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Lato sensu – Especialização – Medicina da Família e Comunidade 
Módulo 3 
Raciocínio clínico para 
médicos de família e 
comunidade no cotidiano 
de trabalho 
 
Guia do Profissional Estudante 
Semana 8 Sala de aula invertida 
 
 
Semana: 8 | Sala de aula invertida 
Atividade Leitura – Uso das ferramentas de MBE no 
processo diagnóstico 
 
Olá, profissional estudante! 
Boas-vindas à oitava semana deste percurso formativo, quando iniciaremos o 
segundo ciclo sobre a temática Medicina Baseada em Evidências (MBE) no qual 
avançaremos para as etapas seguintes dos cinco As – ACQUIRE e APPRAISE. 
Nesta semana você realizará a leitura deste material. O texto traz uma série de 
conceitos para revisão e será usado como base para as atividades síncronas e 
assíncronas da sala de aula invertida referentes às próximas semanas deste ciclo. 
Boa leitura! Bons estudos! 
 
 
Introdução 
Raciocínio clínico e Medicina Baseada em Evidências (MBE) são assuntos 
complicados para a maioria dos médicos, não? Até parece assunto de 
Epidemiologistas e Estatísticos. Parece, com certeza. Porém, mesmo sem saber, 
todos nós aplicamos instrumentos e habilidades de Raciocínio Clínico e MBE na 
nossa prática. Estes números, fórmulas e conceitos complicados estão presentes 
em praticamente toda consulta que realizamos. 
Você pode estar se perguntando: 
• Mas se eu já faço isto nas minhas consultas, se estes conceitos estão 
presentes diariamente – mesmo sem eu me dar conta – por que preciso 
então estudá-los a fundo? 
• Vai fazer alguma diferença eu desvendar essa “caixa preta” que é a MBE? 
• Não basta saber os critérios diagnósticos e conhecer as opções 
terapêuticas? 
 
 
 
A resposta é, obviamente, um SIM. Mas, a que ponto? 
Não queremos que vocês se tornem especialistas em MBE. Poucos de vocês se 
tornarão, darão aulas sobre o assunto, escreverão artigos e livros no futuro. 
Contudo, esperamos que todos vocês sejam capazes de compreender os conceitos, 
entender sobre tamanho do efeito terapêutico esperado e compreender por que um 
guideline de decisão clínica possui certos exames. Isto fará com que vocês tenham 
maior assertividade ao solicitar um teste diagnóstico e maior segurança ao 
recomendar o uso de um medicamento, sabendo melhor qual o real efeito esperado 
para cada paciente. 
 
Relembrando o que aprendemos no primeiro ciclo 
No primeiro ciclo exploramos a primeira etapa da MBE – a etapa Ask, sobre 
formular uma pergunta clínica estruturada. Aprendemos a transformar as 
inquietações e os questionamentos da nossa prática clínica primeiro em perguntas 
de estudo SMART e, em seguida, em perguntas possíveis de nos informar 
evidências relevantes para a tomada de decisão utilizando a Estratégia PICO – 
Paciente, Intervenção, Comparação, Desfecho (Outcome). 
Vamos avançar para as etapas seguintes dos cinco As – ACQUIRE e APPRAISE, 
começando por um pequeno caso clínico. 
 
Caso Clínico – Mariela está com 12 semanas de gestação! 
Dr. Josias está diante de uma gestante chamada Mariela. Ela tem 35 anos, é 
primigesta e está hoje com 12 semanas de gestação. Ela já teve medidas de 
pressão arterial elevadas, mas nunca lhe disseram que tinha hipertensão. Também 
não sabe se alguém da sua família teve pré-eclâmpsia. A enfermeira da equipe o 
questionou sobre a prescrição de carbonato de cálcio para gestantes, dizendo que 
havia recebido esta orientação da secretaria da saúde recentemente. Ela lhe 
perguntou “mas precisa ou não prescrever cálcio para gestantes? Todas as 
gestantes precisam? Parece que agora é recomendação do Ministério da Saúde, 
mas precisa prescrever para todas mesmo?”. Dr. Josias acaba por prescrever 
aspirina 100 mg ao dia e dois comprimidos de carbonato de cálcio 1.250 mg (500 
 
 
mg de cálcio) ao dia, o equivalente a 1.000 mg de cálcio elementar. Mesmo assim, 
ainda se questiona sobre o real efeito dessas medicações na vida de Mariela e na 
sua gestação – “Será que essas medicações realmente vão fazer a diferença para 
esta gestante?”. Ele decide que irá estudar sobre o tema quando chegar em casa. 
Ao final do dia, Dr. Josias resolve entrar na internet e buscar algum artigo sobre o 
tema. Então ele se vê frente à tela do computador sem saber ao certo como buscar 
essa informação, que página buscar ou a qual fonte recorrer. 
Como você já viu no Ciclo 1, vamos começar por formular boas perguntas. Sem 
elas, não encontraremos nada de relevante e, se encontrarmos, não saberemos 
muito bem o que fazer com o que encontramos. 
 
Ajudando Dr. Josias a qualificar suas perguntas! 
As perguntas que rondam a cabeça de Dr. Josias são: “deveria ou não oferecer o 
carbonato de cálcio ou aspirina, uma vez que ela teve medidas de pressão arterial 
elevadas”. Ele se pergunta se “não seria melhor prescrever logo aspirina para 
Mariela?”, “ou talvez deva prescrever os dois ao mesmo tempo?”, “qual deles tem 
melhor efeito?”. Todas estas perguntas são importantes, mas ainda estão escritas 
num formato de inquietação pessoal, não estão formuladas dentro da estratégia 
PICO. 
Além disso, há também duas intervenções distintas: aspirina e carbonato de cálcio 
em gestantes. Para relembrarmos e estratégia PICO, vamos rever cada um dos 
seus elementos primeiro utilizando o exemplo do caso da gestante Mariela. 
 
P (paciente ou população): gestantes em risco de pré-eclâmpsia. Há uma 
diferença aqui quanto à população – para cada uma delas, a população muda um 
pouco. Para carbonato de cálcio a população seria “estar gestante” e para aspirina a 
população seria “gestante em risco de desenvolver pré-eclâmpsia – vamos rever 
isto adiante. 
I (intervenção): temos duas no momento – (1) Aspirina e (2) Carbonato de Cálcio. 
C (Comparação): Nenhuma medicação ou uso de placebo. Para ambos os casos, a 
intervenção seria fazer ou não-fazer. Não uma comparação entre drogas distintas, 
 
 
com efeitos comparáveis. 
O (Outcome): ocorrência de pré-eclâmpsia – e demais eventos relacionados à pré-
eclâmpsia que veremos adiante. 
 
Mesmo sem ter elaborado essas perguntas adequadamente, Dr. Josias resolve 
primeiro buscar informações diretamente no Ministério da Saúde e busca no seu 
buscador pelos seguintes termos: 
“Ministério da saúde aspirina pré-eclâmpsia” 
Ele encontra alguns sites que lhe chamam a atenção. 
Primeiro o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde, um 
documento de quase 700 páginas detalhando tudo sobre gestação de alto risco –
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_gestacao_alto_risco.pdf – e 
que menciona na página 459 o seguinte: 
 
43.3 Prevenção da pré-eclâmpsia 
De acordo com a análise dos fatores de risco, recomenda-se o uso de ácido 
acetilsalicílico (AAS) 100 mg/dia, à noite, iniciado antes da 16ª semana de gestação 
até 36 semanas; além do cálcio até o parto (suplementação mínima de 1 g/dia). 
 
O documento não explica muito bem qual o real benefício desses medicamentos na 
prevenção da pré-eclâmpsia. Ele continua com suas questões em aberto e resolve 
buscar um pouco mais pela internet. Acaba encontrando então uma publicação do 
Instituto Fernandes Figueira intitulada “Principais questões sobre profilaxia da pré-
eclâmpsia no pré-natal” – https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-
mulher/principais-questoes-sobre-profilaxia-da-pre-eclampsia-no-pre-natal/ – com 
uma série de perguntas e respostas sobre o tema. Lá ele encontra a seguinte 
pergunta: 
 
3. Quando deve ser iniciada a profilaxia da pré-eclâmpsia? 
A aspirina a partir de 12ª semanas e preferencialmente antes de 20 semanas. 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_gestacao_alto_risco.pdf
https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-questoes-sobre-profilaxia-da-pre-eclampsia-no-pre-natal/
https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-questoes-sobre-profilaxia-da-pre-eclampsia-no-pre-natal/
 
 
Já a suplementaçãodo cálcio pode ser feita a partir de 20 semanas. 
O comprimido disponível de cálcio na Rede é de 1250mg ou 500mg de cálcio 
suplementar. A dosagem recomendada pela Organização Mundial da Saúde é de 
1,5g a 2g por dia. Vários estudos mais recentes têm mostrado que doses menores, 
de até 1g por dia têm sido efetivas da mesma forma para evitar a pré-eclâmpsia. 
Assim, tem-se utilizado prescrever 500mg duas vezes ao dia, ou 2 comprimidos de 
1250mg que corresponde a 500mg de cálcio elementar ao dia. 
 
Essas informações ele até já sabia – e tampouco são úteis para responder à sua 
questão sobre o real benefício do cálcio e da aspirina na prevenção da pré-
eclâmpsia. 
Na página do Ministério da Saúde, em “Estratégia contra a pré-eclâmpsia, 
suplementação de cálcio passa a ser universal para gestantes”, ele encontra a 
informação de que “Medida visa reduzir a mortalidade materna e fortalecer a Rede 
Alyne. Uso do cálcio reduz em até 55% o risco de pré-eclâmpsia”. Porém, ao ler a 
página, não encontra de onde este valor – 55% – veio, e continua sem saber qual o 
real efeito da aspirina e do cálcio na prevenção de pré-eclâmpsia. O texto foi 
encontrado em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/fevereiro/em-
estrategia-contra-a-pre-eclampsia-suplementacao-de-calcio-passa-a-ser-universal-
para-gestantes 
Ele resolve então buscar a Nota Técnica do Ministério da Saúde que orienta essas 
condutas. Pensou: “Lá devo encontrar as fontes bibliográficas que preciso”. 
A Nota Técnica Conjunta nº 251/2024-COEMM/CGESMU/DGCI/SAPS/MS e 
CGAN/DEPPROS/SAPS/MS – https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-
conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2024/nota-tecnica-conjunta-no-251-2024-
coemm-cgesmu-dgci-saps-ms-e-cgan-deppros-saps-ms.pdf – apresenta as 
recomendações para suplementação de cálcio durante a gestação. Lendo o 
documento, Dr. Josias encontra que: 
 
2.3. A Rede Alyne, instituída pela Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 
2024, estabelece o compromisso de reduzir a mortalidade materna global com 
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/fevereiro/em-estrategia-contra-a-pre-eclampsia-suplementacao-de-calcio-passa-a-ser-universal-para-gestantes
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/fevereiro/em-estrategia-contra-a-pre-eclampsia-suplementacao-de-calcio-passa-a-ser-universal-para-gestantes
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/fevereiro/em-estrategia-contra-a-pre-eclampsia-suplementacao-de-calcio-passa-a-ser-universal-para-gestantes
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2024/nota-tecnica-conjunta-no-251-2024-coemm-cgesmu-dgci-saps-ms-e-cgan-deppros-saps-ms.pdf
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2024/nota-tecnica-conjunta-no-251-2024-coemm-cgesmu-dgci-saps-ms-e-cgan-deppros-saps-ms.pdf
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2024/nota-tecnica-conjunta-no-251-2024-coemm-cgesmu-dgci-saps-ms-e-cgan-deppros-saps-ms.pdf
 
 
enfoque em mulheres negras e indígenas, conforme seu artigo 3º: “reduzir a 
morbimortalidade materna e infantil, com ênfase no componente neonatal sobretudo 
da população negra e indígena”. 
2.4. O cálcio atua na regulação metabólica e na manutenção da pressão arterial 
normal. No período gestacional, não há o aumento espontâneo da ingestão do 
cálcio. Nesse sentido, considerando a demanda do nutriente especificamente 
relacionada à gestação, observa-se o aumento da absorção desse nutriente, o que 
pode contribuir para a disponibilidade de cálcio na quantidade necessária para 
desenvolvimento do feto. 
2.5. Desde 2011, a OMS recomenda a suplementação de cálcio para gestantes com 
baixo consumo do micronutriente. 
 
E logo mais abaixo: 
 
3. RECOMENDAÇÕES 
3.1. No âmbito da Rede Alyne, recomenda-se que o pré-natal nas Unidades Básicas 
de Saúde, com captação oportuna (até 12 semanas), seja o momento ideal para a 
oferta dos cuidados necessários, dentre eles, os cuidados com a Alimentação e 
Nutrição, incluindo a oferta do suplemento de cálcio (Carbonato de Cálcio) para 
pessoas gestantes. 
3.2. Recomenda-se a suplementação de dois (2) comprimidos de carbonato de 
cálcio 1.250mg (500mg de cálcio) ao dia, equivalente a 1.000mg de cálcio 
elementar, para todas as gestantes, com início na 12ª semana de gestação até o 
momento do parto. 
 
Sente que continua na mesma situação, mas desta vez encontra, ao final do 
documento, uma série de referências bibliográficas. Documentos da Organização 
Mundial da Saúde, documentos do Ministério da Saúde brasileiro, um artigo sobre 
absorção intestinal do cálcio, um documento da International Federation of 
Gynecology and Obstetrics (FIGO) apresentando seu guideline para prevenção de 
pré-eclâmpsia e, por fim, um artigo chamado “Calcium for pre‐eclampsia prevention: 
 
 
a systemac review and network meta‐analysis to guide personalised antenatal care” 
– uma revisão sistemática e metanálise sobre o tema. “Este deve ser o artigo que 
pode me ajudar a responder as minhas perguntas”, analisa. 
Dr. Josias abre o documento e começa a lê-lo – disponível em 
https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/1471-0528.17222. No artigo 
ele encontra, logo na introdução, a seguinte informação: 
 
In women identified at highrisk for developing pre-eclampsia by multivariable 
assessment at 11+0 –13+6 weeks of gestation, aspirin (150mg/day) prevents 60% of 
preterm pre-eclampsia, without affecting the incidence of term disease (≥37+0 
weeks of gestation), which represents at least 70% of pre-eclampsia cases. 
Systematic reviews have identified that calcium supplementation during pregnancy 
reduces the risk of developing pre-eclampsia (RR 0.45, 95% CI 0.31– 0.65), as well 
as serious maternal morbidity and preterm birth. 
 
Traduzido livremente: 
Em mulheres identificadas como de alto risco para desenvolver pré-eclâmpsia entre 
11+0 e 13+6 semanas de gestação, a aspirina (150mg/dia) previne 60% dos casos 
de pré-eclâmpsia pré-termo, sem afetar a incidência da doença a termo (≥ 37+0 
semanas de gestação), que corresponde a pelo menos 70% dos casos de pré-
eclâmpsia. Revisões sistemáticas identificaram que a suplementação de cálcio 
durante a gravidez reduz o risco de desenvolver pré-eclâmpsia (RR 0,45, IC 95% 
0,31–0,65), bem como a morbidade materna grave e o parto prematuro. 
 
Frente a esta leitura, Dr. Josias se depara com um conceito que ele não se recorda 
muito bem – RR, ou Risco Relativo. Ele para e pensa: “eu não sabia qual o real 
efeito da aspirina e do cálcio na prevenção da pré-eclâmpsia e agora descobri que 
não me lembro o que é risco relativo!”. 
Ao tentar encontrar outras informações na internet, Dr. Josias acabou por encontrar 
um texto curtinho, de apenas uma página, resumindo as evidências sobre uso de 
aspirina para prevenção de pré-eclâmpsia. O artigo se chama “ASA use in patients 
https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/1471-0528.17222
 
 
at risk of preeclampsia” – e pode ser encontrado neste link 
https://www.cfp.ca/content/cfp/70/1/38.full.pdf. 
Atenção: não se preocupe em como Dr. Josias encontrou este texto. Nas próximas 
semanas abordaremos isto. Por ora, vamos focar nos conceitos que considerados 
preliminares para entendermos o que está escrito nesses artigos e conseguirmos 
responder à pergunta “qual o efeito da aspirina e do carbonato de cálcio na 
prevenção da pré-eclâmpsia”. 
 
Neste artigo ele encontra que: 
 
At about 12 to 28 weeks’ gestation, low-dose (50 to 150 mg) ASA reduces absolute 
risk of preeclampsia by about 2%, perinatal death by about 0.5%, and preterm birth 
by about 2% compared with placebo. The absolute risk of postpartum hemorrhage is 
increased by up to about 1%. Low-dose ASA should be considered in pregnant 
patients at risk of pre-eclampsia. 
 
Em português: 
Entre aproximadamente 12 e 28 semanasde gestação, aspirina em baixa dose (50 
a 150mg) reduz o risco absoluto de pré-eclâmpsia em aproximadamente 2%, a 
mortalidade perinatal em cerca de 0,5% e o parto pré-termo em cerca de 2% em 
comparação com placebo. O risco absoluto de hemorragia pós-parto aumenta em 
até aproximadamente 1%. A aspirina em baixa dose deve ser considerada em 
gestantes com risco de pré-eclâmpsia. 
 
Um pouco mais abaixo ele encontra que: 
 
O uso de aspirina (ASA), quando iniciado entre cerca de 12 e 28 semanas de 
gestação e mantido até o parto, tem efeito na mortalidade perinatal (3 revisões 
sistemáticas [11 a 52 ECRs])1,3,4: 2,1% a 3,1% versus 2,7% a 3,5% (placebo); NNT 
= 179 a 239. 
https://www.cfp.ca/content/cfp/70/1/38.full.pdf
 
 
 
Hemorragia pós-parto (>500 a 1.000mL de perda sanguínea) 
(4 revisões sistemáticas [9 a 19 ECRs])1,3,4,6: 3,7% a 15,2% versus 3,3% a 14,3% 
(placebo), número necessário para causar dano (NNH) de 97 a 239; em 1 revisão 
sistemática, os resultados não foram estatisticamente diferentes. 
 
Antes era apenas o Risco Relativo, agora o Risco Absoluto, o NNT (também 
conhecido como Número Necessário a Tratar (Number Needed to Treat), e o NNH 
(conhecido como Número Necessário para Causar Dano – Number Needed to 
Harm). 
Buscar artigos em fontes seguras não é nada simples. Onde buscar, como buscar, 
como avaliar se o artigo é bom ou não. Tudo isto parece muito difícil de ser feito, 
ainda mais quando começamos a ler um artigo e não temos muita segurança sobre 
o que Risco Relativo, Risco Absoluto, NNT e NNH realmente significam. 
Portanto, antes de aprendermos a buscar fontes na literatura, identificarmos tipos de 
artigos de acordo com a pirâmide de evidências, aprendermos estratégias de busca, 
vamos reforçar nossos conhecimentos sobre essas medidas de efeito. Este tema já 
foi abordado dentro dos módulos assíncronos, mas vamos abordá-lo novamente nos 
encontros síncronos sobre raciocínio clínico. Espero que o medo desses conceitos e 
seus números vão embora com este exercício. 
Hoje, vamos rever os conceitos começando por medidas de frequência até 
chegarmos aos NNT e ao NNH. 
 
Medidas de frequência: prevalência e incidência 
Vamos começar por relembrar dois conceitos básicos para descrevermos a 
frequência de ocorrências de um evento. Prevalência e incidências. São muito 
parecidos, mas nos mostram situações distintas com implicações distintas. 
• Prevalência: proporção de indivíduos em uma população que apresentam 
uma determinada condição em um ponto específico do tempo (ou período). É 
essencialmente uma fotografia da doença – útil, por exemplo, para entender 
carga de doença atual. Exemplo: em 2025, aproximadamente 10% da 
 
 
população brasileira tinha diabetes – esse número representa a prevalência 
de diabetes (10% dos brasileiros estavam com a doença naquele ano). 
• Incidência: taxa ou proporção de novos casos de uma condição que se 
desenvolvem em uma população suscetível durante um determinado período. 
Ou seja, mede o risco ou velocidade de ocorrência de novos casos. Exemplo: 
se em um ano ocorreram 50 novos casos de dengue por 1.000 habitantes em 
certa cidade, essa é a incidência anual de dengue nessa população. No 
exemplo, poderíamos falar em incidência de pré-eclâmpsia como a proporção 
de gestantes que desenvolverão pré-eclâmpsia durante toda a gravidez 
(excluindo quem já tinha, no caso de pré-eclâmpsia é sempre um evento 
novo na gestação). Formalmente, incidência costuma ser expressa como 
taxa ou risco cumulativo: número de novos casos dividido pelo número de 
pessoas inicialmente em risco, no período considerado. 
Resumindo, prevalência nos mostra a carga de uma doença na população, 
mostrando quais são os casos atualmente existentes na população. No nosso 
contexto da medicina de família, prevalência nos ajuda a medir quantos casos de 
determinada condição estamos acompanhando. A partir da contagem de quantos 
pacientes com HIV, com diabetes ou acamados há hoje em determinada população, 
podemos calcular a prevalência na população. Incidência, por outro lado, nos 
mostra o risco de ocorrência de um novo caso em um período. 
A proporção de gestantes em um ambulatório pré-natal que atualmente estão com 
pré-eclâmpsia representaria uma prevalência pontual dessa condição (geralmente 
baixa, já que a pré-eclâmpsia ocorre mais tardiamente e por definição ao final da 
gestação). Já a probabilidade de uma gestante de alto risco vir a desenvolver pré-
eclâmpsia ao longo da gestação é uma incidência (digamos, ~10% de incidência de 
pré-eclâmpsia em determinadas populações de risco sem profilaxia). É justamente 
essa incidência que aspirina e o carbonato de cálcio pretendem reduzir. 
 
No artigo “Prevalência de pré-eclâmpsia no Brasil: Uma revisão integrativa” –
https://www.scielo.br/j/rbgo/a/qJLyYLLLvnfNC3d8hxJ68Lt/abstract/?lang=pt#:~:text=
A%20frequ%C3%AAncia%20acumulada%20de%20pr%C3%A9%2Decl%C3%A2mp
sia%20foi%20de,a%20hipertens%C3%A3o%20foi%20de%200%2C5%%20a%201%
2C7% – descobrimos que “A frequência acumulada de pré-eclâmpsia foi de 6,7%, 
https://www.scielo.br/j/rbgo/a/qJLyYLLLvnfNC3d8hxJ68Lt/abstract/?lang=pt#:~:text=A%20frequ%C3%AAncia%20acumulada%20de%20pr%C3%A9%2Decl%C3%A2mpsia%20foi%20de,a%20hipertens%C3%A3o%20foi%20de%200%2C5%%20a%201%2C7%
https://www.scielo.br/j/rbgo/a/qJLyYLLLvnfNC3d8hxJ68Lt/abstract/?lang=pt#:~:text=A%20frequ%C3%AAncia%20acumulada%20de%20pr%C3%A9%2Decl%C3%A2mpsia%20foi%20de,a%20hipertens%C3%A3o%20foi%20de%200%2C5%%20a%201%2C7%
https://www.scielo.br/j/rbgo/a/qJLyYLLLvnfNC3d8hxJ68Lt/abstract/?lang=pt#:~:text=A%20frequ%C3%AAncia%20acumulada%20de%20pr%C3%A9%2Decl%C3%A2mpsia%20foi%20de,a%20hipertens%C3%A3o%20foi%20de%200%2C5%%20a%201%2C7%
https://www.scielo.br/j/rbgo/a/qJLyYLLLvnfNC3d8hxJ68Lt/abstract/?lang=pt#:~:text=A%20frequ%C3%AAncia%20acumulada%20de%20pr%C3%A9%2Decl%C3%A2mpsia%20foi%20de,a%20hipertens%C3%A3o%20foi%20de%200%2C5%%20a%201%2C7%
 
 
com um total de 2.988 casos. A frequência de eclâmpsia variou de 1,7% a 6,2%, ao 
passo que a ocorrência de síndrome de HELLP foi pouco relatada. A prematuridade 
associada a hipertensão foi de 0,5% a 1,7%”. 
 
 
Medidas de risco: risco absoluto e risco relativo 
Aqui é onde muitas pessoas começam a fazer confusão. Geralmente comparamos 
riscos de desfechos entre dois grupos (por exemplo, grupo que recebeu aspirina vs. 
grupo placebo). Para interpretar resultados, precisamos entender duas formas 
complementares de expressar risco: o absoluto e o relativo. 
• Risco Absoluto (RA): é a probabilidade ou incidência de um evento ocorrer 
em um determinado grupo. Pode ser expresso em porcentagem ou 
proporção. No contexto de um ensaio clínico, também é chamado de taxa de 
evento ou incidência cumulativa no grupo. Exemplo hipotético: em um estudo 
observacional que acompanhou gestantes ao longo de toda a gestação 
encontrou que. de cada 100 grávidas, 8 mulheres tiveram pré-eclâmpsia. O 
risco absoluto de se ter pré-eclâmpsia neste estudo foi de 8%. O risco 
absoluto nos fornece a magnitude da doença ou evento naquele grupo 
específico. Outro exemplo, agora de um estudo real. No artigo 
https://www.ajog.org/action/showPdf?pii=S0002-9378%2820%2931128-5 
encontramos que “A incidência relatada de eclâmpsia é de 1,6 a 10 por 
10.000 partos em países desenvolvidos, enquanto é de 50 a 151 por 10.000 
partos em países em desenvolvimento.” O risco absoluto para ocorrência de 
ECLÂMPSIA, em países em desenvolvimento, varia entre 50 e 151 casos por 
10.000 partos. Perceba que a incidências aqui da eclâmpsia é menor do que 
da pré-eclâmpsia. 
• Risco Relativo (RR): é a razão dos riscos absolutos entre dois grupos. Risco 
relativo sempre precisa de dois valores para serem comparados – relativos 
um ao outro. Isto é, quanto foi o risco no grupo intervenção relativamente ao 
risco no grupo controle. Matematicamente: RR = (incidência no grupo 
intervenção) ÷ (incidência no grupo controle). O riscorelativo informa quantas 
vezes mais (ou menos) provável é ocorrer o desfecho no grupo exposto em 
https://www.ajog.org/action/showPdf?pii=S0002-9378%2820%2931128-5
 
 
comparação ao não exposto. Por exemplo, se no grupo controle 8 em cada 
100 gestantes desenvolvia pré-eclâmpsia e no grupo de gestantes que tomou 
aspirina ao longo da gestação tivemos apenas 4 casos de pré-eclâmpsia 
dentre 100 gestantes, podemos dizer que: 
o O risco absoluto de pré-eclâmpsia no grupo controle é 8 em 100. 
o O risco absoluto de pré-eclâmpsia no grupo que usou aspirina é 4 em 
100. 
o O risco relativo entre os dois grupos foi de 0,5. 
Em outras palavras, ao tomar aspirina, o risco das gestantes reduziu pela metade, 
em relação àquelas que não tomaram aspirina. Atenção, os valores aqui são 
hipotéticos. Usamos valores redondos apenas para facilitar o entendimento dos 
conceitos. 
 
Para interpretarmos o risco relativo 
Risco relativo é uma medida de multiplicação (ou de razão). Desta forma, o valor de 
igualdade sempre será o valor 1. Um RR = 1 indica que não há diferença em risco 
entre os grupos (risco idêntico). RR > 1 indica risco maior com a intervenção 
(possível efeito prejudicial); RRos valores que 
encontramos parecem favoráveis para a indicação da aspirina para prevenção de 
pré-eclâmpsia – o número de pacientes que precisam tratar para obter um benefício 
é menor (50) que o número que levaria para incorrer em um dano sério (100). 
Prevenir pré-eclâmpsia (que pode ser fatal em casos graves) tem um peso 
importante, enquanto o dano considerado (hemorragia pós-parto leve a moderada), 
embora relevante, geralmente é manejável. 
Lembrando que os números aqui apresentados são apenas exemplos, em termos 
práticos, esses números indicam que a aspirina baixa dose traz um benefício 
absoluto modesto, porém clinicamente relevante, na prevenção da pré-eclâmpsia, 
com um pequeno acréscimo no risco de hemorragia. 
 
 
Essas não são as únicas informações que usamos para decidirmos se usamos um 
medicamento ou não. Para colocá-lo em prática para toda a população e se tornar 
uma política de saúde pública, vários fatores são levados em conta, como 
disponibilidade do medicamento, sua aceitação pela população, reconhecimento de 
seus potenciais malefícios, seu custo para disponibilizar para toda a população, 
gravidade da doença e seu impacto na sociedade. 
Além disso, não falamos nada sobre como considerar a qualidade metodológica das 
evidências (nesse caso, alta, por se basear em múltiplos ECRs) e a aplicabilidade à 
paciente (perfil de risco semelhante, contraindicações, preferências da gestante, 
etc.). Isto ficará para as próximas semanas. 
 
Perfeito, você finalizou a leitura desta semana. Agora, prepare-se para as atividades 
que terão este conteúdo como base. Bons estudos! 
 
 
	Relembrando o que aprendemos no primeiro ciclo
	Caso Clínico – Mariela está com 12 semanas de gestação!
	Ajudando Dr. Josias a qualificar suas perguntas!
	Medidas de frequência: prevalência e incidência
	Medidas de risco: risco absoluto e risco relativo
	Para interpretarmos o risco relativo
	Redução de risco: absoluta vs. relativa
	NNT (Número Necessário para Tratar) e NNH (Número Necessário para Causar Dano)

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