Prévia do material em texto
Feridas Toda cirurgia resulta em uma ferida, geralmente sob controle. No entanto, feridas necróticas e extensas apresentam desafios na cicatrização. O objetivo é promover a completa regeneração do tecido. Anatomia ▪ Avascular Alguns locais possuem a epiderme mais densa e grossa. ▪ Vascular ▪ Composta por fibras colágenas, reticulares e elásticas cercada por mucopolissacarídeos. ▪ Anexos ▪ Tecido conjuntivo adiposo e frouxo ▪ Conexão entre a pele e estrutura subsequente. O plexo subdérmico é formado e suprido por ramos terminais de vasos cutâneos diretos ao nível do musculo cutâneo do tronco em cães e gatos. São relativamente paralelos a musculatura. Definição As feridas representam a perda da integridade da pele (ferimento) por causas externas (cirurgia ou traumas) ou por causas internas/endógenas, relacionadas a doenças facilitadoras ou causadoras da ferida. O grande problema são as contaminações. ▪ Tecido óssea não há tecido conjuntivo → não há cicatrização → há regeneração ▪ Pele possui tecido conjunto → ocorre cicatrização/reparo A instabilidade óssea propicia a não cicatrização da ferida da pele. Cicatrização Ocorre em 4 fases e é modulada por citocinas inflamatórias. As fases podem ocorrer de forma simultânea. Ocorre de forma imediata após o trauma. Nos primeiros 10 minutos, o organismo do paciente atua para conter o sangramento. As catecolimas, cerotoninas, bradiquininas, histamina e serotonina são responsáveis pela vasoconstrição da região. Em seguida, ocorre a vasodilatação, permitindo a chegada de fatores de crescimento e citocinas essenciais para a adequada cicatrização. ▪ Permeabilidade vascular ▪ Quimiotaxia de células circulatórias ▪ Liberação de citocinas ▪ Liberação de fatores de crescimento Os fatores de crescimento são liberados pelas plaquetas. O PRP (Plasma Rico em Plaquetas) é uma forma concentrada de plaquetas que deve ser aplicada diretamente na ferida para acelerar o processo de cicatrização. Neutrófilos e monócitos iniciam o desbridamento de 6 a 12 horas após a lesão. Os monócitos tornam-se macrófagos após 24 a 48 horas. Os macrófagos liberam a colagenase, fatores de crescimento e função fagocítica. É a fase de remoção de células mortas e corpos estranhos. Por isso há formação de grande quantidade de secreção, como forma de eliminação. Tem inicio de 3 a 5 dias após a lesão. A neovascularização da região ocorre através da ação dos fibroblastos, provenientes do tecido conjuntivo adjacente. Esses fibroblastos se deslocam até a ferida por meio de filamentos de fibrina, promovendo a formação de novos vasos sanguíneos. ▪ Angiogênese ▪ Produção de fibroblastos e colágeno. O colágeno dará maior sustentação a ferida. ▪ Tecido de granulação O tecido de granulação é um tecido fibroso que se forma durante a cicatrização de feridas. Ele é vermelho vivo e irregular. Não tem a mesma força de tensão da pele normal. Ocorre quando a ferida está totalmente fechada e há diminuição da neovascularização. Possui início quando o colágeno for depositado adequadamente. Ocorre de 17 a 20 dias após a lesão e pode durar anos. A força de ferida volta 20% em até 3 semanas e 80% no final da cicatrização. A força tênsil nunca irá se recuperar de forma 100%. Classificação das feridas É classificada conforme a densidade bacteriana (105 UFC). A carga bacteriana é a mínima possível, só é possível em situação cirúrgica correta sem que haja quebra na antissepsia. Apresenta pouca contaminação e que pode ser removida com manejo adequado. Ocorre em até no máximo 6 horas após a realização da ferida. Apresenta debris celulares sem exsudato, com maior tempo de exposição a agentes contaminantes e geralmente decorre de mordeduras e atropelamentos. > Caracterizada por processo infeccioso com presença de exsudato, tecidos desvitalizados, corpos estranhos e pus. Manejo básico da ferida O objetivo é estabelecer um leito vascular saudável da ferida livre de tecido necrótico e infecção. Permitir ao cirurgião considerar todas as opções para o fechamento final da ferida. Na admissão cobrir as feridas temporariamente com gaze ou compressa estéril para estabilizar. Deve-se realizar a avaliação do paciente de forma inicial após a cobertura da ferida. Após avaliação, lavar a ferida com solução salina ou ringer lactato (pode ser adicionado iodo). Pode ser aplicada solução antisséptica e pomadas antibióticas. Sempre utilizar luva estéril e instrumentais estéreis. Se necessário, anestesiar/sedação o paciente para fazer o manejo. Realizar tricotomia para retirada dos pelos da região. Proteger a ferida com gaze umedecida em solução estéril ou gel aquoso para que o pelo não caia no interior da ferida. Proceder com antissepsia de forma adequada no local da ferida e pele adjacente. Há retirada de porção de tecido saudável junto com tecido necrótico. ▪ Cirúrgico → retirada de todo o tecido com bisturi ou cureta. ▪ Desbridamento mecânico → curativos/bandagem. A remoção da pele pode ocorrer ao retirar o curativo aderido ou ao puxar a gaze, o que pode causar danos ao tecido em cicatrização. Não realizar a retirada da casca no processo de cicatrização, pois age como um protetor e meio de locomoção para células inflamatórias. Retirada de tecido necrótico somente. ▪ Autolítico (uso de géis tópicos e curativos) Pomada de colagenase para retirar todo o tecido desvitalizado. Muito comum a utilização quando a ferida está esbranquiçada, indicando necrose da região. Cessar o uso ao término de tecido morto. ▪ Enzimático (uso de enzimas tópicas) ▪ Bioterapico (larvas Lucilia cericara) Realizar lavagem para reduzir bactérias, secreções e corpos estranhos. Fazer o desbridamento hidrodinâmico sob irrigação sob pressão. Utilizar ringer com lactato ou solução salina estéril. A pressão aplicada deve ser de 8psi ou 800mmHg. Possível adicionar antisséptico, como o iodo (500mL para 16mL de iodo a 10%). A clorexidina em solução de 0,05% (1 parte 2%+40 de ringer lactato estéril) possui amplo espectro de ação, atividade residual na presença de sangue e debris, além de mínima absorção e toxicidade. A iodopovidona (32ml para 1000ml de ringer) possui ampla atividade antimicrobiana, pouca atividade residual e inativado por matéria orgânica. A ferida deve ser mantida aberta com utilização de drenos para que a secreção saia de forma adequada. Os drenos podem ser classificados em passivos e ativos. Os drenos passivos permitem a saída da secreção de forma espontânea, por gravidade ou capilaridade. Já os drenos ativos utilizam pressão negativa para aspirar a secreção para o meio externo. O dreno passivo mais utilizado é o Penrose e deve ser localizado de forma mais ventral possível. Deve ser mantido de 3 a 4 dias na região da ferida. Fornece uma melhor cicatrização da região. A partir da não contaminação da região é possível que tenha a cicatrização. É o fechamento da ferida por meio de suturas. É indicado para feridas limpas ou limpas contaminadas convertidas a limpas. Os princípios são a síntese primaria e imediata dos tecidos. A pele não deve estar advertida a muita tensão, pois causa a necrose da região. A sutura Wolf é utilizada para fazer a orientação da pele sem tensionar. Abrange uma área de tecido maior evitando isquemia tecidual. É indicado em caso de ferida limpa contaminada ou contaminada. Há viabilidade de tecido questionável, edema, tensão e exsudato. A sutura é realizada de 2 a 5 dias após a ocorrência do ferimento, antes da formação de tecido de granulação. Ocorre o tratamento da ferida para ocorrer o fechamento da mesma, com limpeza e bandagem (uso de antibiótico e anti-inflamatório). Indicado para ferida contaminada ou suja com grande destruição tecidual e espaço morto. A sutura ocorre pelo menos cinco dias após a ocorrência do ferimento, quando já existe a formação de tecido de granulação.Ocorre o desbridamento do tecido de granulação (não possui força de tensão) antes de ocorrer o fechamento. Indicado para ferida com tecido improprio para técnicas de síntese. Ocorre a cicatrização por formação de tecido de granulação, contração e epitelização. Ocorre em feridas muito contaminadas ou muito extensas. Antibióticos Os antibióticos sistêmicos possuem uso controverso. Não é necessário em feridas limpas e limpas contaminadas. É necessário em feridas contaminadas, infectadas ou com mais de 8 a 12 horas. É indicado, mas não substitui a limpeza e lavagem. Utiliza-se cefalexina ou cefalotina (antibióticos de primeira geração), podendo associar metronidazol em casos mais graves para ampliar a cobertura antimicrobiana. A seleção é feita com base nos sinais clínicos, lesão, cultura, gram e antibiograma. A colheita com swab é realizada após a lavagem adequada da ferida. É indicado se com tratamento correto houver secreção purulenta ou de cor esverdeada ou ferida não cicatrizar conforme esperado. Outras indicações são em caso de imunossupressão, mordeduras, feridas profundas, infecção local instalada, sinais de infecção sistêmica e feridas que não respondem ao tratamento tópico. ▪ Cefalosporinas ▪ Gentamicina → cuidado com nefrotoxicidade ▪ Amoxicilina + acido clavulanico ▪ Metronidazol ▪ Nitrofurazona ▪ Sulfadiazina de prata ▪ Gentamicina ▪ Neomicina + polimixina B + bacitracina ▪ Mupirocina ▪ Mel e açúcar Curativos e bandagem Composta por três camadas: camada primaria (contato com a pele), camada secundaria e camada terciaria (externa). Promove desbridamento da ferida, retirada de tecido necrótico (troca pode ser desconfortável). Curativos não aderentes devem ser utilizados após a formação do tecido de granulação, permitindo a absorção do exsudato pela segunda camada do curativo. São utilizadas na camada primaria das bandagens. ▪ Coberturas que absorvem o excesso de exsudato da ferida → alginato de cálcio e hidrofibra ▪ Coberturas que mantem o nível de umidade do tecido → hidrocoloide e poliuretano ▪ Coberturas que doam umidade ao tecido lesado → hidrogel A cicatrização da ferida pode ser comprometida em casos de esporotricose e leishmaniose. Use uma sala limpa e uma técnica asséptica. Obtenha um histórico médico completo do paciente. Obter informações sobre a causa e a idade da ferida. Faça uma avaliação completa da ferida. Desbride tecido necrótico Remova a contaminação. Escolha o método apropriado de fechamento. Escolha o curativo apropriado. Faça avaliações regulares para monitorar a progressão da cicatrização de feridas Tipos de feridas Lesão do tipo abrasiva, causada por fricção, resultando em dano epitelial. Ocorre devido a trauma profuso ou força de cisalhamento, apresentando pouco sangramento e cicatrização rápida. Muitas vezes somente um curativo e pomada cicatrizante é suficiente para tratamento. Há penetração de objetivo pontiagudo nos tecidos. Ocasiona contaminação e danos em tecidos mais profundos. Incluem mordidas, ferimentos por armas de fogo e penetração de objetivos estranhos, como madeira, arame e ossos. Muitas vezes o corpo estranho faz a introdução da bactéria no organismo. As bordas são bem cortadas e pode se estender a tecidos profundos. Cuidado com aporte sanguíneo da pele lesionada. Extensa perda de pelo e tecido adjacente e exposição imediata ou retardada do leito da ferida. Ocorre principalmente em casos de atropelamento. Ocorre mais nas porções mais distais dos membros. Normalmente ocorre exposição óssea. Aplicação ou aproximação de fonte de calor na pele. Lesões profundas poder ocasionar alterações sistêmicas. Classificação: parcial superficial (epitelial), parcial profunda (epitelial e dérmica profunda) e espessura total. Compressão da pele e tecidos moles entre a proeminência óssea. Sempre trocar o paciente de lado em caso de internação prolongada. Luxações Geralmente, são necessárias duas projeções (crâniocaudal e mediocranial) para a identificação adequada de uma lesão. Em filhotes, recomenda-se também a realização da projeção do membro contralateral para fins comparativos. Luxação x subluxação A luxação corresponde ao deslocamento completo de um osso em relação à sua articulação com outro osso, resultando na perda total do contato entre as superfícies articulares. Já a subluxação é caracterizada por um deslocamento parcial, em que ainda existe algum grau de contato entre essas superfícies. Luxação escapuloumeral A partir do momento em que há alguma instabilidade anatômica, ocorre também uma instabilidade articular. O tendão do músculo bíceps braquial localiza-se na fossa intertubercular do úmero, estando inserido dentro da articulação. Quando inflamado, esse tendão pode ser palpado durante o exame físico. Sobre ele situa-se o ligamento umeral transverso, cuja função é manter o tendão do bíceps posicionado adequadamente. A cápsula articular reveste essas estruturas, contribuindo para sua fixação e oferecendo estabilidade à articulação. Sempre que ocorre uma luxação, é comum que essas estruturas (tendão, ligamento e cápsula) sejam comprometidas, podendo se romper e agravar ainda mais a instabilidade articular. Podem ser traumáticas ou congênitas. ▪ Cães de grande porte → lateral É observado o osso distal para definir se a luxação é lateral ou medial. ▪ Cães de pequeno porte → medial ▪ Envolvem ruptura das estruturas de sustentação regional São menos comuns de ocorrer. Algumas causas são frouxidão capsular e displasia glenoide. ▪ Tipicamente medial ▪ Cães de pequeno porte ▪ Geralmente bilateral Há o deslocamento lateral do úmero, com rompimento das estruturas ipsilaterais. O diagnóstico é realizado por meio da anamnese, sinais clínicos, exame físico e radiografias. Geralmente o membro do animal estará medializado em estação. O tratamento médico para luxações articulares consiste no reposicionamento anatômico da articulação e na imobilização da região afetada por meio de bandagem. Para a realização da redução, é fundamental que o animal esteja anestesiado, pois o relaxamento completo da musculatura ao redor da articulação é essencial. A falta de relaxamento muscular pode dificultar ou até impedir o reposicionamento adequado. Vale destacar que, quanto mais fácil for a redução da luxação, maior é a probabilidade de que a articulação volte a se deslocar. O procedimento exige tração do membro afetado seguida do reposicionamento correto da articulação. Após a redução, realizar radiografias para confirmar o alinhamento anatômico adequado, tanto antes quanto depois da aplicação da bandagem. A bandagem do tipo espica é a mais indicada nesses casos. Ela inclui um componente rígido lateral com o ombro mantido em extensão, envolvendo completamente o tórax do animal. Essa imobilização tem como objetivo evitar qualquer movimento que possa resultar em nova luxação da articulação. A bandagem deve ficar no mínimo 12 dias, ideal 15 dias. Caso a bandagem saia, necessário refazer o raio-x. A bandagem de Velpeau promove a translação lateral da cabeça do úmero e não deve ser feita. As lesões nos tecidos moles adjacentes à articulação luxada costumam gerar hemorragia e, posteriormente, fibrose, o que pode interferir na mobilidade e na recuperação funcional. A técnica de redução fechada é considerada viável até quatro dias após o trauma, sendo o ideal realizá- la nas primeiras 48 horas para melhores resultados. É fundamental realizar a redução da luxação antes de qualquer acesso cirúrgico. Caso a redução não seja possível de forma prévia, ela se torna obrigatória durante o procedimento cirúrgico. Tentativa de suturar as capsulas articulares para estabilização. O tendão, originalmente localizado medialmente, é seccionado e transposicionado para a região lateral. Essa manobra cirúrgica tem comoobjetivo utilizar a própria força de tração do tendão para empurrar a cabeça do úmero em direção medial. A articulação ficará um pouco torta e levemente instável. A longo prazo pode ocorrer osteoartrose da região. Pode ser utilizado dois parafusos e fios de Nylon para construir o ligamento de forma sintética. A bandagem pós cirúrgica é realizada em espica. Pode ser utilizado dois parafusos e fios de Nylon para construir o ligamento de forma sintética. A bandagem pós cirúrgica é realizada em espica. As principais causas são traumáticas e congênitas. O diagnostico é feito pela anamnese, sinais clínicos, exame físico e radiografias. Os sinais clínicos são divididos em traumática e congênita: ▪ Traumática → claudicação persistente aguda ▪ Congênita → intermitente a continua Em caso de luxação crônica, pode ocorrer o desgaste da cavidade glenoide. Indicado somente para luxações agudas. A redução deve ser realizada com utilização da anestesia geral por meio de redução manual. A bandagem realizada deve ser a Veupeaul para que o animal não consiga movimentar o membro de forma lateral. Ocorre a transposição do tendão para a região medial impedindo que a articulação se mova de forma medial. A transposição medial ou tenodese do tendão do bíceps criam uma força lateral estabilizadora da cabeça umeral. Reconstrução do ligamento de forma artificial. Luxação do cotovelo O forame supracondilar é uma estrutura anatômica presente em gatos, por onde passa o nervo ulnar. Em casos de luxação envolvendo essa região, é comum que ambos os ligamentos colaterais (lateral e medial) estejam rompidos. A luxação traumática do cotovelo promove deslocamento lateral em 90% dos casos do rádio e ulna em relação ao úmero. Sinais clínicos → o membro estará situado de forma medial caso a luxação seja lateral. Diagnostico diferencial → fratura articular e fratura de Monteggia → Luxação do rádio e fratura de ulna. Importante diferenciar pois o tratamento será distinto. Imobilização em extensão por 10 a 14 dias. Necessário realizar por toda a extensão porque ao realizar o movimento o processo ancôneo sai da tróclea, facilitando uma nova luxação. Necessário flexionar o cotovelo, rotacionar externamente para que o processo ancôneo entre na fossa de forma adequada e estender, encaixando corretamente a articulação. ▪ Tala em espica. ▪ Tala em Hobbert-Jones A redução fechada possui resultados bons a excelentes de 85 a 90%. Ao retirar a bandagem o animal deve fazer fisioterapia. 85 –90% de resultados bons a excelentes. ▪ Indicações para luxações crônicas, irredutíveis ou recidivas. ▪ A técnica cirúrgica consiste na reconstrução dos ligamentos. ▪ O pino será transfixado no úmero e pode ser utilizado como um reforço extra após estabilização. Luxação coxofemoral ▪ Acetábulo mantem a articulação no local adequado ▪ Ligamento redondo auxilia na estabilidade articular ▪ Capsula articular São as três estruturas que estabilizam a articulação. Os dois tipos de luxação mais comuns são dorsocranial (maior ocorrência) e ventrocaudal. Traumatismos externos ▪ Automobilístico (59-83%) ▪ Quedas ▪ Incidentes desconhecidos Condições pré-existentes ▪ Luxações espontâneas ▪ Displasia coxofemoral Lesões concomitantes ocorrem em 35-55% dos casos. Quando está luxado o trocanter maior forma uma linha reta com as outras estruturas. Quando a luxação é dorsocranial, a comparação entre os membros evidencia que o membro afetado aparenta estar mais curto. Por outro lado, nas luxações ventrocaudais, o membro acometido tende a parecer mais longo. É um teste muito doloroso. Pode ser feito por meio da flexão do joelho (menos doloroso). O diagnostico pode ser realizado pela postura (rotação externa e abdução). Ao observar de forma caudal é possível observar o alinhamento do trocanter maior. Em caso de luxação, estará a anormal. Durante a palpação, é possível realizar o teste do polegar. Pode-se observar a distância entre o tubérculo maior do úmero e o ísquio. Em casos de luxação caudodorsal da articulação coxofemoral, pode haver lesão do nervo isquiático. Isso ocorre porque o nervo emerge medialmente ao acetábulo e segue em direção dorsocaudal. Com o deslocamento da cabeça femoral nessa direção, o nervo isquiático pode ser comprimido, tracionado ou até mesmo lesionado. Indicada para articulação normal do quadril, lesões agudas, ausência de fraturas/osteoartrite e lesões ortopédicas isoladas. A imobilização é sugerida por 10-14 dias com tipoia de Ehmer, tipoia Aspca ou peia Hobbes. A taxa de sucesso é de 40%, variando bastante. É contraindicado em displasia coxofemoral, avulsão do ligamento redondo com fragmento ósseo e fratura na borda dorsal acetabular. Traumas crônicas e reduções em que não consegue manter a cabeça reduzida também. Com o paciente em decúbito lateral sob anestesia, o joelho deve ser segurado e o membro rotacionado externamente. A cabeça do fêmur, que estará deslocada, deve ser direcionada cranialmente com cuidado para evitar lesões na borda do acetábulo. Em seguida, realiza-se a tração do membro no sentido distal para permitir que a cabeça femoral se reposicione corretamente. Após isso, deve-se desrotacionar o membro lentamente, permitindo que a cabeça do fêmur desça e se encaixe novamente no acetábulo. Em caso de luxação ventral, o membro deve ser tracionado e empurrado de forma lateral para reposicionar. A bandagem deve ser realizada de forma a fazer com que o paciente não abduza o membro. Indicada para manutenção da instabilidade após redução fechada, quando a redução fechada não é possível, em caso de fraturas por avulsão da cabeça femoral ou cronicidade. ▪ Objetivo: restaurar a continuidade e a função da cápsula articular, contribuindo para a estabilidade da articulação após a redução. Quando a cápsula estiver muito danificada ou não for possível sua sutura direta, realiza-se a sutura na musculatura adjacente, como alternativa para promover suporte estrutural. A cápsula proteica (isto é, a cápsula articular espessada por processos inflamatórios ou degenerativos) deve ser fixada firmemente para garantir estabilidade. Além disso, para luxações dorsais ou ventrais, pode ser utilizada uma técnica de estabilização com implantes: ▪ São inseridos dois parafusos dorsalmente à borda acetabular, ▪ Dois fios cirúrgicos são passados por esses parafusos, ▪ Uma ruela (arruela metálica) é utilizada para manter os fios tensionados e estáveis, criando uma estrutura de contenção que evita recidivas da luxação. ▪ Consiste em reconstruir o ligamento redondo por meio de dois orifícios: um no acetábulo e um no fêmur (origem na fovia e saindo na porção distal). Com a cavilha passa pelo acetábulo, servindo como uma ancora. Essa técnica consiste na reconstrução do ligamento da cabeça do fêmur (ligamento redondo) por meio da criação de dois orifícios: um no acetábulo e outro no fêmur. O orifício acetabular é feito na região onde se localizaria a origem do ligamento (fóvea da cabeça femoral), permitindo a passagem de um fio ou implante que servirá como substituto do ligamento. Esse fio é introduzido com o auxílio de uma cavilha, que atravessa o acetábulo e atua como uma âncora, fixando o material de forma segura. Em seguida, o fio é passado pelo canal perfurado no fêmur. Na extremidade distal, o fio é fixado com o uso de uma ruela (arruela metálica). Contras: não é uma técnica fácil, necessário um guia de perfuração e presença de corpo estranho (fio nylon) dentro da articulação. Prós: técnica rápida e ideal para animais com displasia coxofemoral. ▪ Primeira perfuração: é realizada na interseção entre o colo femoral e o trocanter maior, atravessando o fêmur. Segunda perfuração: feita no corpo do ílio, logo cranial à inserção do músculo reto femoral. Passagemdo fio: ▪ A ponta dorsal do fio é introduzida pelo orifício perfurado no ílio e, em seguida, passada pelo orifício no fêmur, com a extremidade sendo deslocada caudalmente. ▪ A ponta ventral do fio é passada por cima do trocanter maior, com o auxílio de uma pinça cirúrgica para afastar os músculos e permitir a tração do fio até a saída pela perfuração femoral. Fixação: as duas extremidades do fio são suturadas caudalmente, cruzando-se de forma a formar um "X" ou figura de 8, o que garante maior estabilidade mecânica, simulando a ação do ligamento redondo e da cápsula articular. ▪ A osteotomia deve ser cuidadosamente realizada desde a região medial ao trocânter maior até a região proximal ao trocânter menor. As consequências são a redução da amplitude de movimento, encurtamento do membro, mudança conformacional e atrofia muscular. Gatos e cães pequenos são muito beneficiados pela técnica. ▪ Possui uma alta de complicações (reluxação, fratura e infecção), além de possuir um alto custo. Os benefícios da movimentação precoce são: ▪ Diminuição da aderência entre as estruturas periarticulares ▪ Estimulo a síntese de GAG e AH ▪ Deposição maior de colágeno ▪ Aumento da nutrição articular ▪ Melhoria da degranem do hematoma articular As consequências da imobilização prolongada são Diminuição da produção de liquido sinovial, Espessamento da cartilagem, DAD, perda de massa muscular e mineralização óssea inadequada, Atrofia muscular Luxação da articulação temporomandibular Há grande dificuldade em visualização de radiografia de face. Ideal o bom posicionamento do paciente. Após realizar a palpação e não sentir a luxação, é possível identificar o lado pois a mandíbula ficará sempre em sentido oposto ao local da luxação. Até 4 dias é possível realizar a redução fechada. A cirurgia é extremamente complicada e delicada. Se a luxação for do lado esquerdo, colocar um objeto cilíndrico entre os maxilares do lado afetado e fechar a boca do paciente. O objeto funciona como uma espécie de alavanca. Dessa forma, a articulação será posicionada no local correto. Após a redução o paciente deve utilizar focinheira para bandagem.