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Diversidade e Inclusão Social ENAP 
Escola Judicial do TRT-2
O conteúdo deste curso está sob licença Creative Commons (CC BY-NC-SA 4.0(opens in a new tab))
Objetivos de Aprendizagem
· Analisar o papel da comunidade no fomento da inclusão e nos direitos humanos.
· Compreender a relação entre Diversidade e Inclusão (D&I) e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), destacando como essas áreas se interligam e contribuem para o cumprimento dos direitos humanos.
· Compreender a importância da diversidade e da inclusão para o desenvolvimento de sociedades mais justas e sustentáveis.
1.1 A comunidade e os direitos humanos
Para começarmos a falar sobre os direitos humanos, precisamos desmistificar o termo desigualdade. Você agora é convidado(a) a refletir, tentando olhar com outros olhos, sobre a diversidade e a inclusão.
Então, antes de começarmos a estudar esse assunto, vamos ver o que a população brasileira pensa sobre a desigualdade social.
E para você, o que é desigualdade?
 De acordo com o dicionário, desigualdade é a ausência de proporção, de equilíbrio. Segundo a OXFAM, a desigualdade é:
[…] oriunda de processos relacionais na sociedade. Ela condiciona, limita ou prejudica o status e a classe social de uma pessoa ou um grupo e, consequentemente, interfere em requisitos primários para a qualidade de vida. Esses aspectos abrangem liberdade de expressão, de escolha, satisfação no trabalho e acesso a direitos básicos como voto, saúde, educação, habitação e saneamento básico. [...] os grupos mais vulneráveis a ela são pessoas de baixa renda, menor nível de educação e integrantes de minorias historicamente negligenciadas (negros, mulheres, índios, ciganos e imigrantes, por exemplo)..
OXAFAM
Em nossa história, os direitos humanos começaram a surgir quando o homem manifestou a consciência da necessidade de viver em grupo. Conforme os grupos foram surgindo, seus integrantes passaram a basear suas vidas em relações sociais e culturais advindas da ideia de pertencimento ao grupo.
Durante os anos 1960 e 1970, o Brasil vivenciou a violação aos direitos humanos praticada em nome do Estado. Nos anos 1970 e 1980, a população passou a se engajar em lutas pelos direitos civis e políticos e pela democracia. Durante os anos 1990, a luta girava em torno de  reconhecer as diferenças culturais, subjetivas, políticas e sociais. Assim, a identidade como múltiplos surgiu, com a percepção de que somos de diferentes etnias e posições sociais.
A massa que moldou a escultura desse sujeito histórico, desse ator social e desse agente institucional foi constituída de materiais diversos e polarizados. De um lado as dores, as discriminações, as violências, as exclusões e as explorações mobilizaram nossas emoções e razões no sentido de formar uma identidade e uma  vontade coletiva em direção ao outro e a mudança da realidade; do outro lado, a utopia de um novo amanhã sedimentou sentimentos e modos de agir em relação ao outro e ao coletivo.
ZENAIDE, 1999.
Os Direitos humanos tem como base dois ângulos de análise: a história social e a conceitual.
Quando olhamos para a história social, temos as lutas, as revoluções e os movimentos sociais. Do outro lado, na história conceitual, temos as doutrinas filosóficas, religiosas, éticas e políticas que foram e ainda são balizadas pelos acontecimentos históricos. Temos muitas definições para os direitos humanos, mas a sua real intenção é a mesma, batalhar pela construção de um mundo mais justo e humano (TOSI, 2004).
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. São dotadas de razão e de consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Temos aí o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos[1], proclamada em 10 de dezembro de 1948, quando a quantidade de direitos se desenvolveu a partir de três tendências:
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Universalização
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Em 1948 apenas 48 Estados adotaram a Declaração Universal. Hoje, temos quase a totalidade das nações do mundo.
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Multiplicação
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A ONU vem promovendo, há algumas décadas, conferências em defesa da natureza, identidade cultural dos povos e das minorias, direitos à comunicação, entre outros.
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Diversificação
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Módulo 1 – Diversidade e Inclusão Social
33% COMPLETO
1. Introdução
2. 1.1 A comunidade e os direitos humanos
3. 1.2 Conhecendo a Diversidade e Inclusão (D&I) e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)
4. 1.3. A importância da diversidade e da inclusão
5. Fechamento
6. Referências
Lição 2 - 1.1 A comunidade e os direitos humanos
Lição 3 de 6
1.2 Conhecendo a Diversidade e Inclusão (D&I) e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Ao abordarmos os conceitos de diversidade e inclusão, é essencial contextualizá-los dentro da evolução das gerações de Direitos Humanos descritas anteriormente. Fábio de Freitas, em sua obra "DIREITOS HUMANOS: História, teoria e prática", destaca a solidariedade (vista pelos franceses como fraternidade), situada na terceira geração dos direitos humanos, como "o direito e o dever de corresponsabilidade na busca do bem comum". Aqui, a solidariedade não é entendida como assistencialismo ou caridade, mas como uma aspiração à harmonia entre indivíduos e grupos sociais. A ideia é que cada participante contribua para a harmonia do conjunto social, proporcionando apoio aos indivíduos ou grupos em situação de vulnerabilidade. (TOSI, 2004).
Renata Marins e colaboradores sustentam que a solidariedade se origina no "sentimento de tolerância mútua", facilitando o reconhecimento e a aceitação das diferenças, e conduzindo a um ideal de igualdade: um ideal alcançável. (MARINS, 2017)
Portanto, a solidariedade fomenta uma convivência mais íntima, possibilitando que os seres humanos se compadeçam das adversidades alheias. Isso se baseia no princípio de tolerância para com o próximo, promovendo o reconhecimento e aceitação das diferenças, o que, por sua vez, facilita a consecução de harmonia e igualdade democrática.
É fundamental compreender que, nesta busca, a garantia dos direitos individuais passa necessariamente pelos direitos sociais, os quais promovem a igualdade, sendo esta sempre uma dimensão social.
As quatro dimensões da igualdade democrática segundo Fábio de Freitas
(FREITAS, in TOSI, 2005)
Portanto, a igualdade pressupõe a aceitação das diferenças individuais, possibilitando uma harmonia no conjunto social. Mas, como entender essas "diferenças"? Como elas são definidas?
 A autora Avtar Brah (2006) propõe um modelo com quatro conceituações da diferença:
Diferença como experiência
Esta concepção entende a diferença a partir de como os indivíduos foram culturalmente construídos. O movimento feminista serve como um exemplo marcante, mostrando como as experiências pessoais tornam-se conceitos significativos na expressão coletiva. Temas como disparidade salarial em relação aos homens, trabalho doméstico, limitada participação em centros de poder, maternidade e violência doméstica ilustram como essas vivências contribuem para a formação de uma história coletiva culturalmente construída.
Diferença como relação social
Esta dimensão compreende a diferença como resultado das trajetórias históricas e contemporâneas, das condições materiais e das práticas culturais que moldam as identidades de grupo.
Diferença como subjetividade
Aqui, a diferença é vista por meio dos processos de formação que nos ajudam a compreender os investimentos psíquicos realizados ao assumirmos posições de sujeito específicas, as quais são socialmente produzidas.
 
Diferença como identidade
Questões de identidade estão intrinsecamente ligadas às questões de experiência, subjetividade e relações sociais. As identidades são moldadas por meio de experiências culturalmente construídas em contextos sociais.
 
Lição 4 de 6
1.3. A importância da diversidade e da inclusão
...Pode ser que nas particularidadesculturais dos povos – em suas esquisitices – sejam encontradas algumas das revelações mais instrutivas sobre o que é ser genericamente humano.
 (Geertz, 1978, p. 55)
Ao discutir diversidade e inclusão, é comum confundir os termos como se fossem sinônimos, mas, embora se complementem, eles não são idênticos.
Diversidade refere-se à representação equilibrada de diferentes grupos numa equipe, incluindo (mas não se limitando a) negros, pessoas com deficiência, idosos, mulheres e membros da comunidade LGBTQIA+. A diversidade é um poderoso motor de inovação, pois traz consigo a necessidade de revisitar e renovar nosso modo de pensar e agir, não apenas em relação à tecnologia, mas em todas as esferas da vida. A diversidade nos desafia a reformular conceitos antigos.
Inclusão, por outro lado, está relacionada com a implementação de práticas que efetivamente transformam a cultura de uma organização, assegurando que todas as pessoas, independentemente de suas características ou origens, sejam verdadeiramente acolhidas, valorizadas e capazes de participar plenamente.
O debate sobre diversidade e inclusão é fundamental para a construção de uma sociedade baseada na cidadania, na integridade e na aspiração por um mundo justo e fraterno. Essa reflexão se estende ao ambiente profissional, onde a competência não deve ser o único critério de avaliação. Organizações e empresas que adotam práticas inclusivas obtêm benefícios que vão além do lucro financeiro, valorizando a competência profissional de forma mais ampla e significativa.
Quando abordamos diversidade e inclusão, transcendemos questões de cor, idade, raça, gênero, religião, orientação sexual, transtornos, deficiências, condição financeira ou tipo físico. Esses conceitos nos conduzem a refletir sobre a competência profissional, um atributo que ultrapassa qualquer tentativa de rotulação.
 O Brasil, apesar de seus esforços e avanços, ainda tem um longo caminho a percorrer para plenamente valorizar e compreender a real importância da diversidade e inclusão. Desde a infância, somos impulsionados pelo desejo fundamental de pertencer, de nos sentirmos parte de algo maior. Esse anseio por pertencimento é o que nos motiva a buscar a inclusão nos diversos grupos que compõem a sociedade. É crucial reconhecer que, ao promover ambientes diversificados e inclusivos, não apenas respondemos a esse chamado por pertencimento, mas também enriquecemos nosso tecido social e profissional com uma vasta gama de perspectivas e competências.
Continued
Sem uma compreensão adequada das relações entre indivíduos e sem uma base para entender a importância do "todo", alcançar a inclusão e compreender a diversidade torna-se um desafio maior. Essa realidade é particularmente perceptível e vivenciada por aqueles que enfrentam diretamente as barreiras à inclusão e à plena apreciação da diversidade.
Embora existam leis que promovam a inclusão, surge a questão crítica sobre as ações concretas que estão sendo implementadas para tornar a nossa sociedade verdadeiramente inclusiva. Que medidas estão sendo tomadas para que a diversidade seja vista como algo tão natural quanto respirar?
É fundamental que as políticas públicas, as práticas organizacionais e as atitudes individuais evoluam para além do cumprimento formal de leis. A inclusão deve ser entendida e vivenciada como um valor intrínseco à sociedade, promovendo ambientes onde todos se sintam valorizados e capazes de contribuir, independentemente de suas diferenças. Assim, o desafio é criar uma cultura de inclusão que permeie todos os aspectos da vida em comunidade, tornando a diversidade uma característica celebrada e intrínseca ao nosso modo de viver.
Para refletir 
Depois de assistir ao vídeo “Um lugar para todo mundo”, reflita:  Quantas vezes você presenciou pessoas com deficiência lutando por seus direitos instituídos em lei? Se temos “direitos iguais”, por que esses direitos precisam ser legitimados por meio de lutas judiciais?
A compreensão da importância de viver e entender o "todo" é essencial para promover a inclusão e a diversidade de forma efetiva. Sem entender a relação entre os indivíduos e sem ter uma base que valorize a diversidade, torna-se desafiador implementar a inclusão na prática. Essa dificuldade é especialmente sentida por aqueles que vivenciam diretamente os obstáculos à inclusão e à compreensão da diversidade.
 As normativas e iniciativas implementadas visam a garantir direitos e proporcionar igualdade de oportunidades e qualidade de vida a todos. Contudo, frequentemente associamos pessoas com deficiência às suas limitações, sejam físicas, mentais, intelectuais ou sensoriais. Além disso, mulheres, negros, membros da comunidade LGBTQIA+ e idosos enfrentam exclusão no mercado de trabalho. É preciso reconhecer que essas barreiras podem ser superadas e que nossa perspectiva rígida muitas vezes impede a inclusão desses grupos.
Continued
A inclusão deve ser promovida pela adaptação dos ambientes, tanto físicos quanto virtuais, eliminando características que restrinjam seu uso efetivo e removendo barreiras para garantir igualdade de oportunidades a todos.
Paralelamente, a educação é vista pela quase totalidade das nações como essencial para o desenvolvimento do indivíduo e da humanidade. O trabalho, por sua vez, é considerado uma característica intrínseca ao ser humano, sendo um componente vital de toda sociedade. Segundo Friedmann (1973), o trabalho é um denominador comum a todos e uma condição essencial para a vida em sociedade. Assim, a educação e os sistemas educacionais desempenham um papel crucial na capacitação e especialização requeridas pelo mercado de trabalho. Torna-se, portanto, fundamental que tais sistemas sejam acessíveis a todos, oferecendo igualdade de oportunidades na educação e na economia.
Para tornar nossa sociedade mais receptiva à inclusão e à diversidade, é necessário refletir sobre as mudanças necessárias em nossas atitudes, práticas e políticas. 
Como você imagina que podemos avançar nessa direção? 
Quais passos acredita serem essenciais para fomentar uma cultura de inclusão e valorização da diversidade em nossa sociedade?
Tornar nossa sociedade mais inclusiva é, sem dúvida, um desafio complexo e contínuo, que requer esforços desde o nascimento de cada indivíduo. Vivemos em uma era de transformações e mudanças globais que tornam o mundo cada vez mais interconectado, impactando diretamente o modo como interagimos e compreendemos a diversidade e a inclusão.
Nesse contexto, as empresas que não reconhecem a importância da diversidade enfrentam consequências como alta rotatividade de colaboradores e aumento do absenteísmo, indicadores de que o ambiente organizacional pode estar afetando negativamente a saúde emocional e psicológica dos trabalhadores. Isso resulta em diminuição da motivação, aumento das faltas ao trabalho e, consequentemente, queda na produtividade.
Continued
A falta de inclusão dificulta a atração de talentos diversos, essencial para o crescimento e inovação dos negócios. A diversidade, ao contrário, envolve o reconhecimento da necessidade de nos integrar e compartilhar valores para melhorar como sociedade. No ambiente de trabalho, ela contribui para a sensação de bem-estar coletivo e reforça a percepção de que a organização respeita e valoriza as diferenças.
 Organizações que se fundamentam na diversidade tendem a ser mais inovadoras, reduzir conflitos internos, melhorar sua imagem perante o público e construir uma cultura organizacional baseada no mérito. Isso demonstra que investir em diversidade e inclusão não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas uma estratégia inteligente que contribui para o sucesso e a sustentabilidade dos negócios. Assim, é necessário que empresas e sociedade como um todo se comprometam com a promoção da diversidade e da inclusão, reconhecendo-as como pilares fundamentais para o desenvolvimento humano e profissional em um mundo cada vez mais globalizado e interdependente.
Se você é neutro em situações de injustiça você escolhe o lado do opressor.Desmond Tutu
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