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Módulo Controle da Incidência Tributária
SEMINÁRIO II - CONTROLE PROCESSUAL DA INCIDÊNCIA: CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
Aluno: Mateus Padovan Siviero
Leitura básica
•	CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário: Fundamentos Jurídicos da Incidência. São Paulo: Noeses. Capítulo I, itens 15 (Validade como relação de pertencialidade da norma com o sistema) e 16 (Vigência, eficácia técnica, eficácia jurídica e eficácia social). 
· PANDOLFO, Rafael. Jurisdição constitucional tributária – Reflexos nos processos administrativo e judicial. São Paulo: Noeses. Capítulos 6, 7 e 8.
· IVO, Gabriel. Norma Jurídica: produção e controle. São Paulo: Noeses. Capítulo III, item 3.9.
Leitura complementar
· CARVALHO, Paulo de Barros. Derivação e positivação no direito tributário. V.1. São Paulo: Noeses. Tema VI (Controle da constitucionalidade: eficácia do crédito-prêmio de IPI em face da Resolução do Senado n. 71/2005). 
· GONÇALVES, Carla de Lourdes, Rescisão da Transação individual diante da declaração de inconstitucionalidade pelo STF. In: CONRADO, Paulo Cesar; ARAUJO, Juliana Furtado Costa. Transação Tributária na prática da lei nº 13.988/2020. São Paulo: Revista dos Tribunais. 
· LINS, Robson Maia. Controle de constitucionalidade da norma tributária. São Paulo: Quartier Latin. Itens 4.1 a 4.3 e 7.1 a 7.3.
· MOUSSALLEM, Tárek Moysés; SILVA, Ricardo Álvares da. Hipóteses de fraudes à Jurisdição do STF – Análise de leis já revogadas. In: VIII CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS DO IBET. São Paulo: Noeses. 
· MOLLICA, Rogério. Parecer da PGFN extrapola e atinge coisa julgada. https://www.conjur.com.br/2011-set-25/parecer-492-pgfn-extrapola-atinge-coisa-julgada 
· SPINA, Vanessa Damasceno Rosa. Precedentes constitucionais estão num ringue?. https://www.conjur.com.br/2025-fev-16/precedentes-constitucionais-estao-num-ringue/ 
· VERGUEIRO, Camila Campos. Controle de constitucionalidade direto no STF e processo tributário. https://www.conjur.com.br/2024-set-15/controle-de-constitucionalidade-direto-no-stf-e-processo-tributario/ 
Questões
1.	 A respeito do controle de constitucionalidade no sistema processual brasileiro, pergunta-se:
a)	Quais as espécies de controle de constitucionalidade existentes no ordenamento jurídico brasileiro?
RESPOSTA: Para responder o questionário ora apresentada devemos destacar dois planos matrizes, sendo: 1- Plano Preventivo e 2 – Controle Repressivo.
Nesse sentido, o plano preventido é o controle de constitucionalidade formado através da promulgação das Leis pela autoridade competentes (Câmara dos Deputados e Senado Federal), seria assim, no caso em apreço, a formulação das Leis respeiando o devido processo legislativo, contiuindo as leis conforme a constitucionalidade exigida para aquela.
Já ao que diz respeito ao Controle Repressivo, estamos diante do controle judicial – jurisdicional – qual se classifica em Controle Difuso; Controle Concentrado, sendo a ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade); ADC (Ação Direta de Constitucionalidade).
No tangente ao controle difuso, o procedimento é exercido por todo e qualquer juiz natural, provindo de sua análise objetiva e discricionária de compatibilidade da norma frente à constituição federal, oriundo, portanto, de caso concreto.
Ao que diz respeito ao controle concentrado, prescinde-se de um caso concreto, podendo-se declarar a inconstitucional da lei por meio de ações específicas, no caso exposto, as ações supraexpostas, sendo: Ação Direta de Inconstitucionalidade, Ação Direta de Constitucionalidade, Controle Constitucional pelos Estados e a sui generis Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental que visa garantir por meio dela o controle das decisões discrepantes no ordenamento.
b)	Explique as diferentes técnicas de interpretação adotadas pelo STF no controle de constitucionalidade (parcial com redução de texto, sem redução de texto, interpretação conforme à Constituição).
RESPOSTA: As diferentes interpretações adotadas pelo STF no controle de constitucionalidade podem ser, parcial com redução de texto; sem redução de text;, interpretação conforme à Constituição.
Na interpretação qual adota o controle parcial com redução de texto, o Supremo exerce o controle mediante declaração de constitucionalidade reduzindo texto normativo da Lei, mediante controle semântico, tornando, portanto, válida a norma, uma vez que fora reduzido e adaptado a norma à Constituição Federal.
De outro modo, mas seguindo a lógica adotada no texto supra, o controle parcial sem redução de texto, é vislumbrado na prática, posto que não se reduz o texto da norma, julga-se, portanto, a inconstitucional da norma. 
Insta salientar, que as técnicas de redução ou não vistam declarar constitucional ou inconstitucional determinada norma jurídica. 
Já na interpretação conforme à Constituição, o Supremo Tribunal declara constitucional ou inconstitucional a norma jurídica apresentada, através da leitura sob os olhos constitucionais.
2.	A respeito da modulação de efeitos prescrita no (i) art. 27 da Lei nº 9.868/1999 e no (ii) § 3º do art. 927 do CPC/2015, responda:
a)	Há distinção entre a espécie de controle de constitucionalidade em que a modulação dos efeitos pode ser consagrada, considerando o teor de cada um dos dispositivos em análise?
RESPOSTA: Sim, na pergunta em tela é possível verificar a distinção de espécies de controle de constitucionalidade.
Tal distinção é possível posto que o artigo. 27, da Lei 9.868/99, somente é aplicado perante às decisões proferidas em sede de ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade ou ADC (Ação Direta de Constitucionalidade), as quais compreendem o controle de constitucionalidade direto. 
Em outro ponto, podemos citar o artigo. 927, §3.º, do Código de Processo Civil, cujo qual, não há restrição quanto às ações judiciais, o que permite sua aplicação tanto no controle de constitucionalidade desenvolvido de forma incidental, quanto na forma direta. 
b)	Há identidade entre os fundamentos apontados em cada um dos dispositivos para que seja convocada a modulação dos efeitos da decisão proferida em controle de constitucionalidade? Identifique-os.
RESPOSTA: Não se é possível identificar nos fundamentos identidade conexa. 
Tal impossibilidade se dá pois, enquanto o artigo. 927, §3. º, do Código de Processo Civil exige uma alteração da jurisprudência pátria, isso é, dos tribunais Superiores e do Supremo Tribunal Federal, a modulação de efeitos prevista pelo artigo. 27, da Lei 9.868/99, identifica de plano, como fundamento da sua incidência a mera presença de “razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social”, sendo, portanto, na declaração de inconstitucionalidade da norma.
3.	Os conceitos de controle concreto e abstrato de constitucionalidade podem ser equiparados aos conceitos de controle difuso e concentrado, respectivamente? Que espécie de controle de constitucionalidade o STF exerce ao analisar pretensão deduzida em reclamação (art. 102, I, “l”, da CF)? Concreto ou abstrato, difuso ou concentrado? Explique no que consiste a nominada abstrativização do controle difuso? Quais os fundamentos jurídicos para a abstrativização? (Vide anexos I e II)
RESPOSTA: Os conceitos de controle concreto e abstrato se confundem em si, posto que o controle abstrato ou concentrado, narra acerca da ação própria, cujo objeto é obter a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de determinada lei ou norma. 
Noutro ponto, o controle concreto ou difuso é o controle exercido por um juiz natural, sob a égide de seu dever funcional, em determinado caso concreto e tão somente no caso a ser vislumbrado por ele.
Já o que diz respeiro ao Supremo Tribunaç Federal, este exerce controle concreto ou difuso, posto que o órgão colegiado “supremo” tem como sua finalidade a garantia da aplicação, possuindo para tanto, os efeitos vinculantes a partir das decisões proferidas pelo tribunal para determinado caso.
A aplicação dos efeitos pelo STF, inclusive se confirmada, mostra-se acertadamente decisão que deveria tomar o juiz natural do processo,que instigou e promoveu os fundamentos para a análise do STF.
4.	Que significa afirmar que as sentenças produzidas em ADI e ADC possuem efeito dúplice? As decisões proferidas em ADI e ADC sempre vinculam os demais órgãos do Poder Executivo e Judiciário? E os órgãos do Poder Legislativo? O efeito vinculante da súmula referida no art. 103-A, da CF/1988, introduzido pela EC 45/2004, é o mesmo da ADI? Justifique sua resposta.
RESPOSTA: De início, tem-se que o significado do efeito dúplice é atrelado com o fato que a procedência de ADIN equivale à improcedência da ADC e a improcedência de ADIN corresponde à procedência da ADC.
Neste ponto, confome leciona o Professor Robson Maia Lins, em uma sistemática simplista, expõe que: “Entre duas hipóteses, se não configura determinada primeira coisa, necessariamente configura a segunda/outra coisa e vice e versa.”, assim, tem-se que o efeito vinculante aos demais órgãos dos três poderes. 
Entretanto, existe uma discussão acerca dos efeitos acerca da vinculação e o famigerado “ativismo congressual”. Tal discussão versa no sentido de que determinada decisão do Tribunal poderia fomentar “remendos” por parte dos legisladores e tão somente.Conutdo, é de se verificar que não é de bom grado a técnica legislativa que utiliza-se do aproveitamento de “sobras” de julgados que venham declarar a inconstitucionalidade de determinada norma para criar outra.
No tangente ao efeito vinculante da súmula referida no art. 103-A, da CF/88, introduzido pela EC n.45/04, não se pode aplicar com mesma técnita da ADIN.
Isso se dá, pois, na sua forma de existência, inicia-se sob total diferença, no caso em apreço da presente questão - súmula vinculante- é proferida por dois terços do smembros, e há a necessidade de existência de controvérsia atual entre órgãos judiciários, ou entre estes órgãos e a administração pública. Ademais, a controvérsia deverá ser tal que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobrequestão idêntica. 
Já a ADIN, não há necessidade de tal controvérsia, bastando para sua propositura, que ente legitimado, faça a provocação do Supremo Tribunal Federal.
Por fim, tem-se a necessidade para a análise das questões no que tange ao critério temporal da edição da súmula vinculante e da ADIN.
5.	O STF tem a prerrogativa de rever seus posicionamentos ou também está inexoravelmente vinculado às decisões por ele produzidas em controle abstrato de constitucionalidade? Se determinada lei tributária, num dado momento histórico, é declarada constitucional em ADC, poderá, futuramente, após mudança substancial dos membros desse tribunal, ser declarada inconstitucional em ADI? É cabível a modulação de efeitos neste caso? Analisar a questão levando em conta os princípios da segurança jurídica, coisa julgada e as disposições do art. 927, § 3o, do CPC/2015.
RESPOSTA: O Supremo Tribunal Federal possui a prerrogativa para rever seus posicionamentos, tal entendimento é lecionado pelo Doutrinador Marcio André Lopes Cavalcante, qual aduz:
“[...]
Essa decisão não vincula, contudo, o Plenário do STF. Assim, se o STF decidiu, em controle abstrato, que determinada lei é constitucional, a Corte poderá, mais tarde, mudar seu entendimento e decidir que esta mesma lei é inconstitucional por conta de mudanças no cenário jurídico, político, econômico ou social do país. Isso se justifica a fim de evitar a "fossilização da Constituição. (CAVALCANTE, 2015)”
Ademais, não há necessidade de mudança substancial nos membros do Supremo para que a lei objeto de confirmação em Ação Direta de Constitucionalidade em determinado momento seja declarada inconstitucional em um segundo momento. Isso pois, na eventualidade de Emenda à Constituição, por exemplo, a lei pode ser considerada inconstitucional e estar sob vigência e validade plena.
Deste modo, e em um caso concreto, seria necessário e acertado a modulação dos efeitos pelo órgão colegiado, uma vez que, sob a égide da norma constitucional anterior a lei não se mostrava inconstitucional, possuindo, ainda, adeclaração e certificação de respeito à Constituiçãoem ADECON. 
Neste aspecto, a segurança jurídica – Fisco – no caso em apreço, bem como o interessesocial prevaleceriam e seriam devidamente respeitados.
Já na hipótese de que determinada lei tributária fosse objeto de ADI sem modulação dos efeitos, poderia os sujeitos passivos – Contribuintes - ingressarem com a ação de repetição dos valores contra à Fazenda sob o pretexto de que a lei fora declarada inconstitucional e sem tratar da modulação dos efeitos da decisão.
6.	O art. 535, §5º, do CPC/2015 prevê a possibilidade de desconstituição, por meio de impugnação ao cumprimento de sentença, de título executivo fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo STF ou em aplicação ou interpretação tidas por incompatíveis com a Constituição Federal em controle concentrado ou difuso. Pergunta-se: 
a)	É necessário que a declaração de inconstitucionalidade seja anterior à formação do título executivo? 
RESPOSTA: No caso em tela se mostra irrelevante para fins geração dos efeitos, o fato da declaração de inconstitucionalidade ser anterior ou posterior à formação do título executivo, para a questão aqui hora apresentada, tem-se que a matéria é bastante controvertida seja suficiente para suscitar tal revisão.
Nesta senda, o Superior Tribunal Federal vem debatendo sobre tal argumentação, não estando pacificada até então, posto a narrativa exposta pelo Ilustre Ministro Zavascki que antes do óbito expôs:
A decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade oua inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automáticareforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotadoentendimento diferente; para que tal ocorra, será indispensável a interposiçãodo recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria,nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial(CPC, art. 495). Ressalva-se desse entendimento, quanto àindispensabilidade da ação rescisória, a questão relacionada à execução deefeitos futuros da sentença proferida em caso concreto sobre relaçõesjurídicas de trato continuado. (STF, RE-RG 730.462)
É notório, portanto, que o meio a ser utilizado no caso em tela, e por ser anterior a formação é a Reclamação Constitucional.
b)	E se for posterior, poderá ser alegada? Se sim, por qual meio? Há prazo para esta alegação? 
RESPOSTA: Para responder a questão apresentada, é cabível a alegação, e o meio a ser utilizado é a Ação Rescisão, desde que o julgado que declare a situação atinente inconstitucional seja posterior ao caso em comento.
Ainda, o prazo para tal alegação é tema discutido, diante do prazo de contagem para sua prescrição, assim, entende-se que a contagem do prazo de dois anos se inicia a partir do julgado que declare a norma inconstitucional se posterior à formação do título e contado do trânsito em julgado se anterior.
7.	Contribuinte ajuíza ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária que o obrigue em relação a tributo cuja lei instituidora seria, em seu sentir, inconstitucional (porque violadora do princípio da anterioridade). Paralelamente a isso, o STF, em ADI, declara constitucional a mesma lei, fazendo-o, contudo, em relação a argumento diverso. Pergunta-se:
	a) Como deve o juiz da ação declaratória agir: examinar (1) o mérito da ação e julgá-la improcedente considerando o julgamento da ADI, ou procedente, considerrando a causa de pedir da ação individual (anterioridade), ou (2) extingui-la, sem julgamento de mérito (sem análise do direito material), por força dos efeitos erga omnes da decisão em controle de constitucionalidade abstrato?
RESPOSTA: Por força do controle difuso de constitucionalidade, em um caso concreto, o Juiz da ação declaratória terá de fazer o controle que lhe é competente em cima da questão que o contribuinte julga ser inconstitucional.
Ademais, o juiz da ação originária, deve efetuar a análise do tema levantado pelo contribuinte normalmente,tendo em vista que a princípio e aparentemente não há decisão acerca do motivo exposto.
Para tanto, em ato posterior, o efeito erga omnes da decisão do Supremo Tribunal Federal, irá vincular a observância da aplicação daquela norma enquanto constitucional, no entanto no que pertine ao argumento que o faz assim declarar tal fato.
	b) Se o STF tivesse se pronunciado sobre o mesmo argumento veiculado na ação declaratória (violação do princípio da anterioridade), qual solução seria adequada? Responda a essa pergunta, considerando o que foi respondido na questão “a)”.
RESPOSTA: Caso a declaração de constitucionalidade tomasse o atrelamento junto à anterioridade atacada na ação declaratório, o juízo com base na decisão do Supremo Tribunal Federal, deverá julgar a matéria de forma definitiva, apontando a improcedência da alegação e vinculação erga omnes do entendimento da Suprema Corte.
c) Se na referida ação declaratória já tivesse ocorrido o trânsito em julgado de decisão de procedência (acolhendo o pedido do contribuinte), qual comportamento deverá adotar a Advocacia Pública à luz do entendimento consagrado no RE 955.227 (Tema 885) e RE 949.297 (Tema 881) (Vide anexos III e IV)?
RESPOSTA: Sim, se no caso for utilizado a Ação Rescisória, e atendendo ao prazo para o ajuizamento desta. 
Ainda, tem-se a discussão do tema pela doutrina, que salienta que o prazo para o caso apresentado contado da data do julgamento da constitucionalidade do STF e não do trânsito em julgado da ação, declaratória. 
Noutro sentido, sob a égide da segurança jurídica, parte dos doutrinadores se posicionam a favor dacontagem a partir do trânsito em julgado da ação declaratória, passado, portanto, o prazo para ajuizamento da rescisória de forma objetiva, não podendo opor o Fisco medida que vise resolver a questão paralelamente. 
Nesta senda, poder-se-ia falar em reclamação constitucional caso o julgamento do incidente constitucional definitivo sedesse antes do julgado da ação declaratória e o Juízo natural deixasse de aplicar oefeito erga omnes oriundo do caso decidido pelo STF.
Este tema, trás sua exposição no texto normativo do artigo 505, I do Código de Processo Civil, qual narra que há a necessidade de aventar a possibilidade a “Ação Revisional” e análise do que e como seria o “trato continuado” que o Juízo daria atenção para a verificação de cabimento ou não da revisão.
Sugestão para pesquisa suplementar
•	CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método, de. São Paulo: Noeses. Segunda Parte, Capítulo, Itens 2.4 (Sistema e norma: validade, vigência, eficácia e interpretação da legislação tributária), 2.4.1, 2.4.2, 2.4.3, 2.4.4 e 2.4.5. 
•	CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário, de Paulo de Barros Carvalho. São Paulo: Noeses. Capítulo IV.
· FLORES, Lucas Silva; VERGUEIRO, Camila Campos. Transação tributária, possibilidade de rescisão e decisões do Supremo Tribunal Federal. In: PROCESSO TRIBUTÁRIO ANALÍTICO - Estudos em comemoração aos 25 anos do grupo de pesquisa - Uma jornada de construção e aplicação prática da instrumentalidade do Processo no Direito Tributário em 115 artigos. São Paulo: Noeses, p. 447-450.
•	GAMA, Tácio Lacerda. Competência tributária – fundamentos para uma teoria da nulidade. São Paulo: Noeses. Capítulo IV.
•	Artigo: “Controle de constitucionalidade pelos tribunais administrativos”, de Paulo Cesar Conrado, Revista de Direito Tributário n. 71.
•	Artigo: “Aspectos procedimentais do controle difuso de constitucionalidade das leis”, de Paulo Roberto Lyrio Pimenta, Revista Dialética de Direito Processual n. 03.
Anexo I
RE 730.462
Ementa: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE PRECEITO NORMATIVO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. EFICÁCIA NORMATIVA E EFICÁCIA EXECUTIVA DA DECISÃO: DISTINÇÕES. INEXISTÊNCIA DE EFEITOS AUTOMÁTICOS SOBRE AS SENTENÇAS JUDICIAIS ANTERIORMENTE PROFERIDAS EM SENTIDO CONTRÁRIO. INDISPENSABILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO OU PROPOSITURA DE AÇÃO RESCISÓRIA PARA SUA REFORMA OU DESFAZIMENTO. 1. A sentença do Supremo Tribunal Federal que afirma a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo gera, no plano do ordenamento jurídico, a consequência (= eficácia normativa) de manter ou excluir a referida norma do sistema de direito. 2. Dessa sentença decorre também o efeito vinculante, consistente em atribuir ao julgado uma qualificada força impositiva e obrigatória em relação a supervenientes atos administrativos ou judiciais (= eficácia executiva ou instrumental), que, para viabilizar-se, tem como instrumento próprio, embora não único, o da reclamação prevista no art. 102, I, “l”, da Carta Constitucional. 3. A eficácia executiva, por decorrer da sentença (e não da vigência da norma examinada), tem como termo inicial a data da publicação do acórdão do Supremo no Diário Oficial (art. 28 da Lei 9.868/1999). É, consequentemente, eficácia que atinge atos administrativos e decisões judiciais supervenientes a essa publicação, não os pretéritos, ainda que formados com suporte em norma posteriormente declarada inconstitucional. 4. Afirma-se, portanto, como tese de repercussão geral que a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente; para que tal ocorra, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495). Ressalva-se desse entendimento, quanto à indispensabilidade da ação rescisória, a questão relacionada à execução de efeitos futuros da sentença proferida em caso concreto sobre relações jurídicas de trato continuado. 5. No caso, mais de dois anos se passaram entre o trânsito em julgado da sentença no caso concreto reconhecendo, incidentalmente, a constitucionalidade do artigo 9º da Medida Provisória 2.164-41 (que acrescentou o artigo 29-C na Lei 8.036/90) e a superveniente decisão do STF que, em controle concentrado, declarou a inconstitucionalidade daquele preceito normativo, a significar, portanto, que aquela sentença é insuscetível de rescisão. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento.
(RE 730462, Relator(a): TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 28-05-2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-177 DIVULG 08-09-2015 PUBLIC 09-09-2015)
Anexo II
STF - Rcl 4.335
Ementa: Reclamação. 2. Progressão de regime. Crimes hediondos. 3. Decisão reclamada aplicou o art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, declarado inconstitucional pelo Plenário do STF no HC 82.959/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 1.9.2006. 4. Superveniência da Súmula Vinculante n. 26. 5. Efeito ultra partes da declaração de inconstitucionalidade em controle difuso. Caráter expansivo da decisão. 6. Reclamação julgada procedente.
(Rcl 4335, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 20-03-2014, DJe-208 DIVULG 21-10-2014 PUBLIC 22-10-2014 EMENT VOL-02752-01 PP-00001)
Passagem do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes:
“É possível, sem qualquer exagero, falar-se aqui de uma autêntica mutação constitucional em razão da completa reformulação do sistema jurídico e, por conseguinte, da nova compreensão que se conferiu à regra do art. 52, X, da Constituição de 1988. Valendo-nos dos subsídios da doutrina constitucional a propósito da mutação constitucional, poder-se-ia cogitar aqui de uma autêntica reforma da Constituição sem expressa modificação do texto. Em verdade, a aplicação que o STF vem conferindo ao disposto no art. 52, X, da Constituição Federal indica que o referido instituto mereceu uma significativa reinterpretação a partir da Constituição de 1988. É possível que a configuração emprestada ao controle abstrato pela nova Constituição, com ênfase no modelo abstrato, tenha sido decisiva para a mudança verificada, uma vez que as decisões com eficácia erga omnes passarama se generalizar. (...) De fato, é difícil admitir que a decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade ou ação declaratória de constitucionalidade e na arguição de descumprimento de preceito fundamental possa ser dotada de eficácia geral e a decisão proferida no âmbito do controle incidental – esta muito mais morosa porque em geral tomada após tramitação da questão por todas as instâncias – continue a ter eficácia restrita entre as partes. Explica-se, assim, o desenvolvimento da nova orientação a propósito da decisão do Senado Federal no processo de controle de constitucionalidade, no contexto normativo da Constituição de 1988. A prática dos últimos anos, especialmente após o advento da Constituição de 1988, parece dar razão, pelo menos agora, a Lúcio Bittencourt, para quem a finalidade da decisão do Senado era, desde sempre, “apenas tornar pública a decisão do tribunal, levando-a ao conhecimento de todos os cidadãos”. Sem adentrar o debate sobre a correção desse entendimento no passado, não parece haver dúvida de que todas as construções que se vêm fazendo em torno do efeito transcendente das decisões pelo STF e pelo Congresso Nacional, com o apoio, em muitos casos, da jurisprudência da Corte, estão a indicar a necessidade de revisão da orientação dominante antes do advento da Constituição de 1988. Assim, parece legítimo entender que, hodiernamente, a fórmula relativa à suspensão de execução da lei pelo Senado Federal há de ter simples efeito de publicidade. Desta forma, se o STF, em sede de controle incidental, chegar à conclusão, de modo definitivo, de que a lei é inconstitucional, essa decisão terá efeitos gerais, fazendo-se a comunicação ao Senado Federal para que este publique a decisão no Diário do Congresso. Tal como assente, não é (mais) a decisão do Senado que confere eficácia geral ao julgamento do Supremo. A própria decisão da Corte contém essa força normativa. Parece evidente ser essa a orientação implícita nas diversas decisões judiciais e legislativas acima referidas. Assim, o Senado não terá a faculdade de publicar ou não a decisão, uma vez que não se cuida de uma decisão substantiva, mas de simples dever de publicação, tal como reconhecido a outros órgãos políticos em alguns sistemas constitucionais (...). (...) Portanto, a não publicação, pelo Senado Federal, de resolução que, nos termos do art. 52, X, da Constituição, suspenderia a execução da lei declarada inconstitucional pelo STF, não terá o condão de impedir que a decisão do Supremo assuma a sua real eficácia jurídica. (...) Ressalte-se ainda o fato de a adoção da súmula vinculante ter reforçado a ideia de superação do referido art. 52, X, da Constituição Federal na medida em que permite aferir a inconstitucionalidade de determinada orientação pelo próprio Tribunal, sem qualquer interferência do Senado Federal. Por último, observe-se que a adoção da técnica da declaração de inconstitucionalidade com limitação de efeitos parece sinalizar que o Tribunal entende estar desvinculado de qualquer ato do Senado Federal, cabendo tão somente a ele – Tribunal – definir os efeitos da decisão.”
Anexo III
RE 955.227
Ementa: Direito constitucional e tributário. Recurso Extraordinário com Repercussão Geral. Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Obrigação de trato sucessivo. Hipóteses de cessação dos efeitos da coisa julgada diante de decisão superveniente do STF. 1. Recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, a fim de decidir se e como as decisões desta Corte em sede de controle difuso fazem cessar os efeitos futuros da coisa julgada em matéria tributária, nas relações de trato sucessivo, quando a decisão estiver baseada na constitucionalidade ou inconstitucionalidade do tributo. 2. Em 1992, o contribuinte obteve decisão judicial que o exonerava do pagamento da CSLL. O acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região considerou que a lei instituidora da contribuição (Lei nº 7.869/1988) possuía vício de inconstitucionalidade formal, por se tratar de lei ordinária em matéria que exigiria lei complementar. A decisão transitou em julgado. 3. A questão debatida no presente recurso diz respeito à subsistência ou não da coisa julgada que se formou, diante de pronunciamentos supervenientes deste Supremo Tribunal Federal em sentido diverso. 4. O tema da cessação da eficácia da coisa julgada, embora complexo, já se encontra razoavelmente bem equacionado na doutrina, na legislação e na jurisprudência desta Corte. Nas obrigações de trato sucessivo, a força vinculante da decisão, mesmo que transitada em julgado, somente permanece enquanto se mantiverem inalterados os seus pressupostos fáticos e jurídicos (RE 596.663, Red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, j. em 24.09.2014). 5. As decisões em controle incidental de constitucionalidade, anteriormente à instituição do regime de repercussão geral, não tinham natureza objetiva nem eficácia vinculante. Consequentemente, não possuíam o condão de desconstituir automaticamente a coisa julgada que houvesse se formado, mesmo que em relação jurídica tributária de trato sucessivo. 6. Em 2007, este Supremo Tribunal Federal, em ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente, declarou a constitucionalidade da referida Lei nº 7.869/1988 (ADI 15, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 14.06.2007). A partir daí, houve modificação substantiva na situação jurídica subjacente à decisão transitada em julgado, em favor do contribuinte. Tratando-se de relação de trato sucessivo, sujeita-se, prospectivamente, à incidência da nova norma jurídica, produto da decisão desta Corte. 7. Na parte subjetiva desta decisão referente ao caso concreto, verifica-se que, em 2006, a Fazenda Nacional pretendeu cobrar a CSLL concernente aos anos de 2001 a 2003. Sendo assim, por se tratar de autuação relativa a fatos geradores anteriores à decisão deste Tribunal na ADI 15, prevalece a coisa julgada em favor do contribuinte. Como consequência, nega-se provimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. 8. Já a tese objetiva que se extrai do presente julgado, para fins de repercussão geral, pode ser assim enunciada: “1. As decisões do STF em controle incidental de constitucionalidade, anteriores à instituição do regime de repercussão geral, não impactam automaticamente a coisa julgada que se tenha formado, mesmo nas relações jurídicas tributárias de trato sucessivo. 2. Já as decisões proferidas em ação direta ou em sede de repercussão geral interrompem automaticamente os efeitos temporais das decisões transitadas em julgado nas referidas relações, respeitadas a irretroatividade, a anterioridade anual e a noventena ou a anterioridade nonagesimal, conforme a natureza do tributo”.
(RE 955227, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 08-02-2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 28-04-2023 PUBLIC 02-05-2023)
Anexo IV
RE 949.297
Ementa: Direito constitucional e tributário. Recurso Extraordinário com Repercussão Geral. Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Obrigação de trato sucessivo. Hipóteses de cessação dos efeitos da coisa julgada diante de decisão superveniente do STF. 1. Recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, a fim de decidir se e como as decisões desta Corte em sede de controle concentrado fazem cessar os efeitos futuros da coisa julgada em matéria tributária, nas relações de trato sucessivo, quando a decisão estiver baseada na constitucionalidade ou inconstitucionalidade do tributo. 2. Em 1992, o contribuinte obteve decisão judicial com trânsito em julgado que o exonerava do pagamento da CSLL. O acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região considerou que a lei instituidora da contribuição (Lei nº 7.869/1988) possuía vício de inconstitucionalidade formal, por se tratar de lei ordinária em matéria que exigiria lei complementar. 3. A questão debatida no presente recurso diz respeito à subsistência ou não da coisa julgada que se formou, diante de pronunciamentos supervenientes deste Supremo TribunalFederal em sentido diverso. 4. O tema da cessação da eficácia da coisa julgada, embora complexo, já se encontra razoavelmente bem equacionado na doutrina, na legislação e na jurisprudência desta Corte. Nas obrigações de trato sucessivo, a força vinculante da decisão, mesmo que transitada em julgado, somente permanece enquanto se mantiverem inalterados os seus pressupostos fáticos e jurídicos (RE 596.663, Red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, j. em 24.09.2014). 5. As decisões em controle incidental de constitucionalidade, anteriormente à instituição do regime de repercussão geral, não tinham natureza objetiva nem eficácia vinculante. Consequentemente, não possuíam o condão de desconstituir automaticamente a coisa julgada que houvesse se formado, mesmo que em relação jurídica tributária de trato sucessivo. 6. Em 2007, este Supremo Tribunal Federal, em ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente, declarou a constitucionalidade da referida Lei nº 7.869/1988 (ADI 15, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 14.06.2007). A partir daí, houve modificação substantiva na situação jurídica subjacente à decisão transitada em julgado, em favor do contribuinte. Tratando-se de relação de trato sucessivo, sujeita-se, prospectivamente, à incidência da nova norma jurídica, produto da decisão desta Corte. 7. Na parte subjetiva desta decisão referente ao caso concreto, verifica-se que a Fazenda Nacional pretendeu cobrar a CSLL relativa a fatos geradores posteriores à decisão deste Tribunal na ADI 15. Como consequência, dá-se provimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. 8. Já a tese objetiva que se extrai do presente julgado, para fins de repercussão geral, pode ser assim enunciada: “1. As decisões do STF em controle incidental de constitucionalidade, anteriores à instituição do regime de repercussão geral, não impactam automaticamente a coisa julgada que se tenha formado, mesmo nas relações jurídicas tributárias de trato sucessivo. 2. Já as decisões proferidas em ação direta ou em sede de repercussão geral interrompem automaticamente os efeitos temporais das decisões transitadas em julgado nas referidas relações, respeitadas a irretroatividade, a anterioridade anual e a noventena ou a anterioridade nonagesimal, conforme a natureza do tributo”.
(RE 949297, Relator(a): EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 08-02-2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 28-04-2023 PUBLIC 02-05-2023)
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