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DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR E EJA NEIVA CABRAL DE SOUZA DESAFIOS E ESTRATÉGIAS PARA COMBATER A EVASÃO ESCOLAR NA EJA Caraguatatuba-SP 2025 NEIVA CABRAL DE SOUZA DESAFIOS E ESTRATÉGIAS PARA COMBATER A EVASÃO ESCOLAR NA EJA Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Docência do Ensino Superior e EJA apresentado ao Instituto Facprisma EAD de Coronel Fabriciano - MG, como requisito parcial para a obtenção de nota do TCC. Orientador (a): Prof.a Esp. Maria Eduarda Oliveira de Souza Caraguatatuba-SP 2025 AGRADECIMENTOS Gostaria de expressar minha profunda gratidão a todos que contribuíram para a realização deste trabalho. Agradeço em especial a Deus por toda força e paciência que tem me sustentado durante todas as jornadas que tenho enfrentado. Agradeço também a minha família e amigos pelo incentivo e compreensão durante todo o processo de elaboração deste trabalho de conclusão de curso. Sem o apoio de vocês não teria conseguido alcançar tal objetivo. DESAFIOS E ESTRATÉGIAS PARA COMBATER A EVASÃO ESCOLAR NA EJA RESUMO O presente artigo apresenta uma abordagem quanto ao retorno escolar pela modalidade de Educação de Jovens e Adultos EJA, bem como, todas as dificuldades enfrentadas por estudantes e educadores na busca de incluir todos aqueles que por algum motivo tiveram que abandonar a escola em determinado período. O trabalho apresentará em torno do histórico da EJA até os dias atuais, as desigualdades sociais que acarretam no abandono escolar, assim como, todo processo que a escola faz para inclusão daqueles que ficaram à margem da educação. A metodologia utilizada neste se fará por meio de pesquisas bibliográficas e documentais, recorrendo a diversas fontes em sites de busca como o Google Acadêmico e Scielo, desde as mais usuais verificadas, almejando a veracidade ao que propõe o tema focando uma natureza de cunho qualitativa e exploratória. Por fim, a construção deste permite que muitos tenham uma percepção diferente quanto a essa modalidade, que busca muito mais que romper com as desigualdades sociais pois, nesta, é possível desenvolver a dignidade pela busca do conhecimento, considerando que é um direito de todos, universalmente defendido como um direito humano e cabe dentro de um contexto de inclusão social. Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos. Desigualdades. Inclusão Social. Retorno. Abandono Escolar. DESAFIOS E ESTRATÉGIAS PARA COMBATER A EVASÃO ESCOLAR NA EJA ABSTRACT This article presents an approach to the return to school through the Youth and Adult Education (EJA) modality, as well as all the difficulties faced by students and educators in the search to include all those who for some reason had to drop out of school at a certain time. The work will present the history of EJA to the present day, the social inequalities that lead to school dropout, as well as the entire process that the school carries out to include those who were left out of education. The methodology used in this will be through bibliographic and documentary research, using various sources on search engines such as Google Scholar and Scielo, from the most commonly verified ones, aiming for the veracity of what the theme proposes, focusing on a qualitative and exploratory nature. Finally, the construction of this allows many to have a different perception regarding this modality, which seeks much more than breaking with social inequalities because, in this, it is possible to develop dignity through the search for knowledge, considering that it is a right of all, universally defended as a human right and fits within a context of social inclusion. Keywords: Youth and Adult Education. Inequalities. Social Inclusion. Return. School Dropout. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 6 DESENVOLVIMENTO ................................................................................................................... 7 2. OS ASPECTOS LEGAIS DE ACESSO À EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS ............. 7 2.1 A evasão escolar na EJA e o perfil dos estudantes ................................................................ 7 2.2 As alternativas pedagógicas contra a evasão na educação de jovens e adultos ................... 8 3. A DESIGUALDADE SOCIAL: FATORES QUE ACARRETAM NO ABANDONO ESCOLAR 10 3.1 A inclusão social: cumprindo o papel de cidadão por direito................................................. 11 3.2 A importância da educação de jovens e adultos ................................................................... 11 4. METODOLOGIA................................................................................................................... 13 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 14 REFERÊNCIAS ............................................................................................................................ 14 6 1. INTRODUÇÃO Diante desse contexto e evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos EJA, apresenta um estudo que se propõe apresentar a temática e possui um objetivo de analisar os fatores entre os escolares que concorrem para evasão escolar nesta modalidade. Este estudo se justifica e torna-se relevante, na medida em que se discuta a importância da EJA, uma vez que essa modalidade de ensino paulatinamente vem sendo reconhecida e ganhando maior visibilidade na grade curricular das redes públicas e de ensino, pois, é de grande valia, a reintegração dos estudantes na sociedade quando esses se encontram dentro da escola, na ótica de superar a evasão. Nesse sentido, invasão escolar em qualquer nível de ensino regular um desafio para os profissionais da educação e uma falha no nosso sistema de ensino, pois de acordo com algumas pesquisas os números da invasão no Brasil mostram que todo ano milhares de criança e adolescentes deixam a sala de aula pelos mais diversos motivos (BRASIL, 2017). Portanto a evasão escolar na educação de jovens e adultos no Brasil é motivo de diversas discussões no âmbito educacional que necessita de uma atenção especial, a mesma não se trata de um problema isolado de algumas escolas, mas sim de ordem nacional, que vem crescendo cada vez mais, principalmente nas escolas públicas cujos estudantes, em grande medida são de baixa renda econômica (CUNHA, 2016). No que se refere a abordagem acerca das práticas pedagógicas que não são adequadas à realidade dos estudantes da EJA, se faz necessário conhecer uma proposta inovadora e motivadora onde as disciplinas sejam Integradas e não separadas, aproveitando essa bagagem de conhecimento de cada estudante, pois eles necessitam se encontrarem socialmente entre os objetivos de cada conteúdo propostas no trabalho letivo para que cada disciplina, ao ser introduzida em sua vida cotidiana contribua em sua prática social, assim motivando os mesmos a frequentar a escola. 7 DESENVOLVIMENTO 2. OS ASPECTOS LEGAIS DE ACESSO À EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Sabe-se que a educação é um direito público a ser assegurado a todos, por meio de ações desenvolvidas pelo Estado e família em favor dos adolescentes e crianças, mas, muitos desses jovens menores de 18 anos, não conseguem ingressar em alguma etapa do ensino escolar, assim os fazem correr um enorme risco de perder essa oportunidade de acesso e por motivos sociais ou de carência pessoal ou econômica podem até abandonar os seus estudos (BRASIL, 1988). A evasão escolar na EJA, é motivo de muitas discussões no âmbito da educação nacional quanto à aplicação da legislação constitucional vigenteque necessita de uma maior atenção do poder público em especial os relacionados às redes públicas de ensino, para verificar as formas de proteção aos estudantes em fase de abandono no processo de ensino aprendizagem, respeitando os princípios e as regras constitucionais (ARROYO, 2017). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n° 9394/96 reforça no seu artigo 2° que a educação é dever da família e da do Estado, expirando nos princípios de liberdade nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (ARROYO, 2017). Por fim, além da educação nacional complementa ainda que a escola junto com a família tem por obrigação assegurar o direito do educando, sua permanência e seu pleno sucesso profissional. Contudo, verifica-se que pouco acontece diante de que estabelece a lei, ou seja, na prática isso não acontece, percebe-se que muitos educandos estão fora da rede de ensino, e os que estão inclusos desistem por diversos fatores que contribuem para essa estatística alarmante da evasão, principalmente se os mesmos forem egressos da educação de jovens e adultos. 2.1 A evasão escolar na EJA e o perfil dos estudantes As modificações no mundo acerca do cenário de trabalho, em torno da tendência atual das reformas educacionais nas últimas décadas, em países como o Brasil, a administração da educação torna-se um de seus pilares de transformação. Ao se falar especificamente da EJA, onde exista a participação de educadores e estudantes, refletindo em algo sonhado, porém, ainda não exercitado como deveria ser engajamento mais qualitativo ao desempenho das pedagogias que auxiliam a conhecer melhor os discentes para com isso, ser insistir na sua permanência escolar (SAVIANI, 2018). 8 Neste sentido, a educação é um processo tipicamente humano que possui uma especificidade humana de formar cidadãos através de conteúdo, não materiais que são ideias, teorias, valores, conteúdos estes que irão influir decisivamente, e na forma que se avalia a vida de cada estudante (BOURDIEU, 2016). Portanto, é possível perceber que as características de educandos que se evadem da EJA, são aquelas que estão maravilhados com algumas coisas mais interessante, ou seja, formas oferecidas pelo mundo do trabalho de onde este estudante precisa assegurar muitas vezes seu pão de cada dia, o seu sustenta e o da sua família (BOURDIEU, 2016). Assim, a responsabilização do jovem pelo fracasso na escola tem como base o pensamento educacional da doutrina liberal, a qual fornece argumentos que legitimam e sancionam essa sociedade de classe, e também tenta fazer com que as pessoas acreditem que o único responsável pelo sucesso ou fracasso social de cada um é o próprio estudante e não a organização social (CUNHA, 2016). Por fim, pode se evidenciar que a literatura existente sobre fracasso escolar como está relacionada à invasão, aponta que, se por um lado, existem aspectos externos da escola que interferem na vida escolar do estudante, por outro, existem aspectos internos da escola que também interferem no processo socioeducacional do jovem, e que de forma direta ou indireta, acabam excluindo da escola, seja por fatores de busca de emprego ou outro de tamanho intensidade social relativo ao mundo do trabalho. 2.2 As alternativas pedagógicas contra a evasão na educação de jovens e adultos A educação de jovens e adultos para fins de combate às formas de evasão, deve contar com o ato de planejar suas ações, sempre dentro de um processo de reflexão na tomada de decisões acerca de como recolocar os conteúdos a serem desenvolvidos, visando realizar atividades em prazos determinados e etapas definidas, através dos resultados das avaliações constantes das atividades em exercício (PADILHA, 2017). No cotidiano, sempre podemos enfrentar situações que necessitam de planejamento, mas nem sempre as atividades diárias são delineadas em etapas concretas da ação, uma vez que já pertencem ao contexto da nossa rotina. Entretanto, para a realização de atividades que não estão inseridas no cotidiano, são utilizados os processos racionais para alcançar o que se almeja (PADILHA, 2017). Nesse sentido, as ideias que englobam o planejamento são amplamente discutidas nos dias atuais, mais um dos complicadores para o exercício da prática de planejar parece ser a compreensão acerca de conceitos e do uso adequado dos mesmos é impossível enumerar todos os tipos e níveis de planejamento necessário à atividade humana, sobretudo, porque, sendo a pessoa humana condenada por sua racionalidade, realizar algum tipo de planejamento, está sempre ensaiando processos de transformação de ideias em realidade (GANDIN, 2016). Portanto, planejar é uma atividade para combater a evasão na educação de jovens e adultos está dentro da proposta pedagógica que pode ser avaliada como sendo a única possibilidade de eliminar os abandonos. Pode-se assim, listar características básicas, como 9 evitar improvisação, prever novas formas de atividade e, estabelecer os caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa (HADDAD, 2016). Se faz necessário sugerir a realização de algumas práticas pedagógicas que sejam adequadas à realidade de seus educandos, precisamos observar uma proposta inovadora e motivadora onde as disciplinas sejam Integradas e não separadas, aproveitando essa bagagem de conhecimento de cada um pois, eles necessitam-se encontrar nos conteúdos propostos para que cada disciplina passe a ser introduzida em sua vida cotidiana e contribua em sua prática social (OLIVEIRA, 2018). Fazer o uso de linguagens alternativas, como música, o cordel e o teatro, facilita o aprendizado, principalmente de educandos mais velhos, que geralmente possuem mais proximidade com a cultura popular. Neste caso, existem um vasto número de temas que podem ser sugeridos aos estudantes como: a autoestima, ética, respeito, preconceito, relaxamento (OLIVEIRA, 2018). Neste contexto, avaliar é também privilegiar uma forma de estar em aula e no mundo, valorizando as formas e as normas de excelência, definindo um estudante modelo, aplicado e dócil para uns, imaginativa e autônomo para outros. Dentro dessa problemática, sonhar com um consenso sobre a forma ou conteúdo dos exames ou da avaliação contínua praticada em aula. 10 3. A DESIGUALDADE SOCIAL: FATORES QUE ACARRETAM NO ABANDONO ESCOLAR Para compreender os fatores que acarretam no abandono escolar, devemos buscar entender todo o processo que o Brasil sofreu e porque algumas classes foram tão impactadas. As desigualdades sociais que afligem o Brasil decorrem de longos processos de autoritarismo e violência que acompanham a formação do estado brasileiro e, consequentemente, determinam como a sociedade brasileira é dividida (OLIVEIRA, 2018). No Brasil temos uma acumulação histórica de injustiças e assim, temos um mau começo em termos de reconhecimento e respeito aos direitos humanos. Um dos maiores desafios encontrados para efetivação dos direitos humanos no país é a herança da violência e da desigualdade que são associadas às questões de classe, raça, etnia, geração e gênero, e que de certa forma, marcam as relações sociais (DALLARI, 2017). Mesmo após muitos anos, parte da população brasileira ainda não tem acesso às condições mínimas de sobrevivência, tendo de enfrentar diariamente os desafios impostos pela exclusão social, ao qual são submetidas constantemente. Nesse processo, das desigualdades sociais, que muitos brasileiros ainda estão vivendo em condições degradantes, que envolvem exploração e saneamento básico, e não possuem uma alimentação adequada, bem como, não possuem acesso à educação e à saúde (SAVIANI, 2017). A história em torno da violência no Brasil deixou e permanecem marcas profundasde desigualdade social, que se acumulam em uma relação de complexa reprodução de exclusões. Para compreender esse período histórico, podemos destacar, por exemplo, as marcas deixadas pela colonização que perdurou por intenso os períodos de instabilidade, bem como o período ditatorial que o Brasil vivenciou em 1964, onde a sociedade brasileira sofreu inúmeras torturas, ocasionando em elevados níveis de assassinatos, aqueles que lutavam pela democracia, assim como a situação de nutrição da qual teve um aumento extremo (OLIVEIRA, 2018). Destaca-se um dos momentos importantes no Brasil nesse processo de luta que foi a promulgação da Constituição Federal de 1988, onde foi possível uma ampla participação popular onde se deu em especial o destaque aos direitos humanos, e adotando assim, como fundamento da república a cidadania e a desigualdade da pessoa humana e cujo objetivo era de uma construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e da marginalização e a redução das desigualdades sociais. Esse foi um dos momentos de conquista no campo da cidadania, todavia, precisa sempre evidenciar que as reivindicações da cidadania se constitui em um processo histórico que está longe de alcançar estabilidade, pois, a cada período histórico novos conteúdos e reivindicações são colocadas para o seu exercício (SAVIANI, 2017). Neste enfoque, para o enfrentamento das desigualdades sociais se faz necessário reconhecer as relações complexas que existem entre a pobreza e as outras formas de discriminação, atentando-se para o fato de que as perversas articulações entre esses marcadores têm determinado a configuração da pobreza e da violência no país. 11 3.1 A inclusão social: cumprindo o papel de cidadão por direito No Brasil a luta pela cidadania e pela inclusão social continua com a efetivação de algumas políticas públicas, bem como, pelo reconhecimento dos direitos, tal como pelas lutas ocasionadas nos movimentos sociais. Foi promulgada em 1988 a Constituição Federal onde estabelece que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, embora, para que isso seja concretizado são encontrados muitos entraves (BRASIL, 2015). Dentro desse contexto de inclusão social não se pode deixar de evidenciar os jovens e adultos que em algum momento tiveram que abandonar a escola, por diferentes fatores originados da exclusão social. A inclusão social e a cidadania tem sido o caminho para o enfrentamento às desigualdades sociais e a luta dos movimentos sociais tem gerado conquistas importantes no sentido de tentar diminuir a distância que separa a maioria da população de seus direitos (ANDRADE, 2017). Vale ressaltar que os estudantes da EJA são diferentes dos educandos presentes nos anos adequados à faixa etária. Estes são jovens e adultos, muitos deles trabalhadores, maduros, com larga experiência profissional ou com expectativa de inserção no mercado de trabalho e com um olhar diferenciado sobre as coisas da existência que não tiveram diante de si, para eles, foi a ausência de uma escola ou evasão da mesma que os dirigiam para um retorno nem sempre tardio à busca do direito ao saber, outros são jovens providos de estratos privilegiados e que, mesmo tendo condições financeiras não obtiveram sucesso nos estudos em geral por razões de caráter sociocultural (ANDRADE, 2017). A educação de jovens e adultos possui um grande respaldo diante das legislações no país, como citado anteriormente, temos a lei de diretrizes e bases da educação discorrendo o artigo 37 e 38 da mesma. Mas a principal fonte para que esse artigo fosse alcançado surgiu acerca da constituição federal de 1988 onde assegura esta modalidade (BRASIL, 2015). Por fim, dentro desse contexto Educacional, evidencia-se algumas problemáticas em sua estrutura e na sua política, que elevam os índices da evasão escolar, bem como as taxas de desistência, afetando principalmente a educação de jovens e adultos. Considerando que o cotidiano e a vida moderna têm cada vez mais contribuído para que jovens e adultos ingressem cada vez mais cedo no mercado de trabalho a fim de poder conquistar a sua sobrevivência. 3.2 A importância da educação de jovens e adultos Ao analisar a importância da educação de jovens e adultos, enquanto a modalidade de ensino na educação básica implica perceber a sua relevância para o processo de transformação social, assim como, das dificuldades que sua implantação implica, como política permanente em um país profundamente desigual como o Brasil. Portanto, a EJA apresenta-se no contexto das políticas sociais de melhoria da qualidade de vida, orientada pelos princípios da equidade e democracia, que visam a inserção de milhares de pessoas em uma sociedade de direitos. Assim, a importância dessa modalidade vincula-se à 12 compreensão do significado das políticas de inclusão social que caracterizam o Estado Contemporâneo Brasileiro (PADILHA, 2016). Nesse sentido, a luta pelo direito à educação de jovens e adultos com igualdade, perpassa muito além do acesso à escolarização das políticas sociais, e especialmente, que sejam vistas e constituídas para os sujeitos de conhecimento na sociedade que se destaca no mundo da cultura, do trabalho e nos diversos espaços de convivência social. É importante ressaltar que a educação de jovens e adultos, é direcionada para o processo de desenvolvimento e habilidade da vida cidadã, uma vez que, os mesmos são também construtores de conhecimento, saberes, valores, ideias, teorias e práticas culturais (PAIVA, 2015). Nesse contexto, a EJA emerge como uma estratégia de organização presente nas rotinas de sobrevivência da população menos privilegiada da sociedade brasileira, caracterizada principalmente em sua maioria pela resistência e as inúmeras discriminações sociais, especialmente aquelas decorrentes de sua condição econômica (RIBEIRO, 2017). Contudo, a sobrevivência no meio urbano ou rural não se faz só pela separação por idade, mas pelas ações interativas de diversas idades na busca dessa sobrevivência, o que é altamente rico como experiência. Tal diversidade cultural constitui por assim dizer, a mais significativa e importante característica da educação dos jovens e adultos na educação básica brasileira (RIBEIRO, 2017). No que se refere à questão metodológica, por exemplo, assume relativa à importância nessa discussão, pois entende-se que, os estudantes da EJA não só necessitam de um tratamento educativo diferenciado, como, pelas suas características enquanto juventude e maturidade, demandam de modelos alternativos de aprendizagem direcionadas especialmente para suas reais necessidades e expectativas. Como por exemplo, a inserção no mundo do trabalho, basta dizer que, a maioria da clientela discente que constitui esta modalidade, são em sua grande parte egressos do mundo do trabalho, seja da natureza formal ou informal (VIEIRA, 2018). Por fim, uma das inquietações presentes na construção da proposta pedagógica da educação dos jovens e adultos, enquanto política pública tem sido a necessidade de responder a um grande vazio existente nas propostas curriculares, no que se refere ao distanciamento entre elas e o mundo do trabalho. Os desafios da relação entre a educação e o mundo do trabalho nessa modalidade são particularmente complexos. 13 4. METODOLOGIA Esta pesquisa possui como foco metodológico abordagem qualitativa, que se refere ao estudo preocupado com as questões de ordens do conhecimento amplo no trato da sua elaboração de natureza social que neste caso refere-se à evasão na educação de jovens e adultos, tentando identificar os elementos de caráter social e as estratégias de aprendizagem de combate ao abandono na escola (SEVERINO, 2015). A natureza dessa pesquisa no texto por meio de pesquisa bibliográfica, que refere-se a um estudo em torno da visão de referênciasteóricas que mencionam a temática sistematizando o tema para uma discussão (GIL, 2017). Portanto, abordagem qualitativa de natureza com o cunho exploratório ressalta-se por realizar leituras diferentes sobre tipo de situações sociais que envolve a educação de jovens e adultos, ou seja descreve de forma minuciosa o que diferentes autores pensam sobre essa temática educacional e suas implicações na aprendizagem, onde os educandos buscam por inserção no mercado de trabalho (SEVERINO, 2016). Por fim, esse contexto possui bases sólidas por meio de uma pesquisa bibliográfica, onde foram selecionados artigos científicos de autores renomados acerca da temática em estudo utilizando sites de busca como Google Acadêmico e Scielo para obter bases confiáveis que pudessem ser a ponte essencial para o levantamento de dados suficientes para embasar este contexto. 14 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante deste exposto foi possível evidenciar alguns aspectos acerca da educação de jovens e adultos, tais como o histórico da educação de jovens e adultos e a sua evolução, a formação do educador e suas práticas de ensino, além de constatar que a EJA é uma educação possível. Ao longo dos anos, o avanço da tecnologia e da economia tem feito com que as pessoas sintam a necessidade de retornar à sala de aula para aprimorar seus conhecimentos ou conseguir um diploma atestando uma escolarização mais elevada. Considerando a trajetória da Educação de Jovens e Adultos no Brasil, este tem sido pautado em campanhas ou movimentos desenvolvidos, através da administração federal, com envolvimento de organizações da sociedade civil, visão da realização de propostas ambiciosas de eliminação do analfabetismo e formação de mão de obra, em curtos e espaços de tempo. Na atualidade o ensino na sua modalidade não regular visa não apenas a capacitação do estudante para o mercado de trabalho, é também necessário que a escola desenvolva um estudante com capacidades, em função de novos saberes que se produzem e que demanda um novo tipo de profissional, e que ele obtenha uma formação indispensável para o exercício da cidadania. Por fim, vale ressaltar que muitos podem e devem contribuir para o desenvolvimento do ensino da Educação de Jovens e Adultos, evitando a evasão, pois os governantes devem implantar políticas integradas para esta modalidade, e as escolas devem elaborar um planejamento adequado para os seus próprios educandos e não seguir modelos prontos os educadores devem estar sempre atualizados com seus conhecimentos e métodos de ensino, onde os estudantes devem sentir orgulho e valorizar a oportunidade que estão tendo de estudar e ampliar seus conhecimentos. REFERÊNCIAS ANDRADE, E. R. A Educação de Jovens e Adultos e os jovens do “último turno”: produzindo outsiders. Faculdade de Educação da UFF/ Niterói – RJ, 2017 (Tese). ARROYO, Miguel G. da. A Educação de Jovens e Adultos em Tempo de Exclusão. Alfabetização e Cidadania, São Paulo: RAAB, 2017. BOURDIEU, Pierre. A Escola Conservadora: as desigualdades frente à escola e a cultura. Aparecida Joly Gouveia (trad.). In: M. Nogueira e A. Catani (org.). Escritos de Educação. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2016. BRASIL. Constituição Federal de 1988. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, Brasília, DF, 1988. BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira - INEP. Sinopse Estatística da Educação Básica 2017. Disponível em: http://www.inep.gov.br/. Acesso em 20 jun. 2025. BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, Brasília, DF, 2015. CUNHA, Conceição Maria da. Introdução – discutindo conceitos básicos. In: SEEDMEC Salto para o futuro – Educação de jovens e adultos. Brasília, 2016. http://www.inep.gov.br/ 15 DALLARI, Dalmo. O Brasil rumo à sociedade justa. In GODOY, Rosa. Educação em direitos humanos: fundamentos teóricos metodológicos. João Pessoa: Editora Universitária, 2017. GANDIN, Danilo. Planejamento como prática educativa. 6. ed. São Paulo: Layola, 2016. Gil, A. C. (2017). Como elaborar projetos de pesquisa. (6a ed.), Atlas. HADDAD, S. Tendências atuais na Educação de Jovens e Adultos no Brasil.In: Encontro Latino-Americano sobre Educação de Jovens e Adultos Trabalhadores. Olinda, 1993. Anais VIII, do Encontro Latino-Americano sobre Educação de Jovens e Adultos Trabalhadores. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, 2016. OLIVEIRA, Tatyane Guimarães. Desigualdade Social: obstáculos para o exercício da Cidadania. In: EJA, Diversidade e Inclusão: reflexões impertinentes, João Pessoa: Editora da UFPB, 2018. PADILHA, R. P. Planejamento Dialógico: como construir o projeto político – pedagógico da escola. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2017. PAIVA, J. Educação Popular - Educação de Adultos, Edições Loyola, São Paulo, 2015. RIBEIRO, Vera Maria Masagão. Metodologia da alfabetização: pesquisas em educação de jovens e adultos. São Paulo: Cedi; Campinas: Papirus, 2017. SAVIANI, Dermeval. Pedagogia Histórico – Crítico. 11. ed. São Paulo: Cortez, autores associados, 2017. SEVERINO, Antônio Joaquin. Metodologia do Trabalho Científico. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2015. VIEIRA, Maria Clarisse. Aspectos históricos da Educação de Jovens e Adultos no Brasil. Vol. I. Brasília: UnB / Cead, 2018. 1. INTRODUÇÃO DESENVOLVIMENTO 2. OS ASPECTOS LEGAIS DE ACESSO À EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 2.1 A evasão escolar na EJA e o perfil dos estudantes 2.2 As alternativas pedagógicas contra a evasão na educação de jovens e adultos 3. A DESIGUALDADE SOCIAL: FATORES QUE ACARRETAM NO ABANDONO ESCOLAR 3.1 A inclusão social: cumprindo o papel de cidadão por direito 3.2 A importância da educação de jovens e adultos 4. METODOLOGIA 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS