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2ª edição
2
MANUAL DE 
REDAÇÃO E ESTILO
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Coordenadoria de Pós-Graduação
Belo Horizonte
2019
2ª edição
TRIBUNAL DE CONTAS DO 
ESTADO DE MINAS GERAIS
CONSELHEIROS
Mauri José Torres Duarte (Presidente)
José Alves Viana (Vice-Presidente)
Gilberto Pinto Monteiro Diniz (Corregedor)
Durval Ângelo Andrade (Ouvidor)
Wanderley Geraldo de Ávila
Sebastião Helvecio Ramos de Castro
Cláudio Couto Terrão
CONSELHEIROS SUBSTITUTOS
Licurgo Joseph Mourão de Oliveira
Hamilton Antônio Coelho
Adonias Fernandes Monteiro
Victor de Oliveira Meyer Nascimento
PROCURADORES DO MINISTÉRIO PÚBLICO 
JUNTO AO TRIBUNAL DE CONTAS
Elke Andrade Soares de Moura (Procuradora-Geral)
Marcílio Barenco Corrêa de Mello (Subprocurador-Geral)
Maria Cecília Mendes Borges
Glaydson Santo Soprani Massaria
Sara Meinberg Schmidt de Andrade Duarte
Cristina Andrade Melo
Daniel de Carvalho Guimarães
COORDENADORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO
Evandro Martins Guerra
REDAÇÃO DA 1ª EDIÇÃO 
Diego Felipe Mendes A. de Melo
REDAÇÃO DA 2ª EDIÇÃO 
Gilson Esteves Guedes Filho
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO 
Coordenadoria de Publicidade e Marketing
M
edação e Estilo
evista do TCEMG
anual de
R
2ª edição
SUMÁRIO
PREFÁCIO, 13
COMO USAR ESTA OBRA, 15
O CERTO E O ERRADO, 16
O PROCESSO EDITORIAL NA REVISTA DO TCEMG, 17
Artigos, 19
Recebimento e avaliação prévia, 19
Avaliação duplo-cega (sistema peer review), 23
Revisão de texto, 23
Primeira conferência, 24
Aprovação do texto final feita pelo autor, 24
Diagramação, 25
Pareceres e decisões, 26
Seleção ou solicitação de pareceres e decisões, 26
Preparação de cópias para revisão, 26
Revisão, 27
Primeira conferência, 27
Outras fases, 27
Diagramação, 27
Fechamento da revista, 28
REDAÇÃO OFICIAL E REDAÇÃO TÉCNICA OU CIENTÍFICA, 29
Princípios norteadores, 31
Impessoalidade, 32
Norma-padrão da língua portuguesa e correção, 32
SSUMÁRIO
Clareza, 33
Concisão e objetividade, 33
Coesão e coerência, 34
Precisão, 35
ESTILO E PADRONIZAÇÃO, 37
Estilística e a redação oficial, 39
Estilo, 39
Polidez, 39
Concisão e adjetivações, 39
Padronização e gramática, 42
A + infinitivo, 42
À baila / à bailha / à balha, 42
A colação, 43
À custa de / às custas de, 43
A distância / à distância, 43
A fls. / à fl. / de fls. / das fls. / Ø fls., 44
A mancheias, 45
À medida que / na medida em que, 45
A mim me parece, 46
A nível (de) / em nível (de), 46
A par de / ao par de, 46
A partir de, 47
A posteriori / a priori, 48
A princípio / em princípio, 49
A teor de, 49
Abaixo assinado / abaixo-assinado, 51
Abordar, 51
Abreviaturas, acrônimos, unidades e siglas, 52
Acerca de / há / há cerca de, 54
Ademais / de mais / de mais a mais / demais, 54
Adentrar o / no, 54
Aderir, 55
Administração Pública, 55
Advérbios terminados em –mente, 56
Aludir, 56
Ambiguidade, 57
Principais mecanismos geradores de ambiguidade, 57
Ambos, 58
Anexo / Em anexo, 59
Ano-calendário / Anos-calendário (plural), 60
Ao que sei, 60
Apenar e penalizar, 60
Apor / opor veto, 61
Aposentar-se, 61
Artigo científico e artigo original (estrutura), 61
Resumo, 61
Resumo em língua estrangeira, 63
Elementos textuais, 63
Citações, 63
Referências, 63
Artigos definidos (a, as, o, os), 63
Aspas, 64
Assim, 65
Assim como / bem como / bem assim, 65
SSUMÁRIO
Atender, 66
Atinente, 66
Através de, 67
Auxílio-maternidade (plural), 68
Bacharel / bacharela, 68
Bastante, 68
Cacofonia, 68
Cada, 69
Clichê, frase feita e lugar-comum, 69
Colchetes, 70
Colocação, 71
Com vista(s) a /com vista(s) em, 71
Compelir / gerir, 71
Computar, 71
Condenar, 72
Configurar, 72
Conselheiro presidente, 73
Conselheiro relator, 73
Considerando (que...), 73
Consistir, 74
Constar, 74
Constatar, 74
Constituir, 75
Continuação / continuidade, 75
Cujo, 76
Cumprir, 77
Dado / visto, 77
Datas, 77
Primeiro dia do mês, 77
Zero à esquerda, 77
Ano, 78
Separação por barra ou ponto, 78
Datas de leis e atos normativos, 78
Acento grave em datas, 78
Convenção da Revista do TCEMG, 78
De forma que / de modo que / de maneira que / de forma a / de modo 
a / de maneira a, 79
De/em férias, 79
Desapercebido / despercebido, 80
Descriminação / descriminalização / discriminação, 80
Designar, 80
Despender / dispêndio, 81
Deste/do ponto de vista, 81
Digno / digníssimo, 81
Doutor, 82
Dupla negativa, 82
Ecoação, 82
Eis que, 82
Ele é suposto saber, 83
Elipse, 83
Em conformidade com / na conformidade de / em consonância a, 83
Em face de / em face a / face a, 84
Em função de, 85
Em que pese a / em que pesem as, 85
Em sede de, 86
Em vez de / ao invés de, 87
SSUMÁRIO
E-mail, 88
Enquanto / enquanto que, 88
Entre / dentre, 89
Erário, 89
Esquecer, 90
Este, esse, aquele, isto, isso, 90
Etc., 91
Fazer, haver (correlação temporal), 92
Gerundismo, 93
Grosso modo, 93
Haja vista, 94
Hora extra, 94
Horas, 94
Abreviatura, 94
Hora abreviada ou por extenso, 95
Abreviatura ou dois pontos, 95
Acento grave, 95
Hífen, 95
Ibidem, 95
Ilustríssimo, 96
Implicar, 96
Inclusive, 96
Inobstante / nada obstante / não obstante, 96
Inversão de frases, 97
Itálico / negrito / sublinha, 97
Itálico, 98
Negrito, 98
Sublinha, 98
Junto a / junto de, 99
Latim, 99
Mais bem / melhor, 99
Mal-empregado / Mal empregado, 100
Mestre / Mestra, 100
N. / nº, 100
Nem, 100
No sentido de / no sentido de que, 101
O mesmo / a mesma, 101
O(a) qual, 102
Obrigado, 102
Oficiar / oficializar, 102
Onde / aonde, 103
Operacionalizar, 103
Pagado, 104
Pertinente / pertinência, 104
Pontuação em listas, 104
Por unanimidade / à unanimidade, 104
Por via de regra / via de regra, 105
Posto que, 105
Precisar, 105
Proceder, 106
Pronome “se” + infinitivo, 106
Propor-se (fazer alguma coisa), 106
Protocolar / protocolizar, 107
Qualquer, 107
Quanto antes / o quanto antes, 107
“Que” — pronome relativo, 107
SSUMÁRIO
“Queísmo”, 109
Quem / que — pronome relativo, 109
Quite (particípio passado do verbo quitar), 109
Quorum / Quórum, 109
Quota/cota, 110
Regência e transitividade, 110
Ressalte-se, 110
Restar, 111
Resultar, 111
Sendo que, 112
Ser (omissão), 112
Sob o ponto de vista, 112
Sobrestar, 113
Soer, 113
Stricto sensu, 113
“Sujeito preposicionado”, 113
Superavit / deficit / défice, 114
Tratar-se (de) / tratar de, 114
Verbos abundantes, 115
Verbos em coordenação com regências diferentes, 115
Vez que / de vez que, 116
Visar, 116
Vossa Excelência, 117
Voz passiva (excesso), 118
GLOSSÁRIO, 120
REFERÊNCIAS, 123
1313
Nos últimos dez anos, a Revista do TCEMG tem passado por diversas mudanças, sempre 
com a finalidade de oferecer aos jurisdicionados — seu público-alvo — uma publicação 
da melhor qualidade possível e, além disso, a de inserir o periódico no meio acadêmico, de 
modo a lhe conferir mais objetividade e caráter científico.
Nesse contexto, assume papel relevante a equipe de editores textuais, que envidam esforços 
para, sem prejudicar o estilo dos autores, tornar os textos mais claros, concisos, acordes com 
a norma-padrão da língua e normalizados conforme as regras aplicáveis.
Alguns pensam que a revisão de textos é uma mera correção de ortografia ou de um aspecto 
pontual, como concordância e regência. Tal pensamento não poderia ser mais errôneo: a 
preparação e a revisão intervêm em diversos níveis textuais. A competência em gramática 
é apenas uma das várias que o revisor deve possuir, isto é, um (bom) texto, meta ideal do 
autor e do revisor, não é dotado apenas de gramaticalidade, mas também de inteligibilidade 
e textualidade. 
Assim, no exercício de suas atribuições, os editores fazem uma revisão minuciosa — mais do 
que simples correção gramatical —, o que demanda, muitas vezes, a preparação de textos, 
copidesque e identificação com os mecanismos de tessitura textual adotados pelos autores.
Na Revista do TCEMG, os editores lidam com textos de diversos tipos: narrativo, injuntivo, 
dialogal, dissertativo expositivo e, principalmente, dissertativo argumentativo. Esse se 
sobressai em relação aos demais, pois a maior parte das seções do periódico refere-se a textos 
científicos e a decisões do Tribunal de Contas.sempre faz 
parte da expressão moderna, quer pela normal ausência de um 
polimento estilístico maior de grande parte dos textos de nossos dias, 
ainda que elaborados sob a orientação da norma culta, há de se cuidar 
para que, no emprego da referida expressão, sem dúvida permitido 
59
Ambos os dois conselheiros 
se ausentaram. 
Todos os dois conselheiros se 
ausentaram.
Não se verificam diferenças 
entre ambos os dois 
conceitos.
Não se verificam diferenças 
entre ambos os Ø conceitos.
O substantivo que se segue à expressão “ambos” deve vir antecedido 
do artigo definido.
O Ambas Ø notificações chegaram à 
residência do prefeito.
Ambas as notificações chegaram 
à residência do prefeito.
Nada impede que, sem abusos, ambos os dois seja utilizado como pleonasmo 
enfático; contudo, em redação oficial, a construção não deve ser usada.
 ANEXO / EM ANEXO
O adjetivo anexo concorda em gênero e número com o substantivo ao qual se refere 
(COSTA, 2007). As palavras junto, apenso e incluso são seus sinônimos. Caso as 
empregue, faça também as concordâncias de gênero e número.
Conforme Celso Luft (1992) e Francisco Fernandes (1948), a regência do adjetivo 
anexo sobre o seu complemento se dá por meio da preposição a.
A locução adverbial em anexo é invariável. Caso esteja intercalada, o uso de vírgulas 
é facultativo (PIACENTINI, 2009).
O Encaminho anexo as minutas. 
 Encaminho anexas as minutas. 
O Encaminho Ø em anexo, as 
minutas.
O Encaminho, em anexo Ø as 
minutas.
Encaminho Ø em anexo Ø as 
minutas.
Encaminho, em anexo, as minutas.
As minutas estão em anexo.
pela Gramática, não incida o usuário no pedantismo, quando não 
no pernosticismo, e proceda a seu emprego com parcimônia (grifo 
nosso).
No entanto, o Manual de Redação da Presidência da República (BRASIL, 2002) 
recomenda que, quando quiser imprimir ênfase de dualidade, evite ambos os dois e 
empregue todos os dois. Por isso, em redação oficial, evite a locução!
60
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 ANO-CALENDÁRIO / ANOS-CALENDÁRIO (PLURAL)
Consulte Auxílio-maternidade!
 AO QUE SEI
Provavelmente trata-se de expressão traduzida literalmente da língua inglesa (to my 
knowledge1). Por esse motivo, alguns a consideram estrangeirismo sintático.
Estudando a semântica das preposições do português brasileiro, conclui-se que a 
preposição mais adequada para compor a expressão é por (pelo que sei) (COSTA, 
2007). Exemplo: “Pelo que sei, as normas só entrarão em vigor a partir do próximo 
ano.”
Consulte A teor de!
 APENAR E PENALIZAR
Costa (2007) distingue os dois verbos argumentando que penalizar significa causar 
pena, ter dó, ter piedade, e apenar significa condenar ao castigo, aplicar pena. 
Apesar da diferença de significados, há divergência entre os gramáticos Domingos 
Paschoal Cegalla (2009) e Celso Pedro Luft (1995) quanto a essa questão. O primeiro 
considera o emprego de penalizar na acepção de impor penalidade um neologismo 
dispensável, e o segundo defende de modo indistinto o emprego de penalizar ou 
apenar. Corroboram o entendimento de Celso Luft: Aulete [online], Ferreira (2010) 
e Houaiss (2001).
1 Conforme definição do Oxford for Advanced Learners’ Dictionary (TURNBULL, 2010):
“ to your knowledge
from the information you have, although you may not know everything
• Are they divorced?’ ‘Not to my knowledge.’
• She never, to my knowledge, considered resigning.”
Em nosso entendimento não 
se pode penalizar aquele que, 
no exercício de suas funções, 
autorizou pagamento por 
serviços com aparência de 
legítimos [...].
Em nosso entendimento não se 
pode apenar aquele que, no 
exercício de suas funções, autorizou 
pagamento por serviços com 
aparência de legítimos [...].
Consulte Regência e transitividade!
A Revista do TCEMG considera apenar e penalizar, com a acepção de impor 
penalidade, verbos sinônimos.
61
 APOR / OPOR VETO
Opor veto é verbo-suporte que tem a acepção de vetar. Apor significa acrescentar, 
juntar, justapor.
Dessa forma, o veto nunca não é aposto, e sim oposto; assinaturas são apostas, e 
não opostas (KASPARY, 2010).
O [...] o Governador apôs veto ao 
projeto de lei.
[...] o Governador opôs veto ao 
projeto de lei.
Para que houvesse a destituição do 
cargo, faltava a aposição de uma 
assinatura. 
 APOSENTAR-SE 
Aposentar, no sentido de conceder aposentadoria, reformar, jubilar, é verbo 
transitivo direto (FERNANDES, 2005; LUFT, 1995). Exemplo: “O prefeito 
aposentou o servidor por invalidez”.
Aposentar-se (pronominal) significa conseguir aposentadoria ou reforma, 
jubilar-se. Como pronominal, tem ainda o significado de tomar aposentos, 
hospedar-se (FERNANDES, 2005; LUFT, 1995). Exemplos: “Foi ministro do 
STF de 2002 a 2012, quando se aposentou”. “A ministra desembarcou em Belo 
Horizonte, indo aposentar-se na casa de amigos”.
Consulte Regência e transitividade!
 ARTIGO CIENTÍFICO E ARTIGO ORIGINAL (ESTRUTURA)
 Resumo
Conforme a NBR 6028, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o 
resumo deve: resumir de maneira efetiva cada uma das partes essenciais do artigo 
(introdução, objetivos, metodologia, fundamentação, conclusão); ser escrito em voz 
ativa, na terceira pessoa do singular, de forma concisa e sem enumeração de tópicos; 
evitar símbolos e contrações; ter entre 100 e 250 palavras.
O Resumo: Este artigo, de natureza teórica e qualitativa, tem por objetivo analisar 
o direito à participação dos segurados nos conselhos gestores de seus regimes 
previdenciários, especificamente nos conselhos de administração dos Regimes 
Próprios de Previdência Social (RPPS), que protegem os funcionários públicos, 
tendo como parâmetro a experiência dos estados brasileiros [apresenta os 
objetivos]. Como referencial teórico, utilizou-se [impropriedade: uso de voz 
62
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
passiva] a problemática apontada pela literatura concernente à representação e 
participação social nos conselhos gestores de políticas públicas no Brasil. 
Primeiro, foi analisada [impropriedade: uso de voz passiva] a literatura que 
trata das origens dos conselhos e das virtuosidades e objeções no seu 
funcionamento [apresenta a introdução]. Em seguida, recuperou-se 
[impropriedade: uso de voz passiva] a evolução do papel dos trabalhadores 
nos conselhos gestores da Previdência Social Brasileira. Após, com base na 
citada problemática, o artigo comparou a legislação dos conselhos gestores dos 
RPPSs estaduais tendo como parâmetros a natureza das atribuições, composição, 
forma de provimento dos membros, duração do mandato, retribuição pelo 
exercício da função e exigência de capacitação. Os resultados demonstram que 
a experiência democrática na gestão dos RPPSs estaduais é dispersa [apresenta 
os resultados]. Os resultados demostram também que o marco regulatório 
dos RPPSs, apesar de denso, é limitado no que se refere aos aspectos de 
representação e participação dos servidores nos órgãos gestores, limitando-se a 
prescrever a necessidade de se garantir a representação dos segurados nos 
espaços em que seus interesses sejam objeto de discussão, não promovendo 
nenhuma espécie de regulação sobre o funcionamento desses conselhos. Como 
conclusão, verifica-se que a gestão democrática dos RPPSs estaduais ainda se 
encontra num estágio inicial e que, portanto, necessita de avanços [apresenta 
a conclusão]. 
Resumo: Este artigo, de natureza teórica e qualitativa, tem por objetivo analisar 
o direito à participação dos segurados nos conselhos gestores de seus regimes 
previdenciários, de modo específico nos conselhos de administração dos 
Regimes Próprios de Previdência Social (RPPSs), que protegem os funcionários 
públicos, e tem como parâmetro a experiência dos estados brasileiros. O 
referencial teórico é a problemática apontada pela literatura concernente à 
representação e participação social nos conselhos gestores de políticas públicas 
no Brasil. Primeiro, há a análise da literatura que trata das origens dos conselhos 
e das virtuosidades e objeções no seu funcionamento. Em seguida,o artigo 
recupera a evolução do papel dos trabalhadores nos conselhos gestores da 
previdência social brasileira. Após, com base na citada problemática, o paper 
compara a legislação dos conselhos gestores dos RPPSs estaduais de maneira 
que tem como parâmetros a natureza das atribuições, a composição, a forma de 
provimento dos membros, a duração do mandato, a retribuição pelo exercício da 
função e a exigência de capacitação. Os resultados demonstram que a experiência 
democrática na gestão dos RPPSs estaduais é dispersa. Demonstram também 
que o marco regulatório dos RPPSs, apesar de denso, é limitado no que se 
refere aos aspectos de representação e participação dos servidores nos órgãos 
gestores, de forma que se restringe a prescrever a necessidade de garantir a 
representação dos segurados nos espaços em que seus interesses sejam objeto 
63
de discussão, de modo que não promove nenhuma espécie de regulação sobre o 
funcionamento desses conselhos. O trabalho conclui que a gestão democrática 
dos RPPSs estaduais ainda se encontra num estágio inicial, de maneira que 
necessita de avanços. 
 Resumo em língua estrangeira
O resumo em língua estrangeira deve ser o mais fidedigno possível ao resumo em 
língua portuguesa e estar acorde, no que couber, com a NBR 6028.
 Elementos textuais
Para fins de contagem de caracteres, páginas etc. do texto encaminhado para 
publicação, consideram-se apenas os elementos textuais definidos pela NBR 6022 
(introdução, desenvolvimento e conclusão). Em outras palavras, não devem entrar 
nesses cálculos: os elementos pré-textuais [título e subtítulo; nome(s) do(s) autor(es); 
resumo e palavras-chave na língua do texto] e pós-textuais [resumo e palavras-chave 
em língua estrangeira; nota(s) explicativa(s); referência(s); apêndice(s); anexo(s)].
 Citações
As citações devem ser normalizadas conforme a NBR 10520. 
A Revista do TCEMG convencionou que, em revisão de textos, as citações devem ser 
corrigidas pelos editores apenas em casos de erros ortográficos e gramaticais graves 
— sem o uso do sic. Mesmo nessas situações, o princípio da mínima interferência do 
revisor deve prevalecer sobre a norma-padrão quando a correção implicar grandes 
mudanças ou reestruturação do texto citado.
 Referências
As referências devem ser redigidas conforme a NBR 6023 e os principais manuais 
exegéticos e complementares dessa norma.
& NORMALIZAÇÃO DE TEXTOS
FRança; vasconcellos (2007)
 ARTIGOS DEFINIDOS (A, AS, O, OS) 
Consoante Cegalla (2009), é incorreto o uso de artigo nas seguintes construções:
• nomes de parentesco precedidos de pronome possessivo;
• formas de tratamento; e
• substantivos precedidos do pronome relativo cujo.
64
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
64
O V. Exa. está impedido, porque a sua 
mãe era a prefeita.
V. Exa. está impedido, porque Ø 
sua mãe era a prefeita.
O A S. Exa. está enganado.
Ø S. Exa. está enganado.
O O processo cuja a tramitação está 
parada [...].
O processo cuja Ø tramitação está 
parada [...].
 ASPAS
As aspas, sejam dobradas (“ ”) sejam simples (‘ ’), são os sinais usados em condições 
normais para abrir e fechar citações. Quando se trata de uma citação de três ou 
menos linhas, ela não é recuada e recebe aspas dobradas; caso possua mais de três 
linhas, deve ser recuada 3,5 cm da margem esquerda da página, não é marcada com 
aspas, e o tamanho da fonte deve ser menor que o empregado no texto não recuado.
Nessa linha de entendimento, vale enfatizar a preocupação de Borges de 
Carvalho (2003, p. 206):
[...] há de ser feita a pergunta: quem se responsabiliza pela execução 
do título executivo, na hipótese de inadimplência do devedor? O 
Município. Ora, torna-se muito provável, então, que fixada multa pelo 
TCM ao Administrador, seja ele o próprio responsável — enquanto 
chefe do Executivo municipal — pela exigibilidade da mesma em 
Juízo.
[...] estão submetidos a “deficiências em termos de conhecimento de todas as 
alternativas, incerteza acerca de eventos exógenos relevantes e incapacidade de 
calcular consequências” (SIMON apud PONDÉ, 1994, p. 21).
Caso o texto citado já tenha aspas em seu interior — hipótese “.... ‘....’ ...” ou citação 
recuada sem aspas + ‘...’ (no interior no texto) —, estas devem ser convertidas em 
aspas simples, de modo independente de haver ou não recuo do texto citado.
Merece destaque, também, a seguinte definição de Marçal Justen Filho (2008):
[...] a prática conhecida como ‘carona’ consiste na utilização por um 
órgão administrativo do sistema de registro de preço alheio. Como 
se sabe, o registro de preços é implantado mediante uma licitação, 
promovida no âmbito de um ou mais órgãos administrativos. Essa 
licitação é modelada de acordo com as necessidades dos órgãos que 
participam do sistema.
Segundo Avritzer e Pereira (2005, p. 4), isso “[...] preconiza um novo agir 
político, ‘uma partilha renovada de decisões e poderes institucionais’ [...]”. 
6565
Também se usam aspas para destacar palavras ou termos ainda não absorvidos pelo 
idioma, nos termos empregados no sentido figurado ou fora do contexto habitual e 
para sinalizar ironia. Exemplo: “As ilegalidades são muitas. Jamais vi um edital que 
estivesse tão ‘regular’ quanto esse.” 
Quanto à colocação de pontuação antes ou depois de fechar aspas, entende-se que, 
se o sinal de pontuação faz parte da citação, deve ficar dentro das aspas; caso seja 
colocado pelo autor, deve ficar depois das aspas.
 ASSIM
Assim é empregado em caráter usual após a apresentação de alguma situação ou 
proposta para ligá-la à ideia seguinte. 
Nesse caso, é um termo de coesão e, portanto, constitui recurso para articulação 
de parágrafos. Alterne, conforme o caso, com: dessa forma; desse modo; diante do 
exposto; diante disso; em face disso; por consequência; por isso; por conseguinte; 
assim sendo; em consequência; em vista disso. 
 ASSIM COMO / BEM COMO / BEM ASSIM
Assim como, bem como e bem assim equivalem a de igual modo, como 
também, da mesma forma (ALMEIDA, 1981; AULETE, [online]; CEGALLA, 
2009).
Ressalte-se que Brasil (2002) recomenda evitar o uso de bem assim, por ser 
“polêmico para certos autores”. No entanto, não há por que censurar o uso da 
locução quando empregada fora do gênero redação oficial.
Quando o núcleo do sujeito é composto, a regra é o verbo ficar no plural. No 
entanto, admite-se o singular para dar destaque ao primeiro elemento. Neste caso, 
porém, é obrigatória a intercalação do segundo elemento — que contém a locução 
bem como — com vírgulas (ALMEIDA, 1981; CEGALLA, 2009; PIACENTINI, 
2009).
O O Ministério Público de Contas Ø 
bem como a Auditoria Ø entendeu 
que o denunciante tem razão. 
O Ministério Público de Contas, 
bem como a Auditoria, entendeu 
que o denunciante tem razão. 
O Ministério Público de Contas Ø 
bem como a Auditoria Ø 
entenderam que o denunciante 
tem razão.
66
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 ATENDER
No sentido de ser atencioso com, cuidar ou ouvir com atenção, acolher com 
atenção ou cortesia, tomar em consideração, emprega-se de modo indiferente 
como transitivo direto ou indireto (CEGALLA, 2009; LUFT, 1995; PIACENTINI, 
2008b).
O diretor atendeu Øos 
interessados.
O diretor atendeu aos interessados.
[...] atendendo, assim, aos 
princípios da motivação.
A alteração da proposta atende Øa 
cota ministerial. 
Na defesa apresentada, o prestador 
alegou que teve dificuldades 
financeiras para atender à demanda 
da comunidade local.
Conforme Luft (1995, p. 82), “se o complemento for um pronome pessoal referente 
a pessoa, só se emprega as formas objetivas diretas”. É importante observar que 
apenas em casos raros o pronome lhe é utilizado como complemento do verbo 
atender; ou seja: empregam-se de preferência os pronomes do caso reto (o/a/os/
as) quando o complemento verbal é um pronome.
[...] não havia como 
atender-lhe [...].
[...] não havia como atendê-lo 
[...].
Na maioria das vezes, emprega-se atender como transitivo direto ou 
indireto sem alteração de sentido.
Consulte Regênciae transitividade!
 ATINENTE
Atinente não é preposição que equivalha à locução quanto a. Trata-se de um 
adjetivo e, por isso, deve referir-se a nome ou pronome (ALMEIDA, 1981).
O Atinente a sua consulta, 
informamos que será respondida 
em ocasião oportuna. 
Apresentaram vários documentos 
atinentes para comprovação dos 
fatos.
No atinente [no que se refere] à 
sua consulta, informamos que será 
respondida em ocasião oportuna.
67
 ATRAVÉS DE
A gramática normativa e o Manual de Redação da Presidência da República (BRASIL, 
2002) recomendam não empregar através de com o significado de instrumento (por 
meio de, mediante). Nesse caso, empregue por meio de, mediante, servindo-se 
de, valendo-se de.
Assim, através de, em redação oficial, deve ser utilizado apenas com a acepção de 
um lado para o outro, de um lado a outro, de lado a lado, por dentro de, ao 
longo de, no decurso de.
No entanto, uma abordagem da gramática cognitiva (BERNARDO, 2007) autoriza 
o emprego do através de com essa significação, pois esta expressão corresponderia 
a uma metáfora de canal. Saliente-se também que vários dicionários e gramáticas 
já reconhecem a possibilidade de emprego do através de com tal significado 
(AULETE [online]; CEGALLA, 2009; HOUAISS, 2001).
De qualquer forma, recomenda-se não empregar através de nem por intermédio 
de para indicar o agente da passiva. Esse, em língua portuguesa, expressa-se pela 
preposição por e, às vezes, pela de.
O A autorização foi dada através de 
portaria. 
A autorização foi dada por portaria
O A notícia foi transmitida através do 
coordenador. 
A notícia foi transmitida pelo 
coordenador. 
[...] caso o saldo não seja 
suficiente para cobrir os 
compromissos contraídos com 
a renegociação realizada 
através da Lei n. 8.727/1993.
[...] caso o saldo não seja 
suficiente para cobrir os 
compromissos contraídos com 
a renegociação realizada por 
meio da Lei n. 8.727/1993.
Para evitar o empobrecimento do texto com a repetição de através, sugere-se alterná-
lo, conforme o caso, com preposições e locuções prepositivas (por, de, mediante, 
durante, por meio de, por intermédio de).
& ATRAVÉS DE
BeRnaRdo (2007)
Através de é sinônimo de por meio de e mediante. Em redação oficial, é vedado 
o uso de através de com quaisquer dessas acepções, devendo ser substituído, 
conforme o caso por mediante, por meio de, por.
68
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
O Engenheira e bacharelØ em 
Direito.
Engenheira e bacharela em 
Direito.
Tanto bacharel quanto bacharela podem ser usados para se referir à pessoa do sexo 
feminino. No entanto, a Revista do TCEMG padronizou que, em suas publicações, 
bacharel é apenas substantivo masculino, e bacharela é o seu correspondente 
feminino.
 BASTANTE 
Bastante é adjetivo equivalente a suficiente e refere-se a um substantivo. Nesse 
caso admite a forma plural bastantes (AULETE [online]). Como advérbio de inten-
sidade, equivale a de maneira suficiente, e é invariável (CEGALLA, 2009).
O Em sua defesa, o pregoeiro 
apresentou bastanteØ 
documentos.
Em sua defesa, o pregoeiro 
apresentou bastantes documentos.
O [...] as obras estavam bastantes 
adiantadas.
[...] as obras estavam bastanteØ 
adiantadas.
 AUXÍLIO-MATERNIDADE (PLURAL)
Na flexão de substantivos compostos, quando o segundo elemento representar a 
finalidade do primeiro (BECHARA, 2001; CEGALLA, 2005), apenas esse é fle-
xionável. Exemplos: 1) auxílio-maternidade, auxílios-maternidade (auxílios para a 
mãe); 2) vale-transporte, vales-transporte (vales para transporte); 3) salário-família, 
salários-família (salários para a família).
 BACHAREL / BACHARELA
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (ABL, [online]) não classifica 
“bacharel” como substantivo comum de dois gêneros, mas sim como substantivo 
masculino. Ainda conforme o Volp, bacharela é substantivo feminino. De forma 
semelhante, Sacconi (1994) classifica bacharel e bacharela como substantivo 
masculino e feminino, nessa ordem.
Apesar dessa classificação do Volp e de Luiz Antonio Sacconi, Domingos Paschoal 
Cegalla (2009) não vê problema algum em bacharel ser substantivo comum de dois 
gêneros.
69
 CACOFONIA
Cacófatos são construções não eufônicas: quando pronunciadas reproduzem outra 
palavra ou expressão ridícula. Por isso, recomenda-se evitar, sempre que possível, os 
cacófatos.
Os mais frequentes nos corpora da Revista são: acerca dela; conforme já; do ente; por 
cada; por razão; por razões; por tal.
Na omissão do ente federado 
em elaborar lei sobre prescrição 
ou decadência, o intérprete 
deve colher norma existente 
no ordenamento jurídico que 
se amolde ao caso concreto.
Os valores das taxas de 
inscrição, conforme já 
explicado alhures, [...], devem 
ser depositadas em conta única 
da Câmara Municipal.
[...] o edital [...] coibiu a 
participação no certame de 
pessoa que, por razões de 
ordem financeira, não pode 
arcar com o custo da inscrição.
Consulte Cada!
 CADA
Cada é pronome indefinido que deve ser usado com função adjetiva e, nesse caso, 
deve acompanhar o substantivo como acessório e nunca substituí-lo (CEGALLA, 
2009; HOUAISS, 2001).
Cegalla (2009, p. 75) afirma que “não é necessário empregar a preposição ‘a’ antes 
de ‘cada’, em adjuntos adverbiais de tempo”.
O [...] quanto ao exercício financeiro, 
um ‘contrato de rateio’ deve ser 
formalizado a cada Ø.
[...] ‘contrato de rateio’ formalizado 
a cada exercício financeiro [...].
[...] ‘contrato de rateio’ formalizado 
em cada exercício financeiro [...].
Cegalla (2009) afirma que, às vezes, por cada é cacófato aceitável 
devido à dificuldade de substituir a expressão em alguns casos.
Consulte Cacofonia!
70
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 CLICHÊ, FRASE FEITA E LUGAR-COMUM
Os clichês geralmente têm origem em uma metáfora velha, “batida”, vulgar: aurora 
da vida; flor dos anos; silêncio sepulcral; virar a página da vida etc. Garcia (2010) 
adverte que nem todos os clichês têm estrutura metafórica, pois muitas vezes são 
um mero agrupamento de palavras surrado pelo uso: ilustre professor; eminente 
deputado; clareza solar; autor de futuro etc.
Outros exemplos comuns de clichês são: abrir com chave de ouro; vasto repertório; 
momento oportuno; lista interminável; correr atrás do prejuízo; certeza absoluta; 
feliz ocasião; diga-se de passagem; tema fundamental; citação pinçada; peso na 
consciência; necessidade premente; amplo ponto de vista; mal necessário; mandar 
bem; comunicação pessoal; sentido profundo; abrir mão; lançar mão; da lavra de; 
usos e costumes; ledo engano; todo cuidado é pouco; erro crasso; antes de mais 
nada; bater de frente; caixinha de surpresas; caminho já trilhado; carreira meteórica; 
correr por fora; dispensar apresentações; duras críticas; erro gritante; gerar polêmica; 
inserido no contexto; perda irreparável; pergunta que não quer calar; rota de colisão; 
vitória esmagadora; divisor de águas.
Convém evitar os lugares-comuns sempre que possível.
Diante da premente necessidade de garantir a continuidade do serviço 
público de táxi [...].
Cacoetes de linguagem são expressões pobres de valor informativo 
(FOLHA DE S. PAULO, 2005), dispensáveis em redações oficial e 
técnica ou científica, que devem ser evitados. São exemplos de cacoetes: 
antes de mais nada, ao mesmo tempo, pelo contrário, por sua vez, via 
de regra, até porque etc.
 COLCHETES
Os colchetes são usados para: a redação da Revista incluir informações ou 
comentários em textos (FOLHA DE S. PAULO, 2005); servir de parênteses externos 
quando houver parênteses internos (COSTA, 2007); indicar supressão de parte de 
uma citação.
Art. 5º [...]
[...]
IX — é livre a expressão da atividade 
intelectual, artística, científica e de 
comunicação, independentemente 
de censura ou licença;
[...] a taxa aumentou [4% conforme 
IBGE (Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística)].
[...] este [agente honorífico] não é 
remunerado. 
71
 COLOCAÇÃO
Cegalla (2009) considera colocação, no sentido de opinião, afirmação, ideia, 
sugestão, um modismo repetidoà exaustão e que deve ser evitado.
 COM VISTA(S) A /COM VISTA(S) EM
No Brasil, costuma-se escrever com vistas a, mas o gramático Napoleão Mendes 
de Almeida defende com vistas em, apesar de esta última não estar dicionarizada.
Cegalla (2009) reconhece a locução prepositiva com vista a e sua forma variante 
plural (com vistas a), significando com o fim de, com o objetivo de, com a 
intenção de.
Já Adalberto J. Kaspary (2000) afirma que a expressão com vista a (singular) é a 
mais adequada.
No entanto, o Dicionário Aurélio (FERREIRA, 2010) reconhece as formas com 
vistas a e com vista a.
Devido à grande controvérsia entre os cientistas da linguagem, não há motivo para 
que se censure o emprego de quaisquer das formas: com vista(s) a ou com vista(s) 
em.
 COMPELIR / GERIR
Compelir e gerir são verbos irregulares e têm algumas particularidades. 
Mudam o e do radical em i na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo 
(compilo; giro), mas essa forma não é normalmente usada, sendo substituída por 
outra equivalente. Exemplo: “Os trabalhos são geridos por mim”.
 COMPUTAR
Computar é também um verbo defectivo que, por motivo de eufonia, não se usa nas 
três primeiras pessoas do presente do indicativo nem na segunda pessoa do singular 
do imperativo afirmativo (CEGALLA, 2009). Nas demais pessoas e no pretérito 
perfeito, segue a flexão regular dos verbos da primeira conjugação. Exemplo: 
“Computaram a despesa em R$120.000,00.”
72
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 CONDENAR
No sentido de sentenciar, proferir sentença condenatória, condenar é transitivo 
direto e indireto: condenar alguém a/em/por algo (KASPARY, 2010).
[...] o conselheiro condenou o 
prefeito por não ter obedecido os 
ditames da Lei n. 8.666.
[...] Processo Administrativo [...], 
que condenou a recorrente ao 
pagamento de multa no valor total 
de R$3.000,00.
A preposição em pode ser usada apenas com complemento de tempo especificado. 
Se não mencionar tempo específico, empregue a preposição a. Exemplos: “O 
Tribunal de Justiça condenou a mulher em dois anos de prisão.” “Ele foi 
condenado a pagar multa.”
 Consulte Regência e transitividade!
 CONFIGURAR 
O verbo configurar é transitivo direto na acepção de dar forma ou dar figura 
de; representar; conformar; ser o indício; denotar; caracterizar; estabelecer 
em um software os parâmetros de execução; representar em pensamento; 
imaginar.
O As cláusulas impugnadas 
configuram em ilícito na licitação.
As cláusulas impugnadas 
configuram Ø ilícito na licitação.
O técnico configurou Ø o teclado.
Tais discussões configuram-se Ø 
tediosas para ele.
No sentido de revestir-se das características de, configurar é transitivo direto 
pronominal predicativo, assumindo a fórmula: configurar-se + (como) + 
predicativo (LUFT, 1995). Essa construção, na maioria dos casos, pode ser alternada 
com a tradicional configurar + objeto direto.
Os reiterados erros em editais de 
licitação se configuram como 
evidente descumprimento à 
determinação do TCEMG. 
Os reiterados erros em editais de 
licitação Ø configuram Ø evidente 
descumprimento à determinação do 
TCEMG.
Consulte Regência e transitividade!
 CONSELHEIRO PRESIDENTE
 Consulte Conselheiro relator!
73
 CONSELHEIRO RELATOR
Trata-se de sintagma formado por um substantivo propriamente dito (conselheiro) 
e um substantivo com função adjetiva (relator). Assim, “relator” caracteriza 
“conselheiro” restringindo, num grupo de conselheiros, aquele que assume 
determinada relatoria de processo.
Uma vez que se considere que substantivo composto corresponde a uma palavra 
de sentido constante, único e diferente das que o compõem (BECHARA, 2001), 
conselheiro-relator (com hífen) remeter-se-ia a um cargo específico, e não a uma 
atribuição que é dada a um dos conselheiros. Em outras palavras, grafar conselheiro-
relator teria uma implicação semântica de que há cargos de conselheiros e há o 
cargo conselheiro-relator, o que não corresponde à realidade, porquanto qualquer 
conselheiro pode assumir tal atribuição.
Para fins de padronização dos textos a serem publicados na Revista do TCEMG, 
adotou-se o uso de iniciais minúsculas (conselheiro relator) para cargos. 
 CONSELHO DE EDITORES
Reunião de revisores para deliberar sobre as marcações polêmicas ou sobre assuntos 
da revisão de textos.
 CONSIDERANDO (QUE...)
Conforme o iDicionário Caldas Aulete [online],
(con.si.de.ran.do)
sm.
1. No texto introdutório de leis, sentenças, propostas [...], cada uma 
das observações ou motivos enumerados em parágrafos iniciados 
com as palavras CONSIDERANDO ou ATENDENDO. [...].
Assim, os considerandos de uma lei ou de um ato normativo correspondem à sua 
motivação.
Dúvidas surgem quanto à pontuação e ao emprego de maiúsculas e minúsculas 
depois de cada considerando e na conclusão. Em discordância com Sacconi (1994) 
— que defende o uso de iniciais maiúsculas para todos os “considerandos” —, a 
Revista do TCEMG entende que, após ponto e vírgula, sempre se usam iniciais 
minúsculas, inexistindo razão que sustente o contrário.
É comum, em atos normativos, o uso de ponto final. Tal pontuação desrespeita 
os mecanismos de coesão textual. Recomenda-se o uso de ponto e vírgula, para 
propiciar o melhor encadeamento lógico dos parágrafos.
74
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 CONSISTIR
Trata-se de verbo transitivo indireto, usado com a preposição em, significando 
repousar, residir, constituir de, resumir-se. 
É cada vez mais comum o uso do verbo consistir seguido da preposição de, na 
acepção de compor-se, constar. Tal regência provavelmente se deve a uma influência 
do inglês (LUFT, 1995) — consist of — ou a uma contaminação sintática oriunda 
de compor-se de (CEGALLA, 2009). A construção com a preposição de ainda 
é pouco frequente, em um processo de gramaticalização ainda muito incipiente. 
Recomenda-se, pois, evitar tal regência em redações técnica ou científica ou oficial.
O Este trabalho consiste de relatório 
circunstanciado dos fatos.
Este trabalho consiste em relatório 
circunstanciado dos fatos.
Consulte Regência e transitividade!
Prefira a construção consistir em à consistir de.
 CONSTAR
Constar é verbo defectivo, conjugável apenas na 3ª pessoa do singular e do plural. 
Significa passar por certo ou evidente, estar escrito ou mencionado, fazer 
parte, deduzir-se, incluir-se. Emprega-se indiferentemente com as preposições 
de ou em (CEGALLA, 2009; LUFT, 1995).
Consulte Regência e transitividade!
 CONSTATAR
Constatar equivale a comprovar, examinar, verificar, estabelecer a verdade de 
um fato.
De modo a evitar repetição, sugere-se, conforme o contexto, que se alterne constatar 
com atestar, apurar, averiguar, certificar-se, comprovar, evidenciar, observar, 
notar, perceber, registrar, verificar. 
Apesar de Napoleão Mendes de Almeida (1981, p. 64) repudiar com veemência 
o verbo constatar — considerando-o, em suas palavras, “galicismo inteiramente 
inútil” —, Francisco Fernandes (2005b) explica que, quando se quer exprimir a ideia 
de verificar e, ao mesmo tempo, a de registrar, documentar para efeito ulterior, 
deve-se usar constatar porque essa seria a sua verdadeira acepção.
75
Constatando a ocorrência de nulidade sanável, o tribunal poderá 
determinar a realização ou renovação do ato processual, intimadas as 
partes [...]. (Código de Processo Civil, art. 515, § 21, incluído pela Lei n. 
11.276, de 2006). 
 CONSTITUIR
Constituir, na acepção de ser a base ou parte essencial de, compor, formar 
— bem como na de dar poderes a alguém para tratar de negócios —, é 
acompanhado de objeto direto.
O Estes projetos constituem em 
programa de governo para o ano de 
2012.
Estes projetos constituem Ø o 
programa de governo para o ano de 
2012. 
Na acepção de estabelecer, assentar, situar, constrói-se a regência conforme 
a seguinte fórmula: constituir + objeto direto + adjunto adverbial de lugar. 
Exemplo: “Ele constituiu Ø sua empresa no Município de Contagem.” 
Como verbo pronominal, significa organizar-se, estruturar-se, compor-se.Exemplo: “Constituíram-se em sociedade anônima.”
Finalmente, na acepção de representar, ser, consistir em, é verbo transitivo 
direto pronominal. A construção constituir-se + em é inovação sintática comum 
na imprensa brasileira, já registrada por Aulete [online] e Houaiss (2001); mas tanto 
Paschoal Cegalla (2009) quanto Celso Luft (1995) recomendam, em “linguagem 
culta” formal, o emprego da regência tradicional (não pronominal, sem preposição).
Estes projetos constituem-se 
em programa de governo para 
o ano de 2012.
Estes projetos constituem Ø 
programa de governo para o ano de 
2012.
Consulte Regência e transitividade!
 CONTINUAÇÃO / CONTINUIDADE
Continuação significa seguimento. Continuidade é atributo daquilo que é contí-
nuo (HOUAISS, 2001; MINAS GERAIS, 2012).
O Depois que o advogado retirou-se 
da sala, o conselheiro relator deu 
continuidade à sessão plenária.
Depois que o advogado retirou-se 
da sala, o conselheiro relator deu 
continuação à sessão plenária.
76
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 CUJO
O pronome relativo cujo (cujos, cuja, cujas) indica ideia de posse. Esse pronome 
contém em si, implícita, a preposição de e equivale a de que, de quem, do qual 
(dos quais, das quais). 
O antecedente e o consequente do pronome cujo são distintos. A concordância 
é feita com o consequente. Exemplo: “Este é o processo cujas páginas foram 
rasuradas [páginas do processo].”.
Ressalte-se que o pronome cujo pode vir precedido da preposição de ou de qualquer 
outra conforme a regência verbal (NEVES, 2011). 
Não se empregam artigos depois do pronome cujo. Destacam-se as palavras de 
Maria Helena de Moura Neves (2000, p. 372):
[...] especialmente na imprensa, tem ocorrido o emprego indevido 
desse artigo, talvez pela falsa idéia de que o som vocálico final desse 
pronome relativo represente a existência do artigo definido, e que, 
então, esse elemento deve ser registrado na grafia [...]. Grifos originais.
O O colega Ø cuja competência 
falávamos foi nomeado 
Coordenador de Área.
O colega de cuja competência 
falávamos foi nomeado 
Coordenador de Área.
O Esta é uma lei Ø cujas disposições 
não acreditamos.
Esta é uma lei em cujas disposições 
não acreditamos.
O Num cenário em que se buscava a 
democratização, levada a efeito com 
a reforma do Estado, cujo o marco 
legislativo foi a Constituição da 
República de 1988.
Num cenário em que se buscava a 
democratização, levada a efeito com 
a reforma do Estado, cujo Ø marco 
legislativo foi a Constituição da 
República de 1988.
Quando for seguido de dois substantivos, o pronome cujo concorda só com o 
primeiro.
O A ação cujos advogado e advogada 
não obedeceram aos prazos foi 
arquivada. 
A ação cujoØ advogado e advogada 
não obedeceram aos prazos foi 
arquivada. 
Consoante Maria Helena de Moura Neves (2011), não há justificativa para o 
emprego de cujo antes de elemento com valor locativo. Neste caso, prefira no 
qual, onde, em que.
O [...] o município tem sofrido 
desocupação dos prédios públicos, 
em cujos locais ocorrerão feiras 
livres.
[...] o município tem sofrido 
desocupação dos prédios públicos, 
nos quais ocorrerão feiras livres.
77
 CUMPRIR
Apesar de ser transitivo direto, o verbo cumprir aceita a preposição com sem mudar 
a acepção (ALMEIDA, 1981; FERNANDES, 2009).
No entanto, Cegalla (2009) e Luft (1995) afirmam que cumprir + O.D. e cumprir 
com não são exatamente a mesma coisa, porquanto esta é construção enfática ou 
“enfática-afetiva” daquela.
Cumprir com a legislação.
Cumpriram Ø a legislação.
Cumprir com os deveres.
Cumprir Ø os deveres.
Consulte Regência e transitividade!
 DADO / VISTO
Dado e visto são formas de particípio passado, e devem concordar, pois, em gênero 
e número com o termo a que se referem (CEGALLA, 2009; COSTA, 2007).
O DadaØ as circunstâncias [...].
Dados o interesse e o esforço 
demonstrados, optou-se pela 
permanência do servidor em sua 
função. 
Dadas as circunstâncias [...].
Vistas as provas apresentadas, não 
houve mais hesitação no 
encaminhamento do inquérito.
 DATAS
 Primeiro dia do mês
A maioria dos gramáticos entende que o primeiro dia do mês deve ser grafado com 
numeral ordinal (COSTA, 2007). No entanto, há autores de renome que consideram 
ser possível o emprego tanto do ordinal quanto do cardinal para o primeiro dia 
do mês (BECHARA, 2001; CEGALLA, 2009). Assim, não há por que censurar 
qualquer das formas de grafar datas.
 Zero à esquerda
O Manual de Redação Parlamentar (MINAS GERAIS, 2007) e o Manual de 
Redação do Governo do Estado de Minas (MINAS GERAIS, 2012) recomendam 
não usar zero à esquerda em número indicador de datas. No entanto, os exemplos 
dados na NBR 5982 da ABNT, em indicação numérica de datas, empregam sempre 
78
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
o zero: “04.09.0180; 25.04.0910; 06.10.2500; 15.12.1932”. Assim, em citações de 
atos administrativos e normativos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, 
prefere-se a escrita sem o zero em qualquer situação; em textos que devem seguir a 
normalização da ABNT (relatórios, trabalhos acadêmicos etc.), o zero é essencial 
nas formas compactas.
 Ano
Os anos devem ser grafados com quatro algarismos, sem ponto nem espaço.
Minas Gerais (2007) possibilita a grafia do ano com apenas dois dígitos em datas no 
intervalo de 1910 a 1999.
Já a NBR 5892 da ABNT estabelece que os anos devem ser sempre grafados com 
quatro dígitos.
 Separação por barra ou ponto
Todos os exemplos de datas compactas dados pela ABNT não utilizam barra, apenas 
ponto. No entanto, não há nenhuma convenção a respeito do separador de números 
na forma compacta de datação.
 Datas de leis e atos normativos
O art. 11, II, g, da Lei Complementar n. 95, de 26/2/1998, estabelece que datas e 
números de leis, em atos normativos, não devem ser escritos por extenso.
 Acento grave em datas
Não se deve quebrar paralelismo ao citar datas: se houver artigo antes do primeiro 
termo, também haverá no segundo.
O de segunda à sexta-feira
de segunda a sexta-feira
O da segunda a sexta-feira
da segunda à sexta-feira
 Convenção da Revista do TCEMG
Como se pôde observar, há grandes divergências entre os gramáticos, o uso pela 
imprensa, os manuais de redação e as regras da ABNT. 
Para fins de padronização dos textos publicados na Revista do TCEMG, o Manual de 
Redação e Estilo, da Revista do TCEMG, adota:
• suprimir os zeros à esquerda em datas por extenso e em datas compactadas (2 
de fevereiro de 2012 e 2/2/2012);
• grafar ano sempre com quatro dígitos, sem espaço e sem ponto;
• grafar o primeiro dia do mês em número ordinal (1º/1/2018); e, 
79
• salvo em textos normalizados pela NBR 5892 da ABNT; o uso de barra para 
separação dos números indicadores de dia, mês e ano.
 DE FORMA QUE / DE MODO QUE / DE MANEIRA QUE / 
DE FORMA A / DE MODO A / DE MANEIRA A
As locuções de forma que; de maneira que; de modo que são empregadas nas 
orações desenvolvidas. Já de forma a; de maneira a; de modo a são locuções 
empregadas nas orações reduzidas de infinitivo na voz passiva (COSTA, 2007; 
NISKIER, 1992).
O [...] o ajuste de honorários 
contratuais deve observar o 
princípio da razoabilidade [...] de 
modo a remunerar de maneira 
adequada o profissional [...].
[...] o ajuste de honorários 
contratuais deve observar o 
princípio da razoabilidade [...] de 
modo que remunere de maneira 
adequada o profissional [...].
[...] o ajuste de honorários 
contratuais deve observar o 
princípio da razoabilidade [...] para 
remunerar de modo adequado o 
profissional [...].
[...] os gestores apresentaram a 
prestação de contas de modo a não 
serem facilmente encontradas as 
irregularidades [...].
[...] os gestores apresentaram a 
prestação de contas de modo que 
não fossem facilmente encontradas 
as irregularidades [...].
Hibridismos entre os dois grupos de locuções são construções estranhas a nossa 
língua, que se devem evitar: de modo a que; de forma a que. Ademais, não é 
possível a pluralização dos substantivos que as compõem. Sempre devem ficar nosingular (ALMEIDA, 1981; CEGALLA, 2009).
O Tudo foi feito de maneiras que 
não despertasse suspeita.
Tudo foi feito de maneiraØ que 
não despertasse suspeita.
 DE/EM FÉRIAS
Pode-se dizer das duas maneiras de modo indiferente, pois as duas formas são 
aceitas. No entanto, se acrescentarmos um adjetivo à expressão férias, só se deve 
usar a preposição em.
O O servidor entrará de férias 
regulamentares no próximo mês.
Ele está em férias Ø. 
Vou entrar de férias Ø.
O servidor sairá em férias 
regulamentares no próximo mês.
& SEMÂNTICA DAS PREPOSIÇÕES
BechaRa (2001); castilho (2010); neves (2011)
80
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 DESAPERCEBIDO / DESPERCEBIDO
Desapercebido significa desprevenido, desprovido, desguarnecido; despercebido 
significa: que não se viu, aquilo em que não se atentou (AULETE, [online]).
O A irregularidade passou 
desapercebida.
A irregularidade passou 
despercebida.
O Como ele estava despercebido de 
recursos, solicitou justiça gratuita.
Como ele estava desapercebido de 
recursos, solicitou justiça gratuita.
 DESCRIMINAÇÃO / DESCRIMINALIZAÇÃO / DISCRIMINAÇÃO
Descriminação e descriminalização (substantivos) são sinônimos e significam 
inocentação, exclusão da criminalidade (KASPARY, 2000). O verbo 
correspondente é descriminar (retirar a antijuricidade de um fato, excluir a 
criminalidade). 
Discriminação significa ato ou efeito de distinguir, discernir, separar.
O O edital do concurso promovia de 
modo indireto descriminação 
contra deficientes físicos.
O edital do concurso promovia de 
modo indireto discriminação 
contra deficientes físicos.
Quase todos os ministros votaram 
pela descriminalização da 
antecipação do parto de feto 
anencéfalo.
Quase todos os ministros votaram 
pela descriminação da antecipação 
do parto de feto anencéfalo.
 DESIGNAR
Designar é transitivo direto e indireto no sentido de determinar, fixar; marcar; 
designar alguém para; designar algo a alguém; escolher para cargo ou 
emprego.
Foi-lhe designado um prazo de 30 
dias para cumprir a diligência.
Designou-o para a função de 
assessor. 
Designou seu substituto.
O servidor foi designado para uma 
função FG-5.
A regência verbal pode assumir a seguinte fórmula: designar + objeto direto + 
(como, para) + predicativo. Tem o significado de “nomear, denominar, qualificar”.
O governador os designou 
conselheiros [designou-os para 
serem conselheiros].
Designo-o para chefe [ou como 
chefe].
Consulte Regência e transitividade!
81
 DESPENDER / DISPÊNDIO
Despender significa fazer despesa, gastar, consumir. Inexiste o verbo dispender 
(ABL, [online]; AULETE [online]; AURÉLIO, 2010; HOUAISS, 2001). Dispêndio 
significa gasto, despesa, consumo (HOUAISS, 2001).
O A Câmara Municipal dispendeu 
R$10.000,00 com as reformas do 
prédio.
A Câmara Municipal despendeu 
R$10.000,00 com as reformas do 
prédio.
A Câmara Municipal teve um 
dispêndio de R$10.000,00 com as 
reformas do prédio.
Foi elevado o dispêndio com as 
obras.
Diz-se atenção dispensada ou atenção despendida. Inexistem as 
construções atenção despensada e atenção dispendida.
 DESSE/DO PONTO DE VISTA
Trata-se de expressão empregada à exaustão nos relatórios, como recurso de coesão 
de parágrafos. Pode ser substituída por outras de sentido equivalente a fim de evitar 
repetição: sob esse ângulo, sob esse aspecto, por esse prisma, desse prisma, 
desse modo, assim, destarte.
Também é comum a expressão sob o ponto de vista. No entanto, não há sentido 
em utilizar a preposição sob, uma vez que não há como subordinar um ponto de 
vista ou uma perspectiva à de outrem. As construções mais adequadas, por isso, 
seriam desse ponto de vista, do ponto de vista, dessa perspectiva (CEGALLA, 
2009; COSTA, 2007).
& SEMÂNTICA DAS PREPOSIÇÕES
Bechara (2001); Castilho (2010); Neves (2011)
 DIGNO / DIGNÍSSIMO
Nas palavras do Manual de Redação da Presidência da República (BRASIL, 2002, 
grifo original): “Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tratamento 
digníssimo (DD) [...]. A dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo 
público, sendo desnecessária sua repetida evocação.”.
Em alinho com Brasil (2002), a Revista do TCEMG considera abolido o tratamento 
“digníssimo”e suas variações (digno, dignificado etc.) nos textos a serem publicados 
em seu periódico. Os mesmos comentários se aplicam a ilustríssimo.
82
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 DOUTOR 
Doutor é título acadêmico, e, não, pronome de tratamento ou vocativo (BRASIL, 
2002; FOLHA DE S. PAULO, 2005).
No português falado, em situações de formalidade, é frequente o uso de doutor(a) 
para se dirigir a profissionais da saúde e a autoridades (AULETE, [online]). No 
entanto, no texto escrito, isso não tem nenhum cabimento.
& DOUTOR
BRuM (2012)
 DUPLA NEGATIVA
Ao contrário do que acontece no inglês e em diversas outras línguas, no português o 
uso de uma palavra negativa com outra não destrói o sentido negativo dado à frase 
(COSTA, 2007).
Assim, a renda mensal do servidor aposentado deve ser preservada, em especial 
se não há nenhuma ilegalidade a que tenha dado causa que justifique sua 
sustação.
 ECO
Trata-se da repetição exagerada de certos fonemas ao longo de todo o período. Em 
virtude do prejuízo à estética textual, o eco deve, a todo custo, ser evitado.
Em razão dessa visão distorcida, verifica-se que houve verdadeira 
privatização do interesse público, com a geração do lucrativo mercado de 
comercialização “ilegal” das permissões e a exploração desarrazoada 
dos profissionais que não são detentores dos títulos e trabalham prestando 
serviço como condutores auxiliares. 
 EIS QUE
Eis que, eis quando e eis senão quando são locuções conjuntivas temporais 
sinônimas e significam de súbito, de repente (AULETE [online]). Exprimir surpresa 
é a finalidade da expressão. 
No meio forense, é frequente a ocorrência dessa locução com sentido causal, o 
que não encontra respaldo em nenhuns dicionários ou gramáticas nem possui 
justificativa que abone o seu uso (ALMEIDA, 1981; CEGALLA, 2009; COSTA, 
2007).
83
O A denúncia foi rejeitada, eis que 
não preenchia os requisitos de 
admissibilidade. 
A audiência já se iniciara, eis que 
surgiu a testemunha. 
A denúncia foi rejeitada, uma vez 
que não preenchia os requisitos de 
admissibilidade.
O Foram constatadas irregularidades 
no referido procedimento; 
entretanto não cabe discuti-las por 
meio de recurso, eis que não foi 
enviado no momento próprio pelo 
recorrente com a sua defesa [...].
Foram constatadas irregularidades 
no referido procedimento; 
entretanto não cabe discuti-las por 
meio de recurso, uma vez que não 
foi enviado no momento próprio 
pelo recorrente com a sua defesa 
[...].
 ELE É SUPOSTO SABER
Ele é suposto saber é estrangeirismo sintático de he is supposed to know, sem amparo 
no português. Por isso, evite tal expressão traduzida “ao pé da letra”. Use em 
português: “Ele deveria saber.” ou “Supõe-se que ele saiba.”!
 ELIPSE
Elipse é a supressão de uma palavra ou expressão subentendida no texto. Conforme 
a situação em que é empregada, a elipse pode ser um recurso elegante de estilo, mas, 
se usada de maneira inapropriada, pode se tornar desastrosa e gerar dificuldade na 
leitura.
O conselheiro verificou a 
possibilidade de a ex-prefeita 
vender todos os seus imóveis 
antes do trânsito em julgado 
do processo. Então, Ø 
solicitou o arresto Ø.
O conselheiro verificou a 
possibilidade de a ex-prefeita 
vender todos os seus imóveis 
antes do trânsito em julgado 
do processo. Então, ele 
solicitou o arresto dos bens.
EM CONFORMIDADE COM / NA CONFORMIDADE DE / 
EM CONSONÂNCIA A
São sinônimas as expressões na conformidade com; na conformidade de; 
de conformidade com; de acordo com; conforme; nos termos de; em 
consonância a; em consonância com; em consonância de (ALMEIDA, 1981; 
LUFT, 1992).
José Maria da Costa (2007) lembra que a expressão de conformidade deve sempre 
vir acompanhada da preposição com.
84
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 EM FACE DE / EM FACE A / FACE A
As expressõesem face de e em face a significam ante, diante de, perante, 
contra. Conforme o contexto, em face de e em face a também podem significar 
em virtude de, em razão de (LUFT, 1992). São locuções cuja formação obedece 
sempre a fórmula preposição em + face + preposição de ou a. 
A expressão Ø face a (sem a preposição em) é provavelmente um neologismo 
que, segundo Adalberto J. Kaspary (2000), não tem a simpatia dos gramáticos 
(CEGALLA, 2009). No entanto, Celso Pedro Luft (1992) reconhece a locução como 
variante moderna reduzida, e Maria Helena de Moura Neves (2003) sugere que já foi 
consagrada pelo uso.
Vale destacar que Brasil (2002; 2011) e Minas Gerais (2007) recomendam preferir 
em face de a suas variações (em face a; Ø face a; Ø frente a); portanto, evite-as 
em redação oficial.
[...] da forma como o edital foi 
elaborado, o certame com 
certeza ficará prejudicado, Ø 
face à inviabilidade das licitantes 
em atender todas as exigências 
relativas à qualificação 
econômico-financeira.
[...] da forma como o edital foi 
elaborado, o certame com 
certeza ficará prejudicado, em 
face à inviabilidade das licitantes 
em atender todas as exigências 
relativas à qualificação 
econômico-financeira.
[...] da forma como o edital foi 
elaborado, o certame com certeza 
ficará prejudicado, em face da 
inviabilidade das licitantes em 
atender todas as exigências relativas 
à qualificação econômico-financeira.
Trata-se de recurso ordinário 
interposto pelo ex-Prefeito [...] em 
face do acórdão proferido pela 
Segunda Câmara.
Trata-se de recurso ordinário 
interposto pelo ex-Prefeito [...] 
contra o acórdão proferido pela 
Segunda Câmara.
É recorrente o emprego das expressões em face de/a com o sentido de contra. 
A forma tradicional, nesse caso, é usar contra (COSTA, 2007), de modo que 
pressuponha uma relação jurídica bilateral. Há, no entanto, uma corrente que 
defende que a relação é trilateral: autor, réu e Estado-juiz, na qual o Estado 
é chamado à tutela jurisdicional; e que, por esse motivo, a petição deve ser 
interposta em face de e não contra alguém. Exemplo: “Tratam os autos de 
representação interposta por deputados estaduais da Assembleia Legislativa 
85
Mineira em face do Estado de Minas Gerais [...].”. De qualquer forma, é um 
tecnicismo que extrapola a simples correção gramatical, como certo ou errado.
 Em redação oficial, empregue apenas a construção em face de. Nos demais 
textos, as construções em face a e Ø face a são autorizadas.
 EM FUNÇÃO DE 
Em função de é uma expressão muito usada, pela imprensa e por muitos falantes, 
para estabelecer uma relação causal (equivalente a por causa de, em virtude de). 
No entanto, tal uso só se justifica na língua falada, sem reconhecimento na língua 
culta escrita.
Nos textos formais, obedientes à norma-padrão da língua, a locução em função de 
deve ser usada apenas no sentido de finalidade, dependência (CEGALLA, 2009; 
COSTA, 2007; HOUAISS, 2001).
O A questão técnica se justifica em 
função da localização geográfica 
estratégica dos aeródromos, sob 
pena de perda da qualidade e 
eficiência dos serviços.
A questão técnica se justifica em 
virtude da localização geográfica 
estratégica dos aeródromos, sob 
pena de perda da qualidade e 
eficiência dos serviços.
O A criação da Petro-Sal originou-se 
do modelo de partilha de produção, 
que veio a ser instaurado no País 
em função da descoberta da 
província petrolífera do Pré-Sal.
A criação da Petro-Sal originou-se 
do modelo de partilha de produção, 
que veio a ser instaurado no País 
devido à descoberta da província 
petrolífera do Pré-Sal.
 EM QUE PESE A / EM QUE PESEM AS
Trata-se de locuções empregadas com sentido concessivo. Equivalem a ainda que 
lhe custe, malgrado seu, ainda que seja penoso. As expressões são antigas, mas 
de uso frequente nos dias de hoje, principalmente no meio jurídico. 
Napoleão Mendes de Almeida (1981) critica os que defendem a invariabilidade do 
verbo pesar — como empregado na frase “em que pesem as circunstâncias” —, 
sobre o que afirma que esses não sabem identificar o sujeito nem compreendem o 
significado da oração. 
Outros estudiosos (CEGALLA, 2009; NEVES, 2003) já concordam com a 
possiblidade de flexionar o verbo pesar. No entanto, Cegalla (2009) adverte que não 
se deve fazê-lo quando o sujeito se referir a pessoa.
86
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
O Em que pesem aos argumentos 
da sentença [...]. 
Em que pese o parecer do relator 
[...]. [ainda que pese o parecer do 
relator]
[...] em que pese Øa sucessão de 
resoluções [...], mantém-se intacto 
na norma atualmente vigente.
Em que pesem Øos argumentos 
da sentença [...]. [ainda que os 
argumentos pesem]
[...] em que pese à sucessão de 
resoluções [...], mantém-se intacto 
na norma atualmente vigente.
Quando fizer referência a pessoa ou a coisa, use a expressão em que pese a 
(neste caso, o pese é invariável, e o a é preposição). No entanto, em que pese 
a, com o verbo flexionável — caso em que o a é artigo, e não preposição —, 
só pode ser usado para se referir a coisa.
 EM SEDE DE
Trata-se de italianismo (in sede di) que não é bem quisto por diversos estudiosos 
da língua. Adalberto J. Kaspary (2000, p. 94-95) afirma que “é perfeitamente 
dispensável, pois, quando não desnecessário, supérfluo, há expressões vernáculas 
que o substituem com inteira propriedade.”
Costa (2007) sugere algumas correções para em sede de, conforme o caso: no 
âmbito; em; no campo; na esfera do. O Dicionário de Italiano-Português, de 
Giuseppe Mea (apud KASPARY, 2000, p. 94-95) também dá exemplos da locução in 
sede di e suas possíveis traduções:
in sede di esame: durante o exame;
in sede di bilancio: ao fazer o balanço;
in sede storica, política: do ponto de vista histórico, político;
non é questa la sede adatta per: não é este o lugar adequado para.
O objetivo é analisar, sob o 
prisma da doutrina e 
jurisprudência contemporâneas 
— tendo como foco as 
deliberações em sede de 
consultas [...].
O objetivo é analisar, sob o 
prisma da doutrina e 
jurisprudência contemporâneas 
— tendo como foco as 
deliberações em Ø consultas 
[...].
87
 EM VEZ DE / AO INVÉS DE
É tradicional que em vez de queira dizer em lugar de e ao contrário de; ao invés 
de. Por outro lado, ao invés de significa apenas ao contrário de; ao revés de. 
Alguns estudiosos da língua afirmam não ser possível empregar em vez de com 
a acepção de ao invés de; para eles, aquela primeira locução significa somente 
em lugar de (KASPARY, 2000; BERGO, 1944 apud COSTA, 2007; AURÉLIO, 
2010). Parece perfilharem este entendimento o Manual de Redação da Presidência 
(BRASIL, 2002), o Manual de Redação do Governo do Estado de Minas Gerais 
(MINAS GERAIS, 2012), o Manual de Redação Parlamentar (MINAS GERAIS, 
2007) e o Manual de Redação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais 
(BRASIL, 2011). 
No entanto, vários gramáticos e dicionaristas já reconhecem o registro da semântica 
de em vez de como sinônimo de ao invés de, mas advertem para que se tenha 
cuidado com o uso indistinto dessas expressões (ALMEIDA, 1981; HOUAISS, 
2001; NEVES, 2003). Segundo eles, a locução ao invés de só se usa quando há 
ideias opostas; assim, só seria sinônima de em vez de nesta acepção. Em outras 
palavras, a expressão em vez de substitui ao invés de, mas não o inverso.
Posicionamentos ainda mais liberais são o de Maria Tereza Piacentini (2008a) 
e de Domingos Paschoal Cegalla (2009). Ambos reconhecem o processo de 
gramaticalização de ao invés de como sinônimo pleno de em vez de, ou seja, para 
eles, ambas as expressões significariam a mesma coisa. 
Logo, por disposição dos manuais de redação oficial, deve-se seguir a linha mais 
ortodoxa quando se escreve nesse gênero textual; porém, em outros textos, não há 
razão para censurar o emprego indistinto de ao invés de e em vez de.
Deveria, por isso, ser exigida 
apenas a comprovação da 
“regularidade” ao invés de 
“certidão negativa de débito”, 
de modo a permitir a 
apresentação, se for o caso, de 
“certidãopositiva com efeito 
de negativa”. 
Deveria, por isso, ser exigida apenas 
a comprovação da “regularidade” 
em vez de “certidão negativa de 
débito”, de modo a permitir a 
apresentação, se for o caso, de 
“certidão positiva com efeito de 
negativa”.
Em vez de e ao invés de são expressões sinônimas. Em redação oficial, mantém-se 
a diferenciação de significado feita pelos estudiosos menos liberais.
88
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 E-MAIL
E-mail é estrangeirismo de largo uso no setor público e na imprensa. Por não se 
ter incorporado de modo oficial ao português brasileiro, recomenda-se evitá-lo e 
substitui-lo por seus significados mais comuns, quais sejam, endereço eletrônico, 
correio eletrônico e mensagem eletrônica.
Por isso, apesar de duras críticas ao termo (CEGALLA, 2009), não há razão para 
censurar o seu uso fora da redação do setor público.
 ENQUANTO / ENQUANTO QUE
Enquanto significa durante o tempo que, no tempo em que. Nesse sentido, 
usar apenas a expressão enquanto em vez de enquanto que (muito empregado na 
linguagem jurídica). 
O Manual de Redação da Presidência da República (BRASIL, 2002) recomenda 
evitar o uso de enquanto que em vez de enquanto, por se tratar de construção 
coloquial. No entanto, há divergência entre os autores sobre a correção de 
enquanto que (com significação de ao passo que), portanto fica a liberdade de 
seu uso (CEGALLA, 2009; COSTA, 2007; NEVES, 2003) em redação não oficial.
O emprego de enquanto no sentido de considerado como ou na qualidade de 
é considerado por alguns como um modismo de uso excessivo (KASPARY, 2000). 
O termo poderá ser substituído por como, na condição de.
No entanto, cumpre esclarecer que o Dicionário Aurélio (AURÉLIO, 2010) registra 
o verbete com esse significado, e seu emprego é abonado por Costa (2007).
[...] [o] consentimento do 
indivíduo e do seu grupo, [...], 
hoje agregados aos valores da 
justiça e da segurança para 
plenitude de sua realização 
enquanto adjetivos da 
democracia.
O total informado como “a 
ser ressarcido”, pela SMED 
foi de R$35.268,74, enquanto 
que o apurado pela Comissão 
foi de R$19.418,98.
[...] [o] consentimento do 
indivíduo e do seu grupo, [...], 
hoje agregados aos valores da 
justiça e da segurança para 
plenitude de sua realização 
como adjetivos da democracia.
O total informado como “a ser 
ressarcido”, pela SMED foi de 
R$35.268,74, enquanto Ø o 
apurado pela Comissão foi de 
R$19.418,98.
Em redação oficial não use enquanto que (apenas enquanto). Nos demais gêneros, a 
Revista do TCEMG não verifica óbice ao uso dessa construção.
89
 ENTRE / DENTRE
Há muita confusão no emprego das preposições entre e dentre, principalmente 
porque o uso dessa última se tornou modismo exagerado sem que os escritores 
se atentassem para as sutilezas morfológicas e suas consequências semânticas 
implícitas.
Observa-se que a preposição dentre é de uso restrito, pois é preciso ocorrer o 
encontro das duas preposições (de + entre) regendo dois vocábulos diferentes 
(BRASIL, 2011; CEGALLA, 2009; COSTA, 2007).
Dentre significa do meio de. De forma geral dentre contém ideia de exclusão, 
afastamento, separação (KASPARY, 2000); entre, ao contrário, expressa a ideia de 
inclusão.
O O advogado pediu a retirada de um 
documento Øentre aqueles que 
compunham os autos.
O advogado pediu a retirada de um 
documento dentre aqueles que 
compunham os autos. [ideia de 
exclusão]
Ele está entre os mais competentes 
servidores da casa [ideia de inclusão]
O A prefeita saiu Øentre a multidão.
A prefeita saiu dentre a multidão. 
[sair + de + entre] 
A Presidente escolheu, Øentre os 
vários candidatos ao cargo, um 
técnico. [escolher + entre]
 ERÁRIO
Erário significa recursos financeiros do poder público, fazenda pública, 
tesouro público (AURÉLIO, 2010). Assim, causar dano ao erário é o mesmo que 
causar dano aos órgãos da Administração Pública.
O erário é controlado pelo Fisco, que é um conjunto de órgãos da Administração 
Pública, incumbidos de arrecadar e fiscalizar os tributos.
Erário público é uma expressão redundante: o adjetivo público já está contido na 
palavra erário. Por isso, é desnecessária tal adjetivação.
Os atos de improbidade 
administrativa importarão a 
suspensão dos direitos 
políticos, a perda da função 
pública, a indisponibilidade 
dos bens e o ressarcimento ao 
erário público na forma e 
gradação previstas em lei. 
Os atos de improbidade 
administrativa importarão a 
suspensão dos direitos 
políticos, a perda da função 
pública, a indisponibilidade 
dos bens e o ressarcimento ao 
erário Ø na forma e gradação 
previstas em lei. 
90
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 ESQUECER
Diz-se esquecer-se de algo ou alguém ou esquecer algo ou alguém. Construções 
canhestras não são recomendadas para o texto escrito: esquecer-se algo ou 
esquecer de algo (FERNANDES, 2005b; LUFT, 1995).
Algo esquece a alguém é outra construção possível, mas típica do 
português lusitano, de uso raro no brasileiro (CEGALLA, 2009); por 
isso, recomenda-se evitá-la. 
Consulte Regência e transitividade!
 ESTE, ESSE, AQUELE, ISTO, ISSO
Os demonstrativos este e esse têm a propriedade de indicação — no discurso, no 
tempo e no espaço — e de referenciação textual. 
Este(a) e isto remetem a: (i) coisa que se pretende mostrar, conhecida ou que se 
tem muito próxima ao emissor da mensagem; (ii) período que, à época do discurso, 
era tempo presente; (iii) termo textual mais próximo, principalmente quando houver 
mais de um a ser referenciado (função anafórica); (iv) termo que será apresentado 
no texto (função catafórica).
Esse(a) e isso remetem a: (v) coisa que se pretende mostrar, desconhecida ou que 
se tem próxima ao receptor da mensagem; (vi) período que, à época do discurso, era 
passado pouco distante; (vii) termo textual mais próximo, quando não houver mais 
de um a ser referenciado (função anafórica).
Aquele(a) e aquilo remetem a: (viii) coisa que se pretende mostrar, desconhecida 
tanto ao emissor quanto ao receptor da mensagem ou distante de ambos; (ix) 
período que, à época do discurso, era passado remoto; (x) termo textual mais distante 
(CASTILHO, 2012; CEGALLA, 2009; COSTA, 2007; NEVES, 2011).
(i)
[Na redação de uma peça endereçada ao 
TCEMG.] Este Tribunal entende que 
as contas devem ser julgadas regulares 
quando [...]. [Trata-se de alguém que 
pertence ao quadro do TCEMG. 
Ministério Público de Contas, por 
exemplo]
(v)
[Na redação de uma peça endereçada ao 
TCEMG.] Esse Tribunal entende que 
as contas devem ser julgadas regulares 
quando [...]. [Trata-se de alguém externo 
aos quadros do TCEMG. Um advogado 
em defesa de um prefeito, por exemplo]
91
(ii)
[Numa peça redigida no ano de 2013]. 
Ainda neste ano de 2013 haverá diversos 
cursos de capacitação [...]. [Refere-se ao 
próprio ano de 2013]
(vi)
[Numa peça redigida no ano de 2014]. 
Ainda nesse ano de 2013 houve diversos 
cursos de capacitação [...]. [Refere-se ao 
ano anterior, 2013]
(viii)
[Numa peça redigida no ano de 2050]. 
Ainda naquele ano de 2013 houve 
diversos cursos de capacitação [...]. 
[Passado remoto]
(iii e ix)
[...] teve uma discussão entre o 
procurador do Ministério Público de 
Contas e o conselheiro [...]. Enquanto 
este votou pelo arquivamento dos autos, 
aquele opinou pelo prosseguimento do 
feito. [Este = conselheiro; aquele = 
procurador do Ministério Público de 
Contas]
(iv)
Em seu relatório, esta foi a conclusão 
a que o órgão técnico chegou: 
havia indícios de irregularidades na 
contratação da empresa [...].
(vii)
[...] restrição da competitividade do 
certame, exigência de apresentação de 
documentos desnecessários e falta de 
projeto básico. Tudo isso foi suscitado 
na impugnação do edital [...].
(v)
O decidido, à época, foi isto: aplica-se a 
prescrição quando [...].
& FORICIDADE
castilho (2012); cunha e cintRa (2001); neves (2011)
 ETC.
Conforme Costa (2007, p. 490),
Trata-se de abreviatura da locução latina et coetera, que 
etimologicamente significa e as outras coisas, ou e as coisas 
restantes.Na atualidade, tem o sentido de assim por diante, afora 
o mais, e ainda outros, podendo abranger, além de coisas, também 
pessoas e animais.
Antes de etc., nunca se coloca a conjunção e, pois, como se vê já na origem latina, 
há uma conjunção aditiva, razão por que não se diz e etc.
92
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
Em virtude do étimo da abreviatura, não se pode usar a vírgula (nem o ponto e 
vírgula) antes do etc. Não se usa vírgula antes do último termo de uma enumeração, 
mas, sim, a conjunção coordenativa, que já está implícita no etc. (ALMEIDA, 1981; 
HOUAISS, 2001).
Ressalte-se que, quando etc. for a última palavra da frase, não se colocam dois 
pontos ao encerrá-la. Um só ponto indicará a abreviatura e o ponto final.
Além disso, por ser abreviatura de uma locução latina, deve-se utilizar o itálico 
como grifo.
O Compareceram diversas pessoas do 
meio jurídico: juízes, promotores, 
advogados e etc.
Compareceram diversas pessoas do 
meio jurídico: juízes, promotores, 
advogados etc.
Compareceram diversas pessoas do 
meio jurídico: juízes, promotores, 
advogados Ø etc.
Para fins de revisão e padronização textuais, a Revista do TCEMG adotou o uso do 
etc. nunca precedido de vírgula, com ponto e em itálico.
 FAZER, HAVER (CORRELAÇÃO TEMPORAL)
Haver e fazer, no sentido de tempo decorrido, são verbos impessoais usados 
somente na 3ª pessoa do singular.
O A lei vigorava faz anos. 
O A lei vigorava há anos.
A lei vigorava fazia anos. 
A lei vigorava havia anos.
A lei vigora há dez anos.
É preciso ficar atento para não perder de vista o paralelismo. Se a relação de tempo 
é no passado, os dois verbos devem ficar no passado; se no presente, ambos ficam 
no presente.
93
 GERUNDISMO
O gerúndio exprime uma ação em curso ou simultânea ou a ideia de progressão 
indefinida. Combinado com os auxiliares estar, andar, ir, vir, o gerúndio marca ação 
em continuação. Quando não indica uma continuidade de ação, seu uso é condenado 
por diversos autores, por constituir anglicismo.
De acordo com eles, é do mesmo modo condenável o emprego do gerúndio para 
se referir a uma promessa de ação futura. Exemplo: “Estarei pesquisando sobre o 
assunto.” 
A fim de evitar ecos e o empobrecimento do texto, recomenda-se a substituição do 
gerúndio pelas preposições de ou com, quando possível.
O encadeamento de gerúndios é também um vício de redação muito frequente. Por 
isso, deve ser evitado; sugere-se o emprego do verbo com outras formas verbais ou 
estruturas sintáticas diferentes. 
Saliente-se que diversos gramáticos não recomendam o gerúndio seguido de 
infinitivo flexionado! Entre eles, Cegalla (2009, p. 186) afirma que “construções com 
gerúndio precedido dos verbos ir + estar” devem ser evitadas, por serem espúrias.
Muitos linguistas têm visto o gerundismo como uma nova forma 
perifrástica com verbos de ligação tipicamente brasileira (SANTOS, 
2008). No entanto, é indubitável que o gerundismo “exagerado” não é 
bem visto em redações técnicas, científicas ou oficiais, pois prejudica a 
compreensão e a estética textuais.
& GERÚNDIO
santos (2008); piacentini (2008; 2008; 2009; 2009; 2009)
 GROSSO MODO
A expressão é latina e por isso deve ser grafada em itálico. Não se deve antepor-lhe 
a preposição a, que não existe na forma latina (CEGALLA, 2009; BRASIL, 2011). 
Exemplo: “Examinando grosso modo, vê-se, desde já, que a denúncia não procede.”.
A pronúncia correta é grósso módo, e, não, grôsso módo.
94
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 HAJA VISTA
A expressão haja vista tem o sentido de veja; assim, não tem valor causal, motivo 
pelo qual não deve ser empregada como sinônimo de porque, uma vez que, já 
que etc.
Haja vista (= prova disso) é empregado para introduzir uma assertiva que 
comprova afirmação anterior. Trata-se de forma perifrástica transitiva, invariável, 
que tem por objeto direto a palavra ou palavras que a acompanham. 
Haja visto (com terminação o) é inovação oral brasileira descabida na redação 
técnica ou científica e na oficial.
Existem outras interpretações sintáticas (SRINGARI, 1961 apud COSTA, 2007), 
engendradas por alguns gramáticos, com o intuito de justificar a pluralização da 
expressão haja vista quando a palavra seguinte estiver no plural, como se essa fosse 
sujeito, mas inaceitável pela maioria. Cegalla (2009) atenta para a possibilidade de 
flexão (apenas do verbo) para o plural (“hajam vista suas últimas decisões”).
Outra questão polêmica entre os gramáticos é a transitividade de haja vista, pois 
alguns aceitam a possibilidade de se adicionar as preposições a e de (haja vista a/
haja vista de). Em caso de dúvidas, recomenda-se utilizar a forma invariável haja 
vista, conforme criada por Rui Barbosa.
 O O edital estava eivado de vícios, 
hajam vistas as cláusulas 
restritivas a ampla 
competitividade.
O edital estava eivado de vícios, 
hajam vista as cláusulas 
restritivas a ampla 
competitividade.
O edital estava eivado de vícios, 
haja vista as cláusulas restritivas a 
ampla competitividade.
 HORA EXTRA
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (ABL, [online]) não reconhece 
o vocábulo hora-extra como substantivo composto. A grafia correta é, portanto, 
hora extra (com espaço, sem hífen), e ambos os termos são flexionáveis para o 
plural (horas extras).
 HORAS
 Abreviatura
Conforme Sistema Internacional de Unidades (2012), a abreviatura de hora é h, e a 
de minuto é min. Ambas as abreviaturas são grafadas sem ponto.
95
Para informar horário, não se usa espaço para separar o numeral de sua abreviatura 
(PIACENTINI, 2012b); para informar medida de tempo, usa-se o espaço (SISTEMA 
INTERNACIONAL DE UNIDADES, 2012).
O O evento ocorrerá das 8 h 30 min 
às 12 h 30 min.
O evento ocorrerá das 8h30min às 
12h30min.
O O evento durou 5h30min.
O evento durou 5 h 30 min.
 Hora abreviada ou por extenso
A fim de evitar “poluição” do texto, prefira, sempre que possível, grafar as horas de 
forma abreviada. No entanto, para maior clareza e formalidade em algumas situações 
(convites, anúncios etc.), recomenda-se grafar as horas por extenso.
 Abreviatura ou dois pontos
Conforme orientação de Maria Tereza Piacentini (2012b) e do Sistema Internacional 
de Unidades (2012), opte por grafar a hora abreviada — hora(s), h; minuto(s), min 
— em vez de usar dois pontos!
No entanto, por questões de estética textual — e desde que em redação fora dos 
gêneros técnico, científico ou oficial —, a grafia de horas com dois pontos pode ser 
utilizada.
 Acento grave
O acento grave deve ser usado apenas quando o paralelismo exigir o uso do artigo 
definido a (CEGALLA, 2009; COSTA, 2007). Em outras palavras, escreve-se “de 
15h a 16h” ou “das 15h às 16h”, e, não, “das 15h à 16h” ou “de 15h às 16h”.
 Hífen
Em intervalos de hora grafada com dois pontos, é possível substituir as preposições 
por um hífen. Exemplo: 15:30 às 17:45 à 15:30-17:45.
 IBIDEM
Ibidem (abreviatura ibid.) é advérbio latino que significa aí mesmo, no mesmo 
lugar. Idem (abreviatura id.) é pronome latino que significa o mesmo, a mesma 
coisa. 
Consoante NBR 10520, ibidem e idem são empregados em notas de referência para se 
referirem, nesta ordem, à obra e ao autor logo anteriores.
Por serem latinismos, tanto ibidem quanto idem (e suas abreviaturas) devem ser 
grafados com grifo, de preferência o itálico.
É redundante o uso de idem e ibidem na mesma citação.
96
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 ILUSTRÍSSIMO
Ver Digno / digníssimo!
 IMPLICAR
Com o significado de enredar, constrói-se com objeto direto. No entanto, na forma 
pronominal, com a acepção de enredar-se, meter-se, constrói-se com a preposição 
em.
Na acepção de intrometer-se, contender (=armar desordens) e relacionar-se (= 
ter relação ou analogia), constrói-se na forma pronominal e requer a preposição 
com. 
No sentido de envolver (comprometer), implicar, pode ser empregado como 
transitivo direto e indireto. O objeto direto deve ser pessoa, e o indireto, coisa regida 
de preposição em (FERNANDES, 2005b; LUFT, 1995).
O [...] oque implicaria em restrição 
ao caráter competitivo.
[...] o que implicaria Ø restrição ao 
caráter competitivo.
Conforme os gramáticos puristas, implicar requer objeto direto (não aceita a 
preposição em) quando na acepção de encerrar, fazer supor, produzir como 
consequência, demandar e envolver (KASPARY, 2010; LUFT, 1995). No entanto, 
não se pode deixar de reconhecer que, com essas acepções, há uma forte tendência 
de gramaticalização da forma implicar em (ROCHA LIMA, 1994).
Consulte Regência e transitividade!
 INCLUSIVE
Inclusive é advérbio que indica inclusão; opõe-se a exclusive (COSTA, 2007). 
Conforme lição mais moderna (CEGALLA, 2009), inclusive pode ser usado 
com a acepção de até ou até mesmo. No entanto, por questões de estilística, 
recomenda-se evitar o abuso da expressão com esse sentido. Alterne, conforme o 
caso, com: até, ainda, de igual modo, mesmo, também, ademais!
 INOBSTANTE / NADA OBSTANTE / NÃO OBSTANTE
Inobstante não está registrado na maioria dos principais dicionários de língua 
portuguesa (ABL, [online]; AURÉLIO, 2010; HOUAISS, 2001). No entanto, o 
97
iDicionário Aulete (AULETE, [online]) registra o vocábulo inobstante com o 
significado de apesar de.
Apesar de inobstante parecer invencionice oriunda do meio jurídico — aliás, muito 
criticada por estudiosos da língua (ALMEIDA, 1981; COSTA, 2007) —, é forçoso 
reconhecer a tendência de consagração do uso e da lexicalização da palavra. Dessa 
forma, embora não haja por que censurar o “vocábulo” inobstante, recomenda-se 
evitá-lo em redação oficial e técnica ou científica.
Por outro lado, não há nenhuma dúvida quanto à correção das locuções nada 
obstante e não obstante, ambas com valor concessivo (apesar de).
Inobstante os indícios de 
irregularidades, o conselheiro 
presidente indeferiu o pedido 
de suspensão do certame. 
Não obstante os indícios de 
irregularidades, o conselheiro 
presidente indeferiu o pedido 
de suspensão do certame.
Recomenda-se preferir não obstante e nada obstante a inobstante.
 INVERSÃO DE FRASES
Sempre que possível, as frases devem ser escritas na ordem direta, de forma que 
não gerem nenhuma dificuldade de entendimento da mensagem.
 ITÁLICO / NEGRITO / SUBLINHA
Não existe um padrão, nem na ABNT nem na gramática, para o uso específico de 
cada tipo de grifo. Assim, escolher um grifo em detrimento de outro fica a critério 
do autor.
No entanto, faz-se necessária a padronização do uso de certos grifos tanto nos 
artigos a serem publicados na Revista do TCEMG quanto nos pareceres e decisões 
nela publicados.
Devido a essa necessidade de padronização — um dos princípios que norteiam a 
redação oficial e a técnica ou científica —, a Revista do TCEMG convencionou em 
suas publicações o uso de grifos.
Não grife trechos muito extensos, parágrafos inteiros etc.! Caso 
contrário, a função de destaque do grifo perde sentido.
98
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
Restrinja o uso do itálico às palavras ou expressões em língua 
estrangeira, e escreva os nomes científicos em obediência às regras 
dos institutos especifícos que normalizam sua grafia! 
 Palavras estrangeiras não dicionarizadas
Consideram-se estrangeiras ou não dicionarizadas as palavras que não constarem 
do Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa (ABL, [online]), disponível para 
consulta gratuita online (www.abl.org.br).
Prefira grafar em língua portuguesa, sem itálico, as palavras e expressões estrangeiras 
que já foram aportuguesadas e dicionarizadas. Exemplos: copidesque, défice, escore, 
leiaute, estresse, fumaça do bom direito, sítio eletrônico, tíquete, cartum, coquetel, 
fac-símile etc.
 Nomes científicos
A grafia de nomes científicos deve seguir as regras definidas pela International 
Commission on Zoological Nomenclature, pela International Association for Plant 
Taxonomy, pelo International Committee on Systematics of Prokaryotes e pelo 
International Committee on Taxonomy of Viruses.
 Negrito
O negrito deve ser utilizado apenas para dar ênfase a algum trecho ou palavra.
 Sublinha
Nas publicações da Revista do TCEMG, não se utiliza a sublinha como forma de 
grifo.
99
 JUNTO A / JUNTO DE
Ambas as construções estão corretas. Na maioria das vezes têm o sentido de na 
companhia de, com. Em outras situações, prefira usar alguma expressão ou 
preposição mais apropriada (CEGALLA, 2009), como em, para com etc.!
O Pretendeu o ex-Presidente da 
Câmara Municipal, em síntese, fazer 
prevalecer o entendimento junto 
ao Tribunal de que não pode ser 
penalizado por irregularidade dos 
procedimentos relativos à compra 
de passagens aéreas e à ausência de 
publicidade das aquisições 
realizadas pela Câmara.
Pretendeu o ex-Presidente da 
Câmara Municipal, em síntese, fazer 
prevalecer, no Tribunal, o 
entendimento de que não pode ser 
penalizado por irregularidade dos 
procedimentos relativos à compra 
de passagens aéreas e à ausência de 
publicidade das aquisições realizadas 
pela Câmara.
 LATIM
Excesso de palavras e frases latinas poluem muito o texto, de modo que prejudicam 
sua estética e clareza. Por isso, sempre que possível, deve-se usar palavra ou expressão 
equivalente em português brasileiro.
Assim, evita-se o risco de o autor errar a declinação4 e a ortografia das palavras 
latinas.
 MAIS BEM / MELHOR
Antes de particípio, é correto escrever tanto mais bem quanto melhor (CEGALLA, 
2009; COSTA, 2007), uma vez que os dicionários (AULETE, [online]; FERREIRA, 
2010; HOUAISS, 2001) e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (ABL, 
[online]) classificam bem e melhor como advérbios.
4 A declinação corresponde à variação da grafia de palavras conforme gêneros, números e funções sintáticas. 
[...] a nova resolução pretendia 
deixar o setor mais bem 
estruturado.
[...] a nova resolução pretendia 
deixar o setor melhor 
estruturado.
No entanto, deve-se utilizar somente melhor antes de particípios adjetivados que 
iniciem com bem.
As mesmas regras, com as adaptações necessárias, se aplicam a pior e a 
mais mal.
100
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 MAL-EMPREGADO / MAL EMPREGADO
Conforme o iDicionário Aulete [online] e Domingos Paschoal Cegalla (2009), o 
adjetivo que caracteriza aquilo que foi mal usado, aplicado ou resolvido é mal-
empregado, grafado com hífen.
Mal empregado (sem hífen) é interjeição típica do português lusitano.
 MESTRE / MESTRA
Mestra é substantivo feminino; mestre é substantivo masculino, e, não, comum de 
dois gêneros (ABL, [online]; COSTA, 2007).
 N. / Nº / N.º
Para fins de padronização dos textos da Revista, adota-se a forma n. em vez de nº 
ou n.º.
 NEM
Nem é conjunção aditiva que significa e não, e tampouco, de modo que dispensa, 
por isso, a conjunção e (COSTA, 2007). No entanto, Cegalla (2009) reconhece a 
possibilidade de uso de e nem quando se quer dizer mas não. 
De qualquer forma, e nem pode ter caráter enfático. No entanto, evite tal construção 
em redação oficial, técnica ou científica!
O recorrente não concorda 
com o prazo e nem com o 
valor da multa.
O recorrente não concorda 
com o prazo Ø nem com o 
valor da multa.
A fim de manter a clareza textual, evite dupla negação: não nem, nem tampouco, 
etc.
[...] garantias, que emergem de forma natural de qualquer caráter 
contratualista ou associativo, sem não, ao mesmo tempo, deixar de 
impingir-lhe deveres, obrigações, observâncias, limitações, ao exercício 
pleno de certas liberdades naturais e a propriedade [...].
Apesar de ser uma conjunção coordenativa aditiva, diversos estudiosos, como 
101
Piacentini (2009), abonam, por questões de estilística, o uso de vírgula antes do nem.
 NO SENTIDO DE / NO SENTIDO DE QUE
É comum em textos jurídicos o emprego exagerado da expressão no sentido de, o 
que constitui um cacoete. Para não empobrecer o texto, evite o uso de no sentido 
de quando for dispensável e alterne a expressão, conforme o caso, com para, de, a 
fim de, com o objetivo de etc.!
Prefira empregar a expressão apenas quando indicar direção (“[...] fica no sentido 
de Belo Horizonte”)Em razão de se considerarem a natureza e as peculiaridades do trabalho da equipe de 
revisão, surgiu a necessidade de elaborar um manual de redação com o objetivo de orientar 
a escrita técnica e de elucidar dúvidas atinentes à redação científica e à oficial. Este manual 
propõe orientar os editores da Revista do TCEMG e os autores de doutrina a elaborarem 
textos condizentes com a norma-padrão, compreensíveis pelos cidadãos (por quem e para 
quem exercemos nosso trabalho) e livres das “afetações” comuns em textos técnicos ou 
científicos — em especial os redigidos — e das contaminações de registros linguísticos 
estranhos ao assunto do texto.
Em outras palavras, este manual pretende, sem caráter impositivo ou normativo, auxiliar 
aqueles que, no dia a dia, trabalham com a gênese e a edição textuais.
Por fim, salientamos que esta obra é fruto de discussões e troca de sugestões entre os seus 
autores e se baseou no exame detalhado dos textos constantes dos corpora da Revista do 
TCEMG.
Belo Horizonte, 16 de abril de 2014.
Diego Felipe Mendes de Melo
PREFÁCIO À 1ª EDIÇÃO
14
Nenhum manual deve pretender esgotar os temas que são os motivos de sua elaboração. 
Isso se aplica de modo perfeito a manuais relativos ao uso da língua portuguesa, dada a 
complexidade intrínseca do vernáculo aliada às alterações ocorridas no uso de qualquer 
idioma, como fenômeno social. No entanto, a confecção de manuais bem pode ajudar no 
trabalho de algum coletivo na sua lida diária com determinados temas, inclusive o uso da 
língua. Este Manual de Redação e Estilo vem a constituir mais uma das fontes de consulta 
para os trabalhos de revisão de textos a serem publicados pela Revista do TCEMG, ao lado 
de extensa bibliografia sobre o tema, consultas na Internet etc.
A primeira edição deste guia, com redação coordenada por Diego Felipe Mendes de Melo, 
trouxe importante colaboração, ao sistematizar de forma didática algumas soluções relativas 
a várias questões que sempre aparecem nos trabalhos de revisão de textos a serem publicados 
pela Revista.
A leitura e o uso da 1ª edição mostraram que havia alguns pequenos pontos que podiam 
ser melhorados, adaptados, suprimidos ou acrescentados. Por esse motivo, sem pretender 
esgotar o trabalho de crítica e de melhorias, mantida a estrutura do texto original, 
procurou-se fazer algumas alterações que viessem a somar ao importante trabalho da 
primeira edição. Espera-se assim poder contribuir para os trabalhos de revisão e edição de 
textos que são submetidos à Revista do TCEMG.
Belo Horizonte, 14 de março de 2019.
Gilson Esteves Guedes Filho
PREFÁCIO À 2ª EDIÇÃO
15
COMO CONSULTAR
 ESTE MATERIAL
Com o intuito de deixar a leitura mais agradável, utilizamos símbolos (imagens e 
emoticons) para sinalizar os exemplos ou destacar algum trecho relevante.
Legenda:
Apesar de correto no aspecto gramatical, o texto não está na sua 
“melhor construção”.
O texto está correto no aspecto gramatical e na sua “melhor 
construção”.
Embora reconhecido pela maioria dos linguistas contemporâneos, 
trata-se de texto com construção mal vista pela gramática prescritiva 
ou vedada em redação oficial.
O texto do exemplo está correto.
O texto do exemplo está incorreto.
Sinaliza um resumo, recomendação ou comentário feito pela redação.
Introduz um alerta ou uma exceção sobre a informação dada.
Recomenda literatura complementar sobre os temas em análise.
P
O
&
16
O CERTO E O
 ERRADO
O vocábulo “gramática” vem do grego grammatiké e corresponde ao conjunto 
de regras para determinado uso da língua. Isso quer dizer que a gramática varia 
conforme a situação e o meio em que as pessoas do discurso se comunicam.
Hoje não mais se justifica uma gramática dogmática que imponha leis sem um 
raciocínio reflexivo ou até mesmo um mínimo de cientificidade. Como alternativa 
à rigidez — quase imutabilidade — da gramática tradicional, baseada em autores 
cujas obras remontam a um século ou mais, muito se tem propagado a necessidade 
de uma grammatiké pragmática, funcional e condizente com a realidade dos falantes 
e escreventes da língua.
Negar a dinamicidade e a evolução da língua e apontar uma gramática de “bons usos” 
implicaria ir contra o fluxo natural do discurso e contradizer a própria formação da 
língua portuguesa. Por isso diz-se que não há, em caráter necessário, um discurso 
certo ou errado se o co(n)texto não for considerado.
Quando se trata de textos científicos e oficiais, tanto o autor quanto o revisor devem 
ponderar as circunstâncias e os destinatários de sua mensagem, sem fugir à “norma 
culta” exigida pelos cânones jurídicos e acadêmicos. 
Dessa forma, o presente manual não se presta a impor regras gramaticais rígidas nem 
a determinar o estilo dos autores, mas sim a descrever as principais inadequações 
referentes à propriedade vocabular e ao uso da norma-padrão da língua portuguesa 
do Brasil.
“Para quem gosta de certezas e seguranças, tenho más notícias: 
a gramática não está pronta. Para quem gosta de desafios, tenho 
boas notícias: a gramática não está pronta. Um mundo de questões 
e problemas continua sem solução, à espera de novas ideias, novas 
teorias, novas análises, novas cabeças.”
Mário Alberto Perini
“JURIDIQUÊS” 
 RodRigues (2013)
“O CERTO E O ERRADO” E PRECONCEITO LINGUÍSTICO
Bagno (2000); Bagno (2003); scheRRe (2005); scheRRe (2008)
&
&
editorial na 
Revista
O processo
 ERRADO
18
19
ARTIGOS
Esquema do trâmite de artigos
 
Recebimento Avaliação prévia Decisão 
editorial 
Preparação de 
cópias para 
revisão 
Revisão Aprovação pelo 
autor 
Diagramação 
 Recebimento e avaliação prévia
O artigo recebido para provável publicação é registrado no banco de dados da 
Revista e encaminhado para avaliação prévia, que analisa os critérios básicos de 
classificação de um texto de caráter técnico ou científico e a pertinência com a linha 
editorial do periódico. 
A avaliação prévia consiste em analisar:
1. estrutura textual (introdução, desenvolvimento e conclusão);
2. classificação do artigo na linha editorial da Revista;
3. estrutura lógica da argumentação;
4. observância às normas da ABNT;
5. existência e pertinência do resumo, palavras-chave, abstract e keywords;
6. adequabilidade do título ao texto; e
7. referenciação de todas as citações.
AARTIGOS
2020
1 Estrutura textual (introdução, desenvolvimento e conclusão)
Para que se crie um texto, não basta atender apenas aos ditames da “norma culta 
padrão”, mas também aos caracterizadores de textualidade. Vários períodos e 
parágrafos “soltos” — sem conectivos e sem coerência entre as ideias expostas — 
não formam uma trama de ideias, ou seja, não constituem um texto.
Ademais, toda a estrutura textual, a fim de que seja compatível com o gênero texto 
científico, deve conter introdução, desenvolvimento e conclusão. Os títulos das 
seções introdução e conclusão devem respectivamente ser esses mesmos nomes 
explicitados.
Se o arquivo encaminhado não for um texto ou não pertencer ao gênero 
texto científico, será rejeitado pelo editor chefe e devolvido ao autor.
2 Classificação do artigo quanto à linha editorial da Revista
Até a data de publicação desta obra, a linha editorial da Revista do TCEMG é a 
descrita na Resolução TCEMG n. 16, de 2010, a saber: Direito Público, Filosofia 
do Direito, História do Direito, Teoria Geral do Direito, Ciência Política, Sociologia 
Jurídica, Administração Pública, Contabilidade Pública, Ciências Econômicas, 
Ciências Atuariais e Psicologia aplicada aos Recursos Humanos.
 Caso o artigo não se enquadre na linha editorial, ele será rejeitado e 
devolvido ao autor, com interrupção da sua sua tramitação.
3 Estrutura lógica da argumentação
Em análise superficial, o editor pode verificar se a argumentação, do ponto de 
vista da lógica formal, constitui falácias. Nesse caso, se o autor tiver observado os 
demais critérios da avaliação prévia, as informações falaciosas serão anotadas no 
formulário de avaliação prévia com anuência do editor chefe,(COSTA, 2007)!
Esta Corte de Contas já se 
posicionou no sentido de 
que é vedada a acumulação de 
cargos, empregos e funções 
públicas [...].
Esta Corte de Contas já se 
posicionou pela impossibilidade 
de acumulação de cargos, 
empregos e funções públicas 
[...].
 O MESMO / A MESMA
Apesar de não existir óbice na linguística cognitiva para utilizar o mesmo em vez 
de pronomes ― como os pessoais ele e ela, por exemplo ― (CASTILHO, 2012), a 
gramática normativa condena o uso dessa expressão para tal finalidade (ALMEIDA, 
1981; COSTA, 2007).
Alguns manuais tradicionais afirmam que o(a) mesmo(a) deve ser sempre 
acompanhado de substantivo. Segundo eles, mesmo é pronome adjetivo, sem valor 
de substantivo; portanto, não tem função de substituir ele, este, para ele, nele, dele 
etc.
Assim, embora haja uma (tímida) tendência de gramaticalização de o mesmo como 
substituto de um pronome, recomenda-se não o empregar dessa forma.
O Fica mantida a atual competência 
do controle interno até que a 
mesma seja definida em resolução. 
Fica mantida a atual competência 
do controle interno de contas até 
que Ø seja definida em resolução.
102
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 O(A) QUAL
Na maior parte das vezes, é indiferente usar o qual ou que. Em alguns casos, o 
emprego de apenas um deles é possível (CEGALLA, 2009):
• quando for necessário resolver ambiguidades, usa-se o qual (e suas flexões de 
gênero e número);
• depois das preposições sem e sob, usa-se o qual;
• depois das preposições com duas ou mais sílabas, usa-se o qual;
• depois de locução prepositiva, usa-se o qual;
• depois de certos pronomes indefinidos, numerais e superlativos, em orações 
explicativas, usa-se o qual; 
• depois de preposições monossilábicas, em orações de sentido restritivo, 
emprega-se, de preferência, que.
 OBRIGADO
Obrigado é palavra flexionável. Ou seja, a mulher diz obrigada, e um grupo de 
mulheres diz obrigadas. Se obrigado for antecedido por muito (advérbio), apenas 
aquele é flexionável. Exemplo: “Muito obrigados! [agradecimento de um grupo de 
pessoas]”.
 OFICIAR / OFICIALIZAR
Oficiar (transitivo indireto) significa dirigir ofício a alguém, comunicar por 
ofício. Oficializar é verbo transitivo direto e significa tornar oficial (FERREIRA, 
2010; LUFT, 1995).
O O controle interno oficializou ao 
Tribunal de Contas sobre a abertura 
de crédito extraordinário sem 
previsão orçamentária.
O controle interno oficiou ao 
Tribunal de Contas sobre a abertura 
de crédito extraordinário sem 
previsão orçamentária.
O presidente oficializou a renúncia.
Consulte Regência e transitividade!
103
 ONDE / AONDE
Onde é pronome relativo que significa em que, referindo-se sempre a local físico.
O Para melhor compreensão do 
assunto, faz-se necessário adentrar 
a doutrina, de onde se extrai a 
seguinte lição [...].
A prefeitura onde foi realizada a 
perícia. 
Para melhor compreensão do 
assunto, faz-se necessário adentrar 
a doutrina, da qual se extrai a 
seguinte lição [...].
Usa-se onde com verbos de acepção estática, que indicam permanência em 
algum lugar. Aonde se emprega com verbos de acepção dinâmica, indicadores de 
movimento, correspondendo à contração a + onde (COSTA, 2007).
Aonde o processo será 
encaminhado? 
O [...] sendo diferente das demais já 
estudadas, aonde não se consegue 
identificar, de forma isolada, a parte 
referente ao caráter público ou 
privado.
& ONDE / AONDE
caBRal (2011); MaRinho (1999)
 OPERACIONALIZAR
Operacionalizar tem o significado de tornar operacional ou tornar apto a operar. 
No entanto, operacionalizar tem sido empregado de modo indiscriminado como 
sinônimo de executar, fazer.
Conforme o Manual de Redação da Presidência da República (BRASIL, 2002, grifo 
do autor):
operacionalizar
Neologismo verbal de que se tem abusado. Prefira realizar, fazer, 
executar, levar a cabo ou a efeito, pôr em obra, praticar, cumprir, desempenhar, 
produzir, efetuar, construir, compor, estabelecer. É da mesma família de 
agilizar, objetivar e outros cujo problema está antes no uso excessivo 
do que na forma, pois o acréscimo dos sufixos -izar e -ar é uma das 
possibilidades normais de criar novos verbos a partir de adjetivos 
(ágil + izar = agilizar; objetivo + ar = objetivar). Evite, pois, a repetição, 
que pode sugerir indigência vocabular ou ignorância dos recursos do 
idioma.
104
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
O A prefeitura contratou empresa 
terceirizada para operacionalizar a 
folha de pagamento de pessoal.
Era necessária a regulamentação do 
Executivo para operacionalizar 
aquela lei.
 PAGADO E PAGO
Trata-se de particípio do verbo pagar, mas é forma pouco usada e pode soar es-
tranha (CEGALLA, 2009). Por isso, deve-se preferir o particípio irregular pago a 
pagado.
 PERTINENTE / PERTINÊNCIA
Pertinere (do latim) deu origem ao verbo pertencer, ao adjetivo pertinente, ao 
substantivo pertinência. Não existe na língua portuguesa o verbo pertinir, 
portanto a expressão no que pertine (= no que se refere) também não tem 
acolhida na nossa gramática, uma vez que pertine seria 3ª pessoa do singular de 
um verbo que não existe no Volp nem em outro dicionário de língua portuguesa.
Há outras expressões com o mesmo significado de no que se refere que podem 
substituí-la: no que concerne, no que diz respeito, quanto a, relativamente a. 
Não é correto empregar no que pertine.
 PONTUAÇÃO EM LISTAS
Para anunciar a apresentação de elementos em lista, usam-se dois-pontos. A fim de 
separar os itens da lista usa-se: ponto e vírgula e iniciais minúsculas, quando cada 
período for curto. Usa-se a enunciação dos elementos de lista não antecedida de dois 
pontos, com cada período com ponto final e inicial maiúscula, quando os períodos 
forem longos. 
 POR UNANIMIDADE / À UNANIMIDADE
É incorreta a construção à unanimidade. O correto é por unanimidade.
O O voto foi aprovado à unanimida-
de.
O voto foi aprovado por 
unanimidade.
& SEMÂNTICA DAS PREPOSIÇÕES
BechaRa (2001); castilho (2010); neves (2011)
105
 POR VIA DE REGRA / VIA DE REGRA
Por via de regra é locução adverbial que tem a acepção de em geral, em regra. 
Segundo Domingos P. Cegalla (2009), via de regra é variante censurada de por via 
de regra.
Para realizar essas contratações é 
obrigatória, por via de regra, a 
instauração de licitação. 
O Via de regra, os contratos 
dependem de um processo seletivo.
 POSTO QUE
Trata-se de conjunção concessiva equivalente a ainda que, embora, se bem 
que, apesar de (BRASIL, 2011; CEGALLA, 2009; COSTA, 2004).
Posto que não possui valor causal (porque, visto que) nem conclusivo (portanto, 
dessa forma).
O Constatou-se ainda controle pouco 
efetivo, posto que 25% dos 
conselhos não têm as suas ações 
fiscalizadas por instância distinta da 
que o administra [...].
Constatou-se ainda controle pouco 
efetivo, uma vez que 25% dos 
conselhos não têm as suas ações 
fiscalizadas por instância distinta da 
que o administra [...].
O Trata-se de objetos distintos e para 
atender às secretarias com 
necessidades também distintas; 
posto que não há como somar as 
despesas realizadas com cartazes e 
ingressos com os blocos de notas 
fiscais para a tesouraria.
Trata-se de objetos distintos e para 
atender às secretarias com 
necessidades também distintas; 
portanto não há como somar as 
despesas realizadas com cartazes e 
ingressos com os blocos de notas 
fiscais para a tesouraria.
 PRECISAR
Precisar é verbo transitivo direto ou indireto. No Brasil, o mais comum é usar a 
preposição quando o complemento verbal é um substantivo ou pronome e omiti-la 
quando o complemento for um verbo no infinitivo.
Eu preciso estudar. O Eu preciso de estudar.
106
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 PROCEDER
Proceder, na acepção de realizar, executar, levar a efeito é transitivo indireto, o 
que significa que ele sempre se liga ao seu complemento por meio de uma preposição 
(quem realiza algo, procede a alguma coisa) (FERNANDES, 2005b; LUFT, 1995). 
No sentido de comportar-se, proceder é intransitivo.
O Depois de protocolizadaa denúncia, 
o conselheiro determinou que o 
órgão técnico procedesse Øa 
inspeção in loco.
Depois de protocolizada a denúncia, 
o conselheiro determinou que o 
órgão técnico procedesse à 
inspeção in loco.
Ao licitante foi solicitado que saísse 
da sala por proceder de maneira 
inadequada.
Consulte Regência e transitividade!
 PRONOME “SE” + INFINITIVO
Deve-se evitar o uso da partícula indeterminadora do sujeito “se” quando seguida de 
verbo no infinitivo (ALMEIDA, 1981; COSTA, 2007).
O Tribunal de Contas 
propõe-se a ser uma 
instituição de referência.
O Tribunal de Contas 
propõe-se Ø ser uma 
instituição de referência.
Consulte Regência e transitividade!
É necessário se discutir o 
impacto dessa “nova 
modalidade” de licitação [...].
É necessário Ø discutir o 
impacto dessa “nova 
modalidade” de licitação [...].
 PROPOR-SE (FAZER ALGUMA COISA)
Propor-se, com o sentido de ter em vista, visar, intentar, é verbo pronominal. 
(FERNANDES, 2005b).
É frequente o emprego da preposição a antes do infinitivo. Na dúvida, recomenda-
se a sintaxe propor-se + infinitivo, sem a preposição a.
107
 PROTOCOLAR / PROTOCOLIZAR
As duas formas têm o sentido de registrar no protocolo e são igualmente corretas.
Protocolar é uma simplificação brasileira do verbo original 
protocolizar, formado pelo adjetivo protocolar + sufixo izar, que 
indica ação.
 QUALQUER
O pronome qualquer não possui valor negativo. O étimo desse pronome 
corresponde a qual quer, indicando o que quiser, ou o que quer que seja. Usar 
qualquer com a significação de nenhum é um estrangeirismo sintático e pode gerar 
ambiguidade por se desviar do sentido original.
No entanto, Domingos Paschoal Cegalla (2009, p. 331) entende “que não se deve 
condenar o emprego de qualquer nesta acepção, tão generalizado está”.
A Lei Municipal [...] criou o 
Ipsem, sem qualquer cálculo 
atuarial na gestão do Prefeito 
[...], e regulamentou os gastos 
com saúde.
A Lei Municipal [...] criou o Ipsem, 
sem nenhum cálculo atuarial na 
gestão do Prefeito [...], e 
regulamentou os gastos com saúde.
 QUANTO ANTES / O QUANTO ANTES
A expressão correta é quanto antes, sem o artigo o. Por se tratar de locução 
adverbial, é descabido o uso de artigo para antecedê-la (CEGALLA, 2009; COSTA, 
2007).
O Termine o serviço o quanto antes. Termine o serviço quanto antes. 
 “QUE” — PRONOME RELATIVO
“Que” é pronome relativo quando pode ser substituído por o qual, a qual, os 
quais, as quais.
O emprego desse pronome em orações adjetivas restritivas (sem marcação de 
vírgulas) e adjetivas explicativas (entre vírgulas) costuma gerar dúvidas. Enquanto 
as orações subordinadas adjetivas explicativas dão informações adicionais sobre a 
oração principal, as restritivas delimitam o entendimento dessa.
108
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
Os analistas do tribunal Ø que são 
contadores não concordaram com 
balanço financeiro apresentado. 
[Oração sub. adj. restritiva. No 
tribunal há analistas que são 
contadores e outros que não são; 
porém, aqueles que são contadores 
não concordaram com o balanço.]
Os analistas do tribunal, que são 
contadores, não concordaram com 
balanço financeiro apresentado. 
[Oração sub. adj. explicativa. No 
tribunal há analistas, e todos eles são 
contadores e não concordaram com 
o balanço.]
 
A presidente Ø Adriene Andrade 
Ø nomeou mais um servidor 
aprovado em concurso. [Nesse 
caso, há mais de uma presidente e 
foi a presidente Adriene quem 
nomeou o servidor.]
A presidente, Adriene Andrade, 
nomeou mais um servidor 
aprovado em concurso. [Nesse 
caso, há apenas uma presidente, a 
Adriene Andrade.]
Ao empregar os pronomes relativos deve-se observar a regência do 
verbo, a concordância e outros aspectos sintáticos para não incorrer 
em erros que comprometam o entendimento.
O No Brasil, a propriedade da terra sofreu uma série de limitações baseadas na 
função social que deve observar, sobretudo a partir da Constituição de 1988.
Que retoma expressão da oração anterior (função social): “A função social 
deve observar”. Com a omissão do objeto direto do verbo observar, verifica-se 
que a oração fica truncada, pois é a função social (sujeito passivo) que deve ser 
observada por alguém.
O No Brasil, a propriedade da terra 
sofreu uma série de limitações 
baseadas na função social que deve 
observar, sobretudo a partir da 
Constituição de 1988.
No Brasil, a propriedade da terra 
sofreu uma série de limitações 
baseadas na função social que se 
deve observar, sobretudo a partir 
da Constituição de 1988.
TribunalTribunal
Analistas do Tribunal 
= 
Analistas contadores
Analistas do Tribunal
Analistas contadores
109
 “QUEÍSMO”
Queísmo é o nome que se dá para um problema estilístico muito comum em textos 
jurídicos e consiste no uso indiscriminado e repetitivo do que. No caso de repetição 
inútil de de que, diz-se dequeísmo.
 QUEM / QUE — PRONOME RELATIVO
O pronome invariável quem só pode referir-se a pessoas ou coisas personificadas 
e vem sempre precedido de preposição, exceto em frases interrogativas; que pode, 
de igual modo, referir-se a pessoas ou coisas. Ambos funcionam como pronomes 
substantivos.
O Sucede que o controle dos 
excessivos gastos [...] interessa à 
sociedade como um todo, pois, em 
caso de insuficiência de recursos, 
será ela quem arcará com os custos 
[...].
O funcionário a quem atribuímos a 
tarefa foi afastado do cargo.
Os funcionários de quem falamos 
são estes.
Os servidores de que precisamos 
apareceram.
 QUITE (PARTICÍPIO PASSADO DO VERBO QUITAR)
Concorda no singular ou plural com a palavra modificada (CEGALLA, 2009). A 
palavra quite é muitas vezes tomada como invariável, erro muito frequente.
Estou quite com a justiça federal.O Estamos quite com a justiça 
federal.
 QUORUM / QUÓRUM
Quorum indica o número de pessoas que deve comparecer às assembleias para que 
estas possam deliberar de maneira válida.
O Volp (ABL, [online]) registra a palavra apenas como estrangeira (latina), portanto 
sem acento gráfico. No entanto, os dicionários Caldas Aulete [online], Aurélio Ferreira 
(2010), e Houaiss (2001) registram ambas as grafias (quorum e quórum). Assim, não 
há por que censurar o uso de nenhuma das formas. 
No entanto, deve-se atentar para o uso correto do grifo (o itálico): quando grafado 
com acento, quórum é palavra do português brasileiro e não recebe grifo de palavra 
estrangeira; quando grafado sem acento, quorum é palavra estrangeira e, logo, deve 
ser grifada.
110
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 QUOTA/COTA
As duas formas são corretas e consideradas sinônimas. Têm o sentido de 
determinada porção, quinhão, nota de apontamento de pequena extensão 
nos autos de um processo.
Nos textos de lei, observa-se uma tendência a se usar quota com significado de 
quinhão e cota com o significado de nota concisa. No entanto, tal diferenciação 
não está registrada em nenhuns dos principais dicionários da língua portuguesa nem 
de conceitos jurídicos (AULETE, [online]; FERREIRA, 2010; DINIZ apud COSTA, 
2007; HOUAISS, 2001).
 REGÊNCIA E TRANSITIVIDADE
Devido à grande extensão do tema, sugere-se consultar as principais obras e 
dicionários sobre o assunto.
& REGÊNCIA VERBAL
FeRnandes (2005b); luFt (1995) 
 & REGÊNCIA NOMINAL
FeRnandes (2005a); luFt (1992) 
& TRANSITIVIDADE VERBAL
aulete [online]; auRélio (2010); BRito; agRa (2008); 
houaiss (2001); KaspaRy (2010)
 RESSALTE-SE!
Tem havido incorreções frequentes no emprego da forma verbal ressalte-se e de 
outras similares, como: destaque-se, sublinhe-se, saliente-se, releve-se — formas 
reduzidas de orações com o sentido de: cabe ressaltar, é importante destacar, 
cumpre salientar, impende registrar, é relevante distinguir. São predicados 
de orações cujo sujeito é a oração seguinte geralmente iniciada pela conjunção 
integrante que.
Ressalte-se é o mesmo que é necessário que se ressalte e, não, que se ressalta. 
O verbo, nesse caso, deve ser usado no imperativo (modo verbal que expressa uma 
ordem, recomendação, convite, conselho,pedido). 
Atente-se que, nas formas de imperativo dos verbos da 1ª conjugação, a vogal 
temática a muda para e, pois são originadas do presente do subjuntivo.
O Ressalta-se que, uma vez deferido 
o abono, vincula-se ao cargo efetivo 
que lhe deu origem! 
Ressalte-se que, uma vez deferido o 
abono, vincula-se ao cargo efetivo 
que lhe deu origem! 
111
 RESTAR
Restar não é sinônimo de ficar, estar, ser; sua acepção está relacionada com 
subsistir como resto e sobrar (AULETE, [online]; COSTA, 2007; KASPARY, 
2010). Essa confusão é muito comum nos textos jurídicos.
O Por se tratar de transição, restaram 
consignadas, na petição, as falhas de 
instrução da tomada de contas 
especial.
Por se tratar de transição, foram 
consignadas, na petição, as falhas de 
instrução da tomada de contas 
especial.
 RESULTAR
Há diferenças sutis de significado para o verbo resultar conforme a regência 
utilizada.
Quando significa ser a consequência, o efeito natural, a conclusão lógica, nascer, 
provir, proceder, dimanar, resultar é transitivo indireto (exige a preposição de). 
Também é transitivo indireto (exige a preposição em) quando tem a acepção de 
tornar-se, reverter, redundar. 
As vantagens pecuniárias que 
deviam resultar da distribuição de 
um produto não ocorreram. 
A perfeição espiritual é a que 
resulta de todos os nossos atos. 
Isso resulta em dano do Estado. 
 Palavras que sem nenhum custo, às 
vezes, resultam em grande 
proveito. 
Com a acepção de dar resultado, seguir-se, originar-se, resultar é transitivo 
direto e indireto. 
A denúncia contra o prefeito foi convertida em processo administrativo e desse 
fato lhe resultaram prejuízos políticos naquela eleição.
No sentido de vir a ser em resultado, resultar tem a natureza de 
verbo de ligação (resultar + predicativo). 
“Os esforços resultaram improfícuos.” [Esse emprego, próprio do 
castelhano não é abonado por alguns gramáticos, mas é acolhido por 
outros como empréstimo já consagrado.]
“A diligência resultou inútil.” [A liberdade para tal emprego é, por isso, 
admitida pela corrente mais moderna.]
Consulte Regência e transitividade!
112
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 SENDO QUE
Conforme Almeida (1981), sendo que é locução conjuntiva causal (equivalente a 
desde que, porquanto, porque, uma vez que, visto que), e esse é o seu único emprego 
correto. Trata-se de erro qualquer outro uso da expressão sendo que; não se deve 
utilizá-la para exprimir a ideia de adição (e) ou oposição (mas). 
Nesses casos, recomenda-se a correção de sendo que pela conjunção adequada, sua 
supressão ou a colocação de ponto final ou ponto e vírgula.
Destaque-se que Cegalla (2009), sem apontar exceções, recomenda evitar o uso de 
sendo que para unir orações!
Afasto a irregularidade apontada 
pelo órgão técnico, pois se refere à 
falha apenas formal, sendo que os 
conteúdos dos atos atingiram a 
finalidade. 
O O advogado contentou-se com o 
provimento parcial do recurso, 
sendo que preferiria a reforma 
integral da decisão.
O advogado contentou-se com o 
provimento parcial do recurso, mas 
preferiria a reforma integral da 
decisão.
 SER (OMISSÃO)
Nos textos jurídicos, é frequente a supressão do verbo de ligação (ser) que deve 
compor o predicado das orações, termo indispensável para a conexão do qualificativo 
ao qualificado.
O No entanto, mister ressaltar que o 
julgador não está adstrito aos fatos. 
No entanto, é mister ressaltar que o 
julgador não está adstrito aos fatos.
O Por isso, cabível a conversão de 
ofício da ação cautelar em ação 
ordinária.
Por isso, é cabível a conversão de 
ofício da ação cautelar em ação 
ordinária.
 SOB O PONTO DE VISTA
Sob é um prefixo que indica posição de uma coisa inferior à outra (ex.: sobpor). 
Sob o ponto de vista é expressão equivocada. O correto é do ponto de vista 
(CEGALLA, 2009).
O Sob o ponto de vista metodológico, 
a ciência jurídica também pode 
limitar subjetivismos aleatórios 
nessa questão.
Do ponto de vista metodológico, 
a ciência jurídica também pode 
limitar subjetivismos aleatórios 
nessa questão.
113
 SOBRESTAR
Quanto à conjugação, flexiona-se como o verbo estar, do qual é derivado. Significa 
suspender, sustar. Exemplo: “Depois que o STF sobrestou o julgamento dos 
recursos [...]”.
Quanto à regência, pode ser empregado como transitivo direto (pode aparecer com 
sujeito na voz passiva) ou indireto precedido da preposição em.
Poderá o relator determinar que 
seja sobrestado o processo.
Sobresteve em assinar a petição 
(abster-se).
 SOER
Na terceira pessoa do presente do indicativo, escreve-se sói, e, não, soe. 
Diz-se que algo sói acontecer quando sua ocorrência é comum. Pode-se empregar o 
verbo como sinônimo de costumar (algo costuma/sói acontecer; alguém costuma/
sói apresentar bons trabalhos). 
 STRICTO SENSU
Stricto sensu é a grafia correta dessa expressão latina; o antônimo é lato sensu.
 “SUJEITO PREPOSICIONADO”
Segundo a gramática tradicional, não se deve fazer contração de preposição com 
parte do sujeito. Perfilha esse entendimento o Manual de Redação da Presidência 
da República (2002), o Manual de Redação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas 
Gerais (BRASIL, 2011).
Observa-se, no entanto, que há uma forte tendência de gramaticalização do 
“sujeito preposicionado” (BECHARA, 2001; CEGALLA, 2009; NEVES, 2003;)! 
Conforme, Maria Helena de Moura Neves (2003), 
a preposição ‘de’ rege a oração infinitiva inteira, não apenas o sujeito. 
Além disso, é muito mais natural a seqüência fonética obtida com as 
contrações da preposição ‘de’ com a vogal inicial do adjunto (do, da, 
deste, dele) do que sequências como ‘de o, de a, de este, de ele’.
Interessante também é a conclusão de José Maria da Costa (2007, p. 420): “não se 
trata, no entanto, convém frisar, de uma questão de certo ou errado, mas, acima de 
tudo, é um problema de maior ou menor gabarito da expressão escrita”.
114
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
Assim, em redação não oficial, não há motivo para censurar essa construção do 
sujeito.
As orações “existe possibilidade de ele recorrer” e “existe possibilidade dele recorrer” 
estão igualmente corretas; mas, em redação oficial, deve-se sempre optar por não se 
fazer contração do sujeito (de ele recorrer).
 SUPERAVIT / DEFICIT / DÉFICE
O vocábulo superávit (forma aportuguesada), não pertence ao léxico conforme o 
Volp (ABL, [online]). Saliente-se que o antônimo (deficit) foi incorporado ao léxico na 
forma défice.
Ressalte-se que dicionários de renome (AULETE, [online]; FERREIRA, 2010; 
HOUAISS, 2001) trazem déficit e superávit como formas aportuguesadas. 
Deficit e superavit (sem acento gráfico) são expressões latinas e, portanto, 
devem ser escritas com itálico. 
A revisão da Revista do TCEMG, para fins de padronização, adota apenas as formas 
previstas no Volp: deficit, superavit e défice.
 TRATAR-SE (DE) / TRATAR DE 
O verbo tratar pode ter sujeito. Todavia, pode-se indeterminar o sujeito quando 
se emprega o verbo na terceira pessoa do singular e o pronome se (índice de 
indeterminação).
O Tratam-se os autos de processo 
administrativo disciplinar.
O relator, neste processo, trata de 
pagamento de verba indenizatória a 
vereadores. [voz ativa]
Tratam os autos de processo 
administrativo disciplinar. [voz 
ativa]
O Este parecer em consulta trata-se 
de pagamento de verba 
indenizatória a vereadores.
Este parecer em consulta trata de 
pagamento de verba indenizatória a 
vereadores. [voz ativa]
Trata-se de processo disciplinar 
[...]. [sujeito indeterminado]
115
Nos exemplos o verbo está na voz ativa e rege objeto indireto, e o pronome se é 
índice de indeterminação do sujeito. Nesses casos, o verbo tratar conjuga-se, em 
caráter obrigatório, na terceira pessoa do singular, mesmo que o termo ou expressão 
seguinte esteja no plural (CEGALLA, 2009).
 VERBOS ABUNDANTES
Abundantes são os verbos que admitem mais de uma forma de conjugação. É muito 
comum a abundância de particípios, tais como:
Aceitado e aceito; acendido e aceso; concluídoe concluso; elegido e eleito; 
emergido e emerso; entregado e entregue; expressado e expresso; exprimido 
e expresso; extinguido e extinto; expulsado e expulso; findado e findo; 
imprimido e impresso; limpado e limpo; matado e morto; morrido e morto; 
omitido e omisso; prendido e preso; rompido e roto; salvado e salvo; segurado 
e seguro; suprimido e supresso; suspendido e suspenso.
O particípio terminado em [-ado] ou em [-ido], denominado de particípio regular, é 
empregado na voz ativa quando precedido do verbo auxiliar “ter” ou “haver”.
O particípio não terminado em [-ado] ou em [-ido], denominado de particípio 
irregular, é empregado na voz passiva com os verbos auxiliares “ser” ou “estar”.
Os particípios regulares são variáveis em gênero e número.
O Os autos tinham sido entregados 
ao gabinete do conselheiro.
Os autos tinham sido entregues ao 
gabinete do conselheiro. 
VERBOS EM COORDENAÇÃO COM REGÊNCIAS 
DIFERENTES
“Normativistas” condenam construções que dão um complemento comum a verbos 
de regências diferentes. 
Conforme Cegalla (2009, p. 93, grifo nosso), 
gramáticos puristas condenam [...] [tais construções]. A nós parece 
perfeitamente possível essa sintaxe, desde que não comprometa a 
clareza da frase e lhe transmita mais vigor. 
Cabe ao STF cuidar e proteger 
o texto constitucional [...].
Cabe ao STF cuidar do texto 
constitucional bem como 
protegê-lo [...].
116
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 VEZ QUE / DE VEZ QUE
As expressões vez que ou de vez que não são registradas em nenhum dos principais 
dicionários da língua portuguesa. Nesse caso, deve-se empregar uma vez que, 
porque, porquanto (COSTA, 2007).
 VISAR
O verbo visar pode ser transitivo direto (sem preposição) ou transitivo indireto 
(com preposição). 
Quando significa apor visto e mirar, é transitivo direto.
O consulado já visou o passaporte. 
[dar visto]
O policial visou o alvo e atirou. 
[mirar]
Quando significa desejar, almejar, pretender, ter em vista, visar é transitivo 
indireto e exige a preposição a. Se estiver seguido por um infinitivo, a preposição a 
pode ser omitida.
Saliente-se que a transitividade de visar tem passado por um processo de 
gramaticalização. Conforme Ferreira (2010), Costa (2007) e Luft (1995), visar, com a 
acepção de ter em vista, objetivar, pode ser tanto transitivo direto quanto indireto. 
No entanto, em textos oficiais, recomenda-se empregar as regências eruditas, em 
consonância com o Manual de Redação Presidência da República (BRASIL, 2002).
A defendente mostra-se 
receptiva às sugestões e 
orientações emanadas das 
análises deste órgão técnico e 
do MP, de modo que 
promovem alterações que 
visam Ø o aprimoramento do 
edital de licitação.
A defendente mostra-se receptiva 
às sugestões e orientações emanadas 
das análises deste órgão técnico e do 
MP, de modo que promovem 
alterações que visam ao 
aprimoramento do edital de 
licitação.
Evite o uso no gerúndio (visando e objetivando) no lugar da preposi-
ção para.
Consulte Regência e transitividade!
117
 VOSSA EXCELÊNCIA
Vossa Excelência é pronome de tratamento utilizado para se dirigir a: presidente da 
República; vice-presidente da República; ministros de Estado; governadores e vice-
governadores de Estado e do Distrito Federal.
Vossa Excelência (V. Exa.), assim como todos os outros pronomes de tratamento, 
leva o verbo da oração para a terceira pessoa. Exemplos: “Vossa Excelência não 
sabe o que diz.” “Vossas Excelências estão de acordo?”
De acordo com o Manual de Redação da Presidência da República (2002), é de uso 
consagrado:
Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
a) do Poder Executivo:
Presidente da República;
Vice-Presidente da República;
Ministros de Estado;
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito 
Federal;
Oficiais-Generais das Forças Armadas;
Embaixadores;
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupantes de 
cargos de natureza especial;
Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
Prefeitos Municipais;
b) do Poder Legislativo:
Deputados Federais e Senadores;
Ministros do Tribunal de Contas da União;
Deputados Estaduais e Distritais;
Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais;
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais;
118
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
c) do Poder Judiciário:
Ministros dos Tribunais Superiores;
Membros de Tribunais;
Juízes;
Auditores da Justiça Militar.
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos 
Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo 
respectivo:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal.
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Senhor, 
seguido do cargo respectivo:
Senhor Vereador,
Senhor Secretário Municipal de Educação.
 VOZ PASSIVA (EXCESSO)
Por inverter a ordem natural das orações, o uso de várias orações na voz passiva 
num mesmo período pode prejudicar a clareza e estética textuais bem como tornar 
o texto prolixo. 
Sempre que possível, em conformidade com a concisão textual, prefira o uso da voz 
ativa.
Destaque-se, ainda, que uma das consequências semânticas de apassivar uma oração 
é dar maior ênfase ao objeto (quando esse é promovido a sujeito), e reduzir a 
expressividade do sujeito da voz ativa (quando esse é transformado em agente da 
passiva)!
Glossário
GGLOSSÁRIO
120
 Artigo científico
Parte de uma publicação com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, 
métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento.
 Artigo de revisão
Parte de uma publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas.
 Artigo original
Parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais.
 Avaliação prévia
Procedimento realizado pelo editor chefe para verificar se os critérios básicos de 
classificação de texto de caráter técnico ou científico e a linha editorial da Revista 
foram observados pelo autor.
 Boneca
Projeto gráfico, em forma de brochura de uma publicação, usado para demonstrar 
como essa se apresentará quando impressa.
 Conselho de editores
Reunião de revisores para deliberar sobre as marcações polêmicas ou sobre assuntos 
da revisão de textos.
 Copidesque
Trabalho editorial que o revisor faz ao propor mudanças e aperfeiçoamentos num 
texto, tendo em vista a clareza e o ajuste aos critérios editoriais.
 Corpus (pl. corpora)
Coleção de textos da língua em constante uso coligidos em livros, periódicos, 
documentos de todo tipo.
 Coordenadoria de Pós-graduação
Órgão do TCEMG responsável pelo conteúdo da Revista.
121
 Editor chefe
Gerente editorial responsável pelo processo de editoração da Revista.
 Gramaticalização
De forma simplificada, trata-se do processo de incorporação de um elemento à 
gramática.
 Lexicalização
Corresponde ao processo que leva à incorporação de uma palavra ao léxico.
 Metáfora do canal
A metáfora do canal é uma rede de metáforas muito sistemáticas no pensamento, 
formada por toda uma rede de metáforas conceituais.
 Paper
Artigo publicado em periódico científico.
 Semanticização
É o processo por qual passa um vocábulo para que adquira uma nova acepção. 
 Verbo-suporte
Grosso modo, trata-se de um verbo que ameniza ou perde seu valor semântico, de 
modo que varia sua significação de acordo com o nome que o acompanha. Ex.: “dar 
um tiro” é verbo-suporte com o significado de “atirar”.
 Zero (Ø)
O zero, em linguística, corresponde a um elemento necessário na análise, mas que 
não é pronunciado. Em outras palavras, quando faltar um termo que, em certa 
situação, a teoria determine ser essencial, o zero será o marcador de sua ausência.
GGLOSSÁRIO
122
Referências
RREFERÊNCIAS
124
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário ortográfico da língua 
portuguesa. [Volp-online]. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 
2013.
ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Aprova acordo 
para unificar a ortografia dospaíses de língua portuguesa. Lisboa, 16 dez. 1990.
Texto original do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Lisboa, 14-16 dez. 
1990. Disponível em: . Acesso em: 22 maio 2013.
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Dicionário de questões vernáculas. São 
Paulo: Caminho Suave, 1981. 351 p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: 
Informação e documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de 
Janeiro, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10525: 
Informação e documentação: número padrão internacional para publicação 
seriada: ISSN. Rio de Janeiro, 2005.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10719: 
Informação e documentação: relatório técnico e/ou científico: apresentação. Rio 
de Janeiro, 2011.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12225: 
Informação e documentação: lombada: apresentação. Rio de Janeiro, 2004.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12676: 
Métodos para análise de documentos: determinação de seus assuntos e seleção 
de termos de indexação. Rio de Janeiro, 1992.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5892: Norma 
para datar. Rio de Janeiro, 1989.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6021: 
Informação e documentação: publicação periódica científica impressa: 
apresentação. Rio de Janeiro, 2003.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: 
Informação e documentação: artigos em publicação periódica impressa: 
apresentação. Rio de Janeiro, 2003.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: 
Informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6024: 
Informação e documentação: numeração progressiva das seções de um 
125
documento: apresentação. Rio de Janeiro, 2012.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6025: 
Informação e documentação: revisão de originais e provas. Rio de Janeiro, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6027: 
Informação e documentação: sumário: apresentação. Rio de Janeiro, 2012.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6028: 
Informação e documentação: resumo: apresentação. Rio de Janeiro, 2003.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6029: 
Informação e documentação: livros e folhetos: apresentação. Rio de Janeiro, 
2006.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6032: 
Abreviação de títulos de periódicos e publicações seriadas. Rio de Janeiro, 
1989.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6033: Ordem 
alfabética. Rio de Janeiro, 1989.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6034: 
Informação e documentação: índice: apresentação. Rio de Janeiro, 2004.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15287: 
Informação e documentação: projeto de pesquisa: apresentação. Rio de Janeiro, 
2011.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: 
Informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de 
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dezembro de 2010. Dispõe sobre atividades da Revista do Tribunal de Contas do 
Estado de Minas Gerais, normas e procedimentos gerais para admissão, seleção 
e publicação de trabalhos no periódico, criação de Conselho Editorial e dá outras 
providências. Diário Oficial de Contas, p. 6-8, 2010.
MINAS GERAIS. Tribunal de Contas do Estado. Resolução n. 16, de 24 de 
novembro de 2010. Dispõe sobre atividades da Revista do Tribunal de Contas do 
Estado de Minas Gerais, normas e procedimentos gerais para admissão, seleção 
129
e publicação de trabalhos no periódico, criação de Conselho Editorial e dá outras 
providências. Diário Oficial de Contas, 1º de dezembro de 2010.
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VAL, Maria da Graça Costa. Redação e textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 
1991.
131e dar-se-á continuidade 
ao processo editorial do artigo. 
4 Observância às normas da Associação Brasileira de Normas 
Técnicas (ABNT)
As normas da ABNT (tabela 1) pertinentes a textos publicados em periódicos 
científicos devem ser observadas.
21
Tabela 1 — Normas técnicas da ABNT relacionadas com periódicos científicos
NORMA TÍTULO DATA
NBR 5892 Norma para datar ago. 1989
NBR 6021 Informação e documentação – Publicação periódica 
científica impressa – Apresentação maio 2003
NBR 6022 Informação e documentação – Artigos em publicação 
periódica impressa – Apresentação maio 2003
NBR 6023 Informação e documentação – Referências – Elaboração ago. 2002
NBR 6024 Informação e documentação – Numeração progressiva 
das seções de um documento – Apresentação mar. 2012
NBR 6025 Informação e documentação – Revisão de originais e 
provas set. 2002
NBR 6027 Informação e documentação – Sumário - Apresentação maio 2003
NBR 6028 Informação e documentação – Resumos – Apresentação nov. 2003
NBR 6032 Abreviação de títulos de periódicos e publicações seriadas ago. 1989
NBR 6033 Ordem alfabética ago. 1989
NBR 6034 Informação e documentação - Índice – Apresentação dez. 2004
NBR 
10520
Informação e documentação – Citações em documentos 
– Apresentação ago. 2002
NBR 
10525
Informação e documentação - Número Padrão 
Internacional para Publicação Seriada mar. 2005
NBR 
10719
Informação e documentação - Relatório técnico e/ou 
científico – Apresentação jun. 2011
NBR 
12225 Informação e documentação – Lombada – Apresentação jun. 2004
NBR 
12676
Métodos para análise de documentos – Determinação de 
seus assuntos e seleção de termos de indexação ago. 1992
Fonte: Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (2013, [online]).
AARTIGOS
22
Ressalvados os poucos casos que este manual aborda de modo específico, aplicam-se 
sempre as NBRs em sua integralidade.
Se o texto estiver em desalinho com as NBRs listadas na tabela 1, o 
editor anotará tal informação no formulário de avaliação prévia, 
dispensada a ratificação a ser dada pelo editor chefe, e o paper continuará 
seu trâmite no processo editorial. 
Diante de grave falta de normalização, o editor, em avaliação prévia, 
poderá suspender o processo editorial do artigo e devolvê-lo ao autor 
para que faça as alterações necessárias.
Mesmo depois do aceite definitivo do artigo, a equipe de revisores, por 
deliberação de sua maioria, pode solicitar ao editor chefe que suspenda 
o processo editorial do paper e o devolva ao autor para que faça a 
normalização conforme as NBRs listadas na tabela 1.
5 Existência e pertinência do resumo, palavras-chave, abstract e keywords
Todo artigo deve possuir resumo e palavras-chave em língua portuguesa e inglesa 
(abstract e keywords). A estrutura e o texto do resumo e do abstract obedecem à NBR 
6028.
Caso o arquivo enviado careça de qualquer desses elementos (resumo, 
palavras-chave, abstract e keywords), o editor, dispensada a ratificação a ser 
dada pelo editor chefe, poderá suspender o processo editorial até que o 
autor providencie o(s) elemento(s) faltante(s).
Por despacho, o editor chefe pode determinar que o artigo volte a tramitar no 
processo editorial, mesmo carecendo desses elementos pré-textuais ou pós-textuais. 
No entanto, não há possibilidade de publicação do paper enquanto o autor não criar 
o elemento faltante.
Consulte Artigo científico!
23
6 Adequabilidade do título ao texto
Todos os artigos enviados para publicação devem conter título. Por sua própria 
natureza, esse deve ser adequado ao conteúdo do texto.
Se o editor verificar que o título não é adequado ao texto, ele anotará tal 
informação no formulário de avaliação prévia, e, desde que observados 
os demais critérios, o artigo seguirá seu trâmite no processo editorial. Se 
a inadequação for ratificada na avaliação definitiva, o autor será 
comunicado para que promova a alteração.
Caso o paper careça de título, a tramitação do artigo será suspensa, até que o autor 
lhe dê um. 
7 Referenciação de todas as citações
Toda citação deve ser referenciada. 
As citações e as referências devem estar em conformidade com as NBRs 6023 e 
10520.
Caso haja citação sem a referência correspondente, o editor poderá 
suspender o processo editorial até que o autor promova as correções 
necessárias.
 Avaliação duplo-cega (sistema peer review)1
Depois da avaliação prévia, são removidas todas as informações que podem 
evidenciar a autoria do artigo (propriedades do arquivo, identificação de autores, 
agradecimentos a pessoas etc.), e compete ao editor chefe o encaminhamento do 
trabalho para a avaliação a ser feita por pareceristas.
 Revisão de texto
A equipe de revisores é responsável por normalizar o texto conforme as regras da 
ABNT (incorreções simples); padronizar o paper conforme as regras de leiaute e 
apresentação da Revista; revisar a ortografia, a gramática, a propriedade vocabular 
etc. do artigo; fazer copidesque e propor quaisquer tipos de mudanças textuais, 
quando for conveniente.
1 Até a data de publicação deste manual, o sistema peer review ainda se encontrava em fase de estudos de viabilidade. 
AARTIGOS
24
Todos os artigos são analisados por no mínimo dois revisores, conforme as 
orientações deste manual e deliberações da equipe de revisão. As alterações textuais 
por eles propostas são discutidas em reunião de pelo menos três revisores (conselho 
de editores). No entanto, o quórum para o conselho de editores pode ser alterado 
pelo editor chefe, por motivo de necessidade de serviço.
No conselho de editores, a deliberação quanto à retificação ou à manutenção do 
texto original é feita por maioria absoluta. Depois do conselho de editores, nenhum 
revisor pode alterar o texto ou fazer nova revisão.
 Princípios orientadores da revisão de textos
Princípio da alteridade do revisor de textos
O revisor de textos atua como um dublê, um “outro eu” do autor, fazendo o possível 
para que suas interferências não prejudiquem o estilo original do texto. Em outras 
palavras, o revisor não deve fazer correções ou copidesques conforme o próprio 
estilo, mas, sim, conforme o que mais se aproxima do estilo do autor. 
Princípio da mínima interferência
A revisão de texto deve interferir o mínimo possível no original do autor. Inversões 
de frases, substituições, adições e reduções de texto devem ser feitas apenas em 
situações específicas, quando a correção e a clareza as exigirem. Dessa forma, o 
copidesque só é possível à equipe de revisores quando o texto tiver problemas de 
coesão ou coerência.
 & PRINCÍPIOS ORIENTADORES DA REVISÃO DE TEXTOS
coelho neto (2008)
 Primeira conferência
A conferência é feita pelo leitor de prova e tem por finalidade verificar a fluidez 
da leitura, problemas de padronização e erros não identificados pela equipe de 
revisores.
Os problemas suscitados e as soluções propostas na primeira conferência são 
submetidos à revisão para analisar aqueles ou referendar essas.
 Aprovação do texto final feita pelo autor
Após a primeira conferência, a equipe de revisores envia ao autor o texto revisado 
para aprovação das modificações. 
25
Após o envio, o autor tem o prazo de três dias úteis para contestar a revisão. Se 
esse período transcorrer sem nenhuma manifestação contrária, o texto revisado será 
considerado aceito.
No caso de contestação, cabe aos revisores, em conselho de editores, aceitarem as 
reversões ou as alterações enviadas pelo autor. Na hipótese de a revisão rejeitar 
o texto devolvido pelo autor, será publicada a última versão aprovada pelo autor, 
e constará da primeira página do artigo nota de rodapé com a anotação “Texto 
revisado parcialmente”.
 Diagramação
O editor de leiaute diagrama o artigo conforme o padrão estabelecido pela Revista.
26
PARECERES
E DECISÕES
 Seleção ou solicitação de pareceres e decisões
O editor chefe seleciona sugestões de pareceres e decisões a serem publicados e os 
encaminha aos gabinetes para aprovação. Caso não consiga encontrar decisãoou 
parecer relevante de nenhum dos órgãos que publicam na Revista, o editor chefe 
comunica ao gabinete responsável e assina prazo para que seja encaminhado algum 
texto ou desista da publicação.
De preferência são escolhidas decisões cujo voto do relator teve aprovação unânime. 
 Preparação de cópias para revisão
Depois da seleção, o parecer ou decisão é encaminhado para o editor de leiaute 
(diagramador) a fim de que prepare cópias para revisão.
 
Solicitação ou 
indicação do texto
Esquema do trâmite de pareceres e decisões
Preparação de cópias 
para revisão
Revisão Diagramação
2727
 Revisão
Na revisão de pareceres e decisões, há primazia do princípio da mínima 
interferência. Cabe aos revisores padronizar os textos conforme as 
orientações deste manual e de outros quando for necessário.
 Primeira conferência
A conferência é feita pelo leitor de prova e tem por finalidade verificar a fluidez 
da leitura, problemas de padronização e erros não identificados pela equipe de 
revisores.
Os problemas suscitados e as soluções propostas na primeira conferência são 
submetidos à revisão para analisar aqueles ou referendar estas.
 Outras fases
Elaboração de ementa e título; verificação do trânsito em julgado e de pacificidade 
de entendimento.
 Diagramação
O editor de leiaute diagrama o texto conforme o padrão estabelecido pela Revista. 
28
Depois da diagramação de todas as seções do periódico, dá-se início ao processo de 
“fechamento” da revista, cujos procedimentos principais são: aprovação de todo o 
conteúdo a ser feita pela Diretoria da Revista; segunda conferência; preparação da 
boneca; terceira conferência; autorização de impressão.
 
& LEGISLAÇÃO ATINENTE À REVISTA DO TCEMG
Minas geRais (2010)
FECHAMENTO
DA REVISTA
oficial e 
redação 
técnica ou 
científica
Redação
30
31
A redação oficial é o instrumento formal de comunicação utilizado pelo Poder 
Público para redigir seus textos. Comunga desse entendimento a professora 
Flávia Rafaela Lôbo e Silva (2012, p. 1), quando diferencia a redação oficial da 
comercial, como se segue.
Pode-se definir ‘Redação Oficial’ como o conjunto de normas que 
regem as comunicações escritas, internas e externas, de repartições 
públicas. Quando o mesmo tipo de texto é praticado por particulares, 
será chamado de correspondência ou ‘Redação Comercial’.
As correspondências oficiais orientam a feitura e a tramitação de documentos. 
Devido a isso, esse tipo de texto possui uma linguagem própria, formal e burocrática. 
Se a publicidade e a impessoalidade são princípios da administração pública 
(Constituição da República, art. 37), é evidente que esses princípios devem, do 
mesmo modo, nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais.
São características da redação oficial e da redação técnica ou científica: 
• impessoalidade;
• padrão culto da língua portuguesa e correção;
• clareza;
• concisão;
• coesão;
• objetividade; e
• precisão.
&REDAÇÃO OFICIAL
BRasil (2002); Minas geRais (2007)
&RITOS GENÉTICOS EDITORIAIS
salgado (2007) 
&REDAÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA
gopen; swan (1990); gaRcia (2010)
PRINCÍPIOS
NORTEADORES
32
PPRINCÍPIOS NORTEADORES
 IMPESSOALIDADE 
A impessoalidade consiste na ausência de impressões individuais e subjetivas, 
pois é sempre em nome do serviço público que é feita a comunicação. 
Não há dúvida de que os temas das comunicações oficiais se restringem a questões 
que dizem respeito ao interesse público e, por isso, não cabe nessa redação nenhum 
tom pessoal ou particular.
Assim, a redação oficial deve ser impessoal, de modo que se evite o uso de primeira 
pessoa e de adjetivações desnecessárias.
Note-se que há uma diferença entre o uso de pronomes de tratamento ou vocativos 
para demonstração de respeito (Vossa Excelência; Vossa Magnificência; Senhor etc.) 
e a predicação bajuladora (de escol; brilhante; ilustre; douto; digno; luminar etc.).
& IMPESSOALIDADE
BRasil (2004)
 NORMA PADRÃO DA LÍNGUA
É imprescindível que o redator escreva de acordo com a ortografia oficial e se atenha 
às regras da “norma culta”.
Ao redigir um texto, deve-se observar a sintaxe em todos seus aspectos, o emprego 
correto e apropriado das palavras, a pontuação, a colocação pronominal, a 
concordância, a regência e a melhor estruturação de períodos e parágrafos. 
O O relator [...], com a convicção dos 
cultores das regras e princípios 
constitucionais, assim concluiu seu 
brilhante voto, que foi aprovado 
pelo competente Colegiado 
daquela Corte.
O relator [...] concluiu seu voto, que 
foi aprovado pelo Colegiado daquela 
Corte.
O [...] essa concepção política trás em 
si uma profunda diferenciação 
filosófica [...].
[...] essa concepção política traz em 
si uma profunda diferenciação 
filosófica [...].
O [...] o anexo I do edital, deve ser 
retificado [...].
[...] o anexo I do edital Ø deve ser 
retificado [...].
 CLAREZA
De acordo com o dicionário (HOUAISS, 2001, p. 735), clareza é “[...] 2 qualidade do 
que é inteligível [...] 6 compreensão, percepção, entendimento [...]”. Se aplicarmos tais 
conceitos ao texto escrito, depreendemos que clareza textual é a transmissibilidade 
compreensível do pensamento do autor por meio da escrita, o que requer boa 
estruturação das sentenças de modo a se propiciar fácil entendimento da mensagem 
e ausência de ambiguidades.
Torna-se óbvio, por isso, que a clareza tem forte afinidade com a coerência 
— encadeamento lógico de ideias — e que a escrita clara demanda do autor 
conhecimento do assunto e reflexão sobre o que se quer redigir. Nesse aspecto, cabe 
ressaltar que o empolamento e o emprego de termos rebuscados e desconhecidos 
tornam o texto obscuro e de difícil compreensão. 
33
Com isso deixamos de estar 
inseridos no centro do 
universo: ao ter uma nova 
visão cosmológica, a antiga metafísica 
entra em colapso justamente com a 
ética aristotélica (base do 
comunitarismo), pois não somente 
estamos fora do centro do universo, 
como também os conceitos aristotélicos 
em que o modelo ptolomaico se baseia 
era (cientificamente) incorreto.
Muito nos interessa que atoa 
da exegese da história, nos 
segue o estudo das leis, das 
relações jurídicas entre os membros da 
sociedade e dos governantes e, o 
conjunto de normas que envolvem o 
direito público, isto é, as relações 
jurídicas verticais entre o Estado e os 
particulares.
& CLAREZA, COESÃO E COERÊNCIA
FáveRo (2009); Koch (2012); val (1991)
 CONCISÃO E OBJETIVIDADE 
Qualquer texto possui uma hierarquia de ideias, ou seja, há ideias principais (contém 
a essência da mensagem a ser transmitida) e ideias acessórias (esclarecem o sentido 
das ideias principais e estabelecem circunstâncias para elas). No entanto, o excesso 
das últimas faz com que o texto tenha sua credibilidade reduzida e se torne prolixo, 
confuso.
Assim, a concisão consiste em obter o máximo de efeito expressivo com o menor 
número de palavras.
34
PPRINCÍPIOS NORTEADORES
O transporte de tais 
[necessidade e adequação] 
conceitos ao disciplinamento 
da concessão das medidas cautelares 
perante os órgãos de contas trará a 
concretude da eficácia do garantismo 
constitucional, afastando, assim, o 
arbítrio de uma violência que a própria 
sustação desarrazoada venha causar ao 
jurisdicionado; isto sob a ótica apenas 
cautelar, mantendo-se ilegítimas as 
medidas coercitivas por instrumento de 
mera conveniência procedimental, sem 
demonstração de flagrantes vícios 
insanáveis advindos do agir estatal.
Ponderar a necessidade e a 
adequação na concessão das 
medidas cautelares a ser feita 
pelos órgãos de contas concretizará o 
garantismo constitucional, de modo 
que afastará o arbítrio de uma violência 
que a sustação desarrazoada cause ao 
jurisdicionado. De qualquer forma, 
mantêm-se ilegítimas as medidas 
coercitivas tomadas por mera 
conveniência procedimental, sem 
flagrantes vícios insanáveis advindos do 
agir estatal.
Ser objetivo é ir de modo direto ao assunto que se quer abordar, escrever sem 
floreios, evitarfiguras de linguagem desnecessárias. A mensagem concebida precisa 
ser direta para que se atinja a finalidade proposta. 
Divagações, rodeios e modismos sem uma lógica mínima, em vez de resultarem 
numa redação correta e elegante, surtem efeito contrário. 
Sem dúvida, podem-se evitar os termos empolados e difíceis, as construções 
arrevesadas, eventuais citações em outros idiomas que se afigurem desnecessárias, 
longos períodos que nada significam, extensas digressões que não explicam coisa 
alguma. Isso se atribui a um estilo de redação desenvolvido pelos operadores 
do Direito — e de outras ciências que lidam com linguagem — e de um jargão 
fossilizado, os quais levaram a crer que tais características demonstram uma cultura 
superior de quem assim fala ou escreve.
A prolixidade, excesso de palavras inúteis empregadas para exprimir 
poucas ideias, deve ser evitada. A redundância e o pleonasmo vicioso, 
por exemplo, empobrecem o texto e tornam enfadonha a sua leitura 
(CEGALLA, 2009; BECHARA, 2001; MORENO, 2010). 
 COESÃO E COERÊNCIA
A coerência, conforme Koch e Travaglia (2001, p. 21),
está diretamente ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido 
para o texto, ou seja, ela é o que faz com que o texto faça sentido 
35
para os usuários, devendo, portanto, ser entendida como um princípio 
de interpretabilidade, ligada à inteligibilidade do texto numa situação 
de comunicação e à capacidade que o receptor tem para calcular o 
sentido deste texto.
Quanto à coesão, ela é, ao mesmo tempo, uma propriedade textual e um fator de 
textualidade que possibilita a formação de um texto bem organizado. Trata-se do 
mecanismo que estabelece conexão entre as diversas partes do texto, de modo a lhe 
dar continuidade e fluidez.
Um texto coeso é aquele que articula as sentenças e as ideias de forma que a coerência 
se materialize de modo natural. Obtém-se coesão por meio de certos termos ou 
expressões (conectivos textuais), cuja função é, além de formar um texto articulado, 
estabelecer relações de sentido (FÁVERO, 2009; KOCH, 2012). 
O emprego criterioso dos conectivos textuais se incumbe de encadear as ideias 
para facilitar a compreensão. Assim, um texto fragmentado, com vários períodos 
simples ou termos de conexão mal escolhidos deixam vagas as relações sintáticas e 
prejudicam a interpretação correta daquilo que se pretendeu comunicar.
O Todavia, na lição de Jacoby, fazendo 
uma interpretação sistemática, 
como a Administração é parte 
integrante da Administração 
Pública, seria possível a extensão 
além da esfera de governo. Assim, 
um órgão municipal poderia, 
atendidos os demais requisitos, 
servir-se da Ata de Registro de 
preços federal e vice-versa.
Numa interpretação sistemática da 
lição de Jacoby, poder-se-ia utilizar a 
ata de registro de preços além da 
esfera de governo, uma vez que a 
Administração seria parte integrante 
da Administração Pública.
& COESÃO, COERÊNCIA E FATORES DE TEXTUALIDADE
FáveRo (2009); halliday; hassan (1976); Koch (2012); val (1991)
 PRECISÃO
Usar cada palavra no lugar certo é muito importante, pois os vocábulos precisam 
ser contextualizados, isto é, usados de modo adequado nas sentenças, pois uma 
mesma palavra pode apresentar diversos significados (polissemia). 
Em razão da polissemia, não se pode afirmar que determinadas palavras são 
sinônimos perfeitos. Uma palavra, embora sinônima, muitas vezes não é a mais 
36
PPRINCÍPIOS NORTEADORES
apropriada em determinado contexto, e a escolha criteriosa do termo a ser 
empregado é que vai conferir precisão àquilo que se deseja expressar.
Assim, embora os dicionários classifiquem certas palavras como sinônimas, há de se 
ter sempre em mente que uma pode carregar uma sutil diferença de significação em 
relação à outra. Quem abdicar de tal cuidado ao redigir pode incorrer em sacrifício 
da precisão.
A polissemia é também resultado de um processo mental de associação metafórica, 
por exemplo, casos de significado por extensão do pensamento. Os dicionaristas 
costumam registrar o verbete com essa indicação. Vêem-se, no entanto, empregos 
esdrúxulos de uma palavra por outra, prática que requer do leitor um esforço de 
sucessivas associações de ideias na tentativa de compreender o que o autor quer 
dizer.
O O novo decreto tentou solucionar 
as várias celeumas que 
circuncidavam o tema [...].
O novo decreto tentou solucionar as 
várias celeumas que envolviam o 
tema [...].
Estilo
e 
padronização
39
 ESTILO 
Quando o homem ousa criar, a obra resultante tem sua marca de expressividade, 
pois cada ser humano é único: traz consigo uma história, possui traços peculiares 
de personalidade, comunga de um tipo de cultura, tem um constructo intelectual 
próprio.
Assim como se manifesta na música, na pintura, no teatro e na dança, a expressividade 
também se manifesta na arte de redigir, com o nome de estilo. Dessa forma, o modo 
peculiar de o escritor expressar os seus pensamentos num texto constitui seu estilo 
de redação. 
Logo, cada um tem o seu próprio estilo, que deve ser respeitado; porém não se pode 
esquecer de que estilo não implica a permissão de “licença poética”, uma vez que 
a redação sempre está adstrita aos limites de formalidade e erudição exigidos tanto 
pelo público-alvo a que o autor se dirige quanto pelo gênero textual.
& ESTILÍSTICA
MonteiRo (2004); puc-Rio [2000?]
 POLIDEZ 
A polidez revela civilidade e cortesia, sendo essencial nas redações oficial e técnica 
ou científica. Isso não impede de forma alguma a crítica e a discordância, mas limita 
a linguagem em que são manifestas. 
Cabe chamar atenção pelo despropositado costume de empregar termos 
típicos de bajulação e subserviência, resquícios do período imperial. 
Exemplo: “altos protestos de elevada estima e distinta consideração”; 
“Exmo. Sr. Doutor Delegado de Polícia”.
 CONCISÃO E ADJETIVAÇÕES 
Tendo em vista a impessoalidade — um dos princípios da administração pública 
—, o público-alvo da Revista do TCEMG, a concisão e a clareza textuais, devem-se 
empregar com cuidado: palavras ou termos com funções adjetivas ou adverbiais; 
vocábulos pouco conhecidos ou que servem apenas para demonstrar uma erudição 
inútil; termos em língua estrangeira desnecessários etc.
ESTILÍSTICA E A
REDAÇÃO OFICIAL
40
EESTILÍSTICA E A REDAÇÃO OFICIAL
Assim, recomenda-se, conforme o caso:
Evitar Substituir por
a reboque de atrelado a; como consequência de
a teor de [consulte A teor de] conforme; no teor de
ab ovo desde o início
ad argumentandum tantum somente para argumentar
ad mesuram conforme a medida
apelo extreme recurso extraordinário
apostura postura ou elegância
aresto doméstico nossa jurisprudência
autarquia ancilar Instituto Nacional do Seguro Social 
(INSS)
bona fide boa-fé
caderno repressor lei ou código
clareza solar clareza Ø; com muita clareza
colendo Tribunal Ø Tribunal
com espeque no artigo com base no artigo
com fincas no artigo com base no artigo
cônjuge [ou consorte] supérstite viúvo (a)
cônjuge sobrevivente viúvo (a)
Constituição Cidadã Constituição da República
Constituição Compromisso Constituição Estadual [MG]
corifeu campeão
data maxima venia data venia ou Ø
datissima venia data venia ou Ø
despiciendo dispensável ou desnecessário
digníssimo Ø
diploma provisório medida provisória
douto [desembargador; conselheiro; juiz etc.] Ø
doutor [usado como vocativo] Ø
é mister salientar é necessário salientar; é importante 
salientar; é forçoso salientar
egrégio Tribunal Ø Tribunal
ergástulo prisão
estipêndio funcional salário
41
Excelso Sodalício Supremo Tribunal Federal
exempli gratia por exemplo
Fiscal da Lei Ministério Público
Guardião da Constituição Supremo Tribunal Federal
i.e. isto é; ou seja; em outras palavras
id est isto é; ou seja; em outras palavras
improbus litigator litigante desonesto
in fraudem legis em fraude da lei
Lex Mater Constituição da República
Mãe das Leis Constituição da República
Mãe de Todas as Leis Constituição da República
mala fide má-fé
mandamus mandado de segurançaParquet de Contas Ministério Público de Contas
peça atrial peça ou petição inicial
peça autoral peça ou petição inicial
peça de arranque peça ou petição inicial
peça de ingresso peça ou petição inicial
peça exordial peça ou petição inicial
peça gênese peça ou petição inicial
peça inaugural peça ou petição inicial
peça incoativa peça ou petição inicial
peça introdutória peça ou petição inicial
peça preambular peça ou petição inicial
peça prefacial peça ou petição inicial
peça primeva peça ou petição inicial
peça umbilical peça ou petição inicial
peça vestibular peça ou petição inicial
Pretório Excelso Supremo Tribunal Federal
remédio heroico mandado de segurança
sublime Ø
teratológico monstruoso ou absurdo
vistor perito
Writ mandado de segurança
4242
Estão relacionadas, a seguir, expressões e palavras com frequência empregadas, em 
determinados contextos, de forma equivocada, por descuido ou desconhecimento, 
que, por força da repetição, foram-se propagando de tal forma que, para muitos, 
passaram a apresentar-se como corretas. São também citados alguns termos muito 
usados, mas de emprego controverso, e outros cuja regência, concordância ou falta 
de padronização trazem dúvidas na hora de escrever.
 A + INFINITIVO
Nessa construção, a tem como preposição equivalente para, traduzindo finalidade 
(CEGALLA, 2009). Exemplo: “Ensine-os a usarem o software.”
É comum também utilizar a fórmula a + infinitivo em substituição ao gerúndio. 
Entretanto, essa fórmula se trata de construção típica do português lusitano 
(CASTILHO, 2010). 
Estaremos, então, a 
desestimular a valorização e 
a reciclagem e a incentivar 
apenas a eliminação [...].
Estaremos, então, 
desestimulando a valorização 
e a reciclagem e incentivando 
apenas a eliminação […].
A Revista do TCEMG prefere, quando for o caso, o emprego do gerúndio ao da 
construção a + infinitivo.
 À BAILA / À BAILHA / À BALHA
A Academia Brasileira de Letras [online], o Aurélio (2010) e o Houaiss (2001) 
registram baila e sua forma variante balha. Ressalte-se que o Dicionário Houaiss 
classifica o verbete como antigo.
Bailha não está registrado em nenhum dos dicionários consultados. No entanto, 
no Dicionário Houaiss (2001), “bailh -” é registrado como antepositivo de mesmo 
valor semântico que “bail-”. Por isso, pode-se entender que baila, bailha e balha são 
formas variantes.
No Direito, é comum a expressão trazer à baila/balha/bailha, que significa vir a 
propósito, vir à discussão (COSTA, 2007). 
 São corretas e sinônimas as grafias: baila, balha e bailha.
PADRONIZAÇÃO
E GRAMÁTICA
4343
 A COLAÇÃO
Trata-se de locução que significa a propósito (HOUAISS, 2001). 
Exemplo: “O relator traz a colação o art. 37 da Constituição da República”.
 À CUSTA DE / ÀS CUSTAS DE 
De acordo com Costa (2007), a locução à custa de (no singular) significa a expensas 
de, com esforço de, com sacrifício de, e às custas de, na forma plural, se refere 
a despesas processuais.
No entanto, Cegalla (2009) e Neves (2003) reconhecem o uso generalizado de às 
custas de com a acepção de a expensas de. Além disso, os dicionários Houaiss 
(2001) e Caldas Aulete [online] registram à custa de e às custas de como locuções 
sinônimas.
[...] as despesas com as 
denominadas “merendeiras” 
poderiam se enquadrar no 
conjunto de despesas passíveis 
de realização às custas da 
parcela remanescente de 40% 
do extinto Fundef [...]
À custa de e às custas de são locuções sinônimas. Exceção: quando se referir a 
despesas processuais, deve-se usar apenas a locução às custas de.
 A DISTÂNCIA / À DISTÂNCIA
Apesar de Costa (2007) diferenciar o sentido da expressão com ou sem acento grave, 
Cegalla (2009) e os principais dicionários de língua portuguesa (AULETE [online]; 
FERREIRA, 2010; CEGALLA, 2009; HOUAISS, 2001) afirmam ser indiferente a 
semântica de educação (a) à distância, em qualquer das duas formas.
Quando a distância for especificada em número seguido da unidade de 
medida, tratar-se-á de caso obrigatório de crase. Exemplo: “O município 
fica à distância de 10 km da capital.”
São da mesma forma corretas as expressões: educação a distância e educação à 
distância.
[...] as despesas com as denominadas 
“merendeiras” poderiam 
enquadrar-se no conjunto de 
despesas passíveis de realização à 
custa da parcela remanescente de 
40% do extinto Fundef [...].
44
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 A FLS. / À FL. / DE FLS. / DAS FLS. / Ø FLS. 
É muito provável que a locução a folhas (a fls.) e suas variações tenham derivado 
da redução de outra: a folhas tantas, que significa em dado momento, a certa 
altura, em certo trecho. Então, dizer a folhas cinquenta e oito do processo é o 
mesmo que a cinquenta e oito folhas do início do processo (ALMEIDA, 1981; 
PIACENTINI, 2012a). 
Considerando que não há ocorrência de crase nas construções a + plural, inexiste 
a expressão “à f ls.” 
Saliente-se que as seguintes construções são possíveis e aceitas da mesma forma: 
• “a folhas” (a fls.)
• “à folha” (à fl.);
• “de folha” (de fl.);
• “de folhas” (de fls.);
• “da folha” (da fl.);
• “das folhas” (das fls.);
• “em folha” (em fl.);
• “em folhas” (em fls.);
• “na folha” (na fl.);
• “nas folhas” (nas fls.).
Se se levar em conta que a folhas é forma reduzida da locução adverbial a folhas 
tantas, conclui-se que a f ls. pode ser utilizada de modo independente do número 
de páginas (se uma ou mais), pois é expressão invariável.
Quanto à referenciação das “folhas” entre parênteses, apesar de não haver óbices, 
não há sentido em escrever a locução completa, dispensando tanto a preposição (a 
ou de) quanto o artigo definido.
O às fls. 23
 a fls. 20
 a fl. 20
 às fls. 20-25
O de fls. 23
 de fl. 115
 de fls. 702-801
O (fls. 27)
 (fl. 25)
 (fls. 20-25)
 Consulte Abreviaturas, acrônimos, unidades e siglas!
Apesar de serem corretas várias combinações entre fl. ou fls. e preposições, é 
necessário que haja um padrão ao longo do texto. A fim de padronizar suas 
publicações, a Revista do TCEMG adotou a forma a f ls. e as duas possibilidade de 
referenciação entre parênteses.
O (às fls. 25-30)
O (a fl. 21)
O (a fls. 21)
O (a fls. 25-30)
O (de fl. 20)
O (de fls. 20)
O (de fls. 20-25)
45
 A MANCHEIAS
Trata-se de locução que significa de maneira liberal. Exemplo: “Fez concessões a 
mancheias”.
 À MEDIDA QUE / NA MEDIDA EM QUE
À medida que é uma locução adverbial proporcional equivalente a conforme, 
à proporção que (HOUAISS, 2001; KASPARY, 2000). Saliente-se que é caso 
obrigatório de crase (contração da preposição a com o artigo a).
Na medida em que é uma locução adverbial causal equivalente a porque, uma 
vez que, tendo em vista que (HOUAISS, 2001; KASPARY, 2000).
Inexistem, bem como quaisquer outros cruzamentos canhestros (COSTA, 2007), 
as locuções: 
• à medida em que;
• na medida que;
• a medida que;
• a medida em que.
O As interpretações são 
compostas por vários 
níveis, a medida que 
se retira uma camada, 
outra é revelada, 
muito diferente da 
existente embaixo 
dela. 
As interpretações são 
compostas por vários 
níveis, na medida 
em que se retira uma 
camada, outra é 
revelada, muito 
diferente da existente 
embaixo dela. 
O Essa norma teve sua 
constitucionalidade 
questionada [...] à 
medida que [...] 
rompeu com a 
sistemática anterior 
vigente.
Essa norma teve sua 
constitucionalidade 
questionada [...] na 
medida em que [...] 
rompeu com a 
sistemática anterior 
vigente.
O [...] na medida em 
que ele usufrui mais 
de um bem coletivo, 
deverá, de modo 
proporcional, arcar 
mais com estes 
custos.
[...] à medida que 
ele usufrui mais de 
um bem coletivo, 
deverá, de modo 
proporcional, arcar 
mais com estes 
custos.
& SEMÂNTICA DAS PREPOSIÇÕES
Bechara (2001); Castilho (2010); Neves (2011)
46
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
O [...] o Conselho Nacional do 
Controle Interno [...] apresentasse 
um anteprojeto específico para o 
processo do controle interno a 
nível nacional. 
[...] o Conselho Nacional do 
Controle Interno [...]apresentasse 
um anteprojeto específico para o 
processo do controle interno em 
nível nacional. 
Fortaleza localiza-se ao nível do 
mar.
Nenhuns dos mais consultados dicionários (AULETE, [online]; 
FERREIRA, 2010, HOUAISS, 2001) registram a locução a nível de. 
Conforme Brasil (2002), a nível é modismo cujo emprego deve ser 
evitado em redação oficial.
& SEMÂNTICA DAS PREPOSIÇÕES
BechaRa (2001); castilho (2010); neves (2011)
• ao lado de;
• igual em qualidade ou em merecimento;
• em vista de;
• comparado com; 
• atendendo a;
• inteirado de. 
 A MIM ME PARECE
A mim me parece constitui um pleonasmo COSTA, 2007; KASPARY, 2000). Para 
classificá-lo como mecanismo de ênfase — hipótese em que o pleonasmo é uma 
figura de linguagem — ou como vício de linguagem, deve-se atentar para o contexto. 
Caso recaia nesta última classificação, prefira usar parece-me ou outra expressão de 
mesmo valor semântico. 
& PLEONASMO ENFÁTICO VERSUS PLEONASMO VICIOSO
BechaRa (2001); cegalla (2009); MoReno (2010)
 A NÍVEL (DE) / EM NÍVEL (DE)
A locução a nível significa à mesma altura de. No entanto, em nível de equivale a 
no âmbito, no que se refere, na esfera.
 A PAR DE / AO PAR DE
A par de é locução prepositiva e significa, conforme o emprego (HOUAISS, 2001; 
KASPARY, 2000):
47
Ao par de é locução adjetiva que possui significado próprio das áreas financeira e 
comercial (CEGALLA, 2009). É empregada para indicar equivalência entre moedas.
O [...] o Ministério Público, [...] ao 
par de poder produzir provas e 
impulsionar o processo, carece de 
atribuição julgadora. 
[...] o Ministério Público, [...] a par 
de poder produzir provas e 
impulsionar o processo, carece de 
atribuição julgadora. 
As moedas fortes mantêm o 
câmbio praticamente ao par.
 A PARTIR DE
Alguns adeptos da gramática normativa afirmam que a partir de deve ser empregado 
apenas com a significação de deste ponto em diante, deste momento em diante 
(KASPARY, 2000). Eles argumentam que a locução a partir de tem como base 
o verbo partir, sinônimo de iniciar, começar. Concluem que, como o verbo 
partir indica início de ação, a expressão a partir de (equivalente a a começar de) 
apresentaria aspecto incoativo (de início).
Com o mesmo argumento, o Manual de Redação da Presidência da República 
(BRASIL, 2002, p. 71) limita o emprego desta locução em redações oficiais.
a partir de
A partir de deve ser empregado preferencialmente no sentido temporal: 
A cobrança do imposto entra em vigor a partir do início do próximo 
ano. Evite repeti-la com o sentido de ‘com base em’, preferindo 
considerando, tomando-se por base, fundando-se em, baseando-se em. 
Grifos originais.
No entanto, há abordagem da gramática funcional-cognitiva que autoriza o 
emprego de a partir de como sinônimo de com base em; tomando-se por 
base; baseando-se em; valendo-se de: considerar que é a partir de uma base 
(fundamento) de ideias que se desenvolvem outras. Assim, a locução em apreço 
poderia assumir valor metafórico com a significação de baseado em.
Ratifica a possibilidade desta acepção o iDicionário Caldas Aulete [online]:
A partir de
[...]
48
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
2. Com base em (informação, argumento, suposição, raciocínio 
mencionados ou aludidos); como consequência de (algo que foi 
mencionado ou aludido): A partir dos novos dados obtidos, poderemos 
completar a análise.
Grifos originais.
Quando se considera que a maioria dos dicionaristas não registram essa acepção 
para a locução a partir de e que há certa resistência para reconhecer o processo de 
formação semântica ora suscitado, deve-se preferir, em redação oficial, o emprego 
de a partir de apenas com o sentido de deste ponto em diante; deste momento 
em diante.
[...] mas se transformou no 
principal responsável pela 
metamorfose do endividamento 
estadual a partir do ano seguinte 
[...].
[...] surge a teoria do socialismo, 
dominante a partir do século 
XIX.
[...] a partir de uma 
interpretação sistemática das 
normas constitucionais e legais 
afetas à matéria, concluo que 
[...].
[...] com base numa 
interpretação sistemática das 
normas constitucionais e legais 
afetas à matéria, concluo que [...].
Em redação não oficial, nada obsta ao emprego de a partir de com a acepção de 
baseado em, com base em. 
 A POSTERIORI / A PRIORI
A posteriori aplica-se ao raciocínio que se respalda nos fatos, remonta-se do efeito 
à causa. É, portanto, uma conclusão indutiva (COSTA, 2007; KASPARY, 2000). 
Designa um qualificativo do conhecimento: conhecemos algo a posteriori quando o 
conhecemos recorrendo à experiência. É locução latina que significa pelos efeitos, 
pela existência ou pela natureza dos efeitos (que são posteriores). 
A priori indica o ato de discorrer de modo independente dos fatos, quando se parte 
da causa para o efeito. A priori é, pois, o argumento dedutivo, que parte do geral 
para o particular. Conhecemos algo a priori quando o conhecemos sem necessidade 
de recorrer à experiência. Significa pela causa, pela existência ou pela natureza da 
causa (que é anterior) (CHAUÍ, 2010; COSTA, 2007; DICIONÁRIOS EDITORA, 
2001; KASPARY, 2000). 
49
O Os documentos foram juntados a 
posteriori.
Os documentos foram juntados 
depois.
O Os advogados a priori constituídos 
não compareceram à sessão [...]
A priori, toda licitação segue a Lei 
n. 8.666/1993.
 A PRINCÍPIO / EM PRINCÍPIO
A locução a princípio — formada pela preposição a (expressa dinamicidade e 
movimento) + princípio (lat. principium, “começo”) —, por se aproximar da ideia 
de começar de um ponto no tempo, se consagrou pelo uso com o significado de no 
início, no começo. Já em princípio é expressão mais erudita, que significa em tese 
(FERREIRA, 2010; COSTA, 2007; HOUAISS, 2001; KASPARY, 2000; MORENO, 
2009).
O [...] o objeto não pode, a princípio, 
ser licitado, uma vez que se trata de 
funções privativas de cargos de 
carreira [...].
[...] o objeto não pode, em 
princípio, ser licitado, uma vez 
que se trata de funções privativas 
de cargos de carreira [...].
Apesar de o edital não estabelecer 
concretamente qual seria o número 
de linhas de ônibus [...], a 
princípio, foram traçados 
parâmetros que servirão de 
balizamento [...].
& SEMÂNTICA DAS PREPOSIÇÕES
BechaRa (2001); castilho (2010); neves (2011)
 A TEOR DE
Trata-se de locução condenada por teóricos da gramática normativa (COSTA, 2007), 
pois não está registrada em dicionários nem em gramáticas de renome e ser provável 
estrangeirismo sintático da expressão espanhola “a tenor de”.
Ora, a mera ausência de registros não implica erro gramatical. A expressão deve ser 
analisada à luz de uma análise semântica que a justifique ou a “condene”. Quanto à 
alegação de estrangeirismo sintático, basta fazer os devidos ajustes para a sintaxe do 
português brasileiro.
A priori e a posteriori, por serem expressões latinas com conceitos próprios da 
Filosofia (BUNGE, 1998), devem ser evitadas quando apresentarem sentido diverso 
dos adotados por aquela ciência.
Dessa forma, é inapropriado o emprego dessas expressões como meros sinônimos 
de depois, posteriormente, preliminarmente, antes de.
50
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
Conforme o registro de “teor” no Dicionário Aurélio (FERREIRA, 2010):
teor (ô) [Do lat. tenore, ‘andamento contínuo’; ‘disposição’; ‘teor’.] 
S.m. 1. Texto ou conteúdo de uma escrita [...] 2. Fig. Norma, sistema, 
regra [...] 3. Fig. Modo, maneira, gênero, qualidade. 4. Proporção, em 
um todo, de uma substância determinada. 
Grifos originais.
Após consulta no Diccionario de la lengua española (REAL ACADEMIA 
ESPAÑOLA, [online])1, observa-se que o étimo de tenor é o mesmo de teor. Por que 
não poderia integrar, mutatis mutandi, locução semelhante em português? 
Na maioria dos textos jurídicos, teor, na expressão a teor de, tem a acepção n. 1 
(texto ou conteúdo de uma escrita): “A teor do art. 5º, caput, da Constituição da 
República, os direitos e garantias fundamentais são estendidos a toda pessoa natural.”
A alegação de estrangeirismo sintáticoprocede, pois em a teor de, emprega-se a 
preposição a em vez da preposição em para expressar sentido locativo (BECHARA, 
2001; CUNHA; CINTRA, 2001; NEVES, 2011). Assim, a expressão mais 
apropriada na língua portuguesa seria no teor de.
De qualquer forma, a teor de não é locução conjuntiva conformativa. Logo, o 
seu emprego com esse significado não tem respaldo, como alegam os teóricos da 
gramática normativa, no texto culto escrito.
1 “tenor
(Del lat. tenor, -ōris, de tenēre, tener).
[...]
a ~ de, o al ~ de.
1. locs. prepos. Según, conforme a.” (grifos originais)
O O processo foi arquivado a teor 
do art. 36 do Regimento Interno.
O processo foi arquivado nos 
termos do art. 36 do Regimento 
Interno.
O processo foi arquivado em 
conformidade com o art. 36 do 
Regimento Interno.
O A teor do art. 5º, caput, da 
Constituição da República, os 
direitos e garantias fundamentais 
são estendidos a toda pessoa 
natural.
No teor do art. 5º, caput, da 
Constituição da República, os 
direitos e garantias fundamentais 
são estendidos a toda pessoa 
natural.
A teor de e no teor de não são locuções conjuntivas conformativas. 
Por isso, não tem o mesmo significado de conforme.
A teor de é estrangeirismo sintático não reconhecido pelo português brasileiro; 
porém é possível a construção no teor de.
51
O Os abaixo assinados que pediam 
que o parque não fosse demolido 
foram entregues ao prefeito.
Os abaixo-assinados que pediam 
que o parque não fosse demolido 
foram entregues ao prefeito. 
Os vereadores fizeram um 
abaixo-assinado para que o 
Executivo tomasse uma 
providência.
O Nesta procuração, o advogado 
representa as pessoas 
abaixo-assinadas.
Nesta procuração, o advogado 
representa as pessoas abaixo 
assinadas. 
 ABORDAR
A maior parte dos teóricos da gramática normativa critica o uso do verbo abordar 
como sinônimo de surpreender alguém, tratar de um assunto ou explanar uma 
questão, o que consideram um galicismo.
No entanto, dicionários de língua portuguesa (AULETE, [online]; HOUAISS, 2001) 
já registram essas acepções de abordar, de modo que fica evidente o processo de 
lexicalização e formação semântica do verbo (CEGALLA, 2009; FERNANDES, 
2005b; LUFT, 1995; NEVES, 2003).
Ao abordar o tema [...], 
destacou a importância do 
fortalecimento [...] dos órgãos 
de controle [...].
O presente artigo visa 
abordar, de modo sucinto, o 
instituto da adesão à ata de 
registro de preços [...].
 ABAIXO ASSINADO / ABAIXO-ASSINADO
Abaixo-assinado é substantivo composto e significa “documento coletivo, de 
caráter público ou restrito, que torna manifesta a opinião de grupo ou comunidade, 
ou representa os interesses dos que o assinam” (HOUAISS, 2001, p. 6). A forma 
plural de abaixo-assinado é abaixo-assinados, e o vocábulo inadmite flexão 
para o feminino (KASPARY, 2000).
Abaixo assinado (sem hífen) é um sintagma composto por abaixo (advérbio) e 
assinado (particípio de assinar, com função adjetiva). Esse sintagma faz referência 
à pessoa signatária de um documento e, por ser um adjetivo, assinado flexiona em 
número e gênero.
52
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
Caso possua mais de três letras e forme palavra (Unicef, Banerj, Unesco etc.), a sigla 
se trata de um acrônimo, e esse deve ser grafado apenas com a inicial maiúscula. 
No caso de ter menos de três letras, silabável ou não, a sigla deve ser grafada apenas 
com maiúsculas (COSTA, 2005; MINAS GERAIS, 2007). Em qualquer caso, é 
dispensável o uso de ponto em siglas (MEC ou M.E.C.; DOC ou D.O.C.) (DAMIÃO; 
HENRIQUES, 2010; COSTA, 2007).
Alguns revisores de texto e cientistas da linguagem se insurgem contra a pluralização 
de siglas com o acréscimo de “s” ao final. No entanto, não há nenhum sentido em 
condenar tal construção. Ora, se a criação de siglas é reconhecida como um dos 
processos de formação de palavras (BECHARA, 2001; CUNHA; CINTRA, 2001) 
— de forma que se tornam palavras primitivas e, portanto, passíveis de derivação: 
PT, petista; PSDB, peessedebista —, não há lógica em argumentar que se deva 
escrever “as ONG” em vez de “as ONGs”.
O os TC
 os TCs
O as AF
 as AFs
O as NF
 as NFs
Quanto às abreviaturas, a princípio, é necessário definir que são representações de 
palavras por uma ou algumas letras, de modo a admitir flexão. De preferência, as 
abreviaturas devem terminar numa consoante (COSTA, 2012): geografia (geog., e 
não geo.); página (p. ou pág., e não pag. ou pági. etc.).
Não assiste razão àqueles que afirmam ser a pluralização de abreviaturas 
vedada pelas normas da ABNT. A NBR 6032 é a única que trata de abreviaturas, 
e suas regras normalizam apenas a abreviação de títulos de periódicos e 
publicações seriadas. Isso significa que suas regras não atingem o conteúdo de 
 ABREVIATURAS, ACRÔNIMOS, UNIDADES E SIGLAS
Conforme o iDicionário Caldas Aulete [online], sigla é um “conjunto das letras iniciais 
de uma denominação composta de duas ou mais palavras, formando ou não uma 
palavra”. 
Quando uma sigla for apresentada pela primeira vez no texto, deve estar entre 
parênteses e ser precedida do nome por extenso (FRANÇA; VASCONCELLOS, 
2007). No entanto, para serem evitados problemas na tradução de títulos e resumos 
de trabalhos, recomenda-se que nesses não se empreguem abreviaturas e siglas.
O TCEMG (Tribunal de Contas do 
Estado Minas Gerais)
Tribunal de Contas do Estado 
Minas Gerais (TCEMG)
53
O os art.
 os arts.
O as col.
 as cols.
O os cap.
 os caps.
Sobre as unidades de medida, o Sistema Internacional de Unidades (2012, p. 43) 
estabelece que:
Os símbolos das unidades são entidades matemáticas e não 
abreviações. Então, não devem ser seguidos de ponto, exceto se 
estiverem localizados no final da frase. [Além disso, deve haver espaço 
entre o valor numérico e a unidade]. Os símbolos não variam no 
plural e não se misturam símbolos com nomes de unidades numa 
mesma expressão, pois os nomes não são entidades matemáticas. 
Grifos nossos.
O 90km
O 90 kms
 90 km
O 10 km por hora
 10 km/h
 10 km h-1
Entre o valor numérico e o símbolo de unidade deve haver espaço.
Se a palavra abreviada vier em final de período, esse não receberá outro 
ponto.
O apóstrofo (’) em língua portuguesa é utilizado apenas para marcar 
contrações (caixa d’água, por exemplo). Por isso não deve ser utilizado 
para sinalizar o plural de abreviaturas ou siglas (CDs, e não CD’s)
Consulte A fls./à fl./de fls./das fls./fls.!
Consulte Horas!
Abreviatura: de preferência, deve ser parte da palavra e terminar em consoante 
(exceção das já consagradas, como dr. e sr.); é pluralizável.
Acrônimo: trata-se de sigla silabável com mais de três letras; grafa-se com letra 
maiúscula apenas a inicial; é pluralizável. 
Sigla propriamente dita: formada por três ou menos letras ou por mais de três letras 
sem formar sílabas; é pluralizável; grafa-se apenas com letras maiúsculas; dispensável 
o uso de ponto.
Unidade: não é seguida de ponto; não pluralizável.
artigos e trabalhos monográficos — exceto quando abreviam títulos de periódicos 
e publicações seriadas. Além disso, não há menção alguma, nas demais NBRs, à 
aplicação subsidiária da NBR 6032. Assim, quem afirma, com base nas normas da 
ABNT, ser incorreto fazer plural de abreviaturas está enganado ou está enganando.
54
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
 ADEMAIS / DE MAIS / DE MAIS A MAIS / DEMAIS
Ademais e de mais a mais são sinônimos e significam além disso, além do mais, 
ainda por cima.
Já de mais é locução que se opõe a de menos, referindo-se sempre a um substantivo 
ou pronome.
Por último, demais pode ser: advérbio e pronome indefinido plural. Como advérbio, 
expressa intensidade — “escreveu demais” (muito) — e, de forma pouco usual, 
pode ser sinônimo de ademais, além disso (AULETE [online]; HOUAISS, 2001). 
Como pronome indefinido plural, refere-se a os outros, os restantes: “os demais 
advogados atrasaram.”
 ADENTRAR O / NO 
É praticamente unânime (ALMEIDA, 1981; AULETE [online]; FERREIRA, 2010; 
HOUAISS, 2001; LUFT, 1995) a possibilidade de adentrarser tanto transitivo 
direto (adentrar algo) quanto transitivo indireto (adentrar em algo).
[...] adentrar Øo mérito. [...] adentrar no mérito.
 ACERCA DE / HÁ / HÁ CERCA DE
Acerca de significa sobre, a respeito de. 
Numa abordagem de aparência cognitiva, Caldas Aulete (apud ALMEIDA, 1981) 
diferencia tratar sobre de tratar acerca de, afirmando que este quer dizer tratar 
um assunto a fundo e aquele, tratar sem entrar em desenvolvimentos. Exemplos 
(ALMEIDA, 1981, grifo nosso): “Falaram sobre você” (citaram-lhe o nome, você 
foi lembrado). “Falaram acerca de você” (trataram de você).
Há cerca de é expressão sinônima de há mais ou menos. Exemplo: “Há cerca de 
23 anos editou-se nova Constituição no Brasil.”
Há, quando se refere a tempo decorrido, fica sempre no singular. É dispensável 
qualquer outra palavra que indique tempo passado. 
Há cinco anos atrás [...]. 
(redundância)
Há cinco anos [...]. 
55
 ADERIR
Aderir é verbo transitivo indireto ou intransitivo quando significa colar, grudar, ser 
aderente (LUFT, 1995). Exemplo: “Essa substância adere ao papel.”
Ainda conforme Luft (1995), na acepção de assentir, dar adesão, aderir é sempre 
transitivo indireto (aderir a); no sentido de ligar-se, unir-se, tornar-se adepto (de 
partido, seita etc.), é transitivo indireto pronominal (aderir-se a). Exemplos: “Poucos 
adeririam à greve.” “O prefeito se aderiu ao partido para concorrer às eleições.”
Ressalte-se que a conjugação do verbo aderir no presente do indicativo (1ª pessoa 
do singular) é eu adiro.
 Consulte Regência e transitividade!
 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
José Cretella Júnior (apud MAFRA FILHO, 2005) afirma que administração 
(grafada com inicial minúscula), tanto no direito privado quanto no direito público, 
refere-se à atividade vinculada a um fim alheio à pessoa e aos interesses particulares 
do agente ou do órgão que a exercita.
O O prefeito deve ficar atento aos 
princípios da Administração 
Pública.
O prefeito deve ficar atento aos 
princípios da administração 
pública.
Conforme Francisco de Salles Almeida Mafra Filho (2005, [online]), Administração 
(grafada com inicial maiúscula) refere-se não somente ao governo ou ao Poder 
Executivo, “mas também à própria máquina administrativa, o pessoal que a faz 
funcionar, e a sua própria atividade que possibilita ao Estado o cumprimento de 
seus fins”.
O Os contratos em que a 
administração pública foi parte 
signatária foram anulados.
Os contratos em que a 
Administração Pública foi parte 
signatária foram anulados.
A licitação realizada pela 
Administração Pública foi 
impugnada. 
56
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
O [...] o que Ø evidentemente, 
representa uma perda [...].
O [...] o que, evidentemente Ø 
representa uma perda [...].
[...] o que, evidentemente, 
representa uma perda [...].
[...] o que Ø evidentemente Ø 
representa uma perda [...].
[...] contrataram a empresa 
rápida e silenciosamente.
[...] contrataram a empresa 
rapidamente e silenciosamente.
 ALUDIR
O verbo aludir é transitivo indireto e, como tal, de acordo com a gramática prescritiva, 
não admite construção na voz passiva. No entanto, na linguagem jurídica, é bastante 
usada a construção passiva, e esse uso encontra apoio de reconhecidos estudiosos 
como Napoleão Mendes de Almeida, Vitório Bergo e outros (ALMEIDA, 1981 apud 
COSTA, 2007; BERGO, 1944 apud COSTA, 2007). 
Apesar de concordar com a possibilidade de apassivamento de alguns verbos 
transitivos indiretos, Kaspary (2010, p. 328-330) recomenda evitá-lo, pois “[...] 
a linguagem jurídica está inserida na zona da língua culta, sendo, portanto, mais 
formalizada [...]”.
O Um processo antigo foi aludido 
pelo interessado [...].
O interessado aludiu a um 
processo antigo [...]. 
 ADVÉRBIOS TERMINADOS EM –MENTE
É muito comum, em especial no meio jurídico, o uso de vírgulas intercalando os 
advérbios terminados em “–mente”. No entanto, não se trata de caso obrigatório de 
emprego de vírgulas. Piacentini (2009) chega a afirmar que a vírgula, nesse caso, deve 
ser utilizada apenas quando se quiser dar ênfase especial ao advérbio.
Além disso, recomenda-se que, em períodos já marcados com muitas vírgulas, seja 
evitado este sinal de pontuação, quando facultativo, a fim de não gerar “poluição 
visual” no texto, dificuldade de interpretação e ambiguidades.
Outra questão que gera dúvidas no uso de advérbios terminados em “–mente” 
é como escrevê-los em sucessão. Nesse caso, é consenso entre os estudiosos da 
língua a possibilidade de suprimir o sufixo “–mente”, mantendo-o apenas no último 
elemento (COSTA, 2007; KASPARY, 2000; MORENO, 2012; SACCONI, 2008). 
No entanto, nada impede que se repita o sufixo como recurso de ênfase. De qualquer 
forma, recomenda-se o bom senso para que a ênfase não se transforme em mera 
ecoação.
57
Sugere-se, pois, a substituição do verbo aludir por outro de sentido equivalente 
quando se desejar a construção na voz passiva, de modo a se evitar a dúvida quanto 
à correção sintática.
No entanto, não há óbices ao emprego da forma aludido (e flexões) como sinônimos 
de referido, citado. Nesse caso, apresenta-se como um adjetivo que acompanha um 
substantivo, com o qual concorda em gênero e número. 
As aludidas consultas foram objeto do parecer da lavra do conselheiro.
Ainda vale destacar que “é impróprio o emprego do verbo aludir nas acepções de 
‘alegar, dizer, ensinar’ e assemelhados.” (KASPARY, 2010, p. 50, grifo original).
Consulte Regência e transitividade!
Aludir é verbo transitivo indireto e, portanto, não admite voz passiva. No entanto, 
nada impede o uso de aludido como adjetivo, que significa referido, citado.
 AMBIGUIDADE
Anfibologia ou ambiguidade é a possibilidade de uma mensagem ter dois ou mais 
sentidos. Trata-se de um erro grave e, na maioria das vezes, acontece por falta de 
atenção ou de releitura do texto. 
 Principais mecanismos geradores de ambiguidade
Pontuação incorreta
Embora 227 milhões de pessoas tenham conseguido sair das favelas, 
desde 2000, elas abrigam ainda 827,6 milhões de habitantes em todo 
mundo. Ambíguo.
Embora 227 milhões de pessoas tenham conseguido sair das favelas Ø 
desde 2000, elas abrigam ainda 827,6 milhões de habitantes em todo 
mundo. Adequado.
Má colocação do adjunto adverbial
Juízes honestos que recebem propostas de propina com frequência 
são mais propensos à depressão. Ambíguo.
Juízes honestos que com frequência recebem propostas de propina 
Ø são mais propensos à depressão. Adequado.
58
PPADRONIZAÇÃO E GRAMÁTICA
Uso incorreto ou má colocação de pronome
O réu usou de modo indevido o orçamento da saúde pública Ø que já 
estava em défice. Ambíguo.
O réu usou de modo indevido o orçamento da saúde pública, a qual já 
estava em défice. Adequado.
A oficial de justiça não encontrou o intimado em sua casa. Ambíguo.
A oficial de justiça não encontrou o intimado na Ø casa dele.
Adequado.
O governo não assumirá a responsabilidade pelos dados incorretos 
fornecidos pelos declarantes à Receita Federal e ainda pelas 
consequências desastrosas que esses trarão. Ambíguo.
O governo não assumirá a responsabilidade pelos dados incorretos 
fornecidos pelos declarantes à Receita Federal e ainda pelas 
consequências desastrosas que essas informações trarão. Adequado.
Dupla acepção de vocábulos
O TCE considerou irregular a compra da coroa Ø feita pela prefeitura. 
Ambíguo.
O TCE considerou irregular a compra da coroa de flores feita pela 
prefeitura. Adequado.
 AMBOS
O pronome ambos significa os dois ou um e outro (AULETE, [online]). Por isso, 
são pleonásticas as expressões como ambos os dois, ambos de dois, ambos a 
dois. 
Luiz Antonio Sacconi (1994, p. 157, grifo original) afirma que “ambos os dois é 
locução pleonástica absolutamente correta, assim como ambos de dois, desde que 
usadas com discrição.”
Da mesma forma, José Maria da Costa (2007, p. 100), após analisar o que dizem 
diversos gramáticos, conclui sobre ambos os dois e ambos de dois:
Para sintetizar, quer por seu caráter enfático, que nem