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ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA influenciam a troca de classe dos anticorpos produzidos pelas células B, adaptando a resposta imune às necessidades específicas do patógeno. ● Processo de Recombinação: A recombinação do DNA na região da cadeia pesada permite que a célula B produza anticorpos de diferentes classes (IgG, IgA, IgE) com a mesma especificidade antigênica inicial. VÍRUS ESTRUTURA DOS VÍRUS 1. MATERIAL GENÉTICO: ● Tipos: DNA ou RNA, mas nunca ambos. ● Forma: Pode ser de fita simples (ss) ou fita dupla (ds), linear ou circular. ● Segmentação: Em alguns vírus, o genoma é segmentado, o que significa que o material genético está dividido em vários fragmentos distintos. 2. CAPSÍDEO: ● Definição: Estrutura proteica que envolve e protege o material genético viral. ● Composição: Composto por subunidades proteicas chamadas capsômeros. ● Formas: As principais formas são icosaédrica (quase esférica), helicoidal (em forma de bastão ou filamento) e complexa (mistura de ambas, como nos bacteriófagos). 3. ENVELOPE VIRAL (Opcional): ● Definição: Membrana lipídica que envolve o capsídeo em alguns vírus. ● Origem: Derivado da membrana da célula hospedeira durante o processo de brotamento. ● Glicoproteínas: Contêm proteínas virais e glicoproteínas que são essenciais para a entrada do vírus na célula hospedeira. 4. ESTRUTURAS ADICIONAIS: ● Espículas: Projeções glicoproteicas que ajudam na ligação e entrada na célula hospedeira. ● Matriz Proteica: Proteínas entre o capsídeo e o envelope que fornecem suporte estrutural. TIPOS DE VÍRUS 1. CLASSIFICAÇÃO PELO MATERIAL GENÉTICO: ● Vírus de DNA: ● Exemplos: Adenovírus, Herpesvírus. ● Características: Podem ter DNA de fita dupla (dsDNA) ou fita simples (ssDNA). O DNA pode ser linear ou circular. ● Vírus de RNA: ● Exemplos: Coronavírus, Influenza, HIV. ● Características: Podem ter RNA de fita simples (ssRNA) ou fita dupla (dsRNA). O RNA pode ser de sentido positivo (+) PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 10 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA (funciona diretamente como mRNA) ou negativo (-) (precisa ser transcrito para mRNA). 2. CLASSIFICAÇÃO PELA PRESENÇA DE ENVELOPE: ● Vírus Envelopados: ● Características: Possuem uma membrana lipídica derivada da célula hospedeira. São geralmente mais sensíveis a desinfetantes. ● Exemplos: HIV, Influenza, Herpesvírus. ● Vírus Não Envelopados (Nus): ● Características: Não possuem envelope, apenas o capsídeo proteico. São geralmente mais resistentes a desinfetantes e condições ambientais adversas. ● Exemplos: Adenovírus, Norovírus, Parvovírus. 3. CLASSIFICAÇÃO PELA SIMETRIA DO CAPSÍDEO: ● Vírus Icosaédricos: ● Características: Capsídeo com 20 faces triangulares, quase esférico. ● Exemplos: Adenovírus, Herpesvírus. ● Vírus Helicoidais: ● Características: Capsídeo em forma de bastão ou filamento helicoidal, enrolado em torno do material genético. ● Exemplos: Vírus da raiva, Vírus do mosaico do tabaco. ● Vírus com Simetria Complexa: ● Características: Estrutura mais complexa que combina características icosaédricas e helicoidais. Muitas vezes possuem cauda e outras estruturas. ● Exemplos: Bacteriófagos T4, Poxvírus. 4. CLASSIFICAÇÃO PELO CICLO REPLICATIVO (BALTIMORE CLASSIFICATION): ● Grupo I: dsDNA (e.g., Herpesvírus). ● Grupo II: ssDNA (e.g., Parvovírus). ● Grupo III: dsRNA (e.g., Rotavírus). ● Grupo IV: ssRNA(+) (e.g., Coronavírus). ● Grupo V: ssRNA(-) (e.g., Influenza). ● Grupo VI: ssRNA-RT (retrovírus, e.g., HIV) - RNA de fita simples que é transcrito reversamente em DNA. ● Grupo VII: dsDNA-RT (e.g., Hepadnavírus) - DNA de fita dupla que usa uma etapa de RNA intermediário. PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 11 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA CICLOS VIRAIS 1. CICLO LÍTICO: ● No ciclo lítico, os vírus infectam uma célula hospedeira e usam seus recursos para replicar e produzir novos vírus. ● O vírus se liga à célula hospedeira e injeta seu material genético no interior da célula. ● O material genético viral assume o controle da maquinaria celular da célula hospedeira para produzir cópias do genoma viral e proteínas virais. ● As proteínas virais e o material genético são então montados para formar novos vírus. ● Finalmente, os novos vírus são liberados da célula hospedeira, muitas vezes destruindo-a no processo, e podem infectar outras células. ● Exemplos de vírus com ciclo lítico incluem o vírus influenza (gripe), o vírus do herpes simplex e o vírus da dengue. 2. CICLO LISOGÊNICO: ● No ciclo lisogênico, o material genético viral é integrado ao genoma da célula hospedeira e replicado junto com o DNA da célula hospedeira. ● O vírus pode permanecer inativo ou latente dentro da célula hospedeira por um longo período. ● Sob certas condições, como estresse celular, o material genético viral pode ser ativado e iniciar o ciclo lítico, resultando na produção de novos vírus e na lise da célula hospedeira. ● Exemplos de vírus com ciclo lisogênico incluem o vírus da varicela-zoster (causador da catapora) e o vírus da hepatite B. 3. CICLO RETROVIRAL: ● Os retrovírus, como o HIV, têm um ciclo de vida único que envolve a transcrição reversa do RNA viral em DNA e sua integração no genoma da célula hospedeira. ● Após a entrada na célula hospedeira, o RNA viral é transcrito em DNA pela enzima transcriptase reversa. ● O DNA viral é então integrado ao genoma da célula hospedeira, onde pode permanecer latente ou ser transcrita para produzir novos RNA virais. ● Os novos RNA virais são traduzidos em proteínas virais e montados em novas partículas virais que são liberadas da célula hospedeira. CICLO DE VIDA DOS VÍRUS 1. ADSORÇÃO (LIGAÇÃO AO HOSPEDEIRO): Definição: A fase de adsorção envolve a interação inicial entre o vírus e a célula hospedeira. ● Reconhecimento do Receptor: Os vírus possuem proteínas ou glicoproteínas na superfície que reconhecem e se ligam a receptores específicos na superfície da célula hospedeira. A especificidade dessa interação determina a gama de hospedeiros do vírus (tropismo viral). ● Exemplo: O HIV se liga ao receptor CD4 e a co-receptores CCR5 ou CXCR4 em células T. PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 12 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA ● Exemplo: O SARS-CoV-2 se liga ao receptor ACE2 nas células do trato respiratório e outros tecidos. 2. PENETRAÇÃO (Entrada na Célula): Definição: A fase de penetração envolve a entrada do vírus ou de seu material genético na célula hospedeira. ● Endocitose: Muitos vírus envelopados e não envelopados entram na célula por endocitose mediada por receptor. ● Exemplo: Adenovírus entram por endocitose. ● Fusão de Membrana: Vírus envelopados podem fundir seu envelope com a membrana plasmática da célula hospedeira, liberando o capsídeo e o genoma no citoplasma. ● Exemplo: HIV e Influenza entram por fusão de membrana. ● Injeção Direta: Alguns bacteriófagos injetam seu material genético diretamente no citoplasma da célula bacteriana. ● Exemplo: Bacteriófago T4. 3. DESNUDAMENTO (Uncoating): Definição: A fase de desnudamento envolve a remoção do capsídeo para liberar o material genético viral no interior da célula hospedeira. ● Mecanismos: O desnudamento pode ocorrer no citoplasma ou no núcleo, dependendo do vírus, através de processos que incluem a degradação do capsídeo por enzimas celulares ou mudanças no pH endossômico que causam a liberação do genoma. 4. REPLICAÇÃO DO GENOMA E TRANSCRIÇÃO: Definição: A fase de replicação envolve a duplicação do material genético viral e a transcrição do RNA mensageiro (mRNA) para a síntese de proteínas virais. ● Vírus de DNA: ● Localização: Geralmente no núcleo. ● Mecanismo: Utilizam a maquinaria de replicação de DNA da célula hospedeira. ● Exemplo: Herpesvírus. ● Vírus de RNA: ● Localização: Geralmente no citoplasma. ● Mecanismo:RNA de fita positiva (ssRNA+) pode ser traduzido diretamente. RNA de fita negativa (ssRNA-) requer uma RNA polimerase viral para sintetizar mRNA. ● Exemplo: Coronavírus (ssRNA+), Influenza (ssRNA-). 5. TRADUÇÃO E SÍNTESE DE PROTEÍNAS: Definição: A fase de tradução envolve a síntese de proteínas virais utilizando a maquinaria ribossômica da célula hospedeira. ● Proteínas Estruturais: Formam parte do novo capsídeo e envelope. ● Proteínas Não Estruturais: Enzimas e proteínas necessárias para a replicação do genoma viral e montagem do vírion. PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 13 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA 6. MONTAGEM (ASSEMBLY): Definição: A fase de montagem envolve a formação de novos vírions a partir das proteínas virais e do material genético recém-sintetizado. ● Localização: Pode ocorrer no núcleo, citoplasma ou na membrana plasmática da célula hospedeira. ● Exemplo: Adenovírus se montam no núcleo; vírus da raiva se montam no citoplasma. 7. LIBERAÇÃO: Definição: A fase de liberação envolve a saída dos novos vírions da célula hospedeira, permitindo a infecção de novas células. ● Lise Celular: Vírus não envelopados e alguns vírus envelopados causam a ruptura da célula hospedeira, liberando os vírions. ● Exemplo: Adenovírus. ● Brotamento: Vírus envelopados saem da célula através do brotamento, adquirindo seu envelope lipídico da membrana plasmática ou de membranas internas. ● Exemplo: HIV, Influenza. RESPOSTAS IMUNES CONTRA VÍRUS RESPOSTA IMUNE INATA 1. BARREIRAS FÍSICAS E QUÍMICAS: ● Pele e Membranas Mucosas: A pele e as mucosas atuam como barreiras físicas que impedem a entrada de vírus. Mucosas produzem muco que pode capturar partículas virais. ● Secreções: Lisozima nas lágrimas, ácido gástrico no estômago e outros fatores químicos ajudam a neutralizar os vírus. 2. CÉLULAS FAGOCÍTICAS: ● Macrófagos e Neutrófilos: Estas células fagocíticas engolfam e digerem partículas virais. Elas também liberam citocinas que recrutam outras células imunes ao local da infecção. 3. CÉLULAS NATURAL KILLER (NK): ● Função: As células NK identificam e destroem células infectadas por vírus. Elas reconhecem células que apresentam sinais de infecção, como a diminuição da expressão de MHC classe I, e induzem apoptose nessas células. 4. INTERFERONS (IFNS): ● Tipo I Interferons (IFN-α e IFN-β): São liberados por células infectadas e têm um papel crucial na resposta antiviral. Eles sinalizam para outras células aumentando suas defesas antivirais, como a produção de proteínas que degradam RNA viral e inibem a tradução viral. PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 14 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA ● Função: Induzem um estado antiviral nas células vizinhas, aumentando a expressão de genes antivirais e alertando o sistema imune adaptativo. 5. SISTEMA COMPLEMENTAR: ● Ativação: Os componentes do complemento podem ser ativados pela presença de vírus e participar na opsonização (marcação para fagocitose), na lise direta de partículas virais e na promoção da inflamação. RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA: 1. CÉLULAS T: ● Células T Helper (CD4+): ● Função: As células T helper reconhecem antígenos virais apresentados por células apresentadoras de antígenos (APCs) através do complexo de histocompatibilidade (MHC) classe II. ● Ação: Elas liberam citocinas que ajudam a ativar células B e T citotóxicas, além de amplificar a resposta imune inata. ● Células T Citotóxicas (CD8+): ● Função: Reconhecem antígenos virais apresentados por MHC classe I nas células infectadas. ● Ação: Induzem a apoptose de células infectadas através da liberação de granzimas e perforinas, ou pela ativação de receptores de morte celular, como o Fas. 2. LINFÓCITOS B E ANTICORPOS: ● Células B: ● Ativação: As células B são ativadas por antígenos virais e pela ajuda de células T helper. ● Diferenciação: Elas se diferenciam em células plasmáticas, que produzem anticorpos, e células B de memória. ● Anticorpos: ● Neutralização: Anticorpos neutralizam vírus ao se ligarem a proteínas de superfície virais, impedindo a entrada do vírus nas células hospedeiras. ● Opsonização: Anticorpos marcam partículas virais para fagocitose por macrófagos e neutrófilos. ● Ativação do Complemento: A ligação de anticorpos aos vírus pode ativar o sistema complemento, levando à lise dos vírus ou células infectadas. ● Tipos de anticorpos: Diferentes isotipos (IgM, IgG, IgA, IgE) desempenham papéis distintos na resposta antiviral. IgM é geralmente o primeiro anticorpo produzido, enquanto IgG é mais abundante e eficaz em neutralizar vírus. IgA é importante na defesa das mucosas. MECANISMOS INTEGRADOS: ● Coordenação: A resposta inata fornece sinais (citocinas, quimiocinas) que recrutam e ativam células da resposta adaptativa. Interferons e outros mediadores produzidos durante a resposta inata aumentam a expressão de moléculas de MHC e co-estimulatórias em APCs, facilitando a ativação das células T. ● Memória Imunológica: A resposta adaptativa gera células B e T de PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 15 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA memória, que conferem proteção a longo prazo e uma resposta mais rápida e eficaz em reinfecções subsequentes. MECANISMOS DE EVASÃO DOS VÍRUS EVASÃO DA RESPOSTA IMUNE INATA 1. INIBIÇÃO DA PRODUÇÃO E AÇÃO DE INTERFERONS: ● Bloqueio da Detecção de PAMPs: ● Vírus: Hepatite C (HCV) ● Mecanismo: HCV pode degradar proteínas como RIG-I e MDA5, que são responsáveis por detectar RNA viral e iniciar a produção de interferons. ● Inibição da Sinalização de Interferons: ● Vírus: Influenza ● Mecanismo: A proteína NS1 do Influenza pode inibir a sinalização do interferon, bloqueando a ativação de fatores de transcrição como IRF3 e NF-κB. ● Sequestro de Interferons: ● Vírus: Ebola ● Mecanismo: A proteína VP35 do Ebola pode se ligar a RNA viral e impedir a ativação de sensores de RNA, bloqueando a produção de interferons. 2. EVASÃO DA ATIVIDADE DE CÉLULAS NK: ● Modulação da Expressão de MHC Classe I: ● Vírus: Citomegalovírus (CMV) ● Mecanismo: CMV pode expressar proteínas (como UL18) que mimetizam MHC classe I, inibindo a ativação de células NK. ● Produção de Proteínas Inibidoras: ● Vírus: HIV ● Mecanismo: O HIV pode expressar a proteína Nef, que reduz a expressão de MHC classe I na superfície celular, evitando o reconhecimento por células NK. 3. RESISTÊNCIA À FAGOCITOSE E DESTRUIÇÃO INTRACELULAR: ● Inibição da Fagocitose: ● Vírus: Herpes Simplex (HSV) ● Mecanismo: HSV pode produzir proteínas que bloqueiam a fagocitose por macrófagos. ● Escape do Fagossomo: ● Vírus: Poxvírus ● Mecanismo: Certos poxvírus podem escapar do fagossomo antes da fusão com os lisossomos, evitando a degradação. EVASÃO DA RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA: 1. ALTERAÇÃO DE ANTÍGENOS (VARIAÇÃO ANTIGÊNICA): ● Mutação: ● Vírus: HIV ● Mecanismo: Alta taxa de mutação no genoma viral gera novas variantes que escapam da detecção por anticorpos e células T. PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 16 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA ● Recombinação e Rearranjo: ● Vírus: Influenza ● Mecanismo: A segmentação do genoma de RNA permite a troca de segmentos entre diferentes estirpes, resultando em novas combinações antigênicas (deriva e deslocamento antigênico). 2. INIBIÇÃO DA APRESENTAÇÃO DE ANTÍGENOS: ● Bloqueio da Proteassoma: ● Vírus: Epstein-Barr (EBV) ● Mecanismo: A proteína EBNA1 do EBV contém sequências que inibem sua degradação pelo proteassoma, reduzindo a apresentação de peptídeos virais. ● Interferência com MHC Classe I: ● Vírus: Adenovírus ● Mecanismo: Adenovírus produzem proteínas (como E3-19K) que retêm MHC classe I no retículo endoplasmático, impedindo a apresentação de antígenos na superfície celular. 3. SUPRESSÃO DA ATIVAÇÃO DE LINFÓCITOS: ● Inibição de Co-estimulação: ● Vírus: Herpesvírus ● Mecanismo:Herpesvírus podem expressar proteínas que interferem com moléculas co-estimulatórias necessárias para a ativação completa de células T. ● Produção de Citocinas e Receptores Solúveis: ● Vírus: Poxvírus ● Mecanismo: Poxvírus podem produzir proteínas que mimetizam citocinas ou seus receptores, sequestrando citocinas essenciais para a resposta imune. MECANISMOS DE EVASÃO VIRAL DO HIV: 1. ALTERAÇÃO ANTIGÊNICA: Alta taxa de mutação na proteína de superfície gp120. 2. INIBIÇÃO DE MHC CLASSE I: A proteína Nef reduz a expressão de MHC classe I na superfície celular, evitando o reconhecimento por células T citotóxicas. 3. EVASÃO DE CÉLULAS NK: Modulação de ligantes de MHC para evitar a ativação de células NK. CONCEITOS VIRULÊNCIA Virulência é um termo utilizado em microbiologia para descrever o grau de patogenicidade de um microorganismo, ou seja, a capacidade de um agente infeccioso causar doença em um hospedeiro suscetível. Este conceito é multifacetado e depende de diversos fatores relacionados tanto ao patógeno quanto ao hospedeiro. 1. Fatores de virulência 2. Mecanismos de evitamento imune 3. Transmissibilidade 4. Estratégias de invasão 5. Resposta do hospedeiro PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 17 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA acelerar a progressão de ambas as doenças e complicar a gestão clínica. ● A resposta imune ao combate de um patógeno pode ser prejudicada pela presença do outro, levando a uma eficácia reduzida das defesas naturais do corpo. 5. EPIDEMIOLOGIA: ● A coinfecção tem importantes implicações epidemiológicas, especialmente em populações onde múltiplos agentes patogênicos são endêmicos. ● Estratégias de saúde pública para prevenção, controle e tratamento de doenças infecciosas devem considerar a possibilidade e a prevalência de coinfecções. 6. EXEMPLOS COMUNS DE COINFECÇÃO: ● HIV e Hepatite C: Essas duas infecções virais são comuns em usuários de drogas injetáveis devido ao compartilhamento de agulhas contaminadas. ● Dengue e Chikungunya: Mosquitos que transmitem dengue também podem transmitir outros vírus como chikungunya e Zika, levando a coinfecções em áreas onde esses vírus são prevalentes. HELMINTOS Helmintos são parasitas multicelulares, também conhecidos como vermes, que infectam uma grande variedade de hospedeiros, incluindo seres humanos. Eles são classificados principalmente em dois grandes grupos: Nematelmintos (nematoides ou vermes redondos) e Platelmintos (platelmintos ou vermes achatados). Cada grupo possui características estruturais distintas que influenciam seu ciclo de vida, patogenicidade e as doenças que causam. NEMATELMINTOS (VERMES REDONDOS) 1. ESTRUTURA CORPORAL: ● Os nematelmintos possuem um corpo cilíndrico, alongado e simétrico, que se assemelha a um fio ou corda, daí o nome "vermes redondos". ● Eles têm um tubo digestivo completo, com uma abertura oral na extremidade anterior e uma abertura anal na extremidade posterior. 2. TEGUMENTO: ● A cobertura externa é uma cutícula resistente, que não é apenas uma camada protetora, mas também ajuda na manutenção da forma do corpo, dado que esses vermes não possuem um esqueleto rígido. 3. SISTEMA MUSCULAR: PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 21 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA ● Possuem uma musculatura longitudinal que facilita movimentos ondulatórios. Eles não têm músculos circulares, o que é típico dos platelmintos. 4. SISTEMA REPRODUTIVO: ● A maioria dos nematoides é dioica, ou seja, apresentam sexos separados (masculino e feminino), com dimorfismo sexual frequentemente observável. 5. EXEMPLOS COMUNS: ● Ascaris lumbricoides, Trichinella spiralis, e o Ancylostoma duodenale são exemplos de nematelmintos que causam doenças em humanos. PLATELMINTOS (VERMES ACHATADOS) 1. ESTRUTURA CORPORAL: ● Os platelmintos têm corpos achatados dorsoventralmente, o que lhes confere uma aparência de fita ou lâmina. ● Eles podem ser divididos em cestoides (tênias) e trematódeos (esquistossomos e outros parasitas de órgãos). 2. TEGUMENTO: ● Nos cestoides, o tegumento é uma camada sincicial sem cílios, adaptada para absorção de nutrientes diretamente do hospedeiro, dado que eles habitam o trato gastrointestinal. ● Nos trematódeos, o tegumento também é sincicial e frequentemente armado com espinhos ou ganchos para fixação ao hospedeiro. 3. SISTEMA DIGESTIVO: ● Cestóides não possuem um sistema digestivo; eles absorvem nutrientes diretamente através de sua superfície corporal. ● Trematódeos possuem um sistema digestivo incompleto, com uma única abertura que serve tanto para ingestão quanto para excreção. 4. SISTEMA REPRODUTIVO: ● Muitos platelmintos são hermafroditas, possuindo órgãos reprodutivos masculinos e femininos no mesmo indivíduo. Eles podem se reproduzir sexualmente ou por autofecundação. 5. EXEMPLOS COMUNS: ● Taenia solium (tênia do porco), Schistosoma mansoni (causador da esquistossomose) e Fasciola hepatica (o barbatimão) são exemplos de platelmintos. CICLO DE VIDA HELMINTOS PULMONARES ASCARIS LUMBRICOIDES (LOMBRIGA): 1. CICLO DE VIDA: ● Forma Infectante: Ovos fertilizados são a forma infectante e são ingeridos a partir de alimentos ou água contaminados com fezes humanas. PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 22 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA ● Após a ingestão, os ovos eclodem no intestino delgado, liberando larvas que penetram na parede intestinal. ● As larvas então migram para a corrente sanguínea ou sistema linfático, alcançando os pulmões. ● Nos pulmões, as larvas penetram nos alvéolos, ascendem pela árvore brônquica até a faringe e são então deglutidas. ● Uma vez que retornam ao intestino delgado, as larvas se desenvolvem em adultos e começam o ciclo reprodutivo. 2. TRANSMISSÃO E SINTOMAS: ● A transmissão ocorre por ingestão de ovos presentes no solo contaminado. ● Infecções leves podem ser assintomáticas, mas cargas pesadas podem causar obstrução intestinal e problemas respiratórios significativos durante a migração pulmonar. STRONGYLOIDES STERCORALIS: 1. CICLO DE VIDA: ● Forma Infectante: As larvas filarioides infectantes presentes no solo penetram ativamente a pele do hospedeiro. ● Após a penetração, as larvas migram via circulação sanguínea para os pulmões, onde rompem para os alvéolos e ascendem até a faringe, sendo então deglutidas. ● No intestino delgado, as larvas amadurecem em adultos. As fêmeas adultas vivíparas depositam ovos que se transformam em larvas rabditoides, que podem ser excretadas com as fezes ou se transformar em larvas filarioides infectantes dentro do hospedeiro, perpetuando a infecção. 2. TRANSMISSÃO E SINTOMAS: ● A infecção ocorre pelo contato direto com solo contaminado. ● Pode causar sintomas gastrointestinais leves e, durante a migração pulmonar, pode provocar tosse e desconforto respiratório. PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 23 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA PARAGONIMUS WESTERMANI (TREMATÓDEO PULMONAR): 1. CICLO DE VIDA: ● Forma Infectante: Metacercárias, encontradas em caranguejos de água doce ou crustáceos. ● As metacercárias são ingeridas quando se consome caranguejos ou crustáceos mal cozidos. ● No intestino humano, as metacercárias se excitam e penetram a parede intestinal, alcançando a cavidade abdominal e eventualmente os pulmões, onde se desenvolvem em adultos. ● Os adultos produzem ovos que são excretados nas fezes ou no escarro. 2. TRANSMISSÃO E SINTOMAS: ● Transmitido pela ingestão de caranguejos ou crustáceos contaminados. ● Os sintomas incluem tosse crônica, dor torácica e, em casos graves, hemoptise. CICLO DE VIDA HELMINTOS PULMONARES RESPOSTA IMUNE INATA: 1. BARREIRAS FÍSICAS E QUÍMICAS: ● Pele e mucosas atuam como barreiras físicas para prevenir a entrada dos helmintos. ● Suco gástrico e enzimas digestivas ajudam a destruir os helmintos ingeridosantes que eles possam estabelecer infecção. 2. CÉLULAS DO SISTEMA IMUNOLÓGICO: ● Macrófagos e Neutrófilos: Estas células podem tentar engolfar partes menores dos helmintos ou secretar substâncias que danificam ou inibem os parasitas. ● Células Eosinófilas: São particularmente importantes contra infecções por helmintos. Eosinófilos liberam grânulos tóxicos que podem danificar ou matar os helmintos. ● Mastócitos: Liberam histamina e outros mediadores que promovem inflamação e podem aumentar a permeabilidade vascular para facilitar o acesso de mais células imunes ao local da infecção. 3. RESPOSTA INFLAMATÓRIA: ● A presença de helmintos frequentemente desencadeia uma resposta inflamatória localizada, aumentando o fluxo sanguíneo e a migração de células imunes para o local da infecção. RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA: 1. RESPOSTA HUMORAL: ● Imunoglobulina E (IgE): Esta classe de anticorpos é crucial na defesa contra os PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 24 ATAQUE E DEFESA PROBLEMA 3 13/05/2024-16/05/2024 | PROF: CIANE MARTINS | ANNA FLÁVIA BARRA FERREIRA helmintos. A IgE se liga a mastócitos e basófilos que, quando ativados, liberam mediadores que promovem a inflamação e atraem eosinófilos. ● Os anticorpos podem também opsonizar os helmintos, marcando-os para destruição por células como eosinófilos e macrófagos. 2. RESPOSTA CELULAR: ● Linfócitos T Helper 2 (Th2): São especialmente importantes na coordenação da resposta imune a helmintos. Eles secretam citocinas como IL-4, IL-5, IL-9, e IL-13, que promovem a ativação e a sobrevivência de eosinófilos, produção de IgE, e a proliferação de células B. ● Células T Regulatórias: Podem modular a resposta imune para prevenir uma reação excessiva que poderia ser prejudicial ao hospedeiro. 3. RESPOSTA MODULADA: ● Helmintos têm a capacidade de manipular e modular a resposta imune do hospedeiro para evitar a sua própria destruição e prolongar a infecção. Eles podem secretar produtos que inibem a ativação de células T ou induzem células T regulatórias. MECANISMOS DE EVASÃO DOS HELMINTOS 1. MIMETISMO MOLECULAR: ● Helmintos podem expressar proteínas que mimetizam as do hospedeiro, confundindo o sistema imunológico. Este mimetismo pode prevenir a ativação da resposta imune ao fazer com que os componentes do parasita pareçam 'próprios' do hospedeiro. 2. ANTÍGENOS VARIÁVEIS: ● Alguns helmintos têm a capacidade de alterar os antígenos em sua superfície em resposta à pressão imune. Essa variação antigênica pode impedir que o sistema imunológico desenvolva uma resposta eficaz, uma vez que os alvos da resposta imune estão constantemente mudando. 3. SECREÇÃO DE MOLÉCULAS IMUNOMODULADORAS: ● Helmintos podem secretar substâncias que modulam ou suprimem a resposta imune do hospedeiro. Essas moléculas podem: - Inibir a ativação de células T e a diferenciação de células T helper. - Induzir a produção de citocinas anti-inflamatórias como IL-10 e TGF-β. - Promover a ativação de células T regulatórias, que ajudam a controlar e reduzir a resposta imune. 4. EVASÃO FÍSICA: ● Alguns helmintos evitam a resposta imune através de sua localização dentro do hospedeiro. Por exemplo, eles podem se localizar em tecidos onde a resposta imune é naturalmente mais tolerante ou menos ativa, como certos nichos do trato gastrointestinal. PROBLEMA 3 ATAQUE E DEFESA 25