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APOSTILA DE CIENCIAS SOCIAIS

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ideais de organização social. O pensamento filosófico de então, já concebia diferenças entre indivíduo e coletividade, e como afirma (COSTA: 2005, p.49) “Mas, presos ainda ao princípio da individualidade, esses filósofos entendiam a vida coletiva como a fusão de sujeitos, possibilitada pela manifestação explícita das suas vontades”. 
1.3 – O pensamento científico sobre o Social
 
A preocupação em conhecer e explicar os fenômenos sociais sempre foi uma preocupação da humanidade. Porém a explicação com base científica,é fruto da sociedade moderna, industrial e capitalista. A formação da Sociologia no século XIX significou que o pensamento sobre o social se desvinculou das tradições morais e religiosas. Como afirma (COSTA: 2005, p.18). 
“Tornava-se necessário entender as bases da vida social humana e da organização da sociedade, por meio de um pensamento que permitisse a observação, o controle e a formulação de explicações plausíveis, que tivessem credibilidade num mundo pautado pelo racionalismo”. 
            Augusto Comte (1798-1857) foi o autor que desenvolveu pela primeira vez, reflexões sobre o mundo social sob bases científicas. Em sua análise sobre o mundo social, compreendia a sociedade como um grande organismo, no qual cada parte possui uma função específica. O bom funcionamento do corpo social depende da atuação de cada órgão.
            Segundo Comte, ao longo da história a sociedade teria passado por três fases: a teológica, a metafísica e a científica. Concebia a fase teológica como aquela em que os homens recorriam à vontade de deus para explicar os fenômenos da natureza. A segunda fase, o homem já seria capaz de utilizar conceitos abstratos, mas é somente na terceira base, que corresponde à sociedade industrial, que o conhecimento passa a se pautar na descoberta de leis objetivas que determinam os fenômenos. 
            Comte procurou estudar o que já havia sido acumulado em termos de conhecimentos e métodos por outras ciências como a matemática, biologia, física, para saber quais deles poderiam ser utilizados na sociologia.
O conhecimento sociológico permite ao homem transpor os limites de sua condição particular para percebê-la como parte de uma totalidade mais ampla, que é o todo social. Isso faz da sociologia um conhecimento indispensável num mundo que, à medida que cresce, mais diferencia e isola os homens e os grupos entre si. O termo “valorativo” é empregado aqui com o sentido de emitir juízo de valor.
UNIDADE 2: TRANSFORMAÇÕES DO CAPITALISMO NO SÉCULO XVIII
O objetivo deste conteúdo é compreender a maneira como o capitalismo se afirma como modo de organização social a partir do século XVIII.  Para isso, vamos partir do estudo das revoluções Francesa e Industrial.
1. Revolução Francesa
2. Revolução Industrial
Texto base: MARTINS, Carlos B. O que é Sociologia. São Paulo: Brasiliense, 1992.  
1. – Transformações sociais do século XVIII
1.2. – Revoluções burguesas
 
            Por revoluções burguesas entende-se um conjunto de movimentos que ocorreram no século XVIII  na Europa e nos Estados Unidos. O que caracterizou estes movimentos foi sua capacidade de suplantar as formas de organização sociais feudais. A importância dessas revoluções é que estimularam o desenvolvimento do capitalismo, pondo fim às monarquias absolutistas e contribuíram para a eliminação  de  barreiras que impediam o livre desenvolvimento econômico. 
 1.2.1. Revolução Francesa
       No final do século XVIII a monarquia francesa procurava garantir os privilégios da nobreza em um contexto no qual crescia a miserabilidade do povo. A burguesia também se opunha ao regime monárquico, pois este, não permitia a livre constituição de empresas, impedindo a burguesia de realizar seus interesses econômicos.
            Em 1789, com a mobilização das massas em torno da defesa da igualdade e da liberdade, a burguesia toma o poder e passou a atuar contra os fundamentos da sociedade feudal. Procura organizar o Estado de forma independente do poder religiosa e promovem profundas inovações na área econômica ao criarem medidas para favorecer o desenvolvimento de empresas capitalistas.
            As massas que participaram da revolução, logo foram surpreendidas pelas medidas da burguesia, que proibiram as manifestações populares e os movimentos contestatórios passam a ser reprimidos com violência. 
1.2.2. Revolução Industrial
            A revolução industrial eclodiu na Inglaterra na segunda metade do século XVIII. Ela significou algo mais do que a introdução da máquina a vapor, e aperfeiçoamento dos métodos produtivos. A revolução nasceu sob a égide da liberdade: permitir aos empresários industriais que desenvolvessem e criassem novas formas de produzir e enriquecer. 
 Desde modo, a revolução industrial constitui uma autêntica revolução social que se manifestou por transformações profundas na estrutura institucional, cultural, política e social. 
O desenvolvimento de técnicas leva os empresários a incrementar o processo produtivo e aumentar as taxas de lucro. Isto leva os empresários a se interessar cada vez mais pelo aperfeiçoamento das técnicas de produção, visando produzir mais com menos gente.  A relação de classes que passa a existir entre a burguesia e os trabalhadores é orientada pelo contrato – o que permite inferir que a liberdade econômica e a democracia política – temos o trabalhador livre para escolher um emprego qualquer e o empresário  livre para empregar quem desejar. (MEKSENAS: 1991, p. 47), ela significou uma profunda transformação na maneira dos homens se relacionarem.
Aspectos importantes da Revolução Industrial:
1. A produção passa a ser organizada em grandes unidades fabris, onde predomina uma intensa divisão do trabalho.
2. Aumento sem precedentes na produção de mercadorias.
3. Concentração da produção industrial em centros urbanos.
4. Surgimento de um novo tipo de trabalhador: o operário
 A revolução industrial desencadeou uma maciça migração do campo para cidade, tornando as áreas urbanas o palco de grandes transformações sociais. Formam-se as multidões que revelam nas ruas uma nova face do desenvolvimento do capitalismo: a miserabilidade.
            No interior das fábricas as condições de trabalho eram ruins. As fábricas não possuíam ventilação, iluminação e os trabalhadores eram submetidos à jornadas de trabalho de até 16 horas por dia. Era usual nas fábricas a presença de mulheres e crianças a partir de 5 anos atuando na linha de produção. Quanto aos homens, amargavam a condição de desemprego.  
Os problemas sociais inerentes à Revolução Industrial foram inúmeros: aumento da prostituição, suicídio, infanticídio, alcoolismo, criminalidade, violência, doenças epidêmicas, favelas, poluição, migração desordenada... 
 Por fim, é preciso esclarecer que os problemas acima expostos são típicos da sociedade capitalista. Tornando a vida em sociedade altamente complexa, por isso precisamos de uma ciência para compreender os nexos que ligam a realidade. 
 As revoluções burguesas foram: Revolução Gloriosa (1680) na Inglaterra, a Revolução Francesa (1789), a Independência Americana (1776) e a Revolução Industrial inglesa a partir de 1750. Enfocaremos em nosso curso somente as Revoluções Francesa e Industrial por constituírem as duas faces de um mesmo processo: a consolidação do regime capitalista moderno. 
UNIDADE 3: SOCIEDADE MODERNA
O objetivo desta unidade é compreender as diferentes contribuições teóricas que explicam a sociedade moderna.
 1. Émile Durkheim e o pensamento positivista.  
1.1. A relação indivíduo x sociedade 
1.2. Os fatos sociais e a consciência coletiva 
1.3. Solidariedade mecânica e orgânica
2. Karl Marx e o materialismo histórico e dialético
2.1. Classes sociais
2.2. Ideologia e alienação
2.3. Salário, valor, lucro e mais-valia
2.4. A amplitude da contribuição de Karl Marx.
3. Max Weber e a sociologia compreensiva
3.1. A ação social e tipo ideal
3.2. A tarefa do cientista
3.3. A ética protestante e o espírito