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DISTÚRBIOS HIDROELETROLÍTICOS Aula quinto ano UEM 2022 Conteúdo Introdução Fluídos corporais e seus compartimentos( Fisiologia) Regulação da água Desidratação Distúrbios Electrolíticos No final da aula o aluno deverá saber: compreender como se mantem o equilíbrio hídrico entre os destintos compartimentos do organismo. Saber as necessidades fisiológicas de água e eletrólitos Conhecer e identificar os distúrbios ou alterações eletrolíticas críticas e seu manejo. Saber instituir a fluitoderapia adequada para criança hospitalizada em diversas situações clinicas. Objectivos Introdução (1) Os DH são conjuntos de problemas clínicos pediátrico mais comuns e importantes, resultantes da anormalidade no sistema de controle que mantem a homeostasia dos líquidos corporais . Lembrar que a agua é solvente universal Com funções importantes: ▪ Regulação da temperatura corporal ▪ Transporte de nutrientes e excretos ▪ Ambiente de reações químicas ▪ Homeostasia Introdução (2) O meio interno ( agua e eletrolítico), constituí um elemento essencial na actividade do organismo animal. Varia as suas dimensões ao longo da vida. ACT compõe cerca de 75-80% do peso corporal do RN de termo e vai diminuindo até cerca de 55-60% na idade adulta. Com o crescimento e desenvolvimento ocorre aumento da quantidade de células e por consequência do LIC com decréscimo do LEC ( esta inversão ocorre em torno do 1° ano de vida) A anatomia dos líquidos corporais altera-se com o crescimento e com a presença de patologias . O peso corporal total: fração que corresponde a agua corporal total (ACT) e outra constituída por sólidos ( proteínas , minerais e gordura.) A ACT e o volume do liquido extracelular (LEC) diminuem a medida que idade gestacional aumenta. Anatomia dos líquidos corporais Distribuição da ACT Possui 2 compartimentos separados pela membrana celular permeável à água, mas não aos eletrólitos. O tamanho dos compartimentos varia com a idade. Nelson,Tratado de Pediatria, 20ª edição. Cáp.:55 pág 363 20-25% do peso corporal 2/3 ACT (1/3) ACT 30 - 40% do peso corporal 15% 5% O endotélio constitui a barreira entre os meios intersticial e intravascular, impedindo a saída de proteínas para o interstício e permitindo fluxo livre de água e eletrólitos. Anatomia dos líquidos corporais Anatomia dos líquidos corporais Fisiologia (1) H20 corporal e compartimentos Água corporal total (ACT), dividida no Líquido Intracelular (LIC) e Líquido Extracelular (LEC). O LEC subdivide-se nos espaços intravascular e intersticial, com uma composição iónica similar. Em todos os compartimentos mantêm-se mesma osmolaridade, assim como neutralidade. Iões Plasma Interstício LIC Catiões Na 142-144 142-144 6 K 4-5 4-5 154 Ca 5 5 0 Mg 3 3 40 Aniões Cl 105 118 0 HCO3 20-24 25-27 13 Prot 15 0 60 Fosfat 5 6 106 Sulfat 4 4 17 Fisiologia(2) Distribuição da H20 corporal ACT é ↑, com ↓ idade. A % do LIC permanece constante ao longo da vida. Na criança pequena, principalmente lactentes, os mecanismos reguladores encontram-se imaturos. IDADE ACT % LEC % LIC % RN pré-termo 80 45 35 RN à termo 75 40 35 1-12 meses 65 30 35 1-12 anos 60 20 40 Adulto 50-55 20-25 30 Fisiologia(3) Sociedades espanhola de pediatria, formação contínua,2017 O LEC do RN é 40-50% do seu peso corporal; este diminui rapidamente nas primeiras 6 -8 semanas de vida continuando num processo lento que permite atingir sua maturidade ao redor de 1 -3 anos de idade quando o LEC é20% e liquido intracelular é 40%. 11 Fisiologia (4) Lei de Gibbs-Donnan: espaço plasmático rico em proteínas (carga negativa). Promove-se a saída Cl, e entrada de Na, para equilibrar a diferença de potencial eléctrico. Lei de Starling: Pressão hidrostática capilar gerada pela sístole, compliance vascular é a ↑ força que move a H20 do espaço intravascular ao intersticial. Mecanismos que regulam a relação entre os compartimentos Plasma versus interstício do LEC Regulação da água(1) A regulação da água ocorre através de mecanismos que visam a manutenção da volemia, osmolaridade e do volume intracelular. A regulação do balanço de água depende: Mecanismo da sede Arginina- Vasopressina( HAD) Angiotensina II Regulação da água(2) Regulação da osmolaridade O volume de liquido plasmático é regulado por 2 mecanismos: Estimulo da sede Secreção da hormona antidiuretica Osm= (2x (Na+K) + (glicose /18) +(ureia/5) Osm= (2x (Na) + (glicose /18) Regulação da água (3) Regulação do volemia Depende da (Na), principal catião extracelular. O determinante + importante da excreção renal de Na e consequentemente de água, é o Volume intravascular efetivo e a quantidade de Na filtrado pelo glomérulo que é directamente proporcional a TFG. A reabsorção de Na ocorre por ordem de importância: - no túbulo contorcido proximal( 65% de Na) - na alça de Henle ( medula hipertónica) - no tubo coletor (onde age a Aldosterona) O controle do volume e do LEC Ocorre através de mecanismos que visam a manutenção da volemia, osmolaridade e do volume intracelular ↓ da volêmia e do sódio sérico e a queda da pressão arterial. Sede HAD Aldosterona Controla o volume ingerido como resposta ao ↑ na osmolaridade plasmática ↑ reabsorção tubular renal de sódio e sua liberação Regula a excreção da água livre pelo sistema urinário Piva E Celiny, Medicina Intensiva em Pediatria, segunda edição. Regulação da água (4) 16 Regulação do Equilibrio Hidrelectrolítico O Equilibrio hidroelectrolítico é o balanço entre a ingestão e eliminação de água e electrólitos, independentemente da via em que se produzem. Os pequenos lactentes saudaveis tem sempre um balanço positivo Balanço Hídrico = Entradas - Saídas 18 Perdas fisiológicas de água Tipo de perda Quantidade Perdas insensíveis 25ml/kg/dia Elevação de temperatura por grau C 10% do peso Diurese minima obrigatória. 1ml/kg/h Água nas fezes 5ml/kg/dia Idade Quantidade RNT ( 1ºdia) 60-70ml/kg/dia Lactentes 100-150ml/kg/dia Adulto 25-30ml/kg/dia -Necessidades diárias de água Idade ACT(%) LEC(%) LIC(%) RNPT 80 45 35 RNT 75 40 35 1-12 meses 65 30 35 1-12 anos 60 20 40 adulto 50-55 20-25 30 Distribuição da agua corporal total pelos espaços - Holliday Superficie corporal Segundo as perdas Peso NHD Ate 10 kg 100ml/Kg 11-20 kg 1000ml + 50ml por cada kg acima de 10 kg 21-30 kg 1500 + 20 ml por cada kg acima de 20 kg SC= (4xpeso+7): peso+90 Saidas= Diurese diária + perdas insensiveis de água Necessidades hidroelectroliticas segundo peso e superficie corporal Necessidades electrolíticas diárias IDADE Na (mEq/Kg) K (mEq/Kg) Ca (mEq/Kg) Mg (mEq/Kg) P (mmol/kg) Prematuros 2-8 1-4 1-2,5 0,25-1 1-3 RN termo 1-4 2-2.5 0,5- 1 Lactentes 2-3 0,5-1 0,5 1-1,5 Crianças Adolescentes 2-3 2-3 0,25-0,5 0,5-1 Necessidades hidroelectroliticas segundo peso e superficie corporal Manutencao Agua(mL) Sodio(meq) Potassio(ml) Peso 1-10kg 100ml/kg 3meq/kg 2meq/kg 11-20kg 1000+50/kg>10kg 30+2meq/kg>10kg 20+1meq/kg>10kg >20kg 1500+20/kg>20kg 50+1meq/kg>20kg 30+0,5meq/kg >20kg Pratica clinica ( calculos) Necessidades hidroelectroliticas Pontos chaves(1) A ACT é um componente maioritário do organismo . Divide-se em 2 compartimentos: LIC 40% do peso corporal e LEC 20%. A substância que mais contribui a osmolaridade é o sódio. A regulação de entrada de agua é feita através da sede e a saída mediante a HAD, ambos estimulados pela hiperosmolaridade e hipovolemia A reabsorção de sódio responde as alterações no volume do LEC e esta mediado pelo SRAA e o PNA A fluidoterapia de manutenção aporta água e eletrólitos necessário para a reposição das perdas fisiológicas DISTÚRBIOS HIDRO-ELETROLÍTICOS NA CRIANÇA Desequilíbrio hidroelectrolítico Transtornos consecutivos à perda massiva e não compensada de fluidos e electrólitos, reflectida clinicamente por uma rápida perda de peso NhamafuliV., Chicamba V., 2011 Conceito Mais frequentes em doentes pediátricos (recém nascidos e lactente) : Factores Anatómicos - Maior quantidade de água corporal total por unidade de peso - Maior quantidade de água no espaço extracelular - Maior superficie corporal por unidade de peso Factores Fisiológicos - Maior intercâmbio de água (maior consumo energético por unidade de peso) - função renal imatura - adaptação hormonal limitada DISTÚRBIOS HIDRO-ELETROLÍTICOS NA CRIANÇA Os transtornos no equilíbrio de líquidos podem classificar-se em três categorias gerais: Alteração da volemia Alteração da concentração Alteração na composição DISTÚRBIOS HIDRO-ELETROLÍTICOS NA CRIANÇA Desidratação Desidratação Expressão clinica de um balanço hidrosalino negativo, consequente de uma diminuição brusca da ingestão de água e electrolitos ou aumento das perdas hidrossalinas Definição Desidratação iso/hiponatrémicas: ↓ ingestão de solutos Déficit mineralcorticoide Pérdas renais: diuréticos, sindrome de perda de sal Fibrose quística Translocação líquidos: queimadura, sd. nefrótico Desidratação hipernatremicas - ↓ aporte de líquidos Pérdas renais: diurese osmótica em DM, diabetes insípida Dietas hiperconcentradas Hipertermia, golpe de calor, diaforesis, polipnea Etiologia DESIDRATAÇÃO 30 Jason B Harris, MD, MPH, et al. Approach to the child with acute diarrhea in resource-limited countries, Literature review current through: Apr 2020, UpToDate Características Isotónica Hipertónica Hipotónica Osmolaridade do plasma 285-300 mOsm/L >310 mOsm/L 150 mEq/L ou = à 10%. Desidratação moderada com fracasso da Rehidratação Oral (RO): Recusa a ingestão. Vómitos persistentes. Desidratações moderadas sem indicação de RO: Distress respiratório. Choque. Sépsis. Alterações da deglutição. Ílios paralítico. Distensão abdominal. Alterações da consciência, estupor, coma. Indicações para hidratação EV (2) Desidratações moderadas com hiponatrémia grave: Na 160 mEq/L Perdas intensas, superiores as capacidades de ingestão com RO. Especialmente em lactentes, mesmo que ainda sem sinais de desidratação grave. Desidratação Moderada PRIMEIRA FASE Nhamafuli V., Chicamba V., 2011 SEGUNDA FASE 75ml/kg em 6 horas Glicofisiológico ou Glicoringer NHD + Perdas adicionais (20-50ml/kg) Soro com electrólitos e glicose por 24 horas Se não há vómitos: RO e dieta geral ↑12% por cada grau C⁰ ↑ 38 Desidratação Grave PRIMEIRA FASE Expansão: 20 ml/kg: LR/SF Desaparecimento de sinais de insuficiência circulatória: SEGUNDA FASE NHD+ Deficit (>10%) Primeiras 8 horas: 1/3 NHD + ½ do deficit – expansões Restantes 16 horas: 2/3 NHD + ½ do deficit – expansões Resposta diurética PP + Extremidades aquecidas PC160 mEq/L Deficit de H20 livre: 4 x peso x mEq/L ↑ 150 Volume total = NHD + deficit em H20 livre Tempo de correcção: 150-160 mmols: 24 hr 160-170 mmols: 48 hr >170 mmols: 72-96 hr Hipernatrémia (4) Tratamento . Volume total =Déficit de água livre (4 x peso x meq de sódio acima de 150meq) + NHD Administrar 20 mEq/l de Na para cada 1000 ml de volume total Volume de NaCl 0,9% (1000 ml→154 mEq /l) ou NaCl 20% (1ml → 3.4 mEq/l) Volume de DX5% = volume total – volume de Nacl Tempo de Correcção - A correcção deve ser lenta para não alterar a osmolaridade presente e correr-se o risco de evoluir para o edema intracelular (cerebral). Hipernatrémia (4) Fig. 1 Fisiopatologia da correcção Hiponatrémia (1) ETIOLOGIA SPS SIADH Hiperglicemia Diuréticos em doses elevadas Nefropatia perdedora de sal Cirrose Síndrome Nefrótico Insuficiência Cardíaca Medicamentos: carbamazepina, antidepressivos, clofibrato, opiáceos, ciclofosfamida, clorpropamida, etc MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Letargia Convulsões Coma Hiponatrémia (2) Cálculo de líquidos como na desidratação isotónica Se >120 mmol/L; 20mg/kg de SF Corrigir sepotencial de repouso da célula nervosa ALTERAÇÕES DO POTÁSSIO Captação celular Na+/K+ - ATPase (SHIFT) Saída da célula permeabilidade e gradiente eletrolítico Rim é responsável por 95% do balanço Hipocaliémia (1) K sérico 3mEq/kg/dia Hipocaliémia Tratamento Grave ( K menor de 2,5 mEq/l) Sempre sintomática, e corrige-se sempre por via endovenosa: Défice em Potássio = 0,6 x peso x (K+ ideal – K+ real) Volume de KCl a 10% (1ml → 1,34 mEq K) ou a 7,5% (1ml → 1mEq K) Volume de soro fisiologico (1000 ml → 80mEq) Ritmo de infusão (RI =0,3- 0,5 mEq x peso/h) Tempo de infusão (TI = mEq de KCl: RI) Fluxo ( Fluxo = liquido total : TI) Nota : Para prevenir lesão das células endoteliais a perfusão não deve ultrapassar: veia periférica -80 mEq de K/l, veia central - 120 mEq de K/l,v eia umbilical -150 mEq de K/l Hipocaliémia Tratamento Hipercaliémia (1) K sérico > 5.5 mmol/L ETIOLOGIA Pseudohipercaliémias por hemólise durante extracções de sangue. Aporte massivo de K: Exógeno: consumo ou iatrogênico. Endógeno: citolíse massiva, rabdomiolise, queimaduras, crises hemolíticas. Liberação transcelular: Acidose aguda Diminuição da excreção renal de K: Forma oligúrica da IRA por ↓ da filtração glomerular e ↓ fluxo renal. Deficiência de corticóides MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Toxicidade cardíaca: Ondas T altas e bicudas intervalo PR alarga Complexo QRS alarga ↓ onda P FV e assistolia Neuromusculares: Debilidade muscular Parestesias Paralisia flácida Hipercaliémia (2) Hipercaliémia (2) Medidas gerais: Suprimir todo aporte exógeno de K Prevenir situações de hipercatabolismo Tratamento específico: Salbutamol: Aerossol 0.03ml/kg/dose Bicarbonato de sódio 8.4%: 2ml/kg diluido pelo mesmo volume em SF, 5 minutos Gluconato de cálcio 10%: 0.5-1ml/kg EV em 20 minutos. Diluir cada ml de gluconato em 9 ml de Destrose 5%. Dextrose à 1gr/kg e insulina regular 0.1 UI/kg Kayexalato: 1gr/kg em cada 2-4 horas Diálise peritoneal OUTROS IÕES Cálcio (1) HIPOCALCEMIA Ionizado 2,5mmol/L ETIOLOGIA Hiperparatireoidismo Imobilização Neoplasias Hipervitaminose D e A Tiazídicos, carbonato de cálcio Tireotoxicose Doença granulomatosa MANIFESTAÇÕES CLINICAS Debilidade , náusea e vômito Constipação e anorexia Poliúria e polidipsia Fadiga, letargia Dor abdominal Arritmias Litíase renal Cálcio (3) HIPERCALCÉMIA TRATAMENTO Hidratação adequada com SF Diuréticos de alça Sais de fosfato IV = Pamidronato (90 mg) Glicocorticoides Calcitonina Tratamento da causa de base Magnésio (1) IMPLICAÇÕES FISIOLÓGICAS Ativação nas membranas e bombas de membranas Age como estabilizador de membranas Envolvido no transporte de íons Acção nos canais de K+ e Ca++ Ativações enzimáticas Magnésio (2) HIPOMAGNESEMIA 2,0 mEq/L CAUSAS: I.R.C. Rabdomiólise uso crônico de laxantes contendo sais de magnésio MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS fraqueza, letargia ou abolição dos reflexos tendinosos Depressão do SNC paralisia respiratória hipotensão, bradicardia, PCR Magnésio (5) TRATAMENTO Monitorar níveis de Ca++ - se for usar diurético Gluconato de Cálcio 10% - 1 a 3mg IV de 3 a 10 min Diálise Nelson, Textbook of Pediatrics, 20ª edition Tratado Manuel Cruz 12ª edição Francisco Ruza,Tratado Cuidados intensivos,2006 Reynaldo Gomes de Oliveira, Blacbook, 2005, Protocolo de correção de desequilíbrio hidroeletrolítico, UCIP, Março 2011 revisto em 2019 Brandt, Kátia Galeão, Margarida Maria de Castro Antunes, and Giselia Alves Pontes da Silva. "Acute diarrhea: evidence‐based management." Jornal de Pediatria (Versão em Português) 91.6 (2015): S36-S43. Silva, Luís Beck da, et al. "Peptídeo natriurético tipo-B e doenças cardiovasculares." Arquivos Brasileiros de Cardiologia 81.5 (2003): 529-534. . BIBLIOGRAFIA image1.png image2.jpeg image3.emf 2 La osmolaridad plasmática (Osmp) es la concentración de partículas disueltas en el plasma (valores normales: 285-295 mOsm/l). Dado que todas las membranas son permeables al agua, el cambio de la osmolaridad de cualquiera de los compartimentos provoca un desplazamiento de agua que restablece el equilibrio entre ellos. La osmolaridad hace referencia al número de partículas (osmoles) por litro de disolvente (mOsm/l) y osmolalidad al número de partículas por kilogramo de disolvente (mOsm/kg). Solo los solutos para los cuales las membranas celulares son impermeables se pueden considerar solutos efectivos, capaces de crear gradientes osmóticos. La osmolaridad efectiva o tonicidad hace referencia a la concentración de solutos que son responsables del movimiento de agua entre LEC y LIC, y que por tanto determinan el volumen del compartimento donde están restringidos. En cada compartimento uno de los solutos actúa como determinante principal de la presión osmótica, reteniendo agua: 2 La osmolaridad plasmática (Osm p ) es la concentración de partículas disueltas en el plasma (valores normales: 285-295 mOsm/l). Dado que todas las membranas son permeables al agua, el cambio de la osmolaridad de cualquiera de los compartimentos provoca un desplazamiento de agua que restablece el equilibrio entre ellos. La osmolaridad hace referencia al número de partículas (osmoles) por litro de disolvente (mOsm/l) y osmolalidad al número de partículas por kilogramo de disolvente (mOsm/kg). Solo los solutos para los cuales las membranas celulares son impermeables se pueden considerar solutos efectivos, capaces de crear gradientes osmóticos.La osmolaridad efectiva o tonicidad hace referencia a la concentración de solutos que son responsables del movimiento de agua entre LEC y LIC, y que por tanto determinan el volumen del compartimento donde están restringidos. En cada compartimento uno de los solutos actúa como determinante principal de la presión osmótica, reteniendo agua: image4.png image5.png image6.jpeg image7.emf 4 Las entradas vienen determinadas por la respuesta a la sed y la ingesta. Se regula en el centro hipotalámico de la sed y es el principal mecanismo de defensa frente a la hipernatremia. Sus estímulos principales son: • Hiperosmolaridad plasmática (>290 mOsm/kg), a través de osmorreceptores hipotalámicos que a su vez estimulan el centro de la sed. • Hipovolemia (pérdidas LEC de ≥10%), a través de barorreceptores auriculares y del lecho vascular, activándose el sistema renina-angiotensina, con efecto estimulador sobre el centro de la sed hipotalámico. Las salidas dependen de las pérdidas insensibles (sudor, respiración) y de las pérdidas sensibles (gastrointestinales y diuresis). Respecto a su regulación, el organismo elimina el exceso de agua modificando el volumen y la concentración de la orina, mecanismo que depende sobre todo de la hormona antidiurética (ADH). La excreción renal de agua libre es el principal mecanismo de defensa frente a la hipotonicidad. La secreción de ADH está regulada por la osmolaridad plasmática. Variaciones de un 1-2% en la osmolaridad plasmática producen liberación o retención de esta hormona. El descenso de la volemia mayor al 10% detectado por los barorreceptores auriculares también desencadena la liberación de ADH. 4 Las entradas vienen determinadas por la respuesta a la sed y la ingesta. Se regula en el centro hipotalámico de la sed y es el principal mecanismo de defensa frente a la hipernatremia. Sus estímulos principales son: • Hiperosmolaridad plasmática (>290 mOsm/kg), a través de osmorreceptores hipotalámicos que a su vez estimulan el centro de la sed. • Hipovolemia (pérdidas LEC de ≥10%), a través de barorreceptores auriculares y del lecho vascular, activándose el sistema renina-angiotensina, con efecto estimulador sobre el centro de la sed hipotalámico. Las salidas dependen de las pérdidas insensibles (sudor, respiración) y de las pérdidas sensibles (gastrointestinales y diuresis). Respecto a su regulación, el organismo elimina el exceso de agua modificando el volumen y la concentración de la orina, mecanismo que depende sobre todo de la hormona antidiurética (ADH). La excreción renal de agua libre es el principal mecanismo de defensa frente a la hipotonicidad. La secreción de ADH está regulada por la osmolaridad plasmática. Variaciones de un 1-2% en la osmolaridad plasmática producen liberación o retención de esta hormona. El descenso de la volemia mayor al 10% detectado por los barorreceptores auriculares también desencadena la liberación de ADH. image8.emf 4 Las entradas vienen determinadas por la respuesta a la sed y la ingesta. Se regula en el centro hipotalámico de la sed y es el principal mecanismo de defensa frente a la hipernatremia. Sus estímulos principales son: • Hiperosmolaridad plasmática (>290 mOsm/kg), a través de osmorreceptores hipotalámicos que a su vez estimulan el centro de la sed. • Hipovolemia (pérdidas LEC de ≥10%), a través de barorreceptores auriculares y del lecho vascular, activándose el sistema renina-angiotensina, con efecto estimulador sobre el centro de la sed hipotalámico. Las salidas dependen de las pérdidas insensibles (sudor, respiración) y de las pérdidas sensibles (gastrointestinales y diuresis). Respecto a su regulación, el organismo elimina el exceso de agua modificando el volumen y la concentración de la orina, mecanismo que depende sobre todo de la hormona antidiurética (ADH). La excreción renal de agua libre es el principal mecanismo de defensa frente a la hipotonicidad. La secreción de ADH está regulada por la osmolaridad plasmática. Variaciones de un 1-2% en la osmolaridad plasmática producen liberación o retención de esta hormona. El descenso de la volemia mayor al 10% detectado por los barorreceptores auriculares también desencadena la liberación de ADH. 4 Las entradas vienen determinadas por la respuesta a la sed y la ingesta. Se regula en el centro hipotalámico de la sed y es el principal mecanismo de defensa frente a la hipernatremia. Sus estímulos principales son: • Hiperosmolaridad plasmática (>290 mOsm/kg), a través de osmorreceptores hipotalámicos que a su vez estimulan el centro de la sed. • Hipovolemia (pérdidas LEC de ≥10%), a través de barorreceptores auriculares y del lecho vascular, activándose el sistema renina-angiotensina, con efecto estimulador sobre el centro de la sed hipotalámico. Las salidas dependen de las pérdidas insensibles (sudor, respiración) y de las pérdidas sensibles (gastrointestinales y diuresis). Respecto a su regulación, el organismo elimina el exceso de agua modificando el volumen y la concentración de la orina, mecanismo que depende sobre todo de la hormona antidiurética (ADH). La excreción renal de agua libre es el principal mecanismo de defensa frente a la hipotonicidad. La secreción de ADH está regulada por la osmolaridad plasmática. Variaciones de un 1-2% en la osmolaridad plasmática producen liberación o retención de esta hormona. El descenso de la volemia mayor al 10% detectado por los barorreceptores auriculares también desencadena la liberación de ADH. image9.emf Sinais Clínicos Grau de desidratação esperada Ligeira (10%) O bs er ve Estado Geral Alerta Irritável Letárgico/ Inconsciente F.A. Lig. deprimida Deprimida Muito deprimida Olhos Normais Encovados Muito encovados Lágrimas Normais Ausentes Ausentes Mucosas Lig. secas Secas Muito secas Boca/ Língua Húmidas Seca Muito secas Sede Sem sede Bebe avidamente Incapaz de beber Diurese Normal (>1ml/kg/h) Oligúria (0,5-1ml/kg/h) Oligoanúria (100ml/kg Sinais Clínicos Grau de desidratação esperada Ligeira (10%) O b s e r v e Estado Geral Alerta Irritável Letárgico/ Inconsciente F.A. Lig. deprimida Deprimida Muito deprimida Olhos Normais Encovados Muito encovados Lágrimas Normais Ausentes Ausentes Mucosas Lig. secas Secas Muito secas Boca/ Língua Húmidas Seca Muito secas Sede Sem sede Bebe avidamente Incapaz de beber Diurese Normal (>1ml/kg/h) Oligúria (0,5-1ml/kg/h) Oligoanúria (100ml/kg image10.png oleObject1.bin image11.jpeg image12.png image13.jpeg image14.emf 413 Desequilíbrios hidroeletrolíticos na sala de emergência Rev Bras Clin Med. São Paulo, 2012 set-out;10(5):410-9 piratória. Além disso, a miopatia pode evoluir para rabdomiólise, gerando mioglobinúria e insuficiência renal aguda. No coração, as principais alterações do ECG são mostradas no quadro 4. Quadro 4 – Alterações do eletrocardiograma. Alterações de repolarização: Anormalidades de condução: Diminuição da amplitude das ondas T Aumento de duração de QRS Ondas U proeminentes Bloqueio do atrioventricular Depressão de ST Aumento de duração e amplitude de onda P Fusão de onda T e U (em hipoca- lemia grave) Prolongamento de PR Prolongamento dointervalo QT Parada cardiorrespiratória Investigação diagnóstica As causas possíveis associadas a fármacos de hipocalemia de- vem ser lembradas pelo emergencista e são apontadas no qua- dro 5. O uso de agonistas β₂ adrenérgicos, insulina, diuréticos, anfotericina B e aminoglicosídeos. Outras causas podem ser paralisia hipocalêmica periódica, alcalose, hipotermia, perdas como diarreia, vômitos, baixa ingestão como na anorexia ou por distúrbios endocrinológicos como hipercortisolismo, hi- perreninemia, hiperaldosteronismo e acidose tubular renal. É frequente na ICC, causada pelo estresse oxidativo e por ação neuro-hormonal. A hipomagnesemia está associada à hipocalemia e deve se repor magnésio em casos refratários. Tratamento Há poucos estudos na literatura que nos garanta evidências sóli- das da forma de tratamento da hipocalemia. Para maioria dos autores o tratamento por via venosa deve ser instituído com níveis de 3,0- 2,5 mEq/L ou sintomas associados à hipocalemia. O clinico deve basear o tratamento consideran- do se há urgência para o paciente. Deve ter em mente as causas, e sua possível reversão é um dos grandes objetivos. Definir se a causa principal é uma translocação celular ou um déficit real de potássio. O desequilíbrio acidobásico também deve ser consi- derado. O clínico deve lembrar que a reposição de potássio por via venosa é uma causa comum de hipercalemia intra-hospita- lar20. Para a maioria dos autores quando necessária a reposição por via venosa essa não deve ultrapassar 20 mEq/h21,22. Alguns autores sugerem diluição de solução fisiológica a 0,45% com uma concentração máxima de 40 mEq/L de cloreto de potássio em acesso periférico e 60 mEq/L em acesso central. O paciente deve receber monitorização cardíaca. Pode-se estimar uma ele- vação de 1 mEq/4h no potássio sérico, quando em ritmo de 20 mEq/h. Porém devem-se levar em consideração outros fatores como reversão ou não de causa de perdas ou translocação. Al- guns autores sugerem infusões mais rápidas (infusão inicial de 2 mmol/min por 10 minutos, seguido por 10 mEq/L em 5-10 minutos) quando de arritmias instáveis23. Hipercalemia É definida como K > 6,0, ocorrendo em cerca de 1,3% de pa- cientes internados, chegando a 10% quando K > 5,3. Índices altos parecem estar associados a mal prognostico e estudos recentes mos- tram que mesmo índices entre 4,5 e 5,5 têm pior desfecho clínico. Manifestações clínicas Os sintomas são inespecíficos geralmente ocorrendo apenas em casos graves. A tabela 1 apresenta as principais alterações do ECG. Investigação diagnóstica Podem-se dividir as causas de hipercalemia: 1) Situações clínicas que levam ao aumento da liberação de K+ de dentro das células: acidose metabólica, deficiência de insulina, hiperglicemia, hiperosmolaridade. 2) Lesão celular: várias condições associam-se com a liberação de potássio das células de forma aguda, como trauma, hemó- lise intravascular, transfusões, infecções graves, radioterapia e lise tumoral. 3) Excreção urinária diminuída: hipoaldosteronismo, insuficiên- cia renal aguda, insuficiência renal crônica. Quadro 5 - Causas de hipocalemia associadas à fármacos. Deslocamento de Potássio Transcelular Perda Renal de Potássio Perdas Intestinais β₂ agonistas18,19 Diuréticos Diarreia Agentes tocolíticos Mineralocorticóides Fenoltaleína Teofilina Glucocorticoides altas doses Sulfonato de polistireno sódico Cafeína Antibióticos doses: penicilina, ampicilina Verapamil Fármacos que depletam magnésio: aminoglicosídeo, fos- carnet, anfotericina B Cloroquina Overdose de insulina Tabela 1 – Alterações eletrocardiográficas associadas à hipercalemia. Hipercalemia leve (K = 5,5–6,5 mEq) Hipercalemia moderada (K = 6,5–10,0 mEq) Hipercalemia grave (K > 10,0 mEq) Ondas T altas, em pico Bloqueio do átrio ventricular de primeiro grau Bloqueios de ramo atípicos Bloqueios fasciculares Ondas P de baixa amplitude TV, FV Depressão de ST Ritmo idioventricular K = potássio, mEq = miliequivalente, TV = taquicardia ventricular, FV = fibrilação ventricular. image15.jpeg image16.emf 413 Desequilíbrios hidroeletrolíticos na sala de emergência Rev Bras Clin Med. São Paulo, 2012 set-out;10(5):410-9 piratória. Além disso, a miopatia pode evoluir para rabdomiólise, gerando mioglobinúria e insuficiência renal aguda. No coração, as principais alterações do ECG são mostradas no quadro 4. Quadro 4 – Alterações do eletrocardiograma. Alterações de repolarização: Anormalidades de condução: Diminuição da amplitude das ondas T Aumento de duração de QRS Ondas U proeminentes Bloqueio do atrioventricular Depressão de ST Aumento de duração e amplitude de onda P Fusão de onda T e U (em hipoca- lemia grave) Prolongamento de PR Prolongamento do intervalo QT Parada cardiorrespiratória Investigação diagnóstica As causas possíveis associadas a fármacos de hipocalemia de- vem ser lembradas pelo emergencista e são apontadas no qua- dro 5. O uso de agonistas β₂ adrenérgicos, insulina, diuréticos, anfotericina B e aminoglicosídeos. Outras causas podem ser paralisia hipocalêmica periódica, alcalose, hipotermia, perdas como diarreia, vômitos, baixa ingestão como na anorexia ou por distúrbios endocrinológicos como hipercortisolismo, hi- perreninemia, hiperaldosteronismo e acidose tubular renal. É frequente na ICC, causada pelo estresse oxidativo e por ação neuro-hormonal. A hipomagnesemia está associada à hipocalemia e deve se repor magnésio em casos refratários. Tratamento Há poucos estudos na literatura que nos garanta evidências sóli- das da forma de tratamento da hipocalemia. Para maioria dos autores o tratamento por via venosa deve ser instituído com níveis de 3,0- 2,5 mEq/L ou sintomas associados à hipocalemia. O clinico deve basear o tratamento consideran- do se há urgência para o paciente. Deve ter em mente as causas, e sua possível reversão é um dos grandes objetivos. Definir se a causa principal é uma translocação celular ou um déficit real de potássio. O desequilíbrio acidobásico também deve ser consi- derado. O clínico deve lembrar que a reposição de potássio por via venosa é uma causa comum de hipercalemia intra-hospita- lar20. Para a maioria dos autores quando necessária a reposição por via venosa essa não deve ultrapassar 20 mEq/h21,22. Alguns autores sugerem diluição de solução fisiológica a 0,45% com uma concentração máxima de 40 mEq/L de cloreto de potássio em acesso periférico e 60 mEq/L em acesso central. O paciente deve receber monitorização cardíaca. Pode-se estimar uma ele- vação de 1 mEq/4h no potássio sérico, quando em ritmo de 20 mEq/h. Porém devem-se levar em consideração outros fatores como reversão ou não de causa de perdas ou translocação. Al- guns autores sugerem infusões mais rápidas (infusão inicial de 2 mmol/min por 10 minutos, seguido por 10 mEq/L em 5-10 minutos) quando de arritmias instáveis23. Hipercalemia É definida como K > 6,0, ocorrendo em cerca de 1,3% de pa- cientes internados, chegando a 10% quando K > 5,3. Índices altos parecem estar associados a mal prognostico e estudos recentes mos- tram que mesmo índices entre 4,5 e 5,5 têm pior desfecho clínico. Manifestações clínicas Os sintomas são inespecíficos geralmente ocorrendo apenas em casos graves. A tabela 1 apresenta as principais alterações do ECG. Investigação diagnóstica Podem-se dividir as causas de hipercalemia: 1) Situações clínicas que levam ao aumento da liberação de K+ de dentro das células: acidose metabólica, deficiência de insulina, hiperglicemia, hiperosmolaridade. 2) Lesão celular: várias condições associam-se com a liberação de potássio das células de forma aguda, como trauma, hemó- lise intravascular, transfusões, infecções graves, radioterapia e lise tumoral. 3) Excreção urinária diminuída: hipoaldosteronismo, insuficiên- cia renal aguda, insuficiência renal crônica. Quadro 5 - Causas de hipocalemia associadas à fármacos. Deslocamento de Potássio Transcelular PerdaRenal de Potássio Perdas Intestinais β₂ agonistas18,19 Diuréticos Diarreia Agentes tocolíticos Mineralocorticóides Fenoltaleína Teofilina Glucocorticoides altas doses Sulfonato de polistireno sódico Cafeína Antibióticos doses: penicilina, ampicilina Verapamil Fármacos que depletam magnésio: aminoglicosídeo, fos- carnet, anfotericina B Cloroquina Overdose de insulina Tabela 1 – Alterações eletrocardiográficas associadas à hipercalemia. Hipercalemia leve (K = 5,5–6,5 mEq) Hipercalemia moderada (K = 6,5–10,0 mEq) Hipercalemia grave (K > 10,0 mEq) Ondas T altas, em pico Bloqueio do átrio ventricular de primeiro grau Bloqueios de ramo atípicos Bloqueios fasciculares Ondas P de baixa amplitude TV, FV Depressão de ST Ritmo idioventricular K = potássio, mEq = miliequivalente, TV = taquicardia ventricular, FV = fibrilação ventricular. image17.jpeg