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Disciplina |
Introdução
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 1
DISCIPLINA
HERMENÊUTICA BÍBLICA
CONTEÚDO
Hermenêutica Geral:
Foco no Gênero
Hermenêutica Bíblica |
Sumário
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 2
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G892
GRUPO FOCUS DE EDUCAÇÃO. Hermenêutica Bíblica: Hermenêutica Geral - Foco no Gênero /
Org. Vitor Matheus Krewer. – Cascavel: Grupo Focus de Educação, Focus, 2024.
27 P.
1. Hermenêutica I. Krewer, Vitor Matheus. II. Título.
CDD 121 ed.: 121.6
http://www.faculdadefocus.com.br/
mailto:tutoria@faculdadefocus.com.br
http://www.faculdadefocus.com.br/
Hermenêutica Bíblica |
Sumário
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 3
Sumário
Sumário ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 3
Introdução -------------------------------------------------------------------------------------------------- 4
1 Literatura: Gênero ----------------------------------------------------------------------------------- 4
1.1 Antigo Testamento: Narrativa Histórica -------------------------------------------------------------------- 4
1.1.1 Tipos de Narrativa Histórica ------------------------------------------------------------------------------------------ 5
1.1.2 Elementos da Narrativa Histórica ----------------------------------------------------------------------------------- 8
1.1.3 Estilo de Narrativa ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 11
1.2 Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos) ---------------------------------------- 12
1.2.1 Evangelhos e Atos ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 13
1.2.2 Hermenêutica Geral: Características dos Evangelhos ------------------------------------------------------- 14
Conclusão -------------------------------------------------------------------------------------------------- 26
Referências ------------------------------------------------------------------------------------------------ 26
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Introdução
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 4
Introdução
Esta unidade tem como foco o gênero, um dos elementos que integram a
literatura com foco nas Escrituras. O gênero nos ajuda a identificar e a compreender
as diferentes formas literárias presentes na Bíblia, cada uma com suas próprias regras
e convenções interpretativas. Descrevemos a forma literária da narrativa histórica,
tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. No Antigo Testamento, destacamos os
Tipos de Narrativa Histórica, Elementos da Narrativa Histórica, Estilo de Narrativa; no
Novo Testamento, a Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos), Evangelhos e Atos e as
Características dos Evangelhos.
1 Literatura: Gênero
1.1 Antigo Testamento: Narrativa Histórica
A narrativa é um gênero literário que combina períodos e parágrafos para
formar discursos, episódios ou cenas. Compreender a verdadeira natureza da narrativa
é fundamental para uma interpretação precisa. A relevância do estudo das unidades
narrativas do texto bíblico é evidenciada pelo sentido, que está no texto como um
todo, não em segmentos isolados. As narrativas podem aparecer como conto,
narração e relato. Na maioria das vezes, elas são apresentadas como dramas (contos),
sinalizando a importância de certos acontecimentos. Esses contos geralmente incluem
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Literatura: Gênero
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 5
narrações históricas de falas ou diálogos que compõem as cenas ou episódios. Os
diálogos geralmente são o ponto central de uma narrativa, e os contos podem conter
um ou mais relatos.
O gênero deve ser concebido, conforme pensamos, como um
agrupamento de obras literárias baseado teoricamente tanto na forma
exterior (métrica ou estrutura específica) quanto, também, na fornia
interna (atitude, tom, propósito - grosso modo, assunto e público)
(OSBORNE, 2009, p. 228).
Na sequência, descrevemos sobre o gênero do Antigo Testamento, com base
em Osborne (2009) e Kostenberger e Patterson (2015).
1.1.1 Tipos de Narrativa Histórica
Contos
A maior parte das informações históricas do Antigo Testamento é apresentada
em forma de contos, como os relatos dos patriarcas em Gênesis, os juízes durante a
ocupação da Terra Prometida, e as crônicas de Davi nos livros de Samuel. Contos como
os de Salomão em 1Reis 3 e 10:1-13 e os profetas Elias e Eliseu em 1Reis 17-19 e 2
Reis 2-8; 13:14-21 também são exemplos. Embora sejam contos, isso não implica que
não sejam fatuais; pois falam de pessoas e acontecimentos reais e complexos. O
intérprete deve valorizar esses contos, reconhecendo que eles trazem narrativa
histórica e ajudam no entendimento das condições mais amplas. É importante
distinguir contos das narrações e relatos estritamente históricos, reconhecendo que
muitos elementos narrativos são mais proeminentes nos contos.
Um dos principais componentes dos contos do Antigo Testamento é o
discurso oral integrado. Na narrativa acerca de José, em Gênesis, os discursos e
diálogos mostram-se essenciais. Os relatos dos sonhos de José incitam seus irmãos a
vendê-lo como escravo. No Egito, detalhes de sua vida, como mordomo na casa de
Potifar e as investidas da mulher de Potifar, são descritos por meio de diálogos. José
acaba na prisão por conta das acusações da mulher de Potifar, e lá, suas conversas
com o copeiro e o padeiro, interpretando seus sonhos, levam-no à presença do faraó.
Após interpretar os sonhos do faraó, José é nomeado responsável pelos assuntos
econômicos do Egito. A narrativa evidencia os diálogos como pontos determinantes,
com o narrador retomando a sequência dos eventos após os discursos diretos dos
personagens.
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Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 6
Embora fosse possívelcontar a história de José de forma exclusivamente
narrativa, os discursos e diálogos adicionam um efeito dramático e proporcionam um
entendimento mais profundo dos personagens. O autor estruturou o conto de forma
que esses diálogos são momentos decisivos na narrativa. Portanto, denota-se a
necessidade de o intérprete se concentrar nos discursos orais presentes, o que
melhora a compreensão dos personagens, mas também imerge o leitor no fluxo e nas
ações do contexto geral.
Outro elemento frequente nos contos bíblicos é a descrição, que destaca o
cenário da narrativa ou os personagens envolvidos. Isso inclui detalhes do ambiente
e outros indicadores contextuais que conectam a história à narrativa anterior e
subsequente. Além disso, os contos bíblicos frequentemente contêm comentários do
autor, com a função de esclarecer elementos específicos da história ou destacar a
importância das ações dos personagens e eventos. Nota-se ainda que vários desses
elementos (discurso, diálogo, descrição e comentário), ou mesmo todos eles, podem
estar presentes num único contexto, como, por exemplo em Êxodo 15:22-24:
Descrição: Fez Moisés partir a Israel do mar Vermelho, e saíram para o deserto
de Sur; caminharam três dias no deserto e não acharam água. Narrativa: Afinal,
chegaram a Mara; todavia, não puderam beber as águas de Mara, porque eram
amargas; Comentário: por isso, chamou-se-lhe Mara. Narrativa: E o povo
murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?
Narrações
Extensas seções da narrativa do Antigo Testamento, como o Pentateuco e os
livros históricos (Josué a Ester), foram escritas na forma de narrações históricas. Esses
textos utilizam eventos do passado escolhidos para construir uma história coerente,
guiada pela iluminação do Espírito Santo e, em alguns casos, pela revelação divina
direta. Os dados históricos têm conteúdo teológico, doxológico (escrito em última
análise por Deus e para a glória dele) e didático (para ensinar do comportamento e
conduta corretos), além de serem elaborados com beleza literária. Assim, a narrativa
bíblica é informativa e estimula uma reação correta do leitor, pois é uma história
teológica deliberada. Por exemplo, o livro de Crônicas reflete a perspectiva divina e a
ideologia da Bíblia hebraica, funcionando como um comentário teológico da história
israelita. A história bíblica é sagrada, preocupando-se com os caminhos de Deus para
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Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 7
a humanidade, com atos divinos, frequentemente, percebidos por ações de agentes
humanos, como reis ou rebeldes.
Kostenberger e Patterson (2015) mencionam como exemplo Josué 24: Josué
reúne a liderança e os cidadãos de Israel em Siquém para seu discurso de despedida.
Ele revisita eventos marcantes na história de Israel: o chamado de Abraão, o Êxodo, a
travessia do Mar Vermelho, as peregrinações no deserto e a conquista da Terra
Prometida (v. 1-13). Josué ressalta a liderança soberana e graciosa de Deus e a
provisão divina ao longo dessa jornada, enfatizando que tudo foi dirigido para a glória
de Deus. A narrativa é estruturada em quatro seções (v. 2-4, 5-7, 8-10, 11-13) e inclui
uma metáfora sobre "vespões" para ilustrar a derrota dos povos de Canaã. Josué,
então, motiva o povo a responder com fidelidade a Deus, que sempre foi fiel a eles. A
narrativa registra que o povo responde positivamente ao desafio de Josué (v. 16-24),
seguido por um ato de renovação da aliança (v. 25-27).
Essa narrativa histórica documenta a resposta do povo nos dias de Josué e
influencia os leitores das Escrituras (2Tm. 3:16). Ela sublinha que, assim como Israel, o
povo de Deus de todas as épocas precisa de uma relação genuína com Deus,
permitindo que Ele viva através deles para seu bem e para a glória divina. Deus deve
ter o primeiro lugar na vida do que crê (Dt. 6:4-5; Pv. 3:5-6; cf. Mt. 22:37-40).
Portanto, a narração “trata-se de uma apresentação seletiva dos fatos destinada
a apresentar uma avaliação teológica desse registro — uma avaliação que produzirá
uma resposta espiritual e ética adequada da parte do leitor.” (KOSTENBERGER;
PATTERSON, 2015, p. 231).
Relatos
As narrativas bíblicas também contêm um relato que fornece informações
acerca da natureza histórica. Seus exemplos são abundantes na Escritura, como
descrevem Kostenberger e Patterson (2015, p. 232):
As narrativas do Antigo Testamento são repletas de vários relatos (e.g.,
2Cr 34.14-18; 2Sm 20.18-23,35-42). No gênero profético, deparamos
com um tipo especial de relato, denominado relato vocacional, que
conta o chamado e a comissão do profeta para o ministério. O Antigo
Testamento também contém muitos relatos de batalha (e.g., Gn 14.1-
12; Js 10.1-15; 1Sm 31.1-7; 2Sm 1.1-10; 1Rs 22.29-38; 2Rs 25.1-21; etc.).
Há também os relatos de recenseamentos (Nm 1.17-46; Nm 26.1-62;
2Sm 24.4-9) e vários outros tipos de relatos (e.g., 1Rs 6-7; Ed 5.6-17).
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1.1.2 Elementos da Narrativa Histórica
Elementos externos
A análise literária distingue três elementos externos: autor, narrador e leitor. O
autor real é quem escreveu a narrativa, enquanto o autor implícito é a figura que
conhecemos pelas palavras do texto. O leitor pode ser tanto o destinatário original
quanto qualquer pessoa que leia o texto, sendo imprescindível que o intérprete se
coloque no lugar do leitor implícito para aplicar corretamente a narrativa ao contexto
contemporâneo. O narrador é quem conta a história, podendo ser o autor implícito
nas narrativas do Antigo Testamento. Esse narrador é onisciente, capaz de relatar ao
leitor os pensamentos dos personagens, como registrado no caso de Ben-Hadade e
Acabe (1Rs. 20:12) ou na explicação da queda do Reino do Norte (2Rs 17:7-23).
O narratário é quem recebe a história contada pelo narrador. Na literatura
profética, o narratário pode ser um destinatário específico, diferente do leitor
implícito, que geralmente é o povo de Israel e/ou Judá. Entretanto, na maioria das
narrativas do Antigo Testamento, não há distinção entre o leitor implícito e o
narratário. De modo geral, na maior parte dos casos dos contos e narrações (do Antigo
Testamento), o autor implícito e o narrador se tratam da mesma pessoa, e o leitor
implícito e o narratário são idênticos.
Elementos internos
Três elementos internos dão vida à narrativa: ambiente, enredo e caracterização.
O ambiente abrange o local físico, o tempo e o contexto cultural da história. O enredo
trata da organização dos eventos narrativos. A caracterização, por fim, refere-se à
construção espiritual, moral e psicológica dos personagens, bem como aos papéis que
desempenham na trama.
Antes de examinar a narrativa, é importante que o intérprete identifique seus
limites. A técnica literária semítica é o "emolduramento" ou "inclusio", onde o autor
retorna a um tema, assunto ou palavras do início no final da narrativa. Além disso, as
subunidades das narrativas históricas podem ser organizadas simetricamente em
sequências paralelas ou de modo a focar no centro da narrativa.
As sequências paralelas (A B C; A’ B’ C’) equilibram duas subdivisões e
incentivam a comparação de detalhes. Por exemplo, em 1Reis 13:11-34, a ação gira
em torno do homem de Deus e do velho profeta:
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Na primeira parte, o velho profeta (A) ouve notícias do homem de Deus
(v. 11); (B) fala e ordena que seus filhos selem o jumento (v. 12,13); (C)
encontra o homem de Deus e o leva para casa consigo (v. 14,15); e (D)
proclama a mensagem de Deus (v. 20-22), que (E) em seguida se
cumpre (v. 23,24).
Na segunda parte, o velho profeta (A) ouve a notícia da morte do
homem de Deus (v. 25); (B’) fala e faz que seus filhos preparemo
jumento (v. 26,27); (C’) encontra o corpo do homem de Deus e o leva
de volta para casa (v. 28-30); e (D’) confirma a mensagem do Senhor (v.
31,32), que (E’) serve de exemplo do pecado que provocará a ruína da
dinastia de Jeroboão I (v. 33,34) (KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p.
234).
As narrativas históricas podem ser construídas em torno de um tema central
usando simetria concêntrica (A B C B’ A’, cf. 1Rs. 17:17-24) ou simetria quiástica (A B C
C’ B’ A, cf. 1Rs. 12:1-20). Ambas as formas têm um centro único que une as duas
metades e pode ser a principal ênfase da subunidade.
• Ambiente
Conhecer o ambiente de uma narrativa é essencial para sua interpretação. O
intérprete deve considerar fatores como:
Ambiente físico: Avaliar se o local é crucial para a ação. Por exemplo, na batalha
de Taanaque, a escolha de Sísera pela planície de Jezreel favorecia seus carros
de ferro, mas a lama causada por chuvas recentes imobilizou suas tropas,
permitindo a vitória de Baraque (Jz. 4-5).
Tempo: Considerar o impacto do tempo na narrativa. Por exemplo, o encontro
noturno de Jacó com o Anjo do Senhor (Gn. 32:22-24) aumenta o tom
dramático. A hora do dia e condições atmosféricas também são importantes,
como na vitória de Josué contra os gibeonitas (Js. 10:12-14).
Panorama cultural: Entender a cultura da época é fundamental devido à
distância temporal e de costumes. Por exemplo, na história de Rute,
compreender práticas como encontros noturnos na eira, negociações na porta
da cidade, resgate de propriedade e a instituição do levirato é crucial para uma
interpretação correta.
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Esses elementos, além de contribuírem para a compreensão das histórias,
também intensificam a narrativa.
• Enredo
O enredo de uma narrativa se refere ao encadeamento dos acontecimentos que
compõem a história, estruturando-a com começo, meio e fim. Cada parte contribui
para o todo, geralmente envolvendo um conflito ou contenda, e elementos de
suspense. Nas histórias bíblicas, como Daniel 2-7, o enredo é claro: o início dá-se com
um cenário definido, segue-se com complicações que só o herói pode resolver, e
culmina em uma solução que traz recompensas, evidenciando a obra de Deus. Por
exemplo, em Daniel 5, a história começa com o banquete de Belsazar, a crise surge
com a escrita misteriosa na parede, e se resolve quando Daniel interpreta a
mensagem, resultando na queda de Babilônia.
O enredo pode seguir motivos arquetípicos comuns, como:
Busca: O herói enfrenta obstáculos e provações para alcançar um objetivo (e.g.,
Davi).
Tragédia: A narrativa começa bem, vira para pior, mas termina com sucesso
(e.g., Daniel 3, 6).
Jornada: O herói enfrenta perigos durante uma peregrinação, que contribuem
para o seu crescimento (e.g., Abraão).
O entendimento desses elementos e suas inter-relações é fundamental para
interpretar as histórias bíblicas.
• Caracterização
O exemplo de Daniel 5 ilustra como o personagem impulsiona a ação que
constrói o enredo. Apesar disso, raramente são fornecidas descrições detalhadas das
personalidades dos personagens. Os críticos literários categorizam personagens como
esféricos, planos ou agentes:
Esféricos: Complexos e realistas, com muitos traços (e.g., Elias e Acabe em 1Reis
18-22).
Planos: Unidimensionais, com um único traço (e.g., Jezabel).
Agentes: Servem apenas para avançar a trama, sem personalidade própria (e.g.,
Obadias).
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Personagens são frequentemente classificados como protagonistas
(personagem principal), antagonistas (opõem-se ao protagonista) ou personagens
secundários que destacam características dos principais (e.g., Obadias e Jezabel).
Ações também podem destacar características, como a trapaça de Jacó em contraste
com Esaú, ou o amor de Davi pelo Senhor em contraste com reis subsequentes.
Reconhecer e usar esses elementos narrativos proporciona uma compreensão
mais profunda das histórias bíblicas e permite uma comunicação mais expressiva e
dramática. Isso torna as narrativas mais realistas, transformando os personagens
bíblicos em figuras reais com experiências comuns à humanidade.
1.1.3 Estilo de Narrativa
Repetição
As narrativas bíblicas geralmente utilizam diferentes formas de repetição, sendo
essa uma das características estilísticas mais reconhecíveis. A repetição pode ocorrer
em diversas formas, incluindo jogos de palavras, palavras-chave, temas, motivos,
diálogos e sequências de ações repetidas. Por exemplo:
Jogos de palavras: Abigail chama seu marido Nabal de insensato, confirmando
que ele faz jus ao nome (1Sm. 25:25).
Temas recorrentes: O tema do terceiro dia como um sinal de nova ênfase
espiritual aparece frequentemente no Antigo Testamento (e.g., Êx. 19:10-16).
Alianças: A aliança é um tema que percorre toda a Escritura, incluindo as
alianças com Abraão e Davi, e a nova aliança confirmada no sangue de Cristo.
Motivos: O Êxodo é um motivo central tanto no Antigo quanto no Novo
Testamento.
Diálogos repetidos: Roboão repete exatamente o conselho de seus jovens
conselheiros (1Rs. 12:8-14).
Repetições em grupos de três são comuns, como: José e seus três sonhos; O
Senhor chamando Samuel três vezes antes de Eli perceber que era Deus falando (1Sm.
3:1-9); A apostasia de Israel repetida várias vezes (Jz. 3:7,12; 4:1; 6:1; 10:6; 13:1).
Compreender essa convenção literária ajuda o intérprete a evitar a sugestão de
que tais repetições são meras adições editoriais.
Realce
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Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 12
O narrador frequentemente destaca um detalhe específico ou traço de
personalidade de um determinado indivíduo na história. Por exemplo, a pureza de
José é enfatizada em todas as narrativas de sua vida, assim como a devoção de Davi
a Deus e o compromisso de Daniel com o Senhor. Em contraste, o rei Acabe é
consistentemente apresentado como uma pessoa egoísta e até maligna.
Ironia
A ironia envolve o oposto do que se diz ou espera, e as narrativas do Antigo
Testamento tem uma variedade de exemplos disso. Por exemplo, a ironia dramática
ocorre quando o narrador revela ao leitor informações desconhecidas pelos
personagens. Por exemplo, nas narrativas de Reis, as mudanças políticas são
controladas por Deus, mesmo que os personagens não. Em 1Crônicas 21:1, Satanás
incita Davi a fazer o recenseamento, algo que Davi e seus seguidores desconhecem.
Em 2Samuel 24:1, o Senhor incita Davi, mas o leitor sabe que Satanás está por trás
disso, com permissão divina (cf. Jó. 1:12; 2:6).
Em resumo, quando o sentido superficial do texto contradiz o contexto, o autor
pode estar usando ironia, querendo que o leitor perceba essa figura de linguagem.
Sátira
A sátira busca demonstrar, através do ridículo ou da censura, a maldade ou
tolice de ações incorretas ou impensadas. Um exemplo é a história de Davi e Golias,
em que as provocações de Golias são ridicularizadas quando um pequeno pastor, com
a ajuda de Deus, derruba o poderoso guerreiro e o decapita com sua própria espada
(1Sm. 17:41-51). Outro exemplo de sátira é a resposta de Acabe ao rei arameu Ben-
Hadade: “[...] Dizei-lhe: Não se gabe quem se cinge como aquele que vitorioso se
descinge.” (1Rs. 20:11), sugerindo que Ben-Hadade não deve se gabar de vitória
enquanto ainda pode ser derrotado.
1.2 Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)
Os Evangelhos, focados na vida e ministério terreno de Jesus, compartilham
características comuns em forma e conteúdo, por conta disso, geralmente são
classificados no mesmo gênero literário. O Evangelho de Lucas é especial por fazer
parte de uma obra de dois volumes, incluindo também o livro de Atos. Lucas-Atos éparticularmente significativo, representando um quarto do Novo Testamento em
termos de extensão.
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Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 13
Baseando-se em James Bailey (1995), Osborne apresenta um processo de
quatro passos para analisar os gêneros no Novo Testamento:
1. Distinguir os tipos gerais de literatura: Compreender a estrutura das
narrativas, os padrões poéticos utilizados por Jesus, e os diferentes materiais
presentes nas epístolas, como ações de graças, parêneses e doxologias.
2. Analisar a alternância entre formas narrativas e de fala: Diferenciar entre
narrativas de pronunciamento, material dialógico, histórias de citação e
narrativas de milagre.
3. Reconhecer o repertório variado de gêneros do Novo Testamento:
Identificar e entender a diversidade de gêneros literários, incluindo encômios,
credos, orações, hinos, diatribes, listas de vícios e virtudes, códigos domésticos,
máximas, parábolas, provérbios, textos apocalípticos e monólogos.
4. Identificar as características estruturais dos gêneros: Compreender as
características específicas que definem e diferenciam os diversos gêneros
literários encontrados nos textos bíblicos.
Em seguida, tratamos acerca do gênero do Novo Testamento, a partir dos
mesmos autores anteriores. Nessa discussão, abarcamos os princípios hermenêuticos
e as diretrizes para interpretar os Evangelhos e o livro de Atos.
1.2.1 Evangelhos e Atos
A classificação dos Evangelhos canônicos é uma questão significativa no estudo
bíblico, já que compartilham características tanto com outros escritos cristãos
primitivos quanto com a literatura greco-romana. Em 1915, C. W. Votaw propôs que
os Evangelhos fossem classificados como "biografia greco-romana" (bios). Contudo,
em 1923, K. L. Schmidt contestou essa ideia, sugerindo que os Evangelhos fossem
escritos populares e um gênero literário único.
Hoje, muitos estudiosos ainda veem os Evangelhos como biografias greco-
romanas devido a várias semelhanças, como o prefácio formal em Lucas e temas que
promovem um "herói", Jesus Cristo. Entretanto, há diferenças significativas, como, por
exemplo, a falta de dados biográficos exaustivos sobre Jesus e a ausência de uma
ordem cronológica consistente. Constata-se ainda que todos os Evangelhos são
formalmente anônimos e foram escritos para um público cristão, diferentemente da
literatura greco-romana.
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Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 14
Considerando essas semelhanças e diferenças, foi viável classificar os
Evangelhos e Atos como um subgênero da narrativa histórica. Assim como as
narrativas históricas do Antigo Testamento, eles relatam fatos e são organizados de
maneira a comunicar a mensagem de Deus e exigir uma resposta de fé dos leitores.
O estilo literário dos quatro Evangelhos e do livro de Atos é muito semelhante
ao das narrativas históricas do Antigo Testamento. Lucas, particularmente, escreve ao
estilo da Septuaginta, refletindo a influência das Escrituras hebraicas e uma intenção
consciente de equiparar seu relato histórico aos modelos veterotestamentários. João
também faz referências à história da salvação desde a introdução do seu Evangelho.
Os quatro Evangelhos e Atos contêm numerosas citações diretas e alusões ao Antigo
Testamento, geralmente para mostrar o cumprimento de profecias. Por exemplo,
Mateus cita Isaías 7:14 para indicar a concretização da profecia sobre a virgem que
daria à luz um filho (Mt. 1:22,23).
Da mesma forma que as narrativas históricas do Antigo Testamento, os
Evangelhos e Atos contêm muitos diálogos que produzem um efeito dramático,
proporcionando uma compreensão mais profunda dos personagens. Por exemplo, no
Evangelho de João, a conversa entre Jesus e as autoridades judaicas revela a
incredulidade dessas autoridades ao rejeitarem a revelação de Cristo (Jo. 8:48-51).
As narrativas dos Evangelhos também contêm numerosos comentários
explícitos, como em Marcos 5:21-43, durante o relato da ressurreição da filha de Jairo,
o evangelista explica que a menina "tinha doze anos de idade". Do mesmo modo,
Lucas insere comentários editoriais em suas cronologias para clarificar os eventos.
Os Evangelhos e Atos também incluem relatos de experiências pessoais, como
a da mulher samaritana que, após conversar com Jesus, volta à sua cidade e diz: “Vinde
comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este,
porventura, o Cristo?!” (Jo. 4:29). Além disso, visões e sonhos são registrados, como a
visão de Paulo com o homem da Macedônia em Atos 16:9-10.
1.2.2 Hermenêutica Geral: Características dos Evangelhos
A interpretação de narrativas envolve duas tarefas principais: analisar a poética,
que estuda o aspecto artístico e a construção do texto pelo autor; e analisar o sentido,
que recria a mensagem comunicada pelo autor. Para compreender a poética e o
sentido dos Evangelhos, é fundamental entender: 1. Contexto histórico; 2. Contexto
literário; 3. Estrutura; 4. Cronologia e organização.
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Contexto histórico
O contexto histórico fornece informações sobre o ambiente cultural necessário
para compreender o propósito de um texto e reconstruir as situações específicas que
motivaram sua criação. Por exemplo, na cena de lava-pés em João 13, conhecer as
práticas culturais da época de Jesus é um ponto fundamental. Lavar os pés dos
convidados era uma tarefa destinada aos escravos não judeus e nunca desempenhada
por um superior. Jesus, ao assumir essa posição servil, demonstrou o verdadeiro
serviço e a atitude esperada de seus seguidores.
Sem compreender que essa tarefa era considerada degradante para os
discípulos e até mesmo para os escravos judeus, o significado e a relevância do ato
de Jesus não seriam tão evidentes. As áreas que fornecem informações mais úteis para
reconstruir o contexto histórico incluem geografia, política, economia, ciência militar,
práticas culturais e costumes religiosos. Recursos como dicionários, enciclopédias,
atlas bíblicos e outros materiais são valiosos para obter tais dados. Além disso, deve-
se considerar as alusões ao Antigo Testamento, à literatura do Segundo Templo e os
paralelos rabínicos, helenísticos e de Qumran.
O contexto histórico dos Evangelhos opera em dois níveis: a vida cotidiana no
tempo de Jesus (Sitz im Leben Jesu) e a vida cotidiana da igreja no tempo da
composição dos Evangelhos (Sitz im Leben der Kirche). Os Evangelhos registram
acontecimentos da vida terrena de Jesus, cujas declarações, milagres e sinais se
originaram de um contexto histórico específico. Ao passo que essas histórias foram
transmitidas, o contexto original foi se perdendo. Os evangelistas, escrevendo
posteriormente, adaptaram as histórias para um novo contexto histórico.
Determinar o contexto histórico de cada evangelista não é uma tarefa fácil, pois
os Evangelhos são formalmente anônimos. Para uma interpretação adequada, é útil
saber a quem Jesus dirigia seus ensinamentos (discípulos, multidões ou adversários).
A crítica da redação pode oferecer vislumbres sobre os modos de vida dos
evangelistas e suas comunidades. Por exemplo, Marcos pode ter enfatizado o medo e
a incompreensão dos discípulos para confortar cristãos gentios em Roma no período
da perseguição. Lucas escreveu, em parte, para defender o cristianismo contra
acusações de ser um movimento político subversivo, refletido em seu relato das
tribulações de Paulo perante autoridades romanas em Atos.
Contexto literário
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O sentido pretendido de qualquer passagem bíblica deve ser correspondente
ao contexto literário em que ocorre,o qual inclui o material antes e depois da
passagem em um Evangelho. Portanto, é necessário, primeiramente, verificar o
significado da passagem no contexto do livro em que ela ocorre (processo designado
de leitura “vertical”), para, então, fazer uma comparação da unidade textual em análise
com suas homólogas nos demais Evangelhos (processo designado de leitura
“horizontal”). A relevância do contexto reside, especialmente, no fato de ele fornecer
o fluxo do pensamento, o significado preciso das palavras e a relação correta entre as
unidades textuais.
Mateus e Marcos incluem a passagem acerca da decapitação de João Batista
imediatamente antes do episódio da multiplicação dos pães e peixes; Lucas e João
apresentam, respectivamente, o envio dos Doze e os testemunhos sobre Jesus.
Mateus, Marcos e João situam o incidente de Jesus caminhando sobre as águas,
enquanto Lucas posiciona a confissão de Pedro de que Jesus é o Messias. Embora
esses relatos descrevam o mesmo episódio, cada um deve ser interpretado a partir de
seu próprio contexto literário e do propósito do autor.
A composição dos Evangelhos seguiu os seguintes princípios: seletividade,
organização e adaptação. Os evangelistas selecionaram narrativas e ensinamentos
correspondentes aos seus objetivos e, ao mesmo tempo, organizaram e adaptaram
esse material conforme os interesses particulares deles e de suas comunidades.
O estudo literário das narrativas dos Evangelhos requer a compreensão de
como os elementos externos (autor, narrador e leitor) e os elementos internos
(ambiente, enredo, caracterização de personagens, estilo e tempo) funcionam no
gênero da narrativa histórica.
• Elementos externos
Autor: O autor real é quem escreveu o texto, mas o leitor nunca o vê
diretamente, apenas sua escrita. A persona no texto criada pelo autor é
chamada de autor implícito, uma figura literária sem voz que não se comunica
diretamente com o leitor. Por intermédio de inferências do texto, o intérprete
pode reconstruir os interesses e ênfases teológicas do autor implícito. O foco,
em geral, está no autor implícito, mas a presença do autor real firma a narrativa
no contexto histórico e ajuda a focar no sentido pretendido do texto.
Narrador: O narrador é uma figura literária ou recurso retórico criado pelo
autor para contar e interpretar uma narrativa. Ele opera um nível acima do texto
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e dos personagens, em relação a comunicação. O narratário é o destinatário da
história e pode ocasionalmente fazer parte da narrativa (um dos exemplos
incluem Atos 1:1).
Nos Evangelhos e Atos, o narrador não é um personagem da história, mas
sua presença é notável. Por exemplo, em João 1:1-18, a voz do narrador
proclama a entrada do Verbo divino no mundo. Geralmente, os narradores
usam a terceira pessoa, mas em algumas passagens de Atos, a primeira pessoa
é utilizada.
Diferentes formas de exposição são empregadas pelos narradores. Ao
fornecer informações fundamentais no início da história, o narrador permite que
os leitores compartilhem sua onisciência. Quanto mais direta e clara for a
narrativa, maior será a confiabilidade do narrador. Por exemplo, no Evangelho
de João, a exposição é cronológica, preliminar e concentrada, antecipando
temas que serão desenvolvidos à medida que a narrativa se desenvolve. Neste
Evangelho, o narrador é uma figura onisciente que, gradualmente, ganha maior
importância.
Os narradores dos Evangelhos e de Atos representam o ponto de vista
dos respectivos autores, servindo de voz dos autores implícitos. A clara distinção
do narrador e do autor implícito é útil, pois auxilia na identificação dos
comentários editoriais e costuras no texto que indicam seu significado. Esses
marcadores fornecem vislumbres acerca dos valores, ideologia e ponto de vista
do autor e podem aparecer como informações, comentários, explicações ou
juízos de valor. Tenha-se como exemplo a ressurreição da filha de Jairo (Mc.
5:41-43): “Ele tomou-a pela mão e disse-lhe: “Talita cumi!" (O que significa:
“Menina, eu digo a você, levante-se!”). Imediatamente a menina se levantou e
começou a andar em volta (ela tinha doze anos de idade)”. Nota-se que o
primeiro comentário de Marcos, traduzindo as palavras de Jesus ("O que
significa"), é facilmente identificável. A segunda observação, sobre a idade da
menina, é mais sutil, mas o intérprete atento percebe que foi acrescentada pelo
evangelista para reforçar a confiança do leitor no narrador. Comentários assim
aumentam a confiança do leitor na competência e na confiabilidade do
narrador.
Outro ponto está na importância de diferenciar a narrativa e o
comentário. Isso é claro no exemplo de João 3:1-21. O texto relata a conversa
entre Jesus e Nicodemos (2:23-25 serve como introdução e 3:16-21 um
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comentário do evangelista). Reconhecer que os versículos 16-21 são uma
explicação do evangelista (e não parte das palavras de Jesus a Nicodemos) ajuda
o leitor a entender melhor a passagem.
Leitor: O leitor é quem de fato lê a narrativa, aplicando-se principalmente ao
leitor contemporâneo. O leitor implícito, por outro lado, é aquele para quem o
autor originalmente escreveu o texto. Fazer essa distinção é crucial, pois a
mensagem foi inicialmente destinada aos leitores originais. A compreensão do
ambiente original da obra ajuda o intérprete a discernir melhor o objetivo
original do autor.
• Elemento internos
Ambiente: O ambiente de uma narrativa inclui a localização física, o tempo e o
contexto cultural em que a história ocorre.
Localização física: Pode ser fundamental para entender os eventos. Em
Marcos 6:45-63, Jesus anda sobre o mar e acalma o vento, evidenciando seu
poder sobre a natureza. Situar esse episódio após o milagre dos pães realça a
autoridade de Jesus.
Tempo: Por exemplo, após a cena do lava-pés e a predição da traição, o
autor menciona "E era noite" (Jo. 13:1-30), indicando tanto a noite literal quanto
um momento de trevas espirituais, detalhe que aumenta a intensidade
dramática e destaca a influência de Satanás (cf. Jo. 13:2,27).
Contexto cultural: Fornece importantes pistas interpretativas. Consultar
Bíblias de estudo e comentários pode ajudar a entender melhor o contexto
cultural das narrativas.
Enredo: É o arranjo dos acontecimentos na história, centrado em um conflito
(físico, psicológico ou espiritual) e suspense (curiosidade, temor,
pressentimento ou mistério). Nos Evangelhos, o enredo varia de acordo com a
intenção de cada evangelista, embora contenham a mesma história. A interação
entre personagens principais e secundárias fornece importantes pistas sobre o
significado da passagem. Por exemplo, Marcos, com frequência, enfatiza a
incapacidade dos discípulos de entender a identidade messiânica de Jesus,
enquanto Mateus não se detém tanto nessa falta de percepção. Os evangelistas
organizaram os episódios de modo a refletir suas ênfases teológicas.
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Caracterização de personagens: As personagens nas narrativas são
classificadas como redondas, planas ou figurantes. A caracterização das
personagens e suas interações é crucial para entender o desenvolvimento do
enredo. Jesus, por exemplo, é um personagem plano, pois, deferentemente de
outras personagens, não cresce. O que cresce é a percepção das pessoas em
relação a Ele. Já os personagens redondos e figurantes interagem e influenciam
o enredo de maneiras mais complexas.
Uma narrativa contém personagem protagonistas ou antagonistas: Jesus
é o protagonista nos quatro Evangelhos; os antagonistas podem se opor ao
protagonista (como as autoridadesjudaicas) ou realçar contrastes (como
Nicodemos e a mulher samaritana).
Estilo: Os recursos literários mais comuns nos Evangelhos e em Atos são:
diálogo, repetição, ironia, mal-entendidos e simbolismo.
Diálogo: Nos Evangelhos e Atos, os diálogos são usados para desenvolver
a narrativa, revelando o caráter das personagens e acentuando o drama,
especialmente em confrontos. Nos Sinóticos, Jesus ensina através de aforismos
e parábolas; já em João, Jesus e seus adversários se expressam em estilo joanino,
com discursos mais extensos e reflexivos.
Repetição: Um recurso estilístico comum nos Evangelhos e Atos,
ocorrendo em palavras, temas, imagens e cenas. Embora pareça entediante para
os padrões literários modernos, a repetição ressalta e esclarece assuntos
importantes, adaptando-se ao contexto para avançar a narrativa. Por exemplo,
no Evangelho de João, os sinais repetidos de Jesus (milagrosos e não
milagrosos) confirmam sua divindade e messianismo.
Ironia: Aparece quando o sentido superficial contradiz o contexto. Em
João 11.49-50: “Caifás, porém, um dentre eles, sumo sacerdote naquele ano,
advertiu-os, dizendo: Vós nada sabeis, nem considerais que vos convém que
morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação”. Jesus
realmente morreu pelo mundo, mas a nação judia ainda pereceu, uma ironia
evidente para os leitores de João.
Mal-entendidos: Os Evangelhos frequentemente mostram personagens
secundárias entendendo mal as declarações de Jesus, criando oportunidades
para esclarecimento teológico. Em João, por exemplo, Nicodemos entende o
novo nascimento literalmente em vez de espiritual (Jo. 3;4).
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Símbolos: Conectam níveis concretos e abstratos de significado. Nos
Evangelhos e Atos, Jesus usa símbolos como "Eu sou a videira verdadeira [...]"
(Jo. 15:1) A videira ou a vinha é utilizada com frequência para simbolizar Israel,
pois com esse símbolo, Jesus se apresenta como o máximo contraste em relação
ao Israel infiel. A intenção do autor é simbolizar a intimidade comunicada pela
relação orgânica e vital entre os ramos e a videira.
Tempo narrativo: O tempo narrativo compreende os seguintes fatores: ordem,
duração e frequência dos acontecimentos da narrativa.
Ordem: A sequência dos eventos na narrativa pode ser linear ou incluir
anacronismos (eventos fora da ordem cronológica). Nos Evangelhos e Atos,
anacronismos como analepses (retornos ao passado) e prolepses (antecipações
do futuro) são empregados para intensificar o drama e preencher lacunas. Por
exemplo, em João 1:19-51, diversas analepses e prolepses dão origem a uma
sequência narrativa distinta da sequência histórica.
Duração: Refere-se à relação entre a extensão da narrativa e a passagem
do tempo na história. Embora algumas vezes o tempo da história e o tempo
narrativo coincidam, geralmente são distintos. Por exemplo, em João 11:1-44, a
narrativa sobre Lázaro desacelera na segunda parte, dando a impressão de que
os tempos da história e da narrativa são os mesmos, concentrando-se em
minutos de ação.
Frequência: É o número de vezes que um evento é narrado. Como dito, a
repetição é um recurso estilístico comum. Em Atos, por exemplo, o Espírito
Santo desce repetidamente de maneira similar sobre diferentes pessoas. Nos
Evangelhos, a repetição ocorre nos ensinamentos, milagres, parábolas, sinais,
curas, e exorcismos de Jesus, reforçando importantes temas e acontecimentos.
Estrutura
Os princípios de seletividade, organização e adaptação também são aplicados
à estrutura dos Evangelhos. Os evangelistas organizaram seus relatos de maneira
diferente, seja em nível macro ou micro. A compreensão dessa estrutura revela o foco
ideológico do autor. Mas, antes de identificar o foco ideológico ou os juízos de valor,
deve-se esclarecer o enredo e a estrutura. A estrutura serve como ferramenta
interpretativa para entender a mensagem do autor.
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1. Mateus
A estrutura do Evangelho de Mateus se concentra nos cinco grandes discursos
que apresentam os ensinamentos de Jesus nos capítulos 5-7, 10:5-42, 13:1-52, 18:1-
35 e 24-25. Cada discurso é separado das porções narrativas adjacentes por frases de
conclusão semelhante a “Ao concluir Jesus esse discurso [...]” (cf. Mt. 11:1; 13:53; 19:1).
Esses cinco “livros de Jesus” correspondem simbolicamente aos cinco livros de Moisés
(Pentateuco), demonstrando Jesus como o “novo Moisés” (tema teológico principal).
O primeiro discurso, o Sermão do Monte (Mt. 5-7), relaciona os ensinamentos de Jesus
aos de Moisés, como se observa abaixo:
INTRODUÇÃO (1.1-4.11)
I. MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA (4.12-18.35)
A. Primeira parte do ministério na Galileia (4.11-25)
DISCURSO n.° 1: SERMÃO DO MONTE (5-7)
B. Segunda parte do ministério na Galileia (8-9)
DISCURSO n.° 2: INSTRUÇÃO AOS DOZE (10)
C. Terceira parte do ministério na Galileia (11-12)
DISCURSO n.° 3: PARÁBOLAS DO REINO (13)
D. Ministério na Galileia estende-se para o norte (13.53-17.27)
DISCURSO n.º 4: PARÁBOLAS DO REINO (18)
II. MINISTÉRIO DE JESUS NA JUDEIA E SUA PAIXÃO (19-28)
A. Ministério na Judeia (19-20)
Ministério final em Jerusalém (21-23)
B. DISCURSO n.° 5: DISCURSO NO MONTE DAS OLIVEIRAS,
PARÁBOLAS DO REINO (24-25)
C. Paixão, ressurreição e a Grande Comissão (26-28)
(KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 374).
2. Marcos
O Evangelho de Marcos apresenta o ministério de Jesus primeiro na Galileia e
depois em Jerusalém. O ponto de virada principal centra-se na confissão de Pedro
sobre Jesus em 8:26,27. Marcos ressalta Jesus como o Filho de Deus (tema teológico
principal), culminando com a confissão do centurião em 15:39. Sua estrutura básica é
apresentada da seguinte maneira:
I. INTRODUÇÃO (1.1-18)
II. MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA (1.16-8.26)
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A. Primeira parte do ministério na Galileia (1.16-3.12)
B. Segunda parte do ministério na Galileia (3.13-5.43)
C. Terceira parte do ministério na Galileia (6.1-8.26)
III. O CAMINHO ATÉ A CRUZ (8.27-16.8)
A. O caminho do sofrimento e da glória (8.27-10.52)
B. Ministério final em Jerusalém (11.1-13.37)
C. A Paixão e o sepulcro vazio (14.1-16.8)
(KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 375).
3. Lucas/Atos
Lucas/Atos é uma obra em dois volumes. O Evangelho de Lucas foca na viagem
de Jesus a Jerusalém, culminando na crucificação; Atos narra a expansão da igreja de
Jerusalém aos confins da terra. Lucas reconhece o emprego de diversas fontes para
compilar sua narrativa (Lc. 1:1-4). Sua cronologia geral é semelhante à de Marcos e
Mateus, com fases do ministério de Jesus na Galileia seguidas pela jornada até
Jerusalém.
I. INTRODUÇÃO (1.1-4.13)
A. Prefácio (1.1-4)
B. Nascimento de Jesus e de João Batista e a infância de Jesus (1.5-
2.52)
II. MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA (4.14-9.50)
A. Primeira parte do ministério na Galileia (4.14-7.50)
B. Segunda parte do ministério na Galileia (8.1-39)
C. Terceira parte do ministério na Galileia e sua saída da região
(8.40-9.50)
III. VIAGEM DE JESUS A JERUSALÉM E SUA PAIXÃO (9.51-24.53)
A. Narrativa de Lucas da viagem (9.51-19.27)
B. Ministério final em Jerusalém (19.28-22.38)
C. Crucificação, ressurreição e ascensão de Jesus (22.39-24.53)
(KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 376-377).
Diferentemente de Mateus, que retrata Jesus principalmente como o Messias
judaico, o Evangelho de Lucas apresenta Jesus como o "filho de Adão, e filho de
Deus" (Lc. 3:38) (tema teológico principal). Lucas retrata Jesus em companhia de
pessoas consideradas "pecadoras", mostrando-o como amigo dospecadores e um
"médico" compassivo. Jesus se interessa especialmente pelos desfavorecidos
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Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 23
socialmente, como os pobres, gentios, mulheres e crianças. A missão de Jesus é
resumida em Lucas 19:10: "Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido".
No livro de Atos, Jesus, por meio do Espírito Santo, guia a igreja enquanto ela
testemunha ousadamente a ressurreição e supera obstáculos, incluindo contestações
judiciais perante autoridades romanas. O livro conclui com Paulo proclamando
livremente o evangelho em Roma, indicando a expansão irresistível do evangelho (At.
28:15-31).
I. FUNDAMENTOS DA IGREJA E DA SUA MISSÃO (1.1-2.41)
A. Prefácio (1.1-5)
B. Jerusalém: aguardando o Espírito (1.6-26)
C. Pentecostes: o nascimento da igreja (2.1-41)
II. A IGREJA EM JERUSALÉM (2.42-6.7)
A. A igreja primitiva (2.42-47)
B. Um milagre e suas consequências (3.1-4.31)
C. Problemas internos e externos (4.32-6.7)
III. HORIZONTES MAIORES PARA A IGREJA: ESTÊVÃO, SAMARIA E SAULO
(6.8-9.31)
A. Sofrimento: um dos servos é preso e martirizado (6.8-8.1a)
B. Palestina e Síria: Filipe, Saulo e Pedro (8-9)
IV. PEDRO E O PRIMEIRO CONVERTIDO GENTIO (9.32-12.24)
A. Pedro cura e ressuscita uma mulher (9.32-43)
B. Pedro visita Cornélio em Cesareia (10)
C. Pedro se reporta à igreja de Jerusalém (11.1-18)
D. A igreja em Antioquia (11.19-29)
E. O martírio de Tiago, a prisão de Pedro e o fim ignominioso de
Herodes (12)
V. PAULO SE DIRIGE AOS GENTIOS (12.25-16.5)
A. A primeira viagem missionária (12.25-14.28)
B. O Concílio de Jerusalém (15.1-35)
C. Início da segunda viagem missionária (15.36-16.5)
VI. MAIOR PENETRAÇÃO NO MUNDO GENTIO (16.6-19.20)
A. Segunda viagem missionária (16.6-18.22)
B. Terceira viagem missionária (18.23-19.20)
VII. EM DIREÇÃO A ROMA (19.21-28.31)
A. De Efeso a Jerusalém (19.21-21.16)
B. Última visita de Paulo a Jerusalém; Paulo é levado para Cesareia
(21.17-23.35)
C. Defesa de Paulo perante Félix, Festo e Agripa (24.1-26.32)
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D. Viagem de Paulo a Roma (27.1-28.31)
(KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 377-378).
4. João
No Evangelho de João verifica-se uma estrutura simétrica, dividida em
introdução, duas metades, e um epílogo. Na introdução, Jesus é apresentado como
o Verbo preexistente que se fez carne e revelou Deus Pai (tema teológico principal),
mas o restante da narrativa deve ser interpretado em termos de Jesus revelando a
Deus em palavra e ações (inclusive, a cruz). A primeira metade do livro apresenta sete
sinais de Jesus, revelando seu caráter messiânico; a segunda metade centra-se na
purificação e instrução da nova comunidade messiânica, seguida pela narrativa da
Paixão e das aparições pós-ressurreição. João declara que todo aquele que crê em
Cristo será digno da vida eterna.
I. INTRODUÇÃO: O VERBO SE FEZ CARNE (1.1-18)
II. O LIVRO DOS SINAIS: OS SINAIS DO MESSIAS (1.19-12.50)
A. O precursor, primeiros sinais de Jesus e conversas
representativas (1.19-4.54)
B. Mais sinais em meio à incredulidade crescente (5-10)
C. Última Páscoa: o sinal culminante e outros eventos (11.1-12.50)
III. O LIVRO DA EXALTAÇÃO: A NOVA COMUNIDADE MESSIÂNICA (13-
20)
A. Purificação e instrução da nova comunidade da aliança (13-17)
B. Narrativa da Paixão (18-19)
C. Ressurreição e aparições de Jesus e a comissão dos discípulos
(20.1-29)
D. Declaração de propósito (20.30,31)
IV. EPÍLOGO: PAPÉIS COMPLEMENTARES DE PEDRO E DO DISCÍPULO
AMADO (21)
A. Terceira aparição de Jesus, a sete discípulos na Galileia (21.1-
14)
B. Jesus e Pedro (21.15-19)
C. Jesus e o discípulo a quem Jesus amava (21.20-25)
(KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 379).
Cronologia e a organização
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A cronologia e a organização dos quatro Evangelhos e de Atos fornecem uma
ferramenta interpretativa para o entendimento da mensagem transmitida pelos
evangelistas. Algumas vezes, um Evangelho pode refletir tanto uma organização
cronológica quanto tópica, sem que uma exclua a outra. Em outras situações, é
possível que o mesmo acontecimento seja narrado em diferentes contextos
cronológicos.
1. Mateus
A organização do Evangelho de Mateus reflete atividade redacional causada por
razões estilísticas, teológicas e temáticas. Estruturado em torno de cinco grandes
discursos (cap. 5-7; 10:5-42; 13:1-52; 18:1-35; 24-25), cada discurso é separado por
marcadores de transição conclusivos como “Ao concluir Jesus esse discurso...” (Mt.
7:28; 11:1; 13:53; 19:1; 26:1). Algumas vezes, Mateus opta por uma organização
temática ao invés de cronológica para melhor atender seus objetivos como autor.
2. Marcos
Marcos, em geral, apresenta o ministério de Jesus seguindo um padrão
geográfico, da Galileia para Jerusalém. O ponto de virada é a confissão de Pedro de
que Jesus é o Messias (Mc. 8:29). Apesar de Marcos seguir principalmente uma
abordagem cronológica, ele também organiza seu material tematicamente, como nos
capítulos 4-5, onde evidencia a autoridade de Jesus sobre a natureza (Mc. 4:35-41), os
demônios (Mc. 5:1-20), a morte (Mc. 5:21-24; 35-43) e as enfermidades (Mc. 5:25-34).
3. Lucas/Atos
O Evangelho de Lucas organiza-se em torno de um tema geográfico com ênfase
em Jerusalém, o que é destacado na cena da tentação, onde Lucas inverte a ordem
das tentações registradas em Mateus para concluir com a tentação no Templo de
Jerusalém. O “relato de viagem” de Jesus a Jerusalém ocupa quase dez capítulos (Lc.
9:51-19:27). Seguido da Paixão de Jesus em Jerusalém, o livro de Atos inicia em
Jerusalém e se expande para a Judeia, Samaria e, por fim, às nações gentílicas (At 1:8),
refletindo a missão de Paulo e cumprindo as predições do Antigo Testamento.
4. João
O Evangelho de João segue um padrão cronológico, sendo organizado em
torno de sete sinais messiânicos (cap. 2-11) que revelam Jesus como “o Cristo” e “o
Hermenêutica Bíblica |
Conclusão
Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 26
Filho de Deus” (Jo. 20:30-31). Esses sinais foram relevantes para convencer os judeus
de que Jesus é o Filho messiânico enviado por Deus Pai. Já a segunda metade do
Evangelho prevê a exaltação de Jesus ao lado de Deus e demonstra Jesus preparando
sua nova comunidade messiânica para a missão após sua crucificação, ressurreição e
ascensão.
Conclusão
A partir do estudo do gênero, em especial a forma de narrativa histórica no
Antigo e no Novo Testamento, constatamos que para uma interpretação correta das
Escrituras é necessário compreender os eventos passados, o propósito divino e a
interação de Deus com a humanidade. No Antigo Testamento, vimos que as narrativas
históricas fornecem o contexto para a formação do povo de Israel, suas alianças com
Deus e a preparação para a vinda do Messias. No Novo Testamento, as narrativas dos
Evangelhos e Atos documentam a vida, o ministério, a morte e a ressurreição de Jesus
Cristo, bem como a expansão inicial da Igreja.
O entendimento dessas narrativas históricas nos ajuda a reconhecer a
continuidade do plano redentor de Deus, a importância dos eventos históricos para a
fé cristã e a relevância dos ensinamentos bíblicos para a vida contemporânea,
permitindo uma aplicação mais profunda e precisa dos princípios bíblicos.
Referências
BAILEY, J. L. “Genre Analysis”. In: GREEN, J. B. Hearing the New Testament: Strategies
for Interpretation. Grand Rapids: Eerdmans, 1995, p. 197-221.
KOSTENBERGER, A. J.; PATTERSON, R. D. Convite à interpretação bíblica: a tríade
hermenêutica. Trad. Daniel H. Kroker, Marcus Throup, Thomas de Lima. São Paulo:
Vida Nova, 2015.
OSBORNE,G. R. A espiral hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação
bíblica. Trad. Daniel de Oliveira, Robinson N. Malkomes, Sueli da Silva Saraiva. São
Paulo: Vida Nova, 2009.
Hermenêutica Bíblica |
Referências
Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 27
Sumário
Introdução
1 Literatura: Gênero
1.1 Antigo Testamento: Narrativa Histórica
1.1.1 Tipos de Narrativa Histórica
1.1.2 Elementos da Narrativa Histórica
1.1.3 Estilo de Narrativa
1.2 Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)
1.2.1 Evangelhos e Atos
1.2.2 Hermenêutica Geral: Características dos Evangelhos
Conclusão
Referências