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Disciplina | 
Introdução 
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 1 
 
 
 
 
 
DISCIPLINA 
HERMENÊUTICA BÍBLICA 
 
CONTEÚDO 
Hermenêutica Geral: 
Foco no Gênero 
 
Hermenêutica Bíblica | 
Sumário 
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 2 
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G892 
GRUPO FOCUS DE EDUCAÇÃO. Hermenêutica Bíblica: Hermenêutica Geral - Foco no Gênero / 
Org. Vitor Matheus Krewer. – Cascavel: Grupo Focus de Educação, Focus, 2024. 
27 P. 
1. Hermenêutica I. Krewer, Vitor Matheus. II. Título. 
CDD 121 ed.: 121.6 
http://www.faculdadefocus.com.br/
mailto:tutoria@faculdadefocus.com.br
http://www.faculdadefocus.com.br/
Hermenêutica Bíblica | 
Sumário 
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 3 
Sumário 
Sumário ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
Introdução -------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
1 Literatura: Gênero ----------------------------------------------------------------------------------- 4 
1.1 Antigo Testamento: Narrativa Histórica -------------------------------------------------------------------- 4 
1.1.1 Tipos de Narrativa Histórica ------------------------------------------------------------------------------------------ 5 
1.1.2 Elementos da Narrativa Histórica ----------------------------------------------------------------------------------- 8 
1.1.3 Estilo de Narrativa ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 11 
1.2 Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos) ---------------------------------------- 12 
1.2.1 Evangelhos e Atos ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 13 
1.2.2 Hermenêutica Geral: Características dos Evangelhos ------------------------------------------------------- 14 
Conclusão -------------------------------------------------------------------------------------------------- 26 
Referências ------------------------------------------------------------------------------------------------ 26 
 
 
Hermenêutica Bíblica | 
Introdução 
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 4 
Introdução 
Esta unidade tem como foco o gênero, um dos elementos que integram a 
literatura com foco nas Escrituras. O gênero nos ajuda a identificar e a compreender 
as diferentes formas literárias presentes na Bíblia, cada uma com suas próprias regras 
e convenções interpretativas. Descrevemos a forma literária da narrativa histórica, 
tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. No Antigo Testamento, destacamos os 
Tipos de Narrativa Histórica, Elementos da Narrativa Histórica, Estilo de Narrativa; no 
Novo Testamento, a Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos), Evangelhos e Atos e as 
Características dos Evangelhos. 
 
1 Literatura: Gênero 
 
 
1.1 Antigo Testamento: Narrativa Histórica 
A narrativa é um gênero literário que combina períodos e parágrafos para 
formar discursos, episódios ou cenas. Compreender a verdadeira natureza da narrativa 
é fundamental para uma interpretação precisa. A relevância do estudo das unidades 
narrativas do texto bíblico é evidenciada pelo sentido, que está no texto como um 
todo, não em segmentos isolados. As narrativas podem aparecer como conto, 
narração e relato. Na maioria das vezes, elas são apresentadas como dramas (contos), 
sinalizando a importância de certos acontecimentos. Esses contos geralmente incluem 
Hermenêutica Bíblica | 
Literatura: Gênero 
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 5 
narrações históricas de falas ou diálogos que compõem as cenas ou episódios. Os 
diálogos geralmente são o ponto central de uma narrativa, e os contos podem conter 
um ou mais relatos. 
 
O gênero deve ser concebido, conforme pensamos, como um 
agrupamento de obras literárias baseado teoricamente tanto na forma 
exterior (métrica ou estrutura específica) quanto, também, na fornia 
interna (atitude, tom, propósito - grosso modo, assunto e público) 
(OSBORNE, 2009, p. 228). 
 
Na sequência, descrevemos sobre o gênero do Antigo Testamento, com base 
em Osborne (2009) e Kostenberger e Patterson (2015). 
 
1.1.1 Tipos de Narrativa Histórica 
Contos 
A maior parte das informações históricas do Antigo Testamento é apresentada 
em forma de contos, como os relatos dos patriarcas em Gênesis, os juízes durante a 
ocupação da Terra Prometida, e as crônicas de Davi nos livros de Samuel. Contos como 
os de Salomão em 1Reis 3 e 10:1-13 e os profetas Elias e Eliseu em 1Reis 17-19 e 2 
Reis 2-8; 13:14-21 também são exemplos. Embora sejam contos, isso não implica que 
não sejam fatuais; pois falam de pessoas e acontecimentos reais e complexos. O 
intérprete deve valorizar esses contos, reconhecendo que eles trazem narrativa 
histórica e ajudam no entendimento das condições mais amplas. É importante 
distinguir contos das narrações e relatos estritamente históricos, reconhecendo que 
muitos elementos narrativos são mais proeminentes nos contos. 
 Um dos principais componentes dos contos do Antigo Testamento é o 
discurso oral integrado. Na narrativa acerca de José, em Gênesis, os discursos e 
diálogos mostram-se essenciais. Os relatos dos sonhos de José incitam seus irmãos a 
vendê-lo como escravo. No Egito, detalhes de sua vida, como mordomo na casa de 
Potifar e as investidas da mulher de Potifar, são descritos por meio de diálogos. José 
acaba na prisão por conta das acusações da mulher de Potifar, e lá, suas conversas 
com o copeiro e o padeiro, interpretando seus sonhos, levam-no à presença do faraó. 
Após interpretar os sonhos do faraó, José é nomeado responsável pelos assuntos 
econômicos do Egito. A narrativa evidencia os diálogos como pontos determinantes, 
com o narrador retomando a sequência dos eventos após os discursos diretos dos 
personagens. 
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Literatura: Gênero 
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 6 
Embora fosse possívelcontar a história de José de forma exclusivamente 
narrativa, os discursos e diálogos adicionam um efeito dramático e proporcionam um 
entendimento mais profundo dos personagens. O autor estruturou o conto de forma 
que esses diálogos são momentos decisivos na narrativa. Portanto, denota-se a 
necessidade de o intérprete se concentrar nos discursos orais presentes, o que 
melhora a compreensão dos personagens, mas também imerge o leitor no fluxo e nas 
ações do contexto geral. 
Outro elemento frequente nos contos bíblicos é a descrição, que destaca o 
cenário da narrativa ou os personagens envolvidos. Isso inclui detalhes do ambiente 
e outros indicadores contextuais que conectam a história à narrativa anterior e 
subsequente. Além disso, os contos bíblicos frequentemente contêm comentários do 
autor, com a função de esclarecer elementos específicos da história ou destacar a 
importância das ações dos personagens e eventos. Nota-se ainda que vários desses 
elementos (discurso, diálogo, descrição e comentário), ou mesmo todos eles, podem 
estar presentes num único contexto, como, por exemplo em Êxodo 15:22-24: 
 
Descrição: Fez Moisés partir a Israel do mar Vermelho, e saíram para o deserto 
de Sur; caminharam três dias no deserto e não acharam água. Narrativa: Afinal, 
chegaram a Mara; todavia, não puderam beber as águas de Mara, porque eram 
amargas; Comentário: por isso, chamou-se-lhe Mara. Narrativa: E o povo 
murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber? 
 
Narrações 
Extensas seções da narrativa do Antigo Testamento, como o Pentateuco e os 
livros históricos (Josué a Ester), foram escritas na forma de narrações históricas. Esses 
textos utilizam eventos do passado escolhidos para construir uma história coerente, 
guiada pela iluminação do Espírito Santo e, em alguns casos, pela revelação divina 
direta. Os dados históricos têm conteúdo teológico, doxológico (escrito em última 
análise por Deus e para a glória dele) e didático (para ensinar do comportamento e 
conduta corretos), além de serem elaborados com beleza literária. Assim, a narrativa 
bíblica é informativa e estimula uma reação correta do leitor, pois é uma história 
teológica deliberada. Por exemplo, o livro de Crônicas reflete a perspectiva divina e a 
ideologia da Bíblia hebraica, funcionando como um comentário teológico da história 
israelita. A história bíblica é sagrada, preocupando-se com os caminhos de Deus para 
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Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 7 
a humanidade, com atos divinos, frequentemente, percebidos por ações de agentes 
humanos, como reis ou rebeldes. 
Kostenberger e Patterson (2015) mencionam como exemplo Josué 24: Josué 
reúne a liderança e os cidadãos de Israel em Siquém para seu discurso de despedida. 
Ele revisita eventos marcantes na história de Israel: o chamado de Abraão, o Êxodo, a 
travessia do Mar Vermelho, as peregrinações no deserto e a conquista da Terra 
Prometida (v. 1-13). Josué ressalta a liderança soberana e graciosa de Deus e a 
provisão divina ao longo dessa jornada, enfatizando que tudo foi dirigido para a glória 
de Deus. A narrativa é estruturada em quatro seções (v. 2-4, 5-7, 8-10, 11-13) e inclui 
uma metáfora sobre "vespões" para ilustrar a derrota dos povos de Canaã. Josué, 
então, motiva o povo a responder com fidelidade a Deus, que sempre foi fiel a eles. A 
narrativa registra que o povo responde positivamente ao desafio de Josué (v. 16-24), 
seguido por um ato de renovação da aliança (v. 25-27). 
Essa narrativa histórica documenta a resposta do povo nos dias de Josué e 
influencia os leitores das Escrituras (2Tm. 3:16). Ela sublinha que, assim como Israel, o 
povo de Deus de todas as épocas precisa de uma relação genuína com Deus, 
permitindo que Ele viva através deles para seu bem e para a glória divina. Deus deve 
ter o primeiro lugar na vida do que crê (Dt. 6:4-5; Pv. 3:5-6; cf. Mt. 22:37-40). 
Portanto, a narração “trata-se de uma apresentação seletiva dos fatos destinada 
a apresentar uma avaliação teológica desse registro — uma avaliação que produzirá 
uma resposta espiritual e ética adequada da parte do leitor.” (KOSTENBERGER; 
PATTERSON, 2015, p. 231). 
 
Relatos 
As narrativas bíblicas também contêm um relato que fornece informações 
acerca da natureza histórica. Seus exemplos são abundantes na Escritura, como 
descrevem Kostenberger e Patterson (2015, p. 232): 
 
As narrativas do Antigo Testamento são repletas de vários relatos (e.g., 
2Cr 34.14-18; 2Sm 20.18-23,35-42). No gênero profético, deparamos 
com um tipo especial de relato, denominado relato vocacional, que 
conta o chamado e a comissão do profeta para o ministério. O Antigo 
Testamento também contém muitos relatos de batalha (e.g., Gn 14.1-
12; Js 10.1-15; 1Sm 31.1-7; 2Sm 1.1-10; 1Rs 22.29-38; 2Rs 25.1-21; etc.). 
Há também os relatos de recenseamentos (Nm 1.17-46; Nm 26.1-62; 
2Sm 24.4-9) e vários outros tipos de relatos (e.g., 1Rs 6-7; Ed 5.6-17). 
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Literatura: Gênero 
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 8 
 
1.1.2 Elementos da Narrativa Histórica 
Elementos externos 
 A análise literária distingue três elementos externos: autor, narrador e leitor. O 
autor real é quem escreveu a narrativa, enquanto o autor implícito é a figura que 
conhecemos pelas palavras do texto. O leitor pode ser tanto o destinatário original 
quanto qualquer pessoa que leia o texto, sendo imprescindível que o intérprete se 
coloque no lugar do leitor implícito para aplicar corretamente a narrativa ao contexto 
contemporâneo. O narrador é quem conta a história, podendo ser o autor implícito 
nas narrativas do Antigo Testamento. Esse narrador é onisciente, capaz de relatar ao 
leitor os pensamentos dos personagens, como registrado no caso de Ben-Hadade e 
Acabe (1Rs. 20:12) ou na explicação da queda do Reino do Norte (2Rs 17:7-23). 
O narratário é quem recebe a história contada pelo narrador. Na literatura 
profética, o narratário pode ser um destinatário específico, diferente do leitor 
implícito, que geralmente é o povo de Israel e/ou Judá. Entretanto, na maioria das 
narrativas do Antigo Testamento, não há distinção entre o leitor implícito e o 
narratário. De modo geral, na maior parte dos casos dos contos e narrações (do Antigo 
Testamento), o autor implícito e o narrador se tratam da mesma pessoa, e o leitor 
implícito e o narratário são idênticos. 
 
Elementos internos 
Três elementos internos dão vida à narrativa: ambiente, enredo e caracterização. 
O ambiente abrange o local físico, o tempo e o contexto cultural da história. O enredo 
trata da organização dos eventos narrativos. A caracterização, por fim, refere-se à 
construção espiritual, moral e psicológica dos personagens, bem como aos papéis que 
desempenham na trama. 
Antes de examinar a narrativa, é importante que o intérprete identifique seus 
limites. A técnica literária semítica é o "emolduramento" ou "inclusio", onde o autor 
retorna a um tema, assunto ou palavras do início no final da narrativa. Além disso, as 
subunidades das narrativas históricas podem ser organizadas simetricamente em 
sequências paralelas ou de modo a focar no centro da narrativa. 
As sequências paralelas (A B C; A’ B’ C’) equilibram duas subdivisões e 
incentivam a comparação de detalhes. Por exemplo, em 1Reis 13:11-34, a ação gira 
em torno do homem de Deus e do velho profeta: 
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Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 9 
 
Na primeira parte, o velho profeta (A) ouve notícias do homem de Deus 
(v. 11); (B) fala e ordena que seus filhos selem o jumento (v. 12,13); (C) 
encontra o homem de Deus e o leva para casa consigo (v. 14,15); e (D) 
proclama a mensagem de Deus (v. 20-22), que (E) em seguida se 
cumpre (v. 23,24). 
Na segunda parte, o velho profeta (A) ouve a notícia da morte do 
homem de Deus (v. 25); (B’) fala e faz que seus filhos preparemo 
jumento (v. 26,27); (C’) encontra o corpo do homem de Deus e o leva 
de volta para casa (v. 28-30); e (D’) confirma a mensagem do Senhor (v. 
31,32), que (E’) serve de exemplo do pecado que provocará a ruína da 
dinastia de Jeroboão I (v. 33,34) (KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 
234). 
 
As narrativas históricas podem ser construídas em torno de um tema central 
usando simetria concêntrica (A B C B’ A’, cf. 1Rs. 17:17-24) ou simetria quiástica (A B C 
C’ B’ A, cf. 1Rs. 12:1-20). Ambas as formas têm um centro único que une as duas 
metades e pode ser a principal ênfase da subunidade. 
 
• Ambiente 
Conhecer o ambiente de uma narrativa é essencial para sua interpretação. O 
intérprete deve considerar fatores como: 
Ambiente físico: Avaliar se o local é crucial para a ação. Por exemplo, na batalha 
de Taanaque, a escolha de Sísera pela planície de Jezreel favorecia seus carros 
de ferro, mas a lama causada por chuvas recentes imobilizou suas tropas, 
permitindo a vitória de Baraque (Jz. 4-5). 
Tempo: Considerar o impacto do tempo na narrativa. Por exemplo, o encontro 
noturno de Jacó com o Anjo do Senhor (Gn. 32:22-24) aumenta o tom 
dramático. A hora do dia e condições atmosféricas também são importantes, 
como na vitória de Josué contra os gibeonitas (Js. 10:12-14). 
Panorama cultural: Entender a cultura da época é fundamental devido à 
distância temporal e de costumes. Por exemplo, na história de Rute, 
compreender práticas como encontros noturnos na eira, negociações na porta 
da cidade, resgate de propriedade e a instituição do levirato é crucial para uma 
interpretação correta. 
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Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 10 
Esses elementos, além de contribuírem para a compreensão das histórias, 
também intensificam a narrativa. 
 
• Enredo 
O enredo de uma narrativa se refere ao encadeamento dos acontecimentos que 
compõem a história, estruturando-a com começo, meio e fim. Cada parte contribui 
para o todo, geralmente envolvendo um conflito ou contenda, e elementos de 
suspense. Nas histórias bíblicas, como Daniel 2-7, o enredo é claro: o início dá-se com 
um cenário definido, segue-se com complicações que só o herói pode resolver, e 
culmina em uma solução que traz recompensas, evidenciando a obra de Deus. Por 
exemplo, em Daniel 5, a história começa com o banquete de Belsazar, a crise surge 
com a escrita misteriosa na parede, e se resolve quando Daniel interpreta a 
mensagem, resultando na queda de Babilônia. 
O enredo pode seguir motivos arquetípicos comuns, como: 
Busca: O herói enfrenta obstáculos e provações para alcançar um objetivo (e.g., 
Davi). 
Tragédia: A narrativa começa bem, vira para pior, mas termina com sucesso 
(e.g., Daniel 3, 6). 
Jornada: O herói enfrenta perigos durante uma peregrinação, que contribuem 
para o seu crescimento (e.g., Abraão). 
O entendimento desses elementos e suas inter-relações é fundamental para 
interpretar as histórias bíblicas. 
 
• Caracterização 
O exemplo de Daniel 5 ilustra como o personagem impulsiona a ação que 
constrói o enredo. Apesar disso, raramente são fornecidas descrições detalhadas das 
personalidades dos personagens. Os críticos literários categorizam personagens como 
esféricos, planos ou agentes: 
Esféricos: Complexos e realistas, com muitos traços (e.g., Elias e Acabe em 1Reis 
18-22). 
Planos: Unidimensionais, com um único traço (e.g., Jezabel). 
Agentes: Servem apenas para avançar a trama, sem personalidade própria (e.g., 
Obadias). 
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Literatura: Gênero 
Antigo Testamento: Narrativa Histórica| 11 
Personagens são frequentemente classificados como protagonistas 
(personagem principal), antagonistas (opõem-se ao protagonista) ou personagens 
secundários que destacam características dos principais (e.g., Obadias e Jezabel). 
Ações também podem destacar características, como a trapaça de Jacó em contraste 
com Esaú, ou o amor de Davi pelo Senhor em contraste com reis subsequentes. 
Reconhecer e usar esses elementos narrativos proporciona uma compreensão 
mais profunda das histórias bíblicas e permite uma comunicação mais expressiva e 
dramática. Isso torna as narrativas mais realistas, transformando os personagens 
bíblicos em figuras reais com experiências comuns à humanidade. 
 
1.1.3 Estilo de Narrativa 
Repetição 
As narrativas bíblicas geralmente utilizam diferentes formas de repetição, sendo 
essa uma das características estilísticas mais reconhecíveis. A repetição pode ocorrer 
em diversas formas, incluindo jogos de palavras, palavras-chave, temas, motivos, 
diálogos e sequências de ações repetidas. Por exemplo: 
Jogos de palavras: Abigail chama seu marido Nabal de insensato, confirmando 
que ele faz jus ao nome (1Sm. 25:25). 
Temas recorrentes: O tema do terceiro dia como um sinal de nova ênfase 
espiritual aparece frequentemente no Antigo Testamento (e.g., Êx. 19:10-16). 
Alianças: A aliança é um tema que percorre toda a Escritura, incluindo as 
alianças com Abraão e Davi, e a nova aliança confirmada no sangue de Cristo. 
Motivos: O Êxodo é um motivo central tanto no Antigo quanto no Novo 
Testamento. 
Diálogos repetidos: Roboão repete exatamente o conselho de seus jovens 
conselheiros (1Rs. 12:8-14). 
Repetições em grupos de três são comuns, como: José e seus três sonhos; O 
Senhor chamando Samuel três vezes antes de Eli perceber que era Deus falando (1Sm. 
3:1-9); A apostasia de Israel repetida várias vezes (Jz. 3:7,12; 4:1; 6:1; 10:6; 13:1). 
Compreender essa convenção literária ajuda o intérprete a evitar a sugestão de 
que tais repetições são meras adições editoriais. 
 
Realce 
Hermenêutica Bíblica | 
Literatura: Gênero 
Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 12 
O narrador frequentemente destaca um detalhe específico ou traço de 
personalidade de um determinado indivíduo na história. Por exemplo, a pureza de 
José é enfatizada em todas as narrativas de sua vida, assim como a devoção de Davi 
a Deus e o compromisso de Daniel com o Senhor. Em contraste, o rei Acabe é 
consistentemente apresentado como uma pessoa egoísta e até maligna. 
 
Ironia 
A ironia envolve o oposto do que se diz ou espera, e as narrativas do Antigo 
Testamento tem uma variedade de exemplos disso. Por exemplo, a ironia dramática 
ocorre quando o narrador revela ao leitor informações desconhecidas pelos 
personagens. Por exemplo, nas narrativas de Reis, as mudanças políticas são 
controladas por Deus, mesmo que os personagens não. Em 1Crônicas 21:1, Satanás 
incita Davi a fazer o recenseamento, algo que Davi e seus seguidores desconhecem. 
Em 2Samuel 24:1, o Senhor incita Davi, mas o leitor sabe que Satanás está por trás 
disso, com permissão divina (cf. Jó. 1:12; 2:6). 
Em resumo, quando o sentido superficial do texto contradiz o contexto, o autor 
pode estar usando ironia, querendo que o leitor perceba essa figura de linguagem. 
 
Sátira 
A sátira busca demonstrar, através do ridículo ou da censura, a maldade ou 
tolice de ações incorretas ou impensadas. Um exemplo é a história de Davi e Golias, 
em que as provocações de Golias são ridicularizadas quando um pequeno pastor, com 
a ajuda de Deus, derruba o poderoso guerreiro e o decapita com sua própria espada 
(1Sm. 17:41-51). Outro exemplo de sátira é a resposta de Acabe ao rei arameu Ben-
Hadade: “[...] Dizei-lhe: Não se gabe quem se cinge como aquele que vitorioso se 
descinge.” (1Rs. 20:11), sugerindo que Ben-Hadade não deve se gabar de vitória 
enquanto ainda pode ser derrotado. 
 
1.2 Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos) 
Os Evangelhos, focados na vida e ministério terreno de Jesus, compartilham 
características comuns em forma e conteúdo, por conta disso, geralmente são 
classificados no mesmo gênero literário. O Evangelho de Lucas é especial por fazer 
parte de uma obra de dois volumes, incluindo também o livro de Atos. Lucas-Atos éparticularmente significativo, representando um quarto do Novo Testamento em 
termos de extensão. 
Hermenêutica Bíblica | 
Literatura: Gênero 
Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 13 
Baseando-se em James Bailey (1995), Osborne apresenta um processo de 
quatro passos para analisar os gêneros no Novo Testamento: 
 
1. Distinguir os tipos gerais de literatura: Compreender a estrutura das 
narrativas, os padrões poéticos utilizados por Jesus, e os diferentes materiais 
presentes nas epístolas, como ações de graças, parêneses e doxologias. 
2. Analisar a alternância entre formas narrativas e de fala: Diferenciar entre 
narrativas de pronunciamento, material dialógico, histórias de citação e 
narrativas de milagre. 
3. Reconhecer o repertório variado de gêneros do Novo Testamento: 
Identificar e entender a diversidade de gêneros literários, incluindo encômios, 
credos, orações, hinos, diatribes, listas de vícios e virtudes, códigos domésticos, 
máximas, parábolas, provérbios, textos apocalípticos e monólogos. 
4. Identificar as características estruturais dos gêneros: Compreender as 
características específicas que definem e diferenciam os diversos gêneros 
literários encontrados nos textos bíblicos. 
 
Em seguida, tratamos acerca do gênero do Novo Testamento, a partir dos 
mesmos autores anteriores. Nessa discussão, abarcamos os princípios hermenêuticos 
e as diretrizes para interpretar os Evangelhos e o livro de Atos. 
 
1.2.1 Evangelhos e Atos 
A classificação dos Evangelhos canônicos é uma questão significativa no estudo 
bíblico, já que compartilham características tanto com outros escritos cristãos 
primitivos quanto com a literatura greco-romana. Em 1915, C. W. Votaw propôs que 
os Evangelhos fossem classificados como "biografia greco-romana" (bios). Contudo, 
em 1923, K. L. Schmidt contestou essa ideia, sugerindo que os Evangelhos fossem 
escritos populares e um gênero literário único. 
Hoje, muitos estudiosos ainda veem os Evangelhos como biografias greco-
romanas devido a várias semelhanças, como o prefácio formal em Lucas e temas que 
promovem um "herói", Jesus Cristo. Entretanto, há diferenças significativas, como, por 
exemplo, a falta de dados biográficos exaustivos sobre Jesus e a ausência de uma 
ordem cronológica consistente. Constata-se ainda que todos os Evangelhos são 
formalmente anônimos e foram escritos para um público cristão, diferentemente da 
literatura greco-romana. 
Hermenêutica Bíblica | 
Literatura: Gênero 
Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 14 
Considerando essas semelhanças e diferenças, foi viável classificar os 
Evangelhos e Atos como um subgênero da narrativa histórica. Assim como as 
narrativas históricas do Antigo Testamento, eles relatam fatos e são organizados de 
maneira a comunicar a mensagem de Deus e exigir uma resposta de fé dos leitores. 
O estilo literário dos quatro Evangelhos e do livro de Atos é muito semelhante 
ao das narrativas históricas do Antigo Testamento. Lucas, particularmente, escreve ao 
estilo da Septuaginta, refletindo a influência das Escrituras hebraicas e uma intenção 
consciente de equiparar seu relato histórico aos modelos veterotestamentários. João 
também faz referências à história da salvação desde a introdução do seu Evangelho. 
Os quatro Evangelhos e Atos contêm numerosas citações diretas e alusões ao Antigo 
Testamento, geralmente para mostrar o cumprimento de profecias. Por exemplo, 
Mateus cita Isaías 7:14 para indicar a concretização da profecia sobre a virgem que 
daria à luz um filho (Mt. 1:22,23). 
Da mesma forma que as narrativas históricas do Antigo Testamento, os 
Evangelhos e Atos contêm muitos diálogos que produzem um efeito dramático, 
proporcionando uma compreensão mais profunda dos personagens. Por exemplo, no 
Evangelho de João, a conversa entre Jesus e as autoridades judaicas revela a 
incredulidade dessas autoridades ao rejeitarem a revelação de Cristo (Jo. 8:48-51). 
As narrativas dos Evangelhos também contêm numerosos comentários 
explícitos, como em Marcos 5:21-43, durante o relato da ressurreição da filha de Jairo, 
o evangelista explica que a menina "tinha doze anos de idade". Do mesmo modo, 
Lucas insere comentários editoriais em suas cronologias para clarificar os eventos. 
Os Evangelhos e Atos também incluem relatos de experiências pessoais, como 
a da mulher samaritana que, após conversar com Jesus, volta à sua cidade e diz: “Vinde 
comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, 
porventura, o Cristo?!” (Jo. 4:29). Além disso, visões e sonhos são registrados, como a 
visão de Paulo com o homem da Macedônia em Atos 16:9-10. 
 
1.2.2 Hermenêutica Geral: Características dos Evangelhos 
A interpretação de narrativas envolve duas tarefas principais: analisar a poética, 
que estuda o aspecto artístico e a construção do texto pelo autor; e analisar o sentido, 
que recria a mensagem comunicada pelo autor. Para compreender a poética e o 
sentido dos Evangelhos, é fundamental entender: 1. Contexto histórico; 2. Contexto 
literário; 3. Estrutura; 4. Cronologia e organização. 
 
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Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 15 
Contexto histórico 
O contexto histórico fornece informações sobre o ambiente cultural necessário 
para compreender o propósito de um texto e reconstruir as situações específicas que 
motivaram sua criação. Por exemplo, na cena de lava-pés em João 13, conhecer as 
práticas culturais da época de Jesus é um ponto fundamental. Lavar os pés dos 
convidados era uma tarefa destinada aos escravos não judeus e nunca desempenhada 
por um superior. Jesus, ao assumir essa posição servil, demonstrou o verdadeiro 
serviço e a atitude esperada de seus seguidores. 
Sem compreender que essa tarefa era considerada degradante para os 
discípulos e até mesmo para os escravos judeus, o significado e a relevância do ato 
de Jesus não seriam tão evidentes. As áreas que fornecem informações mais úteis para 
reconstruir o contexto histórico incluem geografia, política, economia, ciência militar, 
práticas culturais e costumes religiosos. Recursos como dicionários, enciclopédias, 
atlas bíblicos e outros materiais são valiosos para obter tais dados. Além disso, deve-
se considerar as alusões ao Antigo Testamento, à literatura do Segundo Templo e os 
paralelos rabínicos, helenísticos e de Qumran. 
O contexto histórico dos Evangelhos opera em dois níveis: a vida cotidiana no 
tempo de Jesus (Sitz im Leben Jesu) e a vida cotidiana da igreja no tempo da 
composição dos Evangelhos (Sitz im Leben der Kirche). Os Evangelhos registram 
acontecimentos da vida terrena de Jesus, cujas declarações, milagres e sinais se 
originaram de um contexto histórico específico. Ao passo que essas histórias foram 
transmitidas, o contexto original foi se perdendo. Os evangelistas, escrevendo 
posteriormente, adaptaram as histórias para um novo contexto histórico. 
Determinar o contexto histórico de cada evangelista não é uma tarefa fácil, pois 
os Evangelhos são formalmente anônimos. Para uma interpretação adequada, é útil 
saber a quem Jesus dirigia seus ensinamentos (discípulos, multidões ou adversários). 
A crítica da redação pode oferecer vislumbres sobre os modos de vida dos 
evangelistas e suas comunidades. Por exemplo, Marcos pode ter enfatizado o medo e 
a incompreensão dos discípulos para confortar cristãos gentios em Roma no período 
da perseguição. Lucas escreveu, em parte, para defender o cristianismo contra 
acusações de ser um movimento político subversivo, refletido em seu relato das 
tribulações de Paulo perante autoridades romanas em Atos. 
 
Contexto literário 
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Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 16 
O sentido pretendido de qualquer passagem bíblica deve ser correspondente 
ao contexto literário em que ocorre,o qual inclui o material antes e depois da 
passagem em um Evangelho. Portanto, é necessário, primeiramente, verificar o 
significado da passagem no contexto do livro em que ela ocorre (processo designado 
de leitura “vertical”), para, então, fazer uma comparação da unidade textual em análise 
com suas homólogas nos demais Evangelhos (processo designado de leitura 
“horizontal”). A relevância do contexto reside, especialmente, no fato de ele fornecer 
o fluxo do pensamento, o significado preciso das palavras e a relação correta entre as 
unidades textuais. 
Mateus e Marcos incluem a passagem acerca da decapitação de João Batista 
imediatamente antes do episódio da multiplicação dos pães e peixes; Lucas e João 
apresentam, respectivamente, o envio dos Doze e os testemunhos sobre Jesus. 
Mateus, Marcos e João situam o incidente de Jesus caminhando sobre as águas, 
enquanto Lucas posiciona a confissão de Pedro de que Jesus é o Messias. Embora 
esses relatos descrevam o mesmo episódio, cada um deve ser interpretado a partir de 
seu próprio contexto literário e do propósito do autor. 
A composição dos Evangelhos seguiu os seguintes princípios: seletividade, 
organização e adaptação. Os evangelistas selecionaram narrativas e ensinamentos 
correspondentes aos seus objetivos e, ao mesmo tempo, organizaram e adaptaram 
esse material conforme os interesses particulares deles e de suas comunidades. 
O estudo literário das narrativas dos Evangelhos requer a compreensão de 
como os elementos externos (autor, narrador e leitor) e os elementos internos 
(ambiente, enredo, caracterização de personagens, estilo e tempo) funcionam no 
gênero da narrativa histórica. 
 
• Elementos externos 
Autor: O autor real é quem escreveu o texto, mas o leitor nunca o vê 
diretamente, apenas sua escrita. A persona no texto criada pelo autor é 
chamada de autor implícito, uma figura literária sem voz que não se comunica 
diretamente com o leitor. Por intermédio de inferências do texto, o intérprete 
pode reconstruir os interesses e ênfases teológicas do autor implícito. O foco, 
em geral, está no autor implícito, mas a presença do autor real firma a narrativa 
no contexto histórico e ajuda a focar no sentido pretendido do texto. 
Narrador: O narrador é uma figura literária ou recurso retórico criado pelo 
autor para contar e interpretar uma narrativa. Ele opera um nível acima do texto 
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e dos personagens, em relação a comunicação. O narratário é o destinatário da 
história e pode ocasionalmente fazer parte da narrativa (um dos exemplos 
incluem Atos 1:1). 
Nos Evangelhos e Atos, o narrador não é um personagem da história, mas 
sua presença é notável. Por exemplo, em João 1:1-18, a voz do narrador 
proclama a entrada do Verbo divino no mundo. Geralmente, os narradores 
usam a terceira pessoa, mas em algumas passagens de Atos, a primeira pessoa 
é utilizada. 
Diferentes formas de exposição são empregadas pelos narradores. Ao 
fornecer informações fundamentais no início da história, o narrador permite que 
os leitores compartilhem sua onisciência. Quanto mais direta e clara for a 
narrativa, maior será a confiabilidade do narrador. Por exemplo, no Evangelho 
de João, a exposição é cronológica, preliminar e concentrada, antecipando 
temas que serão desenvolvidos à medida que a narrativa se desenvolve. Neste 
Evangelho, o narrador é uma figura onisciente que, gradualmente, ganha maior 
importância. 
Os narradores dos Evangelhos e de Atos representam o ponto de vista 
dos respectivos autores, servindo de voz dos autores implícitos. A clara distinção 
do narrador e do autor implícito é útil, pois auxilia na identificação dos 
comentários editoriais e costuras no texto que indicam seu significado. Esses 
marcadores fornecem vislumbres acerca dos valores, ideologia e ponto de vista 
do autor e podem aparecer como informações, comentários, explicações ou 
juízos de valor. Tenha-se como exemplo a ressurreição da filha de Jairo (Mc. 
5:41-43): “Ele tomou-a pela mão e disse-lhe: “Talita cumi!" (O que significa: 
“Menina, eu digo a você, levante-se!”). Imediatamente a menina se levantou e 
começou a andar em volta (ela tinha doze anos de idade)”. Nota-se que o 
primeiro comentário de Marcos, traduzindo as palavras de Jesus ("O que 
significa"), é facilmente identificável. A segunda observação, sobre a idade da 
menina, é mais sutil, mas o intérprete atento percebe que foi acrescentada pelo 
evangelista para reforçar a confiança do leitor no narrador. Comentários assim 
aumentam a confiança do leitor na competência e na confiabilidade do 
narrador. 
Outro ponto está na importância de diferenciar a narrativa e o 
comentário. Isso é claro no exemplo de João 3:1-21. O texto relata a conversa 
entre Jesus e Nicodemos (2:23-25 serve como introdução e 3:16-21 um 
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comentário do evangelista). Reconhecer que os versículos 16-21 são uma 
explicação do evangelista (e não parte das palavras de Jesus a Nicodemos) ajuda 
o leitor a entender melhor a passagem. 
Leitor: O leitor é quem de fato lê a narrativa, aplicando-se principalmente ao 
leitor contemporâneo. O leitor implícito, por outro lado, é aquele para quem o 
autor originalmente escreveu o texto. Fazer essa distinção é crucial, pois a 
mensagem foi inicialmente destinada aos leitores originais. A compreensão do 
ambiente original da obra ajuda o intérprete a discernir melhor o objetivo 
original do autor. 
 
• Elemento internos 
Ambiente: O ambiente de uma narrativa inclui a localização física, o tempo e o 
contexto cultural em que a história ocorre. 
Localização física: Pode ser fundamental para entender os eventos. Em 
Marcos 6:45-63, Jesus anda sobre o mar e acalma o vento, evidenciando seu 
poder sobre a natureza. Situar esse episódio após o milagre dos pães realça a 
autoridade de Jesus. 
Tempo: Por exemplo, após a cena do lava-pés e a predição da traição, o 
autor menciona "E era noite" (Jo. 13:1-30), indicando tanto a noite literal quanto 
um momento de trevas espirituais, detalhe que aumenta a intensidade 
dramática e destaca a influência de Satanás (cf. Jo. 13:2,27). 
Contexto cultural: Fornece importantes pistas interpretativas. Consultar 
Bíblias de estudo e comentários pode ajudar a entender melhor o contexto 
cultural das narrativas. 
Enredo: É o arranjo dos acontecimentos na história, centrado em um conflito 
(físico, psicológico ou espiritual) e suspense (curiosidade, temor, 
pressentimento ou mistério). Nos Evangelhos, o enredo varia de acordo com a 
intenção de cada evangelista, embora contenham a mesma história. A interação 
entre personagens principais e secundárias fornece importantes pistas sobre o 
significado da passagem. Por exemplo, Marcos, com frequência, enfatiza a 
incapacidade dos discípulos de entender a identidade messiânica de Jesus, 
enquanto Mateus não se detém tanto nessa falta de percepção. Os evangelistas 
organizaram os episódios de modo a refletir suas ênfases teológicas. 
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Caracterização de personagens: As personagens nas narrativas são 
classificadas como redondas, planas ou figurantes. A caracterização das 
personagens e suas interações é crucial para entender o desenvolvimento do 
enredo. Jesus, por exemplo, é um personagem plano, pois, deferentemente de 
outras personagens, não cresce. O que cresce é a percepção das pessoas em 
relação a Ele. Já os personagens redondos e figurantes interagem e influenciam 
o enredo de maneiras mais complexas. 
 Uma narrativa contém personagem protagonistas ou antagonistas: Jesus 
é o protagonista nos quatro Evangelhos; os antagonistas podem se opor ao 
protagonista (como as autoridadesjudaicas) ou realçar contrastes (como 
Nicodemos e a mulher samaritana). 
Estilo: Os recursos literários mais comuns nos Evangelhos e em Atos são: 
diálogo, repetição, ironia, mal-entendidos e simbolismo. 
 Diálogo: Nos Evangelhos e Atos, os diálogos são usados para desenvolver 
a narrativa, revelando o caráter das personagens e acentuando o drama, 
especialmente em confrontos. Nos Sinóticos, Jesus ensina através de aforismos 
e parábolas; já em João, Jesus e seus adversários se expressam em estilo joanino, 
com discursos mais extensos e reflexivos. 
 Repetição: Um recurso estilístico comum nos Evangelhos e Atos, 
ocorrendo em palavras, temas, imagens e cenas. Embora pareça entediante para 
os padrões literários modernos, a repetição ressalta e esclarece assuntos 
importantes, adaptando-se ao contexto para avançar a narrativa. Por exemplo, 
no Evangelho de João, os sinais repetidos de Jesus (milagrosos e não 
milagrosos) confirmam sua divindade e messianismo. 
 Ironia: Aparece quando o sentido superficial contradiz o contexto. Em 
João 11.49-50: “Caifás, porém, um dentre eles, sumo sacerdote naquele ano, 
advertiu-os, dizendo: Vós nada sabeis, nem considerais que vos convém que 
morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação”. Jesus 
realmente morreu pelo mundo, mas a nação judia ainda pereceu, uma ironia 
evidente para os leitores de João. 
 Mal-entendidos: Os Evangelhos frequentemente mostram personagens 
secundárias entendendo mal as declarações de Jesus, criando oportunidades 
para esclarecimento teológico. Em João, por exemplo, Nicodemos entende o 
novo nascimento literalmente em vez de espiritual (Jo. 3;4). 
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 Símbolos: Conectam níveis concretos e abstratos de significado. Nos 
Evangelhos e Atos, Jesus usa símbolos como "Eu sou a videira verdadeira [...]" 
(Jo. 15:1) A videira ou a vinha é utilizada com frequência para simbolizar Israel, 
pois com esse símbolo, Jesus se apresenta como o máximo contraste em relação 
ao Israel infiel. A intenção do autor é simbolizar a intimidade comunicada pela 
relação orgânica e vital entre os ramos e a videira. 
Tempo narrativo: O tempo narrativo compreende os seguintes fatores: ordem, 
duração e frequência dos acontecimentos da narrativa. 
 Ordem: A sequência dos eventos na narrativa pode ser linear ou incluir 
anacronismos (eventos fora da ordem cronológica). Nos Evangelhos e Atos, 
anacronismos como analepses (retornos ao passado) e prolepses (antecipações 
do futuro) são empregados para intensificar o drama e preencher lacunas. Por 
exemplo, em João 1:19-51, diversas analepses e prolepses dão origem a uma 
sequência narrativa distinta da sequência histórica. 
 Duração: Refere-se à relação entre a extensão da narrativa e a passagem 
do tempo na história. Embora algumas vezes o tempo da história e o tempo 
narrativo coincidam, geralmente são distintos. Por exemplo, em João 11:1-44, a 
narrativa sobre Lázaro desacelera na segunda parte, dando a impressão de que 
os tempos da história e da narrativa são os mesmos, concentrando-se em 
minutos de ação. 
 Frequência: É o número de vezes que um evento é narrado. Como dito, a 
repetição é um recurso estilístico comum. Em Atos, por exemplo, o Espírito 
Santo desce repetidamente de maneira similar sobre diferentes pessoas. Nos 
Evangelhos, a repetição ocorre nos ensinamentos, milagres, parábolas, sinais, 
curas, e exorcismos de Jesus, reforçando importantes temas e acontecimentos. 
 
Estrutura 
Os princípios de seletividade, organização e adaptação também são aplicados 
à estrutura dos Evangelhos. Os evangelistas organizaram seus relatos de maneira 
diferente, seja em nível macro ou micro. A compreensão dessa estrutura revela o foco 
ideológico do autor. Mas, antes de identificar o foco ideológico ou os juízos de valor, 
deve-se esclarecer o enredo e a estrutura. A estrutura serve como ferramenta 
interpretativa para entender a mensagem do autor. 
 
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1. Mateus 
A estrutura do Evangelho de Mateus se concentra nos cinco grandes discursos 
que apresentam os ensinamentos de Jesus nos capítulos 5-7, 10:5-42, 13:1-52, 18:1-
35 e 24-25. Cada discurso é separado das porções narrativas adjacentes por frases de 
conclusão semelhante a “Ao concluir Jesus esse discurso [...]” (cf. Mt. 11:1; 13:53; 19:1). 
Esses cinco “livros de Jesus” correspondem simbolicamente aos cinco livros de Moisés 
(Pentateuco), demonstrando Jesus como o “novo Moisés” (tema teológico principal). 
O primeiro discurso, o Sermão do Monte (Mt. 5-7), relaciona os ensinamentos de Jesus 
aos de Moisés, como se observa abaixo: 
 
INTRODUÇÃO (1.1-4.11) 
I. MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA (4.12-18.35) 
A. Primeira parte do ministério na Galileia (4.11-25) 
DISCURSO n.° 1: SERMÃO DO MONTE (5-7) 
B. Segunda parte do ministério na Galileia (8-9) 
DISCURSO n.° 2: INSTRUÇÃO AOS DOZE (10) 
C. Terceira parte do ministério na Galileia (11-12) 
DISCURSO n.° 3: PARÁBOLAS DO REINO (13) 
D. Ministério na Galileia estende-se para o norte (13.53-17.27) 
DISCURSO n.º 4: PARÁBOLAS DO REINO (18) 
II. MINISTÉRIO DE JESUS NA JUDEIA E SUA PAIXÃO (19-28) 
A. Ministério na Judeia (19-20) 
Ministério final em Jerusalém (21-23) 
B. DISCURSO n.° 5: DISCURSO NO MONTE DAS OLIVEIRAS, 
PARÁBOLAS DO REINO (24-25) 
C. Paixão, ressurreição e a Grande Comissão (26-28) 
(KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 374). 
 
2. Marcos 
O Evangelho de Marcos apresenta o ministério de Jesus primeiro na Galileia e 
depois em Jerusalém. O ponto de virada principal centra-se na confissão de Pedro 
sobre Jesus em 8:26,27. Marcos ressalta Jesus como o Filho de Deus (tema teológico 
principal), culminando com a confissão do centurião em 15:39. Sua estrutura básica é 
apresentada da seguinte maneira: 
 
I. INTRODUÇÃO (1.1-18) 
II. MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA (1.16-8.26) 
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A. Primeira parte do ministério na Galileia (1.16-3.12) 
B. Segunda parte do ministério na Galileia (3.13-5.43) 
C. Terceira parte do ministério na Galileia (6.1-8.26) 
III. O CAMINHO ATÉ A CRUZ (8.27-16.8) 
A. O caminho do sofrimento e da glória (8.27-10.52) 
B. Ministério final em Jerusalém (11.1-13.37) 
C. A Paixão e o sepulcro vazio (14.1-16.8) 
(KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 375). 
 
3. Lucas/Atos 
Lucas/Atos é uma obra em dois volumes. O Evangelho de Lucas foca na viagem 
de Jesus a Jerusalém, culminando na crucificação; Atos narra a expansão da igreja de 
Jerusalém aos confins da terra. Lucas reconhece o emprego de diversas fontes para 
compilar sua narrativa (Lc. 1:1-4). Sua cronologia geral é semelhante à de Marcos e 
Mateus, com fases do ministério de Jesus na Galileia seguidas pela jornada até 
Jerusalém. 
 
I. INTRODUÇÃO (1.1-4.13) 
A. Prefácio (1.1-4) 
B. Nascimento de Jesus e de João Batista e a infância de Jesus (1.5- 
2.52) 
II. MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA (4.14-9.50) 
A. Primeira parte do ministério na Galileia (4.14-7.50) 
B. Segunda parte do ministério na Galileia (8.1-39) 
C. Terceira parte do ministério na Galileia e sua saída da região 
(8.40-9.50) 
III. VIAGEM DE JESUS A JERUSALÉM E SUA PAIXÃO (9.51-24.53) 
A. Narrativa de Lucas da viagem (9.51-19.27) 
B. Ministério final em Jerusalém (19.28-22.38) 
C. Crucificação, ressurreição e ascensão de Jesus (22.39-24.53) 
(KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 376-377). 
 
Diferentemente de Mateus, que retrata Jesus principalmente como o Messias 
judaico, o Evangelho de Lucas apresenta Jesus como o "filho de Adão, e filho de 
Deus" (Lc. 3:38) (tema teológico principal). Lucas retrata Jesus em companhia de 
pessoas consideradas "pecadoras", mostrando-o como amigo dospecadores e um 
"médico" compassivo. Jesus se interessa especialmente pelos desfavorecidos 
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Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 23 
socialmente, como os pobres, gentios, mulheres e crianças. A missão de Jesus é 
resumida em Lucas 19:10: "Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido". 
No livro de Atos, Jesus, por meio do Espírito Santo, guia a igreja enquanto ela 
testemunha ousadamente a ressurreição e supera obstáculos, incluindo contestações 
judiciais perante autoridades romanas. O livro conclui com Paulo proclamando 
livremente o evangelho em Roma, indicando a expansão irresistível do evangelho (At. 
28:15-31). 
 
I. FUNDAMENTOS DA IGREJA E DA SUA MISSÃO (1.1-2.41) 
A. Prefácio (1.1-5) 
B. Jerusalém: aguardando o Espírito (1.6-26) 
C. Pentecostes: o nascimento da igreja (2.1-41) 
II. A IGREJA EM JERUSALÉM (2.42-6.7) 
A. A igreja primitiva (2.42-47) 
B. Um milagre e suas consequências (3.1-4.31) 
C. Problemas internos e externos (4.32-6.7) 
III. HORIZONTES MAIORES PARA A IGREJA: ESTÊVÃO, SAMARIA E SAULO 
(6.8-9.31) 
A. Sofrimento: um dos servos é preso e martirizado (6.8-8.1a) 
B. Palestina e Síria: Filipe, Saulo e Pedro (8-9) 
IV. PEDRO E O PRIMEIRO CONVERTIDO GENTIO (9.32-12.24) 
A. Pedro cura e ressuscita uma mulher (9.32-43) 
B. Pedro visita Cornélio em Cesareia (10) 
C. Pedro se reporta à igreja de Jerusalém (11.1-18) 
D. A igreja em Antioquia (11.19-29) 
E. O martírio de Tiago, a prisão de Pedro e o fim ignominioso de 
Herodes (12) 
V. PAULO SE DIRIGE AOS GENTIOS (12.25-16.5) 
A. A primeira viagem missionária (12.25-14.28) 
B. O Concílio de Jerusalém (15.1-35) 
C. Início da segunda viagem missionária (15.36-16.5) 
VI. MAIOR PENETRAÇÃO NO MUNDO GENTIO (16.6-19.20) 
A. Segunda viagem missionária (16.6-18.22) 
B. Terceira viagem missionária (18.23-19.20) 
VII. EM DIREÇÃO A ROMA (19.21-28.31) 
A. De Efeso a Jerusalém (19.21-21.16) 
B. Última visita de Paulo a Jerusalém; Paulo é levado para Cesareia 
(21.17-23.35) 
C. Defesa de Paulo perante Félix, Festo e Agripa (24.1-26.32) 
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D. Viagem de Paulo a Roma (27.1-28.31) 
(KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 377-378). 
 
4. João 
No Evangelho de João verifica-se uma estrutura simétrica, dividida em 
introdução, duas metades, e um epílogo. Na introdução, Jesus é apresentado como 
o Verbo preexistente que se fez carne e revelou Deus Pai (tema teológico principal), 
mas o restante da narrativa deve ser interpretado em termos de Jesus revelando a 
Deus em palavra e ações (inclusive, a cruz). A primeira metade do livro apresenta sete 
sinais de Jesus, revelando seu caráter messiânico; a segunda metade centra-se na 
purificação e instrução da nova comunidade messiânica, seguida pela narrativa da 
Paixão e das aparições pós-ressurreição. João declara que todo aquele que crê em 
Cristo será digno da vida eterna. 
 
I. INTRODUÇÃO: O VERBO SE FEZ CARNE (1.1-18) 
II. O LIVRO DOS SINAIS: OS SINAIS DO MESSIAS (1.19-12.50) 
A. O precursor, primeiros sinais de Jesus e conversas 
representativas (1.19-4.54) 
B. Mais sinais em meio à incredulidade crescente (5-10) 
C. Última Páscoa: o sinal culminante e outros eventos (11.1-12.50) 
III. O LIVRO DA EXALTAÇÃO: A NOVA COMUNIDADE MESSIÂNICA (13-
20) 
A. Purificação e instrução da nova comunidade da aliança (13-17) 
B. Narrativa da Paixão (18-19) 
C. Ressurreição e aparições de Jesus e a comissão dos discípulos 
(20.1-29) 
D. Declaração de propósito (20.30,31) 
IV. EPÍLOGO: PAPÉIS COMPLEMENTARES DE PEDRO E DO DISCÍPULO 
AMADO (21) 
A. Terceira aparição de Jesus, a sete discípulos na Galileia (21.1-
14) 
B. Jesus e Pedro (21.15-19) 
C. Jesus e o discípulo a quem Jesus amava (21.20-25) 
(KOSTENBERGER; PATTERSON, 2015, p. 379). 
 
Cronologia e a organização 
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Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 25 
A cronologia e a organização dos quatro Evangelhos e de Atos fornecem uma 
ferramenta interpretativa para o entendimento da mensagem transmitida pelos 
evangelistas. Algumas vezes, um Evangelho pode refletir tanto uma organização 
cronológica quanto tópica, sem que uma exclua a outra. Em outras situações, é 
possível que o mesmo acontecimento seja narrado em diferentes contextos 
cronológicos. 
 
1. Mateus 
A organização do Evangelho de Mateus reflete atividade redacional causada por 
razões estilísticas, teológicas e temáticas. Estruturado em torno de cinco grandes 
discursos (cap. 5-7; 10:5-42; 13:1-52; 18:1-35; 24-25), cada discurso é separado por 
marcadores de transição conclusivos como “Ao concluir Jesus esse discurso...” (Mt. 
7:28; 11:1; 13:53; 19:1; 26:1). Algumas vezes, Mateus opta por uma organização 
temática ao invés de cronológica para melhor atender seus objetivos como autor. 
 
2. Marcos 
Marcos, em geral, apresenta o ministério de Jesus seguindo um padrão 
geográfico, da Galileia para Jerusalém. O ponto de virada é a confissão de Pedro de 
que Jesus é o Messias (Mc. 8:29). Apesar de Marcos seguir principalmente uma 
abordagem cronológica, ele também organiza seu material tematicamente, como nos 
capítulos 4-5, onde evidencia a autoridade de Jesus sobre a natureza (Mc. 4:35-41), os 
demônios (Mc. 5:1-20), a morte (Mc. 5:21-24; 35-43) e as enfermidades (Mc. 5:25-34). 
 
3. Lucas/Atos 
O Evangelho de Lucas organiza-se em torno de um tema geográfico com ênfase 
em Jerusalém, o que é destacado na cena da tentação, onde Lucas inverte a ordem 
das tentações registradas em Mateus para concluir com a tentação no Templo de 
Jerusalém. O “relato de viagem” de Jesus a Jerusalém ocupa quase dez capítulos (Lc. 
9:51-19:27). Seguido da Paixão de Jesus em Jerusalém, o livro de Atos inicia em 
Jerusalém e se expande para a Judeia, Samaria e, por fim, às nações gentílicas (At 1:8), 
refletindo a missão de Paulo e cumprindo as predições do Antigo Testamento. 
 
4. João 
O Evangelho de João segue um padrão cronológico, sendo organizado em 
torno de sete sinais messiânicos (cap. 2-11) que revelam Jesus como “o Cristo” e “o 
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Conclusão 
Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 26 
Filho de Deus” (Jo. 20:30-31). Esses sinais foram relevantes para convencer os judeus 
de que Jesus é o Filho messiânico enviado por Deus Pai. Já a segunda metade do 
Evangelho prevê a exaltação de Jesus ao lado de Deus e demonstra Jesus preparando 
sua nova comunidade messiânica para a missão após sua crucificação, ressurreição e 
ascensão. 
 
Conclusão 
 A partir do estudo do gênero, em especial a forma de narrativa histórica no 
Antigo e no Novo Testamento, constatamos que para uma interpretação correta das 
Escrituras é necessário compreender os eventos passados, o propósito divino e a 
interação de Deus com a humanidade. No Antigo Testamento, vimos que as narrativas 
históricas fornecem o contexto para a formação do povo de Israel, suas alianças com 
Deus e a preparação para a vinda do Messias. No Novo Testamento, as narrativas dos 
Evangelhos e Atos documentam a vida, o ministério, a morte e a ressurreição de Jesus 
Cristo, bem como a expansão inicial da Igreja. 
O entendimento dessas narrativas históricas nos ajuda a reconhecer a 
continuidade do plano redentor de Deus, a importância dos eventos históricos para a 
fé cristã e a relevância dos ensinamentos bíblicos para a vida contemporânea, 
permitindo uma aplicação mais profunda e precisa dos princípios bíblicos. 
 
Referências 
BAILEY, J. L. “Genre Analysis”. In: GREEN, J. B. Hearing the New Testament: Strategies 
for Interpretation. Grand Rapids: Eerdmans, 1995, p. 197-221. 
KOSTENBERGER, A. J.; PATTERSON, R. D. Convite à interpretação bíblica: a tríade 
hermenêutica. Trad. Daniel H. Kroker, Marcus Throup, Thomas de Lima. São Paulo: 
Vida Nova, 2015. 
OSBORNE,G. R. A espiral hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação 
bíblica. Trad. Daniel de Oliveira, Robinson N. Malkomes, Sueli da Silva Saraiva. São 
Paulo: Vida Nova, 2009. 
Hermenêutica Bíblica | 
Referências 
Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)| 27 
 
 
	Sumário
	Introdução
	1 Literatura: Gênero
	1.1 Antigo Testamento: Narrativa Histórica
	1.1.1 Tipos de Narrativa Histórica
	1.1.2 Elementos da Narrativa Histórica
	1.1.3 Estilo de Narrativa
	1.2 Novo Testamento: Narrativa Histórica (Evangelhos e Atos)
	1.2.1 Evangelhos e Atos
	1.2.2 Hermenêutica Geral: Características dos Evangelhos
	Conclusão
	Referências

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