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4ª Edição Revista e Ampliada Tintas Ciência e Tecnologia Prêmio Jabuti Concedido em 1994 a Tintas — ciência e tecnologia pela Câmara Brasileira do Livro, na categoria Ciências Exatas e Tecnologia. M.JORGE R. FAZENDA COORDENADOR 4a Edição Revista e Ampliada Tintas – ciência e tecnologia © 2009 Jorge M. R. Fazenda 4ª edição – 2009 1ª reimpressão – 2013 Editora Edgard Blücher Ltda. Rua Pedroso Alvarenga, 1245, 4º andar 04531-012 – São Paulo – SP – Brasil Tel 55 11 3078-5366 contato@blucher.com.br www.blucher.com.br É proibida a reprodução total ou parcial por quaisquer meios, sem autorização escrita da Editora. Todos os direitos reservados pela Editora Edgard Blücher Ltda. FICHA CATALOGRÁFICA Tintas – ciência e tecnologia / Jorge M. R. Fazenda, coordenador – 4ª edição rev. e ampl. – São Paulo: Blucher, 2009. Vários autores Bibliografia. ISBN 978-85-212-0474-9 1. Tintas 2. Fazenda, Jorge M. R. 09-04099 CDD-667.6 Índices para catálogo sistemático: 1. Tintas: Engenharia química: Tecnologia 667.6 Prefácio JORGE M. R. FAZENDA O livro Tintas – ciência e tecnologia éa 4a ediçãodo livro Tintas& Vernizes– ciência e tecnologia. Muito maisdoqueumamudança dedenominação, esta novaedição representa uma atualização e umarevisão da anterior conformepodeser verificadoemvários capítulos.O capítulo “Pigmentos”, além dos pigmentos inorgânicos e orgânicos, inclui pigmentos de efeito, cargas, negro de fumo e aspectos importantes do processo de dispersão de pigmento. Os capítulos “Colorimetria”, “Repintura automotiva” e “Tintas em pó” são exemplos de outros capítulosque foramatualizados e revisados. Nesta edição cabe salientar a colaboração eficiente e prestimosa de todos os autores, sem a qual não seria possível realizar esta tarefa.Emespecial, destaca-setambémacolaboraçãodosnovosautores, oquenos garanteumacontinuidadena atualização das futuras edições, pois demonstraramser capazes de substituir aqueles autores quenaturalmente já se afastaram das atividades relacionadascom tintas e vernizes. Entretanto,nãonosesquecemosdestes autoresque juntocom osveteranos aindaemativida deformaramumaequipe pioneirano Brasil na publicaçãodeum livro sobre tecnologiade tintas e afins. Olivro Tintas–ciênciae tecnologiacontinuasendoa obra mais importante,concebidaepublicada emportuguês, sobre a tecnologia desse importantesegmento industrial. Neste livro o leitor podeencon trar osconhecimentosbásicos sobrea ciênciaeatecnologiadetintaseafins.Éumaobra imprescindível a todos aqueles que se dedicam ao desenvolvimento de produtos e serviços desse setor industrial. Osautores agradecem imensamente a Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas) pelo prestigioso patrocínio, sem o qual esta 4a edição não seria possível. No prefácio da edição anterior, o signatário desta mensagem citou o tempo como o crítico mais efetivo dasobras colocadasa público;umavezpublicadoum livro, otemposeencarregaráde dizer seé bom ou ruim. No caso deste, o tempo tem sido testemunha do seu real valor devido, principalmente, à contribuição para aformaçãoderecursos humanos para tintas e correlatos. JorgeM.R.Fazenda abril de 2009 Apresentação DILSON FERREIRA Estanova edição, revista e ampliada,do livro Tintas – ciência e tecnologiaéumimportante resultadodo trabalho que a ABRAFATI (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas) vem fazendo desde a sua fundação,emproldodesenvolvimentocientíficoe tecnológicodaindústriade tintas, inseridonoobjetivo maior da associação, que é o desenvolvimento setorial. Lançado em 1993, o livro foi a primeira obra do gênero publicada em língua portuguesa, sendo reconhecido por sua qualidade e seu pioneirismo com o prestigioso Prêmio Jabuti, concedido pela CâmaraBrasileiradoLivro. Desdeentão, tornou-sebibliografia indispensável efontedeconsultaperma nente para quem atua na cadeia de tintas ou desenvolve pesquisas relacionadas ao produto. Em suas reedições, recebeu importantesacréscimose atualizações, mantendo,ao longodos anos, a qualidade e a confiabilidadede suas informações. Abordando todos osaspectos relevantes relacionados à teoria, à tecnologia e à aplicação de tintas, o livro chega agora à sua 4ª edição, incorporando uma série de atualizações e novos temas. Com a colaboraçãodeumgrupodeespecialistas de alto nível, coordenados com muitacompetênciaporJorge Fazenda,oconteúdoacompanhaodinamismocomqueacontecemasmudançastecnológicasnomerca do que está em constante evolução. Algunscapítulos sofreram profundasalterações eganharamnovoenfoque,comoodemeioambien te, saúdee segurança na indústria de tintas, que passou também a abranger a utilização das tintas.Em todos eleso conteúdofoi revisto, aprimoradoeatualizado,deformaamantero livro comoaquiloque ele sempre foi desde o seu lançamento: uma obra de alto nível técnico, que contribui para disseminar conhecimentos essenciais entre os profissionais que gravitam em torno do universo das tintas. Para finalizar, gostaria deagradecer aosautores e aocoordenador deste livro, quese empenharam para, mais uma vez, disponibilizar o melhor conteúdo aos leitores, compartilhando com eles os seus conhecimentos e experiências. Dilson Ferreira Presidente-executivo ABRAFATI (Associação Brasileira dos FabricantesdeTintas) Sobre os autores Autores e colaboradores da 4ª edição ANTONIO ROBERTO P. CRUZ Engenheiroquímico, diretor daempresaISOCOATTintase Vernizes Ltda.,membrodoConselhoDiretivo daAssociação Brasileira dos FabricantesdeTintase Vernizes (ABRAFATI). AURÉLIO NAZARÉ ROCHA Químico (licenciaturae bachareladocomatribuiçõestecnológicasnaUniversidadedeSãoPaulo–USP). Possui cursosdeespecialização: sínteseorgânicadeprodutos naturais;corrosãomicrobiológicaequímica dos altos polímeros epós-graduaçãoem administraçãode empresas e marketing (FundaçãoArmando Alvares Penteado– Faap). Atuou durante nove anos em formulação de tintas no Grupo Renner e 21 anos na BYK-Chemie como gerente geral da AméricaLatina. CELSO GNECCO Engenheiroquímico (Escola Superiorde Química OswaldoCruz–1974). Égerentedetreinamento técnicona Sherwin-Williamsdo Brasil – divisão Sumaré– desde1990. Por 21 anos foi chefe do laboratório de pesquisas e desenvolvimento de tintas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). CONSTANTINO T. FILHO Químico (licenciaturae bachareladocomatribuiçõestecnológicasnaUniversidadedeSãoPaulo–USP). DoutoremCiências na área de químicaorgânica(USP). Realizou atividadesdepesquisaedesenvolvimentorelacionadascompigmentos, resinas, tintase vernizes durante33anos,ocupando cargode Gerente e Diretor dePesquisas eDesenvolvimento. Foi professor universitário de 1974 a 1988. Atualmente é consultor técnico. FERNANDO FERNANDES Engenheiroquímico(Escola SuperiordeQuímicaOswaldoCruz). Por 11anos trabalhouno InstitutodePesquisas Tecnológicas (IPT), nolaboratóriode tintas e vernizes, e, durantedezanos,naSherwin-Williamsdo Brasil – divisão Sumaré. Hoje atuanaAkzoNobel– divisão International Paint. FRANCISCO D. DINIZ Químico(bacharelado– Faculdadede Filosofia, Ciênciase LetrasdeSãoBernardo do Campo –1981). Durante32anosatuouna área detecnologia de tintas decorativas, exercendo atividadesdepesquisa e desenvolvimento em laboratórios da antiga Tintas Coral, atualmente AkzoNobel tintas decorativas do Brasil edaSherwin-Williams.Atualmente éconsultor técnico. x TINTAS GERSON DE ALMEIDA Farmacêuticoebioquímico (UniversidadedeSãoPaulo– USP). AtuounolaboratóriodeaplicaçãotécnicadepigmentosdaHoechstdoBrasil(1967-1975)ena assistência técnicadeaplicação depigmentos para tintase vernizes da Hoechst/Clariant S.A. (1975-2008),onde foi coordenador eresponsável poressa atividade na América Latina. IVAN DE PAULA RIGOLETTO Engenheiroquímico (1991), engenheirodesegurança dotrabalho(1995)emestreemengenharia civil (1999) (Unicamp). AtualmenteécoordenadordegestãoambientalesegurançaparaaPPGAméricadoSul,auditorambiental deconformidadeedesistemasdegestãoedocentedecursosdeextensãoe especializaçãonaUnicamp. Étambém coordenadora importância desta etapa química é grande, pois é fundamental para a obtenção das propriedades desejadas do revestimento correspondente. 2 TERMINOLOGIA E DEFINIÇÕES Monômero: como já foi mencionado,um polímero é constituído pela repetição de pequenas unidades químicas ligadas entre si por ligações covalentes; omonômero éocomposto químico(geralmenteuma pequena molécula)que origina essasunidades repetitivas que constituem a cadeia polimérica. Polimerização: é a reação química através da qual os monômeros se transformam no polímero. 16 TINTAS Dímeros: são moléculas formadas pela combinação de dois monômeros, idênticos ou não, como o diciclopentadieno, que é formado pela combinação de duas moléculas do ciclopentadieno. De forma similar, o trímero é constituído pela combinação detrês moléculasmonoméricas. Oligômero: é um polímero de baixo peso molecular, pois é constituído por um número pequeno de unidades repetitivas, por exemplo, 5 a 15 unidades; conseqüentemente, o peso molecular é pequeno. Os oligômeros são muito importantes na indústria de tintas, particularmente em sistemas de altos sólidose sistemasdecurapor irradiação. Alguns oligômeros sãousadoscomoreticulantes, pois reagem como polímero-base da tinta, atravésde grupos funcionais, resultandoemumsistema poliméricocom estrutura tridimensional. FUNCIONALIDADE Osmonômeros possuem grupos funcionais através dos quais ocorre a polimerização; a funcionalidade deummonômeroédadapelo número desses grupos funcionais existentesna molécula.Éumconceito especialmente importante na polimerização por condensação, conforme será visto no capítulocorres pondente a esse tipo de polimerização. Na polimerização por adição, isto é, na polimerização que é feita através da insaturação entre átomosdecarbono, a dupla ligação respectiva correspondea funcionalidade igual a dois. É importante observar que há monômeros com grupos funcionais distintos e, portanto, podem participar em polimerizações diferentes. Assim, o acrilato de glicidila polimeriza por adição através da dupla ligação e por condensação através do grupo glicidila. Na verdade, há autores que consideram a aberturadoanelepoxídicocomosendoumapolimerizaçãoporadição.Numaforma análoga,ometacrilato de3-hidroxipropila polimerizaporadição através da dupla ligação epor condensaçãoatravésdogrupo hidroxila. Os polímeros usados em tintas geralmente dispõem de grupos funcionais na sua cadeia e através deles pode ser efetuada outra etapa de polimerização, como a cura de tintas termoconvertíveis. Exemplos de monômeros com grupos funcionais distintos: H2C=CH–C–O–CH –HC–CH 2 2 H C–C–COOH CH OH 2 3 O O CH2OH Acrilato de glicidila Ácido dimetilol propiônico H C=C–C–O–CH –CH–CHOH 2 2 22 OH3C C=O O C=O HOOC Metacrilato de hidroxipropila Anidrido trimelítico Os grupos funcionais existentes na cadeia polimérica podemser resultantes deformas diferentes: a) Nospolímeros por adição, isto é, quandoa polimerização é obtida através da dupla ligação entre carbonos, os grupos funcionaisdopolímero são originados por monômeroscom gruposfuncio nais distintos. Sãoexemplosas resinas acrílicas hidroxiladas, na qualogrupo hidroxila édevido ao metacrilatode 3-hidroxipropila entre outros monômeros. b) Nospolímeros por condensação,osgruposfuncionais existentes na cadeia polimérica são geral mente devidos ao excesso de um dos monômeros, sob o ponto de vista estequiométrico; por exemplo, no poliéster saturado, os grupos hidroxilas presentes na sua cadeia são originados pelo excesso desses grupos em relação aos carboxilas. Polimerização 17 c) Nos sistemasde cura por radiação(comosistemas de cura por UV), ogrupo funcionalrespon sávelpelacuraéumadupla ligaçãocarbono-carbonopresentenacadeia poliméricaque irá reagir comoum reticulante também insaturado. Em todos os casos, é importante controlar qualitativa e quantitativamente os grupos funcio nais responsáveis pela cura da tinta para que se possa obter as propriedades desejadas emum dado revestimento. HOMOPOLÍMERO, COPOLÍMERO, TERPOLÍMERO, ETC. São conceitos de grande importância na polimerização por adição, porém pouco mencionados na polimerização por condensação. O homopolímero é um polímero resultante da polimerização de uma única espécie monomérica; suacadeia éconstituída porumaúnicaunidadeestruturalrepetitiva.Exemplos: polietileno, poli(cloreto de vinila), etc. O copolímero é obtido pela polimerização de duas ou mais espécies monoméricas e, como con sequência, sua cadeia apresenta unidades estruturais resultantes desses monômeros. São exem plos: copolímero acetato de vinila-acrilato de etila, copolímero de estireno-acrilato de butila, etc. Oterpolímero, deforma análoga, é resultante da polimerizaçãodetrês espéciesmonoméricas.São exemplos:terpolímero deacetatode vinila-etileno-ácido acrílico, terpolímerodemetacrilatodemetila acrilato de butila-ácido acrílico, etc. Nos casos de copolímeros e terpolímeros, a estrutura dos polímeros respectivos depende da reatividade relativa dos monômeros que constituem a mistura monomérica, método e condições de preparação, etc.Deforma geral, quandose copolimerizaAeB, podemser obtidos os seguintes tipos de polímeros: (c) a = Estrutura ao acaso b = Estrutura alternada c = Estrutura de blocos d = Estrutura ramificada – polímero de enxerto B B B (d) Figura 2.1 (a) (b) –A–A–A–A–B–B–B–B–B–A–A–A–A–A–B–B–B–B– A maioria dos copolímeros usados em tintas são do tipo a, isto é, com as unidades estruturais distribuídas ao acaso na cadeia polimérica. O copolímero do tipo b é raro na indústria de tintas; um exemplo típico é o copolímero obtido pela polimerização de anidrido maleico e estireno em misturas equimolares e feita pelo processo de radicais livres. Oscopolímeros debloco tipo c podem ser obtidos por diversas técnicasdepolimerização, sendo a maisimportante a polimerização aniônica. Os copolímeros de enxerto (copolímeros de graft) consistem em um polímero ramificado de tal forma que as cadeias laterais são constituídas por porções homopolímeras; na indústria de tintas, os exemplosmaisimportantes são constituídos atravésdeumacadeia básica formadaporumpolímero por condensação,enxertada por cadeiaslaterais mediante polimerização por adição: alquídicas estirenadas, epóxi acriladas, etc. –A–A–B–A–B–B–A–B–A–A–A–A–B– –A–A–A–A–A–A–A– B –A–B–A–B–A–B–A–B–A–B– B B B B 18 TINTAS- POLÍMEROS – ALGUNS EXEMPLOS Polímeros por condensação Ligação química característicaTipo Poliamida - C -N OH Reação da polimerização H N =R -NH2 + HO2C -R '-CO2H + H (NH =R -NHCO -R '-CO),OH + H2O H,N = R -NH ) + CICO -R ’-COCI + H (NH -R -NHCO - R '-CO ), Cl + HCI H »N -R -CO2H — H (NH -R -CO ),OH + H2O Proteína, lã e seda - C - N H2N = R -NH2 + HO2C - R ’-CO2H + H (NH =R -NHCO - R '-CO),OH + H2O OH Poliéster - C - O HO - R -OH + HO2C - R ’ -CO2H + HO (R -OCO - R '- COO )nH + H2O HO-R -OH + R ''OC-R -CO2R " HO (R -OCO -R ' -COO ), R "' + R ''OH HO-R -CO2H + HO (R -COO), H + H2O + R Poliuretano - O - C - N OH HO - R -OH + OCN -R ’-NCO + - (-O - R -OCO -NH -R ’-NH -CO -)n -HO Fenol-formol -Ar-CH2 - do C . Uréia -formol -NH -CH HN -CO-NH2 + CHẠO (- HN -CO-NH-CH2 -)n + H2O Melamina-formol N H N - C C -NH , + CH2O + HN - C N . C -NH -CH2+ -NH-CH Ν NΝ ' C ' N C ' NH2 NH2 Observação A reação de polimerização apresentada para proteína, lã e seda não corresponde ao processo natural da obtenção , sendo apenasumarepresentação esquemática. Polímeros por adição (Homopolímeros) Tipo Polietileno Monômero Unidade repetitiva CH2= CH2 -CH2 -CH2- Poliisobutileno CH3 CH2= C CH3 Poliacrilonitrila CH2= CH -CN CH3 -CH₂-C CH3 -CH2 -CH CN -CH2-CH ĆI Poli (cloreto de vinila) CH2= CH -CI Polimerização 19 Tipo Monômero CH2= CH Unidade repetitiva –CH2–CH–Poliestireno Poli (metacrilato de metila) CH 3 CH2 CH3 C COCH23 –CH2 –C– CO2CH3 –CH2 –CH– Poli (acetato de vinila) CH2 3CH–OCOCH OCOCH3 P CONCEITOS IMPORTANTES Grau de conversão P Ograudeconversão(P)é definidocomosendoa fraçãodos gruposfuncionais quereagiramnoinstante (t);étambémdenominadode“extensãoda polimerização”,poismedeoquantoocorreudapolimerização (em relação à polimerização total) no instante (t). (1) N0 – N = ,emque: N0 N0 – Número inicial de moléculas (monômeros) N – Número de moléculas (monômeros) existentes no instante (t) (N0-N) – Número de moléculas (monômeros) reagidas no instante (t) Quando N tende a zero, P tende a 1,00, o que significa que praticamente ocorreu 100% da polimerização; P é usualmente expresso em termos percentuais. Na polimerização em cadeia (adição), P é relacionado como número de moléculas, poisem cada uma existeumadupla ligação através da qual ocorre a formaçãodacadeia polimérica; na polimerização por condensação, Pé relacionado comonúmerode grupos funcionais envolvidosna reação. Assim, na formação de um poliéster através da reação de um diácido com um glicol, P pode ser expresso da seguinte forma: P = [N0] – [N] [N0] , em que: (2) [N0] – Concentração inicial degrupos funcionais (carboxilaou hidroxila) [N] –Concentraçãodegrupos funcionais (carboxila ou hidroxila)no instante (t) ÉimportanteobservarqueemquantidadesestequiométricasPpodeserrelacionadoindiferentemen te com a concentração de hidroxilas ou com a concentração de carboxilas; quando não há quantidades estequiométricas,Pdeveserrelacionadoàconcentraçãodogrupofuncionalpresenteemmenorquantidade. Grau de polimerização médio numérico Xn Por definição, o grau de polimerização médio numérico Xn é o número médio de unidades estrutu rais existentes nas macromoléculas; é umagrandeza diretamente relacionada como peso molecular do polímero. Mp Xn = Mm ,emque: (3) 20 TINTAS Mp – Peso molecular médio do polímero Mm– Pesomolecular daunidade estrutural Na homopolimerização, tanto por adição como por condensação, a unidade estrutural é igual à unidade repetitiva e é derivada diretamente do monômero envolvido; nos homopolímeros obtidos por adição,opesomoleculardaunidadeestrutural é idênticoaopesomoleculardomonômero;noshomopo límerosobtidosporcondensação,opesomolecular daunidadeestruturalépoucoinferior aodomonômero devidoà formação de produtos secundários nos poliésteres, como a água. Exemplos de unidades estruturais de homopolímeros: a) Adição: –C–C– HH HH –C–C– H CH3 HCl Polipropileno PVC b) Condensação: poliamida derivadadoácido ε-amino-capróico. –HN–CH 2 –CH 2 –CH2–CH2–CH2–CO– Ainexistência deumaregularidadeestrutural na cadeia polimérica torna difícil a definiçãodaunida de estrutural nos copolímeros, terpolímeros, tetrapolímeros, etc., tanto na polimerização por adição como por condensação. Nos copolímeros mais simples obtidos por condensação, é fácil determinar a unidade estrutural e a unidade repetitiva. Assim, em um poliéster obtido pela condensação de um diácidocomumglicol, tem-se: Unidade repetitiva: –O–C–R–C–O–R!– O O (Proveniente do diácido) –O–R!– Unidade estrutural: –O–C–R–C– O O (Proveniente do glicol) Aunidade repetitiva éformadapela uniãodeduasunidades estruturais sendoumaprovenientedo diácido e outra do glicol. Na equação (3), deve ser considerado um valor médio de peso molecular da unidade estrutural (Mm)sempre que o polímero não seja um homopolímero. É importante observar que as unidades estruturais do início e do fim da cadeia são diferentes das unidades estruturais dorestoda cadeia epodemfornecerumasériedeinformaçõesacercadopolímero, como por exemplo: • Poliéster terminadoem hidroxilas ou carboxilas: depende do reagente em excesso. • Na polimerização por adição: a presença de fragmentos de radicais livres nasextremidades da cadeia indicaquea polimerização foi iniciada através deles. OutraformadedefinirXnérelacioná-locomaconcentraçãoinicialdemoléculasecomaconcentra ção de moléculasemum determinado instante. Xn = N0 N (4) Polimerização 21 Combinando as equações (2) e (4): Xn = 1 1–P (5) A equação (5) relaciona o grau de polimerização médio numérico (Xn) com o grau de conversão (P); esta equaçãoé denominada por alguns autores de equaçãode Carothers. QuandoP tende a 1, ou seja, quando ocorre praticamente 100% de polimerização, Xn tende a ser infinito. P→ 1,0 Xn→ Éimportante observarqueo caráter polimérico sósemanifesta emaltos valores deconversão,por exemplo: P = 90% Xn = 10 Umcompostocom10 unidades estruturais não é considerado polímero. P = 98% Xn = 50 Neste caso, o composto apresenta 50 unidades estruturais podendo ser já um polímero. PESO MOLECULAR Um polímero é constituído, na maioria dos casos, de uma mistura de macromoléculas com estrutura química similar com pesos moleculares diferentes, na maioria das vezes. Há, pois, uma diferença do conceito de peso molecular nos polímeros e nos compostos químicos convencionais. Nestes, a cada espécie química correspondeumdeterminado pesomolecular (na reali dade, acadapesomolecularpodecorresponder maisdeumaespécie química–éoconceitode isômero – porém, a um composto químico corresponde somente um peso molecular) enquanto, conforme foi dito anteriormente, um polímero é formado por uma mistura de macromoléculas de diferentes pesos molecularescomestrutura química similar. A uréia, por exemplo, tem sempreum peso molecular de 60,06, assim comoo da anilina é sempre 93,12;umcompostoquímicocomopesomolecularde100nuncapoderáser uréiaou anilina. Entretan to, o poliestireno pode apresentar diferentes pesos moleculares médios: 5.000, 80.000, 500.000 ou qualquer outro valor; omesmoéválido parao poli (metacrilatode metila), poliamidas, poliésteres, etc. Um polímero não tem, pois, um peso molecular exato e definido, o que significa que não pode ser considerado uma espécie química pura (a exceção é rara e quase que teórica: polímero monodisperso queapresenta todas as macromoléculasde igual peso molecular).Aestrutura química similaremtodas as macromoléculas é devida ao fato de serem formadas por unidades iguais e repetitivas, porém em número diferente, resultando em peso molecular diferente. Naquímica dos materiais poliméricos é necessário definir o peso molecular médioea distribuição do peso molecular. O peso molecular médio de um polímero é a média dos pesos moleculares das ma cromoléculas que o constituem. Assim, quando se faz referência ao poliestireno de peso molecular 180.000 significa queesteé o valor médiodos pesosmolecularesdasmacromoléculas;a distribuição do peso molecular indica os valores extremos(pesomolecularmínimoemáximo)bemcomoa quantidade presentedecadamacromolécula.Adistribuiçãodopesomolecular está associada aumaforma gráfica. Noexemplodeuma mistura de macromoléculascomPMvariando entre 170.000e190.000 (distri buição estreita) ou entre 10.000e1.000.000 (distribuição larga), as curvasde distribuição dePMterão aspecto bastante diferente, porém poderão ter em comumo pico assinalando PM = 180.000. O peso molecular médio e a sua distribuição são conceitos importantes, pois influenciam notada mente,emumpolímero, as propriedades mecânicas,a solubilidade, areologiaeoutras,emumpolímero. Nosexemplosde poliestireno, quandoopeso molecularmédioé de 10.000,o materialé quebradiço e, quandoaquecido a52 °C, resultaemummaterialoleoso;quandoopesomolecularmédioéde250.000, o poliestireno pode ser moldadoem peças com aparência vítrea e com propriedades interessantes. 22 TINTAS Diferentes formas de expressar o peso molecular médio Há varias formas de expressar o peso molecular médio, dependendo da maneira como é definido ou determinado. Peso molecular médio numérico – Mn Éamédia aritmética dos pesosmolecularesdasmacromoléculas contidas emumadeterminadamassa de um polímero; leva em conta o número de macromoléculas existentes nessa massa de polímero. (6)Mn= W N i , em que: W– Massa do polímero (gramas) i – Número total de macromoléculas existentes emW W=N1.M1+N2. M2+....= N i M i (7) N i Mn= NiMi N 1 NM11+N+N22M2 +.... +........ = Peso molecular médio em peso – Mw Também denominado peso molecular médio ponderal é definido comoa média ponderal dos pesos moleculares das macromoléculas existentes em uma determinada massa de polímero. (8) W1M1+W2M2+.... Mw = W1+W2+........ = W i W i M i , em que: W1,W 2 ,W i – Massa das moléculas 1, 2 ei respectivamente Mwéamédiadasmassasdecadamacromolécula existenteemumadeterminadamassadepolímero. Considerando que: W1 = N 1 M 1 W2 = N2M2 Wi = N i M i (9) NiM i 2 Mw = N i M i Em(9) nota-seque cadamacromolécula contribui para o pesomolecular médioponderalnoqua drado da sua massa e, por isso, as macromoléculas maiores afetam mais oMw que as macromoléculas menores; como conseqüência: Mw Mn ou Mw Mn 1 QuandoMw=Mn,opolímeroémonodisperso; a diferença entreos dois pesos molecularesmede a polidispersidadedo polímero,que tambémémedida pelo quocienteMw /Mn. Exemplo de cálculo para demonstrar a diferença entre Mw e Mn Nº de moléculas PM/molécula W i 2 1.000 2.000 3.000 2.000 6.000 3.0001 3 TOTAIS 6 11.000 Polimerização 23 Mn= WN i = 11.0006 = 1.833 W i M i Mw = W i = 2x103x103+6x103x2x103+3x103x3x103 11x103 = 2.090 Polidispersidade: MwMn = 2.0901.833 = 1,14 QuandoMn=Mw,opolímeroéhomogêneo,pois éconstituído pormacromoléculasdemesmopeso molecular;a diferença entre esses dois pesos molecularesmédios medeograude não-homogeneidade do polímero, isto é, o polímero é formado por macromoléculas de peso molecular diferente. As fraçõesdemacromoléculasdemenorpeso molecular influenciammaisMn,enquanto asdepeso molecularmaior influenciam maisMw,comofoi citado anteriormente.Atabela a seguir demonstra essa influência. AumpolímeromonodispersocomMn=Mw=100.000,sãoadicionadas quantidadesiguais,empeso e em número, de frações de menor e de maior peso molecular. Tabela 2.2 Variação dos pesos moleculares numérico e ponoeral Valores resultantes PM Mw/MnQuantidade adicionada 20% em número Mn 85.000 Mw 98.00010.000 1,15 20% em peso 10.000 40.000 85.000 2,13 20% em número 1.000.000 250.000 700.000 2,80 20% em peso 1.000.000 118.000 250.000 2,12 Considerando-seoPMinicial de 100.000 pode-se observarqueas fraçõesdemenor pesomolecular, tanto em peso como em número, afetaram mais Mn que Mw; o inverso é válido quando da adição de frações de maior peso molecular, pois os valores de Mw (700.000 e 250.000) estão mais afastados do padrão (100.000) do que os valores de Mn (250.000 e 118.000 respectivamente). Tabela 2.3 Peso molecular médio – polímeros usados em tintas Polímero Mw/Mn Resinas alquídicas 2.500–5.000 5.000–20.000 2,0–4,0 Resinas epóxi 350–4.000 350–7.000 1,0–2,5 Mn Mw Acrílicas termoplásticas em solução 25.000–350.000 40.000–600.000 1,5–3,0 Acrílicas termoplásticas em emulsão aquosa 500.000–2.000.000 650.000–2.500.000 1,1–1,8 Acrílica termoconvertível oligômero 1.000–2.000 1.200–3.000 1,1–1,5 O valor de Mn pode ser determinado através da medida das propriedades coligativas, pois estas dependem do número de moléculas dissolvidas em um apropriado solvente e independem do seu tamanho.Poroutrolado,ovalor deMwdependedonúmerodemoléculasedotamanhodecadauma;Mw pode ser determinado através da medida da difusãoda luz em soluções diluídas do polímero. A caracterização de um polímero somente através do peso molecular médio numérico (Mn) sem levar em conta a polidispersidade é insuficiente, podendo levar a conclusões erradas. A maioria das propriedadesdeumpolímero estão relacionadas principalmente aotamanhodas suasmacromoléculas e dependem muitomais das suas moléculas grandes de quedas pequenas.Comoexemplo, considere-se amistura poliméricaconstituídapor95%demoléculascomPM=10.000e5%demoléculascomPM=100; os valores deMneMw calculados pelas equações (7) e (9) são: Mn= 9.505 e Mw =9.995 24 TINTAS Ovalor deMw(9.995) émuitomais significativo doqueodeMn (9.505),poisestá maispróximodo pesomolecularda maioria das moléculas; a determinaçãodo valor deMnéútil paraa determinação da polidispersidadedeumpolímero atravésdo quociente entreMweMn. A caracterização de um polímero é completada quando se relacionam os valores dos pesos molecularesmédios(MneMw)coma respectiva distribuiçãodopeso molecular. Mn M v M w M z Figura 2.2 Distribuição do peso molecular. Peso molecular Outras formas de pesos moleculares médios Além dos pesos moleculares médios numérico (Mn) e ponderal (Mw), também são usadas outras formas que diferem entre si no modo como são determinadas. Peso molecular médio – Z (Mz) É uma forma de expressar o peso molecular médio ponderal quando o seu valor é determinado pelo métododesedimentação/ultracentrifugação. A expressão matemática é: Mz = WiM i2 N i Mi N i 3 W i M i = Mi2 (10) Emumpolímero, a porçãodemacromoléculasdemaior pesomolecular influencia mais o valor de MzdoquedeMwe este, por sua vez, émais influenciadodoque Mn,poisMzé f(Mi)3,Mwéf(Mi)2eMn éf(Mi). Peso molecular médio – ν(Mν) É o peso molecular médio determinado pela viscosidade de uma solução diluída de um polímero; a expressão matemática é: W i Mv= WiMi 1/aa = N i M i 1+a 1/a N i (11) Éum dos métodos mais usados devido à simplicidade de sua determinação e vem sendo utilizado desde os primeiros trabalhos de Staudinger, Mark e Houwink. De forma simplificada, pode-se admitir quea viscosidadedesoluçãodeumpolímeroébasicamenteafunçãodotamanhodassuasmacromoléculas. A viscosidade intrínseca [ ] está relacionada com o peso molecular através da equação semi-empí rica deMark-Houwink: =KMva M i (12) Polimerização 25 Ke asão constantes epodemser determinados graficamentecomsoluçõesdepolímerosmodelos em diferentes solventes. Paraa maioriados polímeros,a apresenta valores entre 0,5e 1,0, eKentre 0,5e 5.10 –4 .Éimportan te explicitar a temperaturaeosolvente noqual está sendomedidaa viscosidade.Aviscosidade intrínse ca [ ] é definida como sendo a viscosidade quando a concentração tende a zero, isto é, quando é extrapolada para diluição infinita. Quandoa=1naequação(11),opesomolecularmédioMvtemomesmovalordeMw;para a maioria dos polímeros, Mv é de 10 a 20%menor queMw e quase sempre maior que Mn. OviscosímetrodeOstwaldéumdosmaiscomunsnadeterminaçãodeMvdevidoàsuasimplicidade deoperação. DETERMINAÇÃO DO PESO MOLECULAR MÉDIO Análise dos grupos terminais Este é um método para determinar Mn e pressupõe o conhecimento do número dos grupos terminais a serem analisados por macromolécula. Ele conta o número de macromoléculas existentes em uma determinada amostra do polímero; este método perde sensibilidade em polímeros com elevado peso molecular(acimade25.000), pois a fração molecularcorrespondenteaogrupo terminal torna-se relati vamente muito pequena para ser medida com precisão. A técnica a ser usada para analisar o grupo terminal difere parapolímero porcondensaçãoepor adição. Nospolímerospor condensação, escolhe-seumgrupo funcional quepossa ser analisado via analíti ca comum ou instrumental, além de se conhecer a priori quantos desses grupos existem na macromolécula.Assim, nos poliésteres enas poliamidas titulam-se osgrupos carboxilascomuma base. Deforma geral, pode-se considerar: Mn= n.q.W a (13) n – Número de grupos por molécula a serem titulados q – Equivalente grama de reagente W– Quantidadede polímero (gramas) a – Quantidade do reagente (gramas) Exemplo: determinação deMn deum poliéster a – 0,03 g de NaOH (7,5 cm3 deNaOH 0, 1N) q – 40 g n– 1 (somentel grupo carboxila por molécula de polímero) W – 15 g Mn – 20.000 Oíndice deacidez (IA)éumacaracterística do poliéstere tambémpodeser usado paraa determi nação dopesomolecular médionumérico através da expressão: Mn= 56.000 IA (14) Esta expressão é decorrente da definição do índice de acidez; no exemplo acima, o IA, é de 2,8, resultandoem: Mn= 56.000 2,8 = 20.000 Háoutras expressões querelacionamMncom IA,conformeserá visto posteriormente. Este racio cínioéválido para poliésterese poliamidas, quandoosreagentes estãoemproporções estequiométricas, 26 TINTAS pois, neste caso,n=lpor molécula; quandoháexcessode carboxilas,ovalordeMnéincorreto, anãoser queseconheça o valor den.Em outras palavras, é necessário saber quantosgrupos carboxilas existem na macromolécula. Umimportante aspectodo processode análise dos grupos terminais está na possi bilidadedesedeterminar a existência deramificaçõesna cadeia polimérica através dacombinaçãocom osmometria. Neste caso, opeso molecular médio numérico (Mn)seria determinado por osmosee a análise dos grupos terminais determinaria onúmerodosmesmos;este processo indica a existência deramificações não informando, porém, otamanho respectivo, conforme pode ser constatado na Figura 2.3. Outros exemplos da determinação deMn através da análise dos grupos terminais: • Polímerosterminadosem hidroxilas – acetilação. • Polímeros terminadosem aldeídos (celulose, por exemplo) – titulação com iodo. (1) X–A–A–A–A–A–A–A–A–A–A–A–A–A–A–A–A– X A A A X X X –A–A–A–A–A–A–A–A– ( (2) (3) X–A–A–A–A–A–A–A–A– XAX X AA A AA A A A A X A A–A–A–A– A X –A–A–A–A A A A X X X A X X X = Grupo terminal)X Figura 2.3 Este métodonão é muito usado nos polímeros por adição, pois há dificuldade em detectar grupos químicosnaextremidadedacadeiaadequadospara umadeterminação analítica. MÉTODOS BASEADOS NA MEDIDA DAS PROPRIEDADES COLIGATIVAS Ovalor deMnde umpolímero pode ser determinado através da medida das propriedades coligativas de uma solução diluída desse polímero emum solvente apropriado: • Abaixamento da pressão de vapor • Elevação dopontode ebulição – ebuliometria • Abaixamento do ponto de congelamento – crioscopia • Pressão osmótica ApressãoosmóticaémaiscomumnadeterminaçãodeMnporqueasdemaispropriedadescoligativas não apresentam sensibilidade satisfatória quando da determinação de altos pesos moleculares. Por exemplo,uma solução aquosa contendo 10 g/litro deumpolímero de pesomolecular 100.000 apresenta os seguintes resultados: • Elevaçãodopontodeebulição: 5 x 10–5 °C • Abaixamento do ponto de congelamento: 2 x l0–4°C • Abaixamentoda pressãode vapor: 5 x 10–5 mmHg • Pressão osmótica: 25 mmH 2 O A X Polimerização 27 A expressão aritmética que relaciona Mn com a pressão osmótica é derivada da equação de gases per feitos, tambémválida parasoluções diluídas. (15)Mn= RT R – Constante dos gases ideais (perfeitos) T – Temperatura absoluta P – Pressão osmótica C– Concentraçãodopolímero na solução A equação (15) é válida para os casos ideais, isto é, para a diluição infinita, e deve ser corrigida com a introdução de coeficientes para que tenha significado prático. P RT + A.C+B.C2 (16) MnC = P/C d h s Figura 2.4 Determinação da pressão osmótica: princípios básicos. h = Pressão osmótica s = Força capilar (deve-se levar em consideração: h = d–s) Considerando valores baixosdeconcentração C: P = Mn RT C 11 10 + A.C (17) Comos valores obtidos na determinaçãoda pressão osmóticaem diferentes concentrações,cons trói-seumgráficodeP/Cemf(C);naintersecçãodaretacomaordenada,isto é,quandoCézero,obtém-se o valor deRT/Mn e, por conseguinte,de Mn. Clorofórmio 4– 0 1 C / P Dioxano Tetrahidrofurano 987 654 32 10 0 Tolueno Acetona m-Xileno 0,5 1 Figura 2.5 Gráfico de P/C x C para o poli (metacrilato de metila) em vários solventes. 1,5 2 2,5 3 (C 10–2g/cm3) Observação •A inclinação da curva (valor do coeficiente A) varia conforme o solvente. •O valor deRT/Mne,portanto, de Mn,independe do solvente;este fato é usado para controlar a veracidade da determinação experimentaldopeso molecular médio numérico Mn. 28 TINTAS DISPERSÃO DA LUZ (LIGHT SCATTERING) Éum método para determinar o peso molecular médio ponderal (Mw). Quando um feixe de luz passa atravésda soluçãodeum polímero, ocorrea dispersãoda luz, queémedidaemumfotômetro emfunção do ângulo de observação e da concentração do polímero na solução.O solvente deve ter um índice de refração diferentedopolímeroea solução deveser muitobem filtrada paraseremeliminadas partículas estranhas e insolúveis; a presença de polímero semidissolvido (partículas de gel) ou associação de macromoléculas poliméricas também induzem a resultados falsos. A teoria da dispersão da luzé complexae foi estudada pioneiramente por Raleigh; posteriormente, Debyeaplicou essa teoriaaos polímeros,relacionando a dispersabilidade da luzcomopesomoleculardo polímero em solução. Quando o tamanho das macromoléculas é menor do que a vigésima parte do comprimento de onda da luz(dispersão de raios laser, etc.É possível trabalhar com diferen tes temperaturas,oque permite resolver problemasde baixa solubilidade deumdeterminado polímero em um dado solvente em baixas temperaturas. Osolvente, que constitui adenominada fasemóvel,ébombeadoconstantemente atravésda coluna, comvazãoetemperatura perfeitamente controladas;umaamostra da soluçãodopolímero(quese quer caracterizar)éinjetadanacolunaeinstantaneamente incorporadanacorrenteda fasemóvel(o solvente é omesmo na fase móvel e na solução do polímero). COMO OCORRE A SEPARAÇÃO Aseparaçãoque ocorrena coluna éportamanhodas macromoléculas; comojá vimos, osporosexisten tes no material de enchimentosãode tamanhos diferentes e, desta forma, as macromoléculas maiores sópoderão penetrar nos porosmaioresenquanto asmenorespoderão, emprincípio, penetrar em todos os poros (pequenos, médios egrandes); as macromoléculas de tamanhointermediário penetrarão nos poros de tamanhos grande e médios. Como conseqüência, há uma separação das macromoléculas de acordocomoseutamanho,deformaqueas maiores sairão antes (hámenosporos disponíveis)seguida das médias e, por fim, das menores. 30 TINTAS Figura 2.7 Esquema da separação dentro da coluna do HPLC. Oesquemadesta separaçãopode ser observado na Figura 2.7, que re presentaumcortedacolunamostran doosporoseasmacromoléculascom Macromoléculas os seus tamanhos relativos. com diferentes tamanhos Neste cromatograma, nota-se que as macromoléculasvãosaindode acordo com o seu tamanho: primeiro asmaiores,seguidasdasmédiase,por fim,asmenores;pode-seobservarque os oligômeros saem após Monômeros asmacromoléculaseantes dosaditivosemonômerosOligômeros aditivos residuais. Éfácilentendercomo a forma do pico está rela cionadacomadistribuição do peso molecular dopo límero: quanto mais larga for a base, maior é a dife rença de tamanho entre Baixo Mw as moléculas. Quantidades Polímeros Início Alto Mw Figura 2.8 Cromatograma ideal. Peso molecular (Mw) Fluxo de solvente Mistura de tamanhos Fluxo de solvente Separação por tamanho Fluxo de solvente Coleta das frações por tamanho Figura 2.9 Esquema de separação. Polimerização 31 O sinal emitido pelo detector é proporcional à massa do polímero da solução que esteja passando por ele emumdeterminado momento.Nãoexiste ainda emmateoria capazde explicar a relação entre tempos de retençãoe volumesderetençãocomotamanhodasmoléculas; desta forma,há necessidade de se transformar esse cromatogramaemuma curva que traduza a distribuiçãodo peso molecular. Usando polímeros-padrão, isto é, polímeros dos quais se conheceperfeitamente a curva de distri buição do peso molecular, é possível relacionar a curva de eluição com a curva de distribuição do peso molecular. É importante notar que, para haver precisão nos resultados, é necessário escolher um polímero padrãodamesma família daqueleque se quer caracterizar e, desta forma, correlacionar oseu tamanho como peso molecular. Os cromatógrafos modernos possuem microprocessadores ou microcomputadores que podem calcular as diferentes formas de pesomolecular médioa partir do cromatograma. s avitaler s edaditnauQ Figura 2.10 Curva de distribuição do peso molecular de cloreto de polivinila (PVC). 70 80 90 100 110 120 130 140 VR (ml) Peso molecular (Mw) 3x1065x1058x10415x1032x102 Mw Mv Mn Mz Alto PM Baixo PM Figura 2.11 Os diferentes tipos de peso molecular. O cromatograma por exclusão de tamanho apresenta resultados mais precisos em polímeros lineares do que em polímeros ramificados; nestes, um determinado valor do volume de retenção corresponde a uma mistura de moléculas com diferentes pesos moleculares e diferentes graus de ramificação,mas comomesmovolumehidrodinâmico; em outras palavras,uma macromolécula deum determinado peso molecular poderá ter tamanhos diferentes conforme o seu grau de ramificação. 32 TINTAS O pesomolecular médioGPCpode ser definido: (22) (23) Mgpc= W i M i1+a WiM i como Mz = W i M i 2 Quandoa= 1,Mgpc=Mz. Quandoa= 0,5,Mgpcé ligeiramente superior a Mw. W i M i RESUMO Tabela 2.4 Métodos de determinação e pesos moleculares médios respectivos Método Peso molecular Análise dos grupos terminais Mn Pressão osmótica Mn Dispersão da luz Mw Sedimentação/Ultracentrifugação Mwe Mz Viscosidade Mv =Mw Propriedades coligativas Mn Cromatografia GPC Mw, Mn, Mz 3 POLIMERIZAÇÃO POR CONDENSAÇÃO A polimerização por condensação ocorre em etapas e, na maioria dos casos, através da reação entre grupos funcionais diferentes.ATabela 2.5 relaciona alguns polímeros importantes obtidos peloproces so de condensação e a reação correspondente. Tabela 2.5 Polímeros e os reagentes Polímero Poliésteres Poliamidas Uréicas Melamínicas Reação Poliácidos+poliálcoois Poliácidos + poliaminas Uréia + formol Melamina+formol Bisfenol A + fosgeno Poliisocianatos+ polióis Bisfenol + epicloridrina Fenóis+formol Policarbonatos Poliuretanos Epóxi Fenólicas É uma polimerização por etapas, pois a macromolécula vai se formando através da reação de monômeros, dímeros, trímeros, tetrâmeros e oligômeros, como se estivesse sendo constituída através da união de pedaços; é freqüente a formação de produtos secundários, como a água, que devem ser retirados, na maioria das vezes, à medida que a reação se processa. ~ Polimerização 33 As características principais deste tipo depolimerização são: • A cadeia polimérica forma-se vagarosamente necessitando, por vezes, horas oumesmo vários dias. • Todos os monômeros são rapidamente convertidos em dímeros, trímeros, tetrâmeros e oligômeros em geral, o que significa que, em qualquer instante da polimerização, é alta a con centração de cadeias em crescimentoe baixa a concentração de monômeros. • Devido ao fato da maioria das reações químicas envolvidas neste tipo de polimerização terem relativamente altas energias de ativação, a reaçãoé usualmente feita a altas temperaturas. • Os pesos moleculares obtidos são moderados (quase sempre inferiores a 20.000). • Alinearidade, a ramificaçãoea reticulaçãosão facilmente controladasdurantea polimerização, pois sãoplenamente previsíveis em funçãoda composiçãoquímica da misturamonomérica. • Geralmenteuma sóreaçãoé responsável pela polimerização. • Os polímeros obtidos por condensação apresentam uma curva larga de distribuição do peso molecular, isto é, têmaltos valoresde polidispersibilidade. A idéia básica é que a polimerização por condensação ocorre através da reação de moléculas que possuemgrupos funcionaisadequadoseemnúmerosuficienteparaformara macromolécula. Assim, por conter apenasumgrupocarboxila,o ácido acéticonãopodeformarumpolímero atravésda esterificação mesmoquandoreagecomumpoliálcool; por exemplo, nasua reaçãocomo pentaeritritol podeformar, dependendodaproporção,mono-, di-, tri-,ou tetra-acetatos,nãopodendo, porém, formarumpolímero. Isto não significa queoácidoacéticonãopossa participardacomposiçãodeumpolímero, pois qualquer monoácido,quandofazpartedeumacomposiçãoquímicaquecontenhaácidospolicarboxílicosepoliálcoois em proporçõesadequadas,é incorporadoà estrutura polimérica; nas resinas alquídicas enospoliéste res,o usodemonoácidos,comooácido benzóico,éimportantecomoforma de regular opeso molecular ea respectiva curvade distribuição. Estas considerações são válidastambémparamonoálcooise serão discutidas na parte relacionadacomoconceitodefuncionalidade. A formação de uma cadeia polimérica pode ser conseguida através da homopolimerização de um monômerodifuncional,comgrupos funcionais diferentesequepossam reagir entre si;a copolimerização de dois monômeros difuncionais, cada um deles com grupos funcionais diferentes do outro, constitui outraformade obtençãodo polímeropor condensação. Os exemplos a seguir ilustram estas duas possibilidades: • Homopolimerização: ácido amino-capróico n H2N(CH2)5–COOH –[(CH2 )5 –CON–]n+ n H2O H • Copolimerização: ácido adípicoe hexileno-diamina n HOOC–(CH2)4–COOH + n H2N–(CH2)6–NH2 –NOC–(CH[2)4–CON(CH 2)6 –]n + 2n HO H H Em ambos os casos, obtêm-se poliamidas; são exemplos semelhantes: a homopolimerização do ácido láctico ea copolimerizaçãodoácido tereftálico com etilenoglicol; ambosresultamempoliésteres evidentemente diferentes. Sãofreqüentes as misturasmonoméricasdetrêsou maismonômeroscom diferentes funcionalida des,isto é,algunssãomonofuncionais,outrosdifuncionais,outrostrifuncionaisoumesmotetrafuncionais. 34 TINTAS O que é importante é que a funcionalidade média da mistura esteja próxima de dois (o conceito de funcionalidadena polimerizaçãoporcondensação será abordadomais adiantedemaneira maisdetalha da).Asresinas alquídicas citadas anteriormente constituemumexemploimportantede polímeros por condensação, obtidos a partir de misturas monoméricas deste tipo. Por vezes, o monômero é formado imediatamente antes do processo de polimerização, como nas resinas fenólicas, uréicas, melamínicas, etc. Nas resinas fenólicas, um dos monômeros é o derivado metilol, que é o produto de reação do fenol com o formol; a polimerização ocorre através da reação do derivado metilol com outro derivado metilol ou com o fenol (nas posições orto e para), conforme será visto no capítulo referente a resinas fenólicas. De forma análoga, os derivados metilol da uréia e da melamina constituem os monômeros que irão condensar consigo mesmos ou com moléculas de uréia ou de melamina. Isto significa que o fenol, a uréia e a melamina por si só não conduzem a polímeros, havendo a necessidade de transformá-losem espécies químicas reativas. O esquema depolimerização por condensação é: • Dois monômeros reagem entre si para formar um dímero. • O dímero pode reagir com outro dímero formandoum tetrâmero. • Otetrâmeropode reagir comqualquer das espécies presentes (tetrâmero,monômero,trímero, dímero, etc.). • O mesmoé válido para o trímero. AFigura 2.12éumarepresentação gráfica desteesquemaquandoseusammonômerosdifuncionais. Ocorre, pois, o desaparecimentodosmonômeroslogono inícioda polimerização; calcula-se quehá menos de 1% do total inicial dos monômeros, quando as cadeias poliméricas contêm em média dez unidadesmonoméricas.Eéumasituação bastante diferenteda polimerizaçãopor adição, conforme será visto em capítulos posteriores. A formação de polietileno tereftalato é um exemplo típico e ocorre da seguinte forma: O O HO–C– –C–OH + HOCH2CHOH–H 2 O 2 22 O OHO–C– –C–O–CH CHOH O O HO–C– –C–OH Dímero Dímero –H2O –HO HO–C– –C–O–CH CH–O– 222 2 O O OO O O OO C––C–O–CHCHOH HO–C– –C–O–CH2CH2–O–C––C–OH 2 –HO O O O OO O O O HO–C– –C–O–CH2CH2–O–C– –C–O–CH2CH2–O–C– –C–O–CH2CH2–O–C– –C–OH Heptâmero 2 etc. etc. Polimerização 35 a) + XX XX XX + XX XX + XX XX X X XX X X+ XXXXXX XXXX X X etc. b) X+ X XX XX+ X XXX etc. c) X X X O X O –OH + –COOH –OH + –COCI –OH + –N=C=O –OH + –CH–CH2 –NH2 + –COOH –NH–NH2 ++ –N=C=O 2 –COOCH3 O X+ X XX XX + X X X X etc. Figura 2.12 Polimerização por condensação: esquema. REATIVIDADE DOS GRUPOS FUNCIONAIS Háumagrande diferença, sob o ponto de vista da cinética, entre as polimerizações por condensação e por adição; conforme já foi comentado na polimerização por condensação, o processo é lento e os monômerosdesaparecemna fase inicial da polimerização.O polímeroé obtido atravésda reação entre duas espécies diferentes (pelo menos com funções diferentes) na maioria das vezes. Para simplificar a análiseda cinética assume-se: • A reatividade dos grupos funcionais iguais de um monômero polifuncional é a mesma; por exemplo, ambas as hidroxilas deum glicol têm amesma reatividade; • A reatividadedeum grupode monômeropolifuncional (grupos iguais) independeseos outros já estejam ou não reagidos; • A reatividade de um grupo funcional independe do tamanho do radical a que está ligado; em outras palavras, a reatividadae de um grupo funcional não é modificada à medida que o peso molecular da macromolécula vaiaumentando. Tabela 2.6 Constantes de velocidade da esterificação em compostos homólogos (25 ºC) n Deformageral,admite-sede que a cinética de uma polime H(CH 2) nCOOH HOOC(CH 2)n COOH rizaçãoporcondensaçãoéidênti K.104 1 ca à das reações similares entre 22.1 – 2 pequenasmoléculascomosmes mos grupos funcionais; como 15.3 6.0 3 7.5 8.7 4 7.5 8.4 5 7.4 exemplo, a cinética da poliesteri ficação seria similar à da esterifi caçãodoácidoacéticocometanol. ATabela2.6mostraaevidên cia experimental destes fatos. As esterificações relativas a estatabelaforamcatalisadascom ácido clorídrico e usaram etanol comoúnicoálcool;apartirden=3, aconstantedevelocidadeKapre 7.5 – senta valores similares,indepen 15 7.7 – dentemente do tamanho do áci 17 7.7 – doedo fato deste apresentarum ou dois grupos carboxílicos.Os valores de K estão expressos em unidades de (moles de grupos carboxila/litro) –1 Segundo–1. K.104 7.8 6 – – 8 7.5 – 9 7.4 – 11 7.6 – 13 36 TINTAS Na prática, há desvios significativos destas afirmações devido a aspectos particulares provenientes da estrutura dosmonômeros, dos efeitos catalíticos, da mudança na homogeneidade física do sistema, do aumento da viscosidade, do impedimento estéreo, etc.; alguns exemplos destes desvios: a) Na glicerina, a hidroxila secundáriatemuma reatividade menor doqueas outras primárias. b) Nosisocianatos aromáticos,a reatividade dessesgruposcomálcoois, por exemplo,dependede diferentes fatores; assim, a reatividade de um monoisocianato é afetada pela presença de um substituinte e da sua posição no anel aromático; desta forma, o isocianato de fenila é mais reativo doqueo isocianato de para-tolila e este, mais reativodoque o isocianatode orto-tolila. Nos diisocianatos a reatividade de um deles depende de que o outro já tenha ou não reagido; como exemplo, no diisocianato de tolileno a reatividade do segundo isocianato é quatro vezes menor quea reatividadedo primeiro. c) Nas resinas fenólicas, ocorrem fenômenos semelhantes,que serão discutidosno capítulo refe rente a essas resinas. ASPECTOS CINÉTICOS Considerando-se a poliesterificação de um diácido com um diol, como exemplo típico desse tipo de polimerização, observa-seuma diferençamarcantena sua velocidadequando seusaou não catalisador (ácido forte). Naausênciado catalisador externo, a reaçãoéde terceira ordem eécatalisada pelo próprio ácido, que participa comomonômero. –d[COOH] = K[COOH]2[OH] (24) dt Namaioria dos casos, a concentração de grupos carboxilaé bastante próxima daconcentraçãode grupos hidroxila, de tal forma que podeser considerado: [COOH] = [OH] = C (25) –dC dt = KC3 (26) Expressando-se (26)emfunção do grau de polimerização P: C = Co(1– P) (27) Em que Co é a concentração de grupos carboxila no início da reação; substituindo-se em (26), rearranjando eintegrando obtém-se: 2Co2Kt = (28) (1 –1 P)2 – A A= Constante de integração Ográficoa seguir mostraa relaçãoentreograudeconversãoPeotempodereaçãopoliesterificação doácido adípicocom dietileno glicol a 165°Cem proporções estequiométricas.Lembrandoque ograu de polimerização médio numéricoXn eP estão relacionados pela expressão: Xn = 1–1 P AFigura 2.13 mostra também a relação de Xn, isto é, do peso molecular com otempo de reação. Polimerização 37 + + + + + 12Xn 10 90 + + + + 8 6 4 + 93 % dareação 80 50 + + + + + + + + + + + + + 0 200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 1.600 Figura 2.13 Poliesterificação do ácido adípico com dietilenoglicol a 165 ºC e sem catalisador. 14 Tempo (minutos) Napoliesterificaçãodeumdiácidocomdiolnapresençadeumácidofortecomocatalisador,tem-se: –dC = K’C2 (29) dt Considerando-se:C=[COOH]= [OH],comono caso anterior. Aequação(29) expressaemtermos degrau deconversão de P, rearranjada e integrada, resulta em: CoK’t = – A’ 50 30 A (30) 11 – P A! = Constante de integração; é uma reação de 2a ordem. A Figura 2.14 mostra a diferença de velocidade da poliesterificação entre o ácido adípico e o dietilenoglicolcom catalisador (curva A)e semcatalisador (curva B). 9518 16 110ºC Xn 20 10 165 ºC 0 100 300 400 Figura 2.14 Poliesterificação do ácido adípico com etilenoglicol. Curva A = catalisada com ácido p-tolueno-sulfônico. Curva B = sem catalisador. B 200 Tempo (minutos) 38 TINTAS Observa-se que na curva A, com a adição de 0,01% do ácido p-tolueno-sulfônico, obtém-se um polímerocomXn=48,oque significaumPM±4.100 após cinco horasde esterificação a110°C;nacurva B, sem catalisador, obtém-se Xn = 8, valor este muito pequeno para caracterizar o composto formado comumpolímero após sete horasdeesterificaçãoa umatemperaturade165°C,superior, portanto, àda curva A.Esteexemplo ilustra claramentea necessidade dousode catalisador na poliesterificação para que se obtenha um polímero em um tempo e temperatura razoáveis. Comoemuma esterificaçãocomum,a reação édeequilíbrio ea água formada é retirada continua mente para que a formação do éster seja favorecida; a poliesterificação é seguida experimentalmente atravésda titulaçãodo índice deacidez ao longoda polimerização. FORMAÇÃO DA CADEIA POLIMÉRICA EM FUNÇÃO DO GRAU DE CONVERSÃO (P) E DO GRAU DE POLIMERIZAÇÃO (XN) Como foi visto anteriormente, a cadeia polimérica vai sendo formada através da reação de dois grupos funcionais.Ocrescimentodopolímeropodeseracompanhado atravésda variaçãodograudeconversão edograu depolimerização; comoexemplo, considera-se aformaçãodeum poliéster atravésda reação doácido tereftálico com etilenoglicol em quantidades estequiométricas; a Tabela 2.7 mostra variações doPM,P eXn. PM Xn Nº de moles H2O Tabela 2.7 Reagentes em proporções estequiométricas Nº de moles Nº de moles ácido tereftálico etilenoglicol 1 1 210 2 3 402 594 6 4 2 2 3 786 8 10 P % 50,0075,0083,3087,5090,0095,00 99.00 99,5099,70 99,9599,97 99 19 9 10 10 7 5 5 5 4 4 3 1 50 50 100 978 1.938 9.618 19.218 28.812 192.018 288.018 20 100 200100 300150 1.000 1.500 150 1.000 1.500 199 299 1.999 2.999 2.000 3.000 É importante observar nesta tabela: a) Osdadosreferem-se a umapolimerização teóricaemquetodas as macromoléculasapresentam o mesmo peso molecular e o seu crescimento ocorre de forma homogênea. b) Quando todas as moléculas do diácido e do glicol tiverem reagido entre si (primeiro passo da reação) para formar éster, terá ocorrido 50% do total da reação (P = 50%) e Xn = 2; o dímero assim formado apresenta um grupo carboxila em uma das extremidades e uma hidroxila na outra, e o peso molecular é 210. c) Quando este dímero reage com outro dímero, formando um tetrâmero com peso molecular 402, ocorre 75% do total da reação e Xn = 4. d) Observa-se que o poliéster adquire propriedades poliméricas quando ocorre pelo menos 99% da reação, pois opesomolecular é 9.618 eXn=100, isto é, a cadeiaé formada por 100unidades estruturais. Em outras palavras, o polímero só é formado em altos graus de conversão. e) Na poliesterificação, comotambém em outras polimerizações por condensação, é importante levar a polimerização até altos valores deconversão (acimade 99%), poispequenos aumentos emP correspondem a grandes aumentos no peso molecular; assim, quandoP vai de99%para Polimerização 39 99,5%,opesomolecular dobra(de 9.618 para 19.218);é fácil entender quea cadeia polimérica vaicrescendoatravés da uniãodemoléculasque,porsua vez,sãocadavezmaiores àmedidaque a polimerização vai ocorrendo; conforme foi dito anteriormente, o polímero vai se formando atravésda união de “pedaços”. A Figura 2.15 relaciona o aumento do peso molecular em função do grau de conversão em altos valoresde P. 300.000 200.000 esomolecular 100.000 98,5 99 99,5 100 Figura 2.15 Peso molecular do polietileno tereftalato em função do grau de conversão. Conversão (%) CONTROLE DO PESO MOLECULAR O controle do peso molecular na polimerização é importante para a obtenção de um polímero com as propriedadesdesejadas.Opesomolecularmédiodeumpolímeroaliadoà curvadedistribuiçãodospesos moleculares, como vimos, afeta profundamente propriedades fundamentais tais como: viscosidade, aplicabilidade,solubilidade,poder ligante, etc.Sãopropriedades importantíssimas nospolímerosquando usadosemtintas. É, pois, importanteconhecertodos osparâmetrosdapolimerizaçãoparaa obtençãode umpolímerocomumdeterminadopeso molecular médioerespectiva curvade distribuição. Ainterrupçãodareaçãocomoformadeobterumdeterminadopeso molecular médio(geralmente baixo) não é um método adequado por resultar, na maioria dos casos, em polímeros instáveis, porque tendem a continuar a reagir com conseqüente aumento do peso molecular. O ajuste de um excesso, geralmente pequeno, de um dos reagentes é uma forma de controle do peso molecular; um pequeno desvio da estequiometria da composição tem conseqüências marcantes nopesomolecular aindaqueemaltos grausdeconversão; neste caso, as cadeias poliméricas apresenta rão grupos terminais correspondentes aos grupos funcionais do reagente em excesso. Assim, na obtenção deuma poliamida com excesso de poliamina, obtém-se: H–NH–R–NH–C–R!–C–NH–R–NH 2 O O n Quando o reagente em excesso é diácido, obtém-se: HO–C–R!–C–NH–R–NH–C–R!–C–OH O O On O P 40 TINTAS O emprego de um monômero monofuncional (com um dos grupos funcionais responsáveis pela polimerização)éummétodocomumpara o controle dopeso molecular; como exemplo, ousodoácido benzóico na composição da poliamida faz com que esta apresente grupos fenila nas extremidades da cadeia: –C–NH–R–NH–C–R!–C–NH–R–NH–C–OO OnO Éimportante escolher e ajustar o excessodomonômerodifuncional ou a quantidadedo reagente monofuncionalpara queseobtenhamos resultados esperados, tantono valor dopeso molecular como no tipo de grupos funcionais existentes nas extermidades das cadeias poliméricas. Se essas quantida des forem relativamente altas, o peso molecular poderá ser demasiadamente baixo. Influência de excesso de um dos monômeros no peso molecular Neste caso, o aumento do peso molecular, além de ser função do grau de conversão, depende também do excesso de um dos monômeros. A Tabela 2.8 mostra a relação entre peso molecular, grau de polimerização e excesso de glicol em diferentes valoresde conversãona poliesterificação de ácido tereftálicocometilenoglicol. Tabela 2.8 Poliesterificação com excesso de glicol Nº de moles Nº de moles ácido dicarboxílico glicol Excesso % molar Xn máximo PM máx.P=100% P=99% P=99,5% 1 2 100,0 3 254 – – 2 3 PM máx. PM máx. 3 4 5 50 100 1.000 4 5 6 51 101 1.001 1,0 2,0 50,0 33,325,020,0 0,1 9 5 7 11 101 201 2.001 446 638 830 1.022 9.662 19.262 192.062 – – – 930 4.831 6.420 9.146 – – – – 6.441 9.631 17.460 Nesta tabela pode ser observado: a) Quandooexcesso deumdos reagentes é alto, é impossível a obtenção deum polímero; assim, se o excesso do glicol for de pelo menos 20%, não há a formação do polímero, pois o peso molecular máximo possível é 1.022 para 100% de conversão. b) Quandooexcesso do glicol é relativamente baixo, é possível a formação damacromoléculaem altos valores deconversão; assim, quandooexcessode glicol é de1%, opeso molecular médio é 9.631 para uma conversão de 99,5% e de 6.420 para uma conversão de 99%. c) Uma conversão de 100% é praticamente impossível na formação de macromoléculas; por esta razão, somente os valores obtidos com conversões de 99% e 99,5% devem ser considerados, quando então os valores dos pesos moleculares médios (PM) significam polímeros. d) Acomparação das Tabelas 2.7e 2.8 mostra o efeito dramático doexcessodeumdosreagentes no peso molecular do polímero.A Tabela 2.9, que é umacombinação dessas tabelas, mostra o efeito do excesso de um dos reagentes (etilenoglicol, no caso) sobre o peso molecular do poliéster. Polimerização 41 Ograu deconversão P pode também ser entendido como a percentagem das ligações ésteres que foram formadasnapolimerizaçãoem relaçãoao total teórico; assim,quandoP=99%, significa que,das 100 ligações ésteres possíveis, ocorreram 99. ATabela 2.9 também mostra queà medidaque aproporção dos reagentesaproxima-se darelação estequiométrica, o peso molecular aumenta; é como se o glicol em excesso atuasse como reagente mo nofuncional; é evidente que o aumento do grau de conversão resulta em pesos moleculares maiores. P=99,5% PM 6.441 Tabela 2.9 Variação no peso molecular Proporção dos reagentes P=99,0% PM Excesso glicol 2% 4.831 Excesso glicol 1% 6.420 Excesso glicol 0,1% 9.146 Estequiométrica 9.618 9.631 17.460 19.218 Apresença de impurezasnos reagentes,mesmoembaixas percentagens, pode ter conseqüências relevantes no valor do peso molecular do polímero, em uma forma similar à do excesso de um dos reagentes; assim,uma impurezaem tornode 0,1%emumdosmonômeros afetará o pesomolecular na ordem degrandeza doexcesso de 0,1% deumdosreagentes; o que ocorre éumdesbalanceamento da relação estequiométrica. Controle do peso molecular através do excesso de um dos monômeros Quando,na polimerizaçãodemonômerosdifuncionais dos tiposA–AeB–B,háoexcessodeumdeles, por exemploB–B,é definida arelaçãoodesbalanceamentoestequiométrico (r);noinícioda reação,tem-se: • total de grupos funcionaisA=NA (por exemplo,A= carboxila) • total degrupos funcionais B=NB(por exemplo,B=hidroxila) NA = 2x número de moléculas A–A NB =2x número de moléculas B–B r=NA/NB (31) Por convenção,éoquocientedonúmeromenorsobreomaiorde tal formaque rtrês condições básicas para a obtenção de polímeros lineares com alto peso molecular emumapolimerizaçãopor condensação: a) Estequiometria: os monômeros difuncionais devem estar em quantidade estequiométrica; o pesomolecularé afetado significativamente quandoumdosmonômerosdifuncionais estápre sente em pequeno excesso ou quando há um reagente que contenha somente um dos grupos funcionais (reagente monofuncional),mesmoempequenaquantidadenamisturamonomérica; a polimerização de monômeros do tipo A–B, isto é, de monômeros que contêm os dois grupos funcionais responsáveis pela policondensação, representa a forma ideal de estequiometria e, por isso, conduza polímeroscom alto peso molecular. A perda de reagentes durante a polimerização, por volatização, decomposição, eterificação, etc., provoca o desbalanceamento estequiométrico, ocasionando grandes distorções no valor do grau de polimerização e na conversão, com conseqüências marcantes no peso molecular polimérico. b) Pureza dos monômeros: a mistura monomérica deverá ser constituída por monômeros com alto grau de pureza. As impurezas atuam como agentes terminadores de cadeias, alteram a estequiometria, podem atuar como catalisadores de reações secundárias indesejáveis, etc. c) Reação química:a reação responsável pela polimerizaçãodevese processarcomalto rendimen to; devem ser evitadas reações colaterais que conduzem a produtos secundários; as reações básicas mais utilizadas na polimerização porcondensação são: esterificação, transesterificação, amidação,reaçãodeisocianatocomhidrogêniodegruposfuncionaisadequados(álcoois,aminas, etc.), reaçãode cloreto deácido com hidroxilas, grupos fenólicos, aminas, etc. Estas três condições básicas aplicam-se sempre e quando se trata da obtenção de polímeros lineares atravésda polimerizaçãode monômerosdo tipoA–Bou deA–AcomB–B. Quando afunciona lidade média dosistema for superior a 2,estascondições básicasnãosão válidas, poisconduzemsomen te a alto peso molecular, já que o polímero resultante pode ser altamente ramificado e pode ocorrer a formação de ligações entre as cadeias poliméricas, conduzindo a uma estrutura tridimensional. Na polimerizaçãodemisturas monoméricas complexas, isto é,com monômerosmono-, di-, tri- e tetrafun cionais, é importante que a funcionalidade média do sistema seja o mais próximo possível de 2. Em resumo,sob opontode vista da polimerização, o sistema comporta-se comosefosse a policondensação de monômeros difuncionais e, desta forma, as três condições básicas descritas anteriormente são perfeitamente válidas para a obtenção de polímeros com peso molecular otimizado e utilizáveis em tintas. Vale lembrar que os polímeros com estrutura tridimensional, por serem infusíveis e insolúveis, não têmaplicação em tintas; a estrutura tridimensional deve ser conseguida após a aplicação ecurada Polimerização 45 tinta, como forma de maximizar as propriedades do revestimento respectivo. Pode-se afirmar que, às três condições básicas apontadas, deve ser acrescentado o conceito de funcionalidade média para se conseguir polímeros com pesomolecular adequado. As resinas alquídicas e os poliésteres saturados constituem exemplos típicos da complexidade originada pela utilização demisturas monoméricas,formadaspor monômerosdediferentes funcionali dades. A este fato, deve-se acrescentar a necessidade de se usar excesso de um dos monômeros para que esses polímeros contenham grupos funcionais capazes de reagir como agentes reticuladores du rante a cura ou secagemda tinta. Estaproblemáticados polímeros será estudadamaisdetalhadamente em capítulos posteriores. OBTENÇÃO DE POLIÉSTERES POR TRANSESTERIFICAÇÃO Nos poliésteres de estrutura mais simples, como o polietileno-tereftalato, a transesterificação pode substituir com vantagensa poliesterificação na polimerização. Este processo, queestá baseadono fato da esterificação ser uma reação de equilíbrio, parte do uso do éster metílico no lugar do diácido e é basicamente um processo de duas etapas: 1a etapa: transesterificação de éster metílico com etilenoglicol: H3COOC– –COOCH3 + 2 HOCH2CH2 OH HOCH2CH2OOC– –COOCH2CH2OH + 2 H3COH A reação é feita a temperaturas que variam entre 100 e 200 °C e o metanol é continuadamente removidopor destilação. 2a etapa: o tereftalato de di (2-hidroxietila) é transesterificado intermolecularmente: CH2OOC– CH2OHHOCH2HOCH2CH2O– –COOCH2–C– –C–OCH2CH2O– –H n+1HOCH2CH2OHO O n + Éumareação catalisada porcompostosfracamente alcalinos, comoPbO,Sb 2 – Na+eoutros catalisadores típicos de transesterificação. A temperatura é de cerca de 260 °C e o etilenoglicol é con tinuadamenteremovidopor destilação a baixa pressão. O 3 ,H 3 CO Este processo apresenta algumas vantagens em relação à poliesterificação, principalmente na produçãode poliésteres para fibras têxteis, na qualé necessáriaa obtençãode polímeroscomalto peso molecular; são exemplos dessas vantagens: a) Os ésteres de diácido sãousualmente mais solúveis na misturada reação,o que contribui para suamaior velocidade. b) A estequiometria é inerente ao processo; paraque altos pesosmolecularessejam conseguidos, há a necessidadeda remoçãocontínua e eficientedo etilenoglicol. 46 TINTAS OBTENÇÃO DE POLIAMIDAS Emprocesso similar, as poliamidaspodem ser obtidas atravésda transamidaçãono lugar da amidação, não sendo, porém, tão comum quanto a transesterificação. A garantia da estequiometria, necessária para a obtenção de altos pesos moleculares, pode ser conseguida de várias formas, como: a) Obtençãode sal deamônia, comumente chamadodesal de nylon,quese constituiem interme diário paraa obtençãoda poliamida. n H2N(CH2)6NH2 + n HOOC(CH2)4COOH Hexametilenodiamina Ácido adípico –OOC(CH2)4COO + + 3 2 6 3Sal de nylon H N(CH) NH – H– –NH(CH2)6NH–C–(CH2)4 –CO– –H + (2n –1) H2O O nO Nylon O sal de nylon é purificado por cristalização e contém intrinsicamente os reagentes na proporção estequiométrica. b) Polimerização deum aminoácido, isto é, de ummonômerodo tipo A-B; neste caso a estequio metria está contida no próprio monômero. –N–(CH2)5–C– + n H2On H2N(CH2)5COOH Ácido ε-amino-capróico H On Nylon c) Polimerização atravésdeumalactama adequada,comoa ε-caprolactama. n H C(CH) C=O 2 2 4 –N–(CH2)5–C– + nH2O H Nylon On NH É interessante observar que os exemplos apresentados be c resultam no mesmo polímero. A tem peratura de reação é de cerca de 200 °C. OBTENÇÃO DE POLICARBONATOS Ospolicarbonatossãoos poliésteres doácido carbônicoeomaiscomuméoobtido através da reaçãodo bisfenol A com fosgeno. A reação é catalisada por aminas terciárias e há a necessidade de se consumir o ácido clorídrico à medida que este vai sendo formado. O policarbonato também pode ser obtido através deuma polimerização interfacial; neste caso, o bisfenol é solubilizado emágua na forma do sal sódico obtido através da reação com hidróxido de sódio; o fosgeno é dissolvido em um solvente orgânico adequado imiscível com a fase aquosa; na interface das duas fases, vai se obtendoo policarbonato, que precipita ao alcançarumpesomolecular adequado. Polimerização 47 CH 3 n HO– –C– –OH + n O=CCl 2 CH3 CH3–O– –C– –O–C–+2nHCI CH3 On RAMIFICAÇÃO E RETICULAÇÃO Apolimerização por condensaçãodemonômerosdifuncionaisdotipoA–AcomB–B resulta necessaria mente em polímeros lineares termoplásticos. É uma polimerização importante para a obtenção de fibras sintéticas para a indústria têxtil, por exemplo, apresentando, porém, um interesse menor na indústria de tintas. Seà misturamonoméricaA–AcomB–Bfor adicionada umadeterminada quantidadedeummonô merocom funcionalidade superior a 2, ocorre a ramificaçãooua reticulação; assim, senapolimerização deA–AcomB–Bhouver umapequena quantidade deB–B–B (B3),podeocorrer: a) Ramificação: A distribuição do peso molecular é, neste caso, mais estreita do que em polimerizações lineares não A–A–B–B–A–A–B–B–B–A–A–B–B–A–A A ramificadas. A B B b) Reticulação: Acadeialateral podeunir duascadeias principais,pro vocandoumaligaçãoentrecadeias,desdequehajaumaquantidadeadequada dosmonômerosB–B–B. Na forma esquemática, obtém-se a estrutura: Figura 2.18 A–A–B–B–A–A–B–B–B–A–A–B–B–A–A A A B B A A A–A–B–B–A–A–B–B–B–A–A–B–B–A–A 48 TINTAS Areticulação provocauma gelatinizaçãoemumdeterminadomomentoda polimerização,denomi nadopontode gelificação, quando ocorre,então,a formaçãodeumaestrutura polimérica tridimensional e insolúvel no meio.O gel correspondeà formaçãodeuma macromolécula macroscópica através das interligações das moléculas poliméricas lineares,ramificadasounão.Nopontode gelificação, podeser percebida aporçãodopolímerogelificada (insolúvelnomeio)eaporçãodepolímeroaindanãogelificada, queésolúvelnomeio.Àmedida quea gelificação prossegue, ocorreumaumento brutalna viscosidade do sistema, devido à crescente formação de gel através da reticulação de cadeias poliméricas lineares até se atingir uma viscosidade infinita. A reticulação decadeias poliméricasé importante dopontode vista técnico, desde queocorra de forma predeterminada e controlada. A cura ou secagem das tintas é um exemplo marcante da utilidade da reticulação poliméricaepodeocorrer à temperaturaambienteouatemperaturas predeter minadas.Ospolímerosreticuladosapresentamumaimportância crescentecomomateriaisdeengenha ria, pois apresentam propriedades térmicas emecânicasde formamaximizada. Reticulação em tintas e vernizes: algumas considerações Atecnologiade tintas e vernizesdemandaduasetapas bem definidas depolimerização:na preparação dos polímeros necessários e durante a secagem. Na primeira etapa, devem ser obtidos polímeros com estrutura linear ecomcapacidadedepolimerizaçãoemumasegunda etapa, formandomacromoléculas de estrutura tridimensional. A segunda etapa de polimerização ocorre após a aplicação da tinta ou do vernizno substrato a ser pintado. Representa a secagem ou cura da tinta e deve ser efetuada de forma controlada,segundoparâmetros previamentedeterminados, paraa obtençãodeum revestimentocom as propriedades desejadas. O compromisso entre as condições de secagem e as propriedades desejadas no revestimento defineo sistemadepolímerosa serusadona tinta ouno verniz. Asformasmaiscomunsdesecagem são: a) Secagem oxidativa: a reticulação poliméricaé obtida através da açãodooxigêniodo ar sobre as duplas ligações dos ácidos graxos presentes na estrutura do polímero e que, na maioria das vezes, é uma resina alquídica.A conveniente catálise dessa secagem será vista no Capítulo 3. b) Reação entre duas resinas à temperatura ambiente:sãoos sistemasbicomponentes que, devi do à reatividade entre si, são fornecidos em embalagens separadas em quantidades estequio métricasequedevemser misturadosnomomentoda aplicação;há, pois,umaafinidade química entre os dois componentes poliméricos, de forma que a reticulação e a conseqüente estrutura tridimensional ocorram à temperatura ambiente. Por vezes, usam-se catalisadores para que a reação ocorra em velocidade adequada; às vezes, o reticulante éumcomposto químico ou um oligômero, não chegando a ter caráter polimérico. São exemplos deste tipo de reticulação: sistemasepóxi-amina,epóxi-poliamida,poliuretânicos,etc.Éimportantequeosdoiscomponen tes estejam presentes em quantidades estequiométricas. c) Sistemas termoconvertíveis: neste caso, a reticulação é obtida através da reação entre duas resinas (ou entreumaresinaeumagente reticulante)emcondições adequadasdetemperatu ra e de tempo. É um sistema monocomponente, porque a velocidade de reação responsável pela reticulação é muito baixa na temperatura ambiente,o que permite que a resina básica eo agente reticulante estejam juntos na tinta. São exemplos: sistemas alquídico-melamina, acríli co-melamina, epóxi-fenólico, etc. As condições de tempo e temperatura para que ocorra a reticulaçãovariamde1a30minutosede100a250°C,havendo, por vezes,a necessidadedouso deumcatalisador adequado. d) Sistemasde cura por radiação: a reticulação ocorre devidoà reação entre o polímero básico eo solvente através deduplas ligações ativas presentesemambos;éuma polimerizaçãoem cadeia iniciada geralmentepor radicais livres, quesãoformados atravésdaaçãodeumaenergiaradian te sobre compostos químicos adequados. As características mais relevantes deste tipo de reticulação: temperatura ambiente, incorporaçãodosolventenorevestimento, velocidadeele vadade cura (trata-se de uma polimerizaçãoem cadeia), etc. Polimerização 49 e) Secagem sem reticulação: as lacas e as tintas ao látex formam revestimento sem que ocorram modificações de natureza química nos polímeros envolvidos. A secagem das lacas é obtida através da evaporação dos solventes, o que significa que o revestimento obtido permanece sensível aos solventes originais;emoutras palavras, sob aação desses solventes, orevestimen to regenera a laca correspondente. Nas tintas ao látex, a secagem é irreversível, porque, junto à evaporaçãoda água edeoutroscomponentes voláteis, ocorrea coalescência entre as partícu las do látex; essa irreversibilidade confere ao revestimento excelente resistência à água. A transformação da tinta ao látex em revestimento através da coalescência será estudada, com mais detalhes, no capítulo referente a emulsões. FUNCIONALIDADE Osistema mais simples que pode resultar empolímero atravésda condensaçãoé formado por molécu las que contêm dois grupos funcionais, isto é, do tipo A–B ou de A–A com B–B; a reação do ácido tereftálico com etilenoglicol constitui um exemplo da poliesterificação; a representação esquemática do polímero resultante é: X X X X X X em que: Ácido tereftálico XX Etilenoglicol Grupo éster X Grupo hidroxila X Grupo carboxila Figura 2.19 O polímero resultante da poliesterificação do ácido tereftálico com etilenoglicol é linear e termoplástico,nãopodendo ser reticulado, isto é, curado através dosmétodosconvencionais, já quenão apresenta pontos reativos ao longodesua cadeia (os únicos pontos reativos estão nassuas extremida des); para fins didáticos, esses sistemas são denominados do tipo 2:2. Paraqueocorra a reticulação, é necessárioquepelomenosumdosmonômerostenha mais de dois grupos funcionais e quea mistura monoméricacorrespondentetenha uma composiçãoadequada. Como exemplo, considera-se a mistura formada por anidrido ftálico e glicerina na seguinte proporção: Anidridoftálico – 12 moléculas funcionalidade – 2 Glicerina – 8 moléculas funcionalidade – 3 XXXXXXXXXXXX em que: Figura 2.20 Representação esquemática da polimerização em um determinado momento. Anidrido ftálico XX Glicerina X X X X X X X X X X X X X Neste estágio da polimerização, há quatro moléculas de anidrido ftálico que ainda não reagiram, masque,emestágio posterior, irão reagir com osgrupos hidroxila livres de glicerina, formando ligações entre as cadeias poliméricascomconseqüenteformaçãodeuma estrutura tridimensional. Este siste ma é didaticamente denominado de 2:3. Denomina-se ainda: Anidridoftálico ↔ Pentaeritritol – 2:4 Anidrido trimelítico ↔ Trimetilolpropano – 3:3 Na prática, o que se procura ter durante a polimerização é um sistema do tipo 2:2 para que não ocorraa gefificação,mascoma possibilidadedetransformá-loemumaestrutura tridimensional durante a cura (um sistema 2:3, por exemplo), a fim de se obterem revestimentos com as propriedades maximizadas. 50 TINTAS O sistema formado por anidrido ftálico e glicerina citado anteriormente pode ter a composição monomérica modificada de tal forma a se obter uma composição equimolarcom conseqüente excesso de hidroxilas; a representação esquemática para umarelaçãodequatro moléculasde glicerina e quatro de anidrido ftálico é: X X X X X X X X X X X X Figura 2.21 Se a esta mistura monomérica for acrescentadoummonoácido, comoumácido graxo, a repre sentação esquemática do polímero torna-se: F X X X X em que: F Ácido graxo F F F Figura 2.22 F Neste caso, todas as hidroxilas livres doexemploanterior estão reagidascomácido graxo;a relação molar da mistura monomérica é: Anidridoftálico – 4 moléculas –8 grupos carboxila GlicerinadoProgramaCoatingsCareno Brasil emembrodosubcomitêde Avaliação de CiclodeVidadaABNT(CB 38). JONATAS RODRIGUES MACHADO Químico (bacharelado –Faculdade de Filosofia, Ciênciase Letras daFundaçãoSanto André– 1999)e técnico em química (Colégio Anchieta – 1990). Atuou na Tintas Corale Tintas Atualnaáreadedesenvolvimentoe trabalhanaPPGIndustrial do Brasil desde 1999 na área de pesquisa e desenvolvimento de produto. JORGE AUGUSTO PACHECO ARRUDA Químico com pós-graduação emmarketing de serviços (Fundação Getulio Vargas – FGV).Também é técnicoem química. Há 31atuaanosnosetorde tintas em geral comoquímicode pesquisasem tintas, supervisor, chefe de laboratório e gerente de produtos de repintura automotiva e treinamento técnico. Participou de seminários e congressos nos Estados Unidos e na Alemanha. JORGE M. R. FAZENDA Químico (bachareladocomatribuições tecnológicas pelo Instituto de Química da Universidade deSão Paulo–USP). Atualmente é assessor técnico da Associação Brasileira de Fabricantes de Tintas – Abrafati. JOSÉ VALDIR GUINDALINI Químico (bacharelado – Universidade de São Paulo – USP – 1974). MBA em gestão estratégica de negócios (Fundação Instituto de Administração – 2004). Possui larga experiência em sistemas de pintura para automóveis, é atual gerente de tecnologia da DuPont Performance Coatingsna área de Tintas Automotivas,comsedeemCumbica– Guarulhos/SP. JULIO C. NATALENSE Químico(bacharelado–UniversidadeMackenzie–1992).MBAemmarketing(HeriotWattUniversity–2001). Especialista depesquisaedesenvolvimentodaDowBrasil S.A.,trabalhoucompropileno glicóis, etileno glicóis, solventes oxigenados, solventes clorados, aminas, ácido acrílico e acrilatos. Atualmente é o responsável na América Latina pelo segmento de polímeros em emulsão utilizados em tintas para o revestimento de papel cartão. LUIS MANUEL R. MOTA Químico Industrial (Escola Superior deQuímicaOswaldoCruz–1971). Atualmenteé diretor daLM Coatings Adviser.Atua há40anosno mercado detintas e vernizes paraos segmentos arquitetônico,manutenção industrial,madeira,aerosol e tintas industriaisemgeral.Exerceu cargosde gerênciaediretoria técnicade1985a2009emempresascomoAkzoNobeleSherwin Williams. Sobre os autores xi LUIZ G. S. FONTES Químico industrial, diretor técnicoda empresaISOCOATTintase Vernizes Ltda., atua noramodetintas em pó desde 1972. MARCELO B. GRAZIANI Químico (Unicamp – 1997) e especialista em administração de empresas (Unicamp – 2004), atua em pesquisaedesenvolvimentonaDowBrasil S.A., ondeéoresponsávelnaAmérica Latina pelosegmento de solventes oxigenados e aminas utilizados em formulações de tintas. MARCOS LUIZ ZIRAVELLO QUINDICI Bacharelemquímicaetécnicoquímico.Designerdecores,especialistaemcolorimetriacomputadorizada. Édiretor/consultor daRainbow Brasil Ltda. MARCOS FERNANDES DE OLIVEIRA Doutorado em engenharia de materiais pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – USP (2006), possui curso de especialização em administração industrial pela Fundação Carlos Vanzolimi (1998). Graduadoemquímica industrial pela UniversidadedeGuarulhos(1990)etécnicoquímicopelo Ateneu Ruy Barbosa (1984). Vencedor (2a colocado) das edições 2004 e 2006 do Prêmio Abrafati – Petrobrasde CiênciasemTintas.Com25anosdeexperiênciana indústria química, trabalha desde1988 naDuPontdoBrasilemdesenvolvimentode tintas automotivas. Exerceatualmentea funçãodequímico especialista, responsável por dispersões de pigmentos para o segmento de OEM. MARIA CRISTINA KOBAL CAMPOS DE CARVALHO Engenheiraquímica (bacharel–FaculdadedeEngenharia Industrial– FEI), possui cursodeengenharia desegurançadotrabalho (FaculdadedeSaúdePública). Foi a primeira presidente da Associação Técnica Brasileira de Cura por Radiação (ATBCR), e por dois mandatos, de 9/12/1993 a 31/12/1997. Trabalha na Sayerlack Indústria Brasileira de Vernizes S.A. de Cajamar – Estado de São Paulo – desde 1971, sendo química responsável na fabricação de tintas e vernizes para madeira, desde o ano de 1976. Atualmente é diretora técnica. RICARDO BERNARDO KAIRALLA Químico (bacharelado – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Oswaldo Cruz – 1975) e técnico em química industrial (Colégio Técnico Industrial EduardoPrado– 1970). Desde 1999 é consultor independente da PPG Industrial do Brasil. Nas áreas de desenvolvimento de produtose controlede processos, trabalhou naAkzoNobel,Basf,DowQuímica, Cremart Durlin, Polidura eVWdo Brasil. ROBERTO MARIANO Físico (Universidade deSão Paulo – USP –1980). Gerente de serviços a clientes, assistência técnica e produtos da Sherwin-Williams do Brasil – divisão Sumaré – até maio de 2005. Durante dez anos foi supervisor do laboratório de pesquisas e desenvolvimento de tintas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). RUTH KURIYAMA Engenheira química graduada pela Unicamp (1996) e pós-graduada em administração industrial pela Fundação Carlos Vanzolini (2005). Especialista em pesquisa e desenvolvimentoda Dowdo Brasil S.A. desde 2000. Atualmente é responsável técnica para a América Latina na linha de especialidades da Angus, que inclui solventes a base de nitroparafinas e aminoalcoois multifuncionais utilizados em formulações para fluídos metalúrgicos, cosméticos e tintas. xii TINTAS WILMA CRISTIANE P. S. YOSHIDA Química – Bacharelado com atribuições tecnológicas – Universidade de São Paulo – USP – 1994. Especialização/Pós-graduação:CEAG–CursodeExtensãoemAdministração para Graduados/extensão emMarketing–FundaçãoGetúlioVargas/EAESP–2002.MBAemMarketing–FIA–Fundação Instituto deAdministração –2008. Atua há13anosem laboratórios depesquisaedesenvolvimentode produtos para a indústria de tintas e vernizes decorativos. Atualmente é coordenadora técnica de pesquisa e desenvolvimentode sistemas tintométricos para a linha decorativa Basf/Suvinil. Sobre os autores xiii Autores e colaboradores das edições anteriores ANA LÚCIA CARDOSO GIANFARDONI Engenheira mecânica (Instituto Paulistade Ensinode Engenharia). ANTONIO CARLOS FERRACIOLI Químico(Escola SuperiordeQuímicada FaculdadeOswaldo Cruz). CARLINDO ALFINITO FILHO Técnicoemquímica industrial (EscolaTécnicaRezendeRammel). JOÃO TERUO OUCHI Físico (Universidade Mackenzie). JOSÉ CARLOS RODRIGUES Engenheiroquímico(FaculdadedeEngenharia QuímicadeLorena). JOSÉ FERNANDO DOS SANTOS Químico (bacharel–Universidade EstadualdeCampinas). MANUEL MANSO NOBRE Técnicoemquímica(LiceuEduardoPrado). MIRIAM WUNDERLICH Química (Instituto deQuímica da UniversidadedeSãoPaulo–USP). PAUL DEUTSCH Químico (Instituto deQuímica daUniversidade de São Paulo–USP). PAULO CÉZAR MAZIERO TIANO Químico(Escola SuperiordeQuímicada FaculdadeOswaldo Cruz). PAULO SÉRGIO DO PRADO Engenheiroquímico(Escola Superior deQuímicadaFaculdade Oswaldo Cruz). WILSON ALVES DE ASSIS Químico (Instituto deQuímica daUniversidade de São Paulo–USP). WILSON MARQUES CANABRAVA Engenheiroquímicoe industrial (Escola Superior deQuímica OswaldoCruz),comdiplomatambémem administraçãoe marketing (Escola Superior de Propaganda e Marketing –ESPM). WLADIMIR PEREZ Químico(Escola SuperiordeQuímicadaFaculdadeOswaldo Cruz). xiv TINTAS Sobre os autores xv Sumário Parte 1 Introdução, polímeros e resinas 1 Introdução, história e composição básica JORGE M.R. FAZENDA / FRANCISCO D. DINIZ 3 1 2 IntroduçãoHistória ................................................. ............................................ 4 7 3 4 Composição básica ...............................Referências bibliográficas..................... 10 2 9 Polimerização: considerações teóricas JORGE M. R. FAZENDA 1 Polímeros e polimerização ................... 13 2 Terminologiae definições .................... 15 Polimerização por condensação ...........Polimerizaçãopor adição ...................... 97 5 6 7 Copolímeros ......................................... 127 Terpolímeros ........................................ 147 Referências bibliográficas..................... 1503 4 32 Óleos glicéridos, resinas alquídicas e poliésteres– 4 moléculas –12 grupos hidroxila Ácidograxo – 5moléculas – 5grupos carboxila Há um excesso de carboxilas; para que a mistura seja estequiométrica, é necessário modificar a relação molar para, por exemplo: Anidridoftálico – 3 moléculas –6 grupos carboxila Glicerina – 4 moléculas –12 grupos hidroxila Ácidograxo – 6moléculas – 6grupos carboxila Conforme foi vistoanteriormente, a funcionalidadedeumcompostoquímicoéonúmerodegrupos reativos existentes na sua molécula. Assim: Anidridoftálico – f = 2 Anidrido trimetílico – f = 3 Glicerina – f = 3 Ácidos graxos – f = 1 Ácidobenzóico – f = 1 Pentaeritritol – f = 4 Trimetilolpropano – f = 3 Éimportantenotarqueafuncionalidadedogrupoanidridoé2,porquesecomportacomodoisgrupos carboxilaparafinsdeesterificação;napoliesterificação,sóserãoconsideradosparadefinir afuncionalidade osgrupos funcionais que dela participam; assim, os ácidos graxos insaturados são monofuncionais no que se refere à poliesterificação, apesar de terem duplas e triplas ligações na sua estrutura. Na prática, quandoháaobtençãoderesinasalquídicas,énecessárioquealgumasprecauçõessejamtomadasa fimde se minimizar a polimerização por adição, devido à ação da temperatura nessas insaturações. Porém são essas duplasligaçõesquepermitemaformaçãodorevestimento através da sua reaçãocomooxigêniodo arapósaaplicaçãodatinta, resultandonaformaçãodeumaestruturatridimensional.Quandooácidograxo émuitoinsaturado, admite-seque ocorra apolimerizaçãotérmicasimultaneamenteà poliesterificação.A polimerizaçãotérmicaémaiorquantomaisalta foratemperaturadareaçãoequantomaiorforainsaturação dos ácidos graxos. Funcionalidade média Afuncionalidademédia(F)deuma misturamonoméricaéoquocienteda divisão donúmerodegrupos funcionais reativos pelonúmerodemoléculas dessa mistura. X X X X X X X X Polimerização 51 (39) número de grupos reativos = N i f iN i N i número de moléculas – Númerode moléculascomfuncionalidade fi fi – Funcionalidade da molécula i A funcionalidade média Fé freqüentemente expressa por: F = F= total de equivalentes total de moles (40) A mistura estequiométrica de glicerina (2 moles) com anidrido ftálico (3 moles) apresenta umafuncionalidademédia(F)de 2,4. F = (2 x 3) + (3 x 2) 2 + 3 = 2,4 Na mistura estequiométrica de ácido tereftálico (1 mol) com etilenoglicol (1 mol), a funcio nalidade média (F)é 2. F = (1 x 2) + (1 x 2) 1 + 1 = 2,0 Noprimeiro exemplo,ovalor deF=2,4 indicaque ocorrea gelificação, pois obtém-seumpolímero com estrutura tridimensional; no segundoexemplo, o valor deF =2 garante que não há gelificação e o polímero resultante é termoplástico e com estrutura linear. A mistura equimolar de glicerina, anidrido ftálico e ácidos graxos representa uma composição monomérica típica para aobtençãodeuma resina alquídica eapresenta umafuncionalidade média,de F = 2. Glicerina – 1molécula –3 hidroxilas Anidridoftálico – 1molécula –2 carboxilas Ácidos graxos – 1molécula – 1 carboxila F = 3+ 2+ 1 3 = 2,0 O valor de F = 2 indica que a polimerização dessa mistura não gelifica e a estrutura da resina alquídica resultante é linear. Deummodogeral, pode-se admitir a seguinte relação entre a funcionalidade médiae a ocorrência da gelificação durantea polimerização: F 2 – Ocorre a gelificação F 2 – Não ocorre a gelificação Écomum,naobtençãoderesinas alquídicasedepoliésteres,oempregodemisturasmonoméricas constituídas de três componentes químicos. No exemplo anterior, constituído por três componen tes, onúmero de grupos carboxila é igual aonúmero de grupos hidroxílicos e constitui uma mistura estequiométrica. Na prática, usam-se misturas monoméricascom excesso deumdos gruposfuncio nais, sendo o mais comumo excesso de hidroxilas; considere-se o seguinte exemplo deumacomposi çãomonoméricaparaa preparaçãodeuma resina alquídica. Tabela 2.11 fiNº moles (m 0) 2 3 Nº equiv. (e 0) 6 42 Glicerina Anidrido ftálico Ácidos graxos Total 5 – 11 1 1 2 1 52 TINTAS F = N i Nifi = (2 x 3) + (2 x 2) + (1x1) 2+ 2+ 1 = 2,2 O valor obtido (2,2) representa a funcionalidade média aparente. Esta mistura apresenta um ex cesso de grupos hidroxila, pois a relação do seu número para o número de carboxilas é de 6para 5; emoutras palavras, ao final da poliesterificação, o polímeroapresenta grupos hidroxila, já que não há carboxilas em número suficiente para esterificá-los. Nestas condições, é necessário redefinir o conceito de funcionalidade média (F) levando-se em consideração somente o número de grupos funcionais que realmente podem reagir. F = número total de grupos reativos efetivos número total de moléculas (41) O termo “efetivo” refere-se aos grupos funcionaisque realmente participam da poliesterificação. Representam uma composição estequiométrica, pois o número “efetivo” de hidroxilas que reagem é igual aonúmero“efetivo” de carboxilas queparticipamda reação; a quantidadede grupos funcionais “não efetivos” representa o excesso com relação ao balanço estequiométrico. Nas resinas alquídicas e poliésteres, há excesso de grupos hidroxila na maioria dos casos. A funcionalidade médiaem misturas não estequiométricas é definida como sendo o quociente da divisão de duas vezes o número total dos grupos funcionais presentes em quantidade deficiente pelo número total de moléculas presentes. Isto significa que o grau de conversão P depende somente dos reagentes que contêm o grupo funcional em quantidade deficiente. O excesso dos reagentes que contêm o outro grupo funcional não é útil para tal funcionalidade e, de fato, contribui para diminuir a funcionalidademédiadosistema, pois aparecenodenominador. A funcionalidade média real pode ser expressa em termos de equivalentes e moles: F = 2etotal equivalentes – execesso de equivalentes ou F = total de moles A m0 (42) Exemplo:Calcular a funcionalidademédiadaseguinte composição: Tabela 2.12 Mistura monomérica eBMonômeros Etilenoglicol 0,5 2 – 1,0 Glicerina 1,5 4,5 Ácidos Graxos 0,8 1 0,8Anidrido ftálico Total m0 fieA 3 – 1,8 2 3,64,6 – 4,4 – – 5,5 m0 – Quantidade de moles eA – Quantidadede equivalentes deácidos (carboxilas) eB – Quantidadede equivalentes de álcoois (hidroxilas) F = (4,4+ 5,5)4,6– (5,5 – 4,4) = 1,91 ou F = 2em0 A 2x 4,44,6= = 1,91 Oexcessodehidroxila é: 5,5 4,4 R= = 1,25 ou 25% Polimerização 53 Equação de Carothers Arelaçãoentreopontodegelificaçãoeograudeconversãoéimportanteparaocontroledepolimerização por condensação. Carothers estudou adependênciaentreograu deconversão,a funcionalidademédia eo grau de polimerização médio numérico. Emum sistema formado por moléculas que contenham os grupos funcionais Ae B reativos entre si e em proporções estequiométricas, tem-se: N0 – Númerototal de moléculasno início da reação N 0 F – Número total degrupos funcionaisno início dareação N – Númerode moléculas no instante t 2(N0 –N) – Númerodegruposfuncionaisquereagiram O grau de conversão ou a extensão da reação é: 2(N0 – N) P = N0F (43) O grau depolimerização médio numérico,conforme foi definido anteriormente, é: Xn = N0N (44) Combinando as equações (43) e (44): Xn = 2 2 – PF P (45) ou = 2 F – 2 XnF = equação de Carothers (46) Esta equação relaciona o grau de conversão com o grau de polimerização médio numéricoe comafuncionalidade média. Nopontode gelificação, o valor dograude polimerizaçãomédionuméricotendeao infinito, de formaque aequação(46)pode ser simplificada para: Pg= 2 F F= (47) Pg – Grau de conversão crítico ou extensão crítica da reação; é o grau de conversão no ponto de gelificação. Outraforma deenunciar esta equaçãocomreferência à poliesterificação: 2eA m 0 substituindo-se F em (47), obtém-se: (48) 2e Pg= 2m0 A 2,4 m0 ou Pg = Ograu de conversãono pontode gelificação éo quociente da divisãodo total demolesda mistura monomérica pelo total de equivalentes-gramas de ácidos nela existentes, sempre que houver menor quantidadedegrupos ácidos. eA As equações (47) e (48) são também denominadas de extensãocrítica da equação de Carothers. Noexemplo constituído pela mistura estequiométricade glicerinacomanidridoftálicocitadoante riormente, em que (F) = 2,4, tem-se: Pg= 2 = 0,83 = grau de conversão no ponto de gelificação 54 TINTAS Este valor indicaqueapolimerizaçãocomeçaráagelificar quandoocorrer83%da reação;naprática, a gelificaçãocomeça antesde se atingir esse grau deconversãoe a discrepância podeser explicadapor uma série de fatores de natureza prática, tais como as reações secundárias. Entretanto, há também razões de natureza teórica que contribuem para essa discrepância. A equação de Carothers está relacionada com o grau de polimerização médio numérico Xn, que, por sua vez, está relacionado com o peso molecular médio numérico Mn. O início da gelificação depende do peso molecular médio em peso Mw que, para a grande maioria dos polímeros, apresenta um valor superior aopeso molecular médio numérico Mn. Somente para os polímeros constituídos por macromoléculas de igual peso molecular é que se temMn = Mw. Assume-se que a reatividadede todos os grupos funcionais é a mesmaemque independedo peso molecular;assume-se também quenãohá reações entre osgrupos funcionais de umamesmamolécula (reações intramoleculares), comoa ciclização, alémde não ocorrer em outras reações diferentes da esterificação, como a eterificação. Nestes casos, a reaçãoentreosgrupos funcionaisnãocontribui para aformaçãodemacromoléculas. Na mistura anteriormente mencionada, formada por 2 moles de glicerina, 2 moles de anidrido ftálico e 1 mol de ácido graxo, o grau de conversão no ponto de gelificação é erroneamente de 91%, porque não se leva em consideração o excesso de hidroxilas na definição da funcionalidade média. Na verdade, ograu de conversão no ponto de gelificação é de 100%. Tabela 2.13 Mistura da reação Reagentes Funcionalidade EquivalentesMoles m 0 2 F e 0 2 Glicerina Anidrido ftálico Ácidos graxos Total 3 2 4 6 1 1 1 5 – 11 Forma errada: não é considerado o excessode hidroxilas F = 115 = 2,2 Pg = 2,22 = 0,91 ou 91% Forma correta: considerandoo excesso dehidroxilas F = 2eAm0 = 2 x 55 = 2 Pg = 22 = 1,0 ou 100% O excesso de hidroxilas é: R= e B e A = 6 5 = 1,20 ou 20% Como há umexcesso de hidroxilas, a funcionalidade “efetiva” da glicerina é menor e refere-se ao número “efetivo” de grupos hidroxila da molécula que realmente reagiram. Neste exemplo: fe= 1,23 = 2,5 Emoutras palavras, o número“efetivo” de equivalentes de glicerina é neste exemplo 2 x 2,5 = 5 e é igual aonúmerode equivalentes ácidos. GELIFICAÇÃO: ABORDAGEM ESTATÍSTICA Ograu deconversão crítico, também denominadoextensão crítica da polimerização, derivadoda equa ção de Carothers, apresenta valores diferentes da realidade e essa diferença é devida ao fato dessa Polimerização 55 equação estar relacionada com o peso molecular médio numérico (Mn) e não com o peso molecular médioem peso (Mw). Flory e Stockmayer usaram uma abordagem estatística para determinar o grau deconversão nopontode gelificação, levandoem consideraçãoa probabilidadede ocorrerem ligações intermoleculares através de grupos funcionais localizados na extremidade de cadeias laterais ou no meiodamacromolécula.Agelificação começatãologoumamacromolécula gigante seja formadaeainda em presença de outras macromoléculas em crescimento. Enquanto a equação de Carothers relaciona o grau de conversão no ponto de gelificação com o peso molecular médio numérico (Mn) tendendo para o infinito, a equação de Stockmayer mostra uma dependência do grau de conversão no ponto de gelificação com o peso molecular médio em peso (Mw)tendendo para o infinito. AequaçãodeCarothersesua extensãoé maisusadano cálculo de resinas alquídicasedepoliéste res, pois geralmentea poliesterificação é monitorada pelamedida doíndice deacidez, que,por sua vez, está relacionadocomo peso molecular médio numérico (Mn). Diferentes equações foram desenvolvidas baseadas na abordagem estatística de Flory, cada uma das quais ajustada de forma empírica diferente, visando adequá-las às diferentes situações práticas. Aequação desenvolvida porStockmayeremuma forma simplificada é: fBi.Bi)2 Pg2 = ((f Ai 2 – fAi)Ai. (fBi2 – fBi)Bi (49) Em que: Pg – Grau de conversão crítico relacionado com aconversão de grupos carboxílicosnopon tode gelificação. Bi – Total de moles dos monômeros hidroxilados Ai – Total de moles dos monômeros carboxilados f Ai – Funcionalidade dosmonômeroscomgrupos carboxílicos fBi – Funcionalidade dosmonômeroscomgrupos hidroxila Para a maioria dos sistemas usados na prática, a equação (49) reduz-se a formas simples, tais como: a) Sistemas constituídos por monoácidos, diácidose trióis: Pg 2 = (3B3 )2 [(12 – 1)A1+ (22 – 2)A 2 ].(32 – 3)B3 (50) Pg2= 3B34A2 b) Sistemas formados por monoácidos, diácidos e tetróis: Pg 2B 4 3A 2 (51) c) Sistemas formados por diácidos, dióis e trióis: Pg (2B2+3B3 )2 4A2(B2+3B3) (52) Agrandemaioria das resinas alquídicas enquadra-se nos casos a eb, enquantoo casoc engloba uma parte preponderante de poliésteres. A outra equação derivada da abordagem estatística e que também relaciona o grau de con versãono pontode gelificação é: 1/2 Pg = R (53) 2 = 2 = 2(1 – ) 56 TINTAS Em que: R= total de equivalentes de hidroxila total de equivalentes de carboxila = e B eA = número de equivalentes de carboxila de monoácidos total de equivalentes de carboxila = e A 1 (54) eA Pg 2 = (1 Trata-se de uma equação de grande utilidade no cálculo de resinas alquídicas e poliésteresesó é validada quandohámonoácidosnacomposiçãomonomérica. Jonason, baseado no tratamento estatístico desenvolvido por Flory, derivou a seguinte equação, queé válida para misturas monoméricas constituídas por dióis, trióis e tetróis, diácidose monoácidos: – )[f B 3 (1– –R )+f (55) B4 +2 –1] Em que: eB R= total de equivalentes de hidroxilas total de equivalentes de carboxilas = eA = total de monoácidos total de equivalentes de ácidos = fB3= funcionalidade do triol = 3 fB4 = funcionalidade do tetrol = 4 = eB2 equivalentes do diol total de equivalentes de hidroxilas = e B 4 e B e B = equivalentes de tetrol total de equivalentes de hidroxilas = eB3 e B (1 – – ) = equivalentes do triol total de equivalentes de hidroxilas = Pg 2 = Estaequaçãopodeser simplificada para: (1 – )[3(1 – – R ) + 4 + 2 – 1] Pg (56) Pg 2= R (1 – )(2 – + ) O grau de conversão crítico calculado conforme a abordagem estatística também apresenta resultados diferentes da realidade prática. Como regra, a gelificação ocorre em valores intermediários entreos calculados pela equaçãodeStockmayer e similares e os calculados pela equaçãodeCarothers. Há casos em que os dois valores de Pg coincidem. No exemplo constituído pela mistura estequiométrica de glicerina e anidrido ftálico, o valor de Pg calculado pela equaçãodeStockmayer é: Glicerina – 2 moléculas → B 3 Anidridoftálico – 3 moléculas → A 2 e A 1 e A 2 = (3 x2)2 (22 – 2)2 x (32– 3)3 Pg = 0,71 ou 71% = 0,5 Polimerização 57 Este valor é menor queo calculado pela equação de Carothers, que é de 83%.Na prática, a geli ficaçãocomeça quandose atingiu cerca de77%. A diferença entre a equação de Stockmayer e a prática, em termos de valores de grau de conver são, é devida a uma série de fatores, entre os quais se destacam: a) A teoria deabordagem estatística considera que todas as reações de esterificação contribuem para a formação da macromolécula. Na realidade, há casos em que algumas dessas reações resultam, por exemplo,emcompostos cíclicos. b) Essa teoria considera que todos os grupos funcionais de um conjunto químico têm a mesma reatividade, o quenem sempre é verdade. Na glicerina, por exemplo, a hidroxila secundária é menos reativa do que as primárias. Também é sabido que os grupos carboxílicos ligados a radicais alifáticos sãomais reativosdoqueosgrupos carboxílicos ligados a radicais aromáticos; os anidridosreagem maisrapidamentedoque as carboxilas. c) A teoria não leva em consideração as reações que ocorrem paralelamente à poliesterificação, comoa eterificação ea descarboxilação; as reações secundáriasdiminuema funcionalidadedo sistema, pois consomem grupos reativos. Estas consideraçõestambémsãoválidas para explicar a diferença entreovalor dePgcalculado pela equaçãodeCarotherse oencontradona prática. Ocálculodograu deconversãonopontodegelificação (Pg)éfundamentalnodesenvolvimentode qualquer polímero obtido pelo processo de condensação eem especial no desenvolvimento de resi nas alquídicas e de poliésteres saturados ou insaturados.Éa formaatravésda qual sepode ajustar a composição monomérica nosentido de se conseguir um grau de conversão máximo sem que haja o perigo da gelificação. Uma vez que tanto o método da abordagem estatística quanto a extensão da equação de Carothers mostram valores do grau de conversão crítico diferentes da realidade, há a necessidade de se efetuar ajustes na composição monomérica, através da realização de experiências práticas depolimerização.Maisadianteserácomentadoométodo práticodocálculode resinasalquídicas desenvolvido por Patton,quetomoucomobaseaequaçãodeCarotherseque permite realizar a priori certos ajustes que dependem do tipo dos reagentes, características finais da resina, etc. É interessante notar que o grau de conversão no ponto de gelificação calculado pela equação de Stockmayer independedapresençademonoácidosna mistura monomérica inicial, pois a concentração molar deA1 émultiplicadapor zero. (12 – 1)A 1 =0 Por esta razão, não aparece nas equações (50) e (51) apesar de se referirem a sistemas formados por monoácidos, diácidos e trióis emumdos casos e por monoácidos, diácidos e tetróis no outro. A explicação teórica foi descrita por Joseph J. Bernardo e Paul Bruins em artigo publicadono Journal of Paint Technology, v. 40, n. 527, de dezembro de 1968. De acordo com esses autores, os monoácidos teriam dois importantes papéis na poliesterificação: a) Atuandocomodiluentes, provocamumaumento significativo na ciclização. b) Afetam o tamanho da cadeia através de fatores de natureza estérea. Nesse trabalho, os autores criticam pesadamente a extensão da equação de Carothers, afirman do textualmente que “o uso continuado da equação de Carothers e das suas formas modificadas serve apenas para atrasar o progresso nesta área.” A. R. H.Tawn,notrabalho“The Theory of Functionality: parts I, II, III, IV and V”, publicadono JOCCA, v. 52,de1969,também critica a equaçãodeCarothersesuas diferentes formas, especialmente a derivada por T. C. Patton. É importante observar que a equação de Carothers e suas formas simplificadas constituem uma ferramenta simples e extremamente útil no desenvolvimento de resinas alquídicas e de poliéste res, apesar datão mencionada “falta defundamento científico” por alguns autores. 58 TINTAS A grande maioria dos químicos ligados à poliesterificação pode atestar a utilidade da equação de Carothers e das suas formas modificadas, com especial destaque para os trabalhos de T. C. Patton re sumidos no livro Alkyd Resin Technology, Formulating Techniques and Allied Calculations, Interscience Publishers, 1962. CÁLCULO PARA A OBTENÇÃO DE RESINAS ALQUÍDICAS E POLIÉSTERES Os conceitos, as definições e os métodos de cálculo a seguir comentados servem tanto para resinas alquídicas quanto para poliésteres, poisemambososmonômeros seunematravés de ligações ésteres para constituírem a macromolécula. A polimerização é fundamentalmente uma poliesterificação, emborapor vezesesteja associadaà transesterificação. Pode-semesmoafirmarque as resinasalquídicas representam uma classe deuma família mais ampla,os poliésteresemgeral; os poliésteres saturados e insaturados são exemplos de outras classes dessa família. Conceitos básicos e definições Com o objetivo de facilitar os métodos de cálculo, listamos os seguintes símbolos e respectivos significados: Mi – Peso molecular do componente i (Mi =W i /mi = fi.E i) m i – Quantidade de moles do componente (mi =W i /Mi = e i .f i)m 0 – Total de molesno início da reação, isto é, na misturamonomérica(m0=m1+m2+...+m i) E i – Equivalente-grama do componente i (Ei =W i / ei = Mi / fi) e i – Quantidade de equivalentes do componente i (ei =W i / Ei = fi.m i) e 0 – Número total de equivalentes no início da reação, isto é, na mistura monomérica (e 0= e1+e2+...+ei)e A – Quantidade de equivalentes-gramas dos monômeros que contêm ogrupo funcionalA (carboxilas) Quantidade de equivalentes-gramas dos monômeros que contêm ogrupo funcional B (hidroxilas) f i e B Funcionalidade domonômero i (f i =Mi / Ei = e i /mi)W i – Quantidadeempeso do componentei F – Funcionalidademédia da misturamonomérica R – Relação do número total de grupos hidroxila e o número total de carboxilas (R= eB/e A) IA – Índice de acidez L – Comprimento do óleo I.OH – Índicede hidroxilas – – Como já mencionamos, o excesso de grupo hidroxila é a situação mais comum e, nestas condi ções, a funcionalidade média é definida como: F 2eA = m0 (57) Considera-se, portanto, somente a quantidade de hidroxilas que realmente reagiu ou que pode reagir, que é igual à quantidadede carboxilas. Ocasionalmente, é necessário trabalhar-se com excesso decarboxilas e, neste caso,a funcionalidademédiaé definidacomosendo: F 2eB = m0 (58) Em geral, sempre que a mistura monomérica apresenta excesso de um dos grupos funcionais, a funcionalidade média é definida como sendo o quociente do dobro do número de equivalentes Polimerização 59 dos reagentes que contêm o grupo funcional, que não está em excesso, pelo número total de moles, ambos no início da reação.O excesso de hidroxilas éumparâmetro importanteem resinas alquídicas e em poliésteres, e é definido como: eB R= (59) eA Usualmente o valor de R é expresso em percentagem. O índice de acidez é outro parâmetro importante, pois permite acompanhar o desenvolvimento da reação através da determinação da quantidade de grupos carboxila que já reagiram e, portanto, a quantidade dos que ainda vão reagir; permite ainda determinar, no polímero resultante, a quanti dade de carboxilas existentes ao final da polimerização. Oíndicedeacidezé definido como: IA–QuantidadedeKOH,expressaemmiligramas, necessária para neutralizar1gramadematerial. Entende-se como material a amostra representativa da composição em qualquer estágio da rea ção; assim, oIA podeestar relacionadocom a composiçãomonomérica inicial, comopolímero final ou comacomposiçãodequalquer estágioda polimerização.Aquantidade de KOH é usualmente expres sa em miligramas e vale lembrar que o equivalente grama dessa base é 56,1 g ou 56.100 mg. É importante notar que o índice de acidez refere-se sempre ao polímero ou à composição monomérica e não à sua solução; em outras palavras, o índice de acidez refere-se ao teor de sólidos sempre que o polímero estejaemsolução. Quandohouver necessidadedeenglobaro solvente,o índicedeacidezdeve ser referido explicitamente à solução dopolímero. Assim,umaresina alquídicacom índice deacidezde 10 significa que sãonecessários10mgdeKOHpara neutralizar 1gde sólidos da resina, independente menteda concentração desólidos da sua solução. O índice de hidroxila é também importante na caracterização de resinas alquídicas e poliésteres, poispermitemediro teordegrupos hidroxila nospolímeros.Édefinidocomoaquantidadedehidróxido depotássio, expressaemmiligramas, equivalenteà quantidadedegrupos acetila reagidosna acetilação deuma (1,0)gramada resina.Uma quantidade conhecida doreagentedeacetilação (anidrido acético) é adicionada a uma quantidadeconhecidade resina (sempre comrelação ao teor de sólidos, quandose tratar de uma resina em solução); o excesso do reagente é titulado com álcali, de forma que, por diferença, é determinada aquantidadedereagente efetivamenteusada na acetilação. Ocomprimento deóleo éa quantidade de triglicérido “existente” nas resinas alquídicas (também aqui com relaçãoaos sólidos da resina em solução) e é expresso em percentagem; os triglicéridos não participam nacomposiçãodos poliésteres e, por isso, os do tipo saturados sãotambém conhecidos como resinas alquídicas livres de óleo. É importante observar que o termo “existente” explicita que o triglicérido participa dacomposição inicial da resina, não significando, porém,queele seencontracomo tal na estrutura polimérica. Na realidade, o triglicérido como tal não participa da condensação por ter funcionalidadezero(não possui carboxilasnemhidroxilas).Atravésdeumareação química denomina da alcoólise (ver Capítulo 3), o triglicérido é transformado em monoglicérido e diglicérido (uma pequena parte permanece como triglicérido) que, por possuírem hidroxilas, participam da polies terificação.Aquantidadede triglicéridos remanescente acaba participando na poliesterificação através da transesterificação.Outraformadetransformarostriglicéridosemcompostoshidroxiladoséatravésda acidólise, reação não tão freqüente quantoa alcoólise. Oquerealmenteaparece na estrutura macromolecular sãoos radicais correspondentes aos ácidos graxose à glicerina. O tipo de triglicérido (geralmente óleo vegetal) e a sua quantidade determinam uma série de propriedades importantesdas resinas alquídicas, conformeserá discutidoemcapítulos subseqüentes. Grau de conversão em função do índice de acidez O grau de conversão pode ser calculado em função do índice de acidez; é uma forma prática de se conhecer a extensão da reação em qualquer momento, pois a polimerização é monitorada através da determinaçãodo índicede acidez, entre outras características; o índice deacidez da mistura inicial é: 60 TINTAS 56.100e W A IA 0 = (60) Em que: W – IA – Quantidadeemgramas da mistura monomérica inicial que contém eA equivalentes gramas de grupos ácidos Índice de acidez em qualquer instanteda reação IA 0 – Índicedeacidezno início da reação O grau de conversão P pode ser definido como: P = IA0W – IAY IA0W (61) Em que: P – – – Grau deconversãonumdeterminadoíndicede acidez IA Rendimentoda polimerizaçãono índice deacidez IA Conforme definição anterior Y W, IA0 e IA O grau deconversãotambémpode ser expressoemfunção do númerode equivalentesgramas de grupos ácidos: P = 56.100eA – IAY 56.100eA (62) Esta equação é derivada do fato de IA 0 .W= 56.100 . eA O rendimentodareaçãoemumdeterminado instanteéa diferença entre as quantidadesdamistu ra inicial e da água formada até esse momento. Y = W – Q (63) Q – Água de reação formada até o instante t quando o índice de acidez é IA. O rendimento “teórico” diz respeito ao índice de acidez zero, o que significa uma reação total em termos de grupos ácidos e da quantidade máxima de água formada. Y0 = W – Q0 (64) Q0 – Água de reação quando IA = 0 Em determinado instante, o total de grupos ácidos presentes medido em mg de KOH é: Y. IA (acideznão reagida). Adiferença entreY (rendimentoda polimerizaçãoemumdeterminado instante)e Y0éa quantida dedeágua correspondente à esterificação dosgrupos ácidos relativos aoIArespectivo. Portanto,o total de grupos ácidos presentes nesse instante, medidos em mg KOH é: (Y – Y 0 56.100 ). (65) 18 Oque significa que: (Y – Y 0 ). 56.10018 = YIA ou Y = 56.10056.100 – 18IA .Y 0 (66) O valor de Y calculado étransportado para aequação(61)ou paraa equação (62), para calcular o grau de conversão correspondente. Polimerização 61 SIMPLIFICAÇÃO A equação (61) pode ser simplificada se não for levada em consideração a quantidade da mistura monomérica inicial (W)eo rendimentodapolimerização (Y): IA 0 – IA P = IA0 (67) Adiferença entre os valores do grau deconversão calculados pelas equações(61)e (67)é peque na, conforme pode ser verificado no exemplo que será discutido a seguir. É importante notar que a forma correta de calcular o grau de conversão em função do índice de acidez é representado pelas equações(61)e(62)equeaequação(67) resulta apenas em valores aproximados, dado que leva em consideração somente a acidez contidaem1gdematerial; as equações(61)e(62)consideramo total de grupos ácidos existentes em determinado instante. Na maioria dos casos práticos, pode ser usada a equação (67), pois o erro em que se incorre é insignificante. CÁLCULOS BÁSICOS As reações químicas se processam segundo leis que determinam, entre outros parâmetros, as quanti dades exatas dos reagentes e dos produtos de reação. Em resumo, o conceito básico é de que os compostosquímicosreagementre si na razão dosseusequivalentes; já foi visto queo equivalentedeum compostoquímicoéo resultadoda divisãodoseupesomolecular pela sua funcionalidade (no caso, pelo númerode grupos funcionais).ATabela 2.14 relaciona as matérias-primas maiscomunsnapreparação de resinas alquídicas epoliésteres, indicando para cadaumaoseu equivalenteemgrama,funcionalidade e peso molecular. Tabela 2.14 Principais matérias-primas para preparação de resinas alquídicas e poliésteres Matéria-prima Fórmula M i E i Ácidos monofuncionais Ácido abiético C19H29COOH 302,4Ácido benzóico C6H5COOH 122,1Ácido p-t-butilbenzóico (CH3)3C(C6H4)COOH 178,1Ácido graxo castor cru CH 3 (CH 2 ) 5 CH(OH)CH 2 CH=CH(CH 2 ) 7 COOH 297,0Ácido graxo coco CH3(CH2)10COOH 205,0Ácido graxo castor desidratado CH3(CH2)5CH=CHCH=CH(CH 2)7 COOH 280,0Ácido 2-etilhexanóico CH3(CH2)3CH(C2H5)COOH 144,2Ácido láurico CH3(CH2)10COOH 200,3Ácido linoléico CH3(CH2)4CH=CHCH2CH=CH(CH 2)7 COOH 280,4Ácido linolênico CH3CH2CH=CHCH 2 CH=CHCH2CH=CH(CH 2)7 COOH 278,4Ácido oléico CH3(CH2)7CH=CH(CH2)7 COOH 282,5Breu – IA=165 C19H29COOH 340,0Ácido graxo soja ............................................................................................... 280,0Ácido Tall Oil IA=195 ............................................................................................... 288,0 Ácido Tall Oil IA=192 ............................................................................................... 292,0Ácidos difuncionais Ácido adípico HOOC(CH 2)4 COOH 146,2Ácido azeláico HOOC(CH 2)7 COOH 188,2Ácido fumárico HOOCCH=CHCOOH 116,0 302,4 122,1 178,1 297,0 205,0 280,0 144,2 200,3 280,4 278,4 282,5 340,0 280,0 288,0 292,0 73,1 94,1 58,0 62 TINTAS Matéria-prima Fórmula Mi E i Ácido isoftálico 166,2 83,1 49,0Anidrido maleico 98,0148,2 Anidrido ftálico 74,1 1,3–HOOC(C 6 )COOH (CHCO) 2 H4O C6H4(CO) 2 OHOOC(CH 2 COOH C6 ) 8 H8(CO)2O 1,4–HOOC(C 6 )COOHH4 202,2152,1166,2 101,1 76,1 83,1 HOOCCH 2 COOHHOOCC6 C(OH)(COOH)CH 2 OH3(CO) 2 192,0192,0 64,0 64,0 Ácido sebácico Anidrido tetrahidroftálico Ácido tereftálico Ácidos trifuncionais Ácido cítrico Anidrido trimelítico Triglicéridos Castor cru Coco Castor desidratado Linhaça Soja ............................................................................................... 879 ............................................................................................... 879 ............................................................................................... ............................................................................................... 654 ............................................................................................... 932 311 218 879 293 293 293 Tung ............................................................................................... 879 293 Álcoois monofuncionais Butanol Pentanol 74,1C4 OHC5H 9 OH C6 H 11OHC8H13 OHC2H 17H5O(CH2)2OH 88,2102,2130,290,1 74,1 88,2 102,2 130,2 90,1 62,0 76,1 90,2 Hexanol Octanol 2-Etoxietanol Álcoois difuncionais Etilenoglicol Propilenoglicol 1,3-Butanodiol Neopentilglicol Hexilenoglicol Dietilenoglicol Dipropilenoglicol Álcoois trifuncionais Glicerina Trimetiloletano Trimetilolpropano Álcoois tetrafuncionais HO(CH2 OH CH3 ) 2 OHCH3CH(OH)CH 2 CH(OH)CH2CH2OH HOCH2 OHCH3 C(CH3)2CH2 CH(OH)CH 2 C(OH)(CH3) 2 HO(CH 2 OH CH3 ) 2 O(CH2)2 CH(OH)CH 2 OCH2CH(OH)CH 3 104,2 31,0 38,1 45,1 52,159,1 53,1 67,1 118,2 106,2134,2 HOCH2 OHCH3 CH(OH)CH 2 CH3C(CH2OH) 3 CH2C(CH2OH) 3 92,10120,3134,1 30,7 40,1 44,7 Pentaeritritol C(CH 2 OH) 4 136,2 34,1 Álcoois hexafuncionais Dipentaeritritol (CH2OH)3CCH2OCH 2 C(CH2OH) 3 254,4 42,4 Observação Alguns produtos apresentam valor de peso molecular superior ao calculado através da fórmula correspondente, devidoaoseubaixograudepurezaàsquantidades dosmesmosque (produtostécnicos).Osvaloresparticipam na polimerização na formadeEiparade ostriglicéridossãoteóricosereferem-se monoglicérido, isto é,após a alcoólise. Polimerização 63 EXEMPLO DA ARITMÉTICA BÁSICA DE RESINAS ALQUÍDICAS E DE POLIÉSTERES Verificar a viabilidade da seguinte composição: Ácidos graxos de soja 535,1 g Anidridoftálico 319,7 g Glicerina 149,2 g Pentaeritritol 68,6 g Total 1.072,6 g 1. Elaboraçãoda tabela básica: Tabela 2.15 Tabela básica Matéria-primaA.g. de soja Anidrido ftálico Glicerina Pentaeritritol W(g) 535,1319,7149,2 68,61.072,6 PM 280,0148,2 92,1136,2 – m01,911 2,1571,620 0,504 6,192 2 1 f i e A 1,911 4,314 – – 6,225 eB – – 4,860 2,016 6,876 H2O (g) 34,4 38,8 – 3 4 – – Total 73,2 2. Cálculodafuncionalidademédia: 2x eA m0 2 x 6,225 = = 2,01 R= = 6,192 3. Cálculodoexcessode hidroxilas: eBeA 6,876 6,225 = = 1,10 ou 10% 4. Cálculodograude conversão nopontodegelificação segundo Carothers: Pg= 2 F 22,01 = 0,0995 ou= 99,5% 5. Cálculodograudeconversãonopontode gelificação segundoaaproximaçãoestatística usando a equação (53): F 1/2 Pg = R2(1 – ) R = 1,105 = eA1 1,911 eA = 6,225= 0,307 Pg= 1,105 – 0,307) 1/2= 0,893 ou 89,3% 2(1 Empregandoa equação de Stockmayer: Pg 2 = (f Ai ( fBi.Bi)2 2 – fAi)Ai. (fBi2 – fBi)Bi 64 TINTAS B3 = 1,620 →f = 3 B4 = 0,504 → f = 4 A1= 1,911 →f = 1 A1= 2,157 →f = 2 Pg 2 = (3B3 + 4B 4 )2 [(12 – 1)A1+ (22 – 2)A2].[(32 – 3)B3 + (42 – 4)B4 Pg 2 = (3B2A2 3 + 4B 4 )2 (6B3 + 12B 4) = (3x 1,620 + 4 x 0,504)2 2x 2,157 x (6 x 1,620 + 12 x 0,504) Pg2 = 0,695 Pg = 0,833 ou 83,3% Y = 6. Cálculode rendimento teórico; considera a esterificação total, isto é, quandoIA =0: Y0=W–quantidade deágua da reação Y0= 1.072,6 – 73,2 = 999,4 g ou 93,2% 7. Rendimento prático (real): Esta resina é obtida, na prática, como IA= 12. 56.100 56.100(calculado sobre W) 56.100 56.100 – 18 x 12 x 999,4 = 1.003,3 g ou 93,5%– 18IA . Y0 = A quantidade de água da reação quando o IA = 12 é 1.072,6 – 1.003,3 = 69,3 g Adiferença entrea quantidadedeáguada reaçãonesteíndice de acidez(IA=12)e, quandoo índice de acidez é zero, é muito pequena. Por esta razão, na prática, considera-se o rendimento teórico e a quantidade de água correspondente, em lugar dos respectivos valores práticos ou reais. 8. Cálculo do grau de conversão do ponto de gelificação, considerando o respectivo índice de acidez: A experiência prática mostraque o início da gelificação ocorre quandoIA= 9. Índicedeacidezno início da reação: IA0 = 56.100eWA = 325,6 Rendimentodareaçãono início da gelificação: Y = 56.100 56.100 – 18IA . Y0= 56.100 56.100 – 18 x 9 x 999,4 = 1.002,3 g IA0W – IAY Pg= 325,6 x 1.072,6 – 9 x 1.002,3 325,6 x 1.072,6 x 0,974 ou 97,4% IA0W = Usandoaequação simplificada: Pg= IA0 – IA IA 0 = 325,6 – 9,0 x 0,972 ou 97,2% 325,6 Como se pode observar, a diferença é muito pequena. 9. Cálculodograu deconversãoquando IA=12: Esta resinaé obtidanapráticacomíndicedeacidez12;ograudeconversãonesseíndice deacidezé: Polimerização 65 a) Usando aequação correta: P = IA0W – IAY IA0W = 325,6 x 1.072,6 – 12 x 1.003,3 325,6 x 1.072,6 = 0,966 ou 96,6% b) Usandoaequação simplificada: P = IA0 – IA IA 0 325,6325,6– 12 = 0,963 ou 96,3% Comono cálculo dograu de conversãono ponto de gelificação, também,nesse caso, a diferença é muitopequena. 10. Observações: O grau de conversão no ponto de gelificação apresenta valores diferentes dependendo da forma como são calculados; por sua vez, esses valores são diferentes do obtido na prática, que é calculado a partir doíndice de acidezno início da gelificação. Equação deCarothers – Pg = 99,5% Experiência prática (IA=9) – Pg = 97,4% Abordagem estatística (equação 53) – Pg = 89,3% Equação de Stockmayer (49) – Pg = 83,3% Éinteressante observar queo valor dograu deconversãonopontode gelificação obtido a partir da abordagem estatística depende da equação usada; como já foi visto anteriormente, cada uma destas equações contém aproximações empíricas objetivando adequá-las às diferentes realidades; no caso particular deste exemplo, a equação (53) parece ser a mais adequada quando se quer empregar o método da abordagem estatística. Na prática, o método baseado na equação de Carothers é o mais usado, devido, entre outros motivos, à sua simplicidade. De qualquer forma, o resultado prático é diferente dos valores obtidos teoricamente, devido a uma série de fatores já comentados anteriormente. A quantidade de água da reação apontada nesse exemplo é ligeiramente diferente da teórica, devidoao fatode se considerar o equivalente gramadosácidos graxoscomosendo280, queéumvalor médioaproximado. Éimportanteobservarqueumequivalentegramadoanidrido ftálico(oudequalquer outroanidrido) produzsomente9 gdeágua, poisno primeiro estágioda reaçãodogrupo anidrido com a hidroxila, não háformaçãodeágua. Estasóéformadaapósa aberturado anel,isto é,nosegundo estágio da reação. Se, em lugar do anidrido ftálico, fosse usado o ácido isoftálico ou o ácido tereftálico, a quantidade de água formada seria de 18g por equivalente grama do ácido. Equações básicas para o cálculo de resinas alquídicas e de poliésteres 1. Asoma dos equivalentes que fazem parteda polimerização podeser considerada igual a 1; isto significa que qualquer que seja o valor da soma, pode-se fazer uma proporção, de forma que o novo valor da soma seja 1. Éevidentequenãoháalteraçãoalgumanaproporçãoquímicadamistura monomérica.Noexemplo discutido anteriormente, tem-se: = Tabela 2.16 Tabela básica 1,911 4,314 Matéria-prima e 1 e 2 A.g. de soja Anidrido ftálico Glicerina Pentaeritritol Total 4,860 2,016 13,101 0,146 0,329 0,371 0,154 1,000 66 TINTAS mesmaOsproporçãovalores dedee1 sãoe1 somando,uma transposiçãoporém, 1,000.da tabela De formabásicageral:enquanto que os valores de e2 mantêm a A1+ A2 +...+ AX + B1+ B2 +.....+BX= 1.000, em que: (68) A1, A2,...,AX – Totaldeequivalentes deácidos comfuncionalidade 1, 2,...x B1,B2,...,BX – Totaldeequivalentesdecompostoshidroxilados com funcionalidade 1, 2,... x 2. A relação entre o total deequivalentes de compostos hidroxilados e o total de equivalentes de compostos carboxilados constitui outraequação fundamental. R= A B1+ B2 +...+ BX 1 +A2 +...+ AX (69) Esta é a equação que relaciona o excesso de hidroxilas sobre carboxilas e que já foi mencionada anteriormente. ELABORAÇÃO DE UMA TABELA GENÉRICA Agrande maioria das resinas alquídicas é obtida a partir decomposições monoméricas, quesãoconsti tuídas por monoácidos, diácidos ouanidridos e polióis. Asquantidades demonoácidos,diácidose polióis são calculadasemfunçãodograudeconversãono pontode gelificação, doexcessodehidroxilas edafuncionalidadedo poliol. eB Tabela 2.17 Tabela genérica Matéria-prima m 0 fi e A Monoácido A1 1A1 – Diácido A2/2 2 A 2 – Poliol Bx/X x – B x Total A1+A 2 /2+B x /X – A 1 +A2 Bx F = 2e A m 0 Pg = 2 F Pg = m 0 e A = A1 + A22 + BXx (A1+ A2 ) 1 = A1+ A2 + BX (68) R=A1 +B X A 2 A 1 2Pg – 2R x (69) Estas três equações podem ser resolvidas em termos de Pg, xe R. (70) 1+ R – 1 A 2 = = 2R x – 2Pg + 2 (71) 1+ R BX = 1+ R R (72) Polimerização 67 x – Funcionalidadedo poliol. Se for escolhidaa glicerina, por exemplo, x= 3. Pg – Graudeconversãonopontode gelifícação.Emprincípioestipula-seo seu valor em1,0, oque significaumaconversão total nopontode gelificação. R – Escolhe-se um valor entre 1,0 (sem excesso de hidroxilas) e 1,30 (30% de excesso de hidroxilas) dependendoda finalidade edocomprimentodoóleo. Exemplo de cálculo Formularuma composiçãomonoméricapara uma resina alquídica quecontenha ácidos graxos de soja, ácido isoftálico e glicerina, usando18%deexcessode hidroxilas. Pg = 1,00 R = 1,18 X = 3 (2 x 1,0 – 2 x 31,18–1) A1 = + 1,18)(1 = 0,0977 ( 2x 1,18 – 2 x 1,0 + 2) (1 + 1,18) = 0,3610 B X =A 2 3 1,18 = 0,5413 1+ 1,18 Tabela 2.18 Tabela básica Matéria-primaA.g. de soja Ácido Isoftálico Glicerina Total eA 0,0977 0,3610 – 0,4587 eB – – 0,5413 0,5413 1 f i m 0 2 3 PM 280 166 92 0,0977 0,1805 0,1804 0,4586 – W 27,356 29,963 16,597 73,916 – H20 1,759 6,498 – 8,257 IA 0 = Apreparação desta alquídica mostrouuminício de gelificação quandooIA=14; determinar ograu de conversão nesse ponto: eA56.100 W = 0,459 x 56.100 73,916 = 348 Usando aequação simplificada dograude conversãoem função doíndicedeacidez: Pg= 348 – 14 348 = 0,960 ou 96,0% Há necessidade de se ajustar a composição monomérica, pois o índice de acidez no ponto de gelificação é relativamente elevado, ocasionandoum baixograu deconversão. Afuncionalidade média: F = 2eA = 2 x 0,4587 m0 0,4586 = 2,00 = CÁLCULO DO GRAU DE CONVERSÃO CRÍTICO a) Conforme a equaçãodeCarothers: Pg= 2F = 22 = 1,00 ou 100% 68 TINTAS b) Segundo a abordagem estatística: Pg= R 1/2 2(1 – ) = 0,0980,459 = 0,213 1,18 1/2 =Pg= 0,866 ou 86,6% 2(1 – 0,213) O valor de Pg calculado pela abordagem estatística mostra um grau de conversão relativamente baixo (86,6%). Como na regra, também nesse caso o grau de conversão crítico prático (96,0%) está entre o obtido através da abordagem estatística (86,6%) e o obtido pela extensão da equação de Carothers (100%). AJUSTE DA COMPOSIÇÃO PARA QUE O GRAU DE CONVERSÃO NO PONTO DE GELIFICAÇÃO SEJA 1,00 Graudeconversão crítico da composição inicial: Pg =0,96 Grau de conversão crítico ajustado: P’g = 1,00 / 0,96 = 1,042 Pg = B X x 2 2 (A 1 + + A2) R=1,18 – Não se quer modificar (premissa) Bx = B3 = 0,541 – Nãoémodificado A1 + A2 = 0,459 – Para queR seja 1,18 quando B3 = 0,541 (a) Pg’= 1,042 – (Valorajustado,nãotemsignificadofísico,poisaconversãonãopodesersuperiora100%) A 1 + A 0,5413A1 + A 22 + (b) Pg’= 0,459 Combinando(a)e (b): A1 = 0,137 A2 = 0,322 Tabela 2.19 Tabela básica ajustada Matéria-primaA.g. de soja Ácido isoftálico Glicerina Total eA 0,137 0,322 – 0,459 e B f i – – 0,541 0,541 1 m0 0,137 0,161 0,180 0,478 2 3 – PM 280 166 92 – W 38,360 26,726 16,560 81,646 – H20 2,466 5,796 8,262 Acomposição ajustada apresenta as seguintes características: a) Pode ser polimerizada até IA =5sem que haja problema de gelificação. b) Graudeconversão calculado pelaequaçãodeCarothers: F = 2eA = 2x 0,459 m0 0,478 = 1,92 Pg = 2F = 1,922 = 1,04 Polimerização 69 Significa quea conversão pode ser de 100%semque haja problema de gelificacão. c) Grau deconversão crítico calculado pelaabordagem estatística: 1/2 Pg= R 2(1– ) R = 1,18 = 0,137 0,459 = 0,298 Pg= 1/2= 0,916 ou 91,6% 1,18 2(1 – 0,298) Cálculode Pg pela equaçãodeStockmayer: 3B3 Pg= 1/2 1/2 = = 0,916 ou 91,6%3 x 0,180 4A2 4x 0,161 O grau de conversão crítico apresenta o mesmo valor quando calculado por estas duas equações que estão baseadas nos métodos da abordagem estatística. d) Observar queaquantidadedeáguaformadaémaiorquandoseusao ácidoisoftálico no lugarde anidrido ftálico; um equivalentegrama de ácido isoftálico produz 18g deáguana esterificação enquantoumequivalentegramade anidrido ftálico produz9g de água namesma reação. CÁLCULO DO PESO MOLECULAR DE RESINAS ALQUÍDICAS Opeso molecular deuma resina alquídicapode ser calculado levando-seemconsideração: m0 – Total demolespresentes nacomposição inicial. Y – Peso da composição alquídica; representa o rendimento em um determinado instante e o seu valor correspondeaopeso damistura monomérica inicial (w), deduzidodaquantidade de água de reação formada até esse instante. eA – Total de equivalentes degrupos ácidos. Assume-se um excesso de hidroxilas. Todavezqueocorre umaesterificação, duasmoléculasunem-se,formandoumaoutra moléculade peso molecular próximo da soma dos seus pesos moleculares, ocorrendo também o desaparecimento deumgrupo ácido. Em qualquer momentodapolimerização, o total degrupos ácidos existentes, isto é, não reagidos, pode ser determinado pelo índice de acidez. Total de equivalentes ácidos não reagidos = Y(IA)/56.100 (73) Portanto, nesse instante: Total de equivalentes de ácidos reagidos = eA – Y (IA)/56.100 (74) Noentanto, o total deequivalentesde ácidoconsumidosna poliesterificaçãoé igual aonúmerode moléculas que desaparecem com conseqüente formação de outras moléculas. Em um determinado índicedeacidez, tem-se: 70 TINTAS (75)Número de moles existentes = m0 – [eA – Y (IA)/56.100] Esta expressão pode ser rearranjada da seguinte forma: (76) mIA = (m0 – eA) +Y (IA) 56.100 mIA– Número de moles existentes nesse instante O pesomolecular médio numérico quando o índice deacidezé IA: YMn= Y = mIA (77)(IA) (m0 – eA) 56.100 + Y Estaequação relaciona opesomolecular médiocomoíndice de acidez; evidentemente, éumpeso molecular médio numérico, pois considera onúmerode macromoléculas. O valor de(m0equação(77)pode ser– eAsimplificada) é muito pequenopara: e tende a zero, pois m0 = eA para que F = 2, e desta forma a Mn= 56.100 (IA) (78) Entretanto, quando o índice de acidez é muito pequeno o valor de Y(IA)/56.100 é também muito pequeno e, desta forma, a equação(77)podeser simplificada para: Mn= m0Y – e A (79) A equação(77)podeser rearranjada para: Mn= m0 – Y eA – 56.100Y (IA) (80) Conforme mencionado anteriormente eA – Y(IA)/56.100 é igual ao número de equivalentes de ácidos reagidos; noponto de gelificação, o peso molecular médio tende ao infinito e dessa forma: m0= eA – Y (IAg) / 56.100 IAg– índice deacidezno pontode gelificação (81) Substituindo-sem0em(80)e rearranjando: Mn= 56.100 IA – IAg (82) • Éimportante observar que, quandoo índice deacideznopontodegelificação é zero, a equação é igual à equação (78). O grau de conversão P, medido através do consumo de eA, é dado pela expressão: P = IA0 – IA 0 IA (forma simplificada aproximada) (67) Considerando-se que IA0 = 56.100e Y A (60) P = 1– Y(IA) (83) 56.100eA Polimerização 71 E, multiplicando-se ambos os membros por eA, tem-se: PeA = eA – Y(IA) / 56.100 (84) Substituindo-se em (80) Mn= Y m0 – PeA (85) P – grau de conversão no índice de acidez IA As equações: (77) (82) (85) Mn= Y (m0 – eA)+ (IA)Y 56.100 Mn= IA – IAg 56.100 Y Mn= m0 – PeA Representam diferentes formaspara calcularopesomolecularmédionuméricoderesinas alquídicas e de poliésteres. Exercício Verificar a viabilidade da seguinte composição: Óleo de soja – 600,0 g Anidridoftálico – 276,7 g Pentaeritritol – 156,9 g 1. Elaboraçãoda tabela básica: Oóleodesoja,pornãopossuirgruposcarboxila ou hidroxila,nãopodeparticipar napoliesterificação. Portanto, é necessário transformá-lo, através de uma transesterificação, em uma mistura de ésteres dos ácidos graxos correspondentes com glicerina (do próprio óleo) e com pentaeritritol. Esses com postos são poliidroxilados e por isso participam da poliesterificação. No capítulo referente às resinas alquídicas, serãoabordados outros detalhes sobre a transesterificação. Para fins de cálculo considera-se odesmembramento do triglicéridoem ácidos graxos e glicerina. Um mol de óleo de soja→ 3 moles de ácidos graxos 1 molde glicerina Tabela 2.20 Tabela básica Matéria-prima W Óleo de soja 600,0Anidrido ftálico 276,7Pentaeritritol 156,9Glicerina – Total 1.033,6 Eq.g293,074,134,0– – e 0 2,048 3,734 4,615 – – eA 2,048 3,734 – – 5,782 eB – – 4,615 2,048 6,663 3 1 f 2 4 m 0 2,048 1,867 1,153 0,683 5,751 H2O – 33,606 – – 33,606– Observação Aágua presente na reaçãoé devida somenteà esterificação de anidrido ftálico, já que, na transesterificação do triglicérido para transformá-lono éster hidroxilado, não há a formação de água. 72 TINTAS 2. Cálculoda funcionalidadeedoexcessode hidroxilas: F = 2eAm = 2x 5,782 = 2,01 0 5,751 e B e A = 6,6635,782 = 1,152 ou 15,2%R= 3. Cálculodograu deconversão crítico: Extensão da equação de Carothers Pg= 2F =2,012= 0,995 ou 99,5% Abordagem estatística: Pg= 1/2 = 1,152 1/2 = 0,944 R 2(1 – ) 2(1 – 0,354) ou 94,4% = e A 1 = 2,048 = 0,354 eA 5,782 Aexperiênciamostrou queesta composição gelificou quando IA= 7; cálculodograu deconversão crítico a partir deste índicedeacidez. IA 0 56.100e = W’ A Épreciso corrigir o valor dacarga inicial (W),comose essacomposição contivesse ácidos graxos e glicerina no lugar do triglicérido, para que o valor de IA0 leve em consideração também os grupos carboxílicos dos ácidos graxos. ÁcidosGraxos – 2,048 x 280 = 573,4 g Glicerina – 0,683 x 92,1 = 62,9 g Total – 636,3 g Portanto, a quantidade de óleo de soja (600 g) deve ser substituída por esse total. W’= 1.033,6 – 600 + 636,3 = 1.069,9 g IA0 = 56.100 x 5,782 = 303,2 1.069,9 Pg= IA 0 – IA IA 0 = 303,2 – 7,0 = 0,977 ou 97,7% 303,2 Observação OvalordePgé aproximado,masmuito próximodo valor real, pois foi calculado a partirdaequação simplificada, equação esta já explicada anteriormente. Comparaçãoentre os diferentes valores dograu de conversão crítico: a) Pg real (calculado a partir doIAno pontodegelificação) – 97,7% b) Pg segundo extensão da equação de Carothers – 99,5% c) Pg segundo a abordagem estatística – 94,4% Como acontece na maioria dos casos, também esta composição gelifica a um grau de conversão, cujo valor está situado entre os valores calculados pelaabordagem estatística e pela extensãodaequa ção de Carothers. Polimerização 73 AequaçãodeStockmayer forneceum valor dePg muitobaixo para este exemplo(81,4%)e muito diferente do real (97,7%). 4. Cálculodograu deconversãoquando o índice deacidezé 12: Esta resina é obtida na prática comíndicede acidez 12.Usandoa equação simplificada, temos: P = IA0 – IA IA 0 = 303,2 – 12303,2 = 0,960 ou 96,0% Y Este valor indicaquea polimerizaçãoocorreu com eficiência. 5. Cálculodopesomolecular médio numérico (Mn): O valor do rendimento da polimerização, quando o índice de acidez é 12, pode ser considerado teórico, isto é, o rendimento obtidona esterificação total dos grupos ácidos (IA = 0), já que a diferença entre os dois é muito pequena. Equação(77): Mn= (m0 – eA)+ Y(IA) / 56.100 = (5,751 – 5,782)+1.000 1.000 x 12 / 56.100 = 5.465 Equação(82): Y = Y0 = 1.033,6 – 33,6 = 1.000,00 g Mn= 56.100 56.100= = 11.220 IA – IAg 12 – 7 Equação(85): Mn= Y 1.000 5,751 – 0,960 x 5,782 = 5.000 m0 – PeA = Observações a) Existe uma concordância razoável entre os valores obtidos através das equações (77) e (85). O valor discrepante obtido na equação (82) pode ser atribuído a um erro no valor do índice de acidez no ponto de gelificação. b)Osvalores obtidos no peso molecular médionumérico referem-se a IA=12, queéo índice de acidez obtido experimentalmente. 6. Cálculodoíndicede hidroxila Comofoi visto anteriormente,o índicede hidroxila édefinidocomosendoa quantidadedehidróxido de potássio (KOH), expressa em miligramas, equivalente ao conteúdo em hidroxilas de um grama do material (resina alquídica). Comoa resina é obtida experimentalmente como IA = 12, significa que ainda há 12 unidadesde hidroxilas que desapareceriam se a esterificação fosse completa, isto é, até IA = 0. A estas 12 unida des de índice de hidroxila devem ser somadas as hidroxilas correspondentes ao excesso: 6,663 – 5,782 = 0,881. IOH = 12 + 0,881 x 56.100 = 61,42 1.000 Ovalor de IOH= 61,42 éaproximado, porém muito próximodo real, porque foi levadoem conta o rendimento teórico (l.000 g) e não o prático, que é um tanto superior. Este valor coincide com o IOH determinado atravésda acetilação. 7. O comprimentodoóleo desta alquídica é60%; ocomprimentodeóleoé definidocomosendo a “percentagem” de triglicérido existentenopesodacomposição inicial deduzida daquantidade de água teórica da reação.Emoutras palavras, o comprimento de óleo está relacionadocomo rendimento teórico. 74 TINTAS f e A Exercício Acomposição descrita a seguir gelifica quandoéatingidoo IA=18na polimerização. Efetuaros ajustes necessários para que a polimerização possa ser feita de forma adequada. Óleodelinhaça – 1,0 mol Anidridoftálico – 2,45 moles Pentaeritritol – 1,50 moles 1. Elaboraçãoda tabela básica: a) Desmembramento do óleo Ummol de óleo de linhaça→ 3moles de ácidos graxos delinhaça 1 molde glicerina eB – Tabela 2.21 Tabela básica Matéria-prima m0 A.g. de linhaça 3,00 Anidrido ftálico 2,45Pentaeritritol 1,50 Glicerina 1,00 Total 7,95 3 4 – 2 1 3,00 4,90 – Eq.g280 74 W´(g) 840,0362,6204,0 92,11.498,7 H2O (g) 54,0 44,1 – – 98,1 34 – – 7,90 6,00 3,00 9,00 30,7 – Total da carga a partir do óleo: W= 1.498,7 – 54 = 1.444,7 g Água de reação – 98,1 – 54,0= 44,1 g 2. Cálculodefuncionalidademédia(F)e doexcessode hidroxilas: F = 2eAm = 2 x 7,90 0 7,95 = 1,987 R= e B = 7,909,00 = 1,139 ou 13,9% eA 3. Cálculodograu deconversão crítico: Experimental quando IA = 18 56.100e W’ A = IA 0= 56.100 x 7,90 = 295,7 1.498,7 Pg= IA 0 IA– IA = 295,7 – 18,0 295,7 = 0,939 ou 93,9% Observação Valor aproximado, mas muito próximo do real por ter sido usada a equação simplificada. 4. Ajuste da composição segundo Carothers: Acomposiçãodeveser modificada paraqueograu depolimerização crítico seja 1,00.Emprincípio, o ajuste pode ser feito naquantidadedequalquer das matérias-primas. Neste caso, escolhe-se ajustar a quantidade de pentaeritritol por ser o mais fácil, além de permitir que se mantenha o comprimento do óleo. Polimerização 75 F (calculada) =1,987 Pg (calculado)= 1,9872 = 1,0065 Pg (prático) = 0,939 Pg (ajustado)= = 1,072 1,00650,939Pg = 2 F F (ajustada)= 1,0722 = 1,866 2eAm0 m0 2eAF = 2x7,90 F= = 1,866 = 8,47 m0=m(AG) +m (AF) +m (G) +m (P) 8,47 = 3,00 + 2,45+ 1,00 +m (P) m (P) = 2,02 Acomposição ajustada: Óleodelinhaça – 1,00 mol Anidridoftálico – 2,45 moles Pentaeritritol – 2,02 moles Tabela 2.22 Tabela básica ajustada – ajuste segundo Carothers m0 eA eBMatéria-primaÓleo de linhaça 1,00 → 3,00 – → A.g. linhaça Glicerina 3,00 m0 3,00 1,00 2,45 2,02 8,47 2 3 1 f Anidrido ftálico Pentaeritritol Total 2,45 2,02 5,47 – – – – 4,90 – 7,90 – 4 10 8,08 11,08 Cálculoda funcionalidademédia edoexcessodehidroxila F 2eA 2x7,90 = = 1,865 8,47m0 R=eAe = 11,08 B 7,90 = = 1,403 ou 40,3% de excesso 5. Ajuste da composiçãosegundo abordagem estatística usandoa equação: R Pg2= 2(1 – ) Cálculo de Pg antes do ajuste = e A1 = 3,007,90 = 0,380 eA Pg2= 2(11,139 – 0,380) = 0,9185 Pg = 0,958 ou 95,8% Pg (prático)= 0,939 (calculado quando IA = 18) 76 TINTAS Pg (ajustado)= 0,9580,939 = 1,020 R Pg2= 2(1 – ) R = 2Pg2 (1 – ) R = R= (1,020)2 x 2(1 – 0,380) = 1,290 Comono caso anterior, o ajuste é feito na quantidade de pentaeritritol. eB = ReA = 1,29 7,90 = 10,19eB eA eB= eB (glicerina) + eB (pentaeritritol) 10,19 = 3,00 + eB (pentaeritritol) eB (pentaeritritol) = 7,19 ou m (pentaeritritol) = 1,798 6. Comparaçãodascomposições: Tabela 2.23 Comparação Matéria-primaÓleo de linhaça Anidrido ftálico 2,45 2,45 2,45 Pentaeritritol Inicial 1,00 1,50 1,139 Composições (m0)Ajustada por Carothers Ajustada por Estatística 1,00 1,00 2,02 1,798 R 1,403 1,29 % de ajuste pentaeritritol – 34,67 19,87 7. O ajuste também poderia ser feito nas quantidades de óleo de linhaça e do anidrido ftálico. É evidente que as composições ajustadas seriam, neste caso, diferentes das apresentadas nesta tabela. O tipo do ajuste deverá, necessariamente, levar em consideração as propriedades requeridasda resina alquídica. Exercício sobre formulação de um poliéster saturado Calcular a composição de um poliéster saturado usando trimetilolpropano, neopentilglicol e, como poliácidos, anidridoftálico e ácidoadípicona proporção molar de 2:3.Opoliéster deverá ter, ao final,um índice dehidroxila de200quandoo índicedeacidez for 10. Tabela 2.24 Tabela básica Matéria-prima m 0 f i e A e B Anidrido ftálico 2 Ácido adípico 3 Trimetilolpropano X NeopentilglicolTotal 5+X+Y 2 2 3 2 – 4,0 6,0– – 10 – – 3X 2Y 3X+2Y Y Polimerização 77 Considera-se a funcionalidade média igual a 2. 2eA =2 F= 2= 2 10 5+ X + Ym0 X + Y = 5 Y = 5 – X sendo Y = 5 – XeB – eA = 3X + 2Y – 10 eB – eA = X Com estes dados constrói-se a Tabela 2.25: Tabela 2.25 Tabela básica H20 36,0 108,0 Matéria-primaAnidrido ftálico Ácido adípicoTrimetilolpropano Neopentilglicol Total 5 3 2 6,0 m0 f 2 2 X 3 – X 2 10 – eA 4,0– – 10 10+X eB – – 3X 10 – 2X Eq.g 74 73 45 52 – W(g) 296 438 135X 520 – 104X 1.254 + 31X – – 144,0 Rendimento teórico Y0= (1.254 + 31X) – 144 = 1.110 + 31X Rendimento quandoIA =10 Y = 56.100 x (1.110 + 31X) 56.100 – 10 x 18 = 1.113,6 + 31X IOH = 200 quando o IA = 10 (premissa) IOH = IA + (eB – eA) 56.100 Y 200 = 10 + 56.100X 1.113,6 + 31X X = 4,21 (total de moles de trimetilolpropano) Y = 5 – X = 5 – 4,2 = 0,8 (neopentilglicol) Observação Como o índice de acidez é baixo (IA = 10) poderia ter sido feita uma simplificação no cálculo de X: usar o rendimento teórico (Y 0 ) no lugar de Y. IOH = IA + (eB – eA) 56.100 Y 0 200 = 10 + X56.100 1.110 + 31X X = 4,20 Y = 5,0 – 4,2 = 0,8 Adiferença no valorde X, quandocalculadocom formas diferentes, émuitopequena. Rendimento quandoIA =10 Y = 1.113,6 + 31X = 1.113,6 + 3 x 4,2 = 1.243,8 g F = 2eAm0 = 2 x 1010 = 2 78 TINTAS R= eB eA = 14,210 = 1,42 ou 42% Y0 = 1.384,2 – 144,0 = 1.240,2 IOH = 10 + (14,2 – 10)56.100 1.240,2 = 200(equação simplificada) (valor igual à premissa) Tabela 2.26 Tabela básica final Matéria-primaAnidrido ftálico Ácido adípico Trimetilol-propanoNeopentilglicolTotal 0,8 2 3,0 2,0 m 0 4,210,0 f 2 2 3 – 6,0 4,0 e A – – 10,0 1,6 e B – – 12,6 14,2 Eq.g74 73 45 52 – W(g) 296,0438,0567,083,21.384,2 – H20 36,0 108,0 – 144,0 Cálculodograude conversãoquando IA= 10 P = IA0 – IAIA 0 (equação simplificada) 56.100e IA0 = 56.100 x 10 W A = = 405 1.384,2 P = 405 – 10 405 = 0,975 ou 97,5% Cálculodopesomolecular médionumérico: a) usandoa equação (77): Mn= Y A ) + Y(IA) / 56.100 M = (m0–e 1.243,8 (10,0 – 10,0) + 1.243,8 x 10 / 56.100 = 5.610 b) usandoa equação (82): Mn= 56.100 IAg = 56.100 10 – 0IA – = 5.610 c) usandoa equação (85): Y Mn= m0 – PeA = 1.243,810,0 – 0,975 x 10,0 = 4.975 Observações O valor encontrado através da equação (82) é teórico, pois baseia-se em um índice de acidez no ponto de gelificação igual a zero, valor este também teórico. Se em lugar do Y (rendimento no IA = 10) fosse usado o rendimento teórico (Y0 quando IA = 0), o erro cometido seria desprezível, já que a diferença entre esses dois rendimentosé muito pequena. FUNCIONALIDADES DO POLÍMERO As resinas alquídicas e os poliésteres possuem, ao final da polimerização, grupos carboxila e hidroxila quepoderãoser usadosemreações posteriores,comoareaçãocomagentesreticulantes paraa obtenção Polimerização 79 da secagem ou cura da tinta correspondente. Portanto, é muito útil o conhecimento da quantidade desses grupos existentes na macromolécula. Afuncionalidademédiaemdeterminado instante é obtida através da divisão donúmerodeequiva lentes-grama não reagidos(com relação a carboxilas ou hidroxilas) pelo total de molesnesse instante, quepode ser a qualquer momentoda reaçãoou aoseu final.A funcionalidade média érelacionada com onúmerode carboxilasou hidroxilas presentesna macromolécula. Onúmerodegrupos ácidos existentes emumdeterminado instante apósumgrau de conversãoP é: eA – PeA, em que: eA – Total de equivalentes-grama degrupos ácidosno início da. reação O número de grupos hidroxila presentes nessas condições é: eB – PeB eB – Total de equivalentes-grama de grupos hidroxila no início dareação O número de ácidos reagidos é o mesmo dos grupos hidroxilas reagidos, pois a reação é de um grupoácido para uma hidroxila, ou seja, PeA=PeB. Por definição, a funcionalidade médiada macromolécula é: a) Emgrupos ácidos: fA = eA – PeA m (86) b) Emgrupos hidroxila: fB = eB – PeA m m= 2 F – P e A (87) Lembrando que o número de moles existentes quando ocorreu o grau de conversão P é: (88) SendoR= eBemfunçãoda funcionalidade/eA, são facilmentemédia(F)deduzidasda misturaas expressõesmonoméricaqueinicialfornecemedarelaçãoas funcionalidadesdos grupos hidroxilafAe fB para osgrupos carboxila (R). fA = (1–2 –P)PFF (89) fB = F(R – P) 2 – PF (90) fA – Funcionalidade média carboxílica da macromolécula fB – Funcionalidade média hidroxílica da macromolécula Exemplo de cálculo das funcionalidades médias da macromolécula Calcular as funcionalidades médias hidroxílica e carboxílicanopoliéster doexercício anterior: F=2 R= 1,420 P= 0,975 fB = F(R – P) 2 – PF = 2(1,420 – 0,975)2 – 0,975 x 2 = 17,8 fA = F(12 ––PFP) = 2(1 – 0,975) 2 – 0,975 x 2 = 1,0 Estes valores indicamque háemmédia 17,8 grupos hidroxila e 1,0 grupo carboxila por molécula. 80 TINTAS f e A e B RESINAS ALQUÍDICAS E POLIÉSTERES SOLÚVEIS OU DILUÍVEIS COM ÁGUA Acaracterística mais importantequediferencia as resinas alquídicaseos poliésteres convencionais dos destinadosa sistemasaquososéoaltoíndicedeacidezqueestesdevempossuir.Éatravésdaneutralização do índice de acidez com bases adequadas que se obtém a compatibilidade com água. Dois exemplos: Exemplo I– Verificar a viabilidade técnica da seguinte composiçãomonomérica: Ácidoadípico – 1,0 mol Anidrido trimelítico – 3,0 moles Neopentilglicol – 7,0 moles 1) Elaboração da tabela básica Tabela 2.27 Tabela básica Matéria-primaÁcido adípico Anidrido trimelítico Neopentilglicol 7,0 3,0 1,0 2 m0 11,0 2,0 –11,0 3 2 – 9,0 Eq.g73 64 52 – W(g) H2O(g) 36,0 108,0 – – 14,014,0 146,0576,0728,0 1.450,0Total 144,0 Observação A quantidade de água refere-se à esterificação total, isto é, quando o índice de acidez é zero. Notar que a quantidade de água proveniente da esterificação do anidrido trimelítico é de12 gramas por equivalente-grama desse anidrido ou 36 gramas por mol. 2) Funcionalidademédiadacomposiçãoinicial 2eA 211,0 F= = m0 11,0 = 2,0 3) Excesso de hidroxilas eBR= eA = 14,0 11,0 = 1,27 ou 27% 4) Índicedeacidez Esta resinaé obtida experimentalmentecomíndicedeacidezvariando entre40e45. Para efeitode cálculo considera-se IA = 42,5. Este é o valor adequado de índice de acidez para que a resina seja compatível comágua, uma vezconvenientemente neutralizada. 5) Rendimento teórico Y0 = 1.450,0 – 144,0 = 1.306,0 ou 90,1% 6) Rendimentoquando IA= 42,5 Y = 56.100 56.100Y 0 – (IA)18 = 56.100 x 1.306,0 56.100 – 42,5 x 18 =1.324,0 g ou 91,3% 7) Grau de conversão quandoIA = 42,5 IA0 56.100e W A = 56.100 x 11,0 = 425,6 1.450 P = = IA0W – IAY IA0W = 425,6 x 1.450 – 42,5 x 1.324 425,6 x 1.450 = 0,909 ou 90,9% Polimerização 81 Usandoaequação simplificada: P = IA0 – IA 425,6 – 42,5 IA 0 = = 0,900 ou 90,0% 425,6 8) Cálculodopesomolecularmédionumérico a) Usandoa equação (77) Mn= (m0–e A ) + YY (IA) / 56.100 Mn= 1.324,0 (11,0 – 11,0) + 1.324,0 x 42,5 / 56.100 = 1.320 b) Usandoa equação(85) y Mn= 1.324,0 11,0 – 0,909 x 11,0 = 1.323 m0– PeA = Observação Para que a equação (82) possa ser utilizada é necessário determinar experimentalmente o índice de acidez no ponto de gelificação. 9) Cálculo das funcionalidades médiasdopoliéster Funcionalidadecarboxílica fA = F(1– P) 2 – PF 2 (1,000 – 0,909) 2 – 0,909 x 2 = 1,0 fB = = Funcionalidadehidroxílica F(R– P) 2 – PF = 2 (1,270 – 0,909) 2 – 0,909 x 2 = 3,97 O 10) Fórmulateórica Com base nosdadosda tabela básica, é possível desenvolver a fórmula correspondente. O HOROC– HOROC––COROC– –COROC–(CH)–COROC– –COOH–COROH24–COROH O OOOOOOO (R = –CH2C(CH3)2CH2–) Éimportanteobservarascoincidênciasdestafórmulacomosvaloresobtidosnosdiferentes cálculos. a) Peso molecular da fórmula (PM = 1.324) similar aos obtidos nas equações (77) e (85). b) A fórmula apresentauma estrutura similar à sugerida pela tabela básica. c) Asfuncionalidades médiascarboxílica e hidroxílica obtidaspor cálculocoincidemcomonúmero de grupos carboxila e hidroxila presentesna fórmula: Grupocarboxila – 1 Gruposhidroxila – 4 d) O índice de acidez teórico (IA = 42,37) é similar ao experimental (IA variando entre 40 e 50). 82 TINTAS e) O índice dehidroxila calculado é: IOH = IA + (eB – e A )Y 56.100 = 42,5 + (14 – 11) 56.100 1.324 = 169,6 f) Há coincidência entre o peso molecular da fórmula(PM= 1.324) com rendimento (Y = 1.324) dadoquea tabela básica indica os reagentes para uma macromolécula. g) A fórmula apresentada é teórica e possivelmente não corresponde à totalidade das moléculas presentes ao final da polimerização. Representa uma situação ideal na qual as macromoléculas seriam todas iguais. Exemplo II –Acomposiçãoa seguir representaumaalquídica diluívelem água, cuja polimerização éfeitaemdoisestágios.Noprimeiroestágio,a polimerizaçãoocorresemapresençadoanidridotrimelítico atéumíndicedeacidez10.Nosegundoestágio,areaçãoé feitacomgrupoanidridodeanidridotrimelítico, havendo aumento do índicede acidez para valores entre 55 e 60. O propósitodeste exercícioédemonstrar que, para efeitodecálculo dos diferentes parâmetros, os resultados obtidos são os mesmose independem se a polimerizaçãoé feita emumouem dois estágios. Composiçãoda mistura monomérica: Ácido isoftálico – 264 g Anidrido trimelítico – 87 g A.g. de Tall Oil – 456 g Trimetilolpropano – 277 g Total – 1.084 g I) Considerando a polimerização emum só estágio: todas a matérias-primas participam desde o inícioda poliesterificação. l) Elaboração da tabela básica eB – m0 1,59 57,2 Tabela 2.28 Tabela básica – estágio único Matéria-prima W(g) Ácido isoftálico 264 Anidrido trimelítico 87 A.g. de Tall Oil 456 Trimetilolpropano 277 Total 1.084 Eq.g83 64 289 45 – 3,18 eA 1,36 1,58 – 6,12 – – 6,16 6,16 0,45 1,58 2,05 5,67 H20 (g) 16,3 28,4 – 101,9 2) Cálculodafuncionalidade médiadacomposiçãoinicial. F = 2e A m0 = 2x 6,12 5,67 = 2,16 O valor deF acima de 2 indica queesta composição gelifica antes de se atingir o IA= 0, no casoda poliesterificação em um só estágio. Na prática, esta resina é obtida em dois estágios. 3) Cálculodoexcesso de hidroxilas 4) R= e BeA = 6,16 6,12 = 1,007 Rendimento teórico Y0= 1.084 – 102 = 982 g Polimerização 83 Éum rendimento teórico, pois leva em consideração a quantidade de água formada na esterificação total,oqueéimpossível,poisaresina gelificaantesqueseatinjaIA=0.Naprática,éobtidaemdoisestágios, comIAfinalvariandoentre55e60.Paraefeitodecálculo,seráconsideradooíndicedeacidezfinalde60. 5) Rendimento práticoquandoIA =60 Y 56.100Y = 56.100 – (IA)0x 18 6) Índicedeacidezdacomposição inicial = 56.100 x98256.100 – 60x18 = 1.001g IA0 = 56.100eA = 56.100 x 6,12 = 317 W 1.084 7) Grau de conversão quando o IA= 60 IA0W – IAY = 317 x 1.084 – 60 x 1.001 317 x 1.084 = 0,825 ou 82,5%P = IA0W 8) Peso molecular médionumérico quando IA = 60 a) Equação (77) Mn= Y (m – eA)+ 1.001 (5,67 – 6,12) + 1.001 x 60/56.1000 Y (IA)/56.100 = = 1.614 b) Equação (85) Y Mn= 1.001 m0 – PeA = 5,67 – 0,825 x 6,12 = 1.612 9) Funcionalidadesmédiasda resina Funcionalidadeshidroxílicas F (1 – P) 2 – PF = 2,16 (1 – 0,825)2 – 0,825 x 2,16 = 1,73fA = 0,825) = 1,80fB = F (R – P) 2 – FP = 2,16 (1,007 – 2 – 0,825 x 2,16 II) Cálculo considerando a preparação em dois estágios: é o processo usual para polimerização deste tipo de resina. A) Primeriro estágio: polimerizaçãosem oanidrido trimelítico 1) Elaboraçãoda tabela básica Tabela 2.29 Tabela básica – 1º estágio Matéria-prima W(g) Ácido isoftálico 264 A.g.de Tall Oil 456 Trimetilolpropano 277 Total 997 Eq.g83 289 45 – e A 3,18 1,58 – 4,76 6,16 eB – – 6,16 m 0 1,59 1,58 2,05 5,22 H20 (g) 57,2 28,4 – 85,6 Observação A poliesterificação é feita a 240 ºC até se atingir o IAbase adequada e, assim, se consiga a compatibilidade com água. Porém,esse baixo valor dograu deconversão previnea gelificação. 5) Cálculo das funcionalidades médiasda resina após o 2o estágio a) Funcionalidadecarboxílica fA = F (1 – P) 2 – PF = 2,82 (1 – 0,291) 2 – 0,291 x 2,82 = 1,70 86 TINTAS b)Funcionalidadehidroxílica fB = F (R – P) 2 – PF = 2,82 (1,013 – 0,291) 2 – 0,291 x 2,82 = 1,73 6) Peso molecular médio monomérico Y Mn= 1.001,3 1,07 – 0,291 x 1,51 = 1.587m 0 – Pe A = Este valor émuitopróximodoobtido atravésdasomadopesomolecularmédionuméricoda resina doprimeiro estágiocom opeso molecular do anidrido trimelítico: Mn= 1.475 + 192 = 1.667 Comparaçãoentre os valores obtidos quandose considera: A – A reação em um único estágio Tabela 2.31 Comparação entre A e B Mn B – A reação em dois estágios fA A – estágio único 1.614 1,73 B – dois estágios 1.587 1,70 fB 1,80 1,73 Observações a) Embora os valores obtidos sejam similares quando se considera a resina preparada em um único ou dois estágios, na prática, há necessidade de se usar este último como forma segura de se obter uma resina a mais homogênea possível, no que se refere à estrutura molecular. b) No segundo estágio, há o consumo deum grupo ácido (proveniente do anidrido),o que faz baixaro índice de acidez inicial de 84,6 para 60. Este é o valor obtido na prática e que coincide como teórico, pois eAao final do segundo estágio é: eA (final) = A (inicial)= eA (inicial) – eAT e 1,51 e AT = 0,45: Número de equivalentes de anidrido trimelítico que reagiram e que corresponde ao número de moles, já que a reação ocorre através de um grupo carboxila (abertura do anel) por molécula desse anidrido. eA (final) = 1,51 – 0,45 = 1,06 IA (final) = 56.100 x 1,06 1.001,3 = 59,4 MÉTODO PRÁTICO DE FORMULAÇÃO DE RESINAS ALQUÍDICAS E POLIÉSTERES Patton, no seu livro Alkyd Resin Technology, descreve um método prático para o cálculo de resinas alquídicasedepoliésteres que,embora criticadopor vários autores,temse reveladodegrande utilidade paraos químicosquesededicamaoestudo desses importantes polímeros, devidoprincipalmente àsua simplicidade conceitual. Esse método está baseado na teoria de Carothers e se caracteriza pela definição da constante K como sendo: (91) K= m0e A Aextensãoda equaçãode Carothersmostra que,quandohá excessode hidroxilas na composição monomérica, ograu de conversão crítico é dado pela expressão: (47) e (48) Pg = 2 F = m 0 eA Polimerização 87 A composição monomérica de uma alquídica ou de um poliéster deve ser balanceada, de modo a permitir queoinícioda gelificaçãoocorraquandoograudeconversão crítico esteja próximoda unidade. Nestas condições, o grau de conversão crítico se confunde com a constante K e, na composição monoméricasignifica que inicial,K = 1,00o número(é importantede molesconsiderar(mo) é igualqueaoé necessárionúmero dequeequivalenteso númerodedeácidoequivalentes(eA), O que de hidroxilas seja igual ou superior ao deequivalentesde ácido, condiçãopresente namaioria dos casos). Arelação entre a constante Ke a funcionalidade média é: K= 2F (92) Desta forma, o método prático pode ser desenvolvido tanto em função da constante K como em funçãoda funcionalidademédiaFdacomposiçãomonomérica inicial. Ométodoconsisteemcorrigir o valor teóricodaconstante(K=1,00)em funçãodos constituintes dacomposiçãomonomérica,das condiçõesdepolimerização,do índice deacidez final, etc. Os valores a serem usados nesta correção são de natureza empírica. A Tabela 2.32 relaciona ajustes típicos que devem ser feitos para se obter um valor deKadequadocomo ponto de partida do cálculo. Tabela 2.32 Ajustes na constante K AjustesMatéria-primaMonoácidos, ácidos graxos e triglicéridos Girassol, soja, linhaça e Tall Oil Láurico, coco, pelargônio Breu Mamona desidratada Tungue e oiticica Anidrido ftálico Ácido isoftálico Diisocianato de tolileno Polióis Glicerina, glicóis, pentaeritritol Trimetiloletano, trimetilolpropano Índice de acidez (IA) IA 8 Zero – 0,01 – 0,03 + 0,02 Considerar como diácido (f = 2) + 0,01 + 0,05 + 0,04 Zero – 0,01 Zero – [(IA – 8) x 0,0025] Observações 1) Nãoé necessário fazerqualquerajusteemK quando se usam óleos vegetais e/ou ácidos graxoscommediana insaturação, como soja, girassol, linhaça, Tall Oil, etc. Quando o óleo de mamona desidratado é constituinte da composição, é necessário somar 0,02 ao valor de K. Os óleos e ácidos graxos de coco demandam uma diminuição de 0,01 no valor teórico de K. Obreu atuacomoretardador da gelificação e,por isso, é necessário diminuir o valorda constante K. Já osóleos de tungue ede oiticica,porterem umalto grau de insaturação, devem ser consideradoscomotendo funciona lidade f= 2, isto é, atuam como diácidos. Os ajustes originados pela insaturação dos ácidos graxos são necessários para compensar a polimeriza ção térmica que ocorre devido a essa insaturação e que contribui para o aumento do peso molecular da macromolécula. 2) O emprego do ácido isoftálico demanda um aumento no valor de K, devido principalmente à sua maior dificuldade de reação quando comparado com o anidrido ftálico. 3)Emgeral, a correção devida ao IA só é feita para valores superiores a 8.O ajuste do valor de K,quando o IA émenorque 8, só é necessário para valores muito pequenos.Por exemplo,o IA=4demandaumaumentode 0,01 no valor de K. Para valores superiores a 8 vale o ajuste indicado na tabela. 88 TINTAS 4) Éimportantenotarqueosajustesapontadosnatabelasãoapenasindicativosedependemdopercentualcomque asdiferentesmatérias-prirnas participam da composição.Assim,o ajuste de +0,02parao mamonadesidratado é válido quando esse é o único óleo na composição e quando se trata de alquídicaslongasemóleo.Emqualquer doscasos, são necessários ajustes na composição,através da realização de polimerizações experimentais. Exercício de ajuste da constanteK Verificar se a seguintecomposiçãoéadequadaparaaobtençãodeumaresina alquídica quedeverá ter, ao final, índice deacidez 32. – 870 g 300 g Ácidos graxos de soja Breu Anidridoftálico Glicerina – – – 1.170 g 660 g Total 3.000 g 1) Elaboraçãoda tabela básica: f Tabela 2.33 Tabela básica Matéria-prima W(g)Ácido graxo de soja 870 Breu 300 Anidrido ftálico 1.170 Glicerina 660 Total 3.000 Eq. g 280 340 74 31 – e A 3,11 0,88 15,82 – 19,81 e B – – – 21,2921,29 1 H2O (g) 55,98 15,84 142,38 m 0 3,11 0,88 7,91 7,10 19,00 – 1 2 3 – 214,2 2) Cálculoda constante: K= m 0 eA = 19,00 19,81 = 0,96 Ajustes Tabela 2.34 Ajuste em K Matéria-primaÁcidos graxos de soja Breu Anidrido ftálico Glicerina IA = 32 Ajuste total Ajustes em K = 1,00 0,00 – 0,01 + 0,01 0,00 – 0,06 – 0,06 Kajustado: 1,00 – 0,06 = 0,94 Oajustede 0,01paraobreu,enão0,03,comoindica a tabela, édevidoao fato de participarcomuma quantidade inferior a 1/4 da quantidade de ácidos graxos. O valor da constante K abaixo de 1,00 é possível porque oIA é relativamente elevado, além de haver breu na composição. Acomparaçãoentre o valor deKcalculado(K= 0,96)e o ajustado(K=0,94) indica que acompo sição é viável sempre que o IA final esteja em torno de 32. A importânciado IA=32(ouem tornodesse valor) pode ser verificada quando se compara ograu de conversão crítico (Pg) como grau de conversão no IA = 32. Polimerização 89 3) Cálculoda funcionalidade média F 2eA = 2x19,81 19,00= = 2,085 m0 Pg= 2 F = 2,0852 = 0,959 ou 95,9% (extensão da equação de Carothers) 4) Cálculodo grau de conversão(P)quandoIA =32 Rendimento teórico Y0 = 3.000 – 214 = 2.786 g Rendimento quandoIA =32 Y = 56.100 56.100 – 18(IA) . Y 0 = 56.100 56.100 – 18 x 32 x 2.786 = 2.815 g Índice de acidez inicial: IA0= 56.100eA = 56.100 x 19,81 = 370 P = W 3.000 IA0W 370 x 3.000 – 32 x 2.815– IAY = = 370 x 3.000 0,919 ou 91,9% IA0W Comparando-seP=0,919comPg=0,959 observa-seumamargemdesegurançaadequada.Entre tanto, não é possível obter-se essa resina com IA = 15, porque,JORGE M. R. FAZENDA / CONSTANTINO T. FILHO / PAUL DEUTSCH 1 188Óleos glicéridosResinas alquídicasPoliésteres ........................................... ................................. .................................... 154 166 4 5 Formulações .........................................Referências bibliográficas..................... 2 3 191 185 4 Resinas acrílicas e emulsões vinílicas e acrílicas JORGE M. R. FAZENDA / CONSTANTINO T. FILHO 1 4 Referências bibliográficas..................... 230 2 3 Resinas acrílicas .................................... 194 Emulsões acrílicas e vinílicas................ 211 Alguns exemplos de polímeros vinílicos e acrílicos......................................... 226 xvi TINTAS 5 Resinas poliuretânicas JORGE M. R. FAZENDA / CONSTANTINO T. FILHO 1 Introdução ............................................ 232 2 Reações principaisdogrupo isocianato 233 3 Sistemas poliuretânicos ....................... 236 Classificação das tintas poliuretânicas . 240 Óleos uretanizadose alquídicas uretanizadas (tipo 1) ...................... 241 Poliuretanosdecura pelaumidade (tipo 2) ............................................ 242 7 Poliuretanos bloqueados (tipo 3) ........ 243 8 Poliuretanos bicomponentes catalisados (tipo 4) ......................... 243 9 Poliuretanos bicomponentes do tipo poliol (tipo 5) .................................. 244 10 Referências bibliográficas..................... 245 6 4 5 6 Resinas epoxídicas JORGE T. FILHOM. R. FAZENDA / CONSTANTINO 6 275 7 1 Introdução ............................................ 248 2 Preparação............................................ 249 3 Formaçãodo filme................................4 Solventes .............................................. 267 Sistemas aquosos e de altos sólidos .... 267 Usos ......................................................Preparaçãoderesinasepóxi– exemplos práticos............................................ Referências bibliográficas..................... 251 275 277 7 8 5 Resinas amínicas JORGE M. R. FAZENDA /CONSTANTINO T. FILHO 2 3 282 294 1 Introdução ............................................ 280 Preparação:principaisreaçõesquímicas 282 Resinas amídicas-formol.......................4 Resinas uréia-formol ............................ 283 5 Resinas melamínicas ............................ 285 6 Fatoresqueinfluenciama escolhado álcool usadona eterificação ............ 287 Resinas melamínicas para sistemas aquosos e de altos sólidos .............. 287 8 Curaderesinas amínicas ...................... 288 9 Resinasmelamínicasdotipo oligomérico ......................................10 Resinas glicolurílicas............................. 296 11 Preparaçãode resinas amínicas– exemplos......................................... 296 12 Esquemadeuma unidade paraa preparaçãode resinas amínicas ...... 297 13 Referências bibliográficas..................... 7 298 8 Resinas fenólicas JORGE T. FILHOM. R. FAZENDA / CONSTANTINO 300 300 6 2 3 4 1 Introdução ............................................Reação formol-fenol .............................Resinas do tipo resol ............................Resinasdo tipo novolac ........................ 305 5 Resinas fenólicas solúveis em óleos vegetais ........................................... Propriedadese aplicações das resinas fenólicas em tintas e vernizes ........ 308 Fórmulas e processos de preparação .. 308 Referências bibliográficas..................... 310 302 7 8 307 Sumário xvii 9 Resinas celulósicas, hidrocarbônicas, borracha clorada e de silicone PAUL DEUTSCH / JOSÉ CARLOS RODRIGUES 5 6 Resinas celulósicas, hidrocarbônicas e borracha clorada ........................................ 312 1 Resinas celulósicas ............................... 312 Resinas hidrocarbônicas ....................... 317 3 Borrachaclorada ................................... 321 2 Poliorganossiloxanos............................ 324 Preparaçãodesilanos substituídos...... 325 7 Nomenclaturadospoliorganossiloxanos 327 8 Preparaçãodos poliorganossiloxanos.. 329 Fluidos de silicone ................................ 329 Resinas de silicone para recobrimentos 331 11 Copolímerosdesilicone ....................... 333 Referências bibliográficas..................... 9 Resinas de silicone4 Introdução ............................................ ....................................... 324 324 10 12 335 Parte 2 Pigmentos, cor, aditivos, plastificantes e solventes 10 Pigmentos WILSON ALVES DE ASSIS / GERSON DE ALMEIDA / MARCOS LUIZ ZIRAVELLO QUINDICI / MARCOS FERNANDES DE OLIVEIRA / LUIS MANUEL MOTA 386 386 390 341 341 346 352 352 Pigmentos de efeito metálico ......................23 Pigmentos alumínios ............................24 Pigmentosalumínio especiais..............25 Recomendações para o uso de pigmentos alumínio (adequados) em tintas aquosas ...........................26 Pigmentos alumínio para efeitos especiais como cromado e espelho .........................................27 Aplicações de pigmentos alumínioem tintas ............................................... 391 354 7 Pigmentos inorgânicos................................. 341 1 Introdução ............................................2 Dióxidode titânio .................................3 Óxidos de ferro .....................................4 Óxido de cromo verde ..........................5 Sulfetos decádmio ............................... 6 AzulultramarAzul de ferro ......................................... ........................................ 8 Cromatos de chumbo ...........................9 Verde de cromo ....................................10 Cromatode zinco .................................11 Fosfato de zinco ................................... 12 Amarelos de níquel titanato e cromo titanato............................................ 13 Amarelode bismutovanadato .............14 Azuis e verdes de cobalto .................... 355 357 392 360 362 363 393 394364 364 364 Pigmentos de efeito perolado ...................... 394 28 Introdução ............................................ 29 Composição e considerações gerais .... 394 30 Resumo das pinturas de revestimentos peroladosemveículos automotivos .. 397 Pigmento negro de fumo ..............................31 Descrição do negro de fumo ................32 Manufaturadonegro de fumo..............33 Estrutura e constituição químicado negro de fumo................................. 399 399 400 405 Pigmentos orgânicos .................................... 365 15 Introdução ............................................ 365 16 Característicasfísico-químicas ............. 366 17 Classificação químicadepigmentos orgânicos ......................................... 369 18 Classificaçãode pigmentos atravésdo Colour Index ............................... 369 19 Característicase aplicaçõesde pigmentos orgânicos em tintas ...... 370 20 Pigmentos orgânicos usados em tintas e vernizes por grupo químico ......... 384 21 Outros pigmentos ................................ 385 22 Aplicações de pigmentos orgânicos .... 385 410 410 410 Cargas ou 34 Introdução ............................................35 Funçõesdos extenders ......................36 Concentração de pigmentos em volume(PVC) ................................. 37 Propriedadesdos extenders ............... 410 411 xviii TINTAS 38 Tipos de minerais 39 Outrosextenders ............................... ................................. 412 422 429 429 431 431 46 Estabilização elétrica e estabilização estérica............................................ 47 Teoria DLVO..........................................48 Estabilização elétrica............................49 Estabilização estérica...........................50 Estabilização entrópica ........................ 51 Estabilização osmótica .........................52 Floculação .............................................nesse ponto, o grau de conversão seria 96,2%, valor superior a Pg. CÁLCULO DE RESINAS ALQUÍDICAS QUE CONTÊM ÓLEO DE CASTOR NA SUA COMPOSIÇÃO Oóleode castor, ou óleodemamona cru, possuicomocaracterística grupos hidroxila em sua molécula; em consequência disso, é possível desidratá-lo, transformando-oemum óleocom duplas ligações con jugadase isoladas, permitindo a obtenção de resinas alquídicas comexcelente secagem oxidativa. As resinas alquídicas, que contêm óleo de mamona cru (isto é, não desidratado), são excelentes veículos para esmaltes termoconvertíveis, plastificantes de lacas nitrocelulósicas e sistemas de cura com isocianato.O ácido graxoquecontém ogrupo hidroxila é o ácido ricinoléico e representa cerca de 85% do total de ácidos graxos desse óleo. O ácido ricinoléico é, pois, difuncional em termos de poliesterificação. Exercício Formular uma resina alquídica a partir do óleo de castor, anidrido ftálico e glicerina. Considerar F = 2, R= 1,25 e que o ácido ricinoléico é o único ácido graxo presente nesse óleo. Tabela 2.35 Tabela básica Matéria-prima m0 f eA e B Óleo de castor (1 mol) – – – – → Ácidos graxos 3 1+1 3 3 → Glicerina 13 – 3 Anidrido ftálico X 2 2X – Glicerina Y 3 – 3Y Total 4+X+Y – 3+2X 6+3Y Notara dupla funçãodoácidoricinoléico: função carboxílica efunçãohidroxílica. R= =eB eA 36++2Χ 3Y = 1,25 F = 2emA = 2(3++Χ 2Χ) + = 2,00 4 Y 0 90 TINTAS Resolvendo estas equações: X = 1,5 Y = 0,5 1) Acomposiçãorequerida é: m 0 eA eB O(g)H2 932 PM W(g) 932 – – – 3,0 3,0 – Tabela 2.36 Composição Matéria-primaÓleos de castor (1mol)→ Ácidos graxos → Glicerina Anidrido ftálico GlicerinaTotal 0,5 1,0 3,0 – – 1,56,0 3,0 – 27 – 148 92 – – – 3,0 – 222 46 1.200 – 1,5 – 6,0 7,5 27 2) Rendimento teórico Y0 = 1.200 – 27 = 1.173 g 3) Comprimento de óleo L= 1.173 932 = 0,795 ou 79,5% 4) Os dados da tabela acima confirmam a premissa dos valores da funcionalidade média (F) e da relação hidroxilas/carboxilas(R) R = e B e A = 7,56,0 = 1,25 F = 2em0A = 2x6,06,0 = 2 Oácido ricinoléico éo ácido cis (12-hidróxi-9-octadecenóico) CH3(CH2)5CH(OH)CH 2 CH=CH(CH 2)7 COOH Écomumente chamadodeácido 12-hidroxioléico. 5) Cálculodamesmaresina alquídica levandoemconsideraçãoqueoácido ricinoléicocorresponde a85%dosácidosgraxosdoóleode castor. Neste caso, afuncionalidadehidroxílica deve ser 0,85 e não 1,0, como foi considerado anteriormente. Tabela 2.37 Tabela básica m0 f e A e B Matéria-primaÓleo de castor (1mol) → Ácidos graxos → Glicerina Anidrido ftálico Glicerina Total 4+X+Y 1 3 3 X Y 1+0,85 2 3 – 3,00 – 2X – 3+2X 5,55+3Y 2,55 3,00 – 3 Polimerização 91 2) Excessode hidroxilas R= eBe = 5,55 + 3Y A = 1,25 3 + 2X 3) Funcionalidademédia 2eA 2(3++X 2X) = 2,00= 4 + Y F= m0 Resolvendo estas equações: X = 2,4 Y = 1,4 4) Acomposição monomérica corrigida é: Tabela 2.38 Composição corrigida m 0 eA eB H2O(g)Matéria-primaÓleo de castor (1mol)→ Ácidos graxos → Glicerina Anidrido ftálico Glicerina Total 1,4 2,4 1,0 3,0 7,8 PM 932 – – 148 92 – W(g) 932,0 – – 355,2 128,81.416,0 3,0 – – – – 4,80 – 7,80 2,55 3,00 – 4,20 9,75 – – 43,2 – 43,2 5) A confirmação das premissas mostra: R= e B e A = 9,757,80 = 1,25 2x7,8 F= 2eA = = 2,00 7,80m0 L = Rendimento teórico Y0 = 1.416,0 – 43,2 = 1.372,8 g Comprimento de óleo 932 1.372,8 = 0,679 ou 67,9% Observações a) É importante observar a diferença entre os valores obtidos quando se considera a composição real de ácidosgraxosdo óleo de castor(forma correta)emrelação à que considera o ácido ricinoléico comoúnicoácido graxo na composição desse óleo (forma incorreta). A Tabela 2.39 mostra essas diferenças. Este exemplo, além de introduziro óleo demamona cru, mostracomo pequenas diferenças (no caso a função hidroxila relativa aos ácidos graxos é de 1,0 ou 0,85) provocam variações significativas na composição monomérica. Essas diferenças são relativamente maiores devido ao elevado teor desse óleo na resina. b) Comoo exercício refere-se ao usode um triglicérido, é necessário consideraro seudesmembramento nos ácidosgraxos eglicerina correspondentes.Observarqueaágua formadadurante areaçãoé provenientesomen te da esterificação do anidrido ftálico (9 g porequivalente ácido porser anidrido).Cadamolécula do triglicérido corresponde a 3 moléculas de ácidos graxos e uma de glicerina. c) O óleo de castor hidrogenado tem um comportamento similar, pois também é um óleo hidroxilado. O ácido 12-hidroxiesteárico participa com cerca de85%do total de ácidos graxos desse óleo.O óleo de castor hidrogenado é obtido através da hidrogenação da dupla ligação do ácido 12-hidroxioléico. 92 TINTAS Tabela 2.39 Comparação Composição incorreta % 932,0222,0 18,5 77,7 Matéria-primaÓleo de castor Anidrido ftálico Glicerina Total Comprimento de óleo – L Funcionalidade média Relação hidroxilas/carboxilas 46,0 3,8 W(g) % W(g) 1.200,0 Composição correta 932,0 65,8 355,2 25,1 128,8 9,1 1.416,0 100,0 – 67,9 F = 2,0 – R = 1,25 100,079,5 – F = 2,0R = 1,25 – OS ÓLEOS DE MAMONA CRU E DE MAMONA HIDROGENADO COMO POLIÁLCOOIS Asresinas alquídicas, obtidasa partir deumdesses óleos,podemser preparadas semquehajaa neces sidade da etapa da alcoólise, pois, por serem hidroxilados, esses óleos atuam como poliálcoois com funcionalidademédia de 2,5 (este valor correspondeao fato deosácido graxos hidroxilados correspon derem a 85% do total dos ácidos graxos desses óleos). Quandoseusa a etapa da alcoólise, consegue-seummelhor controle da reação, já queocorre uma homogeneização durante todo o processo. Entretanto, alguns autores recomendam o processo sem a alcoólise, que proporcionaumtempode processo mais curto. O USO DE ANIDRIDO MALEICO EM RESINAS ALQUÍDICAS O anidrido maleico, além de participar na poliesterificação, forma compostos de adição com outros constituintes insaturadosda composiçãomonoméricada resina alquídica. O anidrido maleico reage facilmente comasduplas con jugadas,presentesemcertosácidosgraxosenoácidoabiético a temperaturas baixas (ao redor de80°C), atravésdereação HC=CH denominada Diels-Alder, formandoprincipalmenteosseguin H3tes produtos: C(CH2)5–CH CH–(CH2)7–COOH a) Na reação com ácidos graxos com duplas ligações HC–CH O=C C=O Oconjugadas: b) Na reaçãocomoácido abiético, principal constituinte do breu: CH3COOH CH3COOH CH3 CH3 CH3 –CH CH3 –CH CH3CH3 CH–CO CH–COO CH3COOH CH–CO CH3 CH3 O CH3 –CH CH–CO Polimerização 93 CH–COO Admite-sequeháumaisomerizaçãodoácido abiético deformaqueas duplasconjugadas situem-se nomesmo anel aromático. Areaçãodoanidrido maleicocomosácidos graxosinsaturadosnãoconjugadosémais difícil (temperatura dareaçãoacimade200°C)eocor H3C–(CH2)4 –CH=CH–CH–CH=CH–(CH2) –COOH re nascondições de polimerizaçãoda resina al quídica.Aadiçãonãoénadupla ligação,masno 7 grupo metilena vizinho, formandoumderivado 2 deácido succínico. CH –CO Estareaçãotambémocorrequandoháuma sódupla ligaçãonoácido graxo, isto é, no ácido oléico. As reações apresentadascom osácidos graxostambém ocorremdeformaidêntica nos triglicéridos, no qual estão presentes esses ácidos graxos. Éimportante observar que,emtodososcasos mostrados, háaformaçãodeumácidotricarboxílico, oquedeve ser consideradono processo de cálculo das resinas alquídicas correspondentes. CÁLCULO DAS RESINAS ALQUÍDICAS A PARTIR DE COMPOSIÇÕES MONOMÉRICAS QUE CONTÊM ANIDRIDO MALEICO E ÓLEOS OU ÁCIDOS GRAXOS INSATURADOS Considera-sequetodoo anidridomaleico reagiu (atravésde Diels-Alderoucomogrupometilena vizinho à insaturação), formandoumcompostocomafuncionalidadeácidaigual a 3.Demodogeral, tem-se: No deequivalentesdediácido convencional (porexemplo: anidrido ftálico) – A 2 No deequivalentesdo anidrido maleico – A!2 No deequivalentesdo poliolcomfuncionalidadeX – Bx No de equivalentesde monoácidos (ácidos insaturados ou ácido abiético) – A 1 eB f m0 A1– A!2/2 Tabela 2.40 Tabela básica Matéria-prima eA MonoácidosA 1 – A! 2/2 Anidrido ftálico A 2 Triácido 3 A!2/2 Poliol – A1+A2+A! 2 B x B x x – 1 – 23 A2/2 – A! 2 /2 Bx/x Total A1+A2/2+B x /x Ograu de conversão crítico de acordo com a extensão da equação de Carothers, é: Pg= 2F = m0e = A 1+A A2/2 + B x /x A 1 +A 2 +A!2 Pg= Observar queo total demolesnão inclui onúmerode moles deanidrido maleico, enquantoo total deequivalentes ácidos inclui o númerodeequivalentes ácidos provenientesdoanidrido maleico. É interessante analisar o efeito da adição do anidrido maleico na composição monomérica, que inclui triglicérido insaturado. Assim, comparandoosgrausdeconversão críticos de composiçõescome sem anidrido maleico, tem-se: a) Semanidrido maleico: A1+ A 2 /2 + B x /x A1+A2 b) Comanidridomaleico: A1Pg´= + A2 /2 + Bx/x A 1 +A 2 +A! 2 94 TINTAS O decréscimo relativono grau deconversão crítico é: Pg –Pg! Pg = A 1 A! 2 +A2+A!2 (93) Aformaçãodo triácido (aduto)éfacilitada quandohá duplasligações conjugadasnosácidos graxos ou óleos correspondentes e, neste caso, as equações apresentadas são perfeitamente válidas. Entre tanto, quando as insaturações são do tipo não conjugada, a exclusão do número de moles do anidrido maleicodo total de moles(m 0 )da composiçãomonoméricadeveser parcial edependedoquantodesse anidrido deu origem ao derivado do ácido succínico. É necessário, pois, efetuar ajustes práticos na composiçãomonomérica. O ácido fumáricotemumcomportamento similar aodoanidridomaleico, devendo-seobservarque háformaçãode18gdeágua porequivalente-gramadeácidoenão9g,comonocasodoanidrido maleico. Quando a composição monomérica não envolve ácidos graxos insaturados, o anidrido maleico e o ácido fumárico comportam-se comodiácidos convencionais.Éo casodealquídicas que contêm óleode coco (ou os ácido graxos correspondentes) ou poliésteres insaturados. O anidrido maleico e o ácido fumárico são necessários na composição de resinas alquídicas que contêmácidos graxos saturadosoucom insaturaçõesdo tipo nãoconjugadas,quedevem sermodifica das com estireno ou com monômeros acrílicos e metacrílicos, pois a sua insaturação é o ponto reativo para que se formem polímerosde bloco.O anidrido maleico aquimencionadoé aqueleque reagecomo se fosseumdiácido convencionalenãooqueétransformadoemumderivadodoácido succínicoatravés da reaçãocomogrupo metilenavizinho à dupla ligação.Quandoosácidos graxos presentes na alquídica, que deve ser assim modificada, possuem duplas ligações conjugadas, o ácido fumárico e o anidrido maleiconãosão necessários; ao contrário,devemser evitados, pois reagemcomessas duplas, conforme foi visto consumindo pontos de reação com esses monômeros. Estes aspectos serão estudados com mais detalhes em capítulos posteriores. CÁLCULO DE RESINAS ALQUÍDICAS QUE CONTÊM BREU E ANIDRIDO MALEICO SIMULTANEAMENTE Conforme foi visto, o anidrido maleico reage facilmentecomo ácido abiético, formandoumadutoqueé umtriácido.O ácido fumáricotambémformafacilmenteumaduto similar. Tabela básica Considerando-se: No de equivalentes de ácidos graxos – A 1 No de equivalentes dediácidos saturados – A 2 No deequivalentes diácido insaturado – A! No de equivalentes de breu – A! No de equivalentesde poliol – B x Tabela 2.41 Tabela básica Matéria-prima e A eB f m 0 Ácidos graxos A 1 – 1 A 1 Diácido saturado A 2 – 2 A2/2 Breu A!1-A!2 /2 – 1 A! 1 -A!2 /2 Aduto 3A´2 /2 – 3 A´ 2 /2 Poliol – Bx x Bx/x A1+A2+A!1+A!2 Bx – A1+A 2 /2+A!1+B x /x Total Considera-se tambémquehá excessode breuem relação ao anidrido maleico ou ácido fumárico. F = 2eA = 2(A1+ A2+ A!1+ A!2)A1+ A2 /2 + A!1+ Bx /x (94) m0 Polimerização 95 m0 Pg= 2 F = A1+ A 2 /2 + A´1+ B x /x eA = A 1 (95) Também, neste caso, o número total de moles da composição não inclui o número de moles do diácido insaturado que, entretanto, está incluídono total deequivalentesde ácidos. + A2+ A´1+ A´2 RESINAS MALEICAS As resinas maleicas são obtidas a partir de composições que incluem o breu, anidrido maleico e um poliol; há sempre um excesso molar de breu em relação ao anidrido maleico. A preparação é feita em duas etapas: a) Formaçãodoaduto breu-maleico b) Esterificação Tabela básica Considerando-se: No de equivalentes de breu – A1 No de equivalentes de anidrido maleico – A 2 No deequivalentesde poliol – Bx Premissa: excesso molar de breu em relação ao anidrido maleico Tabela 2.42 Tabela básica Matéria-primaAduto breu-maleico Breu Poliol e A 3A2/2 A1–A2/2 – A1+A2 e B – – B x Bx 1 3 f m 0 A2/2 A1–A2/2 Bx/x A1+Bx/x x – Total Pg= m 0 e A = A1 +B x /x A 1 +A2 A1+ A2 + Bx = 1,00 R= B x A1 + A 2 Conhecidos RePgpodem ser calculados A1, A2 e Bx através destas três equações: A1 = Pg– Rx 1 1+ R A2 Rx 1 1+ R = 1 – Pg + Bx = 1 – A 1Exemplo de cálculo Verificar a viabilidade da seguinte composição: Breu – A2 – 1.506 g Anidrido maleico – 206 g Glicerina – 284 g Total – 1.996 g 96 TINTAS eA e B a) Verificação do total de equivalentes-grama: Tabela 2.43 Equivalentes-grama Matéria-prima W(g) Breu A1 1.506 Anidrido maleico A2 206 Glicerina B3 284 Total 1.996 4,429 – Eq.g340 49 31 – 4,204 – 9,161 – 8,633 9,161 Composiçãoapósa preparaçãodoaduto breu-maleicoemequivalentes-grama. Breu A1 – A2 /2 = 4,429 – 4,2042 = 2,327 Aduto 3A22 = 3x4,2042 = 6,306 Glicerina B3 = 9,161 b) Tabelabásica Tabela 2.44 Tabela básica Matéria-prima eA Breu 2,327 Aduto 6,306 Glicerina – Total 8,633 eB – – 9,161 9,161 3 1 f m 0 2,327 2,102 3,054 7,483 Eq.g340 146 31 – W(g) 3 – 791 921 284 1.996 – H2O (g) 41,9 75,7 117,6 Observarqueaquantidadedeáguadereaçãoé referente à esterificação total (IA=0)eque, nessas condições,cadamoldoadutoproduz36g.Naprática,esta resina é obtidacomIA variandoentre25e35. Cálculoda funcionalidade média,dograudeconversãocríticoeda relaçãohidroxilas/carboxilas(R). F = 2eAm = 2x 8,633 = 2,31 0 7,483 Pg= 2 F = 2,312 = 0,866 ou 86,6% O alto valor da funcionalidademédia significa queograudeconversão críticoé relativamente baixo. Entretanto, considerando que há uma grande quantidade de breu e que o IA final é alto, o grau de con versão crítico prático é bem superior a esse valor (86,6%). A correção de K mostra: Breu IA = 30 Valor corrigido K = 1,00, sendo K = 2 F – 0,030 – 0,055 F corrigido 0,915 2 K = 0,915 = 2,18 Polimerização 97 Pg (corrigido) = 2,182 = 0,917 ou 91,7% Estes valores estão razoavelmente próximos dos anteriores (F = 2,31 e Pg = 86,6%). R= e BeA = 9,161 8,633 = 1,06 Énecessário considerar queobaixo valor deRécompensado pelo IA final relativamente alto eque o cálculo dograu deconversão P no índice deacidez é: IA = 30. 56.100e A IA0 = 56.100 x 8,633 1.996 = 243 W = Usandoaequação simplificada: P = IA0 – IA IA 0 = 243 – 30 243 = 0,876 ou 87,6% Éumvalor abaixodograu deconversão crítico corrigido (Pg=91,7%),oqueindica a viabilidade da formulação. Observação O ácido fumárico também pode ser usado na preparação de resinas maleicas de forma similar à do anidrido maleico. 4 POLIMERIZAÇÃO POR ADIÇÃO INTRODUÇÃO Ospolímeros obtidos através da polimerização por adição sãomuitoimportantesna indústria de tintas, por representaremumaclassede veículos adequadosaumagrandevariedadede tintas que, por sua vez, atendemauma enormediversificação de revestimentos. Assim,ospolímerospor adição são veículos de tintasparaaindústriaautomotiva,tintasaolátexparaprodutosarquitetônicos, repinturaautomotiva,tintas para manutençãoespecializada, eletrodomésticos, etc. Agrandevariedadedepolímerosenglobadosporestafamíliaadvémdoelevadonúmerodemonômeros atualmente disponíveisquepermitem diversas combinações.Outroaspectoque contribuiparaessavarie dadedepolímeroséa existência de diferentes processosdepreparação,oquepermite,paraumamesma composiçãomonomérica,obter veículosdepropriedades totalmente diferentes.Umaconsequência dire ta da combinação da disponibilidade de monômeros adequados com o processo de polimerização por emulsãoé a obtenção de diferentes emulsões, sem as quais não existiriam as tintas ao látex. n CH =CH 2 X –CH2–CH– X n C C C C π Figura 2.23 π Transformação da dupla ligação em ligação simples. sp2 sp3 98 TINTAS Os monômeros funcionais, responsáveis pelos pontos reativos da cadeia polimérica, permitem obter polímeros que podem reagir com diferentes resinas (reação de cura), possibilitando, assim, a obtençãodas propriedades requeridasemumaforma decuraadequada. A polimerização por adiçãoé tambémdenominada polimerização em cadeia, sendo caracterizada pela adição deummonômero auma espécie química ativada, espécie esta quepode serummonômero ativadoouumacadeia poliméricaemcrescimento;éumapolimerizaçãoque necessitadeumcatalisador ou iniciador já que,na maioria das vezes,nãoéumareação espontânea. Esta polimerizaçãoenvolveuma mudançaprofunda nanaturezada ligação carbono-carbono, poisháa transformaçãodeuma ligação do tipo sp2 paraumaligação do tipo sp3. Afora a duplacarbono-carbono,também adupla carbono-oxigêniodos aldeídos edas cetonaspode originar este tipo de polimerização, embora não seja tão comum e importante. MECANISMOS DA POLIMERIZAÇÃO EM CADEIA Alémdomecanismodepolimerização por adição queenvolveradicais livres,há outrasformasdeiniciá-la que, embora não tão comuns na obtenção de polímeros para tintas, são de grande importância na preparação de polímeros para outras finalidades, como: têxteis, termoplásticos em geral, plásticos de engenharia, borrachas sintéticas, etc. As outrasformasdeiniciação da polimerizaçãosão:catiônica,aniônica ecoordenação.Éimportante observar que estas quatro formas de iniciação não são adequadas para todos os monômeros. Tabela 2.45 Monômeros e mecanismos de iniciação adequados Monômero Mecanismos de iniciação Radical Aniônico Catiônico Coordenação Etileno H2C=CH2 � + + � Propileno H2C=CH–CH3 + � Butileno-1 H2C=CH–CH2–CH3 � Isobutileno H2C=C–CH3 � + CH3 Butadieno H2C=CH–CH=CH2 � + � Isopreno H2C=C–CH=CH2 + + + � CH3 Estireno H2C=CH � + + + H2C=CHCl � +Cloreto de vinila Ésteres vinílicos H2C=CH–OC–R � O Ácido acrílico e seus ésteres H2C=CH–CO–R � + + O Ácido metacrílico e seus ésteres H2C=C–C–O–R � + + OH3C Acrilonitrila � + Ciclopentadieno H2C=CH–C N HC–CH + HC CH CH Éteres vinílicos H2C=CH–O–R � + Os mecanismos assinalados com � são os preferenciais e usados em escala industrial. Polimerização 99 ATabela 2.45 relaciona osmonômerosmais comunscomos tipos de mecanismos de iniciação que podemser usados na sua polimerização. É importante observar que a maioria das polimerizações em cadeia ocorrem através da dupla ligação carbono-carbonolocalizada naextremidadedomonômero(dupla ligaçãoemα)equeas formas de polimerização possíveis dependem do tipo de substituintes em um dos carbonos ligados à dupla ligação. Na fórmula geral de um monômero, a forma de polimerização depende da natureza de xey. Na maioria dos monômeros, x ou y é hidrogênio. Y H2C C Nem todos os compostos químicos que possuem uma dupla ou tripla ligação na extremidade da cadeia podemser polimerizados via radicais livres.Anaturezados substituintes xe y, alémdefavorecer o tipodepolimerização,tambémpodeinibi-la. Assim,quandosimultaneamente xe ysão radicais alquila maioresque–CH3, a polimerização ocorrelentamenteouétotalmente inibida.Osacrilatos polimerizam mais rápido que os metacrilatos, porque, nos primeiros, um dos substituintes é o H, enquanto nos segundos,α-metil estirenoo substituintepolimerizaéocom–CHdificuldade,3. Enquantopoiso estirenoY= fenilapolimerizaeX= metila.rapidamente(X=HeY= fenila), o X H C=CH2 H2C=C–CH3 Estireno α-metil estireno Admite-se a ressonânciada ligação π: δ+ δ– C–C C=C C–C Forma polarizada Forma com radicais livres Esteesquema explica porque a dupla ligação podeser polimerizada atravésdosprocessos iônicos ou de radicais livres; o substituinte, alterando a densidade eletrônica da dupla ligaçãoe estabilizandoopossível radical,ânionou cátion, iráfavorecerumdeter minado tipo de polimerização. Assim, a polimerização catiônica é favorecida quando o substituinte repele elétrons (efeito indutivo + Is) e, aomesmo tempo, H2C=Cδ– δ+ Y estabiliza a espécie catiônica através de diferentes formasde ressonância. H São exemplos deste tipo de monômeros: estireno, isobutileno, isopreno, etc. Apolimerização aniônica é favorecida quandoosubstituinte diminui aden sidade eletrônica da dupla ligação; são exemplos deste tipo de substituintes: carbonila (proveniente de cetonas, ácidos ou ésteres), nitrila, etc. H2C=Cδ+ Oprocessodepolimerização via radicais livres émais freqüenteporqueos iniciadores não necessitam ser tão seletivos e podem atuar sobre a dupla liga ção carbono-carbono independentementeda natureza indutiva dos substituintes. Aomesmo tempo,a estabilização dos radicais formados ocorrenamaioria dos casos, sebem quecom intensidade diferente, oque também favorece a polimerização. δ–Y H H H H C–C C–C C–C C–C H H HH H HH H H 100 TINTAS Nesteexemplo,pode ser observadaa estabilização do radical (espécie em crescimento)naforma çãodopoliestireno. Aacrilonitrila, osacrilatos e osmetacrilatossãooutros exemplosdemonômerosque possibilitam umaestabilização satisfatória dos respectivos radicais livres ouespéciesemcrescimento. As formas de polimerização em cadeia e as respectivas espécies químicas de iniciadores estão relacionadosna seguinte tabela: Tabela 2.46 Formas de polimerização em cadeia Radical Catiônico Peróxidos Ácidos Lewis Azo-compostos Carbocátions Sistemas “redox” Oxônio Coordenação Complexos de metais de transição Aniônico Organo-metálicos Bases de Lewis Metalamidas Luz Calor Radiação de alta energia São exemplos de ácidos de Lewis: trifluoreto de boro e tricloreto de alumínio. Os alquil-lítios são exemplos de organo-metálicos. A densidade eletrônica na dupla ligação éum fator importantena determinaçãodomecanismode polimerização do respectivo monômero, conforme pode ser observado na seguinte tabela: Tabela 2.47 Tipo de monômero e mecanismos de polimerização Tipo de monômero Mecanismos de polimerização CatiônicoR H2C=C R Indutivo (+Is) ou ressonância AniônicoIndutivo (-Is) ou ressonância H2 Intermediário Radical livre R C=C R Polimerização por coordenação A polimerização por coordenação é muito importante sob o ponto de vista industrial, pois um grande númerodepolímeros termoplásticos (conhecidos vulgarmente comoplásticos) sãoproduzidos através desse processo. Os catalisadores mais comuns são os complexos de metais de transição, tais como: titânio, vanádio, cromo, etc. O processo foi estudado separadamente por Ziegler e Natta e daí o nome genéricodecatalisadores Ziegler-Natta.Éum processodepolimerizaçãoestereo-específico, pois,quan doopolímero apresenta carbonos assimétricos, permite obter preponderantementeuma determinada estrutura espacial. É interessante notar que o processo de radicais livres favorece a formação da estrutura atática e quea estrutura sindiotática é favorecida por baixas temperaturasde polimerização. Os catalisadores Ziegler-Natta favorecem a estrutura isotática que é a que apresenta uma maior regularidadeemtermosdaposiçãodossubstituintesnoscarbonosassimétricos.Comoefeito,opropileno, obtido através da polimerizaçãocomcatalisadores Ziegler-Natta, apresentauma alta tendênciaà crista lização devidoàsua estruturacomregularidade espacial.O conceitodetaticidade será abordadoposte riormente. A catálise Ziegler-Natta apareceu no cenário industrial em meados dos anos 1950. A importância desse tipo de catálise é atestada pelo fato de a polimerizaçãoporcoordenação ser ausada naprodução de polietileno linearde alta densidade(HDPE),polietileno lineardebaixa densidade(LLPDE),polipro Polimerização 101 pileno isotático (o mais importante polipropileno sob oponto de vista comercial), cis 1,2-polisopreno, etc. Ziegler e Natta receberam o prêmio Nobel em 1963 pelos seus trabalhos na polimerização com estereo-especificidade. Os catalisadoresda polimerização por coordenação são complexos formados pela interação de compostosTiXalquil4 ,VXalumínio4,TiX organo-metálicos3.comUmumexemplotri-haletotípicodo tipodedessestitânio.AIR 3 catalisadores, AIR 2 X, ZnR 2 é, LiR,ocomplexoetc., comoformadohaletospeladeinteraçãometais, taisdeumcomo: tri Polimerização iônica Aspolimerizações iônicas são polimerizaçõesemcadeiapodendoser catiônicas ou aniônicas, conforme a espécieemcrescimento sejaum carbocátion ouumcarbânion respectivamente. Osmonômeroscom grupos “doadores” de elétrons ligados aos carbonos de dupla ligação formam um cabocation estável e polimerizametc. A reaçãofacilmentenecessita dacompresençacatalisadoresde umcatiônicos,doador dotaisprótonscomo:ouBFde3,umTiCIcátion4,AICI para3 , AI(Cque2Hseja5)CI iniciada; 2 , SnCI4,assim,a adiçãoo isobutenode traços denaáguapresençaa essedesistemaBF3nãoiniciapolimerizaimediatamenteseo sistemaa polimerização. for rigorosamente seco. Entretanto, O mecanismo de polimerização é complexo podendo ser esquematizado no seguinte exemplo: Iniciação: HOH + BF3 H2OBF3 CH3 H2OBF3+ H2C=C(CH3)2 H3C–C+ (BF3OH) – CH 3 Propagação: H2C=C(CH3)2 CH3 CH3 CH3 H3C–C CH2–C H2C–C+ (BF3OH) – CH3 CH3 n CH3 A terminação pode ocorrer através da transferência da carga positiva da cadeia em crescimento para uma molécula de monômero que passará a serum ponto de iniciação originando outra cadeia em crescimento. H CH3 Polímero –C–C+ (BF3OH)– + H2C=C(CH3)2 H CH3 Polímero –C–C H CH2 + CH3 H3C–C+ (BF3OH) – H CH3 CH3 A terminação também ocorre através do rearranjo do par iônico resultando na formação de uma dupla ligação naextremidadedamacromolécula eregeneraçãodo catalisador hidratado;noexemplo: Polímero H CH3 –C–C+ (BF3OH) – H CH3 Polímero H CH2 –C–C + H2O.BF3 H CH3 102 TINTAS A polimerização catiônica geralmente é feita a baixas temperaturas para se conseguir altos pesos moleculares. A polimerização aniônica é muito importante sob o ponto de vista industrial na preparação de elastômeros tais como: polibutadieno, copolímeros butadieno-estireno, etc. Os catalisadores mais comuns são: metais alcalinos e seus compostos organo-metálicos, como o sódio naftaleno eo trifenil-metil-sódio. Os compostos organo-lítio são particularmente importantes. As características mais importantes deste tipo de polimerização são: a) Em certas condições, é possível que não ocorra a etapa de terminação, obtendo-se então os chamados “polímeros vivos”. A polimerização do butadieno em solução de ciclo-hexano sob a ação catalítica de compostos organo-lítio é um exemplo dessa polimerização, desde que seja feita naausênciatotaldeágua,oxigênioouqualquer outrotipodeimpureza.Oscentrosaniônicos permanecem intactos até que termine todo o monômero; admite-se que a razão principal da ausência da terminação é devida à grande estabilidade do carbânion. A expressão “polímero vivo” advém do fatode que, apósa total conversãodomonômero, isto é, após100% deconver são, a adição de monômero reinicia a polimerização, pois, nas circunstâncias apontadas, os centros reativos (carbânions) permanecem intatos e em forma adequada para recomeçar a polimerizaçãosemhaver a necessidadeda adiçãodemaiscatalisador.Aadiçãodetraços deágua nomeio dareação introduz a fasede terminaçãoà polimerização. b) O pesomolecular dopolímeropodeser predeterminado através da relação das concentrações do iniciador edomonômero;aausência da fase determinaçãopermitepolimerizaçõescomuma estreita distribuição de pesos moleculares. c) Permitea obtenção depolímeros com predominância deuma determinada estrutura espacial. Desta forma, é possível a obtenção de poliisopreno e polibutadieno com predominância da estrutura trans 1,4 ou cis 1,4; é possível também a polimerização através de uma das duas duplas, resultando na estrutura 1,2 na forma sindiotática (a estrutura 1,2 apresenta carbonos assimétricos). Paraaobtençãodeumpolímerocom predominânciadeumadeterminadaestru tura, há a necessidade de serem usados catalisadores e solventes adequados.Aimportânciaindus trial deste fato é muito grande, pois as propriedades com impor H cis 1-4 Polímero –C C– tância prática dependem funda C=C H mentalmente da sua estrutura. Assim,a elasticidade do polibuta-dieno é tanto maior quanto for o conteúdoda estrutura 1,4 (cisou HH trans 1-4 Polímero –C C=C H trans)nacomposiçãopolimérica. d) Há a possibilidade da introdução H C– Polímero H degrupos funcionais na extremidade da cadeia. Destaforma, a reaçãodomacrocarbânioncom óxidodeetileno introduzumgrupo hidroxila, enquantoareaçãocomdióxido decarbono intro duzumgrupo carboxila. Adição de óxido de etileno H H Polímero H H H –CLiHPolímero –+ + H2C–CH2H –CH2 –OH O H H H H + O Polímero –CH2 –CH2 Adição de gás carbônico –C Li CO H + Polímero – + + 2 OH H Polímero –C–C Polimerização 103 Representaçãoesquemáticadapolimerização aniônicado estirenocatalisado por alquil-lítio. R–Li+ + H2C=CH R–H2C–CH– Li+ Monômero R–H2C–CH—H2C–CH–Li+ n Aaçãocatalítica doscompostos organo-lítio na polimerização aniônica foi descoberta porpesquisa doresdaFirestoneem1955.APhillips Petroleum, baseada nos trabalhosdo professor Szwarc, iniciou a produção comercialde polibutadienoe decopolímeros butadieno/estireno,usandoosistemadetrans ferência deelétronsna polimerização aniônica; o catalisador éo naftaleno-sódio. + + – Nao THF +Na H Estireno C–C Na – + H (THF – Tetra-hidrofurano) Háadimerizaçãodo radicalânion: H H C–C 2 H – HHHH – C–C–C–C – +NaHH Na+ – Na + HHHH HH C–C–C–C C–C – HH H Na+ Estireno +Na n O radical ânion rapidamente dimeriza, formando um ânion com duas cargas negativas que polimerizará atravésda propagação nos dois centros ativos. Apolimerização aniônicatambémpode ser catalisada poramidasdosmetaisalcalinos,comoKNH 2. 104 TINTAS Polimerização através da abertura de anel Neste tipo de polimerização, a cadeia polimérica apresenta átomos diferentes de carbono, porque é obtida através de monômeros que apresentam uma estrutura emforma de anel e, no qual, pelo menos um dos átomos é diferente do carbono. m(CH2 )n X —CH( 2(—X–nm Este tipo de polimerização pode ser feita através dos mecanismos aniônico, catiônico ou decoordenação. Exemplos: n O R–C–CH H 2 n –CH–CH2 –O– R n O Éter Poliéteres C –CH2 –O– O O n –C– –C– Acetais Poliéteres n CH2–(CH2)4–C=O –O–(CH2)5 –C– O O n Lactonas Poliésteres n CH2–(CH2)4–C=O –N–(CH2)5 –C– On NH Lactamas Poliamidas R R n Si O R O –Si–O– R–Si–R R–Si–R n O Ciclo siloxanos Polissiloxanos (R = –CH3 – mais comum) Os poliésteres e as poliamidas obtidos a partir das lactonas e lactamas, respectivamente, são análogos aos obtidos atravésda polimerização por condensação,conforme foi visto.Apolimerização por abertura do anel é considerada por alguns autores como sendo uma polimerização por adição, porque usa mecanismos de catálise idênticos. Este tipo de polimerização é muito importante, sob o ponto de vista industrial,paraaobtençãodepoliamidasedepoliésteresparafibras têxteise para outrasfinalidades. Na reaçãodeumanidrido de diácido,comooanidrido ftálico eo anidrido maleico,comumpoliol, a lª etapa,quecorrespondeàaberturadoanelé,narealidade,umareaçãodeadição,pois nãoháaformação deprodutosecundário.Porém,a reaçãodosegundogrupocarboxila éumareaçãotípicadecondensação, poishá aformaçãode águacomosubproduto. R Polimerização 105 IMPORTÂNCIA PARA TINTAS E VERNIZES Aspolimerizações aniônica, catiônica epor coordenação,bemcomoaobtida pela aberturado anel, não são muito comuns na obtenção de resinas e polímeros para tintas e vernizes e, por isso, são menos importantesdoqueas polimerizaçõespor adição obtidasvia radical livre e porcondensação.Háalgumas exceções como as resinas de hidrocarbonetos ou hidrocarbônicas, cumarona-indeno, polissiloxanos, poliacetais, etc. da naftaAs resinasdecracking.dehidrocarbonetos são obtidas através da polimerização catiônica das correntes C5eC9 As resinas decumarona-indenosãocopolímerasdecumaronaedeindenocopolimerizados por via catiônica. O Cumarona Indeno CONSIDERAÇÕES GERAIS A polimerização por adição ocorre quando se polimerizam monômeros que apresentam a seguinte fórmulabásica: X H2C=C em que: XY == H,H,–COOR,–CH3, halogêneo –COOH, C6H5, –C N, –OR, –COCH3–OCOOR, halogêneo X Y Estesmonômeros são suscetíveis depolimerizar por adição através deumagama ampla demeca nismos. Porém,naobtenção depolímerosa seremusadosemtintas, a mais importanteé a queenvolve radicais livres. O esquema a seguir mostra, deforma simplificada, esse mecanismo. Iniciação: R + H2C=C Y X Y R–CH2–C Propagação: C2 XY X XX R–H–C + C=C R–H2C–C–H2C–C Y YnY n H2 Terminação: a) Combinação X2 C–CYPolímero –H2 Polímero 2 Polímero 2XY X –H C–C–C–CH – Y 106 TINTAS X Y b) Desproporcionamento 2 Polímero –H2C–C X Y X Polímero –CH2–CH + Polímero –CH=CY c) Transferênciadecadeia Umaveziniciada a reação entreoradical livreeomonômero(iniciação), otempototalparacomple tar a molécula poliméricaé da ordem de fraçãodeumsegundo(10-1 a 10-6s). Isto significa queeste tipo de polimerizaçãocaracteriza-se pela formaçãodopolímerotão logo as condiçõessejam favoráveise que, uma vez formado, não sofre alterações posteriores durante etapas subseqüentes do processo de polimerização, a nãoser em circunstâncias especiais. O peso moleculardopolímero, neste tipodepolimerização,édeterminadopelacomposiçãomono mérica e pelas condições de processo. Desta forma, as variáveis mais importantes que afetam o peso molecular na polimerização em solução são: • Concentraçãodoiniciador • Temperatura • Concentraçãomonoméricadurante a reação • Presença de agentes transferidores de cadeia Deumaforma geral, quantomaior for a concentração do iniciador, menor será opeso molecular. Naprática, esta relação é válida dentro decertos limites, conforme pode ser observadono gráfico a seguir: rodaicini odoãçartnecnoC Figura 2.24 Relação entre B o peso molecular e a concentração do iniciador. A Peso molecular Também dentro de certos limites, temperaturasmais altas resultam em pesosmolecularesmeno res, porque a reação de terminação é mais favorecida nessas temperaturas do que a propagação. Nos casosemque o iniciador sedecompõetermicamente para gerar radicais livres, é evidentequeatempe ratura é uma variável importante no controle da concentração dos mesmos. Como será visto mais adiante, a escolhado iniciador é feita levando-seemconsideraçãoa temperaturade reação, entreoutros fatores. A concentração dos monômeros na massa da reação afeta o peso molecular, pois, na presença de solvente, a propagação é favorecida com o seu aumento; a terminação é favorecida em concentrações baixas do monômero, resultando em baixos pesos moleculares. Os polímeros adequados para tintas e preparados por polimerizaçãopor adiçãoem soluções, apresentam sólidos (material não volátil)varian do entre 30% e 65%. Polimerização 107 GERAÇÃO DE RADICAIS LIVRES Ageraçãode radicais livres necessária para iniciar a polimerização pode ser feita de diferentesmaneiras sendo as mais importantes: a) Açãodo calor b) Irradiação c) Decomposição térmica de compostos orgânicos adequados d) Processo redox Quando os monômeros vinílicos e acrílicos são aquecidos, ocorre a formação de radicais livres nessesmonômerosatravésdemecanismosnãomuitobemdefinidos.A concentraçãoderadicais livres émuitopequena e, por esta razão, háaformaçãodepolímeroscomalto pesomolecular.Naprática, este processonão éusado industrialmente porque é de difícil controle. A geração de radicais livres, através da irradiação com energia radiante de determinada faixa de comprimentode onda(porexemplo: ultravioleta), temadquirido importância industrial. Eesta impor tância é maior quando usada nos processos de cura (formação da estrutura tridimensional) de certos revestimentoscomopoliésteres insaturados (ver Capítulo24– Tintasde cura por irradiação).Embora ocorraa formaçãoderadicais livres quandoosmonômeros vinílicos e acrílicos sãosubmetidos à açãoda luzultravioleta, na prática, éusadoumfotoiniciador, queéumasubstânciaquesedecompõeemradicais livres quandosubmetida àaçãoda luzultravioleta decomprimentodeondaadequado, conseguindo-se, assim,umaeficiência melhornareaçãodeiniciaçãoe,por conseguinte, na polimerizaçãocomoumtodo. É interessante notar que este processo de geraçãode radicais livres não é usadopraticamente na obtenção de polímeros, mas sim na cura de certos revestimentos, cura esta que é uma polimerização por adição. Decomposição térmica A decomposição térmica de compostos orgânicos adequados é a forma mais comum de geração de radicais livres paraseremusados comoiniciadoresdepolimerização. Iniciadores do tipo peróxido Na Tabela 2.49, estão relacionados os peróxidos mais comuns na polimerização em cadeia. O aspecto mais importantee comumnesses compostosé a ligação oxigênio-oxigênio (O–O), quepor ser defraca intensidadeé facilmente clivadaemumaforma homolítica, formandoradicais livres.Osgrupos ligados a esse par de oxigênios, são também muitoimportantes, pois influenciam diretamente a estabilidade do radical formado. É importante notar que, para que uma substância possa atuar de forma conveniente comoiniciador da polimerizaçãoemcadeia, é necessárioqueoradical respectivo possuauma estabilida de adequada que lhe garanta uma vida mínima suficiente. Como exemplo, pode ser citado o radical t butilanoperóxido di-t-butila ou nohidroperóxidode tércio-butila eque estabiliza o radical formado,de talmodoque esses peróxidossejamadequadospara a polimerizaçãoemcadeiaquedeva ser efetuada a temperaturas relativamente altas. Os radicais livres muito estáveis, tais como o trifenil-metila, não podemser usados como iniciadoresde polimerização. Asolubilidadedoiniciadornomeioda reaçãoéoutra característica importanteparaquepossa atuar eficientemente. Essa solubilidade é função da natureza dos radicais ligados ao grupo peróxido. Um exemplo típico ede grande importância na indústria de tintas sãoos persulfatosdesódio, depotássioe de amônia e que são usados como iniciadores de polimerizações em meio aquoso, por serem solúveis em água. ATabela 2.48 indicao intervalodetemperaturaa queo iniciador pode atuar.Aescolhado iniciador devetambémser funçãoda temperaturadepolimerização paraqueaformaçãodosradicais livres ocorra aumavelocidade adequada. 108 TINTAS Iniciadores do tipo azo-compostos A azobisisobutironitrila (AIBN) é o azo-composto mais importante como gerador de radicais livres. A sua decomposição em radicais e nitrogênio ocorre de modo uniforme e homogêneo a temperaturas relativamente baixas (40 a 60 °C). Sua preparação, manuseio e estocagem são relativamente pouco perigosos, diferentemente dos peróxidos, que exigem condições especiaisde segurança na sua prepa ração, pois explodemcomfacilidade. Outra diferença équeesseazo-compostonãoéumoxidantecomo osão os peróxidos.Éimportante salientar que a AIBN decompõe-se de forma violenta a temperaturas relativamente altas (±90°C) devido à alta velocidade dadecomposição a esta temperatura. Certos autoresapresentamde forma diferente as reaçõesdedecomposição química dealguns dos iniciadores apresentadosna Tabela 2.49; por exemplo, a reação dedecomposiçãodo peróxidode di-t- butila poderia ser: CH3 CH3 H3C–C–O–O–C–CH3 CH3 CH3 CH3 2 H3C–C + O2 CH3 Os compostos termoinstáveis, que formam radicais livres, são caracterizados pela temperatura crítica dedecomposição,queédefinida comosendoaquelatemperaturanaqual ocorreadecomposição térmica, e pela “meia-vida” que é o período de tempo necessário para que ocorra a decomposição de metade da concentração inicial em determinadas condições de pressão e temperatura. A Tabela 2.48 relaciona os principais formadoresderadicais livres. Tabela 2.48 Iniciadores e a respectiva temperatura crítica e “meia-vida” Composto Hidroperóxido de t-butila Temperatura crítica ºC 110 ºC 100 115 Hidroperóxido de cumeno 100 130 115 130 145 1153,2 Meia-vida Tempo (horas) 165 21,5 472 113 100 29 12,4 1,84 0,28 218 115 34 130 6,4 50 54,2 70 3,38 85 0,5 Peróxido de dicumila 100 130 145 Peróxido di-t-butila 100 Peróxido de laurila 65 Peróxido de benzoíla 70 70 13,0 85 2,15 100 0,40 Peróxido de metil-etilcetona 80 85 81,2 100 16,2 115 3,6 Polimerização 109 Tabela 2.49 Decomposição térmica dos iniciadores Peróxido de benzoila O = C -0 -0 - Ç= 0 - 20 = -0 . — 277 + 2 CO2 Peróxido de di-cumila CH₃ CH₂ HyC-C-0-0 -C-CH3 – Oo CH₃ 2H.C-¢-0 . O Peróxido de di-t-butila CH3 CH3 CH3 H2C - C- 0 -0 - ¢ -CH3 — 2H3C -C -0 CH3 CH3 CH3 CH3 CH3 H2C- C-0 -OH — HyC-C- 0. + OH Hidroperóxido de cumila Perbenzoato de t-butila CH3 CH3 C -0 - 0 -C -CH3 — CH3 CH ©- 0 . + 50 -C -CH3 O ČHz CH3 O Hidroperóxido de t-butila CH3 CH3 H3C -C -O -OH — H2C - C-O . + •OH CH3CH3 Azobisisobutironitrila (AIBN ) CH3 CH3 H3C- Ć -N = N -C -CH3 - Сң Сң, CH3 2 H2C -C: + Nz CH3 Persulfatos 0 -$-0 - 0 -$-0 - 2 'SO4 2 SO4 + 2 H20 — 2 HSO4 + 2 HOⓇ A eficiência e a atividade com que os radicais livres promovem a polimerizaçãodepende também do composto químico que os origina . Assim , o peróxido debenzoíla , por exemplo , produz radicais livres que, além de iniciarem a polimerização,também abstraem hidrogêniosda cadeia polimérica. Com isso, origina-se um novo radical livre que irá favorecer a ramificação da mesma. O radical resultante da azobisisobutironitrila (AIBN ) , não tendo essa propriedade de abstração do hidrogênio , conduz a polímeros lineares não ramificados. 110 TINTAS H ACRILAÇÃO E VINILIZAÇÃO Aassociaçãodousodeuminiciador comcapacidadedeabstraçãodehidrogênios aumasubstânciaque tenha hidrogênios lábeis na sua estrutura permite iniciar uma cadeia polimérica nessa substância.Em outras palavras, permiteque nela se possa enxertarumpolímero. Assim, a estirenizaçãoea acrilaçãode óleos vegetais, que contêm ácidos graxos com duplas isoladas,podem ser efetuadas através da abstra ção de um hidrogênio do grupo metilena vizinho à insaturação, originando um radical livre que pode iniciar a polimerizaçãoemcadeia. I + –C=C–C–C=C– IH + –C=C–C–C=C– HHHHH H HHHH X X X Y (1) H–C H–C HC=C2 2 2 H–C–CH –C–CH –C–H H–C Y Y H–C (2) n Na realidade, o que se obtém é uma mistura do composto (2) com o polímero resultante da polimerização do monômero vinílico ou acrílico e com dímeros do óleo vegetal através da reação dos radicais(1). A acrilação e a vinilização de resinas alquídicas acontece de forma similar, pois ocorre nos ácidos graxos não conjugados presentes na sua composição. Também aqui o que se obtém é uma mistura contendo alquídica modificada, polímerovinílico ou acrílicoe alquídicasemmodificação. Asresinas epóxitambémpodemser modificadasdeforma similar, pois possuem hidrogênios lábeis nasua estrutura. CH3 H R–O– –C– –O–C–C–C–O– –O–RCH 3 HH CH 3 –C– HOHH CH 3 Os hidrogênios ligados aos carbonos que estão entre os grupos éter são lábeis e podem ser abstraídos com uso de um iniciador adequado, formando radicias livres que serão pontos de início de cadeias. Como nos casos anteriores, também neste tipo de modificação se obtém ao final uma mistura contendoepóxi modificada, polímerodeadiçãoeepóxisem modificação. Conformeserá abordadonos capítulos correspondentes,háoutras maneirasde vinilizar ou acrilar as resinase outrassubstâncias,semque sejanecessárioousodeiniciadorescomacapacidadedeabstrair hidrogênios e sem que estes hidrogênios sejam envolvidos. Processo redox Por vezes, é necessária a formação de radicais livres em temperaturas baixas, isto é, inferiores às temperaturas críticas de decomposiçãodos iniciadores. Neste caso, é necessário induzir a decomposi Polimerização 111 ção através do uso de substâncias que podem transferir um elétron ao grupo –O–O–, facilitando sua decomposiçãoemmisturas formadaspor ânion, cátion e radical livre. Os cátions Fe2+, Co2+, as dialquil anilinas e os bissulfitos são exemplos de substâncias que podem ser usadas no processo redox. O=C–O–O–C=O + H3 – +C–N–CH3 O=C–O + O=C–O + H3C–N–CH3 O O Cátion radicalPeróxido de benzoíla Dimetil anilina Radical Ânion HO–+ HO + Fe3+H2Água oxigenadaO2 + Fe2+ ROOR! + Fe2+ R!O– + RO + Fe3+ Peróxido HO–+ RO + Fe3+ O –O–S–O–O–S–O– Hidroperóxido ROOH + Fe2+ + Fe2+ SO–4+ SO2– + Fe3+4 O 3 Persulfato –O–S–O–O–S–O– + S2 O O O2– SO–+ SO2–4 4 3+ S2O– OO Persulfato ROOH + Co2+ HO–+ RO + Co3+ Hidroperóxido Na polimerização em meio aquoso, pode ser usado o sistema redox formado por persulfato e o composto bissulfito de formol (formaldeido-sulfoxilato desódio). As substâncias capazes de transferir um elétron ao iniciador reduzem a energia de ativação da decomposição dos iniciadores. A secagem oxidativa de resinas alquídicas constitui um exemplo do processo redox, pois os secantes catalizama decomposiçãodos hidroperóxidos e dos peróxidosforma dosem uma primeira etapa da reação com o oxigênio. Essa decomposição gera radicais livres, através dos quais ocorre asecagem,que,na realidade,é uma polimerização por adição. ROOH + Co2+ HO–+ RO + Co3+ (1) (2) (1) Hidroperóxido formado no ácido graxo (2) Radical formado no ácido graxo Asecagem ocorre através deum mecanismo não muitobem definido, sabendo-se, porém, que há oenvolvimentodos radicais formados nadecomposiçãodoshidroperóxidos eperóxidos. 112 TINTAS H X Propagação Emprincípio, existem duas possibilidades deummonômeroadicionar-se à cadeiaemcrescimento,anão ser quandoX= Y= H, isto é, no caso do etileno. Considera-se a seguinte homopolimerização: H X R–CH2–C–CH2–C + H2C=C Xn H H X HX HX H R–CH2–C–CH2–C–C–C (possibilidade 1) n H H X H H H –C–CH2–C–C–C (possibilidade 2)R–CH2 X Hn X Apossibilidade (2)é favorecidaporquerequermenorenergia e resultaemumradical maisestável. Desta forma, a adição do monômero à cadeia em crescimento tende a se realizar de forma regular e definida, conhecidacomoaestrutura “cabeça-cauda”.Apossibilidade (1)menosprovável seria a estru tura “cabeça-cabeça” ou“cauda-cauda”, esó aconteceem casos raros noqual YouXsãomuito peque nos, como nos monômeros e polímeros fluorados. No poliestireno, a adição segundo a possibilidade (1) resultaria em uma estrutura na qual dois grupos fenilas estariam adjacentes,oquesemdúvidaémais difícil deocorrerdoquea possibilidade (2) na qual os radicais fenila estão alternados com os grupos metilena. Um exame mais detalhado mostra que há uma alternância de carbonos assimétricos na cadeia polimérica, isto é, cada segundo carbono da cadeia polimérica é assimétrico, pois apresenta as quatro valências preenchidas por radicaisdiferentes.Osoutros carbonosdacadeia nãosãoassimétricosporque duas das suas valências estão preenchidas por hidrogênio (são grupos metilena). A presençade carbonos assimétricos resulta na existênciadeisomeria espacialou esteroisomeria. Há um número enorme de isômeros porque é grande o número de carbonos assimétricos da macromolécula.O cientista Natta introduziu o conceitodetaticidade definindo três formasdeisomeria espacial: • Polímero isotático: todos os carbonos assimétricos apresentam a mesma configuração espacial, isto é,os substituintes deummesmoladoespacial sãoiguais. O substituinte X, por exemplo, situa-se nomesmo lado espacial,en quanto o substituinte Y situa-se no lado oposto. • Polímero sindiotático: apresentaumaconfiguração alternadaemtermosdaposiçãoespacial dos substituintes X e Y. • Polímero atático: neste caso a posição espacial relativa dos substituintes do carbono assimétricoé casual. A estrutura atática éa mais provável, a menos que haja circunstâncias especiais de polimerização, comoouso de catalisadores estereo-específicos (polimerizaçâo por coordenação)em associaçãocom condiçõesadequadas de reação.Astemperaturas baixasdepolimerizaçãotendema favorecer a forma çãodaestrutura sindiotática. Staudinger, já em 1932, reconheceu que os polímeros resultantes da polimerização do etileno mono-substituído continham uma sériede carbonos assimétricos ao longo de sua cadeia e que, por conseqüência, deveriam apresentar diferentes estruturas espaciais. Polimerização 113 X X Isotático C C YY Y CH2CH2 Y CH2 CH2 Sindiotático C C C CH2 X Y X YY X CH2 Y CH2 X CH2 X Y C C CH2 X X Y X C C C X C Y Atático C C CH2 C Y CH2 Y CH2 X CH2 Y CH2 X Figura 2.25 Foram então efetuadas várias tentativas de polimerização no sentido de se conseguir preponde rância deuma determinada estrutura espacial. Os resultados obtidos foram insignificantes, até queem meadosdosanos1950, oscientistasZiegler eNattacon seguiram chegar a um processo de polimerização que conduzia a estruturas sindiotáticas e isotáticas, através dousodecatalisadoresdafamília“complexosdecoorde- nação”, descritos anteriormente. a) H2C=C X H Olefinas mono-substituídas X Atualmente, é possível a obtenção em escala in dustrial depolipropilenocompredominânciadasestru-turas mais regulares, isto é, sindiotáticas e isotáticas, de poliestireno e polimetacrilato com predominância da estrutura isotática, etc. b) H2C=C Y As propriedades dos polímeros resultantes da polimerização de monômeros do tipo a e b, depen dem profundamente da sua estrutura espacial, isto é, da sua estereo-regularidade, conforme pode ser observado nos exemplos: X Olefinas di-substituídas Tabela 2.50 Polímeros e a taticidade Polímero Ponto de fusão (ºC) ou ponto de amolecimento (ºC) Densidade g/cm3 128 0,91 0,8565 Poli-1-buteno Isotático-cristalinoAtático-amorfo Polipropileno Isotático-cristalino Atático-amorfoPoliestireno Isotático-cristalino Atático-amorfo 75 128 0,92 0,85 230 100 1,08 1,06 Tabela 2.51 PMA e a taticidade Poli (metacrilato de metila) Taticidade Temperatura transição vítrea (ºC)Isotático 115 Atático 104 Sindiotático Temperatura fusão (ºC) 200 – 45 160 114 TINTAS Emgeral, os polímeroscom configurações isotática e sindiotática apresentam estrutura cristalina, enquantoos com configuração atática apresentamestrutura amorfa. Aspropriedades mecânicasea solubilidadetambém sãoafetadas pela taticidade, isto é, pelaconfi guraçãoespacial. A polimerização via radicais livres favorece a estrutura atática, isto é, a estrutura com menor regularidade espacial. A indústria das tintas necessita, na maioria das vezes, de polímeros com esta configuração, porque as suas propriedades de solubilidade, aplicabilidade, nivelamento, etc. são mais adequadas. Ébomlembrar que,na maioria dos casos, as propriedadesmecânicasederesistência sãoconsegui das atravésda formaçãodeuma estrutura tridimensional queocorre durante a chamada cura ou seca gemda tinta, quandoentãoacontecea segundaetapa da polimerização. Quandoa olefina é di-substituída nomesmocarbono porgrupos iguais,nãoháestereo-isomerismo, porquenãohá carbonos assimétricosna cadeia polimérica. CH3 Não forma polímeros com estereoisomeriaH2C=C R Exemplo: IsobutilenoH2C=C CH3 C Quandoosdoissubstituintesestãolocalizadoscadaumemumdoscarbonosadjacentesàduplaligação, isto é, monômerosdotipoRHC=CHR’(Rpodeser igual ou diferente de R1),há aformaçãode polímero comumnúmeromaior decentrosdeassimetria (todososcarbonosda cadeia polimérica são assimétri cos), oque significa queapresentama isomeria espacial deformamaiscomplexaemtermosdeestereo regularidade. As estruturas estereo-regulares nem sempre sãooriginadas pela presença de carbonos assimétricos na H2C=CH–CH=CH2 H2C=C–CH=CH 2 H cadeiapolimérica.Elaspodemserresultantesdapresen CH3 1,3-butadieno çadeduplasligaçõesnacadeiapolimérica,oqueprovoca aconfiguraçãocisoutrans relacionadaaumadetermina Isopreno da dupla ligação. Como há diferentes duplas na cadeia HH HH polimérica, existem estruturas com predominância cis C–C C–C C=C HH C=C oucompredominância trans. Jáfoicomentadoanterior H HH mentequeapolimerizaçãoiônica podefavorecer aestru HHHH tura cis ou trans, dependendo das circunstâncias. A cis 1,4-polibutadieno C H polimerização de monômeros com duplas conjugadas, como 1,3-butadieno e isopreno, pode resultar nos H H H H H polímeros1,4-polibuta-dieno e1,4-polisoprenocompre HC C C C CC HCCH H H HHHH dominânciadaconfiguraçãocisoutrans. A polimerização do1,3-butadienopode conduzir a estruturaspoliméricascomcarbonosassimétricose, por conseguinte, com taticidade quando o polímero forma do é 1,2-polibutadieno. Neste caso, só é utilizada uma duplana polimerização. trans 1,4-polibutadieno C=C –C–C—–Comonapolimerizaçãodemonômerosmono-subs- tituídos do tipo (H 2 H2 H C=CHR), há a formação de estrutu H ras poliméricas, nas quais cada segundo carbono é assimétrico. CH=CH2 CHH Tambémna polimerização dedienosatravésdopro cessode radicais livres,háapredominânciadaobtenção de estruturas mistas em termos de isomeria espacial. R H CH2 n Polimerização 115 Terminação O término do crescimento de uma cadeia polimérica pode acontecer de duas formas: combinação ou desproporcionamento.Apredominânciadeumaou outra éfunçãodascondiçõesdepolimerizaçãoeda natureza dos substituintes X e Y no monômero, entre outras causas. As condições de polimerização devem ser tais que favoreçam preferencialmente a terminação por combinação, já que resultaemmoléculas saturadas.Aocontrário, deveser evitada a terminação por desproporcionamento, pois a dupla ligação remanescente no final da cadeia é um ponto facilmente atacável quimicamente, oquediminuirá a durabilidade dos respectivos revestimentos. Entre os meios mais simples e eficientes para diminuir o desproporcionamento está o uso de agentes de transferência de cadeia: Polímero HH RSH +H Polímero –C–C–H + RS H H H H H H –C–C HH RS + H2C=C RS–C–C H XX (RSH – Agente de transferência de cadeia) O processo de transferência de cadeia pode ser considerado como uma forma de terminação do crescimento da cadeia, diferenciando-se das outras duas formas pelo fato de que, no instante em que termina o crescimento, é iniciada a formaçãodeumanova cadeia.Emoutras palavras, nomomentoem queoagentedetransferência de cadeia terminaumradical (macromoléculaemcrescimento),iniciaum novo radical (iniciação e propagação). É, pois, uma forma de regular o peso molecular polimérico e permitir obter-seumacurvadedistribuiçãodopesomolecular mais estreito.Éimportante observarque oprocessode transferênciadecadeianãodiminuia velocidade depolimerização, pois,como foi dito,no momentoemque termina o crescimento deuma cadeia, inicia-se a formação de outra. Flory admitia quea reatividade deum radical podia ser transferida para outra espécie que, porsua vez e, na maioria dos casos, podia continuar a polimerização emcadeia. Atransferência decadeia pode ocorrer domacro-radical (cadeia emcrescimento) para diferentes substâncias presentes no meio de reação, tais como: iniciador, monômeros, solvente, outra cadeia polimérica e compostos específicos. Em todos os casos, o peso molecular decresce a uma magnitude que depende da eficiência da transferência entre o macro-radical e a substância que formará o radicai iniciador. Os hidroperóxidos apresentam uma tendência a reações de transferência, ao contrário do peróxido de benzoíla e da azobisisobutironitrila. CH3 H CH3 H Polímero –C + H3C–C–OOH Polímero –C–H + HC–C–OO H H A reação de transferência faz com que termine o crescimento da cadeia polimérica, formando, simultaneamente, o radical no iniciador que começará uma nova cadeia. O efeito de transferência de cadeia devido ao iniciador é geralmente pequeno,quandocomparadoa outros agentesde transferência. Os monômeros, em geral, apresentam fraca atividade como agentes de transferência de cadeia, porque, usualmente, não possuem hidrogênios ou qualquer outro átomo suficientemente lábil para provocar a reaçãodetransferência. 116 TINTAS Atransferência decadeia envolvendo o solvente ou compostos específicos éoprocesso queapre senta importância prática.A eficiênciado solventecomoagentedetransferência de cadeia está relacio nadacoma disponibilidade deumátomo lábil na sua molécula. Assim,o tetracloreto de carbono tem uma alta eficiência nesse particular, porque apresenta áto mosde cloro relativamente lábeis. Polímero HH H –C–C + CCl4 H Polímero HH HH –C–C–Cl + CCl3 Por esta razão, o tolueno, por exemplo,temuma atividade superior à do benzeno, substância que praticamente não apresenta atividadecomo agente de transferência. As mercaptanas apresentam alta eficiência nesse tipo de reação. HH Polímero Polímero HH –C–C–HHH–C–C + RSH HH + RS ATabela 2.52relaciona a eficiênciacomoagentedetransferênciadecadeia de váriassubstânciasna polimerização do estireno efetuado a 60 ºC. A eficiência é medida em termos de constante de transfe rência decadeia (Cs)e que é definida como sendo: Cs = K tr K p (96) Ktr K p – Constante de velocidade de reação de transferência – Constante de velocidade de propagação Ovalor deCs= 0,5, por exemplo, significa queemconcentrações iguais demonômeroseagentede transferência, a velocidade de transferência é metade da velocidade da propagação. A maioria dos solventes apresenta valores inferiores a 0,5 para Cs. AFigura2.26, atribuída aoDr.Mayo Tabela 2.52 Agentes de transferência de cadeia-eficiência e relativa à polimerização do estireno Substância realizadaa 60°C,mostraa eficiência dos 104Cs (60 ºC) diferentes agentes de transferência de Benzeno 0,023 cadeia. n-Heptana 0,42 A eficiência de transferência de S-Butil-benzeno 6,22 uma dada substância depende também m-Cresol 11,0 da cadeiaemcrescimento.ATabela2.53 Tetracloreto de carbono 90,0 mostra a diferença de eficiência do n- Tetrabrometo de carbono 22.000,0 Butil mecaptana relacionadacomvários n-Butil mercaptana 210.000,0 polímeros. Esta tabela refere-se à polimerização do estireno. A transferência de cadeia envol vendo outra cadeia polimérica produz Tabela 2.53 Eficiência da butil mercaptana cadeias ramificadas, de forma diferen Polímero te daquela mencionada quando foi co Mercaptana Cs Poliestireno mentado o efeito de abstração de áto n-Butil mercaptana 21 Poli (acetato de vinila) n-Butil mercaptana mos de hidrogênio ocasionado por cer 48 tos iniciadores. Poli (metacrilato de metila) n-Butil mercaptana 0,67 Polimerização 117 7 6 5 4 1/ Xn 3 2 1 [XA]/[Estireno] Figura 2.26 Eficiência de vários agentes de transferência de cadeia. 1 – benzeno 4 – m-cresol 2 – n-heptana 5 – CCl4 3 – sec-butil benzeno 6 – BBr4 7 – n-butil mercaptana (XA – agente de transferência de cadeia) Nocasoda ramificação provocada pela transferênciadecadeia, háa transferênciadeumhidrogênio da cadeia já formadaparaomacro-radicalqueteráoseu crescimentointerrompido.Nacadeiaquecedeu o hidrogênio,há a formaçãodeum radical que constitui opontode crescimento deumaramificação. Polímero –C + Polímero H H H H –C–C– H H HH H Polímero Polímero Polímero –C–C– Polímero–CH3 + Monômero HH Polímero –C–C– Polímero H(CH2)n CH3 O polietileno de baixa densidade (LDPE), produzido sobre pressão e com radicais livres, contém ramificações nassuas cadeias poliméricascomoresultadoda transferência decadeiaparao polímero. ASPECTOS DA TERMODINÂMICA Apossibilidadedeocorrera polimerizaçãodepende,comoemqualquer outra reação química,davaria çãodaenergia livre ser ounão favorável.Em outras palavras, a variaçãoda energia livre é a força motriz dequalquer reação química e,emparticular, da polimerização.A energia livre está associada à entalpia (calor da reação), à temperatura e à entropia, de forma que, antes e depois da reação: ∆G=∆H – T∆S (97) ∆G – Variaçãoda energia livre ∆S – Variaçãoda entropia ∆H – Variaçãoda entalpia T – Temperatura absolutada reação(K) 118 TINTAS Umareação química ocorreespontaneamentequandohouver diminuiçãodaenergia livre no siste ma, oque significa ΔGcomsinal negativo.Asreações químicasque ocasionamumaumento daenergia livre (ΔG com sinal positivo) não são espontâneas e, por isso, necessitam de energia externa para ocorrerem. A equação (97) mostra que a variação da energia livre depende da variação da entalpia (calor da reação), da variação da entropia e da temperatura da reação. As reações químicas são exotérmicas quando liberam calor (ΔH negativo) e são endotérmicas quando consomem calor (ΔH positivo). A exotermia favorece a espontaneidadeda reação, enquantoquea endotermia a dificulta,Aentropia está associada ao grau de ordem das moléculas que constituem o sistema. O aumento da entropia (ΔS positivo) indica queo estado final é menosordenado queo inicial e contribui para a espontaneidade da reação.Aocontrário,quandoháumadiminuição da entropia(ΔSnegativo),oestado final émaisordena doqueo inicial e, neste caso, dificulta a reação. A Tabela 2.54mostra o efeito das variações da entalpia e da entropia associadas à da temperatura da reaçãona variaçãoda energia livre. Tabela 2.54 ∆H – Relação entre as variações de energia livre, da entalpia, da entropia e da temperatura de reação ∆S ∆G Considerações + Sempre negativa A reação é sempre espontânea em quaisquer temperaturas. + – Sempre positiva A reação não é espontânea em quaisquer temperaturas; a reação reversa é espontânea. Negativa a baixas temperaturas, A reação é espontânea a baixas temperaturas; positiva a altas temperaturas – não é espontânea a temperaturas mais elevadas. + + Positiva a baixas temperaturas, A reação não é espontânea a baixas temperaturas e negativa a altas temperaturas espontânea a temperaturas mais elevadas. – A polimerização em cadeia é exotérmica (ΔH negativo) devido à conversão de uma dupla ligação emduasligações simples,e éexotrópica(ΔSnegativo) porqueopolímeroéum sistemacomumestado maior de ordenamento do que os monômeros correspondentes. A polimerização é, pois, um processo favorável sob o ponto de vista de entalpia e desfavorável sob o ponto de vista da entropia. A Tabela 2.55 relaciona as diferenças deentalpia e deentropia com a polimerização de diferentes monômeros. Os valores ΔH estão expressos emKcal/mol de monômero polimerizado e Tabela 2.55 Variações de entalpia e da entropia na polimerização Monômero os valores de ΔS estão expressos em caI/°K-mol, eambossereferema 25 °C. – ∆H – ∆S Tm (ºC) Etileno É importante observar que as va 22,7 24,0 407 Propileno 20,5 27,4 riações de entalpia e de entropia apre- 3001-Buteno 20,0 26,8 sentam sinalnegativo nesta tabela,con- –Isobutileno forme foi comentado anteriormente. 12,3 28,8 – Estireno A magnitude do calor de reação é 16,7 25,0 – α-Metilestireno 8,4 24,8 maior na polimerizaçãoem cadeia (va 61 Acetato de vinila ria de l0Kcal/mola23Kcal/mol)doque 21,0 26,2 napolimerização por condensação dos –Metacrilato de Metila 13,5 28,0 tipos poliesterificação e poliamidação, queéemtornode4 Kcal/mol. Considerandoa polimerizaçãoem cadeia, a variaçãodeentalpia (calor de reação) depende da estrutura dos monômeros respectivos. Os valores de ∆H para estireno e para o α-metilestireno ilustram este aspecto. O efeito da estrutura dos monômeros no calor da 164 HC=CH2 polimerização é devido, entre outros, aos seguintes aspectos: H3C–C=CH2 a) Diferençana estabilização por ressonância das diferen tes espécies químicas: monômeros, macro-radical e polímero. Polimerização 119 b) Interações do tipo ponte de hidrogênio e dipolo entre cadeias poliméricas e monômeros. c) Deformaçãoangularnacadeia polimérica. Obalanço termodinâmicodapolimerizaçãoemcadeia é favorável porque apresenta, nas condições normaisde reação,umadiminuiçãona energia livre(ΔGnegativo), já queovalor negativoda variaçãoda entalpia compensao valordotermoTΔS.Éimportante notarquea factibilidade não indica as condições experimentais necessárias para que a polimerização ocorra deforma adequada. Foi visto anteriormente, o comportamento diverso dos diferentes monômeros com relação às di ferentesformasdepolimerização: radicais livres,polimerização iônicaeporcomplexosdecoordenação. Ofato deavariaçãoda energia livre serfavorávelnãoexplicaporquealgunsmonômerosnãopolimerizam adequadamenteemumadasformas apontadas.Nobalançotermodinâmicodapolimerizaçãoemcadeia,só é considerada a reação da propagação porque ocorre um número de vezes muito maior do que a iniciação ea terminação. TEMPERATURA MÁXIMA DE POLIMERIZAÇÃO A temperatura máxima de polimerização (Tm) é aquela em que a velocidade de propagação é igual à velocidade da reação inversa. Kp Mn + M Mn+1 Kpr Kp – Constante de velocidade da propagação Kpr – Constante de velocidade da reação inversa à propagação Apolimerizaçãoemcadeia é,na realidade,umareaçãode equilíbriobastantefavorecida,nosentido da formaçãode polímerona maioria das reações. Na expressão: ∆G=∆H – T∆S (97) pode-se observar que existeum valor de temperatura(medidoemgraus Kelvin) naqualΔH=TΔS e, por conseguinte,ΔG=0. Este valor deTéa temperaturamáximadepolimerização(Tm)medidoem graus Kelvin (temperatura absoluta). Paraa grande maioriadosmonômeros, esta temperaturaémuito alta, de forma que se pode considerar que a polimerização é, na prática, uma reação irreversível. Ver Tabela 2.55, variação de entropia etemperatura máxima depolimerização(Tm). Há alguns exemplos interessantes em termos de Tm: a) O α-metilestirenonão pode ser polimerizado por processos convencionais, porque a tempera turamáxima de polimerizaçãoéde61°C.Para quepossa ser polimerizadodeforma eficiente, é necessário usar baixas temperaturas (–70 °C) e catalisador especial (alquil-lítio). O polímero assim obtido regenera o monômero quando aquecido a 61 °C (Tm). b) O poli (metacrilato)de metila, quandoaquecido a 164 °C, regenera o metacrilato demetila de formaquase quantitativa. Entretanto, a polimerização é feita eficientemente a 100 °C, através do processode radicais livres. Namaioriadospolímeros, ocorrea decomposiçãoantesqueatemperaturamáximadepolimerização sejaalcançada. Na obtenção de poliéster e de políamidas (exemplos de polimerização por condensação), há a ne cessidadeda retirada contínuados produtossecundáriosdereação para queocorraodeslocamentodo equilíbrioparaoladodeformaçãodopolímero.Éaformadecompensaropequenovalorde entalpia(ΔH= –4 Kcal/mol).A retirada desses produtos secundários (água, na maioria das vezes)é fundamental para queocorra a polimerização. CINÉTICA DA POLIMERIZAÇÃO EM CADEIA: HOMOPOLIMERIZAÇÃO Devido à sua importância na obtenção de polímeros para tintas e vernizes, serão abordados somente aspectosdecinética quandoa iniciação é através de radicais livres. 120 TINTAS Seqüênciade reações: a) Decomposiçãodo iniciador (1) I Kd 2R (Kd – Constante de velocidade da decomposição do iniciador) b) Iniciação (2) Ki M H R + M Se M = H2C=C Y H H R + H2 Y Y R–CH2–C (Ki – Constante de velocidade da iniciação) c) Propagação (3) M1 + M C=C Kp M2 M2 + M Kp M3 Mn+1M n Kp (Kp – Constante de propagação) + M d) Terminação 1) Combinação Mn+mM n + Mm Ktc Polímero HH YH YH + Polímero –C–C H H Polímero –C–C–C–C– HHHH YHHY –C–C Polímero Polimerização 121 2) Deproporcionamento M n + Mm Ktd Mn + Mm HH Polímero –C–C + Polímero –C–C HH HY Polímero HH –C–CH + HY Polímero –C=C H Y H Y Ktc – Constantedevelocidade da terminaçãoporcombinação Ktd – Constante de velocidadeda terminaçãopordesproporcionamento Kt – Constante de velocidade da terminação comoumtodo Kt = Ktc + Ktd (98) 3) Transferênciadecadeia M n + XA Ktr M n X+ A HH Polímero –C–C + RSH Polímero HH HH –C–C–H + RS HH Ktr – Constante de velocidade de transferência XA – Agente de transferência de cadeia Ainiciação envolve duas etapas: a decomposiçãodo iniciador ea reaçãodo radical resultantecom uma moléculadomonômero.Na maioria dos casos, háa formaçãodedois radicais livres na decomposi çãodeumamoléculadeiniciador.OradicalR•,sendomuitoreativo, reagerapidamentecomomonômero, formandoumnovo radical: éa segundaetapa da iniciação. Avelocidadede reaçãoda iniciação dependeda velocidadede decomposiçãodo iniciador, porque esta reação é a formadora dos radicais e tem uma velocidade muito menor do que a reação do radicial com o monômero (Ki>>Kd). Avelocidade da decomposiçãodo iniciador (Rd)é dada pela expressão: Rd = 2 fKd [I] (99) [I] – Concentraçãodoiniciador f – Fator de eficiência do iniciador O coeficiente 2 é devido ao fato de uma molécula do iniciador originar dois radicais na grande maioria dos casos. O coeficiente de eficiência (f) do iniciador é definido como a fração dos radicais formados na sua decomposição e que reagem com o monômero; assim, se f + 0,5, significa que somente a metade dos radicais formados é capaz de reagir como monômero. Avelocidadeda iniciação (Ri)édadapela equação (100), poisdependedavelocidadedadecompo sição do inicidador (Rd)pelo motivo exposto. Ri = 2 fKd [I] (100) CONSUMO DE MONÔMERO Omonômeroé consumidona iniciação ena propagação(reações2 e3 respectivamente);a velocidade do seu consumo é: 122 TINTAS –d [ M ]dt = Ri+ Rp (101) [M] – Concentração do monômero Ri – Velocidade da iniciação Rp – Velocidade da propagação Entretanto, aquantidadedemonômeroconsumidana iniciação émuitomenordoqueaquantidade consumida napropagação e, por isso, admite-se: –d[M] = Rp (102) dt Considerandoque avelocidadedo consumo domonômeroé avelocidadeda polimerização. Rp= Kp [M ] [ M • ] (103) [M • ] – Concentração dos macro-radicais (M •1+ M•2 + ... + M• n ), isto é, das cadeias em crescimento. A constante de velocidade da propagação (Kp) apresenta valores entre (102–104) litro/mol-seg paraa maioria dosmonômeros;são valores muitosuperioresà maioria das constantesdevelocidade das reações químicas usuais. A equação(103)nãopode ser usadana práticaporquea grandeza do termo [M•] é muitopequena e de difícil determinação estimando-se que está na casa do 10-8 molar. Assume-se que todas as cadeias em crescimento (macro-radicais) têm a mesma velocidade de propagação, oque significa dizer queessa velocidade independedoseu peso molecular. CONCEITO DE ESTADO ESTACIONÁRIO No decorrer da polimerização, a concentração de radicais livres aumenta inicialmente de forma muito rápida até atingir um estado estacionárioemquesuaconcentraçãoé constante.A variação da concen traçãode radicais livres durantea polimerização é, por conseguinte, praticamente nula,oque equivalea afirmarquea velocidadedeiniciação (Ri)é igual à velocidadedeterminação (Rt). Ri= 2kt[M •]2 (104) A maioria das polimerizações em cadeia atinge o estado estacionário após um certo período de induçãoque, usualmente,é de alguns segundos. O segundomembrodaequação(104)representa a velocidade daterminação, independentemente de ser porcombinaçãooupor desproporcionamento.O fator2advémdofatodeque,nagrande maioria dos casos, a terminação destrói os radicaisempares. Admite-setambém, conforme visto anteriormen te, queháa formação de dois radicais na decomposiçãodeumamolécula do iniciador. Rearranjandoaequação(104) Ri 2Kt 1/2 (104) [ M•] = e combinandocom a equação(103) Kp Ri2Kt Rp = [M] (105) Esta equação mostra que a velocidade da polimerização depende da raiz quadrada da velocidade da iniciação (Ri),oquesignifica que,dobrando-sea velocidadeda iniciação,porexemplo,a velocidadeda polimeirzação não é duplicada. Neste caso, seria incrementada pelo fator √2. Este comportamento é conseqüênciada reaçãodeterminação ser bimolecular. 1/2 Polimerização 123 Na equação (105), substituindo Ri conforme a equação (100), obtém-se: Rp = Kp [ M ] fKd [ 1 ] 1/2 Kt (106) Esta equação relaciona a velocidade de polimerização com as concentrações do monômero e do iniciador.Coma concentração domonômeroéuma dependênciade 1ªordem, dependendo, porém, da raizquadradadaconcentraçãodoiniciador. Há polimerizações na qual a velocidade de polimerização apresenta uma dependência com a con centração do monômero superior à 1ª ordem. A polimerização do estireno, realizada em solução de toluenoa 80°Ce iniciada por peróxidodebenzoíla,apresenta velocidadesde polimerizaçãocomdepen dências diferentes da 1ª ordem,variando conforme aconcentraçãodo monômero. Aterminação ocorrequando duas cadeias emcrescimetno interagem, formando macromoléculas inativas.Já foi visto queoprocessodetransferênciadecadeiapodeser consideradouma forma especial de terminação, no sentido de que forma uma espécie ativa no momento em que termina uma cadeia (espécie inativa). Aenergia de ativaçãoé baixa nas duas formas (combinação e desproporcionamento) de termina ção e ambas são muito rápidas. Noestado estacionárioa velocidadedeiniciação é igual àdaterminação: Ri = Rt Ri = 2Kt [ M•]2 (107) A constante de velocidade da terminação (Kt) apresenta valores entre 106 e 108litros/seg, isto é, valores superiores aosdaconstantedepolimerizaçãoKp.O altovalor deKtemrelação aKp nãoimpede a polimerizaçãoporquea concentraçãode macro-radiciais émuitobaixa, associadaao fatoda velocidade depolimerizaçãodependerda constantedevelocidadeda terminaçãonarazãoda raiz quadrada doseu inverso. ATabela 2.56 relaciona alguns parâmetrosdapolimerizaçãoem cadeia iniciada por radicais livres, mostrandoa ordem degrandeza para a maioria dos casos. Pode-se observar que aconstantede veloci dade da polimerização Kp apresenta valores no intervalo de 102 a 104 litro/mol-seg, valores estes, significativamente superiores às constantes de velocidade das polimerizações por condensação. Na poliesterificação e na policondensação formol-fenol os valores de Kp estão na ordem de grandeza de 10-3 a 10-6 litro/mol-seg. Isso mostraporquea polimerizaçãoem cadeiaémuito rápida ea polimerização por condensaçãoémuito lenta. Unidade moles/litro-seg moles/litro moles/litro Tabela 2.56 Parâmetros da polimerização em cadeia Parâmetro Intervalo de valores Ri – Velocidade de iniciação 10-8–10-10 [ I ] – Concentração do iniciador 10-2–10-4 [M•] – Concentração de macro-radical 10-7–10-9 [M] – Concentração de monômero 10–10-1 Rp – Velocidade de polimerização 10-4–10-6 Rt – Velocidade de terminação 10-8–10-10 Kp – Constante da velocidade de polimerização 102–104Kt – Constante da velocidade da terminação 106–108Kd – Constante de decomposição do iniciador 10-4–10-8 moles/litro moles/litro-seg moles/litro-seg litro/mol-seg litro/mol-seg litro/mol-seg Efeito gel ou efeito Trommsdorff O efeito gel éa aceleração da velocidade dapolimerização após ter ocorridoumacertapercentagem da mesma. Uma interpretação deste fenômeno reside no fato de que, com o aumento de viscosidade do meio em que ocorre a polimerização, há uma dificuldade dos macro-radicais reagirem entre si para 124 TINTAS ν = Rp Ri = Rp Rt provocar a terminação.Noentanto, a propagaçãonãoétão afetada porqueéumareação entreomacro radical eomonômero,espécie estaquetemumamobilidade relativamente grande por serumapequena molécula. O efeito Trommsdorff é também chamado de efeito Noris-Smith e ambas as denominações são usadas em homenagem a esses cientistas que foram dos primeiros a estudar a polimerização. Comprimento cinético da cadeia Ocomprimento cinéticoda cadeia é definidocomo sendoonúmero médio demoléculas demonômero consumidas (polimerizadas) por radical que inicia a formação deuma cadeia polimérica. É, pois,uma relação entre o número de unidades monoméricas consumidas com o número de centros ativos produzidos. Essa quantidade é dada numericamente pela relação da velocidade de polimerização (Rp) com a velocidadedeiniciação(Ri)oucomavelocidadedeterminação(Rt),poisadmite-seoestágioestacionário. (108) Combinando as equações (104), (103) e (108): ν = Kp [ M ] 2Kt [ M•] (109) A combinação desta equaçãocom as equações(104)e(105)permite substituir a concentraçãode radicais [M•], queéde difícil determinação. = Kp2 [ M]2 2Kt Rp = (110) Na polimerização iniciada pela decomposição térmica deuminiciaor (formando radicais liveres), a equação (106)pode ser combinadacom a equação (110), resultando: Kp [ M ] 2(fKd Kt [ I ])1/2 (110’) As equações (110') e (110) mostram uma característica significativa da polimerização em cadeia iniciada por radicais livres: o comprimento cinéticoda cadeia éinversamente proporcionalàconcentra ção do iniciador e à velocidadedepolimerização.Emoutras palavras, como aumentoda velocidade de polimerização ou da concentração do iniciador obtêm-se macromoléculas menores. Estas equações tambémindicamqueoaumentodaconcentraçãodomonômeroaumentaotamanhodasmacromoléculas. O efeito inversodaconcentração doiniciador é lógico, pois cada moléculadeiniciador dáorigema dois radicais que,por sua vez, iniciam duas cadeias poliméricas. O grau de polimerização médio numérico (Xn) está relacionado com o comprimento cinético da cadeia ( ). O graudepolimerizaçãomédionuméricopodeser definidocomoonúmeromédiodemoléculasde monômeroscontidosnamacromolécula; a relação entre os valoresdeXne dependefundamentalmen te daforma da terminação: a) Terminaçãopor combinação: Xn = 2 (111) Nestaformadeterminação,há auniãodedois macro-radicais paraformar a macromolécula. b) Terminação por desproporcionamento: Xn= (112) Nesta forma de terminação, o grau de polimerização médio numérico Xn é igual ao comprimento cinético da cadeia , porque o macro-radical transforma-se na macromolécula através da troca de um elétron comoutro macro-radical. Polimerização 125 Comoopesomolecularmédionuméricoestá relacionadocomograude polimerização médio numérico, é evidente que também está relacionado com o comprimento cinético decadeia. Na homopolimerização a relação entreMne Xné: (113) Mn – Peso molecular médio numérico M o Mn= MoXn – Peso molecular de monômero Inibição e retardamento Avelocidade dapolimerização em cadeia podeser diminuídadeforma drástica,podendo chegar a ser nula, atravésdaaçãodecertas substâncias que, para esta função,têmonome de inibidores e retardadores. Essas substâncias reagem com os radicais iniciadores e propagadores tornando-os espécies inativas. M•n+ Z→ Mn+ Z• O radical formadopor Z•, diferente daquele formadona transferência da cadeia, não tem capacidade dereagir comomonômero, devidoa características específicas. Os inibidoresinterrompem completamentea polimerização porum períododetem po até serem totalmente consumidos pela reação de inibição. Uma vez consumidos, a polimerização pode ser iniciada ou reiniciada. Quandosequer garantir queumdeterminado sistema está protegido por inibidores, como o estoque de monômeros, é necessária uma determinação constante de seu teor paraque seja garantida a ação inibidora. Os retardadores são menos eficientes porque apenas diminuem a velocidade da polimerização,sem chegar a interrompê-la totalmente. A Figura 2.27 mostra a ação de alguns inibidores e retardadores na polimerização auto-catalisadado estirenoa 100 °C. 100 2 4 3 ) % ( o ãçaziremi 60 loP 40 20 0 Figura 2.27 Ação da benzoquinona (inibidor), do nitrobenzeno (retardador) e do nitroso-benzeno (inibidor). 6.0002.000 Tempo (minutos) 4.000 1 80 126 TINTAS Neste gráfico pode ser observado: a) A curva (1) é referente à polimerizaçãosem açãode inibidor ou retardador. b) A curva (2) mostra a ação da benzoquinona na concentração de 0,1%. Há um período de indução que corresponde ao período de tempo necessário para consumir todo o inibidor, e durante o qual a velocidadedepolimerização é nula. Apóseste intervalode tempo,a polimerizaçãoocorrenormalmente[compararcomacurva(1)] , já quenãohámaisbenzoquinona no sistema. c) A curva (3) apresenta a ação retardadora do nitro-benzeno em concentração de 0,5%. Neste caso, não há um período de tempo no qual a velocidade de polimerização seja nula (períododeindução), havendo,porém,umaredução significativa na velocidade. d) Acurva (4)mostraocomportamentodonitroso-benzenoemconcentraçãode 0,2%.Operíodo deindução indica ser um inibidor. Porém, durantea polimerização apresenta açãoretardadora, pois ocorre uma reduçãoemsuavelocidade. Os monômeros comerciais são protegidos deumapossível polimerização acidental por inibidores, para que a estocagem, o manuseio e o transporte possam ser feitos com segurança. Noinstante queprecedeo início da polimerização, osmonômerosdevemestar livres do inibidor e, para tanto, sãousadosdois53 Processo de adsorçãoem partículas sólidas.............................................. 54 Referências bibliográficas..................... Aspectos fundamentaisdo processo de dispersão de pigmentos .......................... 423 40 Trabalhodeumectaçãodomaterial particulado....................................... 41 Quebra ou dispersão dos aglomerados 425 42 Forçasdevan der Waals ....................... 425 43 Microcolisões entre partículas ............. 426 44 Solda plástica (plastic welding)......... 426 45 Forçasdeponte líquida ........................ 427 423 432 434 435 437 440 11 Colorimetria WILMA /JOSÉ CRISTIANE P. S. YOSHIDA / JOÃO TERUO OUCHI QUINDICIFERNANDO DOS SANTOS / MARCOS LUIZ ZIRAVELLO 7 Fundamentos de colorimetria .................... 445 1 Sobre arte e ciência .............................. 445 2 Luze teoria da visão .............................3 Modelomatemáticodomeiopigmentado/ espaçodecor.................................... 451 446 6 Sistemas colorimétricos ....................... 462 Desdobramento do desvio absoluto das cores(∆E*) ..................................... 477 8 Equipamentosparaamediçãodecores .. 486 9 Formulaçãodecores ............................ 488 10 Sistemas tintométricos para pontos de venda–umaaplicação da ciência de formulação de cores................... 491 11 Referências bibliográficas..................... 493 12 Cor e colorimetria .......................................4 A importância do uso das cores ...........5 Conceitos.............................................. 456 456 456 Aditivos AURÉLIO NAZARÉ ROCHA / RICARDO BERNARDO KAIRALLA / ANTONIO FILHOCARLOS FERRACIOLI / CARLINDO ALFINITO 71 Introdução .............................................. 496 2 Aditivosde cinética .............................. 496 3 Aditivos de reologia .............................. 503 4 Aditivos de processo ............................5 Aditivos dispersantes e umectantes ... 515 6 Aditivos de superfície – silicones e acrilatos ........................................... 525 Agentes antiespumantes e desaerantes para a indústria de tintas ................ 531 Aditivosde preservação ....................... 536 Referências bibliográficas..................... 547 13 8 507 9 Plastificantes RICARDO BERNARDO KAIRALLA / ANTONIO CARLOS FERRACIOLI 1 Introdução ............................................ 550 Propriedades típicas............................. 550 3 4 Plastificantes primáriose secundários 551 Referências bibliográficas.....................2 555 Sumário xix 14 Solventes JULIO C. NATALENSE / MARCELO GRAZIANI / RUTH KURIYAMA 1 Introdução ............................................Classificação dos solventes ..................Hidrocarbonetos...................................Solventes oxigenados ..........................Solventes clorados ...............................Outros solventes .................................. 558558 7 Propriedades físicas ............................. 564 8 Propriedadesquímicas .........................559559563 565 9 Toxicidade e efeito ao meio ambiente . 571 10 Efeitos ao meio ambiente .................... 574 11 Referências bibliográficas..................... 563 578 6 5 3 2 4 Parte 3 Princípios e processos 15 Princípios de formulação RICARDO BERNARDO KAIRALLA / JONATAS RODRIGUES MACHADO 1 2 Introdução ............................................Variáveis dacomposição .......................Reologia ................................................Defeitos mais comuns .......................... 582 582 595 603 3 5 6 7 Afórmula pronta ..................................Formulário ............................................Referências bibliográficas..................... 624 624 625 16 4 Processo de fabricação RICARDO BERNARDO KAIRALLA / ANA LÚCIA CARDOSO GIANFARDONI / PAULO SÉRGIO DO PRADO / PAULO CÉZAR MAZIERO TIANO 1 2 Pré-mistura........................................... IntroduçãoMoinhodebolasMoinhovertical ..................................... .................................... ............................................ 628 628 636 5 6 7 8 Moinho horizontal ................................. 649 Formulação das bases de moagem ...... 653 Completagem ....................................... 655 Referências bibliográficas..................... 671 3 4 641 Parte 4 Aplicações 17 Aplicações arquitetônicas FRANCISCO D.DINIZ 23 1 Introdução ............................................ 676 Propriedades das superfícies ............... 676Pintura de alvenaria .............................. 677 4 Identificação, origens ecorreção de defeitos ...................................... 684 5 6 7 8 Formulaçõespara linha decorativa ...... 687 Considerações gerais ........................... 690 Sistema tintométrico ........................... 692 Referências bibliográficas..................... 694 xx TINTAS 18 Pintura automotiva JOSÉ VALDIR GUINDALINI 1 2 Introdução ............................................Camadade fosfato ................................Revestimento anticorrosivo .................Camadade primer ............................... 696 697 701 721 5 6 7 8 Camadade basecoat............................. 729 Camadadeclearcoat ............................ 736 Linhasdepintura automotiva............... 746 Referências bibliográficas..................... 753 19 4 3 Repintura automotiva JORGE AUGUSTO PACHECO ARRUDA / MANUEL MANSO NOBRE / RICARDO BERNARDO KAIRALLA 7581 2 759 3 762 Histórico ...............................................Mercadoderepintura automotiva na América doSul ................................Características domercadomundial derepintura ....................................Característica domercado brasileiro derepintura .................................... Pintura original x repintura ..................Produtos utilizados na repintura automotiva ......................................Característica e uso dos diferentes produtosna repintura ..................... 8 Esquema de repintura.......................... 768 9 Critérios básicos paraescolha das matérias-primas .............................. 772 10 Critérios básicos para formulação ........ 772 11 Composiçãoeusodos principais produtos.......................................... 12 Principais problemasna repintura 772 automotiva ......................................13 Referências bibliográficas..................... 775 782 4 763 7645 6 765 7 767 20 Revestimentos para plásticos FRANCISCO D.DINIZ 1 2 Introdução e histórico .......................... 784 Principais tipos de plásticos ................. 785 3 4 Tintas para plásticos............................. 793 Referências bibliográficas..................... 796 21 Pintura de manutenção industrial CELSOGNECCO / ROBERTO MARIANO / FERNANDO FERNANDES 1 798 2 846Introdução ............................................Tintas ....................................................Preparaçãoda superfície ...................... 821 801 4 5 6 Aplicaçãode tintas ...............................Noções de corrosão..............................Referências bibliográficas..................... 861 8733 Sumário xxi 22 Tintas e vernizes aquosos PAUL DEUTSCH / WILSON MARQUES CANABRAVA 1 882 8822 3 4 Característica........................................ Introdução ............................................Sistemas não poluentes .......................Definição ............................................... 876 876 876 877 5 6 78 Conclusão.............................................. Processode fabricação.........................Aplicação–preparodesuperfície ........Referências bibliográficas..................... 884 884 23 Revestimentos de cura por radiação JORGE M. R. FAZENDA / MARIA CRISTINA KOBAL CAMPOS DE CARVALHO 1 3 4 Introdução ............................................ 886 Sistemas decura porprocessos: retirada doinibidor ouatravésdousodeumaquantidade extrado iniciador. A lavagem dos monômeroscomuma soluçãode hidróxidode sódioéumdos váriosmétodos possíveis para retirar o inibidor do monômero. Naprática industrial, a importânciada inibição émuito grande,poissemelaé impossívelmanusear, estocar e transportar os monômeros. A polimerização “espontânea”, isto é, acidental,emtanques quearmazenam grandesquantidades (milharesde litros) éumacidentemuito perigoso devidoà grande quantidadedeenergia liberada, além de ocorrer a perda total do monômero. Omecanismoquímicodeaçãoinibidora deumadeterminadasubstância, aindanãoestá totalmente esclarecido; a quinona atuaria nas seguintes formas: Mn–O––O O O –O Mn + O HMn Aação inibidora na terminaçãopode ocorrer nas seguintes formas: HH –C=C + HO– –OPolímero Polímero HH Y –C–C + O O HY HH Polímero –C=C + O O Y Emtodos os casos, admite-se que há a formaçãodeumnovo radical que não tem a capacidade de reagircomomonômeropara iniciarumanova cadeia. Esta inatividadequímica estáassociada,na maioria das vezes, à grande estabilidade do radical formado. Polimerização 127 Éimportante observar quea presença de impurezas nos monômerospode ocasionar a inibiçãoou oretardamento da polimerização. Ahidroquinona como tal nãoéuminibidor, porém,napresençadeoxigênioé facilmente oxidada à quinona,queéum inibidor eficiente.Ot-butil catecol tambématua comoinibidor somentena presença dooxigênio,pormotivosimilar.Ooxigêniotambémpodeatuarcomouminibidor decertaspolimerizações. O caso mais clássico é a inibição da polimerização entre poliésteres insaturados e o estireno. 5 COPOLÍMEROS Umpolímero, resultanteda polimerizaçãodeumsómonômeroédenominadodehomopolímero,ea sua polimerização échamadadehomopolimerização.Sãoexemplosdehomopolímeros: polietileno, polipro pileno, poliestireno, etc. Naindústria de tintas, é freqüente a necessidade dese modificarumdadohomopolímeroa fim de se obter as propriedades requeridas. A adição de plastificantes a determinados homopolímeros é um exemplo muito comum. A mistura de dois ou mais homopolímeros constitui uma outra forma de se atingir as propriedades desejadas. Essas formas,porém,apresentam limitações devidas principalmente à freqüente incompatibilidade dos homopolímeros entre si ou com outros compostos. Acopolimerização constitui ummétodomaisseguroemais universal para se conseguirumaresina com propriedades preestabelecidas. Éimportante notarque os copolímeros possíveis dese obter, quando sepolimerizamemconjunto os monômeros A e B, são completamente diferentes das inúmeras misturas compostas pelos homopolímeros de A e B. Existem 3 tipos principais de copolímeros quando se copolimerizam os monômerosA e B: • Copolímerocom distribuição monomérica ao acaso: A–A–B–A–B–B–A–A–A–B–B–A • Copolímero de bloco: A–A–A–A–A– B–B–B–B– A–A–A–A– B–B–B • Copolímero alternado: A–B–A–B–A–B–A–B • Copolímero de enxerto (Graft): A–A–A–A–A–A–A B B B B EQUAÇÃO DA COPOLIMERIZAÇÃO E REATIVIDADES RELATIVAS Quandoamisturadedoisoumaismonômerosépolimerizada, geralmente resultaumagrande variedade de estruturas poliméricas. No caso mais simples, quando a mistura é formada somente por dois monômerosAeB,podem ser determinadasalgumas relações queajudamaresponder questões relacio nadas com a heterogeneidade dos produtos obtidos em diferentes condições: 128 TINTAS • Qual é a composiçãodo polímero obtida napolimerizaçãoda mistura de dois monômeros? • Como esses dois monômeros reagem entre si e com a cadeia polimérica em crescimento? O conceitoda reatividade responde à primeira questão,enquantoque odenominadoesquemaQ-e ajudaa elucidar a segundapergunta. A fim de melhor compreender o fenômeno complexo da copolimerização, é necessário assumir algumas premissas: a) Atingindoo estado estacionário, a concentraçãode radicais livres nãomudaapreciativamente com o tempo, isto é: d[radicais]dt = 0 Oconceitodoestadoestacionárioésimilaraocomentadoanteriormente nacinéticadapolimerização emcadeia. Osradicais aqui referidos são constituídos por cadeias em crescimento. b) A reatividade de uma cadeia polimérica em crescimento é determinada pela última unidade monomérica que a ela se adiciona. Esta reatividade independe do peso molecular da cadeia polimérica. c) As únicas reações que consomem monômeros são: A + A K11 A – A (1) A + B K12 A – B (2) B + B K22 B – B (3) B + A K21 B – A (4) AeBsãoos monômeroseA•eB• sãoas cadeiasem crescimento (radicais poliméricos), nas quais as últimas unidades estruturais são provenientesdeAeB respectivamente.Omonômero Aéconsumi do pelas reações (1) e (4) enquanto as reações (2) e (3) consomem B. De acordo com a premissa (b), a reatividade de uma cadeia em crescimento dependerá de A semprequeestasejaa última unidademonoméricaadicionada aessacadeia. Raciocínioanálogodeveser seguido para B. d) Apropagaçãoéa única reaçãodeimportância, poisocorreaumafreqüência muitomaiordoque as reações deiniciação e terminação. quandoçãodaK11mesmaadicionaé a constantecadeiaumaquandounidadede velocidadesemonoméricaadicionadaumareaçãoAunidade[reaçãode propagação(1)];B [reaçãoK12 é(2)];daa constantecadeiadeformapoliméricadeanáloga,velocidadeterminadasão em A dapropaga definidasas constantes K22 [reação (3)] e K21 [reação (4)]. Asequações químicas querelacionam o balanço material são: a) Velocidadedeformaçãode radicais: (114) d[Adt ] = K 21 [B ][ A ] – K12[A ][B]=0 (premissa a) [ A] [ B K21K12 [ x A ] [ B –d ] = ] (115) b) As velocidades do consumo dos monômeros de A e B são: [A]dt [A ][ A ] + K21 [ B ][ A ] –d =K 11[ B ] dt (116) =K12 [ A ][ B ] + K22 [ B ][ B ] (117) Polimerização 129 Dividindo-se a equação (116) pela (117), obtém-se a relação das velocidades na qual os dois monômeros entram no copolímero: d[ A ] d[ B ] = K11 K12[ A•[ A• ][][AB]]++K21K22 [ B•][[ B• ][AB] ] (118) Assumindo-se que as concentrações de A• e B• não mudam com o tempo (estado estacionário), conforme a equação (114): K21 [ B• ][ A ] = K12 [ A•][ B ] (119) Combinandoasequações(118) e(119)edefinindo as respectivas reatividades relativas, também denominadas parâmetros ou coeficientes da copolimerização (r 1r 1 er2)como sendo: (120) Obtém-se a expressão: d[ A ]d[ B ] = [ A ]( r 1 [ A ]+[ B ] )[ B ] ([ A ] + r2 = [ A] [ B ] . r1[ A ]+[ B ] [ A ]+r 2 [ B ]) [ B ] (121) queéa equaçãodapolimerizaçãoou aequaçãoda composiçãoda copolimerização. Arelação molar nocopolímeroé d[A]/d[B], enquanto que o valor dosegundo membroda equação relaciona a relação molar damistura monomérica(carga)com os parâmetrosda copolimerização. Os parâmetros ou coeficientes da copolimerização representam basicamente a relação entre a homopolimerizaçãoe a copolimerização para os monômerosAe B. A equação (121) pode ser transformada em termos de fração molar, forma esta que geralmente tem maior utilidade, considerando: f1 – Fração molar do monômero A na mistura monmérica f2 – Fração molar do monômero B na mistura monomérica F1 – Fração molar do monômero A no copolímero F2 – Fração molar do monômero B no copolímero = K K 11 12 e r 2 = K 22 K 21 f1 [A ] [ A]+ [ B] = 1 –f 2= f 1 f 2 [ A ] [ B ] = (122) d[ A] d[ A + d[ B] F 1 ] F1 = 1– F2= d[ A ] d[B ]F2 = (123) Combinando as equações (121), (122) e (123) obtém-se: F1 = r1 r1f12+ f1f2 f12+ 2f1f2 +r2f22 (124) Aequação(124) resulta na composição do copolímeroemfunção das frações molares da mistura monomérica edosparâmetrosda copolimerização. SIGNIFICADO DE R A análise dos valores das reatividades relativas fornece informações importantes a respeito da copolimerização. Assim,quando: r 1 >1,0 – O macro-radical A• adiciona preferencialmente o monômero A, isto é, a homopoli merizaçãoé favorecida. 130 TINTAS r 1 1,0 – O macro-radical B• prefere adicionar o monômero B, favorecendo assim ahomopolimerização. r 2 I refere-se a uma perfeita distribuição ao acaso das unidades monoméricas nas cadeias poliméricas. A composição docopolímero é amesma da mistura monomérica. Acurva II corresponde aumacopolimerização quase ideal, pois: r1.r2= 1,15 Acurva III é relativa ao copolímero alternado. Acurva IV representa uma situação intermediária entre I e II e apresenta o ponto P, que é oponto azeotrópico. Acomposição docopolímero independe dasetapasde iniciação e de terminação, poisna equação de copolimerização não aparecem as constantes de velocidades dessas reações. Os valores das reatividades relativas ou parâmetros decopolimerização paraumdeterminado par de monômeros independem da presença dos inibidores, agentes de transferência de cadeia ou do tipo de solvente. Entretanto,dependemdomecanismodepolimerização,comoporexemplo,nopar estireno (monômero 1) e metacrilato de metila (monômero 2). II 0,8 0,6 I F 1 134 TINTAS • Polimerizaçãode radicais livres • Polimerizaçãocatiônica • Polimerizaçãoaniônica – r1 = 0,52 er2 = 0,46 – r1 = 10,0 er2 = 0,10 – r1 = 0,10 er2= 6,0 Éevidentequeaspolimerizações deste par, por via iônica, nãosãoadequadas e, por isso, na prática, prefere-se o mecanismo de radicais livres. dadoOsmecanismovalores dederpolimerização,1 er2 são semprenãorelacionadoshavendo,pois,aumumvalordeterminadoabsolutopar de monômeros A e B e a um deparâmetrodecopolimerização para um determinado monômero. Exemplo: estireno com diferentes monômeros na copolimerização via radicais livres. Estireno r1 = 0,40 Butadieno r2 = 1,40 Estireno r1 = 0,52 Metacrilatodemetila r2 = 0,46 Estireno r1 = 55,0 Acetatode vinila r2 = 0,01 O estireno está associadoa diferentes valoresde r quedependem do outromonômero.No primei ro caso, as reatividades relativas indicam que as cadeias poliméricas em crescimento terminadas em estireno adicionam preferencialmente o butadieno (copolimerização) em lugar de estireno (homopolimerização).Noentanto, o butadieno temuma ligeira tendência a se adicionar às cadeiasem crescimento terminadas nele mesmo (homopolimerização). Desta forma, partindo-se deuma mistura equimolardeestirenoe butadieno, ocorreráumpontonapolimerizaçãoa partirdoqualsomentehaverá estireno livre parahomopolimerizar. copolimerizamNo segundoemexemplo,praticamentedado quetodasr1asé similarrelaçõesa rda2 emisturaambosmonomérica.são inferiores a 1,0, os dois monômeros No terceiroexemplo ocorre a homopolimerizaçãodeestireno, nãohavendoa copolimerização.Na prática,o estirenoinibea polimerizaçãodoacetatode vinila quandomisturados.Observarqueaconstan te K11, é 55 vezes maior que a K12 e, ao contrário, K22 é 100 vezes menor que a K21. É importante notar que a velocidade da copolimerização, como em qualquer polimerização em cadeia, depende das velocidades da iniciação e terminação e que também é afetada pela presença de inibidores e retardadores.Apresençadeagentesde transferência decadeiateminfluência na distribui çãodopeso molecular, nãoafetando, porém,a velocidadeda copolimerização. O comportamentodeummonômero,emtermosde homopolimerização,nãodá indicação alguma do seu comportamento na copolimerização. Quando se quer saber o comportamento de um par de monômeros durante a copolimerização, é necessário determinar a composição dos copolímeros para diferentes misturas de A e B ([A]/[B]). A composição do copolímero é representada por d[A]/d[B] porque a relação dosmonômerosno copolímeroé idêntica à relaçãocomque são consumidos e, desde queesta relaçãomudaconstantemente durante a polimerização (exceto para a copolimerização ideal, nainformaçõesqual r1=r2válidas= 1), somenteacerca daascomposiçãopolimerizaçõesdocopolímero.interrompidasa baixo graudeconversãopodemfornecer Emtermos decasos, diferente defraçõesf1 (fraçãomolares,molar doF1monômero(fração molarAnadomisturamonômeromonoméricaAnocopolímero)a polimerizar).é, na maioria dos Variação da composição do copolímero com a conversão A equação do copolímero, nas formas das equações (121) e (124), dá a composição instantânea do copolímero,queéa obtida na polimerização deumadadamisturamonoméricaa baixos grausdeconver são. Para todas as copolimerizações, com excessão das azeotrópicas, a sua composição é diferente da misturamonoméricarespectiva.Acomposiçãodamisturamonomérica vaise modificandoàmedidaque os monômeros reagem de formas diferentes com as cadeias em crescimento, o que faz com que a Polimerização 135 composiçãodocopolímero se modifiquecomoprosseguimentoda copolimerização.Acomposição final da polimerização éa soma de todas as composições instantâneas docopolímero.Emresumo, naequa ção (121), o termo d[A]/d[B], que representa a composição do copolímero, e a relação [A]/[B], que é a composiçãomonoméricaa ser polimerizada, variam constantementedurantea polimerização, anãoser nas copolimerizações em que r1 = r2 = 1 ou no seu ponto azeotrópico, quando este existir. funçãoA Figurada composição2.31 representada misturaa composiçãodos monômerosde umAcopolímeroe B (representada(em termospela fraçãoda fraçãomolarmolarde AF =1 ),f1em ) e cujas reatividades relativas são respectivamente r1 = 5,0 e r2 = 0,2. Exercício Determinara variação da composiçãodocopolímeroquandose polimeriza a misturados monômerosA e B na relação molar de 30/70. Os valores das reatividades relativas são r1 = 5,0 e r2 = 0,2 para A e B, respectivamente. Composição molar inicial na mistura de monômeros – [A]: [B] = 30/70 ou seja f1 = 0,3 e f2 = 0,7 Reatividades relativas – r1 = 5,0 e r2 = 0,2 Apolimerizaçãoé feita desde o início na presença da totalidade dos monômeros. Para se construir a curvacada uma correspondendo a 10%de Fda1 emconversão,função depoisf1, divide-seadmite-sea polimerizaçãoque em etapas sucessivas, a variação entre F1 ef1 é muito pequena dentro desse intervalo. Se fosse necessária uma maior precisão, a polimerização poderia ser dividida emetapasde5%deconversão. Usandoa equação (124): F = 1 r1f21 + f1f2 r1f12 + 2f1f2 + r2f22 Para os primeiros10%da conversão: F 1= 5 x 0,32 + 0,3 x 0,7 5x 0,32 + 2 x 0,3 x 0,7 + 0,2 x 0,72 = 0,68 Portanto, as composições do copolímero e da mistura dos monômeros para os primeiros 10% de conversão são: F1= 0,68 f1= 0,30 F2= 0,32 f2 = 0,70 Na segunda porção de 10%, a composição de monômero é: [A] = 30,0 – 6,8 = 23,2→ f1 = 0,26 [B] = 70,0 – 3,2 = 66,8 →f2= 0,74 Acomposição do copolímero resultante é: F 1 = 5x 0,262 + 0,26 x 0,74 5x 0,262 + 2 x 0,26 x 0,74 + 0,2 x 0,742 = 0,64 Portanto, nestes 10% de conversão: F1= 0,64 f1 = 0,26 F2= 0,36 f2 = 0,74 Aplicando-se sucessivamentea equação(124)para as porções consecutivasde10%deconversão, obtêm-seme as colunasos valores2, 3, 4dae 5,misturarespectivamentemonoméricana(fTabela1 ef2) 2.57.e da composição do copolímero (F 1 eF 2), confor 136 TINTAS Osvalores de f1er 1 er2 são as mesmas. F1 situam-se perfeitamentenacurvadaFigura 2.31, pois as reatividades relativas Observações a)b) A copolimerização é do tipo “ideal”, pois oÀ medida que a polimerização prossegue,o produtocopolímerodasvaireatividadesenriquecendorelativasde unidadesé a unidademonoméricas(r 1 .r2= 1,0). pro venientes de B,comconseqüente diminuição das unidades provenientesde A. c) OmonômeroAé totalmente consumidoquando a polimerização atingiu porvolta de70%deconversão.A partir deste ponto, começa a homopolimerização de B. d) Acomposição docopolímero modifica-se continuamentecomoconseqüência da modificação dacomposi ção monomérica e das reatividades relativas. e) Verifica-se no gráfico que não há ponto azeotrópico. f) É possível a obtenção de umacomposição diferente do copolímero através da adição dosmonômeros em separado ecomvelocidadesde adição distintas,de formaquea composição instantânea damistura monomérica seja adequada.Uma outra maneira seria a partir de uma relação diferente de monômeros.Na prática, usa-se uma combinação destes dois modos: adição em separado e com velocidade de adição diferente e relação adequada dosmonômeros. Tabela 2.57 Variação de F1ef1 durante a polimerização Monômero consumido Monômero Mistura Composição (por intervalo) residual Conversão monomérica copolímero moles moles A B % f1f2 F1 F2 A B A B moles moles 10 0,30 0,70 0,68 0,32 6,8 3,2 23,2 66,8 6,8 3,2 20 0,26 0,74 0,64 0,36 6,4 3,6 16,8 63,2 13,2 6,8 0,21 0,79 0,57 0,43 5,7 4,3 11,1 58,9 18,9 11,1 40 0,16 0,84 0,49 0,51 4,9 5,1 6,2 53,8 23,8 16,2 50 0,11 0,89 0,38 0,62 3,8 6,2 2,4 47,6 27,6 22,4 0,05 0,95 0,21 0,79 2,1 7,9 0,3 39,7 29,7 30,3 70 0,01 0,99 0,03 0,97 0,3 9,7 0,0 30,0 40,0 80 0,00 1,00 0,00 1,00 0,0 10,0 0,0 20,0 30,0 50,0 90 0,00 1,00 0,00 1,00 0,0 10,0 0,0 10,0 30,0 60,0 100 0,00 1,00 0,00 1,00 0,0 10,0 0,0 0,0 30,0 70,0 30 60 30,0 Figura 2.31 Composição do copolímero (F 1 1,0 0,8 0,6 F 1 0,4 0,2 ) 0 em função da mistura monomérica (f 1 ), quando r1 = 5,0 e r2 = 0,2. f 1 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 Polimerização 137 Exercício AFigura 2.32 mostra acomposiçãodeumcopolímero(F 1 )emfunçãodamistura monomérica (f 1 )para um par de monômeros que tem r1 = 0,76 e r2 = 0,15. A curva que representa F1em função de f1 mostra um ponto azeotrópico em F1 =0,8. A Tabela 2.58 foi elaborada numa forma similar à anterior e se refere à copolimerização deA e B, com relação molar inicial de 50/50 e reatividades relativas iguais às da Figura 2.32, isto é, r1 = 0,76 e r2 = 0,15. Énecessário observar quea variaçãona composição docopolímero àmedida que a polimerização prossegue émenordoque a observada no exercício anterior. Ocorreumenriquecimento gradativo em unidadesmonoméricasprovenientesdeB,havendoao final a formaçãodohomopolímerodeBpor falta domonômeroA.Outroaspecto interessante é que, apesardamisturadomonômero inicial ser de 50/50, o copolímero formado nos primeiros 10% da polimerização apresenta uma composição de 60/40 em termosdeunidadesmonoméricasprovenientesdeAeB, respectivamente.Essa diferença entreF1 ef1édevida às reatividades relativas. Háformasmatemáticaspara calcular a composiçãodocopolímeroesua curvade distribuiçãodeF1 em função de f1. A integração direta das equações do copolímero não apresenta resultados práticos significativos, e por isso foi desenvolvida a equação: dMM = df1 / (F 1 – f1) (130) Como premissa, o copolímero deve ser mais rico em A doque a mistura de monômeros. M – Total de moles dos monômeros A e B a serem copolimerizados dM – Quantidade de monômeros polimerizados em um dado instante f1 – Fração molar do monômero A na composição monomérica F1 – Fração molar de unidades monoméricas provenientes de A no copolímero Aequação(130)pode ser integrada fornecendo entãoacomposiçãodocopolímero(F 1 )emfunção damisturadosmonômeros (f 1 ).O resultado obtido é similar ao apresentado nasTabelas 2.57e2.58 dos exercícios anteriores. Tabela 2.58 Variação de F1 ef1 durante a polimerização Composição Conversão % 10 20 Mistura monomérica f1 f2 0,50 0,50 0,49 0,51 0,48 0,52 0,54 0,44 0,56 0,41 0,59 0,32 0,68 copolímero 30 Monômero consumido (por intervalo) moles A B5,7 4,3 Monômero residual moles A B44,0 46,0 32,1 37,926,3 33,7 20,5 29,4 9,6 20,4 6,0 4,0 F 1 0,60 0,60 0,59 0,58 0,57 0,56 0,54 0,51 0,46 5,4 4,6 F2 0,40 0,40 0,41 0,42 0,43 0,44 0,49 5,1 4,9 4,5 15,5 45,5 5,6 4,4 15,0 25,0 5,8 4,2 5,9 4,1 6,0 4,0 38,0 42,0 6,0 4,0 A moles 12,017,923,7 29,435,040,4 16,3 12,1 8,0 40 B moles 20,6 25,0 29,6 34,5 90 0,22 0,78 0,44 0,56 4,4 5,6 0,1 9,9 49,9 38,9 60 0,46 50 70 80 0,38 0,62 100 0,00 1,00 0,00 1,00 0,0 9,9 0,0 0,0 50,0 50,0 138 TINTAS Figura 2.32 Composição do copolímero (F 1 0,8 0,6 F 1 0,4 0,2 0 ) em função da mistura monomércia (f 1 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0) quando f 1 r1 = 0,76 e r2 = 0,15. Determinação das reatividades relativas As reatividades relativas, ou parâmetros de copolimerização, são determinadas experimentalmente através da copolimerização a baixo grau de conversão de misturas monoméricas de composição conhecida. A equação (124) pode ser rearranjada para a forma deuma equação deuma reta: f1 ( 1 – 2F 1 ) f12 (F1 – 1) (131) Énecessária a determinação analítica dacomposiçãodocopolímeroparaaobtençãodosvaloresde F 1 F1(1 – f1) = r 2 + F1 (1 – f1)2 . r 1 . Os métodos analíticos usados incluem: as técnicas de ressonância nuclear magnética, análise física (índicederefração), espectroscopia, análise elementar, etc. Épossível obter-seumgráfico dacomposiçãoinstantâneadocopolímeroemfunçãodacomposição dasensibilidademistura monoméricapequena, poise, aassimcurvadeterminar-seobtida nãotraduzos valorespequenasde variaçõesr1 e r2. Esse método apresenta uma nos valores das reatividades relativas. 1,0 Velocidade da copolimerização Avelocidadeda copolimerização,comoemqualquer polimerizaçãoemcadeia,dependedas velocidades das reações de iniciação, terminaçãoe propagação.Já foi comentado que a composiçãodo copolímero independe das velocidades destas três etapas. Quandoo iniciador forma radicais capazesdereagir eficientemente com ambos os monômeros, as duas etapas de iniciação (uma para cada monômero) não precisam ser levadas em consideração, assumindo-se também que suas velocidades independem da composição da mistura A + A monomérica. Como foi visto, a copolimerização consiste em quatro reações de A + B K12 A – B (2) propagação: B + B K22 B – B (3) E há três etapas de terminação decorrentes da última unidade es truturaldomacro-radical: B + A K21 B – A (4) K11 A – A (1) Polimerização 139 A + A K11 A – A K22 B – BB + B A + B K12 A – B Avelocidadedecopolimerização(Rp)édadapela soma das velocidadesdepropagação: Rp = – d[ A ]+ d[ B ] = K 11 [ A ] [ A ] + K12[ A ] [ B ] + K22[ B ] [ B ] + K21[ B ] [ A ] (132) dt Assume-se o conceito de estado estacionário para cada tipo de radical, conforme foi visto anteriormente. K21 [ B ] [ A ] = K12 [ A ] [ B ] (133) O conceito do estado estacionário determina que as velocidade da iniciação e da terminação são iguais. (134) Combinandoesta condiçãocom aequação (132): Ri = 2Kt11[ A ]2 + 2Kt12[ A ][ B ] + 2Kt22[ B] 2 Rp= ( r1[ A ]2 + 2[( r12δ12 [ A ]2 + 2φr1 A ][ B ] + r 2 [ B ]2 ) Ri1/2 r2δ2δ1 [ A ][ B ] + r22δ22[ B ]2 )1/2 (135) em que: (136) δ1 = 2Kt11 1/2 K1212Kt22K2 1/2 δ2 = 22 φ = (137) Kt 12 2( Kt11.Kt 22 )1/2 (138) Os termos δ1 e δ2 relacionam as constantes de velocidade da propagação com a constante de velocidade daterminaçãode forma análoga à vista na homopolimerização.O termoφrelaciona a cons tante de velocidade da terminação entre radicais diferentes com as constantes de terminação entre radicais iguais; quando φ > 1, a terminação entre radicais diferentes é favorecida, enquanto não o é quandoφ1,0), pois, na prática, o produtodas reatividades relativas é menor que 1,0. Entretanto, quando r1. r2 tende a 1,0 (na copolimerização ideal), o termo φ também tende a 1,0. À medida que oproduto das reatividades relativas apresenta valores superiores à unidade (r1. r2 > 1,0), a terminação entre macro-radicais idênticos em termos da última unidade monomérica adicionadaéfavorecida. Umaconseqüência da preferência pela terminação através de radicais diferentes éumavelocidade de copolimerização menor do que as velocidades da homopolimerização dos monômeros correspon dentes.Apropagação rápida entre radicais diferentes na copolimerização alternadaécompensadapela terminação entre radicais diferentes, deformaqueháumadiminuiçãonavelocidadeda copolimerização comoum todo. 140 TINTAS r1.r2 Tabela 2.59 Valores de e do produto r 1 .r 2 de alguns pares de monômeros na copolimerização por radicais livres Comonômeros Estireno – acrilato de butila 150 0,11 Estireno – acrilato de metila 50 0,15 Estireno – metacrilato de metila 13 0,25 Conclui-seque a polaridade crescente dos monômeros e dos macro-radicais é responsável pela tendência à terminaçãopor radicais diferentese pelos desviosda copolimerização ideal. REATIVIDADE E ESTRUTURA DE MONÔMEROS E RADICAIS Comoemqualquerpolimerizaçãoemcadeia,tambémnacopolimerização,areatividadedoscomonômeros e dos radicais correspondentes depende do tipo de substituintes presentes na dupla ligação dos monômeros. Essa influência se dá basicamente de três formas, pois os substituintes podem: a) Ativar a dupla ligação. b) Estabilizar o radical correspondente atravésda ressonância. c) Dificultar a polimerização atravésde impedimento estéreo. Reatividade dos monômeros As reatividades relativas ou parâmetros da copolimerização são muito importantes e, por isso, devem ser levadosem consideraçãono estudo dequalquer copolimerização. por radicaisATabelalivres.2.60relacionaA literaturaosvaloresespecializadader1 er2fornecepara algunstabelasparesbastantedemonômeroscompletaseparacomcopolimerizações os valores das reatividades relativas para umgrande númerode pares de monômeros. A reatividade deum monômero em relação a um radical depende das reatividades intrínsecas do própriomonômeroe do radical. Aanálise das reatividades relativas ou parâmetros dacopolimerização de um par de monômeros possibilita determinar a reatividade relativa do monômero em relação ao radical.Oinversodareatividaderelativamedearelação entre avelocidadedereação,comqueumradical adicionaooutromonômerocomavelocidadedeadiçãodoseuprópriomonômero,istoé,comomonômero idênticoà última unidade estruturaldo macro-radical. r2 Temperatura ºC 0,92 56 1,08 0,98 9 (1000 atm) – 181,06 0,96 63 Tabela 2.60 Parâmetros de copolimerização para alguns pares de monômeros A(1) B(2) r1 r1 = r2 = 1 Pares ideais Acrilato de butila Acrilonitrila 1,0 Etileno Acetato de vinila 1,07 Isopreno Butadieno Estireno p-Metil estireno 0,83 r1 1er2 1er2 > 1 Isopreno r1r2 Estireno Acrilato de butila Acetato de vinila Estireno Anidrido maleico 0,64 0,76 0,44 0,35 0,055 0,63 0,15 0,01 0,22 0,003 75 70 60 60 50 Anidrido maleico 0,001 0 60 Isobutileno 0 0 70 Estireno 2,05 1,38 50 r1 = K11 – Reatividade relativa ou parâmetro de copolimerização 1 r 1 = K 12 K 11 K 12 – Relação das velocidades com que o radical adiciona: a) O outro monômero b) O seu próprio monômero ATabela 2.61 mostraos valoresda reatividadede algunsmonômerosemrelação a alguns radicais, valores estes calculados a partir das reatividades relativas dos respectivos pares de monômeros. Estireno metila Tabela 2.61 Reatividade dos monômeros em relação aos radicais Monômeros Radical polimérico Metacrilato Cloreto de Acrilonitrila de vinila Estireno 1,0 2,0 33,3 14,9Metacrilato de metila 2,0 1,0 6,7 50 Acrilonitrila 2,4 0,8 1,0 Cloreto de vinila 0,03 0,07 0,4 1,0 1,7 Acetato de vinila 0,02 0,05 0,2 0,6 1,0 Acetato de vinila 100 66,7 14,325 Exemplos de cálculo: a) Comonômeros: A – Estireno – r1 = 0,50 B – Metacrilato de metila – r2 = 0,50 1 r 1 = K 12 K 11 = 2,0 O radical A (terminado em estireno) tem uma velocidade de adição do metacrilato de metila (monômeroB)duasvezesmaioremrelação à adiçãodo estireno.O radicalB(terminadoemmetacrilato de metila) apresenta uma velocidade deadição dooutro monômero(estireno) duasvezesmaior que a velocidade deadiçãodoprópriomonômero(metacrilato de metila).Nacopolimerizaçãode acrilonitrila comestireno, oradicalterminadoemacrilonitrila adiciona estireno33vezesmais rápidodoque adiciona 142 TINTAS o seu próprio monômero. Já o radical terminadoem estireno tem uma preferência 2,4 vezes maior em adicionar acrilonitrila doqueemadicionaro próprioestireno. Na Tabela 2.61, a primeira coluna mostra a reatividade de diferentes monômeros em relação ao radical terminadona unidade estrutural proveniente do estireno, enquantoa segundacoluna mostraa reatividade dessesmonômerosem relação ao radical cuja última unidade estrututral é proveniente do metacrilato de metila, eassimpor diante.Éimportante observarquesomente os valores constantesem umamesmacolunapodemsercomparados entre si, enquantoos valoresdeumamesmalinha horizontal não o podem. Os substituintes da olefina aumentam a reatividade do monômero na seguinte ordem: –C6H5>–CH=CH 2 >–C–CH3>–C–OH>–C–OR>–Cl>–CH 2 Y>–O–C–R>–OR>–H O O O O Aordemda reatividade domonômerocorrespondeà maior ressonânciadoradical formadoquando se adiciona esse monômero. O efeito de um segundo substituinte no mesmo carbono ligado à dupla ligação é adicionado aodoprimeiro substituinte. Quandoacadeiaemcrescimentoadicionaestireno,oradicalresultanteéestabilizadoporressonância: M–CH2 H –C M–CH2–CH M–CH2–CH M–CH2–CH Esta estabilização envolve uma energia de ressonância da ordem de 20 Kcal/mol. Quando os substituintes não possuem duplas ligações conjugadas com a dupla ligaçãodomonômero,a estabiliza çãopor ressonânciaépraticamente nulaea energia correspondenteémuitopequena, variandode1a4 Kcal/mol.É importante observar que os substituintesque estabilizam o macro-radical também estabi lizam o monômero, porémcomuma instensidade muitomenor, não afetandoa sua reatividade. Reatividade dos radicais Areatividadedeumradicalemrelação aomonômeropode ser obtida atravésdacombinaçãodaconstan tereatividadeda velocidaderelativade propagaçãoou parâmetros(K11de), quandocopolimerizaçãoadiciona ocorrespondentes.monômero análogoNaà sua extremidadecoma prática, a reatividade do radical é obtida multiplicando-se a constante de homopolimerização do monômero similar à unidade estruturalvalor de K12da(constanteextremidadedecopolimerização).(K11) pelo inverso da reatividade relativa (1/r 1 ). Este produto resulta no ATabela2.62mostraaconstanteda propagaçãodoradical/monômeroparaumasérie demonômeros e de radicais. Os valores estão descritos em litros/mol-seg, e referem-se à temperatura de 60 °C. Acetato de vinila Tabela 2.62 Constante da propagação para alguns pares radical-monômero Monômeros Radical polimérico Metacrilato Cloreto Estireno de metila Acrilonitrila de vinila Estireno 145 1520 70 370.000 Metacrilato de metila 278 705 130 123.000 Acrilonitrila 246 2820 100 357.000 – Cloreto de vinila 8,7 71 11 12.300 Acetato de vinila 2,6 35 – 7.760 230.000 154.000 10.100 2.300 Polimerização 143 Aestabilizaçãopor ressonânciado radical diminuia sua reatividade,de tal formaquesuaordemde reatividade é inversa àdomonômerocorrespondente.NaTabela 2.62, observa-se queo radical termina do na unidade estrutural proveniente do estireno é muito menos reativo do que o radical cuja última unidade estrutural édevidaaoacetatode vinila.Osubstituinte nocarbonoda dupla ligação diminui mais a reatividade do radical correspondentedoque aumenta a reatividade domonômerorespectivo. Oefeito da estabilização por ressonânciapodeser verificadonosistema estireno e acetatode vinila. Estireno – r 1 = K11K12 = 55 Acetato de vinila – r2 = K22K21 = 0,01 As reaçõesde propagaçãodurante a copolimerização são: CH2–C H + CH2=CH K11 HH H CH2–C – C – C (1) K12 H H H H HHCH2 H – C – C – C (2)CH2–C + CH2=CH O H3C–C=O H O H H3C–C=O H CH =CH K22 H CH2 2 CH2– C – – C (3) O O O C H O –C + H3C–C=O H3C–C=O H3 C–C=O H3C–C=O CH2–C + CH2=CH K21 CH2– – C – C (4) O HC H H HO H3C–C=O H3C–C=O Os radicais terminadosnaunidade estrutural provenientedo estireno sãoaltamente estabilizados,conforme já foi comentado,enquantoosqueterminamnaunidadeestrutural, provenientedoacetatode vinila nãosão estabilizados dessaforma. Os valores das constantes de velocidade para essas quatro reações podem ser obtidos na Tabela 2.62: K11 – 145–é omesmovalor daconstantedepropagaçãodahomopolimerizaçãodo estireno. Há autoresque indicamo valor deK 11 (K como sendo3,2) 176 litros/mol-seg a60°C.É11evidente que o valor de K12 é também diferente 12 = considerando este valor deK . K 22 – 2.300– também neste caso, é o valor da constanteda propagaçãoda homopolimerização doacetato de vinila. K12 – 2,6 – é a constante de copolimerização do radical terminadoem estireno com acetato de vinila. K21 – 230.000–éa constantedecopolimerizaçãodoradical terminadoemacetatode vinilacom estireno. 144 TINTAS Neste sistema observa-se: a) O radical terminado em acetato de vinila é mais reativo do que o terminado em estireno; em particular, atinge a sua reatividade máxima quando adiciona estireno (K 21 – 230.000), pois o radical formado (terminadoem estireno)é altamente estabilizado por ressonância. b) Mesmo quando adiciona o seu próprio monômero, o radical terminado em acetato de vinila é mais reativo do que o terminadoem estireno, porque, como já foi comentado, este radical não é estabilizado por ressonância. c) O radical terminadoemestireno apresentaa suamenorreatividadequandoadiciona acetatode vinilaconseguinte,(K12=2,6).poucoEstareativo,reaçãoresultandopartedeumumradicalnovo radical,altamenteque,estabilizadopor serterminadopor ressonânciaem acetatoe, por de vinilanãoéestabilizadopor ressonância. Jána homopolimerização,a reatividadeémaiorporque o radical formadomantém essa intensidade de estabilização. d) O radical terminadoem estireno adiciona estemonômero(homopolimerização)comumavelo cidade 55 vezes maior do que adiciona acetato de vinila. Esta é uma das razões de ser pratica mente impossível obter-se umacopolimerizaçãodo par estireno-acetatode vinila. e) Na Tabela 2.62 pode-se observar que, em geral, o radical terminado em acetato de vinila é ao redor de 1.000 vezes mais reativo do que o terminado em estireno. O efeitodoimpedimentoestéreonareduçãoda reatividade dos radicais pode ser observadoquan dosecomparam as reatividades das olefinas 1,1-di-substituídascomas 1,2-di-substituídas. Essa redu çãodereatividade está ligada à diferençade energia entre as configurações cis-transeaspossibilidades de ressonância. Efeito das condições da reação na reatividade do sistema Naindependentescopolimerizaçãodasetapaspor radicaisde iniciação,livres, asterminaçãoreatividadesedorelativasmeiodar 1reação. er 2 ea composiçãodocopolímero são por exemplo,Assim,ossãovaloresos mesmos,der1 er2independentementeeacomposiçãodocopolímero,da polimerizaçãoparao parserestireno-metacrilatoem emulsão, soluçãodeoumetila, sus pensão. Quando da polimerização em solução, estes parâmetros independem do tipo de solvente. En tretanto,quando setrabalhosusam solventesrecentesmuitono parpolares.de exemplo mostram que há uma influência nos valores de r1 er2 Asdiferençasnacomposiçãodocopolímeroobservadasna prática são devidas aocaráter heterogê neo que algumas formas de polimerização apresentam, como as polimerizações em emulsão e em suspensão. Nestasformas, a composiçãodamisturamonomérica, nopontoda reaçãopode serdiferen te da composiçãomonoméricacomoumtodo e, por conseqüência, ocasionar copolímeroscomcompo sição diferente daquela esperada.Nasemulsões,acomposiçãodocopolímerodependedas velocidades de difusão dos monômeros para as micelas, fator que pode gerar uma composição monomérica no seu interior diferente da composiçãomonomérica comoumtodo e, por conseguinte, modificar a composi çãodocopolímero. exemploe 0,54Oaefeito130citado,°C,darespectivamente.otemperaturapar estireno-metacrilatoé pequenoSendo anosreatividadede metila,valoresosderelativavaloresr1 erde2deeumnar1emonômerocomposiçãor2 são 0,52aedorelação0,46copolímero.a 60entre°C eduas 0,59 No constantes de velocidade, conclui-sequeoseuquocientenãoémuito afetado por diferentes valoresde temperatura. Mesmoassim, a açãoda temperaturaé tantomaior quanto maior for o desviodo valor de em relação à unidade. O efeito da pressão é muito pouco estudado em copolimerizações industriais. Nos exemplos de valormentoprático,de umaobserva-secopolimerizaçãoqueoaumentoideal. Algunsdapressãoautoresalteraadmitemos valoresque odeaumentor1 er2,emdadireçãoaocomporta pressão atua mais na reatividade dos radicais poliméricosdoque na reatividade dos monômeros. Sistemas alternados e polaridade Já foi vistoqueoprodutodas reatividades relativasmedea tendênciada alternânciana distribuição das unidadesmonoméricas nacadeia polimérica. Assim,quandoovalor desseprodutoseaproximadezero, ocorre o aumento na tendência da alternância e, em particular, quandoummonômero apresenta uma Polimerização 145 reatividade relativa muito próxima de zero, o sistema no qual ele participa terá composição alternada. Em outras palavras, o monômero com tal baixo valor de r apresenta uma tendência nula à homopolimerização, favorecendo, por conseguinte,a copolimerização. por radicaisATabelalivres.2.63 mostraosmonômerosdispostos segundoo valordoprodutor1 er2empolimerizações Tabela 2.63 Produto das reatividades relativas para alguns pares de monômeros Butadieno 0,56 Estireno ≈ 0,5 0,55 Acetato de vinila 1,080,31 2,35 Cloreto de vinila 0,03 0,30 0,30 Metacrilato de vinilideno 0,25 0,28 0,012 0,10 0,02 Cloreto de 0,700,042 0,004 0,900,11 0,06 1,000,18 vinilideno 0,59 Acrilonitrila 0,53 0,02 – 0,59 0,0 Fumarato de di-etila – 0,0 0,0002 0,0024 0,11 – – – Anidrido maleico Os valores obtidos nestatradução do alemão por tabela são provenientesEdmund H. Immergut, dos valoreseditado por de Springer-Verlag,r1 er2 constantesNova na Tabela 107 do livro Polymer Chemistry, de Bruno Vollmert, York, 1973. Nesta tabela pode ser observado: a) O acetato de vinila copolimeriza “idealmente” como cloreto de vinila (r 1 . r2= 1,1) e alternada mente com o fumarato de di-etila (r 1 . r2= 0,004). a) Aordem dos monômeros está relacionada com a polaridadeem tornoda dupla ligação. Assim, de um lado estão os monômeros com substituintes que aumentam a densidade eletrônica na dupla ligação, como por exemplo, butadieno e estireno, enquanto que na outra extremidade estão osmonômeroscom substituintesque diminuema densidade eletrônica na dupla ligação, como os maleatos e fumaratos. b) Os valores do produto de r 1 . r2 decrescem à medida que os dois monômeros se afastam na tabela.Umaconclusãoimportanteéqueatendênciaa copolímeros alternadosaumentaàmedi da que a diferença da polaridade entre os comonômerostambém aumenta. Oefeito da polaridadeéa facilidadecomquealgunsmonômeroscopolimerizamesimultaneamente nãohomopolimerizam (como foi visto, sãomonômeroscom valores de reatividade relativa tendendo a zero). O anidrido maleico e os seus ésteres são exemplos de monômeros com tendência nula à homopolimerizaçãoegrande facilidadena copolimerização. ESQUEMA Q – E Aexplicação para o comportamento de diferentes monômeros na polimerização por radicais livres foi dada por Alfrey e Price, que fizeram uma descrição quantitativa para cada monômero, independente mente do par em que participam. Para isso, usaram dois parâmetros que denominaramQee. 146 TINTAS Trata-sedeumaaproximaçãoempíricaemqueQéamedidada estabilizaçãopor ressonância, tanto do monômero quanto do radical correspondente (cadeia em crescimento), e e mede a polaridade do monômeroe do radical correspondente. Foi descritaumaequaçãomatemática empíricaquerelaciona esses parâmetroscomasreatividades relativas (parâmetrosdecopolimerização). Esses dois autores definiram arbitrariamente os valoresde Qe e para o estireno (Q = 1,00 e e = –0,80). Foram calculados os valores de Qe e para uma série de monômeros a partir dos valores de r1 er2, quando copolimerizados com o estireno. Os valores de Qe epermitem determinar osparâmetrosdecopolimerização(r1er2)paraqualquer das misturasmonoméricas possíveise prever assim oseu comportamentona copolimerizaçãocomum razoável grau deaproximação; asequaçõesquerelacionam osparâmetrosde Qe ecomas reatividades relativas (r1 e r 2 ) são: 1nr1 = 1n Q1 Q2 – e1(e1 – e2 ) (139) 1n r1.r2= – (e 2 – e 1 )2 (140) Este esquema é uma aproximação empírica que permite analisar a reação radical-monômero de forma quantitativa e relacionada com a estrutura e reatividade, tanto do radical quanto do monômero. Asprincipais deficiências desteesquemasão resultantesda pouca precisão dos valores para Qee, quando calculados através dos valores de r1 er2 obtidos experimentalmente. A este fato deverá ser acrescentado que, na prática, os valores de Qe e para um monômero não são independentes do outro comonômero,o que significa que, na realidade, os valores de Qe e nãosãoparâmetros próprios deum determinado monômero numa forma independente de qualquer que seja o outro com o qual pode copolimerizar. No entanto, assume-se que o valor de e é o mesmo para o monômero e para o radical correspondente, o que também é um fator de imprecisão. Apesar disto, oesquemaQ–e éuma forma útil de se avaliaro efeito da estrutura domonômero na sua reatividade. Fornecetambémuma idéia razoáveldocomportamentoda copolimerizaçãodeumpar demonômerosque ainda não tenham sido copolimerizados. Osmonômerosrelacionados na Tabela 2.63 estãoordenadossegundoos valores de e, e esta ordem define a polaridade relativa decadaum. Osdiferentes radicaispodemser divididosem dois grupos, emtermosde reatividade: ogrupocom pouca reatividade,doqualos radicais cuja última unidade estrutural é proveniente dobutadienoou do estireno, sãoexemplos típicos, eogrupocom maior reatividade, que,por terem baixa estabilização por ressonância, tendem a reagir imediatamente com o outro monômero para formar um radical mais estabilizado ou, na falta de um comonômero adequado, tendem à transferência de cadeia com o seu próprio monômero, terminando, assim, a cadeia polimérica e iniciando outra, o que, na prática, atua comoumaautoinibição da copolimerização.Os radicaiscompouca reatividadetendemaadicionar prefe rencialmente monômeros que permitam manter a condição de estabilidade por ressonância. Este fato explica a grande tendência à homopolimerização e a dificuldade de copolimerizarem commonômeros queresultememradicaiscomuma estrutura tal quenão apresente ressonância.Umexemplo típico éo radical formadopela adiçãodo estireno, quehomopolimeriza facilmente (mantendo,portanto, amesma estrutura) e que nãocopolimerizacomacetato de vinila, por exemplo, porque o radical resultante teria umabaixa estabilização por ressonância. A copolimerização ideal ocorre com pares de monômeros que têm valores similares de Q e e. Os paresdemonômeroscompolaridade oposta(+ee –e)tendema formar copolímeros alternados,sendo esta tendência maximizadaquandoapresentam valores similares para Q. A Tabela 2.64 relaciona alguns monômeros com os seus valores respectivos de Q e e. Devemos observar os valores atribuídos para o estireno e que constituem o padrão para a determinação dos valores desses parâmetros para os demais monômeros. Polimerização 147 Tabela 2.64 ValoresdeQ–epara alguns monômeros – 0,80 – 0,96– 0,98 – 0,23 – 0,22 Monômero e Q Estireno (padrão)Isobutileno p-Metil estireno Metacrilato de butila Acetato de vinila Etileno Cloreto de vinila Metacrilato de metila Ácido metacrílico Ácido acrílico Acrilato de butila Fumarato de etila Maleato de etila 1,00 0,033 1,27 0,72 0,026 0,015 0,044 0,74 – 0,20 0,20 0,40 2,340,65 0,77 1,06 1,15 0,50 1,25 0,61 0,0591,49 6 TERPOLÍMEROS Apolimerizaçãodeumsistema formadopor3monômerosapresentaumagrande importância industrial, pois permite obter polímeros com maior variedade de propriedades do que os copolímeros com dois monômeros. De forma bastante genérica, os terpolímeros são resultantes da polimerização de uma misturamonoméricaqueinclui doismonômerosemquantidadesmaiores e, por isso, responsáveis pelas propriedades mais características, e um terceiro monômero em menor quantidade e responsável por umapropriedade específica. Assim,umpolímeroacrílicotermoconvertíveléobtidonapolimerizaçãodeumamisturamonomérica que incluium monômero responsável pela dureza (metacrilato de metila ou estireno), um monômero plastificante (acrilato de butila ou metacrilato de butila) e, em menor quantidade, um monômero hidroxilado (metacrilatode hidroxi-propila ou metacrilatode hidroxi-etila) para introduzir nopolímero o grupo hidroxila que será usado na reticulação (cura) com resinas melamínicas. Na maior parte das vezes,adiciona-seumapequenaquantidadede ácido acrílicoou metacrílicopara conferirumcerto índice deacidezao polímeroe que irá catalisar a reticulação ou curadosistema. Em princípio, o tratamentomatemático daterpolimerizaçãoou desistemas formadospor mais de três monômeros é similar ao da copolimerização, apresentando, porém, um grau de complexidade muitomaior.Assim,enquantona copolimerizaçãosãodefinidas duas reatividadesrelativas ouparâmetros de copolimerização, na terpolimerização são definidas seis reatividades relativas ou parâmetros de copolimerização.Hánovereaçõesdepropagação envolvidascom igualnúmerodeconstantesdeveloci dade. Portanto, no sistema formado pelos monômeros A, B e C, tem-se: A + A A – A A + B R11=K11[A ][A] R12=K12[A ][B]A – B A – C B + A B – A B + A + C R13=K13[A ][C] R21=K21[B ][A] R22=K22[B ][B] (141) B B – B B + C B – C R23=K23[B ][C] C + A C – A C + B C – B C + C C – C R31=K31[C ][A] R32=K32[C ][B] R33=K33[C ][C] 148 TINTAS R11, ...R12 R33 são as velocidades das reaçõesde propagação.As suas reatividades relativas são: r 12 = K 11 K 12 r 13 = K 11 K 13 r 21 = K 22 K 21 r 23 = K 22 K 23 r 31 = K 33 K 31 r 32 = K 33 K 32 No sistema formado por três monômeros, há seis reações de terminação. Cada monômero é con sumido em três reações comuma velocidade total que é a soma das velocidades de cada reação: dt = R 11 + R 21 + R 31 –d[ B ] dt = R12 + R22 + R32 –d[dt (142) C ] = R13 + R23 + R33 O estado estacionário para as concentrações dos radicais A•,B•eC• podeser expressoemtermos das velocidadesdepropagação. R12 + R13 = R21 + R31 R21 + R23 = R12 + R32 R31 + R32 = R13 + R23 (143) Osprimeirosmembrosdessas igualdades indicama velocidadedeconsumodos radicais, enquanto que os segundos indicam a velocidade de formação. Assim, o radical A• é consumido auma velocidade que é a soma de R12 + R13 e, por sua vez, é formado a uma velocidade correspondente à soma de R21 + –d[ A ] R31. A combinação das equações (141) e (142) e (143) resulta em uma expressão que fornece a composição do terpolímero em termos deuma proporção: d[A]:d[B]:d[C]= =[A] [A] r 31 + [A][B] .r 21 r 21 .r 32 + [C] r 31 .r 23 + [B] r 12 + (144) [A] r12.r31 + [B] r 12 .r 32 + [C] r 32 .r 13 [B] + [A] r 21 + [C]r13:[C]r23 :[B]r32: :[B] :[C] [A] r 13 .r21 + [B] r23.r 12 + [C] r13.r23 [C] + [A] r 31 + É possível obter-se uma expressão mais simples quando se considera o estado estacionário de formasimplificada: R12 = R21 R23 = R32 R31 = R13 (145) Polimerização 149 Aexpressão mais simples resultante da substituição da equação (143) por (145) é: [ B d[ A ]:d[ B ]:d[ [A] [A]+ ]C ] = r12 : [ B ] + [ C ] (146) [ A +[ B] + [ C ] r : [C ]r31r13 [A]r31 + [B]r32+ [ C] ] r21 r13 r12 23 PROCESSOS DE POLIMERIZAÇÃO Apolimerização por adição, a partir do mecanismo de radicais livres, pode ser efetuada por diferentes processos. É importante notar que uma mesma composição monomérica pode resultar em polímeros totalmente diferentes, evidentemente com características e propriedades distintas. Os processos mais importantes: • Polimerização em massa (bulk) • Polimerizaçãoemsolução • Polimerização emsuspensão • Polimerização em emulsão Apolimerizaçãoem massa nãoémuitousadana preparaçãoderesinas para a indústria de tintas.Adissipaçãodo calor dereaçãoé difícil, o que dificulta também ocontrole térmico. Apolimerizaçãoem suspensãotambémnãoémuitocomum na indústria de tintas; neste processo, o calor de reaçãoé facilmente controlado. A polimerização em solução é importante na obtenção de resinas para a indústria de tintas. Este método permite um controle eficiente das condições de polimerização, possibilitando uma excelente reprodutividade.O polímeroé obtidoemsolução, quegeralmenteé usada na preparaçãodas tintas. Apolimerizaçãoememulsãoéparticularmente importantena obtençãodasdenominadasemulsões aquosas queconstituemosveículosbásicos para astintasaolátex.Éumprocessorápidodepolimerização cuja característica fundamental é a de permitir a obtenção de polímeros de alto peso molecular, muito maior que aqueles obtidos nos outros métodos. A curva de distribuição do peso molecular é mais estreita queaquela obtida nosdemaisprocessos.O controle dapolimerização é eficientee aemulsãoé utilizada conforme obtidanapreparação das tintas. A polimerização em emulsãoem fase não aquosa, embora apresentado interesse técnico-científi co, nãoé muito usada pela indústria de tintas. Devido à sua grande importância na indústria de polímeros em geral e na indústria de tintas em particular, a polimerização em emulsãoserá comentadade forma mais detalhada noCapítulo 4. COMPARAÇÃO ENTRE AS POLIMERIZAÇÕES EM CADEIA OU ADIÇÃO E POR CONDENSAÇÃO Omecanismodepolimerizaçãoétotalmente diferente.Adiferença mais significativa éa formaçãoquase instantânea de uma macromolécula na polimerização em cadeia, enquanto na polimerização por condensação,ocrescimento damacromolécula é lento. Na polimerização em cadeia, o centro reativo, uma vez formado, cresce rapidamente até um alto peso molecular ser atingido. A concentração dos monômeros decresce durante a polimerização, en quanto o númerode macromoléculas aumenta.Emqualquer momentoda polimerização, a mistura da reaçãocontém monômeros,macromoléculas ecadeias em crescimento.O peso molecular do polímero permanecerazoavelmente inalteradodurantea polimerização,emboraograudeconversãoaumenteno seu decorrer. A concentração das “espécies ativas” em qualquer instante é muito baixa. Em uma polimerização por radicais livres, por exemplo, a concentração destes é da ordem de 10-8moles/litro. Pelo fatodeumadupla ligação carbono-carbono ser convertida emduasligações simplescarbono carbono, a reaçãoé exotérmica. Na prática, há a necessidade de se retirar o calor de reação através do resfriamento adequado doreator deprodução. Podemser formados sistemas poliméricoscomligações intercruzadassempreque as ramificações liguemduascadeias poliméricas. r 21 150 TINTAS Asituaçãoé bastante diferente na polimerizaçãopor condensação.Enquantonapolimerizaçãoem cadeia, a reação entre o monômero e a espécie em crescimento é a reação mais importante, sendo praticamentea única para efeito docrescimentodamacromolécula,napolimerização por condensação, a polimerização ocorre através da reação entre qualquer espécie presente: monômeros, dímeros, tetrâmeros, oligômeros, etc. Os monômeros desaparecem rapidamente através da formação dos dímeros, trímeros, tetrâmeros, etc. O aumento do peso molecular ocorre durante todo o curso da polimerização, de forma que o alto peso molecular só acontece no seu final. São necessários tempos longos para se conseguir valores do grau de conversão próximo de100% e peso molecular elevado. A polimerização em cadeia, também denominada por adição, se processa através de três reações diferentes entre si: iniciação, propagaçãoe terminação.Na polimerizaçãopor condensação hápratica mente uma só reação responsável pelo processo. 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SOLOMON,D.H. The Chemistry of Organic Film Formers, John Wiley & Sons Inc., Nova York, 1967. VOLLMERT, Bruno ODIAN, George RODRIGUEZ, Ferdinand Polymer Chemistry, Translated from the German by Edmund H. Immergut, Springer Verlag, Nova York, 1973. Principles of Polymerization, McGraw-Hill Inc., Nova York, 1970. Principles of Polymer Systems, McGraw-Hill Book Co., Singapura, 1983 – 2nd edition, 2nd printing (1988). Polymer Science, Tnterscience Publishers,a Division ofJohn Wiley and Sons, Nova York. BILLMEYER J.R., Fred W. PATTON, T.C. Alkyd Resin Technology – Formulating Techniques and Allied Calculation, Interscience Manual, 8 – Wyley Interscience(1962). 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Óleos – fórmula química ...... ............... 154 Estrutura do triglicérido .... 154 Introdução ........... ............. 154 Classificação ................ 155 Reações químicas ......... 156 Mecanismo da formação do filme:secagem ........ 159 Secantes.. Degradação do revestimento ............. ........ .. Amarelecimento dos revestimentos .................. 160 Obtenção de óleos ........... ............ 162 Tratamento dos óleos............... ........... 162 Maleinização ............. 164 Métodos de testes de óleos ... 165 Propriedades/uso dos óleos ........ ... .... .. .. . 165 ......... . . . . . . . 159 160 Matérias-primas ........... Preparação ........... 171 Modificações de resinas alquídicas ..................... 176 Processo de fabricação: solvente ou fusão ......... Mecanismo da formação do filme................. 180 183 .. ..... .. .. .. .. 3 Poliésteres ........... 185 Cura dos poliésteres saturados. .......... ............ 185 Cura dos poliésteresinsaturados................. 185 4. Formulações ........... 1882 Resinas alquídicas ............. Introdução .......... História ..... 166 .. ... .. ... .. 166 ......... 167 5 Referências bibliográficas.......... 191 154 TINTAS 1 ÓLEOS GLICÉRIDOS Ainda hoje, apesar do advento dos polímeros modernos, os óleos glicéridos são muito importantes na indústria de tintas, pois constituem uma das matérias-primas usadas na preparação de várias resinas, comespecial destaquepara as alquídicas que, por sua vez, sãofundamentaisnaobtençãode tintas para múltiplas finalidades. ÓLEOS – FÓRMULA QUÍMICA CH2–O–C–R1 O CH–O–C–R2O CH2–O–C–R3 O (R1, R2e R3são radicais graxos) ESTRUTURA DO TRIGLICÉRIDO t f-m h Figura 3.1 Estrutura esquematizada. t f – m h – 8 carbonos constantes – Duplas ligações ativas – Cauda do ácido graxo com um número variável de carbonos INTRODUÇÃO Os óleos vegetais e as graxas de origem animal têm sido de grande importância para a humanidade desdetempos imemoriais,devido aosseus múltiplos usose utilidades: alimentos, iluminação, matérias primas para a obtenção de certos produtos, etc. Os sabões já eram conhecidos dos povos antigos que habitavam a Mesopotâmia e dos fenícios; os antigos egípcios já sabiam produzir graxas lubrificantes a partir de misturas de óleode oliva com carbonatode cálcio. NoCapítulo 1, foi apresentada uma breveevolução das tintas e dos vernizes, mostrandotambém a importância que os glicéridos, principalmente os óleos vegetais, tiveram nessa evolução. Através das resinas alquídicas, das quais são um constituinte fundamental, esta importância permanece até os nossos dias. Osóleos representamde30a70%da composição das resinas alquídicas e sãoresponsáveis pelas propriedadesmais características e importantes desta classedepolímeros.Sem os ácidos graxos e, por conseqüência, sem os glicéridos, não existiriam esmaltes sintéticosde secagemao ar, ésteres de epóxi, esmaltes alquídico-melamínicos, vernizes óleo-resinosos e outros. Um aspecto particularmente importante dos glicéridos na atualidade refere-se à sua origem renovável, como,porexemplo: plantas oleaginosas, peixe, etc.Aindústriade celulose, quandoprocessa Óleos glicéridos, resinas alquídicas e poliésteres 155 certos tipos de pinus, gera como subproduto os ácidos graxos de Tall Oil, que são uma mistura de ácidos graxos insaturados com breu. Namoléculade glicérido, a porção referente aos ácidos graxoscorrespondea cercade90%doseu peso e a glicerina representa os 10% restantes. Osácidos graxos possuemuma cadeia linear formada por átomos decarbono ligados diretamente entre si (ligação carbono-carbono),emumnúmeroque varia de6 a 22 átomos, sendoparticularmente importantesos ácidos graxoscom10a18átomos. Estas cadeias podemser saturadas ouinsaturadas e, numaforma geral, os glicéridos são sólidos na temperatura ambiente,quandoosseus ácidos graxos são saturados, e líquidos quando insaturados. Há ácidos graxos que apresentam grupos funcionais na sua cadeia em substituição a átomos de hidrogênio. Sãoexemplos: • Óleodemamona:grupo hidroxila (ácido 12-hidroxioleico) H3C–(CH2)5–CH–CH2–CH=CH–(CH2)7–COOH OH • Óleode oiticica: grupocetônico (ácido licânico) H3C–(CH2)3–CH=CH–CH=CH–CH=CH–(CH2)4–C–(CH2)2–COOH O • Óleode vernólia: grupo glicidila H3C–(CH2)4–CH–CH–CH2–CH=CH–(CH2)7–COOH O Óleo CLASSIFICAÇÃO Os óleos são classificados em três categorias principais: secativos, semi-secativos e não secativos. Na Tabela 3.1temosumaclassificação dos óleos conhecidos,em funçãodo tipo de ácidos graxospredomi nantee da sua secatividade, queé caracterizada pelo índice de iodo. Tabela 3.1 Classificação dos óleos Ácidos graxos predominantes Secatividade Tipo % Média Fórmula química Classificação Índice de iodo Linhaça Linolénico 51 C18H30O2 Secativo 155–205 Oléico 22 C18H34O2 Linoléico 17 C18H32O2 Tungue Eleosteárico 80 C18H30O2 Secativo 160–175 Oiticica Licânico 78 C18H28O3 Secativo 140–160 Mamona Desidratada Linoléico 82 C18H32O2 Semi-secativo 135–145 (DCO) Soja Linoléico 54 C18H32O2 Semi-secativo 120–141 Oléico 28 C18H34O2 Girassol Linoléico 59 C18H32O2 Semi-secativo 125–136 Oléico 33 C18H34O2 Coco Láurico 48 C12H24O2 Não secativo 7,5–10,5 Mirístico 17 C14H28O2 Palmítico 9 C16H32O2 Mamona cru Ricinoléico 87 C18H34O3 Não secativo 81–91 156 TINTAS Óleos com índicede iodo maioresque 150são classificados como secativos, entre 100e 150 como semi-secativos e menores que 100 como não secativos. Os óleos vegetais não são compostos puros e são constituídos por uma mistura de glicéridos. A composiçãodos glicéridosemtermosdos tipos deácidos graxos presentes na sua composiçãoé funda mental, pois define as suas utilizações mais importantes: alimentos, sabões, tintas, álcoois graxos, etc. Oglicérido apresenta sempre ácidos graxos diferentes na sua composição, o que significa queum óleo vegetal em questão não é formado por glicéridos cuja molécula apresenta somente um tipo de ácido graxo, como, por exemplo: trioleato de glicerila e trilinoleato de glicerila. Isto significa que este óleo vegetal é formado por glicéridos cuja composição molecular contém simultaneamente os ácidos oléicoe linoléico. Na prática, oque se leva emconsideraçãoé a composição globaldo óleo emtermos quantitativo e qualitativo dos ácidos graxos presentes nos glicéridos; esta composição varia em um mesmo óleo conformeas condiçõesdodesenvolvimentoda cultura correspondente (clima, solo, épocada colheita, etc.). Assim mesmo, a composição média dos ácidos graxos caracteriza-o. REAÇÕES QUÍMICAS Hidrólise Ahidrólise do glicéridoé umareaçãode equilíbrio e oposta à esterificação. CH2–O–C–C17H31 CH2–OH HO–C–C17H31 O CH–O–C–C17H31 + 3 H2O CH–OH + HO–C–C17H31 O O CH2–O–C–C17H31 CH2–OH HO–C–C17H31 OO O Esta reação é a base para a obtenção industrial dos ácidos graxos, com a qual se obtémtambém a glicerina. Os métodos modernos são contínuos e empregam equipamentos e condições de reação adequa dos para que o equilíbrio seja deslocado para a formação dos ácidos graxos; a reação é efetuada a temperaturas entre250e 260°C, pressõesquevariam de40a 60bar e catalisadores básicos (óxidosde metais alcalino-terrosos, por exemplo). O equipamento, que tem a forma de uma coluna, possibilita a separação dos ácidos graxos da glicerina, de forma a minimizar a esterificação; os ácidos graxos saem no topo enquanto a glicerina, misturadacomágua, sai na parte inferior. Os ácidos graxos insaturados comíndice de iodoacimade100nãopodemser obtidos peloproces so contínuo porque polimerizam nas condições da operação; neste caso, são obtidos pelo processo de batelada, que usa condições mais brandas de reação e catalisadores mais eficientes; a produtividade é evidentemente menor. Ahidróliseemmeio alcalino,tambémchamada de saponificação, éa reação básica paraaprodução dosabão; ospovos da Antigüidade já opreparavam por meio da reação degraxascomcinzas. Na saponificação, o equilíbrio está deslocadoparaaformaçãodo saldoácido graxo. O O CH2–O–C–R CH2–OH O CH–O–C–R + 3 NaOH CH–OH + 3R–C O O–Na+ –O–C–RCH2 CH2–OH Óleos glicéridos, resinas alquídicas e poliésteres 157 Este sal (sabão) pode ser hidrolizado com ácido, resultando na formação do ácido graxo e do sal correspondenteao cátion. O R–C O–Na+ O + HCl + NaCl OH Oxidação A dupla ligação presente na cadeia dos ácidos graxos pode ser oxidada, resultando em produtos cuja natureza dependedoagente oxidanteempregadoedas condiçõesda reação.Assim,umaoxidaçãoenér gica produz a ruptura da cadeia, conduzindo à formação de ácidos dicarboxílico e carboxílico. O ácido azelaicoépreparadoapartirdaoxidaçãodoácido12-hidroxioleico,queéoconstituinteprincipaldoóleode castor (mamona),comum oxidante enérgico, como,por exemplo,o permanganatode potássio. H3C–(CH2)5–CH–CH2–CH=CH–(CH2)7–COOH [O] OH H3C–(CH2)5–C–CH2–COOH + HOOC–(CH2)7–COOH O Ácido azelaico [O] O Aoxidação efetuadaemcondiçõesadequadaseusando peróxidoscomoagentes oxidantes resulta na epoxidaçãodadupla ligação. R–CH2–CH=CH–CH2–R1 R–CH2–CH–CH–CH–R1 R–C Sãoexemplosdeagentes oxidantes maiscomunsnaepoxidação:água oxigenada, ácido peracético e ácido perfórmico. Os óleos epoxidados são plastificantes importantes e econômicos de PVC e de outros polímeros termoplásticos. Oxidação com o oxigênio do ar A oxidação com oxigênio do ar é particularmente importante na indústria de tintas porque constitui a base química da transformação de um esmalte ou de uma tinta a óleo de secagem oxidativa num revestimento. Este tipo de oxidação depende de uma série de fatores, tais como: • quantidadedeinsaturações • cadeias monolefínicas,diolefínicas, etc. • tipo de insaturações • duplas ligações conjugadasounãoconjugadas, tripla ligação. • arranjo geométrico dos substituintes nas duplas ligações: configuração cis ou trans. • temperatura e umidade Devemserainda consideradasa auto-oxidação, isto é, aoxidaçãoespontâneaea oxidaçãocatalisada por secantes. Aoxidaçãocomooxigêniodoar forma,numaprimeira fase, peróxidosque,na continuação,podem se decomporem radicais livres, iniciando assim a polimerização, cujo resultado prático éa secagem da tinta. 158 TINTAS Auto-oxidação Afacilidadecomquea auto-oxidação ocorre tambémdepende dotipo eda quantidadedeinsaturações existentes na cadeiadoácido graxo; mesmoosácidos graxos saturados estão sujeitos a auto-oxidação, quese processa no grupo metilena vizinho ao grupo carboxila. R–CH2–COOR1 R–CH–COOR1 [O] OOH É muito mais lenta do que a oxidação de ácidos graxos insaturados e não tem importância na secagem de uma tinta; aliás, é praticamente impossível a obtenção de uma tinta de secagem ao ar usando-se resinas alquídicas preparadasa partir deóleos saturados. A auto-oxidaçãodeácidos graxos monolefínicos, embora mais fácil do quea dos ácidos saturados, éainda bastante difícil quandocomparadacom a dos ácidos poliolefínicos; a oxidação ocorre nogrupo metilena vizinho à dupla ligação, como,por exemplo,nos oleatos. H3 [O] C–(CH2)7–CH=CH–(CH2)7–COOR H3C–(CH2)6–CH–CH=CH–(CH2)7–COOR OOH H3C–(CH2)7–CH=CH–CH–(CH2)6–COOR OOH Nosglicéridos commúltiplas insaturações, a auto-oxidação ocorre numa forma mais rápida;ome canismoeo resultadodependemdonúmerodeduplas ligações existentesna cadeiadoácido graxoedo fatode serem conjugadasou nãoconjugadas. Noslinoleatos, ohidroperóxidoé formadonogrupo metilena correspondenteaocarbono 11,queé ativado por estar entre as duasinsaturações localizadas nos carbonos 9 e 12. H3C–(CH2)4–CH=CH–CH2–CH=CH–(CH2)7–COOR [O] H3C–(CH2)4–CH=CH–CH–CH=CH–(CH2)7–COOR OOH Nos linolenatos, por terem três duplas ligações não conjugadas, os hidroperóxidos são formados preferencialmente nos carbonos 11 e 14. H3C–CH2–CH=CH–CH–CH=CH–CH–CH=CH–(CH2)7–COOR OOH OOH Tanto nos linoleatos quanto nos linolenatos há também a formação de hidroperóxidos noutros carbonos diferentes dos apontados, devido ao deslocamento das duplas ligações e, por conseqüência, coma formaçãode duplas ligações conjugadas. Admite-se que há o deslocamento das duplas ligações e a transformação da configuração original cis em trans, que é mais estável. Além dos peróxidos, também há a formação, em menor escala, de dihidroperóxidos. Óleos glicéridos, resinas alquídicas e poliésteres 159 Os glicéridos comduplas conjugadasapresentamumaoxidação muitomais rápidadoque aqueles comduplasnão conjugadas; ocorre a formaçãodeperóxidos cíclicos. R–CH=CH–CH=CH–R 1 [O] R–CH–CH=CH–CH–R 1 O O Quando o óleo glicérido apresenta 3 duplas ligações conjugadas, o peróxido cíclico formado está associadoaduasduplas ligações nãoconjugadasea oxidaçãoprocedenumaforma similar àapresentada paraos linoleatose linolenatos. Na preparação de resinas alquídicas e de óleos resinosos destinados a tintas de secagem ao ar, somentesãousados os glicéridos polinsaturados; os saturadosnãopodem ser usados para esta finalida de porque a sua velocidade de oxidação é extremamente lenta e, por isso, inviável. MECANISMO DA FORMAÇÃO DO FILME: SECAGEM Nos sistemas nãoconjugados,a decomposição dos hidroperóxidos resultantes daoxidação forma radi cais livres que, porsua vez, iniciamumapolimerização do tipo “polimerização em cadeia”. Esta decom posição e esta polimerização ocorrem numa forma ainda não muito bem esclarecida; um esquema simplificado possível: R CH=CH–CH2–CH=CH R O2 Portanto: R CH=CH–CH–CH=CH R OOH RO + R1H ROH + R1 R + R R–RRO + R R–O–RRO + RO R–O–O–R Transferência de radicais Reticulação Reticulação Reticulação R–OOH 2R–OOH RO + OH RO + ROO + H2O Nossistemascomduplas ligações conjugadas, adecomposiçãodoperóxido cíclico conduzàforma ção deradicais livres que iniciam a polimerizaçãoconformeoseguinteesquema: É muito importante observar que na secagem dos óleos conjugados, a macromolécula é formada através de ligações de grupos metilena e, por isso, os revestimentos resultantes apresentamuma melhor resistênciaemgeral. SECANTES OO CH–CH=CH–CH + CH=CH–CH=CH Aoxidaçãocomoxigêniodoar ocorrenumaforma lenta, necessitandodeperíodosdetempoinadequados para o seuusona indústria de tintas; parasanar tal deficiência, foram desenvolvidos catalisadores especiais,denomina dos secantes. Os secantes são sais de ácidos orgânicos com de terminados metais, tais como: cobalto, chumbo, man ganês, cálcio, bismuto, zinco, etc. Os ácidos orgânicos devem contribuir para uma boa compatibilidade com o meio (alquídica, óleo, solvente), sendo os mais comuns os ácidos naftênico e octóico. No Capítulo 13, são fornecidas mais informações a respeito desta importante classe de catalisadores, bem como a forma como atuam no mecanismo da secagem oxidativa. CH=CH–CH=CH O2 CH–CH=CH–CH O O OO CH–CH=CH–CH CH–CH=CH–CH CH–CH=CH–CH 160 TINTAS Os secantes são classificados em dois tipos, dependendo da forma como atuam: a) secantes primários: são os verdadeiros catalisadores da oxidação; os sais de cobalto e de manganês são os exemplos mais importantes. b) secantes secundários: ativam ossecantes primários, tornandoasecagemmais efetiva; sozinhos não catalisam a oxidação. Sãoexemplos: cálcio, zinco, chumbo, etc. Ossecantesprimários,porseremmetaisdetransição,atuamatravésdeummecanismodeoxi-redução: ROOH + Co2+ ROOH + Co3+ Co3++ RO + OH– Co2++ ROO + H+ Tambémpodem atuar comotransferidoresde oxigênio paraformaçãode radicais livres: Os radicais formados na cadeia dos ácidos graxos iniciam uma polimerizaçãoque resulta na formaçãodo revestimento. A adição de substâncias que podem formar complexos de Co3++ O2 Co3+–O–O –CH=CH–R1 coordenação com os secantes aumenta a velocidade da seca Co3+–O–O + R–CH2gem; o 1,10-fenantrolina éumexemplo típico. DEGRADAÇÃO DO REVESTIMENTO Co3+–OOH + R–CH–CH=CH–R1 Apresença de secantes no revestimento continua a catalisar a oxidaçãodasmacromoléculas,mesmoapós asecagem ter sido“completada”, contribuindoparaasua decomposição;háoutros fatores importantesquetambémcontribuem para essa decom posição: condições ambientais às quaiso revestimento está sujeito, radiação ultravioleta, etc. Aveloci dadededecomposiçãoémuitomais lenta doqueadasecagem,devido aumasériedefatores, tais como: Co3+ + R–CH–CH=CH–R1+ OOH a) diminuição notável dos pontos da macromolécula suscetíveisde oxidação. b) quantidade ajustada desecantes no mínimo necessário. c) estado sólido do revestimento,que dificulta a mobilidade molecular. d) pigmentação: a maioria dos pigmentos protege o revestimento orgânico da ação da radiação ultravioleta. A velocidade de decomposição é, pois, bastante lenta, de modo a permitir que o revestimento continue a proteger o substrato por períodos razoáveis sob o ponto de vista econômico. AMARELECIMENTO DOS REVESTIMENTOS Oamarelecimentodos revestimentos obtidos com tintas sintéticas de secagem oxidativa éumproble ma ainda não resolvido na prática. Os revestimentos brancos ou de cores claras amarelecem com o passardotempo,semprequeestejam sujeitos a condições especiais que,por sua vez, sãoo resultadode causas diversas, sendo válidos os seguintes comentários: a) as superfícies pintadas que permanecem a maior parte do tempo na obscuridade amarelecem visivelmente; por exemplo, na pinturadeum armário, a face interna das portas amarelecemais pronunciadamente do que a face externa, embora a tinta usada tenha sido a mesma. Este amarelecimento ocorre em todas as cores, porém, é mais visível nos brancos e cores claras. b) o amarelecimento é tanto maior quanto mais insaturado for o óleo usado na preparação da resina; por esta razão, são recomendadas para cores claras e brancas as resinas alquídicas preparadas a partir dos óleos de soja e de girassol; as obtidas a partirultravioleta (UV) 887 Sistema de cura por feixe de elétrons .. 890 Vantagens e desvantagens dos sistemas decura por radiação........................ 891 Pré-polímeros....................................... 893 Solventes .............................................. 900 Fotoiniciadores..................................... 902 Equipamentospara curapor radiação . 907 24 9 Radiometria .......................................... 916 10 Formulações para revestimentos de cura por UV ..................................... 918 11 Formulações para tintas de impressão de cura porUV ................................ 921 12 Novastendências de uso da tecnologia UV/EB.............................................. 921 13 Referências bibliográficas..................... 2 5 6 7 923 8 Tintas em pó JORGE M. R. FAZENDA / LUIZ G. S. FONTES / ANTONIO ROBERTO P. DACRUZ 3 1 Introdução ............................................ 926 2 Tintas em pó termoplásticas................ 929 Tintas em pó termoconvertíveis .......... 933 Propriedades das tintas empó ............Fabricação de tintasempó .................. 960 25 6 7 8 9 10 Aplicaçãode tintas empó ....................Aspecto do acabamento.......................Usos principais......................................Sistemas de resinas ..............................Referências bibliográficas..................... 973 982 982 983 987 4 959 5 Parte 5 Análise instrumental e caracterização físico-química A análise instrumental na indústria de tintas MIRIAM WUNDERLICH 1 5Introdução ............................................ 992 Espectroscopia..................................... 992 Cromatografia....................................... 997 Análises térmicas ................................. 1003 Tabelade técnica instrumentalx aplicação .......................................... 1006 Referências bibliográficas..................... 1006 23 6 4 xxii TINTAS 26 27 Ensaios para determinação da composição e caractetização de tintas CELSOGNECCO 1 Introdução ............................................ 1009 Ensaiosna tinta líquida ......................... 1009 34 Ensaiosna película de tinta seca .......... 1046 Referências bibliográficas..................... 10822 Meio ambiente, saúde e segurança na indústria de tintas IVAN DE ROGOLETTOPAULA 41 2 Introdução ............................................ 1084 Principais aspectos ambientais associados a tintas .......................... 1084 Saúdeocupacional nos processos de produçãode tintas .......................... 1090 Principais aspectos de segurança na indústriade tintas ........................... 1095 Sistemas de gestão .............................. 1107 Referências bibliograficas..................... 1118 5 63 Índice remissivo............................... 1119 PARTE1 INTRODUÇÃO, POLÍMEROS E RESINAS 1 Introdução, história e composição básica JORGE M. R. FAZENDA FRANCISCO D. DINIZ 1 Introdução ......................................................... 4 Importância ........................................................ 4 Complexidade .................................................... 5 2 HistóriaArte pré-histórica .............................................. .............................................................. Os primeiros materiais egípcios OPeríodo Clássico ............................................. ........................ A arte no Oriente ...............................................Materiais dos índios americanos .......................AEuropaMedieval .............................................ARenascençanaEuropa ...................................ARevoluçãoIndustrial .......................................Desenvolvimento no século XX ........................ 7 7 7 7 888899 3 Composição básica .......................................... 9 Introdução.......................................................... 9 Componentes básicos ....................................... 9 4 Referências bibliográficas............................... 10 4 TINTAS 1 INTRODUÇÃO IMPORTÂNCIA Talvez uma das formas mais felizes de expressar a importância das tintas, no contexto da realidade atual, tenha sido a descrita por Marco Wismar, vice-presidente da PPG Industries, Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento – Tintas e Resinas, no Chemical and Engineering News de fevereiro de 1984: “O valor da tecnologia de tintas e vernizes tem sido altamente subestimadoem todos os sentidos; a grande maioria das pessoas que não esteja de alguma forma relacionada com tintas e correlatos, seguramentenãosedá contadeque esta tecnologia envolve muitasciênciastaiscomo:química orgânica e inorgânica, química dos polímeros, eletroquímica, química de superfície, físico-química, química dos colóides, etc.O porte da indústriade tintas nomundo ocidentaléde US$22 bilhões.Nósprotegemose embelezamoscasase edifícios, carros, eletrodomésticos, além deuma variedade imensa de produtos industriais. Sobobinômiocusto-benefício,astintas constituemprovavelmenteoprodutoindustrial mais efetivo no nosso mundo. Por exemplo, uma tinta com espessura de 75 µm representa somente 0,8% do valor total deum carro médioeainda assim oprotegeda corrosão, provê coreaspecto ‘glamuroso’.Uma tintacoma espessuradeumdécimodeumfiodecabelohumanoprotegea latadealimentoda corrosão, mantémo sabor, embelezaa lata,tudoa custonãosuperior a0,4%docustototal devendaaoconsumidor da lata com seu conteúdo.” O mercado brasileiro de tintas para revestimentos apresentou no ano de 2008 os seguintes números: • Fabricantes: cerca de 300, espalhados por todo o País • Empregados diretos: 17 mil • Faturamento total 2008: US$ 2,95 bilhões • Volume produzido 2008: 1,13 bilhões de litros • Capacidade instalada: aproximadamente 1,4 bilhões de litros AsTabelas 1.1e 1.2 apresentam osvolumes produzidoseseus respectivos valoresdefaturamento anualmente desde 1999 até 2008 por segmento de mercado. Tabela 1.1 Produção/vendas (milhões de litros) Automotriz original Repintura automotriz 49 Indústria geralAno Imobiliária Total 2008 864 48 171 1.132 2007 800 45 42 1.045158 1472006 741 40 40 968 9422005 722 40 39 141 701 37 37 9132004 2003 2002 138 133662 34 31 860 663 33 30 131 857 2001 654 32 30 843127 1192000 653 30 83028 221999 641 30 108 801 Fonte: ABRAFATI. Introdução, história e composição básica 5 Tabela 1.2 Faturamento anual (milhões de dólares americanos) Repintura automotriz Automotriz original Indústria geralAno Imobiliária Total 2008 1.741 263 219 728 2.951 2007 1.448 223 171 600 2.442 2006 1.206 191 152 501 2.050 2005 1.110 180 135 455 1.880 2004 888 139 107 366 1.500 2003 792 119 79 330 1.320 2002 672 101 67 280 1.120 2001 837 128 90 350 1.405 2000 910 140 90 380 1.520 1999 891 135 85 328 1.439 Fonte: ABRAFATI. Embora estes números coloquem o Brasil entre os cinco maiores países ocidentais produtores de tintas,oconsumopercapitade5,2 litroscontinuaa serumdosmaisbaixos,conformemostraaFigura1.1. O Brasil representa, pois, um grande mercado potencial de tintas e correlatas, já que existem grandes possibilidades decrescimento noseu consumo per capita. Historicamente, esse crescimento tem sido superior ao crescimento do PIB per capita. 20,3Suécia EUA 19,5 Alemanha 18,7 Finlândia 15,7 Noruega 15,2 Suíça 14,7 Itália 14,2 12,6Japão França 11,5 7,7Reino Unido Espanha 7,3 5,2 Figura 1.1 Consumo de tintas no ano de 2005 (litros per capita Brasil Argentina Índia 0,38 4,5 COMPLEXIDADE A complexidade da indústria de tintas advém de uma série de fatores que podem ser de natureza tecnológica, comercial e/ou administrativa. 6 TINTAS Oelevadonúmerodematérias-primas, isto é, deprodutosquerealmente participam dacomposição dastintasevernizes,éumfatordecomplexidade.Umprodutordetintasqueatuenamaioriadosmercados de revestimentos necessita de 750 a 1.000 diferentes matérias-primas; parte delas é usada para fabricardos óleos de linhaça, tungue e oiticica, além de outros, nãopodem ser usadas paraessa finalidade. c) sob igualnúmerodeinsaturação, os óleoscomduplas ligações conjugadas amarelecemmaisdo que oscomduplas ligaçõesnão conjugadas. Óleos glicéridos, resinas alquídicas e poliésteres 161 d) as resinas alquídicas modificadascom resinatosdebreuecomfenólicastambémamareleceme, por isso, nãosãorecomendadaspara cores brancase claras. e) a combinação de secantes também pode contribuir para o amarelecimento; por esta razão, é importante estudar cuidadosamente para cada caso a combinação qualitativa e quantitativa adequada. f) o ambiente úmido e com vapores de amoníaco ou parecidos (por exemplo, ambientesemque se fuma intensamente) também favorece o amarelecimento. Éimportante observar queassuperfícies pintadascomtintas desecagemaoare sujeitasà luzsolar nãoamarelecem,a não ser quando usam alquídicas modificadas com resinatos ou fenólicas; aliás, uma superfície pintada e amarelecida, quando exposta à luz solar, desaparece o amarelecimento; as cores mais escuras também amarelecem, não sendo porém notado esse fenômeno. O amarelecimento parece estar associado à formação de uma estrutura com grupos cetônicos conjugados com as duplas ligações dos ácidos graxos. Esta estrutura pode ser formada quando da decomposição dos peróxidos, e é instável à luz; a situação é diferente para as tintas preparadas com alquídicas modificadas,como foi citado anteriormente. Os aldeídos e oóxido de zinco inibem a formação dessa estrutura e, por conseguinte, o amarele cimento, através de ummecanismo ainda não muito bem esclarecido. A adição de óxido de zinco é impraticável porque acarreta com o tempo um endurecimento pronunciado no revestimento, provocando um trincamento precoce. R–CH2–CH=CH–CH+2–CH=CH–CH+2–CH=CH–CH2–R! O2 O2 (a) R–CH2–CH=CH–CH–CH=CH–CH–CH=CH–CH2–R! O Alcoólise O OHOH –2H2O R–CH2–CH=CH–C–CH=CH–C–CH=CH–CH2–R! O O É uma reação específica para transformar o triglicérido na mistura de monoglicérido e diglicérido, queéa matéria-prima básica paraa obtençãoderesinas alquídicas. Pormeioda alcoólise,o glicérido, cujafun cionalidade é nula, étransformado nomonogli cérido e diglicérido que, por terem grupos hi droxila, podemparticiparna polimerização por condensação;nestecapítulo,na parte referente a resinas alquídicas, serão fornecidas mais in formações acerca da alcoólise e da acidólise, que são reações que possibilitam o uso de gli céridosna preparação dessa importante classe de resinas. (b) O2 R–CH2–CH=CH–CH + 2–CH=CH–CH2–CH=CH–CH + 2–R! O2 R–CH2–CH–CH=CH–CH=CH–CH=CH–CH–CH2–R! O O O O H O O O H CH2–OH CH2–O–C–R CH2–O–C–R CH2–O–C–R –2H2R–CH2 O 2–R! O O O CH–OH + CH–O–C–R CH–OH + CH–O–C–R –C–CH=CH–CH=CH–CH=CH–C–CH O Composto amarelado CH2–OH –O–C–RCH2 CH2–OH CH2–OH C=CH–C–CH=C O CH3H3C H3C CH3 Glicerina Óleo Monoglicérido Diglicérido O 162 TINTAS OBTENÇÃO DE ÓLEOS A Tabela 3.2 relaciona os óleos mais comuns com os principais países produtores; informa também o rendimento médio através da percentagem de extração, que indica a quantidade do óleo obtida no produtoque o origina. % Extração 30–40 45–55 Tabela 3.2 Obtenção de óleos Óleo Origem Linhaça EUA, Canadá Tungue EUA Oiticica Brasil EUA, Brasil 15–20 Girassol EUA 20–30 Coco Brasil Mamona Brasil, Índia 60–65 Soja 55–65 40–45 Ocorrência e isolação Osóleosdeorigem vegetal,desementesdeplantas comolinho, soja,mamonaecoco, sãonormalmente isolados pelo processodeextraçãoou prensagem.Destaformaseobtêm osóleos denominados brutos, que contêm impurezas do tipo carbohidratos e fosfatídeos. Essas impurezas se precipitam quando os óleos são aquecidos. Óleos brutos necessitam de tratamento prévio parausoemvernizes, resinas alquídicas, etc., a fim de não afetarem determinadas reações químicas (como a alcoólise) e propriedades como brilho e tempo de secagem. TRATAMENTO DOS ÓLEOS Os tratamentos mais utilizados são: Refinação Consiste no aquecimento em presença de produtos absorventes e posterior filtração. Um método alternativose baseia notratamento ácidoou alcalino, denominado refinação ácidaou alcalina. Encorpamento Consiste no aquecimentodo óleo refinado a uma determinada temperatura porum período de tempo, atéquesejaatingida aviscosidadedesejada.Atemperaturamédiade trabalhositua-se entre260e315°C, devendo-se atentar para o ponto de fulgor dos óleos, que gira em torno de 320 °C. Ocorre a denominada polimerização térmica, cuja velocidade depende do tipo Tabela 3.3 Velocidade comparativa da polimerização térmica de da insaturação, isto é, do número de du plas ligações existentesna cadeiadoácido ácidos graxos com 18 carbonos Ácido graxograxo e do fato de serem conjugadas ou Velocidade relativa 9:12 – cis: trans 0,7 não conjugadas; a configuração espacial 9:12 – cis: cis 1,0 tambéméoutro fator importante.ATabe 9:12 – trans: trans 1,2 la 3.3 sumariza estas considerações. A adição Diels-Alder é a forma mais 9:12:15 – cis: cis: cis 2,4 9:11 – cis: trans 5,8 comumdesta “polimerização” que, na prá 9:11 – trans: trans tica, resulta apenas na dimerização e na 26,0 9:11:13 – cis: trans: trans trimerização. Há a formação de diferentes isômeros devidoàsmúltiplaspossibilidades 170,0 9:11:13 – trans: trans: trans 340,0 Óleos glicéridos, resinas alquídicas e poliésteres 163 decomoa adiçãopode ocorrer; a característica fundamentaléa formaçãode anéiscom6átomos e, por isso,muitoestáveis. Admite-sequequandoasduplas ligaçõesnãosão conjugadas, existea isomerização para aformaçãodeduplas ligações conjugadas,oque possibilita a adição Diels-Alder. H3 13 12 11 10 9C–(CH2)4–CH=CH–CH2–CH=CH–(CH2)7–COOR Isomerização H3 13 12 11 10 9C–(CH2)4–CH2–CH=CH–CH=CH–(CH2)7–COOR H3 13 12 11 10 9C–(CH2)4–CH2–CH–CH=CH–CH–(CH2)7–COOR H3C–(CH2)4–CH2–CH=CH–CH–CH–(CH2)7–COOR Este dímero é um dos isômeros possíveis; os outros apresentam uma estrutura similar, porém, envolvendo outras duplas ligações; a dimerização também pode ocorrer entre uma cadeia insaturada conjugadaeoutra nãoconjugada. Uma outra forma de provocar a dimeri zação é através de radicais livres resultantes R–CH=CH–CH2 –R1 Peróxido R–CH=CH–CH–R1 daaçãodeperóxídos;nestecaso,adimerização pode ocorrer nas cadeias monolefínicas ounas R–CH=CH–CH–R1 cadeias diolefínicas não conjugadas, sem que R–CH=CH–CH–R1 haja a necessidadeda sua isomerizaçãoparaa forma conjugada.A formaçãodo radical ocorrenogrupometilena vizinho à dupla ligação. Os ácidos graxosdímeros sãousadosna obtençãode poliamidas que, por sua vez, sãoimportantes comoagentesde reticulação de resinas epoxídicas (ver Capítulo 6). Sopragem (Blown Oil) Consisteem soprar ar através do óleo, a uma temperatura entre 70 e 120 °C. Isto induz rapidamente a oxidação dos óleos e o conseqüente aumento de viscosidade a um custo relativamente baixo. Esta reação pode ser acelerada através do uso de secantes. Os óleos obtidos por meio deste processo são denominados óleos soprados (Blow Oil) e amarelam mais do que os óleos encorpados. cis Isomerização Aspropriedadesdos óleos naturais estãorela cionadascomograue tipodeinsaturaçãopre cis sente. Em sistemas de duplas ligações, a cis –CH=CH–CH2–CH=CH– insaturação cisé mais fácil de sofrer oxidação 13 catalítica doqueainsaturação trans,ea veloci 9 10 11 12 dade de secagem de óleos conjugados é mais rápida do quea denão conjugados. Aisomerizaçãodeóleosou ácidos graxos OH– (meio alcalino) –CH=CH–CH–CH=CH– cis é, portanto, praticada para aumentar as insa 9 10 11 12 13 turações conjugadas e/ou interconverter isô meros cis em trans. –CH–CH=CH–CH=CH– cis –CH=CH–CH=CH–CH–cis Desidratação 9 10 11 12 13 9 10 11 12 13 O ácido 12-hidroxioleico ou ácido de rícino é o ácido graxo principal do óleo de mamona cru, também denominadodeóleode castoroudeóleode rícino.Comoconseqüênciada existência degrupos hidroxila trans trans 164 TINTAS H + OH na sua molécula, pode ser desidratado, resultando num óleo semi-secativo,produtos intermediários, destacando-se entre eles as resinas e emulsões. Uma fórmula típica de um esmalte sintético de secagem ao ar contém em torno de 10 componentes (matérias-primas e intermediários);porém,seforemlevadasemcontaasmatérias-primasnecessáriasparaaobtençãodesses intermediarmos,onúmerototal dematérias-primasque participa da composiçãosubirá paracercade 30. A evolução constante das indústrias química e petroquímica resulta no aparecimento de novas matérias-primas, algumasdas quais responsáveis por verdadeiras revoluções tecnológicasna indústria de tintas. É,pois,importantequeasnovasmatérias-primassejamestudadas cuidadosamente,nosentido de se determinar o seu potencial de uso na indústria das tintas. A diversidade de mercados a atingir é outro importante fator de complexidade, já que a indústria de tintastemdeatendê-losnoqueserefereàsexigênciasparticularesdecadaum.Pode-seafirmarqueastintas estãopresentesemcadapartequeconstituioPIBdeumpaís, e existeumacompetitividade constante por partedeoutros produtos industriaiscomosubstitutos de tintas: papel, tecidos, plásticos, etc. A tecnologia de aplicação das tintas e vernizes está em constante evolução numa forma permanentemente sintonizadacomopróprio desenvolvimento das tintas.Em outras palavras, sendoa aplicaçãoumaetapa importantedoprocesso industrial dorevestimentodeuma certa superfície, existe sempreapreocupaçãodesepesquisar novasformasdeaplicação,detalformaaaumentara produtividade desta operação e simultaneamente melhorar a qualidade do revestimento. O aparecimento de novas técnicasdeaplicação demanda profundas modificaçõesna tecnologia das tintas, havendo,por vezes, a necessidade de desenvolvimento de novas formas tecnológicas. Quando se pensa em aplicação, logo vem à nossa mente a forma de cura da tinta. Entende-se por curaaúltimaetapadoprocessoindustrialdeumatinta,queocorreapósaaplicação,atravésdeimportantes fenômenos químicos e físicos; é durante a cura que ocorre a formação da película protetora sobre a superfície,evidenciando-se,então, todasaspropriedadesdesejadasda tinta; na maioria dos casos,a cura é conseqüência de reações químicas que transformam a estrutura polimérica linear em estrutura polimérica tridimensional.Aformaçãodepelícula através dasimples evaporaçãodossolventesémenos comume ocorre em casos especiais, como por exemplo nas lacas. O processo de cura de uma tinta é, pois, um fator de complexidade devido, entre outros, aos seguintes aspectos: a) O processodecura faz parte integrante dodesenvolvimentodeuma tinta;em outras palavras, quando do desenvolvimento de uma tinta deve sempre ser levada em consideração a forma pela qual vai ser curada. b) Os processos de cura estão em constante desenvolvimento, tanto por parte do produtor de tintas quantopor partedo fabricantedoequipamentodecura;a curapor radiação ultravioleta constituiumexemplodeintegração entre a indústria de tintas eadefabricaçãodoequipamen to; porumlado, a tinta necessita ter umacomposiçãoquepermita a ocorrênciadacuraquando submetida, apósa aplicação,à açãodaradiaçãoultravioleta e, por outrolado,o equipamentode curatemdefornecer a radiação adequada. Éimportantefrisar queosprocessosdeaplicaçãoedecura sãorealizadospelousuárioeconstituem a última e mais importante etapa de industrialização de uma tinta; isto significa queo fabricantede tintas entrega ao usuário umprodutoincompletosob oponto devista da industrialização, porém,com todas as condições potenciais para que essas operações ocorram de forma adequada e previamente estabelecida. Este aspecto torna a tinta um produto ímpar entre os diferentes produtos industriais, já que estes, emsua grande maioria, são fornecidos ao usuárionum grau completo deindustrialização. A necessidade de proteger o meio ambiente tem sido um fator importante no desenvolvimento tecnológico das tintas; nos últimos anos têm sido alcançados impressionantes progressos, que têm permitido diminuir consideravelmentea emissãodesolventes orgânicosquandodaaplicaçãoecuradas tintas; são exemplos: • A substituição dos sistemas à base de solventes orgânicos por sistemas aquosos. • Desenvolvimento de tintas empóe de cura por radiação. • Desenvolvimento dos denominados sistemas de altos sólidos. • Reduçãoou eliminaçãode produtos considerados tóxicos na composiçãodas tintas. Introdução, história e composição básica 7 Por todas estas razões, a indústria de tintas e vernizes está em processo constante de desenvolvimento e, com certeza, num futuro próximo, existirão novas formas tecnológicas de tintas, emuma extrapolaçãodo que tem ocorrido durante as últimas décadas. 2 HISTÓRIA Por muitos séculos, as tintas foram empregadas pelo seu aspecto estético. Mais tarde, quando in troduzidas em países do norte da América e da Europa, em que as condições climáticas eram mais severas, o aspecto proteção ganhou maior importância. Sua utilização nas áreas de higiene e ilu minação é resultado da ciência e da mecânica modernas.Por essa razão,descreveremosprimeiramente ahistóriaeodesenvolvimentodosrevestimentosatravésdostemposatéatingirmosamodernatecnologia. ARTE PRÉ-HISTÓRICA Os arqueólogos têm descoberto desenhosem cavernase gravuras sobre rochas que datam deantes da última Era Glacial. Alguns dessesdesenhosforam feitosemmonocromia,com óxidos deferro naturais ou ocre vermelho. Outros artistas paleolíticos usavam um conjunto de materiais que consistia de cal, carvão, ocre vermelho ou amarelo e terra verde. A técnica empregada era simples, pois as cores eram preparadascomosprópriosdedosealgumasvezesprensadasentrepedras.Naturalmenteestesdesenhos nãopossuíam nenhumadurabilidade a não serem ambientes favoráveis (comoosdas cavernas). Os melhores espécimes foram achados em Altamira, Espanha, em que um desmoronamento, provavelmentenofinalda últimaEra Glacial,havia seladoumacavernapor milharesdeanos.Ostrabalhos de duas escolas daquela época foram ali encontrados, e constatou-seque haviam sido desenhados por duas raças distintas. (Se essas raças eramcapazesde secomunicar entre si, nóspodemosimaginarsua conversação. Seusargumentos,provavelmente, não diferiam muito dos nossos quando discutimos o que chamamos Arte Moderna.Atécnica desses artistas aindaé empregadaemdesenhos feitoscom os dedos e em trabalhos com aquarelas). Descobertas no deserto da Líbia revelaram um tipo de desenho que seria utilizado muitos anos depois pelos egípcios. Ele teria dadoorigem aosistemade hieróglifos dos egípcios e, depois, ao alfabeto fenício. Este tipo dedesenhoesua técnica, deumaforma geral, ainda sãoempregados por várias tribos do centro da África. No oriente, ohomemdesenvolveu lápis coloridos com propósitos decorativos por volta de 4000 a.C., feitos pela mistura de pigmentos com caulim. OS PRIMEIROS MATERIAIS EGÍPCIOS O clima seco do Egito não servia como estímulo para o desenvolvimento de revestimentos protetores, exceto para os navios. Entretanto, os egípcios sãoexemplonas artes decorativas, utilizadasempinturas de paredes, sarcófagos ou em papiros manuscritos, os quais pertencem à Arte Egípcia do período de 8000 a 5800 a.C. Foi durante esse período que surgiram os primeiros pigmentos sintéticos, embora algumas das primeiras cores egípcias fossem derivadas de solo natural. O que hoje é conhecido como Azuldo Egito era compostode óxidode cálcio, alumina, sílica, resíduosde soda e óxidos decobre. Era preparado segundo o método de Vitruvius, arquiteto e engenheiro romano, pela calcinaçãodeuma mistura de areia, soda e cobre. Este pigmento tornou-se um importante item de exportação durante os anos posteriores. As cores naturais incluíam ocres vermelhoeamarelo, hematita,calcárioamarelo, ouro em folha, malaquita (carbonato básico de cobre), carvão, negro de fumo e gesso natural. Os egípcios também desenvolveram um pigmento orgânico, formado por uma base preparada com uma planta da região misturadacom gesso natural. Os egípcios empregavamgoma arábica, clara e gemade ovos, gelatina e cera deabelha tratadacomopreparos paraseus veículos (ligantes). Pichese bálsamos naturais eram usados como revestimento protetor para seus navios. Reporta-se ainda que a trincha e a espátula eram usadas em suas aplicações. Os retratos eram feitos com cera ou mistura de cera e resina natural, a qual podia ser facilmente aplicada naquelas condiçõesclimáticas. O PERÍODO CLÁSSICO Osmateriais utilizados pelos gregoseromanoseram similares àquelesempregadospelos egípcios. Cola e albumina de ovo eram usados como ligantes. 8 TINTAS Além dos pigmentos comuns aos egípcios, os romanos conheciam outros artificiais, tais como: chumbo branco (alvaiade), litargírio, zarcão, óxido amarelo de chumbo, verdete e ossos escuros. Pigmentos orgânicos oriundos de madeira, plantas e suas misturas com argila e mel eram bastante comuns. O piche era utilizado, durante esse período, para vedação de seus navios e sua mistura com cera, para o fundo dos mesmos. Resinas e óleos eram empregados apenas como linimentos. Não há nenhuma indicação do uso de vernizes nos escritos desse período, exceto um material à base de betume. Muitas das pinturas de Pompéia foram preparadas com massa de óxido de cálcio por artesãos comuns, e a maioria das paredes, pintadas em monocromia. Os romanos haviam perdido o espírito artístico dos gregos, que em vão tentavam copiar. Duas escolas de arte existiam, entretanto: uma impressionista e uma realista. A civilização bizantina usava albumina deovo,oqueacarretouo tradicional uso deste ligante pelos italianos durante o século XIV. A ARTE NO ORIENTE Atécnicadesuspender pigmentosemágua,comousem ligante, era muitocomum desdeosprimórdios da Europa Renascentista, adquirida através dos italianos. Amesma prática prevalecia nas decorações das antigas cavernasdo Oriente. Ospersasutilizavamgomaarábicacomoliganteeoschineses,umacolafracacomomesmopropósito. NaÍndia, as tintas eram aplicadascomestiletes e trincha, eos lápis decor eram feitoscomarrozcozido. Tantoosantigoschinesesquanto os japoneses utilizavamumasériedepigmentospara a preparação desuascores, taiscomoazurita,carbonatobásicodecobre,malaquita,azulultramarino,zarcão(vermelho de chumbo), litargírio, caulim, negro de fumo, pó de ouro e outros, provenientes de plantas da região. Muitos desses pigmentos, quando misturados com um ligante adequado, geralmente goma arábica, serviamcomopintura sobre finas porcelanas, preparadas pela notável arte oriental. MATERIAIS DOS ÍNDIOS AMERICANOS Osíndios americanose osda costa oestedoCanadáusavamcarvão vegetalcomo pigmento preto para suas canoas e outro tipo de carvão para sua pintura facial. Utilizavamtambémnegrodefumo natural, grafite e lignita empó,como pigmentos negros. Para a cor branca,usavam diatomita retirada dofundo de alguns lagos ou de ossos calcinados de animais silvestres. Os vermelhos eram obtidos a partir da calcinação do ocre amarelo ou torrefação do fungo das pináceas, e os amarelos consistiam do amarelo ocre ou de fungos das pináceas; os azuis e verdes eram preparados do carbonato de cobre e peziza (material proveniente de um fungo que cresce nos restos em decomposição de algumas madeiras). Os ligantes empregados pelos índios eram ovos de salmão ou óleo de peixe. A banha de carneiro era usada como ligante para seus cosméticos. Os Maias, na América Central, também possuíam sua maneiraprópria depreparar revestimentos. Seuspincéiseram feitos depenasouplumagem de pássaros enasmelhores pinturas eramadicionados ovos de faisão. Muitas dessas pinturas tinhamexcelente durabilidade. A EUROPA MEDIEVAL Os manuscritos são a principal fonte de informação sobre tintas e vernizes usados durante a Era Medieval na Europa. Aetius, um médico escritor do século VI, foi um dos primeiros a sugerir o uso de óleos para vernizes. O manuscrito de Lucas, da catedral do mesmo nome, escrito muitos anos depois, indica queo usode cerae cola eraumbom ligante para revestimentos. Teophilus,ummongedo século XI, fez a primeira descrição sobre a preparação deum verniz óleo-resinoso, com base nocozimento de uma resina natural com óleo de linhaça. Albumina de ovo era ainda um ligante tradicional entre os principais artistas desse período, inclusive no século XIV. A RENASCENÇA NA EUROPA Após aRenascença, cresceu o interesse pela utilização de óleos. Duranteesse período, cada artista era seu próprio fabricantedepigmentose veículos. Vernizes à basedebreueóleode linhaça foram descritos Introdução, história e composição básica 9 porCennino Cennini,por voltadoséculo XV,ealguns desses manuscritos estão preservados até hojeno VaticanoeemFlorença. Artistas como Rembrandt e Cuyp, pintores holandeses do século XVII, usavam como ligantes vernizes óleo-resinosos. Leonardoda Vinci, arquiteto, engenheiro, cientista e artista italianodo século XVI, também empregava um veículo similar, substituindo os vernizes naturais por óleos. Petitot de Génova foi um dos primeiros a sugerir, em 1644, que os secantes possuíam valor prático nas tintas, embora o efeito dos secantes sobre óleos vegetais tenha sido mencionado por Galen já no século II, e por Marcellus duranteoséculoIV. Naquele período, os óleoserampurificados pelo cozimentocomágua, eos secantes usadoscomo agentes desidratantes.O fato deo sulfato decobrepromover propriedades secativas devia-se, provavelmente,às impurezas quecontinha. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL Watin, em 1773, foi o primeiro a descrever tecnicamente a indústria de tintas e vernizes como a conhecemoshoje. Copaleâmbareramasprincipaisresinasdurante aépocadaRevoluçãoAmericana.As resinas e óleoseramfermentados antesda incorporação, para purificá-los. Terpentenoeraempregado como diluente e os pigmentos eram moídoscom uma grande pedra de forma cilíndrica. As primeiras fábricas deverniz foram estabelecidasna Inglaterra,em1790;naFrança,em1820;na Alemanha,em1830ena Áustria,em1843.MasaGrã-BretanhaeaHolandaforam as primeirasa produzir vernizescom técnicas mais apuradas. J. Wilson Neil, em 1833, foi o primeiroa fornecer detalhes para a produçãode verniz.Umdosprodutos por ele descritos era fabricado numa proporçãode oito libras de resina para dois a três galõesde óleo de linhaça. Por muitos séculos, a formulação de uma tinta foi uma arte sigilosa, cuidadosamente guardada e passadadegeração a geração.Comoastintaserampreparadasemquantidades pequenas, utilizando-se moinhos arcaicos e métodos de misturas manuais e trabalhosos, elas eram caras e apenas disponíveis paraumpequeno segmento mais abastado da sociedade. Com o surgimento da indústria de tintas e vernizes no século XIX, os revestimentos orgânicos ganharam, evidentemente,maior difusão popular. DESENVOLVIMENTO NO SÉCULO XX Comoa maioria das ciências, a indústria de tintas e vernizes, que tinha sofrido pequenas alterações ao longo do tempo, sentiu o tremendo impacto científico e tecnológico surgido no século XX. Novos pigmentos, melhoria dos óleos secativos, resinas celulósicas e sintéticas e uma grande variedade de agentes modificantes começaram a fluir dos laboratórios especializados e das linhas de produção industriais, transformando-sena base deuma corrente infindável de novos revestimentos orgânicos. Oadventodeemulsõesaquosase tintascombaseemsoluções aquosas proporcionaramuma outra dimensãopara a variedade, utilização ecomplexidadenocampodas tintas. Muitos desses materiais e produtos serão abordados a seguir, demodoa proporcionarummelhor estudo e compreensão por parte dos leitores deste livro. 3 COMPOSIÇÃO BÁSICA INTRODUÇÃO Tinta é umacomposição líquida, geralmente viscosa, constituída de um ou mais pigmentos dispersos em um aglomerante líquido que, ao sofrer um processo de cura quando estendida ein película fina, forma um filme opaco e aderente ao substrato. Esse filme tem a finalidade de proteger e embelezar as superfícies. COMPONENTES BÁSICOS Os componentes básicos da tinta são: Resina Resina é a parte não volátil da tinta, que serve para aglomerar as partículas de pigmentos. A resina também denomina o tipo de tintaou revestimento empregado. Assim, por exemplo, temos as tintas acrílicas, alquídicas, epoxídicas,etc. 10 TINTAS Todaslevamonomedaresina básicaque as compõe.Serão vistos,adiante, osmaisvariadostiposde resina utilizados nas formulações de tintas e vernizes. Antigamente, as resinas eram a base de compostos naturais, vegetais ou animais. Hojeem dia são obtidas através da indústria química ou petroquímica por meio de reações complexas, originando polímerosqueconferem àstintas propriedadesde resistência e durabilidade muitosuperiores àsantigas. A formação do filme de tinta está relacionada com o mecanismo de reações químicas do sistema polimérico, embora outros componentes, como solventes, pigmentos e aditivos, tenham influência no sentido de retardar, acelerar e até inibir essas reações. Pigmento Material sólido finamente dividido, insolúvel no meio. Utilizado para conferir cor, opacidade, certas características de resistência e outros efeitos. São divididos em pigmentos coloridos (conferem cor), não coloridos e anticorrosivos (conferem proteção aos metais). O índice de refração (I.R.) está diretamente relacionado ao poder de cobertura (propriedade da tinta de cobrir o substrato), sendo que os pigmentos coloridos devem possuir I.R. superior a 1,5 (I.R. médiodas resinas utilizadas em tintas).Ascargaspossuem I.R. iguais ou ligeiramente superioresa 1,5 sendo, portanto, transparentes ou quase transparentes. Aditivo Ingrediente que, adicionado às tintas,proporciona características especiais àsmesmasoumelhorias nas suas propriedades. Utilizado para auxiliar nas diversas fases de fabricação e conferir características necessárias à aplicação. Existeumavariedadeenormedeaditivosusadosna indústriade tintase vernizes, a saber: secantes, anti-sedimentantes, niveladores, antipele, antiespumante, dispersantes, etc. Solvente Líquido volátil, geralmentedebaixo pontode ebulição, utilizado nas tintas e correlatos para dissolver a resina. São classificados em: solventes ativos ou verdadeiros, latentes e inativos. Cada um desses componentes básicos será pormenorizadamente estudado nos capítulos subseqüentes. 4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAFATI MATTIELO, J.J. Associação Brasileira da Fabricante de Tintas. Disponível em: . Acesso em: 01.03.2009. Protective and Decorative Coatings – v. I, John Wiley & Sons, Nova York, 1946. Organic Coatings – Properties, Selection and Use– UnitedStates Department of Commerce, Washington D.C., 1968. ROBERTS, A.G. Polimerização: considerações teóricas JORGE M . R . FAZENDA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 Polímeros e polimerização .......... Introdução ...... Materiais poliméricos e tintas: um pouco de história ... ......... .ia . . . . . . . . . . ............2 Terminologia e definições ...... Funcionalidade ................................... ............. Homopolímero, copolímero ,terpolímero, etc. . Polímeros – algunsexemplos .. ........... Conceitos importantes .... ..................... Peso molecular ............... ........... Determinação do peso molecularmédio ......... Métodos baseados namedida das propriedades coligativas .......... Dispersão da luz ( light scattering) ................ Ultracentrifugação Cromatografia de permeação de gel (gpc) ....... Como ocorre a separação ......... Resumo ..... 25 .......... 26 29 Obtenção de poliésteres por transesterificação 45 Obtenção de poliamidas .. ... ... ... Obtenção de policarbonatos. ......... Ramificação e reticulação ............. Funcionalidade ....... ............... Gelificação: abordagem estatística .................. Cálculo para a obtenção deresinas alquídicas e poliésteres .......... ..... . Simplificação .. .. .. . .. .. .. .. .. .. . .. .. .. .. .. . .. .. .. .. .. . ... . .. .. .. .. Cálculosbásicos .............. Exemplo da aritmética básica de resinas alquídicas e de poliésteres ........................... Elaboraçãode umatabela genérica .................. Cálculo do grau de conversão crítico ................. Ajuste da composição para que o grau de conversãonoponto de gelificação seja 1,00 ... 68 ..... .... ......... 36 Polimerização por condensação ..... Reatividade dos grupos funcionais ........ Aspectos cinéticos ............ Formação da cadeia polimérica em função do grau de conversão (P ) e do grau de polimerização (Xn ) Controle do peso molecular . ......... 12 TINTAS Cálculodopeso molecular de resinas alquídicas 69 Funcionalidadesdopolímero ............................ 78 Resinas alquídicas e poliésteres solúveis ou diluíveis comágua ....................................... 80 Métodopráticode formulaçãode resinas alquídicas e poliésteres ................................ 86 Cálculoderesinas alquídicas quecontêmóleo de castor na sua composição ....................... 89 Os óleos de mamona cru e de mamona hidrogenadocomopoliálcoois .....................Ousodeanidrido maleicoem resinas alquídicas 92 Cálculo das resinas alquídicas a partir de composições monoméricas que contêm anidrido maleico eóleos ou ácidos graxos insaturados ................................................... 93 Cálculode resinas alquídicas quecontêmbreu eanidrido maleicosimultaneamente........... 94 Resinas maleicas ................................................ 95 92 107 4 Polimerização por adição ................................ 97 Introdução.......................................................... 97 Mecanismosdapolimerizaçãoem cadeia .......... 98 Importância para tintas e vernizes .................... 105 Considerações gerais......................................... 105 Geraçãode radicais livres ..................................Acrilaçãoevinilização ........................................ 110 Aspectos da termodinâmica .............................. 117 Temperatura máximade polimerização ............ 119 Cinética da polimerizaçãoemcadeia: homopolimerização ...................................... Consumo de monômero ....................................Conceito de estado estacionário ....................... 122 119 121 5 Copolímeros...................................................... 127 127 129 Equaçãoda copolimerizaçãoe reatividades relativas ........................................................Significado de r...................................................Composiçãodocopolímero ............................... 132 Reatividade e estrutura de monômeros e radicais....................................................... Esquema Q – e................................................... 140 145 6 Terpolímeros ..................................................... 147 Processos de polimerização .............................. 149 Comparação entre as polimerizaçõesem cadeiaou adiçãoe porcondensação ............ 149 7 Referências bibliográficas............................... 150 Polimerização 13 1 POLÍMEROS E POLIMERIZAÇÃO INTRODUÇÃO Os polímeros são substâncias químicas de alto peso molecular obtidos pela reação denominada polimerização, através da qual compostos químicos de baixo peso molecular (monômeros) reagem entre si para formar as macromoléculas. Como consequência deste tipo de reação, a estrutura da macromolécula é constituída pela repetição de unidades estruturais ligadas entre si por ligações covalentes. Ospolímerossão essenciais à nossa vida, pois são constituintes importantesdos alimentos (amido, proteínas, etc.) e de todos os seres vivos (ácidos polinucléicos, proteínas, etc.); estão presentes no nosso cotidiano (celulose, borracha, etc.); osprodutos têxteis sãoformadosbasicamente por polímeros naturais (celulose do algodão, poliamida da seda, etc.) e artificiais (poliésteres, poliamidas, acrílicos e outros). Aquímicados polímeros tratadecompostoscujas propriedades maismarcantesdependemfunda mentalmentedogrande tamanhodasmoléculas;o pesomolecular da maioria dos polímeros está entre 103 e 107, o que significa que a menor partícula éa macromolécula, que, por sua vez, corresponde à molécula na química em geral; este conceito, tão simples de entender nos nossos dias, não era aceito pela maioria dos químicos até que Staudinger o tornasse claro. Já se sabe, há bastante tempo, que o amido e a celulose são compostos formados pela associação química de glicose, pois esteé ocomposto resultante da hidrólise ácida dessas substâncias; é diferente a forma como as unidades de glicose se unem para formar celulose (ß-1,4) e amido(α-1,4) Foi Staudinger quem provou o caráter polimérico da celulose e do amido através da denominada conversão polimérica análoga; este processo consiste na obtenção de derivados de um determinado polímero conseguindo-se, assim, modificar certas propriedades (por exemplo: solubilidade), porém sem afetar o grau de polimerização. Exemplos: Celulose HNO3 Nitrato de celulose – OH Celulose Amido Anidridoacético Acetato de amido – OH Amido Acelulose, por exemplo,é solúvelemhidróxidodetetramim-cúprico, enquantoo nitrato de celu lose é solúvel em acetona e clorofórmio. A determinação de peso molecular da celulose nas diferentes fases da conversão polimérica mostra: a) O composto polimérico não apresenta variação de peso molecular antes do processo e após a sua regeneração. b) O peso molecular do derivado corresponde aodo composto de partida acrescido da parte cor respondentedamodificação. c) O grau depolimerização émantido, pois nãoocorreram modificaçõesna cadeia polimérica. O processo de obtenção de derivados de compostos poliméricos é de grande importância, pois permite modificar as propriedades de forma a torná-los úteis em aplicações industriais; o nitrato de celulose e o acetato-butirato de celulose são exemplos de derivados da celulose com grande utilidade em tintas, enquantoa celulosenãomodificadaquimicamenteé depouca utilidade. A química dos polímeros é razoavelmente recente (o seu estudo começou em torno de 1920) e é relativamente pouco estudada nas universidades e institutos de pesquisa. Os polímeros são pouco citados nos currículos escolares, tanto do segundo ciclo quanto universitário, apesar da sua grande importânciaatual. 14 TINTAS Durante um encontro sobre Educação Química ocorrido em Atlanta, EUA, em março de 1981, houve um simpósio cujo título era “State of the Art for Chemical Educators III: Polymer Chemistry” e quetinha por finalidade principal introduzir a Química dos Polímeros aos EducadoresdeQuímica (ver Journal of Chemical Education, v. 58, n. 11, novembrode 1981);comoconseqüência principal desse simpósio recomendava-se a criação de cursos de especialização sobre Química dos Polímerose que os estudantes fossem encorajados a participar deles. Verificou-se que, apesar de 40 a 60% dos químicos quetrabalhamematividades industriais relacionadascom Química estarem engajados compolímeros, as escolasdosegundo graueasuniversidadeseramquasecompletamenteomissasquantoaospolímeros e afins; com efeito, somente de 3 a 5% dos químicos das universidades estavam relacionados com a Química dos Polímeros e apenas de 1 a 5% do tempo acadêmico do químico era dispendido com essa importante área da Química. A maioria dos professores e dos pesquisadores dos departamentos tradicionais de Química ten demadarpouca importância aosaspectosdaQuímica Aplicada. Ahistória daQuímicamostraquea ciência dospolímeros foi desenvolvida principalmentenaindús tria graças a cientistas como H. Staudinger, W. Kuhn, H.F. Mark, J.P. Flory, Ziegler, Natta, Carothers e tantos outros. Carothers, em 1929, classificou os polímeros emduas grandes categorias, segundo a forma como são obtidos: polímerospor adiçãoe polímeros por condensação. MATERIAIS POLIMÉRICOS E TINTAS: UM POUCO DE HISTÓRIA Os produtos naturais que contêm polímeros na sua composição, como por exemplo, o piche, o leite, o ovo, a goma arábica, a cera de abelha, já eram conhecidos pelos antigos egípicios e antigos gregos;em combinação com minerais, esses produtos eram usados para preparar certos tipos de tintas. Na Idade Média,oóleodelinhaça cozido(istoé, polimerizadotermicamente)começoua terumusointensivoque seestendeu até osnossos dias; freqüentemente,o óleodelinhaça era polimerizado (cozido)napresen ça de certas resinas naturais, como breu, âmbar, copal, etc., resultando em resinas adequadas para a preparaçãode diferentes tintas indicadas para diversas finalidades. Os resultados obtidos eramrealmente notáveis, conforme atestaminúmeraspinturas dessaépoca que conseguiram resistir até os dias de hoje. Os chineses, já nos séculos XII e XIII, haviam desenvolvido tintas e vernizes que conferiam à madeira um bonito revestimento; era a denominada “laca chinesa” cujo constituinte principal era um composto fenólico insaturado de origem vegetal; a Europa importava da China,a partir do século XVII, móveis e outros produtos de madeira laqueadoscom tal tipo de laca. O primeiro polímero sintético foi o poli (cloreto de vinila) – (PVC) como resultado de uma polimerização acidental;em1839 foi descobertoo poliestireno, tão logoo estireno havia sido sintetiza do.Nessemesmoano, Charles Goodyearcriou a vulcanizaçãoda borracha, através da qual asproprieda des dopolímero natural são modificadas, permitindoa obtençãodeuma sériedeprodutos comgrande utilidade prática. Foi a partir do início do séculoXXque ocorreu o grande desenvolvimento tecnológicoem tintas e afins; a associação de matérias-primas de origem vegetal com produtos oriundos da carboquímica permitiu o desenvolvimento de novos materiais poliméricos, pigmentos e solventes. Posteriormente, a petroquímica passou a se constituir na fonte mais importante de matérias-primas para tintas e correlatos. Asresinas fenólicas, desenvolvidas porBaekelandno início do século XX,constituíram o primeiro exemplo de um material polimérico sintético realmente importante para a indústria de tintas, pois permitiram melhorar notavelmente as propriedades de “tintas e vernizes” daquele tempo. No Brasil, a alcooquímica, desenvolvida a partir do etanol, tem-se mostrado importante fonte de matérias-primas para tintas e polímeros e, situação única no mundo, vem competindo com a petroquímica. Polimerização 15 Tintas, resinas e polímeros: cronograma de desenvolvimentoTabela 2.1 1907 1913 1920 1923 1926 1930 1934 1936 1937 1940 1942 1944 1947 1948 1950 1951 1952 Resinas fenólicas – patente Resinas fenólicas modificadas com breu Lacas nitrocelulósicas Resinas alquídicas e maleicas Dióxido de Titânio – pigmento Resinas fenólicas solúveis em óleos vegetais Borracha clorada Resinas uréicas e suas combinação com resinas alquídicas Poli (cloreto de vinila) Tintas à base de emulsões aquosas de óleos vegetais Resinas acrílicas termoconvertíveis Resinas poliuretânicas Resinas melamínicas e sua combinação com resinas alquídicas Óleos vegetais estirenados e acrilados Resinas de silicone Resinas epóxi Emulsões aquosas de poli (acetato de vinila) Poliésteres insaturados Sistemas epóxi-poliamida Emulsões acrílicas aquosas Resinas alquídicas tixotrópicas Sistemas aquosos termoconvertíveis Lacas e esmaltes acrílicos Tinta em pó termoconvertível Eletrodeposição anódica Polímeros fluorados Sistemas de cura por ultravioleta e por feixe eletrônico Dispersões não aquosas Eletrodeposição catódica Oligômeros (acrílicos, poliésteres, uretanos) para altos sólidos Sistemas de dupla camada 1954 1955 1956 1960 1961 1966 1970 1975 As tintas representam uma das aplicações mais importantes dos polímeros. A diversidade de materiais poliméricos empregadospor essa atividade industrial é ampla,sendoos principais: alquídicas, poliésteres, epóxi, acrílicas, vinílicas, borracha clorada, maleicas, melamínicas, uréicas, poliuretânicas, etc. A química dos polímeros é extremamente importante em tintas, pois permite obter o sistema polimérico adequadoparaumadeterminada aplicação. A secagem (também chamada de cura) de uma tinta é, na maioria das vezes, um processo de polimerização;