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1 DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 2 DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 3 Sumário Sumário .............................................................................................................................................................. 3 DIREITO PROCESSUAL CIVIL ...................................................................................................................... 5 QUAL DEVE SER O FOCO? ....................................................................................................................................5 RESUMO DO DIA .......................................................................................................................................................5 1. SENTENÇA ..............................................................................................................................................................5 1.1. Conceito ............................................................................................................................................................5 1.2. Classificação das sentenças – Teoria ternária e quinária ..................................................................5 1.3. Elementos da sentença ................................................................................................................................7 1.4. Princípio da congruência (correlação/adstrição) ..................................................................................8 1.5. Sentença extra, ultra e citra petita ...........................................................................................................9 1.6. Modificação da sentença pelo juiz sentenciante ............................................................................... 10 1.7. Capítulos de sentença ............................................................................................................................... 10 2. COISA JULGADA ................................................................................................................................................ 10 2.1. Conceito ......................................................................................................................................................... 11 2.2. Coisa julgada formal e material ............................................................................................................. 11 2.3. Limites objetivos da coisa julgada......................................................................................................... 11 2.4. Limites subjetivos da coisa julgada ...................................................................................................... 11 2.5. Coisa julgada nas relações jurídicas de trato sucessivo (continuado) ....................................... 12 2.6. Relativização da coisa julgada ................................................................................................................ 12 2.7. Coisa julgada total e parcial .................................................................................................................... 13 3. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA ........................................................................................................................ 14 3.1. Conceito ......................................................................................................................................................... 14 3.2. Liquidação como forma de frustração da execução......................................................................... 15 3.3. Legitimidade ativa ...................................................................................................................................... 15 3.4. Espécies de liquidação .............................................................................................................................. 15 3.5. Agravo de Instrumento ............................................................................................................................. 17 4. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA ................................................................................................................... 17 4.1. Caução na execução provisória .............................................................................................................. 18 4.2. Responsabilidade na execução .............................................................................................................. 19 4.3. Multa pelo não pagamento ..................................................................................................................... 20 4.4. Execução provisória contra a Fazenda Pública ................................................................................. 20 4.5. Cumprimento de sentença das obrigações de fazer e não fazer ................................................. 20 DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 4 4.6. Cumprimento de sentença de obrigação de entregar coisa:......................................................... 23 4.7. Cumprimento de sentença que reconhece a exigibilidade de obrigação de pagar quantia certa: ........................................................................................................................................................................ 24 DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 5 DIREITO PROCESSUAL CIVIL TEMA DO DIA DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada Liquidação de Sentença Cumprimento de Sentença QUAL DEVE SER O FOCO? Elementos da sentença Eficácia objetiva e subjetiva da coisa julgada. RESUMO DO DIA 1. SENTENÇA 1.1. Conceito Segundo o art. 203, do NCPC, a sentença é pronunciamento pelo qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, do NCPC, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. Há, portanto, uma opção do legislador em criar um conceito híbrido de sentença, que considera tanto o conteúdo quanto o efeito da decisão. 1.2. Classificação das sentenças – Teoria ternária e quinária Teoria Ternária Teoria Quinária Defendida por corrente doutrinária que segue as lições de Liebman Defendida por corrente doutrinária que segue as lições de Pontes de Miranda Espécies: a Sentença meramente declaratória; b Constitutiva; c Condenatória. Espécies: a Sentença meramente declaratória; b Constitutiva; c Condenatória; d Executivas lato sensu; e Mandamentais. Meramente declaratórias: O conteúdo é uma declaração de existência, inexistência ou modo de ser. Para que exista interesse processual na obtenção de sentença meramente declaratória, é necessária crise de incerteza que, se não resolvida, possa provocar dano ao autor. É necessário que a dúvida seja objetiva e real, não se DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 6 limitando a um isolado estado de incerteza subjetiva do autor. Os efeitos da sentença meramente declaratória são ex tunc, considerando-se que a declaração somente confirma jurisdicionalmente o que já existia; nada criando de novo a não ser a certeza jurídica a respeito da relação jurídica que foi objeto da demanda. No entanto, é possível a modulação dos efeitos (lembrar da modulação em controle de inconstitucionalidade): ex tunc restritiva, ex nunc ou eficácia pro futuro. Constitutiva: O conteúdo é a criação, extinção ou modificação de uma relação jurídica, enquanto o efeito é a alteração da situação jurídica, com a criação de uma situação jurídica diferente da existente antes de sua prolação, com todas as consequências advindas dessa alteração. Fala-se em sentença constitutiva positiva e negativa ou constitutiva e desconstitutiva. Assentenças constitutivas podem ser divididas em necessárias e facultativas. Será necessária sempre que a única forma de obter a alteração da situação jurídica pretendida pelas partes for por meio da intervenção jurisdicional, como a anulação de casamento. A sentença facultativa só existirá se houver a lide clássica no caso concreto, e abstratamente seria possível a alteração da situação jurídica das partes mediante um acordo de vontades entre elas, como a rescisão contratual, por exemplo. Será necessária a sentença constitutiva sempre que a única forma de obter a alteração da situação jurídica pretendida pelas partes for por meio de intervenção jurisdicional, situação que dispensa o conflito de interesse entre as partes. Tem efeitos ex nunc, pois é a partir da sentença que a situação jurídica será efetivamente alterada. Ex: Anulação de casamento. Condenatória: Além da declaração de existência de direito material, é a imputação ao réu do cumprimento de uma prestação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia certa, com o objetivo de resolver crise jurídica de inadimplemento. O efeito é a criação de um título executivo, o que permitirá a prática de atos executivos voltados ao efetivo cumprimento dessa prestação, com a consequente satisfação do autor. Executiva lato sensu: não é pacífico na doutrina o conceito. Parcela da doutrina entende que é assim denominada porque dispensa o processo de execução subsequente para ser satisfeita, tratando-a como uma sentença autoexecutável. a Na sentença condenatória, o direito é de crédito; na sentença executiva, o direito é real, buscando-se a retomada da coisa que está injustamente no patrimônio do executado; b A complexidade da fase de satisfação do direito não existe na sentença executiva. A DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 7 sentença executiva lato sensu se realiza pelos meios executivos que o juiz entender adequados ao caso concreto. Sentença mandamental: Caracterizada pela existência de ordem do juiz, dirigida à pessoa ou órgão, para que faça ou deixe de fazer algo, não se limitando à condenação do réu. A satisfação da sentença mandamental é feita pelo cumprimento da ordem, não existindo processo ou fase de execução subsequente a ela visando tal satisfação. Poderá o juiz se valer de atos de pressão psicológica (execução indireta), como também de sanção civil e penal. Classificação da sentença quanto à resolução do mérito: Sentenças terminativas: NÃO resolvem o mérito. Art. 485, do NCPC; Sentenças definitivas: Resolvem o mérito. Art. 487, do NCPC. 1.3. Elementos da sentença a Relatório: Resumo da demanda, no qual o juiz indicará as partes, resumo do pedido e da defesa, descrição dos principais atos praticados no processo. É possível que o juiz não faça o relatório nos juizados especiais, em que é dispensado. Relatório per relationem: admite-se a elaboração de relatório per relationem, no qual o juiz se reporta a relatório realizado em outra demanda, o que é possível nas sentenças de demandas conexas, por exemplo. A ausência de relatório, como regra, portanto, gera a nulidade da sentença, presumindo-se que o juiz ao deixar de realizar o relatório não tem o conhecimento pleno da demanda que está julgando. O relatório é requisito essencial e indispensável da sentença e a sua ausência prejudica a análise da controvérsia, suprimindo questões fundamentais para o julgamento do processo. Tal consideração impõe o reconhecimento da nulidade do julgado impugnado, em manifesta violação dos arts. 165 e 458, do Código de Processo Civil, e 93, IX, da Constituição Federal. (STJ, RMS 25.082/2008) b Fundamentação: O juiz deve enfrentar todas as questões de fato e de direito que sejam relevantes para a solução da demanda, justificando a conclusão a que chegará no dispositivo. Não pode ser dispensada em nenhum caso, sendo nula a sentença sem fundamentação. O recurso adequado é a apelação com a alegação de error in procedendo intrínseco, ainda que possam se admitir os embargos de declaração com efeitos infringentes. O art. 1.013, § 3º, IV, do CPC prevê expressamente a aplicação da teoria da causa madura na hipótese de nulidade de sentença por falta de fundamentação. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 8 As turmas do STJ possuem entendimento de que o órgão julgador não está compelido a responder todos os questionamentos das partes, mas tão somente a declinar as razões de seu convencimento motivado. c Dispositivo: É a conclusão decisória da sentença, representando o comando da decisão. É a parte da sentença responsável pelos efeitos da decisão, ou seja, é do dispositivo que são gerados os efeitos práticos da sentença, transformando o mundo dos fatos. É a conclusão do juiz que decorre da fundamentação. A ausência de dispositivo gera a inexistência jurídica de ato judicial. E em sendo inexistência jurídica, é admissível a alegação do vício até mesmo após o trânsito em julgado da decisão, por ação meramente declaratória. 1.4. Princípio da congruência (correlação/adstrição) Conforme art. 492, do NCPC, o juiz não pode conceder algo diferente ou a mais do que for pedido pelo autor. Esse princípio é fundamentado no princípio da inércia da jurisdição e contraditório. Exceções ao princípio da congruência: Pedidos implícitos: é admitido ao juiz conceder o que não tenha sido expressamente pedido pelo autor; Fungibilidade: Concessão de tutela diferente da que foi pedida, a exemplo das ações possessórias e cautelares; Art. 554/CPC. A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos pressupostos estejam provados. Nas demandas que tenham como objeto uma obrigação de fazer ou não fazer, desde que gere resultado prático equivalente ao do adimplemento da obrigação. OBS.: O juiz pode conceder ao autor benefício previdenciário diverso do requerido na inicial, desde que preenchidos os requisitos legais atinentes ao benefício concedido. Isso porque, tratando-se de matéria previdenciária, deve-se proceder, de forma menos rígida, à análise do pedido. (STJ, Informativo 522, AgRg no REsp 1.367.825/2013. No mesmo sentido, REsp 1.826.186/2019) OBSERVAÇÃO: Inconstitucionalidade reflexa ou por ricochete/consequência/arrastamento/atração – o STF admite que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma norma possa também declarar outras DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 9 normas não impugnadas na ação judicial em razão de sua interdependência com aquela declarada inconstitucional. 1.5. Sentença extra, ultra e citra petita Sentença extra petita: Sentença que concede algo diferente do que foi pedido pelo autor. É sentença que concede tutela jurisdicional diferente da pleiteada pelo autor, como também a que concede bem da vida de diferente gênero daquele pedido pelo autor. Proferida sentença extra petita, é cabível apelação, pleiteando a anulação da sentença, fundada em error in procedendo intrínseco. É possível o julgamento imediato do mérito da ação pelo tribunal que anula a sentença por ela não ser congruente com os limites do pedido ou a causa de pedir. Mesmo após o trânsito em julgado se admitirá a alegação do vício, por meio da ação rescisória, com fundamento no art. 966, V, CPC. ATENÇÃO!! Não se considera julgamento extra petita quando o juiz ou Tribunal não afronta os limites objetivos da pretensão inicial, tampouco concede providência jurisdicional diversa da requerida, respeitando o princípio da congruência. Sentença ultra petita: O juiz, embora conceda a tutela jurisdicional pedida, extrapola a quantidade indicada pelo autor. No pedido genérico, em que não há determinação do pedido, não se pode falar em sentença ultra petita. O recurso cabível é a apelação, devendo ser aplicada a teoria dos capítulosde sentença, para só anular a parte excedente, mantendo-se a sentença até os limites da determinação do pedido. Após o trânsito em julgado, caberá ação rescisória com fundamento na ofensa a dispositivo literal de lei (art. 966, V, CPC), no caso o art. 492 do CPC, mas nesse caso, diferente da ação rescisória contra sentença extra petita, o pedido não será de anulação integral, mas tão somente da parte excedente da decisão. O objetivo da ação rescisória, portanto, se limita a desconstituir a parte viciada da decisão transitada em julgada, mantendo-se a decisão na parte que respeitou os limites quantitativos do pedido. Sentença citra petita (infra petita): A sentença fica aquém do pedido do autor ou deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação de defesa apresentada pelo réu, ou ainda decisão que não resolve a demanda para todos os sujeitos processuais. O juiz não é obrigado a conceder todos os pedidos formulados pelo autor, mas em regra deverá analisar e decidir todos eles, ainda que seja para negá-los em sua totalidade. É possível recorrer por embargos de declaração ou recurso de apelação. Assim, o vício de omissão é impugnável por meio dos embargos de declaração, mas, como tal recurso não tem efeito preclusivo, é possível a alegação da omissão na sentença também em sede de apelação. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 10 O art. 141 do CPC impõe ao Juiz decidir a lide nos limites em que foi proposta, enquanto o art. 492 do CPC veda-lhe a prolação de decisão além (ultra petita), fora (extra petita) ou aquém do pedido (citra ou infra petita). Ambos os dispositivos consagram o chamado princípio da congruência ou da correlação, que preceitua que a sentença deve corresponder, fielmente, ao pedido formulado pela parte promovente, deferindo-o ou negando-o, no todo, parcialmente, se for o caso. (STJ, Corte Especial, EREsp 1.284.414/2014) 1.6. Modificação da sentença pelo juiz sentenciante Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la: Para corrigir inexatidões materiais; Para retificar erros de cálculo; No julgamento de embargos de declaração. OBS: Publicada a sentença, ainda que transitada em julgado, é permitido ao juiz retificar a proclamação do julgamento para adequá-la ao acórdão. STJ entendeu tratar-se de erro material quando o resultado proclamado do julgamento se encontra clara e completamente dissociado de toda a motivação e do dispositivo, revelando nítida incoerência interna no acórdão. 1.7. Capítulos de sentença São as partes em que ideologicamente se decompõe o decisório de uma decisão judicial, cada uma delas contendo o julgamento de uma pretensão distinta. A divisão pode se dar da seguinte forma, por exemplo: a Capítulo referente aos pressupostos processuais de admissibilidade do julgamento de mérito; b Diferentes capítulos decidindo no mérito diferentes pedidos; c Capítulos referentes ao custo financeiro do processo. - Se houver cumulação de pedidos, para cada um haverá um capítulo na decisão. 2. COISA JULGADA Em todo processo, independentemente de sua natureza, haverá a prolação de uma sentença (ou acórdão nas ações de competência originária dos tribunais), que em determinado momento torna-se imutável e indiscutível dentro do processo em que foi proferida. Para tanto, basta que não seja interposto o recurso cabível ou ainda que todos os recursos cabíveis já tenham sido interpostos e decididos. Esse impedimento de modificação da decisão por qualquer meio processual dentro do processo em que foi proferida é chamado de coisa julgada formal. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 11 2.1. Conceito É qualidade da sentença que torna seus efeitos imutáveis e indiscutíveis. 2.2. Coisa julgada formal e material Coisa julgada formal: Fenômeno endoprocessual de impedir a modificação da decisão por qualquer meio processual dentro do processo em que a decisão foi proferida. Coisa julgada material: Impossibilidade de alterar ou desconsiderar a decisão em outros processos, tornando a decisão imutável e indiscutível além dos limites do processo em que foi proferida. Chamada de preclusão máxima. 2.3. Limites objetivos da coisa julgada O art. 504 do NCPC prevê que apenas o dispositivo torna-se imutável e indiscutível em razão da coisa julgada material, prevendo que não fazem coisa julgada: Os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; Verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. Na realidade, os motivos e a verdade dos fatos fazem parte da fundamentação da sentença ou da decisão interlocutória de mérito, e por isso não produzem coisa julgada material. Art. 503, §1º, I, NCPC: A resolução de questão prejudicial só faz coisa julgada se I - dessa resolução depender o julgamento do mérito; II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal, salvo se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial. 2.4. Limites subjetivos da coisa julgada As partes, inclusive o Ministério Público quando participa do processo como fiscal da ordem jurídica, estão vinculadas à coisa julgada. Os terceiros sofrem aos efeitos jurídicos da decisão, enquanto terceiros desinteressados sofrem os efeitos naturais da sentença, sendo que em regra nenhuma espécie de terceiro suporta a coisa julgada material. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 12 Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. A regra de que a coisa julgada não pode prejudicar terceiros tem duas exceções, de forma que os sucessores e os substituídos processuais, ainda que não participem do processo como partes, suportam negativamente os efeitos da coisa julgada. São titulares do direito e dessa forma não haveria sentido que não suportassem os efeitos, ainda que negativos, da coisa julgada material. A regra do processo civil individual utiliza a coisa julgada inter partes como meio de vinculação, pois se limita àqueles que participam no processo como partes. Por sua vez, a coisa julgada ultra partes é aquela que atinge, além das partes do processo, os terceiros em alguns casos, sendo o que ocorre, por exemplo, no caso da substituição processual, situação em que o substituído, mesmo não participando da lide, receberá seus efeitos. Por fim, a coisa julgada erga omnes é a que lança seus efeitos a todos, independentemente de terem sido parte do processo, o que se dá no processo objetivo (abstrato) do controle de constitucionalidade. (THAMAY, Renan. Coisa Julgada. 2ª ed. RT, 2019) 2.5. Coisa julgada nas relações jurídicas de trato sucessivo (continuado) O art. 505, I, do NCPC, prevê a possibilidade de pedido de revisão do instituído na sentença, na hipótese de modificação superveniente do estado de fato ou de direito, sempre que a sentença resolver relação jurídica de trato continuado, a exemplo de ações de alimentos e revisionais de aluguel. Essa espécie de sentença transita em julgado e produz coisa julgada formal. A discussão é quanto à formação de coisa julgada material, existindo algumas correntes: 1ª Corrente: O art. 505, I, NCPC afasta a coisa julgada material das sentenças que envolvem relações jurídicas de trato continuado (minoritária); 2ª Corrente: Há uma coisa julgada material especial, gerada por uma sentença de mérito que contém implicitamente a cláusula rebus sic stantibus, ou seja, a imutabilidade da decisão estaria condicionada à manutenção da situação de fato e de direito; A força vinculativa das sentenças sobre relações jurídicas de trato continuado atua rebus sic stantibus: sua eficácia permanece enquanto se mantivereminalterados os pressupostos fáticos e jurídicos adotados para o juízo de certeza estabelecido pelo provimento sentencia. (STF, RE 596.663/2014) 3ª Corrente: Ocorre coisa julgada material como em qualquer outra sentença. Mas a possibilidade de revisão é permitida tão somente em razão da modificação da causa de pedir (majoritária). 2.6. Relativização da coisa julgada É defendida por parcela da doutrina e há duas formas de relativização: DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 13 Coisa julgada inconstitucional: Pretende se afastar a coisa julgada de sentenças de mérito transitadas em julgado que tenham como fundamento norma declarada inconstitucional pelo STF; Registre-se que, sendo a decisão do Supremo Tribunal Federal que declara a norma inconstitucional proferida após o trânsito em julgado, a matéria não poderá ser alegada em defesa executiva, mas em ação rescisória, nos termos do art. 525, § 15, e 535, § 8°, ambos do Novo CPC. Coisa julgada injusta inconstitucional: Pretende afastar a imutabilidade da própria coisa julgada às sentenças que produzam extrema injustiça, em afronta a valores constitucionais do Estado democrático de direito. Humberto Theodoro Jr. e Juliana Cordeiro de Faria situam o vício causado pela extrema injustiça inconstitucional no plano de validade, afirmando que a sentença que padece de tal vício é nula, não se sujeitando a prazos prescricionais ou decadenciais. Aparentemente tratar-se-ia de nulidade absoluta de tamanha gravidade que não poderia se considerar a sentença imutável e indiscutível, o que criaria uma mera aparência de coisa julgada. seria hipótese semelhante ao vício ou à inexistência de citação, que por gerar uma nulidade absoluta, reveste-se de tamanha gravidade que não se convalida nem mesmo após o vencimento do prazo da ação rescisória (vício transrecisório). (AMORIM, Daniel Neves. Ob. cit., 2022, p. 907) Reconhecendo ser a coisa julgada material instituto processual, responsável pela tutela da segurança jurídica, sendo esse também um importante direito fundamental previsto na Constituição Federal, a doutrina que defende a sua relativização entende que a coisa julgada não pode ser um valor absoluto, que a priori e em qualquer situação se mostre mais importante do que outros valores constitucionais. A proposta é que se realize no caso concreto uma ponderação entre a manutenção da segurança jurídica e a manutenção da ofensa a direito fundamental garantido pela Constituição Federal. 2.7. Coisa julgada total e parcial Havendo na sentença vários capítulos, a parte sucumbente poderá optar em seu recurso por impugnar todos eles (recurso total) ou somente alguns (recurso parcial). Para parte da doutrina, sendo os capítulos autônomos e independentes, a impugnação de somente alguns deles fazem com que os não impugnados transitem em julgado. Sendo capítulos de mérito, com o trânsito em julgado produzirão coisa julgada material, de forma que essa corrente DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 14 doutrinária entende possível que a coisa julgada se forme de maneira fragmentada. O STF já acolheu essa tese em alguns julgados (coisa julgada parcial). O STJ rejeita a tese, ao entender que o trânsito em julgado só ocorre após o julgamento do último recurso interposto, independente do âmbito de devolução desses recursos ou dos anteriores, para evitar o inconveniente de vários trânsitos em julgado ao mesmo tempo. OBS.: Havendo conflito entre sentenças transitadas em julgado deve valer a coisa julgada formada por último, enquanto não invalidada por ação rescisória. (STJ – EAREsp 600811/SP) ATENÇÃO!! NOS CASOS EM QUE JÁ EXECUTADO OU INICIADA A EXECUÇÃO DO TÍTULO FORMADO NA PRIMEIRA COISA JULGADA, O STJ (INFO 728) FIXOU O SEGUINTE ENTENDIMENTO: Nos casos em que já executado o título formado na primeira coisa julgada, ou se iniciada sua execução, deve prevalecer a primeira coisa julgada em detrimento daquela formada em momento posterior. 3. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA 3.1. Conceito É determinar o objeto da condenação, permitindo-se que a demanda executiva tenha início com o executado sabendo exatamente o que o exequente pretende obter para a satisfação do seu direito. Podem ser objeto de liquidação de sentença todos os títulos executivos judiciais, inclusive a homologação de sentença estrangeira e a sentença arbitral. Via de regra, a sentença deve ser líquida (art. 491, do NCPC). No entanto, é possível prolatar sentença ilíquida: Se não for possível apurar, de modo definitivo, o montante devido; Se a apuração do valor devido depender da produção de prova de realização demorada ou excessivamente dispendiosa. É possível a liquidação de sentença, ainda que no processo exista recurso pendente de julgamento recebido no efeito suspensivo (art. 512, NCPC). A liquidação será autuada em autos em apenso, decorrência lógica da existência de um recurso pendente de julgamento, o que fará com que os autos principais estejam no respectivo tribunal aguardando julgamento. Não se permite que a liquidação se preste a discutir matérias que foram discutidas na fase de conhecimento que gerou a sentença condenatória, ou nela deveriam ter sido discutidas. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 15 A liquidação da sentença tem natureza cognitiva, já que nela não são praticados atos de execução. Além disso, tem natureza declaratória, porque por meio dela se declara o valor da obrigação somente. 3.2. Liquidação como forma de frustração da execução É possível que, excepcionalmente, a liquidação frustre a execução, quando o resultado impede que o demandante execute o título ilíquido, o que pode ocorrer nas seguintes hipóteses: Decisão terminativa; Prescrição; Liquidação extinta por ausência de provas; Liquidação de valor zero. Não se admite a indenização de lucros cessantes sem a efetiva comprovação, rejeitando-se lucros presumidos ou hipotéticos, dissociados da realidade efetivamente comprovada. Ainda que reconhecido o direito de indenizar, não comprovada a extensão do dano (quantum debeatur), possível enquadrar-se em liquidação com “dano zero”, ou “sem resultado positivo”. (STJ, AgInt nos EDcl no AREsp 110.662/2018) Essa situação teratológica (patológica) decorre de que, provavelmente, na fase cognitiva inicial não foram investigadas a contento as circunstâncias de fato que supostamente alicerçavam o direito afirmado pelo credor. (DIDIER Jr., Fredie. Ob. cit., págs. 139-140). 3.3. Legitimidade ativa Pode requerer a liquidação tanto o autor quanto o réu. Sendo de interesse tanto do vencedor como do vencido a fixação do valor da condenação, não resta nenhuma dúvida de que, ao menos como regra, tanto o credor como o devedor - assim reconhecidos no título executivo - têm legitimidade ativa para dar início à fase procedimental de liquidação de sentença, sendo nesse sentido a expressa previsão do art. 509, caput, do Novo CPC. 3.4. Espécies de liquidação Por arbitramento: Ocorre sempre que se fizer necessária a elaboração de perícia para saber o quantum debeatur. Cabível nas seguintes hipóteses: o Determinação pela sentença; o Acordo entre as partes; o Quando o exigir a natureza do objeto da liquidação. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 16 É o que ocorre, p.ex., quando é necessário valer-se do conhecimento especializado de engenheiro para aferir a extensão dos danos causados num prédio em virtude do desabamento do prédio vizinho, ou do conhecimento de um médico para aferir o grau da incapacidade laborativa da pessoa em favor de quem fora certificado o direito à percepção de pensão mensal decorrente de acidente do trabalho [...]. (DIDIER, Fredie. Ob. cit., v. 5, p. 240) Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a apresentação de pareceres ou documentos elucidativos,no prazo que fixar, e, caso não possa decidir de plano, nomeará perito, observando-se, no que couber, o procedimento da prova pericial. OBSERVAÇÃO: Registre-se que ao perito não será permitido o enfrentamento de fatos novos, porque essa circunstância necessariamente exigirá que a liquidação seja feita pelo procedimento comum, ainda que se mostre necessária apenas a prova pericial. A liquidação por arbitramento, portanto, será realizada quando não forem necessárias a alegação e a prova de fato novo, bastando a realização de uma prova pericial a respeito dos fatos já estabelecidos na sentença ilíquida. a Pelo procedimento comum (tradicionalmente chamada de liquidação por artigos): Reservada para situações em que não se mostre possível a liquidação por mero cálculo aritmético do credor ou por arbitramento. É cabível quando for necessária a alegação e prova de fato novo. Art. 511. Na liquidação pelo procedimento comum, o juiz determinará a intimação do requerido, na pessoa de seu advogado ou da sociedade de advogados a que estiver vinculado, para, querendo, apresentar contestação no prazo de 15 (quinze) dias. Ex.: O cumprimento da sentença genérica que condena ao pagamento de expurgos em caderneta de poupança deve ser precedido pela fase de liquidação por procedimento comum, que vai completar a atividade cognitiva parcial da ação coletiva mediante a comprovação de fatos novos determinantes do sujeito ativo da relação de direito material, assim também do valor da prestação devida, assegurando-se a oportunidade de ampla defesa e contraditório pleno ao executado. (STJ, EREsp 1.705.018/2021) OBSERVAÇÃO: O fato novo pode ter ocorrido antes, durante ou depois da demanda judicial donde se produziu o título executivo ilíquido, não sendo o momento um critério correto para conceituar o fenômeno processual. Por fato novo deve-se entender aquele que não foi objeto de análise e decisão no processo no qual foi formado o título executivo que se busca liquidar. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 17 Súmula 344/ STJ: A liquidação por modalidade distinta da constante na sentença não gera nulidade. Súm. 254, STF: Incluem-se os juros moratórios na liquidação, embora omisso o pedido inicial ou a condenação. 3.5. Agravo de Instrumento As decisões interlocutórias proferidas na fase de conhecimento se submetem ao regime recursal disciplinado pelo art. 1.015, caput e incisos do CPC/2015, segundo o qual apenas os conteúdos elencados na referida lista se tornarão indiscutíveis pela preclusão se não interposto, de imediato, o recurso de agravo de instrumento. Dessa forma, todas as demais interlocutórias deverão aguardar a prolação da sentença, para que possam ser impugnadas na apelação ou nas contrarrazões de apelação, observado, quanto ao ponto, a tese da taxatividade mitigada fixada pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça por ocasião do julgamento dos recursos especiais repetitivos nº 1.696.396/MT e 1.704.520/MT. Para as decisões interlocutórias proferidas em fases subsequentes à cognitiva (liquidação e cumprimento de sentença), no processo de execução e na ação de inventário, o legislador optou conscientemente por um regime recursal distinto. O art. 1.015, parágrafo único, do CPC/2015 prevê que haverá ampla e irrestrita recorribilidade de todas as decisões interlocutórias, quer seja porque a maioria dessas fases ou processos não se findam por sentença e, consequentemente, não haverá a interposição de futura apelação, quer seja em razão de as decisões interlocutórias proferidas nessas fases ou processos possuírem aptidão para atingir, imediata e severamente, a esfera jurídica das partes. Tem-se, portanto, que é absolutamente irrelevante investigar, nessas hipóteses, se o conteúdo da decisão interlocutória se amolda ou não às hipóteses previstas no caput e incisos do art. 1.015 do CPC/2015. Assim, o STJ decidiu pelo cabimento do agravo de instrumento contra todas as decisões interlocutórias proferidas na liquidação e no cumprimento de sentença, no processo executivo e na ação de inventário. (REsp 1.803.925-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 01/08/2019, DJe 06/08/2019) 4. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 18 O cumprimento de sentença efetua-se perante o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição. Contudo, nos termos do art. 516, parágrafo único, do CPC/2015, o exequente passou a ter a opção de ver o cumprimento de sentença ser processado perante o juízo do atual domicílio do executado, do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou do local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem. O STJ entendeu que o credor pode optar pela remessa dos autos ao foro de domicílio do executado, mesmo após o início do cumprimento de sentença. (REsp 1.776.382-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03/12/2019, DJe 05/12/2019) O cumprimento de sentença pode ser provisório ou definitivo. A execução provisória é a execução fundada em título executivo judicial provisório, a ser realizada mediante o cumprimento de sentença. O NCPC deixa de usar o termo execução provisória e passa a adotar o termo “cumprimento de sentença provisório”. O recurso, naturalmente, não pode ser recebido no efeito suspensivo, pois tal circunstância retira a executabilidade da decisão e, consequentemente, cria um impedimento à execução. Com a pendência de um recurso que não tem efeito suspensivo, a decisão passa a gerar seus efeitos, inclusive podendo ser executada, mas, como ainda existe recurso pendente de julgamento, é possível a sua anulação ou reforma, sendo, portanto, tal execução provisória. Proferida uma decisão judicial executável e não havendo a interposição de recurso, verifica-se o seu trânsito em julgado, passando a partir desse momento a ser cabível a execução definitiva. 4.1. Caução na execução provisória Sendo o cumprimento de sentença voluntário, a decisão exequenda pode ser anulada ou reformada em razão do provimento de eventual recurso pendente de julgamento. Logo, a prestação de caução objetiva criar uma garantia em favor do executado de que tal ressarcimento efetivamente ocorra. a) Requisitos formais: Suficiente; Idônea; Arbitrada de plano pelo juiz; DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 19 Nos próprios autos b) Momento da prestação da caução: Deve ser prestada no momento do levantamento de depósito em dinheiro, prática de atos que importem alienação da propriedade ou de outro direito real, transferência de posse, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado. ATENÇÃO: Embora não raramente o juiz atue de ofício, prevalece na doutrina majoritária o entendimento de que, como a caução presta-se à garantia do executado, não tendo qualquer função de ordem pública, se o executado não requisitar a prestação de caução no momento oportuno, não cabe ao juiz fazê-la de ofício. c) Dispensa de caução: a O crédito for de natureza alimentar, independentemente de sua origem; b O credor demonstrar situação de necessidade; c Pender o agravo do art. 1.042; d A sentença a ser provisoriamente cumprida estiver em consonância com súmula da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça ou em conformidade com acórdão proferido no julgamento de casos repetitivos. 4.2. Responsabilidade na execução A execução provisória corre por conta e risco do exequente, em aplicação à teoria do risco- proveito (responsabilidade objetiva do exequente). O elemento “culpa” é irrelevante para a sua configuração, bastando ao executado provar a efetiva ocorrência de danos em razão da execução provisória. Como regra,ante a possibilidade de modificação do título judicial que ampara a execução provisória, ao credor é imposta a responsabilidade objetiva de reparar os eventuais prejuízos causados ao devedor, restituindo-se as partes ao estado anterior. (STJ, REsp 1.576.994/2017) No entanto, não existe responsabilidade civil sem dano, de forma que caberá ao executado demonstrar concretamente a sua ocorrência, o que exigirá a propositura de uma liquidação de sentença incidental. O STJ entendeu que, por se tratar de matéria de ordem pública, o magistrado pode, de ofício, ordenar o recálculo do montante devido quando identificar excesso de execução. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 20 4.3. Multa pelo não pagamento O executado será intimado para pagar o valor executado em 15 (quinze) dias, sob pena de ser acrescido o valor de 20%, metade correspondente à multa e a outra metade correspondente aos honorários advocatícios do patrono do exequente (art. 523, caput e §1º, do NCPC). STJ: Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC, é preciso a efetiva resistência do executado ao cumprimento de sentença. (REsp 1.834.337-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03/12/2019, DJe 05/12/2019) 4.4. Execução provisória contra a Fazenda Pública Se execução provisória de fazer, não fazer e entregar coisa: cabível contra a fazenda pública. STF (Info 866): A execução provisória de obrigação de fazer em face da Fazenda Pública não atrai o regime constitucional dos precatórios. Assim, em caso de “obrigação de fazer”, é possível a execução provisória contra a Fazenda Pública, não havendo incompatibilidade com a Constituição Federal. Para execução de pagar quantia certa: Em um primeiro momento NÃO cabe execução provisória, já que, nos termos do art. 100, da CF/88, a expedição de precatório depende de a sentença transitar em julgado, e na execução provisória ainda não ocorreu o trânsito. No entanto, o STJ já admitiu a execução provisória, quando houver no caso parcela incontroversa da pretensão do exequente. 4.5. Cumprimento de sentença das obrigações de fazer e não fazer a) Início: Depende de requerimento expresso do exequente, mas pode ser de oficio com o trânsito em julgado. Daniel Assumpção entende possível a intimação na pessoa do advogado. Súm. 410, STJ: A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. A propósito. o STJ também decidiu que cabe agravo de instrumento contra o pronunciamento judicial que, na fase de cumprimento de sentença, determinou a intimação do executado, na pessoa do advogado, para cumprir obrigação de fazer, sob pena de multa. (REsp 1.758.800-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 18/02/2020, DJe 21/02/2020) - STJ: NÃO cabem embargos à execução no cumprimento de sentença de obrigação de fazer, mas é possível manejar petição incidental, inclusive quando o executado for a Fazenda Pública (princípio DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 21 do contraditório). b) Conversão em perdas e danos: É possível converter a tutela específica em perdas e danos, desde que preenchidos os seguintes requisitos: a Vontade do exequente; b Impossibilidade de obtenção da tutela específica ou resultado prático equivalente; Impossibilidade material: afeta a pessoa do devedor na hipótese de obrigação de fazer infungível, de forma que fisicamente torna-se impossível o cumprimento da obrigação. Impossibilidade jurídica: deriva de alguma regra de direito que torna inviável o cumprimento da obrigação de fazer, como uma regra que, garantindo a inviolabilidade profissional, proíba o devedor da prática de determinado ato. c Onerosidade excessiva da obrigação de fazer ou não fazer - Nesse caso, ainda que a tutela específica seja material e juridicamente possível, sua efetivação gera tamanha onerosidade ao executado que proporcionalmente será mais adequada sua conversão em perdas e danos. O exequente deve requerer a conversão por mera petição informando o juízo para que se passe à fixação do valor das perdas e danos, o que será feito por meio de liquidação de sentença incidental. Havendo pedido de urna das partes, o juiz, em respeito ao contraditório, intimará a parte contrária para manifestação no prazo de cinco dias, proferindo sua decisão. A decisão que defere ou não é interlocutória e a decisão que defere ou não é recorrível por agravo de instrumento. ATENÇÃO!! O STJ decidiu pelo cabimento do agravo de instrumento contra todas as decisões interlocutórias proferidas na liquidação e no cumprimento de sentença, no processo executivo e na ação de inventário. (REsp 1.803.925-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 01/08/2019, DJe 06/08/2019) c) Atipicidade das formas executivas: É possível ao juiz se valer de outros meios para a satisfação da obrigação, como a prisão civil (para alimentos) e a multa coercitiva. O juiz, poderá, portanto, de ofício ou a requerimento do exequente, determinar as medidas necessárias para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente, além do rol exemplificativo do CPC, sempre respeitando os princípios da razoabilidade e da menor onerosidade ao executado. MULTA COERCITIVA (“Astreintes”) A multa cominatória constitui instrumento de direito processual criado para a efetivação da tutela específica perseguida ou para a obtenção de resultado prático equivalente, nas ações de obrigação DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 22 de fazer ou não fazer, constituindo medida de execução indireta. (STJ, Informativo 608, REsp 1.367.212/2017) - Periódica, com prazo a ser fixado pelo juiz; É de se ter que o prazo de incidência não necessita ser apenas, diário, podendo ser definido em minuto, hora, semana, quinzena, mês, ou, até mesmo, de forma fixa (notadamente para as violações de natureza instantânea). (STJ, AREsp 738.682/2016) - Pode ser aplicada de ofício pelo juiz em qualquer fase do processo; - Pode ser revista, não se sujeitando à preclusão; STJ (Info 539): A decisão que comina astreintes não preclui, não fazendo tampouco coisa julgada. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a multa cominatória não integra a coisa julgada, sendo apenas um meio de coerção indireta ao cumprimento do julgado, podendo ser cominada, alterada ou suprimida posteriormente. STJ (Info 691): É possível que o magistrado, a qualquer tempo, e mesmo de ofício, revise o valor desproporcional das astreintes. (EAREsp 650.536/RJ, Rel. Min. Raul Araújo, Corte Especial, por maioria, julgado em 07/04/2021) - O valor deve ser fixado pelo juiz, podendo superar a obrigação originária; O valor de multa cominatória pode ser exigido em montante superior ao da obrigação principal. Em suma, deve-se ter em conta o valor da multa diária inicialmente fixada e não o montante total alcançado em razão da demora no cumprimento da decisão. Portanto, a fim de desestimular a conduta recalcitrante do devedor em cumprir decisão judicial, é possível se exigir valor de multa cominatória superior ao montante da obrigação principal. (STJ, Informativo 562, REsp 1.352.426/2015). - O beneficiado da multa será a parte que pretende o cumprimento da obrigação; - A Fazenda Pública em juízo se sujeita às astreintes; - É possível a alteração do valor, inclusive pelo STJ, quando exorbitante ou irrisória. E pode ser reduzido pelo juiz para evitar o enriquecimento sem causa. No entanto, existem decisões do mesmo STJ entendendo que se o não cumprimento da decisão do juiz ocorreu por resistência injustificada da parte, não haveria sentido em minorar o valor final da multa. - O STJ tem julgados entendendo que a multa fixada em sede de tutela antecipada só poderia ser executada apósa sua confirmação em sentença, e desde que o recurso contra essa decisão tenha efeito suspensivo. O art. 537, §3º, do NCPC exige para o levantamento do depósito realizado em juízo o trânsito em julgado da sentença. À luz do novo Código de Processo Civil, não se aplica a tese firmada no julgamento do REsp 1.200.856/RS, porquanto o novo Diploma inovou na matéria, permitindo a execução provisória da multa cominatória mesmo antes da prolação de sentença de mérito. (STJ, Informativo Edição Especial nº 3, REsp 1.958.679/2021) Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poderá ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ou na fase de execução, desde que seja suficiente e compatível com a DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 23 obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento do preceito. § 1o O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, modificar o valor ou a periodicidade da multa vincenda ou excluí-la, caso verifique que: I - se tornou insuficiente ou excessiva; II - o obrigado demonstrou cumprimento parcial superveniente da obrigação ou justa causa para o descumprimento. § 2o O valor da multa será devido ao exequente. § 3º A decisão que fixa a multa é passível de cumprimento provisório, devendo ser depositada em juízo, permitido o levantamento do valor após o trânsito em julgado da sentença favorável à parte. § 4o A multa será devida desde o dia em que se configurar o descumprimento da decisão e incidirá enquanto não for cumprida a decisão que a tiver cominado. § 5o O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao cumprimento de sentença que reconheça deveres de fazer e de não fazer de natureza não obrigacional. 4.6. Cumprimento de sentença de obrigação de entregar coisa: O NCPC NÃO prevê procedimento específico, cabendo ao juiz adotar o procedimento que parecer mais adequado ao caso concreto para a satisfação do direito do credor. Aplicam-se as disposições sobre o cumprimento de sentença de obrigações de fazer e não fazer. Art. 538. Não cumprida a obrigação de entregar coisa no prazo estabelecido na sentença, será expedido mandado de busca e apreensão ou de imissão na posse em favor do credor, conforme se tratar de coisa móvel ou imóvel. § 1o A existência de benfeitorias deve ser alegada na fase de conhecimento, em contestação, de forma discriminada e com atribuição, sempre que possível e justificadamente, do respectivo valor. § 2o O direito de retenção por benfeitorias deve ser exercido na contestação, na fase de conhecimento. § 3o Aplicam-se ao procedimento previsto neste artigo, no que couber, as disposições sobre o cumprimento de obrigação de fazer ou de não fazer. A individualização constará do requerimento inicial no cumprimento de sentença', momento no qual será imprescindível a individualização da coisa para o início da execução. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 24 O parágrafo único do art. 498 do Novo CPC prevê que, sendo a coisa incerta - determinada pelo gênero e quantidade -, o autor a individualizará na petição inicial se lhe couber a escolha; e sendo do devedor a escolha, este a entregará individualizada, no prazo fixado pelo juiz. 4.7. Cumprimento de sentença que reconhece a exigibilidade de obrigação de pagar quantia certa: Possui as disposições no art. 520, 521 e 522, do NCPC, sendo aplicáveis, subsidiariamente, as normas que regem o processo de execução (art. 513, do NCPC). Art. 523 NCPC: Exigem da parte a iniciativa para o cumprimento de sentença, afastando o impulso oficial (o juiz não poderá atuar de ofício). STJ (Info 688): Sob a égide do Código de Processo Civil de 2015, é irrecorrível o ato judicial que determina a intimação do devedor para o pagamento de quantia certa. (REsp 1.837.211-MG, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 09/03/2021, DJe 11/03/2021) a) Requisitos do requerimento de cumprimento de sentença: Art. 524. O requerimento previsto no art. 523 será instruído com demonstrativo discriminado e atualizado do crédito, devendo a petição conter: I - o nome completo, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica do exequente e do executado, observado o disposto no art. 319, §§ 1o a 3o; II - o índice de correção monetária adotado; III - os juros aplicados e as respectivas taxas; IV - o termo inicial e o termo final dos juros e da correção monetária utilizados; V - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso; VI - especificação dos eventuais descontos obrigatórios realizados; VII - indicação dos bens passíveis de penhora, sempre que possível. § 1o Quando o valor apontado no demonstrativo aparentemente exceder os limites da condenação, a execução será iniciada pelo valor pretendido, mas a penhora terá por base a importância que o juiz entender adequada. STJ: Na fase de cumprimento de sentença não se pode alterar os critérios de atualização dos cálculos estabelecidos na decisão transitada em julgado, ainda que para adequá-los ao entendimento do STF firmado em repercussão geral. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 25 (REsp 1.861.550-DF, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 16/06/2020, DJe 04/08/2020) b) Aparente excesso nos cálculos do exequente: Se o juiz entender eu houve excesso nos cálculos apresentados, a execução segue com dois valores distintos, de modo que valor exequendo será o indicado na inicial pelo exequente, mas a penhora será pelo valor que o juiz entender adequado. c) Intimação do executado: Ocorre por meio de advogado, mas se o requerimento for formulado após 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença, a intimação será feita na pessoa do devedor, por meio de carta com aviso de recebimento encaminhada ao endereço constante dos autos (art. 513, §4º, NCPC). Art. 513. O cumprimento da sentença será feito segundo as regras deste Título, observando-se, no que couber e conforme a natureza da obrigação, o disposto no Livro II da Parte Especial deste Código. § 1o O cumprimento da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, provisório ou definitivo, far-se-á a requerimento do exequente. § 2o O devedor será intimado para cumprir a sentença: I - pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado constituído nos autos; II - por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria Pública ou quando não tiver procurador constituído nos autos, ressalvada a hipótese do inciso IV; STJ: Ainda que citado pessoalmente na fase de conhecimento, é devida a intimação por carta do réu revel, sem procurador constituído, para o cumprimento de sentença. (REsp 1.760.914-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 02/06/2020, DJe 08/06/2020) III - por meio eletrônico, quando, no caso do § 1o do art. 246, não tiver procurador constituído nos autos IV - por edital, quando, citado na forma do art. 256, tiver sido revel na fase de conhecimento. § 3o Na hipótese do § 2o, incisos II e III, considera-se realizada a intimação quando o devedor houver mudado de endereço sem prévia comunicação ao juízo, observado o disposto no parágrafo único do art. 274. § 4o Se o requerimento a que alude o § 1o for formulado após 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença, a intimação será feita na pessoa do devedor, por meio de carta com aviso de recebimento encaminhada ao endereço constante dos autos, observado o disposto no parágrafo único do art. 274 e no § 3o deste artigo. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 26 § 5o O cumprimento da sentença não poderá ser promovido em face do fiador, do coobrigado ou do corresponsável que não tiver participado da fase de conhecimento. d) Cumprimento espontâneo da obrigação: Antes de ser intimado para pagamento em 15 dias, o devedor pode satisfazerespontaneamente a obrigação de pagar quantia certa, oferecendo o pagamento de valor que entende devido com memória de cálculo. O autor será ouvido em 05 dias e poderá levantar a quantia incontroversa. A partir daí surgem duas situações: Se não houver oposição do autor, o juiz julga extinta a obrigação; Se entende pela insuficiência de depósito, aplicará sobre a diferença multa de 10% e fixará honorários advocatícios, seguindo a execução. e) Não pagamento no prazo de 15 dias (úteis): Se o executado não satisfizer a obrigação em 15 dias, ocorrem as seguintes consequências: Fixação de honorários advocatícios (10%); Aplicação de multa de 10% sobre o valor exequendo; Possibilidade de protesto extrajudicial da sentença (art. 517/CPC); Possibilidade de inclusão do executado em cadastros de inadimplentes (art. 782, 3º/CPC); Expedição de mandado de penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação. OBSERVAÇÃO: Enunciado 89 da 1 jornada de direito processual civil do CJF: "conta-se em dias úteis o prazo do caput do art. 523 do CPC''. O STJ possui o mesmo entendimento: O prazo previsto no art. 523, caput, do Código de Processo Civil, para o cumprimento voluntário da obrigação, possui natureza processual, devendo ser contado em dias úteis. (REsp 1.708.348-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 25/06/2019, DJe 01/08/2019) E, ainda: Uma vez constatada a hipótese de incidência da norma disposta no artigo 229 do novo CPC (litisconsortes com procuradores diferentes), penso que o prazo comum para pagamento espontâneo deverá ser computado em dobro, ou seja, 30 dias úteis.” (STJ, Informativo 619, REsp 1.693.784/2017) STJ: consolidou o entendimento de que, sendo necessário ao exequente promover o cumprimento de sentença, caberá a condenação do executado ao pagamento da verba honorária, da qual só se isentará na hipótese de cumprimento voluntário da obrigação. Súmula 517/STJ: São DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 27 devidos honorários advocatícios no cumprimento de sentença, haja ou não impugnação, depois de escoado o prazo para pagamento voluntário, que se inicia após a intimação do advogado da parte executada. Segundo previsão do art. 523, § 1°, do Novo CPC, somente o pagamento da condenação evita a aplicação da multa, de forma que o mero oferecimento de bens à penhora, ainda que seja dinheiro, não evita o acréscimo de 10% no valor da condenação. Nesse sentido, o STJ possui entendimento de que o acréscimo de 10% (dez por cento) de honorários advocatícios, previsto pelo art. 523, § 1º, do CPC/2015, quando não ocorrer o pagamento voluntário no cumprimento de sentença, não admite relativização. (REsp 1.701.824-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 09/06/2020, DJe 12/06/2020) STJ: Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC, é preciso a efetiva resistência do executado ao cumprimento de sentença. (REsp 1.834.337-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03/12/2019, DJe 05/12/2019) f) Prazo inicial para a impugnação: Segundo o art. 525, NCPC, transcorrido o prazo para pagamento voluntário da obrigação, inicia-se o prazo de 15 dias para que o executado, independente de nova intimação, apresente impugnação nos próprios autos do cumprimento de sentença. Em decisão recente do STJ entendeu que no caso ocorra o acolhimento da impugnação ao cumprimento de sentença fundada no art. 525, § 1º, I, do CPC/2015 (executado alegou falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia), o termo inicial do prazo para oferecer contestação é a data da intimação que acolhe a impugnação. (REsp 1.930.225-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 08/06/2021) Também decidiu o STJ que “O prazo para impugnação se inicia após 15 (quinze) dias da intimação para pagar o débito, ainda que o executado realize o depósito para garantia do juízo no prazo para pagamento voluntário, independentemente de nova intimação.” (STJ, Informativo 684, REsp 1.761.068/2020) O CPC elenca rol de matérias permitidas para alegação em impugnação ao cumprimento de sentença de pagar quantia certa: - DEVEDOR COMUM: Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de 15 (quinze) dias para que o executado, DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 28 independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos próprios autos, sua impugnação. § 1º Na impugnação, o executado poderá alegar: I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia; II - ilegitimidade de parte; III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; IV - penhora incorreta ou avaliação errônea; V - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes à sentença. § 2º A alegação de impedimento ou suspeição observará o disposto nos arts. 146 e 148 . § 3º Aplica-se à impugnação o disposto no art. 229. § 4º Quando o executado alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo. § 5º Na hipótese do § 4º, não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, a impugnação será liminarmente rejeitada, se o excesso de execução for o seu único fundamento, ou, se houver outro, a impugnação será processada, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução. § 6º A apresentação de impugnação não impede a prática dos atos executivos, inclusive os de expropriação, podendo o juiz, a requerimento do executado e desde que garantido o juízo com penhora, caução ou depósito suficientes, atribuir-lhe efeito suspensivo, se seus fundamentos forem relevantes e se o prosseguimento da execução for manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. § 7º A concessão de efeito suspensivo a que se refere o § 6º não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens § 8º Quando o efeito suspensivo atribuído à impugnação disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante. § 9º A concessão de efeito suspensivo à impugnação deduzida por um dos executados não suspenderá a execução contra os que não impugnaram, quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao impugnante. DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 29 § 10. Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação, é lícito ao exequente requerer o prosseguimento da execução, oferecendo e prestando, nos próprios autos, caução suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz. § 11. As questões relativas a fato superveniente ao término do prazo para apresentação da impugnação, assim como aquelas relativas à validade e à adequação da penhora, da avaliação e dos atos executivos subsequentes, podem ser arguidas por simples petição, tendo o executado, em qualquer dos casos, o prazo de 15 (quinze) dias para formular esta arguição, contado da comprovada ciência do fato ou da intimação do ato. § 12. Para efeito do disposto no inciso III do § 1º deste artigo, considera-se também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição Federal , em controle de constitucionalidadeconcentrado ou difuso. § 13. No caso do § 12, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, em atenção à segurança jurídica. § 14. A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 12 deve ser anterior ao trânsito em julgado da decisão exequenda. § 15. Se a decisão referida no § 12 for proferida após o trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. - FAZENDA PÚBLICA DEVEDORA: Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir: I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia; II - ilegitimidade de parte; III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; IV - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; V - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; VI - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes ao trânsito em julgado da sentença. § 1º A alegação de impedimento ou suspeição observará o disposto nos arts. 146 e 148 . DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sentença e Coisa Julgada 30 § 2º Quando se alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante do título, cumprirá à executada declarar de imediato o valor que entende correto, sob pena de não conhecimento da arguição. STJ (Info 691): A alegação da Fazenda Pública de excesso de execução sem a apresentação da memória de cálculos com a indicação do valor devido não acarreta, necessariamente, o não conhecimento da arguição. (REsp 1.887.589/GO, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 06/04/2021) § 3º Não impugnada a execução ou rejeitadas as arguições da executada: I - expedir-se-á, por intermédio do presidente do tribunal competente, precatório em favor do exequente, observando-se o disposto na Constituição Federal ; II - por ordem do juiz, dirigida à autoridade na pessoa de quem o ente público foi citado para o processo, o pagamento de obrigação de pequeno valor será realizado no prazo de 2 (dois) meses contado da entrega da requisição, mediante depósito na agência de banco oficial mais próxima da residência do exequente. (Vide ADI 5534) § 4º Tratando-se de impugnação parcial, a parte não questionada pela executada será, desde logo, objeto de cumprimento. (Vide ADI 5534) § 5º Para efeito do disposto no inciso III do caput deste artigo, considera-se também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição Federal , em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. § 6º No caso do § 5º, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, de modo a favorecer a segurança jurídica. § 7º A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 5º deve ter sido proferida antes do trânsito em julgado da decisão exequenda. § 8º Se a decisão referida no § 5º for proferida após o trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Referências Bibliográficas: Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil.