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Conceitos de Engenharia Ambiental Compostagem, Bioconstrução de recintos para animais silvestres e Biodigestão como auxílio secundário para as atividades primárias da Instituição GREMAR da unidade de Itanhaém-SP Sidnei Gonçalves Netto ITANAHÉM-SP 2025 SIDNEI GONÇALVES NETTO Conceitos de Engenharia Ambiental Compostagem, Bioconstrução de recintos para animais silvestres e Biodigestão como auxílio secundário para as atividades primárias da Instituição GREMAR da unidade de Itanhaém-SP Trabalho apresentado a nome da Instituição Gremar como requisito para conclusão de voluntariado. ITANHAÉM-SP 2025 RESUMO Este estudo visa apresentar como a engenharia ambiental pode contribuir de forma secundária para uma organização não governamental que tem como foco o tratamento de animais silvestres e marinhos, tanto para os processos que englobam as ações primárias em relação ao trato dos animais em suas instalações bem como de maneira econômica e sustentável através do conceito de bioconstrução, biodigestão e compostagem. Estes conceitos retiram parte dos processos de uma organização do sistema linear, os levando para o sistema circular, que por sua vez, promove inovação, sustentabilidade e redução de gasto de capital. A metodologia usada adotada consiste em pesquisa bibliográfica, comparação de dados analisados e pesquisa de campo, demonstrando exemplos e ideias de bioconstrução como o biorecinto para aves e animais silvestres em comparação ao método de alvenaria tradicional mais utilizado, a biodigestão para o tratamento dos rejeitos orgânicos em comparação ao método tradicional de descarte e a compostagem como vantagem econômica para o tratamento de resíduos sólidos orgânicos gerados e rejeitados pela organização. ABSTRATC This study aims to show how environmental engineering can help in a secondary way to a non-governmental organization that focuses on the treatment of wild and marine animals, both for the processes that encompass the primary actions about to the treatment of animals in its facilities as well as in an economical and sustainable way through the concept of bioconstruction, biodigestion and composting. These concepts remove part of the processes of an organization from the linear system, taking them to the circular system, which in turn promotes innovation, sustainability and reduction of capital expenditure. The methodology used consists of bibliographic research, comparison of analyzed data and field research, demonstrating examples and ideas of bioconstruction such as the bio- enclosure for birds and wild animals in comparison to the most used traditional masonry method, biodigestion for the treatment of organic waste in comparison to the traditional disposal method and composting as an economic advantage for the treatment of organic solid waste generated and rejected by the organization SUMÁRIO 1. Introdução .............................................................................................................. 5 2. Objetivos ................................................................................................................ 5 3. Metodologia ........................................................................................................... 6 4. Economia linear e circular no desperdício de alimentos................................... 6 5. Da compostagem térmofilica e sua composição em caixa d’águas ................. 7 6. Bioconstrução e inércia térmica ........................................................................ 12 7. Da fabricação e do tempo de bioconstrução .................................................... 13 8. Bioconstrução para recintos de animais – Biorecinto ..................................... 13 9. Sistema de Biodigestão como fonte renovável de energia ............................. 17 10. Discussão e Resultados ................................................................................... 18 11. Conclusão .......................................................................................................... 20 Referências .............................................................................................................. 21 5 1. INTRODUÇÃO Com os impactos ambientais gerados pelo sistema de economia linear e a crescente expansão urbana cada vez mais animais são encontrados com algum tipo de revés negativo gerado pelas ações antrópicas, necessitando de intervenção humana para retornarem a seu habitat natural. Para isso as ONGs (organizações não governamentais) atuam diretamente na recapacitação e tratamento veterinário destes animais, como aves silvestres e mamíferos terrestres como é o caso do Instituto Gremar da unidade de Itanhaém. Parte de seus processos se enquadram na disponibilização de recintos adequados para a recuperação dos animais afetados, enriquecimento ambiental, controle de temperatura, controle de umidade dos recintos como forma secundária de tratamento e a oferta de alimentos adequados para cada espécie, que geram gastos à organização e descarte de resíduos sólidos orgânicos consideráveis, uma vez que parte de seus processos ainda estão enquadrados no sistema linear de consumir e descartar. Com os conceitos de engenharia ambiental aplicados nestes processos é possível reduzir os gastos e ao mesmo tempo proporcionar condições adequadas e melhoradas aos animais que venham a ser tratados pela instituição. 2. OBJETIVOS Este estudo tem como objetivo demonstrar as vantagens físicas e econômicas da bioconstrução para o recinto de aves e mamíferos terrestres em comparação as formas tradicionais de alvenaria, a biodigestão como forma de geração alternativa de energia através do biogás e compostagem como forma circular do reaproveitamento dos resíduos sólidos orgânicos gerados para a criação de adubo orgânico, que podem ser utilizado para enriquecer o cultivo de alimentos dos animais tratados ou com a sua posterior venda, gerando renda e diminuindo gastos para instituição, demonstrando de forma efetiva como a engenharia ambiental pode agregar beneficamente pra uma organização tornando seus processos mais rentáveis, inovadores e sustentáveis em comparação aos processos lineares já pré existentes. 6 3. METODOLOGIA A pesquisa é conduzida por meio de revisão bibliográfica e análise documental de artigos acadêmicos, relatórios de instituições ambientais, dados governamentais e livros de autores especializados e pesquisa de campo. Se baseou em comparação qualitativa entre os modelos econômicos linear e circular dentro dos processos realizados no Instituto Gremar da unidade de Itanhaém, do que se refere a gestão de resíduos sólidos orgânicos e as construções dos recintos para os animais silvestres comparando as estruturas de alvenaria com as de bioconstrução, considerando as vantagens que os métodos de economia circular trazem a serem adotados. 4. ECONOMIA LINEAR E CIRCULAR NO DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS O modelo da economia linear tem sido historicamente dominante, com base na extração intensiva de recursos naturais, transformação em produtos e posterior descarte após o uso, que se define em extrair, produzir, consumir e descartar diferentemente da circular que visa extrair, produzir, consumir e reciclar. No caso das ONGs, estas se enquadram em sua maioria em duas etapas do sistema linear, sendo: consumir e descartar. Como é o caso do Gremar da unidade de Itanhaém, que segundo o Biólogo Thiago Delmiro, residente desta unidade, o descarte mensal na baixa demanda de animais é em média de 15kg de recursos alimentícios, como banana, manga, maças, pepinos entre outros e com uma média de 32kg na alta demanda de animais em épocas reprodutivas que acontecem nas estações de primavera/verão.Considerando essa média temos 90kg desperdiçados nas estações de outono/inverno e 192kg nas estações de primavera/verão, que totalizam 282kg ao ano de alimentos desperdiçados, onde em um período de 5 anos de atividade gerarão 1,41 toneladas. Em contrapartida a economia circular se faz por extrair, produzir, consumir e reciclar, aplicando esse método na organização, tendo o Gremar da unidade de Itanhaém como caso a ser utilizado, podemos converter os 282kg anuais de desperdício em adubo orgânico por meio da compostagem termofílica forçada gerando em torno de 141 kg de adubo orgânico levando em consideração a perda de massa de 50% da composição. 7 5. DA COMPOSTAGEM TÉRMOFILICA E SUA COMPOSIÇÃO EM CAIXA D’ÁGUAS A compostagem termofílica se resume na ação de bactérias termofílicas para a decomposição dos materiais orgânicos. Utiliza restos de alimentos e materiais secos (como folhas ou serragem) dispostos em camadas dentro de uma caixa d’água adaptada com furos para ventilação e drenagem. O processo passa por duas fases principais: a termofílica, que pode durar de 30 a 45 dias com temperaturas entre 50°C e 70°C, e a de maturação, com duração de 30 a 60 dias e temperaturas mais baixas. Essa metodologia elimina patógenos, acelera a decomposição e resulta em composto estável e seguro. Nesse sistema temos a reciclagem segura dos resíduos orgânicos, pois alcança altas temperaturas graças às bactérias termofílicas presentes em seu interior, podendo chegar à 65 ⁰C. (CEPAGRO, 2024) Abaixo temos os materiais necessário para criação de uma composteira termofílica em caixa d’água, bem como as medidas de todo processo estrutural. • Caixa d'água: De plástico (poliestireno ou polietileno), de 200L a 500L. • Abertura superior: Tampa removível para colocar o material (restos orgânicos, serragem, folhas secas) • Furos de aeração: Pequenos furos (1 cm de diâmetro) feitos nas laterais, principalmente perto do fundo e alguns no meio. • Torneira de drenagem: Instalado no fundo para extração do chorume. • Sistema de ventilação opcional: Pode-se colocar tubos de PVC perfurados (vertical no meio) para melhorar a aeração interna. • Isolamento adicional (opcional): Revestir externamente com palha ou madeira para manter mais calor. • Base elevada: Colocar a caixa sobre blocos ou suporte para facilitar drenagem e ventilação ou sobre paletes. 8 Abaixo temos um exemplo da estrutura de uma composteira termofílica forçada feita em uma caixa d’água. Fonte: Gerado por IA em 20/04/2025 A manutenção exige revolvimento a cada 3 a 5 dias, controle da umidade (ideal de 50% a 60%) e verificação da temperatura. A aeração pode ser melhorada com tubos de PVC perfurados, promovendo um ambiente adequado para os microrganismos responsáveis pela decomposição. Estima-se que entre 50% e 75% da massa inicial se perca durante o processo, principalmente por evaporação de água 9 e liberação de CO₂, o que significa que 100 kg de resíduos podem gerar entre 25 kg e 50 kg de composto final. Abaixo temos a dimensão dos valores de produção semestral, anual e a estimativa dentro de um período de 5 anos da capacidade de produção de adubo orgânico levando em consideração a média dos dados fornecidos da unidade Gremar de Itanhaém. Fonte: Gerado POR Canvas em 22/04/2025 Os valores obtidos são: 10 PERÍDO (EM ANOS) ADUBO GERADO(KG) 6 meses 70,5 1 ano 141,0 1,5 anos 211,5 2 anos 282,0 2,5 anos 352,0 3 anos 423,0 3,5 anos 493,0 4 anos 564,0 4,5 anos 634,0 5 anos 705,0 Com base nestes valores é possível estimar o lucro sobre o adubo produzido, um vez que tais rejeitos orgânicos seriam destinados aos aterros sanitários comuns, no processo de compostagem, podem ser fonte de renda sustentável, como é defendido por Patrícia Silva Cruz, CONIDIS (2016). Abaixo temos a estimativa de lucro 11 da unidade Gremar Itanhaém numa suposição de venda em relação ao adubo produzido pelos rejeitos orgânicos levando em consideração a média de preço de R$:10,00 por Kg de adubo orgânico. Fonte: Gerado por Canvas em 22/04/2025 Além dos benefícios ambientais, como a redução do volume de lixo enviado a aterros, a técnica é econômica, replicável e educativa, podendo ser implementada em escolas, hortas urbanas e residências. O CEPAGRO e universidades públicas atestam a eficiência do método, que se alinha aos princípios da agroecologia e da economia circular ao transformar resíduos em adubo de alta qualidade. 12 6. BIOCONSTRUÇÃO E INÉRCIA TÉRMICA A bioconstrução é uma técnica milenar que utiliza terra crua, água e fibras naturais, com efeito sustentável e eficiência térmica. Se tomarmos as médias de temperatura do litoral sudeste brasileiro, onde se situa o Gremar de Itanhaém, temos uma variação entre 22 °C no inverno e 30 °C no verão, onde a temperatura interna de uma construção de alvenaria tradicional se dá em torno 20 ºC no inverno e 32ºC no verão devido ser feito de cerâmica, material utilizado neste tipo de construção que apresenta baixa inércia térmica. Por outro lado, devido alta inércia térmica do adobe por exemplo, um dos materiais utilizados na bioconstrução, temos um isolamento térmico eficaz, mantendo temperaturas internas mais estáveis, onde com uma variação entre 22 °C no inverno e 30 °C no verão, o interior de edificação de adobe pode manter temperaturas entre 24 °C e 28 °C, proporcionando conforto térmico significativo. Além disso, o adobe possui boa capacidade de absorção sonora, reduzindo a transmissão de ruídos externos e internos. a capacidade térmica da alvenaria de adobe se apresentou superior à alvenaria de tijolo cerâmico, pelo fato de se apresentar com maior densidade e calor específico" Marques (2018). Fonte Gerado por IA em 20/04/2025 13 Isso acontece, pois o adobe possui alta inércia térmica devido à sua massa e composição, o que significa que ele absorve calor lentamente durante o dia e o libera gradualmente à noite. Esse processo ajuda a manter a temperatura interna constante, mesmo com variações externas significativas. 7. DA FABRICAÇÃO E DO TEMPO DE BIOCONSTRUÇÃO Do que se cabe a sua fabricação, os tijolos de adobe envolvem a mistura de solo argiloso, água e fibras vegetais, moldados em formas retangulares e secas ao sol. O tempo de secagem varia de 7 a 14 dias, dependendo das condições climáticas locais. O uso do adobe não se limita ao emprego em construções antigas, podendo ser encontrado em diversas partes do mundo, inclusive em construções modernas, urbanas e rurais, e até mesmo em casas de luxo, Segundo Nunes e Farias (2011). Se considerarmos a bioconstrução de 3 m x 3 m com altura de 2,5 m, a utilizando tijolos de adobe, temos sua conclusão em aproximadamente 3 a 4 semanas. Esse prazo inclui a produção dos tijolos, a construção das paredes e o tempo necessário para a secagem e acabamento. A duração pode variar conforme a experiência da equipe e as condições climáticas. 8. BIOCONSTRUÇÃO PARA RECINTOS DE ANIMAIS – BIORECINTO A bioconstrução tem um grande potencial de ser utilizada como recintos para animais silvestres que estão em centros de tratamento e recuperação como no caso do Gremar de Itanhaém, como forma inovadora e alternativa de proporcionar um ambiente mais rico ambientalmente para os animais, mais economicamente viável para a organização e sustentável apresentando vantagens em comparação às estruturas convencionais de alvenaria. Segundo Silva et al. (2021), a bioconstrução oferece propriedades de regulação térmica que favorecem o bem-estar animal, criando um ambiente mais próximo das condições naturais necessárias para a reabilitação eficiente. O levantamento de informações em relação a instituições que aderirama este método de construção com foco em recintos para animais mostra que apesar das práticas sustentáveis que muitas operam, a bioconstrução não está explicitamente mencionada dentro de seus processos. No Brasil, centros como o CEREIAS, na Bahia, têm dado destaque a práticas sustentáveis em suas instalações de reabilitação de fauna silvestre, embora nem sempre colocada em prática, a aplicação dos 14 princípios da bioconstrução nas estruturas evidencia uma preocupação crescente com o bem-estar animal (CEREIAS, 2025). Comparando as construções tradicionais de alvenaria às estruturas de adobe, observa-se que, enquanto a alvenaria atinge temperaturas internas de até 32 °C no verão, recintos feitos com técnicas de bioconstrução mantêm a temperatura entre 24 °C e 28 °C, mesmo com temperaturas externas de até 30 °C no litoral sudeste brasileiro (INMET, 2025. De acordo com o Instituto Federal Catarinense, a faixa de temperatura ideal para aves adultas faz-se entre 20°C e 27°C, com umidade relativa do ar recomendada entre 40% e 65%, proporcionando condições ambientais adequadas para a manutenção da homeostase e prevenção de estresse térmico, (Agatha Barão Cavalheiro, Mira, 2021). Além disso, aves são animais homeotérmicos, mantendo sua temperatura corporal constante entre 40°C e 42°C. No entanto, quando expostas a temperaturas ambientais fora da zona de conforto térmico, ativam mecanismos fisiológicos para dissipar ou conservar calor, o que pode levar a alterações comportamentais e fisiológicas adversas (EMBRAPA, 2005). Portanto, manter a temperatura ambiental dentro da faixa ideal é essencial para a saúde e recuperação eficaz de aves silvestres em cativeiro, minimizando o estresse térmico e promovendo condições favoráveis à reabilitação. Essa capacidade de manutenção térmica do adobe diminui a necessidade de sistemas artificiais de aquecimento ou resfriamento, resultando em expressiva economia de energia elétrica. Em contraste, recintos de alvenaria, devido à baixa inércia térmica dos blocos cerâmicos, demandam maior consumo energético para manter condições térmicas adequadas, onerando o processo de reabilitação de fauna. Outro fator relevante é o conforto acústico proporcionado pelos materiais naturais utilizados na bioconstrução. A capacidade de absorção sonora do adobe reduz a transmissão de ruídos, promovendo um ambiente mais tranquilo, o que é essencial para a recuperação de aves silvestres sensíveis ao estresse sonoro. Estudos reforçam que animais silvestres em centros de recuperação expostos a ruídos excessivos apresentam atrasos na reabilitação e maior suscetibilidade a doenças, Silva (20210) Assim, a bioconstrução não apenas estabiliza o microclima 15 dos recintos, mas também favorece a saúde emocional e comportamental dos animais. Isso ocorre porque o adobe é um material higroscópico, ou seja, consegue trocar umidade com o ar de forma natural. A terra crua e a argila presentes no tijolo de adobe possuem microporos – pequenos espaços internos – que absorvem vapor da água quando a umidade do ar externo está alta e a liberam essa umidade quando o ar está seco, ele possui uma estrutura porosa que funciona feito uma esponja natural, equilibrando a UR (umidade relativa do ar) interna, Marques (2018). Essa capacidade passiva de regulação, ou seja, sem necessitar de auxílio elétrico torna o adobe sustentável e eficiente para manter ambientes mais confortáveis em épocas tanto úmidas como secas. Abaixo uma ilustração do sistema de controle de UR do adobe. Fonte: Gerado por IA em 22/04/2025 Em países desenvolvidos, práticas sustentáveis semelhantes têm sido adotadas, mesmo que sob outras nomenclaturas. Centros de reabilitação de fauna como o International Bird Rescue, nos Estados Unidos, incorporam conceitos de 16 eficiência térmica e construção sustentável em seus recintos, ainda que nem sempre utilizando a bioconstrução (International Bird Rescue, (2025). Abaixo um o modelo de um biorecinto de 3 m x 3 m com altura de 2,5 m, com janelas feitas de garrafa pet para a incidência de luz em seu interior. Fonte: Gerado por IA 29/04/2025 A tendência mundial aponta para a criação de ambientes cada vez mais naturalizados, evidenciando a importância de recintos que respeitem as condições naturais de cada espécie, algo que a bioconstrução proporciona de maneira intrínseca. 17 9. SISTEMA DE BIODIGESTÃO COMO FONTE RENOVÁVEL DE ENERGIA Os biodigestores funcionam por meio da decomposição anaeróbica, ou seja, é um processo em que microrganismos decompõem resíduos orgânicos sem a presença de oxigênio, gerando biogás e biofertilizante. O biogás produzido é uma mistura de metano e dióxido de carbono que pode ser utilizado como fonte de energia para fogões, aquecedores e pequenos geradores, onde o aproveitamento energético dos resíduos orgânicos por meio da biodigestão anaeróbica contribui significativamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa" (INT, 2013). Além da produção de energia, o biodigestor gera um efluente líquido rico em nutrientes, onde o biofertilizante oriundo da biodigestão de resíduos humanos pode ser aproveitado na agricultura, desde que observados procedimentos de tratamento e segurança sanitária (EMBRAPA, 2014). É importante ressaltar que o uso de biodigestores para fezes humanas exige atenção sanitária rigorosa. Recomenda-se um período de retenção de pelo menos 30 dias no biodigestor, temperatura controlada e, em alguns casos, pós-tratamento do biofertilizante para garantir a eliminação de patógenos. Em locais onde a gestão e o monitoramento são adequados, os biodigestores mostram alta eficiência e segurança e proporcionam economia enérgica. Abaixo um exemplo de como funciona um biodigestor para a geração do biogás. Fonte: AEQ, 2015, p. 06 18 10. DISCUSSÃO E RESULTADOS A compostagem termofílica, realizada em caixas d’água adaptadas, demonstra ser um método eficaz, econômico e replicável para o reaproveitamento de resíduos orgânicos urbanos, promovendo a sustentabilidade ambiental. Através da ação de bactérias termofílicas, que atuam em temperaturas entre 50 °C e 70 °C, o processo proporciona rápida degradação da matéria orgânica, com eliminação de patógenos e produção de composto de alta qualidade. Com os dados obtidos e uma análise do sistema sugerido a unidade Gremar de Itanhaém, observa-se que a estrutura da composteira — utilizando caixas de polietileno com capacidade entre 200 L e 500 L, furos de ventilação e sistema de drenagem — garante uma boa manutenção da temperatura e da umidade ideais (50 % a 60 %). A adição de tubos de PVC perfurados e a base elevada contribui para a aeração adequada, promovendo o ambiente necessário para o desenvolvimento microbiológico além de ser de baixo custo de produção, indicando uma conversão eficiente dos resíduos orgânicos: de cada 100 kg de insumos, foram se é possível em média obter entre 25 kg e 50 kg de composto final. Essa eficiência se manteve estável ao longo do período analisado de 5 anos, resultando em uma produção estimada de 705 kg de adubo orgânico. Além disso considerando o preço médio de R$ 10,00 por quilograma, o sistema apresenta potencial de lucro acumulado de R$ 7.050,00, o que evidencia seu caráter não apenas sustentável, mas também economicamente viável. Contudo, temos também o processo que envolve as estratégias de bioconstrução, sobretudo em projetos voltados à criação de biorecintos. O uso de materiais como o adobe, com alta inércia térmica, contribui para a regulação térmica dos ambientes internos que abrigam os animais silvestres como as aves em sua maioria, diminuindo a necessidade de energia artificial, por sua capacidade passiva de regulação interna de temperatura e UR. esta manutenção de temperatura interna entre 24 °Ce 28 °C, mesmo em condições externas adversas, reforça sua aplicabilidade em regiões como no litoral de São Paulo-SP, onde se cedia a unidade analisada nesse estudo de caso. Portanto, os resultados obtidos validam a eficiência do sistema proposto, não apenas pela produção de composto orgânico e geração de renda, mas também pelo 19 impacto positivo no controle ambiental e no bem-estar animal. Tais práticas podem ser difundidas como modelo para centros de reabilitação de fauna e projetos de educação ambiental urbana uma vez que se mostra algo totalmente inovador em relação as demais instituições do mesmo segmento de atuação. 20 11. CONCLUSÃO Conclui-se perante pesquisa realizada, a evidencia que a aplicação dos conceitos de Engenharia Ambiental em uma instituição de reabilitação animal silvestre como o caso da unidade de Itanhaém, agrega de forma significativa à sustentabilidade institucional e ao fortalecimento da responsabilidade socioambiental. A transformação de resíduos orgânicos em adubo por meio da compostagem termofílica forçada, conforme metodologia validada pelo CEPAGRO, demonstra um caminho eficiente de transição do modelo econômico linear para a economia circular. A conversão de aproximadamente 282kg anuais de resíduos alimentícios em 141kg de adubo orgânico não apenas reduz o descarte inadequado, como também gera benefícios econômicos, conforme defendido pelo CONIDIS, ao possibilitar a comercialização do composto. A implantação de biorecintos utilizando técnicas de bioconstrução, como o adobe, apresenta-se como solução sustentável, proporcionando estabilidade térmica e conforto acústico para os animais silvestres em reabilitação, elementos essenciais para a eficácia dos tratamentos, como evidenciado por Silva e corroborado pelas diretrizes de bem-estar animal do Instituto Federal Catarinense e da EMBRAPA. A comparação entre recintos de alvenaria e bioconstruções deixa clara a vantagem térmica do adobe, que mantém as condições ambientais dentro da zona de conforto das espécies, reduzindo o estresse térmico e sonoro. Além disso, a adoção de sistemas de biodigestão, conforme as orientações do INT e EMBRAPA, propõe uma alternativa para o aproveitamento de resíduos orgânicos, com a geração de energia renovável e biofertilizantes, reforçando o compromisso da organização com práticas de baixo impacto ambiental. Assim, a incorporação de tecnologias ambientais pelo Grema representa não apenas inovação na gestão de resíduos e melhoria das condições de reabilitação animal, mas também consolida a instituição como referência em práticas sustentáveis umas que não há evidências de outras instituições brasileiras que adotaram a bioconstrução como forma de processos internos. Portanto, a Engenharia Ambiental, neste contexto, surge como vetor fundamental para transformar os desafios ecológicos em oportunidades de valorização institucional, geração de recursos e promoção da conservação ambiental a longo prazo 21 REFERÊNCIAS 1. R3 Animal R3 ANIMAL. Capital terá maior centro de reabilitação de animais marinhos do país. RCN Online, 2018. Disponível em: https://www.rcnonline.com.br/geral/capital_tera_maior_centro_de_reabilitacao_de_ animais_marinhos_do_pais.94404/. Acesso em: 22 abr. 2025. 2. Instituto Argonauta INSTITUTO ARGONAUTA. Quem somos. Instituto Argonauta, 2024. Disponível em: https://institutoargonauta.org/new/quem-somos/. Acesso em: 22 abr. 2025. 3. Associação MarBrasil NOVA MATA. MarBrasil. Nova Mata, 2024. Disponível em: https://novamata.org/iniciativa/mar-brasil/. Acesso em: 22 abr. 2025. 4. ROCHA, M. S. Desempenho térmico de alvenarias construídas a partir de três tipos de vedações. 2021. 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Aproveitamento energético de resíduos orgânicos: biodigestores e geração de biogás. Rio de Janeiro: INT, 2013. 9. EMBRAPA. Biodigestores e o aproveitamento de resíduos orgânicos. Brasília: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2014. 10. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO (MDA). Tecnologias sociais e agricultura familiar. Brasília: MDA, 2015. 11. CARVALHO, Elis Schatzmann de et al. Compostagem termofílica em caixa d’água como forma de obter adubos orgânicos sólidos e líquidos. In: SEMINÁRIO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (SEPE), 2023. Anais [...]. Disponível em: https://www.even3.com.br/anais/sepe2023/722170-compostagem-termofilica-em- caixa-dagua-como-forma-de-obter-adubos-organicos-solidos-e-liquidos/. 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Manual de Compostagem – UFPB 13. UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA. Manual de compostagem. João Pessoa: UFPB, [s.d.]. Disponível em: https://www.ufpb.br/cga/contents/documentos/manual- de-compostagem.pdf. Acesso em: 24 abr. 2025.UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB 14. Compostagem em Caixa d’Água – CEPAGRO 15. CEPAGRO. Compostagem na caixa d’água: solução para a reciclagem orgânica urbana. Florianópolis: CEPAGRO, 2023. Disponível em: https://cepagro.org.br/?p=18135. Acesso em: 24 abr. 2025. cepagro.org.br+1cepagro.org.br+1 16. Compostagem – Curso Prático e Teórico – Embrapa 17. EMBRAPA. Compostagem: curso prático e teórico. Brasília: Embrapa, 2015. (Circular Técnica, 48). Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1027799/1/Circularte cnica48.pdf. Acesso em: 24 abr. 2025.Infoteca Embrapa 18. Compostagem Termofílica – eCycle 19. ECYCLE. Compostagem termofílica: como fazer no quintal?. São Paulo: eCycle, [s.d.]. 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Acesso em: 24 abr. 2025 https://www.ufpb.br/cga/contents/documentos/manual-de-compostagem.pdf https://www.ufpb.br/cga/contents/documentos/manual-de-compostagem.pdf https://www.ufpb.br/cga/contents/documentos/manual-de-compostagem.pdf?utm_source=chatgpt.com https://www.ufpb.br/cga/contents/documentos/manual-de-compostagem.pdf?utm_source=chatgpt.com https://cepagro.org.br/?p=18135 https://cepagro.org.br/?p=18135&utm_source=chatgpt.com https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1027799/1/Circulartecnica48.pdf https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1027799/1/Circulartecnica48.pdf https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1027799/1/Circulartecnica48.pdf?utm_source=chatgpt.com https://www.ecycle.com.br/compostagem-termofilica/ https://www.ecycle.com.br/compostagem-termofilica/?utm_source=chatgpt.com https://cepagro.org.br/wp-content/uploads/2023/10/manual-de-orientacao-para-compostagem-domestica-comunitaria-e-institucional-de-residuos-organicos.pdf https://cepagro.org.br/wp-content/uploads/2023/10/manual-de-orientacao-para-compostagem-domestica-comunitaria-e-institucional-de-residuos-organicos.pdf https://cepagro.org.br/wp-content/uploads/2023/10/manual-de-orientacao-para-compostagem-domestica-comunitaria-e-institucional-de-residuos-organicos.pdf