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AJUDA CIVIL! J . A U R I M A R M O R A I S N . 2 ª E D I Ç Ã O V O L U M E 1 2 0 2 3 N A T A L V E R S Ã O D I G I T A L Direitos autorais © 2023, João Aurimar Correia de Morais Neto Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, transmitida por qualquer forma eletrônica, mecânica, fotocopiada ou gravada, sem a permissão expressa do autor. A violação dos direitos autorais de acordo com a lei nº 9.610/98 é crime. (Art. 184 do código penal) Prefácio 1 1 – Introdução 3 1.1 – Etapas do projeto estrutural 5 2 – Conhecendo os materiais 15 2.1 – Valores característicos 17 2.2 – Aço 19 2.3 – Concreto 23 3 – Estados Limites 31 3.1 – Modelo de cálculo 33 3.2 – Ações 34 3.3 – Combinação de ações 38 S U M Á R I O 3.4 – Coeficientes de ponderação 39 3.5 – Calculando as combinações 44 4 – Flexão de vigas 55 4.1 – Tipos de flexão 57 4.2 – Estádios 60 4.3 – Domínios de deformação 61 4.4 – Dimensionamento da armadura 68 4.5 – Momento resistente 75 4.6 – Armadura dupla 77 4.7 – Seção T 83 5 – Flexão de lajes 87 5.1 – Lajes maciças 89 5.2 – Lajes treliçadas 100 6 – Cisalhamento 109 6.1 – Armadura transversal de vigas 111 6.2 – Cisalhamento em lajes 120 7 – Verificações ELS 123 7.1 – Principais verificações 125 7.2 – Formação de fissuras 126 7.3 – Abertura de fissuras 129 7.4 – Deformação excessiva 137 7.5 – Vibrações excessivas 146 8 – Detalhamento 149 8.1 – Disposição das barras 151 8.2 – Armadura de pele 152 8.3 – Furos e aberturas 153 8.4 – Ancoragem 156 8.5 – Emendas de barras 160 8.6 – Decalagem 165 Anexo – A 167 Referências 173 A J U D A C I V I L @ A J U D A C I V I L Como e por que este livro foi escrito? A engenharia é uma das áreas mais fascinantes e desa- fiadoras da ciência. É a arte de aplicar a matemática, a física e outras ciências para projetar, construir e manter as estruturas e sistemas que sustentam a vida moderna. A beleza da engenharia está em como ela transforma a teoria em realidade, tornando possíveis as invenções mais incríveis e complexas. Desde arranha-céus imponentes até sistemas de comunicação sem fio, se tornando uma ciência com um impacto inegável no mundo em que vivemos. No entanto, a engenharia também é uma área desafiadora e que exige muito esforço. O processo de projetar e construir uma estrutura envolve muitos aspectos, desde a análise e o dimensionamento, até a execução e o gerenciamento de pro- jetos. Cada etapa requer um grande nível de habilidades especí- ficas e conhecimentos técnicos aprofundados, além de uma grande dose de criatividade e resolução de problemas. E aqui mora o problema que este livro se propõe a resolver: a difi- culdade em adquirir tais conhecimentos técnicos. Aprender com materiais didáticos que exigem alto conhe- cimento específico e apresentam poucas ilustrações pode ser uma tarefa bastante desafiadora. Esses materiais muitas vezes apresentam conceitos complexos e abstratos que exigem um alto grau de abstração e compreensão por parte do estudante. Além disso, muitas vezes esses materiais apresentam temas que são pouco utilizados na prática, o que pode tornar a motivação para o estudo ainda mais difícil. PREFÁCIO 1 AJUD ACIVIL! A falta de ilustrações também pode dificultar o apren- dizado, uma vez que elas ajudam a visualizar e entender melhor os conceitos apresentados. Quando os materiais didáticos são compostos principalmente por textos e fórmulas, o estudante pode ter dificuldade em entender a aplicação prática dos conceitos e se sentir desmotivado. Nesse contexto, esse livro foi escrito como uma alternativa a esses materiais didáticos, visando uma linguagem mais acessível, sintética e bastante ilustrada para proporcionar ao estudante uma aprendizagem mais fácil e dinâmica. É importante ressaltar que o intuito desse material não é atravessar você por toda a sua jornada de calculista, mas sim lhe guiar pelo início dessa aventura te fornecendo um arsenal para lidar com os principais desafios da área. Espero que este livro atenda às suas expectativas, ajude a consolidar seu conhecimento sobre o assunto abordado e con- tribua para você alcançar seus objetivos educacionais e profis- sionais. Tenha certeza de que todo o conteúdo foi elaborado com o intuito de simplificar os conceitos mais complexos e tornar o aprendizado mais fluido e prazeroso. Como escritor, sinto uma enorme satisfação ao saber que meu trabalho está sendo útil para você. Sua confiança em meu trabalho é a motivação que me impulsiona a continuar produ- zindo e melhorando a qualidade dos meus materiais didáticos. Muito obrigado pela compra deste livro. Espero que ele seja um recurso valioso em sua busca pelo conhecimento. 2 INTRODUÇÃO 1. LEONARDO DA VINCI 1.1 – ETAPAS DO PROJETO ESTRUTURAL O primeiro passo para se tornar um calculista é conhecer e dominar as todas etapas de um projeto estrutural, desde a ela- boração da proposta até a entrega do projeto. Entender esse processo, além de te preparar para o mercado, também te aju- dará a compreender a utilidade prática dos conhecimentos adquiridos. Vejamos então algumas das principais etapas do projeto de estruturas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 CHEGADA! INÍCIO 1º – ESTUDO DA ARQUITETURA A primeira etapa, o estudo da arquitetura, é a etapa que se deve tomar mais cuidado. Após receber o projeto arqui- tetônico, antes mesmo de elaborar a proposta, é preciso iden- tificar quais serão os desafios do projeto estrutural. Estruturas em balanço, paredes desalinhadas, vãos muito grandes, tipo de escada, exigências arquitetônicas, pé-direito duplo (triplo?!), pilar de 14 cm, estrutura inclinada... todos esses são fatores que irão dificultar o seu trabalho de projetista e, portanto, deverão refletir no preço final do seu projeto. Uma avaliação errada nesta etapa pode te custar mais horas de trabalho sem que você receba devidamente por isso. Dessa forma, nunca subestime essa primeira etapa. 5 2º – CONTRATO A etapa do contrato pode ser a mais difícil para alguns, já que dificilmente aprendemos esta etapa nas faculdades tradi- cionais de engenharia. Aqui é onde entra toda a sua habilidade de negociação e persuasão. É preciso mostrar para o cliente todos os benefícios que o seu projeto pode oferecer para convencê-lo do seu valor. Vale a pena caprichar na aparência da sua proposta, colocar um link com seu portfólio e, se possuir, destacar seus títulos. 6 Lembre-se, o cliente está procurando segurança. Mostrar que você é uma autoridade no assunto e que já possui exemplos de sucesso é uma boa maneira de passar essa segurança. Durante a reunião ten- te abordar os problemas que seu projeto é capaz de resol- ver. Os riscos de um projeto mal elaborado vão muito além da segurança. Descon- fortos com vibrações, fissuras e deformações, impactam no valor do imóvel e podem ge- rar prejuízos no longo prazo. 3º – MODELAGEM Agora é onde a diversão começa. Depois de já ter estu- dado a arquitetura, é hora de fazer a concepção estrutural, ou seja, definir os tipos e locais dos elementos estruturais. 7 Aqui é onde entra toda a experiência e criatividade do engenheiro. Uma concepção estrutural mal feita vai gerar pro- blemas na análise e/ou detalhamento da estrutura. Por isso, sempre que necessário, devemos voltar para esta etapa. O mais difícil desta etapa é que não existe uma concepção estrutural errada. Existem concepções melhores e piores. E devemos sempre tentar satisfazer os seguintes critérios: o Atender às exigências arquitetônicas; o Definir vínculos e apoios próximos da realidade; o Reduzir o custo de execução das estruturas; o Aproveitar de forma eficiente a capacidade dos materiais. 4º – ANÁLISE ESTRUTURAL A análise estrutural é a etapa em que são calculados os esforços e deformações nas estruturas. O cálculo em si quase sempre é feito por softwares computacionais, não tem muito para onde fugir. O seu uso, além de ser mais preciso,+ 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 + 𝛾𝛾𝑞𝑞 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 1,4 ⋅ 25 ⋅ 0,10 + 1,5 + 1,4 ⋅ 3,0 (Peso do concreto)⋅(h) Revestimento Acidental 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 9,8 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚2 93 4º – ESCOLHER TABELA Para prosseguir com o cálculo dos momentos solicitantes na laje, é preciso identificar qual tabela está relacionada com o caso da laje analisada. Para isso é preciso calcular o 𝜆𝜆 e iden- tificar seus vínculos. 𝜆𝜆 = 𝑏𝑏𝑦𝑦 𝑏𝑏𝑚𝑚 𝜆𝜆 = 5 4 𝜆𝜆 = 1,25 𝑏𝑏𝑚𝑚 = 4𝑚𝑚 L2 Entrando com a configuração de engaste único em 𝑏𝑏𝑦𝑦 , apoios simples nas demais bordas e o valor de 𝜆𝜆, é possível extrair os coeficientes da tabela. Como não é objetivo deste livro se aprofundar na análise estrutural, será destacado apenas um trecho da tabela para exemplificar o processo de cálculo. 𝜇𝜇𝑚𝑚 4,38 λ 1,20 4,551,25 4,711,30 4,861,35 𝜇𝜇𝑚𝑚′ 9,80 10,06 10,32 10,54 𝜇𝜇𝑦𝑦 2,59 2,51 2,42 2,34 𝑦𝑦 𝑒𝑒 Valores extraídos de BARES e adaptados por PINHEIRO (1994). 94 5º – CALCULAR OS MOMENTOS Podemos agora extrair os coeficientes da tabela anterior e calcular os momentos solicitantes a partir da seguinte equação: 𝑦𝑦𝑒𝑒 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑦𝑦 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 ′ 𝑀𝑀 = 𝜇𝜇 ⋅ 𝐹𝐹𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑚𝑚2 100 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 = 𝜇𝜇𝑚𝑚 ⋅ 𝐹𝐹𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑚𝑚2 100 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 ′ = 𝜇𝜇𝑚𝑚′ ⋅ 𝐹𝐹𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑚𝑚2 100 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 = 4,55 ⋅ 9,8 ⋅ 42 100 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 = 7,13 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 𝑚𝑚 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 ′ = 10,06 ⋅ 9,8 ⋅ 42 100 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 ′ = 15,77 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 𝑚𝑚 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑦𝑦 = 𝜇𝜇𝑚𝑚 ⋅ 𝐹𝐹𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑚𝑚2 100 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑦𝑦 = 2,51 ⋅ 9,8 ⋅ 42 100 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑦𝑦 = 3,94 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 𝑚𝑚 95 5.1.5 – DIMENSIONAMENTO O dimensionamento de lajes maciças é semelhante ao de vigas retangulares, porém é dimensionado a faixa de 1 metro de largura no centro da laje (𝑏𝑏𝑤𝑤 = 100 𝑐𝑐𝑚𝑚) e a armadura é informa- da em [𝑐𝑐𝑚𝑚2/𝑚𝑚]. 1º – ALTURA ÚTIL Devido a presença de armadura nos dois sentidos, por questão de segurança, é preciso sempre considerar que a altura útil de lajes (𝑑𝑑) é a distância da borda comprimida até a armadu- ra longitudinal mais próxima, conforme ilustrado abaixo. 𝑑𝑑 = ℎ − 𝑐𝑐 − 1,5 ⋅ ∅𝑞𝑞 → 𝑑𝑑 = 10 − 2,5 − 1,5 ⋅ 1,0 → 𝑑𝑑 = 6 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑑𝑑 𝑐𝑐 ℎ∅𝑞𝑞 Adotando uma Classe de Agressividade Ambiental (CAA) II (𝑐𝑐 = 25 𝑚𝑚𝑚𝑚) e ∅𝑞𝑞 = 10 𝑚𝑚𝑚𝑚, temos: 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 434,8 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 2º - RESISTÊNCIAS DE PROJETO 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑐𝑐 → 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 1,4 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 17,9 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 Resistência do concreto 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑠𝑠 → 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 1,15 Resistência do aço Considerando barras de CA-50 e um 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎, o pró- ximo passo é calcular as resistências de projeto: 96 3º – LINHA NEUTRA A equação utilizada para calcular a linha neutra é a mesma da já apresentada para o dimensionamento de vigas: 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 1 − 1 − 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 0,425 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑑𝑑2 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑒𝑒𝑚𝑚 = 1,25 ⋅ 6 ⋅ 1 − 1 − 713 0,425 ⋅ 100 ⋅ 62 ⋅ 1,79 𝑒𝑒𝑚𝑚 = 1,0 𝑐𝑐𝑚𝑚 Para o momento 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑒𝑒𝑚𝑚′ = 1,25 ⋅ 6 ⋅ 1 − 1 − 1577 0,425 ⋅ 100 ⋅ 62 ⋅ 1,79 𝑒𝑒𝑚𝑚′ = 2,6 𝑐𝑐𝑚𝑚 Para o momento 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 ′ 𝑒𝑒𝑦𝑦 = 1,25 ⋅ 6 ⋅ 1 − 1 − 394 0,425 ⋅ 100 ⋅ 62 ⋅ 1,79 𝑒𝑒𝑦𝑦 = 0,6 𝑐𝑐𝑚𝑚 Para o momento 𝑀𝑀𝑦𝑦 97 4º – ÁREA DE AÇO Com os valores da profundidade da linha neutra podemos prosseguir calculando a área de aço necessária. 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 𝑀𝑀𝑐𝑐 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 Para o momento 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑚𝑚 = 713 6 − 0,4 ⋅ 1 ⋅ 43,48 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑚𝑚 = 2,93 𝑐𝑐𝑚𝑚2/𝑚𝑚 Para o momento 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑚𝑚 ′ 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑚𝑚′ = 1577 6 − 0,4 ⋅ 1 ⋅ 43,48 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑚𝑚′ = 6,48 𝑐𝑐𝑚𝑚2/𝑚𝑚 Para o momento 𝑀𝑀𝑐𝑐𝑦𝑦 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑦𝑦 = 394 6 − 0,4 ⋅ 1 ⋅ 43,48 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑦𝑦 = 1,57 𝑐𝑐𝑚𝑚2/𝑚𝑚 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 𝜌𝜌𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 ⋅ ℎ ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 Armadura mínima 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 = 0,04 ⋅ ℎ ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 Armadura máxima 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 0,0015 ⋅ 10 ⋅ 100 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 = 0,04 ⋅ 10 ⋅ 100 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 1,5 𝑐𝑐𝑚𝑚2 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚2 98 5º – ADOÇÃO DA ARMADURA O último passo é a adoção da armadura, que considera tanto os diâmetros das barras como também o seu espaçamento. Os valores para a área de aço de armaduras distribuídas pode ser encontrado na tabela abaixo. 5,0 2,677,5 6,3 4,20 8,0 6,67 10,0 10,7 12,5 16,7 16,0 26,7 2,0010,0 3,15 5,00 8,00 12,5 20,0 1,6012,5 2,52 4,00 6,40 10,0 16,0 1,3315,0 2,10 3,33 5,33 8,33 13,3 1,1417,5 1,80 2,86 4,57 7,14 11,4 1,0020,0 1,58 2,50 4,00 6,25 10,0 0,8025,0 1,26 2,00 3,20 5,00 8,00 0,6730,0 1,05 1,67 2,67 4,17 6,67 ∅ (mm) OBS: 𝑆𝑆 → espaçamento; ∅ → diâmetro; ∅𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 = ℎ/8. Área de aço (cm2/m). 𝑆𝑆 (cm) 99 Podemos então adotar as seguintes armaduras: 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑚𝑚 → ∅ 10 𝑐𝑐/ 25 = 3,2𝑐𝑐𝑚𝑚2 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑚𝑚′ → ∅ 10 𝑐𝑐/ 10 = 8,00𝑐𝑐𝑚𝑚2 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑦𝑦 → ∅ 6,3 𝑐𝑐/ 20 = 1,58 𝑐𝑐𝑚𝑚2 5.2 – LAJES TRELIÇADAS Lajes treliçadas são estruturas geralmente utilizadas em obras de pequeno porte. São compostas por vigotas treliçadas de concreto armado que são preenchidas com blocos de EPS (poliestireno expandido) ou cerâmicos, formando uma laje com grande capacidade de resistência e menor peso próprio. Vigota Enchimento Concreto 5.2.1 - NOMENCLATURA As vigotas treliçadas seguem um padrão de especificação que descreve as suas características geométricas. Essa especificação a- juda os fabricantes a identificarem rapidamente que tipo de treliça eles devem fabricar. 100 O primeiro elemento da especi- ficação da vigota é o prefixo TR que ajuda a indicar que os números a seguir seguem o padrão especificado pela ABNT. Isso ajuda a evitar confusões com a especificações próprias de alguns fa- bricantes. O próximo termo é referente a sua altura. As alturas padrões são de: 8, 12, 16, 20, 25 e 30 cm. Outras alturas podem ser adotadas desde que respei- tado o mínimo de 8 cm. ℎ 1º - PREFIXO “TR” 2º - ALTURA DA VIGOTA Em seguida é informa- do o diâmetro das barras em milímetros do banzo superi- or, diagonal e banzo inferior, respectivamente. 3º - DIÂMETROS ∅superior ∅diagonal ∅inferior 4º - TIPOS DE AÇO A última informação da especificação da treliça é o tipo de aço. Caso alguma das barras seja de CA-50 é necessário adicio- nar um “A” ao lado do diâmetro, caso seja de CA-60 não é neces- sário informar nada. 101 EXEMPLO 8 mm (CA-50) 20 cm TR-2010A58A: 5.2.2 – ANÁLISE ESTRUTURAL Na análise estrutural de lajes treliçadas é comum consi- derarmos que cada vigota trabalha de forma independente, com uma determinada área de influência de cargas. Isso quer dizer que o peso aplicado em uma dessas áreas vai ser resistido exclusivamente pela vigota responsável por essa região. É preciso prestar atenção para cargas que se concentram em uma única área de influência, como é o caso de alvenarias. Nessas situações, uma das vigotas recebe muito mais carga que as demais, sendo necessário dimensionar separadamente esta vigota específica. 102 5.2.3 – EXEMPLO: ANÁLISE ESTRUTURAL Acompanhe a seguir um exemplo de análise estrutural: 1º – DADOS Cargas - Peso do concreto: 𝛾𝛾𝑐𝑐𝑜𝑜𝑖𝑖𝑐𝑐 = 25 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚3 - Peso enchimento (EPS) 𝛾𝛾𝑟𝑟𝑖𝑖𝑐𝑐𝑒 = 0,2 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚3 - Revestimento 𝑘𝑘𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟 = 1,5 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚2 - Acidental 𝑞𝑞𝑎𝑎𝑐𝑐𝑖𝑖𝑐𝑐 = 3,0 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚2 2º – PRÉ-DIMENSIONAMENTO Para prosseguir com a análise estrutural é necessário co- nhecer os valores geométricos da vigota. Para lajes treliçadas é comum a adoção de uma altura total (ℎ) na ordem de 5% do vão e espessuras da mesa (ℎ𝑖𝑖) entre 4 cm a 7 cm. Contudo, antes de definir os valores é sempre importante verificar a disponibilidade dos materiais a serem utilizados. Os materiais de enchimento costumam ser negociados com alturas (ℎ𝑟𝑟) de 8, 10, 12, 16, 20, 25, 30 e 35 cm. Para o nosso exemplo adotaremos a geometria a seguir: 103 Admitindo umvão de 4 metros, podemos adotar a se- guinte geometria: 104 Dados da vigota: 𝑏𝑏 = 10 𝑐𝑐𝑚𝑚 Dados do enchimento: 𝑏𝑏 = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 ℎ𝑟𝑟 = 16 𝑐𝑐𝑚𝑚 Dados da laje: ℎ = 0,05 ⋅ 𝐿𝐿 → ℎ = 0,05 ⋅ 400 → ℎ = 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 ℎ𝑖𝑖 = ℎ − ℎ𝑟𝑟 → ℎ𝑖𝑖 = 20 − 16 → ℎ𝑖𝑖 = 4 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑑𝑑 = 𝑏𝑏 + 𝑏𝑏 → 𝑑𝑑 = 10 + 40 → 𝑑𝑑 = 50 𝑐𝑐𝑚𝑚 105 3º – CALCULAR AS AÇÕES As cargas que estão atuando na laje treliçada são dis- tribuídas dentro da sua faixa de influência, com a largura da distância de intereixos (𝑑𝑑). 𝑑𝑑 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 = 𝑏𝑏 ⋅ ℎ𝑟𝑟 + 𝑑𝑑 ⋅ ℎ𝑖𝑖 ⋅ 𝛾𝛾𝑐𝑐𝑜𝑜𝑖𝑖𝑐𝑐 + 𝑏𝑏 ⋅ ℎ𝑟𝑟 ⋅ 𝛾𝛾𝑟𝑟𝑖𝑖𝑐𝑐𝑒 Peso próprio da laje 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 = 0,10 ⋅ 0,16 + 0,50 ⋅ 0,04 ⋅ 25 + 0,40 ⋅ 0,16 ⋅ 0,2 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 = 0,91 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 = 𝑘𝑘𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟 ⋅ 𝑑𝑑 Peso do revestimento 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 = 1,5 ⋅ 0,5 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 = 0,75 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 = 𝑞𝑞𝑎𝑎𝑐𝑐𝑖𝑖𝑐𝑐 ⋅ 𝑑𝑑 Carga acidental 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 = 3,0 ⋅ 0,5 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 = 1,50 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 106 4º – COMBINAÇÃO DE AÇÕES Realizando a combinação de ações normal do estado limite último, temos que: 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 𝛾𝛾𝑔𝑔 ⋅ 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 + 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 + 𝛾𝛾𝑞𝑞 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 1,4 ⋅ 0,75 + 0,91 + 1,4 ⋅ 1,50 Revestimento Peso próprio Acidental 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 4,42 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 5º – MOMENTO SOLICITANTE Admitindo que a vigota esteja com a configuração bi- apoiada, podemos calcular o momento solicitante de projeto pela seguinte expressão: 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 𝐹𝐹𝑐𝑐 ⋅ 𝐿𝐿2 8 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 4,42 ⋅ 42 8 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 8,84 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 107 5.2.4 – EXEMPLO: DIMENSIONAMENTO O dimensionamento de lajes treliçadas é análogo ao de vigas com seção T e também é utilizado para lajes nervuradas. Contudo, devido às baixas solicitações da vigota treliçada em comparação com a viga, raramente a linha neutra (𝑒𝑒) ultrapassa a espessura da mesa (ℎ𝑖𝑖), fazendo com que o dimensionamento seja, na verdade, semelhante ao de vigas retangulares. Utilizando os dados obtidos no exemplo de análise estru- tural, vamos agora realizar o dimensionamento da laje treliçada. 1º – ALTURA ÚTIL Admitindo uma Classe de Agressividade Ambiental (CAA) II e barras com diâmetro (∅𝑞𝑞) de 10 mm, temos: 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 434,8 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 2º - RESISTÊNCIAS DE PROJETO 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑐𝑐 → 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 1,4 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 17,9 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 Resistência do concreto 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑠𝑠 → 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 1,15 Resistência do aço Considerando barras de CA-50 e um 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎: 𝑑𝑑 = ℎ − 𝑐𝑐 − ∅𝑞𝑞 2 → 𝑑𝑑 = 20 − 2,5 − 1,0 2 𝑑𝑑 = 16 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑑𝑑 108 3º – LINHA NEUTRA 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 1 − 1 − 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 0,425 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 𝑑𝑑2 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 16 ⋅ 1 − 1 − 884 0,425 ⋅ 50 ⋅ 162 ⋅ 1,79 𝑒𝑒 = 0,9 𝑐𝑐𝑚𝑚 4º – CÁLCULO DA ARMADURA 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 → 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 884 16 − 0,4 ⋅ 0,9 ⋅ 43,48 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 1,30 𝑐𝑐𝑚𝑚2 → 3 ∅ 8 𝑚𝑚𝑚𝑚 = 1,50 𝑐𝑐𝑚𝑚2 Apesar da vigota treliçada geralmente ser composta por apenas duas barras longitudinais na parte inferior, também é possível a fabricação de barras adicionais junto a treliça, per- mitindo a confecção de vigotas com 3 e 4 barras. CISALHAMENTO 6. YUVAL HARARI 6.1 – ARMADURA TRANSVERSAL DE VIGAS Para o calculo da armadura transversal de vigas utilizamos a analogia de treliça proposta por Mörsch. Nela, as barras com- primidas representam os esforços nas bielas de concreto; o ban- zo inferior (tracionado) representa as barras longitudinais princi- pais; e os esforços das barras verticais são as solicitações que utilizaremos para dimensionar nossos estribos. Compressão Tração 6.1.1 – MODELO DE CÁLCULO I O dimensionamento da armadura transversal de vigas é composto por duas parcelas que resistem ao cisalhamento, a do estribo (𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤) e a de mecanismos complementares ao modelo de treliça, o qual também pode ser atribuído ao concreto (𝑉𝑉𝑐𝑐). No modelo de cálculo I é admitido que a contribuição da resistência do concreto ao esforço cortante é constante e a inclinação das diagonais comprimidas é de 45°. As considerações do modelo de cálculo I facilitam o cálculo ma- nual e, no geral, produzem resul- tados conservadores, a favor da se- gurança. Acompanhe a seguir o exemplo de dimensionamento. 45° 45° 111 1º – DADOS Para iniciarmos o dimensionamento da armadura trans- versal da viga, definimos os dados de resistência dos materiais, geometria da viga e solicitações: Dados • 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑑𝑑 = 35 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐 = 600 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 = 85 kN • 𝛼𝛼 = 90° (inclinação estribos) 𝑏𝑏𝑤𝑤 ℎ 𝑑𝑑 2º – RESISTÊNCIAS DE PROJETO 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐 = 521,7 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑐𝑐 → 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 1,4 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 17,9 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 Resistência do concreto 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑠𝑠 → 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐 = 600 1,15 Resistência do aço (CA-60) 3º – VERIFICAÇÃO DIAGONAL COMPRIMIDA Antes de prosseguirmos para o cálculo das parcelas resis- tentes dos estribos e do concreto, é preciso garantir que o con- creto das diagonais comprimidas não vai romper. Para isso, cal- culamos a sua resistência pelas seguintes equações: 112 𝛼𝛼𝑟𝑟2 = 1 − 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 250 ; 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 Coeficiente 𝛼𝛼𝑟𝑟2: 𝛼𝛼𝑟𝑟2 = 1 − 25 250 𝛼𝛼𝑟𝑟2 = 0,9 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2,𝐼𝐼 = 0,27 ⋅ 𝛼𝛼𝑟𝑟2 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑑𝑑 Resistência da diagonal comp.: 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2,𝐼𝐼 = 0,27 ⋅ 0,9 ⋅ 1,79 ⋅ 20 ⋅ 35 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2,𝐼𝐼 = 304 𝑘𝑘𝑘𝑘 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2,𝐼𝐼: Resistência da diagonal comprimida pelo modelo I. 4º – PARCELA RESISTENTE DO CONCRETO Para calcularmos a parcela resistente do concreto ao cisa- lhamento em estruturas submetidas à flexão simples é preciso conhecer a sua resistência de projeto à tração (𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐), para isso, temos: 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 0,21 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 2/3 1,4 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 0,21 ⋅ 252/3 1,4 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 1,28 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎→ → Prosseguindo, agora podemos calcular a parcela de esfor- ço cortante resistida pelo concreto (𝑉𝑉𝑐𝑐): Como 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2,𝐼𝐼 ≥ 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 a diagonal comprimida não irá romper. ≥ 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 = 85 𝑘𝑘𝑘𝑘 𝑉𝑉𝑐𝑐 = 0,6 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑑𝑑 𝑉𝑉𝑐𝑐 = 0,6 ⋅ 0,128 ⋅ 20 ⋅ 35 𝑉𝑉𝑐𝑐 = 53,8 𝑘𝑘𝑘𝑘 113 5º – PARCELA RESISTENTE DO ESTRIBO Como já sabemos o quanto a viga consegue resistir ao cisalhamento sem o auxílio do estribo (𝑉𝑉𝑐𝑐), devemos dimensio- nar a armadura transversal para suportar a diferença entre o que esta sendo solicitado na estrutura (𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐) e o que ela já consegue suportar (𝑉𝑉𝑐𝑐). Logo, a parcela resistente do estribo (𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤) vale: 𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤 ≥ 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 − 𝑉𝑉𝑐𝑐 → 𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤 ≥ 85,0− 53,8 → 𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤 ≥ 31,2 𝑘𝑘𝑘𝑘 6º – ADOTAR O ESTRIBO No dimensionamento dos estribos temos duas variáveis principais que influenciam na sua resistência: a área de aço; e o espaçamento. Dessa forma, o cálculo prossegue com a adoção de uma dessas variáveis para a determinação da outra. Para o nosso exemplo vamos partir da adoção da área de aço. Vale ressaltar que a área da seção transver- sal da barra nesses casos é multiplicada pelo número de ramos (𝑔𝑔) do estribo. 𝑔𝑔 = 2 𝑔𝑔 = 4 Adotando um diâmetro de 5 mm (∅𝑠𝑠𝑤𝑤) com 2 ramos (𝑔𝑔): 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑤𝑤 = 𝑔𝑔 ⋅ 𝜋𝜋 ⋅ ∅𝑠𝑠𝑤𝑤2 4 → 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑤𝑤 = 2 ⋅ 𝜋𝜋 ⋅ 0,52 4 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑤𝑤 = 0,39 𝑐𝑐𝑚𝑚2 114 7º – CALCULAR O ESPAÇAMENTO Para calcular o espaçamento necessário (𝑆𝑆) entre os estri- bos utilizamos a expressão dada abaixo. Contudo, é importante atentar que a tensão de projeto do escoamento dos estribos (𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐) deve ser limitada ao máximo de 435 MPa. 𝑆𝑆 = 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑤𝑤 𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤 ⋅ 0,9 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑒𝑒𝑔𝑔 𝛼𝛼 + cos 𝛼𝛼 𝑆𝑆 = 0,39 31,2 ⋅ 0,9 ⋅ 35 ⋅ 43,5 ⋅ 𝑏𝑏𝑒𝑒𝑔𝑔 90°+ cos 90° 𝑆𝑆 = 17 𝑐𝑐𝑚𝑚 Para facilitar a execução é comum adotarmos valores múltiplos de 5 cm. Logo, a armadura final fica: ∅ 5 𝑚𝑚𝑚𝑚 𝑐𝑐/ 15 𝑐𝑐𝑚𝑚 15 𝑐𝑐𝑚𝑚 8º – ARMADURA MÍNIMA Por último, é necessário verificar se a armadura adotada atende à mínima exigida por norma. Para isso, calculamos então o espaçamento máximo permitido, o qual pode ser encontrado pela equação abaixo com os valores de tensão em [MPa]. 𝑆𝑆𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 = 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐 0,06 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 2/3 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 → 𝑆𝑆𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 = 0,39 ⋅ 600 0,06 ⋅ 252/3 ⋅ 20 𝑆𝑆𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 = 22 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝛼𝛼 115 6.1.2 – MODELO DE CÁLCULO II No modelo de cálculo II a contribuição da resistência do concreto ao esforço cortante reduz com o aumento do nível de solicitação (𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐) da viga. Além disso, a inclinação das diagonais comprimidas variam de 30° a 45°. 𝜃𝜃 𝜃𝜃 30° ≤ 𝜃𝜃 ≤ 45° Para demonstrar as dife- renças entre os dois métodos de cálculo, é apresentado a seguir a resolução do exemplo anterior pelo modelo de cálculo II. 1º – DADOS Dados • 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑑𝑑 = 35 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐 = 600 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 = 85 kN • 𝛼𝛼 = 90° (estribo reto) 𝑏𝑏𝑤𝑤 ℎ 𝑑𝑑 2º – RESISTÊNCIAS DE PROJETO 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐 = 521,7 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 17,9 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 116 3º – VERIFICAÇÃO DIAGONAL COMPRIMIDA Para verificar a diagonal comprimida da viga é arbitrado livremente um valor para a inclinação 𝜃𝜃 da biela entre os ângulos de 30° a 45°. Assumindo que 𝜃𝜃 = 30°, temos: 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2,𝐼𝐼𝐼𝐼 = 0,54 ⋅ 𝛼𝛼𝑟𝑟2 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 𝑏𝑏𝑒𝑒𝑔𝑔2 𝜃𝜃 ⋅ cot 𝛼𝛼 + cot 𝜃𝜃 𝛼𝛼𝑟𝑟2 = 1 − 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 250 → 𝛼𝛼𝑟𝑟2 = 1 − 25 250 → 𝛼𝛼𝑟𝑟2 = 0,9 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2,𝐼𝐼𝐼𝐼 = 0,54 ⋅ 0,9 ⋅ 1,79 ⋅ 20 ⋅ 35 ⋅ 𝑏𝑏𝑒𝑒𝑔𝑔2 30 ⋅ 𝑐𝑐𝑏𝑏𝑏𝑏 90 𝑏𝑏𝑒𝑒𝑔𝑔 90 + cot 30 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2,𝐼𝐼𝐼𝐼 = 264 𝑘𝑘𝑘𝑘 ≥ 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 = 85 𝑘𝑘𝑘𝑘 → 𝑂𝑂𝑂𝑂! 4º – PARCELA RESISTENTE DO CONCRETO No cálculo da parcela resistente do concreto ao cisalha- mento pelo modelo de cálculo II (𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼𝐼𝐼), primeiro calculamos o valor pelo modelo I (𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼): 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 0,21 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 2/3 1,4 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 0,21 ⋅ 252/3 1,4 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 1,28 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎→ 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼 = 0,6 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑑𝑑 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼 = 0,6 ⋅ 0,128 ⋅ 20 ⋅ 35 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼 = 53,8 𝑘𝑘𝑘𝑘 → 117 → Em seguida, realizamos uma interpolação com base no valor de 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐, conforme mostrado no gráfico abaixo: 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2,𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼𝐼𝐼 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼 0 ≤ 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼𝐼𝐼 ≤ 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼 Realizando a interpolação no nosso exemplo, temos que: 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼𝐼𝐼 = 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼 ⋅ 1 − 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 − 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2,𝐼𝐼𝐼𝐼 − 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼 → 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼𝐼𝐼 = 53,8 ⋅ 1 − 85 − 53,8 264 − 53,8 𝑉𝑉𝑐𝑐,𝐼𝐼𝐼𝐼 = 45,8 𝑘𝑘𝑘𝑘 5º – PARCELA RESISTENTE DO ESTRIBO 𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤 ≥ 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 − 𝑉𝑉𝑐𝑐 → 𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤 ≥ 85,0− 45,8 → 𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤 ≥ 39,2 𝑘𝑘𝑘𝑘 Observe que a parcela do esforço que o estribo deve resis- tir aumentou se comparada à do exemplo anterior (31,2 kN). 118 6º – ADOTAR O ESTRIBO Para melhor comparar o atual exemplo com o anterior, será adotada a mesma área de aço já exemplificada. 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑤𝑤 = 𝑔𝑔 ⋅ 𝜋𝜋 ⋅ ∅𝑠𝑠𝑤𝑤2 4 → 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑤𝑤 = 0,39 𝑐𝑐𝑚𝑚2 7º – CALCULAR O ESPAÇAMENTO A equação para o cálculo do espaçamento pelo modelo de cálculo II é levemente diferente da anterior, sendo dada por: 𝑆𝑆 = 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑤𝑤 𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤 ⋅ 0,9 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑤𝑤𝑐𝑐 ⋅ 𝑐𝑐𝑏𝑏𝑏𝑏 𝛼𝛼 + 𝑐𝑐𝑏𝑏𝑏𝑏 𝜃𝜃 ⋅ 𝑏𝑏𝑒𝑒𝑔𝑔 𝛼𝛼 𝑆𝑆 = 0,39 39,2 ⋅ 0,9 ⋅ 35 ⋅ 43,5 ⋅ 𝑐𝑐𝑏𝑏𝑏𝑏 90 + 𝑐𝑐𝑏𝑏𝑏𝑏 30 ⋅ 𝑏𝑏𝑒𝑒𝑔𝑔 90 𝑆𝑆 = 23 𝑐𝑐𝑚𝑚 Repare que mesmo apre- sentando uma parcela de carga maior para o estribo (𝑉𝑉𝑠𝑠𝑤𝑤 ), o modelo de cálculo II oferece um espaçamento maior do que o modelo de cálculo I. Como es- paçamentos menores produzem uma maior quantidade de arma- dura, é possível concluir que o modelo de cálculo I é mais con- servador. ≤ 23 𝑐𝑐𝑚𝑚 119 6.2 – CISALHAMENTO EM LAJES Lajes são elementos que, de forma geral, não apresentam armadura transversal. Dessa forma, no dimensionamento de lajes apenas verificamos a sua capacidade resistiva aos esforços cortantes. Caso essa capacidade não seja atendida, o mais comum é au- mentar a espessura da laje. Mas existem estribos para lajes? Sim, os mais comuns são os utilizados para resistir aos esforços de punção, os quais se assemelham a ilustração ao lado. Contudo, sua utilização se limita aos casos em que a laje é apoiada no pilar e não são comuns em obras de pequeno e médio porte. Para exemplificar a verificação da resistência ao esforço cortante de lajes, vamos realizar a esse cálculo no exemplo de laje maciça resolvido no item 5.1.5. 1º – DADOS 𝑑𝑑 ℎ𝐴𝐴𝑠𝑠 Dados • 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 100 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ = 10 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑑𝑑 = 6 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 3,2 𝑐𝑐𝑚𝑚2 • 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 = 18 kN A determinação do esforço cortante solicitante da laje (𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐) foi feita por tabelas de forma análoga à já exemplificada durante a análise estrutural dos momentos fletores. 120 2º – RESISTÊNCIA À TRAÇÃO DO CONCRETO 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐,𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 = 0,21 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 2/3 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐,𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 = 1,80 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 Resistência característica Resistência de projeto 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐,𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 = 0,21 ⋅ 252/3 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐,𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖/𝛾𝛾𝑐𝑐 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 1,29 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 1,80/1,4 3º – TAXA DE ARMADURA A taxa de armadura da laje é dada pela seguinte equação: 𝜌𝜌1 = 𝐴𝐴𝑠𝑠 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑑𝑑 ≤ 2% 𝜌𝜌1 = 3,2 100 ⋅ 6 𝜌𝜌1 = 0,53% 4º – FATOR K Para o cálculo do fator K utilizamos a equação abaixo com o valor da altura útil (𝑑𝑑) em metros. Apenas nos casos em que 50% ou mais da armadura inferior não chegam nos apoios temos 𝑂𝑂 = 1. Admitindo que este não seja o caso: 𝑂𝑂 = 1,6 − 𝑑𝑑 → 𝑂𝑂 = 1,6 − 0,06 → 𝑂𝑂 = 1,54 Antes de prosseguirmos com o cálculo da capacidade re- sistiva de lajes ao cisalhamento é preciso conhecer a resistência à tração de projeto do concreto, a qual é dada por: 121 5º – RESISTÊNCIA DA LAJE AO CISALHAMENTO Agora podemos substituir os valores encontrados na fór- mula do cálculo da capacidade resistiva ao cisalhamento de lajes: 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐1 = 0,25 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑂𝑂 ⋅ 1,2 + 40 ⋅ 𝜌𝜌1 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑑𝑑 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐1 = 0,25 ⋅ 0,129 ⋅ 1,54 ⋅ 1,2 + 40 ⋅ 0,0053 ⋅ 100 ⋅ 6 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐1 = 42 𝑘𝑘𝑘𝑘 ≥ 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 = 18 𝑘𝑘𝑘𝑘 → 𝑂𝑂𝑂𝑂! 6º – DIAGONAL COMPRIMIDA Por fim, ainda é necessário verificar a ruptura da diagonal comprimida da laje. Para isso, comparamos o esforço cortante solicitante (𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐) com a resistência 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2, que é dada por: 𝛼𝛼𝑟𝑟1 = 0,7 − 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 200 ; 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑒𝑒𝑚𝑚 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2 = 0,5 ⋅ 𝛼𝛼𝑟𝑟1 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 0,9 ⋅ 𝑑𝑑 ; 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑐𝑐 𝛼𝛼𝑟𝑟1 = 0,7 − 25 200 → 𝛼𝛼𝑟𝑟1 = 0,575 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2 = 0,5 ⋅ 0,575 ⋅ 2,5 1,4 ⋅ 100 ⋅ 0,9 ⋅ 6 𝑉𝑉𝑅𝑅𝑐𝑐2 = 277 𝑘𝑘𝑘𝑘 ≥ 𝑉𝑉𝐸𝐸𝑐𝑐 = 18 𝑘𝑘𝑘𝑘 → 𝑂𝑂𝑂𝑂! 122 VERIFICAÇÕES 7. ELS MARIE CURIE 7.1 – PRINCPAIS VERIFICAÇÕES No Estado Limite de Serviço (ELS) são definidos critérios que visam a durabilidade, aparência e conforto da estrutura. Para garantir tais critérios é necessário que a viga consiga tra- balhar sem apresentar elevados níveis de fissuração, deformação e vibração. Dessa forma, são definidos os seguintes estados limi- tes a serem atendidos: FORMAÇÃO DE FISSURAS Define o estado em que se iniciam as fissuras. Utilizado para definir se uma estrutura está ou não no estádio 1. Define estados para diferentes níveis de abertura de fissuras. É essencial para garantir uma boa durabilidade e aparência das estruturas. ABERTURA DE FISSURAS DEFORMAÇÃO EXCESSIVA Define o estado emque as deformações na estrutura podem causar patologias na obra e desconfortos visuais nos usuários. 125 Define o estado em que as vibrações na estrutura causam riscos à sua estabilidade ou desconfortos aos usuários. VIBRAÇÕES EXCESSIVAS 𝐿𝐿 126 7.2 – FORMAÇÃO DE FISSURAS O estado limite de formação de fissuras (ELS-F) é calculado a partir da combinação de ações frequente e define um valor de momento a partir do qual espera-se que ocorra a fissuração em uma estrutura de concreto armado. Essa verificação é especialmente importante para marcar o regime em que a estrutura está trabalhando. Caso o momento solicitante (𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐) seja menor que o momento de fissuração (𝑀𝑀𝑟𝑟), é possível afirmar que a estrutura se encontra no Estádio 1, caso contrário, se encontra no estádio 2 ou 3. Para demonstrar a análise deste estado limite vamos resolver o seguinte exemplo: 1º – DADOS Geometria e materiais • 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑑𝑑 = 35 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝐿𝐿 = 5 𝑚𝑚 • 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 6,0 𝑐𝑐𝑚𝑚2 → 3 ∅ 16 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 (CA-50) Cargas • Peso próprio: 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 = 7,0 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 • Revestimento 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 = 3,0 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 • Acidental 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 = 6,0 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 𝑏𝑏𝑤𝑤 ℎ𝑑𝑑 127 2º – COMBINAÇÃO DE AÇÕES Considerando as cargas definidas para o exemplo e admi- tindo que a edificação se trata de uma obra residencial sem elevadas concentrações de pessoas, a combinação frequente de ações é dada por: 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 = 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 + 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 + 𝜓𝜓1 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 = 7,0 + 3,0 + 0,4 ⋅ 6,0 Peso próprio Revestimento Acidental 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 = 12,4 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 3º – MOMENTO SOLICITANTE Admitindo que a viga se encontre biapoiada, podemos en- contrar o momento solicitante máximo pela expressão: 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 = 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 ⋅ 𝐿𝐿2 8 → 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 = 12,4 ⋅ 52 8 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 = 38,8 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 4º – RESISTÊNCIA À TRAÇÃO DO CONCRETO Devemos agora encontrar a resistência média à tração do concreto (𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐), definida por: 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 0,3 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 2/3 → 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 0,3 ⋅ 252/3 → 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 2,56 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 128 5º – INÉRCIA BRUTA DA SEÇÃO O próximo passo é calcular a inércia bruta da seção de concreto (𝐼𝐼𝑐𝑐). Para isso, utilizamos a seguinte equação: 𝐼𝐼𝑐𝑐 = 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ ℎ3 12 → 𝐼𝐼𝑐𝑐 = 20 ⋅ 403 12 𝐼𝐼𝑐𝑐 = 106.666 𝑐𝑐𝑚𝑚4 6º – DISTÂNCIA DO CG Prosseguindo, devemos calcular agora a distância do centro geométrico da seção até a fibra mais tracionada (𝑌𝑌𝑐𝑐). 20 40 𝐶𝐶𝐺𝐺 𝑌𝑌𝑐𝑐𝑌𝑌𝑐𝑐 = ℎ 2 → 𝑌𝑌𝑐𝑐 = 40 2 → 𝑌𝑌𝑐𝑐 = 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 ℎ 7º – PARÂMETRO α O parâmetro 𝛼𝛼 é um coeficiente que correlaciona as ten- sões de tração obtidas nos ensaios de tração direta e a tensão de tração observada durante a flexão, seu valor é definido de acordo com a seção da estrutura: 𝛼𝛼 = � 1,2: 𝑏𝑏𝑒𝑒𝑠𝑠𝑏𝑏 𝑇𝑇 𝑏𝑏𝑜𝑜 𝑑𝑑𝑜𝑜𝑑𝑑𝑏𝑏𝑏𝑏 𝑇𝑇 1,3: 𝑏𝑏𝑒𝑒𝑠𝑠𝑏𝑏 𝐼𝐼 𝑏𝑏𝑜𝑜 𝑇𝑇 𝑑𝑑𝑔𝑔𝑖𝑖𝑒𝑒𝑔𝑔𝑏𝑏𝑑𝑑𝑑𝑑𝑏𝑏 1,5: 𝑏𝑏𝑒𝑒𝑠𝑠𝑏𝑏 𝑔𝑔𝑒𝑒𝑏𝑏𝑎𝑎𝑔𝑔𝑘𝑘𝑜𝑜𝑏𝑏𝑎𝑎𝑔𝑔 → 𝛼𝛼 = 1,5 129 8º – MOMENTO DE FISSURAÇÃO Por fim, com todos os valores em mãos, podemos pros- seguir calculando o momento de fissuração, dado por: 𝑀𝑀𝑟𝑟 = 𝛼𝛼 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝐼𝐼𝑐𝑐 𝑌𝑌𝑐𝑐 𝑀𝑀𝑟𝑟 = 1,5 ⋅ 0,256 ⋅ 106666 20 𝑀𝑀𝑟𝑟 = 2048 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑀𝑀𝑟𝑟 = 20,5 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 Como o momento solicitante 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 é maior do que o momento de fissuração 𝑀𝑀𝑟𝑟, espera-se que a estrutura fissure e, portanto, trabalhe no domínio 2 ou 3. 7.3 – ABERTURA DE FISSURAS O estado limite de abertura de fissuras (ELS-W) também é calculado a partir da combinação de ações frequente e define um valor para o qual é esperado a magnitude das aberturas de fissuras. É importante ressaltar que este cálculo é uma esti- mativa, visto que a abertura real de fissuras está relacionada com inúmeros fatores, especialmente com a qualidade de execução da obra. 130 7.3.1 – LIMITES A ABNT NBR 6118:2023, no seu item 13.4.2, estabelece limites para a abertura máxima de fissuras em estruturas de concreto armado conforme a Classe a Agressividade Ambiental (CAA). Tais limites visam garantir uma maior durabilidade às es- truturas frente aos ataques de agentes corrosivos nas armaduras. CAA Limite Exemplo I ≤ 0,4 mm Áreas rurais ou submersas. II ≤ 0,3 mm Áreas urbanas. III ≤ 0,3 mm Áreas industriais ou marinhas. IV ≤ 0,2 mm Áreas com respingo de maré. Limite máximo para a abertura de fissuras. 7.3.2 – EXEMPLO Para exemplificar a verificação da estimativa de abertura de fissuras, vamos basear este cálculo no exemplo do item 7.2. Logo, temos os seguintes dados: Dados • 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑑𝑑 = 35 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝐿𝐿 = 5 𝑚𝑚 • 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 6,0 𝑐𝑐𝑚𝑚2 → 3 ∅ 16 • 𝐵𝐵𝑎𝑎𝑔𝑔𝑔𝑔𝑎𝑎𝑏𝑏 𝑔𝑔𝑒𝑒𝑔𝑔𝑖𝑖𝑜𝑜𝑔𝑔𝑎𝑎𝑑𝑑𝑎𝑎𝑏𝑏 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 2,56 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝐸𝐸𝑠𝑠 = 210 𝐺𝐺𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 = 38,8 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 • 𝐶𝐶𝐴𝐴𝐴𝐴 − 𝐼𝐼𝑉𝑉 131 1º – MÓDULO DE ELASTICIDADE – Eci O primeiro passo do nosso exemplo será calcular o módu- lo de elasticidade tangente inicial do concreto. Admitindo que o material do agregado graúdo seja composto por granito, temos: 𝛼𝛼𝐸𝐸 = 1,2: 𝑏𝑏𝑎𝑎𝑏𝑏𝑎𝑎𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏 𝑒𝑒 𝑑𝑑𝑑𝑑𝑎𝑎𝑏𝑏𝑑𝑏𝑏𝑑𝑑𝑏𝑏 1,0:𝑘𝑘𝑔𝑔𝑎𝑎𝑔𝑔𝑑𝑑𝑏𝑏𝑏𝑏 𝑒𝑒 𝑘𝑘𝑔𝑔𝑎𝑎𝑑𝑑𝑏𝑏𝑏𝑏𝑒𝑒 0,9: 𝑐𝑐𝑎𝑎𝑏𝑏𝑐𝑐𝑑𝑔𝑔𝑑𝑑𝑏𝑏 0,7:𝑎𝑎𝑔𝑔𝑒𝑒𝑔𝑔𝑑𝑑𝑏𝑏𝑏𝑏 → 𝛼𝛼𝐸𝐸 = 1,0 2º – MÓDULO DE ELASTICIDADE – Ecs Por se tratar de uma verificação local, devemos utilizar o módulo de elasticidade secante do concreto, o qual é dado por: 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑖𝑖 = 𝛼𝛼𝐸𝐸 ⋅ 5600 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 → 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑖𝑖 = 1 ⋅ 5600 ⋅ 25 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑖𝑖 = 28.000 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠 = 0,8 + 0,2 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 80 ⋅ 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑖𝑖 → 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠 = 0,8 + 0,2 ⋅ 25 80 ⋅ 28000 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠 = 24.150 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 3º – FATOR αe Para relacionar o nível de tensão na armadura com o nível de tensão no concreto, devemos calcular a relação entre os dois módulos de elasticidade (𝛼𝛼𝑟𝑟).Vale ressaltar que tal relação tam- bém pode ser simplesmente adotada como 15. 𝛼𝛼𝑟𝑟 = 𝐸𝐸𝑠𝑠 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠 → 𝛼𝛼𝑟𝑟 = 210000 24150 → 𝛼𝛼𝑟𝑟 = 8,7 4º – LINHA NEUTRA NO ESTÁDIO II O próximo passo do nosso exemplo será calcular a linha neutra da seção no estádio II, ou seja, considerando a distri- buição linear de tensões no concreto comprimido e fissuras no concreto tracionado. Para isso, utilizamos as seguintes equações: 𝑒𝑒𝐼𝐼𝐼𝐼 = −(𝐴𝐴 + 𝐵𝐵) + (𝐴𝐴 + 𝐵𝐵)2−2 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ −𝑑𝑑′ ⋅ 𝐴𝐴 − 𝑑𝑑 ⋅ 𝐵𝐵 𝑏𝑏𝑤𝑤 𝐴𝐴 = (𝛼𝛼𝑟𝑟 − 1) ⋅ 𝐴𝐴𝑠𝑠′ → 𝐴𝐴 = 8,7 ⋅ 0 → 𝐴𝐴 = 0 𝐵𝐵 = 𝛼𝛼𝑟𝑟 ⋅ 𝐴𝐴𝑠𝑠 → 𝐵𝐵 = 8,7 ⋅ 6,0 → 𝐵𝐵 = 52,2 𝑒𝑒𝐼𝐼𝐼𝐼 = −(0 + 52,2) + (0 + 52,2)2−2 ⋅ 20 ⋅ −0 ⋅ 0 − 35 ⋅ 52,2 20 𝑒𝑒𝐼𝐼𝐼𝐼 = 11,2 𝑐𝑐𝑚𝑚 5º – MOMENTO DE INÉRCIA NO ESTÁDIO II Como a seção da viga se encontra fissurada, a sua inércia está reduzida. Devemos então calcular o momento de inércia no estádio II (𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼), que é dado por: 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 = 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑒𝑒𝐼𝐼𝐼𝐼3 3 + 𝐵𝐵 ⋅ 𝑑𝑑 − 𝑒𝑒𝐼𝐼𝐼𝐼 2 + 𝐴𝐴 ⋅ 𝑒𝑒𝐼𝐼𝐼𝐼 − 𝑑𝑑′ 2 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 = 20 ⋅ 11,23 3 + 52,2 ⋅ 35− 11,2 2 + 0 ⋅ 11,2− 0 2 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 = 38.934 𝑐𝑐𝑚𝑚4 132 133 6º – TAXA DE ARMADURA A taxa de armadura (𝜌𝜌𝑟𝑟) é calculada pela relação da área de aço (𝐴𝐴𝑠𝑠) considerada e a área de concreto envolvente (𝐴𝐴𝑐𝑐𝑟𝑟), formada por um retângulo com lados a uma distância máxima de 7,5 ∅𝑖𝑖 do centro geométrico da armadura, sendo ∅𝑖𝑖 o diâmetro da barra analisada. 𝐴𝐴𝑐𝑐𝑟𝑟 = ℎ − 𝑑𝑑 + 7,5 ⋅ ∅𝑞𝑞 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 → 𝐴𝐴𝑐𝑐𝑟𝑟 = 40 − 35 + 7,5 ⋅ 1,6 ⋅ 20 7,5 Ø 𝐴𝐴𝑐𝑐𝑟𝑟 7,5 Ø Como normalmente as ex- tremidades laterais e inferiores de vigas e lajes apresentam uma dis- tância menor do que 7,5 ∅𝑖𝑖 da armadura e a distância entre duas barras consecutivas costuma ser menor do que 15 ∅𝑖𝑖, é comum a simplificação do cálculo da área de envolvimento de concreto tomando como base todas as bar- ras da armadura e a área forma- da pelo retângulo de lados 𝑏𝑏𝑤𝑤 e (ℎ − 𝑑𝑑 + 7,5 ∅𝑖𝑖 ), conforme ilus- trado na figura ao lado. Dessa forma, a taxa de armadura do exemplo é dada por: 𝐴𝐴𝑐𝑐𝑟𝑟 = 340 𝑐𝑐𝑚𝑚2 𝜌𝜌𝑟𝑟 = 𝐴𝐴𝑠𝑠 𝐴𝐴𝑐𝑐𝑟𝑟 ≤ 2% → 𝜌𝜌𝑟𝑟 = 6 340 → 𝜌𝜌𝑟𝑟 = 1,8 % 134 7º – TENSÃO NA ARMADURA A abertura de fissuras é proporcional ao nível de tensão na armadura, o qual é definido pela seguinte equação: 𝜎𝜎𝑠𝑠 = 𝛼𝛼𝑟𝑟 ⋅ 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 ⋅ (𝑑𝑑 − 𝑒𝑒𝐼𝐼𝐼𝐼) 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 O coeficiente de conformação superficial (𝜂𝜂1) é definido pela ABNT NBR 6118:2023 de acordo com o tipo de aço das barras longitudinais e está relacionado com a eficiência na transmissão dos esforços da armadura para o concreto. Como no exemplo são admitidas barras de CA-50, temos: 𝜎𝜎𝑠𝑠 = 20,6 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑐𝑐𝑚𝑚2 8º – COEFICIENTE η1 CA-25 CA-60CA-50 𝜂𝜂1 = 1,00 𝜂𝜂1 = 1,00𝜂𝜂1 = 2,25 𝜂𝜂1 = 2,25 𝜎𝜎𝑠𝑠 = 8,7 ⋅ 3880 ⋅ (35− 11,2) 38934 135 A abertura de fissuras pode ser calculada por dois méto- dos. O primeiro a ser analisado é o método sistemático, o qual é caracterizado pela uniformidade de espaçamentos e de aberturas das fissuras. Além disso, esse processo é ocasionado quando a resul- tante de tração na barra de aço se torna maior ou igual à resultante de tração no concreto (𝐹𝐹𝑠𝑠 ≥ 𝐹𝐹𝑐𝑐𝑐𝑐). Seu cálculo é dado pela seguinte expressão: 8º – ABERTURA DE FISSURAS – MS 𝑤𝑤𝑀𝑀𝐸𝐸 = ∅𝑞𝑞 (12,5 ⋅ 𝜂𝜂1) ⋅ 𝜎𝜎𝑠𝑠 𝐸𝐸𝑠𝑠 ⋅ 4 𝜌𝜌𝑟𝑟 + 45 Método sistemático: 𝑤𝑤𝑀𝑀𝐸𝐸 = 1,6 (12,5 ⋅ 2,25) ⋅ 20,6 21000 ⋅ 4 0,018 + 45 𝑤𝑤𝑀𝑀𝐸𝐸 = 0,015 𝑐𝑐𝑚𝑚 → 𝑤𝑤𝑀𝑀𝐸𝐸 = 0,15 𝑚𝑚𝑚𝑚 Processo de fissuração sistemática. Espaçamentos uniformes Níveis de aberturas semelhantes 136 A abertura de fissuras também pode ser calculada a partir do método não sistemático, o qual é caracterizado pela desuni- formidade de espaçamentos e de aberturas das fissuras. Esse processo ocorre quando a taxa geométrica de armadura (𝜌𝜌𝑟𝑟) é menor que a razão entre a resistência à tração do concreto e a tensão na armadura na seção fissurada (𝜌𝜌𝑟𝑟= 2 − 0,677 1 + 50 ⋅ 0 → 𝛼𝛼𝑖𝑖 = 1,323 8º – FLECHA FINAL A deformação final (𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞) é dada pela soma da flecha imediata com a flecha provocada pelo efeito de fluência, logo: 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞 = 𝑎𝑎𝑖𝑖 ⋅ 1 + 𝛼𝛼𝑖𝑖 → 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞 = 0,79 ⋅ 1 + 1,323 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞 = 1,84 cm 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞 142 9º – VERIFICAÇÃO DO LIMITE O último passo é verificar se a flecha final encontrada está dentro do limite recomendado pela norma para aceitação visual. 𝑎𝑎𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐 = 𝑏𝑏 250 → 𝑎𝑎𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐 = 500 250 → 𝑎𝑎𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐 = 2,0 𝑐𝑐𝑚𝑚 Limite para aceitação visual: Como o valor da flecha final de 1,84 cm é inferior ao limite necessário, a condição de deformação excessiva para aceitação visual está atendida. 7.4.2 – EX. 2: VIBRAÇÕES NO PISO Para verificar se as deformações na estrutura estão provo- cando vibrações excessivas no piso, calcula-se a diferença entre a deformação provocada pela combinação rara de ações e a provo- cada apenas pelas ações permanentes. O que seria o equivalente à deformação provocada pelas cargas acidentais. Vamos resolver agora o mesmo exemplo do item 7.4.1, mas calculando a verificação para vibrações no piso. 1º – COMBINAÇÃO DE AÇÕES 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 = 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 + 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 + 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 = 16 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 = 7 + 3 + 6 Combinação rara: 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 + 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 Cargas permanentes 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 7 + 3 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 10 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 143 2º – MOMENTO SOLICITANTE 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 = 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 ⋅ 𝐿𝐿2 8 Combinação rara: Cargas permanentes 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 = 16 ⋅ 52 8 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 = 50 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 ⋅ 𝐿𝐿2 8 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 10 ⋅ 52 8 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 31,3 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 3º – RIGIDEZ EQUIVALENTE Combinação rara: 𝐴𝐴𝑅𝑅 = 𝑀𝑀𝑟𝑟 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 → 𝐴𝐴𝑅𝑅 = 20,5 50 → 𝐴𝐴𝑅𝑅 = 0,410 𝐸𝐸𝐼𝐼 𝑟𝑟𝑞𝑞,𝑅𝑅 = 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠 ⋅ 𝐴𝐴𝑅𝑅3 ⋅ 𝐼𝐼𝑐𝑐 + 1 − 𝐴𝐴𝑅𝑅3 ⋅ 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 𝐸𝐸𝐼𝐼 𝑟𝑟𝑞𝑞,𝑅𝑅 = 2415 ⋅ 0,4103 ⋅ 106666 + 1− 0,4103 ⋅ 38934 𝐸𝐸𝐼𝐼 𝑟𝑟𝑞𝑞,𝑅𝑅 = 1,05 ⋅ 108 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑐𝑐𝑚𝑚2 Cargas permanentes: 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 𝑀𝑀𝑟𝑟 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 → 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 20,5 31,3 → 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 0,655 𝐸𝐸𝐼𝐼 𝑟𝑟𝑞𝑞,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠 ⋅ 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟3 ⋅ 𝐼𝐼𝑐𝑐 + 1 − 𝐴𝐴𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟3 ⋅ 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 𝐸𝐸𝐼𝐼 𝑟𝑟𝑞𝑞,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 2415 ⋅ 0,6553 ⋅ 106666 + 1 − 0,6553 ⋅ 38934 𝐸𝐸𝐼𝐼 𝑟𝑟𝑞𝑞,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 1,40 ⋅ 108 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑐𝑐𝑚𝑚2 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 1,35 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑎𝑎𝑖𝑖,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 0,58 𝑐𝑐𝑚𝑚 144 4º – FLECHA IMEDIATA Combinação rara: 𝑎𝑎𝑖𝑖,𝑅𝑅 = 5 ⋅ 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 ⋅ 𝐿𝐿4 384 ⋅ 𝐸𝐸𝐼𝐼 𝑟𝑟𝑞𝑞,𝑅𝑅 𝑎𝑎𝑖𝑖,𝑅𝑅 = 5 ⋅ 0,16 ⋅ 5004 384 ⋅ 1,05 ⋅ 108 𝑎𝑎𝑖𝑖,𝑅𝑅 = 1,24 𝑐𝑐𝑚𝑚 Cargas permanentes: 𝑎𝑎𝑖𝑖,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 5 ⋅ 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 ⋅ 𝐿𝐿4 384 ⋅ 𝐸𝐸𝐼𝐼 𝑟𝑟𝑞𝑞,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 𝑎𝑎𝑖𝑖,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 5 ⋅ 0,10 ⋅ 5004 384 ⋅ 1,40 ⋅ 108 5º – FLECHA FINAL Partindo do coeficiente 𝛼𝛼𝑖𝑖 = 1,323 já obtido do exemplo do item 7.4.2, temos: Combinação rara: Cargas permanentes: 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑅𝑅 = 𝑎𝑎𝑖𝑖,𝑅𝑅 ⋅ 1 + 𝛼𝛼𝑖𝑖 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑅𝑅 = 1,24 ⋅ 1 + 1,323 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑅𝑅 = 2,88 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 𝑎𝑎𝑖𝑖,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 ⋅ 1 + 𝛼𝛼𝑖𝑖 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 = 0,58 ⋅ 1 + 1,323 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞 145 6º – FLECHA DEVIDO A CARGAS ACIDENTAIS A flecha devido as cargas acidentais é dado pela diferença entre a flecha obtida pela combinação rara de ações e a flecha devido às cargas permanentes, dessa forma: 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑞𝑞 = 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑅𝑅 − 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑟𝑟 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑞𝑞 = 2,88− 1,35 𝑎𝑎𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑎𝑎𝑞𝑞,𝑞𝑞 = 1,53 𝑐𝑐𝑚𝑚 7º – VERIFICAÇÃO DO LIMITE O limite de deformação para evitar vibrações no piso vale: 𝑎𝑎𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐,𝑞𝑞 = 𝐿𝐿 350 → 𝑎𝑎𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐,𝑞𝑞 = 500 350 → 𝑎𝑎𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐,𝑞𝑞 = 1,43 𝑐𝑐𝑚𝑚 Neste caso a flecha provocada pela ação de cargas aciden- tais excede o limite recomendado pela ABNT NBR 6118:2023. A estrutura deve, portanto, ser redimensionada. Atender a apenas um dos critérios não é suficiente. Um bom projeto estrutural está atrelado ao pleno conforto dos usuários. 7.5 – VIBRAÇÕES EXCESSIVAS O estado limite de vibrações excessivas (ELS-VE) é calcula- do a partir da combinação frequente de ações e tem como obje- tivo limitar a frequência natural (𝑓𝑓𝑖𝑖) da estrutura. Tal limitação visa evitar desconfortos aos usuários e, em casos extremos, da- nos à própria edificação. A frequência natural é uma propriedade específica de toda estrutura, ou seja, cada uma tem a sua. Ela define a frequência que uma edificação vibraria livremente se fosse per- turbada após o repouso. 146 1- Repouso 2- Perturbação 3- Vibração natural O cálculo da frequência natural (𝑓𝑓𝑖𝑖) envolve a rigidez (𝑘𝑘) da estrutura e a sua massa (𝑚𝑚), sendo dado pela expressão: 𝑓𝑓𝑖𝑖 = 1 2 ⋅ 𝜋𝜋 ⋅ 𝑘𝑘 𝑚𝑚 ; 𝑓𝑓𝑖𝑖 → 𝐻𝐻𝑧𝑧 𝑘𝑘 → 𝑘𝑘/𝑚𝑚 𝑚𝑚 → 𝑘𝑘𝑘𝑘 O papel do calculista é fazer com que a frequência natural da sua estrutura não se aproxime da frequência de solicitações de cargas dinâmicas ou sons encontrados no ambiente. Quando duas frequências próximas interagem entre si, pode ocorrer o fenômeno da ressonância. Essa situação leva a um aumento significativo na amplitude das vibrações, podendo sobrecarregar a estrutura e levar a falhas, fadiga e até mesmo colapso. 147 7.5.1 – LIMITES A ABNT NBR 6118:2023 recomenda, de forma simplifi- cada, que a frequência natural da estrutura seja 20% superior à frequência da ação solicitante (𝑓𝑓𝑐𝑐𝑟𝑟𝑖𝑖𝑐𝑐 ). A norma ainda define valores de 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑟𝑟𝑖𝑖𝑐𝑐 para alguns tipos de edificações: 𝒇𝒇𝒄𝒄𝒄𝒄𝒄𝒄𝒄𝒄 𝑯𝑯𝑯𝑯 8,0 Edificação Ginásios de esportes e academias 7,0Salas de dança 4,5Passarelas de pedestres ou ciclistas 4,0Escritórios A norma não recomenda valores de frequência natural para estruturas residenciais, mas é uma boa prática em projetos estruturais limitar a frequência de pisos a no mínimo 5 Hz. 7.5.2 – EXEMPLO O cálculo da frequência natural de vibração de uma estru- tura como um todo é uma tarefa complexa que requer ajuda computacional. Felizmente muitos dos softwares comerciais de cálculo estrutural já disponibilizam esta ferramenta. Contudo, para exemplificar o processo de cálculo e permitir a compreen- são desta análise, vamos verificar a frequência natural da viga biapoiada descrita nos itens 7.2, 7.3 e 7.4. Logo, temos os dados: Dados • 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝐿𝐿 = 5 𝑚𝑚 • 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠 = 24.150 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝐼𝐼𝑐𝑐 = 106.666 𝑐𝑐𝑚𝑚4 • 𝛾𝛾𝑐𝑐𝑜𝑜𝑖𝑖𝑐𝑐 = 2500 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚3 148 1º – MASSA O primeiro passo é determinar a massa da estrutura: 2º – RIGIDEZ A ABNT NBR 6118:2023 permite que a análise de vibra- ções de estruturas usuais seja feita em regime linear, logo: 3º – FREQUÊNCIA NATURAL Com os valores da massa e rigidez podemos calcular a fre- quência natural da viga: 𝑚𝑚 = 𝛾𝛾𝑐𝑐𝑜𝑜𝑖𝑖𝑐𝑐 ⋅ 𝑉𝑉 → 𝑚𝑚 = 2500 ⋅ 0,2 ⋅ 0,4 ⋅ 5 → 𝑚𝑚 = 1000 𝑘𝑘𝑘𝑘 𝑘𝑘 = 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠 ⋅ 𝐼𝐼𝑐𝑐 𝐿𝐿3 → 𝑘𝑘 = 2415 ⋅ 106666 5003 → 𝑘𝑘 = 2,06 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑓𝑓𝑖𝑖 = 1 2 ⋅ 𝜋𝜋 ⋅ 𝑘𝑘 𝑚𝑚 → 𝑓𝑓𝑖𝑖 = 1 2 ⋅ 𝜋𝜋 ⋅ 2,06 ⋅ 105 1000 → 𝑓𝑓𝑖𝑖 = 2,3 𝐻𝐻𝐻𝐻 Como é de se esperar para uma estrutura biapoiada de baixa rigidez, a frequência natural encontrada foi relativamente baixa, não atendendo às recomendações da norma. Contudo, em estruturas usuais, a ligação monolítica entre os elementos confere um maior grau de rigidez ao sistema, favorecendo frequênciasnaturais mais elevadas. Por esse motivo a norma brasileira afirma que as frequências naturais da estrutura devam ser determinadas por análises computacionais ou experimentais. DETALHAMENTO 8. LEONARDO DA VINCI 𝑎𝑎𝑒 𝑎𝑎𝑟𝑟 8.1 – DISPOSIÇÃO DAS BARRAS O espaçamento das barras de aço dentro de uma viga de concreto armado é um fator crítico para a exe- cução da estrutura. A armadura prin- cipal deve ser espaçada de forma que o concreto possa envolver as barras completamente e aderir adequada- mente ao aço, garantindo assim a transferência adequada de tensões entre o aço e o concreto. Caso o limite mínimo de espaçamento não seja res- peitado, o agregado pode ficar preso entre as barras e comprometer o lan- çamento da concretagem. 151 As distâncias verticais (𝑎𝑎𝑟𝑟) e horizontais (𝑎𝑎𝑒) entre duas faces de barras deve ser o maior dentre os seguintes valores: 𝑎𝑎𝑟𝑟 ≥ � 2 𝑐𝑐𝑚𝑚 ∅𝑞𝑞 0,5 ⋅ 𝑑𝑑𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 Onde, ∅𝑞𝑞 representa o diâmetro da barra, do feixe ou da luva; e 𝑑𝑑𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 é o diâmetro máximo do agre- gado graúdo, com valores usuais apresentados na ta- bela ao lado. 𝑎𝑎𝑒 ≥ � 2 𝑐𝑐𝑚𝑚 ∅𝑞𝑞 1,2 ⋅ 𝑑𝑑𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 𝒅𝒅𝒎𝒎𝒂𝒂𝒎𝒎 𝒎𝒎𝒎𝒎 4,8 a 9,5 Tipo de brita Brita 0 9,5 a 19Brita 1 19 a 25Brita 2 25 a 38Brita 3 8.2 – ARMADURA DE PELE A armadura de pele é um tipo de armadura longitudinal complementar disposta sobre as faces laterais da viga e não possui função estrutural. O objetivo dessa armadura é minimizar a ocorrência de fissuras que podem surgir devido ao processo de retração, variação de temperatura e flexão da viga. Tal armadura deve ser utilizada sempre que a altura da viga seja maior ou igual a 60 cm (ℎ ≥ 60 𝑐𝑐𝑚𝑚). 152 A quantidade de armadura de pele mínima prevista para cada face da viga deve ser 0,1% da área de concreto da alma da viga, não sendo necessário uma armadura superior a 5 𝑐𝑐𝑚𝑚2/𝑚𝑚 por face. 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑠𝑠𝑟𝑟𝑞𝑞𝑟𝑟 = 0,001 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ ℎ A disposição vertical das barras da armadura de pele devem obedecer aos seguintes critérios: 𝑏𝑏 𝑏𝑏 𝑏𝑏𝑏𝑏 ≤ � 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑑𝑑/3 15 ⋅ ∅𝑠𝑠𝑟𝑟𝑞𝑞𝑟𝑟 É importante ressaltar que caso seja prevista uma armadu- ra longitudinal na lateral da viga com função estrutural (comu- mente utilizada no combate à torção), a área de aço da armadura em questão não deve ser contabilizada para a armadura de pele. 8.3 – FUROS E ABERTURAS Durante o processo de compatibilização de projetos, é comum surgirem conflitos entre a estrutura e as instalações elétricas ou hidráulicas. Uma das soluções possíveis para esse conflito é a adoção de furos ou aberturas nos elementos estruturais para a passagem de tubulações. Dessa forma, neste tópico discutiremos os critérios a se considerar para essa solução. 153 8.3.1 – FUROS E ABERTURAS EM VIGAS Como no dimensionamento de estruturas de concreto armado a resistência à tração do concreto costuma ser despre- zada, o melhor local para a localização da abertura é na região tracionada do concreto ou próximo da linha neutra, onde os esforços são mais baixos. Para os furos horizontais a ABNT NBR 6118:2023 estabele- ce dimensões mínimas que, se forem cumpridas, dispensam de- mais verificações, são elas: ∅ ≤ � ℎ/3 12 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑒𝑒1 ≥ 2 ⋅ ℎ 𝑒𝑒2 ≥ �2 ⋅ 𝑐𝑐 5 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑒𝑒3 ≥ 𝑒𝑒 (linha neutra)∅𝑒𝑒1 𝑒𝑒1 𝑒𝑒3 𝑒𝑒2 ℎ 𝑐𝑐 154 Já para os furos verticais, como inevitavelmente será reduzida a área de concreto comprimido, é necessário tanto atender aos limites da norma representados abaixo como verifi- car os esforços na seção. Portanto, sempre é preciso redimensio- nar a viga para flexão e cisalhamento considerando uma largura de (𝑏𝑏𝑤𝑤 − ∅). ∅ 𝑒𝑒1 𝑏𝑏𝑤𝑤 𝑒𝑒2 ∅ ≤ 𝑏𝑏𝑤𝑤/3 𝑒𝑒1 ≥ � ∅ 5 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑒𝑒2 ≥ �2 ⋅ 𝑐𝑐 5 𝑐𝑐𝑚𝑚 Com pelo menos 1 estribo Para canalizações embutidas ao longo do eixo longitudinal de vigas e pilares, a ABNT NBR 6118:2023 proíbe tal execução nos seguintes casos: o Canalizações sem isolamento adequado; o Canalização sem verificações especiais para fluidos que apre- sentem variação maior que 15° da temperatura ambiente; o Canalizações com pressão interna superior a 0,3 MPa; o Canalizações em pilares sem aberturas para drenagem. 155 8.3.2 – FUROS E ABERTURAS EM LAJES Para os furos e aberturas em lajes, a ABNT NBR 6118:2023 estabelece que para todas as situações é necessário que: o A seção de concreto remanescente deve ser capaz de resistir aos esforços de ELU equivalentes ao da seção sem abertura; o As seções de armaduras interrompidas devem ser substituí- das por seções equivalentes de reforço. A norma brasileira ainda estabelece critérios para furos em lajes armadas em duas direções (exceto lajes lisas e cogu- melo) que, se forem atendidos, dispensam verificações adicio- nais de resistência e deformação. São eles: 𝑏𝑏𝑎𝑎 𝑏𝑏𝑏𝑏 𝑏𝑏𝑐𝑐 𝑏𝑏𝑐𝑐𝑋𝑋1 𝑌𝑌1 𝑋𝑋2 𝑌𝑌2 𝑌𝑌3 𝑋𝑋3 𝑌𝑌4 𝑋𝑋4 𝑋𝑋1 ≥ 𝑏𝑏𝑐𝑐/4 𝑋𝑋2 ≤ 𝑏𝑏𝑐𝑐/10 𝑋𝑋3 ≥ 𝑏𝑏𝑐𝑐/2 𝑋𝑋4 ≥ 𝑏𝑏𝑐𝑐 + 𝑏𝑏𝑐𝑐 4 𝑌𝑌1 ≥ 𝑏𝑏𝑏𝑏/4 𝑌𝑌2 ≤ 𝑏𝑏𝑏𝑏/10 𝑌𝑌3 ≥ 𝑏𝑏𝑏𝑏/2 𝑌𝑌4 ≥ 𝑏𝑏𝑏𝑏 + 𝑏𝑏𝑎𝑎 4 8.4 – ANCORAGEM Em estruturas de concreto armado é essencial que exista um mecanismo eficiente para a transferência de esforços entre as barras de aço e a massa de concreto. Tal mecanismo evita que ocorra o deslizamento entre os materiais. Para que essa trans- ferência ocorra de forma adequada, é necessário que as extre- midades das barras estejam devidamente fixadas. E essa fixação recebe o nome de ancoragem. A ancoragem pode ser feita de dois modos: por meio da aderência entre o aço e o concreto; e por meio de dispositivos mecânicos acoplados à barra, sendo o primeiro, o mais comum. Para exemplificar o cálculo da ancoragem por meio da aderência entre o concreto e o aço, vamos resolver um exercício prático sobre o assunto. 156 8.4.1 – EXEMPLO O cálculo da ancoragem por meio da aderência entre o concreto e o aço é feita a partir da determinação de um compri- mento mínimo adicional sobre o qual a barra deve estar envol- vida no concreto. Para esse exemplo, utilizaremos os dados: Dados • ℎ = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 30 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑖𝑖𝑟𝑟𝑐𝑐𝑟𝑟𝑠𝑠𝑠𝑠𝑑𝑟𝑟𝑖𝑖𝑜𝑜 = 2,0 𝑐𝑐𝑚𝑚2 • ∅𝑞𝑞 = 12,5 𝑚𝑚𝑚𝑚 • Armadura inferior ℎ ∅𝑞𝑞 157 1º – RESISTÊNCIAS DE CÁLCULO O coeficiente 𝜂𝜂1, conforme definido do item 7.3.2, varia de acordo com o tipo de aço utilizado nas armaduras. Admitindo a utilização de barras de CA-50, temos: 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 434,8 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 0,15 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 2/3 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 1,45 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 Resistência à tração do concreto 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑠𝑠 → 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 1,15 Resistência do aço 2º – COEFICIENTE η1 Lisa EntalhadaNervurada 𝜂𝜂1 = 1,00 𝜂𝜂1 = 1,40𝜂𝜂1 = 2,25 O primeiro passo para calcular o comprimento de ancoragem é determinar as resistências de cálculo dos materiais: O coeficiente 𝜂𝜂2 define a condição de boa ou má aderên- cia das barras ao concreto. Esse fator está relacionado com a adesão de bolhas de ar presentes na massa de concreto ao redor das barras aço. Tais bolhas se fixam à superfície das barras criando vazios e reduzindo a interação entre os materiais. 3º – COEFICIENTE η2 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 0,15 ⋅ 302/3 158 Então, para definir as condições de boa aderência das bar- ras, a ABNT NBR 6118:2023 define os seguintes critérios: Como estamos calculando a ancoragem das barras inferio- res da viga, localizadas menos de 30 cm da face inferior, é possí- vel considerar uma condição de boa aderência, logo: ≥ 45° 32 𝑚𝑚𝑚𝑚 : 𝜂𝜂3 = 132− ∅𝑞𝑞 100 ; com ∅𝑞𝑞𝑒𝑒𝑚𝑚 𝑚𝑚𝑚𝑚 Barras verticaisou com inclinação maior que 45° com a horizontal; Barras localizadas em até 30 cm da face inferior; Barras abaixo de 30 cm da face superior em elementos com altura superior a 60 cm. 159 5º – RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA A tensão resistente de aderência (𝑓𝑓𝑏𝑏𝑐𝑐) é dada por: 𝑓𝑓𝑏𝑏𝑐𝑐 = 𝜂𝜂1 ⋅ 𝜂𝜂2 ⋅ 𝜂𝜂3 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 → 𝑓𝑓𝑏𝑏𝑐𝑐 = 2,25 ⋅ 1 ⋅ 1 ⋅ 1,45 𝑓𝑓𝑏𝑏𝑐𝑐 = 3,26 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 6º – COMPRIMENTO DE ANCORAGEM Podemos calcular agora o comprimento básico de ancora- gem (𝑏𝑏𝑏𝑏) pela seguinte equação: 𝑏𝑏𝑏𝑏 = ∅𝑞𝑞 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 4 ⋅ 𝑓𝑓𝑏𝑏𝑐𝑐 → 𝑏𝑏𝑏𝑏 = 1,25 ⋅ 43,48 4 ⋅ 0,326 → 𝑏𝑏𝑏𝑏 = 42 𝑐𝑐𝑚𝑚 Ainda é possível reduzir o comprimento básico de ancora- gem com a utilização de ganchos ou aumentando a quantidade de armadura. Supondo que sejam adotados ganchos com barras de 2 ∅ 12,5 𝑚𝑚𝑚𝑚, teríamos 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑎𝑎𝑐𝑐𝑜𝑜𝑐𝑐𝑎𝑎𝑐𝑐𝑜𝑜 = 2,5 𝑐𝑐𝑚𝑚2, logo: 𝛼𝛼 = �𝑆𝑆𝑒𝑒𝑚𝑚 𝑘𝑘𝑎𝑎𝑔𝑔𝑐𝑐ℎ𝑏𝑏: 1,0 𝐶𝐶𝑏𝑏𝑚𝑚 𝑘𝑘𝑎𝑎𝑔𝑔𝑐𝑐ℎ𝑏𝑏: 0,7 → 𝛼𝛼 = 0,7 𝑏𝑏𝑏𝑏,𝑖𝑖𝑟𝑟𝑐𝑐 = 𝛼𝛼 ⋅ 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑖𝑖𝑟𝑟𝑐𝑐𝑟𝑟𝑠𝑠𝑠𝑠𝑑𝑟𝑟𝑖𝑖𝑜𝑜 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑎𝑎𝑐𝑐𝑜𝑜𝑐𝑐𝑎𝑎𝑐𝑐𝑜𝑜 ⋅ 𝑏𝑏𝑏𝑏 → 𝑏𝑏𝑏𝑏,𝑖𝑖𝑟𝑟𝑐𝑐 = 0,7 ⋅ 2,0 2,5 ⋅ 42 𝑏𝑏𝑏𝑏,𝑖𝑖𝑟𝑟𝑐𝑐 = 24 𝑐𝑐𝑚𝑚 7º – COMPRIMENTO NECESSÁRIO 8.5 – EMENDAS DE BARRAS 160 8º – COMPRIMENTO MÍNIMO Por último, temos que verificar se o comprimento de ancoragem adotado respeita o limite mínimo, definido como o maior dentre os seguintes valores: 𝑏𝑏𝑏𝑏,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 ≥ � 10 𝑐𝑐𝑚𝑚 10 ⋅ ∅𝑞𝑞 0,3 ⋅ 𝑏𝑏𝑏𝑏 → 𝑏𝑏𝑏𝑏,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 ≥ � 10 𝑐𝑐𝑚𝑚 10 ⋅ 1,25 0,3 ⋅ 42 → 𝑏𝑏𝑏𝑏,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 12,6 𝑐𝑐𝑚𝑚 As barras de aço, no geral, são comercializadas com o comprimento máximo de 12 m. Contudo, existem diversas situa- ções em que são necessárias dimensões superiores ao limite comercial. A solução para esse tipo de problema é a emenda de barras, o que permite que os esforços de uma armadura sejam transmitidos para outra. As emendas podem ser realizadas por: Traspasse das barras Utilização de luvas Soldas A ABNT NBR 6118:2023 também permite a utilização de outros dispositivos de emenda desde que seja justificado. 161 8.5.1 – EMENDA POR TRASPASSE A emenda por traspasse é o tipo de emenda mais usual e o seu funcionamento está baseado na aderência entre o aço e o concreto. A barra de aço transmite os esforços para a massa de concreto adjacente, que por sua vez solicita a barra emendada. Entretanto, para a sua utilização é proibida nos casos de: o Barras com diâmetros superiores à 32 mm; o Estruturas de tirantes e pendurais. 8.5.1.1 – COMPRIMENTO DE TRASPASSE O comprimento de traspasse (𝑏𝑏0𝑐𝑐 ) define a distância necessária para a superposição das barras que serão emenda- das. Seu calculo é dado pelo produto do comprimento de anco- ragem necessário (𝑏𝑏𝑏𝑏,𝑖𝑖𝑟𝑟𝑐𝑐) com o coeficiente 𝛼𝛼0𝑐𝑐, que é definido conforme a quantidade de barras tracionadas que estão sendo emendadas em determinada seção. Caso as barras possuam diâmetros diferentes, é preciso calcular o comprimento de tras- passe para aquela que possuir o maior diâmetro. 𝑏𝑏0𝑐𝑐 = 𝛼𝛼0𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑏𝑏,𝑖𝑖𝑟𝑟𝑐𝑐 𝑏𝑏0𝑐𝑐 162 Sendo o coeficiente 𝛼𝛼0𝑐𝑐 dado pela tabela abaixo: Barras emendadas na mesma seção (%) Coeficiente 𝛼𝛼0𝑐𝑐 ≤ 20 1,2 25 1,4 33 1,6 50 1,8 > 50 2,0 8.5.1.2 – EXEMPLO Para demonstrar o cálculo da emenda por traspasse, va- mos resolver o seguinte exemplo: Dados • 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 4 ∅ 12,5 (tra𝑠𝑠o) • 𝑏𝑏𝑏𝑏 = 45 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑏𝑏𝑏𝑏,𝑖𝑖𝑟𝑟𝑐𝑐 = 25 𝑐𝑐𝑚𝑚 Pela geometria da viga é possível identificar duas regiões de emendas, cada uma com duas barras emendadas (𝑔𝑔𝑏𝑏,𝑟𝑟𝑐𝑐𝑟𝑟𝑖𝑖𝑐𝑐). Logo, a porcentagem de barras ancoradas vale: 1º – PORCENTAGEM DE BARRAS ANCORADAS %𝑏𝑏𝑎𝑎𝑟𝑟𝑟𝑟𝑎𝑎𝑠𝑠 = 𝑔𝑔𝑛𝑏𝑏,𝑟𝑟𝑐𝑐𝑟𝑟𝑖𝑖𝑐𝑐 𝑔𝑔𝑛𝑏𝑏𝑎𝑎𝑟𝑟𝑟𝑟𝑎𝑎𝑠𝑠 → %𝑏𝑏𝑎𝑎𝑟𝑟𝑟𝑟𝑎𝑎𝑠𝑠 = 2 4 → %𝑏𝑏𝑎𝑎𝑟𝑟𝑟𝑟𝑎𝑎𝑠𝑠 = 50% Geometria: 163 De acordo com a tabela do coeficiente 𝛼𝛼0𝑐𝑐, temos: 2º – COEFICIENTE α0t 𝑇𝑇𝑎𝑎𝑏𝑏𝑒𝑒𝑏𝑏𝑎𝑎 𝑑𝑑𝑒𝑒 𝛼𝛼0𝑐𝑐 → %𝑏𝑏𝑎𝑎𝑟𝑟𝑟𝑟𝑎𝑎𝑠𝑠 = 50% → 𝛼𝛼0𝑐𝑐 = 1,8 Podemos agora calcular o comprimento de traspasse ne- cessário pela expressão: 3º – COMPRIMENTO DE TRASPASSE 𝑏𝑏0𝑐𝑐 = 𝛼𝛼0𝑐𝑐 ⋅ 𝑏𝑏𝑏𝑏,𝑖𝑖𝑟𝑟𝑐𝑐 → 𝑏𝑏0𝑐𝑐 = 1,8 ⋅ 25 → 𝑏𝑏0𝑐𝑐 = 45 𝑐𝑐𝑚𝑚 Por último, é preciso verificar se o comprimento de tras- passe calculado atende ao mínimo recomendado, que é dado pelo maior valor dentre os seguintes critérios: 4º – COMPRIMENTO MÍNIMO 𝑏𝑏0𝑐𝑐,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 ≥ � 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 15 ⋅ ∅𝑞𝑞 0,6 ⋅ 𝑏𝑏𝑏𝑏 → 𝑏𝑏0𝑐𝑐,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 ≥ � 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 15 ⋅ 1,25 0,6 ⋅ 45 → 𝑏𝑏0𝑐𝑐,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 27 𝑐𝑐𝑚𝑚 8.5.1.3 – DISTÂNCIA ENTRE EMENDAS Para que duas emendas sejam consideradas como em seções diferentes, a distância entre elas deve ser maior que 20% de do comprimento de traspasse (𝑏𝑏0𝑐𝑐): > 0,2 ⋅ 𝑏𝑏0𝑐𝑐 164 8.5.1.4 – PORCENTAGEM PERMITIDA Nem sempre é possível emendar todas as barras da viga em uma única seção. A alta concentração de barras em um único local pode comprometer a concretagem. Dessa forma, a ABNT NBR 6118:2023 estabelece um limite para a porcentagem de emendas permitidas para uma única seção, forme indicado na tabela abaixo: Tipo de barra Situação 1 camada ≥2 camadas Alta aderência Alta aderência Carga estática Carga dinâmica Lisa Lisa ∅𝑞𝑞 ∅𝑞𝑞 ∅𝑞𝑞de tensões conforme um diagra- ma parábola-retângulo. O vértice da parábola se em- contra na deformação de 2‰ e o trecho reto entre as deformações 2‰ e 3,5 ‰. Para simplificar essa distribuição de tensões, é possível considerar uma carga equivalente uniformemente distribuída. Esta carga apresenta uma profundidade de 0,8 𝑒𝑒 e o mesmo valor de tensão máxima (0,85 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐), confor- me ilustrado ao lado. 𝑒𝑒 0,85 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 0,8 𝑒𝑒 𝑏𝑏𝑤𝑤 0,85 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 170 Com a carga uniformemente distribuída podemos calcular a resultante de força do concreto (𝐹𝐹𝑐𝑐) por: 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 0,8 ⋅ 𝑒𝑒 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 0,85 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝐹𝐹𝑠𝑠 0,8 𝑒𝑒 0,85 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 Admitindo que a armadura atinja sua tensão de escoamento (𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐), a força resultante nas barras de aço (𝐹𝐹𝑠𝑠) vale: 𝐹𝐹𝑠𝑠 = 𝐴𝐴𝑠𝑠 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 Pelo equilíbrio das forças axiais na seção, temos que a força de compressão no concreto deve ser numericamente igual à força de tração no aço: 𝐹𝐹𝑠𝑠 = 𝐹𝐹𝑐𝑐 Já pelo equilíbrio de momentos, o somatório dos momen- tos internos em relação a qualquer ponto, deve ser igual ao momento externo solicitante. Tomando o centro geométrico das armaduras como referência: 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 𝐹𝐹𝑐𝑐 ⋅ 𝐻𝐻 𝐹𝐹𝑠𝑠 0,4 𝑒𝑒 𝑑𝑑 𝐹𝐹𝑐𝑐 𝐻𝐻 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 𝐹𝐹𝑠𝑠 ⋅ 𝐻𝐻 𝐻𝐻 = 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 171 Substituindo o valor de 𝐹𝐹𝑠𝑠 e 𝐻𝐻 na equação de equilíbrio de momentos, encontramos a equação para determinar a área de aço necessária para o equilíbrio da viga: 𝐹𝐹𝑠𝑠 = 𝐴𝐴𝑠𝑠 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 𝐹𝐹𝑠𝑠 ⋅ 𝐻𝐻 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 𝐴𝐴𝑠𝑠 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 ⋅ 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒𝐻𝐻 = 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 ⋅ 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 Repetindo o mesmo processo, mas agora com a força no concreto, podemos determinar a equação para o cálculo da profundidade da linha neutra (𝑒𝑒): 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 𝐹𝐹𝑐𝑐 ⋅ 𝐻𝐻 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 0,8 ⋅ 𝑒𝑒 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 0,85 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 𝐻𝐻 = 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 0,8 ⋅ 𝑒𝑒 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 0,85 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 Desenvolvendo a equação: 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 0,68 ⋅ 𝑒𝑒 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 0,68 ⋅ 𝑒𝑒 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑑𝑑 − 0,68 ⋅ 0,4 ⋅ 𝑒𝑒2 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 0,68 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 𝑒𝑒 − 0,272 ⋅ 𝑒𝑒2 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 172 Observa-se pelo desenvolvimento da expressão que se trata de uma equação do segundo grau, a qual pode ser resol- vida por: 𝑒𝑒 = 0,68 ⋅ 𝑑𝑑 ± 0,68 ⋅ 𝑑𝑑 2 − 4 ⋅ 0,272 ⋅ 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 2 ⋅ 0,272 0,272 ⋅ 𝑒𝑒2 − 0,68 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 𝑒𝑒 + 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 0 Desenvolvendo essa expressão: 𝑒𝑒 = 0,68 ⋅ 𝑑𝑑 2 ⋅ 0,272 ± 0,68 ⋅ 𝑑𝑑 2 − 4 ⋅ 0,272 ⋅ 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 2 ⋅ 0,272 𝑒𝑒 = 0,68 ⋅ 𝑑𝑑 0,544 ± 0,682 ⋅ 𝑑𝑑2 − 1,088 ⋅ 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 0,544 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 𝑑𝑑 ± 0,682 ⋅ 𝑑𝑑2 0,5442 − 1,088 ⋅ 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 0,5442 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 𝑑𝑑 ± 1,252 ⋅ 𝑑𝑑2 − 1,088 ⋅ 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 ⋅ 1,252 ⋅ 𝑑𝑑2 0,5442 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 1,252 ⋅ 𝑑𝑑2 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 𝑑𝑑 ± 1,25 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 1 − 1,088 ⋅ 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 0,5442 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 1,252 ⋅ 𝑑𝑑2 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 1 ± 1 − 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 0,425 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑑𝑑2 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto. Rio de Janeiro, 2023; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6120: Ações para o cálculo de estruturas de edificações. Rio de Janeiro, 2019; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7480: Aço destinado a armaduras para estruturas de concreto armado. Rio de Janeiro, 2007; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8681: Ações e segurança nas estruturas – Procedimento. Rio de Janeiro, 2003; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9062: Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado. Rio de Janeiro, 2017; BASTOS, P. S. Flexão normal simples - Vigas. Universidade Estadual Paulista – UNESP. São Paulo, p. 77, 2020; BASTOS, P. S. Dimensionamento de vigas de concreto armado à força cortante. Universidade Estadual Paulista – UNESP. São Paulo, p. 79, 2021; BASTOS, P. S. Lajes de concreto armado. Universidade Estadual Paulista – UNESP. São Paulo, p. 113, 2021; CARVALHO, R. C.; FIGUEIREDO FILHO, J. R. Cálculo e detalhamento de estruturas usuais de concreto armado: segundo a NBR 6118:2014. 4. ed., 2. reimp. Sao Carlos: edUFSCAR, 415 p, 2016; LEONHARDT, F; MOMMIG, E. Construções de concreto. Rio de Janeiro: Inter ciência, 1977. 6v; PINHEIRO, L. M. Concreto armado: tabelas e ábacos. São Carlos, Escola de Engenharia de São Carlos - USP, Departamento de Engenharia de Estruturas, 1994; SAMOA, M. S. Avaliação dos mecanismos resistentes ao cisalhamento em concreto armado sem armadura transversal. Dissertação (Mestrado), Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, 2015. REFERÊNCIAS 173 O “Guia do Calculista Iniciante” é um livro prático e acessível para estudantes de engenharia civil que desejam aprender sobre o dimensionamento de estruturas de concreto armado segundo a ABNT NBR 6118:2023. Este guia apresenta uma abordagem simples, clara e didática para explicar os conceitos fundamentais de engenharia estrutural, tornando-o adequado para estudantes com pouco conhecimento prévio sobre o assunto. Neste primeiro volume é apresentado o processo de elaboração de projetos estruturais para que o leitor se situe quanto à utilidade prática do conhecimento adquirido. Em seguida, são abordados os conhecimento técnicos quanto às características físicas dos materiais; o princípio do cálculo pelo método dos estados limites; o dimensionamento à flexão e ao cisalhamento de vigas e lajes no estado limite último; as verificações de fissuração, deformação e vibração referentes ao estado limite de serviço; e, por fim, o detalhamento de furos, aberturas e barras em vigas e lajes. Número do slide 1 Número do slide 2 Número do slide 3 Número do slide 4 Número do slide 5 Número do slide 6 Número do slide 7 Número do slide 8 Número do slide 9 Número do slide 10 Número do slide 11 Número do slide 12 Número do slide 13 Número do slide 14 Número do slide 15 Número do slide 16 Número do slide 17 Número do slide 18 Número do slide 19 Número do slide 20 Número do slide 21 Número do slide 22 Número do slide 23 Número do slide 24 Número do slide 25 Número do slide 26 Número do slide 27 Número do slide 28 Número do slide 29 Número do slide 30 Número do slide 31 Número do slide 32 Número do slide 33 Número do slide 34 Número do slide 35 Número do slide 36 Número do slide 37 Número do slide 38 Número do slide 39 Número do slide 40 Número do slide 41 Número do slide 42 Número do slide 43 Número do slide 44 Número do slide 45 Número do slide 46 Número do slide 47 Número do slide 48 Número do slide 49 Número do slide 50 Número do slide 51 Número do slide 52 Número do slide 53 Número do slide 54 Número do slide 55 Número do slide 56 Número do slide 57 Número do slide 58 Número do slide 59 Número do slide 60 Número do slide 61 Número do slide 62 Número do slide 63 Número do slide 64 Número do slide 65 Número do slide 66 Número do slide 67 Número do slide 68 Número do slide 69 Número do slide 70 Número do slide 71 Número do slide 72 Número do slide 73 Número do slide 74 Número do slide 75 Número do slide 76 Número do slide 77 Número do slide 78 Número do slide 79 Número do slide 80 Número do slide 81 Número do slide 82 Número do slide 83 Número do slide 84 Número do slide 85 Número do slide 86 Número do slide 87 Número do slide 88 Número do slide 89 Número do slide 90 Número do slide 91 Número do slide 92 Número do slide 93 Número do slide 94 Número do slide 95 Número do slide 96 Número do slide 97 Número do slide 98 Número do slide 99Número do slide 100 Número do slide 101 Número do slide 102 Número do slide 103 Número do slide 104 Número do slide 105 Número do slide 106 Número do slide 107 Número do slide 108 Número do slide 109 Número do slide 110 Número do slide 111 Número do slide 112 Número do slide 113 Número do slide 114 Número do slide 115 Número do slide 116 Número do slide 117 Número do slide 118 Número do slide 119 Número do slide 120 Número do slide 121 Número do slide 122 Número do slide 123 Número do slide 124 Número do slide 125 Número do slide 126 Número do slide 127 Número do slide 128 Número do slide 129 Número do slide 130 Número do slide 131 Número do slide 132 Número do slide 133 Número do slide 134 Número do slide 135 Número do slide 136 Número do slide 137 Número do slide 138 Número do slide 139 Número do slide 140 Número do slide 141 Número do slide 142 Número do slide 143 Número do slide 144 Número do slide 145 Número do slide 146 Número do slide 147 Número do slide 148 Número do slide 149 Número do slide 150 Número do slide 151 Número do slide 152 Número do slide 153 Número do slide 154 Número do slide 155 Número do slide 156 Número do slide 157 Número do slide 158 Número do slide 159 Número do slide 160 Número do slide 161 Número do slide 162 Número do slide 163 Número do slide 164 Número do slide 165 Número do slide 166 Número do slide 167 Número do slide 168 Número do slide 169 Número do slide 170 Número do slide 171 Número do slide 172 Número do slide 173 Número do slide 174 Número do slide 175 Número do slide 176 Número do slide 177 Número do slide 178 Número do slide 179 Número do slide 180 Número do slide 181pode ser feito 1000x mais rápido. E como tempo é dinheiro, quem ainda tenta calcular tudo à mão ou com tabelas não consegue compe- tir no mercado. Logo, o trabalho do engenheiro nessa etapa passou a ser a análise dos resultados. Uma boa dica para essa fase é tentar adivinhar como a estrutura se comportará e quais serão os prin- cipais resultados. Devemos então julgar se os dados obtidos estão, ou não, coerentes. “Faz sentido esse momento?”; “A es- trutura deveria se deformar desse jeito?”. Essa análise é impres- cindível, pois um possível erro na modelagem será refletido aqui. Por isso, confie, mas verifique. Por fim, é preciso estudar os deslocamentos, reações e esforços. Procure pelos valores mais elevados e veja se é possível reduzi-los de alguma forma conveniente. Se houver um ele- mento muito pouco solicitado ou que não esteja cumprindo a função a qual ele foi concebido, estude a sua real necessidade. Por exemplo: um pilar, geralmente, tem a função de trabalhar comprimido. Se após a análise foi identificado que ele se encon- tra tracionado, este pilar não está nem cumprindo sua função, nem aproveitando de modo eficiente os materiais, visto que o concreto não resiste bem à tração. 8 5º – DIMENSIONAMENTO No dimensionamento, o engenheiro deve verificar se as seções definidas na modelagem estão coerentes e definir a quantidade de armadura para cada seção. Caso contrário, é pre- ciso adaptá-las para a realidade dos esforços e deslocamentos obtidos pela análise estrutural. Além disso, também é importante avaliar a quantidade de armadura do projeto. Os valores costumam estar entre 80 a 120 kg de aço por m3 de concreto. Mas lembre-se que esse valor varia de acordo com a complexidade da estrutura. Quanto mais sofisticada for a edificação, é normal que essa taxa fique maior. Muitos softwares comerciais já desempenham a etapa de dimensionamento junto com a análise estrutural. Contudo, é essencial que o engenheiro domine todas as etapas do dimen- sionamento para compreender, julgar e verificar os resultados do software. Somente conhecendo as etapas e os critérios que levaram àquele resultado, o calculista será capaz de propor a melhor solução. E esta é a função desse livro. Te apresentar o passo a passo dos principais dimensionamentos em concreto armado para que você conheça os critérios e as etapas por trás de cada resultado. 9 6º – COMPATIBILIZAÇÃO É possível que durante essa etapa sejam solicitadas aberturas ou modificações no projeto. Tubulações de água e esgoto nem sempre possuem espaço suficiente no forro, fi- que atento. No capítulo 8 tratamos mais desse assunto. 10 Um dos recursos bastante utilizados nesta etapa são os modelos BIM (Building Information Modeling). O BIM permite que os projetos sejam sobrepostos e visualizados em 3D, facili- tando a identificação de conflitos e permitindo ajustes antes do início da construção. Isso ajuda a economizar tempo e dinheiro, além de garantir um projeto mais eficiente e seguro. A etapa de compatibilização de projetos é uma fase crucial no processo de construção de um edifício. É nessa fase que os projetos de cada área são avaliados e ajustados para garantir que todos os elementos sejam compatíveis, se encaixem adequada- mente e evitem conflitos e problemas que possam surgir durante a construção. A compatibilização de projetos também envolve a coor- denação entre os diferentes profissionais envolvidos no projeto, como arquitetos, engenheiros estruturais, hidráulicos e elétricos. Cada um desses profissionais é responsável por uma área espe- cífica, mas é necessário que trabalhem em conjunto para garantir que todos os elementos sejam compatíveis. 7º – DETALHAMENTO Chegamos na etapa que normalmente consome mais tem- po dos projetistas. Por essa razão, você não vai querer ter que deta- lhar duas vezes a mesma estru- tura. Logo, certifique-se que o pro- jeto não precisará passar por mais nenhuma alteração. Peça uma confirmação por e-mail de que você pode prosseguir com o deta- lhamento. No detalhamento é preciso desenhar, enumerar e quantificar todas os elementos e armaduras corretamente, como também in- cluir os cortes e detalhes da edifi- cação. Tente se colocar no lugar do construtor e imaginar todas as possíveis dúvidas que ele poderia ter. Um projeto bem detalhado é autoexplicativo. Isso pode redu- zir o número de ligações que você receberá quando a obra for exe- cutada. 11 8º – PLANTAS Com todos os desenhos detalhados, chegou a hora de organizá-los na planta. A ordem das plantas segue a ordem de execução. Para uma edificação de 1 pavimento, teríamos: o Locação dos pilares; o Formas das fundações; o Armação das fundações; o Armação dos pilares; o Armação das vigas baldrame; o Formas do pavimento; o Armação das vigas; o Armação das lajes; o Cortes. 12 Também é necessário se certificar que todas as informa- ções pertinentes do projeto estão presentes. Aqui estão algumas que geralmente são informadas: o Resistência do concreto (𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐); o Relação água/cimento (𝑎𝑎/𝑐𝑐); o Consumo dos materiais; o Classe de Agressividade Ambienta (CAA); o Tabela de cobrimentos para cada elemento estrutural; o Indicação de controle rigoroso de qualidade; o Módulo de elasticidade adotado para os materiais; o Cargas de alvenaria adotadas; o Cargas de lajes adotadas; o Tempo Requerido de Resistência ao Fogo (TRRF); o Tempo de cura para o concreto (mínimo 7 dias); o Tempo para desforma. 9º – GESTÃO Após concluído o projeto estrutural, entramos então na etapa de gestão. A gestão de um escritório que trabalha com projetos estruturais envolve diversas atividades para garantir a eficiência e qualidade dos serviços prestados. O processo como um todo envolve tarefas como: planeja- mento de metas, estratégias e cronogramas; gestão financeira; gerenciamento de recursos humanos através de contrações, treinamentos e avaliações de desempenho; marketing; dentre outros. Mas focando nos procedimentos que se relacionam ao projeto estrutural em si, podemos destacar: o Elaboração da ART; o Entrega do projeto; o Arquivamento do projeto; o Emissão de nota fiscal; o Emissão de recibo; o Pagamento dos funcionários; o Contabilidade; o Proposta para serviços adicionais. 13 Se você acha que seu trabalho acabou quando o projeto foi entregue, está enganado. É comum surgirem dúvidas, erros, mudanças e necessidades de visitas na obra. Esse trabalho extra pode ser cobrado a mais ou já ter sido combinado e precificado dentro do valor do projeto. É importante que o contrato tenha um detalhamento claro desta etapa para evitar aborrecimentos. O trabalho de acompanhamento da obra realizado por um engenheiro estrutural é extremamente importante para garantir a segurança e a qualidade da construção. Por mais que a respon- sabilidade da execução da obra seja do engenheiro contratado para esse serviço, é imprescindível que o engenheiro estrutural se certifique que a obra está sendo executada de acordo com o seu projeto. 10º – ACOMPANHAMENTO DA OBRA 14 A ocorrência de chuvas ou erros construtivos podem comprometer a estrutura da edificação, sendo então necessário a elaboração de laudos pa- ra atestar a qualidade da estrutura ou até projetos de reforços. E para isso, o mais indicado é o próprio calculista da estrutura original. Portanto, esteja sempre preparado para esse tipo de serviço. CONHECENDO OS MATERIAIS 2. ARISTÓTELES Antes de falarmos sobre as propriedades físicas dos mate- riais é importante conhecer o conceito dos valores característicos e o porquê deles serem tão importantes. Quando falamos em valores característicos estamos na verdade nos referindo a um valor adotado que representa, com uma certa margem de segurança, a propriedade a qual ele está associado. Veja o seguinte exemplo: 2.1 – VALORES CARACTERÍSTICOS Foram ensaiados 20 corpos-de-prova para determinar a resistência à compressão do concreto com 28 dias de idade e obtiveram-se os seguintesresultados: 33(MPa) 35 37 39 41 43 45 47 1 2 3 4 1 2 3 4 Reflita sobre qual dos valores você acha que deveria ser adotado para a resistência do concreto? (unid.) 17 Acha que deveríamos adotar a média? Talvez não, pois dessa forma 50% dos resultados estariam com uma resistência menor do que a considerada. O que seria bastante arriscado. Então poderíamos considerar o menor dos resultados, não é? Assim estaríamos a favor da segurança, mas será que existe necessidade de adotar um valor tão conservador? A resistência característica do concreto é definida como o valor que possui um grau de confiança de 95%, ou seja, a probabilidade de se encontrar uma resistência menor do que a característica é de apenas 5%. Voltando então para o nosso exemplo, 5% de 20 unidades é 1 unidade. Logo, o valor que supera 5% dos resultados é 35 MPa, sendo este o valor da resistência característica do concreto no exemplo. Os valores característicos representam um método de se- gurança para tratarmos da variabilidade dos resultados. Eles também são utilizados quando estamos tratando de solicitações, mas nesse caso temos interesse em escolher um va- lor que dificilmente seja superado. A representação dos valores característicos é feita a partir da letra “k” subscrita. Por exemplo, a resistência característica do concreto à compressão é chamada de “𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐”. 18 O aço é um material amplamente utilizado na construção civil e se tratando desse elemento, é preciso sempre ter em men- te três de suas principais características: 2.2 – AÇO 19 o Boa resistência à tração; o Boa resistência à compressão; o Elevada ductilidade. Ou seja, o material apresenta uma elevada deformação antes de atingir sua ruptura. Com relação à sua ductilidade, é importante ressaltar que apesar do aço apresentar rupturas próximas à deformação de 20‰, mais adiante veremos que ao atingir a deformação de 10‰ já é possível considerar a ruptura da estrutura devido a deformação excessiva da armadura. 20 2.2.1 – TIPOS DE AÇO Os tipos de aço utilizados em estruturas de concreto ar- mado são divididos em categorias que referenciam a sua resis- tência. Para diferenciá-los utilizamos a seguinte nomenclatura: CA-50Sigla “CA” referente à utilização em concreto armado. Resistência característica em kN/cm2. A categoria mais comum para a produção de barras longitudinais é o aço CA-50. Contudo, também é possível encontrar barras de CA-25 e CA-60. Já o aço utilizado para compor os estribos são da categoria CA-60 para diâmetros até 5mm e CA-50 para valores acima dos 5mm. Além disso, as barras de aço também podem ser classifi- cadas de acordo com a conformidade da sua superfície. É comum que cada tipo de superfície esteja associada a uma resistência específica, sendo: Lisa = CA-25 Entalhada = CA-60 Nervurada = CA-50 2.2.2 – TENSÃO x DEFORMAÇÃO A relação tensão x deformação de um material revela o seu comportamento quando comprimido ou tracionado. Para o caso do aço, observamos um comportamento semelhante ao ilustrado no gráfico abaixo. Nesse gráfico temos algumas observações importantes: 1. O nível de tensão do aço sobe linearmente até atingir seu valor máximo, chamamos esse trecho de regime elástico. 2. Como está exemplificado o comportamento do aço CA-”50”, a sua tensão de escoamento vale “50” kN/cm2 ou 500 MPa. 3. Ao calcularmos a inclinação do regime elástico achamos o seu “Módulo de Elasticidade” (𝐸𝐸𝑠𝑠), logo: 𝐸𝐸𝑠𝑠 = 𝜎𝜎 𝜀𝜀 COMPRESSÃO OU TRAÇÃO 20‰𝜀𝜀𝑦𝑦 500 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 AÇO CA-50 𝜀𝜀 𝜎𝜎 21 4. Na falta de um ensaio experimental para caracterizar o mó- dulo de elasticidade do aço (𝐸𝐸𝑠𝑠), pode ser adotado o valor de 210.000 MPa. 5. Utilizamos o módulo de elasticidade para achar o valor da tensão ou deformação quando já conhecemos um deles. Por exemplo: - Isolando 𝜀𝜀: 𝐸𝐸 = 𝜎𝜎 𝜀𝜀 → 𝜀𝜀 = 𝜎𝜎 𝐸𝐸 - Substituindo os valores: 𝜀𝜀 = 300 210000 → 𝜀𝜀 = 0,00143 → 𝜀𝜀 = 1,43‰ Qual a deformação do aço para a tensão de 300 MPa? 6. Depois que o aço atinge sua tensão máxima ocorre o que chamamos de escoamento. Nesse patamar, o aço se deforma livremente até atingir a sua ruptura, sem que seja necessário um acréscimo de tensão para isso. 7. Para o aço CA-50, a deformação específica que determina o início do seu escoamento vale 2,07‰. Este valor está associado à tensão 434,8 MPa, a qual é resultado da divisão da tensão de 500 MPa pelo coeficiente de ponderação do aço de 1,15, o qual falaremos mais adiante. 22 2.3 – CONCRETO O concreto é um material amplamente utilizado na cons- trução civil devido à sua alta resistência, durabilidade e versati- lidade. Ele é composto principalmente por cimento, água, agre- gados (como areia e pedra) e aditivos. Além disso, ele possui a vantagem de poder ser moldado em diferentes formas e tamanhos. Sobre as suas características, é importante destacar: o Baixa resistência à tração; o Elevada resistência à compressão; o Comportamento frágil. Ou seja, ruptura com baixas deformações. Agora você pode perceber o motivo da utilização do con- creto armado. O aço normalmente atua complementando o con- creto nas área em que ele é menos eficiente, na resistência à tra- ção e no comportamento dúctil. 23 C20 2.3.1 – CLASSE O concreto é dividido entre classes e grupos. Cada classe é referente à sua resistência característica à compressão aos 28 dias de idade. Já os grupos dividem o concreto conforme o seu comportamento. Veja como fica essa classificação: C20 C30 C40 C50 C60 C70 C80 C90Classe I IIGrupo Concreto Resistência característica em MPa A divisão entre os grupos ocorre no valor de resistência de 50 MPa. A partir desse valor, a matriz rígida de argamassa do concreto passa a ser tão resistente quanto o agregado graúdo. Dessa forma, ocorre uma alteração do modo de ruptura do material, o que influência as suas propriedades mecânicas. 24 Nos concretos do grupo I, a superfície de ruptura tende a contornar os agregados graúdos, já nos concretos do grupo II essa superfície tende a corta os agregados também! Essa alteração modifica o comportamento estrutural do concreto, fazendo com que a determinação de suas resistências, rigidez e deformações apresentem outros padrões. Em obras usuais é muito raro encontrar concreto com re- sistência acima dos 50 MPa. Por isso, neste livro só são tratados os concretos do grupo I. Agregado graúdo Argamassa Ruptura Ruptura Ruptura grupo I Ruptura grupo II 2.3.2 – MASSA ESPECÍFICA O peso próprio do concreto é uma solicitação importante a se considerar na análise estrutural. Por isso, reservar um lugar na memória para esses valores não é uma má ideia: Concreto simples: 2400 𝑘𝑘𝑘𝑘𝑓𝑓/𝑚𝑚3 → 24 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚3 Concreto armado: 2500 𝑘𝑘𝑘𝑘𝑓𝑓/𝑚𝑚3 → 25 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚3 25 2.3.3 – RESISTÊNCIA À TRAÇÃO Na falta de ensaios experimentais para determinar as re- sistências à tração, seus valores podem ser estimados com base na resistência característica do concreto à compressão (𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐) com base nas seguintes equações: 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 = 0,3 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 2/3Resistência média: *chance de 50% de ser ultrapassada Resistência característica inferior: *chance de 95% de ser ultrapassada 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐,𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 = 0,7 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 Resistência característica superior: *chance de 5% de ser ultrapassada 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐,𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠 = 1,3 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 Como você pode reparar, existem três valores para a resistência à tração do concreto. Cada um deles é utilizado em situações diferentes. A resistência média, é a resistência mais provável de se encontrar no ensaio. A resistência característica inferior se trata de um valor que subestima a resistência à tração real do concre- to, adotando um valor abaixo do esperado. E a resistência carac- terística superior, superestima a resistência do concreto, adotan- do um valor que dificilmente será superado. Não se preocupe com essas equaçõesagora. Veremos suas aplicações na medida em que elas forem necessárias. 26 2.3.4 – TENSÃO x DEFORMAÇÃO COMPRESSÃO TRAÇÃO TE N SÃ O DEFORMAÇÃO ESPECÍFICA 3,5 ‰ Antes de entender o diagrama tensão-deformação norma- tivo do concreto é preciso entender como o concreto se compor- ta na realidade. Diferentemente do aço, o concreto é uma material consi- derado não-linear, ou seja, ele não apresenta um regime elástico linear como o aço. Observe um diagrama típico do concreto: 𝜎𝜎 𝜀𝜀 Um dos fatores para esse tipo de comportamento é dado a facilidade do concreto em fissurar. Uma vez formada a fissura, parte da capacidade resistente daquele local é esgotada, o que modifica o comportamento geral da estrutura. 27 Se não existe linearidade no diagrama tensão-deformação do concreto, não deveria fazer sentido definir um único valor para o módulo de elasticidade, não é? É por isso que na norma temos dois tipos de módulos de elasticidade para o concreto. Módulo de elasticidade tangente inicial (𝐸𝐸𝑐𝑐𝑖𝑖): Utilizado em análises globais do edifício, ou seja, para medir os deslocamentos da estrutura como um todo. Módulo de elasticidade secante (𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠): Utilizado para as análises locais de fissuração, deformação, vibração, tensões, entre outras. Vejamos agora como a ABNT NBR 6118:2023 define o diagrama tensão deformação do concreto: 3,5 ‰2,0 ‰ COMPRESSÃOTE N SÃ O DEFORMAÇÃO ESPECÍFICA 𝜎𝜎 𝜀𝜀 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 28 E para a tração: 0,15 ‰ TRAÇÃO TE N SÃ O DEFORMAÇÃO ESPECÍFICA 𝜎𝜎 𝜀𝜀 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 0,9𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑖𝑖 Com relação aos valores do módulo de elasticidade, a nor- ma brasileira define as seguintes equações: 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑖𝑖 = 𝛼𝛼𝐸𝐸 ⋅ 5600 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝛼𝛼𝐸𝐸 = 1,2 → 𝑏𝑏𝑎𝑎𝑏𝑏𝑎𝑎𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏 𝑒𝑒 𝑑𝑑𝑑𝑑𝑎𝑎𝑏𝑏𝑑𝑏𝑏𝑑𝑑𝑏𝑏 1,0 → 𝑘𝑘𝑔𝑔𝑎𝑎𝑔𝑔𝑑𝑑𝑏𝑏𝑏𝑏 𝑒𝑒 𝑘𝑘𝑔𝑔𝑎𝑎𝑑𝑑𝑏𝑏𝑏𝑏𝑒𝑒 0,9 → 𝑐𝑐𝑎𝑎𝑏𝑏𝑐𝑐𝑑𝑔𝑔𝑑𝑑𝑏𝑏 0,7 → 𝑎𝑎𝑔𝑔𝑒𝑒𝑔𝑔𝑑𝑑𝑏𝑏𝑏𝑏 Onde: 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑖𝑖: módulo de elasticidade tangente inicial do concreto; 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠: módulo de elasticidade secante do concreto; 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐: resistência característica à compressão do concreto; 𝛼𝛼𝐸𝐸: constante do tipo de agregado graúdo, que vale: 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠 = 0,8 + 0,2 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 80 𝐸𝐸𝑐𝑐𝑖𝑖 29 2.3.5 – TABELAS Para agilizar o cálculo das propriedades do concreto, é comum a utilização de tabelas que relacionam o 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 do concreto com a característica desejada. Aqui estão algumas das tabelas mais utilizadas: C20 C25 C30 C35 C40 C45 C50Classe 14,3 17,9 21,4 25,0 28,6 32,1 35,7𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 (𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎) 1,55 1,79 2,03 2,25 2,46 2,66 2,85𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐,𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖 (𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎) 1,11 1,28 1,45 1,60 1,75 1,90 2,04𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 (𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎) 2,21 2,56 2,90 3,21 3,51 3,80 4,07𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 (𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎) Resistências do concreto por classe. C20 C25 C30 C35 C40 C45 C50Classe 25,0 28,0 30,7 33,1 35,4 37,6 39,6𝐸𝐸𝑐𝑐𝑖𝑖 (𝐺𝐺𝑀𝑀𝑎𝑎) 21,3 24,2 26,8 29,4 31,9 34,3 36,6𝐸𝐸𝑐𝑐𝑠𝑠 (𝐺𝐺𝑀𝑀𝑎𝑎) Módulo de elasticidade do concreto por classe, com 𝜶𝜶𝑬𝑬 = 𝟏𝟏. 30 ESTADOS LIMITES 3. STEPHEN HALKING 3.1 – MODELO DE CÁLCULO O método de cálculo baseado nos estados limites tem como objetivo garantir que as solicitações correspondentes às cargas majoradas sejam menores que as solicitações necessárias para provocar um estado pré-definido da estrutura. Por exemplo, se queremos garantir que a estrutura resista ao seu “estado de ruína”, calculamos as solicitações que iriam produzir tal estado e então garantimos que as solicitações que irão atuar sobre ela não superem este valor limite. Este “estado de ruína” é chamado de Estado Limite Último (ELU) e também engloba qualquer estado que exija a paralisação da obra. Além do ELU, também é possível definir estados limites para garantir uma boa aparência, conforto e durabilidade para a estrutura. Para esses casos, chamamos de Estados Limites de Serviço (ELS). No ELS são definidos parâmetros que não devemos ultrapassar para que seja garantida a plena utilização da estru- tura. Tais parâmetros vão desde níveis de deformações e fissura- ções toleradas, até limitação da frequência de vibração da estru- tura. Todas estas verificações são abordadas no capítulo 7. Solicitações atuantes majoradas Solicitações necessárias para provocar o estado limite≤ 33 Na engenharia estrutural, a palavra “ação” se refere a qualquer influência capaz de provocar tensões ou deformações na estrutura. Os exemplos de ações mais comuns são as solicitações de peso próprio dos elementos construtivos e cargas de utilização, mas também entram nessa classificação eventos como recalque, fluência do concreto, variação de temperatura, entre outros. Mas veja o que a ABNT NBR 6118:2023 diz a respeito das ações: 3.2 – AÇÕES “Na análise estrutural deve ser considerada a influ- ência de todas as ações que possam produzir efeitos signifi- cativos para a segurança da estrutura em exame.” Perceba que não é necessário considerar o efeito de todas as ações sempre, apenas quando elas oferecerem uma influência significativa para a segurança da estrutura. Dessa forma, ações como recalques, variação de temperatura, sismos, retração, im- pactos e outras do gênero, nem sempre são consideradas. Para falar a verdade, a grande maioria dos projetos estruturais se limi- tam a apenas a consideração do peso dos elementos, cargas de utilização e vento. Devido à grande variabilidade de comportamento das ações, elas são classificadas de acordo com a sua frequência de atuação, sendo divididas entre: permanentes, variáveis e excep- cionais. 34 3.2.1 – PERMANENTES As ações classificadas como permanentes são as que ocor- rem com valores praticamente constantes durante toda a vida útil da estrutura, sem variar significativamente em relação às condições de operação normais da estrutura. Algumas podem até crescer com o tempo, mas atingem um valor limite que permanece constante em seguida. Ca rg a Tempo As ações permanentes ainda são divididas entre diretas e indiretas, que englobam as seguintes solicitações: Peso próprio da estrutura Elementos construtivos fixos Instalações permanentes Diretas Retração Fluência Deslocamentos de apoio Imperfeições geométricas Protensão Indiretas 35 3.2.2 – VARIÁVEIS As cargas variáveis são aquelas que podem variar em magnitude e/ou posição ao longo do tempo. Essas cargas podem ser causadas por ações externas, como o vento, a água, a neve, as pessoas, o tráfego de veículos e outros; ou por ações internas, como a movimentação de máquinas e equipamentos, ou as mudanças na distribuição de cargas em uma estrutura. As ações variáveis também são divididas entre diretas e indiretas, sendo: Vento Água Cargas de utilização Diretas Variação de temperatura Ações dinâmicas Indiretas Ca rg a Tempo 36 3.2.3 – EXCEPCIONAIS As ações excepcionais são cargas que ocorrem em con- dições fora do padrão, ou seja, situações extremas que podem causar danos ou colapsos na estrutura. Essas ações são raras, mas podem ser extremamente perigosas se não forem conside- radas no projeto e no dimensionamento de uma estrutura sus- ceptível à esse tipo de solicitação. As ações excepcionais raramente são consideradas em es- truturas usuais e cada ação é tratada individualmente com uma norma específica. Terremotos Incêndios Explosões Impacto de veículos Exemplos Ca rg a Tempo 37 3.3 – COMBINAÇÃO DE AÇÕES Quando vamos calcular as solicitações de uma estrutura e estudar os seus estados limites, teremos que combinar as ações permanentes, variáveis e excepcionais que consideramos no modelo. Contudo, dependendo da finalidade dessa combinação ela será classificada de maneira diferente. Veja: COMBINAÇÕES DO ELU NORMAIS ESPECIAIS OU DE CONSTRUÇÃO EXCEPCIONAIS Utilizada nos casos usuais de ELU. Utilizada para verificações durante a construção da obra. Utilizada quando há a consideração de ações excepcionais.COMBINAÇÕES DO ELS QUASE PERMANENTES FREQUENTES RARAS Utilizada para verificar deformações excessivas. Utilizada para verificações formação e abertura de fissuras e vibrações. Utilizada para verificar a formação de fissuras. 38 Ao considerarmos uma ação precisamos estar cientes que o valor adotado se trata de uma aproximação. Não medimos o peso exato da estrutura nem temos a certeza que uma cozinha pesa 150 kgf/m2, por exemplo. Esses valores podem variam bas- tante entre uma obra e outra. Além disso, ações variáveis como a carga de utilização e do vento apresentam valores conservadores que dificilmente são superados. Se já é relativamente raro que este valor seja ultra- passado, qual seria a probabilidade de duas ações variáveis serem ultrapassadas ao mesmo tempo? Bastante improvável, não é? Para lidar com essas incertezas utilizamos os coeficientes de ponderação, que nada mais são do que uma maneira de adequar os valores característicos das ações para a realidade do projeto. 3.4 – COEFICIENTES DE PONDERAÇÃO VARIAÇÃO DE VALORES SIMULTANEIDADE DAS AÇÕES APROXIMAÇÕES DE CÁLCULO 39 3.4.1 – PONDERAÇÃO DAS AÇÕES Os coeficientes de ponderação das ações e das resistên- cias são utilizados para garantir a segurança e a confiabilidade das estruturas. Para as ações, tais fatores multiplicam as diferen- tes cargas atuantes, enquanto nas resistências, os coeficientes atuam minorando as capacidades resistivas dos materiais. 3.4.1.1 – VALORES O coeficiente de ponderação das ações é determinado em função da variabilidade das ações, probabilidade de ocorrência simultânea das cargas e aproximações de cálculo. Para cada um desses fatores, é determinado um coeficiente específico, sendo o valor final do 𝛾𝛾𝑖𝑖 dado pelo produtos dos três coeficientes. 𝛾𝛾𝑖𝑖 = 𝛾𝛾𝑖𝑖1 ⋅ 𝛾𝛾𝑖𝑖2 ⋅ 𝛾𝛾𝑖𝑖3 Variabilidade Simultaneidade Aproximações O cálculo do coeficiente 𝛾𝛾𝑖𝑖 é obtido pela consulta de duas tabelas que estão ilustra- das na página seguinte. A primeira fornece o produto de 𝛾𝛾𝑖𝑖1 e 𝛾𝛾𝑖𝑖3. Já a segunda fornece o valor de 𝛾𝛾𝑖𝑖2. 40 Combinação de ações Ações Permanentes Variáveis Desfav. Favor. Geral Temp. ELU - Normais 1,4 1,0 1,4 1,2 ELU - Especiais 1,3 1,0 1,2 1,0 ELU - Excepcionais 1,2 1,0 1,0 0,0 ELS 1,0 1,0 1,0 1,0 Valores de 𝛾𝛾𝑖𝑖1 ⋅ 𝛾𝛾𝑖𝑖3 Valores de 𝛾𝛾𝑖𝑖2 Ações 𝛾𝛾𝑖𝑖2 𝜓𝜓0 𝜓𝜓1 𝜓𝜓2 Va riá ve is Acidental sem pesos fixos nem concentração de pessoas 0,5 0,4 0,3 Acidental com pesos fixos ou concentração de pessoas 0,7 0,6 0,4 Acidental de bibliotecas, oficinas, arquivos ou garagens 0,8 0,7 0,6 Pressão dinâmica do vento 0,6 0,3 0,0 Variação de temperatura 0,6 0,5 0,3 Permanentes 1,0 1,0 1,0 41 É importante ressaltar que também existem valores de coeficientes de ponderação para os casos de protensão, recal- ques e retração, eles apenas foram omitidos por uma questão didática. Por se tratarem de ações mais específicas, não se preocupe com elas agora. Os valores com os quais você mais estará trabalhando estão destacados em azul claro. Observe que as ações permanentes devem ser majoradas apenas quando apresentarem um esforço desfavorável, ou seja, estejam contribuindo para a instabilidade da estrutura. Existem alguns casos em que, dependendo da direção em que a carga é aplicada, a ação permanente pode atuar aliviando os esforços totais na estrutura. Para estas situações a carga é considerada com seu valor característico, sem majoração ou minoração. Outro fator importante de se comentar é o valor de 𝛾𝛾𝑖𝑖2, o qual assume a forma de 𝜓𝜓𝑖𝑖. Essa variação de nomenclatura é importante, pois o valor de 𝛾𝛾𝑖𝑖2 varia no mesmo tipo de ação, conforme veremos no tópico 3.5. 42 3.4.2 – PONDERAÇÃO DAS RESISTÊNCIAS Os coeficientes de ponderação das resistências visam esta- belecer uma relação entre as resistências obtidas por ensaios de laboratório e a definitivamente encontradas na obra. Sendo: Concreto (𝛾𝛾𝑐𝑐) 1,40 Combinação ELU – Normal Aço (𝛾𝛾𝑠𝑠) 1,15 1,20ELU – Especial 1,15 1,20ELU – Excepcional 1,00 1,00ELS 1,00 3.4.3 – NOMENCLATURA Durante o cálculo de uma combinação de ações estarão presentes na mesma equação diferentes tipos de solicitações e coeficientes de ponderação. Para diferenciar cada classe de termos são adotados diferentes letras subscritas. 𝑘𝑘 Ações permanentes 𝑞𝑞 Ações variáveis 𝜀𝜀 Ações indiretas 𝑞𝑞𝑏𝑏 Ação variável principal 𝑒𝑒𝑒𝑒𝑐𝑐 Ações excepcionais 43 Para execuções em que estejam previstas más condições de concretagem, transporte ou adensamento do concreto, é ne- cessário multiplicar o coeficiente 𝛾𝛾𝑐𝑐 por 1,1. Caso o ensaio de compressão do concreto seja realizado em um corpo-de-prova extraído da estrutura original (teste- munho), o fator 𝛾𝛾𝑐𝑐 pode ser dividido por 1,1. Chegou a hora de realizar o cálculo das combinações de ações. A princípio, as equações podem parecer um pouco mais complexas do que realmente são, mas a ideia principal do cálculo é somar todos os produtos dos valores característicos de cada ação com seu respectivo coeficiente ponderador. As equações para as combinações de ações estão presentes na ABNT NBR 6118:2023 e são apresentadas em sua forma geral. Contudo, conforme dito anteriormente, raramente é necessário utilizarmos todos os tipos de ação em uma edificação, basta considerar aquelas que oferecem um risco significativo à estrutura. Logo, nos casos mais usuais, tais equações podem ser simplificadas cortando os termos não utilizados. Neste tópico vamos apresentar as equações das principais combinações na sua forma geral e em uma versão simplificada, considerando duas cargas permanentes e duas cargas variáveis. 3.5 – CALCULANDO AS COMBINAÇÕES Permanente 1: Peso próprio Permanente 2: Peso alvenaria Variável 1: Carga acidental Variável 2: Vento 44 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 𝛾𝛾𝑔𝑔 ⋅ 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐 + 𝛾𝛾𝜀𝜀𝑔𝑔 ⋅ 𝐹𝐹𝜀𝜀𝑔𝑔𝑐𝑐 + 𝛾𝛾𝑞𝑞 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 + 𝛾𝛾𝑞𝑞 ⋅� 𝑗𝑗=1 𝑖𝑖 𝜓𝜓𝑜𝑜𝑗𝑗 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑗𝑗𝑐𝑐 + 𝛾𝛾𝜀𝜀𝑞𝑞 ⋅ 𝜓𝜓0𝜀𝜀 ⋅ 𝐹𝐹𝜀𝜀𝑞𝑞𝑐𝑐 3.5.1 – ELU: NORMAL Equação geral: Permanentes diretas Permanentes indiretas Variável principal Variáveis secundárias Variável indireta (temperatura) Para a combinação última normal é necessário atribuir uma variável principal, de forma que seja aquela que produz a maior solicitação final (𝐹𝐹𝑐𝑐). Essa variável não será multiplicada pelo fator de minoração 𝛾𝛾𝑖𝑖2 = 𝜓𝜓0, apenas as demais ações va- riáveis da estrutura, definidas como secundárias. Emobras usuais não é comum a consideração de ações indiretas. Dessa forma, considerando apenas as duas ações per- manentes e duas variáveis definidas para o exemplo, a equação geral poderia ser simplificada da seguinte forma: 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 𝛾𝛾𝑔𝑔 ⋅ 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 + 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 + 𝛾𝛾𝑞𝑞 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 + 𝛾𝛾𝑞𝑞 ⋅ 𝜓𝜓𝑜𝑜 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑐𝑐 Permanentes Variável principal Variável secundária 45 Equação geral: 3.5.2 – ELS: QUASE PERMANENTE 𝐹𝐹𝑐𝑐 = � 𝑖𝑖=1 𝑖𝑖 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑖𝑖𝑐𝑐 + � 𝑗𝑗=1 𝑐𝑐 𝜓𝜓2𝑗𝑗 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑗𝑗𝑐𝑐 Permanentes Variáveis Na combinação de serviço quase perma- nente as ações permanentes entram com seu va- lor característico, ou seja, 𝛾𝛾𝑖𝑖 = 1. Já as ações variáveis devem ser minoradas pelo coeficiente 𝛾𝛾𝑖𝑖2 = 𝜓𝜓2. Veja como ficaria nosso exemplo: 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 + 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 + 𝜓𝜓2 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑐𝑐1 + 𝜓𝜓2 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑐𝑐2 Peso próprio Acidental Alvenaria Vento Nesse caso não é necessário se preocupar com qual ação deve ser adotada como variável principal 46 Equação geral: 3.5.3 – ELS: FREQUENTE 𝐹𝐹𝑐𝑐 = � 𝑖𝑖=1 𝑖𝑖 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑖𝑖𝑐𝑐 + 𝜓𝜓1 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 + � 𝑗𝑗=1 𝑐𝑐 𝜓𝜓2𝑗𝑗 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑗𝑗𝑐𝑐 Permanentes Variável principal Variáveis secundárias Na combinação frequente de serviço devemos considerar uma ação variável principal, sendo multiplicada pelo coeficiente 𝜓𝜓1, e as demais ações variáveis como secundárias, sendo mino- radas pelo coeficiente𝜓𝜓2. Da mesma forma que na combinação normal do ELU, a va- riável principal deve ser a ação que, quando combinada, irá pro- duzir o maior valor no 𝐹𝐹𝑐𝑐. 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 + 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 + 𝜓𝜓1 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 + 𝜓𝜓2 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑐𝑐 Permanentes Variável principal Variável secundária 47 Equação geral: 3.5.4 – ELS: RARA 𝐹𝐹𝑐𝑐 = � 𝑖𝑖=1 𝑖𝑖 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑖𝑖𝑐𝑐 + 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 + � 𝑗𝑗=1 𝑐𝑐 𝜓𝜓1𝑗𝑗 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑗𝑗𝑐𝑐 Permanentes Variável principal Variáveis secundárias A combinação rara de serviço é bastante similar à fre- quente. A diferença é que agora a ação variável principal não é minorada e as variáveis secundárias são multiplicadas pelo coeficiente 𝜓𝜓1. Veja como fica a equação no nosso exemplo: 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1 + 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐2 + 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑞𝑞𝑐𝑐 + 𝜓𝜓1 ⋅ 𝐹𝐹𝑞𝑞𝑐𝑐 Permanentes Variável principal Variável secundária 48 3.5.5 – EXEMPLO Dada a estrutura e cargas ilustradas abaixo, calcule a carga vertical distribuída sobre a viga V1 para as combinações: normal (ELU), quase permanente (ELS), frequente (ELS) e rara (ELS). L1 2 m 3 m 20 cm 40 c m 10 cm 49 Cargas Peso concreto (𝜌𝜌𝑐𝑐𝑜𝑜𝑖𝑖𝑐𝑐): 25 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚3 Revestimento (𝑘𝑘𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟): 1 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚2 Carga acidental (𝑞𝑞𝑎𝑎𝑐𝑐𝑖𝑖𝑐𝑐): 1,5 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚2 Utilização: Sem pesos fixos nem concentração de pessoas. Volume da laje sobre V1 (VL1): 𝑉𝑉 = 3 ⋅ 1 ⋅ 0,1 → 𝑉𝑉 = 0,3 𝑚𝑚3 Peso próprio da laje (G1): 𝐺𝐺1 = 𝑉𝑉 ⋅ 𝜌𝜌𝑐𝑐𝑜𝑜𝑖𝑖𝑐𝑐 𝐺𝐺1 = 0,3 ⋅ 25 → 𝐺𝐺1 = 7,5 𝑘𝑘𝑘𝑘 Área (A): 𝐴𝐴 = 3 ⋅ 1 → 𝐴𝐴 = 3,0 𝑚𝑚3 SOLUÇÃO 1 m 3 m 10 cm 1 – Cargas da laje que descarregam em V1 Peso revestimento (G2): 𝐺𝐺2 = 𝐴𝐴 ⋅ 𝑘𝑘𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟 𝐺𝐺2 = 3,0 ⋅ 1 → 𝐺𝐺2 = 3,0 𝑘𝑘𝑘𝑘 Peso acidental (Q1): 𝑄𝑄1 = 𝐴𝐴 ⋅ 𝑞𝑞𝑎𝑎𝑐𝑐𝑖𝑖𝑐𝑐 𝑄𝑄1 = 3,0 ⋅ 1,5 → 𝑄𝑄1 = 4,5 𝑘𝑘𝑘𝑘 50 Volume da viga (VV1): 𝑉𝑉 = 3 ⋅ 0,4 ⋅ 0,2 → 𝑉𝑉 = 0,24 𝑚𝑚3 Peso próprio da viga (G3): 𝐺𝐺3 = 𝑉𝑉 ⋅ 𝜌𝜌𝑐𝑐𝑜𝑜𝑖𝑖𝑐𝑐 𝐺𝐺3 = 0,24 ⋅ 25 → 𝐺𝐺3 = 6,0 𝑘𝑘𝑘𝑘 2 – Cargas da viga V1 3 – Organizar ações Permanentes Peso da laje: 𝐺𝐺1 = 7,5 𝑘𝑘𝑘𝑘 Peso revest.: 𝐺𝐺2 = 3,0 𝑘𝑘𝑘𝑘 Peso viga: 𝐺𝐺3 = 6,0 𝑘𝑘𝑘𝑘 Variáveis Acidental: 𝑄𝑄1 = 4,5 𝑘𝑘𝑘𝑘 Como as ações permanentes são tratadas juntas, elas podem ser somada para simplificar os cálculos. Dessa forma: Ação permanente (G): 𝐺𝐺 = 𝐺𝐺1 + 𝐺𝐺2 + 𝐺𝐺3 → 𝐺𝐺 = 7,5 + 3 + 6 𝐺𝐺 = 16,5 𝑘𝑘𝑘𝑘 51 Carga permanente: 𝑘𝑘 = 𝐺𝐺 𝐿𝐿 → 𝑘𝑘 = 16,5 3 𝑘𝑘 = 5,5 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 Variável acidental: 𝑞𝑞1 = 𝑄𝑄1 𝐿𝐿 → 𝑞𝑞1 = 4,5 3 → 𝑞𝑞1 = 1,5 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 4 – Distribuir as cargas na viga V1 3 m 5 – Coletar os coeficientes ponderadores (pág.36) Combinação normal (ELU): 𝛾𝛾𝑔𝑔 = 1,4 𝛾𝛾𝑞𝑞 = 1,4 𝜓𝜓0 = 0,5 Combinação quase permanente (ELS): 𝜓𝜓2 = 0,3 Combinação frequente (ELS): 𝜓𝜓1 = 0,4 𝜓𝜓2 = 0,3 Combinação rara (ELS): 𝜓𝜓1 = 0,4 52 6 – Calcular as combinações Combinação normal (ELU): 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸 = 𝛾𝛾𝑔𝑔 ⋅ 𝑘𝑘 + 𝛾𝛾𝑞𝑞 ⋅ 𝑞𝑞1 → 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸 = 1,4 ⋅ 5,5 + 1,4 ⋅ 1,5 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸 = 9,8 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 Combinação quase permanente (ELS): 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑄𝑄𝑄𝑄 = 𝑘𝑘 + 𝜓𝜓2 ⋅ 𝑞𝑞1 → 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑄𝑄𝑄𝑄 = 5,5 + 0,3 ⋅ 1,5 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑄𝑄𝑄𝑄 = 6,0 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 Combinação frequente (ELS): 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 = 𝑘𝑘 + 𝜓𝜓1 ⋅ 𝑞𝑞1 → 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 = 5,5 + 0,4 ⋅ 1,5 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝐹𝐹 = 6,1 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 Combinação rara (ELS): 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 = 𝑘𝑘 + 𝑞𝑞1 → 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 = 5,5 + 1,5 𝐹𝐹𝑐𝑐,𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸,𝑅𝑅 = 7,0 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚 Como no exemplo só foi utilizado uma ação variável, ela será considerada como variável principal, sem a necessidade do processo iterativo, visto que não existem ações variáveis secundárias. 53 3.5.6 – VALORES DE CARGAS A ABNT NBR 6120:2019 reúne valores recomendados para as cargas consideradas. Estão reunidos aqui alguns dos valores mais utilizados: Carga por área: 1,6 kN/m2 Alvenaria de 2,5m: 4,0 kN/m A L V E N A R I A Alvenaria de bloco cerâmico de 8 fu- ros, com 9 cm de espessura e reves- timento de 2 cm em cada face. S A L A S R E S I D E N C I A I S Carga por área: 1,5 kN/m2 Salas de estar, cozinhas, banheiros, corredores e dormitórios apresentam a mesma carga acidental: Telhado completo: 0,85 kN/m2 Apenas a telha: 0,60 kN/m2 T E L H A D O C O L O N I A L Tanto os telhados com telha cerâmica colonial, como também germânica, apresentam as seguintes cargas: 54 FLEXÃO DE VIGAS 4. CHARLES MINGUS O primeiro passo para compreender o dimensionamento de elementos submetidos à flexão é entender que existem diver- sos tipos de flexão e que os procedimentos de cálculo podem mudar conforme tais solicitações. 4.1 – TIPOS DE FLEXÃO É preciso sempre ter em mente o tipo de flexão que o elemento estrutural está trabalhado e, a partir daí, prosseguir para o dimensionamento. 4.1.1 – SIMPLES OU COMPOSTA A primeira categoria de flexão que vamos analisar é quan- to a sua solicitação axial. Chamamos de “flexão simples” a flexão que não possui esforços axiais relevantes, comumente observada em vigas e lajes. Já a “flexão composta” apresenta esforços de compressão ou tração relevantes, sendo normalmente observa- da em pilares e estruturas de concreto protendido. 𝑘𝑘 = 0 𝑘𝑘 ≠ 0 Simples Composta 57 4.1.2 – NORMAL OU OBLÍQUA A flexão também é caracterizada conforme a orientação do momento solicitante. Seções simétricas apresentam eixos principais de inércia, e quando o momento fletor atua em apenas um desses eixos, dizemos que a flexão é “normal”. Esse tipo de flexão é o mais comum em elementos que se limitam a receber cargas verticais, como é o caso de vigas e lajes, mas também pode ocorrer em pilares que recebem o momento proveniente de uma viga em apenas um dos seus eixos. Chamamos então de flexão “oblíqua” os caso em que a flexão possa ser decomposta em mais de um eixo principal de inércia. Essa situação é frequentemente observada em pilares que recebem o momento de vigas em mais de um eixo. 58 𝑉𝑉 ≠ 0 4.1.3 – PURA OU NÃO PURA Uma diferenciação bastante importante nos ambientes de pesquisa é a de flexão pura e não pura. A flexão “pura” ocorre quando um segmento do elemento estrutural está sujeito ape- nas à ação do momento fletor, sem a presença de esforços cor- tantes, caso contrário, dizemos que se trata de uma flexão “não pura”. A flexão pura em longos segmentos é rara de se observar fora dos laboratórios. Ela requer uma configuração mais precisa de carregamentos e vínculos para ser reproduzida. Esse tipo de flexão é especialmente utilizada em pesquisas para se estudar elementos flexionados sem a interferência dos efeitos de cisalha- mento na peça. 𝑉𝑉 = 0 59 Os estádios de uma viga representam três etapas do com- portamento da estrutura, desde o início da solicitação, até atingir a sua capacidade máxima e ruína. 4.2 – ESTÁDIOS - Momento solicitante fraco - Concreto e aço resistem à tração - Distribuição de tensão linear - Não há fissuras visíveis - Momento solicitante forte - Apenas o aço resiste à tração - Distribuição de tensão linear - Fissuras visíveis - Momento solicitante muito forte - Apenas o aço resiste à tração - Tensões no concreto em parábola- retângulo (plastificado) - Fissuras próximas à linha neutra* 1. *A linha neutra de uma seção é definida como a linha que separa a região comprimida da tracionada. A sua profundidade (distância até o topo da seção) é representada por “𝑒𝑒” e é comumente informada em sua forma relativa “𝑒𝑒/𝑑𝑑”, sendo “𝑑𝑑” a distância do centro de geométrico das armaduras até o lado mais comprimido. 𝑒𝑒 𝑑𝑑 60 2. 3. Além de classificar o comportamento da estrutura confor- me seu estádio, também podemos classificar a sua ruína (estádio 3) conforme os domínios de deformação. 4.3 – DOMÍNIOS DE DEFORMAÇÃO A classificaçãoconforme o domínio é importante para informar como as tensões e deformações estão distribuídas entre o concreto e o aço durante a ruptura do elemento. Admite-se que a ruptura da peça possa ocorrer pelo esma- gamento do concreto comprimido (entre -2,0‰ e -3,5‰) ou alongamento excessivo da armadura (10,0‰). Idealmente é desejável que a ruptura ocorra com o escoamento simultâneo dos materiais, pois assim a peça está aproveitando a capacidade máxima tanto do concreto como do aço. Vamos ver agora como são definidos cada domínio. 61 4.3.1 – DOMÍNIO 1 O domínio 1 representa a ruína de uma peça completa- mente tracionada, seja por tração simples ou flexo tração. A rup- tura ocorre pela deformação excessiva da armadura, sem a parti- cipação do concreto na resistência. Neste domínio, o elemento apresenta deformações que variam de 0 a 10‰ no topo da seção (𝜀𝜀𝑐𝑐) e a deformação fixa de 10‰ na armadura inferior (𝜀𝜀𝑠𝑠). Além disso, a linha neutra se en- contra fora da seção (𝑒𝑒/𝑑𝑑 ≤ 0). 0 10 0 ≤ 𝜀𝜀𝑐𝑐 ≤ 10 𝜀𝜀𝑠𝑠 = 10 𝑒𝑒/𝑑𝑑 ≤ 0 ‰ 62 0 ≤ 𝑒𝑒/𝑑𝑑 ≤ 0,259 −3,5 ≤ 𝜀𝜀𝑐𝑐 ≤ 0 4.3.2 – DOMÍNIO 2 No domínio 2 o concreto já se encontra comprimido, com a peça podendo estar trabalha sob flexão simples ou composta. A ruptura da peça ocorre pela deformação excessiva do aço po- dendo ou não ser acompanhada pelo esmagamento do concreto comprimido. As deformações deste domínio variam de -3,5 a 0‰ no topo da seção (𝜀𝜀𝑐𝑐) e a deformação na armadura inferior (𝜀𝜀𝑠𝑠) per- manece fixa em 10‰. A linha neutra se encontra dentro da seção com a relação 𝑒𝑒/𝑑𝑑 entre 0 e 0,259. 0 10 𝜀𝜀𝑠𝑠 = 10 −3,5 ‰ 63 𝜀𝜀𝑐𝑐 = −3,5 4.3.3 – DOMÍNIO 3 O domínio 3 é o domínio mais indicado para se projetar. Nele, há um aproveitamento máximo da resistência de ambos os materiais, o que torna a estrutura mais eficiente. Sua ruptura é caracterizada pelo esmagamento do concreto comprimido aliada ao escoamento da armadura. As deformações que compõem este domínio englobam a deformação fixa de -3,5‰ na extremidade comprimida e nas armaduras tracionadas a variação de 10‰ até a deformação de escoamento das barras (𝜀𝜀𝑦𝑦𝑐𝑐). Para o aço CA-50: 𝜀𝜀𝑦𝑦𝑐𝑐 = 2,07‰. 0 10 −3,5 0,259 ≤ 𝑒𝑒/𝑑𝑑 ≤ 0,628 𝜀𝜀𝑦𝑦𝑐𝑐 𝜀𝜀𝑦𝑦𝑐𝑐 ≤ 𝜀𝜀𝑠𝑠 ≤ 10 ‰ 64 0,628 ≤ 𝑒𝑒/𝑑𝑑 ≤ 1 𝜀𝜀𝑐𝑐 = −3,5 4.3.4 – DOMÍNIO 4 No domínio 4 a armadura deixa de escoar, o que implica em uma ruptura frágil, ou seja, com baixas deformações. De modo geral, esse tipo de comportamento não é interessante nas construções. Devido às baixas deformações, o concreto fissura pouco e a sua ruptura por esmagamento ocorre de forma repen- tina, sem “aviso prévio” provocado pela intensa fissuração. 0 ‰−3,5 𝜀𝜀𝑦𝑦𝑐𝑐 É interessante que a estrutura fissure bastante antes de romper para que alerte os usuários sobre o risco do colapso. Esse tipo de alerta é minimizado no domínio 4. Por esse motivo, o dimensionamento de vigas e lajes são limita- dos ao domínio 3, com a relação 𝑒𝑒/𝑑𝑑 ≤ 0,45. 0 ≤ 𝜀𝜀𝑠𝑠 ≤ 𝜀𝜀𝑦𝑦𝑐𝑐 65 4.3.5 – DOMÍNIO 4A O domínio 4A compõe uma pequena faixa de transição que passa a englobar a participação do cobrimento na resistên- cia à compressão da estrutura. Nesse domínio, a peça está traba- lhando sob flexo-compressão e com as armaduras comprimidas. A posição da linha neutra 𝑒𝑒 varia entre a posição das armaduras e o limite da seção ℎ. ‰ 𝜀𝜀𝑐𝑐 = −3,5 1 ≤ 𝑒𝑒/𝑑𝑑 ≤ ℎ/𝑑𝑑 0 −3,5 ℎ 66 𝑒𝑒/𝑑𝑑 ≥ ℎ/𝑑𝑑 −3,5 ≤ 𝜀𝜀𝑐𝑐 ≤ 2,0 4.3.6 – DOMÍNIO 5 O domínio 5 apresenta a transição da ruptura do concreto com deformação a -3,5‰ para -2,0‰. Nesta situação, a estrutu- ra pode estar trabalhando à flexo-compressão ou à compressão simples. A linha neutra se encontra fora da seção, com a relação 𝑒𝑒/𝑑𝑑 ≥ ℎ/𝑑𝑑. 0 ‰ −3,5 −2,0 67 3ℎ 7 O dimensionamento estrutural da armadura longitudinal de vigas de concreto armado é uma etapa crucial no projeto de estruturas de concreto armado. A armadura longitudinal é a prin- cipal responsável por absorver as tensões de tração que equili- bram o momento atuante. O dimensionamento da armadura longitudinal envolve a determinação da quantidade de aço necessário para as barras de aço que serão utilizadas na viga. Seu cálculo é feito a partir do equilíbrio de esforços na seção. No anexo A deste livro é apre- sentado a dedução das fórmulas utilizadas neste item. Acompanhe a seguir um roteiro explicado para o dimen- sionamento da armadura de flexão de uma viga. 4.4 – DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA 1º - PRÉ-DIMENSIONAMENTO Na etapa de pré-dimensionamento são definidos valores iniciais para a geometria e propriedades da estrutura. Tais valo- res são então utilizados para calcular a quantidade de armadura necessária e verificar se atendem a todos os limites do ELU e ELS. Com base nos resultados obtidos é feita então a validação ou devidas alterações das características iniciais. No pré-dimensionamento de vigas é usual que se adote uma altura (ℎ) correspondente a 10% do vão. Supondo então um vão de 4 metros para o nosso exemplo, a altura da viga no pré- dimensionamento é de 40 cm. Já para a largura da viga (𝑏𝑏𝑤𝑤) é comum adotarmos valores próximos à espessura dos pilares ou alvenarias, entre 14 e 20 cm. Para o nosso exemplo iremos adotar uma largura de 20 cm. 68 O valor do cobrimento (𝑐𝑐) varia de acordo com a Classe de Agressividade Ambiental (CAA) conforme mostrado na tabela abaixo. Supondo que a nossa estrutura seja construída em uma área urbana, temos então uma CAA-II e um cobrimento mínimo de 30 mm. VIGAS LAJESCAA 25 20I – Áreas rurais ou submersas 30 25II – Áreas urbanas 40 35III – Áreas indust./marinhas 50 45IV – Com respingos de maré Cobrimento mínimo (mm). 69 É importante ressaltar que as vigotas pré-fabricadas utili- zadas em lajes treliçadas podem apresentar uma redução de 5 mm no seu cobrimento mínimo. Isto se deve ao fato da sua fabricação exercer um maior controle de qualidade do concreto, conferindo assim uma proteção mais eficiente para a armadura. A CAA também é responsável por definir a relação máxima do fator água/cimento (𝑎𝑎/𝑐𝑐) e a classe mínima permitida para o concreto. CAA-I CAA-II ≤0,65 ≤0,60𝑎𝑎/𝑐𝑐 ≥C20 ≥C25Classe CAA-III ≤0,55 ≥C30 CAA-IV ≤0,45 ≥C40 Limites para o fator 𝒂𝒂/𝒄𝒄 e classe do concreto por CAA. Dados Adotando um concreto com resistência característica à compressão (𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐) de 30 MPa, aço tipo CA-50 (tensão de escoa- mento 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 de 500 MPa) e supondo que a análise estrutural nos revelou um momento solicitante de projeto (𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐) de 35 kNm, temos então os seguintes dados: • 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑐𝑐 = 3 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 30 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 35 𝑘𝑘𝑘𝑘𝑚𝑚 2º - ALTURA ÚTIL A altura útil de uma seção é a distância entre o centro geométrico (CG) das armaduras longitudinais e a fibra mais comprimida do concreto. Como não sabemos ainda o diâmetro do estribo (∅𝑐𝑐) e das barras (∅𝑞𝑞) é possível adotar um valor próximo ao esperado. Desde que não existam diferenças significativas aos valores finais esta etapa não precisa ser refeita. Logo, adotando estribos de 5 mm e uma camada de barras de 10 mm, a altura útil é dada por: 𝑏𝑏𝑤𝑤 ℎ 𝑐𝑐 𝑑𝑑 𝑑𝑑 = ℎ − 𝑐𝑐 − ∅𝑐𝑐 − ∅𝑞𝑞 2 → 𝑑𝑑 = 40 − 3 − 0,5 − 1,0 2 𝑑𝑑 = 36 𝑐𝑐𝑚𝑚 70 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 434,8 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 3º - RESISTÊNCIAS DE PROJETO O segundo passo é transformar os valores característicos das resistências em valores de projeto. Para isso, basta dividir o valor correspondente pelo coeficiente ponderador das resistên- cias, que para o concreto (𝛾𝛾𝑐𝑐) vale 1,4 e para o aço (𝛾𝛾𝑠𝑠) 1,15. 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑐𝑐 → 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 30 1,4 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 21,4 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 Resistência do concreto 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑠𝑠 → 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 1,15 Resistência do aço 4º - PROFUNDIDADE DA LINHA NEUTRAComo já mencionado anteriormente, a linha neutra é a região da estrutura que não está sofrendo deformação, ou seja, é ela que divide a região comprimida da tracionada. A sua profun- didade (𝑒𝑒) é medida como a distância entre a extremidade mais comprimida e a linha neutra. 𝑒𝑒 71 A profundidade da linha neutra pode ser calculada pela expressão dada abaixo. A dedução desta equação está apresen- tada no anexo A deste livro. 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 1 − 1 − 𝑀𝑀𝑐𝑐 0,425 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑑𝑑2 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 36 ⋅ 1 − 1 − 3500 0,425 ⋅ 20 ⋅ 362 ⋅ 2,14 𝑒𝑒 = 3,5 𝑐𝑐𝑚𝑚 5º - VERIFICAR A DUCTILIDADE Para evitar que a viga apresente uma ruptura frágil, a ABNT NBR 6118:2023 define que a relação 𝑒𝑒/𝑑𝑑 deve ser menor ou igual a 0,45. Dessa forma, durante a ruptura da viga, a armadura apre- sentará uma deformação bastante elevada, gerando fissuras alarmantes no concreto e alertando o risco de ruína da estrutura. 𝑒𝑒 𝑑𝑑 ≤ 0,45 → 3,5 36 = 0,10 → 0,10 ≤ 0,45 → 𝑂𝑂𝑂𝑂! 72 Fique sempre atento às conversões de unidades! 6º - ÁREA DE AÇO Podemos prosseguir agora com o cálculo da quantidade de armadura necessária para resistir ao momento solicitante. Para isso, utilizamos a seguinte equação: 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 𝑀𝑀𝑐𝑐 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 3500 36− 0,4 ⋅ 3,5 ⋅ 43,48 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 2,33 𝑐𝑐𝑚𝑚2 7º - ARMADURA MÍNIMA E MÁXIMA Ainda é preciso verificar se a armadura calculada está em- tre os valores mínimos e máximos exigidos pela norma brasileira. A taxa de armadura mínima (𝜌𝜌𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖) é dada pela classe do concreto: 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 𝜌𝜌𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 ⋅ ℎ ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 Armadura mínima 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 = 0,04 ⋅ ℎ ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 Armadura máxima C25 0,150 Classe 𝜌𝜌𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖(%) C30 0,150 C35 0,164 C40 0,179 C45 0,194 C50 0,208 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 0,0015 ⋅ 40 ⋅ 20 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 = 0,04 ⋅ 40 ⋅ 20 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 1,2 𝑐𝑐𝑚𝑚2 𝐴𝐴𝑠𝑠,𝑐𝑐𝑎𝑎𝑚𝑚 = 32 𝑐𝑐𝑚𝑚2 73 Taxa de armadura mínima. 8º - ADOTAR ARMADURA Agora é só adotar um conjunto de barras que sa- tisfaça a quantidade de ar- madura necessária. Para o nosso exemplo, podemos adotar 3 barras de 10 mm, fornecendo uma área de aço efetiva de 2,40 cm2. 1 0,20 ∅ (𝑚𝑚𝑚𝑚) 5,0 2 0,40 3 0,60 4 0,80 5 1,00 6 1,20 7 1,40 0,326,3 0,63 0,95 1,26 1,58 1,89 2,21 0,508,0 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 0,8010,0 1,60 2,40 3,20 4,00 4,80 5,60 1,2512,5 2,50 3,75 5,00 6,25 7,50 8,75 2,0016,0 4,00 6,00 8,00 10,0 12,0 14,0 3,1520,0 6,30 9,45 12,6 15,8 18,9 22,1 5,0025,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 Área de aço (cm2) 3 ∅ 10 𝑚𝑚𝑚𝑚 74 No exemplo anterior foi demonstrado como achar a quan- tidade de armadura necessária para resistir a um momento soli- citante específico. Contudo, existem situações onde é necessário saber qual o momento resistente de uma viga já conhecendo a armadura adotada. Vamos ver agora realizar esse cálculo. Neste exemplo vamos adotar os seguintes dados: Dados • 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑑𝑑 = 35 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 3 ∅ 16 = 6,0 𝑐𝑐𝑚𝑚2 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 434,8 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 1º - RESISTÊNCIAS DE PROJETO 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑐𝑐 → 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 25 1,4 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 17,9 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 Resistência do concreto 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 𝛾𝛾𝑠𝑠 → 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 1,15 Resistência do aço Assim como no exemplo anterior, é preciso trabalhar com as resistências de projeto. Logo: 𝑏𝑏𝑤𝑤 ℎ 𝑑𝑑 𝐴𝐴𝑠𝑠 4.5 – MOMENTO RESISTENTE 75 2º - PROFUNDIDADE DA LINHA NEUTRA Considerando que a viga estará trabalhando entre o domí- nio 2 e o limite de 𝑒𝑒/𝑑𝑑 = 0,45 do domínio 3, é possível afirmar que a armadura longitudinal estará escoando. Logo, a tensão no aço vale o valor da sua tensão de escoamento. Fazendo o equilí- brio de esforços na seção, chegamos à seguinte equação: 𝑒𝑒 = 𝐴𝐴𝑠𝑠 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 0,68 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑒𝑒 = 6 ⋅ 43,48 0,68 ⋅ 20 ⋅ 1,79 𝑒𝑒 = 10,7 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑒𝑒 3º - CÁLCULO DO MOMENTO RESISTENTE Calculamos então o valor do momento resistente de proje- to da viga pela seguinte expressão: 𝑀𝑀𝑅𝑅𝑐𝑐 = 𝐴𝐴𝑠𝑠 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 ⋅ 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 𝑀𝑀𝑅𝑅𝑐𝑐 = 6 ⋅ 43,48 ⋅ 35− 0,4 ⋅ 10,7 𝑀𝑀𝑅𝑅𝑐𝑐 = 8014 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑀𝑀𝑅𝑅𝑐𝑐 = 80,14 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 76 4.6 – ARMADURA DUPLA A adoção de uma armadura dupla na viga reduz os esfor- ços de compressão no concreto, fazendo com que seja neces- sário uma área menor de concreto comprimido para o equilíbrio da seção. Reduzir a área de concreto comprimido se traduz em uma profundidade da linha neutra (𝑒𝑒) menor. Tal redução se torna bastante conveniente em situações on- de se deseja limitar a altura da viga ou reduzir a relação 𝑒𝑒/𝑑𝑑 para garantir a ductilidade da estrutura. Para o nosso exemplo vamos supor que, devido a uma exi- gência arquitetônica, a viga deva apresentar uma altura máxima de 30 cm. Após a análise estrutural foi identificado um momento solicitante de projeto de 53 kNm. Logo, temos: Dados • 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 15 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ = 30 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑑𝑑 = 25 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑑𝑑′ = 5 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 20 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 53 kN ⋅ 𝑚𝑚 𝑑𝑑′: distância entre o centro geométrico das barras comprimidas até o lado mais comprimido de concreto. 𝑏𝑏𝑤𝑤 ℎ 𝑑𝑑 𝑑𝑑′ 77 1º - ALTURA COM ARMADURA SIMPLES O primeiro passo é verificar se a viga pode ser dimensio- nada com armadura simples. A capacidade máxima permitida de uma viga é atingida quando a relação 𝑒𝑒/𝑑𝑑 vale 0,45. Dessa forma, é possível calcularmos a altura útil mínima necessária para uma viga com armadura simples resistir a um determinado esforço solicitante. Caso a altura útil mínima encontrada seja menor que a limitação arquitetônica não é necessário a utilização de armadu- ra dupla. Caso contrário, é necessário prever a existência de uma armadura comprimida. Para realizar esta verificação, dispomos da equação: 𝑑𝑑𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 2 ⋅ 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑑𝑑𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 2 ⋅ 5300 15 ⋅ 2,0 1,4 𝑑𝑑𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 = 31 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑑𝑑𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖? Como a altura útil mínima para dimensionar uma viga do exemplo com armadura simples é 31 cm e a altura útil disponível é de 25 cm, é necessário utilizar armadura dupla. 78 2º - CÁLCULO DO MOMENTO LIMITE Adotando a relação 𝑒𝑒/𝑑𝑑 de 0,45, vamos calcular o quanto a viga já consegue resistir sem a armadura dupla. Assim podere- mos verificar o quanto ainda é necessário acrescentar na sua resistência para atingir o esforço solicitante. O cálculo do momento limite é dado pela expressão: 𝑀𝑀𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐 = 0,251 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ 𝑑𝑑2 𝑀𝑀𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐 = 0,251 ⋅ 15 ⋅ 2,0 1,4 ⋅ 252 𝑀𝑀𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐 = 3362 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑀𝑀𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐 = 33,6 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 3º - MOMENTO PARA ARMADURA DUPLA Agora podemos calcular o quanto será necessário incrementar o momento resistente para atingir o momento solicitante: 𝑀𝑀2 = 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 −𝑀𝑀𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐 → 𝑀𝑀2 = 53,0− 33,6 → 𝑀𝑀2 = 19,4 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 79 4º - ARMADURA PRINCIPAL A quantidade de armadura principal será a soma da parce- la de armadura necessária para resistir ao momento limite (𝑀𝑀𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐) e a parcela necessária para resistir o momento “restante” (𝑀𝑀2). 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 𝑀𝑀𝑞𝑞𝑖𝑖𝑐𝑐 0,82 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 + 𝑀𝑀2 𝑑𝑑 − 𝑑𝑑′ ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 3360 0,82 ⋅ 25 ⋅ 50 1,15 + 1940 25− 5 ⋅ 50 1,15 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 6,00 𝑐𝑐𝑚𝑚2 → 2 ∅ 20 𝑚𝑚𝑚𝑚 = 6,30 𝑐𝑐𝑚𝑚2 É possível calcular a soma das duas parcelas através da ex- pressão dada abaixo: = + Como a espessura da viga é de apenas 15 cm, adotar 3 barras de 16mm não ofereceria espaço suficiente entre as barras. Esse assunto será discutido no capítulo 8. 80 5º - DEFORMAÇÃO DA ARMADURA COMP. Antes de calcularmos a quantidade de armadura compri- mida da viga é preciso verificar a sua deformação parasabermos o nível de tensão que o aço se encontra. Caso a deformação da barra comprimida (𝜀𝜀𝑠𝑠′) supere a deformação de escoamento (𝜀𝜀𝑦𝑦𝑐𝑐) a tensão da barra vale a tensão de escoamento do aço (𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐), caso contrário, a tensão é dada pelo produto 𝜀𝜀𝑠𝑠′ ⋅ 𝐸𝐸𝑠𝑠. 𝜀𝜀𝑠𝑠′ = 0,0035 ⋅ 0,45 ⋅ 𝑑𝑑 − 𝑑𝑑′ 0,45 ⋅ 𝑑𝑑 → 𝜀𝜀𝑠𝑠′ = 0,0035 ⋅ 0,45 ⋅ 25 − 5 0,45 ⋅ 25 𝜀𝜀𝑠𝑠′ = 0,00194 → 𝜀𝜀𝑠𝑠′ = 1,94 ‰ 6º - TENSÃO DA ARMADURA COMPRIMIDA Como a armadura comprimida não está escoando é preci- so encontrar o valor da tensão nas barras, que é dada pelo produto da deformação específica da armadura (𝜀𝜀𝑠𝑠′) pelo módulo de elasticidade do aço (𝐸𝐸𝑠𝑠): 𝑓𝑓𝑠𝑠′ = 𝜀𝜀𝑠𝑠′ ⋅ 𝐸𝐸𝑠𝑠 → 𝑓𝑓𝑠𝑠′ = 0,00194 ⋅ 210000 → 𝑓𝑓𝑠𝑠′ = 407,4 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 81 7º - ARMADURA COMPRIMIDA Por fim, utilizamos a equação abaixo para calcular a área de aço necessária para a armadura comprimida. 𝐴𝐴𝑠𝑠′ = 𝑀𝑀2 𝑑𝑑 − 𝑑𝑑′ ⋅ 𝑓𝑓𝑠𝑠′ 𝐴𝐴𝑠𝑠′ = 1940 25− 5 ⋅ 40,47 𝐴𝐴𝑠𝑠′ = 2,40 𝑐𝑐𝑚𝑚2 2 ∅ 12,5 𝑚𝑚𝑚𝑚 = 2,50 𝑐𝑐𝑚𝑚2 2 ∅ 12,5 𝑚𝑚𝑚𝑚 2 ∅ 20 𝑚𝑚𝑚𝑚 82 4.7 – SEÇÃO T Quando vigas que estão ligadas à lajes maciças se defor- mam, parte da laje adjacente à viga contribui para a sua resis- tência. Dessa forma, a viga se comporta como um elemento es- trutural de seção T, conforme ilustrado na viga V2 abaixo. V1 V2 V3 A consideração da contribuição da laje na resistência da viga não é obrigatória, inclusive muitos projetistas preferem di- mensionar a viga como seção retangular e a contribuição desse “reforço” ficaria como uma medida a mais de segurança. Para o nosso exemplo de dimensionamento utilizaremos os dados apresentados abaixo. A parte vertical da seção T é cha- mada de “alma” e a parte horizontal de “mesa”. ℎ𝑖𝑖 𝑏𝑏𝑖𝑖 𝑑𝑑 𝑏𝑏𝑤𝑤 ℎ Dados • 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 20 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑏𝑏𝑖𝑖 = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ = 40 𝑐𝑐𝑚𝑚 • ℎ𝑖𝑖 = 10 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑑𝑑 = 35 𝑐𝑐𝑚𝑚 • 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 = 20 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 = 500 𝑀𝑀𝑀𝑀𝑎𝑎 • 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 = 131 kN ⋅ 𝑚𝑚 83 1º - CÁLCULO DA LINHA NEUTRA A primeira etapa do cálculo é dimensionar a viga normal- mente como se 𝑏𝑏𝑖𝑖 fosse a largura de uma viga de seção retan- gular. Caso a linha neutra (𝑒𝑒) seja menor do que a espessura da mesa (ℎ𝑖𝑖), o dimensionada da viga segue normalmente como se fosse uma seção retangular de 𝑏𝑏𝑤𝑤 = 𝑏𝑏𝑖𝑖. Contudo, se 𝑒𝑒 ≥ ℎ𝑖𝑖 é necessário realizar o dimensionamento da seção T. 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 1 − 1 − 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 0,425 ⋅ 𝑏𝑏𝑖𝑖 ⋅ 𝑑𝑑2 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 35 ⋅ 1 − 1 − 13100 0,425 ⋅ 40 ⋅ 352 ⋅ 2,0/1,4 𝑒𝑒 = 11,0 𝑐𝑐𝑚𝑚 𝑒𝑒 ℎ𝑖𝑖 Como 𝑒𝑒 > ℎ𝑖𝑖 é necessário dimensionar a seção T. 84 2º - MOMENTO RESISTIDO PELAS ABAS Analogamente ao cálculo de vigas com armadura dupla, no dimensionamento da seção T, a armadura principal também é resultado da ação de duas parcelas de momentos. Um formado pela ação das abas da mesa (𝑀𝑀1), e outro pela ação da alma (𝑀𝑀2). = + O momento resistido pelas abas da mesa é dado por: 𝑀𝑀1 = 0,85 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 ⋅ ℎ𝑖𝑖 ⋅ 𝑏𝑏𝑖𝑖 − 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑑𝑑 − ℎ𝑖𝑖 2 𝑀𝑀1 = 0,85 ⋅ 2,0 1,4 ⋅ 10 ⋅ 40− 20 ⋅ 35− 10 2 𝑀𝑀1 = 7285 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑐𝑐𝑚𝑚 → 𝑀𝑀1 = 72,9 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 3º - MOMENTO RESISTIDO PELA ALMA Já o momento resistido pela alma, é dado por: 𝑀𝑀2 = 𝑀𝑀𝐸𝐸𝑐𝑐 −𝑀𝑀1 𝑀𝑀2 = 58,1 𝑘𝑘𝑘𝑘 ⋅ 𝑚𝑚 85 𝑀𝑀2 = 131− 72,9 4º - LINHA NEUTRA EQUIVALENTE NA ALMA Antes de prosseguir para o cálculo da armadura, é preciso encontrar o valor da linha neutra equivalente. Tal valor é correspondente à distância da linha neutra que estaria atuando na alma devido a ação exclusiva do momento 𝑀𝑀2. 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 𝑀𝑀1 𝑑𝑑 − ℎ𝑖𝑖 2 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 + 𝑀𝑀2 𝑑𝑑 − 0,4 ⋅ 𝑒𝑒 ⋅ 𝑓𝑓𝑦𝑦𝑐𝑐 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 7290 35− 10 2 ⋅ 50,0 1,15 + 5810 35 − 0,4 ⋅ 9,6 ⋅ 50,0 1,15 𝐴𝐴𝑠𝑠 = 9,9 𝑐𝑐𝑚𝑚2 → 2 ∅ 25𝑚𝑚𝑚𝑚 = 10 𝑐𝑐𝑚𝑚2 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 𝑑𝑑 ⋅ 1 − 1 − 𝑀𝑀2 0,425 ⋅ 𝑏𝑏𝑤𝑤 ⋅ 𝑑𝑑2 ⋅ 𝑓𝑓𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑒𝑒 = 1,25 ⋅ 35 ⋅ 1 − 1 − 5810 0,425 ⋅ 20 ⋅ 352 ⋅ 2,0/1,4 𝑒𝑒 = 9,6 𝑐𝑐𝑚𝑚 5º - CÁLCULO DA ARMADURA Podemos então calcular a armadura principal pela expres- são dada abaixo: 86 FLEXÃO DE LAJES 5. CHARLES CHAPIN 5.1 – LAJES MACIÇAS Lajes maciças de concreto armado são elementos estru- turais de superfície frequentemente utilizados em obras de médio e grande porte. A sua agilidade na execução facilita a construção de obras com muitos pavimentos, reduzindo o tempo gasto com montagem das formas e concretagem. Seu custo em comparação com as demais opções é rela- tivamente mais caro. Dentre os principais motivos para o seu alto custo estão: elevados gastos com formas; alto peso específico; e mau aproveitamento dos materiais (muito concreto tracionado no banzo inferior). 5.1.1 - CLASSIFICAÇÃO A principal classificação das lajes maciças é referente a sua distribuição de armaduras. A depender do formato da laje ela pode ser classificada como armada em uma ou em duas dire- ções. Vale ressaltar que, na prática, ela sempre apresentará armadura em ambas as direções, essa classificação se refere às armaduras que desempenham função estrutural. Para classificar as lajes quanto a sua direção de armaduras é preciso calcular a proporção entre seus vãos, sendo: 𝑏𝑏𝑚𝑚 → Menor vão da laje. 𝑏𝑏𝑦𝑦 → Maior vão da laje. 89 Após identificar os valores de 𝑏𝑏𝑚𝑚 e 𝑏𝑏𝑦𝑦, calculamos a propor- ção entre eles (𝜆𝜆) e classificamos a laje pelo seguinte critério: 𝑏𝑏𝑦𝑦𝑏𝑏𝑚𝑚𝜆𝜆 = 𝑏𝑏𝑦𝑦 𝑏𝑏𝑚𝑚 𝜆𝜆 ≤ 2 → Uma direção 𝜆𝜆 > 2 → Duas direções 5.1.2 - VINCULAÇÃO Os critérios de vinculações da laje estão relacionados tan- to ao seu tipo de apoio, como também com a sua continuidade. Veja o exemplo abaixo: Livre Apoio Engaste Balanço Sem apoio de vigas Continuidade de lajes com rigidez semelhantes Apoio de viga e laje sem continuidade Apoio de viga e continuidade com rigidez maiorApoio de viga e continuidade com rigidez menor 90 5.1.3 – MÉTODOS DE ANÁLISE A determinação das solicitações e flechas de uma laje armada em duas direções é uma tarefa bastante complexa, o que torna inviável para os projetistas calculá-las à mão. Os métodos mais comuns de cálculo envolvem: TABELAS Fornecem um método simplificado baseado em coeficientes que determinam as componentes dos esforços solicitantes. Seu uso comercial é inviável devido a necessidade do cálculo manual. Baseado na substituição da laje por uma grelha equivalente. Esse método fornece resultados bastantes satisfatórios e é utilizado na maioria dos softwares comerciais de análise estrutural. ANALOGIA DE GRELHA ELEMENTOS FINITOS Método computacional que divide a estrutura em elementos menores conectados entre si. Fornecem os resultados mais próximos à realidade, mas requer um alto custo computacional. 91 5.1.4 – ANÁLISE ESTRUTURAL Para exemplificar o processo de utilização de tabelas na análise estrutural de lajes, será resolvido um exemplo deste tipo de cálculo. 1º – DADOS Cargas - Peso do concreto: 𝛾𝛾𝑐𝑐𝑜𝑜𝑖𝑖𝑐𝑐 = 25 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚3 - Revestimento 𝑘𝑘𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟𝑟 = 1,5 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚2 - Acidental 𝑞𝑞𝑎𝑎𝑐𝑐𝑖𝑖𝑐𝑐 = 3,0 𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑚𝑚2 Será realizada a análise estrutural da laje L2. Suas dimen- sões e vínculos estão ilustradas abaixo: Livre Apoio Engaste L1 L2 92 2º – PRÉ-DIMENSIONAMENTO No pré-dimensionamento de lajes maciças é comum ado- tarmos espessuras na ordem de 2,5% do menor vão. Contudo, também é preciso respeitar as espessuras mínimas de cada caso. Estão destacados abaixo os valores mínimos de espessura para os casos mais comuns de lajes maciças. ℎ𝑐𝑐𝑖𝑖𝑖𝑖 7 cm Tipo Laje de cobertura 8 cmLaje comum 10 cmLaje em balanço ℎ ℎ = 0,025 ⋅ 𝑏𝑏𝑚𝑚 → ℎ = 0,025 ⋅ 400 → ℎ = 10 𝑐𝑐𝑚𝑚 Como a espessura de 10 cm do pré-dimensionamento su- pera os 8 cm mínimos recomendado pela norma, podemos pros- seguir com o exemplo. 3º – COMBINAÇÃO DE AÇÕES Realizando a combinação última normal de ações, temos: 𝐹𝐹𝑐𝑐 = 𝛾𝛾𝑔𝑔 ⋅ 𝐹𝐹𝑔𝑔𝑐𝑐1