Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

3 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
 
3 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
Professor Danniel Adriano 
Questão 1 
Um grupo de fiéis da religião Testemunhas de Jeová, 
durante uma viagem de caráter espiritual, sofreu um 
acidente rodoviário grave, resultando em múltiplos 
feridos. As vítimas foram encaminhadas, todas 
inconscientes, a um hospital da região para atendimento 
emergencial. Foi constatada, pela equipe médica, a 
necessidade de realização de transfusão de sangue para 
garantia da vida e saúde dos acidentados. Familiares que 
acorreram ao hospital indicaram que o procedimento 
não deveria ser realizado, dada a fé professada pelos 
pacientes. 
Diante dessa situação, assinale a alternativa correta: 
a) A transfusão pode ser realizada. 
b) a liberdade de consciência, enquanto proteção da 
liberdade individual, não admite restrições, de modo que 
a recusa ao tratamento deve ser observada. 
c) em razão da prevalência da liberdade religiosa no caso 
concreto, a recusa deverá ser respeitada pelo corpo 
clínico do hospital, aplicando-se aos pacientes os 
tratamentos alternativos que estejam disponíveis no 
SUS. 
d) o direito à vida, sendo absoluto, não admite 
restrições, de modo que todo e qualquer tratamento 
deve ser dispensado, se disponível, aos pacientes. 
e) em virtude da liberdade de consciência e profissional, 
e do maior peso do direito à saúde, quando 
contrabalança a liberdade de consciência, os médicos 
podem realizar a transfusão, independente da religião 
professada pelos clientes. 
Comentários: 
Gabarito: A. 
Duas teses do Supremo Tribunal Federal incidem no caso 
narrado: 
RE 979742 
1 – Testemunhas de Jeová, quando maiores e capazes, 
têm o direito de recusar procedimento médico que 
envolva transfusão de sangue, com base na autonomia 
individual e na liberdade religiosa. 
2 – Como consequência, em respeito ao direito à vida e 
à saúde, fazem jus aos procedimentos alternativos 
disponíveis no SUS podendo, se necessário, recorrer a 
tratamento fora de seu domicílio. 
RE 1212272 
1 – É permitido ao paciente, no gozo pleno de sua 
capacidade civil, recursar-se a se submeter a tratamento 
de saúde por motivos religiosos. A recusa a tratamento 
de saúde por motivos religiosos é condicionada à decisão 
inequívoca, livre, informada e esclarecida do paciente, 
inclusive quando veiculada por meio de diretiva 
antecipada de vontade. 
2 – É possível a realização de procedimento médico 
disponibilizado a todos pelo Sistema Único de Saúde, 
com a interdição da realização de transfusão sanguínea 
ou outra medida excepcional, caso haja viabilidade 
técnico-científica de sucesso, anuência da equipe médica 
com a sua realização e decisão inequívoca, livre, 
informada e esclarecida do paciente. 
A partir do entendimento do Supremo, verifica-se que 
somente as partes maiores e capazes poderão recursar o 
tratamento. No caso narrado, os acidentados estão 
inconscientes, de modo que a transfusão deverá ser 
realizada. 
 
Questão 2 
A empresa "Construções Alpha Ltda.", do ramo da 
construção civil, vinha sistematicamente retendo 
parcelas dos salários de seus empregados há mais de seis 
meses, alegando dificuldades financeiras temporárias. 
Os trabalhadores, representados pelo sindicato da 
categoria, procuraram o Ministério Público do Trabalho 
relatando a situação. O Procurador do Trabalho, ao 
analisar o caso, verificou que não existe tipo penal 
específico para a conduta de retenção dolosa de salário, 
considerando que o art. 168 do Código Penal 
(apropriação indébita) não abrange adequadamente tal 
situação. 
Considerando o julgamento da ADO 82/DF pelo STF (Rel. 
Min. Dias Toffoli, j. 26/05/2025) e a sistemática 
constitucional dos mandados de criminalização, assinale 
a alternativa CORRETA: 
a) O mandado de criminalização previsto no art. 7º, X, da 
CF/88 possui natureza meramente programática, 
cabendo ao legislador ordinário ampla 
discricionariedade quanto ao momento e à forma de sua 
4 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
regulamentação, não sendo possível o controle 
jurisdicional da omissão legislativa. 
b) A existência de projetos de lei em tramitação no 
Congresso Nacional sobre a matéria impede o 
reconhecimento da mora legislativa, uma vez que 
demonstra a atuação do Poder Legislativo no sentido de 
cumprir o comando constitucional. 
c) O tipo penal da apropriação indébita (art. 168 do CP) 
é suficiente para tutelar a conduta de retenção dolosa de 
salário, não havendo necessidade de tipificação 
específica, razão pela qual não se configura omissão 
inconstitucional. 
d) O mandado constitucional de criminalização do art. 
7º, X, da CF/88 possui natureza vinculante, e sua 
inobservância pelo legislador ordinário após mais de 35 
anos da promulgação da Constituição caracteriza 
omissão inconstitucional passível de controle pelo STF 
mediante ADO. 
e) Embora configure omissão inconstitucional, o STF não 
pode fixar prazo para que o Congresso Nacional sane a 
mora legislativa, sob pena de violação ao princípio da 
separação dos poderes, devendo limitar-se à declaração 
da inconstitucionalidade por omissão. 
Comentários: 
Gabarito: D 
(A) INCORRETA - O mandado de criminalização previsto 
no art. 7º, X, da CF/88 NÃO possui natureza meramente 
programática. Conforme decidido pelo STF na ADO 
82/DF, trata-se de mandado constitucional de 
criminalização de natureza vinculante, que impõe ao 
legislador ordinário o dever de tipificar penalmente a 
conduta de retenção dolosa de salário. A vinculação do 
comando constitucional torna possível e necessário o 
controle jurisdicional da omissão legislativa quando o 
Congresso Nacional permanece inerte por tempo 
irrazoável. 
(B) INCORRETA - A jurisprudência do STF é pacífica no 
sentido de que a mera existência de projetos de lei em 
tramitação não afasta o reconhecimento da mora 
legislativa. No julgamento da ADO 82/DF, o Tribunal 
expressamente consignou que "a existência de projetos 
de lei sobre a matéria não afasta o reconhecimento da 
mora legislativa, especialmente diante do extenso lapso 
temporal decorrido desde a promulgação da 
Constituição". O que importa é a efetiva aprovação e 
sanção da lei, não apenas a tramitação de projetos. 
(C) INCORRETA - O STF foi categórico ao afirmar que "o 
tipo penal da apropriação indébita (art. 168 do CP) não 
contempla adequadamente a conduta de retenção 
dolosa do salário do trabalhador". A Corte reconheceu 
que a tipificação existente é insuficiente para tutelar 
especificamente a relação trabalhista e suas 
particularidades, exigindo, por determinação 
constitucional expressa, tipificação penal específica para 
a retenção dolosa de salário. 
(D) CORRETA - Esta alternativa reproduz fielmente o 
entendimento consolidado pelo STF na ADO 82/DF. O 
mandado constitucional de criminalização do art. 7º, X, 
da CF/88 possui natureza vinculante, impondo ao 
legislador ordinário o dever constitucional de criar tipo 
penal específico. A inobservância deste comando por 
mais de 35 anos desde a promulgação da Constituição 
caracteriza omissão inconstitucional passível de controle 
jurisdicional mediante Ação Direta de 
Inconstitucionalidade por Omissão. 
A CF determina que o Congresso Nacional preveja como 
crime a retenção dolosa de salário; trata-se de mandado 
constitucional de criminalização, de natureza vinculante; 
como ainda não existe esse crime, o Congresso está em 
mora e deve editar a lei em 180 dias Art. 7º São direitos 
dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que 
visem à melhoria de sua condição social: [...] X - proteção 
do salário na forma da lei, constituindo crime sua 
retenção dolosa; O mandado de criminalização previsto 
na parte final do inciso X do art. 7º da Constituição 
Federal possui natureza vinculante, e sua inobservância 
pelo legislador ordinário caracteriza omissão 
inconstitucional. A existência de projetos de lei sobre a 
matéria não afasta o reconhecimentoSTJ em 
recurso repetitivo (Tema 1284), o Tribunal de Justiça 
deve: 
a) Conhecer e julgar o mérito do reexame necessário, 
pois a lei aplicável é a vigente na data da prolação da 
sentença, ato processual que definiu a existência do 
duplo grau de jurisdição obrigatório no caso. 
b) Acolher o pedido da defesa e não conhecer do 
reexame necessário, pois a nova lei processual, por ser 
mais benéfica, tem aplicação imediata aos processos em 
curso, independentemente da data da sentença. 
c) Converter o julgamento em diligência, devolvendo os 
autos à primeira instância para que o Ministério Público 
seja intimado a se manifestar sobre o interesse em 
apelar, uma vez que o reexame se tornou incabível. 
d) Extinguir o reexame necessário sem resolução de 
mérito, por perda superveniente do objeto, aplicando a 
nova lei, mas modular os efeitos para que a decisão não 
prejudique outras situações idênticas. 
e) Acolher o pedido da defesa e não conhecer do 
reexame, pois a vedação da remessa necessária é norma 
de natureza de direito material sancionador e, por ser 
mais benéfica, retroage. 
Comentários: 
Gabarito: A 
A alternativa A está correta e corresponde ao gabarito da 
questão. Aplica-se a tese firmada pelo Superior Tribunal 
de Justiça no julgamento do Tema Repetitivo 1284 (REsp 
2.117.355-MG e outros): 
A vedação ao reexame necessário da sentença de 
improcedência ou de extinção do processo sem 
resolução do mérito, prevista pelos art. 17, § 19, IV, c/c 
o art. 17 C, § 3º, da Lei de Improbidade Administrativa, 
com redação dada pela Lei n. 14.230/2021, não se aplica 
aos processos em curso, quando a sentença for anterior 
à vigência da Lei n. 14.230/2021 (26/10/2021). 
STJ. 1ª Seção. REsp 2.117.355-MG, REsp 2.118.137-MG e 
REsp 2.120.300-MG, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, 
julgados em 11/6/2025 
A controvérsia central é sobre o direito intertemporal de 
uma norma processual. O STJ baseou sua decisão no 
princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato) e 
na Teoria do Isolamento dos Atos Processuais, positivada 
no art. 14 do Código de Processo Civil. Segundo essa 
teoria, a lei processual nova tem aplicação imediata aos 
processos em curso, mas não pode retroagir para atingir 
atos processuais já praticados e as situações jurídicas 
consolidadas sob a vigência da lei anterior. 
No caso concreto, o ato processual em questão é a 
sentença. O cabimento do reexame necessário é uma 
qualidade ou um efeito da sentença no momento em 
que ela é proferida. Se, na data da sentença (setembro 
de 2021), a lei e a jurisprudência previam o reexame 
necessário, esse efeito se agregou ao ato, constituindo 
uma situação jurídica consolidada. 
A lei nova (Lei nº 14.230/2021), que entrou em vigor 
posteriormente, não pode retroagir para suprimir esse 
efeito da sentença já prolatada. Portanto, a vedação ao 
reexame necessário só se aplica às sentenças de 
improcedência proferidas a partir de 26 de outubro de 
2021. 
A alternativa B está incorreta. A aplicação da lei 
processual é imediata para os atos futuros, mas não 
retroativa para os atos já praticados (isolamento dos 
atos processuais). 
A alternativa C está incorreta. Não há previsão legal para 
tal procedimento. A ausência de apelação voluntária do 
MP já é um fato consumado, e o reexame necessário é 
um instituto distinto que não depende da vontade da 
parte. 
A alternativa D está incorreta. Não há perda de objeto, 
pois o direito ao reexame foi constituído no momento da 
sentença. O Tribunal tem o dever de julgar a remessa. 
A alternativa E está incorreta. A norma que trata de 
reexame necessário é de natureza puramente 
processual, e não de direito material sancionador. 
Portanto, não se aplica a ela o princípio da retroatividade 
21 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
da lei mais benéfica, que é restrito às normas de direito 
material. 
 
Questão 20 
A empresa "Investimentos S.A.", titular do domínio útil 
de um terreno de marinha, celebrou com a "Construtora 
Ltda." um contrato de "permuta no local". Pelo acordo, 
a "Investimentos" transferiu a totalidade do domínio útil 
do terreno à construtora, pagando o respectivo 
laudêmio à União. Em contrapartida, a construtora se 
comprometeu a edificar um prédio no local e, como 
pagamento, transferir à "Investimentos" a propriedade 
de 5 unidades autônomas futuras. Concluída a obra, ao 
receber as 5 unidades, a "Investimentos" foi novamente 
cobrada pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) 
para o pagamento de laudêmio sobre o valor desses 
apartamentos. A empresa ajuizou ação contra a União, 
sustentando a ilegalidade da segunda cobrança, por se 
tratar de bis in idem, já que os apartamentos 
corresponderiam a uma fração do terreno original que, 
na prática, nunca deixou seu patrimônio. 
Com base na situação e na jurisprudência do Superior 
Tribunal de Justiça, a segunda cobrança de laudêmio é: 
a) Ilegítima, pois a "permuta no local" constitui um 
negócio jurídico único, e o laudêmio, pago na 
transferência do terreno, já quitou a obrigação perante 
a União. 
b) Ilegítima, pois a empresa "Investimentos S.A." 
efetivamente reservou para si uma fração ideal do 
terreno, e o laudêmio não incide sobre a mera 
materialização dessa fração em unidades construídas. 
c) Legítima, pois a transferência das unidades autônomas 
prontas da construtora para a antiga dona do terreno 
constitui um novo negócio jurídico de transferência 
onerosa de domínio útil, gerando um novo fato gerador 
do laudêmio. 
d) Legítima, mas deveria incidir apenas sobre o valor da 
construção (benfeitorias), excluindo-se o valor da fração 
ideal do terreno, para evitar o bis in idem. 
e) Ilegítima, pois o laudêmio, por sua natureza jurídica, 
só é devido em contratos de compra e venda, não se 
aplicando a contratos de permuta. 
Comentários: 
Gabarito: C 
A alternativa C está correta e corresponde ao gabarito da 
questão, pois reflete o entendimento do STJ no 
julgamento do REsp 1.652.517-SC: 
É legítima a cobrança do laudêmio pela transferência 
onerosa de imóveis edificados sobre terreno de marinha, 
em caso de "permuta no local", espécie de negócio pelo 
qual a incorporadora recebe o terreno em troca dos 
imóveis futuramente construídos. STJ. 2ª Turma. REsp 
1.652.517-SC, Rel. Min. Afrânio Vilela, julgado em 
10/6/2025 (Info 855). 
O Tribunal analisou a estrutura jurídica do contrato de 
"permuta no local" e concluiu que ele se desdobra em 
dois negócios jurídicos distintos, cada um com uma 
transferência de domínio útil: 
1. Primeira Transferência: O titular original (empresa 
"Investimentos") transfere a totalidade do domínio útil 
do terreno para a construtora. Este é um negócio 
oneroso (a contrapartida são as futuras unidades) e, por 
isso, incide o laudêmio, que é a compensação devida à 
União pela alienação do domínio útil de seu bem. 
2. Segunda Transferência: Após a construção, as 
unidades autônomas (apartamentos) são bens 
juridicamente novos, que jamais pertenceram ao 
patrimônio da empresa "Investimentos". A construtora, 
agora titular do domínio útil do terreno e proprietária 
das benfeitorias, transfere o domínio útil dessas novas 
unidades para a "Investimentos" como forma de 
pagamento. Esta é uma segunda transferência onerosa 
de domínio útil, que constitui um novo fato gerador e, 
portanto, justifica uma nova cobrança de laudêmio. 
O argumento de que a "Investimentos" teria "reservado" 
uma parte do terreno para si foi afastado pelo STJ, pois 
tal reserva, para ser oponível à União, exigiria um 
procedimento formal de desmembramento e novo 
aforamento, o que não ocorreu. Um acordo privado de 
reserva ("contrato de gaveta") não tem eficácia perante 
a União. 
A alternativa A está incorreta. O STJ entende que não se 
trata de um negócio único, mas de duas transferências 
distintas. 
A alternativa B está incorreta. A tese da "reserva de 
fração ideal" foi expressamente rejeitada pelo STJ, por 
ausência do procedimento administrativo formal 
necessário para seroponível à União. 
A alternativa D está incorreta. O laudêmio incide sobre o 
valor do domínio pleno do terreno (excluídas as 
22 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
benfeitorias) no momento da transferência. Na segunda 
operação, o cálculo levará em conta o valor atualizado da 
fração ideal correspondente a cada unidade. A 
alternativa propõe uma fórmula de cálculo sem amparo 
legal. 
A alternativa E está incorreta. O art. 3º do Decreto-Lei nº 
2.398/87 prevê a incidência do laudêmio na 
"transferência onerosa, entre vivos", o que claramente 
abrange a permuta, que é uma forma de negócio 
oneroso, e não se restringe à compra e venda. 
 Tema n. 1.142/STJ: a) a inexistência de registro 
imobiliário da transação (contratos de gaveta) não 
impede a caracterização do fato gerador do laudêmio, 
sob pena de incentivar a realização de negócios jurídicos 
à margem da lei somente para evitar o pagamento dessa 
obrigação pecuniária [...] (REsp n. 1.951.346/SP, relator 
Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, julgado em 
10/5/2023, DJe de 19/5/2023). 
 
Questão 21 
Nos termos da Lei nº 11.079/2004, que institui normas 
gerais para licitação e contratação de parceria público-
privada (PPP), assinale a alternativa correta. 
a) A concessão patrocinada é a modalidade de concessão 
de serviços públicos em que a remuneração do parceiro 
privado advém exclusivamente das tarifas cobradas dos 
usuários. 
b) A concessão administrativa é o contrato de prestação 
de serviços em que a Administração Pública figura como 
usuária direta, sendo vedado que tal modalidade 
envolva a execução de obra ou o fornecimento de bens. 
c) Constitui parceria público-privada a concessão 
comum, quando não envolver contraprestação 
pecuniária do parceiro público ao parceiro privado. 
d) A celebração de contrato de parceria público-privada 
é permitida para qualquer valor, desde que o prazo de 
prestação do serviço seja superior a 10 (dez) anos. 
e) É vedada a celebração de contrato de parceria público-
privada cujo período de prestação do serviço seja inferior 
a 5 (cinco) anos ou que tenha como objeto único a 
execução de obra pública. 
Comentários 
Gabarito: E 
A alternativa E está correta e corresponde ao gabarito da 
questão, pois em conformidade com o art. 2º, § 4º, da 
Lei nº 11.079/2004. Este dispositivo estabelece as 
hipóteses em que a celebração de um contrato de PPP é 
vedada: 
§ 4º É vedada a celebração de contrato de parceria 
público-privada: 
I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 
(dez milhões de reais); (Redação dada pela Lei nº 13.529, 
de 2017) 
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 
(cinco) anos; ou 
III – que tenha como objeto único o fornecimento de 
mão-de-obra, o fornecimento e instalação de 
equipamentos ou a execução de obra pública. 
A alternativa A está incorreta. A descrição corresponde à 
concessão comum, que não é uma modalidade de PPP. A 
concessão patrocinada, conforme o § 1º do art. 2º, 
envolve, além da tarifa cobrada dos usuários, uma 
contraprestação pecuniária do parceiro público. 
A alternativa B está incorreta. O § 2º do art. 2º define a 
concessão administrativa como um contrato de 
prestação de serviços em que a Administração é a 
usuária, mas estabelece expressamente que ela pode 
envolver "execução de obra ou fornecimento e 
instalação de bens". 
A alternativa C está incorreta. O § 3º do art. 2º 
estabelece exatamente o oposto: "Não constitui parceria 
público-privada a concessão comum (...) quando não 
envolver contraprestação pecuniária do parceiro público 
ao parceiro privado." 
A alternativa D está incorreta. A alternativa contém dois 
erros. Primeiro, o § 4º, inciso I, do art. 2º veda a 
celebração de PPPs cujo valor seja inferior a R$ 
10.000.000,00. Segundo, o prazo mínimo de prestação 
do serviço é de 5 (cinco) anos e não 10. 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 22 
O Estatuto dos Servidores Públicos do Município Alfa 
prevê que o servidor que gozar de licença para 
tratamento de saúde por período superior a 90 dias, 
dentro do mesmo período aquisitivo, perderá o direito 
às férias relativas àquele ano. Com base nessa norma, a 
Administração Municipal negou o gozo de férias a Joana, 
servidora que esteve em licença médica por 100 dias 
para se recuperar de uma cirurgia. Joana impetrou 
mandado de segurança, alegando que a norma municipal 
é inconstitucional. O Município, em sua defesa, invocou 
sua autonomia para legislar sobre o regime jurídico de 
seus servidores. 
Com base na situação e na jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal, a segurança deve ser: 
a) Concedida, pois a norma municipal que restringe o 
direito de férias em razão de afastamento por licença 
médica é inconstitucional, por violar o direito 
fundamental às férias e tratar institutos com finalidades 
distintas de forma idêntica. 
b) Denegada, pois a autonomia municipal (art. 30, I, da 
CF) permite a criação de regras próprias para o regime 
de seus servidores, sendo razoável a restrição. 
c) Denegada, pois o direito às férias pressupõe a efetiva 
prestação de serviço no período aquisitivo, o que foi 
interrompido pela longa licença, justificando a supressão 
do benefício. 
d) Concedida, mas apenas para garantir o pagamento do 
terço constitucional de férias, sem o direito ao período 
de descanso, como forma de compensação. 
e) Concedida, apenas se a licença médica de Joana for 
decorrente de acidente de trabalho, única hipótese em 
que as faltas são consideradas justificadas para todos os 
fins. 
Comentários 
Gabarito: A 
A alternativa A está correta e corresponde ao gabarito da 
questão. A decisão do STF no RE 593.448/MG (Tema 221) 
e na ADPF 1.132/SP é clara no sentido de proteger o 
direito fundamental às férias: 
No exercício de sua autonomia legislativa para disciplinar 
o regime jurídico dos servidores, o município não pode 
restringir o período de férias, sob o fundamento de que 
o servidor esteve em licença para tratamento de saúde. 
STF. Plenário. ADPF 1.132/SP, Rel. Min. Cristiano Zanin, 
julgado em 26/05/2025. 
A Constituição Federal assegura aos servidores públicos 
o "gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, 
um terço a mais do que o salário normal" (art. 7º, XVII, 
c/c art. 39, § 3º). O STF entende que, embora os 
Municípios possuam autonomia para organizar seus 
serviços e o regime jurídico de seus servidores, essa 
autonomia não é absoluta e não pode suprimir direitos 
fundamentais garantidos pela Constituição. 
A Corte estabeleceu que a licença para tratamento de 
saúde e as férias são institutos com finalidades 
completamente distintas: 
• Licença Saúde: Visa à recuperação das condições físicas 
e mentais do servidor, sendo um direito ligado à 
proteção da saúde. 
• Férias: Visam ao descanso, ao lazer e à recuperação 
psicofísica do trabalhador em razão do serviço prestado, 
permitindo a desconexão com o ambiente de trabalho. 
Utilizar a licença médica como fundamento para punir o 
servidor com a perda ou redução das férias é 
inconstitucional, pois penaliza o trabalhador por ter 
ficado doente e confunde dois direitos com 
fundamentos e objetivos diversos. 
A alternativa B está incorreta. A autonomia municipal 
não pode se sobrepor a um direito fundamental 
assegurado na Constituição. Além disso, a premissa de 
que a licença já cumpre a função de descanso é 
juridicamente equivocada, conforme o STF. 
A alternativa C está incorreta. O direito às férias está 
ligado ao vínculo de trabalho, que não é rompido 
durante a licença médica. A tese de que a ausência de 
trabalho por motivo de doença desconstitui o direito às 
férias foi rejeitada pela Suprema Corte. 
A alternativa D está incorreta. O direito às férias 
compreende tanto o período de descanso quanto o 
adicional pecuniário. A supressão do descanso não é 
admitida, e não há base para essa solução 
"intermediária". 
A alternativa E está incorreta. A proteção conferidapelo 
STF não faz distinção quanto à origem da licença médica. 
O direito às férias é preservado independentemente de 
a doença ser ou não relacionada ao trabalho. 
 
 
24 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 23 
No que tange ao âmbito de aplicação da Lei nº 
14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e Contratos), 
assinale a alternativa correta. 
a) A Lei nº 14.133/2021 se aplica a toda a Administração 
Pública, direta e indireta, incluindo as empresas públicas 
e sociedades de economia mista. 
b) Não se subordinam ao regime da Lei nº 14.133/2021 
os contratos de prestação de serviços técnico-
profissionais especializados e as contratações de 
tecnologia da informação, por possuírem natureza 
singular. 
c) A Lei nº 14.133/2021 aplica-se a todas as operações 
financeiras da Administração Pública, inclusive aos 
contratos que tenham por objeto a gestão da dívida 
pública. 
d) Nas contratações que envolvam recursos de 
organismos financeiros estrangeiros, a Administração 
deve seguir exclusivamente as normas e procedimentos 
dessas agências, afastando-se os princípios da Lei nº 
14.133/2021. 
e) A Lei nº 14.133/2021 aplica-se a todas as operações 
financeiras da Administração Pública, inclusive aos 
contratos que tenham por objeto a obtenção de crédito 
interno ou externo. 
Comentários: 
Gabarito: D 
A alternativa D está correta e corresponde ao gabarito 
da questão. O art. 1º, § 3º, inciso II, alínea 'b', permite a 
adoção de normas de organismos estrangeiros, desde 
que estas "não conflitem com os princípios 
constitucionais em vigor". Além disso, o § 2º do mesmo 
artigo determina que mesmo as contratações no exterior 
devem obedecer aos "princípios básicos estabelecidos 
nesta Lei". 
Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais de licitação e 
contratação para as Administrações Públicas diretas, 
autárquicas e fundacionais da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, e abrange: 
§ 3º Nas licitações e contratações que envolvam recursos 
provenientes de empréstimo ou doação oriundos de 
agência oficial de cooperação estrangeira ou de 
organismo financeiro de que o Brasil seja parte, podem 
ser admitidas: 
I - condições decorrentes de acordos internacionais 
aprovados pelo Congresso Nacional e ratificados pelo 
Presidente da República; 
II - condições peculiares à seleção e à contratação 
constantes de normas e procedimentos das agências ou 
dos organismos, desde que: 
a) sejam exigidas para a obtenção do empréstimo ou 
doação; 
b) não conflitem com os princípios constitucionais em 
vigor; 
A alternativa A está incorreta. Contradiz diretamente o § 
1º do art. 1º, que exclui as empresas estatais do regime 
da Lei nº 14.133/2021. 
Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais de licitação e 
contratação para as Administrações Públicas diretas, 
autárquicas e fundacionais da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, e abrange: [...] 
§ 1º Não são abrangidas por esta Lei as empresas 
públicas, as sociedades de economia mista e as suas 
subsidiárias, regidas pela Lei nº 13.303, de 30 de junho 
de 2016, ressalvado o disposto no art. 178 desta Lei. 
A alternativa B está incorreta. O art. 2º da lei afirma 
expressamente sua aplicação à "prestação de serviços, 
inclusive os técnico-profissionais especializados" (inciso 
V) e às "contratações de tecnologia da informação e de 
comunicação" (inciso VII). 
Art. 2º Esta Lei aplica-se a: I - alienação e concessão de 
direito real de uso de bens; II - compra, inclusive por 
encomenda; III - locação; IV - concessão e permissão de 
uso de bens públicos; V - prestação de serviços, inclusive 
os técnico-profissionais especializados; VI - obras e 
serviços de arquitetura e engenharia; VII - contratações 
de tecnologia da informação e de comunicação. 
A alternativa C está incorreta. O art. 3º, inciso I, da lei 
estabelece expressamente que "Não se subordinam ao 
regime desta Lei: I - contratos que tenham por objeto 
operação de crédito, interno ou externo, e gestão de 
dívida pública". 
A alternativa E está incorreta. O art. 3º, inciso I, da lei 
estabelece expressamente que "Não se subordinam ao 
regime desta Lei: I - contratos que tenham por objeto 
operação de crédito, interno ou externo, e gestão de 
dívida pública". 
 
25 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 24 
A Assembleia Legislativa do Estado Gama aprovou uma 
lei, de iniciativa parlamentar, que determina o 
fornecimento gratuito, pela rede estadual do SUS, de 
análogos de insulina a portadores de diabetes. O 
Governador do Estado, contrariado, ajuizou Ação Direta 
de Inconstitucionalidade (ADI) no STF, argumentando 
que a lei seria inconstitucional por três motivos: (i) vício 
de iniciativa, por se tratar de matéria de organização 
administrativa e gerar despesa para o Poder Executivo; 
(ii) invasão da competência da União para definir os 
tratamentos a serem ofertados pelo SUS; e (iii) criação 
de um benefício da seguridade social sem a 
correspondente fonte de custeio, violando o art. 195, § 
5º, da CF. 
Com base na situação e na jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal, a ADI deve ser julgada: 
a) Procedente, em razão do vício de iniciativa, pois leis 
que geram despesas para a administração pública são de 
competência privativa do Chefe do Poder Executivo. 
b) Procedente, pois a lei estadual, ao criar um novo 
benefício da seguridade social sem indicar a fonte de 
custeio, viola o art. 195, § 5º, da Constituição Federal. 
c) Improcedente, pois a lei estadual, ao prever a oferta 
de um tratamento de saúde, exerce legitimamente a 
competência concorrente em matéria de saúde, não 
havendo vício de iniciativa nem violação à regra da fonte 
de custeio. 
d) Procedente, pois compete privativamente à União, 
por meio do Ministério da Saúde e da ANVISA, definir o 
rol de medicamentos e procedimentos a serem 
ofertados pelo SUS em todo o território nacional. 
e) Improcedente quanto ao vício de iniciativa, mas 
procedente quanto à violação da regra da fonte de 
custeio, declarando-se a inconstitucionalidade da norma 
por ausência de previsão orçamentária. 
Comentários: 
Gabarito: C 
A alternativa C está correta e corresponde ao gabarito da 
questão. A decisão do Supremo Tribunal Federal na ADI 
5.758/SC (Info 1173) rechaçou todos os argumentos de 
inconstitucionalidade sobre a matéria: 
É constitucional — por não apresentar vício de iniciativa 
e estar em conformidade com a competência legislativa 
concorrente dos estados para dispor sobre proteção e 
defesa da saúde (art. 24, XII, CF/88) — lei estadual de 
origem parlamentar que prevê a distribuição gratuita, 
pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de análogos de 
insulina a portadores de diabetes. 
STF. Plenário. ADI 5.758/SC, Rel. Min. Nunes Marques, 
julgado em 14/04/2025. 
O STF analisou os três pontos: 
1. Competência Legislativa: A saúde é matéria de 
competência concorrente entre União, Estados e Distrito 
Federal (art. 24, XII, CF) , e de competência 
administrativa comum de todos os entes (art. 23, II, CF). 
Assim, o Estado pode legislar sobre o tema para atender 
a peculiaridades locais, desde que não contrarie as 
normas gerais da União. A lei estadual, ao determinar o 
fornecimento de um medicamento já aprovado pela 
ANVISA, apenas suplementa a política nacional, 
exercendo sua competência de forma legítima. 
2. Iniciativa Legislativa: A reserva de iniciativa do Chefe 
do Poder Executivo (art. 61, § 1º, da CF) é de 
interpretação restrita. Ela se aplica a leis que tratam da 
criação de cargos, do regime jurídico de servidores ou da 
estrutura e organização de órgãos da administração. A 
lei em questão não se enquadra nessas hipóteses. Ela 
apenas concretiza o dever constitucional do Estado de 
prestar saúde (art. 196 da CF), sem alterar a estrutura 
administrativa. O mero fato de gerar despesa não atrai a 
reserva de iniciativa. 
3. Fonte de Custeio: A exigência de indicação da fonte de 
custeio, prevista no art. 195, § 5º, da CF, aplica-seà 
"criação, majoração ou extensão de benefício ou serviço 
da seguridade social". O STF entende que o 
fornecimento de um tratamento de saúde pelo SUS não 
é a criação de um "novo benefício", mas sim a 
concretização do direito fundamental à saúde e do dever 
de atendimento integral já previsto na Constituição (art. 
198, II). Portanto, a regra da contrapartida não é violada. 
A alternativa A está incorreta. O STF pacificou o 
entendimento de que a mera geração de despesa para o 
Executivo não configura vício de iniciativa. 
A alternativa B está incorreta. A oferta de um 
medicamento pelo SUS é o cumprimento de um dever de 
prestação de saúde, e não a criação de um benefício da 
seguridade social, afastando a incidência do art. 195, § 
5º, da CF. 
A alternativa D está incorreta. A competência da União é 
para editar normas gerais. Os Estados podem 
26 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
suplementar essa legislação para atender a necessidades 
locais, no exercício de sua competência concorrente. 
A alternativa E está incorreta. Conforme explicado, a 
norma não apresenta vício de iniciativa nem viola a regra 
da fonte de custeio. 
 
Questão 25 
Por força de decisão judicial, o Estado deposita 
mensalmente na conta de Clara o valor necessário para 
a aquisição de um medicamento de uso contínuo para 
seu filho menor, Pedro. Em determinado mês, Pedro 
sofreu uma crise respiratória aguda, e Clara, diante da 
emergência e da falta de outros recursos, utilizou o valor 
depositado pelo Estado para comprar os antibióticos e 
broncodilatadores prescritos para tratar a crise, 
deixando de adquirir o remédio de uso contínuo. Ao 
tomar conhecimento, o Estado peticionou nos autos, 
requerendo que o fornecimento do mês seguinte fosse 
suspenso, como forma de compensar o erário pelo 
"desvio de finalidade" da verba. 
Com base na situação e na jurisprudência do Superior 
Tribunal de Justiça, o pedido do Estado deve ser: 
a) Deferido, pois a verba pública possui destinação 
específica e seu uso para finalidade diversa, ainda que 
nobre, impõe o dever de ressarcimento, sendo a 
compensação o meio mais célere. 
b) Indeferido, pois a interrupção do fornecimento de 
medicamento essencial a um menor incapaz como forma 
de sanção por ato de sua representante legal é medida 
desarrazoada e cruel, que penaliza a parte vulnerável. 
c) Deferido, mas o juiz deve determinar que, a partir de 
então, o Estado forneça o medicamento in natura, e não 
mais em dinheiro, para evitar novos desvios. 
d) Indeferido, pois a conduta da mãe se enquadra no 
estado de necessidade, excludente de ilicitude, o que 
torna a verba regularmente aplicada e afasta qualquer 
dever de ressarcimento. 
e) Deferido parcialmente, para determinar que a mãe 
restitua o valor em parcelas, sem, contudo, suspender o 
tratamento de Pedro, responsabilizando-se a 
representante legal pelo débito. 
Comentários: 
Gabarito: B 
A alternativa B está correta e corresponde ao gabarito da 
questão. Reflete a orientação do Superior Tribunal de 
Justiça no AgInt no REsp 1.930.966/PR (Info 844), que 
prioriza a proteção do direito à saúde do incapaz em 
detrimento de uma lógica puramente patrimonialista ou 
punitiva. 
Se a genitora levantou do Estado valores em dinheiro 
para aquisição de medicamentos em favor de seu filho 
menor incapaz e adquiriu outros remédios, em caráter 
de urgência, destinados à mesma criança, mostra-se 
desarrazoada a interrupção do fornecimento do 
medicamento ao doente como meio sancionatório. 
STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1.930.966/PR, Rel. Min. 
Afrânio Vilela, julgado em 18/3/2025. 
O STJ fundamentou sua decisão em dois pilares 
principais: 
1. Impossibilidade de Responsabilizar o Incapaz: O 
menor incapaz e doente não pode ser punido ou sofrer 
prejuízos em sua saúde por atos, ainda que considerados 
ilícitos, praticados por seus representantes legais. A 
responsabilidade civil do incapaz é subsidiária e mitigada 
(art. 928 do Código Civil), e ele não pode ser 
responsabilizado fisicamente pela interrupção de seu 
tratamento por uma decisão de sua mãe. Punir Pedro 
pela conduta de Clara seria transferir a consequência do 
ato para a parte mais vulnerável da relação. 
2. Desarrazoabilidade e Proibição de Penas Cruéis: A 
interrupção do fornecimento de um medicamento 
essencial como forma de "sanção" ou "compensação" foi 
considerada pelo Tribunal uma medida desarrazoada. 
Tal ato se assemelha a uma pena cruel, vedada pelo art. 
5º, XLVII, "e", da Constituição Federal, pois impõe ao 
menor um sofrimento físico e psíquico em razão de uma 
questão administrativa ou financeira. Além disso, o STJ 
ponderou que nem sequer ficou caracterizado o ato 
ilícito, já que a verba, embora destinada a um remédio 
específico, foi utilizada para outra finalidade de saúde 
urgente da mesma criança. 
A alternativa A está incorreta. Embora a verba pública 
tenha destinação específica, a jurisprudência pondera 
esse rigor formal com os princípios da razoabilidade e da 
máxima proteção à criança, afastando a compensação 
que prejudique a saúde do menor. 
A alternativa C está incorreta. Mudar a forma de 
cumprimento da obrigação (de dinheiro para o remédio 
in natura) pode ser uma medida administrativa futura 
27 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
razoável, mas a alternativa não aborda a questão central, 
que é a ilegalidade da suspensão do tratamento como 
forma de sanção. 
A alternativa D está incorreta. Embora a conduta da mãe 
possa se assemelhar a um estado de necessidade, e o STJ 
tenha ventilado essa hipótese, o fundamento principal 
da decisão não foi a exclusão da ilicitude, mas sim a 
impossibilidade de punir o menor. A questão do 
ressarcimento pela mãe, em tese, poderia ser discutida 
em via autônoma, mas sem afetar a criança. 
A alternativa E está incorreta. Embora seja uma solução 
prática que protege o menor, o cerne da decisão do STJ 
é mais profundo: a própria ideia de usar a interrupção do 
tratamento como sanção é rechaçada por ser 
desarrazoada e cruel. A alternativa B captura melhor 
esse fundamento principal. 
 
Questão 26 
Com base na Lei nº 11.107/2005, que dispõe sobre 
normas gerais de contratação de consórcios públicos, 
assinale a alternativa correta. 
a) O contrato de consórcio público é considerado 
celebrado a partir da subscrição do protocolo de 
intenções pelos chefes do Poder Executivo, sendo a 
ratificação por lei uma formalidade posterior não 
essencial. 
b) O consórcio público com personalidade jurídica de 
direito público, constituído como associação pública, 
integra a administração indireta de todos os entes da 
Federação consorciados. 
c) Todo consórcio público, por ser formado por entes da 
Federação, adquirirá personalidade jurídica de direito 
público. 
d) A ratificação do protocolo de intenções por um ente 
da Federação, se realizada após 2 (dois) anos de sua 
subscrição, será considerada nula e sem efeitos. 
e) É válida a cláusula do contrato de consórcio que 
preveja o aporte de contribuições financeiras periódicas 
de um ente federado para o custeio geral do consórcio, 
independentemente de sua finalidade. 
Comentários: 
Gabarito: B 
A alternativa B está correta e corresponde ao gabarito da 
questão. Conforme o art. 6º, § 1º, da Lei nº 11.107/2005, 
o consórcio público constituído como associação pública 
(personalidade de direito público) passa a integrar a 
administração indireta de todos os entes federativos que 
o compõem. 
A alternativa A está incorreta. O art. 5º da lei é claro ao 
dispor que "O contrato de consórcio público será 
celebrado com a ratificação, mediante lei, do protocolo 
de intenções." A ratificação por lei é, portanto, condição 
essencial para a celebração do contrato. 
A alternativa C está incorreta. A lei oferece uma opção. 
O art. 6º prevê que o consórcio pode adquirir 
personalidade jurídica de direito público (inciso I) ou "de 
direito privado, mediante o atendimento dos requisitos 
da legislação civil" (incisoII). 
A alternativa D está incorreta. A ratificação tardia não é 
nula. Conforme o art. 5º, § 3º, a ratificação realizada 
após 2 anos "dependerá de homologação da assembleia 
geral do consórcio público." 
A alternativa E está incorreta. O art. 4º, § 3º, estabelece 
a regra da nulidade para tais cláusulas: "É nula a cláusula 
do contrato de consórcio que preveja determinadas 
contribuições financeiras ou econômicas de ente da 
Federação ao consórcio público, salvo a doação, 
destinação ou cessão do uso de bens móveis ou imóveis 
e as transferências ou cessões de direitos operadas por 
força de gestão associada de serviços públicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
DIREITO CIVIL 
Professor Paulo Sousa 
Questão 27 
Júlia reside com sua mãe em um imóvel que fora 
transferido para uma sociedade empresária, da qual sua 
mãe passou a ser sócia. O imóvel, ainda que esteja 
registrado em nome da empresa, continua sendo a 
moradia exclusiva de ambas, e não é utilizado para 
qualquer atividade empresarial. O imóvel é o único bem 
em que a genitora de Júlia possui posse direta e reside 
com a filha. Posteriormente, esse imóvel foi penhorado 
em execução fiscal ajuizada contra a empresa. 
Diante dessa situação hipotética, assinale a alternativa 
correta 
a) A impenhorabilidade do bem de família não pode ser 
reconhecida, pois o imóvel está registrado em nome de 
pessoa jurídica e isso afasta sua proteção, 
independentemente de ser usado como residência 
familiar. 
b) O imóvel pode ser protegido como bem de família, 
desde que se comprove que a genitora de Júlia não 
possui outro bem e reside no local, mesmo que ele 
pertença formalmente à pessoa jurídica. 
c) O fato de o imóvel estar registrado em nome da 
empresa torna irrelevante qualquer alegação de uso 
residencial, sendo possível sua penhora 
independentemente da posse e uso pelas moradoras. 
d) A impenhorabilidade do bem de família exige 
necessariamente que o imóvel seja de propriedade de 
pessoa natural, não podendo jamais ser reconhecida 
quando o bem está em nome de pessoa jurídica. 
e) A confusão entre o local de moradia e a titularidade 
do imóvel impede qualquer flexibilização da regra de 
impenhorabilidade, pois a Lei nº 8.009/1990 não permite 
interpretação extensiva. 
Comentários: 
Gabarito: B. 
A alternativa A está incorreta. A jurisprudência do STJ 
vem admitindo, em casos excepcionais, a proteção do 
bem de família mesmo quando o imóvel está em nome 
de pessoa jurídica, desde que comprovado o uso 
exclusivo como residência e a inexistência de outro 
imóvel pelo possuidor. O simples fato de o imóvel estar 
em nome da empresa não é suficiente para afastar a 
proteção da Lei nº 8.009/1990, conforme decidiu o STJ 
no AgInt no AREsp 2.360.631/RJ. 
A alternativa está correta. O STJ flexibilizou a aplicação 
da Lei nº 8.009/1990 para reconhecer que, em 
determinadas hipóteses, como a do caso concreto, o 
imóvel de propriedade de pessoa jurídica pode ser 
protegido como bem de família, desde que não haja 
outros bens em nome da pessoa que reside no imóvel e 
este não seja utilizado para fins empresariais, mas sim 
como moradia exclusiva da família. Foi exatamente esse 
o entendimento adotado no AgInt no AREsp 
2.360.631/RJ. 
A alternativa C está incorreta. A posse direta e o uso 
exclusivo do imóvel como residência têm relevância 
jurídica para a proteção do bem de família. O STJ 
reconheceu que a impenhorabilidade pode ser admitida 
mesmo que o imóvel esteja registrado em nome da 
empresa, quando demonstrado que se trata da moradia 
da genitora e de sua filha, e não há qualquer outro bem, 
afastando interpretações puramente formais sobre a 
titularidade. 
A alternativa D está incorreta. Embora o art. 1º da Lei nº 
8.009/1990 se refira ao imóvel residencial próprio do 
casal, da entidade familiar ou da pessoa solteira, a 
jurisprudência do STJ admite a relativização desse 
requisito de propriedade, especialmente quando o 
imóvel é a única moradia da família e está em nome de 
pessoa jurídica, desde que não utilizado para fins 
comerciais. Logo, não é exigido que sempre seja de 
pessoa natural. 
A alternativa E está incorreta. A Lei nº 8.009/1990 possui 
natureza de norma cogente e se fundamenta na 
dignidade da pessoa humana. Por isso, o STJ tem 
adotado interpretações teleológicas e sistemáticas, que 
autorizam a flexibilização da regra de titularidade 
quando há demonstração clara de que o imóvel 
preenche os requisitos materiais de bem de família. No 
caso julgado, ficou decidido que a simples confusão 
entre o local de moradia e o nome empresarial na 
matrícula do imóvel não impede o reconhecimento da 
impenhorabilidade. 
 
 
 
 
29 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 28 
Durante a realização de uma competição de rally, um 
piloto amador capotou o carro e caiu em um rio, ficando 
submerso. O navegador conseguiu sair e buscou ajuda de 
outros competidores e da equipe de apoio. A 
organização do evento, apesar de contar com 
ambulâncias e equipe médica disponíveis, não enviou 
socorro imediato ao local, mesmo após ser comunicada 
do acidente. O resgate foi feito exclusivamente por 
terceiros, e, ao ser retirado do veículo, o piloto já estava 
sem sinais vitais. A esposa da vítima ajuizou ação de 
indenização por danos morais contra a organizadora do 
evento, alegando omissão de socorro e perda da chance 
de sobrevivência. Com base na jurisprudência do STJ, 
assinale a alternativa correta 
a) A ausência de ambulância no local apenas configura 
omissão de socorro se comprovado que a vítima teria 
efetivamente sobrevivido, sendo esse o único critério 
para reconhecimento da responsabilidade civil. 
b) A aplicação da teoria da perda de uma chance exige 
que o dano final (óbito) seja diretamente causado pela 
conduta do agente, sendo indispensável a prova do nexo 
causal direto. 
c) A organizadora do evento não responde por omissão 
de socorro se houver alguma forma de ajuda prestada 
por terceiros, mesmo que sem capacitação técnica ou 
profissional. 
d) A frustração da legítima expectativa de socorro 
imediato e a perda da chance de sobrevida do piloto são 
suficientes para caracterizar a responsabilidade civil da 
organizadora. 
e) A responsabilidade da organizadora do evento 
somente se configura se ficar provado que a ambulância 
não existia ou que a equipe médica estava ausente, o que 
não ocorreu no caso concreto. 
Comentários: 
Gabarito: D. 
A alternativa A está incorreta. O STJ entendeu que não é 
necessário comprovar que a vítima teria efetivamente 
sobrevivido, mas sim que houve perda de uma chance 
real e concreta de sobrevida. A omissão de socorro gerou 
dano moral à autora e frustrou a legítima expectativa de 
assistência ao seu marido. A responsabilidade se firma 
mesmo na ausência de certeza sobre o desfecho, com 
base na probabilidade razoável de alteração no curso dos 
fatos 
A alternativa B está incorreta. A teoria da perda de uma 
chance não exige que o nexo causal seja com o dano final 
(óbito), mas sim com a chance perdida. O STJ tem 
precedentes firmes de que o dano reparável não é o 
evento final frustrado, mas a perda da oportunidade em 
si (REsp 1.254.141/PR). No caso, foi reconhecido que o 
envio imediato da ambulância poderia ter aumentado 
significativamente as chances de sobrevivência, o que 
basta para a responsabilização 
A alternativa C está incorreta. O fato de o socorro ter sido 
prestado por outros participantes não exime a 
responsabilidade da organizadora, que tinha dever 
objetivo de cuidado por se tratar de evento de risco 
previsível. A assistência prestada por leigos não substitui 
a atuação de equipe médica profissional. O STJ entendeu 
que houve omissão culposa, pois as ambulâncias 
estavam disponíveis, mas não foram acionadas 
A alternativa está correta. A responsabilização da 
organizadora se deu em razão da violação do dever de 
cuidado e da frustração da legítima expectativade 
socorro. A ausência de qualquer tentativa de assistência 
médica configurou omissão relevante, que, segundo o 
STJ, gerou profundo sofrimento e desamparo, 
configurando dano moral indenizável. Além disso, ficou 
demonstrada a perda de uma chance séria e concreta de 
sobrevida, ainda que não se pudesse afirmar com certeza 
o desfecho diverso 
A alternativa E está incorreta. A responsabilidade da 
organizadora não depende da inexistência de 
ambulância ou equipe médica, mas sim da não prestação 
do socorro, mesmo com os recursos disponíveis. O STJ 
deixou claro que a simples presença de ambulância no 
local do evento não supre o dever de ação diante de 
acidente comunicado, sendo omissiva a conduta da 
empresa ao deixar de agir prontamente 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 29 
Letícia, aos 28 anos de idade, ajuizou ação de 
indenização por danos morais contra seu padrasto, 
acusando-o de tê-la abusado sexualmente quando ela 
tinha entre 8 e 10 anos de idade. Segundo narra, apesar 
de ter consciência do ocorrido desde a adolescência, só 
compreendeu os reais danos psicológicos e a extensão 
das consequências do abuso aos 27 anos, quando iniciou 
acompanhamento terapêutico especializado. O juízo de 
primeiro grau reconheceu a prescrição com base no art. 
206, §3º, V, do CC/2002, afirmando que o prazo de 3 
anos contaria a partir da maioridade. Letícia recorreu. 
Com base na jurisprudência do STJ, assinale a alternativa 
correta 
a) A prescrição deve ser contada a partir da data da 
prática do abuso, nos termos da teoria objetiva da actio 
nata, prevalente no STJ. 
b) O prazo prescricional de 3 anos tem início automático 
a partir dos 18 anos, independentemente da consciência 
da vítima sobre os danos sofridos. 
c) Aplica-se a teoria subjetiva da actio nata, de modo que 
a contagem do prazo prescricional deve considerar o 
momento em que a vítima toma plena ciência da 
extensão dos danos. 
d) A existência de acompanhamento psicológico desde a 
adolescência impede o reconhecimento de qualquer 
prorrogação ou modificação do termo inicial da 
prescrição. 
e) Por se tratar de abuso sexual praticado durante a 
infância, não se aplica qualquer regra prescricional, 
sendo imprescritível a pretensão indenizatória. 
Comentários: 
Gabarito: C. 
A alternativa A está incorreta. O STJ adotou a teoria 
subjetiva da actio nata nos casos de abuso sexual infantil, 
afastando a aplicação automática da teoria objetiva 
segundo a qual o prazo começaria na data da violação. 
Segundo o REsp 2.123.047/SP, é preciso avaliar quando 
a vítima adquiriu real consciência dos danos e não 
apenas do ato em si. 
A alternativa B está incorreta. O STJ expressamente 
considerou inadequado vincular o termo inicial da 
prescrição à maioridade, nos casos de abuso sofrido na 
infância ou adolescência. O trauma pode se manifestar 
anos depois, e exigir a atuação imediata após os 18 anos 
seria desconsiderar a complexidade psicológica da 
vítima. 
A alternativa C está correta. A decisão do STJ no REsp 
2.123.047/SP afirmou que nos casos de abuso sexual 
infantil, deve ser aplicado o entendimento da teoria 
subjetiva da actio nata, segundo a qual o termo inicial da 
prescrição ocorre quando a vítima adquire ciência plena 
das consequências do abuso em sua vida — o que pode 
ocorrer muito tempo após os fatos, inclusive após os 21 
anos . 
A alternativa D está incorreta. O simples fato de a vítima 
ter feito tratamento psicológico na adolescência não 
significa, por si só, que ela tinha plena consciência dos 
danos. O STJ reconhece que o trauma pode ser 
reconhecido e enfrentado gradualmente, sendo possível 
que a consciência plena surja muito depois do início da 
terapia. 
A alternativa E está incorreta. Embora o STJ tenha 
relativizado o termo inicial da prescrição, não declarou a 
imprescritibilidade da ação indenizatória por abuso 
sexual infantil. O que se afirmou foi que, em razão da 
gravidade do trauma e da complexidade de sua 
percepção, o prazo só começa a correr com a ciência do 
dano em sua extensão, e não automaticamente. 
 
Questão 30 
André celebrou contrato de financiamento com 
alienação fiduciária em garantia para aquisição de um 
automóvel. No instrumento contratual, informou seu 
endereço eletrônico pessoal como meio válido de 
comunicação. Após atraso superior a 60 dias, a financeira 
encaminhou a notificação extrajudicial por e-mail, 
alertando sobre a mora e solicitando a devolução do 
bem. A mensagem foi recebida e lida, conforme 
comprovado por logs de acesso. Mesmo assim, André 
não entregou o veículo, e a financeira ajuizou ação de 
busca e apreensão. A defesa alegou nulidade da 
notificação, por não ter sido enviada por carta com AR. 
Com base no entendimento do STJ, assinale a alternativa 
correta 
a) A notificação extrajudicial, para ser válida, deve 
obrigatoriamente ser realizada por carta registrada com 
aviso de recebimento, nos termos do Decreto-Lei nº 
911/1969. 
31 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
b) A ausência de carta com AR torna nula a notificação 
por e-mail, ainda que haja prova inequívoca de que o 
devedor a recebeu e leu. 
c) É válida a notificação por e-mail, desde que 
encaminhada ao endereço eletrônico informado no 
contrato e comprovado o efetivo recebimento. 
d) O envio da notificação por e-mail somente é válido se 
for assinado digitalmente pelo tabelião de protesto 
competente. 
e) A jurisprudência do STJ exige que o devedor assine o 
aviso de recebimento (AR), seja em correspondência 
física ou digital, para que se caracterize mora. 
Comentários: 
Gabarito: C. 
A alternativa A está incorreta. O art. 2º, § 2º, do Decreto-
Lei nº 911/1969 prevê a carta registrada com AR como 
uma das formas possíveis de notificação, mas não exige 
exclusividade dessa via. O STJ, no REsp 2.087.485/RS, 
reconheceu a validade de outros meios, como o e-mail, 
desde que comprovado o efetivo recebimento pelo 
devedor. 
A alternativa B está incorreta. O STJ afastou a exigência 
da carta com AR como única forma válida de notificação. 
No caso julgado, considerou suficiente a notificação por 
e-mail quando: (i) enviada ao endereço eletrônico 
fornecido no contrato e (ii) comprovado que foi 
recebida. Assim, mesmo sem carta registrada, a 
notificação é válida se houver prova de ciência do 
devedor. 
A alternativa C está correta. De acordo com o REsp 
2.087.485/RS, é válida a notificação extrajudicial por e-
mail quando enviada ao endereço eletrônico indicado no 
contrato de alienação fiduciária, desde que haja 
comprovação do efetivo recebimento. Essa 
interpretação atende aos princípios da boa-fé, da função 
social do contrato e da modernização das comunicações. 
A alternativa D está incorreta. O STJ não exige assinatura 
digital por tabelião para validação de notificação por e-
mail. Basta que haja confirmação do envio ao endereço 
eletrônico contratualmente previsto e prova da ciência 
inequívoca pelo devedor, como confirmação de leitura 
ou logs do sistema de e-mail. 
A alternativa E está incorreta. A jurisprudência do STJ 
não exige assinatura do AR pelo devedor como condição 
de validade da notificação. No caso de notificações por 
meios eletrônicos, o recebimento pode ser comprovado 
por logs, relatórios de leitura ou outros documentos 
equivalentes que demonstrem a ciência da notificação 
pelo devedor fiduciante. 
 
Questão 31 
Luana prestou fiança em contrato de locação não 
residencial firmado por prazo determinado entre a 
empresa Alfa Comércio e o locador Pedro. Meses depois, 
um dos sócios da empresa com quem Luana mantinha 
relação familiar, retirou-se da sociedade. Incomodada 
com a mudança, Luana notificou extrajudicialmente 
Pedro, informando sua intenção de se exonerar da 
obrigação. A locação ainda estava dentro do prazo 
original. Pedro recebeu a notificação, mas nada 
respondeu. Quando a empresa deixou de pagar o 
aluguel, Pedro cobrou judicialmente os valores também 
de Luana, que alegouque já havia se desobrigado da 
fiança. 
Com base no entendimento do STJ, assinale a alternativa 
correta 
a) A notificação extrajudicial enviada por Luana tem 
efeito imediato e a exonera da obrigação de fiança, ainda 
que o contrato esteja vigente. 
b) A alteração do quadro societário da empresa 
afiançada é, por si só, causa suficiente para exoneração 
da fiança, independentemente de previsão contratual. 
c) O fiador pode se exonerar a qualquer tempo, desde 
que manifeste sua vontade por notificação extrajudicial 
e comprove motivo pessoal relevante. 
d) A fiança prestada em contrato por prazo determinado 
somente se extingue com o término do contrato, ainda 
que haja notificação exoneratória durante sua vigência 
ou alteração no quadro social da empresa afiançada. 
e) O vínculo afetivo com um dos sócios da empresa 
afiançada justifica a exoneração automática do fiador 
mediante simples comunicação extrajudicial. 
Comentários: 
Gabarito: D. 
A alternativa A está incorreta. De acordo com o STJ, no 
REsp 2.121.585/PR, em contrato de locação por prazo 
determinado, o fiador não se exonera automaticamente 
com a notificação extrajudicial, mesmo que enviada 
durante a vigência do contrato. A obrigação fidejussória 
32 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
se estende até o término do prazo contratual, salvo 
previsão em contrário. 
A alternativa B está incorreta. A alteração do quadro 
societário da empresa afiançada não é motivo suficiente 
para exoneração do fiador, segundo o STJ. A Corte 
afirmou que esse tipo de alteração é previsível e não 
pode ser alegado como fator automático de extinção da 
garantia, sob pena de fragilizar a fiança empresarial. 
A alternativa C está incorreta. A jurisprudência do STJ 
exige que, em contratos por prazo determinado, o fiador 
só se exonera com o fim do contrato ou 120 dias após ele 
se tornar indeterminado. A manifestação unilateral de 
vontade, mesmo que motivada, não basta para extinguir 
a fiança dentro da vigência do contrato. 
A alternativa D está correta. O STJ decidiu que, em 
contrato de locação por prazo determinado, o fiador só 
se exonera ao final do contrato, ainda que tenha enviado 
notificação durante a vigência contratual ou tenha 
havido alteração no quadro social da empresa locatária. 
Essas circunstâncias não antecipam o efeito 
exoneratório. 
E alternativa está incorreta. O vínculo pessoal ou afetivo 
com um dos sócios da empresa afiançada não justifica a 
exoneração automática da fiança. O STJ considerou que 
tal fundamento é subjetivo e frágil, sendo necessário que 
a exoneração esteja expressamente prevista no 
contrato, nos termos do art. 830 do CC/2002. 
 
Questão 32 
Pedro ajuizou ação de petição de herança contra os 
herdeiros do falecido João, alegando ser seu filho 
biológico. Como o reconhecimento da paternidade ainda 
não havia sido declarado judicialmente, Pedro também 
propôs ação de investigação de paternidade post 
mortem. A sucessão de João havia sido aberta há sete 
anos. 
À luz da jurisprudência do STJ, assinale a alternativa 
correta 
a) O prazo prescricional da ação de petição de herança, 
nos casos de pretensão cumulada com reconhecimento 
de paternidade, só se inicia com o trânsito em julgado da 
ação investigatória. 
b) A imprescritibilidade da ação de investigação de 
paternidade estende-se à petição de herança, 
impedindo a contagem de qualquer prazo prescricional. 
c) A legitimidade para suceder depende do 
reconhecimento judicial da filiação, sendo 
imprescindível sua obtenção prévia para o ajuizamento 
da petição de herança. 
d) A jurisprudência do STJ admite a aplicação da teoria 
subjetiva da actio nata para postergar o prazo 
prescricional da petição de herança até que a 
paternidade seja reconhecida. 
e) O prazo prescricional para propor ação de petição de 
herança conta-se da abertura da sucessão, ainda que 
cumulada com pedido de reconhecimento de 
paternidade post mortem, não sendo suspenso ou 
interrompido por essa ação. 
Comentários: 
Gabarito: E. 
A alternativa A está incorreta. A jurisprudência do STJ 
firmada no Tema 1200 determina que o prazo 
prescricional da ação de petição de herança tem início na 
data da abertura da sucessão, mesmo que cumulada 
com o pedido de reconhecimento de paternidade post 
mortem. Não se condiciona esse marco ao trânsito em 
julgado da ação investigatória. 
A alternativa B está incorreta. Embora a ação de 
investigação de paternidade seja imprescritível (art. 27 
do ECA), isso não se estende à petição de herança, que 
tem natureza patrimonial e, portanto, sujeita-se ao 
prazo prescricional previsto no art. 206, §3º, V, do 
CC/2002 (prazo de 10 anos). A imprescritibilidade não 
contamina pretensões distintas. 
A alternativa C está incorreta. Segundo o art. 1.784 do 
CC/2002, a herança transmite-se automaticamente aos 
herdeiros legítimos e testamentários com a abertura da 
sucessão. Assim, é possível propor a petição de herança 
antes do reconhecimento judicial da filiação, inclusive de 
forma cumulada com a ação investigatória. 
A alternativa D está incorreta. A teoria subjetiva da actio 
nata não se aplica à ação de petição de herança. O STJ, 
no Tema 1200, adotou a vertente objetiva, vinculando o 
início do prazo prescricional à abertura da sucessão, 
afastando a possibilidade de postergação com base na 
ciência subjetiva do direito. 
A alternativa E está correta. De acordo com o 
entendimento firmado pela Segunda Seção do STJ no 
julgamento dos REsps 2.029.809/MG e 2.034.650/SP, o 
prazo prescricional da ação de petição de herança tem 
33 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
início com a abertura da sucessão, independentemente 
do ajuizamento da ação de reconhecimento de 
paternidade post mortem. Essa ação declaratória não 
suspende nem interrompe o curso da prescrição da 
pretensão sucessória. 
 
Questão 33 
Em uma ação de indenização por danos materiais e 
morais, os pais de uma recém-nascida falecida dias após 
o parto ajuízam demanda contra o hospital público em 
razão de negligência médica. Foi constatado que não 
foram realizados exames essenciais antes da cesariana, 
o que contribuiu para o óbito da criança. Diante disso, a 
família pleiteia, além da compensação por danos morais, 
o recebimento de pensão mensal. 
Considerando o entendimento do STJ e a jurisprudência 
dominante, assinale a alternativa correta 
a) O pensionamento somente é devido se comprovada a 
dependência econômica da família em relação à vítima, 
independentemente da renda familiar. 
b) O termo inicial do pensionamento deve ser o 
nascimento da criança, pois é quando se inicia o vínculo 
familiar e o potencial de auxílio futuro. 
c) Não é cabível a fixação de pensionamento no caso de 
morte de recém-nascido, pois não há comprovação de 
efetiva perda de capacidade laborativa. 
d) A pensão será devida com termo inicial a partir da data 
em que a vítima completaria 14 anos, e o termo final 
corresponderá à expectativa média de vida do brasileiro. 
e) A jurisprudência do STJ considera que a morte de filho 
menor, ainda que decorrente de ato ilícito, não gera 
direito à indenização por dano material na forma de 
pensão. 
Comentários: 
Gabarito: D. 
A alternativa A está incorreta. O art. 948, II, do CC/2002 
assegura pensão à família da vítima fatal de ato ilícito, 
ainda que menor. No caso de famílias de baixa renda, 
presume-se a dependência econômica, não sendo 
necessária a comprovação. Essa presunção não se aplica 
a todas as situações, mas o STJ reconheceu a 
possibilidade de pensionamento com base na presunção 
de auxílio econômico futuro (REsp 2.121.056/PR). 
A alternativa B está incorreta. O termo inicial do 
pensionamento não é o nascimento da criança. De 
acordo com o STJ, a data de início deve ser quando a 
vítima completaria 14 anos, idade mínima legal para o 
trabalho (REsp 2.121.056/PR), com base no art. 403 da 
CLT e na expectativa de contribuição futura ao sustento 
dos pais. 
A alternativa C está incorreta.Segundo a Súmula 491 do 
STF, "é indenizável o acidente que cause a morte de filho 
menor, ainda que não exerça trabalho remunerado". O 
STJ reafirmou esse entendimento ao reconhecer que é 
possível presumir que a vítima contribuiria com os pais 
no futuro, sendo cabível o pensionamento (REsp 
2.121.056/PR). 
A alternativa D está correta. Conforme decidido pelo STJ 
no REsp 2.121.056/PR, em caso de falecimento de 
recém-nascido por erro médico, o termo inicial do 
pensionamento será a data em que a vítima completaria 
14 anos, e o termo final será a data em que ela atingiria 
a expectativa média de vida do brasileiro, conforme 
dados do IBGE. 
A alternativa E está incorreta. A jurisprudência 
consolidada admite a indenização por dano material, na 
forma de pensão, mesmo na hipótese de falecimento de 
filho menor, ainda que este não exercesse atividade 
remunerada. Trata-se de entendimento pacificado na 
Súmula 491 do STF e reafirmado no REsp 2.121.056/PR. 
 
Questão 34 
Lucas celebrou contrato de compra e venda de um 
imóvel rural que contava com casa sede, cercas, árvores 
frutíferas, um trator, uma coleção de ferramentas, dois 
quadriciclos e uma estufa de vidro desmontável, 
instalada no fundo do terreno. 
Após a aquisição, surgiram controvérsias entre as partes 
sobre o que integraria o negócio jurídico. Lucas alegava 
que todos os elementos listados estavam ligados ao uso 
do imóvel e, por isso, deviam estar incluídos na venda. O 
vendedor discordava, alegando que apenas a casa sede 
e as árvores frutíferas integrariam o imóvel. 
Com base na classificação dos, assinale a alternativa 
correta 
a) As ferramentas são consideradas benfeitorias 
necessárias e, por isso, integram o imóvel 
independentemente de menção expressa. 
34 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
b) O trator é considerado parte integrante do imóvel e 
não pode ser retirado pelo antigo proprietário após a 
venda. 
c) Os quadriciclos, por serem móveis, são considerados 
produtos da propriedade e seguem a sorte do bem 
principal. 
d) A estufa desmontável constitui parte integrante do 
imóvel e, portanto, está abarcada no contrato de compra 
e venda. 
e) A coleção de ferramentas, o trator, os quadriciclos e a 
estufa desmontável são pertenças e, por regra, não se 
presumem incluídas na venda do imóvel. 
Comentários: 
Gabarito: E. 
A alternativa A está incorreta. As ferramentas não são 
benfeitorias, tampouco necessárias. Benfeitorias são 
acréscimos realizados sobre o bem principal (art. 96 do 
CC/2002), enquanto ferramentas são bens destacados, 
móveis, utilizados no imóvel, mas não incorporados a 
ele. Classificam-se, na verdade, como pertenças, não 
abrangidas automaticamente pelo contrato de compra e 
venda, salvo previsão expressa ou circunstâncias 
específicas (art. 94 do CC/2002). 
A alternativa B está incorreta. O trator, embora 
destinado ao uso da propriedade rural, é um bem móvel 
e conserva sua individualidade. Não é considerado parte 
integrante do imóvel, pois não está incorporado de 
forma permanente e inseparável. Enquadra-se também 
como pertença, com autonomia, nos termos do art. 93 
do CC/2002. 
A alternativa C está incorreta. Os quadriciclos são bens 
móveis, mas não se qualificam como produtos, que são 
retirados do bem principal com diminuição de sua 
substância (ex: madeira de uma árvore). Tampouco são 
frutos civis, pois não derivam de relação jurídica. São 
bens móveis independentes e, assim como o trator, 
classificam-se como pertenças. 
A alternativa D está incorreta. A estufa desmontável, por 
sua própria natureza, não se confunde com construção 
permanentemente incorporada ao solo. Sendo 
removível, é considerada pertença, e não parte 
integrante do imóvel, nos termos do art. 93 do CC/2002. 
Não se presume incluída no contrato. 
A alternativa E está correta. Todos os bens móveis 
mencionados, ferramentas, trator, quadriciclos e estufa 
desmontável são pertenças, pois, embora destinados ao 
uso da propriedade rural, não constituem partes 
integrantes do imóvel e conservam sua autonomia. 
Segundo o art. 94 do CC/2002, os negócios jurídicos que 
dizem respeito ao bem principal não abrangem as 
pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da 
manifestação de vontade ou das circunstâncias do caso. 
 
Questão 35 
Durante uma tempestade, um raio atinge a árvore de um 
terreno, fazendo com que esta caia sobre o telhado da 
casa vizinha, causando grande prejuízo. O proprietário 
do imóvel danificado busca reparação civil pelos danos. 
Em outra situação, uma mulher aceita doação de um 
imóvel feita por seu pai, sem qualquer ônus, e passa a 
residir no local. 
Diante dessas situações, analise as proposições abaixo, à 
luz da classificação dos fatos jurídicos no Código Civil 
a) A queda da árvore causada por fenômeno natural 
configura fato jurídico em sentido estrito, enquanto a 
aceitação da doação é um negócio jurídico unilateral. 
b) Ambos os eventos são classificados como atos 
jurídicos em sentido estrito, pois produzem efeitos legais 
ainda que não envolvam manifestação de vontade. 
c) A aceitação da doação é um fato jurídico em sentido 
estrito, pois deriva de um acontecimento natural e gera 
efeitos jurídicos imediatos. 
d) A queda da árvore configura ato ilícito, pois causou 
prejuízo e violou o dever de vigilância do proprietário 
sobre a vegetação existente. 
e) A doação é ato-fato jurídico, pois depende apenas de 
um comportamento humano para gerar efeitos jurídicos, 
independentemente de intenção. 
Comentários: 
Gabarito: A. 
A alternativa A está correta. O raio que derruba uma 
árvore é um fato jurídico em sentido estrito, pois decorre 
de um fenômeno natural, alheio à vontade humana, mas 
com repercussão no mundo jurídico. Já a aceitação de 
doação é ato volitivo e formal que integra a estrutura de 
um negócio jurídico unilateral, pois depende apenas da 
manifestação de vontade do donatário para produzir 
seus efeitos (art. 538 do CC/2002). 
35 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
A alternativa B está incorreta. O ato jurídico em sentido 
estrito pressupõe manifestação de vontade, ainda que 
esta não vise diretamente à produção de efeitos 
jurídicos. A queda da árvore não é um ato jurídico, mas 
sim um fato jurídico em sentido estrito, pois resulta de 
fenômeno da natureza. Já a aceitação da doação, por ser 
voluntária, não pode ser enquadrada nessa categoria. 
A alternativa C está incorreta. A aceitação da doação 
depende da vontade do donatário e, por isso, não é um 
fato jurídico em sentido estrito. Esta categoria se 
restringe a eventos que independem da vontade 
humana, como nascimento, morte ou fenômenos 
naturais. A doação envolve consentimento e 
manifestação de vontade, trata-se, portanto, de negócio 
jurídico. 
A alternativa D está incorreta. A queda da árvore por 
força de um raio é evento natural e imprevisível, o que 
afasta a caracterização como ato ilícito. Para que 
houvesse responsabilidade civil, seria necessário 
demonstrar culpa ou negligência do proprietário, o que 
não ocorre em fenômenos da natureza inevitáveis e sem 
relação com conduta humana (art. 927, parágrafo único, 
do CC/2002). 
A alternativa E está incorreta. A doação não é ato-fato 
jurídico. Esta categoria exige uma conduta humana 
voluntária, mas cujos efeitos decorrem diretamente da 
lei, e não da vontade do agente, como o reconhecimento 
de paternidade. A doação, por sua vez, é negócio jurídico 
bilateral (oferta e aceitação), nos termos do art. 538 do 
CC/2002. 
 
Questão 36 
Marcos, de 16 anos, celebra contrato de compra e venda 
de um imóvel residencial no valor de R$ 450.000,00, sem 
assistência de seus representantes legais. O vendedor, 
por sua vez, tinha ciência da idade do comprador e da 
ausência de autorização dos pais. O pagamento foi feito 
com recursos da herança que Marcos recebeu do avô 
falecido. 
Alguns meses depois, os pais de Marcos decidem 
impugnar o contrato judicialmente. Com base nas regras 
do Código Civilsobre invalidade dos negócios jurídicos, 
assinale a alternativa correta 
a) O negócio é nulo, pois envolve absolutamente incapaz 
sem representação, o que o torna insuscetível de 
convalidação. 
b) O negócio é anulável, podendo ser convalidado por 
confirmação expressa após Marcos atingir a maioridade. 
c) O negócio é válido, pois o pagamento foi realizado com 
recursos próprios e não houve vício na manifestação de 
vontade. 
d) O negócio é inexistente, pois a ausência de capacidade 
civil do comprador impede que haja formação 
contratual. 
e) O negócio é nulo, mas poderá ser validado 
automaticamente após três anos de sua celebração, 
desde que não haja oposição judicial. 
Comentários: 
Gabarito: B. 
A alternativa A está incorreta. Marcos, aos 16 anos, é 
relativamente incapaz, e não absolutamente incapaz 
(art. 4º, I, do CC/2002). Negócio jurídico realizado por 
relativamente incapaz sem assistência dos 
representantes legais é anulável (art. 171, I, do CC/2002), 
e não nulo. Portanto, admite convalidação por 
confirmação após atingir a maioridade (art. 172). 
A alternativa B está correta. O contrato foi celebrado por 
relativamente incapaz sem assistência, o que torna o 
negócio anulável, nos termos do art. 171, I, do CC/2002. 
Após alcançar a maioridade, Marcos poderá confirmar 
expressamente o negócio, convalidando-o (art. 172 do 
CC/2002). 
A alternativa C está incorreta. A validade do negócio 
jurídico não se restringe à origem dos recursos, mas 
exige a capacidade civil e a observância das formalidades 
legais. A falta de assistência dos representantes legais 
torna o contrato anulável, mesmo que o valor tenha 
origem lícita. 
A alternativa D está incorreta. O negócio jurídico 
celebrado por relativamente incapaz sem assistência não 
é inexistente. O Código Civil não prevê a categoria da 
inexistência; o ato é considerado anulável, e não 
inexistente. A doutrina reconhece a inexistência em 
hipóteses excepcionais (como ausência total de 
manifestação de vontade), o que não ocorre no caso. 
A alternativa E está incorreta. A nulidade não se 
convalida com o tempo, sendo imprescritível e podendo 
ser alegada a qualquer tempo (art. 169 do CC/2002). 
Além disso, o caso envolve anulabilidade, cujo prazo de 
decadência é de 4 anos (art. 179), e não 3 anos, como 
sugere a alternativa. 
36 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 37 
Henrique, credor de dívida líquida e certa, ajuizou ação 
de cobrança contra seu devedor, que é seu irmão e se 
encontrava em viagem internacional durante a 
tramitação do processo. Ao longo da ação, o juiz 
determinou a citação válida do devedor. Após anos de 
litígio, Henrique perdeu a ação por vício processual. Dois 
anos depois, propôs nova demanda com base no mesmo 
crédito. 
Considerando as causas legais de suspensão e 
interrupção da prescrição no Código Civil, assinale a 
alternativa correta 
a) O prazo prescricional permaneceu suspenso durante 
todo o período em que o réu esteve no exterior, sendo 
irrelevante a sua citação. 
b) A propositura da primeira ação suspendeu a 
prescrição, e o vício processual não afeta esse efeito 
jurídico. 
c) A prescrição foi interrompida pelo ajuizamento da 
ação, e o novo prazo passou a contar do trânsito em 
julgado da primeira sentença. 
d) A prescrição foi interrompida pela citação válida na 
primeira ação, mas o prazo voltou a correr após o 
trânsito em julgado da decisão que extinguiu o processo. 
e) Não houve interrupção da prescrição, pois o vínculo 
de parentesco entre as partes impede o curso do prazo 
enquanto durar a relação familiar. 
Comentários: 
Gabarito: D. 
A alternativa A está incorreta. A mera ausência do réu no 
exterior não suspende automaticamente a prescrição. O 
art. 198, II, do CC/2002 prevê suspensão para os 
ausentes do país a serviço público da União, dos Estados 
ou dos Municípios, ou nos termos de tratados. No caso 
descrito, a citação válida faz cessar qualquer discussão 
sobre suspensão por ausência. 
A alternativa B está incorreta. A propositura da ação, por 
si só, não suspende a prescrição. Nos termos do art. 202, 
I, do CC/2002, a prescrição é interrompida pela citação 
válida, não pelo mero ajuizamento. Além disso, se a ação 
for extinta por vício processual (sem resolução de 
mérito), o efeito interruptivo não se perpetua 
indefinidamente. 
A alternativa C está incorreta. A prescrição, nos termos 
do art. 202, I, do CC/2002, é interrompida pela citação 
válida, e o novo prazo começa a correr do zero, mas 
somente se a ação for julgada procedente ou válida. Se a 
ação é extinta por vício formal, o prazo volta a correr 
como se não houvesse interrupção efetiva. 
A alternativa D está correta. A prescrição foi 
interrompida com a citação válida (art. 202, I, do 
CC/2002). Porém, como a ação foi extinta sem 
julgamento do mérito por vício processual, o prazo 
recomeça a correr após o trânsito em julgado da 
sentença extintiva, nos termos da jurisprudência 
consolidada do STJ. 
A alternativa E está incorreta. O parentesco entre as 
partes não impede, por si só, o curso da prescrição. O art. 
197 do CC/2002 prevê suspensão da prescrição entre 
cônjuges na constância da sociedade conjugal, entre 
ascendentes e descendentes, e entre tutor e pupilo 
durante a tutela, mas não entre irmãos. 
 
Questão 38 
Davi compromete-se contratualmente a entregar a 
Maria uma determinada carga de soja até o dia 30 de 
junho. No contrato, ficou estipulado que, caso o produto 
não estivesse disponível por motivos climáticos até a 
data prevista, Davi poderia entregar a mesma 
quantidade de milho como alternativa. O contrato 
também prevê multa compensatória no valor de R$ 
10.000,00 em caso de descumprimento total da 
obrigação. 
Considerando os princípios e espécies de obrigações 
quanto ao objeto, assinale a alternativa correta 
a) A obrigação assumida por Davi é simples, pois há um 
único objeto a ser entregue, e o milho é apenas acessório 
contratual. 
b) Trata-se de obrigação divisível, pois tanto a soja 
quanto o milho podem ser entregues em partes, ainda 
que fora do prazo. 
c) A cláusula de substituição do objeto descaracteriza a 
obrigação como obrigação alternativa, tornando-a 
condicional. 
d) A multa prevista é nula, pois representa penalidade 
antecipada por inadimplemento involuntário decorrente 
de evento climático. 
37 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
e) A obrigação é alternativa, pois possui dois objetos 
possíveis, sendo a escolha inicialmente conferida ao 
devedor, conforme cláusula contratual. 
Comentários: 
Gabarito: E. 
A alternativa A está incorreta. A obrigação não é simples, 
pois há dois objetos distintos possíveis de cumprimento 
(soja ou milho). A característica de uma obrigação 
simples é a existência de um único objeto e prestação. 
No caso, o milho é uma prestação alternativa, e não um 
acessório contratual. 
A alternativa B está incorreta. A divisibilidade da 
obrigação refere-se à possibilidade de fracionamento da 
prestação sem alterar sua essência (art. 257 do 
CC/2002). No caso, trata-se de obrigação alternativa, 
pois há dois objetos diferentes, e não de obrigação 
fracionável. Além disso, o prazo contratual é essencial. 
A alternativa C está incorreta. A cláusula que prevê 
substituição da soja por milho em caso de 
indisponibilidade não configura condição, mas sim 
estrutura uma obrigação alternativa, na qual existe mais 
de uma prestação possível, cabendo ao devedor escolher 
a que será cumprida, conforme previsão contratual (art. 
252 do CC/2002). 
A alternativa D está incorreta. A cláusula penal é válida 
mesmo diante de inadimplemento por motivo alheio à 
vontade do devedor, salvo se este comprovar caso 
fortuito ou força maior (art. 393 do CC/2002). Além 
disso, a multa é compensatória, pactuada previamente 
para prever as consequências do inadimplemento, o que 
é permitido. 
A alternativa E está correta. A obrigação com dois 
objetos possíveis, soja ou milho, caracteriza-se como 
obrigaçãoalternativa, nos termos do art. 252 do 
CC/2002. O contrato atribui a escolha inicialmente ao 
devedor, e há regra para substituição caso a prestação 
principal se torne impossível. Está plenamente 
configurada a natureza da obrigação alternativa. 
 
 
 
 
 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Professor Rodrigo Vaslin 
Questão 39 
Dispondo de elementos de prova suficientes, colhidos 
em procedimento administrativo instaurado para tal fim, 
o órgão do Ministério Público dotado de atribuição 
ajuizou ação em face de X, suposto genitor da criança Y, 
pleiteando a declaração judicial da paternidade. 
Após a distribuição da peça exordial, Y, representado por 
sua genitora, protocolizou petição em que requeria o seu 
ingresso no feito, o que foi indeferido pelo juiz da causa. 
Ressaltou o magistrado que os interesses da criança já 
vinham sendo adequadamente tutelados pelo Ministério 
Público naquela ação de investigação de paternidade e 
que o ingresso pretendido acabaria por comprometer a 
celeridade da marcha processual. 
Nesse contexto, é correto afirmar que: 
a) o Ministério Público atua no processo como 
legitimado ativo ordinário; 
b) acertou o juiz ao indeferir o ingresso da criança, haja 
vista a garantia fundamental da razoável duração do 
processo; 
c) errou o juiz ao indeferir o ingresso da criança, já que 
este poderia atuar no feito na qualidade de assistente 
simples; 
d) a decisão de indeferimento do ingresso da criança é 
impugnável pelo recurso de agravo de instrumento; 
e) a decisão de indeferimento do ingresso da criança é 
insuscetível de impugnação por qualquer via recursal 
típica. 
Comentários: 
Gabarito: D 
letra a: errada, pois atua como legitimado 
extraordinário. 
Letra b: errada, pois a presença do MP não anula nem 
exclui o direito da parte de participar do processo. 
Letra c: errada. O assistente simples é um terceiro com 
interesse jurídico de que a sentença seja favorável a uma 
das partes, pois sua relação jurídica pode ser afetada 
indiretamente. A criança Y, no entanto, não tem um 
interesse indireto; ela é a titular do próprio direito 
discutido. Sua posição seria de litisconsorte ativa (uma 
das autoras da ação), e não de mera assistente 
38 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Letra d: certa. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento 
contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: 
(...) IX - admissão ou inadmissão de intervenção de 
terceiros; 
Letra e: errada. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento 
contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: 
(...) IX - admissão ou inadmissão de intervenção de 
terceiros; 
 
Questão 40 
Ana celebrou contrato de locação com Bruna e Carla, 
tendo constatado, três meses depois do início do vínculo 
contratual, que Bruna, sem a ciência da colocatária, 
havia cometido infração a uma das cláusulas da avença. 
Na sequência, Ana intentou ação de despejo para obter 
a rescisão do contrato e a desocupação do imóvel, tendo 
incluído apenas Bruna no polo passivo da demanda. 
Apreciando a petição inicial, caberá ao Juiz 
a) proceder ao juízo positivo de admissibilidade da ação, 
já que a hipótese não é de litisconsórcio passivo. 
b) proceder ao juízo positivo de admissibilidade da ação, 
já que a hipótese seria de litisconsórcio passivo 
facultativo. 
c) proceder ao juízo positivo de admissibilidade da ação, 
já que, mesmo sendo a hipótese de litisconsórcio passivo 
necessária, a sua inobservância deverá ser arguida na 
contestação da ré. 
d) incluir ex officio no polo passivo a litisconsorte 
necessária faltante e, então, proceder ao juízo positivo 
de admissibilidade da ação. 
e) assinar prazo à autora para emendar a petição inicial, 
incluindo no polo passivo a litisconsorte necessária 
faltante e requerendo a sua citação, sob pena de 
extinção do feito. 
Comentários: 
Gabarito: E 
letra e: correta. Art. 115. A sentença de mérito, quando 
proferida sem a integração do contraditório, será: I - 
nula, se a decisão deveria ser uniforme em relação a 
todos que deveriam ter integrado o processo; II - 
ineficaz, nos outros casos, apenas para os que não foram 
citados. Parágrafo único. Nos casos de litisconsórcio 
passivo necessário, o juiz determinará ao autor que 
requeira a citação de todos que devam ser litisconsortes, 
dentro do prazo que assinar, sob pena de extinção do 
processo. 
 
Questão 41 
A modalidade de intervenção de terceiros por meio da 
qual se viabiliza ao autor ou ao réu o exercício do direito 
que lhes assiste, em face do alienante imediato, por 
conta da evicção, é: 
a) chamamento ao processo; 
b) assistência simples; 
c) assistência litisconsorcial; 
d) denunciação da lide; 
e) oposição. 
Comentários: 
Gabarito: D 
 letra d: correta. Art. 125. É admissível a denunciação da 
lide, promovida por qualquer das partes: I - ao alienante 
imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi 
transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer 
os direitos que da evicção lhe resultam; II - àquele que 
estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, 
em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no 
processo. 
 
Questão 42 
Hugo pediu antecipação de tutela contra o plano de 
saúde Você Saudável LTDA, o que fora concedido pelo 
juiz. O plano, intimado, recorreu da decisão, que foi 
revertida em agravo de instrumento. Após a instrução, o 
juiz julgou improcedentes os pedidos, e a sentença foi 
confirmada em todas as instâncias. 
Nesse caso, a pretensão de indenização pelas despesas 
incorridas por força do cumprimento da tutela de 
urgência prescreve em: 
a) três anos a contar do trânsito em julgado da ação de 
conhecimento; 
b) três anos a contar do trânsito em julgado do acórdão 
em agravo de instrumento que revogou a tutela; 
c) dez anos a contar do trânsito em julgado da ação de 
conhecimento; 
d) dez anos a contar da decisão do acórdão que revogou 
a tutela de urgência; 
39 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
e) dez anos a contar do trânsito em julgado do acórdão 
em agravo de instrumento que revogou a tutela. 
Comentários: 
Gabarito: A 
letra a: correta. O termo inicial da prescrição da 
pretensão de reparação de danos causados por liminar 
concedida e posteriormente revogada é a data do 
trânsito em julgado da correspondente ação de 
conhecimento. STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1.725.366-
SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 
23/9/2024 (Info 23 - Edição Extraordinária) 
Ainda, a ação é de reparação de danos - cujo lapso 
prescricional é de 3 anos (art. 206, § 3º, V, do CC). 
Lembrando que a situação é diferente quando se tratar 
de revogação de liminar de benefícios previdenciários: É 
de 10 anos o prazo prescricional aplicável à pretensão de 
restituição de valores de benefícios previdenciários 
complementares recebidos por força de decisão liminar 
posteriormente revogada, tendo em vista não se tratar 
de hipótese de enriquecimento sem causa, de prescrição 
intercorrente ou de responsabilidade civil. STJ. 2ª 
Seção.REsp 1.939.455-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 26/4/2023 (Info 772). 
 
Questão 43 
No que se refere aos prazos processuais, é correto 
afirmar que 
a) a parte não poderá renunciar ao prazo estabelecido 
exclusivamente em seu favor, ainda que o faça 
expressamente. 
b) nos processos em autos eletrônicos, os litisconsortes 
que tiverem diferentes patronos, integrantes de 
escritórios de advocacia distintos, terão os prazos 
contados em dobro. 
c) o Ministério Público terá o prazo contado em dobro 
para as suas manifestações, salvo se atuar no feito como 
fiscal da ordem jurídica, caso em que o seu prazo será 
simples. 
d) salvo disposição em contrário, os prazos se contam 
excluindo o dia do começo e incluindo o dia do 
vencimento, devendo ser computados apenas os dias 
úteis, quando fixados em dias. 
e) o juiz deverá proferir sentença, terminativa ou 
definitiva, no prazo de quarenta e cinco dias, sob pena 
de invalidade do ato decisório. 
Comentários:da mora 
legislativa, especialmente diante do extenso lapso 
temporal decorrido desde a promulgação da 
Constituição. O tipo penal da apropriação indébita (art. 
168 do CP) não contempla adequadamente a conduta de 
retenção dolosa do salário do trabalhador, exigindo, por 
determinação constitucional, tipificação específica. Em 
suma: o Congresso Nacional está em mora na edição da 
lei regulamentadora referente à tipificação penal da 
retenção dolosa do salário dos trabalhadores urbanos e 
rurais (art. 7º, X, CF/88). O STF fixou o prazo de 180 para 
que seja sanada a omissão. STF. Plenário. ADO 82/DF, 
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/05/2025 (Info 1179) 
(E) INCORRETA - O STF possui competência para fixar 
prazo ao Poder Legislativo para sanar omissões 
5 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
inconstitucionais, conforme previsto no art. 103, § 2º, da 
CF/88. Esta medida não viola o princípio da separação 
dos poderes, mas sim representa exercício legítimo da 
função jurisdicional de guardião da Constituição. Na ADO 
82/DF, o Tribunal fixou prazo de 180 dias para que o 
Congresso Nacional edite a lei regulamentadora, 
demonstrando que tal providência é não apenas 
possível, mas necessária para dar efetividade aos 
comandos constitucionais. 
 
Questão 3 
Maria Silva, policial civil há 28 anos, completou 55 anos 
de idade em março de 2025 e pretende se aposentar 
com base nas regras estabelecidas pela Emenda 
Constitucional nº 103/2019. Ao consultar o 
departamento de recursos humanos de sua corporação, 
foi informada de que deveria cumprir os mesmos 
requisitos temporais exigidos dos policiais homens, ou 
seja, 30 anos de contribuição e 55 anos de idade, não 
havendo diferenciação por gênero. Inconformada com 
essa informação e alegando violação ao princípio da 
igualdade material, Maria procurou assessoria jurídica 
para questionar a constitucionalidade da norma. Seu 
advogado informou sobre a existência de ação judicial 
em tramitação no Supremo Tribunal Federal 
questionando exatamente essa matéria. 
Considerando o julgamento o entendimento do STF e os 
princípios constitucionais da igualdade formal e material, 
assinale a alternativa CORRETA: 
a) A Emenda Constitucional nº 103/2019 está em plena 
conformidade com o princípio da igualdade, uma vez que 
estabelece tratamento idêntico entre homens e 
mulheres para aposentadoria especial de policiais, 
concretizando a igualdade formal prevista no art. 5º, I, 
da CF/88. 
b) O STF reconheceu a constitucionalidade da exigência 
de requisitos iguais para aposentadoria de policiais 
homens e mulheres, por entender que a diferenciação 
de gênero violaria o princípio da igualdade formal e 
criaria privilégios inconstitucionais. 
c) A igualdade material exige tratamento diferenciado 
quando as situações são desiguais, razão pela qual o STF 
deferiu medida cautelar, em meio a ADI 7.727, 
determinando a aplicação da regra geral de redução de 
3 anos para as mulheres policiais civis e federais até 
edição de norma adequada pelo Congresso Nacional. 
d) Embora tenha reconhecido a inconstitucionalidade da 
norma, o STF não pode determinar critérios específicos 
nem prazo para correção da omissão, devendo aguardar 
a iniciativa espontânea do Poder Legislativo para 
regulamentar a matéria. 
e) A diferenciação de gênero para aposentadoria de 
servidores públicos foi completamente abolida pela EC 
nº 103/2019, não sendo mais possível qualquer distinção 
entre homens e mulheres no âmbito previdenciário, 
independentemente da atividade exercida. 
Comentários: 
Gabarito: C 
(A) INCORRETA - A EC nº 103/2019 NÃO está em 
conformidade com o princípio da igualdade 
constitucional. O STF, na ADI 7.727 MC-Ref/DF, declarou 
inconstitucional a exigência de requisitos iguais para 
aposentadoria de policiais homens e mulheres. A Corte 
esclareceu que a igualdade formal (tratamento idêntico) 
nem sempre realiza a igualdade material (tratamento 
adequado às diferenças). Conforme o julgado, "os 
dispositivos impugnados se afastam do vetor 
constitucional da igualdade material entre mulheres e 
homens, não havendo justificativa suficiente para que os 
requisitos exigidos das servidoras policiais deixem de 
contemplar a necessária diferenciação de gênero". 
(B) INCORRETA - O STF NÃO reconheceu a 
constitucionalidade da norma. Pelo contrário, a Corte 
deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia das 
expressões "para ambos os sexos" contidas nos arts. 5º, 
caput, e 10, § 2º, I, da EC nº 103/2019. O Tribunal 
expressamente consignou que a norma não respeitou a 
igualdade material entre mulheres e homens, sendo 
necessária a diferenciação de gênero para concretizar a 
verdadeira igualdade constitucional. 
(C) CORRETA - Esta alternativa reproduz fielmente o 
entendimento do STF. A igualdade material exige que 
situações desiguais recebam tratamento diferenciado na 
medida de suas desigualdades. O Tribunal reconheceu 
que homens e mulheres estão em situações distintas que 
justificam tratamento diferenciado quanto aos 
requisitos para aposentadoria especial de policiais. Por 
isso, deferiu medida cautelar determinando que, até a 
edição de norma adequada pelo Congresso Nacional, 
aplique-se a regra geral de redução de 3 (três) anos para 
as mulheres policiais civis e federais. 
6 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
(D) INCORRETA - O STF pode e deve adotar medidas para 
dar efetividade imediata aos direitos constitucionais 
quando reconhece inconstitucionalidade. Na decisão, a 
Corte determinou critérios específicos (aplicação da 
regra de redução de 3 anos para mulheres) como medida 
cautelar para corrigir provisoriamente a 
inconstitucionalidade. Embora tenha reconhecido que a 
correção definitiva deve ser feita pelo Legislativo, o STF 
estabeleceu uma solução transitória para evitar a 
perpetuação da violação constitucional. 
(E) INCORRETA - A diferenciação de gênero NÃO foi 
completamente abolida pela EC nº 103/2019. A própria 
decisão do STF demonstra que a Constituição não só 
permite, mas exige diferenciação quando necessária 
para realizar a igualdade material. O julgado confirma 
que "não havendo justificativa suficiente para que os 
requisitos exigidos das servidoras policiais deixem de 
contemplar a necessária diferenciação de gênero", 
evidenciando que a distinção entre homens e mulheres 
permanece constitucionalmente necessária em 
determinadas situações. 
 
Questão 4 
João e Maria, pais de Pedro, uma criança de 2 anos de 
idade, procuraram o Ministério Público após terem seu 
pedido de matrícula em creche pública municipal negado 
pela Secretaria de Educação do Município de Vila Nova. 
O gestor público alegou que não havia vagas disponíveis 
e que a criança deveria aguardar em lista de espera, 
sugerindo que os pais procurassem uma creche 
particular. Os pais, de baixa renda e sem condições de 
arcar com os custos de uma instituição privada, 
questionaram se poderiam exigir judicialmente uma 
vaga em creche pública para seu filho. 
Considerando o entendimento do Supremo Tribunal 
Federal e a sistemática constitucional do direito à 
educação, assinale a alternativa CORRETA: 
a) O direito à educação infantil constitui norma 
programática dependente de regulamentação 
infraconstitucional, não sendo possível sua exigibilidade 
individual perante o Poder Judiciário, que deve respeitar 
a discricionariedade administrativa na implementação 
de políticas públicas educacionais. 
b) Embora a educação seja direito fundamental, sua 
oferta em creches públicas constitui mera liberalidade 
do Poder Público, não havendo direito subjetivo 
individual à matrícula, especialmente quando não há 
vagas disponíveis na rede municipal. 
c) A educação básica, incluindo a educação infantil em 
creches, constitui direito fundamental assegurado por 
normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade 
imediata, sendo possível sua exigibilidade individual 
perante o Poder Judiciário, independentemente da 
existência de vagas.Gabarito: D 
letra a: errada. Art. 225. A parte poderá renunciar ao 
prazo estabelecido exclusivamente em seu favor, desde 
que o faça de maneira expressa. 
Letra b: errada. Art. 229. Os litisconsortes que tiverem 
diferentes procuradores, de escritórios de advocacia 
distintos, terão prazos contados em DOBRO para todas 
as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal, 
independentemente de requerimento. § 2º NÃO se 
aplica o disposto no caput aos processos em autos 
eletrônicos. 
Letra c: errada. Art. 180. O Ministério Público gozará de 
prazo em dobro para manifestar-se nos autos, que terá 
início a partir de sua intimação pessoal, nos termos do 
art. 183, § 1º . 
Letra d: certa. Art. 224. Salvo disposição em contrário, os 
prazos serão contados excluindo o dia do começo e 
incluindo o dia do vencimento. 
Letra e: errada. Art. 226. O juiz proferirá: III - as sentenças 
no prazo de 30 (trinta) dias. 
 
Questão 44 
Efetivada, no curso do processo, a alienação da coisa 
litigiosa, a título particular e por ato entre vivos, o 
adquirente requereu ao juiz da causa o seu ingresso no 
feito no lugar do alienante, pleito a que, todavia, opôs-
se a parte contrária. 
Nesse contexto, caberá ao juiz: 
a) deferir o pleito do adquirente, na qualidade de 
substituto processual do alienante; 
b) deferir o pleito do adquirente, na qualidade de 
sucessor processual do alienante; 
c) indeferir o pleito do adquirente, assim como qualquer 
requerimento subsidiário de ingresso como terceiro; 
d) indeferir o pleito do adquirente, a quem fica 
ressalvado requerer o ingresso no feito como amicus 
curiae; 
40 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
e) indeferir o pleito do adquirente, a quem fica 
ressalvado requerer o ingresso no feito como assistente 
do alienante. 
Comentários: 
Gabarito: E 
letra e: certa. CPC - Art. 109. A alienação da coisa ou do 
direito litigioso por ato entre vivos, a título particular, 
não altera a legitimidade das partes. § 1º O adquirente 
ou cessionário não poderá ingressar em juízo, sucedendo 
o alienante ou cedente, sem que o consinta a parte 
contrária. § 2º O adquirente ou cessionário poderá 
intervir no processo como assistente litisconsorcial do 
alienante ou cedente. § 3º Estendem-se os efeitos da 
sentença proferida entre as partes originárias ao 
adquirente ou cessionário. 
 
Questão 45 
De acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal na 
apreciação do tema 1.002 da repercussão geral, 
assentou-se ser devido o pagamento de honorários 
sucumbenciais à Defensoria Pública, quando a 
instituição representar parte vencedora em demanda 
ajuizada contra 
a) entes públicos, exceto aquele que integra, devendo o 
valor recebido ser destinado exclusivamente ao rateio 
entre os membros da instituição. 
b) autarquias, fundações públicas e sociedades de 
economia mista, sendo vedada a fixação de honorários 
advocatícios nas demandas ajuizadas contra a 
Administração Pública direta. 
c) qualquer ente público, inclusive aquele que integra, 
devendo o valor recebido ser destinado exclusivamente 
ao aparelhamento da Defensoria Pública. 
d) entes públicos, exceto aquele que integra, devendo o 
valor recebido ser destinado exclusivamente ao 
aparelhamento da Defensoria Pública. 
e) qualquer ente público, inclusive aquele que integra, 
sendo possível que o valor recebido seja rateado entre 
seus membros. 
Comentários: 
Gabarito: C 
letra c: certa. 1. É devido o pagamento de honorários 
sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa 
parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer 
ente público, inclusive aquele que integra; 2. O valor 
recebido a título de honorários sucumbenciais deve ser 
destinado, exclusivamente, ao aparelhamento das 
Defensorias Públicas, vedado o seu rateio entre os 
membros da instituição. STF. Plenário. RE 1.140.005/RJ, 
Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 26/06/2023 
(Repercussão Geral – Tema 1.002) (Info 1100). 
 
Questão 46 
Sobre a preclusão, é correto afirmar que 
a) a ocorrência do fenômeno da preclusão, com a 
produção dos seus efeitos, depende de declaração 
judicial. 
b) As matérias de ordem pública, por serem passíveis de 
conhecimento pelo juiz de ofício, não se sujeitam a 
preclusão pro judicato, que é espécie de preclusão 
consumativa. 
c) Não incide a preclusão consumativa sobre o montante 
acumulado da multa cominatória, de forma que, mesmo 
já tendo havido modificação, é possível nova alteração. 
d) O silêncio da parte no prazo concedido para se 
manifestar implica a preclusão do direito de impugnar o 
pedido de sucessão processual. 
e) A interposição de um recurso inexistente gera 
preclusão consumativa. 
Comentários: 
Gabarito: D 
letra a: errada. A preclusão, em regra, opera-se 
automaticamente com o decurso do prazo ou a prática 
de ato incompatível com o anterior, independentemente 
de declaração judicial. 
Letra b: errada. As matérias de ordem pública, embora 
passíveis de conhecimento pelo juiz de ofício, são 
insuscetíveis de nova deliberação judicial, ante a 
preclusão pro judicato, que é espécie de preclusão 
consumativa STJ. 2ª Seção. EREsp 1.488.048-MT, Rel. 
Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/11/2024 
(Info 23 - Edição Extraordinária). 
Letra c: errada. Incide a preclusão consumativa sobre o 
montante acumulado da multa cominatória, de forma 
que, já tendo havido modificação, não é possível nova 
alteração, preservando-se as situações já consolidadas 
STJ. Corte Especial. EAREsp 1.766.665-RS, Rel. Min. 
41 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Francisco Falcão, Rel. para acórdão Min. Ricardo Villas 
Bôas Cueva, julgado em 3/4/2024 (Info 806). 
Letra d: correta. STJ. 3ª Turma. REsp 2.169.410-PR, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, Rel. para acórdão Min. Moura 
Ribeiro, julgado em 18/2/2025 (Info 842). 
Letra e: errada. A interposição de um recurso inexistente 
não gera preclusão consumativa, sendo cabível a 
subsequente interposição do recurso previsto na 
legislação STJ. 4ª Turma. REsp 2.141.420-MT, Rel. Min. 
Antonio Carlos Ferreira, julgado em 6/8/2024 (Info 820). 
 
Questão 47 
A empresa Alfa Ltda celebrou contrato com a empresa 
Beta Ltda. A empresa Beta emitiu notificação afirmando 
que a Alfa estaria lhe devendo R$ 100 mil e que, se não 
fosse pago, faria o protesto dessa dívida. A empresa Alfa, 
no entanto, não reconheceu a dívida e ingressou em 
juízo com pedido de tutela cautelar em caráter 
antecedente, objetivando evitar que o protesto fosse 
lavrado (sustação do protesto). Nesse caso, é correto 
afirmar: 
a) Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de 
ser formulado pelo autor no prazo de 30 (trinta) dias 
úteis, caso em que será apresentado nos mesmos autos 
em que deduzido o pedido de tutela cautelar, não 
dependendo do adiantamento de novas custas 
processuais. 
b) Agiu erroneamente a empresa Alfa, dado que a tutela 
cautelar não pode ser concedida em caráter 
antecedente. 
c) O réu será citado para, no prazo de 15 dias, contestar 
o pedido e indicar as provas que pretende produzir. 
d) Não sendo contestado o pedido, os fatos alegados 
pelo autor presumir-se-ão aceitos pelo réu como 
ocorridos, caso em que o juiz decidirá dentro de 15 dias. 
e) O indeferimento da tutela cautelar obsta a que a parte 
formule o pedido principal. 
Comentários: 
Gabarito: A 
letra a: certo. O prazo de 30 dias para a formulação do 
pedido principal previsto no art. 308 do Código de 
Processo Civil possui natureza jurídica processual e, 
consequentemente, sua contagem deve ser realizada em 
dias úteis, nos termos do art. 219 do CPC. STJ. Corte 
Especial. EREsp 2.066.868-SP, Rel. Min. Sebastião Reis 
Júnior, julgado em 3/4/2024 (Info 807). 
Letra b: errado. A tutela de urgência cautelar ou 
antecipada pode concedida de forma antecedente ou 
incidental. 
Letra c: errado. Art. 306. O réu será citado para, no prazo 
de 5 (cinco) dias, contestar o pedido e indicar as provas 
que pretende produzir. 
Letra d: errado. Art. 307.Não sendo contestado o 
pedido, os fatos alegados pelo autor presumir-se-ão 
aceitos pelo réu como ocorridos, caso em que o juiz 
decidirá dentro de 5 (cinco) dias. 
Letra e: errado. Art. 310. O indeferimento da tutela 
cautelar não obsta a que a parte formule o pedido 
principal, nem influi no julgamento desse, salvo se o 
motivo do indeferimento for o reconhecimento de 
decadência ou de prescrição. 
 
Questão 48 
Julgue os itens: 
I. O juiz, ao reconhecer a ilegitimidade ad causam de um 
dos litisconsortes passivos e excluí-lo da lide, pode fixar 
os honorários advocatícios entre 3 e 5% do valor 
atualizado da causa, nos termos do art. 338, parágrafo 
único, do CPC. 
II. A expedição de ofícios a cadastros públicos e 
concessionárias de serviços públicos para localizar o réu 
antes da citação por edital não é obrigatória, mas uma 
possibilidade a ser avaliada pelo magistrado. 
III. Segundo o STF, é inconstitucional a hipótese de 
impedimento do juiz prevista no art. 144, VIII, 
relacionada aos casos em que figura como parte cliente 
do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro 
ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou 
colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que 
patrocinado por advogado de outro escritório;. 
Estão corretos os itens: 
a) I e II. 
b) I, II e III. 
c) I. 
d) II e III. 
e) III. 
Comentários: 
42 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Gabarito: B 
Item I: certo. O juiz, ao reconhecer a ilegitimidade ad 
causam de um dos litisconsortes passivos e excluí-lo da 
lide, pode fixar os honorários advocatícios entre 3 e 5% 
do valor atualizado da causa, nos termos do art. 338, 
parágrafo único, do CPC. STJ. 3ª Turma. AgInt nos EDcl no 
REsp 1.902.149-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso 
Sanseverino, julgado em 3/4/2023. 
Item II: certo. STJ. 4ª Turma. REsp 2.152.938-DF, Rel. 
Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 22/10/2024 
(Info 832). 
Item III: certo. certo. Segundo o STF, essa previsão é 
inconstitucional por violar os princípios do juiz natural, 
da razoabilidade e da proporcionalidade. 
 
Questão 49 
O incidente de desconsideração da personalidade 
jurídica será instaurado a pedido da parte ou do 
Ministério Público, podendo afirmar-se que 
a) Aplica-se a técnica de julgamento ampliado (art. 942 
do CPC) ao agravo de instrumento que, por maioria, 
reforma decisão proferida em incidente de 
desconsideração (direta ou inversa) da personalidade 
jurídica, seja para admitir o pedido ou para rejeitá-lo. 
b) O trânsito em julgado da decisão que aprecia pedido 
de desconsideração da personalidade jurídica não torna 
a questão preclusa para as partes da relação processual, 
viabilizando a dedução de novo requerimento com base 
na mesma causa de pedir. 
c) instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica 
será citado para manifestar-se e requerer as provas 
cabíveis no prazo de 5 (cinco) dias. 
d) após a instrução, o incidente será resolvido por 
sentença, contra a qual caberá o recurso de apelação. 
e) acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou 
a oneração de bens será considerada nula para todos os 
efeitos. 
Comentários: 
Gabarito: A 
Letra a: certa. Aplica-se a técnica de julgamento 
ampliado (art. 942 do CPC) ao agravo de instrumento 
que, por maioria, reforma decisão proferida em 
incidente de desconsideração (direta ou inversa) da 
personalidade jurídica, seja para admitir o pedido ou 
para rejeitá-lo. STJ. 3ª Turma. REsp 2.120.429-SP, Rel. 
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 2/4/2024 
(Info 806). 
Letra b: errada. O trânsito em julgado da decisão que 
aprecia pedido de desconsideração da personalidade 
jurídica torna a questão preclusa para as partes da 
relação processual, inviabilizando a dedução de novo 
requerimento com base na mesma causa de pedir. STJ. 
3ª Turma. REsp 2.123.732-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 19/3/2024 (Info 805). 
Letra c: errada. Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio 
ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se e 
requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias. 
Letra d: errada. O incidente é resolvido por meio de 
decisão interlocutória e não sentença. Em 1ª instância, 
será cabível o recurso de agravo de instrumento (art. 
1.015, IV). Doutro lado, se a decisão for proferida por 
relator: Agravo interno. (art. 136, p. unico). 
Letra e: errada. Art. 137. Acolhido o pedido de 
desconsideração, a alienação ou a oneração de bens, 
havida em fraude de execução, será ineficaz em relação 
ao requerente. 
 
Questão 50 
Assinale a alternativa incorreta: 
a) O termo inicial de contagem dos prazos processuais, 
em caso de duplicidade de intimações eletrônicas, dá-se 
com a realizada pelo portal eletrônico, que prevalece 
sobre a publicação no Diário da Justiça (DJe). 
b) A suspensão do processo em razão da paternidade do 
único patrono da causa se opera tão logo ocorra o 
nascimento ou adoção, não sendo necessária a 
comunicação imediata ao juízo. 
c) É facultado aos entes públicos celebrar contratos ad 
exitum para ações judiciais, pois tais cláusulas não 
violam normas de licitações, tampouco expõem o Erário 
a riscos e comprometem a universalidade orçamentária. 
d) Nas demandas em que se pleiteia do Poder Público a 
satisfação do direito à saúde, os honorários advocatícios 
são fixados por apreciação equitativa, sem aplicação do 
art. 85, § 8º-A, do Código de Processo Civil. 
e) As ações de indenização por danos morais, por 
tratarem de violações a direitos de personalidade que 
não têm conteúdo patrimonial, são consideradas causas 
43 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
de valor inestimável; logo, em caso de improcedência, é 
possível a fixação dos honorários por equidade. 
Comentários: 
Gabarito: C 
Letra a: correta. O termo inicial de contagem dos prazos 
processuais, em caso de duplicidade de intimações 
eletrônicas, dá-se com a realizada pelo portal eletrônico, 
que prevalece sobre a publicação no Diário da Justiça 
(DJe). STJ. Corte Especial. EAREsp 1663952-RJ, Rel. Min. 
Raul Araújo, julgado em 19/05/2021 (Info 697). 
Letra b: correta. STJ. 3ª Turma. REsp 1799166-GO, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/04/2019 (Info 645). 
Letra c: errada. É vedado aos entes públicos celebrar 
contratos ad exitum para ações judiciais, pois tais 
cláusulas violam normas de licitações, expõem o Erário a 
riscos e comprometem a universalidade orçamentária. 
STF. Plenário. ADPF 1.178 MC-Ref/DF, Rel. Min. Flávio 
Dino, julgado em 06/11/2024 (Info 1157). 
Letra d: correta. STJ. 1ª Seção. REsp 2.169.102-AL e REsp 
2.166.690-RN, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 
julgados em 11/6/2025 (Recurso Repetitivo - Tema 1313) 
(Info 854). 
Letra e: correta. STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1.854.487-
DF, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 
22/10/2024 (Info 831). 
 
DIREITO EMPRESARIAL 
Professor Daniel Rizza 
Questão 51 
A sociedade Indústrias Perfeição S.A. teve a falência 
decretada. Após realizadas as intimações e publicado o 
edital previsto no § 1º do art. 99 da Lei nº 11.101/2005, 
o juiz instaurou, de ofício, para cada Fazenda Pública 
credora, incidente de classificação de crédito público e 
determinou sua intimação eletrônica para apresentação 
da relação completa de créditos inscritos em dívida ativa, 
com cálculos e classificação. 
A Fazenda Estadual, incluída no edital, recebeu a 
intimação. Considerando as regras específicas desse 
procedimento, assinale a alternativa correta: 
a) A Fazenda Pública credora deverá apresentar a relação 
de seus créditos no prazo de 30 dias, contados da 
publicação do edital de falência. 
b) Após o prazo de apresentação da relação de créditos 
pela Fazenda Pública, o falido, demais credores e o 
administrador judicial terão 10 dias para apresentar 
objeções quanto aos cálculos e à classificação. 
c) Caso haja objeções aos cálculos e classificação, a 
Fazenda Pública será intimada para prestar 
esclarecimentos no prazo de 15 dias, prorrogável por 
igual período.d) Os créditos incontroversos e exigíveis deverão ser 
imediatamente incluídos no quadro-geral de credores, 
observada a sua classificação. 
e) Antes da homologação do quadro-geral de credores, o 
juiz concederá prazo comum de 15 dias para que o 
administrador judicial e a Fazenda Pública titular de 
crédito objeto de reserva manifestem-se sobre a 
situação atual desses créditos. 
Comentários: 
Gabarito: D 
a) Errada. 
O prazo de 30 dias (art. 7º-A, caput) é contado da 
intimação eletrônica determinada pelo juiz, não da 
publicação do edital. O edital é apenas o ato anterior 
que, juntamente com as intimações, antecede a 
instauração do incidente. 
b) Errada. 
O prazo para o falido, demais credores e o administrador 
judicial apresentarem objeções (limitadas aos cálculos e 
classificação) é de 15 dias, e não 10 dias (art. 7º-A, § 3º, 
I). 
c) Errada. 
O prazo para a Fazenda Pública prestar esclarecimentos 
é de 10 dias, contados da intimação, e não 15 dias (art. 
7º-A, § 3º, II). 
d) Correta. 
O art. 7º-A, § 3º, IV, determina que os créditos 
incontroversos, desde que exigíveis, serão 
imediatamente incluídos no quadro-geral de credores, 
respeitando sua classificação. 
e) Errada. 
Antes da homologação do quadro-geral, o juiz concederá 
prazo comum de 10 dias, e não 15, para manifestação 
sobre a situação dos créditos objeto de reserva (art. 7º-
A, § 3º, V). 
44 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
DISPOSITIVOS RELEVANTES: 
Lei 11.101/2005: 
Art. 7º-A. Na falência, após realizadas as intimações e 
publicado o edital, conforme previsto, respectivamente, 
no inciso XIII do caput e no § 1º do art. 99 desta Lei, o juiz 
instaurará, de ofício, para cada Fazenda Pública credora, 
incidente de classificação de crédito público e 
determinará a sua intimação eletrônica para que, no 
prazo de 30 (trinta) dias, apresente diretamente ao 
administrador judicial ou em juízo, a depender do 
momento processual, a relação completa de seus 
créditos inscritos em dívida ativa, acompanhada dos 
cálculos, da classificação e das informações sobre a 
situação atual. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) 
(Vigência) 
§ 1º Para efeito do disposto no caput deste artigo, 
considera-se Fazenda Pública credora aquela que conste 
da relação do edital previsto no § 1º do art. 99 desta Lei, 
ou que, após a intimação prevista no inciso XIII do caput 
do art. 99 desta Lei, alegue nos autos, no prazo de 15 
(quinze) dias, possuir crédito contra o falido. (Incluído 
pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
§ 2º Os créditos não definitivamente constituídos, não 
inscritos em dívida ativa ou com exigibilidade suspensa 
poderão ser informados em momento posterior. 
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
§ 3º Encerrado o prazo de que trata o caput deste artigo: 
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
I - o falido, os demais credores e o administrador judicial 
disporão do prazo de 15 (quinze) dias para manifestar 
objeções, limitadamente, sobre os cálculos e a 
classificação para os fins desta Lei; (Incluído pela Lei nº 
14.112, de 2020) (Vigência) 
II - a Fazenda Pública, ultrapassado o prazo de que trata 
o inciso I deste parágrafo, será intimada para prestar, no 
prazo de 10 (dez) dias, eventuais esclarecimentos a 
respeito das manifestações previstas no referido inciso; 
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
III - os créditos serão objeto de reserva integral até o 
julgamento definitivo quando rejeitados os argumentos 
apresentados de acordo com o inciso II deste parágrafo; 
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
IV - os créditos incontroversos, desde que exigíveis, 
serão imediatamente incluídos no quadro-geral de 
credores, observada a sua classificação; (Incluído pela Lei 
nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
V - o juiz, anteriormente à homologação do quadro-geral 
de credores, concederá prazo comum de 10 (dez) dias 
para que o administrador judicial e a Fazenda Pública 
titular de crédito objeto de reserva manifestem-se sobre 
a situação atual desses créditos e, ao final do referido 
prazo, decidirá acerca da necessidade de mantê-la. 
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência). 
 
Questão 52 
Uma sociedade empresária limitada, formada por dois 
médicos, possui contrato social que prevê a distribuição 
de lucros com base nos dias efetivamente trabalhados 
por cada sócio, respeitada a participação mínima de 
todos nos lucros e perdas. Um dos sócios, que detém 
60% das quotas, questiona a validade dessa cláusula e 
sustenta que, independentemente dos dias 
efetivamente trabalhados, deveria ter sua participação 
nos lucros calculada segundo a média do valor das 
quotas, como ocorreria nas sociedades simples. 
Considerando o disposto no Código Civil e a 
jurisprudência recente do STJ, assinale a opção correta. 
a) Nas sociedades simples, admite-se a contribuição para 
o capital social em serviços; nas limitadas, entretanto, tal 
modalidade de contribuição é vedada, motivo pelo qual 
a regra da distribuição de lucros com base nos dias 
efetivamente trabalhados por cada sócio é inaplicável no 
caso apresentado. 
b) A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça 
admite, para sociedades empresárias limitadas, a adoção 
dos dias efetivamente trabalhados como critério de 
distribuição de lucros, desde que não haja exclusão do 
sócio da participação nos lucros e nas perdas. 
c) O contrato social de sociedade limitada não pode, de 
forma alguma, alterar a regra legal de distribuição 
proporcional às quotas, sob pena de nulidade. 
d) No caso, a cláusula é inválida porque, segundo o 
Código Civil, o sócio prestador de serviços deve receber 
lucros sempre iguais aos demais, independentemente da 
efetiva contribuição laboral. 
e) A estipulação que adota critério baseado nos dias 
trabalhados é inválida por se tratar de sociedade 
limitada prestadora de serviços, equiparada 
integralmente às sociedades simples para todos os fins. 
45 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Comentários: 
Gabarito: B 
a) Errada. 
Apesar de correto quanto à afirmação da vedação, não 
responde ao cerne da questão. De fato, o art. 1.055, § 2º, 
do Código Civil veda a contribuição que consista em 
prestação de serviços em sociedades limitadas, sendo 
possível tal contribuição apenas nas sociedades simples 
(art. 997, V, e art. 1.006 do Cc). Por isso, a regra do art. 
1.007, parte final, que trata da média do valor das quotas 
para sócios prestadores de serviços, não se aplica às 
limitadas. Entretanto, a questão exigia o 
reconhecimento da validade da cláusula de distribuição 
de lucros com base nos dias trabalhados, o que está 
contemplado na alternativa B. 
b) Correta. 
O STJ, no REsp 2.053.655-SP (Informativo 842), firmou 
entendimento de que é válida a adoção dos dias 
efetivamente trabalhados por cada sócio como critério 
de distribuição de lucros em sociedade empresária 
limitada, desde que não haja exclusão total do sócio da 
participação nos lucros e perdas (o que é vedado pelo 
art. 1.008 do Cc). Tal disposição pode constar no 
contrato social, em conformidade com o art. 997, VII, e o 
art. 1.007 do CC, respeitando a autonomia privada e a 
função social do contrato. 
É válida a estipulação contratual social de sociedade 
empresária limitada, que estabeleceu, em assembleia de 
sócios, forma de distribuição de dividendos (participação 
nos lucros) proporcional aos dias trabalhados por cada 
sócio. (Direito Empresarial) 
É válida a adoção dos dias efetivamente trabalhados por 
cada sócio como critério de cálculo de distribuição de 
dividendos por sociedade empresária limitada, desde 
que tal medida não implique exclusão de sócio da 
participação nos lucros e nas perdas. (REsp 2.053.655-SP, 
Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, por 
unanimidade, julgado em 11/2/2025, DJEN de 
27/2/2025 - Informativo 842) 
c) Errada. 
O art. 1.007 do CC prevê que, salvo estipulação em 
contrário, a distribuição de lucros e perdas será 
proporcionalàs quotas. Isso significa que a lei permite 
que o contrato social estabeleça outra forma de divisão, 
desde que não exclua sócio de participar nos lucros e 
perdas (art. 1.008). Trata-se de norma dispositiva. Assim, 
afirmar que “não pode alterar por nenhuma forma” 
contraria a regra legal e a jurisprudência do STJ. 
d) Errada. 
Essa alternativa mistura conceitos aplicáveis a 
sociedades simples com as limitadas. O art. 1.007, parte 
final, do CC, prevê que sócio cuja contribuição consista 
em serviços participa dos lucros na proporção da média 
do valor das quotas — mas essa hipótese não se aplica 
às limitadas, pois nelas a contribuição em serviços é 
vedada (art. 1.055, § 2º). Portanto, o fundamento 
invocado não é juridicamente aplicável ao caso. 
e) Errada. 
Sociedades limitadas prestadoras de serviços não são 
automaticamente equiparadas às sociedades simples 
“para todos os fins”. A “equiparação” prevista no art. 983 
do CC refere-se à forma de constituição e administração 
quando o contrato social não estipula de modo diverso 
(as sociedades simples podem constituir-se de 
conformidade com um dos tipos de sociedade 
empresária – e.g. sociedade limitada, sociedade em 
comandita simples ou sociedade em nome coletivo), e 
não afasta as regras específicas das limitadas, como a 
vedação do art. 1.055, § 2º. Logo, não há invalidade da 
cláusula pelo simples fato de a sociedade exercer 
atividade de prestação de serviços. 
DISPOSITIVOS RELEVANTES: 
Código Civil: 
Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato 
escrito, particular ou público, que, além de cláusulas 
estipuladas pelas partes, mencionará: 
VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; 
Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio 
participa dos lucros e das perdas, na proporção das 
respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição 
consiste em serviços, somente participa dos lucros na 
proporção da média do valor das quotas. 
Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua 
qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. 
Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou 
desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio. 
§ 1º Pela exata estimação de bens conferidos ao capital 
social respondem solidariamente todos os sócios, até o 
prazo de cinco anos da data do registro da sociedade. 
46 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
§ 2º É vedada contribuição que consista em prestação de 
serviços. 
 
Questão 53 
A sociedade empresária Jurimã S.A., companhia aberta, 
está se preparando para negociar suas ações na bolsa de 
valores pela primeira vez. Antes do início da negociação, 
a administração propôs a criação de uma classe de ações 
ordinárias com atribuição de voto plural de 8 votos por 
ação, com vigência inicial de 7 anos, prorrogável. 
Na assembleia geral, compareceram acionistas 
representando 60% do total de votos conferidos pelas 
ações com direito a voto e 70% das ações preferenciais 
sem direito a voto, reunidas em assembleia especial. O 
estatuto não previa voto plural nem exigia quórum 
superior ao legal. 
Sobre a regularidade dessa operação e as regras do voto 
plural, assinale a alternativa correta: 
a) A criação da classe de ações ordinárias com voto plural 
somente seria válida se aprovada por acionistas 
representando 2/3 do capital votante, não se aplicando 
quórum inferior nesse caso. 
b) A operação é juridicamente possível, pois a lei admite 
voto plural de até 10 votos por ação ordinária, desde que 
criado antes do início da negociação em mercado 
organizado e aprovado por maioria absoluta do total de 
votos conferidos pelas ações com direito a voto e das 
ações preferenciais sem direito a voto ou com o voto 
restrito, caso emitidas, reunidas em assembleia especial. 
c) O voto plural pode ser criado mesmo após o início da 
negociação em bolsa, desde que aprovado pelo mesmo 
quórum previsto para sua criação inicial, observando-se 
a preservação dos direitos dos acionistas minoritários. 
d) O prazo máximo inicial de vigência do voto plural é de 
5 anos, sendo vedada sua prorrogação por prazo 
indeterminado. 
e) O voto plural, uma vez instituído, poderá ser utilizado 
para qualquer deliberação societária, inclusive para fixar 
a remuneração dos administradores e aprovar 
transações relevantes com partes relacionadas. 
Comentários: 
Gabarito: B 
a) Errada. 
O quórum previsto no art. 110-A, § 1º, da Lei 6.404/1976 
não é de 2/3, mas sim: 
“I – metade, no mínimo, do total de votos conferidos 
pelas ações com direito a voto; e 
II – metade, no mínimo, das ações preferenciais sem 
direito a voto ou com voto restrito, se emitidas, reunidas 
em assembleia especial...” 
Portanto, o percentual exigido é de 50% (metade mais 
um), e não de 2/3. 
b) Correta. 
O art. 110-A, caput, II, autoriza a criação de classe de 
ações ordinárias com voto plural (máx. 10 votos por 
ação) na companhia aberta, desde que antes do início da 
negociação em mercados organizados. 
O § 1º estabelece o quórum mínimo de metade dos 
votos conferidos pelas ações com direito a voto e 
metade das preferenciais reunidas em assembleia 
especial. 
Na hipótese, o quórum foi atendido e o limite de votos 
por ação (8) respeitado, tornando a operação válida. 
c) Errada. 
Após o início da negociação das ações em mercado 
organizado, é vedada a alteração das características da 
classe de ações com voto plural, exceto para reduzir 
direitos ou vantagens (art. 110-A, § 5º). Logo, não é 
possível criar voto plural depois do IPO com base no 
quórum original. 
d) Errada. 
O art. 110-A, § 7º, prevê que o prazo inicial de vigência 
do voto plural é de até 7 anos, e não de 5, podendo ser 
prorrogado “por qualquer prazo”, desde que respeitado 
o quórum e as condições legais. 
e) Errada. 
O art. 110-A, § 12, dispõe que o voto plural não será 
adotado nas deliberações sobre: 
“I – a remuneração dos administradores; e 
II – a celebração de transações com partes relacionadas 
que atendam aos critérios de relevância a serem 
definidos pela CVM.” 
Portanto, não pode ser utilizado para essas matérias. 
DISPOSITIVOS RELEVANTES: 
Lei 6.404/1976 
47 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Art. 110-A. É admitida a criação de uma ou mais classes 
de ações ordinárias com atribuição de voto plural, não 
superior a 10 (dez) votos por ação ordinária: (Incluído 
pela Lei nº 14.195, de 2021) 
I - na companhia fechada; e (Incluído pela Lei nº 14.195, 
de 2021) 
II - na companhia aberta, desde que a criação da classe 
ocorra previamente à negociação de quaisquer ações ou 
valores mobiliários conversíveis em ações de sua 
emissão em mercados organizados de valores 
mobiliários. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 1º A criação de classe de ações ordinárias com 
atribuição do voto plural depende do voto favorável de 
acionistas que representem: (Incluído pela Lei nº 14.195, 
de 2021) 
I - metade, no mínimo, do total de votos conferidos pelas 
ações com direito a voto; e (Incluído pela Lei nº 14.195, 
de 2021) 
II - metade, no mínimo, das ações preferenciais sem 
direito a voto ou com voto restrito, se emitidas, reunidas 
em assembleia especial convocada e instalada com as 
formalidades desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 
2021) 
§ 2º Nas deliberações de que trata o § 1º deste artigo, 
será assegurado aos acionistas dissidentes o direito de se 
retirarem da companhia mediante reembolso do valor 
de suas ações nos termos do art. 45 desta Lei, salvo se a 
criação da classe de ações ordinárias com atribuição de 
voto plural já estiver prevista ou autorizada pelo 
estatuto. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 3º O estatuto social da companhia, aberta ou fechada, 
nos termos dos incisos I e II do caput deste artigo, poderá 
exigir quórum maior para as deliberações de que trata o 
§ 1º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 5º Após o início da negociação das ações ou dos valores 
mobiliários conversíveis em ações em mercados 
organizadosde valores mobiliários, é vedada a alteração 
das características de classe de ações ordinárias com 
atribuição de voto plural, exceto para reduzir os 
respectivos direitos ou vantagens. (Incluído pela Lei nº 
14.195, de 2021) 
§ 6º É facultado aos acionistas estipular no estatuto 
social o fim da vigência do voto plural condicionado a um 
evento ou a termo, observado o disposto nos §§ 7º e 8º 
deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 7º O voto plural atribuído às ações ordinárias terá 
prazo de vigência inicial de até 7 (sete) anos, prorrogável 
por qualquer prazo, desde que: (Incluído pela Lei nº 
14.195, de 2021) 
I - seja observado o disposto nos §§ 1º e 3º deste artigo 
para a aprovação da prorrogação; (Incluído pela Lei nº 
14.195, de 2021) 
II - sejam excluídos das votações os titulares de ações da 
classe cujo voto plural se pretende prorrogar; e (Incluído 
pela Lei nº 14.195, de 2021) 
III - seja assegurado aos acionistas dissidentes, nas 
hipóteses de prorrogação, o direito previsto no § 2º 
deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
§ 12. Não será adotado o voto plural nas votações pela 
assembleia de acionistas que deliberarem sobre: 
(Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
I - a remuneração dos administradores; e (Incluído pela 
Lei nº 14.195, de 2021) 
II - a celebração de transações com partes relacionadas 
que atendam aos critérios de relevância a serem 
definidos pela Comissão de Valores Mobiliários. (Incluído 
pela Lei nº 14.195, de 2021). 
 
Questão 54 
A empresa Biti Biti Comércio S.A., locatária de um imóvel 
comercial, teve deferido o processamento de sua 
recuperação judicial. Após esse deferimento, deixou de 
pagar aluguéis vencidos nos meses seguintes. O locador 
ajuizou ação de despejo por falta de pagamento. A 
defesa da empresa alegou que a ação deveria ser 
suspensa pelo stay period previsto no art. 6º da Lei nº 
11.101/2005, sustentando que o imóvel seria essencial à 
atividade empresarial e que, por analogia ao art. 49, § 3º, 
da mesma lei, o despejo não poderia ser executado. 
Com base na jurisprudência do STJ e na legislação 
aplicável, assinale a alternativa correta: 
a) A ação de despejo deve ficar suspensa durante o stay 
period, pois envolve bem essencial à atividade da 
recuperanda, enquadrando-se nas hipóteses do art. 49, 
§ 3º, da Lei nº 11.101/2005. 
b) A ação de despejo não deve ser suspensa, pois o 
imóvel não integra o patrimônio do devedor, não 
havendo previsão legal de suspensão dessa espécie de 
demanda no art. 6º da Lei nº 11.101/2005. 
48 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
c) A ação de despejo somente poderá prosseguir se 
houver expressa autorização do juiz da recuperação 
judicial, para evitar prejuízos à preservação da empresa. 
d) A ação de despejo não deve ser suspensa, mas apenas 
no caso de aluguéis vencidos antes do pedido de 
recuperação judicial, pois os posteriores estão sujeitos à 
suspensão do art. 6º da Lei nº 11.101/2005. 
e) A ação de despejo deve ser suspensa, salvo se 
proposta por credor com garantia fiduciária, hipótese em 
que se aplica o art. 49, § 3º, da Lei nº 11.101/2005. 
Comentários: 
Gabarito: B 
a) Errada. 
O STJ rejeitou a aplicação do art. 49, § 3º, da Lei nº 
11.101/2005 às locações, por inexistir identidade de 
situações. O dispositivo protege bens de capital 
essenciais pertencentes a credores fiduciários, 
arrendadores mercantis, promitentes vendedores ou 
vendedores com reserva de domínio — e não imóveis 
locados. No despejo, busca-se a retomada da posse de 
bem que nunca pertenceu à recuperanda, de modo que 
não há constrição sobre patrimônio do devedor. 
Art. 49, § 3º, LREF: 
“(...) não se permitindo, contudo, durante o prazo de 
suspensão (...), a venda ou a retirada do estabelecimento 
do devedor dos bens de capital essenciais à sua atividade 
empresarial.” 
b) Correta. 
O stay period (art. 6º da LREF) suspende execuções e 
constrições sobre bens do devedor, mas não ações 
voltadas à retomada de bens que não compõem o seu 
patrimônio. Segundo o STJ (REsp 2.171.089/DF), o 
despejo não é atingido pela suspensão porque o imóvel 
pertence ao locador e a demanda não tem natureza 
executiva. 
Art. 6º, II e III, LREF: 
“II – suspensão das execuções ajuizadas contra o 
devedor (...) 
III – proibição de (...) constrição (...) sobre os bens do 
devedor (...).” 
As ações de despejo não devem ficar suspensas com o 
deferimento do processamento da recuperação judicial 
da locatária. (Direito Empresarial) 
As ações de despejo não devem ficar suspensas com o 
deferimento do processamento da recuperação judicial 
da locatária. (REsp 2.171.089-DF, Rel. Ministro Ricardo 
Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, 
julgado em 3/12/2024, DJEN 6/12/2024. - Informativo 
843) 
c) Errada. 
Não há necessidade de autorização do juízo 
recuperacional para prosseguimento da ação de 
despejo. O STJ firmou que essa demanda segue no juízo 
locatício, pois não há bem da recuperanda sujeito à 
proteção do stay period. Não se trata de interferência na 
atividade empresarial via constrição patrimonial, mas 
sim de retomada da posse pelo legítimo proprietário. 
d) Errada. 
A distinção entre aluguéis vencidos antes ou depois do 
pedido é irrelevante para definir a suspensão. O motivo 
da não aplicação do art. 6º é a natureza do bem 
(pertencente ao locador) e do pedido (retomada da 
posse), não a data do crédito. Logo, mesmo aluguéis 
posteriores não impedem o prosseguimento da ação de 
despejo. 
e) Errada. 
Credores com garantia fiduciária estão contemplados no 
art. 49, § 3º, mas o locador não se enquadra nessa 
categoria. A relação locatícia não envolve propriedade 
resolúvel ou fiduciária; logo, não se aplica essa proteção 
e, muito menos, a suspensão automática da ação. O STJ 
afastou expressamente a aplicação analógica dessa 
norma. 
DISPOSITIVOS RELEVANTES: 
Lei 11.101/2005 
Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do 
processamento da recuperação judicial implica: 
(Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
I - suspensão do curso da prescrição das obrigações do 
devedor sujeitas ao regime desta Lei; (Incluído pela Lei 
nº 14.112, de 2020) (Vigência) 
II - suspensão das execuções ajuizadas contra o devedor, 
inclusive daquelas dos credores particulares do sócio 
solidário, relativas a créditos ou obrigações sujeitos à 
recuperação judicial ou à falência; (Incluído pela Lei nº 
14.112, de 2020) (Vigência) 
49 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
III - proibição de qualquer forma de retenção, arresto, 
penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição 
judicial ou extrajudicial sobre os bens do devedor, 
oriunda de demandas judiciais ou extrajudiciais cujos 
créditos ou obrigações sujeitem-se à recuperação 
judicial ou à falência. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 
2020) (Vigência) 
Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os 
créditos existentes na data do pedido, ainda que não 
vencidos. 
§ 3º Tratando-se de credor titular da posição de 
proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis, de 
arrendador mercantil, de proprietário ou promitente 
vendedor de imóvel cujos respectivos contratos 
contenham cláusula de irrevogabilidade ou 
irretratabilidade, inclusive em incorporações 
imobiliárias, ou de proprietário em contrato de venda 
com reserva de domínio, seu crédito não se submeterá 
aos efeitos da recuperação judicial e prevalecerão os 
direitos de propriedade sobre a coisa e as condições 
contratuais, observada a legislação respectiva, não se 
permitindo, contudo, durante o prazo de suspensão a 
que se refere o § 4º do art. 6º desta Lei, a venda ou a 
retirada do estabelecimento do devedor dos bens de 
capital essenciais a sua atividade empresarial. 
 
Questão 55 
A Cooperativa AgroVale procedeu ao aceite de duplicata 
rural para pagamento de venda de grãos, a favor de 
Sementes Brasil S.A. Esta última endossou o título, de 
forma translativa, para Banco do Cerrado S.A., que 
ajuizouação de execução por quantia certa contra o 
aceitante (Cooperativa AgroVale), o avalista do aceitante 
(pessoa física, sócio da cooperativa) e a endossante 
(Sementes Brasil S.A.). 
É incontroverso que a duplicata rural não foi protestada 
por falta de pagamento. 
Ao decidir sobre a legitimidade passiva, o juiz deverá 
reconhecer que: 
a) O endossatário não pode exercer direito de regresso 
contra o primeiro endossante, devendo ser reconhecida 
a ilegitimidade passiva da Sementes Brasil S.A. 
b) Nenhum dos réus possui legitimidade passiva, porque 
o protesto é requisito essencial para a execução de 
duplicata rural contra quaisquer devedores. 
c) O aval prestado por sócio do aceitante é nulo, devendo 
o avalista ser excluído do polo passivo. 
d) Todos os demandados são legítimos, pois o protesto é 
dispensado para execução de duplicata rural e há 
solidariedade cambiária entre aceitante, avalista e 
endossante. 
e) Apenas o aceitante pode figurar no polo passivo, pois 
o protesto é sempre exigido para acionar endossante e 
avalista em duplicata rural. 
Comentários: 
Gabarito: A 
a) Correta. 
O art. 60, § 1º, do Decreto-Lei nº 167/1967 dispõe 
expressamente que o endossatário ou portador de 
duplicata rural não tem direito de regresso contra o 
primeiro endossante e seus avalistas. Assim, mesmo que 
haja endosso translativo, o primeiro endossante não 
integra a cadeia de legitimados passivos na execução 
ajuizada pelo endossatário. A norma é de ordem pública 
e impede a cobrança direta do primeiro endossante por 
via executiva. 
Art. 60, § 1º, DL 167/1967: “O endossatário ou o 
portador de Nota Promissória Rural ou Duplicata Rural 
não tem direito de regresso contra o primeiro 
endossante e seus avalistas.” 
b) Errada. 
A ausência de protesto não retira a legitimidade passiva 
do aceitante nem do avalista. Pelo art. 60, caput, DL 
167/1967, o protesto é dispensado para assegurar o 
direito de regresso contra endossantes e seus avalistas. 
O aceitante, por ser devedor principal, responde 
independentemente de protesto. 
c) Errada. 
O aval na duplicata rural é válido quando prestado por 
pessoa física participante da empresa emitente ou por 
outra pessoa jurídica (art. 60, § 2º, DL 167/1967). Como 
o avalista é sócio da cooperativa aceitante (equiparado 
ao emitente da NPR, devedor do título), não há nulidade, 
e ele permanece no polo passivo. 
d) Errada. 
Embora exista solidariedade cambiária entre os 
coobrigados, o legislador excluiu o primeiro endossante 
e seus avalistas da responsabilidade perante o 
endossatário. Assim, não é possível incluir todos os 
50 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
demandados na execução quando se tratar de primeiro 
endossante de duplicata rural. 
e) Errada. 
O protesto não é sempre exigido para acionar 
endossante e avalista. Na duplicata rural, há dispensa 
expressa do protesto para garantir o regresso contra 
endossantes e seus avalistas (art. 60, caput, DL 
167/1967). A razão da exclusão do primeiro endossante 
não é a falta de protesto, mas sim a vedação legal do § 
1º. 
DISPOSITIVOS RELEVANTES: 
DL 167/1967 
Art 60. Aplicam-se à cédula de crédito rural, à nota 
promissória rural e à duplicata rural, no que forem 
cabíveis, as normas de direito cambial, inclusive quanto 
a aval, dispensado porém o protesto para assegurar o 
direito de regresso contra endossantes e seus avalistas. 
§ 1º O endossatário ou o portador de Nota Promissória 
Rural ou Duplicata Rural não tem direito de regresso 
contra o primeiro endossante e seus avalistas. 
(Incluído pela Lei nº 6.754, de 17.12.1979) 
§ 2º É nulo o aval dado em Nota Promissória Rural ou 
Duplicata Rural, salvo quando dado pelas pessoas físicas 
participantes da empresa emitente ou por outras 
pessoas jurídicas. (Incluído pela Lei nº 6.754, de 
17.12.1979) 
§ 3º Também são nulas quaisquer outras garantias, reais 
ou pessoais, salvo quando prestadas pelas pessoas físicas 
participantes da empresa emitente, por esta ou por 
outras pessoas jurídicas. (Incluído pela Lei nº 6.754, 
de 17.12.1979) 
§ 4º Às transações realizadas entre produtores rurais e 
entre estes e suas cooperativas não se aplicam as 
disposições dos parágrafos anteriores. (Incluído 
pela Lei nº 6.754, de 17.12.1979). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Questão 56 
A respeito da validade da cláusula compromissória em 
contrato de franquia, assinale a alternativa correta: 
a) É inválida, pois contratos empresariais de 
colaboração, como o de franquia, não admitem cláusula 
compromissória em razão da necessidade de paridade 
entre as partes. 
b) É válida, independentemente de manifestação 
expressa do franqueado, pois o contrato de franquia é 
regido exclusivamente pelo Código de Defesa do 
Consumidor. 
c) É inválida, pois o procedimento arbitral é 
excessivamente oneroso, dificultando o acesso do 
franqueado à solução da controvérsia. 
d) É válida, desde que o franqueado concorde 
expressamente com a cláusula compromissória, por 
escrito, em documento anexo ou destacada, com 
assinatura ou visto específico, conforme determinado 
pela legislação aplicável. 
e) É inválida, pois o contrato de franquia é sempre 
considerado contrato de adesão e, portanto, não admite 
cláusula compromissória. 
Comentários: 
Gabarito: D 
a) Incorreta. 
Não há vedação legal para a cláusula compromissória em 
contratos empresariais, inclusive de colaboração, como 
o contrato de franquia. A paridade entre as partes não 
impede a escolha do meio arbitral para solução de 
conflitos. 
b) Incorreta. 
O contrato de franquia não é regido exclusivamente pelo 
Código de Defesa do Consumidor (CDc). Embora possa 
haver relação de consumo em alguns casos, a Lei de 
Arbitragem (Lei nº 9.307/1996) é aplicável à cláusula 
compromissória nesse contrato. 
c) Incorreta. 
A arbitrariedade do procedimento ou seu custo não 
invalida a cláusula compromissória. A Lei nº 9.307/1996 
e a jurisprudência do STJ admitem a arbitragem, desde 
que observados os requisitos legais, inclusive no 
contrato de franquia. 
d) Correta. 
51 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Conforme o art. 4º, § 2º, da Lei nº 9.307/1996: 
“Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só 
terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir 
a arbitragem ou concordar, expressamente, com a sua 
instituição, desde que por escrito em documento anexo 
ou em negrito, com a assinatura ou visto especialmente 
para essa cláusula.” 
O contrato de franquia, por sua característica, é um 
contrato de adesão, e a cláusula compromissória é válida 
desde que observados esses requisitos formais. A 
jurisprudência do STJ confirma esse entendimento (REsp 
1602076-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, julgado 
em 15/9/2016 - Info 591). 
e) Incorreta. 
Embora o contrato de franquia seja contrato de adesão, 
isso não impede a validade da cláusula compromissória, 
desde que observados os requisitos do art. 4º, § 2º, da 
Lei nº 9.307/1996, conforme explicado na alternativa 
correta. 
DISPOSITIVOS RELEVANTES: 
Lei 9.307/1996 
Art. 4º (...) 
§ 2º Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória 
só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de 
instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com 
a sua instituição, desde que por escrito em documento 
anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto 
especialmente para essa cláusula. 
A franquia não é um contrato de consumo (regido pelo 
CDc), mas, mesmo assim, é um contrato de adesão. 
Segundo o art. 4º, § 2º da Lei nº 9.307/96, nos contratos 
de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia se 
o aderente: 
• tomar a iniciativa de instituir a arbitragem; ou 
• concordar, expressamente, com a sua instituição, por 
escrito, em documento anexo ou em negrito, com a 
assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. 
Todos os contratos de adesão, mesmo aqueles que não 
consubstanciam relações de consumo, como os 
contratos de franquia, devem observaro disposto no art. 
4º, § 2º, da Lei nº 9.307/96. 
Assim, é possível a instituição de cláusula 
compromissória em contrato de franquia, desde que 
observados os requisitos do art. 4º, § 2º, da Lei nº 
9.307/96. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1602076-SP, Rel. Min. Nancy 
Andrighi, julgado em 15/9/2016 (Info 591). 
 
DIREITO PENAL 
Professor Allan Joos 
Questão 57 
Carlos, Eduardo, Pedro e Jefferson, durante uma 
perseguição, efetuaram disparos de arma de fogo contra 
três policiais civis, mas erraram todos os tiros. Por erro 
na execução, um dos disparos atingiu Roger, um civil que 
passava pelo local, causando-lhe lesões não fatais. O 
Ministério Público denunciou os quatro por quatro 
tentativas de homicídio: três contra os policiais (alvos 
intencionais) e uma contra Roger (atingido por erro). A 
defesa pleiteou a desclassificação do delito, amparada 
na lesão corporal culposa em relação à vítima 
efetivamente atingida. O juiz, na decisão de pronúncia, 
excluiu a quarta tentativa, entendendo tratar-se de 
aberratio ictus com unidade simples, devendo os réus 
responderem apenas pelos crimes contra os três 
policiais. 
Considerando a jurisprudência do STJ, assinale a 
alternativa correta: 
a) Na aberratio ictus com unidade simples, o agente 
responde cumulativamente pelo crime contra a vítima 
pretendida e pelo crime contra a vítima efetivamente 
atingida, em concurso formal. 
b) A teoria da equivalência adotada pelo STJ determina 
que, no erro na execução, o agente responda como se 
tivesse atingido a vítima originalmente visada. 
c) No erro na execução com unidade simples, há 
concurso formal entre as tentativas contra a vítima 
visada e contra a vítima atingida. 
d) No caso narrado, deveria ser reconhecida tentativa de 
homicídio com dolo eventual contra Roger, pois os 
disparos em via pública demonstram assunção do risco 
de matar terceiros. 
e) O art. 73 do CP só se aplica quando há resultado duplo, 
hipótese em que se reconhece concurso formal. 
Comentários: 
Gabarito: C 
52 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
A decisão do STJ está fundamentada no art. 73 do Código 
Penal, que prevê que, no erro na execução (aberratio 
ictus), o agente responde como se tivesse praticado o 
crime contra a vítima pretendida, considerando suas 
condições e qualidades. 
Na aberratio ictus com unidade simples, há apenas um 
resultado lesivo — a vítima pretendida não é atingida e 
apenas uma pessoa diversa sofre o dano. Nessa 
hipótese, não há crime autônomo em relação ao terceiro 
atingido, evitando-se o bis in idem. 
No caso concreto, os réus visavam exclusivamente os 
três policiais civis, atingindo Roger por erro de pontaria. 
Não houve pluralidade de resultados, razão pela qual o 
STJ afastou a imputação de tentativa autônoma contra 
Roger. A Corte reafirmou que, na unidade simples, não 
há concurso formal, mas apenas responsabilização como 
se o agente tivesse atingido a vítima virtual. 
Análise das alternativas: 
• a) Errada. Na unidade simples não há responsabilização 
cumulativa; só haveria concurso formal na unidade 
complexa, quando a vítima visada e a não visada são 
atingidas. 
• b) Correta. Expressa exatamente o conteúdo do art. 73 
do CP e da jurisprudência aplicada. 
• c) Errada. Concurso formal ocorre apenas na unidade 
complexa, não na simples. 
• d) Errada. O STJ afastou a tese do dolo eventual no 
caso, aplicando o erro na execução. 
• e) Errada. O art. 73 do CP aplica-se tanto à unidade 
simples quanto à complexa, variando a consequência 
jurídica. 
 
Questão 58 
Rogério, após observar por semanas a rotina de uma 
joalheria, identificou que toda sexta-feira, por volta das 
18h, o gerente deixava o estabelecimento levando um 
malote com as vendas do dia, sempre caminhando 
sozinho até o carro estacionado em uma rua lateral 
pouco movimentada. 
Com essa informação, Rogério elaborou um plano 
detalhado: estudou as câmeras da região, escolheu um 
ponto cego próximo à saída e adquiriu um simulacro de 
arma de fogo. No dia marcado, posicionou-se 
estrategicamente no local, abordou o gerente e, 
mediante grave ameaça, subtraiu o malote com R$ 50 
mil. 
Condenado pelo crime de roubo majorado (art. 157, § 2º, 
I, do CP), o juiz aumentou a pena-base, considerando 
negativa a circunstância judicial da culpabilidade, diante 
da premeditação demonstrada pelo planejamento 
minucioso, pela escolha do local e horário, e pela 
preparação prévia do instrumento de intimidação. 
A defesa recorreu, alegando que a premeditação não 
está prevista no Código Penal e que seu uso configuraria 
bis in idem. 
De acordo com o entendimento consolidado pelo STJ no 
Tema 1318 (Recurso Repetitivo), é correto afirmar que: 
a) A premeditação é inerente ao crime de roubo e, 
portanto, não pode fundamentar a exasperação da 
pena-base. 
b) A premeditação só pode ser considerada se prevista 
expressamente como agravante no Código Penal. 
c) A premeditação pode fundamentar a valoração 
negativa da culpabilidade na primeira fase da dosimetria, 
desde que não seja elementar ou ínsita ao tipo penal e 
não sirva de pressuposto para agravante ou 
qualificadora já aplicada, devendo haver fundamentação 
concreta sobre a maior reprovabilidade. 
d) A premeditação deve ser considerada exclusivamente 
na segunda fase, como agravante genérica do art. 61, II, 
“c” do CP. 
e) A premeditação jamais pode ser considerada, pois 
sempre configura bis in idem. 
Comentários: 
Gabarito: C 
A premeditação não está expressamente prevista como 
circunstância judicial no art. 59 do Código Penal nem 
como agravante específica. Contudo, o STJ e o STF 
entendem que ela pode ser considerada para negativar 
a culpabilidade na primeira fase da dosimetria, desde 
que observados alguns critérios. 
Segundo o STJ, Tema 1318 (REsp 2.174.028-AL e REsp 
2.174.008-AL), a premeditação: 
1. Autoriza a valoração negativa da culpabilidade, mas 
apenas se não for elementar ou ínsita ao tipo penal; 
2. Não pode ser usada quando já for pressuposto de uma 
agravante ou qualificadora aplicada, sob pena de bis in 
idem; 
53 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
3. Exige fundamentação concreta que demonstre a 
maior reprovabilidade no caso concreto. 
No crime de roubo (art. 157 do CP), a premeditação não 
é inerente ao tipo penal. O fato de o agente planejar 
detalhadamente a ação, estudar as câmeras, escolher o 
ponto cego e preparar o simulacro revela dolo de 
propósito (ou dolo refletido), que traduz maior 
censurabilidade da conduta. 
A jurisprudência diferencia o dolo de propósito (com 
lapso para reflexão e preparação) do dolo de ímpeto 
(conduta imediata, por impulso). O primeiro pode 
justificar aumento da pena-base pela culpabilidade; o 
segundo, em certos casos, pode até atrair atenuantes 
(ex.: violenta emoção). 
O bis in idem só ocorre se a premeditação já for 
necessária para caracterizar o tipo penal ou para a 
incidência de uma agravante/qualificadora específica. 
Por exemplo, no homicídio qualificado por emboscada, a 
premeditação já é ínsita ao modus operandi; no roubo 
simples ou majorado por emprego de arma, não é. 
Assim, no caso de Rogério, a exasperação da pena-base 
foi legítima: houve fundamentação concreta e ausência 
de vedação por elementar ou qualificadora específica. 
Precedentes citados: 
• STJ, 3ª Seção, REsp 2.174.028-AL e REsp 2.174.008-AL, 
Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, j. 8/5/2025 (Tema 
1318 – recurso repetitivo) 
• STF, HC 94.620, Pleno, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 
j. 24/6/2015. 
 
Questão 59 
Durante patrulhamento noturno, policiais militares 
abordaram Carlos, que corria carregando um aparelho 
de som automotivo recém-retirado de um veículo 
estacionado. 
Ao ser questionado no momento da abordagem, Carlos 
afirmou verbalmente ter arrombado o carro para 
subtrair o objeto, alegando que o venderia para comprar 
drogas. Essa declaração foi feita na rua, sem registro 
audiovisual, sem a presença de advogado e sem 
lavratura formal no auto de prisão. 
Nadelegacia, Carlos permaneceu em silêncio. Em juízo, 
negou o crime. 
Condenado por furto qualificado com base em imagens 
de câmeras de segurança e na perícia que constatou o 
arrombamento, o juiz não aplicou a atenuante da 
confissão espontânea (art. 65, III, “d”, do CP), pois a 
suposta confissão não havia sido formalizada e não foi 
utilizada como fundamento da condenação. 
A defesa recorreu, sustentando que a confissão informal 
feita aos policiais deveria ensejar a atenuante. 
Segundo o entendimento consolidado pelo STJ (AREsp 
2.313.703-SP, Info 845), é correto afirmar que: 
a) A confissão informal sempre enseja a aplicação da 
atenuante, mesmo sem registro formal. 
b) A confissão informal nunca pode ser utilizada para 
aplicar a atenuante, ainda que conste expressamente 
como fundamento da condenação. 
c) A confissão informal pode fundamentar a atenuante, 
desde que corroborada por prova testemunhal ou 
material. 
d) A confissão informal não pode ser utilizada para a 
aplicação da atenuante, por carecer de garantias de 
autenticidade e contraditório, salvo se o magistrado a 
utilizar expressamente para condenar o réu. 
e) A confissão informal tem o mesmo valor da confissão 
extrajudicial formalizada e, portanto, pode gerar a 
atenuante. 
Comentários: 
Gabarito: D 
O art. 65, III, “d”, do CP prevê a atenuante da confissão 
espontânea quando o agente confessa perante a 
autoridade a autoria do crime. 
O STJ, no AREsp 2.313.703-SP (Info 845), firmou que a 
confissão informal — aquela prestada verbalmente, sem 
registro formal nos autos, sem garantias de 
autenticidade e contraditório — não pode ser 
considerada para a aplicação da atenuante, pois é prova 
inidônea para fins de dosimetria e também inadmissível 
como elemento probatório para condenação. 
A Corte diferencia: 
1. Confissão judicial – feita em juízo, com contraditório; 
2. Confissão extrajudicial formal – prestada na fase 
policial, registrada oficialmente; 
3. Confissão informal – sem formalização, feita em 
contexto desprovido de garantias processuais. 
54 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
A confissão informal carece de autenticidade e 
voluntariedade comprovadas, não sendo apta a surtir 
efeitos. 
Exceção jurisprudencial: se, indevidamente, o juiz utilizar 
a confissão informal como fundamento da condenação, 
deve também reconhecer a atenuante, em respeito à 
Súmula 545 do STJ e a precedentes como o AgRg no 
AREsp 2.739.660/RJ e o REsp 2.185.729/MG (ambos de 
2025). 
No caso de Carlos, a confissão foi informal, não 
registrada, não utilizada na sentença como fundamento 
condenatório e, portanto, não pode gerar a atenuante. 
Precedentes relevantes: 
• STJ, 5ª Turma, AREsp 2.313.703-SP, Rel. Min. Daniela 
Teixeira, Rel. p/ acórdão Min. Joel Ilan Paciornik, j. 
4/2/2025 (Info 845) 
• STJ, 5ª Turma, AgRg no AREsp 2.739.660/RJ, Rel. Min. 
Ribeiro Dantas, j. 11/3/2025 
• STJ, 6ª Turma, REsp 2.185.729/MG, Rel. Min. Otávio de 
Almeida Toledo, j. 11/3/2025. 
 
Questão 60 
A Polícia Militar recebeu denúncia anônima de que duas 
pessoas estavam furtando cabos de energia elétrica de 
um poste. 
Ao chegarem ao local, flagraram Carlos cortando os 
cabos no alto do poste, enquanto Marta recolhia o 
material. Foram apreendidos fios de cobre, cabos de 
fibra ótica e a ferramenta utilizada no corte. 
O Ministério Público denunciou ambos pelo crime de 
furto qualificado pelo concurso de pessoas e pela 
escalada (art. 155, § 4º, II e IV, do Código Penal). 
A defesa requereu a realização de perícia técnica para 
comprovar a escalada, alegando que, por deixar 
vestígios, ela somente poderia ser demonstrada 
mediante laudo pericial, sendo inadmissível a prova 
exclusivamente testemunhal. 
Considerando o entendimento do STJ (AgRg no AREsp 
2.703.772-DF, Info 843), assinale a afirmativa correta: 
a) A ausência de perícia inviabiliza a qualificadora de 
escalada, pois se trata de prova indispensável à sua 
configuração. 
b) A qualificadora da escalada só pode ser reconhecida 
se houver laudo pericial que comprove a utilização de 
meio anormal. 
c) É possível reconhecer a escalada sem perícia quando 
o crime é presenciado por testemunhas idôneas e não há 
versão defensiva que contradiga a narrativa. 
d) O crime não se caracteriza como furto qualificado por 
escalada, pois subir em poste de energia não configura 
meio anormal para acesso ao bem. 
e) Havendo ausência de perícia, deve-se desclassificar 
para furto simples, independentemente do restante das 
provas. 
Comentários: 
Gabarito: C 
A escalada é meio anormal utilizado para vencer 
obstáculos e alcançar o bem, configurando a 
qualificadora prevista no art. 155, § 4º, II, do Código 
Penal. Subir em um poste de energia elétrica para cortar 
fios se enquadra nesse conceito. 
Embora, em regra, vestígios exijam prova pericial (art. 
158 do CPP), a jurisprudência do STJ admite a prova 
testemunhal como suficiente para comprovar a escalada 
quando: 
• o iter criminis é presenciado diretamente por agentes 
públicos ou testemunhas idôneas; 
• há descrição detalhada da conduta; 
• não há versão defensiva que contradiga tal narrativa. 
No caso concreto analisado pelo STJ (AgRg no AREsp 
2.703.772-DF), os policiais viram um dos réus no alto de 
um poste cortando cabos, enquanto o outro os recolhia. 
Tal prova foi considerada irrefutável, dispensando 
perícia técnica. 
Assim, a falta de perícia não impede o reconhecimento 
da qualificadora quando há prova oral segura e coerente, 
especialmente em flagrante presenciado pelos policiais. 
Precedente: STJ, 6ª Turma, AgRg no AREsp 2.703.772-DF, 
Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/2/2025 
(Info 843). 
a) ERRADA – A ausência de perícia não inviabiliza 
automaticamente a qualificadora. A jurisprudência do 
STJ admite que a escalada seja comprovada por prova 
testemunhal quando o crime é presenciado e descrito de 
forma segura, sem contradições. 
55 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
b) ERRADA – Não é requisito que haja necessariamente 
laudo pericial para configurar a escalada. Esse 
entendimento seria válido apenas se não houvesse 
outras provas seguras, mas o STJ já admitiu prova oral 
como suficiente. 
c) CORRETA – Expressa exatamente o entendimento do 
STJ: a escalada pode ser reconhecida sem perícia quando 
o crime é presenciado por testemunhas idôneas e não há 
elementos de defesa que contradigam o relato. 
d) ERRADA – Subir em poste de energia elétrica é 
exemplo típico de meio anormal, que configura escalada. 
A jurisprudência não restringe o conceito apenas a 
muros ou paredes. 
e) ERRADA – A ausência de perícia não leva 
necessariamente à desclassificação para furto simples; 
quando a qualificadora estiver comprovada por prova 
oral robusta, ela pode ser mantida. 
 
Questão 61 
Durante um evento recreativo cultural e aberto ao 
público, Rogério, funcionário público, injuriou 
verbalmente uma pessoa do público, ofendendo sua 
dignidade em razão da cor da pele. 
O fato foi presenciado por diversas testemunhas e 
amplamente divulgado em redes sociais. 
Considerando a Lei nº 7.716/1989, com as alterações 
promovidas pela Lei nº 14.532/2023, assinale a 
afirmativa correta sobre o enquadramento jurídico da 
conduta e suas consequências penais. 
a) O crime praticado por Rogério é de injúria racial, 
punido com reclusão de 2 a 5 anos e multa, sem qualquer 
possibilidade de aumento de pena. 
b) A conduta configura injúria racial (art. 2º-a), cuja pena 
pode ser aumentada pela condição de funcionário 
público no exercício das funções. 
c) O crime cometido por Rogério é tipificado no art. 20 
da Lei nº 7.716/1989, já que foi praticado em evento 
cultural, não havendo previsão de injúria racial nessa lei. 
d) Sendo funcionário público, Rogério responderá pelo 
crime de injúria racial com pena de reclusão de 2 a 6 
anos, conforme previsão expressa no art. 2º-A. 
e) Por se tratar de injúria racial, o crime não se enquadra 
como racismo e, portanto, não se sujeitaàs causas de 
aumento previstas nos arts. 20-A e 20-B da Lei nº 
7.716/1989. 
Comentários: 
Gabarito: B 
O art. 2º-A da Lei nº 7.716/1989 (incluído pela Lei nº 
14.532/2023) tipifica a injúria racial, definindo-a como 
injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, 
em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional, 
com pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa. 
No caso, Rogério ofendeu a vítima por sua cor durante 
evento cultural aberto ao público, sendo funcionário 
público e atuando no exercício de suas funções. 
Além da pena-base do art. 2º-A, incidem duas causas de 
aumento: 
• Art. 20-A: aumento de 1/3 até a metade se o crime 
ocorrer no contexto de atividades culturais, artísticas, 
esportivas ou religiosas destinadas ao público. 
• Art. 20-B: aumento de 1/3 até a metade quando o 
crime dos arts. 2º-A ou 20 for praticado por funcionário 
público no exercício das funções ou a pretexto de exercê-
las. 
Assim, Rogério poderá ter a pena majorada 
cumulativamente pelas duas causas de aumento. 
a) ERRADA – Há previsão expressa de causas de aumento 
de pena nos arts. 20-A e 20-B, que são aplicáveis ao crime 
de injúria racial. 
b) CORRETA – Justifica-se pelo teor do art. 2º-A, com 
incidência das majorantes do art. 20-A (contexto de 
atividade cultural) e do art. 20-B (funcionário público no 
exercício das funções). 
c) ERRADA – O fato não se enquadra no art. 20 (crime de 
racismo genérico), mas sim no art. 2º-A, específico para 
injúria racial. O local do crime (evento cultural) não 
altera a tipificação, mas enseja aumento de pena. 
d) ERRADA – A pena-base do art. 2º-A é de 2 a 5 anos; 
não há previsão expressa de pena de 2 a 6 anos. A 
majoração é feita sobre a pena aplicada, não alterando a 
pena-base do tipo. 
e) ERRADA – A injúria racial prevista no art. 2º-A integra 
a Lei de Crimes de Racismo e, portanto, se sujeita sim às 
causas de aumento previstas nos arts. 20-A e 20-B. 
 
 
56 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 62 
Durante apuração do Ministério Público, descobriu-se 
que João, sócio da empresa Alfa, ofereceu a Pedro, 
supervisor técnico de órgão público estadual, vantagem 
indevida de R$ 54.000,00 para assegurar a manutenção 
de contratos emergenciais de tecnologia. 
O acerto ocorreu em março de 2005, e o pagamento foi 
feito em 6 parcelas entre 2005 e 2006. 
O MP denunciou João por corrupção ativa (art. 333 do 
CP), sustentando que cada parcela caracterizava crime 
autônomo, configurando continuidade delitiva. 
Considerando a jurisprudência do STJ, assinale a 
alternativa correta. 
a) Cada pagamento configura crime autônomo, pois o 
art. 71 do CP aplica-se aos delitos contra a Administração 
Pública, independentemente da natureza do tipo penal. 
b) A corrupção ativa consuma-se com a oferta ou 
promessa da vantagem indevida; pagamentos 
posteriores são exaurimento da conduta, não havendo 
continuidade delitiva. 
c) Como houve seis pagamentos, houve seis atos de 
corrupção ativa, devendo a pena ser aplicada com 
aumento pela continuidade delitiva. 
d) A consumação da corrupção ativa depende do 
recebimento integral da vantagem indevida pelo agente 
público, motivo pelo qual o número de crimes se define 
pela quantidade de pagamentos. 
e) O pagamento parcelado afasta a tipicidade, devendo 
a conduta ser punida, se for o caso, como tentativa de 
corrupção ativa. 
Comentários: 
Gabarito: B 
1. Natureza do crime de corrupção ativa 
O art. 333 do Código Penal dispõe: 
Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário 
público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar 
ato de ofício. 
O STJ entende que o crime de corrupção ativa é formal 
(dispensa resultado naturalístico) e unissubsistente 
(praticado por ato único). Ele se consuma no momento 
em que a oferta ou promessa chega ao conhecimento do 
agente público, ainda que o pagamento seja posterior ou 
parcelado. 
2. Parcelamento do pagamento e exaurimento da 
conduta 
Os pagamentos fracionados não configuram novos 
crimes, pois não renovam o verbo nuclear ("oferecer" ou 
"prometer"), mas apenas exauram a conduta criminosa 
já consumada. 
O STJ já decidiu que: 
“O pagamento posterior, ainda que parcelado, constitui 
exaurimento da conduta e pode ser valorado na 
dosimetria, mas não caracteriza continuidade delitiva.” 
(STJ, 6ª Turma, AREsp 920.664-DF, 17/12/2024). 
3. Por que não há continuidade delitiva? 
O art. 71 do CP exige pluralidade de condutas 
(pluralidade de crimes consumados), o que não ocorre 
aqui, pois a corrupção ativa se consumou de forma única 
no momento da oferta. 
O fracionamento do pagamento não corresponde a 
novas "ofertas" ou "promessas". 
• a) ERRADA – O art. 71 do CP exige mais de um crime 
consumado. No caso, só houve um crime, consumado na 
oferta inicial. 
• b) CORRETA – Conforme o STJ, corrupção ativa é formal 
e unissubsistente, consumando-se na oferta/promessa; 
pagamentos posteriores são exaurimento e não 
caracterizam continuidade delitiva. 
• c) ERRADA – Esse foi o argumento do MP, rejeitado 
pelo STJ. Os pagamentos não constituem novos crimes. 
• d) ERRADA – A consumação independe do recebimento 
integral da vantagem. Basta a ciência da oferta pelo 
agente público. 
• e) ERRADA – Não se trata de tentativa. O crime se 
consumou no momento da oferta, independentemente 
do pagamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
57 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 63 
João foi condenado por crime de roubo simples (art. 157, 
caput, CP), cuja pena mínima é de 4 anos. 
Na primeira fase da dosimetria, o juiz fixou a pena-base 
em 4 anos, reconhecendo todas as circunstâncias 
judiciais favoráveis. 
Na segunda fase, foi reconhecida a atenuante da 
confissão espontânea (art. 65, III, “d”, do CP). 
A defesa sustentou que a pena deveria ser reduzida para 
3 anos e 4 meses, aplicando a fração de 1/6 sobre a pena-
base mínima. 
O juiz manteve a pena em 4 anos, invocando a Súmula 
231 do STJ. 
O Tribunal manteve a decisão. A defesa recorreu ao STJ, 
pedindo a revisão da Súmula. 
De acordo com a jurisprudência consolidada, assinale a 
alternativa correta: 
a) A confissão espontânea sempre reduz a pena, 
podendo levá-la abaixo do mínimo legal, pois a lei não 
prevê exceção. 
b) É possível reduzir a pena abaixo do mínimo legal na 
segunda fase, desde que se trate de atenuante relevante 
como a confissão espontânea. 
c) O STJ não pode afastar a aplicação da Súmula 231, pois 
o STF, em repercussão geral (Tema 158), decidiu que 
atenuantes não reduzem a pena abaixo do mínimo legal. 
d) O STJ já superou a Súmula 231, permitindo a redução 
da pena abaixo do mínimo legal para evitar violação ao 
princípio da individualização da pena. 
e) A aplicação de atenuantes e agravantes pode fixar 
pena provisória fora dos limites mínimos e máximos 
legais, desde que fundamentada pelo juiz. 
Comentários: 
Gabarito: C 
1. Regra geral 
A segunda fase da dosimetria (agravantes e atenuantes) 
não pode resultar em pena inferior ao mínimo ou 
superior ao máximo previsto no tipo penal. 
Fundamento: 
• Súmula 231 do STJ: “A incidência da circunstância 
atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo 
do mínimo legal.” 
• Tema 158/STF (RE 597270 QO-RG): tese vinculante de 
que atenuantes genéricas não reduzem pena abaixo do 
mínimo legal. 
2. Competência 
O STJ não pode rever precedente vinculante fixado pelo 
STF. 
A eventual superação (overruling) só poderia ocorrer 
pelo próprio Supremo. 
3. Fundamentação 
• Legalidade estrita: o legislador fixa pena mínima e 
máxima; o juiz não pode ultrapassar esses limites nas 
fases da dosimetria. 
• Separação de poderes: alterar o limite mínimo por 
meio de atenuante seria legislar. 
• Interpretação do art. 65 do CP: “sempre atenuam” 
significa obrigatoriedade de aplicação, mas dentro dos 
limites legais. 
4. Análise das alternativas 
• a) ERRADA – A lei não excepciona, mas o STF já fixou 
tese limitando a redução ao mínimo legal. 
• b) ERRADA – Mesmo atenuante relevantenão pode 
ultrapassar o mínimo legal. 
• c) CORRETA – STF (Tema 158) e Súmula 231 do STJ 
vinculam: atenuante não reduz abaixo do mínimo legal; 
STJ não pode rever. 
• d) ERRADA – O STJ não superou a Súmula 231. 
• e) ERRADA – Não é permitido fixar pena intermediária 
fora dos limites mínimo/máximo na segunda fase. 
 
Questão 64 
Regina, grávida de 27 semanas, recebeu diagnóstico de 
que o feto é portador da Síndrome de Edwards associada 
a cardiopatia grave. 
Laudo médico indicou altíssima probabilidade de óbito 
intraútero ou logo após o parto, mas não descartou 
totalmente a possibilidade de vida extrauterina, 
mencionando que 5% a 10% dos casos podem sobreviver 
além do primeiro ano (com severas limitações). 
A defesa impetrou habeas corpus preventivo pedindo 
salvo-conduto para que Regina e a equipe médica 
realizassem a interrupção da gestação, sustentando: 
58 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
1. Aplicação analógica do entendimento da ADPF 54/STF, 
que afastou a tipicidade penal da interrupção da 
gestação de fetos anencéfalos; 
2. Grave sofrimento psicológico da gestante e da família. 
Segundo a jurisprudência atual, assinale a alternativa 
correta: 
a) O entendimento da ADPF 54 se aplica por analogia, 
pois a Síndrome de Edwards também apresenta alta 
letalidade, autorizando a interrupção sem configuração 
de crime de aborto. 
b) O entendimento da ADPF 54 só se aplica a casos de 
anencefalia, não sendo possível estendê-lo quando não 
houver certeza da inviabilidade de vida extrauterina. 
c) O pedido deve ser deferido, pois a alta probabilidade 
de letalidade dispensa a comprovação da inviabilidade 
absoluta da vida extrauterina. 
d) A autorização é cabível sempre que a condição fetal 
comprometer severamente a qualidade de vida, 
independentemente da possibilidade de sobrevivência. 
e) O caso se enquadra automaticamente no art. 128, I, 
do CP, por envolver risco psicológico à gestante. 
Comentários: 
Gabarito: B 
1. ADPF 54 – Limite da decisão 
O STF decidiu na ADPF 54 (Rel. Min. Marco Aurélio) que 
a interrupção da gravidez de feto anencéfalo não 
constitui crime de aborto, por ausência de 
potencialidade de vida extrauterina. 
O fundamento central foi a inviabilidade absoluta de vida 
fora do útero no caso da anencefalia. 
2. Síndrome de Edwards – Diferença relevante 
Na Síndrome de Edwards, embora o prognóstico seja 
gravíssimo, há possibilidade, ainda que remota, de 
sobrevida após o parto. 
No caso narrado, o próprio laudo médico apontou que 
5% a 10% dos casos sobrevivem além do primeiro ano. 
3. Impossibilidade de aplicação analógica 
O STJ, no HC 932.495-SC (Info 820), decidiu que não é 
possível aplicar por analogia o entendimento da ADPF 54 
quando o quadro clínico fetal não comprova 
inviabilidade absoluta de vida extrauterina. 
A decisão fundamentou-se na interpretação restritiva de 
excludentes penais e na necessidade de certeza sobre a 
ausência total de potencialidade de vida para afastar a 
tipicidade. 
4. Art. 128, I, CP – Aborto necessário 
Essa hipótese exige risco de morte à gestante. 
No caso, não foi comprovado risco físico concreto à mãe, 
motivo pelo qual não se aplica essa excludente. 
• a) ERRADA – Alta letalidade não é suficiente; exige-se 
inviabilidade absoluta. 
• b) CORRETA – A ADPF 54 aplica-se apenas a casos de 
anencefalia ou outras situações com inviabilidade 
absoluta de vida extrauterina. 
• c) ERRADA – Probabilidade, mesmo que alta, não basta. 
• d) ERRADA – O parâmetro é a inviabilidade absoluta, 
não a qualidade de vida. 
• e) ERRADA – O art. 128, I, CP exige risco físico, não 
apenas sofrimento psicológico. 
 
Questão 65 
O sistema carcerário brasileiro é frequentemente 
criticado por sua superlotação, condições degradantes e 
pela ineficácia no processo de ressocialização. O 
Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar a ADPF nº 347, 
reconheceu um Estado de Coisas Inconstitucional (ECI) 
no sistema penitenciário, apontando violações 
sistemáticas de direitos fundamentais. 
Com base nesse entendimento, assinale a alternativa 
correta, à luz dos pensamentos criminológicos: 
a) A privatização das prisões é amplamente defendida 
por organismos internacionais como solução para o 
problema da superlotação, pois demonstrou redução 
dos índices de reincidência e melhoria das condições de 
encarceramento. 
b) O conceito de Estado de Coisas Inconstitucional (ECI) 
reconhece que a crise do sistema prisional não decorre 
apenas de falhas legislativas ou judiciais, mas de um 
colapso estrutural que exige ação coordenada dos Três 
Poderes. 
c) O STF, na ADPF nº 347, determinou a criação de um 
regime especial de pena para crimes de menor potencial 
ofensivo, prevendo liberdade condicional automática 
para condenados que já tenham cumprido metade da 
pena. 
59 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
d) A jurisprudência atual reconhece que as penas 
privativas de liberdade devem ser cumpridas 
integralmente, independentemente das condições do 
presídio, pois o princípio da legalidade impede a 
flexibilização da execução penal. 
e) A superlotação carcerária não é considerada um 
problema estrutural no Brasil, sendo um fenômeno 
isolado em algumas unidades prisionais, o que inviabiliza 
o reconhecimento do Estado de Coisas Inconstitucional. 
Comentários: 
Gabarito: B 
O Estado de Coisas Inconstitucional (ECI) foi reconhecido 
pelo STF na ADPF nº 347 como resposta às graves e 
sistemáticas violações de direitos fundamentais no 
sistema carcerário brasileiro, incluindo superlotação, 
tortura, insalubridade e falta de acesso a direitos básicos. 
Esse conceito não se limita a falhas legislativas ou 
judiciais, mas caracteriza um colapso estrutural do 
sistema, exigindo ações coordenadas dos Três Poderes 
para garantir direitos mínimos aos presos. Dessa forma, 
a alternativa B está correta. 
As demais alternativas estão incorretas: 
• a) Errada. A privatização do sistema prisional é alvo de 
críticas, pois pode levar à mercantilização do 
encarceramento, aumentando a superlotação e 
reduzindo garantias mínimas aos presos. 
• c) Errada. A ADPF nº 347 não determinou um regime 
especial de pena, mas apontou a necessidade de 
medidas para enfrentar a crise carcerária. 
• d) Errada. O STF já reconheceu que o cumprimento da 
pena deve levar em conta as condições concretas do 
presídio, podendo haver compensações penais em razão 
de tratamento degradante. 
• e) Errada. A superlotação não é um problema isolado, 
mas sim estrutural, sendo uma das razões para o 
reconhecimento do Estado de Coisas Inconstitucional. 
 
 
 
 
 
 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
Professor Ivan Marques 
Questão 66 
No que concerne à colaboração premiada, 
expressamente prevista na Lei das Organizações 
Criminosas (Lei 12.850/2013), O juiz poderá, a 
requerimento das partes, conceder o perdão judicial, 
reduzir em até 2/3 (dois terços) a pena privativa de 
liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos 
daquele que tenha colaborado efetiva e 
voluntariamente com a investigação e com o processo 
criminal, desde que dessa colaboração advenha um ou 
mais dos seguintes resultados, exceto: 
a) a prevenção de infrações penais decorrentes das 
atividades da organização criminosa. 
b) a localização de eventual vítima com a sua integridade 
física preservada. 
c) a identificação dos demais coautores e partícipes da 
organização criminosa e das infrações penais por eles 
praticadas. 
d) a recuperação total do produto ou do proveito das 
infrações penais praticadas pela organização criminosa, 
não sendo aceita a recuperação parcial. 
e) a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de 
tarefas da organização criminosa. 
Comentários: 
Gabarito: D 
Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, 
conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3 (dois 
terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la por 
restritiva de direitos daquele que tenha colaborado 
efetiva e voluntariamente com a investigaçãod) O direito à educação infantil só pode ser exigido 
coletivamente mediante ações civis públicas, sendo 
vedada a tutela individual por se tratar de direito social 
que demanda implementação através de políticas 
públicas de caráter coletivo. 
e) A obrigatoriedade da oferta de educação pelo Poder 
Público limita-se ao ensino fundamental, sendo a 
educação infantil em creches um serviço complementar 
cuja oferta depende da disponibilidade orçamentária e 
da conveniência administrativa do município. 
Comentários: 
Gabarito: C 
(A) INCORRETA - O STF foi categórico ao afirmar que "a 
educação básica em todas as suas fases — educação 
infantil, ensino fundamental e ensino médio — constitui 
direito fundamental de todas as crianças e jovens, 
assegurado por normas constitucionais de eficácia plena 
e aplicabilidade direta e imediata". Não se trata de 
norma programática, mas de direito fundamental com 
eficácia plena, que independe de regulamentação 
infraconstitucional para sua aplicação. A exigibilidade 
individual é expressamente reconhecida pelo STF, não 
podendo ser afastada pela alegação de 
discricionariedade administrativa. 
(B) INCORRETA - A decisão do STF é expressa no sentido 
contrário. A educação infantil NÃO constitui mera 
liberalidade do Poder Público, mas sim direito 
fundamental com aplicabilidade imediata. O julgado 
estabelece que "sua oferta pelo Poder Público pode ser 
exigida individualmente", confirmando a existência de 
direito subjetivo individual à matrícula. A inexistência de 
vagas não afasta o direito, mas sim evidencia o 
descumprimento do dever estatal que deve ser 
corrigido. 
(C) CORRETA - Esta alternativa reproduz fielmente o 
entendimento consolidado pelo STF no RE 1.008.166/SC. 
A Corte reconheceu que a educação básica, incluindo a 
educação infantil em creches, constitui direito 
7 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
fundamental assegurado por normas constitucionais de 
eficácia plena e aplicabilidade direta e imediata. O 
Tribunal expressamente afirmou que "sua oferta pelo 
Poder Público pode ser exigida individualmente, como 
no caso examinado neste processo", confirmando a 
exigibilidade judicial individual do direito, 
independentemente da alegação de falta de vagas. 
(D) INCORRETA - O STF expressamente reconheceu a 
possibilidade de exigibilidade individual do direito à 
educação infantil. A decisão confirma que "sua oferta 
pelo Poder Público pode ser exigida individualmente", 
afastando qualquer restrição à tutela individual. Embora 
o direito possa também ser tutelado coletivamente, isso 
não exclui a via individual, que é expressamente 
admitida pela jurisprudência do STF. 
(E) INCORRETA - A decisão do STF deixa claro que a 
obrigatoriedade da oferta de educação pelo Poder 
Público abrange toda a educação básica, incluindo 
expressamente a educação infantil (creche de 0 a 3 anos 
e pré-escola de 4 a 5 anos). Não se trata de serviço 
complementar, mas de direito fundamental que 
independe de disponibilidade orçamentária ou 
conveniência administrativa. O Tribunal estabelece que 
"o Poder Público tem o dever jurídico de dar efetividade 
integral às normas constitucionais sobre acesso à 
educação básica". 
 
Questão 5 
Sobre os tratados internacionais de direitos humanos, 
assinale a alternativa correta: 
a) Os tratados internacionais de direitos humanos têm 
status supralegal, estando abaixo da Constituição e 
acima das leis ordinárias. 
b) Os tratados internacionais de direitos humanos 
aprovados pelo rito do art. 5º, §3º, da CF/88, equivalem 
a emendas constitucionais. 
c) Os tratados internacionais de direitos humanos não 
podem ser objeto de controle de constitucionalidade. 
d) Os tratados internacionais de direitos humanos só 
produzem efeitos no Brasil após serem internalizados 
por decreto presidencial. 
e) Os tratados internacionais de direitos humanos têm 
aplicação imediata, independentemente de 
regulamentação. 
Comentários: 
Gabarito: B 
Fundamentação: A alternativa B está correta, pois os 
tratados internacionais de direitos humanos aprovados 
pelo rito do art. 5º, §3º, da CF/88, equivalem a emendas 
constitucionais. As demais alternativas estão incorretas: 
os tratados têm status constitucional ou supralegal, 
dependendo do rito de aprovação (A); podem ser objeto 
de controle de constitucionalidade (C); precisam ser 
internalizados por decreto legislativo, não apenas 
presidencial (D); e sua aplicação pode depender de 
regulamentação (E). 
 
Questão 6 
O Estado Alpha aprovou lei determinando a 
obrigatoriedade de manutenção de exemplares da Bíblia 
em todas as escolas e bibliotecas públicas estaduais. O 
Ministério Público questionou a constitucionalidade da 
norma, alegando afronta ao princípio da laicidade 
estatal. Diante disso, assinale a alternativa correta: 
a) A norma é constitucional, pois não impõe a leitura da 
Bíblia, apenas garante seu acesso ao público. 
b) A exigência de manutenção de Bíblias em escolas 
públicas viola o princípio da laicidade estatal e a 
liberdade religiosa. 
c) O Estado pode determinar a presença de livros 
religiosos nas escolas desde que contemple todas as 
crenças igualmente. 
d) A laicidade do Estado impede qualquer menção a 
livros religiosos nas escolas, mesmo que a presença seja 
facultativa. 
e) A Constituição permite que estados promovam 
religiões específicas, desde que haja interesse social 
justificado. 
Comentários: 
Gabarito: B 
(A) Errado. O STF entendeu que a imposição legal de 
exemplares da Bíblia viola a laicidade estatal. 
(B) Correto. A obrigatoriedade fere a laicidade do Estado 
e a liberdade religiosa. 
A imposição legal de manutenção de exemplares de 
Bíblias em escolas e bibliotecas públicas estaduais 
configura contrariedade à laicidade estatal e à liberdade 
religiosa consagrada pela Constituição da República de 
8 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
1988. STF. Plenário. ADI 5258/AM, Rel. Min. Cármen 
Lúcia, julgado em 12/4/2021 (Info 1012). 
(C) Errado. Ainda que contemple todas as crenças, a 
imposição estatal sobre religião é inconstitucional. 
(D) Errado. A presença de livros religiosos não é vedada, 
mas sua imposição por lei é inconstitucional. 
(E) Errado. O Estado deve ser neutro em matéria 
religiosa, sem promover qualquer crença específica. 
 
Questão 7 
Durante a investigação de uma comissão parlamentar de 
inquérito na Câmara dos Deputados, o colegiado 
deliberou pela expedição de convocação de alguns 
governadores para que prestassem esclarecimentos 
sobre a aplicação de verbas federais em seus respectivos 
Estados. Havia, na hipótese, dúvida acerca da licitude 
dos gastos públicos realizados. 
Com base na jurisprudência do Supremo Tribunal 
Federal, assinale a alternativa correta: 
a) A convocação é constitucional, pois o Senado tem 
poder de fiscalização sobre recursos federais repassados 
aos estados. 
b) A convocação de governadores por CPI do Senado 
viola a separação dos Poderes e a autonomia dos 
estados. 
c) Governadores podem ser convocados, mas sua 
presença é facultativa, não podendo ser compelidos a 
depor. 
d) O STF decidiu que governadores só podem ser 
convocados se a CPI tratar de crimes federais praticados 
nos estados. 
e) A CPI pode convocar qualquer agente público, 
independentemente do cargo ocupado, desde que haja 
indícios de irregularidades. 
Comentários: 
Gabarito: B 
Em juízo de delibação, não é possível a convocação de 
governadores de estados-membros da Federação por 
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pelo 
Senado Federal. A convocação viola o princípio da 
separação dos Poderes e a autonomia federativa dos 
estados-membros. STF. Plenário. ADPF 848 MC-Ref/DF, 
Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 25/6/2021 (Info 1023). 
(A) Errado. O Senado não pode convocar governadores, 
pois isso viola a autonomia dos estados. 
(B) Correto. O STF entendeu que a convocação de 
governadores por CPI do Senado fere a separação dos 
Poderes. 
(C) Errado. Ae com o 
processo criminal, desde que dessa colaboração 
advenha um ou mais dos seguintes resultados: 
I - a identificação dos demais coautores e partícipes da 
organização criminosa e das infrações penais por eles 
praticadas; 
II - a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de 
tarefas da organização criminosa; 
III - a prevenção de infrações penais decorrentes das 
atividades da organização criminosa; 
IV - a recuperação total ou parcial do produto ou do 
proveito das infrações penais praticadas pela 
organização criminosa; (Vide ADPF 569) 
60 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
V - a localização de eventual vítima com a sua integridade 
física preservada. 
 
Questão 67 
A prisão temporária sofreu alterações em seus requisitos 
autorizadores de decretação, porém a relação taxativa 
dos delitos foi mantida. Aponte o crime que admite a 
decretação da prisão temporária: 
a) a corrupção passiva (CP, art. 317). 
b) a falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de 
produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (CP, 
art. 273). 
c) a concussão (CP, art. 316). 
d) o contrabando (CP, art. 334). 
e) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de 
outubro de 1956). 
Comentários: 
Gabarito: E 
O único crime que está no rol taxativo da lei da prisão 
temporária é a alternativa E. Os demais crimes não estão 
na lista. 
 
Questão 68 
No que tange a interceptação das comunicações 
telefônicas e a disposições relativas a esse meio de 
obtenção de prova, previstas na Lei n. 9.296/1996, 
assinale a opção INCORRETA: 
a) A referida medida poderá ser determinada no curso 
da investigação criminal ou da instrução processual 
destinada à apuração de infração penal punida, ao 
menos, com pena de reclusão, sendo inadmissível para 
delitos punidos com detenção, mostrando-se irrelevante 
a quantidade de pena. 
b) A existência de prova testemunhal impedirá o 
deferimento da referida medida. 
c) O deferimento da referida medida exige a clara 
descrição do objeto da investigação. 
d) A utilização de prova obtida a partir da referida 
medida para fins de investigação de fato delituoso 
diverso imputado a terceiro não é admitida. 
e) A decisão judicial autorizadora da referida medida 
poderá exceder o prazo máximo de quinze dias, mesmo 
a lei tendo previsão em sentido contrário. 
Comentários: 
Gabarito: D 
Admite-se a prova pela teoria da serendipidade (ou 
descoberta fortuita). 
 
DIREITOS HUMANOS 
Professor Vinicius Zoponi 
Questão 69 
Em sucessivas decisões, a Corte Interamericana de 
Direitos Humanos tem reiterado que a reparação 
integral deve, na medida do possível, restabelecer a 
situação anterior ao ilícito, compensar prejuízos e 
prevenir novas violações. Quanto aos parâmetros 
normativos definidos pela Corte, assinale a alternativa 
correta. 
a) A restituição ao status quo ante constitui condição 
imprescindível, de modo que é inadequada sua 
substituição por medidas compensatórias idôneas. 
b) A compensação pecuniária abrange danos materiais, 
morais e lucros cessantes, exigindo, em todos os casos, 
comprovação pericial detalhada do montante pleiteado, 
sob pena de indeferimento. 
c) As medidas de satisfação — como atos públicos de 
reconhecimento de responsabilidade ou iniciativas de 
memória histórica — somente podem ser determinadas 
se houver requerimento expresso das vítimas ou de seus 
familiares. 
d) As garantias de não repetição podem envolver 
reformas legislativas, capacitação de agentes estatais e 
adoção de políticas públicas, mas a Corte não dispõe de 
competência para fixar prazos ou supervisionar sua 
implementação após o trânsito em julgado. 
e) O direito à verdade constitui componente autônomo 
do catálogo reparatório reconhecido pela Corte, 
beneficiando não apenas as vítimas e seus familiares, 
mas também a sociedade como um todo ao assegurar 
memória e prevenção. 
Comentários: 
Gabarito: E 
61 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
A reparação integral, segundo a Corte Interamericana de 
Direitos Humanos, engloba um conjunto articulado de 
medidas — restituição, compensação, 
satisfação/reabilitação e garantias de não repetição — 
voltadas a restabelecer, na maior medida possível, a 
situação anterior ao ilícito, compensar os danos 
causados e prevenir recorrências. Esse modelo foi 
delineado a partir da sentença de reparações em 
Velásquez Rodríguez vs. Honduras (1989) e reiterado em 
precedentes como Campo Algodonero vs. México (2009) 
e Ibsen Cárdenas e Ibsen Peña vs. Bolívia (2010). 
Vamos examinar cada alternativa isoladamente. 
A alternativa A está incorreta: embora a Corte priorize a 
restituição, ela não a qualifica como “condição 
imprescindível” em todos os casos: se o 
restabelecimento ao status quo ante for impossível ou 
desproporcional, admite-se que medidas 
compensatórias substituam, e não apenas 
complementem, a restituição (v.g. García Lucero vs. 
Chile, 2013). Assim, tratar a restituição como requisito 
inafastável contradiz a jurisprudência que admite sua 
substituição por indenização em equidade. 
A alternativa B está incorreta: a Corte exige 
comprovação do dano quando possível, mas reconhece 
que a natureza de certos prejuízos — sobretudo morais 
— impede quantificação exata; nesses casos, fixa-se o 
montante “em equidade” (Cantoral Benavides vs. Peru, 
2001). Portanto, não há obrigação de prova pericial 
detalhada “em todos os casos”, sob pena de 
indeferimento. 
A alternativa C está incorreta: medidas de satisfação, 
como atos públicos de reconhecimento ou iniciativas de 
memória, podem ser impostas de ofício pela Corte, 
independentemente de requerimento expresso das 
vítimas (Moiwana Community vs. Suriname, 2005). Para 
a Corte, condicionar tais medidas a pedido expresso 
restringe indevidamente sua atuação. 
A alternativa D está incorreta: além de fixar o conteúdo 
das garantias de não repetição, a Corte estabelece 
prazos e mantém jurisdição de supervisão do 
cumprimento (art. 68 CADH), o que se dá por meio dos 
relatórios periódicos de supervisão, em que a Corte 
acompanha e cobra a implementação das reformas 
determinadas. 
A alternativa E está correta: desde Moiwana Community 
vs. Suriname (2005) e reafirmado em Almonacid Arellano 
vs. Chile (2006), a Corte reconhece o direito à verdade 
como componente autônomo das reparações, destinado 
não só às vítimas e seus familiares, mas à sociedade em 
geral, como garantia de memória, justiça e não 
repetição. 
 
Questão 70 
O procedimento de solução amistosa, previsto na 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos e 
regulado pelo Regulamento da Comissão Interamericana 
de Direitos Humanos (CIDH), constitui meio consensual 
para a resolução de petições individuais. À luz desse 
mecanismo, assinale a alternativa INCORRETA. 
a) A CIDH deve verificar se o conteúdo do acordo 
amistoso é compatível com os direitos humanos 
reconhecidos na Convenção Americana, antes de 
homologá-lo. 
b) O acordo pode envolver reconhecimento de 
responsabilidade internacional pelo Estado, bem como 
medidas de reparação integral em favor das vítimas. 
c) Se o Estado descumprir integralmente o acordo 
aprovado, a CIDH pode reabrir a análise de mérito do 
caso e, em última instância, submetê-lo à Corte 
Interamericana. 
d) A CIDH está impedida de publicar o conteúdo do 
acordo em seu relatório final sem consentimento 
expresso e unânime das partes envolvidas. 
e) Durante a fase de negociação, as reuniões de solução 
amistosa podem ser reservadas, mas a CIDH mantém 
poder de facilitação e supervisão da implementação 
posterior. 
Comentários: 
Gabarito: D 
A solução amistosa é mecanismo consagrado no art. 
48.1, alínea “f” da Convenção Americana e 
regulamentado nos arts. 40 a 44 do Regulamento da 
Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). 
Seu objetivo é permitir que Estado e vítimas cheguem, 
com a facilitação da CIDH, a um acordo que contemple 
reconhecimento de responsabilidade, reparação integral 
e garantiasde não repetição, poupando tempo 
processual e fortalecendo o cumprimento voluntário. 
Vamos examinar cada alternativa isoladamente. 
62 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
A alternativa A está correta: o art. 40.5 do Regulamento 
determina que, antes de aprovar o acordo, a CIDH deve 
verificar a compatibilidade de seu conteúdo com a 
Convenção Americana e outros instrumentos aplicáveis, 
assegurando que não haja cláusulas que violem direitos 
humanos. 
A alternativa B está correta: tanto a prática da Comissão 
quanto o Regulamento (art. 40) admitem que o acordo 
contenha reconhecimento expresso da responsabilidade 
internacional do Estado e preveja medidas de reparação 
integral (compensação, reabilitação, satisfação e 
garantias de não repetição). 
A alternativa C está correta: se o Estado descumprir o 
acordo, a CIDH pode retomar o exame de mérito e, 
observados os requisitos do art. 44 do Regulamento, 
remeter o caso à Corte Interamericana; isso preserva a 
efetividade do sistema e incentiva o fiel cumprimento 
das obrigações pactuadas. 
A alternativa D é a incorreta: não existe impedimento 
absoluto para a publicação do acordo. Após aprová-lo, a 
CIDH emite relatório de solução amistosa contendo a 
íntegra ou um resumo do pacto — ainda que as partes 
possam solicitar sigilo de trechos específicos. Assim, o 
consentimento “expresso e unânime” não é condição 
indispensável para que a Comissão divulgue o conteúdo 
essencial do acordo e monitore sua execução. 
A alternativa E está correta: durante as negociações, as 
reuniões podem ser reservadas para garantir 
confidencialidade e boa-fé, mas a CIDH permanece como 
facilitadora, podendo inclusive sugerir cláusulas. Após a 
homologação, conserva competência para supervisionar 
o cumprimento, publicando relatórios de 
acompanhamento quando necessário. 
 
Questão 71 
Em 26 de junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal, ao 
julgar dois recursos extraordinários submetidos ao 
regime de repercussão geral, redefiniu o alcance da 
responsabilidade civil de plataformas digitais por 
conteúdos gerados por terceiros e, ao mesmo tempo, 
reafirmou a proteção constitucional à liberdade de 
expressão. À luz desse precedente, assinale a alternativa 
correta. 
a) O STF considerou integralmente constitucional o 
dispositivo do Marco Civil da Internet que condiciona a 
responsabilidade das plataformas ao descumprimento 
de ordem judicial específica, mantendo inalterado o 
regime anterior. 
b) O Tribunal declarou parcialmente inconstitucional o 
referido dispositivo, admitindo que as plataformas 
possam ser responsabilizadas, sem necessidade de 
ordem judicial, quando notificadas sobre crimes ou atos 
ilícitos graves e nada fizerem para remover o conteúdo. 
c) Para o STF, nas hipóteses de crimes contra a honra, as 
plataformas têm dever de remoção imediata após 
simples notificação privada, respondendo objetivamente 
pelos danos causados em caso de inércia. 
d) O julgamento estabeleceu que serviços de e-mail e 
aplicativos de mensagens privadas se submetem às 
mesmas regras de responsabilidade aplicáveis a redes 
sociais públicas, inclusive quanto ao dever de vigilância 
preventiva. 
e) A Corte concluiu que a circulação de anúncios pagos 
não gera dever especial de cuidado pelas plataformas, 
afastando qualquer presunção de conhecimento ou de 
responsabilidade acerca da ilicitude do conteúdo. 
Comentários: 
Gabarito: B 
A decisão do STF nos RE 1.037.396 (Tema 987) e RE 
1.057.258 (Tema 533) modulou o art. 19 do Marco Civil 
da Internet (MCI), proclamando sua 
inconstitucionalidade parcial e progressiva. 
O Tribunal manteve a regra-geral de necessidade de 
ordem judicial para crimes contra a honra, mas 
reconheceu a possibilidade de responsabilização civil 
sem ordem judicial em hipóteses graves — por exemplo, 
quando a plataforma é notificada extrajudicialmente 
sobre terrorismo, pornografia infantil, racismo ou outros 
ilícitos graves e permanece inerte. 
Também estabeleceu presunção de responsabilidade em 
anúncios pagos e no uso de redes de bots. 
Vamos examinar cada alternativa isoladamente. 
A alternativa A está incorreta: o STF não manteve 
integralmente o art. 19; declarou-o parcialmente 
inconstitucional, justamente por entender que a 
exigência de ordem judicial única não protege 
adequadamente direitos fundamentais. 
A alternativa B está correta: a Corte admitiu 
responsabilização sem ordem judicial quando a 
plataforma, após notificação extrajudicial, deixa de 
63 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
remover conteúdos que configurem crimes ou atos 
ilícitos graves, ampliando a lógica do art. 21 do MCI. 
A alternativa C está incorreta: Nos crimes contra a honra, 
continua exigida a ordem judicial para responsabilização; 
a remoção após simples notificação é facultativa e não 
impõe responsabilidade objetiva. 
A alternativa D está incorreta: Serviços neutros — e-mail, 
mensageria privada, videoconferências fechadas — 
permanecem sob o regime original do art. 19 e não 
assumem dever de vigilância preventiva ampliada. 
A alternativa E está incorreta: para anúncios ou 
impulsionamentos pagos, há presunção de 
responsabilidade da plataforma, justamente por haver 
controle editorial sobre o conteúdo patrocinado. 
 
Questão 72 
Em 27 de novembro de 2024, a Corte Interamericana de 
Direitos Humanos proferiu sentença no caso Da Silva e 
outros vs. Brasil, que tratou do homicídio do trabalhador 
rural Manoel Luiz da Silva e da resposta estatal 
subsequente. Considerando os fundamentos e 
conclusões desse julgamento, assinale a alternativa 
correta. 
a) A Corte declarou o Brasil responsável por violações às 
garantias judiciais, à proteção judicial, à integridade 
pessoal e ao direito à verdade, todas relacionadas ao 
dever geral de respeitar e garantir direitos humanos. 
b) O Tribunal concluiu que, como o processo penal 
terminou com absolvição após procedimento regular, 
não houve violação ao prazo razoável nem à devida 
diligência investigativa. 
c) A Corte, entendendo-se incompetente para analisar 
atos posteriores à ratificação da Convenção pelo Brasil, 
deixou de examinar qualquer conduta estatal ocorrida 
após 10 de dezembro de 1998. 
d) Entre as reparações determinadas, a Corte limitou-se 
à publicação da sentença, sem ordenar ato público de 
desculpas ou elaboração de diagnóstico sobre violência 
contra trabalhadores rurais. 
e) O Estado brasileiro negou integralmente 
responsabilidade internacional, sustentando que 
eventuais falhas processuais decorreram de fatores 
alheios ao Poder Judiciário. 
Comentários: 
Gabarito: A 
A sentença da Corte Interamericana no caso Da Silva e 
outros vs. Brasil consolidou a responsabilidade 
internacional do Estado brasileiro por falhas graves de 
investigação e morosidade processual no homicídio de 
Manoel Luiz da Silva, trabalhador rural ligado ao MST. 
O Tribunal evidenciou violações múltiplas – não apenas 
aos direitos das vítimas e seus familiares, mas também 
ao direito coletivo à verdade – e fixou um amplo rol de 
reparações, incluindo atos de reconhecimento público e 
diagnóstico sobre violência contra trabalhadores rurais. 
Vamos examinar cada alternativa isoladamente. 
A alternativa A está correta: a Corte reconheceu que o 
Brasil violou simultaneamente as garantias judiciais, a 
proteção judicial, a integridade pessoal e o direito à 
verdade, todas vinculadas ao dever estatal de respeitar 
e garantir os direitos humanos. 
A alternativa B está incorreta: ao contrário do que se 
afirma, o Tribunal apontou falta de devida diligência e 
violação do prazo razoável durante o processo penal, 
fatores que contribuíram para a impunidade 2024 Da 
Silva e outros …. 
A alternativa C está incorreta: embora tenha 
reconhecido limites temporais de sua jurisdição, a Corte 
analisou diversos atos estatais posteriores a 10 de 
dezembro de 1998, marco da sujeição do Brasil à 
jurisdição contenciosa da Corte IDH, tendo em vista que 
a falta de diligênciapersistiu dentro do período de 
competência do Tribunal. 
A alternativa D está incorreta: as reparações não se 
limitaram à publicação da sentença: incluíram ato 
público de desculpas, elaboração de diagnóstico sobre 
violência contra trabalhadores rurais, assistência médica 
e psicológica aos familiares e indenizações materiais e 
morais. 
A alternativa E está incorreta: o Estado brasileiro 
apresentou reconhecimento parcial de 
responsabilidade, especialmente pela morosidade 
processual e pelo sofrimento imposto aos familiares, não 
havendo negação integral. 
 
 
 
 
64 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 73 
O Brasil ratificou a Convenção sobre a Eliminação de 
Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher 
(CEDAW) em 1984 e o respectivo Protocolo Facultativo 
em 2002, assumindo compromissos que exigem não 
apenas igualdade formal, mas também a adoção de 
políticas concretas para promover a igualdade 
substantiva entre mulheres e homens. Considerando o 
alcance e a interpretação da CEDAW pela doutrina e pelo 
Comitê da Convenção, assinale a alternativa correta. 
a) O dever estatal de eliminar discriminação limita-se às 
relações verticalizadas entre Estado e indivíduos, não 
alcançando práticas adotadas exclusivamente no âmbito 
privado. 
b) A CEDAW concentra-se na discriminação baseada em 
gênero, não abrangendo situações em que o preconceito 
se cruza com fatores como raça, deficiência ou condição 
socioeconômica. 
c) A adoção de medidas temporárias especiais, como 
cotas eleitorais ou programas de incentivo à contratação 
de mulheres em setores sub-representados, não 
caracteriza discriminação “invertida”, pois visa acelerar a 
igualdade de fato e deve cessar quando cumprido seu 
objetivo. 
d) A apresentação de relatórios periódicos ao Comitê da 
CEDAW é facultativa; Estados podem optar por 
encaminhar informações por meio de organismos 
regionais, dispensando a submissão direta. 
e) O Protocolo Facultativo à CEDAW admite apenas 
comunicações interestatais, vedando petições 
individuais ou investigações sobre violações graves e 
sistemáticas dos direitos das mulheres. 
Comentários: 
Gabarito: C 
A CEDAW obriga os Estados-Partes a eliminar a 
discriminação contra a mulher “em todas as suas 
formas”, adotando medidas legislativas, administrativas, 
judiciais e de política pública que assegurem igualdade 
substantiva. 
O Comitê da Convenção tem reiterado que esse dever se 
estende a práticas de particulares (efeito horizontal) e 
que ações temporárias especiais — como cotas e 
incentivos de contratação — são instrumentos legítimos 
para corrigir desigualdades estruturais, devendo durar 
apenas enquanto necessárias. 
Vamos examinar cada alternativa isoladamente. 
A alternativa A está incorreta: a obrigação de suprimir a 
discriminação alcança tanto o setor público quanto o 
privado. A Convenção exige que o Estado previna, 
investigue e sancione atos discriminatórios praticados 
por particulares, bem como adote políticas para 
transformá-los. 
A alternativa B está incorreta: o Comitê da CEDAW 
reconhece a discriminação interseccional: gênero pode 
somar-se a raça, deficiência, orientação sexual, condição 
socioeconômica, entre outros fatores, ampliando 
vulnerabilidades e exigindo respostas específicas. 
A alternativa C está correta: medidas temporárias 
especiais — cotas eleitorais, reservas de vagas em 
universidades, bônus em concursos ou programas de 
estímulo à contratação — não configuram 
“discriminação invertida”. A Convenção esclarece que 
tais ações são compatíveis com o princípio da igualdade, 
desde que proporcionais, temporárias e destinadas a 
acelerar a igualdade de fato; extinguem-se quando 
atingido o objetivo. 
A alternativa D está incorreta: o envio de relatórios 
periódicos ao Comitê é obrigação convencional. Não 
existe alternativa de substituí-los por informações 
encaminhadas a organismos regionais; a falta de 
apresentação sujeita o Estado a procedimento de 
acompanhamento e recomendações específicas. 
A alternativa E está incorreta: o Protocolo Facultativo 
admite petições individuais, comunicações interestatais 
e, ainda, inquéritos (inquiries) sobre violações graves ou 
sistemáticas. Assim, o acesso direto de indivíduos ao 
Comitê é mecanismo central de monitoramento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 74 
Em dezembro de 2022, o Brasil apresentou ao Comitê 
para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) seu 
relatório periódico. Nas observações finais publicadas 
pelo Comitê, elogiaram-se avanços em ações 
afirmativas, coleta de dados étnico-raciais e proteção de 
comunidades quilombolas e indígenas, mas apontaram-
se preocupações com desigualdades estruturais, 
violência policial seletiva e carência de políticas 
interseccionais para mulheres negras. À luz dos 
parâmetros internacionais sobre discriminação racial e 
da jurisprudência do Sistema Interamericano, assinale a 
alternativa correta. 
a) O dever de combater discriminação racial limita-se à 
esfera estatal, não podendo o Estado impor obrigações 
específicas de promoção da igualdade a entidades 
privadas ou empresas multinacionais. 
b) Para caracterizar discriminação racial sistêmica, é 
imprescindível demonstrar intenção discriminatória 
direta; disparidades estatísticas ou efeitos 
desproporcionais não são suficientes. 
c) Segundo a prática do CERD, a utilização de dados 
estatísticos étnico-raciais para evidenciar desigualdades 
é desencorajada, pois viola o princípio da não 
segregação. 
d) Os órgãos internacionais reconhecem que a 
discriminação racial pode ocorrer de forma 
interseccional, exigindo do Estado políticas que abordem 
simultaneamente raça e gênero, como no caso de 
mulheres afro-descendentes submetidas a violência de 
gênero. 
e) Nos casos em que reconheceu discriminação racial, a 
Corte Interamericana restringiu-se a determinar 
medidas de não repetição, sem estabelecer qualquer 
indenização econômica às vítimas. 
Comentários: 
Gabarito: D 
A eliminação da discriminação racial exige que o Estado 
adote medidas normativas, administrativas e judiciais de 
alcance tanto público quanto privado, levando em conta 
desigualdades históricas e seus cruzamentos com 
gênero, classe e outros marcadores. 
As Recomendações Gerais do CERD e decisões da Corte 
Interamericana, por sua vez, deixam claro que a 
evidência estatística e a abordagem interseccional são 
centrais para identificar e enfrentar o racismo estrutural. 
A alternativa A está incorreta: os órgãos internacionais 
impõem ao Estado o dever de regular e fiscalizar a 
conduta de particulares, inclusive empresas. Obrigações 
positivas de promoção da igualdade — como programas 
de diversidade ou cláusulas de contratação — podem e 
devem ser exigidas. 
A alternativa B está incorreta: para caracterizar 
discriminação sistêmica basta demonstrar efeitos 
desproporcionais ou disparidades estatísticas. A prova 
de intenção discriminatória não é imprescindível; o CERD 
incentiva o uso de dados para revelar tais desigualdades. 
A alternativa C está incorreta: o CERD recomenda 
explicitamente a coleta e o uso de dados étnico-raciais 
desagregados como ferramenta de diagnóstico e 
monitoramento de políticas públicas, longe de 
considerá-los uma forma de segregação. 
A alternativa D está correta: tanto o CERD quanto a Corte 
e a Comissão Interamericanas reconhecem a 
discriminação interseccional. Casos envolvendo 
mulheres afrodescendentes, por exemplo, demonstram 
a necessidade de políticas que combinem recorte racial 
e de gênero. 
A alternativa E está incorreta: a Corte Interamericana 
não se limita a medidas de não repetição; ela fixa 
regularmente compensações pecuniárias e morais às 
vítimas de discriminação racial, como evidenciado en 
duversis casos (v.g. Yean & Bosico v. República 
Dominicana, 2005, e Dorzema v. República Dominicana, 
2012). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 
 2º Simulado ENAM (Magistratura)– 24/08/2025 
 
FORMAÇÃO HUMANÍSTICA 
Professor Jean Vilbert 
Questão 75 
A Recomendação CNJ nº 123/2022 estabelece diretrizes 
importantes sobre a aplicação de normas internacionais 
de direitos humanos pelo Poder Judiciário brasileiro. 
Segundo esta recomendação, os órgãos do Poder 
Judiciário devem: 
a) Observar apenas os tratados internacionais ratificados 
após a promulgação da Constituição Federal de 1988. 
b) Aplicar exclusivamente a jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal em matéria de direitos humanos. 
c) Observar os tratados e convenções internacionais de 
direitos humanos e utilizar a jurisprudência da Corte 
Interamericana de Direitos Humanos. 
d) Priorizar sempre a legislação nacional em detrimento 
dos tratados internacionais. 
e) Submeter todas as decisões envolvendo direitos 
humanos à prévia aprovação do CNJ. 
Comentários: 
Gabarito: C 
A Recomendação CNJ nº 123/2022 expressamente 
estabelece em seu art. 1º, inciso I, que se deve 
recomendar aos órgãos do Poder Judiciário "a 
observância dos tratados e convenções internacionais de 
direitos humanos em vigor no Brasil e a utilização da 
jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos 
Humanos (Corte IDH), bem como a necessidade de 
controle de convencionalidade das leis internas." O 
documento fundamenta-se na Convenção Americana 
sobre Direitos Humanos e estabelece que o Brasil deve 
cumprir as decisões da Corte IDH. 
 
Questão 76 
A Resolução CNJ nº 354/2020 regulamenta a realização 
de audiências por videoconferência. De acordo com esta 
resolução, as audiências telepresenciais: 
a) Podem ser determinadas de ofício pelo juiz em 
qualquer situação, independentemente da concordância 
das partes. 
b) Só podem ser realizadas mediante pedido da parte, 
cabendo ao juiz decidir pela conveniência de sua 
realização no modo presencial, devendo o juiz estar 
presente na unidade judiciária. 
c) São obrigatórias em todos os processos criminais 
envolvendo réus presos. 
d) Dispensam a presença física do magistrado na unidade 
judiciária em qualquer hipótese. 
e) Não podem ser utilizadas em processos que tramitam 
sob segredo de justiça. 
Comentários: 
Gabarito: B 
Conforme o art. 3º da Resolução CNJ nº 354/2020, com 
redação dada pela Resolução n. 481/2022, "as 
audiências só poderão ser realizadas na forma 
telepresencial a pedido da parte, ressalvado o disposto 
no § 1º, bem como nos incisos I a IV do § 2º do art. 185 
do CPP, cabendo ao juiz decidir pela conveniência de sua 
realização no modo presencial. Em qualquer das 
hipóteses, o juiz deve estar presente na unidade 
judiciária." A regra geral é que a audiência telepresencial 
depende de pedido da parte, com exceções específicas 
previstas na própria resolução. 
 
Questão 77 
Segundo a Resolução CNJ nº 350/2020, sobre 
cooperação judiciária nacional, os atos de cooperação 
podem consistir em diversas providências. Analise as 
afirmativas abaixo: 
I. Reunião ou apensamento de processos, inclusive a 
reunião de execuções contra um mesmo devedor em um 
único juízo. 
II. Compartilhamento temporário de equipe de auxiliares 
da justiça, inclusive de servidores públicos. 
III. Transferência de presos, conforme regulamentação 
específica do CNJ. 
IV. Substituição definitiva da competência jurisdicional 
do juízo originário. 
Estão CORRETAS as afirmativas: 
a) I, II e III apenas. 
b) I, II, III e IV. 
c) II e III apenas. 
d) I e IV apenas. 
e) I, II e IV apenas. 
67 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Comentários: 
Gabarito: A 
Segundo o art. 6º da Resolução CNJ nº 350/2020, os atos 
de cooperação podem consistir nas condutas descritas 
nos incisos I, II e III. O inciso IV (reunião ou apensamento 
de processos), XVIII (compartilhamento de equipes) e XV 
(transferência de presos) estão expressamente 
previstos. A afirmativa IV está incorreta porque a 
cooperação não substitui definitivamente a competência 
jurisdicional, mas permite atos concertados respeitando-
se as regras de competência. 
 
Questão 78 
A Recomendação CNJ nº 159/2024 trata da identificação, 
tratamento e prevenção da litigância abusiva. 
Considerando as diretrizes estabelecidas nesta 
recomendação, analise as seguintes situações: 
I. Ajuizamento de múltiplas ações em comarcas distintas 
do domicílio das partes ou do local do fato, com pedidos 
vagos e alternativos que não guardam relação lógica com 
a causa de pedir. 
II. Apresentação de procurações com assinatura 
eletrônica não qualificada, sem certificado digital padrão 
ICP-Brasil, para grandes volumes de demandas. 
III. Concentração de elevado número de processos sob 
patrocínio de poucos profissionais, cuja sede não 
coincide com a comarca de ajuizamento ou domicílio das 
partes. 
IV. Formulação de pedidos declaratórios com 
demonstração clara da utilidade e necessidade da 
prestação jurisdicional. 
Segundo a recomendação, constituem indícios de 
condutas processuais potencialmente abusivas: 
a) I, II e III apenas. 
b) I, II, III e IV. 
c) II e IV apenas. 
d) I e III apenas. 
e) I, III e IV apenas. 
Comentários: 
Gabarito: A 
O Anexo A da Recomendação CNJ nº 159/2024 lista 
condutas processuais potencialmente abusivas. As 
situações I, II e III estão expressamente previstas nos 
itens 4, 11 e 13 do referido anexo, respectivamente. A 
situação IV está incorreta porque o item 19 do anexo 
considera abusiva justamente a "formulação de pedidos 
declaratórios, SEM demonstração da utilidade, 
necessidade e adequação da prestação jurisdicional" - ou 
seja, quando há demonstração clara da utilidade, não 
caracteriza conduta abusiva. 
 
Questão 79 
Sobre a arbitragem envolvendo a administração pública, 
nos termos da Lei nº 9.307/1996, é CORRETO afirmar: 
a) A administração pública direta e indireta pode utilizar-
se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos 
patrimoniais disponíveis, sendo que a arbitragem poderá 
ser de direito ou de equidade, a critério das partes. 
b) A arbitragem que envolva a administração pública 
será sempre de direito e respeitará o princípio da 
publicidade, não sendo permitida arbitragem por 
equidade. 
c) Apenas a administração pública indireta pode valer-se 
da arbitragem, estando a administração direta vedada 
de utilizar este instituto. 
d) A autoridade competente da administração pública 
para celebração de convenção de arbitragem deve ser 
sempre diversa daquela competente para realização de 
acordos ou transações. 
e) A administração pública pode utilizar arbitragem 
apenas para direitos patrimoniais indisponíveis, desde 
que observado o princípio da supremacia do interesse 
público. 
Comentários: 
Gabarito: B 
Conforme o art. 1º, §§ 1º e 2º, e art. 2º, § 3º da Lei de 
Arbitragem, a administração pública direta e indireta 
pode utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos 
relativos a direitos patrimoniais disponíveis. Contudo, o 
§ 3º do art. 2º estabelece expressamente que "a 
arbitragem que envolva a administração pública será 
sempre de direito e respeitará o princípio da 
publicidade", ou seja, não é permitida arbitragem por 
equidade quando envolve o Poder Público. A alternativa 
A está incorreta porque afirma que a arbitragem pode 
ser "de direito ou de equidade, a critério das partes", o 
que não se aplica quando há participação da 
administração pública. 
68 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
 
Questão 80 
Considerando as disposições da Lei Geral de Proteção de 
Dados Pessoais (LGPd), analise as afirmativas sobre o 
tratamento de dados pessoais sensíveis: 
a) O tratamento de dados pessoais sensíveis somente 
pode ocorrer mediante consentimento específico e 
destacado do titular, não sendo admitidas hipóteses de 
dispensa de consentimento. 
b) É vedada, em qualquer hipótese, a comunicação ou 
uso compartilhado entre controladores de dados 
pessoais sensíveis referentes à saúde com objetivo de 
obter vantagem econômica. 
c) O tratamento de dados pessoais sensíveis pode 
ocorrer sem consentimentodo titular quando 
indispensável para o exercício regular de direitos em 
processo judicial, administrativo e arbitral. 
d) Dados pessoais sensíveis incluem apenas informações 
sobre origem racial, convicção religiosa e opinião 
política, excluindo-se dados referentes à saúde e vida 
sexual. 
e) A comunicação de dados pessoais sensíveis entre 
controladores públicos independe de qualquer 
formalidade, bastando a finalidade de execução de 
política pública. 
Comentários: 
Gabarito: C 
De acordo com o art. 11, inciso II, alínea "d" da LGPD, o 
tratamento de dados pessoais sensíveis pode ocorrer 
sem fornecimento de consentimento do titular quando 
for indispensável para o "exercício regular de direitos, 
inclusive em contrato e em processo judicial, 
administrativo e arbitral". A alternativa A está incorreta 
porque existem hipóteses de dispensa de 
consentimento. A alternativa B está incorreta porque o § 
4º do art. 11 permite exceções para portabilidade de 
dados e serviços de saúde. A alternativa D está incorreta 
porque o conceito de dados sensíveis no art. 5º, II inclui 
dados sobre saúde e vida sexual. A alternativa E está 
incorreta porque há formalidades específicas 
estabelecidas na lei para comunicação de dados 
sensíveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
NÃO É ASSINANTE? 
Confira nossos planos, tenha acesso a milhares de cursos e participe 
gratuitamente dos projetos exclusivos. Clique no link! 
https://bit.ly/AssinaturasECJ 
 
CONHEÇA NOSSO SISTEMA DE QUESTÕES! 
Estratégia Questões nasceu maior do que todos os concorrentes, com mais 
questões cadastradas e mais soluções por professores. Clique no link conheça! 
https://bit.ly/SistemaQCJ 
 
https://bit.ly/AssinaturasECJ
https://bit.ly/SistemaQCJimpossibilidade de convocação é absoluta, 
não há obrigação nem convite formal. 
(D) Errado. O STF não fez essa distinção; a vedação à 
convocação é geral. 
E) Errado. A limitação da convocação de governadores 
decorre do princípio federativo. 
Em juízo de delibação, não é possível a convocação de 
governadores de estados-membros da Federação por 
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pelo 
Senado Federal. A convocação viola o princípio da 
separação dos Poderes e a autonomia federativa dos 
estados-membros. STF. Plenário. ADPF 848 MC-Ref/DF, 
Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 25/6/2021 (Info 1023). 
 
Questão 8 
A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais 
aprovou a Lei Estadual nº X/2024, que institui o 
"Programa Habitação Emergencial", destinado ao 
pagamento de aluguel temporário para famílias em 
situação de vulnerabilidade social. A lei estabelece os 
seguintes dispositivos principais: (i) autorização ao Poder 
Executivo para implementar programa de auxílio-aluguel 
para famílias que residam em áreas de risco iminente ou 
que tenham perdido suas moradias em decorrência de 
desastres naturais; (ii) utilização do valor do salário 
mínimo nacional como parâmetro para cálculo do 
benefício, limitado a 50% deste valor; (iii) determinação 
de que "o Poder Executivo deverá regulamentar esta Lei 
no prazo improrrogável de 60 dias, estabelecendo os 
critérios específicos de elegibilidade e os procedimentos 
operacionais do programa". 
O Governador do Estado, após sanionar a lei, ajuizou 
Ação Direta de Inconstitucionalidade perante o Supremo 
Tribunal Federal, questionando especificamente a 
imposição do prazo para regulamentação. Por sua vez, 
entidades da sociedade civil contestaram a 
constitucionalidade do programa em si, alegando 
violação à competência da União para legislar sobre 
diretrizes da política nacional de habitação. 
9 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Considerando o entendimento do Supremo Tribunal 
Federal e os princípios constitucionais aplicáveis, 
assinale a alternativa CORRETA: 
a) A lei estadual é integralmente inconstitucional, pois os 
Estados-membros não possuem competência para 
legislar sobre programas habitacionais, matéria de 
competência privativa da União, e a utilização do salário 
mínimo como parâmetro é vedada pela Constituição 
Federal. 
b) É constitucional a instituição do programa estadual de 
auxílio-aluguel e a utilização do salário mínimo como 
parâmetro para o benefício, sendo inconstitucional 
apenas a imposição de prazo ao Poder Executivo para 
regulamentação, por violação ao princípio da separação 
dos poderes. 
c) A lei é constitucional em sua integralidade, incluindo o 
prazo para regulamentação, pois se trata de 
competência concorrente entre União e Estados para 
legislar sobre proteção e defesa da saúde, permitindo 
aos Estados suplementar a legislação federal. 
d) É inconstitucional tanto a instituição do programa 
quanto a imposição de prazo para regulamentação, uma 
vez que programas sociais são de competência exclusiva 
da União e o Poder Legislativo não pode determinar 
prazos ao Executivo para qualquer tipo de 
regulamentação. 
e) A utilização do salário mínimo como parâmetro é 
constitucional apenas para programas federais, sendo 
vedada sua aplicação em programas estaduais ou 
municipais, independentemente da constitucionalidade 
do prazo estabelecido para regulamentação. 
Comentários: 
Gabarito: B 
(A) INCORRETA - Os Estados-membros possuem 
competência para legislar sobre programas habitacionais 
no âmbito de suas respectivas esferas de atuação. A 
competência para legislar sobre diretrizes da política 
nacional de habitação é da União (art. 21, XX, CF), mas 
isso não exclui a competência dos Estados para 
implementar programas próprios. Além disso, o STF 
expressamente reconheceu na ADI 4.727/DF que "é 
constitucional lei estadual que autoriza o Poder 
Executivo a instituir, no âmbito do ente federado, 
programa destinado ao pagamento de aluguel" e que é 
válida "a utilização do valor do salário mínimo como 
parâmetro para a concessão do benefício de programa 
social". 
(B) CORRETA - Esta alternativa reproduz fielmente o 
entendimento do STF na ADI 4.727/DF. A Corte declarou 
constitucional a instituição do programa estadual de 
auxílio-aluguel e a utilização do salário mínimo como 
parâmetro para concessão do benefício. Contudo, o 
Tribunal declarou inconstitucional especificamente a 
imposição de prazo ao Poder Executivo para 
regulamentação, por entender que tal dispositivo 
afronta o princípio da separação dos poderes. Conforme 
o julgado: "É inconstitucional norma que estabelece 
prazos ao chefe do Poder Executivo para a apresentação 
de projetos de lei ou para a regulamentação de 
disposições legais". 
(C) INCORRETA - Embora a lei seja constitucional quanto 
ao programa em si, o prazo para regulamentação é 
inconstitucional. O STF foi categórico ao declarar a 
inconstitucionalidade da expressão referente ao prazo, 
por violação ao princípio da separação dos poderes. A 
fundamentação baseada na competência concorrente 
está correta, mas não se aplica à questão do prazo, que 
constitui vício autônomo de inconstitucionalidade. 
(D) INCORRETA - O STF expressamente reconheceu a 
constitucionalidade da instituição do programa estadual, 
afastando a alegação de que programas sociais seriam de 
competência exclusiva da União. Os Estados possuem 
competência para implementar programas próprios de 
assistência social e habitação no âmbito de suas 
atribuições. A inconstitucionalidade restringe-se apenas 
à imposição de prazo para regulamentação pelo Poder 
Legislativo ao Executivo. 
(E) INCORRETA - O STF decidiu que é constitucional a 
utilização do valor do salário mínimo como parâmetro 
para concessão de benefício de programa social, 
independentemente de se tratar de programa federal, 
estadual ou municipal. A decisão não fez qualquer 
distinção quanto ao ente federativo, reconhecendo a 
validade da utilização deste parâmetro em programas 
sociais de qualquer esfera de governo. 
 
 
 
 
 
10 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 9 
Sobre a competência legislativa concorrente, assinale a 
alternativa incorreta: 
a) No âmbito da legislação concorrente, a competência 
da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. 
b) Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados 
exercerão a competência legislativa plena, para atender 
a suas peculiaridades. 
c) A competência da União para legislar sobre normas 
gerais não exclui a competência suplementar dos 
Estados. 
d) A superveniência de lei federal sobre normas gerais 
revoga a lei estadual, no que lhe for contrário. 
e) Os Municípios também poderão suplementar as leis 
federais e estaduais nas matérias elencadas no art. 24 da 
CF/88. 
Comentários: 
Gabarito: D 
Letra A: Está correta. Art. 24, §1º, da CF. 
Letra B: Está correta. Art. 24, §3º, da CF. 
Letra C: Está correta. Art. 24, §2º, da CF. 
Letra D: Está incorreta, sendo esse, portanto, o gabarito. 
Art. 24, §4º, da CF afirma que a lei federal sobre normas 
gerais SUSPENDERÁ a eficácia da norma geral editada 
pelo Estado-membro. 
Letra E: Está correto. Art. 30, I e II, da CF. 
 
Questão 10 
Sobre o poder constituinte derivado reformador, 
assinale a alternativa correta: 
a) A revisão constitucional, que está prevista no art. 3º 
do ADCT, não se sujeita aos limites materiais impostos às 
emendas à constituição. 
b) O Supremo Tribunal Federal possui firme 
entendimento de que é possível a iniciativa popular em 
emendas à Constituição Federal de 1988, uma vez que a 
nossa Constituição privilegia o princípio democrático e a 
participação direta. 
c) Em razão de expressa previsão no Regimento Interno 
da Câmara dos Deputados, não se admite que os dois 
turnos de votação exigidos para edição de uma emenda 
à Constituição ocorram no mesmo dia. 
d) As emendas à Constituição que forem rejeitadas serão 
arquivadase a sua matéria não poderá ser objeto de 
nova proposta de emenda à Constituição na mesma 
legislatura. 
e) Não será admitida arguição de descumprimento de 
preceito fundamental quando houver qualquer outro 
meio eficaz de sanar a lesividade. 
Comentários: 
Gabarito: E 
Letra A: ERRADA. A Resolução n. 1º do Congresso 
Nacional que disciplinou o exercício da revisão 
constitucional expressamente submeteu-a aos limites 
materiais do art. 60, §4º, da CRFB/88. No mesmo 
sentido, o Supremo Tribunal Federal expressamente 
fixou que a revisão constitucional se submete às 
cláusulas pétreas (STF, ADI 981-MC). 
Letra B: ERRADA. O STF já decidiu que, no plano federal, 
não é possível falar na existência de iniciativa popular 
para deflagração do processo legislativo para edição de 
uma emenda à constituição (ADI 5.296). 
Letra C: ERRADA. O STF entende que não há 
inconstitucionalidade formal se os dois turnos de 
votação ocorrerem no mesmo dia (ADI 4.356). 
Letra D: ERRADA. Segundo o art. 60, §5º, da CRFB/88, a 
matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou 
havida por prejudicada não pode ser objeto de nova 
proposta na mesma sessão legislativa. 
Letra E: CORRETA. Cuida-se da subsidiariedade prevista 
no art. 4º, §1º, da Lei n. 9.882/99. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL DO TRABALHO 
Professora Juliana Morais 
Questão 11 
Em determinada comarca, quatro Reclamações 
envolvendo a validade de contratos de trabalho foram 
distribuídas à Vara do Trabalho, cujas hipóteses fáticas 
são as seguintes: 
I. Diego, com 13 anos de idade, foi contratado por uma 
empresa de pequeno porte como aprendiz da função de 
auxiliar de almoxarifado em meio expediente, sem 
matrícula em curso de aprendizagem. 
II. Cláudia, com 17 anos de idade, firmou contrato de 
trabalho com empresa de transporte de valores e atua 
no período das 22h às 5h, sem pausas adequadas de 
descanso. 
III. Rafael, com 24 anos, foi admitido pela Administração 
Pública Municipal como auxiliar administrativo, 
mediante contratação direta, sem prévia aprovação em 
concurso público, permanecendo no cargo por dois anos. 
IV. Felipe, maior e capaz, prestou serviços por 6 meses 
como bilheteiro em banca de apostas ilegais, 
organizando o jogo do bicho em bairro da cidade. 
À luz da Constituição Federal e da jurisprudência 
consolidada dos Tribunais Superiores, assinale a 
alternativa correta: 
a) Os contratos de Diego e Cláudia são ilícitos, devendo 
ser declarados nulos e sem efeitos pretéritos. 
b) O contrato de Rafael é nulo, mas gera efeitos 
limitados, como o pagamento do salário mínimo-hora e 
depósitos do FGTS. 
c) Apenas o contrato de Felipe é proibido, devendo, no 
entanto, produzir todos os efeitos jurídicos pretéritos, 
com o consequente afastamento da atividade, uma vez 
que, embora relacionada à prática do jogo do bicho — 
que constitui contravenção penal, e não crime —, trata-
se de trabalho subordinado, não havendo ilicitude 
suficiente para afastar a eficácia retroativa da relação. 
d) O contrato de Cláudia é válido porque ela já possui 17 
anos e o trabalho dos menores é autorizado pela 
Constituição Federal a partir dos 16 anos. 
e) O contrato de Diego, embora irregular por ausência de 
matrícula em curso de aprendizagem, deve gerar todos 
os efeitos trabalhistas típicos de um vínculo formal por 
prazo indeterminado, uma vez que, embora a 
contratação de aprendizes seja permitida a partir dos 12 
anos, no caso concreto não houve comprovação de 
matrícula em curso de aprendizagem. Assim, reconhece-
se o vínculo de emprego e determinam-se os efeitos 
decorrentes, com o devido afastamento de Diego da 
atividade. 
Comentários: 
Gabarito: B 
A contratação de Rafael pela Administração Pública sem 
concurso público é nula, conforme o art. 37, II e § 2º da 
CF. 
Todavia, em relação aos efeitos do contrato de trabalho 
celebrado com a Administração Pública sem prévia 
aprovação em concurso público, havia relevante 
divergência doutrinária. 
Uma primeira corrente sustentava que o contrato 
deveria produzir todos os efeitos jurídicos típicos da 
relação de emprego, com base na teoria das nulidades 
trabalhistas, segundo a qual, mesmo em face da 
nulidade, o trabalho prestado não pode ser restituído, 
devendo, portanto, ser integralmente remunerado. Para 
essa vertente, a vedação constitucional ao ingresso no 
serviço público sem concurso não impediria a eficácia 
retroativa da relação, sobretudo diante da proteção à 
dignidade do trabalhador. 
Por outro lado, parcela significativa da doutrina defendia 
a inexistência de qualquer efeito jurídico, invocando a 
natureza de norma de ordem pública do artigo 37, II, da 
Constituição Federal. Nessa perspectiva, permitir o 
reconhecimento de direitos típicos da relação de 
emprego — como verbas rescisórias e FGTS — implicaria 
afronta ao próprio texto constitucional, que veda a 
investidura no serviço público sem concurso. 
Prevaleceu, no entanto, uma terceira corrente 
intermediária, consolidada na jurisprudência do Tribunal 
Superior do Trabalho, no sentido de que o contrato nulo 
com ente público gera efeitos jurídicos limitados, 
assegurando o pagamento do salário proporcional às 
horas trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário 
mínimo, e os depósitos de FGTS. Nesse sentido, cita-se a 
Súmula 363 do TST: 
Súmula nº 363 do TST 
CONTRATO NULO. EFEITOS (nova redação) - Res. 
121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 
12 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
A contratação de servidor público, após a CF/1988, sem 
prévia aprovação em concurso público, encontra óbice 
no respectivo art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo 
direito ao pagamento da contraprestação pactuada, em 
relação ao número de horas trabalhadas, respeitado o 
valor da hora do salário mínimo, e dos valores referentes 
aos depósitos do FGTS. 
Acerca do direito ao FGTS, o artigo 19-A da Lei nº 
8.036/1990 dispõe ser "devido o depósito do FGTS na 
conta vinculada do trabalhador cujo contrato de 
trabalho seja declarado nulo nas hipóteses previstas no 
art. 37, § 2º, da Constituição Federal, quando mantido o 
direito ao salário". 
O STF, no RE 596478, discutiu, à luz do art. 37, II e § 2º, 
da Constituição Federal, a constitucionalidade do 19-A 
da Lei nº 8.036/90, incluído pela Medida Provisória nº 
2.164-41/2001 - que instituiu obrigação de recolhimento 
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço mesmo nas 
situações em que há declaração nulidade do contrato, 
com direito a salários, de servidor sem prévia aprovação 
em concurso público -, tendo fixado a seguinte tese de 
repercussão geral: 
Tema 191 de RG: É constitucional o art. 19-A da Lei 
8.036/1990, que dispõe ser devido o depósito do Fundo 
de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS na conta de 
trabalhador cujo contrato com a Administração Pública 
seja declarado nulo por ausência de prévia aprovação em 
concurso público, desde que mantido o direito ao salário. 
Trata-se, portanto, de contrato nulo com efeitos 
pecuniários mínimos, conforme constou na alternativa. 
A alternativa A está INCORRETA. 
O contrato de Diego (13 anos, contratado como aprendiz 
sem matrícula em curso de aprendizagem) é proibido, 
pois fere norma constitucional (art. 7º, XXXIII, CF), que 
veda qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na 
condição de aprendiz, a partir dos 14 anos. 
Todavia, aplica-se a Teoria Especial das Nulidades 
Trabalhistas contrato, segundo a qual, mesmo em face 
da invalidade, o trabalho prestado não pode ser 
restituído, devendo, portanto, ser integralmente 
remunerado. 
Como Diego é menor de 14 anos, não poderia ter sido 
contratado sequer na condição de aprendiz, razão pela 
qual a nulidade produz efeitos jurídicos ex nunc, 
devendo o juiz determinar o afastamento do trabalho, 
com a preservação de todos os efeitos jurídicos 
pretéritos. 
Já o contrato de Cláudia (17 anos, trabalho noturno e 
perigoso) é proibido, pois menores de18 anos não 
podem exercer atividades noturnas, perigosas ou 
insalubres, conforme o mesmo dispositivo 
constitucional. Nessa hipótese, também se aplica a 
teoria das nulidades especiais do Direito do Trabalho, 
reconhecendo os efeitos já produzidos (como salário, 
FGTS etc.), com determinação de afastamento da função 
prejudicial. 
Portanto, equivoca-se a assertiva ao equiparar ambas as 
hipóteses ao trabalho ilícito, sem produção de efeitos 
jurídicos pretéritos. 
A alternativa C está INCORRETA. 
O contrato de Felipe é ilícito, pois o objeto da relação é a 
prática de atividade criminosa ou contravencional (jogo 
do bicho). 
Nos termos da OJ-SDI1-199 do TST, o contrato de 
trabalho firmado para desempenhar atividades 
associadas ao jogo do bicho é nulo e sem produção de 
efeitos jurídicos, em razão da ilicitude do objeto, o que 
afasta qualquer validade jurídica. Não se trata, portanto, 
de contrato proibido, mas ilícito, vedado pela ordem 
pública. Cabe transcrever o verbete sumular: 
OJ-SDI1-199 JOGO DO BICHO. CONTRATO DE 
TRABALHO. NULIDADE. OBJETO ILÍCITO (título alterado e 
inserido dispositivo) - DEJT divulgado em 16, 17 e 
18.11.2010 
É nulo o contrato de trabalho celebrado para o 
desempenho de atividade inerente à prática do jogo do 
bicho, ante a ilicitude de seu objeto, o que subtrai o 
requisito de validade para a formação do ato jurídico. 
A alternativa D está INCORRETA. 
Embora Cláudia seja maior de 16 anos, a Constituição 
(art. 7º, XXXIII) veda o trabalho noturno, perigoso ou 
insalubre a menores de 18 anos. A função que exerce — 
transporte de valores em período noturno, sob risco — é 
proibida para menores de 18, ainda que haja relação 
formal de emprego. O contrato, portanto, não é válido 
nesse aspecto. Embora gere efeitos pretéritos, deve ser 
modificado ou extinto quanto às condições prejudiciais. 
A alternativa E está INCORRETA. 
O contrato de Diego é considerado proibido, pois ele 
possui apenas 13 anos de idade. Nos termos do artigo 7º, 
13 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
inciso XXXIII, da Constituição Federal, é vedado qualquer 
trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de 
aprendiz, e apenas a partir dos 14 anos. 
Por se tratar de trabalho proibido, ou seja, exercido em 
desacordo com norma protetiva de ordem pública 
voltada à tutela do próprio trabalhador, aplica-se a 
Teoria Especial das Nulidades Trabalhistas, segundo a 
qual a nulidade não impede a produção de efeitos ex 
nunc. Isso significa que o contrato produz todos os 
efeitos pretéritos como se fosse válido, assegurando ao 
menor o recebimento das verbas trabalhistas devidas, 
sendo determinado apenas o seu afastamento imediato 
da atividade prejudicial. 
Importa destacar que, na hipótese de contratação de 
menor de 14 anos sem matrícula em curso de 
aprendizagem, não se caracteriza contrato de 
aprendizagem, nos termos do artigo 428 da CLT e do 
artigo 7º, inciso XXXIII, da Constituição Federal. Nessa 
situação, os efeitos jurídicos pretéritos serão os de um 
contrato de trabalho por prazo indeterminado, com o 
reconhecimento do vínculo e o pagamento de todas as 
verbas decorrentes. 
 
Questão 12 
A fim de preservar os postos de trabalho de cobradores 
de ônibus diante da implantação do sistema de 
bilhetagem eletrônica, o Estado Alfa editou uma lei 
estadual garantindo a estabilidade provisória no 
emprego aos profissionais dispensados por esse motivo, 
desde que já estivessem em atividade na época da 
automação do sistema de transporte coletivo. A medida 
foi justificada como forma de concretizar o direito à 
proteção em face da automação, previsto no art. 7º, 
XXVII, da Constituição Federal. 
Considerando o caso concreto descrito e a jurisprudência 
constitucional vigente, assinale a alternativa correta: 
a) A lei estadual é constitucional, pois busca efetivar 
diretamente um direito social previsto na Constituição e 
se fundamenta no interesse local da proteção ao 
emprego no transporte público estadual. 
b) A jurisprudência majoritária considera que o art. 7º, 
XXVII, da Constituição Federal, apesar de ser norma de 
eficácia limitada, já estaria regulamentado pela 
legislação infraconstitucional, como a Consolidação das 
Leis do Trabalho, que assegura diversas garantias contra 
despedidas arbitrárias ou sem justa causa. Nesse 
cenário, reconhecida a existência de lei federal sobre o 
tema - que trata de matéria de competência privativa da 
União -, descabe a atuação supletiva dos Estados e do 
Distrito Federal para preservar empregos frente à 
automação. 
c) A lei estadual é válida, desde que não conflite com 
eventual legislação federal futura que venha a 
regulamentar o tema, podendo ser aplicada enquanto 
houver omissão do Congresso Nacional. 
d) O art. 7º, XXVII, da Constituição Federal configura 
norma de eficácia limitada ainda não regulamentada por 
lei específica. Diante disso, o Supremo Tribunal Federal, 
ao analisar a ADO 73, reconheceu a mora legislativa, 
declarando a omissão inconstitucional, sem impor, no 
entanto, consequências concretas, como prazos ou 
substituição normativa. 
e) A lei estadual é inconstitucional, pois se trata de tema 
reservado à legislação federal, sendo o direito à proteção 
em face da automação dependente de regulamentação 
por lei da União, conforme entendimento do STF. 
Comentários: 
Gabarito: E 
O artigo 7º, XXVII, da Constituição Federal estabelece 
como direito dos trabalhadores “proteção em face da 
automação, na forma da lei.” 
Trata-se, portanto, de norma de eficácia limitada, cuja 
regulamentação deve ocorrer por lei federal, dada a 
competência privativa da União para legislar sobre 
direito do trabalho, conforme o art. 22, I, da CF/88. 
Nesse sentido, o STF, ao julgar a ADI 3899, declarou a 
inconstitucionalidade da Lei Distrital nº 3.923/2006, que 
assegurava estabilidade no emprego aos cobradores de 
ônibus vinculados às concessionárias locais. Embora a 
norma estivesse inspirada em legítima preocupação com 
os efeitos sociais da automação (bilhetagem eletrônica), 
a Corte entendeu que a matéria extrapolava a 
competência legislativa do Distrito Federal, conforme se 
constata pela leitura da ementa: 
EMENTA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. 
LEI DISTRITAL N. 3.923, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006. 
COBRADORES DE ÔNIBUS. ESTABILIDADE. DIREITO DO 
TRABALHO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO (CF, 
ART. 22, I). É viável a ação direta de inconstitucionalidade 
ajuizada por autoridade legitimada – Governador do 
Distrito Federal – contra lei local que guarda pertinência 
14 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
temática com as atribuições do autor. A Lei distrital n. 
3.923/2006 conferiu a fruição de um direito subjetivo – 
estabilidade parcial no emprego – a cobradores de 
ônibus que mantinham vínculo trabalhista com as 
concessionárias do serviço de transporte de passageiros 
do Distrito Federal na época em que implantada a 
bilhetagem eletrônica. A garantia de permanência no 
emprego traduz-se em estabilidade no emprego, matéria 
típica de direito do trabalho, de competência da União 
(CF, art. 22, I). A admitir-se que leis locais tratem desse 
tema, serão múltiplos os regimes trabalhistas no país, o 
que vai de encontro ao modelo federativo implantado 
pela Constituição de 1988. Os governos e a sociedade 
precisarão, em algum momento, discutir a fundo e 
regulamentar a relação entre a automação e a perda de 
postos de trabalho – no que, aliás, a Constituição Federal 
de 1988 foi visionária (CF, art. 7º, XXVII). Nem por isso 
cabe aos entes locais se adiantarem ao governo central 
para tratar desse tipo de matéria, que foge à sua 
competência legislativa. Ação conhecida e pedido 
julgado procedente. (ADI 3899, Rel. Min. Nunes 
Marques, Tribunal Pleno, julgado em 25.09.2023, DJe 
23.10.2023) 
Assim, embora o art. 7º, XXVII, da CF/88 reconheça o 
direito à proteção em face da automação, sua 
regulamentação depende de lei federal, e não pode ser 
objeto de legislação estadual oudistrital, mesmo que 
com o objetivo de preservar empregos. 
Cabe salientar que, atualmente, tramita no Supremo 
Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade 
por Omissão nº 73 (ADO 73), em que se discute se o 
Congresso Nacional está sendo omisso quanto à 
regulamentação do artigo 7º, inciso XXVII, da 
Constituição Federal, o qual prevê como direito dos 
trabalhadores urbanos e rurais a proteção em face da 
automação, “na forma da lei”. 
Na referida ação, proposta pela Procuradoria-Geral da 
República, sustenta-se que, passadas mais de três 
décadas desde a promulgação da Constituição de 1988, 
o legislador permanece inerte quanto à edição da norma 
regulamentadora exigida pelo dispositivo, configurando 
omissão inconstitucional. Diante disso, requer-se ao 
Supremo Tribunal Federal o reconhecimento da mora 
legislativa e a fixação de prazo razoável para que o 
Congresso Nacional cumpra sua obrigação constitucional 
de regulamentar o referido direito social. 
Todavia, o julgamento, iniciado em agosto de 2024, 
ainda não foi concluído. 
A alternativa A está INCORRETA. 
A alternativa A está incorreta porque ignora a limitação 
constitucional quanto à competência legislativa, já que 
os entes subnacionais não podem legislar sobre matéria 
de competência privativa da União. 
A alternativa B está INCORRETA. 
Embora a CLT contenha algumas normas protetivas 
relacionadas à despedida arbitrária e outras garantias, 
não há regulamentação específica da proteção em face 
da automação nos termos exigidos pelo art. 7º, XXVII, da 
CF/88. O STF, especialmente no julgamento da ADI 3899, 
posicionou-se no sentido de que a regulamentação desse 
direito exige lei federal específica, e não autoriza a 
atuação normativa dos entes subnacionais. Portanto, a 
existência de regras gerais na CLT não supre a ausência 
da lei referida expressamente pela Constituição, e os 
Estados não podem legislar sobre o tema, por se tratar 
de competência privativa da União (art. 22, I, CF). 
A alternativa C está INCORRETA. 
Ainda que haja omissão legislativa, os entes subnacionais 
não podem legislar sobre matéria de competência 
privativa da União. 
A alternativa D está INCORRETA. 
Não obstante seja correto afirmar que o art. 7º, XXVII, da 
Constituição Federal consubstancia norma de eficácia 
limitada, a informação veiculada acerca da decisão na 
ADO 73 mostra-se imprecisa. Isso porque o Supremo 
Tribunal Federal ainda não reconheceu a mora 
legislativa, nem declarou a omissão inconstitucional, 
tampouco impôs consequências concretas em relação à 
omissão, como prazos ou substituição normativa. 
Embora o julgamento da ADO 73 tenha sido iniciado em 
agosto de 2024, ele permanece pendente de conclusão, 
não havendo, até o presente momento, qualquer 
pronunciamento definitivo quanto aos efeitos da 
suposta mora legislativa. 
 
 
 
 
 
 
15 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL PROCESSUAL PENAL 
Professor Leonardo Tavares 
Questão 13 
FULANO, querelante em ação penal privada, ao término 
da instrução e representado por advogado constituído, 
requereu a absolvição de BELTRANO, querelado. Deve o 
juiz 
a) absolver BELTRANO, com fundamento no artigo 386, 
inciso VI do Código de Processo Penal. 
b) considerar perempta a ação penal, porque o 
querelante deixou de formular pedido de condenação 
nas alegações finais. 
c) em vista do interesse público subjacente, encaminhar 
os autos em vista ao Ministério Público, titular da ação 
penal, para manifestação de interesse na produção de 
outras provas. 
d) designar audiência para tentativa de conciliação das 
partes, em homenagem ao princípio da intervenção 
mínima. 
e) determinar a extração de peças processuais e o 
encaminhamento à autoridade policial, para apuração 
da prática, pelo querelante, de denunciação caluniosa. 
Comentários: 
Gabarito: B. 
a) Errada. A perempção é causa de extinção da 
punibilidade, não de exclusão da antijuridicidade ou da 
culpabilidade. Portanto, inaplicável o dispositivo citado, 
que se refere a estas duas últimas hipóteses, não à 
primeira. 
CP. Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: 
IV - pela prescrição, decadência ou perempção; 
CPP. Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a 
causa na parte dispositiva, desde que reconheça: 
VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou 
isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1º do 
art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver 
fundada dúvida sobre sua existência; 
b) Certa. É a hipótese de perempção prevista no inciso III 
do art. 60 do CPP; afinal, ao pedir absolvição, diante da 
disponibilidade da ação penal privada, o ato equivale a 
deixar de formular pedido de condenação. 
CPP. Art. 60. Nos casos em que somente se procede 
mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação 
penal: 
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem 
motivo justificado, a qualquer ato do processo a que 
deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de 
condenação nas alegações finais; 
c) Errada. Em se tratando de ação penal privada, o titular 
é o próprio ofendido, não o Ministério Público. Tal órgão 
nada pode fazer nesse caso, a não ser exigir que se 
cumpra a lei, reconhecendo-se a perempção. 
d) Errada. O juiz deve simplesmente extinguir a 
punibilidade do réu, como de lei previsto. Em fase de 
julgamento, não há mais que ser tentada conciliação. 
e) Errada. Não houve propriamente denunciação 
caluniosa; para isso, ele teria que dar causa ao processo, 
imputando fato de que saiba inocente o querelado. Não 
foi o que ocorreu segundo o enunciado: havia justa 
causa, tanto que a queixa foi recebida. Simplesmente, ao 
final, o querelante não formulou pedido condenatório, o 
que acarreta a perempção. 
 
Questão 14 
Em relação à ação penal, o Código de Processo Penal 
estabelece que 
a) o Ministério Público não pode retomar, como parte 
principal, a ação penal de iniciativa privada subsidiária da 
pública em caso de negligência do querelante. 
b) a representação será irretratável depois de oferecida 
a denúncia. 
c) apenas a vítima, nos crimes de ação pública 
incondicionada, poderá provocar o início da persecução 
penal. 
d) a ação penal de iniciativa privada subsidiária da 
pública não se submete a prazo decadencial. 
e) o Ministério Público não pode oferecer elementos de 
prova na ação penal de iniciativa privada subsidiária da 
pública. 
Comentários: 
Gabarito: B. 
a) Errada. A ação penal privada subsidiária da pública é 
permitida em nosso ordenamento, inclusive a nível 
constitucional. Embora o Ministério Público seja titular 
da ação penal pública, é certo que, no caso de inércia do 
16 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
órgão oficial, tem o ofendido o direito de propor a ação 
penal subsidiária. O art. 29 do CPP trata do assunto e, 
inclusive, mostra que a alternativa está errada: 
Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação 
pública, se esta não for intentada no prazo legal, 
cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-
la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os 
termos do processo, fornecer elementos de prova, 
interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência 
do querelante, retomar a ação como parte principal. 
b) Certa. A representação, em regra, é retratável 
somente até o oferecimento da denúncia (não até o 
recebimento, que é ato posterior, do juiz). Nesse 
sentido, regra expressa do art. 25 do CPP. Mas há uma 
exceção. O art. 16 da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da 
Penha) possibilita a retratação feita pela ofendida, em 
audiência especialmente designada para tal fim, ainda 
que a denúncia já tenha sido oferecida, mas antes de seu 
recebimento pelo juiz. 
CPP. Art. 25. A representação será irretratável, depois 
de oferecida a denúncia. 
c) Errada. Qualquer pessoa, nos crimes de ação penal 
pública incondicionada, poderá provocar a atuação dos 
órgãos persecutórios. Situação diversa é a da ação penal 
pública condicionadaà representação da vítima, em que 
esta é condição de procedibilidade para o oferecimento 
da denúncia e instauração da ação penal. 
CPP. Art. 5º § 3º Qualquer pessoa do povo que tiver 
conhecimento da existência de infração penal em que 
caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, 
comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a 
procedência das informações, mandará instaurar 
inquérito. 
d) Errada. Se submete a prazo decadencial, que é de 6 
meses, contado do dia em que se esgotar o prazo para o 
oferecimento da denúncia (art. 38, CPP). 
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou 
seu representante legal, decairá no direito de queixa ou 
de representação, se não o exercer dentro do prazo de 
seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é 
o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que 
se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia. 
e) Errada. O art. 29 do CPP permite ao Ministério Público 
intervir em todos os atos do processo, além de fornecer 
elementos de prova. Lembre-se que, por sua natureza, a 
ação não deixa de ser pública. 
Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação 
pública, se esta não for intentada no prazo legal, 
cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-
la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os 
termos do processo, fornecer elementos de prova, 
interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência 
do querelante, retomar a ação como parte principal. 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO 
Professor Rogério Cunha 
Questão 15 
O Município Beta, situado no Estado Delta, com o 
objetivo de promover a segurança e a conservação de 
seus espaços públicos, e mantém um sistema de 
videomonitoramento em praças, parques e vias urbanas. 
Para viabilizar financeiramente o sistema, a 
administração municipal estuda a instituição de tributo 
específico para custear o serviço. Considerando a 
disciplina constitucional atualizada pela Emenda 
Constitucional nº 132/2023, é juridicamente viável que o 
Município institua: 
a) taxa municipal destinada ao custeio do serviço de 
monitoramento, uma vez que se trata de atividade 
pública específica e divisível. 
b) contribuição municipal para financiar o sistema de 
monitoramento, ainda que o serviço prestado seja 
indivisível e geral. 
c) empréstimo compulsório municipal, justificado pela 
necessidade de financiar serviço público de segurança e 
conservação. 
d) imposto municipal sobre segurança urbana, com fato 
gerador vinculado à prestação do serviço de 
monitoramento. 
e) taxa municipal para custear o serviço de 
monitoramento, ainda que se trate de atividade pública 
geral e indivisível. 
Comentários: 
Gabarito: B 
Alternativa A – INCORRETA: Ainda que o monitoramento 
possa ter elementos de divisibilidade em certas 
hipóteses, a jurisprudência consolidada no STF, por meio 
da Súmula Vinculante nº 41, firmou entendimento de 
que serviços públicos de caráter geral, como iluminação 
pública (e, por analogia, serviços semelhantes como o 
17 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
monitoramento de logradouros públicos), são 
indivisíveis e inespecíficos, não podendo ser custeados 
por taxa. 
Alternativa B – CORRETA: A Emenda Constitucional nº 
132/2023, ao incluir o monitoramento de logradouros 
públicos no art. 149-A da CF, autorizou expressamente 
os Municípios e o Distrito Federal a instituírem 
contribuições para o custeio, a expansão e a melhoria 
desses sistemas. Em que pese a maioria da doutrina 
afirmar que não se trata de competência para criar 
diversas contribuições, mas sim possibilidade de 
aplicação das verbas arrecadadas para além do custeio 
do serviço de iluminação, a FGV, em questões recentes, 
vem aplicando o entendimento da possibilidade de 
criação de contribuições separadas. 
Alternativa C – INCORRETA: O empréstimo compulsório 
é de competência exclusiva da União, nos termos do art. 
148 da CF, e somente pode ser instituído em hipóteses 
excepcionais (calamidade pública, guerra externa, 
investimento urgente de interesse nacional). 
Alternativa D – INCORRETA: O imposto é tributo não 
vinculado, e seu fato gerador não pode se basear na 
prestação de serviços públicos. Além disso, não há 
imposto municipal previsto constitucionalmente com 
essa finalidade (monitoramento de logradouros). A 
tentativa de vincular um imposto à prestação de serviço 
específico viola a natureza jurídica dos impostos e o 
princípio da legalidade tributária. 
Alternativa E – INCORRETA: Conforme já esclarecido, 
serviços públicos gerais e indivisíveis não podem ser 
custeados por taxas. A Súmula Vinculante nº 41 afasta 
essa possibilidade expressamente no caso da iluminação 
pública, e o mesmo raciocínio se aplica ao 
monitoramento de logradouros. A EC 132/2023 resolveu 
essa limitação justamente por meio da criação da 
contribuição prevista no art. 149-A da CF, e não pela 
ampliação do conceito de taxa. 
 
 
 
 
 
 
 
Questão 16 
O Secretário de Fazenda do Estado de Delta está 
revisando os efeitos da Emenda Constitucional nº 
132/2023 sobre a repartição das receitas tributárias, 
especialmente em relação ao novo Imposto Seletivo e ao 
Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Durante reunião 
com sua equipe técnica, surgem dúvidas quanto às 
regras de partilha desses tributos entre a União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios. 
Considerando as normas constitucionais atuais, assinale 
a alternativa que apresenta uma regra correta de 
repartição de receitas: 
a) Os Municípios terão direito a 10% do produto da 
arrecadação do IBS que for distribuída aos Estados. 
b) Os Municípios terão direito a 25% da arrecadação do 
imposto estadual incidente sobre veículos automotores 
aquáticos e aéreos registrados em seus territórios. 
c) A União destinará 25,5% do produto da arrecadação 
do Imposto Seletivo ao Fundo de Participação dos 
Municípios. 
d) A União entregará 20,5% do produto da arrecadação 
do Imposto Seletivo ao Fundo de Participação dos 
Estados e do Distrito Federal. 
e) A União repassará 20% do Imposto Seletivo aos 
Estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao 
valor das respectivas exportações de produtos 
industrializados. 
Comentários: 
Gabarito: C 
Alternativa A – INCORRETA: A Emenda Constitucional nº 
132/2023 não prevê a destinação de 10% da parcela do 
IBS dos Estados para os Municípios. O que está previsto 
no novo sistema é que o IBS estadual será compartilhado 
com os Municípios conforme regras próprias, 
especialmente mediante transferência de 25% da 
arrecadação do imposto sobre propriedade de veículos 
automotores, inclusive aquáticos e aéreos, conforme art. 
158, III, com a redação da EC 132/2023. 
Alternativa B – INCORRETA: A previsão de repartição do 
tributo estadual incidente sobre veículos aquáticos e 
aéreos é de 50% para os municípios (CF, art. 158, III). 
Alternativa C – CORRETA: Nos termos do novo § 1º do 
art. 159 da Constituição Federal, com a redação dada 
pela EC 132/2023, a União deve entregar 25,5% do 
18 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
produto da arrecadação do Imposto Seletivo (IS) ao 
Fundo de Participação dos Municípios (FPM), sendo 
22,5% e três adicionais de 1% em julho, setembro e 
dezembro. 
Alternativa D – INCORRETA: A União entregará 21,5% do 
Imposto Seletivo ao Fundo de Participação dos Estados e 
do Distrito Federal (FPE), conforme o novo art. 159, I, 
“a”, da CF. 
Alternativa E – INCORRETA: A alternativa mistura regras 
de outro tributo. O percentual de 20% vinculado à 
exportação de produtos industrializados diz respeito à 
repartição do IPI (anterior ao novo modelo), nos termos 
do art. 159, II, mas não se aplica ao novo Imposto 
Seletivo. 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
Professor Rodolfo Penna 
Questão 17 
Helena ajuizou, em 2008, uma ação de cobrança contra 
uma instituição financeira, pleiteando diferenças de 
correção monetária em sua caderneta de poupança, 
decorrentes de supostos expurgos inflacionários do 
Plano CollorII. Em 2025, o processo ainda se encontra 
pendente de julgamento de recurso no Superior Tribunal 
de Justiça. Em paralelo, Mário, que moveu ação idêntica, 
obteve uma decisão favorável transitada em julgado em 
2017, recebendo os valores devidos. Após a decisão final 
do Supremo Tribunal Federal na ADPF 165, que declarou 
a constitucionalidade dos planos econômicos mas 
validou um acordo coletivo para os casos pendentes, a 
instituição financeira pretende ajuizar ação rescisória 
contra a decisão de Mário. 
Considerando as situações e a tese firmada pelo STF em 
Repercussão Geral (Tema 285), a solução jurídica correta 
é: 
a) Tanto a pretensão de Helena quanto a de Mário são 
improcedentes, pois o STF declarou a 
constitucionalidade dos planos econômicos, o que 
extingue o direito a quaisquer diferenças, devendo 
Mário, inclusive, devolver os valores recebidos. 
b) A ação de Helena deve ser julgada procedente nos 
termos do pedido original, pois a decisão do STF não 
pode retroagir para prejudicá-la, enquanto a ação 
rescisória contra Mário deve ser julgada procedente, 
desconstituindo-se a coisa julgada. 
c) O direito de Helena ao recebimento de eventuais 
diferenças se dará exclusivamente por meio de adesão 
ao acordo coletivo homologado pelo STF, enquanto a 
ação rescisória contra Mário é incabível, pois a decisão 
da Corte protegeu os efeitos da coisa julgada. 
d) Ambas as situações devem ser resolvidas pela adesão 
ao acordo coletivo, inclusive a de Mário, cuja decisão 
transitada em julgado pode ser relativizada em face da 
decisão vinculante do STF na ADPF 165. 
e) Helena não possui mais direito algum, devendo sua 
ação ser extinta, enquanto a ação rescisória contra Mário 
é cabível, pois a declaração de constitucionalidade dos 
planos econômicos é matéria de ordem pública. 
Comentários: 
Gabarito: C 
A alternativa C está correta e corresponde ao gabarito da 
questão. O STF, ao julgar a matéria (Tema 285 e ADPF 
165), estabeleceu uma solução dúplice: para os 
processos em curso, o direito às diferenças se materializa 
pela adesão ao acordo coletivo homologado; para os 
processos já transitados em julgado, a decisão protege a 
coisa julgada, vedando o uso de ação rescisória com base 
na constitucionalidade dos planos. 
1. Considerando que o STF declarou a 
constitucionalidade do Plano Collor II na ADPF 165, o 
direito a diferenças de correção monetária de depósitos 
em cadernetas de poupança, não bloqueados pelo Banco 
Central do Brasil, por alegados expurgos inflacionários 
decorrentes de referido plano, dependerá de adesão ao 
acordo coletivo e seus aditamentos, homologados no 
âmbito da ADPF 165, no prazo de 24 meses da publicação 
da ata de julgamento de referida ação. 
2. Com o objetivo de resguardar a segurança jurídica, não 
caberá ação rescisória ou arguição de inexigibilidade do 
título com base na constitucionalidade dos Planos 
Econômicos de processos já transitados em julgado. 
STF. Plenário. RE 632.212/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 17/06/2025 (Repercussão Geral – Tema 285) 
A alternativa A está incorreta. Embora os planos tenham 
sido declarados constitucionais, o direito às diferenças 
foi preservado por meio do acordo coletivo para casos 
pendentes, e a coisa julgada foi protegida para os casos 
finalizados. 
A alternativa B está incorreta. A pretensão de Helena não 
será mais analisada sob a ótica original, e a coisa julgada 
19 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
em favor de Mário é protegida, não podendo ser 
desconstituída por ação rescisória com este 
fundamento. 
A alternativa D está incorreta. A solução do acordo 
coletivo não se aplica aos casos transitados em julgado, 
que foram expressamente ressalvados pela decisão do 
STF. 
A alternativa E está incorreta. Helena ainda possui o 
direito de aderir ao acordo coletivo. A ação rescisória 
contra Mário, por sua vez, é incabível. 
 
Questão 18 
Beatriz é servidora pública federal e, após preencher os 
requisitos para a aposentadoria voluntária, optou por 
continuar em atividade, passando a receber o abono de 
permanência. Ao tirar férias, percebeu que o respectivo 
adicional de um terço, bem como sua gratificação 
natalina, foram calculados com base em sua 
remuneração, mas com a exclusão do valor do abono. 
Inconformada, ajuizou ação pleiteando a inclusão do 
abono de permanência na base de cálculo de ambas as 
verbas. Em sua defesa, a União argumentou que o abono 
tem natureza indenizatória e transitória, além de não 
sofrer incidência de contribuição previdenciária, não 
devendo, portanto, refletir em outras parcelas. 
Com base na situação hipotética e na jurisprudência do 
Superior Tribunal de Justiça firmada em recurso 
repetitivo (Tema 1233), a pretensão de Beatriz deve ser 
julgada: 
a) Improcedente, pois o abono de permanência possui 
natureza de incentivo fiscal indenizatório, não se 
incorporando à remuneração para qualquer fim. 
b) Procedente, pois o abono de permanência possui 
natureza remuneratória e permanente, devendo 
integrar a base de cálculo do adicional de férias e da 
gratificação natalina. 
c) Improcedente, pois a não incidência de contribuição 
previdenciária sobre o abono de permanência confirma 
sua natureza não remuneratória. 
d) Parcialmente procedente, para determinar a inclusão 
do abono apenas na base de cálculo da gratificação 
natalina, por expressa previsão legal, mas não no 
adicional de férias. 
e) Improcedente, pois o abono de permanência é uma 
vantagem de caráter transitório, que cessa com a 
aposentadoria, não podendo ser considerado como 
vantagem permanente para fins de cálculo de outras 
verbas. 
Comentários 
Gabarito: B 
A alternativa B está correta e corresponde ao gabarito da 
questão. O STJ, em sede de recurso repetitivo (Tema 
1233), pacificou o entendimento de que o abono de 
permanência tem natureza remuneratória e 
permanente, integrando a base de cálculo do adicional 
de férias e da gratificação natalina do servidor. 
O abono de permanência, dada sua natureza 
remuneratória e permanente, integra a base de 
incidência das verbas calculadas sobre a remuneração do 
servidor público, tais como o adicional de férias e a 
gratificação natalina (13º salário). 
STJ. 1ª Seção. REsp 1.993.530-RS e REsp 2.055.836-PR, 
Rel. Min. Regina Helena Costa, julgados em 11/6/2025 
(Recurso Repetitivo - Tema 1233) 
A alternativa A está incorreta. O STJ definiu a natureza 
do abono como remuneratória e não indenizatória 
(Recurso Repetitivo - Tema 1233). 
A alternativa C está incorreta. O fato de não incidir 
contribuição previdenciária sobre o abono foi 
considerado pelo STJ como uma "opção política do 
legislador" para tornar o incentivo mais atrativo, o que 
não descaracteriza sua natureza remuneratória (Recurso 
Repetitivo - Tema 1233). 
A alternativa D está incorreta. O fundamento para a 
inclusão do abono é o mesmo para ambas as verbas 
(natureza remuneratória), não havendo base para a 
distinção (Recurso Repetitivo - Tema 1233). 
A alternativa E está incorreta. O STJ refutou o argumento 
da transitoriedade, afirmando que o pagamento 
contínuo e regular durante a atividade funcional confere 
ao abono o caráter de vantagem permanente nesse 
período. 
 
 
 
 
 
 
20 
 2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025 
 
Questão 19 
Em uma ação de improbidade administrativa ajuizada 
pelo Ministério Público, o juiz de primeiro grau proferiu 
sentença de improcedência em setembro de 2021. O 
Ministério Público não interpôs recurso de apelação. Os 
autos foram, contudo, remetidos de ofício ao Tribunal de 
Justiça para o reexame necessário, conforme a 
jurisprudência então dominante. Antes do julgamento 
do reexame, entrou em vigor a Lei nº 14.230/2021 (em 
outubro de 2021), que passou a vedar expressamente o 
reexame necessário em ações de improbidade. No 
Tribunal, a defesa do réu requereu o não conhecimento 
da remessa, com base na aplicação imediata da nova lei. 
Considerando a situação e a tese firmada pelo

Mais conteúdos dessa disciplina