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TEORIA GERAL DO 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
10.2 Remédios Constitucionais 
Os chamados “remédios constitucionais” são instrumentos jurídicos com 
previsão no texto constitucional, cujo objetivo é promover a proteção de direitos 
ameaçados por ilegalidade ou abuso de poder. São remédios constitucionais: o 
habbeas corpus, o habbeas data, o mandado de segurança (individual e coletivo), o 
mandado de injunção e ação popular. 
A seguir, definição e explicação sobre cada um dos remédios constitucionais. 
 
10.2.1 Habeas Corpus 
 Primeira garantia de efetivação de direito fundamentais, cuja origem remonta à 
Magna Carta de 1215, na Inglaterra, reformulada pelo habeas corpus Act em 1679, 
tinha o objetivo de garantir a liberdade física dos súditos em face de abusos estatais. 
 Constitucionalmente no Brasil, o habeas corpus foi positivado na Constituição 
de 1891, embora já garantido anteriormente, em 1832, no Código de Processo 
Criminal, estabelecendo o direito de pedir a liberdade em caso de prisão ou 
constrangimento ilegal. (LENZA, 2021). 
 De acordo com o artigo 5º, inciso LXVIII, o habeas corpus por ser utilizado em 
casos em que: 
- alguém sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção por abuso de 
poder ou ilegalidade; 
- ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção 
por abuso de poder. 
• Quem pode utilizar o habeas corpus: o impetrante pode ser qualquer pessoa 
física, ou jurídica, independentemente da capacidade civil, da idade, profissão 
ou nacionalidade. 
• Quem pode se beneficiar do habeas corpus: o “paciente” (nome dado à pessoa 
cujo habeas corpus pretende beneficiar/proteger) pode ser qualquer pessoa 
física (não cabe habeas corpus para pessoa jurídica) que se encontra nas 
situações de violência, coação, ou ameaça de violência ou coação de sua 
liberdade de locomoção. 
• Contra quem o habeas corpus pode ser utilizado: o texto constitucional 
menciona que o sujeito passivo do habeas corpus é aquele que, por abuso de 
poder, viola, coage, ou ameaça violar ou coagir a liberdade de locomoção do 
Highlight
 
 
 
 
TEORIA GERAL DO 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
“paciente”. Normalmente os sujeitos passivos de um HC são pessoas com 
autoridade suficiente para promover o cerceamento da liberdade de alguém, 
como membros do Tribunal, magistrados, delegados, autoridade policiais e 
etc..., mas nada impede que o HC seja impetrado contra pessoa de direito 
privado cuja atitude vier a se enquadrar na utilidade prática deste instrumento. 
• Quando o habeas corpus pode ser impetrado: o HC pode ser preventivo, nos 
casos de ameaça de violência ou de ameaça de coação da liberdade de 
locomoção, ou seja, para evitar o que está em risco iminente; pode ser 
repressivo, nos casos em que a violência ou coação já está acontecendo, para 
que haja a liberação do paciente; pode ainda ser suspensivo, nos casos em 
que o mandado de prisão fora expedido, mas ainda não foi cumprido. 
• A quem entregar o habeas corpus (competência para julgar): depende de quem 
for a autoridade coatora. Algumas possibilidades estão estabelecidas nos 
artigos 102, 105, 108, 109 e 121 da CF/88. 
 
10.2.2 Mandado de Segurança 
 Trata-se de remédio constitucional de criação brasileira, inserido o 
ordenamento jurídico pela primeira vez na Constituição de 1934. Atualmente está no 
art. 5º. Inciso LXIX da Constituição de 88, também regulamentado pela lei 
12.016/2009, cabível nos casos em que 
- seja necessária a proteção de direito líquido e certo; 
- tal direito não seja amparado por habeas corpus ou habeas data 
- em razão de ilegalidade ou abuso de poder 
- cometido por autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de 
atribuições do Poder Público. 
 Pode, ainda, ser utilizado de forma repressiva, quando já presente o abuso, ou 
preventiva, em caso de ameaça de abuso. 
• Direito líquido e certo: trata-se, na verdade, de necessidade de comprovação 
do fato em que se cabe o direito pretendido. Tal comprovação deve ser aquela 
que não necessita de longa análise e de extensos mecanismos processuais. 
• Ilegalidade e abuso de poder: ilegalidade é o ato contrário à lei e abuso de 
poder é o ato discricionário, ou seja, extensivo e arbitrário em relação aos 
Highlight
Atenção neste ponto
 
 
 
 
TEORIA GERAL DO 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
poderes que são verdadeiramente conferidos à autoridade em questão. 
(TEMER, 2019). 
• Sujeito ativo: é o impetrante do mandado de segurança, pessoa cujo direito 
líquido e certa fora violado, podendo ser qualquer pessoa física, jurídica com 
capacidade processual. 
• Sujeito passivo: é a autoridade coatora, responsável pelo abuso de poder ou 
ilegalidade, sendo que nos termos do art. 6º, parágrafo 3º da lei 12.016/09, a 
autoridade coatora é aquela que pratica o ato ou a que emana ordem para a 
sua prática. São também considerados pela lei como sujeitos passivos 
legítimos do mandado de segurança “os representantes ou órgãos de partidos 
políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os 
dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de 
atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas 
atribuições (art. 1º, parágrafo 1º). 
• Prazo para impetrar o mandado de segurança: 120 dias a contar da ciência do 
interessado do ato a ser impugnado pelo instrumento (art. 23). 
• Exceção de cabimento: (parágrafo 2º, art. 1º) Não cabe mandado de 
segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos 
administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de 
concessionárias de serviço público. 
• Competência para julgar: 
 
 
 
 
TEORIA GERAL DO 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
 (MASSON, 2020, p. 623) 
 O mandado de segurança também poderá ser coletivo, quando se tratar de 
interesse transindividual, seja ele individual homogêneo (indivíduos ligados pela 
origem comum do fato, atingindo individualidades de forma comum) ou coletivo (afeta 
pessoas ligadas em determinado grupo econômico ou social, categoria ou classe) 
nesse sentido: 
 
• individuais homogêneos: assim entendidos, para efeito desta lei, os 
decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da 
totalidade, ou de parte dos associados ou membros do impetrante; 
• coletivos: assim entendidos, para efeito desta lei, os transindividuais, 
de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas 
ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica. 
(LENZA, 2021, p. 1.814). 
 
 Os mandados de segurança coletivos podem ser impetrados por: partido 
político com representação no congresso nacional; ou organização sindical, entidade 
de classe ou associação em funcionamento há pelo menos 1 ano, em defesa de 
interesse de seus membros ou associados. 
 
10.2.3 Mandado de Injução 
 O mandado de injunção é o remédio constitucional utilizado para os casos em 
que um direito, liberdade constitucional e prerrogativa inerente à nacionalidade, à 
 
 
 
 
TEORIA GERAL DO 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
soberania, e à cidadania restarem impossibilitados de serem exercidos em razão de 
sua eficácia limitada (aplicabilidade mediata e reduzida) e ausência de norma 
regulamentadora. 
 O mandado de injunção é regulamentado pela lei 13.300/16 e pode ser 
individual ou coletivo. Seus efeitos podem ser subjetivo inter partes ou erga omnes, a 
depender da decisão. 
 Podem impetrar mandado de injunção individual: qualquer pessoa física ou 
jurídica, de direito público ou privado que seja afeta pela ausência ou insuficiência de 
norma regulamentadora de direito constitucional de eficácia limitada. 
 Podem impetrar mandado de injunção coletivo: O Ministério Público; partido 
político com representação no Congresso Nacional; Organização sindical, entidade 
de classe ou associação legalmente constituída em funcionamento há pelo menos 1 
ano; e a Defensoria Pública. 
 Omandado de injunção será impetrado em face do poder, órgão ou autoridade 
com atribuição para editar a norma regulamentadora. Já a competência para 
julgamento irá depender do âmbito do órgão que figurar o polo passivo da ação. 
 Com relação aos efeitos, pode ser adotada pelo órgão julgador a posição 
concretista direta (concretização do direito até a regulamentação); a posição 
concretista intermediária (fixação de prazo para regulamentação pelo órgão 
competente e garantia do direito em caso de permanência da inércia mesmo após 
findo o prazo em questão); ou posição não-concretista (apenas reconhece a inércia 
da autoridade competente). 
 
10.2.4 Habeas Data 
 Garantido pelo art. 5º inciso LXXII, o habeas data é instrumento adequado 
 
para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do 
impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades 
governamentais ou de caráter público; 
para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo 
sigiloso, judicial ou administrativo. (LENZA, 2021, p. 1.830) 
 
 É regulamentado pela lei 9.507 de 1997, e funda-se no simples desejo de ter 
acesso ao conteúdo de informações divulgadas sobre você mesmo, ou solicitar 
 
 
 
 
TEORIA GERAL DO 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
retificação de dados incorretos, ainda que não as utilize ou as necessite para o 
exercício de algum direito. (TERMER, 2019). 
 De acordo com o parágrafo único do artigo 1º da Lei 9.507/97 são de caráter 
público, para os fins do instrumento em questão “todo registro ou banco de dados 
contendo informações que sejam ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que 
não sejam de uso privativo do órgão ou entidade produtora ou depositária das 
informações”. 
 
10.2.5 Ação Popular 
 É a ação cabível para anulação de: 
- ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, 
- à moralidade administrativa, 
- ao meio ambiente 
- e ao patrimônio histórico e cultural” 
 A legitimidade para a propositura da ação pertence a qualquer cidadão 
brasileiro, nato ou naturalizado, em pleno gozo (e exercício) de seus direitos políticos. 
De acordo com a súmula 365 do STF, as pessoas jurídicas não são legitimadas a 
propor ação popular. 
 No polo passivo da ação, conforme art. 6º, parágrafo 3º da lei 4.717/65 o agente 
que praticou o ato lesivo, a entidade lesada e os beneficiários do ato lesivo. 
 A competência para processar e julgar a ação popular depende do local de 
onde se origina o ato lesivo, nos termos do art. 5º da lei supramencionada. 
 
10.3 Direito Coletivos 
 São direitos coletivos os direitos cuja titularidade pertence à uma categoria de 
pessoas e não a um indivíduo. Esses direitos aparecem no texto Constitucionais, na 
maioria das vezes, como os direitos sociais, que serão estudados a seguir. 
 Como exemplo de direito coletivo é possível citar o inciso XXI do art. 5º da 
CF/88 que determina que “as entidades associativas, quando expressamente 
autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou 
extrajudicialmente”. 
 
 
 
 
 
 
TEORIA GERAL DO 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
11 DIREITOS SOCIAIS 
 Os direitos sociais são os direitos de segunda geração, que remontam, 
portanto, a um contexto de exigência de atuação do Estado, não somente como 
garantidor das liberdades individuais, mas também como provedor de direitos 
necessários para “implementar a igualdade jurídica, política e social entre os sujeitos 
que compõem o desnivelado tecido social”. (MASSON, 2020, p. 415). 
 Em espécie, são os direitos relativos à educação, saúde, trabalho, previdência 
social, lazer, segurança, proteção à maternidade e à infância e assistência aos 
desamparados. Encontram-se dispostos a partir do artigo 6º. 
 Há também os direitos sociais individuais dos trabalhadores, estabelecidos no 
art. 7º. Vale lembrar que o rol de direitos deste artigo é meramente exemplificativo, de 
modo que os direitos dos trabalhadores não se limitam a estas imposições. 
 O artigo 8º da Constituição estabelece ainda o direito sociais de associação 
sindical e profissional, cujas regras e limitações estão nos incisos do artigo em 
questão. O direito de greve do art. 9º é mais um direito social (nesse caso, também 
coletivo), tratando-se de norma de eficácia limitada de conteúdo programático, pois o 
texto constitucional estabelece a necessidade de regulamentação do direito de greve 
por legislação infraconstitucional. 
 Por fim, os artigos 10 e 11 da CF/88 assegura o direito de participação dos 
trabalhadores nos “colegiados de órgãos públicos” em que seja discutida questão 
relativa a seus interesses profissional e previdenciários. 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 25. ed. São Paulo: Saraiva 
Educação, 2021. 
 
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8. ed. rev. ampl. e atual. 
Salvador: JusPODIVM, 2020. 
 
SILVA, José Afonso da. Aplicabilidade das normas constitucionais. 6ª ed. São 
Paulo, Malheiros, 2003. 
 
 
 
 
 
TEORIA GERAL DO 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
TEMER, Michel. Elementos de direito constitucional. 24.ed. São Paulo: Malheiros. 
2019. 
 
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito 
Constitucional. 16. ed. revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2021.

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