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Revista Brasileira de Gestão Ambiental e Sustentabilidade (2024): 11(29): 1523-1533. ISSN 2359-1412 https://doi.org/10.21438/rbgas(2024)112930 ISSN 2359-1412/RBGAS-2024-0116/2024/11/29/30/1523 Rev. Bras. Gest. Amb. Sustent. https://revista.ecogestaobrasil.net A gestão do design no contexto organizacional: uma revisão integrativa Anna Tainah Tárrio de Paula¹,*, Camila Neves Sgarioni¹, Gedeandro Gonçalves dos Santos¹, Claudete Barbosa Ruschival², Sheila Cordeiro Mota² e José Carlos Calado Sales Junior¹,² ¹Universidade Federal do Amazonas. Faculdade de Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Design. Av. Gal. Rodrigo Octávio Jordão Ramos, 3.000. Setor Norte. Coroado I. Manaus-AM, Brasil (CEP 69077-000). *E-mail: anna.paula@ufam.edu.br. ²Universidade Federal do Amazonas. Faculdade de Tecnologia. Av. Gal. Rodrigo Octávio Jordão Ramos, 3.000. Setor Norte. Coroado I. Manaus-AM, Brasil (CEP 69077-000). Resumo. A evolução de estudos sobre gestão de design é apontada por pesquisadores da área como crescente, com oportunidades vislumbradas em múltiplos exemplos e modelos identificados na literatura no que se refere a propor limites coesos para esta disciplina. A fim de suprir tal demanda, esta pesquisa aborda a questão de “como a gestão do design vem sendo aplicada no planejamento estratégico da organização”. Por meio de revisão integrativa, buscou-se realizar uma investigação em bancos de dados, abrangendo o tema em um contexto nacional. Constatou-se que quando se é aplicado ferramentas do design na gestão de pessoas e empresas, elas passam a entender melhor sua situação e identificar formas mais eficazes de melhorar seu desempenho no mercado. Palavras-chave: Gestão do design; Gestão de pessoas; Estratégia competitiva. Abstract. Design management in the organizational context: An integrative review. Researchers note that studies in the area of design management continue to evolve. Multiple examples and models identified in the literature show that there are opportunities in terms of proposing cohesive limits for this discipline. In order to meet this demand, this work addresses the question “how design management is being applied in the organization’s strategic planning?” This work, an integrative review of databases, considers the theme of design management in a national context. It has been found that when design tools are applied to people management and business operations, companies gain a better understanding of their situation and can Recebido 26/08/2024 Aceito 27/12/2024 Publicado 31/12/2024 Acesso aberto 0009-0004-1180-2532 Anna Tainah Tárrio de Paula 0009-0003-7272-4104 Camila Neves Sgarioni 0009-0009-7593-1559 Gedeandro Gonçalves dos Santos https://doi.org/10.21438/rbgas(2024)112930 https://revista.ecogestaobrasil.net/ mailto:anna.paula@ufam.edu.br mailto:anna.paula@ufam.edu.br https://orcid.org/0009-0004-1180-2532 mailto:anna.paula@ufam.edu.br mailto:anna.paula@ufam.edu.br https://orcid.org/0009-0003-7272-4104 mailto:camilasgarioni.arq@gmail.com https://orcid.org/0009-0009-7593-1559 http://revista.ecogestaobrasil.net/ http://www.orcid.org/ 1524 Paula et al. Rev. Bras. Gest. Amb. Sustent., 2024, vol. 11, n. 29, p. 1523-1533. identify more effective ways to improve their market performance. Keywords: Design management; People management; Competitive strategy. 0000-0001-5686-3209 Claudete Barbosa Ruschival 0000-0003-4467-0391 Sheila Cordeiro Mota 0000-0001-9785-0447 José Carlos Calado Sales Junior Introdução O design costumava desempenhar funções em projetos de produtos físicos, gráficos e serviços. Entretanto, ele passou a ter novas funções no Mundo do Negócio, funções essas que implicaram na introdução de inovações, por meio de estratégias de negócios. Quando o planejamento de um projeto, ou mesmo a gestão de uma empresa, torna-se multidisciplinar, observa-se um aumento significativo na colaboração entre os membros das diversas equipes essenciais para o seu funcionamento (Melo, 2022). Lona (2020) destaca a importância de estar atento às demandas do Mundo Moderno, uma vez que, com as constantes mudanças, as pessoas tornaram-se mais exigentes. A forma como os usuários passam a adquirir serviços e produtos também evoluiu, impactando diretamente no relacionamento entre as empresas e seus clientes. É evidente a necessidade das empresas melhorarem a experiência de seus usuários, estando diretamente relacionado aos avanços da tecnologia, que implicam uma nova cultura a ser adaptada. Os usuários tornam-se mais exigentes, pois não dependem mais de processos ultrapassados para descobrir, contratar e cancelar serviços; tudo pode ser feito em segundos a partir de um dispositivo tecnológico, como um smartphone. Este cenário, cada vez mais comum, força as empresas a buscarem medidas mais inovadoras e criativas (Silva, 2020). Segundo Silva (2020), para que o design possa impactar na gestão de forma eficaz, as empresas devem estar dispostas a reinventar seus processos e criar novos modelos de valor. Isso requer a integração do design em níveis estratégicos da organização, que pode ser determinante para o sucesso da organização. A gestão do design não apenas coordena projetos, como o desenvolvimento de produtos e serviços, mas também gerencia as relações entre os membros da equipe e qualquer outra parte envolvida no projeto (Best, 2012). Como resultado, investir em gestão do design pode melhorar a qualidade de vida das pessoas envolvidas e proporcionar à organização um diferencial competitivo no mercado. Segundo o Design Management Institute (DMI, 2014), a gestão do design abrange os processos, as decisões e estratégias que permitem que a inovação e a criação de produtos, serviços, comunicações, ambientes e marcas sejam projetados de forma eficaz. Além disso, Martins e Merino (2011) compreendem a gestão do design como a organização e a coordenação das atividades de design, baseadas nos objetivos e valores da empresa, a fim de planejar e coordenar as estratégias. Já Mozota et al. (2011) e Best (2012) ressaltam que o design pode ser um meio (ferramentas para solução de problemas) e um fim (quando colocado a serviço de objetivos corporativos). A gestão de design é uma ferramenta que pode prover a competitividade de uma organização, onde fortalece a imagem percebida pelo público interno e externo. Segundo Soares (2022), existem três conceitos hierarquicamente ordenados que podem auxiliar seu entendimento no âmbito acadêmico: Gestão de design (design management): é a atividade macro das estratégias dos designers (ou grupos interdisciplinares), com poder https://orcid.org/0000-0001-5686-3209 https://orcid.org/0000-0003-4467-0391 mailto:alicdantas188l@gmail.com https://orcid.org/0000-0001-9785-0447 A gestão do design no contexto organizacional 1525 Rev. Bras. Gest. Amb. Sustent., 2024, vol. 11, n. 29, p. 1523-1533. decisório em uma organização, estruturada para moldar o perfil da empresa, produtos e/ou serviços; Gerência de projeto: coordena tarefas, tempo e recursos (técnicas e ferramentas disponíveis para estabelecer as relações cliente/designer), criando condições para o desenvolvimento do projeto; e Metodologia de projeto: avalia métodos, técnicas e ferramentas aplicáveis ao desenvolvimento de um projeto. Existem várias ferramentas para gestão de design e cada uma delas tem suas características específicas, pode-se citar o PMBOK, o Prince 2 e o Design Thinking. O PMBOK é considerado a “Bíblia da gestão de projetos”, sendo um documento oficial atualizado de tempos em tempos que visa justamente a definir diretrizes acerca da gestão de projetos, podendo ser aplicado em qualquer negócio, independe do tamanho e do segmento. Segundo o Guia PMI BOK (PMI Book Service Center, 2008), gerenciamento de projetos é a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de atenderaos seus requisitos e o gerente do projeto é a pessoa designada pela organização responsável pela sua condução, com a missão de zelar para que os objetivos sejam atingidos. Quando se fala em Prince 2, trata-se de uma ferramenta que reúne um completo conjunto de conceitos e processos de gerenciamento de projetos capazes de endereçar, de forma efetiva, a atividade de gerenciamento, que se adequa a qualquer tipo ou tamanho de projeto, em qualquer tipo de organização. É uma metodologia consistente, baseada em anos de experiência de vários gerentes e equipes de projetos, além de ser de fácil aprendizado e poder ser utilizada gratuitamente. O design thinking é a maneira como o designer percebe as coisas e age sobre elas que chamou a atenção de gestores, abrindo novos caminhos para a inovação empresarial. Na concepção de Brown (2010), o design thinking é uma abordagem sistemática que permite a inovação e vai além da necessidade de produzir um produto ou serviço, pois é assertivo a ponto de entrar diretamente na vida do consumidor, podendo até ditar certos comportamentos futuros, adicionando valor ao negócio. De acordo com Lockwood (2010), o design thinking é a reunião de três qualidades: pensamento, raciocínio e pesquisa, cujo objetivo é envolver os consumidores, os designers e os empresários em um processo de integração, que pode ser aplicado a produtos, serviços e projetos de negócio, sendo a aplicação da sensibilidade de um designer e de métodos para a resolução de problemas, não importando quais sejam, com finalidade de inovação, esclarecendo frentes difusas, encontrando sentido para resolução de problemas. Como se constata, a gestão do design faz uso de várias ferramentas para sua execução prática. Diante disto, este artigo aborda a seguinte questão: “Como a gestão do design vem sendo aplicada no planejamento estratégico da organização?”. Esta pesquisa buscou atingir o objetivo de analisar como as empresas estão usando o design no seu processo de gestão de processos e pessoas, incluindo quais ferramentas vêm sendo usadas para isso. Essa pesquisa só foi possível a partir da observação do que já vem sendo registradonos textos acadêmicos, como artigos, a fim de encontrar um resultado por meio dessas análises. Materiais e métodos Este trabalho é de natureza teórica descritiva e exploratória, com o uso de técnicas de revisão bibliográfica a partir de análise qualitativa e quantitativa de dados provenientes de publicações selecionadas para o estudo. 1526 Paula et al. Rev. Bras. Gest. Amb. Sustent., 2024, vol. 11, n. 29, p. 1523-1533. Os dados quantitativos obtidos são referentes ao número de estratégias de gestão que foram aplicadas e apresentadas em cada publicação. Os dados qualitativos obtidos são usados para a síntese final, relacionando quais ferramentas usadas serão extraídas das bibliografias analisadas. Para esta pesquisa, escolheu-se aplicar o método de revisão integrativa de literatura, que tem a capacidade de avaliar e agregar resultados a partir de uma questão em comum, possibilitando o conhecimento a respeito do que vem sendo publicado sobre a gestão do design (Dresch et al. 2015). Com relação ao método aplicado, Dresch et al. (2015) dividem o processo em seis etapas, (a) elaboração da pergunta norteadora, (b) busca ou amostragem na literatura, (c) coleta de dados, (d) análise crítica dos estudos incluídos, (e) discussão dos resultados e (f) apresentação da revisão. A escolha pela revisão integrativa decorre da necessidade de obter uma visão abrangente sobre o tema gestão do design e como ele tem sido aplicado na prática dentro de um contexto nacional. A pergunta norteadora, mencionada, busca identificar como a gestão do design vem sendo aplicada no planejamento estratégico, assim como os benefícios obtidos pelas organizações ao utilizar o design como diferencial competitivo. Para a busca e a amostragem na literatura, definiram-se, primeiramente, as seguintes bases de dados para análise: Capes, Scopus e SciELO. Também foram escolhidas base de dados das seguintes revistas científicas de avaliação Qualis A na área do design: DAT Journal (A4), Estudos em Design (A1) e Infodesign (A2). Acredita-se que com as seis bases de dados selecionadas será possível fazer uma busca que atenda ao objetivo dessa pesquisa. Foram realizadas buscas através de palavras-chave: “gestão do design”, “planejamento estratégico” e “estratégia competitiva”, foram utilizados os operadores booleanos “AND” e “OR”, que gerou a estratégia de busca [“Gestão do design” AND “planejamento estratégico”], [“Gestão do design” AND “estratégia competitiva”] e [“Gestão do design” AND “planejamento estratégico” OR “estratégia competitiva”]. Ainda foram utilizados três descritores para uma busca mais abrangente: “Design estratégico”, “Visão do futuro”, “Gestão empresarial”, combinando os três descritores com as palavras-chave que gerou a estratégia de busca [“Gestão do design” AND “design estratégico”], [“Gestão do design” AND “visão do futuro”], “Gestão do design” AND “gestão empresarial”], [“Planejamento estratégico” AND “design estratégico”] e [“Design estratégico” AND “visão do futuro”]. Foi definido, como critério de busca, que os textos deveriam ser em língua portuguesa e de pesquisadores nacionais, visto que o objetivo da pesquisa é analisar a gestão do design no contexto do Brasil. Além disso, também se estabeleceu que os resultados deveriam ser obtidos a partir de artigos publicados no máximo nos últimos cinco anos. Seriam excluídos textos repetidos em comum nas bases de dados, artigos pagos e que não atendessem o objetivo estabelecido nesse artigo. Foram feitas buscas, entre 11 e 16 de junho de 2024, nos bancos de dados previamente selecionados. Para a análise integrativa foram coletados todos os artigos que se encaixavam nos critérios de busca. Resultados e discussão Seguindo os preceitos de inclusão e exclusão, as buscas na base de dados resultaram em 988 artigos. Na etapa de exclusão de artigos e filtro por ano (2018-2022), restaram 482 artigos, após a seleção dos textos gratuitos, restaram 262 artigos, excluídos por idioma, restaram 160 e esse total foi submetido à análise da segunda etapa, que foi a exclusão por análise do título, resumo, palavras-chave e relação com a temática do estudo, restando 26 artigos. Em seguida, foi feita a leitura dos artigos restantes na íntegra, onde, A gestão do design no contexto organizacional 1527 Rev. Bras. Gest. Amb. Sustent., 2024, vol. 11, n. 29, p. 1523-1533. dos 26 artigos escolhidos, apenas sete artigos foram aproveitados por serem os que tratarem da problemática proposta nesta pesquisa. A seleção a seguir conta com a retirada direta das informações a respeito de cada artigo. Os dados coletados foram primeiramente organizados na Tabela 1 com as seguintes informações: título do artigo, autores por meio de nome e sobrenome, ano de publicação, periódico em que foi publicado, objetivo do artigo, metodologia utilizada, amostra e principais resultados. Tabela 1. Dados retirados dos artigos. Artigo 1 Título do artigo Experimentando o design na gestão pública: o caso do Laboratório de Inovação do Estado do Rio de Janeiro Autores Enzo Tessarolo, Camila da Silva, Artur Rangel, Diogo Coelho, Isadora Hertz Ano 2021 Periódico Revista Ergodesign & HCI Objetivo do artigo Explorar como o design pode provocar cooperação entre pessoas e agências públicas e transformar a cultura governamental Metodologia Pesquisa exploratória e descritiva, evidenciada no estudo de caso e na avaliação da implementação do LAEP Amostra Laboratório de Aceleração da Eficiência Pública, do Estado do Rio de Janeiro (LAEP) Principais resultados Plano Estratégico 2025. Estratégia para melhorar as relações humanas. Artigo 2 Título do artigo Gestão de design para inovação social em um caso de economia solidária Autores Marco Weiss, Luiz Figueiredo, Eugenio Merino, Giselle MerinoAno 2019 Periódico DAPesquisa Objetivo do artigo Realizar um diagnóstico preliminar, por meio da gestão de design, de um grupo de produtores veganos da região de Florianópolis-SC Metodologia Pesquisa bibliográfica e estudo de caso, abordagem qualitativa de caráter exploratório. Amostra Um grupo de produtores veganos da região de Florianópolis-SC Principais resultados Como resultado, foi possível mapear as potencialidades e fragilidades dos produtos artesanais veganos ofertados pelos empreendedores Artigo 3 Título do artigo O design participativo em tempos de atividades remotas: adaptação ao serviço educacional Escola_Casa Autores Evandro Stein, Marli Everling, Maria Dias, João Sobral, Elenir Morgnestern Ano 2021 Periódico DAT Journal Objetivo do artigo Desenvolver uma metodologia híbrida de ensino-aprendizagem para a Escola_Casa Metodologia O artigo consiste de um estudo de caso Amostra Escola_Casa Principais resultados Um cronograma focado no humano como centro de todo processo 1528 Paula et al. Rev. Bras. Gest. Amb. Sustent., 2024, vol. 11, n. 29, p. 1523-1533. Tabela 1. Continuação. Artigo 4 Título do artigo Gestão de design e cultura organizacional: diagnóstico de uma microempresa de estofados Autores Franciele Forcelini, Thiago Varnier, Giselle Merino, Eugenio Merino Periódico Projética Ano 2019 Objetivo do artigo Diagnosticar a cultura organizacional de uma microempresa de estofados como forma de identificar potencialidades e fragilidades para inserção da gestão de design Metodologia Levantamento qualitativo, exploratório e descritivo com estudo de caso Amostra Empresas Principais resultados A empresa pretende incluir o design em sua estratégia, necessita compreender as características da sua cultura organizacional a fim de identificar pontos críticos e favoráveis ao desenvolvimento de uma cultura direcionada ao design Artigo 5 Título do artigo O design estratégico aplicado em startups internas de empresa de base não tecnológica Autores Thiago Melo, Carlos Gomes Periódico DAT Journal Ano 2022 Objetivo do artigo Visa a apresentar o design estratégico do framework consolidado dos startup teams estruturado ao longo do estudo de caso exploratório com testes práticos realizados com os colaboradores do SEBRAE-PE Metodologia Lean startup Amostra Empresarial Principais resultados Para as empresas que pretendem utilizar abordagens como instrumento para a transformação da cultura da inovação, recomendam aplicação do framework startup teams, onde podem adequar a realidade da empresa Artigo 6 Título do artigo A gestão de design de micro e pequenas empresas desenvolvedoras de produtos com foco em sustentabilidade Autores Fabiane Wolff, Pedro Benites Periódico Projética Ano 2019 Objetivo do artigo Compreender como se dá a gestão do design em empresas com foco na sustentabilidade, através de uma abordagem exploratória avaliando como esta é entendida e estabelece um comparativo sobre como o tema é abordado no campo teórico e na realidade prática destes empresários Metodologia Exploratória qualitativa Amostra Empresarial Principais resultados Os resultados apontam para boas perspectivas futuras na relação entre gestão de design e sustentabilidade uma vez que as ferramentas de gestão bem estruturadas abrem caminho para os aspectos de sustentabilidade dentro das organizações A gestão do design no contexto organizacional 1529 Rev. Bras. Gest. Amb. Sustent., 2024, vol. 11, n. 29, p. 1523-1533. Tabela 1. Continuação. Artigo 7 Título do artigo Experiência extensionista com o banco de sangue HUUFSC: gestão estratégica de design Autores Lisandra Dias, Andréa Hoepers, Thais Machado Ano 2022 Periódico Extensio UFSC - Revista Eletrônica de Extensão Objetivo do artigo Relatar a experiência extensionista entre o Curso de Design e o Banco de Sangue, do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com foco na gestão, entre 2015 e 2018 Metodologia Estudo de caso Amostra Banco de Sangue, do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Principais resultados Implementação da comunicação com a comunidade universitária de forma interpessoal e midiática, processos otimizados, redução de desperdícios e gastos, até a melhoria no atendimento aos doadores Os resultados reportaram desfecho positivo quanto à aplicação do design no planejamento estratégico em uma empresa. O artigo 1 é contextualizado no laboratório de Aceleração da Eficiência Pública (LAEP), pertencente ao Rio de Janeiro, e que oferecia serviços de design estratégico e inovação. Tessarolo et al. (2021) cita algumas ferramentas do design thinking utilizadas pelo LAEP, como tendência, starbusting (estrelinha) canvas, maratonas de pesquisa, pensamento icônico, matriz de impacto, pitching, etc. O artigo fica no estudo de caso do Plano Estratégico 2025, do Estado do Rio de Janeiro, em que mais de 30 agências públicas estariam envolvidas. Por meio de uma análise SWOT, foi possível entender a situação atual do estado, além da geração de um Canvas a partir de entrevistas com os representantes participantes dos grupos. O laboratório conseguiu formular um plano que trazia como metas algumas das seguintes medidas: diminuição da taxa de mortalidade materna; oportunidade de emprego e renda; moradia apropriada; maior alcance de tratamento de esgoto; diminuir o feminicídio; entre outros. Os autores constataram que com o design é possível desenvolver um planejamento estratégico em longo prazo, principalmente por envolver usuários e uma gama de setores que farão parte do processo. Weiss et al. (2019) elaborou um estudo de caso a respeito da aplicação da gestão do design em colaboração com a organização de um grupo de produtores de alimentos veganos. O estudo do artigo 2, aplicou a ferramenta Canvas, sendo possível que tinham como vantagem, a oferta de produtos diferenciados e uma organização que usa das habilidades de cada membro para dividir as funções. Entretanto, a ferramenta também identificou as desvantagens: identidade visual amadora, embalagens mal identificadas, problemas no armazenamento, entre outros. Com a análise foi estabeleceram um diagnóstico da situação atual do grupo, sendo possível determinar onde aplicar a gestão do design, como a elaboração de uma identidade visual para o grupo, etiquetas de identificação para os produtos; estabelecer a visão, missão e valores para o grupo, como também os objetivos. O artigo 3 explora o design participativo, que se aproxima bastante da gestão do design pela forma em que foi retratado. Stein et al. (2021) descrevem o projeto em torno da Escola_Casa, uma instituição que oferece cursos nas áreas de arte e design, localizada em Blumenau, Santa Catarina. A pesquisa buscou melhorar o modelo de funcionamento, principalmente, com relação ao método de ensino e aprendizagem, a fim de destacar no 1530 Paula et al. Rev. Bras. Gest. Amb. Sustent., 2024, vol. 11, n. 29, p. 1523-1533. mercado, melhorando a experiência das pessoas que estão relacionadas com o processo. Para isso, foram feitos workshops on-line com vários colaboradores, tanto estudantes quanto professores. Também utilizaram da ferramenta Design Sprint, centrada no usuário, que é bastante usada quando se pretende atingir resultados de forma rápida (Silva, 2018). Os resultados gerados deram oportunidade para a criação de duas matrizes com a ferramenta “Blueprint: a Jornada dos estudantes e a Jornada do professor”. Que permitiu gerar uma metodologia que atendesse desde o desenvolvimento do cronograma, incluindo a sua execução. Tratando sobre a gestão do design no planejamento estratégico de uma empresa, Forcelini et al. (2019), no artigo 4, apresenta um estudo de caso a respeito da gestão do design e a cultura organizacional de uma microempresade estofados, onde os autores defendem a falta de gestão do design formalizada e estruturada, que prejudicava o desenvolvimento de produtos com mais qualidade e inovação. Forcelini et al. (2019) aplica entrevistas com vários membros da equipe, como gestores e empregados, visando à identificação de aspectos relacionados à cultura organizacional. Os dados foram transcritos e organizados por categorias, a fim de identificar as potencialidades e fragilidades da cultura organizacional. Diante do que foi levantado e concluindo, Forcelini et al. (2019) compreenderam a necessidade de uma mudança cultural na organização. Se uma empresa que pretende incluir o design em sua estratégia, necessita compreender as características da sua cultura organizacional, a fim de identificar pontos críticos e favoráveis ao desenvolvimento de uma cultura direcionada ao design. Segundo Forcelini et al. (2019) a adoção de uma gestão de design eficiente e uma cultura organizacional mais colaborativa e inovadora poderiam trazer benefícios para a empresa, como o aumento da competitividade, a melhoria na qualidade dos produtos, inserção de seus valores, no que se refere aos valores intrínsecos da cultura de design, como a inovação a qualidade e o foco nas pessoas. A empresa apresenta uma série de potenciais, como a valorização do design, a concepção e desenvolvimento de produtos diferenciados, a abertura para inovação, o compartilhamento de ideias, a percepção da qualidade dos produtos, bem como o interesse em ações socioculturais e sustentáveis. O artigo 5 visa a apresentar o design estratégico do framework consolidado dos Startup Teams estruturado ao longo do estudo de caso exploratório com testes práticos realizados com os colaboradores. Os startup teams consistem em times formados por colaboradores internos da instituição, atuando por meio de inovação aberta. Este framework possibilita ter uma visão clara de todo processo de aprendizagem ativa, baseado em projetos e seus impactos nos conhecimentos, habilidades e atitudes dos colaboradores da instituição, que pode servir de base para outras empresas utilizarem em seus projetos de inovação. De acordo com Suruagy et al. (2022), o framework startup team pretende ser um processo estruturado que possibilita introduzir nas organizações, de forma proposital e estratégica, novas dinâmicas que encorajam um comportamento inovador, que promovam uma cultura da inovação e que possibilitem o desenvolvimento produtivo de novos produtos e serviços inovadores, tendo em vista que possibilita um ambiente seguro em que o erro é esperado e aceito, além de servir como um processo de aprendizagem ativa baseada em projeto, com acompanhamento permanente de especialistas. Essa metodologia para as empesas que pretendem utilizar estas abordagens como instrumento para a transformação da cultura da inovação, recomendam aplicação do framework startup teams para estruturar um projeto que atenda a necessidade, considere o contexto e se adeque a realidade da empresa. Wolff et al. (2019) aborda a gestão do design nas micro e pequenas empresas focadas na sustentabilidade. No artigo 6 foram desenvolvidas entrevistas sobre a realidade das empresas e do seu foco na sustentabilidade e a avaliação da gestão de design da empresa. Os autores constataram que todas as empresas selecionadas utilizavam de alguma forma matérias-primas oriundas de descartes e refugos de processos produtivo A gestão do design no contexto organizacional 1531 Rev. Bras. Gest. Amb. Sustent., 2024, vol. 11, n. 29, p. 1523-1533. anteriores. Apesar de todas as dificuldades no desenvolvimento dos negócios, os designers entrevistados mostraram-se dispostos a continuar lutando para transformar essa realidade. E quando se trata de gestão de design, é estabelecido uma relação entre o contexto de aplicação prática do design investigado na pesquisa, e esse modelo abordado à inserção e à integração do design nas organizações através de suas dimensões analisadas. Os resultados reportaram desfecho positivo quanto à aplicação do design no planejamento estratégico em uma empresa. Segundo Dias et al. (2022), no artigo 7, a gestão do design estratégico implantando no Banco de Sangue, do Hospital Universitário- UFSC, teve resultado positivos. As melhorias foram observadas desde a implementação da comunicação, através do planejamento estratégico de comunicação e/ou design com a comunidade universitária de forma interpessoal e midiática com desenvolvimento de um brand voice, plano de ação para os processos ficarem mais otimizados, plano de ação para a redução de desperdícios e gastos, até a melhoria no atendimento aos doadores, fortalecimento da sua identidade visual através da gestão da marca, dando origem a marca gráfica e ao brandbook do Banco de Sangue. Conclusão Esta pesquisa apresentou uma revisão sistemática de literatura acadêmica acerca do tema gestão de design, que permitiu mapear a produção intelectual desenvolvida no Brasil, publicadas nos últimos cinco anos, que abordassem o tema gestão de design e suas ferramentas, evidenciando oportunidades de pesquisa na área. Ainda assim, considerando que foram avaliados nas bases de dados, todos os artigos pertinentes ao tema, de acordo com os critérios estabelecidos, e o aprofundamento da análise, considera-se relevante o que foi exposto, de modo de complexidade nas relações dos elementos inerentes a ela, graças ao fato de que busca determinar, de forma harmônica, correlações entre teoria e prática no contexto dos artigos examinados. Houve, contudo, um julgamento de uma evolução dos vários artigos mais recentes que abordam a importância do processo do design ser ajustado em informações de qualidade, baseadas em sistemas de análise e métricas confiáveis. Alguns desses artigos abordam a necessidade de aprimoramento de indicadores gerenciais para o design, que há um extenso caminho a ser explorado na proposição de modelos de avaliação de resultados, relacionando o design aos processos das organizações e ao ganho de competitividade. Esses modelos podem ser pensados considerando-se todas as funções organizacionais, como o marketing (comportamento e satisfação do consumidor, valor de marca, comunicação, etc.), finanças (custos, retorno sobre o investimento, valorização de ativos, etc.), recursos humanos (desempenho de empregados, saúde ocupacional, etc.); operacionais e logísticos (estoque, sistemas de produções, cadeias de suprimentos), dentre outros. Baseado no conjunto de averiguações coletadas pôde-se concluir que a gestão de design é, cada vez mais, uma necessidade, compreendida de forma multidisciplinar, incentivando um intercâmbio de conhecimentos e acentuando uma visão pluralista, podendo inclusive ser aplicada nas pesquisas sobre o ecodesign (Sgarioni e Mota, 2024). Entende-se ser viável ao desenvolvimento de estudos em diversas áreas de pesquisa, dando oportunidade a uma melhor compreensão por parte de todos os sujeitos envolvidos nos setores da empresa e participantes da gestão de design. A gestão do design não engessa o processo criativo, ao contrário, torna-o mais completo e assertivo, tendo em vista os stakeholders e toda a equipe que fará parte do funcionamento daquela empresa, serão considerados durante o processo. Essa pesquisa permite perceber como a gestão do design vem sendo aplicada em âmbito nacional, comprovando a eficiência da área e suas ferramentas, ao analisar os muitos benefícios que têm levado às empreses que as aderem. Quando se aplicam ferramentas da gestão do 1532 Paula et al. Rev. Bras. Gest. Amb. Sustent., 2024, vol. 11, n. 29, p. 1523-1533. design, é visível que as empresas passam a diagnosticar melhor a situação atual diante do mercado e os concorrentes, que, por consequência, os apontam com maiores facilidades onde precisam ou não melhorar. Acredita-se que essa revisão possa servir de estímulo para pesquisas futuras, para uma revisão mais amplificada, alémdos contextos nacionais, que poderia ser benéfica a fim de demostrar o cenário das empresas internacionais e seu relacionamento com a gestão do design. Uma revisão integrativa que abrangesse empresas de outros países poderia expandir o conhecimento a respeito de que ferramentas vêm sendo usadas pelas empresas de renome. Com os resultados seria possível visualizar as oportunidades que poderiam ser aplicadas no âmbito nacional. Agradecimentos Agradecimentos são devidos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) pela bolsa referente ao Programa de Apoio à Pós-Graduação Stricto Sensu (POSGRAD). Conflitos de interesses Os autores declaram que não há interesses financeiros concorrentes ou relações pessoais conhecidas que possam ter influenciado as inferências relatadas neste artigo. Referências Best, K. Fundamentos de gestão do design. Porto Alegre: Bookman, 2012. Brown, T. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. Dias, L. A.; Hoepers, A. T. C.; Machado, T. A. S. Experiência extensionista com o Banco de Sangue HU UFSC: gestão estratégica de design. Revista Eletrônica de Extensão - Extensio, v. 19, n. 43, p. 114-125, 2022. https://doi.org/10.5007/1807-0221.2022. e82148 DMI - Design Managment Institute. What is design management? 2024. Disponível em: . Acesso em: 01 ago. 2024. Dresch, A.; Lacerda, D. L.; Antunes Jr., J. A. V. Design science research: A method for science and technology advancement. Cham: Springer, 2015. Forcelini, F.; Varnier, T.; Merino, G. S. A. D.; Merino, E. A. D. Gestão de design e cultura organizacional: diagnóstico de uma microempresa de estofados. Projética, v. 10, n. 3, p. 27-46, 2019. https://doi.org/10.5433/2236-2207.2019v10n3p27 Lockwood, T. Design thinking: Integrating innovation, customer experience, and brand value. 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