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Autoras: Profa. Márcia Alves Oliveira
 Profa. Daniela Emilena Santiago 
Colaboradoras: Profa. Amarilis Tudela Nanias
 Profa. Maria Francisca S. Vignoli
 Profa. Karina Dala Pola
Tópicos de Atuação 
Profissional
Professoras conteudistas: Márcia Alves Oliveira/Daniela Emilena Santiago
Márcia Alves Oliveira
A professora Márcia Oliveira Alves é assistente social graduada pela Universidade de Marília – UNIMAR, especialista 
em Recursos Humanos e mestre em Direito. Atualmente é professora do curso de Serviço Social da Universidade 
Paulista – UNIP campus de Assis‑SP. Atua como assessora e avaliadora de políticas públicas no município de Marília‑SP, 
é docente em cursos de capacitação para concursos públicos e docente de pós‑graduação em gestão pública.
Daniela Emilena Santiago
A professora Daniela Emilena Santiago é assistente social graduada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), 
especialista em Violência Doméstica contra crianças e adolescentes pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre 
em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Assis/SP. Atualmente 
é funcionária pública do município de Quatá/SP, atuando como assistente social junto à Secretaria Municipal de 
Promoção Social. Exerce também a função de docente e líder junto ao curso de Serviço Social da Universidade Paulista 
(UNIP), campus de Assis/SP.
Também atua no curso de graduação de Serviço Social na modalidade SEI, oferecida pela UNIP Interativa, o que 
lhe proporcionou a oportunidade de ministrar aulas de diversas disciplinas nessa modalidade de ensino. Além dessa 
inserção, também ministrou, na modalidade SEPI, aulas da disciplina Política Social de Saúde no curso de pós‑graduação 
de Gestão em Políticas Sociais, oferecido pela UNIP.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
S235t Santiago, Daniela Emilena
Tópicos de atuação profissional / Daniela Emilena Santiago, 
Márcia Alves Oliveira. ‑ São Paulo: Editora Sol, 2015.
172 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XVII, n. 2‑011/15, ISSN 1517‑9230
1. Serviço social. 2. Atuação profissional. 3. Políticas sociais. 
I. Título.
CDU 36
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona‑Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Cristina Z. Fraracio
 Geraldo Teixeira Júnior
Sumário
Tópicos de Atuação Profissional
APRESENTAçãO ......................................................................................................................................................7
INTRODUçãO ...........................................................................................................................................................8
Unidade I
1 AS TEORIAS EXPLICATIVAS DAS POLíTICAS SOCIAIS ......................................................................... 11
1.1 Funcionalismo, Idealismo e Marxismo: diversidade na forma de compreensão 
sobre a Política Social ................................................................................................................................ 11
1.2 Liberalismo, Keynesianismo, Neoliberalismo: a política social sob diversos 
ângulos ............................................................................................................................................................. 24
1.2.1 Liberalismo ................................................................................................................................................. 24
1.2.2 Keynesianismo.......................................................................................................................................... 32
1.2.3 Neoliberalismo ......................................................................................................................................... 38
2 A QUESTãO SOCIAL E A CONSOLIDAçãO DAS POLíTICAS SOCIAIS ............................................ 49
3 TENDÊNCIAS CONTEMPORâNEAS QUE CONDICIONAM AS INTERVENçÕES EM 
POLíTICAS PÚBLICAS .......................................................................................................................................... 58
3.1 A Gestão das políticas públicas e as possibilidades de controle social .......................... 59
3.1.1 Participação e controle social: o caso da política da assistência social ........................... 68
3.2 A gestão do fundo público, como consolidação da gestão pública ................................ 88
3.2.1 O Financiamento da Assistência Social.......................................................................................... 95
3.2.2 Da responsabilidade do administrador público na gestão das políticas públicas ........ 97
4 PÚBLICO E O PRIVADO ................................................................................................................................100
Unidade II
5 AS NOVAS FORMAS DE REGULAçãO SOCIAL E AS TRANSFORMAçÕES NO MUNDO 
DO TRABALHO ....................................................................................................................................................109
6 AS MUDANçAS SOCIETáRIAS E AS TRANSFORMAçÕES NO MUNDO DO TRABALHO. .....113
7 REGULAçãO SOCIAL: ALGUMAS CONSIDERAçÕES ........................................................................122
8 ESTADO E SOCIEDADE: O CENáRIO DAS POLITICAS SOCIAIS NA 
CONTEMPORANEIDADE ..................................................................................................................................133
8.1 Os processos de trabalho em horizontes de precarização: o assistente 
social e a profissão ....................................................................................................................................150
7
APrESEnTAçãO
Figura 1
A imagem anterior representa uma das muitas expressões das questões sociais. Neste caso, temos a 
falta de acesso à moradia, que pode ser uma situação extremamente precária para o desenvolvimento 
dos seres humanos e que pode, infelizmente, vir acompanhada de outras situações igualmente graves, 
como o rompimento dos vínculos familiares e sociais, a exploração sexual, incitação à mendicância e 
ainda a utilização de entorpecentes.
Para intervir nessas expressões e em outras que vão se desenvolvendo na contemporaneidade 
faz‑se necessária a atuação do Estado ou de grupos privados. Quando empreendidas pelo Estado, o 
usual é que tais intervenções recebam a denominação de políticas sociais ou então políticas públicas, 
conforme asseveram uma série de autores. Nessa disciplina, pretendemos realizar uma reflexão sobre 
tais intervenções.
Assim sendo, por meio do presente material nos reaproximaremos de alguns conceitos que foram 
sendo tratados no desenvolvimento de nossa graduação e que estarão relacionados ao desenvolvimento 
das políticas sociais, especialmente as que integram o sistema de Seguridade Social Brasileiro.
Nos termos postos, elegemos como objetivo geral daparte da população 
trabalhando, o consumo seria reativado.
No entanto, para os segmentos como idosos, deficientes e crianças, tidos por Keynes como 
“incapazes para o trabalho” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 86), deveria ser constituída a política 
social, sobretudo por meio de uma política de Assistência Social que atendesse as necessidades 
desses segmentos. Dessa forma, mesmo os segmentos que não pudessem trabalhar, ou seja, 
que não pudessem ter suas necessidades atendidas por meio do trabalho, poderiam tê‑las 
contempladas por meio das políticas sociais. No sentido em questão, isso também tenderia a 
ativar o consumo.
 Saiba mais
Para conhecer melhor o assunto, recomendamos a leitura do texto:
PARALELO entre doutrina Keynesiana, Neoliberalismo, questões sociais 
geradas pela transferência das responsabilidades do Estado à Sociedade Civil 
e o Neokeynesianismo. Disponível em: . Acesso em: 1 mar. 2013.
Keynes defendia que o ser humano deveria buscar atender suas necessidades por meio do mercado, 
do trabalho, porém, quando isso não pudesse ser alcançado e, priorizando‑se sempre os segmentos 
mais vulneráveis, é que o Estado deveria intervir por meio das políticas sociais. No caso é relevante 
destacar que essa intervenção proposta por Keynes não tinha como foco atender esses segmentos em 
decorrência da situação de vulnerabilidade social vivenciada e, sim, constituir uma série de mecanismos 
para que o sistema capitalista recuperasse a extração do lucro e, portanto, superasse a crise que abalava 
substancialmente tal sistema.
O objetivo era apenas modificar, reorientar o mercado para que ele mesmo se recuperasse e voltasse 
a oferecer lucratividade. Couto (2010, p. 66) nos mostra que para isso o Estado deveria intervir:
— garantindo aos indivíduos e às famílias uma renda mínima, 
independente do valor do trabalho ou de sua propriedade;
— restringindo o arco de insegurança, colocando os indivíduos e as 
famílias em condições de fazer frente a certas contingências (por 
exemplo, a doença, a velhice e a desocupação), que, de outra forma, 
produziram as crises individuais e familiares; 
— assegurando que a todos os cidadãos, sem distinção de status ou 
classe, seja oferecida uma gama de serviços sociais.
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Dessa forma, seria possível que o sistema capitalista saísse da crise agora vivenciada. Para Keynes, 
todas as ações deveriam considerar o limite da capacidade do Estado, ou seja, deveriam extrair ao 
máximo, toda a capacidade estatal para se alcançar o que era esperado.
Behring e Boschetti (2010) afirmam que os postulados de Keynes sustentavam o modo de produção 
capitalista que, na época, estava assentado no formato de produção Fordista. O Fordismo, de acordo com 
Behring e Boschetti (2010) se caracteriza por um formato de produção em que a produção acontece 
em massa, para um consumo também em massa. Também se assenta na afirmação de acordos coletivos 
com os trabalhadores que possuem como enfoque a ampliação da produtividade.
As autoras afirmam ainda que o modo de produção Fordista também se peculiariza pela introdução da 
linha de montagem e da eletricidade, o que tendeu a influenciar no sentido de ampliar significativamente 
a produção. Elas apontam que, a partir do Fordismo, também com o objetivo de ampliar a produção, as 
empresas começam a exercer um controle sobre o modo de vida e consumo dos trabalhadores, além do 
momento de trabalho (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
O Fordismo foi idealizado por Henry Ford, e, apesar de ter sido pensado nas primeiras décadas do 
século XX, somente a partir do segundo pós‑guerra é que essa forma de produção foi intensificada em 
todas as partes do globo. Conjuntamente, no mesmo período, os ideais de Keynes ganharam grande 
aceitação no mundo.
 lembrete
Keynesianismo: doutrina econômica e social idealizada por Keynes.
Fordismo: formato de produção desenvolvido por Henry Ford.
De forma que o Keynesianismo associado ao Fordismo resultou, durante muito tempo, em um 
crescimento econômico considerável. Contudo, esse crescimento não se sustentou e, em breve, esse 
formato de produção foi sendo substituído por outro, assim como a perspectiva sobre as políticas sociais 
também foi sendo substituída por outra. Mas isso será objeto de discussão em um próximo item, visto 
que ainda temos considerações a traçar sobre o Keynesianismo.
Cabe destacar que, por meio dos serviços que são constituídos – as políticas sociais –, com o objetivo 
de reativar o comércio, também se consegue manter, segundo Behring e Boschetti (2010), o pacto social 
entre a classe burguesa e o Estado. Segundo esse pacto social, digamos assim, a classe trabalhadora e a 
classe empobrecida precisam ter acesso a determinados serviços, proporcionados pelo Estado, para que 
não se coloquem contrários à dominação capitalista e ao poder do Estado. Deste modo, a política social 
é uma forma de coação e garante o pacto social, tornando possível manter a acumulação capitalista.
Behring e Boschetti (2010) também afirmam que o Keynesianismo só se mostra exequível em 
decorrência de alguns fatores, dentre os quais apontam: o estabelecimento de políticas para gerar o 
pleno emprego e o crescimento econômico em um mercado liberal; a constituição de serviços sociais, 
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para assim criar a demanda e ampliar o mercado de consumo; e o estabelecimento do chamado pacto 
social, ou seja, um acordo estabelecido entre as classes sociais com o Estado.
Apesar de não ter havido um formato idêntico de aplicação dos postulados de Keynes pelo mundo, 
convencionou‑se que esse formato de regulação estatal seria denominado pela terminologia de Welfare 
State, ou Estado de Bem‑Estar Social. Em geral, esse formato foi adotado em vários países, mas, em que 
pesem as diferenciações adotadas em cada formato de Welfare State, há algumas características que 
são comuns nesse formato de gestão estatal.
Como não é objetivo de nossos estudos discutir exaustivamente os modelos adotados, descreveremos 
apenas alguns, os mais comuns para que você possa compreender melhor de que tipo de Estado 
estamos falando. É importante antes atentarmos ao fato de que esse padrão de Estado implantou‑se 
primeiramente na Europa e depois foi sendo implantado também em outras partes do mundo.
Couto (2010) nos diz que foram os modelos adotados na Europa os mais próximos das recomendações 
de Keynes, mas vejamos algumas das experiências.
A autora nos diz que nos Estados Unidos, Canadá e na Austrália o mais comum foi a adoção da 
assistência, conferida pelo Estado, apenas às pessoas que fossem comprovadamente pobres. Grande 
parte das intervenções, no entanto, ainda eram mantidas por meio de ações empreendidas por parte da 
iniciativa privada.
Já na Austrália, França, Alemanha e Itália o que teria predominado é um Estado de Bem‑Estar Social 
corporativista. O padrão corporativista figura como aquele em que os direitos sociais só são concedidos 
para as famílias que não conseguem, por si mesmas, atender as necessidades básicas de seus membros, 
ou seja, apenas em casos de extrema necessidade.
E tivemos ainda o formato social‑democrata, adotado em muitos países escandinavos, tais como a 
Noruega, a Suécia e a Dinamarca. Nesse formato as intervenções eram organizadas por meio de serviços 
sociais universais, pautados na igualdade, na desmercadorização dos direitos sociais e na busca por 
alcançar‑se o pleno emprego, conforme o que era recomendado por Keynes em suas argumentações 
(COUTO, 2010).
Em que pesem todos os modelos diferenciados organizados, podemos dizer que o Welfare State 
se manifesta por meio de uma ampliação do orçamento social, pela ampliação da população idosa 
economicamente ativa, o que resulta também na elevação de gastos com aposentadoriase também 
com pensões. Também observamos que os Estados de tal natureza se peculiarizam por um crescimento 
substancial dos programas sociais (BEHRING; BOSCHETTI, 2010). Porém, o Welfare State não se esgota 
nessas manifestações.
A grande expressão do Welfare State está expressa no Plano Beveridge, que foi um documento 
publicado na Inglaterra em 1942. Esse documento, que se propôs a realizar uma crítica ao padrão 
adotado pelo Estado Inglês no que concerne aos seguros sociais, teceu ainda uma série de orientações 
sobre a Seguridade Social.
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O Plano Beveridge destacava que caberia ao Estado a responsabilidade por manter as condições de 
vida dignas por meio da regulação econômica e por meio da viabilização do acesso ao pleno emprego 
por uma grande parcela da população brasileira.
De acordo com o Plano Beveridge, caberia também ao Estado a prestação de serviços sociais básicos 
e universais, ou seja, extensivos a toda a população, cabendo‑lhe ainda a implantação de uma rede 
de segurança, de proteção social, na qual a política de Assistência Social adquiriu especial destaque e 
relevância (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
Sintetizando nossas argumentações, observe a seguir a figura sobre os conteúdos tratados, 
relacionados ao Keynesianismo:
Keynesianismo
Idealizado 
por Keynes
Difundido 
sobretudo no 
segundo pós‑guerra
Subsidia o fordismo
Intervenção por meio 
de políticas sociais
Intervenção do 
Estado na Economia
Figura 12 – Síntese dos conhecimentos sobre o Keynesianismo
Conforme podemos concluir, o Keynesianismo é uma doutrina econômica que defende a intervenção 
estatal na regulação da economia e também na regulação da vida dos seres humanos, sendo que o 
principal mecanismo que operacionaliza essa regulação é por meio dos serviços sociais, das políticas 
sociais. Essa argumentação mostra‑se, no entanto, diferenciada em relação à concepção liberal por nós 
já estudada.
Vejamos a seguir um texto onde a discussão sobre o Keynesianismo é trazida à baila na atualidade.
Exemplo de aplicação
Pensamento econômico
Keynes não defendia estado forte, destaca pesquisador. Essa é a ideia apresentada pelo economista 
José Roberto Afonso em livro lançado neste mês. “Pensamento keynesiano foi mal interpretado”, diz autor
A crise financeira que estourou nos Estados Unidos em setembro de 2008 e as atuais turbulências por 
que passa a Europa – que implicaram trilhões de dólares despejados pelo poder público no salvamento 
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de bancos, seguradoras e, no caso europeu, países – reacenderam as discussões sobre o papel do Estado 
na economia. O debate está mais vivo que nunca. Na semana passada, milhares de pessoas foram às 
ruas de cidades espanholas e gregas para pedir por “mais governo”. Dizeres em cartazes e hinos cantados 
pela multidão criticaram cortes no orçamento e a redução de subvenções estatais. Como pano de fundo, 
acadêmicos e alguns líderes políticos têm feito coro à população e clamam por mais John Maynard 
Keynes [...] na condução da economia – em referência ao brilhante pensador que um dia ousou atribuir 
ao Estado um papel fundamental em momentos de crise. A lembrança é pertinente – mas infelizmente 
a maneira como Keynes é invocado distorce muitas de suas principais ideias.
Em 1936, Keynes escreveu uma de suas obras mais conhecidas, a Teoria Geral do Emprego, do Juro e 
da Moeda. Em vez de repetir o mantra de que o Estado não deveria interferir na atividade em hipótese 
alguma, o economista britânico afirmou que naqueles momentos em que a economia está à beira de 
um colapso deveriam contribuir como indutores do investimento [...]
Fonte: Fernandes (2012).
Refletindo sobre o texto, à luz dos conteúdos tratados até o presente momento, construa uma 
argumentação sobre a relevância da intervenção estatal na economia e também junto às expressões da 
questão social.
No entanto, as concepções de Keynes entraram em declínio a partir de meados da década de 1970, 
quando assistimos também a muitas mudanças na organização da produção capitalista. Behring e 
Boschetti (2010) nos dizem que na verdade o que vivenciamos é o fim da possibilidade de combinar 
acumulação capitalista, equidade e democracia. Isso nos conduz ao tema que debateremos no próximo 
item de nosso material, e nos demonstra uma outra concepção possuída sobre as políticas sociais.
 Saiba mais
Para apropriar‑se melhor de informações sobre o declínio do Welfare 
State recomendamos o seguinte filme:
O ÓDIO. Dir. Mathieu Kassovitz. França: Canal +, 1995. 97 min.
1.2.3 Neoliberalismo
Nesse item estudaremos sobre o Neoliberalismo que será, como enunciamos, uma forma diferenciada 
de compreender uma série de fenômenos, dentre os quais o papel assumido pelo Estado no que diz 
respeito à política social e no que concerne à regulação econômica. Tal doutrina constitui uma série de 
orientações sobre a necessidade de alteração na regulação econômica até então desempenhada pelo 
Estado. Couto (2010, p. 69), no entanto, afirma que o Neoliberalismo não se esgota em discutir aspectos 
econômicos, mas se configura como sendo um projeto “[...] ideológico, político e econômico [...]” que 
traz influências para a vida em sociedade como um todo.
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Assim sendo, cabe destacar que o Neoliberalismo emerge a partir de meados da década de 1970, mas, 
é na década de 1980 que essa doutrina ganha grande aceitação em todo o mundo, chegando inclusive a 
ser difundida em grande parte dos meios de comunicação social. Grosseiramente, podemos dizer que o 
Neoliberalismo nada mais é do que uma nova roupagem conferida aos ideais liberais, os quais também 
já estudamos no início desse material. “Trata‑se do que ficou conhecido como Neoliberalismo por ser, de 
fato, o liberalismo econômico revisitado e adaptado aos tempos atuais do capitalismo globalizado e da 
produção flexível” (PEREIRA, 2008a, pp. 35‑36).
Porém, o Neoliberalismo surge em 1944, quando Friedrick Hayek publicou o Caminho da Servidão. 
Nessa obra – e em outros escritos do autor –, era realizada uma forte campanha contrária ao Estado 
de Bem‑Estar Social. No entanto, naquele período, as argumentações de Hayek não foram aceitas, 
visto que naquele momento o keynesianismo havia proporcionado o crescimento econômico (BEHRING; 
BOSCHETTI, 2010).
Quando passou a ser aceito, os primeiros países a incorporarem a ótica neoliberal foram os Estados 
Unidos, seguidos pela Inglaterra e pelo Chile, o primeiro país latino‑americano a aderir aos postulados 
neoliberais. Behring e Boschetti (2010) precisam que a adesão ao Neoliberalismo teria acontecido de 
acordo com a seguinte cronologia: Thatcher na Inglaterra em 1979; Reagan nos Estados Unidos em 
1980; Khol na Alemanhã em 1982; e Schutter em 1983, na Dinamarca. Desses, o que mais colocou em 
prática os ideais conforme postulado pela escola neoliberal foi o governo inglês.
 lembrete
Liberalismo: doutrina econômica que propõe a não intervenção do 
Estado nas expressões da questão social
De forma que, precisamos entender o momento capitalista vivenciado e levar em conta que no 
período em questão observamos outra crise desse sistema, ocorrida na década de 1970. Essa crise foi 
comparada à experimentada na década de 1930, porém, nesse caso, o grande responsável pela situação 
de crise era o comércio do petróleo. Nesse momento, observamos ainda a ampliação massiva do 
desemprego, o que conduz uma situação que já estava ruim a limites de precariedade, ou seja, torna‑se 
uma crise com maiores prejuízos a uma parcela significativa da população mundial.
Na verdade, a partir daí, o desemprego passa a ser crescente, numa dinâmica 
na qual em cada recessão ele aumenta, sem ser revertido na retomada,considerando pequenos ciclos dentro da onda longa depressiva (BEHRING; 
BOSCHETTI, 2010, p. 117).
Isso porque, conforme já mencionamos, as crises capitalistas eram alternadas com processos 
de desenvolvimento. Até a década de 1970, quando essas crises aconteciam, nos períodos de 
desenvolvimento, de crescimento econômico, o emprego era reestabelecido, ao menos para 
uma parcela da população. A partir dessa crise, no entanto, cada vez mais se torna difícil o 
reestabelecimento dos níveis de emprego.
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Couto (2010) afirma que essa crise no modo de produção capitalista evidencia, mais uma vez, a 
tendência na queda da extração do lucro. A autora também nos indica que partindo dessa mudança no 
padrão de extração do lucro, há também uma alteração no formato da produção, em que o fordismo vai 
sendo substituído pelo toyotismo.
A esse respeito, Antunes (2003) esclarece que essa nova forma de produzir veio da fábrica da Toyota, 
no Japão, por volta de 1945. Esse formato de produção propunha que se produzisse de acordo com a 
demanda e não em massa, como era empreendido sobre as bases fordistas.
Além disso, a partir de então, tanto a produção se torna flexível quanto o trabalho, e todo o processo 
produtivo passa a ser fortemente influenciado pela introdução da tecnologia de base microeletrônica 
e robótica. Já não há mais a necessidade de que um produto seja desenvolvido em sua totalidade em 
uma fábrica, pois ele pode ser produzido em várias partes do globo terrestre, desde que isso represente 
alguma possibilidade capitalista de extração de lucros. É necessário ainda observar que o trabalho 
também se torna flexível, ou seja, são criadas novas formas de trabalho, para além do emprego formal 
tal como conhecemos.
 Saiba mais
Para saber mais sobre o assunto, é interessante recorrer ao filme:
OU TUDO ou nada. Dir. Peter Cattaneo. Reino Unido: Redwave Films, 
1997. 96 minutos.
O processo produtivo, de acordo com o Toyotismo passa ainda a enfatizar a necessidade de adesão 
dos trabalhadores aos objetivos das empresas, fazendo com que tais trabalhadores sejam subjetivamente 
cooptados sem perceberem de fato o que estaria acontecendo com eles. Há ainda grande valorização 
para o trabalho em equipe e para o trabalhador que consegue se adequar nesses processos de trabalho 
diferentes. Emerge ainda o profissional polivalente, popular “faz tudo”, tido como um profissional 
inovador para o mercado (ANTUNES, 2003).
A ótica do trabalho no Toyotismo passa a ser comandada pela perspectiva do melhor aproveitamento 
do tempo para a produção, evitando‑se desperdícios, ou melhor dizendo, sob a influência do conceito 
do Just‑in‑time. O aproveitamento do tempo na produção é também influenciado pelos conceitos de 
qualidade total, ou seja, não basta fazer muito e em pouco tempo, também é necessário fazer um 
produto com qualidade e, portanto, com condições de competir no mercado.
Antunes (2003), no entanto, nos chama a atenção para as consequências que esse novo formato 
de produção traz para a classe trabalhadora: temos uma redução significativa dos postos de trabalho 
formais. O trabalho torna‑se então informal, sendo agora mais comuns o subemprego, a prestação de 
serviços e a terceirização. São adotadas novas modalidades de emprego em lugar do emprego formal, 
tendo como foco a redução de custos no processo de trabalho. Essa redução de custos é operacionalizada, 
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sobretudo, por meio da redução e do fim dos direitos trabalhistas, que haviam sido conquistados com 
muita luta e que agora só são garantidos aos trabalhadores que possuem um emprego formal.
O trabalho feminino, por sua vez, tende a crescer, mas o salário pago às mulheres ainda se mantém 
inferior se comparado ao dos homens e continua apresentando condições extremamente precárias. Já 
os jovens e os idosos passam a ser excluídos do mercado de trabalho, já que não apresentam condições 
para produzir, um em decorrência de sua inexperiência e outro em virtude das dificuldades que lhes são 
apresentadas pela idade. Por outro lado, há uma inclusão precoce de crianças no mercado informal de 
trabalho, restaurando formas de trabalho muitas vezes já proibidas, segundo a legislação vigente em 
nosso país (ANTUNES, 2003).
Portanto, esse novo formato do processo produtivo tende a resultar no desemprego massivo de 
grandes parcelas da população ou então em sua colocação em subempregos ou na prestação de serviços. 
Com isso, para aqueles que continuam trabalhando, há uma tendência no declínio dos salários e para 
os que se encaixam nos subempregos e na prestação de serviços não há garantia de salário algum, além 
de serem obrigados a abrir mão dos direitos trabalhistas. Os únicos cargos que são mantidos com bons 
salários e direitos trabalhistas são aqueles vinculados aos gestores das empresas capitalistas ou então 
dos burgueses proprietários dessas mesmas empresas.
Veja a seguir uma notícia em que uma das expressões nocivas desse novo formato de produção é 
representada.
Exemplo de aplicação
Demissão em massa de funcionários de banco provoca manifestação
06/12/2012
O Santander em Teresina não funcionará das 8 às 12h nesta sexta‑feira (7).
O protesto acontece nas agências instaladas na Rua álvaro Mendes.
Funcionários do banco Santander em Teresina irão interromper as atividades nesta sexta‑feira (7) 
para protestar contra uma possível demissão em massa. Segundo informações de Edvaldo Cunha, diretor 
regional do sindicato dos bancários, as duas agências do Santander instaladas na Rua álvaro Mendes 
ficarão fechadas das 8 às 12h.
Conforme o sindicalista, na segunda‑feira (3), o Santander de Teresina demitiu de uma só vez cinco 
funcionários, que segundo ele são pessoas que dedicaram de 24 a 28 anos de suas vidas ao banco.
“Foram demitidos os bancários mais antigos, entre 45 e 50 anos de idade, pais de família, inclusive 
um deles com enfermidade. Além disso, tivemos informação de que o banco prosseguirá as demissões 
nesta sexta‑feira (7) e que pode atingir cerca de 5 mil funcionários em todo país. Isso é um absurdo, 
pois os trabalhadores brasileiros são os principais responsáveis pela maior fatia do resultado global da 
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empresa (26%). O banco não demite na Espanha onde há crise, nem em outros países da América Latina. 
Não aceitamos que dispensem os funcionários daqui”, disse Edvaldo.
Ainda de acordo com diretor, as demissões estão acontecendo sem justa causa e a empresa não 
informa os motivos dos desligamentos. “Estas demissões estão acontecendo em todos os estados. Eles 
não informam os motivos pelos quais as pessoas estão encerrando os contratos apenas desligam sem 
prestar nenhum esclarecimento ao funcionário”.
O G1 Piauí entrou em contato com duas agências na capital e foi informado de que somente a 
direção nacional do banco poderá comentar sobre as demissões e paralisação. Ninguém da assessoria de 
imprensa foi encontrada para falar sobre o caso.
Fonte: Araújo (2012).
Essa notícia é representativa da retração dos postos de trabalho na contemporaneidade. Como você 
percebe a redução dos postos de trabalho, sobretudo dos relacionados aos trabalhadores com grande 
tempo de trabalho e possivelmente com uma idade já avançada? Há uma relação entre os conteúdos 
tratados por Antunes (2003) e a realidade observada na notícia transcrita anteriormente? Argumente.
Cabe destacar que todas essas alterações no processo produtivo são operacionalizadas em decorrência 
da necessidade gerada pelo sistema capitalista de recuperar o lucro, recuperar o crescimento econômico 
e assim consequentemente superar a crise econômica que havia sido constituída.
No entanto, quando essa crise se torna latente muitos teóricos começama se perguntar sobre 
os possíveis motivos da crise capitalista. Encontram como resposta a possível pergunta sobre a 
responsabilização do Estado. Assim, o Estado interventor, recomendado por Keynes passa a ser 
compreendido como sendo o grande responsável pela instauração da crise capitalista vivenciada 
(PEREIRA, 2008a), ou, conforme nos diz Couto (2010), a crise é decorrente do excesso de poder, de 
controle que é exercido pelo Estado.
De tal forma, constroem uma série de argumentos para sustentar essa responsabilização por parte 
do Estado, no sentido de atribuir‑lhe a crise capitalista vivenciada. Dentre os argumentos, segundo 
Pereira (2008a), destacam‑se aqueles de natureza econômica e os de natureza ética, digamos assim. Os 
de natureza econômica estão vinculados a explicações sobre a insuficiência econômica que o Estado 
pode causar se intervier na regulação da vida social por meio das políticas sociais. Já os argumentos 
éticos buscam destacar que a intervenção estatal por meio das políticas sociais tem um caráter antiético 
ou amoral. Mas, vejamos de uma forma mais detalhada tais argumentos.
Os argumentos relacionados à questão econômica, segundo Pereira (2008a), sustentam que o 
Estado, ao investir em política social, tem gastos elevados e isso seria ruim para a economia, para 
o mercado. Assim sendo, seria necessário que o Estado reduzisse a sua intervenção na política 
social, ou melhor dizendo, seria necessário “[...] cortar substancialmente o gasto público” (PEREIRA, 
2008a, p. 36).
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De acordo com essa perspectiva, a regulação do Estado cercearia o livre mercado e, dessa forma, 
impediria o desenvolvimento econômico da sociedade capitalista, além de provocar uma diminuição na 
criação de empregos, o que por sua vez tenderia a deixar a crise mais aguda.
E, além disso, segundo essa perspectiva, a proteção social, por meio das políticas sociais, estimularia 
o consumo da classe trabalhadora e isso não seria recomendado, visto que o ideal seria que essa classe 
poupasse e não que passasse a consumir e a gastar tudo o que ganhasse.
Assim sendo, todos os problemas econômicos só poderiam ser minimizados se a intervenção estatal, 
por meio das políticas sociais, fosse minimizada.
Já os argumentos éticos deslocam a explicação para os resultados prejudiciais para a economia, mas 
orientam sua análise para uma dimensão diferenciada, conforme poderemos demonstrar em nossas 
explicações no decurso desse texto.
Segundo essa visão, o Estado, ao intervir por meio das políticas sociais, estaria negando aos usuários 
dos serviços sociais as oportunidades de escolha, já que os beneficiados por intervenções de tal natureza, 
via de regra, são atendidos por benefícios que possuem o mesmo formato para todos (PEREIRA, 2008a).
Asseveram ainda que o Estado Social, ou seja, o Estado que intervém por meio das políticas sociais 
conforme fora idealizado por Keynes, mostra‑se insuficiente para atender a demanda que lhe é imposta. 
De acordo com essa concepção, o Estado é tido como incapaz de atender a demanda posta a ele.
Pereira (2008a) afirma que se acredita também que o Estado Social torna‑se excessivamente 
paternalista e, devido a isso, estaria estimulando o ócio daqueles a quem atende. Dessa forma, não 
seria possível que os seres humanos buscassem satisfazer suas necessidades por meio do mercado, do 
trabalho, já que se acostumariam a ter suas necessidades atendidas pelo Estado.
Estado este que, ao transgredir o princípio da liberdade individual, teria 
criado condições objetivas de desestímulo aos homens para o trabalho 
produtivo, uma vez que acabavam escolhendo viver sob as benesses do 
aparelho estatal do que trabalhar (COUTO, 2010, p. 69).
As políticas sociais deixam de ser compreendidas como um direito social dos seres humanos, visto 
que são tratadas como se fossem algo prejudicial ao desenvolvimento do indivíduo. Somente quando 
a pessoa conseguisse atender suas necessidades por meio do mercado é que seu desenvolvimento 
aconteceria de uma forma não prejudicial.
Além disso, segundo a autora, os argumentos dessa perspectiva ainda defendem que o Estado Social 
gastaria demais com políticas sociais, o que tenderia a onerar o orçamento e que o Estado de Bem‑Estar 
Social é tido como um órgão extremamente corrupto.
Behring (2008, p. 58), por sua vez, afirma que o argumento neoliberal busca enfocar os “perigosos 
efeitos” que o Estado de Bem‑Estar Social ou Welfare State, causam na organização econômica e 
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também na organização social. No caso, indica que sob o argumento neoliberal, o Estado de Bem‑Estar 
Social provocaria “[...] a desmotivação, a concorrência desleal (porque protegida), a baixa produtividade, 
a burocratização, a sobrecarga de demandas, o excesso de expectativas” (BEHRING, 2008, p. 58).
Iamamoto (2001) propõe que há um processo de “satanização” do Estado, visto que tudo que é 
relacionado ao Estado é tido como de qualidade precária, ao passo que o que é ligado ao mercado e 
à esfera privada é compreendido como algo de qualidade superior. Iamamoto (2001) afirma que esse 
argumento sustenta tanto a retração estatal como a privatização de uma série de empresas públicas, 
porém, empresas públicas que podem oferecer lucro ao mercado privado. Podemos citar, a título de 
exemplo, a privatização do banco Banespa, hoje Santander, e do sistema de telefonia nos mais diferentes 
estados brasileiros.
Segundo o argumento neoliberal, na sociedade contemporânea se mostra necessário que 
exista “mais mercado livre e menos Estado Social” (BEHRING, 2008, p. 58), sendo que a ótica dessa 
argumentação confere um destaque, uma supremacia ao mercado e às iniciativas que figuram na 
ótica do privado.
O resultado disso seria a:
[...] retirada do Estado como agente econômico, dissolução do coletivo e do 
público em nome da liberdade econômica e do individualismo, corte dos 
benefícios sociais, degradação dos serviços públicos, desregulamentação do 
mercado de trabalho, desaparição dos direitos históricos dos trabalhadores; 
estes são os componentes regressivos das posições neoliberais no campo 
social, que alguns se atrevem a propugnar com traços de pós‑modernidade 
(MONTES, 1996, p. 38, apud BEHRING, 2008, p. 56).
Para o neoliberalismo, somente dessa forma seria possível uma reorganização social e econômica de 
nossa sociedade.
Há assim uma proposta pela reforma do Estado. Argumenta‑se que o Estado no formato proposto 
pelo Welfare State torne os países ingovernáveis e, por isso, se faz necessária a operacionalização de 
uma reforma. Iamamoto (2001) nos diz que a partir das reformas, o Estado deve deixar uma gestão 
tida como burocrática e assumir uma gestão gerencial, que seria uma administração de modo “[...] 
descentralizado, voltado para a eficiência, o controle dos resultados com ênfase na redução dos custos, 
na qualidade e na produtividade” (IAMAMOTO, 2001, p. 120).
Figura como padrão nesse formato gerencial de Estado o estímulo aos processos de 
descentralização político‑administrativa, a ênfase conferida à sociedade civil e uma série de 
processos que buscam retirar do Estado suas responsabilidades no tratamento conferido às 
expressões da questão social, ou seja, sobretudo no que diz respeito à execução de políticas sociais 
universais. O Estado passa a atuar apenas como um promotor do desenvolvimento e atua nos 
setores em que o mercado não tem interesse em atuar. As atividades rentáveis, por sua vez, são 
transferidas para o mercado (IAMAMOTO, 2001).
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No caso, deixa de importar agora o sentido das reformas e tampouco seria importante se houvesse 
ou não consequências sociais, sobretudo no que diz respeito à minimizaçãodas políticas sociais. O 
importante seria adequar o Estado às necessidades capitalistas do momento. Behring (2008) afirma que 
essa reforma seria, na verdade, uma necessidade eminente para que os países adentrassem na nova fase 
do capitalismo, sendo essa fase pautada na reestruturação produtiva e na mundialização do capital, ou 
seja, na globalização econômica.
Behring (2008) denomina esse processo com o termo “contrarreforma”, já que, segundo a 
autora, há uma busca por retomar o passado do pensamento neoliberal, que é como sabemos, 
o pensamento liberal. Argumenta‑se que o Estado vivencia a chamada crise fiscal, que seria 
resultado do elevado custo da manutenção do sistema de proteção social, ou seja, do montante 
de recurso, do fundo público, destinado à manutenção desse sistema. Porém, como o Estado 
investe na infraestrutura para o mercado privado, o que temos na verdade é uma destinação do 
fundo público para a esfera privada.
A grande expressão do ideal neoliberal é o chamado Consenso de Washington, que foi um 
documento elaborado em uma reunião ocorrida nos idos de 1989, em Washington, e na qual estavam 
presentes representantes dos países mais desenvolvidos economicamente, além de emissários de 
importantes órgãos de créditos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Interamericano 
de Desenvolvimento (BID).
Tal reunião fora organizada para discutir mecanismos de superação da crise econômica, sendo 
que umas das alternativas apontadas pelos que estavam ali reunidos era a redução da intervenção 
estatal, sobretudo no que diz respeito à intervenção junto às políticas sociais. É importante destacar 
que essa redução da intervenção estatal passou a ser algo esperado de todos os países ali reunidos 
e mais: os países em desenvolvimento também precisariam aderir ao receituário do Consenso 
de Washington. Caso esses países não aderissem aos postulados do Consenso e se futuramente 
desejassem empréstimos dos organismos como o FMI e o BID, poderiam ter a recusa por parte 
desses organismos.
Assim, de acordo com essa perspectiva, não há necessidade de uma política social. Aliás, não é sequer 
permitido que o Estado intervenha nesse sentido. Por isso, a política social conquistada nos anos do 
Welfare State perde aos poucos seu direito universal e passa a ser novamente uma intervenção, residual 
e específica (COUTO, 2010).
Passa ainda a ser destinada, dentre os pobres, aos mais pobres e pautada sobretudo em intervenções 
empreendidas pela caridade privada ou por ações levadas a cabo pelas chamadas organizações não 
governamentais.
Retoma‑se a política da meritocracia, onde ser pobre é atributo de acesso a programas sociais, 
que devem ser estruturados na lógica da concessão e das dádivas, contrapondo‑se ao direito 
(COUTO, 2010, p. 71).
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 Saiba mais
Recomendamos a leitura do texto indicado a seguir, a fim de conhecer 
mais sobre as mudanças nas políticas sociais a partir da influência neoliberal.
PEREIRA, J. D.; SILVA, S. S. S.; PATRIOTA, L. M. Políticas sociais no 
contexto neoliberal: focalização e desmonte dos direitos. Qualit@s – 
Revista Eletrônica – ed. esp., 2012. Disponível em: . Acesso em: 27 dez. 2012.
Couto (2010) ainda descreve que o Neoliberalismo encampa três propostas principais, e tais propostas 
são implementadas pelos Estados, dentre os quais o Estado brasileiro. As propostas descritas pelo autor 
referem‑se a uma busca excessiva pela reversão das nacionalizações organizadas no segundo pós‑guerra 
pelo Estado, além de uma desregulamentação das atividades econômicas e sobretudo das sociais, que antes 
eram desenvolvidas predominantemente pelo Estado, e a transformação dos serviços sociais universais em 
serviços sociais particulares, por meio dos benefícios sociais pautados em uma série de critérios seletivos.
Behring (2008), explicando o mesmo processo, nos diz que se busca, sob a ótica neoliberal, a promoção 
de uma dissolução do Estado e do capital nacional, o que resulta, por sua vez, na privatização dos serviços 
sociais e das empresas públicas rentáveis. Behring e Boschetti (2010) afirmam que na ótica de privatização 
dos serviços e políticas sociais o que temos é a privatização apenas na área da saúde e da previdência 
social, pois, ao serem administradas pela iniciativa privada, podem vir a oferecer lucro ao mercado.
No entanto, para os serviços sociais que ainda permanecem sendo executados pelo Estado, a ótica 
que prevalece é a da seleção, da triagem, tendo em vista a retração dos recursos do orçamento social.
O fato é que essa reversão às nacionalizações descrita por Couto (2010) e por Behring (2008) resulta 
em uma incapacidade, por parte do Estado, em manter empresas nacionais lucrativas. Desse modo, 
“Os Estados nacionais têm dificuldade em desenvolver políticas industriais, restringindo‑se a tornar os 
territórios nacionais mais atrativos às inversões estrangeiras” (BEHRING, 2008, p. 59).
Para isso, os Estados passam a investir em uma série de mecanismos que tornem o país e as empresas 
nacionais interessantes ao mercado, sobretudo ao mercado internacional. No caso, o Estado torna‑se 
mínimo para as políticas sociais, mas máximo para o capital investido, que assume uma série de funções 
econômicas para garantir a lucratividade do mercado, sendo uma delas a garantia de infraestrutura 
mínima necessária às empresas capitalistas.
Dentro disso, os Estados nacionais restringem‑se a: cobrir o custo de 
algumas infraestruturas (sobre as quais não há interesse de investimento 
privado), aplicar incentivos fiscais, garantir escoamentos suficientes e 
institucionalizar processos de liberalização e desregulamentação, em nome 
da competitividade (BEHRING, 2008,p. 59).
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O Estado precisa ainda ser forte, enfatizando a necessidade de manutenção da lei e da ordem, 
buscando assim afastar as possibilidades de expressões populares contrárias à ordem vigente ou 
estabelecida.
Vimos que os ideais neoliberais foram rapidamente aceitos em grande parte dos Estados. No Brasil, 
de acordo com Couto (2010), foi a partir do governo de Fernando Collor de Mello que esses ideais 
ganharam terreno e durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso grande parte deles foram 
implantados.
Couto (2010) afirma que, além da privatização dos serviços sociais e do seu sucateamento, temos 
uma intensa privatização das empresas públicas rentáveis, sobretudo na gestão de Fernando Henrique 
Cardoso.
Concluindo, o que percebemos é que sob influência de postulados neoliberais a política social perde 
sua relevância e importância e, aliás, passa a ser compreendida como um mecanismo que não deve ser 
utilizado pelo Estado sob o argumento de trazer prejuízos ao mercado e também aos indivíduos que são 
beneficiários dos serviços. Instaura‑se a ótica da política social “focalizada, centralizada e privatizada” 
(IAMAMOTO, 2001, p. 36), desenvolvida agora segundo a “ótica do contador” (IAMAMOTO, 2001, p. 37) em 
que se importa apenas a viabilidade financeira no desenvolvimento das ações e não o seu alcance social.
Essa é a lógica contábil, da “ entrada” e “saída” de dinheiro, do balanço que se 
erige como exemplar, em detrimento da lógica dos direitos, da democracia, 
da defesa dos interesses coletivos da sociedade, a que as prioridades 
orçamentárias deveriam submeter‑se (IAMAMOTO, 2001, p. 37).
Ou seja, interessa apenas a atenção da necessidade capitalista.
A seguir, uma figura por nós elaborada a fim de sistematizar os conhecimentos tratados até o 
presente momento. Vejamos:
Neoliberalismo
Contrário à 
intervenção estatal 
na economia
Contrário à 
intervenção estatal 
na política social
Recuperação da 
caridade privada
Privatizações de 
empresas públicas
Política socialespecífica
Figura 13 – Síntese dos conhecimentos sobre Neoliberalismo
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Concluindo nossas considerações, na sequência realize uma reflexão sobre o texto que segue:
Exemplo de aplicação
Corte de gastos para conter crise internacional tem afetado conquistas sociais, diz Dilma – 
11/12/2012
Danilo Macedo
Repórter da AgênciaBrasil
Brasília – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (11) que “o corte radical de gastos” feito pelos 
governos de países desenvolvidos tem afetado as conquistas sociais alcançadas pela população após a 
2ª Grande Guerra Mundial. Segundo a presidenta, a melhor saída para a crise é o caminho que busca 
aliar os necessários ajustes fiscais e o estímulo ao investimento e ao consumo.
“Nós, países emergentes, demonstramos maior capacidade de recuperação, pois temos hoje uma 
maior estabilidade macroeconômica e não vacilamos em lançar mão de incentivos fiscais para reduzir 
os impactos da crise”, disse Dilma na abertura do Fórum pelo Progresso Social – O Crescimento como 
Saída para a Crise, em Paris. O evento foi organizado pelo Instituto Lula e pela Fundação Jean Jaurès.
A presidenta destacou a experiência latino‑americana. “Todos nós, da América Latina, que fomos 
submetidos a um grave ajuste ao longo de duas décadas, sabemos que o corte radical de gastos afeta 
não só a economia, mas, sobretudo, compromete o futuro de nossa gente”. Para ela, na Europa, os 
cortes “têm afetado igualmente uma das maiores obras políticas do mundo, que foi a criação da União 
Europeia e da zona do euro”.
Para Dilma, a superação da crise pela União Europeia passa por muita cooperação, diálogo e 
compromisso dos governos – como defendeu o presidente da França, François Hollande, antes do 
discurso da colega brasileira –, e também por uma união bancária, com um Banco Central com poderes 
para defender o euro, emitir títulos e emprestar recursos em última instância.
A presidenta disse que a superação da crise também passa, necessariamente, pela construção de um 
novo mundo e que, dificilmente, haverá uma oportunidade para se tomar um caminho com ações mais 
progressistas e menos ortodoxas.
Apesar de os países emergentes estarem superando de forma menos traumática a crise, Dilma 
ressaltou que todos vivem em um mundo interconectado e entrelaçado e que as decisões tomadas em 
qualquer parte afetam a todos. “Diante disso concordamos com o fato de que a opção preferencial por 
política ortodoxa, na maioria dos países desenvolvidos, não tem resolvido o problema da crise: nem seu 
aspecto fiscal nem seu aspecto financeiro. Pelo contrário, o que nós vemos é o agravamento da recessão, 
o aumento do desemprego, o aumento do desemprego entre os jovens, a desesperança e o desalento”.
Fonte: Macedo (2012).
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Reflita e argumente sobre a questão: há uma ética em reduzir gastos sociais para atender à 
necessidade do sistema econômico?
Concluímos assim nossos estudos sobre as diferentes concepções sobre a política social. Na sequência 
passaremos a discutir sobre a questão social e sobre a consolidação das políticas sociais.
2 A quESTãO SOcIAl E A cOnSOlIDAçãO DAS POlíTIcAS SOcIAIS
Prezado aluno, tal como enunciamos diversas vezes nessa unidade inicial, buscaremos agora a 
compreensão acerca da relação estabelecida entre a questão social, em suas múltiplas formas de expressão, 
e a consolidação das políticas sociais. Reforçamos que a noção de questão social é fundamental para 
nós, assistentes sociais, já que, conforme sabemos, ela constitui a matéria‑prima de nossa intervenção, 
conforme as definições de Iamamoto (2001).
Antes de prosseguirmos com nossos estudos, no entanto, recomendamos a observação da imagem 
a seguir:
Figura 14
Ela é representativa de uma das muitas expressões da questão social, mas não a única. Aliás, no início 
desse material apresentamos outra imagem que traz também uma representação da questão social, 
de forma que podemos definir grosseiramente a questão social como sendo uma série de fenômenos 
prejudiciais ao ser humano e que são ampliados a partir do desenvolvimento da sociedade capitalista.
Com tal colocação poderemos dar andamento aos nossos estudos. Nesse subitem realizaremos uma 
discussão sobre a questão social, tal como enunciamos e sobre as políticas sociais, mas será necessário 
também retomar alguns conteúdos relacionados ao desenvolvimento da sociedade capitalista, a fim de 
que possamos, de fato, discutir o assunto a que nos propomos. Iniciemos com algumas reflexões sobre 
a questão social.
De acordo com Netto (2001), o termo questão social surgiu no século XIX, na Europa Ocidental, 
utilizado inicialmente para designar o pauperismo que se tornava latente durante a organização do 
capitalismo industrial. Segundo o autor, embora a pobreza sempre tenha existido, com a aglomeração 
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das pessoas nos centros urbanos ela se tornou mais visível – antes aparecia, de certa forma, dissolvida. 
As pessoas, a partir desse momento, em virtude do trabalho nas indústrias, estavam obrigadas a conviver 
de uma forma mais próxima, diferentemente do que acontecia quando a produção e o trabalho estavam 
concentrados no feudo.
As definições propostas por Netto (2001) são importantes porque conferem historicidade às 
expressões da questão social. Behring e Boschetti (2010) nos dizem que compreender a historicidade 
da questão social, ou seja, seu desenvolvimento histórico‑social é condição fundamental para sua 
interpretação. No caso, as autoras, ao discutirem tais conceitos, nos dizem que as grandes expressões da 
questão social aconteceram no século XIX, com as lutas dos trabalhadores reivindicando melhorias nas 
condições laborais, assim como fora exposto por Netto (2001).
Porém, para a autora o surgimento da questão social está na sociedade capitalista, ou seja, 
compreendendo a dimensão histórica de origem da questão social precisamos entender que está 
diretamente relacionada às desigualdades que são produzidas pela sociedade capitalista. Sua ampliação, 
no entanto, está condicionada ao estágio monopolista do capitalismo.
Contudo, sua gênese está na maneira com que os homens se organizaram 
para produzir num determinado momento histórico, como vimos, o de 
constituição das relações sociais capitalistas‑ e que tem continuidade na 
esfera da reprodução social (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 52).
No entanto, inicialmente, com o surgimento do termo, esperava‑se esconder os problemas sociais 
que resultavam do desenvolvimento capitalista (tal como compreendemos atualmente) e, sendo 
assim, o termo foi utilizado pelo pensamento conservador. Não se compreendida a gênese da questão 
social como relacionada ao desenvolvimento capitalista. No caso, a questão social era compreendida 
como se fosse algo natural, algo que não podia ser alterado ou mudado, ou então como se fosse falta 
de caráter ou moral. No sentido em voga, a única possibilidade de superação da questão social, de 
acordo com o pensamento conservador, seria a mudança de caráter dos que eram acometidos por ela 
(NETTO, 2001).
Entretanto, com o tempo, foi sendo atribuída uma nova conceituação à questão social, aos problemas 
sociais. Isso porque se começou a compreender que a questão social é apenas o resultado das mazelas 
que são geradas pela sociedade capitalista e que tais “mazelas” são potencializadas quando esse sistema 
adentra sua fase monopolista, da qual também trataremos no decurso desse material. Mas cabe a nós 
aqui reiterar que essa nova compreensão sobre fenômenos expostos foi viabilizada pelo movimento 
operário europeu que, recorreu aos estudos de Marx para aprofundar suas reflexões.
 lembrete
Conforme já estudamos, é na década de 1970 que o mundo vivencia 
outra grandecrise capitalista.
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Todavia, essa reflexão não foi de imediato extensiva a toda a população. Ainda na década de 1970, 
segundo Netto (2001), a pobreza era compreendida de uma forma incorreta. Nesse período, a pobreza ora 
era interpretada como um fenômeno que afetava apenas os países subdesenvolvidos – ou emergentes 
como poderíamos dizer para recorrer a um tema um pouco mais atual –, ora era compreendida como 
um novo fenômeno social.
Netto (2001), entretanto, afirma que não há uma nova questão social, ou um novo fenômeno 
de degradação da vida humana. Para ele, assim como para nós, o que há, realmente, é a gestação 
de novas expressões da questão social, sendo que tais expressões são influenciadas pelas 
particularidades de cada momento: o período histórico, a questão cultural e os aspectos da 
realidade nacional.
Desse modo, somente a partir do aporte do Marxismo, é que a questão social passou a ser apreendida 
de uma forma relacionada à sociedade capitalista. Podemos dizer que a questão social pode ser 
compreendida como:
[...] o conjunto das expressões das desigualdades da sociedade capitalista 
madura, que tem uma raiz comum: a produção social é cada vez mais coletiva, 
o trabalho torna‑se mais amplamente social, enquanto a apropriação dos 
seus frutos mantém‑se privada, monopolizada por uma parte da sociedade 
(IAMAMATO, 2001, p. 27).
Mas, vejamos quantas definições podem e precisam ser extraídas da citação anterior. A 
primeira delas refere‑se ao termo “conjunto das expressões”, sendo que por meio dela precisamos 
compreender uma série de situações que são experimentadas pelos seres humanos em sua vida, 
que trarão resultados ruins a seu desenvolvimento. No caso, é importante lembrar que a questão 
social não pode reduzida à pobreza, ou seja, a pobreza é mais uma das expressões da questão social, 
mas não a única.
Seguindo esse raciocínio, podemos afirmar que as expressões da questão social podem ser 
observadas junto aos mais variados segmentos, que vão desde a “[...] criança [...] ao adolescente, ao 
idoso, a situações de violência contra a mulher, a luta pela terra etc.” (IAMAMOTO, 2001, p. 62) e podem 
estar presentes também em questões que “[...] os indivíduos as experimentam no trabalho, na família, 
na área habitacional, na saúde, na assistência social pública etc.” (IAMAMOTO, 1997, p. 14), em suas 
vivências rotineiras, cotidianas.
Assim, há muitas formas de expressão da chamada questão social e, questão social não é apenas 
um conceito, mas algo que é real, que se manifesta cotidianamente na vida e experiência dos seres 
humanos. A compreensão da totalidade da questão social demanda um exercício de aproximação com 
as expressões expostas na realidade, ou seja, é fundamental “[...] apreender as várias expressões que 
assumem, na atualidade, as desigualdades sociais” (IAMAMOTO, 2001, p. 31).
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 Saiba mais
Para compreender mais sobre o assunto, recomendamos a leitura do 
texto:
MONTAÑO, C. Pobreza, “questão social” e seu enfrentamento. Serviço 
Social & Sociedade, n. 110, São Paulo, abr./jun. 2012. Disponível para acesso 
em . Acesso em: 29 nov. 2012.
Indicamos também o curta a seguir, como uma representação desse 
fenômeno que tanto afeta a vida dos seres humanos atualmente.
REVERSO. Dir. Francisco Colombo. Brasil, 2009. 35 minutos.
Hoje, no entanto, para Iamamoto (2001, p. 116), uma das grandes expressões da questão social é o 
“desemprego e a ampliação da precarização da relações de trabalho” e ela não é a única. O desemprego 
e precarização das relações de trabalho podem conduzir as pessoas a outras situações de exclusão, como 
as que destacamos anteriormente. Ou seja, a pessoa que não tem renda ou que possui uma baixa renda, 
fatalmente não conseguirá acessar os serviços sociais básicos e necessários para sua sobrevivência e 
para o seu desenvolvimento.
A título de exemplo, vejamos os dados levantados por Iamamoto no ano de 2001. Naquela época, o 
desemprego:
[...] incide sobre 35% da população economicamente ativa mundial (2 
bilhões e 500 mil pessoas), que estão desempregadas ou subempregadas. A 
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE – tem 
35 milhões de pessoas desempregadas, o que equivale a 8% da população 
economicamente ativa (IAMAMOTO, 2001, p. 116).
Ou seja, naquele momento havia um contingente populacional elevadíssimo de desempregados ou 
subempregados. E hoje como o desemprego se manifesta pelo mundo e pelo Brasil?
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) realizou uma análise em 2011 e constatou 
que em 2012 o número de desempregados chegaria a 200 milhões. Para reverter esse quadro, 
a única alternativa seria a criação de novos postos de trabalho. O estudo ainda demonstra que os 
jovens foram os segmentos mais afetados pela expulsão do mercado de trabalho, comprovando 
assim o que fora dito por Ricardo Antunes em sua análise sobre o trabalho e aqui por nós 
também já afirmado (Informações disponíveis em: . Acesso em: 28 dez. 
2012). Segundo dados do IBGE, no ano de 2011, o desemprego afetou 6% da população economicamente 
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ativa no Brasil, ou seja, não temos um bom prognóstico e vemos que a situação observada por Iamamoto 
no ano de 2001 ainda se mantém.
No entanto, segundo a mesma autora, a questão social incorpora também as possibilidades 
de rebeldia, ou seja, as vivências cotidianas das pessoas podem motivá‑las a se colocarem de 
forma contrária à dominação constituída por esse sistema que é pautado na desigualdade por 
natureza. Essa rebeldia, que pode ser gerada pela questão social precisa ser captada, percebida 
para que seja convertida em projetos alternativos de resistência. Para ela, cabe a nós, assistentes 
sociais, compreender essas possibilidades que nos são oferecidas em decorrência de nossa atuação 
e assim buscar orientar esses projetos alternativos em prol da classe trabalhadora e da classe mais 
empobrecida de nossa sociedade.
Além do fato de destacar que a questão social é composta por múltiplas formas ou expressões, 
a definição a relaciona ao desenvolvimento capitalista, sendo que destaca com especial atenção 
o capitalismo em sua fase monopolista. Vejamos assim, os principais aspectos desse estágio de 
desenvolvimento do sistema capitalista que trouxe e traz incidências à configuração da questão social.
 Observação
Capitalismo monopolista: assentado do monopólio dos mercados.
Netto (2001, p. 19) afirma que em meados do século XIX, o capitalismo sofre uma série de mudanças e 
essas mudanças provocam, por sua vez, alterações nas instâncias políticas e também na estrutura social. 
A mudança apontada pelo autor refere‑se à configuração do capitalismo, agora como monopolista ou 
imperialista, deixando para trás sua fase industrial.
Segundo esse novo formato de produção, que passa a ser assentado no monopólio, busca‑se “[...] o 
acréscimo dos lucros capitalistas por meio do controle dos mercados” (NETTO, 2001, p.20), ou seja, cada 
vez mais se busca eliminar a concorrência.
 Observação
Pool, Cartel e Truste são formas de fusões entre as empresas capitalistas 
e que buscam garantir o monopólio.
Para que o monopólio seja alcançado, várias possibilidades de compra, venda e associações são 
organizadas. Netto (2001) indica como possibilidades as fusões de pool, cartel e truste. Podemos 
diferenciar essas formas de associação de uma maneira simples, já que não é objeto desse material 
realizar uma discussão profunda sobre esses temas. Assim sendo, o poolé um agrupamento de empresas, 
que nem sempre possuem o mesmo ramo de atuação, com objetivos comuns. O cartel, por sua vez, é 
uma associação de empresas concorrentes mas que se unem com o objetivo de controlar o mercado e, 
por fim, o truste seria a união, fusão de empresas, além do simples acordo de cavalheiros.
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Essas formas de associação, porém, são organizadas para que as empresas minimizem os 
impactos da concorrência. Netto (2001, p. 23) nos diz que na idade do monopólio a concorrência é 
convertida em uma “luta de vida ou morte” pelo controle dos mercados. A seguir, veja um exemplo 
de uma fusão.
Exemplo de aplicação
Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart encabeçam lista dos maiores varejistas do País – 
Eduardo Gonçalves
SãO PAULO – O Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart encabeçaram nesta quarta‑feira (5), a 
lista das 100 maiores empresas do varejo brasileiro em faturamento no ano de 2012. Em contraposição, 
Makro e Lojas Pernambucanas perderam espaço no ranking, divulgado pelo Instituto Brasileiro de 
Executivos do Varejo e do Mercado de Consumo (IBEVAR). Em 2011, o segmento cresceu 8% e as 100 
gigantes do setor movimentaram pouco mais de R$ 260 bilhões. A estimativa de crescimento para 2012 
é de 7,5%.
Algumas novidades trazidas à tona com a pesquisa foram a entrada do Grupo Boticário, de 
cosméticos, e a C&A Modas Ltda, de vestuários, ao top‑15 da lista, e a alavancada da Cencosud e 
Máquina de Vendas, de supermercados e eletroeletrônicos, respectivamente, no cenário do mercado de 
varejo brasileiro.
Fonte: Gonçalves (2012).
É bom lembrar que essas eram empresas privadas, organizadas umas independentes das outras. Com 
a fusão, elas se uniram em prol do controle do mercado. No caso, a notícia enuncia o lucro da empresa. 
Cabe de nossa parte uma provocação, sobre a qual esperamos sua reflexão: seria possível que essas 
empresas obtivessem esse lucro se não estivessem associadas? Argumente.
Mas o controle do mercado não é o único fenômeno que observamos durante o estágio monopolista 
de desenvolvimento do capital. Segundo afirma Netto (2001, pp. 20‑21) é nesse estágio que:
[...] a) os preços das mercadorias (e serviços) produzidos pelos monopólios 
tendem a crescer progressivamente; b) as taxas de lucro tendem a ser 
mais altas nos setores monopolizados; c) a taxa de acumulação se eleva, 
acentuando a tendência descendente da taxa média de lucro (MANDEL, 
1969, 3: 99‑103) e a tendência ao subconsumo; d) o investimento se 
concentra nos setores de maior concorrência, uma vez que a inversão 
nos monopolizados torna‑se progressivamente mais difícil (logo, a taxa 
de lucro que determina a opção de investimento se reduz); e) cresce a 
tendência a economizar trabalho “vivo”, com a introdução de novas 
tecnologias; f) os custos de venda sobem, com um sistema de distribuição 
e apoio hipertrofiado [...]
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Apesar da busca de lucro ser o que movimenta o capitalismo monopolista, é preciso destacar que 
o alcance dos lucros não resulta em melhoria da qualidade de vida da população, sendo a extração 
do lucro apenas de quem detém os meios de produção: a classe burguesa, no comando desse sistema 
capitalista. Assim, na idade do monopólio as contradições que já se faziam presentes se tornam ainda 
mais latentes, pois “[...] o capitalismo monopolista recoloca, em patamar mais alto, o sistema totalizante 
de contradições que confere à ordem burguesa os seus traços basilares de exploração, alienação e 
transitoriedade histórica [...]” (NETTO, 2001, p. 19).
No caso, grande parte das contradições são potencializadas porque no monopólio o processo 
produtivo depende cada vez mais da inovação tecnológica, conforme afirmado na citação destacada. A 
inovação tecnológica, por sua vez, impulsiona o desemprego de uma grande parcela da população, já 
que há uma substituição do trabalho vivo pelo trabalho morto.
 Observação
O trabalho vivo está relacionado ao trabalho exercido pelos 
trabalhadores e o trabalho morto, ao desenvolvido por equipamentos.
Exército industrial de reserva: pessoas que aguardam a reinserção 
laboral.
Desse modo, nesse processo de substituição do trabalho vivo pelo trabalho morto, observamos 
uma grande ampliação do desemprego e do subemprego. Assim, “O monopólio faz aumentar a taxa de 
afluência de trabalhadores ao exército industrial de reserva” (SWEZZY, 1977, p. 304 apud NETTO, 2001, 
p. 21). Não nos deteremos nessa discussão porque já tratamos desse assunto quando estudamos as 
mudanças que ocorridas no sistema produtivo na década de 1970.
No entanto, mesmo com a expulsão de muitos trabalhadores para o exército industrial de reserva, 
com a introdução de novas tecnologias e com a ampliação das organizações de monopólios, o 
capitalismo ainda precisa de outros mecanismos de regulação para que possa extrair o lucro em suas 
máximas proporções, ou, conforme postulado por Netto (2001, p. 24), são necessários “[...] mecanismos 
de intervenção extraeconômicos” para que consiga sustentar‑se ou então para que seja possível que 
suas crises sejam reduzidas de forma a não comprometer a extração do lucro.
Netto (2001) afirma que esses mecanismos de intervenção são gerenciados pelo Estado. Para o autor, o 
Estado foi cooptado pela ótica capitalista e, em tese, esse ente representava apenas os interesses da classe 
burguesa, motivo pelo qual o autor o denomina como “comitê executivo da burguesia” (NETTO, 2001, p. 26).
Apesar de estar sob influência neoliberal, que, conforme vimos, postula a não intervenção estatal 
junto às expressões da questão social e também em relação à regulação econômica, o que assistimos, na 
idade do monopólio é uma intervenção por parte do Estado para garantir a reprodução do capitalismo. 
Portanto, Netto (2001, p. 24) argumenta que o Estado atua como sendo um “[...] cioso guardião das 
condições externas da reprodução capitalista”.
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O autor sustenta que o Estado busca exercer uma intervenção de forma contínua e sistemática junto 
ao capitalismo, sendo tal intervenção realizada por meio de funções de natureza política e de natureza 
econômica. As funções de natureza econômica podem ser tipificadas como sendo intervenções diretas 
e indiretas.
Ainda de acordo com Netto (2001), as funções diretas são extremamente amplas, podendo ser 
compreendidas como as intervenções em que o Estado busca conceder auxílio a empresas privadas, 
assim como socorro para empresas capitalistas em dificuldade, privatizações de empresas públicas 
lucrativas, subsídios para os monopólios e uma série de outras intervenções e ações voltadas para a 
garantia do lucro.
Antes de prosseguirmos em nossas discussões sobre as funções econômicas adotadas pelo Estado 
em prol do capitalismo, vejamos a seguir um exemplo de privatização de empresas públicas.
Exemplo de aplicação
Governo ultrapassa meta das privatizações com venda da ANA
Por Ana Suspiro
Com esta operação, o governo já encaixou 6400 milhões de euros e superou meta até 2014, mas 
falta vender as empresas mais difíceis
Foi uma privatização que superou as expectativas: quer em número de concorrentes, quer no encaixe 
financeiro do Estado. O preço de venda de 95% da ANA – Aeroportos de Portugal aos franceses da Vinci 
– 3080 milhões de euros – fazem desta a maior privatização realizada em Portugal em receita. Não só 
no quadro do programa de assistência financeira, mas também em mais de uma década.
Com esta operação, a receita com as privatizações atinge os 6400 milhões de euros, segundo 
números avançados ontem pela secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, e 
permitem ultrapassar a meta de 5,5 mil milhões de euros inscrita no programa da troika até 2014. 
Mas estes númerosgenerosos refletem, ainda e apenas, a venda dos ativos mais apetecíveis do 
Estado: EDP, REN (Redes Energéticas Nacionais) e ANA. Para 2013 e 2014 ficaram as privatizações 
mais delicadas, não só pelo menor interesse dos investidos privados, visível no caso da TAP, mas 
também pelo eventual impacto negativo que podem ter nas contas pública, como os Estaleiros 
Navais de Viana do Castelo.
Por outro lado, e no caso da ANA, a maior fatia da receita com a venda não terá o destino que 
a troika preferia e que é um dos objetivos do programa de privatizações em curso: o abate à dívida 
pública. Dos 3080 milhões que o grupo francês Vinci concordou pagar, sem condições, sublinhou o 
secretário de Estado das Obras Públicas, Sérgio Monteiro, apenas 39% terá como destino a redução da 
dívida portuguesa, em 2013, o que corresponderá a cerca de 1200 milhões de euros. Nas contas ontem 
explicadas por Maria Luís Albuquerque, os 1200 milhões pagos em troca do contrato de concessão dos 
aeroportos nacionais deverão ser usados para abater ao défice público deste ano, operação que ainda 
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não recebeu luz verde do Eurostat. Há ainda 700 milhões de euros que correspondem à dívida financeira 
actual da ANA [...]
Fonte: Suspiro (2012).
Tomando como base nossos estudos e a matéria anterior, reflita sobre o processo de privatizações 
encampado pelo Estado brasileiro e pense acerca do tema: para qual classe social essas intervenções 
têm trazido benefícios?
As funções indiretas, por sua vez estariam relacionadas a compras que o Estado realiza para beneficiar 
determinados monopólios, investimento em meios de transporte, gastos com a pesquisa e estudo, 
e ações que busquem ainda manter a força de trabalho vivo. Figura ainda como funções indiretas 
desempenhadas pelo Estado a regulação do acesso a níveis de consumo por parte de determinadas 
classes sociais e sua disponibilização aos projetos do monopólio.
Essas seriam as funções econômicas, porém, conforme dissemos, há ainda as funções políticas. Elas 
estarão relacionadas a mecanismos que o Estado utiliza para que suas ações, assim como a realidade 
econômica presente, sejam aceitas, ou seja, não sejam questionadas. Netto (2001) afirma que o Estado 
consegue alcançar o consenso por meio de uma coerção sublime, sendo que tal coerção acontece via 
reconhecimento dos direitos sociais e por meio de garantias cívicas e sociais.
Assim, por meio dessas funções, o Estado busca oferecer ao capitalismo possibilidades de sobreviver. 
Netto (2001) sustenta que os direitos sociais são constituídos para atender as sequelas da questão 
social, as expressões da questão social. Isso porque as expressões da questão social podem comprometer 
o desenvolvimento capitalista.
Assim sendo, a intervenção nas expressões da questão social, que são geradas e ampliadas pelo 
sistema capitalista demandam a constituição de políticas sociais. Apesar de considerarmos que as 
políticas sociais precisam ser compreendidas como um ganho para a classe trabalhadora e para a classe 
empobrecida, precisamos entender que essas ações só são constituídas pelo Estado para atender a uma 
necessidade capitalista.
Por meio da política social, o Estado burguês no capitalismo monopolista 
procura administrar as expressões da questão social de forma a atender 
às demandas da ordem monopólica conformando, pela adesão que recebe 
de categorias e setores cujas demandas incorpora, sistemas de consenso 
variáveis, mas operantes (NETTO, 2001, p. 30).
Para o autor, as políticas sociais são essenciais No caso, as políticas de previdências e educacionais 
seriam as mais relevantes no sentido de auxiliar o capitalismo. Nos termos postos, as políticas 
previdenciárias deveriam constituir mecanismos que proporcionassem o consumo para aquelas pessoas 
que, em decorrência das intercorrências da vida, não pudessem mais trabalhar. As políticas educacionais, 
por sua vez, estariam encarregadas de oferecer qualificação técnico‑científica necessária para a produção.
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Netto (2001) nos indica que além dessas políticas, seriam constituídas as que denomina de setoriais, 
que estariam orientadas à garantia do acesso à moradia, saúde, saneamento para a população, sobretudo 
para a classe trabalhadora, colaborando assim com o processo produtivo capitalista.
Todavia, essa intervenção por meio das políticas sociais não é algo que acontece apenas na fase 
monopolista do capitalismo. Em tese essa relação entre questão social e política social começou no século 
XIX. Como também já vimos, foi nesse período que tivemos grandes pressões da classe trabalhadora em 
decorrência das precárias condições de vida e de trabalho que afetavam grande parcela da população 
europeia e da população mundial (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
Foi nesse momento que as pressões dos trabalhadores começaram a ser atendidas. Nessa época, 
o que temos é a busca de regulamentação das condições de trabalho numa tentativa de minimizar a 
precariedade da qualidade laboral. Assim, no século XIX o que temos é o disciplinamento da jornada de 
trabalho, um ganho para a categoria trabalhadora. Ou seja, uma política social para atender uma das 
expressões da questão social. No Brasil, coincidentemente, temos a ampliação das políticas sociais nos 
períodos de 1930 e 1960, onde era necessário conter as expressões da pressão popular que se levantava 
frente às condições precárias de vida da população brasileira (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
A intervenção por meio de políticas sociais, junto às expressões da questão social, portanto, também 
busca minimizar possíveis organizações populares contrárias à ordem social estabelecida.
Vejamos a imagem seguinte, onde os principais conteúdos aqui tratados encontram‑se dispostos de 
uma maneira sintetizada. A figura foi elaborada por nós apenas com o objetivo de facilitar os seus estudos.
Capitalismo 
monopolista
Demanda 
intervenção estatal
Ampliação da 
questão social
Intervenção 
por meio de 
políticas sociais
Regulação 
econômica e social
Desempenha 
funções econômicas 
e políticas
Figura 15 – Síntese dos conhecimentos sobre o capitalismo monopolista
3 TEnDÊncIAS cOnTEMPOrânEAS quE cOnDIcIOnAM AS InTErvEnçÕES 
EM POlíTIcAS PÚBlIcAS
Sabe‑se que não é possível entender política social sem compreender a sua relação com a sociedade. 
Compartilhando esta linha de raciocínio, neste estudo também se buscará a descentralização e a 
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gestão pública para o entendimento da relação do Estado, da sociedade e das políticas públicas na 
contemporaneidade.
Nesse estudo a descentralização é tratada como princípio político, como base para a compreensão 
do controle social, da participação social e na discussão do público e do privado, na gestão das políticas 
sociais, principalmente da assistência social.
Também buscamos enfatizar o controle social e a participação social na gestão do orçamento púbico 
da assistência social e, por fim, uma análise desses elementos na discussão público/privado.
3.1 A Gestão das políticas públicas e as possibilidades de controle social
A- Descentralização
A descentralização, a partir dos anos de 1980, constitui‑se num princípio ordenador da reforma 
do setor público, com abrangência nos países de capitalismo avançado e sendo difundida nos países 
em desenvolvimento. Sua bandeira foi levantada por países social‑democratas e conservadores, 
principalmente aqueles com experiências autoritárias, como os da América Latina.
A descentralização, como princípio político, tem no pensamento liberal uma longa trajetória, sendo 
enaltecida por liberais e economistas conservadores, quando ligada à ideia de mercado.
Essa modernização se daria pela eliminaçãoda centralização administrativa 
– que promove ineficiência e capacidade gerencial, especialmente nas 
atividades de prestação de serviços e gestão pela promoção de mecanismos 
geradores de um maior controle democrático sobre o Estado (DUIGUETTO; 
DEBORTOLOP, 2008, p. 7).
Na tradição social‑democrata, a ideia da descentralização também foi acolhida. A respeito, destaca‑se 
como:
A ideia de socialismo municipal se constitui numa estratégia importante 
no início do século nos países europeus, da mesma forma que as 
virtudes de modelos autogestionáveis também foram apontadas por 
teóricos importantes do movimento socialista, sobretudo no contexto 
das críticas ao modelo soviético. Em seu conjunto, no entanto, a 
esquerda sempre privilegiou a centralização e não a descentralização 
(MELLO, 2009, p. 12).
Contemporaneamente, a descentralização vem sendo advogada como forma de democracia direta e 
de mecanismos de controle social, conforme Mello:
A descentralização é um princípio importante no quadro da renovação do 
pensamento político de esquerda, sobretudo da chamada nova esquerda 
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pós‑industrial, além de ser consistente com a ideia de fragmentação 
social que informa o chamado pós‑modernismo na teoria política 
(MELLO, 2009, p. 12).
O processo de redemocratização que o Brasil tem vivido nos últimos anos provocou um novo modelo 
de Estado e um novo desenho do sistema federalista “cujo vetor aponta para a descentralização e para 
o fortalecimento da capacidade decisória das instâncias de governo subnacionais, caracterizadas pelo 
federalismo cooperativo” (STEIN, 1999, p. 73).
Há pesquisadores que defendem a tese de que a descentralização teve destaque especialmente 
pelas inovações e regras estabelecidas pela Constituição Federal de 1988, principalmente a 
descentralização fiscal, a extensão dos direitos sociais e da sua materialidade em forma de políticas 
públicas.
Figura 16 – Seminário Movimentos Sociais e Democratização do Estado, 
realizado pela Secretaria Geral da Presidência da República, o qual buscou 
discutir e redefinir a participação social na administração pública
Figura 17 – Comemoração da elaboração da Constituição 
Federal de 1988, marcando o processo de democratização no Brasil
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Figura 18 – Ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau, 
participa do Fórum Brasileiro de Direito Constitucional, 
comemorativo dos 20 anos de promulgação da Constituição de 1988
A Constituição de 1988 trouxe o debate a respeito dos direitos sociais e com ele o repúdio dos 
conservadores por entenderem que este modelo de Estado seria inadequado ao desenvolvimento pelo 
chamado “custo Brasil”, em função dos benefícios previstos.
Contribui para fazer emergir a consciência dos direitos do trabalho 
no bojo das lutas sociais. Contribui também para a construção de um 
novo pacto federativo, com a descentralização das responsabilidades 
para os níveis estadual e municipal e maior aporte de recursos para eles 
(FALEIROS, 1999, p. 49).
De acordo com Faleiros (1999), a ala conservadora do congresso criou um bloco, a que foi dado 
o nome de “Centrão”. Este bloco se colocou em oposição aos direitos sociais que foram objeto de 
muitas lutas entre forças políticas. E, em linhas gerais, sabe‑se que a Constituição se apresentou como 
liberal‑democrática‑universalista, o que obriga a sociedade brasileira a um convívio contraditório entre 
políticas sociais e políticas de mercado.
Sobre a descentralização das Políticas Sociais Públicas, sabe‑se que ela foi consagrada como objetivo 
da organização do sistema de proteção social, antes mesmo da Constituição Federal de 1988. O governo 
militar utilizou, como uma das estratégias para atingir este objetivo, a criação de Comissões Setoriais.
As referidas comissões eram organizadas em cada Ministério e sua 
composição contemplava tanto a representação governamental, quanto 
os membros da sociedade civil, acrescida ainda de especialistas acadêmicos 
(GESTãO DE SAÚDE, 1998, p. 76).
O presidente manifestou sua adesão à política de descentralização, entendendo a sua urgência 
diante do sofrimento do povo brasileiro. Todavia, a efetividade desse processo não foi homogênea. Ela 
configurou‑se de formas particulares e diferentes, principalmente por não haver uma política nacional 
de descentralização que orientasse a reforma das políticas sociais públicas.
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As análises de Stein (1999) a respeito da descentralização são, ainda, bastante complexas. Os problemas 
relacionados ao tema centralização‑descentralização não podem ser tratados com a simplicidade que 
o termo apresenta. Sendo a centralização a concentração de poder por parte da instancia federal, a 
descentralização, por outro lado, não é simplesmente uma relação inversa. A descentralização total seria 
o rompimento com a noção de Estado.
Mesmo diante da complexidade sobre a descentralização, para Stein:
Sem dúvida, há consenso quanto à importância de se ampliar e consolidar 
a descentralização; contudo, são grandes as divergências sobre o seu 
significado, alcance e limites, como também as formas e instrumentos para 
concretizá‑la (STEIN, 1999, p. 74).
Para Duriguetto e Debórtoli (2008, p. 7), “[...] uma das razões centrais da proposta de descentralização 
é a busca da racionalidade administrativa e da eficiência na formação e operacionalização das 
políticas sociais”.
Acredita‑se que, para compreender melhor este processo, há de se inserir o debate em um novo 
paradigma da administração pública, orientado segundo o Consenso de Washington, como diretrizes 
para a reforma do Estado.
As proposições e implementações de processos de descentralização 
administrativa e também dos formatos de gestão pública para a área 
social passam a inserir‑se nos debates referentes a alterações do 
paradigma da administração pública do modelo burocrático werberiano 
para o modelo gerencial. Essas diretrizes vão começar a ser materializadas 
nos processos que envolvem uma reforma geral do Estado, orientada 
segundo os postulados do Consenso de Washington (DUIGUETTO; 
DEBORTOLI, 2008, p. 7).
A Descentralização pode ocorrer de diferentes formas, segundo Stein (1999), ela pode ser dividida 
em duas categorias: a primeira categoria, definida como descentralização intragovernamental, é aquela 
que ocorre na mesma esfera de governo, “entre os diferentes níveis hierárquicos, com delegação de 
competência e responsabilidades” (STEIN, 1999, p. 73) e a descentralização intergovernamental, 
a que ocorre de uma esfera de governo para outra. Pode ocorrer a transferência da União para os 
Estados e Municípios, como dos governos Estaduais para os Municipais. Já a segunda categoria de 
descentralização, aqui classificada como a descentralização do aparelho do Estado para a sociedade, 
ocorre de dentro para fora da estrutura do Estado. Ganham destaque, nesta forma, alternativas como 
privatizações; transferência de exploração de serviço público para a iniciativa privada; terceirização de 
serviços da Administração Pública e a participação da sociedade no planejamento, nas decisões e gestão 
dos serviços públicos.
No final do século passado buscou‑se definir o papel do Estado e um novo contorno administrativo 
descentralizador. Esta visão adota estratégias como a privatização, terceirização e publicização, bem como 
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sua função reguladora, fiscalizatória e de desmonte do Estado protetor. Para o Direito, todas as estratégias 
tomadas com objetivo de diminuir o Estado são privatizações no sentido amplo (GROTTI, 2006).
Atribui‑se a estas reformas a necessidade de tornar o Estadopresente disciplina, conforme consta em seu 
Plano de Ensino:
Realizar um estudo sobre as teorias explicativas da constituição das políticas 
sociais e sobre a influência da ampliação da questão social nesse processo, 
bem como identificar aspectos relacionados à organização e à gestão das 
políticas sociais na contemporaneidade da realidade brasileira.
Tendo em vista que nossa atuação como Assistentes Sociais se dá predominantemente de forma 
vinculada às políticas sociais.
Desse modo, é urgente e necessária a retomada de conceitos já trabalhados durante a formação 
e de outros que ainda não foram suficientemente discutidos, visto que é no âmbito da gestão, da 
implementação e da execução das políticas sociais que a grande maioria dos assistentes sociais encontra 
seu espaço sócio‑ocupacional.
8
Para que seja possível discutir os conceitos afeitos às políticas sociais, foi elaborado o presente 
material e ele será “dividido” em duas unidades, apenas com finalidade didática. No entanto, os 
conteúdos aqui tratados possuem uma relação de interdependência e de dialética, ou seja, todos os 
conhecimentos aqui tratados são importantes e relevantes, independentemente da unidade em que as 
informações estejam alocadas.
Assim sendo, na unidade 1 estaremos realizando uma aproximação à discussão das principais teorias 
explicativas sobre as políticas sociais desenvolvidas. Estudaremos assim compreensões de natureza 
filosófica e também de natureza econômica, como se poderá observar. Ainda nessa unidade, realizaremos 
uma reflexão sobre a relevância que a ampliação da questão social apresenta para a consolidação das 
ações em política social, considerando‑se a sociedade burguesa madura e consolidada.
Já na unidade 2 orientaremos nossos estudos à compreensão das tendências contemporâneas 
que condicionam as políticas sociais na atualidade. Dentre essas tendências, discutiremos aspectos 
relacionados à gestão das políticas sociais, com especial atenção para as alternativas de controle social 
que são postas a partir da Constituição de 1988. Também nessa unidade será realizado um estudo sobre 
a consolidação da esfera pública e sobre o debate entre as iniciativas de natureza público‑privada. Isso 
porque são fenômenos que condicionam as políticas sociais atualmente e, por conseguinte, trazem 
influências à prática dos assistentes sociais que atuam vinculados às políticas sociais.
Ainda no que diz respeito às tendências contemporâneas que influenciam as políticas sociais, 
discutiremos acerca das transformações societárias acontecidas em todo mundo a partir da década de 
1970. Isso porque tais mudanças condicionam também as políticas sociais desenvolvidas pelo Estado 
brasileiro, sendo que dentre essas “mudanças” podemos elencar a ampliação significativa da demanda 
para as políticas sociais, em decorrência do elevado quadro de desempregados e subempregados que 
são resultado de tais alterações.
Como é possível compreender, esse livro‑texto é uma possibilidade de realizar um aprofundamento 
nos conceitos relacionados à política social, em especial à política social brasileira. Para isso, é 
fundamental que você realize a leitura com muita atenção, busque fazer os exercícios recomendados e 
recorra também às indicações contidas no decurso do texto para ampliar seus conhecimentos.
Bons estudos!
InTrODuçãO
Prezado aluno, agora você já está a um passo de sua graduação em Serviço Social, restando apenas 
um semestre para a conclusão deste longo processo formativo. Desse modo, você deve lembrar de 
uma série de conceitos que foram tratados, inclusive dos que foram relacionados à constituição e ao 
desenvolvimento das políticas sociais no Brasil.
Mesmo assim, é sempre bom recordar que no Brasil tivemos a consolidação da política social como 
responsabilidade do Estado somente a partir da Constituição de 1988. Antes desse período, também 
como estudamos, tivemos ações específicas empreendidas pelo Estado brasileiro, sobretudo nas décadas 
9
de 1930 e 1960, e tais ações na grande maioria dos casos, considerando esses períodos históricos, eram 
orientadas apenas aos trabalhadores e não a toda a população brasileira.
De forma que podemos considerar a Constituição de 1988 como um divisor de águas no que diz 
respeito à consolidação da política social brasileira. E, partindo dessa carta constitucional, muitos esforços 
foram sendo empreendidos para que a política social brasileira se efetivasse da forma que foi idealizada 
pelo texto constitucional. Nos termos postos, várias políticas sociais foram sendo regulamentadas, 
por meio de legislações específicas, tendo em vista a necessidade de fazer valer o disposto na carta 
constitucional brasileira.
Apesar disso, vemos que nem sempre as intervenções acontecem da forma idealizada na 
Constituição Federal, sendo sintomática nesse sentido a crescente tentativa do Estado brasileiro em se 
desresponsabilizar pela gestão e organização de serviços sociais públicos, o que possibilita, por outro 
lado, a organização da sociedade civil para atender às mazelas geradas pela sociedade capitalista madura 
e consolidada.
E, para compreender os fenômenos citados, é fundamental a leitura dos conteúdos tratados no 
presente material. Iniciaremos com a discussão sobre as diferentes formas de compreensão sobre a 
política social, uma reflexão que demanda especial atenção por também trazer influências à política 
social brasileira.
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Unidade I
Prezado aluno, conforme sumariamos anteriormente, nesta unidade iniciamos nossas incursões sobre 
a política social e nossas primeiras reflexões estarão orientadas a compreender as principais teorias que 
explicam as políticas sociais. Também focaremos o papel que a ampliação da questão social adquire no 
sentido de constituição das políticas sociais no Brasil.
1 AS TEOrIAS ExPlIcATIvAS DAS POlíTIcAS SOcIAIS
Quando nos referimos às teorias explicativas das políticas sociais, fazemos referência a formas de 
compreensão sobre as políticas sociais. De certa forma, também nos referimos à forma de compreender 
os problemas sociais e de intervir neles.
Nessa parte inicial de nosso material, estudaremos algumas compreensões, dentre as quais 
indicaremos: o funcionalismo, o idealismo e o marxismo. Isso nos permitirá compreender como tais 
correntes filosóficas compreendem a política social, sem esgotar nelas os nossos estudos.
Assim sendo, também voltaremos nosso olhar para a compreensão de como correntes econômicas 
entendem o desenvolvimento das políticas sociais. O olhar estará orientado para a compreensão sobre 
as políticas sociais propostas pelas correntes: Liberalismo, Keynesianismo e Neoliberalismo.
Dessa forma, esperamos que seja possível a você, prezado aluno, compreender que há diferentes 
leituras sobre a política social. Vamos a nossos estudos.
1.1 Funcionalismo, Idealismo e Marxismo: diversidade na forma de 
compreensão sobre a Política Social
Prezado aluno, optamos por discutir as correntes teóricas mencionadas por serem essas, de acordo 
com Behring e Boschetti (2010), as mais relevantes dentro do pensamento social contemporâneo. 
Assim, daremos início a nossos estudos sobre o tema partindo do funcionalismo. O Funcionalismo 
é um tema já estudado por você, assim como as demais correntes, mas, mesmo assim, temos a 
necessidade de retomar tais conceitos para, em seguida, discutir sobre a compreensão de tal corrente 
acerca das políticas sociais.
O Funcionalismo é uma corrente teórica que teve uma série de autores a ela vinculados. O mais 
notável dentre esses teóricos, considerado o idealizador do Funcionalismo, foi Émile Durkheim. Possuidor 
de muitos escritos, tem como o mais célebre “Regras do Método Sociológico”, publicado em 1895, e 
conhecido como a expressão mais latente do autor em relação ao Funcionalismo. Rendeu a Durkheim o 
título de “pai da sociologia” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010,mais eficiente, menos burocrático, o 
combate à corrupção, entre outros. Como forma de solução destes problemas temos o gerencialismo, 
ou seja, um Estado gerencial.
Para Grotti (2006, p. 2),
[...] a redefinição do papel do estado provoca necessidades de definir 
também a administração pública, e para tanto recomenda‑se adotar os 
seguintes princípios: – desburocratização, transparência, accoutability, 
ética, profissionalismo, competência e enfoque no cidadão.
A redefinição do papel da administração pública buscou substituir o modelo de Estado centralizador 
e autoritário por outro mais democrático que também fosse mais eficiente.
Essa estratégia, aqui, refere‑se tanto ao processo administrativo – 
transferência da responsabilidade das decisões, funções e ações federais 
para as instanciais estaduais e municipais – sendo sinônimo de eficiência 
e redução de custos, quanto ao de descentralização na área social, em que 
se destacam as proposições relativas à transferência de responsabilidades 
e funções estatais que podem ser simultaneamente realizadas, geridas 
e executadas pelo Estado, por organizações públicas não estatais e por 
organizações privadas, que celebrem com o Estado “contratos de gestão”, 
“parcerias” (DUIGUETTO, 2008, p. 8).
Também ganham vida, nos anos 1980, os ideais democráticos, colocados em destaque por visíveis 
mudanças no protagonismo dos chamados novos sujeitos sociais, nas decisões e na gestão das políticas 
públicas. Os novos sujeitos sociais são provenientes das lutas pela reprodução social e transformaram‑se 
em interlocutores no campo de definições das políticas públicas. Tais sujeitos entraram na cena política e 
foram responsáveis pela redefinição do cenário das lutas sociais no Brasil, contribuindo para importantes 
desdobramentos das ações coletivas nos anos de 1990.
O processo que mobilizou a aprovação da Constituição de 1988 deu novos contornos e dimensão à 
coisa pública, contrapondo‑se à forma centralizadora e autoritária que prevaleceu por duas décadas na 
estrutura política do Brasil.
Destacou‑se nesse processo o então político Ulysses Guimarães, que exerceu grande influência para 
que a Constituição fosse aprovada.
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Figura 19 – Uma imagem histórica: a foto do deputado 
Ulysses Guimarães durante a promulgação da Constituição de 1988, 
em exposição no Congresso Nacional
Figura 20
As novas formas de atuação do Estado definem‑no como regulador, a partir de uma perspectiva 
de mobilização comunitária. Sabe‑se que a mobilização comunitária na solução de problemas não 
é nova no Brasil, basta pensar nas propostas realizadas nos anos de 1950 como marco da ideologia 
desenvolvimentista.
Nessa conjuntura, as ONGs e um conjunto diversificado de organizações 
sociais têm sido convocados pelo Estado e pelo empresariado para o 
estabelecimento de diferentes parcerias, como operadores de programas de 
combate à pobreza (RAICHELIS, 2007, p. 80).
Para Behring e Boschetti (2010), os avanços da Constituição Federal de 1988, de natureza reformista, 
foram possíveis numa conjuntura de radicalização democrática, após 20 anos de ditadura militar.
O movimento de união e de participação da sociedade foi vivido na Assembleia Nacional Constituinte, 
em 5 de outubro de 1988. Nessa data promulgou‑se a Constituição Cidadã, resultante da mobilização da 
sociedade e daqueles que lutaram e desejaram um novo Brasil, com igualdade.
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B- Controle e participação social
Para darmos inicio a essa discussão, partimos de um pouco da história do nosso país, o qual foi 
construído dentro de uma tradição autoritária e excludente. Sabe‑se, que esse processo se deu desde a 
colonização portuguesa e se manteve até o momento em que os brasileiros se uniram e lutaram por um 
país democrático, bem como por um Estado democrático de direito e pelo fim do regime militar.
Sabemos que um processo democrático e a efetivação de direitos requerem a participação da 
população e do controle social. Embora a passos lentos e com muita dívida social, o Brasil tem caminhado 
para o acesso a direitos e para a ampliação da participação na gestão pública.
Para um melhor entendimento da participação e do controle social, buscamos conceituá‑los:
Participação social (ou participação popular) pode ser entendida como 
formas de expressão da vontade individual e coletiva da sociedade com 
o objetivo de contribuir com propostas de mudança e de intervenção 
nas tomadas de decisão do poder público. Nesse sentido, os conselhos 
e as conferências são espaços privilegiados de participação popular 
(CAPACITAçãO PARA O CONTROLE SOCIAL NOS MUNICIPIOS, 2010, p. 29).
Controle social é a participação na gestão pública que garante aos 
cidadãos espaços para influir nas políticas públicas, além de possibilitar 
o acompanhamento, a avaliação e a fiscalização das instituições públicas 
e organizações não governamentais, visando assegurar os interesses da 
sociedade (CAPACITAçãO PARA O CONTROLE SOCIAL NOS MUNICIPIOS, 
2010, p. 31).
Controle social são órgãos de caráter permanente e deliberativo, sua composição é paritária e estão 
vinculados ao poder executivo da esfera de governo de sua área correspondente. Vale lembrar que são 
vinculados e não subordinados.
•	 50%	–	representantes	do	governo;
•	 50%	–	representantes	da	sociedade	civil.
As funções do controle social são de formulação e controle da política pública. Exemplo: a formulação 
e controle da política de assistência social em âmbito nacional cabe ao Conselho Nacional de Assistência 
Social – CNAS
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Controle social
Participa Fiscaliza
Realinha
Figura 21
De acordo com os conceitos de participação e controle social, podemos verificar que ambos dependem 
da atuação política da população, com objetivo de contribuir com propostas, mudanças, intervenção social, 
acompanhamento, fiscalização e avaliação das políticas públicas. A participação social é um direito de todo 
cidadão e o controle social exercido por meios dos conselhos de direito dão aos seus membros a função de 
agente público, os quais deverão atuar de acordo com os princípios da gestão pública.
Com relação aos princípios do agente público, é possível afirmar que a Constituição Federal de 1988 
inova ao regulamentar, em seu Título III, um capítulo exclusivo para a organização da administração 
pública. Nesse capítulo, a administração pública é organizada como estrutura governamental e como 
função, determinando, no art. 37 da Constituição Federal, que:
Art. 37 – A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes 
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos 
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência 
(MORAES, 2006, p. 302).
O princípio da legalidade é previsto no art. 5º, inciso II da Constituição Federal. Esse princípio se 
aplica normalmente à Administração Pública, de forma rigorosa, pois sabe‑se que o agente público 
poderá somente fazer o que está previsto em lei, diferentemente da iniciativa privada que não poderá 
fazer somente o que é proibido. Este princípio coaduna‑se com a função do agente público, que deverá 
executar o direito, sem atuar para fins próprios e, sim, para atender às finalidades da lei e da necessidade 
da ordem jurídica.
Quando afirmamos que os atos administrativos estão jungidos ao princípio 
da legalidade, este deve ser compreendido como observância a todo o 
sistema jurídico, partindo da Constituição Federal, que é nossa Lei Maior, 
suas normas e princípios, é composta também de leis complementares e 
leis ordinárias, mesmo porque a Constituição de 1988 contemplou atos 
administrativos infraconstitucionais (OLIVEIRA, 2005, p. 189).
Para Meireles (2002),significa que o agente público está, durante sua atividade funcional, sujeito 
às exigências do bem comum e das exigências da lei. O desvio ou o afastamento resultará em pena de 
praticar ato inválido e expor‑se à responsabilidade disciplinar, civil e criminal.
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Classifica‑se o princípio da impessoalidade no mesmo campo da incidência dos princípios da 
igualdade e da legalidade e, por muitas vezes, é chamado de princípio da finalidade administrativa.
Para Moraes (2006), para alcançar a efetivação do princípio da moralidade administrativa não é 
suficiente o cumprimento da estrita legalidade. Neste princípio cabe ao administrador público respeitar 
os princípios “éticos de razoabilidade e justiça, pois a moralidade constitui, a partir da Constituição 
Federal de 1988, pressuposto de validade de todo ato da administração pública” (MORAES, 2006, p. 302).
A conduta do administrador público em desempenho ao principio da moralidade 
administrativa enquadra‑se nos denominados atos de improbidade, previstos 
pelo art. 37, inciso VI da Constituição Federal, e sancionados com a suspensão 
dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens 
e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação prevista em lei, sem prejuízo 
da ação penal cabível, permitindo ao Ministério Público a propositura de ação 
civil pública por ato de improbidade, com base na Lei 8429/92, para que o 
poder Judiciário exerça o controle jurisdicional sobre lesão ou ameaça de lesão 
ao patrimônio público (MORAES, 2006, p. 206).
Outro princípio, não menos importante, é o da publicidade, que diz respeito à publicação de atos 
públicos em lugares próprios, como, por exemplo, o diário oficial, para o conhecimento público dos atos da 
administração pública de interesse público. Por publicidade, compreende‑se a divulgação oficial do ato para 
o conhecimento público e início de seus efeitos externos. A publicidade é requisito de eficácia e moral.
A Constituição Federal de 1988 definiu formas de participação popular:
No Poder Legislativo, os cidadãos podem participar por meio do voto em eleições, 
referendos, plebiscitos, da proposição de legislação por iniciativa popular e de 
encaminhamento de denúncias de irregularidades ao Tribunal de Contas da União (TCU). Ao 
eleger seus representantes, você está confiando a eles o papel de lutar pelos seus direitos de 
cidadão, o que não esgota sua participação direta.
No Poder Judiciário, a participação popular pode ocorrer por meio de júri popular com 
a finalidade de julgar crimes dolosos contra a vida e pelo direito de proposição de ação 
popular para anular atos lesivos ao patrimônio publico.
No Poder Executivo, a participação popular ocorre por meio dos conselhos e comitês 
de políticas públicas, bem como da legitimidade de apresentar denúncias de irregularidade 
perante a Controladoria Geral da União
Fonte: CAPACITAçãO... (2010, p. 29).
Verificamos que o cidadão tem espaço de participação na tomada de decisão, bem como no 
acompanhamento das políticas públicas. Esses espaços foram conquistados por movimentos de luta da 
sociedade pela democratização do país.
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O direito à participação também garante que a sociedade seja fiscalizadora do uso dos recursos 
públicos, podendo acompanhar como estão sendo gastos, em que são gastos e quem está sendo 
atendido. Dessa forma, ampliam as possibilidades de uma política pública efetiva. Para tanto:
Com essa atitude de participação, acompanhamento e fiscalização, o cidadão 
exerce o Controle Social, interferindo no direcionamento das políticas públicas, 
exigindo e promovendo a transparência e o uso adequado dos recursos públicos. 
Esse exercício ocorre em espaços públicos de articulação, entre governo e 
sociedade, constituindo importante mecanismo de fortalecimento da cidadania 
(BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2010, p. 30).
Embora a Constituição Federal de 1988 tenha impulsionado uma significativa reorganização da 
agenda social brasileira, posicionando o cidadão no centro desse processo como sujeito de direitos, 
muito ainda há que se caminhar para sua efetividade.
3.1.1 Participação e controle social: o caso da política da assistência social
Nessa luta de ampliação dos espaços sociais, a Lei Orgânica da Assistência Social, trouxe avanços 
significativos na legislação. O movimento pelo nascimento da LOAS passa a ser articulado pela presença 
da categoria dos assistentes sociais, por meio do então CNAS e CEAS, CRESS e CFESS, movimentos 
de defesa de direitos da criança, deficiente, grupos de pesquisadores e outros. Esse movimento foi 
articulado em espaços que buscaram discuti‑lo amplamente e fervorosamente em reuniões, debates, 
simpósios, propostas, cartas abertas e buscaram outras formas de tencionar o legislativo e conseguir o 
apoio da sociedade por uma política social mais justa.
Até a aprovação da LOAS passamos por algumas derrotas, como vemos a seguir, a respeito da 
primeira tentativa:
Diretrizes e princípios elaborados por Potyara Pereira – analista de políticas públicas
O projeto aprovado em 1990 foi vetado por Fernando Collor
Justificativa do veto: “a proposição não estava vinculada a uma assistência social responsável”.
Fonte: Sposati (2012, p. 18).
 Saiba mais
Leia mais em:
SPOSATI, A. A menina LOAS: um processo de construção da assistência 
social. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2012.
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Embora o projeto da LOAS, tenha sido amplamente discutido por categorias representativas e 
pesquisadores renomados, sua primeira tentativa de aprovação foi vetada por Fernando Collor, utilizando 
um argumento que não convenceu a ninguém, ao contrário demonstrou que estamos diante de um 
governo liberal, sem nenhuma preocupação com seu povo. Os especialistas em Políticas Públicas e os 
estudiosos que lutaram para a aprovação dessa lei entenderam que o presidente da república Fernando 
Collor brincou quando justificou seu veto afirmando que: “a proposição não estava vinculada a uma 
assistência social responsável”.
Aprovação da LOAS ocorre em Julho de 1993, após debates e discussões.
Figura 22
Para SPOSATI (2012) foi uma luta onde alguns significativos anéis se foram, e que precisam 
ser recuperados: um deles foi a redução de alcance do Beneficio de Prestação Continuada (idade 
e renda per capita), questão que foi corrigida, em partes, com o Estatuto do Idoso, dez anos 
depois (2003).
Após aprovação da LOAS, buscou‑se instituir o CNAS e eleger seus membros: Aspásia Camargo, 
presidente e Carmelita Yasbeck, vice‑presidente.
O CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social) foi oficialmente instalado em 4 de fevereiro de 
1994, como já tratado anteriormente. Sua criação é resultado de propostas contidas na LOAS, a qual 
envolveu lutas de diversos grupos sociais, entidades e agentes sociais que atuam e atuavam na área da 
assistência social. Sobre o tema, corrobora Raichelis (2007, p. 123):
A elaboração da LOAS foi produto da mobilização de segmentos sociais que 
se organizaram com o objetivo de fortalecer a concepção de assistência social 
como função governamental e política pública, envolvendo intrincados 
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processos de negociação e formação de consensos pactuados entre diversos 
protagonistas da sociedade civil, do governo federal e da esfera parlamentar.
Essa lei regulamentou os artigos 203 e 204 da Constituição Federal, os quais tratam dos objetivos da 
assistência social e da prestação de serviços assistenciais.
Para a efetivação dessa política, a formação dos conselhos adquiriu importância particular, 
considerando ohistórico da política de assistência social brasileira com permanente demonstração de 
dificuldade para o reconhecimento social dos usuários dos serviços assistenciais.
Numa tentativa de privilegiar a participação dos segmentos organizados da sociedade na formulação, 
na implementação e na gestão da assistência social, bem como na implicação da redistribuição do fundo 
público, passou‑se a exigir a presença do controle social para viabilizar e publicizar o uso e a transferência 
dos recursos públicos. Essa seria uma das estratégias de efetivação do processo descentralizador, 
garantido pela Constituição Federal de 1988.
Para Raichelis, (2007, p. 131):
Nessa ótica, a garantia do acesso a bens e serviços como direitos sociais às 
maiorias excluídas aponta, simultaneamente, para a ampliação da esfera 
estatal, com a incorporação da sociedade civil organizada na definição das 
prioridades e na fiscalização da execução das políticas públicas.
Segundo os autores pesquisados, podemos afirmar que a criação do Conselho Nacional de Assistência 
Social – CNAS, proposto pela LOAS, é um mecanismo importante para a perspectiva publicização 
defendida pela lei.
Composição e atribuições do CNAS no processo de gestão da assistência social
Como já visto, a constituição Federal de 1988 definiu como diretriz das políticas sociais a 
descentralização e a democratização, bem como a participação popular na gestão pública.
Na assistência social o controle social é realizado por meio da participação popular, a qual acompanha, 
fiscaliza as entidades socioassistenciais na prestação dos serviços e no uso dos recursos dos programas, 
projetos e benefícios.
A constituição do controle social da assistência ocorre a partir da LOAS, que define em seu artigo 16, 
o CNAS como instâncias deliberativas do sistema descentralizado, de caráter paritário, entre governo e 
sociedade civil e permanente.
De acordo com a LOAS, alterada pela lei 12.435 de 2011:
Conceito: é um órgão superior de deliberação colegiada, vinculado à 
estrutura do órgão da administração pública federal responsável pela 
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coordenação da PNAS, cujos membros, nomeados pelo presidente da 
república, têm mandato de 2 anos, permitida uma única recondução por 
igual período.
Para Oliveira (2005), os conselhos são importantes meios de acrescentar uma nova vertente aos 
processos de formulação, controle e avaliação das políticas públicas, mas que ainda são poucos 
estudados. Para a autora:
[...] os conselhos de direito ou de cidadania, também denominados conselhos 
de políticas públicas ou conselhos gestores de políticas setoriais. São novas 
formas de participação política no processo de tomada de decisão das 
políticas públicas e merecem aplausos, pois abrem as possibilidades para um 
maior controle dos administradores [...] (OLIVEIRA, 2005, p. 88).
As análises que conceituam os conselhos mostram que sua criação vai além da fiscalização dos 
repasses de verbas: por meio deles o Estado contribui para o fortalecimento da cidadania e também da 
participação popular. Para que haja sucesso desse processo, precisamos caminhar para um aumento do 
número de pessoas envolvidas e a ampliação do conhecimento sobre o assunto.
Ainda utilizando as ideias de Oliveira (2005), é importante destacar que: os conselhos não são 
mais um órgão estatal, mas também não são espaços meramente comunitários. Eles têm atividades 
autônomas e deliberativas. Os conselhos são vinculados aos interesses públicos e à necessidade de 
ampliação dos direitos sociais, os quais não estão atrelados a partidos políticos, nem tampouco ao 
governo. São exemplos dessa nova constituição o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do 
Adolescente – CONANDA, o Conselho Nacional de Saúde – CNS e o Conselho Deliberativo do Fundo de 
Participação ao Trabalhador CODEFAT.
Embora, a legislação garanta que os conselhos se configurem como espaço da gestão descentralizada 
e participativa, pareceres oficiais apontam para a ausência de efetividade, ficando suas ações sem poder 
de decisão, principalmente em municípios sem tradição organizativa.
Essas afirmações podem ser comprovadas ao analisarmos as deliberações das conferencias municipais, 
sendo desconsideradas no momento da formulação do Plano Municipal de Assistência Social – PMAS, 
na Lei Orçamentária Anual – LOA, na Lei de diretrizes Orçamentárias – LDO e no Plano Plurianual. Para 
os conselhos municipais das áreas sociais, isso pode ocorrer, pois as decisões dos conselhos, embora 
tenham caráter deliberativo, não garantem sua implementação, pois não existe uma legislação que 
obrigue o executivo a acatá‑las.
A composição do CNAS que tomou posse em 4 de fevereiro de 1994, ficou assim definida: 
7 representantes de órgãos da administração pública federal, indicados pela Ministério do Bem 
Estar‑Estar Social no governo de Itamar Franco; 1 representante dos Estados e 1 dos municípios, 
indicados pelas respectivas instâncias organizativas; 9 representantes da sociedade civil, sendo 3 
representantes dos usuários ou organização de usuários; 3 trabalhadores da assistência social e 3 
de entidades.
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CNAS 1994:
— 9 representantes governamentais;
— 9 da sociedade civil;
— total de 18 membros.
Composição atual: LOAS alterada pela lei 12.435
São 18 (9 governamental e 9 sociedade civil) membros e respectivos suplentes. É presidido por 1 de 
seus membros e contará com uma secretaria executiva.
A composição do Conselho Nacional de Assistência Social não foi alterada, mas os avanços 
são visíveis, com melhorias da infraestrutura, superando em partes as dificuldades vividas no 
seu início. De acordo com Raichellis (2007, p. 136): “As relações entre CNAS e o Ministério do 
Bem‑Estar Social, espaço de alocação do Conselho durante o governo Itamar Franco, foram 
cercadas de tensões”.
A respeito das tensões levantadas pela autora e representantes do Conselho Federal de Serviço Social 
– CFESS, a que trouxe maior repercussão nacional foi a de que a ministra titular da pasta da assistência 
social não reconheceu o CNAS e realizou atividades paralelas em relação à política da assistência social.
Compete ao CNAS
A respeito da competência do CNAS, podemos afirmar que discussões e avanços vêm ocorrendo. A 
primeira tarefa do CNAS em 1994 foi a de discutir o seu regimento interno. Segundo os pesquisadores, 
havia muitas dúvidas, visto que as orientações eram poucas e às vezes apresentadas de modo muito 
genérico pela LOAS.
Para Raichellis (2007, p. 137):
[...] a maior parte das atribuições dependia do funcionamento do Executivo, 
da elaboração da proposta de política para a área, do domínio das 
programações que estavam em andamento no Ministério e de uma estrutura 
que não existia.
Diante dessa situação, como já destacado anteriormente, a preocupação inicial do CNAS, voltou‑se 
para sua estruturação, com a eleição que escolheu, entre outros, presidência e vice‑presidência, trazendo 
nomes como da presidente do IPEA e dos trabalhadores da área.
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Para Raichellis (2007), o que se verificou é que as tarefas e atribuições do conselho demonstraram, 
desde seu início a complexidade do trabalho e as implicações conceituais, políticas, normativas e legais 
que envolviam a atuação do CNAS. Não podemos deixar de destacar a pesada herança recebida pelo 
CNAS do Conselho Nacional de Serviço Social – CNSS, criado em 1938 com a função de órgão consultivo 
do governo, das sociedades privadas e para estudar problemas do Serviço Social.
É sabido que essa herança certamente contribuiu para resistências, dificultando eliminar os velhos 
vícios impregnado do CNSS – eliminar esses vícios era quesito necessário paraa entrada de um novo 
paradigma de conselho, ou seja, a proposta do CNAS definido e almejado pela LOAS.
Sabe‑se que CNSS foi alvo de muitas críticas de corrupção, de apadrinhamento, principalmente no 
processo de concessão de certificações, subvenções e isenções fiscais a entidades sociais prestadoras de 
serviços assistenciais.
Contemporaneamente o ciclo das ações exercidas pelo Conselho são:
Formulação
Avaliação Controle
Figura 23
Não podemos negar que o ciclo do conselho na formulação e controle das políticas públicas ocorram 
com conflitos, considerando que esse é um processo complexo em que estão envolvidos pactuações e 
acordos, muitas vezes no próprio interior dos conselhos.
Para melhor esclarecimento, vamos compreender o que é uma instância de pactuação:
Constituem‑se num espaço de debate, negociação e concentração de 
diferentes visões e propostas sobre a operacionalização da Política Pública. 
Promovem consensos entre os envolvidos, porém não exigem processo 
de votação ou de deliberações em suas decisões (BRASIL. Ministério do 
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2010, p. 56).
No caso da Assistência Social as instâncias de pactuação são:
•	 as	Comissões	Intergestoras	Bipartites	–	CIBs;
•	 as	Comissões	Intergestoras	Tripartites	–	CITs.
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O papel dos conselheiros
Os conselheiros são agentes públicos, os quais devem atuar segundo os princípios da gestão pública: 
com impessoalidade, moralidade, publicidade, legalidade e eficiência. Como agentes públicos, realizam 
um serviço público relevante, de forma não remunerada. Sua principal atribuição é exercer o controle 
social da política pública.
Ser conselheiro ultrapassa a mera formalidade, quem ocupa essa função, deve privilegiar a 
participação e fazer desse espaço o verdadeiro exercício da cidadania.
Formas de manifestação das decisões dos conselhos
DELIBERAÇÃO
Ato por meio qual o conselho decide sobre um tema ou questão, após exame 
e discussão. Por meio de deliberação pode‑se aprovar, por exemplo, o Plano 
Municipal de Assistência Social. 
RECOMENDAÇÃO Manifestação opinativa pela qual os órgãos da administração expressam seu 
entendimento sobre assuntos de cunho técnico ou jurídico. 
DILIGÊNCIA
Ato que tem por finalidade o reconhecimento da legalidade de outro 
ato ou procedimento público. Por isso, é realizada depois que a ação ou 
procedimento já ocorreu. 
RESOLUÇÃO
Ato por meio do qual os conselhos manifestam suas decisões. Em termos 
gerais, a resolução é um ATP administrativo editado por órgãos públicos 
dotados de capacidade deliberativa. 
Fonte: Brasil (2010, p. 76).
Assim, a partilha do poder é inerente aos conselhos, concedendo à população verdadeiros espaços 
de participação. Para estudiosos podem ser espaços da verdadeira democracia.
De acordo com a LOAS e a Lei nº 12.435, as atribuições do Conselho Nacional de Assistência social 
são:
I – aprovar a Política Nacional de Assistência Social;
II – normatizar as ações e regular a prestação de serviços de natureza pública 
e privada no campo da assistência social;
III – acompanhar e fiscalizar o processo de certificação das entidades e 
organizações de assistência social no Ministério do Desenvolvimento Social 
e Combate à Fome;
IV – apreciar relatório anual que conterá a relação de entidades e organizações 
de assistência social certificadas como beneficentes e encaminhá‑lo para 
conhecimento dos Conselhos de Assistência Social dos Estados, Municípios 
e do Distrito Federal;
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V‑ zelar pela efetivação do sistema descentralizado e participativo de 
assistência social;
VI – a partir da realização da II Conferência Nacional de Assistência Social 
em 1997, convocar ordinariamente a cada quatro anos a Conferência 
Nacional de Assistência Social, que terá a atribuição de avaliar a situação 
da assistência social e propor diretrizes para o aperfeiçoamento do sistema;
VIII – apreciar e aprovar a proposta orçamentária da Assistência Social a ser 
encaminhada pelo órgão da Administração Pública Federal responsável pela 
coordenação da Política Nacional de Assistência Social;
IX – aprovar critérios de transferência de recursos para os Estados, 
Municípios e Distrito Federal, considerando, para tanto, indicadores que 
informem sua regionalização mais equitativa, tais como: população, renda 
per capita, mortalidade infantil e concentração de renda, além de disciplinar 
os procedimentos de repasse de recursos para as entidades e organizações 
de assistência social, sem prejuízo das disposições da Lei de Diretrizes 
Orçamentárias;
X – acompanhar e avaliar a gestão dos recursos, bem como os ganhos sociais 
e o desempenho dos programas e projetos aprovados;
XI – estabelecer diretrizes, apreciar e aprovar os programas anuais e 
plurianuais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS);
XII – indicar o representante do Conselho Nacional de Assistência Social 
(CNAS) junto ao Conselho Nacional da Seguridade Social;
XIII – elaborar e aprovar seu regimento interno;
XIV – divulgar, no Diário Oficial da União, todas as suas decisões, bem como 
as contas do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) e os respectivos 
pareceres emitidos.
De acordo com a LOAS e a Lei 12.435 é de competência dos Conselhos Municipais e do Distrito Federal, 
dentre outras, a inscrição e fiscalização das entidades e organizações de assistência social, cabendo ao gestor 
nacional da política de assistência social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS, 
junto ao CNAS, a certificação dessas organizações como entidades socioassistenciais, o que implica habilitá‑las 
como prestadoras de serviços públicos, sem fins lucrativos, podendo receber recursos públicos.
Art. 7º As ações de assistência social, no âmbito das entidades e organizações 
de assistência social, observarão as normas expedidas pelo Conselho Nacional 
de Assistência Social (CNAS), de que trata o art. 17 desta lei.
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Art. 9º O funcionamento das entidades e organizações de assistência social 
depende de prévia inscrição no respectivo Conselho Municipal de Assistência 
Social, ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme 
o caso.
§ 1º A regulamentação desta lei definirá os critérios de inscrição e 
funcionamento das entidades com atuação em mais de um município no 
mesmo Estado, ou em mais de um Estado ou Distrito Federal.
§ 2º Cabe ao Conselho Municipal de Assistência Social e ao Conselho de 
Assistência Social do Distrito Federal a fiscalização das entidades referidas 
no caput na forma prevista em lei ou regulamento.
§ 3º A inscrição da entidade no Conselho Municipal de Assistência Social, 
ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, é condição 
essencial para o encaminhamento de pedido de registro e de certificado de 
entidade de fins filantrópicos junto ao Conselho Nacional de Assistência 
Social (CNAS).
Art. 10. A União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal podem 
celebrar convênios com entidades e organizações de assistência social, em 
conformidade com os Planos aprovados pelos respectivos Conselhos.
De acordo com a legislação, as entidades devem ser autorizadas a funcionar, essa autorização 
depende dos conselhos e do órgão gestor. Além dessa atividade os conselhos são responsáveis 
pela normatização, acompanhamento, monitoramento e avaliação dos programas, projetos e 
serviços socioassistenciais.
Além de serem submetidas ao controle social, as ações públicas estão também sujeitas ao controle 
interno e externo:
•	 controle	interno:	Controladoria	Geral	da	União	–	CGU;
•	 ouvidorias	públicas;
•	 controle	externo:	Tribunal	de	Contas	da	União	–	TCU.
Esses órgãos e instrumentos de controle público têm atribuiçõese funções próprias, definidos por lei 
e certamente são aliados do controle social.
A CGU é um órgão federal e tem como atribuição assistir o Presidente da 
República em assuntos de transparência da gestão e defesa do patrimônio 
público, por meio de atividades como de controle interno, combate à 
corrupção, prevenção e auditoria.
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Ex: auditoria e fiscalização – nessas atividades a CGU desenvolve auditorias de prestação de contas, 
auditorias de contratos e avaliação de programas de governo.
A CGU é o órgão legítimo para a fiscalização da aplicação e da efetividade na gestão 
relacionada aos recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). Por exemplo, pode 
sortear municípios a serem auditados no que se refere a ações financiadas com recursos federais, 
entre eles, os recursos do FNAS ou IGD/PBF (BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e 
Combate à Fome, 2010, p. 173).
Como instrumento de controle das políticas públicas, as ouvidorias são relevantes porque possibilitam 
a comunicação entre a sociedade e os órgãos públicos, bem como constituem um canal direto entre 
governo e cidadão. Esses instrumentos permitem que o cidadão faça a pergunta e obtenha a resposta, 
mas nem todos os municípios contam com essa instância.
O TCU é tratado pela Constituição Federal em seus artigos 70 a 75, ele é um órgão que auxilia o 
Congresso Nacional no controle das contas, bens e valores que a União responde. Esse órgão controla e 
fiscaliza as contas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, DE 1988
Seção IX
DA FISCALIZAçãO CONTáBIL, FINANCEIRA E ORçAMENTáRIA
Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da 
União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, 
economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo 
Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada 
Poder.
Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou entidade pública que utilize, 
arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a 
União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.
Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, 
que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou 
pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza 
pecuniária. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio 
do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
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I – apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante 
parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II – julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, 
bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e 
sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles 
que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao 
erário público;
III – apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, 
a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações 
instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de 
provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas 
e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento 
legal do ato concessório;
IV – realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de 
Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, 
orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes 
Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II;
V – fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a 
União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;
VI – fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante 
convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal 
ou a Município;
VII – prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas 
Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, 
orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções 
realizadas;
VIII – aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade 
de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa 
proporcional ao dano causado ao erário;
IX – assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao 
exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;
X – sustar, se não atendida, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à 
Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;
XI – representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
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§ 1º – No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso 
Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
§ 2º – Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não 
efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
§ 3º – As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia 
de título executivo.
§ 4º – O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório 
de suas atividades.
Art. 72. A Comissão mista permanente a que se refere o art. 166, §1º, diante de indícios 
de despesas não autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não programados ou 
de subsídios não aprovados, poderá solicitar à autoridade governamental responsável que, 
no prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos necessários.
§ 1º – Não prestados os esclarecimentos, ou considerados estes insuficientes, a 
Comissão solicitará ao Tribunal pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de 
trinta dias.
§ 2º – Entendendo o Tribunal irregular a despesa, a Comissão, se julgar que o gasto possa 
causar dano irreparável ou grave lesão à economia pública, proporá ao Congresso Nacional 
sua sustação.
Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito 
Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no 
que couber, as atribuições previstas no art. 96.
§ 1º – Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros 
que satisfaçam os seguintes requisitos:
I – mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;
II – idoneidade moral e reputação ilibada;
III – notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de 
administração pública;
IV – mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que 
exija os conhecimentos mencionados no inciso anterior.
§ 2º – Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos:
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I – um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, 
sendo dois alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao 
Tribunal, indicadosem lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antigüidade 
e merecimento;
II – dois terços pelo Congresso Nacional.
§ 3º – Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, 
prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal 
de Justiça e somente poderão aposentar‑se com as vantagens do cargo quando o tiverem 
exercido efetivamente por mais de cinco anos.
§ 3° Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, 
prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal 
de Justiça, aplicando‑se‑lhes, quanto à aposentadoria e pensão, as normas constantes do 
art. 40 (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).
§ 4º – O auditor, quando em substituição a Ministro, terá as mesmas garantias e 
impedimentos do titular e, quando no exercício das demais atribuições da judicatura, as de 
juiz de Tribunal Regional Federal.
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, 
sistema de controle interno com a finalidade de:
I – avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos 
programas de governo e dos orçamentos da União;
II – comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da 
gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração 
federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;
III – exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos 
e haveres da União;
IV – apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
§ 1º – Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer 
irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena 
de responsabilidade solidária.
§ 2º – Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, 
na forma da lei, denúnciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da 
União.
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Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam‑se, no que couber, à organização, 
composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem 
como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.
Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas 
respectivos, que serão integrados por sete Conselheiros.
Fonte: Brasil (1988).
Principais Funções do TCU:
•	 exercer	o	controle	e	a	fiscalização	contábil,	financeiro,	orçamentário,	operacional	e	patrimonial	de	
todas as unidades administrativas ligadas aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário da União 
e das fundações e sociedades mantidas pelo poder público federal;
•	 julgamento	 das	 contas	 dos	 administradores	 e	 dos	 responsáveis	 por	 valores,	 dinheiro	 e	 bens	
públicos e as contas daqueles que de alguma forma derem prejuízo ao erário público;
•	 fiscalização	dos	recursos	repassados	pela	união	por	meio	de	convênios,	de	acordos,	de	ajustes	e	de	
repasses (fundo a fundo);
•	 é	 importante	 entender	que	 as	 decisões	do	 TCU	 são	de	 caráter	 administrativo,	 elas	 podem	 ser	
questionadas na justiça comum. Também devemos saber que todo cidadão pode denúnciar 
irregularidades ou ilegalidades em relação ao uso do dinheiro, dos bens e dos valores públicos.
Exemplo: Denúncia de irregularidade no uso do dinheiro público
Etapa 1 – Um Conselho de Assistência Social recebe uma denúncia de suspeita de irregularidades 
ou ilegalidades do uso do recurso público pela prefeitura XXXX, aqueles previstos PMAS, PBF ou do 
orçamento em geral.
Etapa 2 – Após discussão e análise da denúncia, o Conselho a encaminha ao TCU.
Etapa 3 – Após receber a denúncia o TCU analisa e comprova a irregularidade – pode responsabilizar 
o administrador que a cometeu ou encaminhar ao Ministério Público.
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Vale lembrar que o Conselho não tem mecanismos para intervir 
em situações de irregularidades (ex: uso irregular do recurso 
público). Todavia, cabe a ele o papel de levantar as informações e 
encaminhá‑las ao TCU.
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Atuação do TCU aponta irregularidades em compra de motocicletas do SAMU
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Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou desperdício de 
dinheiro público na gestão do programa do Ministério da Saúde de compra de motolâncias 
usadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
As motolâncias são motocicletas para atendimento de urgência em locais de difícil acesso 
para ambulâncias tradicionais ou em áreas de trânsito intenso. Os veículos são repassados 
pelo ministério às coordenações locais do SAMU.
O TCU encontrou erros no planejamento, na aquisição e distribuição de 400 motolâncias, 
compradas pelo governo em 2007, por meio de licitação. Entre as falhas apontadas pelo tribunal 
estão a falta de consulta às unidades que receberiam os veículos e a ausência de capacitação de 
servidores para conduzir os veículos, o que resultou na sua subutilização. Das 288 motocicletas 
que estão em unidades do SAMU auditadas pelo TCU, apenas 111 estão em funcionamento.
Para o ministro do TCU Walton Alencar Rodrigues, relator do processo, as irregularidades 
levaram a “flagrante desperdício de recursos públicos”, principalmente pelas falhas no 
planejamento do programa.
O TCU aplicou multa de R$5 mil para os gestores do programa e deu prazo de 90 dias 
para que Ministério da Saúde envie um plano de ações para dar eficiência ao programa e 
garantir a utilização efetiva dos veículos.
O ministério já recebeu o acórdão do TCU e responderá dentro do prazo estabelecido. 
Em nota, a pasta informou que cumpre a legislação vigente para compra e distribuição 
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dos equipamentos e que vai notificar os municípios que receberam os veículos e cobrar 
explicações formais para as motolâncias que estão fora de circulação. O ministério também 
avalia a revisão das regras do programa para melhorar o cumprimento dos pré‑requisitos 
para recebimento e uso dos veículos.
Fonte: Lourenço (2012).
Como já tratado anteriormente, o Ministério Público deve zelar pelos interesses da sociedade, pelo 
respeito aos poderes públicos e pela garantia dos serviços púbicos, ou seja, tem o dever de defender 
o que é público.
O MP foi criado pela Constituição Federal nos artigos 127 a 130, constituído como órgão autônomo, 
com a finalidade de fiscalizar e defender a aplicação das leis.
Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, DE 1988
CAPíTULO IV
DAS FUNçÕES ESSENCIAIS À JUSTIçA
Seção I
DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional 
do Estado, incumbindo‑lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos 
interesses sociais e individuais indisponíveis.
§ 1º – São princípios institucionais do Ministério Público a unidade, a indivisibilidade e 
a independência funcional.
§ 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa, podendo, 
observado o disposto no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus 
cargos e serviços auxiliares, provendo‑os por concurso público de provas ou de provas e 
títulos, a política remuneratória e os planos de carreira; a lei disporá sobre sua organização 
e funcionamento. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
§ 3º – O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites 
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.
§ 4º Se o Ministério Público não encaminhara respectiva proposta orçamentária dentro 
do prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo considerará, 
para fins de consolidação da proposta orçamentária anual, os valores aprovados na lei 
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orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites estipulados na forma do § 3º. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
§ 5º Se a proposta orçamentária de que trata este artigo for encaminhada em desacordo 
com os limites estipulados na forma do § 3º, o Poder Executivo procederá aos ajustes 
necessários para fins de consolidação da proposta orçamentária anual. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
§ 6º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização 
de despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei 
de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, mediante a abertura 
de créditos suplementares ou especiais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, 
de 2004).
Art. 128. O Ministério Público abrange:
I – o Ministério Público da União, que compreende:
a) o Ministério Público Federal;
b) o Ministério Público do Trabalho;
c) o Ministério Público Militar;
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;
II – os Ministérios Públicos dos Estados.
§ 1º – O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador‑Geral da República, 
nomeado pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira, maiores de trinta e 
cinco anos, após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado 
Federal, para mandato de dois anos, permitida a recondução.
§ 2º – A destituição do Procurador‑Geral da República, por iniciativa do Presidente da 
República, deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal.
§ 3º – Os Ministérios Públicos dos Estados e o do Distrito Federal e Territórios formarão 
lista tríplice dentre integrantes da carreira, na forma da lei respectiva, para escolha de seu 
Procurador‑Geral, que será nomeado pelo Chefe do Poder Executivo, para mandato de dois 
anos, permitida uma recondução.
§ 4º – Os Procuradores‑Gerais nos Estados e no Distrito Federal e Territórios poderão 
ser destituídos por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo, na forma da lei 
complementar respectiva.
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§ 5º – Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos 
respectivos Procuradores‑Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto 
de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros:
I – as seguintes garantias:
a) vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por 
sentença judicial transitada em julgado;
b) inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do 
órgão colegiado competente do Ministério Público, pelo voto da maioria absoluta de 
seus membros, assegurada ampla defesa; (redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 45, de 2004).
c) irredutibilidade de subsídio, fixado na forma do art. 39, § 4º, e ressalvado o disposto 
nos arts. 37, X e XI, 150, II, 153, III, 153, § 2º, I; (redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 19, de 1998).
II – as seguintes vedações:
a) receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas 
processuais;
b) exercer a advocacia;
c) participar de sociedade comercial, na forma da lei;
d) exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de 
magistério;
e) exercer atividade político‑partidária; (redação dada pela Emenda Constitucional nº 
45, de 2004).
f) receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, 
entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei. (Incluída pela 
Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
§ 6º Aplica‑se aos membros do Ministério Público o disposto no art. 95, parágrafo único, 
V. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
I – promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
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II – zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública 
aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua 
garantia;
III – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio 
público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
IV – promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção 
da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição;
V – defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;
VI – expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, 
requisitando informações e documentos para instruí‑los, na forma da lei complementar 
respectiva;
VII – exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar 
mencionada no artigo anterior;
VIII – requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados 
os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;
IX – exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua 
finalidade, sendo‑lhe vedadas a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades 
públicas.
§ 1º – A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não 
impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na lei.
§ 2º As funções do Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira, 
que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do chefe da 
instituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
§ 3º O ingresso na carreira do Ministério Público far‑se‑á mediante concurso público 
de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua 
realização, exigindo‑se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica 
e observando‑se, nas nomeações, a ordem de classificação. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004).
§ 4º Aplica‑se ao Ministério Público, no que couber, o disposto no art. 93. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
§ 5º A distribuição de processos no Ministério Público será imediata. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
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Art. 130. Aos membros do Ministério Público junto aos Tribunais de Contas aplicam‑se 
as disposições desta seção pertinentes a direitos, vedações e forma de investidura.
Art. 130‑A. O Conselho Nacional do Ministério Público compõe‑se de quatorze membros 
nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta 
do Senado Federal, para um mandato de dois anos, admitida uma recondução, sendo 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004):
I o Procurador‑Geral da República, que o preside;
II quatro membros do Ministério Público da União, assegurada a representação de cada 
uma de suas carreiras;
III três membros do Ministério Público dos Estados;
IV dois juízes, indicados um pelo Supremo Tribunal Federal e outro pelo Superior Tribunal 
de Justiça;
V dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VI dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara 
dos Deputados e outro pelo Senado Federal.
§ 1º Os membros do Conselho oriundos do Ministério Público serão indicados pelos 
respectivos Ministérios Públicos, na forma dalei.
§ 2º Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público o controle da atuação 
administrativa e financeira do Ministério Público e do cumprimento dos deveres funcionais 
de seus membros, cabendo‑lhe:
I zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministério Público, podendo expedir 
atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar providências;
II zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação, a 
legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério 
Público da União e dos Estados, podendo desconstituí‑los, revê‑los ou fixar prazo para 
que se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da 
competência dos Tribunais de Contas;
III receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Ministério Público da União 
ou dos Estados, inclusive contra seus serviços auxiliares, sem prejuízo da competência disciplinar 
e correicional da instituição, podendo avocar processos disciplinares em curso, determinar a 
remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao 
tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa;
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IV rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de membros do 
Ministério Público da União ou dos Estados julgados há menos de um ano;
V elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias sobre a 
situação do Ministério Público no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar a 
mensagem prevista no art. 84, XI.
§ 3º O Conselho escolherá, em votação secreta, um Corregedor nacional, dentre os 
membros do Ministério Público que o integram, vedada a recondução, competindo‑lhe, 
além das atribuições que lhe forem conferidas pela lei, as seguintes:
I receber reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos membros do 
Ministério Público e dos seus serviços auxiliares;
II exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e correição geral;
III requisitar e designar membros do Ministério Público, delegando‑lhes atribuições, e 
requisitar servidores de órgãos do Ministério Público.
§ 4º O Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil oficiará junto 
ao Conselho.
§ 5º Leis da União e dos Estados criarão ouvidorias do Ministério Público, competentes 
para receber reclamações e denúncias de qualquer interessado contra membros ou órgãos 
do Ministério Público, inclusive contra seus serviços auxiliares, representando diretamente 
ao Conselho Nacional do Ministério Público.
Fonte: Brasil (1988).
3.2 A gestão do fundo público, como consolidação da gestão pública
Acreditamos ser importante tratar nesse momento do orçamento e do financiamento das políticas 
públicas.
Para que os nossos governantes possam executar as políticas públicas, é necessário que eles sigam 
o que está na Constituição Federal de 1988, tratado pelos artigos 163 a 169, na Lei nº 4.320/1964 e na 
Lei de Responsabilidade Fiscal 101.
Vale lembrar, ainda, que as Constituições anteriores à CF de 1988, notadamente a de 1946 e a de 
1967, com suas respectivas alterações e modificações, trataram, a seu modo, dos assuntos relativos às 
finanças públicas, boa parte dos quais até hoje estão disciplinados pela Lei 4.320, de 17 de março de 
1964, que estatui normas federais de Direito Financeiro para elaboração e controle do orçamento e dos 
balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.
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Dentre o alcance das leis, podemos afirmar que a Lei 4.320/64 e a CF de 1988, dentre outros feitos, 
representam um marco na implantação das funções de planejamento, de controle e da transparência 
na gestão pública. A Constituição Federal de 1988 traz a obrigatoriedade da publicação anual em cada 
esfera de governo da Lei de Diretrizes Orçamentárias, dando um caráter mais expressivo ao planejamento, 
ao controle e à transparência.
Para uma melhor compreensão vamos buscar na Constituição Federal de 1988 nos artigos 163 a 169, 
as principais ferramentas que tratam sobre as finanças e sobre o orçamento público.
Art. 163. Lei complementar disporá sobre:
I – finanças públicas;
(...)
V – fiscalização financeira da administração pública direta e indireta;
Antes de adentrarmos na discussão do orçamento público, consideramos importante definir esse 
conceito.
O Orçamento público nada mais é que o compromisso dos governantes com a execução das políticas 
públicas, ou seja, o seu compromisso com a sociedade. Espera‑se que por meio dele todos nós possamos 
visualizar, onde, como, por quais valores e quando serão realizadas obras ou serviços com os nossos 
recursos.
Parece algo fácil e simples, mas os governantes brasileiros não estão acostumados a uma sociedade 
democrática. Diante dessa situação, a legislação tem buscado dar limites e disciplinar as ações dos 
governantes.
Para estudiosos de políticas públicas o orçamento público reflete os compromissos, as prioridades e 
as relações de força da participação social (grupos sociais). Para muitos, é o espelho daquela gestão, pois 
reflete também a influência e o poder dos parlamentares eleitos em cada esfera de governo.
Para a construção do orçamento público é necessário que se passe pelo ciclo orçamentário, o qual 
é constituído pelo PPA, LDO e LOA. O ciclo orçamentário está diretamente articulado e na Constituição 
Federal é tratado no artigo 165.
O Ciclo Orçamentário
•	 Plano	Plurianual;
•	 Lei	de	Diretrizes	Orçamentária;
•	 Lei	Orçamentária	anual.
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PPA
LDO LOA
Figura 25
Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
I – o plano plurianual;
II – as diretrizes orçamentárias;
III – os orçamentos anuais.
§ 1º – A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá, de forma 
regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública 
federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as 
relativas aos programas de duração continuada.
§ 2º – A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e 
prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de 
capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da 
lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária 
e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de 
fomento (BRASIL, 1988).
A Lei Orçamentária Anual – LOA compreenderá, dentre outras coisas:
III – o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades 
e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem 
como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público 
(BRASIL, 1988).
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A LOA é um documento que contempla receitas e despesas do Poder Executivo e tem caráter contábil, 
econômico, administrativo e político. Por essa razão é chamado de gramática orçamentária, pois possui 
os termos necessários para decifrar e compreender os conteúdos do orçamento público.
É importante destacar que em alguns municípios brasileiros foi criado o orçamento participativo 
(OP). Essa metodologia permite a participação da população na deliberação dos recursos públicos 
orçamentários e possibilita a qualquer cidadão decidir onde, como e quanto será utilizado do recurso 
orçamentário.
A respeito dos recursos orçamentários é importante compreende que ele é base para a implantação 
de qualquer política pública.
O acesso a esse recurso, por sua vez, exige a inserção da política na LOA, com 
a especificação da dotação orçamentária e a ela destinada, e sua vinculaçãoas diretrizes, objetivos e metas constantes no PPA, bem como as metas e 
prioridades na LDO (BRASIL, 2010, p. 111).
As diretrizes da Lei de Responsabilidade Fiscal 101 exigem:
•	 ação	planejada	e	transparente;
•	 equilíbrio	das	contas	públicas	mediante	o	cumprimento	de	metas	de	resultados	entre	receita	e	
despesas;
•	 obediência	a	limites	e	condições.	Ex.:	geração	de	despesas	com	pessoal.
Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI COMPLEMENTAR Nº 101, DE 4 DE MAIO DE 2000.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar:
CAPíTULO I
DISPOSIçÕES PRELIMINARES
Art. 1o Esta Lei Complementar estabelece normas de finanças públicas voltadas 
para a responsabilidade na gestão fiscal, com amparo no Capítulo II do Título VI da 
Constituição.
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§ 1o A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em 
que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, 
mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a 
limites e condições no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da 
seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive 
por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar.
Fonte: Brasil (2000).
A Lei de Responsabilidade Fiscal trata em seu capitulo II, do planejamento, o qual está dividido em 3 
seções sendo: 1 do Plano Plurianual Art. 3º vetado, Seção II Da Lei de Diretrizes Orçamentárias e Seção 
II Da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Art. 4o A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto no § 2o do art. 165 da 
Constituição e:
I – disporá também sobre:
a) equilíbrio entre receitas e despesas;
b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses previstas na 
alínea b do inciso II deste artigo, no art. 9o e no inciso II do § 1o do art. 31;
[...]
e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas 
financiados com recursos dos orçamentos;
f) demais condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas e 
privadas;
§ 1o Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias Anexo de Metas Fiscais, em 
que serão estabelecidas metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, 
despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida pública, para o exercício a 
que se referirem e para os dois seguintes.
§ 2o O Anexo conterá, ainda:
I – avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior;
II – demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e metodologia de cálculo 
que justifiquem os resultados pretendidos, comparando‑as com as fixadas nos três exercícios 
anteriores, e evidenciando a consistência delas com as premissas e os objetivos da política 
econômica nacional;
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III – evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três exercícios, destacando a 
origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos;
IV – avaliação da situação financeira e atuarial:
a) dos regimes geral de previdência social e próprio dos servidores públicos e do Fundo 
de Amparo ao Trabalhador;
b) dos demais fundos públicos e programas estatais de natureza atuarial;
V – demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de 
expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.
§ 3o A lei de diretrizes orçamentárias conterá Anexo de Riscos Fiscais, onde serão 
avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas, 
informando as providências a serem tomadas, caso se concretizem.
§ 4o A mensagem que encaminhar o projeto da União apresentará, em anexo específico, 
os objetivos das políticas monetária, creditícia e cambial, bem como os parâmetros e as 
projeções para seus principais agregados e variáveis, e ainda as metas de inflação, para o 
exercício subsequente.
Art. 5o O projeto de lei orçamentária anual, elaborado de forma compatível com 
o plano plurianual, com a lei de diretrizes orçamentárias e com as normas desta Lei 
Complementar:
I – conterá, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamentos 
com os objetivos e metas constantes do documento de que trata o § 1o do art. 4o;
II – será acompanhado do documento a que se refere o § 6o do art. 165 da Constituição, 
bem como das medidas de compensação a renúncias de receita e ao aumento de despesas 
obrigatórias de caráter continuado;
III – conterá reserva de contingência, cuja forma de utilização e montante, definido 
com base na receita corrente líquida, serão estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, 
destinada ao:
b) atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos.
§ 1o Todas as despesas relativas à dívida pública, mobiliária ou contratual, e as receitas 
que as atenderão, constarão da lei orçamentária anual.
§ 2o O refinanciamento da dívida pública constará separadamente na lei orçamentária e 
nas de crédito adicional.
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§ 3o A atualização monetária do principal da dívida mobiliária refinanciada não poderá 
superar a variação do índice de preços previsto na lei de diretrizes orçamentárias, ou em 
legislação específica.
§ 4o É vedado consignar na lei orçamentária crédito com finalidade imprecisa ou com 
dotação ilimitada.
§ 5o A lei orçamentária não consignará dotação para investimento com duração superior 
a um exercício financeiro que não esteja previsto no plano plurianual ou em lei que autorize 
a sua inclusão, conforme disposto no § 1o do art. 167 da Constituição.
§ 6o Integrarão as despesas da União, e serão incluídas na lei orçamentária, as do Banco 
Central do Brasil relativas a pessoal e encargos sociais, custeio administrativo, inclusive os 
destinados a benefícios e assistência aos servidores, e a investimentos.
Art. 7o O resultado do Banco Central do Brasil, apurado após a constituição ou reversão 
de reservas, constitui receita do Tesouro Nacional, e será transferido até o décimo dia útil 
subsequente à aprovação dos balanços semestrais.
§ 1o O resultado negativo constituirá obrigação do Tesouro para com o Banco Central do 
Brasil e será consignado em dotação específica no orçamento.
§ 2o O impacto e o custo fiscal das operações realizadas pelo Banco Central do Brasil 
serão demonstrados trimestralmente, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes 
orçamentárias da União.
§ 3o Os balanços trimestrais do Banco Central do Brasil conterão notas explicativas sobre os 
custos da remuneração das disponibilidades do Tesouro Nacional e da manutenção das reservas 
cambiais e a rentabilidade de sua carteira de títulos, destacando os de emissão da União.
Fonte: Brasil (2000).
A Ação Governamental com a 101 traz limitações, tais como: só se poderá implementar ação 
governamental que implique a realização de despesas se estiver prevista nos Planos Plurianuais – PPA e 
nos orçamentos anuais da Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO e Leis Orçamentária Anual – LOA.
A decisão de realizar uma ação deve transpor o processo, que certamente partiu de um consenso 
entre as várias ideias sugeridas pelos gestores de áreas (secretários). A escolha do prefeito deve ser 
ratificada pelos vereadores. Sabe‑se que esse é um caminho assegurado na legislação que trata do 
orçamento e das finanças públicas.
Por meio desse caminhar ao lado de outras ações selecionadas e aprovadas pelo legislativo municipal, 
é possível exprimir uma política fiscal do governo, quando materializada nos planos PPA, LDO e LOA e 
efetivadas na prática.
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As determinações legais do orçamento público estão expressas na Constrição Federal (Finanças 
Públicas), na Lei 4.320, de 17 de março de 1964 (institui Normas Gerais de Direito Financeiro para 
elaboração e controle do orçamento) e na Lei Complementar 101, de 5 de maio de 2000 (Lei de 
Responsabilidade Fiscal).
Assim, é possível afirmar com segurança que a compreensão da forma e do conteúdo do orçamento 
público, a consulta e o entendimento destas leis é certamente obrigatório aos agentes públicos, podemos 
ir mais além: é uma obrigatoriedade.
3.2.1 O Financiamento da Assistência Social
O artigo 195 da Constituição Federal definiu que são provenientes de três fontes os recursos da 
seguridade social. São elas:
•	 orçamento	da	União,	Estados	e	DF;
•	 contribuições	sociais;
•	 receita	de	concursos	de	prognósticos.
Para Behing e Boschetti (2006, p. 172):
Consolidação da seguridade social brasileira – e da política social 
brasileira de uma forma geral, já que essa direção atinge também políticas 
que estão dentro do orçamento fiscal –, depende da reestruturação do 
modelo econômico, com investimentos no crescimento da economia, 
geração de empregos estáveis com carteira de trabalho, fortalecimento 
das relações formais de trabalho, redução do desemprego, forte combate 
à precarização, transformação das relações de trabalho flexibilizadas 
em relação a trabalhos estáveis, o que, consequentemente, produzirá 
ampliação de contribuições e das receitas da seguridade social e, 
sobretudo, acesso aos direitos sociais.
Para as autoras, somente haverá ampliação do acesso a direitos sociais à medida que ocorra aumento 
da arrecadação destinada ao financiamento da seguridade social, uma vez que os recursos destinados 
ao financiamento dessa política estão intimamente ligados à arrecadação, a qual tem sua origem na 
produção, por meio de pagamento dos encargos sociais e impostos.
Nas três esferas de governo, os Fundos de Assistência Social são as instâncias financiadoras da 
política da assistência social e a sua gestão cabe ao MDS, sob a orientação e controle do Conselho de 
Assistência Social.
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 Observação
Fundo Nacional de Assistência:
Responsável: Ministério do Desenvolvimento Social.
Fiscaliza e controla: Conselho Nacional de Assistência Social.
Fundo Estadual e Distrital de Assistência Social:
Responsável: Governo Estadual e Distrital.
Fiscaliza e controla: Conselhos estaduais e distritais.
Fundo Municipal de Assistência Social:
Responsável: Prefeituras Municipais.
Fiscaliza e controla: conselhos municipais de assistência social.
FNAS: Fundo Nacional de Assistência Social
O financiamento dos benefícios, programas e projetos estabelecidos na Lei far‑se‑á com os recursos 
da União, Estados e Municípios, das demais contribuições sociais previstas, além daqueles que compõe 
o FNAS.
Cabe ao órgão administrativo, junto com os seus respectivos conselhos, gerir a Política de Assistência 
Social nas três esferas de governo.
A LOAS em seu artigo 30 e a lei 12.345 que altera a LOAS diz que é condição para repasses aos 
Estados, Municípios e Distrito Federal a instituição e o funcionamento de:
I – conselho de Assistência Social, de composição paritária entre governo e sociedade civil;
II – Fundo de Assistência Social, com orientação e controle dos respectivos Conselhos de Assistência 
Social;
III – Plano de Assistência Social (analisar a lei artigo 30 LOAS).
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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI Nº 12.435, DE 6 DE JULHO DE 2011.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o Os arts. 2o, 3o, 6o, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 20, 21, 22, 23, 24, 28 e 36 da Lei no 8.742, 
de 7 de dezembro de 1993, passam a vigorar com a seguinte redação:
[...]
Art. 30‑A. O cofinanciamento dos serviços, programas, projetos e benefícios 
eventuais, no que couber, e o aprimoramento da gestão da política de assistência 
social no SUAS se efetuam por meio de transferências automáticas entre os fundos de 
assistência social e mediante alocação de recursos próprios nesses fundos nas 3 (três) 
esferas de governo.
Parágrafo único. As transferências automáticas de recursos entre os fundos de 
assistência social efetuadas à conta do orçamento da seguridade social, conforme o art. 204 
da Constituição Federal, caracterizam‑se como despesa pública com a seguridade social, na 
forma do art. 24 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000.
Art. 30‑B. Caberá ao ente federado responsável pela utilização dos recursos do respectivo 
Fundo de Assistência Social o controle e o acompanhamento dos serviços, programas, 
projetos e benefícios, por meio dos respectivos órgãos de controle, independentemente de 
ações do órgão repassador dos recursos.
Art. 30‑C. A utilização dos recursos federais descentralizados para os fundos de 
assistência social dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal será declarada pelos 
entes recebedores ao ente transferidor, anualmente, mediante relatório de gestão submetido 
à apreciação do respectivo Conselho de Assistência Social, que comprove a execução das 
ações na forma de regulamento.
Fonte: Brasil (1988).
3.2.2 Da responsabilidade do administrador público na gestão das políticas públicas
Subjetivamente, podemos definir administração pública como o conjunto de órgãos e serviços do 
Estado e, objetivamente, como a expressão do Estado agindo in concreto para a satisfação de seus fins 
de conservação, de bem‑estar individual dos cidadãos e de progresso social.
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Na amplitude de tal conceito entram não só os órgãos pertencentes ao Poder Público, como também 
as instituições e empresas particulares que colaboram com o Estado no desempenho de serviços de 
utilidade pública ou de interesse coletivo, ou seja, a Administração centralizada (entidades estatais) 
e a descentralizada (entidades autárquicas, fundacionais e empresariais) e os entes de cooperação 
(entidades paraestatais).
“Ao administrador caberá o grande papel de reformulador e reorganizador das instituições, especialmente 
pela concreção de ideais e metas definidas no texto constitucional” (OLIVEIRA, 2005, p. 125).
Para Oliveira (2005), a forma para se alcançar os ideais e as metas constitucionais da administração 
pública pode acontecer somente pela gestão pública eficiente, com vontade e transparência, cabendo 
à sociedade a luta e a organização para alcançar investimentos na valorização da vida e da dignidade 
humana. Entende a pesquisadora que a administração pública deve ser acompanhada rigidamente por 
pessoas com capacidade técnica e moral, que deem atenção às disparidades regionais e à desigualdade 
social.
Desse modo, impõe‑se ao administrador público a obrigação de cumprir fielmente os preceitos do 
Direito e da Moral administrativa que regem a sua atuação. Finalmente, é importante ressaltar que “o 
ato administrativo realizado sem interesse público configura‑se desvio de finalidade” (MEIRELLES, 2002, 
p. 102‑103).
A Constituição Federal de 1988 inova ao dedicar, em seu Título III, um capítulo exclusivo para a 
organização da administração pública, em que a ordena em termos de estrutura governamental e 
função, determinando em seu art. 37 que a administração pública direta e indireta de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedeça, além de diversos preceitos 
expressos, aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (MORAES, 
2006, p. 302).
Art. 37 – A administração pública direta e indireta de qualquerp. 27).
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Figura 2 – Durkheim
Destacaremos algumas informações sobre a forma de conhecer a realidade proposta por Durkheim, 
bem como as colocações de tal autor sobre os fatos sociais e sobre a realidade social para que, enfim, 
possamos discutir a política social.
Segundo a concepção desse autor, para que seja possível se conhecer uma realidade, é fundamental 
que, no processo de conhecimento, o objeto a ser conhecido se sobreponha ao sujeito que busca 
conhecê‑lo. Isso significa que, nesse processo de conhecimento, o objeto é mais importante do que o 
sujeito que pretende conhecê‑lo (apud BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
Com relação ao sujeito que realiza a pesquisa, Durkheim assevera que ele deve colocar‑se frente ao 
seu objeto de pesquisa em uma perspectiva de exterioridade, ou melhor dizendo, deve observar o objeto 
de uma maneira distante dele. No caso, o objeto não deve influenciar o pesquisador, que também deve 
apresentar‑se despido de todos os seus pré‑conceitos, para que a pesquisa não receba suas influências. 
Deve‑se então “suspender todas as suas pré‑noções” (BHERING; BOSCHETTI, 2010, p. 27) e ir ao processo 
de conhecimento despido de convicções.
Esse processo de conhecimento, por sua vez, deveria acontecer de uma forma sistemática e 
organizada. Aliás, para Durkheim, o conhecimento não poderia basear‑se apenas no senso comum, 
sendo essa forma de conhecimento considerada pelo autor como vulgar, algo que não inspirava 
confiança e não deveria servir de respaldo para as pessoas. Para o autor, era necessário dar 
visibilidade ao conhecimento racional, defendendo, assim, o primado da razão na produção de 
conhecimento.
Behring e Boschetti (2010) afirmam que Durkheim até chegou a propor a utilização de um método 
de conhecimento, sendo que para o autor esse método deveria ser desenvolvido por meio da observação 
e também da experimentação. Tal método teria sido elaborado por Durkheim com base no Empirismo de 
Bacon e no Positivismo de Comte.
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Tópicos de ATuAção profissionAl
Empirismo: ênfase na experiência sensível
Ainda recorrendo ao que se afirma em relação ao método de conhecimento, Durkheim (apud 
BEHRING; BOSCHETTI, 2010) acredita que a produção de conhecimento demanda a organização prévia 
de provas sobre tudo o que for afirmado nesse processo. Desse modo, essas provas devem ser organizadas 
para que seja possível verificar‑se a veracidade do que fora produzido. De acordo com esse método, seria 
necessário checar e comprovar o conhecimento produzido.
A seguir, observe a figura que representa o método de conhecimento, de acordo com Durkheim, ou 
melhor dizendo, de acordo com o Funcionalismo.
Método de 
conhecimento
Objeto se sobrepõe 
ao sujeito
Sujeito sem 
pré‑conceitos
Necessidade de 
comprovação
Demanda a 
observação
Baseado na 
experimentação
Figura 3 – Método de conhecimento proposto por Durkheim
Durkheim (apud BEHRING; BOSCHETTI, 2010) também afirmava que esse método deveria ser 
igualmente aplicado ao conhecimento dos fatos sociais que, para o autor, seriam uma forma de coação 
que induziria os indivíduos a adotarem determinadas posturas. Segundo o mesmo autor, a partir do 
momento em que os fatos sociais perdem a conotação de coação, se transmutam em hábitos (BEHRING; 
BOSCHETTI, 2010).
Para Durkheim (apud BEHRING; BOSCHETTI, 2010) os fatos sociais possuem uma natureza exterior 
em relação aos indivíduos. Essa natureza provém de uma suposta coletividade que é inerente aos fatos 
sociais, que, por sua vez, vêm da sociedade como um todo e não do indivíduo especificamente. Sendo 
assim, é importante conhecer os fatos sociais de uma forma profunda.
Esse estudo dos fatos sociais remetia ainda a um estudo das instituições sociais, sobretudo a gênese 
de tais instituições e dos mesmos fatos sociais. Sobre esses fatos e de acordo com Durkheim (apud 
BEHRING; BOSCHETTI, 2010) era necessário compreender o que influenciaria a ocorrência de fatos 
normais e de fatos patológicos. Os fatos normais, segundo o autor, seriam aqueles que estivessem 
adequados ao padrão imposto pela sociedade, ao passo que os fatos anormais poderiam ser considerados 
como tudo aquilo que fugisse às regras estabelecidas, ao que era delimitado como padrão para uma 
determinada sociedade.
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Behring e Boschetti (2010) nos dizem ainda que, segundo Durkheim, as pesquisas e o conhecimento 
junto aos fatos sociais também poderiam auxiliar para a definição do que pode ser compreendido como 
normal, como padrão e o que deveria ser entendido como anormal, diferente e, inclusive, o que deveria 
ser entendido como um fato social patológico.
Para analisar os fatos sociais, Durkheim elaborou um método denominado “método de 
variações concomitantes”, derivando do método para a produção de conhecimento elaborado 
previamente (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 31). Esse método deveria, nos termos do autor, 
observar os fatos sociais coletando nesse processo de observação o maior número de provas que 
fosse possível.
Para o autor, tendo coletado as provas sobre os fatos sociais, era necessário ainda considerar a 
concomitância das provas, ou seja, a sobreposição das provas que foram obtidas. E deveria ainda ser 
considerada a variação das provas que foram obtidas. Dessa forma, seria possível aproximar‑se da 
realidade vivenciada pelos fatos sociais.
Todavia, para que essa aproximação em relação aos fatos sociais se operacionalizasse era 
importante que o pesquisador rompesse com o individualismo e, sobretudo, que buscasse romper 
também com algumas doutrinas como o individualismo e também o comunismo (BEHRING; 
BOSCHETTI, 2010).
Pois, o autor defende que é a partir da noção de desigualdade social que podemos compreender 
a função da política social. Assim, para o autor, a desigualdade social era entendida como sendo 
algo inerente à sociedade, algo que deve ser tido como natural dentro de uma organização social. 
Além da noção de naturalidade para o sociólogo em questão, a desigualdade social era algo que 
deveria ser considerada “imutável” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 31), ou seja, não deveria ser 
empreendido qualquer esforço em prol da alteração da realidade que se apresentava. Aliás, as 
pessoas que não concordassem com a norma social eram compreendidas como anormais, como 
problemas sociais.
 Saiba mais
Veja o filme:
LARANJA mecânica. Dir. Stanley Kubrick. Reino Unido: Warner Bros, 
1971. 136 minutos.
Este filme demonstra uma série de intervenções para “corrigir” uma 
patologia social.
E recomendamos ainda a leitura dos textos a seguir para conhecer um 
pouco mais sobre a teoria de Durkheim:
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Tópicos de ATuAção profissionAl
RIBEIRO, P. S. Durkheim e o fato social. 2002‑2013. Disponível em: 
. 
Acesso em: 15 jan. 2013.
MENDES, J. Durkheim e a sociologia. [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 15 jan. 2013.
No entanto, as desigualdades sociais poderiam ser controladas, de forma a evitar confrontos sociais. 
Para que fosse possível exercer o controle sobre os fatos sociais, seriam necessárias corporações ou 
instituições que se encarregariam em operacionalizar a coesão social, mesmo com as gritantes diferenças 
sociais. Sob esse aspecto, segundo Behring e Boschetti (2010), as políticas sociais se enquadrariam como 
uma alternativa de manter a coesão social, a paz social, digamos assim.
Assim sendo, as políticas sociais seriam necessárias apenas como uma forma de controle para 
minimizar as possibilidades de manifestação contrárias à ordem social estabelecida. Apesar das 
políticas sociais,dos Poderes 
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos 
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência 
(BRASIL, 1988).
Para a efetivação do princípio da moralidade administrativa não é suficiente o cumprimento da 
estrita legalidade. Neste contexto, cabe ao administrador público respeitar os princípios “éticos de 
razoabilidade e justiça, pois a moralidade constitui, a partir da Constituição Federal de 1988, pressuposto 
de validade de todo ato da administração pública” (MORAES, 2006, p. 302).
A conduta do administrador público em desempenho ao principio 
da moralidade administrativa enquadra‑se nos denominados atos de 
improbidade, previstos pelo art. 37, inciso VI da Constituição Federal, e 
sancionados com a suspensão dos direitos políticos, a perda da função 
pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma 
e gradação prevista em lei, sem prejuízo da ação penal cabível, permitindo 
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ao Ministério Público a propositura de ação civil pública por ato de 
improbidade, com base na Lei 8.429/92, para que o poder Judiciário exerça o 
controle jurisdicional sobre lesão ou ameaça de lesão ao patrimônio público 
(MORAES, 2006, p. 306).
De acordo com Meirelles (2002), o princípio da moralidade, juntamente com os princípios da 
legalidade e da finalidade são pressupostos de validade de todo ato da Administração Pública. Neste 
sentido, a moralidade do administrador público está ligada diretamente ao bom administrador, que se 
determina pelos preceitos legais, pela moral comum e pela ética.
Outro princípio não menos importante do que os já tratados neste estudo é o da publicidade, que 
diz respeito à publicação de atos públicos em lugares próprios, como, por exemplo, o diário oficial, 
para o conhecimento geral dos atos da administração pública de interesse de todos. Por publicidade, 
compreende‑se a divulgação oficial do ato para o conhecimento público e início de seus efeitos externos. 
A publicidade é requisito de eficácia e moral.
A Constituição Federal de 1988 trouxe dispositivos para o controle e a punição dos administradores 
públicos que não atuarem pelo bem comum, ou seja, atuarem de forma ineficiente. Assim a 
emenda constitucional 19/98 passou a pretender garantir maior qualidade nos serviços públicos, 
seja na administração direta, indireta ou fundacional dos poderes da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios. A partir deste momento, o administrador público deverá obedecer, além 
dos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade, também a outro 
princípio: o da eficiência.
Para Moraes (2006), uma administração pública eficiente significa que ela é capaz de executar as 
ações em defesa do bem comum. Sabe‑se que a razão do Estado está justamente neste objetivo. Desse 
modo, o princípio da eficiência da administração pública implica a capacidade de efetivação do bem 
comum, a imparcialidade, a neutralidade, a transparência, a participação e aproximação dos serviços 
públicos à população, a eficiência, a desburocratização e a busca da qualidade dos serviços públicos.
Para Bueno (2009), a ineficácia da administração pública, travestida de não efetividade dos 
direitos sociais, está associada à falta de entendimento da sociedade brasileira sobre os direitos sociais 
como, propriamente, direitos. As razões que levam a estes fatos estão associadas à ausência de leis 
infraconstitucionais, capazes de concretizar os preceitos constitucionais.
Segundo Meirelles (2002) a eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza, 
perfeição e rendimento funcional. Este é o mais moderno princípio da função administrativa, advindo da 
Emenda Constitucional 45/2004.
Já o poder tem, para o agente público, o significado de dever para com a comunidade e para com 
os indivíduos, no sentido de que quem o detém deverá obrigatoriamente exercitá‑lo. Desta forma, no 
Direito Público, inversamente ao que ocorre com o Direito Privado, que é uma faculdade, o poder de agir 
é um dever para o agente que o detém, pois não se admite a omissão da autoridade diante de situações 
que exigem sua atuação.
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Ainda de acordo com Meirelles (2002), cabe ao administrador público o dever de prestar contas, 
de probidade e da eficiência. Eficiência funcional é, pois, considerada em sentido amplo, abrangendo 
não só a produtividade daquele que exerce o cargo ou da função, como a perfeição do trabalho e sua 
adequação técnica aos fins visados pela Administração, para o qual se avaliam resultados, confrontam‑se 
os desempenhos e se aperfeiçoa o pessoal por seleção e treinamento. A improbidade, ato administrativo 
praticado com lesão aos bens e interesses públicos, caracteriza uma ilegitimidade como as demais que 
nulificam a conduta do administrador público.
Embora a Constituição Federal seja clara quanto à responsabilidade do administrador público, são 
grandes os argumentos que buscam afastá‑lo da responsabilidade pela efetivação das atuais políticas 
públicas. Alguns juristas consideram que estes argumentos estão travestidos de uma roupagem que, 
juridicamente, não está correta.
Segundo Oliveira (2005), as políticas públicas visam justamente dirigir a atuação governamental 
para um fim constitucionalmente previsto e previamente ordenado, sendo, portanto, finalisticamente 
orientadas para o cumprimento de uma determinada tarefa. No caso dos direitos sociais, a tarefa está 
erigida em sede constitucional para a concretização de um determinado direito social, como é caso dos 
direitos à saúde, à educação, ao trabalho, à moradia, dentre outros.
Braga (1998) afirma que, analisando os princípios, pode‑se concluir que a primeira finalidade da 
administração pública é a prestação de serviços com qualidade, eficiência e democracia. O bem comum 
como finalidade deve ocupar papel central na efetividade da política pública. A luta para atingir estes 
objetivos é prioridade para o administrador público e quem omitir ou frustrar tais procedimentos fere 
os princípios da indisponibilidade do interesse público e da legalidade.
Portanto, não existem dúvidas quanto à responsabilidade do administrador público pela efetividade 
das políticas públicas, bem como a finalidade da administração pública pelo atendimento do bem 
comum, dos princípios democráticos e da realização da Constituição Federal.
Por fim, cabe à administração pública a democratização como atendimento ao bem comum, uma 
vez que a participação encontra‑se no preâmbulo constitucional brasileiro, como forma de acesso à 
cidadania. A política pública é compreendida como o Estado em ação e sua efetividade representa a 
finalidade primeira do administrador público para o Estado Democrático de Direito.
4 PÚBlIcO E O PrIvADO
O movimento de parcerias público‑privadas exige novas e profundas redefinições nas relações 
Estado‑sociedade e diferentes estratégias entre estatal/público/privado.
Para Raichelis (2007), a distinção entre sociedade civil – como espaço do privado, entre sociedade 
e poder. A dialética deste processo, no entanto, impõe ao Estado a busca de legitimação da sociedade 
e a adoção de formas de regulação social e econômica que envolvem o confronto e a representação 
de interesses contraditórios. Isso pressiona o Estado a partir da dinâmica contraditória da sociedade 
configurada pela luta de classes e permite a constituição de sujeitos coletivos no interior da esfera pública.
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A nova esfera pública configura‑se como espaço de disputa, só que agora na 
cena pública, lugar de encontro das diferenças e dos sujeitos coletivos, em 
que os múltiplos interessesdivergentes irão confrontar‑se (DURIGUETTO, 
2005, p. 89).
Esse novo espaço público não estatal, ao mesmo tempo em que aumenta o espaço decisório da 
sociedade, também contribui para redução da onipotência do Estado. Esta afirmativa é contestada pela 
linha crítica. Sabe‑se que as diretrizes da Constituição de 1988 não podem jamais ficar distantes desta 
discussão.
Cabe destacar que, no artigo 194, inciso VII, se estabelece, como um dos objetivos na sua organização, 
o caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa com a participação da sociedade, 
em especial dos trabalhadores, dos empresários e dos aposentados. Reitera‑se, no art. 198 e em seus 
incisos e no art. 207, o princípio da gestão democrática para a Educação, a Cultura, Família, a Criança, 
o Adolescente e o Idoso.
Verifica‑se intenção constitucional pela busca da gestão democrática e pelo princípio da participação. 
Estas intenções, quando efetivadas, contribuem para a justiça social, equidade, universalidade, 
democratização das informações e fortalecimento do controle social.
A valorização da participação da sociedade civil passou a ser preocupação dos intelectuais 
acadêmicos “que voltam suas reflexões para as experiências de gestão pública com as novas modalidades 
de administração popular democrática, ao lado de reflexões que buscaram apreender as relações entre 
os movimentos populares e as políticas sociais” (DURIGUETTO, 2005, p. 89). A relação entre movimentos 
populares e políticas sociais foi:
[...] redimensionada na CF/88, que introduziria novas modalidades de gestão 
e organização das políticas sociais por meio da garantia da participação 
da sociedade civil na formulação e no controle das políticas públicas em 
diferentes níveis político‑administrativos. Dentre os canais institucionais de 
participação social conquistados, destacam‑se os Conselhos de Direitos – 
órgãos paritários de representação governamental e não governamental, 
responsáveis pela fiscalização das políticas públicas em nível da União, 
Estados e Municípios (DURIGUETTO, 2005, p. 89).
Sabe‑se que a conjuntura constitucional e seus avanços sobre participação, fiscalização, formulação e 
os próprios direitos sociais foram tensionados pelo avanço neoliberal, que busca controle social na gestão 
e na implementação de políticas públicas com objetivos meramente filantrópicos e voluntaristas. Nesta 
perspectiva neoliberal, verifica‑se a desresponsabilização do Estado e do capital sobre a questão social.
Diante deste contexto surge o que se chamou de Terceiro Setor, compreendendo.
O emprego da negativa não estatal é para defini‑la como uma terceira forma de 
propriedade, o público não estatal, ao lado da propriedade privada e da estatal, 
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que passariam a compor o chamado campo do terceiro setor ou da sociedade 
civil: associações filantrópicas, grupos e organizações comunitárias, ONGs, ações 
voluntárias e a chamada filantropia empresarial (DURIGUETTO, 2005, p. 89).
Nesta relação, a sociedade civil transmuta‑se em uma esfera pública não estatal, em um setor situado 
além do mercado e do Estado, em cuja lógica prevalece a filantropia, o voluntariado e a solidariedade. Este 
conceito da sociedade civil não é defendido apenas pelo neoliberalismo, mas também por intelectuais, 
por ações práticas entre outras.
Como forma de participação da sociedade estão os Conselhos de Direito, os quais têm objetivo de 
trazer a participação política da sociedade no processo de tomada de decisão das políticas públicas e na 
abertura do controle de sua administração.
A efetivação da participação da comunidade em Conselhos de Direito está vinculada ao repasse de 
verbas, por meio das quais o Estado fortalece a participação da sociedade na gestão pública.
Hoje se desenvolve o chamado princípio da participação social nos processos 
de controle e de avaliação de políticas públicas, que é inerente à ideia de 
Estado Democrático de Direito, adotado já no preâmbulo da Lei Maior de 
1988 e reafirmado no art. 1º, além de ter sido reiteradamente expresso 
em vários setores da Administração Pública, particularmente na parte que 
referente à ordem social (OLIVEIRA, 2005, p. 87).
Os conselhos não são órgãos estatais nem meramente comunitários, sendo definidos, portanto, 
como públicos não estatais. Sua necessidade se dá pela implementação dos direitos sociais. A legislação 
inclui esses conselhos como parte do processo de gestão descentralizada e participativa, sendo eles 
constituídos como novos atores paritários e deliberativos.
Embora os Conselhos de Direito sejam garantidos constitucionalmente, sua implementação e 
efetivação sofrem entraves, principalmente, quanto à representatividade e paridade. “Em relação à 
primeira deve‑se considerar a probabilidade da manutenção do Conselho pelo executivo dos mandatos 
dos conselheiros com o mandato dos prefeitos” (OLIVEIRA, 2005, p. 91).
Há outro conjunto de elaborações sobre o conceito de sociedade civil 
após 1980, no entanto “estas elaborações vão na direção da denúncia da 
desresponsabilização estatal na área social e da defesa da ampliação das 
práticas de interlocução e negociação pública para a criação, reconhecimento, 
garantia e consolidação de direitos (DURIGUETTO, 2005, p. 93).
 resumo
Nessa unidade inicial nos detivemos a estudar dois processos, sendo 
eles: as diferentes concepções possuídas sobre as políticas sociais e o 
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surgimento das políticas sociais na sociedade capitalista em virtude da 
ampliação das expressões da questão social.
De tal forma, iniciamos nossos estudos analisando as correntes 
filosóficas e econômicas que, desde os tempos mais remotos, vêm atribuindo 
significação ao Estado, à vida social, à pobreza, às questões econômicas 
e às políticas sociais. Iniciamos esse processo examinando as principais 
correntes filosóficas e, na sequência, estudamos também as correntes 
econômicas que foram sendo constituídas.
No estudo das correntes filosóficas tivemos contato com as propostas 
do Idealismo, Funcionalismo e Marxismo.
Observamos que, de acordo com a perspectiva idealista, o pensamento 
e as ideias são muito importantes. Essa corrente ainda defende o poder 
soberano do Estado e é um mecanismo de comparação de tipologias de 
políticas sociais, porém, não apreende a totalidade dos fenômenos que 
condicionam a realidade dos seres humanos.
A perspectiva funcionalista, tal como vimos, compreende a sociedade 
como um todo, em que cada instituição tem uma função social a 
desempenhar e, assim sendo, para que exista uma sociedade harmônica 
e feliz é necessário apenas que cada instituição desempenhe seu papel 
corretamente. Nessa ótica, a desigualdade social é vista como algo natural, 
que faz parte da sociedade e, portanto, deve ser apenas aceita. Já a política 
social é percebida como uma forma de controlar a miséria. Assim sendo, 
não é realizada pela corrente funcionalista uma análise com base nas 
questões econômicas.
Já o Marxismo, por sua vez, examina a sociedade por meio de uma análise 
do sistema capitalista. Podemos dizer que esta corrente realiza uma análise 
com base na totalidade dos fenômenos sociais. Para o Marxismo as políticas 
sociais são compreendidas como resultado das desigualdades geradas 
pela sociedade capitalista, mas também são tidas como possibilidades de 
ganho de direitos para a classe trabalhadora e também para a classe mais 
empobrecida de nossa sociedade.
Também estudamos correntes econômicas como: Liberalismo, 
Keynesianismo e Neoliberalismo, e observamos que essas correntes possuem 
compreensões totalmente diferenciadas sobre as políticas sociais.
Como vimos, o Liberalismo crê que todas as necessidades dos seres 
humanos podem e precisam ser atendidas por meio do mercado, sobretudo 
pelo trabalho. Assim sendo, não há necessidadede uma intervenção estatal 
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na vida dos cidadãos e também não há demanda pela intervenção, por 
parte do Estado, na regulação econômica, já que, segundo essa perspectiva, 
o próprio mercado se autorregularia.
Após tal concepção passamos a estudar o Keynesianismo que, 
como vimos, propunha uma série de orientações sobre a questão 
econômica, sendo que tais foram pensadas como uma alternativa à 
crise capitalista que eclodiu em todo mundo em meados dos anos 
1900. Segundo o Keynesianismo, a alternativa para a crise capitalista 
seria a ampliação da intervenção estatal na regulação econômica e nas 
expressões da questão social. Para essa perspectiva, seria necessário 
alcançar o pleno emprego e proporcionar o acesso à renda para as 
pessoas que não podia trabalhar e, dessa forma, o consumo seria 
reativado. Com o consumo sendo reativado, o capitalismo poderia 
superar a situação de crise vivenciada.
No entanto, conforme estudamos, os ideais de Keynes não se mantiveram 
e foram substituídos na década de 1970 pelo Neoliberalismo que, nada mais 
é do que um reavivamento dos ideais do Liberalismo, também estudado por 
nós. Todavia, o Neoliberalismo é fortemente influenciado pelas mudanças 
do processo produtivo e pela reestruturação produtiva. Para essa corrente, 
a crise é responsabilidade do Estado, que interveio sobremaneira na 
economia e na vida dos seres humanos, e a alternativa encontrada para 
superá‑la seria a retração estatal.
Mais que concepções teóricas, essas orientações trazem implicações ao 
formato de Estado e, consequentemente, ao padrão adotado por ele no 
desenvolvimento das políticas sociais.
Observamos ainda que a ampliação das ações em política social está 
diretamente relacionada ao aumento das expressões da questão social 
que se observa, sobretudo, na sociedade capitalista em sua fase madura 
e consolidada. Podemos concluir enfatizando que, apesar de serem 
constituídas com finalidade de controle da classe trabalhadora e também 
como uma alternativa para a reprodução social desta classe, a política social 
não deixa de ser um direito conquistado e que, como tal,deve ser mantido.
Partindo das considerações sobre as políticas sociais, passamos a 
destacar os mecanismos de participação e controle social que vão sendo 
constituídos para realizar uma gestão democrática e participativa destas 
políticas. Diante disso, demonstramos quais princípios e mecanismos 
devem ser observados e constituídos, para que as políticas sociais sejam 
geridas de fato de forma partilhada, sobretudo de modo a viabilizar a 
participação dos usuários.
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Deste modo, conforme demonstramos, a democracia não deve estar 
restrita à questão do voto: é necessário incorporar ao cotidiano das pessoas 
outras instâncias de participação e controle social.
Recomendamos, no entanto, que você retome os conteúdos tratados, 
visto que são fundamentais à sua formação.
 Exercícios
Questão 1. (Enade 2010) O assistente social, tanto em sua prática investigativa para conhecimento 
da realidade, quanto em sua atuação junto aos movimentos sociais, necessita do aporte teórico de 
autores clássicos. Destes, alguns conceitos teóricos devem ser priorizados, objetivando perceber a 
realidade tal qual ela é.
Fonte: GOHN, M. G. Teoria dos movimentos sociais: paradigmas clássicos e contemporâneos. São Paulo: Loyola, 2000 (adaptado).
Assinale a alternativa que apresenta conceitos fundamentais que devem ser considerados pelo 
assistente social em sua prática:
A) Classes, estamentos, papéis em Durkheim, função e organização da cultura em Weber e estrutura, 
infraestrutura e superestrutura em Marx.
B) Ação social e suicídio em Durkheim, anomia/disnomia em Weber e consciência individual, capital 
e trabalho em Marx.
C) Luta de classe em Durkheim, burocracia e aparelhos de Estado em Weber e estratificação social em 
Marx.
D) Organização em Durkheim, desorganização em Weber e consciência de classes em Marx.
E) Anomia/disnomia em Durkheim, burocracia em Weber e consciência e luta de classes em Marx.
Resposta correta: alternativa E.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: Émile Durkheim é um dos mais importantes nomes da Sociologia. Suas ideias, formuladas 
no século XIX, ainda são base para o pensamento contemporâneo. Segundo ele, a Sociologia tem o 
papel de compreender o funcionamento orgânico da sociedade a fim de formular leis que a expliquem. 
Durkheim inspirou‑se nas ciências biológicas para propor o estudo da sociedade de forma científica, 
acreditando na possibilidade de distanciamento entre o pesquisador e o objeto a ser analisado.
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Um dos conceitos centrais do seu pensamento é o fato social. Segundo o autor, o fato social consiste 
em maneiras de agir, de pensar e de sentir que exercem determinada força sobre os indivíduos e obriga‑
os a se adaptarem às regras da sociedade.
Um fato social é caracterizado por três elementos: generalidade, exterioridade e coercitividade. A 
generalidade indica que os fatos sociais são gerais, ou coletivos. A exterioridade indica que os fatos 
sociais são externos ao indivíduo. A coercitividade está relacionada ao poder, ou seja, à força que 
impõe padrões aos indivíduos.
A Igreja, a escola, a família e o Estado são exemplos de instituições que ditam regras de conduta, 
aceitas e legitimadas socialmente. Nas sociedades modernas, segundo Durkheim, a coerção social torna‑
se mais difusa e é exercida, também, pela divisão do trabalho, devido à interdependência entre indivíduos 
e grupos sociais. A coerção social está presente velada ou abertamente.
Durkheim valoriza o papel dessas instituições, afirmando que a ausência delas leva ao estado de anomia. 
Na obra O suicídio, ele emprega esse termo para se referir a qualquer elemento em desarmonia com a ordem 
social, como se fosse uma patologia. A falta de regras ou do bom funcionamento das instituições sociais 
provoca o desequilíbrio do indivíduo, o que pode levá‑lo a cometer crimes ou suicídio. A anomia, portanto, 
deve ser vista como a grande inimiga da sociedade e cabe ao sociólogo compreendê‑la.
B) Alternativa incorreta.
Justificativa: outro grande nome da Sociologia é Max Weber. De acordo com ele, a organização da sociedade 
ocorre por meio da ação burocrática do Estado, que regula as ações sociais e estabelece as hierarquias.
Na sua concepção, a burocracia visa a racionalizar e a otimizar os meios de produção, evitando 
perda de tempo, excesso de procedimentos e maus atendimentos. A burocracia é, portanto, um aparato 
técnico‑administrativo, formado por profissionais especializados.
A burocracia possibilita a hierarquização da sociedade e a divisão do trabalho, o que permite que 
cada um desempenhe uma função específica e contribua para o funcionamento do todo. Nesse sistema, 
destacam‑se a competência técnica e a meritocracia para o estabelecimento das funções.
Dessa forma, para Weber, a organização burocrática é condição sine qua non para o desenvolvimento 
de uma nação, por ser indispensável ao funcionamento do Estado e de todas as atividades econômicas.
Marx discute a questão da formação da consciência de luta de classes de maneira coletiva, não 
individual.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: conforme já pontuado nas justificativas anteriores, Durkheim não discute a questão da 
luta de classes. Karl Marx não se propõe a apenas explicar a sociedade, mas também a transformá‑la. 
Para mudar o mundo, é necessário vincular o pensamento à prática revolucionária.
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Em sua obra mais famosa, O Capital, Marx expõe os princípios dosistema capitalista e suas 
implicações sociais. Nesse sistema, os meios de produção encontram‑se nas mãos da classe 
dominante (burguesia) e os trabalhadores vendem sua força de trabalho em troca do salário, 
suficiente para a sua sobrevivência. A riqueza do capitalista é gerada pelo trabalho realizado e não 
pago, o que constitui a mais‑valia. Assim, a desigualdade social e a apropriação do trabalho do 
operariado são características intrínsecas ao sistema capitalista.
Na concepção marxista, as forças produtivas e econômicas formam a infraestrutura da sociedade, ou 
seja, são as relações econômicas que fundamentam as demais relações. Na superestrutura, encontram‑
se a política, a cultura, a religião e a educação, por exemplo.
Para Marx, o Estado representa os interesses da classe dominante e procura assegurá‑los com sua 
política. Na visão marxista, a história pode ser compreendida como o movimento provocado pelas 
mudanças nas forças produtivas e pela luta de classes.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: conforme já pontuada, Weber afirma que a organização da sociedade ocorre por meio 
da ação burocrática do Estado, que regula as ações sociais e estabelece as hierarquias, sendo assim, a 
desorganização não é um conceito defendido por Weber.
E) Alternativa correta.
Justificativa: o assistente social deve ter consciência dos problemas e das disfunções sociais, por isso 
precisa conhecer os conceitos de anomia/disnomia de Durkheim. Deve, também, conhecer a estrutura 
pública de organização, ou seja, a organização burocrática descrita por Weber. Além disso, deve ter 
consciência das desigualdades sociais e da luta de classes, descritas por Marx.
Questão 2. (Enade 2010) O pensamento neoliberal defende uma segmentação entre as esferas 
do Estado e do mercado. O neoliberalismo entende a existência e permanência das questões 
econômicas no âmbito do mercado, enquanto ao Estado cabem os processos da política formal 
e, eventualmente, algumas atividades sociais. Desse modo, trata‑se de uma concepção do Estado 
como público e de tudo o que não é estatal como privado. Nesse sentido, o modelo de Estado que 
mais se aproxima ao ideal do pensamento neoliberal é aquele que:
A) Centraliza o poder de dirigir os interesses particulares de frações da população, não toma 
conhecimento da atuação da sociedade civil e tem como meta a luta contra a tirania da maioria.
B) Promove a democracia governada, restringe a participação política ao silencioso ato eleitoral e 
assegura a legitimação total da dominação da sociedade.
C) Amplia suas responsabilidades no tratamento da questão social, prioriza a questão econômica 
como determinante do sistema e se distancia da sociedade.
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D) Reduz suas intervenções no campo social, apela à solidariedade e se apresenta como parceiro da 
sociedade em suas responsabilidades sociais.
E) Fornece a estrutura necessária para a livre concorrência do mercado, atua de forma descentralizada 
e reconhece a universalização dos direitos sociais a todos os cidadãos.
Resolução desta questão na plataforma.especificamente, não terem sido discutidas por Durkheim, tais conclusões são possíveis 
partindo‑se de uma análise da obra do referido autor.
Antes de iniciarmos nossas considerações sobre o Idealismo, observe o texto seguinte, que faz uma 
reflexão sobre as concepções de Durkheim.
Exemplo de aplicação
Artigos Filipe Zau 
Os recursos de que necessitamos
Começo por situar as políticas de formação de recursos humanos, na perspectiva do “ser social 
universal”, inserida na corrente filosófica educacional da cultura humanista, “de que o sociólogo Emile 
Durkheim foi um digno representante” e onde reside um amplo e harmônico sentido de educação 
multifacetada. Analiso também, sob a perspectiva neoliberal de uma hipotética corrente do “ser econômico 
global”, para enquadrá‑la nas reflexões de natureza econômica relacionada com a chamada “teologia do 
mercado”, onde se consubstancia um sentido restrito de educação, voltado, quase exclusivamente, para 
o consumismo e para a “descerebração” das atuais e futuras gerações [...]. 
Fonte: Zau (2012).
A matéria demonstra a aceitação dos ideais de Durkheim. Diante disso, considerando a proposta 
do autor sobre os fenômenos sociais, reflita sobre o seguinte quesito: “é possível compreender a 
desigualdade social como algo natural?”
Agora, passaremos a discutir o Idealismo. O Idealismo foi também uma importante corrente teórica 
e filosófica que trouxe influências para o pensamento social e para a forma de compreender a política 
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social. Vinculados a essa corrente teórica teremos pensadores como Kant, Hegel e Max Weber, sendo 
esse último um dos mais relevantes no sentido de influenciar o pensamento social no que diz respeito 
às políticas sociais.
Mas, iniciaremos com Kant. Immanuel Kant nasceu em 1804, na cidade de Konigsberg, na Prússia. 
Kant ficou conhecido como o principal filósofo da corrente idealista, tendo em vista que foi esse pensador 
que refletiu inicialmente sobre conceitos sobre os quais passaremos a discorrer.
Figura 4 – Immanuel Kant
De uma forma genérica podemos dizer que, para a corrente idealista, durante o processo de 
conhecimento, o sujeito deve sobrepor‑se ao objeto que pretende conhecer. Assim, podemos compreender 
que para essa perspectiva de conhecimento o sujeito precisa assumir uma perspectiva de destaque, ao 
invés do objeto. Também podemos concluir que se trata de uma perspectiva diferenciada da que fora 
apresentada antes, ou melhor dizendo, a perspectiva defendida por Kant, difere‑se da proposta por 
Durkheim.
Sendo assim, a realidade observada não provém de condições reais e concretas, mas, sim, apresenta‑se 
como sendo o resultado do pensamento dos seres humanos. Desse modo, não há influência das 
condições e determinações reais e objetivas na definição da realidade, mas, sim, do pensamento dos 
seres humanos. Ou seja, há um primado da consciência no processo de definição da realidade, do que é 
real e também durante a aproximação entre sujeito que pesquisa e objeto de conhecimento (BEHRING; 
BOSSCHETTI, 2010).
O conhecimento, por sua vez, é compreendido como algo que precisa ser racional. Razão, por sua vez 
é intelecção, é entendimento, compreensão. O processo de conhecimento é essencialmente um processo 
intelectivo, que demanda a utilização das capacidades intelectivas do ser humano.
O processo de conhecimento da realidade acontece por meio desse processo intelectivo do ser 
humano, porém, para Kant só é possível conhecer a realidade por meio de suas manifestações, de suas 
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expressões. Para Kant é impossível o conhecimento da essência do ser humano, esse descrito como ser 
social. Em Kant vemos que se torna impossível conhecer plenamente a essência do ser social.
Como é impossível apreender o ser humano em sua totalidade, o conhecimento torna‑se, segundo 
essa perspectiva, relativo, pois depende de que nível será possível aproximar‑se do sujeito, do ser social. 
Assim:
Como não se pode conhecer a coisa em si, o conhecimento sempre é relativo 
e produto racional do sujeito que conhece, quando este submete sensações 
e experiências aos esquemas e regras apriorísticas do pensamento à razão 
teórica (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 32).
 lembrete
É necessário recordar que Hegel, mesmo derivando de Kant, entendia 
que o ser humano podia, sim, ser compreendido em sua totalidade. Segundo 
Hegel, era possível apreender o ser humano de uma forma completa.
Para Kant, era então necessária a compreensão dos fenômenos da realidade e, assim, seria possível 
uma aproximação à realidade da experiência humana. Desse modo, no processo de conhecimento seria 
preciso “[...] compreender o sentido dos processos vivos da experiência humana” (BEHRING; BOSCHETTI, 
2010, p. 33).
Vejamos a seguir uma imagem, elaborada por nós, onde temos a representação dos conteúdos 
tratados por Kant.
Método de 
conhecimento
Sujeito se sobrepõe 
ao objeto
Realidade resulta 
do pensamento
É necessário 
apreender a 
realidade
Conhecimento 
é variável
Impossibilidade de 
conhecer o 
ser social
Figura 5 – Método de conhecimento em Kant
Derivando dessas concepções de Kant, tivemos outros teóricos vinculados à corrente idealista, dentre 
os quais podemos citar Dilthey, Rickert, Hegel e Max Weber. Dentre esses filósofos, mencionamos Hegel 
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anteriormente e agora estudaremos um pouco algumas das considerações de Weber, que orientou as 
discussões sobre os fenômenos sociais, permitindo, assim, uma compreensão sobre a política social.
As teorias de Weber derivam das concepções de Kant, porém, sua obra apresenta algumas variações 
em relação ao pensamento kantiano. Para Weber, durante o processo de conhecimento, é necessário que 
se compreendam as intencionalidades e ações dos sujeitos como algo que se sobrepõe às condições reais 
(BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
Ou seja, o pensamento de Weber deriva do de Kant por destacar que no processo de conhecimento 
precisamos compreender que todos os atos dos sujeitos definem a realidade e não o oposto, ou seja, 
não é a realidade concreta que determina os atos que serão adotados pelos sujeitos, mas, sim, o inverso.
Weber nos diz que todo o conhecimento obtido deve submeter‑se à comprovação, à prova e à 
validação objetiva. Weber compreende que para o conhecimento ser tido de fato como real, precisa ser 
checado, comprovado. E faz‑se necessário ainda que esse conhecimento a ser produzido siga a ótica da 
neutralidade científica, ou seja, não são permitidas interferências no processo de conhecimento.
Dessa premissa decorre o imperativo categórico da separação rigorosa 
entre fatos e valores, presente também em Weber, que afirmava que 
a interferência dos valores impede a compreensão integral dos fatos 
e que os dados não podem ser pedestais para os julgamentos de valor 
(BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 34).
Não podendo, assim, haver a interferência do pesquisador no processo de conhecimento, de acordo 
com o pensamento weberiano.
A análise de Weber ainda destaca uma série de considerações sobre os fenômenos sociais. Segundo 
o autor, todos os fenômenos sociais são históricos e também estão relacionados à vida cultural de uma 
dada sociedade. A vida cultural, por sua vez, só existe porque provém de um ponto de vista, de algo que 
é idealizado pela sociedade.
Sob a premissa de que o idealizado é mais relevante, Weber se coloca contrário à concepção marxista 
de que o fator econômico é que determinada a realidade, inclusive que determina o ser social. Para 
Weber o que determina a realidade, inclusive econômica, é o pensamento do ser humano, e não o 
inverso (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
No âmbito da política, segundo Behring e Boschetti, (2010) Weber postula que haveriaa necessidade 
de um Estado forte para que, por meio de sua autoridade, pudesse gerir a vida em sociedade. O Estado 
estaria apoiado em uma autoridade e exerceria suas ações com base em critérios de justiça e com base 
em um corpo administrativo eficaz.
A política social, dentro desse aspecto seria um dos mecanismos para que o Estado pudesse exercer 
suas funções. Seria um mecanismo burocrático, porém, permitido ao Estado, para a administração 
da sociedade. “A política social seria um mecanismo institucional típico da racionalidade legal 
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contemporânea” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 36), ou seja, seria um mecanismo de manter a 
autoridade estatal.
Essas seriam as principais ideias, de uma forma bem resumida, que orientavam a compreensão 
denominada Idealismo e que trouxeram e trazem influências à organização das políticas sociais. Na 
sequência passaremos a tratar da concepção posta pelo Marxismo, em relação a determinados fenômenos 
sociais e também em relação à questão da política social.
 Saiba mais
Para conhecer um pouco mais sobre os autores aqui tratados e que 
discorrem sobre o idealismo, recomendamos o acesso ao site:
.
E a leitura do texto:
GUYER, P. Kant, Immanuel (1724‑1804). In: CRAIG, E. (Ed.). Routledge 
Encyclopedia of Philosophy. London: Routledge, 1998‑2013. Disponível em: 
. Acesso em: 1 mar. 2013.
Assim sendo, de acordo com Behring e Boschetti (2010) o marxismo apresenta uma análise 
totalmente diferenciada das postas pelo funcionalismo e pelo idealismo. Para compreender 
minimamente essa análise precisamos entender sobre quais bases é analisada a realidade sob o 
embasamento marxista. Ou melhor dizendo, como o conhecimento da realidade se operacionaliza 
sob o embasamento marxista.
No caso é importante situar que o marxismo tanto pode ser compreendido como uma 
doutrina filosófica, quanto como uma doutrina econômica. Isso porque Marx compreendeu o 
funcionamento da sociedade sob a análise do desenvolvimento do capitalismo, ou seja, com forte 
apelo à compreensão do desenvolvimento econômico da sociedade, especificamente da sociedade 
capitalista.
 Saiba mais
Para um conhecimento sobre a teoria marxista recomendamos também 
os filmes:
CAPITALISMO: uma história de amor. Estados Unidos: Overture Films, 
2009. Direção: Michael Moore. Duração: 127 min.
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Sob essa questão, nos dizem Behring e Boschetti (2010) que, de acordo com a perspectiva marxista, 
para a compreensão da realidade há necessidade de uma relação de conhecimento embasada por uma 
perspectiva relacional a ser estabelecida entre o sujeito e o objeto. Assim, essa perspectiva não evoca 
a prevalência do sujeito sobre o objeto ou vice‑versa como nas perspectivas indicadas anteriormente. 
Antes, apregoa a produção do conhecimento que rompa com essa prevalência.
E essa relação estabelecida entre o sujeito e o objeto acontece em um determinado momento ou 
período histórico. Assim, tanto sujeito quanto objeto precisam ser considerados como integrantes e, 
portanto, influenciados pelo processo de desenvolvimento histórico.
A perspectiva marxista ainda compreende que no processo de conhecimento da realidade o 
pesquisador, o sujeito que se aproxima da realidade, é um sujeito ativo, e não passivo e alheio. Nesse 
sentido, segundo essa visão, tanto o sujeito é alterado pela pesquisa quanto o objeto também é alterado 
por ele. Segundo tal perspectiva não há “neutralidade” na produção de conhecimento (BEHRING; 
BOSCHETTI, 2010, p. 39).
De acordo com a perspectiva marxista, para apreensão da realidade precisamos analisar os fenômenos 
sociais, sendo que a verdade de tais fatos encontra‑se oculta, ou seja, não há verdades imediatas e 
aparentes. Para a compreensão de tal realidade, dos fenômenos que estão ocultos, é necessário que 
se compreenda a realidade como sendo síntese de múltiplas causalidades, ou seja, resultado do 
relacionamento estabelecido entre diversos fatores.
Assim, a compreensão da realidade demanda essencialmente uma compreensão da totalidade. A 
realidade é, em tese, resultado da totalidade de fenômenos e, portanto, não pode ser compreendida sob 
uma ótica segmentada, setorizada. “Totalidade significa: realidade como um todo estruturado, dialético, 
no qual ou do qual um fato qualquer (classes de fatos, conjunto de fatos) pode vir a ser racionalmente 
compreendido” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 41).
E a totalidade aqui demanda também ser entendida como concreta, ou seja, refere‑se a uma realidade 
dada e não está apenas no plano das ideias, do imaginário. Assim, a realidade concreta determinaria 
o pensamento, as ideias, e não o contrário, conforme o defendido pela corrente idealista, a qual o 
marxismo se contrapõe.
Além disso, a realidade seria composta de forma dialética, ou seja, estaria em constante construção, 
em constante devir. Assim sendo, a realidade nunca estará pronta e acabada e, para apreendê‑la em sua 
totalidade, faz‑se necessário um método que também seja dialético, que também permita a realização 
de sucessivas aproximações, de construção continuada do conhecimento (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
O método de conhecimento para a perspectiva marxista deve ser composto por alguns elementos. 
Dentre os elementos citados por Behring e Boschetti (2010), podemos apontar: a destruição da 
pseudoconcreticidade, o caráter histórico e o significado do fenômeno e de sua função.
Vejamos o que precisamos entender: a pseudoconcreticidade é uma falsa realidade, ou seja, uma 
realidade por nós percebida, mas que não corresponde à realidade em tese. É uma realidade fetichizada 
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e não conhecida objetivamente. Portanto, essa falsa concreticidade precisa ser rechaçada, destruída, 
para que a realidade, de fato seja conhecida. O método de conhecimento, de base marxista, precisa 
considerar esse elemento para que possa conhecer de fato a realidade.
Além do fim da pseudoconcreticidade, o método de conhecimento, de base marxista, precisa considerar 
a realidade como possuidora de caráter histórico, portanto, condicionada ao que é experimentado pelo 
gênero humano no decurso de seu desenvolvimento. E disso decorre o terceiro elemento, ao qual faz 
menção, conforme citamos: a compreensão do significado do fenômeno e de sua função. De sorte que, 
todos os fenômenos possuem um significado, além do aparente, do imediato e possuem também uma 
finalidade, uma função social.
Vejamos a seguir a figura que retrata o método de conhecimento, de acordo com a perspectiva 
marxista.
Método do 
conhecimento
Método dialético
Realidade oculta Concreticidade
Totalidade
Múltipla 
causalidade
Figura 6 – Método de conhecimento no Marxismo
Para a compreensão da realidade, com base no conhecimento marxista, faz‑se necessário que o 
sujeito que conhece possa ir do conhecimento abstrato ao conhecimento concreto, real, ou seja, “[...] 
elevar‑se do abstrato ao concreto” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 41).
O que Behring e Boschetti (2010) fazem é aplicar os conhecimentos trazidos pelo método marxista 
à análise das políticas sociais. Nesse sentido, demonstram as incoerências que há em pensamentos 
supostamente de base marxista bem como indicam algumas pistas para se repensar a produção de 
conhecimento sobre as políticas sociais de referência marxista.
Segundo Behring e Boschetti (2010), para a compreensão da política social, devemos evitar as 
análises unilaterais, ou seja, análises em que as políticas sociais são compreendidas sob apenas 
um prisma. No caso, as autoras exemplificam descrevendo teorias em que as políticas sociais são 
compreendidas apenas como mecanismos do Estadopara garantir hegemonia, ou, então, apenas em 
decorrência da luta de classes, em virtude da pressão exercida pela classe trabalhadora frente às crises 
capitalistas.
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As autoras ainda destacam que são também exemplos de análises unilaterais aquelas que 
compreendem as políticas sociais como mecanismos que são funcionais à acumulação capitalista, ou 
melhor dizendo, aquelas análises que compreendem as políticas sociais apenas como responsáveis 
para garantir a reprodução econômica e política da classe trabalhadora. No caso, a política social ora 
é compreendida como uma alternativa para reduzir os custos da reprodução da força de trabalho e 
também como um mecanismo para manter o nível de consumo, ora é compreendida apenas como um 
aparato ideológico usado de forma a cooptar a população e legitimar a ordem capitalista vigente.
Segundo afirmam as mesmas teóricas, essas análises não estão incorretas, mas, como são unilaterais, 
conseguem perceber apenas um dos aspectos que condicionam a constituição e consolidação das 
políticas sociais na sociedade burguesa. As autoras conseguem ir além dessa análise unilateral e, dessa 
forma, conseguem apreender outras peculiaridades da constituição e da consolidação das políticas 
sociais em nossa sociedade, tais como as que passaremos a descrever.
A primeira consideração feita por Behring e Boschetti (2010) é que para a concepção apoiada no 
Marxismo, a política social pode ser sim compreendida como uma forma de legitimação do Estado, 
de legitimação do capital e é também uma alternativa de reprodução material e ideológica dos seres 
humanos. Todavia, a política social precisa também ser compreendida como um ganho, como uma 
conquista, sobretudo para os segmentos mais empobrecidos e que são, via de regra, beneficiados por 
esses serviços.
As autoras ainda afirmam que a análise em política social por esse motivo não pode ser realizada 
de forma desprendida da sociedade burguesa, ou seja, toda a compreensão relacionada à política social 
precisa essencialmente estar vinculada à noção da sociedade burguesa capitalista em sua fase consolidada.
Para essa apreensão da realidade é necessário, segundo as autoras, ir além do senso comum, 
do conhecimento pautado apenas na observação empírica dos fenômenos sociais. Para ir além do 
conhecimento do senso comum, ainda seria necessário que a apreensão da realidade se efetivasse por 
meio do método dialético‑materialista. Para as autoras:
[...] o método dialético materialista que permite compreender e revelar que as 
formas reificadas se diluem, perdem sua rigidez e naturalidade para mostrar 
como fenômenos complexos, contraditórios e mediados, como produtos da 
práxis social da humanidade (BEHRING; BOSCHETTI, p. 43).
 Observação
Para o conhecimento, segundo o Marxismo, é necessário recorrer ao 
método dialético materialista.
Essa compreensão pautada no método dialético materialista considera fenômenos como os seguintes: 
histórico, econômico e político, sendo eles importantes na definição da realidade e do conhecimento 
possuído sobre essa realidade.
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Assim, realizando uma análise da política social, considerando o componente histórico, precisamos 
compreender que a política social surge e se consolida em decorrência da ampliação das expressões 
da questão social. Já a compreensão do aspecto econômico nos remete a pensar a política social, 
relacionando‑a às questões estruturais que influenciam o desenvolvimento econômico, sendo que, em 
nosso caso, temos de considerar o desenvolvimento da sociedade capitalista.
E, por fim, o aspecto político está relacionado à compreensão das posições políticas que são adotadas 
pelo Estado, tendo em vista que as posturas políticas adotadas tendem a influenciar a constituição das 
políticas sociais. Sintetizando tais colocações, as autoras afirmam que o método dialético materialista 
reconhece que os fenômenos sociais estão condicionados e “[...] sob a influência da história, economia, 
política e cultura”(BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 43).
E, concluindo as argumentações, Behring e Boschetti (2010) asseguram que todas as análises 
realizadas precisam considerar três elementos no que concerne ao conhecimento da política social, 
sendo eles: a natureza do capitalismo, devendo‑se compreender o estágio de desenvolvimento capitalista 
apresentado e as estratégias de acumulação constituídas; o papel adotado pelo Estado no sentido de 
regulamentar as políticas sociais; e o papel das classes sociais no sentido de estimular a organização das 
políticas sociais.
Desse modo, trata‑se de uma concepção que vem balizada pela compreensão do desenvolvimento 
capitalista, do papel assumido pelo Estado e também sobre o papel das classes sociais no sentido de 
estimular a constituição das políticas sociais.
Como podemos visualizar, estudamos até aqui concepções diferenciadas sobre as políticas 
sociais, derivadas de argumentos filosóficos. Na sequência, veremos outras concepções, essas com 
uma referência mais econômica e que destacam compreensões distintas sobre a constituição das 
políticas sociais.
 Saiba mais
Recorra aos textos a seguir, para maiores informações sobre os conteúdos 
relacionados ao método marxista de produção de conhecimento:
ASSUMPçãO, M. C. M. A. O método em Marx: relação com a categoria 
práxis. In: ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAçãO E MARXISMO, 5., 
Florianópolis, SC, 2011. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2012.
YAMAUTI, N. N. A aplicação do método dialético de produção do 
conhecimento no ensino de ciências sociais. Acta Sci. Human Soc. Sci., 
Maringá, v. 28, n. 1, pp. 111‑120, 2006.
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1.2 liberalismo, Keynesianismo, neoliberalismo: a política social sob 
diversos ângulos
Como enunciamos, neste momento, estudaremos as concepções de doutrinas tidas como econômicas, 
ou seja, compreensões mais pautadas em análises econômicas da sociedade. Começaremos assim pelo 
Liberalismo, para, em seguida, tratarmos das demais compreensões. No caso, faremos ainda um recorte 
sobre a perspectiva marxista de compreensão das políticas sociais.
De tal forma, esperamos que seja possível a você entender as diferentes perspectivas econômicas 
que discutem as políticas sociais. Realizaremos uma aproximação entre os ideais de tais doutrinas e 
também em relação às expressões da questão social e sobre o papel conferido ao Estado.
1.2.1 Liberalismo
 Saiba mais
Recomendamos os textos a seguir relacionados para obter mais 
informações sobre os teóricos estudados:
HENRIQUES, M. C.; COSTA, M. A. Teoria política: John Locke. O segundo 
tratado sobre o governo civil. 2000‑2010. Disponível em: . Acesso em: 11 mar. 2013.
JEAN‑Jacques Rousseau:(1712‑1778). 1997‑2011. Disponível em: . Acesso em 25 fev. 2013.
RIBEIRO, P. S. Maquiavel e a autonomia da política. 2002‑2013. Disponível 
em: . Acesso em: 1 mar. 2013.
Para uma compreensão do Liberalismo, iniciaremos com uma breve discussão sobre o que Behring 
e Boschetti (2010, p. 57) denominam como “Pré‑liberalismo”. A discussão sobre o Pré‑liberalismo nos 
remete a pensadores como Maquiavel, Hobbes, John Locke e Jean Jacques Rousseau. Por meio das 
argumentações desses teóricos teremos uma noção do que as autoras entendem como Pré‑liberalismo.
Os ideais desses teóricos nasceram durante meados do século XVI e início do século XVIII, sendo 
que nesse momento também experimentamos no mundo uma série de mudanças em relação às 
compreensões antes hegemônicas sobre a vida em sociedade. É nesseperíodo que o mundo assiste ao 
declínio da doutrina da lei divina, que era uma forma de compreender o mundo, a vida social, como 
vontade de Deus e difundida por muitas religiões, sobretudo a Católica. Com essa mudança, abre‑se a 
possibilidade para que o ser humano busque outras explicações sobre o mundo que o circunda e sobre 
os fenômenos cotidianos de sua vida (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
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 Observação
Regime feudal: assentado na produção nos feudos e sociedade 
estratificada em senhores feudais, servos e representantes da Igreja.
Regime capitalista: assentado no comércio de produtos e sociedade 
dividida entre burgueses e trabalhadores.
Também nesse período temos o declínio da ordem feudal, antes hegemônica como modo de produção. 
Agora, surge e se consolida o sistema capitalista de produção, ainda em sua forma mais rudimentar: o 
capitalismo mercantilista, ou, conforme nos dizem as autoras, o estágio de “acumulação primitiva do 
capital” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 57).
Ou seja, é um período de muitas mudanças, inclusive no pensamento de determinados teóricos. 
Comecemos por Maquiavel, famoso por ter escrito O Príncipe, em 1513, um verdadeiro tratado sobre o 
papel do Estado.
Em seus escritos, Maquiavel propunha que o Estado fosse tido apenas como um mediador, um ente 
necessário para garantir a civilização dos homens, a repressão dos indivíduos, seu controle, o controle de 
suas paixões, que poderiam conduzi‑lo a atitudes negativas e que trariam prejuízo para o ser humano e 
para toda a sociedade. Assim sendo, segundo Maquiavel, ao Estado “[...] caberia o controle das paixões, 
ou seja, do desejo insaciável de vantagens materiais, próprias dos homens em estado de natureza” 
(BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 57).
Para Maquiavel o Estado deveria centralizar o poder político, sendo permitido ao Estado tomar todas 
as decisões, sem consultar o povo se elas fossem tidas como ações em prol do bem‑estar da sociedade 
como um todo. Apesar disso, Maquiavel defendia a república, mas isso não era necessário se o Estado 
não julgasse como tal.
Partilhando dos ideais de Maquiavel, sobretudo no que concerne à necessidade de controle das 
vontades individuais, temos também o trabalho de Hobbes. Grande parte dos postulados de Hobbes está 
contida em seu famoso livro Leviathan, publicado em sua primeira edição nos idos dos anos de 1651 
(BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
Hobbes também defendia que o estado deveria ser constituído para que fosse possível controlar os homens. 
Segundo sua visão, todos os seres humanos eram dotados de “apetites e aversões” (BEHRING; BOSCHETTI, 
2010), que deveriam ser controlados porque o homem não poderia ser controlado apenas por suas vontades.
No caso, para Hobbes, em prol do bem comum, o indivíduo deveria abrir mão de sua individualidade 
e submetê‑la ao controle irrestrito do Estado, descrito pelo autor como sendo o “soberano” (BEHRING; 
BOSCHETTI, 2010). Assim, “[...] a sujeição seria uma opção racional para que os homens refreassem suas 
paixões, num contexto em que o homem é o lobo do homem” (ibidem, p. 57).
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Já para John Locke a sociedade era composta por homens que se agrupavam para se defender, 
sobretudo contra a guerra. Locke se contrapunha à monarquia absoluta e propunha que o poder político 
estivesse diluído na sociedade. Assim, o poder político deveria estar nas mãos dos homens, sujeitos 
coletivos de uma determinada sociedade e não apenas do Estado.
No entanto, para que os sujeitos pudessem ter o poder político era necessário deter também a 
propriedade privada, ou seja, havia uma perspectiva relacional entre o poder político e a propriedade 
privada. Portanto, quem não detinha a propriedade privada não tinha acesso também ao poder político. 
Aliás, a propriedade privada era compreendida por Locke como algo necessário para se oferecer uma 
base sólida à sociedade (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
Para Locke era necessário que os homens estabelecessem um pacto para que o bem comum fosse 
alcançado. E esse bem comum, segundo Locke, só seria alcançado se todos os seres humanos o buscassem, 
de forma igualitária. Cabia, portanto, ao indivíduo esforçar‑se para alcançar esse bem comum proposto.
E, por fim, chegamos ao pensamento de Jean‑Jacques Rousseau, que deriva dos demais acima 
elencados, com algumas particularidades as quais trataremos no decurso desses escritos. Rousseau 
tornou‑se especialmente popular ao buscar discorrer sobre o papel do Estado em seu célebre livro 
Contrato Social, publicado em 1762, em sua primeira versão.
Behring e Boschetti (2010, p. 58) explicam que, para Rousseau, o homem era tabula rasa, ou seja, era 
despido de maldades. Segundo esse filósofo, o homem era essencialmente bom, ou como o ele mesmo 
afirmava, era o “bom selvagem”. Porém, para ser assim tão selvagem, necessitava do auxílio do Estado, 
apenas para controlar esse homem para que não desenvolvesse um lado negativo.
Para Rousseau a sociedade fora corrompida pela propriedade privada, em decorrência de sua 
supervalorização. O Estado, de acordo com essa perspectiva, fora criado apenas para garantir a propriedade 
privada, atuando como um ente que buscava proteger os ricos e a sua propriedade. Rousseau propõe 
uma inversão desses valores, sobre os quais a sociedade estava assentada.
Rousseau sugere que o Estado partilhe o poder com o povo e, nesse formato, o Estado deveria 
representar a vontade de todos, a vontade geral, sendo que isso seria o “contrato social”, ou seja, “[...] 
um Estado cujo poder reside no povo, na cidadania, por meio da vontade geral. Este é o contrato social” 
(BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 58).
Assim, para que fosse possível que a população escolhesse, deliberasse em conjunto, era necessário 
que o Estado investisse na educação pública, na educação voltada para toda a população.
Para Rousseau o Estado era um “mal necessário” (apud BEHRING; BOCHETTI, 2010, p. 59), apenas 
para regular a vida em sociedade, já que, segundo sua perspectiva, todo poder deveria emanar do povo.
Podemos dizer que esses teóricos seriam os principais idealizadores do Pré‑liberalismo, ou seja, dos ideais do 
Liberalismo, que começou a desenvolver‑se apenas nos séculos XIX e XX. Antes de adentrarmos aos conceitos 
do Liberalismo, vejamos a seguir a representação fotográfica de alguns dos teóricos por nós estudados.
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Figura 7 – Hobbes
Figura 8 – Locke
Figura 9 – Rousseau
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Podemos realizar uma síntese, exposta na figura a seguir sobre os principais conceitos tratados por 
esses teóricos. Vejamos:
Hobbes Locke Rousseau
Estado como 
controlador das 
vontades individuais
Poder político 
era relacionado à 
propriedade privada
Contrato Social 
pautado na 
vontade geral
Ser humano deveria 
abdicar de sua 
individualidade 
em prol do Estado
Os homens 
deveriam se agrupar 
pelo bem comum
Estado como 
um mal necessário
Figura 10 – Síntese dos conceitos relacionados ao Pré‑liberalismo
Tendo tais colocações arroladas, passaremos agora a discorrer sobre o Liberalismo. Como já 
mencionamos, o Liberalismo foi uma doutrina econômica que teve seu desenvolvimento a partir de 
meados do século XIX e ganhou grande aceitação a partir dos primeiros anos do século XX. Nesse período 
assistimos ao declínio dos governos autocráticos, do poder do clero e também do Estado absolutista.
Segundo essa doutrina econômica, o mercado deve ser capaz de atender a todas as necessidades 
dos seres humanos. Essas necessidades podem ser contempladas pelo trabalho. Sendo assim, o trabalho 
passa a ser compreendido como mercadoria e suaregulamentação deve ser determinada pelo livre 
mercado (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
Grandes teóricos que representaram o ideal liberal são David Ricardo e Adam Smith e grande parte das 
contribuições desses autores derivaram dos estudiosos que vimos nos conteúdos relativos ao pré‑liberalismo.
Para Adam Smith (apud BEHRING; BOSCHETTI, 2010), cada indivíduo precisa agir em prol de seu 
próprio interesse e assim buscar alcançar o seu bem‑estar. Somente quando cada indivíduo buscar sua 
própria satisfação, será possível alcançar o bem‑estar de toda a sociedade. Esse bem‑estar individual 
seria alcançado apenas no mercado, por meio do trabalho.
O Estado, por sua vez, de acordo com Smith, deveria fazer com que o funcionamento livre e ilimitado 
do mercado fosse garantido. Seria uma intervenção específica, ou conforme destaca o autor, uma 
intervenção por meio da “mão invisível do Estado” (apud BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 56), que deveria 
apenas fornecer a base legal para que o mercado se desenvolva e se expanda cada vez mais. Quando o 
Estado desempenhar essas intervenções será possível ampliar os benefícios aos homens.
Smith propunha que o Estado não realizasse uma intervenção junto à vida dos indivíduos, mas 
somente junto ao mercado. Assim, o autor não propunha a extinção do Estado. “Ao contrário, reafirmava 
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a necessidade da existência de um corpo de leis e a ação do Estado que garantisse maior liberdade ao 
mercado livre” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 57).
Smith recomenda então um “Estado mínimo” interferindo na vida dos seres humanos, sendo que o 
Estado deveria ser controlado pelos indivíduos e pela sociedade como um todo. “Trata‑se, portanto, de 
um Estado mínimo, sob forte controle dos indivíduos que compõe a sociedade civil, na qual se localiza 
a virtude” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 59).
Segundo a perspectiva de Smith, o Estado mínimo possuía apenas três funções a desempenhar, sendo 
essas: “[...] a defesa contra os inimigos externos; a proteção de todo o indivíduo de ofensas dirigidas 
por outros indivíduos; e o provimento de obras públicas, que não possam ser executadas pela iniciativa 
privada” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 60). Ou seja, não se recomenda a intervenção do Estado junto 
aos problemas sociais, mas apenas junto a funções básicas que instrumentalizem o mercado a produzir.
Competia assim ao indivíduo buscar desenvolver‑se e ter suas necessidades atendidas e não ao Estado. 
Para esse autor, quando o indivíduo busca atender suas necessidades, o faz movido por sentimentos 
éticos e morais, que seriam também uma forma de controle dos seres humanos. Assim, os sentimentos 
morais e éticos orientariam o indivíduo a ter suas necessidades atendidas por meio do mercado.
Portanto Adam Smith percebe como um grande mérito o fato de os indivíduos, movidos por 
sentimentos morais e éticos, buscarem atender suas necessidades por meio do mercado. Para ele, 
é inerente ao ser humano a possibilidade de cada ser humano usar em seu próprio benefício suas 
capacidades individuais, suas potencialidades. Portanto, competiria ao mercado também regular as 
relações sociais, relações que eram estabelecidas entre os homens.
Behring e Boschetti (2010) afirmam ainda que para Smith há uma seleção natural do mercado 
no sentido de escolher aqueles que serão a ele incorporados e aqueles que não conseguirão ter suas 
necessidades contempladas por meio do mercado.
Ainda, segundo os mesmos autores (p. 61), o Liberalismo, proposto por Adam Smith, se peculiariza 
por um intenso “darwinismo social”, no qual cada ser humano precisa mostrar‑se capaz de atender suas 
necessidades sociais. Como se isso fosse natural à sociedade, algo inerente a ela e que não pudesse ser 
mudado. No caso, os que não conseguem ter suas necessidades atendidas estão condicionados pela 
seleção natural, onde apenas os mais fortes possuem condição de sobreviver.
 Saiba mais
Sobre Adam Smith, recomendamos o texto:
LIBERALISMO econômico. 2002‑2013. Disponível em: . Acesso em: 20 fev. 2013.
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Esse darwinismo social deriva também do pensamento de Malthus (apud BEHRING; BOSCHETTI, 
2010). Para ele, havia mais pobres do que o normal, sendo que o autor até chega a propor o extermínio 
desse segmento e propunha também que os pobres fossem vigiados, controlados e punidos, sendo que 
isso deveria ser algo comum nas sociedades segundo o referido autor.
Para Malthus, o fato de haver uma quantidade elevada de pobres não deveria demandar uma ação do 
Estado frente a tal situação. O Estado, segundo tal teórico, também não deveria interferir na regulação 
do trabalho, ou seja, expressa, em grande medida, o ideal liberal. “Trata‑se da negação da política e, 
em consequência, da política social que se realiza invadindo as relações de mercado [...]” (BEHRING; 
BOSCHETTI, 2010, p. 61).
De forma que, apontando as principais características do Liberalismo, Behring e Boschetti (2010, pp. 
61‑62), indicam as seguintes:
[...] predomínio do individualismo, o bem‑estar individual maximiza 
o bem‑estar coletivo, predomínio da liberdade e da competitividade, 
naturalização da miséria, predomínio da lei da necessidade, manutenção de 
um Estado mínimo, as políticas sociais estimulam o ócio e o desperdício e a 
política social deve ser um paliativo.
Mas, vejamos como podemos compreender cada um dos aspectos citados.
O predomínio do individualismo faz referência à crença de que o indivíduo, sendo ele um sujeito 
que alcançou os direitos civis, tem liberdade de ir e vir, de adquirir e comercializar produtos, sendo 
que sua liberdade individual é um componente essencial para o seu desenvolvimento na sociedade 
capitalista. Como tal, o indivíduo tem a possibilidade de buscar alcançar o seu bem-estar individual 
e esse seria um requisito para que seja alcançado também o bem-estar coletivo. No caso, depende de 
cada indivíduo alcançar seu bem‑estar e colaborar assim para o bem‑estar da coletividade.
Os liberais ainda defendem que há um predomínio da liberdade e da competitividade, 
compreendidas como forma de autonomia do indivíduo e de possibilidade de escolha frente às 
possibilidades que lhes são postas. A competitividade é percebida como algo necessário para estimular 
o comércio.
Figura ainda como compreensão liberal, a naturalização da miséria, ou seja, a miséria e a pobreza 
são tidas pelos liberais como algo natural, inerente à nossa sociedade. A miséria é compreendida ainda 
como resultado da amoralidade que perpassa a raça humana e não como uma desigualdade que é 
gerada na sociedade capitalista consolidada. Atrelada a essa concepção temos o predomínio da lei 
de necessidade, que corresponde à crença de que as necessidades humanas básicas não devem ser 
totalmente contempladas visto que dessa forma será possível controlar o crescimento populacional e, 
por conseguinte, colaborará com o controle da miséria.
A manutenção do Estado mínimo, tal como já apontamos, corresponde à compreensão de que o 
Estado deve ser neutro, e desenvolver apenas ações que não possam ser empreendidas pelo mercado 
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ou pela iniciativa privada. Por sua vez, as políticas sociais não devem ser empreendidas pelo Estado, 
visto que tais ações estimulam o ócio e o desperdício, pois, para os liberais, as políticas sociais 
desestimulam o indivíduo a trabalhar, e, por isso, são um risco à sociedade do mercado. Assim, as 
políticas sociais deveriam ser ações paliativas destinadas apenas aos seres humanos que não teriam 
condição de ingressar no mercado de trabalho por exemplo, crianças, idosos e pessoas com deficiência. 
A pobreza, por sua vez, deveria seradministrada pela caridade privada e não pelo Estado.
Assim sendo, caberia a cada ser humano buscar atender as suas necessidades, e não ao Estado. Os 
casos mais graves, no entanto, ficariam resignados à intervenção da caridade privada.
Com tais colocações chegamos ao fim de nossos estudos sobre o Liberalismo. Passaremos a discutir 
sobre o Keynesianismo, que será uma forma diferenciada de compreender a política social. Antes disso, 
observemos o texto a seguir e as questões a ele atribuídas.
Exemplo de aplicação
As políticas sociais do liberalismo
André Abrantes Amaral – Fev. 2009.
Anda por aí em voga a ideia de que é preciso mais Estado para proteger os cidadãos da crise. 
Mais regulamentação da atividade laboral, mais proteção do trabalhador, maior controle das decisões 
tomadas pelos empresários, da forma como estes devem gerir a sua empresa, como os bancos devem 
conceder créditos. São inúmeros os exemplos, significativos dos ventos que correm e que tanta coragem 
têm dado à esquerda para que volte a desejar, sem receio de parecer ridícula, o fim do capitalismo.
Junte‑se, a esta euforia, a ideia alicerçada até ao fundo da nossa consciência cívica de que os liberais 
não cuidam dos mais desfavorecidos. Não se preocupam com as situações mais gritantes da miséria 
humana, acreditando que toda a vida do homem é um percurso natural na evolução da condição 
humana. Que basta o trabalho, o esforço e a fé no mercado para que tudo corra pelo melhor.
Não há, no entanto, nada mais errado. Ao contrário do que tem sido ponto assente, quanto maiores 
as dificuldades para o despedimento, e que as forças de esquerda tanto preconizam, maior a dificuldade 
na obtenção de emprego. Se tais medidas protegem quem tem trabalho, já prejudica quem não trabalha. 
Qualquer homem e qualquer mulher que fique em casa sem nada fazer e desconhece como vai pagar 
as contas no final desse mês. Da mesma forma, as licenças de maternidade/paternidade podem ter um 
efeito contrário ao pretendido. Se protegem a mãe com emprego e que tem um filho, prejudica aquela 
que, estando desempregada, engravida e dificilmente encontrará alguém disposta a contratá‑la. É, pois, 
uma medida que também pode desincentivar à constituição de família e contribui, à sua maneira, para a 
redução da natalidade. A desregulamentação é, pois e muitas vezes, a melhor forma de não discriminar 
e, não discriminando, não prejudicar os cidadãos [...]
Fonte: Amaral (2009).
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Após a leitura do texto, construa um texto argumentando em que medida o ideal liberal propõe ou 
não uma redução nas intervenções relacionadas à pobreza.
1.2.2 Keynesianismo
Para compreender o que é proposto por essa doutrina econômica, será fundamental realizar também 
uma incursão sobre o desenvolvimento econômico de um determinado momento histórico. Assim sendo, 
todas as informações aqui tratadas serão de suma importância para a compreensão do keynesianismo.
Figura 11 – Keynes
A doutrina keynesianista foi idealizada por Keynes e grande expressão do seu pensamento encontra‑se 
no livro Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, que foi publicado no ano de 1936. Antes de 
prosseguirmos na descrição das concepções de Keynes, precisamos retomar alguns acontecimentos 
desse período e que condicionaram os postulados e recomendações desse autor.
Retomemos alguns fenômenos econômicos que se desenharam em todo mundo antes de 1936, ou 
seja, antes da publicação da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Nesse momento vivenciamos 
dois grandes fenômenos que irão influenciar sobremaneira o pensamento de Keynes, sendo um deles de 
natureza política e outro de natureza econômica.
Segundo Couto (2010), no período em questão, temos a ampliação significativa de muitos movimentos 
revolucionários europeus, em decorrência das precárias condições de vida que afetam grande parcela da 
população, desde a classe trabalhadora até a população em geral. Esses movimentos foram organizados 
na verdade no fim de 1848, sendo que o mais expressivo deles seria a Comuna Francesa, com grande 
expressão a partir de 1871. Tais fenômenos de reivindicação tornam‑se ainda mais latentes no começo de 
1900 e a pressão imposta por movimentos dessa natureza promoveu uma reflexão sobre a importância 
do Estado, que será, como veremos, a pedra de toque do pensamento de Keynes.
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Tópicos de ATuAção profissionAl
Vivenciamos também nesse momento um contexto de crise econômica que se inicia em meados da 
década de 1920 e que vai ter seu grande apogeu no final da década de 1930. Grande expressão dessa 
crise econômica foi a quebra da bolsa de Nova York, no ano de 1929 (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
No contexto da crise econômica de 1929 e do crescimento das desigualdades 
e das tensões sociais inerentes ao capitalismo na sua fase monopolista, 
surgiu no âmbito mundial a proposta do Estado social, que alcança sua 
consolidação e desenvolvimento no pós‑guerra, notadamente nas décadas 
de 1950 e 1960 (COUTO, 2010, p. 64).
A crise, segundo Behring e Boschetti (2010), é uma realidade que integra o sistema capitalista, ou 
seja, as autoras nos dizem que faz parte desse sistema a ocorrência de crise. A crise é expressa por 
meio da queda da taxa de extração do lucro, pela escassez de consumo e por uma série de fenômenos. 
A crise acontece, no entanto, em momentos alternados, ou seja, o sistema capitalista não se mantém 
somente com crises, mas, sim, com períodos alternados de expansão, desenvolvimento e estagnação. 
Assim, durante a expansão temos altas taxas de lucro e elevados ganhos de produtividade, porém, nos 
momentos de crise o quadro de expansão não se mantém.
As autoras nos dizem que as crises se tornam mais constantes no capitalismo em sua fase madura 
e consolidada. O capitalismo em sua fase madura é descrito como aquele em que observamos um 
intenso processo de monopolização que é subsidiado por intervenções do Estado para fazer com que o 
capitalismo consiga produzir e alcançar as taxas de lucro. Essa fase de desenvolvimento do capitalismo 
se consolida, sobretudo, após a Segunda Grande Guerra Mundial (BEHRING; BOSCHETTI, 2010).
A crise que motivou Keynes a tecer suas considerações foi a de 1929. Para ele, em decorrência da 
crise, seria necessária a intervenção do Estado para que fosse possível reativar a produção econômica. 
Essa intervenção, conforme nos mostra Couto (2010, p. 65) deveria acontecer de uma forma planejada 
previamente e, dessa forma, apenas a produção econômica seria reativada para que “condições de 
acumulação capitalista [fossem] reestabelecidas”. Apesar de defender a liberdade individual e a 
independência da produção do mercado, Keynes, delega uma grande responsabilidade ao Estado no 
sentido de recuperar o desenvolvimento econômico.
Segundo Keynes, vivenciamos uma ineficiência por parte do mercado em escoar a produção. Assim, 
não há pagamentos em circulação e isso amplia a crise. “Nesse sentido, o Estado deve intervir, evitando 
tal insuficiência” (BEHRING; BOSCHETTI, 2010, p. 85).
Para que essa intervenção do Estado acontecesse era recomendado que o referido ente federado 
empreendesse uma regulação da política fiscal, creditícia e de gastos por meio de investimentos que 
possam atuar nos períodos de crise e também em períodos de desenvolvimento capitalista buscando, 
assim, conter o declínio da taxa de lucros.
Segundo as autoras, o Keynesianismo se assentava no princípio de que o Estado deveria gerar 
empregos e proporcionar também serviços sociais públicos por meio das políticas sociais. No caso, 
figura como recomendação keynesiana a possibilidade de se gerar o pleno emprego, ou emprego para 
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Unidade I
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todos aqueles que tivessem em condição de trabalhar. Dessa forma, com grande

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