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OPERAÇÕES FINANCEIRAS Importância da Demonstração dos Fluxos de Caixa - DFC A elaboração da DFC é obrigatória para as Companhias abertas ou para as fechadas com PL acima de $ 2 milhões, em substituição à Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR). A DFC indica a origem de todo o dinheiro que entrou no Caixa, bem como a aplicação de todo o dinheiro que saiu do Caixa em determinado período, e, ainda, o Resultado do Fluxo Financeiro. A DFC propicia ao gerente financeiro a elaboração de melhor planejamento financeiro. contrair empréstimos para cobrir a falta de fundos, bem como quando aplicar no mercado financeiro o excesso de dinheiro. Somente por meio do conhecimento do passado será possível fazer boa projeção dos Fluxos de Caixa para o futuro (próxima semana, próximo mês, próximo trimestre etc.). A comparação dos Fluxos Projetados com o real vem indicar as variações que, quase sempre, demonstram as deficiências nas projeções. Essas variações são excelentes subsídios para o aperfeiçoamento de novas projeções dos Fluxos de Caixa. Principais transações que afetam o Caixa TRANSAÇÕES QUE AUMENTAM O CAIXA (DISPONÍVEL): Integralização do Capital pelos Sócios ou Acionistas Empréstimos Bancários e Financeiros Venda de Itens do Ativo Não Circulante Vendas à Vista e Recebimento de Duplicatas a Receber Outras Entradas: Juros recebidos, dividendos recebidos de outras empresas, indenizações de seguros recebidas etc. TRANSAÇÕES QUE DIMINUEM O CAIXA (DISPONÍVEL): Pagamentos de Dividendos aos Acionistas Pagamento de Juros e Amortização da Dívida etc. Aquisição de Item do Ativo Não Circulante Compras à Vista e Pagamentos a Fornecedores Pagamentos de Despesa/Custo, Contas a Pagar e Outros TRANSAÇÕES QUE NÃO AFETAM O CAIXA Depreciação, Amortização e Exaustão. Provisões Tributos diferidos Ganhos e Perdas cambiais não realizados. Acréscimos (ou Diminuições) de itens de investimentos pelo método de equivalência patrimonial quando aplicável. Aplicações Financeiras Se há ociosidade no caixa é saudável a aplicação desses recursos para geração de mais recursos para a empresa. Conforme o CPC 03, as aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez, também são consideradas como disponível pelo mercado financeiro, sendo consideradas “equivalentes de caixa”. Dependendo do tempo e do volume de recursos que a empresa tiver a disposição, poderá aplicar esse recursos: No mercado financeiro ou No mercado de capitais Esse investimentos podem variar quanto ao prazo de vencimento desde curtíssimo prazo até longo prazo. Há uma diversidade de aplicações de recursos financeiros que podem ser efetuadas tanto no mercado financeiro quanto no mercado de capitais na compra de títulos de crédito e Valores Mobiliários públicos ou particulares. Os investimentos no mercado financeiro podem ser realizados em títulos de renda fixa ou de renda variável: Fundos de Liquidez Imediata Certificado de Depósito Bancário – CDB Depósitos a Prazo Fixo Títulos e Letras do Tesouro Nacional Letras de Câmbio Aplicação em Ouro Caderneta de Poupança, etc. No mercado de capitais, os principais títulos são aqueles representativos de capital de outras sociedades, como ações e quotas. As rendimentos das aplicações são, via de regra, tributados pelo imposto de renda, ocorrendo essa tributação já na fonte pagadora e o IOF quando resgatados com menos de 30 dias. Se isso ocorrer, duas hipóteses ainda podem se abrir: O rendimento não precisa mais ser considerado tributável quando da elaboração da “declaração do imposto de renda” (anual). Na outra, o “imposto de renda retido na fonte” é considerado uma antecipação do imposto de renda a ser calculado na declaração. Aplicação BMF (pós fixados) Na aplicação D – Aplicação na BMF C – Banco Cta Movimento 10.000 No resgate D – Banco Cta Movimento C – Aplicação na BMF 10.000 D – Banco Cta Movimento C – Receita Financeira 500 D – I Renda na Fonte a Compensar ou a Recuperar C – Banco Cta Movimento 50 Aplicações em depósitos a prazo fixo: Existem as aplicações com rendimentos prefixados e pós-fixados Admita-se que determinada empresa faça aplicação a prazo fixo em 1º-11-21 para seis meses, com data de resgate marcada para 30-4-22, com rendimento prefixado. O valor aplicado é de $ 50.000 e o total resgatado será de $ 80.000, havendo uma Receita Financeira igual a $ 30.000. Lançamentos: Na aplicação D – Aplicações em Tit. Val. Mobiliários C – Bco Cta Movimento 50.000 D - Aplicações em Tit. Val. Mobiliários C - Receita Financeira a Apropriar 30.000 Em Dezembro: D – Receita Financeira a Apropriar C – Receitas Financeiras 10.000 No resgate D – Receita Financeira a Apropriar C – Receitas Financeiras 20.000 Contabilização do Imposto de Renda 10% sobre o rendimento: D – IR a Compensar ou a Recuperar C – Banco Cta Movimento 3.000 Tal contabilização deve obedecer rigidamente ao Regime de Competência. Se a aplicação passar de um ano para outro, os juros proporcionais (bem como o IR na fonte) aos dias corridos no exercício em encerramento devem ser computados, abrindo-se uma conta para Receitas Financeiras a Receber, como contrapartida de Receitas Financeiras. Empréstimos/Financiamentos com Juros Pré-Fixados São empréstimos em que os encargos financeiros já são conhecidos no momento de sua concessão. Como contabilizar? Sistema Price de Amortização - CPC 12 Em 10/01/2022 a Empresa X adquiriu um veículo, a prazo, por R$ 107.115,49, para pagamento em seis parcelas de $ 17.852,58. Se a compra fosse paga a vista seria de $ 100.000. A taxa contratada foi de 2% a.m. Como contabilizar a operação acima (Na compra e nos pagamentos) ? Operações com Duplicatas Cobrança Simples: remessa de Duplicatas a um banco para cobrança simples no valor de $ 1.000, com comissão de $ 50: Pela remessa do título ao banco: Registro da despesa D – Despesas bancárias C – Bco Cta Movimento 50 Na liquidação do título pelo cliente: Pelo recebimento das duplicatas D – Bco Cta movimento C – Duplicatas a receber 1.000 Cobrança simples com quitação na empresa: D – Caixa C – Duplicatas a receber 100 A empresa deve comunicar ao banco da liquidação do título na empresa. Cobrança simples sem quitação na data do vencimento e devolução do título pelo banco: a empresa deve proceder a cobrança ao devedor adotando os meios disponíveis culminando com o protesto do título em cartório; Desconto de Duplicatas Consiste na transferência dos instrumentos financeiros ao banco, mediante endosso ao portador; uma empresa remete ao banco duplicatas de sua emissão no valor nominal de $ 1.000. O banco cobra juros de $ 150 e taxas de $ 30: D – Bco Cta movimento 820 D – Juros Passivos a vencer (AVP) 150 D – Despesas bancárias 30 C – Duplicatas Descontadas 1.000 Pela quitação das duplicatas: D – Duplicatas Descontadas C – Duplicatas a Receber 1.000 D – Juros Passivos (DF) C – Juros Passivos a vencer 150 Uma duplicata não paga no vencimento pelo cliente, o banco fez a sua baixa retirando o valor da conta da empresa: Valor do título: $ 800,00; Encargos Financeiros cobrados na operação de desconto: $ 55,00; Encargos Financeiros pelo atraso: $ 30,00. D – Duplicatas descontadas 800,00 D – Despesas Financeiras 85,00 C – AVP 55,00 C – Caixa/bancos 830,00 Com quitação na empresa: D – Caixa C – Duplicatas a receber 800,00 D – Juros Passivos C – Juros Passivos a Vencer 55,00 A empresa comunica e autoriza o banco a debitar em sua conta o valor da duplicata: (no vencimento) D – DuplicatasDescontadas C – Bco Cta Movimento 800,00 Factoring Há empresas que compram os direitos (títulos) resultantes de vendas a prazo, pagando pelos títulos um valor abaixo do valor face. A empresa de factoring assume integralmente o risco do crédito (ao contrário do desconto de duplicata), não havendo regresso do título (por exemplo, duplicatas), por isso, há um custo maior. Empréstimos com Juros Pós-Fixados (variações monetárias) Entende-se como variação monetária a atualização de uma dívida (ou de um direito) em virtude da taxa de câmbio. Essa variação é denominada variação cambial. Conforme exigência da Lei das Sociedades por Ações, as obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial, classificadas no passivo, serão convertidas em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data do balanço. Empréstimo em 2021 de $ 10.000; na data do balanço, em 2022, considerando a taxa de câmbio da época, o valor em moeda nacional foi para $ 14.800. NO BP 2021 2022 Empréstimos 10.000 Empréstimos 14.800 NA DRE de 2022 D - Despesas Financeiras (variações monetárias) C – Empréstimos 4.800 Além da variação monetária, há os juros que efetivamente remuneram o financiador. No caso de empréstimos em moeda estrangeira, normalmente são calculados sobre o valor da dívida original e multiplicados pela taxa de câmbio do dia para a conversão em reais. As variações monetárias devem ser separadas dos juros. Dessa forma, embora compondo o grupo Despesas Financeiras, as variações monetárias serão classificadas em conta distinta da dos juros. Instrumentos Financeiros Instrumento financeiro é qualquer contrato que dê origem a um ativo financeiro para a entidade e a um passivo financeiro para outra entidade; em resumo é um instrumento de troca; As operações envolvendo instrumentos financeiros são realizadas pelas empresas com o objetivo de gerar recursos financeiros. Ativo Financeiro é qualquer ativo que seja: caixa; título patrimonial de outra entidade; (ações) direito contratual de receber caixa ou outro ativo financeiro de outra entidade ou de trocar ativos ou passivos financeiros com outra entidade; Contas a receber, empréstimos a receber, títulos de dívida a receber, etc.; Passivo financeiro é qualquer passivo que seja: Pagamento de determinada importância em moeda ou em instrumentos financeiros; Troca de resultados financeiros ou instrumentos financeiros. Derivativos O CPC 14 define Derivativos como um contrato realizado com a finalidade de gerenciar incertezas existentes em outro contrato. Ex.: um produtor de café firmou contrato (commodity) para venda de toda sua produção para uma indústria que lhe pagará por saca, o valor praticado no mercado na data da colheita. Essa commodity garante ao plantador de café que na data da colheita terá para quem vender toda a sua produção. E garante à indústria que na data da colheita terá de quem comprar matéria prima para sua fábrica. Contudo não garante à parte alguma o preço, que será o de mercado na época da colheita. Então, na data do contrato o preço da saca de café esteja flutuando entre $ 20 e $ 30, sendo que o preço médio de $ 25 seja bom para ambos. Surge então, um contrato derivativo que garante às partes o preço de compra e venda fixado em $ 25 a saca, seja qual for o preço de mercado na data da entrega. O contrato derivativo pode envolver tanto os mesmos contratantes do commodity como também surgir terceiros que estejam dispostos a assumir os riscos. Características do Derivativo: seu valor se altera em resposta a mudanças na taxa de juros, preço da commodity, taxa de câmbio, índice de preços, avaliação (rating) de crédito ou outra variável; Não é necessário qualquer desembolso inicial Deve ser liquidado em data futura. Podem ser negociados em mercado de balcão ou em bolsa de valores. São exemplos de derivativos: commodities (matérias-primas), câmbio, ouro e até mesmo índices da Bolsa de Valores. De maneira geral, o mercado classifica diversas abordagens de derivativos: derivativos financeiros (operação de hedge, mercado de opções, swaps etc.), derivativos de crédito, derivativos agropecuários, fundos de derivativos etc. Hedge quer dizer “cerca”, proteção. Visa compensar os riscos que poderão afetar o fluxo de caixa. Se a empresa tem uma dívida em dólar, poderá negociar um contrato de dólar futuro; qualquer que seja a cotação do dólar, fica garantida a cotação negociada. Contrato de swap significa um contrato de troca. Uma empresa comercial exportadora com receita em dólar poderá garantir certas obrigações com taxas de juros fixos, atrelando um contrato que se comprometa a pagar a oscilação do dólar. Mercado de opções: Caracteriza-se por negociações de valores (ações, commodities) com preços e prazos preestabelecidos em contrato.