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Conceitos de Engenharia Ambiental 
Compostagem, Bioconstrução de recintos para animais silvestres e 
Biodigestão como auxílio secundário para as atividades primárias da 
Instituição GREMAR da unidade de Itanhaém-SP 
 
 
 
 
 
 
Sidnei Gonçalves Netto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ITANAHÉM-SP 
2025 
SIDNEI GONÇALVES NETTO 
 
 
 
 
Conceitos de Engenharia Ambiental 
Compostagem, Bioconstrução de recintos para animais silvestres e 
Biodigestão como auxílio secundário para as atividades primárias da 
Instituição GREMAR da unidade de Itanhaém-SP 
 
 
 
 
Trabalho apresentado a nome da Instituição 
Gremar como requisito para conclusão de 
voluntariado. 
 
 
 
 
 
 
ITANHAÉM-SP 
2025 
RESUMO 
Este estudo visa apresentar como a engenharia ambiental pode contribuir de 
forma secundária para uma organização não governamental que tem como foco o 
tratamento de animais silvestres e marinhos, tanto para os processos que 
englobam as ações primárias em relação ao trato dos animais em suas instalações 
bem como de maneira econômica e sustentável através do conceito de 
bioconstrução, biodigestão e compostagem. Estes conceitos retiram parte dos 
processos de uma organização do sistema linear, os levando para o sistema 
circular, que por sua vez, promove inovação, sustentabilidade e redução de gasto 
de capital. A metodologia usada adotada consiste em pesquisa bibliográfica, 
comparação de dados analisados e pesquisa de campo, demonstrando exemplos 
e ideias de bioconstrução como o biorecinto para aves e animais silvestres em 
comparação ao método de alvenaria tradicional mais utilizado, a biodigestão para 
o tratamento dos rejeitos orgânicos em comparação ao método tradicional de 
descarte e a compostagem como vantagem econômica para o tratamento de 
resíduos sólidos orgânicos gerados e rejeitados pela organização. 
ABSTRATC 
This study aims to show how environmental engineering can help in a 
secondary way to a non-governmental organization that focuses on the treatment 
of wild and marine animals, both for the processes that encompass the primary 
actions about to the treatment of animals in its facilities as well as in an economical 
and sustainable way through the concept of bioconstruction, biodigestion and 
composting. These concepts remove part of the processes of an organization from 
the linear system, taking them to the circular system, which in turn promotes 
innovation, sustainability and reduction of capital expenditure. The methodology 
used consists of bibliographic research, comparison of analyzed data and field 
research, demonstrating examples and ideas of bioconstruction such as the bio-
enclosure for birds and wild animals in comparison to the most used traditional 
masonry method, biodigestion for the treatment of organic waste in comparison to 
the traditional disposal method and composting as an economic advantage for the 
treatment of organic solid waste generated and rejected by the organization 
 
SUMÁRIO 
 
1. Introdução .............................................................................................................. 5 
2. Objetivos ................................................................................................................ 5 
3. Metodologia ........................................................................................................... 6 
4. Economia linear e circular no desperdício de alimentos................................... 6 
5. Da compostagem térmofilica e sua composição em caixa d’águas ................. 7 
6. Bioconstrução e inércia térmica ........................................................................ 12 
7. Da fabricação e do tempo de bioconstrução .................................................... 13 
8. Bioconstrução para recintos de animais – Biorecinto ..................................... 13 
9. Sistema de Biodigestão como fonte renovável de energia ............................. 17 
10. Discussão e Resultados ................................................................................... 18 
11. Conclusão .......................................................................................................... 20 
Referências .............................................................................................................. 21 
 
5 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
Com os impactos ambientais gerados pelo sistema de economia linear e a 
crescente expansão urbana cada vez mais animais são encontrados com algum tipo 
de revés negativo gerado pelas ações antrópicas, necessitando de intervenção 
humana para retornarem a seu habitat natural. Para isso as ONGs (organizações não 
governamentais) atuam diretamente na recapacitação e tratamento veterinário destes 
animais, como aves silvestres e mamíferos terrestres como é o caso do Instituto 
Gremar da unidade de Itanhaém. Parte de seus processos se enquadram na 
disponibilização de recintos adequados para a recuperação dos animais afetados, 
enriquecimento ambiental, controle de temperatura, controle de umidade dos recintos 
como forma secundária de tratamento e a oferta de alimentos adequados para cada 
espécie, que geram gastos à organização e descarte de resíduos sólidos orgânicos 
consideráveis, uma vez que parte de seus processos ainda estão enquadrados no 
sistema linear de consumir e descartar. Com os conceitos de engenharia ambiental 
aplicados nestes processos é possível reduzir os gastos e ao mesmo tempo 
proporcionar condições adequadas e melhoradas aos animais que venham a ser 
tratados pela instituição. 
2. OBJETIVOS 
Este estudo tem como objetivo demonstrar as vantagens físicas e econômicas 
da bioconstrução para o recinto de aves e mamíferos terrestres em comparação as 
formas tradicionais de alvenaria, a biodigestão como forma de geração alternativa de 
energia através do biogás e compostagem como forma circular do reaproveitamento 
dos resíduos sólidos orgânicos gerados para a criação de adubo orgânico, que podem 
ser utilizado para enriquecer o cultivo de alimentos dos animais tratados ou com a sua 
posterior venda, gerando renda e diminuindo gastos para instituição, demonstrando 
de forma efetiva como a engenharia ambiental pode agregar beneficamente pra uma 
organização tornando seus processos mais rentáveis, inovadores e sustentáveis em 
comparação aos processos lineares já pré existentes. 
 
 
 
6 
 
3. METODOLOGIA 
A pesquisa é conduzida por meio de revisão bibliográfica e análise documental 
de artigos acadêmicos, relatórios de instituições ambientais, dados governamentais e 
livros de autores especializados e pesquisa de campo. Se baseou em comparação 
qualitativa entre os modelos econômicos linear e circular dentro dos processos 
realizados no Instituto Gremar da unidade de Itanhaém, do que se refere a gestão de 
resíduos sólidos orgânicos e as construções dos recintos para os animais silvestres 
comparando as estruturas de alvenaria com as de bioconstrução, considerando as 
vantagens que os métodos de economia circular trazem a serem adotados. 
4. ECONOMIA LINEAR E CIRCULAR NO DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS 
O modelo da economia linear tem sido historicamente dominante, com base na 
extração intensiva de recursos naturais, transformação em produtos e posterior 
descarte após o uso, que se define em extrair, produzir, consumir e descartar 
diferentemente da circular que visa extrair, produzir, consumir e reciclar. 
No caso das ONGs, estas se enquadram em sua maioria em duas etapas do 
sistema linear, sendo: consumir e descartar. Como é o caso do Gremar da unidade de 
Itanhaém, que segundo o Biólogo Thiago Delmiro, residente desta unidade, o descarte 
mensal na baixa demanda de animais é em média de 15kg de recursos alimentícios, 
como banana, manga, maças, pepinos entre outros e com uma média de 32kg na alta 
demanda de animais em épocas reprodutivas que acontecem nas estações de 
primavera/verão.Considerando essa média temos 90kg desperdiçados nas estações 
de outono/inverno e 192kg nas estações de primavera/verão, que totalizam 282kg ao 
ano de alimentos desperdiçados, onde em um período de 5 anos de atividade gerarão 
1,41 toneladas. 
Em contrapartida a economia circular se faz por extrair, produzir, consumir e 
reciclar, aplicando esse método na organização, tendo o Gremar da unidade de 
Itanhaém como caso a ser utilizado, podemos converter os 282kg anuais de 
desperdício em adubo orgânico por meio da compostagem termofílica forçada 
gerando em torno de 141 kg de adubo orgânico levando em consideração a perda de 
massa de 50% da composição. 
 
 
7 
 
5. DA COMPOSTAGEM TÉRMOFILICA E SUA COMPOSIÇÃO EM CAIXA 
D’ÁGUAS 
A compostagem termofílica se resume na ação de bactérias termofílicas para 
a decomposição dos materiais orgânicos. Utiliza restos de alimentos e materiais secos 
(como folhas ou serragem) dispostos em camadas dentro de uma caixa d’água 
adaptada com furos para ventilação e drenagem. O processo passa por duas fases 
principais: a termofílica, que pode durar de 30 a 45 dias com temperaturas entre 50°C 
e 70°C, e a de maturação, com duração de 30 a 60 dias e temperaturas mais baixas. 
Essa metodologia elimina patógenos, acelera a decomposição e resulta em composto 
estável e seguro. 
Nesse sistema temos a reciclagem segura dos resíduos 
orgânicos, pois alcança altas temperaturas graças às bactérias 
termofílicas presentes em seu interior, podendo chegar à 65 
⁰C. (CEPAGRO, 2024) 
Abaixo temos os materiais necessário para criação de uma composteira 
termofílica em caixa d’água, bem como as medidas de todo processo estrutural. 
• Caixa d'água: De plástico (poliestireno ou polietileno), de 200L a 500L. 
 
• Abertura superior: Tampa removível para colocar o material (restos orgânicos, 
serragem, folhas secas) 
 
• Furos de aeração: Pequenos furos (1 cm de diâmetro) feitos nas laterais, 
principalmente perto do fundo e alguns no meio. 
 
• Torneira de drenagem: Instalado no fundo para extração do chorume. 
 
• Sistema de ventilação opcional: Pode-se colocar tubos de PVC perfurados 
(vertical no meio) para melhorar a aeração interna. 
 
• Isolamento adicional (opcional): Revestir externamente com palha ou madeira 
para manter mais calor. 
 
• Base elevada: Colocar a caixa sobre blocos ou suporte para facilitar drenagem 
e ventilação ou sobre paletes. 
8 
 
 
 
Abaixo temos um exemplo da estrutura de uma composteira termofílica 
forçada feita em uma caixa d’água. 
 
Fonte: Gerado por IA em 20/04/2025 
A manutenção exige revolvimento a cada 3 a 5 dias, controle da umidade 
(ideal de 50% a 60%) e verificação da temperatura. A aeração pode ser melhorada 
com tubos de PVC perfurados, promovendo um ambiente adequado para os 
microrganismos responsáveis pela decomposição. Estima-se que entre 50% e 75% 
da massa inicial se perca durante o processo, principalmente por evaporação de água 
9 
 
e liberação de CO₂, o que significa que 100 kg de resíduos podem gerar entre 25 kg 
e 50 kg de composto final. 
 
Abaixo temos a dimensão dos valores de produção semestral, anual e a 
estimativa dentro de um período de 5 anos da capacidade de produção de adubo 
orgânico levando em consideração a média dos dados fornecidos da unidade Gremar 
de Itanhaém. 
 
Fonte: Gerado POR Canvas em 22/04/2025 
Os valores obtidos são: 
10 
 
 
PERÍDO 
(EM ANOS) 
 
ADUBO GERADO(KG) 
 
6 meses 
 
70,5 
 
1 ano 
 
141,0 
 
1,5 anos 
 
211,5 
 
2 anos 
 
282,0 
 
2,5 anos 
 
352,0 
 
3 anos 
 
423,0 
 
3,5 anos 
 
493,0 
 
4 anos 
 
564,0 
 
4,5 anos 
 
634,0 
 
5 anos 
 
705,0 
 
Com base nestes valores é possível estimar o lucro sobre o adubo produzido, 
um vez que tais rejeitos orgânicos seriam destinados aos aterros sanitários comuns, 
no processo de compostagem, podem ser fonte de renda sustentável, como é 
defendido por Patrícia Silva Cruz, CONIDIS (2016). Abaixo temos a estimativa de lucro 
11 
 
da unidade Gremar Itanhaém numa suposição de venda em relação ao adubo 
produzido pelos rejeitos orgânicos levando em consideração a média de preço de 
R$:10,00 por Kg de adubo orgânico. 
 
 
Fonte: Gerado por Canvas em 22/04/2025 
 
Além dos benefícios ambientais, como a redução do volume de lixo enviado a 
aterros, a técnica é econômica, replicável e educativa, podendo ser implementada em 
escolas, hortas urbanas e residências. O CEPAGRO e universidades públicas atestam 
a eficiência do método, que se alinha aos princípios da agroecologia e da economia 
circular ao transformar resíduos em adubo de alta qualidade. 
 
 
 
 
 
12 
 
6. BIOCONSTRUÇÃO E INÉRCIA TÉRMICA 
A bioconstrução é uma técnica milenar que utiliza terra crua, água e fibras 
naturais, com efeito sustentável e eficiência térmica. Se tomarmos as médias de 
temperatura do litoral sudeste brasileiro, onde se situa o Gremar de Itanhaém, temos 
uma variação entre 22 °C no inverno e 30 °C no verão, onde a temperatura interna de 
uma construção de alvenaria tradicional se dá em torno 20 ºC no inverno e 32ºC no 
verão devido ser feito de cerâmica, material utilizado neste tipo de construção que 
apresenta baixa inércia térmica. 
Por outro lado, devido alta inércia térmica do adobe por exemplo, um dos 
materiais utilizados na bioconstrução, temos um isolamento térmico eficaz, mantendo 
temperaturas internas mais estáveis, onde com uma variação entre 22 °C no inverno 
e 30 °C no verão, o interior de edificação de adobe pode manter temperaturas entre 
24 °C e 28 °C, proporcionando conforto térmico significativo. Além disso, o adobe 
possui boa capacidade de absorção sonora, reduzindo a transmissão de ruídos 
externos e internos. 
a capacidade térmica da alvenaria de adobe se apresentou 
superior à alvenaria de tijolo cerâmico, pelo fato de se apresentar 
com maior densidade e calor específico" Marques (2018). 
 
Fonte Gerado por IA em 20/04/2025 
13 
 
Isso acontece, pois o adobe possui alta inércia térmica devido à sua massa e 
composição, o que significa que ele absorve calor lentamente durante o dia e o libera 
gradualmente à noite. Esse processo ajuda a manter a temperatura interna constante, 
mesmo com variações externas significativas. 
7. DA FABRICAÇÃO E DO TEMPO DE BIOCONSTRUÇÃO 
Do que se cabe a sua fabricação, os tijolos de adobe envolvem a mistura de 
solo argiloso, água e fibras vegetais, moldados em formas retangulares e secas ao 
sol. O tempo de secagem varia de 7 a 14 dias, dependendo das condições climáticas 
locais. O uso do adobe não se limita ao emprego em construções antigas, podendo 
ser encontrado em diversas partes do mundo, inclusive em construções modernas, 
urbanas e rurais, e até mesmo em casas de luxo, Segundo Nunes e Farias (2011). 
Se considerarmos a bioconstrução de 3 m x 3 m com altura de 2,5 m, a 
utilizando tijolos de adobe, temos sua conclusão em aproximadamente 3 a 4 semanas. 
Esse prazo inclui a produção dos tijolos, a construção das paredes e o tempo 
necessário para a secagem e acabamento. A duração pode variar conforme a 
experiência da equipe e as condições climáticas. 
8. BIOCONSTRUÇÃO PARA RECINTOS DE ANIMAIS – BIORECINTO 
A bioconstrução tem um grande potencial de ser utilizada como recintos para 
animais silvestres que estão em centros de tratamento e recuperação como no caso 
do Gremar de Itanhaém, como forma inovadora e alternativa de proporcionar um 
ambiente mais rico ambientalmente para os animais, mais economicamente viável 
para a organização e sustentável apresentando vantagens em comparação às 
estruturas convencionais de alvenaria. Segundo Silva et al. (2021), a bioconstrução 
oferece propriedades de regulação térmica que favorecem o bem-estar animal, 
criando um ambiente mais próximo das condições naturais necessárias para a 
reabilitação eficiente. 
O levantamento de informações em relação a instituições que aderirama este 
método de construção com foco em recintos para animais mostra que apesar das 
práticas sustentáveis que muitas operam, a bioconstrução não está explicitamente 
mencionada dentro de seus processos. No Brasil, centros como o CEREIAS, na 
Bahia, têm dado destaque a práticas sustentáveis em suas instalações de reabilitação 
de fauna silvestre, embora nem sempre colocada em prática, a aplicação dos 
14 
 
princípios da bioconstrução nas estruturas evidencia uma preocupação crescente com 
o bem-estar animal (CEREIAS, 2025). 
Comparando as construções tradicionais de alvenaria às estruturas de adobe, 
observa-se que, enquanto a alvenaria atinge temperaturas internas de até 32 °C no 
verão, recintos feitos com técnicas de bioconstrução mantêm a temperatura entre 
24 °C e 28 °C, mesmo com temperaturas externas de até 30 °C no litoral sudeste 
brasileiro (INMET, 2025. De acordo com o Instituto Federal Catarinense, a faixa de 
temperatura ideal para aves adultas faz-se entre 20°C e 27°C, com umidade relativa 
do ar recomendada entre 40% e 65%, proporcionando condições ambientais 
adequadas para a manutenção da homeostase e prevenção de estresse térmico, 
(Agatha Barão Cavalheiro, Mira, 2021). 
Além disso, aves são animais homeotérmicos, mantendo sua temperatura 
corporal constante entre 40°C e 42°C. No entanto, quando expostas a temperaturas 
ambientais fora da zona de conforto térmico, ativam mecanismos fisiológicos para 
dissipar ou conservar calor, o que pode levar a alterações comportamentais e 
fisiológicas adversas (EMBRAPA, 2005). Portanto, manter a temperatura ambiental 
dentro da faixa ideal é essencial para a saúde e recuperação eficaz de aves silvestres 
em cativeiro, minimizando o estresse térmico e promovendo condições favoráveis à 
reabilitação. 
Essa capacidade de manutenção térmica do adobe diminui a necessidade de 
sistemas artificiais de aquecimento ou resfriamento, resultando em expressiva 
economia de energia elétrica. Em contraste, recintos de alvenaria, devido à baixa 
inércia térmica dos blocos cerâmicos, demandam maior consumo energético para 
manter condições térmicas adequadas, onerando o processo de reabilitação de fauna. 
Outro fator relevante é o conforto acústico proporcionado pelos materiais 
naturais utilizados na bioconstrução. A capacidade de absorção sonora do adobe 
reduz a transmissão de ruídos, promovendo um ambiente mais tranquilo, o que é 
essencial para a recuperação de aves silvestres sensíveis ao estresse sonoro. 
Estudos reforçam que animais silvestres em centros de recuperação expostos a 
ruídos excessivos apresentam atrasos na reabilitação e maior suscetibilidade a 
doenças, Silva (20210) Assim, a bioconstrução não apenas estabiliza o microclima 
15 
 
dos recintos, mas também favorece a saúde emocional e comportamental dos 
animais. 
Isso ocorre porque o adobe é um material higroscópico, ou seja, consegue 
trocar umidade com o ar de forma natural. A terra crua e a argila presentes no tijolo de 
adobe possuem microporos – pequenos espaços internos – que absorvem vapor da 
água quando a umidade do ar externo está alta e a liberam essa umidade quando o 
ar está seco, ele possui uma estrutura porosa que funciona feito uma esponja natural, 
equilibrando a UR (umidade relativa do ar) interna, Marques (2018). Essa capacidade 
passiva de regulação, ou seja, sem necessitar de auxílio elétrico torna o adobe 
sustentável e eficiente para manter ambientes mais confortáveis em épocas tanto 
úmidas como secas. 
Abaixo uma ilustração do sistema de controle de UR do adobe. 
 
Fonte: Gerado por IA em 22/04/2025 
Em países desenvolvidos, práticas sustentáveis semelhantes têm sido 
adotadas, mesmo que sob outras nomenclaturas. Centros de reabilitação de fauna 
como o International Bird Rescue, nos Estados Unidos, incorporam conceitos de 
16 
 
eficiência térmica e construção sustentável em seus recintos, ainda que nem sempre 
utilizando a bioconstrução (International Bird Rescue, (2025). 
Abaixo um o modelo de um biorecinto de 3 m x 3 m com altura de 2,5 m, com 
janelas feitas de garrafa pet para a incidência de luz em seu interior. 
 
Fonte: Gerado por IA 29/04/2025 
A tendência mundial aponta para a criação de ambientes cada vez mais 
naturalizados, evidenciando a importância de recintos que respeitem as condições 
naturais de cada espécie, algo que a bioconstrução proporciona de maneira 
intrínseca. 
 
17 
 
9. SISTEMA DE BIODIGESTÃO COMO FONTE RENOVÁVEL DE ENERGIA 
Os biodigestores funcionam por meio da decomposição anaeróbica, ou seja, 
é um processo em que microrganismos decompõem resíduos orgânicos sem a 
presença de oxigênio, gerando biogás e biofertilizante. O biogás produzido é uma 
mistura de metano e dióxido de carbono que pode ser utilizado como fonte de energia 
para fogões, aquecedores e pequenos geradores, onde o aproveitamento energético 
dos resíduos orgânicos por meio da biodigestão anaeróbica contribui 
significativamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa" (INT, 
2013). 
Além da produção de energia, o biodigestor gera um efluente líquido rico em 
nutrientes, onde o biofertilizante oriundo da biodigestão de resíduos humanos pode 
ser aproveitado na agricultura, desde que observados procedimentos de tratamento e 
segurança sanitária (EMBRAPA, 2014). 
É importante ressaltar que o uso de biodigestores para fezes humanas exige 
atenção sanitária rigorosa. Recomenda-se um período de retenção de pelo menos 30 
dias no biodigestor, temperatura controlada e, em alguns casos, pós-tratamento do 
biofertilizante para garantir a eliminação de patógenos. Em locais onde a gestão e o 
monitoramento são adequados, os biodigestores mostram alta eficiência e segurança 
e proporcionam economia enérgica. 
Abaixo um exemplo de como funciona um biodigestor para a geração do 
biogás. 
 
 Fonte: AEQ, 2015, p. 06 
18 
 
 
10. DISCUSSÃO E RESULTADOS 
A compostagem termofílica, realizada em caixas d’água adaptadas, 
demonstra ser um método eficaz, econômico e replicável para o reaproveitamento de 
resíduos orgânicos urbanos, promovendo a sustentabilidade ambiental. Através da 
ação de bactérias termofílicas, que atuam em temperaturas entre 50 °C e 70 °C, o 
processo proporciona rápida degradação da matéria orgânica, com eliminação de 
patógenos e produção de composto de alta qualidade. 
Com os dados obtidos e uma análise do sistema sugerido a unidade Gremar 
de Itanhaém, observa-se que a estrutura da composteira — utilizando caixas de 
polietileno com capacidade entre 200 L e 500 L, furos de ventilação e sistema de 
drenagem — garante uma boa manutenção da temperatura e da umidade ideais (50 % 
a 60 %). A adição de tubos de PVC perfurados e a base elevada contribui para a 
aeração adequada, promovendo o ambiente necessário para o desenvolvimento 
microbiológico além de ser de baixo custo de produção, indicando uma conversão 
eficiente dos resíduos orgânicos: de cada 100 kg de insumos, foram se é possível em 
média obter entre 25 kg e 50 kg de composto final. Essa eficiência se manteve estável 
ao longo do período analisado de 5 anos, resultando em uma produção estimada de 
705 kg de adubo orgânico. Além disso considerando o preço médio de R$ 10,00 por 
quilograma, o sistema apresenta potencial de lucro acumulado de R$ 7.050,00, o que 
evidencia seu caráter não apenas sustentável, mas também economicamente viável. 
Contudo, temos também o processo que envolve as estratégias de 
bioconstrução, sobretudo em projetos voltados à criação de biorecintos. O uso de 
materiais como o adobe, com alta inércia térmica, contribui para a regulação térmica 
dos ambientes internos que abrigam os animais silvestres como as aves em sua 
maioria, diminuindo a necessidade de energia artificial, por sua capacidade passiva 
de regulação interna de temperatura e UR. esta manutenção de temperatura interna 
entre 24 °Ce 28 °C, mesmo em condições externas adversas, reforça sua 
aplicabilidade em regiões como no litoral de São Paulo-SP, onde se cedia a unidade 
analisada nesse estudo de caso. 
Portanto, os resultados obtidos validam a eficiência do sistema proposto, não 
apenas pela produção de composto orgânico e geração de renda, mas também pelo 
19 
 
impacto positivo no controle ambiental e no bem-estar animal. Tais práticas podem ser 
difundidas como modelo para centros de reabilitação de fauna e projetos de educação 
ambiental urbana uma vez que se mostra algo totalmente inovador em relação as 
demais instituições do mesmo segmento de atuação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
11. CONCLUSÃO 
Conclui-se perante pesquisa realizada, a evidencia que a aplicação dos 
conceitos de Engenharia Ambiental em uma instituição de reabilitação animal silvestre 
como o caso da unidade de Itanhaém, agrega de forma significativa à sustentabilidade 
institucional e ao fortalecimento da responsabilidade socioambiental. A transformação 
de resíduos orgânicos em adubo por meio da compostagem termofílica forçada, 
conforme metodologia validada pelo CEPAGRO, demonstra um caminho eficiente de 
transição do modelo econômico linear para a economia circular. A conversão de 
aproximadamente 282kg anuais de resíduos alimentícios em 141kg de adubo 
orgânico não apenas reduz o descarte inadequado, como também gera benefícios 
econômicos, conforme defendido pelo CONIDIS, ao possibilitar a comercialização do 
composto. 
A implantação de biorecintos utilizando técnicas de bioconstrução, como o 
adobe, apresenta-se como solução sustentável, proporcionando estabilidade térmica 
e conforto acústico para os animais silvestres em reabilitação, elementos essenciais 
para a eficácia dos tratamentos, como evidenciado por Silva e corroborado pelas 
diretrizes de bem-estar animal do Instituto Federal Catarinense e da EMBRAPA. A 
comparação entre recintos de alvenaria e bioconstruções deixa clara a vantagem 
térmica do adobe, que mantém as condições ambientais dentro da zona de conforto 
das espécies, reduzindo o estresse térmico e sonoro. 
Além disso, a adoção de sistemas de biodigestão, conforme as orientações 
do INT e EMBRAPA, propõe uma alternativa para o aproveitamento de resíduos 
orgânicos, com a geração de energia renovável e biofertilizantes, reforçando o 
compromisso da organização com práticas de baixo impacto ambiental. 
Assim, a incorporação de tecnologias ambientais pelo Grema representa não 
apenas inovação na gestão de resíduos e melhoria das condições de reabilitação 
animal, mas também consolida a instituição como referência em práticas sustentáveis 
umas que não há evidências de outras instituições brasileiras que adotaram a 
bioconstrução como forma de processos internos. Portanto, a Engenharia Ambiental, 
neste contexto, surge como vetor fundamental para transformar os desafios 
ecológicos em oportunidades de valorização institucional, geração de recursos e 
promoção da conservação ambiental a longo prazo 
21 
 
REFERÊNCIAS 
1. R3 Animal 
R3 ANIMAL. Capital terá maior centro de reabilitação de animais marinhos do país. 
RCN Online, 2018. Disponível em: 
https://www.rcnonline.com.br/geral/capital_tera_maior_centro_de_reabilitacao_de_
animais_marinhos_do_pais.94404/. Acesso em: 22 abr. 2025. 
2. Instituto Argonauta 
INSTITUTO ARGONAUTA. Quem somos. Instituto Argonauta, 2024. Disponível em: 
https://institutoargonauta.org/new/quem-somos/. Acesso em: 22 abr. 2025. 
3. Associação MarBrasil 
NOVA MATA. MarBrasil. Nova Mata, 2024. Disponível em: 
https://novamata.org/iniciativa/mar-brasil/. Acesso em: 22 abr. 2025. 
4. ROCHA, M. S. Desempenho térmico de alvenarias construídas a partir de três tipos 
de vedações. 2021. Disponível em: 
https://dspace.doctum.edu.br/bitstream/123456789/3689/1/Marcelo%20da%20Silv
a%20Rocha.pdf. Acesso em: 26 abr. 2025.dspace.doctum.edu.br 
5. SILVA, M. A. et al. Comparação do conforto térmico entre uma edificação executada 
em alvenaria convencional de tijolos cerâmicos e outras técnicas construtivas. 
Enciclopédia Biosfera, v. 18, n. 38, p. 248, 2021. Disponível em: 
https://conhecer.org.br/enciclop/2021D/comparacao.pdf. Acesso em: 26 abr. 2025.
conhecer.org.br 
6. INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA (INMET). Gráficos climatológicos. 
Disponível em: https://portal.inmet.gov.br/servicos/gr%C3%A1ficos-
climatol%C3%B3gicos. Acesso em: 26 abr. 2025.Instituto Nacional de Meteorologia 
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Disponível em: 
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16. Compostagem – Curso Prático e Teórico – Embrapa 
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20. Manual de Orientação para Compostagem – MMA 
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