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2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
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2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
DIREITO CONSTITUCIONAL
Professor Danniel Adriano
Questão 1
Um grupo de fiéis da religião Testemunhas de Jeová,
durante uma viagem de caráter espiritual, sofreu um
acidente rodoviário grave, resultando em múltiplos
feridos. As vítimas foram encaminhadas, todas
inconscientes, a um hospital da região para atendimento
emergencial. Foi constatada, pela equipe médica, a
necessidade de realização de transfusão de sangue para
garantia da vida e saúde dos acidentados. Familiares que
acorreram ao hospital indicaram que o procedimento
não deveria ser realizado, dada a fé professada pelos
pacientes.
Diante dessa situação, assinale a alternativa correta:
a) A transfusão pode ser realizada.
b) a liberdade de consciência, enquanto proteção da
liberdade individual, não admite restrições, de modo que
a recusa ao tratamento deve ser observada.
c) em razão da prevalência da liberdade religiosa no caso
concreto, a recusa deverá ser respeitada pelo corpo
clínico do hospital, aplicando-se aos pacientes os
tratamentos alternativos que estejam disponíveis no
SUS.
d) o direito à vida, sendo absoluto, não admite
restrições, de modo que todo e qualquer tratamento
deve ser dispensado, se disponível, aos pacientes.
e) em virtude da liberdade de consciência e profissional,
e do maior peso do direito à saúde, quando
contrabalança a liberdade de consciência, os médicos
podem realizar a transfusão, independente da religião
professada pelos clientes.
Comentários:
Gabarito: A.
Duas teses do Supremo Tribunal Federal incidem no caso
narrado:
RE 979742
1 – Testemunhas de Jeová, quando maiores e capazes,
têm o direito de recusar procedimento médico que
envolva transfusão de sangue, com base na autonomia
individual e na liberdade religiosa.
2 – Como consequência, em respeito ao direito à vida e
à saúde, fazem jus aos procedimentos alternativos
disponíveis no SUS podendo, se necessário, recorrer a
tratamento fora de seu domicílio.
RE 1212272
1 – É permitido ao paciente, no gozo pleno de sua
capacidade civil, recursar-se a se submeter a tratamento
de saúde por motivos religiosos. A recusa a tratamento
de saúde por motivos religiosos é condicionada à decisão
inequívoca, livre, informada e esclarecida do paciente,
inclusive quando veiculada por meio de diretiva
antecipada de vontade.
2 – É possível a realização de procedimento médico
disponibilizado a todos pelo Sistema Único de Saúde,
com a interdição da realização de transfusão sanguínea
ou outra medida excepcional, caso haja viabilidade
técnico-científica de sucesso, anuência da equipe médica
com a sua realização e decisão inequívoca, livre,
informada e esclarecida do paciente.
A partir do entendimento do Supremo, verifica-se que
somente as partes maiores e capazes poderão recursar o
tratamento. No caso narrado, os acidentados estão
inconscientes, de modo que a transfusão deverá ser
realizada.
Questão 2
A empresa "Construções Alpha Ltda.", do ramo da
construção civil, vinha sistematicamente retendo
parcelas dos salários de seus empregados há mais de seis
meses, alegando dificuldades financeiras temporárias.
Os trabalhadores, representados pelo sindicato da
categoria, procuraram o Ministério Público do Trabalho
relatando a situação. O Procurador do Trabalho, ao
analisar o caso, verificou que não existe tipo penal
específico para a conduta de retenção dolosa de salário,
considerando que o art. 168 do Código Penal
(apropriação indébita) não abrange adequadamente tal
situação.
Considerando o julgamento da ADO 82/DF pelo STF (Rel.
Min. Dias Toffoli, j. 26/05/2025) e a sistemática
constitucional dos mandados de criminalização, assinale
a alternativa CORRETA:
a) O mandado de criminalização previsto no art. 7º, X, da
CF/88 possui natureza meramente programática,
cabendo ao legislador ordinário ampla
discricionariedade quanto ao momento e à forma de sua
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regulamentação, não sendo possível o controle
jurisdicional da omissão legislativa.
b) A existência de projetos de lei em tramitação no
Congresso Nacional sobre a matéria impede o
reconhecimento da mora legislativa, uma vez que
demonstra a atuação do Poder Legislativo no sentido de
cumprir o comando constitucional.
c) O tipo penal da apropriação indébita (art. 168 do CP)
é suficiente para tutelar a conduta de retenção dolosa de
salário, não havendo necessidade de tipificação
específica, razão pela qual não se configura omissão
inconstitucional.
d) O mandado constitucional de criminalização do art.
7º, X, da CF/88 possui natureza vinculante, e sua
inobservância pelo legislador ordinário após mais de 35
anos da promulgação da Constituição caracteriza
omissão inconstitucional passível de controle pelo STF
mediante ADO.
e) Embora configure omissão inconstitucional, o STF não
pode fixar prazo para que o Congresso Nacional sane a
mora legislativa, sob pena de violação ao princípio da
separação dos poderes, devendo limitar-se à declaração
da inconstitucionalidade por omissão.
Comentários:
Gabarito: D
(A) INCORRETA - O mandado de criminalização previsto
no art. 7º, X, da CF/88 NÃO possui natureza meramente
programática. Conforme decidido pelo STF na ADO
82/DF, trata-se de mandado constitucional de
criminalização de natureza vinculante, que impõe ao
legislador ordinário o dever de tipificar penalmente a
conduta de retenção dolosa de salário. A vinculação do
comando constitucional torna possível e necessário o
controle jurisdicional da omissão legislativa quando o
Congresso Nacional permanece inerte por tempo
irrazoável.
(B) INCORRETA - A jurisprudência do STF é pacífica no
sentido de que a mera existência de projetos de lei em
tramitação não afasta o reconhecimento da mora
legislativa. No julgamento da ADO 82/DF, o Tribunal
expressamente consignou que "a existência de projetos
de lei sobre a matéria não afasta o reconhecimento da
mora legislativa, especialmente diante do extenso lapso
temporal decorrido desde a promulgação da
Constituição". O que importa é a efetiva aprovação e
sanção da lei, não apenas a tramitação de projetos.
(C) INCORRETA - O STF foi categórico ao afirmar que "o
tipo penal da apropriação indébita (art. 168 do CP) não
contempla adequadamente a conduta de retenção
dolosa do salário do trabalhador". A Corte reconheceu
que a tipificação existente é insuficiente para tutelar
especificamente a relação trabalhista e suas
particularidades, exigindo, por determinação
constitucional expressa, tipificação penal específica para
a retenção dolosa de salário.
(D) CORRETA - Esta alternativa reproduz fielmente o
entendimento consolidado pelo STF na ADO 82/DF. O
mandado constitucional de criminalização do art. 7º, X,
da CF/88 possui natureza vinculante, impondo ao
legislador ordinário o dever constitucional de criar tipo
penal específico. A inobservância deste comando por
mais de 35 anos desde a promulgação da Constituição
caracteriza omissão inconstitucional passível de controle
jurisdicional mediante Ação Direta de
Inconstitucionalidade por Omissão.
A CF determina que o Congresso Nacional preveja como
crime a retenção dolosa de salário; trata-se de mandado
constitucional de criminalização, de natureza vinculante;
como ainda não existe esse crime, o Congresso está em
mora e deve editar a lei em 180 dias Art. 7º São direitos
dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que
visem à melhoria de sua condição social: [...] X - proteção
do salário na forma da lei, constituindo crime sua
retenção dolosa; O mandado de criminalização previsto
na parte final do inciso X do art. 7º da Constituição
Federal possui natureza vinculante, e sua inobservância
pelo legislador ordinário caracteriza omissão
inconstitucional. A existência de projetos de lei sobre a
matéria não afasta o reconhecimentoSTJ em
recurso repetitivo (Tema 1284), o Tribunal de Justiça
deve:
a) Conhecer e julgar o mérito do reexame necessário,
pois a lei aplicável é a vigente na data da prolação da
sentença, ato processual que definiu a existência do
duplo grau de jurisdição obrigatório no caso.
b) Acolher o pedido da defesa e não conhecer do
reexame necessário, pois a nova lei processual, por ser
mais benéfica, tem aplicação imediata aos processos em
curso, independentemente da data da sentença.
c) Converter o julgamento em diligência, devolvendo os
autos à primeira instância para que o Ministério Público
seja intimado a se manifestar sobre o interesse em
apelar, uma vez que o reexame se tornou incabível.
d) Extinguir o reexame necessário sem resolução de
mérito, por perda superveniente do objeto, aplicando a
nova lei, mas modular os efeitos para que a decisão não
prejudique outras situações idênticas.
e) Acolher o pedido da defesa e não conhecer do
reexame, pois a vedação da remessa necessária é norma
de natureza de direito material sancionador e, por ser
mais benéfica, retroage.
Comentários:
Gabarito: A
A alternativa A está correta e corresponde ao gabarito da
questão. Aplica-se a tese firmada pelo Superior Tribunal
de Justiça no julgamento do Tema Repetitivo 1284 (REsp
2.117.355-MG e outros):
A vedação ao reexame necessário da sentença de
improcedência ou de extinção do processo sem
resolução do mérito, prevista pelos art. 17, § 19, IV, c/c
o art. 17 C, § 3º, da Lei de Improbidade Administrativa,
com redação dada pela Lei n. 14.230/2021, não se aplica
aos processos em curso, quando a sentença for anterior
à vigência da Lei n. 14.230/2021 (26/10/2021).
STJ. 1ª Seção. REsp 2.117.355-MG, REsp 2.118.137-MG e
REsp 2.120.300-MG, Rel. Min. Teodoro Silva Santos,
julgados em 11/6/2025
A controvérsia central é sobre o direito intertemporal de
uma norma processual. O STJ baseou sua decisão no
princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato) e
na Teoria do Isolamento dos Atos Processuais, positivada
no art. 14 do Código de Processo Civil. Segundo essa
teoria, a lei processual nova tem aplicação imediata aos
processos em curso, mas não pode retroagir para atingir
atos processuais já praticados e as situações jurídicas
consolidadas sob a vigência da lei anterior.
No caso concreto, o ato processual em questão é a
sentença. O cabimento do reexame necessário é uma
qualidade ou um efeito da sentença no momento em
que ela é proferida. Se, na data da sentença (setembro
de 2021), a lei e a jurisprudência previam o reexame
necessário, esse efeito se agregou ao ato, constituindo
uma situação jurídica consolidada.
A lei nova (Lei nº 14.230/2021), que entrou em vigor
posteriormente, não pode retroagir para suprimir esse
efeito da sentença já prolatada. Portanto, a vedação ao
reexame necessário só se aplica às sentenças de
improcedência proferidas a partir de 26 de outubro de
2021.
A alternativa B está incorreta. A aplicação da lei
processual é imediata para os atos futuros, mas não
retroativa para os atos já praticados (isolamento dos
atos processuais).
A alternativa C está incorreta. Não há previsão legal para
tal procedimento. A ausência de apelação voluntária do
MP já é um fato consumado, e o reexame necessário é
um instituto distinto que não depende da vontade da
parte.
A alternativa D está incorreta. Não há perda de objeto,
pois o direito ao reexame foi constituído no momento da
sentença. O Tribunal tem o dever de julgar a remessa.
A alternativa E está incorreta. A norma que trata de
reexame necessário é de natureza puramente
processual, e não de direito material sancionador.
Portanto, não se aplica a ela o princípio da retroatividade
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da lei mais benéfica, que é restrito às normas de direito
material.
Questão 20
A empresa "Investimentos S.A.", titular do domínio útil
de um terreno de marinha, celebrou com a "Construtora
Ltda." um contrato de "permuta no local". Pelo acordo,
a "Investimentos" transferiu a totalidade do domínio útil
do terreno à construtora, pagando o respectivo
laudêmio à União. Em contrapartida, a construtora se
comprometeu a edificar um prédio no local e, como
pagamento, transferir à "Investimentos" a propriedade
de 5 unidades autônomas futuras. Concluída a obra, ao
receber as 5 unidades, a "Investimentos" foi novamente
cobrada pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU)
para o pagamento de laudêmio sobre o valor desses
apartamentos. A empresa ajuizou ação contra a União,
sustentando a ilegalidade da segunda cobrança, por se
tratar de bis in idem, já que os apartamentos
corresponderiam a uma fração do terreno original que,
na prática, nunca deixou seu patrimônio.
Com base na situação e na jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça, a segunda cobrança de laudêmio é:
a) Ilegítima, pois a "permuta no local" constitui um
negócio jurídico único, e o laudêmio, pago na
transferência do terreno, já quitou a obrigação perante
a União.
b) Ilegítima, pois a empresa "Investimentos S.A."
efetivamente reservou para si uma fração ideal do
terreno, e o laudêmio não incide sobre a mera
materialização dessa fração em unidades construídas.
c) Legítima, pois a transferência das unidades autônomas
prontas da construtora para a antiga dona do terreno
constitui um novo negócio jurídico de transferência
onerosa de domínio útil, gerando um novo fato gerador
do laudêmio.
d) Legítima, mas deveria incidir apenas sobre o valor da
construção (benfeitorias), excluindo-se o valor da fração
ideal do terreno, para evitar o bis in idem.
e) Ilegítima, pois o laudêmio, por sua natureza jurídica,
só é devido em contratos de compra e venda, não se
aplicando a contratos de permuta.
Comentários:
Gabarito: C
A alternativa C está correta e corresponde ao gabarito da
questão, pois reflete o entendimento do STJ no
julgamento do REsp 1.652.517-SC:
É legítima a cobrança do laudêmio pela transferência
onerosa de imóveis edificados sobre terreno de marinha,
em caso de "permuta no local", espécie de negócio pelo
qual a incorporadora recebe o terreno em troca dos
imóveis futuramente construídos. STJ. 2ª Turma. REsp
1.652.517-SC, Rel. Min. Afrânio Vilela, julgado em
10/6/2025 (Info 855).
O Tribunal analisou a estrutura jurídica do contrato de
"permuta no local" e concluiu que ele se desdobra em
dois negócios jurídicos distintos, cada um com uma
transferência de domínio útil:
1. Primeira Transferência: O titular original (empresa
"Investimentos") transfere a totalidade do domínio útil
do terreno para a construtora. Este é um negócio
oneroso (a contrapartida são as futuras unidades) e, por
isso, incide o laudêmio, que é a compensação devida à
União pela alienação do domínio útil de seu bem.
2. Segunda Transferência: Após a construção, as
unidades autônomas (apartamentos) são bens
juridicamente novos, que jamais pertenceram ao
patrimônio da empresa "Investimentos". A construtora,
agora titular do domínio útil do terreno e proprietária
das benfeitorias, transfere o domínio útil dessas novas
unidades para a "Investimentos" como forma de
pagamento. Esta é uma segunda transferência onerosa
de domínio útil, que constitui um novo fato gerador e,
portanto, justifica uma nova cobrança de laudêmio.
O argumento de que a "Investimentos" teria "reservado"
uma parte do terreno para si foi afastado pelo STJ, pois
tal reserva, para ser oponível à União, exigiria um
procedimento formal de desmembramento e novo
aforamento, o que não ocorreu. Um acordo privado de
reserva ("contrato de gaveta") não tem eficácia perante
a União.
A alternativa A está incorreta. O STJ entende que não se
trata de um negócio único, mas de duas transferências
distintas.
A alternativa B está incorreta. A tese da "reserva de
fração ideal" foi expressamente rejeitada pelo STJ, por
ausência do procedimento administrativo formal
necessário para seroponível à União.
A alternativa D está incorreta. O laudêmio incide sobre o
valor do domínio pleno do terreno (excluídas as
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benfeitorias) no momento da transferência. Na segunda
operação, o cálculo levará em conta o valor atualizado da
fração ideal correspondente a cada unidade. A
alternativa propõe uma fórmula de cálculo sem amparo
legal.
A alternativa E está incorreta. O art. 3º do Decreto-Lei nº
2.398/87 prevê a incidência do laudêmio na
"transferência onerosa, entre vivos", o que claramente
abrange a permuta, que é uma forma de negócio
oneroso, e não se restringe à compra e venda.
Tema n. 1.142/STJ: a) a inexistência de registro
imobiliário da transação (contratos de gaveta) não
impede a caracterização do fato gerador do laudêmio,
sob pena de incentivar a realização de negócios jurídicos
à margem da lei somente para evitar o pagamento dessa
obrigação pecuniária [...] (REsp n. 1.951.346/SP, relator
Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, julgado em
10/5/2023, DJe de 19/5/2023).
Questão 21
Nos termos da Lei nº 11.079/2004, que institui normas
gerais para licitação e contratação de parceria público-
privada (PPP), assinale a alternativa correta.
a) A concessão patrocinada é a modalidade de concessão
de serviços públicos em que a remuneração do parceiro
privado advém exclusivamente das tarifas cobradas dos
usuários.
b) A concessão administrativa é o contrato de prestação
de serviços em que a Administração Pública figura como
usuária direta, sendo vedado que tal modalidade
envolva a execução de obra ou o fornecimento de bens.
c) Constitui parceria público-privada a concessão
comum, quando não envolver contraprestação
pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.
d) A celebração de contrato de parceria público-privada
é permitida para qualquer valor, desde que o prazo de
prestação do serviço seja superior a 10 (dez) anos.
e) É vedada a celebração de contrato de parceria público-
privada cujo período de prestação do serviço seja inferior
a 5 (cinco) anos ou que tenha como objeto único a
execução de obra pública.
Comentários
Gabarito: E
A alternativa E está correta e corresponde ao gabarito da
questão, pois em conformidade com o art. 2º, § 4º, da
Lei nº 11.079/2004. Este dispositivo estabelece as
hipóteses em que a celebração de um contrato de PPP é
vedada:
§ 4º É vedada a celebração de contrato de parceria
público-privada:
I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00
(dez milhões de reais); (Redação dada pela Lei nº 13.529,
de 2017)
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5
(cinco) anos; ou
III – que tenha como objeto único o fornecimento de
mão-de-obra, o fornecimento e instalação de
equipamentos ou a execução de obra pública.
A alternativa A está incorreta. A descrição corresponde à
concessão comum, que não é uma modalidade de PPP. A
concessão patrocinada, conforme o § 1º do art. 2º,
envolve, além da tarifa cobrada dos usuários, uma
contraprestação pecuniária do parceiro público.
A alternativa B está incorreta. O § 2º do art. 2º define a
concessão administrativa como um contrato de
prestação de serviços em que a Administração é a
usuária, mas estabelece expressamente que ela pode
envolver "execução de obra ou fornecimento e
instalação de bens".
A alternativa C está incorreta. O § 3º do art. 2º
estabelece exatamente o oposto: "Não constitui parceria
público-privada a concessão comum (...) quando não
envolver contraprestação pecuniária do parceiro público
ao parceiro privado."
A alternativa D está incorreta. A alternativa contém dois
erros. Primeiro, o § 4º, inciso I, do art. 2º veda a
celebração de PPPs cujo valor seja inferior a R$
10.000.000,00. Segundo, o prazo mínimo de prestação
do serviço é de 5 (cinco) anos e não 10.
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Questão 22
O Estatuto dos Servidores Públicos do Município Alfa
prevê que o servidor que gozar de licença para
tratamento de saúde por período superior a 90 dias,
dentro do mesmo período aquisitivo, perderá o direito
às férias relativas àquele ano. Com base nessa norma, a
Administração Municipal negou o gozo de férias a Joana,
servidora que esteve em licença médica por 100 dias
para se recuperar de uma cirurgia. Joana impetrou
mandado de segurança, alegando que a norma municipal
é inconstitucional. O Município, em sua defesa, invocou
sua autonomia para legislar sobre o regime jurídico de
seus servidores.
Com base na situação e na jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal, a segurança deve ser:
a) Concedida, pois a norma municipal que restringe o
direito de férias em razão de afastamento por licença
médica é inconstitucional, por violar o direito
fundamental às férias e tratar institutos com finalidades
distintas de forma idêntica.
b) Denegada, pois a autonomia municipal (art. 30, I, da
CF) permite a criação de regras próprias para o regime
de seus servidores, sendo razoável a restrição.
c) Denegada, pois o direito às férias pressupõe a efetiva
prestação de serviço no período aquisitivo, o que foi
interrompido pela longa licença, justificando a supressão
do benefício.
d) Concedida, mas apenas para garantir o pagamento do
terço constitucional de férias, sem o direito ao período
de descanso, como forma de compensação.
e) Concedida, apenas se a licença médica de Joana for
decorrente de acidente de trabalho, única hipótese em
que as faltas são consideradas justificadas para todos os
fins.
Comentários
Gabarito: A
A alternativa A está correta e corresponde ao gabarito da
questão. A decisão do STF no RE 593.448/MG (Tema 221)
e na ADPF 1.132/SP é clara no sentido de proteger o
direito fundamental às férias:
No exercício de sua autonomia legislativa para disciplinar
o regime jurídico dos servidores, o município não pode
restringir o período de férias, sob o fundamento de que
o servidor esteve em licença para tratamento de saúde.
STF. Plenário. ADPF 1.132/SP, Rel. Min. Cristiano Zanin,
julgado em 26/05/2025.
A Constituição Federal assegura aos servidores públicos
o "gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos,
um terço a mais do que o salário normal" (art. 7º, XVII,
c/c art. 39, § 3º). O STF entende que, embora os
Municípios possuam autonomia para organizar seus
serviços e o regime jurídico de seus servidores, essa
autonomia não é absoluta e não pode suprimir direitos
fundamentais garantidos pela Constituição.
A Corte estabeleceu que a licença para tratamento de
saúde e as férias são institutos com finalidades
completamente distintas:
• Licença Saúde: Visa à recuperação das condições físicas
e mentais do servidor, sendo um direito ligado à
proteção da saúde.
• Férias: Visam ao descanso, ao lazer e à recuperação
psicofísica do trabalhador em razão do serviço prestado,
permitindo a desconexão com o ambiente de trabalho.
Utilizar a licença médica como fundamento para punir o
servidor com a perda ou redução das férias é
inconstitucional, pois penaliza o trabalhador por ter
ficado doente e confunde dois direitos com
fundamentos e objetivos diversos.
A alternativa B está incorreta. A autonomia municipal
não pode se sobrepor a um direito fundamental
assegurado na Constituição. Além disso, a premissa de
que a licença já cumpre a função de descanso é
juridicamente equivocada, conforme o STF.
A alternativa C está incorreta. O direito às férias está
ligado ao vínculo de trabalho, que não é rompido
durante a licença médica. A tese de que a ausência de
trabalho por motivo de doença desconstitui o direito às
férias foi rejeitada pela Suprema Corte.
A alternativa D está incorreta. O direito às férias
compreende tanto o período de descanso quanto o
adicional pecuniário. A supressão do descanso não é
admitida, e não há base para essa solução
"intermediária".
A alternativa E está incorreta. A proteção conferidapelo
STF não faz distinção quanto à origem da licença médica.
O direito às férias é preservado independentemente de
a doença ser ou não relacionada ao trabalho.
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2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 23
No que tange ao âmbito de aplicação da Lei nº
14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e Contratos),
assinale a alternativa correta.
a) A Lei nº 14.133/2021 se aplica a toda a Administração
Pública, direta e indireta, incluindo as empresas públicas
e sociedades de economia mista.
b) Não se subordinam ao regime da Lei nº 14.133/2021
os contratos de prestação de serviços técnico-
profissionais especializados e as contratações de
tecnologia da informação, por possuírem natureza
singular.
c) A Lei nº 14.133/2021 aplica-se a todas as operações
financeiras da Administração Pública, inclusive aos
contratos que tenham por objeto a gestão da dívida
pública.
d) Nas contratações que envolvam recursos de
organismos financeiros estrangeiros, a Administração
deve seguir exclusivamente as normas e procedimentos
dessas agências, afastando-se os princípios da Lei nº
14.133/2021.
e) A Lei nº 14.133/2021 aplica-se a todas as operações
financeiras da Administração Pública, inclusive aos
contratos que tenham por objeto a obtenção de crédito
interno ou externo.
Comentários:
Gabarito: D
A alternativa D está correta e corresponde ao gabarito
da questão. O art. 1º, § 3º, inciso II, alínea 'b', permite a
adoção de normas de organismos estrangeiros, desde
que estas "não conflitem com os princípios
constitucionais em vigor". Além disso, o § 2º do mesmo
artigo determina que mesmo as contratações no exterior
devem obedecer aos "princípios básicos estabelecidos
nesta Lei".
Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais de licitação e
contratação para as Administrações Públicas diretas,
autárquicas e fundacionais da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, e abrange:
§ 3º Nas licitações e contratações que envolvam recursos
provenientes de empréstimo ou doação oriundos de
agência oficial de cooperação estrangeira ou de
organismo financeiro de que o Brasil seja parte, podem
ser admitidas:
I - condições decorrentes de acordos internacionais
aprovados pelo Congresso Nacional e ratificados pelo
Presidente da República;
II - condições peculiares à seleção e à contratação
constantes de normas e procedimentos das agências ou
dos organismos, desde que:
a) sejam exigidas para a obtenção do empréstimo ou
doação;
b) não conflitem com os princípios constitucionais em
vigor;
A alternativa A está incorreta. Contradiz diretamente o §
1º do art. 1º, que exclui as empresas estatais do regime
da Lei nº 14.133/2021.
Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais de licitação e
contratação para as Administrações Públicas diretas,
autárquicas e fundacionais da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, e abrange: [...]
§ 1º Não são abrangidas por esta Lei as empresas
públicas, as sociedades de economia mista e as suas
subsidiárias, regidas pela Lei nº 13.303, de 30 de junho
de 2016, ressalvado o disposto no art. 178 desta Lei.
A alternativa B está incorreta. O art. 2º da lei afirma
expressamente sua aplicação à "prestação de serviços,
inclusive os técnico-profissionais especializados" (inciso
V) e às "contratações de tecnologia da informação e de
comunicação" (inciso VII).
Art. 2º Esta Lei aplica-se a: I - alienação e concessão de
direito real de uso de bens; II - compra, inclusive por
encomenda; III - locação; IV - concessão e permissão de
uso de bens públicos; V - prestação de serviços, inclusive
os técnico-profissionais especializados; VI - obras e
serviços de arquitetura e engenharia; VII - contratações
de tecnologia da informação e de comunicação.
A alternativa C está incorreta. O art. 3º, inciso I, da lei
estabelece expressamente que "Não se subordinam ao
regime desta Lei: I - contratos que tenham por objeto
operação de crédito, interno ou externo, e gestão de
dívida pública".
A alternativa E está incorreta. O art. 3º, inciso I, da lei
estabelece expressamente que "Não se subordinam ao
regime desta Lei: I - contratos que tenham por objeto
operação de crédito, interno ou externo, e gestão de
dívida pública".
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2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 24
A Assembleia Legislativa do Estado Gama aprovou uma
lei, de iniciativa parlamentar, que determina o
fornecimento gratuito, pela rede estadual do SUS, de
análogos de insulina a portadores de diabetes. O
Governador do Estado, contrariado, ajuizou Ação Direta
de Inconstitucionalidade (ADI) no STF, argumentando
que a lei seria inconstitucional por três motivos: (i) vício
de iniciativa, por se tratar de matéria de organização
administrativa e gerar despesa para o Poder Executivo;
(ii) invasão da competência da União para definir os
tratamentos a serem ofertados pelo SUS; e (iii) criação
de um benefício da seguridade social sem a
correspondente fonte de custeio, violando o art. 195, §
5º, da CF.
Com base na situação e na jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal, a ADI deve ser julgada:
a) Procedente, em razão do vício de iniciativa, pois leis
que geram despesas para a administração pública são de
competência privativa do Chefe do Poder Executivo.
b) Procedente, pois a lei estadual, ao criar um novo
benefício da seguridade social sem indicar a fonte de
custeio, viola o art. 195, § 5º, da Constituição Federal.
c) Improcedente, pois a lei estadual, ao prever a oferta
de um tratamento de saúde, exerce legitimamente a
competência concorrente em matéria de saúde, não
havendo vício de iniciativa nem violação à regra da fonte
de custeio.
d) Procedente, pois compete privativamente à União,
por meio do Ministério da Saúde e da ANVISA, definir o
rol de medicamentos e procedimentos a serem
ofertados pelo SUS em todo o território nacional.
e) Improcedente quanto ao vício de iniciativa, mas
procedente quanto à violação da regra da fonte de
custeio, declarando-se a inconstitucionalidade da norma
por ausência de previsão orçamentária.
Comentários:
Gabarito: C
A alternativa C está correta e corresponde ao gabarito da
questão. A decisão do Supremo Tribunal Federal na ADI
5.758/SC (Info 1173) rechaçou todos os argumentos de
inconstitucionalidade sobre a matéria:
É constitucional — por não apresentar vício de iniciativa
e estar em conformidade com a competência legislativa
concorrente dos estados para dispor sobre proteção e
defesa da saúde (art. 24, XII, CF/88) — lei estadual de
origem parlamentar que prevê a distribuição gratuita,
pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de análogos de
insulina a portadores de diabetes.
STF. Plenário. ADI 5.758/SC, Rel. Min. Nunes Marques,
julgado em 14/04/2025.
O STF analisou os três pontos:
1. Competência Legislativa: A saúde é matéria de
competência concorrente entre União, Estados e Distrito
Federal (art. 24, XII, CF) , e de competência
administrativa comum de todos os entes (art. 23, II, CF).
Assim, o Estado pode legislar sobre o tema para atender
a peculiaridades locais, desde que não contrarie as
normas gerais da União. A lei estadual, ao determinar o
fornecimento de um medicamento já aprovado pela
ANVISA, apenas suplementa a política nacional,
exercendo sua competência de forma legítima.
2. Iniciativa Legislativa: A reserva de iniciativa do Chefe
do Poder Executivo (art. 61, § 1º, da CF) é de
interpretação restrita. Ela se aplica a leis que tratam da
criação de cargos, do regime jurídico de servidores ou da
estrutura e organização de órgãos da administração. A
lei em questão não se enquadra nessas hipóteses. Ela
apenas concretiza o dever constitucional do Estado de
prestar saúde (art. 196 da CF), sem alterar a estrutura
administrativa. O mero fato de gerar despesa não atrai a
reserva de iniciativa.
3. Fonte de Custeio: A exigência de indicação da fonte de
custeio, prevista no art. 195, § 5º, da CF, aplica-seà
"criação, majoração ou extensão de benefício ou serviço
da seguridade social". O STF entende que o
fornecimento de um tratamento de saúde pelo SUS não
é a criação de um "novo benefício", mas sim a
concretização do direito fundamental à saúde e do dever
de atendimento integral já previsto na Constituição (art.
198, II). Portanto, a regra da contrapartida não é violada.
A alternativa A está incorreta. O STF pacificou o
entendimento de que a mera geração de despesa para o
Executivo não configura vício de iniciativa.
A alternativa B está incorreta. A oferta de um
medicamento pelo SUS é o cumprimento de um dever de
prestação de saúde, e não a criação de um benefício da
seguridade social, afastando a incidência do art. 195, §
5º, da CF.
A alternativa D está incorreta. A competência da União é
para editar normas gerais. Os Estados podem
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2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
suplementar essa legislação para atender a necessidades
locais, no exercício de sua competência concorrente.
A alternativa E está incorreta. Conforme explicado, a
norma não apresenta vício de iniciativa nem viola a regra
da fonte de custeio.
Questão 25
Por força de decisão judicial, o Estado deposita
mensalmente na conta de Clara o valor necessário para
a aquisição de um medicamento de uso contínuo para
seu filho menor, Pedro. Em determinado mês, Pedro
sofreu uma crise respiratória aguda, e Clara, diante da
emergência e da falta de outros recursos, utilizou o valor
depositado pelo Estado para comprar os antibióticos e
broncodilatadores prescritos para tratar a crise,
deixando de adquirir o remédio de uso contínuo. Ao
tomar conhecimento, o Estado peticionou nos autos,
requerendo que o fornecimento do mês seguinte fosse
suspenso, como forma de compensar o erário pelo
"desvio de finalidade" da verba.
Com base na situação e na jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça, o pedido do Estado deve ser:
a) Deferido, pois a verba pública possui destinação
específica e seu uso para finalidade diversa, ainda que
nobre, impõe o dever de ressarcimento, sendo a
compensação o meio mais célere.
b) Indeferido, pois a interrupção do fornecimento de
medicamento essencial a um menor incapaz como forma
de sanção por ato de sua representante legal é medida
desarrazoada e cruel, que penaliza a parte vulnerável.
c) Deferido, mas o juiz deve determinar que, a partir de
então, o Estado forneça o medicamento in natura, e não
mais em dinheiro, para evitar novos desvios.
d) Indeferido, pois a conduta da mãe se enquadra no
estado de necessidade, excludente de ilicitude, o que
torna a verba regularmente aplicada e afasta qualquer
dever de ressarcimento.
e) Deferido parcialmente, para determinar que a mãe
restitua o valor em parcelas, sem, contudo, suspender o
tratamento de Pedro, responsabilizando-se a
representante legal pelo débito.
Comentários:
Gabarito: B
A alternativa B está correta e corresponde ao gabarito da
questão. Reflete a orientação do Superior Tribunal de
Justiça no AgInt no REsp 1.930.966/PR (Info 844), que
prioriza a proteção do direito à saúde do incapaz em
detrimento de uma lógica puramente patrimonialista ou
punitiva.
Se a genitora levantou do Estado valores em dinheiro
para aquisição de medicamentos em favor de seu filho
menor incapaz e adquiriu outros remédios, em caráter
de urgência, destinados à mesma criança, mostra-se
desarrazoada a interrupção do fornecimento do
medicamento ao doente como meio sancionatório.
STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1.930.966/PR, Rel. Min.
Afrânio Vilela, julgado em 18/3/2025.
O STJ fundamentou sua decisão em dois pilares
principais:
1. Impossibilidade de Responsabilizar o Incapaz: O
menor incapaz e doente não pode ser punido ou sofrer
prejuízos em sua saúde por atos, ainda que considerados
ilícitos, praticados por seus representantes legais. A
responsabilidade civil do incapaz é subsidiária e mitigada
(art. 928 do Código Civil), e ele não pode ser
responsabilizado fisicamente pela interrupção de seu
tratamento por uma decisão de sua mãe. Punir Pedro
pela conduta de Clara seria transferir a consequência do
ato para a parte mais vulnerável da relação.
2. Desarrazoabilidade e Proibição de Penas Cruéis: A
interrupção do fornecimento de um medicamento
essencial como forma de "sanção" ou "compensação" foi
considerada pelo Tribunal uma medida desarrazoada.
Tal ato se assemelha a uma pena cruel, vedada pelo art.
5º, XLVII, "e", da Constituição Federal, pois impõe ao
menor um sofrimento físico e psíquico em razão de uma
questão administrativa ou financeira. Além disso, o STJ
ponderou que nem sequer ficou caracterizado o ato
ilícito, já que a verba, embora destinada a um remédio
específico, foi utilizada para outra finalidade de saúde
urgente da mesma criança.
A alternativa A está incorreta. Embora a verba pública
tenha destinação específica, a jurisprudência pondera
esse rigor formal com os princípios da razoabilidade e da
máxima proteção à criança, afastando a compensação
que prejudique a saúde do menor.
A alternativa C está incorreta. Mudar a forma de
cumprimento da obrigação (de dinheiro para o remédio
in natura) pode ser uma medida administrativa futura
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2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
razoável, mas a alternativa não aborda a questão central,
que é a ilegalidade da suspensão do tratamento como
forma de sanção.
A alternativa D está incorreta. Embora a conduta da mãe
possa se assemelhar a um estado de necessidade, e o STJ
tenha ventilado essa hipótese, o fundamento principal
da decisão não foi a exclusão da ilicitude, mas sim a
impossibilidade de punir o menor. A questão do
ressarcimento pela mãe, em tese, poderia ser discutida
em via autônoma, mas sem afetar a criança.
A alternativa E está incorreta. Embora seja uma solução
prática que protege o menor, o cerne da decisão do STJ
é mais profundo: a própria ideia de usar a interrupção do
tratamento como sanção é rechaçada por ser
desarrazoada e cruel. A alternativa B captura melhor
esse fundamento principal.
Questão 26
Com base na Lei nº 11.107/2005, que dispõe sobre
normas gerais de contratação de consórcios públicos,
assinale a alternativa correta.
a) O contrato de consórcio público é considerado
celebrado a partir da subscrição do protocolo de
intenções pelos chefes do Poder Executivo, sendo a
ratificação por lei uma formalidade posterior não
essencial.
b) O consórcio público com personalidade jurídica de
direito público, constituído como associação pública,
integra a administração indireta de todos os entes da
Federação consorciados.
c) Todo consórcio público, por ser formado por entes da
Federação, adquirirá personalidade jurídica de direito
público.
d) A ratificação do protocolo de intenções por um ente
da Federação, se realizada após 2 (dois) anos de sua
subscrição, será considerada nula e sem efeitos.
e) É válida a cláusula do contrato de consórcio que
preveja o aporte de contribuições financeiras periódicas
de um ente federado para o custeio geral do consórcio,
independentemente de sua finalidade.
Comentários:
Gabarito: B
A alternativa B está correta e corresponde ao gabarito da
questão. Conforme o art. 6º, § 1º, da Lei nº 11.107/2005,
o consórcio público constituído como associação pública
(personalidade de direito público) passa a integrar a
administração indireta de todos os entes federativos que
o compõem.
A alternativa A está incorreta. O art. 5º da lei é claro ao
dispor que "O contrato de consórcio público será
celebrado com a ratificação, mediante lei, do protocolo
de intenções." A ratificação por lei é, portanto, condição
essencial para a celebração do contrato.
A alternativa C está incorreta. A lei oferece uma opção.
O art. 6º prevê que o consórcio pode adquirir
personalidade jurídica de direito público (inciso I) ou "de
direito privado, mediante o atendimento dos requisitos
da legislação civil" (incisoII).
A alternativa D está incorreta. A ratificação tardia não é
nula. Conforme o art. 5º, § 3º, a ratificação realizada
após 2 anos "dependerá de homologação da assembleia
geral do consórcio público."
A alternativa E está incorreta. O art. 4º, § 3º, estabelece
a regra da nulidade para tais cláusulas: "É nula a cláusula
do contrato de consórcio que preveja determinadas
contribuições financeiras ou econômicas de ente da
Federação ao consórcio público, salvo a doação,
destinação ou cessão do uso de bens móveis ou imóveis
e as transferências ou cessões de direitos operadas por
força de gestão associada de serviços públicos.
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2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
DIREITO CIVIL
Professor Paulo Sousa
Questão 27
Júlia reside com sua mãe em um imóvel que fora
transferido para uma sociedade empresária, da qual sua
mãe passou a ser sócia. O imóvel, ainda que esteja
registrado em nome da empresa, continua sendo a
moradia exclusiva de ambas, e não é utilizado para
qualquer atividade empresarial. O imóvel é o único bem
em que a genitora de Júlia possui posse direta e reside
com a filha. Posteriormente, esse imóvel foi penhorado
em execução fiscal ajuizada contra a empresa.
Diante dessa situação hipotética, assinale a alternativa
correta
a) A impenhorabilidade do bem de família não pode ser
reconhecida, pois o imóvel está registrado em nome de
pessoa jurídica e isso afasta sua proteção,
independentemente de ser usado como residência
familiar.
b) O imóvel pode ser protegido como bem de família,
desde que se comprove que a genitora de Júlia não
possui outro bem e reside no local, mesmo que ele
pertença formalmente à pessoa jurídica.
c) O fato de o imóvel estar registrado em nome da
empresa torna irrelevante qualquer alegação de uso
residencial, sendo possível sua penhora
independentemente da posse e uso pelas moradoras.
d) A impenhorabilidade do bem de família exige
necessariamente que o imóvel seja de propriedade de
pessoa natural, não podendo jamais ser reconhecida
quando o bem está em nome de pessoa jurídica.
e) A confusão entre o local de moradia e a titularidade
do imóvel impede qualquer flexibilização da regra de
impenhorabilidade, pois a Lei nº 8.009/1990 não permite
interpretação extensiva.
Comentários:
Gabarito: B.
A alternativa A está incorreta. A jurisprudência do STJ
vem admitindo, em casos excepcionais, a proteção do
bem de família mesmo quando o imóvel está em nome
de pessoa jurídica, desde que comprovado o uso
exclusivo como residência e a inexistência de outro
imóvel pelo possuidor. O simples fato de o imóvel estar
em nome da empresa não é suficiente para afastar a
proteção da Lei nº 8.009/1990, conforme decidiu o STJ
no AgInt no AREsp 2.360.631/RJ.
A alternativa está correta. O STJ flexibilizou a aplicação
da Lei nº 8.009/1990 para reconhecer que, em
determinadas hipóteses, como a do caso concreto, o
imóvel de propriedade de pessoa jurídica pode ser
protegido como bem de família, desde que não haja
outros bens em nome da pessoa que reside no imóvel e
este não seja utilizado para fins empresariais, mas sim
como moradia exclusiva da família. Foi exatamente esse
o entendimento adotado no AgInt no AREsp
2.360.631/RJ.
A alternativa C está incorreta. A posse direta e o uso
exclusivo do imóvel como residência têm relevância
jurídica para a proteção do bem de família. O STJ
reconheceu que a impenhorabilidade pode ser admitida
mesmo que o imóvel esteja registrado em nome da
empresa, quando demonstrado que se trata da moradia
da genitora e de sua filha, e não há qualquer outro bem,
afastando interpretações puramente formais sobre a
titularidade.
A alternativa D está incorreta. Embora o art. 1º da Lei nº
8.009/1990 se refira ao imóvel residencial próprio do
casal, da entidade familiar ou da pessoa solteira, a
jurisprudência do STJ admite a relativização desse
requisito de propriedade, especialmente quando o
imóvel é a única moradia da família e está em nome de
pessoa jurídica, desde que não utilizado para fins
comerciais. Logo, não é exigido que sempre seja de
pessoa natural.
A alternativa E está incorreta. A Lei nº 8.009/1990 possui
natureza de norma cogente e se fundamenta na
dignidade da pessoa humana. Por isso, o STJ tem
adotado interpretações teleológicas e sistemáticas, que
autorizam a flexibilização da regra de titularidade
quando há demonstração clara de que o imóvel
preenche os requisitos materiais de bem de família. No
caso julgado, ficou decidido que a simples confusão
entre o local de moradia e o nome empresarial na
matrícula do imóvel não impede o reconhecimento da
impenhorabilidade.
29
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 28
Durante a realização de uma competição de rally, um
piloto amador capotou o carro e caiu em um rio, ficando
submerso. O navegador conseguiu sair e buscou ajuda de
outros competidores e da equipe de apoio. A
organização do evento, apesar de contar com
ambulâncias e equipe médica disponíveis, não enviou
socorro imediato ao local, mesmo após ser comunicada
do acidente. O resgate foi feito exclusivamente por
terceiros, e, ao ser retirado do veículo, o piloto já estava
sem sinais vitais. A esposa da vítima ajuizou ação de
indenização por danos morais contra a organizadora do
evento, alegando omissão de socorro e perda da chance
de sobrevivência. Com base na jurisprudência do STJ,
assinale a alternativa correta
a) A ausência de ambulância no local apenas configura
omissão de socorro se comprovado que a vítima teria
efetivamente sobrevivido, sendo esse o único critério
para reconhecimento da responsabilidade civil.
b) A aplicação da teoria da perda de uma chance exige
que o dano final (óbito) seja diretamente causado pela
conduta do agente, sendo indispensável a prova do nexo
causal direto.
c) A organizadora do evento não responde por omissão
de socorro se houver alguma forma de ajuda prestada
por terceiros, mesmo que sem capacitação técnica ou
profissional.
d) A frustração da legítima expectativa de socorro
imediato e a perda da chance de sobrevida do piloto são
suficientes para caracterizar a responsabilidade civil da
organizadora.
e) A responsabilidade da organizadora do evento
somente se configura se ficar provado que a ambulância
não existia ou que a equipe médica estava ausente, o que
não ocorreu no caso concreto.
Comentários:
Gabarito: D.
A alternativa A está incorreta. O STJ entendeu que não é
necessário comprovar que a vítima teria efetivamente
sobrevivido, mas sim que houve perda de uma chance
real e concreta de sobrevida. A omissão de socorro gerou
dano moral à autora e frustrou a legítima expectativa de
assistência ao seu marido. A responsabilidade se firma
mesmo na ausência de certeza sobre o desfecho, com
base na probabilidade razoável de alteração no curso dos
fatos
A alternativa B está incorreta. A teoria da perda de uma
chance não exige que o nexo causal seja com o dano final
(óbito), mas sim com a chance perdida. O STJ tem
precedentes firmes de que o dano reparável não é o
evento final frustrado, mas a perda da oportunidade em
si (REsp 1.254.141/PR). No caso, foi reconhecido que o
envio imediato da ambulância poderia ter aumentado
significativamente as chances de sobrevivência, o que
basta para a responsabilização
A alternativa C está incorreta. O fato de o socorro ter sido
prestado por outros participantes não exime a
responsabilidade da organizadora, que tinha dever
objetivo de cuidado por se tratar de evento de risco
previsível. A assistência prestada por leigos não substitui
a atuação de equipe médica profissional. O STJ entendeu
que houve omissão culposa, pois as ambulâncias
estavam disponíveis, mas não foram acionadas
A alternativa está correta. A responsabilização da
organizadora se deu em razão da violação do dever de
cuidado e da frustração da legítima expectativade
socorro. A ausência de qualquer tentativa de assistência
médica configurou omissão relevante, que, segundo o
STJ, gerou profundo sofrimento e desamparo,
configurando dano moral indenizável. Além disso, ficou
demonstrada a perda de uma chance séria e concreta de
sobrevida, ainda que não se pudesse afirmar com certeza
o desfecho diverso
A alternativa E está incorreta. A responsabilidade da
organizadora não depende da inexistência de
ambulância ou equipe médica, mas sim da não prestação
do socorro, mesmo com os recursos disponíveis. O STJ
deixou claro que a simples presença de ambulância no
local do evento não supre o dever de ação diante de
acidente comunicado, sendo omissiva a conduta da
empresa ao deixar de agir prontamente
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2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 29
Letícia, aos 28 anos de idade, ajuizou ação de
indenização por danos morais contra seu padrasto,
acusando-o de tê-la abusado sexualmente quando ela
tinha entre 8 e 10 anos de idade. Segundo narra, apesar
de ter consciência do ocorrido desde a adolescência, só
compreendeu os reais danos psicológicos e a extensão
das consequências do abuso aos 27 anos, quando iniciou
acompanhamento terapêutico especializado. O juízo de
primeiro grau reconheceu a prescrição com base no art.
206, §3º, V, do CC/2002, afirmando que o prazo de 3
anos contaria a partir da maioridade. Letícia recorreu.
Com base na jurisprudência do STJ, assinale a alternativa
correta
a) A prescrição deve ser contada a partir da data da
prática do abuso, nos termos da teoria objetiva da actio
nata, prevalente no STJ.
b) O prazo prescricional de 3 anos tem início automático
a partir dos 18 anos, independentemente da consciência
da vítima sobre os danos sofridos.
c) Aplica-se a teoria subjetiva da actio nata, de modo que
a contagem do prazo prescricional deve considerar o
momento em que a vítima toma plena ciência da
extensão dos danos.
d) A existência de acompanhamento psicológico desde a
adolescência impede o reconhecimento de qualquer
prorrogação ou modificação do termo inicial da
prescrição.
e) Por se tratar de abuso sexual praticado durante a
infância, não se aplica qualquer regra prescricional,
sendo imprescritível a pretensão indenizatória.
Comentários:
Gabarito: C.
A alternativa A está incorreta. O STJ adotou a teoria
subjetiva da actio nata nos casos de abuso sexual infantil,
afastando a aplicação automática da teoria objetiva
segundo a qual o prazo começaria na data da violação.
Segundo o REsp 2.123.047/SP, é preciso avaliar quando
a vítima adquiriu real consciência dos danos e não
apenas do ato em si.
A alternativa B está incorreta. O STJ expressamente
considerou inadequado vincular o termo inicial da
prescrição à maioridade, nos casos de abuso sofrido na
infância ou adolescência. O trauma pode se manifestar
anos depois, e exigir a atuação imediata após os 18 anos
seria desconsiderar a complexidade psicológica da
vítima.
A alternativa C está correta. A decisão do STJ no REsp
2.123.047/SP afirmou que nos casos de abuso sexual
infantil, deve ser aplicado o entendimento da teoria
subjetiva da actio nata, segundo a qual o termo inicial da
prescrição ocorre quando a vítima adquire ciência plena
das consequências do abuso em sua vida — o que pode
ocorrer muito tempo após os fatos, inclusive após os 21
anos .
A alternativa D está incorreta. O simples fato de a vítima
ter feito tratamento psicológico na adolescência não
significa, por si só, que ela tinha plena consciência dos
danos. O STJ reconhece que o trauma pode ser
reconhecido e enfrentado gradualmente, sendo possível
que a consciência plena surja muito depois do início da
terapia.
A alternativa E está incorreta. Embora o STJ tenha
relativizado o termo inicial da prescrição, não declarou a
imprescritibilidade da ação indenizatória por abuso
sexual infantil. O que se afirmou foi que, em razão da
gravidade do trauma e da complexidade de sua
percepção, o prazo só começa a correr com a ciência do
dano em sua extensão, e não automaticamente.
Questão 30
André celebrou contrato de financiamento com
alienação fiduciária em garantia para aquisição de um
automóvel. No instrumento contratual, informou seu
endereço eletrônico pessoal como meio válido de
comunicação. Após atraso superior a 60 dias, a financeira
encaminhou a notificação extrajudicial por e-mail,
alertando sobre a mora e solicitando a devolução do
bem. A mensagem foi recebida e lida, conforme
comprovado por logs de acesso. Mesmo assim, André
não entregou o veículo, e a financeira ajuizou ação de
busca e apreensão. A defesa alegou nulidade da
notificação, por não ter sido enviada por carta com AR.
Com base no entendimento do STJ, assinale a alternativa
correta
a) A notificação extrajudicial, para ser válida, deve
obrigatoriamente ser realizada por carta registrada com
aviso de recebimento, nos termos do Decreto-Lei nº
911/1969.
31
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
b) A ausência de carta com AR torna nula a notificação
por e-mail, ainda que haja prova inequívoca de que o
devedor a recebeu e leu.
c) É válida a notificação por e-mail, desde que
encaminhada ao endereço eletrônico informado no
contrato e comprovado o efetivo recebimento.
d) O envio da notificação por e-mail somente é válido se
for assinado digitalmente pelo tabelião de protesto
competente.
e) A jurisprudência do STJ exige que o devedor assine o
aviso de recebimento (AR), seja em correspondência
física ou digital, para que se caracterize mora.
Comentários:
Gabarito: C.
A alternativa A está incorreta. O art. 2º, § 2º, do Decreto-
Lei nº 911/1969 prevê a carta registrada com AR como
uma das formas possíveis de notificação, mas não exige
exclusividade dessa via. O STJ, no REsp 2.087.485/RS,
reconheceu a validade de outros meios, como o e-mail,
desde que comprovado o efetivo recebimento pelo
devedor.
A alternativa B está incorreta. O STJ afastou a exigência
da carta com AR como única forma válida de notificação.
No caso julgado, considerou suficiente a notificação por
e-mail quando: (i) enviada ao endereço eletrônico
fornecido no contrato e (ii) comprovado que foi
recebida. Assim, mesmo sem carta registrada, a
notificação é válida se houver prova de ciência do
devedor.
A alternativa C está correta. De acordo com o REsp
2.087.485/RS, é válida a notificação extrajudicial por e-
mail quando enviada ao endereço eletrônico indicado no
contrato de alienação fiduciária, desde que haja
comprovação do efetivo recebimento. Essa
interpretação atende aos princípios da boa-fé, da função
social do contrato e da modernização das comunicações.
A alternativa D está incorreta. O STJ não exige assinatura
digital por tabelião para validação de notificação por e-
mail. Basta que haja confirmação do envio ao endereço
eletrônico contratualmente previsto e prova da ciência
inequívoca pelo devedor, como confirmação de leitura
ou logs do sistema de e-mail.
A alternativa E está incorreta. A jurisprudência do STJ
não exige assinatura do AR pelo devedor como condição
de validade da notificação. No caso de notificações por
meios eletrônicos, o recebimento pode ser comprovado
por logs, relatórios de leitura ou outros documentos
equivalentes que demonstrem a ciência da notificação
pelo devedor fiduciante.
Questão 31
Luana prestou fiança em contrato de locação não
residencial firmado por prazo determinado entre a
empresa Alfa Comércio e o locador Pedro. Meses depois,
um dos sócios da empresa com quem Luana mantinha
relação familiar, retirou-se da sociedade. Incomodada
com a mudança, Luana notificou extrajudicialmente
Pedro, informando sua intenção de se exonerar da
obrigação. A locação ainda estava dentro do prazo
original. Pedro recebeu a notificação, mas nada
respondeu. Quando a empresa deixou de pagar o
aluguel, Pedro cobrou judicialmente os valores também
de Luana, que alegouque já havia se desobrigado da
fiança.
Com base no entendimento do STJ, assinale a alternativa
correta
a) A notificação extrajudicial enviada por Luana tem
efeito imediato e a exonera da obrigação de fiança, ainda
que o contrato esteja vigente.
b) A alteração do quadro societário da empresa
afiançada é, por si só, causa suficiente para exoneração
da fiança, independentemente de previsão contratual.
c) O fiador pode se exonerar a qualquer tempo, desde
que manifeste sua vontade por notificação extrajudicial
e comprove motivo pessoal relevante.
d) A fiança prestada em contrato por prazo determinado
somente se extingue com o término do contrato, ainda
que haja notificação exoneratória durante sua vigência
ou alteração no quadro social da empresa afiançada.
e) O vínculo afetivo com um dos sócios da empresa
afiançada justifica a exoneração automática do fiador
mediante simples comunicação extrajudicial.
Comentários:
Gabarito: D.
A alternativa A está incorreta. De acordo com o STJ, no
REsp 2.121.585/PR, em contrato de locação por prazo
determinado, o fiador não se exonera automaticamente
com a notificação extrajudicial, mesmo que enviada
durante a vigência do contrato. A obrigação fidejussória
32
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
se estende até o término do prazo contratual, salvo
previsão em contrário.
A alternativa B está incorreta. A alteração do quadro
societário da empresa afiançada não é motivo suficiente
para exoneração do fiador, segundo o STJ. A Corte
afirmou que esse tipo de alteração é previsível e não
pode ser alegado como fator automático de extinção da
garantia, sob pena de fragilizar a fiança empresarial.
A alternativa C está incorreta. A jurisprudência do STJ
exige que, em contratos por prazo determinado, o fiador
só se exonera com o fim do contrato ou 120 dias após ele
se tornar indeterminado. A manifestação unilateral de
vontade, mesmo que motivada, não basta para extinguir
a fiança dentro da vigência do contrato.
A alternativa D está correta. O STJ decidiu que, em
contrato de locação por prazo determinado, o fiador só
se exonera ao final do contrato, ainda que tenha enviado
notificação durante a vigência contratual ou tenha
havido alteração no quadro social da empresa locatária.
Essas circunstâncias não antecipam o efeito
exoneratório.
E alternativa está incorreta. O vínculo pessoal ou afetivo
com um dos sócios da empresa afiançada não justifica a
exoneração automática da fiança. O STJ considerou que
tal fundamento é subjetivo e frágil, sendo necessário que
a exoneração esteja expressamente prevista no
contrato, nos termos do art. 830 do CC/2002.
Questão 32
Pedro ajuizou ação de petição de herança contra os
herdeiros do falecido João, alegando ser seu filho
biológico. Como o reconhecimento da paternidade ainda
não havia sido declarado judicialmente, Pedro também
propôs ação de investigação de paternidade post
mortem. A sucessão de João havia sido aberta há sete
anos.
À luz da jurisprudência do STJ, assinale a alternativa
correta
a) O prazo prescricional da ação de petição de herança,
nos casos de pretensão cumulada com reconhecimento
de paternidade, só se inicia com o trânsito em julgado da
ação investigatória.
b) A imprescritibilidade da ação de investigação de
paternidade estende-se à petição de herança,
impedindo a contagem de qualquer prazo prescricional.
c) A legitimidade para suceder depende do
reconhecimento judicial da filiação, sendo
imprescindível sua obtenção prévia para o ajuizamento
da petição de herança.
d) A jurisprudência do STJ admite a aplicação da teoria
subjetiva da actio nata para postergar o prazo
prescricional da petição de herança até que a
paternidade seja reconhecida.
e) O prazo prescricional para propor ação de petição de
herança conta-se da abertura da sucessão, ainda que
cumulada com pedido de reconhecimento de
paternidade post mortem, não sendo suspenso ou
interrompido por essa ação.
Comentários:
Gabarito: E.
A alternativa A está incorreta. A jurisprudência do STJ
firmada no Tema 1200 determina que o prazo
prescricional da ação de petição de herança tem início na
data da abertura da sucessão, mesmo que cumulada
com o pedido de reconhecimento de paternidade post
mortem. Não se condiciona esse marco ao trânsito em
julgado da ação investigatória.
A alternativa B está incorreta. Embora a ação de
investigação de paternidade seja imprescritível (art. 27
do ECA), isso não se estende à petição de herança, que
tem natureza patrimonial e, portanto, sujeita-se ao
prazo prescricional previsto no art. 206, §3º, V, do
CC/2002 (prazo de 10 anos). A imprescritibilidade não
contamina pretensões distintas.
A alternativa C está incorreta. Segundo o art. 1.784 do
CC/2002, a herança transmite-se automaticamente aos
herdeiros legítimos e testamentários com a abertura da
sucessão. Assim, é possível propor a petição de herança
antes do reconhecimento judicial da filiação, inclusive de
forma cumulada com a ação investigatória.
A alternativa D está incorreta. A teoria subjetiva da actio
nata não se aplica à ação de petição de herança. O STJ,
no Tema 1200, adotou a vertente objetiva, vinculando o
início do prazo prescricional à abertura da sucessão,
afastando a possibilidade de postergação com base na
ciência subjetiva do direito.
A alternativa E está correta. De acordo com o
entendimento firmado pela Segunda Seção do STJ no
julgamento dos REsps 2.029.809/MG e 2.034.650/SP, o
prazo prescricional da ação de petição de herança tem
33
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
início com a abertura da sucessão, independentemente
do ajuizamento da ação de reconhecimento de
paternidade post mortem. Essa ação declaratória não
suspende nem interrompe o curso da prescrição da
pretensão sucessória.
Questão 33
Em uma ação de indenização por danos materiais e
morais, os pais de uma recém-nascida falecida dias após
o parto ajuízam demanda contra o hospital público em
razão de negligência médica. Foi constatado que não
foram realizados exames essenciais antes da cesariana,
o que contribuiu para o óbito da criança. Diante disso, a
família pleiteia, além da compensação por danos morais,
o recebimento de pensão mensal.
Considerando o entendimento do STJ e a jurisprudência
dominante, assinale a alternativa correta
a) O pensionamento somente é devido se comprovada a
dependência econômica da família em relação à vítima,
independentemente da renda familiar.
b) O termo inicial do pensionamento deve ser o
nascimento da criança, pois é quando se inicia o vínculo
familiar e o potencial de auxílio futuro.
c) Não é cabível a fixação de pensionamento no caso de
morte de recém-nascido, pois não há comprovação de
efetiva perda de capacidade laborativa.
d) A pensão será devida com termo inicial a partir da data
em que a vítima completaria 14 anos, e o termo final
corresponderá à expectativa média de vida do brasileiro.
e) A jurisprudência do STJ considera que a morte de filho
menor, ainda que decorrente de ato ilícito, não gera
direito à indenização por dano material na forma de
pensão.
Comentários:
Gabarito: D.
A alternativa A está incorreta. O art. 948, II, do CC/2002
assegura pensão à família da vítima fatal de ato ilícito,
ainda que menor. No caso de famílias de baixa renda,
presume-se a dependência econômica, não sendo
necessária a comprovação. Essa presunção não se aplica
a todas as situações, mas o STJ reconheceu a
possibilidade de pensionamento com base na presunção
de auxílio econômico futuro (REsp 2.121.056/PR).
A alternativa B está incorreta. O termo inicial do
pensionamento não é o nascimento da criança. De
acordo com o STJ, a data de início deve ser quando a
vítima completaria 14 anos, idade mínima legal para o
trabalho (REsp 2.121.056/PR), com base no art. 403 da
CLT e na expectativa de contribuição futura ao sustento
dos pais.
A alternativa C está incorreta.Segundo a Súmula 491 do
STF, "é indenizável o acidente que cause a morte de filho
menor, ainda que não exerça trabalho remunerado". O
STJ reafirmou esse entendimento ao reconhecer que é
possível presumir que a vítima contribuiria com os pais
no futuro, sendo cabível o pensionamento (REsp
2.121.056/PR).
A alternativa D está correta. Conforme decidido pelo STJ
no REsp 2.121.056/PR, em caso de falecimento de
recém-nascido por erro médico, o termo inicial do
pensionamento será a data em que a vítima completaria
14 anos, e o termo final será a data em que ela atingiria
a expectativa média de vida do brasileiro, conforme
dados do IBGE.
A alternativa E está incorreta. A jurisprudência
consolidada admite a indenização por dano material, na
forma de pensão, mesmo na hipótese de falecimento de
filho menor, ainda que este não exercesse atividade
remunerada. Trata-se de entendimento pacificado na
Súmula 491 do STF e reafirmado no REsp 2.121.056/PR.
Questão 34
Lucas celebrou contrato de compra e venda de um
imóvel rural que contava com casa sede, cercas, árvores
frutíferas, um trator, uma coleção de ferramentas, dois
quadriciclos e uma estufa de vidro desmontável,
instalada no fundo do terreno.
Após a aquisição, surgiram controvérsias entre as partes
sobre o que integraria o negócio jurídico. Lucas alegava
que todos os elementos listados estavam ligados ao uso
do imóvel e, por isso, deviam estar incluídos na venda. O
vendedor discordava, alegando que apenas a casa sede
e as árvores frutíferas integrariam o imóvel.
Com base na classificação dos, assinale a alternativa
correta
a) As ferramentas são consideradas benfeitorias
necessárias e, por isso, integram o imóvel
independentemente de menção expressa.
34
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
b) O trator é considerado parte integrante do imóvel e
não pode ser retirado pelo antigo proprietário após a
venda.
c) Os quadriciclos, por serem móveis, são considerados
produtos da propriedade e seguem a sorte do bem
principal.
d) A estufa desmontável constitui parte integrante do
imóvel e, portanto, está abarcada no contrato de compra
e venda.
e) A coleção de ferramentas, o trator, os quadriciclos e a
estufa desmontável são pertenças e, por regra, não se
presumem incluídas na venda do imóvel.
Comentários:
Gabarito: E.
A alternativa A está incorreta. As ferramentas não são
benfeitorias, tampouco necessárias. Benfeitorias são
acréscimos realizados sobre o bem principal (art. 96 do
CC/2002), enquanto ferramentas são bens destacados,
móveis, utilizados no imóvel, mas não incorporados a
ele. Classificam-se, na verdade, como pertenças, não
abrangidas automaticamente pelo contrato de compra e
venda, salvo previsão expressa ou circunstâncias
específicas (art. 94 do CC/2002).
A alternativa B está incorreta. O trator, embora
destinado ao uso da propriedade rural, é um bem móvel
e conserva sua individualidade. Não é considerado parte
integrante do imóvel, pois não está incorporado de
forma permanente e inseparável. Enquadra-se também
como pertença, com autonomia, nos termos do art. 93
do CC/2002.
A alternativa C está incorreta. Os quadriciclos são bens
móveis, mas não se qualificam como produtos, que são
retirados do bem principal com diminuição de sua
substância (ex: madeira de uma árvore). Tampouco são
frutos civis, pois não derivam de relação jurídica. São
bens móveis independentes e, assim como o trator,
classificam-se como pertenças.
A alternativa D está incorreta. A estufa desmontável, por
sua própria natureza, não se confunde com construção
permanentemente incorporada ao solo. Sendo
removível, é considerada pertença, e não parte
integrante do imóvel, nos termos do art. 93 do CC/2002.
Não se presume incluída no contrato.
A alternativa E está correta. Todos os bens móveis
mencionados, ferramentas, trator, quadriciclos e estufa
desmontável são pertenças, pois, embora destinados ao
uso da propriedade rural, não constituem partes
integrantes do imóvel e conservam sua autonomia.
Segundo o art. 94 do CC/2002, os negócios jurídicos que
dizem respeito ao bem principal não abrangem as
pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da
manifestação de vontade ou das circunstâncias do caso.
Questão 35
Durante uma tempestade, um raio atinge a árvore de um
terreno, fazendo com que esta caia sobre o telhado da
casa vizinha, causando grande prejuízo. O proprietário
do imóvel danificado busca reparação civil pelos danos.
Em outra situação, uma mulher aceita doação de um
imóvel feita por seu pai, sem qualquer ônus, e passa a
residir no local.
Diante dessas situações, analise as proposições abaixo, à
luz da classificação dos fatos jurídicos no Código Civil
a) A queda da árvore causada por fenômeno natural
configura fato jurídico em sentido estrito, enquanto a
aceitação da doação é um negócio jurídico unilateral.
b) Ambos os eventos são classificados como atos
jurídicos em sentido estrito, pois produzem efeitos legais
ainda que não envolvam manifestação de vontade.
c) A aceitação da doação é um fato jurídico em sentido
estrito, pois deriva de um acontecimento natural e gera
efeitos jurídicos imediatos.
d) A queda da árvore configura ato ilícito, pois causou
prejuízo e violou o dever de vigilância do proprietário
sobre a vegetação existente.
e) A doação é ato-fato jurídico, pois depende apenas de
um comportamento humano para gerar efeitos jurídicos,
independentemente de intenção.
Comentários:
Gabarito: A.
A alternativa A está correta. O raio que derruba uma
árvore é um fato jurídico em sentido estrito, pois decorre
de um fenômeno natural, alheio à vontade humana, mas
com repercussão no mundo jurídico. Já a aceitação de
doação é ato volitivo e formal que integra a estrutura de
um negócio jurídico unilateral, pois depende apenas da
manifestação de vontade do donatário para produzir
seus efeitos (art. 538 do CC/2002).
35
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
A alternativa B está incorreta. O ato jurídico em sentido
estrito pressupõe manifestação de vontade, ainda que
esta não vise diretamente à produção de efeitos
jurídicos. A queda da árvore não é um ato jurídico, mas
sim um fato jurídico em sentido estrito, pois resulta de
fenômeno da natureza. Já a aceitação da doação, por ser
voluntária, não pode ser enquadrada nessa categoria.
A alternativa C está incorreta. A aceitação da doação
depende da vontade do donatário e, por isso, não é um
fato jurídico em sentido estrito. Esta categoria se
restringe a eventos que independem da vontade
humana, como nascimento, morte ou fenômenos
naturais. A doação envolve consentimento e
manifestação de vontade, trata-se, portanto, de negócio
jurídico.
A alternativa D está incorreta. A queda da árvore por
força de um raio é evento natural e imprevisível, o que
afasta a caracterização como ato ilícito. Para que
houvesse responsabilidade civil, seria necessário
demonstrar culpa ou negligência do proprietário, o que
não ocorre em fenômenos da natureza inevitáveis e sem
relação com conduta humana (art. 927, parágrafo único,
do CC/2002).
A alternativa E está incorreta. A doação não é ato-fato
jurídico. Esta categoria exige uma conduta humana
voluntária, mas cujos efeitos decorrem diretamente da
lei, e não da vontade do agente, como o reconhecimento
de paternidade. A doação, por sua vez, é negócio jurídico
bilateral (oferta e aceitação), nos termos do art. 538 do
CC/2002.
Questão 36
Marcos, de 16 anos, celebra contrato de compra e venda
de um imóvel residencial no valor de R$ 450.000,00, sem
assistência de seus representantes legais. O vendedor,
por sua vez, tinha ciência da idade do comprador e da
ausência de autorização dos pais. O pagamento foi feito
com recursos da herança que Marcos recebeu do avô
falecido.
Alguns meses depois, os pais de Marcos decidem
impugnar o contrato judicialmente. Com base nas regras
do Código Civilsobre invalidade dos negócios jurídicos,
assinale a alternativa correta
a) O negócio é nulo, pois envolve absolutamente incapaz
sem representação, o que o torna insuscetível de
convalidação.
b) O negócio é anulável, podendo ser convalidado por
confirmação expressa após Marcos atingir a maioridade.
c) O negócio é válido, pois o pagamento foi realizado com
recursos próprios e não houve vício na manifestação de
vontade.
d) O negócio é inexistente, pois a ausência de capacidade
civil do comprador impede que haja formação
contratual.
e) O negócio é nulo, mas poderá ser validado
automaticamente após três anos de sua celebração,
desde que não haja oposição judicial.
Comentários:
Gabarito: B.
A alternativa A está incorreta. Marcos, aos 16 anos, é
relativamente incapaz, e não absolutamente incapaz
(art. 4º, I, do CC/2002). Negócio jurídico realizado por
relativamente incapaz sem assistência dos
representantes legais é anulável (art. 171, I, do CC/2002),
e não nulo. Portanto, admite convalidação por
confirmação após atingir a maioridade (art. 172).
A alternativa B está correta. O contrato foi celebrado por
relativamente incapaz sem assistência, o que torna o
negócio anulável, nos termos do art. 171, I, do CC/2002.
Após alcançar a maioridade, Marcos poderá confirmar
expressamente o negócio, convalidando-o (art. 172 do
CC/2002).
A alternativa C está incorreta. A validade do negócio
jurídico não se restringe à origem dos recursos, mas
exige a capacidade civil e a observância das formalidades
legais. A falta de assistência dos representantes legais
torna o contrato anulável, mesmo que o valor tenha
origem lícita.
A alternativa D está incorreta. O negócio jurídico
celebrado por relativamente incapaz sem assistência não
é inexistente. O Código Civil não prevê a categoria da
inexistência; o ato é considerado anulável, e não
inexistente. A doutrina reconhece a inexistência em
hipóteses excepcionais (como ausência total de
manifestação de vontade), o que não ocorre no caso.
A alternativa E está incorreta. A nulidade não se
convalida com o tempo, sendo imprescritível e podendo
ser alegada a qualquer tempo (art. 169 do CC/2002).
Além disso, o caso envolve anulabilidade, cujo prazo de
decadência é de 4 anos (art. 179), e não 3 anos, como
sugere a alternativa.
36
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 37
Henrique, credor de dívida líquida e certa, ajuizou ação
de cobrança contra seu devedor, que é seu irmão e se
encontrava em viagem internacional durante a
tramitação do processo. Ao longo da ação, o juiz
determinou a citação válida do devedor. Após anos de
litígio, Henrique perdeu a ação por vício processual. Dois
anos depois, propôs nova demanda com base no mesmo
crédito.
Considerando as causas legais de suspensão e
interrupção da prescrição no Código Civil, assinale a
alternativa correta
a) O prazo prescricional permaneceu suspenso durante
todo o período em que o réu esteve no exterior, sendo
irrelevante a sua citação.
b) A propositura da primeira ação suspendeu a
prescrição, e o vício processual não afeta esse efeito
jurídico.
c) A prescrição foi interrompida pelo ajuizamento da
ação, e o novo prazo passou a contar do trânsito em
julgado da primeira sentença.
d) A prescrição foi interrompida pela citação válida na
primeira ação, mas o prazo voltou a correr após o
trânsito em julgado da decisão que extinguiu o processo.
e) Não houve interrupção da prescrição, pois o vínculo
de parentesco entre as partes impede o curso do prazo
enquanto durar a relação familiar.
Comentários:
Gabarito: D.
A alternativa A está incorreta. A mera ausência do réu no
exterior não suspende automaticamente a prescrição. O
art. 198, II, do CC/2002 prevê suspensão para os
ausentes do país a serviço público da União, dos Estados
ou dos Municípios, ou nos termos de tratados. No caso
descrito, a citação válida faz cessar qualquer discussão
sobre suspensão por ausência.
A alternativa B está incorreta. A propositura da ação, por
si só, não suspende a prescrição. Nos termos do art. 202,
I, do CC/2002, a prescrição é interrompida pela citação
válida, não pelo mero ajuizamento. Além disso, se a ação
for extinta por vício processual (sem resolução de
mérito), o efeito interruptivo não se perpetua
indefinidamente.
A alternativa C está incorreta. A prescrição, nos termos
do art. 202, I, do CC/2002, é interrompida pela citação
válida, e o novo prazo começa a correr do zero, mas
somente se a ação for julgada procedente ou válida. Se a
ação é extinta por vício formal, o prazo volta a correr
como se não houvesse interrupção efetiva.
A alternativa D está correta. A prescrição foi
interrompida com a citação válida (art. 202, I, do
CC/2002). Porém, como a ação foi extinta sem
julgamento do mérito por vício processual, o prazo
recomeça a correr após o trânsito em julgado da
sentença extintiva, nos termos da jurisprudência
consolidada do STJ.
A alternativa E está incorreta. O parentesco entre as
partes não impede, por si só, o curso da prescrição. O art.
197 do CC/2002 prevê suspensão da prescrição entre
cônjuges na constância da sociedade conjugal, entre
ascendentes e descendentes, e entre tutor e pupilo
durante a tutela, mas não entre irmãos.
Questão 38
Davi compromete-se contratualmente a entregar a
Maria uma determinada carga de soja até o dia 30 de
junho. No contrato, ficou estipulado que, caso o produto
não estivesse disponível por motivos climáticos até a
data prevista, Davi poderia entregar a mesma
quantidade de milho como alternativa. O contrato
também prevê multa compensatória no valor de R$
10.000,00 em caso de descumprimento total da
obrigação.
Considerando os princípios e espécies de obrigações
quanto ao objeto, assinale a alternativa correta
a) A obrigação assumida por Davi é simples, pois há um
único objeto a ser entregue, e o milho é apenas acessório
contratual.
b) Trata-se de obrigação divisível, pois tanto a soja
quanto o milho podem ser entregues em partes, ainda
que fora do prazo.
c) A cláusula de substituição do objeto descaracteriza a
obrigação como obrigação alternativa, tornando-a
condicional.
d) A multa prevista é nula, pois representa penalidade
antecipada por inadimplemento involuntário decorrente
de evento climático.
37
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
e) A obrigação é alternativa, pois possui dois objetos
possíveis, sendo a escolha inicialmente conferida ao
devedor, conforme cláusula contratual.
Comentários:
Gabarito: E.
A alternativa A está incorreta. A obrigação não é simples,
pois há dois objetos distintos possíveis de cumprimento
(soja ou milho). A característica de uma obrigação
simples é a existência de um único objeto e prestação.
No caso, o milho é uma prestação alternativa, e não um
acessório contratual.
A alternativa B está incorreta. A divisibilidade da
obrigação refere-se à possibilidade de fracionamento da
prestação sem alterar sua essência (art. 257 do
CC/2002). No caso, trata-se de obrigação alternativa,
pois há dois objetos diferentes, e não de obrigação
fracionável. Além disso, o prazo contratual é essencial.
A alternativa C está incorreta. A cláusula que prevê
substituição da soja por milho em caso de
indisponibilidade não configura condição, mas sim
estrutura uma obrigação alternativa, na qual existe mais
de uma prestação possível, cabendo ao devedor escolher
a que será cumprida, conforme previsão contratual (art.
252 do CC/2002).
A alternativa D está incorreta. A cláusula penal é válida
mesmo diante de inadimplemento por motivo alheio à
vontade do devedor, salvo se este comprovar caso
fortuito ou força maior (art. 393 do CC/2002). Além
disso, a multa é compensatória, pactuada previamente
para prever as consequências do inadimplemento, o que
é permitido.
A alternativa E está correta. A obrigação com dois
objetos possíveis, soja ou milho, caracteriza-se como
obrigaçãoalternativa, nos termos do art. 252 do
CC/2002. O contrato atribui a escolha inicialmente ao
devedor, e há regra para substituição caso a prestação
principal se torne impossível. Está plenamente
configurada a natureza da obrigação alternativa.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Professor Rodrigo Vaslin
Questão 39
Dispondo de elementos de prova suficientes, colhidos
em procedimento administrativo instaurado para tal fim,
o órgão do Ministério Público dotado de atribuição
ajuizou ação em face de X, suposto genitor da criança Y,
pleiteando a declaração judicial da paternidade.
Após a distribuição da peça exordial, Y, representado por
sua genitora, protocolizou petição em que requeria o seu
ingresso no feito, o que foi indeferido pelo juiz da causa.
Ressaltou o magistrado que os interesses da criança já
vinham sendo adequadamente tutelados pelo Ministério
Público naquela ação de investigação de paternidade e
que o ingresso pretendido acabaria por comprometer a
celeridade da marcha processual.
Nesse contexto, é correto afirmar que:
a) o Ministério Público atua no processo como
legitimado ativo ordinário;
b) acertou o juiz ao indeferir o ingresso da criança, haja
vista a garantia fundamental da razoável duração do
processo;
c) errou o juiz ao indeferir o ingresso da criança, já que
este poderia atuar no feito na qualidade de assistente
simples;
d) a decisão de indeferimento do ingresso da criança é
impugnável pelo recurso de agravo de instrumento;
e) a decisão de indeferimento do ingresso da criança é
insuscetível de impugnação por qualquer via recursal
típica.
Comentários:
Gabarito: D
letra a: errada, pois atua como legitimado
extraordinário.
Letra b: errada, pois a presença do MP não anula nem
exclui o direito da parte de participar do processo.
Letra c: errada. O assistente simples é um terceiro com
interesse jurídico de que a sentença seja favorável a uma
das partes, pois sua relação jurídica pode ser afetada
indiretamente. A criança Y, no entanto, não tem um
interesse indireto; ela é a titular do próprio direito
discutido. Sua posição seria de litisconsorte ativa (uma
das autoras da ação), e não de mera assistente
38
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Letra d: certa. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento
contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
(...) IX - admissão ou inadmissão de intervenção de
terceiros;
Letra e: errada. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento
contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
(...) IX - admissão ou inadmissão de intervenção de
terceiros;
Questão 40
Ana celebrou contrato de locação com Bruna e Carla,
tendo constatado, três meses depois do início do vínculo
contratual, que Bruna, sem a ciência da colocatária,
havia cometido infração a uma das cláusulas da avença.
Na sequência, Ana intentou ação de despejo para obter
a rescisão do contrato e a desocupação do imóvel, tendo
incluído apenas Bruna no polo passivo da demanda.
Apreciando a petição inicial, caberá ao Juiz
a) proceder ao juízo positivo de admissibilidade da ação,
já que a hipótese não é de litisconsórcio passivo.
b) proceder ao juízo positivo de admissibilidade da ação,
já que a hipótese seria de litisconsórcio passivo
facultativo.
c) proceder ao juízo positivo de admissibilidade da ação,
já que, mesmo sendo a hipótese de litisconsórcio passivo
necessária, a sua inobservância deverá ser arguida na
contestação da ré.
d) incluir ex officio no polo passivo a litisconsorte
necessária faltante e, então, proceder ao juízo positivo
de admissibilidade da ação.
e) assinar prazo à autora para emendar a petição inicial,
incluindo no polo passivo a litisconsorte necessária
faltante e requerendo a sua citação, sob pena de
extinção do feito.
Comentários:
Gabarito: E
letra e: correta. Art. 115. A sentença de mérito, quando
proferida sem a integração do contraditório, será: I -
nula, se a decisão deveria ser uniforme em relação a
todos que deveriam ter integrado o processo; II -
ineficaz, nos outros casos, apenas para os que não foram
citados. Parágrafo único. Nos casos de litisconsórcio
passivo necessário, o juiz determinará ao autor que
requeira a citação de todos que devam ser litisconsortes,
dentro do prazo que assinar, sob pena de extinção do
processo.
Questão 41
A modalidade de intervenção de terceiros por meio da
qual se viabiliza ao autor ou ao réu o exercício do direito
que lhes assiste, em face do alienante imediato, por
conta da evicção, é:
a) chamamento ao processo;
b) assistência simples;
c) assistência litisconsorcial;
d) denunciação da lide;
e) oposição.
Comentários:
Gabarito: D
letra d: correta. Art. 125. É admissível a denunciação da
lide, promovida por qualquer das partes: I - ao alienante
imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi
transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer
os direitos que da evicção lhe resultam; II - àquele que
estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar,
em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no
processo.
Questão 42
Hugo pediu antecipação de tutela contra o plano de
saúde Você Saudável LTDA, o que fora concedido pelo
juiz. O plano, intimado, recorreu da decisão, que foi
revertida em agravo de instrumento. Após a instrução, o
juiz julgou improcedentes os pedidos, e a sentença foi
confirmada em todas as instâncias.
Nesse caso, a pretensão de indenização pelas despesas
incorridas por força do cumprimento da tutela de
urgência prescreve em:
a) três anos a contar do trânsito em julgado da ação de
conhecimento;
b) três anos a contar do trânsito em julgado do acórdão
em agravo de instrumento que revogou a tutela;
c) dez anos a contar do trânsito em julgado da ação de
conhecimento;
d) dez anos a contar da decisão do acórdão que revogou
a tutela de urgência;
39
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
e) dez anos a contar do trânsito em julgado do acórdão
em agravo de instrumento que revogou a tutela.
Comentários:
Gabarito: A
letra a: correta. O termo inicial da prescrição da
pretensão de reparação de danos causados por liminar
concedida e posteriormente revogada é a data do
trânsito em julgado da correspondente ação de
conhecimento. STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1.725.366-
SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
23/9/2024 (Info 23 - Edição Extraordinária)
Ainda, a ação é de reparação de danos - cujo lapso
prescricional é de 3 anos (art. 206, § 3º, V, do CC).
Lembrando que a situação é diferente quando se tratar
de revogação de liminar de benefícios previdenciários: É
de 10 anos o prazo prescricional aplicável à pretensão de
restituição de valores de benefícios previdenciários
complementares recebidos por força de decisão liminar
posteriormente revogada, tendo em vista não se tratar
de hipótese de enriquecimento sem causa, de prescrição
intercorrente ou de responsabilidade civil. STJ. 2ª
Seção.REsp 1.939.455-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 26/4/2023 (Info 772).
Questão 43
No que se refere aos prazos processuais, é correto
afirmar que
a) a parte não poderá renunciar ao prazo estabelecido
exclusivamente em seu favor, ainda que o faça
expressamente.
b) nos processos em autos eletrônicos, os litisconsortes
que tiverem diferentes patronos, integrantes de
escritórios de advocacia distintos, terão os prazos
contados em dobro.
c) o Ministério Público terá o prazo contado em dobro
para as suas manifestações, salvo se atuar no feito como
fiscal da ordem jurídica, caso em que o seu prazo será
simples.
d) salvo disposição em contrário, os prazos se contam
excluindo o dia do começo e incluindo o dia do
vencimento, devendo ser computados apenas os dias
úteis, quando fixados em dias.
e) o juiz deverá proferir sentença, terminativa ou
definitiva, no prazo de quarenta e cinco dias, sob pena
de invalidade do ato decisório.
Comentários:da mora
legislativa, especialmente diante do extenso lapso
temporal decorrido desde a promulgação da
Constituição. O tipo penal da apropriação indébita (art.
168 do CP) não contempla adequadamente a conduta de
retenção dolosa do salário do trabalhador, exigindo, por
determinação constitucional, tipificação específica. Em
suma: o Congresso Nacional está em mora na edição da
lei regulamentadora referente à tipificação penal da
retenção dolosa do salário dos trabalhadores urbanos e
rurais (art. 7º, X, CF/88). O STF fixou o prazo de 180 para
que seja sanada a omissão. STF. Plenário. ADO 82/DF,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/05/2025 (Info 1179)
(E) INCORRETA - O STF possui competência para fixar
prazo ao Poder Legislativo para sanar omissões
5
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
inconstitucionais, conforme previsto no art. 103, § 2º, da
CF/88. Esta medida não viola o princípio da separação
dos poderes, mas sim representa exercício legítimo da
função jurisdicional de guardião da Constituição. Na ADO
82/DF, o Tribunal fixou prazo de 180 dias para que o
Congresso Nacional edite a lei regulamentadora,
demonstrando que tal providência é não apenas
possível, mas necessária para dar efetividade aos
comandos constitucionais.
Questão 3
Maria Silva, policial civil há 28 anos, completou 55 anos
de idade em março de 2025 e pretende se aposentar
com base nas regras estabelecidas pela Emenda
Constitucional nº 103/2019. Ao consultar o
departamento de recursos humanos de sua corporação,
foi informada de que deveria cumprir os mesmos
requisitos temporais exigidos dos policiais homens, ou
seja, 30 anos de contribuição e 55 anos de idade, não
havendo diferenciação por gênero. Inconformada com
essa informação e alegando violação ao princípio da
igualdade material, Maria procurou assessoria jurídica
para questionar a constitucionalidade da norma. Seu
advogado informou sobre a existência de ação judicial
em tramitação no Supremo Tribunal Federal
questionando exatamente essa matéria.
Considerando o julgamento o entendimento do STF e os
princípios constitucionais da igualdade formal e material,
assinale a alternativa CORRETA:
a) A Emenda Constitucional nº 103/2019 está em plena
conformidade com o princípio da igualdade, uma vez que
estabelece tratamento idêntico entre homens e
mulheres para aposentadoria especial de policiais,
concretizando a igualdade formal prevista no art. 5º, I,
da CF/88.
b) O STF reconheceu a constitucionalidade da exigência
de requisitos iguais para aposentadoria de policiais
homens e mulheres, por entender que a diferenciação
de gênero violaria o princípio da igualdade formal e
criaria privilégios inconstitucionais.
c) A igualdade material exige tratamento diferenciado
quando as situações são desiguais, razão pela qual o STF
deferiu medida cautelar, em meio a ADI 7.727,
determinando a aplicação da regra geral de redução de
3 anos para as mulheres policiais civis e federais até
edição de norma adequada pelo Congresso Nacional.
d) Embora tenha reconhecido a inconstitucionalidade da
norma, o STF não pode determinar critérios específicos
nem prazo para correção da omissão, devendo aguardar
a iniciativa espontânea do Poder Legislativo para
regulamentar a matéria.
e) A diferenciação de gênero para aposentadoria de
servidores públicos foi completamente abolida pela EC
nº 103/2019, não sendo mais possível qualquer distinção
entre homens e mulheres no âmbito previdenciário,
independentemente da atividade exercida.
Comentários:
Gabarito: C
(A) INCORRETA - A EC nº 103/2019 NÃO está em
conformidade com o princípio da igualdade
constitucional. O STF, na ADI 7.727 MC-Ref/DF, declarou
inconstitucional a exigência de requisitos iguais para
aposentadoria de policiais homens e mulheres. A Corte
esclareceu que a igualdade formal (tratamento idêntico)
nem sempre realiza a igualdade material (tratamento
adequado às diferenças). Conforme o julgado, "os
dispositivos impugnados se afastam do vetor
constitucional da igualdade material entre mulheres e
homens, não havendo justificativa suficiente para que os
requisitos exigidos das servidoras policiais deixem de
contemplar a necessária diferenciação de gênero".
(B) INCORRETA - O STF NÃO reconheceu a
constitucionalidade da norma. Pelo contrário, a Corte
deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia das
expressões "para ambos os sexos" contidas nos arts. 5º,
caput, e 10, § 2º, I, da EC nº 103/2019. O Tribunal
expressamente consignou que a norma não respeitou a
igualdade material entre mulheres e homens, sendo
necessária a diferenciação de gênero para concretizar a
verdadeira igualdade constitucional.
(C) CORRETA - Esta alternativa reproduz fielmente o
entendimento do STF. A igualdade material exige que
situações desiguais recebam tratamento diferenciado na
medida de suas desigualdades. O Tribunal reconheceu
que homens e mulheres estão em situações distintas que
justificam tratamento diferenciado quanto aos
requisitos para aposentadoria especial de policiais. Por
isso, deferiu medida cautelar determinando que, até a
edição de norma adequada pelo Congresso Nacional,
aplique-se a regra geral de redução de 3 (três) anos para
as mulheres policiais civis e federais.
6
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
(D) INCORRETA - O STF pode e deve adotar medidas para
dar efetividade imediata aos direitos constitucionais
quando reconhece inconstitucionalidade. Na decisão, a
Corte determinou critérios específicos (aplicação da
regra de redução de 3 anos para mulheres) como medida
cautelar para corrigir provisoriamente a
inconstitucionalidade. Embora tenha reconhecido que a
correção definitiva deve ser feita pelo Legislativo, o STF
estabeleceu uma solução transitória para evitar a
perpetuação da violação constitucional.
(E) INCORRETA - A diferenciação de gênero NÃO foi
completamente abolida pela EC nº 103/2019. A própria
decisão do STF demonstra que a Constituição não só
permite, mas exige diferenciação quando necessária
para realizar a igualdade material. O julgado confirma
que "não havendo justificativa suficiente para que os
requisitos exigidos das servidoras policiais deixem de
contemplar a necessária diferenciação de gênero",
evidenciando que a distinção entre homens e mulheres
permanece constitucionalmente necessária em
determinadas situações.
Questão 4
João e Maria, pais de Pedro, uma criança de 2 anos de
idade, procuraram o Ministério Público após terem seu
pedido de matrícula em creche pública municipal negado
pela Secretaria de Educação do Município de Vila Nova.
O gestor público alegou que não havia vagas disponíveis
e que a criança deveria aguardar em lista de espera,
sugerindo que os pais procurassem uma creche
particular. Os pais, de baixa renda e sem condições de
arcar com os custos de uma instituição privada,
questionaram se poderiam exigir judicialmente uma
vaga em creche pública para seu filho.
Considerando o entendimento do Supremo Tribunal
Federal e a sistemática constitucional do direito à
educação, assinale a alternativa CORRETA:
a) O direito à educação infantil constitui norma
programática dependente de regulamentação
infraconstitucional, não sendo possível sua exigibilidade
individual perante o Poder Judiciário, que deve respeitar
a discricionariedade administrativa na implementação
de políticas públicas educacionais.
b) Embora a educação seja direito fundamental, sua
oferta em creches públicas constitui mera liberalidade
do Poder Público, não havendo direito subjetivo
individual à matrícula, especialmente quando não há
vagas disponíveis na rede municipal.
c) A educação básica, incluindo a educação infantil em
creches, constitui direito fundamental assegurado por
normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade
imediata, sendo possível sua exigibilidade individual
perante o Poder Judiciário, independentemente da
existência de vagas.Gabarito: D
letra a: errada. Art. 225. A parte poderá renunciar ao
prazo estabelecido exclusivamente em seu favor, desde
que o faça de maneira expressa.
Letra b: errada. Art. 229. Os litisconsortes que tiverem
diferentes procuradores, de escritórios de advocacia
distintos, terão prazos contados em DOBRO para todas
as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal,
independentemente de requerimento. § 2º NÃO se
aplica o disposto no caput aos processos em autos
eletrônicos.
Letra c: errada. Art. 180. O Ministério Público gozará de
prazo em dobro para manifestar-se nos autos, que terá
início a partir de sua intimação pessoal, nos termos do
art. 183, § 1º .
Letra d: certa. Art. 224. Salvo disposição em contrário, os
prazos serão contados excluindo o dia do começo e
incluindo o dia do vencimento.
Letra e: errada. Art. 226. O juiz proferirá: III - as sentenças
no prazo de 30 (trinta) dias.
Questão 44
Efetivada, no curso do processo, a alienação da coisa
litigiosa, a título particular e por ato entre vivos, o
adquirente requereu ao juiz da causa o seu ingresso no
feito no lugar do alienante, pleito a que, todavia, opôs-
se a parte contrária.
Nesse contexto, caberá ao juiz:
a) deferir o pleito do adquirente, na qualidade de
substituto processual do alienante;
b) deferir o pleito do adquirente, na qualidade de
sucessor processual do alienante;
c) indeferir o pleito do adquirente, assim como qualquer
requerimento subsidiário de ingresso como terceiro;
d) indeferir o pleito do adquirente, a quem fica
ressalvado requerer o ingresso no feito como amicus
curiae;
40
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
e) indeferir o pleito do adquirente, a quem fica
ressalvado requerer o ingresso no feito como assistente
do alienante.
Comentários:
Gabarito: E
letra e: certa. CPC - Art. 109. A alienação da coisa ou do
direito litigioso por ato entre vivos, a título particular,
não altera a legitimidade das partes. § 1º O adquirente
ou cessionário não poderá ingressar em juízo, sucedendo
o alienante ou cedente, sem que o consinta a parte
contrária. § 2º O adquirente ou cessionário poderá
intervir no processo como assistente litisconsorcial do
alienante ou cedente. § 3º Estendem-se os efeitos da
sentença proferida entre as partes originárias ao
adquirente ou cessionário.
Questão 45
De acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal na
apreciação do tema 1.002 da repercussão geral,
assentou-se ser devido o pagamento de honorários
sucumbenciais à Defensoria Pública, quando a
instituição representar parte vencedora em demanda
ajuizada contra
a) entes públicos, exceto aquele que integra, devendo o
valor recebido ser destinado exclusivamente ao rateio
entre os membros da instituição.
b) autarquias, fundações públicas e sociedades de
economia mista, sendo vedada a fixação de honorários
advocatícios nas demandas ajuizadas contra a
Administração Pública direta.
c) qualquer ente público, inclusive aquele que integra,
devendo o valor recebido ser destinado exclusivamente
ao aparelhamento da Defensoria Pública.
d) entes públicos, exceto aquele que integra, devendo o
valor recebido ser destinado exclusivamente ao
aparelhamento da Defensoria Pública.
e) qualquer ente público, inclusive aquele que integra,
sendo possível que o valor recebido seja rateado entre
seus membros.
Comentários:
Gabarito: C
letra c: certa. 1. É devido o pagamento de honorários
sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa
parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer
ente público, inclusive aquele que integra; 2. O valor
recebido a título de honorários sucumbenciais deve ser
destinado, exclusivamente, ao aparelhamento das
Defensorias Públicas, vedado o seu rateio entre os
membros da instituição. STF. Plenário. RE 1.140.005/RJ,
Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 26/06/2023
(Repercussão Geral – Tema 1.002) (Info 1100).
Questão 46
Sobre a preclusão, é correto afirmar que
a) a ocorrência do fenômeno da preclusão, com a
produção dos seus efeitos, depende de declaração
judicial.
b) As matérias de ordem pública, por serem passíveis de
conhecimento pelo juiz de ofício, não se sujeitam a
preclusão pro judicato, que é espécie de preclusão
consumativa.
c) Não incide a preclusão consumativa sobre o montante
acumulado da multa cominatória, de forma que, mesmo
já tendo havido modificação, é possível nova alteração.
d) O silêncio da parte no prazo concedido para se
manifestar implica a preclusão do direito de impugnar o
pedido de sucessão processual.
e) A interposição de um recurso inexistente gera
preclusão consumativa.
Comentários:
Gabarito: D
letra a: errada. A preclusão, em regra, opera-se
automaticamente com o decurso do prazo ou a prática
de ato incompatível com o anterior, independentemente
de declaração judicial.
Letra b: errada. As matérias de ordem pública, embora
passíveis de conhecimento pelo juiz de ofício, são
insuscetíveis de nova deliberação judicial, ante a
preclusão pro judicato, que é espécie de preclusão
consumativa STJ. 2ª Seção. EREsp 1.488.048-MT, Rel.
Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/11/2024
(Info 23 - Edição Extraordinária).
Letra c: errada. Incide a preclusão consumativa sobre o
montante acumulado da multa cominatória, de forma
que, já tendo havido modificação, não é possível nova
alteração, preservando-se as situações já consolidadas
STJ. Corte Especial. EAREsp 1.766.665-RS, Rel. Min.
41
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Francisco Falcão, Rel. para acórdão Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 3/4/2024 (Info 806).
Letra d: correta. STJ. 3ª Turma. REsp 2.169.410-PR, Rel.
Min. Nancy Andrighi, Rel. para acórdão Min. Moura
Ribeiro, julgado em 18/2/2025 (Info 842).
Letra e: errada. A interposição de um recurso inexistente
não gera preclusão consumativa, sendo cabível a
subsequente interposição do recurso previsto na
legislação STJ. 4ª Turma. REsp 2.141.420-MT, Rel. Min.
Antonio Carlos Ferreira, julgado em 6/8/2024 (Info 820).
Questão 47
A empresa Alfa Ltda celebrou contrato com a empresa
Beta Ltda. A empresa Beta emitiu notificação afirmando
que a Alfa estaria lhe devendo R$ 100 mil e que, se não
fosse pago, faria o protesto dessa dívida. A empresa Alfa,
no entanto, não reconheceu a dívida e ingressou em
juízo com pedido de tutela cautelar em caráter
antecedente, objetivando evitar que o protesto fosse
lavrado (sustação do protesto). Nesse caso, é correto
afirmar:
a) Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de
ser formulado pelo autor no prazo de 30 (trinta) dias
úteis, caso em que será apresentado nos mesmos autos
em que deduzido o pedido de tutela cautelar, não
dependendo do adiantamento de novas custas
processuais.
b) Agiu erroneamente a empresa Alfa, dado que a tutela
cautelar não pode ser concedida em caráter
antecedente.
c) O réu será citado para, no prazo de 15 dias, contestar
o pedido e indicar as provas que pretende produzir.
d) Não sendo contestado o pedido, os fatos alegados
pelo autor presumir-se-ão aceitos pelo réu como
ocorridos, caso em que o juiz decidirá dentro de 15 dias.
e) O indeferimento da tutela cautelar obsta a que a parte
formule o pedido principal.
Comentários:
Gabarito: A
letra a: certo. O prazo de 30 dias para a formulação do
pedido principal previsto no art. 308 do Código de
Processo Civil possui natureza jurídica processual e,
consequentemente, sua contagem deve ser realizada em
dias úteis, nos termos do art. 219 do CPC. STJ. Corte
Especial. EREsp 2.066.868-SP, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 3/4/2024 (Info 807).
Letra b: errado. A tutela de urgência cautelar ou
antecipada pode concedida de forma antecedente ou
incidental.
Letra c: errado. Art. 306. O réu será citado para, no prazo
de 5 (cinco) dias, contestar o pedido e indicar as provas
que pretende produzir.
Letra d: errado. Art. 307.Não sendo contestado o
pedido, os fatos alegados pelo autor presumir-se-ão
aceitos pelo réu como ocorridos, caso em que o juiz
decidirá dentro de 5 (cinco) dias.
Letra e: errado. Art. 310. O indeferimento da tutela
cautelar não obsta a que a parte formule o pedido
principal, nem influi no julgamento desse, salvo se o
motivo do indeferimento for o reconhecimento de
decadência ou de prescrição.
Questão 48
Julgue os itens:
I. O juiz, ao reconhecer a ilegitimidade ad causam de um
dos litisconsortes passivos e excluí-lo da lide, pode fixar
os honorários advocatícios entre 3 e 5% do valor
atualizado da causa, nos termos do art. 338, parágrafo
único, do CPC.
II. A expedição de ofícios a cadastros públicos e
concessionárias de serviços públicos para localizar o réu
antes da citação por edital não é obrigatória, mas uma
possibilidade a ser avaliada pelo magistrado.
III. Segundo o STF, é inconstitucional a hipótese de
impedimento do juiz prevista no art. 144, VIII,
relacionada aos casos em que figura como parte cliente
do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro
ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou
colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que
patrocinado por advogado de outro escritório;.
Estão corretos os itens:
a) I e II.
b) I, II e III.
c) I.
d) II e III.
e) III.
Comentários:
42
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Gabarito: B
Item I: certo. O juiz, ao reconhecer a ilegitimidade ad
causam de um dos litisconsortes passivos e excluí-lo da
lide, pode fixar os honorários advocatícios entre 3 e 5%
do valor atualizado da causa, nos termos do art. 338,
parágrafo único, do CPC. STJ. 3ª Turma. AgInt nos EDcl no
REsp 1.902.149-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 3/4/2023.
Item II: certo. STJ. 4ª Turma. REsp 2.152.938-DF, Rel.
Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 22/10/2024
(Info 832).
Item III: certo. certo. Segundo o STF, essa previsão é
inconstitucional por violar os princípios do juiz natural,
da razoabilidade e da proporcionalidade.
Questão 49
O incidente de desconsideração da personalidade
jurídica será instaurado a pedido da parte ou do
Ministério Público, podendo afirmar-se que
a) Aplica-se a técnica de julgamento ampliado (art. 942
do CPC) ao agravo de instrumento que, por maioria,
reforma decisão proferida em incidente de
desconsideração (direta ou inversa) da personalidade
jurídica, seja para admitir o pedido ou para rejeitá-lo.
b) O trânsito em julgado da decisão que aprecia pedido
de desconsideração da personalidade jurídica não torna
a questão preclusa para as partes da relação processual,
viabilizando a dedução de novo requerimento com base
na mesma causa de pedir.
c) instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica
será citado para manifestar-se e requerer as provas
cabíveis no prazo de 5 (cinco) dias.
d) após a instrução, o incidente será resolvido por
sentença, contra a qual caberá o recurso de apelação.
e) acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou
a oneração de bens será considerada nula para todos os
efeitos.
Comentários:
Gabarito: A
Letra a: certa. Aplica-se a técnica de julgamento
ampliado (art. 942 do CPC) ao agravo de instrumento
que, por maioria, reforma decisão proferida em
incidente de desconsideração (direta ou inversa) da
personalidade jurídica, seja para admitir o pedido ou
para rejeitá-lo. STJ. 3ª Turma. REsp 2.120.429-SP, Rel.
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 2/4/2024
(Info 806).
Letra b: errada. O trânsito em julgado da decisão que
aprecia pedido de desconsideração da personalidade
jurídica torna a questão preclusa para as partes da
relação processual, inviabilizando a dedução de novo
requerimento com base na mesma causa de pedir. STJ.
3ª Turma. REsp 2.123.732-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 19/3/2024 (Info 805).
Letra c: errada. Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio
ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se e
requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias.
Letra d: errada. O incidente é resolvido por meio de
decisão interlocutória e não sentença. Em 1ª instância,
será cabível o recurso de agravo de instrumento (art.
1.015, IV). Doutro lado, se a decisão for proferida por
relator: Agravo interno. (art. 136, p. unico).
Letra e: errada. Art. 137. Acolhido o pedido de
desconsideração, a alienação ou a oneração de bens,
havida em fraude de execução, será ineficaz em relação
ao requerente.
Questão 50
Assinale a alternativa incorreta:
a) O termo inicial de contagem dos prazos processuais,
em caso de duplicidade de intimações eletrônicas, dá-se
com a realizada pelo portal eletrônico, que prevalece
sobre a publicação no Diário da Justiça (DJe).
b) A suspensão do processo em razão da paternidade do
único patrono da causa se opera tão logo ocorra o
nascimento ou adoção, não sendo necessária a
comunicação imediata ao juízo.
c) É facultado aos entes públicos celebrar contratos ad
exitum para ações judiciais, pois tais cláusulas não
violam normas de licitações, tampouco expõem o Erário
a riscos e comprometem a universalidade orçamentária.
d) Nas demandas em que se pleiteia do Poder Público a
satisfação do direito à saúde, os honorários advocatícios
são fixados por apreciação equitativa, sem aplicação do
art. 85, § 8º-A, do Código de Processo Civil.
e) As ações de indenização por danos morais, por
tratarem de violações a direitos de personalidade que
não têm conteúdo patrimonial, são consideradas causas
43
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
de valor inestimável; logo, em caso de improcedência, é
possível a fixação dos honorários por equidade.
Comentários:
Gabarito: C
Letra a: correta. O termo inicial de contagem dos prazos
processuais, em caso de duplicidade de intimações
eletrônicas, dá-se com a realizada pelo portal eletrônico,
que prevalece sobre a publicação no Diário da Justiça
(DJe). STJ. Corte Especial. EAREsp 1663952-RJ, Rel. Min.
Raul Araújo, julgado em 19/05/2021 (Info 697).
Letra b: correta. STJ. 3ª Turma. REsp 1799166-GO, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/04/2019 (Info 645).
Letra c: errada. É vedado aos entes públicos celebrar
contratos ad exitum para ações judiciais, pois tais
cláusulas violam normas de licitações, expõem o Erário a
riscos e comprometem a universalidade orçamentária.
STF. Plenário. ADPF 1.178 MC-Ref/DF, Rel. Min. Flávio
Dino, julgado em 06/11/2024 (Info 1157).
Letra d: correta. STJ. 1ª Seção. REsp 2.169.102-AL e REsp
2.166.690-RN, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
julgados em 11/6/2025 (Recurso Repetitivo - Tema 1313)
(Info 854).
Letra e: correta. STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1.854.487-
DF, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
22/10/2024 (Info 831).
DIREITO EMPRESARIAL
Professor Daniel Rizza
Questão 51
A sociedade Indústrias Perfeição S.A. teve a falência
decretada. Após realizadas as intimações e publicado o
edital previsto no § 1º do art. 99 da Lei nº 11.101/2005,
o juiz instaurou, de ofício, para cada Fazenda Pública
credora, incidente de classificação de crédito público e
determinou sua intimação eletrônica para apresentação
da relação completa de créditos inscritos em dívida ativa,
com cálculos e classificação.
A Fazenda Estadual, incluída no edital, recebeu a
intimação. Considerando as regras específicas desse
procedimento, assinale a alternativa correta:
a) A Fazenda Pública credora deverá apresentar a relação
de seus créditos no prazo de 30 dias, contados da
publicação do edital de falência.
b) Após o prazo de apresentação da relação de créditos
pela Fazenda Pública, o falido, demais credores e o
administrador judicial terão 10 dias para apresentar
objeções quanto aos cálculos e à classificação.
c) Caso haja objeções aos cálculos e classificação, a
Fazenda Pública será intimada para prestar
esclarecimentos no prazo de 15 dias, prorrogável por
igual período.d) Os créditos incontroversos e exigíveis deverão ser
imediatamente incluídos no quadro-geral de credores,
observada a sua classificação.
e) Antes da homologação do quadro-geral de credores, o
juiz concederá prazo comum de 15 dias para que o
administrador judicial e a Fazenda Pública titular de
crédito objeto de reserva manifestem-se sobre a
situação atual desses créditos.
Comentários:
Gabarito: D
a) Errada.
O prazo de 30 dias (art. 7º-A, caput) é contado da
intimação eletrônica determinada pelo juiz, não da
publicação do edital. O edital é apenas o ato anterior
que, juntamente com as intimações, antecede a
instauração do incidente.
b) Errada.
O prazo para o falido, demais credores e o administrador
judicial apresentarem objeções (limitadas aos cálculos e
classificação) é de 15 dias, e não 10 dias (art. 7º-A, § 3º,
I).
c) Errada.
O prazo para a Fazenda Pública prestar esclarecimentos
é de 10 dias, contados da intimação, e não 15 dias (art.
7º-A, § 3º, II).
d) Correta.
O art. 7º-A, § 3º, IV, determina que os créditos
incontroversos, desde que exigíveis, serão
imediatamente incluídos no quadro-geral de credores,
respeitando sua classificação.
e) Errada.
Antes da homologação do quadro-geral, o juiz concederá
prazo comum de 10 dias, e não 15, para manifestação
sobre a situação dos créditos objeto de reserva (art. 7º-
A, § 3º, V).
44
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
DISPOSITIVOS RELEVANTES:
Lei 11.101/2005:
Art. 7º-A. Na falência, após realizadas as intimações e
publicado o edital, conforme previsto, respectivamente,
no inciso XIII do caput e no § 1º do art. 99 desta Lei, o juiz
instaurará, de ofício, para cada Fazenda Pública credora,
incidente de classificação de crédito público e
determinará a sua intimação eletrônica para que, no
prazo de 30 (trinta) dias, apresente diretamente ao
administrador judicial ou em juízo, a depender do
momento processual, a relação completa de seus
créditos inscritos em dívida ativa, acompanhada dos
cálculos, da classificação e das informações sobre a
situação atual. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020)
(Vigência)
§ 1º Para efeito do disposto no caput deste artigo,
considera-se Fazenda Pública credora aquela que conste
da relação do edital previsto no § 1º do art. 99 desta Lei,
ou que, após a intimação prevista no inciso XIII do caput
do art. 99 desta Lei, alegue nos autos, no prazo de 15
(quinze) dias, possuir crédito contra o falido. (Incluído
pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência)
§ 2º Os créditos não definitivamente constituídos, não
inscritos em dívida ativa ou com exigibilidade suspensa
poderão ser informados em momento posterior.
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência)
§ 3º Encerrado o prazo de que trata o caput deste artigo:
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência)
I - o falido, os demais credores e o administrador judicial
disporão do prazo de 15 (quinze) dias para manifestar
objeções, limitadamente, sobre os cálculos e a
classificação para os fins desta Lei; (Incluído pela Lei nº
14.112, de 2020) (Vigência)
II - a Fazenda Pública, ultrapassado o prazo de que trata
o inciso I deste parágrafo, será intimada para prestar, no
prazo de 10 (dez) dias, eventuais esclarecimentos a
respeito das manifestações previstas no referido inciso;
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência)
III - os créditos serão objeto de reserva integral até o
julgamento definitivo quando rejeitados os argumentos
apresentados de acordo com o inciso II deste parágrafo;
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência)
IV - os créditos incontroversos, desde que exigíveis,
serão imediatamente incluídos no quadro-geral de
credores, observada a sua classificação; (Incluído pela Lei
nº 14.112, de 2020) (Vigência)
V - o juiz, anteriormente à homologação do quadro-geral
de credores, concederá prazo comum de 10 (dez) dias
para que o administrador judicial e a Fazenda Pública
titular de crédito objeto de reserva manifestem-se sobre
a situação atual desses créditos e, ao final do referido
prazo, decidirá acerca da necessidade de mantê-la.
(Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência).
Questão 52
Uma sociedade empresária limitada, formada por dois
médicos, possui contrato social que prevê a distribuição
de lucros com base nos dias efetivamente trabalhados
por cada sócio, respeitada a participação mínima de
todos nos lucros e perdas. Um dos sócios, que detém
60% das quotas, questiona a validade dessa cláusula e
sustenta que, independentemente dos dias
efetivamente trabalhados, deveria ter sua participação
nos lucros calculada segundo a média do valor das
quotas, como ocorreria nas sociedades simples.
Considerando o disposto no Código Civil e a
jurisprudência recente do STJ, assinale a opção correta.
a) Nas sociedades simples, admite-se a contribuição para
o capital social em serviços; nas limitadas, entretanto, tal
modalidade de contribuição é vedada, motivo pelo qual
a regra da distribuição de lucros com base nos dias
efetivamente trabalhados por cada sócio é inaplicável no
caso apresentado.
b) A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça
admite, para sociedades empresárias limitadas, a adoção
dos dias efetivamente trabalhados como critério de
distribuição de lucros, desde que não haja exclusão do
sócio da participação nos lucros e nas perdas.
c) O contrato social de sociedade limitada não pode, de
forma alguma, alterar a regra legal de distribuição
proporcional às quotas, sob pena de nulidade.
d) No caso, a cláusula é inválida porque, segundo o
Código Civil, o sócio prestador de serviços deve receber
lucros sempre iguais aos demais, independentemente da
efetiva contribuição laboral.
e) A estipulação que adota critério baseado nos dias
trabalhados é inválida por se tratar de sociedade
limitada prestadora de serviços, equiparada
integralmente às sociedades simples para todos os fins.
45
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Comentários:
Gabarito: B
a) Errada.
Apesar de correto quanto à afirmação da vedação, não
responde ao cerne da questão. De fato, o art. 1.055, § 2º,
do Código Civil veda a contribuição que consista em
prestação de serviços em sociedades limitadas, sendo
possível tal contribuição apenas nas sociedades simples
(art. 997, V, e art. 1.006 do Cc). Por isso, a regra do art.
1.007, parte final, que trata da média do valor das quotas
para sócios prestadores de serviços, não se aplica às
limitadas. Entretanto, a questão exigia o
reconhecimento da validade da cláusula de distribuição
de lucros com base nos dias trabalhados, o que está
contemplado na alternativa B.
b) Correta.
O STJ, no REsp 2.053.655-SP (Informativo 842), firmou
entendimento de que é válida a adoção dos dias
efetivamente trabalhados por cada sócio como critério
de distribuição de lucros em sociedade empresária
limitada, desde que não haja exclusão total do sócio da
participação nos lucros e perdas (o que é vedado pelo
art. 1.008 do Cc). Tal disposição pode constar no
contrato social, em conformidade com o art. 997, VII, e o
art. 1.007 do CC, respeitando a autonomia privada e a
função social do contrato.
É válida a estipulação contratual social de sociedade
empresária limitada, que estabeleceu, em assembleia de
sócios, forma de distribuição de dividendos (participação
nos lucros) proporcional aos dias trabalhados por cada
sócio. (Direito Empresarial)
É válida a adoção dos dias efetivamente trabalhados por
cada sócio como critério de cálculo de distribuição de
dividendos por sociedade empresária limitada, desde
que tal medida não implique exclusão de sócio da
participação nos lucros e nas perdas. (REsp 2.053.655-SP,
Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 11/2/2025, DJEN de
27/2/2025 - Informativo 842)
c) Errada.
O art. 1.007 do CC prevê que, salvo estipulação em
contrário, a distribuição de lucros e perdas será
proporcionalàs quotas. Isso significa que a lei permite
que o contrato social estabeleça outra forma de divisão,
desde que não exclua sócio de participar nos lucros e
perdas (art. 1.008). Trata-se de norma dispositiva. Assim,
afirmar que “não pode alterar por nenhuma forma”
contraria a regra legal e a jurisprudência do STJ.
d) Errada.
Essa alternativa mistura conceitos aplicáveis a
sociedades simples com as limitadas. O art. 1.007, parte
final, do CC, prevê que sócio cuja contribuição consista
em serviços participa dos lucros na proporção da média
do valor das quotas — mas essa hipótese não se aplica
às limitadas, pois nelas a contribuição em serviços é
vedada (art. 1.055, § 2º). Portanto, o fundamento
invocado não é juridicamente aplicável ao caso.
e) Errada.
Sociedades limitadas prestadoras de serviços não são
automaticamente equiparadas às sociedades simples
“para todos os fins”. A “equiparação” prevista no art. 983
do CC refere-se à forma de constituição e administração
quando o contrato social não estipula de modo diverso
(as sociedades simples podem constituir-se de
conformidade com um dos tipos de sociedade
empresária – e.g. sociedade limitada, sociedade em
comandita simples ou sociedade em nome coletivo), e
não afasta as regras específicas das limitadas, como a
vedação do art. 1.055, § 2º. Logo, não há invalidade da
cláusula pelo simples fato de a sociedade exercer
atividade de prestação de serviços.
DISPOSITIVOS RELEVANTES:
Código Civil:
Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato
escrito, particular ou público, que, além de cláusulas
estipuladas pelas partes, mencionará:
VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;
Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio
participa dos lucros e das perdas, na proporção das
respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição
consiste em serviços, somente participa dos lucros na
proporção da média do valor das quotas.
Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua
qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas.
Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou
desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio.
§ 1º Pela exata estimação de bens conferidos ao capital
social respondem solidariamente todos os sócios, até o
prazo de cinco anos da data do registro da sociedade.
46
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
§ 2º É vedada contribuição que consista em prestação de
serviços.
Questão 53
A sociedade empresária Jurimã S.A., companhia aberta,
está se preparando para negociar suas ações na bolsa de
valores pela primeira vez. Antes do início da negociação,
a administração propôs a criação de uma classe de ações
ordinárias com atribuição de voto plural de 8 votos por
ação, com vigência inicial de 7 anos, prorrogável.
Na assembleia geral, compareceram acionistas
representando 60% do total de votos conferidos pelas
ações com direito a voto e 70% das ações preferenciais
sem direito a voto, reunidas em assembleia especial. O
estatuto não previa voto plural nem exigia quórum
superior ao legal.
Sobre a regularidade dessa operação e as regras do voto
plural, assinale a alternativa correta:
a) A criação da classe de ações ordinárias com voto plural
somente seria válida se aprovada por acionistas
representando 2/3 do capital votante, não se aplicando
quórum inferior nesse caso.
b) A operação é juridicamente possível, pois a lei admite
voto plural de até 10 votos por ação ordinária, desde que
criado antes do início da negociação em mercado
organizado e aprovado por maioria absoluta do total de
votos conferidos pelas ações com direito a voto e das
ações preferenciais sem direito a voto ou com o voto
restrito, caso emitidas, reunidas em assembleia especial.
c) O voto plural pode ser criado mesmo após o início da
negociação em bolsa, desde que aprovado pelo mesmo
quórum previsto para sua criação inicial, observando-se
a preservação dos direitos dos acionistas minoritários.
d) O prazo máximo inicial de vigência do voto plural é de
5 anos, sendo vedada sua prorrogação por prazo
indeterminado.
e) O voto plural, uma vez instituído, poderá ser utilizado
para qualquer deliberação societária, inclusive para fixar
a remuneração dos administradores e aprovar
transações relevantes com partes relacionadas.
Comentários:
Gabarito: B
a) Errada.
O quórum previsto no art. 110-A, § 1º, da Lei 6.404/1976
não é de 2/3, mas sim:
“I – metade, no mínimo, do total de votos conferidos
pelas ações com direito a voto; e
II – metade, no mínimo, das ações preferenciais sem
direito a voto ou com voto restrito, se emitidas, reunidas
em assembleia especial...”
Portanto, o percentual exigido é de 50% (metade mais
um), e não de 2/3.
b) Correta.
O art. 110-A, caput, II, autoriza a criação de classe de
ações ordinárias com voto plural (máx. 10 votos por
ação) na companhia aberta, desde que antes do início da
negociação em mercados organizados.
O § 1º estabelece o quórum mínimo de metade dos
votos conferidos pelas ações com direito a voto e
metade das preferenciais reunidas em assembleia
especial.
Na hipótese, o quórum foi atendido e o limite de votos
por ação (8) respeitado, tornando a operação válida.
c) Errada.
Após o início da negociação das ações em mercado
organizado, é vedada a alteração das características da
classe de ações com voto plural, exceto para reduzir
direitos ou vantagens (art. 110-A, § 5º). Logo, não é
possível criar voto plural depois do IPO com base no
quórum original.
d) Errada.
O art. 110-A, § 7º, prevê que o prazo inicial de vigência
do voto plural é de até 7 anos, e não de 5, podendo ser
prorrogado “por qualquer prazo”, desde que respeitado
o quórum e as condições legais.
e) Errada.
O art. 110-A, § 12, dispõe que o voto plural não será
adotado nas deliberações sobre:
“I – a remuneração dos administradores; e
II – a celebração de transações com partes relacionadas
que atendam aos critérios de relevância a serem
definidos pela CVM.”
Portanto, não pode ser utilizado para essas matérias.
DISPOSITIVOS RELEVANTES:
Lei 6.404/1976
47
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Art. 110-A. É admitida a criação de uma ou mais classes
de ações ordinárias com atribuição de voto plural, não
superior a 10 (dez) votos por ação ordinária: (Incluído
pela Lei nº 14.195, de 2021)
I - na companhia fechada; e (Incluído pela Lei nº 14.195,
de 2021)
II - na companhia aberta, desde que a criação da classe
ocorra previamente à negociação de quaisquer ações ou
valores mobiliários conversíveis em ações de sua
emissão em mercados organizados de valores
mobiliários. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021)
§ 1º A criação de classe de ações ordinárias com
atribuição do voto plural depende do voto favorável de
acionistas que representem: (Incluído pela Lei nº 14.195,
de 2021)
I - metade, no mínimo, do total de votos conferidos pelas
ações com direito a voto; e (Incluído pela Lei nº 14.195,
de 2021)
II - metade, no mínimo, das ações preferenciais sem
direito a voto ou com voto restrito, se emitidas, reunidas
em assembleia especial convocada e instalada com as
formalidades desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.195, de
2021)
§ 2º Nas deliberações de que trata o § 1º deste artigo,
será assegurado aos acionistas dissidentes o direito de se
retirarem da companhia mediante reembolso do valor
de suas ações nos termos do art. 45 desta Lei, salvo se a
criação da classe de ações ordinárias com atribuição de
voto plural já estiver prevista ou autorizada pelo
estatuto. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021)
§ 3º O estatuto social da companhia, aberta ou fechada,
nos termos dos incisos I e II do caput deste artigo, poderá
exigir quórum maior para as deliberações de que trata o
§ 1º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021)
§ 5º Após o início da negociação das ações ou dos valores
mobiliários conversíveis em ações em mercados
organizadosde valores mobiliários, é vedada a alteração
das características de classe de ações ordinárias com
atribuição de voto plural, exceto para reduzir os
respectivos direitos ou vantagens. (Incluído pela Lei nº
14.195, de 2021)
§ 6º É facultado aos acionistas estipular no estatuto
social o fim da vigência do voto plural condicionado a um
evento ou a termo, observado o disposto nos §§ 7º e 8º
deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021)
§ 7º O voto plural atribuído às ações ordinárias terá
prazo de vigência inicial de até 7 (sete) anos, prorrogável
por qualquer prazo, desde que: (Incluído pela Lei nº
14.195, de 2021)
I - seja observado o disposto nos §§ 1º e 3º deste artigo
para a aprovação da prorrogação; (Incluído pela Lei nº
14.195, de 2021)
II - sejam excluídos das votações os titulares de ações da
classe cujo voto plural se pretende prorrogar; e (Incluído
pela Lei nº 14.195, de 2021)
III - seja assegurado aos acionistas dissidentes, nas
hipóteses de prorrogação, o direito previsto no § 2º
deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021)
§ 12. Não será adotado o voto plural nas votações pela
assembleia de acionistas que deliberarem sobre:
(Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021)
I - a remuneração dos administradores; e (Incluído pela
Lei nº 14.195, de 2021)
II - a celebração de transações com partes relacionadas
que atendam aos critérios de relevância a serem
definidos pela Comissão de Valores Mobiliários. (Incluído
pela Lei nº 14.195, de 2021).
Questão 54
A empresa Biti Biti Comércio S.A., locatária de um imóvel
comercial, teve deferido o processamento de sua
recuperação judicial. Após esse deferimento, deixou de
pagar aluguéis vencidos nos meses seguintes. O locador
ajuizou ação de despejo por falta de pagamento. A
defesa da empresa alegou que a ação deveria ser
suspensa pelo stay period previsto no art. 6º da Lei nº
11.101/2005, sustentando que o imóvel seria essencial à
atividade empresarial e que, por analogia ao art. 49, § 3º,
da mesma lei, o despejo não poderia ser executado.
Com base na jurisprudência do STJ e na legislação
aplicável, assinale a alternativa correta:
a) A ação de despejo deve ficar suspensa durante o stay
period, pois envolve bem essencial à atividade da
recuperanda, enquadrando-se nas hipóteses do art. 49,
§ 3º, da Lei nº 11.101/2005.
b) A ação de despejo não deve ser suspensa, pois o
imóvel não integra o patrimônio do devedor, não
havendo previsão legal de suspensão dessa espécie de
demanda no art. 6º da Lei nº 11.101/2005.
48
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
c) A ação de despejo somente poderá prosseguir se
houver expressa autorização do juiz da recuperação
judicial, para evitar prejuízos à preservação da empresa.
d) A ação de despejo não deve ser suspensa, mas apenas
no caso de aluguéis vencidos antes do pedido de
recuperação judicial, pois os posteriores estão sujeitos à
suspensão do art. 6º da Lei nº 11.101/2005.
e) A ação de despejo deve ser suspensa, salvo se
proposta por credor com garantia fiduciária, hipótese em
que se aplica o art. 49, § 3º, da Lei nº 11.101/2005.
Comentários:
Gabarito: B
a) Errada.
O STJ rejeitou a aplicação do art. 49, § 3º, da Lei nº
11.101/2005 às locações, por inexistir identidade de
situações. O dispositivo protege bens de capital
essenciais pertencentes a credores fiduciários,
arrendadores mercantis, promitentes vendedores ou
vendedores com reserva de domínio — e não imóveis
locados. No despejo, busca-se a retomada da posse de
bem que nunca pertenceu à recuperanda, de modo que
não há constrição sobre patrimônio do devedor.
Art. 49, § 3º, LREF:
“(...) não se permitindo, contudo, durante o prazo de
suspensão (...), a venda ou a retirada do estabelecimento
do devedor dos bens de capital essenciais à sua atividade
empresarial.”
b) Correta.
O stay period (art. 6º da LREF) suspende execuções e
constrições sobre bens do devedor, mas não ações
voltadas à retomada de bens que não compõem o seu
patrimônio. Segundo o STJ (REsp 2.171.089/DF), o
despejo não é atingido pela suspensão porque o imóvel
pertence ao locador e a demanda não tem natureza
executiva.
Art. 6º, II e III, LREF:
“II – suspensão das execuções ajuizadas contra o
devedor (...)
III – proibição de (...) constrição (...) sobre os bens do
devedor (...).”
As ações de despejo não devem ficar suspensas com o
deferimento do processamento da recuperação judicial
da locatária. (Direito Empresarial)
As ações de despejo não devem ficar suspensas com o
deferimento do processamento da recuperação judicial
da locatária. (REsp 2.171.089-DF, Rel. Ministro Ricardo
Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade,
julgado em 3/12/2024, DJEN 6/12/2024. - Informativo
843)
c) Errada.
Não há necessidade de autorização do juízo
recuperacional para prosseguimento da ação de
despejo. O STJ firmou que essa demanda segue no juízo
locatício, pois não há bem da recuperanda sujeito à
proteção do stay period. Não se trata de interferência na
atividade empresarial via constrição patrimonial, mas
sim de retomada da posse pelo legítimo proprietário.
d) Errada.
A distinção entre aluguéis vencidos antes ou depois do
pedido é irrelevante para definir a suspensão. O motivo
da não aplicação do art. 6º é a natureza do bem
(pertencente ao locador) e do pedido (retomada da
posse), não a data do crédito. Logo, mesmo aluguéis
posteriores não impedem o prosseguimento da ação de
despejo.
e) Errada.
Credores com garantia fiduciária estão contemplados no
art. 49, § 3º, mas o locador não se enquadra nessa
categoria. A relação locatícia não envolve propriedade
resolúvel ou fiduciária; logo, não se aplica essa proteção
e, muito menos, a suspensão automática da ação. O STJ
afastou expressamente a aplicação analógica dessa
norma.
DISPOSITIVOS RELEVANTES:
Lei 11.101/2005
Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do
processamento da recuperação judicial implica:
(Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência)
I - suspensão do curso da prescrição das obrigações do
devedor sujeitas ao regime desta Lei; (Incluído pela Lei
nº 14.112, de 2020) (Vigência)
II - suspensão das execuções ajuizadas contra o devedor,
inclusive daquelas dos credores particulares do sócio
solidário, relativas a créditos ou obrigações sujeitos à
recuperação judicial ou à falência; (Incluído pela Lei nº
14.112, de 2020) (Vigência)
49
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
III - proibição de qualquer forma de retenção, arresto,
penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição
judicial ou extrajudicial sobre os bens do devedor,
oriunda de demandas judiciais ou extrajudiciais cujos
créditos ou obrigações sujeitem-se à recuperação
judicial ou à falência. (Incluído pela Lei nº 14.112, de
2020) (Vigência)
Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os
créditos existentes na data do pedido, ainda que não
vencidos.
§ 3º Tratando-se de credor titular da posição de
proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis, de
arrendador mercantil, de proprietário ou promitente
vendedor de imóvel cujos respectivos contratos
contenham cláusula de irrevogabilidade ou
irretratabilidade, inclusive em incorporações
imobiliárias, ou de proprietário em contrato de venda
com reserva de domínio, seu crédito não se submeterá
aos efeitos da recuperação judicial e prevalecerão os
direitos de propriedade sobre a coisa e as condições
contratuais, observada a legislação respectiva, não se
permitindo, contudo, durante o prazo de suspensão a
que se refere o § 4º do art. 6º desta Lei, a venda ou a
retirada do estabelecimento do devedor dos bens de
capital essenciais a sua atividade empresarial.
Questão 55
A Cooperativa AgroVale procedeu ao aceite de duplicata
rural para pagamento de venda de grãos, a favor de
Sementes Brasil S.A. Esta última endossou o título, de
forma translativa, para Banco do Cerrado S.A., que
ajuizouação de execução por quantia certa contra o
aceitante (Cooperativa AgroVale), o avalista do aceitante
(pessoa física, sócio da cooperativa) e a endossante
(Sementes Brasil S.A.).
É incontroverso que a duplicata rural não foi protestada
por falta de pagamento.
Ao decidir sobre a legitimidade passiva, o juiz deverá
reconhecer que:
a) O endossatário não pode exercer direito de regresso
contra o primeiro endossante, devendo ser reconhecida
a ilegitimidade passiva da Sementes Brasil S.A.
b) Nenhum dos réus possui legitimidade passiva, porque
o protesto é requisito essencial para a execução de
duplicata rural contra quaisquer devedores.
c) O aval prestado por sócio do aceitante é nulo, devendo
o avalista ser excluído do polo passivo.
d) Todos os demandados são legítimos, pois o protesto é
dispensado para execução de duplicata rural e há
solidariedade cambiária entre aceitante, avalista e
endossante.
e) Apenas o aceitante pode figurar no polo passivo, pois
o protesto é sempre exigido para acionar endossante e
avalista em duplicata rural.
Comentários:
Gabarito: A
a) Correta.
O art. 60, § 1º, do Decreto-Lei nº 167/1967 dispõe
expressamente que o endossatário ou portador de
duplicata rural não tem direito de regresso contra o
primeiro endossante e seus avalistas. Assim, mesmo que
haja endosso translativo, o primeiro endossante não
integra a cadeia de legitimados passivos na execução
ajuizada pelo endossatário. A norma é de ordem pública
e impede a cobrança direta do primeiro endossante por
via executiva.
Art. 60, § 1º, DL 167/1967: “O endossatário ou o
portador de Nota Promissória Rural ou Duplicata Rural
não tem direito de regresso contra o primeiro
endossante e seus avalistas.”
b) Errada.
A ausência de protesto não retira a legitimidade passiva
do aceitante nem do avalista. Pelo art. 60, caput, DL
167/1967, o protesto é dispensado para assegurar o
direito de regresso contra endossantes e seus avalistas.
O aceitante, por ser devedor principal, responde
independentemente de protesto.
c) Errada.
O aval na duplicata rural é válido quando prestado por
pessoa física participante da empresa emitente ou por
outra pessoa jurídica (art. 60, § 2º, DL 167/1967). Como
o avalista é sócio da cooperativa aceitante (equiparado
ao emitente da NPR, devedor do título), não há nulidade,
e ele permanece no polo passivo.
d) Errada.
Embora exista solidariedade cambiária entre os
coobrigados, o legislador excluiu o primeiro endossante
e seus avalistas da responsabilidade perante o
endossatário. Assim, não é possível incluir todos os
50
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
demandados na execução quando se tratar de primeiro
endossante de duplicata rural.
e) Errada.
O protesto não é sempre exigido para acionar
endossante e avalista. Na duplicata rural, há dispensa
expressa do protesto para garantir o regresso contra
endossantes e seus avalistas (art. 60, caput, DL
167/1967). A razão da exclusão do primeiro endossante
não é a falta de protesto, mas sim a vedação legal do §
1º.
DISPOSITIVOS RELEVANTES:
DL 167/1967
Art 60. Aplicam-se à cédula de crédito rural, à nota
promissória rural e à duplicata rural, no que forem
cabíveis, as normas de direito cambial, inclusive quanto
a aval, dispensado porém o protesto para assegurar o
direito de regresso contra endossantes e seus avalistas.
§ 1º O endossatário ou o portador de Nota Promissória
Rural ou Duplicata Rural não tem direito de regresso
contra o primeiro endossante e seus avalistas.
(Incluído pela Lei nº 6.754, de 17.12.1979)
§ 2º É nulo o aval dado em Nota Promissória Rural ou
Duplicata Rural, salvo quando dado pelas pessoas físicas
participantes da empresa emitente ou por outras
pessoas jurídicas. (Incluído pela Lei nº 6.754, de
17.12.1979)
§ 3º Também são nulas quaisquer outras garantias, reais
ou pessoais, salvo quando prestadas pelas pessoas físicas
participantes da empresa emitente, por esta ou por
outras pessoas jurídicas. (Incluído pela Lei nº 6.754,
de 17.12.1979)
§ 4º Às transações realizadas entre produtores rurais e
entre estes e suas cooperativas não se aplicam as
disposições dos parágrafos anteriores. (Incluído
pela Lei nº 6.754, de 17.12.1979).
Questão 56
A respeito da validade da cláusula compromissória em
contrato de franquia, assinale a alternativa correta:
a) É inválida, pois contratos empresariais de
colaboração, como o de franquia, não admitem cláusula
compromissória em razão da necessidade de paridade
entre as partes.
b) É válida, independentemente de manifestação
expressa do franqueado, pois o contrato de franquia é
regido exclusivamente pelo Código de Defesa do
Consumidor.
c) É inválida, pois o procedimento arbitral é
excessivamente oneroso, dificultando o acesso do
franqueado à solução da controvérsia.
d) É válida, desde que o franqueado concorde
expressamente com a cláusula compromissória, por
escrito, em documento anexo ou destacada, com
assinatura ou visto específico, conforme determinado
pela legislação aplicável.
e) É inválida, pois o contrato de franquia é sempre
considerado contrato de adesão e, portanto, não admite
cláusula compromissória.
Comentários:
Gabarito: D
a) Incorreta.
Não há vedação legal para a cláusula compromissória em
contratos empresariais, inclusive de colaboração, como
o contrato de franquia. A paridade entre as partes não
impede a escolha do meio arbitral para solução de
conflitos.
b) Incorreta.
O contrato de franquia não é regido exclusivamente pelo
Código de Defesa do Consumidor (CDc). Embora possa
haver relação de consumo em alguns casos, a Lei de
Arbitragem (Lei nº 9.307/1996) é aplicável à cláusula
compromissória nesse contrato.
c) Incorreta.
A arbitrariedade do procedimento ou seu custo não
invalida a cláusula compromissória. A Lei nº 9.307/1996
e a jurisprudência do STJ admitem a arbitragem, desde
que observados os requisitos legais, inclusive no
contrato de franquia.
d) Correta.
51
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Conforme o art. 4º, § 2º, da Lei nº 9.307/1996:
“Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só
terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir
a arbitragem ou concordar, expressamente, com a sua
instituição, desde que por escrito em documento anexo
ou em negrito, com a assinatura ou visto especialmente
para essa cláusula.”
O contrato de franquia, por sua característica, é um
contrato de adesão, e a cláusula compromissória é válida
desde que observados esses requisitos formais. A
jurisprudência do STJ confirma esse entendimento (REsp
1602076-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, julgado
em 15/9/2016 - Info 591).
e) Incorreta.
Embora o contrato de franquia seja contrato de adesão,
isso não impede a validade da cláusula compromissória,
desde que observados os requisitos do art. 4º, § 2º, da
Lei nº 9.307/1996, conforme explicado na alternativa
correta.
DISPOSITIVOS RELEVANTES:
Lei 9.307/1996
Art. 4º (...)
§ 2º Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória
só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de
instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com
a sua instituição, desde que por escrito em documento
anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto
especialmente para essa cláusula.
A franquia não é um contrato de consumo (regido pelo
CDc), mas, mesmo assim, é um contrato de adesão.
Segundo o art. 4º, § 2º da Lei nº 9.307/96, nos contratos
de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia se
o aderente:
• tomar a iniciativa de instituir a arbitragem; ou
• concordar, expressamente, com a sua instituição, por
escrito, em documento anexo ou em negrito, com a
assinatura ou visto especialmente para essa cláusula.
Todos os contratos de adesão, mesmo aqueles que não
consubstanciam relações de consumo, como os
contratos de franquia, devem observaro disposto no art.
4º, § 2º, da Lei nº 9.307/96.
Assim, é possível a instituição de cláusula
compromissória em contrato de franquia, desde que
observados os requisitos do art. 4º, § 2º, da Lei nº
9.307/96.
STJ. 3ª Turma. REsp 1602076-SP, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 15/9/2016 (Info 591).
DIREITO PENAL
Professor Allan Joos
Questão 57
Carlos, Eduardo, Pedro e Jefferson, durante uma
perseguição, efetuaram disparos de arma de fogo contra
três policiais civis, mas erraram todos os tiros. Por erro
na execução, um dos disparos atingiu Roger, um civil que
passava pelo local, causando-lhe lesões não fatais. O
Ministério Público denunciou os quatro por quatro
tentativas de homicídio: três contra os policiais (alvos
intencionais) e uma contra Roger (atingido por erro). A
defesa pleiteou a desclassificação do delito, amparada
na lesão corporal culposa em relação à vítima
efetivamente atingida. O juiz, na decisão de pronúncia,
excluiu a quarta tentativa, entendendo tratar-se de
aberratio ictus com unidade simples, devendo os réus
responderem apenas pelos crimes contra os três
policiais.
Considerando a jurisprudência do STJ, assinale a
alternativa correta:
a) Na aberratio ictus com unidade simples, o agente
responde cumulativamente pelo crime contra a vítima
pretendida e pelo crime contra a vítima efetivamente
atingida, em concurso formal.
b) A teoria da equivalência adotada pelo STJ determina
que, no erro na execução, o agente responda como se
tivesse atingido a vítima originalmente visada.
c) No erro na execução com unidade simples, há
concurso formal entre as tentativas contra a vítima
visada e contra a vítima atingida.
d) No caso narrado, deveria ser reconhecida tentativa de
homicídio com dolo eventual contra Roger, pois os
disparos em via pública demonstram assunção do risco
de matar terceiros.
e) O art. 73 do CP só se aplica quando há resultado duplo,
hipótese em que se reconhece concurso formal.
Comentários:
Gabarito: C
52
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
A decisão do STJ está fundamentada no art. 73 do Código
Penal, que prevê que, no erro na execução (aberratio
ictus), o agente responde como se tivesse praticado o
crime contra a vítima pretendida, considerando suas
condições e qualidades.
Na aberratio ictus com unidade simples, há apenas um
resultado lesivo — a vítima pretendida não é atingida e
apenas uma pessoa diversa sofre o dano. Nessa
hipótese, não há crime autônomo em relação ao terceiro
atingido, evitando-se o bis in idem.
No caso concreto, os réus visavam exclusivamente os
três policiais civis, atingindo Roger por erro de pontaria.
Não houve pluralidade de resultados, razão pela qual o
STJ afastou a imputação de tentativa autônoma contra
Roger. A Corte reafirmou que, na unidade simples, não
há concurso formal, mas apenas responsabilização como
se o agente tivesse atingido a vítima virtual.
Análise das alternativas:
• a) Errada. Na unidade simples não há responsabilização
cumulativa; só haveria concurso formal na unidade
complexa, quando a vítima visada e a não visada são
atingidas.
• b) Correta. Expressa exatamente o conteúdo do art. 73
do CP e da jurisprudência aplicada.
• c) Errada. Concurso formal ocorre apenas na unidade
complexa, não na simples.
• d) Errada. O STJ afastou a tese do dolo eventual no
caso, aplicando o erro na execução.
• e) Errada. O art. 73 do CP aplica-se tanto à unidade
simples quanto à complexa, variando a consequência
jurídica.
Questão 58
Rogério, após observar por semanas a rotina de uma
joalheria, identificou que toda sexta-feira, por volta das
18h, o gerente deixava o estabelecimento levando um
malote com as vendas do dia, sempre caminhando
sozinho até o carro estacionado em uma rua lateral
pouco movimentada.
Com essa informação, Rogério elaborou um plano
detalhado: estudou as câmeras da região, escolheu um
ponto cego próximo à saída e adquiriu um simulacro de
arma de fogo. No dia marcado, posicionou-se
estrategicamente no local, abordou o gerente e,
mediante grave ameaça, subtraiu o malote com R$ 50
mil.
Condenado pelo crime de roubo majorado (art. 157, § 2º,
I, do CP), o juiz aumentou a pena-base, considerando
negativa a circunstância judicial da culpabilidade, diante
da premeditação demonstrada pelo planejamento
minucioso, pela escolha do local e horário, e pela
preparação prévia do instrumento de intimidação.
A defesa recorreu, alegando que a premeditação não
está prevista no Código Penal e que seu uso configuraria
bis in idem.
De acordo com o entendimento consolidado pelo STJ no
Tema 1318 (Recurso Repetitivo), é correto afirmar que:
a) A premeditação é inerente ao crime de roubo e,
portanto, não pode fundamentar a exasperação da
pena-base.
b) A premeditação só pode ser considerada se prevista
expressamente como agravante no Código Penal.
c) A premeditação pode fundamentar a valoração
negativa da culpabilidade na primeira fase da dosimetria,
desde que não seja elementar ou ínsita ao tipo penal e
não sirva de pressuposto para agravante ou
qualificadora já aplicada, devendo haver fundamentação
concreta sobre a maior reprovabilidade.
d) A premeditação deve ser considerada exclusivamente
na segunda fase, como agravante genérica do art. 61, II,
“c” do CP.
e) A premeditação jamais pode ser considerada, pois
sempre configura bis in idem.
Comentários:
Gabarito: C
A premeditação não está expressamente prevista como
circunstância judicial no art. 59 do Código Penal nem
como agravante específica. Contudo, o STJ e o STF
entendem que ela pode ser considerada para negativar
a culpabilidade na primeira fase da dosimetria, desde
que observados alguns critérios.
Segundo o STJ, Tema 1318 (REsp 2.174.028-AL e REsp
2.174.008-AL), a premeditação:
1. Autoriza a valoração negativa da culpabilidade, mas
apenas se não for elementar ou ínsita ao tipo penal;
2. Não pode ser usada quando já for pressuposto de uma
agravante ou qualificadora aplicada, sob pena de bis in
idem;
53
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
3. Exige fundamentação concreta que demonstre a
maior reprovabilidade no caso concreto.
No crime de roubo (art. 157 do CP), a premeditação não
é inerente ao tipo penal. O fato de o agente planejar
detalhadamente a ação, estudar as câmeras, escolher o
ponto cego e preparar o simulacro revela dolo de
propósito (ou dolo refletido), que traduz maior
censurabilidade da conduta.
A jurisprudência diferencia o dolo de propósito (com
lapso para reflexão e preparação) do dolo de ímpeto
(conduta imediata, por impulso). O primeiro pode
justificar aumento da pena-base pela culpabilidade; o
segundo, em certos casos, pode até atrair atenuantes
(ex.: violenta emoção).
O bis in idem só ocorre se a premeditação já for
necessária para caracterizar o tipo penal ou para a
incidência de uma agravante/qualificadora específica.
Por exemplo, no homicídio qualificado por emboscada, a
premeditação já é ínsita ao modus operandi; no roubo
simples ou majorado por emprego de arma, não é.
Assim, no caso de Rogério, a exasperação da pena-base
foi legítima: houve fundamentação concreta e ausência
de vedação por elementar ou qualificadora específica.
Precedentes citados:
• STJ, 3ª Seção, REsp 2.174.028-AL e REsp 2.174.008-AL,
Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, j. 8/5/2025 (Tema
1318 – recurso repetitivo)
• STF, HC 94.620, Pleno, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
j. 24/6/2015.
Questão 59
Durante patrulhamento noturno, policiais militares
abordaram Carlos, que corria carregando um aparelho
de som automotivo recém-retirado de um veículo
estacionado.
Ao ser questionado no momento da abordagem, Carlos
afirmou verbalmente ter arrombado o carro para
subtrair o objeto, alegando que o venderia para comprar
drogas. Essa declaração foi feita na rua, sem registro
audiovisual, sem a presença de advogado e sem
lavratura formal no auto de prisão.
Nadelegacia, Carlos permaneceu em silêncio. Em juízo,
negou o crime.
Condenado por furto qualificado com base em imagens
de câmeras de segurança e na perícia que constatou o
arrombamento, o juiz não aplicou a atenuante da
confissão espontânea (art. 65, III, “d”, do CP), pois a
suposta confissão não havia sido formalizada e não foi
utilizada como fundamento da condenação.
A defesa recorreu, sustentando que a confissão informal
feita aos policiais deveria ensejar a atenuante.
Segundo o entendimento consolidado pelo STJ (AREsp
2.313.703-SP, Info 845), é correto afirmar que:
a) A confissão informal sempre enseja a aplicação da
atenuante, mesmo sem registro formal.
b) A confissão informal nunca pode ser utilizada para
aplicar a atenuante, ainda que conste expressamente
como fundamento da condenação.
c) A confissão informal pode fundamentar a atenuante,
desde que corroborada por prova testemunhal ou
material.
d) A confissão informal não pode ser utilizada para a
aplicação da atenuante, por carecer de garantias de
autenticidade e contraditório, salvo se o magistrado a
utilizar expressamente para condenar o réu.
e) A confissão informal tem o mesmo valor da confissão
extrajudicial formalizada e, portanto, pode gerar a
atenuante.
Comentários:
Gabarito: D
O art. 65, III, “d”, do CP prevê a atenuante da confissão
espontânea quando o agente confessa perante a
autoridade a autoria do crime.
O STJ, no AREsp 2.313.703-SP (Info 845), firmou que a
confissão informal — aquela prestada verbalmente, sem
registro formal nos autos, sem garantias de
autenticidade e contraditório — não pode ser
considerada para a aplicação da atenuante, pois é prova
inidônea para fins de dosimetria e também inadmissível
como elemento probatório para condenação.
A Corte diferencia:
1. Confissão judicial – feita em juízo, com contraditório;
2. Confissão extrajudicial formal – prestada na fase
policial, registrada oficialmente;
3. Confissão informal – sem formalização, feita em
contexto desprovido de garantias processuais.
54
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
A confissão informal carece de autenticidade e
voluntariedade comprovadas, não sendo apta a surtir
efeitos.
Exceção jurisprudencial: se, indevidamente, o juiz utilizar
a confissão informal como fundamento da condenação,
deve também reconhecer a atenuante, em respeito à
Súmula 545 do STJ e a precedentes como o AgRg no
AREsp 2.739.660/RJ e o REsp 2.185.729/MG (ambos de
2025).
No caso de Carlos, a confissão foi informal, não
registrada, não utilizada na sentença como fundamento
condenatório e, portanto, não pode gerar a atenuante.
Precedentes relevantes:
• STJ, 5ª Turma, AREsp 2.313.703-SP, Rel. Min. Daniela
Teixeira, Rel. p/ acórdão Min. Joel Ilan Paciornik, j.
4/2/2025 (Info 845)
• STJ, 5ª Turma, AgRg no AREsp 2.739.660/RJ, Rel. Min.
Ribeiro Dantas, j. 11/3/2025
• STJ, 6ª Turma, REsp 2.185.729/MG, Rel. Min. Otávio de
Almeida Toledo, j. 11/3/2025.
Questão 60
A Polícia Militar recebeu denúncia anônima de que duas
pessoas estavam furtando cabos de energia elétrica de
um poste.
Ao chegarem ao local, flagraram Carlos cortando os
cabos no alto do poste, enquanto Marta recolhia o
material. Foram apreendidos fios de cobre, cabos de
fibra ótica e a ferramenta utilizada no corte.
O Ministério Público denunciou ambos pelo crime de
furto qualificado pelo concurso de pessoas e pela
escalada (art. 155, § 4º, II e IV, do Código Penal).
A defesa requereu a realização de perícia técnica para
comprovar a escalada, alegando que, por deixar
vestígios, ela somente poderia ser demonstrada
mediante laudo pericial, sendo inadmissível a prova
exclusivamente testemunhal.
Considerando o entendimento do STJ (AgRg no AREsp
2.703.772-DF, Info 843), assinale a afirmativa correta:
a) A ausência de perícia inviabiliza a qualificadora de
escalada, pois se trata de prova indispensável à sua
configuração.
b) A qualificadora da escalada só pode ser reconhecida
se houver laudo pericial que comprove a utilização de
meio anormal.
c) É possível reconhecer a escalada sem perícia quando
o crime é presenciado por testemunhas idôneas e não há
versão defensiva que contradiga a narrativa.
d) O crime não se caracteriza como furto qualificado por
escalada, pois subir em poste de energia não configura
meio anormal para acesso ao bem.
e) Havendo ausência de perícia, deve-se desclassificar
para furto simples, independentemente do restante das
provas.
Comentários:
Gabarito: C
A escalada é meio anormal utilizado para vencer
obstáculos e alcançar o bem, configurando a
qualificadora prevista no art. 155, § 4º, II, do Código
Penal. Subir em um poste de energia elétrica para cortar
fios se enquadra nesse conceito.
Embora, em regra, vestígios exijam prova pericial (art.
158 do CPP), a jurisprudência do STJ admite a prova
testemunhal como suficiente para comprovar a escalada
quando:
• o iter criminis é presenciado diretamente por agentes
públicos ou testemunhas idôneas;
• há descrição detalhada da conduta;
• não há versão defensiva que contradiga tal narrativa.
No caso concreto analisado pelo STJ (AgRg no AREsp
2.703.772-DF), os policiais viram um dos réus no alto de
um poste cortando cabos, enquanto o outro os recolhia.
Tal prova foi considerada irrefutável, dispensando
perícia técnica.
Assim, a falta de perícia não impede o reconhecimento
da qualificadora quando há prova oral segura e coerente,
especialmente em flagrante presenciado pelos policiais.
Precedente: STJ, 6ª Turma, AgRg no AREsp 2.703.772-DF,
Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/2/2025
(Info 843).
a) ERRADA – A ausência de perícia não inviabiliza
automaticamente a qualificadora. A jurisprudência do
STJ admite que a escalada seja comprovada por prova
testemunhal quando o crime é presenciado e descrito de
forma segura, sem contradições.
55
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
b) ERRADA – Não é requisito que haja necessariamente
laudo pericial para configurar a escalada. Esse
entendimento seria válido apenas se não houvesse
outras provas seguras, mas o STJ já admitiu prova oral
como suficiente.
c) CORRETA – Expressa exatamente o entendimento do
STJ: a escalada pode ser reconhecida sem perícia quando
o crime é presenciado por testemunhas idôneas e não há
elementos de defesa que contradigam o relato.
d) ERRADA – Subir em poste de energia elétrica é
exemplo típico de meio anormal, que configura escalada.
A jurisprudência não restringe o conceito apenas a
muros ou paredes.
e) ERRADA – A ausência de perícia não leva
necessariamente à desclassificação para furto simples;
quando a qualificadora estiver comprovada por prova
oral robusta, ela pode ser mantida.
Questão 61
Durante um evento recreativo cultural e aberto ao
público, Rogério, funcionário público, injuriou
verbalmente uma pessoa do público, ofendendo sua
dignidade em razão da cor da pele.
O fato foi presenciado por diversas testemunhas e
amplamente divulgado em redes sociais.
Considerando a Lei nº 7.716/1989, com as alterações
promovidas pela Lei nº 14.532/2023, assinale a
afirmativa correta sobre o enquadramento jurídico da
conduta e suas consequências penais.
a) O crime praticado por Rogério é de injúria racial,
punido com reclusão de 2 a 5 anos e multa, sem qualquer
possibilidade de aumento de pena.
b) A conduta configura injúria racial (art. 2º-a), cuja pena
pode ser aumentada pela condição de funcionário
público no exercício das funções.
c) O crime cometido por Rogério é tipificado no art. 20
da Lei nº 7.716/1989, já que foi praticado em evento
cultural, não havendo previsão de injúria racial nessa lei.
d) Sendo funcionário público, Rogério responderá pelo
crime de injúria racial com pena de reclusão de 2 a 6
anos, conforme previsão expressa no art. 2º-A.
e) Por se tratar de injúria racial, o crime não se enquadra
como racismo e, portanto, não se sujeitaàs causas de
aumento previstas nos arts. 20-A e 20-B da Lei nº
7.716/1989.
Comentários:
Gabarito: B
O art. 2º-A da Lei nº 7.716/1989 (incluído pela Lei nº
14.532/2023) tipifica a injúria racial, definindo-a como
injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro,
em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional,
com pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa.
No caso, Rogério ofendeu a vítima por sua cor durante
evento cultural aberto ao público, sendo funcionário
público e atuando no exercício de suas funções.
Além da pena-base do art. 2º-A, incidem duas causas de
aumento:
• Art. 20-A: aumento de 1/3 até a metade se o crime
ocorrer no contexto de atividades culturais, artísticas,
esportivas ou religiosas destinadas ao público.
• Art. 20-B: aumento de 1/3 até a metade quando o
crime dos arts. 2º-A ou 20 for praticado por funcionário
público no exercício das funções ou a pretexto de exercê-
las.
Assim, Rogério poderá ter a pena majorada
cumulativamente pelas duas causas de aumento.
a) ERRADA – Há previsão expressa de causas de aumento
de pena nos arts. 20-A e 20-B, que são aplicáveis ao crime
de injúria racial.
b) CORRETA – Justifica-se pelo teor do art. 2º-A, com
incidência das majorantes do art. 20-A (contexto de
atividade cultural) e do art. 20-B (funcionário público no
exercício das funções).
c) ERRADA – O fato não se enquadra no art. 20 (crime de
racismo genérico), mas sim no art. 2º-A, específico para
injúria racial. O local do crime (evento cultural) não
altera a tipificação, mas enseja aumento de pena.
d) ERRADA – A pena-base do art. 2º-A é de 2 a 5 anos;
não há previsão expressa de pena de 2 a 6 anos. A
majoração é feita sobre a pena aplicada, não alterando a
pena-base do tipo.
e) ERRADA – A injúria racial prevista no art. 2º-A integra
a Lei de Crimes de Racismo e, portanto, se sujeita sim às
causas de aumento previstas nos arts. 20-A e 20-B.
56
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 62
Durante apuração do Ministério Público, descobriu-se
que João, sócio da empresa Alfa, ofereceu a Pedro,
supervisor técnico de órgão público estadual, vantagem
indevida de R$ 54.000,00 para assegurar a manutenção
de contratos emergenciais de tecnologia.
O acerto ocorreu em março de 2005, e o pagamento foi
feito em 6 parcelas entre 2005 e 2006.
O MP denunciou João por corrupção ativa (art. 333 do
CP), sustentando que cada parcela caracterizava crime
autônomo, configurando continuidade delitiva.
Considerando a jurisprudência do STJ, assinale a
alternativa correta.
a) Cada pagamento configura crime autônomo, pois o
art. 71 do CP aplica-se aos delitos contra a Administração
Pública, independentemente da natureza do tipo penal.
b) A corrupção ativa consuma-se com a oferta ou
promessa da vantagem indevida; pagamentos
posteriores são exaurimento da conduta, não havendo
continuidade delitiva.
c) Como houve seis pagamentos, houve seis atos de
corrupção ativa, devendo a pena ser aplicada com
aumento pela continuidade delitiva.
d) A consumação da corrupção ativa depende do
recebimento integral da vantagem indevida pelo agente
público, motivo pelo qual o número de crimes se define
pela quantidade de pagamentos.
e) O pagamento parcelado afasta a tipicidade, devendo
a conduta ser punida, se for o caso, como tentativa de
corrupção ativa.
Comentários:
Gabarito: B
1. Natureza do crime de corrupção ativa
O art. 333 do Código Penal dispõe:
Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário
público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar
ato de ofício.
O STJ entende que o crime de corrupção ativa é formal
(dispensa resultado naturalístico) e unissubsistente
(praticado por ato único). Ele se consuma no momento
em que a oferta ou promessa chega ao conhecimento do
agente público, ainda que o pagamento seja posterior ou
parcelado.
2. Parcelamento do pagamento e exaurimento da
conduta
Os pagamentos fracionados não configuram novos
crimes, pois não renovam o verbo nuclear ("oferecer" ou
"prometer"), mas apenas exauram a conduta criminosa
já consumada.
O STJ já decidiu que:
“O pagamento posterior, ainda que parcelado, constitui
exaurimento da conduta e pode ser valorado na
dosimetria, mas não caracteriza continuidade delitiva.”
(STJ, 6ª Turma, AREsp 920.664-DF, 17/12/2024).
3. Por que não há continuidade delitiva?
O art. 71 do CP exige pluralidade de condutas
(pluralidade de crimes consumados), o que não ocorre
aqui, pois a corrupção ativa se consumou de forma única
no momento da oferta.
O fracionamento do pagamento não corresponde a
novas "ofertas" ou "promessas".
• a) ERRADA – O art. 71 do CP exige mais de um crime
consumado. No caso, só houve um crime, consumado na
oferta inicial.
• b) CORRETA – Conforme o STJ, corrupção ativa é formal
e unissubsistente, consumando-se na oferta/promessa;
pagamentos posteriores são exaurimento e não
caracterizam continuidade delitiva.
• c) ERRADA – Esse foi o argumento do MP, rejeitado
pelo STJ. Os pagamentos não constituem novos crimes.
• d) ERRADA – A consumação independe do recebimento
integral da vantagem. Basta a ciência da oferta pelo
agente público.
• e) ERRADA – Não se trata de tentativa. O crime se
consumou no momento da oferta, independentemente
do pagamento.
57
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 63
João foi condenado por crime de roubo simples (art. 157,
caput, CP), cuja pena mínima é de 4 anos.
Na primeira fase da dosimetria, o juiz fixou a pena-base
em 4 anos, reconhecendo todas as circunstâncias
judiciais favoráveis.
Na segunda fase, foi reconhecida a atenuante da
confissão espontânea (art. 65, III, “d”, do CP).
A defesa sustentou que a pena deveria ser reduzida para
3 anos e 4 meses, aplicando a fração de 1/6 sobre a pena-
base mínima.
O juiz manteve a pena em 4 anos, invocando a Súmula
231 do STJ.
O Tribunal manteve a decisão. A defesa recorreu ao STJ,
pedindo a revisão da Súmula.
De acordo com a jurisprudência consolidada, assinale a
alternativa correta:
a) A confissão espontânea sempre reduz a pena,
podendo levá-la abaixo do mínimo legal, pois a lei não
prevê exceção.
b) É possível reduzir a pena abaixo do mínimo legal na
segunda fase, desde que se trate de atenuante relevante
como a confissão espontânea.
c) O STJ não pode afastar a aplicação da Súmula 231, pois
o STF, em repercussão geral (Tema 158), decidiu que
atenuantes não reduzem a pena abaixo do mínimo legal.
d) O STJ já superou a Súmula 231, permitindo a redução
da pena abaixo do mínimo legal para evitar violação ao
princípio da individualização da pena.
e) A aplicação de atenuantes e agravantes pode fixar
pena provisória fora dos limites mínimos e máximos
legais, desde que fundamentada pelo juiz.
Comentários:
Gabarito: C
1. Regra geral
A segunda fase da dosimetria (agravantes e atenuantes)
não pode resultar em pena inferior ao mínimo ou
superior ao máximo previsto no tipo penal.
Fundamento:
• Súmula 231 do STJ: “A incidência da circunstância
atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo
do mínimo legal.”
• Tema 158/STF (RE 597270 QO-RG): tese vinculante de
que atenuantes genéricas não reduzem pena abaixo do
mínimo legal.
2. Competência
O STJ não pode rever precedente vinculante fixado pelo
STF.
A eventual superação (overruling) só poderia ocorrer
pelo próprio Supremo.
3. Fundamentação
• Legalidade estrita: o legislador fixa pena mínima e
máxima; o juiz não pode ultrapassar esses limites nas
fases da dosimetria.
• Separação de poderes: alterar o limite mínimo por
meio de atenuante seria legislar.
• Interpretação do art. 65 do CP: “sempre atenuam”
significa obrigatoriedade de aplicação, mas dentro dos
limites legais.
4. Análise das alternativas
• a) ERRADA – A lei não excepciona, mas o STF já fixou
tese limitando a redução ao mínimo legal.
• b) ERRADA – Mesmo atenuante relevantenão pode
ultrapassar o mínimo legal.
• c) CORRETA – STF (Tema 158) e Súmula 231 do STJ
vinculam: atenuante não reduz abaixo do mínimo legal;
STJ não pode rever.
• d) ERRADA – O STJ não superou a Súmula 231.
• e) ERRADA – Não é permitido fixar pena intermediária
fora dos limites mínimo/máximo na segunda fase.
Questão 64
Regina, grávida de 27 semanas, recebeu diagnóstico de
que o feto é portador da Síndrome de Edwards associada
a cardiopatia grave.
Laudo médico indicou altíssima probabilidade de óbito
intraútero ou logo após o parto, mas não descartou
totalmente a possibilidade de vida extrauterina,
mencionando que 5% a 10% dos casos podem sobreviver
além do primeiro ano (com severas limitações).
A defesa impetrou habeas corpus preventivo pedindo
salvo-conduto para que Regina e a equipe médica
realizassem a interrupção da gestação, sustentando:
58
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
1. Aplicação analógica do entendimento da ADPF 54/STF,
que afastou a tipicidade penal da interrupção da
gestação de fetos anencéfalos;
2. Grave sofrimento psicológico da gestante e da família.
Segundo a jurisprudência atual, assinale a alternativa
correta:
a) O entendimento da ADPF 54 se aplica por analogia,
pois a Síndrome de Edwards também apresenta alta
letalidade, autorizando a interrupção sem configuração
de crime de aborto.
b) O entendimento da ADPF 54 só se aplica a casos de
anencefalia, não sendo possível estendê-lo quando não
houver certeza da inviabilidade de vida extrauterina.
c) O pedido deve ser deferido, pois a alta probabilidade
de letalidade dispensa a comprovação da inviabilidade
absoluta da vida extrauterina.
d) A autorização é cabível sempre que a condição fetal
comprometer severamente a qualidade de vida,
independentemente da possibilidade de sobrevivência.
e) O caso se enquadra automaticamente no art. 128, I,
do CP, por envolver risco psicológico à gestante.
Comentários:
Gabarito: B
1. ADPF 54 – Limite da decisão
O STF decidiu na ADPF 54 (Rel. Min. Marco Aurélio) que
a interrupção da gravidez de feto anencéfalo não
constitui crime de aborto, por ausência de
potencialidade de vida extrauterina.
O fundamento central foi a inviabilidade absoluta de vida
fora do útero no caso da anencefalia.
2. Síndrome de Edwards – Diferença relevante
Na Síndrome de Edwards, embora o prognóstico seja
gravíssimo, há possibilidade, ainda que remota, de
sobrevida após o parto.
No caso narrado, o próprio laudo médico apontou que
5% a 10% dos casos sobrevivem além do primeiro ano.
3. Impossibilidade de aplicação analógica
O STJ, no HC 932.495-SC (Info 820), decidiu que não é
possível aplicar por analogia o entendimento da ADPF 54
quando o quadro clínico fetal não comprova
inviabilidade absoluta de vida extrauterina.
A decisão fundamentou-se na interpretação restritiva de
excludentes penais e na necessidade de certeza sobre a
ausência total de potencialidade de vida para afastar a
tipicidade.
4. Art. 128, I, CP – Aborto necessário
Essa hipótese exige risco de morte à gestante.
No caso, não foi comprovado risco físico concreto à mãe,
motivo pelo qual não se aplica essa excludente.
• a) ERRADA – Alta letalidade não é suficiente; exige-se
inviabilidade absoluta.
• b) CORRETA – A ADPF 54 aplica-se apenas a casos de
anencefalia ou outras situações com inviabilidade
absoluta de vida extrauterina.
• c) ERRADA – Probabilidade, mesmo que alta, não basta.
• d) ERRADA – O parâmetro é a inviabilidade absoluta,
não a qualidade de vida.
• e) ERRADA – O art. 128, I, CP exige risco físico, não
apenas sofrimento psicológico.
Questão 65
O sistema carcerário brasileiro é frequentemente
criticado por sua superlotação, condições degradantes e
pela ineficácia no processo de ressocialização. O
Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar a ADPF nº 347,
reconheceu um Estado de Coisas Inconstitucional (ECI)
no sistema penitenciário, apontando violações
sistemáticas de direitos fundamentais.
Com base nesse entendimento, assinale a alternativa
correta, à luz dos pensamentos criminológicos:
a) A privatização das prisões é amplamente defendida
por organismos internacionais como solução para o
problema da superlotação, pois demonstrou redução
dos índices de reincidência e melhoria das condições de
encarceramento.
b) O conceito de Estado de Coisas Inconstitucional (ECI)
reconhece que a crise do sistema prisional não decorre
apenas de falhas legislativas ou judiciais, mas de um
colapso estrutural que exige ação coordenada dos Três
Poderes.
c) O STF, na ADPF nº 347, determinou a criação de um
regime especial de pena para crimes de menor potencial
ofensivo, prevendo liberdade condicional automática
para condenados que já tenham cumprido metade da
pena.
59
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
d) A jurisprudência atual reconhece que as penas
privativas de liberdade devem ser cumpridas
integralmente, independentemente das condições do
presídio, pois o princípio da legalidade impede a
flexibilização da execução penal.
e) A superlotação carcerária não é considerada um
problema estrutural no Brasil, sendo um fenômeno
isolado em algumas unidades prisionais, o que inviabiliza
o reconhecimento do Estado de Coisas Inconstitucional.
Comentários:
Gabarito: B
O Estado de Coisas Inconstitucional (ECI) foi reconhecido
pelo STF na ADPF nº 347 como resposta às graves e
sistemáticas violações de direitos fundamentais no
sistema carcerário brasileiro, incluindo superlotação,
tortura, insalubridade e falta de acesso a direitos básicos.
Esse conceito não se limita a falhas legislativas ou
judiciais, mas caracteriza um colapso estrutural do
sistema, exigindo ações coordenadas dos Três Poderes
para garantir direitos mínimos aos presos. Dessa forma,
a alternativa B está correta.
As demais alternativas estão incorretas:
• a) Errada. A privatização do sistema prisional é alvo de
críticas, pois pode levar à mercantilização do
encarceramento, aumentando a superlotação e
reduzindo garantias mínimas aos presos.
• c) Errada. A ADPF nº 347 não determinou um regime
especial de pena, mas apontou a necessidade de
medidas para enfrentar a crise carcerária.
• d) Errada. O STF já reconheceu que o cumprimento da
pena deve levar em conta as condições concretas do
presídio, podendo haver compensações penais em razão
de tratamento degradante.
• e) Errada. A superlotação não é um problema isolado,
mas sim estrutural, sendo uma das razões para o
reconhecimento do Estado de Coisas Inconstitucional.
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL
Professor Ivan Marques
Questão 66
No que concerne à colaboração premiada,
expressamente prevista na Lei das Organizações
Criminosas (Lei 12.850/2013), O juiz poderá, a
requerimento das partes, conceder o perdão judicial,
reduzir em até 2/3 (dois terços) a pena privativa de
liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos
daquele que tenha colaborado efetiva e
voluntariamente com a investigação e com o processo
criminal, desde que dessa colaboração advenha um ou
mais dos seguintes resultados, exceto:
a) a prevenção de infrações penais decorrentes das
atividades da organização criminosa.
b) a localização de eventual vítima com a sua integridade
física preservada.
c) a identificação dos demais coautores e partícipes da
organização criminosa e das infrações penais por eles
praticadas.
d) a recuperação total do produto ou do proveito das
infrações penais praticadas pela organização criminosa,
não sendo aceita a recuperação parcial.
e) a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de
tarefas da organização criminosa.
Comentários:
Gabarito: D
Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes,
conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3 (dois
terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la por
restritiva de direitos daquele que tenha colaborado
efetiva e voluntariamente com a investigaçãod) O direito à educação infantil só pode ser exigido
coletivamente mediante ações civis públicas, sendo
vedada a tutela individual por se tratar de direito social
que demanda implementação através de políticas
públicas de caráter coletivo.
e) A obrigatoriedade da oferta de educação pelo Poder
Público limita-se ao ensino fundamental, sendo a
educação infantil em creches um serviço complementar
cuja oferta depende da disponibilidade orçamentária e
da conveniência administrativa do município.
Comentários:
Gabarito: C
(A) INCORRETA - O STF foi categórico ao afirmar que "a
educação básica em todas as suas fases — educação
infantil, ensino fundamental e ensino médio — constitui
direito fundamental de todas as crianças e jovens,
assegurado por normas constitucionais de eficácia plena
e aplicabilidade direta e imediata". Não se trata de
norma programática, mas de direito fundamental com
eficácia plena, que independe de regulamentação
infraconstitucional para sua aplicação. A exigibilidade
individual é expressamente reconhecida pelo STF, não
podendo ser afastada pela alegação de
discricionariedade administrativa.
(B) INCORRETA - A decisão do STF é expressa no sentido
contrário. A educação infantil NÃO constitui mera
liberalidade do Poder Público, mas sim direito
fundamental com aplicabilidade imediata. O julgado
estabelece que "sua oferta pelo Poder Público pode ser
exigida individualmente", confirmando a existência de
direito subjetivo individual à matrícula. A inexistência de
vagas não afasta o direito, mas sim evidencia o
descumprimento do dever estatal que deve ser
corrigido.
(C) CORRETA - Esta alternativa reproduz fielmente o
entendimento consolidado pelo STF no RE 1.008.166/SC.
A Corte reconheceu que a educação básica, incluindo a
educação infantil em creches, constitui direito
7
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
fundamental assegurado por normas constitucionais de
eficácia plena e aplicabilidade direta e imediata. O
Tribunal expressamente afirmou que "sua oferta pelo
Poder Público pode ser exigida individualmente, como
no caso examinado neste processo", confirmando a
exigibilidade judicial individual do direito,
independentemente da alegação de falta de vagas.
(D) INCORRETA - O STF expressamente reconheceu a
possibilidade de exigibilidade individual do direito à
educação infantil. A decisão confirma que "sua oferta
pelo Poder Público pode ser exigida individualmente",
afastando qualquer restrição à tutela individual. Embora
o direito possa também ser tutelado coletivamente, isso
não exclui a via individual, que é expressamente
admitida pela jurisprudência do STF.
(E) INCORRETA - A decisão do STF deixa claro que a
obrigatoriedade da oferta de educação pelo Poder
Público abrange toda a educação básica, incluindo
expressamente a educação infantil (creche de 0 a 3 anos
e pré-escola de 4 a 5 anos). Não se trata de serviço
complementar, mas de direito fundamental que
independe de disponibilidade orçamentária ou
conveniência administrativa. O Tribunal estabelece que
"o Poder Público tem o dever jurídico de dar efetividade
integral às normas constitucionais sobre acesso à
educação básica".
Questão 5
Sobre os tratados internacionais de direitos humanos,
assinale a alternativa correta:
a) Os tratados internacionais de direitos humanos têm
status supralegal, estando abaixo da Constituição e
acima das leis ordinárias.
b) Os tratados internacionais de direitos humanos
aprovados pelo rito do art. 5º, §3º, da CF/88, equivalem
a emendas constitucionais.
c) Os tratados internacionais de direitos humanos não
podem ser objeto de controle de constitucionalidade.
d) Os tratados internacionais de direitos humanos só
produzem efeitos no Brasil após serem internalizados
por decreto presidencial.
e) Os tratados internacionais de direitos humanos têm
aplicação imediata, independentemente de
regulamentação.
Comentários:
Gabarito: B
Fundamentação: A alternativa B está correta, pois os
tratados internacionais de direitos humanos aprovados
pelo rito do art. 5º, §3º, da CF/88, equivalem a emendas
constitucionais. As demais alternativas estão incorretas:
os tratados têm status constitucional ou supralegal,
dependendo do rito de aprovação (A); podem ser objeto
de controle de constitucionalidade (C); precisam ser
internalizados por decreto legislativo, não apenas
presidencial (D); e sua aplicação pode depender de
regulamentação (E).
Questão 6
O Estado Alpha aprovou lei determinando a
obrigatoriedade de manutenção de exemplares da Bíblia
em todas as escolas e bibliotecas públicas estaduais. O
Ministério Público questionou a constitucionalidade da
norma, alegando afronta ao princípio da laicidade
estatal. Diante disso, assinale a alternativa correta:
a) A norma é constitucional, pois não impõe a leitura da
Bíblia, apenas garante seu acesso ao público.
b) A exigência de manutenção de Bíblias em escolas
públicas viola o princípio da laicidade estatal e a
liberdade religiosa.
c) O Estado pode determinar a presença de livros
religiosos nas escolas desde que contemple todas as
crenças igualmente.
d) A laicidade do Estado impede qualquer menção a
livros religiosos nas escolas, mesmo que a presença seja
facultativa.
e) A Constituição permite que estados promovam
religiões específicas, desde que haja interesse social
justificado.
Comentários:
Gabarito: B
(A) Errado. O STF entendeu que a imposição legal de
exemplares da Bíblia viola a laicidade estatal.
(B) Correto. A obrigatoriedade fere a laicidade do Estado
e a liberdade religiosa.
A imposição legal de manutenção de exemplares de
Bíblias em escolas e bibliotecas públicas estaduais
configura contrariedade à laicidade estatal e à liberdade
religiosa consagrada pela Constituição da República de
8
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
1988. STF. Plenário. ADI 5258/AM, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 12/4/2021 (Info 1012).
(C) Errado. Ainda que contemple todas as crenças, a
imposição estatal sobre religião é inconstitucional.
(D) Errado. A presença de livros religiosos não é vedada,
mas sua imposição por lei é inconstitucional.
(E) Errado. O Estado deve ser neutro em matéria
religiosa, sem promover qualquer crença específica.
Questão 7
Durante a investigação de uma comissão parlamentar de
inquérito na Câmara dos Deputados, o colegiado
deliberou pela expedição de convocação de alguns
governadores para que prestassem esclarecimentos
sobre a aplicação de verbas federais em seus respectivos
Estados. Havia, na hipótese, dúvida acerca da licitude
dos gastos públicos realizados.
Com base na jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal, assinale a alternativa correta:
a) A convocação é constitucional, pois o Senado tem
poder de fiscalização sobre recursos federais repassados
aos estados.
b) A convocação de governadores por CPI do Senado
viola a separação dos Poderes e a autonomia dos
estados.
c) Governadores podem ser convocados, mas sua
presença é facultativa, não podendo ser compelidos a
depor.
d) O STF decidiu que governadores só podem ser
convocados se a CPI tratar de crimes federais praticados
nos estados.
e) A CPI pode convocar qualquer agente público,
independentemente do cargo ocupado, desde que haja
indícios de irregularidades.
Comentários:
Gabarito: B
Em juízo de delibação, não é possível a convocação de
governadores de estados-membros da Federação por
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pelo
Senado Federal. A convocação viola o princípio da
separação dos Poderes e a autonomia federativa dos
estados-membros. STF. Plenário. ADPF 848 MC-Ref/DF,
Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 25/6/2021 (Info 1023).
(A) Errado. O Senado não pode convocar governadores,
pois isso viola a autonomia dos estados.
(B) Correto. O STF entendeu que a convocação de
governadores por CPI do Senado fere a separação dos
Poderes.
(C) Errado. Ae com o
processo criminal, desde que dessa colaboração
advenha um ou mais dos seguintes resultados:
I - a identificação dos demais coautores e partícipes da
organização criminosa e das infrações penais por eles
praticadas;
II - a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de
tarefas da organização criminosa;
III - a prevenção de infrações penais decorrentes das
atividades da organização criminosa;
IV - a recuperação total ou parcial do produto ou do
proveito das infrações penais praticadas pela
organização criminosa; (Vide ADPF 569)
60
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
V - a localização de eventual vítima com a sua integridade
física preservada.
Questão 67
A prisão temporária sofreu alterações em seus requisitos
autorizadores de decretação, porém a relação taxativa
dos delitos foi mantida. Aponte o crime que admite a
decretação da prisão temporária:
a) a corrupção passiva (CP, art. 317).
b) a falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de
produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (CP,
art. 273).
c) a concussão (CP, art. 316).
d) o contrabando (CP, art. 334).
e) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de
outubro de 1956).
Comentários:
Gabarito: E
O único crime que está no rol taxativo da lei da prisão
temporária é a alternativa E. Os demais crimes não estão
na lista.
Questão 68
No que tange a interceptação das comunicações
telefônicas e a disposições relativas a esse meio de
obtenção de prova, previstas na Lei n. 9.296/1996,
assinale a opção INCORRETA:
a) A referida medida poderá ser determinada no curso
da investigação criminal ou da instrução processual
destinada à apuração de infração penal punida, ao
menos, com pena de reclusão, sendo inadmissível para
delitos punidos com detenção, mostrando-se irrelevante
a quantidade de pena.
b) A existência de prova testemunhal impedirá o
deferimento da referida medida.
c) O deferimento da referida medida exige a clara
descrição do objeto da investigação.
d) A utilização de prova obtida a partir da referida
medida para fins de investigação de fato delituoso
diverso imputado a terceiro não é admitida.
e) A decisão judicial autorizadora da referida medida
poderá exceder o prazo máximo de quinze dias, mesmo
a lei tendo previsão em sentido contrário.
Comentários:
Gabarito: D
Admite-se a prova pela teoria da serendipidade (ou
descoberta fortuita).
DIREITOS HUMANOS
Professor Vinicius Zoponi
Questão 69
Em sucessivas decisões, a Corte Interamericana de
Direitos Humanos tem reiterado que a reparação
integral deve, na medida do possível, restabelecer a
situação anterior ao ilícito, compensar prejuízos e
prevenir novas violações. Quanto aos parâmetros
normativos definidos pela Corte, assinale a alternativa
correta.
a) A restituição ao status quo ante constitui condição
imprescindível, de modo que é inadequada sua
substituição por medidas compensatórias idôneas.
b) A compensação pecuniária abrange danos materiais,
morais e lucros cessantes, exigindo, em todos os casos,
comprovação pericial detalhada do montante pleiteado,
sob pena de indeferimento.
c) As medidas de satisfação — como atos públicos de
reconhecimento de responsabilidade ou iniciativas de
memória histórica — somente podem ser determinadas
se houver requerimento expresso das vítimas ou de seus
familiares.
d) As garantias de não repetição podem envolver
reformas legislativas, capacitação de agentes estatais e
adoção de políticas públicas, mas a Corte não dispõe de
competência para fixar prazos ou supervisionar sua
implementação após o trânsito em julgado.
e) O direito à verdade constitui componente autônomo
do catálogo reparatório reconhecido pela Corte,
beneficiando não apenas as vítimas e seus familiares,
mas também a sociedade como um todo ao assegurar
memória e prevenção.
Comentários:
Gabarito: E
61
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
A reparação integral, segundo a Corte Interamericana de
Direitos Humanos, engloba um conjunto articulado de
medidas — restituição, compensação,
satisfação/reabilitação e garantias de não repetição —
voltadas a restabelecer, na maior medida possível, a
situação anterior ao ilícito, compensar os danos
causados e prevenir recorrências. Esse modelo foi
delineado a partir da sentença de reparações em
Velásquez Rodríguez vs. Honduras (1989) e reiterado em
precedentes como Campo Algodonero vs. México (2009)
e Ibsen Cárdenas e Ibsen Peña vs. Bolívia (2010).
Vamos examinar cada alternativa isoladamente.
A alternativa A está incorreta: embora a Corte priorize a
restituição, ela não a qualifica como “condição
imprescindível” em todos os casos: se o
restabelecimento ao status quo ante for impossível ou
desproporcional, admite-se que medidas
compensatórias substituam, e não apenas
complementem, a restituição (v.g. García Lucero vs.
Chile, 2013). Assim, tratar a restituição como requisito
inafastável contradiz a jurisprudência que admite sua
substituição por indenização em equidade.
A alternativa B está incorreta: a Corte exige
comprovação do dano quando possível, mas reconhece
que a natureza de certos prejuízos — sobretudo morais
— impede quantificação exata; nesses casos, fixa-se o
montante “em equidade” (Cantoral Benavides vs. Peru,
2001). Portanto, não há obrigação de prova pericial
detalhada “em todos os casos”, sob pena de
indeferimento.
A alternativa C está incorreta: medidas de satisfação,
como atos públicos de reconhecimento ou iniciativas de
memória, podem ser impostas de ofício pela Corte,
independentemente de requerimento expresso das
vítimas (Moiwana Community vs. Suriname, 2005). Para
a Corte, condicionar tais medidas a pedido expresso
restringe indevidamente sua atuação.
A alternativa D está incorreta: além de fixar o conteúdo
das garantias de não repetição, a Corte estabelece
prazos e mantém jurisdição de supervisão do
cumprimento (art. 68 CADH), o que se dá por meio dos
relatórios periódicos de supervisão, em que a Corte
acompanha e cobra a implementação das reformas
determinadas.
A alternativa E está correta: desde Moiwana Community
vs. Suriname (2005) e reafirmado em Almonacid Arellano
vs. Chile (2006), a Corte reconhece o direito à verdade
como componente autônomo das reparações, destinado
não só às vítimas e seus familiares, mas à sociedade em
geral, como garantia de memória, justiça e não
repetição.
Questão 70
O procedimento de solução amistosa, previsto na
Convenção Americana sobre Direitos Humanos e
regulado pelo Regulamento da Comissão Interamericana
de Direitos Humanos (CIDH), constitui meio consensual
para a resolução de petições individuais. À luz desse
mecanismo, assinale a alternativa INCORRETA.
a) A CIDH deve verificar se o conteúdo do acordo
amistoso é compatível com os direitos humanos
reconhecidos na Convenção Americana, antes de
homologá-lo.
b) O acordo pode envolver reconhecimento de
responsabilidade internacional pelo Estado, bem como
medidas de reparação integral em favor das vítimas.
c) Se o Estado descumprir integralmente o acordo
aprovado, a CIDH pode reabrir a análise de mérito do
caso e, em última instância, submetê-lo à Corte
Interamericana.
d) A CIDH está impedida de publicar o conteúdo do
acordo em seu relatório final sem consentimento
expresso e unânime das partes envolvidas.
e) Durante a fase de negociação, as reuniões de solução
amistosa podem ser reservadas, mas a CIDH mantém
poder de facilitação e supervisão da implementação
posterior.
Comentários:
Gabarito: D
A solução amistosa é mecanismo consagrado no art.
48.1, alínea “f” da Convenção Americana e
regulamentado nos arts. 40 a 44 do Regulamento da
Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
Seu objetivo é permitir que Estado e vítimas cheguem,
com a facilitação da CIDH, a um acordo que contemple
reconhecimento de responsabilidade, reparação integral
e garantiasde não repetição, poupando tempo
processual e fortalecendo o cumprimento voluntário.
Vamos examinar cada alternativa isoladamente.
62
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
A alternativa A está correta: o art. 40.5 do Regulamento
determina que, antes de aprovar o acordo, a CIDH deve
verificar a compatibilidade de seu conteúdo com a
Convenção Americana e outros instrumentos aplicáveis,
assegurando que não haja cláusulas que violem direitos
humanos.
A alternativa B está correta: tanto a prática da Comissão
quanto o Regulamento (art. 40) admitem que o acordo
contenha reconhecimento expresso da responsabilidade
internacional do Estado e preveja medidas de reparação
integral (compensação, reabilitação, satisfação e
garantias de não repetição).
A alternativa C está correta: se o Estado descumprir o
acordo, a CIDH pode retomar o exame de mérito e,
observados os requisitos do art. 44 do Regulamento,
remeter o caso à Corte Interamericana; isso preserva a
efetividade do sistema e incentiva o fiel cumprimento
das obrigações pactuadas.
A alternativa D é a incorreta: não existe impedimento
absoluto para a publicação do acordo. Após aprová-lo, a
CIDH emite relatório de solução amistosa contendo a
íntegra ou um resumo do pacto — ainda que as partes
possam solicitar sigilo de trechos específicos. Assim, o
consentimento “expresso e unânime” não é condição
indispensável para que a Comissão divulgue o conteúdo
essencial do acordo e monitore sua execução.
A alternativa E está correta: durante as negociações, as
reuniões podem ser reservadas para garantir
confidencialidade e boa-fé, mas a CIDH permanece como
facilitadora, podendo inclusive sugerir cláusulas. Após a
homologação, conserva competência para supervisionar
o cumprimento, publicando relatórios de
acompanhamento quando necessário.
Questão 71
Em 26 de junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal, ao
julgar dois recursos extraordinários submetidos ao
regime de repercussão geral, redefiniu o alcance da
responsabilidade civil de plataformas digitais por
conteúdos gerados por terceiros e, ao mesmo tempo,
reafirmou a proteção constitucional à liberdade de
expressão. À luz desse precedente, assinale a alternativa
correta.
a) O STF considerou integralmente constitucional o
dispositivo do Marco Civil da Internet que condiciona a
responsabilidade das plataformas ao descumprimento
de ordem judicial específica, mantendo inalterado o
regime anterior.
b) O Tribunal declarou parcialmente inconstitucional o
referido dispositivo, admitindo que as plataformas
possam ser responsabilizadas, sem necessidade de
ordem judicial, quando notificadas sobre crimes ou atos
ilícitos graves e nada fizerem para remover o conteúdo.
c) Para o STF, nas hipóteses de crimes contra a honra, as
plataformas têm dever de remoção imediata após
simples notificação privada, respondendo objetivamente
pelos danos causados em caso de inércia.
d) O julgamento estabeleceu que serviços de e-mail e
aplicativos de mensagens privadas se submetem às
mesmas regras de responsabilidade aplicáveis a redes
sociais públicas, inclusive quanto ao dever de vigilância
preventiva.
e) A Corte concluiu que a circulação de anúncios pagos
não gera dever especial de cuidado pelas plataformas,
afastando qualquer presunção de conhecimento ou de
responsabilidade acerca da ilicitude do conteúdo.
Comentários:
Gabarito: B
A decisão do STF nos RE 1.037.396 (Tema 987) e RE
1.057.258 (Tema 533) modulou o art. 19 do Marco Civil
da Internet (MCI), proclamando sua
inconstitucionalidade parcial e progressiva.
O Tribunal manteve a regra-geral de necessidade de
ordem judicial para crimes contra a honra, mas
reconheceu a possibilidade de responsabilização civil
sem ordem judicial em hipóteses graves — por exemplo,
quando a plataforma é notificada extrajudicialmente
sobre terrorismo, pornografia infantil, racismo ou outros
ilícitos graves e permanece inerte.
Também estabeleceu presunção de responsabilidade em
anúncios pagos e no uso de redes de bots.
Vamos examinar cada alternativa isoladamente.
A alternativa A está incorreta: o STF não manteve
integralmente o art. 19; declarou-o parcialmente
inconstitucional, justamente por entender que a
exigência de ordem judicial única não protege
adequadamente direitos fundamentais.
A alternativa B está correta: a Corte admitiu
responsabilização sem ordem judicial quando a
plataforma, após notificação extrajudicial, deixa de
63
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
remover conteúdos que configurem crimes ou atos
ilícitos graves, ampliando a lógica do art. 21 do MCI.
A alternativa C está incorreta: Nos crimes contra a honra,
continua exigida a ordem judicial para responsabilização;
a remoção após simples notificação é facultativa e não
impõe responsabilidade objetiva.
A alternativa D está incorreta: Serviços neutros — e-mail,
mensageria privada, videoconferências fechadas —
permanecem sob o regime original do art. 19 e não
assumem dever de vigilância preventiva ampliada.
A alternativa E está incorreta: para anúncios ou
impulsionamentos pagos, há presunção de
responsabilidade da plataforma, justamente por haver
controle editorial sobre o conteúdo patrocinado.
Questão 72
Em 27 de novembro de 2024, a Corte Interamericana de
Direitos Humanos proferiu sentença no caso Da Silva e
outros vs. Brasil, que tratou do homicídio do trabalhador
rural Manoel Luiz da Silva e da resposta estatal
subsequente. Considerando os fundamentos e
conclusões desse julgamento, assinale a alternativa
correta.
a) A Corte declarou o Brasil responsável por violações às
garantias judiciais, à proteção judicial, à integridade
pessoal e ao direito à verdade, todas relacionadas ao
dever geral de respeitar e garantir direitos humanos.
b) O Tribunal concluiu que, como o processo penal
terminou com absolvição após procedimento regular,
não houve violação ao prazo razoável nem à devida
diligência investigativa.
c) A Corte, entendendo-se incompetente para analisar
atos posteriores à ratificação da Convenção pelo Brasil,
deixou de examinar qualquer conduta estatal ocorrida
após 10 de dezembro de 1998.
d) Entre as reparações determinadas, a Corte limitou-se
à publicação da sentença, sem ordenar ato público de
desculpas ou elaboração de diagnóstico sobre violência
contra trabalhadores rurais.
e) O Estado brasileiro negou integralmente
responsabilidade internacional, sustentando que
eventuais falhas processuais decorreram de fatores
alheios ao Poder Judiciário.
Comentários:
Gabarito: A
A sentença da Corte Interamericana no caso Da Silva e
outros vs. Brasil consolidou a responsabilidade
internacional do Estado brasileiro por falhas graves de
investigação e morosidade processual no homicídio de
Manoel Luiz da Silva, trabalhador rural ligado ao MST.
O Tribunal evidenciou violações múltiplas – não apenas
aos direitos das vítimas e seus familiares, mas também
ao direito coletivo à verdade – e fixou um amplo rol de
reparações, incluindo atos de reconhecimento público e
diagnóstico sobre violência contra trabalhadores rurais.
Vamos examinar cada alternativa isoladamente.
A alternativa A está correta: a Corte reconheceu que o
Brasil violou simultaneamente as garantias judiciais, a
proteção judicial, a integridade pessoal e o direito à
verdade, todas vinculadas ao dever estatal de respeitar
e garantir os direitos humanos.
A alternativa B está incorreta: ao contrário do que se
afirma, o Tribunal apontou falta de devida diligência e
violação do prazo razoável durante o processo penal,
fatores que contribuíram para a impunidade 2024 Da
Silva e outros ….
A alternativa C está incorreta: embora tenha
reconhecido limites temporais de sua jurisdição, a Corte
analisou diversos atos estatais posteriores a 10 de
dezembro de 1998, marco da sujeição do Brasil à
jurisdição contenciosa da Corte IDH, tendo em vista que
a falta de diligênciapersistiu dentro do período de
competência do Tribunal.
A alternativa D está incorreta: as reparações não se
limitaram à publicação da sentença: incluíram ato
público de desculpas, elaboração de diagnóstico sobre
violência contra trabalhadores rurais, assistência médica
e psicológica aos familiares e indenizações materiais e
morais.
A alternativa E está incorreta: o Estado brasileiro
apresentou reconhecimento parcial de
responsabilidade, especialmente pela morosidade
processual e pelo sofrimento imposto aos familiares, não
havendo negação integral.
64
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 73
O Brasil ratificou a Convenção sobre a Eliminação de
Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher
(CEDAW) em 1984 e o respectivo Protocolo Facultativo
em 2002, assumindo compromissos que exigem não
apenas igualdade formal, mas também a adoção de
políticas concretas para promover a igualdade
substantiva entre mulheres e homens. Considerando o
alcance e a interpretação da CEDAW pela doutrina e pelo
Comitê da Convenção, assinale a alternativa correta.
a) O dever estatal de eliminar discriminação limita-se às
relações verticalizadas entre Estado e indivíduos, não
alcançando práticas adotadas exclusivamente no âmbito
privado.
b) A CEDAW concentra-se na discriminação baseada em
gênero, não abrangendo situações em que o preconceito
se cruza com fatores como raça, deficiência ou condição
socioeconômica.
c) A adoção de medidas temporárias especiais, como
cotas eleitorais ou programas de incentivo à contratação
de mulheres em setores sub-representados, não
caracteriza discriminação “invertida”, pois visa acelerar a
igualdade de fato e deve cessar quando cumprido seu
objetivo.
d) A apresentação de relatórios periódicos ao Comitê da
CEDAW é facultativa; Estados podem optar por
encaminhar informações por meio de organismos
regionais, dispensando a submissão direta.
e) O Protocolo Facultativo à CEDAW admite apenas
comunicações interestatais, vedando petições
individuais ou investigações sobre violações graves e
sistemáticas dos direitos das mulheres.
Comentários:
Gabarito: C
A CEDAW obriga os Estados-Partes a eliminar a
discriminação contra a mulher “em todas as suas
formas”, adotando medidas legislativas, administrativas,
judiciais e de política pública que assegurem igualdade
substantiva.
O Comitê da Convenção tem reiterado que esse dever se
estende a práticas de particulares (efeito horizontal) e
que ações temporárias especiais — como cotas e
incentivos de contratação — são instrumentos legítimos
para corrigir desigualdades estruturais, devendo durar
apenas enquanto necessárias.
Vamos examinar cada alternativa isoladamente.
A alternativa A está incorreta: a obrigação de suprimir a
discriminação alcança tanto o setor público quanto o
privado. A Convenção exige que o Estado previna,
investigue e sancione atos discriminatórios praticados
por particulares, bem como adote políticas para
transformá-los.
A alternativa B está incorreta: o Comitê da CEDAW
reconhece a discriminação interseccional: gênero pode
somar-se a raça, deficiência, orientação sexual, condição
socioeconômica, entre outros fatores, ampliando
vulnerabilidades e exigindo respostas específicas.
A alternativa C está correta: medidas temporárias
especiais — cotas eleitorais, reservas de vagas em
universidades, bônus em concursos ou programas de
estímulo à contratação — não configuram
“discriminação invertida”. A Convenção esclarece que
tais ações são compatíveis com o princípio da igualdade,
desde que proporcionais, temporárias e destinadas a
acelerar a igualdade de fato; extinguem-se quando
atingido o objetivo.
A alternativa D está incorreta: o envio de relatórios
periódicos ao Comitê é obrigação convencional. Não
existe alternativa de substituí-los por informações
encaminhadas a organismos regionais; a falta de
apresentação sujeita o Estado a procedimento de
acompanhamento e recomendações específicas.
A alternativa E está incorreta: o Protocolo Facultativo
admite petições individuais, comunicações interestatais
e, ainda, inquéritos (inquiries) sobre violações graves ou
sistemáticas. Assim, o acesso direto de indivíduos ao
Comitê é mecanismo central de monitoramento.
65
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 74
Em dezembro de 2022, o Brasil apresentou ao Comitê
para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) seu
relatório periódico. Nas observações finais publicadas
pelo Comitê, elogiaram-se avanços em ações
afirmativas, coleta de dados étnico-raciais e proteção de
comunidades quilombolas e indígenas, mas apontaram-
se preocupações com desigualdades estruturais,
violência policial seletiva e carência de políticas
interseccionais para mulheres negras. À luz dos
parâmetros internacionais sobre discriminação racial e
da jurisprudência do Sistema Interamericano, assinale a
alternativa correta.
a) O dever de combater discriminação racial limita-se à
esfera estatal, não podendo o Estado impor obrigações
específicas de promoção da igualdade a entidades
privadas ou empresas multinacionais.
b) Para caracterizar discriminação racial sistêmica, é
imprescindível demonstrar intenção discriminatória
direta; disparidades estatísticas ou efeitos
desproporcionais não são suficientes.
c) Segundo a prática do CERD, a utilização de dados
estatísticos étnico-raciais para evidenciar desigualdades
é desencorajada, pois viola o princípio da não
segregação.
d) Os órgãos internacionais reconhecem que a
discriminação racial pode ocorrer de forma
interseccional, exigindo do Estado políticas que abordem
simultaneamente raça e gênero, como no caso de
mulheres afro-descendentes submetidas a violência de
gênero.
e) Nos casos em que reconheceu discriminação racial, a
Corte Interamericana restringiu-se a determinar
medidas de não repetição, sem estabelecer qualquer
indenização econômica às vítimas.
Comentários:
Gabarito: D
A eliminação da discriminação racial exige que o Estado
adote medidas normativas, administrativas e judiciais de
alcance tanto público quanto privado, levando em conta
desigualdades históricas e seus cruzamentos com
gênero, classe e outros marcadores.
As Recomendações Gerais do CERD e decisões da Corte
Interamericana, por sua vez, deixam claro que a
evidência estatística e a abordagem interseccional são
centrais para identificar e enfrentar o racismo estrutural.
A alternativa A está incorreta: os órgãos internacionais
impõem ao Estado o dever de regular e fiscalizar a
conduta de particulares, inclusive empresas. Obrigações
positivas de promoção da igualdade — como programas
de diversidade ou cláusulas de contratação — podem e
devem ser exigidas.
A alternativa B está incorreta: para caracterizar
discriminação sistêmica basta demonstrar efeitos
desproporcionais ou disparidades estatísticas. A prova
de intenção discriminatória não é imprescindível; o CERD
incentiva o uso de dados para revelar tais desigualdades.
A alternativa C está incorreta: o CERD recomenda
explicitamente a coleta e o uso de dados étnico-raciais
desagregados como ferramenta de diagnóstico e
monitoramento de políticas públicas, longe de
considerá-los uma forma de segregação.
A alternativa D está correta: tanto o CERD quanto a Corte
e a Comissão Interamericanas reconhecem a
discriminação interseccional. Casos envolvendo
mulheres afrodescendentes, por exemplo, demonstram
a necessidade de políticas que combinem recorte racial
e de gênero.
A alternativa E está incorreta: a Corte Interamericana
não se limita a medidas de não repetição; ela fixa
regularmente compensações pecuniárias e morais às
vítimas de discriminação racial, como evidenciado en
duversis casos (v.g. Yean & Bosico v. República
Dominicana, 2005, e Dorzema v. República Dominicana,
2012).
66
2º Simulado ENAM (Magistratura)– 24/08/2025
FORMAÇÃO HUMANÍSTICA
Professor Jean Vilbert
Questão 75
A Recomendação CNJ nº 123/2022 estabelece diretrizes
importantes sobre a aplicação de normas internacionais
de direitos humanos pelo Poder Judiciário brasileiro.
Segundo esta recomendação, os órgãos do Poder
Judiciário devem:
a) Observar apenas os tratados internacionais ratificados
após a promulgação da Constituição Federal de 1988.
b) Aplicar exclusivamente a jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal em matéria de direitos humanos.
c) Observar os tratados e convenções internacionais de
direitos humanos e utilizar a jurisprudência da Corte
Interamericana de Direitos Humanos.
d) Priorizar sempre a legislação nacional em detrimento
dos tratados internacionais.
e) Submeter todas as decisões envolvendo direitos
humanos à prévia aprovação do CNJ.
Comentários:
Gabarito: C
A Recomendação CNJ nº 123/2022 expressamente
estabelece em seu art. 1º, inciso I, que se deve
recomendar aos órgãos do Poder Judiciário "a
observância dos tratados e convenções internacionais de
direitos humanos em vigor no Brasil e a utilização da
jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos
Humanos (Corte IDH), bem como a necessidade de
controle de convencionalidade das leis internas." O
documento fundamenta-se na Convenção Americana
sobre Direitos Humanos e estabelece que o Brasil deve
cumprir as decisões da Corte IDH.
Questão 76
A Resolução CNJ nº 354/2020 regulamenta a realização
de audiências por videoconferência. De acordo com esta
resolução, as audiências telepresenciais:
a) Podem ser determinadas de ofício pelo juiz em
qualquer situação, independentemente da concordância
das partes.
b) Só podem ser realizadas mediante pedido da parte,
cabendo ao juiz decidir pela conveniência de sua
realização no modo presencial, devendo o juiz estar
presente na unidade judiciária.
c) São obrigatórias em todos os processos criminais
envolvendo réus presos.
d) Dispensam a presença física do magistrado na unidade
judiciária em qualquer hipótese.
e) Não podem ser utilizadas em processos que tramitam
sob segredo de justiça.
Comentários:
Gabarito: B
Conforme o art. 3º da Resolução CNJ nº 354/2020, com
redação dada pela Resolução n. 481/2022, "as
audiências só poderão ser realizadas na forma
telepresencial a pedido da parte, ressalvado o disposto
no § 1º, bem como nos incisos I a IV do § 2º do art. 185
do CPP, cabendo ao juiz decidir pela conveniência de sua
realização no modo presencial. Em qualquer das
hipóteses, o juiz deve estar presente na unidade
judiciária." A regra geral é que a audiência telepresencial
depende de pedido da parte, com exceções específicas
previstas na própria resolução.
Questão 77
Segundo a Resolução CNJ nº 350/2020, sobre
cooperação judiciária nacional, os atos de cooperação
podem consistir em diversas providências. Analise as
afirmativas abaixo:
I. Reunião ou apensamento de processos, inclusive a
reunião de execuções contra um mesmo devedor em um
único juízo.
II. Compartilhamento temporário de equipe de auxiliares
da justiça, inclusive de servidores públicos.
III. Transferência de presos, conforme regulamentação
específica do CNJ.
IV. Substituição definitiva da competência jurisdicional
do juízo originário.
Estão CORRETAS as afirmativas:
a) I, II e III apenas.
b) I, II, III e IV.
c) II e III apenas.
d) I e IV apenas.
e) I, II e IV apenas.
67
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Comentários:
Gabarito: A
Segundo o art. 6º da Resolução CNJ nº 350/2020, os atos
de cooperação podem consistir nas condutas descritas
nos incisos I, II e III. O inciso IV (reunião ou apensamento
de processos), XVIII (compartilhamento de equipes) e XV
(transferência de presos) estão expressamente
previstos. A afirmativa IV está incorreta porque a
cooperação não substitui definitivamente a competência
jurisdicional, mas permite atos concertados respeitando-
se as regras de competência.
Questão 78
A Recomendação CNJ nº 159/2024 trata da identificação,
tratamento e prevenção da litigância abusiva.
Considerando as diretrizes estabelecidas nesta
recomendação, analise as seguintes situações:
I. Ajuizamento de múltiplas ações em comarcas distintas
do domicílio das partes ou do local do fato, com pedidos
vagos e alternativos que não guardam relação lógica com
a causa de pedir.
II. Apresentação de procurações com assinatura
eletrônica não qualificada, sem certificado digital padrão
ICP-Brasil, para grandes volumes de demandas.
III. Concentração de elevado número de processos sob
patrocínio de poucos profissionais, cuja sede não
coincide com a comarca de ajuizamento ou domicílio das
partes.
IV. Formulação de pedidos declaratórios com
demonstração clara da utilidade e necessidade da
prestação jurisdicional.
Segundo a recomendação, constituem indícios de
condutas processuais potencialmente abusivas:
a) I, II e III apenas.
b) I, II, III e IV.
c) II e IV apenas.
d) I e III apenas.
e) I, III e IV apenas.
Comentários:
Gabarito: A
O Anexo A da Recomendação CNJ nº 159/2024 lista
condutas processuais potencialmente abusivas. As
situações I, II e III estão expressamente previstas nos
itens 4, 11 e 13 do referido anexo, respectivamente. A
situação IV está incorreta porque o item 19 do anexo
considera abusiva justamente a "formulação de pedidos
declaratórios, SEM demonstração da utilidade,
necessidade e adequação da prestação jurisdicional" - ou
seja, quando há demonstração clara da utilidade, não
caracteriza conduta abusiva.
Questão 79
Sobre a arbitragem envolvendo a administração pública,
nos termos da Lei nº 9.307/1996, é CORRETO afirmar:
a) A administração pública direta e indireta pode utilizar-
se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos
patrimoniais disponíveis, sendo que a arbitragem poderá
ser de direito ou de equidade, a critério das partes.
b) A arbitragem que envolva a administração pública
será sempre de direito e respeitará o princípio da
publicidade, não sendo permitida arbitragem por
equidade.
c) Apenas a administração pública indireta pode valer-se
da arbitragem, estando a administração direta vedada
de utilizar este instituto.
d) A autoridade competente da administração pública
para celebração de convenção de arbitragem deve ser
sempre diversa daquela competente para realização de
acordos ou transações.
e) A administração pública pode utilizar arbitragem
apenas para direitos patrimoniais indisponíveis, desde
que observado o princípio da supremacia do interesse
público.
Comentários:
Gabarito: B
Conforme o art. 1º, §§ 1º e 2º, e art. 2º, § 3º da Lei de
Arbitragem, a administração pública direta e indireta
pode utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos
relativos a direitos patrimoniais disponíveis. Contudo, o
§ 3º do art. 2º estabelece expressamente que "a
arbitragem que envolva a administração pública será
sempre de direito e respeitará o princípio da
publicidade", ou seja, não é permitida arbitragem por
equidade quando envolve o Poder Público. A alternativa
A está incorreta porque afirma que a arbitragem pode
ser "de direito ou de equidade, a critério das partes", o
que não se aplica quando há participação da
administração pública.
68
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 80
Considerando as disposições da Lei Geral de Proteção de
Dados Pessoais (LGPd), analise as afirmativas sobre o
tratamento de dados pessoais sensíveis:
a) O tratamento de dados pessoais sensíveis somente
pode ocorrer mediante consentimento específico e
destacado do titular, não sendo admitidas hipóteses de
dispensa de consentimento.
b) É vedada, em qualquer hipótese, a comunicação ou
uso compartilhado entre controladores de dados
pessoais sensíveis referentes à saúde com objetivo de
obter vantagem econômica.
c) O tratamento de dados pessoais sensíveis pode
ocorrer sem consentimentodo titular quando
indispensável para o exercício regular de direitos em
processo judicial, administrativo e arbitral.
d) Dados pessoais sensíveis incluem apenas informações
sobre origem racial, convicção religiosa e opinião
política, excluindo-se dados referentes à saúde e vida
sexual.
e) A comunicação de dados pessoais sensíveis entre
controladores públicos independe de qualquer
formalidade, bastando a finalidade de execução de
política pública.
Comentários:
Gabarito: C
De acordo com o art. 11, inciso II, alínea "d" da LGPD, o
tratamento de dados pessoais sensíveis pode ocorrer
sem fornecimento de consentimento do titular quando
for indispensável para o "exercício regular de direitos,
inclusive em contrato e em processo judicial,
administrativo e arbitral". A alternativa A está incorreta
porque existem hipóteses de dispensa de
consentimento. A alternativa B está incorreta porque o §
4º do art. 11 permite exceções para portabilidade de
dados e serviços de saúde. A alternativa D está incorreta
porque o conceito de dados sensíveis no art. 5º, II inclui
dados sobre saúde e vida sexual. A alternativa E está
incorreta porque há formalidades específicas
estabelecidas na lei para comunicação de dados
sensíveis.
64
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
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https://bit.ly/SistemaQCJimpossibilidade de convocação é absoluta,
não há obrigação nem convite formal.
(D) Errado. O STF não fez essa distinção; a vedação à
convocação é geral.
E) Errado. A limitação da convocação de governadores
decorre do princípio federativo.
Em juízo de delibação, não é possível a convocação de
governadores de estados-membros da Federação por
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pelo
Senado Federal. A convocação viola o princípio da
separação dos Poderes e a autonomia federativa dos
estados-membros. STF. Plenário. ADPF 848 MC-Ref/DF,
Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 25/6/2021 (Info 1023).
Questão 8
A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
aprovou a Lei Estadual nº X/2024, que institui o
"Programa Habitação Emergencial", destinado ao
pagamento de aluguel temporário para famílias em
situação de vulnerabilidade social. A lei estabelece os
seguintes dispositivos principais: (i) autorização ao Poder
Executivo para implementar programa de auxílio-aluguel
para famílias que residam em áreas de risco iminente ou
que tenham perdido suas moradias em decorrência de
desastres naturais; (ii) utilização do valor do salário
mínimo nacional como parâmetro para cálculo do
benefício, limitado a 50% deste valor; (iii) determinação
de que "o Poder Executivo deverá regulamentar esta Lei
no prazo improrrogável de 60 dias, estabelecendo os
critérios específicos de elegibilidade e os procedimentos
operacionais do programa".
O Governador do Estado, após sanionar a lei, ajuizou
Ação Direta de Inconstitucionalidade perante o Supremo
Tribunal Federal, questionando especificamente a
imposição do prazo para regulamentação. Por sua vez,
entidades da sociedade civil contestaram a
constitucionalidade do programa em si, alegando
violação à competência da União para legislar sobre
diretrizes da política nacional de habitação.
9
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Considerando o entendimento do Supremo Tribunal
Federal e os princípios constitucionais aplicáveis,
assinale a alternativa CORRETA:
a) A lei estadual é integralmente inconstitucional, pois os
Estados-membros não possuem competência para
legislar sobre programas habitacionais, matéria de
competência privativa da União, e a utilização do salário
mínimo como parâmetro é vedada pela Constituição
Federal.
b) É constitucional a instituição do programa estadual de
auxílio-aluguel e a utilização do salário mínimo como
parâmetro para o benefício, sendo inconstitucional
apenas a imposição de prazo ao Poder Executivo para
regulamentação, por violação ao princípio da separação
dos poderes.
c) A lei é constitucional em sua integralidade, incluindo o
prazo para regulamentação, pois se trata de
competência concorrente entre União e Estados para
legislar sobre proteção e defesa da saúde, permitindo
aos Estados suplementar a legislação federal.
d) É inconstitucional tanto a instituição do programa
quanto a imposição de prazo para regulamentação, uma
vez que programas sociais são de competência exclusiva
da União e o Poder Legislativo não pode determinar
prazos ao Executivo para qualquer tipo de
regulamentação.
e) A utilização do salário mínimo como parâmetro é
constitucional apenas para programas federais, sendo
vedada sua aplicação em programas estaduais ou
municipais, independentemente da constitucionalidade
do prazo estabelecido para regulamentação.
Comentários:
Gabarito: B
(A) INCORRETA - Os Estados-membros possuem
competência para legislar sobre programas habitacionais
no âmbito de suas respectivas esferas de atuação. A
competência para legislar sobre diretrizes da política
nacional de habitação é da União (art. 21, XX, CF), mas
isso não exclui a competência dos Estados para
implementar programas próprios. Além disso, o STF
expressamente reconheceu na ADI 4.727/DF que "é
constitucional lei estadual que autoriza o Poder
Executivo a instituir, no âmbito do ente federado,
programa destinado ao pagamento de aluguel" e que é
válida "a utilização do valor do salário mínimo como
parâmetro para a concessão do benefício de programa
social".
(B) CORRETA - Esta alternativa reproduz fielmente o
entendimento do STF na ADI 4.727/DF. A Corte declarou
constitucional a instituição do programa estadual de
auxílio-aluguel e a utilização do salário mínimo como
parâmetro para concessão do benefício. Contudo, o
Tribunal declarou inconstitucional especificamente a
imposição de prazo ao Poder Executivo para
regulamentação, por entender que tal dispositivo
afronta o princípio da separação dos poderes. Conforme
o julgado: "É inconstitucional norma que estabelece
prazos ao chefe do Poder Executivo para a apresentação
de projetos de lei ou para a regulamentação de
disposições legais".
(C) INCORRETA - Embora a lei seja constitucional quanto
ao programa em si, o prazo para regulamentação é
inconstitucional. O STF foi categórico ao declarar a
inconstitucionalidade da expressão referente ao prazo,
por violação ao princípio da separação dos poderes. A
fundamentação baseada na competência concorrente
está correta, mas não se aplica à questão do prazo, que
constitui vício autônomo de inconstitucionalidade.
(D) INCORRETA - O STF expressamente reconheceu a
constitucionalidade da instituição do programa estadual,
afastando a alegação de que programas sociais seriam de
competência exclusiva da União. Os Estados possuem
competência para implementar programas próprios de
assistência social e habitação no âmbito de suas
atribuições. A inconstitucionalidade restringe-se apenas
à imposição de prazo para regulamentação pelo Poder
Legislativo ao Executivo.
(E) INCORRETA - O STF decidiu que é constitucional a
utilização do valor do salário mínimo como parâmetro
para concessão de benefício de programa social,
independentemente de se tratar de programa federal,
estadual ou municipal. A decisão não fez qualquer
distinção quanto ao ente federativo, reconhecendo a
validade da utilização deste parâmetro em programas
sociais de qualquer esfera de governo.
10
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 9
Sobre a competência legislativa concorrente, assinale a
alternativa incorreta:
a) No âmbito da legislação concorrente, a competência
da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.
b) Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
exercerão a competência legislativa plena, para atender
a suas peculiaridades.
c) A competência da União para legislar sobre normas
gerais não exclui a competência suplementar dos
Estados.
d) A superveniência de lei federal sobre normas gerais
revoga a lei estadual, no que lhe for contrário.
e) Os Municípios também poderão suplementar as leis
federais e estaduais nas matérias elencadas no art. 24 da
CF/88.
Comentários:
Gabarito: D
Letra A: Está correta. Art. 24, §1º, da CF.
Letra B: Está correta. Art. 24, §3º, da CF.
Letra C: Está correta. Art. 24, §2º, da CF.
Letra D: Está incorreta, sendo esse, portanto, o gabarito.
Art. 24, §4º, da CF afirma que a lei federal sobre normas
gerais SUSPENDERÁ a eficácia da norma geral editada
pelo Estado-membro.
Letra E: Está correto. Art. 30, I e II, da CF.
Questão 10
Sobre o poder constituinte derivado reformador,
assinale a alternativa correta:
a) A revisão constitucional, que está prevista no art. 3º
do ADCT, não se sujeita aos limites materiais impostos às
emendas à constituição.
b) O Supremo Tribunal Federal possui firme
entendimento de que é possível a iniciativa popular em
emendas à Constituição Federal de 1988, uma vez que a
nossa Constituição privilegia o princípio democrático e a
participação direta.
c) Em razão de expressa previsão no Regimento Interno
da Câmara dos Deputados, não se admite que os dois
turnos de votação exigidos para edição de uma emenda
à Constituição ocorram no mesmo dia.
d) As emendas à Constituição que forem rejeitadas serão
arquivadase a sua matéria não poderá ser objeto de
nova proposta de emenda à Constituição na mesma
legislatura.
e) Não será admitida arguição de descumprimento de
preceito fundamental quando houver qualquer outro
meio eficaz de sanar a lesividade.
Comentários:
Gabarito: E
Letra A: ERRADA. A Resolução n. 1º do Congresso
Nacional que disciplinou o exercício da revisão
constitucional expressamente submeteu-a aos limites
materiais do art. 60, §4º, da CRFB/88. No mesmo
sentido, o Supremo Tribunal Federal expressamente
fixou que a revisão constitucional se submete às
cláusulas pétreas (STF, ADI 981-MC).
Letra B: ERRADA. O STF já decidiu que, no plano federal,
não é possível falar na existência de iniciativa popular
para deflagração do processo legislativo para edição de
uma emenda à constituição (ADI 5.296).
Letra C: ERRADA. O STF entende que não há
inconstitucionalidade formal se os dois turnos de
votação ocorrerem no mesmo dia (ADI 4.356).
Letra D: ERRADA. Segundo o art. 60, §5º, da CRFB/88, a
matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou
havida por prejudicada não pode ser objeto de nova
proposta na mesma sessão legislativa.
Letra E: CORRETA. Cuida-se da subsidiariedade prevista
no art. 4º, §1º, da Lei n. 9.882/99.
11
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
DIREITO CONSTITUCIONAL DO TRABALHO
Professora Juliana Morais
Questão 11
Em determinada comarca, quatro Reclamações
envolvendo a validade de contratos de trabalho foram
distribuídas à Vara do Trabalho, cujas hipóteses fáticas
são as seguintes:
I. Diego, com 13 anos de idade, foi contratado por uma
empresa de pequeno porte como aprendiz da função de
auxiliar de almoxarifado em meio expediente, sem
matrícula em curso de aprendizagem.
II. Cláudia, com 17 anos de idade, firmou contrato de
trabalho com empresa de transporte de valores e atua
no período das 22h às 5h, sem pausas adequadas de
descanso.
III. Rafael, com 24 anos, foi admitido pela Administração
Pública Municipal como auxiliar administrativo,
mediante contratação direta, sem prévia aprovação em
concurso público, permanecendo no cargo por dois anos.
IV. Felipe, maior e capaz, prestou serviços por 6 meses
como bilheteiro em banca de apostas ilegais,
organizando o jogo do bicho em bairro da cidade.
À luz da Constituição Federal e da jurisprudência
consolidada dos Tribunais Superiores, assinale a
alternativa correta:
a) Os contratos de Diego e Cláudia são ilícitos, devendo
ser declarados nulos e sem efeitos pretéritos.
b) O contrato de Rafael é nulo, mas gera efeitos
limitados, como o pagamento do salário mínimo-hora e
depósitos do FGTS.
c) Apenas o contrato de Felipe é proibido, devendo, no
entanto, produzir todos os efeitos jurídicos pretéritos,
com o consequente afastamento da atividade, uma vez
que, embora relacionada à prática do jogo do bicho —
que constitui contravenção penal, e não crime —, trata-
se de trabalho subordinado, não havendo ilicitude
suficiente para afastar a eficácia retroativa da relação.
d) O contrato de Cláudia é válido porque ela já possui 17
anos e o trabalho dos menores é autorizado pela
Constituição Federal a partir dos 16 anos.
e) O contrato de Diego, embora irregular por ausência de
matrícula em curso de aprendizagem, deve gerar todos
os efeitos trabalhistas típicos de um vínculo formal por
prazo indeterminado, uma vez que, embora a
contratação de aprendizes seja permitida a partir dos 12
anos, no caso concreto não houve comprovação de
matrícula em curso de aprendizagem. Assim, reconhece-
se o vínculo de emprego e determinam-se os efeitos
decorrentes, com o devido afastamento de Diego da
atividade.
Comentários:
Gabarito: B
A contratação de Rafael pela Administração Pública sem
concurso público é nula, conforme o art. 37, II e § 2º da
CF.
Todavia, em relação aos efeitos do contrato de trabalho
celebrado com a Administração Pública sem prévia
aprovação em concurso público, havia relevante
divergência doutrinária.
Uma primeira corrente sustentava que o contrato
deveria produzir todos os efeitos jurídicos típicos da
relação de emprego, com base na teoria das nulidades
trabalhistas, segundo a qual, mesmo em face da
nulidade, o trabalho prestado não pode ser restituído,
devendo, portanto, ser integralmente remunerado. Para
essa vertente, a vedação constitucional ao ingresso no
serviço público sem concurso não impediria a eficácia
retroativa da relação, sobretudo diante da proteção à
dignidade do trabalhador.
Por outro lado, parcela significativa da doutrina defendia
a inexistência de qualquer efeito jurídico, invocando a
natureza de norma de ordem pública do artigo 37, II, da
Constituição Federal. Nessa perspectiva, permitir o
reconhecimento de direitos típicos da relação de
emprego — como verbas rescisórias e FGTS — implicaria
afronta ao próprio texto constitucional, que veda a
investidura no serviço público sem concurso.
Prevaleceu, no entanto, uma terceira corrente
intermediária, consolidada na jurisprudência do Tribunal
Superior do Trabalho, no sentido de que o contrato nulo
com ente público gera efeitos jurídicos limitados,
assegurando o pagamento do salário proporcional às
horas trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário
mínimo, e os depósitos de FGTS. Nesse sentido, cita-se a
Súmula 363 do TST:
Súmula nº 363 do TST
CONTRATO NULO. EFEITOS (nova redação) - Res.
121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003
12
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
A contratação de servidor público, após a CF/1988, sem
prévia aprovação em concurso público, encontra óbice
no respectivo art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo
direito ao pagamento da contraprestação pactuada, em
relação ao número de horas trabalhadas, respeitado o
valor da hora do salário mínimo, e dos valores referentes
aos depósitos do FGTS.
Acerca do direito ao FGTS, o artigo 19-A da Lei nº
8.036/1990 dispõe ser "devido o depósito do FGTS na
conta vinculada do trabalhador cujo contrato de
trabalho seja declarado nulo nas hipóteses previstas no
art. 37, § 2º, da Constituição Federal, quando mantido o
direito ao salário".
O STF, no RE 596478, discutiu, à luz do art. 37, II e § 2º,
da Constituição Federal, a constitucionalidade do 19-A
da Lei nº 8.036/90, incluído pela Medida Provisória nº
2.164-41/2001 - que instituiu obrigação de recolhimento
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço mesmo nas
situações em que há declaração nulidade do contrato,
com direito a salários, de servidor sem prévia aprovação
em concurso público -, tendo fixado a seguinte tese de
repercussão geral:
Tema 191 de RG: É constitucional o art. 19-A da Lei
8.036/1990, que dispõe ser devido o depósito do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS na conta de
trabalhador cujo contrato com a Administração Pública
seja declarado nulo por ausência de prévia aprovação em
concurso público, desde que mantido o direito ao salário.
Trata-se, portanto, de contrato nulo com efeitos
pecuniários mínimos, conforme constou na alternativa.
A alternativa A está INCORRETA.
O contrato de Diego (13 anos, contratado como aprendiz
sem matrícula em curso de aprendizagem) é proibido,
pois fere norma constitucional (art. 7º, XXXIII, CF), que
veda qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na
condição de aprendiz, a partir dos 14 anos.
Todavia, aplica-se a Teoria Especial das Nulidades
Trabalhistas contrato, segundo a qual, mesmo em face
da invalidade, o trabalho prestado não pode ser
restituído, devendo, portanto, ser integralmente
remunerado.
Como Diego é menor de 14 anos, não poderia ter sido
contratado sequer na condição de aprendiz, razão pela
qual a nulidade produz efeitos jurídicos ex nunc,
devendo o juiz determinar o afastamento do trabalho,
com a preservação de todos os efeitos jurídicos
pretéritos.
Já o contrato de Cláudia (17 anos, trabalho noturno e
perigoso) é proibido, pois menores de18 anos não
podem exercer atividades noturnas, perigosas ou
insalubres, conforme o mesmo dispositivo
constitucional. Nessa hipótese, também se aplica a
teoria das nulidades especiais do Direito do Trabalho,
reconhecendo os efeitos já produzidos (como salário,
FGTS etc.), com determinação de afastamento da função
prejudicial.
Portanto, equivoca-se a assertiva ao equiparar ambas as
hipóteses ao trabalho ilícito, sem produção de efeitos
jurídicos pretéritos.
A alternativa C está INCORRETA.
O contrato de Felipe é ilícito, pois o objeto da relação é a
prática de atividade criminosa ou contravencional (jogo
do bicho).
Nos termos da OJ-SDI1-199 do TST, o contrato de
trabalho firmado para desempenhar atividades
associadas ao jogo do bicho é nulo e sem produção de
efeitos jurídicos, em razão da ilicitude do objeto, o que
afasta qualquer validade jurídica. Não se trata, portanto,
de contrato proibido, mas ilícito, vedado pela ordem
pública. Cabe transcrever o verbete sumular:
OJ-SDI1-199 JOGO DO BICHO. CONTRATO DE
TRABALHO. NULIDADE. OBJETO ILÍCITO (título alterado e
inserido dispositivo) - DEJT divulgado em 16, 17 e
18.11.2010
É nulo o contrato de trabalho celebrado para o
desempenho de atividade inerente à prática do jogo do
bicho, ante a ilicitude de seu objeto, o que subtrai o
requisito de validade para a formação do ato jurídico.
A alternativa D está INCORRETA.
Embora Cláudia seja maior de 16 anos, a Constituição
(art. 7º, XXXIII) veda o trabalho noturno, perigoso ou
insalubre a menores de 18 anos. A função que exerce —
transporte de valores em período noturno, sob risco — é
proibida para menores de 18, ainda que haja relação
formal de emprego. O contrato, portanto, não é válido
nesse aspecto. Embora gere efeitos pretéritos, deve ser
modificado ou extinto quanto às condições prejudiciais.
A alternativa E está INCORRETA.
O contrato de Diego é considerado proibido, pois ele
possui apenas 13 anos de idade. Nos termos do artigo 7º,
13
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
inciso XXXIII, da Constituição Federal, é vedado qualquer
trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de
aprendiz, e apenas a partir dos 14 anos.
Por se tratar de trabalho proibido, ou seja, exercido em
desacordo com norma protetiva de ordem pública
voltada à tutela do próprio trabalhador, aplica-se a
Teoria Especial das Nulidades Trabalhistas, segundo a
qual a nulidade não impede a produção de efeitos ex
nunc. Isso significa que o contrato produz todos os
efeitos pretéritos como se fosse válido, assegurando ao
menor o recebimento das verbas trabalhistas devidas,
sendo determinado apenas o seu afastamento imediato
da atividade prejudicial.
Importa destacar que, na hipótese de contratação de
menor de 14 anos sem matrícula em curso de
aprendizagem, não se caracteriza contrato de
aprendizagem, nos termos do artigo 428 da CLT e do
artigo 7º, inciso XXXIII, da Constituição Federal. Nessa
situação, os efeitos jurídicos pretéritos serão os de um
contrato de trabalho por prazo indeterminado, com o
reconhecimento do vínculo e o pagamento de todas as
verbas decorrentes.
Questão 12
A fim de preservar os postos de trabalho de cobradores
de ônibus diante da implantação do sistema de
bilhetagem eletrônica, o Estado Alfa editou uma lei
estadual garantindo a estabilidade provisória no
emprego aos profissionais dispensados por esse motivo,
desde que já estivessem em atividade na época da
automação do sistema de transporte coletivo. A medida
foi justificada como forma de concretizar o direito à
proteção em face da automação, previsto no art. 7º,
XXVII, da Constituição Federal.
Considerando o caso concreto descrito e a jurisprudência
constitucional vigente, assinale a alternativa correta:
a) A lei estadual é constitucional, pois busca efetivar
diretamente um direito social previsto na Constituição e
se fundamenta no interesse local da proteção ao
emprego no transporte público estadual.
b) A jurisprudência majoritária considera que o art. 7º,
XXVII, da Constituição Federal, apesar de ser norma de
eficácia limitada, já estaria regulamentado pela
legislação infraconstitucional, como a Consolidação das
Leis do Trabalho, que assegura diversas garantias contra
despedidas arbitrárias ou sem justa causa. Nesse
cenário, reconhecida a existência de lei federal sobre o
tema - que trata de matéria de competência privativa da
União -, descabe a atuação supletiva dos Estados e do
Distrito Federal para preservar empregos frente à
automação.
c) A lei estadual é válida, desde que não conflite com
eventual legislação federal futura que venha a
regulamentar o tema, podendo ser aplicada enquanto
houver omissão do Congresso Nacional.
d) O art. 7º, XXVII, da Constituição Federal configura
norma de eficácia limitada ainda não regulamentada por
lei específica. Diante disso, o Supremo Tribunal Federal,
ao analisar a ADO 73, reconheceu a mora legislativa,
declarando a omissão inconstitucional, sem impor, no
entanto, consequências concretas, como prazos ou
substituição normativa.
e) A lei estadual é inconstitucional, pois se trata de tema
reservado à legislação federal, sendo o direito à proteção
em face da automação dependente de regulamentação
por lei da União, conforme entendimento do STF.
Comentários:
Gabarito: E
O artigo 7º, XXVII, da Constituição Federal estabelece
como direito dos trabalhadores “proteção em face da
automação, na forma da lei.”
Trata-se, portanto, de norma de eficácia limitada, cuja
regulamentação deve ocorrer por lei federal, dada a
competência privativa da União para legislar sobre
direito do trabalho, conforme o art. 22, I, da CF/88.
Nesse sentido, o STF, ao julgar a ADI 3899, declarou a
inconstitucionalidade da Lei Distrital nº 3.923/2006, que
assegurava estabilidade no emprego aos cobradores de
ônibus vinculados às concessionárias locais. Embora a
norma estivesse inspirada em legítima preocupação com
os efeitos sociais da automação (bilhetagem eletrônica),
a Corte entendeu que a matéria extrapolava a
competência legislativa do Distrito Federal, conforme se
constata pela leitura da ementa:
EMENTA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
LEI DISTRITAL N. 3.923, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006.
COBRADORES DE ÔNIBUS. ESTABILIDADE. DIREITO DO
TRABALHO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO (CF,
ART. 22, I). É viável a ação direta de inconstitucionalidade
ajuizada por autoridade legitimada – Governador do
Distrito Federal – contra lei local que guarda pertinência
14
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
temática com as atribuições do autor. A Lei distrital n.
3.923/2006 conferiu a fruição de um direito subjetivo –
estabilidade parcial no emprego – a cobradores de
ônibus que mantinham vínculo trabalhista com as
concessionárias do serviço de transporte de passageiros
do Distrito Federal na época em que implantada a
bilhetagem eletrônica. A garantia de permanência no
emprego traduz-se em estabilidade no emprego, matéria
típica de direito do trabalho, de competência da União
(CF, art. 22, I). A admitir-se que leis locais tratem desse
tema, serão múltiplos os regimes trabalhistas no país, o
que vai de encontro ao modelo federativo implantado
pela Constituição de 1988. Os governos e a sociedade
precisarão, em algum momento, discutir a fundo e
regulamentar a relação entre a automação e a perda de
postos de trabalho – no que, aliás, a Constituição Federal
de 1988 foi visionária (CF, art. 7º, XXVII). Nem por isso
cabe aos entes locais se adiantarem ao governo central
para tratar desse tipo de matéria, que foge à sua
competência legislativa. Ação conhecida e pedido
julgado procedente. (ADI 3899, Rel. Min. Nunes
Marques, Tribunal Pleno, julgado em 25.09.2023, DJe
23.10.2023)
Assim, embora o art. 7º, XXVII, da CF/88 reconheça o
direito à proteção em face da automação, sua
regulamentação depende de lei federal, e não pode ser
objeto de legislação estadual oudistrital, mesmo que
com o objetivo de preservar empregos.
Cabe salientar que, atualmente, tramita no Supremo
Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade
por Omissão nº 73 (ADO 73), em que se discute se o
Congresso Nacional está sendo omisso quanto à
regulamentação do artigo 7º, inciso XXVII, da
Constituição Federal, o qual prevê como direito dos
trabalhadores urbanos e rurais a proteção em face da
automação, “na forma da lei”.
Na referida ação, proposta pela Procuradoria-Geral da
República, sustenta-se que, passadas mais de três
décadas desde a promulgação da Constituição de 1988,
o legislador permanece inerte quanto à edição da norma
regulamentadora exigida pelo dispositivo, configurando
omissão inconstitucional. Diante disso, requer-se ao
Supremo Tribunal Federal o reconhecimento da mora
legislativa e a fixação de prazo razoável para que o
Congresso Nacional cumpra sua obrigação constitucional
de regulamentar o referido direito social.
Todavia, o julgamento, iniciado em agosto de 2024,
ainda não foi concluído.
A alternativa A está INCORRETA.
A alternativa A está incorreta porque ignora a limitação
constitucional quanto à competência legislativa, já que
os entes subnacionais não podem legislar sobre matéria
de competência privativa da União.
A alternativa B está INCORRETA.
Embora a CLT contenha algumas normas protetivas
relacionadas à despedida arbitrária e outras garantias,
não há regulamentação específica da proteção em face
da automação nos termos exigidos pelo art. 7º, XXVII, da
CF/88. O STF, especialmente no julgamento da ADI 3899,
posicionou-se no sentido de que a regulamentação desse
direito exige lei federal específica, e não autoriza a
atuação normativa dos entes subnacionais. Portanto, a
existência de regras gerais na CLT não supre a ausência
da lei referida expressamente pela Constituição, e os
Estados não podem legislar sobre o tema, por se tratar
de competência privativa da União (art. 22, I, CF).
A alternativa C está INCORRETA.
Ainda que haja omissão legislativa, os entes subnacionais
não podem legislar sobre matéria de competência
privativa da União.
A alternativa D está INCORRETA.
Não obstante seja correto afirmar que o art. 7º, XXVII, da
Constituição Federal consubstancia norma de eficácia
limitada, a informação veiculada acerca da decisão na
ADO 73 mostra-se imprecisa. Isso porque o Supremo
Tribunal Federal ainda não reconheceu a mora
legislativa, nem declarou a omissão inconstitucional,
tampouco impôs consequências concretas em relação à
omissão, como prazos ou substituição normativa.
Embora o julgamento da ADO 73 tenha sido iniciado em
agosto de 2024, ele permanece pendente de conclusão,
não havendo, até o presente momento, qualquer
pronunciamento definitivo quanto aos efeitos da
suposta mora legislativa.
15
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
DIREITO CONSTITUCIONAL PROCESSUAL PENAL
Professor Leonardo Tavares
Questão 13
FULANO, querelante em ação penal privada, ao término
da instrução e representado por advogado constituído,
requereu a absolvição de BELTRANO, querelado. Deve o
juiz
a) absolver BELTRANO, com fundamento no artigo 386,
inciso VI do Código de Processo Penal.
b) considerar perempta a ação penal, porque o
querelante deixou de formular pedido de condenação
nas alegações finais.
c) em vista do interesse público subjacente, encaminhar
os autos em vista ao Ministério Público, titular da ação
penal, para manifestação de interesse na produção de
outras provas.
d) designar audiência para tentativa de conciliação das
partes, em homenagem ao princípio da intervenção
mínima.
e) determinar a extração de peças processuais e o
encaminhamento à autoridade policial, para apuração
da prática, pelo querelante, de denunciação caluniosa.
Comentários:
Gabarito: B.
a) Errada. A perempção é causa de extinção da
punibilidade, não de exclusão da antijuridicidade ou da
culpabilidade. Portanto, inaplicável o dispositivo citado,
que se refere a estas duas últimas hipóteses, não à
primeira.
CP. Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
CPP. Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a
causa na parte dispositiva, desde que reconheça:
VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou
isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1º do
art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver
fundada dúvida sobre sua existência;
b) Certa. É a hipótese de perempção prevista no inciso III
do art. 60 do CPP; afinal, ao pedir absolvição, diante da
disponibilidade da ação penal privada, o ato equivale a
deixar de formular pedido de condenação.
CPP. Art. 60. Nos casos em que somente se procede
mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação
penal:
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem
motivo justificado, a qualquer ato do processo a que
deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de
condenação nas alegações finais;
c) Errada. Em se tratando de ação penal privada, o titular
é o próprio ofendido, não o Ministério Público. Tal órgão
nada pode fazer nesse caso, a não ser exigir que se
cumpra a lei, reconhecendo-se a perempção.
d) Errada. O juiz deve simplesmente extinguir a
punibilidade do réu, como de lei previsto. Em fase de
julgamento, não há mais que ser tentada conciliação.
e) Errada. Não houve propriamente denunciação
caluniosa; para isso, ele teria que dar causa ao processo,
imputando fato de que saiba inocente o querelado. Não
foi o que ocorreu segundo o enunciado: havia justa
causa, tanto que a queixa foi recebida. Simplesmente, ao
final, o querelante não formulou pedido condenatório, o
que acarreta a perempção.
Questão 14
Em relação à ação penal, o Código de Processo Penal
estabelece que
a) o Ministério Público não pode retomar, como parte
principal, a ação penal de iniciativa privada subsidiária da
pública em caso de negligência do querelante.
b) a representação será irretratável depois de oferecida
a denúncia.
c) apenas a vítima, nos crimes de ação pública
incondicionada, poderá provocar o início da persecução
penal.
d) a ação penal de iniciativa privada subsidiária da
pública não se submete a prazo decadencial.
e) o Ministério Público não pode oferecer elementos de
prova na ação penal de iniciativa privada subsidiária da
pública.
Comentários:
Gabarito: B.
a) Errada. A ação penal privada subsidiária da pública é
permitida em nosso ordenamento, inclusive a nível
constitucional. Embora o Ministério Público seja titular
da ação penal pública, é certo que, no caso de inércia do
16
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
órgão oficial, tem o ofendido o direito de propor a ação
penal subsidiária. O art. 29 do CPP trata do assunto e,
inclusive, mostra que a alternativa está errada:
Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação
pública, se esta não for intentada no prazo legal,
cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-
la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os
termos do processo, fornecer elementos de prova,
interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência
do querelante, retomar a ação como parte principal.
b) Certa. A representação, em regra, é retratável
somente até o oferecimento da denúncia (não até o
recebimento, que é ato posterior, do juiz). Nesse
sentido, regra expressa do art. 25 do CPP. Mas há uma
exceção. O art. 16 da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da
Penha) possibilita a retratação feita pela ofendida, em
audiência especialmente designada para tal fim, ainda
que a denúncia já tenha sido oferecida, mas antes de seu
recebimento pelo juiz.
CPP. Art. 25. A representação será irretratável, depois
de oferecida a denúncia.
c) Errada. Qualquer pessoa, nos crimes de ação penal
pública incondicionada, poderá provocar a atuação dos
órgãos persecutórios. Situação diversa é a da ação penal
pública condicionadaà representação da vítima, em que
esta é condição de procedibilidade para o oferecimento
da denúncia e instauração da ação penal.
CPP. Art. 5º § 3º Qualquer pessoa do povo que tiver
conhecimento da existência de infração penal em que
caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito,
comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a
procedência das informações, mandará instaurar
inquérito.
d) Errada. Se submete a prazo decadencial, que é de 6
meses, contado do dia em que se esgotar o prazo para o
oferecimento da denúncia (art. 38, CPP).
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou
seu representante legal, decairá no direito de queixa ou
de representação, se não o exercer dentro do prazo de
seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é
o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que
se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia.
e) Errada. O art. 29 do CPP permite ao Ministério Público
intervir em todos os atos do processo, além de fornecer
elementos de prova. Lembre-se que, por sua natureza, a
ação não deixa de ser pública.
Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação
pública, se esta não for intentada no prazo legal,
cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-
la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os
termos do processo, fornecer elementos de prova,
interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência
do querelante, retomar a ação como parte principal.
DIREITO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO
Professor Rogério Cunha
Questão 15
O Município Beta, situado no Estado Delta, com o
objetivo de promover a segurança e a conservação de
seus espaços públicos, e mantém um sistema de
videomonitoramento em praças, parques e vias urbanas.
Para viabilizar financeiramente o sistema, a
administração municipal estuda a instituição de tributo
específico para custear o serviço. Considerando a
disciplina constitucional atualizada pela Emenda
Constitucional nº 132/2023, é juridicamente viável que o
Município institua:
a) taxa municipal destinada ao custeio do serviço de
monitoramento, uma vez que se trata de atividade
pública específica e divisível.
b) contribuição municipal para financiar o sistema de
monitoramento, ainda que o serviço prestado seja
indivisível e geral.
c) empréstimo compulsório municipal, justificado pela
necessidade de financiar serviço público de segurança e
conservação.
d) imposto municipal sobre segurança urbana, com fato
gerador vinculado à prestação do serviço de
monitoramento.
e) taxa municipal para custear o serviço de
monitoramento, ainda que se trate de atividade pública
geral e indivisível.
Comentários:
Gabarito: B
Alternativa A – INCORRETA: Ainda que o monitoramento
possa ter elementos de divisibilidade em certas
hipóteses, a jurisprudência consolidada no STF, por meio
da Súmula Vinculante nº 41, firmou entendimento de
que serviços públicos de caráter geral, como iluminação
pública (e, por analogia, serviços semelhantes como o
17
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
monitoramento de logradouros públicos), são
indivisíveis e inespecíficos, não podendo ser custeados
por taxa.
Alternativa B – CORRETA: A Emenda Constitucional nº
132/2023, ao incluir o monitoramento de logradouros
públicos no art. 149-A da CF, autorizou expressamente
os Municípios e o Distrito Federal a instituírem
contribuições para o custeio, a expansão e a melhoria
desses sistemas. Em que pese a maioria da doutrina
afirmar que não se trata de competência para criar
diversas contribuições, mas sim possibilidade de
aplicação das verbas arrecadadas para além do custeio
do serviço de iluminação, a FGV, em questões recentes,
vem aplicando o entendimento da possibilidade de
criação de contribuições separadas.
Alternativa C – INCORRETA: O empréstimo compulsório
é de competência exclusiva da União, nos termos do art.
148 da CF, e somente pode ser instituído em hipóteses
excepcionais (calamidade pública, guerra externa,
investimento urgente de interesse nacional).
Alternativa D – INCORRETA: O imposto é tributo não
vinculado, e seu fato gerador não pode se basear na
prestação de serviços públicos. Além disso, não há
imposto municipal previsto constitucionalmente com
essa finalidade (monitoramento de logradouros). A
tentativa de vincular um imposto à prestação de serviço
específico viola a natureza jurídica dos impostos e o
princípio da legalidade tributária.
Alternativa E – INCORRETA: Conforme já esclarecido,
serviços públicos gerais e indivisíveis não podem ser
custeados por taxas. A Súmula Vinculante nº 41 afasta
essa possibilidade expressamente no caso da iluminação
pública, e o mesmo raciocínio se aplica ao
monitoramento de logradouros. A EC 132/2023 resolveu
essa limitação justamente por meio da criação da
contribuição prevista no art. 149-A da CF, e não pela
ampliação do conceito de taxa.
Questão 16
O Secretário de Fazenda do Estado de Delta está
revisando os efeitos da Emenda Constitucional nº
132/2023 sobre a repartição das receitas tributárias,
especialmente em relação ao novo Imposto Seletivo e ao
Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Durante reunião
com sua equipe técnica, surgem dúvidas quanto às
regras de partilha desses tributos entre a União, Estados,
Distrito Federal e Municípios.
Considerando as normas constitucionais atuais, assinale
a alternativa que apresenta uma regra correta de
repartição de receitas:
a) Os Municípios terão direito a 10% do produto da
arrecadação do IBS que for distribuída aos Estados.
b) Os Municípios terão direito a 25% da arrecadação do
imposto estadual incidente sobre veículos automotores
aquáticos e aéreos registrados em seus territórios.
c) A União destinará 25,5% do produto da arrecadação
do Imposto Seletivo ao Fundo de Participação dos
Municípios.
d) A União entregará 20,5% do produto da arrecadação
do Imposto Seletivo ao Fundo de Participação dos
Estados e do Distrito Federal.
e) A União repassará 20% do Imposto Seletivo aos
Estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao
valor das respectivas exportações de produtos
industrializados.
Comentários:
Gabarito: C
Alternativa A – INCORRETA: A Emenda Constitucional nº
132/2023 não prevê a destinação de 10% da parcela do
IBS dos Estados para os Municípios. O que está previsto
no novo sistema é que o IBS estadual será compartilhado
com os Municípios conforme regras próprias,
especialmente mediante transferência de 25% da
arrecadação do imposto sobre propriedade de veículos
automotores, inclusive aquáticos e aéreos, conforme art.
158, III, com a redação da EC 132/2023.
Alternativa B – INCORRETA: A previsão de repartição do
tributo estadual incidente sobre veículos aquáticos e
aéreos é de 50% para os municípios (CF, art. 158, III).
Alternativa C – CORRETA: Nos termos do novo § 1º do
art. 159 da Constituição Federal, com a redação dada
pela EC 132/2023, a União deve entregar 25,5% do
18
2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
produto da arrecadação do Imposto Seletivo (IS) ao
Fundo de Participação dos Municípios (FPM), sendo
22,5% e três adicionais de 1% em julho, setembro e
dezembro.
Alternativa D – INCORRETA: A União entregará 21,5% do
Imposto Seletivo ao Fundo de Participação dos Estados e
do Distrito Federal (FPE), conforme o novo art. 159, I,
“a”, da CF.
Alternativa E – INCORRETA: A alternativa mistura regras
de outro tributo. O percentual de 20% vinculado à
exportação de produtos industrializados diz respeito à
repartição do IPI (anterior ao novo modelo), nos termos
do art. 159, II, mas não se aplica ao novo Imposto
Seletivo.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Professor Rodolfo Penna
Questão 17
Helena ajuizou, em 2008, uma ação de cobrança contra
uma instituição financeira, pleiteando diferenças de
correção monetária em sua caderneta de poupança,
decorrentes de supostos expurgos inflacionários do
Plano CollorII. Em 2025, o processo ainda se encontra
pendente de julgamento de recurso no Superior Tribunal
de Justiça. Em paralelo, Mário, que moveu ação idêntica,
obteve uma decisão favorável transitada em julgado em
2017, recebendo os valores devidos. Após a decisão final
do Supremo Tribunal Federal na ADPF 165, que declarou
a constitucionalidade dos planos econômicos mas
validou um acordo coletivo para os casos pendentes, a
instituição financeira pretende ajuizar ação rescisória
contra a decisão de Mário.
Considerando as situações e a tese firmada pelo STF em
Repercussão Geral (Tema 285), a solução jurídica correta
é:
a) Tanto a pretensão de Helena quanto a de Mário são
improcedentes, pois o STF declarou a
constitucionalidade dos planos econômicos, o que
extingue o direito a quaisquer diferenças, devendo
Mário, inclusive, devolver os valores recebidos.
b) A ação de Helena deve ser julgada procedente nos
termos do pedido original, pois a decisão do STF não
pode retroagir para prejudicá-la, enquanto a ação
rescisória contra Mário deve ser julgada procedente,
desconstituindo-se a coisa julgada.
c) O direito de Helena ao recebimento de eventuais
diferenças se dará exclusivamente por meio de adesão
ao acordo coletivo homologado pelo STF, enquanto a
ação rescisória contra Mário é incabível, pois a decisão
da Corte protegeu os efeitos da coisa julgada.
d) Ambas as situações devem ser resolvidas pela adesão
ao acordo coletivo, inclusive a de Mário, cuja decisão
transitada em julgado pode ser relativizada em face da
decisão vinculante do STF na ADPF 165.
e) Helena não possui mais direito algum, devendo sua
ação ser extinta, enquanto a ação rescisória contra Mário
é cabível, pois a declaração de constitucionalidade dos
planos econômicos é matéria de ordem pública.
Comentários:
Gabarito: C
A alternativa C está correta e corresponde ao gabarito da
questão. O STF, ao julgar a matéria (Tema 285 e ADPF
165), estabeleceu uma solução dúplice: para os
processos em curso, o direito às diferenças se materializa
pela adesão ao acordo coletivo homologado; para os
processos já transitados em julgado, a decisão protege a
coisa julgada, vedando o uso de ação rescisória com base
na constitucionalidade dos planos.
1. Considerando que o STF declarou a
constitucionalidade do Plano Collor II na ADPF 165, o
direito a diferenças de correção monetária de depósitos
em cadernetas de poupança, não bloqueados pelo Banco
Central do Brasil, por alegados expurgos inflacionários
decorrentes de referido plano, dependerá de adesão ao
acordo coletivo e seus aditamentos, homologados no
âmbito da ADPF 165, no prazo de 24 meses da publicação
da ata de julgamento de referida ação.
2. Com o objetivo de resguardar a segurança jurídica, não
caberá ação rescisória ou arguição de inexigibilidade do
título com base na constitucionalidade dos Planos
Econômicos de processos já transitados em julgado.
STF. Plenário. RE 632.212/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 17/06/2025 (Repercussão Geral – Tema 285)
A alternativa A está incorreta. Embora os planos tenham
sido declarados constitucionais, o direito às diferenças
foi preservado por meio do acordo coletivo para casos
pendentes, e a coisa julgada foi protegida para os casos
finalizados.
A alternativa B está incorreta. A pretensão de Helena não
será mais analisada sob a ótica original, e a coisa julgada
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2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
em favor de Mário é protegida, não podendo ser
desconstituída por ação rescisória com este
fundamento.
A alternativa D está incorreta. A solução do acordo
coletivo não se aplica aos casos transitados em julgado,
que foram expressamente ressalvados pela decisão do
STF.
A alternativa E está incorreta. Helena ainda possui o
direito de aderir ao acordo coletivo. A ação rescisória
contra Mário, por sua vez, é incabível.
Questão 18
Beatriz é servidora pública federal e, após preencher os
requisitos para a aposentadoria voluntária, optou por
continuar em atividade, passando a receber o abono de
permanência. Ao tirar férias, percebeu que o respectivo
adicional de um terço, bem como sua gratificação
natalina, foram calculados com base em sua
remuneração, mas com a exclusão do valor do abono.
Inconformada, ajuizou ação pleiteando a inclusão do
abono de permanência na base de cálculo de ambas as
verbas. Em sua defesa, a União argumentou que o abono
tem natureza indenizatória e transitória, além de não
sofrer incidência de contribuição previdenciária, não
devendo, portanto, refletir em outras parcelas.
Com base na situação hipotética e na jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça firmada em recurso
repetitivo (Tema 1233), a pretensão de Beatriz deve ser
julgada:
a) Improcedente, pois o abono de permanência possui
natureza de incentivo fiscal indenizatório, não se
incorporando à remuneração para qualquer fim.
b) Procedente, pois o abono de permanência possui
natureza remuneratória e permanente, devendo
integrar a base de cálculo do adicional de férias e da
gratificação natalina.
c) Improcedente, pois a não incidência de contribuição
previdenciária sobre o abono de permanência confirma
sua natureza não remuneratória.
d) Parcialmente procedente, para determinar a inclusão
do abono apenas na base de cálculo da gratificação
natalina, por expressa previsão legal, mas não no
adicional de férias.
e) Improcedente, pois o abono de permanência é uma
vantagem de caráter transitório, que cessa com a
aposentadoria, não podendo ser considerado como
vantagem permanente para fins de cálculo de outras
verbas.
Comentários
Gabarito: B
A alternativa B está correta e corresponde ao gabarito da
questão. O STJ, em sede de recurso repetitivo (Tema
1233), pacificou o entendimento de que o abono de
permanência tem natureza remuneratória e
permanente, integrando a base de cálculo do adicional
de férias e da gratificação natalina do servidor.
O abono de permanência, dada sua natureza
remuneratória e permanente, integra a base de
incidência das verbas calculadas sobre a remuneração do
servidor público, tais como o adicional de férias e a
gratificação natalina (13º salário).
STJ. 1ª Seção. REsp 1.993.530-RS e REsp 2.055.836-PR,
Rel. Min. Regina Helena Costa, julgados em 11/6/2025
(Recurso Repetitivo - Tema 1233)
A alternativa A está incorreta. O STJ definiu a natureza
do abono como remuneratória e não indenizatória
(Recurso Repetitivo - Tema 1233).
A alternativa C está incorreta. O fato de não incidir
contribuição previdenciária sobre o abono foi
considerado pelo STJ como uma "opção política do
legislador" para tornar o incentivo mais atrativo, o que
não descaracteriza sua natureza remuneratória (Recurso
Repetitivo - Tema 1233).
A alternativa D está incorreta. O fundamento para a
inclusão do abono é o mesmo para ambas as verbas
(natureza remuneratória), não havendo base para a
distinção (Recurso Repetitivo - Tema 1233).
A alternativa E está incorreta. O STJ refutou o argumento
da transitoriedade, afirmando que o pagamento
contínuo e regular durante a atividade funcional confere
ao abono o caráter de vantagem permanente nesse
período.
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2º Simulado ENAM (Magistratura) – 24/08/2025
Questão 19
Em uma ação de improbidade administrativa ajuizada
pelo Ministério Público, o juiz de primeiro grau proferiu
sentença de improcedência em setembro de 2021. O
Ministério Público não interpôs recurso de apelação. Os
autos foram, contudo, remetidos de ofício ao Tribunal de
Justiça para o reexame necessário, conforme a
jurisprudência então dominante. Antes do julgamento
do reexame, entrou em vigor a Lei nº 14.230/2021 (em
outubro de 2021), que passou a vedar expressamente o
reexame necessário em ações de improbidade. No
Tribunal, a defesa do réu requereu o não conhecimento
da remessa, com base na aplicação imediata da nova lei.
Considerando a situação e a tese firmada pelo