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APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA Intestino grosso: Epitélio cilíndrico simples rico em células caliciformes (maior produção de muco). Não há vilosidades, mas muitas criptas de Lieberkühn. Lâmina própria Tecido conjuntivo frouxo rico em vasos sanguíneos e linfáticos. Contém células imunes (linfócitos, plasmócitos, macrófagos). No íleo, há Placas de Peyer (folículos linfóides agregados). Muscular da mucosa Camada fina de músculo liso, responsável por pequenos movimentos da mucosa que ajudam no contato com o alimento e drenagem linfática. 2. Submucosa Tecido conjuntivo denso, rico em vasos e nervos. Contém o plexo submucoso (Meissner), que regula secreção e fluxo sanguíneo local. No duodeno, há glândulas de Brunner, que secretam muco alcalino para neutralizar o ácido gástrico. 3. Camada Muscular (Muscular Externa) Composta por 2 camadas de músculo liso: Circular interna – responsável por movimentos de segmentação. Longitudinal externa – responsável pela propulsão do conteúdo (peristaltismo). Entre essas duas camadas encontra-se o plexo mioentérico (Auerbach), que regula a motilidade. No cólon, a camada longitudinal não é contínua: está condensada em três faixas chamadas tênias do cólon. 4. Serosa ou Adventícia Serosa: camada de tecido conjuntivo coberta por mesotélio (epitélio pavimentoso simples), encontrada em regiões intraperitoneais (ex.: jejuno, íleo, cólon transverso). Adventícia: tecido conjuntivo sem revestimento mesotelial, presente em regiões retroperitoneais (ex.: duodeno, cólon ascendente e descendente). MORFOFISIOLOGIA 1. Anatomia Geral do Intestino O intestino é um tubo muscular que se estende do estômago até o ânus e é responsável pela maior parte da digestão e absorção de nutrientes, além de funções na formação e eliminação de fezes. Divide-se em: Intestino Delgado: Duodeno – aproximadamente 25 cm; recebe o quimo do estômago e secreções da vesícula biliar e pâncreas. Jejuno – cerca de 2,5 m; principal local de absorção de nutrientes. Íleo – cerca de 3,5 m; absorve sais biliares e vitamina B₁₂. Intestino Grosso: Ceco (com apêndice vermiforme) Cólon (ascendente, transverso, descendente e sigmoide) Reto e canal anal 2. Camadas Histológicas (Morfologia Microscópica) A parede intestinal apresenta 4 camadas principais (de dentro para fora): 1. Mucosa A mucosa é a camada mais interna, em contato direto com o lúmen intestinal, e é especializada na digestão e absorção. Ela é formada por 3 subcamadas: 1. Epitélio Intestino delgado: Epitélio cilíndrico simples com células absortivas (enterócitos) recobertas por microvilos (borda em escova), aumentando enormemente a área de absorção. Células caliciformes – produzem muco para lubrificação e proteção. Células enteroendócrinas – secretam hormônios (secretina, CCK, GIP, motilina). Células de Paneth (na base das criptas) – secretam lisozimas e defensinas, com papel antimicrobiano. S3P2: DOENÇA INTESTINAL INFLAMATORIA Objetivos Rever a morfofisiologia do intestino. Entender a epidemiologia, etiologia, fatores de risco, fisiopatologia, manifestações clínicas, da DII e da SII. Explicar diagnostico e tratamento da DII e da SII. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 1. DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS -DII Incluem Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RCU) — condições crônicas, imunomediadas e caracterizadas por inflamação intestinal persistente. 1. Epidemiologia A prevalência é maior em países desenvolvidos, principalmente nos EUA e Europa, varia de 100 a 300 casos por 100.000 habitantes, mas a incidência está aumentando em países emergentes, como o Brasil. Idade de início: mais comum entre 15 e 35 anos, com um segundo pico aos 50–70 anos. sexo: a RCU tende a ser levemente mais comum em homens; a DC em mulheres. 2. Etiologia e Fatores de Risco A etiologia é multifatorial, envolvendo interação entre: Predisposição genética: Polimorfismos como NOD2/CARD15 associados à DC e variantes de genes envolvidos na barreira epitelial e resposta imune Resposta imunológica anômala: Desregulação das vias Th1 (predominante na DC) e Th2/Th17 (mais envolvidas na RCU) frente a antígenos luminais. Fatores ambientais: dieta ocidental rica em gordura e pobre em fibras; tabagismo (↑ risco para DC, efeito protetor na RCU). História familiar (risco 3–20 vezes maior em parentes de primeiro grau). Infecções gastrointestinais prévias Uso frequente de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Alterações da microbiota intestinal (diminuição da diversidade bacteriana) 3. Fisiopatologia As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) resultam de uma resposta imunológica crônica e desregulada contra antígenos luminais (componentes da microbiota, fragmentos alimentares, patógenos oportunistas) em indivíduos com predisposição genética, modulada por fatores ambientais. 3. Fisiologia do Intestino Delgado Digestão química: ação das enzimas pancreáticas (amilase, lipase, proteases) e enzimas da borda em escova. Absorção: Carboidratos → absorvidos como monossacarídeos (glicose, frutose, galactose) via transportadores (SGLT1, GLUT5). Proteínas → absorvidas como aminoácidos e pequenos peptídeos. Lipídios → emulsificados por sais biliares, formam micelas e são absorvidos pelos enterócitos. Vitaminas e minerais → absorção seletiva (B₁₂ no íleo, ferro no duodeno). Motilidade: movimentos de segmentação e peristaltismo controlados pelo sistema nervoso entérico. 4. Fisiologia do Intestino Grosso Absorção de água e eletrólitos – transforma quimo líquido em fezes semi-sólidas. Produção de muco – lubrifica e protege a mucosa. Fermentação bacteriana – microbiota intestinal degrada fibras, produz vitaminas (K, B7, B12 em pequena quantidade). Movimentos de massa – propulsão das fezes até o reto. 5. Integração Neuro-hormonal O intestino é regulado por: Sistema Nervoso Entérico (plexos de Meissner e Auerbach) Hormônios gastrointestinais (secretina, colecistocinina, gastrina, motilina, peptídeo YY) Reflexos autônomos (simpático inibitório, parassimpático estimulante) APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 4. Dano tecidual e características histopatológicas Doença de Crohn: Inflamação transmural (atinge todas as camadas da parede intestinal). Presença de granulomas não caseosos em até 50% dos casos (resposta de macrófagos persistente). Lesões descontínuas (“em salteamento”/skip lesions). Espessamento da parede, fibrose e estenose. Possibilidade de formação de fístulas (enteroentéricas, enterovesicais, perianais) devido à inflamação profunda. Retocolite Ulcerativa: Inflamação contínua e difusa, restrita à mucosa e submucosa. Início sempre no reto, com extensão proximal variável. Ulcerações superficiais e formação de pseudopólipos (resultantes da regeneração da mucosa entre áreas ulceradas). Perda de criptas e infiltração linfoplasmocitária na lâmina própria. 5. Papel da microbiota intestinal Em condições normais, a microbiota comensal estimula tolerância imunológica. Na DII, há disbiose: redução de bactérias anti-inflamatórias (ex.: Faecalibacterium prausnitzii) e aumento de espécies pró- inflamatórias (ex.: Escherichia coli aderente- invasiva na DC). Essa alteração reforça o ciclo inflamatório, perpetuando a doença. 6. Resumo do ciclo fisiopatológico 1. Predisposição genética + gatilhos ambientais → alteração da barreira epitelial. 2. Maior permeabilidade → exposição da mucosa a antígenos bacterianos e alimentares. 3. Ativação exagerada de células T → produção de citocinas inflamatórias. 4. Recrutamento de leucócitos → lesão tecidual. 5. Inflamação crônica → complicaçõesestruturais (estenoses, fístulas, pseudopólipos) e risco aumentado de câncer colorretal. 1. Alteração da barreira epitelial intestinal A mucosa intestinal possui um epitélio colunar simples unido por junções oclusivas (tight junctions) e recoberto por uma camada de muco secretada por células caliciformes. Na DII, especialmente na DC, há disfunção estrutural e funcional dessas junções, levando a hiperpermeabilidade intestinal. Isso permite a passagem de micro- organismos e seus produtos (LPS, peptidoglicanos) para a lâmina própria, onde entram em contato direto com células apresentadoras de antígenos (células dendríticas, macrófagos). Genes relacionados à barreira, como MUC2 (mucina) e OCLN (occludina), podem estar alterados. 2. Ativação imune inapropriada O contato excessivo de antígenos com células do sistema imune da mucosa ativa células dendríticas → apresentação antigênica a linfócitos T naïve. Doença de Crohn (DC): Predomínio da resposta Th1 → secreção de IFN-γ e IL-2. Também envolvimento de Th17, que produz IL-17 e IL-22, amplificando inflamação e recrutamento neutrofílico. Retocolite Ulcerativa (RCU): Atividade mais associada a um padrão Th2 não clássico, com secreção aumentada de IL-5 e IL-13. IL-13 tem efeito citotóxico sobre células epiteliais, aumentando ainda mais a permeabilidade. 3. Produção de mediadores pró-inflamatórios Tanto na DC quanto na RCU, há aumento da expressão de citocinas pró-inflamatórias: TNF-α: principal alvo terapêutico de drogas biológicas; aumenta a expressão de moléculas de adesão endotelial, facilitando o influxo de leucócitos. IL-1β e IL-6: estimulam febre, resposta de fase aguda e proliferação de células imunes. Quimiocinas como CXCL8 (IL-8) atraem neutrófilos para a mucosa. A ativação crônica também envolve mediadores lipídicos (prostaglandinas, leucotrienos) e óxido nítrico, contribuindo para vasodilatação e dano oxidativo APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA E. Diagnóstico diferencial: Infecções intestinais (Salmonella, Shigella, E. coli, Clostridioides difficile) Tuberculose intestinal Colite isquêmica 6. Tratamento O tratamento depende da forma clínica (Crohn vs RCU), gravidade e localização. A. Objetivos: Induzir remissão Manter remissão Prevenir complicações Melhorar qualidade de vida B. Medicamentos: 1. Aminossalicilatos (ex.:mesalazina, sulfassalazina) Mais eficazes na RCU leve a moderada. Mecanismo: possuem efeito anti- inflamatório local no intestino, principalmente na mucosa colônica. Inibem a síntese de prostaglandinas e leucotrienos pela inibição da enzima ciclooxigenase (COX) e lipoxigenase, reduzindo a produção de mediadores inflamatórios A mesalazina age principalmente localmente, sem grande absorção sistêmica. 2. Corticosteroides (ex.: prednisona, budesonida) Uso para indução de remissão, não manutenção. Mecanismo: agem como potentes anti- inflamatórios e imunossupressores. Ligam- se a receptores citoplasmáticos, regulando a expressão gênica, suprimindo a síntese de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1, IL-6), inibindo a migração de leucócitos para os tecidos e reduzindo a produção de prostaglandinas e leucotrienos. Budesonida tem alta passagem hepática (efeito de primeira passagem), com menos efeitos sistêmicos. 3. Imunomoduladores (ex.: azatioprina, 6- mercaptopurina, metotrexato) Mantêm remissão, especialmente na DC. Mecanismo: são análogos da purina que interferem na síntese de DNA e RNA, inibindo a proliferação de linfócitos T e B, reduzindo a resposta imune adaptativa. Promovem supressão imunológica gradual, usados para manutenção da remissão 4. Manifestações Clínicas Comuns a ambas: diarreia crônica, dor abdominal, febre baixa, perda de peso, anemia. RCU: diarreia sanguinolenta, urgência evacuatória, tenesmo. DC: dor abdominal tipo cólica, massa palpável, fístulas, estenoses, envolvimento perianal. Extraintestinais: artrite periférica, uveíte, eritema nodoso, colangite esclerosante primária 5. Diagnóstico Doença Inflamatória Intestinal (DII) A DII engloba Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RCU). 1.1 Diagnóstico O diagnóstico é clínico-patológico, combinando história clínica, exame físico, exames laboratoriais, métodos de imagem e endoscopia com biópsia. A. História clínica e exame físico: Diarreia crônica (com ou sem sangue/muco) Dor abdominal (muitas vezes cólica) Perda de peso e fadiga febre Manifestações extraintestinais (artrite, uveíte, eritema nodoso, colangite esclerosante primária) B. Exames laboratoriais: Hemograma: anemia (por deficiência de ferro ou anemia de doença crônica), leucocitose. Marcadores inflamatórios: PCR e VHS elevados indicam atividade inflamatória. Ferritina, vitamina B12, ácido fólico: avaliação de deficiências. Calprotectina e lactoferrina fecal: marcadores de inflamação intestinal. (alta s.) C. Exames endoscópicos: Colonoscopia com biópsia → padrão-ouro para diagnóstico (visualizar lesões). Crohn: lesões descontínuas, úlceras profundas, aspecto em “pedras de calçamento”. RCU: inflamação contínua e difusa a partir do reto, mucosa friável. D. Métodos de imagem: Enterotomografia ou enteroressonância: avaliam extensão e complicações (fístulas, abscessos, estenoses). Ultrassom abdominal: útil em crianças ou como triagem. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 2. SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL (SII) Distúrbio funcional caracterizado por dor abdominal recorrente associada a alterações do hábito intestinal, sem inflamação estrutural detectável. 1. Epidemiologia Prevalência global: 10–15% da população; maior em mulheres (2:1). Mais comum em idade produtiva (20–40 anos). Alta demanda de consultas gastroenterológicas, representando até 12% dessas visitas. 2. Etiologia e Fatores de Risco Etiologia também multifatorial: Alterações na motilidade intestinal. Hipersensibilidade visceral — limiar reduzido para percepção de dor à distensão intestinal. Disfunção do eixo cérebro–intestino. Disbiose e sobrecrescimento bacteriano. Fatores de risco: infecção intestinal prévia (SII pós-infecciosa), estresse psicológico, distúrbios de humor, dieta rica em FODMAPs. 3. Fisiopatologia A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio funcional do eixo cérebro–intestino, no qual alterações neurofisiológicas e motoras levam a sintomas gastrointestinais sem lesões estruturais detectáveis. 1. Hipersensibilidade visceral É considerada o principal mecanismo fisiopatológico da SII. Definição: diminuição do limiar de percepção dolorosa a estímulos normais do intestino, como distensão por gás ou fezes. Mecanismos: Sensibilização periférica: receptores de dor (nociceptores) na parede intestinal tornam-se hiper-reativos devido à liberação de mediadores (histamina, prostaglandinas, serotonina). Sensibilização central: os sinais nociceptivos, ao chegarem à medula espinhal e ao cérebro, são amplificados por uma regulação inadequada nos centros corticais e límbicos. 4. Biológicos (ex.: infliximabe, adalimumabe, vedolizumabe, ustekinumabe) Indicados em casos moderados a graves ou refratários. Anti-TNF-α (Infliximabe, Adalimumabe): anticorpos monoclonais que neutralizam o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), uma citocina central na inflamação da DII, bloqueando sua ação pró- inflamatória. Vedolizumabe: anticorpo monoclonal que bloqueia a integrina α4β7, impedindo a migração dos linfócitos T para o intestino, reduzindo a inflamação localizada 5. Antibióticos (metronidazol, ciprofloxacino) Úteis em complicações da DC, como abscessos e fístulas. Mecanismo: usados para controlar infecções bacterianas secundárias ou complicações como abscessos efístulas, eliminando bactérias anaeróbias e aeróbias e modulando a microbiota intestinal. C. Cirurgia: Indicada em casos de complicações (perfuração, megacólon tóxico, hemorragia maciça, obstrução) ou falha terapêutica. Na RCU, a colectomia é curativa; na DC, não é curativa (recorrência frequente). D. Medidas de suporte: Correção de deficiências nutricionais Suporte psicológico Cessação do tabagismo (essencial na DC) APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA Essa inflamação é especialmente observada em casos de SII pós-infecciosa, que ocorre após gastroenterites bacterianas ou virais. 5. Papel da microbiota intestinal Disbiose (alteração na composição bacteriana) foi identificada em alguns pacientes com SII: Redução de Bifidobacterium e Lactobacillus. Aumento de bactérias produtoras de gás e metabólitos irritantes. Essa alteração pode amplificar a hipersensibilidade visceral e modificar a motilidade. 6. Resumo do ciclo fisiopatológico da SII 1. Fator desencadeante (infecção, estresse, alteração dietética) → disbiose e modulação inadequada do eixo cérebro–intestino. 2. Hipersensibilidade visceral → percepção exagerada de estímulos normais. 3. Alteração motora → trânsito intestinal irregular. 4. Disfunção na modulação da dor → amplificação central da resposta nociceptiva. 5. Inflamação de baixo grau → manutenção da sensibilização e cronicidade dos sintomas. 4. Manifestações Clínicas Critérios de Roma IV: Dor abdominal recorrente ≥1 dia/semana nos últimos 3 meses, associada a ≥2: relação com evacuação, alteração na frequência, alteração na forma das fezes. Subtipos: SII-D (diarreia), SII-C (constipação), SII-M (misto). Sintomas: distensão abdominal, flatulência, muco nas fezes, sensação de evacuação incompleta. Não há febre, sangramento retal ou perda ponderal involuntária — sua presença sugere investigar DII ou neoplasia. 5. Diagnóstico da Síndrome do Intestino Irritável SII 1. Diagnóstico A SII é uma desordem funcional intestinal, sem lesão estrutural, caracterizada por dor abdominal crônica associada a alterações do hábito intestinal. Consequência clínica: dor abdominal intensa com distensão mínima, sensação de desconforto após refeições leves e piora com estresse. 2. Alterações da motilidade intestinal O trânsito intestinal é descoordenado e variável: SII-D (diarreia predominante) → aumento da atividade propulsiva do cólon, com encurtamento do tempo de trânsito. SII-C (constipação predominante) → retardo na motilidade colônica, prolongando o tempo de trânsito. SII-M (mista) → alternância entre padrões acelerados e lentos. Essas alterações podem ser desencadeadas por estímulos alimentares, emocionais ou hormonais. A serotonina (5-HT) desempenha papel central: níveis anormais e alteração na função dos receptores 5-HT3 e 5-HT4 influenciam motilidade e sensibilidade. 3. Disfunção na modulação da dor (Eixo cérebro– intestino) O eixo cérebro–intestino é o sistema de comunicação bidirecional entre SNC e trato gastrointestinal, envolvendo: Sistema nervoso entérico. Nervos aferentes e eferentes autonômicos. Mediadores neuroendócrinos e imunológicos. Na SII, há alteração na via inibitória descendente da dor, que normalmente suprime sinais dolorosos excessivos. Áreas cerebrais envolvidas: córtex cingulado anterior, ínsula e amígdala — relacionadas à percepção de dor e resposta emocional. O estresse e distúrbios emocionais (ansiedade, depressão) intensificam essa disfunção, exacerbando sintomas. 4. Inflamação de baixo grau Embora a SII não apresente inflamação intensa como na DII, estudos mostram que alguns pacientes têm leve aumento de células imunes na mucosa intestinal: Mastócitos → liberam histamina, triptase e citocinas, estimulando terminações nervosas sensoriais. Linfócitos T → podem secretar pequenas quantidades de citocinas pró-inflamatórias, contribuindo para sensibilização. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 2. Para SII-C: laxativos osmóticos (polietilenoglicol), lubiprostone, linaclotida. Laxantes osmóticos (ex.: Polietilenoglicol). Mecanismo: aumentam o conteúdo hídrico no lúmen intestinal por retenção osmótica, facilitando a evacuação em pacientes com constipação 3. Para SII-D: loperamida, eluxadolina, rifaximina. Antidiarreicos (ex.: Loperamida). Mecanismo: agonista dos receptores opioides μ na musculatura intestinal, diminuindo a motilidade e aumentando a absorção de líquidos, reduzindo a diarrei 4. Probióticos: alguns estudos mostram benefício. Probióticos. Mecanismo: restauram o equilíbrio da microbiota intestinal, modulando o sistema imune e influenciando o eixo cérebro-intestino, o que pode reduzir sintomas como C. Terapias não farmacológicas: Terapia cognitivo-comportamental Mindfulness e técnicas de relaxamento A. Critérios diagnósticos – Critérios de Roma IV: Dor abdominal recorrente, pelo menos 1 dia/semana nos últimos 3 meses, associada a ≥2 dos seguintes: 1. Relação com evacuação 2. Alteração na frequência das evacuações 3. Alteração na forma das fezes (escala de Bristol) B. Subtipos: SII com diarreia predominante (SII-D) SII com constipação predominante (SII-C) SII mista (SII-M) SII não classificada C. Exames complementares: Usados para excluir doenças orgânicas (hemograma, TSH, sorologia celíaca, pesquisa de sangue oculto nas fezes). Colonoscopia indicada se sinais de alarme: sangue nas fezes, perda de peso, anemia, início após 50 anos. 2.Tratamento O tratamento é individualizado e multidisciplinar. A. Medidas gerais: Educação do paciente sobre a natureza funcional da doença Redução de estresse Ajuste dietético (dieta pobre em FODMAPs, evitar cafeína e gorduras em excesso) B. Tratamento farmacológico: 1. Para dor abdominal: antiespasmódicos (brometo de pinavério, escopolamina), antidepressivos tricíclicos (amitriptilina) em baixas doses. Antiespasmódicos (ex.: Brometo de Pinavério). Mecanismo: promovem relaxamento da musculatura lisa intestinal ao bloquear os receptores muscarínicos da acetilcolina, reduzindo as contrações e as cólicas abdominais. Antidepressivos tricíclicos (ex.: Amitriptilina). Mecanismo: além da ação antidepressiva, bloqueiam receptores de serotonina e noradrenalina, modulando a dor visceral e o trânsito intestinal. Atuam na modulação do sistema nervoso entérico e da percepção da dor. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA