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2 CENTRO GOIANO DE ENSINO PESQUISA E PÓS-GRADIAÇÃO CGESP CURSO SEQUENCIAL EM GESTÃO AMBIENTAL DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E RESPONSABILIDADE SOCIO AMBIENTAL AGENOR RIBAS NETO SILVAN COSTA PORANGATU – GO 2018 AGENOR RIBAS NETO SILVAN COSTA DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E RESPONSABILIDADE SOCIO AMBIENTAL Monografia apresentada à faculdade Brasil Central – FBC, Como requisito parcial para a conclusão do Curso Superior Seqüencial de Gestão Ambiental. Orientador: Prof. Dr. Carlos Drummond de Andrade PORANGATU – GO 2018 FOLHA DE APROVAÇÃO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E RESPONSABILIDADE SOCIO AMBIENTAL AGENOR RIBAS NETO SILVAN COSTA Monografia apresentada à banca de Qualificação em ______/______/______. Constituída pelos seguintes professores: Girlandia Rodrigues dos Santos Departamento de Monografia Sara Sunamita de Oliveira Cardoso Coodenadora de Cursos Mazulkiéliche Jerônimo dos Reis Coordenador Geral PORANGATU – GO 2018 “Dedico este trabalho a Deus, que sempre foi o autor da minha vida e do meu destino. O meu maior apoio nos momentos difíceis”. AGRADECIMENTOS Aos professores pelo carinho e atenção e à professora Girlandia ao carinho e paciência dada à realização deste trabalho. Agradeço a Deus pela determinação e força. “Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.” Mahatma Gandhi RESUMO O presente trabalho monográfico tem por finalidade o desenvolvimento sustentável efetivado através da Política Nacional de Educação Ambiental. Através da educação ecológica, podemos se utilizar da ética para proteger o meio ambiente. Pois, o que muito nos preocupa, são os desastres ambientais cada vez maiores, que resultam em crises ambientais ao redor do planeta. O que temos em vista é conscientizar as ações humanas, para que possamos proteger o meio ambiente e não degradá-lo, sendo assim temos que utilizar os recursos naturais de forma sustentável. O crescente processo de industrialização tem contribuído com a degradação ambiental e a diminuição da qualidade de vida da população em todo o mundo. A intensificação da urbanização pela qual quase todo o mundo vem passando trouxe conseqüências ambientais profundas, principalmente nos países mais pobres. A Educação Ambiental foi proposta como uma ferramenta para a formação de sociedades ambientalmente responsáveis, sendo necessário incorporar a ela as dimensões sociais, políticas, econômicas, culturais, ecológicas e éticas. O objetivo geral da educação ambiental é formar cidadãos ativos que saibam identificar os problemas e participar efetivamente de sua solução e prevenção. Portanto, devemos utilizar da ciência e da tecnologia para buscar uma solução para esse problema. Assim sendo, o presente trabalho, visa a conscientização ambiental sob o fundamento proposto pela Constituição Federal de 1988 e pela Política Nacional de Meio Ambiente. PALAVRAS-CHAVES:Desenvolvimento Sustentável, Crises Ambientais, conscientização Ambiental. SUMARIO CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................09 1. HISTÓRIA DA GESTÃO AMBIENTAL.........................................................11 1.1 Desenvolvimento sustentável...................................................................15 1.2 Evolução.....................................................................................................19 1.3 Educação Ambiental.................................................................................20 2. Legislações..................................................................................................24 2.1. Organizações Não Governamentais (ONG’s)........................................25 2.2. Conceito De Responsabilidade Social...................................................28 2.3. Responsabilidade Ética...........................................................................28 3. O Profissional De Gestão Ambiental.........................................................30 3.1 Ser Mais Responsável Socialmente é Fator de Competitividade..........32 3.2 Marketing Verde e Marketing Ecológico: Sinônimos do Marketing Ambiental..........................................................................................................34 3.3 Encontrando o Caminho Para a Gestão Socialmente Responsável.....35 3.4 Gestão com pessoas e questões ambientais e de responsabilidade Social................................................................................................................37 3.5 Passado e Presente das Organizações Privadas brasileiras................37 Considerações Finais......................................................................................40 Referências Bibliográficas..............................................................................42 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Empurrada pelos rápidos avanços tecnológicos, a sociedade atual se encontra num processo de intensa mudança. Mudança esta que inclui a maneira de pensar, as perspectivas, metas e objetivos das pessoas. Portanto, a nova maneira de encarar as questões ambientais está inserida no contexto histórico em que se vive. Diante desta nova proposta de conscientização, a educação ambiental objetiva a formação de indivíduos capazes de compreender o mundo e agir nele de forma consciente. Os empresários neste novo papel tornam-se cada vez mais aptos a compreender e participar das mudanças estruturais na relação de forças nas áreas ambiental, econômica e social, pois a demanda por produtos cultivados ou fabricados de forma ambientalmente compatíveis cresce mundialmente. Os consumidores tendem a dispensar produtos e serviços que agridem o meio ambiente, e que não atendam as exigências descritas nas leis e normas ambientais promulgadas em todos os países do mundo. A organização deve estabelecer e manter um procedimento para identificar e ter acesso à legislação e outros requisitos por ela apoiados, ou aplicáveis aos aspectos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços. A disseminação rápida da informação e a vigilância cada vez maior de entidades civis, ONG’s e do próprio consumidor aumentam o nível de exigência em relação aos programas das empresas e a forma como eles são comunicados. À medida que a humanidade vai tomando consciência do seu papel social, muito tem se questionado acerca da Responsabilidade Social de algumas empresas, pois embora muitas organizações, em todo o mundo, consideram-se socialmente responsáveis. Ao longo dos anos ouve se falar muito em gestão ambiental nas empresas, pois hoje em dia é essencial para o desenvolvimento e crescimento delas. No entanto o meio ambiente tem se tornado um assunto cada vez mais presente no meio empresarial, seja por questões legais, pressões da sociedade, exigência dos consumidores, ou outros fatores. O importante é perceber que através de uma gestão ambiental bem feita, a empresa poderá colher bons frutos, no seu processo de produção, no seu relacionamento com o cliente, no marketing, etc. Por enquanto as empresas brasileiras tem se limitado a esses ganhos internos, enquanto outros países estão pensando além. Não é o suficiente, mas é um começo da evolução está sendo constante. 1. HISTÓRIA DA GESTÃO AMBIENTAL Há algumas décadas as pessoas perceberam que a preservação do planeta Terra significava também a preservação da própria vida. Inicialmente era apenas com a extinção de animais, derrubada das florestas, poluição do ar e logo passou a poluição agrícola (contaminação dos alimentos), a poluição gerada pelos países em desenvolvimento, falta de infra-estrutura urbana onde foram identificados as grandes conseqüências da poluição mundial e seus riscos como o efeito estufa e o rompimento da camada de ozônio. (WEBER, 1999) De acordo com Pereira; Antonio (2006), as diferentes causasforam apontadas, tais como: o incremento populacional, a moderna indústria e o consumismo supérfluo, os sistemas de dominação hierárquicos próprios da sociedade industrial capitalista, a distribuição de riquezas entre países e de populações. Hoje, toda sociedade reconhece a gravidade da crise ambiental quealcançou uma escala planetária, decorrente não de ações irresponsáveis de alguns, mas reflexo do modelo de desenvolvimento. O desequilíbrio foi tão acentuado nos ecossistemas terrestre que se tornou necessário e urgente a construção de um processo de junção das ciências de gestão com o intuito de enriquecer os instrumentos daquilo que se denomina gestão ambiental. O surgimento da nova consciência ambiental ocorreu no bojo das transformações culturais que aconteceu nas décadasde 60, começou a surgir à preocupação com os problemas ambientais, em virtude de uma escassez de matérias-primas num futuro próximo. Em 1972 houve um marco em relação às preocupações com o meio ambiente. Na I Conferência Mundial sobre Meio Ambiente em Estocolmo, Suécia, onde foi assinado o Tratado de Estocolmo, que prevê o banimento de doze poluentes tóxicos considerados os mais nocivos ao meio ambiente e à saúde pública, entre eles: dioxinas, heptacloro, hexaclorobenzeno e policloretos de bifenilas. Este documento objetivou estabelecer diretrizes gerais a serem seguidas pelos estados-membros no sentido de amenizar o impacto provocado pela industrialização no ambiente natural (DIAS, 2009). O primeiro curso universitário de maior repercussão com o título de “História ambiental” foi ministrado em 1972, na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, pelo historiador cultural Roderick Nash, que em 1967 havia publicado o livro Wildernessandthe American Mind, um clássico sobre a presença da imagem de vida selvagem na construção das idéias sobre identidade nacional norte-americana (PÁDUA, 2010). Neste período, a ONU criou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), ou também conhecida como UNEP (United NationsEnvironmentalProgramme), uma agência responsável por catalisar a ação internacional e nacional para a proteção do meio ambiente no contexto do desenvolvimento sustentável. Seu objetivo é prover liderança e encorajar parcerias no cuidado ao ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a aumentar sua qualidade de vida sem comprometer a das futuras gerações. Em 1987, surgiu o Protocolo de Montreal que visa resolver o problema de deteriorização da camada de Ozônio através da redução da produção de gases que são os maiores causadores do estreitamento da camada, tendo como meta, acabar com uso dos clorofluorcarbonetos até 2010. Em 1992, foi realizada a Conferência Mundial para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente (II UNCED), no Brasil. O conceito de desenvolvimento sustentável como uma saída para o impasse decorrente da necessidade de continuar o crescimento econômico e considerar a possibilidade de esgotamento dos recursos naturais. O Brasil, sempre participou de acordos e convenções com relação ao meio ambiente. A reunião ficou conhecida como Rio 92 e os objetivos da conferência, foram: Convenções sobre o Clima e a sobre a Biodiversidade e a Declaração sobre Florestas. O Rio 92 também aprovou projetos como a Declaração do Rio (Declaração de Meio Ambiente e Desenvolvimento) e a Agenda 21 (Plano de Ação para realização do desenvolvimento sustentável no século XXI) (DIAS, 2009). Em dezembro de 1992, foi criada a Comissão de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (CDS) para que fosse assegurado o efetivo prosseguimento dos trabalhos da UNCED, para monitorar e relatar a implementação dos acordos firmados durante a Cúpula da Terra em nível local, nacional, regional e internacional. A maioria dos acordos estabelecidos entre as nações até então eram para diminuir a emissão de gases na atmosfera. Não diferente disso surgiu, em 1995, a Primeira Conferência das Partes, a COP I, onde alguns tratados também foram firmados. Até 2006 aconteceram seis COP’s, mas a mais relevante foi a Conferência das Partes III, onde os representantes da Convenção do Clima assinaram o Tratado de Quioto. Em 1997, o Tratado de Quioto foi assinado e tem como principal objetivo, fazer com que, entre 2008 e 2012, alguns países reduzam seus níveis de emissões de dióxido de carbono, e ainda reduzam os níveis de metano e mais alguns gases aos níveis dos anos de 1990 e 1995. Mas, houve um ponto do tratado que gerou controvérsias –o protocolo definiu que países em desenvolvimento não precisam reduzir sua taxa de emissões gasosas – e assim sendo, em 2001, o Estados Unidos declarou sua oposição ao acordo e decidiram que não ratificariam o tratado de Quioto, alegando danos à economia do país. O tratado de Quioto entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005 depois que 55 nações o ratificaram. Uma revisão dos progressos e implementação dos compromissos de cinco anos da Cúpula da Terra (“Rio +5”), foi realizada em 1997, por uma sessão especial da Assembléia Geral das Nações Unidas, seguida de uma revisão dos dez anos, em 2002, pela Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (“Rio +10”). Foi então acordado que o balanço de todo o processo se daria em 2002, em Johanesburgo, na II Conferência Mundial de Desenvolvimento Sustentável. Assim, em 2002, aconteceu a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10, em Johannesburg, na África do Sul que discutiu os resultados e a implantação do Rio 92. Os pontos definidos como prioridades na Cúpula de Johannesburg foram: água, energia, saúde, agricultura e biodiversidade, onde foi decidido que países deveriam cortar à metade, até 2015, o número de pessoas sem acesso a água potável e esgotos; reduzir a perda de espécies até 2004; ampliar acesso a formas modernas de energia; apoiar a eliminação de subsídios agrícolas que afetam exportações de países pobres. Por fim, foi feito um acordo sobre patentes no âmbito da Organização Mundial do Comércio, estabelecendo que os países pobres não possam ter acesso a medicamentos impedidos (SABESP, 2008). No Brasil, os antecedentes do ambientalismo datam de 1958, período da criação da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza e também vinculava o perfil preservacionista e conservacionista dos primeiros movimentos ambientalistas internacionais. Gonçalves (1989) fez um breve comentário sobre o caráter inicial o ambientalismo brasileiro. Discute sua emergência enquanto movimento no Brasil num contexto histórico-cultural bastante específico. Dias (2009) apresenta em duas distintas seções: a primeira (1971-1985) que abrangeu a fase conceituada como bissetorialista e pela definição da problemática como simplesmente proteção ambiental e a segunda (1988-1991), que abrange a fase recente do ambientalismo caracterizada pelo multissetorialismo e pela redefinição da problemática como desenvolvimento sustentável. Para explicar o que é gestão ambiental precisa-se saber primeiro o queé meio ambiente: Conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege vida em todas as suas formas, bem como da expressão recursos ambientais, definida como a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estatuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora. (WOLFF apud PEREIRA; ANTONIO, 2006, p. 34) Então se pode dizer que gestão ambiental é, antes de tudo, uma questão de sobrevivência, tanto de sustentabilidade do ser humano no planeta, quanto das organizações no mercado, tendo em vista que o meio ambiente é parte do processo produtivo e não mais uma externalidade. Atuar de maneira ambientalmente responsável é um diferencial entre as organizações, mas em um futuro muito breve se transformará em um pré- requisito. Para Meyer (apud KRAEMER, 2006, p. 9) a gestão ambiental a) tem a medida do possível, o objetivo de manter o meio ambiente saudável, a fim de atender as necessidades humanas atuais, sem comprometer as necessidades das futuras gerações; b) trata-sede um meio de atuar sobre as modificações causadas no meio ambiente pelo uso ou descarte dos bens e detritos gerados pelas atividades humanas, a partir de um plano de ação viável técnica e economicamente, com prioridade perfeitamente definidas; c) utiliza instrumentos de monitoramento, controles, taxações, imposições, subsídios, divulgação, obras e ações mitigadoras, além de treinamento e conscientização; d) é base de atuação de diagnósticos – cenários – ambientais da área de atuação, a partir de estudos e pesquisas dirigidos em busca de soluções para os problemas que forem detectados. A gestão ambiental pode ser entendida então como o conjunto de princípios, estratégias e diretrizes de ações e procedimentos para proteger a integridade dos meios físicos e bióticos, bem como a dos grupos sociais que deles dependem. De uma forma geral, as economias dependem dos serviços dosecossistemas, mas vale lembrar que o uso excessivo dos recursos naturais rompe o equilíbrio do sistema ambiental, social e econômico. 1.1 Desenvolvimento sustentável Em 1983, a ONU criou a Comissão Mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável como um organismo independente. Em 1987, sobre a presidência de Groharlem Brundtland, primeira ministra da Noruega, materializa um dos mais importantes documentos do tempo – o relatório Nosso Futuro Comum, onde motiva a importância da preservação ambiental para atingir o desenvolvimento sustentável. O conceito de desenvolvimento sustentável tornou-se um dos assuntos mais discutidos no mundo após sua publicação, responsável pelas primeiras conceituações oficiais, formais e sistematizadas sobre o desenvolvimento sustentável, como afirmam Andrade; Tachizawa e Carvalho (2000). O desenvolvimento sustentável apresenta cinco dimensões: a) a sustentabilidade social: que se entende como a criação de umprocesso de desenvolvimento sustentável por uma civilização commaior equidade na distribuição de renda e bens, de modo a reduzir oabismo entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres; b) a sustentabilidade econômica: que deve ser alcançada através do gerenciamento e alocação mais eficientes dos recursos e de fluxo constante de investimento público e privado; c) a sustentabilidade ecológica: pode ser alcançada através da capacidade de utilização dos recursos, limitação do consumo de combustíveis fósseis e de outros recursos privados; d) a sustentabilidade espacial: que deve ser dirigida para a obtenção de uma configuração rural-urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e das atividades econômicas; e) a sustentabilidade cultural: incluindo a procura por raízes endógenasde processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, que facilitem as gerações de soluções específicas para o local, oecossistema, a cultura e a área. A sustentabilidade do desenvolvimento tem como preocupação compatibilizar o crescimento econômico com a preservação ambiental, pois, o objetivo maior da gestão ambiental deve ser a busca permanente de melhoria da qualidade ambiental dos serviços, produtos e ambiente de trabalho de qualquer organização que tem um papel extremamente relevante. Conforme Lozano; Oliveira (2006), para ajudar as empresas, a Câmara de Comércio Internacional reconhecendo a proteção ambiental como uma das principais prioridades de qualquer tipo de negócio, estabeleceu em 27 de Novembro de 1990, o Business Charter for SustainableDevelopment, que contém 16 princípios da gestão ambiental e que deve ser buscado pelas organizações, isto é, princípios que segundo as organizações são essenciais para atingir o desenvolvimento sustentável. Os 16 princípios são: Prioridade Organizacional - estabelecer políticas, programas e práticas no desenvolvimento das operações voltadas para a questão ambiental. Reconhecer que ela é a questão-chave e prioridade da empresa. Gestão Integrada – integrar as políticas, programas e práticas ambientais em todos os negócios como elementos indispensáveis de administração em todas suas funções. Processos de Melhoria – continuar melhorando as políticas corporativas, os programas e performance ambiental, tanto no mercado interno quanto externo, levando em conta o desenvolvimento tecnológico, o conhecimento científico, as necessidades dos consumidores e os anseios da comunidade, como ponto de partida das regulamentações ambientais. Educação do Pessoal – educar, treinar e motivar o pessoal no sentido de que possam desempenhar suas tarefas de forma responsável com relação ao ambiente. Prioridade de Enfoque – considerar as repercussões ambientais antes de iniciar nova atividade ou projeto e antes de instalar novos equipamentos e instalações ou de abandonar alguma unidade produtiva. Produtos e Serviços – desenvolver e produzir produtos e serviços que não sejam agressivos ao ambiente e que sejam seguros em sua utilização e consumo, que sejam eficientes no consumo de energia e de recursos naturais e que possam ser reciclados, reutilizados, reaproveitados e armazenados de forma segura. Orientação ao Consumidor – orientar e, se necessário, educar consumidores, distribuidores e o público em geral sobre o correto e seguro uso, transporte, armazenagem e descarte dos produtos produzidos. Equipamentos e Operacionalização – desenvolver, desenhar e operar máquinas e equipamentos levando em conta o eficiente uso da água, energia e matérias –primas, o uso sustentável dos recursos renováveis, a minimização dos impactos negativos ao ambiente e a geração de poluição e o uso responsável e seguro dos resíduos existentes. Pesquisa – conduzir ou apoiar projetos de pesquisas que estudem os impactos ambientais das matérias-primas, produtos, processos, emissões e resíduos associados ao processo produtivo da empresa, visando à minimização de seus efeitos. Enfoque Preventivo – modificar a manufatura e o uso de produtos ou serviços e mesmo os processos produtivos, de forma consistente com os mais modernos conhecimentos técnicos e científicos, no sentido de prevenir as sérias e irreversíveis degradações do meio ambiente. Fornecedores e Subcontratados – promover a adoção dos princípios ambientais da empresa junto aos subcontratados e fornecedores encorajando e assegurando, sempre que possível, melhoramentos em suas atividades, de modo que elas sejam uma extensão das normas utilizadas pela empresa. Planos de Emergência – desenvolver e manter, nas áreas de risco potencial, planos de emergência idealizados em conjunto entre os setores da empresa envolvidos, os órgãos governamentais e a comunidade local, reconhecendo a repercussão de eventuais acidentes. Transferência de Tecnologia – contribuir na disseminação e transferência das tecnologias e métodos de gestão que sejam amigáveis ao meio ambiente junto aos setores privado e público. Contribuição ao Esforço Comum – contribuir no desenvolvimento de políticas públicas e privadas, de programas governamentais e iniciativas educacionais que visem à preservação do meio ambiente. Transparência de Atitude – propiciar transparência e diálogo com a comunidade interna e externa, antecipando e respondendo a suas preocupações em relação aos riscos potenciais e impacto das operações, produtos e resíduos. Atendimento e Divulgação – medir a performance ambiental. Conduzir auditorias ambientais regulares e averiguar se os padrões da empresa cumprem os valores estabelecidos na legislação. Prover periodicamente informações apropriadas para a alta administração, acionistas, empregados, autoridades e o público em geral. Foi no ECO/92, no Rio de Janeiro, que assuntos como desenvolvimentosustentável foram abordados, reafirmando não somente o conceito, mascriando um comitê técnico para a regulamentação da questão ambiental nas organizações, as quais, através de representantes de governo, se comprometeram a seguir estratégias para amenizar a poluição, isto é,reconhecendo a importância de assumir a ideia de sustentabilidade em qualquer programa de atividade de desenvolvimento. (BATISTA; PAGLIUSO, 2006) 1.2 Evolução A questão ambiental evoluiuprincipalmente nos últimos 10anos e as organizações perceberam que o uso eficiente dos recursos naturais é um bom negócio.Segundo Donaire (1999, p. 15), ”no princípio as organizaçõesprecisavam preocupar-se apenas com a eficiência dos sistemas produtivos”. Gerar um lucro cada vez maior, padronizar cada dia mais o desempenho dos funcionários, era uma visão industrial que as organizações idealizavam e ao longo do tempo, foi tornando cada vez mais enfraquecida.Ainda conforme o autor, os administradores começaram a ver que suas organizações não se baseavam somente nas responsabilidades referentes a resolver problemas econômicos fundamentais (o que produzir, como produzir e para quem produzir), mas também em preocupar-se com o ambiente em que operam. (DONAIRE, 1999, p.15). Tais mudanças nas organizações começaram nos anos 80 e 90, depois que a população começou a cobrar uma postura mais responsável em relação ao meio ambiente. E antes, houve alguns movimentos vertentes, que segundo Grazinoli (2001) foram: a) movimento ambientalista alternativo: vigorou na década de 1960, com o movimento hippie à frente, o qual revalorizava as filosofias orientais milenares, enfatizando a vida comunitária e campestre com críticas ao Estado; b) movimento ambientalista neomalthusiano: década de 1970, seguiu ateoria de Malthus, com a preocupação na necessidade de limitar a população terrestre, evitando a degradação da qualidade de vida e defendendo a restrição do crescimento demográfico; c) movimento ambientalista zerista: surgiu nos debates pré-conferência de Estocolmo (1972), autores do relatório Meadows, pelo clube de Roma, defendia o crescimento zero para o mundo todo sob pena de uma catástrofe ambiental; d) movimento ambientalista marxista: debates pré-conferência de 72,preocupava-se com o consumismo extremado, defendia a idéia da luta ecológica como meio de alcançar o fim do capitalismo para eliminar problemas ambientais; e) movimento ambiental verde ou ecologista social: surgiu na Alemanhacom um anti-partido, em 1983, defendendo a autogestão, a descentralização, a autonomia e o não-consumo. A economia era voltada para as necessidades e não para o lucro; f) movimento ambientalista fundamentalista ou ecologia profunda: visão egocêntrica, não-humanista, não-antropocêntrista, acreditando que a espécie humana era apenas uma forma de vida dentre as demais sem direitos para ameaçar outras criaturas vivas; g) movimento ambientalista eco tecnicista: espécie de ambientalismo otimista e acomodado acreditava na superação da crise ambiental por meio do desenvolvimento da ciência e de suas técnicas. Durante essa trajetória o meio ambiente passou por momentos de extrema importância, salienta Grazinoli (2001): a) a ONU convocou os países para debater questões globais na busca de soluções aos problemas ambientais; b) publicação do documento Nosso Futuro Comum, fruto do relatório da Comissão Brundtland; c) conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente edesenvolvimento (ECO/92) no Rio de Janeiro; d) as nações fizeram um balanço da evolução de proteção ambiental mundial desde a ECO/92, Convenção Rio+10, em Joanesburgo, em 2002. 1.3. Educação Ambiental A educação ambiental surge como resposta à preocupação da sociedade com o futuro da vida, pois sua proposta é superar a dicotomia entrea natureza e sociedade, através da formação de uma atitude ecológica nas pessoas, que tem como fundamento principal a visão sócio-ambiental, que afirma que o meio ambiente é um espaço de relações, é um campo de interações culturais, sociais e naturais (a dimensão física e biológica dos processos). (CARVALHO, 2008) Foi na Conferência Intergovernamental sobre educação em Tbilisi naantiga URSS, considerado um dos eventos mais decisivos nos rumos da educação ambiental, que foram elaborados os objetivos, princípios, estratégias e recomendações. Inclusive, como resultado dessas, reunião emergiu critérios orientados para o desenvolvimento da proposta que sugerem que a educação deve: a) ser atividade contínua, acompanhando o cidadão em todas as fasesde sua vida; b) ter caráter interdisciplinar integrando o conhecimento de diferentes áreas; c) ter um perfil pluridimensional, associando aos aspectos econômicos,políticos, cultural, social e ecológico da questão ambiental; d) ser voltada para a participação social e para a solução dos problemas ambientais; e) visar à mudança de valores, atitudes e comportamentos sociais. A educação ambiental veio a se tornar lei em 27 de abril de 1999. Conforme está descrito na lei nº 9.795, Educação Ambiental pode ser definida como: Os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. (MOUSINHO, 2008, p. 349) De acordo com Mousinho (2008), educação ambiental é um componenteessencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal. a) formal: processo institucional que ocorre nas unidades de ensino; b) informal: caracteriza-se por sua realização fora de escola, envolvendo flexibilidade de métodos e de conteúdos e um públicoalvo muito variável em suas características (faixa etária, nível deescolaridade, nível de conhecimento da problemática ambiental, etc.). Segundo ainda Mousinho (2008), como parte do processo educativomais amplo, todos têm o direito à educação ambiental, incumbindo: - Ao poder público, nos termos dos arts. 205 e 225 da Constituição Federal, definir políticas públicas que incorporem a dimensão ambiental, promoverem a educação ambiental em todos os níveis de ensino e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente; Às empresas, entidades de classe, instituições públicas e privadas,promover programas destinados a capacitação dos trabalhadores, visando à melhoria e o controle efetivo sobre o ambiente de trabalho, bem como sobre as repercussões do processo produtivo no meio ambiente. Educação ambiental é um ramo da educação cujo objetivo é adisseminação do conhecimento sobre o ambiente, a fim de ajudar à preservação e utilização sustentável dos seus recursos. É uma metodologia de análise que surge a partir do crescente interesse do homem em assuntos como o ambiente devido as grandes catástrofes naturais que têm assolado o mundo nas últimas décadas. (EDUCAÇÃO..., 2008) Os 16 princípios para a educação ambiental, que foram compilados pelos participantes do Fórum Global da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, no Rio-92, no Rio de Janeiro, são: - A educação é um direito de todos; todos são aprendizes e educadores; - Ela deve ter como base o pensamento crítico einovador, em qualquer tempo ou lugar, em seu modo formal ou informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade; - Amesma é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações; - Aesta não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social; - A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar; - Ela deve estimular solidariedade, e igualdade e orespeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democratas e interação entre as culturas; - Também deve tratar as questões globais críticas, suascausas e inter-relações em uma perspectiva sistêmica, em seu contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao desenvolvimento e ao meio ambiente, tais como população, saúde, paz, direitos humanos, democracia, degradação da flora e fauna, devem ser abordados dessa maneira; - A educação ambiental deve facilitar a cooperação mútua e equitativa nos processos de decisão, em todos os níveis e etapas; - Deve respeitar,reconhecer,recuperar,refletir e utilizar a historia indígena e culturas locais, assim como, promover a diversidade cultural, lingüística e ecológica. Isto implica em uma revisão da história dos povos nativos para modificar os enfoques etnocêntricos, até de estimular a educação bilíngüe; - A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas populações, promover oportunidades para as mudanças democráticas de base que estimulem os setores populares da sociedade, isto é, implica que as comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos. - Valorizar as diferentes formas de conhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser patenteado ou monopolizado; - Ser planejada para capacitar as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e humana; - Promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos devida, étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais; - Requer democracia dos meios de comunicação de massa e seu comprometimento com interesses de todos os setores da sociedade. A comunidade é direito inalienável e os meios de comunicação de massa devem ser transformados em um canal privilegiado de educação, não somente disseminando informaçõesem bases igualitárias, mas também promovendo intercâmbio de experiências, métodos e valores; - Deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações, devendo converter cada oportunidade em experiências educativas de sociedades sustentáveis; - A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilha-seeste planeta, respeita seus ciclos vitais e impor limites a expressão dessas formas de vida pelos humanos. (PRINCÍPIOS..., 2008) No Brasil, a educação ambiental assume uma perspectiva mais abrangente, não restringindo seu olhar a proteção e ao uso sustentável de recursos naturais, mas incorporando fortemente proposta de construção de sociedades sustentáveis, fazendo mais do que um segmento da educação. 2. Legislações As legislações ambientais têm como objetivo assegurar a qualidade do meio ambiente, bem como garantir a proteção da saúde das populações, e como forma de garantir que tais objetivos sejam atingidos, criou-se direitos e deveres para os cidadãos, instrumentos de conservação do meio ambiente, normas de uso dos diversos ecossistemas, normas para disciplinar as atividades relacionadas à ecologia e ainda diversas tipos de unidade de conservação. As leis brasileiras, por exemplo, proíbem a caça e a comercialização deanimais silvestres com algumas exceções, a pesca fora de temporada, à manutenção em cativeiro desses animais por particulares (com algumas exceções), regulam a extração de madeiras nobres, o corte de árvores nativas, a exploração de minas que possam afetar o meio ambiente, a conservação de uma parte da vegetação nativa nas propriedades particulares e a criação de animais em cativeiro. (LEGISLAÇÃO..., 2008) Diversos estudos demonstram que a legislação tem sido um instrumento muito importante no controle e fiscalização das atividades industriais, pois, contribui para a melhoria da gestão das organizações, inclusive para a implantação de medidas que resultam em proteção ambiental. Legislação ambiental exige cada vez mais, respeito acima de tudo com o meio ambiente, exigência que conduz coercitivamente a uma maior preocupação ambiental. O Ministério Público pode propor uma ação civil pública para que o responsável pelo dano ambiental recomponha o ambiente afetado e ainda indenize as populações afetadas. O órgão ambiental na esfera administrativa poderá estabelecer uma multa, exigindo a reparação do dano ambiental e ainda a implementação de obras ou procedimentos necessários. (PEREIRA; ANTONIO, 2006) A legislação ambiental brasileira é o conjunto de normas jurídicas que sedestinam a disciplinar a atividade humana tornando-a compatível com a proteção do meio ambiente. A conservação ambiental brasileira começou a ser votada a partir do ano de 1981, criando a partir daí a Política Nacional do Meio Ambiente, leis que foram promulgadas, vindo a formar um sistema bastantecompleto de proteção ambiental. (LEGISLAÇÃO...,2008) Para que a Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de Outubro de 1988, viesse a reconhecer a existência de um direito ao meio ambiente, um longo caminho foi percorrido, em seu artigo 225, a questão ambiental é colocada da seguinte forma: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Públicos e a coletividade e o dever de defendê-lo, e preservá-lo para os presentes e futuras gerações. (BRASIL, 1998 apud BATISTA; PAGLIUSO, 2006, p. 44) Apesar de ser reconhecida e avançada em muitos aspectos, infelizmentea legislação ambiental é muito falha no ponto de vista penal, pois crimes contra o meio ambiente ficam impunes, devido à falta de consciência política, ambiental e de fiscalização, conseqüência do baixo número de fiscais em proporção ao território brasileiro. (BATISTA; PAGLIUSO, 2006). 2.1. Organizações Não Governamentais (ONG’s) O termo ONG vem do inglês Non Governamental e foi introduzidooficialmente pelas Nações Unidas no ano 1950, no Conselho Econômico e Social (ECOSOC), sendo definida como organização internacional a qual não foi estabelecida por acordos governamentais. (BERNA, 2008) As ONG’s são as entidades de direito civil, sem fins lucrativos nem vínculo com governos, sindicatos ou partidos políticos. Atuando em vários ramos, trabalham com projetos sociais e de promoção da cidadania, defendemo meio ambiente, os diretos das minorias e fazem campanhas contra adiscriminação. De acordo com Delgado (2005), a finalidade precípua da ONG é fiscalizar os atos do Estado, seja em âmbito federal, estadual ou municipal, acompanhando os atos praticados pelos poderes executivo, legislativo, judiciário, ou para cuidar de certos setores específicos da sociedade, como: meio ambiente legiferantes e administrativos estando adequados ao que determina os mais variados diplomas legislativos que regem Estado democrático e constitucional de direito. As ONG’s devem operar, em termos de estrutura interna, obrigatoriamente, com órgão de natureza deliberativa (Assembléia Geral) e órgão de natureza decisória (Diretoria, que pode ser denominada, também, de Conselho Administrativo). Conforme Tachizawa (2006) são: a) a diretoria: pode ser exercida por uma única pessoa, podendo, entretanto ser exercida de forma colegiada, que é um modelo de gestão mais democrático e participativo e, normalmente, a situação mais comum. b) a assembléia geral: é a reunião legalmente obrigatória e periódica dos membros da ONG, para os fins de deliberação sobre diretrizes, procedimentos e práticas a serem adotadas pela organização, onde se elege a diretoria e se tomam as grandes decisões estratégicas da organização. Para fundar uma entidade ambientalista é necessário seguir cincopassos, que segundo Svirsky (2000) são: a) 1º passo: convocação - pessoas de uma determinada região (comunidade, bairro, escola clube, etc.), que tenham como objetivo a defesa do meio ambiente, estarão aptas a criar uma entidade ambientalista. Podendo estar preocupadas, por exemplo, com a defesa de um rio, de uma cidade, de uma praça, praia ou com a riqueza natural, cultural e até mesmo os diretos de comunidades (índios, caiçaras, pescadores etc.). É necessário se juntar e se mobilizar, convocando uma reunião através de telefonemas, cartas, anúncios na rádio local, panfletos e jornais ou então através de outros meios para atrair pessoas para a importância da causa de que estão criando. Na reunião todos os objetivos da entidade devem ser colocados de forma clara a todos, além da definição de uma comissão de preparação das próximas reuniões, como divisão de tarefas e responsabilidade; b) 2º passo: a Assembléia Geral = a assembléia da entidade, na qualserá oficializada a mesma, com a convocação de todos os interessados,deverá ocorrer após a definição da missão da entidade e regida a primeira proposta de Estatuto, precedida de uma carta convite, contendo o dia, hora, local além dos objetivos da e pauta da reunião; c) 3º passo: estatuto = a comissão deve ler o estatuto e distribuir umacópia para cada presente, onde cada artigo que seja consideradopela assembléia polêmico ou destacado, deve ser discutido, se necessário modificado e por fim aprovado. Alguns itens essenciais que devem estar contidos nos Estatutos são: nome e sigla da entidade; sede e foro; finalidades e objetivos; se os sócios respondem pelas obrigações da sociedade; quem responde pela entidade; os sócios e seus tipos, entrada e saída, direitos e deveres; poderes, tais como assembléia, diretoria, conselho fiscal; tempo de duração; como os estatutos são modificados; como a entidade é dissolvida e qual o destino do patrimônio, em caso de dissolução; d) 4º Passo: a posse da diretoria = a eleição da diretoria deve seguir o que foi aprovado no Estatuto; após eleita, deve ser conferida a posse dos cargos aos eleitos, onde foi finalmente fundada a Entidade no Estatuto, aguardando somente alguns procedimentos burocráticos para que seja legalizada; e) 5º Passo: como proceder para o registro legal = é necessária muita paciência devida a grande burocracia e as exigências específicas de cada cartório, e não é recomendado colocar o endereço da entidade no estatuto, pois a cada mudança ocorrerá a mesma burocracia. A documentação terá que ser reunida e encaminhada ao cartório de Registro Civil de pessoas jurídicas, além de pagar as taxas, registrar o livro de atas, os estatutos e publicar um extrato dos membros, aprovados no Diário Oficial. Essa documentação faz com a entidade passe a ter uma personalidade jurídica, mas sendo necessário também que a entidade tenha um CGC/CNPJ, para caso tenha que realizar operações financeiras, abrir conta bancária ou celebrar contratos. Ainda segundo Svirsky (2000), a documentação poderá variar de acordoao cartório: .3 cópias dos Estatutos em papel timbrado; .3 cópias da ata de fundação datilografada, assinadas pelo presidente e demais diretores com firma reconhecida; . Livro de atas original; .Pagamento de taxas do cartório (se houver); .3 cópias da relação qualificada da diretoria (nome, cargo, estado civil, nascimento, endereço, profissão, identidade e CPF); .3 cópias da relação de sócios fundadores; .Um resumo contendo os principais pontos dos Estatutos, que às vezes, é solicitado pelo cartório para que seja apresentada no Diário Oficial. 2.2. Conceito De Responsabilidade Social A base da responsabilidade social deve ser focada nos colaboradores da organização e principalmente nos clientes. Os clientes tendem a adquirir maior respeito por uma marca ou produto à medida que, a organização souber tratar com responsabilidade seus colaboradores, afirma Sovinski (2006). Os colaboradores estarão mais bem motivados ao trabalho, com efetivas práticas de gestão e critérios motivacionais apropriados, quando perceberem que a organização realmente importa-se com o ser humano a serviço da empresa e não os vêm apenas como uma peça na engrenagem, que pode ser substituída a qualquer momento. Os clientes estão cada vez mais exigentes, sabendo distinguir as organizações que tem responsabilidade social com colaboradores, clientes e sociedade, daquelas que tem interesse apenas pelo bolso, pelo lucro rápido, sem levar em conta as necessidades humanas das pessoas que fazem parte da organização. Segundo Moreira; Pasquale; Dubner (1999, p. 319) “responsabilidadesocial é a obrigação de uma empresa melhorar seus efeitos positivos sobre a sociedade, reduzindo seus efeitos negativos”. 2.3. Responsabilidade Ética A ética é a ciência que estuda e estabelece os fins que serão norteadores das ações (LIBERAL, 2006). Procura buscar o equilíbrio das relações entre o ser humano e a natureza. Atualmente estamos em conflito com o meio ambiente em contrapartida do processo de desenvolvimento social e ambiental. Devemos levar em conta quais os principais efeitos da ação do homem na natureza. Precisa haver uma mudança radical em nossos paradigmas. A Ética Ambiental procura a conscientização, a preservação ambiental e conseqüentemente à melhoria da qualidade de vida individual e coletiva. A relação da ética com a sustentabilidade envolve uma preocupação com as futuras gerações, garantido que não estragaremos as condições de vida dos que virão no futuro. Existe a necessidade de se pensar no desenvolvimento sustentável como prioridade. O desenvolvimento é necessário e inevitável; porém devemos mudar imediatamente nosso olhar para os recursos naturais. Como conseqüências dos impactos antrópicos, estamos envolvendo a água, o solo, o ar, a perda da biodiversidade, nossa casa, "a nossa terra". Sofreremos uma queda significativa na qualidade de vida, que refletirá diretamente na falta de suprimentos de alimentos, na manutenção da saúde, ficaremos e já estamos vulneráveis a desastres ambientais, redução e restrição ao uso de energia, diminuição da oferta e distribuição irregular de água potável, aumento de doenças e epidemias, instabilidade social e econômica. Precisamos imediatamente promover a Ética Ambiental em todos os setores, dar conhecimentos e informações a todos, para que possam refletir e colocar em prática um novo paradigma. Interagir eticamente nas questões sociais e na cultura sócio-política e econômica não deve ser somente uma questão dos países desenvolvidos, mas do mundo todo e também do Brasil, que ganha vigor no papel das organizações como agentes sociais no processo de desenvolvimento. É fundamental que as organizações assumam não só o papel de produtoras de bens e serviços, mas também o de responsável pelo bem-estar de seus colaboradores e pelo ambiente social no qual está inserida, determinando o sucesso mercadológico.(TEXTO PEQUENO) A empresa para ser reconhecido como tal necessariamente tem que se embasarem na ética e no cumprimento de todos os seus deveres perante o estado, os empregados e seus dependentes, seus acionistas, sua cadeia de fornecedores, instituições e sociedade de uma maneira geral. Deve ser incontestavelmente uma cumpridora das leis vigentes e preservadora do meio ambiente. (SIQUEIRA; SPERS, 2003, p.5) A Ética, a Moral e a Responsabilidade determinam a perfeição do ser. Acostumados a confundir os meios com os fins, não conseguimos visualizar claramente o fim último da existência humana. Por isso, o erro crasso de conceber a Moral como um mero e fastidioso catálogo de proibições. O fim do homem é, pois, o de realizar, pelo exercício de sua liberdade, a perfeição de sua natureza. Implica, muitas vezes, a obediência à vontade de Deus, contrariando a própria, se assim delimitar, o dever, imposto pela sua consciência. 3. O Profissional De Gestão Ambiental Na década de 90, ter um certificado ISO 9000 era sinônimo de que a organização estava totalmente comprometida com a qualidade e, conseqüentemente, com a satisfação do cliente. Hoje, apesar de continuar sendo referência de empresa séria, ter um certificado ISO 9000, já não é suficiente para atrair o consumidor mais exigente, que quer que o mundo dos negócios seja conciliado com atividades que respeitem o meio ambiente. As organizações brasileiras estão preocupadas com a nova realidade e já partem para a certificação ambiental, tendo como base os critérios estabelecidos pela ISO 14001. Esse novo tipo de relacionamento, entre pessoas e ambiente de recursos naturais, não é só bom para elas, mas também para o administrador, que vê surgir um novo campo de trabalho: o de gestor ambiental. Há alguns anos, a preocupação com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável deixou de ser exclusividade dos ecologistas e entrou definitivamente na pauta de questões prioritárias de governos e empresas. Naturalmente, cresceu a procura por profissionais especializados em planejamento e preservação dos recursos naturais e, com isso, abriu-se um promissor mercado de trabalho para os especialistas emgestão ambiental ou gestor ambiental. Por ser exigido em todos os setores empresariais, o gestor ambiental deve ter uma formação interdisciplinar. Além da Administração, é indispensável que tenha conhecimentos em Comunicação, Economia e temas relacionados com o meio ambiente. Essa formação é fundamental para o estabelecimento de políticas ambientais, planejamento e administração de programas de gerenciamento ambiental, controle de qualidade, implantação de certificações e preservação ambiental. O gestor ambiental pode contribuir para (ELE CONCILIA..., 2007): a) definição de ações que não agridam a fauna e a flora; b) exploração dos atrativos naturais, como atividade turística; c) orientação às áreas urbanas sobre como ter uma melhor qualidade de vida em torno da infra-estrutura ambiental; e d) acompanhamento dos impactos do crescimento social ao meio ambiente. A gestão ambiental é uma área estratégica, por isso, a missão do gestor ambiental é conciliar os negócios com o desenvolvimento sustentável, de respeito ambiental. Uma das tarefas do gestor ambiental é estabelecer ações que não agridam a natureza. Essa é a missão do gestor ambiental, profissional que contribui para que a produção cause o menor impacto possível na natureza, reduza os custos, aumente a competitividade e melhore a imagem da organização com o consumidor. Um bom gestor ambiental traz grandes lucros para a organização, por ser capaz de olhar o que deve e o que não deve ser feito. Esse profissional está cada vez mais valorizado, porque suas ações estão voltadas para o ajuste da produção, o que contribui para aproveitar melhor a matéria-prima, reduzir gastos e, conseqüentemente, ganhar mais dinheiro. Esse profissional é responsável pela definição da política de meio ambiente que a organização ou instituição pública ou privada, deve seguir. O gestor ambiental tem três grandes mercados de trabalho para atuar, que segundo Bahr (2004), são: a) poder público: governos federal, estadual e municipal. O profissional poderá lidar com sistemas de licenciamento, gestão de recursos hídricos, proteção de mananciais, clima e biodiversidade, entre outros assuntos; b) empresas de consultoria: o gestor terá a oportunidade de realizar estudos ambientais para empresas, sistemas de gestão para indústrias e auditoria, etc; c) grandes organizações, públicas e privadas, que a cada dia necessitam de uma gestão ambiental mais eficaz. Como se vê, os gestores atuais que seguirem por objetivo apenas as regras já definidas por organizações de sucesso, tão somente se limitará a acompanhar as necessidades do mercado buscando apenas a sobrevivência, enquanto os novos e futuros gestores, certamente, estarão preocupados em inovar, revolucionando as regras do jogo, onde se não o fizerem, quando finalmente, perceberem da necessidade das alterações, novos concorrentes de sucesso aparecerão no mercado. 3.1 Ser Mais Responsável Socialmente é Fator de Competitividade A RSE tornou-se um fator de competitividade para os negócios. No passado, o que identificava uma organização competitiva era basicamente o preço de seus produtos. Depois, veio a onda da qualidade, mas ainda focada nos produtos e serviços. Hoje, as organizações devem investir no permanente aperfeiçoamento de suas relações com todos os públicos dos quais dependem e com os quais se relacionam: clientes, fornecedores, parceiros colaboradores. Fabricar produtos ou prestar serviços que não degradem o meio ambiente, promover a inclusão social e participar do desenvolvimento da comunidade de que fazem parte, entre outras iniciativas, são diferenciais cada vez mais importantes para as empresas na conquista de novos consumidores ou clientes. (INSTITUTO ETHOS; SEBRAE, 2003, p. 6) Pelo retorno que traz, em termos de reconhecimento – imagem – e melhores condições de competir no mercado, além de contribuir substancialmente para o futuro do país, o movimento da Responsabilidade Social Empresarial vem crescendo no Brasil. A mídia está cada vez mais fiscalizadora e os consumidores, por sua vez, mais exigentes. É verdade que muitas organizações já contribuem para a melhoria das comunidades nas quais estão presentes. Mas esta deve ser uma postura sistemática, para enraizar valores como a solidariedade no meio social, afirmam Instituto Ethos; Sebrae, (2003). O consumidor cobra do setor empresarial um elevado grau de responsabilidade social e de compromisso com a preservação do meio ambiente. Muitas pessoas apóiam a criação de leis de incentivo a práticas socialmente responsáveis, mesmo que isso implique em aumento de preços ou impostos. São provas inequívocas de que a atuação solidária é fator de competitividade em qualquer mercado. Trata-se de uma maneira efetiva do consumidor colocar em prática o seu lado cidadão. Se há muitos fatores determinantes quando se deve decidir entre marcas distintas, é certo que ganha importância o engajamento social de cada organização. É fato que o consumidor demonstra preocupação com a responsabilidade corporativa. A idéia de que a ética norteia relações no mundo dos negócios aplica-se também a preservação de recursos naturais e humanos. É possível afirmar que a sustentabilidade empresarial está condicionada hoje a três pilares: econômico-financeiro, ambiental e social. As demandas de planejamento tendem a ser pensadas necessariamente sob este prisma, que possibilita asobrevivência em segmentos cuja concorrência é cada vez mais acirrada.(TIEGHI, 2006) O desafio atual é adequar a gestão empresarial a indicadores sociais acada dia mais determinantes nas relações com o público, salienta Tieghi (2006). É essencial, mais do que realizar campanhas esporádicas, difundir o conceito de marca-cidadã, segundo o qual a organização deve promover projetos sociais em conformidade com seus valores e princípios. Isso ajuda a criar uma imagem sólida o bastante para fidelizar o cliente. Mas não bastam discursos bem intencionados ou estratégias de marketing; é preciso engajar o público, fazendo com que ele abrace esta causa. Conforme Tieghi (2006), estimular boas práticas de gestão social é o primeiro passo no sentido de elevar o patamar de consciência da organização. A seguir, essa nova postura deve atingir todos os stakeholders, modificando substancialmente a interação da empresa com a sociedade. O impacto tende a ser extremamente positivos para os negócios. Afinal, a quebra de paradigmas está se revelando eficaz justamente na ponta responsável pelas mudanças na cadeia: o consumidor final. Este novo cenário mundial da gestão empresarial é resultado da globalização que exige novas demandas e desafios. Produtividade, competitividade e compromisso social são requisitos básicos desustentabilidade e sucesso dos negócios. É importante entender o que envolve a diversidade, hoje com uma definição muito mais ampla do que há 20 anos. A organização que valoriza a diversidade é vista como ética, o que a faz obter o reconhecimento da sociedade. Portanto, empresa e sociedade beneficiam-se econômica e socialmente com a diversidade, benefícios estes usufruídos por empresas do mundo inteiro. (GOVATTO, 2003) 3.2 Marketing Verde e Marketing Ecológico: Sinônimos do Marketing Ambiental No momento em que a preocupação com questões ambientais é cada vez mais importante, passa a ser estratégico que as organizações adotem um programa de marketing ambiental, também chamado de marketing verde ou marketing ecológico. Este tipo de marketing é representado pelos esforços das organizações em satisfazer as expectativas dos consumidores de produtos que determinem menores impactos ambientais ao longo do seu ciclo de vida (produção, embalagem consumo, descarte entre outros). A divulgação desses esforços deve ser feita de modo a gerar um maior consumo desses produtos emaiores lucros para as empresas. De acordo com Teixeira (2000), também conhecido como marketing ecológico ou verde, o marketing ambiental é uma modalidade que visa enfocar as necessidades de consumidores ecologicamente conscientes e contribuir para a criação de uma sociedade sustentável.Adotar um programa de marketing ambiental não é tão simples assim. Entenda-se que o Marketing Verde deve ser encarado com seriedade e não como uma simples declaração de “amor à natureza”. A adoção de um programa destes pode representar uma melhor posição competitiva para as empresas. O Marketing Verde tem vindo representar uma reação das empresas mais socialmente responsáveis às expectativas da sociedade, por produtos e serviços que determinam menores impactos ambientais. (TEIXEIRA, 2000) Essas expectativas foram criadas por um longo processo, a nível mundial, em que a preocupação com o meio ambiente veio adquirindo maior importância. O marketing verde não se limita à promoção de produtos que tenham alguns tributos verdes, isto é, produtos recicláveis e produtos que não destruam a camada de ozônio. Para que isso aconteça, todos os colaboradores da organização devem estar conscientes de que a empresa não pode ter nenhuma falha no seu comportamento ambiental. No caso de falha do comportamento, o processo de reconstrução da imagem é muito demorado e difícil, sendo retratada pelos meios de comunicação como organização ambientalmente irresponsável. Assim, a organização deve adotar um comportamento pró-ativo, ou seja, deve estar sempre aperfeiçoando o seu comportamento ambiental, sendo que as expectativas da população quanto ao verde está em constante mudança. Enfim, o objetivo da comunicação verde é mostrar ao consumidor que um artigo ecologicamente correto, é também mais saudável para o consumo. Ou seja, no marketing verde, a organização divulga o que tem feito em prol do meio ambiente e, desse modo, procura sensibilizar o consumidor para que ele também participe deste processo, já que a responsabilidade de preservar os recursos escassos. 3.3 Encontrando o Caminho Para a Gestão Socialmente Responsável Uma organização que assume uma postura comprometida com a responsabilidade social e a gestão ambiental torna-se agente de uma profunda mudança cultural, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Conforme Instituto Ethos; Sebrae (2003), o mundo está mudando, decorrente disso, três fatores marcam a época atual: a) a revolução tecnológica como satélites, telecomunicações, eliminou distâncias e multiplicou a troca de informações via televisão, jornais, rádio, telefone, internet; b) a revolução educacional, que é conseqüência do número cada vez maior de pessoas que freqüentam escolas e querem mais informações; c) a revolução cívica, que é representada por milhões de pessoas organizadas de todo o mundo reunidas em associações e organizações não governamentais (ONG’s), defendendo seus direitos e seus interesses, como a promoção social e a proteção ambiental. Nos fatores revolução tecnológica e educacional, os limites ambientais não explicam por si só, o momento em que se vive. Outras variáveis merecem destaque. No Brasil de 1900, somente uma minoria da população tinha acesso à educação, hoje se tem um número alto de pessoas alfabetizadas, capazes de ler, escrever e obter informações. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, no ano de 2000, o número de pessoas alfabetizadas ultrapassou a marca dos 120 milhões, representando 75% da população. (INSTITUTO ETHOS; SEBRAE, 2003). Esse imenso exército de pessoas, preparadas para ler e escrever, está em contato com uma das maiores revoluções do comportamento do século: a tecnologia. O acesso ao rádio, telefone, jornais, televisão, computadores e internet cresce a olhos vistos. As pessoas estão em contato direto com um grande número de informações sobre qualquer tema de interesse e por isso estão cada vez mais capazes de ler, produzir informações e notícias. A revolução cívica é uma mudança profunda na forma como as pessoas se organizam para resolver seus problemas e defender seus interesses na última década. Nesse processo de transformação, pessoas de todas as idades, regiões, níveis sociais, religiões, orientações sexuais e políticas, profissões estão se organizando em torno de causas que consideram importantes para si mesmas, para sua comunidade ou para o futuro das próximas gerações. E estes fatores ocorrem num momento em que se chega ao limite do uso dos recursos naturais. Os desafios que hoje se apresentam têm que ser vistos como ótimas oportunidades de negócios, ampliando a participação das organizações no mercado. A gestão socialmente responsável e os novos valores sociais abrem espaço para o surgimento de novos negócios como, por exemplo, o desenvolvimento de produtos e serviços ambientalmente sustentáveis. Isto influencia o mundo dos negócios, criando desafios e oportunidades para todos. De acordo com Instituto Ethos; Sebrae (2003), os desafios diante do novo quadro ambiental são: redesenhar processos para melhor uso dos recursos naturais; conhecer melhor a origem e o destino do material usado e processado; entender as particularidades desses aspectos no negócio. As oportunidades são: reduzir gastos em função da melhor administração dos recursos; criar produtos e serviços elaborados com maiores cuidados em relação ao impacto ambiental e que atendam aos consumidores mais atenciosos. 3.4 Gestão com pessoas e questões ambientais e de responsabilidade Social A marca ainda é fator primordial para o êxito de uma organização, pois influencia o gosto dos consumidores, e em grande parte dos casos, ajuda a manter a lealdade do mercado. É capaz de contribuir para a longevidade da organização e, ainda, assegurar a valorização dos ativos e de todo o balanço patrimonial. Tal influência repete-se sobre o público interno das organizações. Nesse caso, entretanto, há mudanças indicando que, por mais valor que tenha, a marca sozinha não garante a fidelidade dos talentos. Imagem da organização, liderança e tradição no mercado, até o momento, eram suficientes para atrair e manter a colaboração dos melhores executivos. Hoje, evolui-se para uma situação em que, antes de fechar um contrato de trabalho, os profissionais mais capacitados querem ter a certeza de que a organização oferece desafios, oportunidade de desenvolvimento, plano de carreira e bom ambiente de trabalho. Conferem, ainda, se o comportamento social e os valores éticos da organização são compatíveis com os seus e dedicam especial atenção a consistentes e criativas políticas de remuneração. Juntas, essas características sustentam outro tipo de marca: a que dá à organização o status de um lugar bom para trabalhar ou salário/ambiente. 3.5 Passado e Presente das Organizações Privadas brasileiras. Diante do contexto de mudanças, estruturais e conjunturais, que estãoocorrendo no mundo, é possível dizer que o Brasil, cuja abertura para o comércio internacional é recente, está vivendo um período de turbulências ambientais, com sérias repercussões nas organizações. Organizações de todos os tipos tem se deparado com cenários substancialmente modificados e mais dinâmicos. Não há outra opção a não ser mudar. Logo, entender esta instabilidade é fundamental para o contexto de qualquer organização que queira sobreviver. No princípio da década de 90, as organizações passaram a enfrentar um inédito ambiente competitivo decorrente dos produtos importados de outros países, fazendo com que novas formas de gestão começassem a ser pesquisadas e adaptadas à cultura administrativa de gerenciar os negócios. Nas organizações o desafio é transformar as empresas de instituições econômicas, dominantes da era industrial para organizações flexíveis e holísticas da nova era do conhecimento, por intermédio do entendimento dos seguintes tópicos (GESTÃO EMPRESARIAL..., 2001): a) crescimento e queda extremamente rápida das organizações; b) busca constante do conhecimento e do aprendizado contínuo; c) criatividade, inovação e flexibilidade nos campos tecnológico, econômico e social; d) qualidade e excelência organizacional de gestão, de produtos e serviços; e) nova dimensão para com a visão estratégica das empresas: imaginar e criar o ambiente futuro das organizações; f) dilema organizacional na nova economia: cultura instaladaX novos valores; g) desenvolvimento sustentável: ecologia e natureza preservadas; h) maior visibilidade das organizações em relação à opinião pública,governo e ambiente. Entretanto, todos esses fatores estão sendo objeto de análise na moderna gestão empresarial brasileira, onde esta contextualização do ambiente passou a ser exigida dos empresários e de suas equipes de trabalho. Portanto, ao mesmo tempo em que se exige do gestor compreensão dos elementos focados acima, ele também, tem de procurar entender os principais problemas empresariais. Esses problemas acabam de certa forma, inibindo novos empreendimentos e dificultando a gestão das organizações no seu processo de desenvolvimento. Os principais problemas que vêm afetando a sociedade, as organizações e os cidadãos (GESTÃO EMPRESARIAL, 2001): a) instabilidade econômica; b) baixo investimento em ciência e tecnologia; c) profundos desequilíbrios nos campos social, econômico e regional; d) falta de uma adequada matriz logística (infra-estrutura deficiente nos planos rodoviário, portuário, ferroviário e aéreo); e) matriz energética incompleta. Diante deste quadro, a análise constante e a necessidade de levar em consideração os referidos dados e informações no cotidiano da ação gerencial das organizações brasileiras, reforçam o entendimento de que, cada vez mais, o processo de interdependência ambiental veio para ficar e quem não se aperceber disto corre riscos de uma infeliz ação decisória, que pode provocar severos danos às organizações. As novas tendências no ambiente das organizações exigem uma postura coerente com referência à adoção de novas tecnologias, à gestão do conhecimento e à análise de cenários para a tomada de decisão. É neste contexto que a análise de cenários é apontada como uma ferramenta de alto nível para ajudar a produzir soluções, uma vez que prosseguir com sucesso, em qualquer ramo de atividade, exige antevisão e antecipação aos concorrentes em relação a produtos, serviços e inovação gerencial. Porém, o artifício de imaginar um cenário para o futuro das organizações, constitui-se num exercício singular de reflexão sobre as observações que se faz do meio em que está inserido. Considerações Finais As necessidades de mudanças, que conduzem a uma nova visão do mundo são urgentes e, de certa forma, já estão ocorrendo. Atualmente, por exemplo, as exigências do cidadão não recaem apenas por produtos ou serviços de qualidade, mas também são de natureza ética. Percebe-se assim, claramente, a necessidade da moderna gestão empresarial em criar relacionamentos mais éticos no mundo dos negócios, as organizações devem estar atentas a todos os públicos impactados pelo seu negócio. Emerge então, a partir da linha histórica e conceitual tratada neste estudo, a Responsabilidade Social Empresarial. Seja uma nova tendência em gestão estratégica ou apenas mais uma moda empresarial, o fato é que o tema tornou-se uma questão de sobrevivência em um mercado globalizado, onde os consumidores estão cada vez exigentes não só quanto à qualidade e preço dos produtos e serviços, mas a todo seu processo produtivo, onde já não é mais tolerado o lançamento de dejetos industriais no meio ambiente, a utilização da mão-de-obra infantil epropagandas enganosas. As organizações são consideradas grande pólo de interação social seja com fornecedores, com a comunidade ou com os próprios funcionários. Têm, portanto, uma grande responsabilidade em disseminar valores que influenciem em mudanças sociais concretas, transmitindo através de sua imagem uma perspectiva estratégica de coerência, ética e transparência, capazes de aliar à racionalidade empresarial a subjetividade das demandas sociais. Daí a possibilidade de atuação dos profissionais de RecursosHumanos, entre eles o psicólogo, capacitado a sensibilizar, discutir e disseminar tais valores a tal ponto que estejam realmente incorporados nos processos, práticas e em documentos estratégicos como os de definição dos códigos de conduta e ética, missão e visão empresarial. As práticas socialmente responsáveis, mesmo que não tenham surgido a partir de valores, princípios e convicções louváveis por parte dos dirigentes das organizações, mas sim de um movimento de sobrevivência mercadológica, não devem ser confundidas nem usadas como ferramentas de bens tangíveis e intangíveis. Os resultados são alcançados em longo prazo, mas pode-se afirmar que fazer o bem compensa economicamente: traz o reconhecimento e prestígio dos consumidores, dá maior visibilidade e aceitação da marca, traz uma boa reputação empresarial, além de motivar funcionários, impactando na retenção/captação destes talentos e no clima organizacional. A complexidade do assunto certamente não cabe em algumas poucas linhas, mas a troca de ideias e experiências é fundamental ao longo do caminho de realinhamento de rumos necessários. Suscitar reflexões sobre alguns aspectos importantes da questão é o que se pretende aqui. Como se trata de uma questão multidisciplinar parece ser mais adequado partir do geral para o específico, do cenário atual da sustentabilidade para o planejamento da gestão ambientalmente social. Referências Bibliográficas A3P. Agenda Ambiental da Administração Pública. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental. Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental. 5ª Edição | Revista e atualizada. Brasília – DF, 2009 DIAS, R. Marketing Ambiental: ética, responsabilidade social e competitividade nos negócios, 1 ed. São Paulo, Altas, 2009. Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale. EcoDebate, 15/10/2012[O conteúdo do EcoDebate é “Copyleft”, podendo ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, ao Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação] FIQUEIRA, E. et al. Gestão Ambiental: Brasbiodiesel. 2008. (Monografia). Graduação em Administração. Unisalesiano, Lins, SP. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de Metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2009. NOGUEIRA, J. C. Ética e Responsabilidade Pessoal. In MORAIS, R. de. Filosofia, Educação e Sociedade (Ensaios Filosóficos). Campinas, SP, Papirus, 1989. PADUA, A. Vozes da rua e mudanças epistemológicas, 2010. PNSB. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 2000. SABESP, Relatório de Sustentabilidade, 2008. SANTOS, M. F. dos. 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