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A formação das palavras
AUTORIA
Maraisa Daiana da Silva
24/08/2025, 19:36 A formação das palavras
https://ava.graduacaoead.unicv.edu.br/pluginfile.php/2573774/mod_resource/content/2/unidade-2/a-formacao-das-palavras.html 1/5
As línguas foram criadas para suprir uma das necessidades do ser humano – se
comunicar. E para que isso seja possível, os falantes de uma língua identificam,
classificam e nomeiam coisas, objetos e elementos, sobre os quais se deseja falar,
sejam eles abstratos ou concretos, fictícios ou reais, naturais ou não. Desse modo, de
acordo com Basílio (2004, p. 9), “a língua é ao mesmo tempo um sistema de
classificação e um sistema de comunicação”.
Nessa direção, a língua apresenta estratégias linguísticas que proporcionam a
formação de novas palavras, e o léxico esta diretamente relacionado a essa
estratégia, esse que, de acordo com a mesma autora, é um banco de dados
previamente classificados, em que são depositados unidades básicas, ou seja, as
palavras, as quais utilizamos para construir sentenças.
Contudo, esse banco de dados é um sistema fechado, que não é suficiente para a
construção de enunciados completos em Língua Portuguesa. Isto porque, estamos
sempre construindo e reconstruindo, conhecendo e reconhecendo, produzindo e
reproduzindo novos objetos, elementos e seres, desse modo, temos a necessidade
de um sistema eficaz, capaz de oferecer dinamismo e expansão, conforme as
necessidades de novas palavras vão surgindo.
Ao pensar nesse sistema eficaz, podemos entender esse processo da seguinte
maneira: o léxico primeiro oferece uma designação para novos objetos e,
posteriormente, a partir dessas designações, surgem novas construções, podemos
citar como exemplo a designação global, da qual houve desdobramentos e
obtivemos termos tais como globalização e globalizar. É interessante ainda,
pensarmos que as palavras vão surgindo conforme as nossas necessidades, um
REFLITA
“O princípio fundamental da arbitrariedade do signo não impede
distinguir, em cada língua, o que é radicalmente arbitrário, vale dizer,
imotivado, daquilo que só́ o é relativamente. Apenas uma parte dos
signos é absolutamente arbitrária; em outras, intervém um fenômeno
que permite reconhecer graus no arbitrário sem suprimi-lo: o signo
pode ser relativamente motivado.”
Fonte: SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Lingüística Geral. Trad. bras.
Antônio Chelini et al. 20 ed. São Paulo: Cultrix, 1995, p. 152.
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exemplo disso foi os desdobramentos que surgiram com a chegada de tecnologias
mais avançadas, antes falávamos em xerocar, palavra derivada do xerox; hoje
falamos em imprimir, impressão, impressora e assim por diante.
Nessa direção, segundo Basílio (2004, p. 9),
O léxico, portanto, não é apenas de um conjunto de palavras. Como
sistema dinâmico, apresenta estruturas a serem utilizadas em sua
expansão. Essas estruturas, os processos de formação de palavras,
permitem a formação de novas unidades no léxico como um todo e
também a aquisição de palavras novas por parte de cada falante.
Todavia, o nosso sistema de comunicação – a língua – não pode ser sintetizada
apenas no que se refere ao aumento do número de símbolos, pois, se assim o fosse,
nós precisaríamos decorar uma infinidade de novos símbolos, o que tornaria o
sistema inapto, além de dependente da nossa memória.  O que temos,
efetivamente, é a ampliação do léxico por meio de estratégias de formação de
palavras.
Nesse sentido, de acordo com Bechara (2010), o artefato lexical de uma gramática é
distribuído em três partes: derivação e composição, por meio das quais temos
estratégias linguísticas que permitem a formação de novas palavras. 
Comecemos pela composição. A composição equivale a junção de dois ou mais
elementos significativos em uma língua, sendo que essa junção resulta em uma
nova palavra, com significado único. São exemplos de palavras compostas: ponta +
pé = pontapé; plano + alto = planalto.
Quando analisamos os exemplos colocados anteriormente notamos uma paridade –
as duas palavras são formadas por outras palavras – e uma disparidade – a palavra
pontapé, ao ser formada, não sofreu nenhuma alteração, denominamos esse
processo composição por justaposição. Já, a palavra planalto sofreu uma alteração
no processo de composição, uma das palavras – plano – perdeu uma letra – o –, isso
acontece para facilitar a pronúncia da palavra. Esse processo é intitulado
composição por aglutinação. Observe o esquema abaixo:
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Diagrama 2.1 – Composição
Composição
Justaposição
(não sofre alteração)
Aglutinação
(sofre alteração)
Peixe + espada =
Ponta + aguda =
pontiaguda
outra + hora =
outrora
peixe-espada
Fonte: a autora.
A derivação, por sua vez, é o processo que dá origem a outra, por meio de uma única
palavra já existente na língua, por meio de afixos. Assim, a palavra também pode ser
composta por meio da derivação prefixal, derivação sufixal ou ainda por meio da
derivação parassintética.
A derivação prefixal acontece quando o afixo é anexado antes da palavra de origem
(primitiva), por exemplo: reter, conter, desligar. Por outro lado, a derivação sufixal
acontece quando o afixo é anexado depois da palavra de origem, por exemplo:
ruazinha, jardinagem, capitalista. No que se refere a derivação parassintética, ela
ocorre quando temos, simultaneamente, a junção dos afixos prefixal e sufixal no
radical (palavra primitiva), por exemplo: esfriar (es + frio + ar), apaixonar (a + paixão +
ar), emudecer (e + mud(o) + ecer).
Esquematizando temos:
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Diagrama 2.2 – Composição
Derivação
(Composição por afixos)
Prefixal
(antes do radical
prefixo + radical )
Sufixal
(depois do radical
radical + sufixo )
Parassintética
(amtes e depois do radical
prefixo + radical + sufixo )
Fonte: a autora.
Em suma, como vimos a língua apresenta estratégias linguísticas que proporcionam
a formação de novas palavras, além disso, temos um banco de dados previamente
classificado, em que vamos depositando palavras, as quais selecionamos,
reorganizamos e reestruturamos para nos comunicar. Ademais, vimos que um
sistema fechado não é suficiente para que as necessidades linguísticas sejam
sanadas, afinal a língua está em constante transformação, exigindo que as palavras
sejam revistas e reestruturadas e, para isso, temos aliados gramaticais, como a
derivação e a composição.
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