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Informativos – TSE/2019 | Renan Ongaratto Sumário INFORMATIVOS TSE 2019 3 Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, porém do Senhor vem a vitória – Pv 21; 31 INFORMATIVOS TSE 2019 Informativo 1/19 - Cláusula de desempenho estabelecida pela EC 97/2017 incidirá desde o início da legislatura 2019-2022 com base no resultado das Eleições 2018 para a Câmara dos Deputados. · O dia 1/2/2019, início da legislatura subsequente às eleições de 2018, é a data em que os partidos políticos que não alcançaram a cláusula de desempenho deixarão de receber verbas do Fundo Partidário – Ressalvados os valores devidos até 31.1.2019, mas repassados à conta específica do Tribunal Superior em data ulterior. Informativo 1/19 – Há possibilidade de o candidato devolver do valor de doação legítima ao doador – Não há vedação à devolução de doações legalmente recebidas por candidato a cargo eletivo, realizada com fundamento em critérios estabelecidos em sua campanha para arrecadação de recursos ou razões subjetivas. No caso, há legitimidade da recusa do candidato, vez que tem capacidade para decidir sobre as receitas que ingressam em sua campanha. · A lei impor aos candidatos a devolução de doações de fontes vedadas, de origem não identificada ou realizada em desconformidade com o procedimento não induz à vedação de devolução com fundamento em outras razões – O candidato donatário detém prerrogativa de recusar doações recebidas, ainda que perfeitamente legais. · Caso Concreto – O candidato devolveu valor legalmente recebido na sistemática do financiamento coletivo, ao argumento de que as doações em questão foram realizadas diretamente na conta de campanha, sem que o candidato tivesse plena ciência da regularidade de sua origem; e, dessa forma, optou por sua devolução. Informativo 1/19 – As alterações fáticas e jurídicas nas condições de ELEGIBILIDADE também podem ser comprovadas até a data da diplomação – A controvérsia reside no alcance do art. 11, §10 da Lei 9504/97 (“As condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade devem ser aferidas no momento da formalização do pedido de registro da candidatura, ressalvadas as alterações, fáticas ou jurídicas, supervenientes ao registro que afastem a INELEGIBILIDADE”). Em suma, a discussão é no sentido de que a redação ressalva somente a comprovação superveniente de causas que “afastem a inelegibilidade”, mas não que afastem as irregularidade referentes às condições de elegibilidade. · Se regularizar a situação ANTES da diplomação, mesmo que à época do pleito estivesse irregular, não haverá problema. · Caso concreto – Sujeito não estava com sua inscrição eleitoral regular, ou seja, não preenchia uma das condições de elegibilidade (art. 14, § 3º, III, da CF), o que obstava o deferimento do seu registro de candidatura ao cargo de deputado estadual, mas regularizou essa situação após a interposição do recurso especial, mas em momento anterior à diplomação. Foi deferido o registro. · Súmula 43 do TSE – “As alterações fáticas ou jurídicas supervenientes ao registro que beneficiem o candidato, nos termos da parte final do art. 11, § 10, da Lei nº 9.504/1997, também devem ser admitidas para as condições de elegibilidade”. Informativo 1/19 – Nas eleições suplementares (art. 224, §3º, do CE), NÃO poderá participar o candidato que deu causa à anulação do pleito – Seja em razão do cometimento de ilícito eleitoral, seja em razão do indeferimento do registro de candidatura. Essa conclusão se alinha ao disposto no art. 219, p.ú. do CE. Essa tese, teve efeitos prospectivos. · Caso concreto – No caso, o recorrente deu azo à nulidade do pleito de 2016 em razão de não ter comprovado o prazo de seis meses de filiação ao partido político. Informativo 2/19 – É admissível condenação por captação ilícita de sufrágio lastreada exclusivamente em prova testemunhal consistente (art. 41-A da Lei 9504/97) – No caso a condenação dos recorridos estava calcada no depoimento de VÁRIAS testemunhas, sem notícia de vínculo entre si, cujas narrativas foram consideradas uníssonas, consistentes, detalhadas. Informativo 2/19 – Há necessidade de se analisar o prequestionamento afastando uma concepção meramente formalista, sendo prequestionada a matéria sobre a qual o Tribunal efetivamente debateu e firmou entendimento · Súmula 72 do TSE – “É inadmissível o recurso especial eleitoral quando a questão suscitada não foi debatida na decisão recorrida e não foi objeto de embargos de declaração”. Não basta a menção incidental do tema em voto-vista, com a ressalva expressa de não levar o assunto à discussão do Colegiado. ATENÇÃO – TSE sinalizou mudança de entendimento quanto a interpretação do art. 77 da Lei 9504/97 no tocante à configuração de conduta vedada por agente público. · Problema – O referido dispositivo traz prazos de “três meses antes do pleito”. Ocorre que, antes das alterações promovidas pela Lei 13165/15, o registro de candidatura deveria ser solicitado até o dia 5 de julho, de modo que a vedação temporal prevista no referido art. 77 (três meses antes do pleito) alcançava as condutas do agente público que ostentasse formal e materialmente a condição de candidato. Atualmente o registro vai até 15 de agosto, assim, passa a ser regra que, no início do período vedado pelo art. 77, os agentes públicos ainda não ostentam a condição formal de candidatos e sequer tenham sido escolhidos em convenção. · Solução – Exige-se interpretação para compatibilizar os fins de proteção das normas eleitorais com as alterações cronológicas, recorrendo-se a uma definição material de candidato, que não se limite apenas ao momento formal de apresentação do registro de candidatura. A norma do art. 77 da Lei das Eleições visa evitar que os agentes públicos se utilizem das inaugurações de obras como meio de angariar votos e realizar campanha, razão por que sua incidência não pode restringir-se às hipóteses de candidaturas formalmente registradas, considerado o novo contexto normativo decorrente da minirreforma eleitoral. É o caso de evidente conhecimento pelos munícipes da intenção de reeleição pelo chefe do Executivo, antes de oficialmente formalizado o pedido de registro de candidatura, o que já atrairia a incidência da proibição. Informativo 2/19 – Reiterada omissão do partido político na aplicação de recursos destinados à participação feminina na política consubstancia irregularidade que enseja desaprovação das contas. Informativo 2/19 – É admitida a prova de filiação partidária (Art. 19 da Lei 9096/95) por meio de conversa em aplicativo de mensagens instantânea – No caso, candidato juntou aos autos, no intuito de provar sua filiação ao partido em data anterior ao prazo legal de seis meses, ficha de filiação e cópia de mensagens escritas em aplicativo de conversa instantânea, contemporâneas ao requerimento de filiação. Entendeu-se que tanto na origem como na forma de produção do conteúdo, os dados objetos de registro eletrônico tem a natureza bilateral desse meio de prova. · Súmula 20 do TSE – “A prova de filiação partidária daquele cujo nome não constou da lista de filiados de que trata o art. 19 da Lei nº 9.096/1995, pode ser realizada por outros elementos de convicção, SALVO quando se tratar de documentos produzidos unilateralmente, destituídos de fé pública”. Informativo 3/19 – A Justiça Eleitoral não tem competência para restabelecer os direitos políticos de quem esteja deles privado em razão da negativa de cumprimento do serviço militar obrigatório ou de prestação alternativa – Salientou-se que a Justiça Eleitoral tem por incumbência promover apenas o registro dessas situações na respectiva base de dados, após comunicação pela autoridade competente. Informativo 3/19 – São comunicáveis, para análise do percentualde doação previsto no art. 23 da Lei 9504/97, os rendimentos do cônjuge do doador, casado em comunhão parcial de bens, decorrentes de lucros advindos de quotas de sociedade empresarial adquiridas na constância do casamento – No caso, a soma dos rendimentos brutos da sociedade foi de mais de novecentos mil reais, ao passo que a doação à campanha eleitoral feita por um dos cônjuges foi de dois mil reais, ou seja, valor inferior ao limite de 10% estabelecido pelo art. 23, §1º da Lei 9504/97. Informativo 4/19 – A autonomia partidária não constitui barreira para que a Justiça Eleitoral fiscalize se o gasto realizado com recursos do Fundo Partidário é manifestamente antieconômico – No caso, o valor da despesa com a locação de três veículos foi semelhante ao de mercado dos automóveis locados, tratando-se de gasto absolutamente oneroso. Por conseguinte, além dos documentos fiscais, é necessária a apresentação de outros que atestem minimamente a vinculação do gasto à atividade partidária, o que não foi observado no caso, ensejando a devolução dos valores ao erário. Informativo 4/19 – Promoção pessoal de pré-candidato veiculada em outdoor configura propaganda eleitoral antecipada – O pré-candidato não pode utilizar, na divulgação de eventual candidatura, meios que são proibidos durante o período eleitoral. A despeito da licitude do enaltecimento das próprias qualidades para o exercício de mandato, ou a divulgação de plataformas de campanha ou planos de governo, fica caracterizado o ilícito eleitoral quando o veículo de manifestação se dá pelo uso de formas vedadas durante o período oficial de propaganda, sendo vedado o uso de outdoors (Art. 39, §8º da Lei 9504/97). Embora o art. 36-A da Lei das Eleições não estabeleça regra proibitória expressa, uma interpretação sistemática conduz à conclusão de que a ele se aplicam as referidas vedações relativas às modalidades de propaganda eleitoral (outdoor, showmício etc.), tal como ocorre no período eleitoral. Informativo 4/19 – A decisão criminal condenatória proferida por órgão judicial colegiado no exercício de sua competência originária atrai a incidência da causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC 64/90 – Não se pode confundir colegialidade com duplo grau de jurisdição. A condenação por órgão colegiado enseja inelegibilidade, ainda que proferida em sede de competência originária, vez que a legislação prevê como requisito para incidência da inelegibilidade apenas que a decisão condenatória seja proferida por órgão colegiado, não fazendo alusão a duplo grau de jurisdição. Informativo 4/19 – A ausência de supervisão do tribunal competente na instauração de inquérito policial, cujo investigado tenha foro por prerrogativa de função, não enseja, por si só, nulidade da ação penal – No caso entendeu-se não haver nulidade do inquérito policial ou da peça acusatória quando, na fase inquisitorial, não for praticado nenhum ato de caráter decisório nem for adotada nenhuma providência que esteja protegida pela cláusula da reserva de jurisdição. Ressaltou-se, que, no caso concreto, o inquérito foi instaurado antes da assunção da recorrida no cargo de prefeito. Acrescentou que os atos subsequentes à posse se restringiram a dilações de prazo e à coleta de depoimentos. Informativo 4/19 – O partido incorporando (incorporador) terá direito ao cômputo dos votos recebidos pelo incorporado na última eleição geral para a Câmara dos Deputados (para Fundo partidário e Tempo de TV) – O partido incorporador assume tanto o ativo quanto o passivo do ente incorporado. Assim, o partido incorporador faz jus aos votos do incorporado na última eleição para a Câmara dos Deputados, mas assume tanto o ativo quanto o passivo do ente incorporado, especialmente no que se refere a condenações em prestações de contas. Informativo 6/19 – Não incide preclusão em causa de inelegibilidade constitucional – Assim, inelegibilidade constitucional, ainda que preexistente ao registro de candidatura, poderá ser noticiada em sede de Recurso Contra a Expedição de Diploma (RCED). · Caso concreto – A existência da relação de parentesco causadora da inelegibilidade reflexa foi declarada pelo recorrente no processo de registro de candidatura, ocasião em que o Ministério Público Eleitoral quedou-se inerte quanto à impugnação. Posteriormente, o Parquet insurgiu-se contra a inelegibilidade em sede de RCED. O próprio CE (arts. 259 e 262 do Código Eleitoral) versam sobre a impossibilidade de convalidação de vício de tal natureza. · Súmula 47 do TSE – “A inelegibilidade superveniente que autoriza a interposição de recurso contra expedição de diploma, fundado no art. 262 do Código Eleitoral, é aquela de índole constitucional ou, se infraconstitucional, superveniente ao registro de candidatura, e que surge até a data do pleito”. Informativo 6/19 – Não caracteriza propaganda eleitoral extemporânea a veiculação, em grupo restrito de WhatsApp, de pedido de votos a determinado candidato, prevalecendo a liberdade de expressão e opinião – No caso, o pedido NÃO objetiva o público em geral de modo a macular a igualdade de oportunidade entre os candidatos, mormente quando ausente provas de viralização da mensagem. Informativo 6/19 – É considerada lícita a prova consistente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores – Admite-se, em regra, como prova do ilícito eleitoral a gravação ambiental feita por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro e sem prévia autorização judicial, seja em ambiente público ou privado. Caberá ao julgador, no caso concreto, a valoração das circunstâncias em que efetivada a gravação, para analisar se houve manipulação contra participantes da disputa eleitoral. Assim, entendeu que, se constatado o induzimento ou constrangimento do interlocutor à prática de ilícito, será possível o reconhecimento da invalidade da gravação. Informativo 6/19 – O STF conferiu interpretação conforme a Constituição ao art. 9º da Lei 13165/15 (que modificou o art. 44, V da Lei 9096/95), para equiparar o percentual de candidaturas femininas ao mínimo de recursos do Fundo Partidário a lhes serem destinados – Assim deve ser respeitado o patamar mínimo de pelo menos 30% dos recursos às candidaturas femininas, já que se exige o mínimo de 30% de candidatas femininas, conforme o art. 10, § 3º, da Lei nº 9504/97. Nos 30% voltados a aplicação nas campanhas de suas candidatas estão incluídos os recursos a que se refere o art. 44, V da Lei 9096/95. Informativo 7/19 – Os diretórios de cada esfera partidárias devem destinar no mínimo, 5% dos recursos recebidos do Fundo Partidário para criar/manter programas que promovam e difundam a participação feminina na política – Assim, é necessário que TAMBÉM os órgãos estaduais e municipais atendam a essa política afirmativa, ainda que o diretório nacional já tenha efetuado a aplicação mínima referente ao valor global recebido. Informativo 7/19 – Em regra, a divulgação/replicação de pesquisa de intenção de votos sem prévio registro na Justiça Eleitoral enseja o pagamento de multa, nos termos do art. 33, § 3º, da Lei 9504/97 – A jurisprudência do TSE é no sentido de responsabilizar todos que divulguem pesquisa eleitoral sem prévio registro, ainda que tenha compartilhado em rede social publicação divulgada por terceiro. No entanto, balizado nos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, cabe ao julgador analisar as especificidades do caso concreto para fins de aplicação da solução jurídica mais adequada, resguardando o equilíbrio entre a garantia constitucional da liberdade de informação e a moralidade do pleito eleitoral. · Caso concreto – Uma eleitora replicou, em seu perfil na rede social Instagram, conteúdo publicado por jornalde notória credibilidade, que indicava a liderança de seu irmão na corrida ao cargo de governador de Estado, ocorre que a pesquisa não tinha sido registrada no TSE. Informativo 7/19 – NÃO há previsão de aplicação de multa por propaganda irregular em bem particular – Em decorrência da redação conferida pela Lei 13488/17 ao art. 37, §2º da Lei 9504/97, a propaganda irregular em bens particulares não mais enseja sanção de multa, em razão da ausência de previsão normativa. Isso porque essa alteração legislativa retirou do texto legal a incidência, em tais hipóteses, da sanção estabelecida no § 1º do mencionado artigo, tornando-a aplicável tão somente às veiculações ocorridas em bens públicos ou de uso comum. Informativo 8/19 – Não é admitida indicação, em lista tríplice, de advogado que tenha relação de parentesco com membro do respectivo Tribunal de Justiça – É vedada a indicação de cônjuges e de parentes até o terceiro grau de membros dos respectivos Tribunais de Justiça para formação de lista tríplice. Asseverou que, neste caso, o fato de o indicado já ter integrado o TRE, na classe dos juristas, não obsta a aplicação do entendimento, à formação da nova lista tríplice. Além disso, o relator acrescentou que a vedação ao nepotismo na formação de lista tríplice de TREs é medida que se impõe para reforçar o compromisso da Justiça Eleitoral com os princípios constitucionais da República, da impessoalidade e da moralidade. · Caso concreto – Na lista tríplice destinada ao provimento da vaga de juiz do TRE, na classe de jurista, havia advogado que possui relação de parentesco com membro do respectivo Tribunal de Justiça. O referido advogado, inclusive, já integrava o TRE, e somente pleiteava sua recondução para novo biênio. Informativo 8/19 – Inelegibilidade reflexa NÃO impede candidatura para prefeito em município vizinho – A controvérsia cinge-se a saber se a inelegibilidade reflexa por parentesco impede a candidatura somente no território de jurisdição do titular, ou também em municípios vizinhos onde ele exerça influência política. Entendeu-se melhor privilegiar a elegibilidade de forma que a inelegibilidade reflexa está adstrita ao território de jurisdição do chefe do Poder Executivo e, por conseguinte, não abarca município adjacente. · ATENÇÃO – No caso, o prefeito tinha exercido 2 mandatos e a mulher dele queria se candidatar para um “terceiro” mandato, mas em município vizinho – Entendeu-se que a vedação ao prefeito itinerante NÃO atinge o cônjuge. O entendimento do STF a respeito da inelegibilidade do “prefeito itinerante” não pode ser aplicado, automaticamente, ao caso de inelegibilidade reflexa, haja vista que o precedente conferiu interpretação ao art. 14, §5º, da CRFB, enquanto a inelegibilidade reflexa se fundamenta no art. 14, § 7º, da CRFB. Desse modo, asseverou não ser possível aplicar, por simples analogia, as conclusões daquele precedente ao caso dos autos. Informativo 8/19 – Para apurar fraude ocorrida em seção eleitoral, cabe AIME, que não se sujeita aos prazos preclusivos estabelecidos no Código Eleitoral, em razão de sua natureza constitucional – Na oportunidade, o Plenário reafirmou que o conceito de fraude, para fins de cabimento de AIME, é aberto e engloba todas as ações fraudulentas que conduzam à anormalidade nas eleições e à ilegitimidade do mandato eletivo. No caso, acarretaria ofensa ao direito de ação e à inafastabilidade da jurisdição, pois não cabe exigir da parte que apresente todos os contornos da fraude já na oportunidade de que tratam os arts. 121, 149 e 171 do Código Eleitoral, dispositivos que, ao fim, se referem tão somente à impugnação a respeito da nulidade do voto e dos subsequentes recursos dela decorrentes. Por fim, lembrou que o art. 259 do Código Eleitoral dispõe que “são preclusivos os prazos para interposição de recurso, salvo quando neste se discutir matéria constitucional”. · Caso concreto – Em síntese, o juiz fechou uma seção eleitoral durante o horário de almoço para a prática de votação em nome de eleitores faltantes. Ingressaram com AIME. TRE falou que houve preclusão porque deveria ter havido impugnação no prazo dos arts. 121, 149 e 171 do CE que preveem contestações específicas para a nomeação de mesários, para a votação e para a apuração, respectivamente. O Ministro, ao analisar o conjunto dos atos praticados pelo presidente da mesa, considerou que a soma das condutas previstas nos citados artigos pode constituir suposta fraude, que por sua vez é apurada mediante AIME. Dessa forma, o relator entendeu que os fatos narrados no acórdão podem ser enquadrados juridicamente como suposta fraude na votação, capaz de comprometer a legitimidade do pleito. Informativo 8/19 – A presença de candidatos em reuniões e em encontros políticos organizados por sindicatos, associações, uniões estudantis e movimentos sociais é parte da liberdade civil de reunião para fins pacíficos – Mobilização política empreendida pelas entidades sindicais por meio de realização de reuniões com candidatos é natural e salutar ao processo de amadurecimento político. Informativo 9/19 – Fundação criada por partido político pode ceder ou alugar parte de seu imóvel para funcionamento de diretório da agremiação – A teor do art. 53 da Lei 9096/95 (Lei dos Partidos Políticos), a fundação ou instituto de direito privado criado por partido político e destinado ao estudo, à pesquisa, à doutrinação e à educação política rege-se pelas normas da lei civil e tem autonomia para contratar com instituições públicas e privadas. Assim, inexiste vedação legal para que a fundação ceda ou alugue parte de seu imóvel para o funcionamento de diretório do partido. No entanto, ressaltou que o art. 44, IV da Lei dos Partidos Políticos impõe às agremiações a aplicação de, no mínimo, 20% do valor recebido do Fundo Partidário na criação e manutenção de instituto ou fundação. Nesse ponto, asseverou que, em se tratando de aluguel, a contraprestação pecuniária deverá ser paga de forma dissociada da aplicação do referido mínimo legal (art. 44, IV). Por fim, destacou que eventual cessão ou aluguel deve ser informado na prestação de contas partidária, assegurando, assim, o controle pela Justiça Eleitoral do uso de recursos de Fundo Partidário. Informativo 9/19 – O termo inicial da prescrição da pretensão executória do Estado deve coincidir com o trânsito em julgado para a acusação e para a defesa, na hipótese de impossibilidade de execução provisória da pena – Seguiu-se o entendimento jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, no sentido de conferir interpretação sistemática ao art. 112, I, do CP, para afastar o reconhecimento da prescrição da pretensão executória estatal, ante a ausência do trânsito em julgado para todas as partes, e, por conseguinte, a incapacidade de o Estado em exigir o cumprimento da pena. · STJ entende diferente e aplica a redação literal do art. 112 do CP. Informativo 9/19 – O uso indevido dos recursos do FP destinados à difusão da participação feminina pode ser apurado no âmbito da representação prevista no art. 30-A da Lei 9504/97 (representação por captação e gastos ilícitos). · Caso concreto – No caso, candidata ao cargo de vereadora doou mais da metade do valor recebido do Fundo Partidário destinado à promoção de candidaturas femininas a candidato do gênero masculino. Argumentou-se que a referida representação somente poderia ser manejada contra arrecadação e aos gastos de recursos estabelecidas na própria Lei das Eleições (arts. 17 a 27 da lei 9504/97) e a destinação de recursos a participação feminina na política estão previstas na Lei 9096/95. O argumento não prevaleceu vez que a referida representação tem como escopo tutelar a transparência das campanhas eleitorais, a higidez e a moralidade da eleição, bem como aigualdade de oportunidades entre os candidatos. · A alegação de ser desproporcional a cassação dos mandatos, ao argumento de que o valor da doação não foi capaz de promover qualquer desequilíbrio no pleito, não merece acolhida – Isso, tendo em vista que: (i) a potencialidade de a conduta desequilibrar o pleito eleitoral não é exigida para a caracterização da conduta de arrecadação e gasto ilícito de recursos; e (ii) a sanção de cassação do mandato é a consequência imposta pelo art. 30-A, §2ºda Lei 9.504/1997, em razão da prática das condutas vedadas pelo caput. Informativo 10/19 – Declaração de bens inverídica apresentada à Justiça Eleitoral por meio do requerimento de registro de candidatura poderá tipificar o crime de falsidade ideológica eleitoral, previsto no art. 350 do CE. · Precedentes – A indicação incompleta de bens por ocasião do registro de candidatura não tipifica o crime de falsidade ideológica eleitoral – Esse posicionamento baliza-se no entendimento doutrinário e no jurisprudencial de que as declarações sujeitas a verificação ulterior afastam a possibilidade de falsidade. · Caso concreto/Novo Entendimento – A declaração de bens omissa cumpriu, por si só, a sua função legal de instruir o pedido de registro de candidatura. Destacou, ainda, a ausência de previsão legal de análise, pelo juiz eleitoral, da veracidade do teor do documento apresentado, uma vez que a declaração destina-se aos eleitores. Ademais, afirmou que o bem jurídico tutelado pelo art. 350 do CE não é o equilíbrio ou a legitimidade do pleito, como pontuou o tribunal de origem, mas a fé pública. E, nesse ponto, acrescentou que a falsidade ideológica ofende a convicção coletiva de confiança e de credibilidade dos documentos apresentados à Justiça Eleitoral. Informativo 11/19 – Doação com recursos do FP por órgão nacional de PP em benefício de candidato não coligado configura irregularidade grave e o recebimento de recursos de fonte vedada, ou seja, de PJ (arts. 31, II, da Lei 9096/95) – Inexistindo candidatura própria ou em coligação na circunscrição, é vedada a distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para outros partidos políticos ou candidaturas desses mesmos partidos. A doação efetuada atenta contra: (i) as regras expressas da legislação, que prevê os destinos aceitáveis para os recursos do Fundo Partidário; (ii) o legítimo direito dos candidatos do partido de receberem os recursos doados; e (iii) a finalidade do Fundo, que seria custear as despesas do próprio partido beneficiário. · Concluiu que permitir a partido político que financie um candidato de partido ou coligação concorrente configuraria espécie de “infidelidade partidária ao avesso”. Informativo 11/19 – Há reformatio in pejus na determinação, pelo TRE, de recolhimento ao erário de valores de origem não identificada, quando a sentença se limita a desaprovar as contas, sem incluir tal providência – Vencido o relator, Ministro Og Fernandes, ao concluir que, no caso, não há falar em reformatio in pejus, uma vez que o recolhimento de valores ao erário não pode ser considerado inovação sancionadora, pois consistiria em reflexo automático do julgamento da prestação de contas. Informativo 12/19 – Cabe direito de resposta à ofensa contra candidato proferida por meio de carro de som – O direito de resposta é de extração constitucional (art. 5º, V da CRFB) e, por conseguinte, aplicável às ofensas perpetradas com o uso de carro de som, ainda que ausente previsão desse direito na legislação eleitoral (TRE havia entendido que só caberia direito de resposta em ofensas proferidas em veículos de comunicação social - art. 58, § 3º, I a IV da Lei 9504/97), vez que há inviabilidade de se projetar procedimentos e prazos suficientes a abarcar todas as diversas formas de ofensa à honra no âmbito de campanha eleitoral. Informativo 12/19 – Candidaturas fictícias de mulheres geram cassação integral da chapa – A fraude eleitoral que consiste em uso de candidaturas “laranjas”, com a finalidade de alcançar percentual mínimo por gênero, enseja a cassação de todos os candidatos eleitos pela coligação nas eleições proporcionais, mesmo que não tenham contribuído com a fraude. · Atingir somente as candidaturas laranjas não cumpriria o efeito ensejaria inadmissível incentivo à fraude, por inexistir efeito prático desfavorável – Isso, porque o registro das candidaturas fraudulentas possibilitou maior número de homens na disputa, cuja soma de votos, por sua vez, contabilizou-se para as respectivas alianças, culminando em quociente partidário favorável (art. 107 do CE), com registro e eleição de maior número de candidatos. Além de que o cancelamento dos registros após o pleito não impede o aproveitamento dos votos dados para legenda (art. 175, §§ 3º e 4º, do CE). Informativo 13/19 – Candidato que exerça cargo em comissão na Câmara dos Deputados deve se desincompatibilizar nos três meses anteriores ao pleito (art. 1º, II, l, da LC 64/90), mesmo que concorra em outra circunscrição – A finalidade da Lei é impedir a quebra da isonomia entre os candidatos, decorrente de potencial influência que o desempenho do cargo em comissão venha a exercer na disputa eleitoral. Vencido o Ministro Og Fernandes, ao que não é necessário o afastamento de servidor público nas hipóteses em que o cargo é exercido em circunscrição diversa da do pleito. · Caso concreto - A candidata ocupa cargo em comissão em Brasília/DF, e o cargo em disputa era de deputado federal pelo Estado da Paraíba. Assim, entendeu que se configurou distanciamento geográfico fundamental para se evidenciar a desnecessidade de desincompatibilização. Informativo 14/19 – O exercício do poder de polícia eleitoral (art. 41, §§1º e 2º da Lei 9504/97), NÃO autoriza a realização de busca e apreensão domiciliar sem mandado judicial, ainda que pelo próprio juiz – O poder de polícia não autoriza a realização direta de medida de busca e apreensão domiciliar pelo magistrado fora das hipóteses constitucionais. Assim, quaisquer medidas que não tenham o cunho preventivos ou inibitórios possuem caráter jurisdicional e devem obedecer ao devido processo legal. · Caso concreto – A condenação por abuso de poder econômico balizou-se, dentre outras provas, em documentos colhidos em medida de busca e apreensão de vales-combustível, realizada pessoalmente e por iniciativa própria do juiz eleitoral, sem a existência de processo ou de investigação prévia, fundamentada nos arts. 41, §§ 1º e 2º, da Lei 9504/97 e art. 241 do CPP. Informativo 15/19 – Excepcionalmente é possível afastar a suspensão dos direitos políticos diante da hipossuficiência para pagar a pena de multa – Nesse caco concreto o TSE entendeu que (i) a autora demonstrou hipossuficiência econômica para o pagamento da multa imposta na ação penal (ii) e comprovou que a suspensão dos direitos políticos impedia a obtenção de diploma técnico e de registro profissional, (iii) bem como acarretaria o possível cancelamento de matrícula em instituição de ensino ante a não apresentação do título de eleitor. Assim, no caso havia colisão de direitos entre o exercício da cidadania e o debate quanto ao caráter penal da multa imposta na condenação. Asseverou que não se pode, à luz da Constituição Federal, condicionar o exercício dos direitos políticos ao pagamento de dívida de valor, sendo que a inadimplência de dívida de valor enseja apenas a inscrição na dívida ativa da Fazenda Pública, a ser cobrada via execução fiscal. · ATENÇÃO – Votos Vencidos relembraram a jurisprudência do TSE – No sentido de que a pendência de pagamento de pena de multa, ou sua cominação isolada nas sentenças criminais transitadas em julgado, tem o condão demanter ou ensejar a suspensão dos direitos políticos prevista no art. 15, III, da CRFB. Na mesma linha intelectiva, o STF já deliberou em ADI no sentido de que a alteração da legislação penal, ao conceder caráter extrapenal à execução de pena de multa, não retirou sua natureza de sanção penal. Assim, entendeu que a suspensão dos direitos políticos somente cessa com a extinção da punibilidade ante o adimplemento da dívida de valor. · Súmula 61 do TSE – “O prazo concernente à hipótese de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 64/1990 projeta-se por oito anos APÓS O CUMPRIMENTO DA PENA, seja ela privativa de liberdade, restritiva de direito OU MULTA”. INFORMATIVOS TSE 2020 Informativo 01/20 – Atraso no envio das prestações de contas parciais não enseja desaprovação automática das contas de campanha, cabendo à JE analisar as justificativas e as consequências dessa irregularidade – legislação eleitoral incumbe aos partidos políticos, às coligações e aos candidatos o dever de apresentar relatórios parciais referentes à arrecadação e aos gastos de recursos na campanha (Art. 28, §4º, I e II da Lei 9504/97). Basicamente os recursos em dinheiro registrados em até 72 horas de seu recebimento e no dia 15 de setembro, relatório discriminando as transferências do Fundo Partidário, os recursos em dinheiro e os estimáveis em dinheiro recebidos, bem como os gastos realizados · Caso Concreto – Diante do atraso no envio dos relatórios parciais, o TRE aprovou, com ressalvas, as contas de campanha. MP recorreu por entender que as contas deveriam ser desaprovadas em razão da intempestividade. Informativo 01/20 – É possível a caracterização de abuso de poder econômico (art. 22, XIV da LC 64/90) e arrecadação e gastos ilícitos de recursos (art. 30-A da Lei 9504/97) mesmo no período de pré-campanha – Condutas praticadas no período de pré-campanha podem caracterizar abuso do poder econômico – não sendo necessário, para tanto, que os gastos realizados e os atos de propaganda sejam ilícitos –, desde que: (a) os meios utilizados ultrapassem o limite do razoável; (b) as condutas sejam reiteradas; (c) os custos, a capilaridade, a abrangência e o período da exposição sejam expressivos. A propaganda eleitoral antecipada massiva, mesmo que não implique violação explícita ao art. 36-A da Lei 9504/97 (ilicitude), poderia vir a caracterizar ação abusiva, a ser corrigida por meio de ação própria. Informativo 02/20 – O encerramento do mandato não acarreta a perda superveniente do interesse processual de AIJE, quando o ilícito eleitoral puder implicar, também, a declaração de inelegibilidade – Da leitura do art. 22, XIV, da LC 64/90 não se depreende a necessidade de aplicação conjunta das medidas de cassação e de inelegibilidade. Tanto assim o é que se admite AIJE em face de candidatos que sequer foram eleitos e contra terceiros responsáveis por atos abusivos que sequer participaram, formalmente, das disputas. · Tratou-se de mudança da jurisprudência do TSE. Informativo 02/20 – A alteração do período de realização das convenções partidárias, promovida pela minirreforma eleitoral, não autoriza o servidor público a postergar a sua desincompatibilização em descompasso com a LC 64/90 – A reforma eleitoral promovida pela Lei 13165/15 não alterou os prazos de desincompatibilização para disputa de cargos eletivos constantes da LC 64/90. 67 | Página