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1Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos https://direito.idp.edu.br/blog/ 2Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Origem histórica .............................................................................................. Fatos e atos ...................................................................................................... Atos administrativos e atos da administração ........................................ Conceito de atos administrativos ............................................................... Atributos do ato administrativo .................................................................. Elementos do ato administrativo ................................................................ Classificação dos atos administrativos ...................................................... Conclusão ........................................................................................................... Referências ........................................................................................................ Conheça o Curso de Direito Administrativo .............................................. Conheça o IDP Learning ................................................................................. Conheça as Redes Sociais do IDP Online .................................................... 3 6 8 10 14 18 24 26 28 29 30 31 Sumário 3Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos 4Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos A convivência em grupo necessita de uma organização. Esta não pode se dar de forma passiva, ou seja, aguardar que cada indivíduo se autorregule e se limite. É imperativo a qualquer organização de pessoas que sua administração, seja ela como for, ativamente atue na regulação dos seus membros. Tal intervenção do Estado em seus indivíduos é presente ao lon- go da história. Basta observar as ordens dos diversos governantes da antiguidade, idade média e moderna. Todos estes governos tomaram atitudes, por meio do aparato estatal, para administrar a sociedade. Embora se assemelhe aos atos administrativos contemporâneos, há determinadas características de tais ações que diferenciam tais ações dos atos administrativos contemporâneos, como se verá ao final do presente tópico. Foi a partir da Revolução Francesa de 1789, com o declínio do antigo regime e suas práticas autocráticas, que os estudiosos passa- ram a melhor estudar as ações dos governantes, não com a intenção de aprimorar as práticas absolutistas, mas questioná-las, mais espe- cificamente limitá-las. Desse modo, a primeira menção a atos administrativos se deu pela Lei 16/24-8-1790, a qual desautorizou aos Tribunais conhecerem de “operações dos corpos administrativos”. Tal dispositivo foi nova- mente inserido pela Lei 3-9-1795, a qual determinou que os Tribunais não deveriam “conhecer dos atos da administração, qualquer que seja a sua espécie.”. Tais dispositivos deram origem à jurisdição contenciosa admi- nistrativa na França, a qual era diferente das demais jurisdições, por motivos políticos, os revolucionários não confiavam nos Tribunais para julgar os atos praticados pelos governos. Portanto, para fixar a competência dos novos Tribunais admi- nistrativos, por assim dizer, a doutrina francesa teve que desenvolver o conceito de ato administrativo, o qual foi conceituado apenas em 1812, no Repertório de Merlin, o qual conceituou como ato adminis- trativo toda “ordenança ou decisão de autoridade administrativa, que tenha relação com sua função”. 5Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos A existência de divisão dos Poderes do Estado, com a dis- tribuição de competências e atribuições, no qual existe uma que possa vir a ser definido como Poder Executivo; Com a evolução dos estudos acerca dos atos administrativos, Décio Carlos Ulla, compreendeu que a existência do conceito de ato administrativo depende de determinados pressupostos, quais sejam: Que o ordenamento jurídico prime pelo Estado de Direito, ou seja que o Estado se submeta às normas por ele mesmo arbitradas; Que o ordenamento jurídico tenha como norte o Princípio da legalidade estrita, ou seja as ações do governo sejam definidas pela Lei; A existência de um regime jurídico feito exclusivo à administração, o qual se distingue do regime jurídico direcionado aos demais. Desse modo, pelos pressupostos 1, 2 e 3, têm-se que para Décio Carlos Ulla, só podemos debater acerca de ato administrativo dentro de um ordenamento constitucional, o qual preza pela separação de poderes e o Estado de Direito. Já pelo pressuposto 4, segundo Ulla, não é possível discutir a existência de ato administrativo no âmbito dos países de comon law, pois, em interpretação Maria Zanella Di Pietro, neste sistema jurídico “(...) nega-se a existência de um regime jurídico que sujeite a Adminis- tração diverso do sistema que se submetem os particulares”. 1 2 3 4 6Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos 7Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Após analisar as origens históricas de atos administrativos, bem como as condições de existência destes, precisamos conceituar o que são atos administrativos. Antes disso, é imperativo separar o substan- tivo “atos” de seu adjetivo “administrativos”. A palavra ato tem como contraponto a expressão fato. Enquan- to ato pressupõe uma ação de uma pessoa para determinado fim descrito. O fato é uma vicissitude aquém dos desejos humanos. Imagine a seguinte situação: uma pedra se moveu de um ponto A ao ponto B. Caso o deslocamento do corpo rochoso tenha ocorrido por culpa de uma pessoa, a qual arremessou a pedra, estamos dian- te de um ato. Todavia, na hipótese da pedra ter se deslocado devido ao vento, estamos diante de um fato, pois ocorreu independente de interferência humana. Atos e fatos, por si só não produzem efeitos jurídicos. Para que estes passem a ter efeito na esfera legal é imperativo que o ato e fato se amoldem a uma descrição legal. Nestes casos se tornam fatos e atos jurídicos. Por fim, para que se tornem atos e fatos administrati- vos, tais devem produzir efeitos nesta esfera do direito. Voltemos ao exemplo da pedra, caso a pedra tenha atingido e matado um servidor público, este fato se tornou um fato jurídico, pois gerou uma situação de vagância do cargo, a qual será ocupado, por exemplo, por nomeação de um novo servidor. No caso temos um fato administrativo, qual seja a situação de vagância causada pela morte do servido público devido a perda, bem como estamos diante de um ato administrativo, com a nomeação de uma nova pessoa para ocupar o cargo vagante. 8Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos 9Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Para grande parte da doutrina, principalmente aquela que par- te do conceito objetivo de ato administrativo, existe diferença entre ato da administração e ato administrativo. Ato da administração é todo aquele ato praticado pelo Estado, seja por meio de seus órgãos ou servidores. Dentre essa imensidão de atos, existem aqueles com características específicas que chama- mos de atos administrativos. Portanto, atos administrativos é uma espécie do gênero atos da administração, apenas para citar alguns exemplos de atos da admi- nistração temos: atos de direito privado, atos materiais, atos de co- nhecimento, atos políticos e atos normativos. 10Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos 11Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos A conceituação de atos administrativos é dominada, principal- mente, por dois critérios, os quais servem de base para a criação do conceito de atos administrativos, são eles: o critério subjetivo e o cri- tério objetivo. Pelo critério subjetivo, também conhecido como orgânico ou formal, são atos administrativos todos aqueles atos praticados pelos órgãos administrativos. Tal conceito inclui comoato administrativo todos os atos da administração, desde que praticados por órgãos ad- ministrativos. Todavia, exclui de tal conceito os atos feitos pelo Poder Legislativo e Judiciário, ainda que tenham natureza administrativa, pois não são órgãos administrativos. Portanto, para tal conceito, o critério para determinar se o ato praticado pela administração é ato administrativo ou não é o órgão emissor, pouco importa a análise do conteúdo do ato, ou sua finali- dade, por se concentrar no sujeito que pratica o ato que tal critério é chamado de subjetivo. Tal conceito por ser demasiado amplo, mas não contemplar a função administrativa desempenhada, em caráter atípico, pelos de- mais poderes do Estado, não é muito aceita na doutrina contempo- rânea. Já de acordo com o critério objetivo, também chamado de fun- cional ou material, são considerados atos administrativos todo ato feito no âmbito da função administrativa, pouco importa quem seja o emissor de tal ato. Já há uma mudança brusca entre os critérios, enquanto o crité- rio subjetivo foca no emissor, o critério objetivo foca no conteúdo do ato administrativo, pois caso esse esteja no âmbito da função admi- nistrativa, portanto, estará diante de um ato administrativo. Natural- mente, existe uma dúvida, o que é função administrativa? O Estado possui três funções: legislativa, jurisdicional e admi- nistrativa, esta última se caracteriza por prover de forma concreta e imediata às necessidades do Estado para satisfação dos interesses públicos estabelecido na lei. 12Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Portanto, a função administrativa se caracteriza por ser parcial, concreta e subordinada. É parcial, pois ao exercer a função adminis- trativa, o Estado é parte do negócio jurídico e não um terceiro desin- teressado, como na função jurisdicional. É concreta, porque aplica a lei na realidade, dá concretude às determinações legislativas. Por fim, é subordinada, uma vez que pode ser revista pelo Poder Judiciário. Pela definição de função administrativa e suas características, pode-se concluir que tal função é exercida, principalmente, pelo Po- der Executivo, mas este não é o único que a exerce, os demais Pode- res também exercem tal função, só que em grau menor. Por exemplo, o Poder Judiciário precipuamente exerce a função jurisdicional, mas é possível que este exerça a função administrativa, como ao comprar computadores para os servidores. Tal ato está no âmbito da função administrativa, pois por meio da compra destes eletrônicos, o Poder Judiciário permite que seus servidores traba- lhem e, assim, satisfaça o interesse público. 13Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos A manifestação de vontade do Estado, por seus representantes no exercício regular de suas funções, ou por qualquer pessoa que detenha, nas mãos, fração de poder reconhecido pelo Es- tado, que tem por finalidade imediata, criar, reconhecer, modi- ficar, resguardar ou extinguir situações jurídicas subjetivas, em matéria administrativa. Com base neste arcabouço teórico do critério objetivo sur- giram diversos conceitos de atos administrativos, por exem- plo o conceito de José Cretella Júnior, o qual define dessa forma: Apenas para ilustrar a diversidade de definições que surgiram a partir do critério objetivo, colaciona-se a definição de Celso Antônio Bandeira de Mello, segundo o qual ato administrativo é: A declaração do Estado ou de quem lhe faça às vezes, expedida em nível inferior à lei – a título de cumpri-la – sob regime de direito público e sujeita a controle de legitimidade por órgão jurisdicional. 14Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos 15Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos O ato administrativo se distingue dos atos praticados pelos par- ticulares por gozar de determinados atributos, prerrogativas, para melhor atender ao interesse público. Naturalmente, não há unifor- midade de pensamento quanto aos atributos, mas abordaremos os mais aceitos pela doutrina para facilitar o entendimento. Serão estudados no presente tópico os seguintes atributos do ato administrativo: presunção de legalidade e veracidade, imperati- vidade, autoexecutoriedade e tipicidade. Constantemente se confunde a presunção de legalidade com a de veracidade, todavia são duas presunções completamente distin- tas. Enquanto o paradigma desta está nos fatos, o paradigma da- quela está nas disposições legais aplicadas ao referido ato. A presunção de legalidade é a presunção pela qual os atos ad- ministrativos estão em conformidade com a Lei. É semelhante ao que ocorre que a criação de novas leis, não se parte do pressuposto de que estejam em desconformidade com a Constituição. Seria ilógico partir da premissa que o ato administrativo não está em conformidade com a lei, vez que seria o Estado a desrespei- tar a própria limitação a si imposta. Portanto, parte-se da presunção que todo o ato administrativo está em conformidade com as normas. Já a presunção de veracidade diz respeito a correspondência entre os fatos alegados no ato administrativo com a realidade. É a partir deste tributo que surge o que chamamos de fé pública, a qual estabelece que se presumem verdadeiros os fatos narrados pelos servidores públicos no exercício de suas funções administrativas. Ambas são presunções, não certezas, portanto, tais atributos possuem como efeito prático a inversão do ônus da prova, logo, sem- pre que se deparar com um ato administrativo, o Estado não precisa demonstrar que aquele ato é legal e que suas premissas são verda- deiras, tal dever é da parte contrária. 16Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Além deste efeito, o fato de presumir-se a veracidade e legalida- de do ato administrativo implica que, caso não haja interpelação do Poder Judiciário, o ato administrativo continuará a produzir os seus efeitos. O atributo da imperatividade é a possibilidade de o Poder Pú- blico criar, modificar e extinguir obrigações de forma unilateral, sem a participação do particular, prescinde-se de sua concordância. Uma das maiores diferenças entre os atos praticados por parti- culares e o ato administrativo é a imperatividade. Não é possível no âmbito privado um particular criar para outro uma obrigação sem sua respectiva anuência. Como decorrência do atributo da imperatividade, o ato admi- nistrativo também goza de autoexecutoriedade. Por tal atributo os atos administrativos são passíveis de execução sem qualquer interfe- rência do Poder Judiciário. Devido à possibilidade de invasão profunda do Poder Público na esfera particular, tal atributo deve vir previsto em lei, caso contrá- rio não poderá ser autoexecutado pelo Estado. Há também a possi- bilidade de autoexcutividade, quando a situação assim o demandar em prol do interesse público. 17Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Por óbvio, caso o ato administrativo autoexecutável cause dano ilegal ao particular, este poderá recorrer ao Judiciário as devidas per- das e danos decorrentes do evento danoso. Por fim, o atributo da tipicidade é uma decorrência do princípio da legalidade estrita imposta ao Estado, conforme art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. O princípio da legalidade tem duas faces, a ampla e a estrita. O princípio da legalidade ampla é aplicado aos particulares, determina que o particular poderá fazer tudo aquilo que a lei não proíbe. Ao pas- so que na legalidade estrita, a qual é aplicada ao Poder Público, este apenas poderá fazer o que está definido em lei. Portanto, o atributo da tipicidade determina que todo ato admi- nistrativo deve estar previsto em lei, não há a possibilidade de a Admi- nistração praticar atos inominados, sem correspondência em lei. 18Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos 19Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Alguns doutrinadores, para facilitar a análise do ato administra- tivo, traçamum paralelo entre os elementos dos atos administrativos e os elementos que compõem o negócio jurídico no âmbito do direi- to civil. Neste paralelo, há a divisão dos elementos dos atos administra- tivos, tais quais no negócio jurídico, em elementos essenciais, aciden- tais e acessórios. Essencial é todo aquele elemento sem o qual o ato administrativo não existirá o ato. Acidental é o elemento que modifi- ca a prestação da obrigação principal, por exemplo, prazo e condição. Por fim, acessório, são elementos que criam obrigações novas e acessórias à obrigação principal. Caso o leitor deseje se aprofundar nos elementos do negócio jurídico e, desse modo, entender mais a fundo acerca da classifica- ção dos elementos do negócio jurídico, a qual pode ser utilizada para melhor compreensão do ato administrativo, recomendo a leitura do meu artigo a ser publicado pelo IDP, em que discuto sobre os defei- tos do negócio jurídico. Por hora, tal classificação tem como escopo apenas situar o lei- tor sobre quais elementos do administrativo nós iremos abordar no presente tópico e estes são apenas os essenciais. Os elementos essenciais ao negócio jurídico são: sujeito, objeto, forma, finalidade e, por fim, motivo. Acerca do sujeito, diferente do que ocorre no direito civil, para além de ser capaz, o sujeito necessário para praticar determinados atos administrativos deve ter competência para os fazer. Competência é o conjunto de atribuições fixadas pela lei para determinadas pessoas, sejam elas jurídicas ou físicas. Para aumentar a eficiência da administração pública, a competência pode ser divi- dida nos seguintes critérios: matéria, território, hierárquico, tempo e fracionamento. 20Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos A divisão pela matéria, possui como critério o conteúdo de de- terminados atos, tem-se que determinados órgãos trataram de de- terminados assuntos, tal especialização aumenta o foco e facilita o fluxo de trabalho dos órgãos e servidores. Já a repartição por território tem como critério a geografia, com vistas para além de aumentar a eficácia do serviço público, permite que cada território seja administrado de forma especializada, com foco em suas peculiaridades. A competência dividida com base na hierarquia, é a divisão verti- cal da administração pública, a qual permite tanto a organização dos órgãos, inclusive com a implementação de plano de carreira, como permite rediscussão dos atos administrativos por meio do respectivo processo administrativo. 21Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos A divisão da competência pelo tempo é algo mais raro na ad- ministração pública, tal repartição ocorre para eventos específicos e determinados, são competências determinadas pelo tempo. Por fim, a divisão de competência por fracionamento é aquela que visa adequar procedimentos complexos às divisões dos órgãos públicos, trata-se de uma forma não só de respeitar as demais com- petências, como facilitar o trâmite de procedimentos complexos. Portanto, feita a digressão acerca da competência e sua reparti- ção, têm-se que é elemento essencial do ato administrativo o sujeito capaz e competente, conforme determinado nas regras de compe- tência. Outro elemento do ato administrativo é o objeto, o qual tam- bém poderá ser chamado de conteúdo. Este diz respeito ao efeito jurídico imediato pretendido pelo ato administrativo. Antes de se aprofundar nas características do objeto, é essencial debater sobre a doutrina, minoritária, que divide o objeto em objeto propriamente dito e conteúdo. É o caso, por exemplo, de Regis Fer- nandes de Oliveira, para este doutrinador, objeto é a relação ou coisa sobre a qual recairá o efeito jurídico, o qual é chamado de conteúdo. Apenas para ilustrar, no caso de uma demissão de servidor pú- blico, o objeto é a relação funcional do servidor, ao passo que o con- teúdo é a demissão em si. Naturalmente, como no direito privado, o objeto deve ser lícito, possível e certo. Por lícito tem o objeto que está em conformidade com a lei. Possível guarda relação com a possibilidade de existência de determinada ação. Por fim, certo se refere a determinação do ob- jeto. O terceiro elemento do ato administrativo é a forma, a qual diz respeito ao modo pelo qual se exterioriza o ato administrativo, ou seja, como se materializa o ato administrativo em si. A doutrina reconhece duas concepções de forma: a restrita e ampla. 22Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Segundo a concepção restrita de forma, considera como forma apenas a maneira pela qual o ato administrativo se exterioriza, o ins- trumento em si que externaliza o ato administrativo, seja verbal ou escrito. Por exemplo, se o ato administrativo está disposto em uma portaria, a portaria em si é a forma. Já pela concepção ampla, forma não é apenas o documento ou o modo em si que se exterioriza o ato administrativo, mas também o encadeamento de todos os procedimentos para a sua externalização. Portanto, enquanto a concepção restrita se limita ao ato de exterio- rização em si, a concepção ampla amplia o conceito de forma para englobar para além do modo como exterioriza o ato administrativo, o próprio procedimento que forma o ato administrativo. Contemporaneamente, os doutrinadores entendem que a for- ma deve ser conceituada pela concepção ampla. Tal preferência da doutrina se dá em observância ao princípio da legalidade estrita, vez que sem a observância do procedimento, há a possibilidade de o ato administrativo ser considerado inválido. O quarto elemento que compõe o ato administrativo é a fina- lidade, este é objetivo que o Poder Público visa com o ato adminis- trativo. Difere-se do objeto, pois este diz respeito ao efeito imediato pretendido pela Administração Pública, ao passo que a finalidade é o efeito imediato visado pelo Estado. 23Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Tal qual ocorre com a forma, a finalidade também pode ser in- terpretada pela concepção ampla, ou pela concepção restrita, o pris- ma de análise é o grau de vinculação da finalidade com a lei. Se o grau de vinculação exigido for menor, ou seja, basta haver finalidade pública para se existir o elemento, estamos diante da concepção am- pla, se a finalidade necessariamente estiver atrelada à lei, estamos diante da concepção restrita. Atualmente, a doutrina pende pela recepção de uma finalidade mais restrita, como é o caso de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a qual entende, inclusive, que a finalidade já forçada pelo próprio legislador, desse modo, o órgão administrativo deve apenas se ater a finalidade pré-estabelecida pelo legislador. Apenas para que não reste dúvida acerca do que vem a ser a finalidade, em um ato administrativo que consiste na demissão do funcionário público, o objeto é a demissão em si, a finalidade é a pu- nição. Caso a demissão tenha outra finalidade, por exemplo perse- guição ao servidor público, o ato administrativo se considerará inexis- tente. Por fim, o último elemento a compor o ato administrativo é o motivo, estas são as questões de fato e de direito que servem de fun- damento para o ato administrativo. É imperativo destacar que o motivo, não se confunde com sua motivação, enquanto aquele é o elemento que fundamenta o ato, este é a exposição de tais motivos. Portanto, a motivação está atrela- da com a forma e não com o motivo em si. Cabe destacar ainda a teoria dos motivos determinantes, quan- do a Administração Pública apresenta os motivos que a fizeram to- mar determinado ato administrativo, mesmo nos casos em que a lei não o exige, a validade de tal ato está atrelado ao motivo. Ou seja, caso o motivo seja falso ou inexistente, o ato administrativo será con- siderado inválido. 24Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos 25Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Após o estudo do conceito, dos atributos e dos elementos do ato administrativo,podemos estudar como se classificam os atos admi- nistrativos. Para fazer tal classificação, nós iremos utilizar os seguin- tes critérios: prerrogativas, formação da vontade, destinatários e, por fim, exequibilidade. O critério de prerrogativas leva em consideração quais atribu- tos deTerminados atos administrativos possuem frente ao particular. Caso o ato administrativo possua todos os atributos e prerrogativas, estaremos diante de um ato de império. Já se o ato administrativo não tiver nenhum atributo e, portanto, estar em igualdade com o particular, será um ato de gestão. Pelo prisma da formação da vontade, se classificam os atos ad- ministrativos conforme o seu modo de produção. De tal classificação derivam três espécies de atos administrativos, simples, complexos e compostos. Os atos administrativos simples são aqueles formados pela ma- nifestação de apenas um órgão. Os complexos são aqueles formados pela manifestação de dois órgãos ou mais, os quais combinam suas manifestações em um ato. Já os compostos são aqueles feitos pela manifestação de vontade de mais de um órgão, a qual formou mais de um ato, sendo um ato instrumental para o outro. Ao analisarmos os atos administrativos pela ótica dos destina- tários, podemos classificá-los em gerais e individuais. Serão gerais aqueles atos que se dirigem a um número indeterminado de pesso- as. Já os individuais são aqueles atos direcionados ao caso concreto, a determinadas pessoas. Por fim, com relação à exigibilidade, os atos administrativos po- dem ser classificados em perfeito, imperfeito, pendente e consumado. Os atos perfeitos são aqueles desde logo de sua criação exigíveis. Os imperfeitos são aqueles que não são capazes de produzir seus efeitos. Pendente é o ato que está sujeito à condição, ou termo para produzir efeito. Por fim, consumado é aquele que já exauriu seus efeitos. 26Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos 27Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos O estudo de direito administrativo perpassa um estudo apro- fundado do que vem a ser o ato administrativo, embora o presente artigo tenha explanado extensivamente o que vem a ser ato adminis- trativo, trata-se de mera introdução ao tema. Existem questões específicas que devem ser estudadas detida- mente pelo acadêmico de direito, como o estudo da discricionarieda- de do Estado, as espécies de ato administrativos, o modo de extinção dos atos administrativos entre outros temas. Para ter acesso a tais questões, mas, principalmente, para se manter atualizado quanto ao Direito Administrativo, recomendamos fortemente a Pós-Graduação do IDP, a qual conta com uma gama de professores experientes e com currículo de peso. Ademais, caso deseje ter acesso à artigos mais curtos e focado em minúcias do direito, tanto administrativo, quanto cível, penal e de outras áreas, acesse o blog do IDP, lá haverá textos menores e mais focados em assuntos específicos de cada área. https://online.idp.edu.br/curso/direito-administrativo/ https://direito.idp.edu.br/idp-learning/blog/ 28Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo, 32° ed. Rio de Janeiro, Forense, 2019. CRETELLA JÚNIOR, José. Do ato administrativo. São Paulo, J. Bushat- sky, 1977. MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Ato administrativo e direitos dos administrados, São Paulo, Revistas dos Tribunais, 1981. Referências POR: JOHANN CHIRITT 29Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos Conheça o curso de DIREITO ADMINISTRATIVO O curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Direito Administrativo tem como principal objetivo apresentar os fundamentos da organização administrativa brasileira e as atividades que giram em torno da Administração Pública. Você vai desenvolver uma visão abrangente e atual sobre: Crise fiscal do Estado e Reforma administrativa; Novas formas de organizações administrativas; Novas tecnologias e seus impactos no Direito Administrativo Regime jurídico de servidores públicos: desafios e propostas à Reforma Administrativa Licitações e contratos públicos em situações de emergência História do Direito Administrativo Processo Administrativo VOCÊ VAI APRENDER COM GRANDES REFERÊNCIAS DO MERCADO BAIXAR O GUIA DE CURSO VLÁDIA POMPEU ADVOGADA-GERAL DA UNIÃO ADJUNTA DOUTORA EM DIREITO MARILENE MATOS DOUTORANDA EM DIREITO ADVOGADA E ASSESSORA JURÍDICA DA ESCOLA DE GOVERNO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS GUSTAVO JUSTINO DOUTOR EM DIREITO ADVOGADO E PROFESSOR DA USP https://online.idp.edu.br/curso/direito-administrativo/?utmsource=ebook&utm_medium=linkinterno&utm_term=linkinterno-pgda&utm_content=convite_pos_pgda&utm_campaign=_20241_PGDA_Topo_Ebook_Atos_Administrativos 30Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos https://direito.idp.edu.br/blog/idp-learning 31Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos https://direito.idp.edu.br/blog/ https://www.linkedin.com/company/idp-edtech/?originalSubdomain=br https://www.facebook.com/online.idp https://www.instagram.com/idponline/ https://www.youtube.com/channel/UCFChE8OIFKnlyGH0-YIYEpg https://podcasts.apple.com/br/podcast/idp-cast/id1611353020 https://open.spotify.com/show/6dYyPGfEiVeeMmtU4dybP3 https://www.deezer.com/br/show/3447282 https://anchor.fm/idp-cast 32Ebook - Direito Administrativo: Atos Administrativos https://direito.idp.edu.br/blog/