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Conteudista: Prof. Dr. Daniel Maurício de Oliveira Rodrigues Revisão Textual: Esp. Jéssica Dante Objetivos da Unidade: Conhecer os aspectos históricos, antropológicos e sociológicos das racionalidades médicas; Compreender as racionalidades vitalistas e modelos de saúde e as suas relações com a Naturologia. 📄 Material Teórico 📄 Material Complementar 📄 Referências Introdução às Racionalidades Médicas e Modelos de Saúde Apresentação De acordo com as transformações culturais no ocidente e com o crescente interesse da população em novos modelos de saúde e em Práticas Não-Convencionais em Saúde (PNCS), tendo em vista as demasiadas insatisfações com o modelo dominante, as práticas e os saberes biomédicos ocidentais, nas últimas décadas, houve um estímulo à implementação e ao desenvolvimento de medidas que correspondessem aos anseios da sociedade no que diz respeito à instituição de novos modelos de cuidados. Órgãos e gestores da saúde mundial, como a Organização das Nações Unidas e a Organização Mundial da Saúde (OMS), assim como atores de diversos segmentos em diversas nações, vêm incentivando essa incorporação de novos modelos de cuidado nos países (MARQUES et al., 2011; TESSER; BARROS, 2008). Com isso, nas últimas três décadas, tem ocorrido uma significativa discussão, nos grupos acadêmicos, políticos e técnicos ligados ao setor da saúde, a respeito da inclusão de outros modelos de saúde, conhecidos como Medicinas Tradicionais (MTs) e Medicinas Integrativas/Complementares (MACs), na organização e na prestação dos serviços em saúde de todo Brasil, por meio de políticas que estabelecem a regulamentação e a implantação de práticas terapêuticas baseadas nessas medicinas (BARROS; NUNES, 2006; RODRIGUES; HELLMANN; SANCHES, 2011; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002, 2012). Nesse sentido, no início da década de 90, Madel Luz sistematizou a categoria de racionalidades médicas, visando analisar paralelismos, divergências e questões excludentes entre as medicinas e os modelos de saúde que estavam em voga no ocidente. Essa sistematização permitiu dar visibilidade a outras medicinas vitalistas no campo da saúde, para além da medicina ocidental hegemônica. 1 / 3 📄 Material Teórico Essa categorização foi importante também para o campo da naturologia. Recentemente, Ceratti e Luz (2018) classificaram a Naturologia/Naturopatia como uma racionalidade médica. Essa classificação permitiu descrever a prática naturológica como um sistema terapêutico complexo, composto por suas teorias fundamentais e por práticas de diagnósticos e tratamentos. Como se pode perceber Naturologia e Naturopatia são considerados sinônimos, como iremos abordar nesta Unidade. Introdução A Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1962, usou pela primeira vez o termo “medicina alternativa”, que era a definição dada a qualquer prática despojada de tecnologia, aliada a um conjunto de saberes pertencentes aos povos e às culturas ocidental e oriental. Em 1978, a OMS recomendou aos seus Estados membros o uso integrado dessas práticas pelos seus sistemas de saúde, no entanto de forma conjunta com as técnicas da medicina ocidental contemporânea, conhecida também como medicina biomédica (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002). Posteriormente, a OMS alavancou o uso do termo Medicina Tradicional (MT), designando sistemas médicos de cura complexos, coerentes entre si e não propriamente biomédicos ou pertencentes à ciência ocidental, sendo, portanto, advindos de outras tradições/culturas de um determinado povo. Entre esses sistemas, destacam-se a Medicina Tradicional Chinesa, a Ayurveda, a Unani (árabe) e as diversas formas de medicina indígena (BRASIL, 2006; LUZ, 2005; WORLD HEALTH ORGANIZATION, c2022). Leitura WHO Traditional Medicine Strategy: 2014-2023 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Em relação à terminologia “Medicina Complementar”, esta designa todas as práticas médicas que não estão inseridas na Medicina Biomédica nem nas MTs. Entre elas, podem-se citar a Medicina Homeopática, a Antroposófica e a Naturologia/Naturopatia. Como citado anteriormente, Luz sistematizou o termo racionalidades médicas para estruturar essas medicinas e compará-las em categorias teóricas e práticas do saber. Nesta Unidade, abordaremos primeiramente os aspectos históricos, antropológicos e sociológicos das racionalidades médicas e, em seguida, discutiremos as racionalidades vitalistas e modelos de saúde na cultura ocidental contemporânea e tradicional, focando na Medicina Tradicional Chinesa e Ayurveda. Por fim, serão apresentados a Naturologia/Naturopatia enquanto racionalidade médica, e um quadro resumo comparando as racionalidades médicas em suas seis categorias fundamentais. Aspectos Históricos, Antropológicos e Sociológicos das Racionalidades Médicas No início dos anos 90, Madel Luz propôs a construção de uma categoria denominada “racionalidades médicas”. Esse sistema lógico e teoricamente estruturado foi composto por cinco dimensões específicas e fundamentais: anatomia humana (morfologia); fisiologia (dinâmica vital); doutrina médica; sistema de diagnósticos; e sistema de intervenções Leia o documento da Organização Mundial de Saúde sobre estratégias para medicinas tradicionais. https://apps.who.int/iris/handle/10665/92455 terapêuticas. Além dessas, considera-se uma sexta dimensão, à qual cada racionalidade está submetida (ainda que implicitamente), denominada cosmologia (LUZ, 2005). Para Luz (2005), é através dessa sexta dimensão que é possível fazer a distinção entre os sistemas médicos complexos. Além disso, as seis dimensões fundamentais foram construídas ao estilo (e com traços) do sociólogo Max Weber, sendo modeladas a partir de uma linha indutiva (TESSER; LUZ, 2008; NOGUEIRA, 2010). Figura 1 – Seis dimensões das racionalidades em saúde #ParaTodosVerem: diagrama sobre racionalidades médicas. Sobre um fundo branco, no centro há um círculo descrito “Cosmologia”; parte superior ao centro, há o título escrito: “Doutrina médica”. Os demais círculos em volta do círculo central são: Morfologia (anatomia), dinâmica vital (fisiologia), sistema terapêutico e sistema diagnóstico. Todos esses círculos formam um pentagrama. Fim da descrição. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE A utilização dessa categoria (racionalidades médicas) possibilita a apreensão do entendimento funcional e organizacional dos sistemas médicos complexos que se apresentam atualmente no contexto brasileiro, sem que haja um juízo de valor ético ou epistemológico: a Medicina Ocidental Contemporânea ou biomédica e as racionalidades de base vitalista, como a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), Medicina Tradicional Ayurveda (MTA), Homeopatia, Medicina Antroposófica e Naturologia/ Naturopatia. Destaca-se que essas racionalidades estão associadas a cosmologias distintas, portanto, a paradigmas diferenciados entre si. Desse modo, o surgimento de novos modelos, racionalidades médicas e paradigmas em saúde estão intrinsecamente ligados às diversas circunstâncias, acontecimentos e condicionamentos complexos (históricos, culturais, socioeconômicos e epidemiológicos) da sociedade ocidental em questão (TESSER; LUZ, 2008; NOGUEIRA, 2010). Leitura Racionalidades Médicas e Integralidade Para aprofundar os seus conhecimentos, leia o artigo a seguir. https://www.scielo.br/j/csc/a/dXWYqZpL6fwdfdVhGmMLqxQ/?lang=pt Nesse contexto, Toledo (2006, p. 24) trata a respeito das transformações da sociedade por meio do fator cultural: Entre os principais acontecimentos geradores da crescente, procura e interesse de profissionais da saúde e da população em geral por novos modelos de saúde e novos sistemas terapêuticos, destaca-se o conjunto de eventos associados às desigualdades sociais, que levaram à “crise dupla” – médica e sanitária – na saúde, no final do século XX. Em decorrência dessa crise, o saber e a prática médica ocidentais, conhecidos atualmente como racionalidade dominante biomédica ou moderna,afetaram as relações estabelecidas entre a cultura e a medicina na sociedade contemporânea, auxiliando, assim, a eclosão dos novos modelos de saúde baseados em racionalidades vitalistas, ou seja, tradicionais, integrativas e complementares (LUZ, 2005; TESSER; BARROS, 2008). Essa dupla crise teve relação com os princípios de Descartes (1596-1650) que estruturaram o alicerce da cultura hegemônica no campo da saúde e que são, até hoje, a base da racionalidade médica da Medicina Ocidental Contemporânea, também chamada de Biomédica ou Alopática. Essa racionalidade se configura como estritamente reducionista, mecanicista e de base no racionalismo organicista, que considera a separação entre corpo-alma, em que o corpo é visto como uma máquina e que todas as suas demais dimensões são apreendidas pelo intelecto/razão. Essa racionalidade também é baseada na objetivação total do sujeito e na fragmentação do conhecimento em especialidades altamente tecnológicas, científicas e centralizadas nos sintomas e nas doenças. Por fim, ela também pode ser considerada reducionista da milenar - TOLEDO, 2006, p. 24 “A cultura é um processo dinâmico de construção da realidade de acordo com as necessidades adaptativas de cada ser humano e de cada momento histórico, onde se acumulam conhecimentos obtidos anteriormente às novas descobertas do cotidiano.” questão da arte de curar, enquanto elemento central da prática terapêutica e do saber médico, tornando-se, muitas vezes, incapaz de abordar, com sucesso, a complexidade do adoecimento humano (LUZ, 1996). Figura 2 – Filósofo René Descartes Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: foto em preto e branco do filósofo René Descartes. Fim da descrição. O caráter dos eventos que ocorrem nos processos de adoecimento humano, de cura e de morte dos indivíduos, além de imprevisível é também marcado pelo alto grau de subjetividade que está presente nas relações profissional-paciente e paciente-serviço. Vale lembrar que esses aspectos não devem ser negados ou negligenciados, pois, caso contrário, mais uma vez se excluirá os elementos socioculturais essenciais para que os órgãos institucionais e os serviços de saúde compreendam a necessidade de complementação entre a prática biomédica/alopática e a prática tradicional/integrativa/complementar em saúde (MARTINS, 1999; NOGUEIRA, 2010). A racionalidade biomédica ocidental tem, em sua origem, uma forma específica e peculiar de atuar nas práticas de intervenção frente aos problemas de adoecimento da população. Os sistemas da rede de atenção à saúde e muitas instituições de saúde enfrentaram e ainda enfrentam inúmeras dificuldades devido à especificidade do objeto de trabalho biomédico moderno, o qual não os permite controlar efetivamente a qualidade do processo, ou seja, a acessibilidade, o cuidado, a atenção, a integralidade, a universalidade e a equidade dos tratamentos no setor da saúde pública e privada (LUZ, 1996). Dessa forma, a partir da década de 60, no Brasil, verificou-se um renascimento da perspectiva vitalista em busca de novos modelos de saúde e abordagens terapêuticas. Esse renascimento foi impulsionado pelo grande boom da contracultura nos Estados Unidos e na Europa. Tal movimento foi composto por uma minoria influente e dotada essencialmente de crenças e conhecimentos orientais, o que ocasionou profundas transformações na constituição política, jurídica e organizacional do sistema de saúde brasileiro. Isso ocorreu de tal maneira, que o movimento da contracultura gerou uma expressiva expansão da assistência médica oferecida à população e de outras formas de pensar, agir, fazer e produzir saúde, utilizando de alguma contribuição do pensamento oriental e abrindo as portas para a implementação de novas propostas de intervenção nos serviços da saúde, no caso, os sistemas médicos complexos de Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, Medicina Tradicional Ayurveda, Medicina Antroposófica, Homeopatia, Naturologia/Naturopatia, Plantas Medicinais/Fitoterápicos e outras Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) (TESSER; BARROS, 2008; NOGUEIRA, 2010). No Brasil, optou-se por utilizar o termo Práticas Integrativas e Complementares, pois o termo Medicina remete a práticas exclusivas da categoria médica. O termo adotado pelo Ministério da Saúde remete desde racionalidades médicas vitalistas, como a Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, a Medicina Tradicional Ayurveda, a Medicina Antroposófica, a Homeopatia, a Naturologia/Naturopatia, a também outras práticas terapêuticas que não se configuram como racionalidades médicas, como as Plantas Medicinais/Fitoterapia, Florais, Musicoterapia, Arteterapia, Geoterapia, Termalismo, dentre outras. Você sabia que, no Brasil, devido ao termo “medicina” referir-se à classe médica, optou-se pelo termo “práticas”, pois diversas ocupações utilizam-se dessas práticas na atuação profissional. Essa alteração na nomenclatura foi proposta pelo Conselho Nacional de Saúde na implantação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (BRASIL, 2006). Racionalidades Vitalistas e Modelos de Saúde e Cultura Ocidental Contemporânea e Tradicional Na primeira fase dos estudos de Luz, de caráter teórico conceitual, destacou a presença de dois paradigmas em saúde: o biomédico (Medicina Ocidental Contemporânea) e o vitalista (Medicinas Tradicionais e Medicina Integrativas e Complementares). Como citado na seção anterior dessa unidade, o paradigma biomédico enfatiza concepções mecanicistas, centradas na doença, materialistas e no controle do corpo social e biológico, compatíveis com a abordagem de controle sobre a natureza presente na ciência contemporânea. O complexo médico-industrial e a concepção de cura enquanto controle de doenças integram e ilustram esta trajetória (NASCIMENTO et al., 2013). O paradigma vitalista, presente nas PICS, é centrado na saúde e na busca de harmonia do indivíduo com seu ambiente natural e social, valoriza a subjetividade, a prevenção de doenças e agravos e a promoção da saúde e a integralidade do cuidado. Demonstra-se compatível a anseios de sustentabilidade em seu sentido amplo, nos níveis biológico, social e natural; cujas raízes, presentes em antigas tradições culturais, são ressignificadas e conquistam espaço crescente na atualidade desde os anos 60, como portadoras do ideário da contracultura (TESSER; LUZ, 2008). As filosofias do vitalismo e do holismo são núcleos norteadores das PICS. Essas filosofias remetem às culturas citadas anteriormente. Nessas civilizações, as pessoas viviam em relacionamento harmonioso com o ambiente, e as compreensões do processo vida-saúde- doença foram sistematizadas observando a natureza e como ela interagia com a vida humana, e que seguem certas leis e princípios lógicos. O que esses conhecimentos tradicionais têm em comum é a compreensão de que o corpo possui uma capacidade inata de se curar (vitalismo) e que o processo vida-saúde-doença deve ser abordado de forma integral e singular, pois o todo é mais do que a soma de suas partes (holismo) (WORLD NATUROPATHIC FEDERATION, c2015- 2022). Como citado anteriormente, as racionalidades vitalistas descritas e estudadas por Luz e colaboradores ao longo das últimas décadas são: Homeopatia, Antroposofia, Naturologia/Naturopatia, Medicina Tradicional Ayurveda (MTA) e Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Agora, iremos abordar as Medicinas Tradicionais Ayurveda e Chinesa, por estarem mais presentes na formação de Naturologia no Brasil e Naturopatia mundialmente, além de serem amplamente utilizadas na prática clínica naturológica. Medicina Tradicional Chinesa A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) não trata só da mente ou do corpo, mas da unidade funcional mente-corpo. Seus conhecimentos foram originados há mais de 5000 anos a.C. a partir das tradições chinesas de entender as dinâmicas da vida e da natureza e com base na forma de curar enfermidades físicas, mentais e emocionais. Tais conhecimentosnão só permaneceram vivos até os dias atuais, como se difundiram ao redor do mundo como uma nova forma de lidar com o processo saúde-doença, principalmente no Ocidente, complementando as práticas e conhecimentos científicos da Medicina Ocidental Contemporânea (RODRIGUES, 2017). Figura 3 – Diagnóstico pelo pulso na MTC Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: foto de um naturólogo avaliando o pulso de um interagente para favorecer o diagnóstico pela visão da Medicina Tradicional Chinesa. Sobre um fundo branco, ambos estão sentados em cadeiras com uma mesa ao centro. O interagente está com o punho em cima de uma almofada. O naturólogo avalia o pulso com os três dedos (indicador, médio e anelar). O naturólogo está de jaleco e máscara. Fim da descrição. A compreensão da MTC parte da teoria do Yin-Yang, que são características opostas e complementares entre si. Quando o Yang está em excesso, o Yin está vazio, e vice-versa. Quando estão em desarmonia, o Yin-Yang geram desequilíbrio, causando processos sintomáticos e patológicos. Além disso, a MTC também considera a teoria dos cinco elementos da natureza (madeira, fogo, terra, metal e água). Com base nessas teorias, essa racionalidade possui práticas de cuidado visando à ampliação, à manutenção e à recuperação da saúde do indivíduo, como: acupuntura, dietoterapia, fitoterapia, moxabustão, massagem, auriculoterapia, reflexoterapia, ventosaterapia, acupressão, práticas corporais (como tai chi chuan) etc. (YAMAMURA, 2006). Segundo a MTC, o ponto chave para o indivíduo ter evolução nos tratamentos terapêuticos está na mudança de seus hábitos de vida, que, na grande maioria das vezes, são os principais causadores das doenças e dos desequilíbrios. Muitas pessoas, por exemplo, ao comparecerem às sessões de acupuntura, sentem-se melhor, mas pouco ou nada fazem para mudar seus hábitos, costumes, atitudes e pensamentos, fazendo com que os efeitos terapêuticos adquiridos no tratamento não se mantenham. Nesse sentido, ressalta-se a importância de não enxergar a MTC simplesmente como mais uma forma de medicalização nos sistemas de saúde ou como mais um remédio na história de vida do indivíduo. Mais que isso, necessita-se que o próprio indivíduo participe e interaja ativamente ao longo do seu tratamento, buscando hábitos acessíveis e saudáveis para seu modo de viver (RODRIGUES, 2017). Dentre as mais populares técnicas da Medicina Chinesa, destaca-se a Acupuntura, que vem sendo cada vez mais procurada no mundo ocidental. Os chineses descobriram que as dores e as doenças podiam ser aliviadas de maneira invasiva, através da Acupuntura, ou pressionando-se (acupressão) determinados pontos do corpo. Também, instintivamente, costumavam massagear pontos doloridos do corpo. Dessa maneira, aos poucos foram sendo experimentados e testados pontos específicos, que deram origem à construção de um mapa de estudo com pontos de acupuntura. Já a moxabustão é a aplicação de calor, através da queima de ervas, sobre esses pontos específicos ou sobre regiões do corpo (YAMAMURA, 2006). A Auriculoterapia também é uma das técnicas terapêuticas mais utilizadas pela MTC, podendo atuar em conjunto com outras práticas de intervenção. A orelha externa ou pavilhão auricular possui inervações abundantes, formadas pelos nervos trigêmeo, facial, vago, auricular maior, occipital maior e occipital menor. Visto assim, à medida que essas inervações são estimuladas, regiões do cérebro (tronco, córtex e cerebelo) serão sensibilizadas e refletirão sobre pontos específicos, denominados pontos reflexos. Segundo essa teoria, cada região auricular possui relações com determinados órgãos ou regiões do corpo, provocando sobre eles estímulo reflexos. Assim, é possível tratar disfunções através da ação orelha-cérebro-órgão correspondente, restabelecendo o equilíbrio que envolve o indivíduo (GARCIA, 1999). Figura 4 – Aplicação de auriculoterapia Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: foto de uma naturóloga aplicando auriculoterapia em uma interagente. A interagente está deitada em uma maca. A naturóloga utiliza luvas e jaleco para aplicar com uma pinça as esferas com esparadrapos nos pontos auriculares. Sobre a maca azul há uma placa amarela com os pontos auriculares fixados com esparadrapos. Fim da descrição. Leitura Medicina Tradicional Chinesa: Contextualização e Utilização no Ocidente Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Medicina Tradicional Ayurveda A etimologia da palavra Ayurveda traz importantes significações quanto a essa tradição milenar, compreendida há mais de 1200 a.C. O termo Ayur significa vida, e veda significa estudo, ou seja, estudo da vida. A Ayurveda se apoia numa visão holística da vida e se originou em antigos livros sagrados dos arianos, comumente chamados de Vedas, os quais transmitiram, de geração em geração, importantes conhecimentos adquiridos através de meditações, orações, descobertas, observações e estudos de cadáveres humanos. Tais conhecimentos tratam a respeito de tudo que engloba a natureza, sendo, portanto, uma doutrina da vida (D'ANGELO JUNIOR; CÔRTES, 2008; LAD, 2007). Possivelmente, os textos mais recentes surgiram entre os séculos X e VIII a.C., provavelmente um compilado de diversas fontes e materiais escritos por sábios, não se restringindo a uma compilação única ou autor único. Esses sábios da antiguidade criaram o Ayurveda para dar qualidade e tempo de vida ao ser humano, a fim de desenvolver a consciência e alcançar a plenitude (VERMA, 2006). Os fundamentos do Ayurveda se baseiam, primordialmente, em lidar com a vida como um todo, considerando não somente o corpo físico do ser humano, mas sua mente e sua alma. Os três componentes, corpo-mente-alma, correspondem à base tridimensional da terapia Ayurveda. Nesse sentido, a obtenção da saúde perfeita só pode ser atingida quando esses três componentes estão em harmonia entre si e com o ambiente cósmico. A teoria dos três princípios vitais baseia-se na lei da uniformidade da natureza, para a qual as mesmas leis que se Para complementar os seus conhecimentos, leia, a seguir, um dos meus trabalhos sobre o tema. https://portaldeperiodicos.animaeducacao.com.br/index.php/CNTC/article/view/5479/3254 aplicam ao universo se aplicam, também, ao corpo humano, sendo responsáveis não só pelas suas funções fisiológicas, como pelas suas atividades mentais e comportamentais (LAD, 2007; VERMA, 2006). Para a Ayurveda, o surgimento do corpo físico do ser humano e de sua constituição envolve os movimentos entre sattva, rajas e tamas. A manifestação interna de fluidez energética, conhecida como kundalini, faz com que haja uma conexão dos planos sáttvicos, buddhico e mental superior com a matéria. O equilíbrio mental e energético, nesse sentido, é conseguido através da harmonização das três qualidades da mente: sattva, rajas e tamas. A partir do processo de estudo da anatomia, da fisiologia, da patologia, do diagnóstico, da farmacologia e da fitoterapia, os Vedas observaram que a energia da consciência poderia ser compreendida no universo e no corpo físico a partir de cinco elementos básicos presentes na natureza (éter, ar, fogo, água e terra), os quais deveriam se manifestar em equilíbrio, juntamente com os três doshas: vata, pita e kapha (D'ANGELO JUNIOR; CÔRTES, 2008). Logo, os tratamentos propostos por essa racionalidade giram em torno da harmonização entre esses cincos elementos e entre os três doshas que constituem o indivíduo. Entre os mais conhecidos tratamentos, encontram-se a meditação, as técnicas de respiração, a alimentação equilibrada, a prática de exercícios físicos e mentais (Yoga), a desintoxicação orgânica, o uso de plantas medicinais, a massagem com ervas e óleos medicinais, shirodhara, bastis e outros tratamentos a base de plantas (VERMA, 2006). Figura 5 – Massagem com óleo Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: foto de uma naturóloga aplicando massagem com óleo pela visão da Medicina Tradicional Ayurvédica. Sobre um fundoclaro, a interagente está deitada em uma maca em decúbito ventral com uma toalha. A Naturóloga está colocando óleo vegetal nas mãos para deslizar esse óleo nas costas da interagente. Esse óleo está sendo despejado de uma cerâmica branca. A naturóloga está vestida de jaleco branco. Fim da descrição. Nesse contexto, D’angelo Junior e Côrtes (2008, p. 19) conceituaram a saúde sob a perspectiva Ayurveda: Figura 6 – Aplicação de Shirodhara Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: foto das mãos de uma naturóloga aplicando óleo na cabeça de uma interagente pela visão da Medicina Tradicional Ayurvédica. Essa técnica é conhecida como Shirodhara. Sobre um fundo claro, a interagente está deitada em uma maca em decúbito dorsal com uma toalha. A Naturóloga está colocando - D’ANGELO JUNIOR; CÔRTES, 2008, p. 19 “A saúde é caracterizada como uma sensação de bem-estar físico, mental e social, desenvolvendo no ser-humano a capacidade para enfrentar as dificuldades e os obstáculos presentes na experiência humana. Para que exista saúde, é necessária a harmonia ou sintonia dos cinco componentes que atuam sobre o ser: Atma (consciência pura); Manas (mente); Indriyas (sentidos ordinários); Corpo (veículo de manifestação da alma) e Prana (vitalidade) ” óleo vegetal na testa dela por meio de vasilha de cobre que contém um furo para verter óleo frequentemente em pequenas quantidades. Fim da descrição. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Racionalidade Naturológica A Naturologia no Brasil é sinônimo de Naturopatia. As primeiras ideias para montagem do curso superior de Naturologia surgiram por volta de 1993, mas este só foi aberto em 1994, com o nome de Naturologia Aplicada em Terapias Naturistas, pela Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde Doutor Bezerras de Menezes, na intenção de unificar as terapias alternativas/complementares e obter profissionais de nível superior que atendessem às necessidades sociais de maneira diferenciada (VARELA; CORRÊA, 2005; SILVA, 2008). Posteriormente, em 1998, na cidade de Palhoça/SC, alguns professores da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) juntamente com o Instituto São Lucas de Naturologia Aplicada Leitura Ayurveda como Racionalidade Médica: As Seis Dimensões que Embasam a sua Prática Terapêutica Para complementar seu conhecimento sobre o tema, leia o artigo a seguir. https://portaldeperiodicos.animaeducacao.com.br/index.php/CNTC/article/view/6487/5595 (ISLUNA) organizaram, por meio da observação de trabalhos que já existiam, um projeto de implantação do curso de Naturologia Aplicada na UNISUL. Nessa mesma tendência, em 2002, na cidade de São Paulo/SP, a Universidade Anhembi Morumbi (UAM) deu início à primeira turma de bacharelado em Naturologia (SILVA, 2008). Atualmente, existem diversos cursos superiores de Naturologia no Brasil, dentre eles os bacharelados do grupo Cruzeiro do Sul. No Brasil, os idealizadores do curso preferiram o nome Naturologia em vez de Naturopatia, como mencionado anteriormente. Saiba Mais Veja as falas dos idealizadores do curso no Brasil referentes à escolha da nomenclatura: - BATISTA; COBO, 2011, p. 17 “[…] na natureza nada se cria, tudo se copia […] Na Índia, a medicina Ayurvédica, nos Estados Unidos […] naturopatia, que era o mais usado, então a gente fez essa pesquisa toda sobre o que estava acontecendo no mundo.” Em seu sentido literal, Naturologia significa estudo da natureza; contudo, a real proposta é valer-se da natureza em suas diversas faces, especialmente, da natureza humana, para atingir seus propósitos (SILVA, 2012; BATISTA; COBO, 2011). Atualmente, Naturologia é definida como um conhecimen to da área da saúde, embasado na pluralidade de sistemas terapêuticos complexos vitalistas, que parte de uma visão multidimensional do processo de saúde-doença e utiliza da relação de interagência e de práticas integrativas e complementares no cuidado e atenção à saúde, de modo a promover, manter ou melhorar a qualidade de vida e o bem-estar dos indivíduos (SABBAG et al., 2017). Em relação aos conhecimentos específicos da Naturopatia, a OMS considera os seguintes conteúdos e terapias: história e princípios fundamentais, cura natural, alimentação, hidroterapia, plantas medicinais, homeopatia, florais de Bach, manejo do estresse, aconselhamento sobre estilo de vida, ética, como opcionais (cromoterapia, iridologia, aromaterapia, acupuntura, massagens). Em comparação com as grades curriculares dos cursos - TEIXEIRA, 2013, grifo do autor, p. 23-24 “A gente fez todo um levantamento bibliográfico, de referencial teórico, pro curso, buscando em bancos de dados de várias universidades do mundo sobre quem ensinava alguma coisa relacionada a essa área. Mas todo mundo “naturopatia, naturopatia" é o termo que mais encontrava. O que tem maior referência, se tu for procurar, é naturopatia, nas graduações, né? E aí a gente optou por usar o termo Naturologia, porque nós não queríamos trabalhar com a doença. Então a gente não quis usar o pathos, relacionado à doença, terapias pra tratar a doença […] a gente trabalhou essa terminologia, pra não trazer a doença já dentro da conotação do que nós queríamos, porque nós não queríamos esse enfoque, nós queríamos justamente trabalhar com o enfoque saúde.” de Naturologia no Brasil atualmente, observa-se que apenas a homeopatia não está presente como conteúdo fundamental à prática naturológica (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2010). Cabe aqui destacar que, de acordo com os conceitos apresentados, Naturologia e Naturopatia partem das mesmas premissas teóricas e são consideradas sinônimos. Os idealizadores do bacharelado em Naturologia justificam a escolha do termo Naturologia, em vez de Naturopatia, em face do radical grego pathos que remete aos significados “doença e sofrimento”, enquanto que logia e logos direcionam-se a “estudo e conhecimento”. Vale ressaltar que a ideia de pathos, em sua origem, está intimamente ligada a uma “disposição afetiva fundamental”. A concepção original se perdeu ao longo do tempo, sendo traduzida de “paixão” para “doença” (MORAIS; ANTONIO; RODRIGUES, 2018). Diante do contexto apresentado, a Naturologia/Naturopatia foi reconhecida como racionalidade em saúde a partir da dissertação de mestrado da naturóloga Carina Ceratti (2018), cuja orientadora foi a professora Madel Therezinha Luz, pesquisadora que sistematizou a categoria racionalidade médica. Junto ao seu grupo de pesquisa, em 1992, essa professora desenvolveu o conceito de racionalidade médica, que se refere a todo sistema médico ou terapêutico que é construído racional e empiricamente em seis dimensões. Posteriormente, Luz ampliou o termo para racionalidades em saúde, alcançando, para além da medicina, todas as áreas da saúde, envolvendo alimentação, atividade física, entre outras (CERATTI; LUZ, 2018). No estudo de Ceratti e Luz (2018), foram catalogados e analisados currículos acadêmicos de dezessete instituições de ensino superior, distribuídas pelos cinco continentes, dos quais sete países foram incluídos na pesquisa: Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, Índia, Austrália, França e Itália. Concluiu-se, então, que a Naturopatia/Naturologia era um novo modelo de pensamento dentro da categoria das racionalidades em saúde, legitimado como uma racionalidade pautada nas seis dimensões, conforme mostrado a seguir: Cosmologia: sincrética, dada a posteriori, pautada na esfera própria de cada indivíduo, com base na relação terapêutica, denominada “relação de interagência”; Doutrina médica: multidimensional; integral ou holística; vitalista; de promoção, manutenção e recuperação da saúde; e de prevenção e de controle das condições de adoecimento dos indivíduos; Figura 7 – Consulta de Naturologia Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: foto de uma naturóloga em uma relação de interagência com uma interagente. Sobre um fundo claro, a interagente está sentada em uma cadeira preta de frente à naturóloga. A naturóloga está de pernas cruzadas,vestida de calça cinza, camisa branca e agasalho verde. A naturóloga está Morfologia e dinâmica vital: associativa, baseada em princípios e evidências de diversos saberes, sendo um somatório das ciências ocidentais, orientais, tradicionais, modernas e contemporâneas; Sistema diagnóstico: combinação de ferramentas das racionalidades chinesa e Ayurveda, das práticas da racionalidade biomédica (conforme legislação de cada país) e das práticas integrativas e complementares; Sistema terapêutico: aberto, com diferentes práticas das racionalidades médicas, terapêuticas tradicionais, fitoterapia, flores e aromas, terapêuticas relacionadas à nutrição, a práticas mente-corpo e a práticas integrativas e complementares. sorrindo para demonstrar acolhimento e um cuidado humanizado para com a interagente. Fim da descrição. O quadro a seguir ilustra as racionalidades médicas já estudadas e demonstra, comparativamente, a Naturologia/Naturopatia como pertencente ao pórtico desses sistemas terapêuticos complexos. Quadro 1 – Racionalidades em saúde e suas características Fonte: Adaptado de MORAIS; ANTONIO; RODRIGUES, 2018; LUZ; BARROS, 2012 Em Síntese Nesta Unidade, estudamos os aspectos históricos, antropológicos e sociológicos referentes ao campo das racionalidades médicas. Esses conceitos foram sistematizados pela socióloga Madel Luz, na década de 90, e permitiram a distinção entre sistemas médicos complexos, para além da medicina ocidental contemporânea. Percebemos também que existem racionalidades médicas vitalistas que possuem uma estruturação teórica e prática, como a racionalidade médica dominante. Posteriormente, o conceito de racionalidade médica foi ampliado para racionalidades em saúde. A partir disso, Luz e colaboradores classificaram as seguintes racionalidades médicas: Medicina Ocidental Contemporânea, Homeopatia, Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Tradicional Ayurveda, Antroposofia e, por último, a Naturologia/Naturopatia. Essa categorização permitiu descrever esses sistemas terapêuticos complexos em seis dimensões: cosmologia, doutrina, morfologia, dinâmica vital, sistema diagnóstico e sistema terapêutico. Vimos uma síntese dessas seis dimensões nas racionalidades estruturadas e descrevemos brevemente a racionalidade da Medicina Tradicional Chinesa e Ayurveda, que são as racionalidades mais utilizadas no saber e fazer naturológico. Por fim, abordamos a definição e os aspectos introdutórios da Naturologia/Naturopatia enquanto uma racionalidade em saúde. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeo Você Conhece o Conceito de Racionalidades Médicas? Nesse vídeo, Daniel Amado fala sobre o conceito de racionalidade médica desenvolvido pela Professora Dra. Madel Therezinha Luz e pelo grupo de trabalho de racionalidades médicas e práticas integrativas e complementares em saúde. 2 / 3 📄 Material Complementar Leitura A Biomedicina A construção teórica de categorias nosológicas desempenha um papel fundamental para a racionalidade médica. Estruturado a partir dos modelos de cientificismo oriundos do desenvolvimento da Física Clássica, o saber médico apresenta-se, contudo, como um agregado irregular de disciplinas, no qual muitas noções fundamentais são implícitas, levando ao surgimento de contradições insuperáveis no seu interior e na sua relação com a prática. Esse trabalho analisa em detalhe alguns dos pressupostos dessa racionalidade, procurando explicitar os obstáculos que eles produzem para que se alcance os objetivos éticos da prática terapêutica. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Você conhece o conceito de Racionalidades Médicas?Você conhece o conceito de Racionalidades Médicas? https://www.scielo.br/j/physis/a/BmZ6PN6vDQyXgntsPXqWrRL/?format=pdf&lang=pt https://www.youtube.com/watch?v=DR4N8i-IAbo Afinal, Naturologia e Naturopatia são Coisas Distintas ou Similares? Nesse editorial, são abordadas as características fundamentais da Naturologia e da Naturopatia enquanto saberes terapêuticos no mundo ocidental. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Proximidades e Distanciamentos entre as Formações de Naturologia, no Brasil, e de Naturopatia, nos Estados Unidos da América e no Canadá Objetivou-se conhecer as proximidades e os distanciamentos entre as formações de Naturologia, no Brasil, e de Naturopatia, no Canadá e nos Estados Unidos da América, a partir de suas grades curriculares. Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo (segundo seus objetivos) e documental (segundo seus meios). Foram comparadas as grades curriculares das instituições de ensino que oferecem as formações, a nível de graduação, em Naturologia e em Naturopatia. Também foram analisados documentos provenientes de seis instituições (sendo duas brasileiras, duas estadunidenses e duas Canadenses), por meio de análise de conteúdo temático, a partir de quatro categorias: (1) Doutrina Médica; (2) Morfologia e Dinâmica Vital; (3) Sistema Diagnóstico; e (4) Sistema Terapêutico. Como resultado, concluiu-se que a Naturologia, no Brasil, e a Naturopatia, no Canadá e Estados Unidos, se aproximam enquanto doutrinas médicas. Todavia, elas se distanciam quanto aos conteúdos referentes às categorias “morfologia/dinâmica vital”, “sistema diagnóstico” e “sistema terapêutico”. Fatores culturais e aspectos legais, nos diferentes países, contribuem para o distanciamento. Por conseguinte, pode-se inferir que ambas possuem a mesma raiz, visto que se aproximam enquanto filosofia e concepções de saúde, porém distanciam-se enquanto alcance de atuação e práticas de intervenção. Clique no botão para conferir o conteúdo. https://portaldeperiodicos.animaeducacao.com.br/index.php/CNTC/article/view/5487/3270 ACESSE https://portaldeperiodicos.animaeducacao.com.br/index.php/CNTC/article/view/5025/3273 BARROS, N. F.; NUNES, E. D. Complementary and alternative medicine in Brazil: one concept, di�erent meanings. Cadernos Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 10, p. 2023-2039, 2006. Disponível em: . Acesso em: 26/10/2022. BATISTA, T. M.; COBO, G. A. “Eu tinha um grande sonho na vida [...]” O resgate histórico da Naturologia aplicada da unisul na concepção de seus idealizadores. Trabalho de Conclusão de Curso - Universidade do Sul de Santa Catarina, Florianópolis, 2011. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. 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