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1 Bianca Rebouças e Matheus Brito | TUT18 Farmacologia |Receptores farmacológicos e Sistemas efetores| Aula 10.1 | Caso 08 Farmacodinâmica 1 Sistemas efetores: são as vias de sinalização instracelular a partir de uma interação fármaco-receptor. Farmacocinética: O que o corpo faz com o fármaco - já vimos! Farmacodinâmica: O que o fármaco faz com o corpo - Efeitos bioquímicos e fisiológicos do fármaco e seus mecanismos de ação Fármaco interagiu com o alvo/se ligou com o alvo/ bloqueou o alvo farmacológico. O que acontece? Quando o fármaco interage com o alvo farmacológico, a primeira coisa que acontece é uma mudança conformacional. AÇÃO MEDIADA POR RECEPTORES Trata-se de moléculas que necessitam de uma interação com canais iônicos, enzimas, proteínas de membrana, DNA, etc, para exercer seu efeito farmacológico. Digamos, uma proteína de membrana é o alvo farmacológico. Antes de agirem, proteína e fármaco têm essas conformações. Quando o fármaco interage com o receptor, eles ficam com essa conformação Essa mudança conformacional é que induz uma sinalização intracelular, a liberação de uma substância, por exemplo. • Sem essa mudança conformacional, é como se não tivesse tido ligação. Ela também deve ser capaz de causar mudanças bioquímicas e fisiológicas • Por isso se diz que nem toda molécula química que interage com o alvo é um fármaco, pois apesar da ligação acontecer, pode haver mudança conformacional, mas não uma mudança bioquímica e fisiológica. São essas mudanças bioquimico-fisiológicas que irão alterar a função da célula-alvo. • E isso é o efeito farmacológico AÇÃO NÃO MEDIADA POR RECEPTORES Não precisa interagir com uma proteína para exercer efeito farmacológico • Exemplo: manitol e antiácidos, antigases como simeticona (Luftal) ou resinas de troca iônica. • Esses fármacos possuem mecanismo físico-químico, não interagem com receptor. • O antiácido, por exemplo, neutraliza quimicamente o ácido gástrico, por ser uma base. • Simeticona, antigases, tem uma estrutura química que faz com que se ligue à superfície das bolhas gasosas e estoure aquela bolha, promovendo alívio. • Resinas de troca iônica, como colestiramina, hipolipemiante que reduz colesterol ligando-se aos sais biliares, formando um composto insolúvel que é eliminado pelas fezes, Índice ➤ Introdução - Conceitos • Sistemas efetores • Farmacocinética • Farmacodinâmica ➤ Ação dos fármacos • Mediada por receptores • Não mediada por receptors ➤ Teorias de interação fármaco-receptor ➤ Acoplamento receptor-efetor Introdução Ação dos fármacos 2 Bianca Rebouças e Matheus Brito | TUT 18 Farmacologia |Receptores farmacológicos e Sistemas efetores| Aula 10.1 | Caso 08 impedindo-os de serem reabsorvidos. Não há mecanismo molecular, intracelular algum. RECONHECIMENTO QUÍMICO Esse reconhecimento se dá por energia elétrica, por campo elétrico. Leitura da imagem: A) Proteína ligada ao fármaco, que se conectam e se reconhecem através das ligações químicas B) Átomos e elétrons da proteína reconhecem átomos e elétrons do fármaco. O que o alvo reconhece é a energia da molécula farmacológica, a nuvem eletrônica. Exemplo Imagine que a região em vermelho seja mais eletronegativa, a em azul seja mais eletropositiva e a em roxo uma região que faz ligação de Van- der-Waals (nem positiva nem negativa) A proteína vai reconhecer esse "código", tudo que tiver esse tamanho e essa informação elétrica tem grande chance de interagir com os aminoácidos formadores dessa proteína. • O código seria a natureza química em uma certa ordem e proporção, a nuvem elétrica que o alvo pode reconhecer ou não. CORPONA NON AGUNT NISI FIXATA “Um fármaco não agirá a menos que esteja ligado.” ... É verdade isso? Por muito tempo acreditou-se que sim. • Primeira inverdade nisso está na existência de fármacos que atuam de forma não mediada por receptores. TEORIDA DA OCUPAÇÃO DE CLARK (1920) Teoria que ia à favor da frase acima: O efeito de um fármaco é diretamente proporcional à fração de receptores ocupados. O efeito máximo só seria alcançado quando todos os receptores fossem ocupados 0% de ocupação = 0% de efeito Fração intermediária de receptores ocupados + efeito intermediário 100% de ocupação = 100% do efeito Se se tem um fármaco ligado a um receptor e se forma o complexo fármaco-receptor, o efeito farmacológico acontece. Nada impede o efeito farmacológico de acontecer quando for formado esse complexo. Outros conceitos foram surgindo ao longo dos anos, como afinidade e eficácia. O conceito de afinidade não veio para derrubar a teoria de Clark e sim para reforçar. • Fala sobre a capacidade de interação entre o fármaco e o receptor, quando maior a interação, maior a afinidade. Eficácia veio contriar Clark. • Diz que a formação do complexo, para se ter a observação do efeito farmacológico, deve ter eficácia. Não basta formar o complexo, é preciso Teorias de interação EFEITO k1 k2 k3 Droga Receptor Complexo Droga-Receptor Afinidade Eficácia 3 Bianca Rebouças e Matheus Brito | TUT 18 Farmacologia |Receptores farmacológicos e Sistemas efetores| Aula 10.1 | Caso 08 que haja uma eficácia após, para que aí sim o efeito farmacológico apareça. Afinidade → tendência do fármaco a ligar-se com o receptor Eficácia → tendência do fármaco, uma vez ligado, ativar o receptor e provocar aquela mudança conformacional necessária para o efeito farmacológico acontecer. A teoria de Clark foi de suma importância para a farmacologia, contudo ela não explicava muitas coisas, entre elas o porquê de alguns fármacos nunca produzirem efeitos máximo, mesmo que todos os receptores estivessem ocupados. EFICÁCIA X CONCENTRAÇÃO Digamos que a eficácia seja medida segundo a dilatação de um vaso. O efeito desse composto azul tem uma vasodilatação de 100%, pois é exatamente idêntica ao padrão- ouro da classe (exemplo nitrato). Conforme a concentração, o efeito foi subindo até chegar ao 100%. Com o fármaco laranja foi feito o mesmo procedimento, o efeito foi subindo conforme a concentração até atingir um plateau: por mais que a concentração aumente, não vai passar daquele efeito máximo. Mas todos os receptores estão ocupados, e agora, Clark? Por que choras? A eficácia é a variável que explica isso! • O fármaco laranja é menos eficaz do que o azul. Porque o efeito máximo dele é menor do que a do azul. A grande pergunta é: Tem um receptor que é comum ao fármaco azul e ao laranja → o azul provoca uma resposta de 100%, o laranja de 60%. O que faz isso acontecer? A mudança conformacional entre eles vai ser diferente, o que vai gerar também respostas diferentes. A extensão da sinalização intracelular vai depender da mudança conformacional provocada. ATIVIDADE INTRÍNSECA - ARIENS (1954) Capacidade do fármaco se ligar ao receptor, ativá-lo ao produzir alteração conformacional no receptor e desencadear resposta. • Completou pontos que estavam faltando na teoria de Clark Não mais basta apenas se ligar ao receptor! EFICÁCIA INTRÍNSECA – STEPHENSON (1956), FURCHGOTT (1966), KENAKIN (1987) Evolução do conceito anterior de atividade intrínseca: depende de características do fármaco e do tecido, ou seja, é possível que 2 agonistas tenham atividades intrínsecas iguais e diferentes eficácias. • A eficácia é própria, depende do fármaco e do tecido. CLASSIFICAÇÃO DOS FÁRMACOS Agonista - fármaco que tem eficácia → que tem respostaintracelular • Agonistas plenos - eficácia de 100% → a resposta biológica é máxima, mimetiza a resposta do ligante endógeno • Agonistas parciais - eficácia menor que 100% e maior que 0% → a resposta biológica não é máxima. Entretanto, o agonista parcial pode ter uma afinidade que é maior ou menor que a do agonista total, ou equivalente a ela. Antagonista – fármaco que tem eficácia 0 → não sinaliza nada dentro da célula. • Impede que outra substância exerça sinalização 0 20 40 60 80 100 120 0 20 40 60 80 100 120 Ef ic ác ia Concentração 100% 60% Alteração conformacional Alterações intracelulares Efeito farmacológico Estímulo 4 Bianca Rebouças e Matheus Brito | TUT 18 Farmacologia |Receptores farmacológicos e Sistemas efetores| Aula 10.1 | Caso 08 Agonista inverso - provoca uma resposta oposta → reversão da via de sinalização clássica • Exemplo: Se o agonista aumenta AMPc, o agonista inverso diminui AMPc • Estabilizam a forma inativa do receptor. Isso diminui o número de receptores ativados para menos do que observado na ausência do fármaco. MODELO ESTÁTICO: Chave e Fechadura (desuso), analogia simplista pois para um fármaco funcionar é preciso de uma mudança conformacional por isso parou de se usar. MODELO DINÂMICO: Ligação levaria a mudança conformacional do receptor e desencadearia uma cascata de eventos que levaria a um efeito. E pode ser dividido em duas vertentes: • MODELO DO AJUSTE INDUZIDO – a ligação acontece e gera uma mudança conformacional do receptor. Uma parte de sua estrutura ativa outras proteínas intracelulares, ou abre canal iônico, fosforiliza mediadores, ativa função enzimática etc. A interação fármaco-receptor torna o receptor ativo • MODELO DOS DOIS ESTADOS – O receptor já preexiste sob a forma de 2 conformações possíveis (uma majoritária e outra minoritária ativa, pois proteínas independente da presença do fármaco se movimenta devido as interações dos aminoácidos, sendo assim os alvos farmacológicos não são estáticos) portanto nessas movimentações existe momento em que os alvos ele adota uma conformação que é ativa, não dependendo do fármaco para se tornar ativo, sempre transitando entre o estado ativo e inativo. Um fármaco Agonista ele interage com o receptor quando ele está em sua forma ativa e trava o receptor nessa conformação, portanto segundo essa teoria não é o fármaco que faz a movimentação, mas o receptor está sempre transitando entre ativo e inativo, o fármaco apenas estabiliza pelo maior período de tempo possível o receptor no estado ativo. Já o antagonista não tem preferência por nenhuma das conformações se ligando da mesma forma com o ativo e inativo ocupando esse sítio sem estimular que nada aconteça Fármacos com alta potência são fármacos que tem alta afinidade pelos receptores (não tendo relação com eficácia que é relacionado com a resposta). Fármacos potentes ocupam uma quantidade significativa de receptores necessitando de baixas concentrações (doses). CURVA CONCENTRAÇÃO-EFEITO: Essa curva representa o comportamento do fármaco à medida em que se aumenta a Acoplamento receptor-efetor 5 Bianca Rebouças e Matheus Brito | TUT 18 Farmacologia |Receptores farmacológicos e Sistemas efetores| Aula 10.1 | Caso 08 concentração. Existe um parâmetro muito importante que é o Kd (constante de sucessão), ele na farmacologia costuma ser descrito com IC50, EC50, ED50 e dizem qual concentração/dose que foi necessária para atingir 50% do efeito máximo e são esses parâmetros que vão servir de comparação entre um fármaco e outro, podendo dizer qual é mais potente. O que é potência? - A concentração do agonista que produz metade da resposta máxima CE50 (concentração necessária para atingir 50% da resposta máxima) / DE50 (dose necessária para atingir 50% da resposta máxima) O que é eficácia? – A resposta máxima a um agonista independente da dose. PORTANTO: O fármaco A é mais potente que o B porque ele precisa de uma dose menor para atingir 50% de SEU efeito máximo, ou seja ele tem um DE50/CE50 menor O fármaco B é mais eficaz pois produz uma resposta máxima maior que a resposta máxima do A. Sendo assim UM FÁRMACO PODE SER MENOS POTENTE, PORÉM PODE SER MAIS EFICAZ TIPOS DE ANTAGONISTA: A – Receptor livre: canal iônico fechado, mas com os sítios de ligação do agonista e do antagonista alostérico (não competitivo). B – Ligação agonista: Na imagem mostra a ligação entre um agonista e o canal iônico, no qual o agonista modula o canal iônico (se for aberto, ele fecha ou se for fechado ele abre) C – Ligação antagonista competitivo: ele vai competir com o agonista pelo sítio de ação, se ligando no local onde o agonista se ligaria impedindo que o agonista exerça sua função. D – Ligação antagonista não competitivo: ele não compete pelo sítio de ação, porém ele provoca uma mudança conformacional no alvo farmacológico impedindo que o agonista exerça sua função. Bibliografia - Karen Whalen . Farmacológica Ilustrada 6º Ed. Legenda segundo o livro Tipos de antagonistas dos receptores. Ilustração esquemática das diferenças entre um entre antagonistas nos sítios agonista ativo e alostérico. A. O receptor inativo não ligado. B. O receptor ativado pelo agonista. Observe a mudança de conformação induzida no receptor pela ligação do agonista, por exemplo, a abertura de um canal iônico transmembrana. C. Os antagonistas no sítio agonista ligam-se ao sítio agonista do receptor, porém este não é ativado; tais agentes bloqueiam a ligação do agonista ao receptor. D. Os antagonistas alostéricos ligam-se a um sítio alostérico distinto do sítio agonista, por isso impedem a ativação do receptor, mesmo se o agonista estiver ligado a ele.