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<p>1</p><p>CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO</p><p>PROJETO SALA DE AULA VIRTUAL</p><p>DISCIPLINA: Direito Penal IV</p><p>PROFESSOR: Rafael Piaia</p><p>MONITOR: Benedito Igor</p><p>Código de Trânsito Brasileiro</p><p>Lei n° 9.503, de 23 de setembro de 1997</p><p>Pontos introdutórios:</p><p>➢ O Código de Trânsito Brasileiro, conhecido popularmente como CTB, rege</p><p>todas as vias terrestres, brasileiras, que são abertas a circulação de veículos</p><p>automotores. O referido código contém normas de natureza administrativa</p><p>(órgãos, infrações administrativas, recursos, normas de circulação e conduta),</p><p>civil (reparação do dano) e penais (tipificação de crimes).</p><p>➢ O que é um veículo automotor: A definição de veículo automotor encontra-se</p><p>no anexo I do CTB, que assim o considera: “Todo veículo a motor de</p><p>propulsão, que circule por seus próprios meios, e que serve normalmente para</p><p>o transporte viário de pessoas e coisas, ou utilizado para a tração viária de</p><p>veículos utilizados para o transporte de pessoas e coisas. O termo compreende</p><p>os veículos conectados a uma linha elétrica e que não circulam sobre trilhos</p><p>(ônibus elétrico)”. Deste modo, são abrangidos os automóveis, caminhões,</p><p>vans, motocicletas, motonetas, quadriciclos, ônibus, micro-ônibus, ônibus</p><p>elétricos que não circulem em trilhos etc.</p><p>➢ Não são considerados veículos automotores: bicicletas, patinetes (propulsão</p><p>humana) e as carroças e as charretes (tração animal) etc.</p><p>2</p><p>➢ O que são as infrações de trânsito? Infrações de trânsito são definidas como</p><p>o desrespeito às normas administrativas da regulação de trânsito previstas no</p><p>CTB e na legislação complementar, onde o agente infrator poderá sofrer</p><p>penalidades administrativas e/ou penais.</p><p>OBS:</p><p>• PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MINÍMA: O referido princípio</p><p>preceitua que o direito penal deve intervir minimamente na vida dos</p><p>indivíduos, afim de que não lhe sejam tiradas a liberdade e a autonomia,</p><p>pois o direito penal não deve ser visto como primeira opção (prima ratio)</p><p>do legislador para dirimir os conflitos sociais. O direito penal é considerado</p><p>a ultima ratio, ou seja, a última opção do sistema legislativo, quando for</p><p>verificado que outra solução não pode ser eficaz no combate ao problema,</p><p>somente nesse caso, deve ser criada a lei penal incriminadora, impondo</p><p>uma sanção. Nesse sentido é a lição de Cezar Roberto Bitencourt:</p><p>"O princípio da intervenção mínima, também conhecido como</p><p>ultima ratio, orienta e limita o poder incriminador do Estado,</p><p>preconizando que a criminalização de uma conduta só se legitima</p><p>se constituir meio necessário para a proteção de determinado</p><p>bem jurídico. Se outras formas de sanções ou outros meios de</p><p>controle social revelarem-se suficientes para a tutela desse bem,</p><p>a sua criminalização será inadequada e desnecessária. Se para o</p><p>restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes</p><p>medidas civis ou administrativas, são estas que devem ser</p><p>empregadas e não as penais. Por isso, o Direito Penal deve ser a</p><p>ultima ratio, isto é, deve atuar somente quando os demais ramos</p><p>do direito revelarem-se incapazes de dar a tutela devida a bens</p><p>relevantes na vida do indivíduo e da própria sociedade."</p><p>(BITENCOURT, Cezar Roberto,2002, p. 32)</p><p>• PRINCÍPIO DA LESIVIDADE: O referido princípio “caminha lado a lado”</p><p>com o princípio da intervenção mínima. O princípio da lesividade visa limitar</p><p>3</p><p>mais ainda o poder do legislador, esclarecendo quais são as condutas que</p><p>poderão ser incriminadas pela lei penal, bem como apontar quais são as</p><p>condutas que não poderão sofrer o rigor da lei penal. Nesse sentido, ensina</p><p>Greco:</p><p>“O princípio da lesividade, cuja origem se atribui ao período</p><p>iluminista, que por intermédio do movimento de secularização</p><p>procurou desfazer a confusão que havia entre o Direito e a moral,</p><p>possui, no escólio de Nilo Batista, quatro principais funções, a</p><p>saber: a) proibir a incriminação de uma atitude interna; b) proibir</p><p>a incriminação de uma conduta que não exceda o âmbito do</p><p>próprio autor; c) proibir a incriminação de simples estados ou</p><p>condições existenciais; d) proibir a incriminação de condutas</p><p>desviadas que não afetem qualquer bem jurídico.” (GRECO,</p><p>2016, Pg 101)</p><p>• PRINCÍPIOS DA SUBSIDIARIEDADE E FRAGMENTARIEDADE: O</p><p>princípio da subsidiariedade estabelece que o direito penal deve ser visto</p><p>como subsidiário em relação aos demais ramos do direito, deste modo o</p><p>direito penal só deve ser usado quando todas as outras medidas dos demais</p><p>ramos do direito falharem na resolução do conflito. Já o princípio</p><p>fragmentariedade preceitua que nem todas as condutas que lesionem bens</p><p>jurídicos protegidos, devem ser tipificadas e punidas pelo direito penal, ou</p><p>seja, o direito penal e um fragmento de todo um conjunto jurídico, e deve se</p><p>preocupar apenas com as condutas mais graves.</p><p>Ante o exposto, conclui-se que todos os princípios supramencionados,</p><p>estão interligados, e a partir deles é que se explica a criação da figura dos</p><p>ilícitos administrativos (condutas que violam determinadas normas de cunho</p><p>administrativos, conduta típica e antijurídica), que não sendo suficientes para</p><p>conscientizar a população, poderão se tornar ilícitos penais (conduta definida</p><p>pelo legislador como contrárias as normas penais, conduta típica), como por</p><p>exemplo, embriaguez ao volante. Por fim, ressalta-se que existe a figura dos</p><p>4</p><p>ilícitos civis (atos que violem direitos e causem dano a outrem). Nesse</p><p>sentido, ensina Nucci:</p><p>“Atualmente, somente para exemplificar, determinadas infrações</p><p>administrativas de trânsito possuem punições mais temidas pelos</p><p>motoristas, diante das elevadas multas e do ganho de pontos no</p><p>prontuário, que podem levar à perda da carteira de habilitação –</p><p>tudo isso, sem o devido processo legal – do que a aplicação de</p><p>uma multa penal, sensivelmente menor. Enfim, o direito penal</p><p>deve ser visto como subsidiário aos demais ramos do Direito.</p><p>Fracassando outras formas de punição e de composição de</p><p>conflitos, lança-se mão da lei penal para coibir comportamentos</p><p>desregrados, que possam lesionar bens jurídicos tutelados.”</p><p>(NUCCI, 2018, pg. 106)</p><p>➢ Diplomas Legais aplicáveis no âmbito dos crimes de trânsito: O Art. 291 do</p><p>CTB dispõe: Art. 291. Aos crimes cometidos na direção de veículos</p><p>automotores, previstos neste Código, aplicam-se as normas gerais do Código</p><p>Penal e do Código de Processo Penal, se este Capítulo não dispuser de modo</p><p>diverso, bem como a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, no que couber.</p><p>➢ Bem Jurídico tutelado: A circulação viária, a vida.</p><p>APLICABILIDADE DA LEI Nº 9.099/1995 AOS CRIMES DE TRÂNSITO</p><p>Como estabelece o Art. 291 do CTB, aplica-se a Lei 9.099/95 aos</p><p>crimes de trânsito, no que couber. Desta forma, são aplicáveis as disposições da</p><p>Lei 9.099/95, inclusive as relativas à transação penal e a suspensão condicional</p><p>do processo, respeitadas as regras de sua aplicação, que já foram estudadas</p><p>anteriormente.</p><p>A Lei nº 11.705/2008, dentre outras modificações, deu uma nova</p><p>redação ao § único do Art. 291 do CTB, que passou a ser §1º, vedando de</p><p>maneira expressa a aplicação da Lei nº 9.099/95 aos crimes de trânsito de lesão</p><p>corporal culposa em alguns casos, vejamos:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9099.htm</p><p>5</p><p>§ 1o Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto</p><p>nos arts. 74, 76 e 88 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o</p><p>agente estiver: (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 11.705, de 2008)</p><p>I - sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que</p><p>determine dependência; (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008)</p><p>II - participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição</p><p>automobilística,</p><p>de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo</p><p>automotor, não autorizada pela autoridade competente; (Incluído pela</p><p>Lei nº 11.705, de 2008)</p><p>III - transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em</p><p>50 km/h (cinqüenta quilômetros por hora). (Incluído pela Lei nº</p><p>11.705, de 2008)</p><p>Desta forma, diante da alteração que o Art. 291 do CTB trouxe, aplicam-</p><p>se as disposições legais da Lei nº 9.099/95, nos seguintes crimes:</p><p>➢ Lesão corporal culposa (art. 303), exceto nas hipóteses dos incisos I, II e</p><p>III, do § 1º do art. 291.</p><p>➢ Omissão de socorro (art. 304);</p><p>➢ Fuga do local do acidente (art. 305);</p><p>➢ Violação da suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação</p><p>para dirigir veículo automotor (art. 307);</p><p>➢ Direção sem habilitação (art. 309);</p><p>➢ Entrega da direção de veículo automotor a pessoa não autorizada (art. 310);</p><p>➢ Tráfego em velocidade incompatível com a segurança (art. 311);</p><p>➢ Fraude processual em caso de acidente automobilístico com vítima (art.</p><p>312).</p><p>Nessa esteira, cabe ressaltar que não se aplicam as previsões da Lei n.</p><p>9.099/95 aos seguintes crimes:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9099.htm#art74</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9099.htm#art76</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9099.htm#art88</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm#art5</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm#art5</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm#art5</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm#art5</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm#art5</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm#art5</p><p>6</p><p>➢ Homicídio culposo na direção de veículo automotor (art. 302);</p><p>➢ Lesão corporal culposa na direção de veículo automotor (art. 303), nas</p><p>hipóteses dos incisos I, II e III do § 1º do art. 291;</p><p>➢ Embriaguez ao volante (art. 306);</p><p>➢ Participação em corrida, disputa ou competição não autorizada (art. 308).</p><p>SUSPENSÃO OU A PROIBIÇÃO DE SE OBTER A PERMISSÃO OU A</p><p>HABILITAÇÃO PARA DIRIGIR VEÍCULO AUTOMOTOR</p><p>O Art. 292 do CTB dispõe que “A suspensão ou a proibição de se obter a</p><p>permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor pode ser imposta</p><p>isolada ou cumulativamente com outras penalidades.”</p><p>Nesse sentido, vale ressaltar o que ensina Capez, segundo ele “A</p><p>suspensão pressupõe permissão ou habilitação já concedida, enquanto a</p><p>proibição se aplica àquele que ainda não obteve uma ou outra, conforme o caso.”</p><p>Nos casos de prática dos crimes de homicídio culposo e lesões corporais</p><p>culposas praticados na condução de veículo automotor, direção em estado de</p><p>embriaguez, violação de suspensão ou proibição e participação em competição</p><p>não autorizada, existe a previsão expressa de aplicação da suspensão ou a</p><p>proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor,</p><p>conjuntamente com a pena privativa de liberdade e, em determinados casos,</p><p>juntamente com pena de multa. Contudo, nos crimes em que não existe a</p><p>previsão expressa da aplicação da pena de suspensão ou a proibição de se obter</p><p>a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor, segundo Capez, “tais</p><p>penalidades poderão ser aplicadas apenas quando o réu for reincidente na prática</p><p>de crime previsto no Código, sem prejuízo das demais sanções cabíveis.”</p><p>Ressalta-se ainda, que o prazo da suspensão ou proibição, deve seguir a</p><p>proporção da pena privativa de liberdade, é considerada pena acessória, se o juiz</p><p>condenar na pena mínima a pena privativa de liberdade, o prazo da suspensão</p><p>ou da proibição, também deverá ser no grau mínimo.</p><p>7</p><p>Ademais, nesse sentido, Andreucci ensina que:</p><p>“Não há, entretanto, nenhuma hipótese de crime no Código de</p><p>Trânsito Brasileiro em que a suspensão ou proibição de se obter</p><p>a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor possa</p><p>ser aplicada isoladamente.” (ANDREUCCI , 2018, Pg 80)</p><p>Demais disposições:</p><p>Art. 293. A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a</p><p>permissão ou a habilitação, para dirigir veículo automotor, tem a duração de</p><p>dois meses a cinco anos.</p><p>§ 1º Transitada em julgado a sentença condenatória, o réu será intimado</p><p>a entregar à autoridade judiciária, em quarenta e oito horas, a Permissão para</p><p>Dirigir ou a Carteira de Habilitação.</p><p>§ 2º A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão</p><p>ou a habilitação para dirigir veículo automotor não se inicia enquanto o</p><p>sentenciado, por efeito de condenação penal, estiver recolhido a estabelecimento</p><p>prisional.</p><p>Art. 294. Em qualquer fase da investigação ou da ação penal, havendo</p><p>necessidade para a garantia da ordem pública, poderá o juiz, como medida</p><p>cautelar, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público ou ainda mediante</p><p>representação da autoridade policial, decretar, em decisão motivada, a</p><p>suspensão da permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor, ou a</p><p>proibição de sua obtenção.</p><p>Parágrafo único. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida</p><p>cautelar, ou da que indeferir o requerimento do Ministério Público, caberá recurso</p><p>em sentido estrito, sem efeito suspensivo.</p><p>Art. 295. A suspensão para dirigir veículo automotor ou a proibição de</p><p>se obter a permissão ou a habilitação será sempre comunicada pela</p><p>8</p><p>autoridade judiciária ao Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, e ao órgão</p><p>de trânsito do Estado em que o indiciado ou réu for domiciliado ou residente.</p><p>Art. 296. Se o réu for reincidente na prática de crime previsto neste</p><p>Código, o juiz aplicará a penalidade de suspensão da permissão ou habilitação</p><p>para dirigir veículo automotor, sem prejuízo das demais sanções penais</p><p>cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008)</p><p>IMPORTANTE:</p><p>O crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor, tipificado</p><p>no art. 302 do CTB, prevê, como uma das penas aplicadas, a “suspensão ou</p><p>proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.”</p><p>Se o réu que praticou este crime é motorista profissional, ele pode, mesmo assim,</p><p>receber essa sanção ou isso violaria o direito constitucional ao trabalho? Não</p><p>viola. O condenado pode sim receber essa sanção, ainda que se trate de</p><p>motorista profissional. É constitucional a imposição da pena de suspensão de</p><p>habilitação para dirigir veículo automotor ao motorista profissional condenado</p><p>por homicídio culposo no trânsito. O direito ao exercício de atividades</p><p>profissionais (art. 5º, XIII) não é absoluto e a restrição imposta pelo legislador</p><p>se mostra razoável. (STF. Plenário. RE 607107/MG, Rel. Min. Roberto Barroso,</p><p>julgado em 12/2/2020 (repercussão geral – Tema 486). Info 966).</p><p>RECURSO EXTRAORDINÁRIO. HOMICÍDIO CULPOSO NA DIREÇÃO DE</p><p>VEÍCULO AUTOMOTOR. MOTORISTA PROFISSIONAL. SUSPENSÃO DE</p><p>HABILITAÇÃO PARA DIRIGIR. CONSTITUCIONALIDADE. 1. O recorrido,</p><p>motorista profissional, foi condenado, em razão da prática de homicídio culposo</p><p>na direção de veículo automotor, à pena de alternativa de pagamento de</p><p>prestação pecuniária de três salários mínimos, bem como à pena de suspensão</p><p>da habilitação para dirigir, prevista no art. 302 do Código de Trânsito Brasileiro,</p><p>pelo prazo de dois anos e oito meses. 2. A norma é perfeitamente compatível</p><p>com a Constituição. É legítimo suspender a habilitação de qualquer motorista que</p><p>tenha sido condenado por homicídio culposo na direção de veículo. Com maior</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm#art5</p><p>9</p><p>razão, a suspensão deve ser aplicada ao motorista profissional, que maneja o</p><p>veículo com habitualidade e, assim, produz risco ainda mais elevado para os</p><p>demais motoristas e pedestres. 3. Em primeiro lugar, inexiste direito absoluto ao</p><p>exercício</p><p>de atividade profissionais (CF, art. 5º, XIII). É razoável e legítima a</p><p>restrição imposta pelo legislador, visando proteger bens jurídicos relevantes de</p><p>terceiros, como a vida e a integridade física. 4. Em segundo lugar, a medida é</p><p>coerente com o princípio da individualização da pena (CF, art. 5º, XLVI). A</p><p>suspensão do direito de dirigir do condenado por homicídio culposo na direção</p><p>de veículo automotor é um dos melhores exemplos de pena adequada ao delito,</p><p>já que, mais do que punir o autor da infração, previne eficazmente o cometimento</p><p>de outros delitos da mesma espécie. 5. Em terceiro lugar, a medida respeita o</p><p>princípio da proporcionalidade. A suspensão do direito de dirigir não impossibilita</p><p>o motorista profissional de auferir recursos para sobreviver, já que ele pode</p><p>extrair seu sustento de qualquer outra atividade econômica. 6. Mais grave é a</p><p>sanção principal, a pena privativa de liberdade, que obsta completamente as</p><p>atividades laborais do condenado. In casu, e com acerto, substituiu-se a pena</p><p>corporal por prestação pecuniária. Porém, de todo modo, se a Constituição</p><p>autoriza o legislador a privar o indivíduo de sua liberdade e, consequentemente,</p><p>de sua atividade laboral, em razão do cometimento de crime, certamente também</p><p>autoriza a pena menos gravosa de suspensão da habilitação para dirigir. 7.</p><p>Recurso extraordinário provido. 8. Fixação da seguinte tese: É constitucional a</p><p>imposição da pena de suspensão de habilitação para dirigir veículo automotor ao</p><p>motorista profissional condenado por homicídio culposo no trânsito.</p><p>(RE 607107, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno,</p><p>julgado em 12/02/2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO</p><p>GERAL - MÉRITO DJe-088 DIVULG 13-04-2020 PUBLIC 14-04-2020)</p><p>MULTA REPARATÓRIA</p><p>O Art. 297 do CTB, preceitua que A penalidade de multa reparatória</p><p>consiste no pagamento, mediante depósito judicial em favor da vítima, ou seus</p><p>10</p><p>sucessores, de quantia calculada com base no disposto no § 1º do art. 49 do</p><p>Código Penal, sempre que houver prejuízo material resultante do crime.</p><p>A multa reparatória só encontra previsão no CTB, e possuí um caráter de</p><p>sanção civil, onde tem por objetivo à reparação dos danos causados pela prática</p><p>da infração penal. Cabe ressaltar que a aplicação de multa reparatória, não</p><p>impede a propositura de ação civil ex delicto pela vítima ou por seus sucessores,</p><p>haja vista que o §3º do Art. 297, estabelece que “na indenização civil do dano,</p><p>o valor da multa reparatória será descontado.” Nesse sentido, afirma Capez:</p><p>“Não deve ser confundida com a pena pecuniária, esta sim</p><p>prevista especificamente em alguns dos delitos de trânsito (cf.</p><p>CTB, arts. 304 a 312). Essa multa, portanto, não é pena, pois</p><p>não tem finalidade punitiva, mas meramente reparatória. Reforça</p><p>esse entendimento o disposto no § 1º do art. 297, segundo o</p><p>qual “a multa reparatória não poderá ser superior ao valor do</p><p>prejuízo demonstrado no processo”. Apesar de se tratar de</p><p>prefixação de perdas e danos, não impede que, em sendo</p><p>superior o montante do prejuízo suportado, o restante seja</p><p>calculado em ação de liquidação de artigos e executada a</p><p>diferença (CTB, art. 297, § 3º). Assim, a multa reparatória vale</p><p>como uma antecipação de parte do valor devido, em decorrência</p><p>do dano cível.” (CAPEZ, 2019, Pgs 443 a 444)</p><p>Demais disposições:</p><p>Art. 297 (...)</p><p>§ 1º A multa reparatória não poderá ser superior ao valor do prejuízo</p><p>demonstrado no processo.</p><p>§ 2º Aplica-se à multa reparatória o disposto nos arts. 50 a 52 do Código</p><p>Penal.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art49%C2%A71</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art49%C2%A71</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art50</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art50</p><p>11</p><p>CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES</p><p>O rol de circunstâncias agravantes previstos nos incisos I a VII, do Art.</p><p>298 do CTB, é aplicável aos crimes de trânsito em geral, sejam eles culposos ou</p><p>dolosos. Com tal previsão, o legislador buscou, de certa forma, corrigir a omissão</p><p>do CP, haja vista que as circunstâncias agravantes genéricas previstas nos Art.</p><p>61 e 62 do CP, são aplicadas apenas no caso de crimes dolosos, “não havendo</p><p>própria para os culposos”, como defende Capez. Ressalta-se, que essas</p><p>circunstâncias deverão ser utilizadas na segunda fase da dosimetria da pena, em</p><p>relação às penas privativas de liberdade, multa e de suspensão ou proibição de</p><p>se obter a permissão ou habilitação. Nesse sentido, ensina Capez:</p><p>“Apesar de o dispositivo em estudo não fazer menção expressa,</p><p>é evidente que as agravantes genéricas não serão aplicadas</p><p>quando constituírem elementar, qualificadora ou causa de</p><p>aumento de pena do delito em espécie. Caso contrário, haveria</p><p>bis in idem.” (CAPEZ, 2019, p. 445)</p><p>O Art. 298 do CTB dispõe:</p><p>Art. 298. São circunstâncias que sempre agravam as penalidades dos</p><p>crimes de trânsito ter o condutor do veículo cometido a infração:</p><p>I - com dano potencial para duas ou mais pessoas ou com grande risco de</p><p>grave dano patrimonial a terceiros;</p><p>II - utilizando o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas;</p><p>III - sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;</p><p>IV - com Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação de categoria</p><p>diferente da do veículo;</p><p>V - quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o</p><p>transporte de passageiros ou de carga;</p><p>VI - utilizando veículo em que tenham sido adulterados equipamentos ou</p><p>características que afetem a sua segurança ou o seu funcionamento de acordo</p><p>com os limites de velocidade prescritos nas especificações do fabricante;</p><p>12</p><p>VII - sobre faixa de trânsito temporária ou permanentemente destinada a</p><p>pedestres.</p><p>PRISÃO EM FLAGRANTE NOS CRIMES DE TRÂNSITO</p><p>O Art. 301 do CTB, preceitua que “ao condutor de veículo, nos casos de</p><p>acidentes de trânsito de que resulte vítima, não se imporá a prisão em</p><p>flagrante, nem se exigirá fiança, se prestar pronto e integral socorro</p><p>àquela.” Desta forma, conclui-se que a prisão em flagrante nos crimes de</p><p>homicídio e lesões corporais culposas, bem como nos demais crimes previstos no</p><p>CTB, é PLENAMENTE CABÍVEL, haja vista que o artigo supramencionado deixa</p><p>claro que a prisão em flagrante só não será efetuada, quando o autor da infração</p><p>prestar PRONTO e INTEGRAL socorro à vítima, Andreucci afirma que “o</p><p>socorro tem de ser “pronto” e “integral”, o que significa que deve o motorista</p><p>socorrer a vítima imediatamente ao acidente, fazendo tudo o que estiver ao seu</p><p>alcance para evitar-lhe o perecimento.”</p><p>Por fim, cabe salientar um ponto a respeito do crime de lesão corporal</p><p>culposa, o qual passou a ser considerado de menor potencial ofensivo, por força</p><p>da lei 9.099/95, senso aplicáveis as previsões da referida lei. Desta forma, o</p><p>parágrafo único, do Art. 69 da lei 9.099/95, estabelece que “ao autor do</p><p>fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao juizado</p><p>ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em</p><p>flagrante, nem se exigirá fiança.” Assim, nas situações estabelecidas pela lei</p><p>9.099/95, também não serão cabíveis a prisão em flagrante e a exigência de</p><p>fiança.</p><p>CRIMES EM ESPÉCIE</p><p>1. Homicídio Culposo na Direção de Veículo Automotor (Art. 302 do</p><p>CTB):</p><p>O Art. 302 do CTB, dispõe: Art. 302. Praticar homicídio culposo na</p><p>direção de veículo automotor: Penas - detenção, de dois a quatro anos, e</p><p>13</p><p>suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir</p><p>veículo automotor.</p><p>1.1. Objetividade Jurídica: Direito à Vida.</p><p>1.2. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa que esteja na direção de veículo</p><p>automotor.</p><p>1.3. Sujeito Passivo: Qualquer pessoa.</p><p>1.4. Conduta: É representada pelo verbo “praticar”.</p><p>1.5. Elemento Subjetivo: Culpa (imprudência, negligência</p><p>e imperícia);</p><p>* Imprudência: É a violação das regras de conduta, é atuar sem precaução, é a</p><p>prática de fato perigoso. EX: Trafegar na contramão. Dirigir em velocidade</p><p>excessiva.</p><p>* Negligência: É a ausência de precaução, é não tomar as devidas precauções</p><p>antes de agir. EX: Falta de manutenção nos freios.</p><p>* Imperícia: É a falta de aptidão para realizar determinada manobra, seja pela</p><p>falta de conhecimento do agente, seja pela falta de aptidão do referido. EX:</p><p>Dirigir sem nunca ter tido aulas. Perder o controle do automóvel.</p><p>1.6. Consumação: Consuma-se o crime, com o resultado morte.</p><p>1.7. Tentativa: Não se admite.</p><p>1.8. Causas Especiais de Aumento de Pena: Estão previstas no §1º:</p><p>§ 1o No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é</p><p>aumentada de 1/3 (um terço) à metade, se o agente:</p><p>I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;</p><p>II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;</p><p>III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à</p><p>vítima do acidente;</p><p>IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo</p><p>de transporte de passageiros.</p><p>1.9. Embriaguez e homicídio culposo: O §3º do Art. 302, do CTB, dispõe</p><p>que se o agente conduz veículo automotor sob a influência de álcool ou de</p><p>qualquer outra substância psicoativa que determine dependência, a pena será de</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503.htm#art302%C2%A72</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503.htm#art302%C2%A71</p><p>14</p><p>reclusão, de cinco a oito anos, e suspensão ou proibição do direito de se obter a</p><p>permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.</p><p>1.10. Dolo Eventual X Culpa Consciente: Algumas das diversas discussões</p><p>que ocorrem entre acusação e defesa, no processamento dos crimes de homicídio</p><p>na direção de veículo automotor, gira em torno da caracterização do Dolo</p><p>Eventual ou da Culpa Consciente, haja vista que esse ponto é de suma</p><p>importância para definir se o crime foi Doloso ou Culposo, e consequentemente</p><p>definir de quem é a competência para processamento e julgamento. Em regra, a</p><p>Acusação irá sustentar a tese de Dolo Eventual, ou seja, irá alegar que o agente</p><p>assumiu o risco de matar, pois teria previsto o resultado e nada fez para evitá-</p><p>lo, e desta forma, se essa tese for aceita, o caso deverá ser julgado pelo Tribunal</p><p>do Júri, por ser tratar de Crime Doloso contra à vida, no caso o de Homicídio</p><p>Doloso, previsto no CP. Já a Defesa, irá sustentar a tese de Culpa Consciente, ou</p><p>seja, irá alegar que o agente prevendo o resultado, achou que poderia evitá-lo,</p><p>e desta forma, se essa tese for aceita, será considerado homicídio culposo, que</p><p>não é de competência do Tribunal do Júri, e será julgado pelo Juiz Singular.</p><p>1.11. Princípio da Confiança: O Princípio da confiança é de suma importância</p><p>na análise dos crimes de trânsito, haja vista que ele preceitua que todos devem</p><p>esperar que as outras pessoas que estejam no trânsito, ajam de acordo com as</p><p>normas da sociedade, visando evitar danos a si e a terceiros, ou seja, o indivíduo</p><p>confia que os demais agirão da maneira correta, respeitando as normas de</p><p>trânsito, principalmente, haja vista que se tornaria muito oneroso que todos os</p><p>indivíduos tivessem que vigiar a maneira de atuação dos demais. Desta forma,</p><p>quem descumprir essa confiança, não estará resguardado pelo direito, em regra,</p><p>como por exemplo, quando um motorista trafega pela via preferencial, em um</p><p>cruzamento, e confia que os demais veículos que estão na via secundária irão</p><p>aguardar a sua passagem, mas mesmo assim um desses veículos não aguarda a</p><p>passagem dele, e avança, e o motorista colide com aquele, causando a sua</p><p>morte, o motorista não deverá ser responsabilizado, pois o veículo em comento,</p><p>15</p><p>desrespeitou o princípio da confiança, um dever de lealdade e cuidado. Nesse</p><p>sentido, ensina Capez:</p><p>“Convém conceituarmos o princípio da confiança, princípio este</p><p>de extrema importância para a análise concreta dos crimes de</p><p>trânsito. Com efeito, trata-se de requisito para a existência do</p><p>fato típico, não devendo ser relegado para o exame da</p><p>culpabilidade. Funda-se na premissa de que todos devem esperar</p><p>por parte das outras pessoas que estas sejam responsáveis e</p><p>ajam de acordo com as normas da sociedade, visando a evitar</p><p>danos a terceiros. Por essa razão, consiste na realização da</p><p>conduta, na confiança de que o outro atuará de modo normal, já</p><p>esperado, baseando-se na justa expectativa de que o</p><p>comportamento das outras pessoas se dará de acordo com o que</p><p>normalmente acontece.” (CAPEZ, 2019, p. 455)</p><p>1.12 Incidência do Princípio da Consunção: No CTB estão tipificados</p><p>diversos crimes, que entre outras classificações, podem ser classificados como</p><p>de perigo abstrato (lei presume o dano) ou de perigo concreto (dano efetivo).</p><p>Ocorre que, em regra, os crimes classificados como sendo de perigo abstrato,</p><p>são absorvidos pelos crimes de perigo concreto, quando praticados no mesmo</p><p>contexto fático, não havendo desse modo, concurso de crimes. São Exemplos de</p><p>crimes de perigo abstrato: Os crimes de participação em corrida não autorizada,</p><p>direção de veículo automotor sem habilitação, entrega da direção a pessoa não</p><p>habilitada e excesso de velocidade. São exemplos de crimes de perigo concreto:</p><p>Lesão Corporal Culposa na direção de veículo automotor e Homicídio Culposo na</p><p>direção de veículo automotor. Deste modo, caso o agente, por exemplo, cometa</p><p>o crime de Lesão Corporal Culposa na direção de veículo automotor e esteja sem</p><p>habilitação, no mesmo contexto, o primeiro crime absorverá o segundo.</p><p>OBS:</p><p>16</p><p>A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode</p><p>servir de premissa bastante para a afirmação do dolo eventual em</p><p>acidente de trânsito com resultado morte.</p><p>STJ. 6ª Turma. REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em</p><p>21/11/2017 (Info 623).</p><p>De início, pontua-se que considerar que a embriaguez ao volante, de per si, já</p><p>configuraria a existência de dolo eventual equivale admitir que todo e qualquer</p><p>indivíduo que venha a conduzir veículo automotor em via pública com a</p><p>capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool responderá por</p><p>homicídio doloso, ao causar, por violação a regra de trânsito, a morte de 10</p><p>alguém. Não se descura que a embriaguez ao volante é circunstância negativa</p><p>que deve contribuir para a análise do elemento anímico que move o agente.</p><p>Todavia, não é a melhor solução estabelecer-se, como premissa aplicável a</p><p>qualquer caso relativo a delito viário, no qual o condutor esteja sob efeito de</p><p>bebida alcóolica, que a presença do dolo eventual é o elemento subjetivo ínsito</p><p>ao comportamento, a ponto de determinar que o agente seja submetido a Júri</p><p>Popular mesmo que não se indiquem quaisquer outras circunstâncias que</p><p>confiram lastro à ilação de que o acusado anuiu ao resultado lesivo. O</p><p>estabelecimento de modelos extraídos da praxis que se mostrem rígidos e</p><p>impliquem maior certeza da adequação típica por simples subsunção, a despeito</p><p>da facilidade que ocasionam no exame dos casos cotidianos, podem suscitar</p><p>desapego do magistrado aos fatos sobre os quais recairá a imputação delituosa,</p><p>afastando, nessa medida, a incidência do impositivo direito penal do fato.</p><p>Diferente seria a conclusão se, por exemplo, estivesse o condutor do automóvel</p><p>dirigindo em velocidade muito acima do permitido, ou fazendo, propositalmente,</p><p>zigue-zague na pista, ou fazendo sucessivas ultrapassagens perigosas, ou</p><p>desrespeitando semáforos com sinal vermelho, postando seu veículo em rota de</p><p>colisão com os demais apenas para assustá-los, ou passando por outros</p><p>automóveis "tirando fino" e freando logo em seguida etc. Enfim, situações que</p><p>permitissem ao menos suscitar a possível presença de um estado anímico</p><p>17</p><p>compatível com o de quem anui com o resultado morte.</p><p>Assim, não se afigura</p><p>razoável atribuir a mesma reprovação a quem ingere uma dose de bebida</p><p>alcoólica e em seguida dirige em veículo automotor, comparativamente àquele</p><p>que, após embriagar-se completamente, conduz automóvel na via. STJ. 6ª</p><p>Turma. REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em</p><p>21/11/2017 (Info 623).</p><p>Para que fique configurado o dolo eventual, além da embriaguez ao</p><p>volante é necessário que haja outros elementos nos autos de que o condutor</p><p>estivesse dirigindo de forma a assumir o risco de provocar acidente sem se</p><p>importar com eventual resultado fatal de seu comportamento.</p><p>Ex1: condutor, além de embriagado, dirigia o automóvel em velocidade muito</p><p>acima do permitido.</p><p>Ex2: condutor, além de embriagado, dirigia o automóvel, propositalmente, em</p><p>zigue-zague na pista ou fazendo sucessivas ultrapassagens perigosas.</p><p>Ex3: condutor do automóvel, além de embriagado, dirigia desrespeitando sinal</p><p>vermelho.</p><p>Ex4: condutor do automóvel, além de embriagado, “jogou” o veículo contra</p><p>pedestres para assustá-los ou passou por outros automóveis “tirando fino” e</p><p>freando logo em seguida.</p><p>Ex5: recentemente, o STF decidiu que configura dolo eventual o caso do</p><p>condutor embriagado que entrou na contramão e atingiu uma motocicleta,</p><p>causando a morte da vítima:</p><p>Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob</p><p>a influência de álcool, além de fazê-lo na contramão. Esse é, portanto, um caso</p><p>específico que evidencia a diferença entre a culpa consciente e o dolo eventual.</p><p>O condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com o risco de,</p><p>eventualmente, causar lesões ou mesmo a morte de outrem.</p><p>STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac.</p><p>Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 (Info 904).</p><p>18</p><p>Na primeira fase do Tribunal do Júri, ao juiz togado cabe apreciar a</p><p>existência de dolo eventual ou culpa consciente do condutor do veículo</p><p>que, após a ingestão de bebida alcoólica, ocasiona acidente de trânsito</p><p>com resultado morte.</p><p>STJ. 6ª Turma. REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em</p><p>21/11/2017 (Info 623).</p><p>Observe-se, inicialmente a indagação a respeito da presença do dolo eventual:</p><p>se o conceito jurídico-penal acerca do que é dolo eventual já produz enormes</p><p>dificuldades ao julgador togado, que emite juízos técnicos, apoiados em séculos</p><p>de estudos das ciências penais, o que se pode esperar de um julgamento</p><p>realizado por pessoas que não possuem esse saber e que julgam a partir de suas</p><p>íntimas convicções, sem explicitação dos fundamentos e razões que definem seus</p><p>julgamentos? O legislador criou um procedimento bifásico para o julgamento dos</p><p>crimes dolosos contra a vida, em que a primeira fase se encerra com uma</p><p>avaliação técnica, empreendida por um juiz togado, o qual se socorre da</p><p>dogmática penal e da prova dos autos, e mediante devida fundamentação,</p><p>portanto, não se pode desprezar esse "filtro de proteção para o acusado" e</p><p>submetê-lo ao julgamento popular sem que se façam presentes as condições</p><p>necessárias e suficientes para tanto. Note-se que a primeira etapa do</p><p>procedimento bifásico do Tribunal do Júri tem o objetivo principal de avaliar a</p><p>suficiência ou não de razões (justa causa) para levar o acusado ao seu juízo</p><p>natural. O juízo da acusação (iudicium accusationis) funciona como um filtro pelo</p><p>qual somente passam as acusações fundadas, viáveis, plausíveis e idôneas a</p><p>serem objeto de decisão pelo juízo da causa (iudicium causae). Deste modo, não</p><p>é consentâneo, aos objetivos a que representa na dinâmica do procedimento</p><p>bifásico do Tribunal do Júri, a decisão de pronúncia relegar a juízes leigos, com</p><p>a cômoda invocação da questionável regra do in dubio pro societate, a tarefa de</p><p>decidir sobre a ocorrência de um estado anímico cuja verificação demanda</p><p>complexo e técnico exame de conceitos jurídico-penais. STJ. 6ª Turma. REsp</p><p>19</p><p>1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017</p><p>(Info 623).</p><p>A primeira etapa do procedimento bifásico do Tribunal do Júri tem o objetivo</p><p>principal de avaliar a suficiência ou não de razões (justa causa) para levar o</p><p>acusado ao seu juízo natural. O juízo da acusação (iudicium accusationis)</p><p>funciona, assim, como um filtro pelo qual somente passam as acusações</p><p>fundadas, viáveis, plausíveis e idôneas a serem objeto de decisão pelo juízo da</p><p>causa (iudicium causae).</p><p>Não é uma tarefa fácil distinguir, na prática, o que seja dolo eventual ou</p><p>culpa consciente, especialmente em homicídios causados na direção de</p><p>automóvel. Isso porque é sempre muito difícil ter certeza sobre o elemento</p><p>anímico que move a conduta do agente. Se essa dificuldade existe para o julgador</p><p>togado, “que emite juízos técnicos apoiados em séculos de estudos das ciências</p><p>penais, o que se pode esperar de um julgamento realizado por pessoas que não</p><p>possuem esse saber e que julgam a partir de suas íntimas convicções, sem</p><p>explicitação dos fundamentos e razões que definem seus julgamentos?” Se o</p><p>legislador criou um procedimento bifásico para o julgamento dos crimes dolosos</p><p>contra a vida, em que a primeira fase se encerra com uma avaliação técnica,</p><p>empreendida por um juiz togado, o qual se socorre da dogmática penal e da</p><p>prova dos autos, e mediante devida fundamentação, não se pode, então,</p><p>desprezar esse “filtro de proteção para o acusado” e submetê-lo ao julgamento</p><p>popular sem que se façam presentes as condições necessárias e suficientes para</p><p>tanto.</p><p>2. LESÃO CORPORAL CULPOSA (ART. 303 DO CTB)</p><p>O Art. 303 do CTB, dispõe: Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na</p><p>direção de veículo automotor: Penas - detenção, de seis meses a dois anos e</p><p>suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir</p><p>veículo automotor.</p><p>2.1. Objetividade Jurídica: Direito à Integridade Corporal.</p><p>20</p><p>2.2. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa que esteja na direção de veículo</p><p>automotor.</p><p>2.3. Sujeito Passivo: Qualquer pessoa.</p><p>2.4. Conduta: É representada pelo verbo “praticar”.</p><p>2.5. Elemento Subjetivo: Culpa (imprudência, negligência e imperícia);</p><p>* Imprudência: É a violação das regras de conduta, é atuar sem precaução, é a</p><p>prática de fato perigoso. EX: Trafegar na contramão. Dirigir em velocidade</p><p>excessiva.</p><p>* Negligência: É a ausência de precaução, é não tomar as devidas precauções</p><p>antes de agir. EX: Falta de manutenção nos freios.</p><p>* Imperícia: É a falta de aptidão para realizar determinada manobra, seja pela</p><p>falta de conhecimento do agente, seja pela falta de aptidão do referido. EX:</p><p>Dirigir sem nunca ter tido aulas. Perder o controle do automóvel.</p><p>2.6. Consumação: Consuma-se o crime, com o resultado lesão corporal.</p><p>2.7. Tentativa: Não se admite.</p><p>2.8. Causas Especiais de Aumento de Pena: São as mesmas previstas nos</p><p>§1º, do Art. 302. Como estabelece o §1º do Art. 303: § 1o Aumenta-se a pena</p><p>de 1/3 (um terço) à metade, se ocorrer qualquer das hipóteses do § 1o do art.</p><p>302. Vejamos novamente as hipóteses:</p><p>I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;</p><p>II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;</p><p>III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à</p><p>vítima do acidente;</p><p>IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo</p><p>de transporte de passageiros.</p><p>2.9 Incidência do Princípio da Consunção: No CTB estão tipificados diversos</p><p>crimes, que entre outras classificações, podem ser classificados como de perigo</p><p>abstrato (lei presume o dano) ou de perigo concreto (dano efetivo). Ocorre que,</p><p>em regra, os crimes classificados como sendo de perigo abstrato, são absorvidos</p><p>pelos crimes de perigo concreto, quando praticados no mesmo contexto fático,</p><p>21</p><p>não havendo desse modo, concurso de crimes. São Exemplos de crimes de perigo</p><p>abstrato: Os crimes de participação em corrida não autorizada, direção</p><p>de veículo</p><p>automotor sem habilitação, entrega da direção a pessoa não habilitada e excesso</p><p>de velocidade. São exemplos de crimes de perigo concreto: Lesão Corporal</p><p>Culposa na direção de veículo automotor e Homicídio Culposo na direção de</p><p>veículo automotor. Deste modo, caso o agente, por exemplo, cometa o crime de</p><p>Lesão Corporal Culposa na direção de veículo automotor e esteja sem habilitação,</p><p>no mesmo contexto, o primeiro crime absorverá o segundo.</p><p>3. OMISSÃO DE SOCORRO (Art. 304 do CTB)</p><p>O Art. 304 do CTB, dispõe: Art. 304. Deixar o condutor do veículo, na</p><p>ocasião do acidente, de prestar imediato socorro à vítima, ou, não podendo fazê-</p><p>lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública:</p><p>Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa, se o fato não constituir</p><p>elemento de crime mais grave.</p><p>3.1. Objetividade Jurídica: Direito à Vida e o Direito à Saúde das pessoas.</p><p>3.2. Sujeito Ativo: Apenas a pessoa que esteja na direção do veículo automotor</p><p>envolvido no acidente com vítima, e sua ação não tenha sido culposa, pois caso</p><p>tenha incorrido em culpa, estará configurado o crime de homicídio culposo na</p><p>direção de veículo automotor ou lesão corporal culposa na direção de veículo</p><p>automotor, com aumento de pena da omissão de socorro.</p><p>3.3. Sujeito Passivo: A vítima envolvida no acidente com veículo automotor,</p><p>que necessite de socorro.</p><p>3.4. Elemento Subjetivo: Dolo.</p><p>3.5. Consumação: Com a mera omissão.</p><p>3.6. Tentativa: Não se admite.</p><p>3.7. Espécies de Omissão de Socorro:</p><p>22</p><p>OMISSÃO DE SOCORRO</p><p>ART. 135 DO CP ART. 304 DO CTB ART. 13, §2º DO CP</p><p>DEVER GERAL GARANTIDOR</p><p>SOLIDARIEDADE OMISSÃO IMPRÓPRIA</p><p>OBS:</p><p>* Dever geral de solidariedade: Mesmo nos casos que inexiste parentesco</p><p>com a pessoa que necessita de socorro, ou mesmo que não tenha relação com a</p><p>situação fática de risco, a sociedade como um todo tem o dever de prestar ajuda</p><p>para quem dela necessite, trata-se puramente de solidariedade, sentimento de</p><p>compaixão.</p><p>* Art. 304 do CTB: Ocorre quando o conduto do veículo envolvido no sinistro,</p><p>na ocasião do acidente, deixa de prestar imediato socorro à vítima, ou, não</p><p>podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da</p><p>autoridade pública.</p><p>* Omissão imprópria – garantidor: De modo geral, os crimes omissivos</p><p>impróprios consistem na omissão ou na não execução de uma conduta</p><p>predeterminada e juridicamente exigida do indivíduo. São classificados como</p><p>crimes de resultado, onde o agente deveria evitar o injusto e não o fez, ou seja,</p><p>foi omisso. O garantidor é o sujeito ativo nesses crimes, vale ressaltar que a</p><p>garantia é decorrente de um vínculo existente entre o garantidor e a vítima. Ex:</p><p>Pai e filho.</p><p>4. FUGA DO LOCAL DO ACIDENTE (ART. 305 DO CTB)</p><p>23</p><p>O Art. 305 do CTB, dispõe: Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo</p><p>do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa</p><p>ser atribuída: Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.</p><p>4.1. Objetividade Jurídica: Tutela a administração da justiça.</p><p>4.2. Sujeito Ativo: Apenas a pessoa que esteja na direção do veículo</p><p>automotor envolvido no acidente, trata-se de crime próprio.</p><p>4.3. Sujeito Passivo: O Estado, e secundariamente, a pessoa prejudicada</p><p>pela conduta do agente.</p><p>4.4. Conduta: É representada pelo verbo “afastar-se”.</p><p>4.5. Elemento Subjetivo: Dolo.</p><p>4.6. Consumação: Com a efetiva fuga do local do acidente.</p><p>4.7. Tentativa: É admitida, embora trate-se de crime formal.</p><p>5. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE (ART. 306 DO CTB)</p><p>O Art. 306 do CTB, dispõe: Art. 306. Conduzir veículo automotor com</p><p>capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra</p><p>substância psicoativa que determine dependência: Penas - detenção, de seis</p><p>meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou</p><p>a habilitação para dirigir veículo automotor.</p><p>5.1. Objetividade Jurídica: Proteção da incolumidade pública.</p><p>5.2. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.</p><p>5.3. Sujeito Passivo: A coletividade.</p><p>5.4. Conduta: É representada pelo verbo “conduzir”.</p><p>5.5. Elemento Subjetivo: Dolo.</p><p>5.6. Consumação: O crime consuma-se, quando o agente efetivamente dirige</p><p>veículo automotor em via pública, com concentração igual ou superior a 6</p><p>decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de</p><p>álcool por litro de ar alveolar , ou sob a influência de qualquer outra substância</p><p>psicoativa que determine dependência, independente de geração de perigo, pois</p><p>trata-se de crime de perigo abstrato. Cabe ressaltar que, caso o agente esteja</p><p>com concentração inferior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou inferior</p><p>24</p><p>a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar, não incidirá em crime, mas</p><p>estará sujeito a multa administrativa, nesse sentido estabelece o Art. 165 do</p><p>CTB:</p><p>Art. 165. Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância</p><p>psicoativa que determine dependência:</p><p>Infração - gravíssima;</p><p>Penalidade - multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze)</p><p>meses.</p><p>Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e retenção</p><p>do veículo, observado o disposto no § 4o do art. 270 da Lei no 9.503, de 23 de</p><p>setembro de 1997 - do Código de Trânsito Brasileiro.</p><p>Parágrafo único. Aplica-se em dobro a multa prevista no caput em caso de</p><p>reincidência no período de até 12 (doze) meses.</p><p>4.7. Recusa a Realização do Teste do Bafômetro: Por força do princípio do</p><p>nemo tenetur se detegere (o indivíduo não é obrigado a produzir provas contra</p><p>si), o motorista não pode ser obrigado a se submeter ao teste do bafômetro,</p><p>contudo, em caso de recusa, ele estará sujeito as sanções previstas no Art. 165-</p><p>A do CTB:</p><p>Art. 165-A. Recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro</p><p>procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância</p><p>psicoativa, na forma estabelecida pelo art. 277:</p><p>Infração - gravíssima;</p><p>Penalidade - multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze)</p><p>meses;</p><p>Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e retenção</p><p>do veículo, observado o disposto no § 4º do art. 270.</p><p>Parágrafo único. Aplica-se em dobro a multa prevista no caput em caso de</p><p>reincidência no período de até 12 (doze) meses</p><p>Ademais, ressalta-se que a embriaguez do motorista também poderá ser</p><p>constada por sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503.htm#art270%C2%A74</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503.htm#art270%C2%A74</p><p>25</p><p>da capacidade psicomotora, como estabelece o inciso II, §1º, do Art. 306 do</p><p>CTB.</p><p>4.8. Tentativa: Não é admitida.</p><p>6. VIOLAÇÃO DE SUSPENSÃO OU PROIBIÇÃO DE SE OBTER PERMISSÃO</p><p>OU HABILITAÇÃO PARA DIRIGIR VEÍCULO AUTOMOTOR (ART. 307 DO</p><p>CTB)</p><p>O Art. 307 do CTB, dispõe: Art. 307. Violar a suspensão ou a proibição</p><p>de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor imposta</p><p>com fundamento neste Código: Penas - detenção, de seis meses a um ano e</p><p>multa, com nova imposição adicional de idêntico prazo de suspensão ou de</p><p>proibição.</p><p>6.1. Objetividade Jurídica: Tutela a administração pública.</p><p>6.2. Sujeito Ativo: Somente pode ser sujeito ativo o indivíduo que foi suspenso</p><p>ou sofreu proibição de obter permissão ou habilitação para dirigir veículo</p><p>automotor.</p><p>6.3. Sujeito Passivo: O Estado.</p><p>6.4. Conduta: É representada pelo verbo “violar”.</p><p>6.5. Elemento Subjetivo: Dolo.</p><p>6.6. Consumação: Com a efetiva violação da suspensão ou da proibição de se</p><p>obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. Trata-se de</p><p>crime formal.</p><p>6.7. Tentativa: Não se admite.</p><p>6.8. Crime Omissivo: O parágrafo único do Art. 307 do CTB, dispõe: Parágrafo</p><p>único.</p><p>Nas mesmas penas incorre o condenado que deixa de entregar, no prazo</p><p>estabelecido no § 1º do art. 293, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de</p><p>Habilitação. Trata-se, nesse caso, de crime omissivo próprio, e não admite</p><p>tentativa.</p><p>26</p><p>7. PARTICIPAÇÃO EM COMPETIÇÃO NÃO AUTORIZADA (ART. 308 DO</p><p>CTB)</p><p>O Art. 308 do CTB, dispõe: Art. 308. Participar, na direção de veículo</p><p>automotor, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística ou</p><p>ainda de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor,</p><p>não autorizada pela autoridade competente, gerando situação de risco à</p><p>incolumidade pública ou privada: Penas - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três)</p><p>anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação</p><p>para dirigir veículo automotor.</p><p>7.1. Objetividade Jurídica: Tutela a incolumidade pública.</p><p>7.2. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.</p><p>7.3. Sujeito Passivo: A coletividade.</p><p>7.4. Conduta: É representada pelo verbo “participar”.</p><p>7.5. Elemento Subjetivo: Dolo.</p><p>7.6. Consumação: Com a efetiva participação em corrida, disputa ou</p><p>competição automobilística não autorizada. Trata-se de crime de perigo concreto.</p><p>7.7. Tentativa: Não se admite.</p><p>7.8. Figuras qualificadas: Estão previstas nos §§ 1º e 2º do Art. 308: §</p><p>1o Se da prática do crime previsto no caput resultar lesão corporal de natureza</p><p>grave, e as circunstâncias demonstrarem que o agente não quis o resultado nem</p><p>assumiu o risco de produzi-lo, a pena privativa de liberdade é de reclusão, de 3</p><p>(três) a 6 (seis) anos, sem prejuízo das outras penas previstas neste artigo; §</p><p>2o Se da prática do crime previsto no caput resultar morte, e as circunstâncias</p><p>demonstrarem que o agente não quis o resultado nem assumiu o risco de</p><p>produzi-lo, a pena privativa de liberdade é de reclusão de 5 (cinco) a 10 (dez)</p><p>anos, sem prejuízo das outras penas previstas neste artigo.</p><p>8. DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR SEM PERMISSÃO OU</p><p>HABILITAÇÃO (ART. 309 DO CTB)</p><p>O Art. 309 do CTB, dispõe: Art. 309. Dirigir veículo automotor, em via</p><p>pública, sem a devida Permissão para Dirigir ou Habilitação ou, ainda, se cassado</p><p>27</p><p>o direito de dirigir, gerando perigo de dano: Penas - detenção, de seis meses a</p><p>um ano, ou multa.</p><p>8.1. Objetividade Jurídica: Tutela a incolumidade pública.</p><p>8.2. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.</p><p>8.3. Sujeito Passivo: A coletividade.</p><p>8.4. Conduta: É representada pelo verbo “dirigir”.</p><p>8.5. Elemento Subjetivo: Dolo.</p><p>8.6. Consumação: O Crime se consuma com a efetiva direção de veículo</p><p>automotor, em via pública, sem permissão ou habilitação (ou ainda se cassado o</p><p>direito de dirigir), gerando perigo de dano. Diante disso, depreende-se que o</p><p>crime em comento trata-se de crime de perigo concreto, haja vista que lei exige</p><p>a ocorrência do perigo de dano.</p><p>8.7. Tentativa: Não se admite.</p><p>8.8. Revogação do Art. 32 da Lei das Contravenções Penais: Súmula</p><p>720 do STF: O art. 309 do Código de Trânsito Brasileiro, que reclama decorra</p><p>do fato perigo de dano, derrogou o art. 32 da Lei das Contravenções Penais no</p><p>tocante à direção sem habilitação em vias terrestres.</p><p>OBS:</p><p>CRIMINAL. RECURSO ESPECIAL. DIRIGIR VEÍCULO SEM HABILITAÇÃO</p><p>GERANDO PERIGO DE DANO. ABSOLVIÇÃO. CONDUTOR HABILITADO.</p><p>EXAME MÉDICO VENCIDO. ATIPICIDADE. RECURSO DESPROVIDO. I.</p><p>Hipótese em que o réu foi absolvido, ao fundamento de que o ato de conduzir</p><p>veículo automotor com carteira de habilitação vencida não constitui a conduta</p><p>tipificada no art. 309 do CTB. II. Se o bem jurídico tutelado pela norma é a</p><p>incolumidade pública, para que exista o crime é necessário que o condutor do</p><p>veículo não possua Permissão para Dirigir ou Habilitação, o que não inclui o</p><p>condutor que, embora habilitado, esteja com a Carteira de Habilitação vencida.</p><p>III. Não se pode equiparar a situação do condutor que deixou de renovar o exame</p><p>médico com a daquele que sequer prestou exames para obter a habilitação. lV.</p><p>Recurso desprovido. (STJ; REsp 1.188.333; Proc. 2010/0058722-8; SC;</p><p>28</p><p>Quinta Turma; Rel. Min. Gilson Langaro Dipp; Julg. 16/12/2010; DJE</p><p>01/02/2011)</p><p>Ante o exposto, depreende-se que dirigir com CNH vencida não configura</p><p>crime, mas mera irregularidade, e o motorista estará sujeito as sanções do Art.</p><p>162, V, do CTB:</p><p>Art. 162. Dirigir veículo:</p><p>V - com validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de</p><p>trinta dias:</p><p>Infração - gravíssima;</p><p>Penalidade - multa;</p><p>Medida administrativa - recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação e</p><p>retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado;</p><p>9. ENTREGA DA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR A PESSOA NÃO</p><p>AUTORIZADA (ART. 310 DO CTB)</p><p>O Art. 310 do CTB, dispõe: Art. 310. Permitir, confiar ou entregar a</p><p>direção de veículo automotor a pessoa não habilitada, com habilitação cassada</p><p>ou com o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem, por seu estado de saúde,</p><p>física ou mental, ou por embriaguez, não esteja em condições de conduzi-lo com</p><p>segurança: Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.</p><p>9.1. Objetividade Jurídica: Tutela a incolumidade pública.</p><p>9.2. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.</p><p>9.3. Sujeito Passivo: A coletividade.</p><p>9.4. Conduta: É representada pelo verbo “permitir”, “confiar” e “entregar”</p><p>9.5. Elemento Subjetivo: Dolo.</p><p>9.6. Consumação: O crime se consuma com a efetiva realização da conduta</p><p>descrita no artigo, independentemente da prática, pelo condutor, de qualquer</p><p>anormalidade. É crime de perigo abstrato. Nesse sentido é a Súmula nº 575 do</p><p>STJ: “Constitui crime a conduta de permitir, confiar ou entregar a direção de</p><p>veículo automotor a pessoa que não seja habilitada, ou que se encontre em</p><p>29</p><p>qualquer das situações previstas no art. 310 do CTB, independentemente da</p><p>ocorrência de lesão ou de perigo de dano concreto na condução do veículo”</p><p>9.7. Tentativa: Não se admite.</p><p>10. TRÁFEGO EM VELOCIDADE INCOMPATÍVEL COM A SEGURANÇA</p><p>(ART. 311 DO CTB)</p><p>O Art. 311 do CTB, dispõe: Art. 311. Trafegar em velocidade</p><p>incompatível com a segurança nas proximidades de escolas, hospitais, estações</p><p>de embarque e desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde haja</p><p>grande movimentação ou concentração de pessoas, gerando perigo de dano</p><p>Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.</p><p>10.1. Objetividade Jurídica: Tutela a incolumidade pública.</p><p>10.2. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.</p><p>10.3. Sujeito Passivo: A coletividade.</p><p>10.4. Conduta: É representada pelo verbo “trafegar”.</p><p>10.5. Elemento Subjetivo: Dolo.</p><p>10.6. Consumação: O crime se consuma com o efetivo tráfego em velocidade</p><p>incompatível com a segurança, em determinados locais, gerando perigo de dano.</p><p>Ressalta-se que ocorrendo acidente do qual resulte morte ou lesão culposa, ficará</p><p>absorvido o crime de tráfego em velocidade incompatível com a segurança</p><p>10.7. Tentativa: Não se admite.</p><p>11. FRAUDE NO PROCEDIMENTO APURATÓRIO (ART. 312 DO CTB)</p><p>O Art. 312 do CTB, dispõe: Art. 312. Inovar artificiosamente, em caso</p><p>de acidente automobilístico com vítima, na pendência do respectivo</p><p>procedimento policial preparatório, inquérito policial ou processo penal, o estado</p><p>de lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a erro o agente policial, o perito,</p><p>ou juiz: Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.</p><p>11.1. Objetividade Jurídica: Proteção da administração da justiça.</p><p>11.2. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.</p><p>11.3. Sujeito Passivo: O Estado.</p><p>11.4. Conduta: É representada pelo verbo “inovar artificiosamente”.</p><p>30</p><p>11.5. Elemento Subjetivo: Dolo, com o especial fim de agir: induzir a erro o</p><p>agente policial, o perito, ou o juiz.</p><p>11.6. Consumação: O crime se consuma com a mera inovação, se a</p><p>necessidade do efetivo engano dos agentes supracitados.</p><p>11.7. Tentativa: É admitida. Ocorre quando o agente e flagrado ao iniciar a</p><p>fraude.</p><p>11.8. Procedimento não iniciado: Aplica-se o disposto no Art. 312, ainda</p><p>que</p><p>não iniciados, quando da inovação, o procedimento preparatório, o inquérito ou</p><p>o processo aos quais se refere.</p><p>12. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS (ART. 312-A DO CTB)</p><p>O Art. 312-A do CTB, dispõe:</p><p>Art. 312-A. Para os crimes relacionados nos arts. 302 a 312 deste</p><p>Código, nas situações em que o juiz aplicar a substituição de pena privativa de</p><p>liberdade por pena restritiva de direitos, esta deverá ser de prestação de serviço</p><p>à comunidade ou a entidades públicas, em uma das seguintes atividades:</p><p>I - trabalho, aos fins de semana, em equipes de resgate dos corpos de</p><p>bombeiros e em outras unidades móveis especializadas no atendimento a vítimas</p><p>de trânsito;</p><p>II - trabalho em unidades de pronto-socorro de hospitais da rede pública</p><p>que recebem vítimas de acidente de trânsito e politraumatizados;</p><p>III - trabalho em clínicas ou instituições especializadas na recuperação de</p><p>acidentados de trânsito;</p><p>IV - outras atividades relacionadas ao resgate, atendimento e recuperação</p><p>de vítimas de acidentes de trânsito.</p><p>31</p><p>JURISPRUDÊNCIA STJ:</p><p>Súmula n° 575:</p><p>Constitui crime a conduta de permitir, confiar ou entregar a direção de veículo</p><p>automotor a pessoa que não seja habilitada, ou que se encontre em qualquer</p><p>das situações previstas no art. 310 do CTB, independentemente da ocorrência de</p><p>lesão ou de perigo de dano concreto na condução do veículo.</p><p>Crime De Adulteração De Sinal Identificador De Veículo Automotor.</p><p>Veículo Semirreboque. Atipicidade Formal.</p><p>A conduta de adulterar placa de veículo semirreboque é formalmente atípica. O</p><p>art. 311, caput, do Código Penal prevê como crime apenas a adulteração de sinal</p><p>identificador de veículo automotor. Por sua vez, a redação do art. 96, inciso I, do</p><p>Código de Trânsito Brasileiro, expressamente, diferencia os veículos automotores</p><p>dos veículos semirreboques. Desse modo, constata-se que a conduta de adulterar</p><p>placa de semirreboque é formalmente atípica, pois não se amolda à previsão do</p><p>art. 311, caput, do Código Penal.</p><p>(RHC 98.058-MG, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado</p><p>em 24/09/2019, DJe 07/10/2019. Info 657)</p><p>Habilitação para dirigir veículo automotor. Suspensão ou proibição.</p><p>Restrição administrativa. Violação. Art. 307 do CTB. Ausência de</p><p>tipicidade.</p><p>É atípica a conduta contida no art. 307 do CTB quando a suspensão ou a proibição</p><p>de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor advém de</p><p>restrição administrativa.</p><p>(HC 427.472-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, por maioria, julgado</p><p>em 23/08/2018, DJe 12/12/2018. Info 641)</p><p>Homicídio. Embriaguez ao volante. Dolo eventual. Ausência de</p><p>circunstâncias excedentes ao tipo. Desclassificação. Homicídio culposo.</p><p>A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode servir de</p><p>premissa bastante para a afirmação do dolo eventual em acidente de trânsito</p><p>com resultado morte.</p><p>32</p><p>(REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, por maioria, julgado em</p><p>21/11/2017, DJe 26/03/2018. Info 623)</p><p>Homicídio na direção de veículo após suposta ingestão de bebida</p><p>alcoólica. Dolo eventual versus culpa consciente. Aferição. Juiz togado.</p><p>Pronúncia. Filtro processual.</p><p>Na primeira fase do Tribunal do Júri, ao juiz togado cabe apreciar a existência de</p><p>dolo eventual ou culpa consciente do condutor do veículo que, após a ingestão</p><p>de bebida alcoólica, ocasiona acidente de trânsito com resultado morte.</p><p>(REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, por maioria, julgado em</p><p>21/11/2017, DJe 26/03/2018. Info 623)</p><p>JURISPRUDÊNCIA STF:</p><p>Súmula nº 720:</p><p>O art. 309 do Código de Trânsito Brasileiro, que reclama decorra do fato perigo</p><p>de dano, derrogou o art. 32 da Lei das Contravenções Penais no tocante à direção</p><p>sem habilitação em vias terrestres.</p><p>O art. 305 do CTB é constitucional e não viola o princípio da não</p><p>autoincriminação:</p><p>A regra que prevê o crime do art. 305 do Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº</p><p>9.503/97) é constitucional, posto não infirmar o princípio da não incriminação,</p><p>garantido o direito ao silêncio e ressalvadas as hipóteses de exclusão da</p><p>tipicidade e da antijuridicidade.</p><p>STF. Plenário. RE 971.959/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/11/2018</p><p>(repercussão geral) (Info 923).</p><p>33</p><p>EXERCÍCIOS:</p><p>01. (FGV - 2019 - Prefeitura de Salvador - BA - Guarda Civil Municipal) As opções a</p><p>seguir apresentam alguns crimes de trânsito dispostos no Código de Trânsito</p><p>Brasileiro, à exceção de uma. Assinale-a.</p><p>A) Entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada.</p><p>B) Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato socorro à</p><p>vítima.</p><p>C) Trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de hospitais,</p><p>gerando perigo de dano.</p><p>D) Dirigir sob a influência de álcool em qualquer quantidade no sangue, mesmo sem</p><p>sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora.</p><p>E) Participar, na direção de veículo automotor, de disputa automobilística não autorizada</p><p>pela autoridade competente.</p><p>02. (FGV - 2019 - Prefeitura de Salvador - BA - Guarda Civil Municipal) Antônio, para</p><p>desviar de um caminhão que bloqueava a rua, decidiu passar com seu carro sobre a</p><p>calçada, vindo, porém, a atropelar Joaquim, que saía da portaria de seu prédio para</p><p>caminhar. Após ajudar a vítima a se levantar e constatar a natureza leve dos ferimentos</p><p>por ela sofridos, Antônio comunicou por telefone o ocorrido a uma autoridade policial e</p><p>acionou uma ambulância para prestar o socorro, seguindo seu caminho antes que as</p><p>autoridades chegassem ao local, pois teria que buscar sua filha na escola. Considerando</p><p>as informações narradas, é correto afirmar que Antônio:</p><p>A) responderá pelo crime de omissão de socorro previsto no Código de Trânsito</p><p>Brasileiro, pois não prestou diretamente socorro à vítima, em concurso com o crime de</p><p>lesão corporal culposa praticada na direção de veículo automotor de natureza simples.</p><p>B) não responderá por crime previsto no Código Brasileiro de Trânsito, pois, apesar da</p><p>violação do dever objetivo de cuidado, o fato foi praticado sobre a calçada, e não na via</p><p>de tráfego, como exige esse diploma legal.</p><p>C) responderá por crime de lesão corporal culposa praticada na direção de veículo</p><p>automotor, podendo ter sua pena aumentada em razão de o fato ter sido praticado sobre</p><p>a calçada.</p><p>D) responderá pelo crime de tentativa de homicídio culposo praticado na direção de</p><p>veículo automotor, com a causa de aumento por não ter prestado socorro à vítima.</p><p>E) poderá ter sua habilitação suspensa por um período de até 10 anos, caso seja</p><p>condenado por crime previsto no Código de Trânsito Brasileiro.</p><p>03. (FGV - 2011 - OAB - Exame de Ordem Unificado - III - Primeira Fase) Guiando o</p><p>seu automóvel na contramão de direção, em outubro de 2010, Tício é perseguido por</p><p>uma viatura da polícia militar. Após ser parado pelos agentes da lei, Tício realiza,</p><p>espontaneamente, o exame do etilômetro e fornece aos militares sua habilitação e o</p><p>documento do automóvel. No exame do etilômetro, fica constatado que Tício</p><p>apresentava concentração de álcool muito superior ao patamar previsto na legislação de</p><p>trânsito. Além disso, os policiais constatam que o motorista estava com a habilitação</p><p>vencida desde maio de 2009.</p><p>Com relação ao relatado acima, é correto afirmar que o promotor de justiça deverá</p><p>denunciar Tício:</p><p>A) Pela prática dos crimes de embriaguez ao volante e direção sem habilitação.</p><p>B) Apenas pelo crime de embriaguez ao volante, uma vez que o fato de a habilitação</p><p>estar vencida constitui mera infração administrativa.</p><p>https://www.qconcursos.com/questoes-da-oab/provas/fgv-2011-oab-exame-de-ordem-unificado-iii-primeira-fase</p><p>34</p><p>C) Apenas pelo crime de direção sem habilitação, uma vez que o perigo gerado por tal</p><p>conduta faz com que o delito de embriaguez ao volante seja absorvido, em razão da</p><p>aplicação do Princípio da Consunção.</p><p>D) apenas</p><p>pelo crime de direção sem habilitação, pois o delito de embriaguez ao volante</p><p>só se configura quando ocorre acidente de trânsito com vítima.</p><p>04. (FCC - 2019 - DETRAN-SP - Agente Estadual de Trânsito) Trata-se de uma</p><p>circunstância, entre outras, que sempre agrava a penalidade do crime de trânsito, ter o</p><p>condutor do veículo cometido a infração:</p><p>A) com permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação com data de validade vencida.</p><p>B) com dano potencial para uma ou mais pessoas ou com grande risco de dano</p><p>patrimonial a terceiros.</p><p>C) quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o transporte de</p><p>passageiros ou de carga.</p><p>D) se o agente conduz veículo automotor sob influência de substância psicoativa que</p><p>determine dependência.</p><p>E) de transitar em velocidade superior à máxima permitida em mais de 20%.</p><p>05. (CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto) Com relação a crimes de</p><p>trânsito, julgue os itens a seguir.</p><p>I De acordo com o STJ, a conduta de permitir a direção de veículo automotor a pessoa</p><p>que não seja habilitada constitui crime somente na hipótese em que for constatado</p><p>perigo de dano concreto na condução do veículo.</p><p>II Aplica-se à lesão corporal culposa a transação penal, exceto se o agente estiver sob</p><p>a influência de álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência.</p><p>III A remoção do veículo por seu condutor imediatamente após a ocorrência de acidente</p><p>automobilístico configura o crime de fraude processual.</p><p>IV Em caso de acidente de trânsito de que resulte vítima, ao condutor do veículo não se</p><p>imporá a prisão em flagrante nem se exigirá fiança caso ele preste pronto e integral</p><p>socorro à vítima.</p><p>Estão certos apenas os itens:</p><p>A) I e II</p><p>B) I e III</p><p>C) II e IV</p><p>D) I, III e IV</p><p>E) II, III e IV</p><p>GABARITO:</p><p>1 D</p><p>2 C</p><p>3 B</p><p>4 C</p><p>5 C</p><p>https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/fcc-2019-detran-sp-agente-estadual-de-transito</p><p>https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2019-mpe-pi-promotor-de-justica-substituto</p><p>35</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDREUCCI, Ricardo Antonio. Legislação penal especial / Ricardo Antonio</p><p>Andreucci. – 13. ed. atual. e ampl. – São Paulo : Saraiva Educação, 2018.</p><p>BITENCOURT, Cezar Roberto. Código penal comentado. São Paulo: Saraiva,</p><p>2002.</p><p>BRASIL. Planalto. Portal da Legislação, 2020. Disponível em:</p><p>http://www4.planalto.gov.br/legislacao/. Acesso em abril de 2020.</p><p>CAPEZ, Fernando Curso de direito penal, volume 4 : legislação penal especial /</p><p>Fernando Capez. – 14. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2019.</p><p>GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal I Rogério Greco. - 18. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Impetus, 2016.</p><p>http://www4.planalto.gov.br/legislacao/</p>