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4° PERÍODO
Sistemas Orgânicos e Integrados
DRGE
• É um distúrbio causado pelo refluxo do
conteúdo gástrico.
Aparentemente, essa doença está relacionada:
1. Relaxamentos transitórios do esfíncter
esofágico inferior fraco ou incompetente
(principal).
2. Retardo na neutralização do ácido refluído
(responsável pelos efeitos irritativos do
material refluído).
3. Esvaziamento gástrico mais lento (aumenta
o volume e a pressão do estômago e
aumenta as chances de ocorrer refluxo).
Observação: Normalmente, o refluxo
gastresofágico é neutralizado e eliminado pela
peristalse esofágica e pelo bicarbonato da
saliva. Salivação diminuída e redução da
capacidade tamponadora da saliva podem
contribuir para a neutralização mais lenta do
refluxo ácido do esôfago.
O b s e r v a ç ã o : O r e fl u x o d u o d e n o -
gastresofágico é um fenômeno que lesa a
mucosa esofágica pela ação das enzimas
proteolíticas, potencializando a lesão provocada
pelo ácido.
ETIOLOGIA
• A etiologia da DRGE é multifatorial.
• Tanto os sintomas quanto as lesões teciduais
resultam do contato da mucosa com o
conteúdo gástrico refluxado, decorrentes de
falha em uma ou mais das seguintes defesas
do esôfago: barreira antirrefluxo (EEI),
mecanismos de depuração intraluminal
(peristaltismo e tamponamento do ácido) e
resistência intrínseca do epitélio.
FATORES DE RISCO
• O b e s i d a d e, G r av i d e z , Ta b a g i s m o,
Alcoolismo, Idade avançada, Pré-disposição
genética, Uso de terapia hormonal, Estresse,
Atraso do esvaziamento gástrico, volume
gástrico aumentado, Hérnia de hiato
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• Pirose (queimação retroesternal/azia-
queimação epigástrica) é o sintoma mais
comum da DRGE e frequentemente é grave,
começando 30 a 60 min depois da ingestão
alimentar.
• Regurgitação (percepção do fluxo do
conteúdo gástrico refluído para boca).
• Eructações (arrotos) e dor torácica (em geral,
a dor é localizada na região epigástrica ou
retrosternal e frequentemente irradia para a
garganta, o ombro ou o dorso).
• Pode causar sinais e sintomas respiratórios
como pigarro, asma, tosse crônica e laringite,
mas é importante ressaltar que a causa desses
sintomas geralmente é multifatorial, além do
diagnóstico de DRGE.
SINAIS DE ALARME
• Odinofagia, disfagia, sangramento, anemia,
emagrecimento, náuseas, vômitos, história
familiar de câncer, hemorragia digestiva.
COMPLICAÇÕES
As complicações como:
1. Esofagite: Lesão da mucosa do esôfago,
e d e m a , h i p e re m i a e i n fl a m a ç ã o .
Classificação endoscópica de Los Angeles:
- Grau A, uma ou mais pequenas
erosões ( 5
mm), não convergentes;
- Grau C , erosões convergentes
(contínuas), mas envolvendo menos de
75% da circunferência do órgão;
- Grau D, erosões ocupando pelo menos
75% da circunferência do órgão.
2. Estenoses: Combinação de fibrose
tec idual , e spasmo e edema. Essa
complicação causa estreitamento do
esôfago e disfagia quando a constrição do
lúmen esofágico é significativa.
3. Esôfago de Barrett: Mudança no terço
distal do epitélio do esôfago para o epitélio
do estômago = Metaplasia) desencadeiam
um ciclo de lesão da mucosa seguida de
hiperemia, edema e erosão da superfície
interna do órgão.
DIAGNÓSTICO
• O diagnóstico do refluxo gastresofágico
baseia-se principalmente na história de
sintomas de refluxo (pirose e regurgitação >/
= 2x por semana por 4-8 semanas) e nos
exames diagnósticos opcionais.
1. Teste de supressão da acidez:
Administrar IBP por 7-14 dias e ver se
sintomas são aliviados).
2. Esofagoscopia/EDA: Finalidade de
examinar o lúmen do sistema digestório
superior e fazer biópsia.
Maria Vitória de Sousa Santos
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3. pHmetria 24 horas: Esse equipamento
torna possível ao paciente anotar as
alterações da posição, refeições, pirose ou
dor, que depois são correlacionadas com os
episódios de refluxo ácido.
Observação: pHmetria (padrão ouro)
porém, a impedanciopHmetria apresenta
maior sensibilidade e especificidade para o
diagnostico.
TRATAMENTO
TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO
O tratamento do refluxo gastresofágico
geralmente enfatiza medidas conservadoras,
isso inclui:
1. É recomendável evitar refeições lautas e
alimentos que diminuem o tônus do
esfíncter esofágico inferior (p. ex., cafeína,
gorduras e chocolate), álcool e tabagismo;
2. Dormir com a cabeceira elevada ajuda a
evitar refluxo durante a noite;
3. E m g e r a l , o e m a g r e c i m e n t o é
recomendáve l ao s pac i en te s com
sobrepeso;
4. Distribua os alimentos em pequenas
quantidades por várias refeições (café da
manhã, almoço, lanche da tarde e jantar);
5. Entre outros
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
ANTIÁCIDO
• Seu principal mecanismo de ação consiste
em reduzir a acidez intragástrica.
• Ex: Hidróxido de alumínio/magnésio,
bicarbonato de sódio e carbonato de cálcio.
ANTAGONISTA DOS RECEPTORES DE H2
• A secreção gástrica é estimulada por
acetilcolina (ACh), histamina e gastrina. As
ligações de ACh, histamina ou gastrina com
seus receptores resulta na ativação de
proteinocinases, que, por sua vez, estimulam
a bomba de prótons H+/K+-adenosina
trifosfatase (ATPase) a secretar íons
hidrogênio em troca de K+ para o lúmen do
estômago.
• Bloqueando competitivamente a ligação da
histamina aos receptores H2, esses fármacos
reduzem a secreção do ácido gástrico.
• Ex: Ranitidina, cimetidina, nizatidina,
famotidina.
Observação: Não devem ser administrados a
mulheres grávidas é nem para as que
amamentam.
INIBIDORES DA BOMBA DE PRÓTONS
• Os IBPs se ligam à enzima H+/K+-ATPase
(bomba de prótons) e suprimem a secreção
de íons hidrogênio para o lúmen gástrico. A
bomba de prótons ligada à membrana é a
etapa final da secreção de ácido gástrico.
• Ex: Omeprazol, ezomeprazol, lanzoprazol,
pantoprazol etc.
PROCINÉTICOS
• Agentes procinéticos são fármacos que atuam
de modo a aumentar a pressão do esfíncter
esofágico inferior (EEI), diminuir a
regurgitação e acelerar o esvaziamento
gástrico.
• Ex: bromoprida, cisaprida, domperidona,
metoclopramida.
Metoclopramida e domperidona
• A metoclopramida e a domperidona são
antagonistas dos receptores dopamínicos D2.
No trato gastrintestinal, a ativação dos
receptores de dopamina inibe a estimulação
colinérgica do músculo liso; acredita-se que o
bloqueio desse efeito constitui o principal
mecanismo procinético de ação desses
fármacos.
• Esses fármacos aumentam a amplitude
peristáltica do esôfago, elevam a pressão do
esfíncter esofágico inferior e aceleram o
esvaziamento gástrico.
REFLUXO GASTROESOFÁGICO EM CRIANÇAS
• A capacidade reduzida do reservatório
esofágico dos lactentes, combinada com
reduções espontâneas e frequentes da pressão
dos esfíncteres, contribui para o refluxo.
• Com 8 meses, o refluxo torna-se menos
frequente e desaparece com 2 anos, à medida
que a dieta da criança avança naturalmente e
ela consegue manter uma postura mais ereta.
• Ocorrem episódios mais frequentes ou
persistentes em nas crianças com paralisia
cerebral, síndrome de Down, fibrose cística e
outras doenças neurológicas.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• Os sintomas incluem queixa de dor ao
deglutir, hematêmese, anemia secundária ao
sangramento esofágico, pirose, irritabilidade
e choro repentino ou inconsolável.
• O refluxo podee
idiopática ou funcional.
PRIMÁRIAS
É aquela provocada por situações inerentes aos
hábitos de vida do paciente ou por outras
circunstâncias, geralmente banais. Neste caso, a
anatomia do órgão está preservada.
1. Ingesta alimentar inadequada;
2. Sedentarismo;
3. Gravidez;
4. Perda do reflexo da evacuação;
5. Posição;
6. Viagens;
7. Pouca disponibilidade de sanitários.
SECUNDÁRIA
Neste caso, a constipação intestinal é
ocasionada por uma doença sistêmica, por
iatrogenia ou, então, por problemas
psicossociais.
1. Doenças do cólon:
2. Doenças neurológicas:
3. D i s t ú r b i o s e n d ó c r i n o s e
metabólicos:
4. Medicamentos: Um grande número de
drogas, por diversos mecanismos, pode
induzir a constipação intestinal. Até
mesmo o uso abusivo de laxativos (lesa as
estruturas nervosas do cólon).
5. Distúrbios psiquiátricos: Pacientes
que sofrem de depressão, ansiedade e,
sobretudo, aqueles com distúrbios
psiquiátricos mais sérios (psicose, neurose,
anorexia nervosa, entre outros) geralmente
a p re s e n t a m , e n t re s u a s q u e i x a s ,
constipação intestinal. Nos pacientes com
anorexia nervosa, a reduzida ingesta de
água e alimentos é a causa da constipação
intestinal.
CONSTIPAÇÃO INTESTINAL FUNCIONAL
• Nesta situação, não há nenhuma alteração
estrutural ou metabólica, nem qualquer
alteração na rotina diária do paciente que
possa justificar o sintoma.
• Geralmente, o problema é crônico, muitas
situações remontam à infância, e responde
mal ao tratamento convencional.
Do ponto de vista fisiopatológico, pode ser
dividida em três subgrupos:
1. Constipação com trânsito intestinal
normal: Forma mais comum. Nesta,
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apesar do trânsito intestinal e da freqüência
evacuatória serem normais, os pacientes
podem se queixar de constipação associada
a desconforto e a dor abdominal.
2. Constipação com trânsito intestinal
lento: Caracterizada pelo retardo da
pa s sagem da s f e ze s pe lo s có lon .
Clinicamente, os pacientes se queixam de
baixa freqüência evacuatória e distensão
abdominal. Esta lentidão do trânsito pode
ser devida a uma disfunção da musculatura
colônica (miopatia), ou na inervação
íntrinseca (neuropatia). Estas alterações
acarretarão uma diminuição na peristalse
normal, em decorrência de uma redução
no número e amplitude das contrações que
são responsáveis pelo movimento de massa.
A ausência ou diminuição des tes
movimentos resulta em prolongada
permanência do bolo fecal no interior do
cólon.
3. Distúrbio anorretal: As queixas mais
freqüentes são sensação de evacuação
incompleta ou de estar obstruído e a
necessidade de manipulação digital para
evacuar. Do ponto de vista prático, o que
ocorre é uma contração da musculatura da
pelve, em vez de relaxamento, durante a
evacuação, resultando em acúmulo do bolo
fecal na região retossigmoidiana.
ETIOLOGIA EM IDOSOS
Os principais fatores etiológicos relacionados à
constipação incluem:
1. Dieta pobre em fibras;
2. Baixa ingestão hídrica;
3. Diminuição da mobilidade e menor
atividade física;
4. Maior número de comorbidades médicas;
5. Uso de medicações que têm como efeito
colateral a constipação intestinal.
Observação: Outros fatores que não estão
claramente envolvidos na gênese daconstipação
no idoso, incluem o processo de senescência de
estruturas e mecanismos responsáveis pela
formação das fezes e evacuação, como redução
da prensa voluntária abdominal, da propulsão
motora dos có lons, da percepção e
complacência do reto e diminuição da pressão
de contração e repouso do canal anal.
FATORES DE RISCO
1. Idade (> 65 anos);
2. Sexo feminino (Na criança essa situação
inverte);
3. Medicamentos (BCC, anti-psicóticos,
opiáceo);
4. Hipotireoidismo;
5. Dieta;
6. Sedentarismo;
7. Fatores emocionais e psíquicos.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
1. Evacuações infrequentes;
2. Dificuldade para evacuar;
3. Esforço inefetivo evacuatório com
necessidade de manobras digitais;
4. Dor anal ou perianal;
5. Prolapso anal ao ato evacuatório;
6. Escapes de fezes nas roupas;
7. Presença de fezes endurecidas (as vezes
com sangue ou muco);
8. Sensação de evacuação incompleta;
9. Sensação de obstrução anorretal;
10. Meteorismo e flatulência;
11. Distensão, dor ou desconforto abdominal;
12. Incontinência urinária (compressão da
uretra pelo bolo fecal);
13. Halitose, cefaléia, náuseas e cansaço.
SINAIS DE ALARME
1. Emagrecimento;
2. Idade > 50 anos;
3. Surgimento recente de sintomas;
4. Prolapso retal;
5. Mudança do calibre das fezes;
6. Sangramento retal.
COMPLICAÇÕES
1. Hemorroida;
2. Fissura e prolapso anal;
3. Fecaloma;
4. Doença diverticular (rupturas na parede
intestinal).
DIAGNOSTICO
O diagnóstico da constipação intestinal deve
ser baseado na:
AVALIAÇÃO ORGÂNICA
1. Quadro clínico;
2. Exame físico;
3. Hemograma;
4. Retossigmoidoscopia/colonoscopia;
5. Enema opaco.
AVALIAÇÃO FUNCIONAL
1. Determinação do tempo de trânsito
colônico;
2. Manometria anorretal;
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3. Eletromiografia do cólon;
4. Eletromiografia do esfíncter anal;
5. Avaliação dinâmica da evacuação.
TRATAMENTO
• De forma geral, deve ser direcionado para a
correção das causas identificadas pela
história clínica, pelo exame físico e por
métodos complementares, que contribuíram
para sua gênese.
• A abordagem terapêutica da constipação
intestinal pode ser dividida em não
farmacológica e farmacológica.
MEDIDAS NÃO FARMACOLÓGICAS
1. Retirada de medicação;
2. Reeducação do hábito intestinal;
3. Ingestão de fibras;
4. Ingestão hídrica;
5. Atividade física.
MEDIDAS FARMACOLÓGICAS
• Existem diferentes tipos de medicamentos
denominados laxativos e classificados de
acordo com seu mecanismo de ação.
1. Laxativos:
- Formadores de massa (1° linha)
- Lubrificantes
- Osmóticos ou salinos
- Estimulantes
- Emolientes
2. Procinéticos;
3. Biofeedback;
4. Abordagem cirúrgica.
DOENÇA HEMORROIDÁRIA
• Caracteriza-se por veias inchadas e
inflamadas no reto e no ânus que causam
desconforto e sangramento.
• Incide em ambos os sexos, em todas as raças
e idades, com maior incidência na quarta
década de vida, ocorrendo raramente na
infância e adolescência.
• A doença hemorroidária surge quando há
congestão, dilatação e aumento dos corpos
cavernosos do canal anal formando grandes
emaranhados vasculares, submucosos e/ou
subcutâneos, flexíveis, que se enchem de
sangue, constituindo os mamilos hemorroidários.
ETIOPATOGENIA
Vários fatores são importantes na sua
etiopatogenia:
1. Veia varicosa: Representada pela
dificuldade do esvaziamento sanguíneo do
canal anal no ato defecatório, com con-
gestão e dilatação dos corpos cavernosos.
2. Degenerativa: Presença de prolapso
anormal do plexo hemorroidário interno,
durante a evacuação, por deficiência de sua
fixação pela musculatura longitudinal da
submucosa (músculo de Treitz).
3. Mecânica: Caracterizada pelo excessivo
esforço defecatório e/ou pela dieta pobre
em resíduos (fibras) e pouca ingestão de
l í q u i d o s , q u e p o d e a c a r r e t a r o
endurecimento das fezes e aumentar ainda
mais o esforço evacuatório.
4. Hiperplasia vascular: A presença de
hiperplasia dos corpos cavernososdo canal
anal que poderá ocasionar sua dilatação e
aumento.
5. Hemodinâmica: Pela presença das
comunicações arteriovenosas muito
calibrosas na submucosa do canal anal,
facilitando o aumento e dilatação dos
corpos cavernosos.
6. Disfunção do esfíncter anal interno.:
Hiperatividade do esfíncter anal interno do
ânus com hipertonia ocasionando distensão
dos corpos cavernosos.
FATORES DESENCADEANTES
1. Constipação intestinal;
2. Abuso de laxativos (em especial, os
catárticos);
3. Diarreia crônica;
4. Gravidez (pelo aumento da pressão intra-
abdominal);
5. Idade avançada;
6. Posição bípede do ser humano.
FATORES AGRAVANTES
Os agravantes estão relacionados com hábitos
defecatórios errôneos, tais como:
1. Insistência em evacuar todos os dias;
2. Es fo rçar- s e para de fecar em um
determinado horário por conveniência ;
3. Forçar o esvaziamento total do conteúdo
retal de uma só vez.
CLASSIFICAÇÃO
• A c las s ificação mais u t i l i zada es tá
relacionada com a localização do mamilo
hemorroidário no canal anal e com a presença
ou não de seu prolapso.
Os mamilos podem ser:
1. Internos;
2. Externos;
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3. Mistos no canal anal.
• Devido à ramificação arterial da retal
superior, pode haver três mamilos internos,
de localização anterior direita, posterior
direita e lateral esquerda, denominados
principais, e os demais, quando existentes,
são ditos secundários.
MAMILO HEMORROIDÁRIO INTERNO
• O mamilo hemorroidário situado acima da
linha pectínea, na parte interna ou proximal
do canal anal, é chamado de interno, os
principais sintomas são prurido, sangramento
e ausência de dor.
Esse mamilo interno é subclassificado, de
acordo com a presença ou ausência de seu
prolapso para o exterior do canal anal, em:
1. 1° GRAU: Mamilo hemorroidário interno
que não prolaba pelo canal anal quando há
evacuação ou aos esforços.
2. 2º GRAU: Quando ele prolaba através do
canal anal durante o esforço evacuatório,
exteriorizando-se pelo ânus, porém
retraindo-se, espontaneamente, cessado
esse esforço.
3. 3º GRAU: Mamilo que prolaba à
evacuação e/ou aos esforços e não retorna
espontaneamente, necessitando ser
recolocado digitalmente para o interior do
canal anal.
4. 4 ° G R A U : M a m i l o i n t e r n o
permanentemente prolabado pelo canal
anal (lado externo), sem possibilidade de
ser recolocado para o interior do canal
anal.
MAMILO HEMORROIDÁRIO EXTERNO
• O mamilo localizado abaixo da linha
pectínea, no anoderma (porção externa ou
distal do canal anal), é denominado externo.
• Caracteriza-se por dilatações dos vasos
subcutâneos do anoderma, formando um
abaulamento de consistência mole, indolor e
às vezes de coloração vinhosa.
MAMILO HEMORROIDÁRIO MISTO
• Na existência, concomitante, de mamilos
internos e externos, a doença hemorroidária
é chamada de mista.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A enfermidade hemorroidária pode ser
assintomática e só diagnosticada ao exame
físico.
Os sintomas incluem:
1. Sangramento;
2. Prolapso;
3. Exsudação perianal;
4. Desconforto anal;
COMPLICAÇÕES
1. Sangramento;
2. Prolapso do tecido da mucosa;
3. Ulceração;
4. Anemia;
5. Trombose hemorroidária (dor anal intensa,
principalmente na hemorroida externa).
DIAGNÓSTICO
Realizado por meio de:
1. Anamnese;
2. Exame proctológico:
Consiste em inspeção do
ânus e margem anal,
toque retal, anuscopia e
retossigmoidoscopia.
TRATAMENTO
• O tratamento da doença hemorroidária
depende de haver sintomas e de seu tipo e
gravidade.
• A que não ocasiona sintomas ao paciente não
necessita de tratamento específico, mas
somente de cuidados higiênico-dietéticos.
TRATAMENTO CLÍNICO
Ele compreende os seguintes cuidados:
1. Medidas higiênico-dietéticas;
2. Cuidados locais;
3. Medicação tópica;
4. Drogas vasoativas;
5. Tratamento cirúrgico.
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TRATAMENTO AMBULATORIAL DE
HEMORROIDAS INTERNAS
• O objetivo é provocar reação inflamatória na
porção proximal dos mamilos internos,
reduzindo o seu volume e fixando a mucosa
na parede retal para impedir o prolapso e o
sangramento.
Entre os métodos terapêuticos mais utilizados,
para o t ratamento ambulator ia l das
hemorroidas internas, estão:
1. Escleroterapia;
2. Crioterapia;
3. Fotocoagulação;
4. Ligadura elástica.
Para mamilos hemorroidários internos:
A. 1° grau: Crioterapia ou fotocoagulação;
B. 2°grau: Fotocoagulação ou ligadura
elástica;
C. 3° grau: Ligadura elástica;
D. 4 ° g r a u : H e m o r r o i d e c t o m i a
(grampeamento).
TÉCNICAS DE HEMORROIDECTOMIA
• Nos enfermos que apresentam mamilos
hemorroidários externos ou mistos, a melhor
opção é a hemorroidectomia.
1. Hemorroidectomia
aberta (Milligan-
Morgan): Seu princípio
básico é a excisão de
t o d o o m a m i l o
hernorroidário com
ligadura do seu pedículo
vascular, mantendo-se a
área de dissecção aberta para a sua
cicatrização por segunda intenção. É a
mais uti l izada pelos cirurgiões. A
cicatrização da ferida operatória acontece
entre 3 e 4 semanas.
2. Hemorroidectomia
fechada (Ferguson):
S e u p r i n c í p i o é o
fechamento das feridas
operatórias com sutura
contínua, tendo como
vantagens a cicatrização
mais rápida (2 semanas),
com pouca secreção
local e menor incidência
de defeitos cicatriciais.
3. H e m o r r o i d e c t o m i a p o r
grampeamento: Indicada para prolapso
hemorroidário (hemorróidas de 3º grau e
aquelas de 4º grau sem componente
externo exuberante). Trata-se de uma
técnica em que se faz uma fixação das
hemorróidas em uma posição superior no
canal anal através do uso de um
grampeador cirúrgico circular especial.
Com isso corrige-se o prolapso.
4. Desarterialização transanal das
hemorróidas (THD):
COMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS
As mais importantes são:
1. Dor;
2. Sangramento;
3. Fecaloma;
4. Retenção urinária;
5. Estenose anal;
6. Fissura anal;
7. Infecção da ferida operatória.
Maria Vitória de Sousa Santos
OBSTRUÇÃO INTESTINAL
OBSTRUÇÃO INTESTINAL
• É uma condição em que há falha na
progressão normal do conteúdo intestinal da
boca em direção ao ânus.
• Obstrução intestinal estará presente a partir
do momento em que qualquer obstáculo
impeça esta progressão, seja por uma
barreira física ou por distúrbio funcional da
força propulsora da musculatura intestinal.
CLASSIFICAÇÃO
• As causas podem ser subclassificadas :
1. Obstrução mecânica: Há uma barreira
física com manutenção da força propulsora
da musculatura intestinal (+ frequente).
Pode ser dos tipos:
- Obstrução simples: Sem alterações
da circulação sanguínea.
- Obstrução com estrangulamento:
Quando há redução do fluxo sanguíneo
e necrose dos tecidos intestinais.
- Fatores intrínsecos: Quando há um
componente de obstrução no interior
do lúmen intestinal (Ex: tumores).
- Fatores Extrínsecos: Quando há um
componente de obstrução no exterior
do lúmen intestinal (Ex: Brida)
2. Obstrução paralítica/reflexa: Não há
barreira física, o que há é um distúrbio da
força propulsora da musculatura intestinal.
É causada por redução da peristalse por
distúrbios musculares ou neurogênicos.
Podemos encontrar duas situações:
- Í l e o a d i n â m i c o : E m q u e a
ineficiência é resultante do relaxamento
da musculatura.
- Íleo dinâmico: Em que a ineficiência
é r e s u l t a n t e d e e s p a s m o d a
musculatura.3. Obstrução alta: Acomete o intestino
delgado.
4. Obstrução baixa: Acomete o intestino
grosso e reto.
Observação: Ao auscultar o abdome na
obstrução adinâmica, há silêncio abdominal
porque o peristaltismo estará ausente ou é
ineficiente e dor contínua.
FATORES DE RISCO
1. Cirurgia abdominal ou pélvica anterior;
2. Idade avançada;
3. Hérnia de parede abdominal ou inguinal;
4. Doença inflamatória intestinal;
5. Tuberculose intestinal;
6. História ou presença de neoplasia
intestinal;
7. Constipação intestinal;
8. Medicação anticolinérgica;
9. Radioterapia local prévia;
10. Ingestão de corpo estranho.
ETIOPATOGENIA
1. Hérnias externas;
2. Intussuscepção;
3. Vólvulo;
4. Bridas;
5. Íleo biliar;
6. Impactação fecal;
7. Estenoses;
8. Tumores/cânceres;
9. Corpos estranhos.
Observação: Alguns pacientes podem ter
estrangulamento com necrose do intestino,
perfuração, peritonite e sepse.
FISIOPATOLOGIA
• A OI ocorre quando o fluxo intraluminal se
torna interrompido.
• O intestino normal contém gás, bem como
secreções gástricas e alimentos.
• O acúmulo intraluminal de secreções
gástricas, biliares e pancreáticas continua
ocorrendo mesmo que não haja ingesta oral.
• A medida que a obstrução se desenvolve, o
intestino apresenta edema de alças, o
conteúdo intestinal deixa de ser absorvido e
fluido passa a ser sequestrado no lúmen
levando a um sequestro de líquidos para o 3º
espaço, reduzindo a perfusão, aumentando
a isquemia e necrose.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
OBSTRUÇÃO DO DELGADO
Os sinais e sintomas clássicos são:
1. Dor em cólica (representando o esforço do
intestino para vencer a barreira física,
localizada no hipogástrio);
2. V ô m i t o s ( i n i c i a l m e n t e r e fl e x o s ,
consequentes da dor, posteriormente,
mecanismo p/ se livrar da sobrecarga de
conteúdo intestinal; Inicialmente é claro;
apresenta-se bilioso; quanto mais tempo
durar a obstrução e mais baixo for, no tubo
digestivo, mais se aproximará do aspecto
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fecaloide: marrom, espesso e fétido,
observado na obstrução baixa do delgado);
3. Parada de eliminação de gases e fezes (é
resultado da interrupção da progressão do
conteúdo intestinal);
4. Distensão abdominal (resultado do
acúmulo de líquido e gás dentro das alças
acima do ponto de obstrução).
Observação: Com os vômitos há perda de
volume, e os pacientes apresentam-se
desidratados, taquicárdicos, com hipotensão
ortostática e diminuição do débito urinário.
Obstrução mecânica:
1. Dor é grave e espasmódica;
2. Há borborigmo (sons de borbulho
produzidos pela propulsão de gases no
intestino);
3. Ruídos peristálticos agudos e audíveis;
4. Ondas peristálticas exacerbadas e visíveis,
que tendem a ocorrer com episódios de dor
abdominal;
5. Agitação extrema e percepção consciente
dos movimentos intestinais;
6. Fraqueza;
7. Sudorese;
8. Ansiedade.
OBSTRUÇÃO DO CÓLON
• A sintomatologia da obstrução do cólon
difere da do delgado por condições
anatômicas e fisiológicas: o cólon está
preparado para reter gases e fezes, está
distante do estômago e muito próximo do
orifício de esvaziamento, o ânus.
• A complacência do cólon, a ausência de dor
forte, que poderia desencadear vômitos
reflexos, e a distância do estômago fazem
com que a ocorrência de vômito seja rara.
• Na obstrução do cólon, a grande distensão
abdominal é o sinal predominante.
• A parada de gases e fezes poderá ser o
primeiro sintoma.
COMPLICAÇÕES
• Gases e líquidos acumulam-se no segmento
afetado e, se o problema não for sanado, a
distensão causada pela obstrução intestinal
tende a perfurar e causar atonia intestinal com
distensão adicional.
• A distensão é agravada ainda mais pela
acumulação de gases.
• À medida que o processo avança, a distensão
estende-se aos segmentos mais proximais (i.
e., na direção da boca) e envolve outros
segmentos intestinais.
• Por fim, as duas formas de obstrução podem
causar estrangulamento (i. e., interrupção da
irrigação sanguínea), gangrena e finalmente
perfuração intestinal.
• A pressão alta dentro do intestino tende a
reduzir o fluxo sanguíneo da mucosa, resultando
em necrose e passagem de sangue para os líquidos
luminais.
• Isso favorece a proliferação rápida das
bactérias no intestino obstruído, que podem
passar para o sistema linfático e os órgãos
adjacentes.
• A passagem das bactérias para fora do
sistema digestório agrava a inflamação e
pode acentuar a isquemia e causar falência dos
órgãos.
• A combinação de diminuição da absorção,
vômito e ingestão reduzida de líquidos leva à
depleção de volume com hemoconcentração
e desequilíbrio eletrolítico, podendo
ocasionar a insuficiência renal ou choque; pode
ocorrer, ainda, transudação de líquido para a
cavidade peritoneal.
• Os vômitos levam à perda adicional de
volume com perda de eletrólitos como sódio,
potássio, cloro e ácido clorídrico, e o paciente
pode evoluir com alcalose metabólica, além do
aumento do nível do lactato e densidade
urinária.
• Os doentes podem, ainda, apresentar
supercrescimento bacteriano, o que favorece
a ocorrência de infecção.
DIAGNÓSTICO
Em geral, o diagnóstico de obstrução intestinal
se baseia na:
1. História clínica;
2. Exame físico;
3. Radiografias simples do abdome;
Maria Vitória de Sousa Santos
4. Exame constrastado (para usar o bário, é
necessário preencher determinadas
condições: não pode haver a menor sus
peita de estrangulamento, peritonite ou
perfuração);
5. TC;
6. Laboratoriais (hemograma completo,
eletrólitos, função renal, amilase, lipase,
desidrogenase lática (LDH), bioquímica
hepática, provas inflamatórias).
TRATAMENTO
TRATAMENTO CLÍNICO
• Obstrução intestinal é uma doença cirúrgica.
• Todo paciente obstruído necessita receber
reposição hidroeletrolítica antes de tratar a
causa da obstrução, pois todo paciente
obstruído perde líquido, ou seja, perde
volemia.
• A partir de 20% de perda volêmica, começa
a apresentar alteração hemodinâmica:
1. Volume urinário diminui
2. Frequência do pulso se eleva
3. Pressão arterial cai.
• Inicia-se o tratamento clínico com aspiração
nasogástrica, reposição hídrica, medida do
volume urinário, monitorização do pulso,
pressão venosa central (PVC) e pressão
arterial.
• O m o m e n t o i d e a l p a r a i n i c i a r o
procedimento cirúrgico dá-se quando o
paciente apresentar pressão normal e estável,
diminuição da frequência do pulso e
eliminar, pela primeira vez, 30 ml de urina
em 1 h.
OUTROS TIPOS DE OBSTRUÇÃO
ÍLEO PARALÍTICO
• Aparece como complicação de outras
doenças, principalmente peritonites, sepse
grave, distúrbios metabólicos e problemas
neurológicos.
• A ausculta do abdome mostrará ausência de
ruídos peristálticos.
• Os exames de imagem mostrarão delgado e
cólon distendidos com gás.
ÍLEO COLÔNICO (SÍNDROME DE OGILVIE)
• Ocorre com maior frequência em pacientes
no pós-operatório, acamados e idosos.
• A dilatação mais acentuada acontece no ceco
e no cólon ascendente.
• Comporta-se de maneira muito semelhante à
da obstrução mecânica, entretanto não há
barreira física detectável pela investigação
direta do cólon.
• Ocorre em doenças como o hipertireoidismo.
• O motivo não é muito claro, mas a hipótese
mais aceita é uma hiperativação simpática.
PSEUDO-OBSTRUÇÃO INTESTINAL
• Simula a obstrução dodelgado, entretanto o
paciente não tem hérnia externa, nunca foi
operado e relata episódios semelhantes
anteriores.
• As imagens são inespecíficas: na obstrução
mecânica, não há gás abaixo do ponto de
obstrução, enquanto no íleo paralítico e
pseudo-obstrução aparece gás em todo o
intestino.
PÓLIPOS E CA COLORRETAL
PÓLIPOS
• Os pólipos intestinais são alterações que
podem aparecer no intestino devido à
proliferação excessiva de células presentes na
mucosa no intestino grosso, o que na maioria
das vezes não leva ao aparecimento de sinais
ou sintomas.
CLASSIFICAÇÃO HISTOLÓGICA
A classificação de Cooper, se baseia nas
características histológicas dos pólipos,
podendo, dessa forma, ser classificados em
pólipos neoplásicos e não neoplásicos.
Os pólipos não neoplásicos podem ser, por
sua vez, subdivididos em:
1. Hamartomas;
2. Hiperplásticos;
3. Inflamatórios.
Neoplásicos são representados por:
1. Adenomas (benignos);
2. Adenocarcinoma (maligno).
PÓLIPOS ADENOMATOSOS/ NEOPLÁSICOS
Maria Vitória de Sousa Santos
• Tipos + comum de neoplasia intestinal.
• Pólipos adenomatosos (adenomas) são
neoplasias benignas que se originam do
epitélio da mucosa intestinal.
• Esses pólipos são formados de células
neoplásicas que proliferaram mais que a
necessidade para repor as células que
normalmente se desprendem da superfície da
mucosa.
Inserção à parede do intestino delgado:
1. Sésseis: Nódulos elevados da mucosa;
2. Pedunculados : Inseridos por um
pedículo.
CLASSIFICAÇÕES DO ADENOMA
Podem ser classificados como:
1. Adenomas tubulares: Representam
65% dos adenomas benignos do intestino
grosso, geralmente são lesões esféricas com
superfícies lisas e diâmetro menor que 2
cm, que se encontram ligadas à superfície
da mucosa por um pedículo.
2. Adenomas vilosos: Constituem 10% dos
adenomas do intestino grosso e são
encontrados principalmente no cólon
retossigmoide. Nos casos típicos, esses
adenomas são lesões elevadas com bases
amplas e superfície rugosa semelhante à
couve-flor. Ao contrário dos adenomas
tubulares, os adenomas vilosos têm mais
propensão a conter células malignas.
Quando se desenvolve um carcinoma
invasivo, observa-se invasão direta da
parede do intestino grosso.
3. Adenomas tubulovilosos: Os adenomas
tubulovilosos têm arquitetura com
elementos tubulares e vilosos. Os adenomas
d e s s e t i p o o c u p a m u m a p o s i ç ã o
intermediária entre os adenomas tubulares
e vilosos no que se refere ao risco de
desenvolver carcinoma invasivo.
PATOGÊNESE
• Adenomas têm origem em células imaturas
localizadas junto ao fundo das criptas
intestinais, que persistem no processo
proliferativo celular, ultrapassando as
necessidades da reparação normal do
epitélio.
• As células epiteliais não conseguem restringir
a síntese do DNA; como consequência, o
processo proliferativo atinge a mucosa e, pelo
seu acúmulo, formam os pólipos, que, na sua
progressão, atingem a forma displásica.
• A patogênese da formação dos adenomas
consiste em alteração neoplásica da
replicação das células epiteliais das criptas.
• Pode haver apoptose reduzida, persistência
da replicação celular e falhas de maturação e
diferenciação das células que migram para a
superfície das criptas.
• Normalmente, a síntese de DNA cessa à
medida que as células alcançam os dois
terços superiores das criptas e, em seguida,
sofrem maturação, migram para a superfície
e tornam-se se senescentes.
• Em seguida, essas células sofrem apoptose e
desprendem-se da superfície.
• Os adenomas são formados quando há uma
anormalidade dessa sequência (p. ex.,
quando as células epiteliais retêm sua
capacidade proliferativa ao longo de todo o
comprimento da cripta.
• As alterações da diferenciação celular podem
causar displasia e progressão a um carcinoma
invasivo.
• Mais de 50% de todos os pól ipos
adenomatosos estão localizados no cólon
retossigmoide e podem ser detectados por toque
retal ou sigmoidoscopia.
• O s r e s t a n t e s e s t ã o d i s t r i b u í d o s
uniformemente ao longo de todos os outros
segmentos do intestino grosso.
ALTERAÇÕES GENÉTICAS ENVOLVIDAS
• A identificação de anormalidades genéticas
encontradas comumente nos TMCR
esporádicos ou hereditários inclui:
1. Inativação de genes supressores
tumorais —> APC, DCC e p53
2. Ativação de oncogenes —> K-ras.
• A PFA juntamente com a síndrome de
Lynch representam duas importantes
condições hereditárias que ocasionam o
aparecimento do câncer colorretal, e foram
identificadas três vias de eventos genéticos
responsáveis:
1. Via de instabilidade cromossômica
(CIN+): Aumenta a velocidade em que
ocorrem as alterações grosserias durante a
divisão celular
2. Vi a d e i n s t a b i l i d a d e d e m i-
crossatélites (MS!+): Promove um
Maria Vitória de Sousa Santos
aumento significativo nas alterações súbitas
do DNA
3. Combinação das duas vias: CIN-MSI.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• A manifestação clínica do pólipo é pouco
significativa e poderá se dar através da perda
de sangue e/ou muco junto com as fezes.
• A intensidade da perda estará em relação
com o número e tamanho dos pólipos, po-
dendo variar desde a ausência de perdas
sanguíneas até situações de enterorragia mais
intensa, levando à anemia.
• A perda de muco, misturado com sangue ou
não, é a manifestação característica dos
pólipos vilosos.
• Estes chegam, em algumas situações, a
apresentar grandes volumes de perdas, com
consequente depleção hidreletrolítica.
• Pólipos mais volumosos poderão ocupar
espaço dentro do lúmen intestinal, levando a
episódios de suboclusão intestinal.
DIAGNÓSTICO
• O diagnóstico é realizado através de
p r o c e d i m e n t o s e n d o s c ó p i c o s
(retossigmoidoscopia e colonoscopia) e
radiológicos (enema opaco).
• O exame radiológico (enema opaco)
consegue detectar cerca de 80% dos pólipos,
porém apresenta dificuldades no encontro de
lesões com menos de 0,5 cm, havendo,
muitas vezes, resultados falso-positivos
provocados por fecalitos aderidos à parede
intestinal.
TRATAMENTO
• O tratamento consiste na remoção de
qualquer pólipo encontrado, e a via de
eleição são os procedimentos endoscópicos,
que permitem o enlaçamento do pólipo
através de alças e sua ressecção com eletroful-
guração da sua base.
• Pólipos maiores, sésseis e com base larga são
r e m ov i d o s e m p a r t e s , a t r av é s d e
procedimentos sucessivos, muitas vezes em
mais de uma sessão.
• Na impossibilidade da remoção endoscópica
de pólipos, pelo seu volume ou base
extremamente larga, a conduta passará a ser
cirúrgica, com laparotomia e colotomia.
• Nessas situações, em casos suspeitos, a
cirurgia poderá ser ampliada com a rea-
lização da colectomia parcial.
PÓLIPOS HAMARTOMATOSOS
• O hamartoma é definido como um tumor
não neoplásico, formado pela proliferação
anormal de tecido normal, disposto de forma
desorganizada, não existindo qualquer
evidência de que representa alterações pré-
cancerosas.
• O pólipo juvenil é mais comumente
encontrado em crianças e, ocasionalmente,
em adultos.
• Apresenta-se de forma esférica e superfície
lisa, diâmetro médio de 1 a 2 cm, com
pedículos longos e finos, contendo inúmeros
cistos preenchidos por mucina, daí também a
denominação "pólipo de retenção".
• Ao contrário dos adenomas, não apresenta
qualquer alteração epitelial.
• Em 70% dos casos, localiza-se no reto, em
15% no sigmoide e, nos 15% restantes, ao
longo do cólon.
•Em 75% das vezes, são pólipos únicos e,
quando múltiplos, variam, na maioria das
vezes, em número de 2 a 12.
• A formação desses pólipos está diretamente
ligada à inflamação e ulceração da mucosa colônica.
• Essas s i tuações obl i teram pequenas
glândulas, que se dilatam e proliferam,
formando inúmeros cistos de conteúdo
mucinoso, fazendo, na sequência, a protrusão
do lúmen intestinal.
• O movimento do bolo fecal traciona essa
protrusão, formando então o pedículo,
desprovido de muscularis mucosae.
• Por essa razão, poderá sofrer processo de
torção e/ou necrose, com sua eliminação
espontânea.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• A manifestação clínica mais importante é a
perda de sangue junto com as fezes.
• Como a maioria desses pólipos são de lo-
calização baixa, o sangue é de coloração
clara.
Maria Vitória de Sousa Santos
• Alguns pólipos retais, de pedículo longo,
poderão exteriorizar-se pelo ânus durante a
evacuação.
• Em situações de múltiplos pólipos, poderá
acontecer o aparecimento da diarreia.
DIAGNÓSTICO
• O diagnóstico é realizado através de
procedimentos endoscópicos, e, pela
retossigmoidoscopia e os restantes, pela
colonoscopia.
• O método endoscópico permite não somente
o diagnóstico deles, mas também sua
remoção, através do seu enlaçamento com
alças ligadas a eletrocautério.
• O enema opaco poderá ser avaliado para o
diagnóstico dos pólipos, porém, com a
disseminação do uso da colonoscopia, com
sua vantagem terapêutica de excisão dos
pólipos, este recurso praticamente deixou de
ser utilizado.
POLIPOSE JUVENIL
• É constituído por dilatações císticas das
glândulas, circundadas por edema e in-
filtrado inflamatório, com presença frequente
de superfície ulcerada e formação de tecido
de granulação.
• A polipose juvenil, que é a presença difusa de
hamartomas, poderá apresentar-se sob a
forma de três síndromes:
1. Polipose juvenil colônica
2. Polipose juvenil gastrintestinal difusa
3. Síndrome de Cronkhite-Canada (polipose
juvenil com lesões ectodérmicas).
• As duas primeiras são de caráter hereditário
autossômico recessivo, e os pólipos
hamartomatosos apresentam baixíssimo
potencial de malignização.
• Porém, existe um risco maior do câncer
colorretal nos portadores da forma familiar
juvenil e em seus familiares.
• A remoção dos pólipos através da endoscopia
é o procedimento eletivo inicial.
• Em algumas situações, o volume dos pólipos
poderá levar à invaginação intestinal e, nessas
condições, ou na impossibilidade da remoção
de todos os pólipos por via endoscópica, é
indicada a colectomia total.
• Atualmente, tem sido demonstrado que a
cirurgia intestinal, feita através da vi-
deolaparoscopia, tem apresentado resultados
melhores do que a cirurgia convencional
aberta, com menos ileoparalítico no pós-
operatório, redução do tempo de internação
hospitalar, melhores resultados estéticos e o
mais breve retorno do paciente às suas
atividades.
PÓLIPO DE PEUTZ-FEGHERS
• O pólipo de Peutz-feghers manifesta-se de
forma solitária, mais comumente no intestino
delgado, podendo também ser encontrado no
reto e no cólon e, do ponto de vista histológi-
co, apresenta malformação da muscularis
mucosae, recoberta por mucosa normal, sem
qualquer atividade de proliferação celular
anormal.
• A síndrome de Peutz-
Jeghers é forma pouco
comum de uma entidade
autossômica dominante, em
que múltiplos pólipos
hamartomatosos são
encontrados no estômago, intestino delgado e
cólon.
• Há concomi tante aparec imento de
pigmentação mucocutânea junto aos lábios,
mucosa bucal, língua, genitais e períneo.
• O potencial de malignização desses pólipos é
extremamente baixo, e eles poderão ser
removidos por via endoscópica.
• Nesses pacientes, o carcinoma incide de
forma elevada em outros órgãos, como
estômago, duodeno, pâncreas, intestino
delgado e pulmões.
Manifestações clínicas:
1. Dor abdominal;
2. Sangramento digestivo, oculto ou não;
3. Obstrução intestinal por intussuscepção.
Observação: A hemorragia oculta a partir da
ulceração dos pólipos é responsável pela
anemia ferropriva dos pacientes.
PÓLIPOS INFLAMATÓRIOS
• O pó l ipo l in fo ide ben igno é mai s
frequentemente encontrado no terço distal
do reto e no íleo terminal.
• É formado por tecido linfoide, constituindo
estrutura de linfonodo, porém sem sinuo-
sidades, localizando-se na submucosa e
recoberto de mucosa normal.
• Representa uma lesão inflamatória em fase
de regeneração, que deve ser diferenciada do
linfoma maligno solitário.
Maria Vitória de Sousa Santos
• H a b i t u a l m e n t e , e s s e s p ó l i p o s s ã o
assintomáticos, sendo encontrados devido à
patologia inflamatória associada; a sua ex-
cisão representa o tratamento correto.
• A polipose inflamatória, ocorre como
resultado de ulceração que compromete toda
a e spes sura do ep i t é l io in te s t ina l ,
principalmente em processos disentéricos
crônicos do cólon, como os encontrados na
doença de Crohn e, particularmente, na
retocolite ulcerativa.
• Esses pólipos se apresentam, em grande
número, sob a forma de apêndices mucosos,
contendo alterações de caráter inflamatório.
• Não há evidências de que a polipose
inflamatória estaria diretamente relacionada
com o aparecimento do câncer colorretal nos
processos inflamatórios crônicos do cólon.
• Do ponto de vista radiológico e endoscópico,
a diferenciação entre a polipose inflamatória
e a adenomatosa poderá ser difícil, sendo
necessário o exame histopatológico de
biopsias para o correto diagnóstico.
• Esses pólipos não requerem terapia
específica, uma vez que estão relacionados
diretamente com o processo inflamatório de
base.
PÓLIPOS HIPERPLÁSICOS
• Os pólipos metaplásicos, ou hiperplásicos,
são bastante frequentes no reto e achado
comum em exames retossigmoidoscópicos.
• Apresentam-se como pequenas lesões com
poucos milímetros de diâmetro, recobertas
por mucosa normal, sésseis, com aspecto
nodular ou mamelonado.
• Esses pólipos são formados a partir de
alterações na divisão celular no interior da
cripta de Lieberkühn, com expansão da zona
de replicação celular em sua base, resultando
na elevação polipoide, e sem qualquer
evidência de atipia.
• Em algumas situações, esses nódulos, na
realidade, já seriam adenomas, coexistindo
com uma estrutura de pólipo hiperplaśico.
• É necessário exame microscópico para a
devida remoção dessas lesões, no sentido da
prevenção do câncer local.
• Os verdadeiros pólipos metaplásicos, simples
ou múltiplos, são assintomáticos e não
requerem qualquer terapêutica específica.
CÂNCER DE COLORRETAL
• Nos EUA, câncer colorretal é a terceira
neoplasia maligna mais comum entre os
homens e as mulheres e a terceira causa
principal de mortes por câncer.
• C e r c a d e 9 5 % d o s T M C R s ã o
adenocarcinomas, tendo como lesão
precursora o pólipo adenomatoso, e o
p r o c e s s o d e t r a n s f o r m a ç ã o
adenomacarcinoma ocorre em tempo médio
de 12 a 15 anos.
• Assim, o reconhecimento e a remoção das
lesões polipoides adenomatosas do cólon,
i n t e r r o m p e n d o a s e q u ê n c i a d e
transformação, promoverão a profilaxia dos
TMCR.
FATORES DE RISCOS
1. Idade (> 40 anos);
2. História familiar de câncer (incidência
proporcional ao número de parentes de
primeiro grau que apresentaram a
neoplasia);
Observação: É recomendável que pessoas
com dois ou mais familiares com TMCR sejam
orientadas a realizarem colonoscopia de
controle a partir da idade de 30 anos,
independentemente de quaisquer sintomas.
3. Pólipos adenomatosos (particularmentese
múltiplos e/ou com mais de 1 cm);
4. História familiar de síndromes (Gardner,
síndrome de Turcot, síndrome de Muir,
síndrome de Peutz-Jeghers e polipose
familiar juvenil);
5. Polipose familiar adenomatosa (distúrbio
autossômico dominante raro relacionado
com uma mutação do braço longo do
cromossomo 5);
6. Câncer hereditário não polipoide colorretal
(CHNP);
Observação: O diagnóstico "formal" dessa
situação é baseado em três criteŕios: 1 ) três ou
mais familiares de primeiro grau com TMCR,
sendo um parente de primeiro grau dos outros
dois; 2) TMCR envolvendo pelo menos duas
gerações; e 3) pelo menos um caso de TMCR
diagnosticado antes da idade de 50 anos.
7. História pregressa de neoplasias;
8. Portadores de doença de Crohn ou colite
ulcerativa;
9. Dieta;
- Ingestão de gorduras: Aumentam a
síntese de ácidos biliares no fígado, que
Maria Vitória de Sousa Santos
podem ser convertidos em carcinógenos
potenciais pela flora bacteriana do
intestino.
- Açúcares refinados : Ampl ia a
prol i feração bacter iana, que são
responsáveis pela conversão dos ácidos
biliares em carcinógenos.
- Fibras: As fibras dietéticas parecem
aumentar o volume das fezes e, deste
modo, diluir e eliminar carcinógenos
potenciais.
- Vitaminas A, C e E: Varredores de
radicais livres de oxigênio.
SÍNDROMES HEREDITÁRIAS E CA
1. Síndrome de Gardner;
2. Síndrome de Turcot;
3. Síndrome de Cowden;
4. Síndrome de Lynch.
ETIOLOGIA
• É reconhecida a importância de condições
genéticas predisponentes e de fatores
ambientais desencadeadores.
• Há maior incidência dos TMCR em países
ocidentais, onde a dieta é excessivamente
composta de gorduras e proteínas de origem
animal e pobre em fibras.
• Esse padrão dietético favorece, a partir da
fermentação de ácidos biliares e graxos pela
ação de bactérias anaeróbias, a formação de
substâncias carcinogênicas, que atuariam no
lúmen intestinal, alterando o DNA das
células e promovendo a sequência adenoma-
adenocarcinoma.
• Esse mesmo padrão dietético é também
pobre em substâncias antioxidantes, que
possuem ação reconhecidamente inibidora
do processo carcinogênico.
• Atualmente, considera-se como condições
predisponentes ao aparecimento do TMCR
o consumo diário de carnes vermelhas e
alimentos defumados.
• A utilização de dietas ricas em fibras, através
da ingestão de frutas e legumes, além da
liberação de substâncias antioxidantes,
promove também o aceleramento do trânsito
intestinal e, dessa forma, reduz o tempo de
contato das substâncias carcinogênicas com o
lúmen intestinal.
ETIOLOGIA GENÉTICA
• A identificação de anormalidades genéticas
encontradas comumente nos TMCR
esporádicos ou hereditários inclui:
1. Inativação de genes supressores
tumorais —> APC, DCC e p53
2. Ativação de oncogenes —> K-ras.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• Em geral, os cânceres de cólon e reto se
instalam muito tempo antes de surgirem
sintomas.
1. Sangramento é uma queixa inicial;
2. Diarreia ou constipação intestinal;
3. Sensação de urgência ou esvaziamento
incompleto do intestino;
4. Presença de sangue e/ou muco nas fezes;
5. Massa abdominal;
6. Perda de apetite;
7. Astenia;
8. Anemia;
9. Emagrecimento;
10. “Puxos" no canal retal (CA retal);
11. Dor abdominal (sintoma tardio).
Observação: Sintomas comuns no cólon
direito: anemia ferropriva. No cólon esquerdo:
fadiga e anemia.
CLASSIFICAÇÃO DO CA COLORRETAL
• Em geral, o câncer colorretal é classificado
em quatro estágios com base no sistema
TNM (tumor, linfonodo e metástase).
1. Tumor do estágio I: Limita-se à invasão
das camadas mucosa e submucosa do
intestino grosso e está associada a um
índice de sobrevivência entre 90 e 100%
em 5 anos.
2. Tumor do estágio II: (linfonodos
negativos) infiltra, mas não ultrapassa a
camada muscular própria e tem índice de
sobrevivência de 80% em 5 anos.
3. Tumor do estágio III: (linfonodos
positivos), no qual há invasão da serosa e
dos linfonodos regionais, o índice de
Maria Vitória de Sousa Santos
sobrevivência diminui para 30 a 50% em 5
anos.
4. Tumores do estágio IV: (metastáticos)
penetram na serosa ou nos órgãos
adjacentes e têm prognóstico muito mais
desfavorável.
COMPLICAÇÕES
1. Perfuração;
2. Obstrução;
3. Hemorragias.
DIAGNÓSTICO
Entre as abordagens usadas para detectar
cânceres colorretais estão:
1. História clínica;
2. Exame físico;
3. Toque retal;
4. Radiografia de tórax:
5. Pesquisa de sangue oculto nas fezes;
6. Radiografias contrastadas com bário
(“sinal da maçã mordida”);
7. TC e ressonância magnética;
8. Ultrassonografia endorretal;
9. Sigmoidoscopia e colonoscopia flexíveis;
10. PET-SCAN;
Observação: A American Câncer Society
recomenda que todos os homens e mulheres
assintomáticos 45 anos devem fazer toque retal
anualmente como parte do seu exame físico de
rotina.
TRATAMENTO
1. Cirurgia;
2. Quimioterapia e Radioterapia.
HEPATITES
VÍRUS CAUSADORES DE HEPATITE
Entre os vírus que causam doença sistêmica e
podem afetar o fígado estão:
1. Vírus Eps te inBarr (mononuc leose
infecciosa)
2. Citomegalovírus (Recém nascido e
imunossuprimidos);
3. Herpesvírus;
4. Enterovírus;
5. Febre amarela;
6. Dengue, entre outros.
TIPOS DE HEPATITE
Os vírus hepatotrópicos conhecidos são os
seguintes:
1. Vírus da hepatite A (VHA);
2. Vírus da hepatite B (VHB);
3. Vírus δ (delta) associado à hepatite B
(VHD);
4. Vírus da hepatite C (VHC);
5. Vírus da hepatite E (VHE).
ETIOLOGIA E PATOGÊNESE
A evolução clínica das hepatites virais
caracteriza-se por algumas síndromes:
1. Infecção assintomática apenas com indícios
sorológicos da doença;
2. Hepatite aguda;
3. E s t ado de po r t ador s em doen ç a
clinicamente evidente ou com hepatite
crônica;
4. Hepatite crônica com ou sem progressão
para cirrose;
5. Doença fulminante com início rápido de
insuficiência hepática.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• Os vírus A, B, C, D, E costumam apresentar
o mesmo curso clínico.
As manifestações clínicas das hepatites virais
agudas podem ser divididas em três fases:
1. Pródromo ou período pre-́ictérico:
Mal-estar, mialgia, artralgia, fadiga aos
mínimos esforços, anorexia, náuseas,
vômitos, rinorreia, tosse, diarreia ou
constipação intestinal, aversão ao paladar
e/ou olfato, fotofobia, desconforto no
hipocôndrio direito, urticária e exantema
papular ou maculopapular. Os níveis
séricos de AST e ALT (enzimas presentes
nas céls. do fígado que são liberadas em
consequência a uma lesão hepática)
mostram elevações variáveis durante a fase
pré-ictérica da hepatite aguda e as
alterações destas enzimas precedem a
elevação da bilirrubina, que acompanha o
início da fase ictérica da infecção. Tem
duração de 1-3 semanas.
Maria Vitória de Sousa Santos
2. Fase ictérica: Começa 7 a 14 dias depois
do período prodrômico. Os pacientes têm
hipersensibilidade na região do fígado,
emagrecimento discreto e hemangiomas
aracneiformes. A ocorrência de icterícia é
menos provável com a infecção pelo VHC.
3. Período de recuperação: Caracteriza-
se por sensação crescente de bem-estar,
recuperação do apetite e desaparecimento
da icterícia.
Observação: As infecções pelo VHB, VHC e
VHD podem levar a um estado de portador, no
qual o indivíduo não tem sintomas, mas é
portador do vírus e consequentemente pode
transmitir a doença.
ESTADO DE PORTADORFatores de risco p/ ser um portador:
1. Idade por ocasião da infecção* (bebês
nascidos de mães infectadas pelo VHB);
2. Es tado imune ( imunossupr imidos,
indivíduos que fizeram várias transfusões,
hemodiálise e dependentes químicos).
HEPATITE A
• Doença infecciosa viral, contagiosa, causada
pelo vírus A (HAV) e também conhecida
como “hepatite infecciosa”, “hepatite
epidêmica”, ou “hepatite de período de
incubação curto”. O agente etiológico é um
pequeno vírus RNA, membro da família
Picornaviridae.
Observação: Mais assintomática e quando
sintomática está muito associada a icterícia,
principalmente no adulto.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO
• O período de incubação, intervalo entre a
exposição efetiva do indivíduo suscetível ao
vírus e o início dos sinais e sintomas clínicos
da infecção, varia de 15 a 50 dias (média de
30 dias).
TRANSMISSÃO
• A principal via de contágio é a fecal-oral, por
contato inter-humano ou por água e
alimentos contaminados.
• A disseminação está relacionada às condições
de saneamento básico, nível socioeconômico
da população, grau de educação sanitária e
condições de higiene da população.
• A transmissão sexual da hepatite A pode
ocorrer com a prática sexual oral-anal
(anilingus), por meio do contato da mucosa
da boca de uma pessoa com o ânus de outra
portadora da infecção aguda da hepatite A.
• A prática dígito-anal-oral pode ser uma via
de transmissão.
PREVENÇÃO
• A hepatite A pode ser prevenida pela
utilização da vacina específica contra o vírus
A1.
• Entretanto, a melhor estratégia de prevenção
desta hepatite inclui a melhoria das
condições de vida, com adequação do
saneamento bá s i co e da s med idas
educacionais de higiene.
DIAGNÓSTICO
1. Anti-HAV IgM: A presença deste
marcador define o diagnóstico de hepatite
aguda A. É detectado a partir do 2° dia do
início dos sintomas da doença e começa a
declinar após a 2ª semana, desaparecendo
após 3 meses.
2. Anti-HAV IgG: Este marcador está
presente na fase de convalescença e persiste
i n d e fi n i d a m e n t e, p ro p o rc i o n a n d o
imunidade específica ao vírus. E um
importante marcador epidemiológico, por
demonstrar a prevalência de contato com o
HAV em deter minada população.
Também está presente no indivíduo
vacinado contra hepatite A.
3. Anti-HAV total: Anticorpos contra o
vírus da hepatite A das classes IgM e IgG
simultaneamente.
HEPATITE B
• Doença infecciosa viral, contagiosa, causada
pelo vírus da hepatite B (HBV), conhecida
anteriormente como soro-homóloga.
• O agente etiológico é um vírus DNA,
hepatovírus da família Hepadnaviridae,
podendo apresentar-se como infecção
assintomática ou sintomática.
• Em pessoas adultas infectadas com o HBV,
90 a 95% se curam; 5 a 10% permanecem
com o vírus por mais de seis meses, evoluindo
para a forma crônica da doença.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO
Maria Vitória de Sousa Santos
• O período de incubação, intervalo entre a
exposição efetiva do hospedeiro suscetível ao
vírus e o início dos sinais e sintomas da
doença varia de 30 a 180 dias (média de 70
dias).
HEPATITE B CRÔNICA
• Quando a reação inflamatória do fígado nos
casos agudos sintomáticos ou assintomáticos
persiste por mais de seis meses, considera-se
que a infecção está evoluindo para a forma
crônica.
• Os sintomas, quando presentes, são
inespecíficos, predominando fadiga, mal-
estar geral e sintomas digestivos.
• Somente 20 a 40% dos casos têm história
prévia de hepatite aguda sintomática. Em
uma parcela dos casos crônicos, após anos de
evolução, pode aparecer cirrose, com
surgimento de icterícia, edema, ascite, varizes
de esôfago e alterações hematológicas. A
hepatite B crônica pode também evoluir para
hepatocarcinoma sem passar pelo estágio de
cirrose.
TRANSMISSÃO
Por meio de:
1. Relações sexuais desprotegidas, pois o vírus
encontra-se no sêmen e secreções vaginais.
Há que se considerar que existe um
gradiente de risco decrescente desde o sexo
anal receptivo, até o sexo oral insertivo sem
ejaculação na boca;
2. Realização dos seguintes procedimentos
sem esterilização adequada ou utilização
de material descartável: intervenções odon-
tológicas e cirúrgicas, hemodiálise,
tatuagens, perfurações de orelha, colocação
de piercings;
3. Uso de drogas com compartilhamento de
seringas, agulhas ou outros equipamentos;
4. Transfusão de sangue e derivados
contaminados2;
5. Transmissão vertical (mãe/filho);
6. Aleitamento materno;
7. Acidentes perfurocortantes.
PREVENÇÃO
• Vacinação e uso de imunoglobulina humana
anti-vírus da hepatite B (recém-nascidos de
mães portadoras do HBsAg, contatos sexuais
com portadores ou com infecção aguda,
vítimas de violência sexual, acidentes
ocupacionais segundo Manual de Exposição
Ocupacional).
DIAGNÓSTICO
1. HBsAg (antígeno de superfície do HBV) -
pode ser detectado por meio de testes
rápidos ou laboratoriais na grande maioria
dos indivíduos com hepatite B crônica ou
aguda. Juntamente com o HBV-DNA, é
um dos primeiros marcadores da infecção,
detectável em torno de 30 a 45 dias após a
infecção, e pode permanecer detectável por
até 120 dias nos casos de hepatite aguda.
Ao persistir além de 6 meses, caracteriza a
infecção crônica.
2. Anti-HBc IgM (anticorpos da classe IgM
contra o antígeno do capsídeo do HBV) : É
um marcador de infecção recente, que
geralmente surge 30 dias após o
aparecimento do HBsAg e é encontrado no
soro por até 32 semanas após a infecção.
3. Anti-HBc Total: Anticorpos contra o
vírus da hepatite B das classes IgM e IgG
simultaneamente.
4. Anti-HBs (anticorpos contra o antígeno
de superfície do HBV): Quando presente
nos títulos adequados (pelo menos 10UI/
mL), este marcador confere imunidade ao
HBV. O seu surgimento, normalmente,
está associado ao desaparecimento do
HBsAg, funcionando como um indicador
de cura e imunidade. Está presente
isoladamente em pessoas que tomaram a
vacina contra o HBV.
5. HBV-DNA (DNA do HBV): É o material
genético do vírus. Sua quantificação
corresponde à carga viral circulante no
indivíduo. Por ser um indicador direto da
presença do vírus, pode ser usado como
teste complementar no diagnóstico da
infecção pelo HBV. Também é usado no
monitoramento do paciente e no
acompanhamento da terapia antiviral.
6. HBeAg - antigeno da partícula "e" do
vírus da hepatite B, marcador de
replicação viral.
7. Anti-HBe: Anticorpo específico contra o
antígeno "e" do vírus da hepatite B.
Maria Vitória de Sousa Santos
HEPATITE C
• O agente etiológico é um vírus RNA, da
família Flaviviridae, podendo apresentar-se
como uma infecção assintomática ou
sintomática. Em média, 80% das pessoas que
se infectam não conseguem eliminar o vírus,
evoluindo para formas crônicas. Os restantes
20% conseguem eliminá-lo dentro de um
período de seis meses do início da infecção.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO
• O período de incubação, intervalo entre a
exposição efetiva do hospedeiro suscetível a
um agente biológico e o início dos sinais e
sintomas clínicos da doença neste hospedeiro,
varia de 15 a 150 dias.
HEPATITE C AGUDA• A manifestação de sintomas da hepatite C
em sua fase aguda é extremamente rara.
Entretanto, quando presente, ela segue um
quadro semelhante ao das outras hepatites.
HEPATITE C CRÔNICA
• Quando a reação inflamatória nos casos
agudos persiste sem melhoras por mais de
seis meses, considera-se que a infecção está
evoluindo para a forma crônica.
• Os sintomas, quando presentes, são
inespecíficos, predominando fadiga, mal-
estar geral e sintomas digestivos.
• Uma parcela das formas crônicas pode
evoluir para cirrose, com aparecimento de
icterícia, edema, ascite, varizes de esôfago e
alterações hematológicas.
• O hepatocarcinoma também faz parte de
uma porcentagem do quadro crônico de
evolução desfavorável.
TRANSMISSÃO
Os mecanismos conhecidos para a transmissão
dessa infecção são os seguintes:
1. Transfusão de sangue e uso de drogas
injetáveis;
2. Hemodiálise;
3. Acupuntura, piercings, tatuagem, droga
i n a l a d a , m a n i c u r e s , b a r b e a r i a ,
instrumentos cirúrgicos;
4. Relacionamento sexual;
5. Transmissão vertical e aleitamento
materno (mãe-feto);
6. Acidente ocupacional;
7. Transplante de órgãos.
PREVENÇÃO
• Não tem vacina;
• Triagem em bancos de sangue.
DIAGNÓSTICO
1. Anti-HCV (anticorpo contra o HCV) -
pode ser detectado por meio do teste
rápido ou teste sorológico laboratorial. É o
marcador que indica contato prévio com o
vírus. É detectado na infecção aguda ou
crônica e no paciente curado, não
diferenciando, portanto, a fase da doença.
Após a infecção, esse marcador demora de
8 a 12 semanas para ser detectado,
mantendo-se reagente indefinidamente.
2. HCV-RNA (RNA do HCV) - é o material
genético viral. A presença do HCV-RNA é
uma evidência da presença do vírus, por
isso testes para detecção deste marcador
são utilizados para complementar o
diagnóstico da infecção. Pode ser detectado
entre uma e duas semanas após a infecção.
Quando não detectado, pode indicar a
cura natural, clareamento viral ou resposta
sustentada ao tratamento.
HEPATITE D
• Doença infecciosa viral, contagiosa, causada
pelo vírus da hepatite delta ou HDV (é um
vírus RNA, que precisa do vírus B para que
ocorra a infecção), podendo apresentar-se
como uma infecção assintomática ou
sintomática e, nesses casos, até mesmo com
formas graves de hepatite.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO
• O período de incubação, intervalo entre a
exposição efetiva do hospedeiro suscetível a
um agente biológico e o início dos sinais e
s in tomas c l ín icos da doença nes se
Maria Vitória de Sousa Santos
hospedeiro, varia de 30 a 50 dias (média de
35 dias).
TIPOS
1. Coinfecção do vírus D com o vírus B em
indivíduos normais: ocorre quando o
indivíduo adquire simultaneamente os
vírus B e D. Na maioria dos casos se
manifesta como uma forma de hepatite
a g u d a b e n i g n a , c o m a s m e s m a s
características de uma hepatite aguda B
clássica. O prognóstico, geralmente, é be-
nigno, ocorrendo completa recuperação e
clarificação do HBV e HDV. A evolução
para a cronicidade é rara.
2. Superinfecção pelo vírus D em
portadores (sintomáticos ou assintomáticos)
do vírus B: ocorre quando o indivíduo
previamente infectado pelo vírus B, que
evoluiu para a cronicidade, é contaminado
pelo vírus D. O prognóstico é mais grave,
podendo haver dano hepático severo,
ocasionando formas fulminantes de
hepatite ou evolução rápida e progressiva
para a cirrose.
TRANSMISSÃO
• Os modos de transmissão são os mesmos do
HBV.
PREVENÇÃO
• A melhor maneira de se prevenir a hepatite
D é realizar a prevenção contra a hepatite B,
pois o vírus D necessita da presença do vírus
B para contaminar uma pessoa.
DIAGNÓSTICO
1. Anti-HDV total: Anticorpos contra o
vírus da hepatite D das classes IgM e IgG
simultaneamente.
2. HDV-RNA: É utilizado como marcador
de replicação viral tanto na fase aguda
como na fase crônica da doença e como
controle de tratamento. Pode ser detectado
14 dias após a infecção. Na infecção pelo
vírus da hepatite D, observam-se as formas
de ocorrência a seguir.
HEPATITE E
• Doença infecciosa viral, contagiosa, causada
pelo vírus E (HEV) do tipo RNA, classificado
como pertencente à família Caliciviridae.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO
• O período de incubação, intervalo entre a
exposição efetiva do hospedeiro suscetível ao
vírus e o início dos sinais e sintomas clínicos
da doença neste hospedeiro, varia de 15 a 60
dias (média de 40 dias).
TRANSMISSÃO
• A hepatite pelo HEV ocorre tanto sob a
forma epidêmica, como de forma esporádica,
em áreas endêmicas de países em desenvolvi-
mento.
• A via de transmissão fecal-oral favorece a
disseminação da infecção nos países em
desenvolvimento, onde a contaminação dos
reservatórios de água mantém a cadeia de
transmissão da doença.
• A transmissão interpessoal não é comum. Em
alguns casos os fatores de risco não são
identificados.
PREVENÇÃO
• Como na hepatite A, a melhor estratégia de
prevenção da hepatite E inclui a melhoria
das condições de saneamento básico e
medidas educacionais de higiene.
DIAGNÓSTICO
1. Anti-HEV IgM - anticorpo específico
para hepatite E em todos os indivíduos
infectados recentemente. O teste para
detecção do anti-HEV IgM torna-se
reagente de 4 a 5 dias após o início dos
sintomas, desaparecendo de 4 a 5 meses
depois.
2. Anti-HEV IgG - anticorpo indicativo de
infecção pelo vírus da hepatite E no
passado. Está presente na fase de
convalescença e persiste indefinidamente.
3. Anti-HEV Total - anticorpos contra o
vírus da hepatite E das classes IgM e IgG
simultaneamente.
Maria Vitória de Sousa Santos
CIRROSE E HIPERTENSÃO PORTAL
CIRROSE HEPÁTICA
• É o resultado final de múltiplas etiologias de
doença hepática crónica (DHC), definida
histologicamente por fibrose hepática difusa,
em que há substituição da arquitetura
normal do parênquima por nódulos
regenerativos.
CLASSIFICAÇÃO ANATÔMICA
Baseia-se em alguns parâmetros, mas,
sobretudo, no diâmetro dos nódulos de
regeneração e espessura dos septos fibrosos,
gerando três tipos de cirrose:
1. Micronodular : Representada por
nódulos pequenos, com pouca variação de
tamanho, uniformes, com até 3 mm de
diâmetro, sendo sempre observados septos
finos de até 2 mm, que os separam e
envolvem todo o lóbulo. Ex: Alcoolismo;
2. Macronodular: Representada por septos
de tamanhos variados, com nódulos
atingindo diâmetros entre 3 e 30 mm,
multilobulares, com deformação grosseira
do fígado. Representa evolução da cirrose
micronodular, uma vez que se perpetua a
ação lesiva exercida pelo agente etiológico.
Ex: Hepatite e doença de Wilson;
3. Mista: Representada pela coexistência,
em um mesmo paciente, de micro e
macronódulos.
CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA
FISIOPATOLOGIA
• Na CH, ocorre colapso dos lóbulos hepáticos
por agressão hepatocelulare reparo com
formação de septos fibrosos e nódulos
regenerativos.
• Vários agentes etiológicos, incluindo células
do sistema imune, vírus, álcool, endotoxinas,
ferro, cobre e hipóxia, são capazes de induzir
lesão hepatocelular e morte celular por
apoptose ou necrose.
• Esses agentes podem provocar lesão hepática
por ação direta ou mais freqüentemente por
ativação de uma série de mediadores intra e
extracelulares e ativação e proliferação de
células hepáticas, tais como células de
Kupffer, células estrelares e endoteliais.
• A fibrose ocorre por deposição de matriz
extracelular constituída por colágeno,
proteoaminoglicanos e glicoproteínas.
• A principal célula responsável pela síntese de
componentes da matriz extracelular no
fígado é a célula de Ito.
• As células de Ito, também conhecidas como
células estrelares, localizam-se no espaço
perisinusoidal, sendo em condições basais
sítio de armazenamento de vitamina A.
• Na presença de lesão hepatocelular, são ati-
vadas em resposta à conseqüente produção
de citocinas e quimiocinas como fator de
crescimento de plaquetas e de endotélio,
TGF-beta-1 e fator de necrose tumoral.
• A ativação de células estrelares induz a sua
proliferação, o aumento na síntese de
componentes da matriz extracelular,
particularmente colágeno do tipo I, o
aumento na sua contratilidade, a secreção de
citocinas e quimiocinas e a perda dos
depósitos intracelulares de vitamina A.
• Lesão hepatoce lu lar per s i s tente ou
intermitente, com colapso do arcabouço de
fibras reticulínicas associada à fibrose por
deposição de matriz extracelular, leva à
formação de septos à transformação nodular
do parênquima hepático pela presença de
nódulos hepáticos incompletos e, na presença
de nódulos hepáticos constituídos, à
caracterização da CH.
• A cirrose hepática, independentemente dos
aspectos peculiares relacionados à sua
etiologia, manifesta-se como insuficiência
hepática e/ou hipertensão portal associada ou não
Maria Vitória de Sousa Santos
à disfunção circulatória, traduzindo-se
clinicamente pelo aparecimento de ascite,
edema de membros inferiores, infecções,
hemorragia digestiva varicosa, síndrome
hepatopulmonar (SHP) e hipertensão
portopulmonar.
• A insuficiência hepática é decorrente da
d iminuição da massa func ional de
hepatócitos, com conseqüente redução da
síntese de proteínas plasmáticas e distúrbio
no metabolismo de carboidratos e lipídios, do
catabolismo e da biotransformação de
a m i n o á c i d o s , h o r m ô n i o s , a g e n t e s
xenobióticos, e da neutralização e destruição
de microorganismos provenientes do
intestino pelo sistema venoso porta.
• A h iper tensão por ta l c l in i camente
significativa é definida hemodinamicamente
pelo achado de pressão venosa portal
superior a 5 mmHg, sendo secundária ao
aumento da resistência intra-hepática do
fluxo portal atribuído à CH e ao aumento no
fluxo sangüíneo portal, decorrente da
vasodilatação da circulação esplâncnica
observada no cirrótico.
ASPECTOS FISIOLÓGICOS
• A instalação da fibrose e da regeneração
nodular no fígado acaba por determinar o
aparecimento da hipertensão portal, definida
pelo aumento dos níveis pressóricos no
sistema venoso portal acima de 5 mmHg da
pressão da veia cava inferior.
• C o m a i n s t a l a ç ã o d e s s e d i s t ú r b i o
hemodinâmico, forma-se extensa rede de
circulação colateral, na tentativa de
aumentar o retorno venoso para a circulação
cardiopulmonar e aliviar o sistema portal,
formando-se, assim, desvios da circulação
portal para a sistêmica, representados,
sobretudo, pelas varizes esofagogástricas.
• Apesar dessa desestruturação, o fluxo
hepático deve ser mantido, como tentativa de
garantir o funcionamento hepático, o que se
traduz pelo aumento do débito cardíaco com
redução na resistência arteriolar esplâncnica
(aumento do fluxo sanguíneo para os órgãos
abdominais) e acentuação da resistência
oferecida pelos vasos colaterais.
• São pacientes que evoluem ainda com
anastomoses arteriovenosas intrapulmonares
e por topu lmonares ( s i s t ema áz igo-
pulmonares, ao nível do hilo pulmonar),
levando à diminuição da p02 no sangue
arterial e da afinidade da hemoglobina pelo
oxigênio.
• Por outro lado, a circulação renal,
dependendo do estágio clínico, pode estar
alterada, ocorrendo diminuição do fluxo
sanguíneo para o córtex renal em
consequência da vasoconstrição das
arteríolas aferentes, com consequente desvio
de sangue para a medular.
• Tais modificações resultam em importante
diminuição da filtração glomerular, maior
reabsorção tubular de sódio e água e
retenção azotada culminando com a síndrome
h e pa t o r r ena l , um indicat ivo de mau
prognóstico.
Distúrbios hematológicos são frequentes na
cirrose hepática, tais como:
1. Anemia, multifatorial causada por
hemólise, deficiência na síntese de ácido
fólico e absorção do ferro, observada
sobretudo nos desnutridos;
2. Leucopenia e plaquetopenia geradas a
partir do hiperesplenismo;
3. Redução na síntese dos fatores que
compõem o complexo protrombínico (II,
VI, IX, X), representada por baixa na
atividade e alargamento no tempo de
protrombina.
Observação: Em geral, esses cursam também
com baixos valores séricos de fator V,
a s s o c i a d a m e n t e r e s p o n s á v e i s p e l o
aparecimento de sangramentos espontâneos,
equimoses e hematomas presentes ao menor
trauma.
• Por sua vez, o fígado normal produz cerca de
10 g de albumina/dia, nível que se reduz
para 4 g/dia nos cirróticos.
• Essa hipoalbuminemia altera a pressão
coloidosmótica plasmática, a qual, associada
à hipertensão portal e à presença de
substâncias vasoconstritoras, leva à menor
excreção renal de sódio e água, com
formação de ascite.
• Nessa situação, encontra-se comprometido o
transporte plasmático de diversas substâncias
de baixo peso molecular, dependentes da
atuação dessa proteína.
• Geralmente, as concentrações plasmáticas de
citrulina, metionina, tirosina, fenilalanina
Maria Vitória de Sousa Santos
estão aumentadas, e as de leucina, isoleucina
e valina, diminuídas.
• Também a queda da capacidade de síntese
hepática leva à incapacidade de conversão de
amônia em ure ia , ocas ionada pe la
diminuição da atividade da carbamoil-
fosfato-sintetase e da argininossuccina to-
s in te ta se, com consequente menor
clareamento da amônia e geração de
hiperamoniemia.
FATORES DE RISCO
1. História familiar (hemocromatose, doença
de Wilson, deficiência de alfa 1 antripsina,
fibrose cística, talassemia);
2. Etilismo;
3. Hiperlipidemia, obesidade e diabetes;
4. Transfusão sanguíneas (hepatites B e C);
5. Doenças autoimunes;
6. Medicações;
7. Colite ulcerativa (colangite esclerosante);
8. Entre outros.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• A magnitude das manifestações clínicas está,
obviamente, na dependência do grau de
comprometimento celular hepat́ico e da
intensidade da fibrose.
Alguns pacientes, sobretudo nas fases iniciais
da doença, não apresentam quaisquer sinais ou
sintomas, o que torna possível dividi-la em:
1. Cirrose hepática compensada:
A l t e r a ç õ e s f í s i c a s , c o m o
h e p a t o e s p l e n o m e g a l i a e
hipertransaminasemia, detectadas durante
realização de exames físicos e laboratoriais
de rotina. Sintomatologia vaga, tal como
astenia, epistaxe, edema, lentidão de
raciocínio, emagrecimento, sendo também
encontrados febrícula, aranhas vasculares,
eritema palmar e referências a episódios de
diarreia, além de sintomas dispépticos
diversos, tais como plenitude epigástrica ou
flatulência.
2. Cirrose hepática descompensada:
Nessa fase o paciente é levado ao médico
por apresentar complicações da cirrose
hepática, tais como ascite, encefalopatia
( a l t e raçõe s de pe r sona l idade, da
capacidade intelectuale da consciência,
tremores musculares e, nos casos graves,
coma) e hemorragia digestiva alta. Há a
presença de hematêmese, melena ou ente-
rorragia em decorrência da hemorragia
por varizes gastroesofágicas Em geral,
apresenta fraqueza progressiva, perda
ponderal, com evidentes sinais de
c o m p ro m e t i m en to d e s eu e s t a d o
nutricional e diminuição de massa
muscular. Pode haver episódios de
bacteriemia, com febre causada por
bactérias gram-negativas, necrose celular
ou instalação de carcinoma hepatocelular.
Comumente, os doentes exibem hálito
hepático e icterícia, do tipo hepatocelular.
A o e x a m e , i d e n t i fi c a m - s e
hiperpigmentação da pele (hemocromatose
hereditária), dedo hipocrático com unhas
e s b r a n q u i ç a d a s , t e l a n g i e c t a s i a s
aracniformes (na face e no tronco), eritema
palmar, alteração na distribuição dos pelos
pubianos (que adquirem forma ginecoide
no homem e, na mulher, tendem a
desaparecer) , ginecomastia, atrofia
testicular, petéquias e equimoses, tremor de
extremidades. O fígado pode estar
aumentado, de volume, endurecido ou,
então, diminuído e não palpável ,
esplenomegalia. No abdome, detectam-se
ascite e sinais de circulação colateral.
DIAGNÓSTICO
• O diagnóstico de CH pode ser baseado em
parâmetros c l ínicos e laboratoriais,
corroborados por resultados de exames de
imagem e pela endoscopia digestiva.
1. Clínica;
2. Laboratoriais;
3. Ultrassonografia;
4. Tomografia computadorizada (TC);
5. Ressonância magnética (RM);
6. Angiografia de troncocelíaco;
7. Supra-hepatovenografia);
8. Angiorressonância magnética;
9. Endoscopia digestiva alta.
HIPERTENSÃO PORTAL
• A hipertensão porta caracteriza-se por
aumento da resistência ao fluxo sanguíneo no
sistema venoso porta e pressão sustentada na
veia porta.
• É definida hemodinamicamente pelo achado
de pressão venosa portal superior a 5 mmHg,
sendo secundária ao aumento da resistência
intra-hepática do fluxo portal a cirrose
hepática.
Maria Vitória de Sousa Santos
• Em condições normais, o sangue venoso que
retorna dos órgãos abdominais ao coração
acumula-se na veia porta e circula através do
fígado antes de entrar na veia cava.
• A hipertensão porta pode ser causada por
vários distúrbios que aumentam a resistência
ao fluxo sanguíneo hepático, inclusive
obstruções pre-́hepáticas, pós-hepáticas e
intrahepáticas.
1. Causas pre-́hepáticas: Condições que
causam obstrução da veia porta antes de
sua entrada no fígado.
2. Causas pós-hepáticas: Qualquer
obstrução do fluxo sanguíneo pelas veias
hepáticas depois dos lóbulos do fígado, seja
dentro do órgão ou nos segmentos
circulatórios distais.
3. Causas intra-hepáticas : São os
distúrbios que causam obstrução do fluxo
sanguíneo no fígado. Com a cirrose
alcoólica, que é a causa principal de
hipertensão porta, faixas de tecido fibroso e
nódulos fibróticos distorcem a arquitetura
do fígado e aumentam a resistência à
c i rc u l a ç ã o p o r t a , r e s u l t a n d o e m
hipertensão porta.
COMPLICAÇÕES
• As complicações da hipertensão porta são
atribuídas à elevação da pressão e à dilatação
dos canais venosos situados antes da
obstrução. Além disso, vasos colaterais
formam-se para conectar a circulação porta
aos vasos sanguíneos sistêmicos.
As complicações principais da elevação da
pressão porta e a abertura de vasos colaterais
estão associadas a:
1. Ascite;
2. Esplenomegalia;
3. Encefalopatia hepática;
4. Formação de shunts portossistêmicos com
sangramento de varizes esofágicas;
5. Síndrome hepatopulmonar;
6. Hipertensão portopulmonar;
7. Circulação hiperdinâmica;
8. Disfunção circulatória com redução
progressiva da pressão arterial sistêmica,
associada à ativação homeostática do
sistema renina-angiotensina-aldosterona,
secreção não osmótica do hormônio
antidiurético e de catecolaminas (na fase
avançada da doença);
9. Hipoperfusão regional, precipitando
disfunção renal, cerebral, adrenal e
circulatória (na fase terminal da doença).
PANCREATITE
COMPOSIÇÃO E FUNÇÕES DO SUCO
PANCREÁTICO
O pâncreas produz diariamente de 1.2 a 1.5 L
de suco pancreático, um líquido claro e incolor
que consiste principalmente em:
1. Água;
2. Sais;
3. Bicarbonato de sódio: Dá ao suco
pancreático um pH ligeiramente alcalino
(7,1 a 8,2) que tampona o suco gástrico
ácido no quimo, interrompe a ação da
pepsina do estômago e cria o pH
apropriado para a ação das enzimas
digestórias no intestino delgado.
4. Enzimas:
- Amilase pancreática: Enzima para digerir
amido;
- Tirosina, quimotripsina, carboxipeptidase
e elastase: Enzimas que digerem proteínas
em peptídios;
- Lipase pancreática: Enzima que digere
triglicerídios;
- Ribonuclease e desoxirribonuclease:
Enzimas que digerem ácidos nucleicos
que digerem ácido ribonucleico (RNA) e
ácido desoxirribonucleico (DNA) em
nucleotídios.
Observação :
A s e n z i m a s
pancreáticas que
d i g e r e m
pro te ína s s ão
produzidas em
u m a f o r m a
inativa. Como
são inativas, as
e n z i m a s n ã o
d i g e r e m a s
c é l u l a s d o
p r ó p r i o
p â n c r e a s . A s
células acinares secretam um inibidor de
tripsina, que impede a ativação desta enzima.
Como a tripsina ativa outras enzimas
proteolíticas, seu inibidor evita a ativação
subsequente destas últimas enzimas.
Maria Vitória de Sousa Santos
FUNÇÕES DA VESÍCULA BILIAR
A bile é uma solução não enzimática secretada
pelos hepatócitos.
Os componentes-chave da bile são:
1. Sais biliares (facilitam a digestão
enzimática de gorduras);
2. Pigmentos biliares (Ex: bilirrubina, que
são os produtos residuais da degradação da
hemoglobina);
3. Colesterol ( é excretado nas fezes).
• Os sais biliares, que agem como detergentes
para tornar as gorduras solúveis durante a
digestão, são produzidos a partir dos ácidos
bi l iares esteroides combinados com
aminoácidos e ionizados.
• A bile secretada pelos hepatócitos flui pelos
ductos hepáticos até a vesícula biliar, que
armazena e concentra a solução biliar.
PANCREATITE AGUDA
• Pa n c re a t i t e a g u d a é u m p ro c e s s o
inflamatório reversível dos ácinos pancreáticos,
desencadeado pela ativação prematura das
enzimas pancreáticas.
• Embora o processo patológico possa ficar
limitado aos tecidos pancreáticos, também
pode afetar os tecidos peripancreáticos ou
órgãos mais distantes.
O processo pode variar de:
• Forma edematosa: Pancreatite aguda
edematosa ou intersticial. É caracterizada
por edema e congestão pancreática.
• Forma necrótica: Pancreatite aguda
necrosante. É caracterizada por áreas de
parênquima não viável , estéreis ou
contaminadas.
PATOGÊNESE
• A patogênese da pancreatite aguda consiste
na autodigestão dos tecidos pancreáticos por
enzimas pancreáticas anor malmente
ativadas.
• Aparentemente, o processo começa com a
ativação da tripsina.
• Depois de ser ativada, essa enzima ativa
várias enzimas digestivas que causam danos
ao pâncreas e uma reação inflamatória
intensa.
• A própria reação inflamatória aguda causa
destruição significativa dos tecidos e pode
estender-se para fora do pâncreas e produzir
uma síndrome de resposta inflamatória
sistêmica e falência de múltiplos órgãos.
• Nos casos de obstrução das vias biliares por
cálculos, a obstrução do ducto pancreático
ou o refluxo de bile parece ativar as enzimas
no sistema de ductos pancreáticos.
• Quanto ao álcool , os processos de
metabolismo oxidativo e não oxidativo do
etanol pelo pâncreas e os subprodutos
deletérios resultantes foram relacionados com
a pancreatite aguda.
Uma vezcausar laringospasmo, apneia
e bradicardia.
Maria Vitória de Sousa Santos
GASTRITE
MECANISMOS PROTETORES DO
ESTÔMAGO
1. Barreira muco-bicarbonato: O muco
forma uma barreira física, e o bicarbonato
cria uma barreira tamponante química
subjacente ao muco. Camada lipídica
hidrofóbica impermeável, que não viabiliza
a difusão das moléculas hidrossolúveis
ionizadas;
2. Cobertura de céls epiteliais superficiais
justapostas: Impedem a penetração do
ácido;
3. Fluxo sanguíneo da mucosa;
4. Síntese de prostaglandinas;
5. Transporte de membrana da superfície
apical;
6. Capacidade regenerativa da superfície
apical.
Existem dois tipos de muco que protegem a
mucosa gástrica: solúvel e insolúvel em
água:
1. O muco insolúvel que adere à superfície
da mucosa gástrica e confere proteção
contra as ações proteolíticas (digestão das
proteínas) da pepsina. Camada irremovível
que retém bicarbonato e forma uma
interface alcalina entre o conteúdo luminal
do estômago e sua superfície mucosa.
2. O muco hidrossolúvel é desprendido da
superfície mucosa e mistura-se com o
conteúdo luminal; sua composição viscosa
tem função lubrificante, impedindo lesão
mecânica da superfície mucosa
COMPONENTES QUE BURLAM ESSAS
ESTRUTURAS
• O AAS consegue atravessar a camada
lipídica e causar danos às células superficiais,
que podem resultar em erosões agudas. O
álcool (lipossolúvel) também rompe a
barreira mucosa.
• Alterações da irrigação sanguínea do
estômago (p. ex., choque) tendem a reduzir a
produção de HCO3–.
• O AAS e os antiinflamatórios não esteroides
(AINE) também reduzem a secreção de
HCO3– por inibição da COX1, uma enzima
d e á c i d o g r a x o q u e s i n t e t i z a a s
prostaglandinas mediadoras da secreção de
bicarbonato.
FUNÇÃO DAS PROSTAGLANDINAS
Aparentemente, as prostaglandinas exercem
seu efeito por:
1. Aumento da irrigação sanguínea da
mucosa,
2. Redução da secreção ácida
3. Aumento da secreção de íons bicarbonato
4. Aumenta a produção de muco.
GASTRITE
O termo gastrite refere-se à inflamação da
mucosa gástrica.
GASTRITE AGUDA
• A gastrite aguda caracteriza-se por um
processo inflamatório agudo da mucosa,
geralmente de natureza transitória.
• A gastrite aguda está associada mais
comumente aos compostos irritativos locais,
inclusive AAS ou outros AINE, álcool ou
toxinas bacterianas.
• Uremia, tratamento com quimioterápicos
para câncer e radioterapia do estômago
também causam gastrite aguda.
Principais causas:
1. Secreção reduzida de muco
2. Hipoxemia e diminuição do suprimento de
oxigênio
3. Ingestão de produtos químicos agressivos
4. Consumo excessivo de álcool, AINES
5. Lesão gástrica provoca por pacientes
urêmicos e infectados por H. Pylori
Classificação da gastrite aguda
1. Gastrite aguda por (H. pylori):
Adquirido por via oral, o microrganismo
penetra na camada de muco e se multiplica
em contato intimo com as células epiteliais
do estômago. Ativam os mastócitos e,
através de sua degranulação, há liberação
de outros ativadores inflamatórios que
aumentam a permeabilidade vascular, a
expressão de moléculas de adesão de
leucócitos nas células endoteliais e também
contribuem para uma maior migração de
leucócitos
2. Gastrite supurativa ou flegmonosa
aguda: Infecção bacteriana da muscularis
mucosa e submucosa do estômago, com
infiltração de células plasmáticas, linfócitos
e polimorfonucleares.
3. Gastrite aguda hemorrágica ou
g a s t r i t e e r o s i v a a g u d a : S ã o
caracterizadas por múltiplas lesões
Maria Vitória de Sousa Santos
hemorrágicas, puntiformes, associadas a
alterações da superfície epitelial e edema.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• A inflamação pode causar vômitos, dor e
hemorragia, assim como ulceração nos casos
graves.
• Alguns pacientes com gastrite por AAS
podem assintomáticos, ou se queixar apenas
de pirose ou acidez gástrica.
• A gastrite associada à ingestão excessiva de
álcool geralmente é causa desconforto
gástrico transitório, que pode provocar
vômi tos e, nos casos mai s g raves,
sangramento e hematêmese.
• A gas tr i te causada por toxinas de
microrganismos infecciosos, tem início súbito
e violento com desconforto gástrico e
vômitos.
Observação: Em geral, a gastrite aguda é um
distúrbio autolimitado, com recuperação e
cicatrização completas dentro de alguns dias
depois da eliminação da condição ou do agente
desencadeante.
GASTRITE CRÔNICA
• Gastrite crônica é uma condição diferente da
gastrite aguda e caracteriza-se pela
i n e x i s t ê n c i a d e e r o s õ e s v i s í v e i s
macroscopicamente e pela existência de
alterações inflamatórias crônicas que, por
fim, acarretam atrofia do epitélio
glandular do estômago.
Existem quatro tipos de gastrite crônica:
1. Infecção por H. pylori
2. Gastrite atrófica multifocal crônica
3. Gastrite autoimune crônica
4. Gastropatia química.
GASTRITE CAUSADA POR INFECÇÃO POR
HELICOBACTER PYLORI.
• Infecção por Helicobacter pylori é a causa
mais comum de gastrite crônica.
• A transmissão de H. pylori ocorre
provavelmente através do consumo de água e
alimentos contaminados e fezes sendo sua
prevalência maior em pessoas de baixo nível
socioeconômico.
• A gastrite causada por Helicobacter pylori é
uma doença inflamatória crônica do antro
estômago.
• A infecção crônica por esse microrganismo
pode causar atrofia e úlcera péptica do
estômago e está associada ao risco elevado de
adenocarcinoma gástrico e proliferação
de tecidos linfoides associados à mucosa que,
em alguns casos, transforma-se em linfoma.
• Infecção pelo H. pylori—>gastrite crônica—
> atrofia glandular —> metaplasia intestinal.
PATOGÊNESE
• O Helicobacter pylori é um bastonete gram-
negativo diminuto, espiralado ou curvo
(protobactéria), que pode colonizar as células
epiteliais secretoras de muco do estômago.
• O H. pylori tem vários flagelos que lhe
possibilitam movimentar-se na camada
mucosa do estômago; ele também secreta
urease, que contribui para que produza
amônia suficiente para tamponar a acidez do
seu ambiente imediato.
• O Helicobacter pylori produz enzimas e
toxinas que têm a capacidade de interferir
com a proteção local da mucosa gástrica
contra a ação do ácido, causar inflamação
intensa e desencadear uma reação imune.
• Desse modo, há aumento da produção de
citocinas pró-inflamatórias (IL6, IL8),
que ajudam a recrutar e ativar neutrófilos.
• Linfócitos B e T podem ser encontrados com
a gastrite crônica.
• Os linfócitos T podem ser responsáveis pela
atenuação da resposta inflamatória contínua
causada pelas citocinas, possibilitando que o
H. pylori mantenha sua colonização do
estômago por períodos longos.
ASPECTOS MICROBIOLÓGICOS NO H. PYLORI
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS.
Maria Vitória de Sousa Santos
• Dor ou mal estar epigástrico, pirose, náuseas,
vômitos, flatulência, sialorreia, halitose,
cefaleia, astenia.
DIAGNÓSTICO
• Os métodos usados para confirmar o
diagnóstico são:
Não invasivos:
1. Teste respiratório da ureia marcada com
carbono (C) radioativo (padrão-ouro),
que utiliza um isótopo radioativo do
carbono (13C ou 14C ureia)
2. Teste sorológico;
3. Teste do antígeno fecal;
Invasivos
1. EDA
2. Histopatológico/biopsia
3. Teste rápido da urease
TRATAMENTO
• O tratamento consiste em esquemas
combinados que incluem antibióticos (p. ex.,
amoxicilina, claritromicina) e inibidores da
bomba de prótons (p. ex., lansoprazol e
omeprazol).
1. Primeira linha: IBP+ claritromicina +
amoxicilina por 10 a 14 dias.ocorrida a lesão tissular inicial, a
doença pode ser compreendida em três fases:
1. Resposta inflamatória local;
2. Resposta inflamatória sistêmica, que pode
resultar em falência de um ou múltiplos
órgãos;
3. Infecção pela translocação bacteriana a
partir do intestino.
FATORES DE RISCO/ETIOLOGIAS
1. Cálculos biliares (principal);
2. Alcoolismo (adultos jovens e sexo
masculino);
3. Hiperlipidemia;
4. Hipercalcemia ({} baixas de cálcio
protegem o tripsinogênio de ser ativado
pela tripsina);
5. Pancreati te hereditária (al terações
genéticas - mutação no gene que codifica o
tripsinogênio catiônico-, com eliminação
dos mecanismos que evitam a ativação do
tripsinogênio);
6. Câncer de pâncreas;
7. Hiperparatireoidismo;
8. Infecções (especialmente as virais);
9. Fármacos (ex: diuréticos tiazídicos,
tetraciclinas, furosemida etc.);
10. Procedimentos cirúrgicos;
11. Trauma abdominal;
12. Fibrose cística;
13. Entre outros.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
1. Dor abdominal (localiza-se na região
epigástrica ou periumbilical e pode irradiar
para o dorso, o tórax ou a região do flanco)
2. Náuseas;
3. Vômitos;
As alterações do exame físico são variadas e
incluem:
1. Febre;
2. Taquicardia;
3. Hipotensão e choque (perda de líquidos
para o terceiro espaço);
Maria Vitória de Sousa Santos
4. Hipersensibilidade grave à palpação do
abdome;
5. Angústia respiratória;
6. Distensão abdominal.
COMPLICAÇÕES
LOCAIS
1. Infecção e septicemia:
- Abscesso pancreático (complicações:
Hemorragia, perfuração (peritonite),
fístula, empiema etc);
- Pseudocisto infectado (é uma coleção de
suco pancreático ou de restos de digestão
enzimática, com ou sem sangue,
encapsulada).
2. Ascite e ruptura de ducto pancreático;
3. Obstrução do tubo digestivo e biliar;
4. Ruptura de pseudoaneurisma e esplênica.
SISTÊMICAS
1. Hipovolemia;
2. Alterações no SNC
3. Alterações no sistema respiratório
(consequente hipoxemia e insuficiência
respiratória, deve-se a uma série de altera-
ções, como e levação das cúpulas
diafragmáticas, derrame pleural uni ou
bilateral, infiltrados pulmonares basais e
atelectasias etc);
4. Alterações no aparelho cardiovascular;
5. Alterações renais (necrose tubular aguda e
insuficiência renal intrínseca) Alterações
osteoarticulares (Poliartrite, necrose
asséptica de ossos, lesões osteolíticas e
reações de periósteo- decorrentes do altos
níveis de lipase);
6. Hemorragia gastrointestinal; Complicações
metabólicas e eletrolíticas (hiperglicemia e
hipocalcemia, hipomagnesemia);
7. Disfunção hepatobiliar;
8. Coagulopatias (coagulação intravascular
disseminada);
9. Retinopatia.
DIAGNÓSTICO
1. História Clínica;
2. Marcadores de inflamação;
3. Amilase e lipase séricas (Valor igual ou
maior a 3x o l imite superior da
normalidade);
4. Hemograma;
5. Exames radiológicos;
6. Ultrassonografia abdominal;
7. TC simples e TC contrastada dinâmica do
pâncreas: (TC contrastada = padrão ouro).
TRATAMENTO
• As intervenções terapêuticas dependem da
gravidade da doença.
• Os pacientes com dor grave ou persistente,
vômitos, des idratação ou s inais de
pancreatite aguda grave iminente devem ser
hospitalizados.
• As medidas terapêuticas visam atenuar a dor,
“colocar o pâncreas em repouso” por
interrupção da ingestão oral de alimentos e
líquidos por alguns dias, assim como por
reposição do volume plasmático perdido.
• Em geral, a meperidina é usada em vez de
morfina para atenuar a dor, porque este
primeiro fármaco causa menos espasmos do
esfíncter do ducto pancreático.
• A aspiração gástrica é iniciada para reduzir a
distensão intestinal e evitar estimulação
ad i c iona l da s ec reção de enz imas
pancreáticas.
• Líquidos e eletrólitos intravenosos são
administrados para repor os que foram
perdidos da circulação e reverter hipotensão
e choque.
• Soluções coloides intravenosas são usadas
para repor líquidos sequestrados no abdome
e no espaço retroperitoneal.
PANCREATITE CRÔNICA
• As pancreatites crônicas caracterizam-se
pela substituição irreversível do parênquima
pancreático normal por áreas de fibrose e
p e l o s u r g i m e n t o d e e s t e n o s e s e
irregularidades nos ductos pancreáticos.
• Tais lesões são, em geral, progressivas,
mesmo com retirada do fator causal.
1. Destruição progressiva do pâncreas
exócrino;
2. Fibrose;
Maria Vitória de Sousa Santos
3. Destruição do pâncreas exócrino nos
estágios mais avançados.
FATORES DE RISCO
• A maioria dos fatores que causam pancreatite
aguda também pode acarretar pancreatite
crônica.
• Entretanto, a diferença principal entre essas
duas condições é a irreversibilidade da perda da
função pancreática, que é típica da
pancreatite crônica.
1. Alcoolismo de longa duração (+ comum; a
partir da toxicidade direta às células
acinares, produção de um suco pan-
creático litogênico, aumento do estresse
oxidativo, indução da ativação prematura
dos zimogênios pancreáticos e carências
nutricionais relacionadas ao alcoolismo);
2. Obstruções crônicas do ducto pancreático
por pseudocisto, cálculos ou neoplasias;
3. Pancreatite crônica autoimune, que está
associada aos distúrbios autoimunes como
síndrome de Sjögren, colangite esclerosante
primária e doença intestinal inflamatória;
4. Pancreatite crônica idiopática associada à
fibrose cística;
5. Pancreatite hereditária.
CLASSIFICAÇÃO
Foram admitidas formas principais de PC:
6. Pancreatite crônica calcificante
(PCC): Caracter iza-se por lesões
histopatológicas salteadas, com áreas
lesadas de pâncreas alternando com áreas
poupadas. Se calcificam com o passar do
tempo, representam a quase totalidade dos
casos de PC e correspondem às PC alcoó-
lica, hereditária, nutricional, metabólica e
idiopática.
7. Pancreatite crônica obstrutiva
( P C O ) : N e s s a f o r m a , a s l e s õ e s
h i s topato lóg ica s são un i for mes e
localizadas a montante da obstrução
ductal. São mais raras e que não se
calcificam, são conseqüentes a qualquer
modificação anatômica que dificulte a
drenagem de secreção pancreática para o
duodeno. As principais causas são estenoses
cicatriciais, estenoses congênitas, estenoses
traumáticas ou cirúrgicas do ducto
pancreático principal, inflamações da
papila duodenal, pancreas divisum,
malformações da junção biliopancreática e
neoplasias intraductais mucinosas.
8. Pancreatite crônica inflamatória/
a u t o i m u n e : S u r g e e m i d o s o s .
Anatomicamente, há destruição do
parênquima exócrino, fibrose e infiltração
da glândula por mononucleares. Associa
com infiltração linfoplasmocitária do
pâncreas, a lém de es tre i tamentos
i r regulares do ducto pancreát ico.
Microscopicamente, as lesões se assentam
muito mais na cabeça. São associadas ao
aumento dos valores de gamaglobulina
s é r i ca ou de IgG4 ; p re s ença de
autoanticorpos; aumento difuso do
pâncreas; tortuosidade com estreitamento
irregular do ducto pancreático principal à
pancreatografia endoscópica; fibrose com
infiltrado inflamatório predominantemente
linfocitário; ausência de sinais ou sintomas
leves, caracterizados como crises de
pancreatite aguda; estreitamento do
colédoco terminal com dilatação à
montante e hiperbilirrubinemia obstrutiva;
ausência de calcificação pancreática;
MANIFESTAÇÕES CLÍNICASA pancreatite crônica evidencia-se por
episódios semelhantes aos da pancreatite
aguda, embora com menor gravidade.
Os pacientes com pancreatite crônica têm
episódios persistentes e recidivantes de:
1. Dor no epigástrio e no quadrante superior
esquerdo (desencadeados por ,ingestão
excessiva de álcool ou alimentos);
2. Anorexia;
3. Perda de peso;
4. Náuseas;
5. Vômitos;
6. Constipação intestinal;
7. Má absorção e diabetes (70% do pâncreas
afetado);
8. Flatulência.
COMPLICAÇÕES
Maria Vitória de Sousa Santos
DIAGNÓSTICO
1. História clínica;
2. Dosagem de enzimas pancreáticas;
3. Exame de Fezes (pesquisa qualitativa de
gordura pode sugerir síndrome de má
absorção relacionada à insuficiência
pancreática);
4. Radiografias de abdômen;
5. Ultrassonografia;
6. Tomografia computadorizada abdominal;
7. Pancreato-colangioressonância magnética;
8. Ecoendoscopia.
TRATAMENTO
• Consiste em medidas para reverter a doença
biliar coexistente.
• Em geral, o paciente deve seguir uma dieta
com restrição de gorduras.
• Os sinais e sintomas de má absorção podem
ser controlados com enzimas pancreáticas.
• Quando o paciente tem diabetes, ele deve ser
tratado com orientações dietét icas,
hipoglicemiantes ou insulina.
• A ingestão de álcool fica proibida porque
frequentemente desencadeia episódios
agudos, além da proibição da prática
tabagista.
• A analgesia é utilizado para episódios de
dor .
• E m a l g u n s c a s o s e c o m p l i c a ç õ e s
(pseudocistos pancreáticos complicados,
ascite, derrame pleural, necrose infectada,
abscessos, fístulas pancreáticas, hemorragia
digestiva de repetição ou incoercível e
icterícia persistente) é necessária intervenção
cirúrgica para atenuar a dor, que comumente
enfatiza a eliminação de qualquer obstrução
que possa existir.
• Nos casos avançados, pode ser necessário
realizar pancreatectomia subtotal ou total.
ABDOME AGUDO
ABDOME AGUDO
• Abdome agudo é definido como toda
condição dolorosa de início súbito ou de
evolução progressiva, localizada no abdome,
que requer decisão terapêutica rápida,
preferencialmente após definição diagnóstica.
• A cavidade abdominal comporta vários
ó rgãos de d i f e ren te s s i s t emas e a
sintomatologia do abdome agudo pode
decorrer de alguma doença em qualquer
uma de suas vísceras.
CLASSIFICAÇÃO E ETIOLOGIA
Uma atitude que pode facilitar o diagnóstico é
tentar enquadrar o paciente em uma das cinco
síndromes abdominais agudas não traumáticas:
1. Perfurativa: Úlcera péptica, neoplasia
gastro-intestinal perfurada, amebíase, febre
tifóide, divertículos do cólon, dentre outros.
2. Inflamatória: Apendicite, colecistite
aguda, pancreatite aguda, diverticulite,
doença inflamatória pélvica, abscessos
intra-abdominais, peritonites primárias e
secundárias, dentre outros.
3. Obstrutiva: Aderências intestinais, hérnia
estrangulada, fecaloma, obstrução pilórica,
volvo, intussuscepção, cálculo biliar, corpo
estranho, bolo de áscaris, DII (DC), dentre
outros.
4. Vascular: Oclusões arteriais (trombose,
embolia, vasculites), venosas (trombose) nos
vasos do mesentéricos, ruptura de
aneurismas, isquemia não oclusiva.
5. Hemorrágica: Gravidez ectópica rota,
ruptura do baço, ruptura de aneurisma de
a o r t a a b d o m i n a l , c i s t o ova r i a n o
h e m o r r á g i c o , n e c r o s e t u m o r a l ,
endometriose, dentre outros.
CAUSAS EXTRA-INTESTINAIS
1. Cardíacas: Isquemia e infarto do
miocárdio, miocardite, endocardite,
insuficiência cardíaca.
2. Torácicas: Pneumonia, embolia ou
infarto pulmonar, pneumotórax, empiema,
esofagite, espasmo esofágico.
3. Metabólicas: Uremia, diabetes mellitus,
porfilia, insuficiência adrenal aguda,
hiperlipidemia, hipertireoidismo.
4. Hematológicas: Anemia falciforme,
anemia hemolítica, púrpura de Henoch-
Schölein, leucemia aguda.
Maria Vitória de Sousa Santos
5. Tóxicas: Reação de hipersensibilidade a
picadas de insetos e venenos peçonhentos,
metais pesados, agentes químicos.
6. Infecciosas: Hespes Zoster, osteomielite,
febre tifóide.
7. Diversas: Contusão muscular, febre do
m e d i t e r r â n e o f a m i l i a r, d o e n ç a s
psiquiátricas, síndrome de abstinência.
TIPOS DE DOR
1. Dor visceral: É transmitida pelas fibras
nervosas C. Ela tem uma duração maior,
quando comparada com a dor somática, e
é referida como cólica ou uma sensação de
queimação. É descrita como uma dor mal
localizada, característica essa explicada
pelo número reduzido de terminações
nervosas no órgão visceral. Geralmente é
percebida no epigástrio, na região
periumbilical ou no hipogástrio.
2. Dor parietal: É propagada pelas fibras
nervosas somáticas A-δ, localizadas na
pele, músculos e no peritônio parietal.
Estas, são transmissoras rápidas, que dão
origem a uma dor aguda intensa, bem
localizada, frequentemente agravada por
movimentos. A dor par ie ta l , por
inflamação do peritônio parietal, por
exemplo, é mais intensa e melhor
localizada, se comparada a dor visceral por
inflamação do peritônio visceral.
3. Dor referida: Dor percebida em um local
distante da fonte do estímulo. A dor
re fe r ida , ocor re quando há uma
convergência dos nervos aferentes viscerais
com os nervos aferentes parietais de
di ferentes regiões anatômicas, em
neurônios de segunda ordem na medula
espinal, no mesmo segmento espinal.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
1. Dor abdominal;
2. Náuseas e vômitos;
3. Febre;
4. Anorexia;
5. Diarreia (casos de apendicite);
6. Eliminação de sangue, misturado ou não
nas fezes, sinal de invaginação intestinal
(crianças);
7. Função intestinal (constipação intestinal,
diarreia, melena e enterorragia- acontecem
na obstrução intestinal);
8. Algúria, disúria, polaciúria e retenção
urinária, bem como alteração no aspecto
da urina;
Observação : Nas mulheres em fase
reprodutiva, a dor abdominal deve ser
correlacionada com o ciclo menstrual. É
necessário interrogar sobre irregularidades nos
três últimos ciclos, data da última menstruação,
presença de dispareunia, características do
corrimento vaginal, contato sexual e
sangramentos, diferenciando se o sangue é
coagulável, ou não.
SINAIS DE ALERTA
1. Taquicardia;
2. Hipotensão;
3. Taquipneia;
4. Febre;
5. Fáscies de dor.
DIAGNÓSTICO
ANAMNESE
1. Caracterização da dor: Cronologia,
localização, irradiação, intensidade,
características, fatores de melhora/piora;
Sintomas associados (febre, náuseas,
vômitos, diarreia, constipação, icterícia);
2. Hábitos de vida: Alimentares, ingesta
hídrica, etilismo, uso de drogas ilícitas;
3. Antecedentes: Doenças pregressas,
cirurgias prévias;
4. Uso de medicações: Anticoagulantes,
imunossupressores;
5. Mulheres: Data da última menstruação;
dados sobre os ciclos; uso de método
contraceptivo.
EXAME FÍSICO
É necessário observar os sinais vitais, caso
alterados, devem servir de alerta para provável
gravidade do quadro, desidratação e estado
geral.
1. Inspeção do abdome: Devem ser
observadas a forma do abdome, alterações
cutâneas, alterações vasculares e cicatrizes.
2. Ausculta: Presença ou ausência dos RHA
3. Percussão: Avalia a distensão gasosa, ar
livre intra-abdominal, grau de ascite ou a
presença de irritação peritoneal;
4. P a l p a ç ã o : Av a l i a r d o r, r i g i d e z
involuntária (peritonite).EXAMES LABORATORIAIS
Os exames laboratoriais se dividem em
específicos e inespecíficos.
Maria Vitória de Sousa Santos
- Inespecíficos: Os mais comuns são o
hemograma e a urina de rotina.
- Específicos: Os mais comuns são a
dosagem da amilase, da lipase e da
gonadotrofina coriônica humana beta-
HCG.
1. Hemograma completo: Fundamental
para avaliação de processo infeccioso, em
geral apresenta leucocitose com desvio a
esquerda e granulações tóxicas em
neutrófilos;
2. AST, ALT, GGT, bilirrubinas:
Avaliação de causas de abdome agudo de
origem biliar, como colecistite e colangite;
3. Amilase e lipase (padrão-ouro):
Q u a n d o e l eva d a s p o d e m s u g e r i r
pancreatite, isquêmica intestinal ou úlcera
duodenal;
4. Eletrólitos, ureia e creatinina:
Avaliação das complicações de vômitos ou
perdas de fluido para o terceiro espaço;
5. Beta HCG: Fundamental sua solicitação
para todas as pacientes em idade fértil,
para diagnostico diferencial de gravidez
ectópica;
6. Outros: VHS, TP, RNI, glicemia e
sumário de urina.
EXAMES DE IMAGEM
1. Raio-X de abdome e tórax;
2. Radiografia contrastada;
3. USG abdominal;
4. TC de abdome;
5. Videolaparoscopia diagnóstica.
ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO
• É o tipo mais comum de abdome agudo.
• Habitualmente, o processo se inicia com a
obstrução mecânica de vísceras ocas
normais, ou anatomicamente alteradas
(divertículo, por exemplo, originando
diversos fenômenos inflamatórios na parede
da víscera, com tendência à progressão para
infecção franca e comprometimento da
vascularização do órgão).
O início do quadro geralmente é insidioso, com
sintomas a princípio vagos:
1. Dor abdominal incaracterística;
2. Náuseas;
3. Anorexia;
4. Vômito;
5. Alteração do trânsito intestinal.
APENDICITE
• A apendicite constitui a causa mais comum
de abdome agudo cirúrgico.
1. Causa: Acredita-se que a sua principal
causa seja a obstrução da sua luz do
apêndice, seguida da inflamação, infecção
secundária e necrose evoluindo para a
perfuração do órgão.
2. Manifestações clínicas: O paciente
procura atendimento médico com história
de dor abdominal epigástrico e peri-
umbilical (causado pela obstrução da luz
apendicular e a distensão da sua parede),
Maria Vitória de Sousa Santos
irradiada para fossa i l íaca direita
(correspondendo à inflamação e infecção
do apêndice) geralmente associada a
náuseas e vômitos, anorexia e febre baixa.
3. Exame físico: Durante o exame físico os
principais sinais que indicam apendicite
são:
- S i n a l d e B l u m b e rg : D o r à
descompressão brusca na seqüência da
palpação profunda da fossa ilíaca
direita;
- Sinal de Rovsing: Dor observada na
fossa ilíaca direita por ocasião da
palpação profunda na fossa ilíaca e
flanco esquerdo;
- Sinal de Lapinsky: dor na fossa
ilíaca direita desencadeada pela
palpação profunda no ponto de
McBurney com o membro inferior
direito hiperestendido e elevado.
Observação: Concomitantemente, pode
haver alterações de ausculta, com diminuição
dos ruídos hidroaéreos, e da percussão, com
dor à percussão do ponto de McBurney.
COLECISTITE AGUDA
1. Causa: A colecistite aguda é o processo
inflamatório da vesícula biliar, derivado
principalmente de uma obstrução do ducto
cístico. Geralmente, a principal causa dessa
obstrução é por cálculos. Entretanto, a
possibilidade de obstrução acalculosa existe e é
derivada de pólipo adenomatoso, neoplasia
e em pacientes com diabetes.
2. Manifestações clínicas: A dor em
cólica no hipocôndrio direito é a
manifestação inicial da doença, evoluindo
para uma dor constante, piorando com
ingestão alimentar, com irradiação para
epigástrio, dorso e difusamente para o
abdome. Além disso, sintomas como
náuseas e vômitos podem ser apresentados.
A febre é um sintoma que pode estar
presente, raramente acima de 38°C, e
depende da intensidade da inflamação e da
infecção bacteriana derivada da obstrução
do ducto.
3. Exame físico: O passo mais vital é a
palpação. O sinal de Murphy, interrupção da
inspiração profunda derivada da palpação
da região vesicular, é o sinal mais
importante e específico para a colecistite
aguda.
Observação: A ausculta pode apresentar
diminuição dos ruídos aéreos e dor ao percutir
em hipocôndrio direito.
4. Tratamento: O tratamento definitivo da
colecistite aguda é a colecistectomia. A
antibioticoterapia deve ser direcionada
para germes gram negativos, e germes
anaeróbios nos idosos e na colecistite
alitiásica.
PANCREATITE
1. Causa: A pancreatite aguda é uma doença
gerada pela inflamação do pâncreas por
diversas causas fisiopatológicas, sendo que
em 80% dos casos está relacionada a
colecistite biliar e alcoolismo. Outras
causas incluem hiperlipidemia, viroses
(cachumba, coxsackie, HIV), traumas
abdominais, c irurgias abdominais,
vasculites, tumores pancreáticos, pâncreas
divisum, parasitoses intraductais, drogas e
outras.
2. Manifestações clínicas: O quadro
clínico da pancreatite não é específico, mas
os sintomas que devem ser explorados são
a dor intensa em epigástrio e irradiação
para o dorso, náuseas, vômitos e parada de
eliminação de gases e fezes. No abdome
Maria Vitória de Sousa Santos
podem estar presentes os sinais de Cullen
(equimose na região periumbilical) e Gray
Turner (equimose ao longo dos flancos).
3. Exame físico:
- Casos leves (80-90%): Apresentam
sinais de desidratação, taquicardia e um
estado geral bom. O abdome apresenta
dor à palpação, distendido e com ruídos
hidroaéreos diminuídos.
- Casos graves (10 a 20%): Os pacientes
podem apresentar ruim estado geral,
taquicardia, hipotensão, dispneia e
desidratação, sudorese, febre, torpor e
coma. O abdome apresenta dor à
palpação, distendido e com sinais de
inflamação difusa. Além disso, os ruídos
hidroaéreos são diminuídos ou abolidos e
pode haver sinais de equimoses.
DIVERTICULITE
1. Causa: A diverticulite dos cólons é uma
inflamação de um ou mais divertículos,
geralmente decorrente da oclusão do seu
óstio por fezes ou resíduos alimentares,
podendo levar até à perfuração. Há
diversos tipos de diverticulite, sendo as
principais a diverticulite do sigmóide,
diverticulite do ceco e diverticulite
universal dos cólons.
2. M a n i f e s t a ç õ e s c l í n i c a s : D o r
abdominal localizada em fossa ilíaca
esquerda ou em região suprapúbica, sendo
do tipo contínua ou cólica e pode irradiar
para região dorsal do mesmo lado. Além
desse sintoma, há presença de febre,
anorexia e náuseas, obstipação intestinal,
diarreia e, quando a inflamação chega ao
trato urinário, pode haver disúria e
polaciúria. Leucocitose é comum.
3. Exame físico: O exame físico é
caracterizado por febre e taquicardia leve,
abdome distendido, ruídos hidroaéreos
diminuídos. O principal sinal é a
descompressão positiva, na palpação, e a
percussão dolorosa em fossa ilíaca
esquerda.
ABDOME AGUDO PERFURATIVO
• Trata-se da terceira causa mais comum de
abdome agudo.
• A causa mais comum de perfuração é a
úlcera péptica, e a perfuração é a primeira
manifestação da doença ulcerosa em 30 a
40% dos casos.
• Os pacientes idosos são os mais afetados,
devido ao uso crônico de anti-inflamatórios e
ácido acetilsailcílico.
• A dor tem início súbito, geralmente dra-
mático, já começando de forma intensa,
rapidamente atingindo seu pico.
1. Causas : O prob lema advém do
extravasamento de secreção contida no
trato gastrintestinal para a cavidade peri-
toneal, o que é traduzido por peritonite.
2. Manifestações clínicas: A dor tipo
somática vem da irritação química doperitônio e, quanto menor o pH, maior a
irritação. Inicialmente, a dor se localiza no
epigástrio, seguida de dor abdominal
difusa. A dor pode simular apendicite
aguda à medida que migra para o
quadrante inferior direito. A temperatura é
normal, e náuseas e vômito podem estar
presentes. Febre pode estar presente e
associar-se a sinais de sepse.
3. Exame físico : O exame c l ín ico
demonstra dor abdominal difusa, silêncio
abdominal e rigidez muscular, detectada
como "abdome em tábua".
4. Classificação:
- Altas (gastroduodenal e delgado
proximal): Perfurações do delgado
proximal comportam-se como as
gastroduodenais, com dor abdominal
intensa e grande irritação peritoneal.
Observação: Nas perfurações de intestino
delgado, as causas mais frequentes são as
doenças inflamatórias e infecciosas, os corpos
estranhos deglutidos e os tumores.
- Baixas (delgado distal e cólon): Nas
perfurações mais baixas de delgado, a dor
abdominal é mais discreta, e os sinais de
irritação peritoneal são menos exube-
rantes, mas originam quadros sépticos
mais precoces, em função da flora
bacteriana local. Perfurações do intestino
Maria Vitória de Sousa Santos
grosso traduzem manifestações clínicas e
peritoneais intensas, com evolução rápida
para peritonite fecal, devido ao conteúdo
altamente infectado desse segmento.
Observação: No intestino grosso, os quadros
de perfuração ocorrem devido a processos
inflamatórios (diverticulite, megacólon tóxico,
co l i t e p seudomembranosa g rave ) ou
neoplásicos, além de corpos estranhos.
ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO
1. Causas: Bridas, aderências, hérnias,
câncer color retal, diverticulite complicada,
e s t e n o s e s , v ó l v u l o , D I I ( D C ) ,
intussuscepção, fecaloma, íleo biliar, corpo
estranho, bolo de áscaris, entre outros.
2. Manifestações clínicas : Cól ica
intestinal, demonstrando o esforço das
alças para vencer o obstáculo que está
impedindo o trânsito normal. A dor é
v i s c e r a l , l o c a l i z a d a e m r e g i ã o
periumbilical, nas obstruções de delgado, e
hipogástrica, nas obstruções de cólon,
intercalada com períodos livres de dor no
início da evolução. Os episódios de vômito
surgem após a crise de dor, inicialmente
reflexos, e são progressivos, na tentativa de
aliviar a distensão das alças obstruídas.
Febre normalmente não está presente. A
desidratação é acentuada pelas perdas
provocadas pelo vômito, sendo pior nas
obstruções mais altas.
- Quanto mais alta a obstrução,
mais precoces, frequentes e intensos
serão os vômitos, menor a distensão
abdominal e mais tardia a parada de
eliminação de gases e fezes.
- Quanto mais baixa a obstrução,
maior distensão abdominal, mais
precoce a parada de eliminação de
fl a t o s e f e z e s , e , d e v i d o a o
supercrescimento bacteriano no
segmento obstruído, os vômitos, que
são tardios, adquirem aspecto fecaloide.
3. Exame físico: Ao exame físico notamos
grande distensão abdominal, timpanismo à
percussão, e dor difusa à palpação. Os
ruídos hidroaéreos são inicialmente
aumentados com timbre metál ico,
podendo estar ausentes em quadros
avançados. O exame físico compreende
também a avaliação da região inguinal, à
procura de possíveis herniações.
4. Tratamento: O tratamento inicialmente
é clínico, com descompressão gástrica e do
intestino proximal através de sonda
nasogástrica, hidratação venosa vigorosa e
antibiótico de largo espectro. Nos casos de
obstrução completa, o tratamento clínico
prepara o paciente para a cirurgia, que
deve ser imediata, principalmente se há
sinais de estrangulamento de alças.
ABDOME AGUDO VASCULAR
1. Causa: Há sofrimento de uma víscera por
interrupção súbita do aporte sanguíneo
para esse órgão. A fisiopatologia envolve
uma lesão isquêmica inicial, decorrente da
redução do fluxo arterial ou venoso (o que
leva a lesões precoces na mucosa,
(tornando-se posteriormente transmurais),
perpetuada pelo vasospasmo reflexo da
circulação mesentérica e completada pela
lesão de reperfusão (principalmente pela
formação e ação de radicais livres de
oxigênio, que desencadeiam a síndrome da
resposta inflamatória sistêmica, podendo
evoluir para falência de múltiplos órgãos).
2. Fatores de risco:
- Maiores de 60 anos;
- Portadores de doença aterosclerótica;
- Infarto agudo do miocárdio recente;
- Arritmias cardíacas, em especial a
fibrilação atrial;
- Hipercoagulação;
- Passado de eventos tromboembólicos
em outros segmentos do organismo;
- Situações de baixo débito cardíaco
como insuficiência cardíaca congestiva;
- Estados hiperdinâmicos com má per-
fusão periférica, como na sepse;
- Uso de vasoconstritores;
- Uso de nutrição enteral, pelo aumento
não regulável do consumo de oxigênio
no intestino).
3. Classificação:
- Isquemia mesentérica aguda: É a
perda súbita do suprimento arterial,
g e r a l m e n t e d e c o r r e n t e d e u m
tromboembolismo, podendo acometer o
tronco celíaco, artéria mesentérica
superior ou a inferior ou seus ramos
menores. Leva ao infarto.
Maria Vitória de Sousa Santos
- Isquemia mesentérica crônica:
Geralmente é causada pela arteriosclerose
e leva a angina abdominal. Caracterizada
por dores abdominais após refeições,
podendo levar a quadros de desnutrição,
devido à recusa alimentar.
- Colite isquêmica ou isquemia
colônica: É decorrente do hipofluxo
sanguíneo em determinadas regiões do
cólon. Este hipofluxo leva a isquemias
localizadas, como da mucosa colônica, e
das paredes do cólon, em particular no
ângulo esplênico e transição retosigmóide.
4. Manifestação clínica: A dor abdominal
é o sintoma inicial, geralmente muito
intensa de início súbito, difusa, mal
definida e contínua. Há desproporção
entre a dor e os achados do exame físico. O
paciente pode apresentar náuseas, vômitos
e alterações nas fezes (fezes “geleia de
amora”) em decorrência de necrose da
mucosa intestinal. Náuseas, vômitos,
diarréia transitória, anorexia e melena
podem estar presentes.
Observação: Passada a fase inicial de dor
abdominal, vem a fase intermediária,
caracterizada por peritonite. Na terceira fase,
acentuam-se os sinais abdominais, surgindo a
instabilidade hemodinâmica, o choque
refratário e o óbito.
5. Exame físico: Ao exame físico, o abdome
pode estar distendido; a ausculta
abdominal pode estar aumentada se
houver isquemia segmentar e, diminuída se
houver acometimento de uma porção
extensa. O exame físico costuma ser
incompatível com a exuberância da dor
abdominal.
ABDOME AGUDO HEMORRÁGICO
1. C a u s a : Q u a d r o d e c o r r e n t e d e
sangramentos na cavidade abdominal.
Dentre as causas mais comuns temos a
Gravidez Ectópica Rota e a Rotura de
Aneurisma da Aorta Abdominal é mais
frequentemente associado ao trauma, ao
pós-operatório e a complicações pós-
procedimentos (biopsias hepáticas, por
exemplo). Na mulher em idade fértil,
sempre ponderar a possibilidade de
gravidez ectópica rota.
2. Fatores de risco:
- Uso de AINES, anticoagulantes orais,
heparina;
- Pacientes com INR > 4,5;
- Mulheres em idade fértil;
- Pacientes portadores de coagulopatias.
3. Manifestações clínicas: O quadro
clínico consiste em dor abdominal súbita,
de localização difusa. Inicialmente o
paciente apresenta-se taquicárdico, com
posterior evolução para hipotensão,
sudorese fria, palidez e agitação, podendo
evoluir para choque hemorrágico.
4. Exame físico: Massas palpáveis pulsáteis
ou não (aneurisma). Sopro na face anterior
ou dorso do abdome Equimose na cicatriz
umbilical (Sinal de Cullen- sangramento
intraperitoneal) e nos flancos (Sinal de
G r a y T u r n e r - s a n g r a m e n t o
retroperitoneal). Sinal de Lafond (dor
referida no ombro) e Sinal de Kehr (dor
referida na região infra-escapular) por
irritação do nervo frênico.
INFECÇÕES URINÁRIAS
• Compreende a colonização bacterianada
urina e a infecção de várias estruturas que
formam o aparelho urinário, desde a uretra
até o parênquima renal.
• Define- se in fecção bac ter iana pe la
localização e multiplicação, no trato urinário,
de bactérias obtidas na cultura de urina, na
maior parte das vezes com contagem ≥ 100
UFC/ml de urina.
• O termo infecção urinária engloba vários
processos bem definidos, inclusive bacteriúria
assintomática, infecções sintomáticas,
infecções urinárias baixas (p. ex., cistite-
bexiga) e altas (p. ex., pielonefrite - rins).
ETIOLOGIA E PATOGÊNESE
• Mais de 85% dos casos de infecção do trato
urinário são causados por bacilos Gram‐
negativos que são residentes normais do trato
intestinal.
• A maioria das infecções urinárias baixas sem
complicações é causada por Escherichia coli.
Outros patógenos urinários são:
1. Staphylococcus saprophyticus;
2. Proteus mirabilis;
3. Klebsiella e Enterobacter e Pseudomonas
aeruginosa;
4. Staphylococcus aureus.
Maria Vitória de Sousa Santos
A ITU tem como origem:
1. C o l o n i z a ç ã o c o m i n f e c ç ã o
ascendente: É a via mais comum,
através da qual bactérias do meio externo
atingem as vias urinárias. A uretra distal
tem microbiota bacteriana semelhante à da
pele adjacente, sendo a maioria dos
microrganismos não patogênica. Infecção
urinária começa pela colonização dos
microrganismos, na grande maioria das
vezes por coliformes, facilitada pela
aderência bacteriana ao epitélio da vagina
e da uretra. Alcançando a bexiga
(nor malmente es tér i l ) , in ic ia-se a
multiplicação bacteriana quando há
redução dos fatores locais de defesa (a
capacidade inibitória da substância
intercelular do epitélio vesical e de outros
fatores antibacterianos) e/ou estase
urinária.
2. Disseminação hematogênica: Pelo
sangue, as bactérias chegam ao sistema
urinário a partir de focos em outros órgãos
( endocard i t e, in f ecção pu lmonar,
endomiometrites, septicemia etc.). Ex:
estafilococos.
3. Via linfática: A possibilidade de conexões
linfáticas entre o trato urinário inferior e
superior e deste com o intestino favorece
essa rota de contaminação. A disseminação
da infecção dentro do rim pode ser feita
por vasos linfáticos.
• Múltiplos fatores bacterianos, genéticos,
biológicos e comportamentais predispõem
c r i a n ç a s e mu l h e re s j ove n s , m a i s
frequentemente, à ITU complicada e não
complicada.
FATORES BACTERIANOS
• Os genes das bactérias codificam vários
fatores de virulência – adesinas, protectinas,
sideróforos e toxinas –, também sintetizando
substâncias naturais que facilitam a
colonização do trato urogenital.
• Esses fatores, atuando em cadeia, iniciando
pela fixação ao urotélio e terminando pela
lesão tecidual, devem se sobrepor aos
mecanismos imunológicos de defesa do
hospedeiro.
• A maioria das bactérias causadoras de ITU
tem a capacidade de aderir às células do
epité l io urinário ou à uromucoide,
prevenindo a eliminação e possibilitando a
invasão bacteriana.
• Essa aderência está associada à existência de
fímbrias ou pilli, filamentos proteicos que
existem na superfície de bactérias Gram-
negativas uropatogênicas.
• As fímbrias são responsáveis pela aderência
da bactéria ao urotélio e pela transmissão de
informações genéticas para outras bactérias
por meio dos plasmídios.
• Além desses elementos, as enterobacteriáceas
dispõem de estruturas e substâncias flagelares
(antígeno H), capsulares (antígeno K) e
lipopolissacarídios (antígeno O), responsáveis
pela motilidade, a resistência à fagocitose e a
antigenicidade, respectivamente.
• Outros fatores que contribuem para a
virulência bacteriana são a hemolisina,
lisando hemácias, e a aerobactina, quelante
do ferro, elemento importante para o
desenvolvimento bacteriano.
• A permanência de algumas cepas de E. coli
uropatogênicas e outras bactérias, em
reservatórios intracelulares do urotélio na
bexiga, formando um biofilme, poderia
explicar a recorrência das infecções e a
resistência à resposta imune do hospedeiro.
FATORES DO HOSPEDEIRO
• Com relação aos fatores comportamentais, já
é conhecida a maior prevalência da ITU em
mulheres, em relação ao início e à maior
at iv idade sexual e à ut i l i zação de
espermicidas e diafragma.
• Também o uso pregresso, inadequado ou
necessário de antibióticos, alterando a
microflora vaginal normal constituída
p r i n c i p a l m e n t e d e l a c t o b a c i l o s e
estafilococos, que estabelecem proteção à
infecção com uropatógenos, facilita a
colonização vaginal pela E. coli.
• No homem, o maior comprimento da uretra,
o maior fluxo urinário e, também, o fator
antibacteriano prostático contribuem para
uma menor incidência de ITU.
• A disfunção miccional, promovendo
esvaziamento vesical incompleto, e a
constipação intestinal, comprimindo e
alterando o funcionamento normal da
bexiga, favorecem a recorrência da ITU.
FATORES GENÉTICOS
Maria Vitória de Sousa Santos
• Entre eles, observou-se a capacidade da
proteína de TammHorsfall e de receptores
uroteliais celulares de impedir a aderência da
E. coli tipo fimbriada, constituindo-se em
eficiente defesa contra a ITU causada por
bactérias uropatogênicas.
FATORES BIOLÓGICOS
• Fatores antibacterianos na urina e na mucosa
vesical contribuem para uma maior proteção
contra bactérias uropatogênicas – IgA
secretória, pH ácido, concentração de ureia,
osmolalidade e vários ácidos orgânicos
evitam a multiplicação da maioria das
bactérias no trato urinário.
• Por sua vez, anormalidades hormonais e
metabólicas, como gravidez, diabetes melito
e diminuição de estrógenos em pacientes
idosas, representam fatores para maior
incidência e recorrência da ITU.
PASSÍVEIS CAUSAS
OBSTRUÇÃO
• Todos os microrganismos que entram na
bexiga normalmente são eliminados durante
a micção.
• Quando a drenagem urinária está obstruída,
a urina permanece na bexiga e funciona
como meio favorável à proliferação de
microrganismos.
• Em seguida, os microrganismos na urina
contaminada podem ascender ao longo dos
ureteres e infectar os rins.
• A existência de urina residual correlaciona-se
diretamente a bacteriúria e sua recidiva
depois do tratamento.
• Outra consequência da obstrução da
drenagem vesical e da distensão da bexiga é
o aumento da pressão intravesical, que
comprime os vasos sanguíneos da parede do
órgão e deprime as defesas da mucosa
vesical.
Com as infecções urinárias associadas à estase
da urina, a obstrução pode ser:
1. Anatômicas: As obstruções anatômicas
incluem cálculos urinários, hiperplasia
prostática, gestação e malformações da
junção ureterovesical.
2. Funcionais: As funcionais incluem bexiga
neurogênica, micções infrequentes,
instabilidade do músculo detrusor (vesical)
e constipação intestinal.
• Estase vesical aumenta o volume residual
após a micção e inibe fatores antibacterianos
locais.
REFLUXO
Refluxo Uretrovesical
• O refluxo ocorre quando a urina proveniente
da uretra entra na bexiga (i. e., refluxo
uretrovesical).
• Como o orifício uretral geralmente está
contaminado por bactérias, o mecanismo de
refluxo pode possibilitar que refluam para
dentro da bexiga.
Refluxo vesicoureteral
• Outro tipo de mecanismo de refluxo –
vesicoureteral – ocorre nos níveis da bexiga e
do ureter.
• Nos indivíduos com refluxo vesicoureteral, o
ureter entra na bexiga praticamente em
ângulo reto, de modo que a urina é forçada a
entrar no ureter durante a micção.
O RVU pode ser primário ou secundário:
1. Primário: resulta de distúrbio congênito
da válvula ureterovesical,sobretudo na
porção terminal submucosa e intravesical
do ureter, mais curta ou ausente devido a
ectopia lateral do meato ureteral.
Secundário: Deve-se a insuficiência da
válvula ureterovesical por anormalidades
do ureter, da bexiga e da uretra.
INFECÇÃO INDUZIDA POR CATETER
• Esses dispositivos causam irritação da uretra
e constituem um meio de acesso dos
microrganismos ao sistema urinário.
• Bactérias aderem à superfície do cateter e
estimulam a formação de uma biopelícula,
que então recobre sua superfície.
• Esta tende a proteger as bactérias da ação
dos antibióticos e a dificultar sua erradicação.
TIPOS DE ITU
1. Infecção não complicada: É aquela
que ocorre em um paciente saudável de
ambulatório. Ocorre em mulheres jovens,
não grávidas e na ausência de anomalias
estruturais ou funcionais do trato
urinário. .
2. Infecção complicada: Ocorre em um
paciente que está institucionalizado,
grávida, diabético, paralítico ou um
paciente transplantado.
FATORES DE RISCO
Maria Vitória de Sousa Santos
O risco de desenvolver infecção urinária é
maior nos pacientes:
1. Obstrução e refluxo urinário;
2. Doenças neurogênicas que impedem o
esvaziamento da bexiga;
3. Mulheres (uretra curta, alterações
hormonais que afetam a aderência das
bactérias à mucosa, e ao trauma uretral
durante a relação sexual);
4. Homens com doenças da próstata;
5. Instrumentação urológica;
6. Diabetes melito (disfunção neurogênica da
bexiga);
7. Doenças que reduzem a reposta imune;
8. Gravidez;
9. Idosos.
DEFESAS DO HOSPEDEIRO
No desenvolvimento de uma infecção urinária,
as defesas do hospedeiro são contrapostas à
virulência do patógeno.
As da bexiga são:
1. Fenômeno de eliminação (“lavagem”), por
meio do qual as bactérias são removidas da
bexiga e da uretra durante a micção;
2. Revestimento vesical, que ajuda a formar
uma barreira de proteção contra invasão
bacteriana;
3. Reação imune do organismo (Os
mecanismos imunes, especialmente a
imunoglobulina A (IgA) secretória. As
células fagocitárias também ajudam a
erradicar bactérias do sistema urinário).
Nos ureteres são:
1. Os movimentos peristálticos facilitam a
passagem da urina da pelve renal pelos
ureteres e destes para a bexiga.
Outros fatores:
1. F l o r a n o r m a l n a s r e g i õ e s
periuretrais nas mulheres: Nas
mu l h e re s , e s s a fl o r a , q u e i n c l u i
microrganismos como os lactobacilos,
confere defesa contra colonização por
patógenos urinários bacterianos. As
alterações do ambiente periuretral,
inclusive as que ocorrem com a redução do
nível de estrogênio durante a menopausa
ou o uso de antibióticos, podem modificar
a flora protetora e possibilitar que
patógenos urinários colonizem e tenham
acesso ao sistema urinário.
2. Secreções prostáticas nos homens:
Nos homens, o líquido prostático tem
propriedades antimicrobianas que evitam
colonização da uretra.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
DIAGNÓSTICO
Em geral, o diagnóstico de uma infecção
urinária baseia-se na:
1. Clínica;
2. Exames de urina;
3. Cultura de urina (padrão-ouro): Em um
paciente com sintomas sugestivos de ITU
uma urocultura quantitativa igual ou maior
que 10^2 UFC/mL. Em um paciente
assintomático, uma cultura quantitativa
igual ou maior que 10^5 UFC/mL é
considerada diagnóstico de ITU;
4. Teste da fita urinária;
5. Radiografias, ultrassonografia, TC e
cintigrafia renal;
6. Uretrocistografia miccional;
TRATAMENTO
CISTITE AGUDA NÃO COMPLICADA
Como primeira escolha para tratamento
empírico, recomendam-se:
1. Nitrofurantoína (100 mg, de 6/6 h, por
cinco dias)
2. Fosfomicina/trometamol - SMX/TMP- (3
g em dose única).
Outras opções incluem:
1. Cefuroxima (250 mg, de 12/12 h, por sete
dias);
2. Amoxacilina/clavulanato (500/125 mg, de
8/8 h, durante sete dias).
PIELONEFRITE NÃO COMPLICADA
1. Deve-se iniciar tratamento oral com:
Fluoroquinolonas (ciprofloxacino 500 mg,
de 12/12 h, durante sete dias;
Maria Vitória de Sousa Santos
2. Levofloxacino 750 mg/ dia, durante cinco
dias).
PIELONEFRITE COMPLICADA
• Requer tratamento hospitalar com fármacos
e n d o v e n o s o s , c o m o a m o x i c i l i n a /
aminoglicosídeo cefalosporina de terceira
geração.
• Como alternativas, incluem-se ceftolozano +
t a zo b a c t a m , i m i p e n é m - c i l a s t a t i n a ,
ceftazidima + avibactam, meropenem.
• Estrogênio vagina: O uso de estrogênios
por via vaginal na pós-menopausa estimula a
proliferação de lactobacilos no epitélio
vaginal, reduz o pH e evita a colonização
vaginal por uropatógenos.
INFECÇÕES EM GRUPOS ESPECIAIS
1. Crianças;
2. Grávidas;
3. Idosos;
4. Usuários de cateteres.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS EM CRIANÇAS
• Ao contrário dos adultos, as crianças
frequentemente não têm sinais e sintomas
típicos de uma infecção urinária.
Alguns recém nascidos com esse tipo de infecção
têm bacteriemia e podem apresentar sinais e
sintomas de:
1. Septicemia (inclusive febre);
2. Hipotermia;
3. Episódios de apneia;
4. Perfusão cutânea reduzida;
5. Distensão abdominal;
6. Falta de ganho de peso;
7. Diarreia;
8. Vômitos;
9. Letargia;
10. Irritabilidade.
Os lactentes maiores podem ter:
1. Transtornos alimentares;
2. Déficit de crescimento;
3. Diarreia;
4. Vômitos;
5. Febre e urina fétida.
As crianças de 1 a 3 anos comumente
apresentam:
1. Dor abdominal;
2. Vômitos;
3. Diarreia;
4. Padrões miccionais anormais;
5. Urina fétida;
6. Febre e déficit de crescimento.
Nas crianças maiores com infecções urinárias
baixas, as manifestações clínicas clássicas são:
1. Enurese;
2. Aumento da frequência das micções;
3. Disúria;
4. Desconforto suprapúbico (são mais
comuns).
INFECÇÕES URINÁRIAS NOS IDOSOS
• As infecções urinárias são relativamente
comuns nos idosos.
• Depois das infecções respiratórias, são o
segundo tipo mais frequente entre idosos
saudáveis que vivem em comunidade.
• A maioria dessas infecções ocorre depois da
invasão do sistema urinário por via
ascendente.
Vários fatores predispõem essa população a tal
condição, inclusive:
1. Imobilidade seguida de esvaziamento
vesical parcial;
2. Obstrução da via de saída da bexiga por
hiperplasia prostática ou cálculos renais;
3. Isquemia vesical causada por retenção
urinária ou constipação intestinal;
4. Vaginite senil;
5. Redução da atividade bactericida da urina
e das secreções prostáticas;
6. Prob lemas de s aúde que ex igem
instrumentação das vias urinárias.
NEFROLITÍASE
• É caracterizada pela presença de cálculos no
trato urinário, poupando o parênquima
renal.
• Cálculos correspondem a estruturas
cristalinas que alcançaram tamanho
suficiente para causar sintomas ou serem
percebidos por técnicas de imagem
radiológicas.
• Os cálculo se formam em consequência a
cristalização de fatores litogênicos no trato
urinário superior, subsequentemente ele pode
se deslocar para o ureter e causar cólica
renal.
• Fatores genéticos, dietéticos, socioeconômicos
e cons t i tuc iona i s são cons iderados
importantes para a formação de cálculos
urinários.
PATOGÊNESE
Maria Vitória de Sousa Santos
• Resumidamente, pode-se admitir que a
formação de cálculos se dê pelo desequilíbrio
entre a solubilidade e a precipitação de sais
na urina.
• Os rins têm como função conservar água e
excretar elementos de baixa solubilidade,
principalmente sais de cálcio, durante
condições variáveis de clima, dieta e
atividade física.
• Quando a excreção de sais oua conservação
de água aumenta, cristais se formam, que,
por sua vez, podem então crescer e se
agregar para formar um cálculo.
A formação de cálculos é o resultado da
ocorrência isolada ou em conjunto de três
mecanismos principais:
1. Aumento na concentração urinária de
solutos (Baixo volume urinário - baixa
ingestão de H2O, dieta inadequada -
ingestão excessiva e purinas e sal -
distúrbios metabólicos - hipercalciúria,
H i p e r u r i c o s ú r i a , H i p e r o x a l ú r i a ,
cistimúria);
2. Diminuição de inibidores da cristalização
(citrato, magnésio e macromoléculas);
3. Aumento de substâncias ou condições
promotoras da formação de cálculos
(Hiperuricosúria e pH urinário alcalino).
Observação: Outro mecanismo conhecido é
a formação de cálculos associado a bactérias
produtoras de urease.
FORMAÇÃO DE CÁLCULOS POR BACTÉRIAS
• Um outro mecanismo que causa a formação
de cálculos, com a denominação “cálculos de
estruvita”, é explicado por bactérias que
produzem urease (Proteus, Klebsiella, Serratia,
Pseudomonas, Ureaplasma e Citrobacter ) ,
resultando na formação de íons amônio e pH
urinário alcalino, facilitando a combinação
de fosfato com amônia, magnésio e cálcio,
que se precipitam e formam o cálculo.
ETAPAS DE FORMAÇÃO DO CÁLCULO
• Como resultado da ação desses três
mecanismos (aumento na concentração
urinária de solutos, diminuição de inibidores
da cristalização e aumento de substâncias ou
condições promotoras da formação de
cálculos), a formação de cálculos segue
algumas etapas.
4. Nucleação: Inicia-se com a nucleação,
que ocor re quando a ur ina e s tá
supersaturada com cristalóides contendo
íons livres. Esses íons livres combinam-se
de forma homogênea (íons similares
formando um cristal) ou heterogênea (íons
distintos e outras substâncias urinárias
como restos de células epiteliais formando
um cristal dissimilar).
5. Agregação: A seguir, vários pequenos
cristais ligam-se rapidamente. Com a
manutenção de fatores que propiciam esse
processo, as fases de nucleação e agregação
continuam e, então, ocorre a formação do
cálculo propriamente dito.
6. Retenção: Para formação do cálculo é
necessário a retenção do cristal. Se cristais
que sofreram nucleação e agregação forem
eliminados com o fluxo urinário, um
cálculo clinicamente evidente não se
formará.
CONDIÇÕES CLÍNICAS ASSOCIADAS
A nefrolitíase é um distúrbio sistêmico. Várias
condições predispõem à formação de cálculos,
incluindo:
1. Má absorção gastrintestinal (p. ex., doença
de Crohn, cirurgia de bypass gástrico);
2. Hiperparatireoidismo primário;
3. Obesidade;
4. Diabetes melito tipo II;
5. Acidose tubular renal distal.
FATORES DE RISCO
• Os fatores de risco de nefrolitíase podem ser
classificados como dietéticos, não dietéticos
ou urinários.
FATORES DE RISCO DIETÉTICOS
Os fatores dietéticos que estão associados a um
risco aumentado de nefrolitíase incluem
ingestão de :
1. Proteína animal: Pode levar à excreção
aumentada de cálcio e ácido úrico, bem
como a uma diminuição na excreção
urinária de citrato, que aumentam o risco
de formação de cálculos.
2. Oxalato: O oxalato urinário origina-se da
produção endógena e da absorção do
oxalato dietético. Em razão de sua
biodisponibilidade baixa e muitas vezes
variável, grande parte do oxalato nos
alimentos pode não ser prontamente
absorvida. Todavia, a absorção pode ser
maior em indivíduos formadores de
cálculos.
Maria Vitória de Sousa Santos
3. Sódio e Sacarose: Uma ingesta maior de
sódio e de sacarose aumenta a excreção de
cálcio, independentemente de seu aporte.
4. Frutose;
5. Líquidos e bebidas: O risco de
formação de cálculos aumenta à medida
que o volume de urina diminui. A ingesta
de l íqu idos cons t i tu i o pr inc ipa l
determinante do volume de urina.
Os fatores dietéticos associados à redução do
risco incluem:
1. Cálcio: A redução do risco associada a um
maior aporte de cálcio pode ser devida a
uma diminuição da absorção intestinal de
oxalato da dieta, resultando em nível
urinário mais baixo de oxalato.
2. Potássio: Diminui a excreção de cálcio, e
muitos alimentos ricos em potássio
aumentam a excreção urinária de citrato,
em razão de seu conteúdo alcalino.
3. Fitato.
FATORES DE RISCO NÃO DIETÉTICOS
4. Idade (meia-idade);
5. Raça (maior incidência em homens
brancos);
6. Tamanho corporal (a medida que o IMC
aumenta o pH diminui);
7. Ambiente (as influências ambientais e
ocupacionais que podem levar a uma
redução do volume de urina, como
trabalhar em ambiente quente ou não ter
um fácil acesso à água ou a um banheiro,
constituem considerações importantes).
FATORES DE RISCOS URINÁRIOS
1. Baixo volume urinário (40mg/dia);
4. Hiperuricosúria (>750 mg/dia p/mulheres
e >800 mg/dia p/homens);
5. Hipocitratúria (de irritação peritoneal.
DIAGNÓSTICO
1. Clínica;
2. Exame físico;
3. Radiografia;
4. EAS e hemograma;
5. Urografia excretora;
6. USG;
7. TC;
8. RM.
TRATAMENTO
• Deve ser dividido em três partes: tratamento
da cólica renal; tratamento do cálculo; e
terapêutica da doença litiásica.
TRATAMENTO DA CÓLICA RENAL
As duas principais classes de medicações
utilizadas para analgesia na cólica renal são:
1. AINES;
2. Opioides;
TRATAMENTO DO CÁLCULO
Terapia:
- Terapia expulsava medicamentosa;
- Citrato de potássio;
- Litotripsia extracorpórea;
- Nefrolitotripsia percutânea.
PROFILAXIA E TERAPÊUTICA DA DOENÇA
LITIÁSICA
NÃO FARMACOLÓGICO
1. Tratamento dietético;
2. Redução da ingestão de cálcio, sal e
proteína;
3. Tratamento da obesidade.
FARMACOLÓGICO
1. Tiazídicos : Agem aumentando a
reabsorção tubular proximal de cálcio
(associada à contração do espaço
extracelular) e diretamente no túbulo
distal, diminuindo a calciúria.
2. Citrato : Ind i cado no s ca so s de
hipocitratúria, primária ou secundária, o
citrato também diminui a saturação
urinária em casos de hipercalciúria,
ligando-se ao cálcio e formando complexos
solúveis. Além disso, apresenta efeito
alcalinizante, aumentando o pH urinário e
a fração dissociada de ácido úrico, o que
recomenda seu emprego na nefrolitíase.
3. Alopurinol: O alopurinol inibe a enzima
xant ina-ox idase, re sponsáve l pe la
conversão de xantina em ácido úrico, e, nas
situações descritas, é recomendado mesmo
na ausência de hiperuricemia.
Maria Vitória de Sousa Santos2. Segunda linha: IBP + Bismuto +
Tetraciclina + metronidazol ou tinidazol
(14 dias).
GASTRITE AUTOIMUNE CRÔNICA E
ATRÓFICA MULTIFOCAL
GASTRITE AUTOIMUNE CRÔNICA
• Consiste em uma forma difusa de inflamação
gástrica limitada ao corpo e ao fundo do
estômago.
• Esse tipo de gastrite é causado por
autoant icor pos d i r ig idos contra os
componentes das células parietais das
glândulas gástricas e o fator intrínseco.
• A atrofia das glândulas e da mucosa do
estômago resulta na supressão da produção
de ácido.
• Nos casos mais graves, a produção de fator
intrínseco é bloqueada, resultando em
deficiência de vitamina B12 e anemia
perniciosa.
• Quando há destruição acentuada das células
parietais dos pacientes com gastrite
autoimune, os pacientes geralmente também
têm hipocloridria ou acloridria e
hipergastrinemia (gastrina aumenta por
que há diminuição de HCl).
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• Anemia por deficiência de B12, anemia
ferropriva, dispepsia, redução da motilidade
TGI, neuropatia periférica.
GASTRITE ATRÓFICA MULTIFOCAL
• Gastrite atrófica multifocal é um distúrbio de
etiologia desconhecida que acomete o antro
e as áreas adjacentes do estômago.
• A gastrite atrófica multifocal está associada à
redução da secreção ácida do estômago, mas
não é comum ocorrerem acloridria e anemia
perniciosa.
GASTROPATIA QUÍMICA
• Gastropatia química é uma lesão gástrica
crônica resultante do refluxo do conteúdo
duodenal alcalino, das secreções pancreáticas
e da bile para dentro do estômago.
ALERGIA E INTOLERÂNCIA
ALIMENTAR
MECANISMOS DE DEFESA DO TRATO
GASTROINTESTINAL
Os mecanismos de defesa existentes podem ser
classificados como inespecíficos e específicos.
1. Inespecíficos: Englobam a barreira
mecânica representada pelo próprio
epitélio intestinal e pela junção firme entre
suas células epiteliais, a flora intestinal, o
ácido gástrico, as secreções biliares e
pancreáticas, a própria motilidade
intestinal, e o muco auxilia na formação de
uma primeira linha de defesa e facilita a
aderência de bactérias através de
componentes de sua parede celular,
promovendo sua eliminação pela peristalse.
2. Específicos: Encontramos aqueles
relacionados à defesa imunológica do TGI,
que podem ser encontrados em três níveis,
a saber : (1) Barreira epitelial
intestinal; (2) Lâmina própria; e (3)
Sistema imunológico do trato
gastrintestinal (GALT). A lâmina
própria do intestino é o maior local de
produção de anticorpos do organismo,
onde se encontram cerca de 80% de células
B ativadas. A IgA secretora também
representa a primeira linha de defesa da
barreira mucosa, e tem a capacidade de
inibir a adesão bacteriana às células
epiteliais, neutralizar vírus e toxinas
Maria Vitória de Sousa Santos
bacterianas, e prevenir a penetração de
antígenos alimentares na barreira epitelial.
ALERGIA ALIMENTAR
São reações que acontecem após ingestão de
alérgeno com ativação de mastócitos nas
mucosas e submucosas gastrointestinais.
FISIOPATOLOGIA
A alergia alimentar pode envolver um
mecanismo IgE mediado, não-IgE mediado ou
os dois mecânicos estão envolvidos.
MECANISMO IGE MEDIADO
• Em pacientes geneticamente predispostos, a
falha no desenvolvimento ou a quebra do
mecanismo de tolerância oral (não resposta a
ingestão de antígenos) resulta em produção
excessiva de anticorpos IgE-específicos para
determinado alimento.
• Após a sensibilização com formação da IgE
específica, este anticorpo circula pelo
organismo e liga-se a receptores de alta
afinidade em mastócitos e basófilos.
• Nos próximos contatos com o alérgeno, este
une-se ao IgE que se ligou aos mastócitos e
basófilos, promovendo a liberação de
mediadores como histamina, prostaglandinas
e leucotrienos, que são os responsáveis pelas
manifestações clínicas.
• Estas reações geralmente ocorrem dentro de
minutos ou até 2 horas após a ingestão do
alimento.
MECANISMO NÃO-IGE MEDIADO
• Na alergia alimentar não IgE mediada
(celular) o alérgeno adentra o organismo pelo
trato gastrintestinal.
• Ele é captado pelas células apresentadoras de
antígenos (APC), que contêm seus epítopos a
linfócitos T e que podem reconhecer o
alérgeno como um “vilão”, organizando,
assim, uma resposta imune contra esse
alérgeno.
• Como tal alérgeno está presente no intestino,
a ativação do sistema imune poderá levar a
um dano intestinal e, por isso, a manifestação
mais comum da alergia não IgE mediada se
dá por meio de s intomas do trato
gastrintestinal.
• São diagnosticadas geralmente pela boa
resposta à eliminação do alérgeno da dieta e
algumas doenças necessitam de biópsia.
• Evidências sugerem que estas reações sejam
m e d i a d a s p o r c é l u l a s ( r e a ç õ e s d e
hipersensibilidade tipo IV).
REAÇÕES MISTAS
• Neste grupo estão incluídas as manifestações
decorrentes de mecanismos mediados por
IgE associados à participação de linfócitos T
e de citocinas pró-inflamatórias.
• São exemplos clínicos deste grupo a esofagite
eosinofílica, a gastrite eosinofílica, a
gastrenterite eosinofílica, a dermatite atópica
e a asma.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
CUTÂNEA
• Prurido, Urticária, Angioedema.
GASTROINTESTINAIS
• Náuseas, Vômitos, Dor abdominal , Diarréia
(aumento do peristaltismo).
Observação: Enteropatias induzidas por
proteína acometem principalmente lactentes,
manifestando-se na maioria das vezes por
diarréia, com ou sem muco e sangue, anemia e
déficit de crescimento. Estes sinais e sintomas
geralmente desaparecem até o 2°ano de vida, e
o principal alimento envolvido é o leite de vaca.
Observação: Sugere-se que o sistema
imunológico imaturo dos neonatos e lactentes
jovens favoreça a sensibilização alérgica. Nesta
fase da vida, a barreira intestinal é imatura e +
permeável, tornando o epitélio + suscetível à
penetração dos diferentes Ag, portanto, +
vulnerável à sensibilização alérgica.
RESPIRATÓRIAS
• Coriza, Prurido nasal, Broncoespasmo,
Edema de laringe.
ANAFILÁTICAS
• O s p a c i e n t e s p o d e m a p r e s e n t a r
manifestações cutâneas, respiratórias,
gastrintestinais ou cardiovasculares, como
hipotensão, síncope, arritmias e choque.
• Anafilaxia induzida por alimento dependente
de exercício é uma síndrome em que os
sintomas somente ocorrem se determinado
alimento é ingerido 2 a 6 horas antes do
exercício físico.
PRINCIPAIS ALIMENTOS ALÉRGICOS
• Leite, ovo, soja, trigo e amendoim
correspondem a 90% das reações de hiper-
sensibilidade em crianças, enquanto peixe,
crustáceos, camarão, amendoim e castanhas
Maria Vitória de Sousa Santos
correspondem a 85% das reações de
hipersensibilidade em adolescentes e adultos.
FATORES DE RISCO
1. Histórico familiar
2. Fatores dietéticos:
- Alimentação da gestante e do nutriz
- Privação do aleitamento materno
- Uso de fórmulas lácteas
- Disbiose intestinal
3. Fatores comportamentais e culturais (Ex:
Fumar na gravidez)
4. Comorbidades alérgicas:
5. Idade (+ comum em crianças e bebês)
6. Insuficiência de vitamina D
7. Uso de antiácidos
8. Obesidade (doença inflamatória)
9. Etnia asiática e africana.
CONSEQUÊNCIAS AO SISTEMA DIGESTÓRIO
• Alteração estrutural do epitélio.
• Enteropatia perdedora de proteína por má
absorção.
• Proctocolite alérgica, a dor à defecação, a
inflamação retal, presençade sangue oculto
ou vivo nas fezes e fissura anal interna são
causadas por inflamação da mucosa.
• Lesão e inflamação da mucosa.
DIAGNÓSTICO
A história clínica é o “teste” mais importante
para diagnosticar uma alergia alimentar. Entre
os exames podem ser citados:
DOSAGEM SÉRICA DE IGE IN VIVO
1. Prick teste: Consiste na aplicação de
pequenas quantidades de alérgenos (que
podem causar alergia) e observação da
r e s p o s t a c u t â n e a , v e r i fi c a n d o a
sensibilidade da pele. É feito no braço do
paciente. Considera-se o teste positivo
quando o alérgeno alimentar gera uma
pápula pelo menos 3 mm maior que o
controle negativo.
2. Prick to prick:: Utiliza o alimento fresco
(natural) como alérgeno indicado para
frutas e vegetais em razão da maior
sensibilidade.
TESTE DE PROVOCAÇÃO ORAL (TPO)
• O teste de provocação oral (TPO) é a
ferramenta diagnóst ica cons iderada
padrão-ouro para confirmação de alergia
alimentar.
• Consistem na administração fracionada do
alimento suspeito, em doses crescentes, sob
supervisão médica.
• São cons iderados pos i t ivos quando
reproduzem os sintomas.
DIETAS DE RESTRIÇÃO
• As dietas de restrição consistem na exclusão
sistemática do(s) alimento(s) identificado(s) na
possível alergia e na observação de sua
correlação com a melhora clínica.
• Geralmente, um período de 2 a 4 semanas é
sufic iente para ev idenc iar melhora
sintomática; excepcionalmente, como nas
gastroenteropatias alérgicas, pode ser
necessário um tempo maior de dieta (até 8
semanas).
ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA E
COLONOSCOPIA
• A endoscopia digestiva alta (EDA) e a
colonoscopia podem ser indicadas para
investigação complementar ao diagnóstico de
alergia alimentar em pacientes que se
mantêm sintomáticos após a dieta de
exclusão, ou quando se quer avaliar possíveis
complicações, ou ainda estabelecer
diagnóstico diferencial adequado.
TRATAMENTO
A base do tratamento da alergia alimentar (AA)
consis te em evi tar os a l imentos que
desencadeiam os sintomas. É importante os
cuidados na seleção e manipulação dos
alimentos e a leitura adequada de rótulos.
INTOLERÂNCIA ALIMENTAR
• É caracterizada pela má digestão de
determinados alimentos. O problema é
resultado da deficiência ou ausência de
enzimas responsáveis pela quebra de
moléculas maiores em produtos menores, os
quais o organismo é capaz de absorver e
aproveitar adequadamente.
3. Reações adversas tóxicas ocorrem
quando o indivíduo ingere uma quantidade
suficiente de alimento contaminado (p. ex.,
toxinas bacterianas na intoxicação
alimentar).
4. Reações adversas não tóxicas, ao
contrário, dependem de características
individuais e resultam de mecanismos
imunes ou não imunes.
Os principais mecanismos que explicam a
intolerância alimentar são:
Maria Vitória de Sousa Santos
1. Tóxicos (causados por contaminação
bacteriana ou por aditivos alimentares).
2. Intolerância secundária à deficiência
enzimática (p. ex., intolerância à lactose).
3. Sintomas secundários a reações
farmacológicas a componentes alimentares
(reação à tiramina contida em queijos e
vinhos tintos).
PRINCIPAIS ALIMENTOS QUE GERAM
INTOLERÂNCIA ALIMENTAR
Alguns alimentos são mais comumente
relacionados a essa condição.
1. Trigo, aveia, cevada e centeio podem
causar problemas em pessoas com doença
celíaca devido à presença do glúten.
2. Alimentos de origem animal: leite e
derivados, ovo, bacalhau, marisco,
arenque, camarão e carne bovina.
3. Castanha e amendoim
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Pessoa com intolerância alimentar absorve
parcialmente os nutrientes, que então passam a
fermentar, ocasionando sintomas como:
• Problemas digestivos, como diarreia, dor
abdominal, cólicas, refluxo gástrico, inchaço
abdominal, sensação de estufamento, vômito,
gases e constipação, fraqueza, tontura, apatia
e fadiga, dor de cabeça, enxaqueca e
vertigem, erupções cutâneas, urticária,
coceira, eczema, psoríase e outras condições
de pele.
DIAGNÓSTICO
Para fechar o diagnóstico o primeiro passo é
conhecer o histórico do paciente.
1. Substâncias redutoras e pH fecal:
2. Dosagem do hidrogênio em ar expirado:
3. Teste de exclusão
TRATAMENTO
• Não existe tratamentos específico e definitivo.
• São necessárias adaptação da dieta
acompanhados por nutricionista e médico.
• É recomendado ba ixa inges tão de
FODMAPS —> F = fermentável, O =
o l i g o s s a c a r í d e o s ( f r u t a n o s ,
galactooligosacarídeos), D = dissacarídeos
(lactose, sacarose), M = monossacarídeos
(frutose), e P = polióis (sorbitol).
DOENÇAS INFLAMATÓRIAS
INTESTINAIS
• A doença inflamatória intestinal (DII) é
caracterizada por um processo inflamatório
do trato gastrintestinal e engloba pelo menos
duas formas de inflamação intestinal: a
retocolite ulcerativa (RCU) e a doença de
Crohn (DC).
• Essas duas doenças causam inflamação
intestinal, não têm evidência confirmatória
de um agente etiológico comprovado.
• A doença de Crohn acomete mais
comumente os segmentos distais do
intestino delgado e o cólon proximal,
mas pode afetar qualquer área do sistema
digestório; por outro lado, a recolite
ulcerativa limita-se ao cólon e ao reto.
ETIOPATOGÊNIA
• O sistema imune da mucosa sempre está
pronto para reagir aos patógenos ingeridos,
mas não reage à microflora intestinal normal.
• De acordo com a hipótese vigente, esse
estado homeostático normal é perdido na
DII, o que acarreta reações imunes
exageradas e desreguladas.
• Por essa razão, as DII incluem anormalidade
da regulação imune, predisposição genética e
f a t o r a m b i e n t a l d e s e n c a d e a n t e ,
especialmente a flora microbiana.
A etiopatogenia da DII envolve, basicamente,
quatro aspectos que interagem entre si e com
fatores ambientais:
1. Fatores genéticos;
2. Fatores luminais, relacionados à microbiota
intestinal, seus antígenos e produtos
metabólicos, e os antígenos alimentares;
Maria Vitória de Sousa Santos
3. Fatores relacionados à barreira intestinal,
incluindo os aspectos referentes à
imunidade inata e à permeabilidade
intestinal;
4. Fatores relacionados à imuno-regulação,
incluindo a imunidade adaptativa ou
adquirida.
RESUMO
• Em resumo, o conceito atual sobre a
etiopatogênese da DII admite que todo o ser
humano está exposto a agentes agressores,
como infecções intestinais, antiinflamatórios
não-hormonais (AINH), toxinas e xenobióti-
cos dietéticos (p. ex., corantes, aditivos,
conservantes etc.), bem como ao efeito do
próprio estresse.
• Eventualmente, esses agentes agressores
podem ultrapassar a capacidade de defesa do
organismo e gerar inflamação local.
• O processo inflamatório causa aumento da
permeabilidade intestinal, facilitando ainda
mais a penetração de produtos bacterianos
pela mucosa intestinal, produtos estes que
potencializam a lesão tecidual.
• No caso da DII, suscetibilidade genética,
alterações luminais, ruptura da barreira
mucosa e anormalidades da imuno-regulação
propiciam que fatores desencadeantes
direcionem a resposta para a amplificação do
processo imune e inflamatório.
• Nesse caso, o aumento da permeabilidade
intestinal, tanto primário quanto secundário
ao processo inflamatório, aliado às alterações
qualitativas e quantitativas da flora
bacteriana, facilitam a penetração de
componentes bacterianos e antígenos
intraluminais diversos, que vão, então,
perpetuar a hiperestimulação do sistema
imune de mucosa.• A incapacidade dos pacientes com DII de
supr imir efic ientemente a re spos ta
inflamatória gera inflamação crônica, lesão
residual e fibrose.
DOENÇA DE CROHN
• Doença de Crohn é um tipo de reação
inflamatória granulomatosa recidivante que
pode afetar qualquer segmento do sistema
digestório.
• Origem idiopática.
• Íleo terminal e ceco são as áreas comuns
do intestino acometidas pelo processo
inflamatório.
• Q u a n d o e x i s t e m v á r i a s á r e a s d e
acometimento, elas comumente são descritas
como lesões intercaladas porque se
encontram dispersas entre segmentos de
intestino com aspecto normal.
• Todas as camadas da parede intestinal são
afetadas, mas o acometimento é mais
acentuado na camada submucosa, com
alterações inflamatórias e fibróticas.
• A superfície do intestino inflamado
geralmente tem aspecto típico em “pedras
de calçamento”.
• Depois de algum tempo, a parede intestinal
frequentemente se torna espessada e rígida e
seu aspecto tem sido comparado ao de um
cano de chumbo ou um tubo de borracha.
• O aumento da permeabilidade intestinal
aliado a inflamação da mucosa, edema,
fibrose e obstrução linfática prejudica a
absorção de nutrientes.
FATORES DE RISCO
• U s o d e m e d i c a m e n t o s ( A I N E S ,
contraceptivos orais, antibióticos de largo
espectro), Infecções intestinais frequentes,
Dieta, Apendicectomia, Tabagismo, Estresse,
Eventos perinatais (infecção pré-natal da
mãe, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia,
exposição perinatal ao vírus do sarampo)
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Os sinais e sintomas dependem do segmento
intestinal afetado, duração, extensão, atividade
da doença e complicações podendo incluir:
• Febre, Dor abdominal (pode acordar o
paciente durante o sono noturno/pós-
prandial), Diarreia (na maioria das vezes,
sem sangue), Fadiga, Perda de peso e retardo
do crescimento e maturação sexual em
crianças, Ileíte aguda simula a apendicite; ,
Estenose intestinal, Fissuras anorretais,
fístulas e abscessos.
Em caso de comprometimento do esôfago:
• Odinofagia, Disfagia, Pirose, Anorexia
MANIFESTAÇÕES EXTRAINTESTINAIS
• Distúrbios oculares (uveíte, episclerite);
Artropatias; Úlceras orais; Distúrbios
cutâneos (pioderma gangrenoso, eritema
nodoso); Nefrolitíase; Distúrbios ósseos
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(osteoporose, osteomalasia); Colangite
esclerosante; Doença tromboembólica.
COMPLICAÇÕES
As complicações da doença de Crohn incluem:
• Formação de fístulas e doenças perianais,
Abscessos abdominais, Estenoses, Megacólon
tóxico, Obstrução intestinal.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da doença de Crohn baseia-se
na história clínica e no exame físico detalhados.
1. História clínica
2. Exame Físico
3. Sigmoidoscopia/colonoscopia
4. Hemograma
5. Cultura e exame de fezes
6. Radiografias de trânsito de intestino
delgado
7. Tomografia computadorizada
8. Enema opaco
TRATAMENTO
A s i n t e r ve n ç õ e s t e r a p ê u t i c a s v i s a m
basicamente suprimir a reação inflamatória e
promover a cicatrização; manter a nutrição
adequada; evitar e tratar complicações.
1. Antidiarreicos
2. Glicocorticoides
3. Azatioprina e 6mercaptopurina
4. Sulfassalazina
5. Metotrexetato
6. Metronidazol
7. Infliximabe
8. Ressecção cirúrgica
9. Outras
RETOCOLITE ULCERATIVA
• Retocolite ulcerativa é uma doença
inflamatória inespecífica do intestino grosso.
• A RCU resulta de uma resposta imunológica
exagerada da mucosa do cólon a antígenos
luminais, possivelmente microbianos, em
indivíduos geneticamente predispostos.
• Pode ocorrer em qualquer idade, com pico
de incidência na faixa etária de 15 a 25 anos.
• Ao contrário da doença de Crohn, que pode
afetar vários segmentos do sistema digestório,
a colite ulcerativa limita se ao cólon e ao
reto.
• Afeta basicamente a camada mucosa,
embora possa chegar à submucosa.
• O processo inflamatório tende a ser
confluente e contínuo, em vez de ter áreas
intercaladas de tecido normal, como
acontece com a doença de Crohn.
• Um aspecto típico dessa doença são as lesões
que se formam nas criptas de Lieberkühn na
base da camada mucosa.
• O processo inflamatório resulta na formação
de hemorragias puntiformes da mucosa que,
com o tempo, supuram e transformam-se em
abscessos das criptas.
• Essas lesões inflamatórias podem sofrer
necrose e ulcerar.
• Embora as úlceras geralmente sejam
superficiais, frequentemente se estendem e
formam amplas áreas desnudas.
• Em consequência do processo inflamatório, a
camada mucosa frequentemente desenvolve
projeções linguiformes, edemas de ilhas
isoladas criando elevações para dentro do
lúmen intes t ina l , conhec idas como
pseudopólipos.
• A parede intestinal torna-se espessa em
consequência dos episódios repetidos de
colite.
FATORES DE RISCO
• Dieta (chocolates, gorduras, alimentos pobres
em fibra, desmame precoce etc), Infecções,
Fatores sociopsicossomáticos, Fatores
genéticos.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Nos casos típicos, a retocolite ulcerativa
evidencia-se por uma doença recidivante
marcada por:
• Diarreia ( com ou sem sangue), Cólicas e
dores abdominais, Incontinência fecal,
Anorexia, Fraqueza e fadiga aos esforços
mínimos são comuns. Desidratação, anemia,
hipopotassemia e hipoalbuminemia (em
casos mais graves).
MANIFESTAÇÕES EXTRAINTESTINAIS
• Artralgia; Artrite (grandes articulações);
Sacroiliite; Espondilite ancilosante; Aftas;
Eritema nodoso (lesões nodulares, avermelha
das, dolorosas, não ulceradas, com diâmetro
de 1 a 5 em, mais comumente nas regiões
anteriores das pernas); Vitiligo, vasculites,
rosácea, alopecia podem acontecer;
Episclerite e uveíte podem acometer os olhos;
Dor ocular, fotofobia, barramento da visão e
cefaleia; Colangite esclerosante (caracteriza-
se por fadiga, calafrios, astenia, prurido, icte-
rícia, dor abdominal e febre).
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CLASSIFICAÇÃO
• Com base nos resultados dos exames clínicos
e endoscópicos, a doença é classificada com
base na extensão de acometimento do cólon
e na gravidade da inflamação.
A gravidade é definida como:
1. Branda: Paciente tem menos de quatro
evacuações por dia (com ou sem sangue),
sem manifestações sistêmicas de toxemia e
velocidade de hemossedimentação (VHS)
normal.
2. Moderada : Têm mais de quatro
evacuações, mas mostram sinais mínimos
de toxicidade.
3. Grave: Evidencia-se por mais de seis
evacuações sanguinolentas por dia e
indícios de toxemia evidenciada por febre,
taquicardia, anemia e VHS elevada.
4. Fulminante: Têm mais de 10 evacuações
diárias, sangramento contínuo, febre e
outros sinais de toxemia, hipersensibilidade
e distensão do abdome, necessidade de
transfusão sanguínea e dilatação do cólon
nas radiografias abdominais.
COMPLICAÇÕES
1. Câncer do intestino grosso: É uma
das complicações a longo prazo mais
temíveis da retocolite ulcerativa. Essa
doença caracteriza-se por desnaturação do
ácido desoxirribonucleico (DNA) com
instabilidade dos microssatélites das células
da mucosa.
2. Megacólon tóxico: O megacólon tóxico
ocorre em 3 a 5% dos pacientes com RCU.
Caracter iza-se por uma di latação
progress iva do cólon associada a
manifestações tóxicas sistêmicas, com
estiramento da parede da víscera, podendo
ocasionar perfuração. O paciente, em
geral, apresenta-se toxemiado, com febre,taquicardia, dor e distensão abdominal. O
leucograma revela intensa leucocitose.
3. Hemorragia
4. Perfuração
DIAGNÓSTICO
• O diagnóstico da retocolite ulcerativa baseia-
se na história e no exame físico.
1. Exame fisico
2. Exames laboratoriais
3. Retoigmoidoscopia/colonoscopia
4. Raios X simples do abdome
5. Enema baritado
6. Histopatológico.
PARASITOSES INTESTINAIS
GIARDÍASE
• A giardíase, infecção intestinal causada por
um protozoário flagelado denominado
Giardia lamblia/duodenalis/intestinalis), é uma
das principais parasitoses encontradas em
todos os países (subdesenvolvidos e
desenvolvidos), principalmente naqueles de
clima tropical e subtropical.
ASPECTOS MORFOLÓGICOS
Se apresenta de duas maneiras, como:
7. Trofozoíto (forma não infectante)
8. Cisto (forma infectante)
FORMAS DE TRANSMISSÃO
• O homem pode ser infectado ao ingerir água
não filtrada ou alimentos não cozidos
contaminados com o cisto ou a partir da má
higienização dos alimentos.
• Outras formas de infecção estão ligadas ao
contato direto entre pessoas, o que explica
também a alta prevalência em ambientes
aglomerados, como creches, enfermarias e
asilos.
CICLO BIOLÓGICO
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• O ciclo inicia-se, principalmente, pela
i n g e s t ã o d e á g u a e / o u a l i m e n t o s
contaminados com os cistos.
• O proce s so de desencistamento
(transformação do cisto em trofozoíto) inicia-
se no estômago, devido ao estímulo do baixo
pH; e se completa no duodeno e no jejuno.
• Posteriormente, ocorre outro processo, o de
encistamento (transformação do trofozoíto
em cisto) no baixo íleo ou no ceco.
• Pode ter como estímulos: o pH intestinal, a
presença de sais biliares e o destacamento do
trofozoíto da mucosa.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• Após um período de incubação, que varia de
5 a 25 dias (média de 7 a 10 dias), a
sintomatologia da doença pode surgir.
• Entretanto, na maioria dos casos, a giardíase
é assintomática ou oligossintomática.
1. Diarreia (muco e sangue raramente
acontecem) acompanhada de gases e
distensão abdominal
2. Perda de peso
3. Flatulência
4. Náuseas
5. Anorexia
6. Fadiga
7. Calafrios
8. Plenitude pós-prandial
9. Eructações
10. Esteatorreia
11. Anemia
12. Síndrome pseudoulcerosa caracterizada
por epigastralgia ou pirose, que melhora
com a ingestão de alimentos e reaparece
com o jejum.
CONTROLE E PREVENÇÃO
1. Saneamento básico adequado, com a
utilização de água tratada ou fervida;
2. Correta higiene pessoal;
3. Lavagem adequada de alimentos;
4. Diagnóstico e tratamento precoces do
paciente e de possíveis animais domésticos
infectados.
DIAGNÓSTICO
1. Pesquisa de cistos ou trofozoítos nas fezes:
É necessário a coleta de ao menos 3
amostras de fezes em dias diferentes.
- Fezes formadas: Realiza-se a
pesquisa de cistos.
- Fezes diarreicas: Realiza-se a
pesquisa de trofozoítos.
2. Coleta do fluido duodenal e biopsia
duodenal por meio de endoscopia:
3. Pesquisa de antígenos fecais por meio da
técnica de ELISA
4. Detecção do (DNA) em amostra de fezes
pela técnica de (PCR)
TRATAMENTO
AMEBÍASE
• A amebíase é uma infecção cujo agente
causal – Entamoeba histolytica – é um dos
protozoários mais conhecidos.
• A infecção está, muitas vezes, associada aos
hábitos de higiene do indivíduo.
ASPECTOS MORFOLÓGICOS
A E. histolytica pode apresentar duas formas
evolutivas:
1. Cisto: São encontrados na água e nos
alimentos contaminados com fezes, são
resistentes à acidez gástrica e assumem a
forma de trofozoítos, no intestino grosso.
(Forma infectante)
2. Trofozoíto (forma não infectante)
FORMAS DE TRANSMISSÃO
• É adquirida por meio da ingestão de água ou
alimentos contaminado contendo o cisto,
além da má higiene pessoal.
• A aquisição pela via sexual raramente
acontece.
CICLO BIOLÓGICO
Maria Vitória de Sousa Santos
Observação: Os trofozoítas podem invadir a
parede do cólon (causando colite amebiana).
Eventualmente atingem a corrente circulatória,
disseminando-se à distância (ex.: abscessos
amebianos no fígado, pulmão ou cérebro).
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• Normalmente é assintomática, quando
apresenta sintomas esses incluem:
Manifestações intestinais
1. Disenteria
2. Enterorragia
3. Tenesmo (vontade de evacuar)
4. Dor abdominal em cólica
5. Perda de peso
6. Anorexia
7. Náuseas
8. Vômitos e mal-estar geral
Observação: Amebíase intestinal, se não
tratada, pode cursar com complicações como
perfuração intestinal, peritonite, apendicite e
hemorragias.
Manifestações extraintestinais
1. Abscessos hepáticos : Ic ter íc ia ,
desconforto no hipocôndrio direito,
hepatomegalia e sintomas inespecíficos,
como febre (com eventual calafrios),
sudorese noturna, náuseas e vômitos.
2. P u l m ã o : D o r t o r á c i c a , t o s s e e
expectoração com cheiro e odor de “molho
de tomate”, chocolate ou até mesmo
gelatina, podendo ocorrer também
derrame pleural.
DIAGNÓSTICO
1. Pesquisa de trofozoítos e cistos nas fezes
2. ELISA e pesquisa de antígeno fecal
3. Reação em cadeia da polimerase (PCR)
4. Retossigmoidoscopia/colonoscopia
5. Exames de imagem
6. Exames bioquímicos e hemograma
7. Radiografia de tórax
8. Ultrassonografia e TC de abdome
TRATAMENTO
ASCARIDÍASE
• Ascaridíase – é uma enfermidade provocada
pelo helminto Ascaris lumbricoides.
FORMAS DE TRANSMISSÃO
• A transmissão da ascaridíase ocorre pela
ingestão de ovos larvados do parasito através
da água ou alimentos contaminados.
• A poeira e insetos como moscas, formigas e
baratas podem contaminar os alimentos, e
o v o s p o d e m s e r t r a n s p o r t a d o s
mecanicamente pelas patas desses insetos.
CICLO BIOLÓGICO
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
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• Os indivíduos parasitados com baixa
intensidade são assintomáticos.
• Em in fecções mac iças, na fa se de
desenvolvimento da larva, podem ser
encontradas:
1. O sintoma mais comum é dor abdominal
vaga.
2. Os he lmintos produzem discretas
alterações inflamatórias na mucosa
intestinal, que por sua vez podem acarretar
alterações da secreção e da motilidade
intestinais, resultando em diarreia, redução
da absorção de alguns nutr ientes
(especialmente vitamina A), intolerância à
lactose e perda de apetite.
3. Lesões hepáticas e pulmonares, com
formação de focos hemorrágicos e necrose
pela passagem dessas larvas.
4. Na fase pulmonar são encontrados edemas
nos alvéolos, alergia, febre, bronquite e
pneumonia caracterizada pela tosse não
produtiva, febre e dispneia, eventualmente
com reação de hipersensibilidade levando à
obstrução brônquica e sibilância (síndrome
de Löeffler).
5. Pode apresentar tosse com catarro
sanguinolento contendo larvas (geralmente
em crianças associadas ao estado
nutricional e imunitária).
DIAGNÓSTICO1. Exame de fezes
2. Hemograma
3. Exames radiológicos
TRATAMENTO
ENTEROBÍASE (OXIURÍASE)
• A enterobíase – também conhecida como
oxiuríase – é uma enfermidade parasitária
causada pelo Enterobius vermicularis e tem
ocorrência comum em crianças na faixa
etária de 5 a 10 anos.
FORMAS DE TRANSMISSÃO
• Ingestão de ovos pela má higienização das
mãos, além do compartilhamento de
alimentos e de roupas de cama/íntimas
contaminadas.
• A transmissão é fecal-oral: o ser humano
ingere os ovos embrionados, na maioria das
vezes eliminados por si próprio – ao coçar a
região anal, perianal ou perineal; o indivíduo
contamina as suas mãos e posteriormente as
leva até a boca.
• Além disso, com as mãos contaminadas o
sujeito pode contaminar alimentos, passando
a verminose para outras pessoas geralmente
do convívio domiciliar.
CICLO BIOLÓGICO
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A infecção por E. vermicularis costuma ser
assintomática, quando sintomática apresenta
como sintoma mais comum:
1. Prurido na região perianal (intenso,
principalmente durante a noite)
Observação: Tal situação pode levar a uma
irritação na região anal com proctite e
vulvovaginite, pelo deslocamento das larvas para
a região genital feminina, o que ocasiona
prurido vulvar, desconforto vaginal e
granulomas no útero, nos ovários e nas tubas
uterinas. Pode ocorrer corrimento vaginal além
de os lábios se apresentarem eritematosos e
edemaciados.
2. Perturbações no sono e irritabilidade (em
consequência do prurido anal)
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3. Infecção do sistema urinário (higienização
perineal inadequada)
4. Pode ocorrer colite crônica, a qual causa
f e z e s a m o l e c i d a s o u d i a r r e i c a s ,
emagrecimento e alterações do apetite.
DIAGNÓSTICO
1. Exame de fezes;
2. Clínica;
3. Método de Graham (Método da fita
adesiva);
4. Inspeção do introito anal e de roupas
íntimas e de cama;
5. Pesquisa de antígeno fecal.
TRATAMENTO
TENÍASE
INTRODUÇÃO
• A teníase é uma doença decorrente
principalmente da infecção por T. solium, T.
saginata.
• Esses agentes podem viver principalmente no
intestino delgado do ser humano.
• O ser humano é o hospedeiro definitivo
(abriga a forma adulta) das principais
espécies de Taenia, sendo os bovinos os
hospedeiros intermediários (abriga as
formas larvas) da forma saginata, enquanto o
porco o é da espécie solium.
FORMAS DE TRANSMISSÃO
• A infecção humana pela teníase se dá pela
ingestão de carne bovina ou suína com larvas
teciduais (cisticercos) dos respectivos
patógenos.
• Ao ingerir a carne crua ou insuficientemente
cozida, o ser humano se torna infectado pela
larva, que evolui para verme adulto no
intestino, originando a teníase.
• Apenas no caso da Taenia solium pode ainda
ocorrer a contaminação humana pela
ingestão acidental de ovos ou proglotes, o que
leva à formação de cisticercos (larvas) no
organismo, ocasionando a cisticercose.
CICLO BIOLÓGICO
Observação: Caso o homem se infecte
ingerindo água ou alimento contendo ovos da
t ên i a , e l e pode compor ta r- s e como
hospedeiro intermediário. A oncosfera
será eclodida e dará origem a cisticercos nos
tecidos com maiores concentrações de
oxigênio, como sistema nervoso central, olhos e
musculatura esquelética.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
E m ve r d a d e , mu i t o s p a c i e n t e s s ã o
assintomáticos.
Quando presentes, os principais sintomas são:
1. Náuseas
2. Vômitos
3. Anorexia
4. Diarreia
5. Epigastralgia
6. Cólicas abdominais
7. Perda de peso
8. Insônia
9. M a n i f e s t a ç õ e s c u t â n e a s d e
hipersensibilidade (prurido e urticária)
10. Constipação intestinal
11. Irritabilidade
12. Cefaleia e vertigens
13. Possível oclusão de orifícios e ductos
naturais do sistema digestório, ocasionando
apendicite aguda, colangite ou pancreatite
aguda
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CISTICERCOSE
• A cisticercose humana ocorre quando o
homem ingere os ovos (ou eventualmente
proglotes grávidas).
• Os ovos então, por ação do suco gástrico, são
convertidos em oncosferas, que em seguida
são absorvidas pela mucosa intestinal,
alcançando a corrente circulatória e
disseminando-se para os órgãos com grande
aporte de O2 (SNC, músculos, coração etc),
nos quais então se transformarão nos
cisticercos.
O ser humano ingere os ovos por:
1. Heteroinfecção: Indivíduo consome
água ou alimentos contaminados com ovos.
2. Autoinfecção externa: Indivíduo ingere
os ovos provenientes da sua própria T.
solium, através de mãos contaminadas.
3. Autoinfecção interna: Ovos ou
proglotes grávidas são regurgitados para o
estômago, convertendo-se em oncosferas
que descem novamente para o intestino e
são absorvidas, seguindo o ciclo.
Observação : Os c i s t icercos causam
problemas, especialmente aqueles que se
a l o j a m n o p a r ê n q u i m a c e r e b r a l –
neurocisticercose, também apresentam
acometimento extraneural (fígado, olhos,
musculatura esquelética, coração, entre outros).
Manifestações clínicas neurais
• Epilepsia
• Convulsão, podendo ocorrer outras lesões
focais, como déficits motores e distúrbios
visuais.
• Hidrocefalia pela obstrução do fluxo
liquórico pode levar a sinais de hipertensão
intracraniana, com cefaleia, náuseas,
vômitos, borramento de visão, papiledema e
rebaixamento do nível de consciência.
Manifestações clínicas extraneurais
1. Acometimento ocular (redução da
acuidade visual ou cegueira)
2. Músculos (mialgias, edema, febre e
eosinofilia - grande envolvimento musc.)
3. Coração (arritmias e/ou distúrbios de
condução elétrica)
4. Cutâneo (nódulos subcutâneos calcificados)
DIAGNÓSTICO
1. Pesquisa de proglotes ou ovos nas fezes;
2. Teste de Graham (prova da fita adesiva);
3. Sorológicos;
4. Hemograma (aumento de IgE) .
Diagnóstico da neurocisticercose
Quatro categorias são fundamentadas:
1. Critérios absolutos
2. Critérios maiores
3. Critérios menores
4. Critérios epidemiológicos
Diagnóstico definitivo de NCC:
1. Presença de um critério absoluto
2. Presença de dois critérios maiores
associados a um critério menor e um
critério epidemiológico
TRATAMENTO
O tratamento de escolha da neurocisticercose:
praziquantel 50 mg/kg/dia + dexametasona,
durante 21 dias. Associar anti-convulsivantes.
ESQUISTOSSOMOSE
• A esquistossomose mansoni é uma doença
causada pelo parasita Schistosoma mansoni.
• Os vermes deste gênero parasitam os vasos
sanguíneos do ser humano, alimentando-se
dos nutrientes circulantes.
• O S. mansoni tem como hospedeiro
definitivo (onde se desenvolvem os vermes
adultos) o ser humano e tem como
hospedeiro intermediário (onde se
desenvolvem as formas larvárias) o caramujo
do gênero Biomphalaria.
FORMAS DE TRANSMISSÃO
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• Adquiridos por meio de contato com água
doce contaminada, onde habitam os
caramujos.
CICLO BIOLÓGICOMANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Esquistossomose Aguda
Quadro geral agudo
1. Febre elevada que pode chegar a 40°C, de
característica irregular e remitente,
2. Calafrios
3. Sudorese profusa
4. Mal-estar geral
5. Lassidão
6. Astenia
7. Queixas respiratórias – tosse não
produtiva, broncospasmo e raramente
dispneia –, anorexia, náuseas e vômitos
(que podem ser intensos), mialgias e
cefaleia.
8. Diarreia, precedida de cólicas
9. Numerosas evacuações
10. Podem ser encontrados fenômenos
alérgicos como urticária e edema de
Quinck.
Observação: Ao exame físico, notam-se
emagrecimento, desidratação, abdome
d i s t e n d i d o e d o l o ro s o à p a l p a ç ã o ,
h e p a t o e s p l e n o m e g a l i a d o l o r o s a ,
linfonodomegalia, taquicardia e hipotensão
arterial sistêmica.
Coceira do nadador
• Esta é uma reação inflamatória local, na área
de penetração cercarial, composta de edema
e capilares dilatados, atribuída à liberação
local de citocinas.
Dermatite cercarial
• A erupção cu tânea macu lopapu lar
pruriginosa temporária, de discretas
dimensões, entre 1 e 3 cm, de apresentação
maculoeritematosa, é consequente à
penetração cutânea das cercárias.
Síndrome de katayama
• É decorrente de uma intensa reação
imunológica.
• A síndrome caracteriza-se por febre, artralgia
e vasculite cutânea.
• Alguns desenvolvem doença persistente e
mais grave com perda de peso, dispneia e
diarreia, dor abdominal difusa, toxemia,
hepatoesplenomegalia e erupções cutâneas
generalizadas.
• Ela pode evoluir rapidamente para fibrose
hepática, esplenomegalia e hipertensão
portal.
Broncopneumonia
• Pode ocorrer hiper-reatividade brônquica –
com infiltrados pulmonares.
Esquistossomose crônica
Forma intestinal e hepatointestinal
• Sintomas dispépticos, caracterizados por
anorexia, sensação de plenitude gástrica,
náuseas, vômitos, pirose e flatulência.
• A apresentação clínica geral pode associar-se
a dor abdominal em cólica, difusa ou
l oca l i zada na fo s sa i l í a ca d i re i t a ,
acompanhada por pontuais episódios
diarreicos – fezes líquidas ou pastosas,
frequentemente de três a cinco evacuações
por dia, ou disentéricas.
• Ao exame físico, podem ser encontrados
alguns achados, como emagrecimento e
hepatomegalia, com o fígado palpável de 2 a
6 cm abaixo do rebordo costal direito e a
alguns centímetros abaixo do apêndice
xifoide, tipicamente indolor e com superfície
irregular, em que é possível palpar uma
borda fina e de consistência aumentada
muito característica.
Forma hepatoesplênica
• Caracteriza-se pelo envolvimento do fígado e
do baço no processo patológico, bem como
pela existência de sinais de hipertensão porta.
• Na forma hepatoesplênica compensada, é
evidenciado com a sensação de plenitude
gástrica pós-prandial, azia, dor abdominal
vaga e difusa – associam-se a hipertensão
portal e a esplenomegalia, podendo evoluir
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com fenômenos hemorrágicos, como
hematêmese e melena.
• Na forma hepatoesplênica descompensada,
encontra-se o quadro correspondente à
falência hepática crônica grave – como
“hálito hepático”, volumosa ascite, edema
do s membro s i n f e r i o re s , i c t e r í c i a ,
telangiectasias, eritema palmar, ginecomastia
e queda de pelos e esplenomegalia mais
acentuada que hepatomegalia, com baço
palpável.
Forma vascular pulmonar
• O acometimento está associado à forma
hepatoesplênica da parasitose.
• Acredita-se que, pela hipertensão portal
encontrada nesta última forma, um desvio
portossistêmico permita a entrada de ovos do
helminto na circulação pulmonar, o que
resulta em inflamação granulomatosa.
• Clinicamente, são encontradas duas
principais formas de apresentação da doença
vascular pulmonar: a hipertensiva e a
cianótica.
• A hipertensiva, a mais prevalente, manifesta-
se por dispneia associada aos esforços, bem
como tosse seca, ou com secreção viscosa,
por vezes com hemoptoicos.
• Além disso, astenia ou fadiga extrema, rápida
perda ponderal, anorexia e sinais de
insuficiência cardíaca podem ser observados.
• A forma cianótica apresenta-se com cianose
ge ra lmente d i s c re ta – a t r ibu ída a
microfístulas arteriovenosas –, sobretudo nas
extremidades, e dedos em baqueta de
tambor.
Formas ectópicas
• A neuroesquistossomose advém da resposta
inflamatória aos ovos que alcançam o sistema
nervoso central (SNC). Tal forma clínica
inclui sinais e sintomas de aumento da
pressão intracraniana, mielopatia e
radiculopatia. As lesões podem evoluir para
cicatrizes gliais irreversíveis, se não tratadas.
• Podem ocorrer sintomas de cefaleia,
deficiência visual, delírio, convulsões, déficit
motor e ataxia
DIAGNOSTICO
1. Exames parasitológicos;
2. Testes sorológicos;
3. Pesquisa de antígeno no soro, urina,
escarro;
4. Testes moleculares (PCR).
TRATAMENTO
DIARREIAS
CONCEITO DE DIARREIA
• Diarreia se refere a uma alteração do hábito
intestinal por diminuição de consistência das
fezes e aumento da frequência e do volume
das evacuações.
• É decorrente da alteração na absorção,
secreção ou motilidade intestinal.
• A queixa de diarreia é inespecífica
(fisiológicos e patológicos).
As diarreias podem ser de causas por:
1. Agentes infecciosos;
2. Intolerância alimentar;
3. Intoxicação alimentar;
4. Fármacos ou doença intestinal;
5. Entre outros.
MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DA
DIARREIA
Quanto ao mecanismo fisiopatológico, são
categorizadas em:
1. Osmótica: Ocorre por acúmulo de
solutos osmoticamente at ivos não
absorvíveis no lúmen intestinal. Água é
atraída para dentro do lúmen intestinal
pela concentração hiperosmótica do seu
conteúdo, a tal volume que o cólon não
consegue reabsorver o excesso de líquido.
Assim, ocorre retenção de líquidos
intraluminais e consequentemente diarreia.
Ex.: deficiência de dissacarídeos, alta
ingestão de carboidratos pouco absorvíveis
(sorbitol, manitol, lactulose), abuso de
laxativos (sulfato de magnésio). Cessa com
jejum.
Maria Vitória de Sousa Santos
2. Secretória: Distúrbio no processo
hidroeletrolítico pela mucosa intestinal, por
meio do aumento de secreção de íons e
água para o lúmen ou inibição da
absorção, por meio de drogas ou toxinas.
Provocado por E. coli enterotoxigênica, Vibrio
cholerae, Salmonella sp. Não cessa com jejum.
3. Inflamatória: É causada por uma
alteração inflamatória, levando a produção
de muco, pus e/ ou sangue nas fezes.
Caracteriza por lesão e morte de
enterócitos, atrofia de vilosidades e
hiperplasia de criptas. Ex: DII.
4. Disabsortiva: A causa dessa diarreia está
associada a baixa absorção dos lipídios no
intestino delgado (esteatorreia). Ex: Doença
Celíaca, doença de Crohn e Giardíase.
5. Funcional: Nesse tipo de diarreia, a
absorção e secreção estão normais, porém
não há tempo suficiente para ocorrer a
absorção desses nutrientes corretamente.
Aumento de trânsito intestinal. Ex:
Síndrome do Intestino Irritável (SII).
Observação: As 4 primeiras diarreias
orgânicas e a última não orgânica.
CLASSIFICAÇÃO DAS DIARREIAS
1. Aguda: Começa subitamente e persiste
por menos de 2 semanas geralmente
causada por agentes infecciosos. São
processos autolimitados, na maioria das
vezes, e a conduta primordial é a
manutenção da homeostase com o
equilíbrio hidroeletrolítico.
2. Crônica: Sintomas persistem por 4
semanas ou mais.
3. Persistente: Duração entre 2 e 4
semanas.
4. Alta: Originada no intestino delgado.
Desencadeia diarreia de padrão secretor.
5. Baixa: Originada no intestino grosso.
Costumam apresentar padrão inflamatório.
ETIOLOGIA DIARREIA AGUDA
Causas da diarreia aguda:
1. Agressão por microrganismo: +
comum.2. Diarreia osmótica: Sobrecarga de
solutos hiperosmolares por abusos
alimentares ou fármacos.
3. Diarreia funcional: Estímulos de
peristalse exacerbados como os induzidos
por estresse emocional.
Principais agentes infecciosos das diarreias
agudas:
1. Vírus (rotavírus*****, norovírus, adenovírus
e astrovírus);
2. Bactérias (Salmonella, Shiguella, S. aureus
E . c o l i * * * * * , p r i n c i p a l m e n t e a
enterotoxigênica, Clostridioides difficile*****,
Yersínia, Campylobacter, Vibriocholerae);
3. Helmintos (Ascaris, Estrongiloide, Necator
americanus, Ancylostoma duodenalis);
4. Protozoários como Giardia e Entamoeba
histolytica.
MANIFESTAÇÕES DA DIARREIA AGUDA
As diarreias agudas frequentemente são
subdivididas em:
1. Não inflamatórias: Pode provocar
grandes perdas de volume. Em muitos
casos, esse tipo de diarreia é causado por
bactérias que produzem toxinas (p. ex., S.
aureus) ou outros patógenos (p. ex., vírus,
Giardia) que interrompem a absorção ou o
processo secretório normal do intestino
delgado. Os microrganismos aderem ao
epi té l io intes t ina l sem des tru í - lo,
determinando diarreia secretora (toxinas
induzem a secreção), com fezes aquosas, de
grande volume e sem sangue; pode estar
associada a náuseas, vômitos, cólicas
periumbilicais e distensão abdominal por
gases.
2. Inflamatórias: É causada por bactérias
invasivas, parasitos e bactérias produtoras
de citotoxinas que afetam preferentemente
o íleo e o cólon. Promove ruptura do
revestimento mucoso e perda de soro,
hemácias e leucócitos para o lúmen.
Geralmente manifesta-se por diarreia, em
geral de pequeno volume, com muco, pus
ou sangue, febre, dor abdominal
predominante no quadrante inferior
esquerdo, tenesmo, dor retal.
Maria Vitória de Sousa Santos
S ã o s i n a i s d e a l a r m e p a r a ex a m e s
complementares:
1. Diarreia > 7-10 dias;
2. ≥ 6 episódios/dia;
3. Idosos >70 anos;
4. Diarreia aquosa profusa, acompanhada de
franca desidratação;
5. Diarreia adquirida no hospital (internação
≥ 3 dias)
6. Sinais de comprometimento sistêmico (ex.:
alteração do estado mental, disfunção
renal);
7. Sinais de diarreia inflamatória;
8. Piora progressiva;
9. Pacientes imunocomprometido (AIDS, pós-
transplante de órgãos)
DIARREIA CRÔNICA
A d i a r r e i a c r ô n i c a e s t á a s s o c i a d a
frequentemente aos distúrbios como:
1. D o e n ç a
i n fl a m a t ó r i a
intestinal (DC e
RCU)
2. S í n d r o m e d o
intestino irritável
3. Síndromes de má
a b s o r ç ã o
( i n t o l e r â n c i a à
lactose e doença
celíaca)
4. D o e n ç a s
e n d ó c r i n a s
(hipertireoidismo,
n e u r o p a t i a
a u t ô n o m a
diabética)
5. I n f e c ç õ e s c r ô n i c a s ( p a c i e n t e s
i mu n o c o m p ro m e t i d o s , b a c t é r i a s ,
protozoários)
6. Colite pós-irradiação
7. Tumores neuroendócrinos produtores de
neurotransmissores com ação secretagoga,
como o VIP (peptídio vasoativo intestinal)
nos VIPomas e a serotonina na síndrome
carcinoide. (menos comum)
MANIFESTAÇÕES DA DIARREIA CRÔNICA
• A má absorção, que se apresenta mais
comumente como diarreia crônica, é
caracterizada pela absorção defeituosa de
gorduras, vitaminas lipo e hidrossolúveis,
proteínas, carboidratos, eletrólitos e minerais
e água.
A má absorção crônica pode ser acompanhada
por:
1. Perda de peso
2. Anorexia
3. Distensão abdominal
4. Borborigmos e fraqueza muscular.
5. Esteatorreia, caracterizada pela gordura
excessiva nas fezes de evacuação volumosa,
espumante, gordurosa e de cor amarela ou
de barro.
Os sinais de alarme incluem:
1. Idade de início maior que 50 anos
2. Sangramento retal ou melena
3. Dor noturna ou diarreia
4. Dor abdominal progressiva
5. Perda de peso inexplicável, febre ou outros
sintomas sistêmicos
6. Anormalidades laboratoriais (anemia por
deficiência de ferro, proteína C reativa
elevada ou calprotectina fecal)
7. História familiar de doença inflamatória
intestinal (DII) ou câncer colorretal
DIAGNÓSTICO DA DIARREIA AGUDA
1. História clínica;
2. Exame físico;
3. Hemograma;
4. Função renal e eletrólitos;
5. Exame de fezes (Leucócitos fecais);
6. Radiografia simples;
7. Endoscopia;
8. Sorologia;
9. PCR.
TRATAMENTO DA DIARREIA AGUDA
Na maioria das vezes a imunidade do
hospedeiro consegue eliminar a infecção. O
objetivo terapêutico está relacionado com a
reposição das perdas hidroeletrolíticas.
1. Reidratação
2. Dieta
3. Antidiarreicos
- Subsalicilato de bismuto: Tem efeito
variado, é bactericida e antissecretor por
bloquear o efeito das enterotoxinas, além
de estimular a reabsorção intestinal de
sódio e água.
- Loperamida e difenoxilato: Inibem a
motilidade intestinal, aumentam o tempo
de contato para a absorção de água e
Maria Vitória de Sousa Santos
eletrólitos, e com isso diminuem o número
das evacuações intestinais e as cólicas.
Observação: Esses medicamentos devem ser
evitados nos casos de disenterias e nos
pacientes com febre alta e toxemia, pois
poderiam agravar a evolução da doença e
precipitar o aparecimento de megacólon
tóxico.
4. Antibióticos (uso restrito a condições
específicas (disenteria));
5. Antiparasitários.
DIAGNÓSTICO DA DIARREIA CRÔNICA
1. Hemograma;
2. Provas de atividade inflamatória;
3. Perfil nutricional/metabólico;
4. Marcadores específicos;
5. Estudo das fezes;
6. Sorologia;
7. Sangue oculto;
8. Leucócitos;
9. pHfecal;
10. Endoscopia;
11. Colonoscopia;
12. Trânsito de intestino delgado;
13. Tomografia computadorizada.
TRATAMENTO DA DIARREIA CRÔNICA
• Para os pacientes que estão em investigação
diagnóstica, deve-se prescrever inicialmente
dieta pobre em resíduos, restrição de leite e
derivados, utilizando-se medicamentos
sintomáticos para a diarreia.
Os fármacos usados para tratar diarreia
incluem:
1. D i f e n o x i l a t o e L o p e r a m i d a :
Aumentam a atividade de segmentação
fásica do cólon por meio da inibição dos
nervos colinérgicos pré-sinápticos nos
plexos submucoso e mioentérico e resultam
em aumento do tempo de trânsito colônico
e absorção da água fecal. Reduzem a
motilidade GI e estimulam a absorção de
água e eletrólitos.
2. Somatostatina e octreotídio: Inibem a
motilidade e a secreção gástrica e
pancreática com favorecimento da
absorção de água e eletrólitos. O
octreotídio é poderoso inibidor da
liberação de gastrina, VIP e 5-HT. Por isso,
é usado no tratamento da diarreia da
síndrome carcinoide, da síndrome de
Zollinger-Ellison e nos aidéticos.
3. Subsalicilato de bismuto: Usado para
reduzir a frequência das evacuações
malformadas e aumentar a consistência das
fezes.
4. Antibióticos: Devem ser reservados para
pacientes com patógenos entéricos
confirmados.
CLASSIFICAÇÃO DA DESIDRATAÇÃO
CI E HEMORROIDA
CONCEITO DE CONSTIPAÇÃO INTESTINAL
• É a retenção de fezes endurecidas ou
massificadas no reto e no intestino grosso,
que interfere na eliminação normal.
• Está relacionada à menor freqüência
evacuatória, à maior consistência das fezes e
ao esforço para defecação, além da sensação
de evacuação incompleta.
CAUSAS GERAIS CONSTIPAÇÃO INTESTINAL
1. Doença anorretal dolorosa, tumores ou
doença neurogênica;
2. Uso de antiácidos constipantes ou laxantes
formadores de bolo fecal;
3. Dieta com pouca fibra;
4. Estase do intestino grosso causada por
fármacos;
5. Repouso ao leito e limitação física
prolongada.
ESCALA DE BRISTOL
DEFINIÇÃO DE CONSTIPAÇÃO ROMA III
Maria Vitória de Sousa Santos
ETIOPATOGENIA
As causas da constipação podem ser
classificadas em primárias, secundárias