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APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA AMEBÍASE - ENTAMOEBA HISTOLYTICA EPIDEMIOLOGIA É endêmica em regiões com água e saneamento precário, especialmente América Latina, África, Índia e Sudeste Asiático. Prevalência: Estima-se que 10% da população mundial esteja infectada, com alta incidência em regiões tropicais e subtropicais com saneamento básico precário. É a terceira causa de morte por parasitoses, atrás da malária e da esquistossomose Pode ocorrer em todas as faixas etárias, mas crianças e imunocomprometidos e viajantes em regiões endêmicas apresentam risco aumentado de doença invasiva. ETIOLOGIA E FATORES DE VIRULÊNCIA Agente: Entamoeba histolytica. Protozoário intestinal anaeróbio facultativo, unicelular, capaz de invadir tecidos. Com dois estágios: Cisto: forma infectante, resistente a condições ambientais adversas à acidez gástrica. São encontrados na água e nos alimentos contaminados com fezes, sendo transmitida via fecal-oral e assumem a forma de trofozoítos, no intestino grosso. Trofozoíto: forma ativa (não infectante), móvel, invasiva, que causa lesão tecidual, responsável pelas manifestações clínicas. Fatores de virulência: Lectinas: permite adesão às células epiteliais intestinais (na mucosa). Cisteína-proteases: degradam mucina anticorpos e proteínas da célula hospedeira, causando lesão tecidual, facilitando invasão. Amébaporo: proteínas que formam poros na membrana celular da célula alvo (hospedeiro), levando à lise celular. Exocitose de enzimas hidrolíticas: promove invasão do tecido intestinal e extraintestinal. VIA DE TRANSMISSÃO Fecal-oral: ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos. Contato direto com fezes infectadas ou higiene precária também facilita a transmissão. CICLO BIOLÓGICO 1. Hospedeiro e infecção O ciclo é monoxênico, ou seja, ocorre apenas em um hospedeiro: o humano. A infecção inicia quando cistos maduros são ingeridos por água, alimentos contaminados ou contato com mãos sujas. 2. Sobrevivência no estômago Os cistos são resistentes ao ambiente ácido do estômago. Somente ao chegarem no intestino delgado, especialmente na região ileocecal, começam a sofrer modificações. 3. Desencistamento e formação do metacisto No duodeno, ocorre o desencistamento, processo em que o cisto libera o metacisto por uma fenda na parede cística. Fatores que favorecem o desencistamento: temperatura compatível com a do corpo humano e ambiente anaeróbio. 4. Divisão e formação de trofozoítos (excistamento) O metacisto sofre divisões celulares, formando inicialmente 4 trofozoítos uninucleares, podendo chegar a 8 trofozoítos. Processo estimulado pelo pH intestinal e enzimas digestivas. 5. Multiplicação e colonização intestinal Esses trofozoítos migram para o intestino grosso (ceco e cólon), aderindo à mucosa intestinal via lectina galactose-inibidora E se multiplicam-se por divisão binária. Produção de enzimas citotóxicas e proteases, causando lesões em “flask- shaped ulcers”. 6. Formação do pré-cisto e cisto (encistamento) Alguns trofozoítos quando alcançam o intestino distal sofrem desidratação, originando os pré-cistos. Os pré-cistos então secretam uma membrana cística, formando os cistos maduros, que serão eliminados nas fezes, fechando o ciclo. Cistos podem resistir por semanas em ambiente úmido, mantendo infectividade. S5P1: Platelmintos Objetivos Compreender a epidemiologia, etiologia, ciclo biológico, via de transmissão, patogenia e manifestações clínicas da Amebíase e Giardíase. Compreender o diagnóstico e tratamento (classe e seu mecanismo de ação) da Amebíase e Giardíase. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 7. Possibilidade de invasão tecidual Os trofozoítos podem invadir a parede do cólon, causando colite amebiana. Em casos mais graves, podem invadir a parede intestinal e vasos sanguíneos, atingindo fígado, pulmão e cérebro, formando abscessos amebianos. Forma extraintestinal não retorna ao ciclo fecal, sendo uma complicação da doença. IMUNOLOGIA E PATOLOGIA Fatores de virulência A principal diferença entre cepas patogênicas e não patogênicas é a presença da lectina de aderência, uma adesina essencial para: Aderência à célula hospedeira. Reconhecimento da célula-alvo. Atividade citolítica. 1. Adesão à mucosa intestinal Os trofozoítos se fixam às células epiteliais do cólon por meio de lectinas, moléculas que reconhecem carboidratos na superfície das células do hospedeiro. Essa adesão é o primeiro passo para a invasão tecidual. 2. Degradação da barreira mucosa A E. histolytica secreta cisteína-proteases e outras enzimas proteolíticas que degradam a mucina que reveste o intestino. Com a barreira de muco comprometida, os trofozoítos entram em contato direto com o epitélio. 3. Interação com o epitélio intestinal Ao entrar em contato com a superfície epitelial intestinal, a lectina pode ser inibida pela galactose presente nas células do hospedeiro. Esse bloqueio estimula uma resposta T supressora, que: Inibe a formação de resposta celular efetiva. Favorece o braço humoral Th2, com produção de IgG específica, contribuindo para o desenvolvimento da amebíase aguda. 4. Citólise e ulceração O contato do trofozoíto com o epitélio, mediado pela lectina, leva à citólise através da liberam amébaporos, que formam poros nas membranas das células do epitélio, causando morte celular (destruindo as membranas epiteliais). Os restos celulares são fagocitados pelos trofozoítos, iniciando a formação de úlceras em “flor-de-lótus” na mucosa do cólon. O processo inclui: Quebra da barreira epitelial. Alteração do transporte de íons e absorção de nutrientes. Inflamação local e sistêmica. Mudanças na microbiota intestinal. 5. Formação do foco de adesão O afastamento das células epiteliais cria um espaço intercelular, chamado foco de adesão, que facilita a invasão tecidual. 6. Resposta inflamatória A destruição do epitélio ativa resposta inflamatória local: com infiltrado de neutrófilos, macrófagos e linfócitos. Com isso podendo levar: a) Há estimula as células goblet a produzirem muco em excesso, que se mistura às fezes. b) Há aumento da produção de citocinas pró- inflamatórias, como: IL-1 TNF-α Esse processo amplifica a ulceração intestinal e mantém o dano tecidual. A invasão das úlceras leva à ruptura de pequenos vasos sanguíneos da mucosa, resultando na presença de sangue nas fezes. Levando ao quadro clínico clássico é a disenteria amebiana, caracterizada por diarreia com muco e sangue. 7. Disseminação sistêmica Trofozoítos podem atingir vasos sanguíneos, permitindo que o parasita se espalhe para órgãos distantes, como: Fígado – abscessos hepáticos amebianos. Pulmão – raramente, abscessos pulmonares. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Assintomáticos: A maioria dos casos Intestinal: diarreia aquosa ou disenteria (muco e sangue), dor abdominal; tenesmo (vontade de evacuar); febre baixa. Extraintestinal: abscesso hepático (febre, dor em hipocôndrio direito, hepatomegalia), raramente pulmão ou cérebro. Crônicos: perda de peso, fadiga, desnutrição. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA Colite amebiana: 2 a 6 semanas após a ingestão de cistos; pode evoluir para disenteria: 10 a 12 evacuações pequenas/dia, com sangue e muco. Menos de 40% dos pacientes apresentam febre. Colite amebiana fulminante: Mais comum em crianças, com: diarreia profusa, dor abdominal intensa, sinais de peritonite febre. Infecção extraintestinal – Abscesso hepático amebiano (AHA): Geralmente surge até 5 meses após a exposição. Sintomas: dor no quadrante superior direito, febre, derrame pleural à direita dor à palpação hepática. Notavelmente, não há colite concomitante na maioria dos casos. Complicações: ruptura diafragmática com disseminação para pulmão; coração ou outros órgãos. DIAGNÓSTICO DA AMEBÍASE 1. Exame de fezes (microscopia direta) Padrão-ouro inicial: análise de 3 amostras de fezes em dias alternados. Isso aumenta a sensibilidade, pois a eliminação de cistos e trofozoítos pode ser intermitente. Formas detectáveis: Trofozoítos: presentes em diarreia recente; indicam infecção ativa. Cistos: resistentes no meio externo; indicam portador ou transmissão possível. Limitações: microscopia requer experiência, e a sensibilidade pode ser baixa (~60–70%). 2. Sorologia Testes sorológicos (ELISA, imunofluorescência indireta) detectam anticorpos contra Entamoeba histolytica. Útil principalmente em amebíase extraintestinal (ex.: abscesso hepático), pois o parasita pode não estar nas fezes. Até 10% dos pacientes com abscesso hepático podem ter sorologia negativa, especialmente no início da doença. 3. Repetição do exame Indicada quando há alta suspeita clínica (diarreia sanguinolenta, dor abdominal localizada, febre) e resultados iniciais negativos. Recomendação: repetir após 7 dias ou coletar múltiplas amostras adicionais. 4. Exames complementares Ultrassonografia ou tomografia de abdome: útil para identificar abscessos hepáticos. PCR: mais sensível e específico para diferenciar E. histolytica de espécies não patogênicas (E. dispar), mas menos disponível em rotina clínica. Até 10% dos pacientes com abscesso hepático podem ter sorologia negativa, especialmente no início da doença. TRATAMENTO DA AMEBÍASE A. Trofozoítos ativos (intestinal e extraintestinal) 1. Metronidazol Classe: Nitroimidazol Mecanismo de ação: Entra no protozoário e, em ambiente anaeróbico, é reduzido formando radicais livres que danificam o DNA da ameba, causando morte celular. Modo de uso / dosagem: Adultos: 750 mg, 3 vezes ao dia, por 7 a 10 dias, via oral. Alternativa para abscesso hepático: mesma dose, com duração de 10 a 14 dias. Observação: Não elimina cistos intestinais; deve ser seguido de agente luminal. 2. Tinidazol Classe: Nitroimidazol Mecanismo de ação: Semelhante ao metronidazol; radicais livres gerados danificam DNA e matam trofozoítos. Modo de uso / dosagem: Adultos: 2 g dose única ou por 3 dias, via oral. Vantagem: Maior tolerância e meia- vida mais longa. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA B. Cistos intestinais (eliminados para prevenir recorrência e transmissão) 1. Iodoquinol Classe: Aminoquinol Mecanismo de ação: Interfere no metabolismo do parasita e na síntese de proteínas, causando morte do protozoário na luz intestinal. Modo de uso / dosagem: Adultos: 650 mg 3 vezes ao dia, por 20 dias, via oral. 2. Paromomicina Classe: Aminoglicosídeo Mecanismo de ação: Liga-se à subunidade 30S do ribossomo, inibindo síntese proteica, matando o parasita na luz intestinal. Modo de uso / dosagem: Adultos: 25–35 mg/kg/dia, divididos em 3 doses, por 7 dias, via oral. Observações importantes: Para amebíase extraintestinal (abscesso hepático): usar metronidazol ou tinidazol seguido de agente luminal. Em casos de diarreia intensa, hidratação e correção eletrolítica são essenciais. GIARDÍASE - GIARDIA LAMBLIA EPIDEMIOLOGIA Estima-se que a giardíase seja uma das protozooses intestinais mais comuns em humanos, com prevalência maior em países em desenvolvimento. A Giardíase é uma das principais causas de diarreia de origem protozoária no mundo. Afeta mais de 280 milhões de pessoas anualmente. Afeta principalmente crianças em idade escolar e pré-escolar, devido à imaturidade imunológica e maior exposição em ambientes coletivos (ex.: creches), o que facilita sua disseminação. Indivíduos imunocomprometidos, como portadores de HIV/AIDS e de hipogamaglobulinemia, Prevalência maior em regiões com água potável inadequada, locais com saneamento básico precário e em áreas com baixa higiene pessoal. ETIOLOGIA E MORFOLOGIA Agente: Giardia lamblia (sinônimos: G. intestinalis, G. duodenalis). Trofozoíto: forma ativa, flagelada, em forma de “gota de água”, aderente à mucosa duodenal. Cisto: forma infectante, resistente ao ambiente externo. Morfologia: Trofozoíto: 10–20 μm de comprimento, possui 8 flagelos, disco ventral adesivo que permite fixação na mucosa intestinal, 2 núcleos. Cisto: 8–14 μm, forma infectante, com 4 núcleos maduros e parede resistente à cloração convencional da água; métodos eficazes de eliminação incluem fervura (>1 min) e filtração com poros ≤1 µm., podendo sobreviver semanas na água fria. Metabolismo e Biologia: Anaeróbio estrito; obtém energia por fermentação. Não invade tecidos, mas causa desequilíbrio funcional da mucosa intestinal. Capaz de interferir na absorção de lipídios e carboidratos por ação mecânica do trofozoíto e indução de alterações enzimáticas na mucosa. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA Fatores de Virulência: Disco adesivo ventral: fixação à mucosa do duodeno, interferindo na absorção e dificultando a eliminação pelo trânsito intestinal. Secreção de proteases: podem degradar imunoglobulinas secretórias (IgA). Encistamento: permite sobrevivência fora do hospedeiro, sendo essencial para transmissão fecal-oral. VIA DE TRANSMISSÃO A transmissão ocorre principalmente por via fecal-oral, através da ingestão de cistos presentes em: Água não filtrada ou não tratada; Alimentos crus contaminados; Contato interpessoal direto em ambientes fechados (creches, escolas, enfermarias, asilos). Também pode haver transmissão zoonótica, já que cães, gatos e outros animais podem ser reservatórios. CICLO BIOLÓGICO 1. Forma infectante O cisto é a forma infectante. Possui formato oval ou elipsoide. Cistos imaturos → 2 núcleos. Cistos maduros → 4 núcleos. Resistência: sobrevive fora do hospedeiro em água fria, alimentos e superfícies, devido à parede rica em quitina. Função: garante a transmissão fecal-oral. Observação clínica: quantidade baixa de cistos (10–100) já pode causar infecção Estruturas visíveis em exames: núcleos e fibrilas, evidenciados por coloração com iodo ou tricrômio. 2. Transmissão O ciclo é monoxênico (apenas o homem é hospedeiro definitivo). Ocorre principalmente por: Ingestão de água e alimentos contaminados. Contato pessoa a pessoa em ambientes coletivos (creches, escolas). Más condições de saneamento. Má higiene das mãos. Autoinfecção em animais (ex.: coprofagia). Uma carga infectante baixa (10–100 cistos) já pode causar a doença 3. Desencistamento Inicia-se no estômago (baixo pH). cisto libera o metacisto → gera trofozoítos. Completa-se no duodeno e jejuno, liberando os trofozoítos. Os trofozoítos multiplicam-se por divisão binária, colonizando o intestino delgado proximal. 4. Colonização e adesão Sítio principal: duodeno e jejuno. Mecanismos de adesão: Disco adesivo ventral (estrutura especializada na superfície ventral). Lectinas e proteínas de superfície, como a giardina α-1, que se liga a moléculas sulfatadas no epitélio. Batimento de flagelos: auxilia na fixação à mucosa. Função: impede que os trofozoítos sejam eliminados rapidamente pelo peristaltismo intestinal. 5. Efeitos no hospedeiro durante colonização Trofozoítos não invadem células; ficam aderidos à mucosa. Podem causar: Atrofia de vilosidades e hiperplasia das criptas → diminuição da superfície de absorção. Redução de enzimas digestivas da orla em escova (lactase, maltase, sucrase). Alteração da permeabilidade intestinal → diarreia. Inflamação local → ativação de mastócitos, liberação de histamina e prostaglandinas → aumento da 6. Encistamento Inicia-se principalmente no íleo terminal e ceco. Estímulos: pH intestinal. Presença de sais biliares. Desprendimento dos trofozoítos da mucosa (resposta imune local). Ocorre deposição de parede cística de quitina, formando o cisto maduro. 7. Eliminação e resistência ambiental Cistos são eliminados em grande número pelas fezes. Resistentes ao ambiente externo (sobrevivem em água fria e a variações de temperatura). Essa resistência explica o alto potencial infectante. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA FISIOPATOLOGIA DA GIARDÍASE 2. Colonização intestinal Giárdia prefere duodeno e jejuno. Os trofozoítos não invadem as células intestinais, mas: Aderem ao epitélio por meio do disco adesivo ventral. Utilizam proteínas de superfície (como a giardina α-1 e lectinas) que interagem com moléculas sulfatadas do epitélio. Os flagelos auxiliam a fixação. 3. Alterações da mucosa Atrofia das vilosidades. Hiperplasia das criptas. Aumento da permeabilidade intestinal → favorece perda de líquidos e nutrientes. Inflamação local com apoptose de enterócitos. 4. Alterações enzimáticas Redução da atividade de enzimas da orla em escova: maltase, sucrase, lactase, sacaridase. Redução de enzimas pancreáticas e luminais: tripsina, quimiotripsina, amilase e lipase. Consequências: má digestão e má absorção de carboidratos, gorduras e vitaminas. 5. Resposta imune Contato com macrófagos intestinais → estímulo de linfócitos T → ativação de linfócitos B → produção de IgA e IgE. IgA secretora: reduz adesão dos trofozoítos ao epitélio intestinal. A IgE atua sobre mastócitos → degranulação, liberação de histamina e prostaglandinas → edema da mucosa, contração da musculatura lisa → aumento da motilidade intestinal e secreção de cloretos → diarreia osmótica e secretória. Inflamação → apoptose de enterócitos + aumento da permeabilidade intestinal. Resultado: diarreia, dor abdominal, má absorção. 6. Outros mediadores Prostaglandinas liberadas por mastócitos e monócitos ativados → Aumentam motilidade intestinal. Ativam adenilciclase → estimulam secreção de cloretos e água → diarreia aquosa. 1. Resumo das manifestações fisiopatológicas Síndrome de má absorção (perda de peso, deficiência de vitaminas). Diarreia aquosa. Aumento da motilidade intestinal. Alteração da microbiota intestinal, podendo favorecer infecções associadas. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Período de incubação: 5 a 25 dias (média 7–10 dias). Formas clínicas: Assintomática ou oligossintomática (mais frequente). Sintomática aguda: diarreia aquosa (geralmente sem muco ou sangue), dor e distensão abdominal, flatulência, eructação, cólicas e vômito náuseas. Crônica/recorrente: má absorção, diarreia contínua ou episódica, flatulência aumentada, perda ponderal, eructação sulfurosa, astenia, esteatorreia, déficit nutricional e atraso no crescimento infantil. Em imunocomprometidos: diarreia grave e prolongada, desnutrição calórico- proteica, fezes com muco e raramente sangue. Complicações: Síndrome de má absorção; Deficiências nutricionais (ferro, vitamina A, vitamina B12, folato); Comprometimento do crescimento e desenvolvimento em crianças. manifestações extraintestinais como uveíte anterior e artrite DIAGNÓSTICO O diagnóstico da giardíase combina quadro clínico, exames laboratoriais e, em casos selecionados, exames endoscópicos. 1. Diagnóstico clínico Manifestações principais: Diarreia crônica ou intermitente, geralmente fétida, aquosa ou gordurosa (esteatorreica). Dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal. Náuseas, flatulência, perda de apetite. Em crianças, pode haver atraso do crescimento e deficiência de absorção de nutrientes. Epidemiologia: Considerar em pacientes com história de ingestão de água ou alimentos contaminados, contato com creches ou surtos familiares. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 2. Exames parasitológicos de fezes Exame direto de fezes: Detecta cistos (formas infectantes) ou trofozoítos (formas móveis) no intestino delgado. útil para Trofozoítos frescos (deve ser feito rapidamente, pois trofozoítos degeneram). Amostras seriadas: 3 amostras em dias alternados Técnicas de concentração: Sedimentação Faust, Lutz, (Ritchie) ou flotação (zinc sulfate) para aumentar a sensibilidade (detecção) para cistos. 3. Testes imunológicos Detecção de antígeno fecal: ELISA ou imunocromatografia rápida para Giardia lamblia. Alta sensibilidade (>90%) e especificidade (>95%), útil em infecções crônicas ou com baixo número de cistos. Detecta infecção mesmo em portadores com baixa carga parasitária Pode diferenciar Giardia de outras enteropatias parasitárias. Limitações: Maior custo em comparação ao EPF. Disponibilidade limitada em laboratórios de menor porte. Sorologia (anticorpos): Geralmente não é utilizada rotineiramente, pois anticorpos IgG/IgM persistem após a infecção e não indicam infecção ativa. 5. Diagnóstico molecular PCR fecal: Detecta DNA de Giardia com alta sensibilidade e especificidade. Permite diferenciação entre subtipos de Giardia (G. lamblia assemblage A e B), útil em surtos e epidemiologia. Ainda restrito a laboratórios de referência em muitos países. 6. Exames endoscópicos (casos selecionados) Enteroscopia ou duodenoscopia: Permite visualização direta de trofozoítos aderidos à mucosa duodenal. Coleta de lavado duodenal para exame microscópico. Indicado em casos refratários, imunocomprometidos ou quando o diagnóstico fecal é inconclusivo. 7. Exames complementares Entero-test (fita de duodeno): identifica trofozoítos no duodeno, útil quando as fezes são negativas. TRATAMENTO DA GIARDÍASE 1. Antibióticos de primeira linha Metronidazol: Classe: Nitroimidazol Adultos: 250 mg, VO, 3 vezes/dia, por 5 a 7 dias. Eficácia: 85–95%. Crianças: 15 mg/kg/dose, 3 vezes/dia, por 5 a 7 dias. Mecanismo: gera radicais livres que danificam o DNA do protozoário. Efeitos adversos: náuseas, gosto metálico, cefaleia, raramente neuropatia periférica. Tinidazol: Classe: Nitroimidazol Adultos: dose única de 2 g. Crianças: 50 mg/kg, dose única. Mecanismo de ação: Semelhante ao metronidazol; forma radicais livres que danificam DNA, causando morte celular. Maior comodidade pela dose única; eficácia semelhante ao metronidazol. Nitazoxanida: Clas.: Derivado de nitrothiazol Adultos: 500 mg, 2x/dia, 3 dias. Crianças: 100 mg, 2x/dia (para 1–3 anos), 200 mg (4–11 anos). Mecanismo de ação: Inibe enzimas envolvidas no metabolismo energético, interferindo na produção de ATP, levando à morte do protozoário. Eficaz contra cistos e trofozoítos; bem tolerada. 2. Alternativas Albendazol: 400 mg/dia, 5 dias dose única. Útil em coinfecções com helmintos. Mecanismo: inibindo a polimerização dos microtúbulos, causando imobilização e morte do parasita. Paromomicina: pode ser usada em gestantes, pois não atravessa a placenta; menor eficácia que metronidazol. 3. Considerações especiais Gestantes: evitar metronidazol no 1º trimestre; paromomicina é mais segura. Portadores assintomáticos: tratamento em surtos ou instituições. Falha terapêutica: recidiva pode ocorrer em até 20%; repetir tratamento ou usar drogas alternativas. Suporte clínico: hidratação adequada, reposição de eletrólitos, correção de déficit nutricional em casos crônicos. APG 4º PERÍODO ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA