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Crimes tributários 
 
Aula 1 
Lei 8.137/90. 
 
Esta legislação recebeu diversas críticas e, 
dentre elas, podemos citar o fato da lei 
contemplar alguns delitos e os outros delitos 
estarem no código penal, deixando de unificar 
esses tipos de delitos em apenas uma 
legislação. 
 
Também, a lei não tutela apenas a ordem 
tributária, mas também a ordem econômica e o 
consumidor. 
 
Como exemplo, podemos citar o delito de 
advocacia administrativa, que já estava prevista 
no art. 321 do código penal, mas que a lei 
8.137/90 trouxe também o seu delito de 
advocacia administrativa com uma pequena 
especialidade chamada advocacia fazendária. 
 
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, 
interesse privado perante a administração 
pública, valendo-se da qualidade de funcionário: 
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. 
 
Art. 3º, III - patrocinar, direta ou indiretamente, 
interesse privado perante a administração 
fazendária, valendo-se da qualidade de 
funcionário público. Pena - reclusão, de 1 (um) 
a 4 (quatro) anos, e multa. 
 
As penas são distintas, será que a 
administração fazendária é mais importante que 
os demais órgãos públicos? 
 
A lei de licitação 8.666/93 também trouxe o seu 
próprio delito de advocacia administrativa, que 
agora foi substituída pela lei 14.133/21. 
 
Art. 337-G. Patrocinar, direta ou indiretamente, 
interesse privado perante a Administração 
Pública, dando causa à instauração de licitação 
ou à celebração de contrato cuja invalidação 
vier a ser decretada pelo Poder Judiciário: Pena 
- reclusão, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e 
multa. 
 
Este crime possui pena inferior à pena da 
advocacia fazendária, mas é mais específico e, 
consequentemente, mais gravoso, afinal 
trata-se de licitação pública. 
 
Como pode-se observar, com a legislação penal 
pulverizada (código penal + legislações 
específicas) não há coerência entre os bens 
jurídicos tutelados e as penas impostas pelos 
delitos. 
 
A lei 8.137/90 trata dos crimes contra a ordem 
tributária, mas não esgota todas as condutas. 
 
Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária 
suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social 
e qualquer acessório, mediante as seguintes 
condutas: 
 
O intuito do agente é suprimir ou reduzir tributo, 
ou contribuição social e qualquer acessório, ele 
faz isso com as condutas previstas nos incisos 
do artigo. 
 
A escolha do termo “tributo” no tipo penal não 
foi uma escolha técnica, pois o CTN define 
tributo como “toda prestação pecuniária 
compulsória, em moeda ou cujo valor nela se 
possa exprimir, que não constitua sanção de ato 
ilícito, instituída em lei e cobrada mediante 
atividade administrativa plenamente vinculada”. 
 
Somente a lei pode suprimir ou reduzir o tributo, 
pois é o governo que vai criar leis com 
incentivos fiscais, o que faz com que nem toda 
a carga do tributo seja devida. 
 
O que o contribuinte pode fazer é reduzir o valor 
exigível que decorre de uma obrigação tributária 
que surge da ocorrência de um fato gerador. 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art337g
 
O que o contribuinte consegue fazer, por meio 
de ações fraudulentas, é fazer com que a 
obrigação tributária não surja porque omite o 
que gerou o fato gerador. 
 
Deste modo, deve-se ler o artigo como “suprimir 
e reduzir a obrigação que decorre do fato 
gerador”. 
 
É um delito material. 
 
Art. 142 do CTN - prevê o lançamento do 
tributo. O lançamento torna exigível o montante 
devido decorrente de obrigação tributária. Antes 
do lançamento não há de se falar em crédito 
tributário exigível. 
 
Ou seja, para a esfera criminal é necessário que 
ocorra o lançamento, pois é ele que torna o 
tributo devido. Sem o lançamento, não há crime. 
 
Súmula Vinculante 24, STF - Não se tipifica 
crime material contra a ordem tributária, previsto 
no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137/1990, 
antes do lançamento definitivo do tributo. 
 
I - omitir informação, ou prestar declaração falsa 
às autoridades fazendárias; 
 
Caso de falsidade ideológica com finalidade 
específica. Ex: no imposto de renda, são 
descontadas as despesas médicas e 
odontológicas, se eu crio declarações falsas 
com despesas falsas, objetivando reduzir ou 
suprimir tributo (dolo), eu incorro nesse crime. 
 
O crime de falsidade ideológica é absorvido por 
este crime tributário, súmula 17 do STJ. 
 
II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo 
elementos inexatos, ou omitindo operação de 
qualquer natureza, em documento ou livro 
exigido pela lei fiscal; 
 
O crime contra a ordem tributária, na sua forma 
material, é um estelionato contra o fisco. 
 
Ex: comerciante que emite uma NF de uma 
operação que ele não fez. 
 
III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, 
duplicata, nota de venda, ou qualquer outro 
documento relativo à operação tributável; 
 
Caso de falsidade material. 
 
IV - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar 
documento que saiba ou deva saber falso ou 
inexato; 
 
V - negar ou deixar de fornecer, quando 
obrigatório, nota fiscal ou documento 
equivalente, relativa a venda de mercadoria ou 
prestação de serviço, efetivamente realizada, ou 
fornecê-la em desacordo com a legislação. 
 
Não é um crime material, segundo a súmula 24 
do STF e, portanto, não se aplica esta súmula a 
este inciso. 
 
Isto porque, é extremamente difícil fiscalizar 
comerciantes que não emitem NF e a 
persecução penal somente se inicia se exaurida 
a esfera administrativa. Portanto, o crime é 
formal. 
 
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e 
multa. 
 
Parágrafo único. A falta de atendimento da 
exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) 
dias, que poderá ser convertido em horas em 
razão da maior ou menor complexidade da 
matéria ou da dificuldade quanto ao 
atendimento da exigência, caracteriza a infração 
prevista no inciso V. 
 
 Há crítica em relação a este parágrafo único, 
pois o não atendimento da ordem do fisco 
deveria ser apurada na esfera administrativa. 
Caracterizar isto como crime e sujeitar a uma 
pena de 2 a 5 anos de reclusão não é 
proporcional, pois é uma conduta de mera 
desobediência. 
 
 
Também, destaca-se que o sujeito tem o direito 
de não produzir provas contra si mesmo. 
 
Os delitos do inciso V e parágrafo único são 
tratados como delitos formais, de modo que não 
são tratados como crimes materiais e, portanto, 
podem ser apurados sem ocorrer o exaurimento 
da via administrativa. 
 
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE 
 
Há uma discussão a respeito da extinção da 
punibilidade com o pagamento do tributo 
devido. 
 
Alguns doutrinadores afirmam que isto não é 
plausível, pois os crimes tributários replicam as 
sanções administrativas pelo cometimento das 
condutas que são consideradas ilícitas, só que 
as sanções criminais são privativas de 
liberdade, justamente pelo direito criminal ser a 
ultima racio. 
 
Ou seja, na esfera administrativa são apuradas 
as mesmas condutas que na esfera criminal, só 
que as penalidades são menos gravosas. 
 
Para os doutrinadores, se na esfera criminal nos 
limitarmos somente aos aspectos fiscais, 
colocando o direito criminal a serviço da 
arrecadação tributária ou da esfera 
administrativa (extinção da punibilidade pelo 
pagamento), não há plausibilidade com o intuito 
do próprio direito criminal, que é coibir a prática 
de condutas que colocam em risco a sociedade 
e a arrecadação pelos entes fazendários. 
 
Na história tivemos diversas leis que trataram 
do assunto. 
 
A lei 4.357/64 previu, pela primeira vez, a 
possibilidade da extinção da punibilidade com o 
pagamento do tributo devido. 
 
A lei 4.729/65 previu a possibilidade da extinção 
da punibilidade pelo pagamento somente antes 
da instauração de um procedimento 
administrativo. 
A lei 8.137/90 revogou todos os dispositivos da 
lei anterior e possibilitou a extinção da 
punibilidade pelo pagamento antes do 
recebimento da denúncia (na época o 
recebimento da denúncia ocorria logo após o 
oferecimento da denúncia, a denúnciaera 
oferecida e havia uma decisão a recebendo e 
determinando a citação e o prazo de resposta, 
ou seja, ocorria antes da defesa prévia). 
 
A lei 8.383/91 revogou o dispositivo anterior, de 
modo que, se o contribuinte pagasse o tributo 
devido na vigência desta lei, sob um fato 
ocorrido na vigência desta lei, não havia 
nenhuma consequência na esfera criminal. 
 
A lei 9.249/95 previu a possibilidade da extinção 
da punibilidade pelo pagamento antes do 
recebimento da denúncia. 
 
A lei 9.430/96 além de prever a possibilidade da 
extinção da punibilidade pelo pagamento para 
antes do recebimento da denúncia, também 
previu a suspensão da pretensão punitiva pelo 
parcelamento do pagamento do tributo. 
 
REFIS - programas de recuperação fiscal. 
 
REFIS I - lei n. 9.964/2000 - art. 15 - previu a 
suspensão da pretensão punitiva em caso de 
parcelamento e extinção da punibilidade pelo 
pagamento do tributo, antes do recebimento da 
denúncia. 
 
REFIS II - lei 10.684/2003 - art. 9º - suspensão 
da pretensão punitiva e extinção da punibilidade 
sem limite temporal. 
 
Lei 12.382/2011 - art. 6º - limitou a possibilidade 
de suspensão da pretensão punitiva se o 
parcelamento é feito antes do recebimento da 
denúncia. 
 
Esta última lei é aplicada para todos os casos 
que ocorreram após a sua vigência. 
 
 
Mas quando falamos em extinção da 
punibilidade, aplica-se a lei 10.684/2003, pois 
nessa matéria é ela que está em vigor. 
 
Quanto a suspensão com o parcelamento, 
atualmente, aplica-se a lei 12.382/2011, pois 
nessa matéria é ela que está em vigor. 
 
INSTITUTOS DESPENALIZADORES 
 
- Suspensão condicional do processo 
(não é cabível para os crimes do art. 
1º) 
- Transação penal. (não é cabível para 
os crimes do art. 1º) 
- ANPP (é cabível para os crimes do 
art. 1º) 
 
ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL 
 
Art. 28-A CPP - Não sendo caso de 
arquivamento e tendo o investigado confessado 
formal e circunstancialmente a prática de 
infração penal sem violência ou grave ameaça e 
com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o 
Ministério Público poderá propor acordo de não 
persecução penal, desde que necessário e 
suficiente para reprovação e prevenção do 
crime, mediante as seguintes condições 
ajustadas cumulativa e alternativamente: 
 
Requisitos: pena mínima abaixo de 4 anos, sem 
violência ou grave ameaça, não ter sido 
beneficiado com a ANPP anteriormente,não ser 
cabível a transação penal, não ser reincidente e 
não seja um delito habitual. 
 
I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, 
exceto na impossibilidade de fazê-lo 
 
Considerando que os crimes tributários são de 
grande monta, na maioria dos casos, o autor 
não consegue reparar o dano. Em razão disto, 
deve-se questionar a aplicabilidade do inciso I 
aos crimes tributários. 
 
Valor do dano X gravidade da pena - as penas 
devem ser proporcionais à gravidade do injusto. 
 
Qual é o critério para determinar o dano 
elevado? Não há como criar um parâmetro 
único, pois cada caso é um caso. Mas deve-se 
haver um norte para o juiz determinar se é 
elevado ou não. 
 
Segundo a professora, seria interessante 
primeiro, analisar qual o ente afetado (união, 
estados, DF e municípios). Isto porque, 100 mil 
reais no âmbito da união não é um prejuízo tão 
grande, mas em um pequeno município o 
prejuízo é grande (não se confunde com a 
vantagem que o agente teve, 
independentemente se para mim é uma grande 
vantagem, deve-se olhar para o prejuízo). 
 
Como o juiz faz isso? 
 
A fixação da pena base ocorre da seguinte 
forma: primeiro, analisa-se a culpabilidade 
(como a reprovabilidade do delito é alta, a 
culpabilidade do agente também é alta), depois 
ele analisa os motivos (verifica se o agente 
sonegou um alto valor de tributo causando um 
dano elevado para um lucro fácil), após, ele 
analisa as consequências do crime (verifica 
quais que foram as consequências causadas 
com o cometimento do crime). 
 
Contudo, o juiz não deve em mais de uma 
circunstância judicial fazer remissão ao valor do 
dano para aumentar a pena. Ou seja, na 
culpabilidade, o juiz aumenta a pena porque o 
valor do dano é alto e, consequentemente, a 
culpabilidade é maior. Em seguida, nos motivos, 
ele defende que a pena será aumentada porque 
o agente perseguiu um lucro fácil e causou um 
dano elevado ao erário. Por fim, nas 
consequências do crime, o juiz defende que as 
consequências do crime são graves porque o 
dano é elevado. 
 
Grave dano à coletividade (art. 12, II) - ocorre 
na terceira fase da fixação da pena. 
 
 
Sempre que houver um grave dano à 
coletividade, a pena será aumentada de um 
terço até a metade. 
 
Segundo a jurisprudência, sempre que houver 
um valor elevado de tributos devidos, será 
considerado um grave dano à coletividade. 
 
Contudo, há problemas com esse 
entendimento, pois ninguém que sonega 
impostos tem a total previsibilidade de quais 
pessoas serão atingidas. Ou seja, quando eu 
sonego impostos eu não tenho noção ou 
certeza de qual serviço público deixará de ser 
prestado em virtude da minha sonegação. São 
danos imensuráveis. 
 
Se acaso o juiz utilizar o fato da gravidade do 
delito no momento da fixação da pena (art. 59) 
e também utilizar esse critério na causa de 
aumento de pena (terceira fase da fixação da 
pena - art. 12 da lei 8.137/90) ocorrerá o bis in 
idem. 
 
O STJ defende que por serem dois dispositivos 
legais distintos, não há bis in idem, mas para a 
professora, a dosimetria da pena é uma coisa 
só, então utilizar o mesmo critério para 
aumentar a pena duas vezes é bis in idem. 
 
Em relação ao entendimento do que seria o 
grave dano à coletividade, há as expressões de 
“grandes devedores” ou “créditos prioritários”, 
que são previstas em legislações federais, 
estaduais e municipais, as quais determinam 
que determinado tributo devido deve ter 
prioridade na execução, então o procurador 
deve buscar perseguir estes valores com maior 
preferència. Também, estas legislações definem 
quem são os chamados grandes devedores. 
 
No âmbito nacional, há a portaria 320, art. 14, 
da procuradoria geral da fazenda nacional que 
determina que o valor de 1 milhão de reais é 
considerado prioritário. 
 
Com estas legislações, os juízes, no momento 
da fixação da pena, utilizaram-se destes 
parâmetros para considerar se houve ou não 
houve grave dano à coletividade. Ex: se o valor 
de tributo devido é inferior à 1 milhão de reais, 
então, no terceiro momento da dosimetria da 
pena, não se aumenta a pena com o grave 
dano à coletividade. 
 
CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA 
 
Lei 8.137/90. 
 
Art. 2º - são crimes materiais. Uma parte da 
doutrina defende que são crime de mera 
conduta, crimes formais, em razão da penas 
serão mais branda, mas isto não é verdade 
segundo a professora. 
 
Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: 
 
I - fazer declaração falsa ou omitir declaração 
sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra 
fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de 
pagamento de tributo; 
 
Lembra o art. 1º, I, mas não é a mesma coisa. 
Neste caso (art. 2º) o resultado não existe, ou 
seja, o agente faz declaração falsa ou omite 
declaração mas não consegue se eximir do 
pagamento do tributo. O legislador puniu a 
tentativa de cometer o crime do art. 1º, I. 
 
Não era necessário que o legislador punisse a 
tentativa, porque ela já está prevista no código 
penal nas disposições gerais, mas ele assim o 
fez. 
 
II - deixar de recolher, no prazo legal, valor de 
tributo ou de contribuição social, descontado ou 
cobrado, na qualidade de sujeito passivo de 
obrigação e que deveria recolher aos cofres 
públicos; 
 
Este inciso gerou diversas discussões. 
 
A doutrina sempre se manifestou no sentido de 
que não há a possibilidade de punir-se a 
inadimplência, mas a lei trouxe este dispositivo 
que contrariou este entendimento. 
 
 
Primeiro, verifica-se que este é um crime 
material, pois deixar de recolher o tributo causa 
um dano ao erário, em prejuízo efetivo. 
 
Ele possui semelhançascom o crime do art. 
168-A do CP que trata de um crime contra a 
previdência social. Art. 168-A. Deixar de 
repassar à previdência social as contribuições 
recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma 
legal ou convencional. Pena - reclusão, de 2 
(dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
 
Será que para crimes tão parecidos é correto 
haver penas tão distintas? A professora acredita 
que não e, também, defende que isso se dá em 
razão da pulverização das legislações (delitos 
que constam no CP e outros delitos que 
constam em legislações ordinárias, sem haver 
observância de uns a outros). 
 
Em relação ao ICMS, tem-se que a incidência 
dele ocorre de duas formas. Por meio da 
substituição tributária e em operações próprias. 
 
Na substituição tributária, o desconto do tributo 
é feito de uma vez, antecipadamente, arcado 
pelo primeiro comprador, sob responsabilidade 
do fabricante ou importador. Esse processo 
serve para tentar garantir que o recolhimento 
seja feito de forma adequada. 
 
Portanto, analisando o inciso II, temos que 
ocorre o delito quando o fabricante ou 
importador desconta o valor do tributo e não 
repassa aos cofres públicos. II - deixar de 
recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de 
contribuição social, descontado ou cobrado, na 
qualidade de sujeito passivo de obrigação e que 
deveria recolher aos cofres públicos 
 
No ICMS em operações próprias o valor do 
ICMS é acrescido ao preço do produto ou do 
serviço, chegando ao consumidor como parte 
dos custs. Para evitar a cumulatividade do 
tributo, sua cobrança funciona como uma conta 
de débito e crédito conforme o produto avança 
na cadeia produtiva. 
Ex: há o fabricante, o revendedor e o 
consumidor. 
 
O fabricante vende para o revendedor e, este 
paga (crédito) o valor do tributo. Quando o 
revendedor vende ao consumidor ele recebe 
(débito) o valor do tributo. Ao final, ele deve 
analisar a sua contabilidade e verificar se possui 
mais créditos ou débitos, se ele tiver mais 
débitos, deverá recolher estes valores aos 
cofres públicos. 
 
Esta situação chegou ao STF e debateu-se a 
possibilidade de incriminar o inadimplemento, 
pois no direito penal não há prisão por dívida. 
 
O STF então entendeu que seria ilícita a 
conduta somente se fosse um devedor 
reiterado/contumaz. 
 
Contudo, a professora menciona que essa 
exigência de que seja uma conduta reiterada 
não consta do tipo penal. 
 
III - exigir, pagar ou receber, para si ou para o 
contribuinte beneficiário, qualquer percentagem 
sobre a parcela dedutível ou deduzida de 
imposto ou de contribuição como incentivo 
fiscal; 
 
IV - deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo 
com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de 
imposto liberadas por órgão ou entidade de 
desenvolvimento; 
 
V - utilizar ou divulgar programa de 
processamento de dados que permita ao sujeito 
passivo da obrigação tributária possuir 
informação contábil diversa daquela que é, por 
lei, fornecida à Fazenda Pública. 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) 
anos, e multa. 
 
Crimes funcionais da Lei 8.137/90: 
 
São crimes cometidos por funcionários públicos: 
 
 
Art. 3° Constitui crime funcional contra a ordem 
tributária, além dos previstos no Decreto-Lei n° 
2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código 
Penal (Título XI, Capítulo I): 
 
I - extraviar livro oficial, processo fiscal ou 
qualquer documento, de que tenha a guarda em 
razão da função; sonegá-lo, ou inutilizá-lo, total 
ou parcialmente, acarretando pagamento 
indevido ou inexato de tributo ou contribuição 
social. Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) 
anos, e multa. 
 
É parecido com o art. 314 do CP (pena de 
reclusão de 1 a 4 anos). 
 
O fato do crime previsto no art. 3º, I, possuir 
uma pena maior do que a pena do crime 
previsto no art. 314, bem como dos delitos 
acima mencionados, se justifica no fato de ser 
cometido por um agente público, pois existe 
uma relação de confiança qualificada entre o 
Estado e o funcionário público. 
 
O funcionário público tem o dever de garantir 
que o bem jurídico esteja protegido. Mas de 
outro lado, ele tem mais chances para atacar 
este bem jurídico, já que ele está “dentro” da 
administração pública. 
 
II - exigir, solicitar ou receber, para si ou para 
outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora 
da função ou antes de iniciar seu exercício, mas 
em razão dela, vantagem indevida; ou aceitar 
promessa de tal vantagem, para deixar de 
lançar ou cobrar tributo ou contribuição social, 
ou cobrá-los parcialmente. Pena - reclusão, de 
3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. 
 
Relação com o crime de corrupção passiva e 
concussão - arts. 316 e 317 do CP. 
 
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta 
ou indiretamente, ainda que fora da função ou 
antes de assumi-la, mas em razão dela, 
vantagem indevida. 
 
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para 
outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora 
da função ou antes de assumi-la, mas em razão 
dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa 
de tal vantagem. 
 
O crime do art. 3º, II, é uma fusão do crime de 
concussão e corrupção passiva, pois prevê os 
verbos “exigir” e “solicitar ou receber” no tipo 
penal. 
 
As penas dos delitos dos arts. 316 e 317 são 
inferiores a pena do delito do art. 3º, I, não 
porque é cometido por funcionário público (pois 
todos os 3 são cometidos por funcionários 
públicos), mas porque o agente tem a finalidade 
de deixar de lançar ou cobrar tributo ou 
contribuição social, ou cobrá-los parcialmente. 
Ou seja, este delito possui uma finalidade 
específica em relação aos demais. 
 
III - patrocinar, direta ou indiretamente, interesse 
privado perante a administração fazendária, 
valendo-se da qualidade de funcionário público. 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e 
multa. 
 
Parecido com o crime de advocacia 
administrativa - art. 321 do CP. 
 
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, 
interesse privado perante a administração 
pública, valendo-se da qualidade de funcionário: 
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. 
 
O agente público advoga no sentido de 
prevalecer um interesse privado, ao invés de 
buscar defender o interesse público. 
 
PRESCRIÇÃO DOS CRIMES MATERIAIS 
 
Trataremos acerca dos crimes materiais, pois os 
crimes formais (art. 2º), tem-se que a 
consumação do delito ocorre naquele momento 
que o agente pratica o verbo do tipo penal, não 
depende de nenhum outro resultado, pois são 
crimes de mera conduta. 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#titxicapi
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#titxicapi
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#titxicapi
 
Os crimes materiais estão previstos no art. 1º, I 
à IV, e art. 2º, II. 
 
Conforme exposto anteriormente, os delitos 
materiais para serem apurados na esfera 
criminal, precisam do exaurimento da via 
administrativa (súmula vinculante 24). 
 
Em relação ao art. 2º, II temos que a 
consumação do delito ocorre quando o agente 
“deixa de recolher, no prazo legal”. 
 
Em relação aos delitos do art. 1º, I à IV, temos 
que a consumação do delito ocorre com a 
constituição definitiva do crédito tributário (STFPortanto: 
 
 
 
Caso 2: 
 
 
 
Temos que o crime do art. 1º, V, é um crime 
formal e, portanto, a consumação do delito 
ocorre no momento da ação/omissão 
fraudulenta (não no momento em que a via 
administrativa foi exaurida). 
 
Portanto: 
 
 
 
 
Caso 3: 
 
 
 
Caso de bis in idem, pois aumentou a pena 
base duas vezes com base em um mesmo 
argumento. 
 
Caso 4: 
 
 
 
 
Portanto: 
 
 
Aula 3 
CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA 
 
Crimes contra a ordem tributária em sentido 
amplo (lei 8.137 e CP) X em sentido estrito 
(arts. 1º ao 3º da lei 8.137). 
 
Inadimplemento - é a situação em que uma das 
partes em um contrato ou acrodo não cumpre 
com as suas obrigações conforme estipulado. O 
inadimplemento pode ocorrer de diversas 
formas, incluindo o não pagamento de uma 
dívida, a entrega incompleta de bens ou 
serviços, ou a falha em realizar qualquer outra 
obrigação contratual. 
 
É um fato penalmente atípico, pois na esfera 
criminal, não se pune o inadimplemento. 
 
Deste modo, se acaso eu declarar o imposto de 
renda corretamente, com todos os ganhos e 
descontos, mas não efetuar o pagamento do 
tributo, esta situação somente acarreta em um 
ilícito tributário, não há sanção na esfera 
criminal. 
 
Sonegação fiscal - é o ato de omitir, esconder 
ou manipular informações com o objetivo de 
pagar menos impostos do que o devido ou 
evitar completamente o pagamento de tributos. 
Este ato é considerado uma prática ilegal contra 
a ordem tributária, previsto na legislação de 
muitos países, incluíndo o Brasil. 
 
 
Este sim, possui relevância e pode ser punido 
na esfera criminal. 
 
É uma falsidade ideológica ou material que 
acabe resultando no não recolhimento do tributo 
ou de um valor menor do que o devido. 
 
Elisão fiscal - é a prática de planejar e organizar 
atividades econômicas de forma a reduzir 
legalmente a carga tributária. Diferente da 
sonegação fiscal, que é ilegal, a elisão fiscal 
utiliza meios permitidos pela legislação para 
minimizar o pagamento de impostos. 
 
SUJEITO ATIVO 
 
Arts. 1º e 2º: 
 
São crimes comuns, ou seja, não exigem uma 
condição especial do agente. 
 
Quem responde são os sócios previstos nos 
estatutos e contratos sociais, mas também 
aqueles que têm o poder de gestão da pessoa 
jurídica (não necessariamente estão no estatuto 
ou contrato social). 
 
Ex: pais que criaram empresas em nomes de 
filhos, mas realizavam a gestão da empresa. 
São os pais que possuem a administração da 
empresa e, portanto, devem ser eles que 
responderão criminalmente pelos delitos 
cometidos. 
 
Responsáveis de fato (não previstos no estatuto 
ou contrato social) e responsáveis de direito 
(estatuto ou contrato social). 
 
COMPETÊNCIA PARA PROCESSO E 
JULGAMENTO: 
 
Tributos federais - justiça federal. 
 
Tributos estaduais e municipais - justiça 
estadual. 
 
TIPO SUBJETIVO 
 
Refere-se aos elementos internos ou 
psicológicos que caracterizam a intenção ou 
atitude mental do agente ao praticar um delito. 
Ele está relacionado ao estado de consciência 
do sujeito no momento da ação ou omissão que 
constitui o crime. 
 
São todos delitos dolosos, não é admitida a 
modalidade culposa. 
 
TIPO OBJETIVO 
 
É um conceito fundamental no direito penal que 
se refere aos elementos exteriores, materiais ou 
objetivos de uma conduta criminosa. Esses 
elementos definem o comportamento proibido 
pela lei penal e devem estar presentes para que 
uma ação ou omissão seja considerada 
criminosa. 
 
Art. 1º, I ao V, todos preveem alguma falsidade 
ideológica ou material. 
 
Em relação ao parágrafo único do art. 1º, 
tem-se que ele não faz sentido, pois trata-se de 
uma mera desobediência que será imputada na 
forma do inciso V. 
 
Este parágrafo único também não faz sentido 
porque não converge com o caput, que prevê a 
“supressão ou redução do tributo, ou 
contribuição social e qualquer acessório 
 
Parágrafo único. A falta de atendimento da 
exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) 
dias, que poderá ser convertido em horas em 
razão da maior ou menor complexidade da 
matéria ou da dificuldade quanto ao 
atendimento da exigência, caracteriza a infração 
prevista no inciso V. 
 
Destaca-se que os crimes dos incisos I ao V 
objetivam a supressão ou redução dos tributos, 
de modo que ocorre a absorção do crime de 
sonegação fiscal. 
 
Súmula vinculante 24 STF - Não se tipifica 
crime material contra a ordem tributária, previsto 
 
no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, 
antes do lançamento definitivo do tributo. 
 
Isto ocorre porque, segundo o entendimento do 
STF, é o fisco que deve dizer se houve ou não 
houve sonegação e qual o valor desta 
sonegação. 
 
Isto impede que, por exemplo, na esfera 
criminal a pessoa seja condenada, mas na 
esfera administrativa ocorra a desconstituição 
do tributo, ou que na esfera criminal, o valor 
apurado seja inferior/superior do que se apurou 
ao final na esfera administrativa. 
 
Para os fins penais de qual lei aplicável ao 
caso, não se utiliza a data da consumação do 
delito (constituição do crédito tributário), mas o 
tempo/data que o crime foi cometido. 
 
Ex: se eu cometi um crime tributário hoje, mas 
somente daqui a 2 anos venho a ser condenado 
e a lei penal desta época prevê a pena de 
morte, a lei aplicável é a lei de hoje, porque eu 
cometi o crime hoje. Do contrário, se a lei 
posterior for mais benéfica, ela retroagirá. 
 
Se a pessoa sonegar qualquer volume de 
tributo e pagar o débito, hoje, ela tem como 
consequência, a extinção da punibilidade. 
 
É possível aplicar o princípio da insignificância? 
 
Segundo o entendimento do STJ, não cabe o 
princípio da insignificância para os crimes 
patrimoniais praticados contra a administração 
pública. 
 
Deste modo, devemos entender os crimes 
tributários como crimes patrimoniais contra a 
administração pública ou somente como crimes 
patrimoniais (que é cabível a insignificância)? 
 
O entendimento majoritário permite a aplicação 
do princípio da insignificância aos crimes 
tributários. 
 
Cabimento: crimes tributários federais e de 
descaminho quando o débito tributário 
verificado não ultrapassar o limite de 
R$20.000,00, a teor do disposto na lei n. 
10.522/2002, com as atualizações efetivadas 
pelas portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério 
da Fazenda. 
 
 
 
 
Segundo o entendimento, até o valor de 
R$20.000,00 a Fazenda não executa, de modo 
que este valor então é considerado 
insignificante e, portanto, na esfera criminal, 
também pode ser considerado irrelevante. 
 
Ainda, para considerar os R$20.000,00, não se 
leva em consideração os valores de juros e 
multa, porque a insignificância leva em 
consideração o prejuízo causado. 
 
Na prática, é muito difícil do princípio da 
insignificância ser aplicado, pois geralmente os 
crimes são cometidos por empresas de forma 
reiterada, fazendo com que o débito financeiro 
seja maior do que R$20.000,00. 
 
 
Ressalta-se que o princípio da insignificância 
somente é aplicado aos crimes previdenciários. 
 
Em relação aos crimes tributários de crimes 
estaduais, o STJ entendeu ser cabível também 
a aplicação do princípio da insignificância, pois 
segundo a lei estadual 14.272/2010 há a 
inexigibilidade da execução fiscal para débitos 
que não ultrapassem 600 unidades fiscais do 
estado de São Paulo UFESPs. 
 
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA 
 
Lei 9430 art. 83, § 2º: É suspensa a pretensão 
punitiva do Estado referente aos crimes 
previstos no caput (arts. 1º ou 3º da lei 8.137/90 
e arts. 168-A e 337-A do CP), durante o período 
em que a pessoa física ou a pessoa jurídica 
relacionada com o agente dos aludidos crimes 
estiver incluída no parcelamento, desde que o 
pedido de parcelamento tenha sido formalizado 
antes do recebimento da denúncia criminal. 
 
Ou seja, o parcelamento somente suspende a 
prescrição até o recebimento da denúncia. 
 
Um conflito que geralmente ocorre é entre o 
advogado tributarista e o advogado criminalista, 
pois o cliente chega com o caso, o tributarista 
assegura que é possíveldiscutir judicialmente 
esse valor na esfera cível e diminuir o valor que 
o fisco está cobrando, mas o criminalista 
apresenta a possibilidade de parcelamento para 
suspender o prazo prescricional. Contudo, se 
acaso o cliente optar pelo parcelamento, terá 
que confessar a dívida no valor integral que o 
fisco está cobrando e abrir mão de discutir 
judicialmente na esfera cível este valor. 
 
Lei 10.684 art. 9º, § 2º Extingue-se a 
punibilidade dos crimes referidos neste artigo 
quando a pessoa jurídica relacionada com o 
agente efetuar o pagamento integral dos débitos 
oriundos de tributos e contribuições sociais, 
inclusive acessórios. 
 
O pagamento integral do débito pode ser feito a 
qualquer tempo, ainda que tenha transitado em 
julgado sentença penal condenatória. 
 
Art. 12. São circunstâncias que podem agravar 
de 1/3 (um terço) até a metade as penas 
previstas nos arts. 1°, 2° e 4° a 7°: 
I - ocasionar grave dano à coletividade; 
II - ser o crime cometido por servidor público no 
exercício de suas funções (somente em relação 
ao art. 1º e 2º); 
III - ser o crime praticado em relação à 
prestação de serviços ou ao comércio de bens 
essenciais à vida ou à saúde. 
 
Para a aplicação da causa especial de aumento 
da pena, deve ser considerado o dano no valor 
de um milhão de reais para tributos federais, 
aferidos diante do seu valor atual e integral, 
incluindo os acréscimos legais de juros e multa 
(ut, AgRg nos EDcl no REsp n. 1.9997.086/PE, 
Relator Ministro Joel Ilan Pacionilk, Quinta 
Turma, DJe de 16/06/2023. (AgRg no AREsp n. 
2.519.966, relator Ministro Reynaldo Soares da 
Fonseca, Quinta Turma, julgado em 05/03/2024, 
DJe de 08/03/2024). 
 
Ocorre que, geralmente no âmbito federal, a 
maioria dos casos de crimes tributários 
ultrapassa o valor de um milhão de reais. 
 
Em relação aos tributos estaduais, o STJ 
decidiu que deve-se haver uma norma que 
estabelece o valor para a execução fiscal 
(créditos prioritários ou destacados 
créditos/grandes devedores)e este valor pode 
ser utilizado para aplicação da majorante da 
pena (como o entendimento referente a 
insignificância). 
 
É firme a orientação deste Supremo Tribunal de 
que “não havendo definição do montante apto a 
causar grave dano à coletividade na esfera 
estadual, mister se faz a indicação de “algum 
elemento concreto, além do valor sonegado, a 
fim de evidenciar a ocorrência do dano à 
coletividade”. (AgRg no HC 549.066/SP, Rel. 
Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 
 
07/01/2020, DJe 18/12/2020. (HC 678.674/SP, 
Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, DJE 
20/08/2021). 
 
CRIMES DO ART. 3º 
 
Art. 3° Constitui crime funcional contra a ordem 
tributária, além dos previstos no Decreto-Lei n° 
2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código 
Penal (Título XI, Capítulo I): 
 
I - extraviar livro oficial, processo fiscal ou 
qualquer documento, de que tenha a guarda em 
razão da função; sonegá-lo, ou inutilizá-lo, total 
ou parcialmente, acarretando pagamento 
indevido ou inexato de tributo ou contribuição 
social; 
 
Espécie especializada do art. 314 do CP. 
 
II - exigir, solicitar ou receber, para si ou para 
outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora 
da função ou antes de iniciar seu exercício, mas 
em razão dela, vantagem indevida; ou aceitar 
promessa de tal vantagem, para deixar de 
lançar ou cobrar tributo ou contribuição social, 
ou cobrá-los parcialmente. Pena - reclusão, de 
3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. 
 
Fusão do crime de concussão e do crime de 
corrupção passiva - arts. 316 e 317 do CP. 
 
III - patrocinar, direta ou indiretamente, interesse 
privado perante a administração fazendária, 
valendo-se da qualidade de funcionário público. 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e 
multa. 
 
Parecido com o crime do art. 321 do CP, mas ao 
invés de fazenda pública (CP), é administração 
fazendária. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O que gera a extinção da punibilidade é o 
pagamento integra do débito, não a satisfação 
do crédito. 
 
A extinção do crédito tributário pela prescrição 
da execução na esfera tributária não ocasiona 
na extinção da punibilidade na esfera criminal, 
pois uma vez que há o lançamento definitivo, a 
materialidade está consubstanciada. 
 
Diferentemente, se ocorrer a desconstituição do 
crédito tributário na esfera tributária, se anular o 
lançamento tributário, anula-se o que dava justa 
causa à ação penal. 
 
Se houver essa desconstituição do crédito 
tributário após a condenação na esfera criminal, 
é cabível o ingresso de revisão criminal. 
 
Há a possibilidade de arresto de valores na 
esfera criminal, pois há casos em que o MP 
oferece a denúncia e pede como cautelar, o 
arresto/sequestro dos bens da pessoa jurídica 
até o valor do débito tributário. 
 
CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO 
 
Lei 7.492/86. 
 
Surge no processo de redemocratização do 
Brasil, de crise com dívida externa, inflação 
galopante, estagnação da economia e 
necessidade de desenvolvimento econômico. 
 
Neste mesmo período, criava-se uma 
constituição que determinava que o Estado 
deveria cuidar da economia. 
 
A lei 7.492/86 buscava a proteção do sistema 
financeiro, o reforço da regulação (por força 
normativa e órgãos de fiscalização) e a 
restauração da confiança. 
 
Segmentos do sistema financeiro nacional: 
 
Mercado monetário (dinheiro, compra e venda 
de dinheiro, por exemplo, o banco compra o 
meu dinheiro na poupança com juros de 2% e 
vende ele, a título de empréstimos, por um 
percentual maior), mercado de crédito (refere-se 
a contratação de valores, quando eu não tenho 
dinheiro e contrato um alcance de dinheiro), 
 
mercado de câmbio (compra de moeda 
estrangeira) e mercado de capitais (bolsas de 
valores, mercado mobiliário). 
 
Órgãos de fiscalização: Banco Central do Brasil 
(BACEN), Comissão de Valores mobiliários 
(CVM) mediante Superintendência de seguros 
privados (SUSEP), Superintendência nacional 
de previdência complementar (PREVIC). 
 
BEM JURÍDICO 
 
O bem jurídico tutelado é o sistema financeiro 
nacional, com destaque à: a) organização do 
mercado, b) regulação de seus instrumentos, c) 
segurança jurídica e d) segurança nos 
negócios. 
 
 
 
AUTORIA 
 
Art. 25 - são penalmente responsáveis, nos 
termos desta lei, o controlador e os 
administradores de instituição financeira, assim 
considerados diretores gerentes. 
§ 1º Equiparam-se aos administradores de 
instituição financeira (Vetado) o interventor, o 
liquidante ou o síndico. 
 
Embora o art. 25 dê uma ideia de tratar-se 
apenas de crimes próprios, existem crimes 
comuns (arts. 2º, 3º, 14, 19, 20 e 233), crimes 
próprios do administrador (arts. 4º, 6º, 8º a 11, 
16 e 17), crimes próprios de ex-administrador 
(arts. 12, 13, caput, e 14, parágrafo único), 
crimes próprios de interventor, liquidante ou 
síndico (art. 13, parágrafo único) e crime 
funcional (art. 23). 
CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES 
 
Há 3 categorias de crimes previstas nesta lei: 
 
Mercado financeiro em geral - arts. 4º a 6º, 8º, 
10 a 20 e 23. 
 
Mercado de capitais - arts. 2º, 7º e 9º. 
 
Mercado de câmbio - arts. 21 e 22. 
 
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA 
 
 Art. 1º Considera-se instituição financeira, para 
efeito desta lei, a pessoa jurídica de direito 
público ou privado, que tenha como atividade 
principal ou acessória, cumulativamente ou não, 
a captação, intermediação ou aplicação de 
recursos financeiros (Vetado) de terceiros, em 
moeda nacional ou estrangeira, ou a custódia, 
emissão, distribuição, negociação, 
intermediação ou administração de valores 
mobiliários. 
Parágrafo único. Equipara-se à instituição 
financeira: 
I - a pessoa jurídica que capte ou administre 
seguros, câmbio, consórcio, capitalização ou 
qualquer tipo de poupança, ou recursos de 
terceiros; 
I-A - a pessoa jurídica que ofereça serviços 
referentes a operações com ativos virtuais, 
inclusive intermediação, negociação ou 
custódia; 
II - a pessoa natural que exerça quaisquer das 
atividades referidas neste artigo, ainda que de 
forma eventual. 
 
Ou seja,quem pode realizar intermediação ou 
aplicação de recursos financeiros de terceiros 
são os bancos. Pessoas físicas não podem 
realizar estes atos, pois não possuem 
autorização para isso. 
 
 
 
 
 
 
TIPO SUBJETIVO 
 
Todos são crimes dolosos. 
 
TIPOS OBJETIVOS 
 
Art. 4º Gerir fraudulentamente instituição 
financeira: 
Pena - Reclusão, de 3 (três) a 12 (doze) anos, e 
multa. 
Parágrafo único. Se a gestão é temerária: 
Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e 
multa. 
 
A gestão fraudulenta é o uso de falsidade 
material, falsidade ideológica como forma de 
gestão daquela instituição. Essa falsidade 
objetiva “maquiar” a situação financeira da 
instituição financeira. 
 
Gestão temerária é uma gestão arriscada (culpa 
dolosa), é um risco muito acima do tolerado 
pelo sistema financeiro. Quem determina que a 
gestão está sendo temerária são os órgãos de 
fiscalização (BACEN e CVM). 
 
Na gestão temerária não é necessária a 
existência de um prejuízo, pois ela leva em 
consideração o risco à instituição financeira. 
 
 
Há o entendimento de que pode ser um único 
ato de gestão ou vários atos de gestão, que 
então configuram um crime continuado. 
 
Mas também há o entendimento de que é um 
crime habitual próprio, ou seja, uma gestão 
pressupõe uma sequência de atos que 
envolvem fraude, de modo que a conduta 
criminosa somente torna punível quando 
praticada de forma reiterada, ou seja, a prática 
isolada de um único ato não configura o crime. 
 
E um terceiro entendimento que afirma que é 
um crime habitual impróprio, ou seja, a conduta 
ilícita é praticada de forma reiterada, porém, 
diferentemente do crime habitual próprio, a 
repetição dos atos não é necessária para que o 
crime se consuma. 
 
Segundo o professor, o que prevalece é o 
entendimento de que é um crime habitual, de 
modo que se praticar somente um ato configura 
o crime e se praticar vários atos também se 
configura (é um crime único neste último caso). 
 
● Contabilidade falsa: 
 
Art. 10. Fazer inserir elemento falso ou omitir 
elemento exigido pela legislação, em 
demonstrativos contábeis de instituição 
financeira, seguradora ou instituição integrante 
do sistema de distribuição de títulos de valores 
mobiliários: 
Pena - Reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e 
multa. 
 
● Contabilidade paralela: 
 
Art. 11. Manter ou movimentar recurso ou valor 
paralelamente à contabilidade exigida pela 
legislação: 
Pena - Reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e 
multa. 
 
Contabilidade paralela também é conhecida 
como sendo “caixa dois”, que consiste na 
manutenção de um sistema contábil não oficial, 
ou seja, um conjunto de registros financeiros 
 
paralelos e ocultos ao controle oficial da 
empresa ou entidade. 
 
Ter um caixa dois não é crime, somente é crime 
se este caixa dois for oculto e não pagar os 
tributos devidos em relação a este caixa dois. 
 
● Operação sem autorização: 
 
Art. 16. Fazer operar, sem a devida autorização, 
ou com autorização obtida mediante declaração 
(Vetado) falsa, instituição financeira, inclusive 
de distribuição de valores mobiliários ou de 
câmbio: 
Pena - Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e 
multa. 
 
É um termo geralmente usado para descrever a 
realização de atividade ou transações que 
exigem uma permissão ou licença específica de 
autoridades reguladoras, mas que são 
realizadas assim sem a devida autorização. 
 
Realiza qualquer atividade do art. 1º, que define 
o que é uma instituição financeira. 
 
● Financiamento fraudulento: 
 
Art. 19. Obter, mediante fraude, financiamento 
em instituição financeira: 
Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e 
multa. 
Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 
(um terço) se o crime é cometido em detrimento 
de instituição financeira oficial ou por ela 
credenciada para o repasse de financiamento. 
 
Financiamento é diferente de empréstimo, pois 
o empréstimo é uma operação em que uma 
parte (o credor) fornece uma quantia de dinheiro 
ou recursos a outra parte (o devedor), com a 
condição de que o valor emprestado seja 
devolvido em um futuro acordado, geralmente 
acrescido de juros. 
 
● Desvia de finalidade de 
financiamento: 
 
Art. 19. Obter, mediante fraude, financiamento 
em instituição financeira: 
Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e 
multa. 
Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 
(um terço) se o crime é cometido em detrimento 
de instituição financeira oficial ou por ela 
credenciada para o repasse de financiamento. 
 
● Evasão de divisas e manutenção de 
depósitos no exterior: 
 
Art. 22. Efetuar operação de câmbio não 
autorizada, com o fim de promover evasão de 
divisas do País: 
Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e 
multa. 
 
É permitida a remessa de valores para o 
exterior, desde que observadas as regras, o 
crime de evasão de divisas ocorre justamente 
quando a quantia é remetida por mecanismo 
informais, alheios ao controle do Estado, 
utilizando-se especialmente de “doleiros”. No 
que tange ao crime de manutenção de 
depósitos no exterior, a repartição federal 
competente é o banco central, e o valor que 
deve ser declarado é o da posição de 21/12 do 
ano anterior. Atualmente, é atípica a conduta se 
o capital brasileiro no exterior for inferior a um 
milhão de dólares (se for igual ou superior 100 
milhões de dólares a declaração deverá ser 
trimestral). A resolução BCB atualmente regula 
a matéria. 
 
Ou seja, se no exterior eu tiver uma quantia 
inferior a 1 milhão de dólares, não tenho a 
obrigação de prestar informações ao banco 
central do Brasil e, consequentemente, não 
tenho a tipicidade do art. 22, parágrafo único. 
 
AÇÃO PENAL E COMPETÊNCIA 
 
São crimes de ação penal incondicionada. 
 
A competência para o julgamento dos crimes 
previstos nesta lei é da justiça federal - art. 26. 
 
 
Lei 6.385/1976 - crimes específicos da lei do 
mercado de valores mobiliários: 
 
● Manipulação do mercado: 
 
Art. 27-C. Realizar operações simuladas ou 
executar outras manobras fraudulentas 
destinadas a elevar, manter ou baixar a 
cotação, o preço ou o volume negociado de um 
valor mobiliário, com o fim de obter vantagem 
indevida ou lucro, para si ou para outrem, ou 
causar dano a terceiros: 
Pena – reclusão, de 1 (um) a 8 (oito) anos, e 
multa de até 3 (três) vezes o montante da 
vantagem ilícita obtida em decorrência do crime. 
 
● Uso Indevido de Informação 
Privilegiada: 
 
Art. 27-D. Utilizar informação relevante de que 
tenha conhecimento, ainda não divulgada ao 
mercado, que seja capaz de propiciar, para si 
ou para outrem, vantagem indevida, mediante 
negociação, em nome próprio ou de terceiros, 
de valores mobiliários: 
Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e 
multa de até 3 (três) vezes o montante da 
vantagem ilícita obtida em decorrência do crime. 
 
§ 1o Incorre na mesma pena quem repassa 
informação sigilosa relativa a fato relevante a 
que tenha tido acesso em razão de cargo ou 
posição que ocupe em emissor de valores 
mobiliários ou em razão de relação comercial, 
profissional ou de confiança com o emissor. 
 
§ 2o A pena é aumentada em 1/3 (um terço) se 
o agente comete o crime previsto no caput 
deste artigo valendo-se de informação relevante 
de que tenha conhecimento e da qual deva 
manter sigilo. 
 
Conhecido como insider trading, que é o termo 
utilizado para descrever a prática ilegal de 
negociação de ações ou outros valores 
mobiliários de uma empresa com base em 
informações privilegiadas, ou seja, informações 
relevantes e ainda não divulgadas ao público. 
● Exercício Irregular de Cargo, 
Profissão, Atividade ou Função: 
 
Art. 27-E. Exercer, ainda que a título gratuito, no 
mercado de valores mobiliários, a atividade de 
administrador de carteira, de assessor de 
investimento, de auditor independente, de 
analista de valores mobiliários, de agente 
fiduciário ou qualquer outro cargo, profissão, 
atividade ou função, sem estar, para esse fim,autorizado ou registrado na autoridade 
administrativa competente, quando exigido por 
lei ou regulamento: 
Pena – detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) 
anos, e multa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
	Crimes tributários

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