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Avaliação Final – Ciência dos Materiais Tema: 4.3 Surface Analysis Methods Introdução Para o desenvolvimento e o estudo de nanomateriais, são exigidas técnicas de caracterização extremamente específicas, as quais devem ser capazes de investigar, analisar e determinar as propriedades e composições das superfícies desses materiais em escala atômica. Tratando-se de nanomateriais, a quantidade de átomos na superfície é maior do que em materiais convencionais, o que torna a superfície o local de principal interação física e de reação química entre as moléculas. Em nanomateriais, as propriedades químicas e físicas observadas, são influenciadas pela composição e estrutura de superfície, que tem como características a estabilidade, condutividade elétrica, propriedades mecânicas, comportamento óptico, capacidade de interação com biomoléculas e comportamento catalítico. Sendo assim, a caracterização de superfícies apresenta-se como algo essencial para o entendimento e controle das propriedades dos nanomateriais. O subitem 4.3 do livro Fundamentos e aplicações de nanomateriais apresenta algumas das técnicas que são usualmente utilizadas para analisar superfícies de nanomateriais. 1 – Métodos de análise de superfície As técnicas de caracterização convencionais diferenciam-se das técnicas de análise de superfície pela capacidade que estas têm de investigar exclusivamente as camadas mais externas dos materiais alvo, geralmente na faixa de 1 a 10 nanômetros de profundidade. A sensibilidade superficial dessas análises é essencial para o estudo dos nanomateriais, onde os fenômenos de interesse, físicos ou químicos, geralmente ocorrem na interface com o ambiente externo. Tais metodologias possibilitam a obtenção de informações muito importantes sobre a composição elementar, estado de oxidação, tipos de ligação química, distribuição de impurezas, dopantes ou contaminantes superficiais. Entre as técnicas de maior relevância e consolidação na análise de superfícies, temos como destaque: Espectroscopia de Elétrons Auger (AES), Espectroscopia de Fotoelétrons Excitados por Raios-X (XPS) e, por fim, Espectroscopia de Massa de Íons Secundários (SIMS). Essas técnicas são apresentadas em maiores detalhes a seguir, considerando seus princípios físicos, capacidades analíticas e aplicações práticas em caracterização de nanomateriais. 2 - Espectroscopia de Elétrons Auger (AES) O efeito Auger recebe esse nome em homenagem ao seu descobridor, Pierre Auger, que observou um efeito terciário ao estudar processos de foto emissão na década de 1920. Em bora a descoberta tenha sido feita por Lise Meitner e relatada no periódico Zeitschrift für Physik em 1922, Auger é creditado com a descoberta na maior parte da comunidade científica. A espectroscopia de elétrons Auger (AES) tornou-se relevante a partir de 1953, onde começou a se tornar uma técnica de caracterização prática e direta para estudar ambientes de superfície química e composicionais, sendo aplicados na metalurgia, química de fase gasosa e na indústria microeletrônica. A ideia de utilizar os sinais Auger estimulados por elétrons para análise de superfícies foi proposta pela primeira vez em 1953 por J. J. Lander. A técnica se tornou viável para essa aplicação após Larry Harris, em 1967, demonstrar o uso da diferenciação para aprimorar os sinais Auger, onde os elétrons Auger são emitidos com energias discretas que permitem a identificação do átomo de origem. A espectroscopia de elétrons Auger (AES) é uma técnica que se baseia na emissão de elétrons de Auger por átomos excitados por mecanismos externos como fóton ou feixe de elétrons em uma amostra. Tal situação ocorre quando um elétron de uma camada interna do átomo é ejetado pelo impacto de um feixe de elétrons de alta energia, geralmente entre 1eV a 50 keV. A saída desse eletro ejetado, cria uma vacância na parte interna do átomo, que por sua vez, é preenchida por um elétron de uma camada superior, que se desloca para o nível de energia mais baixo. Durante esse processo, a energia que é liberada poderá ser transferida para um terceiro elétron, que com isso, é então ejetado da amostra. Este é o que chamamos de elétron de Auger. Um elétron emitido terá uma energia cinética de: A determinação da energia cinética dos elétrons de Auger depende das diferenças de níveis eletrônicos que estão envolvidos na transição dos elétrons. Como esses níveis de energia possuem valores que são característicos, únicos e específicos dos elementos químicos, a energia cinética resultante dos elétrons emitidos caracteriza cada elemento. Com isso, analisando os elétrons ejetados, é possível identificar informações de quais elementos estão presentes e qual a composição química na superfície da amostra analisada. A figura abaixo mostra o processo Auger em duas vias. Fonte: Academia Lab. (2025) A figura 1“a” ilustra sequencialmente as etapas envolvidas na desexcitação Auger. Um elétron incidente cria uma lacuna no nível 1s. Um elétron do nível 2s preenche a lacuna 1s e a energia de transição é transmitida a um elétron 2p emitido. O estado atômico final apresenta duas lacunas, uma na órbita 2s e a outra na órbita 2p. A figura 1“b” ilustra o mesmo processo usando a notação de raios X. O nível de energia do buraco central frequentemente determinará quais tipos de transição serão favorecidos. Para níveis de energia únicos, ou seja, K, as transições podem ocorrer a partir de níveis L, dando origem a picos fortes do tipo KLL em um espectro Auger. Transições de níveis mais altos também podem ocorrer, mas são menos prováveis. À medida que o número atômico Z aumenta, também aumenta o número de transições Auger potenciais. Os elétrons Auger emitem baixas energias, com isso, a maioria das configurações dos equipamentos de espectroscopia de elétrons Auger (AES) operam em condições de ultra-alto vácuo (UHV), possibilitando assim que os elétrons de átomos de gases residuais não se espalhem. Na imagem a seguir podemos observar uma típica configuração de um AES, onde os elétrons focalizados incidem sobre uma amostra e os elétrons emitidos são desviados para um analisador de espelho cilíndrico (CMA). Na unidade de detecção, os elétrons Auger são multiplicados e o sinal é enviado para a eletrônica de processamento de dados. Os elétrons Auger coletados são plotados em função da energia contra o amplo espectro de fundo dos elétrons secundários. A unidade de detecção e a eletrônica de processamento de dados são coletivamente chamadas de analisador de energia eletrônica. Fonte: Academia Lab. (2025) Na figura acima, temos a configuração experimental de AES utilizando um analisador de espelho cilíndrico (CMA). Um feixe de elétrons é focado em uma amostra, e os elétrons emitidos são desviados ao redor do canhão de elétrons e passam por uma abertura na parte traseira do CMA. Esses elétrons são direcionados a um multiplicador de elétrons para análise. O estresse de tensão na alimentação de varredura permite que o modo derivado de Auger seja plotado. Um canhão de íons opcional pode ser integrado para experimentos de perfil de profundidade. Para realizar a análise composicional de uma amostra usando o AES, deve-se basear na medição do rendimento de elétron Auger durante esse procedimento de sondagem. Importante destacar que o rendimento do elétron Auger, irá depender de fatores como seção transversal eletrônica e rendimento de fluorescência. O rendimento de Auger, está relacionado ao rendimento de fluorescência, pela relação: Tentativas de relacionar a fluorescência e os rendimentos Auger ao número atômico resultaram em gráficos semelhantes à Figura abaixo. O gráfico acima representa a fluorescência e rendimento de elétrons Auger em função do número atômico para vacâncias na camada K. As transições Auger (curva vermelha) são mais prováveis para elementos mais leves, enquanto o rendimento de raios X (curva dopada azul) torna-se dominante em números atômicos mais elevados. Gráficos semelhantes podem ser obtidos para as transições nas camadas L e M. Os microscópioseletrônicos projetados especificamente para uso em espectroscopia Auger são de grandes quantidades, podendo eles serem chamados de microscópios Auger de varredura (SAMs), onde eles produzem imagens químicas altamente resolvidas espacialmente. As imagens SAM são obtidas passando um feixe de elétrons focado através de uma superfície de amostra e medindo a intensidade do pico Auger contra o fundo de elétrons espalhados. O mapa de intensidade é correlacionado a uma escala de cinza em um monitor, com áreas mais brancas correspondendo a uma maior concentração de elementos. O AES também é amplamente utilizado como ferramenta de avaliação dentro e fora das linhas de fabricação na indústria de microeletrônica, enquanto a versatilidade e a sensibilidade do processo Auger o tornam uma ferramenta analítica padrão em laboratórios de pesquisa. 3 - Espectroscopia de Fotoelétrons Excitados por Raios X (XPS) A Espectroscopia de Fotoelétrons de Raio X (XPS) é uma técnica analítica baseada no efeito fotoelétrico, elucidado por Einstein em 1905, cujo princípio fundamental é a interação de fótons com a matéria, onde uma molécula, liquido ou sólido é sondado com um feixe de radiação eletromagnética de raios-X ou ultravioleta, e, a consequente ionização de elétrons. A grandeza medida pela técnica é a energia cinética dos elétrons ejetados, através da qual é calculada a energia de ligação, que é característica de cada orbital de um elemento químico. Através de uma varredura em energia cinética, é possível obter espectros que fornecem informações sobre a composição elementar, a estequiometria, o estado químico e eletrônico dos elementos que compõem um material. No artigo de Albert Einsten, intitulado de “On a Heuristic Viewpoint Concerning the Production and Transformation of Light”, ele propôs que a energia dos fotoelétrons aumentava segundo a energia do fóton incidente, mas independentemente da intensidade da luz utilizada. O que mais tarde foi comprovado por Robert Andrews Milikan, em 1915. Um espectroscópio de fotoelétrons por raios X é semelhante a um AES em muitos aspectos, como a montagem, com diferença na fonte de energia, que é um raio X monocromatizado, ao passo que a do AES é um feixe de elétrons. Os fótons com energia bem definida são absorvidos pela amostra, o que provoca a emissão de elétrons, chamados de fotoelétrons de raios X. Na figura abaixo podemos identificar o XPS com a fonte de raios-X. O XPS possui espectro semelhante ao espectro do AES, pois também representa a intensidade dos elétrons em função da sua energia cinética. No entanto, ao contrário do AES, onde a energia dos elétrons de Auger é a marca distintiva dos elementos, a energia cinética dos fotoelétrons no XPS está diretamente relacionada à energia de ligação dos materiais. Considerando que a energia do fóton de raios X incidente é “Ei” e a energia cinética dos fotoelétrons é “Ep”, a energia de ligação pode ser determinada por Eb = Ei − Ep. Assim, é possível obter informações diretas sobre a energia de ligação, bem como sobre as ligações eletrônicas, a banda eletrônica e até mesmo a densidade de estados a partir do XPS. Na imagem abaixo podemos verificar o espectrômetro de foto emissão em esquema simplificado. 4 - Espectrometria de Massa de Íons Secundários (SIMS) A espectrometria de massa de íons secundários é um modelo avançado que permite analisar a superfície dos materiais a nível molecular, contribuindo para análises em diversos campos de estudos, pois trata-se de uma técnica analítica de alto desempenho que é utilizada na caracterização de superfícies sólidas. As análises do SIMS são obtidas quando um feixe de íons primário bombardeia a amostra, causando a ejeção de íons secundários da superfície. Primeiramente, a fonte de energia incidente consiste em um feixe iônico acelerado numa faixa de energia de 1 a 30 keV. Quando este feixe atinge a superfície da amostra, ocorre a pulverização catódica, também chamada de sputtering, ejetando partículas que podem estar carregadas positivamente, negativamente ou neutras. Essas partículas passam então por um filtro de energia e são analisadas num espectrômetro de massas. Esses íons secundários são então analisados usando um espectrômetro de massa, que fornece um perfil detalhado da composição da superfície do material, permitindo assim determinar a composição química superficial. A figura a seguir demonstra esse processo de bombardeamento com feixe iônico e remoção de elétrons. Referencias Academia Lab. (2025). Espectroscopia Eletrônica Auger. Enciclopédia . Recuperado em 13 de junho de 2025. https://academia-lab.com/enciclopedia/auger-electron-spectroscopy/ GUO, Zhen; TAN, Li. Fundamentals and Applications of Nanomaterials. Norwood, A: Artech House, 2009. ISBN 978-1-59693-262-3. image6.png image7.png image8.png image1.png image2.png image3.jpeg image4.png image5.png