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Curso: Contabilidade e Administração Pública 
Divisão de Economia e Gestão 
Cadeira: Finanças Públicas 
3°ano, pós laboral/Turma:A4 
Tema: Divida Pública 
1° Grupo 
Discentes: 
1. Adelino Zacarias Rock 
2. Luísa Luís Francisco Chimbadzo 
3. Rita Rosário Docente: 
 Eunice Macajo 
 
 
 
 
 
 
Tete, Maio, 2025 
 
 
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Adelino Zacarias Rock 
Luísa Luís Francisco Chimbadzo 
Rita Rosário 
 
 
Curso: Contabilidade e Administração Pública 
Instituto Superior Politécnico de Tete 
Tema: Divida Pública 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tete, Maio, 2025. 
 
 
 
 
Este trabalho é de carácter 
avaliativo, da cadeira de Finanças 
pública, que será orientada pela 
Docente Eunice Macajo. 
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Índice 
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 4 
1.2. Objectivos........................................................................................................................ 5 
1.2.1.Objectivo geral .......................................................................................................... 5 
1.2.2.Objectivos específicos ............................................................................................... 5 
2.REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................................... 6 
2.1.Noção de Dívida Pública .................................................................................................. 6 
2.1.1. Classificação da divida publica ................................................................................ 6 
2.1.2.Funções e justificativas da dívida pública ................................................................. 7 
2.2.Necessidades de Financiamento do Estado ...................................................................... 7 
2.2.1.Principais factores que geram necessidades de financiamento: ................................ 7 
2.2.2.Mecanismos de financiamento utilizados pelo Estado .............................................. 8 
2.3.Conceitos e Instrumentos da Dívida Pública.................................................................... 9 
2.3.1.Instrumentos de Endividamento Público ................................................................... 9 
2.3.2.Critérios na escolha dos instrumentos: .................................................................... 10 
2.3.3.Gestão da Dívida Pública ........................................................................................ 10 
2.4.Equivalência Ricardiana ................................................................................................. 11 
2.4.1.Origens do Conceito ................................................................................................ 11 
2.4.2.Fundamentos da Equivalência Ricardiana ............................................................... 11 
2.4.3.Exemplo Prático (Hipotético): ................................................................................. 12 
2.4.4.Críticas à Equivalência Ricardiana .......................................................................... 12 
2.5.Aritmética dos Défices e da Dívida Pública................................................................... 13 
2.5.1 Défice Orçamental e Acumulação da Dívida .......................................................... 13 
2.5.2. Indicador da Sustentabilidade da Dívida ................................................................ 13 
2.6.A Sustentabilidade da Dívida Pública ............................................................................ 14 
2.6.1.Critérios para Avaliar a Sustentabilidade ................................................................ 14 
2.6.2.Fatores que Afectam a Sustentabilidade .................................................................. 14 
2.6.3.Riscos da Insustentabilidade da Dívida ................................................................... 15 
2.6.4.Boas Práticas para Garantir Sustentabilidade .......................................................... 15 
3.CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 16 
4.REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ...................................................................................... 17 
 
4 
 
1. INTRODUÇÃO 
A dívida pública é um tema central no campo da economia e das finanças públicas, com 
implicações directas na estabilidade macroeconómica, na soberania do Estado e na qualidade 
de vida das populações. O crescimento contínuo da dívida em muitos países tem levantado 
preocupações quanto à sua sustentabilidade e aos efeitos sobre as gerações futuras. Este 
trabalho aborda a noção de dívida pública, suas causas, mecanismos de financiamento, bem 
como teorias que explicam sua dinâmica e sustentabilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1.2. Objectivos 
1.2.1.Objectivo geral 
 Analisar a dívida pública à luz dos seus fundamentos teóricos e práticos, com ênfase 
nos instrumentos utilizados, na sua aritmética, e na sustentabilidade fiscal. 
1.2.2.Objectivos específicos 
 Definir a dívida pública e compreender sua relevância para o Estado; 
 Identificar as necessidades de financiamento do Estado que originam a dívida; 
 Apresentar os principais conceitos e instrumentos utilizados na gestão da dívida 
pública; 
 Discutir a teoria da equivalência Ricardina e sua aplicabilidade; 
 Analisar a aritmética dos défices e da dívida pública; 
 Avaliar a sustentabilidade da dívida pública a médio e longo prazo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2.REFERENCIAL TEÓRICO 
2.1.Noção de Dívida Pública 
A dívida pública é o montante total de obrigações financeiras assumidas pelo Estado, 
resultantes de empréstimos contraídos para cobrir défices orçamentários ou para financiar 
projectos de investimento público. Trata-se de uma ferramenta de política fiscal utilizada 
quando as receitas públicas (como impostos, taxas e contribuições) são insuficientes para 
cobrir as despesas do governo. A dívida pública é, portanto, uma forma de o Estado antecipar 
recursos, comprometendo-se a pagá-los no futuro, geralmente com juros. 
2.1.1. Classificação da divida publica 
A dívida pode ser classificada de diversas formas: 
1. Quanto à origem: 
 Dívida Interna: Contraída no mercado doméstico, através da emissão de títulos que 
são adquiridos por instituições financeiras, fundos de pensão, empresas e cidadãos do 
próprio país; 
 Dívida Externa: Obtida junto a credores estrangeiros, como governos de outros 
países, bancos internacionais e organismos multilaterais (FMI, Banco Mundial). 
2. Quanto ao prazo: 
 
 Curto prazo: Vencimento inferior a um ano; 
 Médio prazo: Entre um e cinco anos; 
 Longo prazo: Acima de cinco anos. 
 
3. Quanto à forma de remuneração: 
 
 Com juros fixos: A taxa de juro é estabelecida no momento da contratação; 
 Com juros variáveis: A taxa de juro depende de algum índice de referência (como 
inflação ou taxa de mercado); 
 Dívida não remunerada: É rara e geralmente refere-se a obrigações políticas ou 
acordos específicos. 
7 
 
2.1.2.Funções e justificativas da dívida pública: 
A divida pública pode ser justificada em seguintes categorias: 
Gestão de ciclos económicos: Em momentos de recessão, o governo pode gastar mais para 
estimular a economia,aumentando a dívida temporariamente; 
Financiamento de investimentos estruturantes: Dívida pode ser usada para financiar infra-
estrutura, saúde, educação e outros investimentos de longo prazo; 
Gestão de passivos acumulados: Reestruturação de obrigações antigas por meio de emissão 
de nova dívida. 
2.2.Necessidades de Financiamento do Estado 
As necessidades de financiamento do Estado surgem quando há um desequilíbrio orçamental, 
ou seja, quando as despesas públicas superam as receitas arrecadadas num determinado 
período. Esse desequilíbrio pode ser estrutural (de longo prazo) ou conjuntural (de curto 
prazo), dependendo das causas subjacentes. O Estado ao enfrentar essa diferença entre 
receitas e despesas, precisa buscar fontes de recursos adicionais, o que geralmente se traduz 
em emissão de dívida pública. 
2.2.1.Principais factores que geram necessidades de financiamento: 
1. .Défices orçamentários recorrentes 
a) O défice ocorre quando as receitas (principalmente tributárias) não são suficientes 
para cobrir os gastos públicos; 
b) Em contextos de baixa arrecadação ou aumento de gastos sociais, esse défice tende a 
aumentar, exigindo a emissão de títulos de dívida ou empréstimos. 
2. Investimentos públicos de longo prazo 
a) Projectos de infra-estrutura (estradas, hospitais, escolas) requerem grande volume de 
recursos que, muitas vezes, excedem a capacidade de financiamento corrente do 
Estado; 
b) A dívida, nesse caso, é vista como um instrumento legítimo de antecipação de receitas 
futuras. 
3. Choques económicos e crises 
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a) Pandemias, desastres naturais, guerras, ou crises financeiras podem forçar o Estado a 
adoptar medidas emergenciais de grande custo, pressionando as contas públicas; 
b) Nessas situações, o endividamento é uma alternativa ao aumento imediato de 
impostos, que poderia agravar a crise. 
4. Rigidez orçamental 
a) Grande parte das despesas públicas é obrigatória (salários, pensões, encargos da 
dívida), o que reduz a flexibilidade do orçamento e pode levar à necessidade de 
financiamento externo mesmo em situações de crescimento económico. 
5. Política fiscal expansionista 
a) Governos podem optar por aumentar gastos para estimular a economia em períodos de 
recessão, mesmo que isso implique aumento da dívida; 
b) Essa abordagem está associada às teorias keynesianas, que defendem o uso da política 
fiscal como ferramenta anticíclica. 
2.2.2.Mecanismos de financiamento utilizados pelo Estado 
1. .Endividamento público 
Por meio da emissão de títulos da dívida no mercado financeiro, tanto interno quanto externo. 
Pode envolver a colocação de Obrigações do Tesouro, Bilhetes do Tesouro ou contratos de 
empréstimos com instituições multilaterais. 
2. Aumento de impostos ou criação de novos tributos 
Embora eficaz, pode ser politicamente impopular e prejudicial ao crescimento económico a 
curto prazo. 
3. Venda de activos públicos 
Privatizações ou concessões podem gerar receitas extraordinárias, mas não são soluções 
recorrentes. 
4. Emissão monetária (em casos de soberania monetária) 
Alguns países recorrem à emissão de moeda pelo banco central para financiar o défice, 
embora isso possa gerar inflação e perda de credibilidade fiscal. 
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2.3.Conceitos e Instrumentos da Dívida Pública 
A dívida pública é o total de passivos financeiros acumulados pelo Estado em virtude de 
empréstimos contraídos para financiar o seu funcionamento e investimentos. Esses 
empréstimos são formalizados através de instrumentos específicos e representam 
compromissos de pagamento futuro, incluindo o valor principal e os encargos financeiros 
(juros). 
A dívida pública é utilizada tanto para financiar défices orçamentários quanto para refinanciar 
dívidas anteriores, permitindo ao Estado manter a continuidade dos serviços públicos e dos 
investimentos. 
2.3.1.Instrumentos de Endividamento Público 
Os instrumentos da dívida pública variam conforme o prazo, o mercado de colocação e o tipo 
de credor. Os mais comuns são: 
Títulos Públicos 
São valores mobiliários emitidos pelo Estado que conferem ao seu detentor o direito de 
receber, em determinado prazo, o valor principal acrescido de juros. São negociados nos 
mercados financeiros e dividem-se em: 
 
 Bilhetes do Tesouro: Títulos de curto prazo (normalmente até 1 ano), com 
remuneração baseada em desconto sobre o valor de face. 
 Obrigações do Tesouro: Títulos de médio e longo prazo, com pagamento periódico 
de juros. 
 Notas do Tesouro: Têm características intermediárias, podendo ser usadas para 
ajustar a composição da dívida. 
Empréstimos Multilaterais 
São contratos firmados com organismos financeiros internacionais, como: 
 Fundo Monetário Internacional (FMI) 
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 Banco Mundial 
 Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) 
Estes empréstimos são normalmente destinados a programas de desenvolvimento ou ajustes 
estruturais e têm prazos e condições específicos (taxas de juro, carência, garantias). 
Empréstimos Bilaterais 
Acordos de crédito celebrados entre o Estado e outros países ou agências governamentais 
estrangeirais. São comuns em projectos de cooperação internacional. 
 Emissão de Eurobonds 
São títulos da dívida emitidos nos mercados financeiros internacionais, denominados 
geralmente em moeda estrangeira (dólares, euros). Oferecem maior acesso ao capital global, 
mas expõem o Estado ao risco cambial. 
Contratos de financiamento interno com bancos 
O Estado pode recorrer a instituições financeiras nacionais para obter crédito de forma 
directa, especialmente em situações de emergência ou baixa liquidez no mercado de capitais. 
2.3.2.Critérios na escolha dos instrumentos: 
O governo escolhe os instrumentos da dívida com base em diversos factores: 
a) Custo de financiamento: Preferem-se instrumentos com menor taxa de juro efectiva; 
b) Prazo de maturidade: Dívidas de longo prazo reduzem o risco de refinanciamento; 
c) Perfil da dívida existente: Buscam-se instrumentos que melhorem a estrutura da 
dívida; 
d) Condições de mercado: A liquidez e a confiança dos investidores influenciam a 
escolha. 
2.3.3.Gestão da Dívida Pública 
Uma gestão eficiente da dívida exige: 
 Planeamento de médio e longo prazo. 
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 Transparência nas operações de endividamento. 
 Diversificação de fontes e instrumentos. 
 Minimização de riscos (cambial, de taxa de juro e de refinanciamento). 
Essa gestão é geralmente conduzida por uma Autoridade de Gestão da Dívida Pública, 
subordinada ao Ministério das Finanças, com base em um plano estratégico aprovado pelo 
governo. 
2.4.Equivalência Ricardiana 
A equivalência Ricardiana, também conhecida como teorema de Ricardo-Barro, é uma teoria 
económica que questiona os efeitos reais da política fiscal, em especial no que diz respeito ao 
financiamento dos gastos públicos por meio da dívida. 
2.4.1.Origens do Conceito 
O conceito foi inicialmente proposto por David Ricardo, no século XIX, mas foi mais tarde 
desenvolvido e formalizado por Robert Barro na década de 1970, daí o nome duplo. A teoria 
sugere que não há diferença económica significativa entre o financiamento do gasto público 
por meio de impostos ou de dívida, porque os agentes económicos racionais antecipam que a 
dívida pública actual resultará em impostos futuros. 
2.4.2.Fundamentos da Equivalência Ricardiana 
A teoria parte de pressupostos importantes: 
 Racionalidade dos agentes económicos: Os indivíduos são plenamente racionais e 
intertemporais em suas decisões de consumo e poupança. 
 Horizonte temporal infinito ou preocupação intergeracional: Os agentes se 
preocupam com o bem-estar das futuras gerações, e portanto ajustam suas decisões 
considerando o impacto de impostos futuros sobre seus filhos. 
 Perfeita previsibilidade e informação completa: Os indivíduos conhecem as 
políticas fiscais futuras. 
 Acesso livre aos mercados financeiros: Todos os agentes podem emprestar e tomar 
emprestadosem restrições. 
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 Impostos futuros são inevitáveis para pagar a dívida: O financiamento por dívida 
pública hoje gera impostos futuros equivalentes ao valor do empréstimo mais os juros. 
Com base nesses pressupostos, a equivalência ricardiana afirma que se o governo corta 
impostos hoje e financia o défice com dívida, os cidadãos vão poupar esse valor extra 
esperando maiores impostos no futuro. Ou seja, o consumo agregado da economia não se 
altera, o que torna neutra a política fiscal expansionista financiada por dívida. 
2.4.3.Exemplo Prático (Hipotético): 
Suponha que o governo reduz impostos em 100 milhões de meticais para estimular a 
economia e cobre esse valor com a emissão de títulos da dívida. Segundo a equivalência 
ricardiana: 
Os cidadãos não vão consumir os 100 milhões a mais, eles vão poupar esse valor para poder 
pagar os impostos futuros que virão para cobrir essa dívida, logo, o efeito da redução de 
impostos sobre o consumo agregado será nulo. 
2.4.4.Críticas à Equivalência Ricardiana 
Na prática, a equivalência Ricardiana enfrenta diversas limitações, que reduzem sua 
aplicabilidade no mundo real, que são: 
Miopia fiscal: Muitos indivíduos não antecipam impostos futuros ou não se preocupam com 
o longo prazo. 
Restrição de crédito: Nem todos os agentes têm acesso ao mercado financeiro para suavizar 
o consumo ao longo do tempo. 
Geração futura não votante: Políticas fiscais afectam pessoas que ainda não nasceram ou 
não têm poder de decisão hoje. 
Comportamento heterogéneo: Nem todos os indivíduos reagem da mesma forma a políticas 
fiscais. 
Desemprego e capacidade ociosa: Em contextos de recessão, a redução de impostos pode 
ter efeito directo no aumento do consumo, contrariando a teoria. 
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2.5.Aritmética dos Défices e da Dívida Pública 
A aritmética dos défices e da dívida pública refere-se ao conjunto de relações matemáticas e 
económicas que explicam como os défices orçamentários acumulados afectam o nível da 
dívida pública ao longo do tempo. Ela serve para avaliar se uma trajectória de dívida é 
sustentável ou não, com base em variáveis como o crescimento económico, a taxa de juro da 
dívida e o saldo orçamental primário. 
2.5.1 Défice Orçamental e Acumulação da Dívida 
O ponto de partida é a seguinte identidade: 
Dívida no ano t = Dívida no ano t-1 + Défice Primário + Juros da Dívida 
Ou seja, a dívida pública de um determinado ano corresponde à dívida herdada do ano 
anterior, acrescida do défice primário (diferença entre receitas e despesas públicas, excluindo 
os juros) e dos encargos com os juros. 
Sempre que o governo opera com défice primário, a dívida pública aumenta. Se opera com 
superávit primário, pode estabilizar ou reduzir a dívida, desde que os pagamentos de juros 
não superem esse excedente. 
2.5.2. Indicador da Sustentabilidade da Dívida 
A razão dívida/PIB é o principal indicador de sustentabilidade fiscal. Ela é impactada por: 
 O saldo primário (superavit ou défice) 
 A taxa de juro real 
 A taxa de crescimento do PIB 
A equação básica que descreve essa dinâmica é: 
Δ(d/P) = (r - g) * (d/P) - s 
Onde: 
d/P é a razão dívida sobre PIB 
r é a taxa de juro real 
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g é a taxa de crescimento do PIB 
s é o saldo primário em proporção ao PIB 
Se o saldo primário não for suficiente para compensar o diferencial (r - g), a razão dívida/PIB 
aumentará, tornando-se uma trajectória insustentável. 
 
2.6.A Sustentabilidade da Dívida Pública 
A sustentabilidade da dívida pública refere-se à capacidade do Estado de cumprir, de forma 
contínua e sem rupturas, com as suas obrigações financeiras, ou seja, de pagar os juros e o 
principal da dívida, sem recorrer a aumentos excessivos de impostos, cortes drásticos de 
despesas ou à emissão monetária descontrolada que afecte a estabilidade económica. 
2.6.1.Critérios para Avaliar a Sustentabilidade 
A dívida é considerada sustentável quando: 
 A trajectória da dívida pública em relação ao PIB é estável ou decrescente; 
 O Estado consegue manter superavit primários suficientes para cobrir o serviço da 
dívida; 
 O crescimento económico é igual ou superior à taxa de juro real da dívida; 
 Os mercados continuam confiantes na capacidade de pagamento do Estado, reflectido 
em baixas taxas de juro exigidas nos títulos públicos. 
2.6.2.Fatores que Afectam a Sustentabilidade 
Crescimento económico (g):Quanto mais forte for o crescimento, mais fácil é manter a 
dívida estável, pois a base arrecadatória (PIB) aumenta. 
Taxa de juro real (r):Juros elevados pressionam o pagamento da dívida e aumentam o risco 
de insustentabilidade. 
Política fiscal: Definida pela relação entre receitas e despesas públicas, determina se o 
Estado acumula défices ou superávits. 
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Composição da dívida: Dívida em moeda estrangeira é mais arriscada, pois depende da taxa 
de câmbio. Dívida de curto prazo gera maior pressão de refinanciamento. 
Credibilidade das instituições: Transparência, previsibilidade e responsabilidade fiscal 
aumentam a confiança dos investidores e reduzem o custo da dívida. 
2.6.3.Riscos da Insustentabilidade da Dívida 
Se a dívida for considerada insustentável, o país pode enfrentar: 
 Aumento acentuado dos juros exigidos pelos investidores; 
 Fuga de capitais e desvalorização cambial; 
 Perda de acesso aos mercados financeiros; 
 Crises fiscais e sociais, com necessidade de ajustes severos (como cortes de gastos 
públicos, reformas estruturais ou reestruturação da dívida). 
2.6.4.Boas Práticas para Garantir Sustentabilidade 
Estabelecimento de regras fiscais claras, como tetos de gastos ou metas de resultado primário. 
 Planeamento orçamental de médio e longo prazo; 
 Política de endividamento prudente, com limites de exposição cambial e alongamento 
do prazo da dívida; 
 Promoção de crescimento económico sustentável e inclusivo. 
 
 
 
 
 
 
 
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3.CONCLUSÃO 
A dívida pública é um mecanismo inevitável na gestão das finanças do Estado moderno, mas 
seu uso exige responsabilidade e transparência. Compreender os seus fundamentos, os 
instrumentos disponíveis e os limites impostos pela sustentabilidade fiscal é essencial para 
garantir que a dívida sirva ao desenvolvimento económico sem comprometer o futuro das 
finanças públicas. 
Conclui-se que a sustentabilidade fiscal exige equilíbrio entre arrecadação e despesa, 
transparência, responsabilidade na gestão da dívida e foco na eficiência do gasto público. 
Governos que planeiam suas finanças com visão de longo prazo são mais capazes de garantir 
estabilidade, crescimento e justiça intergeracional, evitando que o peso da dívida seja 
transferido de forma injusta para as gerações futuras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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4.REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
1. BLANCHARD, Olivier; JOHNSON, David R. Macroeconomia. São Paulo: Pearson, 
2013. 
2. BARRO, Robert J. “Are Government Bonds Net Wealth?” Journal of Political 
Economy, 1974. 
3. GIAMBIAGI, Fábio; ALÉM, Ana Cláudia. Finanças Públicas: Teoria e Prática no 
Brasil. 5ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. 
4. Ministério das Finanças. Relatório da Dívida Pública. Moçambique, 2023. 
5. Banco Mundial. Public Debt Management and Sustainability. Washington, D.C., 
2022.

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