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INFANTIL
CLÍNICA PSICANALÍTICA
DA SÉRIE PSICANÁLISE CLÍNICA
EDUARDO MACIEL
ESTUDOS DE CASO & V INHETAS
As vinhetas (pequenas cenas exemplares)
clínicas são excelentes para ilustrar, com
sensibilidade e ética, a complexidade do
trabalho psicanalítico com crianças. Elas não
precisam ser longas — basta que tragam uma
situação concreta e significativa, respeitando
sempre o sigilo.
As vinhetas clínicas são pequenos fragmentos
do cotidiano terapêutico, que revelam com
sensibilidade como a escuta psicanalítica se dá
no encontro com a criança. 
Neste Ebook também teremos os Estudos de
caso que são construções clínicas que,
preservando o sigilo e a identidade dos
envolvidos, oferecem um mergulho nas
dinâmicas subjetivas que emergem no setting
psicanalítico. Mais do que relatar “resoluções”,
eles mostram o caminho da escuta, o tempo da
elaboração e a complexidade de cada encontro
com uma criança em sofrimento psíquico.
INTRODUÇÃO
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Pedro, 6 anos, chega à sessão e, desde o primeiro
encontro, escolhe sempre o mesmo brinquedo: um
dinossauro vermelho com dentes enormes.
Repetidamente, cria cenas em que o dinossauro
destrói casas, derruba árvores e “devora os
adultos”. Ao final da brincadeira, ele esconde o
dinossauro embaixo do tapete, como se nada
tivesse acontecido.
A analista, sem interpretar de imediato, sustenta o
espaço de repetição. Com o tempo, Pedro passa a
dizer que o dinossauro "fica bravo quando as
pessoas mandam nele". As cenas começam a
incluir outro personagem: um bebê que observa
tudo escondido.
Reflexão clínica: Através do brincar, Pedro
expressa conteúdos ligados à raiva, submissão e
vulnerabilidade. O dinossauro simboliza uma
defesa agressiva diante de situações nas quais ele
se sente pequeno e impotente. A escuta da
analista possibilita a emergência de um campo
simbólico onde o bebê interno começa a ter
espaço para existir.
🎭 1 – O MENINO E O
DINOSSAURO
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Clara, 4 anos, é levada à clínica por “dificuldade
na fala”. Durante as primeiras sessões, ela não
pronuncia nenhuma palavra — apenas observa,
senta no canto da sala e segura com força um
coelho de pelúcia.
A analista não força nenhum contato verbal. Ao
contrário, canta suavemente enquanto desenha,
oferecendo um espaço que não exige performance.
Aos poucos, Clara se aproxima, compartilha lápis
de cor e começa a traçar rabiscos junto da
analista. Numa tarde qualquer, ela sussurra: “Meu
coelho tem medo do escuro.”
Reflexão clínica: O silêncio de Clara não era um
“problema a ser resolvido”, mas uma forma
legítima de comunicação. Ao respeitar seu tempo
e seu modo de estar, a analista oferece um
ambiente continente — e nesse campo, a palavra
pode emergir espontaneamente, como criação da
própria criança.
🧸 2 – A MENINA QUE
NÃO FALAVA
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Lucas, 7 anos, foi encaminhado pela escola por
"dificuldades de atenção e esquecimento
frequente das tarefas". Na clínica, ele brinca com
carrinhos de corrida, sempre acelerando ao
máximo e batendo uns contra os outros.
Durante uma sessão, Lucas empilha os carrinhos
num canto e diz: "Eles não querem ir pra escola, é
chata demais." A partir dessa fala, o analista nota
um padrão nas brincadeiras: os carrinhos “fugiam”,
“adoeciam” ou “quebravam” nos dias de prova.
Reflexão clínica: A clínica revela que, por trás das
queixas de desatenção, há uma angústia escolar
profunda associada ao medo de fracassar. A escuta
sem julgamento permite que a criança encontre,
no brincar, um espaço para elaborar suas vivências
escolares sem ser rotulada como “desatenta” ou
“desobediente”.
🎒 3 – O MENINO QUE
ESQUECIA O DEVER DE CASA
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Mateus, 8 anos, perdeu o avô recentemente, figura
com quem tinha forte vínculo. Desde então, passa
a desenhar pessoas sem rosto ou com traços
riscados. Quando o analista comenta suavemente:
“Você desenhou, mas o rosto sumiu…”, Mateus
responde: “É porque eles vão embora.”
Nas sessões seguintes, Mateus desenha uma casa
vazia e, pela primeira vez, inclui seu avô, dizendo:
“Ele tá lá dentro, mas ninguém pode ver.”
Reflexão clínica: O luto se apresenta no não-dito,
nos traços apagados e nas ausências simbólicas. A
clínica oferece um espaço onde essas perdas
podem ser representadas e nomeadas, favorecendo
a elaboração psíquica da dor.
🖤4 – O MENINO QUE
APAGAVA O ROSTO DOS
DESENHOS
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Isadora, 5 anos, vive em guarda compartilhada
após a separação dos pais. Em sessão, monta uma
casa de blocos e, logo em seguida, constrói outra
idêntica. Pega uma bonequinha e a move de um
lado ao outro, dizendo: “Ela esquece onde mora.”
Ao longo dos encontros, a analista percebe que
Isadora repete essa cena frequentemente, às vezes
derrubando uma das casas ou deixando a
bonequinha no “meio do caminho”.
Reflexão clínica: A menina manifesta, no brincar, o
sentimento de desenraizamento e confusão
subjetiva diante das mudanças familiares. 
A clínica permite que esse deslocamento
simbólico seja visto, nomeado e ressignificado,
sem que ela precise “escolher lados”.
💔5 – A MENINA 
ENTRE DUAS CASA
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Durante a entrevista inicial, o pai de Henrique, 9
anos, diz: “Olha, doutora, ele nunca foi um menino
fácil. Desde bebê, dava trabalho demais. Parece
que já nasceu nervoso.” A mãe, em silêncio, aperta
o casaco no colo.
O analista escuta a narrativa com atenção e, ao
longo da conversa, devolve gentilmente: “Me
chamou a atenção essa ideia de que Henrique já
nasceu ‘nervoso’. Às vezes, isso pode nos dar a
sensação de que ele carrega algo que não
entendemos.”
Reflexão clínica: A fala dos pais pode estar
carregada de projeções, frustrações ou
sentimentos de inadequação. Ao acolher esses
discursos com delicadeza, o analista oferece uma
nova possibilidade de olhar para a criança – não
como defeituosa, mas como alguém atravessado
por relações que também precisam ser cuidadas.
🧏♂ 6 – “ELE NUNCA 
FOI UM MENINO FÁCIL
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Após algumas sessões com Luísa, 5 anos, os pais
retornam para a primeira devolutiva. Esperam um
diagnóstico, uma “explicação objetiva” para o
comportamento agitado da filha. O analista diz:
“Percebo uma menina muito sensível, com
bastante vitalidade, mas que parece não encontrar
um lugar de escuta e reconhecimento das suas
emoções. Isso aparece nas brincadeiras como
pedidos que não sabem se serão atendidos.”
Os pais, em silêncio por um momento,
compartilham: “A gente também anda muito
cansado… com pouco tempo pra ela.”
Reflexão clínica: A devolutiva é espaço de
elaboração — não para “entregar respostas
prontas”, mas para promover deslocamentos no
olhar familiar. Uma escuta ético-clínica oferece
aos pais não soluções mágicas, mas uma
oportunidade de repensar vínculos e
responsabilidades de maneira mais sensível.
💬7 – A DEVOLUTIVA QUE
SURPREENDEU OS PAIS
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No terceiro encontro com os cuidadores de Rafael,
6 anos, o analista pontua que certas falas da
criança expressam medo do abandono e sensação
de estar “no caminho” dos adultos. O pai reage
irritado: “Mas a gente faz tudo por ele. Isso é coisa
que se diga?”
A analista sustenta o impasse sem confronto. Com
calma, responde: “Talvez ele ainda não consiga
perceber esse cuidado... Pode estar difícil para ele
transformar isso em segurança.”
Reflexão clínica: Nem sempre os cuidadores estão
disponíveis emocionalmente para escutar o
sofrimento infantil. O analista, nesse contexto,
precisa sustentar o mal-estar que emerge da
devolutiva sem aderir à lógica da culpa ou da
disputa. A escuta clínica é também um espaço de
frustração transformadora.
🌀8 – QUANDO OS PAIS
RESISTEM À ESCUTA
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Júlia, 6 anos, permanece em silêncio nas quatro
primeiras sessões. Evita olhar diretamente para o
analista e se mantém sentada junto à porta,
agarrada a uma boneca. Os pais relatam que“ela
era bem falante em casa, mas agora ficou
estranha”. A escola cobra uma devolutiva imediata
e questiona se já “pode ser diagnosticada com
mutismo seletivo”.
O analista sustenta o silêncio, ressignificando-o
como espaço clínico — e não como ausência. Num
gesto delicado, começa a “dar voz” à boneca de
Júlia, convidando-a para brincar. Ao longo das
sessões, é a boneca que começa a conversar — até
que Júlia, num sussurro, diz: “Ela também tem
medo da escola”.
Reflexão clínica: O silêncio, longe de indicar uma
patologia, pode ser linguagem inaugural. A
paciência e escuta do analista, aliadas a uma
postura não invasiva, abrem caminho para
simbolizações espontâneas. Resistir à pressa
diagnóstica é também um ato clínico.
🧃9 – QUANDO A
CRIANÇA SILENCIA
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Thiago, 7 anos, chega à clínica com um relatório
escolar sugerindo TDAH e recomendação de uso de
medicação. Na sessão, ele corre pela sala, joga os
brinquedos no chão e se esconde atrás da cortina.
Os pais dizem: “Ele é hiperativo desde bebê. A
escola quer que ele se acalme, senão vão
transferi-lo”.
O analista acompanha o movimento, sem impor
contenção. Durante o brincar, Thiago diz: “Se eu
parar, eles me somem”. A frase ressoa
profundamente. Com o tempo, o menino começa a
construir torres, bonecos que “fingem correr” e até
inclui o analista em jogos mais simbólicos.
Reflexão clínica: O comportamento agitado pode
ser escudo contra ameaças reais ou imaginadas de
exclusão. O analista que escuta além do sintoma
pode devolver ao sujeito infantil algo que o
diagnóstico apaga: a singularidade.
🏷10 – O MENINO
“DIAGNOSTICADO” PELA ESCOLA
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A escola de Gabriel, 5 anos, solicita com urgência
um laudo para justificar a dificuldade de
socialização do menino. Os pais pressionam o
analista: “A gente precisa disso pra ele continuar
matriculado”. O profissional, com escuta ética,
explica que o processo clínico ainda está em
construção, e que reduzir Gabriel a um diagnóstico
pode ferir sua subjetividade e o andamento da
análise.
Mesmo diante da angústia dos pais, o analista
propõe uma reunião com a escola, resguardando o
sigilo clínico e buscando construir uma ponte
dialógica. Lá, relata: “Gabriel está em processo de
elaboração subjetiva e responde bem à escuta.
Ainda não é hora de rotulá-lo”. A escola recua,
provisoriamente, na exigência.
Reflexão clínica: A clínica infantil frequentemente
se vê confrontada por demandas que desejam
transformar o sofrimento em burocracia. O papel
ético do analista é mediar essas exigências sem
trair o lugar de escuta simbólica que sustenta o
processo terapêutico.
📝11 – A EXIGÊNCIA 
POR UM LAUDO
Durante a devolutiva com o pai de Felipe, 6 anos,
ele afirma com firmeza: “Sou o responsável legal.
Quero saber tudo o que ele contou nas sessões,
palavra por palavra.” O analista explica que,
embora o pai seja responsável, o processo
analítico pressupõe um espaço de confiança entre
criança e terapeuta.
O pai se mostra irritado: “Se ele está me
escondendo algo, eu tenho o direito de saber.”
Reflexão ética: O analista sustenta o lugar do
sigilo como condição de existência da clínica —
mesmo com crianças. Protege o espaço da escuta
da criança, sem hostilizar o pai, e propõe uma
escuta que inclua a angústia do adulto sem violar
a confiança do processo analítico.
🛑12 – O PAI QUE 
QUERIA SABER "TUDO”
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A mãe de Isabela, 7 anos, procura o analista com
urgência. Há um processo judicial em curso de
guarda compartilhada, e o juiz solicitou “um laudo
psicológico completo da criança e sua capacidade
de adaptação às casas dos pais”.
O analista, ciente das limitações e implicações de
produzir documentos nesse contexto, informa que
a clínica psicanalítica não se presta à produção de
pareceres judiciais e que tal documento exige
outra abordagem técnica — como uma perícia
especializada.
Reflexão ética: O profissional precisa ter clareza
sobre o limite entre a clínica e a justiça. Produzir
um documento a partir de escuta clínica pode
implicar em exposições subjetivas indevidas e
riscos para a criança. A ética exige saber dizer
“não” de forma clara e fundamentada.
📄13 – O PEDIDO DO
LAUDO JUDICIAL
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Os pais de Júlia, 8 anos, chegam ao consultório
com o resultado de um teste online feito por um
aplicativo que “identifica transtornos
comportamentais”. O app apontou “transtorno
opositor desafiante” com base em 10 perguntas.
Os pais pedem que o analista confirme o
diagnóstico e inicie “um protocolo de correção”.
O analista escuta com atenção e devolve: “Não
trabalho com protocolos padronizados para
comportamentos. Cada criança fala de si de forma
única — e esse é o nosso ponto de partida.”
Reflexão ética: A clínica psicanalítica não se
baseia em checklists nem adere a tratamentos
formatados. A ética consiste em sustentar a
singularidade de cada caso e recusar, com firmeza
e gentileza, práticas reducionistas que silenciam o
sujeito.
🤖14 – A CRIANÇA
DIAGNOSTICADA POR APLICATIVO
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Estudos de caso são construções clínicas que,
preservando o sigilo e a identidade dos
envolvidos, oferecem um mergulho nas dinâmicas
subjetivas que emergem no setting psicanalítico.
Mais do que relatar “resoluções”, eles mostram o
caminho da escuta, o tempo da elaboração e a
complexidade de cada encontro com uma criança
em sofrimento psíquico.
🔍 15. ESTUDOS DE CASO
🔍 
Identificação clínica:
 Marina, 5 anos, foi encaminhada à clínica por
apresentar comportamentos de retraimento
extremo na escola e recusar interações com
colegas. Em casa, passava longos períodos
escondida debaixo da cama ou dentro do armário.
Os pais relatavam que “ela tem mania de sumir” e
“finge que não está viva”.
Processo clínico:
 Nas primeiras sessões, Marina evitava o contato
visual e não se aproximava dos brinquedos. O
analista propôs um jogo simbólico com bonecos de
pano e, sem esperar retorno verbal, começou a
narrar histórias onde um dos personagens
“gostava de se esconder porque tinha medo de se
machucar do lado de fora”.
Pouco a pouco, Marina passou a mover os bonecos
em direção às caixas e móveis da sala,
transformando o esconderijo em parte do jogo.
Após semanas, começou a incluir um “boneco
bravo” que quebrava os brinquedos e “expulsava
todo mundo da casa”.
🧩 CASO 1 – “A MENINA QUE FAZIA
DE CONTA QUE NÃO EXISTIA”
 Hipóteses clínicas:
 A conduta de desaparecimento pode ser
entendida como defesa frente a experiências
internas de medo intenso, talvez ligadas a
vínculos parentais ambíguos e à falta de
continência emocional. O trabalho clínico foi
permitir que essa vivência de “não existir” fosse
simbolizada e acolhida no vínculo com o analista.
Efeitos clínicos:
 Ao longo do processo, Marina pôde nomear
emoções (“tristeza, medo, raiva”), aceitar a
presença do analista no jogo e, por fim, narrar
histórias de personagens que “voltavam para casa”
depois de se esconder. A clínica funcionou como
campo de reinvenção da existência simbólica.
🧩 CASO 1 – “A MENINA QUE FAZIA
DE CONTA QUE NÃO EXISTIA”
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Identificação clínica:
 Samuel, 6 anos, chegou ao consultório com
queixas de pesadelos recorrentes, agressividade
em sala de aula e enurese noturna. A mãe dizia:
“Ele tem três monstros que só ele vê. Colocamos
até câmera no quarto e não tem nada lá.”
Processo clínico:
 Nas sessões iniciais, Samuel usava massinha de
modelar para criar três figuras grandes e
disformes. Dizia que um era “o monstro do choro”,
outro “o monstro da briga” e o terceiro “o que faz
xixi na cama”. Montava cercas para se proteger e
usava bonequinhos para combater os monstros.
O analista sustentou esse campo imaginário,
validando as criações sem buscar explicações
precipitadas. Com o tempo, Samuel começou a
dizer que os monstros “moravam dentro do peito
dele” e que “às vezes eles ganhavam”.
🎭 CASO 2 – “O MENINO E 
OS TRÊS MONSTRO
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Hipóteses clínicas:
 Os monstros funcionam como representações de
angústias pulsionais que Samuel ainda não
conseguia simbolizar de forma integrada. O uso
corporal (enurese), os pesadelos e os atos
agressivos poderiam ser manifestações dessas
forças internas ainda em processo de
simbolização.
Efeitos clínicos:
 Ao narrar os monstros e transformá-los em
personagens manipuláveis, Samuel começou a
recuperar um sentimento de agência psíquica.
Posteriormente, passou a desenhá-los menores e
os chamou de “meus monstrinhos do coração”. A
verbalização do afeto representou um marco do
processo analítico.
🎭 CASO 2 – “O MENINO
 E OS TRÊS MONSTRO
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Identificação clínica:
 André, 4 anos, chega à clínica por apresentar
crises frequentes de choro, fala infantilizada e
dificuldade de se adaptar na escola. Os pais
relatam que, desde a chegada do irmão recém-
nascido, ele “regrediu” e passou a conversar com
um amigo invisível chamado “Tico”.
Processo clínico:
 Nas sessões, André brinca com bonecos e encena
sempre a mesma cena: um boneco pequeno “fica
de castigo” e diz que ninguém mais gosta dele.
Tico, o amigo invisível, surge para defendê-lo. Ao
longo dos encontros, o analista observa a
repetição do enredo e se posiciona como
testemunha sensível das encenações.
Com o tempo, André começa a dizer: “Tico sente
que a mãe sumiu”. A associação com os momentos
de atenção materna voltados ao bebê se torna
mais evidente.
🧸 CASO 3 – “O MENINO QUE
FALAVA COM O IRMÃO INVISÍVEL
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Hipóteses clínicas:
 Tico representa uma formação substitutiva diante
da angústia de perda do lugar exclusivo na relação
com a mãe. A criança constrói um duplo para
expressar sentimentos de exclusão, ciúme e
insegurança.
Efeitos clínicos:
 Ao acolher o mundo simbólico de André, o
processo analítico possibilitou que ele nomeasse
suas emoções de forma mais clara. Em vez de
eliminar Tico, o analista o incluiu no campo
clínico, validando sua função subjetiva e
permitindo que André elaborasse sua posição
frente à chegada do irmão.
🧸 CASO 3 – “O MENINO QUE
FALAVA COM O IRMÃO INVISÍVEL
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Identificação clínica:
 Sofia, 6 anos, filha de pais separados, vive sob
guarda compartilhada e relata cansaço constante,
choros noturnos e irritabilidade. Quando
questionada sobre onde preferia estar, responde:
“Queria morar na mala da minha avó.”
Processo clínico:
 Nas sessões iniciais, Sofia constrói casas com
blocos e caixas. Em quase todas, há bonecos que
“vão embora” e outros que “ficam tristes”.
Repetidamente, ela enche uma mala de
brinquedos e empurra para fora da sala, dizendo:
“Agora eles não precisam mais escolher.”
O analista escuta sem forçar escolhas ou
conclusões, sustentando a ambiguidade emocional
expressa nos jogos. Em determinado momento,
Sofia diz: “Se eu sumir, ninguém briga por mim.”
🧳 CASO 4 – “A MENINA QUE
QUERIA MORAR NA MALA”
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Hipóteses clínicas:
 Sofia expressa, de forma simbólica, o sofrimento
diante da separação parental e a sensação de ser
objeto de disputa. A ideia de “morar na mala”
revela um desejo de fuga, de suspensão dos
conflitos e de preservação afetiva.
Efeitos clínicos:
 A clínica ofereceu um espaço onde Sofia pôde
simbolizar sua dor sem precisar tomar partido ou
agradar adultos. Com o tempo, passou a construir
“pontezinhas” entre as casas e dizer que “os
bonecos se visitam e podem brincar dos dois
lados”. Um possível indicativo de elaboração
subjetiva das vivências familiares divididas.
🧳 CASO 4 – “A MENINA QUE
QUERIA MORAR NA MALA”
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A escuta psicanalítica da criança é, antes de tudo,
um ato de reconhecimento: reconhecer que há um
sujeito ali, mesmo que sem palavras estruturadas;
que há uma história sendo contada por meio do
brincar, do silêncio, do corpo e da fantasia. 
Ao longo deste eBook, abordamos alguns estudos
de caso e vinhetas de clínica infantil.
A clínica com crianças não oferece fórmulas
prontas, tampouco resultados imediatos. Ao
contrário, ela exige do analista a coragem de
sustentar o não saber, a paciência de acompanhar
o tempo interno da criança e a ética de não
capturar seus sintomas em diagnósticos fechados.
A intervenção acontece, muitas vezes, na sutileza
do gesto, na construção do vínculo, na
possibilidade de escuta verdadeira.
Paz & Bem!
🎯 CONCLUSÃO
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É psicanalísta e palestrante a
mais de 15 anos, graduado em
História, Teologia & Pedagogia
com algumas especializações
em Gestão de pessoas, Filosofia,
Sociologia, Neuropsicologia, e
metodologia de ensino EAD.
Contatos
eduardo@fastf.com.br
(21) 99266-6686 WhatsApp
EDUARDO MACIEL 
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