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01 - Com base na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), assinale a opção correta.
A A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.
B Salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar em todo o país no primeiro dia útil após sua publicação.
C Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, inicia-se no primeiro dia útil do ano seguinte ao de sua publicação.
D A lei revogada se restaura, de imediato, em razão da perda da vigência da lei que a revogou.
E Lei nova que estabeleça disposições gerais e especiais a par das já existentes revoga a lei anterior.
Gabarito A
a) Correto. LINDB, Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.
b) Errado. LINDB, Art. 1 Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada.
c) Errado. LINDB, Art. 1° § 1 Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada.
d) Errado. LINDB, Art. 2° § 3 Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.
e) Errado. LINDB, Art. 2° § 2 A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior.
2. À luz do disposto na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, no Código Civil e no Código de Direito do Consumidor (CDC), bem como do entendimento do STJ, julgue o próximo item.
Lei posterior revoga a anterior não apenas quando expressamente o declare, mas também quando seja com ela incompatível.
Certo
Errado
Gabarito C
Art. 2°, §1°, LINDB - A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
3 - No que diz respeito às fontes do direito, às normas jurídicas e às disposições da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), julgue o item a seguir.
A integração da norma jurídica é um método utilizado na hipótese de existência de lacuna normativa, ao passo que a subsunção é a aplicação direta da norma jurídica.
Certo
Errado
Gabarito C
- Integração da Norma Jurídica: "é um método utilizado na hipótese de existência de lacuna normativa". A integração é o processo pelo qual o ordenamento jurídico busca preencher uma lacuna, ou seja, uma ausência de norma específica para regular determinada situação. Quando não existe uma lei, decreto, ou outra norma diretamente aplicável ao caso concreto, recorre-se a métodos de integração para encontrar uma solução jurídica.
- Subsunção: "é a aplicação direta da norma jurídica". A subsunção é o processo lógico pelo qual se verifica se os fatos da vida real se encaixam na descrição contida na norma jurídica. Quando os fatos se enquadram perfeitamente nos elementos previstos na norma, diz-se que houve a subsunção, e a norma é diretamente aplicada ao caso.
· Mini resumo (revisão): Subsunção: É o modo tradicional de aplicação do direito. Acontece quando a norma jurídica está completa e clara, então o juiz ou operador do direito aplica a norma ao caso concreto. Em termos simples: tem regra → tem fato → aplica a regra ao fato. Exemplo: O Código Penal diz que matar alguém é crime (art. 121). Se João matou Pedro, aplica-se a norma ao fato — é homicídio. Pronto. Isso é subsunção. Integração da norma jurídica: É o que se faz quando há uma lacuna: a lei não trata expressamente de uma situação. O juiz não pode deixar de decidir (art. 140 do CPC e art. 4º da LINDB), então ele completa o ordenamento por meio de:
· Analogia (usa norma parecida)
· Costumes
· Princípios gerais do direito
· Exemplo: Não existe regra específica sobre aluguel de naves espaciais. Mas pode-se aplicar por analogia regras de locação de veículos terrestres, se for razoável
04 - No que diz respeito às fontes do direito, às normas jurídicas e às disposições da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), julgue o item a seguir.
As regras e os princípios das normas jurídicas não se confundem, já que estes são dotados de mais abstração e flexibilidade que aquelas, as quais, por sua vez, estabelecem padrões específicos e definidos de comportamento.
Certo
Errado
Gabarito C
Os princípios e as regras são espécies de normas jurídicas, mas possuem diferenças fundamentais. A melhor doutrina os diferencia nos seguintes aspectos:
FLEXIBILIDADE ➝ Princípios são mais flexíveis e permitem ponderação, enquanto regras são rígidas e de aplicação direta.
ABSTRATIVIDADE ➝ Princípios são mais abstratos e abrangentes; regras são mais específicas e delimitadas.
APLICAÇÃO ➝ Regras aplicam-se de modo binário (tudo ou nada); princípios são sopesados conforme o caso concreto.
CONFLITO ➝ O conflito entre regras se resolve por critérios hierárquicos ou de validade; entre princípios, pela ponderação (teoria de Robert Alexy).
FUNÇÃO ➝ Princípios orientam e fundamentam o ordenamento; regras regulam condutas concretas.
ROBERT ALEXY
Princípios são mandamentos de otimização (ao contrário das regras que são de definição), ou seja, são normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível, de acordo com as possibilidades fáticas (caso concreto) e jurídicas (outras normas) existentes.
* Possibilidade fática (exemplo: direito à privacidade x liberdade de informação)
* Possibilidade Jurídica
As regras geralmente são aplicadas através de um procedimento conhecido como subsunção (premissa maior + premissa menor = subsunção lógica). Para Alexy, apesar de ser importante a criação de exceções às regras, estas são normas cujas premissas são ou não diretamente preenchidas e que não podem nem devem ser ponderadas. As regras instituem obrigações definitivas, já que não superáveis por normas contrapostas, enquanto os princípios instituem obrigações prima facie, na medida em que podem ser superadas ou derrogadas em função de outros princípios colidentes.
O princípio não se aplica através de subsunção, ele se aplica através de um procedimento chamado de ponderação.
05 -No que diz respeito às fontes do direito, às normas jurídicas e às disposições da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), julgue o item a seguir.
O ordenamento jurídico brasileiro é regido pela primazia da lei, razão pela qual os costumes não são considerados uma fonte do direito.
Certo
Errado
Gabarito C
Art. 4 Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.
6. No que diz respeito às fontes do direito, às normas jurídicas e às disposições da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), julgue o item a seguir.
Segundo a LINDB, a repristinação tácita é a regra no ordenamento jurídico pátrio.
Certo
Errado
Gabarito Errado
A repristinação é , na verdade, a exceção.
LINDB, Art. 2º, (..) § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.
Ademais, a repristinação há de ser expressa
NÃO CONFUNDIR COM EFEITO REPRESTINATÓRIO:
Repristinação é um conceito jurídico que se refere ao restabelecimento de uma norma que foi anteriormente revogada por outra norma subsequente, mas que não acontece automaticamente
Efeito Repristinatório, por sua vez, está relacionado à declaração de inconstitucionalidade de normas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Diferente da repristinação, que ocorre no âmbito do direito civil, o efeito repristinatório é mais comum no contexto do direito constitucional.
Quando o STF declara uma norma inconstitucional, isso pode levar à restauração da norma que foi revogada por essa norma inconstitucional. Este processo ocorre porque a norma declarada inconstitucional é considerada nula desde sua origem, o que significa que ela nunca deveria ter produzido efeitos no mundo jurídico.
7. No que diz respeito às fontes do direito,às normas jurídicas e às disposições da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), julgue o item a seguir.
Nas esferas administrativa, controladora e judicial, é defeso decidir com fundamento em valores jurídicos abstratos sem que as consequências práticas da decisão sejam consideradas
Certo
Errado
Gabarito C
A expressão "é defeso" significa "é proibido" ou "não é permitido".
"É defeso decidir com fundamento em valores jurídicos abstratos sem que as consequências práticas da decisão sejam consideradas", significa que é proibido tomar decisões baseadas apenas em conceitos jurídicos genéricos, sem avaliar os efeitos concretos dessa decisão.
O artigo 20 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) dispõe que:
“Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.”
8. No que concerne a aspectos relativos às normas jurídicas, julgue o item a seguir.
O texto de um artigo de uma determinada lei pode contemplar mais de uma norma jurídica.
Certo
Errado
Gabarito C
LEI É DIFERENTE DE NORMA
Lei: É uma norma jurídica escrita, emanada do Poder Legislativo (ou, em alguns casos, do Executivo, como medidas provisórias), seguindo um processo formal de criação.
Características:
· É uma fonte formal do Direito.
· Deve ser elaborada conforme os procedimentos previstos na Constituição.
· Pode ser federal, estadual ou municipal, dependendo da competência.
Norma: É uma regra geral e abstrata que estabelece um comportamento obrigatório, proibido ou permitido dentro de um sistema jurídico.
Características:
· Pode ser escrita ou consuetudinária (baseada em costumes).
· Nem toda norma está na forma de lei (ex.: princípios constitucionais, jurisprudência, costumes jurídicos).
· É um gênero, do qual a lei é uma espécie.
CONCLUSÃO:
· Toda lei é uma norma jurídica, mas nem toda norma jurídica é uma lei.
· A norma jurídica é um conceito mais amplo, incluindo leis, princípios, costumes e decisões judiciais.
· A lei é apenas uma das formas pelas quais a norma jurídica se manifesta, sendo a mais formal e escrita.
Art. 5º, inciso XL, da CF: “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu", em que há tanto a norma de irretroatividade da lei penal mais gravosa como também a norma de retroatividade da lei penal mais benéfica.
9. No que concerne a aspectos relativos às normas jurídicas, julgue o item a seguir.
A analogia e a interpretação extensiva são métodos de integração voltados ao preenchimento de uma lacuna legislativa.
Certo
Errado
Gabarito Errado
Analogia é, de fato, um método de integração do Direito, utilizado quando há lacuna legal, ou seja, ausência de norma específica para regular determinado caso. Nesse caso, aplica-se a norma de um caso semelhante.
Interpretação extensiva, por outro lado, não é um método de integração, mas sim uma técnica de interpretação da norma existente. Ela ocorre quando se reconhece que o sentido da norma abrange mais situações do que aquelas expressamente mencionadas no seu texto.
10. Com base na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), julgue o item a seguir.
O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas, independentemente de culpa.
Certo
Errado
Gabarito Errado
De acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), especificamente o Art. 28, o agente público somente responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro.
11. Com base na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), julgue o item a seguir.
As decisões administrativas que implicarem nova orientação sobre norma de conteúdo determinado devem prever regime de transição para que essa nova diretriz seja legitimamente exigida dos administrados.
Certo
Errado
Gabarito Errado
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais.
12. Com base na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), julgue o item a seguir.
A edição pelas autoridades públicas de regulamentos, súmulas administrativas ou respostas a consultas, com vistas a incrementar a segurança jurídica na aplicação das normas, terá caráter vinculante em relação ao órgão ou entidade a que se destinar, sem prejuízo de revisão posterior.
Certo
Errado
Gabarito C
Art. 19. As autoridades públicas atuarão com vistas a aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas, inclusive por meio de normas complementares, orientações normativas, súmulas, enunciados e respostas a consultas.
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput terão caráter vinculante em relação ao órgão ou à entidade da administração pública a que se destinarem, até ulterior revisão.
Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas.
13. Julgue o item a seguir, referente às pessoas naturais e jurídicas, aos direitos da personalidade e às disposições da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB).
Os bens de estrangeiro localizados no território nacional serão objeto de sucessão regulada pela legislação brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de seus representantes, salvo se lhes for mais favorável a lei pessoal do falecido.
Certo
Errado
Gabarito Certo
A questão está "CERTA", pois, de acordo com a literalidade do art. 5º, inciso XXXI da CF/88 c/c o art. 10, § 1º da LINDB, temos que, a sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus.
14. À luz da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, do Código Civil e da jurisprudência dos tribunais superiores, julgue o item que se segue.
Para reger as relações jurídicas atinentes ao começo e ao fim da personalidade, aplica-se ao estrangeiro a norma do seu domicílio.
Certo
Errado
Gabarito Certo
O art. 7° da LINDB funda-se na lex domicilli, pela qual devem ser aplicadas as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
Art. 7o A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
Lex domicilli é uma expressão latina que significa " Lei do dimicílio". É um princípio fundamental do Direito Internacional Privado.
REGRA: domicilio ou 1º domicilio
Exceções: Bens, Imóveis, Contratos e Obrigações (B-I-C-O)
· Bens - Lei do país em que situados
· Imóveis - Onde se situam. (Imóveis situados no Brasil: lei brasileira, com exclusão de qualquer outra)
· Contratos - Residência do proponente
· Obrigações - Lei do país em que se constituírem.
A legislação brasileira atual, no que tange às pessoas físicas, atribui total ênfase ao elemento de conexão domiciliar em vez do elemento nacionalidade, o que se comprova facilmente pela leitura dos arts. 7º e seguintes da LINDB. No que toca às pessoas jurídicas, também o elemento territorial é a regra, dispondo o art. 11, caput, que a elas se aplica a lei do Estado em que se constituírem.
15 -Considerando a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), julgue o item seguinte.
Denomina-se coisa julgada o ato consumado de acordo com a lei vigente ao tempo em que se efetuou.
Certo
Errado
Gabarito Certo
Art. 6º , CC. A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundoa lei vigente ao tempo em que se efetuou. EFEITOS JÁ EXAURIDOS
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. O QUE JÁ SE INCORPOROU AO PATRIMÔNIO
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso.
16. De acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, a obrigação resultante de contrato reputa-se constituída no lugar onde
A residir o aceitante.
B residir o proponente.
C foi proposta.
D foi firmada.
E tiver que ser cumprida.
Gabarito B
Art. 9 Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem.
§ 2 A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente.
17. Julgue o item a seguir, em relação à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) bem como ao tratamento dado pelo Código Civil aos contratos, à prescrição e à decadência.
A LINDB admite o chamado estatuto pessoal como vínculo para se aplicar a lei estrangeira.
Certo
Errado
Gabarito Certo
Em direito internacional privado, o estatuto pessoal costuma ser regido pela nacionalidade da pessoa ou por seu domicílio.
O estatuto pessoal é um conjunto de regras que regulamenta a pessoa física, como o nome, a capacidade, a filiação, o casamento, a morte, entre outros.
A LINDB estabelece em seu art. 7°, que a lei do domicílio da pessoa é a que determina as regras do estatuto pessoal, pois é a mais conveniente aos interesses nacionais.
Estatuto pessoal é a situação jurídica que rege o estrangeiro pela lei de seu País de origem. Trata-se da hipótese em que a norma de um Estado acompanha o cidadão para regular seus direitos em outro País. Genericamente esse estatuto pessoal pode se basear na lei da nacionalidade (critério político) ou na lei do domicílio (critério geográfico). No Brasil, em virtude do art. 7° da LINDB, o estatuto pessoal funda-se na lei do domicílio para se determinar a lei aplicável. Como o Brasil adotou a teoria da territorialidade moderada (ou mitigada), haverá casos em que se admite a aplicação de norma estrangeira no território brasileiro. No entanto, a extraterritorialidade encontra restrições, não se admitindo a aplicação de norma estrangeira que atente contra a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes.
18 - Julgue o item a seguir, de acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro e com as regras de vigência, aplicação, obrigatoriedade, interpretação e integração das leis.
Na referida lei, é expressamente previsto o instituto do “desuetudo”, pelo qual a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, salvo disposição em contrário.
Certo
Errado
Gabarito Errado
A LINDB não menciona expressamente o instituto do "desuetudo".
· O "desuetudo" é um conceito jurídico que se refere à perda de eficácia de uma norma em decorrência de sua não aplicação ao longo do tempo, mesmo que essa norma não tenha sido formalmente revogada.
De acordo com a LINDB, se uma lei é revogada, ela não retorna ao ordenamento jurídico apenas porque a lei revogadora perdeu a vigência, a menos que haja uma disposição expressa que determine essa restauração.
Art. 2º da LINDB:
· § 1 A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
· § 2 A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior.
· § 3 Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.
19. Julgue o item a seguir, de acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro e com as regras de vigência, aplicação, obrigatoriedade, interpretação e integração das leis.
No que se refere à eficácia das leis no espaço, o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da territorialidade moderada, em razão de admitir, a um só tempo, as regras da territorialidade e da extraterritorialidade.
Certo
Errado
Gabarito Certo
PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE– As normas são aplicadas em todo território do Estado, incluído embaixadas, consulados, navios de guerra em qualquer lugar, navios mercantes no território ou em alto-mar e aeronaves;
Obs. Princípio da Territorialidade Moderada – admite-se a aplicação de normas estrangeiras no território, mais utilizado quando se trata do Direito Penal, encontra base nos tratados adotados.
20. Na análise de determinado caso concreto, o intérprete observou a necessidade de aplicar um dispositivo legal concernente a outro caso concreto semelhante, uma vez que a situação em análise não estava prevista em lei.
Nesse caso, o intérprete utilizou-se da
A analogia.
B intepretação lógica.
C interpretação extensiva.
D interpretação sistemática.
E interpretação teleológica.
Art. 4 Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.
Fonte: LINDB
ANALOGIA é técnica de INTEGRAÇÃO
INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA é técnica de INTERPRETAÇÃO
(1) Analogia:
(A) Analogia Legal: o juiz utilizará uma norma aplicada a um caso semelhante.
(B) Analogia Jurídica: será utilizado um conjunto de normas para se extrair elementos que possibilitem a sua aplicabilidade ao caso concreto não previsto, mas similar.
(2) Costume: para que um comportamento da coletividade seja considerado como um costume, este deve ser repetido constantemente de forma uniforme, pública e geral, com a convicção de sua necessidade jurídica.
(3) Princípios gerais do direito: são regras abstratas, virtuais, que estão na consciência e que orientam o entendimento de todo o sistema jurídico, em sua aplicação e para sua integração.
OBS 1: A equidade não consta como método de integração na LINDB.
OBS 2: De acordo com o parágrafo único do art. 140 do novo CPC: “O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.”
OBS 3: Não confunda integração da norma jurídica (analogia, costumes e princípios gerais de direito) com interpretação da norma jurídica. Ex.: analogia versus interpretação extensiva. No primeiro caso, rompe-se com os limites do que está previsto na norma, havendo integração da norma jurídica. No segundo, apenas amplia-se o seu sentido, havendo subsunção.
21 - A incapacidade civil dos menores poderá cessar
A pela colação de grau em curso de ensino superior, para aqueles que tenham mais de dezoito anos de idade e comprovem renda própria, podendo ser cessada mediante instrumento público ou por decisão judicial.
B pela concessão de emancipação pelos pais, para aqueles que tenham idade superior a dezoito anos e inferior a vinte e um, sendo imprescindível a decisão judicial.
C pelo exercício de emprego público efetivo, para aqueles que tenham idade superior a dezoito anos e inferior a vinte e um, podendo ser cessada mediante instrumento público ou por decisão judicial.
D pelo casamento, para aqueles que tenham entre dezesseis e dezoito anos incompletos de idade, sendo imprescindível a decisão judicial.
E pela emancipação, para aqueles que tenham entre dezesseis e dezoito anos incompletos de idade, prescindindo-se de decisão judicial caso haja autorização dos pais.
CÓDIGO CIVIL
Art. 5 A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. (LOGO, AS ALTERANTIVAS A, B e C JÁ ESTÃO ERRADAS POR FALAR DE MENORIDADE/EMANCIPAÇÃO DE MAIORES DE 18 ANOS)
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; (ALTERNATIVA E - CORRETA)
II - pelo casamento; (NÃO HÁ NECESSIDADE DE DECISÃO JUDICIAL. PORTANTO, ALTERNATIVAD ERRADA)
III - pelo exercício de emprego público efetivo;
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior;
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
22 - Em relação aos direitos de personalidade, julgue o item que se segue.
Os direitos da personalidade são intransmissíveis, porém renunciáveis na medida em que houver expressa limitação voluntária.
Certo
Errado
Art. 11 do CC: Salvo previsão legal, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo seu exercício sofrer limitação voluntária.
· Voluntária: Admite-se limitação temporária e específica, nunca permanente ou geral. (JDC4)
· Geral: Pode haver limitação não prevista em lei, desde que não haja abuso de direito e se respeite a boa-fé e os bons costumes. (JDC139)
· Expressam a tutela da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, CF).
· Em caso de conflito entre direitos (ex: honra x imprensa), aplica-se a ponderação. (JDC274)
· Apesar de defendido como proteção à dignidade (JDC531), o STF julgou incompatível com a Constituição no RE 1010606 (tema 786), priorizando a liberdade de expressão e informação.
· É válida a disposição gratuita do próprio corpo para fins científicos, conforme os arts. 11 e 13 do CC. (JDC532)
23 - Em relação aos direitos de personalidade, julgue o item que se segue.
Os viciados em tóxico estarão sujeitos à curatela quando houver pedido de interdição da pessoa natural.
Certo
Errado
Certo.
Nos termos do art. 1.767, III, do Código Civil, com redação dada pela Lei nº 13.146/2015, os ébrios habituais e os viciados em tóxico estão sujeitos à curatela, desde que demonstrada sua incapacidade de reger a própria vida ou administrar seus bens. A curatela será estabelecida por decisão judicial, mediante pedido de interdição da pessoa natural.
24 - Julgue o item que se segue, referente a direitos da personalidade, direitos a alimentos e capacidade.
O Código Civil adota a teoria natalista da personalidade, segundo a qual a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida, mas também são resguardados legalmente os direitos do nascituro, como, por exemplo, o direito a alimentos gravídicos, desde a concepção.
Certo
Errado
1- Personalidade civil
A) Conceito legal: “a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida (teoria natalista) mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.”
· A personalidade jurídica seria a aptidão genérica para adquirir direitos e contrair deveres na ordem civil
B) Teorias personalidade do nascituro
· Nascituro: ser humano já concebido que se encontra em estado fetal, dentro do ventre materno, por conseguinte ainda não veio à luz.
1- Teoria Natalista: Caio Mário e o CC ⇒ só adquire personalidade jurídica com o nascimento com vida;
2- Teoria da Personalidade Condicional: Serpa Lopes ⇒ os direitos do nascituro estão sujeitos a uma condição suspensiva – nascer com vida = possui apenas expectativa de direito.
● Para questões existenciais, o nascituro será uma “quase pessoa”. Por outro lado, para questões patrimoniais, não seria pessoa.
3- Teoria concepcionista: STJ e Pablo Stolze ⇒ nascituro é pessoa humana, desde a concepção; enseja-se uma personalidade formal.
● Para a vertente extremada, adquire-se personalidade desde o coito. / moderada = após o 14º dia após o coito, com a ocorrência do fenômeno da nidação.
● O ordenamento jurídico, como um todo, vem caminhando para a adoção da teoria concepcionista, reconhecendo, cada vez mais, direitos ao nascituro.
25 - Julgue o item que se segue, referente a direitos da personalidade, direitos a alimentos e capacidade.
Suponha que Cacilda dê à luz um filho e creia que o genitor seja Alfredo e este, por determinação judicial, preste regularmente os alimentos devidos. Considere, ainda, que, Cacilda, após sete meses do nascimento de seu filho, suspeite que este não seja filho de Alfredo e pretenda renunciar, de livre e espontânea vontade, o direito aos alimentos, até que seja esclarecida a paternidade mediante realização do exame de DNA. Nessa situação, é permitido a Cacilda renunciar o direito em questão.
Certo
Errado
Gabarito: ERRADO
Conforme disposto no art. 1.707/CC, o direito a alimentos é irrenunciável. Veja:
Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação ou penhora.
***
Importante não confundir com a possibilidade de renunciar a alimentos pretéritos devidos e não prestados.
Ou seja, o direito a alimentos é irrenunciável, todavia, o exercício do direito não é irrenunciável. Assim, é possível renunciar ao recebimento de parcelas vencidas. Veja o precedente do STJ:
1) É irrenunciável o direito aos alimentos presentes e futuros (art. 1.707 do Código Civil). O credor pode, contudo, renunciar aos alimentos pretéritos devidos e não prestados. Isso porque a irrenunciabilidade atinge o direito, e não o seu exercício.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.529.532-DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 09/06/2020 (Info 673).
2) Ou seja, o credor não pode renunciar ao direito de pleitear alimentos. Mas, em sede de cobrança, a transação perdoando ou reduzindo débitos pretéritos pode ser homologado judicialmente.
(DIAS, Maria Berenice. Alimentos: direito, ação, eficácia e execução. 2ª ed. São Paulo: RT, 2017, págs. 38-39)
25 - Julgue o item que se segue, referente a direitos da personalidade, direitos a alimentos e capacidade.
Considere que, ao completar dezoito anos de idade, Cássio seja diagnosticado como portador de doença mental que lhe impeça, de forma permanente, de exprimir sua vontade. Nesse caso, Cássio será considerado absolutamente incapaz de exercer pessoalmente os atos da vida civil.
Certo
Errado
Gabarito: ERRADO
A afirmativa está errada pois com a reforma do art. 3º do Código Civil, promovida por essa lei, não se considera mais absolutamente incapaz o maior de 18 anos, ainda que sofra de deficiência mental, intelectual ou psicossocial.
· Art. 3º do Código Civil: Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos.
Agora, pessoas com deficiência podem exercer atos da vida civil com o apoio de terceiros, por meio da curatela e do instituto da tomada de decisão apoiada, mas não são automaticamente consideradas absolutamente incapazes.
· O que acontece no caso de Cássio?
Mesmo com doença mental grave e permanente, Cássio será considerado relativamente incapaz e poderá ser submetido à curatela, nos termos do art. 1.767 do CC. A curatela não retira a personalidade civil, mas serve como instrumento de apoio à tomada de decisão, apenas para os atos patrimoniais e negociais.
Memorize: único absolutamente incapaz atualmente é o menor de 16 anos.
26 - No que se refere à capacidade das partes, aos juízes, ao Ministério Público e à ação civil pública, julgue o item a seguir.
A pessoa física com idade inferior a dezoito anos poderá ser demandada em juízo, mesmo que não seja emancipada.
Certo
Errado
⚡ GABARITO CERTO ⚡
➥ Vejamos:
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A pessoa física com idade inferior a 18 anos pode ser demandada em juízo, mesmo que não seja emancipada, pois a personalidade jurídica começa com o nascimento com vida (art. 2º do Código Civil). Todavia, essa pessoa será considerada incapaz para a prática de certos atos da vida civil, conforme o Código Civil, e terá sua representação ou assistência conforme a idade:
· Menores de 16 anos são absolutamente incapazes e devem ser representados (pais, tutores ou curadores) nos atos processuais.
· Maiores de 16 e menores de 18 anos são relativamente incapazes e devem ser assistidos nos atos processuais.
Assim, a incapacidade não impede que o menor seja parte em um processo, mas exige que ele seja representado ou assistido para que seus direitos sejam protegidos. Portanto, o menor pode ser demandado em juízo, desde que observadas as regras de representação ou assistência.Lei seca:
· Art. 2º, CC: "A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida."
· Art. 3º, CC: "São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 anos."
· Art. 70 e 71, CPC: tratam da representação e assistência dos incapazes em juízo, prevendo que menores de 16 anos serão representados e os maiores de 16 e menores de 18 assistidos.
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Dessa forma, a pessoa física menor de 18 anos pode ser parte em processo judicial, desde que respeitados os mecanismos legais de proteção à sua capacidade processual.
27 - Com base no Estatuto da Pessoa com Deficiência, na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), julgue o item a seguir.
Com o advento do Estatuto da Pessoa com Deficiência, a faixa etária e a existência de deficiência mental deixaram de ser consideradas critérios para a configuração da incapacidade civil absoluta.
Certo
Errado
28 - Julgue o item a seguir, referente às pessoas naturais e jurídicas, aos direitos da personalidade e às disposições da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB).
Dispensa-se a homologação judicial para a comprovação da validade da emancipação voluntária parental formalizada por instrumento público e registrada em cartório de registro civil.
Certo
Errado
Gabarito: CERTO
Art. 5 A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;
A emancipação voluntária (e a judicial) devem ser registradas em cartório:
Art. 9 Serão registrados em registro público: (...)
II - a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz;
29 - Julgue o item que se segue, relativo a pessoa natural e jurídica, decadência, simulação e direito das obrigações no direito civil.
Apesar de, como regra geral, a prática de atos da vida civil da pessoa com incapacidade relativa exigir a assistência de representante legal, o relativamente incapaz pode, em certas hipóteses, agir de forma autônoma, por exemplo, nos casos de aceitação de mandato e de atuação como testemunha.
Certo
Errado
Certo.
O Código Civil brasileiro estabelece que o relativamente incapaz, como regra geral, precisa de assistência do seu representante legal para praticar atos jurídicos. Isso ocorre porque ele ainda não possui plena capacidade de discernimento para decisões importantes.
Porém, há exceções em que o relativamente incapaz pode atuar de forma autônoma, sem necessidade de assistência. O item menciona corretamente dois desses exemplos:
1) Aceitação de mandato (Art. 666 do CC):
O relativamente incapaz pode aceitar um mandato (ser representante de alguém) sem precisar da autorização de seu representante legal. Esse tipo de ato não compromete diretamente o patrimônio ou a vida civil do incapaz.
"Art. 666. O maior de dezesseis e menor de dezoito anos não emancipado pode ser mandatário, mas o mandante não tem ação contra ele senão de conformidade com as regras gerais, aplicáveis às obrigações contraídas por menores."
2) Atuação como testemunha (art. 228§1° do CC):
O Código de Processo Civil permite que o relativamente incapaz seja testemunha, desde que tenha discernimento para relatar os fatos. A capacidade de ser testemunha não está vinculada à capacidade plena, mas sim ao entendimento do que foi vivenciado.
"Art. 228. Não podem ser admitidos como testemunhas:
I - os menores de dezesseis anos; (...)
§ 1 Para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o depoimento das pessoas a que se refere este artigo."
30 - No que diz respeito ao conflito das leis no tempo, às pessoas naturais e jurídicas, bem como aos bens e aos contratos, julgue o item a seguir.
A proteção dada ao nascituro pelo Código Civil, no que diz respeito aos direitos da personalidade, também é garantida ao natimorto.
Certo
Errado
Gabarito: Certo.
Enunciado 01 da JDC - CJF:
· A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais como: nome, imagem e sepultura.
Nativivo = nasceu com vida.
Nascituro = está no ventre.
Natimorto = Morreu no ventre.
D) Detalhes Cartorários
⇒ Se nasceu com vida (respirou), mas morreu, será expedida Certidão de Nascimento e Certidão de Óbito.
● Na hipótese de ter nascido, mas não respirou, considera-se natimorto ou nascido morto → expedida Certidão de Nascido Morto, com assento no Livro auxiliar, letra “c” do Cartório de Registro de Pessoas Naturais.
● A natureza jurídica dessas certidões é meramente declaratória, com efeitos ex tunc.
Enunciado 1 JDC: A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais como: nome, imagem e sepultura.
E) Extras
i- Nascituro # concepturo: o nascituro é o ser que já foi concebido e ainda não nasceu (CC, art. 2º), enquanto que o concepturo ainda não foi concebido, embora haja a esperança de que venha a ser (art. 1.799, I, CC).
● Refere-se a prole eventual, que gera, no campo da sucessão, o chamado “fideicomisso”. (acontece uma transmissão concomitante e sucessiva em benefício de duas pessoas - 1º o fiduciário, que transferirá ao 2º o fideicomissário)
CC - Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: I - os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão;
ii- Direitos do nascituro - não é considerado pessoa humana, mas é titular de certos direitos:
a- certos direitos de personalidade (como à vida, à proteção pré-natal etc.);
b- receber indenização por dano moral – {STJ Resp 1.487.089 – caso Rafinha Bastos};
c- receber alimentos gravídicos – Lei 11.804/2008 (tem por objetivo a integridade uterina do nascituro);
d- recebimento de DPVAT pela morte de nascituro – {info 547 do STJ};
e- receber doação, sem prejuízo do recolhimento do ITBI-IV; •
f- pode ser beneficiado por legado e herança (para ser herdeiro deve ser vivo na data da abertura da sucessão do autor da herança ou pelo menos concebido);
g- pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses;
h- o Código Penal tipifica o crime de aborto;
STJ Resp 178.254: é desnecessária intervenção do MP como curador ao nascituro no ato em que nubentes definem o regime de bens do casamento.