculdade Campos Elíseos. Pós-graduanda em EAD – Faculdade Campos 
Elíseos. Graduada em Ciências Jurídicas e Sociais – Unifeob. Vice-diretora 
acadêmica na Agência Nacional de Estudos em Direito ao Desenvolvimento 
– Anedd. Especialista em investigação de antecedentes em instituições 
públicas e privadas. Docente e conteudista em diversas instituições 
educacionais para cursos de graduação e pós-graduação. Elaboradora de 
questões para concursos públicos em várias organizadoras. Gravadora, 
redatora, tradutora e intérprete da língua espanhola. 
Stephanie Brito Freire
Eu, Stephanie, sou mestranda em Administração – PPGA/UFCG, 
com MBA em Marketing e Inteligência de Mercado. Desenvolvo a escrita 
de materiais didáticos na área de Ciências Sociais, Educação, Tecnologias, 
Administração e Ambiente. 
Somos apaixonadas pelo que fazemos e gostamos muito de 
transmitir nossas experiências de vida àqueles que estão se iniciando em 
suas profissões. Por isso, fomos convidadas pela Editora Telesapiens para 
integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em 
poder ajudar vocês nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco!
AS AUTORAS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda 
vez que:
ICONOGRÁFICOS
INTRODUÇÃO: 
para o início do 
desenvolvimento 
de uma nova com-
petência;
DEFINIÇÃO: 
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA: 
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE: 
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA? 
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA: 
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou 
discutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO: 
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO: 
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Trabalho e sociedade.........................................................................10
Ética profissional.............................................................................................................10
Organização do trabalho nos dias de hoje.............................................15
Ética e sociedade.................................................................................20
Fundamentos da ética.............................................................................................20
Como a ética interfere na sociedade?........................................................25
A ética empresarial e a pós-modernidade..............................29
A ética na conjuntura empresarial.................................................................29
Pós-modernidade........................................................................................................34
Relações entre a ética e as profissões: contexto empresarial 
e profissional .........................................................................................39
A organização do trabalho na história........................................................39
Ética no trabalho.............................................................................................................44
Sociologia e Ética Profissional 7
UNIDADE
04
Sociologia e Ética Profissional8
Você sabia que o campo da Sociologia tem como principal objeto 
de estudo a sociedade, as relações de trabalho e o comportamento 
individual, que provoca efeito coletivo?
Isso mesmo, por isso é tão importante conhecer seus estudos, pois 
as nossas estratégias pessoais e profissionais exigem um conhecimento 
acerca desses fatores, sem falar que a compreensão da Sociologia e 
seus temas vinculados nos transformam em profissionais cada vez mais 
capazes de beneficiar o trabalho e o mundo e agregar boas práticas a 
partir de nossos ofícios.
Elementos de estudo como a ética e seus desdobramentos em 
relação aos fatores sociais nos fazem compreender como contribuir para 
o bem-estar de uma sociedade e como é possível vincular esse tipo de 
prática em qualquer que seja nosso ambiente profissional.
Conhecer os fundamentos da ética na estrutura profissional pode 
fazer toda a diferença na sua carreira. Entendeu? Ao longo desta unidade 
letiva, você mergulhará nesse universo!
INTRODUÇÃO
Sociologia e Ética Profissional 9
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso propósito é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o 
término desta etapa de estudos:
1. Compreender os aspectos sobre a ética profissional e a 
organização do trabalho.
2. Conhecer os fundamentos da ética e sua interferência na vida em 
sociedade.
3. Identificar potenciais éticos da conjuntura empresarial e no 
contexto pós-moderno.
4. Inteirar-se sobre as relações entre a ética e o ambiente de 
trabalho.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho! 
OBJETIVOS
Sociologia e Ética Profissional10
Trabalho e sociedade
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
os conceitos básicos sobre ética profissional, além de 
conhecer as premissas básicas da organização social do 
trabalho nos dias de hoje. Isto
será fundamental para o 
exercício de sua profissão. E aí, motivado para desenvolver 
essa competência? Então, vamos lá. Avante!
Ética profissional
A vida do ser humano, individualmente, é marcada por diferentes 
elementos de grande importância, que, provavelmente, quando estão 
em pleno equilíbrio, podem gerar maior bem-estar e qualidade de vida. 
Nesse sentido, podemos citar os aspectos familiares, crenças religiosas 
ou espirituais, saúde do corpo físico, saúde mental e emocional, aspectos 
profissionais e boas relações sociais.
Neste capítulo, iremos nos dedicar aos conhecimentos em relação 
aos aspectos profissionais, mais especificamente ao trabalho e sua 
organização social. Esse debate possibilita melhor compreensão em 
relação às nossas práticas individuais e aos efeitos coletivos e sociais que 
são causados, respectivamente.
Dessa forma, convém conhecermos melhor o conceito e a definição 
do termo “trabalho”:
DEFINIÇÃO:
O conceito do termo “trabalho” tem relação com um conjunto 
de atividades e esforços realizados pelos indivíduos com o 
intuito de atingir determinados objetivos, possibilitando ao 
homem os elementos essenciais para a sua sobrevivência, 
bem como a concretização de seus sonhos.
Sociologia e Ética Profissional 11
No entanto, podemos entender que o contexto que corresponde 
ao trabalho vai muito além dessa definição, pois o trabalho sempre esteve 
presente na história da humanidade, sendo que o seu principal objetivo 
era a sobrevivência. Além disso, é a atividade por meio da qual o ser 
humano produz sua própria existência. 
Figura 1 – O termo “trabalho”
 Fonte: Freepik. 
Essa opinião confirma, de certa forma, a ideia que Karl Marx coloca 
em relação ao trabalho, afirmando que não é que o ser humano exista em 
função do trabalho, mas que é com ele que produz os meios para manter 
a sua existência. 
“Ganharás teu pão à custa do suor de tua fronte”. Parece que 
o trabalho sempre esteve associado ao sofrimento, não é para 
menos, sua origem etimológica vem de “tripalium”, instrumento 
de tortura. Na França, da Idade Média à Revolução, designou 
sempre as atividades braçais, desprezíveis, daqueles que só 
tinham a força de seus braços para viver. Hoje, do diretor ao 
“peão”, todos são enquadrados como trabalhadores. (TELLES, 
1982, p. 1)
Sociologia e Ética Profissional12
Ao afirmarmos isso, podemos entender que o impacto do trabalho 
e o seu contexto de existência assumem importante papel e exercem 
grande influência na construção de quem somos. Dessa maneira, 
observamos que existem áreas do conhecimento, como a Sociologia, 
dedicadas apenas a estudar as diversas maneiras em que se constituem 
as relações de trabalho e seus desdobramentos na vida e na sociedade.
Conseguimos visualizar bem as razões e os momentos em que, 
quando as relações de trabalho se alteram no fluxo de nossa história, 
as nossas estruturas sociais também são modificadas, principalmente a 
forma como são constituídas as nossas relações, as posições dos atores 
na hierarquia social, nas formas de segregação, além dos aspectos 
culturais erguidos em torno das relações de trabalho.
O surgimento da indústria acarretou uma modificação profunda do 
sentido estabelecido para o trabalho e para a relação do indivíduo com 
isso.
As linhas de montagem, característica fundamental do fordismo, 
eram marcadas pela individualidade, nas quais milhares de pessoas 
ficavam amontoadas diante de uma atividade repetitiva em uma linha de 
montagem, sem muitas vezes nem ver o resultado final de seu esforço, 
e essa situação se tornou a principal característica para definir o trabalho 
industrial.
Figura 2 – Linha de montagem
Fonte: Pixabay.
Sociologia e Ética Profissional 13
A Segunda Revolução Industrial diferencia-se da Primeira 
pelo fato de trazer o progresso técnico-científico, que possibilitou o 
desenvolvimento de novas máquinas, a utilização do aço, do petróleo e 
da eletricidade, a evolução dos meios de transporte e a expansão dos 
meios de comunicação. Nesse momento, diversifica-se as relações de 
trabalho com maior dinamização de cargos e profissões.
Na década de 1970, acontece a Terceira Revolução Industrial. Nesse 
momento, ocorre uma forte modificação do panorama produtivo global, 
devido ao desenvolvimento de tecnologias microeletrônica e ao fomento 
de informações sobre a automatização e a robotização de praticamente 
todos os processos de produção. 
Ainda nesse período, há o surgimento de novos mercados e, 
consequentemente, de novos setores industriais, como exemplo podemos 
citar a indústria de computadores e softwares, de telecomunicações, de 
robótica e biotecnologia, entre outros. 
A relação do trabalho é modificada mais uma vez, tanto em 
relação à mão de obra qualificada quanto em termos de multiplicação 
de profissões, uma vez que muitas novas profissões são voluntariamente 
criadas, e, portanto, há maior liberdade de escolha, além de direitos 
trabalhistas, que modificam o padrão de vida de toda a sociedade
Historicamente, podemos classificar o processo de trabalho no 
meio de produção capitalista sob etapas. Vejamos na tabela a seguir 
algumas delas: 
Tabela 1 – Formas de trabalho na indústria
Cooperação simples
O trabalhador desenvolve basicamente 
atividades artesanais. Por outro lado, o 
proprietário de terras compra a força de 
trabalho dos indivíduos.
Manufatura
Trabalhadores executam tarefas sem 
qualquer capacitação para isso, com foco 
principal na produtividade.
Sociologia e Ética Profissional14
Maquinaria
Ocorre a inserção das máquinas no 
processo de produção, dispensando 
grande parte da força de trabalho 
humana que não tem capacitação.
Maquinaria simples
O trabalhador aciona as máquinas, 
controlando o ritmo da produção e sendo 
remunerado de acordo com o resultado 
da produção.
Organização científica
O ritmo da produção é determinado 
pelas máquinas. O taylorismo se refere 
à redução do tempo de execução e o 
fordismo implanta a esteira de produção, 
que define o ritmo do trabalho.
Automação 
Por meio do desenvolvimento técnico 
científico, o trabalhador apenas 
acompanha e controla a produção.
Fonte: Elaborado pelas autoras.
O decorrer do tempo em união com o processo de evolução 
tecnológica do setor produtivo altera o modelo de organização do 
trabalho com o objetivo de aumentar a produtividade e as margens de 
lucro. Existem diferentes escolas que descrevem como o sentido do 
trabalho acompanha as fases da modificação, são elas:
 • Escola científica ou Escola clássica – Fundada por 
Frederick Taylor, Henri Fayol e Henry Ford, essa escola 
defende, em suma, que o trabalhador é impulsionado 
pelo espírito competitivo, em que basta recompensar 
economicamente que é eliminado qualquer tipo de 
conflito. A organização é hierarquizada, autoritária e 
racional, com foco no aumento da produtividade. Nesse 
momento, ocorre intenso controle e exploração da classe 
dominante sobre os trabalhadores. A neutralização da 
atividade mental e o prejuízo à saúde física dos operários 
prejudicam a relação homem/trabalho.
Sociologia e Ética Profissional 15
 • Escola das relações humanas – Fundada por Elton Mayo, 
essa escola defende a necessidade psicológica do homem 
em se sentir parte de um grupo social em conjunto com 
a recompensa financeira. Nesse caso, o trabalho deve ser 
um meio de realização pessoal e o incentivo às relações 
pessoais, socialização e atenção aos fatores psicológicos 
motivam os trabalhadores e aumentam a produtividade.
 • Teorias modernas da administração – Sugere a participação 
dos trabalhadores no processo de organização da 
produção, na qual ele exerce a comunicação e desenvolve 
a motivação no trabalho. Ocorre uma redução da 
hierarquização, descentralizando as
decisões e delegando 
autoridades. Essa modificação tem o intuito de promover 
saúde mental e qualidade de vida no trabalho.
A evolução das condições de trabalho resulta em um contraponto 
aos modelos de organização do trabalho visto na escola clássica, 
fazendo que por meio de um novo paradigma os trabalhadores se 
sintam participativos no processo produtivo, valorizando suas atividades, 
elevando sua autoestima e contribuindo para melhorar sua qualidade de 
vida e satisfação no trabalho.
Organização do trabalho nos dias de hoje
As transformações das nossas relações de trabalho não ficaram 
estagnadas na Terceira Revolução Industrial, pois atualmente o modelo de 
nossas atividades se modifica constantemente. No entanto, as forças que 
causam essas mudanças são um pouco diferentes das que modificavam 
as relações de trabalho durante as revoluções industriais. 
Podemos citar a globalização como um dos fenômenos mais 
significativos da história da humanidade e, da mesma forma que provocou 
mudanças em nosso padrão de vida e nas nossas relações sociais mais 
íntimas, modificou também nossas relações de trabalho.
Sociologia e Ética Profissional16
O trabalho formal remunerado, que antes acontecia exclusivamente 
entre as paredes das fábricas e escritórios, hoje pode ser exercido 
remotamente em nossa casa ou em qualquer parte do mundo. 
Figura 3 – Trabalho remoto
Fonte: Freepik. 
Um produto da globalização nos modelos de organização do 
trabalho atualmente também está relacionado com a grande flexibilidade 
e a demanda por mão de obra ainda mais especializada, resultando 
com que o trabalhador concentre mais esforços em torno de seu 
aprimoramento pessoal e profissional.
A chance de estarmos interconectados a todo o momento é uma 
realidade, encurtou distâncias e tornou o nosso período de trabalho ainda 
mais longo. Entretanto, há uma crescente competitividade inerente ao 
mercado de trabalho devido às inúmeras dinâmicas e facilidades de se 
capacitar.
No mundo contemporâneo, o motivo de uma das maiores 
desigualdades sociais em decorrência do trabalho é justamente o 
Sociologia e Ética Profissional 17
acesso das classes com menor poder aquisitivo disporem basicamente 
de tempo e recurso financeiro para que possam se dedicar com maior 
afinco ao processo de formação e capacitação profissional, aumentando 
a possibilidade de subir na hierarquia social e econômica, embora o 
processo já esteja mais democratizado.
A sedução de uma nova economia, exercida numa nova realidade 
– a das empresas pontocom captura um desejo. Na análise do curso da 
história temos o rastro do enlaçamento dos sentidos e da constituição 
da subjetividade como seu efeito. Assim, têm-se como objeto de estudo 
escolhido as representações de trabalho nas empresas pontocom, 
apreendidas através de reportagens da revista Exame, nos números 709 
e 719, além da edição especial Odisseia Digital (2000) alusivas ao “boom” 
das empresas pontocom, e portando depoimentos de trabalhadores que 
migraram (seduzidos) por essa realidade. (ZILIOTTO, 2002, p. 99)
Além dessas questões, é importante pontuar um fenômeno que 
causa bastante desigualdade atualmente no contexto do trabalho que se 
justifica pela introdução da automação no processo de produção de bens 
de consumo. 
Figura 4 – Processo de produção automatizado
Fonte: Freepik. 
O fenômeno da automação provocou, em muitos setores, a 
obsolescência da mão de obra humana, por vezes aumentando o 
número de trabalhadores desempregados, o que, por consequência, 
acaba diminuindo o valor da força de trabalho humana, principalmente 
Sociologia e Ética Profissional18
nos países que dispõem de grande população, mas com baixo nível de 
especialização. 
Do ponto de vista das empresas, a sua competitividade no mercado 
aumenta quando o lucro monetário é maior. Nesse sentido, a situação do 
trabalho só piora, pois se preocupar com o bem-estar do empregado, 
geralmente, é algo caro, não sendo um investimento que garanta retorno 
imediato.
SAIBA MAIS:
O artigo “A indústria 4.0 e o futuro do trabalho: tensões e 
perspectivas” (GRAGLIA; LAZZARESCHI, 2018) procura 
demonstrar as tensões sociais que resultam das 
profundas mudanças dos mercados de trabalho a partir 
da reestruturação produtiva provocada pela introdução 
das novas tecnologias e técnicas de gerenciamento 
do processo de trabalho, ressaltando o aumento do 
desemprego e as possibilidades de um futuro brilhante para 
toda a humanidade. Disponível em: https://bit.ly/3hhGN9q. 
Acesso em: 13 ago. 2020.
RESUMINDO:
E, então, gostou dessa primeira competência? Agora, só 
para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste primeiro capítulo, vamos resumir 
tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que é de suma 
importância para o profissional obter conhecimentos em 
relação aos aspectos profissionais, mais especificamente ao 
trabalho e sua organização social, bem como a modificação 
que as relações de trabalho e as estruturas sociais sofrem 
ao longo da nossa história. Também podemos relembrar 
como as modificações históricas das formas de trabalho na 
indústria ilustram bem a vida do trabalhador atualmente, 
destacando que a primeira forma se resumia a produção 
artesanal e venda de força de trabalho para proprietários 
de terras, passando por etapas de industrialização, em que 
sua saúde física e mental eram totalmente ignoradas, até o
Sociologia e Ética Profissional 19
RESUMINDO:
E, então, gostou dessa primeira competência? Agora, só 
para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste primeiro capítulo, vamos resumir 
tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que é de suma 
importância para o profissional obter conhecimentos em 
relação aos aspectos profissionais, mais especificamente ao 
trabalho e sua organização social, bem como a modificação 
que as relações de trabalho e as estruturas sociais sofrem 
ao longo da nossa história. Também podemos relembrar 
como as modificações históricas das formas de trabalho na 
indústria ilustram bem a vida do trabalhador atualmente, 
destacando que a primeira forma se resumia a produção 
artesanal e venda de força de trabalho para proprietários 
de terras, passando por etapas de industrialização, em que 
sua saúde física e mental eram totalmente ignoradas, até o
Sociologia e Ética Profissional20
Ética e sociedade
INTRODUÇÃO:
Nesta unidade, discutiremos sobre os conceitos basilares 
da ética. Além disso, estudaremos como a integração de 
aspectos éticos ao comportamento humano interfere 
na sociedade. Vamos aprender mais essa competência? 
Avante!
Fundamentos da ética
Que os estudos de Sociologia mantêm vínculo direto com a ética 
e a moral não é novidade. Esse vínculo pode ser reafirmado a partir da 
definição de “ética” segundo o Dicionário Aurélio (2004), é o “estudo 
dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de 
qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à 
determinada sociedade, seja de modo absoluto”. 
O termo “ética” é de origem grega, traduzida de ethos, que diz 
respeito ao costume, aos hábitos dos humanos. Em latim, é “mores”, 
dando, assim, origem à palavra “moral”. Outra possível conceituação da 
palavra “ética” em bases filosóficas e sociológicas lida diretamente com 
o envolvimento das noções e dos princípios que sustentam os pilares da 
moralidade social e da vida individual.
Em outros termos, podemos entender que se trata de uma 
união entre o pensamento que envolve o valor de cada uma das ações 
sociais consideradas tanto sob uma perspectiva coletiva como em uma 
perspectiva individual.
Sociologia e Ética Profissional 21
Figura 5 – Indivíduo e coletivo
Fonte: Pixabay. 
Baseando-se nessas definições, entendemos que ética é produto 
do comportamento do próprio ser humano como indivíduo,
do que ele 
aprende em seu ambiente de formação e educação como ser social. 
Ou seja, para ser ético, é necessário fazer o certo mesmo que não haja 
ninguém para testemunhar. 
A moral e a ética são os princípios obrigatórios no processo de 
construção das condutas de um homem, uma vez que são estes os 
responsáveis por identificar e construir o seu caráter e as suas virtudes, 
além de nortear o seu comportamento diante da sociedade. Segundo 
Vázquez (2003, p. 63), “a moral é um conjunto de normas, aceitas livre e 
conscientemente, que regulam o comportamento individual e social dos 
homens”.
No contexto social, a moral determina principalmente o 
comportamento coletivo e se as ações dos indivíduos nesse coletivo 
estão sendo congruentes com o que é certo e permitido diante de um 
contexto mais geral. Partindo do pressuposto que todo ser individual 
interage em algum momento com a coletividade, entende-se que as suas 
ações provocam efeito em algum outro indivíduo, ou seja, interfere na 
Sociologia e Ética Profissional22
coletividade, por esse motivo que volta e meia uma pessoa pode se tornar 
objeto de julgamento sobre aprovação ou reprovação.
A função social da moral consiste na regulamentação das 
relações entre os homens (entre os indivíduos e entre o 
indivíduo e a comunidade) para contribuir assim no sentido de 
manter e garantir uma determinada ordem social. (VÁZQUEZ, 
2003, p. 69)
No período da Antiguidade Clássica, os conhecidos filósofos gregos 
Aristóteles, Sócrates e Platão começaram a prática de um exercício crítico 
e reflexivo sobre os costumes e valores presentes na sociedade da época. 
Depois de iniciarem a inquietação desse pensamento, os filósofos 
passaram a questionar essas práticas e as tornaram objeto de seus 
estudos, de modo a entender os elementos que realmente poderiam ser 
considerados valores universais em um âmbito social, caracterizando os 
requisitos de ser correto, virtuoso e ético.
O contexto social e histórico aos quais os filósofos estavam inseridos 
nesse período da Grécia Antiga tinham atenção fortemente voltada para a 
preocupação com a política. 
Figura 6 – Sócrates
Fonte: Wikimedia Commons. 
Sociologia e Ética Profissional 23
No ambiente de análise da política, a ética exerce o papel de uma 
reflexão sobre a influência que as práticas determinadas no código moral 
exerciam sobre a subjetividade dos indivíduos, além de avaliar a forma 
como eles executavam suas condutas, se aceitavam ou não esses valores 
normativos e até que ponto davam o efetivo valor aos valores impostos.
Segundo alguns filósofos, as vontades e os desejos dos indivíduos 
podem assumir uma configuração de inconstância, muitas vezes. 
Essa mesma inconstância, caso não controlada, tornaria a vida social 
extremamente difícil de lidar, caso não houvesse alguns valores que 
possibilitassem a vida em comum, pois, dessa forma, a vida em sociedade 
se tornaria um verdadeiro caos. 
Diante dessa reflexão, reconhecemos que é necessário educar 
nossa vontade, e um caminho para isto é trilhado por meio do recebimento 
de uma educação racional, para que dessa forma o indivíduo tenha a 
capacidade de escolher de forma assertiva entre o que é justo e o que é 
injusto ou entre o que é certo e o que é errado.
A filosofia moral ou a disciplina denominada ética nasce 
quando se passa a indagar o que são, de onde vêm e o que 
valem os costumes. [...] A filosofia moral ou a ética nasce 
quando, além das questões sobre os costumes, também se 
busca compreender o caráter de cada pessoa, isto é, o senso 
moral e a consciência moral individuais. (CHAUI, 2010, p. 310)
De acordo com o exposto, podemos compreender que a ética 
acontece de acordo com a educação da vontade de cada um. Ou seja, ela 
é concebida e executada ao passo que também busca entender sob qual 
nível se considera a moral em cada ser humano. 
Com base na afirmação de Marilena Chauí, podemos entender que 
o que ela expõe sobre o senso moral tem a ver com a maneira pela qual 
pensamos que ocorre a nossa situação e a dos outros por meio das ideias 
em relação a justo e injusto, bondade e maldade, por exemplo. Dessa 
forma, tratam dos sentimentos morais. 
Sociologia e Ética Profissional24
Figura 7 – Cadeia da disciplina da ética
Fonte: Elaborado pelas autoras.
No entanto, ao que se trata da consciência moral, a autora demonstra 
que esta, por sua vez, não se trata exclusivamente dos sentimentos morais, 
mas também se refere a avaliações de comportamento que levam os 
indivíduos a tomarem decisões pensando apenas em si mesmos, agindo 
em conformidade consigo e a responder por si perante os outros.
 Esse tipo de comportamento corresponde à ideia de ser responsável 
pelas consequências das próprias ações.
Dessa maneira, podemos entender que tanto o senso moral como 
a consciência moral são elementos que cooperam com o processo da 
educação de nossa vontade. O senso moral e a consciência moral têm 
como ideia principal um agente moral, o qual é assumido de forma 
pessoal por cada um de nós. 
Logo, espera-se que o agente moral exerça a sua autonomia como 
indivíduo, libertando-se de qualquer amarra social, devido ao fato de 
que o indivíduo que possui um comportamento submisso apenas aceita 
influências e nega a educação da sua própria vontade. Dessa forma, a 
consciência e a responsabilidade são elementos imprescindíveis à vida 
ética ou moralmente correta. 
Sociologia e Ética Profissional 25
Como a ética interfere na sociedade?
Antes de termos capacidade de compreender que somos seres 
individuais e que fazemos parte de uma sociedade, temos uma família, 
ou maiores responsáveis, que nos ensinam os valores da sociedade por 
meio de uma direção entre o que devemos e o que não devemos fazer, 
falar e como nos comportar de maneira geral.
Ou seja, as ações que somos ensinados a exercer desde o nosso 
nascimento passaram por um processo de formatação de acordo com 
as regras impostas pela sociedade e, quando essas regras não são 
devidamente obedecidas, a repreensão ocorre por algum modo de 
castigo ou, por outro lado, recebe-se uma recompensa quando as regras 
não são infringidas.
Figura 8 – Repreensão por atitudes inadequadas
Fonte: Pixabay.
Apesar das repreensões, todos os indivíduos são livres para agir 
dentro das regras impostas pela ética e pela moral, estabelecidas na 
sociedade. Dessa forma, enquanto respeitarmos os direitos dos outros 
indivíduos, teremos liberdade para agir conforme a nossa escolha. 
Não é difícil enxergar um paradoxo nessa situação de liberdade e 
respeito ao próximo, uma vez que na vida prática o respeito ao indivíduo 
em si por vezes é considerado inexistente, considera-se que esse tipo 
Sociologia e Ética Profissional26
de respeito existe apenas na forma da consciência humana, enquanto há 
uma busca constante em torno de si próprio.
Para esclarecer melhor, podemos citar alguns exemplos comuns 
de nossa vida cotidiana, como situações que todos nós nos deparamos 
e conhecemos por meio de notícias de jornais, que comunicam certas 
condutas absolutamente reprováveis de alguns indivíduos. 
Nesse momento, é comum também escutar outros indivíduos 
questionando se existe uma sociedade que conhece e considera os 
princípios éticos e morais ou se os valores realmente se perderam e, 
além disso, questionam os comportamentos que podemos esperar das 
próximas gerações. 
O debate entre a ética e a sociedade ocorre porque entendemos que 
existe um vínculo insuperável entre eles. O homem nasce e estabelece o 
seu convívio em uma sociedade que já passou por uma longa e imensa 
jornada histórica, e por esse motivo carrega em sua configuração os 
efeitos colecionados ao longo do tempo. 
Sempre vivemos em grupos, mas ocorre o interessante fato que se 
refere a cada geração
como construtor de parte da história. Dessa forma, 
as adaptações em torno dos valores e da moral vão sendo implantadas de 
acordo com seu contexto.
Afirmar que a vida humana se realiza na sociedade não significa que 
o homem não tenha intimidade com si próprio ou com os grupos que se 
insere. Ele está parte do tempo consigo, mas o seu lado subjetivo não 
corresponde à parte do que o cerca. 
O ser humano se constrói em uma determinada cultura dominada 
por valores antecedidos historicamente e naturalmente se adapta a esse 
padrão de comportamento já preconcebido. 
Sociologia e Ética Profissional 27
Figura 9 – Valores éticos de acordo com a cultura
Fonte: Pixabay. 
Nesse sentido, quando falamos da vida em sociedade, 
reconhecemos que ela possui um pressuposto moral, uma vez que os 
indivíduos, organizados em forma de grupos humanos e comunidades, 
movimentam-se em espaços de relacionamento, provocam modificações 
na natureza, desenvolvem ciência, comportamentos e normas de 
convivência a partir dos valores que alimentam e objetivam.
Os elementos e princípios morais não são determinados nem 
assumidos de forma automática, e isto faz da liberdade um aspecto 
fundamental para a existência. A vida humana é uma jornada de liberdade 
possível, pois a liberdade se realiza de acordo com o contexto em que 
ela nasce e do reconhecimento de que há exigências que não podem ser 
desconsideradas no âmbito da vida individual e da vida em sociedade. 
As crises da cultura ocorrem quando a sociedade não encontra 
conforto entre o contexto histórico e cultural e as normas de convivência. 
Essas crises não são feitas apenas de momentos ruins, elas proporcionam 
a avaliação dos valores estabelecidos. 
Sociologia e Ética Profissional28
SAIBA MAIS:
Quer saber mais sobre o assunto? Sugerimos o artigo “Ética: 
normas e princípios para uma sociedade mais empática” 
(SANTOS, 2017), que trata como a ética e a Filosofia 
guardam profunda correlação. A visão do homem como 
um ser social e histórico é uma concepção filosófica que 
representa o fundamento da ética. Além de detalhar os 
parâmetros sociais adotados por determinada sociedade 
que nortearão a vida do indivíduo e lhe permitir conviver 
com outras pessoas. Disponível em: https://bit.ly/32bpYqo. 
Acesso em: 13 ago. 2020.
RESUMINDO:
Chegamos ao final de mais uma seção desta unidade, na 
qual tratamos inicialmente dos aspectos conceituais e 
introdutórios sobre os fundamentos da ética na sociedade, 
e como a integração dos seus aspectos ao comportamento 
humano é importante para a harmonia e o bem-estar da 
sociedade. Você deve ter aprendido que a moral e a ética são 
produtos do comportamento do próprio ser humano como 
indivíduo e são obrigatórios no processo de construção de 
suas condutas, que devem ser respeitadas, uma vez que 
vivemos em sociedade e a ação de um indivíduo que interage 
em algum momento com a coletividade, entende-se que 
as suas ações provocam efeito em algum outro indivíduo, 
ou seja, interfere na coletividade. Pontuamos também que 
a importância de entender o processo de aprendizagem 
sobre a ética começa desde o nosso nascimento, uma vez 
que temos nossos pais ou responsáveis para conduzir-nos 
em direção a essa ética, aplicando repreensões quando a 
infringimos e sendo recompensados quando obedecemos. 
Posteriormente, na vida adulta, as recompensas pelas 
atitudes corretas deixam de acontecer, mas as infrações são 
penalizadas de acordo com a legislação. Esse mecanismo 
de controle é eficaz, uma vez que zela pelo bem-estar da 
sociedade. No entanto, é importante pontuar que, apesar 
desses mecanismos de controle, a vida humana é uma 
jornada de liberdade possível.
Sociologia e Ética Profissional 29
A ética empresarial e a pós-modernidade
INTRODUÇÃO:
Nesta competência, vamos aprender o embasamento 
teórico e prático acerca da prática da ética no meio 
organizacional, além de pontuar os elementos pós-
modernos e suas modificações sociais com o decorrer da 
história!
A ética na conjuntura empresarial
Nos veículos de comunicação e nos debates dentro do ecossistema 
empresarial, muitas questões em torno da ética são um dos assuntos 
mais discutidos. Atualmente, temos conhecimento de muitos episódios 
lamentáveis que envolvem a falta de ética, ou a falha dela, no meio 
empresarial e no meio político.
As últimas eleições que ocorreram em nosso país contaram com 
um número muito grande, e que vem crescendo, de abstenções da 
população, que opta por não exercer o seu direito de voto. Supõe-se que 
essa parcela tão grandiosa de abstenções esteja diretamente ligada ao 
fato de que as pessoas vêm desacreditando cada vez mais nos políticos, 
especialmente, pela falta de ética em suas condutas. 
Em muitos casos, as notícias sobre a falta de ética dos políticos 
ocorrem em conjunto com as atitudes de empresários e profissionais do 
meio empresarial. Diante de circunstâncias desse tipo, como ficam as 
imagens dessas empresas? Debateremos sobre a ética empresarial com 
maior riqueza de detalhes a seguir.
Sociologia e Ética Profissional30
Figura 10 – Falta de ética política e empresarial
Fonte: Freepik. 
REFLITA:
Sabemos que a ética é a parte da Filosofia dedicada 
aos assuntos morais e, com o objetivo de facilitar a sua 
compreensão, demonstraremos exemplos desse conceito 
em nosso cotidiano pessoal e profissional em uma empresa. 
Pare um pouco e pense nos comportamentos que você 
desenvolve em seu dia a dia ou nas condutas de outros 
profissionais, como advogados, médicos, professores, 
empresários ou políticos. As atitudes que você pensou se 
referem à ética.
Não é incomum confundir a ética com as regras e a legislação 
que a sociedade deve seguir no curso de sua vida. Para a legislação ser 
constituída, envolve aspectos éticos, quem não os cumprir pode sofrer 
repreensões. É importante pontuar que a ética não faz que indivíduos 
sejam coagidos pelos demais ou pelo Estado por transgressão às normas 
éticas que comandam nossa sociedade.
Sociologia e Ética Profissional 31
No entanto, esse contexto é diferente em relação ao que deve 
ocorrer dentro das organizações públicas ou privadas, quando as regras 
são estabelecidas, as empresas podem exigir de seus colaboradores 
obediência. Isso é o que podemos chamar de ética empresarial.
IMPORTANTE:
Até agora você tem estudado muito sobre o conceito 
de ética e sua aplicação de um modo geral, vamos nos 
aprofundar melhor em relação à ética e às organizações 
empresariais. A ética empresarial pode ser identificada por 
regras internas que determinam a moral e a conduta dentro 
das empresas e sobre assuntos inerentes a esse ambiente.
Antes que uma organização ganhe seu espaço no mercado, seja 
qual for o seu tamanho, é necessário que ela siga certos aspectos voltados 
à ética empresarial. Primordialmente, os assuntos voltados para ética nas 
empresas não eram tão comuns, pois as atenções das suas atividades 
estavam voltadas, basicamente, para o melhoramento dos processos e os 
alcances mais altos de lucro monetário.
O posicionamento ético dos indivíduos em uma empresa, sejam eles 
empresários, colaboradores ou outros profissionais que trabalhavam para 
as organizações, era algo subjetivo, que estava relacionado à formação 
de cada um. A ética empresarial está vinculada aos valores morais e éticos 
de uma empresa em conjunto tanto com o seu ramo de atuação como no 
que se refere aos seus clientes e concorrentes.
A empresa não está acima da ética de uma forma geral, os seus 
valores são os mesmos que direcionam a ética, em qualquer que seja o 
contexto de análise e a conduta dos relacionamentos sob todas as formas 
de interação social.
O resultado significante da imposição de condutas éticas nas 
empresas ocorre quando uma organização, além de adotar, executa 
a ética em seus princípios básicos, pois ela desenvolve potencial
para 
manter-se no mercado de maneira sustentável. As condutas alinhadas à 
ética fazem que os colaboradores, concorrentes e clientes a enxerguem 
como uma empresa séria e responsável.
Sociologia e Ética Profissional32
Por outro lado, existem empresas e instituições que abusam e 
desrespeitam seus consumidores e o público em geral, fazendo uso 
de propagandas enganosas ou ofertas mentirosas, principalmente, com 
o intuito de ganhar dinheiro mais rapidamente, e são condenadas ao 
fracasso.
Figura 11 – Propaganda enganosa
Fonte: Pixabay. 
Os resultados positivos advindos dessas iniciativas desonestas 
costumam ser passageiros e, da mesma forma que ela teve a chance de 
crescer dessa forma, assume um alto risco de se prejudicar e ter imensos 
prejuízos, podendo até desaparecer permanentemente.
Nos domínios da organização, a ética empresarial incentiva as 
boas relações tanto entre os próprios funcionários quanto em relação 
ao seu público consumidor. Dessa forma, o relacionamento entre as 
partes envolvidas nesse ambiente passa a ser mais incontestável, vindo a 
alcançar maiores níveis de satisfação para todos os elementos envolvidos.
Contemporaneamente, no meio organizacional, a ética empresarial 
passou a ser encarada, principalmente por seus gestores, como um 
objetivo essencial que deve ser realizado. 
O aprimoramento dos aspectos éticos nas organizações passou a 
ser cuidado com tanta importância quanto os resultados anteriormente 
Sociologia e Ética Profissional 33
mais almejados pela direção empresarial, como o sucesso financeiro, o 
crescimento e a implantação da inovação e a excelência nos processos.
Com esses aspectos, tão valorizados pelo público e pelo 
mercado, em evidência, os gestores e colaboradores passam a vincular 
incansavelmente os valores e a missão da empresa a que fazem parte, 
com foco em comprovar a transparência de suas ações e a seriedade 
dos propósitos. E, dessa forma, a ética passa a ser vivenciada dentro das 
organizações com maior verdade e clareza.
Para a efetividade dessas ações, é importante que as condutas em 
coesão com a ética sejam executadas cotidianamente e incentivadas a 
todos os atores envolvidos pelas ações de seus líderes. Uma boa liderança 
acontece quando o seu representante tem a capacidade de lidar com 
todas as situações sem ser incoerente com o que está sendo exigido de 
seus liderados. Seu comportamento deve estar em plena adequação com 
as normas determinadas pela empresa. 
Figura 12 – Exemplo de conduta ética do líder
Fonte: Freepik. 
Sociologia e Ética Profissional34
Dessa forma, para que todos os colaboradores possam executar as 
suas ações e tomar as suas atitudes de maneira coerente, é necessário 
que as regras estabelecidas e exigidas sejam abertamente comunicadas. 
As regras da empresa têm o papel de fomentar um desenvolvimento 
interno positivo tanto em relação aos seus clientes internos, sejam os 
líderes ou colaboradores, quanto aos seus clientes externos, que são os 
consumidores e defensores da marca.
Pós-modernidade
Na literatura, o período moderno é associado ao período da 
Revolução Industrial, quando houve uma intensa quebra de paradigmas 
e padrões de comportamento dos indivíduos. O período pós-moderno 
ocorre desde que as mudanças na vida social do último século impactaram 
fortemente a sociedade e foram percebidas como crise.
Grandes pensadores e estudiosos da área da Filosofia e da 
Sociologia passaram a questionar algumas provocações do tipo: “Será 
que a crise representa um rompimento com os valores centrais de nossa 
cultura?” e “Podemos falar de transformação substancial desses valores?”. 
O consenso sobre o assunto demonstra que a resposta não é otimista 
para nenhum desses questionamentos.
NOTA:
A razão para o otimismo em relação a essas questões 
levantadas não acontecer está diretamente relacionada ao 
que é válido e aos valores primordiais enraizados na cultura 
ocidental, como a dignidade do ser humano, o amor e a 
liberdade de viver a vida. Além de aspectos mais técnicos 
da área política social, como a democracia liberal, o estado 
de direito, entre outros. 
Retomando o que se refere à crise, questionamos o que a motivou, 
como ela ocorreu de fato e quais elementos a incentivaram:
Eis o principal na primeira parte do século: revolução soviética 
de 1917, a crise da bolsa de Nova York de 1929, a ameaça 
Sociologia e Ética Profissional 35
dos totalitarismos, as duas guerras mundiais, a 1914-1919 e a 
de 1939-1945 com suas consequências: a guerra fria, a nova 
família, novos focos de tensão entre pais e filhos, ingresso 
da mulher no mercado de trabalho, consumo de massa, o 
despertar das nações asiáticas e africanas e as guerras étnicas, 
culminando numa espécie de autoesquecimento da condição 
humana. (CARVALHO, 2017, p. 2)
Figura 13 – Mulheres no mercado de trabalho
 Fonte: Pixabay. 
As situações que o autor menciona se tornaram objetos de estudo 
no campo da Filosofia e da Sociologia nos últimos tempos, enraizando 
para áreas como Antropologia, estudos históricos e culturais. Dessa 
forma, o período pós-moderno se dedicou a realizar um levantamento 
sob um modelo de pensamento que esclarece como a bondosa ciência 
pode fazer a humanidade acreditar em um futuro glorioso para a raça 
humana na Terra, sem exigir o esforço individual de cada um.
Essa opinião é um contraponto ao tipo de personalidade dos 
indivíduos que conhecemos atualmente, construídos por meio de um 
resultado dos acontecimentos históricos, que seria o homem como parte 
Sociologia e Ética Profissional36
da grande massa, com as opiniões muito formatadas pelo senso comum 
e pouco dedicado a viver o que realmente deseja.
As últimas décadas do século XX foram protagonizadas por grandes 
mudanças no padrão de vida da sociedade, e esse período passou a ser 
denominado “pós-moderno”. Essa nova denominação tinha o intuito de 
sinalizar que a crise estaria determinando o estabelecimento de um novo 
tempo, que, no entanto, ainda não estava plenamente definido, porém se 
caracterizava como uma nova era. 
IMPORTANTE:
É interessante avaliar que a diferença substancial das 
práticas sociais do período moderno para o que vivenciamos 
nos dias atuais nos permite, sem qualquer equívoco, avaliar 
essa nova era de uma outra forma.
O que se chamou de pós-modernidade foi o aprofundamento da 
revisão iniciada na primeira metade do século com a introdução de novos 
elementos, a percepção: de que as relações pessoais só se justificam 
quando valem a pena resultando num número alto de separações e 
novos casamentos, de que o trabalho expressa vocação íntima e não é só 
o ganha pão diário, que todos têm direitos iguais de ocupar os cargos e 
espaços públicos, que os dogmas religiosos não são mais aceitos como 
antes, que cada um é responsável por sua vida, que a política é mais 
espaço de resultados do que de ideologias. (CARVALHO, 2017, p. 2)
O que antes era visto como comum dentro dos elementos de 
comportamento ocidental passa a tomar uma forma diferente nessa nova 
etapa histórica que se vive durante o novo período. 
As mudanças não deixam dúvida, os aspectos estéticos, a moda, 
as novas formas de se comportar, de se comunicar e o sentido emocional 
e com fundo de propósito com o qual a profissão se tornou para os 
indivíduos são elementos que levam a observar que o homem da massa 
passa a assumir seu protagonismo com maior propriedade.
Sociologia e Ética Profissional 37
Figura 14 – Indivíduo como parte da massa
 Fonte: Pixabay. 
No entanto, apesar dessas transformações, o comportamento do 
homem-massa ainda está distante de acabar e assume uma nova versão. 
Esse novo estereótipo do homem-massa pode ser uma ameaça para os 
velhos comportamentos, mas ainda não representou o real rompimento 
com
o estado da modernidade ou com os valores do Ocidente, nomeados 
anteriormente.
SAIBA MAIS:
Quer saber mais sobre a ética profissional no período 
pós-moderno? Sugerimos que visite o livro de Zygmunt 
Bauman (2011), intitulado “Vida em fragmentos: sobre a 
ética pós-moderna”. O livro analisa mudanças que a nova 
perspectiva pós-moderna trouxe e pode trazer para a 
nossa compreensão ortodoxa da moralidade e vida moral. 
Disponível em: https://bit.ly/2FM7zJj
Sociologia e Ética Profissional38
RESUMINDO:
Até agora está gostando do que tem estudado? Para 
garantir que você realmente entendeu o tema de estudo 
deste capítulo, vamos resumir mais uma vez todo o assunto 
que trabalhamos neste capítulo. Iniciamos a seção 3.1 com 
um embasamento teórico e contextualizado acerca dos 
aspectos éticos tanto no contexto geral de vivência em 
sociedade quanto na conjuntura empresarial. É interessante 
relembrar como somos bombardeados diariamente com 
notícias de transgressões éticas e suas penalidades, além 
de entender a relação da ética e da moral e suas práticas 
no cotidiano pessoal e profissional. Outro fato importante 
é reforçar os ganhos que as empresas passam a ter por 
conduzirem suas ações alinhadas à ética que se referem 
a uma possibilidade de desenvolver seu potencial para 
manter-se no mercado de maneira sustentável. Os 
aspectos éticos são tão relevantes para as organizações 
quanto o sucesso financeiro, o crescimento e a implantação 
da inovação e a excelência nos processos. Entender essa 
dinâmica da ética nas organizações é entender como a 
mudança pós-moderna acontece, uma vez que novos 
elementos são introduzidos e renovados incessantemente, 
e as condutas éticas na pós-modernidade são adaptadas 
de acordo com a nova realidade.
Sociologia e Ética Profissional 39
Relações entre a ética e as profissões: 
contexto empresarial e profissional
INTRODUÇÃO:
Nesta competência, vamos trabalhar mais um aspecto 
de estudo da Sociologia: os modelos de organização 
do trabalho em vínculo com a ética, posteriormente 
conheceremos importantes aspectos da ética no ambiente 
de trabalho.
A organização do trabalho na história
Atualmente, o exercício do trabalho subsidiado pela ética é 
considerado um critério muito enaltecido, não só no mercado de trabalho 
como nas relações típicas de uma vivência em sociedade. O profissional 
que executa as suas atividades laborais prezando por uma conduta 
honesta no ambiente de trabalho está destinado a alcançar níveis 
inquestionáveis de sucesso em sua carreira. 
Para a sua formação profissional, reconhecer a relevância de prezar 
pelos aspectos éticos na prática das atividades determinará muito o seu 
destino no seu setor de atuação. Enfim, o que é a ética no contexto das 
profissões e qual o benefício disso para a sua formação? 
Uma vez que somos indivíduos e que necessitamos manter relações 
saudáveis com outros, caracterizamos nessa dinâmica de interação como 
um ser social. A vivência em sociedade não deve interferir no bem-estar 
de qualquer outro ator social, por esse motivo que se justifica as práticas 
éticas em nossas condutas particulares. 
Sociologia e Ética Profissional40
Figura 15 – Bem-estar coletivo
Fonte: Freepik. 
Apesar de o correto ser que esses pontos sejam considerados 
em qualquer que seja o contexto social, no ambiente de trabalho os 
elementos da ética profissional não são menos importantes.
As organizações sempre voltam muito as suas atenções para 
as possibilidades de ganhos, sejam em relação ao lucro monetário, ao 
aumento da produtividade, melhor relacionamento entre os funcionários, 
entre outros. A ética integrada nas práticas desse ambiente favorece maior 
alcance de todos esses resultados.
No ambiente profissional, o comportamento ético preenche 
algumas características fundamentais. Observe a tabela a seguir: 
Sociologia e Ética Profissional 41
Tabela 2 – Características do comportamento ético profissional
Altruísmo
Preocupar e importar-se com 
o próximo de forma livre de 
interesses.
Moralidade
Integrar valores em seu 
comportamento no momento da 
tomada de decisões, escolhas e 
ações.
Virtude
Considerar o que é correto e 
desejável e realizar as atividades 
com excelência. 
Solidariedade
Ter o compromisso de ser solícito 
aos outros, colaborar com o 
desempenho do próximo e zelar 
pela harmonia do indivíduo com 
os demais.
Consciência
Ser capaz de ter discernimento 
entre certo e errado e integrar 
valores nos pensamentos e nas 
ações.
Responsabilidade ética
Conseguir assumir a própria 
responsabilidade sobre as 
atitudes, executado por si próprio 
e pelos outros.
Fonte: Elaborado pelas autoras.
O que é ética profissional? Quando o profissional exerce suas 
atividades laborais integrando determinados valores e normas 
predefinidos em seus modos dentro da organização, podemos dizer que 
essa pessoa é um profissional ético. Ou seja, a ética profissional se molda 
pela forma como o profissional se porta diante das suas obrigações no 
ambiente organizacional.
Sociologia e Ética Profissional42
A conduta ética de um profissional deve ser trabalhada com tanta 
dedicação quanto a luta por adquirir novos conhecimentos, capacitações 
e experiências em seu setor de atuação. Esse tipo de profissional é sempre 
valorizado e sustenta o seu desempenho em longo prazo. 
Figura 16 – Reconhecimento de ética profissional
 Fonte: Freepik. 
NOTA:
Além de ser uma obrigação, o comportamento limpo e 
ético do profissional o faz conquistar respeito, confiança e 
admiração dos clientes, colegas de profissão, superiores e 
todo o público que conhece o seu trabalho, aumentando 
sua competitividade no mercado de forma sustentável e 
reconhecida.
O modo de se comportar eticamente é valorizado pela empresa, pois 
reflete diretamente nos desempenhos internos da organização, tais como 
melhor andamento dos processos internos, aumento da produtividade, 
alcance de objetivos, clareza e bem-estar nas interações interpessoais, 
além de evitar conflitos que prejudiquem o clima organizacional.
Sociologia e Ética Profissional 43
Os bons relacionamentos dentro da organização são estabelecidos 
por meio da valorização de certos princípios éticos, por exemplo, 
amabilidade, empatia, educação, paciência, solidariedade, entre outros. 
Dessa maneira, quando o profissional e a empresa fixam suas condutas 
nesses valores, é possível estabelecer formalmente um código interno de 
ética, no qual todos os colaboradores devem conhecer seu conteúdo e 
agir dentro do que está determinado.
Os valores desse código de ética assumem um papel espontâneo 
que resultam em ações de responsabilidade social, uma vez que as 
diretrizes apontadas normalmente defendem os interesses de todas as 
pessoas envolvidas com a organização.
O papel ético da organização alcança camadas externas às suas 
instalações e ocorre quando a empresa se interessa em ajudar a resolver 
alguma demanda social existente no cenário da população no ambiente 
em que ela desempenha suas atividades. 
As iniciativas em torno dessa prática de responsabilidade social 
podem ocorrer por meio de ações que cuidem de assuntos vinculados à 
redução do impacto ambiental, fornecimento de educação à comunidade, 
uso de produtos não poluentes, ações de voluntariado, doações para 
instituições sociais, entre outros. Dessa forma, a empresa consegue 
promover o desenvolvimento mútuo com a sociedade.
Figura 17 – Ação de responsabilidade social
Fonte: Freepik. 
Sociologia e Ética Profissional44
Em suma, a ética profissional passa por várias instâncias dentro 
dos domínios da organização, e a exigência por profissionais que não 
dispensem os seus princípios é uma demanda do mercado que está para 
ser atendida. Ou seja, os profissionais que desejam ganhar espaço no 
mercado devem
adotar princípios éticos às suas condutas para conseguir 
evoluir cada vez mais pessoal e profissionalmente.
Ética no trabalho
Os estudos em Sociologia sempre mantêm seus assuntos 
vinculados ao trabalho sendo debatidos. 
O trabalho é basicamente uma teia de relacionamentos recheada 
de tensões. Entretanto, a era industrial trouxe uma concepção de trabalho 
com uma isenção de prazer. Antes da era industrial, o trabalhador agrícola 
ainda conseguia ter identificação em relação ao processo de plantio e 
colheita.
Na era industrial, o homem foi levado pra um ambiente inóspito e 
fechado, onde o que interessava era apenas a sua força de trabalho, e 
a sua vida passou a girar em torno apenas das atividades dos trabalhos.
No filme Tempos modernos, Charles Chaplin ilustra de uma 
maneira muito criativa o dilema e os problemas do trabalhador industrial. 
Nos dias de hoje, podemos acompanhar estatísticas assustadoras sobre 
adoecimento decorrente do trabalho, além do índice de suicídio no Brasil, 
que vem aumentando de forma vertiginosa. É justamente esse ponto que 
tem causado muita estranheza.
Figura 18 – Tempos modernos, de Charles Chaplin
Fonte: Wikimedia Commons 
Sociologia e Ética Profissional 45
Em relação à cultura de resultados, ainda há muita resistência no 
mundo corporativo sempre que se bate uma meta, surge outra maior. O 
resultado não é satisfatório em médio prazo. Sabemos que as empresas 
precisam gerar resultados e lucros, mas até que limite os trabalhadores 
aguentarão?
Devemos chamar atenção do profissional sobre a dignidade humana 
e os limites profissionais de cada um de nós. Sociólogos contemporâneos 
e algumas empresas tentam constantemente levar essa questão, não 
só ao que se refere à qualidade de vida no ambiente de trabalho, mas 
também à criação de um ambiente produtivo sustentável, por meio de 
adoção de posturas éticas.
ACESSE:
Humilhar e constranger um trabalhador no ambiente de 
trabalho não é legal. Essa conduta demonstra descontrole 
emocional e gera um ambiente negativo. O assédio moral 
pode fazer com que a empresa perca um funcionário 
valioso, crie uma imagem negativa perante toda a equipe 
e a comunidade e sofra penalidades legais. Para conhecer 
melhor como funciona uma situação desse tipo, assista ao 
vídeo “Assédio Moral no Trabalho”, produzido por Allegro 
– Tecnologias de gestão (2012). Disponível em: https://bit.
ly/3l2W805. Acesso em: 13 ago. 2020.
A ética deve considerar todas as condições sociais. O debate 
não nega a necessidade de as empresas lutarem por resultados sim, 
resultados financeiros, competitividade, superação e inovação, no 
entanto, respeitando o bem mais precioso que existe na sociedade: a vida.
Do ponto de vista da estratégia empresarial, é inteiramente 
racional tornar o processo de produção tão independente 
quanto possível deste “fator humano”, especialmente quando 
ele pode produzir incerteza e perturbação. Entretanto, na 
medida em que as precondições estruturais e o espaço 
autônomo para as orientações “morais” ao trabalho são 
“racionalizadas”, não se pode esperar nem reivindicar estas 
orientações. Junto com a degradação e a desqualificação do 
Sociologia e Ética Profissional46
trabalho (Crusius & Wilke, 1982), frequentemente observadas, 
a dimensão subjetiva do trabalho – o feixe de obrigações 
e demandas associadas ao “orgulho do produtor” e seu 
reconhecimento social – também se enfraquece. (OFFE, 1989, 
p. 7)
No entanto, sem o trabalhador, não existe mão de obra especializada 
e a economia fica comprometida. A ética nas organizações se propõe 
a abordar extremos, que dizem respeito aos nossos limites e os seus 
impactos na produtividade.
SAIBA MAIS:
Quer saber mais sobre o assunto? Leia o artigo “A influência 
da ética e moral e a importância da contribuição do Código 
de Ética no Trabalho” (MACIEL; PEREIRA; SALGADO; DAL 
PAI, 2016). O estudo mostra a influência da ética e da moral 
e analisa em qual sentido elas contribuem para a formação 
de um cidadão dentro da sociedade, a importância do 
código de ética para um bom desempenho e sucesso 
de um funcionário. Disponível em: https://bit.ly/34lGarH 
Acesso em: 14 ago. 2020
RESUMINDO:
E, então, gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos neste último capítulo da 
unidade 04. Você deve ter aprendido que reconhecer a 
relevância de prezar pelos aspectos éticos na prática das 
atividades determinará muito o seu destino no setor de 
atuação que escolher, uma vez que a ética no contexto 
das profissões está relacionada diretamente com o 
sentido da nossa vida, pois somos seres individuais que 
necessitamos manter relações saudáveis com outros, 
caracterizamos nessa dinâmica de interação como um ser 
social. Encontramos essa interação no nosso ambiente de 
trabalho. Também podemos relembrar que o trabalho é 
Sociologia e Ética Profissional 47
RESUMINDO:
basicamente uma teia de relacionamentos recheada de 
tensões, e como é importante que os profissionais envolvidos 
se atentem aos possíveis conflitos que possam surgir de 
modo a preservar o bem-estar de todos e a qualidade 
de vida no ambiente de trabalho, exercendo as posturas 
éticas com o objetivo de impactar no desenvolvimento de 
um ambiente produtivo sustentável. Após a compreensão 
desse panorama em relação ao mercado de trabalho 
e à sociedade, esperamos que você entenda que está 
caminhando os passos certos profissionalmente rumo ao 
que o mercado necessita, e o mundo também. Parabéns 
por finalizar mais uma unidade com sucesso!
Sociologia e Ética Profissional48
REFERÊNCIAS
ALLEGRO – Tecnologias de gestão. Assédio moral 
no trabalho. 2012. Disponível em: www.youtube.com/
watch?v=8WnHwvJmWAU&list=PL229DCDDE74045639.Acesso em: 12 
mar. 2020
BAUMAN, Z. Vida em fragmentos: sobre a ética pós-moderna. Rio 
de Janeiro: Zahar, 2011. Disponível em: https://bit.ly/2FM7zJj . Acesso em: 
12 mar. 2020. 
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1, 2017. Disponível em: https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/
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2020.
MACIEL, R.; PEREIRA SALGADO, P.; DAL PAI, L. A influência da ética 
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Pesquisa & Educação a Distância, América do Norte, set. 2016. Disponível 
em: https://bit.ly/34lGarH Acesso em: 12 mar. 2020. 
OFFE, C. Trabalho: a categoria-chave da Sociologia. Revista Brasileira 
de Ciências Sociais, v. 4, n. 10, p. 5-20, 1989. Disponível em: http://www.
anpocs.com/images/stories/RBCS/10/rbcs10_01.pdf. Acesso em: 09 
mar. 2020.
Sociologia e Ética Profissional 49
SANTOS, R. B. Ética: Normas e Princípios para uma Sociedade mais 
Empática. Id On Line Revista Multidisciplinar de Psicologia, [s. l.], v. 11, ed. 
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TELLES, L. C. da S. Processo e organização do trabalho: origem, 
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VÁZQUEZ, A. S. Ética. 24. ed. Tradução de João
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2020.
Silvia Cristina da Silva e Stephanie Brito Freire
Sociologia e Ética 
Profissional
		Trabalho e sociedade
		Ética profissional
		Organização do trabalho nos dias de hoje
		Ética e sociedade
		Fundamentos da ética
		Como a ética interfere na sociedade?
		A ética empresarial e a pós-modernidade
		A ética na conjuntura empresarial
		Pós-modernidade
		Relações entre a ética e as profissões: contexto empresarial e profissional
		A organização do trabalho na história
		Ética no trabalho

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