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INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR BLAURO CARDOSO DE MATTOS - FASERRA LAIONEL CORREA DA SILVA ARAÚJO AVALIAÇÃO E PERÍCIA E SUA IMPORTÂNCIA PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL MANAUS/AM 2023 LAIONEL CORREA DA SILVA ARAÚJO AVALIAÇÃO E PERÍCIA E SUA IMPORTÂNCIA PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL Artigo apresentado ao Curso de Auditória e Perícia do Instituto de Ensino Superior Blauro Cardoso Mattos – Faserra, como requisito para conclusão do curso. Orientador: Prof. Msc. Jardel Claudino Pereira Santos MANAUS/AM 2023 RESUMO A avaliação e perícia iniciou o processo no Brasil, dando origens a muitas outras, uma delas sendo a perícia técnica de engenharia civil. As perícias de engenharia civil têm ganhado destaques e campos de atuações enormes nos últimos tempos, visto que no mundo globalizado a multidisciplinaridade das questões que surgem abrange um especialista amplamente qualificado. A engenharia tem procurado agregar novas tecnologias, principalmente no campo da globalização, o que aumenta a competição. Além da necessidade de inovação, o engenheiro tem dificuldade em encontrar o ajuste certo para o projeto, custo, qualidade e prazo, e a meta de sucesso de gerenciamento. A constante modernização dos materiais utilizados na construção civil e o não acompanhamento da evolução das normas acabam por gerar condições de solicitações não resistidas pelos novos materiais, levando a geração de danos aos imóveis, possibilitando um dos campos de atuação do perito. Nesse sentido, este estudo teve por objetivo relatar sobre a importância do laudo pericial para a construção civil. Trata-se de uma pesquisa de revisão da literatura, de metodologia descritiva, e definições sobre perícias e laudos, assim como sobre o profissional perito e seus campos de atuação na engenharia civil, utilizando como base uma pesquisa exploratória de estudos anteriores. Palavras-chave: Perícias, Laudos, Engenharia, Construção. ABSTRACT The evaluation and expertise began the process in Brazil, giving rise to many others, one of them being the technical expertise of civil engineering. Civil engineering expertise has gained prominence and enormous fields of activity in recent times, given that in the globalized world the multidisciplinary nature of the issues that arise encompasses a widely qualified specialist. Engineering has sought to add new technologies, especially in the field of globalization, which increases competition. In addition to the need for innovation, the engineer has difficulty finding the right fit for the project, cost, quality and deadline, and the management success goal. The constant modernization of materials used in civil construction and the failure to monitor the evolution of standards end up generating conditions of requests that cannot be resisted by new materials, leading to damage to properties, making one of the expert's fields of activity possible. In this sense, this study aimed to report on the importance of the expert report for civil construction. This is a literature review research, descriptive methodology, and definitions about expertise and reports, as well as about the expert professional and their fields of activity in civil engineering, using as a basis exploratory research of previous studies. Keywords: Expertise, Reports, Engineering, Construction. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 5 2 REFERENCIAL TEÓRICO ......................................................................... 6 2.1 DEFINIÇÕES DE PERÍCIA ......................................................................... 6 2.2 PRINCIPAIS NOMENCLATURA APLICADAS A PERÍCIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL ................................................................................ 7 2.2.1 Ação Judicial ............................................................................................. 7 2.2.2 Anormalidade ............................................................................................ 7 2.2.3 Arbitramento ............................................................................................. 7 2.2.4 Defeitos ...................................................................................................... 7 2.2.5 Conservação ............................................................................................. 7 2.3 PROFISSIONAL TÉCNICO PERICIAL ...................................................... 8 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................ 9 3.1 CONSTRUÇÃO CIVIL ........................................................................................... 9 3.2 PERÍCIA .............................................................................................................. 11 3.3 LAUDO ................................................................................................................ 12 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................... 19 REFERÊNCIAS ........................................................................................ 20 5 1 INTRODUÇÃO A construção civil é um setor importante nas economias dos países em desenvolvimento, uma vez que suas atividades se relacionam de forma direta com a economia, devido à sua grande capacidade em gerar emprego, tributos e renda. É por meio dessa indústria que toda a infraestrutura, como portos, ferrovias, rodovias, energia, estradas, hospitais, entre tantas outras, necessária para o desenvolvimento do Brasil e de seus sistemas, é feita. Por- tanto, o avanço e desenvolvimento desse setor está diretamente ligado ao crescimento de outras atividades (Alves, 2012). A perícia na engenharia civil busca comprovar se as normas de segurança foram devidamente aplicadas no processo de construção, assim como evidenciar os processos que precisam ser alinhados para que os empreendimentos construídos alcancem o sucesso esperado e promovam a segurança dos usuários. Os profissionais peritos devem ser encaminhados ao ambiente construído a fim de avaliar os pontos que ainda apresentam necessidade de serem ajustados para atender todos os requisitos da legislação de construção. Ressaltando por meio de relatório o prazo para que os profissionais realizem os ajustes precisos e em observação as normas de segurança. Diante das informações apresentadas optou-se pelo tema para de- mostrar a importância da presença do engenheiro como perito. Relatando de forma sucinta o porquê o perito é solicitado pelo juiz e como ele age desde a construção do caso até o laudo final Este projeto exibe princípios para a elaboração de um artigo científico tendo como fundamentos as referências bibliográficas, normas, artigos científicos, sites especializados. O objetivo deste estudo é esclarecer o processo da perícia na construção, considerando seus aspectos técnicos e legais. 6 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 DEFINIÇÕES DE PERÍCIA Segundo a norma ABNT NBR 13.752 (1996), artigo 3°, item 3.41 temos a definição de Engenharia Legal: Ramo de especialização da engenharia dos profissionais registrados nos CREA's que atuam na interface direto-engenharia, colaborando com juízes, advogados e as partes, para esclarecer aspectos técnico-legais envolvidos nas demandas. Perícia é a atividade que envolve o levantamento de informações de determinado evento, é a exposição escrita dos fatos observados mediante pesquisas ou experiências quanto à questão visada, com explicações detalhadas que comprovam aquilo que é exposto. (ABNT NBR 13752, 1996). Ela é classificada em cinco espécies (ABNT NBR 13752, 1996): • Arbitramento:Uma obra com vários engenheiros e para resolver um problema, sendo cada um deles propõem soluções diferentes e controversas, cabendo ao perito decidir, como por exemplo. • Avaliação: Quando deseja-se determinar tecnicamente o valor monetário e ou qualitativo de um direito de um bem ou empreendimento. • Exame: É a inspeção, feita pelo perito, sobre pessoa, coisas, móveis e semoventes para apuração de fatos ou circunstâncias que interessem à causa. • Vistoria: O perito faz uma análise para constatar os possíveis impactos que a obra causará na vizinhança, além de poder prevê situações que possam ocorrer por negligência, vício ou mau uso dos materiais, como a vistoria cautelar por exemplo (ABNT NBR 13752, 1996). 7 2.2 PRINCIPAIS NOMENCLATURA APLICADAS A PERÍCIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL 2.2.1 Ação Judicial Referência genérica a quaisquer procedimentos movidos na esfera judicial, por uma pessoa ou grupo de pessoas (físicas ou jurídicas), visando à proteção ou reparação de danos a elas causados pela ação ou omissão de outra pessoa ou grupo de pessoas. (OLIVEIRA, 2013). 2.2.2 Anormalidade Irregularidade, anormalidade, exceção à regra (ABNT, NBR 13752, 1996). Idem, pode ser endógena, oriunda da própria edificação; natural, de fenômenos da natureza; funcional, originária do uso; e exógena, fatores externos, provocados por terceiros. 2.2.3 Arbitramento Avaliação ou revisão de bens, efetuada por árbitro ou perito nomeado pelo juiz. Este tipo de atividade envolve uma decisão ou posicionamento entre alternativas tecnicamente questionáveis ou que advêm de aspectos intangíveis. (OLIVEIRA, 2013). 2.2.4 Defeitos A NBR 13752 define que os defeitos são Anomalias que podem causar danos efetivos ou representar ameaça potencial à saúde ou à segurança do usuário, decorrentes de falhas do projeto ou execução de um produto ou serviço, ou ainda, de informação incorreta ou inadequada de sua utilização ou manutenção (ABNT, 1996, p.3). 2.2.5 Conservação Segundo a NBR 13752 (ABNT, 1996, p.3), conservação é o “ato de manter o bem em estado de uso adequado à sua finalidade, que implica maiores despesas que as de uma simples manutenção. (ABNT NBR 13752, 1996). 8 2.3 PROFISSIONAL TÉCNICO PERICIAL Perito é o profissional legalmente habilitado pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), com atribuições para proceder a perícia (NBR 13752, 1996). De acordo com Feigelson (2016), " O profissional que atua na área de Engenharia Legal poderá exercer suas atividades como: perito judicial, assistente técnico; consultor extrajudicial. " Nesse sentido, Perícia é a atividade concernente a exame realizado por profissional/especialista, legalmente habilitado, destinada a verificar ou esclarecer determinado fato, apurar causas motivadoras do mesmo, ou estado, alegação de direitos ou a estimação da coisa que é objeto do litígio ou processo (Azeredo et al., 2019). Segundo Feigelson (2016): São obrigações do perito: analisar cuidadosamente todas as peças dos autos; realizar a vistoria, informando aos assistentes a data horário da mesma; recolher toda documentação que considerar necessária para elaboração do trabalho técnico; elaborar o laudo com vagar e cuidado; responder aos quesitos das partes; atender as partes, esclarecendo quando necessários pontos que ficaram obscuros no laudo. De acordo com Vitório (2003) os peritos judiciais: Nos processos judiciais, muitas vezes o juiz precisa analisar e emitir uma sentença sobre questão que envolve a necessidade de conhecimentos técnicos especializados que extrapolam a sua formação. Nesses casos ele se utiliza da assistência de profissionais qualificados e que estejam legalmente habilita- dos para transmitir-lhe as informações necessárias. Esses profissionais são denominados Peritos Judiciais. O perito técnico ajuda a dar celeridade ao processo e traz clareza para a resolução nos casos que resultarão em obrigação de fazer patologias das construções e nos que determinarão ações indenizatórias, as quais envolvem contratos e avaliações de imóveis. Alonso (2008) coloca que o perito deve ser um profissional muito bem- informado sobre o assunto a ser pautado, além de suficientemente inteligente para saber administrar as informações obtidas no decorrer de sua profissão. Deve o perito 9 ainda ter imaginação para criar em sua mente imagens que reflitam satisfatoriamente o problema, ter iniciativa para buscar dados concretos para elucidar a questão, insistindo sempre junto aos interessados no trabalho para o pronto fornecimento das informações requisitadas. Sua participação deve ser intensa, exigindo consequentemente investimentos de ordem física, moral, emocional e financeira. 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A revisão bibliográfica compreendeu a pesquisa e análise de estudos que tivessem como objeto, ou abordagem de alguma forma, os temas perícias, ética nas perícias e perícia judicial. A partir desta pesquisa foram selecionados os textos sintetizados a seguir. 3.1 CONSTRUÇÃO CIVIL Entende-se que as empresas de construção civil têm ganhado espaço no desenvolvimento brasileiro em comparação com décadas e períodos históricos anteriores, considerando o desenvolvimento econômico e social ao qual o Brasil está vivenciando. Com as melhorias realizadas para com as empresas do setor de construção civil, mudanças e modificações tanto no desenvolvimento de novos projetos como qualidade dos mesmos e nas condições de sustentabilidade que certamente vem preocupando e ganhando espaço nas referidas empresas (Dutra, 2013). Quando mencionamos o desenvolvimento da construção civil, também há de se considerar que algumas regiões brasileiras estão devidamente saturadas ao passo que outras regiões são totalmente carentes desse tipo de desenvolvimento. O que vem a facilitar as empresas de construção civil em regiões como o Centro-Oeste hoje, apesar dos programas de qualidade terem impulsionado o mercado a exigir um trabalhador com um novo perfil de treinamento e qualificação, as exigências para este novo perfil profissional ainda não regulam as ações de valorização dos recursos humanos de muitas empresas (DUTRA, 2013). As melhorias realizadas para com as empresas do setor de construção civil, mudanças e modificações tanto no desenvolvimento de novos projetos como qualidade dos mesmos e nas condições de sustentabilidade que certamente vem preocupando e ganhando espaço nas referidas empresas. Ao mesmo tempo em que 10 as empresas de construção civil ficam obrigadas a respeitar novos valores em seu desenvolvimento e aprimoramento das tecnologias em vigor, os profissionais que nelas trabalham também se encontram no momento de realizar novos treinamentos e desenvolver outras habilidades não exigidas até então (Santos, 2017). Com resultado das auditorias realizadas em obras, as empresas identificaram que os problemas mais frequentes estão basicamente relacionados a aumentos injustificados nos prazos de execução e nos orçamentos de trabalho, seja por mau planejamento durante a fase de estudo e preparação do arquivo técnico ou gerenciamento inadequado durante a fase de execução. Esses problemas definitivamente causam desequilíbrios que afetam a viabilidade dos investimentos, o que se traduz não apenas em desperdício e desperdício de recursos, causando maiores despesas e alocações de orçamento, aumentando significativamente o custo de execução (Gutheil, 2004). Entre os principais problemas constantemente identificados, podemos citar: • Ineficiências nos estudos de engenharia realizados na fase de projeto, devido a informações deficientes ou nulas relacionadas ao projeto, devido à não observância dos regulamentos e normas técnicas aplicáveis à natureza do projeto ou devido à ignorância das condições climáticas ou geomorfológicas da área onde o trabalhoé realizado; • Orçamento inadequado de obras que não permita conhecer em detalhes e precisão as quantidades e características dos insumos a serem utilizados, bem como seu preço de mercado, muitas vezes supervalorizando os custos das obras; • Modificações nos projetos de engenharia e nos orçamentos aprovados inicialmente, incorporando trabalhos adicionais quando o trabalho já estiver em andamento; • Seleção de construtoras que não possuem capacidade técnica ou suporte financeiro para cumprir as obrigações contratuais e a finalidade do contrato, devido a fatores inadequados de avaliação aplicados no processo de seleção; • Aumentos nos tempos de execução devido a atrasos injustificados da empresa contratada, sem que sejam aplicadas as penalidades por atraso na execução, nem as ações corretivas necessárias; 11 • Supervisão inadequada durante a execução da obra, seja pelo mau desempenho das funções dos profissionais designados para ela, seja pelo não cumprimento das consultorias contratadas para esse fim, que muitas vezes levam a deficiências de construção; • Procedimentos administrativos e legais relacionados a licenças, aprovações, limpeza de terras e autorizações perante outras entidades do Estado. Quando as obras são executadas diretamente pela gerencia de obras, ou seja, quando as empresas assumem diretamente o papel de construtor, os problemas detectados também são associados aos detalhados acima, elas não possuem capacidade administrativa suficiente para realizar a construção ou execução de uma obra, pois foram identificados um gerenciamento ineficiente dos insumos e recursos destinados a elas, organização e direção inadequadas, e, finalmente, processos de controle escassos ou quase nulos (Sousa., et al., 2017). No geral, a inspeção das obras executadas é um instrumento que visa garantir a qualidade, o conforto e a segurança dos usuários, a partir da apresentação de prognósticos e prescrições técnicas para que seja efetuada uma boa gestão de manutenção de edificações. As conclusões que são expostas em laudos periciais e de inspeção vão apontar as anomalias, falhas e patologias construtivas, assim como as intervenções de correções, que vem para minimizar os riscos envolvidos. 3.2 PERÍCIA Na engenharia existe um procedimento aplicado para conceder uma maior segurança aos proprietários do que foi construído consiste na perícia, meio que é verificado se as construções desenvolvidas estão obedecendo ou cumprindo todos os requisitos necessários para que o empreendimento possa ser utilizado. Em geral, são destacados profissionais com amplo conhecimento tanto técnico como prático, para observar e avaliar as condições apresentadas pelos pelas obras de engenharia realizadas. A perícia dentro do processo de engenharia consiste em identificar se existem condições de uso por parte do empreendimento realizado ou precisam ser promovidos ajustes para que sejam concedidas todas as medidas de segurança necessárias para os usuários. Na visão de Maia Neto (2016) os procedimentos periciais devem promover uma análise tanto técnica como prática dos empreendimentos realizados 12 por parte da engenharia, observando de forma minuciosa todas as instalações e componentes apresentados. Concedendo assim uma maior segurança aos usuários. A prova pericial é estabelecida por Kempner (2013) para os casos em que as confissões, as provas documentais ou outros elementos levados ao juiz por meios previstos em lei, não são suficientes para dar fundamentação ao julgamento, logo é a prova pericial que orienta a decisão judicial. Takahashi (2002) relata ao tratar de perícias entre técnicos e outros profissionais como sendo aproximar de obstáculos, dentre outros desafios, normalmente compreende a solução de um problema de excessiva gravidade, com urgência e sob grande pressão das partes envolvidas. A compreensão dos mecanismos da perícia descrito por Abel (2001) está profundamente ligada ao entendimento da forma de obtenção e utilização do conhecimento. O conhecimento é parte integrante da perícia, cujo domínio e habilidade de aplicação determina o desempenho superior de especialistas. O termo conhecimento definido empiricamente como “Os conhecimentos consistem essencialmente em informações tiradas do meio sob forma de cópias do real e de respostas figurativas ou motoras aos estímulos sensoriais, sem organização interna ou autônoma” (PIAGET, 1973). 3.3 LAUDO Entre as leis que regulamentam o uso de provas no Brasil, Kempner (2013) destaca o Código de Processo Civil que no art. 131 estabelece, “O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento”. Sendo Prova todo artifício destinado a convencer o juiz, suprindo de elementos para que o juiz desenvolva convencimento a respeito de fatos controvertidos relevantes para o processo. Segundo Deutsch (2011) os trabalhos realizados pelo profissional que atua na área de engenharia legal deverão ser emitidos num trabalho final, em que são expostos todos os pontos levantados, problemas detectados e descrições das questões existentes. O resultado deve ser apresentado por meio de um laudo técnico fundamentado e bem escrito. O Laudo é o resultado final das investigações e análises, 13 devendo ser objetivo e conclusivo, explicando os aspectos técnicos obscuros referentes às questões levantadas em cada caso. Para Nór Filho (2008), o laudo deve ser preparado de maneira clara, objetiva e concisa, tendo como finalidade o esclarecimento técnico das questões que levaram a realização da perícia. Deve apresentar o relato das diligências realizadas e descrever todos os elementos que fundamentaram à formulação das hipóteses e que auxiliaram as conclusões alcançadas. No caso de perícias judiciais, quando as respostas aos quesitos conduzirem a duas ou mais hipóteses, o perito deverá explicitá-las, com justificativas técnicas que permitam ao julgador decidir as questões de mérito. De acordo com a Norma Básica para Perícias de Engenharia do IBAPE/SP de 2015, os requisitos essenciais que, quando aplicados a trabalhos periciais através de metodologia adotada, deverão ser atendidas obrigatoriamente em todas as perícias: 1- Identificação do solicitante da perícia, podendo ser uma pessoa física ou jurídica, entidade, autoridade judiciária, sendo indicado o Tribunal e a vara, número dos autos e respectivo ano, ajudando assim em um arquivamento fácil para rápida procura, se necessário no futuro; 2- Identificação do objeto da perícia, a partir de comunicação com as partes requisitantes ou dos elementos de seu cadastro físico, da vistoria, do exame, da avaliação ou do arbitramento; 3- Data da perícia, junto com a perícia; 4- Data do laudo ou parecer técnico; 5- Identificação do objetivo da perícia, para estabelecer o grau de detalhamento das atividades a serem desenvolvidos, sendo obtido através do requerente da perícia; 6- Identificação do proprietário do bem, sendo em casos que é desconhecido o até mesmo ocorrer dúvidas, a mesma deverá ser devidamente ressaltada. 7- Levantamento e descrição concisa de todos os dados disponíveis qu permitir fazer um estudo e fundamentar a convicção e conclusão (dimensões áreas, utilidades, materiais construtivos, detalhamentos técnicos etc.) devendo constar no mínimo: a. Anamnese do caso, apresentada cronologicamente, identificando as datas de ocorrência dos eventos; 14 b. Indicação e caracterização da situação encontrada e de eventuais danos ou eventos, documentadas, quando necessário e cabível, por croqui, plantas, fotografias etc.; c. Infrações às normas técnicas ou aos usos e costumes; d. Conclusões; e. Nome completo assinatura, número de registro no CREA e credenciais do ou dosprofissionais responsáveis. Deutsch (2011) explana sobre o itens que um laudo deve conter, sendo considerado bem redigido, os seguintes tópicos: 1 – Identificação: A primeira página do Laudo pericial deverá conter os dados processuais que o identificam. Sendo costumeiro colocar um cabeçalho identificando a quem o Laudo é direcionado, em que vara a ação está se desenvolvendo e identificação do número do processo, tornando possível o processamento do documento dentro do fórum. Na identificação é aconselhável deixar em branco um espaço de 10 cm para que exista espaço suficiente do juiz emitir o seu despacho. Logo abaixo deve conter os nomes das partes envolvidas no processo, data e o tipo de ação a que se refere o processo, facilitando a identificação; 2 – Histórico Processual: O profissional precisará, de forma resumida, relacionar todos os fatos proeminentes que compõem o histórico do processo, inclusive destacando os pedidos da parte autora, as contrarrazões do réu, esclarecendo qual é o escopo do seu trabalho; 3 – Narração ou descrição: Este item visa apresentar ao leitor um conjunto de elementos que proporcionem uma visão global, como se o mesmo estivesse presente ao local de realização do trabalho. A descrição deverá conter a identificação do local, a vizinhança, o detalhamento das características do terreno e identificação do imóvel. No item relacionando a localização deverá ser inserida por meio de um mapa de localização ou uma foto aérea da localidade. Não deve ser esquecido o detalhamento referente ás benfeitorias existentes, a descrição da arquitetura e sistema estrutural existente, materiais empregados e situação de conservação. A análise e detalhamento do sistema estrutural é imprescindível em ações que envolvam problemas patológicos, pois pode estar interferindo nos danos existentes a serem diagnosticados; 4 – Vistoria: A visita ao local em que se encontram os bens objeto de análise, tanto imóveis, como máquinas, equipamentos e outros mais. Devendo buscar infor 15 ações sobre o histórico e as manutenções efetuadas, soluções adotadas caso tenha sofrido danos e seus respectivos resultados constatados, a idade e vida útil, os agentes da natureza e o modo de utilização dos usuários, visando realizar um diagnóstico preciso dos problemas analisados; 5 – Exames realizados: Durante a vistoria pode ser verificada a necessidade de exames mais detalhados para uma melhor compreensão dos problemas existentes, podendo ser visuais ou por meio de máquinas; 6 – Conclusões/Diagnósticos: No final de toda a descrição, vistoria, análise de documentação, análise de testes, o perito deverá apresentar seus comentários finais fundamentados a respeito das dúvidas que deram origem à ação judicial. Não devendo extrapolar ao objetivo para o qual foi designado, se atendo ao objeto da perícia; 7 – Resposta aos quesitos: Ao ser nomeado o perito, as partes elaboram normalmente junto de seus assistentes técnicos um formulário de quesitos, neste item deve ser transcrito o formulário das partes e suas respostas. As perguntas das partes devem ser relacionadas apenas à matéria que está sendo analisada, caso contrário o perito poderá não responder e justificar o motivo. No decorrer da elaboração do laudo, ao apresentar toda a descrição do problema, o relato da vistoria e o diagnóstico, assim normalmente já abordando a maioria das situações presentes no questionário, ao responder as perguntas basta citar em que ponto das explanações encontra-se a explicação para o ponto específico do questionado. 8 – Encerramento: O encerramento do laudo pericial deverá indicar o local onde a ação tramita podendo não ocorrer no mesmo município onde se encontra o objeto analisado, a data e assinatura do profissional responsável, devendo, ainda, indicar o número total de páginas que compõem o trabalho e a listagem dos anexos, se houverem. Galvão Neto (2008) desenvolve ainda que, com o objetivo de ser atendido todos os requisitos normativos a respeito dos laudos, recomenda-se que logo após a folha de rosto trazendo o endereçamento do documento, a estrutura básica de um laudopericial ou parecer técnico apresente os seguintes itens: 16 1- Objetivo: A caracterização do objetivo da perícia é um dos requisitos mais importantes que deve constar do laudo pericial. Entretanto, infelizmente observa-se que em muitos casos o objetivo não é identificado com a necessária clareza. Nessas circunstâncias, o perito deve ler com atenção redobrada as peças produzidas pelos solicitantes da perícia, assim como os documentos juntados, com a finalidade de identificar com exatidão quais são os aspectos técnicos a serem efetivamente observados e esclarecidos. Este ponto, tem a finalidade de evitar a elaboração de um documento incompleto ou ainda equivocadamente focando em pontos que não sejam relevantes. Deve-se atentar que a objetividade é uma das características fundamentais em um trabalho final de qualidade. 2 - Objeto: Deve ocorrer logo no início a identificação a classificação do objeto a ser periciado. No entanto, ocorrem situações em que podem existir dúvidas acerca daquilo que deva ser efetivamente estudado, levando assim a uma necessidade de que seja claramente registrado o que está sendo considerado o foco principal do trabalho. 3 - Solicitante: Este item é normalmente atendido na folha de rosto, em caso de laudos judiciais, em forma de petição dirigida ao magistrado, contendo a identificação das partes, da ação e de seu respectivo número de processamento. Para os documentos produzidos de forma privada, deve conter a identificação do solicitante e a finalidade do trabalho. 4- Histórico: Com o intuito de demonstrar que de fato ocorreu a compreensão do objetivo do trabalho, o laudo deve conter um breve resumo das questões colocadas pelas partes em litígio, mantendo-se exclusivamente às matérias de natureza técnica, sendo altamente criticável o hábito de se consumir páginas e mais páginas em um hipotético relatório do processo. Quando produzido pelo assistente técnico, este é recomendável que faça um breve resumo do laudo pericial, com o intuito que ocorra uma clara demonstração do efetivo exame daquele documento. 5- Assistentes Técnicos: É desejável e pertinente que ocorra a identificação dos assistentes técnicos indicados pelas partes, pois, a rigor, a prova pericial é constituída não só pelo laudo judicial, mas também pelos laudos ou pareceres produzidos pelos assistentes técnicos. 17 6- Prescrições Normativas: Devem ser demonstrados as normas técnicas que orientam e baseiam a elaboração do trabalho. 7- Vistoria: Nas perícias que ocorrerem a vistoria do objeto em litígio, deve ser relatadas todas as observações feitas no decorrer da diligência. Em casos que não seja realizada, devem ser justificadas as respectivas razões e explicitados quais foram os elementos que constituíram a base das apreciações. a. Características gerais: No decorrer da perícia, o foco está restrito a uma ou a algumas partes de um determinado objeto, assim sendo, é importante que contenha no trabalho informações acerca das características gerais do conjunto, para que os leitores do laudo possam ter uma informação básica e suficiente que permitam conhecer o contexto geral. b. Observações e Constatações: O registro das observações e constatações deve primar pelo rigor técnico. Sempre deve ser explicitado o critério empregado para afirmação das observações, em situações que não se apresenta essa informação pode ser levada à dúvidas das afirmações, que é um dos maiores defeitos que um laudo pode apresentar. É comum que as constatações sejam ilustradas por meio de fotografias, mas ainda assim, o texto fundamentando aquilo que se busca caracterizar é indispensável. 8- Análise/Fundamentação: É neste tópico que estarão concentrados os fundamentos técnicosrelacionados ao exame de tudo o que está caracterizado no tópico sobre vistoria, ou de outras questões técnicas a serem consideradas que, eventualmente, independem da vistoria. Os casos devem ser tratados com base em fundamentos pertinentes e identificados, tendo sempre em mente que decisões importantes serão tomadas em consequência do que venha a ser exposto nesta parte do laudo, e que tardiamente irá resultar em apresentação de conclusões finais. Do mesmo modo, o perito não deve decidir qual é o caminho preferencial a ser adotado, quando a perícia aceita mais de uma conclusão, ele apenas deve trazer ao conhecimento do árbitro ou do juiz um cenário completo, a fim de que este possa ter todos os elementos para sentenciar em conformidade com seu convencimento e com base nas disposições legais cabíveis. 9- Respostas aos quesitos: Em regra, os quesitos formulados pelas partes em litígio, contêm indagações e solicitações de apresentação dos aspectos que são 18 considerados importantes para a solução do litígio, e mesmo para demonstração do acerto de seus argumentos. Sendo essas questões respondidas com objetividade, tomando-se o cuidado de não expressar com clareza por ser muito resumido na resposta. O perito ainda pode, em casos de perguntas com respostas iguais ou exposição detalhada de algo já citado durante o laudo, pode ocorrer a remissão ao item relacionado, não sendo necessária sua reprodução redundante, essa prática se realizada, apenas levaria a um laudo volumoso artificialmente. 10- Conclusão: É inadmissível a divulgação de um trabalho que não contenha com clareza o resultado de seu desenvolvimento. Visto que a perícia tem um objetivo, devendo ter assim uma conclusão ou conclusões quando for o caso, inclusive fundamentadas todas as alternativas. Sendo esse tópico sucinto e objetivo, tendo o cuidado para que não apresente um julgamento prévio da lide, visto que, isso não é obrigação de um perito. 11- Encerramento: O encerramento do laudo deve indicar o número de páginas que o integram, a relação de anexos, a data de emissão com a assinatura e qualificação do autor. 12- Outras considerações: O Juiz não é obrigado a acatar as conclusões de um laudo judicial. Sendo assim, críticas bem fundamentadas e formuladas, podem ser fundamentais para que a decisão seja efetivamente justa. 19 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Como relatado ao longo do trabalho os processos periciais é algo de extrema importância por parte dos empreendimentos construídos, a fim de obter a segurança dos usuários, como observar quais as normas e legislações devem ser cumpridas por parte dos engenheiros no processo de projeto e construção do empreendimento planejado. A perícia dentro do desenvolvimento de engenharia promove uma compreensão de quais requisitos não foram promovidos ou executados ao longo do processo de construção, comprovando dessa maneira como os profissionais podem realizar suas atividades a fim de melhorar os processos realizados e quais as práticas que precisam ser promovidas dentro de um prazo estabelecido pelos órgãos e profissionais peritos a fim de que o empreendimento consiga alcançar um desenvolvimento eficiente e positivo para uso. Os profissionais peritos como observado ao longo do trabalho precisam apresentar um conhecimento teórico e prático para que suas atividades de supervisão tenham o êxito esperado, assim como os procedimentos de ajustes ou implantações sejam devidamente observados ao longo da fiscalização ou inspeção promovida junto ao estabelecimento. Essas e outras medidas que foram estudadas ao longo do tempo buscam dar uma maior segurança para as pessoas iram utilizar os produtos fornecidos pelos engenheiros, assim como evidenciam que os riscos envolvendo as construções promovidas pelos estabelecimentos de engenharia devem ser muito bem avaliados e observados, para que problemas ou mesmo desastres envolvendo as obras se tornem cada vez mais raro. 20 REFERÊNCIAS ABEL, M. (julho de 2001). Estudo de Perícias em Petrografia Sedimentar e sua Importância para a Engenharia de Conhecimento. 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