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Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com É com imenso prazer que apresentamos esse ebook, focado em facilitar o entendimento sobre legislação do SUS e saúde pública. Nosso objetivo é tornar o seu aprendizado mais prazeroso, uma vez que a leitura de leis, decretos e resoluções na íntegra pode se tornar cansativa. Para isso, acreditamos no uso de cores, figuras e esquemas ilustrados para facilitar o aprendizado. Agradecemos a aquisição desse material, ele foi desenvolvido com muito carinho e dedicação. Esperamos que seja de grande valia na sua jornada, e que, de alguma forma, te aproxime mais dos seus objetivos. Tenha bons estudos! Atenciosamente, Aprova Saúde =) APRESENTAÇÃO Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Este conteúdo destina-se exclusivamente a exibição privada. É proibida toda forma de reprodução, distribuição ou comercialização do conteúdo sem a autorização dos autores. A violação de direitos sobre este documento é crime (art. 184 do código penal brasileiro, com pena de 3 meses a 4 anos de reclusão ou multa). ATENÇÃO Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com III. LEI 8.080 DE 19 DE SETEMBRO DE 1990 II. SUS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 I. HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL 6 29 48 • Brasil Colônia • Brasil Império • República Velha • Era Vargas • Autoritarismo • Nova República • Regulamentação do SUS • Resumo do Capítulo • Art. 194 e 195 - Seguridade Social • Art. 196 - Universalidade • Art. 197 - Saúde pelo Estado e pela Iniciativa Privada • Art. 198 - Diretrizes do SUS; Aplicação Mínima de Recursos; ACS/ACE • Art. 199 - Participação da Iniciativa Privada • Art. 200 - Competências do SUS • Disposições Gerais do SUS - Arts. 1º ao 4º • Objetivos e Atribuições – Arts .5º e 6º • Vigilância em Saúde – Art. 6º (§ 1º a §3º) • Princípios e Diretrizes – Art. 7º SUMÁRIO 8 11 12 17 19 23 24 25 31 38 39 40 44 46 49 53 55 59 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com • Da Organização, da Direção e da Gestão– Arts. 8º ao 14 • Das Atribuições Comuns – Art. 15 • Da Competência – Arts. 16, 17 e 18 • Leis que Alteram a Lei 8.080 • Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena – Art. 19 • Do Subsistema de Atendimento e Internação Domiciliar – Art. 19 • Do Subsistema de Acompanhamento Durante o Trabalho de Parto, Parto e Pós-parto Imediato – art. 19 • Da Assistência Terapêutica e da Incorporação de Tecnologia em Saúde – art. 19 • Dos Serviços Privados de Assistência à Saúde (Arts. 20 a 26) • Dos Recursos Humanos (Arts. 27 a 30) • Do Financiamento (Arts. 31 a 38) • Das Disposições Finais e Transitórias (Arts. 39 a 55) • Conferências de Saúde • Conselhos de Saúde • Fundo Nacional de Saúde IV. LEI 8.142 DE 28 DE DEZEMBRO DE 1990 V. DECRETO 7.508 DE 28 DE JUNHO DE 2011 • Disposições gerais • Região de Saúde SUMÁRIO 64 71 73 83 84 87 88 89 91 93 94 97 101 102 105 108 110 99 107 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com • Redes de Atenção à Saúde • Hierarquização • Planejamento da Saúde • Assistência à Saúde • RENASES • RENAME • Comissões Intergestores • Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde • Disposições Finais VI. RESOLUÇÃO 453 DE 10 DE MAIO DE 2012 • Diretrizes da Resolução 453 • Primeira Diretriz: Definição do Conselho de Saúde • Segunda Diretriz: Da Instituição e Reformulação dos Conselhos de Saúde • Terceira Diretriz: A Organização dos Conselhos de Saúde • Quarta Diretriz: Estrutura e Funcionamento dos Conselhos de Saúde • Quinta Diretriz: Competências do Conselho de Saúde SUMÁRIO 127 128 129 130 134 139 112 113 115 117 117 118 121 123 124 126 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com CAPÍTULO I História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com História da Saúde Pública no Brasil A História da Saúde Pública no Brasil tem sido marcada por sucessivas reorganizações administrativas e edições de muitas normas. Da instalação da colônia até a década de 1930, as ações eram desenvolvidas sem significativa organização institucional. A partir daí iniciou-se uma série de transformações, ou melhor, foram criados e extintos diversos órgãos de prevenção e controle de doenças. Nesse capítulo, será abordado os 6 períodos que marcaram a evolução dos modelos de saúde, do início até os dias atuais, são eles: Brasil Colônia (1500 – 1822) Brasil Império (1822 – 1889) República Velha (1889 – 1930) Era Vargas (1930 – 1964) Autoritarismo (1964 – 1985) Nova República (1985 – 1988) No que concerne à saúde preventiva, ao longo de toda a existência, o Brasil enfrentou diversas dificuldades institucionais e administrativas decorrentes do limitado desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, bem como pela expansão da assistência médica, atrelada à lógica do mercado. Mas, também, principalmente, pelo lento processo de formação de uma consciência dos direitos de cidadania. 7 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Brasil Colônia (1500 – 1822) Antes da chegada dos portugueses, o território era ocupado por povos indígenas, a colonização trouxe diversas doenças da Europa que não existiam por aqui. Como consequência, milhares de nativos morreram. Nessa época, a preocupação com a saúde era praticamente nula. Não havia infraestrutura e quem precisava buscar auxílio geralmente recorria a pajés, curandeiros ou boticários. Durante o período do Brasil Colônia, destacamos a seguintes características em relação às ações de saúde: As doenças eram interpretadas pelos índios, como castigo ou provação, cujas causas eles reconheciam como reflexo da vontade de um ser sobrenatural, ação de astros e dos agentes climáticos. Doenças Curandeirismo O pajé era um misto de profeta e médico que estabelecia o contato entre o mundo dos homens e o dos espíritos. Era um grande conhecedor das ervas curativas que, frequentemente, eram utilizadas em casos de doenças. Cirurgiões Barbeiros Os cirurgiões barbeiros faziam todas as cirurgias da época, realizavam atividades como a sarjação, a aplicação de ventosas e de sanguessugas. Incluíam igualmente entre suas atividades, arrancar os dentes, barbear e cortar o cabelo. Padres Jesuítas Os padres jesuítas tiveram papel importante na assistência aos doentes, levavam medicamentos e alimentos, introduzindo a prática médica do isolamento para o tratamento dos doentes. Aproveitavam o atendimento para realizar a catequese, uma prática de colonização bastante criticada. 8 História da Saúde Pública no BrasilHistória da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com A fundação das casas de misericórdia no Brasil, se deu ao mesmo tempo da colonização para o atendimento médico- hospitalar, a medida que os territórios foram ganhando importância econômica elas foram sendo fundadas. A primeira foi em Santos, no ano de 1543.Santas Casas de Misericórdia Chegada da Família Real ao Brasil Com a chegada da Família Real portuguesa ao Brasil, no ano de 1808, o Brasil começou a desenvolver seu comércio com a exportação de produtos. Muitos escravos eram trazidos nos navios para trabalhar, o que acabou gerando aglomeração e consequentemente epidemias. Com isso, a política médica passou ter o foco na intervenção da condição de vida e de saúde da população, com ênfase em controlar as epidemias e melhorar o saneamento das cidades, em especial as portuárias. No entanto, o objetivo dessas ações visavam não atrapalhar o comércio, uma vez que a assistência ao trabalhador, se resumia em isolamento, para evitar a propagação da doença. Teoria Miasmática No períodofiscalização e a inspeção de alimentos, água e bebidas para consumo humano; IX - a participação no controle e na fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; X - o incremento, em sua área de atuação, do desenvolvimento científico e tecnológico; XI - a formulação e execução da política de sangue e seus derivados. Perceba que o campo de atuação do SUS presente no artigo 6º da Lei 8.080 traz alguns elementos das competências do SUS no artigo 200 da Constituição Federal Lei 8.080 Campo de Atuação do SUS 54 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com A Vigilância Sanitária abrange o controle de produtos e da prestação de serviços que se relacionem com a saúde humana. A vigilância sanitária também pode ser concebida como um espaço de exercício da cidadania e do controle social, por sua capacidade transformadora da qualidade dos produtos, dos processos e das relações sociais. Ainda de acordo com o Art. 6º... § 1º Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: I - o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo; e II - o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. Vigilância Sanitária Conjunto de ações para diminuir riscos a saúde e intervir nos problemas sanitários decorrentes: Do meio ambiente Da produção e da circulação de bens Da prestação de serviços de interesse da saúde A Vigilância Sanitária abrange O controle dos bens de consumo que se relacionam com a saúde O controle da prestação de serviços que se relacionam com a saúde A Vigilância Sanitária exerce uma importante função para a estruturação do SUS, principalmente no que diz respeito às ações regulatórias e de monitoramento de produtos e ações normativas e fiscalizatórias sobre os serviços prestados à população que se relacionam com a saúde Lei 8.080 Vigilância em Saúde – Art. 6º (§ 1º a §3º) 55 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com O propósito da Vigilância Epidemiológica é fornecer orientação técnica permanente para os que têm a responsabilidade de decidir sobre a execução de ações de controle de doenças e agravos. Tem como funções, dentre outras: coleta e processamento de dados; análise e interpretação dos dados processados; divulgação das informações; investigação epidemiológica de casos e surtos; análise dos resultados obtidos; e recomendações e promoção das medidas de controle indicadas. Ainda de acordo com o Art. 6º... § 2º Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos. Vigilância Epidemiológica Conjunto de ações que proporcionam: Conhecimento, detecção e prevenção de mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde A operacionalização da vigilância epidemiológica compreende um ciclo de funções específicas e complementares, desenvolvidas de modo contínuo, permitindo conhecer, a cada momento, o comportamento da doença ou agravo selecionado como alvo das ações, de forma que as medidas de intervenção pertinentes possam ser desencadeadas em tempo oportuno e com eficácia. O objetivo principal é fornecer orientação para os profissionais de saúde, para decidir sobre a execução de ações de controle, tornando disponíveis informações atualizadas sobre a ocorrência dessas doenças, bem como dos fatores que a condicionam, numa área geográfica ou população definida. Finalidade Recomendar e adotar medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos. Lei 8.080 Vigilância em Saúde – Art. 6º (§ 1º a §3º) 56 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Ainda de acordo com o Art. 6º... § 3º Entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho, abrangendo: I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho; II - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; III - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), da normatização, fiscalização e controle das condições de produção, extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador; IV - avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde; V - informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e às empresas sobre os riscos de acidentes de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional; Lei 8.080 Vigilância em Saúde – Art. 6º (§ 1º a §3º) 57 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com VI - participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços de saúde do trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas; VII - revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo de trabalho, tendo na sua elaboração a colaboração das entidades sindicais VIII - garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão competente a interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo ambiente de trabalho, quando houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde dos trabalhadores. A saúde do trabalhador se destina Através das ações de vigilância sanitária e vigilância epidemiológica A promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores A recuperação e a reabilitação da saúde dos trabalhadores Entendemos que o processo saúde-doença dos trabalhadores tem relação direta com o seu trabalho; e não deve ser reduzido a uma relação monocausal entre doença e um agente específico; ou multicausal, entre a doença e um grupo de fatores de riscos (físicos, químicos, biológicos, mecânicos), presentes no ambiente de trabalho. Saúde e doença estão condicionados e determinados pelas condições de vida das pessoas e são expressos entre os trabalhadores também pelo modo como vivenciam as condições, os processos e os ambientes em que trabalham. Lei 8.080 Vigilância em Saúde – Art. 6º (§ 1º a §3º) 58 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com O artigo 7º é o “coração e alma“ da lei 8.080, a expressão maior dos valores defendidos nos primórdios do movimento da reforma sanitária Brasileira. Os princípios e diretrizes do SUS constituem as bases para o funcionamento e organização do sistema de saúde em nosso país. Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios: I - universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência; II- integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema; III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral; IV - igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie; V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde; VI - divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário; VII - utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática; Lei 8.080 Princípios e Diretrizes – Art. 7º 59 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com VIII - participação da comunidade; IX - descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de governo: a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios; b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde; X - integração em nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e saneamento básico; XI - conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na prestação de serviços de assistência à saúde da população; XII - capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência; XIII - organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de meios para fins idênticos. XIV – organização de atendimento público específico e especializado para mulheres e vítimas de violência doméstica em geral, que garanta, entre outros, atendimento, acompanhamento psicológico e cirurgias plásticas reparadoras, em conformidade com a Lei nº 12.845, de 1º de agosto de 2013. Lei 8.080 Princípios e Diretrizes – Art. 7º 60 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com É comum dividir os princípios do SUS em 2 grupos: doutrinários e organizativos. Doutrinários São mais conceituais, ou seja, são a base ideológica que representa os valores que defendemos em um sistema que deve garantir o direito à saúde. Organizativos Embasa efetivamente a maneira com que o sistema se organiza, por isso recebem esse nome. Princípios Doutrinários Universalidade Significa que o SUS deve atender a todos por meio de sua estrutura e serviços, sem distinções ou restrições, oferecendo toda a atenção necessária, sem qualquer custo. Não importando, por exemplo, se a pessoa possui um plano de saúde privado. Equidade É o direito das pessoas a serem atendidas de acordo com as suas necessidades de saúde, sem privilégios ou preconceitos. O SUS deve disponibilizar recursos e serviços de forma justa, de acordo com as necessidades de cada um. Portanto, não é sinônimo de igualdade, apesar de o texto da lei colocar nesses termos e esses conceitos terem muito em comum. Integralidade Preconiza a garantia ao usuário de uma atenção que abrange as ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, com garantia de acesso a todos os níveis de atenção do Sistema de Saúde. Lei 8.080 Princípios e Diretrizes – Art. 7º 61 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Princípios Organizativos Regionalização Trata-se de uma forma de organização do Sistema de Saúde, com base territorial e populacional, adotada por muitos países na busca por uma distribuição de serviços que promova equidade de acesso, qualidade, otimização dos recursos e racionalidade de gastos. Hierarquização Diz respeito à possibilidade de organização dos níveis de atenção do Sistema conforme o grau de densidade tecnológica dos serviços, isto é, o estabelecimento de uma rede que articula os serviços dos diferentes níveis de atenção. Descentralização É o processo de transferência de responsabilidades da gestão e recursos para os municípios, atendendo às determinações constitucionais e legais que embasam o SUS e que definem atribuições comuns e competências específicas à União, estados, Distrito Federal e municípios. Participação da comunidade Também conhecida como controle social, é um mecanismo institucionalizado pelo qual se procura garantir a participação social, com representatividade, no acompanhamento da formulação e execução das políticas de saúde. Ele se concretiza primordialmente por meio dos Conselhos e Conferências de Saúde (que serão vistos no capítulo da Lei 8.080), mas se dá também em outras instâncias. Princípios e Diretrizes – Art. 7º Lei 8.080 62 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Para facilitar o aprendizado dos princípios e diretrizes do SUS, memorize o mnemônico a seguir: Princípios Doutrinários Universalidade Equidade Integralidade Terminam em ADE Princípios Organizativos Regionalização Hierarquização Descentralização Participação da comunidade Terminam em AÇÃO Atenção: as bancas de provas podem acabar alterando o sufixo das palavras, como exemplo: universalidade / universalização. O mnemônico apresentado serve apenas para facilitar a memorização. Princípios e Diretrizes – Art. 7º Lei 8.080 63 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com No artigo 8º ficam reiteradas a regionalização e hierarquização como princípios estruturantes para a organização do SUS. Essa necessidade de reafirmar estes princípios decorre da longa história de centralização do sistema de saúde em estruturas federais como principais prestadores de serviços de saúde aos trabalhadores que possuíam cobertura previdenciária. Art. 8º As ações e serviços de saúde, executados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seja diretamente ou mediante participação complementar da iniciativa privada, serão organizados de forma regionalizada e hierarquizada em níveis de complexidade crescente. Regionalização e Hierarquização: os serviços devem ser organizados em níveis crescentes de complexidade, circunscritos a uma determinada área geográfica, planejados a partir de critérios epidemiológicos e com definição e conhecimento da população a ser atendida Atenção Básica Média Complexidade Alta Complexidade A organização dos serviços é hierárquica, de forma crescente, ou seja, a porta de entrada do SUS é a atenção básica, que é responsável por coordenar o cuidado do usuário na rede. Dependendo das necessidades do paciente, a atenção básica direciona-o para outros níveis de complexidade, como o de média e alta complexidade Art. 9º A direção do Sistema Único de Saúde (SUS) é única, de acordo com o inciso I do art. 198 da Constituição Federal, sendo exercida em cada esfera de governo pelos seguintes órgãos: I - no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde; II - no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente; e III - no âmbito dos Municípios, pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente. Da Organização, da Direção e da Gestão– Arts. 8º ao 14 Lei 8.080 64 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com No art. 9º observa-se a declaração de que o SUS deve ter comando único em cada instância, e identifica o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais como responsáveis por esse comando em suas respectivas esferas. Isso significa que seus representantes são a autoridade que determina os rumos das políticas de saúde em seus territórios. Isso também deflagra o caráter independente de cada um dos poderes ou instâncias de governo. Direção do SUS União Estados/DF Municípios Ministério da Saúde SES ou órgão equivalente SMS ou órgão equivalente Art. 10. Os municípios poderão constituir consórcios para desenvolver em conjunto as ações e os serviços de saúde que lhes correspondam.§ 1º Aplica-se aos consórcios administrativos intermunicipais o princípio da direção única, e os respectivos atos constitutivos disporão sobre sua observância. § 2º No nível municipal, o Sistema Único de Saúde (SUS), poderá organizar-se em distritos de forma a integrar e articular recursos, técnicas e práticas voltadas para a cobertura total das ações de saúde. Em resumo, trata-se de uma sociedade constituída entre os municípios interessados na tentativa de otimizar recursos por meio de entidade que juridicamente é de direito privado e que, portanto, permite facilidades operacionais. O conjunto de municípios pode realizar provimentos de serviços de saúde para a região e ratear proporcionalmente tais despesas. No 2º parágrafo coloca-se a possibilidade de um mesmo município (sobretudo os de grande porte) estabelecer unidades gestoras para determinadas áreas geográficas do município. Comumente esses territórios são chamados de distrito sanitário. A depender do arranjo organizativo pode haver maior ou menor autonomia para o gestor local designado, mas nunca se sobrepõe ao princípio de comando único do Secretário Municipal de Saúde Da Organização, da Direção e da Gestão– Arts. 8º ao 14 Lei 8.080 65 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 11. (Vetado). Art. 12. Serão criadas comissões intersetoriais de âmbito nacional, subordinadas ao Conselho Nacional de Saúde, integradas pelos Ministérios e órgãos competentes e por entidades representativas da sociedade civil. Parágrafo único. As comissões intersetoriais terão a finalidade de articular políticas e programas de interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas não compreendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Art. 13. A articulação das políticas e programas, a cargo das comissões intersetoriais, abrangerá, em especial, as seguintes atividades: I - alimentação e nutrição; II - saneamento e meio ambiente; III - vigilância sanitária e farmacoepidemiologia; IV - recursos humanos; V - ciência e tecnologia; VI - saúde do trabalhador. As comissões intersetoriais são formadas para articular áreas que não são abrangidas pelo SUS, pois, mesmo que não sejam, influenciam de forma direta e indireta na saúde da população Da Organização, da Direção e da Gestão– Arts. 8º ao 14 Lei 8.080 66 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 14. Deverão ser criadas Comissões Permanentes de integração entre os serviços de saúde e as instituições de ensino profissional e superior. Parágrafo único. Cada uma dessas comissões terá por finalidade propor prioridades, métodos e estratégias para a formação e educação continuada dos recursos humanos do Sistema Único de Saúde (SUS), na esfera correspondente, assim como em relação à pesquisa e à cooperação técnica entre essas instituições. Comissões permanentes de integração entre Os serviços de saúde As instituições de ensino profissional e superior Finalidade: propor prioridades, métodos e estratégias Para a formação e educação continuada dos recursos humanos do SUS Em relação à pesquisa e à cooperação técnica entre essas instituições Foi tratada de maneira diferenciada a importância de se instituir Comissões que formulem estratégias que promovam melhor interação de benefício mútuo entre serviços de saúde e instituições formadoras de profissionais de saúde em nível superior. Um exemplo clássico disso sãos as Comissões Permanentes que regulamentam os programas de residência médicas e multiprofissionais. Da Organização, da Direção e da Gestão– Arts. 8º ao 14 Lei 8.080 67 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 14-A. As Comissões Intergestores Bipartite e Tripartite são reconhecidas como foros de negociação e pactuação entre gestores, quanto aos aspectos operacionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Parágrafo único. A atuação das Comissões Intergestores Bipartite e Tripartite terá por objetivo: I - decidir sobre os aspectos operacionais, financeiros e administrativos da gestão compartilhada do SUS, em conformidade com a definição da política consubstanciada em planos de saúde, aprovados pelos conselhos de saúde; II - definir diretrizes, de âmbito nacional, regional e intermunicipal, a respeito da organização das redes de ações e serviços de saúde, principalmente no tocante à sua governança institucional e à integração das ações e serviços dos entes federados; III - fixar diretrizes sobre as regiões de saúde, distrito sanitário, integração de territórios, referência e contrarreferência e demais aspectos vinculados à integração das ações e serviços de saúde entre os entes federados. Desde que foram instituídas, as Comissões Intergestores Tripartite (na dreção nacional) e Bipartite (na direção estadual) vem se constituindo em importantes arenas políticas de representação nos processos de formulação e implementação das políticas de saúde. Todas as iniciativas intergovernamentais de planejamento integrado e programação pactuada na gestão descentralizada do SUS estão apoiadas no funcionamento dessas comissões. Comissão Intergestores Tripartite (CIT) Constituída (em nível federal) paritariamente por representantes do Ministério da Saúde (MS), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Da Organização, da Direção e da Gestão– Arts. 8º ao 14 Lei 8.080 68 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Constituída (em nível estadual) paritariamente por representantes da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e das Secretarias Municipais de Saúde, indicados pelo Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems). Incluem, obrigatoriamente, o Secretário de Saúde da capital do estado. Comissão Intergestores Bipartite (CIB) Comissão Intergestores Tripartite (CIT) Representantes do MS Representantes do CONASS Representantes do CONASEMS Comissão Intergestores Bipartite (CIB) Representantes da SES Representantes do COSEMS Art. 14-B. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) são reconhecidos como entidades representativas dos entes estaduais e municipais para tratar de matérias referentes à saúde e declarados de utilidade pública e de relevante função social, na forma do regulamento. § 1º O Conass e o Conasems receberão recursos do orçamento geral da União por meio do Fundo Nacional de Saúde, para auxiliar no custeio de suas despesas institucionais, podendo ainda celebrar convênios com a União. § 2º Os Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) são reconhecidos como entidades que representam os entes municipais, no âmbito estadual, para tratar de matérias referentes à saúde, desde que vinculados institucionalmente ao Conasems, na forma que dispuserem seus estatutos. Da Organização, da Direção e da Gestão– Arts. 8º ao 14 Lei 8.080 69 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Entidades representativas do SUS CONASS Representa as Secretarias Estaduais de Saúde dos 26 estados e do Distrito Federal CONASEMS Representa todas as Secretarias Municipais de Saúde do Brasil COSEMS Representa todas as Secretarias Municipais de Saúde do Brasil, no âmbito de cada estado Papeis de cada esfera Coordenar o sistema de saúde, formular políticas e diretrizes nacionais, fomentar programas, fiscalizar a execução de recursos federais. Articular as regiões de saúde, mediar o acesso à alta complexidade, planejar no âmbito estadual, apoiar técnica e financeiramente as ações dos municípios. Administrar os serviços de saúde, garantir acesso ao sistema, executar ações de saúde Federal Estadual Municipal Da Organização, da Direção e da Gestão– Arts. 8º ao 14 Lei 8.080 70 Lei 8.080 de 1990 Licenciadopara - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 15. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios exercerão, em seu âmbito administrativo, as seguintes atribuições: I - definição das instâncias e mecanismos de controle, avaliação e de fiscalização das ações e serviços de saúde; II - administração dos recursos orçamentários e financeiros destinados, em cada ano, à saúde; III - acompanhamento, avaliação e divulgação do nível de saúde da população e das condições ambientais; IV - organização e coordenação do sistema de informação de saúde; V - elaboração de normas técnicas e estabelecimento de padrões de qualidade e parâmetros de custos que caracterizam a assistência à saúde; VI - elaboração de normas técnicas e estabelecimento de padrões de qualidade para promoção da saúde do trabalhador; VII - participação de formulação da política e da execução das ações de saneamento básico e colaboração na proteção e recuperação do meio ambiente; VIII - elaboração e atualização periódica do plano de saúde; IX - participação na formulação e na execução da política de formação e desenvolvimento de recursos humanos para a saúde; X - elaboração da proposta orçamentária do Sistema Único de Saúde (SUS), de conformidade com o plano de saúde; Das Atribuições Comuns – Art. 15 Lei 8.080 71 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com XI - elaboração de normas para regular as atividades de serviços privados de saúde, tendo em vista a sua relevância pública; XII - realização de operações externas de natureza financeira de interesse da saúde, autorizadas pelo Senado Federal; XIII - para atendimento de necessidades coletivas, urgentes e transitórias, decorrentes de situações de perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção de epidemias, a autoridade competente da esfera administrativa correspondente poderá requisitar bens e serviços, tanto de pessoas naturais como de jurídicas, sendo-lhes assegurada justa indenização; XIV - implementar o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados; XV - propor a celebração de convênios, acordos e protocolos internacionais relativos à saúde, saneamento e meio ambiente; XVI - elaborar normas técnico-científicas de promoção, proteção e recuperação da saúde; XVII - promover articulação com os órgãos de fiscalização do exercício profissional e outras entidades representativas da sociedade civil para a definição e controle dos padrões éticos para pesquisa, ações e serviços de saúde; XVIII - promover a articulação da política e dos planos de saúde; XIX - realizar pesquisas e estudos na área de saúde; XX - definir as instâncias e mecanismos de controle e fiscalização inerentes ao poder de polícia sanitária; Das Atribuições Comuns – Art. 15 Lei 8.080 72 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com XXI - fomentar, coordenar e executar programas e projetos estratégicos e de atendimento emergencial. Da Competência – Arts. 16, 17 e 18 Art. 16. A direção nacional do Sistema Único da Saúde (SUS) compete: I - formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação e nutrição; II - participar na formulação e na implementação das políticas: a) de controle das agressões ao meio ambiente; b) de saneamento básico; c) relativas às condições e aos ambientes de trabalho; III - definir e coordenar os sistemas: a) de redes integradas de assistência de alta complexidade; b) de rede de laboratórios de saúde pública; c) de vigilância epidemiológica d) vigilância sanitária; IV - participar da definição de normas e mecanismos de controle, com órgão afins, de agravo sobre o meio ambiente ou dele decorrentes, que tenham repercussão na saúde humana; Lei 8.080 Das Atribuições Comuns – Art. 15 73 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com V - participar da definição de normas, critérios e padrões para o controle das condições e dos ambientes de trabalho e coordenar a política de saúde do trabalhador; VI - coordenar e participar na execução das ações de vigilância epidemiológica; VII - estabelecer normas e executar a vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, podendo a execução ser complementada pelos Estados, Distrito Federal e Municípios; VIII - estabelecer critérios, parâmetros e métodos para o controle da qualidade sanitária de produtos, substâncias e serviços de consumo e uso humano; IX - promover articulação com os órgãos educacionais e de fiscalização do exercício profissional, bem como com entidades representativas de formação de recursos humanos na área de saúde; X - formular, avaliar, elaborar normas e participar na execução da política nacional e produção de insumos e equipamentos para a saúde, em articulação com os demais órgãos governamentais; XI - identificar os serviços estaduais e municipais de referência nacional para o estabelecimento de padrões técnicos de assistência à saúde; XII - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde; XIII - prestar cooperação técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o aperfeiçoamento da sua atuação institucional; XIV - elaborar normas para regular as relações entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços privados contratados de assistência à saúde; Lei 8.080 Da Competência – Arts. 16, 17 e 18 74 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com XV - promover a descentralização para as Unidades Federadas e para os Municípios, dos serviços e ações de saúde, respectivamente, de abrangência estadual e municipal; XVI - normatizar e coordenar nacionalmente o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados; XVII - acompanhar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde, respeitadas as competências estaduais e municipais; XVIII - elaborar o Planejamento Estratégico Nacional no âmbito do SUS, em cooperação técnica com os Estados, Municípios e Distrito Federal; XIX - estabelecer o Sistema Nacional de Auditoria e coordenar a avaliação técnica e financeira do SUS em todo o Território Nacional em cooperação técnica com os Estados, Municípios e Distrito Federal. § 1º A União poderá executar ações de vigilância epidemiológica e sanitária em circunstâncias especiais, como na ocorrência de agravos inusitados à saúde, que possam escapar do controle da direção estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) ou que representem risco de disseminação nacional. § 2º Em situações epidemiológicas que caracterizem emergência em saúde pública, poderá ser adotado procedimento simplificado para a remessa de patrimônio genético ao exterior, na forma do regulamento. § 3º Os benefícios resultantes da exploração econômica de produto acabado ou material reprodutivo oriundo de acesso ao patrimônio genético de que trata o § 2º deste artigo serão repartidos nos termos da Lei nº 13.123, de 20 de maio de 2015. Ainda de acordo com o artigo 16: Lei 8.080 Da Competência – Arts. 16, 17 e 18 75 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 17. À direção estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) compete: I - promover a descentralização para os Municípios dos serviços e das ações de saúde;. II - acompanhar, controlar e avaliar as redes hierarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS); III - prestar apoio técnico e financeiro aos Municípios e executar supletivamente ações e serviços de saúde; IV - coordenar e, em caráter complementar, executar ações e serviços: a) de vigilância epidemiológica; b) de vigilância sanitária; c) de alimentação e nutrição; d) de saúde do trabalhador; V - participar, junto com os órgãos afins, do controle dos agravos do meio ambiente que tenham repercussão na saúde humana; VI - participar da formulação da política e da execução de ações de saneamento básico; VII- participar das ações de controle e avaliação das condições e dos ambientes de trabalho; VIII - em caráter suplementar, formular, executar, acompanhar e avaliar a política de insumos e equipamentos para a saúde; Lei 8.080 Da Competência – Arts. 16, 17 e 18 76 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com IX - identificar estabelecimentos hospitalares de referência e gerir sistemas públicos de alta complexidade, de referência estadual e regional; X - coordenar a rede estadual de laboratórios de saúde pública e hemocentros, e gerir as unidades que permaneçam em sua organização administrativa; XI - estabelecer normas, em caráter suplementar, para o controle e avaliação das ações e serviços de saúde; XII - formular normas e estabelecer padrões, em caráter suplementar, de procedimentos de controle de qualidade para produtos e substâncias de consumo humano; XIII - colaborar com a União na execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras; XIV - o acompanhamento, a avaliação e divulgação dos indicadores de morbidade e mortalidade no âmbito da unidade federada. Art. 18. À direção municipal do Sistema de Saúde (SUS) compete: I - planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde e gerir e executar os serviços públicos de saúde; II - participar do planejamento, programação e organização da rede regionalizada e hierarquizada do Sistema Único de Saúde (SUS), em articulação com sua direção estadual; III - participar da execução, controle e avaliação das ações referentes às condições e aos ambientes de trabalho; Lei 8.080 Da Competência – Arts. 16, 17 e 18 77 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com IV - executar serviços: a) de vigilância epidemiológica; b) de vigilância sanitária; c) de alimentação e nutrição; d) de saneamento básico e) de saúde do trabalhador; V - dar execução, no âmbito municipal, à política de insumos e equipamentos para a saúde; VI - colaborar na fiscalização das agressões ao meio ambiente que tenham repercussão sobre a saúde humana e atuar, junto aos órgãos municipais, estaduais e federais competentes, para controlá-las; VII - formar consórcios administrativos intermunicipais; VIII - gerir laboratórios públicos de saúde e hemocentros; IX - colaborar com a União e os Estados na execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras; X - observado o disposto no art. 26 desta Lei, celebrar contratos e convênios com entidades prestadoras de serviços privados de saúde, bem como controlar e avaliar sua execução; Lei 8.080 Da Competência – Arts. 16, 17 e 18 78 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com XI - controlar e fiscalizar os procedimentos dos serviços privados de saúde; XII - normatizar complementarmente as ações e serviços públicos de saúde no seu âmbito de atuação. Art. 19. Ao Distrito Federal competem as atribuições reservadas aos Estados e aos Municípios. Tabela comparativa de responsabilidades das 3 esferas governo FEDERAL Art. 16 ESTADUAL Art. 17 MUNICIPAL Art. 18 Política de insumos, equipamentos e hemoderivados • Formular, avaliar, elaborar normas e participar na execução da política nacional e produção de insumos e equipamentos para a saúde, em articulação com os demais órgãos governamentais; • Normatizar e coordenar nacionalmente o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados; • Em caráter suplementar, formular, executar, acompanhar e avaliar a política de insumos e equipamentos para a saúde; • Coordenar a rede estadual de laboratórios de saúde pública e hemocentros, e gerir as unidades que permaneçam em sua organização administrativa; • Dar execução, no âmbito municipal, à política de insumos e equipamentos para a saúde; • Gerir laboratórios públicos de saúde e hemocentros; Participação complementar da iniciativa privada • Elaborar normas para regular as relações entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços privados contratados de assistência à saúde; • Apesar de não estar expresso no art. 17 dessa Lei, os estados podem exercer as mesmas funções dos municípios com relação a participação complementar da iniciativa privada no SUS, em âmbito estadual e regional • Celebrar contratos e convênios com entidades prestadoras de serviços privados de saúde, bem como controlar e avaliar sua execução; • Controlar e fiscalizar os procedimentos dos serviços privados de saúde; Lei 8.080 79 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Tabela comparativa de responsabilidades das 3 esferas governo FEDERAL Art. 16 ESTADUAL Art. 17 MUNICIPAL Art. 18 Alimentação e nutrição • Formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação e nutrição; • Coordenar e, em caráter complementar, executar ações e serviços de alimentação e nutrição; • executar serviços de alimentação e nutrição Vigilância sanitária, epidemiológica e saúde do trabalhador • Definir e coordenar os sistemas: a) de redes integradas de assistência de alta complexidade; b) de rede de laboratórios de saúde pública; c) de vigilância epidemiológica; e d) vigilância sanitária; • Coordenar e participar na execução das ações de vigilância epidemiológica; • Coordenar e, em caráter complementar, executar ações e serviços: a) de vigilância epidemiológica; b) de vigilância sanitária; c) de alimentação e nutrição; e d) de saúde do trabalhador; • O acompanhamento, a avaliação e divulgação dos indicadores de morbidade e mortalidade no âmbito da unidade federada. • Executar serviços: a) de vigilância epidemiológica; b) vigilância sanitária; c) de alimentação e nutrição; d) de saúde do trabalhador; Vigilância sanitária • Estabelecer critérios, parâmetros e métodos para o controle da qualidade sanitária de produtos, substâncias e serviços de consumo e uso humano; • controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde; • A União poderá executar ações de vigilância epidemiológica e... • Formular normas e estabelecer padrões, em caráter suplementar, de procedimentos de controle de qualidade para produtos e substâncias de consumo humano; • Executar serviços de vigilância sanitária Lei 8.080 80 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com • (...) sanitária em circunstâncias especiais, como na ocorrência de agravos inusitados à saúde, que possam escapar do controle da direção estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) ou que representem risco de disseminação nacional. Saúde do trabalhador • Participar da definição de normas, critérios e padrões para o controle das condições e dos ambientes de trabalho e coordenar a política de saúde do trabalhador; • Participar das ações de controle e avaliação das condições e dos ambientes de trabalho; • Participar da execução, controle e avaliação das ações referentes às condições e aos ambientes de trabalho; • Estabelecer normas e executar a vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, podendo a execução ser complementada pelos Estados, Distrito Federal e Municípios; • Colaborar com a União na execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras; • Colaborar com a União e os Estados na execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras; FEDERAL Art. 16 ESTADUAL Art. 17 MUNICIPAL Art. 18 Meio ambiente • Participar na formulação e na implementação das políticas: a) de controle das agressões ao meio ambiente; b) relativas às condições e aos ambientes de trabalho; • Participar da definição de normas e mecanismos de controle, com órgão afins, de agravo sobre o meio ambiente ou dele decorrentes, que tenham repercussão na saúde humana; • Participar, junto com os órgãos afins, do controle dos agravos do meio ambiente que tenham repercussão na saúde humana; • Colaborar na fiscalização dasagressões ao meio ambiente que tenham repercussão sobre a saúde humana e atuar, junto aos órgãos municipais, estaduais e federais competentes, para controlá-las; Lei 8.080 81 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Saneamento básico • Participar na formulação e na implementação da política de saneamento básico • Participar da formulação da política e da execução de ações de saneamento básico • Executar serviços de saneamento básico FEDERAL Art. 16 ESTADUAL Art. 17 MUNICIPAL Art. 18 Financiamento da saúde • Prestar cooperação técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o aperfeiçoamento da sua atuação institucional; • Prestar apoio técnico e financeiro aos Municípios e executar supletivamente ações e serviços de saúde; • Participar do financiamento do SUS Gestão em saúde • Promover a descentralização para as Unidades Federadas e para os Municípios, dos serviços e ações de saúde, respectivamente, de abrangência estadual e municipal; • Identificar os serviços estaduais e municipais de referência nacional para o estabelecimento de padrões técnicos de assistência à saúde; • Acompanhar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde, respeitadas as competências estaduais e municipais; • Elaborar o Planejamento Estratégico Nacional no âmbito do SUS, em cooperação técnica com os Estados, Municípios e Distrito Federal; • Promover a descentralização para os Municípios dos serviços e das ações de saúde;. • Acompanhar, controlar e avaliar as redes hierarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS); • Identificar estabelecimentos hospitalares de referência e gerir sistemas públicos de alta complexidade, de referência estadual e regional; • Estabelecer normas, em caráter suplementar, para o controle e avaliação das ações e serviços de saúde; • Participar do planejamento, programação e organização da rede regionalizada e hierarquizada do Sistema Único de Saúde (SUS), em articulação com sua direção estadual; • Formar consórcios administrativos intermunicipais; • Planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde e gerir e executar os serviços públicos de saúde; Lei 8.080 82 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Algumas leis foram acrescentadas na Lei 8.080 a partir do artigo 19-A, essas leis acrescentam e alteram alguns pontos da Lei 8.080, são elas: Lei 9.836 de 1999 Do subsistema de atenção à saúde indígena Lei 10.424 de 2002 Do subsistema de atendimento e internação domiciliar Lei 11.108 de 2005 Do subsistema de acompanhamento durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato Lei 12.401 de 2011 Da assistência terapêutica e da incorporação de tecnologia em saúde Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena – Art. 19 Art. 19-A. As ações e serviços de saúde voltados para o atendimento das populações indígenas, em todo o território nacional, coletiva ou individualmente, obedecerão ao disposto nesta Lei. Art. 19-B. É instituído um Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, componente do Sistema Único de Saúde – SUS, criado e definido por esta Lei, e pela Lei no 8.142, de 28 de dezembro de 1990, com o qual funcionará em perfeita integração. Art. 19-C. Caberá à União, com seus recursos próprios, financiar o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. Art. 19-D. O SUS promoverá a articulação do Subsistema instituído por esta Lei com os órgãos responsáveis pela Política Indígena do País. O Subsistema de Atenção à Saúde Indígena – SASI, passa a integrar o SUS, tanto na forma de organização quanto o que tange ao Controle Social, devendo seguir os princípios de diretrizes definidos nas Leis Orgânicas. Diferente de outras ações e serviços, onde todas as esferas de governo devem participar de forma obrigatória do custeio e execução das ações, a União é a responsável pelo financiamento do SASI. O SUS, como responsável pelo SASI, articulará as ações intersetoriais, deverá promover ações conjuntas com outros órgãos de diferentes setores, que direcionem ações para a população indígena. Lei 8.080 Leis que alteram a Lei 8.080 83 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Estados, municípios, outras instituições governamentais e não governamentais § 1º A União instituirá mecanismo de financiamento específico para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, sempre que houver necessidade de atenção secundária e terciária fora dos territórios indígenas. § 2º Em situações emergenciais e de calamidade pública: I - a União deverá assegurar aporte adicional de recursos não previstos nos planos de saúde dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) ao Subsistema de Atenção à Saúde Indígena; II - deverá ser garantida a inclusão dos povos indígenas nos planos emergenciais para atendimento dos pacientes graves das Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, explicitados os fluxos e as referências para o atendimento em tempo oportuno. Financiamento do subsistema de atenção à saúde indígena Obrigatório Facultativo União Para fins de questão de prova, fica a dica: caso a banca pergunte se o financiamento é exclusivo da União, considere errado, pois a própria lei deixa claro a participação complementar das outras esferas de governo. Art. 19-E. Os Estados, Municípios, outras instituições governamentais e não-governamentais poderão atuar complementarmente no custeio e execução das ações. A união, através do Ministério da Saúde, será responsável pelo financiamento do subsistema de atenção a saúde indígena. Os estados, municípios, outras instituições governamentais e não governamentais poderão atuar de forma complementar no custeio e execução das ações. Lei 8.080 Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena – Art. 19 84 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 19-G. O Subsistema de Atenção à Saúde Indígena deverá ser, como o SUS, descentralizado, hierarquizado e regionalizado. Art. 19-F. Dever-se-á obrigatoriamente levar em consideração a realidade local e as especificidades da cultura dos povos indígenas e o modelo a ser adotado para a atenção à saúde indígena, que se deve pautar por uma abordagem diferenciada e global, contemplando os aspectos de: Assistência a saúde Habitação Demarcação de terras Saneamento básico Nutrição Meio ambiente Educação sanitária Integração institucional O artigo 19-F traz o princípio da equidade e integralidade: A população indígena deve ser tratada de forma diferenciada – possuem características e cultura diferente, logo as ações devem ser diferentes para alcançar as “diferenças”. Além disso, o atendimento deve ser global – como um todo, observando os determinantes e condicionantes da saúde e ofertando as ações e serviços em todos os níveis de atenção, quando houver necessidade. § 1º O Subsistema de que trata o caput deste artigo terá como base os Distritos Sanitários Especiais Indígenas. § 1º-A. A rede do SUS deverá obrigatoriamente fazer o registro e a notificação da declaração de raça ou cor, garantindo a identificação de todos os indígenas atendidos nos sistemas públicos de saúde. (Incluído pela Lei nº 14.021, de 2020) § 1º-B. A União deverá integrar os sistemas de informação da rede do SUS com os dados do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. Lei 8.080 Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena – Art. 19 85 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com § 2º O SUS servirá de retaguarda e referência ao Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, devendo, para isso, ocorrer adaptações na estrutura e organização do SUS nas regiões onde residem as populações indígenas, para propiciar essa integração e o atendimento necessário em todos os níveis, sem discriminações. § 3º As populações indígenas devem ter acesso garantido ao SUS, em âmbito local, regionale de centros especializados, de acordo com suas necessidades, compreendendo a atenção primária, secundária e terciária à saúde. O SASI, operacionaliza o princípio da descentralização/regionalização, através dos Distritos Especiais Indígenas – DSEIs. Nos DSEIs, as ações e serviços de saúde são ofertados pela Atenção Primária, através das unidades de saúde nas comunidades indígenas. Havendo necessidade de referenciar algum indivíduo para outro nível de atenção, a articulação de referência deve ser feita através dos Polos-base e o SUS, que servirá de retaguarda para os outros níveis de atenção, garantindo a integralidade e continuidade da assistência. Os DSEIs são organizados da seguinte forma: Unidade de Saúde Comunidade indígena Unidade de Saúde Comunidade indígena Pólo-base Casa de saúde do índioReferência SUS Lei 8.080 Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena – Art. 19 86 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 19-H. As populações indígenas terão direito a participar dos organismos colegiados de formulação, acompanhamento e avaliação das políticas de saúde, tais como o Conselho Nacional de Saúde e os Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde, quando for o caso. Por seguirem os princípios e diretrizes do SUS, nos territórios onde há população indígena – a participação da comunidade (diretriz e princípio do SUS), deverá ser garantido a esta população, através dos Conselhos e Conferências de Saúde. Do Subsistema de Atendimento e Internação Domiciliar – Art. 19 Art. 19-I. São estabelecidos, no âmbito do Sistema Único de Saúde, o atendimento domiciliar e a internação domiciliar. § 1º Na modalidade de assistência de atendimento e internação domiciliares incluem-se, principalmente, os procedimentos: Médicos De enfermagem Fisioterapêuticos De assistência social Entre outros necessários ao cuidado integral dos pacientes em seu domicílio. § 2º O atendimento e a internação domiciliares serão realizados Por equipes multidisciplinares Que atuarão nos níveis da medicina Preventiva, Terapêutica e Reabilitadora Psicológicos e Lei 8.080 Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena – Art. 19 87 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com § 3º O atendimento e a internação domiciliares só poderão ser realizados por: Indicação médica Com expressa concordância do paciente e de sua família Esse outro Subsistema buscar promover o cuidado integral de pessoas beneficiadas pelo atendimento e internação domiciliar. Para tanto, as equipes que prestam esse serviço precisam ser multidisciplinares e adotar práticas profissionais integradoras. Tal qual não devem ser considerados serviços que atuam apenas na reabilitação de pessoas “desospitalizadas”, mas também no campo da promoção e prevenção, de modo a evitar complicações e novas internações. Do Subsistema de Acompanhamento Durante o Trabalho de Parto, Parto e Pós-parto Imediato – art. 19 Art. 19-J. Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde – SUS, da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente: De 1 (um) acompanhante durante todo o período de trabalho de parto parto pós-parto imediato Esta lei adicional trabalha um aspecto essencial na humanização do cuidado a gestante, o direito de escolher quem vai acompanhá-la. Para se fazer cumprir essa lei é necessário investir em infraestrutura e reorganização das maternidades. Isso porque já não se pode, por exemplo, negar à mulher o direito de que seu marido a acompanhe sob a alegação de que isso restringirá a privacidade das outras mulheres. Lei 8.080 Do Subsistema de Atendimento e Internação Domiciliar – Art. 19 88 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 19-M. A assistência terapêutica integral a que se refere a alínea d do inciso I do art. 6º consiste em: I - dispensação de medicamentos e produtos de interesse para a saúde, cuja prescrição esteja em conformidade com as diretrizes terapêuticas definidas em protocolo clínico para a doença ou o agravo à saúde a ser tratado ou, na falta do protocolo, em conformidade com o disposto no art. 19-P; II - oferta de procedimentos terapêuticos, em regime domiciliar, ambulatorial e hospitalar, constantes de tabelas elaboradas pelo gestor federal do Sistema Único de Saúde - SUS, realizados no território nacional por serviço próprio, conveniado ou contratado. Em um mundo cada vez mais dinâmico quanto a produção de novos recursos tecnológicos é preciso que o poder público estabeleça diretrizes para um uso seguro deles. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS – CONITEC tem como missão assessorar o Ministério da Saúde nas atribuições relativas à incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde pelo SUS, bem como na constituição ou alteração de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas – PCDT. Isso vale para tecnologias que são aplicadas em qualquer serviço de saúde, seja ele público ou privado. A tecnologia em saúde se refere à aplicação de conhecimentos com objetivo de promover a saúde, prevenir e tratar as doenças. São exemplos de tecnologias em saúde: medicamentos, produtos para a saúde, procedimentos, sistemas organizacionais, educacionais, de informação e de suporte e os programas e protocolos assistenciais por meio dos quais a atenção e os cuidados com a saúde são prestados à população. Mas afinal, o que é uma tecnologia em saúde? Assistência Terapêutica Integral do SUS Dispensação de medicamentos e produtos de interesse para a saúde Oferta de procedimentos terapêuticos, em regime domiciliar, ambulatorial e hospitalar Lei 8.080 Da Assistência Terapêutica e da Incorporação de Tecnologia em Saúde – art. 19 89 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 19-P. Na falta de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica, a dispensação será realizada: I - com base nas relações de medicamentos instituídas pelo gestor federal do SUS, observadas as competências estabelecidas nesta Lei, e a responsabilidade pelo fornecimento será pactuada na Comissão Intergestores Tripartite; II - no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, de forma suplementar, com base nas relações de medicamentos instituídas pelos gestores estaduais do SUS, e a responsabilidade pelo fornecimento será pactuada na Comissão Intergestores Bipartite; III - no âmbito de cada Município, de forma suplementar, com base nas relações de medicamentos instituídas pelos gestores municipais do SUS, e a responsabilidade pelo fornecimento será pactuada no Conselho Municipal de Saúde. Art. 19-Q. A incorporação, a exclusão ou a alteração pelo SUS de novos medicamentos, produtos e procedimentos, bem como a constituição ou a alteração de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica, são atribuições do Ministério da Saúde, assessorado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. § 1º A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, cuja composição e regimento são definidos em regulamento, contará com a participação de 1 (um) representante indicado pelo Conselho Nacional de Saúde e de 1 (um) representante, especialista na área, indicado pelo Conselho Federal de Medicina. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. Atribuições da Assessoria na Incorporação, a exclusão ou a alteração pelo SUS de: Novos medicamentos Produtos Procedimentos Constituição ou a alteração de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica Lei 8.080 Da Assistência Terapêutica e da Incorporação de Tecnologia em Saúde – art. 19 90 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 20. Os serviços privados de assistência à saúde caracterizam-se pela atuação, por iniciativa própria, de profissionais liberais, legalmente habilitados, e de pessoas jurídicasde direito privado na promoção, proteção e recuperação da saúde. Art. 21. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. Art. 22. Na prestação de serviços privados de assistência à saúde, serão observados os princípios éticos e as normas expedidas pelo órgão de direção do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto às condições para seu funcionamento. Lembre-se de que o SUS pode contratá-los em caráter complementar, dando prioridade às instituições filantrópicas e sem fins lucrativos, mas aquelas que não participam do SUS também serão observadas quanto à forma de funcionamento e princípios éticos. Art. 23. É permitida a participação direta ou indireta, inclusive controle, de empresas ou de capital estrangeiro na assistência à saúde nos seguintes casos: I - doações de organismos internacionais vinculados à Organização das Nações Unidas, de entidades de cooperação técnica e de financiamento e empréstimos; II - pessoas jurídicas destinadas a instalar, operacionalizar ou explorar: a) hospital geral, inclusive filantrópico, hospital especializado, policlínica, clínica geral e clínica especializada; b) ações e pesquisas de planejamento familiar; III - serviços de saúde mantidos, sem finalidade lucrativa, por empresas, para atendimento de seus empregados e dependentes, sem qualquer ônus para a seguridade social; IV - demais casos previstos em legislação específica. Lei 8.080 Dos Serviços Privados de Assistência à Saúde (Arts. 20 a 26) 91 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 24. Quando as suas disponibilidades forem insuficientes para garantir a cobertura assistencial à população de uma determinada área, o Sistema Único de Saúde (SUS) poderá recorrer aos serviços ofertados pela iniciativa privada. Parágrafo único. A participação complementar dos serviços privados será formalizada mediante contrato ou convênio, observadas, a respeito, as normas de direito público. Art. 25. Na hipótese do artigo anterior, as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos terão preferência para participar do Sistema Único de Saúde (SUS). Participação da iniciativa privada no SUS Complementar com preferência para Entidades filantrópicas Entidades sem fins lucrativos Art. 26. Os critérios e valores para a remuneração de serviços e os parâmetros de cobertura assistencial serão estabelecidos pela direção nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), aprovados no Conselho Nacional de Saúde. § 1° Na fixação dos critérios, valores, formas de reajuste e de pagamento da remuneração aludida neste artigo, a direção nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) deverá fundamentar seu ato em demonstrativo econômico-financeiro que garanta a efetiva qualidade de execução dos serviços contratados. § 2° Os serviços contratados submeter-se-ão às normas técnicas e administrativas e aos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), mantido o equilíbrio econômico e financeiro do contrato. § 4° Aos proprietários, administradores e dirigentes de entidades ou serviços contratados é vedado exercer cargo de chefia ou função de confiança no Sistema Único de Saúde (SUS). Lei 8.080 Dos Serviços Privados de Assistência à Saúde (Arts. 20 a 26) 92 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 27. A política de recursos humanos na área da saúde será formalizada e executada, articuladamente, pelas diferentes esferas de governo, em cumprimento dos seguintes objetivos: I - organização de um sistema de formação de recursos humanos em todos os níveis de ensino, inclusive de pós-graduação, além da elaboração de programas de permanente aperfeiçoamento de pessoal; II - (Vetado); III - (Vetado) IV - valorização da dedicação exclusiva aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Parágrafo único. Os serviços públicos que integram o Sistema Único de Saúde (SUS) constituem campo de prática para ensino e pesquisa, mediante normas específicas, elaboradas conjuntamente com o sistema educacional. O parágrafo único faz o reconhecimento do espaço dos serviços de saúde para o aprendizado. Isso nos permite inferir que todo profissional de saúde, em tese, é um preceptor/tutor em potencial, mesmo se não for formalmente designado para isso. Especialmente se atuar numa unidade certificada como hospital de ensino por exemplo. Art. 28. Os cargos e funções de chefia, direção e assessoramento, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), só poderão ser exercidas em regime de tempo integral. § 1° Os servidores que legalmente acumulam dois cargos ou empregos poderão exercer suas atividades em mais de um estabelecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). § 2° O disposto no parágrafo anterior aplica-se também aos servidores em regime de tempo integral, com exceção dos ocupantes de cargos ou função de chefia, direção ou assessoramento. Profissionais de saúde com profissões regulamentadas Podem acumular até dois cargos Quando houver compatibilidade de horários Exceto os ocupantes de cargos ou função de chefia, direção ou assessoramento. Lei 8.080 Dos Recursos Humanos (Arts. 27 a 30) 93 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 29. (Vetado). Art. 30. As especializações na forma de treinamento em serviço sob supervisão serão regulamentadas por Comissão Nacional, instituída de acordo com o art. 12 desta Lei, garantida a participação das entidades profissionais correspondentes. Do Financiamento (Arts. 31 a 38) Art. 31. O orçamento da seguridade social destinará ao Sistema Único de Saúde (SUS) de acordo com a receita estimada, os recursos necessários à realização de suas finalidades, previstos em proposta elaborada pela sua direção nacional, com a participação dos órgãos da Previdência Social e da Assistência Social, tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Art. 32. São considerados de outras fontes os recursos provenientes de: I – Vetado; II - Serviços que possam ser prestados sem prejuízo da assistência à saúde; III - ajuda, contribuições, doações e donativos; IV - alienações patrimoniais e rendimentos de capital; V - taxas, multas, emolumentos e preços públicos arrecadados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS); e VI - rendas eventuais, inclusive comerciais e industriais. § 2° As receitas geradas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) serão creditadas diretamente em contas especiais, movimentadas pela sua direção, na esfera de poder onde forem arrecadadas. Lei 8.080 Dos Recursos Humanos (Arts. 27 a 30) 94 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com O Fundo Nacional de Saúde (FNS) é o gestor financeiro dos recursos destinados ao SUS na esfera federal, cujos recursos destinam-se a financiar as despesas correntes e de capital do Ministério da Saúde, de seus órgãos e de entidades da administração direta e indireta integrantes do SUS. § 5º As atividades de pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico em saúde serão co-financiadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pelas universidades e pelo orçamento fiscal, além de recursos de instituições de fomento e financiamento ou de origem externa e receita própria das instituições executoras. Art. 33. Os recursos financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS) serão depositados em conta especial, em cada esfera de sua atuação, e movimentados sob fiscalização dos respectivos Conselhos de Saúde. Os recursos da saúde são depositados em uma conta especial – fundo de saúde, existente em cada esfera de governo. O gestor de cada esfera de governo movimenta esta conta sob a fiscalização do respectivo conselho de saúde. O financiamento do SUS é compartilhado, ou seja, obrigação de todas as esferas de governo. § 1º Na esfera federal, os recursos financeiros, originários do Orçamento da Seguridade Social, de outros Orçamentos da União, além de outras fontes, serão administrados pelo Ministérioda Saúde, através do Fundo Nacional de Saúde. § 2º (Vetado). § 3º (Vetado). § 4º O Ministério da Saúde acompanhará, através de seu sistema de auditoria, a conformidade à programação aprovada da aplicação dos recursos repassados a Estados e Municípios. Constatada a malversação, desvio ou não aplicação dos recursos, caberá ao Ministério da Saúde aplicar as medidas previstas em lei. Recursos financeiros advindos da Seguridade Social, orçamentos da União e outras fontes Administrados pelo Ministérios da Saúde Através do Fundo Nacional de Saúde Aplicados no SUS Lei 8.080 Do Financiamento (Arts. 31 a 38) 95 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 34. As autoridades responsáveis pela distribuição da receita efetivamente arrecadada transferirão automaticamente ao Fundo Nacional de Saúde (FNS), observado o critério do parágrafo único deste artigo, os recursos financeiros correspondentes às dotações consignadas no Orçamento da Seguridade Social, a projetos e atividades a serem executados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Parágrafo único. Na distribuição dos recursos financeiros da Seguridade Social será observada a mesma proporção da despesa prevista de cada área, no Orçamento da Seguridade Social. Art. 35. Para o estabelecimento de valores a serem transferidos a Estados, Distrito Federal e Municípios, será utilizada a combinação dos seguintes critérios, segundo análise técnica de programas e projetos: I - perfil demográfico da região; II - perfil epidemiológico da população a ser coberta; III - características quantitativas e qualitativas da rede de saúde na área; IV - desempenho técnico, econômico e financeiro no período anterior; V - níveis de participação do setor saúde nos orçamentos estaduais e municipais; VI - previsão do plano qüinqüenal de investimentos da rede; VII - ressarcimento do atendimento a serviços prestados para outras esferas de governo. § 2º Nos casos de Estados e Municípios sujeitos a notório processo de migração, os critérios demográficos mencionados nesta lei serão ponderados por outros indicadores de crescimento populacional, em especial o número de eleitores registrados. Lei 8.080 Do Financiamento (Arts. 31 a 38) 96 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Art. 36. O processo de planejamento e orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS) será ascendente, do nível local até o federal, ouvidos seus órgãos deliberativos, compatibilizando-se as necessidades da política de saúde com a disponibilidade de recursos em planos de saúde dos Municípios, dos Estados, do Distrito Federal e da União. § 1º Os planos de saúde serão a base das atividades e programações de cada nível de direção do Sistema Único de Saúde (SUS), e seu financiamento será previsto na respectiva proposta orçamentária. § 2º É vedada a transferência de recursos para o financiamento de ações não previstas nos planos de saúde, exceto em situações emergenciais ou de calamidade pública, na área de saúde. O plano de saúde é o maior instrumento de planejamento do SUS. Ele é composto por programações anuais, nas quais são descritas: objetivos, metas, ações e a proposta orçamentária. Ele deve ser aprovado pelo respectivo conselho. Ao final de cada ano, deverá ser elaborado o relatório de gestão. Art. 37. O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá as diretrizes a serem observadas na elaboração dos planos de saúde, em função das características epidemiológicas e da organização dos serviços em cada jurisdição administrativa. Art. 38. Não será permitida a destinação de subvenções e auxílios a instituições prestadoras de serviços de saúde com finalidade lucrativa. Das Disposições Finais e Transitórias (Arts. 39 a 55) Nas disposições finais, é possível observar que elas foram projetadas para orientar o processo de mudanças de alguns dispositivos que operavam em uma lógica anterior, de modo geral relacionadas a órgãos cujas ações eram bastante centralizadas no âmbito do governo federal. Boa parte destas transições foram concluídas, em tese. Art. 45. Os serviços de saúde dos hospitais universitários e de ensino integram-se ao Sistema Único de Saúde (SUS), mediante convênio, preservada a sua autonomia administrativa, em relação ao patrimônio, aos recursos humanos e financeiros, ensino, pesquisa e extensão nos limites conferidos pelas instituições a que estejam vinculados. Lei 8.080 Do Financiamento (Arts. 31 a 38) 97 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com § 1º Os serviços de saúde de sistemas estaduais e municipais de previdência social deverão integrar-se à direção correspondente do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme seu âmbito de atuação, bem como quaisquer outros órgãos e serviços de saúde. § 2º Em tempo de paz e havendo interesse recíproco, os serviços de saúde das Forças Armadas poderão integrar-se ao Sistema Único de Saúde (SUS), conforme se dispuser em convênio que, para esse fim, for firmado. Art. 46. o Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecerá mecanismos de incentivos à participação do setor privado no investimento em ciência e tecnologia e estimulará a transferência de tecnologia das universidades e institutos de pesquisa aos serviços de saúde nos Estados, Distrito Federal e Municípios, e às empresas nacionais. Art. 47. O Ministério da Saúde, em articulação com os níveis estaduais e municipais do Sistema Único de Saúde (SUS), organizará, no prazo de dois anos, um sistema nacional de informações em saúde, integrado em todo o território nacional, abrangendo questões epidemiológicas e de prestação de serviços. Art. 52. Sem prejuízo de outras sanções cabíveis, constitui crime de emprego irregular de verbas ou rendas públicas (Código Penal, art. 315) a utilização de recursos financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS) em finalidades diversas das previstas nesta lei. Em tempos de paz Forças armadas Poderão Integrar-se ao SUS É crime Utilizar verbas do SUS Para finalidades diversas previstas em lei Lei 8.080 Das Disposições Finais e Transitórias (Arts. 39 a 55) 98 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com CAPÍTULO IV Lei 8.142 de 28 de Dezembro de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com 100 Lei 8.142/90 A Lei nº 8.142/90 dispões sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde dá outras providências. O termo participação da comunidade também é conhecido e interpretado como controle social. Essa lei resultado da luta pela democratização dos serviços de saúde e representa uma vitória significativa. A partir deste marco legal, foram criados os Conselhos e as Conferências de Saúde como espaços vitais para o exercício do controle social do Sistema Único de Saúde (SUS), que serão abordados mais a frente. O controle social é um processo no qual a população participa, por meio de representantes, na definição, execução e acompanhamento de políticas públicas, as políticas de governo. O controle social traz a possibilidade de a sociedade civil interagir com o governo para estabelecer prioridades e definir políticas de saúde que atendam às necessidades da população, tendo como estratégia para sua viabilização os canais de participação institucional, tais como os conselhos de saúde e as conferências de saúde. Mas afinal, o que é controle social? Relembrando LEIS ORGÂNICAS DA SAÚDE Lei 8.080 Lei 8.142 Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde Lei 8.142 de 1990 Licenciado para - LeandroS oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Lei 8.142/90 Art. 1° O Sistema Único de Saúde (SUS), de que trata a Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990, contará, em cada esfera de governo, sem prejuízo das funções do Poder Legislativo, com as seguintes instâncias colegiadas: I - a Conferência de Saúde; e II - o Conselho de Saúde. As Conferências de Saúde se iniciaram há 70 anos, a obrigatoriedade da realização das Conferências de Saúde foi mantida, em 1990, quando a Lei n.º 8.142 as consagrou como instâncias colegiadas de representantes dos vários segmentos sociais, com a missão de avaliar e propor diretrizes para a formulação da política de saúde nos níveis municipais, estaduais e nacional. Conferências de Saúde As deliberações das Conferências devem servir para orientar os governos na elaboração dos planos de saúde e na definição de ações que sejam prioritárias nos âmbitos estaduais, municipais e nacional. É nos espaços das Conferências que a sociedade se articula para garantir os interesses e as necessidades da população na área da Saúde e assegurar as diversas formas de pensar o SUS, assim como para ampliar, junto à sociedade, a disseminação de informações sobre o Sistema, para fortalecê-lo. § 1° A Conferência de Saúde reunir-se-á a cada quatro anos com a representação dos vários segmentos sociais, para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde nos níveis correspondentes, convocada pelo Poder Executivo ou, extraordinariamente, por esta ou pelo Conselho de Saúde. Conferência de Saúde Se reunirá a cada quatro anos Convocada pelo Poder Executivo ou pelo Conselho de Saúde Avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde 101 Lei 8.142 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Lei 8.142/90 Os Conselhos de Saúde são os órgãos de controle do SUS pela sociedade nos níveis municipal, estadual e federal. Eles foram criados para permitir que a população possa interferir na gestão da saúde, defendendo seus interesses para que estes atendidos pelas ações governamentais. Conselho de Saúde O legítimo representante dos cidadãos usuários do SUS defende os interesses e necessidades da população e usa os serviços do SUS, exercendo o controle social ao lutar para garantir, na prática, o direito constitucional à saúde. § 2° O Conselho de Saúde, em caráter permanente e deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em cada esfera do governo. INSTÂNCIAS COLEGIADAS DO SUS Conferência de Saúde Conselho de Saúde • Avalia a situação de saúde do País e propõe diretrizes para a formulação das políticas de saúde • Composição: vários segmentos sociais • Reunião de 4 em 4 anos • Convocada pelo poder executivo ou extraordinariamente, pelo Conselho de Saúde • Atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros • Composição: usuários, trabalhadores da saúde, prestadores de serviço e representantes do governo • Caráter permanente e deliberativo O termo "colegiado" diz respeito à forma de gestão na qual a direção é compartilhada por um conjunto de pessoas com igual autoridade, que reunidas, decidem. Órgãos colegiados, portanto, são aqueles em que as decisões são tomadas em grupo. 102 Lei 8.142 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Lei 8.142/90 A 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada entre 17 e 21 de março de 1986, foi um dos momentos mais importantes na definição do Sistema Único de Saúde (SUS) e debateu três temas principais: ‘A saúde como dever do Estado e direito do cidadão’, ‘A reformulação do Sistema Nacional de Saúde’ e ‘O financiamento setorial’. VIII Conferência Nacional de Saúde A 8ª foi a primeira conferência que contou com a participação de usuários. Antes dela, os debates se restringiam à presença de deputados, senadores e autoridades do setor. As conferências eram “intraministério”. O Ministério da Saúde convidava pessoas das secretarias e intelectuais, mas os eventos não tinham a dimensão atual. § 3° O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) terão representação no Conselho Nacional de Saúde. De acordo com o § 3° os secretários de saúde do estado (Conass) e os secretários do município (Conasems), farão parte do Conselho de Saúde para formular estratégias e controlar a execução da política de saúde. § 4° A representação dos usuários nos Conselhos de Saúde e Conferências será paritária em relação ao conjunto dos demais segmentos. O § 4° define que a representação dos usuários e dos demais segmentos será paritária, ou seja, divididas em partes iguais. Portanto, o usuários terão 50% de representação nos Conselhos e Conferências de Saúde, assim como os demais segmentos, que também será de 50% Os demais segmentos citado no § 4° são: representantes do governo, prestadores de serviço e profissionais de saúde. E quem são os “demais segmentos”? 103 Lei 8.142 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Lei 8.142/90 Conselhos e Conferências de Saúde Composição paritária Usuários 50% Demais segmentos 50% Representantes do governo Profissionais de saúde Prestadores de serviço Resolução 453 de 2012 A resolução 453, estabelecida no ano de 2012, definiu algumas diretrizes para o funcionamento dos Conselhos de Saúde. Nessa resolução está definida a forma como deve ser a composição das Conferências e Conselhos de Saúde de maneira mais específica. Sendo 50% usuários, 25% profissionais de saúde e 25% representantes do governo e prestadores de serviço. Essa resolução será abordada em um capítulo posterior. Usuários 50% Demais segmentos 50% Profissionais de saúde Governantes e Prestadores de serviço Composição dos Conselhos e Conferências segundo a Resolução 453 25% 25% § 5° As Conferências de Saúde e os Conselhos de Saúde terão sua organização e normas de funcionamento definidas em regimento próprio, aprovadas pelo respectivo conselho. Isso significa que o Conselho de Saúde será o responsável por aprovar e definir o seu próprio regimento interno e o regimento das Conferências de Saúde. 104 Lei 8.142 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Lei 8.142/90 Art. 2° Os recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) serão alocados como: I - despesas de custeio e de capital do Ministério da Saúde, seus órgãos e entidades, da administração direta e indireta; Fundo Nacional de Saúde O Fundo Nacional de Saúde (FNS) é o gestor financeiro dos recursos destinados a financiar as despesas correntes e de capital do Ministério da Saúde bem como dos órgãos e entidades da administração direta e indireta, integrantes do SUS. O capital alocado junto ao FNS são transferidos para os estados, municípios e o Distrito Federal para que estes entes realizem de forma descentralizada ações e serviços de saúde, bem como investirem na rede de serviços e na cobertura assistencial e hospitalar, no âmbito do SUS. II - investimentos previstos em lei orçamentária, de iniciativa do Poder Legislativo e aprovados pelo Congresso Nacional; III - investimentos previstos no Plano Qüinqüenal do Ministério da Saúde; IV - cobertura das ações e serviços de saúde a serem implementados pelos Municípios, Estados e Distrito Federal. Parágrafo único. Os recursos referidos no inciso IV deste artigo destinar-se-ão a investimentos na rede de serviços, à cobertura assistencial ambulatorial e hospitalar e às demais ações de saúde. Art.do Brasil Colônia, devido a todas as doenças, a teoria miasmática foi bastante difundida. O miasma, é quando acontece a exalação de substâncias advindas de animais ou vegetais em decomposição. Além disso, também se refere ao que é fétido, ou seja, odores que têm sua origem em matérias ou locais pútridos. Sendo assim, o miasma era considerado como o causador de doenças. Matéria em decomposição Doença Brasil Colônia (1500 – 1822) 9 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Teoria Miasmática Elementos do meio físico eram responsáveis pelas doenças, porque ainda não se conhecia a existência dos microrganismos. Considerava-se que o ar era o principal causador de doenças, pois carregava gases oriundos da matéria orgânica em putrefação A matéria em decomposição resultaria de águas estagnadas em pântanos, para onde seriam carregadas substâncias animais e vegetais de cemitérios localizados, na maioria das vezes, no centro das cidades, “infeccionando o ar”. Alvará de 22 de Janeiro de 1810 Com o alvará, deu-se a criação de um lazareto (estabelecimento para controle sanitário) para o isolamento de escravos e viajantes portadores de doenças. A autoridade sanitária poderia conceber o visto de entrada de pessoas na cidade Tratou-se de um dos primeiros regulamentos para o controle sanitário de pessoas, mercadorias e embarcações nos portos no Brasil. Foi o nascimento da vigilância em saúde nos portos e fronteiras, com medidas de controle para doenças contagiosas. Brasil Colônia (1500 – 1822) 10 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Brasil Império (1822 – 1889) Com a chegada da família real portuguesa e de sua corte em 1808, o Brasil começou a receber mais investimento em infraestrutura. Uma das primeiras medidas foi a criação dos cursos universitários de Medicina, Cirurgia e Química. ERA BACTERIOLÓGICA Profissionais começaram a se graduar no Brasil, substituindo médicos estrangeiros. A Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro e o Colégio Médico- Cirúrgico no Real Hospital Militar de Salvador foram pioneiros no período. A época do Brasil Império é marcada pelas ações de combate a doenças transmissíveis Com o desenvolvimento da bacteriologia e da utilização de recursos que possibilitaram a descoberta de microrganismos, foi identificado o agente etiológico da doença. Essa era foi concretizada na segunda metade do século XIX e início do século XX Teoria da Unicausalidade O modelo unicausal de doença baseava-se na existência de apenas uma causa (agente etiológico) para uma doença. Essa concepção fez sucesso na prevenção de diversas doenças infecciosas, mas apresentou uma visão única em relação ao combate as doenças em geral. Superação da Teoria Miasmática A concepção da teoria da unicausalidade estimulou as ações de prevenção de diversas doenças infecciosas, trazendo sucesso no controle de doenças como a cólera. 11 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Começou-se a estudar a história natural das doenças e quais fatores poderiam influenciar para o aparecimento das mesmas República Velha (1889 – 1930) Neste período, acontecia no Brasil a introdução da indústria e da lógica capitalista de produção. Com a chegada da indústria, as cidades começaram a ser planejadas e a concentrar as pessoas, que moravam próximo às fábricas onde trabalhavam. Isso mudou o contexto de saúde, pois o crescimento populacional foi acompanhado de condições precárias de higiene e saneamento, dando destaque internacional ao Brasil pelos surtos de doenças infecciosas. As seguintes características marcaram a época da República Velha no Brasil: AVANÇO NA BACTERIOLOGIA Começou-se a entender que o ambiente também influenciava no aparecimento de doenças. Além disso, havia preocupação em cuidar e ensinar novos hábitos para a população. No entanto, muitas das medidas tomadas eram impositivas, o governo obrigava a população a ter determinadas medidas de higiene para impedir a propagação de doenças MEDICINA HIGIENISTA Ocorreu pensando não apenas na questão de saúde, mas também na economia, uma vez que o cenário brasileiro causava certo receio ao tripulantes estrangeiros, devido aos surtos de doenças. Isso causava grande impacto no comércio para o país. PLANEJAMENTO DAS CIDADES Doenças de destaque da época: cólera, peste bubônica, febre amarela, varíola, tuberculose, hanseníase e febre tifoide 12 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com O governo obrigava a população a cumprir certas medidas para melhorar a saúde no Brasil e a imagem no exterior. MEDIDAS JURÍDICAS IMPOSITIVAS O SANEAMENTO FOI A SOLUÇÃO ENCONTRADA PARA MELHORAR A IMAGEM DO BRASIL NO EXTERIOR Como medida de enfrentamento à crise, foi intensificado o planejamento das cidades, com adoção de medidas de saneamento e a adoção da medicina higienista como modelo de saúde. Notificação de doenças Vacinação obrigatória Vigilância Sanitária em geral Nomeação de Oswaldo Cruz como Diretor de Saúde Pública Quando um navio chegava nos portos era necessário avaliar se haviam doentes Imposta por Oswaldo Cruz e gerou a Revolta da Vacina Principalmente nos portos, para não prejudicar o comércio Em 1903, Oswaldo Cruz foi nomeado diretor geral de Saúde Pública (cargo que corresponde ao Ministro da Saúde atualmente). Em 1904, enfrentou um de seus maiores desafios: devido a uma grande incidência de surtos de varíola, ele tentou promover a vacinação da população, de forma obrigatória. Os profissionais entravam na casa das pessoas e vacinavam todos. Essa forma de agir, indignou a população, gerando um fato conhecido como Revolta da Vacina. Quem foi Oswaldo Cruz? Oswaldo Cruz foi um sanitarista que fez grande contribuição para a saúde pública no Brasil. Ele foi o responsável por campanhas que erradicaram a febre amarela do Rio de Janeiro e promoveu a desratização da cidade como forma de combater a peste bubônica. República Velha (1889 – 1930) 13 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Modelo Campanhista Era um modelo de assistência à saúde, seu objetivo era prevenir as doenças através de campanhas de vacinação e higiene, bem como intervenções sobre os espaços urbanos de cunho estatal. Liderado por Oswaldo Cruz, baseou-se em campanhas sanitárias para combater as epidemias de febre amarela, peste bubônica e varíola, implementando programas de vacinação obrigatória, desinfecção dos espaços públicos e domiciliares e outras ações de medicalização do espaço urbano, que atingiram, em sua maioria, as camadas menos favorecidas da população. Esse modelo predominou no cenário das políticas de saúde brasileiras até o início da década de 1960. Durante o modelo campanhista, não havia tanto entendimento da população sobre o que realmente estava acontecendo e a importância das medidas de prevenção, isso gerou revolta na população. A Revolta da Vacina A Revolta da Vacina foi um motim popular ocorrido entre 10 e 16 de novembro de 1904 na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Foram apenas cinco dias, mas marcaram a história da saúde pública no Brasil. A Revolta da Vacina deixou um saldo de 945 prisões, 110 feridos e 30 mortos, segundo o Centro Cultural do Ministério da Saúde. O estopim da rebelião popular foi uma lei que determinava a obrigatoriedade de vacinação contra a varíola. Mas havia um complexo e polêmico panorama social e político por trás da revolta. Elementos das Ações de Saúde na República Velha Em 1920, a Diretoria Geral de Saúde Pública foi extinguida, dando lugar ao Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), sob direção do médico, pesquisador e sanitarista Carlos Chagas. O DNSP foi o resultado das demandas por maior3° Os recursos referidos no inciso IV do art. 2° desta lei serão repassados de forma regular e automática para os Municípios, Estados e Distrito Federal, de acordo com os critérios previstos no art. 35 da Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990. Os critérios para a transferência definidos no art. 35 da Lei 8.080 são: perfil demográfico da região, perfil epidemiológico da população, características quantitativas e qualitativas da rede de saúde na área, entre outros... 105 Lei 8.142 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Lei 8.142/90 § 2° Os recursos referidos neste artigo serão destinados, pelo menos setenta por cento, aos Municípios, afetando-se o restante aos Estados. dos recursos da saúde 70%Pelo menos Transferido para os municípios Restante aos estados Art. 4° Para receberem os recursos, de que trata o art. 3° desta lei, os Municípios, os Estados e o Distrito Federal deverão contar com: I - Fundo de Saúde; II - Conselho de Saúde, com composição paritária de acordo com o Decreto n° 99.438, de 7 de agosto de 1990; III - plano de saúde; IV - relatórios de gestão que permitam o controle de que trata o § 4° do art. 33 da Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990; V - contrapartida de recursos para a saúde no respectivo orçamento; VI - Comissão de elaboração do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), previsto o prazo de dois anos para sua implantação. Ou seja, caso o município não consiga fazer a gestão da atenção à saúde, o estado em que o município está inserido ou a união ficarão responsáveis por esse papel. Parágrafo único. O não atendimento pelos Municípios, ou pelos Estados, ou pelo Distrito Federal, dos requisitos estabelecidos neste artigo, implicará em que os recursos concernentes sejam administrados, respectivamente, pelos Estados ou pela União. 106 Lei 8.142 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com CAPÍTULO V Decreto 7.508 de 28 de Junho de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com 108 Decreto 7.508/11 O Decreto 7.508/2011 é uma das partes de Legislação do SUS mais importantes e costuma ser bastante cobrado em provas. Esse decreto regulamenta a Lei nº 8.080/90 e dispões sobre a organização do SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá outras providências. Art. 1º Este Decreto regulamenta a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa. Decreto é um dos tipos de normas que serve para regulamentar lei existente. Quando o presidente emite um deles, ele cria regras mais específicas para uma norma jurídica geral, e essas regras começam a valer imediatamente O que é um decreto? Este Decreto apresenta alguns conceitos importantes e recorrentes em provas, além de serem indispensáveis para o entendimento da organização do SUS como um todo, são eles: Regiões de Saúde Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde Porta de entrada do SUS Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica Comissões Intergestores Mapa da Saúde Rede de Atenção à Saúde Serviços Especiais de Acesso Aberto O Decreto 7.508/11 estabelece a organização do SUS em Regiões de Saúde, sendo estas instituídas pelo Estado em articulação com os seus municípios e que representam o espaço da gestão compartilhada da rede de ações e serviços de saúde. Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Art. 2º Para efeito deste Decreto, considera-se: I - Região de Saúde - espaço geográfico contínuo constituído por agrupamentos de Municípios limítrofes, delimitado a partir de identidades culturais, econômicas e sociais e de redes de comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados, com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde; II - Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde - acordo de colaboração firmado entre entes federativos com a finalidade de organizar e integrar as ações e serviços de saúde na rede regionalizada e hierarquizada, com definição de responsabilidades, indicadores e metas de saúde, critérios de avaliação de desempenho, recursos financeiros que serão disponibilizados, forma de controle e fiscalização de sua execução e demais elementos necessários à implementação integrada das ações e serviços de saúde; III - Portas de Entrada - serviços de atendimento inicial à saúde do usuário no SUS; IV - Comissões Intergestores - instâncias de pactuação consensual entre os entes federativos para definição das regras da gestão compartilhada do SUS; V - Mapa da Saúde - descrição geográfica da distribuição de recursos humanos e de ações e serviços de saúde ofertados pelo SUS e pela iniciativa privada, considerando-se a capacidade instalada existente, os investimentos e o desempenho aferido a partir dos indicadores de saúde do sistema; VI - Rede de Atenção à Saúde - conjunto de ações e serviços de saúde articulados em níveis de complexidade crescente, com a finalidade de garantir a integralidade da assistência à saúde; 109 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com VII - Serviços Especiais de Acesso Aberto - serviços de saúde específicos para o atendimento da pessoa que, em razão de agravo ou de situação laboral, necessita de atendimento especial; Decreto 7.508/11 VIII - Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica - documento que estabelece: critérios para o diagnóstico da doença ou do agravo à saúde; o tratamento preconizado, com os medicamentos e demais produtos apropriados, quando couber; as posologias recomendadas; os mecanismos de controle clínico; e o acompanhamento e a verificação dos resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores do SUS. Região de Saúde A região de saúde é essencial para integrar as ações e serviços de saúde dos entes federativos, qualificar a gestão do SUS e garantir a integralidade. Ela precisa ser capaz de resolver se não a totalidade, a quase totalidade das necessidades de saúde da população regional. Municípios vizinhos localizados em estados diferentes podem formar uma região de saúde, desde que tenham identidades semelhantes e os estados entrem em ato conjunto para formar a região de saúde. Art. 4º As Regiões de Saúde serão instituídas pelo Estado, em articulação com os Municípios, respeitadas as diretrizes gerais pactuadas na Comissão Intergestores Tripartite - CIT § 1º Poderão ser instituídas Regiões de Saúde interestaduais, compostas por Municípios limítrofes, por ato conjunto dos respectivos Estados em articulação com os Municípios. Regiões de Saúde situadas em fronteiras com outros países Devem respeitar as normas que regem as relações internacionais Espaço geográfico contínuo constituído por agrupamentos de Municípios limítrofes Tem a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde 110 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Região de Saúde Art. 5º Para ser instituída, a Região de Saúde deve conter, no mínimo, ações e serviços de: I - atenção primária II - urgência e emergência; III - atenção psicossocial IV - atenção ambulatorial especializada e hospitalar V - vigilância em saúde Parágrafo único. A instituição das Regiões de Saúde observará cronograma pactuado nas Comissões Intergestores. As Comissões Intergestores Bipartite e Tripartite são espaços intergovernamentais, políticos e técnicos em que ocorrem o planejamento, a negociação e a implementação das políticas de saúde pública. As decisões se dão por consenso (e não por votação), o que estimula o debate e a negociação entre as partes. Desde que foram instituídas, no início dosanos 90, as Comissões Inter- gestores Tripartite (na direção nacional) e Bipartite (na direção estadual) vem se constituindo importantes arenas políticas de representação federativa nos processos de formulação e implementação das políticas de saúde. Art. 6º As Regiões de Saúde serão referência para as transferências de recursos entre os entes federativos. O que são as Comissões Intergestores? 111 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Redes de Atenção à Saúde Art. 7º As Redes de Atenção à Saúde estarão compreendidas no âmbito de uma Região de Saúde, ou de várias delas, em consonância com diretrizes pactuadas nas Comissões Intergestores Rede de Atenção à Saúde (RAS) é conjunto de ações e serviços de saúde articulados em níveis de complexidade crescente, com a finalidade de garantir a integralidade da assistência à saúde. As redes são formas de organização que articulam serviços e sistemas de saúde, com equipes multidisciplinares, unindo cada ponto da rede. Dessa forma o sistema é capaz de responder às necessidades da população, encaminhando aos serviços especializados quando houver necessidade. Parágrafo único. Os entes federativos definirão os seguintes elementos em relação às Regiões de Saúde: I - seus limites geográficos; II - população usuária das ações e serviços; III - rol de ações e serviços que serão ofertados IV - respectivas responsabilidades, critérios de acessibilidade e escala para conformação dos serviços. As RAS são sistematizadas para responder a condições específicas de saúde, por meio de um ciclo completo de atendimentos. Todos os pontos de atenção à saúde são igualmente importantes e se articulam (atenção primária, secundária e terciária). 112 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Serviços Especiais de Acesso Aberto – São serviços de saúde específicos para o atendimento da pessoa que, em razão de agravo ou de situação laboral, necessita de atendimento especial Decreto 7.508/11 Hierarquização Art. 8º O acesso universal, igualitário e ordenado às ações e serviços de saúde se inicia pelas Portas de Entrada do SUS e se completa na rede regionalizada e hierarquizada, de acordo com a complexidade do serviço. Portas de Entrada Serviços de atendimento inicial à saúde do usuário no SUS Basicamente, a porta de entrada é por onde um usuário do serviço de saúde começa a ser atendido no SUS. Art. 9º São Portas de Entrada às ações e aos serviços de saúde nas Redes de Atenção à Saúde os serviços: I - de atenção primária; II - de atenção de urgência e emergência; III - de atenção psicossocial IV - especiais de acesso aberto. Parágrafo único. Mediante justificativa técnica e de acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores, os entes federativos poderão criar novas Portas de Entrada às ações e serviços de saúde, considerando as características da Região de Saúde. 113 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Hierarquização Art. 10. Os serviços de atenção hospitalar e os ambulatoriais especializados, entre outros de maior complexidade e densidade tecnológica, serão referenciados pelas Portas de Entrada de que trata o art. 9º . Atenção primária Atenção de urgência e emergência Atenção psicossocial Serviços especiais de acesso aberto Referenciam usuários Serviços de atenção hospitalar e os ambulatoriais especializados, entre outros de maior complexidade e densidade tecnológica Art. 11. O acesso universal e igualitário às ações e aos serviços de saúde será ordenado pela atenção primária e deve ser fundado na avaliação da gravidade do risco individual e coletivo e no critério cronológico, observadas as especificidades previstas para pessoas com proteção especial, conforme legislação vigente. Parágrafo único. A população indígena contará com regramentos diferenciados de acesso, compatíveis com suas especificidades e com a necessidade de assistência integral à sua saúde, de acordo com disposições do Ministério da Saúde. Art. 12. Ao usuário será assegurada a continuidade do cuidado em saúde, em todas as suas modalidades, nos serviços, hospitais e em outras unidades integrantes da rede de atenção da respectiva região. A atenção básica deve reconhecer as necessidades de saúde da população, organizando as necessidades em relação aos outros pontos de atenção à saúde, contribuindo para que a programação dos serviços de saúde parta das necessidades dos usuários. A continuidade do cuidado é um ideal no qual os cuidados são fornecidos de maneira coordenada e sem interrupções independentemente de todas as complexidades do sistema de saúde e do envolvimento de diferentes profissionais em diferentes instituições de cuidados. 114 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Hierarquização Art. 13. Para assegurar ao usuário o acesso universal, igualitário e ordenado às ações e serviços de saúde do SUS, caberá aos entes federativos, além de outras atribuições que venham a ser pactuadas pelas Comissões Intergestores: I - garantir a transparência, a integralidade e a equidade no acesso às ações e aos serviços de saúde II - orientar e ordenar os fluxos das ações e dos serviços de saúde III - monitorar o acesso às ações e aos serviços de saúde IV - ofertar regionalmente as ações e os serviços de saúde. Art. 14. O Ministério da Saúde disporá sobre critérios, diretrizes, procedimentos e demais medidas que auxiliem os entes federativos no cumprimento das atribuições previstas no art. 13. Planejamento da Saúde Art. 15. O processo de planejamento da saúde será ascendente e integrado, do nível local até o federal, ouvidos os respectivos Conselhos de Saúde, compatibilizando-se as necessidades das políticas de saúde com a disponibilidade de recursos financeiros. Planejamento de saúde Obrigatório para os entes públicos Será indutor de políticas para a iniciativa privada O planejamento é obrigatório, ou seja, os gestores devem ter metas de saúde e os serviços privados (sejam eles complementares ou não) serão induzidos pelo planejamento 115 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Planejamento da Saúde Art. 16. No planejamento devem ser considerados os serviços e as ações prestados pela iniciativa privada, de forma complementar ou não ao SUS, os quais deverão compor os Mapas da Saúde regional, estadual e nacional. Mapa de Saúde É uma ferramenta que deve ser utilizada para apontar, geograficamente, a distribuição de recursos humanos e das ações e serviços ofertados pelo SUS e pela iniciativa privada. Art. 17. O Mapa da Saúde será utilizado na identificação das necessidades de saúde e orientará o planejamento integrado dos entes federativos, contribuindo para o estabelecimento de metas de saúde. Art. 18. O planejamento da saúde em âmbito estadual deve ser realizado de maneira regionalizada, a partir das necessidades dos Municípios, considerando o estabelecimento de metas de saúde. Não confunda! Redes de atenção a saúde Região de Saúde Mapa de Saúde Conjunto de ações e serviços de saúde articulados em níveis de complexidade crescente, com a finalidade de garantir a integralidade da assistência à saúde. Espaço geográfico contínuo constituído por agrupamentos de Municípios limítrofes, delimitado a partir de identidades culturais, econômicas e sociais Descrição geográfica da distribuição de recursos humanos e de ações e serviços de saúde ofertados pelo SUS e pela iniciativa privada 116 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Assistência à Saúde Art. 20. A integralidade da assistência à saúde se inicia e se completa na Rede de Atençãoà Saúde, mediante referenciamento do usuário na rede regional e interestadual, conforme pactuado nas Comissões Intergestores. A rede de atenção à saúde deve se articular de forma a garantir a integralidade, ou seja, o atendimento de todas as necessidades de saúde um indivíduo, incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a reabilitação. RENASES Art. 22. O Ministério da Saúde disporá sobre a RENASES em âmbito nacional, observadas as diretrizes pactuadas pela CIT. Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da Saúde consolidará e publicará as atualizações da RENASES. Art. 23. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios pactuarão nas respectivas Comissões Intergestores as suas responsabilidades em relação ao rol de ações e serviços constantes da RENASES. Art. 24. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão adotar relações específicas e complementares de ações e serviços de saúde, em consonância com a RENASES, respeitadas as responsabilidades dos entes pelo seu financiamento, de acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores. Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde - RENASES Compreende todas as ações e serviços que o SUS oferece ao usuário para atendimento da integralidade da assistência à saúde. O RENASES é a lista de ações e serviços que o SUS oferece à população na atenção básica, na urgência e emergência, na atenção psicossocial, na atenção especializada e hospitalar, e na vigilância em saúde. Ela é detalhada da seguinte forma: nome da ação ou serviço; descrição de como funciona cada uma; e seus respectivos códigos. 117 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 RENAME Relação Nacional de Medicamentos Essenciais - RENAME Compreende a seleção e a padronização de medicamentos indicados para atendimento de doenças ou de agravos no âmbito do SUS. A RENAME será acompanhada do Formulário Terapêutico Nacional - FTN que subsidiará a prescrição, a dispensação e o uso dos seus medicamentos. O FTN contém informações científicas sobre os fármacos constantes da RENAME, visando auxiliar profissionais de saúde para a prescrição, dispensação e uso dos medicamentos indispensáveis à posologia prevalente. Art. 26. O Ministério da Saúde é o órgão competente para dispor sobre a RENAME e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em âmbito nacional, observadas as diretrizes pactuadas pela CIT. Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da Saúde consolidará e publicará as atualizações da RENAME, do respectivo FTN e dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica É o documento que estabelece: • Critérios para o diagnóstico da doença ou do agravo à saúde • O tratamento preconizado, com os medicamentos e demais produtos apropriados, quando couber; as posologias recomendadas • Os mecanismos de controle clínico; • O acompanhamento e a verificação dos resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores do SUS. Art. 27. O Estado, o Distrito Federal e o Município poderão adotar relações específicas e complementares de medicamentos, em consonância com a RENAME, respeitadas as responsabilidades dos entes pelo financiamento de medicamentos, de acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores. 118 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 RENAME Art. 26. O Ministério da Saúde é o órgão competente para dispor sobre a RENAME e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em âmbito nacional, observadas as diretrizes pactuadas pela CIT. Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da Saúde consolidará e publicará as atualizações da RENAME, do respectivo FTN e dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. A cada dois anos o MS consolidará e publicará as atualizações Da RENASES, do RENAME, do respectivo FTN e... Dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas Art. 27. O Estado, o Distrito Federal e o Município poderão adotar relações específicas e complementares de medicamentos, em consonância com a RENAME, respeitadas as responsabilidades dos entes pelo financiamento de medicamentos, de acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores. Estado Distrito Federal Municípios Poderão adotar relações específicas e complementares de medicamentos e de ações e serviços de saúde em consonância com a RENAME e RENASES O Ministério da Saúde estabelecerá mecanismos que permitam a contínua atualização da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais - RENAME, imprescindível instrumento de ação do SUS, na medida em que contempla um elenco de produtos necessários ao tratamento e controle da maioria das patologias prevalentes no País. A lista da RENAME deve ser construída a partir de uma avaliação de eficácia, efetividade, segurança, custo, disponibilidade, entre outros aspectos, obtidas a partir das melhores evidências científicas disponíveis. 119 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 RENAME Art. 28. O acesso universal e igualitário à assistência farmacêutica pressupõe, cumulativamente: I - estar o usuário assistido por ações e serviços de saúde do SUS II - ter o medicamento sido prescrito por profissional de saúde, no exercício regular de suas funções no SUS III - estar a prescrição em conformidade com a RENAME e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas ou com a relação específica complementar estadual, distrital ou municipal de medicamentos IV - ter a dispensação ocorrido em unidades indicadas pela direção do SUS. § 1º Os entes federativos poderão ampliar o acesso do usuário à assistência farmacêutica, desde que questões de saúde pública o justifiquem. § 2º O Ministério da Saúde poderá estabelecer regras diferenciadas de acesso a medicamentos de caráter especializado. ATENÇÃO: observe que tanto o RENASES quanto o RENAME são de nível nacional, estando sob responsabilidade do Ministério da Saúde. A RENAME e a relação específica complementar estadual, distrital ou municipal de medicamento Somente poderão conter produtos com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. 120 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Comissões Intergestores Art. 30. As Comissões Intergestores pactuarão a organização e o funcionamento das ações e serviços de saúde integrados em redes de atenção à saúde, sendo: CIT Comissão Intergestores Tripartite Âmbito da União Vinculada ao Ministério da Saúde para efeitos administrativos e operacionais Representantes: Ministério da Saúde, Conass e Conasems CIB Comissão Intergestores Bipartite Vinculada à Secretaria Estadual de Saúde para efeitos administrativos e operacionais Representantes: Secretaria Estadual de Saúde e Secretaria Municipal Âmbito do Estado CIR Comissão Intergestores Regional 0Vinculada à Secretaria Estadual de Saúde para efeitos administrativos e operacionais, devendo observar as diretrizes da CIB Âmbito Regional As Comissões Intergestores (CIT, CIB e CIR) são instâncias de pactuação consensual entre os entes federativos para definir as regras da gestão compartilhada do SUS. Art. 31. Nas Comissões Intergestores, os gestores públicos de saúde poderão ser representados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde - CONASS, pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde - CONASEMS e pelo Conselho Estadual de Secretarias Municipais de Saúde - COSEMS. 121 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Comissões Intergestores Art. 32. As Comissões Intergestores pactuarão: I - aspectos operacionais, financeiros e administrativos da gestão compartilhada do SUS, de acordo com a definição da política de saúde dos entes federativos,consubstanciada nos seus planos de saúde, aprovados pelos respectivos conselhos de saúde; II - diretrizes gerais sobre Regiões de Saúde, integração de limites geográficos, referência e contrarreferência e demais aspectos vinculados à integração das ações e serviços de saúde entre os entes federativos; III - diretrizes de âmbito nacional, estadual, regional e interestadual, a respeito da organização das redes de atenção à saúde, principalmente no tocante à gestão institucional e à integração das ações e serviços dos entes federativos IV - responsabilidades dos entes federativos na Rede de Atenção à Saúde, de acordo com o seu porte demográfico e seu desenvolvimento econômico-financeiro, estabelecendo as responsabilidades individuais e as solidárias V - referências das regiões intraestaduais e interestaduais de atenção à saúde para o atendimento da integralidade da assistência. Parágrafo único. Serão de competência exclusiva da CIT a pactuação: I - das diretrizes gerais para a composição da RENASES; II - dos critérios para o planejamento integrado das ações e serviços de saúde da Região de Saúde, em razão do compartilhamento da gestão III - das diretrizes nacionais, do financiamento e das questões operacionais das Regiões de Saúde situadas em fronteiras com outros países, respeitadas, em todos os casos, as normas que regem as relações internacionais. 122 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde O Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde (COAP) é um acordo de colaboração firmado entre os entes federativas, com a finalidade de organizar e integrar as ações e os serviços de saúde na rede regionalizada e hierarquizada, com definição de responsabilidades, indicadores e metas de saúde, critérios de avaliação de desempenho, recursos financeiros que serão disponibilizados, forma de controle e fiscalização de sua execução e demais elementos necessários à implementação integrada das ações e serviços de saúde. COAP Finalidade: organizar e integrar as ações e os serviços de saúde Definirá: as responsabilidades individuais e solidárias dos entes federativos em relação às ações e serviços de saúde, aos indicadores e às metas de saúde e aos critérios de avaliação de desempenho Contrato Organizativo da Ação Púbica da Saúde Art. 34. O objeto do Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde é a organização e a integração das ações e dos serviços de saúde, sob a responsabilidade dos entes federativos em uma Região de Saúde, com a finalidade de garantir a integralidade da assistência aos usuários. No COAP, os municípios, estados, DF e a União deixam clara a responsabilidade de cada um em relação às ações e dos serviços do SUS. Esse contrato determinará o que cada ente vai fazer na Região de Saúde Art. 36. O Contrato Organizativo da Ação Pública de Saúde conterá as seguintes disposições essenciais: I - identificação das necessidades de saúde locais e regionais; II - oferta de ações e serviços de vigilância em saúde, promoção, proteção e recuperação da saúde em âmbito regional e inter-regional 123 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde III - responsabilidades assumidas pelos entes federativos perante a população no processo de regionalização, as quais serão estabelecidas de forma individualizada, de acordo com o perfil, a organização e a capacidade de prestação das ações e dos serviços de cada ente federativo da Região de Saúde IV - indicadores e metas de saúde; V - estratégias para a melhoria das ações e serviços de saúde; VI - critérios de avaliação dos resultados e forma de monitoramento permanente; VII - adequação das ações e dos serviços dos entes federativos em relação às atualizações realizadas na RENASES; VIII - investimentos na rede de serviços e as respectivas responsabilidades; e IX - recursos financeiros que serão disponibilizados por cada um dos partícipes para sua execução. Parágrafo único. O Ministério da Saúde poderá instituir formas de incentivo ao cumprimento das metas de saúde e à melhoria das ações e serviços de saúde. Art. 37. O Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde observará as seguintes diretrizes básicas para fins de garantia da gestão participativa: I - estabelecimento de estratégias que incorporem a avaliação do usuário das ações e dos serviços, como ferramenta de sua melhoria; 124 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Decreto 7.508/11 Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde II - apuração permanente das necessidades e interesses do usuário; e III - publicidade dos direitos e deveres do usuário na saúde em todas as unidades de saúde do SUS, inclusive nas unidades privadas que dele participem de forma complementar. Art. 38. A humanização do atendimento do usuário será fator determinante para o estabelecimento das metas de saúde previstas no Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde. Serão pactuados pelo Comissão Intergestores Tripartite (CIT) As normas de elaboração e fluxos do COAP Cabendo à Secretaria de Saúde Estadual coordenar a sua implementação. O Sistema Nacional de Auditoria e Avaliação do SUS, por meio de serviço especializado Fará o controle e a fiscalização do Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde. Disposições Finais Art. 42. Sem prejuízo das outras providências legais, o Ministério da Saúde informará aos órgãos de controle interno e externo: I - o descumprimento injustificado de responsabilidades na prestação de ações e serviços de saúde e de outras obrigações previstas neste Decreto; II - a não apresentação do Relatório de Gestão III - a não aplicação, malversação ou desvio de recursos financeiros; e IV - outros atos de natureza ilícita de que tiver conhecimento. 125 Decreto 7.508 de 2011 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com CAPÍTULO VI Resolução 453 de 10 de Maio de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com 127 Resolução 453/12 A Resolução 453 trata das diretrizes para instituição, reformulação, reestruturação e funcionamento dos Conselhos de Saúde. Essa resolução está relacionada com a Lei 8.142, que trata da participação da comunidade no SUS através dos Conselhos e Conferências de Saúde. É recomendado a leitura prévia do capítulo que trata sobre a Lei 8.142, pois através dela é possível entender o funcionamento e a composição dos Conselhos de Saúde. Resolução é uma norma jurídica destinada a disciplinar assuntos do interesse interno do Congresso Nacional, no caso do Brasil. O que é uma resolução? A Resolução 453 é composta por cinco diretrizes Primeira diretriz Trata da definição do Conselho de Saúde Segunda diretriz Trata da instituição e reformulação dos Conselhos de Saúde Terceira diretriz Trata da organização dos Conselhos de Saúde Quarta diretriz Trata da estrutura e o funcionamento dos Conselhos de Saúde Quinta diretriz Trata das competências do Conselho de Saúde A resolução vem fortalecer o controle social, dada a sua importância para a consolidação do SUS. Mas atente que sua disposição é apenas para uma das instâncias de controle social: os Conselhos de Saúde! Este marco é dividido em cinco diretrizes, o que facilita o entendimento. Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Primeira Diretriz: Definição do Conselho de Saúde Conselho de Saúde É uma instância: Colegiada Deliberativa Permanente Conjunto de pessoas que reúnem Poder de decisão através de votos Deve existir e se reunir sempre ...do SUS, em cada esfera do governo É integrante da estrutura organizacional do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde dos Estados, do DistritoFederal e dos Municípios, Com composição, organização e competência Fixadas na Lei 8.142/90 Assim, os Conselhos de Saúde são espaços instituídos de participação da comunidade nas políticas públicas e na administração da saúde. Como subsistema da Seguridade Social, o Conselho de Saúde atua na formulação e proposição de estratégias e no controle da execução das Políticas de Saúde, inclusive nos seus aspectos econômicos e financeiros. O processo bem-sucedido de descentralização da saúde promoveu o surgimento de: Conselhos LocaisConselhos Regionais Conselhos Distritais de Saúde Incluindo os Conselhos dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas Sob a coordenação dos Conselhos de Saúde da esfera correspondente 128 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Segunda Diretriz: Da Instituição e Reformulação dos Conselhos de Saúde A instituição dos Conselhos de Saúde É estabelecida por lei Federal Estadual Do Distrito Federal Municipal Obedecida a Lei 8.142 Cada esfera além de ser regulamentada pela Lei 8.142, possuí lei específica para instituição do seu próprio Conselho de Saúde. Na instituição e reformulação dos Conselhos de Saúde: O Poder Executivo, respeitando os princípios da democracia, deverá acolher as demandas da população: Aprovadas nas Conferências de Saúde e Em consonância com a legislação Vale lembrar que de acordo com a Lei 8.142 a população terá 50% de representação nos Conselhos e Conferências de Saúde, onde, as suas demandas devem ser acolhidas, respeitando a lei. Terceira Diretriz: A Organização dos Conselhos de Saúde A participação da sociedade organizada, garantida na legislação torna os Conselhos de Saúde uma instância privilegiada na: • Proposição • Discussão • Acompanhamento • Deliberação • Avaliação e • Fiscalização Da implementação da Política de Saúde Inclusive nos seus aspectos econômicos e financeiros 129 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Terceira Diretriz: A Organização dos Conselhos de Saúde A legislação estabelece, ainda, a composição paritária de usuários em relação ao conjunto dos demais segmentos representados. O Conselho de Saúde será composto por: Representantes de entidades, instituições e movimentos representativos de usuários Entidades representativas de trabalhadores da saúde Do governo De entidades representativas de prestadores de serviços de saúde O presidente será eleito entre os membros do Conselho, em reunião plenária Nos munícipios onde não existem: • Entidades • Instituições • Movimentos Organizados em número suficiente para compor o Conselho A eleição da representação será: Realizada em plenária no município Promovida pelo Conselho Municipal de maneira ampla e democrática O número de conselheiros será: Definido pelos Conselhos de Saúde e Constituído em lei Cada Conselho definirá seus regimentos internos, ou seja, o número de conselheiros de uma determinada cidade pode ser diferente de outra. No entanto, a representatividade (percentual) é definida na lei 8.142. 130 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Terceira Diretriz: A Organização dos Conselhos de Saúde As vagas deverão ser distribuídas da seguinte forma:: 50% de entidades e movimentos representativos de usuários 25% de entidades representativas dos trabalhadores da área de saúde 25% de representação de governo e prestadores de serviços privados conveniados, ou sem fins lucrativos. A participação de órgãos, entidades e movimentos sociais terá como critérios: De acordo com as especificidades locais, aplicando o princípio da paridade, serão contempladas, dentre outras, as seguintes representações: Representatividade Abrangência Complementaridade Do conjunto da sociedade, no âmbito de atuação do Conselho de Saúde. Associações de pessoas com patologias Associações de pessoas com deficiências Entidades indígenas Movimentos sociais e populares, organizados (movimento negro, LGBT...) Movimentos organizados de mulheres, em saúde Entidades de aposentados e pensionistas 131 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Entidades congregadas de sindicatos, centrais sindicais, confederações e federações de trabalhadores urbanos e rurais Entidades de defesa do consumidor Organizações de moradores; Entidades ambientalistas Organizações religiosas Trabalhadores da área de saúde: associações, confederações, conselhos de profissões regulamentadas, federações e sindicatos, obedecendo as instâncias federativas Comunidade científica Entidades patronais Entidades públicas, de hospitais universitários e hospitais campo de estágio, de pesquisa e desenvolvimento Entidades dos prestadores de serviço de saúde Governo Terceira Diretriz: A Organização dos Conselhos de Saúde As entidades, movimentos e instituições eleitas no Conselho de Saúde, terão os conselheiros indicados: Por escrito De acordo com a sua organização Conforme processos estabelecidos pelas respectivas entidades, movimentos e instituições Com a recomendação de que ocorra renovação de seus representantes. 132 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Terceira Diretriz: A Organização dos Conselhos de Saúde Quando não houver Conselho de Saúde constituído ou em atividade no Município Caberá ao Conselho Estadual de Saúde assumir, junto ao executivo municipal, a convocação e realização da Conferência Municipal de Saúde Que terá como um de seus objetivos a estruturação e composição do Conselho Municipal. O mesmo será atribuído ao Conselho Nacional de Saúde, quando não houver Conselho Estadual de Saúde constituído ou em funcionamento. As funções, como membro do conselho da Saúde: Não serão remuneradas Considerando-se o seu exercício de relevância pública e, portanto, garante a dispensa do trabalho sem prejuízo para o conselheiro Para fins de justificativa junto aos órgãos, entidades competentes e instituições, o Conselho de Saúde emitirá declaração de participação de seus membros durante o período das reuniões, representações, capacitações e outras atividades específicas. O conselheiro, no exercício de sua função, responde pelos seus atos conforme legislação vigente. 133 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Quarta Diretriz: Estrutura e Funcionamento dos Conselhos de Saúde As três esferas de Governo garantirão: Autonomia administrativa para o pleno funcionamento do Conselho de Saúde Dotação orçamentária Autonomia financeira Organização da secretaria-executiva Com a necessária infraestrutura e apoio técnico Os Conselhos estão vinculados, em âmbito nacional, estadual e municipal, respectivamente, ao Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de saúde e Secretaria Municipal de saúde. Mas, a partir desta resolução eles passam a ter: autonomia administrativa; dotação orçamentária; autonomia financeira e organização da secretaria-executiva Cabe ao Conselho de Saúde deliberar em relação à sua estrutura administrativa e o quadro de pessoal O Conselho de Saúde contará com uma secretaria-executiva Coordenada: por pessoa preparada para a função Função: suporte técnico e administrativo Subordinada: ao Plenário do Conselho de Saúde, que definirá sua estrutura e dimensão 134 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Quarta Diretriz: Estrutura e Funcionamento dos Conselhos de Saúde O Conselho de Saúde decide sobre o seu orçamento O plenário do Conselho de Saúde: Se reunirá, no mínimo, a cada mês A pautae o material de apoio às reuniões devem ser encaminhados aos conselheiros com antecedência mínima de 10 (dez) dias Se reunirá extraordinariamente, quando necessário e, Terá como base o seu Regimento Interno. As reuniões plenárias dos conselhos de saúde: São abertas ao público Deverão acontecer em espaços e horários que possibilitem a participação da sociedade Qualquer cidadão poderá participar das reuniões dos Conselhos. Porém, o poder de votar cabe somente aos membros do conselho O funcionamento do Plenário que além das comissões intersetoriais, estabelecidas na Lei no 8.080/90, instalará: O Conselho de Saúde exerce suas atribuições mediante: Outras comissões intersetoriais e grupos de trabalho de conselheiros para ações transitórias Essas comissões poderão contar com integrantes não conselheiros 135 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Quarta Diretriz: Estrutura e Funcionamento dos Conselhos de Saúde O Conselho de Saúde constituirá uma Mesa Diretora eleita em Plenário, respeitando a paridade expressa nesta Resolução: As decisões do Conselho de Saúde serão adotadas mediante quórum mínimo (metade+ 1) dos seus integrantes Ressalvados os casos regimentais nos quais se exija: • Quórum especial • Maioria qualificada de votos É quantidade mínima obrigatória de membros presentes ou representados, para que uma assembleia possa deliberar e tomar decisões válidas. O que é quórum? Entende-se por maioria simples O número inteiro imediatamente superior à metade dos membros presentes Entende-se por maioria absoluta O número inteiro imediatamente superior à metade de membros do Conselho Entende-se por maioria qualificada 2/3 (dois terços) do total de membros do Conselho Qualquer alteração na organização dos Conselhos de Saúde: • Preservará o que está garantido em lei • Deve ser proposta pelo próprio Conselho e • Deve ser votada em reunião plenária, com quórum qualificado Para depois ser alterada em seu Regimento Interno e homologada pelo gestor da esfera correspondente 136 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Quarta Diretriz: Estrutura e Funcionamento dos Conselhos de Saúde A cada três meses, deverá constar dos itens da pauta o pronunciamento do gestor, das respectivas esferas de governo, para que faça a prestação de contas, em relatório detalhado, sobre: Andamento do plano de saúde Agenda da saúde pactuada Relatório de gestão Dados sobre o montante e a forma de aplicação dos recursos Auditorias iniciadas e concluídas no período Produção e a oferta de serviços na rede assistencial própria, contratada ou conveniada De acordo com o art. 12 da Lei no 8.689/93 e com a Lei Complementar no 141/2012 A cada três meses deverá constar na pauta da reunião do conselho o pronunciamento do gestor. Qual a finalidade? Para que o gestor preste contas através do relatório detalhado sobre o andamento do plano de saúde, agenda e relatório de gestão. Observe que o relatório de gestão é diferentes do relatório detalhado. O relatório detalhado, como já citado anteriormente é a prestação de contas do gestor. Já o relatório de gestão deve ser feito anualmente, ele é um documento que mostra uma prestação de contas à população e ao controle social sobre as realizações anuais da pasta e as perspectivas para o SUS. Os Conselhos de Saúde, com a devida justificativa, buscarão auditorias externas e independentes sobre as contas e atividades do Gestor do SUS 137 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Quarta Diretriz: Estrutura e Funcionamento dos Conselhos de Saúde O Pleno do Conselho de Saúde deverá manifestar-se por meio de Resoluções Recomendações Moções e outros atos deliberativos As resoluções serão obrigatoriamente homologadas pelo chefe do poder constituído em cada esfera de governo, em um prazo de 30 trinta dias, dando-se-lhes publicidade oficial. Decorrido este prazo e: Não sendo homologada a resolução e nem enviada justificativa pelo gestor ao Conselho de Saúde com proposta de alteração ou rejeição a ser apreciada na reunião seguinte As entidades que integram o Conselho de Saúde podem buscar a validação das resoluções, recorrendo: à justiça e ao Ministério Público, quando necessário. Quinta Diretriz: Competências do Conselho de Saúde Aos Conselhos de Saúde Nacional, Estaduais, Municipais e do Distrito Federal, que têm competências definidas nas leis federais, bem como em indicações advindas das Conferências de Saúde, compete: I - fortalecer a participação e o Controle Social no SUS, mobilizar e articular a sociedade de forma permanente na defesa dos princípios constitucionais que fundamentam o SUS; 138 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Quinta Diretriz: Competências do Conselho de Saúde II - elaborar o Regimento Interno do Conselho e outras normas de funcionamento; III - discutir, elaborar e aprovar propostas de operacionalização das diretrizes aprovadas pelas Conferências de Saúde; IV - atuar na formulação e no controle da execução da política de saúde: incluindo os seus aspectos econômicos e financeiros e propor estratégias para a sua aplicação aos setores público e privado V - definir diretrizes para elaboração dos planos de saúde e deliberar sobre o seu conteúdo, conforme as diversas situações: as diversas situações epidemiológicas e, a capacidade organizacional dos serviços VI - anualmente deliberar sobre a aprovação ou não do relatório de gestão VII - estabelecer estratégias e procedimentos de acompanhamento da gestão do SUS, articulando-se com os demais colegiados, a exemplo dos de: seguridade social meio ambiente justiça educação trabalho agricultura idosos criança e adolescente outros 139 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Quinta Diretriz: Competências do Conselho de Saúde VIII - proceder à revisão periódica dos planos de saúde IX - deliberar sobre os programas de saúde e aprovar projetos a serem encaminhados ao Poder Legislativo, propor a adoção de critérios definidores de qualidade e resolutividade, atualizando-os face ao processo de incorporação dos avanços científicos e tecnológicos na área da Saúde X - avaliar, explicitando os critérios utilizados, a organização e o funcionamento do Sistema Único de Saúde do SUS XI - avaliar e deliberar sobre: • Contratos • Consócios e • Convênios Conforme as diretrizes dos Planos de Saúde Nacional, Estaduais, do Distrito Federal e Municipais XII - acompanhar e controlar a atuação do setor privado credenciado mediante contrato ou convênio na área de saúde XIII - aprovar a proposta orçamentária anual da saúde, tendo em vista as metas e prioridades: Estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias observado o princípio do processo de planejamento e orçamento ascendentes, conforme legislação vigente XIV - propor critérios para programação e execução financeira e orçamentária dos Fundos de Saúde e acompanhar a movimentação e destino dos recursos 140 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Quinta Diretriz: Competências do Conselho de Saúde XV - fiscalizar e controlar gastos e deliberar sobre critérios de movimentação de recursos da Saúde, incluindo o Fundo de Saúde e os recursos transferidos e próprios do Município, Estado, Distrito Federal e da União, com base no que a lei disciplina XVI - analisar, discutir e aprovar o relatório de gestão, com a prestação de: contas e informações financeiras, repassadas em tempo hábil aos conselheiros , e garantia do devido assessoramento XVII - fiscalizar eacompanhar o desenvolvimento das ações e dos serviços de saúde e encaminhar denúncias aos respectivos órgãos de controle interno e externo, conforme legislação vigente XVIII - examinar propostas e denúncias de indícios de irregularidades, responder no seu âmbito a consultas sobre assuntos pertinentes às ações e aos serviços de saúde, bem como apreciar recursos a respeito de deliberações do Conselho nas suas respectivas instâncias XIX - estabelecer a periodicidade de convocação e organizar as Conferências de Saúde, Propor sua convocação ordinária ou extraordinária Estruturar a comissão organizadora Submeter o respectivo regimento e programa ao Pleno do Conselho de Saúde correspondente Convocar a sociedade para a participação nas pré-conferências e conferências de saúde 141 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Quinta Diretriz: Competências do Conselho de Saúde XX - estimular articulação e intercâmbio entre: • Os Conselhos de Saúde, • Entidades, • Movimentos populares • Instituições públicas e privadas; Para a promoção da Saúde XXI - estimular, apoiar e promover estudos e pesquisas sobre assuntos e temas na área de saúde pertinente ao desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (SUS) XXII - acompanhar o processo de desenvolvimento e incorporação científica e tecnológica, observados os padrões éticos compatíveis com o desenvolvimento sociocultural do País; XXIII - estabelecer ações de: Informação Em saúde Divulgar as funções e competências do Conselho de Saúde, seus trabalhos e decisões nos meios de comunicação, incluindo informações sobre as agendas, datas e local das reuniões e dos eventos; Educação e Comunicação XXIV - deliberar, elaborar, apoiar e promover a educação permanente para o controle social, de acordo com as Diretrizes e a Política Nacional de Educação Permanente para o Controle Social do SUS 142 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Resolução 453/12 Quinta Diretriz: Competências do Conselho de Saúde XXV - incrementar e aperfeiçoar o relacionamento sistemático com: Os poderes constituídos Ministério Público Judiciário e Legislativo Meios de comunicação Bem como setores relevantes não representados nos conselhos XXVI - acompanhar a aplicação das normas sobre ética em pesquisas aprovadas pelo CNS XXVII - deliberar, encaminhar e avaliar a Política de Gestão do Trabalho e Educação para a Saúde no SUS XXVIII - acompanhar a implementação das propostas constantes do relatório das plenárias dos Conselhos de Saúde, e XXIX - atualizar periodicamente as informações sobre o Conselho de Saúde no Sistema de Acompanhamento dos Conselhos de Saúde (SIACS). O Sistema de Acompanhamento dos Conselhos de Saúde é mais uma ferramenta de comunicação e informação para contribuir com a efetividade do Controle Social. Todos os conselhos devem realizar seu cadastro, criando uma única rede de dados de todos os conselhos municipais. O SIACS resultará em um retrato detalhado dos conselhos de saúde de todo o País, mostrando a composição dos colegiados e o cumprimento de normas legais relacionadas ao Sistema Único de Saúde. O que é o SIACS? 143 Resolução 453 de 2012 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Parabéns por ter chegado até aqui, isso mostra o seu real interesse em aprender! Continue firme na sua caminhada e na busca por seus objetivos, desejamos que consiga alcançar todos! Conte conosco nos seus estudos, vamos juntos!!! Atenciosamente, Aprova Saúde. PARABÉNS Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59 Slide 60 Slide 61 Slide 62 Slide 63 Slide 64 Slide 65 Slide 66 Slide 67 Slide 68 Slide 69 Slide 70 Slide 71 Slide 72 Slide 73 Slide 74 Slide 75 Slide 76 Slide 77 Slide 78 Slide 79 Slide 80 Slide 81 Slide 82 Slide 83 Slide 84 Slide 85 Slide 86 Slide 87 Slide 88 Slide 89 Slide 90 Slide 91 Slide 92 Slide 93 Slide 94 Slide 95 Slide 96 Slide 97 Slide 98 Slide 99 Slide 100 Slide 101 Slide 102 Slide 103 Slide 104 Slide 105 Slide 106 Slide 107 Slide 108 Slide 109 Slide 110 Slide 111 Slide 112 Slide 113 Slide 114 Slide 115 Slide 116 Slide 117 Slide 118 Slide 119 Slide 120 Slide 121 Slide 122 Slide 123 Slide 124 Slide 125 Slide 126 Slide 127 Slide 128 Slide 129 Slide 130 Slide 131 Slide 132 Slide 133 Slide 134 Slide 135 Slide 136 Slide 137 Slide 138 Slide 139 Slide 140 Slide 141 Slide 142 Slide 143 Slide 144 Slide 145 Slide 146centralização e uniformização dos serviços de saúde do governo federal, que trouxe para o campo de atuação do Estado novos objetos, como o combate à lepra e às doenças venéreas. República Velha (1889 – 1930) 14 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Ao DNSP coube, conhecer e realizar: Para conhecer a composição e os fatores relevantes para a saúde da população, e a partir disso, planejar ações de saúde. REGISTRO DEMOGRÁFICO DA POPULAÇÃO Com o objetivo de auxiliar no diagnóstico de doenças, o que possibilitou um maior entendimento sobre as doenças. INTRODUÇÃO DO LABORATÓRIO Para serem usados pela população, como soros, vacinas e medicamentos. Assim, deu-se o início da indústria farmacêutica FABRICAÇÃO DE PRODUTOS PROFILÁTICOS Houve uma maior disseminação de informações para a população, diferente de antes, que as medidas eram impostas sem um conhecimento adequado por parte das camadas populares PROPAGANDA E EDUCAÇÃO SANITÁRIA Houve uma expansão do saneamento para outros estados e interiores. Até então, as atividades eram centradas nas capitais e em cidades dos portos, que era onde o comércio predominava EXPANSÃO DAS ATIVIDADES DE SANEAMENTO Tuberculose, hanseníase e doenças sexualmente transmissíveis. CRIAÇÃO DE ORGÃO ESPECIALIZADOS República Velha (1889 – 1930) 15 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Lei Eloy Chaves Em 1923, foi celebrado o convênio entre o Brasil e a Fundação Rockefeller, numa iniciativa de capacitar profissionais de saúde e pesquisadores para atuarem como sanitaristas. Além disso, foi promulgada a Lei Eloy Chaves, considerada o marco da previdência social no Brasil e que criou as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAP). As CAPs deram início a assistência médico-previdenciária As revoltas populares da época pressionavam o Estado por ações mais efetivas na saúde. Em 1923, o deputado federal, Eloy Chaves, propôs uma lei que regulamentava a formação de CAPs para algumas organizações trabalhistas, como os ferroviários e os marítimos. Com essa lei, a saúde continuava restrita aos que podiam pagar e aos assegurados por ela. Características das CAPS Organizada por empresas Financiamento Benefícios Geralmente empresas de grande porte do setor ferroviário e marítimo Era financiada e administrada por empregados e empregadores Aposentadoria, pensão e assistência médica e farmacêutica Cada empresa tinha seu próprio sistema de previdência social e assistência médica. A criação de uma CAP não era automática, dependia do poder de mobilização dos trabalhadores para reivindicar a sua criação. A primeira CAP foi a dos ferroviários, o que pode ser explicado pela importância que este setor desempenhava na economia do país naquela época. República Velha (1889 – 1930) 16 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com A saúde pública passou a ser responsabilidade do MESP, tudo que fosse relacionado à saúde da população e que não se encontrava na área da medicina previdenciária era desenvolvido por esse ministério. o MESP assumia a responsabilidade da prestação de serviços ao chamados pré-cidadãos: pobres, desempregados e trabalhadores informais, pessoas que não eram asseguradas pela previdência social e, portanto, não estavam cobertos pela medicina previdenciária. Era Vargas (1930 – 1964) No campo da saúde, foi um período marcado pelo início da transição demográfica e epidemiológica. A expectativa de vida aumentou, principalmente pela redução da mortalidade por doenças infecciosas, e havia prevalência de doenças da pobreza, além do surgimento de doenças crônicas, como problemas cardíacos e neoplasias, e o aumento de acidentes e da violência. Em provas de concursos, algumas bancas consideram o período de 1930 a 1964 como Era Vargas. Alguns autores dividem em dois períodos: Era Vargas (1930 - 1945) e Repúblicas Populistas (1945 - 1964). Os principais presidentes que governaram o Brasil nessa época foram: 1930 - 1945 (Getúlio Vargas); 1946 - 1951 (Eurico Gaspar Dutra); 1951 - 1954 (Getúlio Vargas); 1956 - 1961 (Juscelino Kubitschek); 1961 (Jânio Quadros) e 1961 - 1964 (João Goulart) Em 1930 houve a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP) Responsável pela saúde dos trabalhadores formais e seus dependentes. CAP MESP Responsável pela saúde de todas as outras pessoas que não eram asseguradas pela CAPs x O Estado assumia o papel regulador da economia, investindo em setores de energia, siderurgia e transporte, alavancando a economia nacional 17 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com 1933: Criação IAPs Os IAPS substituíram as CAPs Com a criação do Ministério do Trabalho, teve início o sindicalismo e a organização dos trabalhadores por classes funcionais. Na área da saúde, foi criado o Instituto de Aposentadoria e Pensões (IAP). Características das IAPs Dividido por categorias Cada categoria tinha seu próprio sistema de previdência social e assistência médica Financiamento Empregados, empregadores e o governo contribuíam Benefícios Aposentadoria, pensão e assistência médica e farmacêutica Principais diferenças entre as CAPs e as IAPs • Cada empresa tinha sua própria previdência • Empregados e patrões contribuíam (bipartite) CAP 1923 – 1933 x (República Velha) • Cada categoria profissional tinha sua própria previdência • Empregados, patrões e governo contribuíam (tripartite) IAP 1933 – 1966 (Era Vargas) 1953: Desmembramento do MESP Em 1953 houve uma “divisão” do MESP que era responsável pela saúde e pela educação. Com sua divisão, foram criados: Ministério da Saúde (MS) e o da Educação e Cultura (MEC). O objetivo foi de estruturar melhor as respostas aos muitos problemas sanitários nacionais. MESP Ministério da Saúde (MS) Ministério da Educação e Cultura (MEC) Era Vargas (1930 – 1964) 18 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Houve redução das verbas destinadas à saúde pública, nessa época, a saúde ficou como segundo plano. Apenas os trabalhadores formais tinham acesso a assistência médica previdenciária Autoritarismo (1964 – 1985) O período do autoritarismo foi marcado por uma forte crise burocrática administrativa. As condições de saúde eram precárias e coexistiam as doenças da pobreza e as doenças da modernidade, ganhando destaque as doenças cardiovasculares. A Saúde Pública era limitada e de baixa qualidade 1966: Fusão dos IAPs (Criação do INPS ) No ano de 1966, houve uma fusão dos Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAPs) do setor privado então existentes, dando origem então ao Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) . Principal diferença dos IAPs para o INPS Cada categoria profissional tinha sua própria previdência e assistência médica IAPs 1933 – 1966 x (Era Vargas) Todas as categorias profissionais passaram a ter apenas um sistema de previdência e assistência médica INPS 1966 – 1977 (Autoritarismo) Nesse período do autoritarismo a atenção à saúde era centrada na doença e nos procedimentos. 19 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Importante! O INPS dava prioridade a contratação de serviços de terceiros, em detrimento dos serviços próprios, privilegiando a compra de serviços de grandes corporações médicas privadas, notadamente hospitais e multinacionais fabricantes de medicamentos. Em 1975 o INPS enfrentou grave crise financeira, resultado de: Aumento de gastos Maneira como se dava o contrato com a rede médica privada, possibilitando fraudes Falta de fiscalização dos serviços de terceiros (privados). A persistência da crise promoveu um movimentoque tentou reordenar o sistema, dividindo as atribuições da Previdência em órgãos especializados. Assim, criou-se em 1977, o Sistema Nacional de Previdência Social (SINPAS), composto pelos seguintes órgãos: INPS Responsável pelos benefícios aos trabalhadores segurados. Responsável pela administração financeira da previdência Responsável pela Assistência médica IAPAS INAMPS SINPAS Aumento da demanda Sistema Nacional de Previdência Social Autoritarismo (1964 – 1985) 20 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com 1977: Criação do INAMPS Em 1977, a partir do desmembramento do INPS, surgiu o Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS) O INAMPS prestava assistência médica previdenciária restritamente aos trabalhadores que exerciam atividade remunerada e aos seus dependentes, assim como o INPS, sendo a atenção à saúde centrada na doença e em procedimentos. xResponsável pela assistência médica e previdência social dos trabalhadores formais INPS 1966 – 1977 (Autoritarismo) Qual a diferença do INPS para o INAMPS? • Desdobramento do INPS • Responsável apenas pela assistência médica dos trabalhadores formais INAMPS 1977 – 1993 (Autoritarismo – Nova República) A partir da criação do INAMPS, o INPS continuou a existir (até 1990), no entanto, a partir de 1977 o INPS já não era mais responsável pela assistência médica, como anteriormente. Sua responsabilidade passou a ser apenas a previdência social 1970: Reforma Sanitária O movimento pela Reforma Sanitária surgiu da indignação de setores da sociedade sobre o dramático quadro do setor de saúde. O movimento atingiu sua maturidade a partir do fim da década de 1970, e mantém-se mobilizado até o presente. Ele é formado por técnicos e intelectuais, partidos políticos e diferentes correntes. Um dos seus marcos foi a realização da 8º Conferência Nacional de Saúde, que será vista adiante. Autoritarismo (1964 – 1985) 21 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com 1978: Conferência de Alma-Ata A realização da Conferência de Alma-Ata, em 1978, ampliou mundialmente o debate sobre os modelos de atenção à saúde, discutindo a importância da Atenção Primária à Saúde, o que repercutiu também no Brasil. 1981: Instituição do Plano CONASP O Conselho Consultivo de Administração da Saúde Previdenciária (CONASP), foi criado para fiscalizar rigorosamente a prestação de conta dos prestadores de serviços privados, ligado ao INAMPS, com objetivo de conter fraudes. O plano se dividia em 3 grandes grupos de programas, um deles eram as Ações Integradas de Saúde (AIS) Consistiram em uma estratégia de reorientação da política de saúde que priorizava o setor público por meio da descentralização das ações e serviços de saúde para os estados e municípios: postos e centros de saúde passaram a oferecer assistência médica além dos programas de saúde pública Ações Integradas de Saúde O CONASP, deveria operar como organizador e racionalizador da assistência médica e procurou instituir medidas moralizadoras na área da saúde 1983: Implementação das AIS A Ações Integradas de Saúde foram uma das primeiras experiências com um sistema de saúde mais integrado e articulado, que revelou ser a estratégia mais importante para a universalização do direito à saúde, antes do SUS. Autoritarismo (1964 – 1985) 22 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Nova República (1985 – 1988) Foi um período com diversas modificações na saúde pública do Brasil. Esse período antecedeu a criação do SUS e da Constituição Federal Um marco histórico foi a realização da 8º Conferência Nacional de Saúde. Pela primeira vez na história do Brasil, essa Conferência permitiu a participação da sociedade civil no processo de construção de um novo ideário para a saúde. Foi norteada pelo princípio da "Saúde como direito de todos e dever do Estado". Suas principais deliberações foram a base para a instituição do SUS na Constituição Federal de 1988. Nela foram tratados 3 temas principais: a saúde como direito, a reformulação do sistema nacional de saúde e o financiamento setorial. (1986) 8º Conferência Nacional de Saúde As Conferências Nacionais de Saúde (CNS) representam um importante momento de avaliação da situação da saúde no país e de formulação de diretrizes para as políticas públicas no setor. A 8º conferência foi considerada um marco histórico pelo seu caráter democrático, pois, até então, não havia participação da sociedade. 1987: Criação do Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS) Em 1987, enquanto se aprofundavam as discussões sobre o financiamento e a operacionalização do Sistema Único de Saúde (SUS), o Governo cria o Sistema Único Descentralizado de Saúde (SUDS), que tinha como princípios a universalização, a equidade, a descentralização, a regionalização, a hierarquização e a participação da comunidade. O SUDS apresentou um avanço na gestão do Estado sobre um Sistema de Saúde nacional, principalmente ao descentralizar as ações para o âmbito dos estados e municípios. 23 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com 1988: Institucionalização do SUS Em 1988, a Constituição Federal define a saúde como um direito de todos os cidadãos e dever do Estado, criando o Sistema Único de Saúde (SUS) através dos artigos 194 a 200. O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo, abrangendo desde o simples atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio da Atenção Primária, até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país. Com a sua criação, o SUS proporcionou o acesso universal ao sistema público de saúde, sem discriminação. A atenção integral à saúde, e não somente aos cuidados assistenciais, passou a ser um direito de todos os brasileiros, desde a gestação e por toda a vida, com foco na saúde com qualidade de vida, visando a prevenção e a promoção da saúde. Mas afinal, o que é o SUS? A partir do SUS a saúde passou a ser um direito de todos, e não apenas dos trabalhadores contribuintes com a previdência, como ocorreu nos outros sistemas (CAPs, IAPs, INPS e INAMPS). Nova República (1985 – 1988) 1990: Regulamentação do SUS O SUS foi regulamentado pelas Leis Orgânicas da Saúde: Lei nº 8.080/1990, que dispões sobre as condições para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências; e a Lei nº 8.142/1990, que dispões sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. 24 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Evolução da Medicina Previdenciária no Brasil CAP (1923 – 1933) Caixa de Aposentadoria e Pensão • Cada empresa tinha seu próprio sistema de previdência social e assistência médica. • Quem contribuía: empregados e patrões (bipartite). IAP (1933 – 1966) Instituto de Aposentadoria e Pensão • Cada categoria profissional tinha seu próprio sistema de previdência social e assistência médica. • Quem contribuía: empregados e patrões e o governo (tripartite). INPS (1966 – 1977) • Fusão das IAPs • Todas as categorias profissionais passaram a ter apenas um sistema previdenciário e de assistência médica INAMPS (1977 – 1993) • Desdobramento do INPS • Responsável apenas pela assistência médica dos trabalhadores Instituto Nacional de Previdência Social Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social SUS (1988 – Atualidade) Saúde como direito de todos e dever do Estado, e não apenas dos trabalhadores que contribuíamcom a previdência Sistema Único de Saúde Em resumo 25 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Principais Características de Cada Período Brasil Colônia (1500 – 1822) • Colonização trouxe diversas doenças para os indígenas • Não havia infraestrutura para saúde • Doenças entendidas como castigo divino ou provação • Pajés, cirurgiões barbeiros e padres jesuítas eram os responsáveis pelo atendimento aos doentes • Santas Casas da Misericórdia surgiram para oferecer atendimento médico • Chegada da família real no ano de 1808: Brasil começou a desenvolver seu comercio através da exportação de produtos. • Teoria miasmática: "ar contaminado" causava doenças Brasil Império (1822 – 1889) • Superação da Teoria Miasmática • Era bacteriológica: descoberta dos agentes etiológico das doenças • Teoria da Unicausalidade: apenas um agente era o responsável pela doença República Velha (1889 – 1930) • A assistência à saúde pública e privada era de baixa qualidade e resolutividade • Ênfase em campanhas de prevenção de combate a algumas doenças transmissíveis • Criação das Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), em 1923, que deram início à assistência médica previdenciária, restrita a trabalhadores de determinadas empresas Em resumo 26 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Era Vargas (1930 – 1964) • Saúde pública a cargo do Ministério da Saúde e Educação Pública (MESP), e, posteriormente, do Ministério da Saúde (MS), de baixa qualidade e limitada • Assistência médica prestada por meio dos IAPs somente aos trabalhadores de determinadas categorias profissionais que exerciam atividade remunerada • Os IAPs substituíram as CAPs a partir de 1933 Autoritarismo (1964 – 1985) • Saúde pública a cargo do Ministério da Saúde, de baixa qualidade e limitada; • Unificação dos IAPs, que originou o INPS em 1966; • Criação do INAMPS, em 1977, que desmembrou as ações de assistência médica do INPS; • As políticas de saúde privilegiavam o setor privado; • Assistência médica previdenciária (INPS e INAMPS) restrita aos trabalhadores que exerciam atividade remunerada e respectivos dependentes; • Assistência médica previdenciária centrada na doença e nos procedimentos, de baixa qualidade e alto custo. • Início do movimento da Reforma Sanitária na década de 1970; • Criação do plano CONASP, em 1981, e implantação das Ações Integradas de Saúde (AIS), em 1983 Principais Características de Cada Período Em resumo 27 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Nova República (1985 – 1988) • Fortalecimento do Movimento da Reforma Sanitária; • 8º Conferência Nacional de Saúde, em 1986; • Início do processo de descentralização das ações de saúde para estados e municípios; • Criação do Sistema Único Descentralizado de Saúde (SUDS), em 1987, e do SUS em 1988 Pós Constituinte • Adoção dos princípios e das diretrizes do SUS; • Universalização da Saúde: "Saúde, direito de todos e dever do Estado"; • Enfrentamento de muitos problemas para a implantação do SUS; • Extinção do INAMPS por meio da Lei nº 8.689/1993; • Enfrentamento de grupos corporativistas e empresariais que são contrários ao SUS, por questões econômicas e financeiras; • Entraves na consolidação do SUS, em decorrência da gestão ineficaz e fragmentada, da corrupção, do subfinanciamento e da hegemonia do modelo centrado na doença e no hospital (biomédico) Os principais marcos da saúde, a partir de 1990, serão aprofundados nos próximos capítulos Principais Características de Cada Período Em resumo 28 História da Saúde Pública no Brasil Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com CAPÍTULO II SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com SUS na Constituição de 1988 No contexto brasileiro, o direito à saúde foi uma conquista do movimento da Reforma Sanitária, refletindo na criação do Sistema Único de Saúde (SUS) pela Constituição Federal de 1988, cujo artigo 196 dispõe que “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação”. No entanto, direito à saúde não se restringe apenas a poder ser atendido no hospital ou em unidades básicas. Embora o acesso a serviços tenha relevância, como direito fundamental, o direito à saúde implica também na garantia ampla de qualidade de vida, em associação a outros direitos básicos, como educação, saneamento básico, atividades culturais e segurança. Nesse capítulo serão abordados os artigos 194 e 195 da Constituição Federal, que discorre sobre os aspectos gerais da Seguridade Social, e os artigos 196 ao 200, que estão relacionados a saúde na Constituição. Arts. 194 e 195 Art. 196 Art. 197 Art. 198 Art. 199 Art. 200 Seguridade Social Saúde pelo Estado e pela iniciativa privada; regulamentação, fiscalização e controle de saúde Universalidade, conceito ampliado de saúde Diretrizes do SUS; aplicação mínima de recursos; ACS/ACE Participação da iniciativa privada Competências do SUS 30 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com BASE Primado do trabalho A Ordem Social está presente na Constituição Federal de 1988 (CF/88) e é formada por diversas áreas, dentre elas, destaca-se a Seguridade Social, que é composta por um conjunto de ações integradas de saúde, de assistência e de previdência social. Art. 193. A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça social. O primado do trabalho significa que a ordem social, econômica e financeira do país dependem da valorização do trabalho humano. OBJETIVO Promover o bem estar e a justiça social O bem estar e a justiça social dependem de um sistema que assegure a todos a existência digna e cobertura de riscos sociais, tratamento de saúde universal e assistência aos pobres necessitados. ORDEM SOCIAL CF/88, art. 193 Seguridade Social A seguridade social compreende um conjunto integrado e ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. É um conceito estruturante das políticas sociais, cuja principal característica é prezar pela garantia universal da prestação de benefícios e serviços de proteção social pelo Estado. Mas por que esse sistema surgiu? Bom, basicamente ele surgiu da necessidade de estabelecer proteção contra os variados riscos ao ser humano. Arts. 194 e 195 (Seguridade Social) 31 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Seguridade Social As ações de saúde, de assistência e de previdência social devem ser promovidas de forma integrada, sem relação de subordinação. Ou seja, elas atuam em conjunto e todas tem o mesmo nível de importância, cada uma faz o seu papel de proteção da sociedade. Saúde • Direito de todos e dever do Estado. • Independe de contribuição, ou seja, todos tem direito à saúde, até mesmo os que não contribuem com a previdência. Previdência Social • Direito do trabalhador e de seus dependentes. • Caráter contribuitivo e compulsório, ou seja, apenas os que trabalham e contribuem tem esse benefício, além disso, todos os trabalhadores são obrigados a contribuir com a previdência. Assistência Social • Direito de todos os que necessitarem, ex. de programas: bolsa família, bolsa verde, auxílio emergencial, entre outros. • Independe de contribuição Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integradode ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Artigo 194 32 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Pelo poder público Por um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade FORMADA ORGANIZADA SEGURIDADE SOCIAL CF/88, art. 194 Objetivos da Seguridade Social Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos: I - Universalidade da cobertura e do atendimento Trata-se da proteção do maior número de problemas sociais (universalidade de cobertura) e que todas as pessoas que necessitarem são “aceitas” na seguridade social (universalidade de atendimento). Não confunda! Previdência social: direito apenas dos que contribuírem; Assistência social: direito de todos que necessitarem, independentemente de contribuição. Saúde: direito de todos; Para facilitar o entendimento acerca da Seguridade Social, memorize o mnemônico a seguir: Seguridade Social = PAS (Previdência; Assistência social e Saúde) Seguridade Social 33 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com II - Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; A uniformidade significa que o plano de proteção social será o mesmo para trabalhadores urbanos e rurais. Pela equivalência, o valor das prestações pagas a urbanos e rurais dever ser proporcionalmente igual. Os benefícios devem ser os mesmos (uniformidade), mas o valor da renda mensal é equivalente, não igual. III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; Deve-se selecionar os benefícios e serviços de maior prioridade (seletividade) para os que mais precisam (distributividade), afinal os recursos são limitados. IV - irredutibilidade do valor dos benefícios; A proposta do Principio da irredutibilidade do valor dos benefícios é de que o beneficio não seja alterado no decorrer do tempo em seu valor real, ou seja, é a garantia de que o beneficio não será reduzido pela inflação, mantendo-se assim inalterado, conservando o poder aquisitivo inicial. V - equidade na forma de participação no custeio; Este princípio estipula que, a participação no custeio será de acordo com os rendimentos do cidadão brasileiro, assim, por exemplo, a contribuição dos trabalhadores recai sobre a folha de pagamento, ou seja quem ganha mais contribui mais. 34 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, previdência e assistência social, preservado o caráter contributivo da previdência social Deve-se buscar o maior número de fontes de financiamento para a seguridade social, afinal a seguridade social será financiada por toda a sociedade VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. Esse princípio garante a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos que administram a seguridade social, pois o objeto desse sistema é de grande interesse para eles, e não apenas ao poder público, por isso a Constituição Federal permite suas participações em deliberações e discussões atinentes ao sistema, tanto nas áreas da saúde, assistência social e previdência social. O artigo 195 da CF/1988 prevê que a seguridade seja financiada por toda sociedade. O custeio é feito por meio de recursos orçamentários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, além, das contribuições pagas pelo empregador, pela empresa ou entidade a ela equiparada. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [páginas seguintes] Artigo 195 35 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Financiamento da Seguridade Social Do orçamento da União Por toda a sociedade, mediante recursos provenientes: FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL CF/88, art. 195 Do orçamento dos estados Do orçamento dos municípios Do orçamento do DF Das contribuições sociais Das contribuições sociais As contribuições sociais, que fazem parte do financiamento da Seguridade Social, estão sintetizadas nos quadros abaixo: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; De forma resumida, as empresas devem contribuir com a Seguridade Social pagando uma porcentagem do salário de funcionários, dos prestadores de serviços para aquela empresa (mesmo que não seja um empregado), ou de qualquer receita gerada por ela (por meio da prestação de serviços ou venda de produtos). Cabe às empresas efetuar a retenção e o recolhimento dessas contribuições previdenciárias. 36 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Das contribuições sociais II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de contribuição, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social; Todos os trabalhadores devem contribuir com a Seguridade Social. De forma objetiva, o imposto arrecadado é de acordo com o salário daquele trabalhador. Ou seja, quanto mais aquele empregado ganha, mais ele paga de imposto. Além disso, os aposentados e os pensionistas da Previdência Social não precisam contribuir III - sobre a receita de concursos de prognósticos. Concursos de prognósticos são jogos autorizados pelo Poder Púbico, como por exemplo: apostas, loterias, sorteios, entre outros. Uma parte dos recursos arrecadados devem ir para a Seguridade Social IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. Uma parte da receita advinda de importação deve ir para a Seguridade Social De forma resumida: o Poder Público arrecada dinheiro para financiar a Seguridade Social de diversas fontes, as principais são: empresas, trabalhadores, jogos autorizados e importação. Financiamento da Seguridade Social 37 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com O artigo 196 afirma que o direito à saúde deve ser viabilizado por políticas que garantam “acesso universal e igualitário”, mais “promoção e proteção”, ao lado da “recuperação” da saúde. Nessa construção, em especial no que diz respeito aos termos “promoção e proteção”, está embutido o conceito ampliado de saúde, formulado em 1986, na 8ª Conferência Nacional de Saúde, e que entende a saúde como algo mais amplo do que a ausência de doença. O conceito relaciona-se ao que chamamos de determinantes sociais da saúde, e inclui a garantia de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade e acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde, apontando para o caráter multidimensional da saúde. Art. 196. Asaúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. A saúde é um direito de todos e dever do Estado CF/88, art. 196 Garantido mediante políticas sociais e econômicos Objetiva o acesso universal e igualitário as ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação Visa reduzir o risco de doenças e outros agravos Art. 196 (Universalidade) 38 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com O artigo 197 afirma que as ações e serviços de saúde (sejam eles públicos ou privados) são de relevância pública. Ou seja, o Poder Público deve regulamentar, fiscalizar e controlar todas as ações, tanto de iniciativa pública como privada. Além disso, a regulamentação, fiscalização e controle das ações e serviços de saúde podem ser feitos diretamente pelo Estado, ou através de terceiros (iniciativa privada, pessoa jurídica ou física). Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. Ações e serviços de saúde CF/88, art. 197 São de relevância pública Devem ser executados: Cabe ao Poder Público dispor sobre sua regulamentação, fiscalização e controle • Pelo Estado (diretamente ou através de terceiros) • Por pessoa física ou jurídica de direito privado Para facilitar o entendimento acerca do dever do Poder Público sobre as ações e serviços de saúde, memorize o mnemônico a seguir: Cabe ao Poder público REFICO (Regulamentação; Fiscalização; Controle) Art. 197 (Saúde pelo Estado e pela iniciativa privada) 39 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com A Constituição Federal de 1988, em seu Art. 198, estabelece como diretrizes do Sistema Único de Saúde a descentralização, o atendimento integral (integralidade) e a participação da comunidade. As diretrizes do SUS são, o conjunto de recomendações técnicas e organizacionais voltadas para problemas específicos, funcionam como orientadores da configuração geral do sistema em todo o território nacional. As diretrizes, apesar de parecerem uma coisa técnica demais, acabam tendo bastante influência no modo como os sistemas municipais de saúde são organizados, até mesmo porque, de uma maneira geral, elas são acompanhadas de recursos financeiros para a sua execução. Mas afinal, o que são diretrizes? Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo; II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III - participação da comunidade. Os serviços devem ser organizados em níveis crescentes de complexidade (primário, secundário, terciário). Isso significa que o paciente deve entrar no sistema por meio da atenção primária, e, se houver necessidade, o paciente deve ser encaminhado a um centro de maior complexidade. Hierarquização Objetiva garantir o direito à saúde da população, reduzindo as desigualdades sociais e territoriais por meio da identificação e reconhecimento das regiões de saúde. Distribuindo as ações e serviços de saúde através das regiões e organizando-os de modo eficiente. Regionalização Art. 198 (Diretrizes do SUS; aplicação mínima de recursos; ACS/ACE) 40 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; Com direção única em cada esfera de governo; Diretrizes do SUS CF/88, art. 198 Descentralização Participação da comunidade Atendimento integral Conselhos e conferências Descentralizar é redistribuir poder e responsabilidade entre os três níveis de governo (federal, estadual e municipal). Objetivando uma prestação de serviços com mais eficiência e qualidade. A partir do conceito do comando único, cada esfera de governo é autônoma e soberana em suas decisões e atividades, respeitando os princípios gerais e a participação da sociedade Descentralização A integralidade enquanto princípio do Sistema Único de Saúde busca garantir ao indivíduo uma assistência à saúde que transcenda a prática curativa, contemplando o indivíduo em todos os níveis de atenção e considerando o sujeito inserido em um contexto social, familiar e cultural. Atendimento integral (Integralidade) A sociedade deve participar no dia-a-dia do sistema. Para isto, devem ser criados os Conselhos e as Conferências de Saúde, que visam formular estratégias, controlar e avaliar a execução da política de saúde. Participação da comunidade Para facilitar o entendimento, memorize o mnemônico a seguir: DIP (Descentralização; Integralidade; Participação da comunidade) Art. 198 (Diretrizes do SUS; aplicação mínima de recursos; ACS/ACE) 41 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com § 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais calculados sobre: I - no caso da União, a receita corrente líquida do respectivo exercício financeiro, não podendo ser inferior a 15% (quinze por cento); II - no caso dos Estados e do Distrito Federal, doze por cento do produto da arrecadação dos impostos... III - no caso dos Municípios e do Distrito Federal, quinze por cento do produto da arrecadação dos impostos... De forma resumida: após o pagamento das dívidas da União, Estados e Municípios, uma parte do lucro arrecadado deve ir para a saúde. Não pode ser inferior a 15% do lucro Recursos mínimos para a saúde CF/88, art. 198 União 12% da receita de sua competência Estados Municípios 12% e 15% das receitas dos estados e municípios, respectivamente Distrito Federal 15% da receita de sua competência § 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias por meio de processo seletivo público, de acordo com a natureza e complexidade de suas atribuições e requisitos específicos para sua atuação. De forma resumida: os agentes comunitários de saúde (ACS) e os agentes de combate às endemias (ACE) só podem ser contratados através de processo seletivo, não existe concurso público para essas profissões. Art. 198 (Diretrizes do SUS; aplicação mínima de recursos; ACS/ACE) 42 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com § 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico, o piso salarial profissional nacional, as diretrizes para os Planos de Carreira e a regulamentação das atividades de agente comunitário de saúde e agente de combate às endemias, competindo à União, nos termos da lei, prestar assistência financeira complementar aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, para o cumprimento do referido piso salarial. De forma resumida: caso o salário do ACS ou do ACE seja menor do que o piso salarial previsto, a União deve complementar o valor, para que seja pago de forma integral. § 9º O vencimento dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias não será inferior a 2 (dois) salários mínimos, repassados pelaUnião aos Municípios, aos Estados e ao Distrito Federal. • Agente Comunitário de Saúde: exerce atividades de prevenção de doenças e promoção da saúde, mediante ações domiciliares ou comunitárias, desenvolvidas em conformidade com as diretrizes do SUS. Ex.: realização de visitas domiciliares periódicas para monitoramento de situações de risco à família. • Agente de Combate às Endemias: exerce atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e promoção da saúde, desenvolvidas em conformidade com as diretrizes do SUS. Mas afinal, o que fazem os ACS e ACE? Os ACS e ACE deverão receber salário superior a 2 (dois) salários mínimos. § 10. Os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias terão também, em razão dos riscos inerentes às funções desempenhadas, aposentadoria especial e, somado aos seus vencimentos, adicional de insalubridade. Art. 198 (Diretrizes do SUS; aplicação mínima de recursos; ACS/ACE) 43 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com O artigo 199 da Constituição Federal aborda a possibilidade de participação da iniciativa privada na assistência à saúde. Dessa forma, o cidadão que necessita de atendimento especializado terá seu tratamento custeado pelo SUS, mesmo sendo atendido em um hospital ou clínica particular. Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. § 1º As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. Quando há participação da iniciativa privada (empresas e hospitais particulares) no SUS, a sua participação será de forma complementar, ou seja, como uma parte integrante do SUS. Além disso, a iniciativa privada deve seguir as mesmas normas e diretrizes do SUS para que consiga atuar na saúde pública. Com preferência para: Participação da iniciativa privada CF/88, art. 199 Complementar Entidades filantrópicas Entidades sem fins lucrativos O SUS sofre principalmente pela falta de recursos para atendimento à população. Isso provoca a falta de medicamentos e estruturas adequadas. Na ponta, sofrem os pacientes mais carentes. Nesse sentido, a participação do setor privado no SUS por meio de parceria, com a destinação de recursos às empresas, para que prestem atendimento como credenciadas, é uma alternativa para melhoria da saúde pública no Brasil. A importância da parceria público-privada Art. 199 (Participação da iniciativa privada) 44 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com § 2º É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins lucrativos. Por exemplo: se um hospital privado precisa de uma reforma ou de recursos para comprar equipamentos, o SUS não pode contribuir auxiliando essa instituição, mesmo que ela faça parte da rede complementar de iniciativa privada do SUS. § 3º É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei. Isso significa que a assistência à saúde no Brasil, deve ser prestada apenas pelo poder público, por empresas e capitais brasileiros. Porém, poderá haver algumas exceções determinadas por lei. § 4º A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização. De forma resumida, é proibido a comercialização de qualquer parte humana, onde a lei regulamentará todas as condições de transplantes, pesquisa e tratamento Atenção Vale ressaltar que a Lei 8.080 (que será vista em capítulos adiante) foi alterada em 2015, permitindo a participação direta ou indireta de capital estrangeiro em algumas situações (artigo 23 da Lei 8.080). Fique atento(a) na hora de responder questões de prova, verifique se o enunciado da questão se refere a Constituição Federal ou a Lei 8.0.80 Art. 199 (Participação da iniciativa privada) 45 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Essa primeira competência é de responsabilidade da vigilância sanitária (órgão do SUS). Sua competência é de controlar e fiscalizar qualquer produto ou procedimento de interesse para a saúde. Além disso, devem seguir as normas da vigilância sanitária, que abrange todas as etapas e processos, desde a produção até o consumo. O artigo 200 trata das competências e atribuições do Sistema Único de Saúde Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos; Além da vigilância sanitária, o SUS tem a competência de realizar vigilância epidemiológica que fornece orientação técnica para os profissionais de saúde, e têm a responsabilidade de decidir sobre a execução de ações de controle de doenças e agravos. Além disso, a saúde do trabalhador, que tem como objetivo avaliar o impacto das medidas adotadas para a eliminação, atenuação e controle dos fatores determinantes e agravos à saúde II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador; Ou seja, o SUS deve organizar a composição e distribuição da força de trabalho, formação, qualificação profissional, organização do trabalho, regulação do exercício profissional, relações de trabalho, além da tradicional administração de pessoal. III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde; Art. 200 (Competências do SUS) 46 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Os riscos à saúde pública estão ligados a alguns fatores possíveis e indesejáveis de ocorrerem em áreas urbanas e rurais, os quais podem ser minimizados ou eliminados com o uso apropriado de serviços de saneamento. O SUS participa das ações de saneamento e formulação de políticas, pois, a questão ambiental está inserida no contexto de saúde. IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico; De forma simplificada, o SUS deve investir em pesquisa na área da saúde, pois entende-se a sua importância para a evolução do saúde como um todo. V - incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação; Essa também é um competência da vigilância sanitária para promover as boas práticas na produção e manipulação de alimentos, possibilitando assim, minimizar ou eliminar os potenciais riscos a saúde da população. VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano; Esses produtos tem alto potencial para prejuízo da população, e essa também é uma competência da vigilância sanitária, que deve participar e fiscalizar desde a produção até a utilização dessas substâncias e produtos. VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; Uma vez entendido que o ambiente está inserido no contexto de saúde, o SUS deve colaborar com a sua proteção. VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. Art. 200 (Competências do SUS) 47 SUS na Constituição de 1988 SUS na Constituição Federal de 1988 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com CAPÍTULO III Lei 8.080de 19 de Setembro de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com 49 Essa lei regulamenta toda e qualquer atividade de saúde no Brasil e não apenas as promovidas pelo poder público, mas também as da iniciativa privada. A Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, também conhecida como Lei Orgânica da Saúde, que define as diretrizes para organização e funcionamento do Sistema de Saúde brasileiro. Trata-se do eixo principal de compreensão da política de saúde no Brasil. Para efeito de provas de concursos não há outro documento sobre o qual se pergunte mais. Trata-se de um texto de lei bastante denso e extenso, e não poderia ser diferente, uma vez que esta lei é a coluna vertebral de toda a legislação do SUS. A Lei 8.080/1990 dispõe sobre as condições para: a promoção a recuperação da saúde a proteção a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências Art. 1º Esta lei regula, em todo o território nacional, as ações e serviços de saúde, executados isolada ou conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, por pessoas naturais ou jurídicas de direito Público ou privado. A saúde é um direito de todos e dever do Estado, como já citado anteriormente no capítulo da Constituição Federal, em seu artigo 196 Art. 2º A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício. Lei 8.080 Disposições Gerais do SUS – Arts. 1º ao 4º Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com § 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. § 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas, da família, das empresas e da sociedade. Saúde Direito fundamental Estado Seu dever não exclui • Das pessoas • Da família • Das empresas • Da sociedade Art. 3º Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. Os determinantes sociais da saúde estão relacionados às condições em que uma pessoa vive e trabalha. Também podem ser considerados os fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e fatores de risco à população, tais como moradia, alimentação, escolaridade, renda e emprego. Lei 8.080 Disposições Gerais do SUS – Arts. 1º ao 4º • Garantir a saúde • Formulação e execução de políticas econômicas e sociais • Acesso universal e igualitário às ações e aos serviços • Promoção, proteção e recuperação 50 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Determinantes e condicionantes de saúde Alimentação Meio ambiente Educação Moradia Trabalho Renda Transporte Na lista de leis que alteraram o texto original, consta o acréscimo neste artigo, que inclui a atividade física como um determinante de saúde. (Lei nº 12.864, de 24 de setembro de 2013) Atividade Física Art. 4º O conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público, constitui o Sistema Único de Saúde (SUS). § 1º Estão incluídas no disposto neste artigo as instituições públicas federais, estaduais e municipais de controle de qualidade, pesquisa e produção de insumos, medicamentos, inclusive de sangue e hemoderivados, e de equipamentos para saúde. § 2º A iniciativa privada poderá participar do Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter complementar. Saneamento básico Lazer Acesso aos bens e serviços essenciais Nesse artigo procura-se esclarecer quais instituições e órgãos fazem parte do SUS. O primeiro grupo é das instituições públicas, mais fácil de se distinguir, pois são aquelas geridas diretamente pelos órgãos competentes da saúde (secretarias de saúde e Ministério da Saúde). Já o segundo grupo, da administração indireta, está dividido em diferentes modalidades como como autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista. Há também a possibilidade de atuação de empresas privadas que podem vender serviços ao SUS. Lei 8.080 Disposições Gerais do SUS – Arts. 1º ao 4º 51 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com Este artigo resume as missões designadas ao SUS (e que de certa forma justificam a necessidade de sua existência). I - identificar as necessidades de saúde de sua população, considerando as condições em que as pessoas nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem; II - formular políticas que sejam compatíveis ao atendimento das Necessidades da população; III - executar ações para evitar e tratar doenças, de forma integrada, ou seja, de forma articulada entre si, focada na prevenção e resolução do problema de saúde Saúde Conjunto de ações e serviços de saúde Federais Estaduais Municipais Participação da iniciativa privada Caráter complementar Objetivos e Atribuições – Arts .5º e 6º Art. 5º São objetivos do Sistema Único de Saúde SUS: I - a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde; II - a formulação de política de saúde destinada a promover, nos campos econômico e social, a observância do disposto no § 1º do art. 2º desta lei; III - a assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas. Não confunda: os objetivos são diferentes das diretrizes, e diferentes dos princípios do SUS (que serão vistas adiante) Lei 8.080 Disposições Gerais do SUS – Arts. 1º ao 4º 52 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com A vigilância sanitária busca intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde. A vigilância epidemiológica tem a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos. A saúde do trabalhador visa à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores. Já a assistência terapêutica integral está relacionada à ideia de cuidado por meio da oferta de tratamentos aos doentes e fornecimento de medicamentos. Objetivos do SUS Identificar e divulgar os fatores condicionantes e determinantes de saúde Formular a política de saúde Promover a assistência às pessoas por meio da promoção, proteção e recuperação de saúde Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS): I - a execução de ações: De vigilância sanitária De vigilância epidemiológica De saúde do trabalhador De assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica; Lei 8.080 Objetivos e Atribuições – Arts .5º e 6º 53 Lei 8.080 de 1990 Licenciado para - Leandro S oares S ousa - 03119709239 - P rotegido por E duzz.com II – a participação na formulação da política e na execução de ações de saneamento básico; III - a ordenação da formação de recursos humanos na área de saúde; IV – a vigilância nutricional e a orientação alimentar; V - a colaboração na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho; VI - a formulação da política de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos e outros insumos de interesse para a saúde e a participação na sua produção; VII - o controle e a fiscalização de serviços, produtos e substâncias de interesse para a saúde; VIII - a