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1 39 1 Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas – ESEHL Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas – ESEHL Profª. Carla Krupczak História da Química Aula 1 39 2 Conversa Inicial 39 3 O que é ciência? O que a diferencia de outras formas de conhecimento? Por que a ciência possui confiabilidade? O que é ciência? 39 4 Indutivismo e senso comum sobre ciência 39 5 Existe uma concepção popular de que o conhecimento científico foi provado e é derivado de maneira rigorosa de dados obtidos por observações e experimentos, enraizada na revolução científica do século XVII O conhecimento científico é considerado confiável por ser objetivamente provado e ter base na experiência Visão de senso comum 39 6 No entanto, essa visão indutivista, que entende que a ciência é derivada única e exclusivamente da experiência e que existe um método científico único e perfeito que sempre leva à verdade por meio da indução, pode ser ingênua A ciência não pode ser adequadamente compreendida apenas através desse enfoque Indutivismo ingênuo 1 2 3 4 5 6 2 39 7 O indutivista ingênuo sustenta que a ciência começa com a observação, em que o observador deve registrar fielmente o que é percebido pelos sentidos, sem preconceitos As proposições de observação formam a base a partir da qual leis e teorias científicas são derivadas Indutivismo ingênuo 39 8 As afirmações singulares resultam de observações específicas em lugares e tempos específicos, como: uma colher parcialmente imersa em um copo de água parece quebrada um pedaço de metal quando aquecido expandiu-se quando algumas gotas de fenolftaleína foram gotejadas em um líquido, este ficou rosa Afirmações singulares 39 9 Para que o processo de indução ocorra é preciso: um número grande de afirmações singulares observações feitas em diferentes condições nenhuma observação singular pode conflitar com a afirmação universal construída Indução 39 10 Uma vez que os cientistas apresentam leis e teorias universais, eles podem extrair delas explicações, consequências e previsões, por meio da dedução: todo metal ao ser aquecido se expande o trilho do trem é feito de metal logo, o trilho do trem vai se expandir ao ser aquecido pelo sol e vai entortar se for uma barra contínua Dedução 39 11 Quantas observações são necessárias? Peru indutivista Observação é sempre imparcial? Vaso de Rubin Observações são neutras e sem teoria? Hertz e detecção de ondas de rádio Falhas do indutivismo 39 12 G E R A R D J U L IE N / A F P 7 8 9 10 11 12 3 39 13 Falsificacionismo 39 14 No enfoque falsificacionista, admite-se que a observação é orientada pela teoria e a pressupõe Contrariamente ao indutivismo, o falsificacionismo rejeita a ideia de que as teorias podem ser estabelecidas como verdadeiras ou provavelmente verdadeiras à luz da evidência observativa Falsificacionismo 39 15 Teorias são interpretadas como conjecturas especulativas criadas para superar problemas e explicar o comportamento do mundo Após a proposição, as teorias devem ser rigorosamente testadas por observação e experimento, e aquelas que não resistem a esses testes são eliminadas Falsificacionismo 39 16 A ciência, segundo o falsificacionismo, progride por tentativa e erro, por meio de conjecturas e refutações Nesta perspectiva é impossível afirmar legitimamente que uma teoria é verdadeira, mas é possível afirmar que é a melhor disponível até o momento O progresso científico ocorre à medida que teorias mais adaptadas sobrevivem Falsificacionismo 39 17 Uma condição fundamental para uma hipótese ser considerada uma lei ou teoria científica é ser falsificável Exemplos de afirmações falsificáveis incluem “nunca chove no sábado” e “todas as substâncias básicas deixam a fenolftaleína rosa” Por outro lado, afirmações como “ou está chovendo ou não está chovendo” não são falsificáveis Falsificacionismo 39 18 Programas de pesquisa 13 14 15 16 17 18 4 39 19 Nessa perspectiva os programas de pesquisa são formados por um núcleo central (que contém as principais ideias da teoria) e um cinturão (em que ficam as ideias auxiliares) O programa de pesquisa possui uma heurística negativa (preservação do núcleo irredutível) e uma heurística positiva (indicação de como desenvolver o programa) Programas de pesquisa 39 20 As decisões metodológicas dos cientistas protegem o núcleo irredutível, tornando-o infalsificável. O cinturão protetor consiste em hipóteses auxiliares e suposições subjacentes Programas de pesquisa 39 21 A heurística negativa exige a preservação do núcleo irredutível durante o desenvolvimento do programa, pois se o núcleo for alterado o cientista está mudando de programa Já a heurística positiva orienta o desenvolvimento do programa, indicando como suplementar o núcleo irredutível para explicar e prever fenômenos Programas de pesquisa 39 22 Lakatos enfatiza a importância das confirmações, exigindo que um programa tenha sucesso em fazer previsões novas confirmadas A avaliação do mérito de um programa envolve sua coerência e capacidade de levar à descoberta de fenômenos novos, explicando como ocorrem Programas de pesquisa 39 23 As revoluções científicas 39 24 Thomas Kuhn publicou o best-seller “A estrutura das revoluções científicas” em 1962 O livro marca uma mudança significativa na filosofia da ciência, que passa de uma visão apenas internalista da ciência para uma compreensão que também aborda os aspectos externos dela A estrutura das revoluções científicas 19 20 21 22 23 24 5 39 25 Progresso científico na visão kuhniana pré- ciência ciência normal crise e revolução nova ciência normal nova crise 39 26 Um paradigma é um conjunto de leis, teorias, modelos e técnicas que são adotados por uma comunidade científica A química analítica, a mecânica newtoniana e a teoria da evolução darwiniana são paradigmas Quando um cientista pesquisa dentro de um paradigma, ele está fazendo ciência normal. Nesse processo, os cientistas farão experimentos e testarão previsões, sempre explicando os fenômenos com base no paradigma vigente Paradigma e ciência normal 39 27 Podem encontrar situações de dificuldade, que a teoria não consegue explicar, podendo indicar a falsificação dela Se muitas dessas situações começarem a ser encontradas, pode surgir uma crise Crise e revolução 39 28 Para resolver a crise os cientistas desenvolvem um novo paradigma, que aos poucos vai sendo testado e vai recebendo a adesão de mais e mais pessoas da comunidade científica, até que o paradigma anterior é abandonado e o novo se instaura. Esse processo é chamado de revolução científica Crise e revolução 39 29 A ciência cresce por meio das revoluções Dentro de um paradigma de uma ciência normal o trabalho do cientista é resolver problemas e um fracasso pode ser apenas uma anomalia Fazer um cientista mudar de paradigma é bem difícil Paradigmas distintos são incomensuráveis, pois aderem a padrões e princípios diferentes Crescimento da ciência 39 30 Emergência e desenvolvimento dos fatos científicos 25 26 27 28 29 30 6 39 31 Ludwik Fleck é um pensador polonês que escreveu em 1935 o livro “A emergência e o desenvolvimento de um fato científico”, que aborda o desenvolvimento da ciência Esse livro foi usado como base por Kuhn No entanto, os estudos de Fleck ficaram pouco conhecidos por pelo menos 50 anos, ganhando destaque apenas nas últimas décadas A emergência de um fato científico 39 32 A perspectiva de Fleck para a ciência prioriza uma visão sociológica, entendendo que a ciência é construída coletivamente e é influenciada pela contexto histórico Ele foi um pioneiro ao abordar a historicidade da ciência, analisando o surgimento do conceito de sífilis através de um estudo de caso na história da medicina, denominado por ele de fato científico Visão sociológica da ciência 39 33 O termocoletivo de pensamento define como a comunidade de pessoas que trocam conhecimentos ou estão em uma situação de influência recíproca de pensamentos Cada pessoa nesse coletivo é vista como portadora do desenvolvimento histórico de uma área de conhecimento, representando um estilo específico de pensamento Coletivo de pensamento 39 34 O conceito de estilo de pensamento, pode ser equiparado a regras para o pensamento, que é composto por características comuns dos problemas que interessam a um coletivo de pensamento, incluindo julgamentos e métodos empregados nos meios de conhecimento Assim, ele representa, para a comunidade científica, a capacidade de identificar problemas e articular soluções com base nos valores e práticas do sistema de referência específico em que esse estilo está enraizado Estilo de pensamento 39 35 Um estilo de pensamento pode evoluir ao longo de um contexto histórico prolongado Mesmo quando um indivíduo adere a um novo estilo de pensamento, traços do estilo anterior tendem a persistir em sua concepção As mudanças no estilo de pensamento são mutações graduais e evolutivas, e não revoluções abruptas de mudança radical de paradigma Evolução da ciência 39 36 Na Prática 31 32 33 34 35 36 7 39 37 Construa um mapa mental com as principais ideias das propostas de compreensão da ciência estudadas na aula Mapa mental 39 38 Finalizando 39 39 Indutivismo ingênuo Falsificacionismo Programas de pesquisa Revoluções científicas Evoluções e desenvolvimento dos fatos científicos Principais autores 39 40 37 38 39 40