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Logística Processos de produção puxada e de produção empurrada No cenário comercial altamente competitivo que temos atualmente, as empresas precisam sempre buscar inovação e superação. Quanto ao desempenho da produção, elas devem ter cinco objetivos. Eles estão relacionados com: 1. Qualidade do produto É preciso fazer as coisas certas e fornecer produtos com qualidade para satisfazer os clientes. 2. Rapidez É importante reduzir prazos de produção e de entrega do produto final para o consumidor. 3. Confiabilidade É preciso cumprir o que foi prometido para os clientes. 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 1/16 4. Flexibilidade Para satisfazer as exigências de todos os tipos de consumidores, é importante oferecer uma boa variedade e diversidade de produtos. 5. Custo Fazer as coisas por menos possibilita vender os produtos por um preço mais baixo, mas ainda com retorno e lucro para a empresa. Cada produto que usamos tem suas próprias características, como número de série, cor, lote, entre outras. Cada um deles é fabricado de um modo específico e em pequenas ou grandes quantidades. Então, as empresas precisam de planos e de controles para garantir que a sua produção seja adequada e tenha eficiência e eficácia para atingir os objetivos de desempenho. Vamos ver agora dois dos tipos mais comuns de produção: produção empurrada e produção puxada. 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 2/16 Processo de produção empurrada O processo de produção empurrada se baseia no comportamento do mercado. A produção se inicia antes da existência da demanda pelo produto, ou seja, antes dos pedidos de compras dos clientes. Isso significa que a empresa “empurra” a sua produção para o mercado, o que implica a formação de estoques. Figura 1 – Sistema de produção empurrada Fonte: . Os métodos para a implementação da produção empurrada são: sistema MRP (material requirements planning, ou cálculo das necessidades de materiais) e MRP II (manufactoring resources planning, ou planejamento dos recursos de manufatura). O MRP é um sistema computadorizado, distante dos desejos do cliente, e não há comunicação direta entre ele e a produção. Desse modo, é muito importante que haja uma boa comunicação com vendas, pois, sem elas, a produção não pode nem consegue priorizar pedidos. Também não é possível fabricar na quantidade e no prazo demandados. 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 3/16 O objetivo do MRP é permitir que os prazos de entrega dos pedidos dos clientes sejam cumpridos com a mínima formação de estoques. O ideal é que se compre apenas o que foi planejado para a produção de componentes e nos momentos e nas quantidades necessárias. O sistema MRP II é usado em computadores, que fornecem uma ferramenta administrativa para planejar e controlar fabricações e operações. Reduzem-se os custos, e obtém-se um alto nível de serviços ao cliente. Figura 2 – Esquema de MRP e MRP II Fonte: . Na maioria dos casos, é necessário haver uma previsão de demanda, e produz-se antes de o cliente realizar um pedido. Porém, a produção puxada não se submete à previsão de demanda: é preciso que os clientes 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 4/16 façam os pedidos para que haja um planejamento para a montagem e a transformação de recursos em produtos acabados. Caso o cliente externo necessite de determinado produto, no caso de produção empurrada, a organização já o terá estocado, pronto para a entrega. A produção empurrada é comum na indústria de bebidas. Independentemente do mês do ano, vende-se bem esse tipo de produto. Então, é necessário que haja um estoque mínimo na fábrica para disponibilizá-lo ao cliente final. Além disso, na programação da produção empurrada, a previsão de demanda dispara a ordem de compra de matéria-prima. Quando esta está disponível para gerar o produto acabado, uma ordem de produção dispara as atividades de transformação, e finalmente são feitas a expedição e a distribuição ao cliente final. O sistema de produção empurrada não precisa se programar junto com o cliente para produzir. A ordem de pedido ocorre no fim do processo. Após o pedido, a empresa precisará apenas realizar a entrega, pois o produto já estará acabado. Ela programará apenas a reposição do material vendido. Com relação às desvantagens do processo de produção empurrada, estes cenários poderão ocorrer: 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 5/16 A demanda confirmada pode ser menor que a prevista. Forma- se então estoque de produtos acabados, o que representa um dos sete tipos de perda sem agregação de valor (ou superprodução), levando ao desperdício e ao consequente aumento de custos produtivos. É difícil alterar o planejamento da produção em caso de variação na demanda. Pode ser complicado adequar um plano de produção ao tempo de processamento e ao tamanho do lote. Pode haver dificuldade em controlar a quantidade de demanda produzida e o nível de estoque em tempo real, o que gera excesso de estoque de segurança. Esses problemas podem ser resolvidos com o processo de produção puxada, que veremos a seguir. 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 6/16 Processo de produção puxada O processo de produção puxada não utiliza estoques: o pedido do cliente é que determina o início da produção. Assim é que será gerada a necessidade de um novo lote do fornecedor. Mesmo havendo matéria-prima pronta, a produção se inicia apenas a partir da demanda do cliente. No caso de produção puxada, diferentemente da empurrada, produzem-se os recursos disponíveis de maneira coerente, maximizando o fluxo produtivo e não as capacidades individuais. Portanto, a produção de cada lote de produtos só deverá ter início a partir da necessidade efetiva de consumo. O sistema puxado é iniciado a partir do último processo antes mesmo de haver um fluxo contínuo. Ele requer que existam estoques pequenos de algumas peças prontas no fim das etapas. 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 7/16 Figura 3 – Sistema de produção empurrada versus sistema de produção puxada Fonte: . As pizzarias de tele-entrega, por exemplo, produzem a partir do momento em que o consumidor faz o seu pedido. Diferentemente da produção empurrada, a qualidade é prioridade, e não a quantidade. Com os sistemas de controle de produção puxada, não há uma programação: eles permitem que um item seja produzido em um determinado período. Eles buscam acertar a demanda à produção: algo será comprado, produzido e transportado apenas no momento em que for indispensável e exclusivamente na quantidade necessária. São exemplos de sistemas: kanban e just in time. Clique ou toque para acessar o conteúdo. 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 8/16 Kanban Foi desenvolvido no Japão um sistema de controle da produção chamado kanban, que funciona entre estações de trabalho consecutivas. O seu objetivo é ajudar a regular os níveis de estoque, para que permaneçam baixos sem que a produção seja prejudicada. Quando se percebe que o estoque do período anterior de trabalho está baixo, o kanban autoriza que se inicie a produção para suprir todas as necessidades sem gerar uma quantidade desnecessária de estoque. O sistema se baseia em princípios de visibilidade para garantir a técnica do sistema puxado. Sua finalidade é direcionar um processo de manufatura dinamizando a passagem de informações relacionadas a quando produzir, o que produzir, em que quantidade e como transportar. Assim, os produtos são regulados a partir de cartões, que são preenchidos pelas pessoas relacionadas com o processo. Diante disso, a empresa tem a necessidade de obter informações antecipadamente. Ela precisa saber a quantidadede matéria-prima necessária para um pedido de produção e o tempo necessário para comprá-la, para evitar perdas por desvalorização do produto estocado. 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 9/16 Figura 4 – Sistema kanban para brocas Fonte: . 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 10/16 Just in time O sistema just in time (JIT) está relacionado com o sistema puxado e com o kanban. Ele, porém, não aborda somente redução de estoques, mas também gestão de qualidade, gestão de recursos humanos, organização do trabalho, aspectos da administração dos materiais, projeto do produto e arranjo físico. Ele busca a redução de desperdícios e custos. O JIT é estruturado pela melhoria contínua e pela eliminação de perdas. O objetivo é eliminar todas as atividades que não acrescentem valor ao produto ou ao serviço. Alguns exemplos de perdas envolvem retrabalho, movimentação de materiais, inspeções, refugo e estoques. Podem-se eliminar as perdas em todas as áreas da empresa, da engenharia e do setor administrativo até o chão de fábrica. 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 11/16 A vantagem do sistema puxado é que não é necessário haver estoques de matéria-prima e de produtos acabados, ou seja, planeja-se de acordo com a ordem do pedido do cliente. São pedidos planejados, para produção somente na quantidade necessária. Figura 5 – Sistema just in time em produção Fonte: . 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 12/16 Com relação às desvantagens do sistema puxado, temos as seguintes: As quantidades de produtos acabados e matéria-prima devem ser planejadas corretamente. O acúmulo pode acarretar custos superiores ao necessário dentro da indústria. De acordo com a quantidade e o prazo de produção, pode haver gastos envolvendo a mão de obra e o espaço onde serão colocados demandas e materiais. O manuseio do material em estoque pode gerar estragos. Os produtos podem acumular sujeira devido ao longo período de estocagem. Gera-se retrabalho, já que é preciso reparar os materiais danificados. Pode-se então fazer um quadro comparativo com os principais prós e contras dos dois tipos de processo de produção. Veja a figura 6. Produção puxada Produção empurrada Eliminação de desperdícios Custos de estoque elevados Dinamicidade em relação à demanda Falta de dinamicidade em relação à demanda Sistema de controle simples (kanban e JIT) Exigência de softwares sofisticados para MRP e MRP II Resultado melhor na fabricação de lotes por encomenda Melhor resultado na produção repetitiva Figura 6 – Tabela comparativa: produção puxada versus empurrada 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 13/16 Considerações finais Entender os diferentes princípios das produções empurrada e puxada é importante porque elas têm efeitos diferentes com relação aos estoques das operações. Os sistemas puxados são menos propensos a gerar acúmulo de estoque e, portanto, favorecem operações enxutas. Para entender por que isso ocorre, consideremos a “analogia da gravidade”. Um sistema empurrado é representado por uma operação em que cada estágio está em um nível mais baixo que o anterior. Quando as peças são processadas em um estágio, elas são empurradas rampa abaixo para o estágio seguinte. Qualquer atraso ou problema em um estágio resultará em acúmulo de peças em estoque. No sistema puxado, as peças não podem fluir naturalmente para cima. Elas apenas podem progredir se o estágio seguinte deliberadamente as puxar. Nestas circunstâncias, não se acumula estoque tão facilmente. 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 14/16 Figura 7 – Sistema empurrado versus sistema puxado: analogia da gravidade Fonte: Slack; Brandon-Jones; Johnston (p. 298, 2015). 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 15/16 Existem dois modelos históricos de montagem de carros que utilizam sistemas de produção diferentes: o fordismo (produção empurrada) e o da Toyota (produção puxada), que foi responsável pela criação do JIT. Tempos Modernos (1936) No filme de 1936, do cineasta Charlie Chaplin, a famosa personagem “o vagabundo” the tramp tenta sobreviver em meio ao mundo moderno e industrializado. Trata-se de uma crítica ao sistema fordista de fabricação. Ele está disponível no YouTube. Modelo Toyota de produção – Just in time & kaban O documentário curto narra a história da Toyota: como a empresa desenvolveu e aperfeiçoou o seu sistema de produção puxada de carros. O vídeo também está disponível no YouTube. 13/07/2025, 20:27 Versão para impressão about:blank 16/16