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Direito Empresarial Aula 04 – Livros Comerciais UFSC Profa. Liz Beatriz sass 2023/II 1. OBRIGAÇÕES COMUNS A TODOS OS EMPRESÁRIOS * Registrar-se no Registro de empresa antes de iniciar a sua atividade – art. 967 CC * Escriturar regularmente os livros obrigatórios – art. 1.179 CC * Levantar Balanço Patrimonial e de resultado econômico a cada ano – art. 1.179CC 1. OBRIGAÇÕES COMUNS A TODOS OS EMPRESÁRIOS Microempresários (ME) e Empresários de Pequeno Porte (EPP): estão dispensados de escriturar os livros obrigatórios. art. 179 CF + 970 CC Devem optar pelo SIMPLES NACIONAL (art. 1.179, § 2º CC) Os não optantes devem escriturar o Livro Caixa. ME E EPPs: devem manter os livros empresariais guardados e em boa conservação . 2. FUNÇÕES DOS LIVROS COMERCIAIS GERENCIAL: tomada de decisão. FUNÇÕES DOCUMENTAL: eficácia perante terceiros. FISCAL: atividade fiscalizatória. Livros: são documentos unilaterais que registram atos e fatos relevantes pela lei para o regular funcionamento de uma empresa. A escrituração é feita normalmente em livros, admitindo-se hoje o sistema de fichas, folhas soltas, microfichas geradas por computador ou livro digital. 3. PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AOS LIVROS COMERCIAIS SIGILOSIDADE: A escrituração interna do empresário goza naturalmente de um sigilo, consagrado no artigo 1.190 do Código Civil, embora atualmente ela seja relativa. FIDELIDADE: a escrituração deve corresponder à realidade que se apresenta. UNIFORMIDADE TEMPORAL: é essencial que se mantenha a escrituração sempre pelo mesmo método contábil no correr de toda a vida da empresa. 4. TIPOS DE LIVROS COMERCIAIS Livros Comerciais Obrigatórios Comuns Especiais Facultativos 4. TIPOS DE LIVROS COMERCIAIS LIVROS OBRIGATÓRIOS COMUNS: Livro Diário – art. 1.180CC + 1.184 CC. LIVROS OBRIGATÓRIOS ESPECIAIS: São utilizados em virtude de alguma peculiaridade da atividade empresária. Ex: Livro de Duplicatas – art. 19, Lei n. 5.474/68 Livros próprios das Sociedades Anônimas: Livro de atas das Assembléias Gerais, Livro de Transferência de Ações Nominativas, etc... – art. 100, Lei n. 6.404/76. LIVROS FACULTATIVOS: aqueles que o empresário utiliza para sua organização própria ou venha a criar mediante métodos próprios. Ex: Livro Conta Corrente, Livro Razão, Livro Caixa, Livro de Contas a Receber. OBS: Mesmo quando autenticados pela Junta Comercial não tem a eficácia probatória que a lei confere aos livros obrigatórios. O Sistema Público de Escrituração Digital - SPED O SPED - pelo Decreto 6.022/07, trouxe a possibilidade dos livros contábeis diários e razão, antes encadernados e autenticados por meio físico, serem agora substituídos por forma eletrônica. Assim, a elaboração, processamento e armazenamento da escrituração do empresário deverá ser por Livro Digital, assinado por certificado digital, seguindo as determinações do ICP-Brasil (Infra-estrutura Brasileira de Chaves Públicas). Decreto n. 8.683/16: Art. 1º O Decreto nº 1.800, de 30 de janeiro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 78-A. A autenticação de livros contábeis das empresas poderá ser feita por meio do Sistema Público de Escrituração Digital - Sped de que trata o Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a apresentação de escrituração contábil digital. § 1º A autenticação dos livros contábeis digitais será comprovada pelo recibo de entrega emitido pelo Sped. § 2º A autenticação prevista neste artigo dispensa a autenticação de que trata o art. 39 da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, nos termos do art. 39-A da referida Lei.” (NR) O Sistema Público de Escrituração Digital - SPED A Escrituração Contábil Digital (ECD) é parte integrante do projeto SPED e tem por objetivo a substituição da escrituração em papel pela escrituração transmitida via arquivo, ou seja, corresponde à obrigação de transmitir, em versão digital, os seguintes livros: I - Livro Diário e seus auxiliares, se houver; II - Livro Razão e seus auxiliares, se houver; III - Livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. 5. REGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO INTRÍNSECOS: Técnica contábil art. 1.183CC REQUISITOS EXTRÍNSECOS: Autenticação art. 1.181CC Escrituração Eletrônica: deve observar ambos os requisitos, havendo a necessidade de certificação eletrônica da assinatura do empresário e do contador. 6. ASPECTOS PENAIS Art. 297, § 2º CP: os livros mercantis são equiparados a documentos públicos. Falsificação de documento público Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. § 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. 7. CONSEQUENCIAS DA IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO ASPECTO CIVIL: não pode valer-se do art. 418 NCPC; Presumir-se-ão como verdadeiros os fatos relatados pelo requerente – art. 400, I, NCPC e art. 1.192 CC ASPECTO PENAL: Crime falimentar – art. 178 da Lei n. 11.101/2005 Art. 1.194 CC: os livros devem ser conservados até a prescrição de todas as obrigações nele escrituradas. Art. 418 NCPC: Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos por lei provam a favor de seu autor no litígio entre empresários. 8. EXIBIÇÃO JUDICIAL E EFICÁCIA PROBATÓRIA DOS LIVROS COMERCIAIS PARCIAL: A exibição parcial pode ser determinada de ofício ou a requerimento da parte. Neste caso, a exibição limita-se aos documentos relativos ao ponto controvertido da demanda: O exame poderá ser feito na presença do empresário ou de pessoa por ele indicada, extraindo-se apenas o que interessa para o litígio. Não havendo apresentação do livro nesse caso, deverão ser tidos como verdadeiros os fatos narrados, salvo prova documental em contrário (Código Civil, art. 1.192). Há uma presunção relativa da veracidade dos fatos alegados, que poderá ser desconstituída apenas por prova documental em sentido contrário. 8. EXIBIÇÃO JUDICIAL E EFICÁCIA PROBATÓRIA DOS LIVROS COMERCIAIS TOTAL: A exibição integral dos livros só pode ser determinada judicialmente, nas questões relativas à sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em caso de falência – art. 1.191 CC. A exibição integral dos livros nesses casos poderá ser feita em uma ação cautelar própria ou incidentalmente no curso de um processo (art. 420, NCPC). A exibição integral abrange o acesso do interessado a todos os livros e documentos do empresário, não se limitando a um livro ou documento específico. A recusa da exibição acarreta a apreensão judicial dos livros e não mais a confissão em relação aos fatos narrados. (art. 1.192 CC) 8. EXIBIÇÃO JUDICIAL E EFICÁCIA PROBATÓRIA DOS LIVROS COMERCIAIS Autoridades Administrativas: art. 1.193 CC, art. 33, § 1º da Lei n. 8.212/91 art. 195 CTN Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da escrituração, em parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades fazendárias, no exercício da fiscalização do pagamento de impostos, nos termos estritos das respectivas leis especiais. Súmula 439 STF: Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação. Arts. 417 e 418 CPC 9. DEMONSTRAÇÕES PERIÓDICAS Balanço Patrimonial: art. 1.188 CC (ativo e passivo, compreendendo todos os bens, créditos e débitos) Balanço de Resultado: art. 1.189 CC (lucros e perdas). Penalidade: reponsabilidade pessoal dos administradores da sociedade; dificuldade para a obtençãode crédito e financiamento; impossibilidade de participar de licitações. Bibliografia: COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial: Direito de Empresa. 24ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2021. v. 1. NEGRÃO, Ricardo. Curso de Direito Comercial e de Empresa. v. 1. São Paulo: Saraiva, 2017. image1.png image2.png image3.png image4.png