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1-Descrever as alterações 
fisiológicas (física e hormonais) de 
cada trimestre de gestação 
Trimestre da gravidez quando iniciou o 
pré-natal: 
− Abaixo de 13 semanas - 1° trimestre; 
− Entre 14 e 27 semanas - 2° trimestre; 
− Acima de 28 semanas - 3° trimestre; 
 
Aparelho reprodutor 
Na 12ª semana de gravidez, o útero 
dilatado pode fazer com que o 
abdômen fique levemente saliente. O 
útero continua a aumentar durante 
toda a gravidez. Às 20 semanas, o útero 
aumentado atinge a altura do umbigo 
e, por volta da 36ª semana, a 
extremidade inferior da cavidade 
torácica. 
A quantidade de secreção vaginal 
normal, que é transparente ou 
esbranquiçada, costuma aumentar. 
Esse aumento costuma ser normal. 
Contudo, se a secreção apresentar 
uma cor ou um odor fora do normal, ou 
se for acompanhada de prurido 
(coceira) e ardência vaginal, a mulher 
deve consultar o médico. Esses sintomas 
talvez indiquem a presença de 
infecção vaginal. Algumas infecções 
vaginais, tais como tricomoníase (uma 
infecção por protozoários) e candidíase 
(uma infecção fúngica), ocorrem com 
frequência durante a gravidez e podem 
ser tratadas. 
Mamas 
As mamas tendem a aumentar de 
tamanho, porque os hormônios 
(principalmente o estrogênio) as estão 
preparando para a produção de leite. 
Ocorre um aumento gradativo do 
número de glândulas que produzem 
leite e elas se tornam capazes de 
produzir leite. As mamas podem ficar 
firmes e sensíveis. Usar um sutiã que 
caiba corretamente e ofereça suporte 
pode ajudar. 
Durante as últimas semanas de 
gravidez, as mamas podem produzir 
uma fina secreção amarelada ou 
leitosa (colostro). O colostro é também 
produzido durante os primeiros dias 
depois do parto, antes da produção do 
leite. Esse líquido, rico em minerais e 
anticorpos, é o primeiro alimento do 
bebê amamentado. 
Coração e fluxo sanguíneo 
Durante a gravidez, o coração da 
mulher trabalha mais porque, à medida 
que o feto cresce, ele precisa bombear 
mais sangue para o útero. No final da 
gravidez, o útero recebe um quinto de 
todo o volume sanguíneo da gestante. 
Durante a gravidez, a quantidade de 
sangue que o coração bombeia 
(débito cardíaco) aumenta de 30% a 
50%. À medida que o débito cardíaco 
aumenta, a frequência cardíaca em 
repouso acelera de 70 batimentos por 
minuto antes da gravidez para até 90 
batimentos por minuto. Durante a 
prática de atividade física, o débito 
cardíaco e a frequência cardíaca 
aumentam mais quando uma mulher 
está grávida do que quando não está. 
Por volta da 30ª semana de gravidez, 
ocorre uma leve redução do débito 
cardíaco. Durante o parto, o débito 
cardíaco aumenta em mais 30%. Depois 
do parto, o débito cardíaco diminui, 
primeiro com rapidez e, depois, mais 
lentamente. Ele retorna ao nível anterior 
à gravidez aproximadamente seis 
semanas após o parto. 
Alguns tipos de sopros e irregularidades 
no ritmo cardíaco podem surgir devido 
ao aumento da atividade do coração. 
Às vezes, a gestante pode sentir essas 
irregularidades. Essas alterações são 
normais durante a gravidez. Porém, 
outros sons e ritmos cardíacos alterados 
(por exemplo, sopros diastólicos e 
frequência cardíaca rápida e irregular), 
que ocorrem com mais frequência em 
gestantes, talvez exijam tratamento 
(sopros cardíacos diastólicos são sopros 
que ocorrem pouco antes de o 
coração se contrair). 
A pressão arterial costuma diminuir 
durante o 2º trimestre, podendo, no 
entanto, voltar ao nível normal de pré-
gravidez no 3º trimestre. 
O volume sanguíneo aumenta 
aproximadamente 50% durante a 
gravidez. A quantidade de líquido no 
sangue aumenta mais do que o número 
de glóbulos vermelhos (que transportam 
oxigênio). Assim, embora haja mais 
glóbulos vermelhos, exames de sangue 
indicam anemia leve, o que é normal. 
Por motivos não claramente 
entendidos, o número de glóbulos 
brancos (que combatem infecções), 
aumenta levemente durante a 
gravidez, e aumenta significativamente 
durante o trabalho de parto e nos 
primeiros dias após o parto. 
O crescimento do útero afeta o retorno 
do sangue das pernas e da região 
pélvica ao coração. Assim, inchaço 
(edema) é comum, sobretudo nas 
pernas. Podem surgir varizes nas pernas 
e na zona que circunda a abertura 
vaginal (vulva). Elas às vezes causam 
desconforto. O uso de roupas largas em 
volta da cintura e nas pernas é mais 
confortável e não restringe o fluxo do 
sangue. Algumas medidas não apenas 
aliviam o desconforto, como também 
podem reduzir o inchaço das pernas e 
aumentar a chance de as varizes 
desaparecerem após o parto: 
• Usar meias-calças elásticas com 
suporte 
• Repousar frequentemente com 
as pernas elevadas 
• Deitar-se sobre o lado esquerdo 
Trato urinário 
Assim como o coração, os rins 
trabalham mais durante toda a 
gravidez. Eles filtram o volume de 
sangue crescente. O volume de sangue 
filtrado pelos rins atinge seu máximo 
entre a 16ª e a 24ª semana, 
permanecendo assim até pouco antes 
do parto. Então, a pressão do útero 
dilatado pode diminuir levemente o 
fornecimento de sangue aos rins. 
A atividade dos rins normalmente 
aumenta quando a pessoa se deita e 
diminui quando a pessoa está de pé. 
Essa diferença se acentua durante a 
gravidez, sendo um dos motivos pelos 
quais a gestante sente vontade de 
urinar com frequência enquanto tenta 
dormir. No final da gravidez, deitar-se de 
lado, especialmente o esquerdo, 
aumenta a atividade do rim mais do 
que deitar-se de costas. Deitar-se sobre 
o lado esquerdo alivia a pressão que o 
útero dilatado exerce sobre a veia 
principal que transporta o sangue das 
pernas. Assim, o fluxo sanguíneo 
melhora e a atividade renal aumenta. 
O útero exerce pressão sobre a bexiga 
e reduz o seu tamanho, de modo a 
encher-se de urina mais rapidamente 
que o habitual. Essa pressão faz com 
que a gestante sinta necessidade de 
urinar com mais frequência e urgência. 
Trato respiratório 
A presença de níveis elevados de 
progesterona, um hormônio produzido 
continuamente durante a gravidez, 
sinaliza ao corpo que respire mais rápida 
e profundamente. Assim, a gestante 
exala mais dióxido de carbono para 
manter os níveis de dióxido de carbono 
baixos (o dióxido de carbono é um 
produto da decomposição, exalado 
durante a respiração). Além disso, é 
possível que a mulher respire de forma 
mais rápida também porque o aumento 
do útero limita a expansão dos pulmões 
durante a inspiração. A circunferência 
do tórax da mulher aumenta 
levemente. 
Praticamente todas as gestantes têm 
uma sensação de falta de ar quando 
realizam algum esforço, sobretudo no 
final da gravidez. Durante a prática de 
atividade física, a frequência 
respiratória aumenta mais quando a 
mulher está grávida do que quando 
não está. 
Como mais sangue é bombeado, o 
revestimento das vias aéreas recebe 
mais sangue e incha um pouco, 
estreitando as vias aéreas. Assim, às 
vezes, o nariz pode parecer trancado e 
as trompas de Eustáquio (que ligam o 
ouvido médio à parte posterior do nariz) 
podem ficar obstruídas. Esses efeitos 
podem mudar levemente o tom e a 
qualidade da voz da mulher. 
Trato digestivo 
Náusea e vômitos, sobretudo pela 
manhã (enjoos matinais), são comuns. 
Isso talvez seja causado pela presença 
de uma alta concentração de 
estrogênio e gonadotrofina coriônica 
humana, dois hormônios que ajudam a 
manter a gravidez. 
É possível aliviar náuseas e vômitos com 
alterações na dieta ou nos padrões 
alimentares, por exemplo, fazendo o 
seguinte: 
• Consumir pequenas porções de 
bebidas e alimentos com 
frequência 
• Comer antes de ficar com fome 
• Consumir uma dieta branda (por 
exemplo, caldo de carne ou de 
frango, sopas cremosas, arroz, 
massas) 
• Comer bolachas do tipo água e 
sal simples e tomar bebidas com 
gás 
• Deixar as bolachas ao lado da 
cama e comer uma ou duas 
antes delevantar alivia o enjoo 
matinal 
Não existem medicamentos feitos 
especialmente para aliviar os enjoos 
matinais. Às vezes, a náusea e os 
vômitos são tão intensos ou persistentes 
que a mulher pode apresentar 
desidratação, perda de peso ou outros 
problemas (um distúrbio denominado 
hiperêmese gravídica). Talvez seja 
necessário tratar a mulher com esse 
distúrbio com medicamentos que 
aliviam a náusea (antieméticos) ou 
interná-la temporariamente no hospital 
para que ela possa receber hidratação 
intravenosa. 
Azia e arrotos são comuns, 
possivelmente porque os alimentos 
passam mais tempo no estômago e 
porque o músculo em forma de anel 
que localizado na extremidade inferior 
do esôfago (esfíncter) tende a relaxar, 
permitindo o refluxo do conteúdo do 
estômago para o esôfago. Várias 
medidas podem ajudar a aliviar a azia: 
• Fazer refeições menores 
• Não se curvar nem se deitar por 
várias horas após a refeição 
• Evitar cafeína, tabaco, álcool e 
aspirina e medicamentos 
relacionados (salicilatos) 
• Tomar antiácidos líquidos, mas 
não antiácidos contendo 
bicarbonato de sódio, porque 
eles contêm sal (sódio) em 
excesso 
A azia noturna pode ser aliviada por 
meio das seguintes medidas: 
• Não comer por várias horas 
antes de ir para a cama 
• Levantar a cabeceira da cama 
ou, usando travesseiros, elevar a 
cabeça e os ombros 
O estômago produz menos ácido 
durante a gravidez. Assim, é muito raro 
surgirem úlceras durante a gravidez e, 
em muitos casos, as que já existiam 
começam a cicatrizar. 
Conforme a gravidez avança, a pressão 
causada pelo aumento do útero sobre 
o reto e a parte inferior do intestino pode 
causar constipação. A constipação 
pode se agravar uma vez que uma alta 
concentração de progesterona 
durante a gravidez torna mais lentas as 
contrações musculares involuntárias 
que ocorrem normalmente no intestino 
para deslocar os alimentos. Uma dieta 
rica em fibras, ingestão abundante de 
líquido e a prática regular de atividade 
física podem ajudar a evitar a 
constipação. 
As hemorroidas, um problema comum, 
podem ser causadas pela pressão 
exercida pelo útero dilatado ou pela 
constipação. Para aliviar a dor 
provocada pelas hemorroidas, podem-
se utilizar substâncias que amoleçam as 
fezes, um gel anestésico ou banhos 
quentes. 
A mulher pode também sentir desejos 
de comer alimentos incomuns ou 
substâncias não comestíveis (como 
amido ou argila). 
Por vezes, as gestantes, sobretudo as 
que também sofrem de enjoos matinais, 
têm produção excessiva de saliva. Esse 
sintoma talvez seja incômodo, mas é 
inofensivo. 
Cálculos biliares aparecem com maior 
frequência durante a gravidez. 
Pele 
A máscara da gravidez (melasma) 
consiste em um pigmento de cor 
castanha, semelhante a uma mancha 
na pele da testa e das bochechas. A 
pele ao redor dos mamilos (aréola) 
também pode escurecer. É comum 
aparecer uma linha escura (linha nigra) 
na parte central inferior do abdômen. 
Essas alterações podem ocorrer porque 
a placenta gera um hormônio que 
estimula os melanócitos, células que 
produzem um pigmento castanho-
escuro na pele (melanina). 
Por vezes, surgem estrias de cor rosada 
no abdômen. Essa alteração decorre 
provavelmente do rápido crescimento 
do útero e do aumento dos níveis de 
hormônios suprarrenais. 
Além disso, pequenos vasos sanguíneos 
podem formar um padrão em forma de 
teia de aranha de cor vermelha na 
pele, geralmente acima da cintura. 
Essas formações são chamadas de 
angiomas de aranha. 
Capilares dilatados de paredes finas 
podem ficar visíveis, sobretudo na parte 
inferior das pernas. 
Dois tipos de erupção cutânea 
intensamente pruriginosas ocorrem 
apenas durante a gravidez: 
➢ As pápulas urticariformes 
pruriginosas e placas de 
gravidez (urticária da gravidez) 
normalmente aparecem 
durante as últimas duas a três 
semanas de gravidez, mas 
podem aparecer em qualquer 
época depois da 24ª semana. 
Ocasionalmente, elas 
aparecem após o parto. 
Desconhece-se a causa. 
 
➢ Penfigoide (herpes) gestacional 
pode surgir em qualquer 
momento após a 12ª semana de 
gravidez ou imediatamente 
depois do parto. Acredita-se 
que ela seja causada por 
anticorpos anormais que 
atacam os próprios tecidos do 
corpo, ou seja, uma reação 
autoimune. 
Hormônios 
A gravidez afeta praticamente todos os 
hormônios no corpo, principalmente 
devido aos efeitos de hormônios 
produzidos pela placenta. Por exemplo, 
a placenta produz um hormônio que 
estimula a glândula tireoide para tornar 
sua atividade mais intensa e para gerar 
uma quantidade maior de hormônios 
da tireoide. Quando ocorre um 
aumento da atividade da tireoide 
(como ocorre no hipertireoidismo), é 
possível que o coração bata mais 
rapidamente, fazendo com que a 
mulher perceba seus batimentos 
cardíacos (palpitações). A transpiração 
pode aumentar, oscilações do humor 
podem ocorrer e a tireoide pode 
aumentar de tamanho. Porém, o 
hipertireoidismo, um distúrbio no qual a 
tireoide apresenta mau funcionamento 
e hiperatividade, surge em menos de 
0,1% das gestações. 
A concentração de estrogênio e de 
progesterona aumenta no início da 
gravidez, uma vez que a gonadotrofina 
coriônica humana, o principal hormônio 
produzido pela placenta, estimula os 
ovários a produzir esses hormônios 
continuamente. Depois de nove a dez 
semanas de gravidez, a placenta 
produz grandes quantidades de 
estrogênio e de progesterona. O 
estrogênio e a progesterona ajudam a 
manter a gravidez. 
A placenta estimula as glândulas 
adrenais e produz mais aldosterona e 
cortisol (que ajudam a regular a 
excreção de líquido pelos rins). Assim, há 
maior retenção de líquido. 
Durante a gravidez, as alterações dos 
níveis hormonais afetam a forma como 
o organismo controla a glicose. Nos 
estágios mais avançados da gravidez, o 
corpo não responde tão bem à insulina, 
como o faz normalmente. 
Consequentemente, o nível de glicose 
aumenta. É necessário tomar mais 
insulina (um hormônio que controla o 
nível de açúcar no sangue) durante a 
gravidez. Assim, o diabetes, se já estiver 
presente, pode piorar durante a 
gravidez. O diabetes também pode 
iniciar durante a gravidez. Este distúrbio 
é chamado de diabetes gestacional. 
Articulações e músculos 
As articulações e os ligamentos 
(cordões fibrosos e cartilagens que 
unem os ossos) da região pélvica da 
mulher ficam mais frouxos e flexíveis. 
Essa alteração permite ganhar espaço 
para que o aumento do útero e prepara 
a mulher para o parto. Assim, a postura 
da mulher sofre uma leve alteração. 
É muito frequente a mulher sofrer de 
dores nas costas de diferentes 
intensidades porque a coluna vertebral 
se curva mais para equilibrar o peso do 
útero dilatado. Evitar levantar pesos, 
dobrar os joelhos (em vez da cintura) 
para apanhar um objeto do chão e 
manter uma boa postura podem 
ajudar. Usar calçados sem salto com 
bom suporte ou uma cinta de 
maternidade leve talvez reduza a 
tensão exercida nas costas. 
 
2- Descrever as possíveis 
complicações da gravidez e os 
principais exames para o 
diagnóstico (mãe) (patologias 
obstétricas/ patologias 
ginecológicas (infecções 
congênitas, síndrome 
hipertensivas, diabetes 
gestacional, hemorrágicas, 
anóxias) que podem virar 
patologias obstétricas 
Exames do pré-natal; 
− Dosagem de hemoglobina (Hb); 
− Grupo sanguíneo e fator Rh; 
– Teste de Coombs indireto; 
– Sorologia para sífilis (VDRL); 
– Glicemia em jejum; 
– Teste de tolerância com sobrecarga 
oral de 75g de glicose anidra; 
– Exame sumário de urina (Tipo I); 
– Urocultura com antibiograma; 
– Exame parasitológico de fezes; 
– Colpocitologia oncótica; 
– Bacterioscopia do conteúdo vaginal; 
– Teste anti-HIV. 
Possíveis complicações na 
gravidez 
Sangramentos 
 
Pequenos sangramentos são comuns, 
principalmente no primeiro trimestre,e 
podem ocorrer após um exame pélvico 
ou uma relação sexual, já que o colo do 
útero é sensível ao toque. Porém, eles 
também podem ser sinal de que algo 
mais grave está acontecendo, como 
um aborto espontâneo, por exemplo, 
que também é comum nas primeiras 
semanas de gestação. 
Hiperêmese gravídica 
É normal a gestante ter náuseas e 
vômitos frequentes durante o primeiro 
trimestre. Mas em alguns casos, ela 
pode desenvolver a hiperêmese 
gravídica, que causa vômitos excessivos 
e náuseas muito fortes. 
Infecções do trato urinário 
Os principais sinais são desejo frequente 
de urinar, dor ou ardor ao urinar e 
presença de sangue na urina. Sem 
tratamento, esse tipo de infecção pode 
evoluir para uma infecção renal mais 
séria, que pode provocar dor nas 
costas, febre e náuseas. 
Gravidez ectópica 
A gravidez ectópica ou tubária 
acontece quando o óvulo fertilizado é 
implantado fora do útero, como nas 
tubas uterinas. Esse tipo de gestação 
não se desenvolve normalmente. O feto 
não sobrevive, e a condição pode 
oferecer risco à vida da mulher. 
Pré eclâmpsia 
É uma das patologias mais severas deste 
período. Ela costuma se manifestar na 
primeira gestação e no terceiro 
trimestre. Ela apresenta sintomas como 
espuma na urina, dores abdominais, 
inchaço, dores de cabeça e 
convulsões. 
Ocorre devido a uma alteração 
vascular da placenta. 
Consequentemente, a pressão arterial 
aumenta, gerando os sintomas 
anteriormente citados. 
Diabetes Mellitus Gestacional 
A princípio, costuma se manifestar após 
a 26ª semana de gravidez e atingir 
mulheres que tenham histórico familiar 
com a doença e que ganhem mais de 
12 kg na gestação. Contudo, ela não 
está necessariamente ligada ao peso. A 
placenta possui hormônios 
diabetogênicos, com potencial para 
desenvolver diabetes. 
Vaginose 
Infecção que se manifesta devido à 
baixa imunidade na gestação. Além 
disso, há indícios de que o estresse possa 
contribuir para seu aparecimento. Trata-
se de uma condição que afeta a flora 
vaginal. Logo que se instala, ela reduz a 
quantidade de lactobacilos, essenciais 
para a proteção da região. 
Infecções congênitas são infecções 
transmitidas da mãe para o feto durante 
a gestação (transmissão vertical), isso 
significa que ocorrem via intrauterina ou 
transplacentária. 
T: toxoplasmose 
O: outras – rubéola, chagas, parvovírus 
B19, Zika vírus, varicela zoster 
R: rubéola 
C: citomegalovírus 
H: herpes simples, hepatite, HIV 
S: sífilis 
É muito importante que haja um 
rastreamento sorológico, durante a 
gestação, para diagnosticar e tratar 
precocemente essas infecções. O 
Ministério da Saúde recomenda que 
seja feita em todas as gestantes, no 
início da gestação e no terceiro 
trimestre, testes sorológicos para sífilis, 
HIV e hepatite B, outras infecções 
apenas caso haja quadro clínico 
sugestivo. 
A Síndrome Hipertensiva da Gestação 
pode ser classificada então em quatro 
formas distintas: 
1) pré-eclâmpsia/eclâmpsia (doença 
hipertensiva específica da gravidez) 
quando a hipertensão arterial surge 
após 20 semanas de gestação e 
associada à proteinúria (≥ 0,3g de 
proteína em urina de 24 horas ou ≥ 2 
cruzes em uma amostra urinária); 
2) hipertensão crônica de qualquer 
etiologia quando identificada antes da 
gestação ou antes de 20 semanas de 
gestação; 
3) pré-eclâmpsia sobreposta à 
hipertensão crônica a paciente 
previamente hipertensa desenvolveu 
proteinúria após 20 semanas de 
gestação; 
4) hipertensão gestacional quando a 
manifestação ocorreu após a 20ª 
semana de gestação. 
Dentro das síndromes hipertensivas 
gestacionais deve-se dar uma atenção 
especial a pré-eclâmpsia ou doença 
hipertensiva específica da gravidez que 
ocorre como forma isolada ou 
associada à hipertensão arterial crônica 
e está associada aos piores resultados, 
maternos e perinatais. 
A síndrome hipertensiva gestacional é 
um importante causa de mortalidade 
materna no Brasil. Está patologia é 
responsável por muitos partos 
prematuros uma vez que a interrupção 
da gestação parecer ser opção mais 
segura, nos casos graves, para mãe e o 
feto. 
Um pré-natal rigoroso o uso da 
dopplervelocimetria das artérias 
umbilicais parece ser uma opção 
segura de seguimento destas gestantes 
de alto risco. A decisão de antecipação 
do parto deve sempre levar em 
consideração os riscos elevados de 
mortalidade e morbidade neonatal. 
SÍNDROMES HEMORRÁGICAS 
Entre 10% e 15% das gestações 
apresentam hemorragias 
Divididas em primeira metade e 
segunda metade da gestação 
Primeira metade: 
➢ Abortamento 
➢ Gravidez ectópica 
➢ Mola Hidatiforme (neoplasia 
trofoblástica) - Uma gravidez 
molar (mola hidatiforme) e 
outros tipos de doença 
trofoblástica gestacional são o 
crescimento de um óvulo 
fertilizado anômalo ou um 
crescimento excessivo de tecido 
da placenta. 
Segunda metade: 
➢ Placenta prévia 
➢ Descolamento prematuro da 
placenta; 
➢ Rotura uterina 
➢ Vasa prévia 
Descolamento prematuro de placenta, 
placenta prévia, ruptura uterina, ruptura 
de vasa prévia e ruptura do seio 
marginal. 
Descolamento prematuro de placenta 
(DPP) diz respeito a separação da 
placenta normalmente inserida antes 
do nascimento do feto, entre 20-22 
semanas de gestação. 
É uma das principais emergências 
obstétricas e representa causa 
significativa de morbimortalidade tanto 
materna quanto fetal, com mortalidade 
perinatal 20 vezes maior, sendo que a 
maioria das mortes perinatais ocorre 
intraútero. Além disso, a DPP é 
responsável por aproximadamente 10% 
dos partos prematuros. 
A placenta prévia é quando a placenta 
está presa (implantada) sobre a 
abertura do colo do útero, na parte 
inferior do útero, em vez de na parte 
superior. É possível que a mulher tenha 
sangramento indolor, às vezes 
abundante, no final da gravidez. A 
ultrassonografia pode normalmente 
confirmar o diagnóstico. 
A ruptura uterina é um rasgo 
espontâneo abrindo o útero que pode 
resultar em o feto flutuar no abdômen. A 
ruptura do útero é muito rara. É uma 
emergência que exige tratamento 
imediato. O útero pode se romper antes 
ou durante o trabalho de parto. 
Na vasa prévia, as membranas que 
contêm vasos sanguíneos a partir do 
feto para a placenta atravessam a 
entrada para a vagina (a abertura do 
colo do útero). Quando as membranas 
se rompem (perto do início do trabalho 
de parto), esses vasos sanguíneos 
podem romper-se. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Também chamada de asfixia perinatal, 
a anóxia neonatal é a falta de 
oxigenação e de perfusão adequada 
nos tecidos durante o periparto, ao 
nascimento e nos primeiros minutos de 
vida. 
É um acontecimento que pode ser 
causado por inúmeras situações que 
coloquem o bebê em risco de baixa 
oxigenação, dentre elas, podemos citar 
a interrupção do fluxo umbilical por 
compressão ou obstrução do mesmo, 
insuficiente trocas de gases através da 
placenta (como ocorre em casos de 
descolamento placentário), perfusão 
materna inadequada (mães que 
sofreram com hipotensão grave, 
parada cardíaca ou hipoventilação 
durante a anestesia), relaxamento 
uterino para o enchimento placentário 
ineficaz devido à utilização de 
ocitocina em excesso, ao 
comprometimento do feto durante a 
gestação (quadros de retardo do 
crescimento intrauterino) e à 
incapacidade pulmonar de inflar logo 
após o nascimento. 
Outros exemplos são: após o 
nascimento do recém-nascido, como 
quadro de choque de natureza séptica 
ou hemorrágica que irá acometer 
gravemente a oxigenação tecidual; 
anemias causadas por hemorragias 
intensas; presença de cardiopatias 
congênitas cianóticas; e doenças 
pulmonares graves. 
3- Conhecer e caracterizar a 
fisiologia completa do parto 
normal (fisiologia da dor/ 
complicações de parto) 
Parto e o trabalho de parto: como é 
caracterizado e quais asfases 
O parto é caracterizado pelas 
contrações mioepiteliais que provocam 
a dilatação cervical e a expulsão do 
feto. 
Nesse sentido, o trabalho de parto é o 
estágio de estimulação que possibilita 
esse nascimento, sendo dividido em: 
➢ Dilatação; 
➢ Expulsão; 
➢ Dequitação ou segundamento. 
➢ Dilatação 
Esse estágio inicia-se com as primeiras 
contrações dolorosas, que têm a 
finalidade de promover a modificação 
da cérvix uterina até atingir uma 
dilatação de 10cm. Essas modificações 
abrangem dois fenômenos: 
➢ Esvaecimento cervical: 
incorporação do colo à 
cavidade uterina, terminando 
com a formação de um degrau 
ao centro da abóbada cérvica; 
➢ Dilatação propriamente dita: 
ampliação do canal de parto, 
completando a continuidade 
entre útero e vagina. 
Vale lembrar que esses fenômenos 
podem ocorrer de forma distinta; a 
mulher pode ser primípara ou multípara, 
e, nesse último, normalmente os 
fenômenos ocorrem de forma 
simultânea. 
A dilatação cervical é dividida em: 
➢ Fase latente: normalmente dura 
8 horas e apresenta contrações 
mais eficazes, levando em 
consideração a coordenação e 
intensidade, contudo não 
determinam modificações 
significativas na dilatação 
cervical, sendo a dilatação 
nessa fase em tomo de 
0,35cm/h; 
➢ Fase ativa: inicia com dilatação 
cervical de 4cm e dura em 
média 6horas nas primíparas, 
sendo a dilatação entre 1,2cm/h 
e 1,5cm/h dependendo da 
paridade. 
Friedman divide essa fase em três 
subdivisões que propiciam a dilatação e 
são capazes de modificar mais 
acentuadamente a cérvix: 
➢ Aceleração: em que a 
velocidade de dilatação 
começa a modificar-se; 
➢ Aceleração máxima: quando a 
dilatação passa de 2 a 3 cm 
para 8 a 9 cm; 
➢ Desaceleração: que precede a 
dilatação completa. 
Expulsão 
Após a dilatação completa, o útero se 
mantém imobilizado pela ação dos 
ligamentos largo (lateralmente), 
redondo (superiormente) euterossacro 
(posteriormente). 
Assim, como consequências das 
contrações involuntárias miometriais e 
voluntárias dos músculos abdominais – 
também denominada puxo –o feto sai 
pelo canal de parto. 
Nesse período, a descida do polo 
cefálico é classificada em fase cefálica 
e pélvica, levando em consideração os 
planos de De Lee. 
➢ Fase cefálica: quando a 
apresentação se encontra 
acima do plano +3 de De Lee; 
➢ Fase pélvica: apresenta a 
cabeça rodada e em um plano 
inferior a +3 de De Lee. 
Dequitação 
Em virtude da diminuição do volume 
uterino depois da expulsão fetal, 
associada às contrações uterinas 
vigorosas e indolores, o útero expele a 
placenta e as membranas através do 
canal de parto, exteriorizando-as pela 
rima vulvar. 
O descolamento placentário pode ser 
classificado em: 
➢ Descolamento central ou de 
Baudelocque-Schultze: esse tipo 
é o mais frequente, em que a 
face placentária visualizada 
pela rima vulvar é a face fetal; 
➢ Descolamento periférico ou de 
Baudelocque-Duncan: quando 
o descolamento começa 
lateralmente, sendo a face 
materna a primeira face 
placentária visualizada na rima 
vulvar. Esse tipo é menos comum 
e tem escoamento de sangue 
antes da total expulsão da 
placenta. 
Eventos importantes na primeira hora de 
parto 
A primeira hora do parto ou primeira 
hora do puerpério é também 
denominada de quarto período de 
Greenberg, que se inicia após a 
dequitação. Esse momento é de 
extrema importância, uma vez que há 
ocorrência de fenômenos para 
estabilização materna. Dentre eles: 
Miotamponamento: primeira linha de 
defesa contra a hemorragia, em que a 
contração do útero causa oclusão dos 
vasos miometriais; 
Trombotamponagem: é a segunda linha 
de defesa contra a hemorragia, 
quando o estágio de contração fixa do 
útero ainda não foi alcançado. 
Caracteriza-se pela formação de 
trombos nos grandes vasos 
uteroplacentários; 
Indiferença uterina: é caracterizada por 
contração e relaxamento das fibras 
miometriais; 
Contração fixa: o útero adquire maior 
tônus e assim se mantém auxiliando no 
retomo do útero ao estado pré-
gravídico. 
BASES ANATÔMICAS DO TRABALHO DE 
PARTO 
Do ponto de vista anatômico, sabe-se 
que múltiplas estruturas estão 
envolvidas no TP. O miométrio, o colo 
uterino, a placenta e o feto agem em 
conjunto para assegurar o sucesso do 
parto. Esse sucesso depende, ainda, das 
diferenças no formato e no tamanho da 
pelve. Assim sendo, embora a 
contratilidade uterina seja importante, 
ela não é um fator isolado. 
A inervação uterina é complexa. A 
inervação funcional é feita por nervos 
parassimpáticos provenientes de S2 a S4 
e nervos simpáticos provenientes de T7 
a T8, que inervam também a bexiga e a 
porção superior da vagina. Já o períneo 
é inervado pelo nervo pudendo, que 
entra na medula espinhal no nível de S2 
a S4. A inervação sensitiva do útero, 
responsável pela percepção da dor do 
parto, se faz através de fibras aferentes 
viscerais provenientes do corpo uterino, 
que entram na medula espinhal no nível 
de T11 e T12. O colo uterino, a vagina e 
o períneo são inervados por nervos que 
entram na medula no nível de S2 a S4. 
Como parte das fibras nervosas uterinas 
atinge a medula espinhal em nível alto, 
é fácil entender-se por que o bloqueio 
sacral por si só não seria suficiente para 
promover adequada analgesia e 
anestesia, particularmente durante o 
primeiro estágio do TP. 
Os impulsos dolorosos do TP são 
transmitidos por fibras A delta e C.5 A 
dor assume características e 
intensidade diferentes, de acordo com 
a progressão do parto. Didaticamente, 
o TP foi dividido em estágios, nos quais 
se diferem essas estruturas anatômicas 
que, controladas por estímulos nervosos, 
vão atuar contribuindo para a expulsão 
do feto. O conhecimento desses 
estágios é fundamental para o 
planejamento da analgesia de parto. 
ESTÁGIOS DO TRABALHO DE PARTO 
Primeiro estágio 
Compreende o intervalo entre o início 
do trabalho de parto e a completa 
dilatação cervical. A dor, basicamente 
visceral, é causada pelas contrações 
uterinas, pela dilatação do colo do 
útero e pela distensão do segmento 
inferior do útero.6 Os impulsos dolorosos 
são transmitidos por fibras viscerais que 
acompanham as fibras simpáticas e 
entram na medula espinhal nos 
segmentos T10 a L1. Essas fibras passam 
pelo útero, pelo plexo cervical e pelo 
plexo hipogástrio até atingir a medula. 
Quando a dor do início do TP é de 
pouca intensidade, seus impulsos são 
transmitidos pelos segmentos espinhais 
T10 e T11, mas, quando se torna mais 
intensa, atinge T12 a L1. 
Segundo estágio 
Compreende o intervalo entre a 
dilatação cervical total até a saída do 
feto. Durante o segundo estágio surge o 
componente somático da dor devido à 
distensão no assoalho pélvico, vagina e 
períneo. Essas informações são 
transmitidas pelo nervo pudendo, que é 
composto de fibras somáticas sacrais 
(S2 a S4). Além da inervação sensitiva 
da vagina, vulva e períneo, os nervos 
pudendos fazem a inervação motora a 
vários músculos da pelve e região 
perineal. Outras estruturas vizinhas, 
como anexos, peritônio parietal, bexiga 
e reto sofrem tração. Portanto, a dor é 
intensa e possui componente visceral e 
somático, com fibras que penetram na 
medula nos segmentos T10 a S4.5 
Quando se utiliza analgesia, essa fase 
pode perdurar até duas horas nas 
pacientes multíparas ou até três horas 
nas pacientes nulíparas.4 
Terceiro estágio 
Compreende o período entre a saída 
do feto até a expulsão das membranas 
fetais e da placenta. Ocorre aumento 
do retorno venoso por descompressão 
da veia cava e pela autotransfusão 
materna, resultante da contração 
uterina. A maior complicação 
observada nesse período é a 
hemorragia, que merece especial 
atenção do anestesiologista. Porém, as 
perdas sanguíneas durante o parto 
vaginal raramente são expressivas, 
limitando-se a um total de 500 mL,devido à rápida contração do 
miométrio após a dequitação e ao 
estado de hipercoagulação materna.6 
BASES FISIOLÓGICAS DO TRABALHO DE 
PARTO 
A fisiologia do parto é complexa, o que 
dificulta até mesmo o diagnóstico de 
início do TP. Alterações no colo e na 
frequência das contrações uterinas são 
provavelmente os dois sinais clínicos 
mais usados para avaliar o parto, 
embora este último não reflita a força 
do parto. Controvérsias também 
persistem sobre qual o melhor meio para 
se avaliar e quantificar a contratilidade 
uterina. Na fase precoce do TP, as 
contrações tipicamente têm pico de 
intensidade entre 25 e 30 mmHg, 
chegando a 60 a 65 mmHg durante o 
segundo estágio. A avaliação da 
performance uterina baseada somente 
na amplitude das contrações é falsa, já 
que a intensidade destas varia com a 
fase do TP, o tratamento da dor e a 
necessidade de recursos para contrair o 
útero. 
Durante a gestação ocorre aumento 
dos níveis de progesterona na grávida, 
visando preparar seu organismo para 
enfrentar o TP. Entre outras ações, a 
progesterona promove mais 
sensibilidade dos nervos aos anestésicos 
locais, fazendo com que menores doses 
por dermátomos sejam eficazes, tanto 
na analgesia peridural ou 
subaracnoidea. 
Essa reduzida necessidade de 
anestésicos no neuro eixo tem sido 
também atribuída ao ingurgitamento 
venoso peridural, comum após a 
segunda metade da gravidez. O 
aumento da pressão no espaço 
peridural promove dispersão cefálica 
do anestésico, resultando em níveis mais 
altos de bloqueio simpático. O 
ingurgitamento venoso ocorre devido à 
pressão do útero sobre a veia cava 
inferior, a aorta e os vasos ilíacos. 
Consequentemente, o retorno venoso 
ao coração passa a ser feito através de 
um complexo sistema de anastomoses 
de tributárias da veia cava inferior com 
as veias vertebrais.2,7,8 O 
ingurgitamento venoso peridural não só 
aumenta a área de absorção do 
anestésico local como facilita a punção 
acidental de vasos sanguíneos. Ele 
também propicia a cateterizarão 
desses vasos durante a realização da 
anestesia peridural contínua, o que 
pode resultar graves consequências. 
Desse modo, para a realização de 
bloqueios do neuro eixo na gestante, a 
dose e o volume do anestésico local 
devem ser reduzidos, 
independentemente se a 
administração será peridural ou 
subaracnóidea. Além disso, a injeção 
deve ser feita lentamente e no intervalo 
entre contrações uterinas.5 
A compressão aorto-cava é um 
aspecto de fundamental importância 
na fisiologia da gestante. Sua relevância 
é ainda maior durante o TP, 
principalmente se a paciente está em 
posição supina. Para evitar prejuízos ao 
feto, essa compressão deve ser 
minimizada sempre que possível, sendo 
indicado o posicionamento da gestante 
em decúbito lateral esquerdo durante e 
após a aplicação da analgesia. 
5- Caracterizar as mudanças na 
propriocepção e equilíbrio na 
gravidez 
A gravidez é um processo fisiológico 
compreendido pela sequência de 
adaptações ocorridas no corpo da 
mulher a partir da fertilização. A 
preparação do corpo para a gestação 
envolve ajustes dos mais variados 
sistemas (1) e pode ser considerada um 
estado de saúde que envolve 
mudanças fisiológicas iguais ou maiores 
do que as que acompanham muitos 
estados patológicos (2). 
As alterações são advindas de 
mudanças hormonais que aumentam a 
frouxidão ligamentar (3) e mudanças 
biomecânicas (4) que provocam 
modificações estruturais na estática e 
dinâmica do esqueleto da gestante. 
Como exemplo destas considerações 
podem ser citadas as mudanças 
musculoesqueléticas no corpo da 
gestante, como o constante 
crescimento do útero, o aumento no 
peso corporal e o tamanho das mamas, 
os quais contribuem para o 
deslocamento do centro de gravidade 
para cima e para frente, podendo 
acentuar e promover uma anteversão 
pélvica e um consequente 
desequilíbrio. Além disso, há uma 
compensação da hiperlordose lombar 
causada, de forma a utilizar base de 
suporte maior e modificações nos 
padrões considerados normais para a 
marcha e para o equilíbrio. 
Desordens de equilíbrio representam 
uma preocupação de saúde pública 
crescente por causa da associação 
com quedas e danos a elas 
relacionados. Os estudos internacionais 
demonstram que, durante a gravidez, 
uma em cada quatro mulheres relata 
quedas, taxa está comparável a 
pessoas idosas com mais de 65 anos. As 
quedas podem resultar em sérios 
problemas de saúde e representam 
1739% dos traumas maternos e 
respondem por 3-7% das mortes fetais. 
Porém, estudos nacionais ainda se 
encontram abrandados no que tange a 
essas estatísticas. 
A manutenção do equilíbrio requer uma 
complexa integração das informações 
sensoriais advindas dos sistemas visual, 
somatossensorial e vestibular relativas à 
posição do corpo e a habilidade para 
gerar respostas motoras apropriadas 
para controlar o movimento corporal. 
Ao sistema vestibular cabe a 
sensibilidade de detectar as 
acelerações lineares e angulares, 
enquanto o sistema somatossensorial é 
composto por vários receptores que 
percebem a posição e a velocidade de 
todos os segmentos corporais, seu 
contato com objetos externos, inclusive 
o chão, e a orientação da gravidade. 
Já a informação visual é baseada nas 
características externas do ambiente. 
Com a perfeita integração desses 
sistemas, no cérebro, mais 
especificamente com tronco 
encefálico e cerebelo, juntamente com 
memórias de experiências prévias, a 
correta postura do indivíduo é 
determinada e, portanto, qualquer 
disfunção nestes sistemas pode 
desencadear sintomas de falta de 
equilíbrio. 
O Teste de Organização Sensorial é uma 
importante ferramenta para análise do 
controle postural, uma vez que analisa a 
contribuição relativa dos receptores 
somatossensoriais, visuais e vestibulares 
na estabilidade global do indivíduo, 
indicando qual dos sistemas utilizados 
para a manutenção do equilíbrio é 
responsável pela instabilidade (padrões 
de distribuição sensorial), assim como 
sua capacidade de manter o equilíbrio 
com informações sensoriais erradas 
(visão preferencial). 
Mesmo que existam muitos estudos 
realizados com o equilíbrio, não foram 
encontrados estudos que vislumbrem a 
relação entre a gestação e os sistemas 
sensoriais responsáveis pela 
estabilidade. Além disso, a atuação e a 
importância dada a cada um dos 
sistemas sensoriais durante a gestação 
ainda são desconhecidos, tanto pela 
literatura nacional quanto pela 
internacional. A obtenção de 
conhecimentos como esses é 
importante para a formulação da 
prescrição de tratamentos de 
reabilitação mais adequados para 
compensar o sistema que se encontra 
debilitado, permitindo a valorização 
objetiva deste. Dessa forma, o objetivo 
do presente estudo foi investigar a 
influência dos sistemas visual, 
somatossensorial e vestibular no 
equilíbrio em diferentes fases da 
gestação.

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