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A APLICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA OU SUBJETIVA AO EMPREGADOR EM CASOS DE ACIDENTE DE TRABALHO: UMA ANÁLISE CRÍTICA Rebeca Maria Cruz Paulino1 RESUMO: Este trabalho tem o intuito de responder a pergunta, quando será aplicada a responsabilidade objetiva ou subjetiva do empregador nos casos de acidente de trabalho? Para isso será necessário explicar alguns conceitos como os tipos de acidente de trabalho, a diferença entre responsabilidade objetiva e subjetiva e trazer também o posicionamento do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto. Além disso, para atingir o objetivo da pesquisa será necessário destacar o art. 927 do Código Civil e a possibilidade da sua aplicação às reclamações trabalhistas, em face do previsto no artigo 7º, XXVIII da Constituição Federal, uma vez que existe uma contradição entre os dois. A pesquisa irá se valer da metodologia explicativa juntamente com a revisão bibliográfica e análise documental para analisar e identificar os efeitos da aplicação da responsabilidade civil para o empregado e o empregador. PALAVRAS-CHAVE: Acidente de trabalho; Culpa; Responsabilidade objetiva; Responsabilidade Subjetiva; ABSTRACT: This article aims to answer the question, when will the employer's objective or subjective liability be applied in cases of accidents at work? To do this, it will be necessary to explain some concepts such as the types of accidents at work, the difference between objective and subjective liability and also bring the position of the Federal Supreme Court on the subject. Furthermore, to achieve the research objective it will be necessary to highlight article 927 of the Civil Code and the possibility of its application to labor complaints, in view of the provisions of article 7, XXVIII of the Federal Constitution, since there is a contradiction between the two. The research will use explanatory methodology together with bibliographic review and document analysis 1Advogada formada em Direito pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL). Pós-graduanda em Direito do Trabalho e Previdenciário pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. E-mail: becapaulino90@gmail.com to analyze and identify the effects of the application of civil liability for the employee and the employer. KEYWORDS: Work accident; Fault; Objective liability; Subjective Responsibility; SUMÁRIO: 1. INTRODUÇÃO 2. O ACIDENTE DE TRABALHO 3. A RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR 3.1 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA 3.2 RESPONSABILIDADE OBJETIVA 3.3 TEORIA DO RISCO 4. A RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR DE ACORDO COM A CONSTITUIÇÃO E AS DECISÕES DO STF EM RELAÇÃO AOS ACIDENTES DE TRABALHO 5. CONCLUSÃO 6. REFERÊNCIAS 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por escopo explorar a possibilidade de aplicação da responsabilidade objetiva ou subjetiva ao empregador no âmbito trabalhista, visto que, o acidente de trabalho é a agressão mais grave do direito de saúde do trabalhador, o que torna imprescindível entender a forma correta de aplicar a responsabilidade civil à empresa. É sabido que o direito do trabalho regulamenta as normas que regulam as relações individuais e coletivas de trabalho, principalmente, as relações entre empregado e empregador com o intento de proteger aquele que apresenta uma condição de hipossuficiência, isto é, busca uma relação de equidade entre as partes envolvidas na relação trabalhista para evitar abusos e exploração contra o trabalhador. Vale ressaltar que o art. 2° da Consolidação das Leis do Trabalho determina que a empresa assume os riscos da atividade econômica, em outras palavras, na medida em que o direito do empregado de não suportar os riscos da atividade é violado, fica configurado o direito de reparação da parte do empregador. Desta forma, é cabível perguntar, quando será aplicada a responsabilidade objetiva ou subjetiva do empregador nos casos de acidente de trabalho? Assim, a presente pesquisa será feita de forma qualitativa e tem como objetivo apresentar as distinções entre as naturezas jurídicas da responsabilidade objetiva e subjetiva. Além disso, fundamentar-se-á na metodologia explicativa para identificar os fatores que contribuem e determinam para tal fenômeno. Utilizará também, a revisão bibliográfica e análise documental de súmulas e jurisprudências publicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelos artigos da Constituição Federal que versam sobre o tema para complementar o artigo e proporcionar uma maior clareza sobre o assunto. Assim, a coleta de informações que será realizada para a conclusão do trabalho será necessária para esgotá-lo, sem a necessidade de adotar procedimentos de quantificação, no intuito de fazer uma apresentação mais objetiva dos dados. 2. O ACIDENTE DE TRABALHO Existem diversos conceitos para definir acidente de trabalho, que se encontram presentes tanto em legislações como são fornecidos por doutrinadores especialistas no assunto, entretanto essa pesquisa irá se valer do conceito definido pelo artigo 2° da Lei n° 6.367/76. “Art. 2º Acidente do trabalho é aquele que ocorrer pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, ou perda, ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.”2 É de grande valor para este trabalho esclarecer que existem também duas modalidades de acidente, conhecidas como: acidentes atípicos e acidentes típicos. A primeira modalidade é definida por Dallegrave Neto da seguinte forma: “(...) pela existência de evento único, súbito, imprevisto e bem configurado no espaço e no tempo. Nesses acidentes típicos as consequências geralmente são imediatas, ao contrário das doenças ocupacionais que se caracterizam por resultado mediato, porém evolutivo.”3 Desta forma, o acidente típico é aquele caracterizado por um ataque inesperado ao corpo humano, que ocorre no desenvolvimento da atividade profissional, por consequência de um fato violento e súbito. Segundo Monteiro e Bertagni, em seu livro 3 DALLEGRAVE NETO, J. A. N. Responsabilização civil no direito do trabalho. 2. ed. São Paulo: LTr, 2007. 2 BRASIL. Lei nº 6.367, de 19 de outubro de 1976. sobre acidente de trabalho, afirmam que o acidente típico é denominado como um macrotrauma, ou seja, trata-se de uma circunstância exclusiva e imprevisível, representada no espaço e no tempo com um efeito geralmente imediato. A segunda modalidade, o acidente atípico, também conhecido como doença ocupacional ou profissional, está amparada pelo artigo 20, I e II da Lei nº 8.213/91. “Art. 20. Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo anterior, as seguintes entidades mórbidas: I - doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social; II - doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I.”4 Este artigo traz uma diferenciação importante entre doença profissional e a doença do trabalho, a primeira é causada pelo tempo de forma silenciosa pelos tipos de trabalhos exercidos pelo trabalhador. Já a segunda, está relacionada às condições do ambiente laboral, a exemplo da falta de organização ou de limpeza desses espaços. Em seu livro, Acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, Silvia e Oswaldo Opitz conceituam essa diferenciação da seguinte forma: “Etiológico e cronológico. Caracteriza-se, em regra, o acidente pela subitaneidade e a violência, na expressão da Lei de 1919. Ao passo que, na doença, isso não ocorre, porque é um processo que tem duração, embora se desencadeie num momento certo, provocando a lesão corporal ou perturbação funcionale até mesmo a morte. Pode-se acrescentar, ainda, mais um elemento diferenciador, qual seja, a sua causa, que no acidente-tipo é externa, quando, quase sempre, na doença, ela se apresenta internamente devido ao processo silencioso peculiar a toda moléstia orgânica do homem.”5 Desta forma, é possível inferir que as doenças profissionais ocorrem por uma causa única existente no trabalho e a doença do trabalho não possui uma causa única, entretanto é obtida em razão da atividade realizada. 5 OPITZ, Oswaldo; OPITZ, Silvia. Acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. 3. ed. São Paulo: Saraiva: 1988 4 Brasil. Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991. 3. A RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR A responsabilidade civil está explicitamente relacionada à necessidade de responsabilização por atos danosos causados a outros. O código civil prevê em seu artigo 186, no que versa sobre a responsabilidade civil, que “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito"6. Existem diversas definições doutrinárias para conceituar responsabilidade civil, Álvaro Villaça de Azevedo afirma que a responsabilidade é “[...] a situação de indenizar o dano moral ou patrimonial, decorrente de inadimplemento culposo, de obrigação legal ou contratual, ou imposta por lei, ou, ainda, decorrente do risco para os direitos de outrem”7. Já Dallegrave Neto8, outro doutrinador, conceitua a responsabilidade civil como a sistematização de princípios e regras que concretizam a reparação do dano patrimonial e a compensação do dano extrapatrimonial gerados diretamente por agente – ou por fato de coisas ou pessoas que dependem dele – que agiu de forma ilícita ou assumiu o risco da atividade causadora da lesão. Assim, é possível afirmar que não existe responsabilidade sem dano, uma vez que, de acordo com Vólia Bonfim Cassar, o dano é o fato gerador da responsabilidade de pagamento de indenização ou de reparação. Outro fator importante é o nexo de causalidade que é indispensável em se tratando de responsabilidade civil, é "o liame que une a conduta do agente ao dano. É por meio do exame da relação causal que concluímos quem foi o causador do dano.”9 Entretanto, é necessário considerar se houve ou não a culpa do sujeito ativo (aquele que provoca o acidente) sobre o sujeito passivo (o que sofre o acidente). E é nesta seara que surgem os dois tipos de responsabilidades que são base para o presente trabalho: a responsabilidade subjetiva e a responsabilidade objetiva. 9VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Responsabilidade Civil. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 39. 8 DALLEGRAVE NETO, José Affonso. Responsabilidade Civil no Direito do Trabalho. 4ª Ed. São Paulo: LTr, 2010. p. 100 7 AZEVEDO, Álvaro Villaça. Teoria Geral das Obrigações: responsabilidade civil. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2004. 6 BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. 3.1. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA O doutrinador Christiano Cassettari10 afirma que para a responsabilidade ser subjetiva o autor do dano tem que agir com culpa ou dolo e a prova da sua existência é pressuposto indispensável para configurar o dano indenizável. Assim, é possível inferir que aplicado este tipo de responsabilidade a vítima só conseguirá lograr a reparação se provar a culpa do agente, o que nem sempre é possível, o que deixa o empregado desamparado. O autor Fábio Ulhoa Coelho, afirma que: “Em última instância, a imputação de responsabilidade ao culpado, pelo evento danoso, fundamenta-se na noção da vontade como fonte da obrigação. A ação ou omissão negligente, imprudente ou imperícia ou mesmo intenção de causar dano correspondem à conduta diversa da juridicamente exigível. A exigibilidade de conduta diversa pressupõe pelo menos duas alternativas abertas à vontade (consciente ou inconsciente) do sujeito passivo. Se o devedor agiu como não deveria, o fez por ato de vontade.”11 Em outros termos, na responsabilidade subjetiva, o dever de indenizar depende obrigatoriamente do elemento culpa aplicado ao sujeito ativo. 3.2. RESPONSABILIDADE OBJETIVA Com o passar do tempo, a doutrina jurídica percebeu que a culpa deixa de ser essencial para configurar a responsabilidade civil, e desta forma, surge a responsabilidade objetiva. Essa teoria surge com a modernização do trabalho e a mecanização da indústria que gerou um aumento na quantidade de acidentes de trabalho. O parágrafo único do artigo 927 do novo Código Civil, define que "Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem"12. 12 BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. 11 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 2004, v.2. 10 CASSETTARI, Christiano. Elementos do Direito. Direito Civil. São Paulo: Premier Máxima, 2006. Ou seja, na responsabilidade objetiva o elemento culpa se torna irrelevante, será necessário apenas a presença do nexo causal e o dano para que seja configurada. Outro aspecto que é necessário considerar para entender esse tipo de responsabilidade é a teoria do risco. 3.3. TEORIA DO RISCO Essa teoria surge no final do século XIX, como uma forma de justificar a responsabilidade objetiva. Nessa concepção jurídica risco significa potencialidade de dano ou mesmo a responsabilidade por ele. Nesta teoria, destaca-se que qualquer prejuízo causado é imputado ao autor e reparado por quem o causou, independentemente da ideia de culpa. Ainda fundamenta-se na atividade exercida pelo empregado e no perigo derivado de tal que pode causar danos temporários ou permanentes ou doenças do trabalho ou doença profissional, como já foi diferenciado no tópico 2 desta pesquisa. Segundo o autor Savatier, “a responsabilidade, fundada no risco, consiste, portanto, na obrigação de indenizar o dano produzido por atividade exercida no interesse do agente e sob seu controle, sem que haja nenhuma indagação sobre o comportamento do lesante, fixando-se no elemento objetivo, isto é, na relação de causalidade entre o dano e a conduta do causador.”13 Nesta teoria, a noção de culpa da responsabilidade civil desloca-se para a ideia de risco, mas para isso, cabe à doutrina definir o que deve ser considerado atividade de risco. O artigo 193 da CLT, em seus parágrafos I, II e III está previsto que: “Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a: I - inflamáveis, explosivos ou energia elétrica; II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial. III – colisões, atropelamentos ou outras espécies de acidentes ou violências nas atividades profissionais dos agentes das autoridades de trânsito.”14 14 BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943. 13 SAVATIER. Traité de la responsabilité civile. Paris, v. 1, p. 274. Desta forma, é fato afirmar que a teoria do risco está intrinsecamente ligada à responsabilidade objetiva, uma vez que, o surgimento deste tipo de responsabilidade é centrado em torno da ideia de risco. 4. A RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR DE ACORDO COM A CONSTITUIÇÃO E AS DECISÕES DO STF EM RELAÇÃO AOS ACIDENTES DE TRABALHO Em 2016 transitou em julgado uma ação trabalhista15 que inocentou a empresa da morte de um funcionário, que faleceu no trajeto de uma cidade para outra para participar de um evento de interesse da empresa. O relator do recurso, o desembargador Emerson José Lage, esclarece a obrigaçãodo empregador de reparar danos decorrentes de acidente de trabalho quando estiver presente o ato ilícito, como o empregado exercia a função de gerente industrial, função não considerada de risco, o relator decidiu que o empregador não teve culpa no acidente. Foi relatado que o acidente ocorreu por culpa de terceiro em ato imprudente na direção ao colidir com o carro do funcionário. Além disso, afirmou que a empresa não desrespeitou qualquer dever legal que contribuísse para o resultado do acidente. Outro caso que é importante ressaltar para o entendimento deste trabalho ocorreu em meados de 2019, quando o Plenário do STF discutia sobre Recurso Extraordinário (RE) 82804016, interposto pela empresa Protege S/A - Proteção e Transporte de Valores, contra a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que a condenou a pagar a indenização ao seu funcionário, um vigilante de carro forte, atividade considerada de risco, que desenvolveu transtornos psicológicos por consequência de um assalto. A discussão ocorreu em torno do parágrafo único do art. 927 do Código Civil e a possibilidade da sua aplicação às reclamações trabalhistas, em face do previsto no 16TST. RECURSO EXTRAORDINÁRIO: RE 828040. Relator: Ministro Alexandre de Moraes. Dj: 12/03/2020. Portal STj. Disponível em: . Acesso em: 7 mar. 2024. 15TRT. AÇÃO TRABALHISTA 0001852-18.2012.5.03.0103. Relator: Emerson Jose Alves Lage. Dj: 03/11/2016. TRT MG. Disponível em: . Acesso em: 18 mar. 2024. https://consulta.trt3.jus.br/detalheProcesso1_0.htm?dswid=- artigo 7º, XXVIII da Constituição Federal, visto que, há uma disparidade ao comparar os dois artigos. O parágrafo único do artigo 927 do Código Civil prevê a obrigação de reparar o dano independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade regularmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem, o que configura como responsabilidade objetiva. Entretanto, no artigo 7º, XXVIII da Constituição Federal, prevê a responsabilidade subjetiva de indenizar, isto é, a necessidade de comprovação de que o acidente que gerou o dano ocorreu por culpa ou por dolo da empresa. O julgamento foi concluído em 12 de março de 2020 e o STF declarou compatível o entendimento do Código de Processo Civil com o da Constituição, e definiu súmula de repercussão geral que fixa ser constitucional a responsabilização objetiva, ou seja, a que independe de culpa ou dolo, em casos de acidente de trabalho. Assim, repercute o entendimento do relator do Recurso Extraordinário, o ministro Alexandre de Moraes, de que não existe impedimento à possibilidade de que as indenizações acidentária e civil se sobreponham. 5. CONCLUSÃO A responsabilidade objetiva surge em contraposição da responsabilidade subjetiva, para alterar a noção de que apenas o fator culpa era necessário para gerar o dever de indenizar. Com o passar do tempo, houve a necessidade das vítimas de acidente de trabalho, dependerem de um sistema que pudesse garantir a indenização do dano causado sem que fosse necessária a comprovação da intenção (culpa) do autor. Também é necessário reconhecer o artigo 2º da CLT, como fundamento sólido no que se trata da aplicação da responsabilidade objetiva do empregador, visto que este dispositivo engloba a teoria do risco em toda a sua essência, e alcança de forma ampla as ocorrências de acidentes típicos ou de doenças ocupacionais. Após tudo que foi exposto e das controvérsias apresentadas é possível declarar claramente que não deve haver dúvidas sobre quando será aplicada a responsabilidade objetiva ou subjetiva do empregador nos casos de acidente de trabalho. Como foi apresentado no tópico 4, o entendimento do Supremo Tribunal Federal, fica nítido que: a responsabilidade objetiva será aplicada em todas as hipóteses apresentadas no artigo 193 da CLT, ou seja, será utilizada em se tratando de atividades de risco; e a responsabilidade subjetiva irá valer para todas as atividades que não estão taxadas no artigo supracitado. REFERÊNCIAS AZEVEDO, Álvaro Villaça. Teoria Geral das Obrigações: responsabilidade civil. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2004. BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943. BRASIL. Lei nº 6.367, de 19 de outubro de 1976. Brasil. Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: . Acesso em: 1 mar. 2024. CASSAR, Vólia Bonfim. Direito do Trabalho. 4a ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2010, p. 885. CASSETTARI, Christiano. Elementos do Direito. Direito Civil. São Paulo: Premier Máxima, 2006 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 2004, v.2. DALLEGRAVE NETO, J. A. N. Responsabilização civil no direito do trabalho. 2. ed. São Paulo: LTr, 2007. DALLEGRAVE NETO, José Affonso. Responsabilidade Civil no Direito do Trabalho. 4ª Ed. São Paulo: LTr, 2010. p. 100 MONTEIRO. A. L.; BERTAGNI, R. F. S. Acidente do trabalho e doença ocupacional: conceito, processos de conhecimento e de execução e suas questões polêmicas. São Paulo: Saraiva, 1998. OPITZ, Oswaldo; OPITZ, Silvia. Acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. 3. ed. São Paulo: Saraiva: 1988 SAVATIER. Traité de la responsabilité civile. Paris, v. 1, p. 274. TRT. AÇÃO TRABALHISTA 0001852-18.2012.5.03.0103. Relator: Emerson Jose Alves Lage. Dj: 03/11/2016. TRT MG. Disponível em: . Acesso em: 18 mar. 2024. TST. RECURSO EXTRAORDINÁRIO: RE 828040. Relator: Ministro Alexandre de Moraes. Dj: 12/03/2020. Portal STJ. Disponível em: . Acesso em: 7 mar. 2024. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Responsabilidade Civil. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 39. https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4608798 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4608798