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COMPILADO PONTO 6 TJRO 
Sumário 
PONTO 6 3DIREITO CIVIL
 3 
Vícios redibitórios. Evicção. Extinção dos contratos: resolução, rescisão e resilição. 3 
Compra e venda. Cláusulas especiais. Promessa de compra e venda. Troca ou permuta. 
Contrato estimatório. Doação. 3 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 6 
Sentença. Elementos e requisitos. Vícios das sentenças. Coisa julgada formal e 
material. Limites subjetivos, objetivos e cronológicos. 6 
Eficácia preclusiva da coisa julgada. Coisa julgada e resolução de questão prejudicial. 
Relativização da coisa julgada. 6 
Recursos. Princípios gerais. Pressupostos de admissibilidade. Efeitos. Ações autônomas 
de impugnação. Ação rescisória. Reclamação. 6 
DIREITO DO CONSUMIDOR 27 
Cobrança de dívidas. Bancos de dados. Cadastros de consumidores. 27 
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 32 
Perda e suspensão do poder familiar. Colocação em família substituta: guarda, tutela, 
adoção e adoção internacional. 32 
DIREITO PENAL 40 
II CÓDIGO PENAL (Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) 40 
Parte Especial 40 
h) Dos crimes contra a fé pública (arts. 289 a 311). 40 
i) Dos crimes contra a administração pública (arts. 312 a 359). 40 
III LEI DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS (Decreto-lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941).
 40 
DIREITO PROCESSUAL PENAL 49 
II Código de Processo Penal (Decreto-lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1.941). 49 
n) Das nulidades e dos recursos em geral (arts. 563 a 667). 49 
DIREITO CONSTITUCIONAL 56 
Poder Executivo. 56 
Defesa do Estado e das Instituições Democráticas. 56 
A Organização dos Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. 56 
DIREITO ELEITORAL 77 
Elegibilidade. Inelegibilidades constitucionais e infraconstitucionais ou legais. Arguição 
judicial de inelegibilidade. Domicílio Eleitoral. Filiação Partidária. Capacidade eleitoral 
passiva. 77 
Ministério Público Eleitoral. Organização. Atribuições. 77 
DIREITO EMPRESARIAL 86 
Sociedade limitada. 86 
Sociedade anônima (Lei nº 6.404/76). 86 
DIREITO TRIBUTÁRIO 93 
Obrigação tributária no Código Tributário Nacional: principal e acessória. Sujeito ativo 
e passivo. Sujeito passivo e solidariedade. Contribuinte e responsável. Definição da 
dívida tributária: base de cálculo e alíquota. 93 
DIREITO AMBIENTAL 96 
Urbanismo. Meio ambiente urbano. Instrumentos urbanísticos de tutela do meio 
ambiente. A ética ambiental e o Estatuto da Cidade. 96 
DIREITO ADMINISTRATIVO 102 
Licitação. Fundamento constitucional. Inexigibilidade e Dispensa. Modalidades. 
Pregão. Regime Diferenciado de Contratação. Tipos de licitação. Fases do 
procedimento licitatório. 102 
Serviços públicos. Conceito. Regime jurídico. Regime tarifário. Serviços públicos em 
regime de exclusividade e em regime de competição. Regulação de serviços públicos. 
Regime dos bens afetos à prestação de serviço público. Serviços públicos e serviços 
sociais. Serviços públicos e atividade econômica. 102 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO E FORMAÇÃO HUMANÍSTICA 120 
Filosofia do Direito 120 
Filosofia do direito medieval: Santo Agostinho e São Thomas de Aquino. 120 
Ética e Estatuto Jurídico da Magistratura Nacional 120 
Ética na Constituição Federal. 120 
Teoria Geral do Direito e da Política 120 
Legitimidade e Legalidade. 120 
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Informativo STJ-723. Buscador Dizer o 
Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/informativo/detalhes/eba0dc302
bcd9a273f8bbb72be3a687b>. Acesso em: 29/06/2022 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PONTO 6 
DIREITO CIVIL 
Vícios redibitórios. Evicção. Extinção dos contratos: resolução, rescisão e resilição. 
Compra e venda. Cláusulas especiais. Promessa de compra e venda. Troca ou permuta. Contrato 
estimatório. Doação. 
 
1. Diferencie a doação remuneratória da doação contemplativa. A doação 
remuneratória não se confunde com uma prestação de serviço? 
R. Doação remuneratória é uma retribuição a serviços prestados, cujo pagamento 
não pode ser exigido (ex: dívida do médico prescrita, retribuição a quem lhe salvou a vida 
em acidente...). Em regra, não constitui ato de liberalidade, havendo remuneração pela 
prestação de serviços realizada pelo donatário. Somente há liberalidade naquilo que 
exceder o valor do serviço prestado. Cabe alegação de vício redibitório. Não se revogam 
por ingratidão doações puramente remuneratórias. As doações remuneratórias de serviços 
feitos a ascendente não estão sujeitas a colação. 
Doação contemplativa é realizada em contemplação do merecimento do 
donatário, mencionando o doador, expressamente, o motivo da liberalidade. Ex: alguém 
que doa vários livros a um professor por admirar seu trabalho. 
Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não 
perde o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, 
no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto. 
 
2. Fale sobre evicção, vício redibitório e o erro como vício do contrato. 
Vícios redibitórios são defeitos ocultos em coisa recebida em virtude de contrato 
comutativo, os quais a tornam imprópria ao uso a que se destina ou lhe diminuem o valor. 
É um erro de natureza objetiva, que interfere no plano da eficácia do negócio jurídico. 
Neste caso o adquirente poderá exigir resolução do contrato ou abatimento do preço, por 
meio das ações edilícias, que possuem natureza constitutivas negativas, são elas: ação 
redibitória ou ação estimatória (quanti minoris). 
Já o erro como vício do contrato é um defeito do negócio jurídico, é um vício de 
vontade, um vício que atinge o consentimento – a pessoa se engana sozinha em relação a 
elemento do negócio jurídico, é um erro de natureza subjetiva, que interfere no plano da 
validade do negócio jurídico. Cabe ação anulatória no prazo decadencial de 04 anos a 
contar do dia em que se celebrou o negócio jurídico. 
Por fim, evicção é a perda da coisa adquirida onerosamente, em virtude de 
decisão judicial ou ato administrativo, que atribui a posse ou propriedade do bem a 
outrem, em razão de causa jurídica preexistente (direito anterior ao contrato aquisitivo ou 
à hasta pública). Funda-se no mesmo princípio da garantia que rege a teoria dos vícios 
redibitórios. A responsabilidade do alienante decorre da lei, e independe de dolo ou culpa 
– responsabilidade objetiva. Aqui, a perda da coisa ocorre após a tradição; é de 03 anos o 
prazo prescricional para que o evicto (que perdeu o bem por evicção) proponha ação de 
indenização contra o alienante (STJ). 
 
3. Pode haver cláusula de exclusão da responsabilidade por esse erro ou 
vício? O pensamento se aplica ao vício redibitório? 
Em caso de vícios redibitórios os contratantes podem excluir a garantia, ampliá-
la ou restringi-la, desde que não haja ofensa ao princípio da boa-fé. Contudo, nos 
contratos de consumo ou adesão, a cláusula de exclusão da responsabilidade pelos vícios 
redibitórios é nula, logo, é exclusiva de contratos paritários. 
 
4. A incúria, negligência do comprador no momento de celebrar o contrato 
pode excluir a responsabilidade do fornecedor? 
No que se refere a ocorrência de vícios e responsabilidade do fornecedor é 
aplicável o CDC, art. 26, logo é preciso verificar se o vício é oculto ou aparente. Constato 
o vício, o comprador/consumidor possui o prazo decadencial de 30 dias (bens não 
duráveis) e 90 dias (bens duráveis) para reclamar ao fornecedor, e se tratando de vício 
oculto, os prazos são contados a partir do descobrimento do vício, sem limitação de tempo 
para o vício ser descoberto. Ultrapassado tais prazos, exclui-se a responsabilidade do 
fornecedor. 
 
5. Extinção de contrato 
Não entendi o questionamento. 
 
6. A evicção, vício redibitório, erro são considerados erro/vício do negócio 
jurídico? Determinada pessoa adquira uma bolsa louis vuitton, porém depois ela 
descobre que não é autêntica, estaria diante de quê? Nos contratos podem haver 
cláusula de exclusão da evicção?R: Evicção e vício redibitório não são propriamente vícios do negócio jurídico, 
mas vícios que recaem sobre o objeto do negócio jurídico contratual. Já o erro é vício de 
consentimento do negócio jurídico. 
No caso concreto apresentado, ocorre vício de erro substancial sobre o negócio 
jurídico, que permite a anulação referido negócio, observado o prazo decadencial de 04 
anos (art. 138 do CC). 
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a 
responsabilidade pela evicção. 
Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta 
se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube 
do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu. 
 
7. Nas promessas de compra e venda de imóveis, qual a cautela deve ter o 
promitente comprador para ter a concretização definitiva do negócio? Não precisa 
ter clausula expressa de irretratabilidade e irrevogabilidade? Não constando a 
clausula as partes podem exigir o cumprimento definitivo desse contrato? 
R: Conforme o art. 463, parágrafo único, do CC, o promitente comprador deve 
registrar o pré contrato no registro competente, que no caso seria o Registro de Imóveis. 
Não há necessidade de previsão de cláusula de irrevogabilidade, pois a obrigação 
das pastes cumprirem o estabelecido no contrato decorre diretamente da lei. Assim, ainda 
que não haja tal cláusula, a parte pode exigir o cumprimento. 
Art. 1.417. Mediante promessa de compra e venda, em que se não pactuou 
arrependimento, celebrada por instrumento público ou particular, e registrada no Cartório 
de Registro de Imóveis, adquire o promitente comprador direito real à aquisição do 
imóvel. 
Art. 1.418. O promitente comprador, titular de direito real, pode exigir do 
promitente vendedor, ou de terceiros, a quem os direitos deste forem cedidos, a outorga 
da escritura definitiva de compra e venda, conforme o disposto no instrumento preliminar; 
e, se houver recusa, requerer ao juiz a adjudicação do imóvel. 
 
8. Contrato aleatório pode ser rescindido em razão de fato superveniente 
que lhe onere excessivamente? 
 
9. Existe prescrição e/ou decadência com relação aos vícios redibitórios? 
Os vícios redibitórios submetem-se aos prazos decadências para reclamação. 
Aduz o CC, art. 445, que o prazo para obter a redibição ou abatimento no preço 
é de 30 dias (bens móveis) e 01 ano (imóveis), contados da data da entrega efetiva. Serão 
reduzidos à metade se o adquirente já estava posse, iniciando a contagem a partir da 
alienação. 
Importante destacar que o CC delimitou prazo 180 dias (móveis) e 01 ano 
(imóveis) para exteriorização dos vícios que somente podem ser conhecidos mais tarde, 
iniciando-se a partir do momento que o adquirente tem a ciência. Ciente, inicia-se o prazo 
do art. 445 CC, conforme expõe o Enunciado 174 do CJF: 
Enunciado 174 CJF: em se tratando de vício oculto, o adquirente tem os prazos 
do art. 445 para obter a redibição ou abatimento de preço, desde que os vícios se revelem 
nos prazos estabelecidos no §1º, fluindo, entretanto, a partir de conhecimento do defeito. 
 
 
10. Cláusula de arrependimento. Resolução por onerosidade excessiva, 
impedimento da resolução em decorrência do adimplemento 
substancial. 
RESPOSTA: A cláusula de arrependimento é uma forma de extinção dos 
contratos por fatos anteriores à celebração, por meio da qual os contraentes estipulam que 
o negócio será extinto, mediante declaração unilateral de vontade, se qualquer um deles 
se arrepender. Com a inserção dessa cláusula já existe uma intenção presumida e eventual 
de aniquilar o negócio, sendo assegurado um direito potestativo à extinção para a parte 
contratual. 
De outro lado, a resolução por onerosidade excessiva é uma forma de extinção 
dos contratos por fatos posteriores à celebração, ocorre em decorrência de um evento 
extraordinário e imprevisível que dificulte extremamente o adimplemento do contrato, 
gerando a extinção do negócio de execução diferida ou continuada (trato sucessivo). Nos 
termos do que dispõe o Código Civil: 
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de 
uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, 
em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a 
resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. 
Vale ressaltar que, o adimplemento substancial do contrato tem sido reconhecido 
como impedimento à resolução unilateral, havendo ou não cláusula expressa. Consoante 
o STJ: 
Tendo ocorrido um adimplemento parcial da dívida muito próximo do resultado 
final, daí a expressão "adimplemento substancial", limita-se o direito do credor, pois a 
resolução direta do contrato mostrar-se-ia um exagero, uma demasia. Dessa forma, fica 
preservado o direito de crédito, limitando-se apenas a forma como pode ser exigido pelo 
credor, que não pode escolher diretamente o modo mais gravoso para o devedor, que é a 
resolução do contrato. Dessarte, diante do substancial adimplemento da avença, o credor 
poderá valer-se de meios menos gravosos e proporcionalmente mais adequados à 
persecução do crédito remanescente, mas não a extinção do contrato. Precedentes 
citados: REsp 272.739-MG, DJ 2/4/2001; REsp 1.051.270-RS, DJe 5/9/2011, e AgRg no 
Ag 607.406-RS, DJ 29/11/2004. STJ, 3ª Turma. REsp 1.200.105-AM, Rel. Min. Paulo de 
Tarso Sanseverino, julgado em 19/6/2012. (Info 500) 
 
11. É válida cláusula contratual que exclui o direito a evicção? 
SIM. Evicção é uma garantia legal ofertada ao adquirente, já que se ele vier a 
perder a propriedade, a posse ou o uso em razão de uma decisão judicial ou de um ato 
administrativo, que reconheça tal direito a terceiro, possa ele recobrar de quem lhe 
transferiu esse domínio, ou que pagou pela coisa. 
Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta garantia 
ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública. 
Princípio da autonomia 
Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a 
responsabilidade pela evicção. Em suma, É plenamente válida e eficaz a cláusula que 
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28RESP.clas.+e+%40num%3D%22272739%22%29+ou+%28RESP+adj+%22272739%22%29.suce.
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28RESP.clas.+e+%40num%3D%221051270%22%29+ou+%28RESP+adj+%221051270%22%29.suce.
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28%28AGA.clas.+ou+%22AgRg+no+Ag%22.clap.%29+e+%40num%3D%22607406%22%29+ou+%28%28AGA+ou+%22AgRg+no+Ag%22%29+adj+%22607406%22%29.suce.
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28%28AGA.clas.+ou+%22AgRg+no+Ag%22.clap.%29+e+%40num%3D%22607406%22%29+ou+%28%28AGA+ou+%22AgRg+no+Ag%22%29+adj+%22607406%22%29.suce.
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28RESP.clas.+e+%40num%3D%221200105%22%29+ou+%28RESP+adj+%221200105%22%29.suce.
exclua a responsabilidade pela evicção, ainda que o alienante tenha omitido dolosamente 
a existência do vício. Há garantia pela evicção quando a aquisição tenha sido realizada 
em hasta pública. 
Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, 
tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco 
da evicção, ou, dele informado, não o assumiu. 
 
12. Quais os tipos de doação? 
I) Pura e Simples 
Típica = não há qualquer restrição ou encargo ao beneficiário, liberalidade total. 
Em relação à necessidade de aceitação na doação pura, a doutrina divide-se. Para 
uma parcela, a aceitação da doação encontra-se no campo da eficácia do negócio jurídico 
e não no campo da validade. Há, contudo, quem entenda que a aceitação é elemento 
essencial do contrato. 
O doador não é obrigado a juros moratórios, nem sujeito à evicção ou aosvícios 
redibitórios (unilateral). Exceções: a) doação remuneratória; b) doação contemplativa de 
casamento; c)) doação com encargo (até o limite do serviço prestado e do ônus imposto). 
II) Onerosa 
Modal, com encargo ou gravada = doador impõe incumbência ou dever ao 
donatário. 
Não suspende a aquisição ou o exercício do direito. 
Encargo em favor de terceiro pode o doador ou, se falecido, o terceiro exigir 
o seu cumprimento. 
Encargo em favor da coletividade doador ou, se falecido, o MP pode exigir 
seu cumprimento. 
A revogação, só o doador pode requerer. 
Aquilo que ultrapassar o valor do encargo é doação pura. 
III) Remuneratória 
É retribuição a serviços prestados, cujo pagamento não pode ser exigido (ex: 
dívida do médico prescrita, retribuição a quem lhe salvou a vida em acidente...). Em regra, 
não constitui ato de liberalidade, havendo remuneração pela prestação de serviços 
realizada pelo donatário. 
Cabe alegação de vício redibitório. 
Não se revogam por ingratidão doações puramente remuneratórias. 
As doações remuneratórias de serviços feitos a ascendente não estão sujeitas a 
colação. 
IV) Mista 
Há inserção de liberalidade em modalidade diversa de contrato (ex: compra e 
venda por preço vil). 
V) Contemplativa 
É realizada em contemplação do merecimento do donatário, mencionando o 
doador, expressamente, o motivo da liberalidade. Ex: alguém que doa vários livro a um 
professor por admirar seu trabalho. 
 
13. É possível contrato de promessa de doação? 
Trata-se de pré-contrato tem existência e validade, controvertendo-se acerca 
de sua eficácia (exigibilidade) uma coisa é a validade da doação e outra é saber se é 
passível de execução específica. Lembrar da Escada Ponteana (Existência, Validade e 
Eficácia). Há 2 posições sobre o tema: 
1ª Posição: - inexigível = doação pura é liberalidade (animus donandi no 
momento da doação), só havendo promessa nas doações onerosas = “admitir a promessa 
de doação equivale a concluir pela possibilidade de uma doação coativa, incompatível, 
por definição, com um ato de liberalidade” (Venosa, Silvio Rodrigues e Caio Mario; STJ, 
REsp 720.626). 
2ª Posição: - exigível = a liberalidade se manifesta no momento da promessa, 
podendo a sentença obrigar ao cumprimento ou a perdas e danos, especialmente em casos 
específicos (ex: promessa de doação aos filhos no ínterim da separação do casal) (Carlos 
Roberto Gonçalves, Washington de Barros Monteiro e Tartuce - CC, art. 462 e STJ, REsp 
742.048/RS e REsp 125.859). 
Enunciado 549: A promessa de doação no âmbito da transação constitui 
obrigação positiva e perde o caráter de liberalidade previsto no 
art. 538 do Código Civil. 
 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Sentença. Elementos e requisitos. Vícios das sentenças. Coisa julgada formal e material. Limites 
subjetivos, objetivos e cronológicos. 
Eficácia preclusiva da coisa julgada. Coisa julgada e resolução de questão prejudicial. Relativização da 
coisa julgada. 
Recursos. Princípios gerais. Pressupostos de admissibilidade. Efeitos. Ações autônomas de impugnação. 
Ação rescisória. Reclamação. 
 
1. Se a petição inicial está pedindo A e B, mas o juiz não se manifesta sobre 
B. Há coisa julgada formal e material? Os efeitos dessa coisa julgada atinge 
terceiros? 
R. Quanto ao pedido A há coisa julgada formal e material. Porém, quanto ao 
pedido B, há somente coisa julgada formal, pois a sentença foi citra petita e tal vício não 
foi corrigido antes do trânsito em julgado, o que permite à parte ajuizar nova demanda 
pleiteando-o. Diferentemente do que estava previsto no CPC/73, o atual CPC previu 
expressamente que a coisa julgamento somente não prejudica terceiros. Assim, é possível 
que terceiro se beneficie da coisa julgada, em verdadeiro transporte in utilibus. 
 
2. Fale sobre a mitigação da coisa julgada e o entendimento do STJ sobre o 
tema. 
R. Trata-se da possibilidade de, em situações excepcionais, afastar a coisa 
julgada, mesmo que já tenha sido ultrapassado o prazo de rescisória. O fundamento 
teórico é a existência de direitos e garantias fundamentais tão ou mais importantes do que 
a coisa julgada, que não poderia prevalecer se confrontada com eles. Atualmente, fala-se 
em duas formas atípicas de desconstituição da coisa julgada: 
Segundo as lições de Daniel Amorim Assumpção Neves, atualmente há duas 
atípicas formas de relativização da coisa julgada: 
a) Coisa julgada inconstitucional: se pretende afastar a coisa julgada de sentenças 
de mérito transitadas em julgado que tenham como fundamento norma declarada 
inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 
b) Coisa julgada injusta inconstitucional: o pretendido afastamento da 
imutabilidade própria da coisa julgada se aplicaria às sentenças que produzam extrema 
injustiça, em afronta clara e inaceitável a valores constitucionais essenciais ao Estado 
democrático de direito. Seriam assim sentenças juridicamente impossíveis de gerar 
efeitos aquelas que contrariam valores jurídicos essenciais ao sistema. 
Acolhida para a relativização em casos de demanda investigatórias de 
paternidade que não contavam com disponibilidade de exame de DNA e as quais foram 
decididas com insuficiência de provas: 
Nas ações de investigação de paternidade, o STJ e STF admitem a relativização 
da coisa julgada quando na demanda anterior não foi possível a realização do exame de 
DNA, em observância ao princípio da verdade real. STJ, 3ª Turma. AgInt no Resp 
1417628/MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 28/03/2017 
Deve ser relativizada a coisa julgada estabelecida em ações de investigação de 
paternidade em que não foi possível determinar-se a efetiva existência de vínculo genético 
a unir as partes, em decorrência da não realização do exame de DNA, meio de prova que 
pode fornecer segurança quase absoluta quanto à existência de tal vínculo. STF. Plenário. 
RE 363889, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 02/06/2011 (repercussão geral) 
Situação um pouco distinta, em que não acolhida a tese da relativização (recusa 
na realização do exame): “A relativização da coisa julgada estabelecida em ação de 
investigação de paternidade – em que não foi possível determinar-se a efetiva existência 
de vínculo genético a unir as partes – não se aplica às hipóteses em que o reconhecimento 
do vínculo se deu, exclusivamente, pela recusa do investigado ou seus herdeiros em 
comparecer ao laboratório para a coleta do material biológico” STJ. 3ª Turma. REsp 
1.562.239/MS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 09/05/2017 (Info 604). 
 
3. Fale sobre ação rescisória. TUDO!!! 
A Ação Rescisória é uma Ação Autônoma de Impugnação (inaugura um novo 
processo: rescisória, reclamação, querela nullitatis). Também chamado de sucedâneo 
recursal externo. 
Consiste no Principal instrumento de controle da coisa julgada. 
Conceito: ação autônoma pela qual se pede a rescisão de uma decisão judicial 
transitada em julgado (sobre a qual, em regra, incide a coisa julgada material) e, 
eventualmente, um novo julgamento da causa. Possível formular dois pedidos: 
+ pedido de rescisão (iudicium rescindens): presente em toda rescisória. 
+ pedido de rejulgamento (iudicium rescissorium): nem sempre estará presente. 
OBJETO E NATUREZA JURÍDICA DA RESCISÃO 
OBJETO: decisão de mérito acobertada pela coisa julgada material. A ação 
rescisória pode ter por objeto apenas 1 (um) capítulo da decisão (art. 966, §3º) (ação 
rescisória parcial). 
NATUREZA JURÍDICA: ação desconstitutiva/ação autônoma de 
impugnação (sucedâneo recursal externo). 
NÃO se confunde com Querela Nullitatis Insanabilis, ação perpétua em 
primeiro grau quando violado pressuposto de existência do processo. NÃO se confunde 
com Ação Anulatória de Ato processual, cabível para desconstituir ato processual da parte 
homologado em juízo, pois atos de disposição de direitos são sujeitos à anulação nos 
termos da lei (CC), não ensejando AçãoRescisória. 
Objeto: 
1 - Decisão judicial de mérito transitada em julgado: CPC15 inova ao usar o 
termo decisão (CPC73: sentença). Isso mostra que não precisa ser sentença, pode ser 
decisão interlocutória, decisão monocrática e acórdão. 
o Cabe contra questões prejudiciais incidentais, que estão na 
fundamentação, e não no dispositivo. 
o Cabe contra decisão da monitória que constitui título executivo 
extrajudicial. 
o Cabe contra decisão que decreta falência. O ato decisório que decreta a 
falência possui natureza de sentença constitutiva, pois sua prolação faz operar a 
dissolução da sociedade empresária, conduzindo à inauguração de um regime jurídico 
específico. STJ. 3ª Turma. REsp 1780442/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
03/12/2019. 
Não cabe rescisória: 
o Decisão em ADI, ADC e ADPF; 
o Lei 9099/95 veda expressamente o cabimento de rescisória (polêmica 
sobre a aplicação desse dispositivo aos juizados federais. Prevalece que se aplica); 
o Sentença arbitral (deve ser impugnada por ação anulatória prevista na lei 
de arbitragem: prazo de 90 dias); 
o Decisão de estabilização da tutela provisória, que não faz coisa julgada 
(contra ela cabe ação em primeira instância de cognição ampla); 
o Decisão passível de embargos de declaração, com fundamento em 
omissão/obscuridade/contradição (STF). 
o Decisão de suspensão de liminar, porque não faz coisa julgada material 
(STJ). 
o Situação jurídica na qual a legislação prevê o cabimento de uma ação 
diversa. Ex.: decisão homologatória de acordo celebrado entre pessoa jurídica e o Estado-
membro em uma ação judicial na qual se discutiam créditos tributários de ICMS - cabível, 
neste caso, a ação anulatória, nos termos do art. 966, § 4º do CPC. STF. Plenário. AR 
2697 AgR/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgadoem 21/3/2019 (Info 934). 
2 - Decisão que não é de mérito: decisões que extinguem o processo sem exame 
do mérito, são expressamente passíveis de rescisória se impedirem: 
I - nova propositura da demanda; (são as decisões previstas no art. 486, §1º e no 
art. 485, V) 
II - admissibilidade do recurso correspondente (ex: decisão que não conhece do 
recurso). 
Súmula 514 do STF – Admite-se ação rescisória contra sentença transitada em 
julgado, ainda que contra ela não se tenham esgotado todos os recursos. 
Uma decisão que pode ser desfeita por querela nullitatis pode ser desfeita por 
rescisória? 
Há julgado do STJ admitindo. Já o contrário não pode ocorrer (se depender de 
rescisória, não cabe querela nulitatis). 
PRAZO 
Prazo: 02 ANOS, contados do trânsito em julgado da última decisão 
proferida no processo. Art. 975, CPC. 
Inicia-se a partir do primeiro dia útil após o trânsito. 
Natureza do prazo é DECADENCIAL. Em regra, não suspende nem 
interrompe, salvo termo final cair nas férias, ou recesso forense, indo pro primeiro dia 
útil. 
Exceções do termo a quo: 
- Prorroga-se até o primeiro dia útil imediatamente subsequente o prazo quando 
expirar durante férias forenses, recesso, feriados ou em dia em que não houver expediente 
forense. 
- Se fundada em descoberta de prova nova (inciso VII do art. 966), o termo inicial 
do prazo será a data de descoberta da prova nova, observado o prazo máximo de 5 (cinco) 
anos, contado do TJ da última decisão proferida no processo. 
- Nas hipóteses de simulação ou de colusão das partes, o prazo começa a contar, 
para o terceiro prejudicado e para o MP, que não interveio no processo, a partir do 
momento em que têm ciência da simulação ou da colusão. 
- Coisa julgada inconstitucional (art. 525, §13): caberá ação rescisória com termo 
inicial de contagem do prazo como sendo o TJ da decisão proferida pelo STF. 
Na Justiça Trabalhista, o prazo rescisório conta de cada decisão de mérito 
(S.100,II, TST). 
Obs.: Art. 8º-C da Lei 6739/79: prazo de 8 anos para o ajuizamento de rescisória 
relativa a processos de transferência de terras públicas rurais. 
OBS: Só vai caber rescisória nesse caso se a decisão do STF tiver eficácia 
retroativa e essa retroatividade alcançar a coisa julgada. Se houver eficácia ex nunc ou 
modulação de efeitos, aí não cabe a rescisória. 
Como essas regras não existiam no CPC73, foi preciso criar uma regra de 
transição: somente se aplica esse termo inicial da rescisória como sendo a CJ da decisão 
que declara inconstitucionalidade para decisões TJ após a vigência do CPC (art. 1057). 
LEGITIMIDADE 
Legitimidade Ativa: a) Parte no processo, ou sucessor universal ou singular; 
b) Terceiro JURIDICAMENTE interessado; 
c) Ministério Público (hipóteses: não ouvido quando obrigatório; simulação ou 
colusão pra fraudar a lei; casos que imponham sua participação). O MP de 2ºgrau quando 
não autor ou réu atuará como fiscal; 
d) Aquele que não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatória a 
participação. 
Legitimidade Passiva: serão as partes contrárias. 
O juiz corrupto ou impedido atuará como assistente apenas. O Ministério Público 
também pode ser. Há litisconsórcio passivo necessário das partes simuladoras. 
STJ entende que advogado também pode integrar o polo passivo, quando a ação 
buscar desconstituir honorários. Precedentes: “Se a ação rescisória busca desconstituir 
também o capítulo dos honorários advocatícios, o advogado beneficiado na primeira 
demanda deverá estar no polo passivo da rescisória”. STJ. 3ª Turma. REsp 1.651.057-
CE, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 16/5/2017 (Info 605) STJ. 2ª Turma. AgInt no 
REsp 1845303/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 29/06/2020. 
#Legitimidade passiva: a ação rescisória não precisa ser dirigida contra todos 
os capítulos da sentença. Então, o polo passivo da rescisória será formado por quem possa 
ser afetado com a rescisão dos capítulos impugnados. Ex: só quero rescindir o capítulo 
dos honorários. Então o polo passivo vai ser apenas o advogado. 
HIPÓTESES DE RESCINDIBILIDADE 
Rol taxativo. Pode ser fundada em mais de um inciso do art. 966, mas um basta. 
I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou 
corrupção do juiz; Desnecessária sentença penal condenatória contra o juiz: esses ilícitos 
penais podem ser apurados na própria ação rescisória (apenas como questão prejudicial). 
Se já tiver uma sentença absolutória no âmbito penal por negativa de autoria ou ausência 
de materialidade, aí não dá para entrar com rescisória por esse fundamento. 
II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente;Só 
cabe para impedimento, não para suspeição. E só cabe para incompetência absoluta, não 
pode ser relativa. 
III – resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte 
vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei;A 
hipótese de “coação” foi inserida pelo CPC15. Em casos de simulação ou colusão, há 
acordo prévio entre as partes, de modo que a rescisória provavelmente será ajuizada pelo 
MP como fiscal da ordem jurídica. 
IV - ofender a coisa julgada; 
Objetivo de proteger a coisa julgada. 
V - violar manifestamente norma jurídica; 
Sofreu uma mudança profunda. CPC73 falava em violar literal disposição de lei, 
porém “literal” era um problema porque norma não se confunde com texto. A alteração 
deixa claro que não se restringe ao aspecto literal. Pode ser qualquer tipo de norma 
jurídica: regra, princípio, Súmula Vinculante, precedente obrigatório, Resolução etc.). 
VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo 
criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; Rescisória por prova 
falsa: preciso que essa prova seja a única prova que sustente a decisão. Pode ser qualquer 
tipo de prova, e a falsidade pode ser material ou ideológica. Não há necessidade de um 
processo penal anterior. Você pode mostrar a falsidade na própria rescisória. Mas se tiver 
sentença penal absolutória já por negativa de autoria ou de materialidade, não cabe 
rescisória.VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja 
existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar 
pronunciamento favorável; inciso parcialmente novo: a novidade é a prova nova. CPC73 
falava em documento novo: houve uma ampliação. Essa prova tem que ser capaz, sozinha, 
de assegurar o pronunciamento favorável. 
A prova nova deve ser obtida depois do TJ. A novidade da prova pode estar na 
descoberta posterior da prova, e não só na sua criação posterior. Lembrando que o termo 
inicial do prazo da rescisória aqui será a descoberta da prova nova. 
VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos. O conceito de 
erro de fato é trazido pelo próprio CPC: Há erro de fato quando a decisão rescindenda 
admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido, 
sendo indispensável, em ambos os casos, que o fato não represente ponto controvertido 
sobre o qual o juiz deveria ter se pronunciado. 
É fundamental que sobre esse fato não tenha havido controvérsia no processo. A 
incontrovérsia anestesiou o juiz e ele decidiu tendo por premissa esse fato. 
O CPC73 tinha 9 incisos. O NCPC tem 8. Qual foi o eliminado? “Cabe rescisória 
se houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que se 
baseou a sentença”. Didier acha que essa hipótese está abrangida por outros incisos, e 
parcialmente abarcado pela ação anulatória. 
PRESSUPOSTOS 
 1º) Trânsito em julgado da decisão de mérito; 
 2º) Fundamento nas hipóteses do art. 966, CPC – causa de pedir vinculada. 
Entretanto, da decisão que resolve o mérito, ou seja, homologa a transação, a 
renúncia ou o reconhecimento do pedido NÃO CABE. Precedentes: “A decisão judicial 
homologatória de acordo entre as partes é impugnável por meio de ação anulatória (art. 
966, § 4º, do CPC/2015; art. 486 do CPC/1973). Não cabe ação rescisória (...) não é 
possível que o Tribunal receba esta demanda como ação anulatória aplicando o princípio 
da fungibilidade. Isso porque só se aplica o princípio da fungibilidade para recursos (e 
ação anulatória e a ação rescisória não são recursos)”. STF. Plenário. AR 2440 
AgR/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19/9/2018 (Info 916). 
Da Sentença TERMINATIVA em regra não pode, salvo se impedir nova 
propositura (ex. perempção). 
Doutrina dominante sobre jurisdição voluntária (de ser jurisdição de fato), 
sujeita à coisa julgada material, aceita ação rescisória dela. 
STJ2018: O autor da ação rescisória pediu a rescisão da sentença. Ocorre que 
essa sentença já havia sido confirmada pelo Tribunal de Justiça em sede de apelação. 
Logo, a ação rescisória deveria ter pedido a rescisão do acórdão do TJ. Esse vício, 
contudo, constitui-se em mera irregularidade formal, de modo que o Tribunal não deverá 
extinguir a ação rescisória por impossibilidade jurídica do pedido, devendo superar o 
vício e enfrentar o mérito. Esse entendimento é reforçado atualmente pela previsão do 
art. 968, §§ 5º e 6º do CPC/2015. 
 
NÃO admitem rescisória: a) sentença/acórdão do JEC; 
b) acórdão do STF no controle concentrado. 
Não é necessário que a parte tenha esgotado os recursos (S.514STF), mas 
enquanto for cabível recurso não é possível ajuizar (401STJ). 
 
Qual a diferença de ação rescisória para ação anulatória?? 
 
A Ação Rescisória tem natureza jurídica de ação desconstitutiva/ação 
autônoma de impugnação (sucedâneo recursal externo). E não se confunde com 
Querela Nullitatis Insanabilis, que é ação perpétua em primeiro grau quando violado 
pressuposto de existência do processo. 
Também NÃO se confunde com Ação Anulatória de Ato processual, cabível 
para desconstituir ato processual da parte homologado em juízo, pois atos de disposição 
de direitos são sujeitos à anulação nos termos da lei (CC), não ensejando Ação Rescisória. 
 
O que significa prova nova? 
 
O art. 966 do CPC/15 traz um rol taxativo de rescindibilidade, dentre os quais se 
encontra o inciso VII: 
 
VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja 
existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar 
pronunciamento favorável; inciso parcialmente novo: a novidade é a prova nova. 
O CPC73 falava em documento novo: houve uma ampliação. Essa prova tem 
que ser capaz, sozinha, de assegurar o pronunciamento favorável. 
A prova nova deve ser obtida depois do Trânsito em Julgado. A novidade 
da prova pode estar na descoberta posterior da prova, e não só na sua criação 
posterior. Lembrando que o termo inicial do prazo da rescisória aqui será a 
descoberta da prova nova. 
Em 02 de abril de 2019, o STJ ampliou o conceito de prova nova em Ação 
Rescisória, ao entender que até mesmo a prova testemunhal é apta a amparar o 
pedido de desconstituição de julgado rescindendo: 
 
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça entendeu que qualquer 
modalidade de “prova nova”, até mesmo a testemunhal, é apta a amparar o pedido de 
desconstituição de julgado rescindendo. Na hipótese, o Tribunal de Justiça de São Paulo 
extinguiu ação rescisória por reconhecer a decadência, sob o fundamento de que havia 
decorrido mais de dois anos entre o trânsito em julgado da sentença rescindenda e a 
propositura da rescisória. O TJSP afastou o prazo especial de cinco anos do art. 975, § 
2º, do CPC, por entender que “testemunhas novas” não se enquadram no conceito de 
“prova nova”. Ao analisar o recurso no STJ, o Ministro Relator destacou que qualquer 
modalidade de prova é capaz de basear o pedido de desconstituição de julgado 
rescindendo. Consignou que o CPC/2015 teve o intuito de ampliar as hipóteses de 
cabimento da rescisória quando estatuiu, no inciso VII do art. 966, a possibilidade de 
desconstituição do julgado pela obtenção de “prova nova”, em substituição ao termo 
“documento novo” (art. 485 do CPC/73). Acrescentou que, nesses casos, o prazo 
decadencial é contado a partir da data de descoberta da prova nova, observado o prazo 
máximo de cinco anos a partir do trânsito em julgado da última decisão proferida no 
processo. 
(RHC 1770123/SP, Relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, 3ª Turma, 
unânime, data de julgamento: 23/3/2019). 
 
 
4. Quem julga ação rescisória? 
https://ww2.stj.jus.br/websecstj/cgi/revista/REJ.cgi/ITA?seq=1807247&tipo=0&nreg=201802194516&SeqCgrmaSessao=&CodOrgaoJgdr=&dt=20190402&formato=PDF&salvar=false
A Ação é de competência originária de tribunal. 
Será dos tribunais superiores se eles julgaram o mérito sobre o qual houve 
Coisa Julgada. Se não admitiram o recurso, a competência é do segundo grau. 
É reconhecida a incompetência do tribunal para julgar a ação rescisória, o autor 
será intimado para emendar a petição inicial, a fim de adequar o objeto da ação rescisória. 
Após a emenda da petição inicial, será permitido ao réu complementar os 
fundamentos de defesa, e, em seguida, os autos serão remetidos ao tribunal competente. 
Síntese: Tribunal prolator, seja sentença ou acórdão, salvo cortes superiores 
quando NÃO conhecerem do recurso. 
 
5. Discorra sobre os elementos essenciais da sentença. 
Os elementos essências da sentença vem descritos no art. 489 do CPC, quais 
sejam: relatório, fundamentação e dispositivo. Porém, o relatório não é exigido em todas 
as sentenças, sendo dispensado nos Juizados especiais, e sua ausência não constitui 
nulidade absoluta. 
 
6. Proferida a sentença pode o magistrado fazer qualquer reparo de ofício? 
Não se admite qualquer reparo. Segundo o art. 494 do CPC, publicada a 
sentença, o juiz só pode alterá-la para corrigir-lhe de ofício ou a requerimento da parte, 
inexatidões materiais ou erro de cálculo. E por meio de embargos de declaração. 
Juris: O magistrado pode corrigir de ofício, mesmo após o trânsito em julgado, 
erro material consistente no desacordo entre o dispositivo da sentença que julga 
procedenteo pedido e a fundamentação no sentido da improcedência da ação. STJ. 2ª 
Turma. RMS 43956-MG, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 9/9/2014 (Info 547).” 
Juris: O erro material passível de ser corrigido de ofício (art. 494, I, CPC15) e 
não sujeito à preclusão é o reconhecido primu ictu oculi (à primeira vista, maneira 
evidente), consistente em equívocos materiais sem conteúdo decisório propriamente dito. 
STJ. 3ª T. REsp 1151982-ES, Rel. Min. Nancy Andrighi, J. 23/10/2012 (Info 507).” 
 
7. Pode o juiz decidir a lide com fundamento jurídico diverso do que trazido 
pelas partes? 
O fundamento jurídico do pedido é requisito essencial da petição inicial, é a 
causa de pedir próxima, ou seja, a repercussão jurídica criada pelo fato. 
Certo é, que ao decidir, o juiz não está restrito a nomes jurídicos ou artigos de 
lei citados pelas partes, sendo necessário que ele também considere os fatos dos autos. 
Porém, o art. 10 do CPC, veda ao juiz de decidir, em qualquer grau de jurisdição, 
com base em fundamento a respeito do qual não tenha dado às partes oportunidade de se 
manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício, o que traduz 
na consagração do dever de consulta do juiz e no princípio da vedação às decisões por 
emboscada (surpresa). 
 
8. Na admissibilidade do recurso (apelação) o juiz exerce o juízo de 
admissibilidade segundo o novo CPC? Sabendo que a apelação tem os requisitos 
(intrínsecos, extrínsecos, objetivos) o magistrado deve/não pode fazer o juízo de 
admissibilidade? 
O Juízo de admissibilidade é aquele pelo qual se verifica se o pedido deduzido 
no recurso pode ser examinado. 
A regra no CPC/15, para os recursos ordinários, como é o caso da apelação, é 
que o juízo de admissibilidade é realizado pelo juízo ad quem, ou seja, pelo relator, por 
meio de decisão monocrática – art. 932, III do CPC/15. Já nos recursos extraordinários 
(RE e ResP), o juízo a quo faz o juízo de admissibilidade. 
Os requisitos intrínsecos são aqueles concernentes à própria existência do poder 
de recorrer, enquanto os extrínsecos são relativos ao modo de exercê-lo. Diante disto, os 
requisitos intrínsecos são: cabimento, legitimidade, interesse e inexistência de fato 
impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, já os extrínsecos são a regularidade formal, 
preparo e tempestividade. 
A luz da sistemática do novo CPC acima explicado, o juízo a quo, ou seja, o 
magistrado de primeiro grau, não mais analisa a admissibilidade recursal. 
 
9. Caso. O juiz percebe que não veio preparo e que o recurso é 
manifestamente intempestivo, à luz do principio da celeridade (e duração razoável 
do processo) pode fazer naquele momento o pedido? 
Na presente situação, pela literalidade do CPC, não cabe o magistrado de 
primeiro grau fazer a análise dos preenchimentos dos requisitos extrínsecos do recurso 
interposto. 
 
10. Sentença e coisa julgada. O que é mais importante na sentença? 
Fundamentação, fundamento jurídico ou dispositivo? 
O 93, IX da Constituição Federal prevê que “todos os julgamentos do Poder 
Judiciário serão públicos e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade (...)”. 
O art. 489 do Código de Processo Civil, ao tratar dos elementos e efeitos da sentença 
prevê que relatório, fundamentos e dispositivo são os elementos essenciais, de maneira 
que, em um primeiro momento, não há hierarquia entre tais elementos. O § 3º do art. 489 
reforça a compreensão de ausência de hierarquia ao prever que “a decisão judicial deve 
ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus elementos e em conformidade 
com o princípio da boa-fé.” 
A ausência de qualquer dos elementos da sentença pode acarretar vício no 
decisum. A jurisprudência já se manifestou, quanto ao relatório, ser este requisito 
essencial e indispensável da sentença e sua falta prejudica a análise, acarretando sua a 
nulidade (STJ – Resp. 25082/RJ). Vale dizer que, havendo dispensa legal, como no caso 
da lei dos juizados especiais, não há que se falar em nulidade. A ausência da 
fundamentação tem o condão de anular a sentença e esta é inexistente se não contar com 
o dispositivo. 
De outra mão, é possível dizer que o ordenamento jurídico, notadamente o 
NCPC, se preocupou sobremaneira com a fundamentação, deixando clara a importância 
deste elemento que, além de ser o meio pelo qual se materializa a possibilidade de 
controle do ato jurisdicional é, também, forma de garantir a legitimidade da atuação do 
Poder Judiciário, cujos representantes não são eleitos. 
O Código de Processo Civil, a respeito da fundamentação, estabelece “não se 
considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou 
acórdão, que: I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem 
explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos 
indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar 
motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os 
argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo 
julgador; V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus 
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles 
fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente 
invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou 
a superação do entendimento. 
 
11. Ratio decidendi e obiter dictum 
Em breve síntese, a ratio decidendi é a regra de direito que foi posta como 
fundamento da decisão, enquanto obiter dicta (ou, no singular, obiter dictum), são as 
afirmações e argumentações que, embora possam ser úteis para a compreensão da 
decisão, não constituem parte de seu fundamento jurídico. 
 
12. O que faz a coisa julgada? 
A coisa julgada é um instituto de natureza processual, cuja finalidade é proibir 
o Poder Judiciário, as partes e, eventualmente, terceiros de rediscutir o objeto do litígio. 
A proibição das partes está expressa no artigo 337, parágrafos 1º e 4º do CPC. A 
vedação ao Poder Judiciário consta na norma do artigo 502 do referido diploma 
processual, na medida em que a decisão judicial, sob a autoridade da coisa julgada, se 
torna imutável e indiscutível, não podendo ser revista em processo futuro. O caput do 
artigo 505 deixa clara essa ideia ao prescrever que “nenhum juiz decidirá novamente as 
questões já decididas relativas à mesma lide”. O valor protegido pela coisa julgada é, 
sem sombra de dúvida, a segurança jurídica, um dos mais importantes princípios do 
Estado de Direito. Se, de um lado, a CF abre as portas do Poder Judiciário para a 
apreciação de toda lesão ou ameaça de lesão aos direitos subjetivos (artigo 5º inciso 
XXXV da CF), de outro lado proíbe, pelo instituto da coisa julgada, que essa atividade 
seja exercida em duplicidade (artigo 5º XXXVI da CF). 
A doutrina identifica 4 espécies de coisa julgada: 
a) coisa julgada formal: e identifica pelo fato de o conteúdo da decisão 
judicial, que se torna imutável e indiscutível, ser uma questão formal, em geral, relativa 
aos pressupostos processuais e/ou as condições da ação. O fundamento legal desta nova 
situação jurídica é o artigo 486, parágrafo 1º do CPC. Segundo esse dispositivo legal, a 
parte não poderá repropor a mesma ação, sem a prévia “correção do vício que levou à 
sentença sem resolução do mérito”, se o conteúdo desta decisão se referir às seguintes 
hipóteses: a) litispendência; c) indeferimento da petição inicial; c) falta dos pressupostos 
processuais; d) ilegitimidade e falta de interesse processual; d) acolhimento da alegação 
de existência de convenção de arbitragem ou o quando o juízo arbitral reconhecer sua 
competência (rectius: jurisdição). Essa proibição de repropositura da mesma ação decorre 
daautoridade da coisa julgada que, nesse caso, tornará imutável e indiscutível uma 
decisão cujo conteúdo não é o mérito, mas uma questão formal. Por exemplo: uma 
decisão que extingue o processo com base em litispendência, ou na inadequação da ação 
proposta, não poderá ser revista, por outro juiz, num novo processo, pois se tornou 
imutável e indiscutível após o trânsito em julgado. O novo CPC, inclusive, admite 
expressamente a interposição de ação rescisória visando à desconstituição da coisa 
julgada formal (artigo 966, parágrafo 2º, I, do CPC). 
b) Coisa julgada material: o conteúdo da decisão judicial, que se torna 
imutável e indiscutível, é o próprio mérito. O mérito é o objeto do processo, sua questão 
principal, que será apresentada pelas partes ao Estado-juiz para resolução. O legislador 
declarou as hipóteses de decisão de mérito no artigo 487 do CPC, a saber: a) acolhimento 
ou rejeição do pedido formulado na ação/reconvenção (inciso I); b) decisão sobre 
prescrição ou decadência (inciso II); c) homologação de reconhecimento da procedência 
do pedido formulado na ação/reconvenção (inciso III, a); d) homologação de transação 
(inciso III, b); e e) homologação de renúncia à pretensão formulada na ação/reconvenção 
(inciso III, c). Todas essas decisões serão acobertadas pela coisa julgada material 
(artigo 502 do CPC) 
c) A terceira espécie de coisa julgada diz respeito à questão prejudicial: esse 
tipo de questão se caracteriza pelo fato de seu julgamento, que precede logicamente a 
decisão da questão principal, influir necessariamente no conteúdo desta. Barbosa 
Moreira escreve que “a denominação de ‘prejudiciais’ a essa luz, será aplicável às 
questões de cuja solução depender necessariamente o teor da solução que se haja de dar 
a outras questões. Marinoni nos fornece o seguinte exemplo: “Se na ação de alimentos 
decidiu-se, com força de coisa julgada, que A é filho de B, condenando-se B a pagar 
alimentos para A, não é possível que B proponha ação negatória para rediscutir a questão 
da paternidade em face de A”[6]. Nesse caso, a questão relativa à paternidade 
tem natureza prejudicial, na medida em que a concessão dos alimentos depende lógica e 
necessariamente do conteúdo da decisão da questão prejudicial, ou seja, o 
reconhecimento da paternidade. Assim, de acordo com o artigo 503, parágrafo 1º e ss do 
CPC, a decisão que tenha por conteúdo questão prejudicial também se sujeitará à 
autoridade da coisa julgada, tornando-se imutável e indiscutível em processos futuros. 
Essa é uma grande novidade técnica na ordem processual. 
d) A última e talvez mais controversa espécie de coisa julgada diz respeito às 
decisões que concedem a tutela antecipada antecedente e não são impugnadas pelo 
recurso de agravo de instrumento. Essas decisões continuam produzindo efeito, mesmo 
após a extinção do processo. Esse fenômeno se chama estabilização da tutela antecipada 
https://www.conjur.com.br/2018-set-20/luiz-eduardo-mourao-quatro-especies-coisa-julgada-cpc#_ftn6
antecedente (artigo 304, caput e parágrafo 1º do CPC). O novo CPC concedeu às partes 
o direito de rediscutir a tutela antecipada antecedente estabilizada. Para isso, precisam 
repropor a ação, nos termos do artigo 304, parágrafo 2º do CPC, “com o intuito de rever, 
reformar ou invalidar a tutela antecipada estabilizada”. Essa regra tem um efeito de 
calibração no sistema, que se justifica em razão do caráter excepcional desse 
procedimento, que tem natureza satisfativa, pois antecipa os efeitos de decisão sobre o 
mérito, mas se baseia em cognição fundada na probabilidade da existência do direito. 
Contudo, esse direito de rever a tutela antecipada antecedente tem limite de tempo para 
ser exercido, a saber, “2 (dois) anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o 
processo” (artigo 304, parágrafo 5º do CPC). Esgotado esse prazo, surgirá uma nova 
situação jurídica, que se caracteriza pela proibição de repetição/reprodução do exercício 
da mesma atividade jurisdicional, sobre o conteúdo da decisão que concedeu a tutela 
antecipada antecedente. Essa nova situação jurídica constitui uma nova espécie de coisa 
julgada, pois imutabiliza e torna indiscutível uma decisão cujo conteúdo é uma tutela 
antecipada antecedente. Essa nova espécie de coisa julgada tem outra peculiaridade em 
relação às demais, na medida em que, enquanto a regra geral fixa o momento do 
surgimento da coisa julgada com o trânsito em julgado da decisão (artigo 502 do CPC), 
neste tipo de procedimento a res iudicata se formará após o término do prazo de dois anos 
para a propositura da ação judicial prevista no parágrafo 2º do artigo 304 do CPC. Por 
fim, cumpre ressaltar que a parte inicial do parágrafo 6º, do artigo 304 do CPC, ao afirmar 
que “a decisão que concede a tutela antecipada não fará coisa julgada”, tem levado muitos 
estudiosos, equivocadamente, a negar a possibilidade de essa decisão tornar-se imutável 
e indiscutível. Essa conclusão é inadmissível, porque, com o término do prazo de 
dois anos para a propositura da ação prevista no artigo 304, parágrafo 2º, do CPC, a 
aludida tutela antecipada antecedente não poderá ser objeto de nova tutela jurisdicional. 
Destarte, o enunciado do referido texto legal deve ser interpretado de forma sistemática, 
para não contrariar a norma do parágrafo 5º do artigo 304 do CPC. 
 
13. Juiz julgando certo processo, o pedido subsidiário foi acatado e 
concedido, porém o pedido principal não, constitui interesse recursal? E se a parte 
não recorre há coisa julgada? 
Sobre a matéria, dispõe o CPC/15, art. 326: É lícito formular mais de um pedido 
em ordem subsidiária, a fim de que o juiz conheça do posterior, quando não acolher o 
anterior. Trata-se da cumulação imprópria eventual ou subsidiária de pedidos, com ordem 
de preferência entre eles, de modo que o pedido subsidiário somente será analisado se o 
principal for julgado improcedente. Assim, julgado o procedente o pedido principal, o 
pleito subsidiário fica prejudicado, não cabendo ser julgado, nem exsurgindo interesse 
recursal do autor em vê-lo apreciado nas instâncias recursais. De todo modo, é dever do 
juiz analisar o pedido subsidiário se não acolher o principal. 
Em resumo: ainda tendo sido acolhido o pedido subsidiário, há o interesse 
recursal da parte para que seja acolhido seu pedido principal, pois, quanto a ele, existe 
sucumbência. Vale dizer, entretanto, que o contrário não se verifica, ou seja, acolhido o 
pedido principal, não possui a parte autora interesse recursal para a reforma da sentença, 
buscando que seja acolhido o pedido subsidiário. 
Sobre a matéria, é ainda interessante observar que nem mesmo o possível 
reconhecimento do pedido subsidiário pelo réu permite ao Juiz desconsiderar o primeiro 
pedido. A 3.ª T. do STJ, no acórdão proferido no REsp 8.892SP, deixou consignado que: 
"O reconhecimento pelo réu da procedência de pedido subsidiário não importa em 
extinção do processo com julgamento do mérito ou por falta de interesse de agir do autor, 
porquanto perdura a lide em face do pedido principal.” 
Vale dizer, também: O demandante, por outro lado, poderá desistir do pedido 
principal (ou do subsidiário) até mesmo sem a observância da regra do art. 267, § 4.º, do 
CPC, isto é, sem a aquiescência do demandado, visto que o processo segue seu curso 
normal em relação à pretensão remanescente. 
Quanto ao interesse em recorrer, como muito bem observa Renzo Provinciali, a 
sucumbência há de ser controlada de maneira objetiva, cotejando-se o teor do provimento 
judicial com a demanda (lato sensu), vale dizer, com o intento das partes. Barbosa 
Moreira, a seu turno, enfatiza que "o interesse em recorrer resulta da conjugação de dois 
fatores: de um lado, é preciso que o recorrente possa esperar, da interposição do recurso, 
a consecução de um resultado a que corresponda situação mais vantajosa, do ponto de 
vista prático, do que a emergenteda decisão recorrida; de outro lado, que lhe seja 
necessário usar o recurso para alcançar tal vantagem". Assim sendo, atendido o 
primeiro pedido formulado na petição inicial, somente o réu é que terá interesse em 
recorrer. Para o autor, diante de tal situação, não haverá nem sucumbência teórica e 
tampouco sucumbência prática. Rejeitada, por outro lado, a pretensão primária e reputada 
procedente a subsidiária, configura-se uma inusitada situação de sucumbência recíproca 
e, por essa razão, ambas as partes terão interesse em recorrer: o autor visando ao 
acolhimento do primeiro pedido; o réu pugnando pela integral improcedência da 
demanda. 
 
14. Quais são os efeitos da sentença que estão enumeradas no CPC? E os 
defeitos que geram nulidade? E se o juiz der menos do que a pessoa quer? 
R: A depender na natureza da ação, a sentença produzirá efeitos declaratórios, 
constitutivos ou condenatórios. As sentenças condenatórias podem ainda ser dividias em 
mandamentais e executivas lato senso. Mas, a sentença não se limita a produzir somente 
esses efeitos. Outros efeitos chamados de acessórios ou secundários, como a própria 
liquidação da sentença, o cumprimento da sentença nos dias atuais, os honorários 
advocatícios, as custas e despesas processuais, os juros de mora e/ou compensatórios, a 
multa de natureza coercitiva do julgado, a correção monetária, a hipoteca judiciária, os 
cancelamentos ou suspensão dos mais variados tipos de registros e inscrições como: 
protesto, imóvel, automóvel, escrituras, contratos, serviços de restrição ao crédito como 
serasa, spc, além de muitos outros, são também efeitos da sentença. 
Os defeitos que geram nulidade se referem aos casos de sentença citra, ultra ou 
extra petita (ver próxima questão). 
Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem 
como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi 
demandado. 
Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica 
condicional. 
 
 
15. Fale sobre sentença citra petita, extra petita e ultra petita. 
Sentença citra petita é aquela que não examina em toda a sua amplitude o pedido 
formulado na inicial (com a sua fundamentação) ou a defesa do réu. 
Na sentença ultra petita, o defeito é caracterizado pelo fato de o juiz ter ido além 
do pedido do autor, dando mais do que fora pedido. 
Finalmente, a sentença é extra petita quando a providência jurisdicional deferida 
é diversa da que foi postulada; quando o juiz defere a prestação pedida com base em 
fundamento não invocado; quando o juiz acolhe defesa não arguida pelo réu, a menos que 
haja previsão legal para o conhecimento de ofício (art. 337, § 5º, CPC/2015). 
 
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/28893505/artigo-337-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/28893439/par%C3%A1grafo-5-artigo-337-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174276278/lei-13105-15
 
16. Caso. A parte faz um pedido principal e outro alternativo, o subsidiário 
lhe é concedido, mas o principal o juiz julga improcedente. Esta parte ainda possui 
interesse recursal? 
R.: Sim, pois se trata de pedido cumulado impróprio sucessivo, no qual o maior 
interesse da parte é receber o pedido principal e somente se não for possível, que deve ser 
concedido pedido sucessivo. Apesar de acolhido o pedido sucessivo, a parte possui 
interesse em recorrer para que seja acolhido o pedido principal 
 
17. Fale sobre as condições da ação rescisória. 
(entendo que as condições da ação rescisória são as hipóteses de cabimento) 
 
As hipóteses de cabimento da ação rescisória estão dispostas no art. 966 do CPC, 
o qual dispõe: 
I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou 
corrupção do juiz; Desnecessária sentença penal condenatória contra o juiz: esses ilícitos 
penais podem ser apurados na própria ação rescisória (apenas como questão prejudicial). 
Se já tiver uma sentença absolutória no âmbito penal por negativa de autoria ou ausência 
de materialidade, aí não dá para entrar com rescisória por esse fundamento. 
II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; 
Só cabe para impedimento, não para suspeição. E só cabe para incompetência absoluta, 
não pode ser relativa. 
III – resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte 
vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; A 
hipótese de “coação” foi inserida pelo CPC15. Em casos de simulação ou colusão, há 
acordo prévio entre as partes, de modo que a rescisória provavelmente será ajuizada pelo 
MP como fiscal da ordem jurídica. 
IV - ofender a coisa julgada; 
Objetivo de proteger a coisa julgada. Havendo conflito entre duas coisas 
julgadas, prevalecerá a que se formou por último, enquanto não desconstituída mediante 
ação rescisória. Se passar o prazo de 2 anos da rescisória, a segunda coisa julgada valerá 
para sempre. Doutrina: Pontes de Miranda, Barbosa Moreira, Cândido Rangel 
Dinamarco, Humberto Theodoro Jr, entre outros. STJ. Corte Especial. EAREsp 
600811/SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 04/12/2019. 
V - violar manifestamente norma jurídica; 
Sofreu uma mudança profunda. CPC73 falava em violar literal disposição de lei, 
porém “literal” era um problema porque norma não se confunde com texto. A alteração 
deixa claro que não se restringe ao aspecto literal. Pode ser qualquer tipo de norma 
jurídica: regra, princípio, Súmula Vinculante, precedente obrigatório, Resolução etc.). 
VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo 
criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; Rescisória por prova 
falsa: preciso que essa prova seja a única prova que sustente a decisão. Pode ser qualquer 
tipo de prova, e a falsidade pode ser material ou ideológica.Não há necessidade de um 
processo penal anterior. Você pode mostrar a falsidade na própria rescisória. Mas se tiver 
sentença penal absolutória já por negativa de autoria ou de materialidade, não cabe 
rescisória. 
VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja 
existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar 
pronunciamento favorável; inciso parcialmente novo: a novidade é a prova nova. CPC73 
falava em documento novo: houve uma ampliação. Essa prova tem que ser capaz, sozinha, 
de assegurar o pronunciamento favorável. 
VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos.O conceito de 
erro de fato é trazido pelo próprio CPC: Há erro de fato quando a decisão rescindenda 
admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido, 
sendo indispensável, em ambos os casos, que o fato não represente ponto controvertido 
sobre o qual o juiz deveria ter se pronunciado. 
 
18. Fale sobre o efeito devolutivo em extensão do recurso de apelação. 
O recurso de apelação possui duplo efeito, qual seja, devolutivo (sempre) e 
suspensivo (via de regra, excepcionando os casos dispostos do art. 1.012, §1º, do CPC). 
O efeito devolutivo é àquele que devolve (transfere) ao conhecimento ao órgão 
ad quem da matéria impugnada no recurso. Todo recurso gera o efeito devolutivo, 
variando somente sua extensão e profundidade: 
a) Em extensão (ou dimensão horizontal): é a extensão da devolução 
(transferência). Trata-se da limitação que o órgão julgador possui por meio da vinculação 
ao pedido formulado no recurso; 
b) Em Profundidade (ou dimensão vertical): é a profundidade da devolução 
(transferência), estabelecendo-se a devolução automática ao órgão ad quem, dentro dos 
limites fixados pela extensão, de todas as alegações, fundamentos e questões referentes a 
matéria devolvida. Em outros termos, é à liberdade que o órgão ad quem possui para 
apreciar os fundamentos, ainda que não expressos nas razões.Desse modo, nota-se que o recorrente limita o efeito devolutivo em extensão, 
mas não a sua profundidade. 
 
Em relação à apelação, o art. 1.013, caput, do CPC exara acerca da dimensão 
extensiva do efeito devolutivo: 
 
Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria 
impugnada. 
 
Por sua vez, os §§ 1º e 2º trazem a dimensão vertical do efeito devolutivo: 
 
§1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as 
questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, 
desde que relativas ao capítulo impugnado. 
§2º. Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher 
apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. 
 
19. A ação anulatória e a ação rescisória estão sujeitas aos princípio da 
fungibilidade? 
O princípio da fungibilidade é aplicável aos recursos no processo civil, 
consistindo na possibilidade de admissão de um recurso interposto por outro (o que seria 
cabível), quando existe boa-fé, dúvida objetiva de qual seria o recurso a ser apresentado 
e interposição dentro do prazo do recurso correto. 
De forma expressa, o CPC prevê a fungibilidade entre os embargos de declaração 
e o agravo interno, bem como nas ações possessórias. 
A rescisória e a anulatória são ações autônomas de impugnação, não consistindo 
em recurso, sendo a primeira razão da não aplicação da fungibilidade. Se impertinentes, 
não existirá fungibilidade, mas eventual extinção do processo sem resolução de mérito 
por ausência de interesse – adequação. 
A 2ª razão para não aplicação é o fato de que as ações possuem prazos distintos 
para ajuizamento, tendo a ação rescisória o prazo de 2 anos contados do trânsito em 
julgado da última decisão preferida, já anulatória depende do prazo prescricional da ação 
principal. 
Ademais, uma 3ª razão é a diferenciação dos procedimentos das ações e, dentre 
eles, a competência, pois na rescisória o ajuizamento dar-se-á perante o Tribunal e a 
anulatória no juízo de piso. 
Desse modo, inaplicável o princípio da fungibilidade às ações rescisórias e 
anulatórias. 
 
20. Os elementos e requisitos da sentença são a mesma coisa? 
RESPOSTA: Não, os elementos e requisitos da sentença são distintos. 
Requisito nos leva a algo preexistente, como pressuposto da sentença. 
Entretanto, o relatório, fundamentação e dispositivo estão dentro da sentença, 
constituindo seus próprios elementos. 
Ao indicar as partes que devem compor uma sentença genuína de mérito, o caput 
do art. 489 do Novo CPC deve ser elogiado por consagrar entendimento doutrinário de 
que o relatório, a fundamentação e o dispositivo da sentença são os seus elementos e não 
seus requisitos, conforme incorretamente previa o art. 458, caput, do CPC/1973. 
Art. 489. São elementos essenciais da sentença: 
I - O relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a 
suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no 
andamento do processo; 
II - Os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; 
III - O dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes 
lhe submeterem. 
Fonte: Manual de Direito Processual Civil – Daniel Amorim Assumpção Neves. 
 
21. Prestação de contas na sentença. Sentença e decisão. Vícios da sentença. 
Recurso para correção de sentença com vícios. 
RESPOSTA: A ação de prestação de contas possui a peculiaridade de ter duas 
sentenças de conhecimento: uma relativa à primeira fase, que decide sobre o dever de 
prestar as contas ou não do réu. Já a outra aprecia o julgamento das contas prestadas ou 
oferecidas, em que é apurada a existência de saldo credor. Há possibilidade de que as 
duas fases de sentença possam ser julgadas em única sentença. 
A sentença apresenta vícios nas seguintes situações: 
1) Sentença Extra Petita: é aquela em que o magistrado concede algo fora do que 
foi pleiteado, estando tal vício atrelado à certeza do pedido. Há exceções: i) hipóteses de 
pedido implícito (juros legais, correção monetária, verbas de sucumbência); ii) aplicação 
da fungibilidade; iii) conhecimento de matérias de ordem pública. O recurso cabível 
contra sentença extra petita é apelação com pedido de anulação da sentença prolatada em 
erro in procedendo. Nada impede, porém, a oposição dos embargos de declaração com 
efeitos infringentes. 
2) Sentença Ultra Petita: o magistrado concede ao autor a tutela e o gênero 
pleiteados, mas excede quanto à quantidade, não respeitando a determinação do pedido. 
Há possibilidade, porém, de pedidos genéricos. As três hipóteses de pedido genérico estão 
no art. 324, §1º. Da mesma forma que da sentença extra petita, o recurso cabível é a 
apelação, nada impedindo a oposição dos embargos de declaração com efeitos 
infringentes. 
3) Sentença Citra Petita (ou infra petita): no aspecto objetivo, é a sentença que 
fica aquém do pedido, deixando de apreciar algum pleito ou de enfrentar uma causa de 
pedir. No aspecto subjetivo, é a sentença que não resolve a demanda para todos os sujeitos 
processuais. Havendo sentença citra petita, existirá omissão, que pode ser corrigida por 
meio da oposição dos embargos de declaração (art. 1.022, II, CPC70). Ademais, também 
poderá ser alegada o vício da sentença em apelação. 
 
22. Fale sobre os princípios fundamentais dos recursos. Cada decisão tem 
um recurso apropriado? 
RESPOSTA: São os seguintes os princípios fundamentais dos recursos: 
Duplo grau de jurisdição: é a possibilidade da revisão da solução da causa, ou 
seja, a permissão de que a parte possa ter uma segunda opinião concernente à decisão da 
causa. 
▪ Taxatividade: somente pode ser considerado recurso o instrumento de 
impugnação que estiver expressamente previsto em lei federal como tal. 
▪ Singularidade (unirrecorribilidade ou unicidade): admite tão somente 
uma espécie recursal como meio de impugnação de casa decisão judicial. Admite-se a 
existência concomitante de mais de um recurso contra a mesma decisão desde que tenham 
a mesma natureza jurídica, fenômeno, inclusive, bastante frequente quando há no caso 
concreto sucumbência recíproca ou litisconsórcio. 
▪ Voluntariedade: condiciona-se a existência de um recurso 
exclusivamente à vontade da parte, que demonstra a vontade de recorrer com o ato de 
interposição do recurso. 
▪ Dialeticidade: exige do recorrente a exposição da fundamentação recursal 
(causa de pedir: error in judicando e error in procedendo) e do pedido (que poderá ser 
anulação, reforma, esclarecimento ou integração). Tal necessidade se ampara em duas 
motivações: permitir ao recorrido a elaboração das contrarrazões e fixar os limites de 
atuação do Tribunal no julgamento do recurso. Essa exigência permite que o recurso tenha 
efetivamente uma característica dialética, porque somente diante dos argumentos do 
recorrente o recorrido poderá rebatê-los. 
▪ Fungibilidade: aduz que a parte recorrente não será prejudicada se 
interpôs o recurso errado, desde que esteja de boa-fé, não tenha sido um erro grosseiro e 
o recurso incorreto tenha sido manejado no prazo do recurso certo. Alguns autores 
afirmam que o CPC/2015 previu o princípio da fungibilidade de forma específica em dois 
casos: • recebimento de embargos de declaração contra decisão monocrática em tribunal 
como agravo interno (art. 1.024, § 3º); • recebimento de REsp como RE e vice-versa (arts. 
1.032 e 1.033). 
▪ Proibição da reformatio in pejus: não se admite que a situação do 
recorrente seja piorada em virtude do julgamento do seu próprio recurso se a outra parte 
não recorreu. 
▪ Complementariedade: as razões recursais devem ser apresentadas no ato 
de interposição de recurso, não se admitindo que o recurso seja interposto num momento 
procedimental e as razões apresentadas posteriormente, como ocorre no processo penal. 
▪ Consumação: é a proibição que, interpostoum recurso, este seja 
substituído por outro, interposto posteriormente ainda que dentro do prazo recursal. 
▪ Primazia do julgamento do mérito recursal: o objetivo de se julgar o 
mérito recursal só deve ser abandonado em hipóteses excepcionais, nas quais o vício 
formal não possa ser corrigido ou que influa de forma decisiva na impossibilidade, 
jurídica ou material, de julgamento do mérito. 
Em respeito ao princípio da singularidade, cada decisão tem um recurso 
apropriado, violando tal princípio a parte que interpõe sucessiva ou concomitantemente 
duas espécies recursais contra a mesma decisão. Porém, há exceções a esse princípio, a 
exemplo da interposição de recurso especial e recurso extraordinário contra o mesmo 
acórdão. 
Fonte: Manual de Direito Processual Civil – Daniel Amorim Assumpção Neves. 
 
23. É possível a reformatio in pejus no direito civil? 
RESPOSTA: Ainda que não exista previsão expressa no ordenamento pátrio a 
esse respeito, não existe dúvida de que o direito brasileiro adotou o princípio da proibição 
da reformatio in pejus, no qual não se admite que a situação do recorrente seja piorada 
em virtude do julgamento do seu próprio recurso se a outra parte não recorreu. 
Contudo, a reformatio in pejus é excepcionalmente admitida na aplicação do 
efeito translativo dos recursos, por meio do qual se admite que o tribunal conheça 
originariamente matéria conhecível de ofício. Nesse sentido, o STJ entende não haver 
violação ao princípio em análise a alteração do termo inicial dos juros de mora e da 
correção monetária: 
É pacífico no Superior Tribunal de Justiça que a correção monetária e os juros 
legais, como consectários da condenação, são matéria de ordem pública, não se lhes 
aplicando os óbices do julgamento extra petita ou da reformatio in pejus. A explicitação 
do modo em que a correção monetária deverá incidir feita em reexame de ofício não 
caracteriza reformatio in pejus contra a Fazenda Pública, tampouco ofende o princípio da 
inércia da jurisdição. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.781.992/MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 
26/03/2019. 
O professor Daniel também entende que a aplicação da teoria da causa madura 
pode gerar legitimamente a reformatio in pejus, bastando imaginar para tanto a hipótese 
de o Tribunal passar ao julgamento de mérito da demanda, rejeitando o pedido do autor. 
Fonte: Manual de Direito Processual Civil – Daniel Amorim Assumpção Neves. 
 
24. Ação rescisória. Quais as condições especiais para sua possibilidade? 
RESPOSTA: A ação rescisória é meio autônomo de impugnação à decisão 
judicial que se desenvolve em processo distinto daquele no qual a decisão impugnada foi 
proferida, tendo natureza jurídica de ação. 
Tal remédio processual é cabível somente após o trânsito em julgado, sendo 
necessário, em regra, que a decisão impugnada tenha resolvido o mérito da demanda, 
admitindo-se, excepcionalmente, contra decisão que, embora não seja de mérito, impeça 
nova propositura da demanda ou admissibilidade do recurso correspondente. 
Segundo prevê o CPC (art. 975), o prazo para a propositura da ação rescisória é 
de 2 anos, contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. 
Contudo, a ação rescisória proposta com base em prova nova, deverá ser proposta em até 
05 anos, contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. 
É necessário registrar, ainda, que o autor da rescisória deverá elaborar a petição 
inicial observando os requisitos essenciais do artigo 319 do CPC, devendo cumular ao 
pedido de rescisão, se for o caso, o de novo julgamento do processo e depositar a 
importância de 5% sobre o valor da causa, que se converterá em multa caso a ação seja, 
por unanimidade de votos, declarada inadmissível ou improcedente (CPC, art. 968). 
O artigo 966 do CPC enumera as hipóteses de cabimento da ação rescisória: 
Art. 966: A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida 
quando: 
I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou 
corrupção do juiz; 
II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; 
III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte 
vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; 
IV - ofender a coisa julgada; 
V - violar manifestamente norma jurídica; 
VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo 
criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; 
VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja 
existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar 
pronunciamento favorável; 
VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos. 
 
 
 
 
 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
Cobrança de dívidas. Bancos de dados. Cadastros de consumidores. 
 
1. É possível impetrar habeas data caso haja recusa em retificar dados 
constantes em banco de dados de cadastro de consumidores? Qual o fundamento 
legal? 
R. Sim. Apesar da CF não prever expressamente o cabimento para retificação, a 
lei do habeas data prevê justamente esse caso como uma das hipóteses de cabimento. E 
vale ressaltar que a lei do habeas data e o CDC preconizam que o banco de dados possui 
caráter público. 
Portanto, é cabível o ajuizamento para retificação de dados o consumidor. 
 
2. Fale sobre o score de crédito segundo o STJ. Há algum momento em que 
ele passa a ser ilícito? 
O STJ (STJ. 2ª Seção. REsp 1419697-RS ) preceitua que o “Credit scoring”, 
também chamado de “crediscore”, é um método desenvolvido para avaliação do risco 
de concessão de crédito, a partir de modelos estatísticos, considerando diversas 
variáveis, com atribuição de uma pontuação ao consumidor avaliado (nota do risco 
de crédito). 
Apesar de desnecessário o consentimento do consumidor consultado, devem ser 
a ele fornecidos esclarecimentos, caso solicitados, acerca das fontes dos dados 
considerados (histórico de crédito), bem como as informações pessoais valoradas; 
O desrespeito aos limites legais na utilização do sistema “credit scoring” 
configura abuso no exercício desse direito, podendo ensejar a responsabilidade 
objetiva e solidária do fornecedor do serviço, do responsável pelo banco de dados, da 
fonte e do consulente pela ocorrência de danos morais nas hipóteses de utilização de 
informações excessivas ou sensíveis, bem como nos casos de comprovada recusa 
indevida de crédito pelo uso de dados incorretos ou desatualizados. STJ. 2ª Seção. REsp 
1419697-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/11/2014 (recurso 
repetitivo) (Info 551). Vide Súmula 550 do STJ. 
O “credit scoring” é considerado como prática comercial LÍCITA, estando 
autorizada pelo art. 5º, IV, e pelo art. 7º, I, da Lei 12.414/2011 (Lei do Cadastro Positivo); 
Também nos termos do STJ, para o “credit scoring” ser lícito, é necessário 
que respeite os limites estabelecidos pelo sistema de proteção do consumidor no 
sentido da tutela da privacidade e da máxima transparência nas relações negociais, 
conforme previsão do CDC e da Lei 12.414/2011; 
-Súmula 550-STJ: A utilização de escore de crédito, método estatístico de 
avaliação de risco que não constitui banco de dados, dispensa o consentimento do 
consumidor, que terá o direito de solicitar esclarecimentos sobre as informações pessoais 
valoradas e as fontes dos dados considerados no respectivo cálculo. 
 
3. Cobrança de dívida. Repetição de indébito de forma dobrada. Repetitivo 
954 STJ (salvo engano), esclareça quais as interpretações que estão pendentes. 
Tema Repetitivo 954 
Situação 
Sobrestado 
Órgão julgador 
PRIMEIRA SEÇÃO 
Ramo do direito 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
Questão submetida a julgamento 
- A indevida cobrança de valores referentes à alteração do plano de franquia / 
plano de serviços sem a solicitação do usuário, com o consequente pedido de indenização

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