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Aleitamento Humano e Imunizações Problema 2 1- Explicar os tipos de aleitamento e os benefícios do aleitamento exclusivo A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde do Brasil (MS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam AM por 2 anos ou mais, sendo de forma exclusiva nos primeiros 6 meses. Aleitamento materno exclusivo - É quando o lactente recebe apenas leite materno, independentemente de sua forma de oferta (diretamente da mama ou extraído). - Não há administração de água, chás, sucos ou outros alimentos. - É o tipo mais indicado até os seis meses de vida, salvo em situações clínicas específicas. - Além disso, vale ressaltar que medicamentos prescritos por profissionais de saúde não descaracterizam a exclusividade. Com relação à duração do AME, existem evidências de que não há vantagens em oferecer alimentos complementares a crianças menores de 6 meses, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança, como maior chance de adoecer por infecção intestinal e hospitalização por doença respiratória. Além disso, a introdução precoce dos alimentos complementares diminui a duração do AM, interfere na absorção de nutrientes importantes nele existentes, como o ferro e o zinco, e reduz a eficácia da lactação na prevenção de novas gestações. Importância do aleitamento materno Já está devidamente comprovada, por estudos científicos, a superioridade do leite materno sobre os leites de outras espécies. São vários os argumentos em favor do aleitamento materno. 1. Evita mortes infantis O aleitamento materno exclusivo (AME) é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a mortalidade infantil por diversos motivos fisiológicos, imunológicos e sociais. ❖ Proteção contra infecções ➢ O leite materno é rico em anticorpos (especialmente IgA secretora), lactoferrina, lisozima, oligossacarídeos e células imunológicas que protegem contra infecções comuns na infância, como: ■ Diarreias ■ Infecções respiratórias (pneumonias, otites) ■ Sepse neonatal ■ Infecções urinárias ➢ Isso é fundamental nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico do bebê ainda está imaturo. 2. Redução do risco de desnutrição e doenças associadas O leite materno tem tudo que o bebê precisa até os 6 meses: ➔ Macronutrientes (proteínas, gorduras e carboidratos) na proporção ideal ➔ Micronutrientes (ferro, zinco, vitaminas) ➔ Alta biodisponibilidade: melhor absorção dos nutrientes Isso evita: ● Desnutrição ● Carências nutricionais (como anemia) ● Doenças associadas à introdução precoce de outros alimentos, como alergias e intolerâncias 3. Hidratação perfeita para o bebê O leite materno já contém água suficiente, mesmo em regiões quentes. Bebês em AME não precisam de água, chás ou sucos até os 6 meses. Isso evita desidratação e contaminações por água ou utensílios inseguros. 4. Diminui o risco de alergias O RN nasce com o sistema imunológico imaturo e o leite materno contém IgA, citocinas anti inflamatórias, oligossacarídeos e células imunológicas. Esses componentes modulam o sistema imunológico do bebê, favorecendo respostas de tolerância imunológica em vez de respostas alérgicas. O intestino do RN é permeável nos primeiros dias, o que significa que proteínas grandes (como as do leite de vaca) podem atravessar a mucosa intestinal e cair diretamente na corrente sanguínea Como são estranhas ao corpo humano, o sistema imune do bebê pode reagir a elas, gerando alergia alimentar, principalmente a alergia à proteína do leite de vaca (APLV). Isso é mais perigoso se o bebê não estiver recebendo leite materno ao mesmo tempo, pois o leite materno protege a mucosa intestinal e modula a resposta imune. O leite materno acelera a maturação da mucosa intestinal, reduzindo sua permeabilidade e ajudando a formar uma barreira mais eficiente. Com isso, o risco de que proteínas estranhas entrem no corpo e sejam reconhecidas como “ameaça” (gerando alergia) diminui. Evita exposição precoce a proteínas alergênicas ● Se o bebê recebe fórmulas à base de leite de vaca nos primeiros dias de vida (ainda com a mucosa intestinal imatura), isso aumenta o risco de sensibilização precoce à proteína do leite de vaca. ● Isso quer dizer que o corpo do bebê pode "registrar" essa proteína como perigosa e desenvolver uma resposta alérgica no futuro. 5. Diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes Durante os primeiros mil dias de vida (da concepção até os 2 anos), o corpo passa por um período crítico de "programação" epigenética. O leite materno contribui para a formação de sistemas: ● Endócrino (controle hormonal) ● Cardiovascular (regulação da pressão arterial) ● Metabólico (controle da glicose e gorduras) Mesmo após o desmame, essas alterações estruturais e funcionais permanecem no organismo e reduzem o risco de doenças crônicas no futuro. O leite materno melhora a sensibilidade à insulina ao longo da vida. Bebês alimentados com fórmulas (principalmente com alto teor proteico) tendem a ter maiores níveis de insulina e IGF-1, o que favorece a resistência à insulina e maior risco de diabetes tipo 2. Além disso, a microbiota intestinal estimulada pelo leite materno é anti-inflamatória e protetora, contribuindo para melhor metabolismo da glicose. O leite materno possui MicroRNAs, são pequenos fragmentos de RNA que modulam a expressão de genes e ajudam a controlar o crescimento celular, metabolismo de lipídeos e glicose, respostas imunes. Os miRNAs do leite materno participam da regulação epigenética e desenvolvimento saudável do bebê, atuando em diferentes sistemas. 6. Reduz a chance de obesidade Os miRNAs presentes no leite materno afetam a expressão de genes envolvidos no controle do peso corporal, agindo em: ● Adipogênese (formação de células de gordura) ● Oxidação de ácidos graxos ● Captação e uso da glicose ● Produção e sensibilidade à insulina ● Controle do apetite e saciedade Eles silenciam ou ativam genes conforme o contexto — e isso molda o perfil metabólico da criança desde cedo. O leite materno contém leptina, adiponectina e vários miRNAs que regulam a expressão dos receptores desses hormônios no cérebro (hipotálamo). Resultado: ● O bebê aprende a regular melhor o apetite ● Menor risco de alimentação exagerada (hiperfagia) ● Menor chance de obesidade no futuro Alguns microRNAs do leite materno — como o miR-27, miR-103, miR-143 — estão diretamente envolvidos na formação e funcionamento do tecido adiposo. Eles controlam: ● O número de adipócitos formados ● A capacidade de estocar gordura ● A produção de citocinas inflamatórias ligadas à obesidade Com isso, o leite materno limita o acúmulo exagerado de gordura corporal e favorece um perfil metabólico saudável. 7. Efeito positivo na inteligência O leite materno contém: ● Fatores de crescimento, como o IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina) ● Hormônios reguladores, como leptina e adiponectina Esses compostos modulam o desenvolvimento cerebral, o metabolismo energético e a plasticidade neural. Vantagens da amamentação para saúde da mulher Assim que o bebê nasce, é ideal iniciar a amamentação, pois, ajudará a controlar o sangramento pós-parto e a involução uterina prevenindo a anemia materna. Durante a amamentação exclusiva, a mãe produz dois tipos de substâncias: a prolactina e a ocitocina. A prolactina será responsável pela produção do leite e a ocitocina vai atuar na liberação do leite e na contração uterina, diminuindo assim o sangramento. Há também relatos na diminuição de mau humor e estresse após mamadas, efeito mediado pela ocitocina que é liberada em grandes quantidades na corrente sanguínea durante a amamentação. Quanto maior o tempo total de amamentação ao longo da vida, maior é a proteção contra o câncer de mama. A OMS e a SBP destacam que mulheres que amamentam por mais de12 meses cumulativos apresentam redução significativa do risco. A lactação promove a diferenciação das células mamárias. Células diferenciadas são menos propensas à transformação maligna. Após o desmame, ocorre a morte programada (apoptose) de muitas células mamárias que podem conter mutações, o que elimina células potencialmente cancerígenas. Aleitamento materno predominante É quando a criança recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água (água adocicada, chás, infusões), sucos de frutas e fluidos rituais Aleitamento materno complementar Além do leite humano, a criança recebe alimentos sólidos ou semissólidos com o objetivo de complementar o leite materno, mas não substituí-lo. Os leites de outras espécies (ex.: leite de vaca, leite de cabra) não são considerados alimentos complementares. O termo “suplemento” é usado para água, chás e substitutos do leite materno Aleitamento materno misto ou parcial Além do leite humano, a criança recebe outros tipos de leite. Aleitamento materno Quando a criança recebe leite materno (direto da mama ou ordenhado), independente de receber ou não outros alimentos. 2- Compreender a importância de seguir o calendário vacinal do PNI preconizado pelo ECA (até os 14 anos) O ECA estabelece que a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias é obrigatória: Art. 14, §1º do ECA: "É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias." Isso significa que o cumprimento do calendário vacinal do PNI é um dever dos responsáveis e um direito da criança e do adolescente à saúde e à vida. O PNI foi criado em 1973 e é considerado um dos mais completos do mundo. Ele define vacinas prioritárias e gratuitas para cada faixa etária, incluindo: ● Vacinas para recém-nascidos, lactentes, crianças, pré-escolares, escolares e adolescentes até os 14 anos. ● Atualizações conforme novas vacinas são incorporadas. A não vacinação pode levar a ações do Conselho Tutelar por negligência. Escolas públicas e privadas podem exigir comprovante de vacinação para matrícula. Campanhas de vacinação em massa ajudam a cobrir lacunas do esquema vacinal. Em casos em que os pais não querem vacinar os filhos, isso gera uma situação delicada, pois o direito à liberdade dos pais entra em conflito com o direito à saúde da criança, que é prioritário e garantido por lei no Brasil Se os pais se recusarem a vacinar, o caso pode ser: ● Notificado ao Conselho Tutelar ● Encaminhado ao Ministério Público, que pode tomar medidas legais para garantir o direito da criança à saúde. O STF decidiu em 2020 que: “É constitucional a obrigatoriedade da vacinação infantil.” Mesmo sem uso de força física, o Estado pode impor medidas indiretas (como exigir a vacinação para matrícula escolar). 3- Entender as formas adequadas para amamentar Apesar de a sucção do recém-nascido ser um ato reflexo, ele precisa aprender a retirar o leite do peito de forma eficiente. Para que o bebê consiga mamar direito e sem machucar a mãe: ➔ A boca do bebê precisa estar bem aberta ➔ Ele deve abocanhar não só o mamilo, mas também boa parte da aréola (a parte escura ao redor do mamilo) Isso cria um "lacre perfeito" entre a boca do bebê e a mama. Esse lacre é essencial porque: ● Garante vácuo (pressão negativa) ● Mantém o mamilo e a aréola dentro da boca ● Facilita a retirada do leite A língua do bebê tem movimentos muito importantes: ● Ela se curva nas bordas e na ponta, formando uma concha → isso é chamado de canolamento ● Assim, o leite é conduzido para a parte de trás da boca (faringe) e depois para o esôfago ● Isso ativa o reflexo da deglutição (engolir) Como o leite é retirado da mama? O leite não é sugado como num canudo, mas sim ordenhado pela língua: ● A ponta da língua faz movimentos peristálticos (em ondas) de frente para trás ● Esse movimento comprime suavemente o mamilo ● E isso ajuda a extrair o leite Respiração nasal durante a mamada Enquanto mama, o bebê: ● Respira pelo nariz ● Isso é o padrão normal, pois permite que ele mame e respire ao mesmo tempo ● Se ele tiver algum problema nasal (como obstrução), pode ter dificuldade para mamar Uma posição inadequada da mãe e/ou do bebê na amamentação dificulta o posicionamento correto da boca do bebê em relação ao mamilo e à aréola, resultando no que se denomina de “má pega”. A má pega dificulta o esvaziamento da mama, podendo levar a uma diminuição da produção do leite. Muitas vezes, o bebê com pega inadequada não ganha o peso esperado apesar de permanecer longo tempo no peito. Isso ocorre porque, nessa situação, ele é capaz de obter o leite anterior, mas tem dificuldade de retirar o leite posterior, mais calórico Além de dificultar a retirada do leite, a má pega machuca os mamilos. Quando o bebê tem uma boa pega, o mamilo fica em uma posição dentro da boca da criança que o protege da fricção e compressão, prevenindo, assim, lesões mamilares. A seguir são apresentados os diversos itens que os profissionais de saúde devem conferir na observação de uma mamada: ➔ Roupas da mãe e do bebê confortáveis, sem restringir movimentos; braços do bebê livres. ➔ Mãe bem apoiada, relaxada, pés apoiados; bebê próximo, barriga com barriga. ➔ Cabeça e corpo do bebê alinhados; pescoço levemente estendido. ➔ Bebê na altura da mama, nariz na altura do mamilo. ➔ Esperar boca bem aberta e língua abaixada antes de oferecer o peito. ➔ Bebê abocanha mamilo e parte da aréola; queixo toca a mama; narinas livres. ➔ Lábios virados para fora, formando bom lacre; língua sobre a gengiva inferior. ➔ Movimentos ativos da mandíbula e deglutição visível/ audível. Pontos-chave do posicionamento adequado 1. Rosto do bebê de frente para a mama, com nariz na altura do mamilo; 2. Corpo do bebê próximo ao da mãe; 3. Bebê com cabeça e tronco alinhados (pescoço não torcido); 4. Bebê bem apoiado. Pontos-chave da pega adequada 1. Mais aréola visível acima da boca do bebê; 2. Boca bem aberta; 3. Lábio inferior virado para fora; 4. Queixo tocando a mama. Os seguintes sinais são indicativos de técnica inadequada de amamentação: ❖ Bochechas do bebê encovadas a cada sucção; ❖ Ruídos da língua; ❖ Mama aparentando estar esticada ou deformada durante a mamada; ❖ Mamilos com estrias vermelhas ou áreas esbranquiçadas ou achatadas quando o bebê solta a mama; ❖ Dor na amamentação. Quando a mama está muito cheia, a aréola pode estar tensa, endurecida, dificultando à pega. Em tais casos, recomenda-se, antes da mamada, retirar manualmente um pouco de leite da aréola ingurgitada. Quando o leite "empedra", isso significa que houve um acúmulo de leite nos ductos mamários, formando uma área endurecida e dolorida na mama. Esse quadro é conhecido como ingurgitamento mamário e, se não for tratado, pode evoluir para problemas mais sérios como a mastite. O que causa o leite empedrado? Geralmente ocorre quando: ● O bebê não mama com frequência suficiente ● A pega está incorreta, e o bebê não esvazia bem a mama ● A mãe pula mamadas ou atrasa horários ● Há produção excessiva de leite ● Há compressão dos ductos, por exemplo, pelo uso de sutiã apertado Como aliviar o leite empedrado? 1. Amamentar com mais frequência, começando pela mama empedrada 2. Corrigir a pega para garantir esvaziamento adequado 3. Ordenhar manualmente ou com bomba após a mamada se ainda houver leite acumulado 4. Massagens circulares suaves na mama durante a mamada ou banho 5. Aplicar: ○ Compressas mornas antes da mamada para facilitar a saída do leite ○ Compressas frias depois para aliviar o inchaço e a dor Número de mamadas por dia: Recomenda-se que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de tempo de permanência na mama. É o que se chama de amamentação em livre demanda. Em geral, um bebê em aleitamento materno exclusivomama de oito a 12 vezes ao dia. As mulheres com mamas mais volumosas têm maior capacidade de armazenamento de leite e por isso podem ter mais flexibilidade com relação à frequência das mamadas Já as mulheres com mamas pequenas podem necessitar amamentar com mais frequência devido a sua pequena capacidade de armazenamento do leite. No entanto, o tamanho da mama não tem relação com a produção do leite, ou seja, as mamas grandes e pequenas em geral têm a capacidade de secretarem o mesmo volume de leite em um dia. Aspecto do leite Muitas mulheres se preocupam com o aspecto de seu leite. Acham que, por ser transparente em algumas ocasiões, o leite é fraco e não sustenta a criança. Por isso, é importante que as mulheres saibam que a cor do leite varia ao longo de uma mamada e também com a dieta da mãe. O leite do início da mamada, o chamado leite anterior, pelo seu alto teor de água, tem aspecto semelhante ao da água de coco. Porém, ele é muito rico em anticorpos. Já o leite do meio da mamada tende a ter uma coloração branca opaca devido ao aumento da concentração de caseína. E o leite do final da mamada, o chamado leite posterior, é mais amarelado devido à presença de betacaroteno, pigmento lipossolúvel presente na cenoura, abóbora e vegetais de cor laranja, provenientes da dieta da mãe. O leite pode ter aspecto azulado ou esverdeado quando a mãe ingere grande quantidade de vegetais verdes. 4- Elucidar as consequências da introdução inadequada do leite da vaca e outros tipos de leite O leite de vaca é muito diferente do leite humano em quantidade e qualidade de nutrientes. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o leite de vaca não é um alimento recomendado para crianças menores de um ano. O leite de vaca apresenta elevada quantidade de proteínas, inadequada relação entre a caseína e as proteínas do soro, elevados teores de sódio, de cloretos, de potássio e de fósforo e quantidades insuficientes de carboidratos, de ácidos graxos essenciais, de vitaminas e de minerais para essa faixa etária. Além de não ser nutricionalmente adequado, o leite de vaca é um alimento muito alergênico para crianças e seu consumo tem sido associado ao desenvolvimento de atopia. 1. Risco aumentado de alergias e doenças atópicas ➔ O leite de vaca possui proteínas com alto potencial alergênico (como a caseína e a beta-lactoglobulina). ➔ Quando introduzido precocemente, aumenta o risco de: ◆ Alergia à proteína do leite de vaca (APLV) ◆ Dermatite atópica ➔ Isso se deve, em parte, à imaturidade da mucosa intestinal do lactente, que é mais permeável e permite maior passagem de antígenos. 2. Deficiência de ferro e risco de anemia ➔ O leite de vaca tem baixo teor de ferro e, além disso, pode causar: ◆ Micro-hemorragias intestinais, que agravam a perda de ferro. ◆ Interferência na absorção de ferro não-heme devido ao alto teor de cálcio e caseína. 3. Sobrecarga renal ➔ O leite de vaca contém altas concentrações de proteínas e minerais (como sódio e fósforo). ➔ Isso leva a uma maior carga renal de soluto, o que sobrecarrega os rins imaturos do lactente. ➔ Pode resultar em: ◆ Desidratação ◆ Distúrbios eletrolíticos ◆ Aumento do risco de insuficiência renal em quadros graves 4. Desequilíbrio nutricional ➔ Comparado ao leite materno: ◆ Leite de vaca tem excesso de proteínas e gorduras saturadas. ◆ É pobre em ácidos graxos essenciais, vitamina E, C, A, além de não conter anticorpos maternos. ➔ A alimentação baseada em leite de vaca pode provocar: ◆ Obesidade ◆ Constipação ◆ Carência de micronutrientes 5. Aumento do risco de doenças crônicas no futuro ➔ A introdução precoce de leite de vaca está associada a maior risco de: ◆ Diabetes tipo 1 (autoimune) ◆ Doença celíaca (se houver introdução simultânea de glúten antes dos 4 meses) ◆ Hipertensão arterial (pela sobrecarga de sódio) Apesar do leite de vaca, fluído ou em pó, não ser a melhor opção de alimentação para crianças menores de 12 meses, esse alimento é o único alimento disponível em função do baixo custo, quando comparado às fórmulas infantis disponíveis no mercado. Se a criança não estiver sendo alimentada com leite materno e nem fórmula infantil, a partir dos quatro meses de vida deve-se iniciar a introdução de outros alimentos para suprir suas necessidades nutricionais. O esquema apresentado acima é apenas um exemplo para alimentação de crianças que não recebem leite materno e não são alimentadas com fórmulas infantis. Nesse esquema optou-se pelo maior número de refeições diárias para garantir o suprimento das necessidades nutricionais vindas de alimentos sólidos ao invés do leite de vaca. Essas recomendações precisam ser adaptadas a cada caso e a cada criança, sendo que a introdução deve respeitar a aceitação da criança. Mesmo após a introdução dos alimentos, o consumo de leite continua sendo uma importante fonte de vitaminas e minerais. Os profissionais de saúde devem orientar as mãe e cuidadores quanto aos procedimentos de diluição do leite de vaca adequado para a idade, a correção da deficiência de ácido linoléico (com óleo nos primeiros quatro meses) e a suplementação com vitamina C e ferro. O volume e a diluição indicados abaixo são aproximados e podem variar de acordo com o peso e idade da criança. Outros tipos de leite também são contraindicados ● Leite de cabra: Semelhante ao de vaca em composição proteica; pode causar alergias cruzadas. ● Leites vegetais (amêndoas, arroz, soja, etc.): Nutricionalmente inadequados para lactentes, com baixa densidade calórica e proteica, sem suporte de crescimento saudável. ● Fórmulas caseiras: Não são seguras nem balanceadas. Podem levar à desnutrição severa e até óbito 5- Caracterizar as situações que o aleitamento exclusivo humano pode não ser recomendado Nas seguintes situações o aleitamento materno não deve ser recomendado: - Mães infectadas pelo HIV; A amamentação deve ser protegida, para tanto, a orientação sobre preparo de leites artificiais nunca deve ser feita de forma coletiva. Nos casos em que há necessidade de orientar sobre o preparo de leites artificiais (por exemplo, mães HIV positivo) essa orientação deve ser realizada de maneira individualizada e por profissional qualificado. O leite humano processado e distribuído pelos Bancos de Leite Humanos apesar de ser a melhor opção de alimentação para crianças menores de 6 meses é, prioritariamente, destinado a crianças de risco internadas em Unidades de Terapia Intensiva. Mães HIV positivo podem receber fórmulas infantis para a alimentação de seus filhos. - Mães infectadas pelo HTLV1 e HTLV2; - Uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação. Alguns fármacos são considerados contra indicados absolutos ou relativos ao aleitamento materno, como por exemplo, os antineoplásicos e radiofármacos. Há um número limitado de contraindicações médicas para o aleitamento materno, como distúrbios metabólicos pediátricos, tais como galactosemia e crianças com fenilcetonúria, embora os lactentes com este último distúrbio possam alternar amamentação com fórmulas especiais sem proteína ou modificadas. - Criança portadora de galactosemia, doença rara em que ela não pode ingerir leite humano ou qualquer outro que contenha lactose. - A infecção materna com vírus da imunodeficiência humana (HIV) é considerada uma contraindicação para a amamentação em países desenvolvidos. Já nas seguintes situações maternas, recomenda-se a interrupção temporária da amamentação: - Infecção herpética, quando há vesículas localizadas na pele da mama. A amamentação deve ser mantida na mama sadia; - Varicela: se a mãe apresentar vesículas na pele cinco dias antes do parto ou até dois dias após o parto, recomenda-se o isolamento da mãe até que as lesões adquiram a forma de crosta. ❖ A criança deve receber Imunoglobulina Humana AntivaricelaZoster (Ighavz), disponível nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIES) (BRASIL, 2006), que deve ser administrada em até 96 horas do nascimento, aplicada o mais precocemente possível; - Doença de Chagas, na fase aguda da doença ou quando houver sangramento mamilar evidente; - Consumo de drogas de abuso: ❖ A Academia Americana de Pediatria (contraindica o uso durante o período da lactação das drogas de abuso anfetaminas, cocaína, heroína, maconha e fenciclidina ❖ A Organização Mundial da Saúde considera que o uso de anfetaminas, ecstasy, cocaína, maconha e opióides não são contraindicadas durante a amamentação. Contudo, alerta que as mães que usam essas substâncias por períodos curtos devem considerar a possibilidade de evitar temporariamente a amamentação. - Álcool: em excesso (ingestão materna superior a 1 g/kg/dia) promove distúrbio cognitivo no lactente, entorpecimento, astenia e baixo ganho ponderal, além de diminuição do reflexo de ejeção; se consumido em pequena quantidade, deve ser tomado preferencialmente após a mamada e mantido um intervalo de cerca de 2 horas até a próxima. Recomendação quanto ao tempo de interrupção do aleitamento materno após consumo de drogas de abuso Em todos esses casos, deve-se estimular a produção do leite com ordenhas regulares e frequentes, até que a mãe possa amamentar o seu filho. Nas seguintes condições maternas, o aleitamento materno não deve ser contraindicado: - Tuberculose: recomenda-se que as mães não tratadas ou ainda bacilíferas (duas primeiras semanas após início do tratamento) amamentem com o uso de máscaras e restrinjam o contato próximo com a criança por causa da transmissão potencial por meio das gotículas do trato respiratório. - Hanseníase: por se tratar de doença cuja transmissão depende de contato prolongado da criança com a mãe sem tratamento, e considerando que a primeira dose de rifampicina é suficiente para que a mãe não seja mais bacilífera, deve-se manter a amamentação e iniciar tratamento da mãe; - Hepatite B: a vacina e a administração de imunoglobulina específica (HBIG) após o nascimento praticamente eliminam qualquer risco teórico de transmissão da doença via leite materno; - Hepatite C: a prevenção de fissuras mamilares em lactantes HCV positivas é importante, uma vez que não se sabe se o contato da criança com sangue materno favorece a transmissão da doença; - Dengue: não há contraindicação da amamentação em mães que contraem dengue, pois há no leite materno um fator antidengue que protege a criança; - Consumo de cigarros: acredita-se que os benefícios do leite materno para a criança superem os possíveis malefícios da exposição à nicotina via leite materno. Por isso, o cigarro não é uma contraindicação à amamentação. Para minimizar os efeitos do cigarro para a criança, as mulheres que não conseguirem parar de fumar devem ser orientadas a reduzirem o máximo possível o número de cigarros (se não possível a cessação do tabagismo, procurar fumar após as mamadas) e a não fumarem no ambiente em que a criança se encontra; - Consumo de álcool: assim como para o fumo, deve-se desestimular as mulheres que estão amamentando a ingerirem álcool. A ingestão de doses iguais ou maiores que 0,3g/kg de peso pode reduzir a produção láctea. O álcool pode modificar o odor e o sabor do leite materno levando a recusa do mesmo pelo lactente 6- Descrever a introdução alimentar e suas etapas (métodos diferentes) Após os seis meses de idade, o aleitamento materno de modo isolado não atende mais às necessidades nutricionais do lactente, sendo necessária a introdução de outros alimentos. O início da alimentação complementar ou desmame é o período de introdução de qualquer outro tipo de alimento além do leite materno O período que compreende a introdução desse novo alimento e a suspensão da amamentação é chamado de “período de desmame” Atualmente, o termo “desmame” tem sido cada vez menos empregado por dar a falsa impressão de suspensão completa do aleitamento materno durante a introdução de novos alimentos. A introdução de alimentação complementar deve ser feita de forma gradual, com cada alimento novo sendo introduzido separadamente. A não aceitação inicial de um determinado alimento, não deve ser interpretada como uma recusa definitiva. Pelo contrário, este mesmo alimento deve ser oferecido semanas depois. São necessárias em média oito a dez exposições a este componente para que ocorra a sua aceitação plena. A criança não se satisfaz mais em apenas olhar e receber passivamente a alimentação. É comum querer colocar as mãos na comida. É importante que se dê liberdade para que ela explore o ambiente e tudo que a cerca, inclusive os alimentos, permitindo que tome iniciativas. Isso aumenta o interesse da criança pela comida. No início os alimentos devem ser amassados com o garfo, nunca liquidificados ou peneirados. Os alimentos devem apresentar consistência de papas ou purês, pois apresentam maior densidade energética. Os termos sopas ou sopinhas não devem ser utilizados, pois transmitem a ideia de uma preparação mais líquida. A consistência dos alimentos deve respeitar o desenvolvimento das crianças. Aos 6 meses de vida as crianças precisam receber alimentos bem amassados. Assim que possível, os alimentos não precisam ser muito amassados, evitando-se, dessa forma, a administração de alimentos muito diluídos, propiciando oferta calórica adequada. Os alimentos devem ser cozidos em pouca água e amassados com o garfo, nunca liquidificados ou peneirados. Aos 8 meses as crianças aceitam alimentos picados ou em pedaços pequenos. Aos 12 meses a maioria das crianças já está apta a comer alimentos na consistência de adultos, desde que saudável. Importante: ➔ Estimular o consumo de alimentação caseira, da família e: ➔ Priorizar os alimentos regionais (arroz, feijão, batata, mandioca/macaxeira/aipim, legumes, frutas, carnes); ➔ Introduzir a carne nas refeições, desde os seis meses de idade; ➔ Estimular a utilização de miúdos uma vez por semana, especialmente fígado de boi, pois são fontes importantes de ferro. Boas opções de alimentos complementares são aqueles: ➔ Alimentos comumente preparados e consumidos no domicílio como feijão, arroz, carnes, batata, legumes, dentre outros que são importantes fontes de energia, proteína e micronutrientes como ferro, zinco, cálcio, vitamina A, C e folato; ➔ Pouco temperados ou salgados; ➔ De fácil consumo para a criança; ➔ Disponível e acessível localmente Sal e condimentos não devem ser usados no preparo das dietas. Leite e açúcar também não devem ser misturados à papa, pois é necessário que a criança conheça o real sabor dos alimentos que estão sendo introduzidos. Esquema Alimentar para Lactente Amamentados ao Seio ● Até o 6º mês: aleitamento materno exclusivo. ● 6º mês: aleitamento materno + papa de frutas (inicialmente 1x/dia e depois 2x/dia). ● 6º ao 7º mês: aleitamento materno + papa/ suco de frutas (2x/dia) + uma papa salgada/dia (final da manhã). ● 7º ao 8º mês: aleitamento materno + papa/ suco de frutas (2x/dia) + duas papas salgadas/dia (uma no final da manhã e outra no final da tarde). ● 9º ao 11º mês: manter o esquema anterior, tornando a alimentação complementar mais próxima dos hábitos da família. ● 12º mês: alimentação do lactente deve ser igual à da família. Esquema Alimentar para Lactentes que Receberam Leite de Vaca Modificado ● Até 4 meses: Leite de vaca diluído enriquecido com óleo 3%. ● De 4 a 8 meses: Leite de vaca não diluído + papa de frutas (2x/dia) + papa salgada (2x/dia). ● Após 8 meses: Leite de vaca não diluído + fruta (2x/dia) + papa salgada/refeição da família (2x/dia). Método Misto ❖ Combina a papinha com colher e alimentos em pedaços para o bebê comer com a mão. ❖ Permite flexibilidade, respeitando o ritmoe aceitação da criança. BLW – Baby-Led Weaning (desmame guiado pelo bebê) ❖ O bebê come sozinho com as mãos, explorando os alimentos em pedaços (seguros). ❖ Não são oferecidos purês nem papinhas. ❖ O bebê decide o ritmo, quantidade e o que comer entre os alimentos oferecidos. Vantagens: ● Favorece a autonomia, coordenação motora e regulação do apetite. ● Pode melhorar a relação com a comida e diminuir risco de seletividade alimentar. Princípios Fundamentais segundo SBP e OMS: ● Respeitar sinais de fome e saciedade do bebê. ● Oferecer alimentos com paciência e sem distrações (TV, celular). ● Manter horários regulares. ● Garantir variedade alimentar. ● Prevenir alergias oferecendo alimentos potencialmente alergênicos entre 6–12 meses (como ovo e peixe), de forma segura e gradual. A introdução de alimentos potencialmente alergênicos — como camarão, ovo, amendoim, leite de vaca, castanhas, soja, peixe e trigo — pode ser feita a partir dos 6 meses de idade, junto com a introdução alimentar, desde que o bebê esteja saudável e não haja contraindicações específicas. Antigamente, acreditava-se que adiar o consumo desses alimentos reduziria o risco de alergias, mas hoje sabe-se que o atraso pode até aumentar esse risco. Estudos mais recentes mostram que a introdução precoce e segura desses alimentos (a partir dos 6 meses) pode: ➔ Reduzir o risco de alergias alimentares (como à proteína do leite, ao ovo e ao amendoim). ➔ Favorecer a tolerância oral (o sistema imune aprende a reconhecer e aceitar o alimento como "seguro"). Cuidados importantes: ● Introduzir um alimento novo por vez, com intervalo de 2 a 3 dias, para observar reações. ● Observar sinais de alergia, como manchas na pele, vômito, diarreia, inchaço nos lábios ou dificuldade de respirar. ● Não oferecer alimentos crus (como camarão ou ovo) — devem estar bem cozidos. ● Em bebês com histórico familiar de alergia alimentar importante ou eczema grave, é essencial consultar o pediatra antes da introdução desses alimentos. Aleitamento Humano e Imunizações 1- Explicar os tipos de aleitamento e os benefícios do aleitamento exclusivo 2- Compreender a importância de seguir o calendário vacinal do PNI preconizado pelo ECA (até os 14 anos) 3- Entender as formas adequadas para amamentar 4- Elucidar as consequências da introdução inadequada do leite da vaca e outros tipos de leite 6- Descrever a introdução alimentar e suas etapas (métodos diferentes)