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FARMACOLOGIA EDUCACIONAL:
DESMISTIFICANDO O TDAH NO
ENSINO FUNDAMENTAL I DAS
ESCOLAS PÚBLICAS DE
FLORIANÓPOLIS
Juliana Amorim Vieira Kroon
Caroline Gaia Andrade
Regina de Sordi
Helena Cimarosti
2025
Realização: Apoio:
Juliana Amorim Vieira Kroon
Caroline Gaia Andrade
Regina de Sordi
Helena Cimarosti
FARMACOLOGIA EDUCACIONAL:
DESMISTIFICANDO O TDAH NO
ENSINO FUNDAMENTAL I DAS
ESCOLAS PÚBLICAS DE
FLORIANÓPOLIS
1ª edição
Florianópolis: UFSC
2025
@ 2025 Farmacologia Educacional: Desmistificando o
TDAH no Ensino Fundamental I das Escolas Públicas de
Florianópolis
Este trabalho está licenciado sob a licença Creative Commons
Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional (CC BY-NC 4.0). 
Isso significa que você pode compartilhar e adaptar este material,
desde que dê os devidos créditos aos autores e não o utilize para
fins comerciais. 
Autoras:
Juliana Amorim Vieira Kroon
Caroline Gaia Andrade
Regina de Sordi
Helena Cimarosti
 
F233 
E-book (PDF) 
Catalogação na fonte pela Biblioteca Universitária
da Universidade Federal de Santa Catarina 
Elaborada pela bibliotecária Dênira Remedi – CRB-14/1396 
1. Educação. 2. Neuropsicofarmacologia. 3. Transtorno do Déficit de 
Atenção com Hiperatividade. I. Kroon, Juliana Amorim Vieira. 
CDU: 615.1:37
 Farmacologia educacional [recurso eletrônico] : desmistificando o TDAH
no ensino fundamental I das escolas públicas de Florianópolis / Juliana
Amorim Vieira Kroon ... [et al.]. – 1. ed. – Florianópolis : UFSC, 2025.
28 p. : il. 
DOI: 10.5281/zenodo.16755660
ISBN 978-85-8328-404-8
Apresentação
Essa cartilha tem como objetivo
ampliar o conhecimento dos
profissionais da Educação quanto aos
aspectos neurobiológicos e
neuropsicofarmacológicos do
Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade. 
Esse material foi elaborado no âmbito
do projeto de pesquisa "Farmacologia
Educacional: Desmistificando o TDAH
no Ensino Fundamental I das Escolas
Públicas de Florianópolis" da Dra.
Juliana Amorim Vieira Kroon durante
seu estágio pós-doutoral no curso de
Mestrado Profissional em Farmacologia
da UFSC.
O que é o TDAH?
O TDAH, Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade é um
transtorno do neurodesenvolvimento
caracterizado por um padrão
persistente de desatenção e/ou
hiperatividade-impulsividade que
interfere no funcionamento e no
desenvolvimento, conforme o DSM-5-
TR (2023)*.
Dificuldade em
manter o foco,
desorganização
Atividade
motora
excessiva,
conversa em
demasia 
Ações
precipitadas
Desatenção Hiperatividade Impulsividade
*Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais,
elaborado e publicado pela Associação Americana de
Psiquiatria. 
Principais
características do
TDAH
Estima-se que entre 5 e 7% das
crianças em idade escolar sejam
diagnosticadas com TDAH.
4
Diagnóstico
do TDAH
O diagnóstico do TDAH não é um processo
simples, envolve a participação dos profissionais
da saúde, da família e da escola. 
O DSM-5-TR (2023) preconiza os seguintes
critérios diagnósticos:
A. Seis (ou mais) dos seguintes sintomas persistindo por pelo menos
6 meses e gerando um impacto negativo ao indivíduo:
Pouca atenção aos detalhes
Pouca atenção em tarefas
Parece não escutar a um chamado
Dificuldade em seguir instruções
Dificuldade na organização
Dificuldade em tarefas prolongadas
Facilmente perde objetos
Facilmente se distrai
Frequentemente esquecido
Com frequência é incapaz de
brincar calmamente
Frequentemente se remexe 
Frequentemente se levanta
da cadeira
Frequentemente corre ou
sobe nas coisas
Com frequência "não para"
Frequentemente fala demais
Frequentemente responde
antes
Dificuldade para esperar sua
vez
Frequentemente interrompe 
B. Vários sintomas estavam presentes antes dos 12 anos;
C. Vários sintomas estão presentes em dois ou mais ambientes;
D. Evidências claras de que os sintomas interferem no
funcionamento social, acadêmico ou profissional ou de que reduzem
sua qualidade;
E. Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de
outro transtorno mental.
Hiperatividade
Impulsividade
Desatenção
5
Classificação do TDAH
O DSM-5-TR (2023) ainda classifica o
TDAH em subtipos:
Apresentação
predominantemente
desatenta
Apresentação
predominantemente
hiperativa/
impulsiva
Apresentação
combinada
E em gravidade:
Poucos
sintomas;
Pequeno
prejuízo
funcional
Sintomas ou
prejuízo
funcional entre
"leve" e
"grave"
Muitos
sintomas;
Acentuado
prejuízo
funcional
Leve Moderado Grave
6
Etiologia do TDAH
A etiologia do TDAH é complexa,
envolvendo a combinação de múltiplos
fatores genéticos e ambientais. 
Muitos genes
envolvidos 
Dificuldades pré, peri e pós
natal
Adversidades psicológicas
Contaminação química
Deficiências nutricionais
Fatores Genéticos Fatores Ambientais
O TDAH ocorre em ambos os
sexos, contudo, na infância é mais
frequentemente diagnosticado no
sexo masculino. 
7
TDAH ao longo da vida
Qualquer pessoa pode ter TDAH. O
diagnóstico pode acontecer em
qualquer idade, contudo os sintomas
aparecem ainda na infância. 
Os sintomas são diferentes com o
avanço da idade.
Os principais sintomas são
hiperatividade e impulsividade.
Com as demandas acadêmicas
e sociais, a desatenção torna-
se mais proeminente. 
Infância
A hiperatividade parece
inquietude. A desatenção e a
impulsividade tipicamente
continuam e trazem desafios
acadêmicos, organizacionais e
relacionais. 
Adolescência
Desatenção, inquietação e
impulsividade permanecem.
Podem aparecer irritabilidade,
maior intolerância à frustração
e ao estresse e mudança de
humor. 
Vida Adulta 8
Habilidades
cognitivas
prejudicadas no
TDAH
Atenção seletiva e
Atenção sustentada
Capacidade de ter e
manter a atenção de
forma prolongada.
Memória de
Trabalho
Capacidade de reter,
relacionar e pensar
informações para
desempenhar inúmeras
tarefas.
Funções Executivas
Habilidades que
auxiliam na
organização, controle
da distração,
planejamento e tomada
de decisão.
9
O que acontece no
cérebro com TDAH?
Algumas estruturas no cérebro do
indivíduo com TDAH parecem funcionar
de forma diferente. Essas estruturas
cerebrais são importantes para
habilidades como atenção, memória de
trabalho e funções executivas. 
A comunicação entre os neurônios
também funciona de forma diferente.
Ocorre um desequilíbrio na
neurotransmissão principalmente de
dopamina e noradrenalina.
Sem TDAH Com TDAH 10
Tratamento do TDAH
O tratamento do TDAH tem como
objetivo aliviar os principais sintomas e
amenizar os prejuízos funcionais
decorrentes do transtorno.
Intervenções farmacológicas e não-
farmacológicas podem ser
estabelecidas de acordo com a idade, a
gravidade dos sintomas e as
necessidades do indivíduo. 
O tratamento não-farmacológico
pode incluir psicoeducação e
intervenções psicoterapêuticas
e psicossociais. O manejo
compreende orientações ao
paciente e também à família e à
escola.
O tratamento farmacológico
envolve a administração de
medicamentos psicoestimulantes e
não-psicoestimulantes. 
11
Os psicoestimulantes aprovados pela
Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) para o tratamento do TDAH
em adultos e crianças acima de 6 anos
no Brasil são o metilfenidato e a
lisdexanfetamina. São amplamente
conhecidos por seus nomes comerciais,
Ritalina® e Concerta® (metilfenidato) e
Venvanse® (lisdexanfetamina). Versões
genéricas já estão disponíveis no
mercado. 
Tratamento
farmacológico do
TDAH
Os psicoestimulantes aumentam os
níveis de dopamina e noradrenalina
principalmente nas áreas cerebrais
envolvidas com as funções executivas,
a memória de trabalho e a atenção.
Desta forma, melhoram essas
habilidades nos indivíduos com TDAH. 
Psicoestimulantes
12
Medicamento Apresentação
Tempo
médio de
ação
Metilfenidato de
liberação imediata
(Ritalina®)
Comprimido
Metilfenidato de
liberação
prolongada
(Ritalina LA®)
Cápsula de
liberação
modificada
Metilfenidato de
liberação
prolongada
(Concerta®)
Comprimido
revestido de
liberação
prolongada
Lisdexanfetamina
(Venvanse®) Cápsula
O metilfenidato apresenta-se em
formulações com tempo de ação curto,em torno de 4 horas, e prolongado,
entre 8 e 12 horas. A vantagem do uso
de formulações com tempo de ação
prolongado é a redução na quantidade
de administrações diárias, facilitando,
dessa forma, a adesão do paciente ao
tratamento.
Tratamento
farmacológico do
TDAH
A lisdexanfetamina exibe um tempo de
ação prolongado, em torno de 12 horas. 
4horas
4horas4horas
12horas
12horas
13
Tratamento
farmacológico do
TDAH
A atomoxetina é um não-
psicoestimulante aprovado
recentemente pela ANVISA para o
tratamento do TDAH em adultos e
crianças acima de 6 anos. É conhecida
pelo nome comercial Atentah® e ainda
não apresenta versões genéricas no
mercado. 
Não-Psicoestimulantes
Sua ação também resulta em níveis
aumentados de noradrenalina e
dopamina no cérebro. Contudo,
diferente dos psicoestimulantes, essa
elevação ocorre de modo gradativo
exigindo um tempo maior para exibir
seus efeitos sobre os sintomas,
podendo levar até semanas. 
14
Tratamento
farmacológico do
TDAH
A administração dos medicamentos
pode ocorrer na escola, portanto é
importante ter alguns cuidados:
O comprimido de
Concerta® deve ser
deglutido inteiro com um
pouco de líquido, e não
deve ser mastigado,
partido ou esmagado.
Já o comprimido de Ritalina®
pode ser dividido em doses
iguais. 
Caso seja necessário partir o
comprimido para ajuste de
dose, as metades podem ser
armazenadas e consumidas
em até 24 horas. 
15
Tratamento
farmacológico do
TDAH
As cápsulas de Ritalina LA® e
Venvanse® podem ser engolidas
inteiras ou podem ser abertas e o seu
conteúdo espalhado sobre uma pequena
quantidade de alimento. 
O alimento não deve estar
quente. A mistura do
medicamento com o alimento
deve ser consumida imediata e
totalmente. O medicamento e
o alimento não devem ser
guardados para consumo
futuro.
As cápsulas de Atentah®
(Atomoxetina) devem ser tomadas
inteiras com algum líquido e não
devem ser abertas, divididas,
trituradas, mastigadas ou dissolvidas.
Atomoxetina é um irritante
ocular. As cápsulas de
Atentah® não devem ser
abertas.
16
Tratamento do TDAH
Os medicamentos utilizados no tratamento
do TDAH estão vinculados a uma gama de
efeitos indesejáveis e, apesar de serem
considerados transitórios, requerem o
monitoramento constante, principalmente
quando o uso é pediátrico.
Os efeitos indesejáveis mais comuns
incluem:
Efeitos indesejáveis
Alterações
no apetite
Alterações
no sono
Alterações
no humor
Distúrbios
gástricos
Eventos
cardiovasculares
Como a administração dos medicamentos é geralmente
realizada nos períodos de maiores dificuldades
escolares, é possível que os efeitos tanto desejados
quanto indesejáveis promovidos pelo tratamento
farmacológico do TDAH estejam mais pronunciados no
ambiente escolar. 
17
O papel da escola no
tratamento
farmacológico do
TDAH
 Além do papel no atendimento
educacional, os professores podem
colaborar também no monitoramento
das intervenções farmacológicas. Para
isso, é necessário o conhecimento
básico sobre os fármacos, sua
farmacodinâmica, farmacocinética e
farmacovigilância. A compreensão da
farmacologia do TDAH pelos
educadores pode auxiliar na detecção
de efeitos adversos, na adesão do
paciente ao tratamento e na escolha do
melhor momento para a aplicação de
estratégias pedagógicas que otimizem o
processo de ensino-aprendizagem.
18
Legislação relacionada
ao TDAH
Com a implantação da Política de
Educação Especial em 2006, Santa
Catarina foi o primeiro estado brasileiro
a incluir pessoas com TDAH no público
da educação especial.
Os professores exibem papel
relevante no apoio educacional
preconizado pelo Protocolo
Clínico e Diretrizes
Terapêuticas do TDAH
desenvolvido pelo Ministério
da Saúde em 2022.
 A lei 14.254/2021 que dispõe sobre o
acompanhamento integral para
educandos com dislexia ou TDAH ou
outro transtorno de aprendizagem, traz
garantias ao educando quanto ao seu
pleno desenvolvimento físico, mental,
moral, espiritual e social, assistência
direcionada à sua dificuldade. Além
disso, garante a parceria entre
profissionais da educação e da saúde no
atendimento de suas necessidades
específicas e acompanhamento por
professores com amplo acesso à
informação e formação continuada. 19
Apoio da escola
 Devido a manifestação do TDAH ainda
na infância, os educadores são
geralmente os primeiros a identificarem
os sinais. Além das contribuições
fundamentais na avaliação para o
diagnóstico do transtorno, o educador
também participa ativamente no apoio
educacional, proporcionando adaptações
no ambiente e intervenções escolares. 
O manejo do TDAH baseado no reforço
positivo influencia o comportamento dos
alunos de forma construtiva, aumentando
o engajamento acadêmico. 
O treinamento organizacional com
instruções sobre a gestão do tempo, o
planejamento das tarefas e a organização
do material otimizam a aprendizagem e
reduzem as distrações. 
Manejo do TDAH em sala
de aula
20
Estratégias para auxiliar o
aluno com TDAH na escola
A adoção de algumas estratégias no
ambiente escolar podem auxiliar o
aluno com TDAH:
Tempo extra para a realização de
provas;
Instruções e tarefas adaptadas ao
aluno (clareza e objetividade nos
enunciados);
Permitir opções para o aluno
demonstrar domínio sobre
determinado assunto (por exemplo,
redação escrita ou relatório oral);
Uso da tecnologia para auxiliar nas
tarefas;
Permitir pausas ou tempo para se
movimentar;
Mudanças no ambiente para limitar a
distração;
Ajuda extra para se manter
organizado
A comunicação entre o aluno e a escola
é fundamental e deve ser baseada
primordialmente no reforço positivo. 
 21
O manejo terapêutico do TDAH requer
um trabalho em equipe, a qual deve
idealmente ser composta pela família,
profissionais da saúde e escola. O
contato e o compartilhamento de
informações entre todos os membros
envolvidos é indispensável. Para
garantir que a comunicação seja efetiva
entre família, profissionais de saúde e
escola, o conhecimento sobre os vários
aspectos que envolvem o transtorno
torna-se necessário.
Apoio ao aluno com
TDAH
Na cidade de Florianópolis, há
instituições públicas que assistem
crianças e adolescentes com TDAH:
Fundação Catarinense de Educação
Especial (FCEE), Centro de Avaliação,
Reabilitação e Desenvolvimento da
Aprendizagem (CeDRA) e Núcleo
Desenvolver/HU (UFSC). 
FCEE : fcee@fcee.sc.gov.br
CeDRA: cedrapmf@gmail.com
Núcleo Desenvolver: nde.hu-ufsc@ebserh.gov.br
22
mailto:fcee@fcee.sc.gov.br
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for the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of
Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in
Children and Adolescents. Pediatrics, 144 (4),
2019.
26
Conheça o Projeto
Farmacologia Educacional:
Desmistificando o TDAH
nas escolas
https://farmacologiaeducacional.paginas.ufsc.br/#
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