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META DE QUESTÕES DA SEMANA 05

Apostila de Direito Processual Civil sobre sentença e coisa julgada, cobrindo conceito, classificação, elementos, princípio da congruência, sentenças extra/ultra/citra petita, modificação e capítulos; coisa julgada (conceito, formal/material, limites, relativização); liquidação e cumprimento de sentença.

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Kawa Cruz

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada
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 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
3 
Sumário 
Sumário .............................................................................................................................................................. 3 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL ...................................................................................................................... 5 
QUAL DEVE SER O FOCO? ....................................................................................................................................5 
RESUMO DO DIA .......................................................................................................................................................5 
1. SENTENÇA ..............................................................................................................................................................5 
1.1. Conceito ............................................................................................................................................................5 
1.2. Classificação das sentenças – Teoria ternária e quinária ..................................................................5 
1.3. Elementos da sentença ................................................................................................................................7 
1.4. Princípio da congruência (correlação/adstrição) ..................................................................................8 
1.5. Sentença extra, ultra e citra petita ...........................................................................................................9 
1.6. Modificação da sentença pelo juiz sentenciante ............................................................................... 10 
1.7. Capítulos de sentença ............................................................................................................................... 10 
2. COISA JULGADA ................................................................................................................................................ 10 
2.1. Conceito ......................................................................................................................................................... 11 
2.2. Coisa julgada formal e material ............................................................................................................. 11 
2.3. Limites objetivos da coisa julgada......................................................................................................... 11 
2.4. Limites subjetivos da coisa julgada ...................................................................................................... 11 
2.5. Coisa julgada nas relações jurídicas de trato sucessivo (continuado) ....................................... 12 
2.6. Relativização da coisa julgada ................................................................................................................ 12 
2.7. Coisa julgada total e parcial .................................................................................................................... 13 
3. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA ........................................................................................................................ 14 
3.1. Conceito ......................................................................................................................................................... 14 
3.2. Liquidação como forma de frustração da execução......................................................................... 15 
3.3. Legitimidade ativa ...................................................................................................................................... 15 
3.4. Espécies de liquidação .............................................................................................................................. 15 
3.5. Agravo de Instrumento ............................................................................................................................. 17 
4. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA ................................................................................................................... 17 
4.1. Caução na execução provisória .............................................................................................................. 18 
4.2. Responsabilidade na execução .............................................................................................................. 19 
4.3. Multa pelo não pagamento ..................................................................................................................... 20 
4.4. Execução provisória contra a Fazenda Pública ................................................................................. 20 
4.5. Cumprimento de sentença das obrigações de fazer e não fazer ................................................. 20 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
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4.6. Cumprimento de sentença de obrigação de entregar coisa:......................................................... 23 
4.7. Cumprimento de sentença que reconhece a exigibilidade de obrigação de pagar quantia 
certa: ........................................................................................................................................................................ 24 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
5 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
TEMA DO DIA 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
Liquidação de Sentença 
Cumprimento de Sentença 
 
QUAL DEVE SER O FOCO? 
 
 Elementos da sentença 
 Eficácia objetiva e subjetiva da coisa julgada. 
 
RESUMO DO DIA 
 
1. SENTENÇA 
 
1.1. Conceito 
 
Segundo o art. 203, do NCPC, a sentença é pronunciamento pelo qual o juiz, com fundamento 
nos arts. 485 e 487, do NCPC, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue 
a execução. Há, portanto, uma opção do legislador em criar um conceito híbrido de sentença, que 
considera tanto o conteúdo quanto o efeito da decisão. 
 
1.2. Classificação das sentenças – Teoria ternária e quinária 
 
Teoria Ternária Teoria Quinária 
Defendida por corrente doutrinária que segue 
as lições de Liebman 
Defendida por corrente doutrinária que segue 
as lições de Pontes de Miranda 
Espécies: 
a Sentença meramente declaratória; 
b Constitutiva; 
c Condenatória. 
Espécies: 
a Sentença meramente declaratória; 
b Constitutiva; 
c Condenatória; 
d Executivas lato sensu; 
e Mandamentais. 
 
 Meramente declaratórias: O conteúdo é uma declaração de existência, inexistência 
ou modo de ser. Para que exista interesse processual na obtenção de sentença 
meramente declaratória, é necessária crise de incerteza que, se não resolvida, possa 
provocar dano ao autor. É necessário que a dúvida seja objetiva e real, não se 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
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limitando a um isolado estado de incerteza subjetiva do autor. 
 
Os efeitos da sentença meramente declaratória são ex tunc, considerando-se que a declaração 
somente confirma jurisdicionalmente o que já existia; nada criando de novo a não ser a certeza 
jurídica a respeito da relação jurídica que foi objeto da demanda. No entanto, é possível a modulação 
dos efeitos (lembrar da modulação em controle de inconstitucionalidade): ex tunc restritiva, ex nunc 
ou eficácia pro futuro. 
 
 Constitutiva: O conteúdo é a criação, extinção ou modificação de uma relação jurídica, 
enquanto o efeito é a alteração da situação jurídica, com a criação de uma situação 
jurídica diferente da existente antes de sua prolação, com todas as consequências 
advindas dessa alteração. Fala-se em sentença constitutiva positiva e negativa ou 
constitutiva e desconstitutiva. Assentenças constitutivas podem ser divididas em 
necessárias e facultativas. Será necessária sempre que a única forma de obter a 
alteração da situação jurídica pretendida pelas partes for por meio da intervenção 
jurisdicional, como a anulação de casamento. A sentença facultativa só existirá se 
houver a lide clássica no caso concreto, e abstratamente seria possível a alteração da 
situação jurídica das partes mediante um acordo de vontades entre elas, como a 
rescisão contratual, por exemplo. 
 
Será necessária a sentença constitutiva sempre que a única forma de obter a alteração da 
situação jurídica pretendida pelas partes for por meio de intervenção jurisdicional, situação que 
dispensa o conflito de interesse entre as partes. 
 
Tem efeitos ex nunc, pois é a partir da sentença que a situação jurídica será efetivamente 
alterada. Ex: Anulação de casamento. 
 
 Condenatória: Além da declaração de existência de direito material, é a imputação ao 
réu do cumprimento de uma prestação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar 
quantia certa, com o objetivo de resolver crise jurídica de inadimplemento. O efeito é 
a criação de um título executivo, o que permitirá a prática de atos executivos voltados 
ao efetivo cumprimento dessa prestação, com a consequente satisfação do autor. 
 
 Executiva lato sensu: não é pacífico na doutrina o conceito. Parcela da doutrina 
entende que é assim denominada porque dispensa o processo de execução 
subsequente para ser satisfeita, tratando-a como uma sentença autoexecutável. 
 
a Na sentença condenatória, o direito é de crédito; na sentença executiva, o direito é real, 
buscando-se a retomada da coisa que está injustamente no patrimônio do executado; 
b A complexidade da fase de satisfação do direito não existe na sentença executiva. A 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
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sentença executiva lato sensu se realiza pelos meios executivos que o juiz entender 
adequados ao caso concreto. 
 Sentença mandamental: Caracterizada pela existência de ordem do juiz, dirigida à 
pessoa ou órgão, para que faça ou deixe de fazer algo, não se limitando à condenação 
do réu. A satisfação da sentença mandamental é feita pelo cumprimento da ordem, 
não existindo processo ou fase de execução subsequente a ela visando tal satisfação. 
Poderá o juiz se valer de atos de pressão psicológica (execução indireta), como 
também de sanção civil e penal. 
 
Classificação da sentença quanto à resolução do mérito: 
 
 Sentenças terminativas: NÃO resolvem o mérito. Art. 485, do NCPC; 
 Sentenças definitivas: Resolvem o mérito. Art. 487, do NCPC. 
 
1.3. Elementos da sentença 
 
a Relatório: Resumo da demanda, no qual o juiz indicará as partes, resumo do pedido e da defesa, 
descrição dos principais atos praticados no processo. É possível que o juiz não faça o relatório 
nos juizados especiais, em que é dispensado. 
 
Relatório per relationem: admite-se a elaboração de relatório per relationem, no qual o juiz se 
reporta a relatório realizado em outra demanda, o que é possível nas sentenças de demandas 
conexas, por exemplo. 
 
A ausência de relatório, como regra, portanto, gera a nulidade da sentença, presumindo-se que 
o juiz ao deixar de realizar o relatório não tem o conhecimento pleno da demanda que está julgando. 
 
O relatório é requisito essencial e indispensável da sentença e a sua ausência prejudica a 
análise da controvérsia, suprimindo questões fundamentais para o julgamento do processo. Tal 
consideração impõe o reconhecimento da nulidade do julgado impugnado, em manifesta violação 
dos arts. 165 e 458, do Código de Processo Civil, e 93, IX, da Constituição Federal. (STJ, RMS 
25.082/2008) 
 
b Fundamentação: O juiz deve enfrentar todas as questões de fato e de direito que sejam 
relevantes para a solução da demanda, justificando a conclusão a que chegará no dispositivo. 
Não pode ser dispensada em nenhum caso, sendo nula a sentença sem fundamentação. O 
recurso adequado é a apelação com a alegação de error in procedendo intrínseco, ainda que 
possam se admitir os embargos de declaração com efeitos infringentes. O art. 1.013, § 3º, IV, 
do CPC prevê expressamente a aplicação da teoria da causa madura na hipótese de nulidade 
de sentença por falta de fundamentação. 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
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As turmas do STJ possuem entendimento de que o órgão julgador não está compelido a 
responder todos os questionamentos das partes, mas tão somente a declinar as razões de seu 
convencimento motivado. 
 
c Dispositivo: É a conclusão decisória da sentença, representando o comando da decisão. É a 
parte da sentença responsável pelos efeitos da decisão, ou seja, é do dispositivo que são 
gerados os efeitos práticos da sentença, transformando o mundo dos fatos. É a conclusão do 
juiz que decorre da fundamentação. 
 
A ausência de dispositivo gera a inexistência jurídica de ato judicial. E em sendo inexistência 
jurídica, é admissível a alegação do vício até mesmo após o trânsito em julgado da decisão, por ação 
meramente declaratória. 
 
1.4. Princípio da congruência (correlação/adstrição) 
 
Conforme art. 492, do NCPC, o juiz não pode conceder algo diferente ou a mais do que for 
pedido pelo autor. Esse princípio é fundamentado no princípio da inércia da jurisdição e contraditório. 
 
Exceções ao princípio da congruência: 
 
 Pedidos implícitos: é admitido ao juiz conceder o que não tenha sido expressamente pedido 
pelo autor; 
 Fungibilidade: Concessão de tutela diferente da que foi pedida, a exemplo das ações 
possessórias e cautelares; Art. 554/CPC. A propositura de uma ação possessória em vez de 
outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente 
àquela cujos pressupostos estejam provados. 
 Nas demandas que tenham como objeto uma obrigação de fazer ou não fazer, desde que 
gere resultado prático equivalente ao do adimplemento da obrigação. 
 OBS.: O juiz pode conceder ao autor benefício previdenciário diverso do requerido na inicial, 
desde que preenchidos os requisitos legais atinentes ao benefício concedido. Isso porque, 
tratando-se de matéria previdenciária, deve-se proceder, de forma menos rígida, à análise do 
pedido. (STJ, Informativo 522, AgRg no REsp 1.367.825/2013. No mesmo sentido, REsp 
1.826.186/2019) 
 
OBSERVAÇÃO: 
 
Inconstitucionalidade reflexa ou por ricochete/consequência/arrastamento/atração – o STF 
admite que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma norma possa também declarar outras 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
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normas não impugnadas na ação judicial em razão de sua interdependência com aquela 
declarada inconstitucional. 
 
1.5. Sentença extra, ultra e citra petita 
 
 Sentença extra petita: Sentença que concede algo diferente do que foi pedido pelo autor. É 
sentença que concede tutela jurisdicional diferente da pleiteada pelo autor, como também a 
que concede bem da vida de diferente gênero daquele pedido pelo autor. Proferida sentença 
extra petita, é cabível apelação, pleiteando a anulação da sentença, fundada em error in 
procedendo intrínseco. É possível o julgamento imediato do mérito da ação pelo tribunal que 
anula a sentença por ela não ser congruente com os limites do pedido ou a causa de pedir. 
Mesmo após o trânsito em julgado se admitirá a alegação do vício, por meio da ação 
rescisória, com fundamento no art. 966, V, CPC. 
 
ATENÇÃO!! Não se considera julgamento extra petita quando o juiz ou Tribunal não 
afronta os limites objetivos da pretensão inicial, tampouco concede providência 
jurisdicional diversa da requerida, respeitando o princípio da congruência. 
 
 Sentença ultra petita: O juiz, embora conceda a tutela jurisdicional pedida, extrapola a 
quantidade indicada pelo autor. No pedido genérico, em que não há determinação do pedido, 
não se pode falar em sentença ultra petita. O recurso cabível é a apelação, devendo ser 
aplicada a teoria dos capítulosde sentença, para só anular a parte excedente, mantendo-se 
a sentença até os limites da determinação do pedido. Após o trânsito em julgado, caberá 
ação rescisória com fundamento na ofensa a dispositivo literal de lei (art. 966, V, CPC), no 
caso o art. 492 do CPC, mas nesse caso, diferente da ação rescisória contra sentença extra 
petita, o pedido não será de anulação integral, mas tão somente da parte excedente da 
decisão. O objetivo da ação rescisória, portanto, se limita a desconstituir a parte viciada da 
decisão transitada em julgada, mantendo-se a decisão na parte que respeitou os limites 
quantitativos do pedido. 
 
 Sentença citra petita (infra petita): A sentença fica aquém do pedido do autor ou deixa de 
enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação de defesa apresentada pelo réu, ou ainda 
decisão que não resolve a demanda para todos os sujeitos processuais. O juiz não é obrigado 
a conceder todos os pedidos formulados pelo autor, mas em regra deverá analisar e decidir 
todos eles, ainda que seja para negá-los em sua totalidade. É possível recorrer por embargos 
de declaração ou recurso de apelação. Assim, o vício de omissão é impugnável por meio dos 
embargos de declaração, mas, como tal recurso não tem efeito preclusivo, é possível a 
alegação da omissão na sentença também em sede de apelação. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
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O art. 141 do CPC impõe ao Juiz decidir a lide nos limites em que foi proposta, enquanto o art. 
492 do CPC veda-lhe a prolação de decisão além (ultra petita), fora (extra petita) ou aquém do 
pedido (citra ou infra petita). Ambos os dispositivos consagram o chamado princípio da congruência 
ou da correlação, que preceitua que a sentença deve corresponder, fielmente, ao pedido formulado 
pela parte promovente, deferindo-o ou negando-o, no todo, parcialmente, se for o caso. (STJ, Corte 
Especial, EREsp 1.284.414/2014) 
 
1.6. Modificação da sentença pelo juiz sentenciante 
 
Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la: 
 
 Para corrigir inexatidões materiais; 
 Para retificar erros de cálculo; 
 No julgamento de embargos de declaração. 
 
OBS: Publicada a sentença, ainda que transitada em julgado, é permitido ao juiz retificar a 
proclamação do julgamento para adequá-la ao acórdão. STJ entendeu tratar-se de erro material 
quando o resultado proclamado do julgamento se encontra clara e completamente dissociado de 
toda a motivação e do dispositivo, revelando nítida incoerência interna no acórdão. 
 
1.7. Capítulos de sentença 
 
São as partes em que ideologicamente se decompõe o decisório de uma decisão judicial, cada 
uma delas contendo o julgamento de uma pretensão distinta. A divisão pode se dar da seguinte 
forma, por exemplo: 
 
a Capítulo referente aos pressupostos processuais de admissibilidade do julgamento de 
mérito; 
b Diferentes capítulos decidindo no mérito diferentes pedidos; 
c Capítulos referentes ao custo financeiro do processo. 
- Se houver cumulação de pedidos, para cada um haverá um capítulo na decisão. 
 
2. COISA JULGADA 
 
Em todo processo, independentemente de sua natureza, haverá a prolação de uma sentença 
(ou acórdão nas ações de competência originária dos tribunais), que em determinado momento 
torna-se imutável e indiscutível dentro do processo em que foi proferida. Para tanto, basta que não 
seja interposto o recurso cabível ou ainda que todos os recursos cabíveis já tenham sido interpostos 
e decididos. Esse impedimento de modificação da decisão por qualquer meio processual dentro do 
processo em que foi proferida é chamado de coisa julgada formal. 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
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2.1. Conceito 
 
É qualidade da sentença que torna seus efeitos imutáveis e indiscutíveis. 
 
2.2. Coisa julgada formal e material 
 
 Coisa julgada formal: Fenômeno endoprocessual de impedir a modificação da decisão por 
qualquer meio processual dentro do processo em que a decisão foi proferida. 
 Coisa julgada material: Impossibilidade de alterar ou desconsiderar a decisão em outros 
processos, tornando a decisão imutável e indiscutível além dos limites do processo em que 
foi proferida. Chamada de preclusão máxima. 
 
2.3. Limites objetivos da coisa julgada 
 
O art. 504 do NCPC prevê que apenas o dispositivo torna-se imutável e indiscutível em razão 
da coisa julgada material, prevendo que não fazem coisa julgada: 
 
 Os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da 
sentença; 
 Verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. 
 
Na realidade, os motivos e a verdade dos fatos fazem parte da fundamentação da sentença ou 
da decisão interlocutória de mérito, e por isso não produzem coisa julgada material. 
 
Art. 503, §1º, I, NCPC: A resolução de questão prejudicial só faz coisa julgada 
se I - dessa resolução depender o julgamento do mérito; II - a seu respeito 
tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de 
revelia; III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para 
resolvê-la como questão principal, salvo se no processo houver restrições 
probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da 
análise da questão prejudicial. 
 
2.4. Limites subjetivos da coisa julgada 
 
As partes, inclusive o Ministério Público quando participa do processo como fiscal da ordem 
jurídica, estão vinculadas à coisa julgada. Os terceiros sofrem aos efeitos jurídicos da decisão, 
enquanto terceiros desinteressados sofrem os efeitos naturais da sentença, sendo que em regra 
nenhuma espécie de terceiro suporta a coisa julgada material. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
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Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não 
prejudicando terceiros. 
 
A regra de que a coisa julgada não pode prejudicar terceiros tem duas exceções, de forma que 
os sucessores e os substituídos processuais, ainda que não participem do processo como partes, 
suportam negativamente os efeitos da coisa julgada. São titulares do direito e dessa forma não 
haveria sentido que não suportassem os efeitos, ainda que negativos, da coisa julgada material. 
 
A regra do processo civil individual utiliza a coisa julgada inter partes como meio de vinculação, 
pois se limita àqueles que participam no processo como partes. Por sua vez, a coisa julgada ultra 
partes é aquela que atinge, além das partes do processo, os terceiros em alguns casos, sendo o que 
ocorre, por exemplo, no caso da substituição processual, situação em que o substituído, mesmo não 
participando da lide, receberá seus efeitos. Por fim, a coisa julgada erga omnes é a que lança seus 
efeitos a todos, independentemente de terem sido parte do processo, o que se dá no processo 
objetivo (abstrato) do controle de constitucionalidade. (THAMAY, Renan. Coisa Julgada. 2ª ed. RT, 
2019) 
 
2.5. Coisa julgada nas relações jurídicas de trato sucessivo (continuado) 
 
O art. 505, I, do NCPC, prevê a possibilidade de pedido de revisão do instituído na sentença, 
na hipótese de modificação superveniente do estado de fato ou de direito, sempre que a sentença 
resolver relação jurídica de trato continuado, a exemplo de ações de alimentos e revisionais de 
aluguel. Essa espécie de sentença transita em julgado e produz coisa julgada formal. A discussão é 
quanto à formação de coisa julgada material, existindo algumas correntes: 
 
 1ª Corrente: O art. 505, I, NCPC afasta a coisa julgada material das sentenças que envolvem 
relações jurídicas de trato continuado (minoritária); 
 2ª Corrente: Há uma coisa julgada material especial, gerada por uma sentença de mérito que 
contém implicitamente a cláusula rebus sic stantibus, ou seja, a imutabilidade da decisão 
estaria condicionada à manutenção da situação de fato e de direito; A força vinculativa das 
sentenças sobre relações jurídicas de trato continuado atua rebus sic stantibus: sua eficácia 
permanece enquanto se mantivereminalterados os pressupostos fáticos e jurídicos adotados 
para o juízo de certeza estabelecido pelo provimento sentencia. (STF, RE 596.663/2014) 
 3ª Corrente: Ocorre coisa julgada material como em qualquer outra sentença. Mas a 
possibilidade de revisão é permitida tão somente em razão da modificação da causa de 
pedir (majoritária). 
 
2.6. Relativização da coisa julgada 
 
É defendida por parcela da doutrina e há duas formas de relativização: 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
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 Coisa julgada inconstitucional: Pretende se afastar a coisa julgada de sentenças de mérito 
transitadas em julgado que tenham como fundamento norma declarada inconstitucional pelo 
STF; 
 
Registre-se que, sendo a decisão do Supremo Tribunal Federal que declara a norma 
inconstitucional proferida após o trânsito em julgado, a matéria não poderá ser alegada em defesa 
executiva, mas em ação rescisória, nos termos do art. 525, § 15, e 535, § 8°, ambos do Novo CPC. 
 
 Coisa julgada injusta inconstitucional: Pretende afastar a 
imutabilidade da própria coisa julgada às sentenças que produzam extrema 
injustiça, em afronta a valores constitucionais do Estado democrático de 
direito. 
 
Humberto Theodoro Jr. e Juliana Cordeiro de Faria situam o vício causado pela extrema 
injustiça inconstitucional no plano de validade, afirmando que a sentença que padece de tal vício é 
nula, não se sujeitando a prazos prescricionais ou decadenciais. Aparentemente tratar-se-ia de 
nulidade absoluta de tamanha gravidade que não poderia se considerar a sentença imutável e 
indiscutível, o que criaria uma mera aparência de coisa julgada. seria hipótese semelhante ao vício 
ou à inexistência de citação, que por gerar uma nulidade absoluta, reveste-se de tamanha gravidade 
que não se convalida nem mesmo após o vencimento do prazo da ação rescisória (vício 
transrecisório). (AMORIM, Daniel Neves. Ob. cit., 2022, p. 907) 
 
Reconhecendo ser a coisa julgada material instituto processual, responsável pela tutela da 
segurança jurídica, sendo esse também um importante direito fundamental previsto na Constituição 
Federal, a doutrina que defende a sua relativização entende que a coisa julgada não pode ser um 
valor absoluto, que a priori e em qualquer situação se mostre mais importante do que outros valores 
constitucionais. A proposta é que se realize no caso concreto uma ponderação entre a manutenção 
da segurança jurídica e a manutenção da ofensa a direito fundamental garantido pela Constituição 
Federal. 
 
2.7. Coisa julgada total e parcial 
 
Havendo na sentença vários capítulos, a parte sucumbente poderá optar em seu recurso por 
impugnar todos eles (recurso total) ou somente alguns (recurso parcial). 
 
Para parte da doutrina, sendo os capítulos autônomos e independentes, a impugnação de 
somente alguns deles fazem com que os não impugnados transitem em julgado. Sendo capítulos de 
mérito, com o trânsito em julgado produzirão coisa julgada material, de forma que essa corrente 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença e Coisa Julgada 
 
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doutrinária entende possível que a coisa julgada se forme de maneira fragmentada. O STF já acolheu 
essa tese em alguns julgados (coisa julgada parcial). 
 
O STJ rejeita a tese, ao entender que o trânsito em julgado só ocorre após o julgamento do 
último recurso interposto, independente do âmbito de devolução desses recursos ou dos anteriores, 
para evitar o inconveniente de vários trânsitos em julgado ao mesmo tempo. 
 
OBS.: Havendo conflito entre sentenças transitadas em julgado deve valer a coisa julgada 
formada por último, enquanto não invalidada por ação rescisória. (STJ – EAREsp 600811/SP) 
 
ATENÇÃO!! NOS CASOS EM QUE JÁ EXECUTADO OU INICIADA A EXECUÇÃO DO TÍTULO 
FORMADO NA PRIMEIRA COISA JULGADA, O STJ (INFO 728) FIXOU O SEGUINTE 
ENTENDIMENTO: Nos casos em que já executado o título formado na primeira coisa julgada, ou 
se iniciada sua execução, deve prevalecer a primeira coisa julgada em detrimento daquela 
formada em momento posterior. 
 
3. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA 
 
3.1. Conceito 
 
É determinar o objeto da condenação, permitindo-se que a demanda executiva tenha início 
com o executado sabendo exatamente o que o exequente pretende obter para a satisfação do seu 
direito. Podem ser objeto de liquidação de sentença todos os títulos executivos judiciais, inclusive a 
homologação de sentença estrangeira e a sentença arbitral. 
 
Via de regra, a sentença deve ser líquida (art. 491, do NCPC). No entanto, é possível prolatar 
sentença ilíquida: 
 
 Se não for possível apurar, de modo definitivo, o montante devido; 
 Se a apuração do valor devido depender da produção de prova de realização demorada ou 
excessivamente dispendiosa. 
 
É possível a liquidação de sentença, ainda que no processo exista recurso pendente de 
julgamento recebido no efeito suspensivo (art. 512, NCPC). A liquidação será autuada em autos em 
apenso, decorrência lógica da existência de um recurso pendente de julgamento, o que fará com que 
os autos principais estejam no respectivo tribunal aguardando julgamento. 
 
Não se permite que a liquidação se preste a discutir matérias que foram discutidas na fase de 
conhecimento que gerou a sentença condenatória, ou nela deveriam ter sido discutidas. 
 
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15 
A liquidação da sentença tem natureza cognitiva, já que nela não são praticados atos de 
execução. Além disso, tem natureza declaratória, porque por meio dela se declara o valor da 
obrigação somente. 
 
3.2. Liquidação como forma de frustração da execução 
 
É possível que, excepcionalmente, a liquidação frustre a execução, quando o resultado impede 
que o demandante execute o título ilíquido, o que pode ocorrer nas seguintes hipóteses: 
 
 Decisão terminativa; 
 Prescrição; 
 Liquidação extinta por ausência de provas; 
 Liquidação de valor zero. 
 
Não se admite a indenização de lucros cessantes sem a efetiva comprovação, rejeitando-se 
lucros presumidos ou hipotéticos, dissociados da realidade efetivamente comprovada. Ainda que 
reconhecido o direito de indenizar, não comprovada a extensão do dano (quantum debeatur), 
possível enquadrar-se em liquidação com “dano zero”, ou “sem resultado positivo”. (STJ, AgInt nos 
EDcl no AREsp 110.662/2018) 
 
Essa situação teratológica (patológica) decorre de que, provavelmente, na fase cognitiva inicial 
não foram investigadas a contento as circunstâncias de fato que supostamente alicerçavam o direito 
afirmado pelo credor. (DIDIER Jr., Fredie. Ob. cit., págs. 139-140). 
 
3.3. Legitimidade ativa 
 
Pode requerer a liquidação tanto o autor quanto o réu. Sendo de interesse tanto do vencedor 
como do vencido a fixação do valor da condenação, não resta nenhuma dúvida de que, ao menos 
como regra, tanto o credor como o devedor - assim reconhecidos no título executivo - têm 
legitimidade ativa para dar início à fase procedimental de liquidação de sentença, sendo nesse 
sentido a expressa previsão do art. 509, caput, do Novo CPC. 
 
3.4. Espécies de liquidação 
 
 Por arbitramento: Ocorre sempre que se fizer necessária a elaboração de perícia para saber 
o quantum debeatur. Cabível nas seguintes hipóteses: 
o Determinação pela sentença; 
o Acordo entre as partes; 
o Quando o exigir a natureza do objeto da liquidação. 
 
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16 
É o que ocorre, p.ex., quando é necessário valer-se do conhecimento especializado de engenheiro 
para aferir a extensão dos danos causados num prédio em virtude do desabamento do prédio 
vizinho, ou do conhecimento de um médico para aferir o grau da incapacidade laborativa da pessoa 
em favor de quem fora certificado o direito à percepção de pensão mensal decorrente de acidente 
do trabalho [...]. (DIDIER, Fredie. Ob. cit., v. 5, p. 240) 
 
Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a 
apresentação de pareceres ou documentos elucidativos,no prazo que fixar, 
e, caso não possa decidir de plano, nomeará perito, observando-se, no que 
couber, o procedimento da prova pericial. 
 
 
OBSERVAÇÃO: 
 
Registre-se que ao perito não será permitido o enfrentamento de fatos novos, porque essa 
circunstância necessariamente exigirá que a liquidação seja feita pelo procedimento comum, ainda 
que se mostre necessária apenas a prova pericial. A liquidação por arbitramento, portanto, será 
realizada quando não forem necessárias a alegação e a prova de fato novo, bastando a realização 
de uma prova pericial a respeito dos fatos já estabelecidos na sentença ilíquida. 
 
a Pelo procedimento comum (tradicionalmente chamada de liquidação por artigos): 
Reservada para situações em que não se mostre possível a liquidação por mero cálculo aritmético 
do credor ou por arbitramento. É cabível quando for necessária a alegação e prova de fato novo. 
 
Art. 511. Na liquidação pelo procedimento comum, o juiz determinará a 
intimação do requerido, na pessoa de seu advogado ou da sociedade de 
advogados a que estiver vinculado, para, querendo, apresentar contestação 
no prazo de 15 (quinze) dias. 
 
Ex.: O cumprimento da sentença genérica que condena ao pagamento de expurgos em caderneta de 
poupança deve ser precedido pela fase de liquidação por procedimento comum, que vai completar 
a atividade cognitiva parcial da ação coletiva mediante a comprovação de fatos novos 
determinantes do sujeito ativo da relação de direito material, assim também do valor da prestação 
devida, assegurando-se a oportunidade de ampla defesa e contraditório pleno ao executado. (STJ, 
EREsp 1.705.018/2021) 
 
OBSERVAÇÃO: O fato novo pode ter ocorrido antes, durante ou depois da demanda judicial donde 
se produziu o título executivo ilíquido, não sendo o momento um critério correto para conceituar o 
fenômeno processual. Por fato novo deve-se entender aquele que não foi objeto de análise e decisão 
no processo no qual foi formado o título executivo que se busca liquidar. 
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17 
 
Súmula 344/ STJ: A liquidação por modalidade distinta da constante na 
sentença não gera nulidade. 
 
Súm. 254, STF: Incluem-se os juros moratórios na liquidação, embora omisso 
o pedido inicial ou a condenação. 
 
3.5. Agravo de Instrumento 
 
As decisões interlocutórias proferidas na fase de conhecimento se submetem ao regime 
recursal disciplinado pelo art. 1.015, caput e incisos do CPC/2015, segundo o qual apenas os 
conteúdos elencados na referida lista se tornarão indiscutíveis pela preclusão se não interposto, de 
imediato, o recurso de agravo de instrumento. 
 
Dessa forma, todas as demais interlocutórias deverão aguardar a prolação da sentença, para 
que possam ser impugnadas na apelação ou nas contrarrazões de apelação, observado, quanto ao 
ponto, a tese da taxatividade mitigada fixada pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça por 
ocasião do julgamento dos recursos especiais repetitivos nº 1.696.396/MT e 1.704.520/MT. 
 
Para as decisões interlocutórias proferidas em fases subsequentes à cognitiva (liquidação e 
cumprimento de sentença), no processo de execução e na ação de inventário, o legislador optou 
conscientemente por um regime recursal distinto. 
 
O art. 1.015, parágrafo único, do CPC/2015 prevê que haverá ampla e irrestrita recorribilidade 
de todas as decisões interlocutórias, quer seja porque a maioria dessas fases ou processos não se 
findam por sentença e, consequentemente, não haverá a interposição de futura apelação, quer seja 
em razão de as decisões interlocutórias proferidas nessas fases ou processos possuírem aptidão 
para atingir, imediata e severamente, a esfera jurídica das partes. 
 
Tem-se, portanto, que é absolutamente irrelevante investigar, nessas hipóteses, se o conteúdo 
da decisão interlocutória se amolda ou não às hipóteses previstas no caput e incisos do art. 1.015 
do CPC/2015. 
 
Assim, o STJ decidiu pelo cabimento do agravo de instrumento contra todas as decisões 
interlocutórias proferidas na liquidação e no cumprimento de sentença, no processo executivo e na 
ação de inventário. (REsp 1.803.925-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Corte Especial, por unanimidade, 
julgado em 01/08/2019, DJe 06/08/2019) 
 
4. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 
 
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18 
O cumprimento de sentença efetua-se perante o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de 
jurisdição. 
 
Contudo, nos termos do art. 516, parágrafo único, do CPC/2015, o exequente passou a ter a 
opção de ver o cumprimento de sentença ser processado perante o juízo do atual domicílio do 
executado, do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou do local onde deva ser 
executada a obrigação de fazer ou não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será 
solicitada ao juízo de origem. 
 
O STJ entendeu que o credor pode optar pela remessa dos autos ao foro de domicílio do 
executado, mesmo após o início do cumprimento de sentença. (REsp 1.776.382-MT, Rel. Min. Nancy 
Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03/12/2019, DJe 05/12/2019) 
 
O cumprimento de sentença pode ser provisório ou definitivo. 
 
A execução provisória é a execução fundada em título executivo judicial provisório, a ser 
realizada mediante o cumprimento de sentença. O NCPC deixa de usar o termo execução provisória 
e passa a adotar o termo “cumprimento de sentença provisório”. 
 
O recurso, naturalmente, não pode ser recebido no efeito suspensivo, pois tal circunstância 
retira a executabilidade da decisão e, consequentemente, cria um impedimento à execução. Com a 
pendência de um recurso que não tem efeito suspensivo, a decisão passa a gerar seus efeitos, 
inclusive podendo ser executada, mas, como ainda existe recurso pendente de julgamento, é 
possível a sua anulação ou reforma, sendo, portanto, tal execução provisória. 
 
Proferida uma decisão judicial executável e não havendo a interposição de recurso, verifica-se 
o seu trânsito em julgado, passando a partir desse momento a ser cabível a execução definitiva. 
 
4.1. Caução na execução provisória 
 
Sendo o cumprimento de sentença voluntário, a decisão exequenda pode ser anulada ou 
reformada em razão do provimento de eventual recurso pendente de julgamento. Logo, a prestação 
de caução objetiva criar uma garantia em favor do executado de que tal ressarcimento efetivamente 
ocorra. 
 
a) Requisitos formais: 
 
 Suficiente; 
 Idônea; 
 Arbitrada de plano pelo juiz; 
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19 
 Nos próprios autos 
 
b) Momento da prestação da caução: Deve ser prestada no momento do levantamento de depósito 
em dinheiro, prática de atos que importem alienação da propriedade ou de outro direito real, 
transferência de posse, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado. 
 
ATENÇÃO: 
 
Embora não raramente o juiz atue de ofício, prevalece na doutrina majoritária o entendimento 
de que, como a caução presta-se à garantia do executado, não tendo qualquer função de ordem 
pública, se o executado não requisitar a prestação de caução no momento oportuno, não cabe ao juiz 
fazê-la de ofício. 
 
c) Dispensa de caução: 
 
a O crédito for de natureza alimentar, independentemente de sua origem; 
b O credor demonstrar situação de necessidade; 
c Pender o agravo do art. 1.042; 
d A sentença a ser provisoriamente cumprida estiver em consonância com súmula da 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça ou em 
conformidade com acórdão proferido no julgamento de casos repetitivos. 
 
4.2. Responsabilidade na execução 
 
A execução provisória corre por conta e risco do exequente, em aplicação à teoria do risco-
proveito (responsabilidade objetiva do exequente). O elemento “culpa” é irrelevante para a sua 
configuração, bastando ao executado provar a efetiva ocorrência de danos em razão da execução 
provisória. 
 
Como regra,ante a possibilidade de modificação do título judicial que ampara a execução 
provisória, ao credor é imposta a responsabilidade objetiva de reparar os eventuais prejuízos 
causados ao devedor, restituindo-se as partes ao estado anterior. (STJ, REsp 1.576.994/2017) 
 
No entanto, não existe responsabilidade civil sem dano, de forma que caberá ao executado 
demonstrar concretamente a sua ocorrência, o que exigirá a propositura de uma liquidação de 
sentença incidental. 
 
O STJ entendeu que, por se tratar de matéria de ordem pública, o magistrado pode, de ofício, 
ordenar o recálculo do montante devido quando identificar excesso de execução. 
 
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20 
4.3. Multa pelo não pagamento 
 
O executado será intimado para pagar o valor executado em 15 (quinze) dias, sob pena de ser 
acrescido o valor de 20%, metade correspondente à multa e a outra metade correspondente aos 
honorários advocatícios do patrono do exequente (art. 523, caput e §1º, do NCPC). 
 
STJ: Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC, é preciso a efetiva resistência do 
executado ao cumprimento de sentença. (REsp 1.834.337-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira 
Turma, por unanimidade, julgado em 03/12/2019, DJe 05/12/2019) 
 
4.4. Execução provisória contra a Fazenda Pública 
 
Se execução provisória de fazer, não fazer e entregar coisa: cabível contra a fazenda pública. 
 
STF (Info 866): A execução provisória de obrigação de fazer em face da Fazenda Pública não 
atrai o regime constitucional dos precatórios. Assim, em caso de “obrigação de fazer”, é possível a 
execução provisória contra a Fazenda Pública, não havendo incompatibilidade com a Constituição 
Federal. 
 
Para execução de pagar quantia certa: Em um primeiro momento NÃO cabe execução 
provisória, já que, nos termos do art. 100, da CF/88, a expedição de precatório depende de a sentença 
transitar em julgado, e na execução provisória ainda não ocorreu o trânsito. No entanto, o STJ já 
admitiu a execução provisória, quando houver no caso parcela incontroversa da pretensão do 
exequente. 
 
4.5. Cumprimento de sentença das obrigações de fazer e não fazer 
 
a) Início: Depende de requerimento expresso do exequente, mas pode ser de oficio com o trânsito 
em julgado. Daniel Assumpção entende possível a intimação na pessoa do advogado. 
 
Súm. 410, STJ: A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança 
de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. 
 
A propósito. o STJ também decidiu que cabe agravo de instrumento contra o pronunciamento 
judicial que, na fase de cumprimento de sentença, determinou a intimação do executado, na 
pessoa do advogado, para cumprir obrigação de fazer, sob pena de multa. 
(REsp 1.758.800-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 
18/02/2020, DJe 21/02/2020) 
 
- STJ: NÃO cabem embargos à execução no cumprimento de sentença de obrigação de fazer, mas é 
possível manejar petição incidental, inclusive quando o executado for a Fazenda Pública (princípio 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
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21 
do contraditório). 
 
b) Conversão em perdas e danos: É possível converter a tutela específica em perdas e danos, desde 
que preenchidos os seguintes requisitos: 
 
a Vontade do exequente; 
b Impossibilidade de obtenção da tutela específica ou resultado prático equivalente; 
 
Impossibilidade material: afeta a pessoa do devedor na hipótese de obrigação de fazer 
infungível, de forma que fisicamente torna-se impossível o cumprimento da obrigação. 
 
Impossibilidade jurídica: deriva de alguma regra de direito que torna inviável o cumprimento 
da obrigação de fazer, como uma regra que, garantindo a inviolabilidade profissional, proíba o 
devedor da prática de determinado ato. 
 
c Onerosidade excessiva da obrigação de fazer ou não fazer - Nesse caso, ainda que a tutela 
específica seja material e juridicamente possível, sua efetivação gera tamanha onerosidade 
ao executado que proporcionalmente será mais adequada sua conversão em perdas e danos. 
 
O exequente deve requerer a conversão por mera petição informando o juízo para que se passe 
à fixação do valor das perdas e danos, o que será feito por meio de liquidação de sentença incidental. 
Havendo pedido de urna das partes, o juiz, em respeito ao contraditório, intimará a parte contrária 
para manifestação no prazo de cinco dias, proferindo sua decisão. A decisão que defere ou não é 
interlocutória e a decisão que defere ou não é recorrível por agravo de instrumento. 
 
ATENÇÃO!! O STJ decidiu pelo cabimento do agravo de instrumento contra todas as decisões 
interlocutórias proferidas na liquidação e no cumprimento de sentença, no processo executivo e na 
ação de inventário. 
(REsp 1.803.925-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 
01/08/2019, DJe 06/08/2019) 
 
c) Atipicidade das formas executivas: É possível ao juiz se valer de outros meios para a satisfação 
da obrigação, como a prisão civil (para alimentos) e a multa coercitiva. O juiz, poderá, portanto, de 
ofício ou a requerimento do exequente, determinar as medidas necessárias para a efetivação da 
tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente, além do rol exemplificativo do CPC, 
sempre respeitando os princípios da razoabilidade e da menor onerosidade ao executado. 
 
MULTA COERCITIVA (“Astreintes”) 
A multa cominatória constitui instrumento de direito processual criado para a efetivação da tutela 
específica perseguida ou para a obtenção de resultado prático equivalente, nas ações de obrigação 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
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22 
de fazer ou não fazer, constituindo medida de execução indireta. (STJ, Informativo 608, REsp 
1.367.212/2017) 
- Periódica, com prazo a ser fixado pelo juiz; É de se ter que o prazo de incidência não necessita ser 
apenas, diário, podendo ser definido em minuto, hora, semana, quinzena, mês, ou, até mesmo, de 
forma fixa (notadamente para as violações de natureza instantânea). (STJ, AREsp 738.682/2016) 
- Pode ser aplicada de ofício pelo juiz em qualquer fase do processo; 
- Pode ser revista, não se sujeitando à preclusão; 
STJ (Info 539): A decisão que comina astreintes não preclui, não fazendo tampouco coisa julgada. 
A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a multa cominatória não integra a coisa 
julgada, sendo apenas um meio de coerção indireta ao cumprimento do julgado, podendo ser 
cominada, alterada ou suprimida posteriormente. 
STJ (Info 691): É possível que o magistrado, a qualquer tempo, e mesmo de ofício, revise o valor 
desproporcional das astreintes. (EAREsp 650.536/RJ, Rel. Min. Raul Araújo, Corte Especial, por 
maioria, julgado em 07/04/2021) 
- O valor deve ser fixado pelo juiz, podendo superar a obrigação originária; O valor de multa 
cominatória pode ser exigido em montante superior ao da obrigação principal. Em suma, deve-se 
ter em conta o valor da multa diária inicialmente fixada e não o montante total alcançado em razão 
da demora no cumprimento da decisão. Portanto, a fim de desestimular a conduta recalcitrante do 
devedor em cumprir decisão judicial, é possível se exigir valor de multa cominatória superior ao 
montante da obrigação principal. (STJ, Informativo 562, REsp 1.352.426/2015). 
- O beneficiado da multa será a parte que pretende o cumprimento da obrigação; 
- A Fazenda Pública em juízo se sujeita às astreintes; 
- É possível a alteração do valor, inclusive pelo STJ, quando exorbitante ou irrisória. E pode ser 
reduzido pelo juiz para evitar o enriquecimento sem causa. No entanto, existem decisões do mesmo 
STJ entendendo que se o não cumprimento da decisão do juiz ocorreu por resistência injustificada 
da parte, não haveria sentido em minorar o valor final da multa. 
- O STJ tem julgados entendendo que a multa fixada em sede de tutela antecipada só poderia ser 
executada apósa sua confirmação em sentença, e desde que o recurso contra essa decisão tenha 
efeito suspensivo. O art. 537, §3º, do NCPC exige para o levantamento do depósito realizado em 
juízo o trânsito em julgado da sentença. 
 
À luz do novo Código de Processo Civil, não se aplica a tese firmada no julgamento do REsp 
1.200.856/RS, porquanto o novo Diploma inovou na matéria, permitindo a execução provisória da 
multa cominatória mesmo antes da prolação de sentença de mérito. (STJ, Informativo Edição 
Especial nº 3, REsp 1.958.679/2021) 
 
Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poderá ser 
aplicada na fase de conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ou 
na fase de execução, desde que seja suficiente e compatível com a 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
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23 
obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento do 
preceito. 
§ 1o O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, modificar o valor ou a 
periodicidade da multa vincenda ou excluí-la, caso verifique que: 
I - se tornou insuficiente ou excessiva; 
II - o obrigado demonstrou cumprimento parcial superveniente da 
obrigação ou justa causa para o descumprimento. 
§ 2o O valor da multa será devido ao exequente. 
§ 3º A decisão que fixa a multa é passível de cumprimento provisório, 
devendo ser depositada em juízo, permitido o levantamento do valor após 
o trânsito em julgado da sentença favorável à parte. 
§ 4o A multa será devida desde o dia em que se configurar o 
descumprimento da decisão e incidirá enquanto não for cumprida a decisão 
que a tiver cominado. 
§ 5o O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao cumprimento de 
sentença que reconheça deveres de fazer e de não fazer de natureza não 
obrigacional. 
 
 
 
4.6. Cumprimento de sentença de obrigação de entregar coisa: 
 
O NCPC NÃO prevê procedimento específico, cabendo ao juiz adotar o procedimento que 
parecer mais adequado ao caso concreto para a satisfação do direito do credor. Aplicam-se as 
disposições sobre o cumprimento de sentença de obrigações de fazer e não fazer. 
 
Art. 538. Não cumprida a obrigação de entregar coisa no prazo estabelecido 
na sentença, será expedido mandado de busca e apreensão ou de imissão na 
posse em favor do credor, conforme se tratar de coisa móvel ou imóvel. 
§ 1o A existência de benfeitorias deve ser alegada na fase de conhecimento, 
em contestação, de forma discriminada e com atribuição, sempre que 
possível e justificadamente, do respectivo valor. 
§ 2o O direito de retenção por benfeitorias deve ser exercido na contestação, 
na fase de conhecimento. 
§ 3o Aplicam-se ao procedimento previsto neste artigo, no que couber, as 
disposições sobre o cumprimento de obrigação de fazer ou de não fazer. 
 
A individualização constará do requerimento inicial no cumprimento de sentença', momento 
no qual será imprescindível a individualização da coisa para o início da execução. 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
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24 
 
O parágrafo único do art. 498 do Novo CPC prevê que, sendo a coisa incerta - determinada 
pelo gênero e quantidade -, o autor a individualizará na petição inicial se lhe couber a escolha; e 
sendo do devedor a escolha, este a entregará individualizada, no prazo fixado pelo juiz. 
 
4.7. Cumprimento de sentença que reconhece a exigibilidade de obrigação de pagar quantia 
certa: 
 
Possui as disposições no art. 520, 521 e 522, do NCPC, sendo aplicáveis, subsidiariamente, as 
normas que regem o processo de execução (art. 513, do NCPC). 
 
Art. 523 NCPC: Exigem da parte a iniciativa para o cumprimento de sentença, 
afastando o impulso oficial (o juiz não poderá atuar de ofício). 
 
STJ (Info 688): Sob a égide do Código de Processo Civil de 2015, é irrecorrível o ato judicial que 
determina a intimação do devedor para o pagamento de quantia certa. (REsp 1.837.211-MG, Rel. 
Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 09/03/2021, DJe 11/03/2021) 
 
a) Requisitos do requerimento de cumprimento de sentença: 
 
Art. 524. O requerimento previsto no art. 523 será instruído com 
demonstrativo discriminado e atualizado do crédito, devendo a petição 
conter: 
I - o nome completo, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas 
ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica do exequente e do executado, 
observado o disposto no art. 319, §§ 1o a 3o; 
II - o índice de correção monetária adotado; 
III - os juros aplicados e as respectivas taxas; 
IV - o termo inicial e o termo final dos juros e da correção monetária 
utilizados; 
V - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso; 
VI - especificação dos eventuais descontos obrigatórios realizados; 
VII - indicação dos bens passíveis de penhora, sempre que possível. 
§ 1o Quando o valor apontado no demonstrativo aparentemente exceder os 
limites da condenação, a execução será iniciada pelo valor pretendido, mas a 
penhora terá por base a importância que o juiz entender adequada. 
 
STJ: Na fase de cumprimento de sentença não se pode alterar os critérios de atualização dos 
cálculos estabelecidos na decisão transitada em julgado, ainda que para adequá-los ao 
entendimento do STF firmado em repercussão geral. 
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(REsp 1.861.550-DF, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 
16/06/2020, DJe 04/08/2020) 
 
b) Aparente excesso nos cálculos do exequente: Se o juiz entender eu houve excesso nos cálculos 
apresentados, a execução segue com dois valores distintos, de modo que valor exequendo será o 
indicado na inicial pelo exequente, mas a penhora será pelo valor que o juiz entender adequado. 
 
c) Intimação do executado: Ocorre por meio de advogado, mas se o requerimento for formulado 
após 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença, a intimação será feita na pessoa do devedor, 
por meio de carta com aviso de recebimento encaminhada ao endereço constante dos autos (art. 
513, §4º, NCPC). 
 
Art. 513. O cumprimento da sentença será feito segundo as regras deste 
Título, observando-se, no que couber e conforme a natureza da obrigação, o 
disposto no Livro II da Parte Especial deste Código. 
§ 1o O cumprimento da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, 
provisório ou definitivo, far-se-á a requerimento do exequente. 
§ 2o O devedor será intimado para cumprir a sentença: 
I - pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado constituído nos autos; 
II - por carta com aviso de recebimento, quando representado pela 
Defensoria Pública ou quando não tiver procurador constituído nos autos, 
ressalvada a hipótese do inciso IV; 
 
STJ: Ainda que citado pessoalmente na fase de conhecimento, é devida a intimação por carta do 
réu revel, sem procurador constituído, para o cumprimento de sentença. 
(REsp 1.760.914-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, 
julgado em 02/06/2020, DJe 08/06/2020) 
III - por meio eletrônico, quando, no caso do § 1o do art. 246, não tiver 
procurador constituído nos autos 
IV - por edital, quando, citado na forma do art. 256, tiver sido revel na fase 
de conhecimento. 
§ 3o Na hipótese do § 2o, incisos II e III, considera-se realizada a intimação 
quando o devedor houver mudado de endereço sem prévia comunicação ao 
juízo, observado o disposto no parágrafo único do art. 274. 
§ 4o Se o requerimento a que alude o § 1o for formulado após 1 (um) ano do 
trânsito em julgado da sentença, a intimação será feita na pessoa do devedor, 
por meio de carta com aviso de recebimento encaminhada ao endereço 
constante dos autos, observado o disposto no parágrafo único do art. 274 e 
no § 3o deste artigo. 
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§ 5o O cumprimento da sentença não poderá ser promovido em face do 
fiador, do coobrigado ou do corresponsável que não tiver participado da fase 
de conhecimento. 
 
d) Cumprimento espontâneo da obrigação: Antes de ser intimado para pagamento em 15 dias, o 
devedor pode satisfazerespontaneamente a obrigação de pagar quantia certa, oferecendo o 
pagamento de valor que entende devido com memória de cálculo. O autor será ouvido em 05 dias e 
poderá levantar a quantia incontroversa. A partir daí surgem duas situações: 
 
 Se não houver oposição do autor, o juiz julga extinta a obrigação; 
 Se entende pela insuficiência de depósito, aplicará sobre a diferença multa de 10% e fixará 
honorários advocatícios, seguindo a execução. 
 
e) Não pagamento no prazo de 15 dias (úteis): Se o executado não satisfizer a obrigação em 15 
dias, ocorrem as seguintes consequências: 
 
 Fixação de honorários advocatícios (10%); 
 Aplicação de multa de 10% sobre o valor exequendo; 
 Possibilidade de protesto extrajudicial da sentença (art. 517/CPC); 
 Possibilidade de inclusão do executado em cadastros de inadimplentes (art. 782, 3º/CPC); 
 Expedição de mandado de penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação. 
 
OBSERVAÇÃO: Enunciado 89 da 1 jornada de direito processual civil do CJF: "conta-se em dias 
úteis o prazo do caput do art. 523 do CPC''. 
O STJ possui o mesmo entendimento: 
 
O prazo previsto no art. 523, caput, do Código de Processo Civil, para o 
cumprimento voluntário da obrigação, possui natureza processual, 
devendo ser contado em dias úteis. 
(REsp 1.708.348-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por 
unanimidade, julgado em 25/06/2019, DJe 01/08/2019) 
 
E, ainda: Uma vez constatada a hipótese de incidência da norma disposta no 
artigo 229 do novo CPC (litisconsortes com procuradores diferentes), penso 
que o prazo comum para pagamento espontâneo deverá ser computado em 
dobro, ou seja, 30 dias úteis.” (STJ, Informativo 619, REsp 1.693.784/2017) 
 
STJ: consolidou o entendimento de que, sendo necessário ao exequente promover o 
cumprimento de sentença, caberá a condenação do executado ao pagamento da verba honorária, da 
qual só se isentará na hipótese de cumprimento voluntário da obrigação. Súmula 517/STJ: São 
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devidos honorários advocatícios no cumprimento de sentença, haja ou não impugnação, depois 
de escoado o prazo para pagamento voluntário, que se inicia após a intimação do advogado da 
parte executada. 
 
Segundo previsão do art. 523, § 1°, do Novo CPC, somente o pagamento da condenação evita 
a aplicação da multa, de forma que o mero oferecimento de bens à penhora, ainda que seja dinheiro, 
não evita o acréscimo de 10% no valor da condenação. 
 
Nesse sentido, o STJ possui entendimento de que o acréscimo de 10% (dez por cento) de 
honorários advocatícios, previsto pelo art. 523, § 1º, do CPC/2015, quando não ocorrer o 
pagamento voluntário no cumprimento de sentença, não admite relativização. 
(REsp 1.701.824-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 
09/06/2020, DJe 12/06/2020) 
 
STJ: Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC, é preciso a efetiva resistência do 
executado ao cumprimento de sentença. 
(REsp 1.834.337-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 
03/12/2019, DJe 05/12/2019) 
 
f) Prazo inicial para a impugnação: Segundo o art. 525, NCPC, transcorrido o prazo para pagamento 
voluntário da obrigação, inicia-se o prazo de 15 dias para que o executado, independente de nova 
intimação, apresente impugnação nos próprios autos do cumprimento de sentença. 
 
Em decisão recente do STJ entendeu que no caso ocorra o acolhimento da impugnação ao 
cumprimento de sentença fundada no art. 525, § 1º, I, do CPC/2015 (executado alegou falta ou 
nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia), o termo inicial do prazo 
para oferecer contestação é a data da intimação que acolhe a impugnação. (REsp 1.930.225-SP, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 08/06/2021) 
 
Também decidiu o STJ que “O prazo para impugnação se inicia após 15 (quinze) dias da 
intimação para pagar o débito, ainda que o executado realize o depósito para garantia do juízo no 
prazo para pagamento voluntário, independentemente de nova intimação.” (STJ, Informativo 684, 
REsp 1.761.068/2020) 
 
O CPC elenca rol de matérias permitidas para alegação em impugnação ao cumprimento de 
sentença de pagar quantia certa: 
- DEVEDOR COMUM: 
Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o pagamento 
voluntário, inicia-se o prazo de 15 (quinze) dias para que o executado, 
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independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos próprios 
autos, sua impugnação. 
§ 1º Na impugnação, o executado poderá alegar: 
I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu 
à revelia; 
II - ilegitimidade de parte; 
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; 
IV - penhora incorreta ou avaliação errônea; 
V - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; 
VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; 
VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, 
novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes 
à sentença. 
§ 2º A alegação de impedimento ou suspeição observará o disposto nos arts. 
146 e 148 . 
§ 3º Aplica-se à impugnação o disposto no art. 229. 
§ 4º Quando o executado alegar que o exequente, em excesso de execução, 
pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de 
imediato o valor que entende correto, apresentando demonstrativo 
discriminado e atualizado de seu cálculo. 
§ 5º Na hipótese do § 4º, não apontado o valor correto ou não apresentado o 
demonstrativo, a impugnação será liminarmente rejeitada, se o excesso de 
execução for o seu único fundamento, ou, se houver outro, a impugnação será 
processada, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução. 
§ 6º A apresentação de impugnação não impede a prática dos atos 
executivos, inclusive os de expropriação, podendo o juiz, a requerimento do 
executado e desde que garantido o juízo com penhora, caução ou depósito 
suficientes, atribuir-lhe efeito suspensivo, se seus fundamentos forem 
relevantes e se o prosseguimento da execução for manifestamente suscetível 
de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. 
§ 7º A concessão de efeito suspensivo a que se refere o § 6º não impedirá a 
efetivação dos atos de substituição, de reforço ou de redução da penhora e 
de avaliação dos bens 
§ 8º Quando o efeito suspensivo atribuído à impugnação disser respeito 
apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte 
restante. 
§ 9º A concessão de efeito suspensivo à impugnação deduzida por um dos 
executados não suspenderá a execução contra os que não impugnaram, 
quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao 
impugnante. 
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§ 10. Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação, é lícito ao 
exequente requerer o prosseguimento da execução, oferecendo e prestando, 
nos próprios autos, caução suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz. 
§ 11. As questões relativas a fato superveniente ao término do prazo para 
apresentação da impugnação, assim como aquelas relativas à validade e à 
adequação da penhora, da avaliação e dos atos executivos subsequentes, 
podem ser arguidas por simples petição, tendo o executado, em qualquer dos 
casos, o prazo de 15 (quinze) dias para formular esta arguição, contado da 
comprovada ciência do fato ou da intimação do ato. 
§ 12. Para efeito do disposto no inciso III do § 1º deste artigo, considera-se 
também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial 
fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo 
Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato 
normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com 
a Constituição Federal , em controle de constitucionalidadeconcentrado ou 
difuso. 
§ 13. No caso do § 12, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal 
poderão ser modulados no tempo, em atenção à segurança jurídica. 
§ 14. A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 12 deve ser 
anterior ao trânsito em julgado da decisão exequenda. 
§ 15. Se a decisão referida no § 12 for proferida após o trânsito em julgado 
da decisão exequenda, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do 
trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
- FAZENDA PÚBLICA DEVEDORA: 
Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante 
judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 
30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir: 
I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu 
à revelia; 
II - ilegitimidade de parte; 
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; 
IV - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; 
V - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; 
VI - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, 
novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes 
ao trânsito em julgado da sentença. 
§ 1º A alegação de impedimento ou suspeição observará o disposto nos arts. 
146 e 148 . 
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§ 2º Quando se alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia 
quantia superior à resultante do título, cumprirá à executada declarar de 
imediato o valor que entende correto, sob pena de não conhecimento da 
arguição. 
STJ (Info 691): A alegação da Fazenda Pública de excesso de execução sem 
a apresentação da memória de cálculos com a indicação do valor devido 
não acarreta, necessariamente, o não conhecimento da arguição. (REsp 
1.887.589/GO, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, 
julgado em 06/04/2021) 
§ 3º Não impugnada a execução ou rejeitadas as arguições da executada: 
I - expedir-se-á, por intermédio do presidente do tribunal competente, 
precatório em favor do exequente, observando-se o disposto na Constituição 
Federal ; 
II - por ordem do juiz, dirigida à autoridade na pessoa de quem o ente público 
foi citado para o processo, o pagamento de obrigação de pequeno valor será 
realizado no prazo de 2 (dois) meses contado da entrega da requisição, 
mediante depósito na agência de banco oficial mais próxima da residência do 
exequente. (Vide ADI 5534) 
§ 4º Tratando-se de impugnação parcial, a parte não questionada pela 
executada será, desde logo, objeto de cumprimento. (Vide ADI 5534) 
§ 5º Para efeito do disposto no inciso III do caput deste artigo, considera-se 
também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial 
fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo 
Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato 
normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com 
a Constituição Federal , em controle de constitucionalidade concentrado ou 
difuso. 
§ 6º No caso do § 5º, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal 
poderão ser modulados no tempo, de modo a favorecer a segurança jurídica. 
§ 7º A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 5º deve ter sido 
proferida antes do trânsito em julgado da decisão exequenda. 
§ 8º Se a decisão referida no § 5º for proferida após o trânsito em julgado da 
decisão exequenda, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do 
trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
Referências Bibliográficas: 
Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil.

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