Prévia do material em texto
Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 1 ACIDENTES COM SERPENTES (OFIDISMO) CCQ: o acidente por serpente mais comum é por botrópico (jararaca “Boca Juniors”) CCQ: acidente com serpente que mais mata é por crotálico (cascavel) – IRA por NTA mioglobinúrica Como identificar o tipo de serpente associado ao acidente pelas características clínicas? LESÃO NECROSANTE - sintomas LOCAIS exuberantes → BOLA que bateu ali - BOtrópico e LAquético veneno proteolítico, coagulante e hemorrágico necrose, edema e bolha + CIVD com consumo de fatores da coagulação + sindrome compartimental 1. Manifestações locais exuberantes: dor, edema, equimose e bolhas no local da picada 2. Sem facies neurotóxica SEM sintomas vagais COM sintomas vagais: diarreia, dor abdominal, hipotensão e bradicardia BOTRÓPICO Jararaca LAQUÉTICO Surucucu Cauda lisa Campo e quintal abertos Cauda com escamas Floresta virgem (fechada) + + Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 2 NEUROTÓXICO → personagem CROELA – CROtálico e ELApídico veneno neurotóxico fraqueza muscular crânio-caudal E miastenia gravis (ptose palpebral) = FÁCIE NEUROTÓXICA 1. Presença de FÁCIE NEUROTÓXICA: ptose palpebral 2. Sem dor e edema no loca da ferida SEM alterações urinárias COM alterações urinárias Hematúria: urina escura (cor de CROca cola) ELAPÍDICO (MICRURUS) Coral CROTÁLICO Cascavel + + SEMPRE É GRAVE paralisia respiratória!!! Única sem fosseta loreal Aneis coloridos Escondida em folhas e troncos Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 3 Medidas terapêuticas gerais nos acidentes com serpentes Todos os pacientes picados ou com suspeita de acidente com serpentes devem ser encaminhados para avaliação médica. Mesmo que a lesão local seja incaracterística (um arranhão, ponto único de inoculação ou escoriações no local) não se deve excluir a possibilidade de inoculação de veneno. Abordagem inicial: • Identificar e lavar o local da picada com água e sabão, assegurar que não haja picadas adicionais; • Acessórios e joias na extremidade acometida devem ser removidos; • O membro afetado deve ser imobilizado, com elevação passiva; • Não realizar torniquete e, se houver sido feito, removê-lo imediatamente; • Priorizar via aérea, ventilação e circulação: Monitorizar, obter acesso calibroso, iniciar hidratação, analgesia e antieméticos conforme necessário; • Importante! Em caso de episódios com as principais serpentes envolvidas em acidentes no Brasil (gênero Bothrops e Crotalus) o tempo ótimo para aplicação do antiveneno é de 6 horas. Essa janela de tempo permitirá uma avaliação inicial adequada em relação à gravidade do acidente e tipo de soro antiveneno. • Atenção! Evitar AINES (nefrotoxicidade do veneno), medicações que alterem o nível de consciência, que podem ser fator confundidor na presença de neurotoxicidade (benzodiazepínicos, anti-histamínicos) e medicações intramusculares (possibilidade de hematoma devido a distúrbio de coagulação). SOROTERAPIA ANTIVENENO O soro antiofídico deve ser administrado por via endovenosa, em 20-30 minutos, e pode ser diluído ou administrado puro. Na falta de soro antibotrópico isolado (ou nos casos de dúvida sobre qual foi o agente mais provável ou na suspeita de ataque por diferentes gêneros), é possível a utilização de soros combinado (antibotrópico-laquético ou antibotrópico-crotálico). Importante! A prevalência de anafilaxia ao soro antiveneno é de cerca de 40%, portanto o soro deve ser administrado em sala de emergência e em caso de sinais de reação de hipersensibilidade do tipo I o paciente deve receber epinefrina, anti-histamínicos e corticoides. Atenção! O uso de pré-medicação (anti-histamínicos e corticoides) antes da aplicação do soro antiveneno não está indicado. A literatura atualmente desaconselha a prática pois a mesma, não reduz a incidência de anafilaxia, atrasa administração do soro e se associa a iatrogenia. Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 4 Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 5 Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 6 ARANHAS (ARANEISMO) ARANHA MARROM – Laxosceles Forma CUTÂNEA: forma clínica mais frequente – instalação lenta e progressiva, picada usualmente não dolorosa, que pode passar desapercebida. Após algumas horas da picada: dor, edema e eritema na região, equimose central e áreas de palidez (placa marmórea) Pode evoluir com bolhas sero-hemáticas, áreas endurecidas à palpação, necrose seca e úlcera de dificil cicatrização 1. Soro antiaracnídico (SAAr): eficácia é reduzida quando após 36 hrs da inoculação do veneno, dar ASAP!! • Moderado (forma cutânea): 5 ampolas EV • Grave (cutânea hemolítica): 10 ampolas EV 2. Corticoterapia: prednisona 40mg/dia VO, durante 5 dias ü ATB terapia: se sobreinfecção ü Debridamento cirúrgico: se necrose ü Nefrologista; correção DHEAB; concentrado de hemácias Forma CUTÂNEA HEMOLÍTICA: é rara e não proporcional ao comprometimento cutâneo. Surgem nas primeiras 72hrs • Anemia hemolítica, icterícia, hemoglobinúria + CIVD + IRA Aranha Marrom no Mármore Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 7 VIÚVA NEGRA – Latrodectus Forma LOCAL: • Dor local imediata que pode ser intensa • Pode evoluir com tremores e contraturas musculares, dor abdominal por contratura músculos abdominais (“abdome agudo”) Soro antilatrodectus (SALatr): não tem no Brasil • Acidente moderado: 1 ampola IM • Acidente grave: 2 ampolas IM 1. Gluconato de cálcio 10%: 10-20 mL EV, lentamente, cada 4 horas 2. Diazepam 5-10mg EV cada 4 horas 3. Clorpromazina Forma SISTÊMICA: • Trismo de masseteres – fácie lactrodectísmica • Sudorese, HAS, taquicardia e até bradicardia, priapismo e choque Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 8 ARMADEIRA – Phoneutria Forma LOCAL: • Dor imediata de forte intensidade (+ característico), pode irradiar-se até raíz do membro afetado. Pode ocorrer parestesias, edema, eritema local 1. Soro antiaracnídico (SAAr): • Moderado: 2 a 4 ampolas EV • Grave: 5 a 10 ampolas EV 2. Anestesia local: lidocaína 2% sem vasoconstritor (3- 4mL) em intervalos de 60 a 90 minutos Forma SISTÊMICA: por hiperatividade SNA, + comum em crianças • Taquicardia, HAS, sudorese e agitação psicomotora • CRIANÇAS (+ grave): sudorese, sialorreia, priapismo, hipotensão, choque, EAP ATENÇÃO: desde o ponto de vista clínico, o acidente com armadeira é muito similar com o acidente escorpiônico. Dessa forma, pode ser impossível diferenciar um acidente do outro. Exceto, se conguirmos ver os dois furos no local da picadura (=aranha) Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 9 ESCORPIÕES (ESCORPIONISMO) ESCORPIÃO AMARELO - Tityus Serrulatus Local (adultos): dor intensa e imediata, parestesia e irradiação para raiz do membro (similar aranha armadeira) Sistêmica (crianças): sudorese profusa, sialorreia, sonolência/agitação, IC congestiva e EAP Evitar hiperhidratação (tendência a congestão) Se não tiver soro antiescorpiônico = usar antiaracnidico • Leve: analgesia oral ou bloqueio local; observação por 6 a 12 horas • Moderado: 2 a 3 ampolas EV do SAEE • Grave: 4 a 6 ampolas EV do SAEE Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 10 ABORDAGEM INTEGRAL DE GRUPOS POPULACIONAIS Para conduzir um atendimento integral de um indivíduo devo conhecer os principais problemas enfrentados pela população da qual essa pessoa faz parte!! 1. Abordagem integral do idoso 2. Abordagem integral do indivíduo privado de liberdade (presidiário) 3. Abordagem integral da população romani (cigana) 4. Abordagem integral da populaçãoindígena 5. Abordagem integral do indivíduo em situação de rua 6. Abordagem integral da mulher 7. Abordagem integral do homem 8. Abordagem integral do indivíduo com albinismo – política nova recentemente 9. Abordagem integral da população LGBTQIAP+ População romani – mulheres têm dificuldade ao acesso à consultas ginecológicas e obstétricas Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 11 Saúde do Idoso Anamnese do idoso BASICÃO PADRÃO • Comordidades, medicações em uso, alergias, internações e cirurgias prévias • Atividade física, alimentação, ingesta de líquidos e padrão de sono • Bebidas alcoólicas, tabagismo e drogas ilícitas • Rede de apoio e suporte social e violências • Cartão de vacinas – CALENDÁRIO DO IDOSO • Caderneta da pessoa idosa Quais são os principais problemas enfrentados pelo individuo idoso? 1. Diminuição da acuidade visual (presbiopia) – TESTE DE SNELLEN a. Perguntar se está enxergando bem e se está tendo alguma dificuldade para leitura, ver TV 2. Diminuição da acuidade auditiva – TESTE DE WHISPER a. Perguntar se está com dificuldade pra escutar, se reparou estar aumentando mais o volume da TV 3. Alterações do humor – depressão a. Tem se sentido mais triste, vontade de fazer as atividades do dia a dia 4. Diminuição das funções cognitivas (demências) – MINIMENTAL TESTE a. Como tá a memóra, consegue se lembrar bem dos afazeres e de tomar seus remédios, teve algum episódio de esquecimento que não conseguiu voltar pra casa (aplicar MINI MENTAL) 5. Diminuição da massa muscular (sarcopenia) a. Perguntar sobre nutrição – IMC IDOSO > 60 ANOS; PERÍMETRO DA PANTURRILHA b. Perguntar sobre quedas da própria altura c. Dificuldade de mobilidade – TESTE DE MOBILIDADE: TIME UP AND GO 6. Questionar sobre rede de apoio e suporte social a. Com quem ele mora, tem ajuda e rede de apoio (quando o senhor precisa de alguma coisa, quem te ajuda?) 7. Questionar sobre violências – 6 TIPOS DE VIOLÊNCIA = física, sexual, psicológica, patrimonial ou financeira, negligência (agressor presente mas negando deliberadamente ajuda) e abandono (agressor ausente) a. Violência física: tem alguém da comunidade, parente ou vizinho que tem agido com o senhor de uma forma mais agressiva ou que tenha pegado seu braço de uma forma mais forte? Tem tido muitas discussões e brigas em casa? – dica prática: idosos que sofrem violência em casa tendem a sobre utilizar o sistema de saúde, tão todo dia na UBS (acionar ACS, visitas domiciliares) b. Violência sexual: alguém já fez algo no seu corpo sem seu consentimento? c. Violência financeira: o senhor consegue usar o seu dinheiro, quem cuida das suas finanças? 8. Incontinências esfinterianas a. Perguntar se teve perda involuntária de urina ou cocô 9. Aumento incidência de doenças crônicas (multimorbidade) – POLIFARMÁCIA a. Quais doenças ele tem e remédios prescritos, como ele os toma e se toma de forma regular 10. Dificuldade de deglutição: a depender de como foi o cuidado da saúde bucal ao longo da vida eles podem perder os dentes e isso prejudicar sua alimentação; há alteração da percepção palativa em idosos a. Perguntar sobre alimentação, nutrição e deglutição • Escala de Coelho-Savassi: avalia risco familiar. Improvável para prova prática, devido a ser complexa e extensa para ser aplicada (prova discursiva) • Polifarmácia (OMS): toma de ≥ 5 medicações por um período de tempo ≥ 30 dias, AINDA QUE um desses remédios seja um fitoterápico o Principal medicação presente e devemos DESPRESCREVER – BENZODIAZEPÍNICOS: reduzir de forma gradual a dosagem usada e ir reavaliando resposta e tolerância do paciente • Determinar se há risco elevado para acidente grave por quedas – atenção e preocupar se ≥ 3 episódios de queda nos últimos 12 meses: precisamos encaminhar para fisioterapeuta e para ambulatório especializado de geriatria. Caso contrário, podemos manejar na APS Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 12 • INDEPENDÊNCIA: capacidade de eu própria conseguir realizar minhas atividades básicas sem a ajuda de outras pessoas • AUTONOMIA: capacidade de tomar minhas próprias decisões sobre atividades instrumentais da vida diária Sofia Carneiro Mansur Silva 2ª FASE REVALIDA INEP 13 EXAME FÍSICO: Composição corporal do individuo idoso muda (↑ gordura e ↓ massa magra). Considerando isso, o Ministério da Saúde recomenda que utilizemos a classificação de LIPSCHITZ para avaliar o IMC em idosos > 60 anos Determinar fatores de risco INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS para quedas em idosos: Avaliamos força muscular pela força na preensão palmar das mãos Idoso com BZN = vai cair esse idoso = desprescrever Teste de WHISPER ou teste do sussurro: nos posicionamos atrás do idoso a 33cm de distância e sussuramos palavras/frases • Não escutou (teste positivo) = avaliar o conduto auditivo externo com o otoscopio • Não tem cerume no ouvido = encaminhar para audiometria Ordem dos exames (MS): teste de whisper → otoscopia → audiometria Teste do timed up and go: avaliamos o risco de queda do idoso e grau de mobilidade. • OBS: cadeira sem apoio e andar sem bengala ou outros apoios • Consiste em: levantar-se da cadeira sem apoio, caminhar por 6 metros (3m ida + 3m volta) e voltar a sentar-se na cadeira • Avaliar: alterações no padrão da marcha, tempo transcorrido para terminar a tarefa o Menos 10 segundos = normal o 11 a 20 segundos = lentificado, porém não precisa referenciar ainda. Podemos solicitar fortalecimento muscular e pedir apoio matricial da fisioterapeuta do e-MULTI o Mais 20 segundos = encaminhar ambulatório especializado de geriatria